O Estado de S.Paulo - 08/02
Antes tarde do que nunca, a oposição dá sinais de que começa a despertar da profunda letargia em que esteve mergulhada nos últimos anos, desde que o PT assumiu o poder. Exímio manipulador das massas com a sedução de seu populismo despudorado, durante os oito anos de mandato presidencial Lula conquistou índices estratosféricos de aprovação popular e, vendendo a falácia de uma "herança maldita", deu um nó na oposição. Esta não teve competência, nem disposição, para impedir a reeleição de 2006, apesar da eclosão, em 2005, do escândalo do mensalão. Daí para a frente o lulopetismo se firmou no poder. Deu-se ao requinte de impor um poste para sua sucessão. A patranha de que sua candidata era uma gerente competente, somada a seu prestígio, foi bastante para eleger Dilma, mas não para esconder, depois, o fracasso administrativo que é este governo.
O Brasil de hoje não é o mesmo de três anos atrás. Dilma Rousseff não tem nem de longe o carisma de seu antecessor - embora desfrute de grande popularidade - e enfrenta enormes dificuldades para administrar o insaciável apetite do PT pelo poder e a ganância por vantagens de uma base aliada tão ampla quanto infiel. O que existe hoje é um desgoverno escandalosamente alicerçado sobre o fisiologismo, a preocupação eleitoreira com as aparências e, de quebra, um anacrônico dogmatismo ideológico. Aí estão, para comprová-lo, os indicadores econômicos persistentemente insatisfatórios; a incapacidade de cumprir orçamentos e prazos até nos projetos prioritários do PAC; a ameaça de um vexame internacional que tem deixado a Fifa de cabelos em pé com as obras para a Copa do Mundo; e, sobretudo, a crescente insatisfação difusa dos brasileiros com "tudo isso que está aí" transbordando para as ruas desde junho do ano passado.
Isso tudo até a oposição já está conseguindo enxergar.
O teor das declarações feitas nas últimas semanas pelos principais pré-candidatos a enfrentar Dilma Rousseff nas urnas de outubro parece indicar que as lideranças oposicionistas finalmente estão dispostas a deixar seu berço esplêndido e assumir postura mais contundente diante do desgoverno que aí está, deixando de se comportar "quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT", como observou Dora Kramer em sua coluna (5/2).
Aécio Neves, pré-candidato do PSDB: "Sob o pretexto das festas de fim de ano, a presidente volta à TV para fazer autoelogio e campanha eleitoral (...). Apenas como exemplo, na ilha da fantasia a que a presidente nos levou mais uma vez, a qualidade do ensino tem melhorado e a criação de creches é comemorada. Enquanto isso, no Brasil real, os resultados dos testes internacionais demonstram o contrário". E ainda, já em janeiro: "Em relação aos leilões do Galeão e do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG), a grande constatação é de que, quando o PT acompanha a agenda proposta pelo PSDB, o PT acerta. O lamentável é que essas concessões venham com dez anos de atraso".
Ainda em novembro, preenchendo uma lacuna que chamara a atenção já no pleito presidencial de 2002, o senador mineiro havia deixado claro que Lula também está na mira da oposição tucana: "O presidente Lula tem que parar de brigar com a história. Se não houvesse o governo do Fernando Henrique, com a estabilidade econômica, com a modernização da economia, não teria havido sequer o governo do presidente Lula".
Por sua vez, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, ex-ministro de Lula, pré-candidato do PSB, também foi incisivo ao apresentar o seu programa de governo: "O País saiu dos trilhos (...) esse pacto social novo que está no seio da sociedade brasileira não tolera mais esse velho pacto político que mofou e que não vai dar nada de novo e de bom ao povo brasileiro. Não há nesse país, em nenhum recanto onde possamos andar, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro". E ainda: "Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. É o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, País perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações?".
sábado, fevereiro 08, 2014
Faíscas elétricas - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 08/02
Dilma ridiculariza raio como hipótese para explicar apagão, mas governo ainda deve explicações sobre seu papel nas falhas do setor
Reencena-se, em Brasília, a lamentável pantomima pós-apagão.
Sem se explicar por deixar milhões de pessoas de 13 Estados sem luz, a chefia do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não exclui a hipótese do raio como causa. Ato contínuo, a presidente da República manda dizer que, se raio houve, o órgão falhou por não garantir a proteção da rede.
Dilma Rousseff pode, o quanto quiser, tentar passar adiante a responsabilidade pelo incidente, mas a conta da falta de luz --no caso de novos apagões neste ano-- será sua. Ela comanda o setor elétrico há uma década, afinal.
Se a própria presidente faz pouco caso da descarga atmosférica, convém considerar explicações bem mais preocupantes: desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda de energia, o que reviveria o fantasma do racionamento, ou crescente instabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O descasamento mais grave entre oferta e demanda parece descartado, ou ao menos assim se esforça o governo por fazer parecer. A capacidade instalada de geração no país soma 127 mil megawatts (MW), em princípio suficiente para enfrentar picos de consumo.
Capacidade instalada não se confunde com a energia produzida a cada momento, mas é consenso que o sistema de geração opera com folga aceitável. O problema estaria nas linhas de transmissão.
A falha ocorreu justamente na linha que leva para o sul energia da região Norte, onde reservatórios como o de Tucuruí estão mais cheios que os do Sudeste/Centro-Oeste, castigados pela seca.
Deu-se o apagão minutos após o recorde de consumo, às 14h de terça-feira, indício de que se trabalha com margem de segurança estreita --e o próprio ONS admite que alguma economia de energia seria bem-vinda para aumentá-la.
Não é de hoje que especialistas lançam alertas sobre deficiências na infraestrutura de transmissão. Mais de dois terços das linhas em construção sofrem atrasos (média de 13,5 meses). Suspeita-se que, diante das incertezas criadas no setor pelo governo, os operadores estejam investindo o mínimo possível na manutenção do sistema.
Este é o espectro que mais assombra o fornecimento de eletricidade no país: ao forçar uma baixa de tarifas, com finalidade eleitoral, no momento em que os custos de geração iam em alta pela necessidade de acionar as dispendiosas usinas termelétricas, Dilma Rousseff adicionou turbulência a um setor já estressado pela pior média de chuvas em 60 anos.
Se o cenário traumático de um racionamento parece afastado, o mesmo não se pode dizer de uma sequência de apagões, mesmo que curtos e localizados, ou de um aumento nas tarifas. Caso as chuvas não venham logo, a presidente terá de incluir em suas previsões do clima para outubro a chance de alguns raios em céu azul.
Dilma ridiculariza raio como hipótese para explicar apagão, mas governo ainda deve explicações sobre seu papel nas falhas do setor
Reencena-se, em Brasília, a lamentável pantomima pós-apagão.
Sem se explicar por deixar milhões de pessoas de 13 Estados sem luz, a chefia do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não exclui a hipótese do raio como causa. Ato contínuo, a presidente da República manda dizer que, se raio houve, o órgão falhou por não garantir a proteção da rede.
Dilma Rousseff pode, o quanto quiser, tentar passar adiante a responsabilidade pelo incidente, mas a conta da falta de luz --no caso de novos apagões neste ano-- será sua. Ela comanda o setor elétrico há uma década, afinal.
Se a própria presidente faz pouco caso da descarga atmosférica, convém considerar explicações bem mais preocupantes: desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda de energia, o que reviveria o fantasma do racionamento, ou crescente instabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O descasamento mais grave entre oferta e demanda parece descartado, ou ao menos assim se esforça o governo por fazer parecer. A capacidade instalada de geração no país soma 127 mil megawatts (MW), em princípio suficiente para enfrentar picos de consumo.
Capacidade instalada não se confunde com a energia produzida a cada momento, mas é consenso que o sistema de geração opera com folga aceitável. O problema estaria nas linhas de transmissão.
A falha ocorreu justamente na linha que leva para o sul energia da região Norte, onde reservatórios como o de Tucuruí estão mais cheios que os do Sudeste/Centro-Oeste, castigados pela seca.
Deu-se o apagão minutos após o recorde de consumo, às 14h de terça-feira, indício de que se trabalha com margem de segurança estreita --e o próprio ONS admite que alguma economia de energia seria bem-vinda para aumentá-la.
Não é de hoje que especialistas lançam alertas sobre deficiências na infraestrutura de transmissão. Mais de dois terços das linhas em construção sofrem atrasos (média de 13,5 meses). Suspeita-se que, diante das incertezas criadas no setor pelo governo, os operadores estejam investindo o mínimo possível na manutenção do sistema.
Este é o espectro que mais assombra o fornecimento de eletricidade no país: ao forçar uma baixa de tarifas, com finalidade eleitoral, no momento em que os custos de geração iam em alta pela necessidade de acionar as dispendiosas usinas termelétricas, Dilma Rousseff adicionou turbulência a um setor já estressado pela pior média de chuvas em 60 anos.
Se o cenário traumático de um racionamento parece afastado, o mesmo não se pode dizer de uma sequência de apagões, mesmo que curtos e localizados, ou de um aumento nas tarifas. Caso as chuvas não venham logo, a presidente terá de incluir em suas previsões do clima para outubro a chance de alguns raios em céu azul.
Domar a inflação exigirá políticas sérias - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 08/02
O recuo para 0,55% do índice oficial (IPCA) em janeiro trouxe um alívio, mas a variação média dos preços permanece em patamar muito perigoso
Não deixa de ser um alívio o recuo do índice da inflação em janeiro, porque a variação média dos preços no Brasil tem se mantido em um patamar perigoso e sem margem para absorver eventuais choques de oferta ou demanda. No primeiro mês do ano, a inflação oficial ficou em 0,55%, abaixo do 0,92% de dezembro último e do 0,86% de janeiro de 2013. Em doze meses, a alta recuou para 5,59%.
Entre as causas da inflação no Brasil há fatores estruturais que não são de fácil solução no curto prazo. Por isso mesmo, ao adotar o regime de metas, há treze anos, foi instituído um intervalo de tolerância bem elástico em torno do alvo central. Esse alvo permanece em 4,5%, com uma tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Desde 2010 a inflação medida pelo IPCA, índice calculado pelo IBGE, tem ficado mais próximo do topo do que do centro da meta. Em função disso, na visão dos mercados as autoridades teriam abandonado o alvo central para mirar no teto. Como a formação de expectativas nos mercados financeiros influencia fortemente o comportamento dos demais agentes econômicos, para quebrar essa percepção o governo tem se esforçado agora em dar demonstrações de que o combate à inflação voltou a ser mesmo uma prioridade, prometendo executar em 2014 uma política fiscal austera, capaz de acumular efetivamente um superávit primário mais relevante (ultrapassando o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto). O Banco Central, por sua vez, elevou as taxas básicas de juros, contrariando prognósticos de que cederia a pressões políticas em face do ano eleitoral.
A inflação alta foi resultado da tentativa equivocada de se obter um crescimento econômico robusto no fim do governo Lula e nos primeiros anos da administração Dilma Rousseff. Tal crescimento não se concretizou, e o horizonte em relação à inflação continua sendo preocupante, devido a ajustes que terão de ser feitos, mais dia, menos dia, em preços como os da energia (combustíveis e eletricidade).
Além disso, o câmbio deixou de ser um aliado importante no combate à inflação. Em decorrência do aumento do déficit nas transações correntes (mercadorias e serviços) do país com o exterior — sem falar na economia americana —, o real se desvalorizou consideravelmente, tornando-se um fator de pressão sobre os preços internos. As importações estão encarecendo, e as exportações tendem a ser competidoras da oferta doméstica.
Então, para domar a inflação o governo terá mesmo de recorrer ao receituário cobrado há muito por estudiosos no tema: rédeas curtas na política monetária e austeridade na execução da política fiscal, com a acumulação de superávits primários mais calcados no controle das despesas do que pela arrecadação de receitas extraordinárias. Na mensagem que enviou ao Congresso, a presidente Dilma pede cooperação do Legislativo nessa tarefa. Ela realmente será muito necessária.
O recuo para 0,55% do índice oficial (IPCA) em janeiro trouxe um alívio, mas a variação média dos preços permanece em patamar muito perigoso
Não deixa de ser um alívio o recuo do índice da inflação em janeiro, porque a variação média dos preços no Brasil tem se mantido em um patamar perigoso e sem margem para absorver eventuais choques de oferta ou demanda. No primeiro mês do ano, a inflação oficial ficou em 0,55%, abaixo do 0,92% de dezembro último e do 0,86% de janeiro de 2013. Em doze meses, a alta recuou para 5,59%.
Entre as causas da inflação no Brasil há fatores estruturais que não são de fácil solução no curto prazo. Por isso mesmo, ao adotar o regime de metas, há treze anos, foi instituído um intervalo de tolerância bem elástico em torno do alvo central. Esse alvo permanece em 4,5%, com uma tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Desde 2010 a inflação medida pelo IPCA, índice calculado pelo IBGE, tem ficado mais próximo do topo do que do centro da meta. Em função disso, na visão dos mercados as autoridades teriam abandonado o alvo central para mirar no teto. Como a formação de expectativas nos mercados financeiros influencia fortemente o comportamento dos demais agentes econômicos, para quebrar essa percepção o governo tem se esforçado agora em dar demonstrações de que o combate à inflação voltou a ser mesmo uma prioridade, prometendo executar em 2014 uma política fiscal austera, capaz de acumular efetivamente um superávit primário mais relevante (ultrapassando o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto). O Banco Central, por sua vez, elevou as taxas básicas de juros, contrariando prognósticos de que cederia a pressões políticas em face do ano eleitoral.
A inflação alta foi resultado da tentativa equivocada de se obter um crescimento econômico robusto no fim do governo Lula e nos primeiros anos da administração Dilma Rousseff. Tal crescimento não se concretizou, e o horizonte em relação à inflação continua sendo preocupante, devido a ajustes que terão de ser feitos, mais dia, menos dia, em preços como os da energia (combustíveis e eletricidade).
Além disso, o câmbio deixou de ser um aliado importante no combate à inflação. Em decorrência do aumento do déficit nas transações correntes (mercadorias e serviços) do país com o exterior — sem falar na economia americana —, o real se desvalorizou consideravelmente, tornando-se um fator de pressão sobre os preços internos. As importações estão encarecendo, e as exportações tendem a ser competidoras da oferta doméstica.
Então, para domar a inflação o governo terá mesmo de recorrer ao receituário cobrado há muito por estudiosos no tema: rédeas curtas na política monetária e austeridade na execução da política fiscal, com a acumulação de superávits primários mais calcados no controle das despesas do que pela arrecadação de receitas extraordinárias. Na mensagem que enviou ao Congresso, a presidente Dilma pede cooperação do Legislativo nessa tarefa. Ela realmente será muito necessária.
O permanente apagão do sistema elétrico - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 08/02
A tergiversação tem sido a resposta mais frequente à crítica situação do fornecimento de eletricidade no país. Discute-se se os cortes de energia são "apagões" ou "blecautes", se os raios são ou não culpados, se o governo anterior ou o anterior ao anterior é que tem a culpa, se a descoberta de uma perereca rara no canteiro de obras é suficiente para paralisar a construção de uma hidrelétrica. Enquanto isso, esgota-se a paciência do consumidor e, pior, deixa-se exaurir insumo essencial ao crescimento da nação.
Não menos grave, apela-se para solução paliativa - que vai se eternizando -, com o acionamento das malfadadas termoelétricas. Além de caras e poluentes, por funcionarem com a queima de óleo, carvão ou gás, essas usinas cravam uma nódoa na ecologicamente elogiada matriz energética brasileira, ainda tida e havida como das mais limpas do mundo. Pouco importa às autoridades. A preocupação parece ser, tão somente, ganhar tempo para que se faça novamente a luz e todos se esqueçam de tudo até o apagão ou blecaute seguinte.
No mais, sucessivos governos têm rezado aos céus para chover e a conta cobrada pela sociedade - pessoas físicas e jurídicas - ser jogada para futuro incerto. Contudo, a insegurança da escuridão, seja ela literal, seja figurada, não passa. Tão grave é esse contexto que, mesmo o leilão tardio de mais uma (sem desmerecer a importância) linha de transmissão de energia como o realizado ontem, tem a força da oscilante chama de uma vela. E olha que o linhão de Belo Monte não é pouca coisa: deve ter mais de 2 mil quilômetros de extensão, custar cerca de R$ 5 bilhões e atender a rica Região Sudeste.
O consórcio vencedor, formado pela chinesa State Grid (51%) e pelas brasileiras Eletronorte (24,5%) e Furnas (24,5%), controladas pela Eletrobras, levou vantagem por oferecer deságio de 38% em relação ao valor máximo estabelecido para a Receita Anual Permitida (RAP): aceitou R$ 435 milhões, num teto de
R$ 701 milhões. Agora, é esperar para ver se a linha será entregue no prazo, de 44 a 46 meses a partir da assinatura dos contratos, sabendo-se, de antemão, que a regra é atrasar, tantos são os empecilhos, com exigências de licenças e imposições de burocracias de toda ordem.
Há mais de uma década chegamos a ponto de conviver com um racionamento de energia. À exceção de menos de um terço dos lares brasileiros, cujo consumo era inferior a 100KWh, o restante do país foi obrigado a escolher entre reduzir o consumo ou pagar mais caro pela eletricidade. A partir dali, o que mudou foi o olhar mais atento - e aflito - ao nível dos reservatórios das hidrelétricas.
Ou seja, permanece a dependência absoluta da nação aos índice pluviométricos. E brilha, como se tivesse luz própria, a fragilidade do sistema elétrico nacional, com falhas jamais explicadas consistentemente. Exemplo é a desta semana, quando 6 milhões de moradores de 13 estados e do Distrito Federal ficaram sem luz, enquanto reacendia-se o debate sobre os raios.
Não menos grave, apela-se para solução paliativa - que vai se eternizando -, com o acionamento das malfadadas termoelétricas. Além de caras e poluentes, por funcionarem com a queima de óleo, carvão ou gás, essas usinas cravam uma nódoa na ecologicamente elogiada matriz energética brasileira, ainda tida e havida como das mais limpas do mundo. Pouco importa às autoridades. A preocupação parece ser, tão somente, ganhar tempo para que se faça novamente a luz e todos se esqueçam de tudo até o apagão ou blecaute seguinte.
No mais, sucessivos governos têm rezado aos céus para chover e a conta cobrada pela sociedade - pessoas físicas e jurídicas - ser jogada para futuro incerto. Contudo, a insegurança da escuridão, seja ela literal, seja figurada, não passa. Tão grave é esse contexto que, mesmo o leilão tardio de mais uma (sem desmerecer a importância) linha de transmissão de energia como o realizado ontem, tem a força da oscilante chama de uma vela. E olha que o linhão de Belo Monte não é pouca coisa: deve ter mais de 2 mil quilômetros de extensão, custar cerca de R$ 5 bilhões e atender a rica Região Sudeste.
O consórcio vencedor, formado pela chinesa State Grid (51%) e pelas brasileiras Eletronorte (24,5%) e Furnas (24,5%), controladas pela Eletrobras, levou vantagem por oferecer deságio de 38% em relação ao valor máximo estabelecido para a Receita Anual Permitida (RAP): aceitou R$ 435 milhões, num teto de
R$ 701 milhões. Agora, é esperar para ver se a linha será entregue no prazo, de 44 a 46 meses a partir da assinatura dos contratos, sabendo-se, de antemão, que a regra é atrasar, tantos são os empecilhos, com exigências de licenças e imposições de burocracias de toda ordem.
Há mais de uma década chegamos a ponto de conviver com um racionamento de energia. À exceção de menos de um terço dos lares brasileiros, cujo consumo era inferior a 100KWh, o restante do país foi obrigado a escolher entre reduzir o consumo ou pagar mais caro pela eletricidade. A partir dali, o que mudou foi o olhar mais atento - e aflito - ao nível dos reservatórios das hidrelétricas.
Ou seja, permanece a dependência absoluta da nação aos índice pluviométricos. E brilha, como se tivesse luz própria, a fragilidade do sistema elétrico nacional, com falhas jamais explicadas consistentemente. Exemplo é a desta semana, quando 6 milhões de moradores de 13 estados e do Distrito Federal ficaram sem luz, enquanto reacendia-se o debate sobre os raios.
Visão curta na América Latina - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 08/02
As políticas públicas na América Latina padecem de falta de visão de longo prazo, o que impede que os países do continente tenham capacidade de aproveitar plenamente as oportunidades de desenvolvimento. É o diagnóstico de um estudo que acaba de ser publicado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e que resume as desastrosas consequências do improviso e do voluntarismo que notabilizam boa parte dos países latino-americanos.
O cenário ganha contornos ainda mais dramáticos quando se observa que vários países emergentes da Ásia têm trilhado o caminho oposto, adotando políticas que têm em vista a revolução tecnológica e as mudanças drásticas do mercado internacional.
A pesquisa, realizada pelo Diálogo Interamericano, tem como objetivo observar a construção da visão mundial de futuro e confrontá-la com os obstáculos para essa realização, que envolvem recursos naturais, rupturas tecnológicas, transformações demográficas e urbanas, mudanças climáticas e construção de cidadania. A conclusão sobre a América Latina é crítica: "Evidencia-se a preocupante ausência de protagonismo do continente nesse debate". Isto é, a região corre o risco de ficar condenada a ser rebocada pelos emergentes asiáticos e pelos países desenvolvidos.
O estudo constata que os últimos 20 anos testemunharam importantes mudanças em quase toda a América Latina - a consolidação da democracia, a gestão responsável das contas públicas, o fortalecimento das instituições e um notável esforço de inclusão social. Contudo, nada disso é capaz de esconder o fato de que os projetos da maioria dos países latino-americanos para o futuro em geral "apresentam-se numa perspectiva exclusivamente nacional, sem contemplar os cenários globais alternativos nem as experiências de outros países".
Como consequência, tais projetos têm fôlego curto, respondem a demandas imediatistas e não apresentam programas estruturais para aumentar a produtividade. Resolvem-se os problemas apenas na medida em que eles surgem, inutilizando previsões que não vão além de um ou dois anos. Já os poucos estudos que traçam cenários de até 20 anos sobre importantes temas, como energia e agricultura, não são coordenados de modo a ter a coerência necessária para se transformar em estratégia de Estado, como acontece nos países desenvolvidos e mesmo em alguns emergentes asiáticos. "Essa falta de perspectiva reduz a capacidade de reação diante de acontecimentos inesperados e torna os países mais vulneráveis às vicissitudes futuras", diz o estudo.
Para ilustrar as consequências dessa política de improviso que impera na América Latina, a pesquisa mostra como o continente não estava preparado para as principais mudanças globais ocorridas nas últimas duas décadas. Dois exemplos são significativos: a internet, cuja infraestrutura na região ainda hoje é medíocre, a despeito das enormes oportunidades que ela gera; e o crescimento da China, mercado com o qual os países latino-americanos têm avidamente se relacionado, sem no entanto elaborar estratégias para reduzir os riscos dessa dependência.
É diante desse cenário de imprevidência que o Diálogo Interamericano questiona se a América Latina estará pronta para os desafios ainda maiores do futuro próximo. Entre esses desafios se destacam a aceleração do desenvolvimento da tecnologia, capaz de alterar drasticamente os processos de produção; a escassez de recursos naturais; as transformações demográficas, com a ascensão da classe média; a urbanização e a consequente demanda de infraestrutura e de serviços básicos; as mudanças climáticas e seus efeitos na agricultura; e, finalmente, a criação de cidadãos globais conectados, com impacto direto na governabilidade.
Como mostra o estudo, as diferenças de abordagem entre a Ásia e a América Latina a respeito das oportunidades e dos desafios do futuro são didáticas. Enquanto aqui se fala orgulhosamente em "década latino-americana", os asiáticos projetam o "século da Ásia" - e consideram que o modelo de desenvolvimento da América Latina é "indesejável".
As políticas públicas na América Latina padecem de falta de visão de longo prazo, o que impede que os países do continente tenham capacidade de aproveitar plenamente as oportunidades de desenvolvimento. É o diagnóstico de um estudo que acaba de ser publicado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e que resume as desastrosas consequências do improviso e do voluntarismo que notabilizam boa parte dos países latino-americanos.
O cenário ganha contornos ainda mais dramáticos quando se observa que vários países emergentes da Ásia têm trilhado o caminho oposto, adotando políticas que têm em vista a revolução tecnológica e as mudanças drásticas do mercado internacional.
A pesquisa, realizada pelo Diálogo Interamericano, tem como objetivo observar a construção da visão mundial de futuro e confrontá-la com os obstáculos para essa realização, que envolvem recursos naturais, rupturas tecnológicas, transformações demográficas e urbanas, mudanças climáticas e construção de cidadania. A conclusão sobre a América Latina é crítica: "Evidencia-se a preocupante ausência de protagonismo do continente nesse debate". Isto é, a região corre o risco de ficar condenada a ser rebocada pelos emergentes asiáticos e pelos países desenvolvidos.
O estudo constata que os últimos 20 anos testemunharam importantes mudanças em quase toda a América Latina - a consolidação da democracia, a gestão responsável das contas públicas, o fortalecimento das instituições e um notável esforço de inclusão social. Contudo, nada disso é capaz de esconder o fato de que os projetos da maioria dos países latino-americanos para o futuro em geral "apresentam-se numa perspectiva exclusivamente nacional, sem contemplar os cenários globais alternativos nem as experiências de outros países".
Como consequência, tais projetos têm fôlego curto, respondem a demandas imediatistas e não apresentam programas estruturais para aumentar a produtividade. Resolvem-se os problemas apenas na medida em que eles surgem, inutilizando previsões que não vão além de um ou dois anos. Já os poucos estudos que traçam cenários de até 20 anos sobre importantes temas, como energia e agricultura, não são coordenados de modo a ter a coerência necessária para se transformar em estratégia de Estado, como acontece nos países desenvolvidos e mesmo em alguns emergentes asiáticos. "Essa falta de perspectiva reduz a capacidade de reação diante de acontecimentos inesperados e torna os países mais vulneráveis às vicissitudes futuras", diz o estudo.
Para ilustrar as consequências dessa política de improviso que impera na América Latina, a pesquisa mostra como o continente não estava preparado para as principais mudanças globais ocorridas nas últimas duas décadas. Dois exemplos são significativos: a internet, cuja infraestrutura na região ainda hoje é medíocre, a despeito das enormes oportunidades que ela gera; e o crescimento da China, mercado com o qual os países latino-americanos têm avidamente se relacionado, sem no entanto elaborar estratégias para reduzir os riscos dessa dependência.
É diante desse cenário de imprevidência que o Diálogo Interamericano questiona se a América Latina estará pronta para os desafios ainda maiores do futuro próximo. Entre esses desafios se destacam a aceleração do desenvolvimento da tecnologia, capaz de alterar drasticamente os processos de produção; a escassez de recursos naturais; as transformações demográficas, com a ascensão da classe média; a urbanização e a consequente demanda de infraestrutura e de serviços básicos; as mudanças climáticas e seus efeitos na agricultura; e, finalmente, a criação de cidadãos globais conectados, com impacto direto na governabilidade.
Como mostra o estudo, as diferenças de abordagem entre a Ásia e a América Latina a respeito das oportunidades e dos desafios do futuro são didáticas. Enquanto aqui se fala orgulhosamente em "década latino-americana", os asiáticos projetam o "século da Ásia" - e consideram que o modelo de desenvolvimento da América Latina é "indesejável".
Retirar o setor elétrico do palanque eleitoral - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 08/02
O PT e Dilma colocaram a área no jogo político. Cabe agora tirá-lo, a fim de que o governo faça o que é preciso para evitar mais problemas no fornecimento de energia
Por fazerem parte de universos distintos, nem sempre projetos políticos são condizentes com a evolução de fatos da vida real. É o que acontece agora com a infeliz coincidência, para a presidente Dilma, de a campanha para sua reeleição se desenrolar enquanto se precariza o setor elétrico — com o qual ela está envolvida há onze anos —, devido a uma aguda e anômala falta de chuvas neste verão.
O apagão desta semana, em 11 estados e o Distrito Federal, no coração econômico e político do país, deve ter mexido com os nervos da presidente e candidata, marqueteiros, assessores em geral e o PT. As trevas se abateram sobre parte do país em outro momento de infelicidade para o governo: quando a cúpula do setor elétrico se preparava para garantir à imprensa, em Brasília, que tudo estava sob controle, neste ano de Copa. A súbita escuridão alertou que não.
A má sorte de Dilma, governo e partido é também porque a própria presidente e todo o PT sempre criticaram muito o governo tucano de FH pelos apagões no final da década de 1990 e o racionamento imposto ao consumo de energia, enquanto se instalavam às pressas termelétricas —, as que têm, nos últimos tempos, sustentado o fornecimento de energia.
A oposição já começa a dar o troco, e não há dúvidas que as mazelas do setor elétrico constituirão obuses de calibre razoável na guerra eleitoral.
A presidente e candidata Dilma é colocada diante de um dilema: atua mais como a principal responsável pela administração do país ou na condição de aspirante a ficar mais quatro anos do Planalto?
A crise energética que se desenha — muito a depender das águas de março —, pressiona Dilma. PT e Dilma colocaram o setor elétrico na ciranda político-eleitoral. Cabe a eles, agora, tirá-lo do palanque, para que o governo aja da maneira que for necessária, a fim de que, no mínimo, reduza danos, caso a precaridade do sistema se mantenha depois do verão.
Não são otimistas as avaliações sobre a probabilidade de mais problemas na área. Para a agência internacional de risco Fitch, há uma chance “razoável” de o Brasil ser obrigado a adotar um programa de racionamento. Especialistas estimam em 20% o risco de falta de energia, quando o índice normal é 5%. Será um sério equívoco se, em nome das eleições, o Planalto nada fizer. Quando houve um racionamento planejado, a população reagiu bem e economizou energia.
Há questões referentes à inflação e à política fiscal envolvidas no imbróglio, pois as tarifas estão reprimidas, e o Tesouro tem sido obrigado a despejar bilionários subsídios para fechar as contas. A situação é insustentável.
Se Dilma for mais presidente e menos candidata, a melhor escolha nestas circunstâncias, ela começará a desobstruir este gargalo já. Se decidir ser mais candidata e nada ou pouco fizer, jogará seu futuro, e o do país, na roleta.
O PT e Dilma colocaram a área no jogo político. Cabe agora tirá-lo, a fim de que o governo faça o que é preciso para evitar mais problemas no fornecimento de energia
Por fazerem parte de universos distintos, nem sempre projetos políticos são condizentes com a evolução de fatos da vida real. É o que acontece agora com a infeliz coincidência, para a presidente Dilma, de a campanha para sua reeleição se desenrolar enquanto se precariza o setor elétrico — com o qual ela está envolvida há onze anos —, devido a uma aguda e anômala falta de chuvas neste verão.
O apagão desta semana, em 11 estados e o Distrito Federal, no coração econômico e político do país, deve ter mexido com os nervos da presidente e candidata, marqueteiros, assessores em geral e o PT. As trevas se abateram sobre parte do país em outro momento de infelicidade para o governo: quando a cúpula do setor elétrico se preparava para garantir à imprensa, em Brasília, que tudo estava sob controle, neste ano de Copa. A súbita escuridão alertou que não.
A má sorte de Dilma, governo e partido é também porque a própria presidente e todo o PT sempre criticaram muito o governo tucano de FH pelos apagões no final da década de 1990 e o racionamento imposto ao consumo de energia, enquanto se instalavam às pressas termelétricas —, as que têm, nos últimos tempos, sustentado o fornecimento de energia.
A oposição já começa a dar o troco, e não há dúvidas que as mazelas do setor elétrico constituirão obuses de calibre razoável na guerra eleitoral.
A presidente e candidata Dilma é colocada diante de um dilema: atua mais como a principal responsável pela administração do país ou na condição de aspirante a ficar mais quatro anos do Planalto?
A crise energética que se desenha — muito a depender das águas de março —, pressiona Dilma. PT e Dilma colocaram o setor elétrico na ciranda político-eleitoral. Cabe a eles, agora, tirá-lo do palanque, para que o governo aja da maneira que for necessária, a fim de que, no mínimo, reduza danos, caso a precaridade do sistema se mantenha depois do verão.
Não são otimistas as avaliações sobre a probabilidade de mais problemas na área. Para a agência internacional de risco Fitch, há uma chance “razoável” de o Brasil ser obrigado a adotar um programa de racionamento. Especialistas estimam em 20% o risco de falta de energia, quando o índice normal é 5%. Será um sério equívoco se, em nome das eleições, o Planalto nada fizer. Quando houve um racionamento planejado, a população reagiu bem e economizou energia.
Há questões referentes à inflação e à política fiscal envolvidas no imbróglio, pois as tarifas estão reprimidas, e o Tesouro tem sido obrigado a despejar bilionários subsídios para fechar as contas. A situação é insustentável.
Se Dilma for mais presidente e menos candidata, a melhor escolha nestas circunstâncias, ela começará a desobstruir este gargalo já. Se decidir ser mais candidata e nada ou pouco fizer, jogará seu futuro, e o do país, na roleta.
O destino de Pizzolato - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 08/02
O governo italiano tem à sua disposição uma série de possíveis decisões, todas elas legítimas, com respaldo na Constituição do país e no tratado de extradição assinado entre Brasil e Itália
O único foragido entre todos os réus condenados pelo mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foi preso na Itália, na quarta-feira passada, em posse de vários documentos falsos. Ele fugiu do país dois meses antes de ser sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido condenado a 12 anos e sete meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Agora, o Brasil o quer de volta, mas nada garante que a Itália efetivamente extraditará Pizzolato para que ele cumpra pena por aqui.
A origem de toda a controvérsia está no fato de Pizzolato também ter a cidadania italiana, além da brasileira – se não fosse por isso, a solução seria muito simples e a extradição seria praticamente certa. Em seu capítulo sobre os direitos e deveres do cidadão, a Constituição italiana, em seu artigo 26, afirma que “a extradição do cidadão pode ser aceita apenas quando seja expressamente prevista pelas convenções internacionais”, o que nos remete ao tratado de extradição assinado em 1989 entre Brasil e Itália.
Apesar de o tratado mencionar, em seu artigo 1.º, a obrigação de “entregar à outra [parte], mediante solicitação, (...) as pessoas que se encontrem em seu território e que sejam procuradas pelas autoridades judiciais da parte requerente”, o mesmo texto prevê algumas exceções em que a extradição pode não ocorrer, ou até em que a extradição fica vetada. A única que se aplica a Pizzolato está no artigo 6, segundo o qual “quando a pessoa reclamada, no momento do recebimento do pedido, for nacional do Estado requerido, este não será obrigado a entregá-la. Neste caso, não sendo concedida a extradição, a parte requerida, a pedido da parte requerente, submeterá o caso às suas autoridades competentes para eventual instauração de procedimento penal”. Ou seja, a Itália pode optar por não extraditar Pizzolato, por ele ser cidadão italiano, tendo a opção de processá-lo na Itália pelos crimes cometidos no Brasil.
Assim, o governo italiano tem à sua disposição uma série de possíveis decisões, todas elas legítimas: se resolver mandar Pizzolato ao Brasil, o faz amparado pela Constituição italiana, já que existe tratado entre os dois países prevendo a possibilidade; se decidir manter na Itália o ex-diretor do BB, tem respaldo por causa da exceção aberta pelo tratado nos casos em que a pessoa procurada é cidadã do país onde se encontra atualmente.
Por fim, não falta quem ligue o caso de Pizzolato ao do terrorista Cesare Battisti, condenado na Itália pela morte de quatro pessoas entre 1978 e 1979, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Foragido da Justiça italiana, que o condenou em vários julgamentos ocorridos entre 1985 e 1993, Battisti fugiu primeiro para a França, onde ficou até 2004, com uma passagem pelo México nesse período. Para evitar a extradição, veio para o Brasil, onde foi preso em 2007. Ele pediu o status de refugiado político, o que foi recusado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), mas o então ministro da Justiça, Tarso Genro, ignorou o parecer do conselho. Em 2009, o STF autorizou a extradição de Battisti, mas deixando o caso nas mãos do presidente Lula, que, no último dia de seu mandato, definiu que o terrorista poderia ficar no Brasil. Em 2011, Battisti foi libertado por decisão do STF.
É verdade que já existem parlamentares italianos manobrando para condicionar a devolução de Pizzolato à revisão do asilo concedido pelo Brasil a Battisti. No entanto, esse ainda é um cenário distante. A essa altura, imaginar que a Itália não extraditaria Pizzolato por mera “vingança” contra o Brasil por causa do terrorista é supor que o governo da Itália age guiado não pelo respeito às leis, mas pela conveniência da hora, ou pelo critério ideológico que protege os companheiros e deixa os adversários ao deus-dará. Quem age assim, infelizmente, é o governo brasileiro.
O governo italiano tem à sua disposição uma série de possíveis decisões, todas elas legítimas, com respaldo na Constituição do país e no tratado de extradição assinado entre Brasil e Itália
O único foragido entre todos os réus condenados pelo mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, foi preso na Itália, na quarta-feira passada, em posse de vários documentos falsos. Ele fugiu do país dois meses antes de ser sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido condenado a 12 anos e sete meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Agora, o Brasil o quer de volta, mas nada garante que a Itália efetivamente extraditará Pizzolato para que ele cumpra pena por aqui.
A origem de toda a controvérsia está no fato de Pizzolato também ter a cidadania italiana, além da brasileira – se não fosse por isso, a solução seria muito simples e a extradição seria praticamente certa. Em seu capítulo sobre os direitos e deveres do cidadão, a Constituição italiana, em seu artigo 26, afirma que “a extradição do cidadão pode ser aceita apenas quando seja expressamente prevista pelas convenções internacionais”, o que nos remete ao tratado de extradição assinado em 1989 entre Brasil e Itália.
Apesar de o tratado mencionar, em seu artigo 1.º, a obrigação de “entregar à outra [parte], mediante solicitação, (...) as pessoas que se encontrem em seu território e que sejam procuradas pelas autoridades judiciais da parte requerente”, o mesmo texto prevê algumas exceções em que a extradição pode não ocorrer, ou até em que a extradição fica vetada. A única que se aplica a Pizzolato está no artigo 6, segundo o qual “quando a pessoa reclamada, no momento do recebimento do pedido, for nacional do Estado requerido, este não será obrigado a entregá-la. Neste caso, não sendo concedida a extradição, a parte requerida, a pedido da parte requerente, submeterá o caso às suas autoridades competentes para eventual instauração de procedimento penal”. Ou seja, a Itália pode optar por não extraditar Pizzolato, por ele ser cidadão italiano, tendo a opção de processá-lo na Itália pelos crimes cometidos no Brasil.
Assim, o governo italiano tem à sua disposição uma série de possíveis decisões, todas elas legítimas: se resolver mandar Pizzolato ao Brasil, o faz amparado pela Constituição italiana, já que existe tratado entre os dois países prevendo a possibilidade; se decidir manter na Itália o ex-diretor do BB, tem respaldo por causa da exceção aberta pelo tratado nos casos em que a pessoa procurada é cidadã do país onde se encontra atualmente.
Por fim, não falta quem ligue o caso de Pizzolato ao do terrorista Cesare Battisti, condenado na Itália pela morte de quatro pessoas entre 1978 e 1979, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Foragido da Justiça italiana, que o condenou em vários julgamentos ocorridos entre 1985 e 1993, Battisti fugiu primeiro para a França, onde ficou até 2004, com uma passagem pelo México nesse período. Para evitar a extradição, veio para o Brasil, onde foi preso em 2007. Ele pediu o status de refugiado político, o que foi recusado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), mas o então ministro da Justiça, Tarso Genro, ignorou o parecer do conselho. Em 2009, o STF autorizou a extradição de Battisti, mas deixando o caso nas mãos do presidente Lula, que, no último dia de seu mandato, definiu que o terrorista poderia ficar no Brasil. Em 2011, Battisti foi libertado por decisão do STF.
É verdade que já existem parlamentares italianos manobrando para condicionar a devolução de Pizzolato à revisão do asilo concedido pelo Brasil a Battisti. No entanto, esse ainda é um cenário distante. A essa altura, imaginar que a Itália não extraditaria Pizzolato por mera “vingança” contra o Brasil por causa do terrorista é supor que o governo da Itália age guiado não pelo respeito às leis, mas pela conveniência da hora, ou pelo critério ideológico que protege os companheiros e deixa os adversários ao deus-dará. Quem age assim, infelizmente, é o governo brasileiro.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“É um depósito de ex-governadores, sem função democrática”
João Pedro Stédile, um neodemocrata, defendendo a extinção do Senado Federal
LIDERANDO OS PEDIDOS DE PORTE, BRASÍLIA SE ARMA
A população do Distrito Federal lidera as solicitações de porte de armas de fogo no País, segundo dados do Sistema Nacional de Armas, da Polícia Federal. Pode significar a reação à explosão da criminalidade na capital do País. Desde 2010, o DF expediu proporcionalmente onze vezes mais autorizações de armas que as 69 do Rio de Janeiro, que tem população seis vezes maior e enfrenta guerra aberta com o tráfico.
VAMOS À GUERRA?
Foram concedidos 827 portes para cada milhão de habitantes, o que transforma Brasília em uma das cidades mais armadas do mundo.
PROVISÓRIA
Das 2.233 concessões de pistolas e revólveres no DF, 72% têm caráter “temporário”. Ou seja, quem não andar na linha perde o porte.
NEM LÁ
Com seus 43,6 milhões de habitantes, São Paulo concedeu 7,3 mil portes de arma desde 2010. São 168 para cada milhão de pessoas.
PENEIRA
Para obter o porte legal de arma de fogo, é preciso ter mais de 25 anos e apresentar certidões negativas de antecedentes criminais.
IDELI NÃO ARTICULA NEM A PRÓPRIA CANDIDATURA
As dificuldades de relacionamento da presidente Dilma Rousseff com o Congresso decorrem da sua inexperiência e também da impaciência para lidar com políticos, mesmo aliados. Mas quem tem uma Ideli Salvatti como responsável pela articulação política do governo, não precisa mesmo de oposição. Ideli não tem revelado talento nem mesmo para articular sua própria candidatura ao Senado, em Santa Catarina.
DESASTRE
Sob a “articulação” de Ideli Salvatti, o PMDB se rebelou e até o PTB, também amante de cargos, resolveu retirar a indicação de ministros.
VADE RETRO
Em SC, o cartaz de Ideli é tão ruim que Raimundo Colombo (PSD), o governador, até admite acordo com o PT, mas sem ela no palanque.
ORDEM UNIDA
O Itamaraty incorporou os analistas de sistema do Serpro aos terceirizados de limpeza: também terão que usar uniforme em serviço.
PERGUNTA MAROTA
O Ministério da Justiça fez uma pergunta marota ao ministro Joaquim Barbosa: o Supremo Tribunal Federal teria “interesse” na extradição de Henrique Pizzolato? José Eduardo Cardozo sabe que a Justiça prolata sentenças, e a polícia do ministro tem o dever de executá-las.
ENGRAÇADINHO
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) incentivou no Twitter a baderna de quinta (6) no Rio contra o aumento das passagens, clamando “Pula (as catracas), que é de graça!”. Merecia um Conselho de Ética.
AGORA VALE?
O procurador-geral pediu 22 anos de cadeia para o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), no caso do “mensalão do PSDB”, e o PT festejou. Só falta o partido de Lula reconhecer que a lei é dura, mas é a lei, e vale inclusive para os que já cumprem pena no mensalão do PT.
CABO ELEITORAL DE LUXO
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) desistiu da reeleição por sentir crescente asco pela rotina no Senado e porque não queria correr o risco de derrota, dada a erosão do seu patrimônio eleitoral. Vai se dedicar apenas à campanha presidencial de Eduardo Campos.
GENERALIZADO
É tamanho o descontentamento no PMDB que dirigentes acreditam que sequer será necessário coletar assinaturas de nove diretórios regionais para antecipar a convenção nacional. Tudo aponta para um consenso.
AGORA É PESSOAL
Mãe do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que está na geladeira há meses esperando para virar ministro, a deputada Nilda Gondim desceu lenha durante reunião da bancada no tratamento desrespeitoso do PT.
TAMOS AÍ
Presidente do PSB-SP, o deputado Márcio França afirmou que colocará seu nome na convenção estadual para disputar o governo de São Paulo, caso a cúpula nacional decida por candidatura própria.
TEST DRIVE
A decisão sobre a quebra de decoro parlamentar do deputado ladrão Natan Donadon, preso desde junho de 2013, servirá de “test drive” para cassação do mensaleiro João Paulo Cunha, tudo no voto aberto.
PENSANDO BEM...
...com oito apagões desde 2009, está na hora de trocar o Chipp (Hermes), presidente do Operador do Sistema Elétrico (ONS).
PODER SEM PUDOR
INVENÇÃO COMUNISTA
Ao recepcionar uma delegação soviética em visita ao Brasil, o presidente Jânio Quadros recebeu dois presentes: uma carabina automática de alta precisão e uma genuína garrafa de vodca. Jânio - que considerava a bebida uma "invenção comunista" - comentou:
- A vodca não deixa bafo, mas deixa cego...
João Pedro Stédile, um neodemocrata, defendendo a extinção do Senado Federal
LIDERANDO OS PEDIDOS DE PORTE, BRASÍLIA SE ARMA
A população do Distrito Federal lidera as solicitações de porte de armas de fogo no País, segundo dados do Sistema Nacional de Armas, da Polícia Federal. Pode significar a reação à explosão da criminalidade na capital do País. Desde 2010, o DF expediu proporcionalmente onze vezes mais autorizações de armas que as 69 do Rio de Janeiro, que tem população seis vezes maior e enfrenta guerra aberta com o tráfico.
VAMOS À GUERRA?
Foram concedidos 827 portes para cada milhão de habitantes, o que transforma Brasília em uma das cidades mais armadas do mundo.
PROVISÓRIA
Das 2.233 concessões de pistolas e revólveres no DF, 72% têm caráter “temporário”. Ou seja, quem não andar na linha perde o porte.
NEM LÁ
Com seus 43,6 milhões de habitantes, São Paulo concedeu 7,3 mil portes de arma desde 2010. São 168 para cada milhão de pessoas.
PENEIRA
Para obter o porte legal de arma de fogo, é preciso ter mais de 25 anos e apresentar certidões negativas de antecedentes criminais.
IDELI NÃO ARTICULA NEM A PRÓPRIA CANDIDATURA
As dificuldades de relacionamento da presidente Dilma Rousseff com o Congresso decorrem da sua inexperiência e também da impaciência para lidar com políticos, mesmo aliados. Mas quem tem uma Ideli Salvatti como responsável pela articulação política do governo, não precisa mesmo de oposição. Ideli não tem revelado talento nem mesmo para articular sua própria candidatura ao Senado, em Santa Catarina.
DESASTRE
Sob a “articulação” de Ideli Salvatti, o PMDB se rebelou e até o PTB, também amante de cargos, resolveu retirar a indicação de ministros.
VADE RETRO
Em SC, o cartaz de Ideli é tão ruim que Raimundo Colombo (PSD), o governador, até admite acordo com o PT, mas sem ela no palanque.
ORDEM UNIDA
O Itamaraty incorporou os analistas de sistema do Serpro aos terceirizados de limpeza: também terão que usar uniforme em serviço.
PERGUNTA MAROTA
O Ministério da Justiça fez uma pergunta marota ao ministro Joaquim Barbosa: o Supremo Tribunal Federal teria “interesse” na extradição de Henrique Pizzolato? José Eduardo Cardozo sabe que a Justiça prolata sentenças, e a polícia do ministro tem o dever de executá-las.
ENGRAÇADINHO
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) incentivou no Twitter a baderna de quinta (6) no Rio contra o aumento das passagens, clamando “Pula (as catracas), que é de graça!”. Merecia um Conselho de Ética.
AGORA VALE?
O procurador-geral pediu 22 anos de cadeia para o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), no caso do “mensalão do PSDB”, e o PT festejou. Só falta o partido de Lula reconhecer que a lei é dura, mas é a lei, e vale inclusive para os que já cumprem pena no mensalão do PT.
CABO ELEITORAL DE LUXO
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) desistiu da reeleição por sentir crescente asco pela rotina no Senado e porque não queria correr o risco de derrota, dada a erosão do seu patrimônio eleitoral. Vai se dedicar apenas à campanha presidencial de Eduardo Campos.
GENERALIZADO
É tamanho o descontentamento no PMDB que dirigentes acreditam que sequer será necessário coletar assinaturas de nove diretórios regionais para antecipar a convenção nacional. Tudo aponta para um consenso.
AGORA É PESSOAL
Mãe do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que está na geladeira há meses esperando para virar ministro, a deputada Nilda Gondim desceu lenha durante reunião da bancada no tratamento desrespeitoso do PT.
TAMOS AÍ
Presidente do PSB-SP, o deputado Márcio França afirmou que colocará seu nome na convenção estadual para disputar o governo de São Paulo, caso a cúpula nacional decida por candidatura própria.
TEST DRIVE
A decisão sobre a quebra de decoro parlamentar do deputado ladrão Natan Donadon, preso desde junho de 2013, servirá de “test drive” para cassação do mensaleiro João Paulo Cunha, tudo no voto aberto.
PENSANDO BEM...
...com oito apagões desde 2009, está na hora de trocar o Chipp (Hermes), presidente do Operador do Sistema Elétrico (ONS).
PODER SEM PUDOR
INVENÇÃO COMUNISTA
Ao recepcionar uma delegação soviética em visita ao Brasil, o presidente Jânio Quadros recebeu dois presentes: uma carabina automática de alta precisão e uma genuína garrafa de vodca. Jânio - que considerava a bebida uma "invenção comunista" - comentou:
- A vodca não deixa bafo, mas deixa cego...
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Procurador pede 22 anos de prisão para o tucano Azeredo
- Folha: Procurador pede prisão de ex-governador tucano
- Estadão: Procurador pede ao STF condenação de Eduardo Azeredo
- Correio: Procurador pede 22 anos de prisão para Azeredo
- Jornal do Commercio: Trapalhada e incerteza no futebol do Estado
- Zero Hora: 13 dias sem ônibus na capital: Juiz abre caminho para BM agir contra piquetes
- Estado de Minas: Eles querem o que você tem. Cada vez mais
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
Roberto Jefferson 2.0 - BARBARA GANCIA
FOLHA DE SP - 07/02
"Os desvios da prefeitura de S. André iam para o PT, o próprio Gilberto Carvalho me disse", afirma Tuma Jr.
Ah, esses homens públicos maravilhosos e suas ações desinteressadas, que nunca ocorrem em benefício próprio!
O Roberto Jefferson da vez chama-se Romeu Tuma Jr., autor do bestseller "Assassinato de Reputações", 70 mil cópias vendidas, nenhuma surpresa aí, uma vez que o prato servido satisfaz o apetite de uma imensidão de curiosos.
Assim como Roberto Jefferson, Tuma Jr. alega ser movido por civismo e nobreza de espírito.
Não duvido. Mas que mal há em aproveitar a onda e os 70 mil interessados no que ele tem a dizer e se eleger a um cargo público nas próximas eleições, não é mesmo?
A expressão de ressentimento, até de fúria em certos momentos, que podiam ser percebidos em seu rosto no "Roda Viva" da última segunda-feira, a mim não enganaram.
Me disseram que ele ainda nutre algum ressentimento por ter sido afastado das investigações do caso Daniel Dantas sob alegação de que mantinha contato com um criminoso chinês.
E que nunca engoliu o ódio a Lula, a quem culpa por apressar indiretamente a morte do pai, o senador Romeu Tuma, que já estava doente quando o filho foi formalmente acusado de ter vínculos com o mafioso.
O delegado foi absolvido e livrado de qualquer constrangimento, mas seu pai acabou morrendo depois de uma internação longa e dolorosa.
E agora temos o livro. Mais uma vez, sem que as consequências de acusações gravíssimas sejam mensuradas ou corroboradas por provas minimamente detalhadas. O que existe é a prova testemunhal e nenhum desmentido até agora.
É válido tentar varrer do mapa o único partido constituído da democracia tapuia por ter ele imitado o "padrão Fifa" (literalmente) de outros partidos. Mas valeria lembrar que não foram só Silvinhos Pereiras que fundaram o PT, há gente séria e pensante, discorde-se dela ou não, que ajudou a construí-lo. Parece às vezes que esquecemos que é um patrimônio de todos.
Quem será que o senhor Tuma Jr., cego de rancor, gostaria de ver tomar o lugar do PT quando ele e os Jeffersons da vida tiverem terminado de afundar o barco? A turma do Feliciano? Do Crivela?
Bem, vamos ao livro de Tuma Jr., um rapaz que insiste que o pai "redemocratizou o Dops", isto, note, em plena ditadura (é para rir?). Diz ele que Lula era informante do Dops. Até agora, não o vi revelar qualquer informação prestada por Lula ou dar o nome de alguém a quem ele tenha entregado. É para quando, Júnior?
O caso Celso Daniel ocorre em 2002 e Tuma Jr. diz que seu desfecho não ficou claro porque Lula foi eleito. Ué? Mas se o processo correu em uma vara paulista, como a PF de Lula poderia interferir? E o DHPP (departamento de homicídios)? E o Ministério Público de SP? Se havia tanta sujeira, por que ele aceitou integrar o governo Lula em 2007?
Tuma Jr. promete novo livro com provas. Acho bom, já que no "Roda Viva" deu uma de Maluf (lembra do Maluf sacodindo recorte de jornal em debate?) e sacou uma papelada para provar que Daniel Dantas deu R$ 1,5 milhão para a campanha Dilma. Sei. Até parece que todos eles não doam uma soma para cada candidato sistematicamente. Em vez de sacodir, porque não pôs no livro?
E, mais adiante, na página 263: "Os desvios da prefeitura de Santo André eram canalizados para o partido, o próprio Gilberto Carvalho me disse isso". Ora. Carvalho é conhecido pelo comedimento. Imagine se ia abrir o bico justamente para o filho do Tuma? Do Tuma, gente! Sendo que, pelo próprio ato da concepção do livro já dá para ver que o camarada é uma matraca.
Deixa ver se entendo: o PT tentava incriminá-lo por envolvimento com a máfia chinesa e o braço direito do Lula resolve se abrir com ele sobre o caso Celso Daniel? Só falta dizer que viu o Fidel Castro beijando o Paulinho da Força à força.
"Os desvios da prefeitura de S. André iam para o PT, o próprio Gilberto Carvalho me disse", afirma Tuma Jr.
Ah, esses homens públicos maravilhosos e suas ações desinteressadas, que nunca ocorrem em benefício próprio!
O Roberto Jefferson da vez chama-se Romeu Tuma Jr., autor do bestseller "Assassinato de Reputações", 70 mil cópias vendidas, nenhuma surpresa aí, uma vez que o prato servido satisfaz o apetite de uma imensidão de curiosos.
Assim como Roberto Jefferson, Tuma Jr. alega ser movido por civismo e nobreza de espírito.
Não duvido. Mas que mal há em aproveitar a onda e os 70 mil interessados no que ele tem a dizer e se eleger a um cargo público nas próximas eleições, não é mesmo?
A expressão de ressentimento, até de fúria em certos momentos, que podiam ser percebidos em seu rosto no "Roda Viva" da última segunda-feira, a mim não enganaram.
Me disseram que ele ainda nutre algum ressentimento por ter sido afastado das investigações do caso Daniel Dantas sob alegação de que mantinha contato com um criminoso chinês.
E que nunca engoliu o ódio a Lula, a quem culpa por apressar indiretamente a morte do pai, o senador Romeu Tuma, que já estava doente quando o filho foi formalmente acusado de ter vínculos com o mafioso.
O delegado foi absolvido e livrado de qualquer constrangimento, mas seu pai acabou morrendo depois de uma internação longa e dolorosa.
E agora temos o livro. Mais uma vez, sem que as consequências de acusações gravíssimas sejam mensuradas ou corroboradas por provas minimamente detalhadas. O que existe é a prova testemunhal e nenhum desmentido até agora.
É válido tentar varrer do mapa o único partido constituído da democracia tapuia por ter ele imitado o "padrão Fifa" (literalmente) de outros partidos. Mas valeria lembrar que não foram só Silvinhos Pereiras que fundaram o PT, há gente séria e pensante, discorde-se dela ou não, que ajudou a construí-lo. Parece às vezes que esquecemos que é um patrimônio de todos.
Quem será que o senhor Tuma Jr., cego de rancor, gostaria de ver tomar o lugar do PT quando ele e os Jeffersons da vida tiverem terminado de afundar o barco? A turma do Feliciano? Do Crivela?
Bem, vamos ao livro de Tuma Jr., um rapaz que insiste que o pai "redemocratizou o Dops", isto, note, em plena ditadura (é para rir?). Diz ele que Lula era informante do Dops. Até agora, não o vi revelar qualquer informação prestada por Lula ou dar o nome de alguém a quem ele tenha entregado. É para quando, Júnior?
O caso Celso Daniel ocorre em 2002 e Tuma Jr. diz que seu desfecho não ficou claro porque Lula foi eleito. Ué? Mas se o processo correu em uma vara paulista, como a PF de Lula poderia interferir? E o DHPP (departamento de homicídios)? E o Ministério Público de SP? Se havia tanta sujeira, por que ele aceitou integrar o governo Lula em 2007?
Tuma Jr. promete novo livro com provas. Acho bom, já que no "Roda Viva" deu uma de Maluf (lembra do Maluf sacodindo recorte de jornal em debate?) e sacou uma papelada para provar que Daniel Dantas deu R$ 1,5 milhão para a campanha Dilma. Sei. Até parece que todos eles não doam uma soma para cada candidato sistematicamente. Em vez de sacodir, porque não pôs no livro?
E, mais adiante, na página 263: "Os desvios da prefeitura de Santo André eram canalizados para o partido, o próprio Gilberto Carvalho me disse isso". Ora. Carvalho é conhecido pelo comedimento. Imagine se ia abrir o bico justamente para o filho do Tuma? Do Tuma, gente! Sendo que, pelo próprio ato da concepção do livro já dá para ver que o camarada é uma matraca.
Deixa ver se entendo: o PT tentava incriminá-lo por envolvimento com a máfia chinesa e o braço direito do Lula resolve se abrir com ele sobre o caso Celso Daniel? Só falta dizer que viu o Fidel Castro beijando o Paulinho da Força à força.
Muita fumaça e pouco fogo - NELSON MOTTA
O GLOBO - 07/02
Diante do mercado milionário de analgésicos tarja preta, que já tem seis milhões de dependentes nos Estados Unidos, o tráfico de marijuana virou coisa de pobre
Em Barcelona, já são mais de 400 clubes legalizados, onde a inscrição custa dez euros e o sócio pode comprar até 80 gramas por mês de diversas qualidades de maconhas orgânicas, produzidas por pequenos agricultores autorizados. Está ficando banal, todo dia se tem noticia de mais um lugar em que o tabu está sendo quebrado, além dos 20 estados americanos que já permitem o “uso medicinal” e dos dois que liberaram geral, da estatização no Uruguai, da bem-sucedida descriminalização portuguesa…
Mudou muita coisa e, ao mesmo tempo, não mudou nada na vida desses lugares e de seus cidadãos. As pessoas não estão saindo enlouquecidas pelas ruas, não há hordas de doidões invadindo lanchonetes em busca de laricas, os funcionários não estão dormindo nos escritórios, a criminalidade e a violência nem aumentaram e nem diminuíram, as famílias não estão se sentindo ameaçadas, a polícia tem mais o que fazer do que perseguir cidadãos honestos e pacíficos que gostam de fumar um baseado.
Um golpe mortal no tráfico e no crime organizado? Nem chapado alguém pode acreditar nisso. O tráfico de verdade, o definitivo e invencível, faz fortunas e milhares de mortos com cocaína, crack, heroína, ecstasy e uma infinidade de novas drogas sintéticas e quase invisíveis, que dão muito mais lucro com muito menos risco do que a volumosa e olorosa maconha.
Diante do mercado milionário de analgésicos tarja preta, que já tem seis milhões de dependentes nos Estados Unidos, o tráfico de marijuana virou coisa de pobre, do passado.
O mais triste é pensar nos trilhões de dólares torrados, no tempo, no trabalho e nas vidas perdidas, nas incontáveis pessoas de bem que sofreram o diabo nas cadeias por alguns baseados, nos que se tornaram bandidos e marginais, na trágica inutilidade de tudo isso. Tanto barulho por nada, por um bagulho.
Enquanto isso, no Brasil, onde os consumidores dizem que se fuma uma das piores e mais caras maconhas do mundo, produzida no Paraguai e distribuída pelas facções do crime organizado, o governo e o Congresso vão enrolando, a polícia vai apertando e continuamos queimando tempo e dinheiro.
Diante do mercado milionário de analgésicos tarja preta, que já tem seis milhões de dependentes nos Estados Unidos, o tráfico de marijuana virou coisa de pobre
Em Barcelona, já são mais de 400 clubes legalizados, onde a inscrição custa dez euros e o sócio pode comprar até 80 gramas por mês de diversas qualidades de maconhas orgânicas, produzidas por pequenos agricultores autorizados. Está ficando banal, todo dia se tem noticia de mais um lugar em que o tabu está sendo quebrado, além dos 20 estados americanos que já permitem o “uso medicinal” e dos dois que liberaram geral, da estatização no Uruguai, da bem-sucedida descriminalização portuguesa…
Mudou muita coisa e, ao mesmo tempo, não mudou nada na vida desses lugares e de seus cidadãos. As pessoas não estão saindo enlouquecidas pelas ruas, não há hordas de doidões invadindo lanchonetes em busca de laricas, os funcionários não estão dormindo nos escritórios, a criminalidade e a violência nem aumentaram e nem diminuíram, as famílias não estão se sentindo ameaçadas, a polícia tem mais o que fazer do que perseguir cidadãos honestos e pacíficos que gostam de fumar um baseado.
Um golpe mortal no tráfico e no crime organizado? Nem chapado alguém pode acreditar nisso. O tráfico de verdade, o definitivo e invencível, faz fortunas e milhares de mortos com cocaína, crack, heroína, ecstasy e uma infinidade de novas drogas sintéticas e quase invisíveis, que dão muito mais lucro com muito menos risco do que a volumosa e olorosa maconha.
Diante do mercado milionário de analgésicos tarja preta, que já tem seis milhões de dependentes nos Estados Unidos, o tráfico de marijuana virou coisa de pobre, do passado.
O mais triste é pensar nos trilhões de dólares torrados, no tempo, no trabalho e nas vidas perdidas, nas incontáveis pessoas de bem que sofreram o diabo nas cadeias por alguns baseados, nos que se tornaram bandidos e marginais, na trágica inutilidade de tudo isso. Tanto barulho por nada, por um bagulho.
Enquanto isso, no Brasil, onde os consumidores dizem que se fuma uma das piores e mais caras maconhas do mundo, produzida no Paraguai e distribuída pelas facções do crime organizado, o governo e o Congresso vão enrolando, a polícia vai apertando e continuamos queimando tempo e dinheiro.
Maconha comestível - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 07/02
RIO DE JANEIRO - No Estado americano do Colorado, onde o uso recreativo de maconha foi liberado, as crianças ainda sem idade para fumar não precisam passar sem a erva. Em Denver, sua capital, lojas dedicadas ao produto oferecem fascinantes derivados: compotas de pêssego e tangerina, drops de melancia, trufas de chocolate, barras de menta, biscoitos amanteigados, bolos, pirulitos e outros doces, todos enriquecidos em sua preparação com uma calda de maconha. Deu no "New York Times" de 31/1.
Os médicos, professores e associações de pais não ficaram tão empolgados. Seus filhos lhes apareceram sonolentos, desorientados, babando e com respiração difícil. Levados ao hospital, testaram positivo para THC (tetraidrocanabinol), que é a substância psicoativa da droga. A ideia de tornar a maconha comestível surgiu para atender usuários impedidos de fumá-la em certos ambientes e pessoas com dificuldade para engolir fumaça. Era inevitável que seu uso atraísse outros interessados.
As lojas alegam que é difícil manter esses produtos fora do alcance dos menores. Eles não estão impedidos de comprá-los e, mesmo que estivessem, sempre haveria quem comprasse por eles. Uma medida imposta pelas autoridades, proibir que as embalagens mostrassem personagens tipo Piu-Piu ou Pica-Pau, revelou-se inócua. Resta o preço, diz o "Times": uma única bala de maconha custa o equivalente a um saco de balas comuns.
Intelectuais ativistas da liberação desprezam o fato de que a maconha atual contém dez vezes mais THC que a dos anos 60 --ou seja, Bob Marley precisaria fumar dez baseados para valer um fumado hoje por Justin Bieber. Talvez por isso os médicos não a recomendem para crianças.
Mas, como a tendência parece irreversível, podemos esperar pelas novas redes de junk food: a Hashishburger, McHemp e Kentucky Fried Skunk.
RIO DE JANEIRO - No Estado americano do Colorado, onde o uso recreativo de maconha foi liberado, as crianças ainda sem idade para fumar não precisam passar sem a erva. Em Denver, sua capital, lojas dedicadas ao produto oferecem fascinantes derivados: compotas de pêssego e tangerina, drops de melancia, trufas de chocolate, barras de menta, biscoitos amanteigados, bolos, pirulitos e outros doces, todos enriquecidos em sua preparação com uma calda de maconha. Deu no "New York Times" de 31/1.
Os médicos, professores e associações de pais não ficaram tão empolgados. Seus filhos lhes apareceram sonolentos, desorientados, babando e com respiração difícil. Levados ao hospital, testaram positivo para THC (tetraidrocanabinol), que é a substância psicoativa da droga. A ideia de tornar a maconha comestível surgiu para atender usuários impedidos de fumá-la em certos ambientes e pessoas com dificuldade para engolir fumaça. Era inevitável que seu uso atraísse outros interessados.
As lojas alegam que é difícil manter esses produtos fora do alcance dos menores. Eles não estão impedidos de comprá-los e, mesmo que estivessem, sempre haveria quem comprasse por eles. Uma medida imposta pelas autoridades, proibir que as embalagens mostrassem personagens tipo Piu-Piu ou Pica-Pau, revelou-se inócua. Resta o preço, diz o "Times": uma única bala de maconha custa o equivalente a um saco de balas comuns.
Intelectuais ativistas da liberação desprezam o fato de que a maconha atual contém dez vezes mais THC que a dos anos 60 --ou seja, Bob Marley precisaria fumar dez baseados para valer um fumado hoje por Justin Bieber. Talvez por isso os médicos não a recomendem para crianças.
Mas, como a tendência parece irreversível, podemos esperar pelas novas redes de junk food: a Hashishburger, McHemp e Kentucky Fried Skunk.
O arco-íris da seca anunciada - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O Estado de S.Paulo - 07/02
Vinha pela rua, a empregada regava a calçada, eu disse amavelmente:
- Desculpe-me, a senhora não sabe que a água está sendo um problema?
Ah! É?
Não tem chovido, precisamos economizar a água.
Hum, hum...
E continuava sem me olhar.
A senhora ouviu o que eu disse?
Ouvi.
E...?
O senhor se meta com a sua vida.
Outro dia, cena semelhante. Um senhor atirava o jato de água contra as folhas, conduzindo-as aos bueiros. Divertia-se. Interpelei:
Por que faz isso?
O quê? O que estou fazendo para irritar o senhor?
Mudei o tom, não percebi, devia ter me exaltado.
- Primeiro, gastando água. Segundo, mandando as folhas para o bueiro, que vai entupir. E quando as chuvas chegarem vai ser aquela calamidade.
- Quem é o senhor? Fiscal?
- Não.
- Por que se preocupa com a água? Está faltando?
- Pode ser que falte, olhe a seca, o sol, o calor.
- Quando faltar o problema é meu.
Em um terceiro encontro, adverti a empregada que lavava usando motorzinho, o jato levantava poeira, folhas, galhos, tampinhas, maços de cigarros, frascos de iogurte. Nas ruas tem de tudo, jogam a torto e a direito.
Não sabe que o governo está pedindo para racionar água?
Não sei de nada.
- Com o calor, sem as chuvas, as represas estão vazias, vai dar o maior problema.
- Que represas? Do que o senhor fala?
- As represas que abastecem a cidade. A água pode acabar.
- Se acabar, meu patrão compra. Sabe quem é meu patrão?
- Não, não tenho ideia.
- Um ricão. Não se preocupe, aqui nunca vai faltar água.
A via-sacra se estendeu, porque, como diz o povinho humilde, quando "encatiço" com uma coisa, prossigo. Nova cena.
- Por que você está gastando água desse jeito, se começou a faltar?
Aqui ainda não. Quem disse que vai faltar?
Os jornais, o noticiário da televisão.
- Bobagem. Se fosse faltar, o Boechat tava mandando o pau, ele é bom. O José Paulo Andrade ia pegar no pé do prefeito. Se fosse faltar, a Sabesp ia avisar. Tudo o que vi da Sabesp foram comerciais dizendo que o litoral está limpo, saneado. O senhor pensa que está falando com um bobo? Leio, converso, sei, sou instruído, sou zelador aqui do prédio. O síndico daqui não deu nenhuma orientação, a piscina está cheia, tudo em paz. O senhor quer é pentelhar. É um missionário?
Não sou, tenho meus ataques, ainda que nesta cidade os ataques sejam perigosíssimos, você pode estar morto no minuto seguinte a uma palavra mal interpretada. Está todo mundo ouriçado, estressado, o calor abafando, antessala do inferno, os bandidos atacando, o Haddad nem se importando, o transito congestionando, o sol queimando, a chuva desaparecida. Está na hora de convocar a dança da chuva pelos índios. Uma senhora de seus 60 anos, varria cuidadosamente a calçada, apanhou o lixo num saquinho, fechou e amarrou. Fiquei olhando. Finalmente alguém consciente. Ia elogiar quando ela puxou a mangueira, abriu a torneira e começou a molhar a parede. Não resisti:
O que está fazendo?
Molhando a parede.
Para que molhar?
Não vê? É de pedra. Para esfriar, Molho três vezes ao dia.
Não devia! Não sabe que com a seca a água está a perigo?
- Só sei que faço o que me mandam fazer. O senhor não é meu patrão. Venha falar com ele. Isso é briga de grandão, não me meta, não me encha. Com esse calor, vou molhar a parede até esfriar quantas vezes eu quiser. Ou molho ou sou despedida. O problema da água não é comigo, é com o prefeito, com o governador, é com a Dilma. Vai falar com eles, já que é tão intrometido.
- Bem que queria, bem que devia, mas eles estão em campanha eleitoral. A senhora tem razão. Pena! Muita pena que todos nós não estejamos nos intrometendo, não estejamos pentelhando. Quando faltar água, vamos trazer da Bolívia, de Cuba, da Venezuela, dos países amigos...
A senhora me olhou intrigada, deu as costas, mandou o jato na parede, o sol se refletiu, formou um arco-íris lindo, as cores da seca que se anunciam, da calamidade anunciada.
Vinha pela rua, a empregada regava a calçada, eu disse amavelmente:
- Desculpe-me, a senhora não sabe que a água está sendo um problema?
Ah! É?
Não tem chovido, precisamos economizar a água.
Hum, hum...
E continuava sem me olhar.
A senhora ouviu o que eu disse?
Ouvi.
E...?
O senhor se meta com a sua vida.
Outro dia, cena semelhante. Um senhor atirava o jato de água contra as folhas, conduzindo-as aos bueiros. Divertia-se. Interpelei:
Por que faz isso?
O quê? O que estou fazendo para irritar o senhor?
Mudei o tom, não percebi, devia ter me exaltado.
- Primeiro, gastando água. Segundo, mandando as folhas para o bueiro, que vai entupir. E quando as chuvas chegarem vai ser aquela calamidade.
- Quem é o senhor? Fiscal?
- Não.
- Por que se preocupa com a água? Está faltando?
- Pode ser que falte, olhe a seca, o sol, o calor.
- Quando faltar o problema é meu.
Em um terceiro encontro, adverti a empregada que lavava usando motorzinho, o jato levantava poeira, folhas, galhos, tampinhas, maços de cigarros, frascos de iogurte. Nas ruas tem de tudo, jogam a torto e a direito.
Não sabe que o governo está pedindo para racionar água?
Não sei de nada.
- Com o calor, sem as chuvas, as represas estão vazias, vai dar o maior problema.
- Que represas? Do que o senhor fala?
- As represas que abastecem a cidade. A água pode acabar.
- Se acabar, meu patrão compra. Sabe quem é meu patrão?
- Não, não tenho ideia.
- Um ricão. Não se preocupe, aqui nunca vai faltar água.
A via-sacra se estendeu, porque, como diz o povinho humilde, quando "encatiço" com uma coisa, prossigo. Nova cena.
- Por que você está gastando água desse jeito, se começou a faltar?
Aqui ainda não. Quem disse que vai faltar?
Os jornais, o noticiário da televisão.
- Bobagem. Se fosse faltar, o Boechat tava mandando o pau, ele é bom. O José Paulo Andrade ia pegar no pé do prefeito. Se fosse faltar, a Sabesp ia avisar. Tudo o que vi da Sabesp foram comerciais dizendo que o litoral está limpo, saneado. O senhor pensa que está falando com um bobo? Leio, converso, sei, sou instruído, sou zelador aqui do prédio. O síndico daqui não deu nenhuma orientação, a piscina está cheia, tudo em paz. O senhor quer é pentelhar. É um missionário?
Não sou, tenho meus ataques, ainda que nesta cidade os ataques sejam perigosíssimos, você pode estar morto no minuto seguinte a uma palavra mal interpretada. Está todo mundo ouriçado, estressado, o calor abafando, antessala do inferno, os bandidos atacando, o Haddad nem se importando, o transito congestionando, o sol queimando, a chuva desaparecida. Está na hora de convocar a dança da chuva pelos índios. Uma senhora de seus 60 anos, varria cuidadosamente a calçada, apanhou o lixo num saquinho, fechou e amarrou. Fiquei olhando. Finalmente alguém consciente. Ia elogiar quando ela puxou a mangueira, abriu a torneira e começou a molhar a parede. Não resisti:
O que está fazendo?
Molhando a parede.
Para que molhar?
Não vê? É de pedra. Para esfriar, Molho três vezes ao dia.
Não devia! Não sabe que com a seca a água está a perigo?
- Só sei que faço o que me mandam fazer. O senhor não é meu patrão. Venha falar com ele. Isso é briga de grandão, não me meta, não me encha. Com esse calor, vou molhar a parede até esfriar quantas vezes eu quiser. Ou molho ou sou despedida. O problema da água não é comigo, é com o prefeito, com o governador, é com a Dilma. Vai falar com eles, já que é tão intrometido.
- Bem que queria, bem que devia, mas eles estão em campanha eleitoral. A senhora tem razão. Pena! Muita pena que todos nós não estejamos nos intrometendo, não estejamos pentelhando. Quando faltar água, vamos trazer da Bolívia, de Cuba, da Venezuela, dos países amigos...
A senhora me olhou intrigada, deu as costas, mandou o jato na parede, o sol se refletiu, formou um arco-íris lindo, as cores da seca que se anunciam, da calamidade anunciada.
Ueba! O Galinheiro dos Bambis! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 07/02
'Fumaça obriga Metrô a esvaziar trem'. Foram os vândalos orquestrados que fizeram fogueira! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Prenderam o Pizzolato.
E todos os trocadilhos de pizza com pizzolato já foram feitos! Diz que ele foi preso porque pediu uma napolitana sem tomate! Aí o dono da pizzaria gritou: "Carabiniere! Carabiniere!". Eu não quero esse Pizzolato. Pode deixar na Itália mesmo! Eu quero dois tênis da Prada! Esse é o meu pedido às autoridades italianas: dois tênis da Prada! Troco o Pizzolato por dois tênis da Prada! Ou então troca pelo Sarney! Rarará! Tudo é o Sarney mesmo!
E o meu São Paulo? Vai contratar o Pato. Vai virar um galinheiro. Daqueles de fundo de quintal! O Galinheiro dos Bambis: Pato, Ganso, os frangos do Ceni e a cara de galo véio do Muricy!
E sabe qual a semelhança entre o Pato e o Ganso? Ambos estão bichados! Rarará! Bichos bichados!
O Pato é desastrado como um ganso e o Ganso é mais lento que um pato. E nós vamos pagar o pato! E afogar o ganso! Rarará! Acho que o São Paulo está cometendo um avicídio! "Corinthians e São Paulo trocam Jadson por Pato". E ambos fizeram um péssimo negócio!
E o Corinthians? Diz que o Mano bateu um recorde: deu quatro seguidas. Negativas, mas deu! E o site FuteboldaDepressão fez um versinho: "O Ribéry é francês/ O Tevez é argentino/ Enquanto você lia/ Gol do Bragantino". Perdeu do Bragantino, a terra da linguiça. Os manos levaram uma linguiça.
Mas também, o goleiro do Bragantino se chama Rafael Defendi! E aí um corintiano fez gol contra! Não conseguia bater no Defendi, fez um gol contra!
E outro milagre: o Botafogo conseguiu lotar um estádio. Diz que o Botafogo terceiriza torcida. Eles têm uma empresa de contratação de torcedores. Pra fazer olas e mosaicos! "Contrata-se torcedores para olas e mosaicos". Rarará! E diz que o Botafogo achou o Wally! o Wallyson! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E um aviso ao secretário de Transportes de SP: hoje, às sete da manhã, a plataforma da estação Sé do Metrô estava lotada de vândalos orquestrados! Rarará! Não é ele que tá chamando os usuários de metrô de vândalos orquestrados?!
E mais essa: "Fumaça obriga Metrô a esvaziar trem". Foram os vândalos orquestrados que fizeram uma fogueira! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
'Fumaça obriga Metrô a esvaziar trem'. Foram os vândalos orquestrados que fizeram fogueira! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Prenderam o Pizzolato.
E todos os trocadilhos de pizza com pizzolato já foram feitos! Diz que ele foi preso porque pediu uma napolitana sem tomate! Aí o dono da pizzaria gritou: "Carabiniere! Carabiniere!". Eu não quero esse Pizzolato. Pode deixar na Itália mesmo! Eu quero dois tênis da Prada! Esse é o meu pedido às autoridades italianas: dois tênis da Prada! Troco o Pizzolato por dois tênis da Prada! Ou então troca pelo Sarney! Rarará! Tudo é o Sarney mesmo!
E o meu São Paulo? Vai contratar o Pato. Vai virar um galinheiro. Daqueles de fundo de quintal! O Galinheiro dos Bambis: Pato, Ganso, os frangos do Ceni e a cara de galo véio do Muricy!
E sabe qual a semelhança entre o Pato e o Ganso? Ambos estão bichados! Rarará! Bichos bichados!
O Pato é desastrado como um ganso e o Ganso é mais lento que um pato. E nós vamos pagar o pato! E afogar o ganso! Rarará! Acho que o São Paulo está cometendo um avicídio! "Corinthians e São Paulo trocam Jadson por Pato". E ambos fizeram um péssimo negócio!
E o Corinthians? Diz que o Mano bateu um recorde: deu quatro seguidas. Negativas, mas deu! E o site FuteboldaDepressão fez um versinho: "O Ribéry é francês/ O Tevez é argentino/ Enquanto você lia/ Gol do Bragantino". Perdeu do Bragantino, a terra da linguiça. Os manos levaram uma linguiça.
Mas também, o goleiro do Bragantino se chama Rafael Defendi! E aí um corintiano fez gol contra! Não conseguia bater no Defendi, fez um gol contra!
E outro milagre: o Botafogo conseguiu lotar um estádio. Diz que o Botafogo terceiriza torcida. Eles têm uma empresa de contratação de torcedores. Pra fazer olas e mosaicos! "Contrata-se torcedores para olas e mosaicos". Rarará! E diz que o Botafogo achou o Wally! o Wallyson! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E um aviso ao secretário de Transportes de SP: hoje, às sete da manhã, a plataforma da estação Sé do Metrô estava lotada de vândalos orquestrados! Rarará! Não é ele que tá chamando os usuários de metrô de vândalos orquestrados?!
E mais essa: "Fumaça obriga Metrô a esvaziar trem". Foram os vândalos orquestrados que fizeram uma fogueira! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Para não ficarmos, todos, cegos e surdos- WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 07/02
Nunca foi tão difícil para a comunicação, tão complexo, retratar a realidade e alguns de seus conflitos. Em certos momentos parecemos imobilizados diante do emaranhado de interesses, do confronto entre eles - sem saber o que propor para a sociedade, para o poder público. O exemplo mais gritante é o dos chamados "rolês". Que se fará? Não se pode proibir a presença de pessoas ou grupos em espaços abertos ao público. Mas como proteger os estabelecimentos comerciais sem restringir direitos de cidadãos? Vai-se cobrar ingresso? Reduzir a frequência aos lugares e sua rentabilidade? E o poder público, o que ele fará?
Neste momento em que se lembram os 40 anos do incêndio do edifício Joelma, em São Paulo - com os espectadores assistindo "ao vivo", na hora, pela TV, ao pânico e à morte de muitas das 187 vítimas - pode valer a pena recordar episódio provavelmente já mencionado neste espaço. O autor destas linhas era então chefe da redação do Globo Repórter, da TV Globo, quando foi procurado no dia seguinte a um programa por uma jovem. Ela relatava que, ao ver na televisão um programa (dirigido por Fernando Pacheco Jordão) que relatava com competência a presença de agrotóxicos em muitos dos alimentos mais vendidos no maior centro de abastecimento da capital paulista, seu filho de 8 anos - que já não comia carnes por causa da repulsa adquirida ao ver documentados na TV alguns dos problemas decorrentes desse hábito - passara a recusar-se também a comer vegetais. "O senhor criou o problema com o programa. Agora é obrigação sua dizer o que eu devo fazer", afirmava a mãe. Pouco era possível, apenas sugerir que levasse o filho a um psicólogo.
Ao relatar o problema ao então diretor de Jornalismo da emissora, Armando Nogueira, ele foi direto. "Eu sei bem do que você está falando. Há poucos dias, quando aconteceu o incêndio do edifício Joelma, em São Paulo (cujo 40% aniversário se lembrou há pouco), também fui procurado por uma mulher. Um filho dela, adolescente, tivera uma parada cardíaca ao ver na televisão as cenas impressionantes: o cinegrafista acompanhara, segundo a segundo, quando uma das vítimas, já na cobertura do edifício, cercada pelo fogo, se atirara no espaço - até documentá-la ao se despedaçar no chão." Socorrido, o jovem sobreviveu. Mas Armando deu ordem para que já à noite, no Jornal Nacional, só se exibisse a cena com "quadro parado", sem mostrar o salto e a trajetória da vítima.
Pouco se pensa, na comunicação ou fora, nas possíveis consequências de uma informação sobre o público. E alguns dias depois desse episódio do Joelma a perplexidade estava de volta, com a presença no Globo Repórter de uma delegação de surdos-mudos. Reivindicavam eles que no programa não se "cobrisse" a imagem de entrevistados, deixando deles apenas a voz. Porque com isso os espectadores surdos-mudos perdiam alguns dos poucos momentos em que podiam acompanhar, com leitura labial, o que diziam os entrevistados, mesmo que outras pessoas os mantivessem informados do restante da fala. A reivindicação passou a ser atendida obrigatoriamente. Mais algum tempo, entretanto, compareceu um grupo de cegos. Eles acompanhavam, com a família, a narração dos programas. Mas ficavam sem saber de quem se tratava quando os entrevistados eram identificados apenas por escrito na tela, sem menção do narrador. Passou-se a tornar obrigatória a identificação também pela voz do narrador.
Claro que tudo isso seria superado se houvesse a obrigatoriedade legal, na televisão, de ocupar um pedaço da tela, num dos cantos, com alguém que fizesse a narração labial. Com a obrigação de identificar também na narração quem está falando. Até hoje não há essa obrigação.
Ao comentar esses episódios pouco tempo depois com o então diretor de pesquisas da TV, Homero Icaza Sánchez - extraordinário poeta, amigo e tradutor de Manoel Bandeira -, ele deu a lição inesquecível: "Na televisão, você tem de se lembrar sempre que fala ao mesmo tempo com todos os públicos - homens e mulheres, idosos e crianças, doutores e analfabetos, ricos e pobres; tem der ser atraente e claro para todos, sem ser maçante para alguns Se alguém não entender o que foi dito e parar para perguntar de que se tratava, perderá o fio da narração, poderá desinteressar-se e mudar de canal" (e isso talvez explique parte da perda progressiva de audiência que vem ocorrendo, até chegar aos níveis de hoje).
Não é apenas na TV. Quem pensa nisso quando a comunicação toda está hoje diante de temas extremamente complexos - nacionais e internacionais - que afetam a vida de cada cidadão? Como fazer se cada segundo na televisão ou cada centímetro na comunicação escrita tem alto valor e precisa ser economizado? Como tratar - por exemplo, voltando ao começo deste artigo - a questão dos "rolês"? Como situá-la para os interessados diretos, para os comerciantes e o público habitual de shoppings? Que propor ou exigir ao poder público? Com que recursos? Quais as consequências de cada rumo proposto?
O mesmo raciocínio vale para praticamente tudo de que trata a comunicação. Como cada cidadão se deve comportar, por exemplo, diante do problema cada vez maior e mais urgente das mudanças climáticas (veja-se o noticiário atual sobre redução de chuvas em São Paulo e em vastas regiões, ameaça de racionamento)? Ou, então, que deve fazer a sociedade diante dos dramas da violência, da ineficiência na repressão, da semifalência do Judiciário e do Executivo no sistema penal? Ou, ainda, que faremos diante da paralisação das cidades pelo acúmulo de veículos, motivado pelos estímulos ao transporte individual e pela carência brutal de transporte público?
Seria leviandade acreditar que essas e outras questões se resolverão sem um debate aberto - que só a comunicação pode promover - entre todos os interlocutores. Sem ele estaremos condenados a "rolês" e a protestos violentos e/ou paralisantes.
Nunca foi tão difícil para a comunicação, tão complexo, retratar a realidade e alguns de seus conflitos. Em certos momentos parecemos imobilizados diante do emaranhado de interesses, do confronto entre eles - sem saber o que propor para a sociedade, para o poder público. O exemplo mais gritante é o dos chamados "rolês". Que se fará? Não se pode proibir a presença de pessoas ou grupos em espaços abertos ao público. Mas como proteger os estabelecimentos comerciais sem restringir direitos de cidadãos? Vai-se cobrar ingresso? Reduzir a frequência aos lugares e sua rentabilidade? E o poder público, o que ele fará?
Neste momento em que se lembram os 40 anos do incêndio do edifício Joelma, em São Paulo - com os espectadores assistindo "ao vivo", na hora, pela TV, ao pânico e à morte de muitas das 187 vítimas - pode valer a pena recordar episódio provavelmente já mencionado neste espaço. O autor destas linhas era então chefe da redação do Globo Repórter, da TV Globo, quando foi procurado no dia seguinte a um programa por uma jovem. Ela relatava que, ao ver na televisão um programa (dirigido por Fernando Pacheco Jordão) que relatava com competência a presença de agrotóxicos em muitos dos alimentos mais vendidos no maior centro de abastecimento da capital paulista, seu filho de 8 anos - que já não comia carnes por causa da repulsa adquirida ao ver documentados na TV alguns dos problemas decorrentes desse hábito - passara a recusar-se também a comer vegetais. "O senhor criou o problema com o programa. Agora é obrigação sua dizer o que eu devo fazer", afirmava a mãe. Pouco era possível, apenas sugerir que levasse o filho a um psicólogo.
Ao relatar o problema ao então diretor de Jornalismo da emissora, Armando Nogueira, ele foi direto. "Eu sei bem do que você está falando. Há poucos dias, quando aconteceu o incêndio do edifício Joelma, em São Paulo (cujo 40% aniversário se lembrou há pouco), também fui procurado por uma mulher. Um filho dela, adolescente, tivera uma parada cardíaca ao ver na televisão as cenas impressionantes: o cinegrafista acompanhara, segundo a segundo, quando uma das vítimas, já na cobertura do edifício, cercada pelo fogo, se atirara no espaço - até documentá-la ao se despedaçar no chão." Socorrido, o jovem sobreviveu. Mas Armando deu ordem para que já à noite, no Jornal Nacional, só se exibisse a cena com "quadro parado", sem mostrar o salto e a trajetória da vítima.
Pouco se pensa, na comunicação ou fora, nas possíveis consequências de uma informação sobre o público. E alguns dias depois desse episódio do Joelma a perplexidade estava de volta, com a presença no Globo Repórter de uma delegação de surdos-mudos. Reivindicavam eles que no programa não se "cobrisse" a imagem de entrevistados, deixando deles apenas a voz. Porque com isso os espectadores surdos-mudos perdiam alguns dos poucos momentos em que podiam acompanhar, com leitura labial, o que diziam os entrevistados, mesmo que outras pessoas os mantivessem informados do restante da fala. A reivindicação passou a ser atendida obrigatoriamente. Mais algum tempo, entretanto, compareceu um grupo de cegos. Eles acompanhavam, com a família, a narração dos programas. Mas ficavam sem saber de quem se tratava quando os entrevistados eram identificados apenas por escrito na tela, sem menção do narrador. Passou-se a tornar obrigatória a identificação também pela voz do narrador.
Claro que tudo isso seria superado se houvesse a obrigatoriedade legal, na televisão, de ocupar um pedaço da tela, num dos cantos, com alguém que fizesse a narração labial. Com a obrigação de identificar também na narração quem está falando. Até hoje não há essa obrigação.
Ao comentar esses episódios pouco tempo depois com o então diretor de pesquisas da TV, Homero Icaza Sánchez - extraordinário poeta, amigo e tradutor de Manoel Bandeira -, ele deu a lição inesquecível: "Na televisão, você tem de se lembrar sempre que fala ao mesmo tempo com todos os públicos - homens e mulheres, idosos e crianças, doutores e analfabetos, ricos e pobres; tem der ser atraente e claro para todos, sem ser maçante para alguns Se alguém não entender o que foi dito e parar para perguntar de que se tratava, perderá o fio da narração, poderá desinteressar-se e mudar de canal" (e isso talvez explique parte da perda progressiva de audiência que vem ocorrendo, até chegar aos níveis de hoje).
Não é apenas na TV. Quem pensa nisso quando a comunicação toda está hoje diante de temas extremamente complexos - nacionais e internacionais - que afetam a vida de cada cidadão? Como fazer se cada segundo na televisão ou cada centímetro na comunicação escrita tem alto valor e precisa ser economizado? Como tratar - por exemplo, voltando ao começo deste artigo - a questão dos "rolês"? Como situá-la para os interessados diretos, para os comerciantes e o público habitual de shoppings? Que propor ou exigir ao poder público? Com que recursos? Quais as consequências de cada rumo proposto?
O mesmo raciocínio vale para praticamente tudo de que trata a comunicação. Como cada cidadão se deve comportar, por exemplo, diante do problema cada vez maior e mais urgente das mudanças climáticas (veja-se o noticiário atual sobre redução de chuvas em São Paulo e em vastas regiões, ameaça de racionamento)? Ou, então, que deve fazer a sociedade diante dos dramas da violência, da ineficiência na repressão, da semifalência do Judiciário e do Executivo no sistema penal? Ou, ainda, que faremos diante da paralisação das cidades pelo acúmulo de veículos, motivado pelos estímulos ao transporte individual e pela carência brutal de transporte público?
Seria leviandade acreditar que essas e outras questões se resolverão sem um debate aberto - que só a comunicação pode promover - entre todos os interlocutores. Sem ele estaremos condenados a "rolês" e a protestos violentos e/ou paralisantes.
Esqueceram o principal - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 07/02
SÃO PAULO - Houve um tempo em que os ditos setores progressistas pautavam suas ações por filosofias coerentes. Assim, advogados da infância buscavam promover os interesses das crianças, feministas visavam a afirmar a autonomia das mulheres e militantes dos direitos de homossexuais tentavam acabar com a discriminação contra gays, mas sem perder de vista teses mais gerais da esquerda não marxista, que incluíam a ampliação das liberdades e a despenalização do direito.
As coisas mudaram. E para pior, a meu ver. Hoje, os defensores das criancinhas deblateram para que o Congresso mantenha um mecanismo jurídico que permite mandar para a cadeia o pai que não paga em dia pensão do filho. Pouco importa que a prisão por dívidas represente um retrocesso de 2.600 anos --uma das reformas de Sólon que facilitou a introdução da democracia em Atenas foi justamente o fim da servidão por dívidas-- e que é quase certo que, encarcerado, o pai da criança terá muito menor probabilidade de honrar seus compromissos financeiros.
As feministas agora apoiam o acórdão do Supremo Tribunal Federal que retirou das mulheres o direito de decidir se querem ou não processar companheiros, tornando agressões leves no âmbito do lar um crime de ação pública incondicionada. Pouco importa que isso torne as mulheres menos livres e introduza uma diferenciação de gênero (na situação inversa, um homem pode decidir se processa ou não).
Por fim, homossexuais pedem a edição de uma lei que torne crime referir-se a gays em termos depreciativos ou condenatórios. Pouco importa que tal medida, se adotada, representaria uma limitação da liberdade de expressão, o mais fundamental dos princípios democráticos.
É natural que grupos de ativistas se especializem e, ao fazê-lo, percam de vista as grandes questões, mas fico com a impressão de que estão colocando a parte à frente do todo.
SÃO PAULO - Houve um tempo em que os ditos setores progressistas pautavam suas ações por filosofias coerentes. Assim, advogados da infância buscavam promover os interesses das crianças, feministas visavam a afirmar a autonomia das mulheres e militantes dos direitos de homossexuais tentavam acabar com a discriminação contra gays, mas sem perder de vista teses mais gerais da esquerda não marxista, que incluíam a ampliação das liberdades e a despenalização do direito.
As coisas mudaram. E para pior, a meu ver. Hoje, os defensores das criancinhas deblateram para que o Congresso mantenha um mecanismo jurídico que permite mandar para a cadeia o pai que não paga em dia pensão do filho. Pouco importa que a prisão por dívidas represente um retrocesso de 2.600 anos --uma das reformas de Sólon que facilitou a introdução da democracia em Atenas foi justamente o fim da servidão por dívidas-- e que é quase certo que, encarcerado, o pai da criança terá muito menor probabilidade de honrar seus compromissos financeiros.
As feministas agora apoiam o acórdão do Supremo Tribunal Federal que retirou das mulheres o direito de decidir se querem ou não processar companheiros, tornando agressões leves no âmbito do lar um crime de ação pública incondicionada. Pouco importa que isso torne as mulheres menos livres e introduza uma diferenciação de gênero (na situação inversa, um homem pode decidir se processa ou não).
Por fim, homossexuais pedem a edição de uma lei que torne crime referir-se a gays em termos depreciativos ou condenatórios. Pouco importa que tal medida, se adotada, representaria uma limitação da liberdade de expressão, o mais fundamental dos princípios democráticos.
É natural que grupos de ativistas se especializem e, ao fazê-lo, percam de vista as grandes questões, mas fico com a impressão de que estão colocando a parte à frente do todo.
Chegou a hora de recolocar o Brasil nos trilhos - ROBERTO FREIRE
Brasil Econômico - 07/02
Um dia depois de um deputado petista cerrar os punhos em solidariedade aos mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal, um novo caminho para o Brasil começou a ser trilhado a partir do lançamento das diretrizes do programa de governo de Eduardo Campos. Ao lado de Marina Silva, o pré-candidato do PSB à Presidência apresentou os eixos centrais de um novo projeto de desenvolvimento, ao qual o PPS se associa. Após 11 anos de governos lulodilmistas, os sinais de que o país “saiu dos trilhos”, como afirmou Campos, são variados.
O rombo nas contas públicas, a gestão temerária que levou à desmoralização da Petrobras, a desindustrialização acelerada, a escalada inflacionária, o loteamento da máquina pública, o desmantelo na área da saúde e o desastre na educação são alguns dos exemplos mais latentes. As jornadas de junho de 2013, quando o povo brasileiro tomou as ruas pelo fim da corrupção e por transporte, saúde e educação de qualidade, foram o estopim de uma insatisfação generalizada. Enquanto a propaganda oficial cria um mundo de fantasia, o Brasil real convive com graves problemas cotidianos que parecem não repercutir nos gabinetes do Planalto.
A agenda apresentada por Campos trata, entre outros pontos, de desburocratização do Estado, reforma política, recuperação da indústria, investimentos em tecnologia, fortalecimento do Sistema Único de Saúde, educação de qualidade, reforma urbana e aperfeiçoamento dos órgãos de segurança. A essas diretrizes, serão incorporadas as propostas apresentadas pelo PPS, em conjunto com toda a sociedade, que participará ativamente da construção do programa de governo.
O alinhamento das forças democráticas de esquerda representa um reencontro histórico entre os socialistas e o PPS, herdeiro do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desde a origem do PSB, com a redemocratização pós-Estado Novo, a aliança com os comunistas se inscreveu em páginas marcantes da vida política brasileira. Em Pernambuco, um dos estados mais avançados do país na luta democrática daquele período, essa união levou ao surgimento da Frente do Recife, movimento que elegeu Pelópidas da Silveira prefeito da capital, em 1955, e Miguel Arraes governador do estado, em 1962.
Após o golpe de 1964, os dois partidos se integraram às trincheiras do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em oposição à ditadura militar. Essa parceria também se fez presente na eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, na Constituinte, no impeachment de Fernando Collor e na participação no governo de Itamar Franco. Em 2002, apoiamos a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, mas o PPS se sentiu fraudado e rompeu com o governo em 2004. Recentemente, o PSB deixou a gestão de Dilma Rousseff e optou por construir um novo caminho para o país.
Não é cerrando punhos em defesa da corrupção, o que enxovalha um digno gestual das esquerdas em todo o mundo, muito menos aviltando as instituições ou loteando cargos em nome de interesses eleitorais, que o Brasil sairá do atoleiro em que se encontra. Um novo país só emergirá coma retomada do crescimento, o respeito ao meio ambiente e o resgate da ética como valor fundamental na vida pública. Ao lado de Eduardo Campos e Marina Silva, o PPS trabalha para que a nação volte aos trilhos do desenvolvimento econômico, social e político.
O rombo nas contas públicas, a gestão temerária que levou à desmoralização da Petrobras, a desindustrialização acelerada, a escalada inflacionária, o loteamento da máquina pública, o desmantelo na área da saúde e o desastre na educação são alguns dos exemplos mais latentes. As jornadas de junho de 2013, quando o povo brasileiro tomou as ruas pelo fim da corrupção e por transporte, saúde e educação de qualidade, foram o estopim de uma insatisfação generalizada. Enquanto a propaganda oficial cria um mundo de fantasia, o Brasil real convive com graves problemas cotidianos que parecem não repercutir nos gabinetes do Planalto.
A agenda apresentada por Campos trata, entre outros pontos, de desburocratização do Estado, reforma política, recuperação da indústria, investimentos em tecnologia, fortalecimento do Sistema Único de Saúde, educação de qualidade, reforma urbana e aperfeiçoamento dos órgãos de segurança. A essas diretrizes, serão incorporadas as propostas apresentadas pelo PPS, em conjunto com toda a sociedade, que participará ativamente da construção do programa de governo.
O alinhamento das forças democráticas de esquerda representa um reencontro histórico entre os socialistas e o PPS, herdeiro do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desde a origem do PSB, com a redemocratização pós-Estado Novo, a aliança com os comunistas se inscreveu em páginas marcantes da vida política brasileira. Em Pernambuco, um dos estados mais avançados do país na luta democrática daquele período, essa união levou ao surgimento da Frente do Recife, movimento que elegeu Pelópidas da Silveira prefeito da capital, em 1955, e Miguel Arraes governador do estado, em 1962.
Após o golpe de 1964, os dois partidos se integraram às trincheiras do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em oposição à ditadura militar. Essa parceria também se fez presente na eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, na Constituinte, no impeachment de Fernando Collor e na participação no governo de Itamar Franco. Em 2002, apoiamos a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, mas o PPS se sentiu fraudado e rompeu com o governo em 2004. Recentemente, o PSB deixou a gestão de Dilma Rousseff e optou por construir um novo caminho para o país.
Não é cerrando punhos em defesa da corrupção, o que enxovalha um digno gestual das esquerdas em todo o mundo, muito menos aviltando as instituições ou loteando cargos em nome de interesses eleitorais, que o Brasil sairá do atoleiro em que se encontra. Um novo país só emergirá coma retomada do crescimento, o respeito ao meio ambiente e o resgate da ética como valor fundamental na vida pública. Ao lado de Eduardo Campos e Marina Silva, o PPS trabalha para que a nação volte aos trilhos do desenvolvimento econômico, social e político.
'Institutos de pesquisa em crise' - ADIB JATENE
O Estado de S.Paulo - 07/02
A leitura, na página A3 do Estado do dia 28 de janeiro, de editorial com o título acima, comentando as dificuldades dos pesquisadores e a deterioração das instituições de pesquisa do Estado, fez-me lembrar do dr. Dante Pazzanese e dos fundos de pesquisa. Em 1954, durante o governo de Lucas Nogueira Garcez, o dr. Dante Pazzanese, que era o chefe do serviço de Cardiologia do Hospital Municipal, conseguiu criar o Instituto de Cardiologia do Estado de São Paulo (Icesp), na Secretaria Estadual de Saúde. Em 1958, já instalado no Ibirapuera, em ambulatório com 1.000 m2, convenceu o governador Jânio Quadros de que uma instituição pública que incorporasse pesquisa, seja na área de saúde ou em qualquer outra, não poderia sobreviver apenas com os recursos do orçamento. Este, que era apresentado no ano anterior, e desgastado pela inflação, era sabidamente insuficiente.
A gestão da instituição ficava refém da administração pública, que, por causa da isonomia salarial, não conseguia diferenciar a remuneração conforme o mérito de cada um e dispor de agilidade para atender necessidades que, muitas vezes, o caso exigia. Era necessário recurso extraorçamentário, que ele propôs fosse buscado pela própria instituição. O governador concordou com a criação do Fundo de Pesquisa do Icesp, hoje Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
A proposta visava a captar recursos de doadores ou dos clientes atendidos, de acordo com suas posses, classificados pelo serviço social em três categorias, chamadas A - que não pagava nada, e este grupo representava 60% dos clientes; B - subdividida em quatro grupos, respectivamente contribuindo com 10%, 20%, 40% e 60%; e C - que pagava o valor integral. Cada ano o Diário Oficial trazia o valor de cada procedimento, que era o corrente da clínica privada. A essa época os segurados da Previdência não eram atendidos em próprios do Estado, reservados exclusivamente aos indigentes.
Esses recursos eram depositados numa conta bancária, movimentada, em reunião, pelos diretores da instituição, com a presença de um representante da Secretaria da Fazenda.
Quando, em 1961, pedi demissão do Hospital das Clínicas e fui trabalhar, em tempo integral e dedicação exclusiva, no Instituto de Cardiologia, isso só foi possível porque o fundo de pesquisa suplementou meu salário, com valor equivalente ao que eu ganhava no Hospital das Clínicas. Participações em congressos no País e no exterior eram financiadas pelo fundo de pesquisa. Missões específicas, como envio de profissional para adquirir, em prazo curto, qualificações em determinada técnica desenvolvida no exterior, eram feitas sem delongas burocráticas.
Foi assim que o instituto foi pioneiro, em nosso meio, na implantação de prótese aórtica, em outubro de 1962. Também foi pioneiro em cinecoronariografia, o que lhe possibilitou o pioneirismo da ponte de safena aorto-coronária, em setembro de 1968. Também a Oficina Experimental e de Pesquisa, que implantamos em 1961, teve contribuições pioneiras na construção de oxigenadores de bolhas e conjuntos de coração-pulmão artificial. Em 1964, outra contribuição pioneira, a de prótese valvular de bola, seguida por oxigenadores descartáveis de bolha e de membrana, de marca-passo implantável, rim artificial de membrana, desfibrilador externo e interno de corrente contínua, próteses valvulares de pericárdio de boi e grande parte do material utilizado em cirurgia cardíaca.
O fundo de pesquisas tinha duas características responsáveis por seu sucesso: não era orçamentado e a aplicação dos recursos era feita, predominantemente, em pesquisa e em pessoal, o que nos permitia evitar a isonomia salarial. As pessoas criativas e que contribuem para o avanço fazem jus à remuneração diferenciada. Se a inovação resultar em patente, com desdobramento comercial, deve participar do resultado financeiro. É a forma de reter no serviço público os que são criativos, responsáveis pelos avanços. Afinal, o tempo integral e a dedicação exclusiva não podem ser voto de pobreza, que resulta em seleção negativa, ressalvados sempre os idealistas.
O Fundo de Pesquisa do Icesp deu tão certo que, logo, todas as instituições de pesquisa do Estado criaram seus próprios fundos para esse fim.
Foi um período que durou pouco mais de 20 anos. No governo Paulo Egydio Martins (1975-1979), o secretário da Fazenda fez uma reforma administrativa, no seu conceito, tão perfeita que não precisaria mais dos fundos. Por decisão administrativa, extinguiu todos os fundos, mas não abdicou da receita, criando o Fundo Especial de Despesa, com duas novidades: passava a ser orçamentado e proibia a aplicação em pessoal.
Tive a oportunidade de comparecer, por mais de uma vez, à Assembleia Legislativa, com representantes dos vários fundos de pesquisa, pleiteando a sua recriação, o que não conseguimos.
Infelizmente, em nosso meio, todos querem mudanças, que implicam alteração de leis preexistentes para adequá-las à mudança, enquanto está sedimentado um sentimento de que a lei é a indutora de mudança. Por isso há uma profusão de leis, que não são cumpridas nem cobradas. Sempre pensei que a lei deve ser consolidadora de práticas que deram certo, a única forma de incorporar avanços.
Uma luz se abriu quando o professor Euryclides de Jesus Zerbini, que construiu o Instituto do Coração (InCor), criou a fundação de apoio, que significou para o InCor o que os fundos de pesquisa fizeram com as respectivas instituições. A ideia de que a fundação de apoio cria uma dupla porta é um equívoco. Na verdade, combate a dupla militância e cria condições de serviços mais eficientes, que aumentam a disponibilidade para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A leitura, na página A3 do Estado do dia 28 de janeiro, de editorial com o título acima, comentando as dificuldades dos pesquisadores e a deterioração das instituições de pesquisa do Estado, fez-me lembrar do dr. Dante Pazzanese e dos fundos de pesquisa. Em 1954, durante o governo de Lucas Nogueira Garcez, o dr. Dante Pazzanese, que era o chefe do serviço de Cardiologia do Hospital Municipal, conseguiu criar o Instituto de Cardiologia do Estado de São Paulo (Icesp), na Secretaria Estadual de Saúde. Em 1958, já instalado no Ibirapuera, em ambulatório com 1.000 m2, convenceu o governador Jânio Quadros de que uma instituição pública que incorporasse pesquisa, seja na área de saúde ou em qualquer outra, não poderia sobreviver apenas com os recursos do orçamento. Este, que era apresentado no ano anterior, e desgastado pela inflação, era sabidamente insuficiente.
A gestão da instituição ficava refém da administração pública, que, por causa da isonomia salarial, não conseguia diferenciar a remuneração conforme o mérito de cada um e dispor de agilidade para atender necessidades que, muitas vezes, o caso exigia. Era necessário recurso extraorçamentário, que ele propôs fosse buscado pela própria instituição. O governador concordou com a criação do Fundo de Pesquisa do Icesp, hoje Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
A proposta visava a captar recursos de doadores ou dos clientes atendidos, de acordo com suas posses, classificados pelo serviço social em três categorias, chamadas A - que não pagava nada, e este grupo representava 60% dos clientes; B - subdividida em quatro grupos, respectivamente contribuindo com 10%, 20%, 40% e 60%; e C - que pagava o valor integral. Cada ano o Diário Oficial trazia o valor de cada procedimento, que era o corrente da clínica privada. A essa época os segurados da Previdência não eram atendidos em próprios do Estado, reservados exclusivamente aos indigentes.
Esses recursos eram depositados numa conta bancária, movimentada, em reunião, pelos diretores da instituição, com a presença de um representante da Secretaria da Fazenda.
Quando, em 1961, pedi demissão do Hospital das Clínicas e fui trabalhar, em tempo integral e dedicação exclusiva, no Instituto de Cardiologia, isso só foi possível porque o fundo de pesquisa suplementou meu salário, com valor equivalente ao que eu ganhava no Hospital das Clínicas. Participações em congressos no País e no exterior eram financiadas pelo fundo de pesquisa. Missões específicas, como envio de profissional para adquirir, em prazo curto, qualificações em determinada técnica desenvolvida no exterior, eram feitas sem delongas burocráticas.
Foi assim que o instituto foi pioneiro, em nosso meio, na implantação de prótese aórtica, em outubro de 1962. Também foi pioneiro em cinecoronariografia, o que lhe possibilitou o pioneirismo da ponte de safena aorto-coronária, em setembro de 1968. Também a Oficina Experimental e de Pesquisa, que implantamos em 1961, teve contribuições pioneiras na construção de oxigenadores de bolhas e conjuntos de coração-pulmão artificial. Em 1964, outra contribuição pioneira, a de prótese valvular de bola, seguida por oxigenadores descartáveis de bolha e de membrana, de marca-passo implantável, rim artificial de membrana, desfibrilador externo e interno de corrente contínua, próteses valvulares de pericárdio de boi e grande parte do material utilizado em cirurgia cardíaca.
O fundo de pesquisas tinha duas características responsáveis por seu sucesso: não era orçamentado e a aplicação dos recursos era feita, predominantemente, em pesquisa e em pessoal, o que nos permitia evitar a isonomia salarial. As pessoas criativas e que contribuem para o avanço fazem jus à remuneração diferenciada. Se a inovação resultar em patente, com desdobramento comercial, deve participar do resultado financeiro. É a forma de reter no serviço público os que são criativos, responsáveis pelos avanços. Afinal, o tempo integral e a dedicação exclusiva não podem ser voto de pobreza, que resulta em seleção negativa, ressalvados sempre os idealistas.
O Fundo de Pesquisa do Icesp deu tão certo que, logo, todas as instituições de pesquisa do Estado criaram seus próprios fundos para esse fim.
Foi um período que durou pouco mais de 20 anos. No governo Paulo Egydio Martins (1975-1979), o secretário da Fazenda fez uma reforma administrativa, no seu conceito, tão perfeita que não precisaria mais dos fundos. Por decisão administrativa, extinguiu todos os fundos, mas não abdicou da receita, criando o Fundo Especial de Despesa, com duas novidades: passava a ser orçamentado e proibia a aplicação em pessoal.
Tive a oportunidade de comparecer, por mais de uma vez, à Assembleia Legislativa, com representantes dos vários fundos de pesquisa, pleiteando a sua recriação, o que não conseguimos.
Infelizmente, em nosso meio, todos querem mudanças, que implicam alteração de leis preexistentes para adequá-las à mudança, enquanto está sedimentado um sentimento de que a lei é a indutora de mudança. Por isso há uma profusão de leis, que não são cumpridas nem cobradas. Sempre pensei que a lei deve ser consolidadora de práticas que deram certo, a única forma de incorporar avanços.
Uma luz se abriu quando o professor Euryclides de Jesus Zerbini, que construiu o Instituto do Coração (InCor), criou a fundação de apoio, que significou para o InCor o que os fundos de pesquisa fizeram com as respectivas instituições. A ideia de que a fundação de apoio cria uma dupla porta é um equívoco. Na verdade, combate a dupla militância e cria condições de serviços mais eficientes, que aumentam a disponibilidade para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Liberdade para Sandra - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 07/02
Ontem, o escritor Domício Proença Filho, secretário-geral, em nome da ABL, escreveu à tradutora para o italiano da obra de Rachel de Queiroz, pedindo desculpas e convidando Sandra a visitar a casa. E concluiu: “Se desejar, venha de bermuda.”
Verão da bermuda...
Aliás, semana passada, Eduardo Paes liberou a bermuda para os servidores municipais e motoristas de táxi. Ontem, o reitor do Pedro II autorizou o uso do vestuário.
A permissão não é uma questão de evolução dos costumes. Com este calor, a bermuda virou necessidade.
Fifa exige respeito
A cavalaria da Fifa desembarcou ontem no Brasil em socorro da CBF.
Mandou ofício avisando que não vai tolerar que clubes entrem na Justiça comum contestando decisões de entidades esportivas. Teme pela segurança jurídica das competições.
O recado tem endereço certo: Portuguesa, Flamengo e Vasco.
Di libertado
O Órgão Especial do TJ do Rio decidiu, por unanimidade, que obras de Di Cavalcanti podem ser expostas sem autorização de Dalila Bogado.
Há mais de dez anos, a amiga do notável pintor alega que tem um documento dado pelo artista que lhe concedia este direito, questionado pelo MAM e pelo CCBB.
No mais
Em italiano, Pizzo é como se chama o dinheiro que é extorquido de comerciantes e industriais pela máfia.
Com todo o respeito. Russos estão chegando
A conta é do Ministério do Turismo. Entre 2010 e 2012, a chegada de turistas russos ao Brasil cresceu 150%, passando de 10.038 para 25.141 compatriotas de Putin.
Houve uma época que isto causava apreensão.
Segue...
Aliás, cerca de 25 mil russos estão sendo esperados na Copa.
Absorvente feminino
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou a Fax Point Indústria Importação e Exportação Ltda., de São Paulo, a pagar indenização por danos morais de R$ 20 mil a uma ex-funcionária.
É que uma chefe, incomodada em ver um absorvente usado no banheiro, resolveu descobrir de quem era.
Segue...
Só que ela, acredite, obrigou que as subordinadas baixassem as calças.
A relatora da decisão foi a ministra Delaíde Arantes.
Marcha do xixi
A TV Globo vai distribuir, durante a folia no Rio, mais de três mil
camisetas com os temas das marchinhas deste ano:
“Marcha do xixi”, “Se beber, não dirija” e “Não jogue lixo na rua”.
O objetivo é usar o carnaval para botar na rua o bloco da educação.
Por falar nisso...
Um grupo de foliões da Zona Sul do Rio decidiu se fantasiar de integrante da Mídia Ninja, grupo que ficou conhecido por fotografar, filmar e transmitir pela internet os protestos de junho.
Munidos de câmeras de verdade, a turma vai filmar... os mijões.
A costela de Berta
A querida atriz Berta Loran, 87 anos, fraturou três costelas ao tentar se livrar sábado de um assaltante, pilotando uma bicicleta, que tentou roubar a bolsa da atriz.
Isso em plena Av. Vieira Souto, em Ipanema, à luz do dia.
Daí que...
Passado o pesadelo, Berta desabafa:
— Nasci em Varsóvia, mas vim para cá aos 9 anos. Amo o Rio, mas morar aqui está um terror por causa dos bandidos. Isso sem falar na corrupção. Estamos mal. Tenho muita pena!
Verde e rosa
Leandra Leal vai desfilar como destaque na Mangueira, à frente da ala do Cordão da Bola Preta.
Caso resolvido
A Defesa Civil, viva!, retirou ontem a colmeia que se instalou na praia de Ipanema, objeto de nota aqui.
A GRANDE FESTA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 07/02
FESTA 2
Dom Orani está convidando Deus e todo mundo para a celebração. Na lista estão empresários e políticos como Paulo Skaf, da Fiesp.
LEGENDA
O Fora do Eixo vai lançar o o Puto, Partido das Utopias. O coletivo, que em 2010 fez o Partido da Cultura para debater com os presidenciáveis, diz que incluirá direitos humanos, comunicação e ambiente em seu programa.
LEI PRÓPRIA
O Fora do Eixo prepara também uma grande ocupação na Cinelândia, no Rio, para ali "fundar um país", segundo Pablo Capilé, líder do grupo. Eles já estão montando 300 barracas que serão as "casas" da "República". A "Constituinte" será transmitida ao vivo. Homofobia será crime e "rolezinhos" serão permitidos no lugar.
A CASA É SUA
De acordo ainda com Capilé, movimentos indígenas, de terreiros e outros estão se associando à iniciativa, que tem apoio de advogados para ser "legal e pacífica". A "República", que deve ser "instalada" em maio, também abrigará estrangeiros "que não têm dinheiro" para arcar com as tarifas de hotéis na Copa do Mundo.
NANICOS UNIDOS
Com um minuto e meio de tempo no horário eleitoral, PHS, PRP e PTN formaram bloco para as eleições. "Podemos apoiar a Dilma [Rousseff], o Aécio [Neves] ou o [Eduardo] Campos. Ou ainda lançar candidatura própria", diz Renata Abreu, vice-presidente do PTN.
TIETAGEM NO QUINTAL
A cantora Tiê e seu marido, o diretor de cinema Leandro HBL, abriram a casa para seus convidados assistirem a show da Banda Uó, anteontem, na Vila Romana. Candy Mel, vocalista, Davi Sabbag e Mateus Carrilho, também integrantes do grupo, apresentaram-se para uma plateia que tinha a DJ Marina Caires, o músico Ian Nunes e a apresentadora Adriana Couto.
MORTO E ENTERRADO
João Paulo Cuenca, 35, morreu. Pelo menos isso era o que diziam documentos descobertos pelo próprio escritor. Ao contrário do que consta, ele está vivíssimo e vai lançar livro e dirigir filme sobre o episódio insólito.
"Descobri que estava 'morto' em 2011, após uma confusão no meu prédio, em que puxaram minha ficha." Mistura de ficção e documentário, o longa "A Morte de J.P. Cuenca" mostrará uma investigação sobre a vida de um fugitivo da polícia que usava a identidade do autor.
Pelos falsos registros, Cuenca teria sido encontrado morto em 2008, em um edifício na rua da Relação (na foto), centro do Rio.
O romance sairá pela Companhia das Letras. "Tem coisa que só vou descobrir investigando para o filme", diz o também colunista da Folha.
QUEM SE HABILITA?
O PSDB está com dificuldade para escalar um candidato ao Senado em SP. Os líderes mais conhecidos não querem arriscar disputa com Eduardo Suplicy (PT-SP), considerado concorrente forte. José Serra prefere se lançar a deputado federal.
EM SEGUIDA
Circula também no partido que Serra seria opção para vice de Geraldo Alckmin, que disputará a reeleição.
OPÇÃO
E o deputado Campos Machado, do PTB e aliado de Alckmin, chegou a sugerir que sua mulher, Marlene, fosse a vice do tucano.
FICA A DICA
Paulo Coelho estreia sistema de envio de mensagens para celular com "lições diárias de autoconhecimento e sabedoria". O serviço, da Vivo, custa R$ 3,99 por semana. Uma das pílulas do escritor para os assinantes: "Somos todos alfaiates da vida com liberdade para costurar nosso destino".
SAMBA DO JOÃO
Gilberto Gil lançará no iTunes a música "Você e Eu", de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, que integrará seu novo CD, "Gilbertos Samba".
O clipe é assinado por Nina Cavalcanti, que acompanhou e registrou as gravações do disco -sonho antigo de Gil, que queria regravar sambas já interpretados por um de seus maiores ídolos, João Gilberto.
CAMPANHA LIMPA
O contrato que a Prefeitura de Paraty (RJ) assina hoje para conceder os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto abre caminho para a cidade histórica tentar virar Patrimônio Cultural da Humanidade.
A existência de saneamento básico é um dos requisitos da Unesco para conceder o título. O grupo Águas do Brasil, que vai instalar e operar as redes, afirma que chegará a atender 80% da população até 2019.
CURTO-CIRCUITO
Jair Rodrigues comemora seus 75 anos com festa hoje no restaurante Escondidinho, na Granja Viana.
A festa Baile do Movimento celebra a Vai-Vai na edição de hoje, às 23h, na Lapa.
Mariana Aydar faz show no Sesc Belenzinho, hoje, às 21h. 12 anos.
A estreia de Mercadante - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 07/02
O apagão político do Planalto
A indignação inundou o PMDB na madrugada de quarta-feira. A cúpula do partido, reunida no Jaburu, concluiu que a presidente Dilma, com a reforma, não queria acertar a vida do PMDB, mas resolver a sucessão do governador Cid Gomes (PROS-CE). Numa só tacada, com o aval de seu novo coordenador político, Mercadante, foi expulso do jogo o presidente da CCJ do Senado, Vital do Rêgo, e mandado para o banco o PMDB da Câmara, ao tirar-lhe o Turismo para dar ao PTB. A operação, qualificada de “amadora”, não teve costura prévia e o Planalto achava que a enfiaria goela abaixo. Naquele clima, o senador Gim Argello (PTB) antecipou que seu partido não participaria de uma manobra tão “desastrada”.
“Se o partido ganhar (um ministério), sai aleijado. Se o partido perder, sai morto”
Benito Gama
Presidente do PTB, reagindo à pecha de fisiologismo, anuncia que seu partido não aceitará convite nem vai indicar nomes para o Ministério do governo Dilma
Esperando no altar
O treinador da seleção de Vôlei, Bernardinho, em conversa com o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, relatou que “sofre muitas pressões da família” para não concorrer ao governo do Rio. A leitura de Aécio:“ele não deu um não definitivo”.
Galo de rinha
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) quer ficar no pé da campanha do PT pela reeleição da presidente Dilma. O ex-líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), que é promotor de Justiça, foi escolhido para comandar a área jurídica de sua candidatura. Entre suas tarefas, está montar um sistema para monitorar tentativas de uso da máquina pública pelos governistas.
Segurando a vela
O candidato do DEM às Laranjeiras, vereador Cesar Maia, recebeu uma ligação do tucano Aécio Neves, quando estava na Espanha no congresso do PP local. Eles marcaram para conversar sobre as eleições no Rio. O encontro pode ocorrer hoje.
Céu de brigadeiro
Os dirigentes do PSB avaliam que o candidato tucano Aécio Neves vai ser comedido nos ataques ao socialista Eduardo Campos. Explicam: Aécio vai precisar dos eleitores de Campos no segundo turno. Os dirigentes do PSDB concordam. E justificam: Eduardo ajuda a levar a eleição para o segundo turno, mas não tem fôlego para chegar lá.
Em boca fechada não entra mosca
Numa audiência esses dias, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) recebeu informe sobre o protesto no metrô de São Paulo. Riu e sussurrou: “Fico vibrando com essa confusão toda”. E foi contido por uma assessora: “Ministro, olha a conveniência”.
Filho de peixe
A atuação do vice Michel Temer foi criticada na reunião da bancada do PMDB. O filho do presidente do partido no Rio, Jorge Picciani, o deputado Leonardo Picciani, metralhou: “O Temer não pode ser o interlocutor da bancada com o governo”.
ELE TEM A FORÇA. A pedido do ex-presidente Lula, a direção do PT transferiu evento pelos 34 anos do PT, na segunda-feira, de Brasília para São Paulo.
Mandando recado - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 07/02
Após uma semana de tensão, Aloizio Mercadante (Casa Civil) foi ontem até Michel Temer para discutir o espaço do PMDB na reforma ministerial. Dilma Rousseff mandou o ministro dizer ao vice-presidente que as negociações serão retomadas na semana que vem e o partido será atendido, mas que ela ficou irritada por saber pelos jornais da recusa da sigla em ocupar a pasta da Integração Nacional e com o início de motim capitaneado pela bancada da Câmara dos Deputados.
Assentamento Dilma deve nomear Miguel Rossetto para a vaga de Pepe Vargas no Desenvolvimento Agrário. Ele já ocupou o cargo no governo Lula e é da corrente petista Democracia Socialista, que controla o ministério.
É sua Mercadante se reuniu no fim de semana com o presidente do PP, Ciro Nogueira, para definir o quinhão do partido na reforma. O governo quer que o próprio senador substitua Aguinaldo Ribeiro na pasta das Cidades.
Nem tanto O PP insiste em liberar seus diretórios para apoiar adversários de Dilma nos Estados. O líder do partido na Câmara, Dudu da Fonte, está prestes a fechar acordo com Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco.
Luz de velas O PSDB compartilhou nas redes sociais banner que imita as propagandas do governo federal alardeando o lançamento do programa "Meu Lampião, Minha Vida", numa alusão ao apagão em vários Estados.
Inaugural Dilma vai na segunda-feira à festa de 34 anos do PT, em São Paulo. O ato é considerado o lançamento da candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado e deve contar ainda com o ex-presidente Lula.
Granada Um ministro criticou Padilha por ter responsabilizado o PSDB, em entrevista à Folha, pelo surgimento do PCC em São Paulo. Para o auxiliar de Dilma, o ex-colega errou no tom.
Fica para... A direção do PSB quer evitar que o evento do dia 22, que reunirá Eduardo Campos e Marina Silva em Porto Alegre para a discutir programa de governo, antecipe o debate sobre alianças no Rio Grande do Sul.
... depois Embora reduzido, o núcleo gaúcho da Rede tem restrições ao apoio do PSB à senadora Ana Amélia, do PP, sigla com ligação com o agronegócio no Estado.
Replay Lula prometeu ontem ajudar na campanha de Eduardo Braga (PMDB) ao governo do Amazonas. Em 2012 ele se empenhou por Vanessa Grazziotin (PC do B) em Manaus, mas o tucano Arthur Virgílio (PSDB) foi eleito.
No papel 1 A Prefeitura de São Paulo reativou em outubro contrato com um consórcio integrado pela empresa Focco -que tinha como sócio, até agosto, João Roberto Zaniboni, investigado por envolvimento com o cartel de trens no Estado de São Paulo.
No papel 2 O contrato foi retomado pela SPObras, empresa municipal comandada por Osvaldo Spuri. Ele trabalhou no governo paulista entre 1995 e 2003 e está sob investigação por suspeita de ligação com o mesmo cartel.
Vaivém O contrato com o consórcio integrado pela Focco, assinado na gestão Gilberto Kassab (PSD), havia sido suspenso por Fernando Haddad (PT) em 2013 antes de ser retomado. Segundo a prefeitura, a Focco não lidera o consórcio e não há irregularidades na documentação.
Vem pra rua Sob comando do metalúrgico Zé Maria (PSTU), a central sindical Conlutas convocou reunião no dia 22 de março com movimentos sociais para organizar um protesto em São Paulo na abertura da Copa.
TIROTEIO
Em época de prisão de mensaleiros do PT, Alexandre Padilha parece ter conhecimento de causa para falar sobre crime organizado.
DO DEPUTADO VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), sobre a declaração de Padilha de que a maior facção criminosa de São Paulo nasceu sob o governo tucano.
CONTRAPONTO
Comigo não!
Geraldo Alckmin (PSDB) deixava um evento do governo ontem, no centro de São Paulo, quando foi abordado por uma vendedora ambulante. A moça fez uma reclamação, mas chamou o tucano de "prefeito" por engano.
-Mas eu não sou o prefeito. Sou o governador...
-Então é melhor ainda! O senhor deve mandar mais do que o prefeito! -respondeu a vendedora.
Logo depois, do outro lado da rua, um outro homem pediu a Alckmin alterações na regulamentação da comida de rua. O governador teve que explicar que essa é uma atribuição do município, e não do Estado.
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