GAZETA DO POVO - PR - 26/02
Os sempre bem-intencionados ministérios da Educação e da Saúde acabam de propor o que creem ser a solução definitiva para a falta de médicos em determinadas regiões do país. A partir de agora somente serão autorizadas novas faculdades de Medicina em localidades onde há carência de profissionais. A ideia padece do voluntarismo que por vezes nos acomete; sonhamos com soluções fenomenais que dependem apenas de uma pequena correção de rumos na natureza humana e nos fatos reais. O princípio é de que aqueles profissionais formados em determinado lugar nele permanecerão, o que não tem se demonstrado verdadeiro em profissões com alta demanda, como é o caso da medicina.
Ademais, as exigências do MEC para a abertura de cursos de Medicina são extensas, rigorosas, árduas, draconianas, irrecorríveis, indicando que as localidades onde há carência de cursos médicos e de profissionais não terão, em princípio, as condições para atendê-las. Serão pouquíssimos os médicos com as qualificações acadêmicas e profissionais exigidas que estarão dispostos a abandonar seus consultórios, clínicas, faculdades onde já ministram aulas, para se vincular a esses novos cursos. Da mesma forma, se existissem hospitais com o nível de complexidade de atendimento considerado indispensável para a certificação pelo MEC como hospital-escola, a região já estaria atendida, não necessitando de regime de exceção.
O problema da distribuição de profissionais da saúde no país é grave, e tem tido consequências terríveis para a população das regiões mais carentes. Vemos com frequência ofertas de emprego para médicos em municípios longínquos, com propostas de bons salários, habitação e outras vantagens oferecidas pelas prefeituras; parte dessas vagas não é preenchida. Mesmo em cidades maiores há carência de especialistas em determinadas áreas.
Fala-se que o Brasil já tem médicos em excesso, que a Organização Mundial da Saúde considera adequado um médico para cada mil habitantes, e já chegamos a esta proporção. Isso é uma verdade estatística, mas não esqueçamos a anedota do estatístico que se afogou em um rio com profundidade média de 30 centímetros. Parte do problema é que os centros maiores oferecem condições de sobrevivência razoáveis mesmo para médicos subempregados, e parcela significativa deles prefere permanecer em lugares mais confortáveis, com melhor estrutura de atendimento, supostas melhores oportunidades de trabalho, mais ampla possibilidade de atualização profissional, melhor estrutura de lazer para a família.
Talvez uma das soluções seja aumentar o número de vagas nos cursos já existentes, com correspondente exigência de melhoria de qualidade de formação, ou a realização de exame nacional de qualificação para a obtenção de título profissional. Mas, com certeza, cidades de maior porte têm muito mais condições de abrigar novos cursos de Medicina que pequenas cidades, mesmo que haja outros cursos nelas instalados.
Como ocorre na maioria das demais profissões, um número maior de médicos obrigaria parte deles ao abandono de suas zonas de conforto, indo ao atendimento do cidadão hoje sem assistência, em centros menores ou regiões afastadas. Evidentemente, isso implica a expansão da implantação de unidades de saúde e centros médicos, mas este é outro assunto delicado e moroso.
terça-feira, fevereiro 26, 2013
O barquinho de Dirceu - LUIZ GARCIA
O GLOBO 26/02
Obviamente há muita diferença entre os crimes de assassinos e ladrões e os delitos cometidos por políticos como Dirceu. No caso dos políticos, basta expulsá-los da vida pública. E, se for o caso, julgá-los, despidos de privilégios, nos tribunais
Não tenho notícia de alguma outra lei que nasceu por exigência da opinião pública, indiscutivelmente demonstrada por uma campanha popular. A Lei da Ficha Limpa foi maravilhosa exceção.
Se alguém já esqueceu, a coleta de assinaturas e as manifestações populares deixaram a classe política sem outra saída a não ser aprová-la. O que aconteceu, em clima de festa e esperança.
A nova lei determinou algo tão simples quanto óbvio: candidatos condenados pelo Judiciário em segunda instância eram inelegíveis. Ou seja, não bastava a decisão do juiz singular: era indispensável que os desembargadores que formam essa instância do sistema concordassem com a decisão do juiz singular. Registre-se que a opinião pública aplaudiu de pé.
Temos agora um fato novo. O ex-ministro Dirceu, veterano frequentador das manchetes — tanto pela sua importância nos quadros do PT, como por seus problemas com a Justiça (foi condenado a dez anos e dez meses de cadeia pelo Supremo Tribunal Federal) —, abriu fogo contra a exigência de ficha limpa nos candidatos a mandatos políticos.
Vale a pena repetir que, generosamente, a ficha só é oficialmente suja nos casos de condenação em segunda instância.
O principal argumento de Dirceu é pífio. Ele argumenta que os réus brasileiros só são considerados oficialmente culpados quando condenados em última instância — e a Lei da Ficha Limpa é aplicada na segunda instância, depois da decisão do juiz singular.
Obviamente há muita diferença entre os crimes de assassinos e ladrões e os delitos cometidos por políticos como Dirceu. Para os primeiros, o interesse da sociedade é impedi-los de roubar e matar. No caso dos políticos, basta expulsá-los da vida pública. E, se for o caso, julgá-los, despidos de privilégios, nos tribunais.
Dirceu não concorda, com veemência: diz que a Lei da Ficha Limpa é "completamente absurda”. Está remando contra a maré, num barquinho furado.
Obviamente há muita diferença entre os crimes de assassinos e ladrões e os delitos cometidos por políticos como Dirceu. No caso dos políticos, basta expulsá-los da vida pública. E, se for o caso, julgá-los, despidos de privilégios, nos tribunais
Não tenho notícia de alguma outra lei que nasceu por exigência da opinião pública, indiscutivelmente demonstrada por uma campanha popular. A Lei da Ficha Limpa foi maravilhosa exceção.
Se alguém já esqueceu, a coleta de assinaturas e as manifestações populares deixaram a classe política sem outra saída a não ser aprová-la. O que aconteceu, em clima de festa e esperança.
A nova lei determinou algo tão simples quanto óbvio: candidatos condenados pelo Judiciário em segunda instância eram inelegíveis. Ou seja, não bastava a decisão do juiz singular: era indispensável que os desembargadores que formam essa instância do sistema concordassem com a decisão do juiz singular. Registre-se que a opinião pública aplaudiu de pé.
Temos agora um fato novo. O ex-ministro Dirceu, veterano frequentador das manchetes — tanto pela sua importância nos quadros do PT, como por seus problemas com a Justiça (foi condenado a dez anos e dez meses de cadeia pelo Supremo Tribunal Federal) —, abriu fogo contra a exigência de ficha limpa nos candidatos a mandatos políticos.
Vale a pena repetir que, generosamente, a ficha só é oficialmente suja nos casos de condenação em segunda instância.
O principal argumento de Dirceu é pífio. Ele argumenta que os réus brasileiros só são considerados oficialmente culpados quando condenados em última instância — e a Lei da Ficha Limpa é aplicada na segunda instância, depois da decisão do juiz singular.
Obviamente há muita diferença entre os crimes de assassinos e ladrões e os delitos cometidos por políticos como Dirceu. Para os primeiros, o interesse da sociedade é impedi-los de roubar e matar. No caso dos políticos, basta expulsá-los da vida pública. E, se for o caso, julgá-los, despidos de privilégios, nos tribunais.
Dirceu não concorda, com veemência: diz que a Lei da Ficha Limpa é "completamente absurda”. Está remando contra a maré, num barquinho furado.
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA
O GLOBO - 26/02
Governo quer estrangeiros em petróleo e energia
Setores são destaque de "road show" por NY-Londres. EPE quer atrair investimentos em leilões de geração e transmissão
O mercado brasileiro de energia será destaque no road show que o governo brasileiro, ministro Guido Mantega (Fazenda) à frente, faz no eixo Nova York-Londres, esta semana, e em Tóquio-Cingapura, em fins de março. As autoridades levarão os detalhes sobre a 11ª Rodada de Licitação da ANP e sobre os leilões nas áreas de geração e transmissão no setor elétrico. Presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, falou à coluna dias antes de embarcar. No período 2013-17, a estimativa de investimentos nas duas áreas beira R$ 148,1 bilhões. "Os estrangeiros estão atrás de oportunidades de investimento. E o Brasil tem isso. Em 2012, mesmo com o PIB crescendo pouco, a demanda por energia avançou bastante nos segmentos residencial e comercial", disse Tolmasquim. Ele não acha que a renegociação dos contratos de concessão diminuiu o interesse de estrangeiros pelo Brasil. E apresenta números. O leilão de energia nova, em dezembro, teve 277 projetos participantes. "Só de garantias financeiras foram depositados R$ 420 milhões", sublinhou. No leilão de transmissão, o Lote F (Estreito-Itabirito 2) foi disputado por 15 grupos. Na fase de lances, recebeu 305 ofertas.
R$ 120 MILHÕES EM GERAÇÃO
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima em R$ 120,6 milhões os investimentos em geração de energia no período 2013-17 no país. O setor de transmissão deve receber aportes de R$ 27,5 bi.
De aço
As vendas de aço no Brasil devem bater 23,2 milhões de toneladas este ano. Será alta de 7,7% sobre 2012, prevê o Instituto Aço Brasil. Já as importações devem recuar 15,4%, para 3,3 milhões de toneladas. “Ano passado foi ruim (+0,7%). Esperamos recuperação forte este ano", diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo.
Bem pagos
Diretores de transmissão, produção e engenharia química têm salário superior ao da área comercial em ranking da Catho. É reflexo da alta demanda por cargos técnicos. A lista, que sai este mês, traz as funções top ten do mundo executivo no país.
Saúde
Investimento de R$ 10 milhões, o Hospitalys abre as portas hoje, no Rio. Tem centro de tecnologia celular e foi autorizado pela Anvisa a tratar pseudoartrose com células-tronco. Fará, ao todo, 500 cirurgias por mês.
Capacitação
O Instituto Euvaldo Lodi estreia em educação de executivos no setor público. Vai capacitar 250 servidores no Estado de Goiás. O IEL já treinou mais de 200 mil gestores privados.
Quem vem
Vinte empresários do setor de alta tecnologia de Baden Wurttemberg, na Alemanha, chegam amanhã ao Brasil. Vão negociar com Petrobras, Metrô Rio e Chemtech.
INVERNO FRANCÊS
Paris foi cenário da campanha de inverno que a NK Store exibe hoje em desfile, no Rio, para clientes selecionadas. A loja cariocajá representa 50% das receitas da marca, nascida em São Paulo. A meta é vender 20% mais este ano. A top grega Ioanna Dedi foi fotografada pela italiana Lara Gilberto. As imagens estarão em revistas de moda e mídias sociais em março.
Há vagas
A rede de supermercados Guanabara está contratando 764 funcionários. Fato raro no mercado, a maioria das vagas é de baixa qualificação. Há 245 para alfabetizados e 343 de ensino fundamental. Só 176 são para profissionais com ensino médio.
Comendo fora
A Perdigão lança este mês, no Sul e no Sudeste, linha de sachês de ketchup, mostarda e maionese. Já a Sadia terá versões de 2kg e 4kg de presunto e apresuntado. Os lançamentos têm a ver com a expansão do setor de food services, de alimentação fora de casa. Em 2012, a área bateu 7% do faturamento da BRF.
EM CENA
A grife feminina Afghan põe na rua hoje a campanha da coleção de inverno. A modelo lituana Dovile Virsilaite posou para o fotógrafo Eduardo Rezende no Teatro Bradesco, em São Paulo. As imagens vão circular em mídia impressa, web e outdoor. Com 17 lojas, a marca espera alta de 20% nas vendas. Amanhã abre nova loja no Botafogo Praia Shopping. Sai do 2º para o 3º piso.
SILENCIO
A modelo Letícia Lamb é a estrela da campanha do inverno 2013 da Vitorino Campos. As fotos de Adriano Damas entram no ar hoje, no site da grife. Amplos espaços vazios e poucos objetos dão o toque da atmosfera do ensaio, inspirado no silêncio e na rebeldia. A marca conta com 32 pontos de venda no Brasil. Em São Paulo, tem espaço exclusivo na Daslu.
ACESSÓRIOS
O Singolo, e-commerce de acessórios, estreia hoje a campanha da coleção de inverno. Terá anéis, brincos e maxi colares. Anderson
Marcello fotografou a modelo Joana Lóes. As imagens serão veiculadas na internet.
A loja virtual tem mais de 90 mil fãs no Facebook.
Espera crescimento de 20% nas vendas.
Quem vai
As sobremesas e o café do grupo Bazzar serão vendidos no Le Bon Marché, na França, a partir de abril. Foi investimento de R$ 600 mil.
Vodca
A Cereser lança edição da vodca Kadov Night & Day no fim deste mês. Serão só 60 mil garrafas. Prevê alta de até 20% nas vendas este ano.
Vinho
Rótulos de inverno chegam hoje às três lojas da Missiza. A meta para 2013 é faturar 20% mais e abrir duas filiais.
Livre Mercado
A Fernatti, de moda masculina, abre hoje, na Rua do Lavradio, a 3ª loja. Investiu R$ 800 mil. A rede espera faturar R$ 7 milhões este ano.
A Sacada lança hoje a coleção de inverno. Quer vender 20% mais. Deve abrir nove lojas até dezembro.
O inverno da Oh Boy! também sai hoje. A marca prevê alta de 20% nas vendas. Abrirá seis lojas em 2013.
A Ampla põe no site um simulador de consumo de eletrodomésticos. Vai ajudar o cliente a economizar.
O Boa Diversão investiu R$ 80 mil em aplicativo com dicas de eventos.
Governo quer estrangeiros em petróleo e energia
Setores são destaque de "road show" por NY-Londres. EPE quer atrair investimentos em leilões de geração e transmissão
O mercado brasileiro de energia será destaque no road show que o governo brasileiro, ministro Guido Mantega (Fazenda) à frente, faz no eixo Nova York-Londres, esta semana, e em Tóquio-Cingapura, em fins de março. As autoridades levarão os detalhes sobre a 11ª Rodada de Licitação da ANP e sobre os leilões nas áreas de geração e transmissão no setor elétrico. Presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, falou à coluna dias antes de embarcar. No período 2013-17, a estimativa de investimentos nas duas áreas beira R$ 148,1 bilhões. "Os estrangeiros estão atrás de oportunidades de investimento. E o Brasil tem isso. Em 2012, mesmo com o PIB crescendo pouco, a demanda por energia avançou bastante nos segmentos residencial e comercial", disse Tolmasquim. Ele não acha que a renegociação dos contratos de concessão diminuiu o interesse de estrangeiros pelo Brasil. E apresenta números. O leilão de energia nova, em dezembro, teve 277 projetos participantes. "Só de garantias financeiras foram depositados R$ 420 milhões", sublinhou. No leilão de transmissão, o Lote F (Estreito-Itabirito 2) foi disputado por 15 grupos. Na fase de lances, recebeu 305 ofertas.
R$ 120 MILHÕES EM GERAÇÃO
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima em R$ 120,6 milhões os investimentos em geração de energia no período 2013-17 no país. O setor de transmissão deve receber aportes de R$ 27,5 bi.
De aço
As vendas de aço no Brasil devem bater 23,2 milhões de toneladas este ano. Será alta de 7,7% sobre 2012, prevê o Instituto Aço Brasil. Já as importações devem recuar 15,4%, para 3,3 milhões de toneladas. “Ano passado foi ruim (+0,7%). Esperamos recuperação forte este ano", diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo.
Bem pagos
Diretores de transmissão, produção e engenharia química têm salário superior ao da área comercial em ranking da Catho. É reflexo da alta demanda por cargos técnicos. A lista, que sai este mês, traz as funções top ten do mundo executivo no país.
Saúde
Investimento de R$ 10 milhões, o Hospitalys abre as portas hoje, no Rio. Tem centro de tecnologia celular e foi autorizado pela Anvisa a tratar pseudoartrose com células-tronco. Fará, ao todo, 500 cirurgias por mês.
Capacitação
O Instituto Euvaldo Lodi estreia em educação de executivos no setor público. Vai capacitar 250 servidores no Estado de Goiás. O IEL já treinou mais de 200 mil gestores privados.
Quem vem
Vinte empresários do setor de alta tecnologia de Baden Wurttemberg, na Alemanha, chegam amanhã ao Brasil. Vão negociar com Petrobras, Metrô Rio e Chemtech.
INVERNO FRANCÊS
Paris foi cenário da campanha de inverno que a NK Store exibe hoje em desfile, no Rio, para clientes selecionadas. A loja cariocajá representa 50% das receitas da marca, nascida em São Paulo. A meta é vender 20% mais este ano. A top grega Ioanna Dedi foi fotografada pela italiana Lara Gilberto. As imagens estarão em revistas de moda e mídias sociais em março.
Há vagas
A rede de supermercados Guanabara está contratando 764 funcionários. Fato raro no mercado, a maioria das vagas é de baixa qualificação. Há 245 para alfabetizados e 343 de ensino fundamental. Só 176 são para profissionais com ensino médio.
Comendo fora
A Perdigão lança este mês, no Sul e no Sudeste, linha de sachês de ketchup, mostarda e maionese. Já a Sadia terá versões de 2kg e 4kg de presunto e apresuntado. Os lançamentos têm a ver com a expansão do setor de food services, de alimentação fora de casa. Em 2012, a área bateu 7% do faturamento da BRF.
EM CENA
A grife feminina Afghan põe na rua hoje a campanha da coleção de inverno. A modelo lituana Dovile Virsilaite posou para o fotógrafo Eduardo Rezende no Teatro Bradesco, em São Paulo. As imagens vão circular em mídia impressa, web e outdoor. Com 17 lojas, a marca espera alta de 20% nas vendas. Amanhã abre nova loja no Botafogo Praia Shopping. Sai do 2º para o 3º piso.
SILENCIO
A modelo Letícia Lamb é a estrela da campanha do inverno 2013 da Vitorino Campos. As fotos de Adriano Damas entram no ar hoje, no site da grife. Amplos espaços vazios e poucos objetos dão o toque da atmosfera do ensaio, inspirado no silêncio e na rebeldia. A marca conta com 32 pontos de venda no Brasil. Em São Paulo, tem espaço exclusivo na Daslu.
ACESSÓRIOS
O Singolo, e-commerce de acessórios, estreia hoje a campanha da coleção de inverno. Terá anéis, brincos e maxi colares. Anderson
Marcello fotografou a modelo Joana Lóes. As imagens serão veiculadas na internet.
A loja virtual tem mais de 90 mil fãs no Facebook.
Espera crescimento de 20% nas vendas.
Quem vai
As sobremesas e o café do grupo Bazzar serão vendidos no Le Bon Marché, na França, a partir de abril. Foi investimento de R$ 600 mil.
Vodca
A Cereser lança edição da vodca Kadov Night & Day no fim deste mês. Serão só 60 mil garrafas. Prevê alta de até 20% nas vendas este ano.
Vinho
Rótulos de inverno chegam hoje às três lojas da Missiza. A meta para 2013 é faturar 20% mais e abrir duas filiais.
Livre Mercado
A Fernatti, de moda masculina, abre hoje, na Rua do Lavradio, a 3ª loja. Investiu R$ 800 mil. A rede espera faturar R$ 7 milhões este ano.
A Sacada lança hoje a coleção de inverno. Quer vender 20% mais. Deve abrir nove lojas até dezembro.
O inverno da Oh Boy! também sai hoje. A marca prevê alta de 20% nas vendas. Abrirá seis lojas em 2013.
A Ampla põe no site um simulador de consumo de eletrodomésticos. Vai ajudar o cliente a economizar.
O Boa Diversão investiu R$ 80 mil em aplicativo com dicas de eventos.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 26/02
Custos de planos de saúde têm expansão de 16,4%
Os custos médico-hospitalares dos planos individuais de saúde cresceram quase o triplo da inflação nos 12 meses encerrados em junho de 2012 em comparação com o período anterior exatamente igual (julho de 2010 a junho de 2011).
Dados levantados pelo Iess (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) mostram que o índice Variação de Custos Médico-Hospitalares teve alta de 16,4% no período, enquanto o IPCA se expandiu em 6,1%.
Historicamente, o indicador dos planos de saúde sempre avança em ritmo mais rápido que a inflação -tanto no Brasil, como no exterior-, mas o valor registrado em junho do ano passado foi o maior desde 2007, quando a pesquisa do Iess começou a ser realizada.
"O que chama atenção, neste momento, é que nunca houve uma diferença tão alta quanto agora: superior a dez pontos porcentuais", afirma o superintendente-executivo do instituto, Luiz Augusto Carneiro.
As internações, com expansão de 16,6%, foram as responsáveis pela maior pressão no indicador.
"Além de terem a maior elevação, elas são o item com maior peso na elaboração do índice", afirma o executivo do Iess.
"O que cresceu muito também foi o preço das próteses e órteses. Isso tem onerado bastante os custos."
O cálculo do índice é feito para um conjunto de planos de operadoras que representam um quarto do mercado.
PARANÁ EM SÃO PAULO
A rede paranaense de supermercados Muffato, sétima maior do país, irá instalar sua terceira loja no Estado de São Paulo.
A unidade será em Araçatuba (a 520 km a oeste de São Paulo) e demandará R$ 30 milhões em investimentos.
"Como já estamos no oeste do Estado [os outros dois supermercados são em Presidente Prudente], fica mais fácil colocar uma loja perto", afirma Everton Muffato, sócio da empresa.
A unidade deve ser inaugurada até o final do ano e terá uma galeria com 40 lojas de apoio.
Ainda em 2013, a empresa deve abrir mais quatro empreendimentos, todos no Paraná -em Cascavel, Paranaguá, Londrina e Curitiba.
Dentre os projetos da companhia para este ano, está a instalação de caixas de autoatendimento em mais "duas ou três lojas".
Desde o ano passado, a rede testa o sistema -no qual o próprio cliente passa os produtos no leitor de preços e paga sua conta sem necessitar de um atendente direto- em um supermercado de Londrina. O projeto será expandido para Curitiba.
R$ 2,3 bilhões foi o faturamento da companhia em 2011
7ª é a posição da empresa no ranking das maiores redes de supermercados do país, segundo a Abras (entidade nacional do setor)
40 são as unidades da empresa
9.000 é o número de funcionários
14 são as cidades onde a rede tem lojas (nos Estados de SP e PR)
Confiança de empresários da construção civil diminui 5%
Os empresários da construção civil nunca estiveram tão desanimados com o setor como neste início de ano, segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice de confiança do empresário industrial da construção (que vai de zero a cem) caiu 5% em fevereiro ante mesmo mês de 2012 e chegou a 58,3 pontos -o menor para em um mês de fevereiro desde o início da série, em 2010.
"A expectativa é que o setor volte a se aquecer apenas no segundo semestre deste ano. Por enquanto, não identificamos nenhum sinal de melhora junto aos empresários", afirma Danilo Garcia, economista da confederação.
A análise da entidade é que a recuperação do setor pode ser mais lenta que o esperado, uma vez que o anúncio das concessões feitas pelo governo federal ainda não alavancou a demanda.
"O resultado de uma das medidas tomadas pelo governo, que foi a desoneração da folha de pagamento das construtoras, ainda não teve tempo de aparecer", diz.
Médico-robô O Hospital Samaritano do Rio de Janeiro investiu R$ 10 milhões em uma nova sala cirúrgica que vai realizar cirurgia robótica, antes feita apenas na unidade de São Paulo. O espaço vai contar com o robô Da Vinci, que deve oferecer ao cirurgião maior controle nas incisões.
Parceria O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas da FGV e o projeto Brazilian Furniture promovem a primeira atividade de sustentabilidade da iniciativa na próxima quinta-feira (28). O objetivo do projeto é promover as exportações brasileiras do setor moveleiro.
MAMA ÁFRICA
A Fanem, empresa brasileira fabricante de equipamentos médicos e de laboratório, passou a comercializar produtos para Etiópia, Sudão, Quênia e Nigéria.
Com esses novos destinos, a África negra -parte do continente que exclui os países do norte africano- tornou-se o terceiro maior mercado da companhia, com 15% do total das vendas, depois de Europa e América Latina.
A companhia venceu licitação do Ministério da Saúde para a venda de 200 equipamentos neonatais para o Quênia.
O novo normal - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 26/02
O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, prevê que o Brasil vá crescer entre 3% e 3,5% este ano. É dos mais otimistas. Já há previsões abaixo de 3%. Acredita que o período de forte crescimento mundial dos anos 2000, que define como Belle Époque, é página virada. A economia global afastou o pior cenário em 2012, mas está num longo ciclo de cautela. A falta de confiança dos empresários é nosso maior risco.
O Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco tem sondagens mensais com empresas de vários setores e com base nessas pesquisas é que são montadas as análises de conjuntura:
- Os estoques estão voltando aos níveis normais, e em alguns casos já estão abaixo do desejado. Não haverá uma explosão de investimentos, mas podemos contar com uma melhora gradual ao longo do ano - disse Octavio de Barros em evento organizado pela Anefac.
Depois de cinco - talvez seis trimestres de queda do investimento - acredita que a Formação Bruta de Capital Fixo vai subir entre 3% e 4%, mas não ficaria surpreso se chegasse a 7% e 8% em 2013. Octavio está esperando uma surpresa boa na produção industrial de janeiro. Nessa, muita gente aposta. A venda de caminhões foi normalizada. Em 2012, a produção despencou porque os novos caminhões tinham motor Euro 5, mais caro, e o diesel limpo não estava bem distribuído. Quem quis comprar, comprou o velho modelo:
- O PIB do primeiro trimestre pode vir com alta de 1%, o que daria um crescimento anualizado de 4%. Mas, depois disso, haveria desaceleração.
Usa uma expressão curiosa. Diz que o Brasil tem "enormes jazidas de produtividade para explorar". Uma delas será o aumento da produção de uma retomada, e outra, os ganhos econômicos que se pode ter investindo mais em educação da mão de obra. No ano passado, a produção caiu, mas o emprego se manteve. É que as empresas, explica, preferiram não demitir porque sabiam que teriam muita dificuldade em recontratar:
- Isso explica por que houve queda muito forte da produtividade em todos os indicadores. A produção caiu, mas o número de funcionários se manteve. Agora, teremos um efeito contrário: com o mesmo número de trabalhadores, a produção vai aumentar, e a produtividade, também.
Aposta que os juros vão ficar estáveis, mas admite chance de 30% a 40% de que subam em doses de 0,25%, sem voltar ao nível anterior.
- Nosso cenário tem inflação em 5,4%, com queda puxada pelas desonerações. A taxa pode ser ainda mais baixa, dependendo da intensidade dos cortes de impostos. As desonerações foram tão fortes que quase chegam a ser horizontais. Não vejo hipótese da inflação desgarrar.
Tem projeção de saldo comercial de US$ 24 bi, pela recuperação mundial que puxa as commodities. Octavio de Barros acha que o maior risco para a economia brasileira em 2013 é o setor privado não se sentir confiante para investir. Acredita que o mundo está diferente este ano - para melhor - em relação a 2012, sem vários dos riscos que assustaram. Acha que a economia mundial vai se recuperar, mas não rapidamente. Ou seja, não seria um volta do crescimento em "V":
- O desenho da recuperação vai lembrar o símbolo da Nike: depois da queda forte, uma alta lenta e prolongada. Esse é o novo padrão normal do mundo.
Acredita que a inadimplência das pessoas físicas vai cair, mas, como haverá menor concessão de crédito, por efeito estatístico ela vai se diluir mais devagar. Prevê a taxa em 6,4% no final do ano, contra 7,9% de agora. O que aconteceu no ano passado é que a crise pegou o mundo superestocado:
- Há 25 milhões de carros ociosos no mundo, mais de 500 milhões de toneladas de aço.
Sobre o mau humor em relação ao Brasil, explica que na visão dos estrangeiros o Brasil é dependente químico da China. Quando há notícia de queda do PIB chinês, o Brasil é afetado. Admite que não somos mais o "queridinho", mas discorda que o país seja mal visto.
O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, prevê que o Brasil vá crescer entre 3% e 3,5% este ano. É dos mais otimistas. Já há previsões abaixo de 3%. Acredita que o período de forte crescimento mundial dos anos 2000, que define como Belle Époque, é página virada. A economia global afastou o pior cenário em 2012, mas está num longo ciclo de cautela. A falta de confiança dos empresários é nosso maior risco.
O Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco tem sondagens mensais com empresas de vários setores e com base nessas pesquisas é que são montadas as análises de conjuntura:
- Os estoques estão voltando aos níveis normais, e em alguns casos já estão abaixo do desejado. Não haverá uma explosão de investimentos, mas podemos contar com uma melhora gradual ao longo do ano - disse Octavio de Barros em evento organizado pela Anefac.
Depois de cinco - talvez seis trimestres de queda do investimento - acredita que a Formação Bruta de Capital Fixo vai subir entre 3% e 4%, mas não ficaria surpreso se chegasse a 7% e 8% em 2013. Octavio está esperando uma surpresa boa na produção industrial de janeiro. Nessa, muita gente aposta. A venda de caminhões foi normalizada. Em 2012, a produção despencou porque os novos caminhões tinham motor Euro 5, mais caro, e o diesel limpo não estava bem distribuído. Quem quis comprar, comprou o velho modelo:
- O PIB do primeiro trimestre pode vir com alta de 1%, o que daria um crescimento anualizado de 4%. Mas, depois disso, haveria desaceleração.
Usa uma expressão curiosa. Diz que o Brasil tem "enormes jazidas de produtividade para explorar". Uma delas será o aumento da produção de uma retomada, e outra, os ganhos econômicos que se pode ter investindo mais em educação da mão de obra. No ano passado, a produção caiu, mas o emprego se manteve. É que as empresas, explica, preferiram não demitir porque sabiam que teriam muita dificuldade em recontratar:
- Isso explica por que houve queda muito forte da produtividade em todos os indicadores. A produção caiu, mas o número de funcionários se manteve. Agora, teremos um efeito contrário: com o mesmo número de trabalhadores, a produção vai aumentar, e a produtividade, também.
Aposta que os juros vão ficar estáveis, mas admite chance de 30% a 40% de que subam em doses de 0,25%, sem voltar ao nível anterior.
- Nosso cenário tem inflação em 5,4%, com queda puxada pelas desonerações. A taxa pode ser ainda mais baixa, dependendo da intensidade dos cortes de impostos. As desonerações foram tão fortes que quase chegam a ser horizontais. Não vejo hipótese da inflação desgarrar.
Tem projeção de saldo comercial de US$ 24 bi, pela recuperação mundial que puxa as commodities. Octavio de Barros acha que o maior risco para a economia brasileira em 2013 é o setor privado não se sentir confiante para investir. Acredita que o mundo está diferente este ano - para melhor - em relação a 2012, sem vários dos riscos que assustaram. Acha que a economia mundial vai se recuperar, mas não rapidamente. Ou seja, não seria um volta do crescimento em "V":
- O desenho da recuperação vai lembrar o símbolo da Nike: depois da queda forte, uma alta lenta e prolongada. Esse é o novo padrão normal do mundo.
Acredita que a inadimplência das pessoas físicas vai cair, mas, como haverá menor concessão de crédito, por efeito estatístico ela vai se diluir mais devagar. Prevê a taxa em 6,4% no final do ano, contra 7,9% de agora. O que aconteceu no ano passado é que a crise pegou o mundo superestocado:
- Há 25 milhões de carros ociosos no mundo, mais de 500 milhões de toneladas de aço.
Sobre o mau humor em relação ao Brasil, explica que na visão dos estrangeiros o Brasil é dependente químico da China. Quando há notícia de queda do PIB chinês, o Brasil é afetado. Admite que não somos mais o "queridinho", mas discorda que o país seja mal visto.
Questão de prioridade - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 26/02
Em meio à ofensiva do governo destinada a reassumir a capacidade de condução das expectativas, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou ontem suas declarações de guerra à inflação, desta vez ao Wall Street Journal, dos Estados Unidos. Disse ele que a prioridade da autoridade monetária no Brasil é combater a inflação, e não garantir o crescimento econômico.
O mercado financeiro acionou os neurônios dos melhores cérebros para tentar entender até que ponto o Banco Central voltará a usar a política de juros para o contra-ataque à inflação - cuja prioridade foi assim reafirmada. Mas há outro aspecto que precisa ser mais bem entendido.
Nesta conjuntura de desempenhos baixos do PIB, Tombini parece rejeitar velhas reivindicações de que o Banco Central do Brasil deveria operar com duplo mandato: além de empurrar a inflação para dentro da meta, caberia a ele também assegurar o avanço robusto do emprego.
Atenção para a expressão: avanço do emprego. Em geral, avanço do emprego e avanço da produção (crescimento econômico) têm sido tomados como quase sinônimos. Nos Estados Unidos, onde por lei há duplo mandato, o Fed (o banco central americano) tem avisado que, no momento, sua política monetária (política de juros) está quase inteiramente voltada para sustentar a criação de empregos, porque não há inflação que preocupe. Lá, o esforço para a criação de empregos é entendido como equivalente ao destinado a expandir a atividade econômica.
No Brasil, a situação é diferente. Hoje há pleno emprego, mas com baixíssimo crescimento econômico. Faz meses, o Banco Central vem advertindo que o mercado de trabalho está excessivamente aquecido, incapaz de promover aumento de produtividade na indústria. Dessa maneira, o mercado de trabalho tem concorrido no País para puxar para cima os custos de produção e a inflação. Portanto, caso a prioridade seja o controle da inflação - e não incentivar o crescimento, como acaba de avisar Tombini -, segue-se que, atualmente, o Banco Central do Brasil não deve contribuir ainda mais para a criação de empregos. Deve, sim, concentrar seus esforços na tarefa de derrubar a inflação.
Como conciliar a necessidade de incrementar o PIB sem esticar demais o mercado de trabalho é, por si só, um desafio e tanto. Mas a questão imediata consiste em saber como é que o Banco Central combaterá a inflação.
Se a decisão é manter os juros onde estão "por um período de tempo suficientemente prolongado", como está nos textos oficiais; se está fora de cogitação usar a política cambial como instrumento de controle da inflação; e se também não vai recorrer às tais políticas macroprudenciais (controle do crédito) para segurar a alta dos preços, fica difícil saber que armas sobrarão no arsenal para o cumprimento da tarefa prioritária do Banco Central.
Como não conseguem acionar políticas públicas para seus objetivos imediatos, as autoridades da área monetária tentam conter os remarcadores de preços somente com conversa. Mas é improvável que obtenham sucesso duradouro apenas com esse recurso. Sendo assim, talvez tenham de recorrer novamente ao aperto dos juros.
Em meio à ofensiva do governo destinada a reassumir a capacidade de condução das expectativas, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou ontem suas declarações de guerra à inflação, desta vez ao Wall Street Journal, dos Estados Unidos. Disse ele que a prioridade da autoridade monetária no Brasil é combater a inflação, e não garantir o crescimento econômico.
O mercado financeiro acionou os neurônios dos melhores cérebros para tentar entender até que ponto o Banco Central voltará a usar a política de juros para o contra-ataque à inflação - cuja prioridade foi assim reafirmada. Mas há outro aspecto que precisa ser mais bem entendido.
Nesta conjuntura de desempenhos baixos do PIB, Tombini parece rejeitar velhas reivindicações de que o Banco Central do Brasil deveria operar com duplo mandato: além de empurrar a inflação para dentro da meta, caberia a ele também assegurar o avanço robusto do emprego.
Atenção para a expressão: avanço do emprego. Em geral, avanço do emprego e avanço da produção (crescimento econômico) têm sido tomados como quase sinônimos. Nos Estados Unidos, onde por lei há duplo mandato, o Fed (o banco central americano) tem avisado que, no momento, sua política monetária (política de juros) está quase inteiramente voltada para sustentar a criação de empregos, porque não há inflação que preocupe. Lá, o esforço para a criação de empregos é entendido como equivalente ao destinado a expandir a atividade econômica.
No Brasil, a situação é diferente. Hoje há pleno emprego, mas com baixíssimo crescimento econômico. Faz meses, o Banco Central vem advertindo que o mercado de trabalho está excessivamente aquecido, incapaz de promover aumento de produtividade na indústria. Dessa maneira, o mercado de trabalho tem concorrido no País para puxar para cima os custos de produção e a inflação. Portanto, caso a prioridade seja o controle da inflação - e não incentivar o crescimento, como acaba de avisar Tombini -, segue-se que, atualmente, o Banco Central do Brasil não deve contribuir ainda mais para a criação de empregos. Deve, sim, concentrar seus esforços na tarefa de derrubar a inflação.
Como conciliar a necessidade de incrementar o PIB sem esticar demais o mercado de trabalho é, por si só, um desafio e tanto. Mas a questão imediata consiste em saber como é que o Banco Central combaterá a inflação.
Se a decisão é manter os juros onde estão "por um período de tempo suficientemente prolongado", como está nos textos oficiais; se está fora de cogitação usar a política cambial como instrumento de controle da inflação; e se também não vai recorrer às tais políticas macroprudenciais (controle do crédito) para segurar a alta dos preços, fica difícil saber que armas sobrarão no arsenal para o cumprimento da tarefa prioritária do Banco Central.
Como não conseguem acionar políticas públicas para seus objetivos imediatos, as autoridades da área monetária tentam conter os remarcadores de preços somente com conversa. Mas é improvável que obtenham sucesso duradouro apenas com esse recurso. Sendo assim, talvez tenham de recorrer novamente ao aperto dos juros.
Onde estaremos, para onde iremos? - ANTONIO DIAS LEITE
O GLOBO - 26/02
Cada pessoa que procure interpretar a vida econômica e social do país tende a enfatizar diferentes componentes históricos: crescimento econômico, repartição da renda e eliminação da pobreza, consumo e poupança, estabilidade monetária, responsabilidade fiscal, contas externas, dentre tantas outras. Com o advento de sofisticada globalização financeira surgem outros requisitos que se superpõem aos tradicionais da economia real. Incluem-se ainda o desenvolvimento sustentável e a mudança climática.
As discussões em torno desses temas envolvem de um lado preferências políticas e, de outro, teorias econômicas. Além de tudo isso, é diferente a visão de curto e de longo prazos de cada agente econômico ou analista, em função da posição que ocupa na sociedade: em cargo público, na atividade privada, ou na academia.
Cada vez mais se complicam as tarefas de formular, conduzir ou comentar a política econômica corrente, neste momento em que, na falta de uma estratégia nacional de longo prazo, estamos, na opinião de muitos, desnorteados.
Convivemos, no campo político, com uma coalizão partidária sem consistência programática, sem muito interesse e consideração pelo bem comum e que domina o Congresso. Há indício recente inclusive que o choque ético, protagonizado pelo STF, com a participação da sociedade civil, possa não vir a ter o efeito sanea-dor que dele se espera.
Temos que levar a reboque também, com enorme e cada vez mais ineficiente máquina administrativa instituída e politicamente aparelhada, neste princípio de século, a duplicação do número de ministérios e a multiplicação de cargos de confiança, ocupados por funcionários sem concurso que, não obstante limpeza parcial já feita, porém sem resultado significativo, não ajuda. Improvisa programas e planos de ação em grande parte inexequíveis e cria incessantes crises de gestão imprópria.
A ausência de reconhecimento explícito de erros e falhas de governança e de punição adequada, segundo a gravidade das culpas, gera a suspeita, que hoje existe, da conivência, que se estende ao comportamento ético das próprias pessoas face à sociedade.
Tudo isso convergiu, até agora, no campo econômico, para a infeliz combinação de desaceleração do crescimento com aceleração da inflação.
Fora do governo aumentam o número e a confluência de opiniões expressas na mídia, que alertam sobre o perigo da falta de rumo consistente para o desenvolvimento sustentável do país. Muitas dessas manifestações têm caráter de oposição política partidária. Outras têm conteúdo técnico e objetivo construtivo. No entanto, diante da complexidade do quadro adverso em que o Brasil e seus dirigentes se meteram, seria necessário, para encontrar um caminho, deixar de lado atitudes teóricas intransigentes, aceitar o contraditório e somar esforços e competências, onde estiverem, o que não parece ser, até aqui, do gosto do Planalto. A principiar pela indisposição, no âmbito do Poder Executivo Federal, de rever erros cometidos: 1— na área das finanças públicas, que resultaram na destruição da ideia de responsabilidade fiscal, a duras penas conquistada, colocando sob suspeita a informação oficial;2 — na área de infraestrutura, com a (desmontar, desarranjar) desestrutura-ção dos setores de energia, além da consequente insegurança institucional; 3 — na área das obras públicas, com inúmeros projetos fisicamente inexequíveis ou sem viabilidade econômica, que precisam ser descartados.
Diante dos embaraços impostos por esse complexo quadro, a presidente Dilma Rousseff ainda conta, na metade do seu mandato, com a aprovação da maioria da opinião pública, que reconhece o mérito do seu esforço em prol do progresso social e confia nas suas boas intenções. É difícil prever, no entanto, o que se passará na segunda parte do mandato.
Às dificuldades que já enfrenta se somarão à necessidade de assegurar apoio político para a sua candidatura à reeleição, por ela própria anunciada, o que pode impedir tentativas de recuperação, tanto da máquina administrativa do governo como das estruturas degradadas da economia nacional. No entanto, essa recuperação é, por sua vez, indispensável à retomada do desenvolvimento econômico, que possa sustentar a consolidação do progresso social, sem o qual o seu prestígio declinará, dando lugar, inclusive, ao "fogo amigo”!
A conjugação de perspectivas ruins, tanto políticas como econômicas, nos conduz à desesperança. Onde estaremos no final de 2014? E para onde iremos, a seguir?
Cada pessoa que procure interpretar a vida econômica e social do país tende a enfatizar diferentes componentes históricos: crescimento econômico, repartição da renda e eliminação da pobreza, consumo e poupança, estabilidade monetária, responsabilidade fiscal, contas externas, dentre tantas outras. Com o advento de sofisticada globalização financeira surgem outros requisitos que se superpõem aos tradicionais da economia real. Incluem-se ainda o desenvolvimento sustentável e a mudança climática.
As discussões em torno desses temas envolvem de um lado preferências políticas e, de outro, teorias econômicas. Além de tudo isso, é diferente a visão de curto e de longo prazos de cada agente econômico ou analista, em função da posição que ocupa na sociedade: em cargo público, na atividade privada, ou na academia.
Cada vez mais se complicam as tarefas de formular, conduzir ou comentar a política econômica corrente, neste momento em que, na falta de uma estratégia nacional de longo prazo, estamos, na opinião de muitos, desnorteados.
Convivemos, no campo político, com uma coalizão partidária sem consistência programática, sem muito interesse e consideração pelo bem comum e que domina o Congresso. Há indício recente inclusive que o choque ético, protagonizado pelo STF, com a participação da sociedade civil, possa não vir a ter o efeito sanea-dor que dele se espera.
Temos que levar a reboque também, com enorme e cada vez mais ineficiente máquina administrativa instituída e politicamente aparelhada, neste princípio de século, a duplicação do número de ministérios e a multiplicação de cargos de confiança, ocupados por funcionários sem concurso que, não obstante limpeza parcial já feita, porém sem resultado significativo, não ajuda. Improvisa programas e planos de ação em grande parte inexequíveis e cria incessantes crises de gestão imprópria.
A ausência de reconhecimento explícito de erros e falhas de governança e de punição adequada, segundo a gravidade das culpas, gera a suspeita, que hoje existe, da conivência, que se estende ao comportamento ético das próprias pessoas face à sociedade.
Tudo isso convergiu, até agora, no campo econômico, para a infeliz combinação de desaceleração do crescimento com aceleração da inflação.
Fora do governo aumentam o número e a confluência de opiniões expressas na mídia, que alertam sobre o perigo da falta de rumo consistente para o desenvolvimento sustentável do país. Muitas dessas manifestações têm caráter de oposição política partidária. Outras têm conteúdo técnico e objetivo construtivo. No entanto, diante da complexidade do quadro adverso em que o Brasil e seus dirigentes se meteram, seria necessário, para encontrar um caminho, deixar de lado atitudes teóricas intransigentes, aceitar o contraditório e somar esforços e competências, onde estiverem, o que não parece ser, até aqui, do gosto do Planalto. A principiar pela indisposição, no âmbito do Poder Executivo Federal, de rever erros cometidos: 1— na área das finanças públicas, que resultaram na destruição da ideia de responsabilidade fiscal, a duras penas conquistada, colocando sob suspeita a informação oficial;2 — na área de infraestrutura, com a (desmontar, desarranjar) desestrutura-ção dos setores de energia, além da consequente insegurança institucional; 3 — na área das obras públicas, com inúmeros projetos fisicamente inexequíveis ou sem viabilidade econômica, que precisam ser descartados.
Diante dos embaraços impostos por esse complexo quadro, a presidente Dilma Rousseff ainda conta, na metade do seu mandato, com a aprovação da maioria da opinião pública, que reconhece o mérito do seu esforço em prol do progresso social e confia nas suas boas intenções. É difícil prever, no entanto, o que se passará na segunda parte do mandato.
Às dificuldades que já enfrenta se somarão à necessidade de assegurar apoio político para a sua candidatura à reeleição, por ela própria anunciada, o que pode impedir tentativas de recuperação, tanto da máquina administrativa do governo como das estruturas degradadas da economia nacional. No entanto, essa recuperação é, por sua vez, indispensável à retomada do desenvolvimento econômico, que possa sustentar a consolidação do progresso social, sem o qual o seu prestígio declinará, dando lugar, inclusive, ao "fogo amigo”!
A conjugação de perspectivas ruins, tanto políticas como econômicas, nos conduz à desesperança. Onde estaremos no final de 2014? E para onde iremos, a seguir?
Organizar a guerra cambial - ANTÔNIO DELFIM NETTO
VALOR ECONÔMICO - 26/02
A confusão na reunião dos G-20 a respeito da guerra cambial tem um significado importante para o Brasil. Todos lembram que há mais de dois anos, quando o ministro Guido Mantega falou no assunto, foi objeto de jocosas observações internas e externas. Segundo seus críticos mais ferozes, tratava-se de um ente metafísico inventado pela retórica extravagante de uma autoridade monetária do mundo subdesenvolvido para justificar políticas heterodoxas.
A resposta inicial do G-20 à ideia que existe um bem disfarçado processo de desvalorização competitiva, que inclui os Estados Unidos, a Comunidade Econômica Europeia, a China e outros países, para protegerem o seu crescimento, foi esta joia de cinismo:
"Reiteramos nosso compromisso de agir rapidamente na direção de um sistema de taxas cambiais flexíveis determinadas pelo mercado, que reflitam os seus fundamentais, evitem desalinhamentos persistentes e não estimulem uma desvalorização competitiva entre as moedas".
Uma proposição firmada sobre a ilusão que o sistema econômico se auto-organiza pelo funcionamento do sistema de preços. Essa, sim, é uma proposição metafísica, que, positivamente, não tem nada a ver com a experiência histórica do mundo em que vivemos. Foi repetida, aliás, na recente reunião do G-7:
"Reafirmamos que nossas políticas fiscal e monetária têm sido, e continuarão a ser, orientadas no sentido de cumprir nossos respectivos objetivos nacionais com instrumentos domésticos, e que não terão como alvo as taxa de câmbio".
Todos os países com políticas autônomas têm um olho no câmbio
Sutil afirmação diplomática para reconhecer o óbvio. As taxas de câmbio não são o alvo: são meras consequências "não intencionais" do uso dos instrumentos domésticos! Afirmação aprovada pelo FMI, que esqueceu seu objetivo fundamental: controlar os desequilíbrios externos. O auge do cinismo foi aceitar a desvalorização japonesa. Aliás, Taro Aso, ministro de Finanças do Japão, afirmou: "De acordo com algumas opiniões, nossas medidas contra a desaceleração econômica provocada pela deflação visam alterar nossa taxa de câmbio, o que não é verdade".
Mas, afinal, quem disse na recente campanha eleitoral que esse era o objetivo para elevar as exportações e o crescimento econômico do Japão? Quem pressionou o banco central japonês para elevar a meta inflacionária e desvalorizar o iene? As "tais opiniões", às quais se referiu o ilustre sr. Aso, resumem-se a uma só: a do seu não menos ilustre primeiro-ministro Shinzo Abe!
A resposta mais debochada ao problema foi a da vice-secretária do Tesouro dos EUA, Lael Brainard, que afirmou, sem rebuços, sem corar e sem nenhuma elegância - típica do arrogante sentimento americano celebrizado no famoso aforismo "o dólar é nossa moeda, mas é seu problema" -, que a reclamação dos países emergentes é "pura conversa fiada".
A posição do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que protestou nos corredores contra a valorização do euro na última reunião do BCE, foi ambígua e de solidariedade aos grandes parceiros. Afirmou que a discussão sobre a guerra cambial era "inapropriada, infrutífera e autodestrutiva".
Entretanto, em longa entrevista, no dia 10 de janeiro em Frankfurt am Main, Draghi foi mais honesto: "Nunca comento sobre taxa de câmbio, mas ela é, certamente, um importante elemento no que concerne ao crescimento econômico (sic) e à estabilidade dos preços, e é uma das variáveis que levamos em conta na avaliação da situação, ainda que ela não seja um objetivo da política econômica".
A conclusão é que esse cinismo generalizado esconde o fato de que todos os países, que ainda têm políticas econômicas internas autônomas, têm um olho na taxa de câmbio. Quem não tem mais, como é o caso da França, apenas pode lamentar-se, como fez o presidente François Hollande.
Os países emergentes descuidados de sua moeda (como o Brasil foi até recentemente) estão permitindo a valorização do seu câmbio e apresentando retornos espetaculares em suas bolsas de valores, o que atrai capital de curto prazo. Esse movimento bursátil, que valoriza as bolsas, pode até estimular, por algum tempo, um pequeno aumento do investimento interno (efeito Tobin).
A solidariedade da China com as decisões do G-20 é consequência de que ela está na origem do desequilíbrio cambial mundial e tem toda a conveniência de apoiar os EUA e a Comunidade Econômica Europeia, seus principais parceiros. Ademais, já começou a entender o movimento estratégico dos grandes acordos estimulados pelos EUA: o do Atlântico e do Pacífico, destinados a "colocá-la no seu lugar" nos próximos dez anos...
De qualquer forma, o G-20 não chegou à unanimidade em Moscou. Os poderosos "desvalorizadores dissimulados", supostamente apoiados em irrelevante teoria econômica, não conseguiram convencer os emergentes a se comprometerem a não intervir na sua taxa cambial. É claro que desvalorizações competitivas aumentam as incertezas e prejudicam o comércio mundial. Mas não é isso que o Brasil propõe. O que o ministro Guido sugere é organizar a "guerra mundial", para repartir mais equanimemente os seus custos.
A confusão na reunião dos G-20 a respeito da guerra cambial tem um significado importante para o Brasil. Todos lembram que há mais de dois anos, quando o ministro Guido Mantega falou no assunto, foi objeto de jocosas observações internas e externas. Segundo seus críticos mais ferozes, tratava-se de um ente metafísico inventado pela retórica extravagante de uma autoridade monetária do mundo subdesenvolvido para justificar políticas heterodoxas.
A resposta inicial do G-20 à ideia que existe um bem disfarçado processo de desvalorização competitiva, que inclui os Estados Unidos, a Comunidade Econômica Europeia, a China e outros países, para protegerem o seu crescimento, foi esta joia de cinismo:
"Reiteramos nosso compromisso de agir rapidamente na direção de um sistema de taxas cambiais flexíveis determinadas pelo mercado, que reflitam os seus fundamentais, evitem desalinhamentos persistentes e não estimulem uma desvalorização competitiva entre as moedas".
Uma proposição firmada sobre a ilusão que o sistema econômico se auto-organiza pelo funcionamento do sistema de preços. Essa, sim, é uma proposição metafísica, que, positivamente, não tem nada a ver com a experiência histórica do mundo em que vivemos. Foi repetida, aliás, na recente reunião do G-7:
"Reafirmamos que nossas políticas fiscal e monetária têm sido, e continuarão a ser, orientadas no sentido de cumprir nossos respectivos objetivos nacionais com instrumentos domésticos, e que não terão como alvo as taxa de câmbio".
Todos os países com políticas autônomas têm um olho no câmbio
Sutil afirmação diplomática para reconhecer o óbvio. As taxas de câmbio não são o alvo: são meras consequências "não intencionais" do uso dos instrumentos domésticos! Afirmação aprovada pelo FMI, que esqueceu seu objetivo fundamental: controlar os desequilíbrios externos. O auge do cinismo foi aceitar a desvalorização japonesa. Aliás, Taro Aso, ministro de Finanças do Japão, afirmou: "De acordo com algumas opiniões, nossas medidas contra a desaceleração econômica provocada pela deflação visam alterar nossa taxa de câmbio, o que não é verdade".
Mas, afinal, quem disse na recente campanha eleitoral que esse era o objetivo para elevar as exportações e o crescimento econômico do Japão? Quem pressionou o banco central japonês para elevar a meta inflacionária e desvalorizar o iene? As "tais opiniões", às quais se referiu o ilustre sr. Aso, resumem-se a uma só: a do seu não menos ilustre primeiro-ministro Shinzo Abe!
A resposta mais debochada ao problema foi a da vice-secretária do Tesouro dos EUA, Lael Brainard, que afirmou, sem rebuços, sem corar e sem nenhuma elegância - típica do arrogante sentimento americano celebrizado no famoso aforismo "o dólar é nossa moeda, mas é seu problema" -, que a reclamação dos países emergentes é "pura conversa fiada".
A posição do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que protestou nos corredores contra a valorização do euro na última reunião do BCE, foi ambígua e de solidariedade aos grandes parceiros. Afirmou que a discussão sobre a guerra cambial era "inapropriada, infrutífera e autodestrutiva".
Entretanto, em longa entrevista, no dia 10 de janeiro em Frankfurt am Main, Draghi foi mais honesto: "Nunca comento sobre taxa de câmbio, mas ela é, certamente, um importante elemento no que concerne ao crescimento econômico (sic) e à estabilidade dos preços, e é uma das variáveis que levamos em conta na avaliação da situação, ainda que ela não seja um objetivo da política econômica".
A conclusão é que esse cinismo generalizado esconde o fato de que todos os países, que ainda têm políticas econômicas internas autônomas, têm um olho na taxa de câmbio. Quem não tem mais, como é o caso da França, apenas pode lamentar-se, como fez o presidente François Hollande.
Os países emergentes descuidados de sua moeda (como o Brasil foi até recentemente) estão permitindo a valorização do seu câmbio e apresentando retornos espetaculares em suas bolsas de valores, o que atrai capital de curto prazo. Esse movimento bursátil, que valoriza as bolsas, pode até estimular, por algum tempo, um pequeno aumento do investimento interno (efeito Tobin).
A solidariedade da China com as decisões do G-20 é consequência de que ela está na origem do desequilíbrio cambial mundial e tem toda a conveniência de apoiar os EUA e a Comunidade Econômica Europeia, seus principais parceiros. Ademais, já começou a entender o movimento estratégico dos grandes acordos estimulados pelos EUA: o do Atlântico e do Pacífico, destinados a "colocá-la no seu lugar" nos próximos dez anos...
De qualquer forma, o G-20 não chegou à unanimidade em Moscou. Os poderosos "desvalorizadores dissimulados", supostamente apoiados em irrelevante teoria econômica, não conseguiram convencer os emergentes a se comprometerem a não intervir na sua taxa cambial. É claro que desvalorizações competitivas aumentam as incertezas e prejudicam o comércio mundial. Mas não é isso que o Brasil propõe. O que o ministro Guido sugere é organizar a "guerra mundial", para repartir mais equanimemente os seus custos.
Zigue-zague - JOSÉ PAULO KUPFER
O Estado de S.Paulo - 26/02
O boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC) com as projeções de economistas do setor privado, apresentou ontem ligeira mudança de tom. Depois de muito tempo registrando tendência de queda para o desempenho da economia em 2013 e alta na variação da inflação, no acumulado deste ano civil, as estimativas, na segunda semana cheia de fevereiro, inverteram as trajetórias, de volta à posição em que se encontravam há um mês.
Típica do Focus, a dança das projeções é um minueto de movimentos lentos e milimétricos, que, a partir dos sinais emitidos pela economia a cada momento, promove ajustes finos nas previsões para o fim do ano. Se embute riscos de desvios fortes no médio prazo, o método reflete bem, no curto prazo, o zigue-zague dos indicadores econômicos.
Nada melhor do que a imagem do zigue-zague para descrever os dias atuais - tanto na economia doméstica, como na internacional. No caso do Brasil, é o que deve confirmar o IBGE, com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, prevista para esta sexta-feira.
Se isso for verdade, é possível formular um único resumo da conjuntura econômica, tanto lá quanto cá, com base no ocorrido no último trimestre de 2012 e no que se pode esperar deste primeiro trimestre: redução da marcha no fim do ano, retomada no começo de 2013. A questão é descobrir o quanto essa retomada tem de consistente.
Nem lá, nem cá é o caso de acreditar que alguém tenha alguma resposta realmente esclarecedora. O teto baixo das projeções de crescimento já sinaliza para apostas mais arriscadas. No lado externo, o recuo da economia europeia no último trimestre de 2012 veio acompanhado de análises otimistas sobre as perspectivas no começo de 2013.
No entanto, o último informe da Comissão Europeia, divulgado na semana passada, jogou água fria na fervura branda das indicações de melhora no ritmo de atividade. As previsões mais recentes, para a média do ano, na União Europeia, são de estagnação econômica.
Em duas outras economias estratégicas - Estados Unidos e China -, o desenho da curva de crescimento não é muito diferente. Nos Estados Unidos, o traçado previsto para o andamento dos negócios também é de altos e baixos, num intervalo estreito, entre 1% e 2% anuais, sem grande vigor.
Com dificuldades americanas de alcançar um acordo duradouro sobre a questão fiscal, o debate em torno da eficácia do atual expansionismo monetário tem se intensificado, o que permite supor que a política do Federal Reserve (o BC dos EUA) de garantir liquidez quase ilimitada possa durar menos do que se previa.
Na China, segundo a maioria das análises, foi possível levar a economia a um pouso suave. Mas o acomodamento da expansão econômica nos entornos de uma faixa entre 7% e 8% ao ano, longe dos antigos 12%, mas igualmente distante dos preocupantes 3% a 5% que chegaram a ser previstos, não está isento de incertezas. Ainda há dúvidas sobre as consequências do estouro de sucessivas bolhas imobiliárias e de problemas relacionados ao endividamento das famílias. A trajetória do crescimento chinês, por isso mesmo, é outra que pode percorrer linhas de altos e baixos.
Também contidas em intervalos estreitos, as projeções para o crescimento da economia brasileira estão, no momento, obedecendo ao mesmo padrão ziguezagueante. Com a inflação evoluindo em níveis próximos ao teto da meta, acirrando o ativismo do governo na econômica, e a ambiguidade hoje presente na política monetária, a aventura de prever a variação tanto do PIB quanto dos índices de preços, neste ano mais do que em outros, está exigindo que se assumam maiores doses de risco.
Não é, de fato, possível produzir alguma projeção útil sem definir o que acontecerá com a taxa básica de juros (Selic) e, por tabela, com a taxa de câmbio. São muitas as indagações para as quais sobram especulações, mas não há ainda respostas.
Exemplos: o Banco Central vai manter a taxa estabilizada em 7,25% anuais até o fim de 2013 ou retomará um ciclo de alta da taxa e quando? A intensidade dessa eventual retomada levará os juros básicos a 8%, 8,5% ou 9%? E em que ritmo virão essas altas?
A moral da história é que, tanto para economias maduras quanto para emergentes continentais, a economia brasileira entre elas, a transição de uma etapa de estagnação ou de baixo crescimento para um novo ciclo de expansão consistente não está se dando em linha reta.
O boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC) com as projeções de economistas do setor privado, apresentou ontem ligeira mudança de tom. Depois de muito tempo registrando tendência de queda para o desempenho da economia em 2013 e alta na variação da inflação, no acumulado deste ano civil, as estimativas, na segunda semana cheia de fevereiro, inverteram as trajetórias, de volta à posição em que se encontravam há um mês.
Típica do Focus, a dança das projeções é um minueto de movimentos lentos e milimétricos, que, a partir dos sinais emitidos pela economia a cada momento, promove ajustes finos nas previsões para o fim do ano. Se embute riscos de desvios fortes no médio prazo, o método reflete bem, no curto prazo, o zigue-zague dos indicadores econômicos.
Nada melhor do que a imagem do zigue-zague para descrever os dias atuais - tanto na economia doméstica, como na internacional. No caso do Brasil, é o que deve confirmar o IBGE, com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, prevista para esta sexta-feira.
Se isso for verdade, é possível formular um único resumo da conjuntura econômica, tanto lá quanto cá, com base no ocorrido no último trimestre de 2012 e no que se pode esperar deste primeiro trimestre: redução da marcha no fim do ano, retomada no começo de 2013. A questão é descobrir o quanto essa retomada tem de consistente.
Nem lá, nem cá é o caso de acreditar que alguém tenha alguma resposta realmente esclarecedora. O teto baixo das projeções de crescimento já sinaliza para apostas mais arriscadas. No lado externo, o recuo da economia europeia no último trimestre de 2012 veio acompanhado de análises otimistas sobre as perspectivas no começo de 2013.
No entanto, o último informe da Comissão Europeia, divulgado na semana passada, jogou água fria na fervura branda das indicações de melhora no ritmo de atividade. As previsões mais recentes, para a média do ano, na União Europeia, são de estagnação econômica.
Em duas outras economias estratégicas - Estados Unidos e China -, o desenho da curva de crescimento não é muito diferente. Nos Estados Unidos, o traçado previsto para o andamento dos negócios também é de altos e baixos, num intervalo estreito, entre 1% e 2% anuais, sem grande vigor.
Com dificuldades americanas de alcançar um acordo duradouro sobre a questão fiscal, o debate em torno da eficácia do atual expansionismo monetário tem se intensificado, o que permite supor que a política do Federal Reserve (o BC dos EUA) de garantir liquidez quase ilimitada possa durar menos do que se previa.
Na China, segundo a maioria das análises, foi possível levar a economia a um pouso suave. Mas o acomodamento da expansão econômica nos entornos de uma faixa entre 7% e 8% ao ano, longe dos antigos 12%, mas igualmente distante dos preocupantes 3% a 5% que chegaram a ser previstos, não está isento de incertezas. Ainda há dúvidas sobre as consequências do estouro de sucessivas bolhas imobiliárias e de problemas relacionados ao endividamento das famílias. A trajetória do crescimento chinês, por isso mesmo, é outra que pode percorrer linhas de altos e baixos.
Também contidas em intervalos estreitos, as projeções para o crescimento da economia brasileira estão, no momento, obedecendo ao mesmo padrão ziguezagueante. Com a inflação evoluindo em níveis próximos ao teto da meta, acirrando o ativismo do governo na econômica, e a ambiguidade hoje presente na política monetária, a aventura de prever a variação tanto do PIB quanto dos índices de preços, neste ano mais do que em outros, está exigindo que se assumam maiores doses de risco.
Não é, de fato, possível produzir alguma projeção útil sem definir o que acontecerá com a taxa básica de juros (Selic) e, por tabela, com a taxa de câmbio. São muitas as indagações para as quais sobram especulações, mas não há ainda respostas.
Exemplos: o Banco Central vai manter a taxa estabilizada em 7,25% anuais até o fim de 2013 ou retomará um ciclo de alta da taxa e quando? A intensidade dessa eventual retomada levará os juros básicos a 8%, 8,5% ou 9%? E em que ritmo virão essas altas?
A moral da história é que, tanto para economias maduras quanto para emergentes continentais, a economia brasileira entre elas, a transição de uma etapa de estagnação ou de baixo crescimento para um novo ciclo de expansão consistente não está se dando em linha reta.
Aumentar os juros, um equívoco! - BENJAMIN STEINBRUCH
FOLHA DE SP - 26/02
Estimular a oferta é, sem nenhuma dúvida, o melhor caminho para combater a inflação
São cada vez mais frequentes as opiniões de analistas sobre a iminência da elevação dos juros básicos pelo Banco Central.
Para uma parcela significativa do mercado financeiro, essa elevação, depois de um longo período de baixa e estabilidade, se dará em abril. Uma minoria, mais radical, já prevê o aumento em março.
A persistente inflação brasileira, embora em nível baixo para quem viveu os anos tenebrosamente inflacionários das décadas de 1990 e 2000, explicaria essas previsões.
A elevação dos juros teria como objetivo trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% ao ano -nos últimos 12 meses, a taxa atingiu 6,15%.
A inflação se dá quando há desequilíbrio entre oferta e demanda de bens e serviços na economia. A elevação dos juros, tal como proposta pelo mercado financeiro, atuaria para conter a demanda interna.
A meu ver, essa postura é equivocada. Mais eficiente é atuar para estimular a oferta desses bens e serviços e com isso incentivar o crescimento econômico.
Felizmente, parece que o foco principal do comando da economia no governo Dilma está exatamente voltado para isso: elevar a oferta de bens e serviços por meio da aceleração dos processos de concessão para obras de infraestrutura e por desonerações que tenham efeito positivo na competitividade do setor privado.
Além disso, o governo deve anunciar medidas para incentivar o oferecimento de crédito de longo prazo para investimentos por parte dos bancos privados. Essa tarefa está exageradamente concentrada nos bancos públicos, principalmente no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Estimular a oferta é, sem nenhuma dúvida, o melhor caminho para combater a inflação, porque as demais opções são de alta periculosidade para a atividade econômica.
O aumento dos juros esfriaria ainda mais o consumo geral, algo obviamente não recomendável num momento em que a expansão do PIB corre a uma taxa anual de apenas 1% e a geração de emprego está claramente em queda -em janeiro, foram criadas apenas 28,9 mil vagas, o menor nível mensal desde janeiro de 2009.
Outra opção, a valorização do real frente ao dólar, usada como âncora anti-inflacionária nos últimos anos, já deixou sequelas muito significativas na indústriaa. Se for adotada novamente, vai concorrer para ampliar a desindustrialização.
Também é preciso considerar que não há razão prática para achar que a inflação atual vá disparar. Aparentemente, o problema é mais de percepção e expectativa de perigo do que de perigo real. A redução das tarifas de energia terá um efeito positivo importante para conter a taxa média de inflação.
A boa safra agrícola que vem por aí e a provável estabilização dos preços das commodities no mercado internacional também vão colaborar para segurar preços. O reajuste menor do salário mínimo, indexado ao PIB, é outro fator favorável, que atua principalmente para aliviar a pressão sobre os serviços.
Não existe, portanto, razão objetiva para fazer terrorismo com a ameaça inflacionária, embora a experiência do passado recente, dos anos 1980 e 1990, indique que não se deve descuidar da vigilância nessa área. Talvez haja um problema na comunicação oficial, que não consegue passar percepções positivas ao mercado.
Problemas de comunicação também já se deram recentemente no caso do superavit fiscal. O Brasil terminou o ano com um dos resultados fiscais mais positivos no grupo das 20 maiores economias do mundo
-superavit primário em torno de 2%. Mas a percepção que se espalhou foi a de que o governo fez uma pirotecnia fiscal. O superavit foi inferior à meta de 3,1% basicamente porque ocorreram desonerações fiscais da ordem de R$ 45 bilhões.
Essas desonerações concorrem para uma saudável redução de custos das empresas e de toda a economia. Mas, infelizmente, não houve, em tempo hábil, explicações sobre a operação.
Os efeitos da política de estímulo à oferta de bens e serviços não são geralmente sentidos no curto prazo. É preciso ter paciência, disposição para diálogo e controle da ansiedade até que essas medidas tenham impacto na contenção e redução de preços. Mas esse é o caminho mais recomendável.
Estimular a oferta é, sem nenhuma dúvida, o melhor caminho para combater a inflação
São cada vez mais frequentes as opiniões de analistas sobre a iminência da elevação dos juros básicos pelo Banco Central.
Para uma parcela significativa do mercado financeiro, essa elevação, depois de um longo período de baixa e estabilidade, se dará em abril. Uma minoria, mais radical, já prevê o aumento em março.
A persistente inflação brasileira, embora em nível baixo para quem viveu os anos tenebrosamente inflacionários das décadas de 1990 e 2000, explicaria essas previsões.
A elevação dos juros teria como objetivo trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% ao ano -nos últimos 12 meses, a taxa atingiu 6,15%.
A inflação se dá quando há desequilíbrio entre oferta e demanda de bens e serviços na economia. A elevação dos juros, tal como proposta pelo mercado financeiro, atuaria para conter a demanda interna.
A meu ver, essa postura é equivocada. Mais eficiente é atuar para estimular a oferta desses bens e serviços e com isso incentivar o crescimento econômico.
Felizmente, parece que o foco principal do comando da economia no governo Dilma está exatamente voltado para isso: elevar a oferta de bens e serviços por meio da aceleração dos processos de concessão para obras de infraestrutura e por desonerações que tenham efeito positivo na competitividade do setor privado.
Além disso, o governo deve anunciar medidas para incentivar o oferecimento de crédito de longo prazo para investimentos por parte dos bancos privados. Essa tarefa está exageradamente concentrada nos bancos públicos, principalmente no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Estimular a oferta é, sem nenhuma dúvida, o melhor caminho para combater a inflação, porque as demais opções são de alta periculosidade para a atividade econômica.
O aumento dos juros esfriaria ainda mais o consumo geral, algo obviamente não recomendável num momento em que a expansão do PIB corre a uma taxa anual de apenas 1% e a geração de emprego está claramente em queda -em janeiro, foram criadas apenas 28,9 mil vagas, o menor nível mensal desde janeiro de 2009.
Outra opção, a valorização do real frente ao dólar, usada como âncora anti-inflacionária nos últimos anos, já deixou sequelas muito significativas na indústriaa. Se for adotada novamente, vai concorrer para ampliar a desindustrialização.
Também é preciso considerar que não há razão prática para achar que a inflação atual vá disparar. Aparentemente, o problema é mais de percepção e expectativa de perigo do que de perigo real. A redução das tarifas de energia terá um efeito positivo importante para conter a taxa média de inflação.
A boa safra agrícola que vem por aí e a provável estabilização dos preços das commodities no mercado internacional também vão colaborar para segurar preços. O reajuste menor do salário mínimo, indexado ao PIB, é outro fator favorável, que atua principalmente para aliviar a pressão sobre os serviços.
Não existe, portanto, razão objetiva para fazer terrorismo com a ameaça inflacionária, embora a experiência do passado recente, dos anos 1980 e 1990, indique que não se deve descuidar da vigilância nessa área. Talvez haja um problema na comunicação oficial, que não consegue passar percepções positivas ao mercado.
Problemas de comunicação também já se deram recentemente no caso do superavit fiscal. O Brasil terminou o ano com um dos resultados fiscais mais positivos no grupo das 20 maiores economias do mundo
-superavit primário em torno de 2%. Mas a percepção que se espalhou foi a de que o governo fez uma pirotecnia fiscal. O superavit foi inferior à meta de 3,1% basicamente porque ocorreram desonerações fiscais da ordem de R$ 45 bilhões.
Essas desonerações concorrem para uma saudável redução de custos das empresas e de toda a economia. Mas, infelizmente, não houve, em tempo hábil, explicações sobre a operação.
Os efeitos da política de estímulo à oferta de bens e serviços não são geralmente sentidos no curto prazo. É preciso ter paciência, disposição para diálogo e controle da ansiedade até que essas medidas tenham impacto na contenção e redução de preços. Mas esse é o caminho mais recomendável.
Crise de produtividade - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 26/02
A economia brasileira está em crise e nenhuma bravata do governo mudará esse fato. Depois de dois anos de estagnação, o País continua incapaz de acompanhar o passo dos outros emergentes. Mesmo um resultado um pouco melhor em 2013 será insuficiente para o Brasil ganhar posições, de forma relevante, na corrida internacional. As autoridades tentam atribuir as dificuldades do País às condições externas, mas só convencem quem se dispõe a ser enganado. O fiasco brasileiro, por enquanto visível principalmente no baixo desempenho da indústria, reflete uma crise de eficiência produzida com ingredientes nacionais, a começar pelos graves equívocos da política econômica. O principal efeito da crise global foi evidenciar os pontos fracos do País em seu sistema produtivo.
Até agora, a indústria tem sido o setor mais afetado pela crise de eficiência. No ano passado, a produção física do setor encolheu 2,7%, enquanto a folha de pagamento médio aumentou 5,8%, o número de horas pagas caiu 1,9% e a produtividade recuou 0,8%. O custo da mão de obra, resultante da combinação desses fatores, cresceu 6,6% em 2012, segundo cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Foi a maior taxa em 11 anos, embora o pessoal ocupado tenha diminuído 1,4%.
O desempenho variou entre os 19 segmentos industriais considerados na pesquisa. Alguns conseguiram ganhos de produtividade, mas o custo do trabalho aumentou em 18 deles, reduzindo um poder de competição já em queda há alguns anos e sem perspectiva de recuperação a curto prazo. O desemprego no setor ainda é limitado, no entanto, porque o custo das demissões é alto e a reposição do pessoal será complicada, no quadro de escassez de mão de obra minimamente treinada ou passível de treinamento.
Com a queda de 2,7% no ano passado, depois de um crescimento de apenas 0,4% em 2011, a produção da indústria praticamente voltou ao nível de 2008, primeiro ano da crise internacional. Em 2010 a indústria havia aumentado 10,5%, mas havia diminuído 7,5% no ano anterior. A estagnação, portanto, já dura alguns anos. A paralisação das grandes economias e o baixo ritmo de expansão do comércio global tornaram mais dura a competição e deslocaram a indústria brasileira. A valorização do real sem dúvida agravou a situação, mas esse foi só um fator a mais.
A empresa brasileira já operava com desvantagens consideráveis, bem conhecidas e muito mais importantes. Mas o problema do câmbio - superestimado também por muitos empresários - deu ao governo um pretexto para descuidar das questões mais graves e esconder sua inépcia atrás da retórica inútil sobre a guerra cambial. Essa retórica se mantém, porque a instabilidade cambial continua e provavelmente continuará enquanto os bancos centrais do mundo rico sustentarem políticas monetárias frouxas. Nenhum deles mudará de rumo por causa dos protestos brasileiros.
Se cuidasse menos dessa questão e mais de outros desafios, muito mais importantes e passíveis de solução internamente, o governo daria uma boa contribuição para o desencalhe da economia nacional.
A presidente Dilma Rousseff e sua equipe conhecem pelo menos de nome esses problemas. Por isso decidiram no ano passado, com muito atraso, lançar um programa de investimento em logística. Têm tropeçado, no entanto, em detalhes tanto de formulação quanto de execução, por preconceitos ideológicos e por incompetência gerencial.
A direção, pelo menos, é correta. Mas repetem erros bem conhecidos. São incapazes de ir além de programas limitados e mal costurados de desoneração fiscal. Insistem nos estímulos, ao consumo, quando os entraves estão do lado da produção. Falam em expansão do crédito, mas são incapazes de ir além das práticas de favorecimento a grupos e setores selecionados para lucrar e crescer. Ao mesmo tempo, o governo se atola em trapalhadas, intervindo na formação de preços, administrando índices em vez de combater as pressões inflacionárias e revelando uma assustadora tolerância à inflação. Diante dos resultados, como resistir à tentação de atribuir os males à tal guerra do câmbio?
Até agora, a indústria tem sido o setor mais afetado pela crise de eficiência. No ano passado, a produção física do setor encolheu 2,7%, enquanto a folha de pagamento médio aumentou 5,8%, o número de horas pagas caiu 1,9% e a produtividade recuou 0,8%. O custo da mão de obra, resultante da combinação desses fatores, cresceu 6,6% em 2012, segundo cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Foi a maior taxa em 11 anos, embora o pessoal ocupado tenha diminuído 1,4%.
O desempenho variou entre os 19 segmentos industriais considerados na pesquisa. Alguns conseguiram ganhos de produtividade, mas o custo do trabalho aumentou em 18 deles, reduzindo um poder de competição já em queda há alguns anos e sem perspectiva de recuperação a curto prazo. O desemprego no setor ainda é limitado, no entanto, porque o custo das demissões é alto e a reposição do pessoal será complicada, no quadro de escassez de mão de obra minimamente treinada ou passível de treinamento.
Com a queda de 2,7% no ano passado, depois de um crescimento de apenas 0,4% em 2011, a produção da indústria praticamente voltou ao nível de 2008, primeiro ano da crise internacional. Em 2010 a indústria havia aumentado 10,5%, mas havia diminuído 7,5% no ano anterior. A estagnação, portanto, já dura alguns anos. A paralisação das grandes economias e o baixo ritmo de expansão do comércio global tornaram mais dura a competição e deslocaram a indústria brasileira. A valorização do real sem dúvida agravou a situação, mas esse foi só um fator a mais.
A empresa brasileira já operava com desvantagens consideráveis, bem conhecidas e muito mais importantes. Mas o problema do câmbio - superestimado também por muitos empresários - deu ao governo um pretexto para descuidar das questões mais graves e esconder sua inépcia atrás da retórica inútil sobre a guerra cambial. Essa retórica se mantém, porque a instabilidade cambial continua e provavelmente continuará enquanto os bancos centrais do mundo rico sustentarem políticas monetárias frouxas. Nenhum deles mudará de rumo por causa dos protestos brasileiros.
Se cuidasse menos dessa questão e mais de outros desafios, muito mais importantes e passíveis de solução internamente, o governo daria uma boa contribuição para o desencalhe da economia nacional.
A presidente Dilma Rousseff e sua equipe conhecem pelo menos de nome esses problemas. Por isso decidiram no ano passado, com muito atraso, lançar um programa de investimento em logística. Têm tropeçado, no entanto, em detalhes tanto de formulação quanto de execução, por preconceitos ideológicos e por incompetência gerencial.
A direção, pelo menos, é correta. Mas repetem erros bem conhecidos. São incapazes de ir além de programas limitados e mal costurados de desoneração fiscal. Insistem nos estímulos, ao consumo, quando os entraves estão do lado da produção. Falam em expansão do crédito, mas são incapazes de ir além das práticas de favorecimento a grupos e setores selecionados para lucrar e crescer. Ao mesmo tempo, o governo se atola em trapalhadas, intervindo na formação de preços, administrando índices em vez de combater as pressões inflacionárias e revelando uma assustadora tolerância à inflação. Diante dos resultados, como resistir à tentação de atribuir os males à tal guerra do câmbio?
O autismo da política de comércio exterior - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 26/02
Impressiona a passividade da diplomacia comercial brasileira, presa a um Mercosul em processo de chavinização, enquanto o mundo assina acordos bilaterais
Consta que a política externa de viés terceiro-mundista seguida pelo governo Lula teria sido uma contrapartida à militância petista pela acertada adoção de uma terapia clássica, monetária e fiscal, para manter a estabilização da economia. No campo comercial, o terceiro-mundismo se materializou na rejeição radical à proposta americana da Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) e aposta cega na Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial.
O Brasil perdeu a aposta — com a contribuição dos “aliados estratégicos” Argentina, China e Índia —, e precisaria compensar o tempo perdido, pelo fato de o mundo ter acelerado a assinatura de acordos comerciais bilaterais.
Mas tampouco fez isso. Ficou paralisado pelo vírus do terceiro-mundismo, refém da crise política e institucional da Argentina, cada vez mais protecionista contra as exportações brasileiras, e deixou-se levar pela onda de chavinização do Mercosul. Tudo conspira a favor da paralisia da diplomacia comercial, engessada pelo viés ideológico anacrônico do “diálogo Sul-Sul”, algo que, no início do governo Dilma, parecia ser exorcizado. Ilusão, pois esta política externa se mostra tão forte quanto nos primeiros tempos de Lula.
É emblemático que a presidente Dilma tenha voado para Malabo, capital da Guiné Equatorial, típica ditadura africana, onde transcorreu a 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul-África (ASA). Se Lula conviveu sem problemas com o “irmão” Kadafi e Mobuto, literalmente dono do Zaire, Dilma aparece ao lado de Teodoro Obiang, cujo filho, Teodorin, abandonou às pressas o carnaval baiano, depois de ter a prisão decretada pela Justiça francesa, devido à lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos de outros países.
Enquanto isso, Estados Unidos e União Europeia (UE), responsáveis por um terço das trocas comerciais no planeta, decidem acelerar as negociações para a assinatura de um acordo transatlântico. A produção somada das duas partes representa 47% do PIB mundial.
Dilma, na viagem, ressaltou que o comércio entre a América do Sul e a África, em 2011, de US$ 39 bilhões, representou um crescimento de 447% em dez anos. Mas por que não explorar também os maiores mercados do mundo, como o americano?
Se o acordo dos EUA com a UE for assinado, será um razoável baque para o Brasil, que tem uma pauta de exportação agropecuária concorrente da americana. Fechado o acordo, o Brasil perderá muito espaço na UE. E nenhum dólar africano compensará o prejuízo.
Ao lado disso, outro bloco recém-formado no continente, a Aliança do Pacífico (Chile, México, Peru, Colômbia) tende a se fortalecer por ter uma postura nada ideológica, flexível. Sendo que o México já faz parte do Nafta, com os americanos e canadenses. Impressiona a passividade da diplomacia comercial brasileira. Deve enxergar uma realidade própria, só vista por ela.
Impressiona a passividade da diplomacia comercial brasileira, presa a um Mercosul em processo de chavinização, enquanto o mundo assina acordos bilaterais
Consta que a política externa de viés terceiro-mundista seguida pelo governo Lula teria sido uma contrapartida à militância petista pela acertada adoção de uma terapia clássica, monetária e fiscal, para manter a estabilização da economia. No campo comercial, o terceiro-mundismo se materializou na rejeição radical à proposta americana da Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) e aposta cega na Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial.
O Brasil perdeu a aposta — com a contribuição dos “aliados estratégicos” Argentina, China e Índia —, e precisaria compensar o tempo perdido, pelo fato de o mundo ter acelerado a assinatura de acordos comerciais bilaterais.
Mas tampouco fez isso. Ficou paralisado pelo vírus do terceiro-mundismo, refém da crise política e institucional da Argentina, cada vez mais protecionista contra as exportações brasileiras, e deixou-se levar pela onda de chavinização do Mercosul. Tudo conspira a favor da paralisia da diplomacia comercial, engessada pelo viés ideológico anacrônico do “diálogo Sul-Sul”, algo que, no início do governo Dilma, parecia ser exorcizado. Ilusão, pois esta política externa se mostra tão forte quanto nos primeiros tempos de Lula.
É emblemático que a presidente Dilma tenha voado para Malabo, capital da Guiné Equatorial, típica ditadura africana, onde transcorreu a 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul-África (ASA). Se Lula conviveu sem problemas com o “irmão” Kadafi e Mobuto, literalmente dono do Zaire, Dilma aparece ao lado de Teodoro Obiang, cujo filho, Teodorin, abandonou às pressas o carnaval baiano, depois de ter a prisão decretada pela Justiça francesa, devido à lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos de outros países.
Enquanto isso, Estados Unidos e União Europeia (UE), responsáveis por um terço das trocas comerciais no planeta, decidem acelerar as negociações para a assinatura de um acordo transatlântico. A produção somada das duas partes representa 47% do PIB mundial.
Dilma, na viagem, ressaltou que o comércio entre a América do Sul e a África, em 2011, de US$ 39 bilhões, representou um crescimento de 447% em dez anos. Mas por que não explorar também os maiores mercados do mundo, como o americano?
Se o acordo dos EUA com a UE for assinado, será um razoável baque para o Brasil, que tem uma pauta de exportação agropecuária concorrente da americana. Fechado o acordo, o Brasil perderá muito espaço na UE. E nenhum dólar africano compensará o prejuízo.
Ao lado disso, outro bloco recém-formado no continente, a Aliança do Pacífico (Chile, México, Peru, Colômbia) tende a se fortalecer por ter uma postura nada ideológica, flexível. Sendo que o México já faz parte do Nafta, com os americanos e canadenses. Impressiona a passividade da diplomacia comercial brasileira. Deve enxergar uma realidade própria, só vista por ela.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“As famílias continuam no mesmo estágio de pobreza”
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) demolindo as “conquistas do Bolsa Família”
MENSALEIROS QUEREM PRAZO MAIOR PARA RECURSO
Os réus condenados no processo do mensalão devem pedir prazo maior ao Supremo Tribunal Federal para apresentarem recursos, após a publicação do acórdão da sentença que os condenou inclusive à prisão. O advogado Alberto Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), considera “sub-humano” o prazo de apenas cinco dias para exame de duas mil páginas e apresentação de embargos.
MUITO TRABALHO
O defensor de João Paulo Cunha terá muito trabalho: ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva e peculato.
ANTECIPAÇÃO
Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, o ex-ministro José Dirceu quer ganhar tempo conhecendo o acórdão antes de sua publicação.
DOSIMETRIA
Na fase de exame dos embargos, os ministros do STF podem revisar e até reduzir a dosimetria das sentenças. Ou reafirmá-las integralmente.
DECISÃO FESTEJADA
A intervenção em três empresas de ônibus, ontem, ajudará a melhorar a imagem do governo Agnelo Queiroz (PT) no DF. O povão adorou.
PDT ‘ANTIBRIZOLA’ DEPENDE DE CARGOS DE CABRAL
A turma de Carlos Lupi, dono do PDT, esfrega as mãos de ansiedade pela nomeação do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) para um cargo, qualquer cargo, no governo de Sérgio Cabral (PMDB), no Rio de Janeiro. Com isso, seria aberta vaga para o suplente Brizola Neto, que assim teria a chance de uma “saída honrosa”, desocupando o cargo de ministro do Trabalho para assumir o mandato de deputado federal.
PIADA PRONTA
O ex-ministro Carlos Lupi voltou a ser alvo de deboche, no Planalto, ao reivindicar diretoria da Petrobras. De preferência, que fure poço.
DELETANDO O BRIZOLISMO
A bancada da boquinha no PDT força a saída de Brizola Neto e da irmã Juliana, herdeiros do engenheiro Leonel, para que se filiem ao PT.
ORÁCULO
O ministro Brizola Neto foi se aconselhar ontem, em Porto Alegre, com o influente amigo Carlos Araújo, pedetista ex-marido de Dilma.
REAPROXIMAÇÃO
Em conversa com o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), Lula disse que, além de enviar carta de apoio ao vice Michel Temer na convenção do PMDB, vai procurá-lo pessoalmente nos próximos dias.
SERPENTÁRIO NEWS
A turma do chanceler Antonio Patriota, que não gosta do embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, espalha uma intriga. Diz que o cônsul em Sidney, Americo Fontenelle, denunciado por assédio moral, foi indicado por Vieira para assessorar José Dirceu na Casa Civil.
NAS SOMBRAS
“Sem ambiente” para encarar os subordinados, o embaixador Américo Fontenelle passou algumas horas no consulado em Sidney (Austrália), em pleno domingo, mas não apareceu ontem.
ESTACA ZERO
A CBF reabriu a análise sobre o local onde a seleção brasileira vai treinar por dois meses, às vésperas da Copa do Mundo, para fugir das cerrações na Granja Comari. Brasília e Fortaleza estão no páreo.
BLAIRO NA MIRA
Ambientalistas já articulam para impedir a eleição do senador Blairo Maggi (PR-MT) – um dos maiores produtores de soja do Brasil – a presidente da Comissão de Meio Ambiente e Fiscalização e Controle.
SOCIALISTAS AOS TAPAS
Assim como Eduardo Campos fala mal do correligionário Ciro Gomes, e vice-versa, José Batista Jr, o “Júnior do Friboi”, candidato do PSB ao governo de Goiás, não para de falar mal do líder do seu partido no Senado. Rollemberg (DF) não anda em boa maré: quebrou o pé.
RODÍZIOS
O senador João Alberto (PMDB-MA) busca apoio para ser indicado ao comando do Conselho de Ética. Já o ex-presidente Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) deu vaga à correligionária Lídice da Mata (BA).
ESFORÇO CONCENTRADO
O Planalto trabalha a todo vapor para aprovar a MP dos Portos, que estabelece marco regulatório para o setor. Os portuários ameaçam dificultar a descarga de produtos brasileiros se não houver acordo.
PERGUNTA NA VENEZUELA
Hugo Chávez usava paletó de madeira, quando entrou “andando” no hospital militar de Caracas, após retornar de Cuba?
PODER SEM PUDOR
BAJULAÇÃO PERDEDORA
Armando Falcão era candidato do PSD ao governo do Ceará, em 1954, mas precisava da bênção do chefe do partido. Falcão foi à casa do velho chefe político:
- Senador, precisamos definir o vice. Entendo que deve ser o dr. Crisanto.
- Quem?
- Dr. Crisanto Pimentel, seu filho...
O velho deu um murro na mesa e se levantou, irritado:
- Chega de puxa-saquismo!
Falcão perdeu o vice e a eleição para Paulo Sarazate (UDN).
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) demolindo as “conquistas do Bolsa Família”
MENSALEIROS QUEREM PRAZO MAIOR PARA RECURSO
Os réus condenados no processo do mensalão devem pedir prazo maior ao Supremo Tribunal Federal para apresentarem recursos, após a publicação do acórdão da sentença que os condenou inclusive à prisão. O advogado Alberto Toron, que defende o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), considera “sub-humano” o prazo de apenas cinco dias para exame de duas mil páginas e apresentação de embargos.
MUITO TRABALHO
O defensor de João Paulo Cunha terá muito trabalho: ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva e peculato.
ANTECIPAÇÃO
Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, o ex-ministro José Dirceu quer ganhar tempo conhecendo o acórdão antes de sua publicação.
DOSIMETRIA
Na fase de exame dos embargos, os ministros do STF podem revisar e até reduzir a dosimetria das sentenças. Ou reafirmá-las integralmente.
DECISÃO FESTEJADA
A intervenção em três empresas de ônibus, ontem, ajudará a melhorar a imagem do governo Agnelo Queiroz (PT) no DF. O povão adorou.
PDT ‘ANTIBRIZOLA’ DEPENDE DE CARGOS DE CABRAL
A turma de Carlos Lupi, dono do PDT, esfrega as mãos de ansiedade pela nomeação do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) para um cargo, qualquer cargo, no governo de Sérgio Cabral (PMDB), no Rio de Janeiro. Com isso, seria aberta vaga para o suplente Brizola Neto, que assim teria a chance de uma “saída honrosa”, desocupando o cargo de ministro do Trabalho para assumir o mandato de deputado federal.
PIADA PRONTA
O ex-ministro Carlos Lupi voltou a ser alvo de deboche, no Planalto, ao reivindicar diretoria da Petrobras. De preferência, que fure poço.
DELETANDO O BRIZOLISMO
A bancada da boquinha no PDT força a saída de Brizola Neto e da irmã Juliana, herdeiros do engenheiro Leonel, para que se filiem ao PT.
ORÁCULO
O ministro Brizola Neto foi se aconselhar ontem, em Porto Alegre, com o influente amigo Carlos Araújo, pedetista ex-marido de Dilma.
REAPROXIMAÇÃO
Em conversa com o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), Lula disse que, além de enviar carta de apoio ao vice Michel Temer na convenção do PMDB, vai procurá-lo pessoalmente nos próximos dias.
SERPENTÁRIO NEWS
A turma do chanceler Antonio Patriota, que não gosta do embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, espalha uma intriga. Diz que o cônsul em Sidney, Americo Fontenelle, denunciado por assédio moral, foi indicado por Vieira para assessorar José Dirceu na Casa Civil.
NAS SOMBRAS
“Sem ambiente” para encarar os subordinados, o embaixador Américo Fontenelle passou algumas horas no consulado em Sidney (Austrália), em pleno domingo, mas não apareceu ontem.
ESTACA ZERO
A CBF reabriu a análise sobre o local onde a seleção brasileira vai treinar por dois meses, às vésperas da Copa do Mundo, para fugir das cerrações na Granja Comari. Brasília e Fortaleza estão no páreo.
BLAIRO NA MIRA
Ambientalistas já articulam para impedir a eleição do senador Blairo Maggi (PR-MT) – um dos maiores produtores de soja do Brasil – a presidente da Comissão de Meio Ambiente e Fiscalização e Controle.
SOCIALISTAS AOS TAPAS
Assim como Eduardo Campos fala mal do correligionário Ciro Gomes, e vice-versa, José Batista Jr, o “Júnior do Friboi”, candidato do PSB ao governo de Goiás, não para de falar mal do líder do seu partido no Senado. Rollemberg (DF) não anda em boa maré: quebrou o pé.
RODÍZIOS
O senador João Alberto (PMDB-MA) busca apoio para ser indicado ao comando do Conselho de Ética. Já o ex-presidente Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) deu vaga à correligionária Lídice da Mata (BA).
ESFORÇO CONCENTRADO
O Planalto trabalha a todo vapor para aprovar a MP dos Portos, que estabelece marco regulatório para o setor. Os portuários ameaçam dificultar a descarga de produtos brasileiros se não houver acordo.
PERGUNTA NA VENEZUELA
Hugo Chávez usava paletó de madeira, quando entrou “andando” no hospital militar de Caracas, após retornar de Cuba?
PODER SEM PUDOR
BAJULAÇÃO PERDEDORA
Armando Falcão era candidato do PSD ao governo do Ceará, em 1954, mas precisava da bênção do chefe do partido. Falcão foi à casa do velho chefe político:
- Senador, precisamos definir o vice. Entendo que deve ser o dr. Crisanto.
- Quem?
- Dr. Crisanto Pimentel, seu filho...
O velho deu um murro na mesa e se levantou, irritado:
- Chega de puxa-saquismo!
Falcão perdeu o vice e a eleição para Paulo Sarazate (UDN).
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Calor de 42 graus sem refresco – Falhas em série cortam água de 9 milhões no Rio
- Folha: Dilma é ‘ingrata’, diz FHC em ataque ao PT
- Estadão: Papa afasta cardeal suspeito de assédio e adianta conclave
- Correio: Cai o primeiro barão dos ônibus. GDF assume frota
- Estado de Minas: Sul de Minas – Traficantes de órgãos torturavam vítimas
- Zero Hora: Fim de polo de pedágio terá festa e foguetório
- Valor Econômico: Leilões contestados devem paralisar ferrovias da Valec
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Arquivo militar - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 25/02
Bebel na ONU
A ONU vai lançar um hino para comemorar o Dia Internacional da Mulher, no dia 8. Bebel Gilberto, nossa cantora, a espanhola Concha Buika e a americana Beth Blatt são algumas das vozes de “Uma mulher”. A música poderá ser baixada na internet por 0,99 dólar. A renda vai para o programa ONU Mulheres.
Clássico brasileiro
A Orquestra Sinfônica Brasileira homenageará os 150 anos de Ernesto Nazareth no concerto de abertura da temporada, em março. “Suíte Nazareth”, encomendada ao compositor Paulo Aragão, terá regência de Roberto Minczuk. O violonista Yamandu Costa será o solista. Merece.
Escola Stuart Angel
Stuart Angel, estudante morto pela ditadura, em 1971, virou nome de escola estadual em Senador Camará, no Rio. Uma caravana de amigos, liderada pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, estará na inauguração hoje.
No mais
O deputado Jair Bolsonaro, que saiu em defesa da blogueira Yoani Sánchez, é o mesmo que defende a ditadura implantada no Brasil em 64. Os militares brasileiros também censuraram e prenderam seus opositores. Democracia é melhor.
FIM DE FESTA
Já virou tradição. Em dezembro, os comerciantes de lojas chiques de Ipanema e Leblon, na Zona Sul, colocam aqueles tapetes vermelhos nas calçadas para dar um ar mais glamouroso a seus negócios. A intenção é deixar o lugar mais bonito. O problema é que as festas acabam, e as marcas na calçada ficam. Veja na foto do arquiteto Miguel Pinto Guimarães, feita agora, em fevereiro, na calçada do Leblon. “Estamos praticamente em março, e as pedras portuguesas permanecem sujas de cola e com pelos vermelhos. Eles deveriam ser obrigados a restaurar as calçadas imediatamente”, defende Miguel. O arquiteto é contra a ideia do tapete vermelho. “É muito cafona. Quando chove, ele fica imundo e nojento. Não tem glamour nenhum. Ipanema e Leblon não precisam disso”, diz. Mas aí é outra história
Hora da saudade
Os portugueses, castigados pela crise econômica, arrumaram um jeito criativo de protesto. Interrompem os discursos de ministros cantando “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso. A música, símbolo da Revolução dos Cravos, que pôs fim a ditadura em 1974, lembra, como hino de protesto, o nosso “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, contra a ditadura militar.
Por falar em Vandré...
A funcionária do ItamaratyAracy Moebius Guimarães Rosa (1908-2011), mulher do escritor Guimarães Rosa, homenageada em janeiro por Dilma por ter ajudado a salvar a vida de judeus na Segunda Guerra, escondeu Vandré em seu apartamento na época da ditadura.
Animação brasileira
A série “Nilba e os desastronautas”, animação infantil da produtora brasileira 44 Toons e da Fundação Padre Anchieta, foi vendida para o Starz, canal pago americano com 30 milhões de assinaturas. É a primeira vez que uma animação 100% produzida no Brasil é exibida na TV americana. A estreia é em abril.
Beleza na favela
Um médico tem subido a Rocinha para fazer preenchimento de rosto e aplicar Botox nas moradoras da favela. Cobra R$ 500.
Diário de Justiça
Um carioca vai ganhar R$ 1.800 por ter ficado preso por mais de uma hora em um dos elevadores do Centro Profissional Prima, no Recreio, quando ia para uma sessão de fisioterapia. A decisão, contra o condomínio do prédio e os Elevadores Ideal, é da 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis do Rio, que acolheu o voto do juiz Antônio Aurélio Abi-Ramia Duarte.
Celeiro de atores
A querida atriz Bibi Ferreira, 90 anos, estará hoje na Escola Técnica de Teatro Martins Pena, que comemora o centenário da primeira turma. O pai dela, Procópio Ferreira, formou-se lá.
Vida bandida
Veja só que baixaria. A filha toda-toda de um ex-jogador de futebol se envolveu numa briga no prédio onde mora, no Leblon, no Rio. Um pouco depois da meia-noite de quinta, ela e o namorado tiveram um arranca-rabo violento na portaria. O rapaz, enfurecido, quebrou a porta de vidro e acabou se machucando. O chão ficou cheio de sangue.
Muro da vergonha
O muro, na Vieira Souto, que isola os bacanas do Country, em Ipanema, está malcuidado. Tem sido usado até como banheiro por banhistas. Aliás, ontem, Danuza Leão, na “Folha”, abordou a decisão do clube de vetar o ingresso de Guilhermina Guinle em seus quadros. E concluiu que a querida atriz tem culpa “por querer pertencer ao clube mais gagá do Brasil”.
Calma, gente!
Jogo perigoso - JOSÉ MILTON DALLARI
O Globo - 25/02
Já é dado como certo que a inflação brasileira vai atingir um povo patamar este ano. Fechou 2012 em 5,84% e certamente ficará acima dos 6% em 2013, podendo até encostar no teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5%. A alta dos preços fugiu das previsões mais otimistas feitas pelo Banco Central. E isso com vários aumentos sendo adiados para o fim do semestre, como a passagem dos transportes públicos em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.
O número não assusta tanto em si. Sim, estamos longe dos tempos de hiperinflação quando os preços subiam 40% ou 50%. Mas o que está assustando é o grau de improviso nas medidas aleatórias implementadas.
Aparentemente, o Banco Central e o ministro Guido Mantega, da Fazenda, não têm falado a mesma língua. Enquanto o BC dá sinais de que busca um dólar mais fraco em relação ao real, para evitar que os produtos importados pesem sobre o índice, o ministro Mantega continua declarando que o dólar a R$ 2 veio para ficar. O real mais forte poderia baratear as importações melhorando os preços de alguns produtos no mercado interno. Mantega afirma que não usará o câmbio para conter pressões inflacionárias. Ele garante que o instrumento clássico de política monetária são os juros. Mesmo assim, o mercado vê o BC aceitando um câmbio abaixo de R$ 2 para evitar alta de preços.
Um dólar a R$ 2, um pouco mais ou um pouco menos, tem quase o mesmo efeito sobre os preços. O problema é que a moeda americana chegou a R$ 2,10, no fim de 2012, voltou para R$ 2,05 em janeiro, e neste início de fevereiro, bateu em R$ 1,95, a menor cotação desde maio do ano passado.
Essa foi a resposta do mercado para os desencontros entre Mantega e o BC. Como se sabe, são as oscilações bruscas do câmbio que atrapalham o empresário que faz planos ou até mesmo o viajante que está comprando dólares para suas viagens.
Não é sinal de equilíbrio um câmbio descer de R$ 2,10 para R$ 1,95 em pouco menos de dois meses.
Mesmo assim, o mercado já vê a possibilidade de uma elevação da taxa básica de juros, a Selic. Atualmente em 7,25%, seu menor patamar histórico, a Selic baixa é uma espécie de bandeira do governo de Dilma Rousseff contra juros escorchantes. Foi ela quem bancou a briga contra os bancos para que os juros do cheque especial, do cartão de crédito, dos empréstimos, fossem reduzidos para fazer a economia crescer em ritmo mais acelerado.
Dilma, e o BC, não cogitavam mexer na Selic pelo menos até dezembro. Quiçá, até 2014. Ou seja, pela provável falta de planejamento e improviso na condução da política monetária, talvez seja preciso esfriar a economia para conter a alta dos preços.
O Brasil começa 2013 com muitas interrogações. Não pode haver improvisos quando se trata de alta da inflação e ameaça ao crescimento econômico, pois, como o governo sabe, a inflação é o maior imposto a ser pago pelos pobres.
Já é dado como certo que a inflação brasileira vai atingir um povo patamar este ano. Fechou 2012 em 5,84% e certamente ficará acima dos 6% em 2013, podendo até encostar no teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5%. A alta dos preços fugiu das previsões mais otimistas feitas pelo Banco Central. E isso com vários aumentos sendo adiados para o fim do semestre, como a passagem dos transportes públicos em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.
O número não assusta tanto em si. Sim, estamos longe dos tempos de hiperinflação quando os preços subiam 40% ou 50%. Mas o que está assustando é o grau de improviso nas medidas aleatórias implementadas.
Aparentemente, o Banco Central e o ministro Guido Mantega, da Fazenda, não têm falado a mesma língua. Enquanto o BC dá sinais de que busca um dólar mais fraco em relação ao real, para evitar que os produtos importados pesem sobre o índice, o ministro Mantega continua declarando que o dólar a R$ 2 veio para ficar. O real mais forte poderia baratear as importações melhorando os preços de alguns produtos no mercado interno. Mantega afirma que não usará o câmbio para conter pressões inflacionárias. Ele garante que o instrumento clássico de política monetária são os juros. Mesmo assim, o mercado vê o BC aceitando um câmbio abaixo de R$ 2 para evitar alta de preços.
Um dólar a R$ 2, um pouco mais ou um pouco menos, tem quase o mesmo efeito sobre os preços. O problema é que a moeda americana chegou a R$ 2,10, no fim de 2012, voltou para R$ 2,05 em janeiro, e neste início de fevereiro, bateu em R$ 1,95, a menor cotação desde maio do ano passado.
Essa foi a resposta do mercado para os desencontros entre Mantega e o BC. Como se sabe, são as oscilações bruscas do câmbio que atrapalham o empresário que faz planos ou até mesmo o viajante que está comprando dólares para suas viagens.
Não é sinal de equilíbrio um câmbio descer de R$ 2,10 para R$ 1,95 em pouco menos de dois meses.
Mesmo assim, o mercado já vê a possibilidade de uma elevação da taxa básica de juros, a Selic. Atualmente em 7,25%, seu menor patamar histórico, a Selic baixa é uma espécie de bandeira do governo de Dilma Rousseff contra juros escorchantes. Foi ela quem bancou a briga contra os bancos para que os juros do cheque especial, do cartão de crédito, dos empréstimos, fossem reduzidos para fazer a economia crescer em ritmo mais acelerado.
Dilma, e o BC, não cogitavam mexer na Selic pelo menos até dezembro. Quiçá, até 2014. Ou seja, pela provável falta de planejamento e improviso na condução da política monetária, talvez seja preciso esfriar a economia para conter a alta dos preços.
O Brasil começa 2013 com muitas interrogações. Não pode haver improvisos quando se trata de alta da inflação e ameaça ao crescimento econômico, pois, como o governo sabe, a inflação é o maior imposto a ser pago pelos pobres.
A boa escola - LYA LUFT
REVISTA VEJA
Meu brilhante colega Gustavo Ioschpe, uma das mais lúcidas vozes no que diz respeito à educação, escreveu sobre o que é um bom professor. Eu já começava este artigo sobre o que acho que deva ser uma boa escola, então aqui vai.
Primeiro, a escola tem de existir. No Brasil há incrivelmente poucas escolas em relação à necessidade real. Têm de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas as paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes; instalações sanitárias decentes, cozinha para alimentar os que não comem suficientemente em casa; alguém com experiência médica ou de enfermagem para atender os que precisarem. Em cada sala de aula, naturalmente, uma boa prateleira com livros sem dúvida doados pelos governos federal, estadual, municipal. E que ali se ensine bem o essencial: aritmética, bom uso da linguagem, noções de história e geografia para que saibam quem são e onde no mundo se situam. Falei até aqui apenas de ensino elementar em escolas menos privilegiadas economicamente. Em comunidades mais resolvidas nesse sentido, tudo isso não será apenas bom, mas excelente, desde aparte material até professores muito bem preparados que sejam bem exigidos e bem pagos.
No chamado 2 o grau, além de livros, quem sabe computadores, mas - ainda que escandalizando alguns - creio que esses objetos maravilhosos, que eu mesma uso constantemente, não substituem um bom professor. E que, nesse degrau da vida, todos sejam preparados para a universidade, desde que queiram e possam. Pois nem todos querem uma carreira universitária, nem todos têm capacidade para isso: para eles, excelentes Escolas Técnicas, depois das quais podem ter mais ganho financeiro do que a maioria dos profissionais liberais. Professores com mestrado e se possível doutorado, diretores que conheçam administração, psicólogos que conheçam psicologia, todos com saber e postura que os alunos respeitem a fim de que possam aprender.
Finalmente a universidade, que enganosamente se julga ser o único destino digno de todo mundo (já mencionei acima os cursos técnicos cada dia melhores e mais especializados). Universidade precisa existir, mas não na abundância das escolas elementares. É incompreensível e desastrosa a multiplicação de faculdades de medicina, por exemplo, cujas falhas terão efeitos dramáticos sobre vidas humanas. Temos pelo país muitas onde alunos não estudam anatomia, pois não há biotério, não têm aulas práticas, pois não há hospital-escola. Essa é uma realidade assustadora, mas bastante comum, que, parece, se tenta corrigir. Dessas pseudofaculdades sairão alunos reprovados nas essenciais provas do CRM, mas que eventualmente vão trabalhar sem condição de atender pacientes. Faculdades de direito pululam pelo país, sem professores habilitados, sem boas bibliotecas, formando advogados que nem escrever razoavelmente conseguem, além de desconhecer as leis - e reprovados aos magotes nas importantíssimas provas da OAB. Coisa semelhante aconteceria com faculdades de engenharia mal preparadas, se existirem, de onde precisam sair profissionais que garantam segurança em obras diversas, de edifícios, casas, estradas, pontes. Vejam que aqui comentei apenas alguns dos inúmeros cursos existentes, muitos com excelente nível, mas não se ignorem os que não têm condições de funcionar, e mesmo assim... existem. Em todas essas fases, segundo cada nível, incluam-se professores bem preparados, muito dedicados, e decentemente pagos - professor não é sacerdote nem faquir.
O que aqui escrevo é mero, simples, bom-senso. Todos têm direito de receber a educação que os coloque no mundo sabendo ler, escrever, pensar, calcular, tendo ideia do que são e onde se encontram, e podendo aspirar a crescer mais. Isso é dever de todos os governos. E é nosso dever esperar isso deles.
Primeiro, a escola tem de existir. No Brasil há incrivelmente poucas escolas em relação à necessidade real. Têm de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas as paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes; instalações sanitárias decentes, cozinha para alimentar os que não comem suficientemente em casa; alguém com experiência médica ou de enfermagem para atender os que precisarem. Em cada sala de aula, naturalmente, uma boa prateleira com livros sem dúvida doados pelos governos federal, estadual, municipal. E que ali se ensine bem o essencial: aritmética, bom uso da linguagem, noções de história e geografia para que saibam quem são e onde no mundo se situam. Falei até aqui apenas de ensino elementar em escolas menos privilegiadas economicamente. Em comunidades mais resolvidas nesse sentido, tudo isso não será apenas bom, mas excelente, desde aparte material até professores muito bem preparados que sejam bem exigidos e bem pagos.
No chamado 2 o grau, além de livros, quem sabe computadores, mas - ainda que escandalizando alguns - creio que esses objetos maravilhosos, que eu mesma uso constantemente, não substituem um bom professor. E que, nesse degrau da vida, todos sejam preparados para a universidade, desde que queiram e possam. Pois nem todos querem uma carreira universitária, nem todos têm capacidade para isso: para eles, excelentes Escolas Técnicas, depois das quais podem ter mais ganho financeiro do que a maioria dos profissionais liberais. Professores com mestrado e se possível doutorado, diretores que conheçam administração, psicólogos que conheçam psicologia, todos com saber e postura que os alunos respeitem a fim de que possam aprender.
Finalmente a universidade, que enganosamente se julga ser o único destino digno de todo mundo (já mencionei acima os cursos técnicos cada dia melhores e mais especializados). Universidade precisa existir, mas não na abundância das escolas elementares. É incompreensível e desastrosa a multiplicação de faculdades de medicina, por exemplo, cujas falhas terão efeitos dramáticos sobre vidas humanas. Temos pelo país muitas onde alunos não estudam anatomia, pois não há biotério, não têm aulas práticas, pois não há hospital-escola. Essa é uma realidade assustadora, mas bastante comum, que, parece, se tenta corrigir. Dessas pseudofaculdades sairão alunos reprovados nas essenciais provas do CRM, mas que eventualmente vão trabalhar sem condição de atender pacientes. Faculdades de direito pululam pelo país, sem professores habilitados, sem boas bibliotecas, formando advogados que nem escrever razoavelmente conseguem, além de desconhecer as leis - e reprovados aos magotes nas importantíssimas provas da OAB. Coisa semelhante aconteceria com faculdades de engenharia mal preparadas, se existirem, de onde precisam sair profissionais que garantam segurança em obras diversas, de edifícios, casas, estradas, pontes. Vejam que aqui comentei apenas alguns dos inúmeros cursos existentes, muitos com excelente nível, mas não se ignorem os que não têm condições de funcionar, e mesmo assim... existem. Em todas essas fases, segundo cada nível, incluam-se professores bem preparados, muito dedicados, e decentemente pagos - professor não é sacerdote nem faquir.
O que aqui escrevo é mero, simples, bom-senso. Todos têm direito de receber a educação que os coloque no mundo sabendo ler, escrever, pensar, calcular, tendo ideia do que são e onde se encontram, e podendo aspirar a crescer mais. Isso é dever de todos os governos. E é nosso dever esperar isso deles.
Sementes do futuro - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 25/02
Por todo o Brasil, os prefeitos iniciantes arrumam a casa para mostrar serviço, enquanto os de segundo mandato tratam de organizar o jogo para a próxima eleição. Especialmente, nas capitais dos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Desses três, o único estreante é Fernando Haddad, do PT de São Paulo. Saiu vitorioso logo na primeira eleição que disputou e para administrar o terceiro maior orçamento do país.
Obtive o privilégio de entrevistá-lo na semana passada (os principais trechos estão publicados na edição de ontem do Correio) e nos tempos em que era ministro da Educação. As diferenças entre o ministro e o prefeito são visíveis a olho nu.
O ministro Haddad não costumava discorrer com desenvoltura sobre os temas políticos. Qualquer comentário nessa seara vinha precedido de avaliações citando o ex-presidente Lula, que o levou para o governo e à candidatura a prefeito. Também sempre citava Dilma. Não havia uma definição pessoal de Haddad sobre a política pura e seus movimentos. A voz para discorrer sobre essas temas não era tão firme ou ligeira quanto era ao falar sobre educação.
A poucos dias de fechar seus primeiros dois meses de governo, o prefeito Haddad demonstra uma desenvoltura nessa área que chama a atenção. Dispensa a citação dos padrinhos para fazer avaliações do processo político. Especialmente, quando se refere a São Paulo.
Quando perguntado sobre a candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo do estado daqui a um ano e cinco meses, responde que o PT não trabalha com o conceito de fila. E que, se fosse assim, ele (Haddad) não teria sido candidato a prefeito de São Paulo. Epa! Olha só o potencial cabo eleitoral petista ao governo de São Paulo jogando uma pedra de influência na condução do processo! E espinhos no caminho de Mercadante.
Haddad não menciona, afinal, está no começo de sua gestão. Mas tem plena consciência de que sua performance enquanto prefeito funcionará como cartão de visitas para o candidato a governador, seja Mercadante, Alexandre Padilha (ministro da Saúde), Marta Suplicy (Cultura) ou José Eduardo Cardozo (Justiça). Afinal, foi assim que Haddad conduziu sua campanha no ano passado, dizendo que a cidade precisava desfrutar do estilo de governo Lula-Dilma. Para o bem ou para o mal, seu desempenho até outubro do ano que vem terá importância na briga com o PSDB pelo governo estadual.
Enquanto isso, para o futuro…
Mais do que a influência da gestão de Haddad na próxima eleição estadual — e também presidencial, por causa do tamanho da cidade de São Paulo — o que torna o prefeito paulistano um personagem a ser observado com bastante atenção é o gosto que ele tomou pela política. O professor da USP aprendeu muito rápido. Podem escrever: tanto ele quanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PMDB, estão na pista, em aquecimento para o futuro. Paes, reeleito, deve ficar até o fim do governo, para marcar sua vida política como o prefeito da Copa e das Olimpíadas do Rio.
Quanto ao prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, do PSB, há ainda um dilema a resolver: se ele ficará ao lado dos tucanos, ou abraçará a candidatura Eduardo Campos, caso o governador de Pernambuco seja mesmo candidato a presidente no ano que vem. Hoje, nada indica que Eduardo não será.
Eduardo está convencido de que, por ser um personagem fora do eixo Rio, São Paulo e Minas Gerais, tem que entrar logo na pista a fim de se consolidar como uma opção viável, nem que seja para 2018. Afinal, no triângulos dos votos, as opções começam a trabalhar, as sementes estão germinando. Se vão vingar, o futuro dirá.
CANETA CARREGADA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 25/02
PRAZO ESTENDIDO
As exonerações foram assinadas por Antonio Donato, secretário de Governo de Haddad. Dias depois, novos funcionários começaram a ser nomeados. O troca-troca era intenso até a sexta-feira.
CHEGUEI!
Outras secretarias que tiveram numerosas baixas: Esporte, Lazer e Recreação e a pasta da Educação.
CANJA
Os vereadores ligados ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) estão de sobreaviso. Até agora, no entanto, as demissões não alteraram o espírito "colaborativo" deles com Haddad. Muitos não se animam nem a defender Kassab das críticas que recebe.
GANGORRA
O custo de vida na região metropolitana de São Paulo subiu 0,96% em janeiro, segundo a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado). Em 12 meses, a alta acumulada atingiu 5,69%. As classes D e E foram as mais prejudicadas pela inflação, puxada pela alta de alimentos, transporte e gastos pessoais.
CANAL LIVRE
O filme "Família Vende Tudo", de Alain Fresnot, já teve mais de 750 mil visualizações no YouTube, onde foi postado na íntegra. Nas telas, em que os diretores dependem de distribuição, divulgação de mídia e tempo de exibição, o longa, que tem Caco Ciocler e Luana Piovani no elenco, levou 110 mil pessoas aos cinemas em 2012.
LADO A LADO
Elton John desembarca em São Paulo nesta semana cercado por seguranças -alguns são de sua equipe e outros são contratados no Brasil. Ele é "paranoico", de acordo com integrante da produção de seus shows, desde que John Lennon e Gianni Versace foram assassinados por psicopatas nos EUA quando andavam tranquilamente pelas ruas.
ESTUFA
O cantor deve trazer também no staff um funcionário que tem a missão exclusiva de cuidar das centenas de flores que manda colocar em seu camarim.
A MEDIDA É CERTA
Desde que assumiu a presidência do Palmeiras, há 31 dias, Paulo Nobre perdeu quatro quilos. Sem dieta.
TURMA
O cineasta Cláudio Assis já escalou os atores Dira Paes, Irandhir Santos e Conceição Camarotti e o diretor de fotografia Walter Carvalho para o seu novo filme. "Big Jato" é adaptação de romance de Xico Sá, colunista da Folha.
DDI
A viagem de Sean Penn a São Paulo está sendo articulada pelo embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Averláiz. Os dois são amigos -o americano é um defensor de Hugo Chávez. A ideia é que Penn faça surpresa para Ariel Goldenberg, ator com síndrome de Down que é estrela do filme "Colegas" -e fã do ator.
SEGUNDA TELA
Mariana Eva Leis, ex-MTV, está lançando uma rede social voltada para a TV. Enquanto assiste a um programa, a pessoa pode acompanhar numa "segunda tela", a de seu computador, todas as outras que estão no mesmo momento no Twitter e no Facebook escrevendo sobre ele. O portal TV Square seleciona só os comentários sobre a atração, facilitando a comunicação.
ESPELHO
O vereador Andrea Matarazzo (PSDB-SP) apresentou projeto de lei para mudar a Lei Mendonça, de incentivo à cultura. Ele propõe que a dedução de impostos permitida pela regra municipal seja ampliada para 100% do valor investido em programas da área. E que novos setores sejam contemplados, como economia criativa, design de moda, patrimônio e cultura digital. Diz que se baseou no Proac, programa do governo de São Paulo.
DOUTORA EM MODA
Ana Claudia Michels estuda medicina; Shirley Mallmann planeja abrir o próprio negócio na área da moda. Entre uma atividade e outra, as duas tops se juntaram pela primeira vez para uma campanha. Elas vão estrelar o lançamento da coleção de inverno 2013 da relojoaria Euro. O styling é de Raphael Mendonça e a maquiagem, de Saulo Fonseca.
LEITURA FASHION
O lançamento da coleção outono/inverno da C&A reuniu no hotel Unique as modelos Marcelle Bittar, Renata Kuerten, Paolla Rahmeier e Alicia Kuczman. Luciana e Marcela Tranchesi, Ucha Meirelles e Costanza Pascolato foram ao desfile.
UM OUTRO OLHAR
A abertura da mostra "Lady Dior as Seen By", com obras de David Lynch, Olympia Scarry, Laerte Ramos e Tunga, levou ao Instituto Tomie Ohtake a administradora Mariana Auriemo, a modelo Caroline Ribeiro e o presidente da Dior, Sidney Toledano.
CURTO-CIRCUITO
Ferreira Gullar lança o livro "Arte Contemporânea Brasileira" no Itaú Cultural, às 19h. Grátis.
Começa hoje a pré-venda de ingressos para o Restaurant Week, apenas para clientes MasterCard.
Ivo Pitanguy será homenageado no Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, de 15 a 17 de março.
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