sábado, outubro 18, 2014

Vitimização de Dilma - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 18/10
O truque já foi usado uma vez, recentemente, e não funcionou, ao tentarem fazer da presidente Dilma uma coitadinha quando foi vaiada na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão. Nada indica que funcionará desta vez. Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio Neves no debate do SBT, na quinta-feira, não é um relato fiel do que aconteceu, nem faz jus à história da presidente e do PT. Beira o ridículo.

O mal-estar da presidente ao final do debate pode ter sido provocado pelo calor da discussão e do estúdio de televisão, e prenuncia uma fragilidade emocional dela, conhecida por seu vigor verbal, digamos assim. Ontem, Dilma, antes de adiar uma vinda ao Rio "a conselho médico" que depois foi desmentido, disse algo como "o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios". Nada menos verdadeiro.

Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo para mobilizar seus militantes, que andam meio desanimados ultimamente. Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país, que não sabe fazer política sem radicalizar. A prática do "nós contra eles", aprofundada nesta campanha com uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.

Na ocasião da abertura da Copa, escrevi que a grosseria é um problema nosso, de uma sociedade que precisa encontrar novamente o caminho da civilidade e da convivência pacífica entre os contrários. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT. Naquela ocasião, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração, muitas vezes com uso de palavras nada convencionais.

O ex-presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate da Bandeirantes, dizendo que, "quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz de ele pisar ou não enxergar".

Lula, evidentemente, está fazendo baixa política, sem muita chance de dar certo. A própria presidente Dilma não dá razão para esse tratamento condescendente com ela, pois, quando soube que a ex- candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda petista, saiu-se com esse comentário: "um presidente da República tem de resistir à pressão".

Em discurso dirigido a movimentos negros em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Dilma afirmou que quem não quer ser criticado "não pode ser presidente".

- Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República. Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra - disse Dilma.

Se a vitimização de Marina não teve sucesso, e ela só reagiu à altura dos ataques muito tempo depois, quando sua votação já se esvaía, agora o candidato do PSDB, Aécio Neves, está enfrentando de frente os mesmos ataques, o que coloca um dado novo na disputa presidencial. Na verdade, Aécio é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios, resgatando o legado de Fernando Henrique Cardoso e exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos.

Tanto Serra quanto Alckmin entraram na disputa contra o PT com receio de se indispor com Lula e seus seguidores, e tiveram dificuldades para defender as políticas do PSDB, quando não evitaram simplesmente temas polêmicos como as privatizações. A postura de Aécio Neves já mostrou que há um projeto político para enfrentar o lulismo, e defendê-lo não tira votos.

A banalização do mal - PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA

CORREIO BRAZILIENSE - 18/10

Estava claro que um dia ia dar em retrocesso político a estratégia de certa "esquerda" de tratar a corrupção como uma virtude e de celebrar os corruptos amigos como heróis do povo brasileiro. Na internet, blogueiros de aluguel, que nunca antes na história deste país tinham sido petistas, logo viraram lulistas desde criancinhas e passaram a hostilizar qualquer jornalista que ousasse denunciar a bandalha. "Direitista, udenista, golpista", vociferam uns. Outros babam, defendendo leis semelhantes às aplicadas na Venezuela e na Argentina para enquadrar jornalistas independentes e a imprensa não alinhada com o governo.

Quando Lula se reelegeu, mesmo após o mensalão, era a hora certa do mea-culpa, de expurgar a banda podre do partido e da retomada do discurso da ética na política. Havia amplo espaço para isso. O Brasil havia lhe dado nova chance. Para isso, nem precisava abrir mão do apoio de Collor, Maluf & Cia. Bastava anunciar que iria ser implacável com quem fosse flagrado assaltando os cofres públicos. Essa seria a regra do jogo. Cometeu um crime? Terá de pagar. Era o mínimo que se esperava dele no novo mandato.

O que ninguém sabia é que um novo escândalo - perto do qual o mensalão é café pequeno - já estava em andamento na Petrobras. Outra vez, Lula não sabia de nada? Sentia-se impotente diante do novo esquema de corrupção? Foi conivente? O fato é que a tropa de choque on-line só aumentou nesse período, intensificando a campanha de banalização da corrupção, oposta ao discurso da ética que tinha o PT antes se estabelecer no Planalto.

Há quem defenda a tese de que é impossível governar o Brasil sem fazer vista grossa à corrupção ou mesmo participar do saque aos cofres públicos. Trata-se de um argumento cínico que aflorou com toda a força na atual disputa política. De tal forma que, em vez do confronto de ideias e propostas para governar o Brasil, os candidatos limitam-se a trocar acusações num vale-tudo deplorável. E que só serve para desacreditar, desmoralizar e demonizar ainda mais os políticos.

O desvirtuamento da campanha eleitoral - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 18/10

TSE tem de evitar que desandem os embates entre candidatos e a propaganda política, depois que se firmou a ideia de que adversário é para ser desconstruído

A marquetagem da campanha da candidata-presidente Dilma Rousseff já se exercitava nos chamados golpes abaixo da linha da cintura contra Marina Silva. A relação pessoal e política da candidata do PSB com a herdeira do Itaú-Unibanco Neca Setúbal foi apresentada como prova da subordinação de Marina ao “capital financeiro”, assim como sua proposta de autonomia do Banco Central virou evidência de que os “bancos” mandariam em seu hipotético governo, com o consequente sumiço de comida da “mesa do pobre".

Como todo panfleto embebido em ideologia anacrônica, eram mensagens até bizarras. Mas, embaladas em filmetes produzidos com os mais modernos truques digitais — financiados pelo caixa de campanha abastecido também por bancos —, essas mentiras torpes ganharam ares de denúncias. Sem tirar méritos da campanha de Aécio Neves, a derrota de Marina na disputa com o tucano para enfrentar Dilma no turno final foi mais uma vitória das táticas de “desconstrução” de candidatos.

Tanto se fez que a beligerância contaminou o primeiro debate da fase final das eleições, quinta-feira, no SBT. A renovação das acusações de nepotismo a Aécio, assessorado no governo de Minas pela irmã Andreia, teve o troco na pergunta a Dilma sobre a nomeação também de um irmão, Igor, na prefeitura de Belo Horizonte, na gestão do petista Fernando Pimentel, exemplo lapidar de “nepotismo cruzado”.

Houve, ainda, a tentativa de exploração de um teste de Lei Seca que Aécio se recusou a fazer no Rio. Não se tem notícia, desde o confronto Collor-Lula, em 1989, de um debate tão violento.

A degradação da qualidade ética da propaganda eleitoral justifica a intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu presidente, ministro Dias Toffoli, desde o primeiro turno defende a reformulação do chamado horário gratuito, para que dele sejam eliminadas as trucagens. Toffoli chega a propor sua realização ao vivo, com candidatos apresentando propostas e debatendo programas.

Na quinta, o TSE baixou normas para que os programas eleitorais sejam propositivos, sem depoimentos de terceiros e reproduções de reportagens da imprensa. A decisão saiu do julgamento de uma reclamação do PSDB contra propaganda do PT em que Aécio é acusado por sindicalista de cercear a imprensa mineira no seu tempo de governador.

Cabe recordar que a primeira vítima desses golpes foi o próprio PT, na campanha de 89, quando o comitê de Collor colocou no ar a mãe da filha de Lula acusando-o de tê-la pressionado a não deixar nascer a menina. Foi chocante, mas aquela trapaça fez escola, e o TSE precisará de muita firmeza para evitar que a campanha de 2014 desça a ladeira de vez.

Enquanto isso, a economia continua estagnada, a inflação nas alturas e pouco ou nada se fala de como o país poderá sair desse labirinto em 2015 sem pagar alto preço.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Não sofri com esse tipo de coisa”
Deputado Tiririca (PR-SP), sobre preconceito contra nordestinos durante a campanha


Costa era quase ministro quando Lava Jato estourou 


Dilma nega agora, mas por um triz o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deixou de ser nomeado ministro das Cidades. Ele esteve entre os indicados do Partido Progressista (PP) para substituir Aguinaldo Ribeiro, em reunião na Casa Civil da Presidência em 11 de março passado. Ribeiro deixaria o cargo seis dias depois (17), data da Operação Lava Jato, que prendeu o ex-diretor.

Ainda esnobou

Paulo Roberto Costa estava entre os nomes levados pelo PP a Dilma. Mas, consultado pela Casa Civil do Planalto, ele declinou da indicação.

Batom na cueca

A PF descobriu troca de mensagens, no celular do doleiro Alberto Youssef, atestando o convite que o ex-diretor da Petrobras esnobou.

Olha o nível

Ciro Nogueira, presidente do PP, disse que levou a Aloizio Mercadante (Casa Civil) opções “de alto nível” para substituir Aguinaldo Ribeiro.

Tutti buona gente

Da reunião sobre opções para ministro das Cidades participaram o líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), e a ministra Ideli Salvatti.

Youssef ficou de fora do suposto acerto

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa fez uma ressalva, ao revelar à Justiça Federal, sob delação premiada, que mandou pagar R$ 10 milhões ao falecido senador Sergio Guerra (PSDB), em troca do fim de uma pretendida CPI para investigar malfeitorias da estatal, em 2009. Segundo ele, foi uma das raras operações das quais não participou o seu parceiro Alberto Youssef, preso como ele na Operação Lava Jato.

Parabéns pra você

Deflagrada em 17 de março deste ano, a Operação Lava Jato completou sete meses nesta sexta-feira. Merecia bolo de aniversário.

Trem pagador

O pagamento dos R$ 10 milhões foi feito, diz o ex-diretor, pelo presidente da empreiteira Queiroz Galvão, Ildefonso Colares.

Investigador

Se há pernambucanos no Petrolão, há pernambucano empenhado na sua devassa: José Jorge, ministro do TCU.

PT soa o alarme

A pesquisa IstoÉ/Sensus desta sexta (17) acionou todos os alarmes na campanha do PT: Aécio (PSDB) abriu 12,8 pontos, com 56,4% dos votos válidos, contra 43,6% de Dilma. Os petistas sabem que o Sensus foi o único grande instituto a prever que Aécio chegaria ao 2º turno.

Doença ousada

Até doente, Dilma tem dificuldade de ser gentil. Ao perceber queda de pressão, pôs o dedo em riste e disse à repórter do SBT, adotando tom de advertência em lugar de súplica: “Eu não estou me sentindo bem!”.

Freire a frente

Ficou para depois do 2º turno a fusão PSB-PPS, proposta pelo falecido ex-governador Eduardo Campos. O novo Partido Socialista adotará a sigla PS40 e deve mesmo ser presidido pelo deputado Roberto Freire.

Força-tarefa

Em disputa acirrada pelo governo contra Delcídio Amaral (PT-MS), o tucano Reinaldo Azambuja conta com presença do governador Geraldo Alckmin em ato de campanha hoje, e de Aécio Neves na terça (21).

Troco petista

Após campanha de primeiro turno usando azul em lugar do vermelho petista, Delcídio Amaral enfrenta dificuldades para convencer estrelas do seu partido a irem ao Mato Grosso do Sul apoiá-lo.

Tá feia a coisa

A médica e deputada Jandira Feghali, líder do PCdoB na Câmara, saiu do Rio para organizar o ato “Saúde com Dilma” em São Paulo. O tema é considerado sensível, após a categoria declarar apoio a Aécio Neves.

Milicianos

Após ter o vidro traseiro de seu carro destruído quando se dirigia a ato de entidades católicas, o governador Camilo Capiberibe (PSB-AP) desabafou nas redes sociais: “São milicianos ferindo a democracia”.

É sempre bom lembrar

O horário de verão começa neste sábado. À meia-noite, os relógios têm de ser adiantados em uma hora no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A mudança vai vigorar até 22 de fevereiro.

A saúde sofre

O chilique de Dilma no SBT pode ser da irritação represada. Habituada a gritar até com ministros, custa-lhe muito ouvir críticas de Aécio sem reagir aos berros. Faz mal à saúde.


PODER SEM PUDOR

Rigor conventual

O então governador de Pernambuco Roberto Magalhães oferecia um almoço a empresários de outros Estados, no Palácio das Princesas. Durante a sobremesa, um dos convidados elogiou a fruta servida. Sileno Ribeiro, poderoso secretário do Gabinete Civil, resolveu brincar:

- É um fruto divino!


Brincou com fogo.

D. Jane, a primeira-dama, católica fervorosa, achou que o secretário cometera uma blasfêmia. E exigiu sua demissão.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Viva o erro! - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 17/10
Aqui, no comecinho do Sudoeste, um posto de gasolina não aceita mais que os fiéis clientes encham os pneus dos carros depois das 22h. Os vizinhos de uma quadra comercial ilegalmente transformada em mista (com mais apartamentos do que lojas, claro) não "aguentam" mais o pipipipi do compressor e ameaçam processar os donos. No fim da quadra 300, uma loja está aberta, com uma plaquinha de aluga-se, há meses. Por que ninguém fechou negócio, apesar da excelente localização? As regras do condomínio não permitem que lá seja instalado um bar, um restaurante ou qualquer empreendimento que possa causar "transtornos" aos moradores. E o prédio, daqueles pequenos, de três andares, tinha como destinação original o comércio.

Onde moro, o uso da cobertura coletiva para receber amigos praticamente foi descartado: a família do morador do andar abaixo teve um filhinho no início do ano - e, obviamente, ninguém "quer" contestar um pai e uma mãe com criança de colo, né? Vejam: aqui não tem nada pessoal, até porque sou mais tranquilo do que nordestino tomando água de coco na praia. Estou apenas levantando esse tema para debater um pouco o fenômeno da convivência em grupo, da falta de tolerância, do isolacionismo em quatro paredes, da patrulha.

Os fumantes, por exemplo, parecem estar com o vírus ebola - ninguém fica por perto. Por falar no vírus que assusta o mundo, o nome dele é a expressão mais citada nas redes sociais - e, na maioria das vezes, associada a "negros" e "pretos". Um amigo mineiro adora churrasco e diz para todo mundo que vegetariano é uma besta quadrada. Se o sujeito é evangélico, logo perguntam: "Da igreja do Malafaia?". Se alguém bebe, aparece uma figura para questionar: "E as blitze? E teu fígado? Você não tem medo de morrer mais cedo?". Se fazem isso com certo amigo meu, ele devolve, na lata: "Ô abstêmio babaca... E tua vida em preto e branco, como está?". Ninguém pode discordar, brincar, soltar uma piada mais infame que é isolado - menos comigo, claro, que sou pernambucano.

O ator Mário Bortolotto disse, recentemente, que pessoas sempre certas costumam ser muito chatas. Portanto, viva o erro, viva a constante possibilidade do erro. De fato, Deus nos criaria bem mais perfeitos se quisesse algo diferente.

O rebate e o eleitor - MARIA CRISTINA FERNANDES

VALOR ECONÔMICO - 17/10

As revelações da Lava-Jato moldarão o governo a ser eleito



Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef são réus confessos que se comprometeram a contar o que sabem à justiça para diminuir suas penas. Se mentirem ou imputarem culpa a inocentes, terão penas agravadas.

As revelações dos alcaguetes moldarão em grande parte o governo a ser eleito. Se for o de Aécio Neves, servirá de parceria para o ajuste. Para "tirar o país do buraco" o presidente terá que tomar medidas duras mas, em contrapartida, terá cabeças a exibir em espetáculo de praça pública. Choverão aliados em busca de proteção.

Se for o de Dilma Rousseff o escândalo poderá ter consequências importantes para o previsível embate entre a reeleita e o antecessor. Em pé de guerra com a presidente, o mercado confia numa maior ascendência de Luiz Inácio Lula da Silva para conter os ímpetos da sucessora em eventual segundo mandato. O ex-presidente só estará apto a este papel se os alcaguetes não o puserem nas cordas.

Se reeleita por um país dividido, Dilma pode usar o caso para reeditar a estreia de seu primeiro mandato em que alcançou popularidade recorde faxinando o governo. Como parece cada vez mais segura de que se ganhar é menos devedora do partido e do padrinho, pode sobrar poeira e faltar tapete.

Nas seis horas do interrogatório Lula só aparece uma única vez, pela voz Alberto Youssef. O relato de quem parecia estar do outro lado do cabo de guerra descreve um ex-presidente indignado com a pauta trancada na Câmara como pressão pela nomeação de Paulo Roberto Costa.

Houve quem enxergasse um recado a Lula no figurino mimetizado com o qual o ex-diretor apareceu em público. Costa não o menciona diretamente mas lhe faz uma referência que minimiza danos ao contar que do dia em que entrou na Petrobras em 1977, até tornar-se diretor 27 anos depois, sempre soube que as diretorias, em todos os governos, eram ocupadas por indicação política. Na segunda gestão Lula, diz, as diretorias passaram a ter orçamentos mais polpuldos, antes restritos à de exploração, aquela que Severino Cavalcanti chamava de fura-poço.

A Petrobras liderou os investimentos que alavancaram o PIB e a eleição de Dilma em 2010. A presidente é filha da fartura que fez a felicidade das grandes empreiteiras. Em seu mandato abespinhou-se com muitas delas enquanto o ex-presidente continuou a viajar para promover os negócios dessas companhias, muitas vezes nos jatos destas, na América Latina e na África.

Num encontro recente, o ex-presidente de uma das empresas agora acossadas pela Lava-Jato, citou o estreitamento das relações nesses continentes como um dos motivos que mais o aproximava das gestões petistas.

Entre os três candidatos do PT aos governos estaduais aos quais Lula mais se dedicou nessas eleições dois tiveram seus nomes tangenciados pela Lava Jato e um terceiro foi diretor da Petrobras.

O interrogatório conduzido pelo juiz Sérgio Moro é o único capítulo público deste processo. As páginas com maiores implicações políticas do que falaram têm sua íntegra resguardada pelo ministro Teori Zavascki, juiz que só se manifesta pelos autos. Só virá à luz em 2015, junto com os cortes do orçamento.

As seis horas do interrogatório colocadas na internet, no entanto, não servem apenas como aperitivo do próximo governo. São relatos de grande utilidade para o eleitor sobre os arranjos entre corporações que os petistas um dia chamaram de campeões nacionais. Nas contas de um grande conhecedor do processo com franco acesso aos envolvidos, a tese do domínio do fato, consagrada no mensalão, ameaça colocar atrás das grades pelo menos 20 dirigentes empresariais.

Nos relatos dos dois réus as companhias brasileiras ainda aparecem como um parque de diversões para prêmio Nobel de Economia, Jean Tirole.

A real academia sueca assim resumiu seu trabalho: "Muitos setores industriais são dominados por um pequeno número de grandes empresas ou por um monopólio. Sem regulação, esses mercados produzem resultados sociais indesejáveis".

No relato que deliciaria Tirole, um punhado de empresas se reúne para dividir as maiores obras do país e fixar o preço. Uma das siglas que mais se ouve nos depoimentos é BDI, que resume os benefícios e despesas indiretas de uma obra. Nela estão incluídos desde o lucro da empresa até despesas com advogados, consultores e contas de energia. É no meio dessas três letras que se esconde a propinagem.

Como operador do esquema, Youssef fazia os pagamentos, que diz terem sido sempre em espécie. "Mandava para Brasília o que era de Brasília e para o Rio o que era de Paulo Roberto", contou. O restante distribuía em seu escritório em São Paulo, frequentado pelo vice-presidente estatutário de uma das maiores construtoras do país.

O executivo recebia uma comissão pelas compras da empresa. Ao ouvir a história o procurador pediu que Youssef a detalhasse. A construtora tinha feito uma compra de R$ 150 milhões a uma fornecedora de tubos e conexões e o executivo da empresa compradora foi comissionado por esta compra.

As comissões são praxe na remuneração dos departamentos de venda das empresas. Para o comprador, conseguir o melhor preço é o que lhe garante o emprego. "Ele lesava a empresa?", insiste o procurador. O doleiro responde como quem não parece acreditar que seu interrogador desconheça: é assim que as coisas funcionam. Na praça, é conhecido por rebate.

Parece claro que se uma empresa formou um cartel para fixar o preço de uma obra pública e nele embute o custo de propina, o erário, além da empresa, também é lesado. Mas se a transação for estritamente privada não há dano no comissionamento de compradores? 

Há médicos, arquitetos, gestores e jornalistas cujas relações com laboratórios farmacêuticos, lojas de decoração, fundos de investimento e assessorias de imprensa levam em consideração outros interesses que não os dos pacientes, clientes, investidores e leitores. De pouco adianta mudar o governante se as regras da vida privada continuarem a ser praticadas como se não fossem lesivas à coletividade.

Uma criança que recebe R$ 50 para comprar uma bola, descobre uma liquidação, paga R$ 40 e embolsa o troco, é saudada em algumas famílias como um adulto que vai longe. Seus pais poderão ir às urnas no dia 26 movidos por muitos interesses legítimos, só não vale dizer que votam por mudanças.

Cenário enigmático - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 17/10


Os especialistas em análises de pesquisas dizem o óbvio sobre o empate entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves registrado pelos institutos Ibope e Datafolha: significa que a disputa é acirrada e o resultado, imprevisível.

Até aí não precisa ser do ramo para chegar a essa conclusão. O que foge ao alcance da vista, contudo, é a razão pela qual há tanta exatidão nos números apresentados. Pode ser que aqui a memória me falhe, mas não tenho notícia de eleição em que a segunda pesquisa do segundo turno repita com tal precisão o resultado da primeira consulta, havendo ainda coincidência estrita entre os índices dos dois principais institutos.

Isso levando em conta a diferença de metodologias*, dos dias das entrevistas de campo – Ibope entre 12 e 14 de outubro e Datafolha, 14 e 15 de outubro –, as variações regionais e entre faixas de renda ocorridas nos eleitorados dos candidatos. Dilma melhorou entre os eleitores que ganham mais de dez salários mínimos, caiu muito no Sul do país, perdeu alguns pontos no Norte e manteve larga vantagem no Nordeste. Aécio perdeu pontos em todas as faixas de renda. Subiu no Sul, Centro-Oeste e Norte, mas caiu um pouco no Sudeste.

Ainda assim, os dois cravaram exatos 49% e 51% dos votos válidos nos dois institutos. Os mesmos índices captados uma semana antes. Quem terá parado? O eleitor não foi, como se vê pela movimentação registrada nas entrelinhas das pesquisas. Fato é que o cenário da soma total se revelou cristalizado numa espécie de conta de soma zero, ainda sem uma explicação factível.

Os sete dias transcorridos entre uma consulta e outra não foram sete dias quaisquer. Nesse período recomeçou a propaganda eleitoral, os partidos que ficaram de fora definiram seus apoios, Marina Silva anunciou voto em Aécio, os depoimentos sobre a máfia da Petrobras começaram a ser divulgados. A família de Eduardo Campos aderiu à campanha do PSDB e os finalistas se enfrentaram em um debate cujo efeito pôde ser captado pelo Datafolha.

Pela lógica, o cenário deveria ter apresentado alguma alteração. Partindo do princípio de que os acontecimentos da largada da campanha do segundo turno foram favoráveis à oposição, imaginava-se – até mesmo entre os governistas – que o tucano apareceria agora com vantagem expressiva.

Caso retratem de fato a realidade, esses dois pontos de Aécio à frente da presidente não podem ser vistos como dianteira nem empate “técnico”; os índices representam, isto sim, um empate real que dispensa adjetivação. Ou, por outra, talvez os números até estejam indicando uma nova mudança em favor do governo.

É uma hipótese, pois se com tantos fatores desfavoráveis a presidente ainda conseguiu manter-se em condição de empate, reduzir um pouco a rejeição e melhorar a avaliação de governo, é de se considerar essa possibilidade.

Aliás, a imobilidade presente chama atenção justamente porque a volatilidade foi a marca dessa campanha desde o mês de agosto. Daí a estranheza com esse quadro de congelamento da cena dez dias antes da decisão final. Hoje é absolutamente impossível dizer quais serão os fatores decisivos para a vitória de um ou de outro. Denúncias? Desconstruções? Comparações? Armações? Manipulações?

Todos esses caminhos já foram testados e até agora nenhum deles teve o efeito de uma bala de prata capaz de derrubar o adversário. A não ser que Dilma ou Aécio disponham de alguma arma secreta ou o inesperado resolva fazer uma nova surpresa, a única certeza é que o placar continuará em aberto até o desligamento das urnas eletrônicas.

E para quem acredita em resultados de véspera, fica aqui um dado importante registrado pelo Datafolha: 15% dos eleitores só decidiram seu voto no último dia, 9% deles na boca da urna.

Ovos, galinhas e ladrões - NELSON MOTTA

O GLOBO - 17/10

Quem chegou antes: empresários achacados por agentes públicos sob ameaças de grandes prejuízos ou os que subornaram para assaltar o Estado?



Com a explosão do escândalo da Petrobras e os depoimentos dos delatores premiados, tudo indica que, como nunca na História deste país, não veremos só políticos e banqueiros, mas os mais poderosos empreiteiros do Brasil, no banco dos réus, e talvez na cadeia. E o desmoronamento de uma organização criminosa formada por um cartel de empreiteiras numa ponta e partidos políticos na outra, com montanhas de dinheiro público no meio. Uma tsunami que provocará uma inevitável reforma política e eleitoral.

A extorsão e o suborno são o ovo e a galinha da corrupção brasileira. Quem chegou primeiro: os empresários achacados por agentes públicos sob ameaças de grandes prejuízos ou os que subornaram políticos e funcionários para assaltar o Estado? Além de eventuais prisões ou multas, se essas dez empreiteiras do cartel forem excluídas de concorrências públicas, que é o minimo que se pode esperar, o país vai parar. A coisa está feia para eles, mas principalmente para nós, que vamos pagar a conta que já estávamos pagando sem saber. O governo não sabia de nada.

Parece tema de um seriado. As diretorias da Petrobras eram ocupadas por partidos políticos como as quadrilhas de mafiosos ocupam territórios, para arrecadar dinheiro e se manterem no poder. Um cartel de empreiteiras dividia obras, fraudava concorrências, inflava orçamentos e pagava comissões aos partidos e a seus operadores. O doleiro Youssef era o banco central da engrenagem, fazendo o meio de campo entre a quadrilha e o cartel, distribuindo e lavando o dinheiro das comissões sujas. É tudo claro como lama. Mas quem eram os chefões ?

E pior: se fizeram isso na Petrobras, na maior empresa, a mais fiscalizada, o que não terão feito, estão fazendo, nos Correios, na Eletrobras e em estatais menores?

Como na explosão de uma bomba atômica, não se sabe ainda quantos morrerão no primeiro choque, quantos serão vítimas das radiações e quantos sofrerão terríveis mutações. A Lava-Jato será como um jato de lava vulcânica radioativa para lavar a alma de oposicionistas e governistas de bem, que querem um país mais limpo e produtivo.

A desmoralização vinda da corrupção - ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR

O ESTADO DE S.PAULO - 17/10


É profundamente desanimador comprovar pelas rádios, pelas televisões e pelos jornais que a nossa democracia, conquistada após tanto sofrimento, vem sendo conspurcada, violentada, humilhada por um grupo de pessoas que chegou ao poder e age de forma absolutamente imoral, como se pretendesse destruir nossos valores e abalar nossas instituições. Isso não se dá por incompetência e inabilidade dos administradores públicos, mas por ação consciente e programada do partido político que defende o crescimento do Estado, nas mãos dele, o que certamente resultaria no estrangulamento da iniciativa privada e da imprensa, como vemos ocorrer na Venezuela, na Argentina e no Equador.

Se incompetência e inabilidade constituíssem crime, a penitenciária de Papuda estaria bem mais cheia e José Dirceu e outros do mensalão teriam de dividir espaço com os iguais da Petrobrás. Mas furto de dinheiro público e corrupção, ativa e passiva, são crimes, de tal forma que é só uma questão de tempo: essa turminha sem escrúpulos vai viver o mesmo tormento e ter o mesmo destino dos iguais que fizeram o mensalão.

A sociedade brasileira, e cada um de nós, tem o direito de acompanhar a punição desses delitos, que devem ser investigados em profundidade, doa a quem doer. A loucura incontida de avançar sobre dinheiro público é traço marcante do grupo que conquistou o poder 12 anos atrás. Sob a alegação hipócrita de ser necessário implantar um projeto nacional em favor dos mais pobres, a ação de seus integrantes passou a ter como alvo principal os órgãos e empresas estatais onde rola muito dinheiro.

Se tivessem sido indicadas pessoas competentes e honestas para esses cargos, certamente não seria possível cobrar as comissões das empreiteiras e enriquecer o grupo. Essa foi a razão de terem sido nomeadas pessoas da pior espécie, essas que hoje ocupam as páginas políticas, quando, em verdade, deveriam estar nas páginas policiais, porque se tornou notória a ocorrência dos crimes praticados.

Nossas leis punem tais crimes, mas, em razão da necessidade do devido processo legal, do contraditório e de ampla defesa, esses péssimos brasileiros talvez consigam empurrar o desfecho de decisão condenadora por alguns anos.

Depoimentos feitos perante juiz federal demonstraram que o detido ex-diretor da Petrobrás concordou em devolver milhões de dólares que escondia no exterior. Por essa conduta se torna fácil imaginar como devem estar recheados os bolsos dos demais que receberam a propina. O volume de beneficiados pela farra naquela estatal é muito maior e envolve, como tantas vezes divulgado, elementos da cúpula do Partido dos Trabalhadores.

O assunto é grave e não pode ser esquecido. Se não se concretizar a necessária punição, prevista em lei, restará a ideia da impunidade e do prevalecimento da esperteza.

O incrível é que, entre tantos beneficiados, somente dois estejam na cadeia. É também incrível que as empresas contratadas pela Petrobrás, aquelas que pagaram os porcentuais destinados aos partidos políticos, continuem imunes e na cômoda posição de simplesmente alegar nada terem feito de errado. Seria o caso de pôr em dúvida o requisito da moralidade, necessário para quem se dispõe a realizar obras públicas, e bloquear o seu acesso a novas contratações.

Essas mesmas empresas a toda hora são acusadas do crime de corrupção, circunstância que torna duvidosa a alegação que fazem de inocência. Serão mentirosos os depoimentos tomados pelo juiz federal que interrogou os dois presos? Será tudo invenção dos opositores políticos, esses que "tentam dar um golpe", conforme acusa a presidente Dilma Rousseff?

Essa senhora, prisioneira da notória impossibilidade de bem governar, a toda hora admite que houve, sim, a assustadora presença do avanço criminoso no dinheiro público. Sim, ela repete o tempo todo que nunca ninguém, como ela, combateu tanto a corrupção no País. Pretende com isso um benefício eleitoral. Mas a cada dia se torna mais claro que esse combate, se existe, alcança fatos havidos em seu governo, debaixo de seu nariz, conforme já havia ocorrido anteriormente com o presidente Lula (aquele que no caso do mensalão não viu nada, não sabia de nada).

Se de fato a candidata pretendesse acabar com a corrupção, o primeiro passo seria afastar-se das ratazanas políticas da pior qualidade que indicaram os afilhados para as estatais e os órgãos públicos. Essa gente circula no seu gabinete desde os tempos de seu antecessor e conselheiro, Lula. Sua presença na barra da saia da presidente leva à inferência de que ela participou conscientemente dos ajustes e age com hipocrisia quando afirma estar combatendo a corrupção.

Sempre é bom lembrar que são aliados de Dilma e estão ao seu lado pessoas de conduta conhecida, como José Sarney, sua filha Roseana Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Mello e muitos outros que certamente não irão para o céu. O próprio Paulo Maluf, tão combatido e desmoralizado, é hoje aliado de Dilma e a defende no horário eleitoral, pedindo votos para ela (pudera, recebeu a visita de Lula em sua casa...!).

No lugar de José Sarney, que alegou estar aposentado, ficou outro de igual calibre: Renan Calheiros, de biografia já conhecida. Sempre são ouvidas referências à sua conduta, tão conhecida, que desaconselharia sua presença no Senado, ainda mais como presidente. Sucede que ele cumpre, obedientemente, tudo o que lhe ordena o Palácio do Planalto - e, em contrapartida, nomeia quem ele quer para os cargos em que corre mais dinheiro.

É a velha oração de São Francisco de Assis - é dando que se recebe - atuando exatamente ao contrário do que pretendia o santo, no seu linguajar tão puro.

Abaixo da cintura - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 17/10
Campanha chega ao nível mais baixo com insinuações de Dilma. Quando a presidente Dilma disse que para vencer uma eleição "faz-se o diabo", estava antecipando a falta de limites éticos que sua campanha vem demonstrando. Ontem, chegamos ao ponto máximo até agora, com a presidente da República insinuando que seu oponente é bêbado ou drogado, num golpe baixo que até mesmo no MMA é proibido.

O candidato Aécio Neves teve a única reação possível, disse que se arrependia de ter se recusado a soprar o bafômetro, e elogiou a Lei Seca. Uma tentativa de contenção dos danos por um deslize que um homem público sabe que pode ter consequências. Essa era uma carta previsível, diante do festival de baixarias que vem dominando esta campanha, e já fora jogada na véspera quando o ex-presidente Lula, num palanque onde estava cercado dos Barbalho - ele tem uma dívida qualquer com o chefe do clã, Jader, cuja mão beijou em outras campanhas -, disse que uma pessoa que se recusa a soprar o bafômetro não pode ser presidente da República.

Logo Lula, que já foi acusado por uma reportagem do "New York Times" de ser um presidente bêbado, ocasião em que foi defendido por diversos políticos, e recebeu a solidariedade generalizada. Escrevi na ocasião que não havia nenhuma indicação de que o hábito de beber impedisse o presidente de governar, o que tornava leviana a reportagem cheia de insinuações.

Mesmo sem entrar no mérito de quem tem mais razão ou culpa no cartório, é espantoso que um político que já foi vítima das piores atrocidades, como a que o hoje seu aliado Fernando Collor de Mello fez na campanha de 1989, possa se utilizar de métodos semelhantes na ânsia de derrotar seu adversário.

Collor colocou no ar a mãe de Lurian, filha de Lula, para acusá-lo de tê-la obrigado a fazer aborto, uma baixaria que entrou para a História política negativa brasileira. O estrago foi grande na ocasião e desestabilizou Lula para o resto da campanha. O candidato Aécio Neves aparentemente reagiu ao ataque baixo com tranquilidade, lembrando que Dilma usava os mesmos métodos que Collor utilizara contra a família de Lula.

O contra- ataque sobre o nepotismo, apontando que Igor Rousseff, irmão da presidente, era funcionário fantasma na gestão de Fernando Pimentel na prefeitura de Belo Horizonte, num caso típico de nepotismo cruzado, foi feito pedindo desculpas por baixar o nível, querendo ressaltar que Dilma procurara atingir sua família.

Uma manobra diversionista para marcar no eleitor a ideia de que ele queria discutir programas de governo, mas Dilma levava a discussão para o embate pessoal. Aécio ressaltou isso várias vezes no debate. Explicando que sua irmã Andrea trabalhou no governo de Minas como voluntária não assalariada - no papel que poderia ser exercido pela primeira- dama, que não havia, pois era solteiro na ocasião -, neutralizou um dos principais ataques de Dilma.

É claro a esta altura que a campanha, que tem tido um nível muito baixo, com acusações mútuas, não mudará de tom até as urnas em 26 de outubro. Os dois candidatos se encontram em empate técnico, e o PT demonstra, por gestos e atitudes, que não pretende abrir mão de seu projeto maior de poder assim facilmente. A seu desfavor, uma crise econômica que só faz se agravar, uma crise política que apenas começou, e que terá desdobramentos institucionais seríssimos nos primeiros anos do futuro governo, e um governo precário, com resultados econômicos pífios.

Dilma agarra-se à única tábua de salvação, que é o nível baixo de desemprego, que desaparecerá brevemente com a continuidade da crise econômica. Se conseguir se reeleger em outubro, estará deixando para si uma herança maldita que fará com que os seus eleitores se decepcionem rapidamente com o voto que deram.

Qualquer dos dois que se eleja, porém, terá que enfrentar uma crise econômica e política com um país literalmente dividido, especialmente depois de uma campanha devastadora como esta. Tarefa para quem tem capacidade de negociação e espírito público.

A moral e o anel de Giges - JOSÉ PIO MARTINS

GAZETA DO POVO - PR - 17/10


Nestes tempos de moral social degenerada, vale relembrar o filósofo Platão em sua obra A República, quando ele narra a lenda do pastor Giges. Certo dia, após uma tempestade, abre-se uma fenda no chão, e o rebanho do pastor é engolido. Ele resolve entrar na fenda e encontra, no fundo do abismo, o cadáver de um gigante, que trazia apenas um anel em um dedo.

Giges coloca o anel e segue para a assembleia de pastores destinada a preparar relatório para o rei sobre a situação do rebanho. O pastor, então, percebe que, ao girar o anel para baixo, ele se torna uma pessoa invisível. Virando o anel para cima, ele volta a ficar visível. Eufórico com a descoberta, Giges vai ao palácio e, estando lá, gira o anel e fica invisível. Agora, longe de qualquer punição, Giges seduz a rainha, assassina o rei e usurpa o trono, iniciando sua longa dinastia.

Platão nos conta que, ao desfrutar da invisibilidade e movido pelo desejo de poder, o pastor passa a agir sem escrúpulos, seduz, rouba e mata. E o filósofo nos propõe a seguinte questão: os homens são bons por escolha própria ou simplesmente porque temem ser descobertos e punidos? Imagine, caro leitor, que você tenha o anel de Giges e possa ficar invisível. Livre para fazer o que quiser sem ser punido pela sociedade, pelas leis e por Deus, você agiria com base na moral e na justiça?

Platão disse: “Quer conhecer o homem, dê-lhe o poder”. O ser humano só é completamente moral quando, tendo o poder e estando livre da punição, ele age com base na moral, na virtude e na justiça. A observação da conduta cotidiana nos leva a concluir que, se o ser humano ficar entregue a seus próprios instintos naturais, muito provavelmente o egoísmo, a ganância e a sede de ter mais – poder, fama e dinheiro – o levariam a roubar, matar e trapacear.

A narrativa de Platão permite concluir que mesmo uma pessoa virtuosa e justa, se tivesse em mãos o anel de Giges, agiria contrariamente à virtude e à justiça. Não todos, é claro. E Aristóteles alerta que “o homem guiado pela ética é o melhor dos animais. Quando sem ela, é o pior”. Por isso, a vida em sociedade exige um conjunto de normas gerais de conduta justa, iguais para todos (inclusive para o rei) e aplicáveis a um número incerto de casos futuros. A propensão humana à virtude é frágil; por isso, a paz social não dispensa as regras de conduta e a punição para quem as viola.

Na esfera pública, o meio de impedir que os políticos tenham seu anel de Giges é pela visibilidade de seus atos. Não é por outra razão que a Constituição obriga à publicidade de todos os atos dos governantes. A publicação e a divulgação de tudo quanto é feito com o dinheiro público (e também dos atos que não envolvam dinheiro) são necessárias para o conhecimento da população sobre as ações dos homens do poder.

Certamente, os corruptos imaginam ter achado o anel de Giges e acreditam que não serão pegos nem atingidos pela punição. Somente um louco cometeria atos de corrupção se tivesse a certeza de que seria descoberto, processado e punido. Seguramente, os malfeitores fazem cálculos e agem apostando na probabilidade de não serem pegos. De vez em quando, eles erram no cálculo e a justiça funciona.

Se os homens fossem anjos, o Código Penal e as prisões não seriam necessários. Mas os homens não são anjos e, quanto mais poder eles têm, maior a probabilidade de manifestarem seu lado diabólico e imoral.

Dilma e a Constituinte - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 17/10

A presidente-candidata insiste em uma proposta claramente irreal e ilegal para realizar a reforma política



Com o fim exclusivo de montar um cenário para o programa eleitoral da televisão, a presidente Dilma Rousseff subiu ao palco na segunda-feira para receber o resultado de uma “votação” na qual 7,5 milhões de pessoas (97% dos votantes) manifestaram apoio à sua ideia de que só uma Constituinte exclusiva poderia fazer a reforma política pela qual clama o país. Os holofotes bem posicionados e uma fala parecida com o improviso dariam à candidata um bom palco para conquistar a plateia de eleitores que, em 2013, saíram às ruas para protestar contra “tudo que está aí”, mas sobretudo contra o modo de ser e agir dos políticos brasileiros que “não nos representam”.

A Constituinte exclusiva, que pela ideia inicial seria convocada por um pleonástico “plebiscito popular”, teria o papel de reformar a atual Constituição Federal nos pontos que dizem respeito aos processos político-partidário-eleitorais – cujas distorções são, de fato, evidentes. Deles derivam males que precisam ser combatidos, como a influência do poder econômico, os partidos de aluguel e as coligações oportunistas, entre outros tantos. A Constituinte sugerida por Dilma teria de pensar fórmulas capazes para dar legitimidade à representação popular, hoje totalmente desvirtuada.

Não há dúvida de que se trata de uma ideia de aparência tentadora, capaz de conquistar as maiores simpatias – e logicamente envolver a candidata à reeleição na aura de uma estadista preocupada com o aprimoramento da democracia, que é o que mais lhe interessa nesta antevéspera decisiva de eleição. Com o gesto, Dilma Rousseff poderia se apresentar como quem não só entendeu a voz das ruas, mas sobretudo quis dar-lhe consequência prática. “Eu, pessoalmente, considero que a Constituinte institucionalmente é uma boa proposta, porque não serão aqueles que estão no exercício do mandato que reformarão as instituições políticas do país, mas uma instância convocada exclusivamente para esse fim”, disse.

Os desavisados, mais uma vez, aplaudirão. E quem sabe até decidam votar na reeleição em razão da propaganda competente – porém enganosa. O engano proposital com o qual se tenta induzir o eleitorado provém do mais comezinho entendimento do que seja uma Assembleia Constituinte. Em primeiro lugar, seus membros deverão ser eleitos pelo voto direto dos eleitores. Sob que regras? Pelas atuais? Estas que, argumentam, não garantem que a sociedade esteja correta e honestamente representada? Se assim for, a própria Constituinte já nasce sob suspeita de ilegitimidade. E, se fosse ilegítima, o seria tanto quanto o é o atual Congresso – criticado por não “nos representar” porque fruto de regras eleitorais imperfeitas. Assim, nada nos leva a supor que saia da Constituinte a reforma eleitoral que sepulte os defeitos presentes e os substitua por virtudes futuras.

Enganosa também a propaganda na mesma medida de sua teratologia, já que uma verdadeira Constituinte não pode ser exclusiva – isto é, ser convocada exclusivamente para mudar algumas das cláusulas (as de cunho político-eleitoral) e se comprometer a preservar todas as demais que compõem o conjunto da Lei Magna brasileira. À exceção das cláusulas pétreas (aquelas que nem mesmo os constituintes podem mudar), todas as demais são suscetíveis a alterações por parte de uma Assembleia Constituinte, cuja essência inclui o poder de redigir uma nova Constituição sem restrições “temáticas”.

Para alterações em assuntos específicos, como o seria a reforma política, há o instrumento da proposta de emenda constitucional (PEC), de que pode se servir o Congresso. É prerrogativa sua apresentar PECs, debatê-las e aprová-las. Não há por que eleger uma Constituinte para não mudar a Constituição, mas apenas para emendá-la.

É lastimável que questões tão importantes sejam tratadas meramente sob o prisma da propaganda eleitoral. A proposta não é legal, não tem legitimidade e peca na sua origem, pelo modo com que é apresentada, e por ser mais uma tentativa de ludibriar o eleitor.

Economia brasileira na contramão do mundo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 17/10

Se a economia externa explicasse tudo o que ocorre no Brasil, não faria qualquer sentido haver riscos de deflação lá fora e o país estar com uma inflação de 6,75%



Os mercados mundiais passam por turbulências que há algum tempo não se viam. E, como sempre ocorre nesses momentos, engrossou o fluxo de divisas em busca da segurança dos títulos do Tesouro americano, cuja rentabilidade ficou, na quarta-feira, abaixo dos 2% — quanto maior a procura, menor a taxa. Há um ano isso não acontecia.

A centelha de ignição desse movimento de fuga de aplicações de maior risco, em todo o mundo, tem sido o temor de que a Europa, ainda na fase de digestão da grande crise deflagrada em 2009, entre em deflação. A redução de preços chega a ser tão ou mais perigosa que a elevação deles, pois os lucros das empresas são corroídos, como reflexo da retração das vendas — o consumidor adia as compras, à espera de preços cada vez mais baixos — e as economias tendem à depressão.

O próprio Fundo Monetário Internacional alertou, no último fim de semana, para a probabilidade de a Europa voltar à recessão, um péssimo sinal a fortalecer o temor de uma deflação. O prognóstico é reforçado pela informação de que, nos 18 países da zona do euro, a inflação anualizada, no mês passado, foi de ínfimo 0,3%, a taxa mais baixa dos últimos cinco anos. Nessa circunstância, nem a recuperação americana parece ser capaz de compensar o marasmo europeu, até porque seria afetada por ele.

Visto o mundo por este ângulo e colocado o Brasil nele, o álibi apresentado pela candidata-presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda em aviso prévio, Guido Mantega, para os problemas da economia brasileira — o país está quase estagnado devido à conjuntura externa — fica bastante frágil.

Uma prova sólida de que grande parte da responsabilidade das panes observadas internamente é doméstica está no fato de que, no exterior, a ameaça é a deflação, enquanto no país o perigo é a inflação, entre outros.

E ela se origina de erros exclusivos do governo, cometidos na aplicação voluntariosa do tal “novo marco macroeconômico”, modelo sem qualquer preocupação com o equilíbrio fiscal. Os gastos continuaram a crescer mais que a arrecadação e o PIB, fator clássico de alimentação da alta de preços.

Se a economia internacional explicasse tudo o que ocorre no Brasil não faria qualquer sentido o mundo enfrentar riscos de deflação e o país estar com uma inflação de 6,75% — muito acima da meta de 4,5% e além do limite superior dela, de 6,5%.

Pode ser que a queda das cotações de commodities dê alguma contribuição para atenuar a alta de preços internos. A retração nos preços do petróleo deve até ajudar as finanças da Petrobras. Mas, na essência, as causas da velocidade na remarcação de preços, de fundo fiscal, continuam intocadas. Ao largo das turbulências mundiais.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Vamos mudar o Congresso para a Papuda”
Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB, e o fim do financiamento privado de campanha


Líder do PP aproximou ex-diretor de Sergio Guerra

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa relatou à Justiça, sob delação premiada, uma reunião em 2009 com o falecido senador Sergio Guerra (PE), presidente do PSDB, articulada pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), na qual ficou acertada a doação de R$ 10 milhões para a campanha local. Ele diz que a reunião ocorreu durante ameaça de criação de CPI sobre negócios suspeitos na Petrobras.

O CEO aparece

Paulo Roberto contou que, a seu pedido, Ildefonso Colares, presidente da empreiteira Queiroz Galvão, pagou o acerto com Fonte e Guerra.

Sob suspeita

A Queiroz Galvão, segundo Paulo Roberto Costa, estava no centro das acusações de irregularidades a serem investigadas pela CPI, na época.

Resposta padrão

A Queiroz Galvão reiterou sua resposta padrão: “todas as doações realizadas pela empresa seguem rigorosamente a legislação eleitoral”.

Sem resposta

A coluna procurou insistentemente o líder do PP, Eduardo da Fonte, mas ele não retornou as ligações até o fechamento da edição.

Cabral articula para desbancar Temer

Com o tucano Aécio Neves empatado com Dilma Rousseff na briga pelo Palácio do Planalto, o ex-governador fluminense Sérgio Cabral já se movimenta para desbancar o vice-presidente da República, Michel Temer, do comando do PMDB. O líder do partido, Eduardo Cunha (RJ), sinalizou esta semana apoio a eventual governo tucano e mandou o recado: Temer não conduzirá o partido se Aécio vencer no 2º turno.

Projeto de poder

Cotado para presidir a Câmara em 2015, Eduardo Cunha já vislumbra o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na disputa pela Presidência em 2018.

Olho em 2016

O deputado Leonardo Picciani, filho do presidente estadual do PMDB-RJ, planeja disputar a sucessão de Paes na prefeitura do Rio.

Ajustando contas

A deputada Sandra Rosado (RN) atribui sua derrota a Wilma de Faria. Ambas do PSB. A ex-governadora também perdeu para o Senado.

Sonho de banqueiros

A família Setúbal sonha com Ilan Goldfajn, economista-chefe do seu banco Itaú, na presidência do Banco Central. E Neca Setúbal, uma das herdeiras do banco, ministra da Educação de eventual governo Aécio. Ela descansa na Europa do estresse da campanha de Marina.

São todos Geni

Vice-governador eleito de SP, Márcio França (PSB) compara os políticos com a personagem “Geni”, de música de Chico Buarque: “Políticos apanham, enfrentam eleição, e voltam a apanhar”.

Costa mentiu, diz Bezerra

O ex-ministro Fernando Bezerra disse ontem que não conhece e nem tratou de doações com Alberto Youssef, como diz Paulo Roberto Costa. Admite contatos institucionais com o ex-diretor da Petrobras, que para ele foi leviano e mentiu, para manchar a memória de Eduardo Campos.

Pegou mal

Gerou mal-estar no PSB a decisão da senadora Lídice da Mata (BA) de apoiar a reeleição de Dilma para fazer média com governador eleito, Rui Costa. O PSB só liberou apoio em Estados que disputam 2º turno.

Uso da máquina

Mais um exemplo do uso da máquina para beneficiar candidatos. No Acre, governado pelo petista Tião Viana, ônibus estadual faz campanha por Dilma. O flagrante foi em Epitacolândia, 242 km de Rio Branco.

Falta de vergonha

A Brasil CT, que administra o programa de pontos dos cartões de crédito do Santander, confessa em seu site ser expert em “soluções que permitem manutenção de breakage”. Ou seja, trabalha para que os pontos caduquem antes de serem utilizados.

Coisa de cinema

A TV Câmara montou estrutura de fazer inveja a muitos candidatos: aproveitou a única sessão deliberativa da semana para fazer imagens do Plenário com uma grua.

Projeto adiado

O governo divulgou nota recuando do plano, revelado nesta coluna, de nomear não concursados para cargos comissionados no Ministério das Relações Exteriores. Os cargos são velha aspiração do PT, especialista no aparelhamento de órgãos públicos.

Pergunta no boteco

Após dirigir o País sem abrir mão da água que passarinho não bebe, Lula tem mesmo como reclamar e criticar quem dirige depois de beber?


PODER SEM PUDOR

Confiança

Homem recatado, Djalma Marinho sempre foi um político respeitado, um homem sábio, no Rio Grande do Norte ou em Brasília. Não era para menos. Certa vez, em campanha no interior, ele acabou atraído para dançar com uma eleitora, numa festa. Um amigo resolveu brincar com a situação, mesmo sabendo do comportamento reto de Marinho:

- Dr. Djalma, e se a sua esposa ficar sabendo disso?

- Minha mulher não acredita em ressurreição, meu caro - respondeu.

quinta-feira, outubro 16, 2014

O desafio principal não é o do dia 26 - MARCO ANTONIO ROCHA

O ESTADO DE S.PAULO - 16/10


Estamos no meio do tiroteio entre PSDB e PT - de novo. Dilma Rousseff e Aécio Neves avançam para se encontrar, no domingo 26/10, na frente do saloon onde os eleitores esperam o desfecho.

Mas, afinal, é só política. O desfecho - alternância no poder ou continuação no poder - significa ou o retorno de tucanos para os 22 mil a 23 mil cargos comissionados na administração federal; ou a continuidade de petistas nos mesmos cargos.

Esses milhares de cargos comissionados na administração federal se multiplicam em benefícios e "boquinhas" para legiões de aderentes ao poder. Para a "cupinchada", como se dizia antigamente, ou para a "companheirada", como se diz hoje. Por isso, ninguém considere irrelevantes as pernadas dessa capoeira brava, sem berimbau.

Mas continua sendo apenas política. Nos comícios que ainda existam e nas TVs. Na economia, a coisa é outra.

Na economia: 1) nenhum dos dois candidatos pode brincar; 2) nenhum dos dois pode derrapar; 3) ambos carregam o peso da incúria e dos desarranjos acumulados por décadas. E ambos têm o desafio de pôr o Brasil andando para a frente.

Isso significa: criar empregos para a massa de jovens que está entrando anualmente no mercado; e resgatar ou amparar o enorme contingente de brasileiros que ainda vivem abaixo da linha da pobreza. Duas tarefas para um PIB com crescimento robusto. E para ganhos de produtividade os mais elevados que se possa obter. Duas coisas que não temos.

Em paralelo, há que se gastar muito com a infraestrutura insuficiente e recompor grande parte dela virtualmente sucateada - nos transportes, nos portos, nos aeroportos, no armazenamento, no fornecimento de energia e de água, no saneamento.

Está de bom tamanho o desafio para quem ganhar o governo no dia 26?

Se alguém acha que é moleza - "dois palito", como diz o paulistano -, é só lembrar a precariedade da educação, da saúde, da segurança pública, da justiça - 4 trabalhos que tornam brincadeira os 12 do Hércules.

É curioso que os dois partidos sabem que, na economia, as respostas são mais ou menos as mesmas, diferentes apenas na dosagem. FHC com o Plano Real e a vertiginosa queda daquela inflação galopante anterior a ele conseguiu melhorar indiretamente a renda dos mais pobres, coisa que Lula faria avançar ainda mais de forma direta. Primaram ambos por uma condução prudente das políticas fiscal e monetária - FHC com mais e Lula com menos ortodoxia. Na área social o Bolsa Escola, de dona Ruth Cardoso, se ampliaria para o Bolsa Família do PT com Lula. Na área habitacional os planos dos dois tipos de governo avançaram, mais com o PT.

A grande diferença na política macroeconômica foi que o PT, com Lula e depois com Dilma, apostou no consumo como motor do crescimento, o que até funcionou bastante bem no período Lula, mas esgotou-se, como era previsível, no período Dilma. FHC, mais preocupado com a inflação e com a estabilização da economia, apostou no aumento dos investimentos. Não teve muito sucesso, dada a herança das tentativas fracassadas de estabilização que a economia brasileira trazia e das desconfianças que isso acarreta.

Ambos fracassaram, portanto, no principal: no obter um longo período de crescimento robusto e estável do PIB brasileiro. A turbulência da economia internacional prejudicou os investimentos privados e públicos para ambos.

Aqui chegamos ao desafio crucial da economia: aumentar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e a taxa de crescimento do PIB. Uma coisa é o PIB crescendo pouco em países com a maioria das carências atendidas. Outra, é o PIB crescendo pouco onde a maioria das carências se acumularam sem atendimento. Precisamos de 5% ou 6% de crescimento anual do PIB. Com 0,2%, não vamos a lugar nenhum. Esse é o desafio. Nos debates os candidatos dizem como enfrentá-lo? Ainda não vimos.

A história universal da noite - CARLOS NEJAR

O GLOBO - 16/10

Quem quase faliu o país nos quatro anos não tem condições de continuar. A ‘reeleição é corruptora’, assevera o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa


Outro dia, falei da existência dos rinocerontes na política. Falo deles como símbolos, não aos seres humanos: a certos seres políticos. Sempre existiram e não é como a dos animais, espécie extinta. Exigindo pesquisa mais apurada nos documentos que relatam nosso passado. Basta observarmos melhor e eles aparecem, com ou sem os coruscantes chifres. E vão-se delineando mais no transcorrer do tempo, que se assemelha a uma “história da noite”, como a do argentino Jorge Luis Borges. Sua lista é visível, quase mágica, às vezes lógica e com incrível realidade. Sobretudo, revelam-se pelo crescer vertiginoso do abdômen, a ponto de Machado de Assis, conhecedor da alma, afirmar que “o abdômen é a expressão mais positiva da gravidade humana”. Ou a gravidade mais humana do rinoceronte. E, curiosamente, um ou outro deles é confiante no vindouro testemunho do povo, pois sabe que não há tribunal que, por simples suspeita ou mesmo indício, o condene. Firmaram a reputação além da velocidade ou da investida. E não se iludam na moeda do mando, a cara de um é o focinho de outro. A arte deles é a do que, avisado, se oculta. Os rinocerontes estão convictos de que escreverão o último capítulo da historiografia nacional. E se não essa, ao menos a deles. Nietzsche aconselhava, ardorosamente, não se olhar o abismo, para não ser visto por ele. Os rinocerontes preferem os verdejantes prados do bem comum, aos precipícios. Ainda que o real em política seja o que não se quer ver.

Entretanto, cada rinoceronte que se preza há de resguardar a torre ebúrnea de sua biografia, pensando no triunfante porvir das patas ou do pedregoso focinho. E descabe a nós, habitantes da grei, julgá-los, com “o incerto sal do espírito”, por pisarem o sal, afanosamente. Apesar de poderem ter um sequioso sepulcro, já que a terra não escolhe os seus postulantes, os rinocerontes carecem de muito espaço para o pouso da tão penosa carcaça. É verdade, há quem os distinga, através da esvoaçante fumaça dos partidos ou instituições. E mais claramente do que Champollion desvendou nos hieróglifos egípcios. Porque entrevemos o vulto deste portentoso animal no balbuciar das frases, no emendar de pensamentos, nas entrevistas de tevê, no vínculo inalterável entre o que vai no secreto ou nas catacumbas e o que emerge à luz, testemunhando a ferocidade das ambições, ou a ambição da ferocidade, que não conhece limites, escapando tal raça ao obsedante domínio da lei.

Voltaire afirmava ser “a história um mito reescrito em cada geração”. E a história se aperfeiçoa no quotidiano mito, no escuro território dos acontecimentos que são filhos da noite, ali, onde os efeitos são mais valiosos do que as causas. Mas a única segurança a nos proteger dessa espécie predadora é a lisura das consciências, diante do que nada se amoita. E a força da Imprensa, que, segundo Arthur Miller, “é uma nação falando aos seus botões”. Agora no segundo turno das eleições sabemos, com a luz do dia, os rinocerontes agrupados, no zoo de um partido, são o PT e aliados, novos bárbaros, que, com rara exceção, indóceis, buscam a retomada do poder nesses anos todos, não o bem da República, que desconhecem. Tendo a ganância corruptiva de engolir a Petrobras, para bolsos ávidos (diz a presidente que todos os partidos possuem corruptos, mas nenhum, como o dela), com uso da máquina a seu favor, desencadeando ruinosa e crescente inflação, com entusiasmo frenético pela incompetência administrativa, trazendo o fervor da mentira sob um velho fantasma, decadente, e mais, o PIB baixíssimo, o descuido do exterior, a cubanização do Estado, o ódio à classe média, extravio de dinheiro público em obras inócuas, o que era para a educação, saúde, cultura, estradas, cuidando muito de si mesmos, engordando patrioticamente. Quem quase faliu o país nos quatro anos não tem condições de continuar. A “reeleição é corruptora”, assevera o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. E é o momento de unir forças pelo voto e enfrentar esses rinocerontes da coisa pública, aliando-se ao senador Aécio Neves, que é homem íntegro, capaz de, nesta hora, mudar o Brasil, junto à Marina, guerreira, que perdeu seu companheiro Eduardo Campos, em acidente até agora inexplicável. Há que arrancar a nação do caos, onde nos achamos, o fundo do poço. E deve lutar toda a oposição, como uma só alma. E um basta. Porque o tempo dos rinocerontes está acabado, exauriu. Basta sepultá-los! Capturando-os exatamente no lugar em que catam alimento ou saciam a sede. E a história deles é, sim, a história universal da noite.

Quem mal informa o povo - e como - ROBERTO MACEDO

O ESTADO DE S.PAULO - 16/10


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou recentemente que o "... PT está fincado nos menos informados, coincidentemente os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados". Essa afirmação foi distorcida por críticos dilmopetistas, que atropelaram a lógica para atacá-lo.

O que disse foi tomado como uma ofensa ao povo nordestino. Mas FHC não falou de nordestinos e essa armadilha lógica foi assim montada: 1) Ele disse que os mais pobres, que coincidem com os mal informados, votaram majoritariamente no PT; 2) o Nordeste é uma região predominantemente pobre; 3) logo, o ex-presidente tem preconceito contra os nordestinos.

Essa discussão voltou-se para os mal informados. É verdade que aí há problemas, como deficiências educacionais, e dificuldades de acesso a mais informações. Ou predominam outras. Por exemplo, o programa Bolsa Família costuma ser atribuído errônea e exclusivamente a Lula, daí advindo uma gratidão que determina o voto.

Mas grande parte da culpa pela má informação é de quem a oferta, ou seja, o sujeito da ação informativa, e não do cidadão objeto dela. Na propaganda eleitoral a candidata à reeleição pelo PT tem usado e abusado de armadilhas lógicas que podem iludir até pessoas de elevado nível educacional, pois isso não significa que estejam sempre atentas a questões de lógica.

Passo a outra armadilha do ramo. Trata-se da ultrarrepetida afirmação que atribui a Lula todo o mérito de uma taxa média de crescimento do PIB que em seu governo foi superior à dos anos FHC. Essa diferença de taxas de fato ocorreu, mas não se pode concluir que Lula foi quem a produziu. Entre outros aspectos, caberia levar em conta as diferentes circunstâncias que cada um enfrentou nos seus governos. FHC, já no governo Itamar, como ministro da Fazenda, herdou uma altíssima inflação e sérias dificuldades no setor externo, inclusive as causadas pela moratória da dívida externa brasileira decretada pelo governo Sarney (1986-1990). Esse impasse com credores externos por longo tempo prejudicou o fluxo de empréstimos e financiamentos para o Brasil.

Por essa e outras razões históricas, nos governos FHC o Brasil tinha escassas reservas, que vez por outra provocavam crises cambiais que encareciam o dólar, traziam mais inflação e aumento da dívida pública federal, incluída a interna, em parte indexada a essa moeda. Isso tornava inevitável o recurso a ajustes fiscais, que, embora impopulares, FHC teve a coragem de fazer. Lula e Dilma só souberam distribuir benesses.

Lula Sortudo da Silva herdou uma inflação domada nos dois governos anteriores. Outra sorte, e de imensas proporções, foi a bonança que veio com o deslanche da economia mundial durante a maior parte dos seus dois mandatos, impulsionada fortemente pela China. Entre outras benesses, vieram uma expansão maior do PIB, que gerou mais impostos, inclusive para ampliar programas sociais, e uma fenomenal acumulação de reservas, que afastou o fantasma das crises cambiais. Esse efeito-China teve tal dimensão que vejo o Partido Comunista, condutor daquele país, como o que mais fez pelo Brasil na década passada, se comparado aos muitos nossos.

Essas diferentes circunstâncias enfrentadas pelos dois presidentes podem ser comparadas às encaradas por peões de rodeios ao montarem diferentes touros. FHC foi peão de touros bravos, enquanto Lula se sentou nos mansos. Mas quando touros atuam dessa forma o peão não pontua e tem de pegar outro que pule o tanto que se espera dele. Ao sair, Lula fez-se substituir pela peoa Dilma, em quem viu uma competência que não se manifestou. No rodeio da economia, pegou um touro mais bravo, o Pós-Crise, e meteu-lhe as esporas de uma política econômica equivocada. Deu no que deu. Pode cair do touro. E o PIB que carregava já foi ao chão.

Passando a mais uma armadilha lógica, a de uma trama em que duas premissas corretas levam a uma conclusão equivocada, usada para malhar Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e atuante na campanha de Aécio. Tal armadilha foi assim montada: 1) Quando no BC, na era FHC, num dado momento Fraga aumentou bastante a taxa básica de juros; 2) ele será ministro da Fazenda se Aécio for eleito; 3) logo, ele elevará a taxa de juros da mesma forma. Essa armadilha lógica também deixa de lado as circunstâncias diferentes no passado e no presente, em particular sem lembrar que o aumento da taxa básica de juros por Armínio veio em resposta a uma crise cambial. Isso para reduzir a inflação resultante, evitar que divisas escassas fugissem do País e estimular o ingresso de novas.

Outra grosseira mistificação é dizer que FHC teria "quebrado" o Brasil três vezes. Aponta-se como evidência disso o fato de que ele recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter empréstimos. Ora, trata-se de instituição financeira internacional da qual o Brasil é sócio e o que ela empresta equivale a uma linha de cheque especial para que países possam honrar seus pagamentos externos e reforçar reservas. Usá-la não significa que o país esteja quebrado. Ao contrário, é para evitar que isso ocorra e se chegue a uma moratória, com todas as indesejáveis sequelas.

E mais: da última vez que o Brasil recorreu ao FMI, em 2002, uma das razões foi a necessidade de conter efeitos da especulação cambial que se manifestava em face de riscos então percebidos quanto ao que Lula faria na economia. Parcela desse empréstimo ficou à disposição dele como presidente. Ele se orgulha de no seu mandato o Brasil ter emprestado dinheiro ao FMI para que este ampliasse suas contas de cheque especial. Mas não serei eu a concluir que fez isso para que outros países pudessem quebrar ao utilizá-las.

Em síntese, há gente que mal se informa. Mas nesta eleição o destaque cabe a quem mal informa.

Para furar o teto - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 16/10

BRASÍLIA - A eleição continua eletrizante, com o empate técnico entre Aécio e Dilma mantido rigorosamente nos mesmos índices de votos válidos do primeiro Datafolha do segundo turno: 51% do tucano, 49% da petista. Os dois dão sinais de terem batido no teto, mas os dados gerais contêm novidades melhores para Dilma do que para Aécio.

A dura campanha de Dilma na TV, que "desconstruiu" Marina Silva no primeiro turno, conseguiu estancar a ascensão de Aécio e reduzir o seu potencial de crescimento. Ou seja: ele parou de crescer e tem menos margem para coletar novos votos.

Enquanto o índice de rejeição de Dilma oscilou um ponto para baixo, o de Aécio subiu quatro pontos depois dos ataques desferidos pela propaganda eleitoral do PT contra a gestão do tucano em Minas Gerais. E esses ataques foram em cima de um dado real: Aécio foi derrotado duplamente no Estado que governou duas vezes. Ficou atrás de Dilma e perdeu o governo para um petista.

Nesses dez dias até o segundo turno, Dilma aprofundará a estratégia de "desconstrução", intensificando os ataques. Se Aécio repetir a reação passiva de Marina, fazendo muxoxo e acusando a adversária de liderar uma "campanha de ódio", ele deixará Dilma ditar o tom da campanha.

A favor de Aécio: o empate técnico o favorece, não só porque ele está numericamente à frente, mas porque a "quebra" de votos de Dilma tende a ser maior na hora do voto real. Uma coisa é dizer que vai votar em alguém, outra é acertar os botões, os números. O nível de escolaridade do eleitorado de Aécio é bem mais alto do que o de Dilma. Ela tem de passar à frente e ter gordura para queimar.

Em suma, a eleição continua como o diabo e os jornalistas gostam (gostamos), e os debates terão um papel fundamental. Na propaganda, que tem audiência restrita, os candidatos dizem o que bem entendem a seu favor e contra o outro. Nos debates, que estão bombando, dizem não só o que querem, mas o que podem.

Nos detalhes - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 16/10
Inalterados os resultados tanto do Ibope quanto o do Datafolha, ambos os candidatos têm motivos para comemorar, numa eleição que será decidida, ao que tudo indica, no detalhe, que é onde mora o diabo. Aécio Neves passou incólume pela 1ª semana de desconstrução desencadeada pelo marqueteiro João Santana. O tempo ficou mais curto para a tarefa de colocar o candidato tucano no micro-ondas de destruir reputações que a campanha petista usa cada vez com menos escrúpulos.

É preciso notar, no entanto, que segundo o Datafolha a rejeição a Aécio subiu um pouco, aproximando-o da presidente Dilma: 38% a 42%, quase um empate técnico, o que pode ser já resultado da ação do marqueteiro petista. A presidente Dilma, por sua vez, também pode comemorar o fato de que a semana em que seu adversário recebeu mais adesões não produziu nenhuma mudança no eleitorado.

É certo que os eleitores de Marina já haviam se decidido em sua maioria por Aécio, mas Mauro Paulino, diretor do Datafolha, chama atenção para a migração dos marineiros no Rio de Janeiro, onde parece que eles estão indo em peso para Dilma. Esse é um movimento natural, pois a votação no Rio em Marina foi mais de esquerda do que de protesto contra o governo.

Se se confirmar que Aécio cresceu no Rio e está empatado com Dilma, pode ser sinal de que essa migração não teve grandes consequências.

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, do Iuperj, ampliando a análise sobre os dados das pesquisas do Ibope e Datafolha, acha que Aécio surfa numa onda de "mudança com segurança", que conjuga dados aparentemente inconsistentes entre os 73% que desejam mudanças (Datafolha) e os 80% que se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida que levam hoje (Ibope). O fato mais paradoxal para ele é que é justamente essa nova classe média, que ascendeu nos 12 anos de governo petista, embora satisfeita com a vida (+ de 5 salários = 84% de satisfação; 25-34 anos = 83%; com curso superior = 85%), está desejando mudança no modo de governar, na gestão pública e nos serviços públicos.

Geraldo Tadeu Monteiro lembra que, segundo Marx, toda necessidade suprida gera uma nova necessidade. Provavelmente, diz ele, esses setores estejam temerosos não propriamente de perder o que adquiriram nos últimos anos, mas quanto às possibilidades de manutenção dessa condição com o atual modelo de crescimento econômico.

A ideia é que é preciso fazer evoluir esse modelo para que ele mantenha esses setores nos patamares já atingidos. A passagem é estreita tanto para o governo quanto para a oposição, avalia Tadeu Monteiro. As campanhas, munidas de pesquisas quantitativas e qualitativas, naturalmente sabem disso e buscam, cada uma a seu modo, propor mudança.

Daí a ideia de "mudança com segurança", que pode ser o fator decisivo neste 2º turno.

O candidato que encarnar essa "mudança com segurança" terá grandes chances de captar o voto da classe média intermediária que, segundo Mauro Paulino, decidirá a eleição, já que as classes média alta e média estão com Aécio, e os de mais baixo salário e escolaridade estão com Dilma. Entre os classificados como classe média (Datafolha), Aécio é apontado por 50% como o mais apto a fazer as mudanças necessárias, contra 39% que acreditam que Dilma é a mais preparada para isso.

Conspirações

O raio pode cair mais uma vez no mesmo lugar. O 2º turno será realizado no próximo dia 26, um domingo, e na terça-feira, dia 28, é dia do funcionário público. Não é feriado nacional, mas considerado ponto facultativo. Não seria de estranhar se os governos considerassem ponto facultativo também a segunda-feira, dia 27, como aconteceu na eleição para prefeito no Rio em 2008, também realizada num domingo, dia 26 de outubro. O governo estadual decretou ponto facultativo na segunda-feira, dia 27/10. Eduardo Paes ganhou com 50,83% dos votos contra 49,17% conferidos a Gabeira. Resta saber quem seria mais prejudicado por uma manobra dessas: Dilma, que tem o voto da maioria dos funcionários públicos, ou Aécio, cujo eleitor de renda mais elevada pode ficar tentado a curtir o feriadão?

O PT às voltas com a Justiça - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S.PAULO - 16/10


A esta altura dos acontecimentos, diante das devastadoras evidências que se tornaram de conhecimento público, talvez nem o mais fanático dos petistas tenha dúvida de que a bandalheira rolou solta na Petrobrás. São evidências tão robustas que é inútil tentar negá-las. Por essa razão, nem Dilma Rousseff nem o PT se atrevem a fazê-lo. Mas procuram minimizar os efeitos eleitorais do escândalo apelando para jogo de cena, deliberada confusão de informações e outras manobras diversionistas. Não contestam as acusações, mas o fato de terem sido divulgadas. E por esse crime de que se dizem vítimas, culpam a Justiça.

À frente de um grupo de deputados petistas que chegaram pisando duro, o presidente do partido, Rui Falcão, protocolou na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de acesso à integra da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Argumentam que conhecer o inteiro teor dessas declarações é indispensável para que o partido possa "fazer o exercício mínimo do contraditório".

Mero pretexto, já que o verdadeiro objetivo da iniciativa é desviar a atenção do escândalo, fazendo pesadas acusações contra o juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pela condução dos processos decorrentes da Operação Lava Jato. Sem citar o magistrado, o PT denuncia como violação da lei o fato de aquele juiz ter permitido, com motivação política, em pleno processo eleitoral, o vazamento de depoimentos sigilosos.

"Esta divulgação", afirmam os petistas, "é uma forma transversa de violar o sigilo da colaboração premiada" e significa "divulgação irresponsável de declarações graves e levianas desacompanhadas até agora de qualquer prova". Com isso, o argumento do PT escamoteia o fato de que Paulo Roberto Costa já obteve o benefício do abrandamento da pena, o que indica que cumpriu o acordo de apresentar provas de suas acusações.

Mas o que, de fato, importa é que as acusações contra Moro não têm o menor fundamento. Uma coisa são as dez ações penais resultantes da Lava Jato que correm na 13.ª Vara da Justiça Federal do Paraná. São processos públicos a que qualquer pessoa pode ter acesso, inclusive às audiências. Outra coisa são os depoimentos prestados por Paulo Roberto Costa no processo decorrente de acordo de delação premiada, que se desenvolve em segredo de Justiça, sob supervisão do STF.

Daí que classificar de vazamento a divulgação legítima dos depoimentos e atribuir dolo ao comportamento do juiz Sérgio Moro só pode ser produto de má-fé.

Moro é conhecido e respeitado pelo rigor com que trabalha e que demonstrou ao assessorar a ministra Rosa Webber no julgamento do mensalão. As acusações de que foi alvo por parte dos petistas foram veementemente repudiadas, em nota oficial conjunta, pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e pela Associação Paranaense dos Juízes Federais.

A atitude do PT, decidida em articulação com o comando da campanha reeleitoral de Dilma, da qual Rui Falcão é o coordenador-geral, é a repetição do mesmo desrespeito ao Poder Judiciário que o partido demonstrou quando assacou aleivosias contra outro magistrado, o ministro e depois presidente do STF Joaquim Barbosa, durante e após o julgamento do mensalão. É como o lulopetismo, que se considera dono do Estado, trata a Justiça e seus agentes sempre que sente seus próprios interesses contrariados.

Esse lamentável episódio demonstra também muito claramente o que é a "guerra sem trégua" à corrupção na qual a presidente Dilma Rousseff e o PT se declaram empenhados. Em todas as suas manifestações públicas nas últimas semanas, a candidata em campanha não deixou passar nenhuma oportunidade para se declarar "a pessoa mais empenhada do País na rigorosa punição de corruptos e corruptores".

A medida da seriedade com que os donos do poder tratam as denúncias de corrupção na Petrobrás está expressa na debochada manifestação de Lula, dias atrás, quando confrontado com o assunto: "Estou com o saco cheio disso".

Falta transparência nos subsídios ao crédito - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 16/10

Apenas no ano que vem, contribuinte arcará com R$ 30 bilhões devido à diferença de juros no BNDES, dinheiro que deveria constar do Orçamento



São frequentes as simplificações nos embates político-eleitorais. Temas complexos terminam reduzidos à expressão mais simples, para facilitar na comunicação com o eleitorado. Daí é um passo para a distorção.

À margem do tiroteio entre Dilma e Aécio em torno de assuntos de política econômica, admite-se que não seja necessário novo choque de juros para conter a inflação que aí está. Já o descontrole nas contas públicas pode exigir algo mais drástico, embora nada como nos momentos heroicos do combate à hiperinflação.

Economistas ligados à campanha oposicionista estão certos ao estabelecer a necessidade de se projetar luz nas contas públicas. Os artifícios usados pela contabilidade criativa para inflar o superávit primário erodiram a credibilidade dessas contas. A ponto de o resultado previsto para este ano variar do superávit de 1,9% do PIB, meta ainda garantida pelo Tesouro, a algum déficit nominal, o pior dos cenários.

Mesmo que a presidente Dilma se reeleja, ela precisará restabelecer a confiança nas estatísticas oficiais, um dos fatores que podem ajudar o país a não ter a nota de risco rebaixada para aquém do nível de “grau de investimento”, como tem sido ameaçado

Tem razão Arminio Fraga, ministro da Fazenda escolhido pelo candidato Aécio Neves, quando defende que todos os subsídios estejam explícitos no Orçamento. Parece óbvio, mas, na vida real da economia brasileira, não é.

Ampliado de forma brutal a partir do final de 1999, sob o pretexto de que era necessário barrar o choque recessivo externo decorrente da explosão da bolha imobiliária americana, o fluxo de recursos do Tesouro a bancos públicos, a fim de que pudessem acelerar a concessão de crédito, passou, e passa, ao largo do Orçamento.

O argumento para essas capitalizações era correto, mas da forma como foram realizadas, e de forma repetitiva, criou-se uma espécie de “orçamento paralelo” entre o Tesouro e principalmente o BNDES capaz de desestabilizar o combate à inflação.

Há um pesado subsídio implícito nessas operações — a diferença entre os juros que o Tesouro paga ao se endividar na captação dos recursos (hoje, 11%) e a taxa cobrada pelo BNDES nos empréstimos (6%). No ano que vem, o primeiro do novo governo, a conta deste subsídio será de R$ 30 bilhões, mais que o Bolsa Família. De 2012 a 2015, somará R$ 79,7 bilhões. Como, em julho, o saldo dessas transferências para o BNDES, via “orçamento paralelo”, era de R$ 450 bilhões, há ainda muito subsídio a ser financiado pelo contribuinte.

Outro problema é que inexiste um sistema que avalie o benefício dessa enorme transferência de renda do contribuinte para empresas clientes do BNDES. Nem de qualquer outro subsídio. Sabe-se que, apesar dessas centenas de bilhões despejadas no banco, a taxa de investimento na economia continua muito baixa, em 18% do PIB, cinco pontos abaixo do razoável. Não é animador.

Sinais do Vaticano - CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 16/10
Numa guinada em direção oposta à apontada pelo papa Francisco, e na contramão das multidões que clamam por uma sociedade inclusiva, alas conservadoras da Igreja Católica insistem na discriminação a homossexuais e a divorciados. Tudo bem que uns e outros não formem famílias tradicionais, na concepção da mais longeva instituição da história da humanidade. Mas a Cúria Romana não pode negar os fundamentos básicos da fé cristã. Um deles, o de que todas as ovelhas do rebanho são filhas de Deus, portanto, indiscrimináveis. Outro, o do respeito ao próximo. Mais um, o da misericórdia. E por aí vai.

Não se espera que o Sínodo dos Bispos manifeste apoio ao homossexualismo nem ao divórcio. Espera-se que aceite a realidade de serem ambos da natureza humana. E que desperte para o fato de conceder tratamento mais tolerante aos próprios pecadores, assassinos ou ladrões. É igualmente inquietante que o Vaticano tenha sido, até muito recentemente, mais condescendente com pedófilos, inclusive no seio da Igreja. Esse tempo há que ser revisto. A hora é de lançar ao mundo olhar sintonizado com o anseio pela paz, que pressupõe a convivência pacífica entre os homens.

Há casos de paróquias que promovem encontros de casais de segunda união e de igrejas que acolhem grupos de oração formados por homossexuais. Como atirar pedra em templos dedicados a orientar fiéis dispostos a buscar seu Deus? O próprio Catecismo, compilado de textos sobre a fé e a doutrina da Igreja Católica, recomenda a acolhida, "com respeito e compaixão", de homens e mulheres homossexuais. E vai além: "Essas pessoas são chamadas a realizar na vida a vontade de Deus". É com tal clareza e simplicidade que o Sínodo deveria tratar a questão de forma definitiva, ainda que essa não seja - e provavelmente jamais será - posição consensual. Importa que seja a mais condizente com o espírito cristão.

Quanto aos divorciados, vale lembrar àqueles que propugnam por seu afastamento da liturgia o relato bíblico de que Jesus escolheu para fundar a própria Igreja um profeta que o negaria três vezes. E, como nem todo casamento chega ao fim por má-fé ou decisão de ambas as partes, a condenação ao casal, indistintamente, acaba sendo mal ainda maior, uma injustiça predeterminada. De novo, o chamado à tolerância, ao perdão, à misericórdia deveria ser a argamassa da Igreja Católica.

Que o Sínodo dos Bispos se alinhe com o pensamento do papa Francisco, aberto ao diálogo com todos os povos. E, como reza a Oração de São Francisco, leve o amor onde houver ódio; o perdão, onde houver ofensa; a união, onde houver discórdia; a fé, onde houver dúvida; a verdade, onde houver erro; a esperança, onde houver desespero; a alegria, onde houver tristeza; a luz, onde houver trevas.

Um Nobel contra a ignorância - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 16/10


Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi foram premiados por sua luta pela educação infantil, mas o caso da paquistanesa nos alerta para outros males contemporâneos



A escolha dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz, anunciados na sexta-feira passada, não podia ser mais feliz. Uma mulher de 17 anos e um homem de 60; uma paquistanesa e um indiano; uma muçulmana e um hindu. O que Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi têm em comum é a luta para que as crianças tenham direito à educação. Satyarthi criou e mantém uma ONG que luta contra o trabalho infantil. Malala é a adolescente baleada no rosto em 2012 por militantes do Taleban, tudo porque ela queria ir à escola e desejava que outras meninas da região onde morava tivessem a mesma oportunidade. Isso fazia dela um “símbolo da cultura ocidental”, segundo aqueles que a atacaram – e, enquanto ela lutava pela vida em hospitais, primeiro no Paquistão, depois na Inglaterra, eles prometiam matá-la caso ela sobrevivesse ao primeiro atentado.

O prêmio concedido a Malala e a Satyarthi nos recorda da situação de milhões de crianças que ainda não têm acesso à educação, um componente fundamental para lhes garantir perspectiva de futuro em uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia e da informação. Vivendo em grandes cidades com acesso fácil à educação pública ou privada, é fácil esquecer que, segundo as estimativas mais recentes da Unesco, quase 58 milhões de crianças com idade para o ensino fundamental estão fora da escola em todo o mundo. Outros 63 milhões de adolescentes com idade para o início do ensino médio também estão longe das aulas. São crianças e jovens muitas vezes forçados a trabalhar, como os 80 mil libertados por Satyarthi, ou que simplesmente não têm acesso a escolas próximas, ou que acabam tendo seu direito ao ensino barrado por preconceitos sociais, especialmente no caso de meninas como Malala. E o prêmio concedido à paquistanesa ainda nos traz outras lições que vão além da importância da educação para crianças e adolescentes.

Nestes tempos em que o Estado Islâmico pratica diversas atrocidades contra quem não compartilha de sua visão jihadista, o Nobel de Malala também chama a atenção para os males do extremismo religioso. A adolescente, ao manter a fé muçulmana, mostra saber diferenciar a religião em si de manifestações fundamentalistas. “O Islã diz que receber educação não é apenas um direito de cada criança, mas também seu dever e responsabilidade”, disse a jovem no discurso que fez à ONU. Maomé, o fundador do Islamismo, encorajava os discípulos a buscar o conhecimento “nem que fosse na China”, uma metáfora para um local distante; Malala, ao colocar a vida em risco para conseguir educação, foi mais longe que qualquer um. Que mais e mais pessoas saibam identificar os males do extremismo e condená-lo.

Por mais que os responsáveis pelo Nobel tenham enfatizado a luta de Malala e Satyarthi pela educação das crianças, é impossível não lembrar que Malala também nos mostra que em diversas partes do mundo as mulheres têm negados vários direitos e são vítimas de inúmeras violências. Basta recordar os casos de estupros coletivos na Índia, de mutilações genitais na África, das meninas mortas no ventre das mães graças ao aborto seletivo promovido em vários países. Algumas dessas práticas chegam até a ser toleradas, quando não justificadas, por um multiculturalismo torto, que coloca costumes locais acima da dignidade humana. Mesmo no Brasil, só recentemente se começou a romper o silêncio a respeito da violência doméstica.

Que a mensagem poderosa enviada por meio da premiação de Satyarthi e Malala possa nos acordar não só para o drama das crianças sem escola, mas também para o sofrimento das vítimas do extremismo religioso e da violência contra as mulheres. São três pragas interconectadas, pois o fundamentalismo e o preconceito se alimentam justamente da ignorância.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“A primeira coisa para sair do buraco é tirar o PT do governo”
Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente, que, segundo o Datafolha, lidera a corrida


EX-DIRETOR DELATA EX-MINISTRO DO GOVERNO DILMA

Ex-ministro da Integração de Dilma e senador eleito, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) foi citado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, sob delação premiada. Ele relatou que em 2010 o doleiro Alberto Youssef recebeu de Bezerra, então secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, pedido de doação para a reeleição do governador Eduardo Campos. E R$ 20 milhões teriam sido doados pelo Consórcio Ipojuca Interligações (CII), contratado da Petrobras na refinaria Abreu e Lima.

CRÉDITO APROVADO

Paulo Roberto Costa afirmou que, consultado por Youssef, aprovou a doação. Até o fechamento desta edição, Bezerra não respondeu às ligações da coluna.

SUPERFATURAMENTO

O TCU estima que o consórcio CII, das empreiteiras Iesa e Queiroz Galvão, pode ter superfaturado R$ 316,9 milhões em Abreu e Lima.

NÃO CHEGOU

Hoje presidente do PSB, Carlos Siqueira ignora a suposta doação e diz que a campanha de Eduardo – que não custou tanto – jamais a recebeu.

RESPOSTA PADRÃO

A Queiroz Galvão informou por assessores que “todas as doações realizadas pela empresa seguem rigorosamente a legislação eleitoral”.

CUBA INFILTROU MILITARES NO MAIS MÉDICOS

Informe reservado “Mensagem Direta de Inteligência” (MDI) ao ministro Celso Amorim (Defesa) atestou que a ditadura cubana infiltrou militares no programa Mais Médicos. A descoberta foi da Base de Administração e Apoio do Ibirapuera, do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, que recebe gente do Mais Médicos. Ouvido, um suspeito confessou ser capitão do Exército cubano, e que não está sozinho. Amorim nada fez.

PINTA DE MILICO

Militares brasileiros desconfiaram do “médico” por seus hábitos de caserna (cama sempre arrumada, por exemplo). Era o capitão cubano.

CONVOCAÇÃO

A infiltração de militares no Mais Médicos repercutiu na Câmara. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) quer convocar Amorim a se explicar.

CÓPIA AUTÊNTICA

Bolsonaro avisa que não adianta Celso Amorim negar a existência do informe reservado que lhe foi enviado: ele obteve cópia do documento.

ASSALTO FINAL

O PT ambiciona cargos DAS no Itamaraty desde o início da era Lula, em 2003, quando uma comissão do partido descobriu, desolada, que a Lei do Serviço Exterior os tornou privativos de servidores concursados. Mas a revogação da regra já está pronta na Casa Civil da Presidência.

MADAME ESTÁ NERVOSA

O barulho de pratos quebrados, no Palácio Alvorada, nada tem com a eventual predileção da inquilina por comida grega. Foram ataques de fúria mesmo. Sobrou até para o pessoal da cozinha.

MISSÃO IMPOSSÍVEL

Apesar de já dar como certa a desfiliação de Marina Silva, dirigentes do PSB acham que ela terá enorme dificuldade para criar a Rede Sustentabilidade sem fundo partidário, nem tempo de TV.

PMDB DO B

Gilberto Kassab (PSD) aguarda para saber quem será presidente para agir. Se Dilma for reeleita, espera virar ministro das Cidades. Se der Aécio, vai recriar o Partido Liberal, para “ajudar na governabilidade”.

RITMO DE DESPEDIDA

Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP), derrotados na reeleição, aproveitam os últimos instantes de tribuna. Discursaram à vontade ontem para um plenário esvaziado.

ENCALHANDO

O PT tem dificuldades para distribuir o material de campanha nas ruas de Brasília. Poucos aceitam adesivos de Dilma, oferecidos a granel. No DF, pelo Ibope, Aécio venceria hoje por 69% x 31% dos votos válidos.

LINHA DE FRENTE

Em reunião ontem, Júlio Delgado (MG) foi cumprimentado como líder por colegas do PSB. Ele é cotado para liderar a bancada se Dilma Rousseff for reeleita. E para disputar o comando da Câmara, se Aécio Neves vencer.

TUDO OU NADA

Presidente do Solidariedade no Ceará, Genecias Noronha acredita que a votação de Aécio Neves vai crescer muito no segundo turno no estado: “Muitos ficaram quietos no primeiro turno com medo de perder votos” .

PENSANDO BEM…

…se um “mentirômetro” fosse instalado no debate da Band, terça-feira, acabaria danificado por excesso de trabalho.


PODER SEM PUDOR

ACORDO SALVADOR

O vereador Totó Bezerra, de Teresina (PI), fotógrafo, certa vez recebeu em sua loja - vizinha a um banco - a visita do deputado João Clímaco. De repente, chegou um eleitor e pediu dinheiro emprestado ao vereador. Clímaco meteu o bedelho para livrar o amigo do constrangimento:

- Você está vendo o banco aqui do lado? - perguntou ao eleitor - Pois o Totó não pode emprestar dinheiro a você porque tem um acordo com o banco. Nem ele empresta dinheiro, nem o banco tira retrato.