quinta-feira, janeiro 29, 2009

PAINEL

Trincheira


Folha de S. Paulo - 29/01/2009
 

Candidato favorito à presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) recorreu a um tema caro à oposição no pacote de promessas apresentado nos últimos dias a DEM e PSDB: comprometeu-se a dificultar a aprovação da inclusão da Venezuela no Mercosul. O aceno foi um dos argumentos usados, especialmente por tucanos, para tentar convencer os que na bancada preferem votar em Tião Viana (PT-AC).
Já aprovado na Câmara, o aval ao país de Hugo Chávez depende do Senado. Chegará à Casa com o apoio do PT e será analisado, primeiro, por comissão chefiada por Aloizio Mercadante (PT-SP). O governo tentou manobrar para que lá houvesse a decisão final, sem envio ao plenário, mas não houve acordo.

Memória
De Sarney, em 21 de dezembro do ano passado: "Se a Venezuela dá seguidas demonstrações de desapreço pela democracia, não faz sentido violar as regras do Mercosul para acolhê-la". 

Cabide
PSDB, PTB e PR disputam palmo a palmo três secretarias da Mesa do Senado, cujas estruturas reúnem gabinete de luxo e fartura de cargos. De acordo com o regimento, as únicas atribuições das secretarias são "contar votos" quando eles são em cédulas de papel, anotar nomes, organizar listas e fazer leitura das atas das sessões. 

Corrente
Com os votos do PSDB dados como certos, Roseana Sarney (PMDB-MA) telefonou ontem para alguns senadores "demos" pedindo que, mais do que manifestação de líderes, o partido oficialize o apoio da bancada. 

Fio do bigode
Diante da ameaça de traições na segunda-feira, coordenadores e aliados da campanha do deputado Michel Temer (PMDB-SP) asseguram que ele terá mais de 300 votos. "No PSDB eu asseguro que ele terá pelo menos 53 dos 56 votos", diz o líder da bancada, José Aníbal (SP), que nega informações sobre dissidentes tucanos. 

Murchou
O debate que a TV Câmara pretendia realizar entre os quatro candidatos à presidência da Casa acabou virando uma rodada de entrevistas individuais, no dia da eleição, com... representantes dos candidatos.

No mundo da...
Líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) foi visto no Fórum Social Mundial, em Belém. Questionado sobre as articulações governistas nas eleições do Congresso, desculpou-se: afirmou que passou os últimos 20 dias de férias, sem ler jornal. 

Business 1
Apesar da crise diplomática, uma delegação de italianos está no Brasil tentando abocanhar parte do contrato do trem-bala entre Rio e São Paulo, uma das estrelas do PAC. Representam as empresas Ansaldo, Italferr e Ferrovie dello Stato -sendo as duas últimas estatais. 

Business 2
Os empresários se encontraram ontem com o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e ainda iriam ao BNDES e à ANTT (agência de transportes terrestres). 

Trégua
Depois de se atacarem pela imprensa por causa das demissões no país, Carlos Lupi (Trabalho) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tiveram encontro ontem em Brasília para acertar os ponteiros. 

Casa cheia
Para o jantar que oferecerá no dia 13 a Dilma Rousseff (Casa Civil), Marta Suplicy (PT) está convidando todos os senadores, deputados federais, estaduais e vereadores do PT de São Paulo, além de prefeitos da região metropolitana. 

Dia de fama
O governador José Serra (PSDB-SP) sai de férias hoje por uma semana, mas o vice, Alberto Goldman (PSDB), e o presidente da Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), viajarão ao Chile. Comandará o Estado por um dia o presidente do Tribunal de Justiça, Roberto Bellocchi. 

Tiroteio

"Enquanto o governo não tiver uma política clara para a questão ambiental, continuará batendo cabeça, sem rumo e sem solução." 
Do deputado 
RICARDO TRIPOLI (PSDB-SP), sobre a divergência pública dos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, em torno da reforma do Código Florestal.

Contraponto

Realpolitik

Com uma bancada de quatro senadores, o PR virou um dos alvos da ofensiva do senador José Sarney (PMDB-AP) sobre os votos que foram prometidos a seu concorrente, Tião Viana (PT-AC). No meio da semana, apenas João Ribeiro (TO) mantinha-se fiel ao petista, enquanto Expedito Junior (RO), Magno Malta (ES) e Cesar Borges (BA) inclinavam-se para Sarney. Abordado por um jornalista, Ribeiro prometeu mudar o voto dos colegas:
-O sr. não teme ficar sozinho...-, insistiu o repórter.
Ao que o senador respondeu:
-Meu filho, na vida você até faz sexo sozinho. Mas política sozinho, jamais.

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Lula amplia Bolsa Família um dia após cortar o Orçamento

 

- Folha: Lula amplia Bolsa Família e dá merenda para jovens

 

- Estadão: FMI derruba previsão de crescimento para o Brasil

 

- JB: O choque da violência

 

- Correio: Debate sobre praça chega ao Planalto

 

- Valor: Distribuição de lucros cresce em plena crise

 

- Gazeta Mercantil: CVM quer mais transparência nas assembléias

quarta-feira, janeiro 28, 2009

ILIMAR FRANCO

A cabeça de Jucá

Panorama Político 
O Globo - 28/01/2009
 

Com a derrota anunciada para a presidência do Senado, os petistas têm um novo alvo: o cargo do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Sem força para desbancar José Sarney (PMDB-AP) e sem o apoio que esperavam do presidente Lula, estão dizendo que, com o PMDB no comando das duas Casas, a liderança no Senado é um bom espaço para o PT. Para serem atendidos, precisam de um único voto: o do presidente Lula. 

Atrasado, PSDB vai de Sarney 

O PSDB perdeu o timing e anunciará hoje apoio a José Sarney (PMDB-AP) quando seus votos já não são mais decisivos para elegê-lo presidente do Senado. Perdeu a oportunidade de faturar no papel de noiva. O roteiro está pronto. Para evitar a imagem de decisões centralizadas na cúpula, o PSDB reunirá hoje sua bancada. O passo seguinte é tentar afastar a impressão de que a decisão está atrelada a 2010. Dirá que o apoio foi decidido com base em uma lista de compromissos, como independência em relação ao Palácio do Planalto, direito de obstrução garantido e posição contrária a um terceiro mandato para o presidente Lula. 

Obama, quando fui eleito, o primeiro presidente dos trabalhadores, disse que meu governo não poderia errar. Você, como primeiro negro presidente dos Estados Unidos, tem uma grande responsabilidade, não tem o direito de errar" - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefone com o americano Barack Obama 

APOIO INTERNACIONAL
O refúgio concedido a Cesare Battisti também rende elogios para o ministro Tarso Genro, além das críticas. O filósofo francês Bernard-Henri Lévy enviou mensagem: "Nós todos, intelectuais moderados na Europa, apoiamos e apoiaremos vossa excelência". O sociólogo português Boaventura de Souza Santos elogiou: "Trata-se de uma decisão importante para a democracia e para a defesa do primado do Direito". 

É a crise 

O secretário estadual de Trabalho do Rio, Ronald Ázaro, vai à CSN hoje tentar evitar uma segunda onda de demissões. Vai sugerir a suspensão dos contratos de trabalho, o que pouparia gastos com pagamento de multa e aviso prévio.

Simon contrariado 

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) não vai hoje à reunião da bancada para homologar a candidatura de José Sarney. "Não pediram minha opinião na hora de tomar a decisão, então não vou a uma reunião de consagração", disse ele. 

Saúde precária 

Os diretores da Sociedade Brasileira de Urologia entregarão ao ministro José Temporão (Saúde), terça-feira, um dossiê sobre a situação do paciente urológico no SUS. O paciente espera, em média, cinco meses para fazer uma cirurgia de próstata. Nesse período, ele é obrigado a usar uma sonda que o impede de ter vida social. Os médicos vão solicitar melhores condições de trabalho nos hospitais públicos. 

Na Câmara, surge um blocão 

O PMDB e o PT, mais o PSDB e o DEM, formalizam hoje um blocão de 14 partidos em apoio à chapa liderada por Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara. Com isso, o PP de Ciro Nogueira (PI) ficará fora da Mesa Diretora, e ao bloquinho PSB-PCdoB, de Aldo Rebelo (AL), restará a última suplência. Um dos articuladores da campanha de Temer dizia ontem que ele terá mais de 290 votos na eleição. Cautelosos, os articuladores trabalham com uma margem grande de traições. 

O GOVERNADOR do Rio, Sérgio Cabral, orientou o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) a votar em José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado. 

A DIREÇÃO do PCdoB decidiu que o senador Inácio Arruda (CE) também dará seu voto a Sarney. 

O GOVERNO brasileiro não crê em mudanças a médio prazo na política dos EUA para a Rodada de Doha.

AUGUSTO NUNES

O bravo vencedor da luta no açougue

Coisas da Política
Jornal do Brasil - 28/01/2009
 

O ITALIANO LINO SABBADIN, dono de um açougue na cidadezinha de Santa Maria di Sala, foi condenado à morte por ignorar a diferença entre um assalto a mão armada e uma expropriação revolucionária. Em janeiro de 1979, quando rechaçou à bala o bando que invadiu o açougue na cidadezinha de Santa Maria de Sala, nem desconfiou de que matara não um ladrão, como tantos, mas um guerrilheiro incorporado à tropa incumbida de confiscar parte do capital de um comerciante burguês  e usar o dinheiro para financiar a guerra contra o regime movida pelo grupo Proletários Armados para o Comunismo.

O tribunal do PAC precisou de alguns minutos para decidir-se pela aplicação da pena capital ao "contra-revolucionário" que simulava desinteresse por política para camuflar a paixão pelo fascismo. Fuzilado em 16 de fevereiro pelos mesmos assaltantes que repelira no mês anterior, Lino morreu sem saber que, aos 46 anos, deixara de ser apenas açougueiro. Aos 17, Sabbadin testemunhou parcialmente a execução do pai. O que viu e ouviu o adolescente tinha cara de assassinato, jeito de assassinato, modos de assassinato.

Depende da posição de quem olha as coisas, corrigiram os panfletos distribuídos pelo PAC para festejar a vitória na Batalha do Açougue. Visto da extremidade esquerda da platéia, por exemplo, o que parece assassinato não passa de um justiçamento revolucionário, e o que se assemelha a um grupo de extermínio se transforma num comando de heróicos guerrilheiros. "Eram quatro e meia quando eles chegaram", lembra Adriano. Enquanto os pais atendiam um freguês no balcão, ele conversava pelo telefone na parte dos fundos do açougue quando os tiros começaram. "Fiquei apavorado e subi correndo para o segundo andar, onde ficava a casa da família. Esperei uns dois ou três minutos intermináveis até me aproximar da janela que dava para a rua". Dali, viu três jovens saindo às pressas pela porta da frente e entrarem num carro estacionado metros além. Quando partiram, o adolescente voltou ao açougue.

Com o avental branco desfigurado por manchas vermelhas, a mãe estava ao lado do corpo do pai, estirado numa poça de sangue. Meses mais tarde, ele se espantou com os depoimentos prestados à Justiça pelos matadores: achavam que haviam cometido um "crime político". É o que continua achando o governo brasileiro, descobriu Adriano quase 30 anos depois daquela tarde.

Como 83% dos italianos, como milhões de brasileiros que vêem as coisas como as coisas são, Adriano está inconformado com a absolvição de Cesare Battisti pelo juiz ocasional Tarso Genro. Condenado à prisão perpétua na Itália pela participação no assassinato de Sabbadin e de mais três "contra-revolucionários", Battisti livrou-se da extradição graças ao ministro da Justiça, que o promoveu a "refugiado político" e pôs na conta das motivações ideológicas o prontuário de um ladrão vocacional diplomado em latrocínio na escolinha do PAC.

Segundo a discurseira recorrente do próprio Tarso, do presidente Lula e de toda a companheirada, devem ser anistiados, aplaudidos e indenizados os que lutam de armas na mão contra a ditadura e pela ressurreição da liberdade. Não se encaixam no palavrório os Proletários Armados para o Comunismo, que sempre couberam em quatro ou cinco camburões. Na Itália dos anos 70, não havia regimes totalitários a combater, nem tiranos a derrubar. Muito menos houve guerrilheiros dispostos a matar ou morrer pela pátria livre.

Se os textos produzidos entre 1976 e 1979 traduziram o que pensavam, Battisti e seus comparsas roubaram e mataram para destruir a república democrática, esquartejar a liberdade e implantar a ditadura. Se mentiram, os revolucionários de araque queriam só enriquecer sob as bênçãos dos nostálgicos da Guerra Fria. Nas duas hipóteses, o PAC foi um caso de polícia.

A adoção de Battisti pela companheirada reafirma o menosprezo pelas liberdades democráticas e outros caprichos burgueses, e a certeza de que não há salvação fora do partido único que saberá reconstruir o socialismo em frangalhos. O que espera o PCC para trocar o Primeiro Comando da Capital da certidão de batismo por um oportuníssimo Partido dos Comunistas Convertidos? O primeiro nome pode dar cadeia. O segundo permite roubar e matar sob a proteção do governo brasileiro.

COLUNA PAINEL

Corrente pra frente


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Já em plena atividade para se tornar a candidata do PT à sucessão de Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) trabalha para manter sob suas asas o "PAC da Copa" de 2014, a ser anunciado em abril ou maio. Um decreto nomeando-a coordenadora das ações de infraestrutura do mundial de futebol, de óbvio potencial eleitoral, está em discussão na Presidência.
Mas há resistências dentro do governo. O argumento é que poderia ocorrer uma "politização" do evento, o que prejudicaria parcerias com os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), também presidenciáveis. Dilma quer anunciar o novo PAC assim que as 12 cidades-sede da Copa forem escolhidas pela Fifa, no final de março.

Planos
A Casa Civil diz que o modelo do PAC da Copa ainda está sendo avaliado, mas afirma que a responsabilidade da ministra Dilma sobre ele é uma "possibilidade". 

2010 chegou
O Ministério do Planejamento divulgou ontem estudo para tentar provar que o governo Lula não promoveu "inchaço" da máquina. O texto coteja a evolução do pessoal da União com o aumento dos servidores do governo de São Paulo e conclui: "A comparação (...) aponta taxa de crescimento menor no Poder Executivo Federal que no Estadual". 

Pulo
O maior salto em São Paulo, de acordo com o estudo, acontece em 2007 (14,4%), primeiro ano da gestão de José Serra (PSDB). 

Alhos e... 
O que o texto não ressalta é que a comparação usa parâmetros distintos: para a União são levados em conta só os 
servidores civis; no caso de São Paulo, entra o aparato militar, incluído no contingente de 187 mil integrantes da segurança pública. 

Arte da guerra 1
Logo após a posse de Geraldo Alckmin na Secretaria de Desenvolvimento, o diretório paulistano do PSDB, que apoiou veladamente a reeleição de Gilberto Kassab (DEM), se reuniu. José Henrique Reis Lôbo, presidente do partido na cidade, abriu o encontro: "Não é preciso relembrar aqui o que aconteceu porque os fatos são recentes [...] Toda vez que nos dividimos pagamos caro pela nossa insensatez". 

Arte da guerra 2
Lôbo continua: "Sou contra o "apartheid". Repudio a estratégia nazista dos que são as fontes, não tão anônimas assim, que abastecem a imprensa com notícias que visam dividir o partido em guetos".

Luz amarela
Deputados do PSDB que concluíram ontem contabilidade da bancada para a eleição na Câmara se alarmaram. O placar indica que Michel Temer (PMDB-SP), a quem o partido apoia oficialmente, teria entre 30 e 35 dos 57 votos. O dado seria levado pelo presidente da sigla, Sérgio Guerra (PE), ao governador José Serra (SP) na noite de ontem. 

Compasso
Outro tema da conversa seria a eleição no Senado, onde Tasso Jereissati (CE), pró-Tião Viana (PT-AC), troca cotoveladas com Marconi Perillo (GO), pró-José Sarney (PMDB-AP), pela vice-presidência da Casa. 

Novela
Na Câmara, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) vai propor formalmente na reunião da bancada petista, domingo, a rediscussão do apoio do partido a Temer. 

Inflação
O PT anunciou ontem na reunião dos apoiadores de Temer que terá apenas 6 ou 7 dissidências. Mas elas devem ser mais numerosas. Ontem mesmo surgiram mais dois deputados "em dúvida": Décio Lima (SC) e Nazareno Fonteles (PI). 

Confessionário
Com medo de serem culpados por uma eventual derrota de Temer, os líderes partidários mostraram os mapas de suas bancadas reservadamente aos peemedebistas, em diferentes cantos da reunião. 

Tiroteio

"São Paulo precisa de parques. Mas é absurdo Kassab beneficiar quem não paga imposto e manter, em área pública, apostas em cavalos." 
Do vereador 
JOÃO ANTÔNIO (PT), sobre a intenção da Prefeitura de São Paulo de desapropriar o Jockey Clube, que tem dívida milionária com o município, para a construção de um parque. A ideia inicial prevê que as corridas continuariam sendo realizadas.

Contraponto

Tempo nublado

Animado com a operação que patrocinou na tentativa de pacificar o PSDB paulista, o governador José Serra levou um estoque de piadas à solenidade de posse de Geraldo Alckmin na secretaria de Desenvolvimento, anteontem. De cara, chamou o vice de Alberto "Montoro" Goldman, em referência à fama do ex-governador Franco Montoro de embaralhar nomes -Goldman havia repetido o "Geraldo Kassab" da eleição municipal. No final, sobrou para o secretário Xico Graziano (Meio Ambiente):
-Finalmente eu o vejo depois de algumas semanas. E todo queimadinho. O governador aqui pálido e ele queimadinho e cheio de saúde!

FERNANDO RODRIGUES

Políticos analógicos


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Quando o assunto são novas tecnologias de comunicação e uso da internet, há pouca divergência entre os candidatos a presidente da Câmara e do Senado. Todos são a favor do uso intensivo da rede mundial para aproximar o Congresso dos eleitores, mas ninguém sabe direito o que fazer.
O conhecimento tecnológico comum dos candidatos se resume a saber enviar e receber e-mails. Alguns preferem terceirizar essa tarefa para assessores. Os senadores José Sarney e Tião Viana e os deputados Michel Temer, Ciro Nogueira, Aldo Rebelo e Osmar Serraglio têm páginas convencionais na web. Nada aproximado de endereços pessoais em redes de relacionamento social, com espaço interativo. Nenhum deles têm página própria no Orkut, um site detentor de espantosos 37 milhões de brasileiros registrados.
Canal próprio no YouTube? Nem pensar. Isso é sofisticação para o norte-americano Barack Obama. O máximo disponível em vídeo dos candidatos na internet são transmissões repetidas das TVs Câmara e Senado. No site do Senado, só terá vida fácil o usuário de Windows.
Sem pagar royalties a Bill Gates é difícil assistir aos eloquentes discursos de Sarney e de Tião Viana. A proposta mais objetiva entre todos os candidatos é a de Osmar Serraglio. Ele deseja colocar ao vivo na web todas as sessões das comissões de trabalho da Câmara. Já seria um avanço. E como fazer para os cidadãos interagirem nos debates sobre uma lei usando a internet? Ninguém tem uma boa resposta.
Ciro Nogueira, Osmar Serraglio e Tião Viana são os únicos adeptos dos chamados "smartphones".
Usam o celular para conversar, ler sites noticiosos, enviar e receber e-mails. Sintomático do estado analógico da política brasileira, nenhum desses três pode ser apontado como favorito na disputa pelo comando do Congresso.

INFORME JB

"Esse Senado é uma caixa-preta"


Jornal do Brasil - 28/01/2009
 

TIÃO VIANA (PT-AC) E JOSÉ SARNEY (PMDB-AP) recontam todo dia os votos de apoio, não param de ligar para senadores e governadores em busca de influências suprapartidárias e locais que garantam reforço nas urnas. Sarney só não ligou para Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) (foto). São amigos, mas adversários ferrenhos dentro do PMDB  daí Tião apostar no racha do partido. Jarbas é voto petista. Principalmente pelo repúdio ao grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL), que, segundo Jarbas, pode voltar na esteira de Sarney. Resumo da ópera: mesmo sendo Sarney forte, não há favoritos à vista. Noves fora toda a previsão dos votos, Jarbas desabafa: "Esse Senado é uma caixa-preta. O problema não é de imagem só externa mas também interna. Temos que tornar as coisas mais transparentes".

PR é Sarney 
Depois do PTB, outro partido fechou com Sarney. Os quatro senadores do PR encontraram-se ontem à tarde com o senador, na sua residência em Brasília, e prometeram os votos. 

Oi, governador
 
Confiante, Tião fez ontem li- gações para governadores. Falou com Cássio Cunha (PSDB), da Paraíba, Marcelo Déda (PT), do Sergipe, e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio  direto de Davos. 

Vale-tudo
 
Pegou mal no Senado o boato de que Renan ajudaria o senador José Maranhão (PMDB-PB) a derrubar Cássio Cunha na Paraíba se Sarney vencesse. Até Efraim Morais (DEM-PB), que vota em Sarney, não gostou da história. 

Rebelião
 
O PDT e o PSDB estão de mal com o deputado Michel Temer (PMDB-SP), candidato na Câmara. Os comandos dos partidos trocaram informações e confirmaram que Temer prometeu a Ouvidoria às duas legendas. 

Conclave mineiro
 
Uma reunião no Palácio da Liberdade em Belo Horizonte sacramentou o caminho do deputado Rafael Guerra (PSDB) para a 1ª Secretaria da Câmara. Caso vença Michel Temer. Esse é o trato. 

Ao papa
 
Deduz-se: o governador Aécio Neves já foi presidente da Câmara e continua na Mesa Diretora. 

Pré-folia
 
Rafael Guerra e Eduardo Go- mes (PSDB-TO) estavam em plena campanha interna, tanto que foram parar no Pré-Caju, folia de Aracaju, para pedir votos aos colegas foliões que lá estavam.

Suplicy & Iraque 
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estreou um documentário na MTV sobre seus três dias em Bagdá em meados do ano passado. O especial será exibido em mais quatro capítulos, às terças. 

Vale a pena ver...
 
À época, Suplicy conversou com o Informe direto de lá. Há uma história interessante: a paixão dos iraquianos pela camisa da Seleção e um DVD, presente de Pelé. 

Campo em campo
 
Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, faz lobby para sediar a Copa amanhã, num evento em Assunção, Paraguai. O governador Andre Puccinelli e o prefeito Nelsinho Trad vão bater um papo com o presidente da Fifa, Joseph Blatter. A cidade disputa a indicação com Cuiabá. 

Atacantes
 
A dupla política do PMDB vai ao ataque com farto material. Quer mostrar o potencial turístico e o fato de o estado fazer fronteira com Bolívia e Paraguai  de onde podem sair muitos torcedores. 

Atacantes 2
 
Pelé e João Havelange, entre outros grandes, estarão presentes. 

Folia espumante
 
O Ano da França no Brasil começa borbulhando. O champanhe Mumm Cordon Rouge, do grupo francês Pernod Ricard, é a marca oficial e responsável pela vinda do Balé Moulin Rouge. Será a bebida das comemorações por aqui no Carnaval. 

Balé & borbulha
 
Dentre as atividades está pre- visto o Bal Masqué, tradicional baile de máscaras do Hotel Sofitel Rio, em Copacabana, dia 27 de fevereiro.

APOSENTADO DO INSS


ÉLIO GASPARI

A América Latina vai bem, obrigado


O Globo - 28/01/2009
 

Lula e Barack Obama conversaram por 25 minutos e, segundo a narrativa do Planalto, Nosso Guia não pronunciou a palavra Cuba. Como diria Rick (Humphrey Bogart) no aeroporto de Casablanca: "Luiz, esse é o começo de uma bonita amizade." Cuba não é um problema brasileiro, é um problema americano e Obama sabe que precisará descascar esse abacaxi. 

Ele não tem medo do comunismo de museu da Ilha, o que os americanos temem é uma fuga em massa de cubanos para Miami. A América Latina não é parte desse problema, é parte da solução. 

A região vive um período de paz, progresso e diversidade. Completam-se em março 32 anos do golpe militar argentino, o último do gênero. (Noves fora o fracassado Putsch dos grã-finos de Caracas, estimulado pela Casa Branca em 2002.) 

A agenda Brasil-Estados Unidos não tem contencioso. Tem avenidas para um melhor entendimento, dos biocombustíveis ao meio ambiente. 

Isso não quer dizer que os demônios estejam quietos. Basta um pouco de contorção intelectual para se considerar a América Latina um continente em ebulição, com o chavismo venezuelano, a mística indígena boliviana, o esquerdismo de Rafael Correa e, quem sabe, a ingenuidade do paraguaio Fernando Lugo. Todos eleitos, dois deles confirmados nos mandatos por referendos populares. 

É interessante observar que a turma do contorcionismo estava calada e contente quando Alfredo Stroessner governava o Paraguai, Augusto Pinochet, o Chile e os generais açougueiros, a Argentina. 

A encrenca que Bush deixou para Obama está alhures. Imagine-se um cenário no qual houvesse um país latino-americano metido com o narcotráfico, gastando uma receita de US$716 milhões, enquanto fatura US$4 bilhões no comércio de drogas. Esse país existe e não é a Bolívia do companheiro Evo, mas o protetorado americano do Afeganistão, governado pela cleptocracia de Hamid Karzai. Sob as armas de Bush, o Afeganistão tornou-se o provedor de 90% do ópio consumido no mundo. O narcotráfico carrega metade do PIB do país. Lá os Estados Unidos vivem a guerra externa mais longa de sua história e o companheiro Obama quer manter 60 mil soldados no pedaço. Os narcotraficantes são seus aliados. (Registro necessário: em 1989 havia generais americanos planejando uma intervenção militar na Amazônia, com o propósito de erradicar o tráfico de cocaína. Meses depois Saddam Hussein invadiu o Kuwait e eles mudaram de assunto.) 

Outro bom aliado dos Estados Unidos são os militares paquistaneses, com um arsenal de cem bombas atômicas. O risco de essas armas serem atiradas contra a Índia é muito menor que a possibilidade de algumas delas acabarem nas mãos de terroristas. O dono do programa nuclear paquistanês tornou-se contrabandista de tecnologia e vendeu o caminho das pedras para a Coréia do Norte. Ajudou o Irã e foi apanhado em 2003, entregando centrífugas à Líbia. 

Comparada com essas regiões (e essas agendas), a América Latina é um balneário. Evo Morales e Hugo Chávez expulsaram os embaixadores americanos. E daí? Chávez será um valente no dia em que parar de vender petróleo aos americanos. O antiamericanismo verbal não faz mal a ninguém e, com Obama, arrisca sair de moda. É preferível ter Evo Morales por inimigo do que Hamid Karzai como amigo. 

ELIO GASPARI é jornalista.

ALCELMO GOIS

Fator Eike


O Globo - 28/01/2009
 

Do total de US$45 bi de investimentos estrangeiros no Brasil, ano passado, US$9,6 bi, quase um quarto, têm as digitais de Eike Batista. 

É a soma dos US$5,5 bi que a Anglo American pagou por ativos da MMX, mais US$4,1 bi captados no exterior via IPO da OGX. 

Só que... 

Com a crise, acabou-se o que era doce. Estas captações de grana, por IPO na bolsa, por exemplo, secaram. 

Olha elle aí... 

O PTB acertou com o PMDB que, caso José Sarney seja eleito no Senado, ficará com a presidência da Comissão de Relações Exteriores. O cargo deve ir para o senador Fernando Collor. 

Negras e negros 

Belém, por causa do Fórum Social Mundial, atrai outros eventos. É o caso da IV Assembleia Nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros. 

Amanhã, às 8h, um jato da FAB decola do Rio com umas 50 pessoas para o encontro, que deve reunir cerca de 300 militantes do movimento negro.

O dia D 

Dia 16 de março, depois de uma apresentação para investidores em Nova York, Lula segue no AeroLula rumo a Washington, ao encontro de Obama.

Pobre Maranhão 

A inspeção feita pelo Conselho Nacional de Justiça no Maranhão, que disputa com Alagoas os piores indicadores sociais brasileiros, revelou que cada desembargador local dispõe no gabinete de 18 cargos de confiança e que eles têm à disposição 160 policiais militares. 

E mais... 

A inspeção do CNJ, liderada pelo corregedor Gilson Dipp, revelou ainda que o TJ do Maranhão paga R$1.000 de diária nas viagens dos seus desembargadores.

Boi na linha 

A megausina de aço que a Thyssen constrói em Santa Cruz, no Rio, esbarra num problema com a termelétrica. 

A Gerdau recuou e não autorizou que as linhas de transmissão passem num terreno, de sua propriedade. A alternativa que a CSA negocia é passar por outro terreno, da Petrobras.

DORA KRAMER

O que não faz sentido


O Estado de S. Paulo - 28/01/2009
 

Noves fora o já notório senso de (des) proporção do ministro da Justiça, Tarso Genro, ele se faz lógico quando assegura que o sistema político brasileiro não desaba se o PMDB ganhar as presidências da Câmara e do Senado.

De fato, nada vai acontecer que abale o anacronismo de uma engrenagem tão enferrujada. A organização (no sentido empresarial) fica no comando da máquina de produzir fisiologismo em que se transformou o Congresso Nacional, enquanto PT e PSDB vão tratar da sucessão presidencial.

Cada um com seu cada qual de modo a que as tarefas e os quinhões fiquem distribuídos como sempre. Ganhando a presidência da República PT ou PSDB, o PMDB estará cumprindo o seu destino do camarote.

Michel Temer da presidência da Câmara, José Sarney no comando do Senado, um elogio ao mesmo, zero de possibilidade de algo se modernizar. Portanto, o que menos pode haver é ruptura, abalos contundentes.

Pois se é isso, se o ministro da Justiça ainda assim vê necessidade de enunciar o óbvio, se o presidente do PT quase admite que o candidato do partido à presidência do Senado concorre por honra da firma, se o PT acha mesmo que é praticamente impossível ganhar a parada de José Sarney, por que a confusão, por que insiste em concorrer? 

Só pelo prazer do conflito? Não faz sentido. Se o partido obedece a Lula e cala sobre candidaturas à Presidência em 2010, acomodando-se sob o guarda-chuva Dilma Rousseff, não é de se imaginar que contrarie a vontade do chefe porque resolveu fazer afirmação partidária com a candidatura de Tião Viana ao Senado. 

Da mesma forma foge à percepção a razão pela qual o PT mantém acesa a chama da possibilidade de “traição” do acordo firmado com o PMDB na Câmara, se oficialmente seu presidente garante os votos da bancada em Michel Temer.

Caso seja uma jogada, de duas uma: ou está muito bem engendrada e, no fim, revelar-se-á genial ou por algum motivo o PT resolveu dar ao PMDB um pretexto para briga, à falta de algo melhor para fazer em plena crise econômica e início de um processo eleitoral que pode significar a volta para a oposição.

Uma terceira hipótese é a de que o desentendimento seja apenas um desentendimento, fruto de inexperiência, desconexão, ausência de rumo. É improvável, porém, visto que suas excelências não brincam nesse tipo de serviço.

São ciosas do poder. José Sarney, por exemplo. Não negaria a candidatura peremptoriamente para depois entrar na disputa apenas, como dizem seus - nessa altura, mais prudente qualificá-los como supostos - adversários dentro do partido, porque foi convencido por Renan Calheiros a confrontar.

Aos 80 anos de idade, uma Presidência da República e mais de cinco décadas dedicadas ao exitoso ofício de dar nó em pingo d’água, é difícil acreditar que José Sarney possa ser convencido por alguém a entrar numa enrascada da envergadura de uma rasteira no presidente da República.

Presidente este com 80% de popularidade e dois anos de mandato pela frente. Não faz o menor sentido, mas algum sentido há de haver. 

Aparências

Reunião ministerial marcada para 2 de fevereiro para “discutir a crise financeira” não influi nos efeitos da crise nem contribui para o real objetivo: dar a impressão de que o governo labuta, distanciado das eleições das novas Mesas da Câmara e do Senado.

Um lance é inútil e o outro, por pueril, resulta ineficaz.

No limite

A proposta do subsecretário de Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, de cancelamento do jogo amistoso com o Brasil em protesto contra o refúgio concedido a Cesare Battisti, põe o governo italiano na fronteira do perigoso terreno da boçalidade.

Daí para cair no ridículo e perder a razão é um passo. 

Estatutos

Talvez os ministros Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Carlos Minc, do Meio Ambiente, não saibam, mas o Código de Ética da Alta Administração Pública proíbe “a crítica pública sobre a honorabilidade ou desempenho funcional de qualquer autoridade do Executivo”.

É provável que os ministros desconheçam as normas porque muito possivelmente nem saibam que, no ato das respectivas posses, juraram obediência ao código.

Dois pesos

É a diferença entre o compromisso e o falta de compromisso. A ministra Dilma Rousseff não participará do Fórum Econômico Mundial em Davos, mas fará palestra no figurino de candidata à Presidência da República em Belém, no Fórum Social Mundial.

Na Suíça não caberia uma performance; seria preciso que Dilma fosse, sob todas circunstâncias, a candidata do presidente Lula à sucessão e assim, sacramentada, parecesse ao mundo onde a objetividade dos fatos fala mais alto que o voluntarismo ideológico.

MÓNICA BÉRGAMO

Mais embaixo


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Depois de um superávit inédito registrado em dezembro, a Previdência já se prepara para fechar janeiro com déficit. O ministro José Pimentel afirma que a queda na arrecadação ainda não reflete o desemprego do mês anterior. E sim medidas como o adiamento do pagamento do Simples, de janeiro para fevereiro, e o desembolso de R$ 3 bilhões em acordos judiciais.

ESTOQUE
Até o fim do ano, diz Pimentel, serão desembolsados outros R$ 6 bi para acordos em 5.800 ações que a Previdência tem contra ela na Justiça.

GRAMADO
Ricardo Teixeira, da CBF, desembarca hoje em São Paulo para almoçar com o governador José Serra (PSDB-SP). Depois vai a Brasília, onde se encontrará com o presidente Lula. Em pauta, a Copa de 2014.

NA TRAVE
Serra chamou o governador Eduardo Braga (PMDB-AM), do Amazonas, para o almoço com Teixeira. Foi uma retribuição à gentileza do governador amazonense, que emprestou um avião ao colega paulista depois que a aeronave em que Serra viajava rumo à Colômbia deu pane, na semana passada. Braga disputa para que Manaus seja uma das sedes dos jogos da Copa de 2014.

GRANDE AMIGO
E, em fase de "Serrinha paz e amor", o governador de São Paulo fez elogios rasgados a Paulo Skaf, presidente da Fiesp, na posse de Geraldo Alckmin na Secretaria de Desenvolvimento. Skaf, que sempre foi próximo de Alckmin mesmo quando ele estava às turras com Serra, foi chamado de "grande companheiro" e "parceiro" pelo governador.

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Crise faz governo bloquear R$ 37,2 bi do Orçamento

 

- Folha: Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde

 

- Estadão: Itália chama embaixador de volta e agrava crise com Brasil

 

- JB: O reboque voltou

 

- Correio: Niemeyer na trincheira: “Não abro mão” 

- Valor: Governo vê 'barbeiragem' e vai mudar licenças prévias

 

- Gazeta Mercantil: Arrecadação é maior que o PIB do agronegócio

 

- Estado de Minas: BH confirma 20 casos de dengue

terça-feira, janeiro 27, 2009

COLUNA PAINEL

Para inglês ver


Folha de S. Paulo - 27/01/2009
 

O governo editará um decreto até sexta-feira estabelecendo cortes no Orçamento-2009, mas faz questão de avisar à sua base no Congresso que, por enquanto, se trata de uma mera formalidade -a lei exige que o chamado "contingenciamento" ocorra até o fim do mês. O detalhamento de onde a tesoura vai agir de verdade sairá apenas depois das eleições para a presidência da Câmara e do Senado, no dia 2.
A redução dos gastos -que deve superar R$ 20 bilhões- recairá principalmente sobre investimentos incluídos no 
Orçamento por congressistas. Aliados do deputado Michel Temer (PMDB-SP) respiram aliviados, já que um corte gigantesco agora seria um convite à traição ao candidato do governo.

No aguardo
O argumento do Ministério do Planejamento para o adiamento do real "contingenciamento" é que o impacto da crise nas contas públicas ainda não está claro. 

Não fecha
Um líder partidário que teve acesso aos mapas de votação dos candidatos a presidente da Câmara somou todos os apoios prometidos a eles e chegou a quase 1.200 deputados -mais do que o dobro do universo de votantes, que é 513. 

Em todas
De um deputado federal: "No mesmo dia tomei café com um candidato, almocei com outro e jantei com um terceiro. Agora apareço como apoiador dos três". 

Bifinho
No vale-tudo para conseguir espaço na Mesa, o deputado Régis de Oliveira (SP), do nanico PSC, enviou ontem convite aos colegas para um churrasco numa mansão em Brasília, na sexta, em busca de apoio para levar a segunda-vice-presidência ou a Corregedoria da Casa. 

Eu, não
Apontado por colegas como uma possível defecção no apoio a Michel Temer, o deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) diz que é um "homem de partido" e, por isso, votará no peemedebista. 

Varejão
O PSDB ouve hoje o tamanho da oferta de Tião Viana (PT-AC) antes de encaminhar voto pró-José Sarney (PMDB-AP) no Senado. "É a etapa da inteligência política. O voto deve ser tratado com cuidado", diz Viana. 

Zen
O acupunturista Jou Eel Jia estava ontem na solenidade de posse de seu cliente Geraldo Alckmin. A relação entre os dois ganhou destaque em 2006 diante da notícia de que a gestão Alckmin em São Paulo deu patrocínio a uma revista editada por Jia.

Seguro-desemprego
Ex-secretário da Receita Federal demitido pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), Jorge Rachid deve receber um belo prêmio de consolação. Foi oferecido a ele o cargo de adido tributário da embaixada do Brasil nos EUA. 

Classificados
Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, aposenta-se obrigatoriamente em outubro, aos 70 anos, mas as especulações sobre seu sucessor no estratégico posto, o segundo da instituição, já começaram. Entre os cotados estão os atuais embaixadores na Argentina, Mauro Vieira, e nos EUA, Antônio Patriota. 

Jeitinho
Guimarães, mesmo aposentado, deve ser contemplado com uma embaixada. Há ainda ala do Itamaraty que defende mudança nas regras para permitir que diplomatas aposentados exerçam a secretaria geral, o que poderia mantê-lo no cargo. 

Vermelho
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), promoverá uma partida de futebol beneficente, no sábado, com um time organizado pelo piloto de F-1 Felipe Massa. O prefeito é próximo da família do piloto, cujos amigos trabalharam no ano passado em sua campanha. 

Pop
Marinho, aliás, fará hoje jantar para o elenco do filme "Lula, o Filho do Brasil", que começa a ser rodado no ABC. 

Tiroteio

"É um erro o PMDB buscar a presidência do Senado depois de tantas negativas do senador José Sarney. Gera um estresse desnecessário para o governo Lula." 
Do ministro peemedebista 
GEDDEL VIEIRA LIMA , da Integração Nacional, sobre a sucessão das Mesas Diretoras do Congresso.

Contraponto

Tucanês

Em recente conversa por telefone, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) consultava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) sobre a orientação da bancada do PSDB na eleição à presidência do Senado. Na ocasião, já era fato que José Sarney (PMDB-AP) entrara na disputa contra Tião Viana (PT-AC).
-Fique tranquilo, todos os senadores do PSDB paulista votarão no Tião -, respondeu o ex-presidente, segundo relato de Cristovam.
A conversa depois enveredou para outros temas e os dois se despediram cordialmente.
O problema é que não há senador tucano por São Paulo.

MÍRIAM LEITÃO

Luzes de alerta

Panorama Econômico 
O Globo - 27/01/2009
 

As contas externas voltaram a ser uma restrição, na visão do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga: "Não são uma restrição como no passado, mas com as commodities caindo de preço e a recessão no mundo, são sim um problema." O déficit em transações correntes fechou o ano passado em US$28 bilhões, 1,7% do PIB. Altamir Lopes, do BC, acha que o déficit cai em 2009, por causa da crise. 

As contas externas mostram o momento de extremos: com recordes e números altos tanto em entradas como em saídas de capital. O déficit foi maior que o previsto, mas o investimento direto também surpreendeu. Altamir Lopes, diretor do BC, acha que a crise fará com que as empresas remetam ao exterior pelo menos US$13 bilhões a menos só em lucros e dividendos. 

- Mesmo excluindo-se a operação da CSN, de venda de participação acionária da Namisa aos japoneses por US$3,1 bilhões, o investimento direto, só em dezembro, foi de US$5 bilhões, e isso é muito bom para um momento de crise - diz Lopes. 

Há boas e más notícias nos dados divulgados pelo Banco Central, mas a deterioração na área externa foi muito rápida, e agora é que vem o pior da crise, com queda do investimento das grandes empresas e queda de volume e valor dos produtos que o Brasil exporta. Altamir acha que as empresas farão menos remessas de lucros e dividendos este ano, porque haverá menos lucros. Em janeiro, a remessa foi de US$480 milhões e, no ano passado, havia sido de US$ 3 bilhões. Haverá menos exportação, mas, por outro lado, menos importação também. Haverá menos saídas do mercado de capitais, porque os estrangeiros já remeteram bastante, o valor das ações caiu fortemente e o dólar subiu. Por tudo isso, ele acredita que o déficit de conta corrente vai cair de US$28 bilhões para US$20 bilhões. Mas é um ajuste pelo lado negativo. 

Comparada a outras crises, a situação de composição de passivos e ativos da área externa é completamente outra, como lembrou ontem Altamir, na conversa que eu tive com ele. Mas o que Armínio Fraga alerta é que a situação internacional continua confusa e pode ficar pior. 

- Está havendo uma revisão para baixo da perspectiva das principais economias do mundo. Bem para baixo. Os Estados Unidos podem ter uma queda de 2% a 3% do PIB, a Europa de 2%, o Japão de 4%. A China está desacelerando fortemente, a previsão de crescimento hoje está mais para 5% a 6% do que para 7% a 8%. Nós estamos bem comparativamente, mas há um consenso de que cair de 5,5% para 2% não é agradável. 

Por isso, do ponto de vista da resposta, nas áreas fiscal e monetária, Armínio diz que o governo deveria aumentar menos o gasto para que os juros caiam mais rapidamente. 

- A impressão que eu tenho é que a Fazenda acha o Banco Central conservador, e por isso aumenta mais os gastos, e que o BC acha a expansão do gasto excessiva e, por isso, corta menos os juros. O melhor seria ser menos agressivo na parte fiscal, para ser mais flexível na monetária. 

A crise externa não terminará tão cedo e há vários riscos à espreita. O déficit americano crescente é um deles, na visão de Armínio. 

- O déficit é alto hoje, sem contar os prejuízos, e pode ficar mais alto no médio prazo, pelos gastos que o governo terá que fazer. 

Hoje, o déficit público americano está indo para 10% do PIB, mas há promessas de campanha do presidente Barack Obama de ampliar a assistência pública à saúde. 

- Há, no prazo de anos, o risco de uma deterioração fiscal americana em mais cinco pontos percentuais do PIB - diz Armínio Fraga. 

Isso pode levar a uma onda de queda do valor do dólar, que subiu muito na primeira fase da crise atual. O economista Nouriel Roubini, que acertou tantas previsões, errou ao considerar que o dólar se desvalorizaria na crise. Ele se valorizou. 

- Talvez seja o caso de dizer que o dólar não se desvalorizou ainda - acredita Armínio Fraga. 

As incertezas fiscais americanas, a expansão da crise para outros países além dos EUA, a oscilação gigantesca de valor dos ativos que ainda não acabou, tudo mostra uma crise ainda em expansão. O pacote do presidente Obama não esclareceu, ainda, que ações vai adotar, além das duas ferramentas mais convencionais, de política fiscal e de expansão do gasto, e financeira, a capitalização do sistema bancário. 

- Ele ainda está muito descapitalizado - diz Armínio Fraga. 

No balanço da área externa feito pelo Banco Central, há vários pontos de preocupação. Um deles é que as empresas não estão conseguindo rolar suas dívidas de curto prazo. O ajuste forçado está provocando uma queda forte do endividamento de curto prazo, ressalta Altamir Lopes, mas o custo dessa parada brusca tem sacudido as empresas. 

- A taxa de rolagem da dívida de curto prazo era de 126% em outubro. Isso quer dizer que havia mais empréstimos do que o necessário para pagar as amortizações. Em dezembro, foi de 47%, o que significa que as empresas estavam tendo que pagar mais do que as amortizações devidas. A queda foi tão brusca que, mesmo chegando a dezembro com esta taxa, a média do ano foi de 109% - diz Altamir. 

Com a crise ainda em andamento, é hora de ficar de olho no painel.

ILIMAR FRANCO

Quem dá mais?


O Globo - 27/01/2009
 

Está em curso um verdadeiro leilão pelos cargos da Mesa do Senado e pelas presidências das comissões. Para consolidar o apoio do PSDB e do DEM à candidatura José Sarney (PMDB-AP), o PMDB deve abrir mão das presidências das Comissões de Constituição e Justiça e Assuntos Econômicos. O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) deve levar a Comissão de Relações Exteriores e a primeira vice-presidência está indo para o PSDB. 

Governo vai incluir obras novas no PAC 

Apesar dos problemas burocráticos, de licenciamento ambiental e as delongas jurídicas com o TCU e o Ministério Público, o PAC continua sendo o carro-chefe do segundo mandato do presidente Lula. No dia 4, a ministra Dilma Rousseff deve anunciar a inclusão de novos empreendimentos na área de geração de energia, 16 ações em petróleo e gás e a inclusão de novas obras rodoviárias, entre as quais a duplicação do contorno da BR-101 em Recife. Dilma tem dito que "vão quebrar a cara" os que dizem que o PAC parou. Ela diz que "esse discurso só vale no Congresso, pois não dá para fazê-lo nos locais onde as obras são feitas". 

Acho inverossímil que o Temer perca na Câmara e improvável que Sarney perca no Senado" - José Dirceu, sobre as eleições para as Mesas das duas Casas 

ELE TEM A FORÇA. A produtora GW, do jornalista Luiz Gonzales, que fez a campanha à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é quem está fazendo o programa do DEM que vai ar, em rede nacional de televisão e rádio, na noite de quinta-feira. As atrações do programa serão o governador José Roberto Arruda (DF), Kassab e o ex-governador da Bahia Paulo Souto. A grande ausência será o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. 

Direitos Humanos 

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos quer incluir o tema na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. O conteúdo seria incluído de forma transversal, perpassando as demais matérias. O MEC analisa a questão. 

Um comício contra o neoliberalismo 

Para uma plateia de 8 mil pessoas, os presidentes Lula, Hugo Chávez, Evo Morales e Fernando Lugo farão um verdadeiro comício contra a globalização, na quinta-feira à noite, em Belém, no Fórum Social Mundial. A crise econômica vai embalar os discursos. O público que participa do fórum espera críticas eloquentes contra o neoliberalismo. Na última edição do fórum, com seu discurso radical, Chávez levou a melhor sobre Lula. 

Acerto de contas 

O documento final do 5º Fórum Mundial de Juízes, encerrado anteontem em Belém, apoia a tese defendida pelos ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) de que a Lei da Anistia não abrange o crime de tortura. A chamada Carta de Belém pede que o Ministério Público monte força-tarefa para responsabilizar criminalmente autores de crimes contra a humanidade praticados durante a ditadura militar. A polêmica divide o governo Lula.

Está definido 

O presidente Lula vai indicar a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, para a vaga que será aberta em junho com a aposentadoria de Marcos Vilaça no TCU. José Múcio será mantido no Ministério das Relações Institucionais. 

FREIO. O recuo da Força Sindical na negociação com a Fiesp para a redução da jornada de trabalho e de salários teve o dedo do ministro Carlos Lupi (Trabalho), que era contra o acordo. 

O SENADOR Eduardo Suplicy (PT-SP) pede hoje ao ministro do STF Cezar Peluso que autorize Cesare Battisti, preso na Papuda (DF), a dar entrevistas. 

A PRÉ-CANDIDATA do PT à presidência, Dilma Rousseff (Casa Civil), fará palestra no Fórum Social Mundial, na quinta-feira à tarde, em Belém, sobre "A participação da mulher na política".

DORA KRAMER

De lei forte e carne fraca


O Estado de S. Paulo - 27/01/2009
 
Autor do anteprojeto do Código de Ética interno que o PT começa a discutir, o secretário-geral do partido e deputado federal José Eduardo Martins Cardozo integrou a CPI dos Correios e transitou na contramão da decisão majoritária de deixar quase por isso mesmo as malfeitorias da direção do partido com o lobista Marcos Valério.

Sempre pregou uma posição mais rigorosa e defendeu a ideia de que o PT jamais sairia totalmente ileso dos escândalos de 2005 se não fizesse uma autocrítica de procedimentos e não aplicasse punições de fato.

Persona non grata no Palácio do Planalto e na seção petista de seu próprio Estado (SP), comandada pelo grupo de Marta Suplicy, Cardozo foi voto vencido na época e hoje, levado pelas circunstâncias (uma candidatura à presidência do PT com votação e apoios expressivos) à cúpula da Executiva, está a cavaleiro para propor a regulação de condutas.

No papel, está tudo lá, previsto e até redundante em relação às leis em vigor e às regras da convivência civilizada: veto ao uso do caixa 2; proibição de "exploração de detalhes da vida íntima de adversários" em disputas eleitorais; obrigatoriedade de quebra voluntária do sigilo de dados pessoais; quarentena para quem ocupar cargo público de confiança; proibição de acúmulo de cargo público com função na estrutura partidária.

Pelo código, o PT fica obrigado a divulgar mensalmente na internet doações de pessoas jurídicas, não pode patrocinar "filiações em massa" e está proibido de participar ou promover "manobras parlamentares ou escusas". 

Tudo, segundo a proposta, para assegurar uma boa imagem pública ao partido. 

Ótimo, já não era sem tempo, antes tarde do que nunca, estava mesmo na hora de o partido da ética abandonar a lassidão de comportamento que presidiu suas ações desde a ascensão ao poder, em contradição com a trajetória de uma vida partidária dedicada, na oposição, à cobrança da elevação dos padrões no exercício da política.

É um avanço o debate do tema. O PT, entretanto, só fará diferente das legendas que ignoram o tema - todas elas - se, além de debater e escrever o código, se dispuser fazer da teoria uma prática corriqueira, abandonando a lógica da "transparência assim é burrice" em voga nos tempos em que Delúbio Soares era tesoureiro.

Não fala em favor do partido o fato de as normas - apesar de propostas anteriormente - começarem a ser cogitadas na última metade do governo Lula, quando poderiam ter sido implantadas ao longo do segundo mandato, a tempo de o PT mostrar apreço à ética estando no poder ou fora dele.

Este, ademais, é o eterno problema dos códigos, regulamentações e leis em geral. Só são fortes se as pessoas estiverem dispostas a obedecê-las. Se não, tendem a ter o mesmo destino do Código de Ética Pública, por exemplo, ignorado explícita e oficialmente. 

O que está em elaboração pelo PT virará letra morta se, uma vez aprovado, a direção do partido, encarregada de aplicá-lo, mais uma vez optar pela proteção de uns poucos em detrimento da regra geral. É uma chance de restauração e retomada da boa imagem perdida. Caberá ao partido aproveitá-la ou não. 

Mão e contramão

O Palácio do Planalto já deve ter percebido que contratou uma enrascada no caso Cesare Battisti. Inclusive porque se o Brasil não leva em conta as razões da Itália não poderá esperar que tenha as suas respeitadas numa eventualidade futura.

Além do horizonte

Auxiliar muito próximo do governador José Serra com gabinete no Palácio dos Bandeirantes diz que não sabe qual é a posição do chefe sobre a eleição para a presidência do Senado.

Apenas põe as coisas nos seguintes termos, considerando a hipótese de Serra ser mesmo o candidato do PSDB e ganhar a eleição, que é como ele raciocina: "Sarney eleito agora provavelmente seria reeleito em 2010, bem como Michel Temer na Câmara. Será que Serra acha bom ou ruim ter o PMDB - Sarney em particular - no domínio total do Congresso na campanha e durante os primeiros dois anos de governo?"

A resposta certa é, no entender do serrista em questão, "ruim".

Mas, pensando na mesma situação em relação a Tião Viana, do PT, a alternativa poderia ser péssima. A menos que no Palácio dos Bandeirantes se considere um PT na oposição potencialmente menos danoso que um PMDB na pressão. 

Por tabela

Na viagem na semana passada à Colômbia, o governador Serra esteve uma hora e meia com o presidente Alvaro Uribe, que busca um terceiro mandato.

Uribe não tocou no assunto, mas o governador de São Paulo registrou sua posição junto a amigos do presidente: melhor sair bem depois de dois mandatos. Redobrar a aposta é mais que um risco, é fracasso certo.

GRANDE BOSTA


TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Obama fixa meta verde para reduzir emissões da frota

 

- Folha: Governo aumenta burocracia para frear importação

 

- Estadão: Multinacionais anunciam 86 mil demissões pelo mundo

 

- JB: 70 mil perdem emprego em menos de 24 horas

 

- Correio: Xô, terceirizados

 

- Valor: Brasil impõe licença prévia para 60% das importações

 

- Gazeta Mercantil: Desemprego avança e mostra o tamanho da crise no mundo

 

- Estado de Minas: Mundo investe mais no Brasil