O GLOBO - 10/12
Nunca conheci pessoas mais dogmáticas do que aquelas que falam em pluralidade o tempo todo, assim como nunca conheci pessoas mais intolerantes do que as que pregam tolerância o tempo todo. A esquerda caviar que o diga: seu discurso é só da boca pra fora. Pura retórica vazia.
A imprensa brasileira tem claro viés de esquerda. Os jornalistas e colunistas “progressistas” estão em muito maior quantidade do que os assumidamente conservadores ou liberais. O mesmo ocorre na academia, com as universidades dominadas pelo marxismo. Eis um fato facilmente comprovado no dia a dia.
De uns tempos para cá, porém, tem ocorrido uma tímida reação, e a direita tem conquistado algum espaço. Ainda é minoria, sem dúvida. Não obstante, essa presença tem sido suficiente para despertar o pânico nos esquerdistas, acostumados com sua confortável hegemonia.
Basta ver a reação geral. Míriam Leitão chegou a escrever um artigo contra a tal “direita hidrófoba” que, segundo ela, empobrece o debate no país. Mas seu texto só tinha ofensas e rótulos, sem argumentos. É assim que o debate será elevado pelos “moderados”?
A ombudsman da “Folha” rotulou Reinaldo Azevedo de “rotweiller” logo após seu artigo de estreia no jornal, que continha apenas argumentos e fatos. Paulo Nogueira afirmou que a “Veja” virou um veículo de Olavo de Carvalho, ignorando Caio Blinder e outros que lá escrevem com viés de esquerda. Ainda me colocou no rol dos “discípulos entusiasmados” do filósofo. Ignorância ou má-fé?
Verissimo, em sua coluna de domingo, disse que só há economistas liberais seguidores de Hayek na imprensa, enquanto um “herói” isolado chamado Paul Krugman enfrenta todos na defesa do keynesianismo. Como pode alguém inverter totalmente os fatos com tanta cara de pau? Gostaria de saber um só economista “austríaco” na imprensa, à minha exceção.
A esquerda acusa os jornais independentes de fazerem parte da tal “mídia golpista”. Mas, usando o caso deste jornal, temos o próprio Verissimo, Francisco Bosco, Caetano Veloso e tantos outros defensores da esquerda, até mesmo a mais radical (PSOL, black blocs etc). Na “Folha” temos Vladimir Safatle, Clovis Rossi, Andre Singer e vários outros também.
Ou seja, o que a esquerda parece não suportar é justamente a pluralidade que tanto diz defender. Prega a “diversidade”, desde que todos concordem com seus pensamentos. Não tolera aqueles que ousam discordar com mais veemência de suas bandeiras politicamente corretas.
Olavo de Carvalho resumiu bem a coisa: “Só o que isso prova é que esses sujeitos acham tão natural ser donos da mídia, que a simples presença de um bicho estranho no seu curral lhes causa uma indignação sincera e dolorida.”
Alguns chegaram a levantar a tese de que a internet e as redes sociais estariam polarizando demais o debate político. Mas tenho uma tese alternativa: a internet tem dado voz a uma imensa quantidade de pessoas cansadas justamente da hegemonia de esquerda na grande imprensa.
Enquanto o casamento da Daniela Mercury ou o jantar beneficente de artistas em homenagem a Amarildo parecem ser as notícias mais importantes do mundo em alguns veículos, o povo quer saber de saneamento básico que não chega nas favelas, ou da polícia prendendo bandidos, que não são vistos como “vítimas da sociedade”, como ocorre com boa parte da esquerda.
Pesquisas recentes do Datafolha mostram que metade da população defende menos estado, menos impostos, e mais liberdade individual. Mas qual o partido que endossa tais propostas? Qual partido prega a redução do papel estatal na economia e em nossas vidas? A direita é órfã política.
É isso que finalmente começa a mudar. A direita liberal ou conservadora esboça uma reação, ainda que tardia. Há ventos de mudança no ar. Os eleitores estão cansados do domínio esquerdista na política, e os leitores estão saturados da hegemonia de esquerda na imprensa.
Qualquer democracia avançada tem partidos fortes conservadores ou liberais, e veículos de imprensa abertamente de direita, como a Fox americana, para se contrapor à CNN ou à MSNBC. É parte do jogo democrático.
Já no Brasil, até o PSDB é visto como “neoliberal” ou “direita”, um partido que em qualquer lugar do mundo desenvolvido seria visto como centro-esquerda. Isso mostra a hegemonia esquerdista em nosso país, assim como o atraso de nosso debate político.
A direita democrática acordou, e tem avançado. Isso está tirando o sono da esquerda, que reage com histeria, rótulos e ofensas. Precisa aprender a conviver com o contraditório. Isso é democracia.
terça-feira, dezembro 10, 2013
Ilegalidade consentida - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 10/12
A falta de cerimônia no uso da máquina pública para fins eleitorais não é novidade, alcança políticos de diversos partidos e ocorre de maneira explícita sem que o Ministério Público faça sequer um lembrete a suas excelências a respeito da observância aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade, exigida pela Constituição.
A cada ano que passa o baile corre mais solto. A cada eleição a ousadia aumenta e o desrespeito se consolida como regra. Se o MP não se manifesta, os partidos mesmo é que não o farão.
Sob a ótica deles a coisa funciona assim: ninguém perturba o outro para não ser por ele importunado. O PSDB, por exemplo, não tem interesse em representar contra andanças de ministros País afora liberando verbas e participando de inaugurações que nada têm a ver com suas pastas, porque seus governos estaduais - notadamente o de São Paulo - usam de expediente semelhante. Bem como o PSB do governador Eduardo Campos, o PMDB com seus nichos e assim por diante.
A diferença é que quem tem o poder federal nas mãos pode muitíssimo mais, ferindo outro preceito legal que é o do equilíbrio de condições entre concorrentes eleitorais.
Nosso tema aqui não é campanha antecipada. Esse é um assunto praticamente vencido. Primeiro porque a limitação temporal é uma bobagem. Na prática não restringe nada, apenas consolida uma situação de absoluta desigualdade entre candidatos governistas e oposicionistas. O sentido da lei, o de impedir o abuso de poder, foi para o espaço há muito tempo.
A punição pecuniária é irrisória e a cassação de registro de candidatura é tardia, acontece quando a eleição já passou. Por estas razões e por outras relativas ao absoluto menosprezo à Justiça Eleitoral, reclamar de campanha eleitoral antecipada é chuva que já caiu.
Mas o uso abusivo (ou simples uso) dos instrumentos de Estado para, nas palavras da presidente Dilma Rousseff, "fazer o diabo" por uma eleição deveria ao menos espantar, já que repudiar na atual conjuntura parece ser pedir muito.
Os episódios são diários. Um em especial, no entanto, chama atenção pelo misto de simplicidade e desfaçatez. Aconteceu sexta-feira passada, na sede da Prefeitura de São Paulo. Era uma cerimônia para anunciar a criação de uma casa para abrigar mulheres vítimas de violência.
Nada a ver com o Ministério da Saúde, mas lá estava compondo a mesa e discursando o ministro da área, Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo paulista.
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, tomou do microfone, elogiou muito o ministro e encerrou sua fala assim: "Não era para fazer campanha, mas eu fiz".
E quem achar ruim que vá reclamar ao bispo, faltou dizer.
Urgência. O PT do Rio tem pressa de deixar seus cargos no governo de Sérgio Cabral Filho para que o candidato do partido ao Palácio Guanabara, Lindbergh Farias, possa "bater" à vontade no governador com alto índice de rejeição e cujo candidato está em quinto lugar nas pesquisas.
Pelo mesmo motivo, visto pelo lado oposto, Cabral faz gestões junto a Lula para que o PT adie ao máximo o desembarque. Enquanto petistas estiverem sentados em secretarias do Estado Lindbergh precisa se conter nos ataques. O problema ali é local e não a aliança nacional, conforme se alega.
A "construção" do candidato do PT como o anti-Cabral na percepção do eleitorado requer tempo. Por isso a seção regional do partido insiste na saída em dezembro e o governador faz força para que isso só ocorra em março.
Quando o governador Eduardo Campos quis confirmar que era mesmo candidato, a primeira providência foi ordenar a saída do PSB do governo federal, em setembro. Justamente para liberar a crítica.
A falta de cerimônia no uso da máquina pública para fins eleitorais não é novidade, alcança políticos de diversos partidos e ocorre de maneira explícita sem que o Ministério Público faça sequer um lembrete a suas excelências a respeito da observância aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade, exigida pela Constituição.
A cada ano que passa o baile corre mais solto. A cada eleição a ousadia aumenta e o desrespeito se consolida como regra. Se o MP não se manifesta, os partidos mesmo é que não o farão.
Sob a ótica deles a coisa funciona assim: ninguém perturba o outro para não ser por ele importunado. O PSDB, por exemplo, não tem interesse em representar contra andanças de ministros País afora liberando verbas e participando de inaugurações que nada têm a ver com suas pastas, porque seus governos estaduais - notadamente o de São Paulo - usam de expediente semelhante. Bem como o PSB do governador Eduardo Campos, o PMDB com seus nichos e assim por diante.
A diferença é que quem tem o poder federal nas mãos pode muitíssimo mais, ferindo outro preceito legal que é o do equilíbrio de condições entre concorrentes eleitorais.
Nosso tema aqui não é campanha antecipada. Esse é um assunto praticamente vencido. Primeiro porque a limitação temporal é uma bobagem. Na prática não restringe nada, apenas consolida uma situação de absoluta desigualdade entre candidatos governistas e oposicionistas. O sentido da lei, o de impedir o abuso de poder, foi para o espaço há muito tempo.
A punição pecuniária é irrisória e a cassação de registro de candidatura é tardia, acontece quando a eleição já passou. Por estas razões e por outras relativas ao absoluto menosprezo à Justiça Eleitoral, reclamar de campanha eleitoral antecipada é chuva que já caiu.
Mas o uso abusivo (ou simples uso) dos instrumentos de Estado para, nas palavras da presidente Dilma Rousseff, "fazer o diabo" por uma eleição deveria ao menos espantar, já que repudiar na atual conjuntura parece ser pedir muito.
Os episódios são diários. Um em especial, no entanto, chama atenção pelo misto de simplicidade e desfaçatez. Aconteceu sexta-feira passada, na sede da Prefeitura de São Paulo. Era uma cerimônia para anunciar a criação de uma casa para abrigar mulheres vítimas de violência.
Nada a ver com o Ministério da Saúde, mas lá estava compondo a mesa e discursando o ministro da área, Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo paulista.
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, tomou do microfone, elogiou muito o ministro e encerrou sua fala assim: "Não era para fazer campanha, mas eu fiz".
E quem achar ruim que vá reclamar ao bispo, faltou dizer.
Urgência. O PT do Rio tem pressa de deixar seus cargos no governo de Sérgio Cabral Filho para que o candidato do partido ao Palácio Guanabara, Lindbergh Farias, possa "bater" à vontade no governador com alto índice de rejeição e cujo candidato está em quinto lugar nas pesquisas.
Pelo mesmo motivo, visto pelo lado oposto, Cabral faz gestões junto a Lula para que o PT adie ao máximo o desembarque. Enquanto petistas estiverem sentados em secretarias do Estado Lindbergh precisa se conter nos ataques. O problema ali é local e não a aliança nacional, conforme se alega.
A "construção" do candidato do PT como o anti-Cabral na percepção do eleitorado requer tempo. Por isso a seção regional do partido insiste na saída em dezembro e o governador faz força para que isso só ocorra em março.
Quando o governador Eduardo Campos quis confirmar que era mesmo candidato, a primeira providência foi ordenar a saída do PSB do governo federal, em setembro. Justamente para liberar a crítica.
Turbulência - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 10/12
BRASÍLIA - Ok, a Anac tem de cuidar dos interesses dos passageiros e punir as empresas que passem dos limites. Logo, faz sentido multar a Gol em R$ 2,5 milhões (até agora) por causa do caos do fim de semana. E os feriados de Natal nem começaram, a Copa é só no ano que vem...
Mas... a culpa do caos aéreo não é de uma só companhia, nem só das companhias. Sem falar nas condições meteorológicas, a culpa é também do governo, da infraestrutura, da falta de investimentos.
Como toda hora sobem e descem aviões no Alasca, já no círculo polar, debaixo de neve, e basta chover forte para pousos e decolagens serem interrompidos nos principais centros brasileiros? Porque faltam condições, tecnologia, equipamentos.
E o caos dos aeroportos ilustra a própria situação do setor aéreo, provocando uma nova comparação constrangedora para o país.
Como é que Cingapura e Dubai, por exemplo, têm as melhores companhias aéreas e os melhores aeroportos do mundo, com índices invejáveis de turismo, enquanto o Brasil enterra uma empresa atrás da outra, não consegue ter ao menos um aeroporto entre os cem primeiros mundiais e não atrai turistas?
Sem contar a velha Panair e várias pequenas, que nem dá para citar, o cemitério do setor inclui Vasp, Transbrasil e Varig (não venham me dizer que está viva, por favor...).
O país, que já teve quase 20 companhias, hoje tem muito menos e depende de Tam, Gol, Avianca e Azul, todas com desempenho financeiro mais ou menos --ou mais para menos--, apesar das seguidas promoções e dos aviões lotados. É o custo Brasil! Entre outros...
O mercado quer é retorno e é por isso que, independente das limitações da lei, ninguém quer investir na aviação aqui. Na Latam, grosso modo, a Tam tem frota e faturamento muito maiores, mas as ações da Lan valem mais. E como é que o Brasil quer ser tudo o que diz, ou pensa que é, sem marca(s) aérea(s) forte(s)?
BRASÍLIA - Ok, a Anac tem de cuidar dos interesses dos passageiros e punir as empresas que passem dos limites. Logo, faz sentido multar a Gol em R$ 2,5 milhões (até agora) por causa do caos do fim de semana. E os feriados de Natal nem começaram, a Copa é só no ano que vem...
Mas... a culpa do caos aéreo não é de uma só companhia, nem só das companhias. Sem falar nas condições meteorológicas, a culpa é também do governo, da infraestrutura, da falta de investimentos.
Como toda hora sobem e descem aviões no Alasca, já no círculo polar, debaixo de neve, e basta chover forte para pousos e decolagens serem interrompidos nos principais centros brasileiros? Porque faltam condições, tecnologia, equipamentos.
E o caos dos aeroportos ilustra a própria situação do setor aéreo, provocando uma nova comparação constrangedora para o país.
Como é que Cingapura e Dubai, por exemplo, têm as melhores companhias aéreas e os melhores aeroportos do mundo, com índices invejáveis de turismo, enquanto o Brasil enterra uma empresa atrás da outra, não consegue ter ao menos um aeroporto entre os cem primeiros mundiais e não atrai turistas?
Sem contar a velha Panair e várias pequenas, que nem dá para citar, o cemitério do setor inclui Vasp, Transbrasil e Varig (não venham me dizer que está viva, por favor...).
O país, que já teve quase 20 companhias, hoje tem muito menos e depende de Tam, Gol, Avianca e Azul, todas com desempenho financeiro mais ou menos --ou mais para menos--, apesar das seguidas promoções e dos aviões lotados. É o custo Brasil! Entre outros...
O mercado quer é retorno e é por isso que, independente das limitações da lei, ninguém quer investir na aviação aqui. Na Latam, grosso modo, a Tam tem frota e faturamento muito maiores, mas as ações da Lan valem mais. E como é que o Brasil quer ser tudo o que diz, ou pensa que é, sem marca(s) aérea(s) forte(s)?
Triênio para esquecer - MARCO ANTONIO VILLA
FOLHA DE SP - 10/12
A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras
É muito difícil encontrar na história brasileira um triênio presidencial com resultados tão pífios como o da presidente Dilma Rousseff. Desde a redemocratização de 1985, o único paralelo possível é com o triênio de Fernando Collor, que conseguiu ser pior que o da presidente. Em dois dos três anos houve recessão (1990 e 1992).
Mas Collor encontrou um país destroçado. Recebeu o governo com uma inflação anual de 1.782%, as contas públicas em situação caótica e uma absoluta desorganização econômica.
Dilma assumiu a presidência com um crescimento do PIB de 7,5%. Claro que o dado puro é enganoso. Em 2009 o país viveu uma recessão. Mas o poder de comunicação de Lula foi tão eficaz que a taxa negativa de 0,2%, deu a impressão de crescimento ao ritmo chinês — naquele ano, a China cresceu 8,7%.
No campo da ética, o triênio foi decepcionante. Nos dois primeiros anos, a presidente bem que tentou assumir um discurso moralizador. Seus epígonos até cunharam a expressão “faxineira”. Ela iria, sem desagradar a seu criador, limpar o governo de auxiliares corruptos, supostamente herdados de Lula.
Fez algumas demissões. Chegou até a entusiasmar alguns ingênuos. Logo interrompeu as ações de limpeza e, mais importante, não apurou nenhuma das denúncias que levaram às demissões dos seus auxiliares. Todos — sem exceção — continuaram livres, leves e soltos. E mais: alguns passaram a ser consultores de fornecedores do Estado. Afinal, como conheciam tão bem o caminho das pedras....
Sem carisma e liderança, restou a Dilma um instrumento poderoso: o de abrir as burras do Tesouro para seus aliados. E o fez sem qualquer constrangimento. As contas públicas foram dilaceradas e haja contabilidade criativa para dar algum ar de normalidade.
Todos os programas do seu triênio fracassaram. Nenhum deles conseguiu atingir as metas. Passou três anos e não inaugurou nenhuma obra importante como um aeroporto, um porto, uma estrada, uma usina hidrelétrica. Nada, absolutamente nada.
O método petista de justificar a incompetência sempre foi de atribuir ao antecessor a culpa pelos problemas. É construído um discurso que sataniza o passado. Mas, no caso da presidente, como atribuir ao antecessor os problemas? A saída foi identificar os velhos espectros que rondam a história brasileira: os Estados Unidos, o capitalismo internacional, o livre mercado.
A política externa diminuiu o tom panfletário, que caracterizou a gestão Celso Amorim. Mas a essência permaneceu a mesma. O sentido antiamericano — cheirando a naftalina — esteve presente em diversas ocasiões. Em termos comerciais continuamos amarrados ao Mercosul, caudatários da Argentina e, quando Chávez vivia, da Venezuela (basta recordar a suspensão do Paraguai). Insistimos numa diplomacia Sul-Sul fadada ao fracasso. No triênio não foi assinado sequer um acordo bilateral de comércio.
A política de formar grandes grupos econômicos — as empresas “campeãs nacionais” — teve um fabuloso custo para o país: 20 bilhões de reais. E o BNDES patrocinou esta farra, associado aos fundos de pensão das empresas e bancos públicos. Frente à burguesia petista, J.J. Abdalla, o famoso mau patrão, seria considerado um exemplo de honorabilidade e eficiência.
A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras. Enquanto diversos países estão alterando a matriz energética, o Brasil ficou restrito ao petróleo e apostando na exploração do pré-sal, que poderá se transformar em uma grande armadilha econômica para o futuro do país.
A desindustrialização foi evidente. Nos últimos três anos o país continuou sem uma eficaz política industrial. Permaneceu dependente da matriz exportadora neocolonial, que gerou bons saldos na balança comercial, porém desperdiçando bilhões de reais que poderiam ser agregados ao valor das mercadorias exportadas.
O Ministério da Defesa sumiu do noticiário. Celso Amorim, tão falante quando estava à frente do ministério das Relações Exteriores, é uma espécie de titular fantasma. Pior, continuamos sem política de defesa, e as Forças Armadas estão muito distante do cumprimento das suas atribuições constitucionais. Sem recursos, sem treinamento, sem equipamento — sempre aguardando o recebimento da última sucata descartada pelos europeus e americanos.
A equipe ministerial ajuda a explicar a mediocridade do governo. Quem se arriscaria citar o nome de cinco ministros? Quem é o ministro dos Portos? E o da Integração Nacional? Alguém sabe quem é o ministro da Agricultura?
A presidente recebeu o governo com 38 ministérios. Não satisfeita com o inchaço administrativo, criou mais: o da micro e pequena empresa, tão inexpressivo que sequer possui um site.
Se as realizações do triênio são pífias, é inegável a eficiência da máquina de propaganda. O DIP petista deixou seu homônimo varguista no chinelo. De uma hora para outra, segundo o governo, o Brasil passou a ter mais 20 milhões de pessoas na classe média. Como? Tal movimento é impossível de ter ocorrido em tão curto espaço de tempo e, mais importante, com uma taxa de crescimento medíocre. Mas a repetição do “feito” transformou a fantasia estatística em realidade econômica.
Dilma Rousseff encerra seu triênio governamental melancolicamente. Em 2012, o crescimento médio mundial foi de 3,2% e o dos países emergentes de 5,1%. E o Brasil? A taxa de crescimento não estava correta. A “gerentona” exigiu a revisão dos cálculos. O PIB não cresceu 0,9%. O número correto é 1%! Fantástico.
A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras
É muito difícil encontrar na história brasileira um triênio presidencial com resultados tão pífios como o da presidente Dilma Rousseff. Desde a redemocratização de 1985, o único paralelo possível é com o triênio de Fernando Collor, que conseguiu ser pior que o da presidente. Em dois dos três anos houve recessão (1990 e 1992).
Mas Collor encontrou um país destroçado. Recebeu o governo com uma inflação anual de 1.782%, as contas públicas em situação caótica e uma absoluta desorganização econômica.
Dilma assumiu a presidência com um crescimento do PIB de 7,5%. Claro que o dado puro é enganoso. Em 2009 o país viveu uma recessão. Mas o poder de comunicação de Lula foi tão eficaz que a taxa negativa de 0,2%, deu a impressão de crescimento ao ritmo chinês — naquele ano, a China cresceu 8,7%.
No campo da ética, o triênio foi decepcionante. Nos dois primeiros anos, a presidente bem que tentou assumir um discurso moralizador. Seus epígonos até cunharam a expressão “faxineira”. Ela iria, sem desagradar a seu criador, limpar o governo de auxiliares corruptos, supostamente herdados de Lula.
Fez algumas demissões. Chegou até a entusiasmar alguns ingênuos. Logo interrompeu as ações de limpeza e, mais importante, não apurou nenhuma das denúncias que levaram às demissões dos seus auxiliares. Todos — sem exceção — continuaram livres, leves e soltos. E mais: alguns passaram a ser consultores de fornecedores do Estado. Afinal, como conheciam tão bem o caminho das pedras....
Sem carisma e liderança, restou a Dilma um instrumento poderoso: o de abrir as burras do Tesouro para seus aliados. E o fez sem qualquer constrangimento. As contas públicas foram dilaceradas e haja contabilidade criativa para dar algum ar de normalidade.
Todos os programas do seu triênio fracassaram. Nenhum deles conseguiu atingir as metas. Passou três anos e não inaugurou nenhuma obra importante como um aeroporto, um porto, uma estrada, uma usina hidrelétrica. Nada, absolutamente nada.
O método petista de justificar a incompetência sempre foi de atribuir ao antecessor a culpa pelos problemas. É construído um discurso que sataniza o passado. Mas, no caso da presidente, como atribuir ao antecessor os problemas? A saída foi identificar os velhos espectros que rondam a história brasileira: os Estados Unidos, o capitalismo internacional, o livre mercado.
A política externa diminuiu o tom panfletário, que caracterizou a gestão Celso Amorim. Mas a essência permaneceu a mesma. O sentido antiamericano — cheirando a naftalina — esteve presente em diversas ocasiões. Em termos comerciais continuamos amarrados ao Mercosul, caudatários da Argentina e, quando Chávez vivia, da Venezuela (basta recordar a suspensão do Paraguai). Insistimos numa diplomacia Sul-Sul fadada ao fracasso. No triênio não foi assinado sequer um acordo bilateral de comércio.
A política de formar grandes grupos econômicos — as empresas “campeãs nacionais” — teve um fabuloso custo para o país: 20 bilhões de reais. E o BNDES patrocinou esta farra, associado aos fundos de pensão das empresas e bancos públicos. Frente à burguesia petista, J.J. Abdalla, o famoso mau patrão, seria considerado um exemplo de honorabilidade e eficiência.
A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras. Enquanto diversos países estão alterando a matriz energética, o Brasil ficou restrito ao petróleo e apostando na exploração do pré-sal, que poderá se transformar em uma grande armadilha econômica para o futuro do país.
A desindustrialização foi evidente. Nos últimos três anos o país continuou sem uma eficaz política industrial. Permaneceu dependente da matriz exportadora neocolonial, que gerou bons saldos na balança comercial, porém desperdiçando bilhões de reais que poderiam ser agregados ao valor das mercadorias exportadas.
O Ministério da Defesa sumiu do noticiário. Celso Amorim, tão falante quando estava à frente do ministério das Relações Exteriores, é uma espécie de titular fantasma. Pior, continuamos sem política de defesa, e as Forças Armadas estão muito distante do cumprimento das suas atribuições constitucionais. Sem recursos, sem treinamento, sem equipamento — sempre aguardando o recebimento da última sucata descartada pelos europeus e americanos.
A equipe ministerial ajuda a explicar a mediocridade do governo. Quem se arriscaria citar o nome de cinco ministros? Quem é o ministro dos Portos? E o da Integração Nacional? Alguém sabe quem é o ministro da Agricultura?
A presidente recebeu o governo com 38 ministérios. Não satisfeita com o inchaço administrativo, criou mais: o da micro e pequena empresa, tão inexpressivo que sequer possui um site.
Se as realizações do triênio são pífias, é inegável a eficiência da máquina de propaganda. O DIP petista deixou seu homônimo varguista no chinelo. De uma hora para outra, segundo o governo, o Brasil passou a ter mais 20 milhões de pessoas na classe média. Como? Tal movimento é impossível de ter ocorrido em tão curto espaço de tempo e, mais importante, com uma taxa de crescimento medíocre. Mas a repetição do “feito” transformou a fantasia estatística em realidade econômica.
Dilma Rousseff encerra seu triênio governamental melancolicamente. Em 2012, o crescimento médio mundial foi de 3,2% e o dos países emergentes de 5,1%. E o Brasil? A taxa de crescimento não estava correta. A “gerentona” exigiu a revisão dos cálculos. O PIB não cresceu 0,9%. O número correto é 1%! Fantástico.
Justiça para as massas - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 10/12
SÃO PAULO - O mundo não é perfeito. Injustiças, naturais e provocadas, ocorrem o tempo todo, colocando pessoas em conflito umas com as outras. São situações com as quais temos de lidar e, em sociedades de massa, o melhor modo de fazê-lo é criando sistemas judiciários, em que a disputa é arbitrada por um juiz neutro com legitimidade para impor uma solução às partes.
Faço essas considerações acerca da reforma do Código de Processo Civil, mais especificamente do efeito suspensivo das apelações. Hoje, basta entrar com esse recurso para que a decisão do juiz de primeira instância seja suspensa até que uma corte mais alta a confirme ou modifique.
Inspirado na necessidade de dar rapidez aos processos, o projeto do novo CPC, em análise no Congresso, trazia em seu texto um dispositivo que acabava com isso, mas a Câmara preferiu eliminar o artigo proposto e ficar com o efeito suspensivo. Parece-me um erro grave.
Não é que não existam razões para temer o estrago que uma sentença imprópria possa causar. Ele pode ser enorme, o que de fato recomendaria cautela. O problema é que a decisão absurda surge como uma possibilidade, enquanto a ineficácia e a morosidade do Judiciário têm peso de realidade que a todos afeta. Pior, afeta de modo especialmente perverso, beneficiando os maus pagadores (lista encabeçada pelo poder público).
Se queremos um Judiciário capaz de atender às necessidades de 200 milhões de habitantes, não há alternativa que não reforçar o papel da primeira instância. Suas decisões precisam ter eficácia, e o recurso, em vez de ser parte integrante do processo, como ocorre hoje, deve tornar-se uma ferramenta a ser utilizada apenas por quem ficou realmente inconformado com o resultado e tem bons motivos para pleitear uma revisão.
Simplesmente não faz sentido, lógico nem logístico, contratar um exército de juízes de primeira instância e ignorar suas decisões.
SÃO PAULO - O mundo não é perfeito. Injustiças, naturais e provocadas, ocorrem o tempo todo, colocando pessoas em conflito umas com as outras. São situações com as quais temos de lidar e, em sociedades de massa, o melhor modo de fazê-lo é criando sistemas judiciários, em que a disputa é arbitrada por um juiz neutro com legitimidade para impor uma solução às partes.
Faço essas considerações acerca da reforma do Código de Processo Civil, mais especificamente do efeito suspensivo das apelações. Hoje, basta entrar com esse recurso para que a decisão do juiz de primeira instância seja suspensa até que uma corte mais alta a confirme ou modifique.
Inspirado na necessidade de dar rapidez aos processos, o projeto do novo CPC, em análise no Congresso, trazia em seu texto um dispositivo que acabava com isso, mas a Câmara preferiu eliminar o artigo proposto e ficar com o efeito suspensivo. Parece-me um erro grave.
Não é que não existam razões para temer o estrago que uma sentença imprópria possa causar. Ele pode ser enorme, o que de fato recomendaria cautela. O problema é que a decisão absurda surge como uma possibilidade, enquanto a ineficácia e a morosidade do Judiciário têm peso de realidade que a todos afeta. Pior, afeta de modo especialmente perverso, beneficiando os maus pagadores (lista encabeçada pelo poder público).
Se queremos um Judiciário capaz de atender às necessidades de 200 milhões de habitantes, não há alternativa que não reforçar o papel da primeira instância. Suas decisões precisam ter eficácia, e o recurso, em vez de ser parte integrante do processo, como ocorre hoje, deve tornar-se uma ferramenta a ser utilizada apenas por quem ficou realmente inconformado com o resultado e tem bons motivos para pleitear uma revisão.
Simplesmente não faz sentido, lógico nem logístico, contratar um exército de juízes de primeira instância e ignorar suas decisões.
Aposentadorias achatadas - RENATO FOLLADOR
GAZETA DO POVO - PR - 10/12
Sempre me perguntam: o governo vai repor as perdas que as maiores aposentadorias tiveram como decorrência da correção do salário mínimo? Resposta: não. Vai continuar repondo só a inflação, uma obrigatoriedade pós-Constituição de 1988, pois até então ela nem era repassada integralmente para as aposentadorias, o que era uma forma de cortar benefícios.
Mas os aposentados de maior renda acham que isso não basta e pleiteiam a mesma correção da aposentadoria mínima do INSS, que equivale ao salário mínimo e prevê, além do INPC, um aumento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes.
Mantida a atual política, há um achatamento gradativo das maiores aposentadorias. Se projetarmos para o futuro a diferença média anual nos últimos dez anos – que dá 2,28% –, quem se aposentar após 2018 vai ganhar, no máximo, o equivalente a cinco salários e quem se aposentar após 2038, somente três salários mínimos (ou R$ 2.034 de hoje). Sobre isso, haverá o fator previdenciário, que pode reduzir ainda uns 40% da aposentadoria de quem se aposenta precocemente.
Na década de 70, o INSS pagou 20 salários; na década de 80, 15 salários; na década de 90, dez salários; nos anos 2000, 7,5 salários; e, hoje, paga 6,3 salários, no máximo; e vai continuar a diminuir. Para quem acha que, após aposentados, a correção monetária basta (e duvida da perda de seu poder aquisitivo), cito dois exemplos: um é o das despesas crescentes com saúde e medicamentos na terceira idade. Outro é a despesa com serviços dos quais o idoso depende (como, por exemplo, a empregada doméstica) e que têm o reajuste anual do salário mínimo. Pois só por causa dessa despesa, um aposentado com cinco salários que tem uma empregada de um salário mínimo vai perder o poder aquisitivo em 12% em 20 anos.
Por outro lado, enquanto produtivo, o trabalhador está sujeito à lei da oferta e demanda no mercado de trabalho e usa-se o salário mínimo como parâmetro para muitos acordos coletivos. Na sua esteira, carreiras são reestruturadas e readequadas, e categorias profissionais conseguem conquistas salariais além da mera correção monetária. Prova disso é que, só no ano passado, em 86% dos 91 acordos coletivos das maiores categorias houve um aumento real médio, acima do INPC, de 1,4 ponto porcentual.
Como ao teto do INSS (hoje de R$ 4.159) aplica-se a regra da correção das maiores aposentadorias (só o INPC), o padrão salarial dos trabalhadores mais qualificados vai se distanciando gradativamente desse teto e mais desprotegidos previdenciariamente eles ficam. Resultado: cresce a necessidade de previdência privada para manter o nível de renda do fim da carreira. Daí o notável aumento dos depósitos em PGBLs e VGBLs, que passaram de um patrimônio acumulado de R$ 50 bilhões para R$ 350 bilhões em uma década.
O maior propagandista da previdência privada é o INSS, com sua incapacidade de manter as maiores aposentadorias nos níveis praticados anteriormente. Para quem imagina estar ganhando acima de três salários no fim da carreira e espera providências do governo, vale a máxima: de onde a gente menos espera que venha alguma coisa... é que não vem nada mesmo. Por isso muitos já fizeram uma previdência privada.
Outros, desinformados ou preguiçosos, se acomodam. Para estes, um alerta: a preguiça caminha tão lentamente que a pobreza não precisa se esforçar muito para alcançá-la.
Sempre me perguntam: o governo vai repor as perdas que as maiores aposentadorias tiveram como decorrência da correção do salário mínimo? Resposta: não. Vai continuar repondo só a inflação, uma obrigatoriedade pós-Constituição de 1988, pois até então ela nem era repassada integralmente para as aposentadorias, o que era uma forma de cortar benefícios.
Mas os aposentados de maior renda acham que isso não basta e pleiteiam a mesma correção da aposentadoria mínima do INSS, que equivale ao salário mínimo e prevê, além do INPC, um aumento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes.
Mantida a atual política, há um achatamento gradativo das maiores aposentadorias. Se projetarmos para o futuro a diferença média anual nos últimos dez anos – que dá 2,28% –, quem se aposentar após 2018 vai ganhar, no máximo, o equivalente a cinco salários e quem se aposentar após 2038, somente três salários mínimos (ou R$ 2.034 de hoje). Sobre isso, haverá o fator previdenciário, que pode reduzir ainda uns 40% da aposentadoria de quem se aposenta precocemente.
Na década de 70, o INSS pagou 20 salários; na década de 80, 15 salários; na década de 90, dez salários; nos anos 2000, 7,5 salários; e, hoje, paga 6,3 salários, no máximo; e vai continuar a diminuir. Para quem acha que, após aposentados, a correção monetária basta (e duvida da perda de seu poder aquisitivo), cito dois exemplos: um é o das despesas crescentes com saúde e medicamentos na terceira idade. Outro é a despesa com serviços dos quais o idoso depende (como, por exemplo, a empregada doméstica) e que têm o reajuste anual do salário mínimo. Pois só por causa dessa despesa, um aposentado com cinco salários que tem uma empregada de um salário mínimo vai perder o poder aquisitivo em 12% em 20 anos.
Por outro lado, enquanto produtivo, o trabalhador está sujeito à lei da oferta e demanda no mercado de trabalho e usa-se o salário mínimo como parâmetro para muitos acordos coletivos. Na sua esteira, carreiras são reestruturadas e readequadas, e categorias profissionais conseguem conquistas salariais além da mera correção monetária. Prova disso é que, só no ano passado, em 86% dos 91 acordos coletivos das maiores categorias houve um aumento real médio, acima do INPC, de 1,4 ponto porcentual.
Como ao teto do INSS (hoje de R$ 4.159) aplica-se a regra da correção das maiores aposentadorias (só o INPC), o padrão salarial dos trabalhadores mais qualificados vai se distanciando gradativamente desse teto e mais desprotegidos previdenciariamente eles ficam. Resultado: cresce a necessidade de previdência privada para manter o nível de renda do fim da carreira. Daí o notável aumento dos depósitos em PGBLs e VGBLs, que passaram de um patrimônio acumulado de R$ 50 bilhões para R$ 350 bilhões em uma década.
O maior propagandista da previdência privada é o INSS, com sua incapacidade de manter as maiores aposentadorias nos níveis praticados anteriormente. Para quem imagina estar ganhando acima de três salários no fim da carreira e espera providências do governo, vale a máxima: de onde a gente menos espera que venha alguma coisa... é que não vem nada mesmo. Por isso muitos já fizeram uma previdência privada.
Outros, desinformados ou preguiçosos, se acomodam. Para estes, um alerta: a preguiça caminha tão lentamente que a pobreza não precisa se esforçar muito para alcançá-la.
Gestos - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 10/12
Como dizia Tancredo Neves, política se faz muito mais de gestos do que de palavras. A política é feita especialmente de gestos simbólicos, que indicam um comportamento futuro, esse, sim, conclusivo e gerador de fatos. Desse ponto de vista, o jantar que reuniu na noite de domingo, no Rio, o senador Aécio Neves e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, conta muito mais para o futuro da corrida presidencial, em que os dois concorrerão, do que para o presente, que ainda os mostra como adversários entre si.
Mas essa competição não impede que tracem estratégias comuns que os ajudem a atingir o objetivo. Para a primeira fase da campanha, já decidiram que considerar que a presidente Dilma tem lugar cativo no segundo turno só é bom para o PT. Começarão a tratar da eleição presidencial como uma questão em aberto, cujos desdobramentos podem levar até mesmo os dois a disputar o segundo turno entre si, decretando definitivamente o fim do ciclo petista.
Nesse caso, o PSB levaria vantagem teórica sobre o PSDB, pois, além de ter saído da base aliada do governo, tem uma coligação mais à esquerda, com o apoio da Rede Sustentabilidade de Marina Silva e do PPS. Dependendo da campanha, seria um candidato mais palatável ao eleitorado petista.
Já Aécio Neves parte para a campanha com o apoio do DEM e do Solidariedade de Paulinho da Força Sindical, que lhe dará mais tempo de televisão na campanha eleitoral no rádio e na televisão do que Campos.
Neste momento de formação de alianças nacionais e palanques regionais, tanto PSDB quanto PSB têm mais interesses divergentes, mas, quando é possível encontrar convergência, Aécio e Campos se aproximam. Como, por exemplo, nos dois estados que comandam politicamente, Minas e Pernambuco respectivamente, onde é possível encontrar pontos comuns.
A aliança com o PSB é um fato em Minas, onde o prefeito de Belo Horizonte é um socialista apoiado pelo PSDB. Nada mais natural que o PSB não lance candidato em Minas, para poder ter a reciprocidade em Pernambuco, onde o PSDB não tem candidato competitivo, mas, se lançasse o deputado Daniel Coelho, que teve 27% dos votos na recente eleição para prefeito de Recife, poderia impedir uma vitória do PSB no primeiro turno.
Onde for possível esse tipo de arranjo, será feito, inclusive com uma coligação regional. A sinalização é que há um fato novo: diferente da campanha presidencial em 2010, quando houve três candidaturas, e a ex-senadora Marina Silva não se considerou comprometida com a oposição, tentando preservar seu próprio cacife eleitoral para uma nova tentativa que acabou fracassando para 2014, desta vez temos dois candidatos de oposição que se comprometem previamente com apoio num eventual segundo turno, pois têm pontos em comum que levam a esse acordo.
Ambos acham que a condução da economia é extremamente perigosa para o Brasil, a ineficiência é absoluta, o aparelhamento da máquina governamental leva, sobretudo, a um desvirtuamento dos valores democráticos. Tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos buscam maior eficiência do Estado brasileiro - e os dois têm o que mostrar em suas respectivas administrações regionais - e têm o objetivo de ligar o país ao mundo desenvolvido, superando as barreiras ideológicas, com a busca de maiores investimentos, dando regras claras e garantias aos investidores privados.
Um conjunto de ideias que os aproxima e um objetivo comum: dar fim ao ciclo petista no governo.
Os pontos-chave
1 Do ponto de vista simbólico, o jantar que reuniu na noite de domingo, no Rio, Aécio Neves e Eduardo Campos conta muito para o futuro da corrida presidencial
2 Aécio e Campos começarão a tratar da eleição presidencial como questão em aberto, cujos desdobramentos podem levar até mesmo os dois a disputar o segundo turno entre si, decretando definitivamente o fim do ciclo petista
3 Desta vez temos dois candidatos de oposição que se comprometem previamente com apoio num eventual segundo turno
Mas essa competição não impede que tracem estratégias comuns que os ajudem a atingir o objetivo. Para a primeira fase da campanha, já decidiram que considerar que a presidente Dilma tem lugar cativo no segundo turno só é bom para o PT. Começarão a tratar da eleição presidencial como uma questão em aberto, cujos desdobramentos podem levar até mesmo os dois a disputar o segundo turno entre si, decretando definitivamente o fim do ciclo petista.
Nesse caso, o PSB levaria vantagem teórica sobre o PSDB, pois, além de ter saído da base aliada do governo, tem uma coligação mais à esquerda, com o apoio da Rede Sustentabilidade de Marina Silva e do PPS. Dependendo da campanha, seria um candidato mais palatável ao eleitorado petista.
Já Aécio Neves parte para a campanha com o apoio do DEM e do Solidariedade de Paulinho da Força Sindical, que lhe dará mais tempo de televisão na campanha eleitoral no rádio e na televisão do que Campos.
Neste momento de formação de alianças nacionais e palanques regionais, tanto PSDB quanto PSB têm mais interesses divergentes, mas, quando é possível encontrar convergência, Aécio e Campos se aproximam. Como, por exemplo, nos dois estados que comandam politicamente, Minas e Pernambuco respectivamente, onde é possível encontrar pontos comuns.
A aliança com o PSB é um fato em Minas, onde o prefeito de Belo Horizonte é um socialista apoiado pelo PSDB. Nada mais natural que o PSB não lance candidato em Minas, para poder ter a reciprocidade em Pernambuco, onde o PSDB não tem candidato competitivo, mas, se lançasse o deputado Daniel Coelho, que teve 27% dos votos na recente eleição para prefeito de Recife, poderia impedir uma vitória do PSB no primeiro turno.
Onde for possível esse tipo de arranjo, será feito, inclusive com uma coligação regional. A sinalização é que há um fato novo: diferente da campanha presidencial em 2010, quando houve três candidaturas, e a ex-senadora Marina Silva não se considerou comprometida com a oposição, tentando preservar seu próprio cacife eleitoral para uma nova tentativa que acabou fracassando para 2014, desta vez temos dois candidatos de oposição que se comprometem previamente com apoio num eventual segundo turno, pois têm pontos em comum que levam a esse acordo.
Ambos acham que a condução da economia é extremamente perigosa para o Brasil, a ineficiência é absoluta, o aparelhamento da máquina governamental leva, sobretudo, a um desvirtuamento dos valores democráticos. Tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos buscam maior eficiência do Estado brasileiro - e os dois têm o que mostrar em suas respectivas administrações regionais - e têm o objetivo de ligar o país ao mundo desenvolvido, superando as barreiras ideológicas, com a busca de maiores investimentos, dando regras claras e garantias aos investidores privados.
Um conjunto de ideias que os aproxima e um objetivo comum: dar fim ao ciclo petista no governo.
Os pontos-chave
1 Do ponto de vista simbólico, o jantar que reuniu na noite de domingo, no Rio, Aécio Neves e Eduardo Campos conta muito para o futuro da corrida presidencial
2 Aécio e Campos começarão a tratar da eleição presidencial como questão em aberto, cujos desdobramentos podem levar até mesmo os dois a disputar o segundo turno entre si, decretando definitivamente o fim do ciclo petista
3 Desta vez temos dois candidatos de oposição que se comprometem previamente com apoio num eventual segundo turno
Em volta das arquibancadas - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 10/12
É possível processar a quase totalidade dos criminosos, e não só dois ou três como é feito, quando é feito
A grita em tantas direções não evita que seja difícil, senão impossível, encontrar entre os gritadores um que não seja corresponsável, em alguma medida, pelo espetáculo das bestas humanas nas arquibancadas de Joinville, e em todas as outras.
Já que estamos por aqui, podemos começar pelos meios de comunicação. Nenhum jornal, TV, revista ou rádio se interessou, jamais, por encarar para valer a violência que invadiu os estádios, no Brasil todo, há muito tempo. Assim como os bestalhões cometem periodicamente os seus acessos de brutalidade aproveitando o futebol, a imprensa (vá lá, engloba tudo) faz o seu surto de críticas como subsidiário do espetáculo boçal. E logo se segue a pausa, a imprensa à espera da clarinada dos boçais.
Na imprensa, poucos não sabem que muitos dos bandos são patrocinados com doações dos respectivos clubes, a pretexto de torcida para incentivo ao time. E que o patrocínio tem duplo interesse eleitoreiro, nas disputas pelo poder no clube e nas eleições político-partidárias: há muitos cabos eleitorais nas torcidas organizadas. É uma engrenagem bastante conhecida.
Se a engrenagem cria um enguiço maior, nem por isso a gritaria subsidiária avançará necessariamente mais. O episódio da Bolívia é exemplar. De repente foi "descoberto" lá no litoral paulista um "dimenor" apresentado como disparador do rojão sobre torcedores bolivianos, com a consequência de matar um menino de 14 anos. À família da vítima foi dado, não uma indenização, mas um cala a boca monetário, como complemento da "solução" incumbida a uma charmosa advogada e comentarista de jornal da TV Cultura. Ali o bando de boçais pouco se distinguiu de um grupo de querubins.
Se antes o assunto estava em estado mortiço, a "solução" cobriu-o de silêncio. Nem com tantos jornais, TVs, revistas e rádios, houve uma iniciativa de verificar se o "dimenor" ao menos viajou mesmo para a Bolívia, que algum rastro ficaria. Por falar nele, em que condições vivem, hoje, o próprio e sua família?
A legislação para o problema é uma grande farsa. Foi elaborada mais com interesses políticos do que para regramento efetivo. A chamada Justiça Esportiva não tem como coibir a ferocidade nas arquibancadas, mas finge ter, com medidas idiotas como "o jogo com fechamento dos portões" e a perda de mando de campo, que punem os futuros times adversários do time "punido". Mas assim se cumpre o objetivo dos mandatários do futebol, de não criarem problemas políticos e eleitorais para si e para seus correligionários.
E as autoridades da ordem? A Polícia Civil de São Paulo mostrou ontem o que é um verdadeiro trabalho policial. Prendeu duas dezenas de desordeiros e ladrões que investigou desde outubro, quando a morte de um menino por tiro policial serviu de pretexto para a interrupção da rodovia Fernão Dias, roubo de cargas e de caminhões, saques a lojas e incêndios de ônibus. Foi investigação, foi infiltração, foram interrogatórios, com um resultado que, por certo, irá além desse episódio: vai atemorizar muitos dos que têm feito tais ações sem dificuldade no ato e no pós-ato.
O trabalho excelente nesse caso demonstra que é possível identificar, prender e processar a quase totalidade dos criminosos das arquibancadas, e não só dois ou três como é feito, quando é feito. O que demonstra, também, que se não é feito é porque os governantes estaduais não querem e os setores que lhes podem cobrar não os cobram de verdade, não os põem xeque.
A gritaria tem razão de ser. Mas é também contra si mesma.
É possível processar a quase totalidade dos criminosos, e não só dois ou três como é feito, quando é feito
A grita em tantas direções não evita que seja difícil, senão impossível, encontrar entre os gritadores um que não seja corresponsável, em alguma medida, pelo espetáculo das bestas humanas nas arquibancadas de Joinville, e em todas as outras.
Já que estamos por aqui, podemos começar pelos meios de comunicação. Nenhum jornal, TV, revista ou rádio se interessou, jamais, por encarar para valer a violência que invadiu os estádios, no Brasil todo, há muito tempo. Assim como os bestalhões cometem periodicamente os seus acessos de brutalidade aproveitando o futebol, a imprensa (vá lá, engloba tudo) faz o seu surto de críticas como subsidiário do espetáculo boçal. E logo se segue a pausa, a imprensa à espera da clarinada dos boçais.
Na imprensa, poucos não sabem que muitos dos bandos são patrocinados com doações dos respectivos clubes, a pretexto de torcida para incentivo ao time. E que o patrocínio tem duplo interesse eleitoreiro, nas disputas pelo poder no clube e nas eleições político-partidárias: há muitos cabos eleitorais nas torcidas organizadas. É uma engrenagem bastante conhecida.
Se a engrenagem cria um enguiço maior, nem por isso a gritaria subsidiária avançará necessariamente mais. O episódio da Bolívia é exemplar. De repente foi "descoberto" lá no litoral paulista um "dimenor" apresentado como disparador do rojão sobre torcedores bolivianos, com a consequência de matar um menino de 14 anos. À família da vítima foi dado, não uma indenização, mas um cala a boca monetário, como complemento da "solução" incumbida a uma charmosa advogada e comentarista de jornal da TV Cultura. Ali o bando de boçais pouco se distinguiu de um grupo de querubins.
Se antes o assunto estava em estado mortiço, a "solução" cobriu-o de silêncio. Nem com tantos jornais, TVs, revistas e rádios, houve uma iniciativa de verificar se o "dimenor" ao menos viajou mesmo para a Bolívia, que algum rastro ficaria. Por falar nele, em que condições vivem, hoje, o próprio e sua família?
A legislação para o problema é uma grande farsa. Foi elaborada mais com interesses políticos do que para regramento efetivo. A chamada Justiça Esportiva não tem como coibir a ferocidade nas arquibancadas, mas finge ter, com medidas idiotas como "o jogo com fechamento dos portões" e a perda de mando de campo, que punem os futuros times adversários do time "punido". Mas assim se cumpre o objetivo dos mandatários do futebol, de não criarem problemas políticos e eleitorais para si e para seus correligionários.
E as autoridades da ordem? A Polícia Civil de São Paulo mostrou ontem o que é um verdadeiro trabalho policial. Prendeu duas dezenas de desordeiros e ladrões que investigou desde outubro, quando a morte de um menino por tiro policial serviu de pretexto para a interrupção da rodovia Fernão Dias, roubo de cargas e de caminhões, saques a lojas e incêndios de ônibus. Foi investigação, foi infiltração, foram interrogatórios, com um resultado que, por certo, irá além desse episódio: vai atemorizar muitos dos que têm feito tais ações sem dificuldade no ato e no pós-ato.
O trabalho excelente nesse caso demonstra que é possível identificar, prender e processar a quase totalidade dos criminosos das arquibancadas, e não só dois ou três como é feito, quando é feito. O que demonstra, também, que se não é feito é porque os governantes estaduais não querem e os setores que lhes podem cobrar não os cobram de verdade, não os põem xeque.
A gritaria tem razão de ser. Mas é também contra si mesma.
O Brasil e o sucesso da OMC - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 10/12
O governo brasileiro tem motivos especiais para festejar o sucesso da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Bali, na Indonésia. O acordo entre os 159 participantes deu novo fôlego à maior negociação comercial da história, a Rodada Doha, reforçou o prestígio da OMC e foi a primeira vitória do novo diretor-geral da entidade, o brasileiro Roberto Azevêdo. Ruim para todos, o fracasso teria sido um desastre para o Brasil, porque seria mais uma derrota do sistema multilateral. Há dez anos a diplomacia petista pôs de lado os acordos com os países mais desenvolvidos, adotou uma política terceiro-mundista e subordinou a estratégia brasileira a um Mercosul cada vez mais emperrado pelo protecionismo argentino. Ao mesmo tempo, manteve a bandeira do multilateralismo, enquanto no resto do mundo se multiplicavam acordos bilaterais e inter-regionais.
Embora modesto em termos materiais, o pacote de Bali renova as possibilidades do multilateralismo. Mas novos avanços serão trabalhosos e acordos parciais continuarão sendo construídos. Em alguns casos, esses acordos poderão criar referências para a negociação mais ampla. Isso poderá ocorrer, por exemplo, na área de serviços, a partir de entendimentos entre várias grandes economias, incluídas a americana e a chinesa.
O governo brasileiro insistirá num erro perigoso, se continuar fora dos grandes arranjos parciais de comércio. O primeiro passo de uma ação mais eficiente será concluir um acordo com a União Europeia, com ou sem apoio argentino. Os europeus já mostraram disposição de avançar nesse entendimento, mesmo com a participação de apenas alguns países do Mercosul. Caberá à diplomacia brasileira, se for capaz de realismo no âmbito regional, criar uma solução para o impasse no bloco.
Será prudente seguir o mesmo critério nas próximas etapas da Rodada Doha, buscando objetivos ambiciosos e estimulando os parceiros regionais a tomar o mesmo caminho. O pacote de Bali só foi fechado quando o prazo inicial já estourava. Algo parecido havia ocorrido no lançamento da rodada, em 2001, no Catar, quando a negociação se estendeu muito além do tempo previsto. Mas a agenda era imensamente mais complicada e inovadora.
Em Bali, o compromisso mais importante foi sobre a facilitação de comércio - medidas para desburocratizar e simplificar entradas e saídas de mercadorias e dar mais transparência às regras. Ainda assim, será preciso oferecer assistência a alguns países para a realização do trabalho. Muito mais difícil foi o entendimento em torno da pretensão indiana de manter subsídios à formação de estoques de segurança alimentar.
Também foram acertados benefícios para os produtores africanos de algodão e os ministros do mundo rico reafirmaram o compromisso de liquidar em alguns anos os subsídios à exportação. Pacto semelhante havia sido firmado em Hong Kong, em 2005, para cumprimento até o fim deste ano. Mas, com a paralisação da rodada, em 2008, a promessa foi abandonada. Foi combinada em Bali, também, uma discussão de regras para a administração de cotas tarifárias - parcelas nem sempre preenchidas de importação com impostos reduzidos.
Mas a agenda total é muito mais ampla e os negociadores terão um ano para definir o roteiro. De toda forma, destravar a rodada foi uma realização importante. A OMC foi salva da irrelevância. Além do mais, a superação da crise internacional deverá criar um ambiente mais propício a compromissos globais.
Tecnicamente, está reaberto o caminho da modernização do comércio global. Só a facilitação de procedimentos poderá, segundo estimativa muito citada, abrir espaço para mais US$ 1 trilhão de negócios, graças à redução de custos e à simplificação de operações. Mas, para esse passo, foi preciso também vencer a resistência de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia. Seus representantes cobraram o fim do bloqueio comercial dos Estados Unidos a Cuba, ameaçando vetar o acordo e levar a reunião ao fracasso. Acabaram recuando, mas deixaram clara, mais uma vez, a qualidade das alianças ideológicas do governo brasileiro.
O governo brasileiro tem motivos especiais para festejar o sucesso da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Bali, na Indonésia. O acordo entre os 159 participantes deu novo fôlego à maior negociação comercial da história, a Rodada Doha, reforçou o prestígio da OMC e foi a primeira vitória do novo diretor-geral da entidade, o brasileiro Roberto Azevêdo. Ruim para todos, o fracasso teria sido um desastre para o Brasil, porque seria mais uma derrota do sistema multilateral. Há dez anos a diplomacia petista pôs de lado os acordos com os países mais desenvolvidos, adotou uma política terceiro-mundista e subordinou a estratégia brasileira a um Mercosul cada vez mais emperrado pelo protecionismo argentino. Ao mesmo tempo, manteve a bandeira do multilateralismo, enquanto no resto do mundo se multiplicavam acordos bilaterais e inter-regionais.
Embora modesto em termos materiais, o pacote de Bali renova as possibilidades do multilateralismo. Mas novos avanços serão trabalhosos e acordos parciais continuarão sendo construídos. Em alguns casos, esses acordos poderão criar referências para a negociação mais ampla. Isso poderá ocorrer, por exemplo, na área de serviços, a partir de entendimentos entre várias grandes economias, incluídas a americana e a chinesa.
O governo brasileiro insistirá num erro perigoso, se continuar fora dos grandes arranjos parciais de comércio. O primeiro passo de uma ação mais eficiente será concluir um acordo com a União Europeia, com ou sem apoio argentino. Os europeus já mostraram disposição de avançar nesse entendimento, mesmo com a participação de apenas alguns países do Mercosul. Caberá à diplomacia brasileira, se for capaz de realismo no âmbito regional, criar uma solução para o impasse no bloco.
Será prudente seguir o mesmo critério nas próximas etapas da Rodada Doha, buscando objetivos ambiciosos e estimulando os parceiros regionais a tomar o mesmo caminho. O pacote de Bali só foi fechado quando o prazo inicial já estourava. Algo parecido havia ocorrido no lançamento da rodada, em 2001, no Catar, quando a negociação se estendeu muito além do tempo previsto. Mas a agenda era imensamente mais complicada e inovadora.
Em Bali, o compromisso mais importante foi sobre a facilitação de comércio - medidas para desburocratizar e simplificar entradas e saídas de mercadorias e dar mais transparência às regras. Ainda assim, será preciso oferecer assistência a alguns países para a realização do trabalho. Muito mais difícil foi o entendimento em torno da pretensão indiana de manter subsídios à formação de estoques de segurança alimentar.
Também foram acertados benefícios para os produtores africanos de algodão e os ministros do mundo rico reafirmaram o compromisso de liquidar em alguns anos os subsídios à exportação. Pacto semelhante havia sido firmado em Hong Kong, em 2005, para cumprimento até o fim deste ano. Mas, com a paralisação da rodada, em 2008, a promessa foi abandonada. Foi combinada em Bali, também, uma discussão de regras para a administração de cotas tarifárias - parcelas nem sempre preenchidas de importação com impostos reduzidos.
Mas a agenda total é muito mais ampla e os negociadores terão um ano para definir o roteiro. De toda forma, destravar a rodada foi uma realização importante. A OMC foi salva da irrelevância. Além do mais, a superação da crise internacional deverá criar um ambiente mais propício a compromissos globais.
Tecnicamente, está reaberto o caminho da modernização do comércio global. Só a facilitação de procedimentos poderá, segundo estimativa muito citada, abrir espaço para mais US$ 1 trilhão de negócios, graças à redução de custos e à simplificação de operações. Mas, para esse passo, foi preciso também vencer a resistência de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia. Seus representantes cobraram o fim do bloqueio comercial dos Estados Unidos a Cuba, ameaçando vetar o acordo e levar a reunião ao fracasso. Acabaram recuando, mas deixaram clara, mais uma vez, a qualidade das alianças ideológicas do governo brasileiro.
Vergonha no futebol - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 10/12
O triste espetáculo que marcou a última rodada do Brasileirão cobre o gramado de vergonha. Aproveitando falhas na organização, torcidas se estranharam e partiram para o confronto. Na Arena Joinville (SC), vascaínos e atleticanos paranaenses se enfrentaram com violência e covardia poucas vezes vistas. Não faltaram chutes, pontapés e pancadas. Resultado: interrupção da partida por mais de uma hora e quatro feridos graves.
Só a sorte evitou que cadáveres se espalhassem pela arquibancada. Imagens divulgadas on-line pelos cinco continentes mostraram ao vivo e em cores cenas de barbárie que vêm se tornando rotina nos estádios brasileiros. Rapazes pisoteavam os rivais com ódio incontido. Pessoas desacordadas recebiam chutes no rosto e no corpo. Barras de ferro atingiam criaturas indefesas, na fúria de linchamento que movia os dois lados.
Sem policiais militares na arquibancada, a repressão coube a seguranças privados contratados pelo Atlético. A intervenção com armas que disparavam balas de borracha veio depois de injustificável demora. Enquanto a guerra transcorria entre os adversários, adultos e crianças que compraram ingresso para assistir à partida precisaram se defender dos atos sangrentos. Muitos fugiram antes do apito final.
Agressões promovidas por torcidas vêm se tornando triste rotina de norte a sul do país. Em agosto, para citar um caso, Brasília serviu de cenário do enfrentamento de organizadas em dois domingos consecutivos. O que está acontecendo? Resposta possível é a falta de preparo das forças de repressão para assegurar a tranquilidade em grandes eventos. Impõe-se, além de treinamento sério, recorrer à inteligência para a eficácia das medidas. A PM precisa ser convocada mesmo em evento privado.
Experiências internacionais servem de lição. Torcedores violentos não constituem exclusividade de nenhum país. Onde há brecha, eles aparecem. Se encontrarem terra fértil, sinônimo de impunidade, multiplicam-se como erva daninha. Desencorajá-los é a arma que os inibe. Vale um exemplo. Na década de 1980, a Inglaterra tinha uma das mais bárbaras torcidas do mundo. Hoje, transformou os estádios em ambientes agradáveis, com 100% de segurança para nacionais e estrangeiros.
A receita: punição dolorosa. Bandoleiros cumpriram pena, e os times ingleses foram suspensos dos campeonatos internacionais. O Brasil, que vai sediar dois certames mundiais nos próximos anos, tem de tomar medidas eficazes. Urge manter os vândalos distantes dos estádios. Como? Os times precisam rever a relação promíscua com as organizadas - dão-lhes ingressos e lhes facilitam a entrada. Não só. Impõe-se identificar os baderneiros, puni-los exemplarmente e impedi-los de atravessar os portões dos estádios. Os clubes também têm de ser responsabilizados para que sejam solidários com a segurança.
Só a sorte evitou que cadáveres se espalhassem pela arquibancada. Imagens divulgadas on-line pelos cinco continentes mostraram ao vivo e em cores cenas de barbárie que vêm se tornando rotina nos estádios brasileiros. Rapazes pisoteavam os rivais com ódio incontido. Pessoas desacordadas recebiam chutes no rosto e no corpo. Barras de ferro atingiam criaturas indefesas, na fúria de linchamento que movia os dois lados.
Sem policiais militares na arquibancada, a repressão coube a seguranças privados contratados pelo Atlético. A intervenção com armas que disparavam balas de borracha veio depois de injustificável demora. Enquanto a guerra transcorria entre os adversários, adultos e crianças que compraram ingresso para assistir à partida precisaram se defender dos atos sangrentos. Muitos fugiram antes do apito final.
Agressões promovidas por torcidas vêm se tornando triste rotina de norte a sul do país. Em agosto, para citar um caso, Brasília serviu de cenário do enfrentamento de organizadas em dois domingos consecutivos. O que está acontecendo? Resposta possível é a falta de preparo das forças de repressão para assegurar a tranquilidade em grandes eventos. Impõe-se, além de treinamento sério, recorrer à inteligência para a eficácia das medidas. A PM precisa ser convocada mesmo em evento privado.
Experiências internacionais servem de lição. Torcedores violentos não constituem exclusividade de nenhum país. Onde há brecha, eles aparecem. Se encontrarem terra fértil, sinônimo de impunidade, multiplicam-se como erva daninha. Desencorajá-los é a arma que os inibe. Vale um exemplo. Na década de 1980, a Inglaterra tinha uma das mais bárbaras torcidas do mundo. Hoje, transformou os estádios em ambientes agradáveis, com 100% de segurança para nacionais e estrangeiros.
A receita: punição dolorosa. Bandoleiros cumpriram pena, e os times ingleses foram suspensos dos campeonatos internacionais. O Brasil, que vai sediar dois certames mundiais nos próximos anos, tem de tomar medidas eficazes. Urge manter os vândalos distantes dos estádios. Como? Os times precisam rever a relação promíscua com as organizadas - dão-lhes ingressos e lhes facilitam a entrada. Não só. Impõe-se identificar os baderneiros, puni-los exemplarmente e impedi-los de atravessar os portões dos estádios. Os clubes também têm de ser responsabilizados para que sejam solidários com a segurança.
O acordo de Bali - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 10/12
As negociações tiveram vários lances difíceis, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC
A globalização é destacada por sua capacidade de transformar o planeta Terra em um mercado único, uma verdadeira “aldeia global”, expressão cunhada por Herbert Marshall McLuhan para dizer que as novas tecnologias de comunicação encurtariam distâncias e, ao lado do progresso tecnológico, transformariam o mundo numa espécie de país único. Ao se intensificar nos últimos 30 anos, a globalização ampliou o movimento de mercadorias, de pessoas, de capitais e de tecnologias entre os países.
O avanço da globalização se deveu a várias fatores, com destaque para a liberalização do comércio internacional, a desregulamentação do fluxo internacional de capitais financeiros e a abertura das economias nacionais. Inicialmente, o movimento de abertura foi mais expressivo no mundo ocidental; logo adiante, incorporou os países nos quais o comunismo foi abolido; e, numa terceira etapa, envolveu vários países orientais. O aumento do comércio de bens, serviços e tecnologias entre as nações foi impulsionado pelo aumento da população global e pela necessidade de reduzir a pobreza.
Nesse cenário, um setor que teve menor velocidade de abertura e seguiu mantendo protecionismos nacionais foi a agricultura. Países como os Estados Unidos, Japão e várias nações europeias sempre relutaram em reduzir os subsídios a seus setores agrícolas e abrir suas economias a importações de alimentos oriundos de países cuja produção primária era mais eficiente. O Brasil é um dos países que há muito vinham demandando mais abertura e menos protecionismo à agricultura naqueles países, a fim de ampliar os mercados para exportação.
Após anos de fracasso nas negociações, os países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), reunidos em Bali, na Indonésia, acabaram de aprovar o primeiro acordo comercial geral em duas décadas, cuja conclusão chega a surpreender, pois depende da concordância de todos. Sem consenso não há acordo. Desta vez, coube à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) – da qual participam Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela – rejeitar o acordo inteiro, mesmo estando os países pobres, sobretudo aqueles nos quais há escassez de alimentos, entre os mais beneficiados com o acordo, uma vez que o pacote envolve medidas de estímulo e facilitação do comércio, da agricultura e do desenvolvimento. Mas depois de conseguirem chamar a atenção, os países componentes da Alba enfim deram seu aval à assinatura do acordo.
Estimativas iniciais feitas por organismos vinculados ao comércio internacional afirmam que os estímulos podem superar US$ 1 trilhão e têm potencial para gerar mais de 20 milhões de empregos na economia mundial, como destacou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Parece que a oposição ao acordo, se houver, será de pequena expressão e localizada em países com interesses específicos eventualmente não beneficiados pelo acordo. As negociações tiveram vários lances difíceis, culminando com a aprovação final, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC, que foi aplaudido na última sessão do encontro da organização, composta por 160 países membros.
As negociações envolveram itens de comércio exterior, transporte, barreiras não tarifárias, burocracia, normas jurídicas para solução de conflitos e medidas de facilitação do comércio. Espera-se que o setor primário mundial entre em novo tempo, com aumento da produção de alimentos, melhoria da produtividade e contribuição expressiva no combate à fome ao redor do mundo. Alguns pontos serão detalhados mais adiante e os procedimentos para a implementação dependem, pelo menos parte deles, de sistematização e divulgação.
Os países signatários do acordo agora passam à fase de adaptação de sua legislação e sua política interna a fim de que os efeitos das medidas aprovadas no âmbito da OMC se verifiquem na prática. As mudanças não serão imediatas no prazo curto, pois a extensão das medidas é expressiva e é grande o número de países envolvidos. Em relação ao comércio internacional, os termos combinados se transformam em norma a ser obedecida, cabendo à própria OMC o julgamento de eventuais conflitos levados a seus órgãos internos por qualquer parte considerada prejudicada.
As negociações tiveram vários lances difíceis, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC
A globalização é destacada por sua capacidade de transformar o planeta Terra em um mercado único, uma verdadeira “aldeia global”, expressão cunhada por Herbert Marshall McLuhan para dizer que as novas tecnologias de comunicação encurtariam distâncias e, ao lado do progresso tecnológico, transformariam o mundo numa espécie de país único. Ao se intensificar nos últimos 30 anos, a globalização ampliou o movimento de mercadorias, de pessoas, de capitais e de tecnologias entre os países.
O avanço da globalização se deveu a várias fatores, com destaque para a liberalização do comércio internacional, a desregulamentação do fluxo internacional de capitais financeiros e a abertura das economias nacionais. Inicialmente, o movimento de abertura foi mais expressivo no mundo ocidental; logo adiante, incorporou os países nos quais o comunismo foi abolido; e, numa terceira etapa, envolveu vários países orientais. O aumento do comércio de bens, serviços e tecnologias entre as nações foi impulsionado pelo aumento da população global e pela necessidade de reduzir a pobreza.
Nesse cenário, um setor que teve menor velocidade de abertura e seguiu mantendo protecionismos nacionais foi a agricultura. Países como os Estados Unidos, Japão e várias nações europeias sempre relutaram em reduzir os subsídios a seus setores agrícolas e abrir suas economias a importações de alimentos oriundos de países cuja produção primária era mais eficiente. O Brasil é um dos países que há muito vinham demandando mais abertura e menos protecionismo à agricultura naqueles países, a fim de ampliar os mercados para exportação.
Após anos de fracasso nas negociações, os países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), reunidos em Bali, na Indonésia, acabaram de aprovar o primeiro acordo comercial geral em duas décadas, cuja conclusão chega a surpreender, pois depende da concordância de todos. Sem consenso não há acordo. Desta vez, coube à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) – da qual participam Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela – rejeitar o acordo inteiro, mesmo estando os países pobres, sobretudo aqueles nos quais há escassez de alimentos, entre os mais beneficiados com o acordo, uma vez que o pacote envolve medidas de estímulo e facilitação do comércio, da agricultura e do desenvolvimento. Mas depois de conseguirem chamar a atenção, os países componentes da Alba enfim deram seu aval à assinatura do acordo.
Estimativas iniciais feitas por organismos vinculados ao comércio internacional afirmam que os estímulos podem superar US$ 1 trilhão e têm potencial para gerar mais de 20 milhões de empregos na economia mundial, como destacou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Parece que a oposição ao acordo, se houver, será de pequena expressão e localizada em países com interesses específicos eventualmente não beneficiados pelo acordo. As negociações tiveram vários lances difíceis, culminando com a aprovação final, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC, que foi aplaudido na última sessão do encontro da organização, composta por 160 países membros.
As negociações envolveram itens de comércio exterior, transporte, barreiras não tarifárias, burocracia, normas jurídicas para solução de conflitos e medidas de facilitação do comércio. Espera-se que o setor primário mundial entre em novo tempo, com aumento da produção de alimentos, melhoria da produtividade e contribuição expressiva no combate à fome ao redor do mundo. Alguns pontos serão detalhados mais adiante e os procedimentos para a implementação dependem, pelo menos parte deles, de sistematização e divulgação.
Os países signatários do acordo agora passam à fase de adaptação de sua legislação e sua política interna a fim de que os efeitos das medidas aprovadas no âmbito da OMC se verifiquem na prática. As mudanças não serão imediatas no prazo curto, pois a extensão das medidas é expressiva e é grande o número de países envolvidos. Em relação ao comércio internacional, os termos combinados se transformam em norma a ser obedecida, cabendo à própria OMC o julgamento de eventuais conflitos levados a seus órgãos internos por qualquer parte considerada prejudicada.
Impunidade incentiva selvageria em estádios - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 10/12
É crucial punir arruaceiros e banir dos estádios as gangues disfarçadas de torcida. A barbárie de Joinville requer resposta imediata de CBF, Justiça, clubes e poder público
A partida de anteontem entre Vasco e Atlético Paranaense, em Joinville, foi uma tragédia anunciada. E não se pode atribuir ao lamentável desfecho, com torcidas organizadas dos dois times promovendo cenas de selvageria nas arquibancadas do estádio, influência circunstancial de uma tabela que programou para a última rodada do Campeonato Brasileiro um jogo entre uma equipe que lutava para não ser rebaixada e outra que brigava por uma vaga na Libertadores.
Essa carga de drama também esteve presente em outros confrontos da rodada, disputados sem quaisquer sinais de violência extracampo. Antes, deve-se identificar em que nível de decisões do poder público do Paraná efetivamente começou a cadeia de leniência e medidas irresponsáveis da qual resultou a estapafúrdia ordem de desprover o estádio de policiamento adequado. Neste sentido, é no mínimo risível o argumento de que o jogo se tratava de um “evento privado”.
Ora, também passeatas, por exemplo, podem ser classificadas como tal, e nem por isso as autoridades deixam de guarnecê-las com agentes públicos de segurança. Jogos de futebol têm o potencial de afetar a segurança pública e de colocar em risco multidões, como aconteceu em Joinville. Precisam ter aparato policial à altura.
Este é o viés pontual do problema — mas não o único a exigir providências exemplares. Outro, ainda mais grave, é o crescimento exponencial da violência nos estádios e seu entorno. Enquanto do ponto de vista administrativo o futebol brasileiro faz um louvável esforço para melhorar sua gestão (equacionamento do calendário, ações que buscam o saneamento financeiro dos clubes, modernização das arenas etc.), a questão da segurança dos torcedores continua sendo tratada sem que medidas para banir a violência nos jogos sejam efetivamente adotadas. O Estatuto do Torcedor, por exemplo, não vem sendo aplicado como deve, salvo exceções, como o Rio de Janeiro.
Diante de um quadro que se deteriora de forma cada vez mais perigosa, é irrecorrível que poder público e entidades tomem atitudes drásticas contra marginais que, travestidos de torcedores, entram nos estádios não com o propósito de acompanhar uma partida, mas de promover barbáries como a de domingo. A mais imediata é acabar com a praga das torcidas organizadas, protagonistas desde sempre de atos de selvageria.
Cenas de violência como as de Joinville são condenáveis em quaisquer circunstâncias. E a essa barbárie acresce-se a preocupação com a proximidade da Copa. O que implica, da parte de CBF, clubes, Justiça desportiva e poder público, resposta rápida e eficiente: julgamento e punição de arruaceiros, banimento dos brigões dos estádios, como já acontece na Europa, sem prejuízo das medidas penais, e punição de clubes cujas torcidas se envolvam em atos de violência (jogar com portões fechados e, no extremo, perda de pontos e desclassificação das competições). É crucial desestimular as gangues disfarçadas de torcedores
É crucial punir arruaceiros e banir dos estádios as gangues disfarçadas de torcida. A barbárie de Joinville requer resposta imediata de CBF, Justiça, clubes e poder público
A partida de anteontem entre Vasco e Atlético Paranaense, em Joinville, foi uma tragédia anunciada. E não se pode atribuir ao lamentável desfecho, com torcidas organizadas dos dois times promovendo cenas de selvageria nas arquibancadas do estádio, influência circunstancial de uma tabela que programou para a última rodada do Campeonato Brasileiro um jogo entre uma equipe que lutava para não ser rebaixada e outra que brigava por uma vaga na Libertadores.
Essa carga de drama também esteve presente em outros confrontos da rodada, disputados sem quaisquer sinais de violência extracampo. Antes, deve-se identificar em que nível de decisões do poder público do Paraná efetivamente começou a cadeia de leniência e medidas irresponsáveis da qual resultou a estapafúrdia ordem de desprover o estádio de policiamento adequado. Neste sentido, é no mínimo risível o argumento de que o jogo se tratava de um “evento privado”.
Ora, também passeatas, por exemplo, podem ser classificadas como tal, e nem por isso as autoridades deixam de guarnecê-las com agentes públicos de segurança. Jogos de futebol têm o potencial de afetar a segurança pública e de colocar em risco multidões, como aconteceu em Joinville. Precisam ter aparato policial à altura.
Este é o viés pontual do problema — mas não o único a exigir providências exemplares. Outro, ainda mais grave, é o crescimento exponencial da violência nos estádios e seu entorno. Enquanto do ponto de vista administrativo o futebol brasileiro faz um louvável esforço para melhorar sua gestão (equacionamento do calendário, ações que buscam o saneamento financeiro dos clubes, modernização das arenas etc.), a questão da segurança dos torcedores continua sendo tratada sem que medidas para banir a violência nos jogos sejam efetivamente adotadas. O Estatuto do Torcedor, por exemplo, não vem sendo aplicado como deve, salvo exceções, como o Rio de Janeiro.
Diante de um quadro que se deteriora de forma cada vez mais perigosa, é irrecorrível que poder público e entidades tomem atitudes drásticas contra marginais que, travestidos de torcedores, entram nos estádios não com o propósito de acompanhar uma partida, mas de promover barbáries como a de domingo. A mais imediata é acabar com a praga das torcidas organizadas, protagonistas desde sempre de atos de selvageria.
Cenas de violência como as de Joinville são condenáveis em quaisquer circunstâncias. E a essa barbárie acresce-se a preocupação com a proximidade da Copa. O que implica, da parte de CBF, clubes, Justiça desportiva e poder público, resposta rápida e eficiente: julgamento e punição de arruaceiros, banimento dos brigões dos estádios, como já acontece na Europa, sem prejuízo das medidas penais, e punição de clubes cujas torcidas se envolvam em atos de violência (jogar com portões fechados e, no extremo, perda de pontos e desclassificação das competições). É crucial desestimular as gangues disfarçadas de torcedores
Mudanças inadiáveis - EDITORIAL ZERO HORA
ZERO HORA - 10/12
As instituições e seus eventuais ocupantes dispõem de um diagnóstico preciso das demandas mais urgentes dos brasileiros em pesquisas recentes realizadas pelos institutos Datafolha, Ibope e MDA. No conjunto, o que prepondera é a frustração com as carências em áreas essenciais, como saúde e segurança, e a preocupação generalizada com a corrupção. Apressadamente, pode-se concluir que as pesquisas indicam o que é óbvio. Se examinadas com cuidado, dão a dimensão da importância de cada questão e oferecem subsídios para que, se de fato desejarem, as autoridades se mobilizem em busca de soluções.
É crescente, como se vê, a insatisfação com a incapacidade dos governos de corresponder às necessidades básicas. Um exemplo: 87% dos entrevistados em todo o país consideram baixa ou muito baixa a qualidade dos postos de saúde e dos hospitais. O assustador é saber que, apesar desse alto índice, não há nenhum movimento inovador no sentido de reverter uma situação que não é apenas precária _ é desrespeitosa e degradante.
Fica evidente nas amostragens que a população estabelece uma relação entre a inépcia do setor público e os desperdícios e a corrupção. Pesquisas como essas constrangem o imobilismo de governos, de parlamentares e de outras esferas de poder. É inaceitável que um país com tantas potencialidades, e que corrigiu muitas de suas imperfeições da área econômica, seja incapaz de enfrentar com a mesma determinação os desafios das demandas sociais. É sintomático que o eleitor pesquisado defenda reformas estruturais na política e identifique os próprios políticos como alvos dos protestos de junho. O principal elemento presente nos levantamentos é um inquestionável desejo de mudanças, que precisará ser captado pelos pretendentes a cargos públicos e fazer parte dos seus compromissos.
As instituições e seus eventuais ocupantes dispõem de um diagnóstico preciso das demandas mais urgentes dos brasileiros em pesquisas recentes realizadas pelos institutos Datafolha, Ibope e MDA. No conjunto, o que prepondera é a frustração com as carências em áreas essenciais, como saúde e segurança, e a preocupação generalizada com a corrupção. Apressadamente, pode-se concluir que as pesquisas indicam o que é óbvio. Se examinadas com cuidado, dão a dimensão da importância de cada questão e oferecem subsídios para que, se de fato desejarem, as autoridades se mobilizem em busca de soluções.
É crescente, como se vê, a insatisfação com a incapacidade dos governos de corresponder às necessidades básicas. Um exemplo: 87% dos entrevistados em todo o país consideram baixa ou muito baixa a qualidade dos postos de saúde e dos hospitais. O assustador é saber que, apesar desse alto índice, não há nenhum movimento inovador no sentido de reverter uma situação que não é apenas precária _ é desrespeitosa e degradante.
Fica evidente nas amostragens que a população estabelece uma relação entre a inépcia do setor público e os desperdícios e a corrupção. Pesquisas como essas constrangem o imobilismo de governos, de parlamentares e de outras esferas de poder. É inaceitável que um país com tantas potencialidades, e que corrigiu muitas de suas imperfeições da área econômica, seja incapaz de enfrentar com a mesma determinação os desafios das demandas sociais. É sintomático que o eleitor pesquisado defenda reformas estruturais na política e identifique os próprios políticos como alvos dos protestos de junho. O principal elemento presente nos levantamentos é um inquestionável desejo de mudanças, que precisará ser captado pelos pretendentes a cargos públicos e fazer parte dos seus compromissos.
Trincheiras na Venezuela - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 10/12
No primeiro teste eleitoral do presidente Nicolás Maduro, os pleitos municipais na Venezuela, realizados no domingo, evidenciaram, mais uma vez, um país dividido.
Em eleição definida como "plebiscitária" pela própria oposição, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e outras siglas governistas conquistaram um número bem maior de prefeituras e obtiveram 49% do total de votos, contra 43% da MUD (Mesa de União Democrática) e seus aliados.
Foi o que bastou para Maduro celebrar o resultado e sacar, da cartilha chavista, declarações agressivas contra seu principal adversário, Henrique Capriles. Afirmou que o líder oposicionista é "fascista e prepotente" e o exortou a deixar a política, como se as urnas houvessem dado razão para tanto.
Longe de ser o caso. A oposição voltou a vencer em quatro dos cinco municípios que formam Caracas, além de seu distrito metropolitano. Manteve Maracaibo e Valencia, segunda e terceira maiores cidades do país, e tomou dos chavistas a prefeitura de Barinas, capital do Estado natal de Hugo Chávez.
Num país conturbado como a Venezuela, é difícil precisar quem se saiu melhor. Com o desabastecimento de alimentos e produtos de primeira necessidade, a inflação galopante (já perto de 60% ao ano), a falta de dólares na praça e a insegurança crescente, uma oposição mais forte talvez tivesse amealhado mais votos.
No entanto, são conhecidos os métodos chavistas. Os meios de comunicação são praticamente monopólio do governo, e eleitores têm fundados motivos para temer represálias caso votem na oposição.
Maduro, além disso, adotou medidas tão irresponsáveis quanto populistas a fim de obter sucesso eleitoral. Ordenou, mês passado, a redução do preço de eletrodomésticos em até 50%. A ação gerou uma onda de consumo e teve impacto na campanha, chamado por analistas de "efeito TV de plasma".
Vale, portanto, o mesmo raciocínio aplicado à oposição: não seria natural esperar votação mais expressiva dos governistas?
Do ponto de vista eleitoral, o copo está meio cheio, meio vazio. Já a situação da Venezuela não pode ser relativizada da mesma maneira. Entrincheirados em seus redutos, governo e oposição recusam-se a estabelecer um diálogo saudável. Cantam vitórias de pirro num país cada vez mais em frangalhos.
No primeiro teste eleitoral do presidente Nicolás Maduro, os pleitos municipais na Venezuela, realizados no domingo, evidenciaram, mais uma vez, um país dividido.
Em eleição definida como "plebiscitária" pela própria oposição, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e outras siglas governistas conquistaram um número bem maior de prefeituras e obtiveram 49% do total de votos, contra 43% da MUD (Mesa de União Democrática) e seus aliados.
Foi o que bastou para Maduro celebrar o resultado e sacar, da cartilha chavista, declarações agressivas contra seu principal adversário, Henrique Capriles. Afirmou que o líder oposicionista é "fascista e prepotente" e o exortou a deixar a política, como se as urnas houvessem dado razão para tanto.
Longe de ser o caso. A oposição voltou a vencer em quatro dos cinco municípios que formam Caracas, além de seu distrito metropolitano. Manteve Maracaibo e Valencia, segunda e terceira maiores cidades do país, e tomou dos chavistas a prefeitura de Barinas, capital do Estado natal de Hugo Chávez.
Num país conturbado como a Venezuela, é difícil precisar quem se saiu melhor. Com o desabastecimento de alimentos e produtos de primeira necessidade, a inflação galopante (já perto de 60% ao ano), a falta de dólares na praça e a insegurança crescente, uma oposição mais forte talvez tivesse amealhado mais votos.
No entanto, são conhecidos os métodos chavistas. Os meios de comunicação são praticamente monopólio do governo, e eleitores têm fundados motivos para temer represálias caso votem na oposição.
Maduro, além disso, adotou medidas tão irresponsáveis quanto populistas a fim de obter sucesso eleitoral. Ordenou, mês passado, a redução do preço de eletrodomésticos em até 50%. A ação gerou uma onda de consumo e teve impacto na campanha, chamado por analistas de "efeito TV de plasma".
Vale, portanto, o mesmo raciocínio aplicado à oposição: não seria natural esperar votação mais expressiva dos governistas?
Do ponto de vista eleitoral, o copo está meio cheio, meio vazio. Já a situação da Venezuela não pode ser relativizada da mesma maneira. Entrincheirados em seus redutos, governo e oposição recusam-se a estabelecer um diálogo saudável. Cantam vitórias de pirro num país cada vez mais em frangalhos.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Não tenho detalhes”
Tarso Genro (PT), para quem Romeu Tuma Jr endereçou denúncias jamais apuradas
LULA IMPLANTOU ESTADO POLICIAL, DIZ ROMEU TUMA JR
O delegado Romeu Tuma Jr está pronto para atender a convite e prestar esclarecimentos ao Congresso, inclusive apresentando provas das denúncias do que chama de Estado Policial, implantado no governo Lula, no qual foi secretário nacional de Justiça por quatro anos, entre 2007 e 2010. As denúncias de perseguições e fabricação de dossiês contra adversários estão detalhadas nas 567 páginas do livro-bomba Assassinato de Reputações – Um crime de Estado (ed Topbooks, RJ).
VOLUME II A CAMINHO
Em entrevista a esta coluna, única que concedeu ontem, Romeu Tuma Jr diz que responderá a novos ataques com o Volume II do seu livro.
PRESTANDO CONTAS
Tuma Jr define o livro-bomba como “prestação de contas”, porque não pôde se defender de acusações que o fizeram deixar o cargo, em 2010.
ESQUECERAM DE MIM
Acusado de “ligações” a um suposto contrabandista, Tuma Jr jamais foi ouvido pela Polícia Federal, tampouco alvo de inquérito ou processo.
DOSSIÊS FAJUTOS
Romeu Tuma Jr contou que o ex-ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Aloizio Mercadante pediram a ele para “esquentar” dossiês fajutos.
DILMA ACABOU ÓRGÃO QUE ACABOU BRIGA EM ESTÁDIO
Dizendo-se chocada com a violência em Joinville (SC), a presidente Dilma anunciou novo factoide: a “Delegacia do Torcedor”. Mas foi o seu governo que acabou em 2011 a Câmara Técnica de Combate à Intolerância Esportiva, no Ministério da Justiça. Enquanto a Câmara existiu, por um ano, não houve um só caso de briga em estádios. A Câmara definia padrões de policiamento dentro e fora dos estádios.
DIZ QUE NÃO ESTOU
O Ministério da Justiça embromou ontem por mais de sete horas e não explicou por que o ministro José Eduardo Cardozo extinguiu a Câmara.
FOI PARA O SACO
Câmara de Combate à Intolerância Esportiva ultimava o Procedimento Policial Padrão (POP), a ser replicado em todos os estádios do País.
DE OLHO NA COPA
A Câmara elaborava o planejamento estratégico das medidas de segurança para a Copa do Mundo de 2014.
INFLUÊNCIA DE ARAQUE
Ex-futuro patrão de José Dirceu, Paulo Abreu adora se gabar da influência em tribunais, até os Superiores, o que pode induzi-los a erro, fazendo-os ignorar a jurisprudência. Mas dificilmente se dá bem.
MANDOU BEM
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) está feliz com o acordo histórico liderado pelo brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Foi ele quem alertou Dilma, após visitar Genebra, que Azevêdo poderia vencer a eleição na OMC.
POBRES SUÍÇOS
O jornal Le Matin criticou o preço de pacote de 17 dias para três jogos da Suíça na Copa: R$ 30 mil com passagens e hotel duas estrelas, fora os ingressos. Genebra é uma das cidades mais caras do mundo.
ESTÁ EXPLICADO
A revelação de que Lula foi informante do Dops, no regime militar, dá sentido à gentileza do então delegado Romeu Tuma, permitindo que o então sindicalista deixasse sua breve cadeia de 31 dias para ir ao velório da mãe. A ditadura não fazia gentilezas aos seus reais inimigos.
EXPLOSÃO CRIATIVA
Além de jogar fora R$ 160 milhões no projeto, o Brasil ainda pagou o mico de topar a inspiração maoísta imposta pela China no foguete de sensoriamento remoto: o Longa Marcha 4 B mal chegou à esquina.
CASO DE POLÍCIA
Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) entrou com pedido na Comissão de Segurança Pública da Câmara para convocar o ex-secretário de Justiça Romeu Tuma Jr para esclarecer denúncias de corrupção e de dossiês no governo PT: “Se ele tiver provas, vamos propor a criação de CPI”.
XADREZ ELEITORAL
A fim de aumentar chances de segundo turno em 2014, Eduardo Campos (PSB-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG) cogitam incentivar o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) a também disputar a Presidência.
MORTOS NÃO FALAM
Nelson Mandela, que uniu brancos e negros após o fim do apartheid na África do Sul, sem dúvida descartaria a “oportuna” visita póstuma de Lula, que já culpou “brancos de olhos azuis” pelos males do Brasil.
PENSANDO BEM...
...José Genoino é a prova (muito) viva que excesso de óleo de peroba faz mal à saúde.
PODER SEM PUDOR
CÔNSUL CEARENSE
Lucas Nogueira Garcez, governador de São Paulo, inaugurava obras em Mogi das Cruzes - onde há grande colônia japonesa - quando foi procurado por um eleitor nascido no Ceará, que lhe pediu "um cônsul".
- Um cônsul?...
- Sim, governador. Os japoneses têm cônsul e quando um deles vai preso, o cônsul solta. Os cearenses, não. Se um de nós vai preso, mofa na cadeia...
Tarso Genro (PT), para quem Romeu Tuma Jr endereçou denúncias jamais apuradas
LULA IMPLANTOU ESTADO POLICIAL, DIZ ROMEU TUMA JR
O delegado Romeu Tuma Jr está pronto para atender a convite e prestar esclarecimentos ao Congresso, inclusive apresentando provas das denúncias do que chama de Estado Policial, implantado no governo Lula, no qual foi secretário nacional de Justiça por quatro anos, entre 2007 e 2010. As denúncias de perseguições e fabricação de dossiês contra adversários estão detalhadas nas 567 páginas do livro-bomba Assassinato de Reputações – Um crime de Estado (ed Topbooks, RJ).
VOLUME II A CAMINHO
Em entrevista a esta coluna, única que concedeu ontem, Romeu Tuma Jr diz que responderá a novos ataques com o Volume II do seu livro.
PRESTANDO CONTAS
Tuma Jr define o livro-bomba como “prestação de contas”, porque não pôde se defender de acusações que o fizeram deixar o cargo, em 2010.
ESQUECERAM DE MIM
Acusado de “ligações” a um suposto contrabandista, Tuma Jr jamais foi ouvido pela Polícia Federal, tampouco alvo de inquérito ou processo.
DOSSIÊS FAJUTOS
Romeu Tuma Jr contou que o ex-ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Aloizio Mercadante pediram a ele para “esquentar” dossiês fajutos.
DILMA ACABOU ÓRGÃO QUE ACABOU BRIGA EM ESTÁDIO
Dizendo-se chocada com a violência em Joinville (SC), a presidente Dilma anunciou novo factoide: a “Delegacia do Torcedor”. Mas foi o seu governo que acabou em 2011 a Câmara Técnica de Combate à Intolerância Esportiva, no Ministério da Justiça. Enquanto a Câmara existiu, por um ano, não houve um só caso de briga em estádios. A Câmara definia padrões de policiamento dentro e fora dos estádios.
DIZ QUE NÃO ESTOU
O Ministério da Justiça embromou ontem por mais de sete horas e não explicou por que o ministro José Eduardo Cardozo extinguiu a Câmara.
FOI PARA O SACO
Câmara de Combate à Intolerância Esportiva ultimava o Procedimento Policial Padrão (POP), a ser replicado em todos os estádios do País.
DE OLHO NA COPA
A Câmara elaborava o planejamento estratégico das medidas de segurança para a Copa do Mundo de 2014.
INFLUÊNCIA DE ARAQUE
Ex-futuro patrão de José Dirceu, Paulo Abreu adora se gabar da influência em tribunais, até os Superiores, o que pode induzi-los a erro, fazendo-os ignorar a jurisprudência. Mas dificilmente se dá bem.
MANDOU BEM
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) está feliz com o acordo histórico liderado pelo brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Foi ele quem alertou Dilma, após visitar Genebra, que Azevêdo poderia vencer a eleição na OMC.
POBRES SUÍÇOS
O jornal Le Matin criticou o preço de pacote de 17 dias para três jogos da Suíça na Copa: R$ 30 mil com passagens e hotel duas estrelas, fora os ingressos. Genebra é uma das cidades mais caras do mundo.
ESTÁ EXPLICADO
A revelação de que Lula foi informante do Dops, no regime militar, dá sentido à gentileza do então delegado Romeu Tuma, permitindo que o então sindicalista deixasse sua breve cadeia de 31 dias para ir ao velório da mãe. A ditadura não fazia gentilezas aos seus reais inimigos.
EXPLOSÃO CRIATIVA
Além de jogar fora R$ 160 milhões no projeto, o Brasil ainda pagou o mico de topar a inspiração maoísta imposta pela China no foguete de sensoriamento remoto: o Longa Marcha 4 B mal chegou à esquina.
CASO DE POLÍCIA
Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) entrou com pedido na Comissão de Segurança Pública da Câmara para convocar o ex-secretário de Justiça Romeu Tuma Jr para esclarecer denúncias de corrupção e de dossiês no governo PT: “Se ele tiver provas, vamos propor a criação de CPI”.
XADREZ ELEITORAL
A fim de aumentar chances de segundo turno em 2014, Eduardo Campos (PSB-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG) cogitam incentivar o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) a também disputar a Presidência.
MORTOS NÃO FALAM
Nelson Mandela, que uniu brancos e negros após o fim do apartheid na África do Sul, sem dúvida descartaria a “oportuna” visita póstuma de Lula, que já culpou “brancos de olhos azuis” pelos males do Brasil.
PENSANDO BEM...
...José Genoino é a prova (muito) viva que excesso de óleo de peroba faz mal à saúde.
PODER SEM PUDOR
CÔNSUL CEARENSE
Lucas Nogueira Garcez, governador de São Paulo, inaugurava obras em Mogi das Cruzes - onde há grande colônia japonesa - quando foi procurado por um eleitor nascido no Ceará, que lhe pediu "um cônsul".
- Um cônsul?...
- Sim, governador. Os japoneses têm cônsul e quando um deles vai preso, o cônsul solta. Os cearenses, não. Se um de nós vai preso, mofa na cadeia...
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Desatando o nó: Governo autoriza cinco novos portos privados no país
- Folha: ‘Lista da propina’ de fiscal cita construtoras e hospitais
- Estadão: Lista de propina do ISS tem shopping e grandes empresas
- Zero Hora: Voto aberto é colocado à prova no Congresso
- Brasil Econômico: Defasagem do preço de óleo para indústria é de 15%
- Correio Braziliense: Futebol brasileiro é refém de 30 torcidas
- Estado de Minas: Cerco a moradores de rua
- Jornal do Commercio: Médico indiciado por morte após cirurgia
segunda-feira, dezembro 09, 2013
Moral da história - LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP - 09/12
No Brasil, muitos juízes acham que devem fazer (in)justiça social com as próprias mãos
Hoje vou contar uns casos para você. Aproximam-se o Natal e o Ano-Novo, e sempre pensamos o que poderia ser diferente no Brasil. Eu, diferentemente daqueles que creem em modas como "consciência política" (para mim isso é uma coisa tão real quanto carma), espero que um dia o Brasil se livre de sua inhaca de ser um país no qual quem dá emprego é visto como bandido. Porque, ao contrário do que diz a moçada da "justiça social" (carma...), quem dá emprego é quem faz verdadeira justiça social.
Imaginem uma jovem empresária cheia de vida e fé no seu negócio. Isso aconteceu alguns anos atrás, hoje ela se transformou numa cética com relação ao valor da atividade do pequeno e médio empresário brasileiro, porque acha que só ingênuo e mal informado dá emprego no Brasil.
Um dia sua loja de produtos finos foi assaltada em plena luz do dia. Ela e sua sócia tiveram suas vidas ameaçadas. Vários talões de cheques da empresa roubados do cofre. Não tinha muito dinheiro em "cash", por sorte.
Na sequência, se inicia a via crúcis para cancelar os talões e fazer o BO. Horas em delegacias com funcionários que complicavam as coisas com clara intenção de, quem sabe, garantir um "extra".
Alguns dias depois, a dona de um pequeno restaurante fora de São Paulo liga para elas dizendo que um grupo grande de homens havia passado um cheque de sua empresa como pagamento de uma festa que eles tinham dado no restaurante dela. Nossa jovem empresária, prontamente, informa à mulher que a loja tinha sido assaltada, que esses talões estavam cancelados e que tinha a documentação necessária para comprovar o relato, e, portanto, sentia muito, mas o cheque não tinha qualquer valor.
Claro que a dona do pequeno restaurante não quis saber e "pôs elas no pau". Foram obrigadas a depositar em juízo. Quando da audiência, após apresentar toda a documentação, o juiz decidiu que sim, elas deveriam pagar o cheque.
Quando questionado em sua decisão (já que elas tinham sido vítimas de um assalto!), o juiz as ameaçou dizendo que, caso não aceitassem a decisão, o processo se alongaria e sairia mais caro para elas. Ao ser indagado acerca da injustiça que ele cometia ao obrigá-las a pagar por um gasto que não fizeram, o juiz soltou a pérola de costume: "As senhoras são ricas, podem pagar por isso".
Eis o juiz fazendo caridade com a grana alheia. Comunista gosta de distribuir o dinheiro dos outros. No Brasil, muitos juízes acham que devem fazer (in)justiça social com as próprias mãos.
Moral da história: as empresárias foram roubadas duas vezes, uma pelos ladrões, outra pelo Estado.
Outro caso. Funcionário rouba o patrão. Ele demite o funcionário por justa causa. Abre processo na Justiça comum contra o funcionário. O juiz do trabalho decide que o patrão deve pagar "todos os direitos trabalhistas" do funcionário sob alegação de que uma coisa é roubar, outra é ser demitido. Risadas? Claro, o juiz do trabalho argumentou que as duas Justiças "não se comunicam" e que os direitos trabalhistas são inquestionáveis.
A questão é: afinal, roubar não seria causa suficiente para você demitir alguém? O problema é que cá nestas terras demitir é crime. O Brasil é mesmo o fim da picada.
Moral da história: o empresário foi roubado duas vezes, uma pelo funcionário ladrão, outra pelo Estado.
Mais um. Jovem empresário de uma cidade em outro Estado faz uma reforma na fachada de sua loja. Fica muito bonita. Dias depois, roubam quase tudo dessa fachada.
No Brasil, tudo é roubável. A fachada fica destruída. Passados poucos dias, aparece aquele cara chamado "fiscal da prefeitura". O "amigo" avisa ao empresário que vai lhe passar uma bela multa, a não ser que ele seja razoável. O jovem empresário, munido da fé comum daqueles que creem que escândalos com fiscais é coisa rara, argumenta e apresenta documentação provando a destruição criminosa e o roubo. Não adianta, o "representante do bem público", leia-se, o fiscal, lhe apresenta uma multa enorme.
Moral da história: o jovem empresário foi roubado duas vezes, uma pelo ladrão, outra pelo Estado.
No Brasil, muitos juízes acham que devem fazer (in)justiça social com as próprias mãos
Hoje vou contar uns casos para você. Aproximam-se o Natal e o Ano-Novo, e sempre pensamos o que poderia ser diferente no Brasil. Eu, diferentemente daqueles que creem em modas como "consciência política" (para mim isso é uma coisa tão real quanto carma), espero que um dia o Brasil se livre de sua inhaca de ser um país no qual quem dá emprego é visto como bandido. Porque, ao contrário do que diz a moçada da "justiça social" (carma...), quem dá emprego é quem faz verdadeira justiça social.
Imaginem uma jovem empresária cheia de vida e fé no seu negócio. Isso aconteceu alguns anos atrás, hoje ela se transformou numa cética com relação ao valor da atividade do pequeno e médio empresário brasileiro, porque acha que só ingênuo e mal informado dá emprego no Brasil.
Um dia sua loja de produtos finos foi assaltada em plena luz do dia. Ela e sua sócia tiveram suas vidas ameaçadas. Vários talões de cheques da empresa roubados do cofre. Não tinha muito dinheiro em "cash", por sorte.
Na sequência, se inicia a via crúcis para cancelar os talões e fazer o BO. Horas em delegacias com funcionários que complicavam as coisas com clara intenção de, quem sabe, garantir um "extra".
Alguns dias depois, a dona de um pequeno restaurante fora de São Paulo liga para elas dizendo que um grupo grande de homens havia passado um cheque de sua empresa como pagamento de uma festa que eles tinham dado no restaurante dela. Nossa jovem empresária, prontamente, informa à mulher que a loja tinha sido assaltada, que esses talões estavam cancelados e que tinha a documentação necessária para comprovar o relato, e, portanto, sentia muito, mas o cheque não tinha qualquer valor.
Claro que a dona do pequeno restaurante não quis saber e "pôs elas no pau". Foram obrigadas a depositar em juízo. Quando da audiência, após apresentar toda a documentação, o juiz decidiu que sim, elas deveriam pagar o cheque.
Quando questionado em sua decisão (já que elas tinham sido vítimas de um assalto!), o juiz as ameaçou dizendo que, caso não aceitassem a decisão, o processo se alongaria e sairia mais caro para elas. Ao ser indagado acerca da injustiça que ele cometia ao obrigá-las a pagar por um gasto que não fizeram, o juiz soltou a pérola de costume: "As senhoras são ricas, podem pagar por isso".
Eis o juiz fazendo caridade com a grana alheia. Comunista gosta de distribuir o dinheiro dos outros. No Brasil, muitos juízes acham que devem fazer (in)justiça social com as próprias mãos.
Moral da história: as empresárias foram roubadas duas vezes, uma pelos ladrões, outra pelo Estado.
Outro caso. Funcionário rouba o patrão. Ele demite o funcionário por justa causa. Abre processo na Justiça comum contra o funcionário. O juiz do trabalho decide que o patrão deve pagar "todos os direitos trabalhistas" do funcionário sob alegação de que uma coisa é roubar, outra é ser demitido. Risadas? Claro, o juiz do trabalho argumentou que as duas Justiças "não se comunicam" e que os direitos trabalhistas são inquestionáveis.
A questão é: afinal, roubar não seria causa suficiente para você demitir alguém? O problema é que cá nestas terras demitir é crime. O Brasil é mesmo o fim da picada.
Moral da história: o empresário foi roubado duas vezes, uma pelo funcionário ladrão, outra pelo Estado.
Mais um. Jovem empresário de uma cidade em outro Estado faz uma reforma na fachada de sua loja. Fica muito bonita. Dias depois, roubam quase tudo dessa fachada.
No Brasil, tudo é roubável. A fachada fica destruída. Passados poucos dias, aparece aquele cara chamado "fiscal da prefeitura". O "amigo" avisa ao empresário que vai lhe passar uma bela multa, a não ser que ele seja razoável. O jovem empresário, munido da fé comum daqueles que creem que escândalos com fiscais é coisa rara, argumenta e apresenta documentação provando a destruição criminosa e o roubo. Não adianta, o "representante do bem público", leia-se, o fiscal, lhe apresenta uma multa enorme.
Moral da história: o jovem empresário foi roubado duas vezes, uma pelo ladrão, outra pelo Estado.
Cinemas de calçada - MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 08/12
Os cinemas em shoppings possuem um conforto e uma qualidade técnica que só confirma a evolução do setor, mas atire a primeira pipoca quem não sente saudades dos cinemas de bairro.
Como passei dos 11 aos 25 anos morando na D. Pedro II, o Astor era o mais perto de casa. Situado na esquina da Benjamim com a Cristóvão, tinha uma fachada imponente e era vizinho do cineteatro Presidente (onde nunca vi filmes, só shows). Foi no Astor que assisti Laranja Mecânica e E.T.
E havia o cine Colombo ali perto, acho que um dos primeiros a fechar, pois só recordo de ter ido lá quando criança, em turma, fazendo uma bagunça na primeira fila que atordoava os adultos sentados atrás de nós. Mas o que adultos faziam assistindo aos filmes do J.B.Tanko, como Som, Amor e Curtição?
Teve a fase do Coral, em frente ao Parcão, com sua imensa escadaria que nos reconduzia à realidade ao deixarmos a sala escura. Foi lá que assisti, aos 14 anos, meu primeiro filme proibido para menores de 18. Minha mãe me emprestou seus óculos escuros e cruzei o saguão feito uma Jackie Onassis mirim para assistirmos juntas a Nosso Amor de Ontem, com Barbra Streisand. E na véspera de um aniversário, quando bateu meia-noite e passei dos 16 para os 17 anos, estava dentro do Coral também, assistindo ao The Last Waltz, antológico show de despedida da The Band, filmado por Martin Scorsese. Bem melhor do que ouvir Parabéns a Você.
Difícil imaginar que houve um tempo em que eu ficava facilmente acordada à meia-noite, ainda mais dentro de um cinema. Como esquecer as sessões da madrugada no ABC, na Venâncio? Woodstock e Blade Runner foram vistos lá. Assisti Blade Runner apenas uma vez, sou um caso a ser estudado pela ciência. Na época, quem assistia menos, assistia quatro ou cinco vezes.
Perto do ABC tinha o Avenida, na João Pessoa, onde fui introduzida pela primeira vez à obra de Pedro Almodóvar com seu hilário Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.
O Vogue, na Independência, era meu reduto depois das aulas da faculdade. Foi lá que assisti obras políticas como Sacco & Vanzzetti, A Batalha de Argel e todos os do Costa Gavras, e foi lá também que assisti ao primeiro filme com o primeiro namorado (Jonas, que Terá 25 Anos no Ano 2000 – nome do filme, não do namorado).
No Centro, tinha o Imperial e o Cacique, lado a lado. Difícil lembrar em qual deles assisti, recém liberado pela censura, a O Último Tango em Paris ao lado do meu irmão, na única vez em que fomos ao cinema juntos depois de virarmos gente grande (eu com 18, ele com 16). E foi no Cine Victória, na Borges, que me encantei com A Marvada Carne, que segue na lista dos meus filmes nacionais preferidos.
Nunca fui ao Capitólio.
Por fim, a dobradinha Baltimore e Bristol, na Oswaldo Aranha. O Bristol era cult, com sua pequeníssima sala no segundo andar, alcançável por uma escada estreita onde nos espremíamos em filas para assistir aos ciclos do Godard. Já o Baltimore tinha uma programação mais comercial. Foi onde assisti a Uma Linda Mulher, já que filme cabeça todo dia não dá.
Qual o mais inesquecível dos cinemas? Na verdade, ficava a 200km de Porto Alegre: era o da SAPT de Torres, onde assisti desde os filmes do Roberto Carlos até 2001, Uma Odisseia no Espaço, sempre batendo com os pés no chão antes do início, fazendo barulho no assoalho de madeira para marcar aqueles anos que não voltariam mais.
Os cinemas em shoppings possuem um conforto e uma qualidade técnica que só confirma a evolução do setor, mas atire a primeira pipoca quem não sente saudades dos cinemas de bairro.
Como passei dos 11 aos 25 anos morando na D. Pedro II, o Astor era o mais perto de casa. Situado na esquina da Benjamim com a Cristóvão, tinha uma fachada imponente e era vizinho do cineteatro Presidente (onde nunca vi filmes, só shows). Foi no Astor que assisti Laranja Mecânica e E.T.
E havia o cine Colombo ali perto, acho que um dos primeiros a fechar, pois só recordo de ter ido lá quando criança, em turma, fazendo uma bagunça na primeira fila que atordoava os adultos sentados atrás de nós. Mas o que adultos faziam assistindo aos filmes do J.B.Tanko, como Som, Amor e Curtição?
Teve a fase do Coral, em frente ao Parcão, com sua imensa escadaria que nos reconduzia à realidade ao deixarmos a sala escura. Foi lá que assisti, aos 14 anos, meu primeiro filme proibido para menores de 18. Minha mãe me emprestou seus óculos escuros e cruzei o saguão feito uma Jackie Onassis mirim para assistirmos juntas a Nosso Amor de Ontem, com Barbra Streisand. E na véspera de um aniversário, quando bateu meia-noite e passei dos 16 para os 17 anos, estava dentro do Coral também, assistindo ao The Last Waltz, antológico show de despedida da The Band, filmado por Martin Scorsese. Bem melhor do que ouvir Parabéns a Você.
Difícil imaginar que houve um tempo em que eu ficava facilmente acordada à meia-noite, ainda mais dentro de um cinema. Como esquecer as sessões da madrugada no ABC, na Venâncio? Woodstock e Blade Runner foram vistos lá. Assisti Blade Runner apenas uma vez, sou um caso a ser estudado pela ciência. Na época, quem assistia menos, assistia quatro ou cinco vezes.
Perto do ABC tinha o Avenida, na João Pessoa, onde fui introduzida pela primeira vez à obra de Pedro Almodóvar com seu hilário Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.
O Vogue, na Independência, era meu reduto depois das aulas da faculdade. Foi lá que assisti obras políticas como Sacco & Vanzzetti, A Batalha de Argel e todos os do Costa Gavras, e foi lá também que assisti ao primeiro filme com o primeiro namorado (Jonas, que Terá 25 Anos no Ano 2000 – nome do filme, não do namorado).
No Centro, tinha o Imperial e o Cacique, lado a lado. Difícil lembrar em qual deles assisti, recém liberado pela censura, a O Último Tango em Paris ao lado do meu irmão, na única vez em que fomos ao cinema juntos depois de virarmos gente grande (eu com 18, ele com 16). E foi no Cine Victória, na Borges, que me encantei com A Marvada Carne, que segue na lista dos meus filmes nacionais preferidos.
Nunca fui ao Capitólio.
Por fim, a dobradinha Baltimore e Bristol, na Oswaldo Aranha. O Bristol era cult, com sua pequeníssima sala no segundo andar, alcançável por uma escada estreita onde nos espremíamos em filas para assistir aos ciclos do Godard. Já o Baltimore tinha uma programação mais comercial. Foi onde assisti a Uma Linda Mulher, já que filme cabeça todo dia não dá.
Qual o mais inesquecível dos cinemas? Na verdade, ficava a 200km de Porto Alegre: era o da SAPT de Torres, onde assisti desde os filmes do Roberto Carlos até 2001, Uma Odisseia no Espaço, sempre batendo com os pés no chão antes do início, fazendo barulho no assoalho de madeira para marcar aqueles anos que não voltariam mais.
O sobradinho do vovô - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 09/12
RIO DE JANEIRO - Deu no jornal: a casa da família da presidente Dilma Rousseff em Uberaba (494 km de Belo Horizonte) foi declarada patrimônio histórico. É uma construção de 1938, de porta, janela e varanda com escadinha, como tantas. Em solteira, a mãe de Dilma morou ali com os pais. Casou-se com Pedro Rousseff e os dois se mudaram para Belo Horizonte, onde Dilma nasceu, em 1947. A menina só conheceu a casa nas vezes em que voltou à cidade para visitar o avô. Deve ter rabiscado seu nome a lápis em algumas paredes, não mais.
Para um imóvel se tornar patrimônio histórico, submete-se a um processo que o considere de utilidade pública. Daí é tombado e desapropriado, pagando-se ao proprietário um valor arbitrado por um órgão oficial. A casa, vazia e em mau estado, ainda pertence à família de Dilma. A ideia é transformá-la num memorial dos presidentes brasileiros, com os recursos do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e do Ministério da Cultura.
O prédio não tem qualquer interesse arquitetônico ou histórico, mas o prefeito de Uberaba é aliado político de Dilma e capaz de envolver órgãos federais nesse ato de puxa-saquismo explícito. Houve quem se revoltasse ao ler a notícia, mas prefiro vê-la por um ângulo otimista.
Se há dinheiro para salvar o sobradinho do vovô, não deverá faltar para recuperar, por exemplo, as magníficas edificações da antiga Universidade do Brasil, na Praia Vermelha, construídas por d. Pedro 2º, em 1852. A Reitoria era originalmente o Hospital dos Alienados, onde Lima Barreto foi internado em 1914 e 1919. A cultura brasileira deve muito ao complexo por inteiro. Na Faculdade de Arquitetura, aconteceu em 1959 o primeiro grande show de bossa nova.
Ao passar por ali, hoje, a sensação é de abandono. Mas o MinC parece ter outras prioridades em matéria de patrimônio histórico.
RIO DE JANEIRO - Deu no jornal: a casa da família da presidente Dilma Rousseff em Uberaba (494 km de Belo Horizonte) foi declarada patrimônio histórico. É uma construção de 1938, de porta, janela e varanda com escadinha, como tantas. Em solteira, a mãe de Dilma morou ali com os pais. Casou-se com Pedro Rousseff e os dois se mudaram para Belo Horizonte, onde Dilma nasceu, em 1947. A menina só conheceu a casa nas vezes em que voltou à cidade para visitar o avô. Deve ter rabiscado seu nome a lápis em algumas paredes, não mais.
Para um imóvel se tornar patrimônio histórico, submete-se a um processo que o considere de utilidade pública. Daí é tombado e desapropriado, pagando-se ao proprietário um valor arbitrado por um órgão oficial. A casa, vazia e em mau estado, ainda pertence à família de Dilma. A ideia é transformá-la num memorial dos presidentes brasileiros, com os recursos do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e do Ministério da Cultura.
O prédio não tem qualquer interesse arquitetônico ou histórico, mas o prefeito de Uberaba é aliado político de Dilma e capaz de envolver órgãos federais nesse ato de puxa-saquismo explícito. Houve quem se revoltasse ao ler a notícia, mas prefiro vê-la por um ângulo otimista.
Se há dinheiro para salvar o sobradinho do vovô, não deverá faltar para recuperar, por exemplo, as magníficas edificações da antiga Universidade do Brasil, na Praia Vermelha, construídas por d. Pedro 2º, em 1852. A Reitoria era originalmente o Hospital dos Alienados, onde Lima Barreto foi internado em 1914 e 1919. A cultura brasileira deve muito ao complexo por inteiro. Na Faculdade de Arquitetura, aconteceu em 1959 o primeiro grande show de bossa nova.
Ao passar por ali, hoje, a sensação é de abandono. Mas o MinC parece ter outras prioridades em matéria de patrimônio histórico.
Minha tia não usava calcinha - TONY BELLOTO
O GLOBO - 08/12
Pergunto-me que efeito terão as peças antiestupro no imaginário masculino
Calcinha antiestupro
Foi desenvolvida nos Estados Unidos a calcinha antiestupro, uma peça de tecido resistente, impossível de ser rompido por lâminas, tesouras ou dentes afiados, de modelo sutilmente mas não exageradamente sexy — lembra um shortinho justo —, que adere firmemente aos quadris e pelve de quem a veste, cuja abertura é controlada não por botão, ou zíper, mas por cadeado que só pode ser desativado com senha memorizada pela usuária. O produto estará à disposição no mercado a partir de julho do ano que vem.
Mike Tyson
Feministas reclamam, afirmando que os criadores da calcinha antiestupro “sugerem que a mulher é parcialmente responsável, por não recusar o ato com clareza.” Ou seja, as feministas acusam os criadores da engenhoca de insinuar que mulheres precisam de proteção contra si mesmas para não incentivar o ato do estupro. Elas se rebelam com razão contra a ideia machista de que mulheres estupradas são de alguma forma responsáveis por “provocar” seus agressores.
“Porra, foi até o quarto do Mike Tyson sozinha, de minissaia… tá querendo o quê?”
Papo calcinha
Independentemente das implicações políticas da peça — uma versão up to date do cinto de castidade —, a calcinha antiestupro pode render situações cômicas, como a da garota precavida que vai para a balada vestida com sua calcinha protetora e, depois de beber umas e outras, ao se encantar com um mancebo com quem decide fazer sexo, não consegue se lembrar da senha na hora de se despir.
“Já tentou o CIC?”, pergunta o rapaz, impaciente.
“Que CIC o quê…é a data de aniversário do meu pai… em que ano mesmo nasceu aquele maluco? 1968 ou 1969?”
Ou o caso mais prosaico da mocinha obediente que, munida de sua calcinha antiestupro por sugestão da mãe preocupada, depois de beber o quinto chope esquece-se da senha na hora de ir ao banheiro.
“Meu amor, voltou cedo… aconteceu alguma coisa ruim?”
“Não, mãe, tudo certo. Esqueci a senha.”
“Esqueceu? Tentaram alguma coisa com você?”
“Nada, não fui estuprada. Só fiz xixi na calça.”
Kátia Flávia
Pergunto-me que efeito terão as calcinhas antiestupro no imaginário masculino. Nos parágrafos de abertura do romance “Misto-quente”, Charles Bukowski evoca suas primeiras lembranças descrevendo a visão de um menino sob uma mesa olhando pernas de adultos que se movimentam à sua volta. Lembro de situações semelhantes em que ficava sob a mesa (ou a escada) ansiando pelo vislumbre de uma calcinha. Para um menino, a visão de uma calcinha é sempre impactante e reveladora das complexidades do mundo. Garotos gastam muito tempo de suas infâncias e adolescências em busca de relances de uma calcinha. Não importa que essa visão seja dificultada por saias, minissaias, vestidos, batas, shortinhos ou uniformes escolares. Quando se avista uma calcinha experimenta-se a sensação de vitória. Até mesmo meninos afegãos de comunidades talibãs anseiam pela visão de calcinhas brancas sob burcas negras.
Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, personagem da canção de Fausto Fawcett, uma “gostosona que só usa calcinhas comestíveis e bélicas, dessas com armamentos bordados”, depois de roubar um carro da polícia, avisa pelo rádio: “Alô, polícia! Eu tô usando um Exocet-calcinha! Calcinha bordadinha, calcinha de rendinha, calcinha geladinha…”
A canção não nos revela qual foi a reação dos policiais às provocações da louraça enlouquecida.
Maio de 1968
Em 1968 passei alguns meses na Europa por conta de pesquisas acadêmicas que meus pais realizavam. Enquanto eles viajavam pelo continente, eu e minha irmã ficávamos aos cuidados de nossa avó paterna, hospedados em casa de parentes na Póvoa do Rio de Moinhos, uma aldeia de 500 habitantes localizada na Beira Baixa, região central de Portugal. Eu tinha oito anos. Numa manhã saí em companhia de uma tia, a tia Saraiva, para acompanhá-la em sua rotina de colher couves e batatas pelos campos. A tia se parecia com uma bruxa, vestida de preto, com um nariz enorme, rosto enrugado e boca banguela. Tia Saraiva me colocou sobre uma mula enquanto caminhava ao meu lado por uma estradinha cercada de muros medievais que demarcavam terrenos com oliveiras. A mula, acostumada ao trajeto, mantinha o passo mesmo quando tia Saraiva se afastava momentaneamente para pegar um galho de árvore ou observar o voo de um pássaro. Numa curva, perdi a tia de vista e, sem saber como desmontar da mula, achei que me perderia para sempre naquele lugar estranho e desolado. Virei o rosto desesperado e a avistei de pé no meio da estrada, com as pernas abertas, urinando. Minha tia não usava calcinha. Ainda que muitas mulheres pelo mundo estivessem naquele momento queimando sutiãs em protesto contra a opressão masculina, foi observando aquela velha camponesa urinar que compreendi pela primeira vez a força da mulher.
Pergunto-me que efeito terão as peças antiestupro no imaginário masculino
Calcinha antiestupro
Foi desenvolvida nos Estados Unidos a calcinha antiestupro, uma peça de tecido resistente, impossível de ser rompido por lâminas, tesouras ou dentes afiados, de modelo sutilmente mas não exageradamente sexy — lembra um shortinho justo —, que adere firmemente aos quadris e pelve de quem a veste, cuja abertura é controlada não por botão, ou zíper, mas por cadeado que só pode ser desativado com senha memorizada pela usuária. O produto estará à disposição no mercado a partir de julho do ano que vem.
Mike Tyson
Feministas reclamam, afirmando que os criadores da calcinha antiestupro “sugerem que a mulher é parcialmente responsável, por não recusar o ato com clareza.” Ou seja, as feministas acusam os criadores da engenhoca de insinuar que mulheres precisam de proteção contra si mesmas para não incentivar o ato do estupro. Elas se rebelam com razão contra a ideia machista de que mulheres estupradas são de alguma forma responsáveis por “provocar” seus agressores.
“Porra, foi até o quarto do Mike Tyson sozinha, de minissaia… tá querendo o quê?”
Papo calcinha
Independentemente das implicações políticas da peça — uma versão up to date do cinto de castidade —, a calcinha antiestupro pode render situações cômicas, como a da garota precavida que vai para a balada vestida com sua calcinha protetora e, depois de beber umas e outras, ao se encantar com um mancebo com quem decide fazer sexo, não consegue se lembrar da senha na hora de se despir.
“Já tentou o CIC?”, pergunta o rapaz, impaciente.
“Que CIC o quê…é a data de aniversário do meu pai… em que ano mesmo nasceu aquele maluco? 1968 ou 1969?”
Ou o caso mais prosaico da mocinha obediente que, munida de sua calcinha antiestupro por sugestão da mãe preocupada, depois de beber o quinto chope esquece-se da senha na hora de ir ao banheiro.
“Meu amor, voltou cedo… aconteceu alguma coisa ruim?”
“Não, mãe, tudo certo. Esqueci a senha.”
“Esqueceu? Tentaram alguma coisa com você?”
“Nada, não fui estuprada. Só fiz xixi na calça.”
Kátia Flávia
Pergunto-me que efeito terão as calcinhas antiestupro no imaginário masculino. Nos parágrafos de abertura do romance “Misto-quente”, Charles Bukowski evoca suas primeiras lembranças descrevendo a visão de um menino sob uma mesa olhando pernas de adultos que se movimentam à sua volta. Lembro de situações semelhantes em que ficava sob a mesa (ou a escada) ansiando pelo vislumbre de uma calcinha. Para um menino, a visão de uma calcinha é sempre impactante e reveladora das complexidades do mundo. Garotos gastam muito tempo de suas infâncias e adolescências em busca de relances de uma calcinha. Não importa que essa visão seja dificultada por saias, minissaias, vestidos, batas, shortinhos ou uniformes escolares. Quando se avista uma calcinha experimenta-se a sensação de vitória. Até mesmo meninos afegãos de comunidades talibãs anseiam pela visão de calcinhas brancas sob burcas negras.
Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, personagem da canção de Fausto Fawcett, uma “gostosona que só usa calcinhas comestíveis e bélicas, dessas com armamentos bordados”, depois de roubar um carro da polícia, avisa pelo rádio: “Alô, polícia! Eu tô usando um Exocet-calcinha! Calcinha bordadinha, calcinha de rendinha, calcinha geladinha…”
A canção não nos revela qual foi a reação dos policiais às provocações da louraça enlouquecida.
Maio de 1968
Em 1968 passei alguns meses na Europa por conta de pesquisas acadêmicas que meus pais realizavam. Enquanto eles viajavam pelo continente, eu e minha irmã ficávamos aos cuidados de nossa avó paterna, hospedados em casa de parentes na Póvoa do Rio de Moinhos, uma aldeia de 500 habitantes localizada na Beira Baixa, região central de Portugal. Eu tinha oito anos. Numa manhã saí em companhia de uma tia, a tia Saraiva, para acompanhá-la em sua rotina de colher couves e batatas pelos campos. A tia se parecia com uma bruxa, vestida de preto, com um nariz enorme, rosto enrugado e boca banguela. Tia Saraiva me colocou sobre uma mula enquanto caminhava ao meu lado por uma estradinha cercada de muros medievais que demarcavam terrenos com oliveiras. A mula, acostumada ao trajeto, mantinha o passo mesmo quando tia Saraiva se afastava momentaneamente para pegar um galho de árvore ou observar o voo de um pássaro. Numa curva, perdi a tia de vista e, sem saber como desmontar da mula, achei que me perderia para sempre naquele lugar estranho e desolado. Virei o rosto desesperado e a avistei de pé no meio da estrada, com as pernas abertas, urinando. Minha tia não usava calcinha. Ainda que muitas mulheres pelo mundo estivessem naquele momento queimando sutiãs em protesto contra a opressão masculina, foi observando aquela velha camponesa urinar que compreendi pela primeira vez a força da mulher.
Procriar e criar - LÚCIA GUIMARÃES
O Estado de S.Paulo - 09/12
Quando pesquisamos romancistas americanos na Wikipédia, encontramos uma subcategoria "Romancistas Mulheres" ("Female Novelists"). O substantivo romancista pode ser neutro, mas a existência da categoria sugere falta de neutralidade na percepção da criatividade literária feminina.
O detalhe me ocorreu quando alguém chamou a atenção sobre a indignada reação ao argumento da escritora Lauren Sandler, autora do livro One and Only: The Freedom of Having an Only Child, and the Joy of Being One (Um e Único: A Liberdade de Ter um Único Filho e a Alegria de Ser Uma Filha Única).
Sandler conta que, quando pesquisava o livro, descobriu quantas heroínas suas na literatura só tiveram um filho. A lista inclui Mary McCarthy, Margaret Atwood, Joan Didion, Susan Sontag e Margaret Atwood. Num artigo na revista Atlantic Monthly, em junho passado, Sandler defendeu sua tese citando uma resposta da romancista Alice Walker: "Com uma criança você pode se movimentar. Com mais de uma, se torna uma 'sitting duck'," e aqui destaco a expressão idiomática que alude a um pato sentado, ou seja, uma presa fácil para o caçador.
A ideia da maternidade como condição de vítima não é nova, claro, mas encontra uma angustiada audiência neste país onde vemos, cada vez mais, que criar uma criança deixa de ser visto como um esforço que deve envolver toda a sociedade - na escassez de creches, no desmonte do outrora orgulhoso sistema de educação pública e na falta de flexibilidade de empresas que punem a maternidade e a paternidade. Então, a privatização do que era visto como de interesse de todos inspira uma indústria de ansiedade e acusações.
A reação veio rápida e de romancistas cuja criatividade não pode ser questionada. Zadie Smith, dois filhos, autora de Dentes Brancos e Sobre a Beleza, protestou na seção de comentários. Lembrou que Charles Dickens e Tolstoi tiveram dez filhos cada um e sua obra não foi julgada com base na prole numerosa. O problema que aflige escritoras ou operárias, lembrou Smith, é a falta de tempo resultante da falta de apoio social e comunitário.
Jane Smiley, ganhadora do Pulitzer com A Herdade, 23 livros, três filhos e dois enteados no currículo, endossou o protesto, dizendo que sua obra prolífica é afilhada da generosa cidade do Estado de Iowa onde viveu vários anos com as crianças.
No filme Antes da Meia Noite, última parte da trilogia que começou com Antes do Amanhecer e continuou com Antes do Por do Sol, a personagem vivida por Julie Delpy revela seu ressentimento, quase 20 anos depois de encontrar o marido, vivido por Ethan Hawk. De férias na Grécia com as duas filhas, ela acusa o marido escritor de nunca ter deixado de ser criativo. Diz que ela tem o trabalho estável, toma conta da casa e das crianças. "E eu, quando tenho tempo para ser criativa?"
A estátua de Clarice Lispector na Praça Maciel Pinheiro, em Recife, representa a romancista com a máquina de escrever no colo porque era esta a sua rotina - trabalhar sentada no sofá com os filhos por perto. A mais admirada "romancista mulher" brasileira teve dois filhos e a nossa mais admirada poeta, Cecília Meireles, teve três filhas. Ana Maria Machado? Dois filhos e uma filha.
O que não significa, é claro, dizer que a falta de filhos é uma desvantagem criativa. A romancista Hilda Hilst não teve filhos. Seu pai era esquizofrênico. Ela contou que, depois de conversar com um médico sobre os riscos da hereditariedade da doença mental, desistiu de ser mãe.
Não fiz uma pesquisa como a autora Lauren Sandler, que foi buscar causa e efeito por conveniência própria. A ideia de que a imaginação pode ser embotada pela presença de múltiplos filhos é absurda. Se perguntarmos às artistas que conhecemos: conseguem separar sua imaginação criativa da aventura da maternidade?, alguém duvida que a resposta será um sonoro "Não"?
Quando pesquisamos romancistas americanos na Wikipédia, encontramos uma subcategoria "Romancistas Mulheres" ("Female Novelists"). O substantivo romancista pode ser neutro, mas a existência da categoria sugere falta de neutralidade na percepção da criatividade literária feminina.
O detalhe me ocorreu quando alguém chamou a atenção sobre a indignada reação ao argumento da escritora Lauren Sandler, autora do livro One and Only: The Freedom of Having an Only Child, and the Joy of Being One (Um e Único: A Liberdade de Ter um Único Filho e a Alegria de Ser Uma Filha Única).
Sandler conta que, quando pesquisava o livro, descobriu quantas heroínas suas na literatura só tiveram um filho. A lista inclui Mary McCarthy, Margaret Atwood, Joan Didion, Susan Sontag e Margaret Atwood. Num artigo na revista Atlantic Monthly, em junho passado, Sandler defendeu sua tese citando uma resposta da romancista Alice Walker: "Com uma criança você pode se movimentar. Com mais de uma, se torna uma 'sitting duck'," e aqui destaco a expressão idiomática que alude a um pato sentado, ou seja, uma presa fácil para o caçador.
A ideia da maternidade como condição de vítima não é nova, claro, mas encontra uma angustiada audiência neste país onde vemos, cada vez mais, que criar uma criança deixa de ser visto como um esforço que deve envolver toda a sociedade - na escassez de creches, no desmonte do outrora orgulhoso sistema de educação pública e na falta de flexibilidade de empresas que punem a maternidade e a paternidade. Então, a privatização do que era visto como de interesse de todos inspira uma indústria de ansiedade e acusações.
A reação veio rápida e de romancistas cuja criatividade não pode ser questionada. Zadie Smith, dois filhos, autora de Dentes Brancos e Sobre a Beleza, protestou na seção de comentários. Lembrou que Charles Dickens e Tolstoi tiveram dez filhos cada um e sua obra não foi julgada com base na prole numerosa. O problema que aflige escritoras ou operárias, lembrou Smith, é a falta de tempo resultante da falta de apoio social e comunitário.
Jane Smiley, ganhadora do Pulitzer com A Herdade, 23 livros, três filhos e dois enteados no currículo, endossou o protesto, dizendo que sua obra prolífica é afilhada da generosa cidade do Estado de Iowa onde viveu vários anos com as crianças.
No filme Antes da Meia Noite, última parte da trilogia que começou com Antes do Amanhecer e continuou com Antes do Por do Sol, a personagem vivida por Julie Delpy revela seu ressentimento, quase 20 anos depois de encontrar o marido, vivido por Ethan Hawk. De férias na Grécia com as duas filhas, ela acusa o marido escritor de nunca ter deixado de ser criativo. Diz que ela tem o trabalho estável, toma conta da casa e das crianças. "E eu, quando tenho tempo para ser criativa?"
A estátua de Clarice Lispector na Praça Maciel Pinheiro, em Recife, representa a romancista com a máquina de escrever no colo porque era esta a sua rotina - trabalhar sentada no sofá com os filhos por perto. A mais admirada "romancista mulher" brasileira teve dois filhos e a nossa mais admirada poeta, Cecília Meireles, teve três filhas. Ana Maria Machado? Dois filhos e uma filha.
O que não significa, é claro, dizer que a falta de filhos é uma desvantagem criativa. A romancista Hilda Hilst não teve filhos. Seu pai era esquizofrênico. Ela contou que, depois de conversar com um médico sobre os riscos da hereditariedade da doença mental, desistiu de ser mãe.
Não fiz uma pesquisa como a autora Lauren Sandler, que foi buscar causa e efeito por conveniência própria. A ideia de que a imaginação pode ser embotada pela presença de múltiplos filhos é absurda. Se perguntarmos às artistas que conhecemos: conseguem separar sua imaginação criativa da aventura da maternidade?, alguém duvida que a resposta será um sonoro "Não"?
Objetificação sem drama - DANIEL GALERA
O GLOBO - 09/12
O debate sobre o tema esquentou por causa do aplicativo Lulu; o problema é quando a discussão desemboca para o revanchismo
Não vejo problema nenhum em objetificar os outros sexualmente, independente de gênero e identidade sexual. Aprovo e incentivo. Se admitimos que o desejo é uma emoção complexa que envolve pulsões irracionais, o tratamento de outro ser humano como um objeto no contexto sexual precisa ser visto com naturalidade.
Em texto publicado no “New York Times”, o psicólogo e cientista cognitivo Paul Bloom comentou estudos, baseados na observação de imagens eróticas e na administração de choques elétricos, que confirmam a “natureza corporal de muitos de nossos sentimentos morais”. Os resultados mostraram que é mais difícil ver pessoas nuas como agentes livres. Por outro lado, elas também nos parecem mais capazes de ter experiências emocionais, o que é essencial para a prática da empatia e da compaixão. O que os estudos não mostram, ressalta Bloom, é até que ponto essas reações negativas e positivas afetam nossos relacionamentos complexos e de longa duração com outros seres humanos.
É certo que a objetificação pode acarretar tendências de comportamento malignas, e não por acaso essa é uma pauta constante do feminismo. Historicamente, o impulso de objetificação sexual embutido no desejo dos homens pelas mulheres se resolve, não raro, em condutas desrespeitosas e degradantes, com ampla aceitação social. Reivindicar um tratamento mais respeitoso, nos âmbitos público e privado, é justo e necessário. O problema é quando a causa desemboca no revanchismo — apoiado numa noção equivocada de reparação histórica — e na vitimização, postura essa que combina a denúncia de opressão em todo e qualquer comportamento masculino com uma diminuição autoinfligida da agência e do poder da mulher sobre seu corpo, seus atos e seus pensamentos, como se um olhar lascivo na rua pudesse de fato aniquilar a consciência e a liberdade de uma pessoa, reduzindo-a a um pedaço de carne “público” ou da propriedade de um babaca qualquer.
O debate a respeito da objetificação sexual esquentou nas últimas semanas por causa do sucesso do Lulu, aplicativo de Facebook usados por mulheres para compartilhar avaliações de parceiros sexuais. O anúncio do Tubby, versão masculina do Lulu, causou barulho com suas hashtags vulgares e chegou a ser proibido com base na Lei Maria da Penha, mas na última sexta revelou-se que o aplicativo era uma pegadinha.
Na “Folha de S. Paulo”, Talyta Carvalho publicou um artigo chamado “Lulus ofendidas”, na qual critica a reação da parcela mais exaltada de defensoras do Lulu contra os homens que se sentiram ofendidos pelo aplicativo. Ela aponta o perigo da visão da “falsa simetria”, segundo a qual é impossível comparar homens e mulheres por causa da “dívida histórica”, e conclama as mulheres a transcenderem a lógica revanchista. Acho que Talyta exagera ao zombar do desejo de privacidade que algumas pessoas ainda procuram em tempos digitais. É ingênuo, sim, clamar por privacidade quando se tem um perfil de Facebook recheado em tempo real com nossa intimidade, mas é válido protestar contra práticas abusivas nas redes sociais ou abdicar delas completamente por não concordar com a palhaçada. Ela também pesa a mão ao equacionar “décadas de feminismo” com políticas de ressentimento, o que é injusto com as muitas conquistas importantes do feminismo e com as mulheres não ressentidas. Mas acerta ao lembrar que o sexismo trafega nos dois sentidos e ao minimizar o drama todo da objetificação, afinal “tudo é objeto”.
A objetificação sexual é humana. É ingrediente nobre da dinâmica do desejo. O verdadeiro problema com o Lulu é que ele desumaniza a objetificação ao enquadrá-la em modelos informáticos e mercadológicos que mascaram a realidade suja, ambígua e diversificada das relações sensuais e afetivas. É saudável imaginar sexo com o corpo de uma pessoa atraente passando pela rua em trajes sumários, ignorando a existência de sua liberdade, sonhos e pensamentos, assim como coisificar alguém estrategicamente entre quatro paredes ou compartilhar, em privado, histórias sexuais com amigos. Reduzir tudo isso a formulários e tags de um aplicativo que vampiriza perfis em redes sociais com fins de monetização, bom, aí começa a ficar meio triste.
Em “O erotismo”, Georges Bataille salienta que a transgressão de tabus é essencial ao desejo. Dentro do convívio social, a transgressão é prevista, às vezes permitida ou mesmo incentivada. “Podemos chegar ao ponto de fazer uma proposição absurda: o tabu existe precisamente para ser violado”, diz. No ambiente pós-feminista, transgredir o respeito à individualidade e à autonomia de mulheres e homens exige tato e responsabilidade, e com isso a objetificação sexual ganha posição um pouco diferente em nossa cartela de tabus. Mas é hipocrisia pensar que ela deve cair fora. Ninguém engana o desejo.
O debate sobre o tema esquentou por causa do aplicativo Lulu; o problema é quando a discussão desemboca para o revanchismo
Não vejo problema nenhum em objetificar os outros sexualmente, independente de gênero e identidade sexual. Aprovo e incentivo. Se admitimos que o desejo é uma emoção complexa que envolve pulsões irracionais, o tratamento de outro ser humano como um objeto no contexto sexual precisa ser visto com naturalidade.
Em texto publicado no “New York Times”, o psicólogo e cientista cognitivo Paul Bloom comentou estudos, baseados na observação de imagens eróticas e na administração de choques elétricos, que confirmam a “natureza corporal de muitos de nossos sentimentos morais”. Os resultados mostraram que é mais difícil ver pessoas nuas como agentes livres. Por outro lado, elas também nos parecem mais capazes de ter experiências emocionais, o que é essencial para a prática da empatia e da compaixão. O que os estudos não mostram, ressalta Bloom, é até que ponto essas reações negativas e positivas afetam nossos relacionamentos complexos e de longa duração com outros seres humanos.
É certo que a objetificação pode acarretar tendências de comportamento malignas, e não por acaso essa é uma pauta constante do feminismo. Historicamente, o impulso de objetificação sexual embutido no desejo dos homens pelas mulheres se resolve, não raro, em condutas desrespeitosas e degradantes, com ampla aceitação social. Reivindicar um tratamento mais respeitoso, nos âmbitos público e privado, é justo e necessário. O problema é quando a causa desemboca no revanchismo — apoiado numa noção equivocada de reparação histórica — e na vitimização, postura essa que combina a denúncia de opressão em todo e qualquer comportamento masculino com uma diminuição autoinfligida da agência e do poder da mulher sobre seu corpo, seus atos e seus pensamentos, como se um olhar lascivo na rua pudesse de fato aniquilar a consciência e a liberdade de uma pessoa, reduzindo-a a um pedaço de carne “público” ou da propriedade de um babaca qualquer.
O debate a respeito da objetificação sexual esquentou nas últimas semanas por causa do sucesso do Lulu, aplicativo de Facebook usados por mulheres para compartilhar avaliações de parceiros sexuais. O anúncio do Tubby, versão masculina do Lulu, causou barulho com suas hashtags vulgares e chegou a ser proibido com base na Lei Maria da Penha, mas na última sexta revelou-se que o aplicativo era uma pegadinha.
Na “Folha de S. Paulo”, Talyta Carvalho publicou um artigo chamado “Lulus ofendidas”, na qual critica a reação da parcela mais exaltada de defensoras do Lulu contra os homens que se sentiram ofendidos pelo aplicativo. Ela aponta o perigo da visão da “falsa simetria”, segundo a qual é impossível comparar homens e mulheres por causa da “dívida histórica”, e conclama as mulheres a transcenderem a lógica revanchista. Acho que Talyta exagera ao zombar do desejo de privacidade que algumas pessoas ainda procuram em tempos digitais. É ingênuo, sim, clamar por privacidade quando se tem um perfil de Facebook recheado em tempo real com nossa intimidade, mas é válido protestar contra práticas abusivas nas redes sociais ou abdicar delas completamente por não concordar com a palhaçada. Ela também pesa a mão ao equacionar “décadas de feminismo” com políticas de ressentimento, o que é injusto com as muitas conquistas importantes do feminismo e com as mulheres não ressentidas. Mas acerta ao lembrar que o sexismo trafega nos dois sentidos e ao minimizar o drama todo da objetificação, afinal “tudo é objeto”.
A objetificação sexual é humana. É ingrediente nobre da dinâmica do desejo. O verdadeiro problema com o Lulu é que ele desumaniza a objetificação ao enquadrá-la em modelos informáticos e mercadológicos que mascaram a realidade suja, ambígua e diversificada das relações sensuais e afetivas. É saudável imaginar sexo com o corpo de uma pessoa atraente passando pela rua em trajes sumários, ignorando a existência de sua liberdade, sonhos e pensamentos, assim como coisificar alguém estrategicamente entre quatro paredes ou compartilhar, em privado, histórias sexuais com amigos. Reduzir tudo isso a formulários e tags de um aplicativo que vampiriza perfis em redes sociais com fins de monetização, bom, aí começa a ficar meio triste.
Em “O erotismo”, Georges Bataille salienta que a transgressão de tabus é essencial ao desejo. Dentro do convívio social, a transgressão é prevista, às vezes permitida ou mesmo incentivada. “Podemos chegar ao ponto de fazer uma proposição absurda: o tabu existe precisamente para ser violado”, diz. No ambiente pós-feminista, transgredir o respeito à individualidade e à autonomia de mulheres e homens exige tato e responsabilidade, e com isso a objetificação sexual ganha posição um pouco diferente em nossa cartela de tabus. Mas é hipocrisia pensar que ela deve cair fora. Ninguém engana o desejo.
Lulu - MARION STRECKER
FOLHA DE SP - 09/12
Rapazes, não se preocupem. Ele há de morrer. Nenhuma empresa dura para sempre, muito menos na internet
Outro dia alguns amigos da minha filha, de 15 anos, saíram de casa pedindo por favor que as meninas da turma deixassem boas avaliações sobre eles no aplicativo Lulu, a mais nova febre de quem usa celular e tem tempo sobrando para essas coisas. Elas prometeram que sim, mas não sei se fizeram.
No Lulu, as avaliações são supostamente anônimas. Ninguém assina crítica nem elogio. Se não confiarem na palavra delas, nenhum rapaz vai jamais saber quem o avaliou. A não ser que trabalhe no Lulu ou seja um hacker poderoso.
O Lulu permite que mulheres que usam o Facebook classifiquem seus contatos naquela rede social com base em palavras-chave (acompanhadas de hashtags) que o software oferece previamente.
Entre elas estão: #nãoquernadacomnada, #apaixonadopelaex, #perfeitoparaminhairmã, #bebesemcair, #feioarrumadinho, #lindotesãobonitoegostosão, #curteoromerobritto, #prefereovideogame, #semmedodeserfofo, #tocavuvuzela, #piormassagemdomundo, #maisbaratoquepãonachapa, #semlimites, #lavaroupa, #deletahistorico e #nãoliganodiaseguinte".
Convenhamos que o software tem certo humor e permite boas risadas. Para elas. Quando os alvos dos comentários não são sujeitos tão importantes. Para elas. No momento.
Consta que vingança é um dos motores dos comentários. Outro motor poderia ser o despiste. Fale mal de alguém para que fique subfaturado na praça, a ponto de ninguém querer adquiri-lo.
Não estou exagerando. Um dos argumentos dos defensores do Lulu é o seguinte: se qualquer produto pode ter avaliações publicadas na internet, por que não os homens? Sim, eu disse produto. Não, eu não concordo. Aliás, detesto.
O Lulu não pertence ao Facebook, mas usa sua base de dados. Já temos rapazes surpreendidos ao saber que estavam sendo avaliados publicamente e nem poderiam verificar que avaliação estavam recebendo, a não ser que uma alma caridosa (ou odiosa) enviasse foto da tela do celular com sua nota e os adjetivos recebidos pelo gajo.
O Lulu usa um truque antiquíssimo da internet, o tal do opt-out. Consiste no seguinte: todo mundo faz o que quiser com seu endereço de e-mail, seu perfil do Facebook, seu cadastro de loja etc. Até você reclamar, espernear, denunciar, processar ou qualquer coisa do gênero.
O oposto de opt-out é o opt-in, um sistema mais civilizado, daqueles que os marqueteiros desdenham, porque é menos agressivo e portanto menos eficaz. O opt-in é a lógica que faz com que uma empresa só mande informações, promoções, boletins se você pedir.
Essas variações de valores e perspectivas são típicas da internet, que glorifica a ruptura, a ruína de modelos de negócio (em inglês "disruption"). O Facebook cresceu e apareceu justamente porque há ali muita informação real, de pessoas reais. Só que, com o Lulu, transformou-se em ponte para o anonimato.
Rapazes, não se preocupem. Embora os números que o Lulu divulgue sejam grandes, muitas garotas não baixaram, não pretendem baixar e, se baixaram, foi só para espiar e ver como funciona, como eu.
Como surgiu, há de morrer. Nenhuma empresa dura para sempre. Muito menos na internet.
Rapazes, não se preocupem. Ele há de morrer. Nenhuma empresa dura para sempre, muito menos na internet
Outro dia alguns amigos da minha filha, de 15 anos, saíram de casa pedindo por favor que as meninas da turma deixassem boas avaliações sobre eles no aplicativo Lulu, a mais nova febre de quem usa celular e tem tempo sobrando para essas coisas. Elas prometeram que sim, mas não sei se fizeram.
No Lulu, as avaliações são supostamente anônimas. Ninguém assina crítica nem elogio. Se não confiarem na palavra delas, nenhum rapaz vai jamais saber quem o avaliou. A não ser que trabalhe no Lulu ou seja um hacker poderoso.
O Lulu permite que mulheres que usam o Facebook classifiquem seus contatos naquela rede social com base em palavras-chave (acompanhadas de hashtags) que o software oferece previamente.
Entre elas estão: #nãoquernadacomnada, #apaixonadopelaex, #perfeitoparaminhairmã, #bebesemcair, #feioarrumadinho, #lindotesãobonitoegostosão, #curteoromerobritto, #prefereovideogame, #semmedodeserfofo, #tocavuvuzela, #piormassagemdomundo, #maisbaratoquepãonachapa, #semlimites, #lavaroupa, #deletahistorico e #nãoliganodiaseguinte".
Convenhamos que o software tem certo humor e permite boas risadas. Para elas. Quando os alvos dos comentários não são sujeitos tão importantes. Para elas. No momento.
Consta que vingança é um dos motores dos comentários. Outro motor poderia ser o despiste. Fale mal de alguém para que fique subfaturado na praça, a ponto de ninguém querer adquiri-lo.
Não estou exagerando. Um dos argumentos dos defensores do Lulu é o seguinte: se qualquer produto pode ter avaliações publicadas na internet, por que não os homens? Sim, eu disse produto. Não, eu não concordo. Aliás, detesto.
O Lulu não pertence ao Facebook, mas usa sua base de dados. Já temos rapazes surpreendidos ao saber que estavam sendo avaliados publicamente e nem poderiam verificar que avaliação estavam recebendo, a não ser que uma alma caridosa (ou odiosa) enviasse foto da tela do celular com sua nota e os adjetivos recebidos pelo gajo.
O Lulu usa um truque antiquíssimo da internet, o tal do opt-out. Consiste no seguinte: todo mundo faz o que quiser com seu endereço de e-mail, seu perfil do Facebook, seu cadastro de loja etc. Até você reclamar, espernear, denunciar, processar ou qualquer coisa do gênero.
O oposto de opt-out é o opt-in, um sistema mais civilizado, daqueles que os marqueteiros desdenham, porque é menos agressivo e portanto menos eficaz. O opt-in é a lógica que faz com que uma empresa só mande informações, promoções, boletins se você pedir.
Essas variações de valores e perspectivas são típicas da internet, que glorifica a ruptura, a ruína de modelos de negócio (em inglês "disruption"). O Facebook cresceu e apareceu justamente porque há ali muita informação real, de pessoas reais. Só que, com o Lulu, transformou-se em ponte para o anonimato.
Rapazes, não se preocupem. Embora os números que o Lulu divulgue sejam grandes, muitas garotas não baixaram, não pretendem baixar e, se baixaram, foi só para espiar e ver como funciona, como eu.
Como surgiu, há de morrer. Nenhuma empresa dura para sempre. Muito menos na internet.
Que Copa, hein? - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 09/12
A delegação italiana que foi à Costa do Sauípe assistir, sexta, ao sorteio dos grupos da Copa por pouco não perdeu o avião de volta.
Eles ficaram presos num engarrafamento de quase duas horas até chegar ao aeroporto de Salvador, sem que houvesse ninguém para ajudar a abrir caminho.
País dos cartolas
Enquanto isso, Joseph Blatter, presidente da Fifa, andava escoltado por 30 batedores de moto.
Aliás...
O jornalão francês Le Monde estampou sábado matéria com o título: “No Brasil, sinais de inquietude se multiplicam antes da Copa do Mundo".
Diz lá que, a seis meses da Copa, além das obras em atraso e dos movimentos sociais, o transporte e a segurança são temas que semeiam inquietude, passíveis de perturbar o Mundial.
Mas...
A ação de vândalos ontem no jogo do Vasco contra o Atlético Paranaense vai reforçar, ainda mais, as preocupações em relação à Copa.
Só dá futebol
Em tempos de Copa, veja a força do esporte de Neymar.
Uma pesquisa da Portas Consultoria com 27 empresas, sobre investimento em esportes, concluiu que 60% das verbas vão para o futebol.
Varig, Varig, Varig
Quarta agora, dia 11, o STF retoma o julgamento daquela ação bilionária de defasagem tarifária da Varig.
O primeiro voto, da ministra Cármen Lúcia, foi favorável aos trabalhadores da antiga aviadora.
Retratos da vida
Uma mulher, ao se reconciliar com o seu ex-marido, descobriu que estava grávida de outro, fruto de uma relação no período da separação. O marido aceitou assumir a criança do outro.
Só que a reconciliação não deu certo.
Vida que segue...
Aí, o pai verdadeiro entrou na Justiça pedindo anulação do registro de nascimento da criança.
Mas a 2ª Câmara Cível do Rio recusou e reconheceu a “paternidade socioafetiva" do ex-marido.
Causa ganha pela advogada Lola Vainstok.
Homem de ferro
A Intrínseca acaba de adquirir os direitos da biografia do magnata da tecnologia Elon Musk, considerado pelos americanos o Tony Stark (“Homem de Ferro") da vida real.
Ele é criador e presidente de uma empresa privada de ônibus espaciais e viagens ao espaço, a SpaceX, e CEO da Tesla Motors, que desenvolve veículos movidos a eletricidade. O livro tem previsão para lançamento em 2014.
Viva a folia!
Veja como vai ser a estampa da camiseta do querido bloco Carmelitas para o carnaval de 2014. É obra do designer Luiz de França, o Zod.
O lançamento será amanhã, no Parque das Ruínas, em Santa Teresa.
Luta com música
O Movimento Down lança, quarta agora, na Casa Daros, no Rio, um CD para divulgar a luta pela inclusão de pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual na sociedade.
O álbum “Toda cor" promove encontros inusitados, como o de João Gordo e Elza Soares, cantando “É tão lindo", do Balão Mágico.
Eu apoio.
Livro de ouro
Lembra-se do ex-jogador Donizete, conhecido como Pantera, que foi campeão no Botafogo e no Vasco?
Cobra R$ 2.500 para participar de festas de fim de ano em empresas. E diz que está com todos os dias reservados.
Navalha na carne
A Golden Cross, como se sabe, repassou em outubro parte de seus associados para a Unimed.
De lá para cá o que se diz é que a operadora de planos de saúde demitiu uns 120 funcionários, alguns com mais de 20 anos de casa.
Tango de Cazuza
Fazem sucesso dentro dos vagões do metrô carioca dois argentinos cantando rock brasileiro. O forte do repertório é Cazuza.
O “show” dura uns 20 minutos e vira humor escrachado toda vez que um segurança entra no veículo e os dois fingem ser apenas passageiros.
A turma adora.
A delegação italiana que foi à Costa do Sauípe assistir, sexta, ao sorteio dos grupos da Copa por pouco não perdeu o avião de volta.
Eles ficaram presos num engarrafamento de quase duas horas até chegar ao aeroporto de Salvador, sem que houvesse ninguém para ajudar a abrir caminho.
País dos cartolas
Enquanto isso, Joseph Blatter, presidente da Fifa, andava escoltado por 30 batedores de moto.
Aliás...
O jornalão francês Le Monde estampou sábado matéria com o título: “No Brasil, sinais de inquietude se multiplicam antes da Copa do Mundo".
Diz lá que, a seis meses da Copa, além das obras em atraso e dos movimentos sociais, o transporte e a segurança são temas que semeiam inquietude, passíveis de perturbar o Mundial.
Mas...
A ação de vândalos ontem no jogo do Vasco contra o Atlético Paranaense vai reforçar, ainda mais, as preocupações em relação à Copa.
Só dá futebol
Em tempos de Copa, veja a força do esporte de Neymar.
Uma pesquisa da Portas Consultoria com 27 empresas, sobre investimento em esportes, concluiu que 60% das verbas vão para o futebol.
Varig, Varig, Varig
Quarta agora, dia 11, o STF retoma o julgamento daquela ação bilionária de defasagem tarifária da Varig.
O primeiro voto, da ministra Cármen Lúcia, foi favorável aos trabalhadores da antiga aviadora.
Retratos da vida
Uma mulher, ao se reconciliar com o seu ex-marido, descobriu que estava grávida de outro, fruto de uma relação no período da separação. O marido aceitou assumir a criança do outro.
Só que a reconciliação não deu certo.
Vida que segue...
Aí, o pai verdadeiro entrou na Justiça pedindo anulação do registro de nascimento da criança.
Mas a 2ª Câmara Cível do Rio recusou e reconheceu a “paternidade socioafetiva" do ex-marido.
Causa ganha pela advogada Lola Vainstok.
Homem de ferro
A Intrínseca acaba de adquirir os direitos da biografia do magnata da tecnologia Elon Musk, considerado pelos americanos o Tony Stark (“Homem de Ferro") da vida real.
Ele é criador e presidente de uma empresa privada de ônibus espaciais e viagens ao espaço, a SpaceX, e CEO da Tesla Motors, que desenvolve veículos movidos a eletricidade. O livro tem previsão para lançamento em 2014.
Viva a folia!
Veja como vai ser a estampa da camiseta do querido bloco Carmelitas para o carnaval de 2014. É obra do designer Luiz de França, o Zod.
O lançamento será amanhã, no Parque das Ruínas, em Santa Teresa.
Luta com música
O Movimento Down lança, quarta agora, na Casa Daros, no Rio, um CD para divulgar a luta pela inclusão de pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual na sociedade.
O álbum “Toda cor" promove encontros inusitados, como o de João Gordo e Elza Soares, cantando “É tão lindo", do Balão Mágico.
Eu apoio.
Livro de ouro
Lembra-se do ex-jogador Donizete, conhecido como Pantera, que foi campeão no Botafogo e no Vasco?
Cobra R$ 2.500 para participar de festas de fim de ano em empresas. E diz que está com todos os dias reservados.
Navalha na carne
A Golden Cross, como se sabe, repassou em outubro parte de seus associados para a Unimed.
De lá para cá o que se diz é que a operadora de planos de saúde demitiu uns 120 funcionários, alguns com mais de 20 anos de casa.
Tango de Cazuza
Fazem sucesso dentro dos vagões do metrô carioca dois argentinos cantando rock brasileiro. O forte do repertório é Cazuza.
O “show” dura uns 20 minutos e vira humor escrachado toda vez que um segurança entra no veículo e os dois fingem ser apenas passageiros.
A turma adora.
JOIA RARA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 09/12
Jade debutou como modelo ao mesmo tempo em que festejava seus 15 anos em novembro. Filha da designer Elisa Stecca, ela posou para o primeiro ensaio profissional para a grife de joias da mãe.
"Cada um apresenta a filha à sociedade como sabe. O meu jeito foi escolher a Jade como rosto do catálogo de verão", diz Elisa, que usou apenas metal nas criações. "Ela é a pedra preciosa da coleção."
NO MESMO LUGAR
A presidente Dilma Rousseff está sofrendo pressão de ministros que não querem deixar o cargo antes de abril. Entre outros está Alexandre Padilha, da Saúde, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento. Candidatos ao governo em São Paulo e Minas Gerais, eles não querem perder a vitrine do governo federal.
PRESENTE
A presidente, no entanto, está inclinada a fazer a reforma de sua equipe de uma só vez. E já marcou data para se debruçar quase que exclusivamente sobre o tema: o próximo sábado, 14 de dezembro --dia de seu aniversário.
INTERVALO
Pelos planos iniciais, Dilma intensifica as negociações partidárias até dezembro. Sai de férias, reflete, volta a Brasília no dia 6 de janeiro e anuncia a sua decisão.
TCHAU, DILMA
A vontade de mudar todo o ministério de uma vez decorre de uma constatação: quase nenhum ministro candidato trabalha às sextas-feiras, por exemplo. Todos viajam às suas bases eleitorais. Estão no governo, mas com a cabeça longe de Brasília.
PODE SER
E Dilma deu sinais de que Aloizio Mercadante, da Educação, pode mesmo ocupar a Casa Civil em 2014.
Ele, por sinal, é um dos poucos que, em geral, ficam às sextas na capital.
SEM FALTA
Um auxiliar direto do secretário Herman Voorwald, da Educação de SP, impôs importante derrota ao governo de Geraldo Alckmin: ele desempatou a favor dos professores, numa votação do conselho da pasta, proposta que permite aos profissionais ter até 16 faltas anuais, sem que elas contem pontos negativos quando buscam promoção. Até então o teto era de seis faltas.
SEM FALTA 2
João Cardoso Palma Filho, que era secretário-adjunto de Voorwald, foi exonerado. "Pedi demissão", afirma. Das 16 faltas, dez podem ser ausências para que o profissional vá a reuniões sindicais. A secretaria diz que ele votou contra a "principal linha da gestão", a de "manter o professor na sala de aula".
RECADO
Mais de 15 milhões de mensagens serão enviadas para celulares a partir de hoje para incentivar a doação de sangue em SP. Parceria da Secretaria de Estado da Saúde com a Claro, a campanha busca reforçar estoques nos hospitais públicos no fim de ano.
SAÚDE
O empresário da noite Ricardo Amaral e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, lançam na quinta em SP o "Guia dos Guias Boni & Amaral". Amigos há 55 anos, eles dão dicas de cem restaurantes do mundo.
VEM BRINCAR
Amaral ainda prepara o lançamento de várias biografias --autorizadas --em 2014, pelo selo Quitanda e Casa da Palavra. A vida de Alexandre Accioly será contada em "Não Sabe Brincar, Não Desce Pro Play", a de Luiz Carlos Barreto, em "Tudo a Declarar". Michael Koellreutter lançará "Intimidades", com perfis de pessoas como Márcio Thomaz Bastos, Roberto Campos e Roberta Close.
TUDO VERDE
A corrida pela produção do etanol de segunda geração, a partir do bagaço da cana, reunirá especialistas em seminário amanhã no Palácio dos Bandeirantes. "É um desdobramento da Rio+20", diz Mário Garnero, do Fórum das Américas, que organiza o encontro. Os secretários estaduais de Energia, José Aníbal, e de Agricultura, Mônica Bergamaschi, vão participar.
ENCONTRO DE CLASSE
O MDA (Movimento de Defesa da Advocacia) organizou almoço de confraternização na Sociedade Harmonia de Tênis. Os advogados Marcelo Knopfelmacher, presidente da entidade, Cibele Toldo, Arystóbulo Freitas e Márcio Kayatt estiveram na reunião.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Caco Azulgaray, presidente da Editora Três, recebeu os homenageados na entrega do prêmio Brasileiros do Ano 2013, das revistas do grupo. O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o empresário Joesley Batista, casado com a jornalista Ticiana Villas Boas, foram premiados. A atriz Gloria Pires, com marido, o cantor Orlando Morais, e a top Ana Beatriz Barros também foram destaques da noite.
CURTO-CIRCUITO
Arnaldo Antunes apresenta o CD "Disco", hoje, na Saraiva do shopping Pátio Paulista, às 19h30.
O livro "Sexo com Todas as Letras", organizado por João Luiz Vieira, será lançado na SP Escola de Teatro, hoje, às 20h.
Oskar Metsavaht faz palestra hoje no Clinton Global Initiative, no Rio.
O Prêmio Magneti Marelli de Cinema Italiano será entregue hoje, às 20h30, no Reserva Cultural.
A cabine fotográfica do Studio Harcourt em SP será inaugurada hoje, no Citroën Centre Oscar Freire.
"Cada um apresenta a filha à sociedade como sabe. O meu jeito foi escolher a Jade como rosto do catálogo de verão", diz Elisa, que usou apenas metal nas criações. "Ela é a pedra preciosa da coleção."
NO MESMO LUGAR
A presidente Dilma Rousseff está sofrendo pressão de ministros que não querem deixar o cargo antes de abril. Entre outros está Alexandre Padilha, da Saúde, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento. Candidatos ao governo em São Paulo e Minas Gerais, eles não querem perder a vitrine do governo federal.
PRESENTE
A presidente, no entanto, está inclinada a fazer a reforma de sua equipe de uma só vez. E já marcou data para se debruçar quase que exclusivamente sobre o tema: o próximo sábado, 14 de dezembro --dia de seu aniversário.
INTERVALO
Pelos planos iniciais, Dilma intensifica as negociações partidárias até dezembro. Sai de férias, reflete, volta a Brasília no dia 6 de janeiro e anuncia a sua decisão.
TCHAU, DILMA
A vontade de mudar todo o ministério de uma vez decorre de uma constatação: quase nenhum ministro candidato trabalha às sextas-feiras, por exemplo. Todos viajam às suas bases eleitorais. Estão no governo, mas com a cabeça longe de Brasília.
PODE SER
E Dilma deu sinais de que Aloizio Mercadante, da Educação, pode mesmo ocupar a Casa Civil em 2014.
Ele, por sinal, é um dos poucos que, em geral, ficam às sextas na capital.
SEM FALTA
Um auxiliar direto do secretário Herman Voorwald, da Educação de SP, impôs importante derrota ao governo de Geraldo Alckmin: ele desempatou a favor dos professores, numa votação do conselho da pasta, proposta que permite aos profissionais ter até 16 faltas anuais, sem que elas contem pontos negativos quando buscam promoção. Até então o teto era de seis faltas.
SEM FALTA 2
João Cardoso Palma Filho, que era secretário-adjunto de Voorwald, foi exonerado. "Pedi demissão", afirma. Das 16 faltas, dez podem ser ausências para que o profissional vá a reuniões sindicais. A secretaria diz que ele votou contra a "principal linha da gestão", a de "manter o professor na sala de aula".
RECADO
Mais de 15 milhões de mensagens serão enviadas para celulares a partir de hoje para incentivar a doação de sangue em SP. Parceria da Secretaria de Estado da Saúde com a Claro, a campanha busca reforçar estoques nos hospitais públicos no fim de ano.
SAÚDE
O empresário da noite Ricardo Amaral e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, lançam na quinta em SP o "Guia dos Guias Boni & Amaral". Amigos há 55 anos, eles dão dicas de cem restaurantes do mundo.
VEM BRINCAR
Amaral ainda prepara o lançamento de várias biografias --autorizadas --em 2014, pelo selo Quitanda e Casa da Palavra. A vida de Alexandre Accioly será contada em "Não Sabe Brincar, Não Desce Pro Play", a de Luiz Carlos Barreto, em "Tudo a Declarar". Michael Koellreutter lançará "Intimidades", com perfis de pessoas como Márcio Thomaz Bastos, Roberto Campos e Roberta Close.
TUDO VERDE
A corrida pela produção do etanol de segunda geração, a partir do bagaço da cana, reunirá especialistas em seminário amanhã no Palácio dos Bandeirantes. "É um desdobramento da Rio+20", diz Mário Garnero, do Fórum das Américas, que organiza o encontro. Os secretários estaduais de Energia, José Aníbal, e de Agricultura, Mônica Bergamaschi, vão participar.
ENCONTRO DE CLASSE
O MDA (Movimento de Defesa da Advocacia) organizou almoço de confraternização na Sociedade Harmonia de Tênis. Os advogados Marcelo Knopfelmacher, presidente da entidade, Cibele Toldo, Arystóbulo Freitas e Márcio Kayatt estiveram na reunião.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Caco Azulgaray, presidente da Editora Três, recebeu os homenageados na entrega do prêmio Brasileiros do Ano 2013, das revistas do grupo. O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o empresário Joesley Batista, casado com a jornalista Ticiana Villas Boas, foram premiados. A atriz Gloria Pires, com marido, o cantor Orlando Morais, e a top Ana Beatriz Barros também foram destaques da noite.
CURTO-CIRCUITO
Arnaldo Antunes apresenta o CD "Disco", hoje, na Saraiva do shopping Pátio Paulista, às 19h30.
O livro "Sexo com Todas as Letras", organizado por João Luiz Vieira, será lançado na SP Escola de Teatro, hoje, às 20h.
Oskar Metsavaht faz palestra hoje no Clinton Global Initiative, no Rio.
O Prêmio Magneti Marelli de Cinema Italiano será entregue hoje, às 20h30, no Reserva Cultural.
A cabine fotográfica do Studio Harcourt em SP será inaugurada hoje, no Citroën Centre Oscar Freire.
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