sábado, outubro 27, 2012

Pior do que no velho oeste - EDITORIAL ZERO HORA


ZERO HORA - 27/10

O registro de mais de 500 ações criminosas contra bancos nos três Estados da Região Sul só neste ano - maior do que o estimado para todo o período de colonização do oeste norte-americano, como indicam estudos recentes de pesquisadores da Universidade de Dayton, nos Estados Unidos - é suficiente para justificar providências mais consequentes do que as adotadas até hoje. Por isso, é promissor para os cidadãos o inédito mutirão entre autoridades, empresários e trabalhadores gaúchos, catarinenses e paranaenses com o objetivo de desenvolver ações policiais e mecanismos de segurança que possam conter a violência dos bandidos. Não é admissível que a sociedade continue a se sentir cada vez mais refém de quem não hesita em recorrer a qualquer forma de surrupiar dinheiro alheio, que deveria ser mais resguardado tanto pelos responsáveis diretos - os bancos -, quanto pelos organismos de segurança pública.

O primeiro encontro já serviu para evidenciar algumas fragilidades, que contribuem para expor ainda mais a população, particularmente em comunidades de menor porte, mais expostas aos criminosos. Uma delas é de que falta segurança nas agências - aspecto inaceitável, levando em conta que, onde há dinheiro vivo, seja no Brasil, seja em regiões que prosperaram a partir do Velho Oeste norte-americano, sempre haverá alguém tentando se apossar dele. A outra é que, em Estados como os da Região Sul, falta um mínimo de interação entre as forças policiais, que facilite, por exemplo, maior uso da inteligência com a intensificação da troca de dados. Por isso, é importante que a pretendida união de forças entre autoridades de segurança e representantes da iniciativa privada avance, para que pelo menos as comunidades mais vulneráveis à ação de assaltantes de banco voltem logo a sentir-se mais protegidas.

A particularidade de as quadrilhas especializadas nesse tipo de ato migrarem de um Estado para outro de acordo com suas próprias conveniências deixa evidente que a questão não tem mais como ser atacada isoladamente. Nos três Estados mais meridionais, o número de ataques a bancos registrou uma elevação considerável neste ano, em comparação com o anterior. É preciso, portanto, reforçar o policiamento, mas também impor maior controle sobre o uso de explosivos e adotar medidas elementares e que realmente funcionem na prática. Como esse tipo de crime só tende a cessar quando o dinheiro se torna inacessível, a providência mais urgente precisa ser a inutilização automática de cédulas furtadas.

Como bem lembraram os representantes dos Estados sulinos reunidos agora, é preciso também mudar a lei, levando-a realmente a intimidar quem hoje se vale de explosivos para esse tipo de ataque, por exemplo. Sem esse maior rigor, o que o futuro imediato reserva para os cidadãos, particularmente os da Região Sul, é um pesadelo típico de Velho Oeste - não o real, mas o popularizado pelo cinema, com os evidentes exageros para os quais esse tipo de entretenimento se presta.

O voluntarismo de Barbosa - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 27/10


As críticas do relator Joaquim Barbosa ao sistema penal brasileiro, feitas no ardor de uma das muitas discussões com o revisor Ricardo Lewandowski, explicam seu empenho em dar penas mais pesadas aos réus, tratando cada crime separadamente, sem a preocupação de calcular a pena como um todo, no dizer do revisor.

Lewandowski alega que vê "a floresta inteira" enquanto Barbosa "olha apenas uma árvore", dizendo que o relator não tem uma visão holística das condenações. Ao contrário, tudo indica que é a preocupação com a pena total que leva o ministro Barbosa a ter o máximo rigor com cada um dos crimes. Ele estaria, ao cuidar de cada árvore separadamente, querendo preservar a floresta como objetivo final.

Quando Barbosa disse que, ao dar uma pena mínima para Marcos Valério em certo crime, o revisor estava "barateando" a punição, pois o réu não passaria mais que seis meses na cadeia, estava sofismando, como afirmou Lewandowski, mas tinha o objetivo de manter Valério o maior tempo possível na cadeia em regime fechado, evitando as brechas que o sistema penal brasileiro, que ele, o "New York Times" e boa parte da opinião pública brasileira consideram "risível", proporciona aos condenados.

A mesma coisa pode-se dizer quando Barbosa ironizou o pedido do advogado de Ramon Hollerbach, sócio de Valério, para que fosse levado em conta o voto do ex-ministro Cezar Peluso, que dera pena mínima a ele na lavagem de dinheiro. Barbosa sugeriu que a pena mínima faria com que o crime prescrevesse, e vários ministros reagiram afirmando que esse fato não tinha a menor importância e não deveria ser levado em conta na hora de determinar a duração da pena.

Acontece que pela legislação brasileira, após o cumprimento de 1/6 da pena, o condenado a mais de oito anos pode pedir a passagem do regime fechado para o semiaberto. Embora a pena máxima a ser cumprida seja de 30 anos, o que conta para o cálculo da progressão é o somatório (e não somatória como muitos juízes dizem e eu escrevi aqui outro dia) das penas. Logo, se a pena de Valério for de 40 anos, somente depois de cumprir a pena em regime fechado por seis anos e seis meses, ele poderá tentar a mudança para o regime semiaberto. No raciocínio de Barbosa, se os ministros levarem em conta a pena máxima de 30 anos e passarem a condenar os réus a penas mais baixas para não ultrapassar esse teto, na prática estarão permitindo que condenados por crimes gravíssimos sejam postos fora da cadeia em pouco tempo.

Na sua luta contra a impunidade, é certo, porém, que Barbosa, ao declarar-se contrário ao sistema penal brasileiro em fala que sabia estar sendo transmitida pela TV, não contribuiu para o fortalecimento institucional do país. Ao contrário, pôs a opinião pública mais insegura diante da ordem jurídica, logo ele, que hoje é tido como referência ética da nação e em breve estará presidindo o STF, justamente a mais alta instância dessa Justiça que ele critica.

Quando fez essa crítica, Barbosa citou o "New York Times" e deu-se conta de que mexera com "os brios ultranacionalistas" de alguns colegas, que na mesma hora disseram que vivemos no Brasil, temos que nos ater às nossas leis. Dias Toffolli ressaltou que nos Estados Unidos há pena de morte, o que não ocorre no Brasil. E Celso de Mello lembrou que a Noruega condenara a apenas 20 anos o homem que assassinara várias pessoas recentemente.

Barbosa teve que explicitar seu ponto de vista, dizendo que era brasileiro, gostava do Brasil e que estava lutando justamente para melhorar a legislação. Mas não vai se livrar de críticas a seu voluntarismo por parte dos advogados dos reús, que se preparam para, nos embargos, acusá-lo de ter atuado com o intuito de condenar os réus. Quando ele critica nosso sistema penal e se põe claramente a favor de penas mais duras, dá margem a que acusados vejam nele um carrasco e não um juiz. Paralelamente, cresce na opinião pública a percepção de que Barbosa é um juiz em busca da Justiça.

Resta acompanhar para ver qual será a influência da presidência de Barbosa sobre o STF, pois, ao contrário dos Estados Unidos, onde o presidente da Suprema Corte atua como mediador entre as correntes e tem cargo vitalício, o presidente do STF tem o poder de induzir a pauta, lá e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que preside também.

Canal interrompido - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 27/10


Diante da escalada na criminalidade em São Paulo, Dilma Rousseff enviou emissários para conversas com o secretário de Segurança do Estado, Antonio Ferreira Pinto, há cerca de 40 dias. Segundo interlocutores do Planalto, foi oferecida ajuda na capital, além de informações de inteligência, mas o diálogo não prosperou. Representantes de Geraldo Alckmin acusam o governo federal de omissão no combate ao narcotráfico e contrabando de armas nas fronteiras, suas prerrogativas.

Low profile A vigília anti-salto alto segue a todo vapor no QG de Fernando Haddad. A quem pergunta sobre preparativos para a eventual festa da vitória, os petistas dizem que a única coisa programada é café da manhã do candidato com apoiadores e acompanhamento da apuração no Hotel Intercontinental, como no primeiro turno.

Vai que é sua No entanto, ministros e petistas graúdos preparam desembarque em massa em São Paulo amanhã. Sondada para vir à cidade, Dilma Rousseff tem dito a assessores que prefere não aparecer ao lado do ex-ministro, pois, caso se confirme o prognóstico das pesquisas, seria ''sua vez de brilhar''.

Vistoria Apesar da blitz contra o "já ganhou", petistas já miram as subprefeituras. Beto Custódio, ex-vereador, visitou a de Guaianases, acompanhado de assessor.

Turma dos 3% Partidos que aderiram ao petista na época das vacas magras, apresentam a fatura. O PP de Paulo Maluf quer ter assento no primeiro escalão e usa o "cheque em branco" que deu a Haddad como garantia para manter o Ministério das Cidades, cobiçado por outras siglas de maior peso eleitoral.

Dobradinha A exemplo do primeiro turno, José Serra colará em Geraldo Alckmin no último dia da campanha. A agenda conjunta terá início na zona noroeste, onde o tucano teve recuperação nas últimas pesquisas, pela manhã.

Passando... Chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Sidney Beraldo reuniu ontem 55 assinaturas para postular vaga de conselheiro do TCE-SP. Em tese, o tucano atingiu a maioria dos votos na Assembleia para o cargo. A lista de apoiamentos será publicada hoje no "Diário Oficial".

... a régua Adversário de Beraldo na disputa pelo posto, Jorge Caruso (PMDB) havia recolhido 63 adesões. Após intervenção de líderes partidários e secretários de Estado, 24 deputados que o apoiavam subscreveram a indicação do articulador politico de Alckmin, o que revoga as decisões anteriores.

Dois em um A saída do secretário deve acelerar a reforma na estrutura administrativa do Bandeirantes. Pelo desenho em gestação, a Casa Civil ficará incumbida apenas da articulação política, delegando a outra pasta o controle sobre subsecretarias e órgãos hoje sob responsabilidade de Beraldo.

Devolução O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ), filho de Jair Bolsonaro, entrou com pedido na Assembleia Legislativa para retirar de José Dirceu a medalha Tiradentes, maior comenda do Estado, concedida em 2003. O motivo é a condenação do petista no mensalão.

Grades Pelas contas de advogados de mensalão, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares deverá ser condenado a dez anos de reclusão, o que significa que deverá cumprir pena em regime fechado.

Luz de velas Imperatriz (MA), cidade do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), internado em São Paulo desde a semana passada, ficou no escuro duas vezes em menos de 30 dias atingida por apagões. A cidade é porta de entrada da Amazônia Legal.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"Ex-ministra de Minas e Energia, Dilma inaugurou gigantesco sistema 'Vagalume' com seu novo marco regulatório."

DO LÍDER DA MINORIA NA CÂMARA, MENDES THAME (PSDB-SP), sobre o novo apagão no setor elétrico que, desta vez, atingiu as regiões Norte e Nordeste.

contraponto


Castidade acadêmica


Durante encontro, anteontem, com Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) na Academia Paulista de Letras, a escritora Lygia Fagundes Telles pediu a palavra para relatar que havia estudado no Largo de São Francisco, mesma faculdade frequentada pelo candidato. Ela brincou que, na época em que cursou direito, eram apenas seis meninas na turma.

-Todas virgens! E o professor perguntou: vocês vieram aqui para casar?

Diante da gargalhada geral, ela arrematou:

-Também! E casei com o professor!

Resistir é preciso - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 27/10



Mais de 8,6 milhões de paulistanos estão aptos a ir às urnas amanhã, no segundo turno do pleito que elegerá o novo prefeito da capital. Na maior metrópole do País, onde vivem mais de 11,3 milhões de pessoas, o crescimento demográfico tem sido, nas últimas décadas, muito mais rápido do que a capacidade dos governantes de planejar e desenvolver uma infraestrutura urbana e social minimamente capaz de garantir qualidade de vida, em especial para os habitantes da periferia, onde o aumento da população é muito maior. O momento de depositar na urna o voto que decidirá quem estará à frente da Prefeitura da capital nos próximos quatro anos reveste-se, portanto - particularmente na atual quadra da vida política nacional -, de um sentido de acentuada responsabilidade cívica, tanto maior quanto mais excepcionalmente desafiadora é a tarefa à espera do novo prefeito.

Assim, é de esperar que, tanto quanto possível acima das paixões partidárias e da mistificação marqueteira que costumam dar o tom das campanhas eleitorais, o eleitor cumpra seu dever cívico depois de sopesar criteriosa e objetivamente os programas de governo e as credenciais de cada um dos candidatos. A eleição de prefeito deve ser sempre considerada, antes e acima de tudo, como a escolha de um governante verdadeiramente capaz de resolver os problemas da cidade. Trata-se de uma obviedade, ostensiva até. Mas que precisa, sem embargo, ser devidamente assinalada pelo fato de a conjuntura política de âmbito nacional em que o pleito paulistano se realiza tornar essa questão muito mais complexa e delicada do que seria normalmente. Em outras palavras, ao depositar seu voto nas urnas amanhã, o eleitor paulistano não estará apenas elegendo um novo alcaide, mas influindo decisivamente nos destinos políticos do País.

Não é suficiente, portanto, levar em conta apenas as qualificações político-administrativas de Fernando Haddad e José Serra. É necessário ter em mente o que a vitória de um ou de outro poderá significar para o futuro do País.

A eleição paulistana é estrategicamente fundamental para o PT, conforme apregoam as próprias lideranças do partido. Neste momento em que, por um lado, se jogam as preliminares do quadro sucessório de 2014 e, por outro, o grupo político liderado por Lula vê suas "vísceras expostas" pelo julgamento do mensalão no STF, a vitória em São Paulo é essencial para o lulopetismo, tanto para cacifar as pretensões de consolidar sua hegemonia no cenário político nacional como para lançar uma cortina de fumaça sobre o grave ônus que representa o atestado de inidoneidade ao modo petista de governar representado pela condenação de José Dirceu&Cia. Foi o próprio ex-ministro da Casa Civil, já então na condição oficial de quadrilheiro, quem anunciou, no dia seguinte à sua condenação, que "a prioridade" no momento é vencer a eleição em São Paulo.

Fernando Haddad, a nova invenção de Lula, tem dado de ombros ao escândalo do mensalão com o argumento de que, pessoalmente, não tem nada a ver com isso. Provavelmente é verdade. Mas ninguém, nem mesmo o próprio, é capaz de imaginar que uma eventual administração petista na mais importante cidade do País possa ser mantida imune ao contágio de uma mentalidade que deliberadamente confunde Estado e partido. A voracidade com que, estimulados pelos prognósticos eleitorais, quadros do PT e aliados se lançam à disputa antecipada por espaço numa futura administração da cidade é sintoma claro de que se tentará reproduzir aqui, na hipótese da vitória petista, o lamentável fenômeno do forte aparelhamento partidário que tem comprometido a eficiência da administração federal na última década.

Nessa perspectiva, a vergonhosa realidade dos fatos expostos pelo julgamento do mensalão, antes de constituir um argumento eleitoral antipetista, é um vigoroso brado de alerta sobre a grave ameaça que significa para o futuro da democracia no Brasil a desmedida ambição de poder e o abominável sentimento de impunidade de um grupo político cuja liderança não hesita em atacar e desqualificar o papel da Suprema Corte quando esta, constituída por uma maioria esmagadora de membros escolhidos por ela própria, ousa contrariar seus interesses políticos. São Paulo precisa continuar resistindo a esse desatino.

A favor da polarização - SÉRGIO DÁVILA

FOLHA DE S. PAULO - 27/10


O Brasil tem 30 partidos, dos quais 24 com representação no Congresso. Todos levam dinheiro público e a maior parte conta com tempo de TV e outras regalias. Nenhum país sério deveria manter tal sistema político.

Virou clichê nas eleições atuais criticar a polarização PSDB-PT. Ela seria responsável pelo aumento da abstenção e dos votos nulos e brancos no pleito paulistano, reflexo do desinteresse da população.

Pois que viva a polarização. Se fosse de verdade, o bipartidarismo significaria a maturidade da política local.

Não o bipartidarismo imposto pela ditadura militar a partir de 1966, quando as siglas extintas deram lugar ao MDB e à Arena -dizia-se à época que o primeiro, oposicionista sem dentes, era o partido do "sim" e o segundo, situacionista sem escrúpulos, o do "sim, senhor".

Mas o bipartidarismo que é fruto de anos de democracia consolidada, como existe nos EUA. Ali, desde pelo menos o Congresso de 1877, a política é dominada pelos partidos Democrata e Republicano.

Não são os únicos. Há vários nanicos, quatro deles com candidatos à Presidência na corrida atual: Verde, Libertário, da Constituição e da Justiça. Porém não são levados a sério por não terem chance. E não têm chance porque o sistema político não permite que tenham.

Com isso, os políticos de centro-esquerda e de esquerda se concentram sob o guarda-chuva dos democratas; os de centro-direita e de direita, sob o dos republicanos.

Há centristas em ambas as agremiações. Elas formam duas massas mais ou menos coesas, que costumam votar segundo seu próprio rol de princípios e interesses.

O mesmo deveria ocorrer aqui. Gilberto Kassab e seu recém-criado PSD deveriam estar no partido tucano; Eduardo Campos e seu PSB, com os petistas. O DEM seria a ala mais à direita do PSDB; o PSOL, a mais à esquerda do PT. O PMDB evaporaria, mezzo calabresa, mezzo mozarela. E assim por diante.

Diminuiriam as maracutaias e os acordos pouco republicanos, acabariam as vendas de tempo na TV, as prévias passariam a existir de verdade, os debates ganhariam relevância e ritmo. Por que não acontece? Primeiro, pela legislação brasileira, que carece de reforma.

Depois, porque os caciques dos dois partidos majoritários sufocam jovens lideranças. O PT está renovando seus quadros em São Paulo com Fernando Haddad e Alexandre Padilha, mas à custa do dedaço de Lula. O PSDB vive há anos o psicodrama José Serra-Geraldo Alckmin.

Quem gosta de consenso é juizado de pequenas causas. Só o Fla-Flu partidário nos tirará da infância política. Polarização já.

Uma revolução cultural - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 27/10


O julgamento do mensalão produziu efeitos concretos nas recentes eleições municipais. Dirigentes dos grandes partidos relatam que as campanhas tiveram menos dinheiro e que os doadores tinham grande preocupação com a legalidade. A interpretação do STF, que tratou como crime de lavagem de dinheiro a prática do caixa dois, está sendo equiparada a uma efetiva reforma política.

Segundo turno: a visão do PT

A direção do PT concluiu ontem avaliação sobre seu desempenho no segundo turno. Aposta em 11 vitórias: Niterói (RJ), Vitória da Conquista (BA), Montes Claros (MG), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Maringá (PR), São Paulo, Campinas (SP), Guarulhos (SP), Mauá (SP) e Santo André (SP). Acredita que o PSDB leva em Pelotas (RS) e Taubaté (SP); que o PCdoB ganha em Contagem (MG); o PMDB, em Juiz de Fora (MG); e o PV, em Diadema (SP). Os petistas acham que pode dar qualquer coisa em Salvador (BA) contra o DEM; em Fortaleza (CE) contra o PSB; em Cascavel (PR) contra o PDT; em Ponta Grossa (PR) contra o PPS; e em Rio Branco (AC) contra o PSDB.

“Nós não fomos dizimados.

A oposição está viva. O Aécio Neves mostrou desenvoltura e o Eduardo Campos não
tem alinhamento automático”

Marcus Pestana
Presidente do PSDB de MG e deputado federal

Aliança x adesão
Após brigas no PSOL por apoios aceitos pelos candidatos a prefeito em Belém e Macapá, a direção nacional pautou debate sobre diferenças entre aliança x adesão e reafirmação de propostas x rebaixamento programático.

Os hermanos


O ministro Aldo Rebelo (Esportes) assina contrato com o governo da Argentina, quarta-feira, pelo qual os argentinos vão poder se inscrever no programa brasileiro de voluntários para a Copa do Mundo de 2014.O Brasil vai pagar ajuda de custo
para 100 mil voluntários. Serão assinados acordos semelhantes com Uruguai, Paraguai e Chile.

Para não se indispor com Barbosa
Os juízes federais anteciparam de 21 e 22 de novembro para 7 e 8 paralisação para protestar por desvalorização salarial. Mudaram para evitar briga de cara com o ministro Joaquim Barbosa, que toma posse como presidente do STF dia 22.

Reabilitação no PT

O marqueteiro do candidato Márcio Pochmann a prefeito de Campinas, Valdemir Garreta, reabilitou-se no PT com a campanha considerada vitoriosa, por ter saído de 1% e estar vivo na disputa do segundo turno. Garreta foi um dos idealizadores da infeliz propaganda em que Marta Suplicy, quando candidata a prefeita, pergunta se Gilberto Kassab é casado e tem filhos.

Pressa para quê?

O governo convocou reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, ontem, às 11h, para discutir o apagão. Mas teve que adiá-la para as 14h, porque nem todos os convocados haviam chegado a tempo.

Preocupação com a imagem

O principal dirigente do PSD, o prefeito Gilberto Kassab, está pedindo para o partido ter calma quanto à ocupação de ministério no governo Dilma. Teme que, se o partido aceitar uma pasta periférica, assumirá o carimbo de fisiologismo.
O PSD está orientando sua bancada na Câmara a apoiar o candidato a presidente da Casa que tem o aval do PT e do PMDB: Henrique Alves (RN).

Política e saúde - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 27/10


SÃO PAULO - Democracia é bom e eu gosto. Mas isso não significa que ela não tenha problemas. O fato de governantes se verem obrigados a buscar a chancela da população a cada quatro anos frequentemente conspira contra políticas e investimentos de longo prazo. Não deveria ser assim, mas infelizmente é.
A situação da saúde em São Paulo é um bom exemplo. Todo prefeito que chega já sabe de antemão que não conseguirá resolver os graves problemas estruturais do setor no horizonte de tempo de que dispõe.
Assim, a solução preferida por sucessivas administrações tem sido a de deixar a espinha do sistema mais ou menos como está e lançar novos produtos que permitem aos titulares não só colher frutos de marketing como ainda desvincular seus nomes da ineficiência da máquina antiga. A saúde é uma droga, mas nas XXXs do candidato Y é diferente, diz a propaganda. É assim que proliferaram PAS, AMAs, AMEs, PSF, OS, UPAs.
Se a estratégia faz sentido do ponto de vista do político, é contraproducente para o setor como um todo. Concebidos para funcionar de forma mais ou menos autônoma, esses serviços não se integram tão bem como deveriam ao sistema, resultando em desencontros e baixa resolutividade.
Pior, a fim de fazer com que seus lançamentos sejam um sucesso, prefeitos capricham. Médicos e funcionários são contratados com salários generosos, não faltam equipamentos etc. Isso seria ótimo, se não introduzisse distorções no conjunto, incluindo a autoconcorrência predatória.
As velhas unidades, onde se encontra parte significativa dos serviços vitais, como atendimentos terciários, salas de emergência etc., estão perdendo profissionais para as novas. A fim de não fechar as portas, gestores recorrem a acertos informais e gambiarras nas escalas.
O resultado final é, numa palavra, o caos. Para dar certo, a saúde teria de ser pensada e tratada como questão de Estado, não de gestões.

Sobre apagões - NIVALDE CASTRO e ROBERTO BRANDÃO


O Estado de S.Paulo - 27/10


Com este já são cinco os blecautes de porte médio ou, neste último caso, grande porte no intervalo de um mês. Trata-se de algo fora do comum e que requer atenção.

Uma primeira observação é que o sistema brasileiro tem características únicas. Com muitas hidrelétricas distantes dos centros de consumo, o Brasil tem um sistema de transmissão muito extenso, que permite transportar energia algumas vezes a uma distância de milhares de quilômetros de distância. Mas, se por um lado a extensão do sistema brasileiro constitui uma relativa fragilidade, por outro, a rede de transmissão é planejada para resistir a uma falha em um equipamento qualquer sem que haja sobrecarga e, portanto, interrupção do fornecimento. Mas quando, por qualquer razão, não há redundância no momento em que ocorre uma falha ou quando há um mau funcionamento dos equipamentos de proteção, pode ocorrer o desligamento em cascata de vários equipamentos - é o chamado blecaute.

Uma das linhas de investigação consiste em verificar se os diversos agentes envolvidos estão de fato agindo de forma coordenada. Na Europa, o sistema de transmissão de cada país pertence todo a um único agente que também opera o sistema elétrico. Esse desenho de mercado tem vantagens, pois a coordenação dentro de uma mesma empresa é sempre mais fácil. Já no Brasil, o sistema é operado pelo ONS, mas os equipamentos de transmissão pertencem a diversos agentes. O modelo brasileiro tem sido muito bem-sucedido em baratear o custo de expansão do sistema, através da realização de leilões para novas instalações todos os anos. Mas pode haver problemas com a coordenação, por exemplo, do funcionamento dos sistemas de proteção de equipamentos de diversos donos dentro da mesma subestação.

Outro tema que merece atenção é a necessidade realização de investimentos em modernização nos equipamentos de transmissão mais antigos, que estão prestes a ter suas concessões renovadas por mais 30 anos. Nesse caso, são na maior parte equipamentos já antigos que precisarão, ao longo dos próximos anos, de investimentos consideráveis para que seja possível manter a qualidade do serviço. É importante que as tarifas das concessões renovadas permitam e estimulem não só os reforços, mas também a atualização tecnológica de equipamentos antigos.

A confissão e o jornalista - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 27/10

Era apenas uma sigla: D.F. Assim os argentinos eram mandados para a morte no governo do general Jorge Videla, que durou de 1976 a 1981. Significa na gíria militar disposición final , destino que se dá a uniformes e objetos que não servem mais. Os que recebiam essa sentença (D.F.) desapareciam, alguns corpos foram queimados em fornos.

Qualquer dúvida sobre o caráter nazista do que houve na Argentina durante a ditadura militar acaba no relato objetivo do jornalista Ceferino Reato. Ele conseguiu tirar de Videla, na prisão, a confissão de que entre sete mil e oito mil pessoas foram mortas em seu governo.

O feito jornalístico foi conseguido, segundo Reato, por acaso. Ele estava entrevistando militares presos para um livro sobre os anos 1970 e viu Videla no pátio da prisão. Abordou-o e foi o início de uma entrevista, em várias etapas, de 20 horas.

Entrevistei Reato na Globonews. Ele veio ao Rio participar da Quinzena da Travessa, que promove debates sobre os regimes militares da América Latina. Quando terminou a entrevista, Reato me contou que Videla lhe disse que ele fora o primeiro argentino a lhe pedir entrevista. Não foi casualidade, portanto, mas senso de oportunidade que todo jornalista deve ter.

Videla confessou na primeira conversa que de sete mil a oito mil pessoas foram mortas num plano deliberado. O governo descentralizou a decisão. O país foi dividido em regiões. Em cada uma, os chefes militares tinham autonomia para decretar a pena capital e decidir o destino dos corpos. Videla era consultado nos casos mais graves.

"Nós chegamos ao golpe de 1976 com um consenso entre os militares. Havia que se matar um número grande de pessoas para ganhar a guerra", disse Videla a Reato. O general está convencido de que Deus vai lhe premiar por isso, admitiu que tem uma "dor na alma", mas que não se arrepende e dorme tranquilo. É proibido levar gravador para dentro do presídio. Reato transcrevia anotações e levava na conversa seguinte para Videla ler. Ele fazia pequenas correções ou acréscimos e assinava.

Perguntei ao jornalista como os corpos desapareciam:

- Havia vários métodos. Atirar os corpos no mar ou nos rios. Arremessá-los de avião ou helicópteros. Enterrá-los em lugares clandestinos, em valas comuns ou individuais. Às vezes, cemitérios. Na província de Córdoba, em lugares descampados, fora das cidades. Outros eram queimados em fornos, como se diz que aconteceu na Esma (Escola Superior de Mecânica da Armada), mas também em outros lugares houve fornos gigantescos. E assim os queimavam. Outra forma de eliminação pelo fogo: juntavam-se pneus velhos de veículos e jogava-se o corpo dentro.

O general tem 87 anos. Deve morrer na prisão. Admitiu o roubo de bebês, mas disse que não era o plano inicial. Segundo ele, o caso saiu do controle.

O jornalista acha que o número de 30 mil mortos, estimativa usada normalmente, é uma cifra não comprovada. A lista feita em 1985, na comissão da verdade do governo Raúl Alfonsín, tinha 9 mil pessoas. Um massacre.

- Quando uma casaca militar ou botas não servem mais, na linguagem militar eles passam à "disposição final". São descartadas. Essas pessoas eram similares a coisas - diz Reato.

No aconchego da livraria, ouvia essas atrocidades lembrando do dia em que entrei no gabinete de Videla para entrevistá-lo sobre a briga com o Brasil por Itaipu. Ele, no auge da sua glória. Lembrei de um amigo argentino que, passando em frente à Esma, me disse: "Lá dentro, neste momento, alguém está morrendo." Tempos loucos.

Apaguinhos e apagões - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 27/10


A principal credencial eleitoral pela qual a presidente Dilma foi lançada como candidata à Presidência da República em 2010 foi a de ser então a "Mãe do PAC". Ou seja, foi estar comprometida com o investimento.

No entanto, nestes primeiros dois anos de mandato, a presidente Dilma pareceu mais preocupada em garantir novas vendas de veículos e de geladeiras do que em assegurar o investimento em infraestrutura e logística. A inacreditável série de apagões no sistema nacional de energia elétrica - justamente uma área que se supõe que a antiga ministra de Minas e Energia conhece a fundo, é apenas uma entre muitas indicações dos enormes problemas de investimento na economia.

A Petrobrás é outro caso. Tem um plano de investimentos de nada menos de US$ 236,5 bilhões até 2016 e, no entanto, o governo Dilma insiste em fazer política de preços com o caixa da empresa, o que não apenas enfraquece dramaticamente sua capacidade de investimento, mas desidrata um dos segmentos que eram um dos orgulhos do Brasil: o setor produtor de etanol e açúcar.

Na área de rodovias, não há notícia boa a transmitir. Quinta-feira, o jornal Valor noticiou que só 48,3% de um total de R$ 13,7 bilhões em verbas destinadas a investimentos em estradas federais neste ano haviam sido executados. É o pior desempenho desde 2008. As paralisações têm vários e distintos motivos: atrasos com liberação de certificados ambientais, paralisações impostas pela Justiça, desentendimento com empreiteiras e tal.

Na área das hidrovias, dos portos e aeroportos não é preciso insistir demais. Sabemos o drama que ocorre aí todos os dias. Nas comunicações, foi preciso que, em julho, a Agência Nacional de Telecomunicações decretasse a suspensão de vendas de aparelhos celulares para que as operadoras cuidassem melhor dos programas de expansão.

Até agora o governo Dilma se notabilizou por desconhecer problemas no sistema elétrico. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, por exemplo, vinha justificando tudo com desculpas de que qualquer país está sujeito a ocorrências assim. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, trata os brasileiros como se fossem idiotas, ao insistir que cada episódio desses não passa de um reles "apaguinho". E, no entanto, o Brasil já teve 65 cortes de fornecimento de energia somente em 2012.

Ontem, pela primeira vez no governo Dilma, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann (foto), reconheceu a gravidade da crise no fornecimento de energia. Admitiu que o apagão de ontem "não é normal" e que "essas coincidências são menos ainda".

As falhas não são de mera ausência de manutenção da rede elétrica. São também de coisas estranhas que acontecem nos investimentos. O apagão de ontem foi em rede nova.

No caso, o apagão maior é que tanta responsabilidade importante no País, como a do fornecimento regular de energia elétrica, foi confiada a prebostes de chefões políticos regionais. E, também, que as agências reguladoras já não fazem o que têm de fazer porque seus cargos passaram a atender a prioridades políticas.

Coincidência ou não, um dos focos do apagão de ontem foi o município de Imperatriz, no Maranhão, território político comandado pelo mandachuva José Sarney.

A hora e a vez da política urbana - LUIZ FERNANDO JANOT


O GLOBO - 27/10

Em tempos de globalização, é preocupante assistir ao deslumbramento generalizado com certos modelos de transformação urbana aplicados em algumas cidades da China e dos Emirados Árabes. Cingapura, Xangai, Guangzhou, Dubai e Abu Dhabi representam uma espécie de paraíso urbano sustentado por complexas engrenagens políticas, econômicas e financeiras para atrair grandes empresas e investidores internacionais. São cidades que desprezaram suas referências históricas e abdicaram da sua condição de lugar da alteridade para se constituírem como espaços urbanos genéricos, impessoais e descontextualizados. Apesar dos fortes apelos publicitários, essa tendência ainda não foi capaz de suplantar a diversidade social e cultural que predomina na maioria das cidades ocidentais.

Na medida em que o Rio adquire maior visibilidade nacional e internacional é de se esperar que alguns modelos semelhantes sejam propostos, aleatoriamente, para a renovação urbana de áreas distintas da cidade. É bom frisar que o Rio, por força das suas características peculiares, exige um processo de planejamento urbano que considere não apenas as tendências mundiais, mas, sobretudo, as suas especificidades sociais, econômicas e culturais. Não se pode desprezar a sua bela paisagem natural, cantada em prosa e verso ao longo da história. No entanto, é necessário compreender que essa ambiência urbana tão admirada está restrita a uma parcela ínfima da cidade. Centro, Zona Sul e Barra da Tijuca não podem ser os únicos territórios a concentrar os investimentos modernizadores. O planejamento do Rio deve englobar, também, as suas áreas periféricas onde vivem parcelas significativas da população. Diante dessa complexidade seria ingenuidade imaginar que o poder municipal, sozinho, com os instrumentos que possui, seja capaz de implantar uma política urbana eficaz para enfrentar os grandes desafios que interferem na vida da cidade.

A influência dos municípios vizinhos no planejamento do Rio exige a criação de uma instituição específica para suprir essa lacuna. Caberia a esse órgão estratégico de planejamento a tarefa de elaborar estudos, pesquisas e projetos para solucionar os graves problemas que envolvem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as suas metas prioritárias estariam, entre outras, o planejamento de uma eficiente rede integrada de transportes coletivos diversificados; o desestímulo à ocupação do solo em áreas carentes de infraestrutura; a criação de estratégias para reverter, na origem, a poluição dos rios, canais, lagoas e, especialmente, da Baía de Guanabara; o estudo de novos meios para beneficiar ambientalmente as florestas, os manguezais e os mananciais de água potável; a sistematização da coleta e destinação dos resíduos sólidos e dos produtos recicláveis.

A participação solidária das prefeituras dos municípios do Grande Rio e do Governo do Estado nesse órgão colegiado de planejamento oferecerá o respaldo político necessário para a tomada de decisões conjuntas e a captação de recursos de programas de fomento nacionais e internacionais. O planejamento metropolitano integrado é uma maneira transparente e democrática de tratar questões complexas que envolvem os desígnios de uma ou mais cidades interconectadas. Não há dúvida de que os resultados decorrentes dessa forma de planejamento urbano irão proporcionar melhorias significativas na qualidade de vida do Rio e das demais cidades envolvidas com esse processo.

Até abuso tem limite - KÁTIA ABREU


FOLHA DE SP - 27/10

Equivoca-se quem vê um conflito entre "indígenas" e "agronegócio". É a soberania nacional que está em jogo

Tempo de elogio; tempo de decepção. O elogio preza uma pessoa, uma política, mostrando o quanto ela, por exemplo, está em consonância com a justiça e o Estado de direito. A decepção, por seu lado, intervém quando aquilo que foi digno de elogio se torna objeto de frustação.

O ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Luís Inácio Adams, editou a Portaria 303, normatizando a aplicação do acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF), relativo ao julgamento do caso Raposa Serra do Sol. Tomou uma atitude corajosa para cumprir a lei. Não era -e não é- mais possível conviver com o conflito e com a ausência do Estado de direito.

O ministro, naquela ocasião, chegou a declarar que a portaria remediava um grave problema, o da insegurança jurídica. São palavras suas. Não hesitei, então, em apoiá-lo.

Convém lembrar que já se passaram três longos anos desde que o Supremo julgou o caso da Raposa Serra do Sol, estabelecendo condicionantes que deveriam, doravante, reger todo processo de identificação e demarcação de terras indígenas. Décadas de conflito poderiam, enfim, ser equacionadas, de uma maneira justa para índios e não índios.

Equivoca-se quem pensa que se trata de um conflito entre os "indígenas" e o "agronegócio". A questão é muito mais complexa, por envolver milhares de agricultores familiares e pequenos produtores, além da própria infraestrutura brasileira.

Estão em questão a construção de hidrelétricas, estradas e rodovias, de portos, além da exploração de minérios e a própria presença das Forças Armadas em todo o território nacional.

É a soberania nacional que está em jogo.

Veio, agora, o tempo da decepção. O mesmo órgão que editou a portaria, seguindo as diretrizes do Supremo, depois suspende essa norma, considerada tão necessária. A justificativa é que a portaria será adiada até que o STF julgue os embargos de declaração opostos contra os termos da sua decisão.

Discordo -tais embargos não têm efeito suspensivo, não impedem, portanto, a execução do decidido pelo Supremo.

E o fez sob a pressão. É literalmente estarrecedor observarmos Funai, ONGs indigenistas e movimentos sociais orientando a AGU, ditando que decisões do Supremo não sejam cumpridas.

Observe-se que, quando da publicação do acórdão, o governo o acatou integralmente, o que significa dizer que acolheu as condicionantes, passando a aplicá-lo no Estado de Roraima.

Não posso silenciar diante de tanta contradição e afronta ao Estado de direito.

Se a Funai pensa, por exemplo, que são necessárias mais terras para os indígenas pela ocorrência de explosão demográfica em certa região, nada mais fácil do que comprar terras e distribuí-las.

O que, porém, não pode ocorrer é o desrespeito à lei, com uma verdadeira expropriação de produtores, detentores de títulos de propriedade que remontam a antes da Constituição de 1988.

Eis a situação atual da condição indígena no país. As reservas indígenas perfazem 106.739.926 hectares. A sua população é, segundo o IBGE, constituída de 517.383 indivíduos que vivem nessas reservas. Logo, temos uma média de 206,3 hectares per capita, ou seja, 2.060.000 metros quadrados para cada índio. Isso equivale a 215 campos de futebol para cada um.

Não discuto o mérito, se é pouca ou muita terra. Não discuto desejos, apenas legalidade.

Um dos grandes feitos do governo da presidente Dilma reside na construção de um clima de entendimento e de negociação. Tenho me associado a ela nessas iniciativas que visam o bem-estar maior da nação. A superação de ideias preconcebidas tem sido a sua marca.

A suspensão da portaria 303 pela AGU segue na contramão dessa política, retrocedendo ao clima de conflito e de incerteza.

A insegurança jurídica se generaliza e joga os brasileiros uns contra os outros, ao arrepio do Estado de direito. Pior ainda, contraria os interesses maiores do Brasil e da soberania nacional.

O abuso está transpondo qualquer limite do tolerável.

O Google contra os jornais europeus - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 27/10


Será a guerra? Ou as partes negociarão e chegarão a um acordo? Os dois lados se preparam para o combate, mas receiam iniciar as hostilidades.

Há muita coisa em jogo: a disputa confronta, de um lado, o mecanismo de busca Google, baseado em Mountain View, Califórnia, e, de outro, as editoras de jornais europeus (franceses, italianos e alemães), que acabam de se reunir em Roma para chegar a uma posição comum em face da empresa de Larry Page.

O casus belli é simples. Os editores de imprensa desejam que uma lei obrigue os mecanismos de busca - e, em particular, o Google, que teve um faturamento de US$ 38 bilhões em 2011 e emprega 50 mil pessoas na Califórnia - a pagar um direito (uma espécie de direito autoral) toda vez que colocarem links remetendo a seus sites de informação.

Ante a revolta dos jornais europeus, o Google perdeu as estribeiras e contra-atacou: se essa retribuição for exigida, o Google deixará de remeter para os sites de mídias francesas, italianas ou alemãs. Ora, está claro que os dois contendores não pertencem à mesma categoria. O Google é um peso-pesado e até superpesado. Os jornais europeus, mesmo os maiores, são pesos-galo ou pesos- pluma.

A Alemanha saiu na frente. A questão já é estudada no país há quatro anos e desde setembro, o governo alemão adotou um projeto similar à proposta atual dos jornais europeus. Espera-se para fevereiro uma votação do Parlamento alemão. "Estamos otimistas", dizem representantes do grupo editorial Axel Springer, "mas cautelosos. O Google fez de tudo para fazer nosso projeto gorar." A ministra francesa da Cultura, Aurélie Fillipeti, também já se declarou favorável a uma lei. O Google replicou explicando que as trocas são feitas nos dois sentidos. Os americanos alegam que o Google redireciona a cada mês quatro bilhões de cliques para as páginas de internet da imprensa francesa.

Já foram lançados ataques ao Google no passado. Sem sucesso: em 2006, os editores belgas recorreram à Justiça, argumentando que o Google se apropriava de conteúdo sem autorização. O processo não deu em nada. Em 2009, os italianos também atacaram a empresa americana por "abuso de posição dominante". Fracasso. Eis porque os jornais, que se descrevem como "proletários", se voltam agora para seus governos.

Estas escaramuças demonstram que a imprensa não consegue enfrentar os desafios da modernidade. Ela fez investimentos importantes, mas ainda não encontrou o modelo adequado na internet. Os editores franceses estimam que perderam 1 bilhão em receitas publicitárias entre 2010 e 2011, receitas que foram sugadas para os portais e mecanismos de busca, sobretudo para o Google. Ora, com essa formidável perda de faturamento, as receitas da imprensa online não decolam: elas estacionaram perto de 280 milhões.

Nos dois lados, Google e jornais, há gritos, resmungos, ameaças, mas no fundo, todos gostariam de evitar um conflito que causaria desgastes tanto para os mecanismos de busca como para os jornais. Mas ninguém sabe muito bem o que fazer. Navega-se à vista, ao sabor das ondas, em meio às brumas. Nem Júlio César, nem Clausewitz, nem Napoleão teorizaram sobre esses conflitos de novo tipo. É por isso que todos hesitam, avançam, recuam... / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Eventos como esse não são normais”
Márcio Zimmermann, ministro interino, sobre a sequência de apagões da era Dilma

VITAL DO RÊGO É FAVORITO PARA LÍDER DO GOVERNO
O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que se tem destacado na presidência da CPI mista do Cachoeira, é o preferido pela presidente Dilma Rousseff para exercer a função de líder do governo no Senado. Ela não gosta da atuação do atual líder, senador Eduardo Braga (PMDB-AM) e, a pretexto de promover um “revezamento”, comunicou ao partido o desejo de substituí-lo. Vital do Rêgo ainda será convidado.

PAZ PERDIDA
Dilma tem dito ao PMDB que “era feliz e não sabia”, com Romero Jucá (PMDB-RR) como líder do governo, mas não cogita reconduzi-lo.

CORINGA
Eunício Oliveira (CE) é outro que agradaria a Dilma como líder do governo no Senado, mas o PMDB o prefere como líder da bancada. 

RESERVA TÉCNICA 
O senador Eunício Oliveira também é um dos nomes cogitados pelo PMDB para a presidência do Senado.

UMA DÉCADA
Há exatos dez anos, em 27 de outubro de 2002, Lula era eleito pela primeira vez presidente do Brasil, derrotando o tucano José Serra. 

NO SENADO, CULPA PODE SER DO GABINETE AZARENTO
No Senado, o gabinete nº 1 da ala “Filinto Müller” não dá sorte aos ocupantes. Seu titular, senador Humberto Costa (PT-PE), perdeu no Recife e seu chefe de gabinete, Antonio Soares (PT), ficou em terceiro na disputa pela prefeitura de Barra do Corda (MA), com apenas 64 votos (0,16% do total). O segundo mais votado, do PTdoB, somou 17.790 e o vencedor, Eric Costa (PSC), teve 22.577 (55,8% do total).

PIADA COMUNISTA
O governo cubano autorizou a volta dos que fugiram. Tem o mesmo efeito de pedir ao ladrão que, por favor, devolva o relógio e a carteira. 

VIDENTE
Como no outro apagão, é o caso de perguntar se não é hora de trocar o Chipp – Hermes Chipp, do Operador do Sistema Elétrico. 

LUZ DE VELAS
Pergunta inspirada no Twitter, após a luz voltar: “Cadê Lampião quando o Nordeste mais precisa dele”? 

GLEISI PODE FICAR
Melhoraram as relações da presidente Dilma com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que pode não retomar o mandato de senadora. O objetivo dela era cuidar da candidatura a governadora do Paraná.

BEM-QUERER
Dilma tem dito na intimidade que uma eventual reforma ministerial permitirá que ela se livre de quem não gosta e foi “obrigada” a tolerar no governo. E entre estas pessoas não está a ministra Gleisi Hoffmann.

LOBÃO CONECTADO
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) acompanhou do seu leito no hospital as providências adotadas no apagão, e manteve permanente contato com o seu secretário executivo Márcio Zimmermann, o interino.

É MENTIRA, TERTA?
Lula levou corda à casa do “enforcado”, o candidato petista Nelson Pelegrino em Salvador (BA): do alto do palanque, atacou o rival ACM Neto dizendo que “o povo não merece político mentiroso”.

BELA VISTA
O incêndio na cobertura de dois andares na Lagoa, Rio, revelou como morava bem Sérgio Cortes, secretário de Saúde flagrado com o chefe, governador Sérgio Cabral, na célebre farra de Paris. Com guardanapos amarrados à cabeça, ao lado de Fernando Cavendish (dono da Delta).

BOTA PILHA
O breu de quinta para sexta foi o segundo apagão perto das eleições, para sufoco do Tribunal Superior Eleitoral, que antes do 1º turno acionou equipe de apoio e garantiu que as urnas têm bateria de 12h. 

MERCHAN NA TELA
Noveleiros do Planalto, fãs de Avenida Brasil, estão desapontados com Salve Jorge, que consideram um merchandising do governador Sérgio Cabral. A novela tenta dar cores amenas às favelas ocupadas pelas forças de segurança, que a propaganda chama de “pacificadas”.

MEU MUNDO
O TRE cassou o vereador José Manoel (PMDB), Manu, por infidelidade partidária. Ele é o prefeito eleito de Tatuí (SP), onde nasceu e ainda vota o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal.

PENSANDO BEM...
...até os “postes” de Lula ficaram sem luz em onze Estados e no DF. 

PODER SEM PUDOR
A VIDA PRIVADA É PÚBLICA

Repórter da Manchete, Alexandre Garcia informou certa vez que o presidente João Figueiredo devorava barras de chocolate que escondia numa lata, na cozinha da Granja do Torto. O general acabara de ser operado do coração. Ficou furioso. Ordenou investigação para identificar o auxiliar que vazara a informação e mandou um recado mal-educado ao jornalista, acusando-o de invadir sua privacidade. Alexandre respondeu por carta, argumentando que, ao aceitar ser presidente, ele abriu mão da privacidade. E advertiu que o chocolate fazia mal também ao País, com o risco de entupir outra artéria. Conhecido pelo jeito duro e até truculento, o general Figueiredo teve uma reação inesperada. Em carta a Alexandre - que a guarda até hoje -, ele reconheceu que o jornalista tinha razão.

SÁBADO NOS JORNAIS


- Globo: Mensalão: procurador pede passaporte de condenados
- Folha: Novo apagão atinge 11 Estados
- Estadão: Governo admite falha e não sabe motivo de novo apagão
- Correio: Defesa Civil vê risco em prédios da asa norte
- Estado de Minas: Reféns das cargas perigosas
- Jornal do Commercio: Risco de novos apagões
- Zero Hora: apagão de energia. Apagão de gasolina

sexta-feira, outubro 26, 2012

Fim do Galpão da Quinta - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 26/10


Sérgio Cabral decidiu fechar o presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta.
O governador vai obrigar o concessionário que for administrar o Maracanã a construir um novo presídio no complexo de Gericinó.

Segue...
O presídio foi erguido em 1967, numa antiga garagem de carros do estado, e o último detento famoso que passou por ali foi o cantor Belo.

É que...
No terreno do presídio, ao lado do Jardim Zoológico, surgirão a nova pista de atletismo e a nova piscina de 2016.
Como se sabe, o Estádio Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio de Lamare, ali perto, no Maracanã, serão demolidos.

Eliana voltou
A ministra Eliana Calmon, que botou para quebrar como corregedora nacional de Justiça, no CNJ, substituirá Gilson Dipp, temporariamente, na vice-presidência do STJ.
O ministro está de licença médica.


JOGA FORA NO LIXO
Com a vitória de Eduardo Paes já no primeiro turno, o município do Rio encerrou o processo eleitoral no dia 7 de outubro. Mas, passadas quase três semanas, veja só, mesmo em áreas centrais da cidade, como a Lapa (aqui ao lado) e o Santo Cristo (acima), a propaganda de alguns candidatos ainda emporcalha as fachadas. E o pior: o prefeito dá o mau exemplo. Afinal, muitas das peças de propaganda não retiradas (repare) são do próprio Paes. Francamente.

Vai de van
Camila Pitanga, nossa querida musa, estava entre os passageiros que embarcariam ontem do Rio para Juiz de Fora, pela Trip.
Mas... o voo foi cancelado em cima da hora, e a companhia, acredite, ofereceu uma... van para levar os passageiros até Minas.

No mais
Piada que corre nos escritórios de advocacia em Brasília. Papo entre dois petistas:
— E aí companheiro, tudo bem? — Tudo bem, companheiro! Há quanto tempo...
— Qual é o seu regime?
— O meu é semiaberto! E o seu? — O meu é aberto!...

Roger Vadim brochou
De Jane Fonda em entrevista à revista “Marie Claire”:
— Dormi mais de dez vezes com o meu primeiro marido (o cineasta francês Roger Vadim) até que ele tivesse a primeira ereção. Acabamos nos casando. Há muitas coisas deliciosas para fazer mesmo quando o homem não está com o pênis duro.

Melhor momento...
A atriz de 74 anos vem em novembro ao Brasil participar de um fórum de longevidade e lançar aqui seu livro “Melhor momento”.

De volta à terrinha
Um ônibus lotado de amigos cariocas de Ziraldo se prepara para enfrentar sete horas de estrada rumo à mineira Caratinga.
É que, domingo, a cidade vai festejar os 80 anos do filho lustre.

Aliás...
Quem completa 70 anos hoje é o grande cantor e compositor Milton Nascimento, que, apesar da idade, tem um coração de estudante.

Com quantos postes se faz uma hegemonia - EDUARDO GRAEFF


FOLHA DE SP - 26/10


O crescimento do PT não ameaça a democracia, desde que a oposição faça a sua parte

"DE POSTE em poste, vamos iluminar o Brasil inteiro", disse Lula num comício. Será?



O PT não sai das eleições de passaporte carimbado para a hegemonia, mas sai como principal força política do país, tanto em votos como em reconhecimento da legenda. 

O projeto petista de hegemonia tem elementos perniciosos: estatização da economia, aparelhamento da máquina do governo, controle da mídia, menosprezo pela lei em nome dos objetivos do partido.

Felizmente, também tem limites: mídia e Judiciário independentes, aliados reticentes, alguma oposição articulada, pouco fôlego gerencial e financeiro do Estado para liderar uma economia complexa e internacionalizada.

Já a consolidação do PT como força política não me tira o sono. Ela é um desdobramento da democratização do país. Não entendo democracia sem primado da lei e divisão de poderes, mas tampouco entendo sem ascensão da base da sociedade. Disso Lula e seus companheiros são uma expressão contraditória -"impura", mas vigorosa.

O resultado destas eleições não antecipa o das nacionais, mas mexe no cacife dos principais atores.

Uma vitória em São Paulo reforçará o comando de Lula sobre o PT. Isso pode ser um bônus ou um ônus ao partido, dependendo de como digiram a condenação dos petistas pelo mensalão. Se Lula se enroscar no assunto, o ônus aumenta. Desde que a oposição faça sua parte.

No campo da oposição, Aécio Neves sai fortalecido, não tanto pela votação do PSDB, mas pelo êxito das alianças com o PSB. Êxito ambíguo, já que o crescimento do PSB aumenta a chance de uma candidatura presidencial de Eduardo Campos. São duas hipóteses de alternância no poder, em todo caso.

Se a economia chegar bem em 2014, a reeleição de Dilma Rousseff é mais provável. Além de sorte na conjuntura externa, ela precisará de virtude para domar seu estatismo e pressões corporativas de sua base.

Desse ponto de vista, o pior inimigo do PT pode ser seu próprio projeto de hegemonia ancorado no Estado.

Cara a tapa - TUTTY VASQUES


O Estado de S.Paulo - 26/10


Sem querer decepcionar a imensa torcida para que Joaquim Barbosa finalize logo de uma vez Ricardo Lewandowski com um mata-leão daqueles, devo lembrar ao distinto público do julgamento do mensalão que ministro do STF é como lutador de MMA: fora do octógono - ou do tribunal -, são todos superamigos, quase uma família!

"Nossas divergências não desbordam do plano técnico-jurídico", comentou dia desses o revisor, ainda grogue pela cotovelada na testa que havia tomado com as devidas vênias do relator.

Lewandowski tem apanhado um bocado, mas, que ninguém se iluda, Joaquim sempre foi seu grande parceiro na hora do recreio do colegiado.

O contraditório momentâneo entre eles é parte do espetáculo jurídico na festa da democracia. Imagina o tédio da plateia se só Marcos Valério e José Dirceu apanhassem neste julgamento!

O herói popular Joaquim Barbosa depende em grande parte da combatividade de Ricardo Lewandoski e, justiça seja feita ao anti-herói do mensalão, não se pode acusa-lo de fugir à luta!

Se, como diz Anderson Silva, "não importa o quanto você bate, e sim o quanto aguenta apanhar", o cara também tem lá seu valor.

Tema livre

Já que se discutiu de tudo um pouco - menos os problemas de São Paulo - no debate de quarta-feira, o são-paulino Fernando Haddad perdeu ótima chance de provocar José Serra sobre futebol: "E o seu Palmeiras, hein?!"

Amado mestre

Agora que desistiu mesmo da política, Silvio Berlusconi quer aproveitar o tempo livre para "dar conselhos". As amigas do ex-primeiro ministro italiano estão mesmo precisadas!

Sujeira de rico

Teste em laboratório confirma: piscinão de Ramos tem areia mais limpa que a Praia do Leblon, mas, não demora muito, a nova classe média carioca vai descobrir um monte de porcaria com os ricos da zona sul. O povo aprende rápido!

Nem se compara

Uma coisa não se pode negar: José Dirceu tem muito mais amigos que o ex-senador Demóstenes Torres!

Avenida Brasil

Murilo Benício está mesmo namorando Débora Falabella. Ou seja, a Carminha tinha razão!

De novo

Notícia enguiçada da semana: "Governo prorroga IPI reduzido para carros!"

Pauta homoafetiva

A propósito, quem é o brasileiro identificado apenas como Nene B. que, no mesmo leilão, pagou a bagatela de US$ 3 mil pela virgindade do jovem russo Alexander Atepanov?

Meia-entrada

Se soubessem que o lance mais alto (US$ 780 mil) seria postado por um japonês, os organizadores do leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliorini teriam batido o martelo pela metade do preço para ele! Sem querer acirrar a tensão na Ásia, fizeram um negócio da China com o japonesinho.

Sem medo de crescer - EDITORIAL FOLHA DE SP


Folha de S. Paulo - 26/10


Reaceleração da economia no 2º semestre e em 2013 dirá se o BC exagerou na dose dos incentivos e abriu espaço para um repique na inflação 
Suscita inquietação ver o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, constrangido a reafirmar seu compromisso com o regime de metas de inflação. Foi oportuno, diante da crescente suspeita de leniência do BC, mas serviu também para atestar certa erosão da confiança na autoridade monetária.

Como se sabe, o centro da meta é 4,5%, mas 2011 terminou com inflação de 6,5% e este ano deverá fechar em torno de 5,5%. Combinado com mero 1,5% de avanço no PIB, arma-se o cenário duplamente decepcionante: inflação alta e crescimento medíocre.

Para o BC, os grandes vilões são a recente alta de preços agrícolas, a desvalorização do real (que encarece importados) e o aumento de 14% no salário mínimo em 2012. Essas pressões, de acordo com Tombini, devem arrefecer em 2013.

Os riscos são altos, porém, a começar pela expectativa de recuperação da economia, cujos sinais são evidentes, ainda que não entusiasmantes. Espera-se que o PIB cresça 3,5% anualizados neste segundo semestre. A cifra se repetiria no ano que vem.

Os impactos dessa retomada sobre os preços, no entanto, são incertos. O próprio BC descarta atingir o centro da meta antes de 2014. Seu último relatório de inflação aponta alta pouco superior a 5% ao ano daqui até julho daquele ano.

Mesmo assim, o BC optou por cortar mais uma vez os juros básicos para 7,25% e só então dar o ciclo de reduções por encerrado.

É clara a mudança na conduta. Até recentemente, quando a inflação superava muito o centro da meta, por efeito de choques cambiais ou agrícolas, o BC indicava um novo prazo para o retorno da taxa ao centro do alvo e aumentava os juros para atingir esse objetivo.

A imprecisão é inerente a tais exercícios de previsão. A atitude atual do BC, contudo, ao não deixar claro quando pretende voltar ao centro da meta e ao cortar juros mesmo com projeções de alta, reforça a ideia de que tolera inflação acima de 4,5% por muito tempo.

Não se trata de vociferar que houve abandono do regime de metas. De certo modo, é a própria realidade que ganha contornos insólitos -basta citar a conjunção de baixo crescimento, estagnação na indústria e pleno emprego. O BC brasileiro não está sozinho; os grandes bancos centrais também recorrem a medidas pouco ortodoxas.

Apesar dos atenuantes, o risco inflacionário no Brasil segue alto. Pode-se argumentar que os desvios da meta até agora foram pequenos, mas eles se acumulam na percepção de consumidores e empresas.

Se a economia deslanchar, como se espera, o BC terá sua prova de fogo: demonstrar que os incentivos não foram excessivos e que não sacrificou a estabilidade da moeda no altar do crescimento a qualquer custo erguido pelo Planalto.

Uma inflação de fiéis da balança - MARIA CRISTINA FERNANDES


Valor Econômico - 26/10


Em 2000 as legendas aliadas ao governo Fernando Henrique Cardoso somaram 60% dos votos válidos no primeiro turno. Doze anos depois, os aliados da presidente Dilma Rousseff ultrapassaram os 70% dos votos.

O sucesso dos partidos governistas sob a égide tucana não foram suficientes para manter o PSDB na Presidência da República em 2002. Por mais retumbante que pareça, o desempenho dos aliados petistas este ano também não é garantia da reeleição presidencial em 2014.

São fartas as evidências de que o eleitor da disputa municipal não se subordina às estratégias eleitorais das lideranças partidárias.

Frente aos projetos de poder das legendas - e, contrariando o veredito da toga, todos o têm senão não seriam partidos - há o eleitor que, cada vez mais escolarizado, faz escolhas com crescente independência em relação a caciques políticos de todas as colorações partidárias.

O que eleições municipais revelam é a estruturação das máquinas partidárias para a conquista do voto. Um dos dados mais eloquentes da força dessas máquinas é a eficácia com que convertem candidato lançado em prefeito eleito.

Nas contas de Wanderley Guilherme dos Santos, que coleciona esses dados desde 1946, o PSB foi, de fato, aquele cuja eficácia eleitoral mais cresceu este ano.

Mesmo que o segundo turno lhe seja favorável, a eficácia eleitoral do PSB, no entanto, ainda não foi capaz de dar ao partido uma presença homogênea no país. O partido de Eduardo Campos mantém-se concentrado no Nordeste. Fora da região, elegeu mais de 10% dos municípios apenas em Amapá, Tocantins e Espírito Santo.

As dificuldades que Dilma vai enfrentar, no entanto, não vêm das vicissitudes do PSB, mas da profusão de legendas médias.

O PMDB continua a ostentar o título de partido com o maior número de municípios, mas já começa a ser acossado em sua condição de fiel da balança.

Em 1988, primeira eleição de todos os municípios pós-redemocratização, apenas cinco partidos elegeram mais de 5% dos prefeitos (PMDB, PP, PTB, PFL e PL). Este ano, ainda sem contar o segundo turno, oito legendas já ostentam essa condição (PMDB, PSDB, PT, PSD, PSB, PP, PDT e PTB).

Cada vez mais a aliança com o PMDB é necessária mas não suficiente para os projetos reeleitorais do PT.

Dez partidos já têm mais de 250 prefeituras no país

Ao final deste segundo turno o PT deve se firmar como a única legenda que, além de crescimento contínuo, tem distribuição nacional e presença em pequenos, médios e grandes municípios.

Isso o define como um pólos da disputa nacional, mas não o único. Além de assegurar os pemedebistas, a presidente ainda tem que se ver com a inflação de partidos médios pelo país.

Seu partido e o PMDB formam a única dupla da política nacional com prefeitos em todos os Estados da Federação. Mas a emergência das legendas médias traz o risco de estas passarem a ser fiéis da balança de outros projetos presidenciais. Dos resultados que se concluem neste domingo estes são o de maior valia para 2014.

Vinte anos atrás, ao disputar a terceira eleição de sua história, o PT fez planos de passar de 38 para 200 prefeitos. Calcou suas campanhas na onda do impeachment de Fernando Collor de Mello que havia tomado o país naquele ano de 1992. O partido cresceu mas chegou a um quarto da meta que havia traçado com a eleição de 54 prefeitos.

Se o impeachment, movimento que levou multidões às ruas, não pôde ser capitalizado eleitoralmente, que dirá o mensalão.

A aposta excessiva no julgamento pode explicar o desempenho do PSDB cuja curva de declínio nem o sucesso de 100% nos municípios que disputa nesse segundo turno será capaz de reverter.

Apesar da queda, o PSDB mantém-se como a segunda força municipal a despeito de estar há dez anos fora do poder. É um feito mais do que suficiente para analistas como Fernando Limongi não verem ameaça a sua condição de principal polo de oposição em 2014.

Petistas costumavam atribuir a implantação do segundo turno eleitoral à reação conservadora contra sua chegada ao poder. Viam na maioria arregimentada maquinação contra a perspectiva do partido mudancista chegar ao poder.

Acrescente-se ao petismo o vezo de se resumir a política nacional ao território paulistano e a tese estava pronta. Houvesse segundo turno, Luiza Erundina não teria sido eleita prefeita de São Paulo.

Passaram-se 20 anos desde a primeira eleição municipal em dois turnos. Pela lente paulistana, vê-se agora um segundo turno com chances de evitar que o candidato vitorioso na primeira rodada, mas rejeitado pela maioria, seja eleito prefeito da maior cidade do país. Talvez haja mesmo avanços onde alguns só enxergam conspiração.

Quer ficar - SONIA RACY


O ESTADÃO - 26/10


Cléber Buzatto, do Conselho Indigenista Missionário – que acompanha a situação crítica dos guarani kaiowá no MS–esclarece: não sãoverdadeiros os rumores sobre “suicídio coletivo de índios”, proliferados nas redes sociais nos últimos dias.
De acordo com Buzatto, trata-se de interpretação equivocada de carta escrita pelos indígenas e enviada a Dilma. O termo usado na mensagem, “morte coletiva”, é alusão, segundo ele, à difícil permanência dos índios no território Pyelito Kue/Mbarakay.

Quer ficar 2
Buzatto chama atenção para aleitura adequada. “Eles querem ficar na terra, não morrer”. E pondera: o que pode ter gerado o mal-entendido é a taxa de suicídios entre os guarani kaiowá – uma das mais altas do País.

Da lei
A exe mplo de Luiz Octavio IndiodaCosta–ex-dirigente do Banco Cruzeiro do Sul, preso esta semana em cela comum KátiaRabello, se for condenada a regime fechado pelo STF, terá o mesmo destino.
A presidente do conselho do Banco Rural também não tem curso superior.

A passo de...
“Era só o que faltava.” Assim Serradefiniuontem, aamigos, a presença do livroA Privataria Tucana na final do prêmio Jabuti – na categoria Reportagem.
Cacique do PSDB alfinetou: “Depois da aparente fraude de um jurados, tudo é possível”.

Vento a favor
Marcelo Araujo, secretário de Cultura do Estado, recebeu notícia de Alckmin: o Proac receberá mais R$18 milhões em incentivos. “Pela primeira vez desde que foi criado, ele chegará ao limite estabelecido em lei: 0,2% do ICMS”, comemora.

Vento a favor 2
Porfalar em arrecadação, o número é fresquinho: a do ICMS paulista acumulou R$ 9 bilhões de janeiro a setembro. Crescimento de 6,5%.

Freud explica?
Causou mal estar no Palmeiras (sobretudo em Barcos e MarcosAssunção) adeclaração de Arnaldo Tirone, ontem, que dedicou a Valdivia o título de “joia da coroa”.

Segundo se apurou, ninguém entendeu o que o presidente do clube quis dizer. Até porque o chileno, machucado, não jogará mais este ano.

Menina dos olhos
Para Marta Suplicy, o céu é realmente o limite. O Ministério da Cultura prepara lançamento do CEU das Artes e dos Esportes.
Do que se trata? Centros unificados voltados à população carente, a serem espalhados pelo País.

Alvinegra
Maria de Medeiros, atriz e diretora portuguesa que está em São Paulo a convite da Mostra Internacional de Cinema, ganhou celularbrasileiro que tem como toque... o hino do Corinthians.

“Também recebo, todos os dias, muitas notícias. Estou virando uma expert no clube”, brincou.

Festança
E Marcus Buaiz anda mesmo agitado ultimamente. O ex-CEO da 9ine acaba de fechar parceria com a The Groove Concept.
Vão armar o Paradise Weekend, festival de música eletrônica, nos primeiros quatro dias de novembro. Na Costa do Sauípe.

Direto do debate
Silvio Santos assistiu de casa ao debate entre Haddad e Serra, anteontem, no SBT. Na plateia da emissora estavam suas filhas Re-beca e Renata (na foto). “Ele gosta de acompanhar, não perde um. É muito patriota”, contou Renata. E soltou um “graças a Deus que ele desistiu”, quando lembrada de que o pai já havia investido na carreira política.

Sobre o debate, afirmou à coluna: “Foi bom. Muito disputado e tenso, né?”. Pensou durante alguns segundos, mas preferiu “não opinar” sobre quem se saiu melhor. Já do lado de fora do estúdio, Rebeca concordou: “Tenho minha posição política, mas é melhor guardá-la para mim”.

As duas eram só sorrisos ao final do confronto. Co memoravam a transmissão em horário inédito, às 18h10. “Foi ótimo, porque pegamos um público diferente daquele que fica acordado até tarde”, disse Rebeca.

Terminado o programa, Renata saiu à procura de Haddad. Queria serfotografada ao lado dele, porque os fotógrafos a haviam registrado recebendo Serra. “Elas fazem questão de dar o mesmo tratamento aos dois”, dizia uma assessora. Conseguiu a foto pouco antes de o candidato entrar em seu carro para deixar a emissora.

Sofrendo com crises de rinite alérgica, Haddad precisou recorrer a balas de gengibre antes de entrar no estúdio. Ao chegar à emissora, foi instalado em uma sala recém-pintada. Não deu outra: começou a tossir sem parar. E fez o staff do SBT correr.
Enquanto os convidados eram recebidos no lounge ao lado do Estúdio 2, Roque, veterano assistente de palco de
Silvio Santos, declarava apoio ao tucano. “Vim darum abraço no Serra, sempre tive muita simpatia por ele”.
Quase ninguém percebeu, mas, entre os convidados do PT no estúdio estava o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra.

Ana Estela, mulher de Haddad, desfilava um pingente com a letra H, à semelhança da usada pela campanha petista.
Alckmin chegou ao SBT no final do último bloco do debate. E foi orientado a se sentar na primeira fila, bem ao lado de Ana Estela. O governador fez questão de cumprimentá-la com um aperto de mão.
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, ligou para o coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, pouco depois do fim do confronto. Queria saber o resultado daspesquisas que acabavam de sair do forno.
THAIS ARBEX

Na frente
•Raul Calfat, da Votorantim, recebe hoje, em Miami, o prêmio de CEO do ano na América Latina. Também no evento, da revista Latin Trade, Sebastián Piñera, eleito líder do ano, e Carlos Slim, investidor de 2012.
•Começa hoje o tradicional leilão de cavalos de Ivan Zurita. Em sua Araras natal.
•É hoje o concurso de arte urbana nos morros do Rio, promovido pela Brazil Foundation. No restô O Navegado.
•O CCBB abre, sábado, a mostra coletiva Planos de Fuga.
•AF Hitspilotajantar-homenagem a Jonathan Saunders. Segunda, no Cidade Jardim.
•A Câmara encerrou discussão de três dias sobre o desafio do transporte de cargas no País. Conclusão? A expectativa de crescimento é do século 21; a logística, do século passado.