quarta-feira, outubro 17, 2012

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 17/10


Presença de ensino privado cresce na classe média, afirma estudo
Apesar de a escolaridade da classe média não estar acompanhando o ritmo de aumento da renda, a presença do ensino privado tem se expandido.

Mais de 97% dos municípios do Estado de São Paulo são majoritariamente de classe média. Os dados são de um estudo da Fundação Seade sobre o impacto do crescimento da classe média, a partir dos dados do Censo 2010 e com a classificação proposta pela Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Quanto à escolaridade, ela é bem inferior à observada nos domicílios de classe alta, diz Maria Helena Guimarães de Castro, diretora-executiva da Fundação Seade.

Na classe média (renda domiciliar per capita entre R$ 261 e R$ 914), 60,2% na faixa entre 24 e 59 anos acabaram o ensino fundamental, ante 86% dos de classe alta (renda per capita acima de R$ 914). No ensino superior, enquanto 29,8% dos jovens de 18 a 29 anos de classe alta têm ensino superior completo, nos domicílios de classe média esse percentual não supera os 5%.

"Apesar dessas disparidades, a presença do ensino privado tem crescido muito na nova classe média", segundo Castro. Cerca de 41,6% dos jovens entre 18 e 29 anos frequentam instituições de ensino particular.

Os resultados evidenciam que os serviços privados nas áreas de saúde e educação começam a competir com os públicos, diz.

"A procura pelo ensino privado é menor no ensino médio e bem mais intensa na educação infantil", afirma.

Para a Seade, entre outras ações, o Estado deve favorecer a educação continuada e a oferta de qualificação profissional. "Há forte demanda para cursos técnicos."

NA TERRA DA GAROA
São Paulo foi a cidade brasileira que mais recebeu estrangeiros em 2011. A capital paulista foi a porta de entrada de 26,5% dos turistas internacionais que visitaram o país, segundo pesquisa que será divulgada hoje pelo Ministério do Turismo.

A segunda colocação ficou com o Rio de Janeiro, com 24,9% dos estrangeiros, seguido de Foz do Iguaçu (PR), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Curitiba (PR).

A pesquisa "Caracterização e Dimensionamento do Turismo Internacional do Brasil/2011" foi realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

5,4 MILHÕES

de turistas estrangeiros estiveram no Brasil em 2011

26,5%

visitaram a cidade de São Paulo

PONTUALIDADE EM EXIBIÇÃO
Na última semana, altos executivos de pelo menos cinco grifes sofisticadas de relógios estiveram no Brasil. Entre eles está a Patek Philippe, que fará uma mostra com relógios icônicos e lançamentos em São Paulo.

Entre as peças em exposição estarão relógios cujos preços variam de R$ 43,6 mil a R$ 297 mil, que é o valor do calendário Perpétuo 5940J, destaque da mostra. Os relógios da grife à venda no país também situam-se nessa faixa de preço.

Números, só os que marcam as horas. A Patek é uma empresa familiar que não aborda questões como faturamento, segundo a diretora Laura Ferrai. Informa apenas que produz 50 mil relógios por ano.

"Não estamos vindo nessa onda de interesse pelo Brasil. Estamos aqui desde o começo do século 20. Só a parceria com a H.Stern já tem cerca de 20 anos", diz.

ENTRAVE ARGENTINO
A fabricante brasileira de caminhões, chassis e tratores Agrale teve uma queda de 37,5% em seu faturamento na Argentina entre janeiro e setembro deste ano por causa das medidas protecionistas adotadas pelo país vizinho.

A dificuldade para importar componentes fez com que a planta de Mercedes, na província de Buenos Aires, ficasse cerca de dois meses parada, segundo o presidente da companhia, Hugo Zattera.

O faturamento da empresa na Argentina em 2011 foi de cerca de R$ 165 milhões.

Zattera acredita que as restrições a importações devem ser relaxadas até dezembro e que a queda da receita bruta no país em 2012 ficará em no máximo 25%.

Apesar das dificuldades no exterior, o faturamento total da empresa neste ano deve crescer 10%, puxado pela operação brasileira. Para responder à alta, duas plantas brasileiras da companhia estão sendo ampliadas.

R$ 925 milhões

foi o faturamento total da empresa em 2011

R$ 165 milhões

foi o faturamento aproximado da empresa na Argentina no ano passado

800

chassis por mês são produzidos pela companhia nas plantas do Brasil e da Argentina

2.050

é o número de funcionários

Os inimigos da mídia - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 17/10


Naquelas partes do mundo com as quais a América Latina aspira a se equiparar, a imprensa e os meios de comunicação em geral vivem tempos atribulados. Os modos convencionais de produzir e difundir informações enfrentam, com diferentes resultados, o desafio sem precedentes da revolução tecnológica que criou a internet. A partir daí, como é impossível ignorar, surgiu o fenômeno mundial da blogosfera e das redes sociais, onde o incessante fluxo de notícias - ou o que passa por sê-lo - transformou drasticamente as relações entre a mídia (que, na forma clássica, coleta, organiza, expõe e discute os fatos presumivelmente relevantes para a maioria) e o público (que os consumia com escassa ou nenhuma intervenção no processo). Posto em xeque esse padrão, também o modelo tradicional de negócios do setor busca atalhos para se adaptar à mudança, sob os efeitos agravantes da crise das economias desenvolvidas.

Essa espinhosa realidade já contém problemas suficientes para determinar a agenda de qualquer evento que reúna executivos de empresas de comunicação, jornalistas em postos de comando nas redações, analistas e pesquisadores. Mas nesta parte do mundo, a pauta da imprensa inclui forçosamente a questão política das ameaças à sua liberdade. Eis por que, além dos debates sobre o futuro do jornalismo, como os que se travam em toda parte, a 68.ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), encerrada ontem em São Paulo depois de cinco dias de atividades, concentrou-se em boa medida no que o ex-presidente Fernando Henrique, falando na segunda-feira, chamou "um ressurgimento do pensamento contrário à democracia", que se traduz em crescentes pressões contra a imprensa na região. "Governos democraticamente eleitos", apontou por sua vez o presidente da entidade, Milton Coleman, do Washington Post, "estão tratando de promulgar leis que solapam a liberdade de expressão."

O quadro latino-americano se tornou mais sombrio, portanto. Extintas as ditaduras nascidas de golpes militares - e com a evidente exceção da tirania castrista em Cuba -, líderes que chegaram ao poder pelas urnas adotam políticas deliberadas de cercear o jornalismo independente, enquanto cumulam de benefícios a mídia chapa-branca ou pura e simplesmente estatal. Na Argentina, Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, a pretexto de democratizar o acesso à informação, busca-se institucionalizar o garrote ao redor das organizações noticiosas, a par de outras formas de intimidação, como é o caso da verdadeira guerra de extermínio que a presidente Cristina Kirchner move ao grupo empresarial que edita o Clarín, desde que o mais importante diário argentino cometeu o pecado mortal de opor-se à Casa Rosada no seu confronto com os ruralistas em 2008. É a aplicação do princípio chavista segundo o qual ou o órgão de comunicação se alinha automaticamente com o governo ou é inimigo a ser tratado como tal.

No Brasil, no que dependesse do PT, esse tratamento já estaria em curso, sob o assim chamado "controle social da mídia", a ser exercido por grupos sociais controlados pelo partido. O mais recente rosnado nessa direção, como se sabe, se seguiu à condenação dos grão-mensaleiros por um imaginário conluio entre o Supremo Tribunal Federal e a imprensa conservadora (ou golpista). A mídia não pode ser um partido político, esbravejam os petistas. Se não opera em regime de concessão, pode ser o que queira - e se entenda com o seu público. O Estado, como lembrou o governador Geraldo Alckmin no encontro da SIP, é que não pode ser juiz da imprensa. É o que também parece pensar a presidente Dilma Rousseff, para quem o melhor controle da mídia é o controle remoto em poder das pessoas.

De todo modo, 72% dos diretores de veículos de comunicação no País - ante 67% na média da região, numa pesquisa patrocinada pela SIP - entendem que a liberdade de imprensa "é esporadicamente ameaçada ou coagida"; pelos governos em primeiro lugar, mas também por medidas judiciais (como a que há mais de dois anos impede este jornal de noticiar a investigação da Polícia Federal sobre os negócios da família Sarney) e ainda pelo crime organizado.

Embate marcado - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 17/10

A presidente Dilma e o vice Michel Temer estão quebrando a cabeça para resolver a equação política do Rio. Nesse estado, o PMDB tem sua maior força e quer manter-se no poder em 2014. Mas o PT está apostando na renovação, depois de oito anos de Sérgio Cabral, e na eleição municipal usou suas inserções na TV, na capital e no interior para promover o senador Lindbergh Farias.

Eleições: a política como ela é
O PT apostou suas fichas no carisma do ex-presidente Lula. Por isso, rompeu alianças com o PSB em Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, e deixou de apoiar aliados melhor posicionados em outras cidades. Mas nem o carisma de Lula salvou o PT onde ele fez a opção de marchar sozinho e desprezar os aliados. Já o PSDB imaginou que o mensalão fulminaria de morte os candidatos petistas. O batizado discurso ético não segurou o crescimento do PT nem impediu a redução de votos, de prefeituras e de vereadores da oposição. O tira-teima será em São Paulo. Num canto do ringue, Fernando Haddad, ungido 
por Lula; e, no outro, José Serra, brandindo contra o mensalão.

“O PT tem que tirar lições (do mensalão). Mas não pode aceitar lição de moral de quem não tem moral para dar”
Jorge Viana Senador (PT-AC)

O Senado dormiu e quer pedir água
Senadores estão pedindo reunião com o presidente do STF, Ayres Britto. Querem prorrogar por um ano as regras dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios. O Senado tem prazo até dezembro para aprovar as novas regras.

PSDB na cabeça
O maior líder tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fala sobre a eventual candidatura ao Palácio do Planalto do governador socialista Eduardo Campos (PE) e descarta a possibilidade de apoio dos tucanos: “Seria bom uma aliança ou, no limite, um acordo de segundo turno, mas o PSDB terá candidato próprio.”

Fora da órbita
O PMDB foi avisado que não existe a menor possibilidade de o deputado Gabriel Chalita (SP), apesar do apoio a Fernando Haddad (PT) na eleição em São Paulo, substituir o ministro Aloizio Mercadante no Ministério da Educação.

PT faz o que critica nos aliados
O PT de São Luís decidiu ficar neutro no segundo turno. O candidato apoiado por PSB-PDT-PCdoB, Edivaldo Holanda (PTC), foi colocado no mesmo balaio do prefeito João Castelo (PSDB). Os petistas se curvaram à posição da governadora Roseana Sarney (PMDB). Enquanto isso, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) vai hoje ao Maranhão fazer campanha contra o tucano.

Guerra é guerra
PSB e PMDB pediram ao ex-presidente Lula para não ir a Fortaleza pedir votos para Elmano de Freitas (PT). Argumentaram que isso colocaria fogo na disputa PT x PSB. Mas Lula confirmou que vai ao comício do petista na terça-feira 23.

A cada dia sua agonia
Às vésperas do primeiro turno, quinta-feira (5), o candidato Ratinho Jr. (PSC) pediu o apoio do presidente Lula. Agora que seu adversário no segundo turno é Gustavo Fruet (PDT), ele partiu para o ataque e vai de mensalão para cima do PT.

O VICE Michel Temer relatou à presidente Dilma, ontem, que o ex-senador José Maranhão (PMDB) vai ficar neutro no segundo turno em João Pessoa.

A nova aposentadoria do funcionalismo - CRISTIANO ROMERO


VALOR ECONÔMICO - 17/10

Com a criação da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos (Funpresp), para receber benefício equivalente ao do regime anterior, o funcionário público terá que trabalhar por mais tempo e contribuir com alíquota maior que a prevista no sistema de paridade. Por esse sistema, a União contribuirá para a Funpresp, até o limite de 8,5% do vencimento do servidor, com valor idêntico ao da contribuição dos segurados.

Esta é uma das conclusões de um minucioso e inédito estudo feito pelos economistas Marcelo Abi-Ramia Caetano, Felipe Amaral e Fábio Giambiagi, três especialistas em assuntos previdenciários. O trabalho é um subsídio para a definição das normas que vão regular a Funpresp, bem como para orientação dos futuros participantes do fundo.

A criação do fundo é, sem dúvida, a maior contribuição institucional que o governo Dilma Rousseff deu ao país até agora. A partir dela, a aposentadoria integral deixou de existir no Brasil, embora permaneça em vigor para os funcionários contratados antes da instituição da Funpresp. O fundo regulamenta a reforma previdenciária aprovada em 2003 pelo Congresso.

Se contribuição não superar paridade, benefício será menor

Infelizmente, o estatuto e o regulamento do fundo ainda não foram definidos - a lei que cria a Funpresp foi aprovada em abril e o decreto (7.808) da presidente Dilma que o instituiu é de setembro. Para que o fundo comece a funcionar, é necessário ainda fixar algumas regras.

Pelas normas que passaram a vigora a partir de 2003, o funcionário se aposentava com direito a um benefício definido, equivalente à média dos 80% maiores salários de sua carreira, limitado ao último vencimento. Para ter direito ao benefício, o servidor era obrigado a contribuir com 11% do salário bruto. Nesse sistema, a União era obrigada a recolher o dobro da contribuição do funcionário - 22% - e, na hipótese de haver insuficiência de caixa para pagar o benefício prometido, cobri-lo com recursos do Tesouro.

No novo regime, o funcionário terá direito, como o trabalhador do setor privado, à aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), limitada ao teto, que hoje está em R$ 3.916,20. Com a Funpresp, o governo complementará a aposentadoria dos servidores por meio de um sistema de contribuição definida. Isto significa que, em tese, assegurado o pagamento até o teto do INSS, o risco referente ao valor complementar recairá inteiramente sobre o servidor.

É por essa razão que as decisões futuras sobre participação na Funpresp serão cruciais. No regime de contribuição definida, o valor do benefício previdenciário reflete uma série de variáveis. Algumas delas, como o tempo de contribuição, a alíquota incidente sobre a renda e a composição da carteira dos ativos, são discricionárias, portanto, dependem do participante. Outras, como a taxa de retorno do patrimônio, estão fora do seu poder de decisão. Dependerão de como se comportará a economia brasileira nas próximas décadas.

Utilizando modelo econométrico, Caetano, Amaral e Giambiagi traçaram cenários para estimar o benefício futuro de participantes da Funpresp. No cenário básico, o funcionário ingressa no serviço público aos 25 anos, com vencimento inicial de R$ 8 mil, crescimento salarial de 2% ao ano, contribuição de 8,5% para a Funpresp e aposentadoria aos 60 anos. As premissas são de que a taxa real anual de remuneração dos ativos será de 5% ao ano, equivalente a uma carteira composta de 70% de ativos livres de risco, com rentabilidade de 4% ao ano, e 30% de ativos de renda variável, com retorno médio de 7,3% ao ano e desvio-padrão de 25% ao ano.

As premissas não foram tiradas do vácuo. Elas refletem o desempenho da economia brasileira nas últimas décadas, já levando em conta a queda recente da taxa de juros (Selic).

Os números mostram que, nesse cenário, o funcionário receberia aposentadoria líquida mensal (descontado o Imposto de Renda) de R$ 8.233,75. O valor é 11% inferior ao que ele perceberia se estivesse em vigor o regime anterior (R$ 9.254,38). Os autores do estudo advertem que esse resultado deve ser olhado com precaução. A principal razão é que a manutenção da regra anterior, que praticamente assegurava a aposentadoria integral, seria pouco provável nos próximos anos, dado o impacto negativo que ela provoca nas contas públicas.

Caetano, Amaral e Giambiagi traçaram cenários alternativos. Num deles, o salário inicial do participante é R$ 13 mil. Noutro, o servidor decide pagar alíquota de 11%, em vez de 8,5%, sobre a parcela do salário que exceder o teto do INSS. Outra premissa alternativa é o servidor se aposentar aos 65 anos. Numa última alternativa, aplicar-se-iam 50% dos recursos, e não 30%, em ativos de risco (ações).

Considerando essas premissas, o valor da aposentaria pela Funpresp melhora substancialmente, praticamente igualando-se em alguns casos e superando em outros, sempre quando comparado à regra anterior. Para quem entra no regime com salário de R$ 13 mil, o benefício ficaria um pouco abaixo - R$ 13.792,93, face a R$ 14.214,10. Para quem aumentasse a contribuição para 11%, a aposentadoria seria equivalente: de R$ 9.083,25, diante de R$ 9.254,38. Os que se aposentassem mais tarde receberiam benefício mais alto: R$ 10.611,36, face a R$ 9.882,41. O mesmo ocorreria para os que decidissem adotar um portfólio de investimento mais arriscado - R$ 9.515,45, versus R$ 9.254,38.

O estudo chama a atenção para o caso das mulheres, que mesmo na Funpresp terão direito a condições especiais de aposentadoria, uma falha da lei que criou o fundo. Na simulação feita pelos estudiosos, uma funcionária que se aposentar aos 55 anos terá perda de 21% no valor do benefício, se comparado ao que teria direito na regra antiga (R$ 8.737,63).

Na Funpresp, a conta dos casos especiais será paga por todos os participantes. "Pode-se argumentar que a nova previdência é pior para as mulheres comparativamente à situação pretérita. De modo alternativo, mostra que também é verdadeira a constatação da insuficiência da contribuição feminina no regime anterior para fazer jus ao seu benefício. A conta da baixa idade de aposentadoria - antes paga pelos homens, pelas mulheres das gerações futuras ou pelos que não faziam parte do regime próprio da União - recai agora sobre o próprio participante", diz o estudo.

Esforço adicional - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 17/10


Advogados criminalistas de um modo geral têm demonstrado grande contrariedade com a linha adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Ouve-se a reclamação em toda parte, sejam os advogados defensores ou não dos acusados na ação penal 470. A despeito de toda a consistência de argumentação transmitida ao vivo pela televisão, alegam desrespeito ao "devido processo legal".

Falam em "absurdos" sem apontar precisa e incontestavelmente quais desatinos estariam sendo cometidos. Tampouco conseguem explicar o que esperavam que o STF fizesse diante de todos os atos e fatos presentes nos autos, e pelo relator perfeitamente concatenados.

Subjacente às inflamadas alusões à agressão ao Estado de direito, parece mesmo haver o temor de que o rigor na aplicação da lei torne daqui em diante mais difícil o trabalho das defesas tão acostumadas à supervalorização de formalidades quando o figurino dos réus é o do colarinho branco.

Prova de que esperavam atuar em zona de conforto foi a fragilidade da argumentação apresentada no início do julgamento. Confiantes, os advogados não entraram no jogo à altura do enfrentamento que os esperava.

Para conferir, basta revisar as sustentações orais feitas antes do início da manifestação dos ministros: pífias, notadamente se cotejadas com a substância dos votos que viriam depois.

Nenhum deles exibiu visão do conjunto. Nada que pudesse nem de leve abalar a descrição da montagem do esquema de arrecadação fraudulenta de recursos e da distribuição delituosa entre partidos e políticos com a finalidade de comprar apoio ao governo no Congresso.

Os advogados pecaram por excesso de confiança - seria ofensivo falar em preguiça - e agora reclamam porque o Supremo não caiu na conversa fiada nem se deixou impressionar pela ofensiva mistificadora da dicotomia entre julgamento "técnico" e "político".

Menosprezaram a contundência dos termos com que o tribunal recebeu a denúncia em 2007, perderam tempo em desqualificar o trabalho do Ministério Público e se escoraram na tese do crime eleitoral.

Venderam um peixe deteriorado aos clientes que, se alertados a tempo, provavelmente não teriam ficado tão calados.

Mesmo peso. O Supremo absolveu Duda Mendonça das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas basicamente pelo mesmo motivo que inocentou Fernando Collor em 1994: falhas formais na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral.

Nada a ver com tolerância ao uso do caixa 2.

Joga a chave. O PT tergiversa, fala em lançar um manifesto logo após a eleição, mas está matutando como fazer algo mais para marcar posição contra as condenações.

O que se diz nas "internas" é que o partido não pode assistir calado às prisões de José Dirceu e José Genoino.

Há quem defenda "botar fogo", sem dizer exatamente o que significaria isso.

E há quem nutra a esperança de que a presidente Dilma Rousseff assine o indulto dos prisioneiros, desconsiderando o potencial deflagrador de crise entre Poderes desse gesto.

Zumbi. A CPI do Cachoeira virou um cadáver insepulto sem ter alcançado nenhum de seus objetivos: não foi eficaz como instrumento de vingança contra "os autores da farsa do mensalão" nem revelou os laços do crime organizado com políticos e empresários envolvidos em negócios governamentais ilícitos.

Complicou a vida do governador Marconi Perillo? Sim, e daí?

Daí que só serviu para explicitar o quanto o Congresso, no contraste com o Judiciário, é um vexame completo.

Sinais e ruídos - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 17/10

SÃO PAULO - Nate Silver é um estatístico que ficou famoso ao criar um site de previsões eleitorais que, no pleito de 2008 nos EUA, acertou os resultados da disputa presidencial em 49 dos 50 Estados, além do vencedor das 35 corridas pelo Senado daquele ano. Ele também se saiu bem nas eleições parciais de 2010. Fez tanto sucesso que o "The New York Times" incorporou seu site, o fivethirtyeight.com.

Silver acaba de publicar um livro em que chega perigosamente perto de afirmar que, em muitas áreas, incluindo as ciências sociais, previsões são impossíveis. A obra é "The Signal and the Noise: Why so Many Predictions Fail -but Some Don"t" (o sinal e o ruído: por que tantas previsões falham, mas algumas dão certo).

Silver retoma demonstrações clássicas de que, no agregado, economistas e sociólogos não se saem melhor em seus prognósticos do que macacos brincando de cara ou coroa e tenta destrinchar os motivos desse fracasso. Para fazê-lo, percorre áreas tão distintas como a meteorologia, a previsão de terremotos, a economia, o beisebol, o pôquer, o xadrez e o aquecimento global, além, é claro, da política, tentando separar o joio do trigo, ou melhor, o sinal do ruído.

Para o autor, além do problema da complexidade, que, em maior ou menor grau, afeta a maioria das ciências em que temos dificuldades, boa parte dos especialistas e do público que consome suas informações não compreende bem a incerteza e os conceitos da probabilidade. Confunde veemência com precisão, o que nos coloca em situações difíceis, como foi o caso da crise financeira de 2008.

Silver acredita que, se formos mais humildes, reconhecendo que certas coisas são, de fato, imprevisíveis e tentando aprimorar nossos processos, como fizeram os meteorologistas, conseguiremos nos sair um pouco melhor do que os macacos.

PS - Farei uma resenha mais alentada do livro em minha coluna online de amanhã.

Por que Duda Mendonça foi absolvido? - PEDRO VIEIRA ABRAMOVAY

O GLOBO - 17/10


Duda Mendonça foi absolvido pelo STF. Por quê? Ele recebeu dinheiro no exterior como pagamento de serviços prestados durante a campanha eleitoral. E não declarou esses recursos.

Isso não é crime?

Poderia ser sonegação fiscal. Afinal, ele recebeu uma grande soma de dinheiro e ocultou isso em sua declaração de renda.

Acontece que, se o imposto é pago, o Estado não pode mais punir aquela pessoa.

Duda Mendonça pagou seu imposto assim que o dinheiro foi descoberto. Não podia mais ser processado por sonegação.

Mas o Ministério Público denunciou Duda por dois outros crimes: evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Evasão de divisas acontece quando se mantêm depósitos não declarados no exterior.

Duda manteve depósitos não declarados. Mas o Banco Central determinou, em norma própria, que aqueles que tinham depósitos inferiores a US$ 100 mil em 31 de dezembro de 2003 estavam dispensados de prestar declaração. E, naquele dia, Duda tinha muito menos do que isso em sua conta. Assim, Joaquim Barbosa e outros oito ministros o absolveram desse crime, pois ele agiu de acordo com o determinado pelo BC.

Por fim, resta a denúncia por lavagem de dinheiro. O que é lavagem de dinheiro? É o ato de ocultar ou dissimular a origem de dinheiro proveniente de crime. Para que a pessoa seja condenada é necessário que ela saiba que esse dinheiro está vindo de um crime. Joaquim Barbosa entendeu que Duda deveria ser condenado. Pois ele sabia que esse dinheiro provinha do crime de evasão praticado por Marcos Valério — condenado pelo STF por enviar o dinheiro ao exterior.

Mas a maioria do STF entendeu que Duda deveria ser absolvido da lavagem. Isso porque não se provou que Duda tinha elementos para saber que o dinheiro viria de crime contra o sistema financeiro. Assim, foi absolvido também dessa acusação.

Começou um grande cinquentenário - ELIO GASPARI


O GLOBO - 17/10


Aquele ano glorioso para os Estados Unidos durou 401 dias e se acabou às 12h30 de 22 de novembro de 1963



COMEÇOU ONTEM o cinquentenário de um grande ano de 401 dias. Ele durou da manhã de 16 de outubro de 1962, quando o presidente John Kennedy foi informado de que havia mísseis soviéticos em Cuba, até as 12h30 de 22 de novembro de 1963, quando Lee Oswald apertou o gatilho em Dallas. Período igual a esse só se repetirá em 2039, nos cinquent"anos dos levantes do Leste Europeu.

Na encrenca dos mísseis, produziu-se a crise internacional mais bem documentada da história. Em Dallas, o assassinato mais estudado de todos os tempos. No meio, o mundo esteve a um passo da Terceira Guerra e Martin Luther King contou a uma multidão que tivera um sonho.

Kennedy gravou reuniões e telefonemas na Casa Branca e, com o tempo, recolheram-se preciosos depoimentos de soviéticos. (Os colaboradores do presidente foram instruídos a tirar suas famílias de Washington. Os russos também.)

Nesses 13 dias, Kennedy fechou o momento estelar de sua Presidência. Ele chegou a brincar com Bob: "Agora posso ir ao teatro". (Era uma agourenta referência a Abraham Lincoln, que tomou um tiro na cabeça enquanto assistia a uma comédia.)

Há poucos dias, Leslie Gelb, ex-presidente do Council of Foreign Relations, sustentou que, se Washington tivesse contado ao mundo que, secretamente, aceitara tirar os foguetes americanos da Turquia, os Estados Unidos sairiam da crise sem a auréola que estimularia o estilo Rambo de política externa.

(Em setembro de 1963, o Departamento de Estado produziu uma diretriz para o Brasil, recomendando que, se houvesse um movimento para depor o presidente João Goulart, o novo regime deveria ser reconhecido rapidamente. Dito e feito.)

Kennedy tinha alguma simpatia por Martin Luther King, mas não fez muita fé quando ele lhe disse que planejava uma manifestação aos pés do memorial de Lincoln. Temia que a choldra urinasse no obelisco de Washington. Usou o encontro com King para ameaçá-lo, insinuando que a vida sexual do reverendo estava vigiada. O reverendo fez que não ouviu, e Bob Kennedy acautelou-se, mandando instalar sanitários móveis na Esplanada da capital.

Nessa altura, Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro naval de 23 anos, já comprara um rifle de mira telescópica. Tudo na sua vida dera errado. Decidira matar alguém, tentara assassinar um general direitista e errou o tiro. Às 12h30 de 22 de novembro, pela primeira vez, acertou.


Serviço:

Quem quiser saber tudo e mais alguma coisa sobre o discurso de agosto, está na rede "King"s Dream" (O Sonho de King). Custa US$ 9,99 e conta que ele tinha um texto escrito, mas achou que não animara a plateia. O fecho foi um improviso da alma.

Acaba de sair nos Estados Unidos "The Fourteenth Day" ("O 14º Dia: Kennedy e o Desfecho da Crise dos Mísseis em Cuba"), do historiador David Coleman. Está na rede por US$ 12,99. É médio.

Saiu também "Killing Kennedy" ("Matando Kennedy - O Fim de Camelot"), dos jornalistas Bill O"Reilly e Martin Dugard. É uma boa narrativa dos passos do presidente e de Oswald. Tem a virtude de tangenciar as teorias da conspiração.

Stephen King publicou "11/22/63" ("22 de Novembro de 1963"), um romance com a história de um sujeito que viaja ao passado e chega ao depósito de livros de Dallas às 12h26. Sua conclusão é fascinante. Sai por US$ 9,99.

A economia dirá se o PT vai de Lula ou Dilma - ROSÂNGELA BITTAR


VALOR ECONÔMICO - 17/10


Da mesma forma que se ausentou da 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que representa os meios de comunicação nos quais o PT quer intervir para controlar, a presidente Dilma Rousseff está sendo pressionada por seu partido a também não comparecer à posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal, no dia 22 de novembro. Se aderir à ideia, Dilma fechará, por enquanto, o ciclo de retaliação imediata às instituições que o Partido dos Trabalhadores considera inimigas, por conveniência política do momento, uma vez que tanto uma como outra foram consideradas pelo partido seus aliados de fé em outras épocas recentes.

As reações estão em discussão nas assembleias permanentes do partido e decisões são tomadas na surdina para não afugentar os votos do segundo turno das eleições municipais. Fechadas as urnas, porém, a guerra será mais explícita e ficará consolidado um dos fundamentos da campanha do PT para a sucessão presidencial de 2014.

Há muito o PT tenta estabelecer o controle da imprensa, já fez até uma conferência e projeto dedicados ao assunto, dos quais nunca desistiu mesmo quando não tinha o apoio que a presidente Dilma parece agora não mais lhe negar. É uma obsessão partidária. Com o julgamento do mensalão, o STF foi entronizado pelo PT no centro desse pelotão inimigo.

Não há e não haverá substitutos no comando do PT

Dias atrás, o presidente do Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, compareceu a uma exposição de Caravaggio, no Palácio do Planalto. Mesmo não sendo penetra indesejável, mas o chefe de um Poder aceitando o convite formal do chefe de outro Poder, foi hostilizado. A presidente trancou a cara, Ayres Britto ficou ao lado do advogado-geral da União, Luís Adams, e logo saiu de fininho. O constrangimento foi tamanho - o Palácio não providenciou o cancelamento do convite antes do vexame - que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, aquiesceu em falar à imprensa para docemente justificar o clima. Disse que estavam todos sofrendo muito, "aquilo do outro lado da rua dói muito" (para não falar o nome do STF, agora para ele maldito).

Ayres Britto dará lugar, dentro de um mês, a Joaquim Barbosa na presidência do STF e o presidente da República sempre comparece às solenidades de troca de comando do Poder Judiciário. Em mais de uma reunião o Partido dos Trabalhadores debateu a questão e exigiu da presidente atitude drástica. Se de todo for impossível deixar de ir à posse, até porque o vice presidente da chapa é o considerado amigo Ricardo Lewandowski, pelo menos que novamente tranque a cara para demonstrar seu profundo desprezo.

O PT quer colo eleitoral, político e jurídico, além de uma boa dose de falta de educação, como se vê. E a presidente parece disposta a dar até porque está jogando, neste segundo turno, uma pré-definição de sua candidatura à reeleição, que pretende disputar mais fortalecida dentro do partido.

A cautela e a discrição exibidos nas campanhas petistas de primeiro turno já cederam lugar ao liberou geral. Dilma fez reunião com um grupo grande de ministros do partido na segunda-feira e pediu sua participação no segundo turno. Ontem, Alexandre Padilha, da Saúde, gravou 29 mensagens. Hoje, será a vez de Gilberto Carvalho, e na sequência virão os demais, entre os quais Marta Suplicy, Gleisi Hoffmann, Miriam Belchior, Aloizio Mercadante. Os ministros de outros partidos não se sentem mais vigiados como se sentiam no primeiro turno, quando tinham que prestar contas de suas andanças pelos palanques. O vice-presidente Michel Temer, do PMDB, se postará ao lado de Dilma, especialmente em São Paulo. A presidente organiza sua presença nos palanques de Manaus, Salvador e São Paulo.

Pacotes e medidas de governo que podem desagradar ao eleitorado ou servir de munição aos adversários ficaram suspensos até o fim do segundo turno. A própria Dilma rompeu limites.

Ontem, o Palácio do Planalto foi palco da campanha municipal. Com o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), a presidente Dilma anunciou investimentos do governo federal na capital. O apelo eleitoral claro do evento ficou mais evidente porque acompanhado de tentativa de explicação da ação como sendo de governo, com garantias de que é investimento que não constará do discurso da presidente no comício que fará, segunda-feira próxima, ao lado da candidata apoiada pelo PT na disputa pela Prefeitura de Manaus.

Dilma está jogando sua próprio sorte ao fundir-se, neste fim de campanha municipal, aos interesses do seu partido, sem dar muita bola ao que o ex-presidente Sarney definiu como a liturgia do cargo.

O ex-presidente Lula está no comando da estratégia e, segundo as exegeses políticas que o partido tem feito, seja quando trata das disputas municipais contra seus adversários, seja quando discute reações às condenações do mensalão, saindo derrotado no Supremo e ganhando ou perdendo nas cidades onde se atirou para vencer, já foi decretado no PT que Lula é insubstituível no comando do partido. Será ele o comandante das decisões a serem tomadas pelo PT. Está mandando muito no PT e vai mandar mais ainda, apesar de uma ou outra derrota eleitoral, em função do declínio de José Dirceu, de ter eleito Dilma Rousseff, de ter deixado o governo com alta aprovação popular, de ter superado uma doença como o câncer, enfim, por tudo que fortaleceu seu prestígio nos últimos anos.

Lula já decidiu que Dilma é a candidata à reeleição em 2014, o partido não terá outro nome. Mas o ex-presidente está dando seu aval sem se descuidar da retaguarda. Vem acompanhando o desempenho de Dilma na economia, com lupa, por meio de análises que encomenda. Se a economia não estiver dando respostas satisfatórias e os índices de crescimento não jogarem a presidente para cima, o candidato será ele mesmo, Lula. E não será do PT que vai esperar a eclosão do movimento queremista. Lula será levado de volta ao trono presidencial por empresários, sindicalistas, investidores, funcionários públicos, a direita, o centro, todos, no cenário formulado pelo partido. Os eleitores irão buscar o seu eleito, não o contrário.


Apagão logístico - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 17/10


Uma velha história conta qual foi o resultado de uma sindicância instaurada em algum ponto da França no início do século 19.

Ao passar por uma aldeia, Napoleão Bonaparte ficara indignado porque os sinos da igreja local não repicaram em sua homenagem, como era de praxe. Imediatamente, mandou instaurar um inquérito para apurar responsabilidades. Os mais velhos do lugar se reuniram e apresentaram uma longa exposição de motivos para tentar explicar por que não acontecera o que deveria ter ocorrido.

A lista começava com a informação de que o sacristão estava doente e, sendo assim, se encontrava impedido de cumprir suas funções. E prosseguia: a escada de madeira que dava acesso ao campanário estava deteriorada e nela faltavam alguns degraus; havia cinco anos, a cordinha do sino tinha sido danificada e, dois anos depois, o sino perdera o badalo... A relação se estendia por mais e mais explicações. A última delas era de que não existia mais sino, por impossibilidade de uso, tinha sido removido.

Será mais ou menos o que a Agência Nacional de Aviação Civil vai encontrar no relatório que, dentro de alguns meses, lhe será encaminhado com as razões pelas quais um estouro de um pneu de avião cargueiro na pista de Viracopos paralisou o aeroporto por 46 horas, causou o cancelamento de nada menos que 495 voos, bagunçou a vida pessoal e profissional de cerca de 40 mil passageiros e impôs prejuízos milionários às companhias de aviação.

Se for até às suas últimas consequências, a sindicância acabará concluindo que a administração deste país não se comove com os problemas de infraestrutura pelos quais passa a economia, mesmo tendo de entregar serviços de Primeiro Mundo durante a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A administração atual do Brasil entende que concessões e parcerias com o setor privado não passam de privataria e que tudo o que não é estatal ou não serve ou não presta. É a mesma que segue imaginando que estimular o consumo seja o suficiente para assegurar automaticamente os investimentos do setor privado e o aumento da produção nacional.

O apagão dos aeroportos é somente um dentro de uma lista enorme de apagões de logística que emperrem o avanço da economia. Há os apagões elétricos, das ferrovias, dos metrôs, das rodovias, dos portos e das comunicações (em especial da telefonia). Há o apagão do trânsito das grandes cidades, o da segurança pública, o dos sistemas de saúde e o da educação e do ensino. E há, ainda, o apagão da produção de petróleo e derivados, da Previdência Social, do sistema tributário, os provocados pela poluição do ar e da água, o dos licenciamentos ambientais, o dos marcos regulatórios, o das agências de regulação, o do Judiciário, o apagão da governança pública, o do sistema político - e ninguém deixe de incluir nesta lista o apagão moral.

Eis por que um simples estouro de pneu no aeroporto de melhores condições meteorológicas do País pode provocar um pandemônio. O Brasil vive uma situação em que os serviços públicos operam no limite. Qualquer imprevisto ou qualquer imponderável pode ser suficiente para provocar o colapso de tudo... e a falta de badaladas.

Ueba! Serra, Vampiro de Jesus! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 17/10


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Para tudo! "Dilma muda comício com Haddad por último capítulo de "Avenida Brasil"." É que o Haddad não ganha da Carminha! Grande troca!

E já imaginou a Dilma? "Maaantega, cadê minha TV?". "Quero essa Carminha já em um ministério." "Esse Santiago é um frouxo!". O Santiago vai entrar pro PMDB! Rarará!

Comício adiado! Primeiro, porque não ia ninguém mesmo. E, segundo, porque ela é noveleira mesmo. A Dilma é globete! Rarará!

E o segundo transturno? Cobrir segundo turno é como cobrir partida de pingue-pongue. Escândalo petista X escândalo tucano!

E a grande única novidade é que o Serra virou evangélico de novo. Vampiro de Jesus!

E essa discussão do "kit gay"? Em 2012! KITPARIU! O Irã não é aqui! E fora Malafaia! E o Serra não era assim. Foi o que sobrou, é isso?!

Eu já sei que o PT tem mensalão e que o Serra largou a prefeitura no meio! Agora eu quero saber: quem vai tapar o buraco na frente da minha casa? Seco parece uma estação de metrô. E, quando chove, vira piscina do Sesc! Rarará!

E o Haddad diz que o Serra mobilizou as trevas para atacá-lo! Ué, mas ele não é vampiro? Queria que mobilizasse as irmãs carmelitas? Rarará! E o Haddad continua um teleprompter ambulante! Parece boneco de Olinda. Vampiro de Jesus X Boneco de Olinda! Os maias estão certos! Rarará!

E a nossa Selecinha? Brasil zogou com o Zapão! Ainda bem que ganhamos! Já imaginou levar ferro de japonês? E o Neymar parece um fio de Miojo. Aliás, diz que o Neymar entrou num prato de Miojo pensando que era suruba!

E o Kaká já tá tiozinho! E, ao contrário das piadas, tem um restaurante em São Carlos chamado O Espetão do Japonês! Rarará! No intervalo, os japoneses foram trocar de chip! Mas eu achei esses jogadores japoneses "made in China"! E como se fala gol em japonês? Goro! Mas se for japonês de Barretos é gor mesmo!

E no Brasil tem japonesa loira e bunduda. Eu tenho um amigo americano que ficou pasmo: "Mas aqui no Brasil japonesa é loira e bunduda". E funkeira! E tinha um jogador chamado Kagawa. Kagawa e andava!

E o Mano podia cometer um haraquiri em campo. Um HARAQUIBURRO! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Plano do passado - TASSO AZEVEDO


O GLOBO - 17/10


Está em consulta pública o Plano Decenal de Energia 2021, um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. Produzido pela Empresa de Planejamento Energético, deve ser um olhar para o futuro que orienta a tomada de decisão sobre os investimentos no setor. Mas, a julgar pelo que se vê proposto, o planejamento se dá olhando pelo retrovisor, com foco no passado. Vejamos o exemplo da energia solar, já me desculpando pela numeralha.

A segunda fonte de energia que mais cresce no mundo, tanto em volume como em proporção, é solar, colada na eólica em primeiro lugar. Em 2011, o mundo acrescentou 30 GWh de potência solar instalada atingindo um total de 70 GWh. No mesmo período, o acréscimo de potencial instalado de hidrelétricas foi de 12 GWh.

A Alemanha, com metade da insolação média do Brasil, atingiu 32 GWh de capacidade instalada em 2012 (o que equivale a 30% da capacidade total do Brasil, incluindo todas hidrelétricas). A maior parte desta capacidade está distribuída em mais de 1 milhão de instalações de pequeno porte, utilizando estruturas já existentes como os telhados. Durante a primavera, a energia solar chegou a responder por mais de 50% da energia consumida no meio do dia. Cerca de 85% da geração solar, na Alemanha, aconteceu nos últimos 5 anos a partir de uma meta de atingir 35 GWh em 2015 (no ritmo atual ultrapassará os 45 GW até lá). As projeções para capacidade instalada no mundo em 2016 devem ficar entre 207 e 342 GWh. Para efeito de comparação, a capacidade de todas as hidrelétricas no planeta (construída em várias décadas) é 970 GWh. Já se projeta que os custos da energia solar deverão ser plenamente competitivos, mesmo sem subsídio, entre 2013 e 2016.

O Brasil tem o maior potencial para geração de energia solar do planeta. Apesar disso, o Plano Decenal de Energia 2021 reserva, em 386 páginas, meros três parágrafos para tratar desta fonte e concluir: "Apesar do grande potencial, os custos atuais desta tecnologia são muito elevados e não permitem sua utilização em volume significativo." Não apresenta um único dado, fato ou análise sobre o potencial, custos ou outro elemento para justificar a posição - o que aparece fartamente para justificar os investimentos em grandes hidrelétricas e termoelétricas.

O PNE 2030, o planejamento energético de longo prazo, publicado em 2008, já utilizou dados ultrapassados estimando o potencial instalado de energia solar em 1 GW (quando à época já era de 14GW) e estimou que o custo de instalação competitivo de US$ 1000/Kw seria atingido somente após 2030 e não inclui energia solar no planejamento de longo prazo da matriz energética. Já em 2012, o custo de instalação caiu abaixo de US$ 1000/Kw e mesmo assim o PDE 2021 ignora a energia solar.

É preciso parar de planejar com olho no retrovisor e olhar para a frente, permitindo que o Brasil faça valer o seu abençoado potencial de energias renováveis.

O papel do Estado na sociedade brasileira - ROBERTO GOLDSTAJN


VALOR ECONÔMICO - 17/10

Recentemente fomos premiados com belíssimas palavras de lavra do excelentíssimo senhor doutor ministro Luiz Fux em defesa da ordem social brasileira durante o julgamento do "Mensalão" (Ação Penal nº 470)

Segundo o exmo. ministro Luiz Fux: "A cada desvio do dinheiro público, mais uma criança passa fome, mais uma localidade fica sem saneamento, mais um hospital fica sem leito. Estamos falando de dinheiro público. O dinheiro público é destinado à ciência, saúde e educação."

Dentro desse contexto o ministro chamou a atenção para questões outrora esquecidas, neste caso, os preceitos fundamentais inseridos na Constituição Federal, que estimulam, dentre outros: a) a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; b) o desenvolvimento nacional; c) a redução das desigualdades sociais e regionais; e d) a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Como se vê, o Estado deve zelar pelo progresso do Brasil mediante a adoção de ações positivas e coordenadas que motivem seus cidadãos para cooperarem visando o bem-estar geral.

Ora, de nada adianta a sociedade reclamar da alta (e escorchante) carga tributária, que onera a todos, vez que ao Fisco, cabe arrecadar e fiscalizar a exatidão dos valores pagos ou a serem pagos pelos contribuintes.

Tais valores são destinados à mantença da máquina estatal a qual compete tomar iniciativas para o desenvolvimento do país.

Logo, o cerne da questão gira em torno de como a administração pública tem gerido os recursos arrecadados para atender aos anseios da população.

De fato, em função da ocorrência dos inúmeros escândalos políticos a imagem que se tem da máquina estatal é estar inchada, ser ineficiente e, em certa medida, incapaz de impedir a corrupção, prejudicando, assim, os cidadãos.

Também vale relembrar que a Constituição, no parágrafo único ao artigo 1º dispõe que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".

Deste modo, a sociedade se encontra devidamente legitimada a exigir de seus representantes o cumprimento dos preceitos constitucionais acima descritos mediante a formulação de políticas públicas, dentre elas as fiscais, que garantam a implementação e a eficácia dos objetivos perseguidos na Constituição Federal nos seus preceitos fundamentais.

A título de exemplificação, os setores automobilístico e a linha branca recorreram a essas regras para pleitear a redução da carga tributária a fim de garantir a manutenção de empregos para enfrentar a última grande crise global.

Com isso, referidas atividades industriais se mantiveram aquecidas e contribuíram para minorar os efeitos da crise atual, que, no país, não gerou grandes sustos.

A manutenção de empregos e a redução dos preços - associadas ao alongamento dos prazos de financiamento - com a redução da carga tributária, permitiu que mais pessoas adquirissem veículos automotores e bens da linha branca, garantindo a produção e, com isso, os empregos naqueles setores.

Ocorre que essas medidas pontuais, deixam de levar em conta dois efeitos: a) o aumento do tráfico nas cidades e os congestionamentos daí decorrentes; e b) o fato de que tais bens não tendem a ser consumidos de forma reiterada e constante no curto prazo.

Porém, para que se tenha desenvolvimento sustentável no Brasil, em especial nas regiões mais distantes e carentes, é preciso que haja coordenação das ações entre o poder público e a iniciativa privada, de sorte que a participação de todos os "stakeholders" (agentes sociais interessados), seja estimulada.

Porém, como nem todos se pautam pelos preceitos acima, muitos se voltam para suas necessidades imediatas, adotando políticas expansionistas que podem comprometer o bem-estar de futuras gerações, é preciso evitar que esses efeitos adversos se propaguem.

Que tipo de comportamento esperar da iniciativa privada sem estímulos corretos? Qual a consequência dessas ações?

É preciso promover ações para tornar a comunicação e a educação acessíveis às regiões menos desenvolvidas, sem deixar de lado investimentos por melhores condições de vida e com a preservação do ambiente. Sabe-se que o PIB per capita de 2.304 municípios é menor que R$ 5.000,00 e que 2.857 municípios têm IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - menor do que 0,751.

Equacionar essas diferenças implica aumentar a disponibilidade de mão de obra qualificada e criar postos de trabalho; estimular a oferta e o consumo conscientes; tornar a arrecadação tributária justa; e preservar a qualidade de vida.

Indiscutível e essencial a intervenção do Estado para a concretização desses objetivos. Infelizmente sua atuação, não tem correspondido à expectativa da sociedade em termos de infraestrutura, educação e saúde.

Assim, conclui-se que o Estado ainda tem muito a evoluir na busca pela eficiência da gestão dos recursos públicos, inclusive, em termos de aplicação de sanções por desvio de finalidade para satisfazer os interesses da sociedade.

Bons médicos e o exame do Cremesp - RENATO AZEVEDO JÚNIOR e BRAULIO LUNA FILHO


 FOLHA DE S. PAULO - 17/10


Muitos formandos cometem erros básicos. Todo dia, são dez denúncias contra médicos, a maioria jovens que saíram das escolas com as piores avaliações



No dia 11 de novembro, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promove exame obrigatório para egressos de escolas médicas.

Até o momento, cerca de 2.500 formandos se inscreveram na prova, que tem amplo apoio de dirigentes de cursos, professores e alunos. Além de não ser punitivo, o exame preservará a confidencialidade dos resultados individuais.

Em sete anos de exame voluntário, empregando as melhores tecnologias disponíveis e seguindo modelos validados internacionalmente, o Cremesp avaliou 4.821 alunos de sexto ano de medicina.

O resultado é alarmante: a metade foi reprovada devido a erros em condutas elementares de diagnóstico e tratamento.

Por força de lei, o Cremesp não pode negar o registro profissional ao aluno reprovado, porém agora exigirá a participação no exame para a inscrição no CRM.

A legislação permite ao médico recém-graduado exercer a profissão em qualquer campo da medicina. Praticamente não há reprovação durante o curso e, como agravante, metade dos concluintes não encontra vagas na residência médica, considerada o melhor modelo de especialização.

São insuficientes as avaliações das próprias escolas ao longo da graduação e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) do MEC só fez reduzir temporariamente vagas em alguns poucos cursos de medicina, que logo voltaram à sua carga total nos vestibulares.

O momento é de discutir a qualidade e não só a quantidade de médicos. O número de cursos de medicina no Brasil não para de crescer -já são 198 em 2012, sendo 116 privados, com mensalidades acima de R$ 4.000. As atuais escolas formarão mais de 18 mil novos médicos por ano, sem contar as mais de 2.400 novas vagas anunciadas pelo governo federal. Muitos cursos funcionam sem corpo docente qualificado e sem hospitais-escola para estágio prático dos estudantes.

É preciso frear a deterioração do ensino da medicina. Cada vez mais jovens médicos saem das escolas sem formação, competências e habilidades imprescindíveis. Ao iniciar a vida profissional em prontos-socorros e em unidades públicas, médicos mal formados colocam em risco a saúde daqueles que mais precisam de assistência.

Todos os dias o Cremesp recebe, em média, dez denúncias contra médicos. Um médico é cassado em São Paulo todo mês. São mais de 3.000 processos éticos em andamento, boa parte por erro médico, consequência, entre outros fatores, da má formação. Infelizmente, nos julgamentos, temos assistido a condenação de muitos médicos jovens formados em escolas que obtiveram as piores avaliações.

Antes opcional, o exame sofria boicote de algumas escolas paulistas e de estudantes que temiam pelo resultado negativo. Em visita recente às faculdades, para debater o exame, o Cremesp ressaltou que todos sairão ganhando com a ampliação da avaliação externa e isenta do ensino médico.

O resultado poderá nortear o aprimoramento dos participantes. Governo e dirigentes de escolas conhecerão as deficiências do ensino médico. Conselhos de Medicina e parlamentares terão argumentos para debater a instituição de um exame nacional obrigatório a egressos de cursos de medicina. Por fim, ganha a sociedade, que estará mais segura nas mãos de bons médicos.

CLAUDIO HUMBERTO

“PMDB de Ulysses costurou a anistia e o fim do bipartidarismo”
Senador Renan Calheiros (AL), sobre Ulysses Guimarães, o “Senhor Diretas”


‘BALÃO DE ENSAIO’ DE PAES AFASTA CABRAL DE DILMA
A presidente Dilma desautorizou o “balão de ensaio” do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), que sugeriu Sérgio Cabral em lugar de Michel Temer para vice-presidente, em 2014. Siameses na política, Paes e Cabral combinaram a jogada após o sucesso da ocupação das forças de segurança em áreas controladas por traficantes. Paes sabe que Dilma preferiria até ele a Cabral, que saiu “queimado” do episódio.

PACIFICADOR
Eduardo Paes testemunhou uma bronca de Dilma em Sérgio Cabral a bordo do teleférico do Alemão, há meses, a agora tenta reaproximá-los.

DEVASTADOR
A iniciativa do prefeito do Rio queimou Cabral com tal eficácia que os profissionais da intriga já suspeitam que Paes o fez de caso pensado.

MESMO VICE
O vice-presidente Michel Temer revelou ontem que Dilma, em conversa com ele, descartou a troca de vice, em sua reeleição.

BEM NA FOTO
Tão elegante quanto eficiente no estilo e nas tratativas, último “lorde” da política, Michel Temer conquistou de vez o respeito da presidente. 

MINISTRO PROMETE ‘APERTAR’ A TIM POR MELHORIAS
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) disse ontem a esta coluna que vai mesmo “apertar” a TIM para a efetiva melhoria dos seus serviços ou essa empresa de telefonia celular ficará sujeita a sério corretivo. Paulo Bernardo já havia atuado na suspensão das vendas de novos chips da TIM, mas interrompeu a medida após a empresa assumir compromissos de investimentos, que ainda não surtiram efeito. 

MAIS DO MESMO
Clientes do plano Infinity, da TIM, que pagam pelo número de ligações, não pela duração, ainda se queixam de telefonemas “derrubados”. 

TUFÃO
Dilma, que adiou o comício para Haddad temendo o último capítulo da novela Avenida Brasil, terá que adiar de novo: sábado tem reprise. 

SONÍFERA ILHA
Bem pensado ontem, no Twitter: Cuba será o único país do mundo que não pede visto de entrada, mas de saída. 

JUÍZA DO BRASIL
Vítima de ataques injustos, covardes, pelos seus votos corajosos e independentes no Supremo, a ministra Cármen Lúcia tem dito a pessoas próximas que isso não a abala: “Ou eu julgo de acordo com os autos do processo ou rasgo a toga e vou embora”.

GRAVE DESRESPEITO
Sem ter quem os defenda, estudantes estrangeiros no Brasil sofrem para circular com situação regularizada. O Ministério da Justiça leva 120 dias para expedir a identidade que é válida... por um ano.

DIFERENÇA INJUSTA
Policiais federais retornaram ao trabalho, mas continuam as queixas. Enquanto agentes, escrivães e papiloscopistas ganham salário inicial de R$ 7,5 mil, analistas de seguros privados ou da Ancine e técnicos do Ipea, de nível idêntico, ganham R$ 12,9 mil em início de carreira. 

VOCÊ JÁ SABIA
O jornal argentino Clarín confirmou notícia desta coluna, de que Dilma admite discutir a reincorporação do Paraguai ao Mercosul. Afinal, o objetivo da violência foi alcançado: enfiar a Venezuela no bloco. 

PRIMO RICO
O Brasil vai dar US$ 1 milhão para a organização das eleições locais no Haiti. Mas, segundo o site Haiti News, precisa combinar primeiro com a oposição, cada vez mais insatisfeita com a “ingerência externa”. 

O PASSADO CONDENA
Lula está numa sinuca de bico: o governador Tarso Genro (PT) quer que ele vá a Pelotas ajudar o candidato petista no 2º turno. Num vídeo, há anos, ele foi, digamos, politicamente incorreto com homossexuais. 

ASSÉDIO CURITIBANO
O senador Sérgio Souza (PMDB-PR), suplente de Gleisi Hoffmann (Casa Civil), tem sido assediado para apoiar Gustavo Fruet à Prefeitura de Curitiba. O PMDB apoia Ratinho Jr. (PSC) e Gleisi está com Fruet.

CAOS SULAMÉRICA
Após a morte da avó que pagava seu seguro de saúde Sulamérica, uma cliente de Brasília tenta sem sucesso, há quatro meses, transferir o débito automático para sua própria conta corrente. E não consegue. 

VIRA, VIROU
Três dias fechado para remover avião avariado, Viracopos tem um novo apelido: sai aeroporto “Luiz Inácio”, entra “Viracaos”. 


PODER SEM PUDOR
BRONCA MAL COMPREENDIDA

Locutor da rádio Tabajara, do governo da Paraíba, Pascoal Carrilho transmitia a chegada do presidente Ernesto Geisel a João Pessoa. Ao anunciar o desembarque do general com sua voz engraçada, ouviu-se uma sonora vaia. Enquanto a comitiva descia do avião, ele atacou:

- Acaba de desembarcar o presidente... e esses moleques...

O ênfase em "moleques" soou como um xingamento aos ministros e assessores. Pascoal não pôde concluir a frase: a transmissão foi interrompida. E ele passou boa parte dos anos seguintes tentando explicar que sua bronca era contra a multidão, e não contra o ditador.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Governo só espera eleição para privatizar aeroportos
Folha: Cuba libera saída do país, mas prevê limite a dissidentes
Estadão: STF quer finalizar julgamento do mensalão antes do 2º turno
Correio: Um sequestro a cada 12 horas em Brasília
Valor: Plano abre mercado de ações a pequena e média empresa
Estado de Minas: A vez deles
Zero Hora: Piratini culpa Brasília por perdas de R$ 7 bi

terça-feira, outubro 16, 2012

Marcha do Joaquim - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 16/10


Domingo, ao meio-dia, militantes daquele Movimento 31 de Julho, contra a corrupção, farão uma caminhada da orla do Leblon ao Posto 9, em Ipanema, com máscaras de Joaquim Barbosa e capa preta.

Curumim Ayres
Nestes dias de julgamento do mensalão, nem só Joaquim Barbosa faz sucesso.
Ayres Britto, presidente do STF, é tão querido pelos índios de Roraima, por ter sido relator do processo de demarcação contínua da Reserva Raposa Serra do Sol, em 2009, que um indiozinho da etnia macuxi, de lá, foi batizado com seu nome. O curumim Ayres Britto foi apresentado na OAB-RR em solenidade recente.

Sabe o Mário?
Começaram as gravações de um CD com poemas do genial Mário Lago (1911-2002) musicados por estrelas da MPB como Arnaldo Antunes, Dori Caymmi, Arlindo Cruz, Monarco, Délcio Carvalho, Geraldo Azevedo, Frejat e Lenine.
Terá ainda a participação do cantor Daniel, com a inédita "Presença'"

Maestro de Bethânia
Wagner Tiso é o novo diretor musical de Maria Bethânia.
Ocupará o posto deixado pelo ex-fiel escudeiro da cantora, o maestro Jaime Alem.

Dilma em campanha
Dilma vai a Salvador, sexta, dar uma força ao governador Jaques Wagner na campanha do candidato do PT à prefeitura, Nélson Pelegrino, neste segundo turno.

Prancha fashion

Rico de Souza, o surfista, vai lançar uma grife com seu nome, que será comercializada pela rede de lojas Leader.

MAIS UM HOSPITAL DA MÃE

A Secretaria estadual de Saúde prepara a construção, em São Gonçalo, Grande Rio, de seu segundo Hospital da Mãe (o primeiro fica em Mesquita, na Baixada Fluminense), capaz de realizar 800 partos de baixo e alto risco em um mês, com UTIs materna e neonatal. Veja as reproduções acima. O projeto todo, com os equipamentos, está orçado em R$ 43 milhões. “O hospital pretende suprir a lacuna deixada pelo quase fechamento da maternidade do Hospital Antônio Pedro, em Niterói, que só tem sete leitos de UTI neonatal em uso”, diz o secretário Sérgio Côrtes. A previsão é que seja inaugurado no fim de 2013. Vamos torcer, vamos cobrar.

Xuxinha x Cabralzinho
Ajuíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro, da 6? Vara Cível da Barra, no Rio, condenou Xuxa, a apresentadora, a indenizar em R$ 50 mil o autor dos personagens da "Turma do Cabralzinho” série sobre a História do Brasil.
É acusada de "copiar” os personagens na sua "Turma da Xuxinha''

Chama o Síndico

A disputa na 2? Vara Empresarial do Rio entre Paulinho Guitarra, ex-sócio de Tim Maia, e o filho do saudoso cantor, Carmelo, tem novo round.
Paulinho, como se sabe, acusa a editora de Tim, Seroma, de retirar ilegalmente seu nome da sociedade. Agora, o 22° Tabelionato da Tijuca diz que a assinatura de Paulinho na retirada de seu nome seria... "falsa’!

Caso médico
A ministra Helena Chagas sofreu uma queda e está de tipoia. Passa bem.

Grande hotel
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, lança, quinta, a pedra fundamental do Hotel Grand Mercure Riocentro, no Rio.
Na Copa de 14, o hotel vai receber o pessoal do Centro de Transmissão (IBC).

Efeito pacificaçãoOntem, no primeiro dia após a pacificação, as favelas de Manguinhos e do Jacarezinho, no Rio, foram invadidas por... vendedores da Claro TV e da Sky.

Eu bebo, sim
O rapper americano Pitbull, que tocará sábado no Rio, exigiu para o camarim 48 limões, quatro garrafas de vodka, uma de tequila, duas de rum e, ic!, uma de vinho.
O pidão queria ainda a suíte do Hotel Santa Teresa onde ficou Amy Winehouse. Mas estava ocupada.

Oi, oi, oi
O Flamengo vai mal, não vence faz tempo, mas, até no clube, só se fala em... "Avenida Brasil”
Jorge Rodrigues, candidato à presidência do Fla, pôs dois telões no Monte Líbano, na Lagoa, para quem for ao lançamento de sua candidatura, hoje, não perder a novela-sensação.

Calma, gente I

Um barraco entre bacanas do Jardim Pernambuco, no Leblon, um dos maiores PIBs do Rio, acabou na 14? DP.
Terça passada, a empresária Andrea Braga parou sua picape na Rua Codajás, em frente à casa do advogado Cláudio Kligerman. Quando voltou, sexta, o carro tinha sido rebocado. Segundo Andrea, Kligerman chamou o reboque.

Calma, gente II
Quinta passada, no restaurante Venga, no Leblon, um conhecido advogado deu um tapa na cara da mulher.

Calma, gente III

Domingo, na Travessa do Leblon, uma cliente cismou que um caixa barbudo era muçulmano e bradou: "Não basta a confusão que essa gente faz lá fora e ainda vem para cá trabalhar!'
Que horror...

No mais...
Deve ser terrível morar no Leblon.

Quem matou Max? Foi o OiOiOi! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 16/10


Quem matou o Max foi o ursinho Ted! O Zé Dirceu! O Louro José! Se foi o Tufão, a arma utilizada foi o chifre


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Para tudo! O Brasil só quer saber: "Quem matou Max?". Quem matou o Max? FOI FOI FOI! FOI o OIOIOI! Rarará! Quem matou Max? O ursinho Ted! O Zé Dirceu! O Louro José! Se foi o Tufão, a arma utilizada foi o chifre!

E o Sensacionlista: "Quem matou o Max eu não sei, mas quem matou o Flamengo foi a Patricia Amorim". Foi o cara da barraquinha de crepe! O Max se matou! Por decepção em ser palmeirense! O Max se matou porque era palmeirense e ponto!

Chama o Joaquim Barbosa que ele condena o elenco inteiro: "Foi homicídio coletivo! O Max foi linchado pelo resto do elenco!". Aliás, "Joaquim Barbosa condena" é pleonasmo! E "Avenida Brasil" devia mudar de nome pra Avenida México! Tá um dramalhão. La Madre Lucinda!

A Dilma vai decretar feriado nacional! Bandeira a meio pau! E um amigo no Twitter: "Irã pede paz na Síria e se inocenta da morte de Max". Rarará!

E atenção! Direto do País da Piada Pronta: o Palmeiras jogou no estádio dos Aflitos! Aliás, eles jogaram em estado de aflitos! E contra o Náutico. Que é outra piada pronta! Palmeiras, Barcos, Náutico. Acabou em naufrágio. Titanic Verde!

O novo apelido do Palmeiras é Titanic Verde.

E a pérola do século fica com o Galvão narrando UFC: "Estamos ao vivo de verdade". Ueba! Adorei essa. Agora só acredito quando aparecer escrito na tela; AO VIVO DE VERDADE! Rarará! E a narração do Galvão: "Direita, esquerda, esquerda, direita, acabooooô!". "Chute no saco, pode Arnaldo?" Pode! Chute no saco é o Galvão! Rarará!

UFC, para mim, é violência disfarçada de esporte! Os mascotes deviam ser o Tico e Teco! E sabe qual o coletivo de desesperado? Uma multidão de flamenguistas!

E o Nobel da Paz pra União Europeia? Mas só tem passeata e a polícia descendo o cassetete! E o Nobel de Economia para os Estados Unidos? "Dupla de americanos ganha o Nobel de Economia". Devem ser os únicos que não quebraram. E o Nobel de Literatura vai pro Sarney. Os suecos estavam de fogo!

E o Max se matou. Porque não aguentava mais ouvir aquele

OiOiOi! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Segundo round: Obama x Mitt - ARNALDO JABOR


O GLOBO - 16/10



Hoje, teremos o segundo debate entre Mitt Romney e Obama, em luta pela presidência dos USA. É um dia crucial para todos nós, pelo que pode acontecer ao mundo. As eleições americanas podem mudar nossa vida para melhor ou para muito pior.

A vitória eventual (valha-nos Deus) de um sujeito como Mitt Romney e seu vice colocam no poder tudo de perigoso que a direita tem nos seus "chás envenenados", os tea parties que desejam recolocar a nação no século XVIII, sob o pretexto de voltar a velha religião dos fundadores puritanos. Os republicanos têm o mesmo pavor do mundo moderno que os islamitas e cantam como eles: "Gimme that old time religion..."

E o perigo aumenta depois que Obama teve um mau desempenho no primeiro debate, em parte por narcisismo, pois estava "se achando" e, em parte, por ingenuidade, achando que ideias verdadeiras impressionam os eleitores americanos.

Mitt, bem treinado por sua equipe, despejou um discurso de mentiras com altivez e articulação, com sua cara perfeita para presidente, seu rosto "mix" de Clinton com Kennedy, cabelos grisalhos, olhos úmidos e um sorriso irônico nos lábios, tudo estudado para arrasar Obama, que a seu lado parecia um vendedor de amendoim. Os democratas esqueceram que no discurso político importa muito mais o tom, o ritmo da frase, o sorriso na hora certa, a ênfase de falsas certezas, a beleza do rosto wasp . Mitt parecia um Lula ou um Maluf falando inglês: tudo para a mídia, todas as inverdades ditas com precisão e certeza, diretamente para os 60 milhões de imbecis que elegeram o Bush.

Eu estava nos EUA quando ficou claro que a barra ia pesar. Senti um arrepio quando rolou o caso com a Monica Lewinsky, naquele "boquete" que mudou o mundo - de seus lábios de histérica republicana nascia a vitória de Bush.

A sexualidade foi o ponto de partida. Depois, tivemos o medo careta do Al Gore, que não defendeu Clinton com medo da esposa, tivemos a fraude eleitoral e, em seguida, o 11 de Setembro, que legitimou o Bush como "presidente de guerra".

Arrepiei-me outro dia de novo, durante a convenção democrata, quando notei um rápido tremor de medo, uma súbita sombra que passou no rosto de Michelle Obama enquanto Clinton fazia seu discurso histórico, arrasando os republicanos. Senti que Michelle por um segundo percebeu que o charme infinito, branco e wasp de Clinton poderia eclipsar o marido, sabia que a ajuda de Clinton era excelente e ao mesmo tempo perigosa - poderia relegar Obama a um papel de coadjuvante. Pode ter sido impressão minha, mas confirmou-se no primeiro debate. E talvez se aprofunde no segundo, hoje à noite, quando Mitt resolveu com sua equipe de fascistas inteligentíssimos, como Karl Rove, voltar atrás e bancar o "moderado", negando todas as barbaridades reacionárias que já proferiu. Se bobear, o negão fica de "radical comuna", e ele de "democrata". Vamos ver.

É impressionante: tudo que vivemos hoje começou com Osama bin Laden e seu "lugar-tenente" Bush, que cometeu todos os erros que Osama queria. Osama despertou o espírito guerreiro dos republicanos e provocou um estrago no Ocidente, desde as duas guerras que custaram US$ 3 trilhões, o terrível déficit publico e as sementes da desregulamentação de Wall Street, que provocaram a crise mundial na economia. De certo modo, Osama foi um vencedor e, se Mitt ganhar, ele terá servido sua vingança como um "prato frio".

A nação americana se inflou de novo como sendo o "país excepcional". É como se os republicanos dissessem: "Chega de frescuras de democracia, internacionalismo multilateral, tolerância, bom senso! Vamos botar pra quebrar!"

O que nos choca nisso tudo é a inatualidade do fenômeno. Eles negam a existência do século XX, da ciência, da arte, da política, da filosofia. Negam Marx, Freud, Picasso, renegam Darwin e seus macacos.

E eles encarnam o pensamento dos milhões de idiotas que jazem entre o hambúrguer e o sofá diante da TV, que acham que problemas se raspam, que dissidências se esmagam, que complexidades devem ser achatadas, que o múltiplo tem de virar "um", que tudo tem um princípio, meio e fim. Eles são contra todas as conquistas do pensamento contemporâneo: contra a sexualidade antes do casamento, o aborto, o homossexualismo, acreditam em Adão e Eva, odeiam o plano de saúde de Obama, odeiam tudo que possa contrariar o atávico individualismo americano, para quem os pobres são vagabundos que fracassaram na vida.

Goya fez gravuras de guerra com o nome "Tristes pressentimentos do que há de acontecer". Na minha pequenez, também arrisco profecias:

Se o Mitt for eleito, voltará a grande máquina careta em que todos se encaixam como parafusos obedientes, uma máquina que paralisa o presente num passado eterno, para impedir um futuro que lhes fuja do controle. Os republicanos não têm mais nada a aprender; eles moram na certeza, na eternidade, exatamente como os suicidas de Osama. Como os islamitas, o grande desejo letal, funéreo dos republicanos é a cultura da morte, a destruição de todas as conquistas progressistas dos anos 1960 e 70: liberdade, antirracismo, direitos civis. Querem limpar tudo com o detergente da estupidez.

Estamos às vésperas de uma bruta mudança histórica. Sente-se no ar o desejo inconsciente por uma tragédia que pareça uma "revelação". Sim. Diante de tantos fatos insolúveis, surge a fome por algo que ponha fim ao "incontrolável", a coisa que americano mais odeia. Na direita do Pentágono, isso é visível. Mesmo uma catástrofe atômica no Oriente Médio parecerá uma "verdade" nova.

O Islã jamais aceitará a modernização da globalização, jamais aceitará o "indivíduo", jamais abandonará seu desértico desejo de martírio, e o Ocidente está cada vez mais perto do irracionalismo e da vingança. Com isso, os filhotes de Bush terão completado a obra de sua anomalia mental feita de fanatismo religioso, complexo de Édipo e rancor contra as "elite" que sempre o desprezou. Hoje, não percam: mais um passo para nosso destino.

A guerra negada - CELSO MING


O Estado de S. Paulo - 16/10


Em Tóquio, onde foi realizada a assembleia anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, foi reforçada a polêmica entre o governo brasileiro e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre o impacto das emissões de moeda nos países emergentes. Ficou claro que os grandes bancos centrais não mudarão sua política apenas para atender às queixas do governo brasileiro.

O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, voltou a bater no tambor de que o Fed está fazendo guerra cambial contra os países emergentes. É a acusação repetida de que as emissões agora ilimitadas de moeda, destinadas a ajudar a tirar os Estados Unidos da crise, inundam os mercados com dólares e parte dessa liquidez aflui aos países emergentes, sobretudo ao Brasil, onde produz valorização "artificial" do real e tira competitividade da indústria.

É, com outro nome (tsunami monetário), a mesma denúncia feita pela presidente Dilma Rousseff, tanto no seu encontro, em março, com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, como no seu discurso na ONU, no dia 25 de setembro. Nesse final de semana, Mantega subiu o tom de seu discurso quando declarou que essa é uma "política egoísta" decidida e executada pelo Fed.

Também nesse final de semana e em Tóquio, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, engrossou o mesmo coro. Acusou o Fed de prejudicar o Brasil com sua política e emendou: "Não seremos praça de desvalorização monetária dos outros países".

O presidente do Fed, Ben Bernanke, entendeu que precisaria dar o troco. Rejeitou as acusações e fez as afirmações já esperadas: (1) que essa política se destina a recuperar a economia dos Estados Unidos, atendendo, assim, ao que todos querem, especialmente os países emergentes; e (2) que não há nenhuma evidência de que essa política de salvação global prejudique as economias dos países em desenvolvimento.

Além disso, sugeriu que a enorme liquidez seja aproveitada pelos governos dos emergentes para deixar que suas moedas sejam revalorizadas no mercado (em relação ao dólar). Esse movimento, conclui Bernanke, ajudaria a derrubar a inflação – o que, por sua vez, abriria espaço para maior queda dos juros na economia. Enfim, Bernanke não se mostra comovido com os esperneios das autoridades brasileiras.

Até agora, os números do Banco Central do Brasil não apontam para nenhum sinal de recrudescimento do tsunami monetário a partir do mês passado, quando houve a decisão dos grandes bancos centrais de emitir mais moeda. Mas isso não significa que o afluxo de moeda estrangeira não aconteça. O Fed despejará US$ 40 bilhões por mês. Em algum momento, a enxurrada voltará a transpor as fronteiras do Brasil.

Fica mais do que claro que nem o Fed nem os demais grandes bancos centrais (Banco Central Europeu e Banco do Japão) – que o governo brasileiro envolve no mesmo pacote de queixas – desistirão dessa política de expansão monetária.

Isto posto, o governo brasileiro pode fazer duas coisas: ou voltar a permitir a valorização do real e, assim sendo, usar o câmbio para combater a inflação; ou reforçar suas compras de moeda estrangeira no câmbio interno para evitar seu impacto no comércio.