quarta-feira, junho 12, 2013

Vem aí a Rede - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 12/06

A formação do partido Rede, de Marina Silva, só depende agora da boa vontade dos cartórios eleitorais. O partido conclui esta semana, informa o deputado Alfredo Sirkis (RJ), a coleta das cerca de 550 mil assinaturas para requerer ao TSE o registro do partido. Mesmo assim, por causa das assinaturas que podem ser invalidadas, a Rede traçou como objetivo coletar mais 170 mil apoios.

Tensão com a situação da economia
Um governo não pode transmitir pessimismo, mas é grande a tensão na equipe da presidente Dilma com a economia. Uma das dúvidas é se o Banco Central, auxiliado pelas medidas fiscais que estão sendo editadas, vai conseguir segurar o câmbio e evitar uma desvalorização. A única certeza é que não será adotada nenhuma medida que sacrifique o baixo crescimento da economia. Nas circunstâncias atuais, de crise mundial, um incremento de 2% ou 3% é visto como um grande crescimento. Por isso, a ordem é continuar pedalando, pois qualquer ruptura atingirá em cheio as endividadas classes C e D, sustentáculos políticos e eleitorais dos governos Lula e Dilma.


“Esse é um movimento organizado contra a produção brasileira. Nós já tivemos o MST; depois, o Código Florestal; e, agora, a questão indígena”
Kátia Abreu
Senadora (PSD-TO) e presidente da Confederação Nacional da Agricultura

Redução de danos
O Planalto não quer mais ser surpreendido com projetos como o do fim das gorjetas dos garçons, nos plenários e comissões da Câmara e do Senado. Os líderes do governo vão fazer uma varredura para levantar as propostas polêmicas.

Na pressão
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) jogou duro e a Telebras entregou, em tempo recorde, as fibras óticas com dupla abordagem que vão viabilizar a transmissão dos jogos da Copa pela TV e os serviços de telefonia. Agora falta, em alguns estádios, o cabeamento para garantir as telecomunicações nos centros de imprensa e nas lojas.

No mesmo patamar
Os analistas do PT registram, no Datafolha, que as perdas da presidente Dilma não se transferiram para os candidatos da oposição. Somados (Aécio, Marina e Eduardo), eles tinham 34% em dezembro, 32% em março e 36% agora.

Compadrio
Os parlamentares temem retaliação do TCU. Mas criticam a omissão do Ministério Público no caso do auxílio-refeição dos ministros do Tribunal. Dizem que eles pegaram carona em decisão válida para o Judiciário. Pela Constituição, o TCU integra o Poder Legislativo. No capítulo do Poder Judiciário, não há referência ao TCU, nem quando trata das "Funções Essenciais à Justiça".

Calendário definido
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, fechou com os mineiros que o candidato ao governo será decidido até dezembro. Em março de 2014, o partido decidirá se o governador Antonio Anastasia concorrerá ou não ao Senado.

A largada no Maranhão
O presidente da Embratur, Flávio Dino, lidera a corrida para o governo. Ele tem de 56% a 62%, nas pesquisas Escutec e Ipop. O ministro Edison Lobão tem 27% e Luiz Fernando, candidato da governadora Roseana Sarney, tem de 15% a 17%.

Temer, Alckmin e Haddad querem trazer a Expo 2020, sobre crescimento sustentável, para São Paulo, e não a Conferência da ONU para o Meio Ambiente.

Reviravolta à vista? - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 12/06

O rompimento entre Roberto Gurgel e Deborah Duprat, exonerada ontem pelo procurador-geral da República, pode mexer na sucessão no Ministério Público Federal. Observadores acham que Dilma Rousseff, que havia decidido nomear Rodrigo Janot para o lugar de Gurgel, pode rever a escolha em favor de Duprat, que passou a divergir publicamente do PGR. Janot virou favorito justamente por se apresentar como anti-Gurgel'', tratado pelo PT como inimigo desde o mensalão.

Sem apito Colegas de Deborah Duprat observam que, em campanha, a ex-vice de Gurgel não cobrou o governo sobre os incidentes recentes com índios, tema caro a ela.

Bipolar De um ministro do STF diante do vaivém da PGR no mandado de segurança sobre novos partidos, que será julgado hoje: "A independência não pode se sobrepor ao princípio da unidade. É preciso que mostrem que não são esquizofrênicos''.

Sem eles Sem Cármen Lúcia, que está em viagem, e Luís Roberto Barroso, ainda não empossado, o STF decidirá a questão dos partidos com um quorum de nove ministros. Em caso de possível empate, caberá ao presidente Joaquim Barbosa o veredicto.

Com eles Ministros da corte ponderam que, como a questão é controversa, algum colega deveria pedir vista do mandado de segurança para esperar que o Supremo esteja completo para analisá-la.

Verão... Diante da cobrança de políticos de que o STF não pode praticar controle prévio de constitucionalidade no caso dos partidos, ministros lembram que há precedentes para isso.

... passado O PT, que critica a liminar dada por Gilmar Mendes suspendendo a votação do projeto anti-partidos, impetrou mandado de segurança contra a tramitação no Congresso de proposta instituindo a pena de morte. O autor foi José Genoino, e o STF concedeu liminar.

TV Dilma O aecista Marcus Pestana (PSDB-MG) apresentou projeto de lei para regulamentar a transmissão de pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente. Ele teve a ideia após contar 13 pronunciamentos de Dilma desde o início do mandato.

Overbooking Alexandre Padilha pediu no sábado para integrar a comitiva de Dilma Rousseff em Portugal, onde ele não era esperado. O ministro foi ao país articular uma parceria para a implantação do Mais Médicos, vitrine que pretende usar para ser escolhido candidato do PT ao governo de São Paulo.

Sem diálogo Auxiliares de Fernando Haddad (PT) dizem que, por ora, é "muito remota" a possibilidade de o prefeito receber os manifestantes que pedem a redução da tarifa de ônibus. O petista ficou "revoltado" com a depredação de veículos ontem, segundo um interlocutor.

Prazo Líderes da Assembleia Legislativa paulista fecharam acordo para votar em 14 de agosto o projeto que limita o poder de investigação dos promotores do Estado.

Alternativa Até lá, o líder do PSDB, Carlos Bezerra, tenta costurar uma terceira via para o debate. Sua proposta prevê a manutenção das funções da promotoria e cria mecanismos de fiscalização para "conter abusos".

Time Leonardo Quintão (PMDB-MG) quer ser o relator do Código da Mineração, que será enviado ao Congresso na semana que vem. José Priante (PMDB-PA) também reivindica a tarefa.

Visita à Folha Andrea Matarazzo, vereador de São Paulo pelo PSDB, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço.

ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

tiroteio
"As declarações de Toffoli sepultam qualquer esperança de isenção dele para dirigir o pleito no qual Dilma concorrerá à reeleição."
DO DEPUTADO RODRIGO MAIA (DEM-RJ), sobre o ministro do STF, que presidirá o TSE em 2014, ter dito que o julgamento do do mensalão deve levar dois anos.

contraponto


Custo-benefício
Os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e André Vargas (PT-RS) aguardavam ontem os colegas Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na chapelaria da Câmara, em Brasília.

Uma jornalista que encontrou o grupo quis saber o motivo da reunião. O presidente da Câmara explicou:

--Vamos almoçar. O PT finalmente vai pagar um almoço! -- disse Alves.

O líder do PMDB não perdeu a piada:

--É... Vai pagar, mas o restaurante é ruim! -- emendou Eduardo Cunha.

O futuro do jornalismo estava na Gávea - ELIO GASPARI

O GLOBO - 12/06

A ventania reformadora dos meios de comunicação voltou ao Brasil da pior e da melhor maneira. Cortaram-se vagas e poderão ser extintos títulos que fizeram história. Esse é o aspecto fim do mundo. Há o outro, do mundo novo. De sua casa na Gávea, o jornalista Glenn Greenwald explodiu um dos grandes segredos do governo americano jogando o companheiro Obama no fosso da falta de credibilidade. Ele grampeia o mundo, inclusive seus cidadãos.

Nunca na história deste país notícia tão importante saiu daqui, muito menos da Gávea. A imprensa americana tem dezenas de repórteres especializados em segurança nacional. A maioria trabalha em Washington, com bons salários e incríveis fontes. Os mais afortunados vão todo ano ao jantar dos correspondentes da Casa Branca, com direito a tapete vermelho e a acompanhantes famosas. Pois foram batidos por um repórter que, desde 2007, trabalha no Rio. Depois de passar pelo site Salon, Greenwald está no jornal inglês “The Guardian”. Seu principal instrumento de trabalho é o computador.

Em 1969, Daniel Ellsberg, um analista do Departamento de Defesa Americano, desencantou-se com a política de seu governo no Vietnã e começou a copiar 47 volumes de um relatório secreto. Ralou meses dormindo pouco e gastou o equivalente a US$ 20 mil. Ofereceu-os a dois senadores e nenhum deles quis se meter na encrenca. Cinco meses depois, convenceu um repórter do “The New York Times” a entrar no caso. O jornal levou mais três meses para digerir o material e, em junho de 1971, surgiram os inesquecíveis Pentagon Papers. Em 2009, o soldado Bradley Manning baixou 750 mil telegramas secretos do governo americano em CDs de canções de Lady Gaga. Num só, em alguns minutos, caberiam cinco cópias dos Pentagon Papers. Ele mandou o material para o site Wikileaks e deu no que deu.

Da Gávea, Greenwald recebeu as informações mandadas por um técnico da National Security Agency que trabalhava para a Booz Allen Hamilton. Sabia-se que a NSA inaugurará em outubro uma central de dados no deserto de Utah com capacidade para armazenar dez vezes tudo o que há na internet. A denúncia de que Obama grampeia o mundo veio de Edward Snowden. Ele tem 29 anos, vivia no Havaí, foi para Hong Kong e de lá remeteu as informações. Valeu-se de Greenwald porque respeita seu trabalho no “Guardian”, jornal centenário, com uma tiragem de 200 mil exemplares e um site grátis.

Seu prestígio vem da qualidade de seus repórteres e do discernimento de seus editores. O que Greenwald fez foi buscar notícia e, graças à internet, recebeu-a, na Gávea. A internet não ameaça o jornalismo. Pelo contrário, facilita-o, desde que o repórter saiba o que deve procurar, faça-se respeitar por quem tem o que ele busca e haja nas redações o entendimento de que notícia ajuda, não atrapalha a rotina de uma edição.

As duas maiores notícias do século (“A guerra acabou” e “Kennedy está morto”) foram divulgadas contrariando as convenções jornalísticas. A rendição alemã estava embargada e o repórter que a pôs no ar foi punido. A morte do presidente foi anunciada sem que a informação fosse confirmada e, obviamente, foi desautorizada pela Casa Branca. Sacrossanta internet, a notícia sai do Havaí, passa por Hong Kong e pousa na Gávea.

Na trincheira - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 12/06

Candidato à Presidência derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010, o (ainda) tucano José Serra tem seu destino político como uma questão em aberto: tanto pode ser candidato outra vez como pode se posicionar em 2014 como cabo eleitoral qualificado do campo oposicionista.

Na primeira hipótese teria de sair do PSDB, inteiramente fechado com a candidatura do senador Aécio Neves. Na segunda, pode ficar se tiver espaço para atuar ou optar por outro partido (provavelmente o MD de Roberto Freire) que lhe dê melhores condições de usar seu capital político para ajudar na tentativa de tirar o PT do poder.

Serra escolherá o papel mais eficaz ao combate do adversário principal. No discurso que fez na convenção que elegeu Aécio presidente do PSDB, em maio, ele havia dado esse recado de maneira implícita.

Avisou que em suas decisões sempre põe a razão à frente da paixão. Anunciou também que em 2014 continuaria a atuar "em favor da unidade das oposições e de quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta à incompetência orgulhosa" dos petistas.

Na ocasião a referência à racionalidade foi vista como uma sinalização de que não se deixaria levar pelo passivo de mágoas internas herdadas de campanhas anteriores em que não contou com lealdade do partido de modo absoluto.

A afirmação sobre a disposição de atuar "em favor da unidade das oposições" equivaleria, segundo vários autores, a dizer que estaria ao lado de Aécio.

Como naquele mesmo discurso José Serra disse que não tem porta-vozes nem intérpretes e sobre seus pensamentos só há uma fonte confiável, "eu mesmo", vamos a ele.

A respeito da razão sobreposta à paixão, diz que a decisão mais racional pode ser ficar no PSDB ou decidir sair para postular a Presidência no intuito de "diversificar candidaturas" e levar a eleição para um segundo turno.

No tocante ao trecho em que se dispõe a lutar "em favor da unidade das oposições", pondera: "Estar do mesmo lado não significa ficar no mesmo lugar".

Ambíguo, pois não? Pois é. Assim José Serra ficará até o fim de setembro, quando se esgota o prazo de filiação partidária aos candidatos no próximo ano. Isso se decidir mudar de partido. Se não for o caso, estenderá por mais algum tempo sua tomada de posição.

Dela depende o rumo da candidatura Eduardo Campos, o desempenho de Marina Silva, o desenrolar do governo e, por que não dizer, a convivência dentro do PSDB.

Enquanto isso, examina atentamente as pesquisas. Oficiais e não oficiais. Em uma dessas não registradas e feitas por telefone foi incluído seu nome em várias situações. Dois tipos de resposta o agradaram em especial.

Uma aponta que 55% dos entrevistados consideram que seria um bom presidente. Outra informa que 58% discordam parcial ou completamente da seguinte afirmação: "Candidato a presidente derrotado duas vezes, o tempo de José Serra já passou".

Marcha lenta. Há quem tenha interpretado como fruto de torcida a declaração do ministro José Antonio Dias Toffoli em entrevista à Folha de S. Paulo, prevendo que as sentenças aos condenados do mensalão levarão de um a dois anos ainda para serem executadas.

Toffoli tem ligações estreitas e conhecidas com o PT, no primeiro governo Lula foi subordinado a José Dirceu, a quem absolveu no julgamento, mas faz uma avaliação realista. O mesmo já havia sido dito pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, para justificar o pedido de prisão imediata dos condenados.

Fora isso, há o caso do deputado Natan Donadon: condenado pelo Supremo em 2010, está até hoje em liberdade - e no exercício de mandato federal - devido aos embargos.

Fora da zona de conforto - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 12/06
Se as pesquisas mostrando um viés de baixa na popularidade da presidente Dilma causaram alguma mudança no ânimo de muitos dos políticos aliados, foi provocá-los a sair da zona de (des)conforto em que estavam, como se o resultado da eleição de 2014 estivesse já decidido, e procurar alternativas. Para os assessores do Planalto, o viés de baixa trouxe novas dores de cabeça, como o "encarecimento" do apoio no Congresso, a mostrar que nada está decidido e que se quiserem se manter no poder terão que suar a camisa.

O Datafolha bateu muito pesado dentro do governo, e o efeito mais visível é muita gente voltando a falar na saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Haveria a necessidade de sinalizar uma mudança para o mercado e, sobretudo, para a sociedade. Não é um movimento da presidente Dilma, nem mesmo de assessores diretos do Palácio do Planalto, mas cresce na periferia do governo, mais especificamente nos políticos da base aliada.

Essa pesquisa mostra dois problemas gravíssimos para a presidente Dilma, de acordo com análises do próprio governo. A queda de popularidade é resultado do aumento do pessimismo, não é tanto o sentimento do momento, mas a percepção do futuro, o que é mais sério.

O sentimento generalizado na opinião pública seria de crença no aumento da inflação no ano eleitoral (e estão certos pela dificuldade de cortar os gastos públicos), e de que o salário não vai subir e o desemprego corre o risco de aumentar. Como a eleição é influenciada, mais do que pela sensação de momento, pela perspectiva de futuro, o aumento do pessimismo seria um sentimento que precisaria ser combatido.

Por isso, a primeira reação de alguns é sugerir uma guinada na condução da política econômica sinalizando a demissão de Mantega. Mas aí entra uma dificuldade específica da maneira de comandar da presidente Dilma: quem seria o substituto sem luz própria para aceitar suas interferências e, ao mesmo tempo, convencer o mercado e o eleitorado de que tudo mudará?

A especulação sobre o deslocamento do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para a Fazenda, como indicação de ortodoxia, seria trocar seis por meia dúzia, com a dificuldade adicional de que o Banco Central precisaria ser preenchido por alguém que gerasse confiança no mercado.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, atualmente homem de confiança da presidente, seria uma indicação que mais preocuparia do que acalmaria o mercado. Da mesma maneira, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, poderia sinalizar um retrocesso na condução da economia.

Como esse não é o discurso da presidente, mas um discurso para a presidente, se a mensagem chegará a ela é difícil prever. Quem está pensando assim está querendo usar a pesquisa do Datafolha para justificar uma mudança de rumo da economia, mesmo sabendo que o rumo ditado até o momento é da própria presidente Dilma, e não de Mantega.

A única cola que une os diversos partidos aliados da base governista, devido à sua heterogeneidade, é a sensação de inevitabilidade da reeleição de Dilma. Embora os números de popularidade ainda sejam muito bons, quando alguém perde oito pontos em uma pesquisa, essa sensação passa a ser de insegurança, e mesmo de alívio para boa parte dos políticos que, não gostando nem do PT nem da maneira rude de tratar de Dilma, sentiam-se amarrados ao projeto supostamente vencedor.

Agora, já podem olhar para o lado em busca de alternativas, com a sensação de que uma nova situação é possível. Tanto Aécio Neves, do PSDB, quanto Eduardo Campos, do PSB, são políticos que já demonstraram na prática entenderem melhor do que Dilma de que maneira se lida com os seus colegas, mesmo que não necessitem usar métodos escrachados de negociação.

Como decorrência da antecipação da campanha eleitoral, o PSDB ganhou mais tempo para unir suas correntes regionais, e o convite do governador Geraldo Alckmin para que o senador Aécio Neves participe do programa do partido em São Paulo é um sinal inédito de unidade, ainda mais importante depois que a pesquisa Datafolha mostrou a força do governador paulista para a reeleição.

Infantilismo na campanha - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 12/06

BRASÍLIA - Mesmo o leitor que não acompanha a política de forma quase obsessiva como eu já terá topado com argumentos contrários à campanha eleitoral antecipada: "Não é bom para o Brasil" e "Esses políticos fariam melhor se trabalhassem um pouco e deixassem para cuidar da eleição só em 2014".

Nesta semana, recebi um comunicado da Rede, o novo partido em formação. O texto comenta com alegria a pesquisa Datafolha, na qual Marina Silva aparece numericamente em segundo lugar. O parágrafo final, em plural majestático, diz o seguinte: "Não consideramos oportuna ou benéfica para o país qualquer antecipação da disputa eleitoral de 2014. Somente após o cumprimento de todas as etapas de sua constituição, a Rede irá avaliar a oportunidade e a conveniência de uma candidatura nas eleições presidenciais".

Quero deixar registrado que sou totalmente favorável à campanha eleitoral eterna, antecipada, sem trégua, o tempo todo. Por um único e exclusivo motivo: não existe um político no planeta Terra que não esteja sempre em campanha, a cada minuto. O que alguns fazem é tergiversar, como no comunicado da Rede.

Alguém acredita que Marina Silva não esteja em campanha eleitoral? Claro que está. Assim como Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos. Mas, como a política é uma atividade vilipendiada pelos próprios políticos, eles preferem fingir.

Em certa medida, essa atitude melíflua dos políticos é reflexo do atraso institucional do Brasil e das regras obsoletas para partidos e eleições. Hoje, um prefeito ou governador cometerá uma infração eleitoral se ousar postar algo assim no Twitter: "No ano que vem, vote em mim". A lei só permite tal tipo de manifestação a partir de julho de 2014.

Esse infantilismo político diz muito do nível dos governantes. O pior de tudo é que os políticos se acomodam e acham boas essas regras surreais. E fingem que não fazem campanha.

A recordista - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 12/06

O segredo da longevidade de Ideli Salvatti no cargo não é fazer o que os políticos desejam e sim o que determina a presidente da República

Nestes dois anos e meio de governo são fartas as reclamações sobre a ausência de uma articulação política de peso dentro do Planalto. Mas, por incrível que pareça, a atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti, é a mais longeva no cargo desde a criação do posto, no governo Lula. Amanhã, completa dois anos na função, ultrapassando o ministro José Múcio Monteiro, que, nos tempos de Lula, permaneceu ali um ano e oito meses.

O cargo de ministro de Relações Institucionais passou a cuidar da coordenação política do governo e do relacionamento direto com os congressistas em 2004, ano eleitoral. Naquela época, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, acumulava esse trabalho com a organização da área administrativa do Poder Executivo e passou a dividir o serviço com Aldo Rebelo, do PCdoB. Aldo ficava apenas com o chamado baixo clero, enquanto Dirceu cuidava dos presidentes de partido até deixar o governo, no ano seguinte, quando estourou o escândalo do mensalão.

A SRI é uma das funções mais ingratas do governo. Não tem autonomia para quase nada. Os recursos estão em outras pastas. E as decisões, no gabinete presidencial. Logo, sobra para Ideli, assim como sobrou para todos os seus antecessores o papel de para-choque entre a presidente da República e o Congresso. Enquanto isso, a Casa Civil faz o papel de para-choque interno, ou seja, anteparo entre a presidente e os demais ministros.

O relacionamento político, entretanto, parece fadado a usar tarja de fracasso exatamente pelas dificuldades do ministro da área em cumprir o que acerta no parlamento. Talvez por isso, a rotatividade por ali seja maior do que em outras áreas governamentais. Desde Aldo Rebelo, passaram pelo cargo Tarso Genro, Jaques Wagner, Walfrido dos Mares Guia, José Múcio Monteiro, Alexandre Padilha e Luiz Sérgio. A média era de menos de um ano e meio. Quem ficou menos tempo foi Luiz Sérgio, do PT do Rio de Janeiro.

A alta rotatividade, entretanto, não significa ostracismo. Hoje, Aldo e Padilha são ministros de Dilma, respectivamente, do Esporte e da Saúde. Dois são governadores de estado, Jaques Wagner, da Bahia; Tarso, do Rio Grande do Sul. José Múcio Monteiro é ministro do Tribunal de Contas da União, e Walfrido é o presidente do PSB em Minas Gerais. Luiz Sérgio é deputado federal, depois de ter sido afastado do ministério da Pesca para dar lugar ao PRB de Marcelo Crivella.

O segredo de Ideli, entretanto, não é o fato de fazer o que os políticos desejam e sim o que determina a presidente da República. Dilma, com seu perfil centralizador, é quem conduz essa área do governo, assim como também a economia. No dia da votação do MP dos Portos, por exemplo, foi quem ordenou que o governo fosse a votos em todos os temas, em vez de ceder a maioria dos pontos.

Embora não tenha experiência parlamentar e a classe política sempre se mostre meio irritada com o governo, a presidente tem se dedicado mais às conversas políticas. Nos últimos meses, ela recompôs a relação com a direção do PDT ao nomear um ministro ligado ao comandante pedetista, Carlos Lupi. Também segurou o PCdoB, reforçando a posição de Aldo Rebelo no Ministério do Esporte e dando apoio à presidente da Agência Nacional do Petróleo, Magda Chambriard, uma técnica com respaldo político do partido. Além disso, o PMDB, sempre insatisfeito, obteve a Secretaria de Aviação Civil e também conseguiu colocar na Agricultura o deputado Antonio Andrade, considerado mais “orgânico” dentro da bancada do que o deputado gaúcho Mendes Ribeiro, que precisava sair para concluir o tratamento contra o câncer.

Enquanto isso, nas pesquisas...
O resultado da CNT/MDA divulgado ontem não é muito diferente daquele detectado pelo Datafolha, em que, mais uma vez, a queda de avaliação do governo se refere em especial às incertezas na área econômica. Embora ainda desponte como favorita para vencer no primeiro turno, o fato de apenas 17% dos entrevistados declararem ter desde já candidato a presidente da República para 2014 é algo que reforça a posição de vulnerabilidade da presidente Dilma citada aqui ontem. Ou seja, se a economia piorar — e os brasileiros não estão no auge do otimismo sobre esse tema —, os 73% que se declaram indecisos ou sem candidato podem terminar optando pela oposição, que agora terá uma larga avenida para crescer. Não é à toa que hoje Dilma segue a máxima dos líderes do então presidente Fernando Henrique Cardoso, “a cada dia a sua aflição”. E, no momento, a “aflição” é econômica. Sorte de Ideli, que, assim, termina ficando mais tempo no cargo.

Barafunda judicial - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 12/06

SÃO PAULO - Se você quer criar uma barafunda judicial, é só reescrever uma lei qualquer usando outras palavras e publicá-la sem revogar a original. Mesmo que você não tenha pretendido alterar o conteúdo da regra, advogados, promotores e juízes cuidarão para que o caos se instale.

Pois é essa a receita que a Câmara segue ao fazer avançar a tramitação do Estatuto do Nascituro (PL 487/07). Em princípio, a peça não altera os dispositivos do Código Penal que permitem o aborto em caso de estupro e de risco de vida para a mãe, mas, ao introduzir um novo palavreado que afirma de modo enfático que embriões têm direitos, abre a perspectiva para que se acumulem interpretações e jurisprudência conflitantes, conspirando contra a clareza que toda boa lei deveria exibir.

No mais, o estatuto apresenta tantas inconsistências que se torna uma peça de humor involuntário. O artigo 4º, por exemplo, assegura aos nascituros o direito "à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar". Fico me perguntando no que consistiria a liberdade para um feto. A única ideia que me ocorre é a libertação do cordão umbilical, mas, como isso em geral significa aborto, duvido que seja essa a intenção do legislador.

Outra passagem surreal é a que define nascituro como qualquer ser humano concebido e não nascido, incluindo zigotos resultantes de fertilização "in vitro" e clonagem. Esse dispositivo, combinado com o artigo 8º, que determina que o SUS deve dedicar aos nascituros a mesma prioridade dada a crianças já nascidas, faz com que a geladeira com 200 embriões inviáveis seja 200 vezes mais valiosa do que um bebê agonizante.

O estatuto também embola o meio de campo nas sucessões e cria a temerária figura do aborto culposo.

Em condições normais, esse texto não passaria pela Comissão de Constituição e Justiça, onde agora se encontra. Vamos descobrir em breve se ainda temos uma Câmara normal.

Os gastos secretos das viagens de Dilma - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 12/06


Diante da indignação com o desperdício de recursos públicos pelas comitivas presidenciais no exterior, o governo, em vez de buscar a moralização, prefere adotar o sigilo para as informações referentes às viagens


A mão que afagou a opinião pública ao sancionar, em 2011, a Lei do Acesso à Informação, um dos mais importantes instrumentos para obrigar os governos a dar total transparência a seus atos, é a mesma que agora determina que todas as despesas de viagem da presidente Dilma Rousseff devem ser mantidas sob sigilo absoluto. A ordem emitida pelo Palácio do Planalto vale até o fim do presente mandato ou, em caso de reeleição, até 2018.

Com a popularidade despencando em razão dos maus resultados da economia, uma combinação perversa de inflação alta com crescimento próximo do zero, a presidente da República prefere atropelar o preceito constitucional da publicidade dos atos oficiais (artigo 37) a correr o risco de se ver, outra vez, flagrada em gastos absurdos que costumam pagar seus périplos internacionais. Com o que acredita diminuir a conta dos prejuízos eleitorais.

O caso mais exemplar desse tipo de desperdício ocorreu em março último, quando da inauguração do pontificado do papa Francisco: Dilma e sua comitiva ocuparam quase metade de um hotel de luxo em Roma, entre quartos e salas de apoio, desembolsando pelos três dias de permanência nada menos de 125 mil euros, o equivalente a R$ 324 mil. A despesa poderia ser muito menor se a presidente se hospedasse na embaixada do Brasil – o famoso Palácio Pamphili, ironicamente o mesmo local que dispunha do “quarto vermelho” para acolher Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete presidencial em São Paulo, em suas viagens de recreio à capital italiana.

A partir de agora, despesas de viagens presidenciais são segredo de Estado. As embaixadas brasileiras ao redor do mundo foram alertadas a respeito por meio de mensagem telegráfica disparada pelo Itamaraty, que decidiu reclassificar como “reservados” os documentos atinentes às estadias no exterior. A reclassificação, informa o Ministério das Relações Exteriores, está sendo realizada como parte da adaptação à Lei de Acesso à Informação. “Com a maior facilidade para o acesso aos expedientes internos do ministério, analisou-se que seria necessário reclassificar documentos que possam pôr em risco a segurança da presidente e do vice-presidente”, argumenta o Itamaraty.

Ora, a menos que haja o temor de que a presidente e seu vice sejam alvos de apedrejamento por parte de populares revoltados com a gastança, não há como entender a justificativa de que a divulgação dos gastos possa “pôr em risco a segurança” de ambos. Logicamente, a explicação se esvai no campo das mesquinharias político-eleitorais, de que o PT (o partido que nasceu sob a bandeira da defesa da ética!) faz uso com prodigalidade incomum.

Sob tal raciocínio, se esconde o desejo de não deixar a população (leia-se eleitores) conhecer fatos que produzam desgaste à imagem presidencial e comprometam minimamente suas chances de se reeleger em 2014 já no primeiro turno. Por esse jogo de esconde-esconde já passou, por exemplo, o caso do mensalão, e agora se eleva até para o patamar do falseamento de índices e dados contábeis para não revelar a profundidade do descontrole das finanças públicas.

Viagens presidenciais ao exterior estão na esfera de suas obrigações e prerrogativas institucionais. São importantes para o estreitamento das relações diplomáticas, para o incremento das trocas comerciais e para a atração de investimentos. Entretanto, se realizadas com gastos excessivos e desnecessários, passam a se constituir num desrespeito aos brasileiros contribuintes. E isso é tudo quanto não merecemos.

Em busca da credibilidade perdida - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 12/06

O governo decidiu agir para limpar sua imagem, manchada pela inflação, pela estagnação econômica, pela mal disfarçada irresponsabilidade fiscal e pela piora das contas externas. Dois eventos devem ter convencido as autoridades a ser um pouco menos arrogantes, pelo menos por alguns dias, e a cuidar um pouco mais de sua credibilidade. Um deles foi a piora da avaliação da presidente Dilma Rousseff e de seu governo, percebida em Brasília antes da publicação, no domingo, da nova pesquisa do instituto Datafolha. O outro foi a revisão da perspectiva do País, de estável para negativa, anunciada na sexta-feira pela agência de avaliação de riscos Standard & Poor's (S&P).

Embora com variação menor, a pesquisa de imagem da Confederação Nacional dos Transportes, divulgada na terça-feira, indicou também uma avaliação mais severa da presidente e da administração federal. Nesse levantamento, como no outro, as opiniões dos entrevistados foram influenciadas pela inflação e pela menor expectativa de aumento de renda.

O custo político da persistente alta de preços já havia levado o governo a aceitar um aperto da política de juros, intensificado na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com uma elevação da taxa básica de 7,4% para 8% ao ano. Com alguma demora, a presidente e seus auxiliares parecem ter notado, alguns dias depois, a conveniência de cuidar mais seriamente das contas públicas. Sem isso, como já haviam advertido os membros do Copom, o combate à inflação será mais difícil. Mas a ameaça da S&P de rebaixar a nota do País parece ter sido decisiva, segundo informações colhidas em Brasília.

A revisão da perspectiva de estável para negativa é apenas um primeiro sinal, mas suficiente para afetar o mercado. Qualquer novo fator de perturbação pode ser altamente prejudicial, neste momento. As condições de financiamento externo já refletem a expectativa de uma política monetária menos expansionista nos Estados Unidos e, portanto, de um enxugamento do sistema financeiro. Em um mês, o prêmio de risco do Brasil aumentou 25%. O crédito para vários outros emergentes também ficou mais caro.

Uma das consequências dessa mudança no panorama internacional é a valorização do dólar, especialmente acentuada no mercado cambial brasileiro. Essa nova tendência foi uma das razões da redução de 6% para zero do IOF incidente nas aplicações estrangeiras em papéis nacionais de renda fixa. A expectativa de uma abertura maior para o movimento de capitais começou a formar-se a partir daquele corte do imposto. Diante da perspectiva de menor oferta de moeda estrangeira e de uma piora das contas externas, tornou-se urgente a mudança de estratégia.

O aperto dos juros e a mudança na área cambial contrariam a política seguida até há poucos dias, mas são realizáveis sem grandes complicações técnicas e políticas. O maior desafio está na gestão fiscal. Discutem-se no governo medidas para tornar as contas públicas mais transparentes e menos frágeis. Segundo algumas fontes, examina-se até a ideia de um programa de déficit zero. Um programa desse tipo, apresentado há alguns anos pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, foi rejeitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por influência da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do presidente do BNDES, Guido Mantega.

Enquanto se discute um retorno pelo menos parcial à boa gestão das finanças, a marcha da irresponsabilidade continua. As medidas anunciadas para a capitalização do BNDES e da Valec e para uso antecipado de créditos a receber da Itaipu Binacional devem acrescentar R$ 45 bilhões à dívida bruta da União. Em breve, segundo se estima no mercado, essa dívida ultrapassará 60% do Produto Interno Bruto (PIB). A retórica oficial continua salientando a dívida líquida, bem mais baixa, mas os financiadores, incomodamente realistas, tendem a dar mais atenção ao valor bruto.

O governo só enganará a si mesmo se insistir nessa conversa, tão pouco séria quanto os balanços do PAC (ver editorial O inchaço do PAC), inflados com os financiamentos imobiliários. Não se reconquista credibilidade, um dos ativos políticos mais preciosos, contando lorotas.

O inchaço do PAC - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 12/06

Como de hábito, soa auspicioso o balanço oficial da execução da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também como de hábito, porém, os números grandiosos apresentados pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não revelam a real situação de obras essenciais para melhorar a infraestrutura do País, que é a finalidade principal do PAC, e incluem valores que não significam investimentos. Além de inflado, o balanço da execução até abril é impreciso.

Visto pelos olhos do governo, o PAC vai muito bem. De acordo com o balanço oficial, já foram investidos R$ 557 bilhões desde o início do atual governo. Esse valor corresponde a 56,3% do total de investimentos programados até o fim de 2014, quando termina o mandato da presidente Dilma Rousseff. Não é um número ruim, pois, até o fim de abril, a presidente tinha cumprido 58,3% de seu mandato de 48 meses.

O exame dos valores investidos de acordo com a fonte dos recursos e com a forma de aplicação, no entanto, mostra que eles não resultam apenas do esforço do governo - quase metade dos investimentos é de responsabilidade das empresas estatais (27,4% do total) e do setor privado (20,3%) - nem foram integralmente para obras de infraestrutura.

Como vem ocorrendo há bastante tempo, cerca de um terço dos valores que o governo diz ter executado do PAC não foi aplicado nessas obras. Do balanço divulgado na segunda-feira, R$ 178,8 bilhões, ou 32,1% do total, referem-se a financiamentos habitacionais concedidos do início de 2011 até abril.

Crédito imobiliário, como vêm advertindo especialistas em contas públicas, nada têm a ver com programas de infraestrutura, que implicam investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, infraestrutura urbana, entre outras áreas. Dos investimentos das estatais, por sua vez, a maior parte é de responsabilidade da Petrobrás, que tem um programa próprio de longo prazo, revisto anualmente.

Quanto aos investimentos do governo, de R$ 291,6 bilhões até abril, o balanço contém uma extensa lista de obras, classificadas de acordo com os eixos que compõem o PAC, como transportes, energia, infraestrutura urbana, área social (educação, cultura, saúde, esportes, lazer), habitação, água e energia elétrica.

Da lista fazem parte os grandes projetos anunciados pelo governo, independentemente do estágio das obras. Basta o contrato ter sido assinado para integrar o relatório. Na área de ferrovias, por exemplo, são citadas as obras da Norte-Sul e da Oeste-Leste, que enfrentam dificuldades de execução.

Na área de rodovias, está o asfaltamento da BR-163 na Região Norte - que facilitará o acesso aos portos da região e poderá desafogar os do Sul e do Sudeste -, que deveria ser concluído em 2013, mas só deverá ficar pronto em dezembro de 2015.

Sem investir o que poderia ter investido, o governo petista teve de se render à necessidade de atrair investimentos particulares - aos quais sempre se opôs - para recuperar, modernizar e ampliar a infraestrutura necessária para assegurar o crescimento da economia. Diante da notória degradação da malha rodoviária federal, da escassez de ferrovias, dos custos excessivos e da lentidão das operações portuárias, do risco de novas crises no setor aéreo por causa de aeroportos mal equipados e mal dimensionados, entre outros graves problemas de infraestrutura que não conseguiu resolver, o governo agora tem pressa em atrair o capital privado.

Em setembro, mais de um ano depois de ter anunciado o necessário Programa de Investimentos e Logística, deverão ser realizadas as primeiras licitações de rodovias. Antes tarde do que nunca. Mas, nos últimos meses do ano, haverá uma concentração de leilões, entre os quais o do trem de alta velocidade, dos aeroportos de Confins e do Galeão, de áreas nos portos públicos (inclusive Santos) e do primeiro campo do pré-sal, que vem sendo apontado pelo governo como "o maior leilão do mundo". Haverá capital para tudo isso em tão pouco tempo?

Novos tribunais são exemplo de desperdício - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 12/06

Uma regra infelizmente imutável da burocracia estatal é enfrentar supostas demandas por mais trabalho sempre com mais contratações, construção ou aluguel de prédios, compra de carros etc. O caso emblemático do momento é a dispendiosa e desnecessária criação de quatro novos Tribunais Regionais Federais, projeto, é claro, com o apoio de corporações sempre sensíveis ao crescimento da máquina pública, sinônimo de inchaço da já robusta folha de salários do funcionalismo e da conta dos gastos em custeio.

Por inevitável, o esporte nacional do aumento dos gastos com dinheiro do contribuinte tem incansáveis adeptos no Congresso. Pouco adiantou o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, argumentar com os presidentes da Câmara e Senado, deputado Henrique Alves (PMDB-RN) e senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que os cinco tribunais existentes já abrigam 36,4 mil servidores, um contingente de pessoal em condições de arcar com o encaminhamento das centenas de milhares de processos em tramitação pelas Cortes.

A proposta de emenda constitucional (PEC) de criação dos tribunais foi aprovada, e pelo menos Renan Calheiros, também presidente do Congresso, tratou de engavetá-la, para retardar ao máximo sua promulgação. Mas bastou o deputado André Vargas, do PT paranaense, assumir o posto de Renan, numa substituição de rotina devido à viagem do senador, para, com alegria, publicar a emenda no Diário Oficial.

Estudo do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, revelado ontem pelo GLOBO, mostra em cifras o tamanho do equívoco da criação dos tribunais. Sem considerar gastos com novas sedes, a empreitada subtrairá por ano do bolso do contribuinte R$ 922 milhões, quase R$ 200 milhões além da estimativa dos defensores da PEC.

Sediados em Paraná, Minas, Bahia e Amazonas, os tribunais, garante o estudo, não ampliarão o acesso à Justiça Federal. “Um trabalho de gestão poderia ser muito mais interessante e ter um custo muito menor”, afirma Danielo Cerqueira, diretor do Ipea. E, neste sentido, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pode ter um papel decisivo.

Há grandes diferenças de produtividade entre os tribunais. Eliminá-las já seria um grande avanço. Existem, ainda, déficits grandes de informatização nas Cortes e até mesmo espaço físico ocioso nelas. Somente depois de esgotadas todas as múltiplas possibilidades de melhorias administrativas, e no próprio rito de tramitação processual, é que se poderia começar a pensar em ampliar a rede de tribunais.

Por enquanto vencem os poderosos interesses corporativistas a favor da gastança sem limites. A esperança está na atuação do Ministério Público, junto ao STF, na arguição da competência do Congresso de propor a ampliação da estrutura do Judiciário.

Gradual e inseguro - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 12/06

Roteiro da política econômica no governo Dilma se baseia em improvisação; perda paulatina de confiança exige medidas cada vez mais fortes


O personagem Mike, do romance "O Sol Também se Levanta", de Ernest Hemingway, responde de modo lapidar à pergunta sobre como se dera sua bancarrota: "Gradualmente, depois subitamente". A tirada se aplica bem ao limiar em que se acha a política econômica brasileira, questionada de forma cada vez mais contundente.

A improvisação tem sido a regra no governo da presidente Dilma Rousseff. A desfiguração das metas fiscais, a impressão de leniência com a inflação, os estímulos pouco eficazes ao consumo --já muito expandido-- de bens duráveis e o intervencionismo desastrado em setores importantes para o investimento formaram uma mistura indigesta.

O resultado está na letargia da atividade econômica. A média de crescimento do PIB nos primeiros dois anos de mandato da presidente foi de apenas 1,8%, e em 2013 o incremento não avançará muito mais (hoje se fala em 2,5% a 3%).

Nas últimas semanas, a erosão da credibilidade do governo ganhou velocidade. O estopim dessa deterioração veio do exterior, contudo: movido pela projeção de desempenho melhor da economia americana, o mercado financeiro já especula sobre quando o Fed (banco central dos EUA) começará a recuar na política de inundar a praça com estímulos monetários.

Nada que pareça iminente, é verdade. Afinal, o crescimento americano neste ano ainda ficará perto de 2%, e o desemprego permanece elevado. A mudança, que será lenta, pode vir apenas em 2014, mas, como se trata da maior economia do mundo, já provoca solavancos.

O dólar se fortalece, e com isso ganha corpo o fluxo de fuga de investimentos em títulos de países emergentes, que reflui para o porto seguro e para a promessa de melhores rendimentos nos EUA.

A pressão de venda provoca alta dos juros de longo prazo nos emergentes, para que seus títulos permaneçam atrativos. O fenômeno não se resume ao Brasil --sobem as taxas no México, na África do Sul e na Turquia, países que também se beneficiaram com a avalanche de capitais nos últimos anos.

No Brasil, há agravantes. A decepção com o crescimento e a constatação de que o cenário para os próximos anos é de aumento da dívida pública levaram a agência de avaliação de risco Standard & Poor's a sinalizar que pode rebaixar a nota de crédito brasileira.

O enredo da perda de confiança é conhecido e, como sugere a frase de Hemingway, pode surpreender com um desfecho indesejável. Antes que maiores prejuízos abalem a economia do país, é preciso devolver um mínimo de consistência à gestão macroeconômica.

Um passo decisivo partiu do Banco Central, que parece reconhecer a necessidade de voltar a combater de frente a inflação. Mas o BC, sozinho, não pode resolver tudo --ou tentará fazê-lo com juros estratosféricos e uma recessão.

A principal fragilidade do país, hoje, está nas contas públicas. O governo precisa comprometer-se sem meios-termos com a austeridade. Nada indica que a presidente esteja empenhada nisso.

Um ano para virar o jogo - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 12/06


Há obras atrasadas, os custos superam em muito as previsões iniciais, a mobilidade urbana está um caos, os estádios já concluídos têm problemas estruturais e há muita desconfiança em relação à segurança, ao transporte e à qualidade dos serviços.


Faltando um ano para a abertura da segunda Copa do Mundo brasileira, o país tem mais motivos para sobressaltos do que para se orgulhar. É verdade que encaramos um desafio grandioso, que é a promoção de pelo menos quatro megaeventos internacionais nos próximos três anos: Copa das Confederações a partir do próximo sábado, Jornada Mundial da Juventude no mês que vem, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Também é verdade que o país virou um canteiro de obras, especialmente as grandes cidades que receberão jogos das competições. Mas nem tudo está andando dentro da normalidade: há obras atrasadas, os custos superam em muito as previsões iniciais, a mobilidade urbana está um caos, os estádios já concluídos têm problemas estruturais e há muita desconfiança em relação à segurança, ao transporte e à qualidade dos serviços a serem oferecidos aos visitantes.Ainda dá para virar este jogo. A Copa das Confederações que começa nesta semana pode ser vista como uma espécie de preliminar dos demais eventos, pois já estaremos testando, em menor escala, itens essenciais para receber turistas, como hospedagem, segurança, telecomunicações e transporte. Os seis estádios já concluídos para a competição _ Maracanã, no Rio de Janeiro; Mané Garrincha, em Brasília; Mineirão, em Belo Horizonte; Castelão, em Fortaleza; Fonte Nova, em Salvador, e Arena Pernambuco, em Recife _ estão em condições de uso, mas todos apresentam deficiências que ainda precisam ser sanadas, que vão da falta de orientação para o público até a presença de material de construção nas proximidades.Há muito para fazer. Mas é inquestionável que o país acertou ao assumir o compromisso de promover tais eventos esportivos, que já motivam uma transformação urbanística sem precedentes em várias cidades. Se for bem-sucedido, alcançará reconhecimento internacional e terá certamente incremento em sua economia, com ênfase no turismo, na qualidade de vida e no próprio futebol, pois bons estádios tendem a atrair mais público e a proporcionar melhores espetáculos. Para isso, porém, é imperativo que o governo federal e todos os administradores públicos envolvidos diretamente no grande empreendimento sejam mais austeros no controle dos gastos e na cobrança de resultados das empreiteiras, sem deixar de fazer a sua parte. Obras viárias, sistemas de transporte e aeroportos ainda estão muito aquém do desejável. Basta uma neblina, como a que atinge a Região Sul neste final de outono, para que voos atrasem por falta de equipamentos elementares. É, no mínimo, um gol contra para quem ambiciona ganhar a Copa da Organização.Mas a obrigação não é apenas do poder público: cada cidadão pode _ e deve _ dar a sua contribuição para que o país vença os obstáculos que tem pela frente.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Devagar com o andor. Isso não corresponde aos fatos”
Deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que não vê crise na base de apoio ao governo


MANOBRA PARA EFETIVAR ‘CUMPANHERADA’

O PT bolou um jeito de “efetivar” como servidores a “cumpanherada” que aparelha cargos de confiança desde o início do governo Lula, em 2003. O edital nº 48, do Ministério do Planejamento, publicado na sexta (7), abre “concurso” curioso, que prevê pontuação alta para quem tem “experiência” e pontuação baixa para nota mínima nas provas escritas – afinal, qualificação não é o forte dos que ocupam esses cargos.

O DÍZIMO AGRADECE

O concurso para “Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental” oferece R$ 13.400 de salário inicial.

PARA QUÊ PHD?

Candidato com doutorado, mestrado etc. terá de escolher um dos títulos para somar no máximo 50 pontos.

PULO DO GATO

Cada ano de “experiência” rende 15 pontos em período máximo de 10 anos. A petelhada acumulará 150, contra 50 de quem tem PhD.

SÓ COINCIDÊNCIA...

O Planejamento admite que valoriza em “maior grau” a experiência para contar com pessoas com bagagem profissional. Ah, bom.

DILMA OFENDE GOVERNO PORTUGUÊS

A visita de Dilma a Lisboa deixou um rastro de indignação no governo português. A revolta é grande, em razão dos excessivos afagos dela à oposição e pelas atitudes ríspidas em relação aos anfitriões, mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (PSD) proibiu assessores de expressá-la. Após herdar o país quebrado sob gestão do Partido Socialista, Coelho se viu obrigado a impor austeridade, e enfrenta as consequências disso.

INFLUÊNCIA?

Mário Soares saiu de longa reunião com Dilma pregando a queda do governo que tenta consertar os estragos feitos pelo seu partido, o PS.

PRIMEIRA DESFEITA

Dilma foi o primeiro presidente brasileiro a quebrar a tradição de iniciar por Portugal visitas oficiais à Europa. Antes foi à Alemanha.

DE PIJAMA

A presidente da Petrobras, Graça Foster, é a nova aposentada da empresa, acumulando o cargo, mais INSS e proventos da Petros.

MILONGUEIRO

O prefeito engraçadinho do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ameaçou se “matar” se a Argentina vencer a Copa. Antes, deveria comungar com o papa Francisco, que chega à cidade em julho e por acaso é argentino.

ESTÁ RUSSO

Em visita ao Brasil, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, tentará convencer Dilma a optar pelos caças Sukhoi-35 contra os franceses, suecos e americanos, transferindo tecnologia e sistemas antimísseis.

MEU GAROTO

Com o Rio em destaque no noticiário internacional da bandidagem, um projeto da Assembleia Legislativa concede a medalha Tiradentes a Marco Antônio, filho do governador Sérgio Cabral.

SEM INVESTIMENTO

A empresa pública criada pelo governo Tarso Genro não tem recursos para investimentos e manutenção nas estradas que devem retornar ao governo estadual. Vai sobrar para o usuário das estradas gaúchas: a partir de 2014 vão ficar sem ambulância, sem guinchos e com buracos.

CONFRATERNIZAÇÃO

Nesta sexta-feira, véspera da abertura da Copa das Confederações, o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), vai oferecer um jantar ao presidente da CBF, José Maria Marin, e seu vice, Marco Pólo Del Nero. Todos os presidentes de federações estaduais foram convidados.

OUTRO LADO

O Conselho Nacional do Ministério Público alega que os 4,8 milhões de inquéritos enviados ao MP incluem processos liberados para diligências e que voltaram, contabilizando nova passagem. Em 2011, segundo o CNMP, 1,5 milhão foram enviados à polícia para apuração.

SORRY, PERIFERIA

Mais de mil “progressistas” de 200 países estão na cidade de Canoas (RS) para o Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia. Lula e o ministro que mentiu aos índios, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), estão entre os “periféricos” debatedores.

PAPAGAIOS

O deputado distrital Washington Mesquita (PSD) descobriu o que falta nas cidades do Distrito Federal: “pipódromos” para todos, que o governo deverá bancar com seguranças e campanhas contra o cerol.

PERGUNTA AO OBAMA

Dá para descobrir, no cipoal da vigilância interplanetária, onde está “Rose” Noronha?


PODER SEM PUDOR

ELEGÂNCIA PRESIDENCIAL

O vaidoso Juscelino Kubitschek jamais negligenciava a elegância. Certa vez, num voo do Rio para o canteiro de obras de Brasília, foi despertado pelo aflito ajudante de ordens, em meio a forte turbulência:

- Senhor presidente, estamos em pane e o problema é grave.

JK trocou de roupa com calma, vestindo seu terno. Ajeitava o nó da gravata quando viu a cara de incredulidade do jovem capitão. O presidente sorriu:

- O avião pode cair. Não fica bem o corpo do presidente ser encontrado vestindo pijama.

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Credibilidade em xeque: Dólar em alta engole lucro das empresas
Folha: Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista
Estadão: Bolsa cai a níveis de 2011 e dólar cede após intervenção
Correio: Crise de confiança no Brasil ameaça até aposentadorias
Valor: Gasto com executivos para de crescer
Estado de Minas: Pista livre para os perueiros
Zero Hora: Propina de até R$ 3 mil por carteira de motorista
Brasil Econômico: Pressão de salários na inflação deve recuar

terça-feira, junho 11, 2013

Periguete, meu amor - ARNALDO JABOR

O GLOBO - 11/06

Estou com inveja do erotismo do século XXI? Será que fui apenas barrado do baile?


Meus artigos mais amados não foram escritos por mim. A internet está cheia de textos com meu nome, que causam frisson entre mulheres mal amadas, homens que amam pouco e subliteratos. E pior, chegam encantados me elogiando e, quando digo, com maligno sorriso, que jamais escreveria aquelas bobagens, me olham com rancor e partem batendo os pés. Os meus “falsos” artigos são quase sempre sobre as mulheres e de como devem ser “bonitinhas, obedientes e gratas aos maridos”.

Pois aqui, serei apócrifo de mim mesmo. Vamos a isso.

É espantoso o exibicionismo sexual das brasileiras — desde as mais mocinhas, ingênuas crianças, até coroas ex-gostosas e atuais barangas. Todas de shortinho ou “saias abajur” (que só cobrem a “perseguida”), barriga nua, todas bundudas e sapatos plataforma de dez centímetros. O modelo da mulher de hoje são as mulheres mangabas, melancias e abóboras — bundas que as defendem como airbags.

As periguetes aumentaram a solidão dos pobres voyeurs brasileiros. Sem falar nas revistas que programam industrialmente nossa tesão.

Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, seios, vagina, mucosas, ânus. O que falta? Os órgãos internos?

Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: “Venham... eu estou sempre pronta, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance”! Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura. Seu ideal é serem desejadas como bons produtos. Felicidade é ser consumido. Felizes como coisas: Uma salsicha é feliz? Um bela lata de caviar? Mas, como amar um eletrodoméstico?

Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém mais quer ser “real” hoje em dia. Vi um anúncio de uma boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres digitais que não vivam... O anúncio tinha o slogan embaixo: “She needs no food nor stupid conversation” (Nem precisa levar para jantar nem ter conversa fiada). A liberdade de mercado produziu um estranho “mercado da liberdade”.

Eu não falo isso como crítica. Não. Eu tenho inveja, a verde, viscosa e sinistra inveja da ausência de angústia, da ignorância gargalhante que adivinho sob seios siliconados de mulheres gostosérrimas ou sob os peitos raspados de garotões “tanquinhos”.

Chego na banca de jornais e peço: me dá o “Estadão”, “O GLOBO”. Pelo canto do olho, vejo as revistas sexy. Pergunto ainda: Já chegou a “The Economist”, o “Foreign Affairs”? Ah... não?... Então... tudo bem... ah... me dá aquela revista ali... “Qual?”, pergunta a jornaleira. “Aquela ali...” , respondo com falsa displicência, apontando uma mulher-fruta na capa. A gorda senhora italiana me olha com desprezo irônico.

Vou para o escritório como um velho onanista com um crime nas mãos. Eu precisava entender as bundas das mulheres-fruta. Começo a rasgar o papel de celofane com mãos trêmulas. As “frutas” me olham de costas, como uma salada. Lendo a revista, começo a sofrer. Decepciono-me com o que vejo. Penso: “Estou velho ou as ‘uvas estão verdes’?” Folheio a revista em busca do desejo, mas nada acontece. “Por quê, meu Deus? Elas são feias?” Que nada. Ninguém mais é feio. Ali só há mulheres retocadas e lindas, para programar nossa libido. Essas mulheres perfeitas pelo photoshop não precisam de nós. Elas parecem ser as namoradas de si mesmas.

Olho as revistas povoadas de mulheres lindas e me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Elas são muita areia para o caminhão dos proletários sexuais que jamais terão dinheiro ou charme para conhecê-las. Elas provocam uma “tesão de classe”.

E a grande moda do momento? Ah... são mulheres penduradas em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pelos pubianos nos salões de beleza. Ficam balançando em paus de arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito e não mais a floresta peluda onde mora a temível “vagina dentata”. Parecem uns bigodinhos verticais que me fazem pensar em Hitler ou Sarney. Elas não querem ser amadas; querem que a gente sofra. Querem ser coloridos objetos para nossa masturbação. Mas isso é injusto para com o punheteiro contemporâneo, que vira um pobre excluído.

Antigamente não tinha isso não. A doce “punhetinha” era pura narrativa literária. Punheta era dramaturgia. Tínhamos de imaginar complicados enredos, com tramas de suspense e estrutura de romance policial. O que mais acendia o desejo eram justamente as peripécias, os obstáculos até chegarmos ao orgasmo. Imaginávamos cenas excitantes:

“Na sala vazia, D. Abigail, professora de matemática, irritou-se comigo: ‘Raiz quadrada de b2 menos 4ac sobre 2A! Será que você não aprende?’ Coberto de vergonha, abaixo a cabeça e vejo a saia justa lascada do lado, a deliciosa nesga de perna branca com celulite.”

“D. Abigail grita comigo: ‘Levanta a cabeça! Repete a equação!’ ‘Não sei, professora...’, respondo debulhado em lágrimas. ‘Vem cá, filhinho, eu te ensino.’ E D. Abigail me aperta contra os seios, e suas mãos descem lentamente, enquanto suas coxas com celulite se roçam, produzindo o suave fru-fru das meias “nylon” recém-chegadas da América...”

Ou podia ser então a mãe “boa” de algum amigo: “Carlos Eduardo está em casa, dona Flora?” “Não, Arnaldinho... Mas, eu estou. Venha cá no quarto ver meu sapato altíssimo de verniz negro e ponta fina que faz ‘tic-tic’ no assoalho...”

Mãe de amigo era “tudo” e nos dava um acre sabor de culpa perversa.

É isso aí.

E, ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século XXI? Será que fui apenas barrado do baile?

Como lidar com bebês em aviões - Mr. MILLES

O Estado de S.Paulo - 11/06

Nosso surpreendente viajante escreve-nos, agora, da Ilha de Upolo, em Samoa, nas águas mornas do Pacífico Sul. Ele e sua fidelíssima mascote Trashie, a raposa das estepes siberianas, resolveram fazer essa longa viagem por três motivos principais. O primeiro deles foi o interesse de nosso correspondente britânico em rever Telefoni Tulafanu, seu afilhado, nascido em 2008, filho de Faoa Tulafanu, seu antigo professor de samoano na Inglaterra.

Telefoni, agora com 5 anos, já tem 1,60 metro e pesa 90 quilos, estatura comum nesse povo que é "tão fisicamente grande quanto generoso". Mr. Miles queria, também, revisitar em Vailima a propriedade da família Stevenson, que guarda os restos mortais de um de seus ídolos de infância: o escritor Robert Louis Stevenson, autor, entre outros, dos livros A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro. Stevenson, britânico nascido na Escócia, morreu precocemente, aos 44 anos, vítima de um enfarte no coração no paradisíaco arquipélago. "And last, but not least, viemos até aqui para aproveitar a beleza das ilhas, suas praias, cachoeiras e montanhas."

A seguir, a correspondência da semana:

Querido mr. Miles: viajo no meio do ano para apresentar meu filho de 6 meses de idade para seus avós italianos. O irmão dele, de 2 anos e meio, vai junto. O que devo fazer para incomodar menos os passageiros ao nosso redor?

Regina B. Tagliani, por e-mail

"Well, dear Regina: sua preocupação é louvável mas, I'm afraid, não há nada que você possa fazer, exceto rezar para que as horas passem velozes como minutos e os minutos sejam rápidos como segundos. Pequenas crianças a bordo de aviões de carreira costumam, of course, perturbar seus vizinhos. Por mais solerte que você seja no uso de mamadeiras e na troca de fraldas, sempre haverá aqueles instantes de descontrole infantil, que provocam berros agudos e acordam até os passageiros com os ouvidos protegidos por fones potentes ou o rosto afundado em três ou quatro travesseiros.

Unfortunately, não sei o que lhe dizer. Meu amigo Jaime Ibañez Acuña, uma espécie de Herodes chileno, não hesitaria em sugerir que você oferecesse um sedativo aos pimpolhos. Talvez seu pediatra até aprove a medida. However, se fosse por decisão de Jaime, as doses seriam cavalares… Oh, my God!

Tenho uma amiga que, quando voa com seus infantes, ajuda-os a dormir com gotas de medicação antienjoo. Mas eu sinceramente espero que você não siga qualquer uma dessas indicações sem conversar com um profissional gabaritado. De minha parte, raramente sofro com o problema. Como sei que crianças pequenas e seus pais são, quase sempre, instalados na primeira fileira de cada cabine, busco refúgio dez ou doze assentos para trás.

Fico imaginando, também, que as sempre pouco criativas companhias aéreas poderiam criar pequenas cabines exclusivas para passageiros como você e seus filhos, com divisões acústicas. Essa providência evitaria constrangimentos como o seu e preservaria a paz a bordo as well.

O ideal, dear Regina, é evitar submeter crianças pequenas e passageiros cansados a esse tipo de dissabor. No seu caso, as I see, parece-me inevitável. A não ser, claro, que você pague as passagens para seus sogros voarem até aqui. Isn't this a good idea?"

O teleférico da Rocinha - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 11/06

Na quinta, Dilma vai à Rocinha anunciar o PAC II das favelas.
Só lá, serão gastos R$ 900 milhões em saneamento, urbanização e na construção de um teleférico nas mesmas dimensões do Alemão.

Segue...
A ideia de fazer um teleférico na Rocinha tem o apoio de 88% dos moradores ouvidos numa pesquisa do Instituto Mapear.

Para casa, Padilha
Quatro prostitutas que participaram de campanha do Ministério da Saúde, aquela que foi retirada de circulação por causa da frase “Eu sou feliz sendo prostituta”, enviam amanhã uma notificação extrajudicial para o ministro Alexandre Padilha. Desautorizam o eventual uso de suas imagens em outras campanhas, segundo a Rede Brasileira de Prostitutas.

Tem mais...
Movimentos de travestis, soropositivos e homossexuais criaram nas redes sociais o slogan “Volta para casa, Padilha”.

UPP é cultura
Oito escritores estrangeiros que participam em julho da Flip, em Paraty, estarão também na Flupp — a Festa Literária das UPPs.
Entre eles, John Banville e Geoff Dyer. A Flupp será na Arena Dicró, na Penha, dias 8 e 9 de julho.

Isto é Renan
Renan Calheiros mostrou suas credenciais em Lisboa. Furou a fila para se servir de feijoada no almoço na casa do embaixador brasileiro em Lisboa, no sábado.
A festa era pelo encerramento do Ano do Brasil em Portugal. Estavam lá Marta Suplicy e o ex-presidente português Mário Soares.

Rumo à Ásia
A Marfrig, que vendeu a marca Seara com 30 fábricas para a JBS, pretende agora concentrar esforços no mercado asiático.

Para isso, vai reforçar os investimentos na sua subsidiária americana Keystone Foods, que tem unidades na China, na Tailândia, na Malásia e na Coreia do Sul.

Aliás...
Deve chegar a uns 100 milhões de dólares até 2022 este contrato da CBF com a Sadia, do grupo BRF.

Ela substitui a Seara, que, por atraso de pagamento, antes de ser vendida para a JBS, perdeu a vaga na camisa da seleção brasileira.

De volta para casa
O embaixador de Cuba em Brasília, Carlos Zamora, está de malas prontas.

A sua situação ficou insustentável desde que promoveu desastrada articulação contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, em sua visita ao Brasil em fevereiro.

Imagina a festa
A Brahma está lançando uma edição especial e limitada de garrafas em alumínio para celebrar os grandes eventos esportivos do país.

Inspirada na taça da Copa do Mundo, a nova embalagem, veja só, reforça o slogan da cervejaria

“Imagina a festa”.

Frankie & Amaury
Acabou o prazo do estilista Frankie Mackey para apresentar recurso em sua defesa contra a sentença do processo em que é acusado do homicídio do sócio e companheiro Amaury Veras, ocorrido em setembro de 2004.

O que se diz é que o réu teria se refugiado na casa dos pais, em Rosário, na Argentina.

Deve ser terrível
Thaís Gulin, a jovem cantora, que namora Chico Buarque, está em turnê pela Europa. Dia destes, depois de fazer um show na casa Beba do Samba, em Roma, foi jantar com a turma da banda.

De repente, deram pela falta do violão e de um microfone, que estavam apoiados no balcão.

No mais
A Copa das Confederações será em seis estados brasileiros. Mas o foco da imprensa estrangeira é, como sempre, o meu, o seu, o nosso Rio de Janeiro.

O jornal esportivo francês “L’Équipe” anuncia uma reportagem de capa que, veja só, detona o Rio, abordando a questão da violência e da miséria.

Já...
O jornalão inglês “The Guardian” destaca que a cidade está mais segura, embora desaconselhe visitas a favelas, “salvo se você tiver amigos no Comando Vermelho”.

É. Pode ser.

GIULIA EM PELE DE BÁRBARA
Giulia Gam, a talentosa atriz, encarna sua personagem, a histérica e performática Bárbara Ellen, em “Sangue bom”, para fotos nos bastidores das gravações da novela, no Projac 

ZÉ ESTÁ VIVINHO DA SILVA
Zé Ramalho posa com sua mulher, Roberta, depois de ler notícia sobre sua própria morte, cruzes!, na internet. Ele está em turnê pelo Nordeste. Calma, gente! 

O colunista apodrece - JOÃO PEREIRA COUTINHO

FOLHA DE SP - 11/06

Nos últimos meses, sucessão de minicatástrofes mostra que a idade física está a aproximar-se da mental


Pedra no rim não é para qualquer um. Eu sei porque dei à luz uma. "Dar à luz": nunca uma expressão foi tão apropriada. Passei dois dias no hospital em maio e, de regresso à casa, não houve familiar ou amigo que não tivesse disparado o clichê: "Isso só é comparável à dor de parto".

Errado, irmãos. Com uma boa epidural, eu poderia dar à luz uma pedra do rim todas as semanas. A minha admiração sincera só está com as antigas mulheres que despachavam o serviço sem anestesia. Como foi possível, meu Deus? Como foi possível que incontáveis mulheres se tenham submetido a uma dor lancinante só para que a nossa espécie crescesse e se multiplicasse?

De bom grado entregaria a minha pedra, hoje em frasco de vidro, para que sobre ela se edificasse um monumento às parideiras desconhecidas. Se dar à luz dependesse dos homens, a história da civilização não teria passado do Paleolítico.

Estou curado. Do rim. Não estou curado do resto. Acabo de fazer 37 anos e, nos últimos meses, uma sucessão de minicatástrofes mostra que a idade física está a aproximar-se da mental. Biologicamente, são 37; mas é preciso inverter a ordem dos números para ter um retrato do artista quando "jovem".

Tudo começou com um almoço de domingo e um dente que não deveria estar no prato. De quem era aquele dente, perguntei, pronto para fazer piada com a cozinheira desdentada.

Os restantes comensais olharam para mim horrorizados e uma das crianças, chorando de medo, apontou para um buraco na minha boca.

Mas não são apenas os dentes que quebram e me abandonam. O cabelo também está a fazer as malas. Se fosse um dramaturgo, já teria escrito uma peça a respeito. Imagino a cena: o cabelo, deitado na cama e ligado a uma máquina, murmurando para mim. "Por favor, João, eu sei que sou importante na tua vida. Mas tens que me deixar ir."

E eu, agarrando na mão do meu amigo, implorando para que ele fique mais um pouco. "Só até os 40, rapaz, só até os 40!"

Não há 40 para ninguém. Pelo menos, sem alterar hábitos de vida. Entreguei os testes médicos ao especialista. Ele olhou para os testes. Depois para mim. Depois para os testes. Depois para mim. "Tem a certeza de que esses testes são seus?", perguntou o desgraçado.

Sentença: anos de excessos, anos de inatividade ""e a fatura chegou. É preciso comer melhor e, sobretudo, fazer exercício físico diário.

Obedeci. A partir de agora, usarei duas gotas de uísque Laphroaig apenas como perfume. E, sobre o exercício, perguntei na academia se existia um desporto leve, só para início de conversa. "Hidroginástica", disse-me a moça, com um inconfundível esgar de piedade.

Experimentei. Gostei. Tenho uma piscina enorme e mais de 30 mulheres só para mim. Todas elas poderiam ser minhas avós, mas isso nunca foi um problema para quem sempre apreciou mulheres maduras.

O ambiente é descontraído e graças a elas já conheço as melhores lojas ortopédicas de Lisboa, que me salvaram recentemente depois de mais um lamentável acidente doméstico.

Aconteceu minutos depois de despertar, quando me entreguei a tarefas radicais que não tenciono repetir tão cedo ""no caso, subir a persiana do quarto. Um estalido nas costas transformou-me de imediato em estátua e foram precisas doses equinas de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares para que voltasse a caminhar sem colete cervical.

Sou um homem novo, disposto a cuidar melhor da minha carcaça. E, hipocondríaco confesso, tentei saber tudo sobre a história da família para fazer exames preventivos. Foi assim que a palavra "colonoscopia" passou a fazer parte do meu dicionário.

Avancei para ela sem medo, embora gostasse de lavrar aqui o meu protesto: por que motivo as batas hospitalares para doentes continuam a tapar tudo na frente e a deixar generosas frestas na retaguarda?

Não que isso seja motivo para embaraços, claro, exceto se formos reconhecidos por alguns pacientes que também esperam a sua vez em traje igual. "Gosto muito de o ler", disse-me um. "É mais magro ao vivo que na TV", disse-me outra.

Agradeci, encostando-me ainda mais à parede. E quando finalmente chamaram pelo meu nome, fiz uma vênia de maestro e depois fui recuando, recuando, recuando, até desaparecer pela porta do bloco.

Nunca devemos virar as costas aos nossos fãs.

Justiça cara - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 11/06
A vida vai ficar mais difícil - ou menos confortável - para juízes e desembargadores, tanto em atividade quanto aposentados, em oito estados do País.

Eles foram vítimas de uma decisão liminar do conselheiro Bruno Dantas, do Conselho Nacional de Justiça, que mandou suspender um auxílio- alimentação que beneficiava magistrados - juízes e desembargadores -, tanto os da ativa como a turma da cadeira de balanço na varanda (dos Tribunais de Justiça de Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Pernambuco, Roraima, Sergipe e São Paulo).

O benefício existia no papel, desde 2004, e não atingia todos os estados. A decisão do Conselho equivaleria a uma facada de R$ 101 milhões no Tesouro, que já pagou R$ 249,3 milhões em almoço, jantar e cafezinho para os felizes magistrados de 12 estados. O campeão foi o Estado do Rio, que desembolsou R$ 56,1 milhões em atrasados. Pelo menos em tese, o conselheiro Dantas concorda com o auxílio para os juízes na ativa.

A situação é, para dizer o menos, muito confusa.

Em primeiro lugar, juízes são funcionários públicos, e não dá para entender por que outros servidores civis do Estado não merecem a mesma colher de sopa. Em sua decisão, Dantas considera mais irregular o auxílio-alimentação para os aposentados. A questão acabará sendo decidida pelo Supremo Tribunal Federal, que vai julgar uma ação proposta pela Ordem dos Advogados contra esse auxílio.

Ao que parece, a comunidade jurídica concorda com o auxilio financeiro para os juízes na ativa, mas protesta contra a extensão do benefício aos aposentados. Recentemente, o Tribunal de Contas da União suspendeu uma proibição do pagamento de auxílio-alimentação a juízes federais e do Trabalho - o que custará à União algo perto de R$ 312 milhões. No Estado do Rio, o pagamento retroativo do auxílio-alimentação foi o mais alto: R$ 56,1 milhões. Um magistrado fluminense foi o campeão: levou para casa R$ 68.116,27. Outros estados ganharam menos.

Cidadãos ingênuos não entenderão por que o preço da justiça varia de um estado para outro.

A decisão liminar do conselheiro Bruno Dantas com certeza será contestada. Vamos ver quem vai sair ganhando, pelo menos no STF: eles ou nós. Em geral, são eles.

Ueba! Fifa é a sogra do Felipão! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 11/06

E um amigo meu disse que padrão Fifa é Faturamos Imensamente Fabricando Arenas


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

E chato é aquele que, quando está com tosse, em vez de ir pro médico, vai pro teatro!

E esta: "Corintianos soltos chegam a São Paulo". Indulto do Dia dos Namorados!

E fim de semana bombado em São Paulo: Marcha da Maconha, Fórmula 1 e Brasil x França na TV!

E a Selecinha do Felipanta? Vence, mas não convence. Como diz um amigo: "A Seleção parece minha mulher de biquíni: não empolga".

E o Neymar tava marrudinho: "Não empurra que agora eu sou do Barcelona". Rarará!

Os baguetes viraram brochetes! E o tuiteiro Fabio Sinegaglia postou: "se o Felipão tá montando uma família, eu pergunto: quem é a sogra?". A Fifa! Rarará! A Fifa é a sogra da Seleção!

E como francês não toma banho, a única coisa que não podia vencer era o desodorante! França, venceu o desodorante! Rarará!

Levaram uma baguete! Os baguetes viraram brochetes! E o Oscar é um fiapo de manga!

E a F1? A F1 foi Galvão Free! Fórmula 1 sem o Galvão parece outro esporte. E sabe o que é galvanização? Galvanização: processo de corrosão do ouvido humano quando exposto aos comentários do Galvão Bueno.

E o Felipe Amassa? Amassou outra Ferrari. O Exterminador de Ferraris! Parece playboy, detona uma Ferrari por fim de semana. E, por causa do Massa, o Sindicato dos Funileiros determina que domingo passa a ser dia útil. Rarará!

E a Marcha da Maconha. EU FUI? Camiseta da Marcha da Maconha: "EU FUI?". Fui mas me lembro vagamente. Não é fui, é fumo!

Outra camiseta pra Marcha da Maconha: "EU FUMO?". Maconheiro indo pra Marcha: "Mãe, pra onde eu ia mesmo?". E a mãe: "Marcha da Maconha".

E eu já disse que o único efeito colateral da maconha é quando a polícia chega. Aliás, outro: larica. Assalto à geladeira. O cara fuma um, fica sem noção e traça aquele feijão gelado com a calda do pêssego em calda! Rarará!

E um amigo disse que transporte público em São Paulo é tão bom que o ônibus pega ele em casa: o ponto é na porta do prédio! Rarará!

E um amigo meu disse que padrão Fifa é Faturamos Imensamente Fabricando Arenas. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!