terça-feira, agosto 07, 2012

Palavra da defesa - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 07/08


José Dirceu não sabia o que se passava no PT porque estava muito ocupado na Casa Civil. José Genoino foi falho na gestão do PT porque gostava mesmo era de política. Delúbio Soares cometeu apenas um ilícito: caixa dois de campanha. Marcos Valério distribuiu dinheiro a 67 pessoas mas não foi corrupção. É o que disseram os advogados de defesa de quatro dos principais acusados .

A estratégia entre os advogados de defesa dos réus do mensalão foi acusar o Ministério Público de não ter se baseado apenas em depoimentos em juízo com o "contraditório". O procurador-geral da República, na verdade, registrou logo no começo da sua fala, na sexta-feira, que estava usando as provas dos "milhares de documentos" das 50.508 folhas da Ação Penal .

Os advogados sustentaram também que não houve compra de voto, nem era dinheiro público, e que não houve decisão de funcionários da administração pública - atos de ofício - determinada pela distribuição de dinheiro. Segundo o advogado de Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha não tinha qualquer poder sobre o contrato de publicidade da Câmara dos Deputados, apesar de ser o presidente da Casa .

Fora alguns pontos em comum, os advogados seguiram linhas que ajudam seus clientes, mas criam zonas de sombra sobre os outros. O advogado de José Dirceu quis afastar seu cliente de qualquer das atividades executadas no partido, alegando que ele se ausentou da presidência quando assumiu a Casa Civil. Não defendeu os atos do partido. O de José Genoíno alegou que à época da campanha de 2002 ele estava disputando o governo de São Paulo e, portanto, nada soube das decisões da campanha presidencial. O de Delúbio Soares afirmou que foi pedido a ele, como tesoureiro, que resolvesse o problema das finanças em frangalhos do PT. E por isso ele pediu empréstimos através das empresas de Marcos Valério.

A SMP&B e a DNA de fato pegaram empréstimos e distribuíram dinheiro a políticos. Um dos bancos a conceder esses recursos foi o Banco Rural. José Dirceu se encontrou sim com a diretoria do Banco Rural, e um desses encontros foi mesmo em Belo Horizonte, mas ele havia viajado para a capital mineira em compromissos oficiais e lá se encontrou com "empresários".

Tudo sendo verdade, fica faltando explicação. Se o dinheiro que foi distribuído por Marcos Valério tinha origem legal, conseguido através desses empréstimos, por que mesmo teve que ser entregue em espécie, em volumes altos, fugindo do sistema bancário? Por que o PT precisava que o empréstimo fosse feito através de uma agência de publicidade ?

O advogado de Marcos Valério definiu a função de uma agência: criação; produção de áudio e vídeo; veiculação. Em qual dessas três atividades se inclui distribuição farta de dinheiro aos partidos da base do governo contratante ?

O advogado de Delúbio Soares admitiu que seu cliente cometeu "ilícito": o caixa dois de campanha. "Por que tudo em cash ? Porque era ilícito. Não se podia transferir dinheiro que não tinha dado entrada no partido, por isso teve que ser em moeda sonante", disse Arnaldo Malheiros, advogado de Delúbio. Já Marcelo Leonardo, o advogado de Marcos Valério, falou outra coisa: "Não era dinheiro sujo, não precisava ser lavado. O que aconteceu depois é que poderia ser lavagem de dinheiro. "

Os advogados honraram seus honorários e fizeram a melhor defesa possível dos seus clientes. Levantaram questões técnicas para os ministros refletirem em seus votos. Difícil é aceitar o enredo que eles, juntos, contam. Origem e destino do dinheiro continuam obscuros .

Laranja azeda - XICO GRAZIANO


O Estado de S.Paulo - 07/08


Um pesadelo atormenta o campo. Existem 80 milhões de caixas de laranjas maduras, começando a cair do pé, apodrecendo no chão. As arrogantes empresas de suco, conluiadas entre si, lavam as mãos. Destrói-se imenso patrimônio do interior paulista.

Esse cenário negativo da citricultura se desenha há tempos. Uma das explicações, a mais comum, reside no fraco consumo mundial de suco de laranja. É verdade. Desde 2003 houve uma queda de 5,3% na demanda dos países desenvolvidos, redução que atingiu 25% nos Estados Unidos. A perda no mercado global somente não foi maior porque se compensou, em parte, com o crescimento verificado nos países emergentes, como México e China.

Afeta diretamente o Brasil essa retração do mercado internacional. São Paulo, responsável pela produção de metade do suco concentrado de laranja no mundo, garante 85% das exportações totais. De cada cinco copos de laranjada bebidos no planeta, três se originam nos pomares brasileiros.

Tem sido fatal contra o suco de laranja a concorrência dos refrigerantes, outros sucos diversos e bebidas industrializadas. Facilitado pelas novas tecnologias de preparo e conservação, o marketing dos sabores alternativos anda desbancando a fruta cítrica na preferência dos consumidores. Antes, aquela caixinha amarela imperava nos mercados norte-americano e europeu. Agora, perde sua fama para os rivais.

No Brasil, tendência semelhante se percebe, embora o gosto recaia sobre o suco de laranja natural, espremido na hora. As prateleiras dos supermercados seduzem as donas de casa com atraentes embalagens de bebidas prontas para o consumo, todas deliciosas, com néctar de maçã, pêssego, maracujá, morango, manga, puro ou misturado com leite de soja, com iogurte, chás e outros líquidos, integral ou light. Muitas novidades no copo.

Um fato recente, jamais totalmente explicado, azedou mais ainda a economia citrícola. No final do ano passado os Estados Unidos suspenderam as compras do suco de laranja brasileiro, argumentando terem nele encontrado resíduos de carbendazim, um fungicida banido por lá em 2009. Acontece que o mesmo agrotóxico continua sendo utilizado nos pomares brasileiros, tanto quanto nos europeus, em razão de sua eficácia e segurança no controle das doenças cítricas, especialmente aquelas aqui vulgarmente conhecidas como "pinta-preta e "estrelinha".

Pois bem, os níveis detectados da substância, de 30 partes por bilhão (ppb), eram irrisórios ante as tolerâncias admitidas até mesmo nos mercados exigentes do Japão (3.000 ppb), do Canadá (1.000 ppb) ou da União Europeia (200 ppb), incapazes, portanto, de causar qualquer dano à saúde pública. Mesmo assim os norte-americanos foram superrigorosos: simplesmente fecharam o mercado ao suco de laranja concentrado brasileiro. Tolerância zero.

Resultado: a indústria acumulou um estoque de 600 mil toneladas de suco, suficiente para segurar as vendas externas por meses. Assim, abastecidas em plena safra de laranja, e financiadas pelo governo, as empresas deixaram de comprar a matéria-prima, levando ao desespero os citricultores. Pior para aqueles que mantêm pomares de variedades precoces, como a hamlin, que se perderá quase totalmente na derriça ao solo. Malvadeza capitalista.

É antigo, e só cresce, o atrito na cadeia produtiva da laranja. As empresas têm sido acusadas de cartelização há quase duas décadas, desde quando ainda várias unidades disputavam o mercado. Hoje a concentração as reduziu a três maiorais: a Cutrale, a Dreyfus e a Votorantim/Fisher. O oligopsônio, em economês, despreza o citricultor, aniquila seu negócio.

Naquela época de ouro em que o município de Bebedouro (SP), a capital da laranja, virou tema de novela, contavam-se 20 mil produtores da fruta. Segundo os números da Associtrus, aguerrida entidade do setor, restam menos da metade. Laranjais cederam espaço aos canaviais. E o arranquio observado nestes dias indica que minguarão mais ainda os pomares.

Parece ser exatamente esse o desejo da indústria de suco. Há tempos as empresas e seus mancomunados, em movimento contrário ao dos pequenos citricultores, expandem fortemente as plantações de laranja. Seus imensos pomares colocaram uma pulga, ou uma navalha, atrás da orelha dos citricultores. Estes desconfiam, inclusive, de má-fé naquele caso norte-americano do fungicida, pois poderiam ter sido informados com antecedência sobre a questão. Apanhados de surpresa, eles se ferraram.

Existe, como se percebe, um problema estrutural afetando a citricultura. E as autoridades? Lenientes, jamais tomaram providência alguma para frear a concentração do poder econômico. Ao contrário, o BNDES a estimula com empréstimos subsidiados. Dilapidam-se milhares de empregos sob a guarda da inércia política.

Os governos, prevenindo a situação, poderiam, no mínimo, organizar campanhas de consumo popular da fruta, ajudando o escoamento da safra nas portas do metrô, na merenda escolar, nos presídios, nos bairros. Talvez não resolvesse, mas certamente ajudaria os fruticultores. Poderia até, talvez, assustar o vírus da gripe neste inverno. Vai saber...

Não tem sido fácil a vida dos citricultores. Terríveis doenças atacam os pomares qual flagelos bíblicos. Primeiro, há quase 80 anos, chegou a fatídica tristeza dos citros, depois veio a desgraça do cancro bacteriano. Mais recentemente foi a vez do amarelinho, seguido da clorose variegada e, por fim, o mal súbito das plantações. Deus nos ajude, reza o agricultor.

A maior praga, porém, mora nos esconderijos do poder. Ali nasce, na política, o mensalão; na citricultura, a desolação. Frutos amargos da prepotência humana.

Privatizem a Petrobras! - RODRIGO CONSTANTINO


O GLOBO - 07/08


A Petrobras possui controle estatal, mas tem capital misto, com milhares de investidores brasileiros e estrangeiros. O uso político da estatal tem custado cada vez mais a esses investidores, cujos interesses são ignorados pelo governo. O prejuízo divulgado na sexta é mais uma prova disso.

O governo mantém o preço dos combustíveis defasado para segurar a inflação, afetando negativamente o lucro da empresa. Além disso, ele demanda grande participação de fornecedores nacionais nos bilionários investimentos da estatal, o que custa mais e atrasa o cronograma. É o uso da empresa para a política industrial de governo, que já arrecada bilhões em royalties e impostos.

Infelizmente, quando o assunto é Petrobras o debate fica tomado pela emoção, sem espaço para argumentos racionais. A esquerda estatizante e a direita nacionalista se unem ideologicamente, alimentadas por muitos interesses obscuros em jogo, e repetem em uníssono que o setor é "estratégico". A Embraer, a Telebrás e a Vale também eram "estratégicas".

Ora, justamente por ser estratégico o setor deveria ser retirado da gestão politizada, ineficiente e corrupta do governo. A exploração do petróleo começou pela iniciativa privada nos Estados Unidos. Desde a primeira prospecção de Edwin Drake em 1859, na Pensilvânia, o setor viu um crescimento incrível com base na competição de várias empresas privadas. O Canadá também conta com dezenas de empresas privadas atuando no setor.

Por outro lado, países como Venezuela, México, Irã, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia possuem estatais controlando a exploração de petróleo. Ninguém ousaria dizer que isto fez bem para seus respectivos povos, vítimas de regimes autoritários.

O brasileiro paga uma das gasolinas mais caras do mundo, o país ainda precisa importar derivados de petróleo após décadas de sonho com a autossuficiência, a estatal é palco de diversos escândalos de corrupção, mas muitos ainda repetem, inflando o peito, que "o petróleo é nosso!" Nosso de quem, cara-pálida?

O crescimento da produção de óleo e gás da Petrobras desde que o PT assumiu o governo foi medíocre: somente 2,4% ao ano. Trata-se de um resultado lamentável após tantos bilhões investidos, inclusive com financiamento do BNDES.

A Petrobras, que tinha R$ 26,7 bilhões de dívida líquida em 2007, terminou o primeiro semestre de 2012 devendo mais de R$ 130 bilhões. O endividamento sobe em ritmo acelerado por conta de seu gigantesco programa de investimentos, mas nem os investidores nem os consumidores se beneficiam disso.

A rentabilidade da Petrobras é uma das menores do setor. Seu retorno sobre patrimônio líquido não chega a 10%, metade da média de seus pares internacionais. Os investidores acusam o golpe, e as ações da Petrobras apresentam um dos piores desempenhos no mundo.

Desde 2009, suas ações caíram 5%, enquanto o Ibovespa subiu mais de 40%, e a Vale, mais de 50%. É o governo destruindo o valor da poupança de milhares de pessoas, incluindo todos que utilizaram o FGTS como instrumento para apostar na empresa.

Por que não há maior revolta? Por que não há mobilização pela privatização da Petrossauro, como a chamava Roberto Campos? Parte da resposta é o fator ideológico já citado. Outra parte diz respeito à enorme quantidade de grupos de interesse que mamam nas tetas da estatal.

Seus 80 mil funcionários custaram para a empresa mais de R$ 18 bilhões em 2011, ou quase R$ 20 mil mensais por empregado. Claro que muitos merecem o que ganham, mas como negar o uso da estatal como cabide de emprego para os "amigos do rei"?

Fornecedores nacionais ineficientes ou corruptos também agradecem, pois não precisam competir abertamente no livre mercado. O caminho até a estatal muitas vezes é outro, como comprova o caso do Silvinho "Land Rover", o ex-secretário do PT que ganhou um carro importado de uma empresa fornecedora da estatal.

Artistas e cineastas engajados da "esquerda caviar" também aplaudem a estatal, que destinou mais de R$ 650 milhões para patrocínios culturais de 2008 a 2011. Isso sem falar de blogueiros "chapa-branca", que recebem gordas verbas da estatal. A lista é longa.

Os políticos, então, nem se fala. Quem esqueceu Severino Cavalcanti negociando à luz do dia, em nome da "governabilidade", aquela diretoria que "fura poço"? O ex-presidente Lula era outro que adorava usar a Petrobras para seus fins políticos em parceria com Hugo Chávez.

Só há uma maneira eficaz de acabar com esta pouca vergonha que tem custado tão caro aos investidores da empresa: sua privatização!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 07/08

Aumenta liquidez de energia elétrica, diz CCEE

A liquidez de energia elétrica no mercado de livre contratação cresceu 5,5% em junho, ante o mês anterior, segundo o índice de rotatividade da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), que será lançado amanhã.

O mercado livre representa os grandes consumidores de energia, como indústrias.

Hoje o Brasil não tem um parâmetro para mensurar a facilidade de venda do produto. "Os índices aumentam o grau de informação do mercado e ajudam na maturação dele", diz o presidente da CCEE, Luiz Eduardo Barata.

A liquidez em junho ficou em 3,56 -o número representa quantas vezes um mesmo megawatt-hora foi contratado até chegar ao consumidor final. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve alta de 8,1%.

No confronto com índices de outros países, o brasileiro mostra que o mercado é de relativa maturidade ao se situar entre o francês (próximo a dois) e o holandês e o inglês (que costumam ser quatro).

A Alemanha tem a maior liquidez, seu indicador fica entre nove e dez.

A CCEE elaborou índices mensais com base em dados de 2008 até 2012.

Além da rotatividade, também desenvolveu o índice de liquidez relativa (comparação de um ativo com o mercado como um todo).

A partir de agora, os números passam a ser publicados mensalmente.

EM OBRAS

O mercado da construção civil deve fechar o ano com crescimento de 3,1%, segundo a consultoria LCA.

Até maio, a expectativa era que a alta fosse de 2,5%. Um primeiro trimestre melhor do que o esperado, no entanto, fez com que a perspectiva melhorasse. O PIB do setor cresceu 1,5% entre janeiro e março, enquanto a consultoria esperava apenas 0,9%.

"A expansão foi puxada pelo setor de infraestrutura. Isso por ser um ano eleitoral", afirma o economista Paulo Neves, da LCA.

A produção de asfalto indica que os investimentos em infraestrutura estão em expansão. No acumulado do ano, houve alta de 8%, segundo dados da ANP (agência nacional de petróleo).

O mercado da construção deve permanecer estável no próximo ano, ainda de acordo com a consultoria.

"Mas a composição mudará, com uma melhora nas condições imobiliárias."

Combustível Em julho, o preço do etanol caiu 0,43% cotado, em média, a R$ 2,28 por litro. Foi vantajoso em SP, MT e GO. A gasolina foi mais econômica em 23 Estados e no Distrito Federal com média de R$ 2,86/l, segundo a Ticket Car.

Varejo... A Viavarejo, holding que abrange as marcas Casas Bahia e Pontofrio, vai expandir a presença da Casas Bahia no Nordeste e no Centro-Oeste, com a abertura de cinco novas filiais.

...expandido Serão localizadas em Porto Seguro, Ilhéus e Eunápolis, na Bahia, além de Inhumas e Itumbiara, em Goiás, o que totaliza quase 8.000 metros quadrados de área de venda a mais nas regiões.

Faxina A rede portuguesa de limpeza House Shine, que acaba de entrar no Brasil, abrirá 60 franquias no país até o final deste ano. Para 2013, a meta da companhia são 300 novas unidades.

ATRASO EM CASA

O número de ações contra a inadimplência em condomínios aumentou 28,2% em julho em São Paulo, ante o mês anterior, segundo levantamento do Grupo Hubert.

No acumulado deste ano, o total de processos é de 6.310, com alta de 12% em relação a 2011. "A tendência é que 2012 feche com aumento ou, na melhor das hipóteses, igual ao ano passado", diz o diretor da empresa responsável pela pesquisa, Hubert Gebara.

TIM derruba sinal de propósito, diz Anatel

FOLHA DE SP - 07/08


Ligações de clientes que têm plano cobrado por chamada (e não por tempo) caem 4 vezes mais que as outras, diz agência. Relatório foi feito a pedido do Ministério Público, entre março e maio; operadora diz que problemas são pontuais


ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA

Relatório da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acusa a TIM de interromper de propósito chamadas feitas no plano Infinity, no qual o usuário é cobrado por ligação, e não por tempo.

A agência monitorou todas as ligações no período, em todo o Brasil, e comparou as quedas das ligações de usuários Infinity e "não Infinity".

A conclusão foi que a TIM "continua 'derrubando' de forma proposital as chamadas de usuários do plano Infinity". O documento apontou índice de queda de ligações quatro vezes superior ao dos demais usuários no plano Infinity -que entrou em vigor em março de 2009 e atraiu milhares de clientes.

O relatório, feito entre março e maio, foi entregue ao Ministério Público do Paraná.

"Sob os pontos de vista técnico e lógico, não existe explicação para a assimetria da taxa de crescimento de desligamentos [quedas de ligações] entre duas modalidades de planos", diz o relatório.

O documento ainda faz um cálculo de quanto os usuários gastaram com as quedas de ligações em um dia: no dia 8 de março deste ano, afirma o relatório, a operadora "derrubou" 8,1 milhões de ligações, o que gerou faturamento extra de R$ 4,3 milhões.

Durante as investigações, a TIM relatou ao Ministério Público que a instabilidade de sinal era "pontual" e "momentânea" (leia texto nesta página).

A operadora citou dados fornecidos à Anatel para mostrar que houve redução, e não aumento, das quedas de chamadas -as informações, no entanto, foram contestadas no relatório da agência.

A Anatel afirma que a TIM adulterou a base de cálculos e excluiu do universo de ligações milhares de usuários com problemas, para informar à agência reguladora que seus indicadores estavam dentro do exigido.

A agência afirma, por exemplo, que a operadora considerou completadas ligações que não conseguiram linha e cujos usuários, depois, receberam mensagem de texto informando que o celular discado já estava disponível.

NOVA PROIBIÇÃO

Com base nos dados, o Ministério Público do Paraná pede a proibição de vendas de novos chips pela TIM no Estado, o ressarcimento de consumidores do plano Infinity no Paraná por gastos indevidos e o pagamento, pela empresa, de indenização por dano moral coletivo.

A TIM já havia sido suspensa no Estado no final de julho, quando a Anatel proibiu as vendas de novos planos das operadoras com maior índice de reclamação em cada Estado. Além do Paraná, onde o índice era de 26,1 reclamações a cada 100 mil clientes, a operadora obteve o pior resultado em 18 unidades federativas.

Vulneráveis poderosos bancos centrais - ILAN GOLDFAJN


O Estado de S.Paulo - 07/08


"Super Mario" vai salvar o euro. A esperança atual é essa. Mario Draghi é o italiano à frente do Banco Central Europeu (BCE). Com a sua liderança, o BCE poderia comprar a dívida "tóxica" na Europa, aliviar a crise atual e permitir a volta do crescimento global. Seria ótimo, tão positivo que surpreende não terem pensado nisso antes. Mas qual é a mágica? Os bancos centrais têm esse poder/capacidade de resolver crises de dívida?

A resposta é não. Pensando bem, talvez sim, no caso do euro. Explico.

A suposta mágica de resolver a crise nasce da capacidade dos bancos centrais de comprar dívidas emitindo moeda ("monetização das dívidas"). Ainda mais se o banco central em questão emite moedas fortes - como o euro e o dólar.

Quando ninguém quer aceitar alguma dívida - por acreditar que não será paga -, os bancos centrais podem ser os "compradores de última instância", adquirindo os títulos e aumentando o seu balanço. O banco central americano (Fed), o Banco da Inglaterra (BoE) e vários outros têm comprado centenas de bilhões desde a eclosão da crise em 2007/2008, por meio dos famosos programas de compras apelidados de QE (quantitative easing). O próximo programa do Fed é aguardado com ansiedade para as próximas semanas, o que aumentaria ainda mais o seu balanço inchado (de títulos "tóxicos", entre eles os imobiliários, fonte da crise do subprime).

O BCE também tem um programa - o Securities Market Program (SMP) - de compra de ativos podres, que no seu caso são os títulos emitidos pelos países periféricos da Europa com dívidas percebidas insustentáveis. E tem também financiado de forma subsidiada bancos europeus para que eles possam adquirir esses títulos soberanos - por meio de Long Term Refinancing Operations (LTROs).

Mas o BCE tem sido mais tímido que seus pares para o tamanho do problema que enfrenta. Tem adquirido menos títulos no mercado e deixado a crise se alastrar. A razão é a falta de concordância de alguns membros do BCE para "resolver" a crise via monetização da dívida.

Afinal, não existe a tal mágica, citada acima, por parte dos bancos centrais. A monetização tem custos e alguém paga. Em momentos de crescimento normal da atividade econômica, o excesso de moeda no sistema leva a mais inflação, que gera perdas para parcelas da população, que, indiretamente e sem concordância, pagam as contas. Em momentos de recessão ou crescimento baixo, há menos risco de inflação, mas existe o risco de calote e o prejuízo ficar com os bancos centrais e, portanto, com os governos que os sustentam e seus contribuintes, que pagam suas contas.

Ou seja, se não há a mágica da criação do dinheiro, o "Super Mario" não deveria ser a solução para o euro. Mas pensando bem, o Mario pode ajudar na solução, sim.

Se a zona do euro fosse um único país, e não um conjunto de países soberanos, seu problema seria menor. Os indicadores de dívida e déficit público da região como um todo não são piores que os de outros países (por exemplo, os EUA, a Inglaterra, etc.). Nesse caso, acredito que o BCE, se necessário, já teria embarcado num programa de compras mais ambicioso.

Mas a zona do euro está longe de ser uma região unificada. Os países têm desempenho econômico heterogêneo, alguns com dívidas insustentáveis, fruto de excessos cometidos nos últimos dez anos ou mais. Alguns países - como a Grécia e a Espanha - precisam fazer ajustes que não parecem ser viáveis politicamente. Pelo jeito, para o euro sobreviver na forma atual será necessário dividir as perdas pelo restante da Europa.

O problema é que há percepções distintas quanto à justiça dessa "socialização das perdas". Os líderes dos países europeus não conseguem convencer facilmente as suas sociedades da necessidade de transferir os recursos para as economias em apuros. A crise na Europa nos últimos anos é reflexo dessa dificuldade, como, por exemplo, a de aprovar os recursos necessários e os destinos para o fundo de resgate europeu (ESM). Falta acordo para avançar mais rapidamente. Só quando a situação piora, os países periféricos caminham para o calote e o euro parece à beira do colapso é que se consegue avançar na "socialização das perdas" (e, simultaneamente, na implementação dos fortes ajustes pelos países com problemas).

Uma atuação mais enérgica do BCE é, certamente, uma forma indireta de socializar as perdas. Mas é uma forma cuja resistência política costuma ser menor. Correto ou não, um balanço avultado do banco central parece causar menos espécie do que transferências diretas. O apoio das sociedades aos pacotes do Fed, do BoE e do Banco do Japão (BoJ) sugere que há pouca aversão ao risco de inflação ou ao calote dos títulos adquiridos. O suporte ao financiamento via LTRO do BCE no ano passado indica o mesmo. Sem falar que, na prática, as potenciais perdas em caso de dissolução do euro já estão encomendadas: no sistema de créditos e débitos dentro do sistema do euro (o Target2), a Alemanha já tem uma posição credora de quase 30% do seu PIB. Créditos que podem sumir, na ausência do euro. Um incentivo e tanto para manter o euro em pé.

Em suma, a atuação dos bancos centrais não produz a mágica da aparição dos recursos faltantes. Mas, no caso do euro, a atuação mais forte do BCE talvez seja, de fato, o caminho de menor resistência política (ou até o único) capaz de produzir uma ponte para o futuro. O BCE será julgado pelo sucesso dessa estratégia, que depende em grande medida de haver uma solução política no médio prazo. Caso falhe o projeto do euro, o prejuízo dessa estratégia será revelado no BCE, que inevitavelmente estará no centro da crise. Riscos parecidos correm os outros bancos centrais e seus balanços aviltados, que dependem do sucesso das políticas futuras. Esses poderosos bancos centrais de hoje parecem bem vulneráveis, não?

Marasmo governamental - GIL CASTELO BRANCO


O GLOBO - 07/08


"É a economia, estúpido!", escreveu James Carville, o marqueteiro do então candidato à presidência dos Estados Unidos, Bill Clinton, em cartaz fixado no comitê da campanha. A frase curiosa explicava as razões da vitória de Clinton sobre George Bush, o pai, que tentara a reeleição inspirado na onda de patriotismo gerada pela vitória americana na Guerra do Golfo, um ano antes.

No Brasil não é diferente. As popularidades de Lula e Dilma estão diretamente relacionadas à expansão da classe média, à melhoria na distribuição de renda e à ampliação do emprego. Os fatos são decorrentes de políticas acertadas, mas, sobretudo, do desempenho da economia. Assim, nem o julgamento do mensalão fará tão mal à eventual reeleição de Dilma quanto a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB), já apelidado de "pibinho" pela oposição.

Desta forma, estão a caminho novas medidas de estímulo à economia. A intenção é despertar o "instinto animal" dos empresários em favor dos investimentos. Afinal, depois de 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, a economia empacou, com espasmos curtos e esporádicos, fazendo jus à comparação com o "voo da galinha". A verdade, porém, é que o próprio governo não tem feito o dever de casa.

As obras da Copa de 2014, por exemplo, continuam com execução pífia. A Infraero, que promete investir R$ 2 bilhões neste ano, aplicou apenas R$ 368 milhões (18%) no primeiro semestre. Para a adequação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Antonio Carlos Jobim, o Galeão, estão previstos R$ 200,4 milhões até o fim do ano, mas foram investidos irrisórios 9,7% no primeiro semestre de 2012, o equivalente a R$ 19,5 milhões. Aliás, a estatal vive, há anos, verdadeira "anorexia" quanto aos seus investimentos. Nos últimos 12 anos, somadas as dotações autorizadas pelo Congresso Nacional, chega-se a R$ 10,5 bilhões, enquanto as aplicações foram de R$ 5,4 bilhões (51%). A diferença acumulada de mais de R$ 5 bilhões explica o caos nosso de cada dia nos aeroportos brasileiros. O bordão "imagina na Copa" circula nas redes sociais, sendo assunto diário em todas as cidades-sedes.

Os investimentos da União estão no mesmo ritmo. Neste ano, de cada R$ 4 previstos, apenas R$ 1 foi aplicado até julho. Além disso, em valores constantes, o investido em obras e equipamentos até o mês passado é inferior em R$ 3 bilhões às aplicações do mesmo período em 2010.

A letargia tem nome e endereço: Ministério dos Transportes, localizado no bloco R da Esplanada dos Ministérios. Vale lembrar que a Pasta ficou "sob nova direção" após as irregularidades que vieram à tona em 2010 e implicaram na demissão do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Diante da "casa arrombada", os novos gestores trancaram a execução, até para não serem envolvidos em escândalos semelhantes àqueles que provocaram a demissão dos antecessores.

Assim, em 2012, tanto os investimentos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) quanto os da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. são os menores dos últimos três anos, mesmo em valores correntes. No Dnit, as aplicações nos primeiros sete meses deste ano atingiram R$ 4,1 bilhões, inferiores aos R$ 6,1 bilhões e aos R$ 5 bilhões de 2011 e 2010, respectivamente.

Na Valec, que vive a "síndrome do Juquinha" - referência ao ex-presidente preso na Operação Trem Pagador -, os investimentos decaíram de R$ 1 bilhão (janeiro/julho de 2010) para R$ 451,9 milhões nos primeiros sete meses deste ano.

Diante do marasmo, a ministra do Planejamento tem despachado no bloco R, tentando agilizar os investimentos, as parcerias e as novas concessões. Com as visitas frequentes ao Ministério dos Transportes, Miriam Belchior ganhou dos técnicos da Pasta o apelido de Supernanny, personagem de um programa de televisão inglês, reproduzido no Brasil, no qual uma superbabá dá orientações a pais de crianças rebeldes. Faz sentido. Para os que não entendem a presença quase diária da ministra no prédio vizinho, que mobiliza grande parte dos investimentos federais, a resposta é clara: "É a economia, estúpido."

Como a iniciativa privada costuma ficar à espreita analisando a gestão pública, o governo, antes de atiçar o "instinto animal" dos empresários, precisa despertar o seu, para dar amplitude e altura ao "voo da galinha". Afinal, se as metáforas sobre o crescimento da economia estão associadas ao reino animal, os investimentos públicos não podem caminhar na velocidade de um cágado...

É o desemprego, tontos! - ANTONIO DELFIM NETTO


Valor Econômico - 07/08



Na preparação e na expansão dos fatos que levaram à crise que estamos vivendo não existem inocentes: os governos falharam miseravelmente, o setor financeiro sem regulação - como o velho escorpião da fábula - cumpriu o seu objetivo matando o setor real da economia e alguns economistas, gloriosamente, "teorizaram matematicamente" a alta qualidade dos malfeitos...

Seria ridículo e pretensioso dizer que os economistas foram causa eficiente da crise. Eles foram apenas coadjuvantes (e algumas vezes beneficiários) do processo. Ajudaram a criar uma "ideologia" que pretendia dar base "científica" ao papel do mercado financeiro desregulado na aceleração do desenvolvimento econômico e do bem-estar do mundo. A mensagem construída a partir da fantástica hipótese dos "mercados perfeitos" tinha com consequência subliminar a ideia do velho presidente Reagan: "Os governos não são a solução, são o problema!" Mas é ridículo, também, isentá-los de qualquer responsabilidade. Produziriam trabalhos científicos na Academia, onde se faria "ciência pela ciência", na qual não é proibido inventar universos que não existem, como uma sociedade com um único produto, com uma função agregada de produção domesticada, com um agente representativo que incorpora todos os consumidores e os produtores, mas onde não há nem o crédito, nem as bolsas de valores. Agora esforçam-se em incorporá-los no famoso modelo designado de DSGE (Dynamic Stochastic General Equilibrium, Equilíbrio Geral Dinâmico Estocástico). Não teriam, entretanto, responsabilidade pelo mau uso dos seus modelos, mesmo porque esses não se referem, necessariamente, a este mundo...

Paradoxalmente, nesse processo no qual parece não haver ator que tenha sido sua causa eficiente, há quem esteja recebendo a conta do malfeito. São os mais de 30 milhões de desempregados que estão nas ruas recusando-se a pagar as "falhas" dos governos - que provavelmente corrigirão nas urnas - e as "falhas" do mercado financeiro, cujos responsáveis esperam ver julgados e condenados pela Justiça. Acreditaram que os governos e os mercados sabiam o que faziam. Continuam sendo ignorados pelos estudos mais recentes de economistas ainda presos ao paradigma que a crise destruiu.

Economistas foram coadjuvantes no processo da crise

Não se estuda o verdadeiro "custo social do imenso desemprego". Insiste-se em continuar a estimar os efeitos sobre o bem-estar (o consumo) produzidos pelas flutuações do PIB, na velha e abusada tradição de Robert Lucas (o brilhante Prêmio Nobel de 1995) para quem as flutuações do emprego são pouco mais do que ataques de vagabundagem que, ciclicamente, atingem a mão de obra. Chega-se à conclusão que sobre esse ser inefável e metafísico - o consumidor representativo - ele é pequeno. Aliás, as estimativas variam fortemente porque todos conhecem - mas ninguém leva a sério - a afirmação do economista C. Otrok ("On measuring the welfare cost of business cycles", "Journal of Monetary Economics", 47, 2001, 61:92) que é "trivial fazer o custo do bem-estar produzido pela variação do PIB do tamanho que cada um quiser, simplesmente escolhendo uma forma conveniente da preferência" [do consumidor]. Repete apenas o grande Vilfredo Pareto, que já no século XIX afirmou: "Me deem as hipóteses adequadas e provarei qualquer coisa"...

A demonstração mais evidente dessa "disfunção teórica" é um recente trabalho de E. B. Yehoue também inspirado em Robert Lucas ("On Price Stability and Welfare", IMF Working Paper 12/189, julho de 2012). Suas conclusões são interessantes: "Usando um agente-representativo conservador num modelo de equilíbrio geral e baseado em parâmetros consistentes com os dados dos EUA, estimamos o custo social associado com diferentes níveis de metas inflacionárias, em particular 2%, 4% e 10%. O trabalho sugere que o custo social adicional de elevar a meta de inflação de 2% para 4% é igual a 0,3% do PIB real. Se a elevação for de 2% para 10%, esse custo se eleva a 1%. Com outros valores para os parâmetros na curva de demanda de moeda chega-se a 7% quando se eleva a inflação de 2% para 4%, e a 30% quando se passa de 2% para 10%" (página 4).

Em poucas palavras, vale "a fortiori", o que disse - repetindo Pareto - o economista C. Otrok citado acima. Quando as hipóteses são arbitrárias, "Deus está morto e tudo é permitido!"

Mas o ponto realmente importante no trabalho de Yehoue é que, salvo algum engano, ele menciona uma única vez nas 35 páginas do artigo, a palavra "desemprego" (página 21) referindo-se ao economista prático Arthur M. Okun (1928-80), que mostrou uma regularidade entre a taxa de crescimento do PIB e a taxa de crescimento do desemprego agora conhecida como "Lei de Okun". Obviamente, Yehoue não a utilizou porque ela introduziria ainda mais "ruído" nas suas conclusões. Aliás, uma coisa me intriga: seria o "custo social" produzido por um eventual aumento da meta de inflação de 2% para 4% nos EUA menor do que o custo do desemprego causado pela sua persistência ao longo dos últimos cinco anos de pelo menos 3% (dos 8% atuais para os 5% "normais")? É sugestivo que nas 58 referências do artigo, nenhuma tenha no título a palavra "desemprego"!

Lambanças na Petrobrás - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 07/08


As razões puramente técnicas e as explicações contábeis para o primeiro prejuízo trimestral da Petrobrás (veja no Confira) nos últimos 13 anos estão sendo desfiladas uma a uma pela atual diretoria, que atribui, com certa razão, todas as mazelas da empresa à administração anterior.

Esse prejuízo tem algo a ver com questões cambiais, que elevaram em reais dívidas em moeda estrangeira. E está ligado também à redução da produção, que encolheu as receitas com exportações. Mas isso não é tudo. É o resultado de oito anos de uma administração que decidiu levar às últimas consequências o slogan dos anos 50: "O petróleo é nosso".

O "nosso", no caso, é o possessivo que se refere à turma que se apropriou da gestão pública para fazer jogo político. O setor administrativo da Petrobrás foi loteado para atender a interesses da base do governo Lula. E isso ajuda a explicar o que a atual presidente, Graça Foster (foto), admite como existência de focos de hemorragia da empresa - desvios que agora pretende corrigir com um Programa de Eficiência Operacional para o qual já estão destinadas despesas de US$ 5,6 bilhões.

Um dos sinais desses focos de hemorragia, também denunciado por ela, foi a até agora inexplicada disparada dos custos de construção da Refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco), cujo orçamento saltou inexplicavelmente de US$ 2,3 bilhões, em 2005, para US$ 20,1 bilhões, neste ano. Graça se limita a afirmar que é um exemplo do que não se pode fazer.

Outro desvio marcante é o uso do caixa da Petrobrás para executar a política populista de preços que acabou por subsidiar combustíveis. Mesmo com os tímidos reajustes, os atrasos dos preços da gasolina e do óleo diesel alcançaram a magnitude de entre 15% e 17%.

É o que explica o avanço do consumo de gasolina, de 17%, em 2011, e, nos primeiros seis meses de 2012, já de 7%. Como as refinarias não têm mais capacidade para novos aumentos de produção, neste ano a Petrobrás se vê obrigada a importar 315% a mais de gasolina do que em 2011, além de ter de revendê-la internamente por preços mais baixos.

Mais uma distorção administrativa imposta pelo presidente Lula foi fazer com que a Petrobrás passasse a funcionar como instrumento de política industrial, obrigando-a a contratar, por preços substancialmente mais altos e prazos de entrega elásticos, materiais e equipamentos de produtores nacionais, por vezes ainda em fase de implantação.

A dilapidação de patrimônio público não é a única consequência do que vem ocorrendo. Outro efeito perverso é a deterioração das condições de produção dos combustíveis renováveis, sobretudo do etanol, que já não consegue competir com os preços subsidiados da gasolina. Desdobramento dessa administração também é agora o alto risco de que o retorno operacional insuficiente inviabilize o programa de investimentos da Petrobrás, que prevê o dispêndio de US$ 236,5 bilhões até 2016.

Mesmo que a atual e as futuras gestões corrijam os desvios atuais, a Petrobrás não está dando conta da missão confiada pelo novo marco regulatório do pré-sal, como a exigência de que participe de todas as novas licitações, na proporção mínima de 30%. Ficam as dúvidas, se somente uma administração mais eficaz bastará para reverter os efeitos de tantas lambanças.

Síria, entre ratos e sonhadores - CLÓVIS ROSSI

Folha de São Paulo - 07/08


Desertores, como o primeiro-ministro, são hábeis em detectar a direção dos ventos

A indicação mais forte de que o governo Bashar Assad está condenado não é nem o resultado, seja qual for, da batalha de Aleppo, nem mesmo o atentado que matou quatro integrantes do esquema de segurança do regime, há duas semanas.
É o fato de que os ratos estão abandonando o navio. Não creio que "rato" seja uma designação exageradamente negativa para Riyad Farid Hijab, o primeiro-ministro que fugiu ontem.
O comunicado com que anunciou a deserção é um primor de pouca-vergonha: "Hoje, anuncio minha deserção do regime terrorista e assassino e anuncio que me somo às fileiras da liberdade e da dignidade da revolução".
Hijab serviu a vida toda ao "regime terrorista e assassino". Ocupou cargos no partido Baath, que serve de cobertura para a ditadura, desde a juventude. Chegou a ministro (da Agricultura) no mesmo ano em que começava a revolução. Dali pulou ao cargo de primeiro-ministro.
Ou seja, é parte inoxidável do "regime terrorista e assassino". Mas esse tipo de gente tem faro extraordinário para detectar a direção dos ventos. Tanto que, apesar de sunita, integrou-se a um regime dominado pela minoria alauita, ramo do xiismo, enquanto a ditadura parecia eterna. Agora que ela cambaleia, volta ao ninho sunita (a grande maioria dos revoltosos é sunita).
Não é o único exemplo: faz pouco vi na TV um discurso do general Manaf Tlas, mais alta patente a desertar, depois de ter ficado ao lado dos Assad desde o tempo de Hafez, o pai do atual ditador, não menos sanguinário que o filho.
Pareceu-me o típico caudilho de republiqueta, que a América Latina conhece tão bem. Apunhala o amigo de ontem apenas para ficar com o que sobrar de seu poder.
Se é verdade que toda revolução é como Saturno, que devora seus filhos, temo que os revolucionários sírios serão fatalmente devorados. Ou pelo próprio Assad, se sobreviver, ou por desertores que conhecem melhor que ninguém os escaninhos do poder.
Pobres dos meninos que, primeiro, saíram às ruas para protestar pacificamente e foram massacrados dia após dia dos últimos 17 meses, e agora, cansados de morrer, tomam as armas.
Álvaro de Cózar, enviado especial do jornal "El País" a Aleppo, pergunta, em subtítulo de extensa reportagem no domingo, "o que leva um jovem universitário a gastar US$ 1.000 em um fuzil Kalashnikov e ir para a guerra?".
Respondeu ontem no mesmo jornal o filósofo iraniano Ramin Jahanbegloo (Universidade de Toronto), com uma perspectiva abrangente:
"Durante meio século, todo o mundo acusou os cidadãos árabes, turcos e iranianos de não mostrar suficiente interesse em conquistar as liberdades democráticas nem lutar verdadeiramente para livrar-se de seus governantes autoritários. Nos últimos tempos, no entanto, milhões de egípcios, tunisianos, iranianos, iemenitas, sírios e bareinitas demonstraram que essa acusação não era certa, ao levar a cabo mobilizações cada vez mais amplas contra os tiranos".
Seria cruel se, na Síria, ganhassem do tirano e perdessem para os ratos.

As perdas avassaladoras da Petrobrás - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 07/08


O surpreendente prejuízo de R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre é a síntese do custo que está sendo imposto à Petrobrás e, sobretudo, a seus acionistas e ao País por um modelo de gestão que a levou à estagnação em duas áreas essenciais - a de exploração e produção e a de refino e abastecimento. Esse modelo provocou a drástica redução de sua lucratividade, a ponto de a levar a registrar, de abril a junho, seu primeiro resultado negativo em 13 anos, mesmo com a receita líquida tendo alcançado R$ 68,05 bilhões, 11,5% mais do que a do segundo trimestre de 2011. Fatores conjunturais, como a valorização do dólar em relação ao real e a defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno, agravaram problemas que se acumularam ao longo da administração petista da empresa.

A área de exploração e produção registrou, no segundo trimestre, lucro líquido de R$ 10,67 bilhões, um resultado expressivo em valor, mas que, comparado com o de 2011, se revela frustrante. O aumento foi de apenas 0,7%. Nos últimos três anos, quando o PIB brasileiro cresceu mais de 10%, a produção da Petrobrás manteve-se praticamente estagnada, o que levou a diretoria da empresa a anunciar um plano de emergência para recuperar sua eficiência nessa área.

Evidência da baixa eficiência da empresa é a constatação de que muitos poços perfurados pela estatal na área do pré-sal - a grande promessa anunciada pelo governo do PT - estavam secos. Quando se anunciam os investimentos em novos poços, os valores não são contabilizados como despesas. No momento em que se constata que esses poços estão secos, porém, os valores precisam ser lançados nessa rubrica. Foi o que aconteceu no segundo trimestre, quando essas despesas somaram R$ 2,73 bilhões, R$ 2,1 bilhões mais do que os gastos com esse item no primeiro trimestre.

São particularmente ruins os resultados na área de abastecimento. A política comercial da empresa, imposta pelo governo do PT, não repassa integralmente ou retarda ao máximo o repasse dos preços internacionais para o mercado interno. Apesar da alta da cotação do petróleo e dos derivados que o País importa em volumes crescentes, o preço da gasolina cobrado pela Petrobrás em suas refinarias teve apenas dois aumentos desde novembro (de 10% e de 7,83%). Essa política já provocara prejuízo de R$ 2,28 bilhões na área de Abastecimento no segundo trimestre do ano passado; neste ano, as perdas subiram para R$ 7,03 bilhões.

Como sua produção, a capacidade de refino da Petrobrás está estagnada há anos. O governo Lula aproveitou essa situação para fazer grandes anúncios de investimentos na expansão da capacidade da empresa e utilizar de maneira política esses anúncios, agradando a governadores de alguns Estados e, em particular, o parceiro internacional preferido dos petistas, o caudilho venezuelano Hugo Chávez. Os resultados dessa exploração político-ideológica da empresa são desastrosos, operacional e financeiramente.

Como mostrou reportagem do Estado (5/8), 18 meses depois do lançamento de sua pedra fundamental pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua coberto de mato o terreno, no Ceará, onde deverá ser construída a refinaria Premium 2, anunciada como prioritária pela Petrobrás e com capacidade prevista para processar 300 mil barris/dia.

Outra refinaria que simboliza a política lulista para a área energética e para a América Latina, a de Abreu e Lima, em Pernambuco, nasceu de uma pretensa parceria entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA. Até agora, porém, a obra não recebeu nem um centavo sequer do parceiro estrangeiro, está com as obras muito atrasadas - prevista para funcionar em 2011, só ficará pronta em 2014 - e já custa praticamente o quádruplo do valor orçado no início e o triplo do valor internacional médio de um empreendimento similar.

Em mensagem aos acionistas, a presidente da empresa, Graça Foster, disse que a Petrobrás tem histórico, reservas e pessoal para a levar "a patamares de excelência" que lhe assegurem rentabilidade. De fato, tem. Mas precisa ter também uma diretoria capaz de, resistindo a pressões políticas do governo, restaurar a eficiência perdida.

Ueba! Levamos nas argolas! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 07/08

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Londres urgente! Ouro! Em Argolas! Judô e argolas. Porrada e buraco! Isso que é animação! Finalmente hino brasileiro. Não aguentava mais o hino chinês: Ouvilam do Ipilanga! Zanetti, o Senhor dos Anéis!

E bronze em vela. O Brasil não é ouro em vela, o Brasil é ouro em Wellaton, só tem loira tingida. Rarará! Olimpiadas. Ou como disse um amigo meu: OLIMPIPOCAS!

E a grande piada das Olimpipocas: Fabiana Murer no salto com vara. Ops, Fabiana Murer em Não Salto com Vara! Essa menina tem problema com vara! Em Pequim passaram a mão na vara dela! "Deram elza" na vara! Agora, bota culpa no vento. Na próxima, vai dizer que tem medo de altura!

Agora tudo é culpa do vento. Defesa do Zé Dirceu alega vento! "Como o senhor explica todo esse desvio de dinheiro?" "FOI O VENTO." Rarará! Efeito Fabiana : Ventou no mensalão! E vento em vara dá gripe, pneumonia e torcicolo.

A Fabiana pegou a vara e foi pescar! E um leitor quer uma nova modalidade olímpica: Salto na Minha Vara! E um menino caiu do skate hoje na rua e gritou: "Merda de vento!". Rarará!

Quer mais medalha? Manda o Corinthians pra Londres. Olha o que rola no Facebook: "Se tivessem mandado seis corintianos a essa altura já teríamos 12 medalhas de ouro, 22 de prata, 33 de bronze, 76 relógios, 16 km de fio de cobre e a coroa da rainha". Vai, Corinthians! Rarará!

E o vôlei feminino, Brasil x Sérvia! E o grito do vôlei brasileiro: "Me Sérvia, Vadia!". Rarará! Tudo termina nessa novela "Avenida Brasil". Obsessão nacional! E a juíza do vôlei era tcheca. E o pai de um amigo meu: "Eu nunca vi tcheca apitar". Eu já vi. Na Tailândia. Que apita, fuma e joga ping-pong. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E a "Avenida Brasil"? Piada pronta do Tufão: "Murilo Benício organiza leilão de gado no Rio". Não pode! Ator que faz o papel de maior corno do Brasil não pode organizar leilão de gado! Organizar chifre! Rarará!

E a novela devia se chamar Gritaria Brasil. A novela tem três núcleos: o que grita, o que chora e o que grita e chora! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Estrada de pedras - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 07/08


Ainda que não saiam inteiramente de cena os estímulos à demanda, as atenções e os esforços da política econômica prometem agora se concentrar na ampliação da oferta - o que significa, em resumo, oferecer condições para a expansão dos investimentos e a melhoria da competitividade. Se adotadas na amplitude que as já insistentes indicações oficiais fazem acreditar, as medidas em gestação expressarão uma mudança de substância no modelo de crescimento da economia brasileira. Mas sucessivos adiamentos na divulgação dos programas mostram que não está fácil fechar um plano abrangente e integrado de ações pró-investimento.

Voltadas principalmente para as áreas de infraestrutura de transporte e logística, ao lado de desonerações de impostos para reduzir custos de produção, em especial em energia e mão de obra, as ações com as quais o governo acena objetivam desfazer gargalos que impedem um crescimento econômico menos instável e tímido.

Ainda que, a partir do segundo semestre do ano passado, a economia tenha sofrido os efeitos das medidas de contenção monetária aplicadas nos primeiros meses do governo Dilma, são esses gargalos que estão na base do desempenho insatisfatório da economia, em 2011 e 2012.

É preciso ter em mente que a tarefa de expandir investimentos, livrando a economia de obstáculos estruturais, é mais complicada do que empurrar a atividade econômica com injeções de incentivos ao consumo. Não só o sucesso de tal empreitada depende de mais e mais abrangentes condições como seus efeitos são muito menos imediatos. A impaciência, portanto, é um dos elementos adversos da nova equação que o governo se dispõe a resolver.

Em ambientes de baixo endividamento e sobra de capacidade produtiva, estímulos diretos de renda e crédito produzem resultados positivos em período relativamente curto de tempo. É disso que os governos costumam se valer quando o ciclo econômico se encontra no ramo descendente, expressando em geral fases de recessão e deflação. Pode-se também avançar, embora com menos desembaraço, recorrendo a importações para atender à demanda e modernizar o parque de produção, ganhando um suspiro de produtividade e competitividade, à custa de uma valorização cambial.

A economia brasileira já viveu, recentemente, essas duas situações. A experiência mais óbvia da primeira situação se deu com a explosão de 2010. De fins dos anos 90 até meados da década atual, vivemos a segunda situação, numa etapa de crescimento positivo, mas modesto e sem brilho.

Com a ocupação da capacidade instalada, inflação ou limites ao endividamento se apresentam e o movimento de expansão da economia tende a perder fôlego. De seu lado, a persistência de uma taxa de câmbio excessivamente valorizada colabora para desarrumar a estrutura produtiva, sobretudo no crítico setor industrial, freando a economia, em razão das perdas de produtividade e competitividade.

Parece cada vez mais claro que a resposta para a retomada terá de vir, necessariamente, de ganhos de produtividade. Mas estes, não se pode esquecer, são apenas em parte independentes da ampliação dos investimentos - em capacidade física, capital humano e inovação - e, especificamente, da expansão dos investimentos em infraestrutura.

Sair da armadilha do baixo crescimento, nessa etapa, exige direcionar recursos para atividades caracterizadas pela relação capital-produto mais alta e retornos mais lentos. Em tempos de retração e de incertezas globais, significa encarar dificuldades ainda maiores do que as já normalmente grandes para conduzir uma política de investimentos bem-sucedida.

É nessa estrada de pedras que a economia brasileira se encontra no momento.

Já não basta, como foi feito, no atual governo, com alguns aeroportos, apenas licitar concessões. Depois de abrir horizontes, com a possibilidade de manter juros mais baixos e abrir espaços para financiamentos privados de prazo mais longo, é preciso ir além da simples transferência operacional da infraestrutura construída com recursos públicos. Sem atualizar legislações, minimizando inseguranças jurídicas, aliviar custos tributários e eliminar burocracias, que afetam diretamente a competitividade, é muito difícil que se consiga ir tão longe quanto seria necessário.

Dilma com a palavra - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 07/08

Proliferação de medidas pontuais turva a política econômica do país; cabe à presidente definir estratégia transparente de longo prazo

Mais um pacote de estímulos à economia se encontra em gestação.

Seu anúncio seria feito hoje em nova reunião de empresários em Brasília, mas foi adiado por uma semana -tempo que a Presidência deveria usar para reavaliar a utilidade de prosseguir fatiando o que já não é fácil reconhecer como uma política econômica coesa.

A despeito da imagem caótica deixada pelos repetidos anúncios de medidas fragmentadas para estimular a economia, até se consegue divisar uma linha geral de conduta nas ações do governo: ataque aos problemas de competitividade e obstáculos ao investimento.

Falta, porém, dar um sentido de conjunto e apresentar à sociedade a concepção estratégica por trás dessas intervenções táticas.

A desaceleração do crescimento, desde meados de 2011, foi o ponto de partida para uma bem-vinda correção de rumos na política econômica. Rompeu-se, por exemplo, o conformismo inercial com os juros estratosféricos do país. O Banco Central, sob pesadas críticas, aproveitou o ambiente global recessivo e cortou sua taxa básica (Selic). Hoje o Brasil se aproxima de juros reais de 2,5% ao ano, algo impensável há bem pouco tempo.

Caso o novo patamar persista -o que depende de responsabilidade do governo com o equilíbrio de suas contas-, os impactos serão significativos. Entre eles, é possível contar com maior disposição do capital privado em financiar investimentos de longo prazo.

Por sua vez, as medidas de desoneração tributária, como a redução de encargos na folha de pagamento e, em breve, na conta de luz, mostram que o governo federal está corretamente atento ao problema da competitividade e do custo dos insumos de produção.

A disposição para novas reduções de tributos esbarra, contudo, na falta de espaço orçamentário no curto prazo. O governo já se debate com frustrações de receita e dificilmente cumprirá a meta de 3,1% do PIB de resultado primário (saldo anterior ao pagamento de juros da dívida pública) neste ano. Só a retirada dos encargos setoriais da energia, por exemplo, se cumprida integralmente, engoliria R$ 16,3 bilhões ao ano (ou 11,7% da meta de R$ 139,8 bilhões de superavit).

É evidente que não se deve perseguir uma desoneração atabalhoada, que comprometa as contas. O ideal seria considerar um programa de redução gradual e continuada. Se crível, bastaria seu anúncio para já influenciar as decisões de investimento dos agentes privados.

O governo, porém, ainda não exibiu um roteiro previsível do que pretende e pode fazer para manter o rumo nos próximos meses e anos, e não só nas próximas semanas.

É preciso explicitar um conjunto coerente de iniciativas, com metas numéricas onde possível. Quão menor será a carga tributária em 2014? E quais medidas serão necessárias para isso? Qual é a meta de investimento público e como será gerido o Orçamento para atingi-la? Em qual prazo e sob que condições serão feitas concessões ao setor privado em infraestrutura?

Mostrar tais caminhos demandará o compromisso com uma agenda de reformas em áreas politicamente sensíveis. Compete à presidente Dilma Rousseff apresentar essa visão ao país.

CLAUDIO HUMBERTO

“Meu cliente não é quadrilheiro, não é chefe de quadrilha”
José Luís Oliveira Lima, advogado de José Dirceu, diante dos ministros do Supremo


PT DECIDE ESCANTEAR RELATOR DA CPI DOS CORREIOS 

O PT decidiu, por ora, manter Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios – que investigou o “mensalão” em 2005 –, na vice-liderança do governo na Câmara. Mas o peemedebista será excluído das reuniões e decisões da liderança após ter declarado que há provas da existência do mensalão e que o PT agia como “tropa de choque” para impedir investigações contra o então ministro José Dirceu.

SOB CONTROLE

A avaliação do PT e do Planalto é que manter Osmar Serraglio no cargo mais ajuda do que atrapalha: ele terá de ficar de bico calado.

TROPA PETISTA

Em entrevista, Serraglio citou como “tropa de choque” Carlos Abicalil, Jorge Bittar e Ideli Salvatti, hoje ministra de Relações Institucionais.

PISOU NO CALO

Irritados com as declarações, o líder do governo, Arlindo Chinaglia, e o líder do PT, Jilmar Tatto, pediram a Ideli a substituição de Serraglio.

DOCTOR HOUSE

Liberado por seu médico “para tudo o que quiser”, Lula ficará agora aos cuidados do dr. Ibope na campanha eleitoral de Haddad à prefeitura.

CASA DOS SONHOS DE LULA CUSTA R$ 22 MILHÕES

O Instituto Lula nega, mas o assunto é o tititi de corretores em São Bernardo do Campo (SP): o ex-presidente estaria de novo interessado na mansão de R$ 22 milhões do falecido empresário José Roberto Preto, das empreiteiras Emparsanco e H. Guedes, “estrelas” de obras públicas na cidade. Com as filhas casadas, a viúva quer vender a casa na rua Carlos Maranesi, no bairro Anchieta, o mais chique da região.

TEMPO PARA PENSAR

O xodó de Lula pela casa começou quando deixou a presidência, mas as trapalhadas da família com passaportes especiais arrefeceu o ânimo. 

CIRCULANDO

Outro xodó de Lula na cidade é o carro Ford Fusion híbrido preto, placa JDF-7131, que não consta do banco de dados do Detran. 

VOA, DILMA, VOA

Diretor-geral da FAO, o ex-ministro na gestão Lula José Graziano deu alerta ao governo: “A presidenta Dilma precisa viajar mais”.

ASSIM, ASSIM

De um modo geral, os advogados de defesa foram menos contundentes do que se esperava, na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo utilizaram todo o tempo disponível.

PT SE AFASTA DO PSB

Autorizado por Lula, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, fez duras declarações contra o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em entrevista ao Jornal do Commercio. Dirigentes petistas dizem que Lula nem mesmo atende o governador ao telefone.

ATUALIZANDO

Apesar de sua fala ter ficado mais para o final do julgamento, o advogado de João Paulo Cunha, Alberto Toron, planeja acompanhar todas as sessões no STF: “Acabo fazendo modificações na defesa”. 

SEM RESULTADO

Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), teria mais resultado uma acareação da mulher do Cachoeira, Andressa Mendonça, com o juiz que a acusou de fazer ameaças: “Só o depoimento não dá em nada”.

SIESTA

O relator do processo do “mensalão”, Joaquim Barbosa, permaneceu praticamente todo o tempo, ontem, no Plenário do Supremo para ouvir a defesa dos réus. Desta vez, ao invés de se retirar, tirou uma soneca.

VIZINHO DA PESADA

Indicada a embaixadora brasileira em Moçambique, Ligia Maria Scherer deverá morar ao lado do traficante Mohamed Bachir Suleiman, procurado pela Interpol e revelado em telegrama pelo WikiLeaks. A nova embaixada, de seis andares, foi inaugurada há duas semanas.

PASSANDO O BASTÃO

No dia 31, o ministro Gilson Dipp assume a vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça. Por isso ele se despede do Tribunal Superior Eleitoral, sendo substituído pela ministra Laurita Vaz, também do STJ. Ela é de Anicuns (GO), como o ex-senador Demóstenes Torres.

NOSSO DINHEIRO SUMIU

O governo do Zimbábue “caça” US$ 40 mil doados pelo Brasil em dinheiro e equipamentos para a Defesa Civil do Zimbábue, na África, diz o jornal The Independent. Teme cair em descrédito. Que nada…

CHAVE DE CADEIA

Em benefício do réus, certos advogados deveriam omitir os nomes das testemunhas de defesa no julgamento do mensalão. 

PODER SEM PUDOR

ENTREGANDO COMUNISTAS

No golpe de 1964, a polícia prendeu em Curitiba o advogado Noel Nascimento. Um major queria nomes de comunistas.

- Não conheço nenhum comunista, major.

- Claro que conhece e tem que contar. Ou se arrepende.

- Mas eu tenho medo. Conheço dois, mas eles podem vingar-se de mim.

- Não tenha medo.

- Não diz que fui eu quem disse? Conheço Kruschev e Mao Tsé-tung.

Noel ficou um mês na solitária.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: A hora do mensalão – Só Delúbio assume crime. E já prescrito
Folha: Acusação é afronta à lei, diz defesa de José Dirceu
Estadão: Defesa de Dirceu recorre a testemunhos de Dilma e Lula
Correio: Como se faz um campeão
Valor: Guerra fiscal se acirra e ameaça investimentos
Estado de Minas: Na rota do medo
Jornal do Commercio: Petrobras defende aumento da gasolina
Brasil Econômico: Governo teme que o prejuízo da Petrobras afete contas públicas

segunda-feira, agosto 06, 2012

Olimpíada, Bolívia, Gore Vidal etc. - ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

REVISTA VEJA


O Hino Nacional vive seu grande momento em Olimpíadas. Não há ocasião em que venha mais a propósito. Talvez isso não seja tão evidente para americanos, chineses, russos ou ingleses, acostumados a ouvir seus hinos muitas vezes, na competição. Para os brasileiros, que pouco ouvem o seu, a raridade ressalta a especificidade do momento. Não é que o Hino Nacional engrandeça as Olimpíadas. Ao contrário, as Olimpíadas é que engrandecem o Hino Nacional. Naquele momento, ele recupera seu significado e justifica sua razão de ser.

O pior momento do Hino Nacional é quando é tocado antes dos jogos dos campeonatos disputados rotineiramente no Brasil. Por efeito de estúpida lei estadual que, salvo engano, primeiro foi baixada em São Paulo, e em seguida copiada em outros estados, o hino tem de ser executado antes de qualquer competição esportiva- Não se tinha inventado ainda maneira mais segura de torná-lo banal e inoportuno. Hino Nacional é ferramenta para ser utilizada com parcimônia. As Olimpíadas oferecem um momento adequado e justo para que ele provoque os efeitos de que é capaz.

O mensalão não é o primeiro escândalo a envolver pessoas situadas no coração do poder, no Brasil, mas é o primeiro cujo julgamento transcorre sem que se anteveja o abalo das instituições. Ao atentado da Rua Tonelero, em 1954, em que morreu o major Vaz e foi ferido o jornalista Carlos Lacerda, por obra de agentes subalternos do governo Getúlio Vargas, seguiram-se um inquérito ilegalmente conduzido por militares e uma gritaria da oposição que preparavam o golpe. No processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992, pairavam desconfianças de que o caso pudesse desandar em ameaça às recém-conquistadas liberdades. O fato de não se preverem catástrofes semelhantes para o atual julgamento representa uma coisa boa, a contrastar com as tantas ruins que o episódio evoca

Uma frase do ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, causou confusão na semana passada. Ele fez votos para que o dia 21 de dezembro, o último do calendário maia, marque o fim da Coca-Cola na Bolívia e o início do mono- cochinche, uma bebida popular no país. O ministro tomava carona nos augúrios do calendário maia para profetizar "o fim do egoísmo, do individualismo e da divisão do país", simbolizados na troca da Coca-Cola pela bebida nacional. Era uma alegoria, mas foi interpretada como notícia de que o governo iria proibir a Coca-Cola na Bolívia, e como tal circulou em sites brasileiros. 0.k., houve engano. Mas as palavras do ministro indicam que a Coca-Cola continua no centro das fantasias bolivarianas do governo Evo Morales.

É curioso que a declaração do boliviano venha à luz na mesma quadra em que o novo presidente da Coreia do Norte, o jovem Kim Jong-un, surpreendeu o mundo com uma festa em que dividia as atenções com Mickey Mouse, Branca de Neve e o ursinho Puff. O fim do calendário maia pode estar indicando que os dois países se preparam para permutar posições. Enquanto a Bolívia imbica no rumo de tornar-se uma Coreia do Norte dos Andes, a Coreia do Norte apresta-se para tomar-se, pelo menos, uma Bolívia do mar da China.

Grande Gore Vidal. O escritor americano falecido na semana passada tinha a veia dos grandes provocadores. "O grande e nunca mencionado mal no centro da nossa cultura é o monoteísmo", defendeu, numa palestra de 1992, em Harvard. Um "Deus do céu" está no centro das grandes religiões monoteístas. "Elas (essas religiões) são literalmente patriarcais —Deus é o pai onipotente —, daí o desprezo pela mulher por 2000 anos nos países afetados pelo Deus do céu e seus delegados machos na terra. O Deus do céu é ciumento, claro. Requer total obediência. (...) Em última análise, o totalitarismo é a única política que serve aos propósitos do Deus do céu. Qualquer movimento de natureza liberal ameaça sua autoridade e a de seus delegados na teira. Um Deus, um rei, um papa, um chefe na fábrica, um pai-líder na casa da família." Os grandes provocadores assacam com espantosa sem-cerimônia contra as verdades estabelecidas, e nisso Gore Vidal era um campeão. (O colunista agradece ao amigo José Roberto Whitaker Penteado por lhe ter revelado a palestra de Gore).

Um bye-bye para o Mercosul? - MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA


A entrada da Venezuela no Mercosul, agora oficializada, poderá ser o prego que faltava nesse caixão. Em circunstâncias normais, o alargamento seria positivo para o bloco, pois reforçaria a integração regional, promovendo o comércio e o desenvolvimento nos países- membros. Acontece que neste momento a presença da Venezuela poderá agravar os problemas do Mercosul. que já sofre os efeitos negativos da frequente violação de suas regras, do ressurgimento da cultura protecionista e da volta da instabilidade macroeconômica. A Argentina, o caso mais extremo, tem padecido também de um intervencionismo estatal exacerbado, que se agrava com a manipulação de índices de preços e a perda de autonomia do banco central. Além disso, ficará mais difícil celebrar acordos bilaterais de comércio, que exigem aprovação unânime. O único acordo em vigor, o assinado com Israel, poderá ser prejudicado, pois a Venezuela não mantém relações diplomáticas com esse país.

A ideia do Mercosul começou a surgir com a democratização regional dos anos 1980. A Argentina e o Brasil se reaproximaram sob a diplomacia presidencial de Raül Alfonsín e José Sarney. Na Declaração do Iguaçu (1985), os dois lançaram a ideia de integração política e econômica do Cone Sul. da qual deveriam participar também o Uruguai e o Paraguai. Vem daí o Tratado de Assunção (1991), que criou o bloco. Adotava-se o exemplo de integração da Comunidade Econômica Europeia (CEE), hoje União Europeia (UE). Antes do Mercosul, havia nascido a Associação Latino- Americana de Livre-Comércio (Alalc, 1960), depois substituída pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi, 1980). Nenhuma delas contribuiu muito para a integração.

Como se vê agora, o projeto de criar uma união aduaneira, que pressupõe uma tarifa externa comum, era excessivamente otimista. Seria difícil reeditar a experiência da Europa, movida pela necessidade de eliminar o motivo básico de suas terríveis gueixas (a conquista territorial) e promover a democracia, o respeito aos direitos humanos e o bem-estar. No caso da Espanha, a busca de sua incorporação à CEE ajudou na transição política iniciada com a morte do ditador Francisco Franco (1975). O país não seria aceito sem inequívoca estabilidade política e econômica. A lembrança da guerra civil (1936-1939) estimulou a aprovação das reformas necessárias.

No começo, o projeto andou bem. A Argentina e o Brasil desarmaram as desconfianças mútuas que nos seus regimes militares motivaram programas nucleares e projetos não confessados de construir a bomba atômica. Caíram preconceitos e barreiras que inibiam o florescimento do comércio entre os dois países. O comércio se expandiu vigorosamente. A Argentina se tomou o terceiro maior mercado exterior do Brasil. O investimento entre os membros do bloco explodiu. Empresas dos respectivos países — particularmente da Argentina e do Brasil — se instalaram ou se expandiram fortemente na região. O êxito inicial justificou propostas para que a região evoluísse na direção de formas mais ambiciosas de integração.

Infelizmente, as ideias originais ficaram para trás. As exceções à tarifa externa comum se tomaram permanentes e agora se discute duplicar a respectiva lista, de 100 para 200 casos. O comércio intrabloco caiu de 21% para 14% do total. Em meio a tudo isso, veio a suspensão do Paraguai do Mercosul, sob o argumento de que o impeachment do presidente Fernando Lugo teria violado a cláusula democrática do bloco. O vácuo foi lamentavelmente utilizado para aprovar a adesão da Venezuela, em processo-relâmpago. Especialistas respeitados dizem que a manobra foi feita ao arrepio dos tratados. A natureza da mudança de governo no Paraguai é objeto de controvérsia, mas esta quase não existe quando se examina a forma como o novo membro foi admitido no bloco.

Com o ingresso da Venezuela, em má hora orquestrado pelo Brasil e pela Argentina, a instabilidade do Mercosul tende a piorar. O bloco não vai desaparecer, mas sua concepção inicial ficará cada vez mais distante. A saudação comemorativa de Hugo Chávez pode também ser interpretada como um bye-bye para a sonhada união nos moldes europeus

Choque elétrico - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 06/08

Jerson Kelman, presidente da Light, despede-se hoje da empresa.
O executivo enviou a diretores e gerentes, ontem à tarde, um e-mail curto em que diz: "Fui informado sexta-feira que, na terça, o Conselho de Administração se reunirá para escolher um novo presidente.”

Assim caminha a...
Ziraldo, talvez em causa própria, lembra que, antigamente, para se referir a um sujeito "vivido e vistoso” todos diziam: "É um belo quarentão!” Exemplo dessa geração foi Carlinhos Niemeyer (1920-1999), do Canal 100.
Depois, com a expectativa de vida maior, "vivido e vistoso” passaram ser os sessentões. Mário Andreazza (1918-1988) foi modelo dessa época.

Segue...
Agora, conclui Ziraldo, adentra o recinto a primeira geração brasileira de... oitentões "bonitos e vistosos”

Oito de 80...
Aliás, Ziraldo, de apenas 79 anos, é o caçula de oito brasileiros de 80 ou mais que receberão hoje homenagem da Associação Comercial do Rio.
Os outros: Israel Klabin, 85; Roberto Paulo Cezar de Andrade, ex-Brascan, 84; Chaja Raquel Schulz, empresária, 83; Paulo Casé, 81; Zuenir Ventura, 81; Fernanda Montenegro, 82; e Marcílio Marques Moreira, ex-ministro, 80.

Cine Dilma
Dia 16 agora haverá uma sessão especial para Dilma de "Heleno” o filme de José Henrique Fonseca.
O longa vei tentar o mercado americano a partir de novembro, com a distribuidora Screen Media.

Morro do Alemão, o filme

José Padilha vai dirigir em 2013 uma adaptação do livro que Rodrigo Pimentel e Gustavo Almeida escrevem sobre a ocupação do Alemão, no Rio.

CALMA, GENTE
Uma polêmica movimenta a pequena Santa Maria Madalena, terra de Dercy Gonçalves, no Noroeste fluminense. Corre no Iphan um processo para tombar o conjunto paisagístico do centro do município, e um grupo de moradores iniciou uma intentona contra a preservação. Alguns até puseram faixas na frente de suas casas. Alegam que, com o tombamento, não seria possível, por exemplo, construir novos andares. A área que o Iphan analisa tem imóveis dos áureos anos do ciclo cafeeiro, no século XIX, e compreende duas praças e oito ruas. O professor de arquitetura e urbanismo da UFF Sérgio Bahia, que participa de projeto de educação patrimonial na cidade, aprova o tombamento: “Ganha a cidade, o morador, o comerciante. Hoje, não há estrutura para turismo, mas há potencial. A preservação é um passo importante para que esta estrutura seja criada.” Eu apoio •

Tesouro leiloado
Parte do acervo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) vai a leilão dias 10 e 11 agora, no Rio.
À frente, o leiloeiro Raul Barbosa.
São livros com anotações do autor de "Morte e vida severina” manuscritos de originais, cartas trocadas com amigos como Drummond etc.

Segue...
Pesquisadores acham que o material deveria ficar com um acervo público.
Na França, aliás, uma lei dá preferência ao Estado em leilões do tipo.

Última batalha

O selo Primeira Pessoa (Sextante) vai relançar a biografia de Anderson Silva sem citações (como mandou a Justiça) a Rudimar Ferdigo, dono de academia em Curitiba, acusado pelo lutador, no livro censurado, de "pessoa do mal”.
Mas a nova edição trará um capítulo inédito sobre a "luta do século’,’ contra Chael Sonnen, em Las Vegas.

Em tempo...
Estranho o silêncio de muitos escritores com o avanço da censura. Não é um caso isolado. Para citar mais dois, ocorreu com livros sobre Garrincha e Roberto Carlos.

Poder feminino
A Rádio Corredor do Itamaraty diz que Maria Luíza Viotti, hoje representante na ONU, vai assumir nossa embaixada em Washington, no lugar de Mauro Vieira.

Fantasia premiada
Eduardo Spohr, 36 anos, autor carioca de romances da chamada literatura de fantasia, ganhou o Prêmio Fundação Luso Brasileira na categoria Revelação. Receberá em novembro, em Lisboa.
Autor de "A batalha do Apocalipse” e "Filhos do Eden” (Verus), Spohr já vendeu mais de 400 mil livros no Brasil.

Gois em Londres
Não foram só os nativos que abandonaram Londres durante os Jogos, para o lamento do comércio local.
Deu no "Financial Times” que as Olimpíadas atraíram pouco mais de 100 mil turistas. Segundo o jornalão, todo ano, neste período, a cidade recebe uns 300 mil visitantes. Imagina na Copa...

Gordinho simpático
A Reserva, grife carioca que, na contramão da idolatria dominante, usou uma imagem de Che Guevara com nariz de palhaço, agora lança uma nova linha de roupas tamanho GGG.
O garoto-propaganda será nosso músico Léo Jaime. Faz sentido.

Cena carioca
Sábado, por volta de 17h, o motorista do táxi Fox KZL 0107 pôs o, digamos, Tufão para fora em pleno Posto BR da Av. Sernambetiba, perto do Golden Green, na Barra, e... mijou sem cerimônia.
Há testemunhas.

Nina 1x0 Carminha
Sexta, no bar Clipper, no Leblon, onde torcedores do Fla costumam festejar as glórias do time (faz tempo), a turma, de repente, começou a gritar como num gol de Vagner Love (faz tempo também).
Acredite. Era comemoração por mais uma vitória de... Nina sobre Carminha na novela "Avenida Brasil’,’ da TV Globo, que era exibida nos aparelhos do boteco.

Como se sabe...
No capítulo de sexta, Carminha acusou Nina de ter furtado suas joias e passou por maluca. Estava tudo no lugar.

Ser e não ser - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 06/08


RIO DE JANEIRO - Coluna da semana passada ("Pode crer", "Opinião", 30/7) levantou o sobrolho de alguns leitores (alguns de meus leitores ainda levantam o sobrolho). Duvidaram de que Dorival Caymmi não soubesse nadar ou de que Beth Carvalho um dia tivesse cantado bossa nova. Encaminhei-os aos respecti vos documentos. E, para mostrar que nem tudo foi como pode parecer, eis mais alguns exemplos.

Sir Winston Churchill, grande orador e cuja eloquência ajudou a derrotar Hitler, era gago na infância. Já Nelson Gonçalves foi gago a vida toda, exceto cantando -ouça-o em "Renúncia" e constate o milagre. Elvis Presley era louro e tingia o cabelo de preto- já Marilyn Monroe, Brigitte Bardot e Kim Novak tinham cabelo preto e o tingiam de louro. E, desde o primeiro filme, "O Satânico Dr. No", Sean Connery nunca interpretou 007 sem peruca.

Carlos Gardel, o maior portenho da história, era francês de nascimento. Já o ultrafrancês Yves Montand nasceu na Itália. Irving Berlin, autor do hino extraoficial americano ("God Bless América") e da sua maior canção de Natal ("White Christmas"), era judeu-russo. E a carioquíssima Carmen Miranda nasceu em Portugal e veio para o Brasil aos nove meses.

Juscelino Kubitschek detestava a toada "Peixe Vivo", com a qual era recebido em todo lugar -pensavam que ele gostava. Fred Astaire, raramente visto na tela sem fraque e sem cartola, não os tolerava na vida real -aliás, ao estrear um terno, Astaire jogava-se ao chão e o amarrotava até que parecesse "usado". E quem diria que, na parceria "Viola Quebrada", de Villa-Lobos e Mário de Andrade, foi Villa quem fez a letra e Mário, a música?

Tudo isso para dizer que, muitas vezes, é possível ser uma coisa e, sem querer, parecer outra. Veja os mensaleiros. Nunca tantos inocentes produziram tantas provas contra si mesmos.

Populismo democrata - EDITORIAL FOLHA DE SP

Folha de S. Paulo - 06/08


Barack Obama investe pesado em anúncios de ataque direto ao republicano Mitt Romney e consegue dianteira em Estados decisivos

Apesar da lenta recuperação após o mais forte e longo declínio da produção, do emprego e da renda nos EUA desde os anos 1930, o presidente Barack Obama tem conseguido ampliar a sua vantagem sobre o rival republicano, Mitt Romney, em três Estados-chave para a eleição de novembro.

Dados divulgados na sexta-feira revelaram um saldo de 163 mil novos postos de trabalho em julho, um acréscimo ainda insuficiente para fazer a taxa de desemprego cair. Com efeito, ela oscilou de 8,2% para 8,3% da população economicamente ativa, um número alto para os padrões americanos.

Pesquisas de intenção de voto da semana passada indicavam, contudo, boa vantagem para o democrata, candidato à reeleição, nos chamados Estados-pêndulo.

No sistema americano de votação indireta para a Presidência, o postulante que recebe a maioria dos sufrágios em determinado Estado tem, em muitos casos, direito a todos os votos daquela unidade da Federação no colégio eleitoral. Assim, as campanhas de republicanos e democratas tendem a se concentrar nos Estados em que a preferência partidária pode mudar a cada eleição.

Segundo os números mais recentes, a vantagem de Obama sobre Romney na Flórida e em Ohio, dois importantes Estados-pêndulo, é de seis pontos percentuais. No terceiro, Pensilvânia, o democrata abre uma frente de 11 pontos. As mesmas pesquisas mostram que a maioria dos eleitores desaprova o que vê como desinteresse de Romney com os problemas da classe média.

O resultado indica o sucesso da milionária propaganda democrata na TV. O investimento de Obama tem buscado caracterizar o candidato republicano, ex-administrador de uma empresa de investimentos, como um milionário desconectado da realidade da maioria da população.

Por sua vez, Romney tem insistido num discurso ultraconservador, que não se coaduna com sua trajetória como governador de Massachusetts, um Estado progressista para os padrões americanos.

Mais pronunciada parece a guinada de Obama. Há quatro anos, o democrata se apresentava como único político capaz de superar as profundas divisões ideológicas do país e unir a "América" sob o signo da esperança num futuro melhor, em meio à crise financeira que eclodiu no final da Presidência do republicano George W. Bush.

Agora, o postulante à reeleição aposta justamente na polarização, com ataques diretos ao retrospecto empresarial de Romney.

O que em 2008 eram promessas vagas de redenção e grandeza cedeu lugar para boa dose de populismo convencional, numa investida pragmática do democrata para tentar vencer a disputa apertada e, com rigor, ainda indefinida