quinta-feira, outubro 04, 2012

Artilharia eletrônica - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 04/10


Em queda nas pesquisas, Celso Russomanno terá novo teste hoje, último dia do palanque eletrônico. Com o cancelamento do debate da Globo, ganharam importância os comerciais de TV, que trazem risco potencial ao candidato do PRB. Enquanto José Serra e Fernando Haddad poderão usar até 30 inserções por emissora, Russomanno terá menos de um terço disso. Além disso, ataques a ele ficarão sem resposta, pois só suscitarão punição judicial num eventual segundo turno.

Paz e amor A crença de que Serra estará no segundo turno norteou a produção dos comerciais do tucano que vão ao ar hoje. O ex-governador evitará críticas aos adversários e estrelará inserção especial biográfica de 1 minuto no horário nobre.

Intrusos Dada a perspectiva de impunidade, os programas em bloco destinados aos vereadores devem ser invadidos. Os candidatos a prefeito devem aparecer na tela para reforçar o número de urna e apresentar a chapa.

De leve A princípio, a reação de Haddad contra a nota publicada por Edir Macedo em seu blog seria mais enfática. Mas o candidato foi orientado a não dizer nada que parecesse desacato aos evangélicos, para não aumentar a rejeição a ele nesse segmento.

Reduto O novo Datafolha mostra que, além de Serra, quem mais se beneficiou do acentuado declive de Russomanno no centro paulistano foi Gabriel Chalita. O peemedebista ganhou sete pontos em uma semana na região.

Mantra Para alvejar Serra, o ex-tucano Chalita será o mais enfático ao reafirmar, em seus comerciais de hoje, o compromisso de permanecer os quatro anos na prefeitura.

Locomotiva 1 O PT vê operação casada do governo paulista com a campanha de Serra na propaganda institucional do Metrô e da CPTM, veiculada nas principais emissoras de TV na semana que precede a eleição.

Locomotiva 2 Os comerciais destacam a celeridade na construção de novas linhas, contrapondo discurso de Fernando Haddad, que criticou o ritmo das obras nas administrações do PSDB ao dizer que havia "apagão dos transportes" na capital.

Conta... Ministros do STF chamaram de "cortina de fumaça" o argumento de Ricardo Lewandowski para absolver José Genoino, de que o empréstimo do Banco Rural que ele assinou foi quitado.

... outra Colegas afirmam que isso seria relevante para análise de gestão fraudulenta, mas não de corrupção ativa. "O PT distribui dinheiro a partidos e o presidente não sabe?", questiona um deles.

Prontidão Lewandowski pediu para ler seu voto ontem ao saber que Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto acertaram que, após o relator, a sessão seria encerrada. Para colegas, o revisor quis dividir as manchetes com Barbosa.

Feliz Natal Advogados aconselharam os réus do mensalão a ficarem calmos, porque, mesmo condenados, os eventuais mandados de prisão só serão expedidos depois das festas de fim de ano.

E agora... Apesar de apostarem que Dias Toffoli absolverá José Dirceu, advogados apontam precedente aberto pelo ministro na ação penal 481, da qual foi relator, e que poderia ser aplicado ao ex-ministro da Casa Civil.

... José? Ao condenar o deputado Asdrúbal Mendes (PMDB-PA) por esterilização cirúrgica irregular, Toffoli disse que indícios bastam para condenar por corrupção, já que o crime permite que os autores, por "falta de suficiente lastro probatório, escapem pelos desvãos".

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"O bispo Macedo não fez uma profissão de fé, mas uma confissão de culpa. O desespero trouxe à tona o padrinho de Russomanno."

DO PRESIDENTE DO PT PAULISTANO, ANTONIO DONATO, sobre o líder da Igreja Universal ter utilizado texto de seu blog para criticar Fernando Haddad (PT).

contraponto

Sapo de fora não chia

Durante debate entre candidatos a vereador realizado pela Folha anteontem, Luiza Eluf (PMDB) criticou a nomeação de ex-prefeitos do interior para subprefeituras da capital durante a gestão de José Serra (PSDB).

Andrea Matarazzo (PSDB), que era secretário de subprefeituras à época, pediu aparte para dizer que, para ser subprefeito era necessário ter perfil técnico adequado e competência, não importando a origem. Como a candidata continuou fazendo críticas, o tucano atalhou:

-Então, pelo seu raciocínio, o brasileiro Carlos Ghosn não pode ser presidente da Renault-Nissan!

A sorte está lançada - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 04/10

Especialistas em pesquisa, após analisar os últimos números dos institutos Ibope e Datafolha, avaliam que o resultado da eleição para a prefeitura de São Paulo é imprevisível. Dizem que "pode acontecer de tudo". Tucanos, ligados ao governador Geraldo Alckmin, dizem que a eleição "está em aberto" e passaram a considerar a hipótese de um segundo turno entre Serra e Haddad.

Ministros defendem mudanças
Os ministros Brizola Neto (Trabalho) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades) garantiram ontem que as mudanças nas regras para uso do dinheiro do FGTS no programa Minha Casa Minha Vida não afetam a perenidade e o crescimento do patrimônio do Fundo. Ribeiro argumentou que "o programa gera 863 mil empregos a cada ano e que este incentivo ao emprego formal retroalimenta o FGTS". Brizola explicou que a rentabilidade do Fundo está garantida, pois gera rendimento superior ao que é garantido aos trabalhadores (TR mais 3%). E justificou: "Não há prejuízo para o trabalhador, o dinheiro vai para a economia real e ainda cumpre destinação social."

“Esta eleição é uma salada de frutas. É uma aliança diferente em cada lugar. Aqui é o broche 11 (PP), ali, o 15 (PMDB); e lá, o 13 (PT)... É um inferno!” 
Francisco Dornelles Presidente do PP e senador (RJ)

Dinheiro pinta até pela internet
A campanha de Marcelo Freixo (PSOL) no Rio bateu o recorde nacional em arrecadação financeira pela internet: R$ 177 mil captados em 1.807 doações. Em 2010, Dilma Rousseff conseguiu R$ 174 mil, e Marina Silva, R$ 167 mil.

A dama de vermelho
Na reta final das eleições, a presidente Dilma adotou o vermelho nas suas aparições. É a cor do PT. Ela trajou diferentes blusas vermelhas nesta semana. Na segunda-feira, na solenidade e no comício em São Paulo; no dia seguinte, no Peru; e ontem, na sanção da MP do Brasil Carinhoso e no comício em Belo Horizonte.

Na corrida ao Palácio Bandeirantes
No comício de Fernando Haddad, anteontem, em São Paulo, os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Marta Suplicy (Cultura) falaram, mas em seus discursos não fizeram referência um ao outro. Os dois são candidatos a governador.

Dilma quer evitar saia-justa
A presidente Dilma embarca às 6h de domingo para votar em Porto Alegre e retorna em seguida para Brasília. Ocorre que Adão Villaverde é candidato pelo PT, ela gosta de Manuela D´Ávila (PCdoB) e é amiga do prefeito José Fortunati (PDT). À noite, Dilma conversa, por telefone, com o ex-presidente Lula para avaliar as eleições e traçar a estratégia para o segundo turno.

A volta por cima
Vetado para ocupar um cargo no governo Dilma, pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), o ex-governador Orlando Pessutti (PMDB) é o coordenador da campanha de Ratinho Junior (PSC), que lidera a disputa em Curitiba.

De olho nas urnas
O Planalto está monitorando as eleições nas 150 maiores cidades. A presidente Dilma recebe informes praticamente diários e já fez várias reuniões para discutir os potenciais resultados do PT, dos partidos da base e da oposição.

JOAQUIM BARBOSA pedia sua condenação, e Delúbio Soares no Twitter: "Projeto Tamar busca marca de 15 milhões de filhotes salvos na temporada."

Deduzir as deduções - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10


O que se pode esperar é que os ministros debatam mais as deduções, a que nem todos aderiram



CARANDIRU, ANIVERSÁRIO de 20 anos: sem julgamento. Mensalão do PSDB em Minas: 14 anos, sem julgamento. Não é preciso seguir com exemplos para perguntar: isso é Justiça? A instituição que assim se comporta deve mesmo ser chamada de Judiciário?

E não bastam os sete anos para enfim ocorrer o atual julgamento no Supremo Tribunal Federal, ou quantos anos ainda serão necessários para o encerramento dessa história?

A decisão do deputado Valdemar Costa Neto de reclamar em corte internacional o direito de recurso contra sua condenação, já que o STF o condena como primeira e como última instância, abre uma fila que apenas não está anunciada por outros réus e seus advogados.

Talvez por haver mais de uma possibilidade e faltar escolha definida entre elas. Não por falta da deliberação de buscar outro exame para vários dos já condenados.

E, pode-se presumir, também para futuros.

O caso de Valdemar Costa Neto é bastante ilustrativo. Está condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Práticas implícitas no recebimento de dinheiro para o que a maioria do Supremo considerou compra, pelo PT, de apoio na Câmara para o governo Lula.

O deputado reconhece não ser inocente, mas atribui a condenação a motivo errado.

Tem um argumento que o Supremo, de fato, desconheceu: votou contra o governo e até apresentou emenda contrária ao projeto originário do Planalto para modificações na Previdência.

Votação e emenda comprováveis, uma e outra contradizendo a venda de voto ou apoio em que se fundou a condenação.

O recebimento de R$ 8,8 milhões, cujo destino Valdemar Costa Neto jamais esclareceu, não comporta dúvida. Está configurado no processo.

Mas a finalidade de compra de apoio, do próprio deputado ou de todo o seu partido (PL à época, hoje PR), foi estabelecida por dedução do procurador-geral da República, depois adotada pelo ministro relator Joaquim Barbosa e, por fim, aceita pela maioria do tribunal.

O recurso a deduções foi tão numeroso, em relação a tantos réus e acusações, que os ministros Luiz Fux, Ayres Britto e Celso de Mello fizeram frequentes explanações com o propósito de legitimá-lo judicialmente.

Com isso deixaram, porém, o que parece ser a via principal em exame por parte de defensores, para a busca de recursos ao STF mesmo ou uma corte internacional.

A julgar pelo visto ontem, na iniciada acusação do relator Joaquim Barbosa aos que considere corruptores, a proliferação de deduções vai continuar. Ou aumentar.

Margem mais farta, portanto, para a busca de recursos, a cada um correspondendo a suspensão dos respectivos julgamento e sentença.

A esta altura, a impressionante tecitura feita pelo relator Joaquim Barbosa não tem como apresentar mais provas do que as reunidas.

O que se pode esperar é que os ministros debatam mais as deduções, a que nem todos aderiram. Até porque o eventual êxito de recurso atingiria o conceito do julgamento e do tribunal.

A liberdade do Google é a nossa liberdade - EUGÊNIO BUCCI


O Estado de S.Paulo - 04/10


Mais uma vez, uma irracionalidade vem ganhando ares de verdade no Brasil. Fruto, talvez, da polarização abrutalhada do debate público, essa nova irracionalidade traz um potencial destrutivo considerável. Podemos resumi-la numa frase curta: "A defesa da liberdade de imprensa é coisa da direita, é uma agenda patronal". Trata-se de uma proposição absurda, irrefutavelmente absurda, tanto quanto esta outra, muito difundida na seara da direita, segundo a qual "essa conversa de direitos humanos só serve para proteger bandidos". Mesmo assim, esse absurdo comove pequenas multidões.

Nesse caldo de cultura marcado pela animosidade, a censura judicial encontra uma estrada aberta, desimpedida, e cresce. "É o de menos", dizem uns. Outros até comemoram: "Finalmente a grande imprensa vem tendo o que merece". Foi assim no dia 31 de julho de 2009, quando este jornal foi proibido pela Justiça de veicular informações sobre a Operação Boi Barrica, então conduzida pela Polícia Federal. Logo apareceu quem argumentasse que a violência da medida judicial não constituía censura, que não se podia exagerar, que o episódio não era grave. Já se conheciam, naquele ano, algo como 40 decisões judiciais impondo proibições prévias a blogs e jornais de médio ou de pequeno porte, mas nem isso estimulou os indiferentes a abandonarem a indiferença. Como resultado, o quadro piorou.

Desde então a mentalidade censória só fez recrudescer. Em 2010 um juiz eleitoral do Tocantins, Liberato Póvoa, proibiu 84 veículos de comunicação de diversos Estados de publicar informações sobre irregularidades no governo de Carlos Gaguim (PMDB) - que, não nos esqueçamos, era candidato à reeleição. A decisão de Póvoa foi modificada logo em seguida, mas serviu para ridicularizar a liberdade de imprensa. De novo, os que achavam e continuam achando que falar de liberdade de imprensa é coisa de direita não se abalaram.

Agora em setembro, em Macapá, outro juiz eleitoral mandou que fosse suprimido do blog do jornalista João Bosco Rabello, no portal Estadão.com.br, uma nota informando que um dos candidatos à prefeitura respondia a ações penais. Outra vez a liberdade de imprensa saiu desmoralizada. E a moda se alastra. A esta altura, já são dezenas de processos, no Brasil inteiro, em que candidatos a cargos municipais suplicam ao Judiciário que vete todas as notícias que lhes desagradam.

Há pouco mais de uma semana, em Mato Grosso do Sul, o juiz eleitoral Flávio Saad Peron determinou que o Google retirasse do YouTube um vídeo que criticava o candidato do PP à prefeitura de Campo Grande. Como não foi obedecido no prazo de 24 horas, ordenou a prisão do executivo Fabio Coelho, diretor-geral do Google no Brasil. Coelho chegou a ser detido no dia 26 de setembro e só foi libertado porque o mesmo magistrado que mandara encarcerá-lo mudou de ideia e, convencido de que o crime era de "menor potencial ofensivo", expediu o alvará de soltura.

Passado o desgaste, o saldo é um só: em Campo Grande quem levou a melhor foi o candidato do PP, pois o vídeo que ele queria vetar foi efetivamente banido do YouTube. A censura venceu e, atenção, quem mais perdeu não foi o Google. O gigante da internet enfrenta pendengas semelhantes em 28 países, mas segue a todo o vapor, incólume. Quem perdeu foi o eleitor. A liberdade do Google, nesse caso, não é a liberdade privada de uma empresa: é a nossa liberdade, é o nosso direito de ter acesso à informação. Se queremos defender o direito à informação, precisamos defender a liberdade do Google.

Por certo, ninguém aqui vai argumentar que o diretor do Google agiria bem se descumprisse a ordem do juiz. Na democracia, ordens judiciais devem ser obedecidas. Mas, com a mesma legitimidade, podem também ser questionadas na própria Justiça, como o próprio Google tenta fazer. A batalha jurídica é necessária. Só ela, porém, não basta. Para superar a mentalidade autoritária, que vem aumentando, precisamos superar também o equívoco de acreditar que "a bandeira da liberdade de imprensa é uma agenda da direita". O jornal Folha de S.Paulo, na sexta-feira passada, afirmou em editorial que "a maior ameaça à liberdade e expressão no Brasil, hoje, parte do Judiciário". É isso mesmo, o editorial tem razão, mas falta dizer que essa ameaça conta com o apoio silencioso (e confortável) de lideranças políticas - algumas das quais, aliás, se vêm beneficiando das mordaças judiciais.

A liberdade de imprensa está longe de ser um consenso entre nós. O Brasil unificou-se para derrotar a inflação, assim como agora se articula para combater a pobreza, mas não enxerga na liberdade de imprensa um direito fundamental de todos, independentemente da preferência ideológica de cada um. Mais um pouco e correremos o risco de ter o Poder Judiciário exercendo as funções de editar jornais e sites. Será possível estancar essa onda censória?

A resposta passa pelo Supremo e pelo Poder Legislativo, mas, no principal, depende dos agentes políticos. Do primeiro se espera uma decisão que faça valer para todo o Judiciário o que foi definido com total clareza, em 2009, no acórdão assinado por Carlos Ayres Britto pondo fim à velha Lei de Imprensa. "A crítica jornalística", escreveu ele, "não é aprioristicamente suscetível de censura, mesmo que legislativa ou judicialmente intentada". Do segundo se espera que o Marco Civil da Internet tramite na direção certa, reafirmando a liberdade - que, vale reforçar, é a liberdade da sociedade, não das empresas.

Acima disso, por fim, cabe às lideranças políticas a tarefa de sepultar a crença obscurantista de que a liberdade só interessa à burguesia. Já é tempo de saber que a nossa liberdade somente encontra espaço para prosperar quando a gente se empenha em expandir a liberdade do outro. A liberdade de imprensa não é um privilégio de jornalistas ou dos meios de comunicação: é um direito de todos nós.

MEIO TERMO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 04/10


Se condenado no processo do mensalão, José Dirceu não deve cumprir pena em regime fechado. O cálculo é de um dos mais rigorosos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Acusado de dois crimes, o ex-ministro deve ser condenado no máximo ao regime semiaberto.

É ELE
É Luiz Fux, e não o ministro Joaquim Barbosa, o alvo principal da raiva de Lula e de réus do mensalão. Antes de ser indicado ministro, Fux fez um périplo por gabinetes de Brasília e escritórios de São Paulo. Mas Lula tinha restrições a ele. Disse a vários interlocutores achar estranho que um magistrado fosse apoiado tanto por Delfim Netto quanto por João Pedro Stédile, do MST.

É ELE 2
O aval decisivo à indicação de Fux veio de Antonio Palocci, então poderoso ministro do governo Dilma Rousseff. Réus do mensalão, na época, não se opuseram. Mas hoje se dizem surpresos: no julgamento, o ministro segue na íntegra os votos de Barbosa, condenando praticamente todos os acusados.

BOA FORMA
Idosos que aderiram ao programa da ANS (Agência Nacional de Saúde) que dá bônus na mensalidade de planos de saúde a pacientes que deixam de fumar e passam a se exercitar já mostra resultados. Pesquisa entre os 1,2 milhão que aderiram à ideia mostra que a internação entre eles caiu 70%; 67% conseguiram deixar o cigarro e 62% perderam peso.

CAIU NA REDE
O vídeo em que Neymar, o técnico Muricy Ramalho e funcionários do Santos dançam a música "Call me Maybe" fez com que o canal do clube no YouTube chegasse a 100 mil inscritos. Só outros dois times têm mais seguidores: Barcelona e Real Madrid.

MAR DE LÁGRIMAS
Heloisa Schürmann, a mãe da família brasileira que vive num veleiro, lançará livro em outubro. Em "Pequeno Segredo", ela conta detalhes de sua vida ao lado da filha Kat, que morreu de Aids aos 13 anos, em 2006. A obra sai pela Agir.

DOIS IRMÃOS
Gilberto Gil e Caetano Veloso, convidados para cantar juntos em Brasília, em outubro, resistiam até agora a se apresentar em dupla em 2012. Já tinham recebido várias propostas de fazer show para celebrar os 70 anos que completaram neste ano.

DO BEM
A revista "Piauí" passou dois meses na cola de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, tido como "homem bomba do PSDB". Ex-diretor da Dersa em SP, ele diz que "nunca" vai falar mal do ex-governador José Serra como gestor. "Ele me permitiu fazer essas obras [Rodoanel, marginal] para a minha biografia. Eu e ele somos que nem abraço de gambá: pode separar, mas o cheiro fica."

DO BEM 2
Paulo Preto relata ainda que cortou verbas de empreiteiras, que ele chama de "irmandade", e que Serra avalizou a iniciativa. "Eles [empreiteiros] iam lá no Serra e perguntavam: 'É pra fazer o que esse cara tá dizendo?'. E ele falava: 'É'. Tudo o que foi feito por mim na Dersa tinha o aval do governador José Serra."

O engenheiro só ficou magoado porque Serra não o defendeu quando foi atacado pela então candidata Dilma Rousseff num debate em 2010. "É a linha dele. Ele não defende ninguém."

DENTES AFIADOS
"Tubarão", o filme de 1975 que fez a fama de Steven Spielberg, terá cópia restaurada em exibição na Mostra Internacional de Cinema.

MANUSCRITO
Matheus Nachtergaele começou a escrever um novo roteiro. Depois de dirigir "A Festa da Menina Morta" (2008), ele agora pretende filmar um longa-metragem sobre uma história de amor.

QUEM VIU GIL

Não muito longe dali, no bar do hotel Fasano, o ex-ministro Gilberto Gil fez show exclusivo para clientes de um cartão de crédito. Sua mulher, Flora Gil, e a atriz Francisca Viudes estavam na plateia.

CULTURA HOJE

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, saiu de um comício direto para o lançamento do livro "10/3 = 3/Cabral", sobre o artista Antonio Helio Cabral, na segunda. Seu namorado, o empresário Márcio Toledo, estava à sua espera na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O crítico de arteLéon Kossovitch esteve lá.

BARÇA EM SP

A cantora Ladyhawke e a banda I'm from Barcelona, composta por Christian Alrikson e 20 outros membros, se apresentaram no Cine Metrópole na sexta passada.

JESUS MENINO

Sérgio Marone anda trabalhando em dobro ultimamente. O ator de 31 anos está em processo de escolher o diretor para filmar o longa "Jesus Kid", adaptação do livro de Lourenço Mutarelli que ele vai produzir e protagonizar. E também faz desfiles de moda para grifes ao redor do país. "Cinema custa dinheiro", explica o paulistano. "Se eu quisesse produzir apenas com verba própria, ia ter de desfilar três vezes por dia. Por isso vou também captar com empresas e lei de incentivo."

CURTO-CIRCUITO

Alexandre Herchcovitch apresenta coleção para a MCD. Nos Jardins, às 19h.

A peça "Mulheres, Tanta Coisa em Comum" estreia hoje, às 21h30, no teatro Ruth Escobar. 14 anos.

Felipe Cama abre a mostra "Autorretratos Estatísticos" hoje, na galeria Leme.

O Instituto Ronald McDonald faz jantar para arrecadar fundos em prol da cura do câncer infantojuvenil. Hoje, no Rosa Rosarium.

A festa " Mustache" acontece hoje no Club Yacht, a partir das 23h30. 18 anos.

Facebook e indução ao voto - FERNANDO REINACH


O ESTADÃO - 04/10


Ninguém duvida de que as redes sociais alteram crenças e comportamentos humanos. Desde que nossos ancestrais andavam em bandos pelas estepes africanas, as redes sociais serviam para trocar ideias, homogeneizar crenças e influenciar atitudes.

Nessas populações, as redes operavam por conversas face a face, em volta de uma fogueira. Mais tarde, nas cidades, eram as discussões em praça pública, conversas nos mercados e discursos de políticos. Foram essas redes sociais que moldaram o pensamento e as ações das civilizações antigas e das nações modernas.

Mas na última década surgiu a comunicação digital e parte das interações sociais se tornou virtual, por sistemas como o Facebook, o Twitter e outros, que nada mais são que as velhas redes sociais, agora na forma digital. Muitos cientistas se perguntam qual o seu poder real. Exemplos recentes, como a Primavera Árabe, sugerem que as novas redes sociais influenciam o comportamentos e as crenças, mas é difícil distinguir e medir separadamente a contribuição das redes tradicionais e da das digitais. Como teria sido a Primavera Árabe sem e-mail, Twitter e Facebook?

Agora, cientistas de universidades da Califórnia, colaborando com o Facebook, fizeram um experimento para medir o efeito de uma rede social sobre mais de 61 milhões de pessoas. Tanto a maneira como o experimento foi feito quanto os resultados são interessantes. Para entendê-lo, é preciso lembrar que nos EUA o voto não é obrigatório e os políticos têm dois desafios: o primeiro é levar a população às urnas; o segundo é convencê-la a votar neles.

Em 2 de novembro de 2010, quando ocorreram eleições para o Congresso, o Facebook dividiu seus usuários de mais de 18 anos em três grupos. O primeiro, quando abriu o Facebook, viu uma mensagem dizendo: "Hoje é dia de eleição, vote". A postagem possuía mais três informações. A primeira era um "link" dizendo "Clique aqui para saber o posto de votação mais próximo"; a segunda era um botão dizendo "Eu votei"; e a terceira, um contador em que aparecia o número de usuários do Facebook que haviam clicado no "Eu votei".

O segundo grupo recebeu postagem com um elemento a mais: apareciam as fotos de seis "amigos", com seus nomes, dizendo: "Eles já votaram". O terceiro grupo não recebeu nenhuma das mensagens e serviu como controle. O impressionante são os números envolvidos: no primeiro grupo foram colocadas 611.044 pessoas; no segundo, 60.055.176; e no terceiro, 613.096.

No dia seguinte começou o trabalho de análise. Como nos EUA a lista de quem votou é pública, os cientistas cruzaram a lista de votantes com os usuários do Facebook e descobriram quem tinha e quem não tinha votado. Esses dados foram cruzados com as pessoas que apertaram o botão "Eu votei" e com as que acessaram o link que indicava o posto de votação mais próximo. Foi possível determinar o efeito de cada uma das postagens sobre o aumento no interesse anônimo no ato de votar (os que acessaram o link), a propagação para amigos da afirmação de que votaram (os que apertaram o botão) e, entre todos esses, os que realmente votaram.

Os resultados mostram que as pessoas que receberam a mensagem com as fotos apresentaram tendência maior de apertar o botão "eu votei" que as que receberam a mensagem sem as fotos (20,04% versus 17,96%). Os que receberam a mensagem social procuraram mais os locais de votação. Isso demonstra que saber que os amigos votaram estimula as pessoas a dizer que votaram - mas não significa que elas votaram.

Usando dados dos votantes reais, demonstrou-se que a parcela dos votantes reais era 0,39 ponto porcentual maior no grupo que recebeu a mensagem com fotos quando comparada com o grupo que recebeu a mensagem sem fotos. O surpreendente é que a mensagem sem fotos não alterou a porcentagem dos que votaram quando comparados com o grupo que não recebeu mensagem, ou seja, a mensagem sem o nome dos amigos não alterou a participação dos eleitores.

Esses porcentuais são pequenos, indicando que a rede social não tem influência enorme no comportamento, mas como os grupos estudados são grandes, foi possível demonstrar que são estatisticamente significativos. Só esse experimento contribuiu com 886 mil votantes a mais, um aumento de 0,60% em relação às eleições anteriores.

O estudo também descreve o efeito da proximidade do amigo sobre a tendência de votar. Se amigos próximos (aqueles com que mais se interage no Facebook) "votam", a pessoa tem maior tendência de votar.

É o primeiro estudo científico do efeito do Facebook sobre intenções e atos políticos de seus membros. Ele demonstra que o Facebook pode alterar o comportamento das pessoas, mas que essa alteração depende do endosso dos amigos mais próximos.

Ou seja, nosso cérebro continua funcionando como sempre. Confiamos e somos mais influenciados por quem conhecemos. O que me impressionou é que o Facebook recrutou 61 milhões de usuários para participar de um experimento sem pedir autorização. Se por uma lado esse resultado demonstra que as redes sociais podem ser usadas para divulgar campanhas úteis, também abre a possibilidade de uma rede social digital endossar uma candidatura. Será que uma empresa tem o direito de postar nas páginas dos eleitores um pedido direto de voto para um único candidato?

Os beneficiários - KÁTIA ABREU


O GLOBO - 04/10

A adoção de um novo Código Florestal, processo concluído com a votação de medida provisória com regras complementares, é um marco político e cultural para o Brasil. Pela primeira vez, tema de tão grande relevância, sobretudo num país de exuberante natureza e inapelável vocação agrícola, é posto à deliberação do Congresso Nacional.

Até então, o país vivia sob a égide de um Código Florestal do tempo do regime militar, editado em 1965, sem qualquer participação da sociedade brasileira. Ao longo das quase cinco décadas posteriores, o Código Florestal foi diversas vezes emendado pela ação solitária da burocracia estatal, sem qualquer audiência ao Congresso ou à opinião pública.

O debate em torno desse tema chegou à sociedade pelo avesso. Grupos de pressão, por meio de organizações não governamentais (ONGs), elegiam os seus vilões - em regra, os produtores rurais - e, em nome do meio ambiente, ditavam as regras. O meio ambiente, no entanto, era mero pretexto para ocultar o que de fato os movia: a guerra comercial pelo mercado mundial de alimentos. Não é casual que as principais ONGs envolvidas sejam estrangeiras - e que não possam sustentar o mesmo discurso em seus países de origem. Napoleão dizia que a um soldado pode-se pedir tudo, menos que se sente sobre sua baioneta. Parodiando-o, podemos dizer que ao produtor rural pode-se pedir tudo, menos que degrade sua própria terra. Portanto, ninguém mais que o agricultor conhece o meio ambiente, pois dele depende e com ele lida em tempo integral.

O Brasil, antes importador, é hoje um dos maiores exportadores de alimentos. Isso, claro, mexe com os competidores. Daí a estratégia de difamar, injuriar e caluniar o produtor rural. Fala-se muito na existência de uma bancada ruralista no Congresso.

Deixa-se, no entanto, de mencionar a existência de uma bancada antirruralista, com conexões entre os formadores de opinião. Basta ver que, finda a sessão de votação da medida provisória, o senador Jorge Viana, do PT, manifestou a esperança de que a presidente venha a vetar o que o Senado aprovou. É um integrante de um Poder torcendo para que seu próprio Poder seja negado. A tanto se chegou. E isso numa votação em que apenas três senadores votaram contra o resultado vitorioso.

O principal ponto de discordância no texto foi a redução da largura da faixa mínima de mata exigida nas margens dos rios para médios produtores, de 20 para 15 metros; para os grandes produtores, de 30 para 20 metros. E aí há outro ponto importante: sempre que se fala em mudanças na Legislação Ambiental - e na votação do Código chegou-se ao paroxismo -, sustenta-se que os beneficiários serão os grandes produtores, quando, na verdade, serão os pequenos e os médios.

Os grandes dispõem de meios para conviver com as limitações legais, mesmo quando absurdas. Os pequenos e médios, não. São eles os grandes beneficiários do novo Código Florestal - e, por extensão, o povo brasileiro, que continuará a ter o melhor e mais barato alimento do mundo, além dos benefícios indiretos decorrentes dos superávits da balança comercial, há anos sustentados pela exportação de alimentos. Ou seja, pelo competente trabalho dos produtores do Brasil.

Exemplos inútes - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 04/10


O sucesso do Wellington Nem no Fluminense traz de volta um velho debate: que tamanho deve ter um jogador de futebol? Não haveria mais lugar para jogadores pequenos num esporte que cada vez mais se decide pela imposição física. Errado, dizem outros. É justamente para se impor aos grandalhões que servem os baixinhos. A discussão já deveria ter acabado há muito tempo, com as carreiras de Maradona, Romário e Messi, para citar só três exemplos de mirrados que brilharam nos últimos anos, quando o futebol supostamente se transformou em coisa para gente grande. Mas as exceções não convencem, e a discussão continua.

Um pouco como o debate sobre de que tamanho deve ser a participação do estado na economia. A atual crise na Europa e as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos não são sobre outro assunto. Estado regulador ou mercado livre? Como no debate sobre as dimensões ideais de um jogador de futebol, os argumentos de um lado e do outro não parecem fazer muita diferença. Os exemplos são inúteis. Você esperaria que os descalabros do capital financeiro, responsável direto pela crise, diminuiriam o entusiasmo dos defensores do mercado, já que o que faltou para enfrentar a voracidade destruidora do capital foram intervenções do estado quando ainda dava para evitar o pior. Mas não, prega-se menos e não mais controle. O argumento é que, historicamente, em todas as suas crises o capitalismo se autorregenerou sozinho. Errado. Não é preciso ter lido Eric Hobsbawm para saber que em todas as suas crises o capitalismo foi salvo dele mesmo por alguma forma de intervencionismo corretivo – o que não significou que abandonasse seus maus hábitos.

As multidões que se manifestam na Europa em crise não são de mal acostumados inconformados com o fim de estados irrealistas de bem estar social,como dizem os mercadófilos, são de inconformados com a injustiça da maioria estar pagando pelos desmandos de uns poucos, que continuam desmandando. O capital financeiro tantas fez que, além de perverter a atividade econômica e a função bancária, perverteu a semântica: transformou “austeridade” em palavrão. Hoje tem gente morrendo de austeridade na Europa. Não que este argumento vá fazer qualquer diferença.

Do tripé ao voluntarismo - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 04/10


O governo decidiu usar botox nas contas públicas, para disfarçar os problemas e continuar aparentando compromisso com as metas fiscais. O compromisso continua em vigor, garantem a presidente Dilma Rousseff e os responsáveis pela política econômica, mas é cada vez mais difícil acreditar nessa afirmação. Com receitas em crise e despesas difíceis de comprimir, o Ministério da Fazenda recorre cada vez mais a dividendos de empresas controladas pela União para dar uma aparência melhor a suas contas. Dividendos têm sido usados regularmente, disse há poucos dias o secretário do Tesouro, Arno Augustín. Segundo ele, nada de anormal ocorre neste ano. É uma explicação um tanto estranha. Em poucos meses o Ministério do Planejamento acrescentou R$ 10 bilhões à previsão de receita de dividendos, apesar do desempenho medíocre das estatais. Mas há um detalhe mais preocupante: a Caixa Econômica e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão antecipando a entrega de dividendos relativos ao lucro estimado para o ano. O último repasse, o segundo, foi de R$ 2,8 bilhões. Essas operações devem ajudar o setor público a obter o superávit primário fixado para o ano, de R$ 139,8 bilhões.

Com essa transferência, R$ 18,9 bilhões já engordaram as contas federais neste ano. A maior parte - R$ 10,6 bilhões - foi entregue pelo BNDES. Ao mesmo tempo, o Tesouro continua transferindo dinheiro aos bancos federais para reforçar suas operações de crédito e também para intensificar a concorrência com as instituições privadas.

O Tesouro Nacional está obviamente funcionando como fonte de financiamento bancário e de subsídio ao crédito oficial. O governo federal decidiu ressuscitar uma velha relação promíscua, eliminada há mais de 20 anos com a extinção da chamada conta movimento. Essa promiscuidade foi, por muito tempo, uma fonte importante de inflação e de desajuste fiscal. Já nem se trata de uma ação de emergência em tempo de crise. Isso fica bem claro com a manutenção do Programa de Sustentação do Investimento, instituído em 2009, na fase final da recessão iniciada em 2008. O governo deveria ter eliminado esse programa em pouco tempo, mas o esquema continua em vigor.

A presidente e seus auxiliares podem negá-lo, mas o compromisso com a responsabilidade fiscal vem sendo corroído desde o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nada se fez para conter a elevação dos gastos incomprimíveis e para atenuar o engessamento orçamentário. O efeito foi disfarçado, durante alguns anos, pela continuada expansão da receita tributária. Só essa expansão permitiu o cumprimento, durante a maior parte do tempo, das metas fiscais programadas.

O equilíbrio macroeconômico foi sustentado, desde a consolidação do Plano Real, na virada do século, por um tripé: responsabilidade fiscal, metas de inflação e câmbio flexível. A política fiscal desviou-se das melhores práticas e os resultados dependem cada vez mais de truques.

As metas de inflação foram mantidas nominalmente, mas buscar o centro do alvo deixou de ser prioridade. Isso é comprovado pelas projeções de inflação do Banco Central para os próximos dois anos. Há bons argumentos a favor da busca de níveis mais baixos de equilíbrio para os juros. Nada justifica, no entanto, a aceitação dos atuais níveis de inflação como normais para a economia brasileira, especialmente quando outros países em desenvolvimento operam muito bem com preços mais contidos e taxas mais altas de crescimento econômico.

O terceiro componente, o câmbio flutuante, é hoje um mito. O governo trabalha claramente com faixas bem limitadas de flutuação. Não há, em nenhum mercado, câmbio estritamente flutuante, podem responder os defensores da política oficial. É verdade, mas em países bem administrados cuida-se de outros fatores de competitividade com medidas de longo prazo. A tributação é mais racional, cuida-se melhor da infraestrutura, o investimento é menos onerado e assim por diante. Continua faltando a visão de longo alcance. No lugar do tripé surgem o voluntarismo e a improvisação. Há quem fale em novo modelo. É uma ilusão.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 04/10


Com R$ 150 mi, grupo entra no setor imobiliário
O já eclético grupo Vale Verde, que produz desde coco para extração de água até insetos para produzir ração e ainda aluga andaimes para a construção civil, irá ampliar ainda mais os setores nos quais atua.

Com R$ 150 milhões em investimentos, a companhia de Minas Gerais entrará no segmento imobiliário com um condomínio residencial e um shopping center.

O condomínio será em Betim (a 30 quilômetros de Belo Horizonte) e dividirá a área onde o grupo tem um parque ecológico e um alambique.

"Os diretores e presidentes das empresas da cidade moram em Belo Horizonte e precisam ir e voltar todo dia. O empreendimento será para os que querem ter qualidade de vida e evitar o trânsito", diz o presidente da companhia, Luiz Otávio Pôssas.

O projeto receberá aporte de R$ 80 milhões e deverá ser concluído até o final de 2013.

O primeiro shopping do grupo, com cerca de 70 lojas, também terá como foco a classe A. Ele ficará em Nova Lima (25 quilômetros da capital) e demandará R$ 50 milhões em investimentos.

"Belo Horizonte é uma cidade pequena em território. Não tem mais para onde crescer. Por isso, as empresas vão para a região metropolitana", afirma Pôssas.

A expansão do grupo para o setor imobiliário também inclui a construção de prédios corporativos.

MAPA DA QUALIFICAÇÃO
O BNDES quer fazer um mapeamento do setor privado na área de qualificação profissional e de intermediação de mão de obra.

A ideia é sugerir políticas públicas para reduzir o desemprego e aumentar a produtividade do trabalho, segundo Paulo Libergott, que chefia o departamento da área financeira do BNDES.

"Com esse levantamento, vamos verificar o potencial para as ações do Programa do Seguro-Desemprego."

Para Libergott, o desembolso para o programa, que alcançou R$ 24 bilhões em 2011, pode se reduzir com uma rede mais eficiente na realocação do emprego.

O foco não é só na redução do desembolso com o seguro, frisa. "É mais na necessidade de qualificação e de melhora na integração do trabalhador."

As conclusões orientarão a reestruturação de atendimento do Programa do Seguro-Desemprego e o Codefat na execução de políticas de emprego. O BNDES está realizando uma chamada pública para selecionar a empresa que fará o levantamento.

DESTINO DE PNEU
As importadoras de pneus gastam cerca de R$ 8 milhões ao ano para reciclar o produto, segundo a Abidip (Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus).

"Diferentemente do que a Pirelli disse [à coluna, em entrevista publicada em 16 de setembro], nós também investimos para dar um destino aos pneus", afirma o presidente da entidade, Rinaldo Siqueira Campos.

A lei que obriga as empresas a reciclar o produto é a mesma para importadores e fabricantes.

Para cada quatro unidades desembarcadas ou produzidas no país, cinco precisam ser destruídas. As companhias pagam entre R$ 180 e R$ 220 para que uma tonelada de pneu seja retirada do ambiente.

"E é preciso contratar uma companhia cadastrada no Ibama para fazer o serviço", diz Campos.

A Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) afirmou, porém, que os importadores não atendem "as obrigações ambientais determinadas pelo governo federal" e que seus associados investem R$ 80 milhões por ano na reciclagem.

Em 2011, o Brasil importou 25 milhões de pneus e fabricou 66,9 milhões.

PEQUENOS NEGÓCIOS
A expansão de crédito facilitou o acesso a financiamentos por microempreendedores e microempresários.

Em agosto, o número de concessões da linha de microcrédito do Itaú registrou elevação de 40% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O volume financiado pelo banco aumentou 50%.

No Bradesco, a linha de microfinanças cresceu cerca de 37% em volume no mesmo período.

Esse tipo de crédito beneficia principalmente empreendedores individuais, das classes C, D e E.

Tributação... 
Os tributos de brinquedos variam de 27% a 77%, segundo a auditoria e consultoria BDO Brazil.

...infantil 
O videogame tem 77,25%, seguido por MP4 (52,25%), patins e bola de futebol (47,25%). Bicicleta tem 37,25% de imposto embutido.

Bagagem 
O mercado de seguro-viagem cresceu 35% no primeiro semestre deste ano ante igual período do ano passado, segundo a FenaPrevi.

Pausa 
São Paulo é a cidade mais procurada no país para viagem no feriado do dia 12, segundo o buscador Mundi.

A vez da classe média - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 04/10


A o assumir a defesa dos interesses da classe média, a presidente Dilma parece apontar não apenas para mudanças na condução da sua política econômica, mas também para objetivos novos do seu partido.

Ontem, o mais respeitado jornal de Economia e Finanças do mundo, o Financial Times, publicou matéria e entrevista em que a presidente se propõe a fortalecer não mais o proletariado, mas o consumidor remediado: "Queremos um Brasil de classe média".

Não deixa de ser objetivo marcadamente diferente do que guiou seu antecessor, o presidente Lula, em suas duas administrações. Ele buscou o resgate do trabalhador e dos mais pobres, com seu programa Fome Zero e com a distribuição de cestas básicas.

A própria escolha da então candidata Dilma à Presidência da República foi pautada pelo realce de valores mais próximos das classes médias urbanas do que do trabalhador braçal - até então, o principal foco das atenções do Partido dos Trabalhadores. A mãe do PAC, que nunca antes havia participado de uma eleição, foi apresentada ao eleitor como a gerente mais indicada para uma governança eficiente do patrimônio público.

Dentro do pressuposto de que a própria classe trabalhadora vai ascendendo na escala social, a presidente se mostra interessada em ser vista como defensora dos direitos do consumidor. Quer ser não somente aquela que conseguiu derrubar os juros básicos (Selic) - supostamente contra a vontade dos "rentistas" -, mas a que se engajou na luta contra o jogo dos banqueiros. É o que se vê na queda de braço travada com eles na derrubada dos "custos escorchantes" nos financiamentos; na cobrança por mais interesse na concessão de créditos; na redução dos juros cobrados no crédito rotativo dos cartões; e, agora, também na redução das tarifas bancárias e das taxas de administração dos fundos de investimento.

A bandeira dos direitos da classe média está sendo levantada ainda em outras três iniciativas articuladas pela Presidência da República: na queda das tarifas da "conta de luz"; no enfrentamento das administradoras dos serviços telefônicos; e, nos últimos dias, na decisão de impedir novas vendas de participações em planos de saúde.

A nova força não se manifesta só nas novas e crescentes pressões para que o Brasil seja gerido mais competentemente e para que os direitos dos consumidores sejam mais bem defendidos. Também tem aparecido nos movimentos articulados pelas redes sociais eletrônicas, que clamam por punição exemplar dos corruptos deste país.

Não há indícios de que essa nova agenda presidencial seja fruto de estratégia de longo prazo, formulada a partir de profundas reflexões e do exame das forças políticas e sociais em gestação no Brasil. Parece tudo resultado intuitivo surgido a partir do embate diário do exercício do poder. Em todo o caso, reflete a capacidade de ver as coisas antes da oposição, que continua prostrada e sem discurso. E explica o alto grau de aprovação popular desfrutado até este momento pela administração Dilma.

Falta saber até que ponto a nova postura da presidente será capaz de mudar o Partido dos Trabalhadores, agora convidado a se identificar mais determinantemente com os pontos de vista da pequena burguesia e a abandonar seu jogo - que, até hoje, tem dado prioridade ao aparelhamento do Estado em benefício próprio.

O grande embate - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE S. PAULO - 04/10


BRASÍLIA - O grande embate -jurídico e eleitoral- terá seu principal lance hoje, com o voto do revisor Ricardo Lewandowski, que ontem condenou Delúbio Soares, absolveu José Genoino e deixou a corte e o país em suspenso quanto ao voto sobre José Dirceu. A condenação de Dirceu pelo relator Joaquim Barbosa não foi surpresa. A absolvição dele por Lewandowski também não será.

Enquanto isso, Dilma e Lula recorrem ao mantra de 2010, de que os governos petistas, e só eles, salvam os pobres deste país.

Em Brasília, ontem, enquanto Joaquim Barbosa dizia que fatos, testemunhas e reuniões palacianas colocam Dirceu, chefe da Casa Civil de Lula, "em posição central da organização" que comprava partidos e parlamentares no Congresso, o governo anunciava convenientemente a redução de 40% do número de miseráveis.

Em São Paulo, enquanto a campanha do PSDB martelava que a vitória de Fernando Haddad seria a volta de Dirceu, Genoino e Delúbio -todos eles condenados ontem por Joaquim-, a do PT mostrava Lula e Dilma repisando que os governos petistas cuidam dos pobres.

A campanha em São Paulo embolou, com a queda do líder Celso Russomanno, e tudo pode acontecer. Se Serra e Haddad confirmarem a velha polarização PT-PSDB no segundo turno, será mensalão contra "pobres".

O grande aliado de Serra é o carismático Joaquim Barbosa desfiando os podres do PT e condenando a antiga cúpula partidária. O maior empurrão de Haddad vem de Lula, Dilma, Lewandowski e da palavra-chave: "pobres".

A inclusão social da era Lula é uma realidade, mas contrapor mensalão a programas para pobres não deixa de ser uma atualização sofisticada e subliminar do "rouba, mas faz" de Adhemar de Barros, que parece sobreviver a tudo e a todos.

Recuo do comércio mundial - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 04/10


A globalização que levou a economia mundial a crescer por mais de uma década está encolhendo com a forte desaceleração do comércio mundial. Ninguém mais pensa no parceiro comercial, todos se defendem para evitar a recessão. O FMI deve confirmar esta semana que o PIB mundial este ano vai ficar mesmo em 3%, e isso, se a zona do euro não afundar ainda mais. E a OMC informou que o comércio mundial não vai crescer mais do que 2,5%, ou seja, 5% menos do que em 2011. Não contem com ele para recuperar a economia mundial.

A alternativa é o consumo interno, mas isso implica diretamente ou não, em estímulo à produção local e defesa de mercado. Comprem de nós, não deles!

Protecionista é você! Nesse novo cenário de "salve-se quem puder,"os ânimos se acirram e todos se acusam de protecionistas. Até os bancos centrais, coitados, entram na história... É esse o novo cenário do comércio mundial, o que se pensava poderia salvar o mundo. EUA e Europa acusam o governo de transformar medidas provisórias em "política industrial protecionista". Eles estão de olho no único mercado consumidor mundial que, ainda vigoroso, cresce 7% ao ano e não dá sinais de arrefecer. Só que a economia brasileira estava crescendo mais de 3%, agora mal e mal chega a 1,6%.

Quem protege mais. Vamos aos fatos e aos números da OMC, levantados para a coluna por Jamil Chade, corrrespondente do Estado em Genebra:

1 - Em 4 anos de crise, o acúmulo de barreiras adotadas por todos os governos já atinge 3% do comércio mundial - US$ 500 bilhões, o equivalente a toda a exportação brasileira e indiana juntas.

2 - Em 4 anos, EUA adotaram mais de 120 medidas protecionistas e a Europa mais de 80.

3 - Desde outubro de 2011, foram adotadas 124 medidas de defesa pelos governos do G-20, afetando 1,1% do comércio desses países. O que mais preocupa, porém, é que barreiras adotadas desde 2008, e que eram tidas como "temporárias", jamais foram retiradas.

Foram 802 medidas. Hoje, o acúmulo de barreiras comerciais no mundo já afeta 3% do comércio mundial e 4% do intercâmbio do G-20. Desde a quebra do Lehman Brothers, foram 802 medidas adotadas e só 18% foram retiradas. Outra constatação da OMC é que países emergentes, como China e Rússia, elevaram nos últimos anos o apoio à agricultura. Pequim passou de um apoio negativo de 2,6% aos agricultores em 1999 para uma situação em que garantia, em 2010, 17% da renda do campo na China. Na Rússia, o governo apoiava o setor com o equivalente a 1% da renda agrícola em 1999. Hoje, é de 20%.

E o Brasil? O que se faz agora no Brasil, é uma tentativa atrasada de defender o mercado interno para recuperar o tempo perdido. Chegou tarde, as medidas estão sendo apressadas e intensificadas, o que explica a reação dos seus parceiros comerciais.

Ao todo, o Brasil adotou 17 novas barreiras contra importações, número que superou todos os demais países, inclusive a Argentina, que é acusada de estar adotando uma postura nacionalista. Além disso, o governo brasileiro anunciou nos últimos seis meses um total de cinco medidas de apoio à indústria nacional. Para comparar, também nos últimos seis meses, Itália, Espanha, França, Alemanha e os demais governos europeus colocaram em prática 13 planos de incentivo às suas indústrias. Mas, nenhum governo isolado chegou perto dos cinco planos do governo de Dilma Rousseff. Estados Unidos e Rússia, por exemplo, adotaram dois planos de incentivo cada.

Defesa. Enquanto a proteção crescia no mercado mundial, o Brasil limitou-se nos últimos dois anos à implementação de medidas antidumping. Em 2010 e abril de 2011, foram 25 ações. Já entre outubro de 2011 e abril de 2012, o número caiu para 16. Mas ainda assim lidera esse tipo de ação. Os europeus adotaram 13, contra doze dos Estados Unidos. No total, países adotaram 73 medidas.

Os números da OMC mostram que estamos entrando em uma nova fase do comércio mundial. O da proteção e autodefesa. A OMC e outras instituições internacionais já alertaram que isso pode aumentar ainda o risco de recessão, pois, na ausência de mercados internos, resta apenas o aumento das transações comerciais entre países. Assunto para o G-20 que promete tudo e nunca resolve nada. Não há dúvida alguma de que, numa economia mundial contraída e recessiva, se defender e proteger seus mercados é o caminho errado. Mas fica a pergunta: já disseram isso para eles, para os Estados Unidos, a União Europeia, a China ( a China, sim!) e o Japão? / COLABOROU JAMIL CHADE

CLAUDIO HUMBERTO

“Nenhuma das teses afasta José Dirceu da centralidade das coisas”
Ministro Joaquim Barbosa, relator do caso do mensalão, sobre o “chefe da quadrilha”


TORTURADO PELA DOR, JOAQUIM VAI CUIDAR NA EUROPA
Quem priva da intimidade do ministro Joaquim Barbosa conhece a intensidade das dores que o atormentam. Ontem foi um dos piores dias: nem mesmo as compressas quentes nas costas aliviaram o sofrimento. Por isso, Barbosa decidiu se tratar tão logo seja concluído o julgamento do mensalão. Ele estava inclinado a se submeter a cirurgia, mas resolveu tentar antes um tratamento alternativo na Alemanha. 

NÃO DÁ PARA ESPERAR
As dores são tão intensas que Joaquim Barbosa vai tentar o tratamento antes de sua posse na presidência do STF, em 21 de novembro.

SUGESTÃO ACEITA
O tratamento alternativo na Alemanha foi sugerido ao ministro Joaquim Barbosa por um médico amigo.

ÚLTIMA OPÇÃO
Se não der certo o tratamento terapêutico, Barbosa deverá ser operado, talvez, no Hospital Albert Einstein, que atende a ministros do STF.

TIM, TIM!
Candidato à Prefeitura de Salvador, o petista Nelson Pelegrino virou piada ao dizer no debate na TV que “a verdade está vindo à tônica”. 

FUNDO GARANTIDOR SUMIU COM R$ 200 MILHÕES
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) bobeou e o Brasil perdeu R$ 200 milhões sacados do Banco Cruzeiro do Sul para pagar títulos vencidos no exterior. É que, entre o saque e o pagamento, o Banco Central liquidou o Cruzeiro do Sul, por isso os credores não foram pagos, nem o dinheiro voltou à origem: liquidado, o banco já não existia. Hoje, a montanha de dinheiro está no limbo, sob custódia internacional. 

O QUE MANTÉM
Criado em 1995, o FGC é bancado pelos bancos, que contribuem com 2% dos seus depósitos exatamente para honrá-los, em casos de crise. 

INÚTIL PAISAGEM
A quem interessar possa, após o dia “quente” ontem no Supremo, hoje é o Dia Nacional do Paisagista. Mas infelizmente o cenário não ajuda...

CAIXEIRO-VIAJANTE
Cinco assessores acompanham Lula, semana que vem, por conta do governo, para 4 dias em Mar del Plata, Argentina, onde dará palestra. 

A VIDA COMO ELA É
No oeste baiano, os candidatos convencionaram que o voto para vereador vale R$ 300 e para refeito R$ 500. Em Coribe, pagamento será feito na véspera, sábado (6) à noite. Se a polícia quiser, flagra.

SAÚDE EM 1º LUGAR
A ministra Marta Suplicy (Cultura) não abre mão dos exercícios de pilates. Inicia as sessões após o expediente, às 19h, em uma academia do Lago Sul, em Brasília. Mas o carrão oficial espera na porta.

A TURMA DO JOAQUIM
Deveria se chamar Joaquim Barbosa – menino pobre que não teve cotas – a primeira turma vencedora da Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que o governo financiará em dezembro para negros. 

VIÚVA RICA
A estatal Transpetro contratou a academia Benefit Ginástica e Natação, em Joinville (SC), para manter a forma dos funcionários do terminal de São Francisco do Sul. Mas o contribuinte é quem vai pagar a conta.

RECORRER, PODE
Para o jurista Erick Wilson Pereira, o deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP), condenado pelo STF, tem o direito de recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA “e até ao Vaticano”.

AUDITORIA, JÁ!
Setores do governo já desconfiam que seria fictício o alegado “prejuízo” da TAM e da GOL, de mais de R$ 1 bilhão no primeiro semestre, em tempos de voos lotados e duopólio no age. Lorota para tentar manter privilégios da legislação que lhes garante a reserva de mercado.

INCORRIGÍVEL
Preso em dezembro de 2010 por corrupção, o prefeito de Macapá (AP), Ronerto Góes (PDT), ainda dá trabalho à Policia Federal, que ontem apreendeu quatro toneladas de alimentos a serem trocados por votos, dia 7.

FIO DESENCAPADO
Podem rolar águas turvas na nomeação de João Aldemir Dornelles para o conselho administrativo da estatal Cedae, no Rio: em 2004, ele foi denunciado com Sérgio Cutolo, ex-Caixa, e Paulo Maluf, por irregularidades no Funcef na Bolsa de Mercadorias e Futuros de SP. 

PERGUNTA NO GUICHÊ
E você, depois de Roberto Jefferson e Fernando Haddad, também aceitaria um cheque em branco de Lula? 

PODER SEM PUDOR

LÓGICA POLÍTICA MINEIRA

O regime militar dava sinais de fraqueza e a oposição se organizava. Em Minas, Tancredo Neves e Magalhães Pinto se uniram para criar o moderadíssimo Partido Popular. Estavam juntos, mas queriam a mesma coisa: o governo mineiro. Um jornalista interpelou Magalhães:

- Tancredo Neves é candidato ao governo de Minas?

- Bom, ele me disse lá em casa que não é, não... - respondeu, para depois concluir - Isso quer dizer que ele é...

QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: A hora decisiva – Dirceu era o mandante do mensalão, diz relator
- Estadão: Relator diz que Dirceu comandava o mensalão
- Correio: Joaquim culpa Dirceu. Revisor deve absolver
- Valor: Economistas preveem juros de um dígito até fim de 2013
- Zero Hora: Barbosa condena Dirceu, Genoino, Delúbio
- Correio Braziliense: Joaquim culpa Dirceu. Revisor deve absolver
- Estado de Minas: Relator condena Dirceu por comandar mensalão
- Jornal do Commercio: Segurança da eleição terá 21.739 homens
- Brasil Econômico: Com crise, investidor abandona euro como moeda de referência

quarta-feira, outubro 03, 2012

O selinho - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 03/10


De repente, em função de dois acontecimentos recentes (a morte da esfuziante Hebe Camargo e o ataque inesperado de uma eleitora ao candidato José Serra, em São Paulo), o selinho ganhou um protagonismo até então inédito. Já não era sem tempo. Com tanta gente cultuando o beijo profundo e apaixonado, aquele de fazer as órbitas revirarem dentro dos olhos, o selinho vem a público reclamar: eu também existo.

O selinho é inocente, já nasceu absolvido pela sociedade. Mas não custa ficar atento. Lembro de um namorado, lá no início dos anos 80, que era muito moderninho, tinha várias amigas descoladas que faziam teatro, e ao encontrá-las na noite salpicava seus selinhos na maior pureza – curiosamente, só nas bonitas. Hum. No começo, eu fingia que achava muito natural. Depois, abri o jogo, falei que sentia ciúme. Ele então veio com aquele discurso paz e amor, típico da era de Aquarius, sobre cultivar a harmonia entre os seres, abrir-se para as revelações místicas, libertar a mente, let the sunshine in e outras embromações, e foi então que fiz de conta que seu papo lisérgico havia me convencido – ora, eu também cumprimentaria meus amigos com selinhos. Só os bonitos, claro. Foi então que ele repentinamente teve a sua revelação mística e parou de vez com a distribuição de bitocas. Dali por diante, foram longos anos de harmonia e salutar caretice.

A importância que dou ao selinho vem de um episódio distante da minha biografia. Na saída do colégio, ao final de uma manhã, um rápido roçar de lábios ganhou o título honroso de “meu primeiro beijo”. Um selinho, um só, e foi o que bastou para que eu voltasse para a casa levitando por vários quarteirões. Passei a tarde me olhando no espelho para ver se eu estava diferente, se alguém notaria minha transformação de menina para mulher – eu devia ter o que, uns 14? Do primeiro beijo pra valer não lembro nada, mas esse selinho continua mantendo seu lugar no pódio entre os momentos mais adoráveis e femininos da minha adolescência. Diante disso, como não levar essa modalidade de carinho a sério?

A foto de Silvio Santos dando o último selinho na Hebe, dentro do caixão, é uma imagem terna e eterna. As redes sociais já se mobilizaram para fazer do dia 29 de setembro o Dia do Selinho, que não vai pegar, claro, a não ser que vire feriado, a única coisa que respeitamos. Tudo continuará como antes. O selinho será para sempre um gesto de afeto assexuado. É uma beliscadinha oral, um atrevimentozinho entre amigos, uma brincadeirinha entre adultos, uma provocaçãozinha, um beijo no diminutivo: singelinho, rapidinho, malandrinho.

Mas por mais que se esforce em parecer casual, terá para sempre seus significados secretos. O selinho será para sempre um gesto de amor assexuado.

Caso médico - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 03/10

Segunda à noite, Lula fez dois discursos de campanha, em São Paulo e Guarulhos. No fim, estava um pouco rouco.
Por isso, vai se preservar nesta reta final da batalha eleitoral para alguns atos do petista Fernando Haddad.

Aliás...
O encontro dos presidentes sul-americanos e árabes, ontem, no Peru, ocorreu sob o impacto da descoberta de um câncer de próstata do colombiano Juan Manoel Santos.
Parece sina dos estadistas do continente. Já passaram por tratamentos de tumores Dilma, Cristina Kirchner, Hugo Chávez, Fernando Lugo e Lula.

Há vagas
A obra do Maracanã chega à reta final com 5.200 trabalhadores.
Nos próximos dias, entrarão no canteiro do estádio mais 1.200 operários.

Segue...
O consórcio construtor está com dificuldade para contratar 600 pedreiros.

Cabra da peste
A Biscoito Fino pretende criar o núcleo Biscoito Nordeste.
Será um selo para dar visibilidade à música e às artes plásticas feitas nessa região do país. A produtora carioca Sarapuí, ligada ao grupo Biscoito Fino, foi autorizada pelo Ministério da Cultura a captar R$ 2.465.100.

No mais

Hoje faz 82 anos do início da Revolução de 1930.
Por causa da data, durante muito tempo, as eleições brasileiras eram realizadas no dia 3 de outubro.

SE A CALÇADA FOSSE MINHA...Há tempos a coluna não estampava um flagrante de carro em calçada. Volta hoje, pena, com este triste mau exemplo dado por quem, entre outras atribuições, tem a responsabilidade de educar o motorista. Veja acima. A cena de um veículo oficial do Detran sobre o sagrado espaço do pedestre é próxima da 12a DP, em Copacabana, segunda de manhã. O mau hábito é disseminado. A imagem do alto, à direita, é da ciclovia junto à Praça Santos Dumont, na Gávea. Esta aqui ao lado é da Rua Mena Barreto, em Botafogo. O MSC (Movimento dos Sem Calçada) renova seu protesto.

Navegar é preciso
Sob a direção artística de Jorge Bastos Moreno, haverá dia 16, em Brasília, um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil para lembrar os 20 anos da morte de Ulysses Guimarães.
Caetano vai cantar "Os argonautas” cujo verso de Fernando Pessoa "navegar é preciso, viver não é preciso” também foi usado por Ulysses, em 1973, ao se lançar "anticandidato” a presidente.

Incendiou o mundo A Companhia das Letras lançou ontem um e-book de R$ 1,99, como aperitivo, com dois capítulos do livro "Marighella — O guerrilheiro que incendiou o mundo”; de Mário Magalhães.
A biografia completa sai no fim do mês. Deputado em 1946, Marighella doava 92% do salário ao PCB.

Marchinha da Hebe

A produção do Festival de Marchinhas da Fundição Progresso, no Rio, encontrou, entre as 200 obras já inscritas, uma em homenagem a Hebe Camargo. Foi inscrita, veja só, antes da morte da apresentadora, sábado.
É do gaúcho Fabiano Straubichen. Um trechinho: "Mas que coisa mais lindinha/Gracinha! Gracinha!/Eterna musa, pra sempre nossa rainha”

A amante venceu
A7? Câmara Cível do Rio decidiu a favor do amor, veja só, num processo em que uma viúva exigia receber o prêmio do seguro deixado por seu falecido para uma outra mulher, com quem mantivera um romance por uns 30 anos.
R.M.L., apesar de casado no papel, havia registrado como beneficiários da apólice a amante e o filho que tinha com ela. Com a decisão judicial, a SulAmérica terá de pagar o seguro à amante mesmo.

Rainha Patrícia
Patrícia Nery, ex-Renascer, é a nova rainha de bateria da Portela.

Boletim médico
Raul Gazolla, 57 anos, teve uma síndrome coronariana quando treinava jiu-jitsu e passou o fim de semana no Hospital São Lucas, no Rio.
Teve alta e passa bem, mas com indicação de tratamento ambulatorial e recomendação para abandonar a luta.

Paesinho e Freixinho
Alunos de 11 a 14 anos do Colégio Notre Dame, em Ipanema, vão simular, amanhã, um debate entre os candidatos a prefeito do Rio.
Estarão caracterizados de Paes, Freixo, Otávio Leite, Rodrigo Maia, Aspásia...

Bigode na boca de urna - TUTTY VASQUES


O Estado de S.Paulo - 03/10



Impressionante o que tem de gente em São Paulo que nas últimas horas decidiu votar em Levy Fidelix.

O lendário candidato do PRTB a prefeito ganhou simpatizantes às pencas depois que conseguiu melar na Justiça o debate previsto para amanhã na Globo.

Graças a ele, que depois disso já teria mais eleitores que fios de bigode, todo paulistano será poupado nesta quinta-feira de chatice maior ainda do que a esperada para o jogo da seleção, hoje à noite, logo depois de Avenida Brasil.

Diante da liminar que garantiu ao "pai do Aerotrem" participação no debate - com direito à companhia de Carlos Giannazi (PSOL) e o escambau -, a Globo tomou a sábia decisão de cancelar o encontro que, em tese, pretendia realizar com fragmentos de discursos vazios dos outros seis candidatos à frente nas pesquisas.

No fundo, no fundo, foi bom para todo mundo! O formato atual dos debates é amarrado de um jeito para dar nó em qualquer tentativa de discussão inteligente na TV.

Russomanno, Serra e Haddad devem ter lamentado em público o desencontro, mas estão decerto aliviados com o inesperado desfecho da campanha. Também eles devem a folga na agenda de amanhã ao Levy! Grande Fidelix!

Fogo amigo

Os republicanos ainda comemoram nos EUA o apoio de Hugo Chávez a Barack Obama, em quem o presidente da Venezuela declarou que votaria se fosse eleitor americano.

Full time

Que diabos Ronaldo Fenômeno faz além de dieta e exercícios - só numa partida de golfe ele gastou cinco horas de seu dia - desde que entrou no Medida Certa do Fantástico? Será que lhe sobra tempo para comandar o Comitê Organizador da Copa ou a Fifa vai precisar adiar a competição para 2015?

Nada é pra já!

José Dirceu está nervoso à toa! Desde ontem, e até depois das eleições, ninguém pode ser preso no Brasil.

Azarão

As obras de duplicação da Régis Bittencourt correm por fora na disputa pelo prêmio "Notícia Enguiçada do Século". Tem velhinho no júri que ainda era solteiro quando ouviu falar pela primeira vez na reforma da "Rodovia da Morte".

Bailinho no saguão

Contanto que não seja de uso exclusivo dos funcionários da Infraero, a ideia de contratação de um curso de dança de salão no Aeroporto de Congonhas pode ser boa para combater o tédio dos passageiros na fila do check-in, né não?

Dr. Zinho

Pelo pouco que conhece de psicologia, o diretor de futebol Zinho, do Flamengo, diagnosticou que o Imperador Adriano está cheio de minhoca na cabeça!

Pai Pagodinho

Zeca Pagodinho disse em entrevista a Cissa Guimarães no programa Viver com Fé (GNT) que ele é, além de médium, vidente. Quando bebe umas e outras, então... Pergunta só ao Arlindo Cruz!