domingo, junho 03, 2012

A pane política de Lula - JOÃO BOSCO RABELLO


O Estado de S.Paulo - 03/06


A informação extraoficial de que a Controladoria Geral da União (CGU) já decidiu pela declaração de inidoneidade da Delta determinou a desistência do grupo J&F da operação de compra da empresa líder das obras do PAC. E pôs a pique outra iniciativa atribuída ao ex-presidente Lula na sua cruzada para influir no julgamento do mensalão, a favor do PT.

A operação funcionaria como antídoto ao efeito colateral da CPI do Cachoeira sobre o governo da afilhada política Dilma Rousseff. Sob nova direção, a extensa folha corrida da Delta seria debitada à conta de uma gestão fraudulenta, não detectada pelo governo, e passível de interdição com o aval deste.

Para dar certo era preciso remover três montanhas, proeza a exigir mais que a fé bíblica: restringir as investigações da Delta à Região Centro-Oeste, seduzir o comprador a entrar numa aventura e garantir a participação do BNDES na operação. Além, claro, de contar com uma dose generosa de ingenuidade coletiva.

Estratégia tão amadora compromete a mítica eficiência política de Lula, reconhecida até pelos seus adversários, e o nivela à turma dos "aloprados", com apenas dois anos fora do poder. É como uma pane política a indicar que o desespero com o iminente julgamento do mensalão não se restringe apenas ao companheiro José Dirceu, como teria dito ao ministro Gilmar Mendes na versão deste para a conversa entre ambos.

Versão que resiste a todos os desmentidos, como demonstra a operação do PT abortando pronunciamentos de seus parlamentares em defesa do ex-presidente, segundo a conclusão de que é melhor não manter acesa a polêmica.

Números

preliminares

A Controladoria-Geral da União apenas cumpre os prazos legais e adota a cautela de colher o máximo possível de informações para decretar a inidoneidade da Delta. Mas o levantamento em mãos do ministro Jorge Hage, já de conhecimento da CPI, autoriza a decisão, que tem o apoio do Palácio do Planalto. Números preliminares registram 90 casos de superfaturamento na execução de obras, 18 superfaturamentos em aditivos e 9 licitações de porte direcionadas. É pouco ainda, diante do que deverá emergir da quebra de sigilo da empresa e após sua intervenção.

Caixa-preta

Integrantes da CPI consideram urgente o depoimento do ex-diretor do Dnit, Luis Antonio Pagot, após as entrevistas de fim de semana, em que denuncia o uso de verbas públicas para caixa dois de campanhas do PT e PSDB. Há uma desconfiança de que Pagot decidiu contar o que sabe por sentir-se, no mínimo, ameaçado. Requerimento pela sua convocação deve ganhar preferência de votação.

Partilha

O PMDB deverá ceder a cabeça de chapa ao PT em três capitais: Goiânia, São Luís do Maranhão e Fortaleza. Na capital cearense, o PMDB só abre mão da candidatura própria a favor dos petistas Camilo Santana ou Nelson Martins, secretários do governador Cid Gomes. Se a prefeita Luizianne Lins insistir na candidatura de Elmano Freitas, PMDB e PSB prometem romper a aliança com PT e lançar candidato próprio.

Sem veto

A pedido do governador Eduardo Campos, o ex-presidente Lula levantou o veto ao nome do senador Humberto Costa como opção de terceira via para pacificar o PT na disputa interna pela prefeitura do Recife. Lula não confia no suplente de Costa no Senado, Joaquim Francisco (PSB), de longo passado pefelista.

Imprensa e democracia - JANIO DE FREITAS


FOLHA DE SP - 03/06

Assim como a imprensa pode tirar a Constituição do papel, tira também o papel da Constituição


Já que o ministro Carlos Ayres Britto é do Supremo Tribunal Federal, mas não se sente sob perseguições, e muito menos imagina que queiram "destruí-lo", acredito não haver risco em negar a ideia que faz da imprensa. E nela, sobretudo, da relação entre imprensa e democracia.

O ministro falou no 5º Congresso Brasileiro da Indústria de Comunicação, no qual também esteve o bispo Desmond Tutu. Foi o presidente da Comissão da Verdade e Reconciliação criada na África do Sul, em 1995, por Nelson Mandela.

Espera da nossa Comissão da Verdade que busque "curar as feridas de uma nação traumatizada". A idade não lhe diminuiu a percepção nem a determinação de dizer as palavras adequadas.

Em seu tema, o ministro Ayres Britto não se limitou à esperança. Tem a convicção de que "a metáfora de que a imprensa e a democracia são irmãs siamesas não é exagerada. É, de fato, um vínculo umbilical, a ponto de que, se for cortado esse cordão, é a morte das duas -da imprensa e da democracia".

A relação siamesa entre imprensa e democracia não se ajusta, no entanto, aos 21 anos brasileiros entre 1964 e 1985, por exemplo.

Não só ao decorrer do período, mas também àquilo mesmo que lhe deu origem.

Durante os 21 anos sem nem sequer os seus mínimos componentes da democracia, a imprensa brasileira (vamos englobar assim jornais, TV, revistas e rádio) teve lucros e outros enriquecimentos maiores, muito maiores, do que em qualquer fase anterior na sua história.

A par desse benefício generalizado, quanto mais próximo e a serviço do regime antidemocrático, maior a compensação.

Tanto a proporcionada diretamente ou indiretamente por ligação ao poder, como pela preferência publicitária por meios de comunicação identificados com o regime. Do qual a publicidade foi instrumento fundamental, talvez decisivo.

Mais importante jornal em todos aqueles anos, o "Jornal do Brasil", como principal órgão criador de opinião pró iniciativas do regime ("milagre brasileiro", "Brasil grande", a designação de "terroristas" para os oposicionistas, nem todos armados, e muito mais) proporcionou o exemplo definitivo da ligação ideológica-econômica dos meios de comunicação com a antidemocracia.

Habituara-se tanto aos ganhos estupendos e fáceis com sua posição, que, vinda a democracia, foi rápido para o colapso. Não o único a seguir tal percurso.

"A censura à imprensa teve duração pequena" -é uma afirmação muito repetida sob variadas formas. E inverdadeira.

Todo o período ditatorial foi atravessado por uma modalidade de censura sem evidência pública: o afastamento, impositivo sobre as direções ou proprietários, de jornalistas profissionais.

A base da convicção "siamesa" de Ayres Britto está na ideia de que, "por ser a instância que oferta à população uma alternativa, uma explicação diferente da que o governo dá aos fatos, a imprensa tira a Constituição do papel, vitaliza a Constituição".

Está na história: assim como a imprensa pode tirar a Constituição do papel, tira também o papel da Constituição, na sociedade e no país. A força agitadora para a preparação do golpe de 64 foi a imprensa. Com agitação diuturna.

Todos os demais agentes foram insignificantes em comparação com a imprensa, e dependentes dela. Quando ganharam significação, já a imprensa e o golpismo estavam muito à sua frente, vindo apenas a aproveitar, para a consumação do seu propósito, os múltiplos e estimulantes erros da chamada "esquerda".

A Constituição vigente até 64 foi rasgada, muito antes, pela imprensa. A pregação de Carlos Lacerda, de brilho incomum, afrontava a democracia e, pelas leis de então, como seria pelas atuais, era crime indiscutível contra a Constituição já desde os primeiros anos 50.

E seus seguidores, só por sê-lo, puderam multiplicar a ação agitadora em jornais, TV, rádio e Forças Armadas tão sem incômodo quanto seu líder.

Se há siameses na relação de imprensa e democracia, então são trigêmeas. A imprensa tem, de um lado, a democracia e, de outro, o regime de prepotência. O que vier estará bom. E exceção na imprensa, se houver, não passa de exceção.

Política e meios de comunicação - FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


O Estado de S.Paulo - 03/06


Escrevo esta crônica às vésperas de partir para o Japão e a China, de onde só regressarei depois de publicado o texto, daqui a duas semanas. É sempre arriscado, nessas condições, falar sobre a agenda política. Será mesmo? O marasmo é tão grande que possivelmente, ao voltar e reler os jornais, encontrarei os mesmos temas: a CPI, a corrupção com suas teias enredadas, os candidatos às prefeituras já conhecidos e suas previsíveis alianças, o PIB que cresce pouco, os juros que finalmente começam a cair, a inadimplência dos devedores, as demandas por reformas tributárias, as soluções caso a caso para diminuir os estoques das empresas (principalmente automobilísticas), e assim por diante. Dá até preguiça passar os olhos pelas colunas e notícias da mídia, sem falar das TVs que repetem tudo isso com sabor de press release, emitido seja pelo governo, seja por empresas.

Ainda recentemente, um sociólogo mexicano, falando na Fundação iFHC e se referindo a outro aspecto da mesma questão, disse que o resultado das eleições em seu país independe das campanhas eleitorais. Isso porque, quando a propaganda partidária tem vez na mídia, a "opinião" já está enraizada nos eleitores, pois nos anos anteriores se elegeram os heróis e os vilões cujas virtudes e defeitos foram repetidos todo o tempo, sem contestação crítica. Será muito diferente entre nós? É dessa maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos.

A sensação do já visto que alimenta a modorra e leva ao tédio e ao descaso com a política é, entretanto, enganadora e perigosa. A despeito de tudo, nem só de manipulação da opinião vive uma sociedade. De repente, quando menos se espera, não são as "forças do mercado" nem o "pensamento único" (que em nosso caso, menos do que neoliberal, é de esquerda desenvolvimentista-autoritária) que comandam a vontade popular. É o que vemos agora na Grécia e na França, onde a vitória de Hollande, a despeito do irrealismo de algumas de suas promessas, ecoa até na alma de Obama e o rígido dogmatismo tedesco, fantasiado de racionalidade de mercado, se vê cerceado por aspirações de outra natureza. Convém, portanto, não sobre-estimar a força das verdades preestabelecidas. Mormente em nossos dias, quando a internet permite que um sem-número de opiniões divergentes circule sem que os leitores ou ouvintes da grande mídia se deem conta.

Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, até porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais, e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião, é insuficiente. Digo-o para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo. Portanto, sensaborona ou não, repetitiva ou não, controlada pelos que mandam ou não, dependemos dela. Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo o que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.

A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções. Isso não exclui uma luta constante contra estas, não para censurá-las, mas para confrontá-las com outras versões. Afastando por inaceitável qualquer tentativa de "controle social da mídia", o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicação poderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações.

Por exemplo: será que é democrático deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? E que dizer do tom invariavelmente otimista das declarações sobre a superação da crise financeira global oriundas de setores empresariais interessados ou, em nosso caso, da marcha contínua para o êxito econômico reiterada pelos governos? O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.



A autenticidade das informações escapa das deformações advindas da influência das forças estatais (inclusive do setor produtivo estatal) e das empresas privadas precisamente pela voz crítica dos setores da mídia independente, por meio de seus repórteres, editorialistas e mesmo dos proprietários que têm coragem de expor opiniões. Não por acaso, é contra estes que os donos do poder político e os partidos que os sustentam se movem: denunciam que é a imprensa que faz o papel da oposição. Até certo ponto isso é verdade. Mais por deficiência dos partidos de oposição, cujas vozes se perdem nos corredores dos Parlamentos, do que por desejo de protagonismo da mídia crítica. Nos países europeus ou nos Estados Unidos, por mais que haja partidarismo nos meios de comunicação ou que por lá prevaleça o mesmismo das notícias que refletem o statu quo, sempre há espaço para o outro lado, para o contraponto. Mal termina de falar o primeiro-ministro da Inglaterra e já a voz da oposição, como tal, é transmitida. O mesmo ocorre quando o presidente dos Estados Unidos faz sua apresentação anual ao Congresso.

Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar. Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder.

PIBINHO SEM PIMBADA


A cueca do poder - CARLOS HEITOR CONY

FOLHA DE SP - 03/06


RIO DE JANEIRO - Na redemocratização do Brasil depois do Estado Novo, o primeiro deputado a ser cassado foi Barreto Pinto, que apareceu de cueca numa revista de grande circulação nacional. Foi um escândalo. Como, de hora em hora, Deus piora, o decantado decoro parlamentar baixou a níveis tais e tantos que uma cueca a mais ou a menos não causaria espanto. Não apenas no dia a dia do Congresso, mas na vida pública em geral.

Um ministro do STF acusou um ex-presidente de coação, sendo desmentido pela única testemunha

de um encontro que, em princípio, não deveria provocar um caso, a não ser pelos antecedentes dos dois principais envolvidos.

O ministro do STF tem um passado interessante. Advogado da União ao tempo da Presidência de Fernando Henrique Cardoso, prestou tais e tantos serviços ao poder que foi nomeado para o Supremo.

A indicação criou perplexidade no meio jurídico, surgiram protestos veementes de todos os lados e houve até mesmo o propósito de uma ação popular contra a sua nomeação. O ministro foi acusado de abafar casos de corrupção daquele governo.

Por sua vez, o ex-presidente da República, mesmo sem ter mais o poder de coação oficial, não devia dar motivo para a acusação de ter pressionado um juiz não em causa própria, mas no interesse de seu partido, réu notório do mensalão que tanto prejudicou o seu primeiro governo. Negando a coação, não negou o encontro.

O que fica evidente nesse disse me disse é o caráter cada vez mais político (e até partidário) da Justiça em seu mais alto escalão. No fundo, uma briga entre PT e PSDB envolvendo cabos eleitorais de alto coturno.

Ficamos sabendo que pelo menos um dos juízes do escândalo já antecipou o seu voto, contrariando a tradicional ética dos tribunais.

Por que Romney pode vencer Obama - LEE SIEGEL


O Estado de S.Paulo - 03/06



"Inacreditável!", gritam os liberais americanos. "Inacreditável! Romney mudou de opinião incontáveis vezes nos últimos anos, não parece ter nenhum tipo de centro moral, e quer apenas restabelecer as políticas fracassadas que Obama revogou bem a tempo de evitar o pior. E, com tudo isso, Romney e Obama estão quase empatados nas pesquisas de intenção de voto! O que há de errado com os Estados Unidos?!"

Alguns meses atrás, escrevi que, se os eleitores fossem capazes de aceitar o fato de Romney ser um mórmon, ele seria eleito presidente no próximo mês de novembro. Bem, praticamente não se falou na religião dele. Apesar de todos os confiantes comentários feitos pelos liberais, segundo os quais os cristãos evangélicos jamais se convenceriam em votar num mórmon, os cristãos evangélicos estão apoiando Romney de coração. Na verdade, quando os evangélicos chamaram o mormonismo de culto pagão, eles estavam prestando uma homenagem aos membros dessa igreja. Os conservadores americanos se tornam mais pagãos e menos cristãos a cada dia, pedindo o desmembramento histérico das políticas de Obama e uma reconstrução da harmonia civil que parece saída das Bacantes, de Eurípides. Os conservadores cristãos são agora animados pelo espírito de Dionísio, e não pelo espírito de Cristo.

Romney vai ganhar, principalmente porque os EUA nunca estiveram de fato preparados para um presidente negro. Obama foi eleito quando o país estava de joelhos, implorando por um salvador que o redimisse, e quanto mais excluído pelo sistema ele parecesse, melhor. Mas a eleição de um negro colocou os brancos economicamente deslocados bem nas margens onde, na cabeça dessas pessoas, os negros tinham estado. Esses brancos, gradualmente expulsos da classe média, se tornaram agora os excluídos. E a presença de um negro na Casa Branca, eleito pela candidatura dos democratas, simplesmente confirmou a crença conservadora segundo a qual os liberais se importam apenas com determinados grupos protegidos - negros, gays, mulheres -, e não com os pobres trabalhadores nem com a classe média.

Mas, além da questão da raça, há outros motivos poderosos pelos quais Obama está prestes a se tornar um presidente de um único mandato. Um deles é o fato de Romney estar se valendo de um completo colapso no respeito à autoridade. Desde a Guerra do Vietnã e do caso Watergate, que desacreditaram os políticos enganadores, e a Guerra do Iraque, que desacreditou a mídia ingênua, o respeito à autoridade tem sido desgastado em praticamente todas as esferas da vida americana. O próprio Obama foi eleito em parte porque parecia ser justamente o antídoto para a imagem padrão (branca) da autoridade americana.

Romney se beneficia dessa erosão da autoridade por dois motivos. Primeiro, ele parece aderir ao programa da direita que pretende reduzir o governo ao tamanho de um hidrante. Se os republicanos tivessem liberdade para governar, as pessoas estariam prendendo umas às outras nas ruas e entregando as próprias cartas.

Segundo, a aparente falta de espinha e centro moral de Romney desmente qualquer autoridade que ele possa representar. Ele é ao mesmo tempo a autoridade em si e o próprio espírito antiautoritário. O fato de ser tão falho, tão reduzido, tão absurdo no seu oportunismo cínico significa que os eleitores podem desmerecê-lo, ao mesmo tempo em que puxam nas urnas a alavanca que vai alçá-lo à Presidência. Os americanos gostam de ser inspirados por líderes que eles possam desmerecer.

Romney tem algo a seu favor. Os americanos são agora talvez o povo mais inquieto do mundo. A mudança constante é a única coisa que parece estabilizá-los. As ondas cada vez mais aceleradas da tecnologia - que nos levam do iPod 1 ao iPod 5 no que parecem ser minutos - moldaram os ritmos da vida em geral. É raro encontrar uma criança que não tenha passado por diferentes babás, pediatras, creches e escolas - e talvez até pais - antes de chegar aos 8 anos. O número de pessoas casadas nos EUA é o menor já visto na história americana, preferindo em vez disso pular de relacionamento em relacionamento. Os empregados não são hoje em dia mais leais aos empregadores do que estes últimos são leais em relação a eles. Que motivo haveria, em meio a tamanho turbilhão, para aceitar o mesmo presidente por quatro anos? Em quatro anos, a pessoa terá passado por 16 celulares diferentes, 10 iPads e 8 computadores, além de uma dúzia de amantes.

Se Romney de fato vencer - e nada está definido, apesar do meu ar de certeza -, os liberais terão de culpar a si mesmos, ao menos em parte. Durante as primárias republicanas, os liberais riram das gafes de Romney, deixando-se iludir e pensar que a desgastante disputa republicana acabaria por prejudicá-lo nas pesquisas; eles o ridicularizaram repetidas vezes por causa do tratamento dispensado por Romney ao próprio cão (ele chegou certa vez a colocar o bicho numa jaula e amarrar a jaula ao teto do carro durante uma viagem da família). Mas as gafes o tornaram mais humano, ninguém se lembra do que ocorreu cinco minutos atrás, e os conservadores mais contrários a Romney jamais deixariam de votar nele se isso incorrer no risco de deixar Obama governar por mais quatro anos. E aqueles que perderam seus empregos e seus lares não se importam com um cachorro amarrado com segurança ao teto de um carro, protegido numa jaula, desfrutando o vento que sopra em seu pelo.

Os liberais são incapazes de levar a sério aqueles que enxergam o mundo com uma perspectiva diferente da sua. Em vez de enigma oportunista, Romney me parece ser um sujeito sério, um tecnocrata pragmático que, como presidente, consultaria dúzias de conselheiros, das mais variadas procedências, antes de definir suas políticas. Ele parece não nutrir nenhum amor pela extrema direita de seu partido, que tentou prejudicar sua candidatura, e cujos ancestrais destruíram as chances de seu pai de chegar à Presidência. Não quero que Romney se torne presidente, mas ele pode perfeitamente ser um presidente eficaz. Afinal, ele tornou o sistema de saúde universalmente acessível em Massachusetts. Mas, para os liberais, o simples fato de não gostarem dele significa que Romney deve ser um tolo depravado. Inacreditável.

Rasgando a liturgia - GAUDÊNCIO TORQUATO


O Estado de S.Paulo - 03/06


O anúncio de que a presidente da República teria manifestado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) preocupação com o desdobramento do entrevero Lula-Gilmar Mendes põe no ar a questão: o caso tem potencial para gerar uma crise institucional nas relações entre o Executivo e o Judiciário? A resposta é negativa. Há consenso de que as instituições nacionais devem ser preservadas e as relações entre os Poderes, harmônicas e respeitosas, mesmo sob eventuais abalos que envolvam atitudes ou declarações de seus componentes (ou ex), como este que coloca na arena do embate um ex-presidente da República e um ministro da mais alta Corte, que também já a presidiu. Não significa negar ou mesmo diminuir a gravidade do encontro entre Gilmar Mendes e o ex-presidente, principalmente levando em conta a contundente denúncia de que "chantagistas, bandidos, gângsteres" agem com o objetivo de atrapalhar o julgamento do mensalão, "por meio de informações mentirosas de que a Corte estaria envolvida em corrupção". Mais: Lula seria "a central de informações". É razoável supor que, sob o escudo da vitaliciedade, os membros do STF conservem a altanaria e a independência para ministrar a justiça, não se curvando a eventuais pressões que chegam aos seus ouvidos.

O imbróglio abre um leque de abordagens. A primeira aponta a inconveniência da reunião, marcada por Nelson Jobim, amigo dos dois interlocutores e também ex-ministro da Corte, em seu escritório. Seria ingenuidade imaginar que uma conversa de duas personalidades públicas, sob sigilo, tivesse como foco uma cordial confraternização, ainda mais quando se sabe que um dos participantes, em convalescença, se cerca de cuidados para evitar os "tragos nossos de cada dia", sob o ar esfumaçado de um bom charuto.

A regra de respeito aos contrários, própria ao sistema democrático, comporta contendas no plano do discurso e posições divergentes de contendores. Com essa garantia, o ex-presidente Luiz Inácio investe-se da condição de cidadão com direito a emitir juízos de valor sobre quaisquer matérias e defender causas de seu legítimo interesse nos foros que julgar apropriados. Direito, aliás, revigorado pelo empuxo de uma democracia participativa em expansão, como a que se vê por estas plagas, e desenvolvida pela miríade de organizações que abrem a locução, fazem pressão, batem bumbo nos espaços institucionais, desfraldando bandeiras de todas as cores. Não bastasse, Lula soma à identidade bagagem de monta: ascendeu ao posto mais alto da República saindo das bases da pirâmide social, deixou o governo depois de oito anos aplaudido pelas massas, impregna-se de carisma e continua a ser a principal liderança do partido que ocupa vãos e desvãos do poder central. É compreensível que, sob esse manto, a autoridade carismática de Lula sirva de transporte para um projeto de poder de longo prazo.

O empreendimento que se desenvolve nos laboratórios do PT é o de alongar e alargar os domínios políticos no País para horizontes que ultrapassem a faixa de 20 anos, o que pressupõe fincar estacas profundas no território a partir das municipalidades. Pular de 650 para 1.000 prefeitos é uma das metas na frente de fixação de estacas para este ano. Mas há um rolo compressor que pode atrapalhar os avanços das retroescavadeiras. Foi batizado como mensalão, derivação do termo mensalidade, denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson para se referir a uma suposta mesada paga a deputados para apoiarem projetos de interesse do Executivo. O então presidente Lula, angustiado, chegou a desabafar na época: "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis. Indignado pelas revelações que chocam o País, e sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento. (...) Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas". De 40 denunciados pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, 37 são réus no STF. Hoje o coordenador político do governismo, Luiz Inácio, se esforça para demonstrar que não houve mensalão. Organiza as estratégias do PT, aplaina caminhos, impõe candidatos às prefeituras, articula acordos, aprova parcerias e faz articulações nas altas esferas.

Dito isto, aflora a questão: o ministro Gilmar Mendes não imaginou que o mensalão poderia ser objeto da conversa? Se pensou que o tema poderia vir à tona, mesmo sob a capa de leve sondagem, por que aceitou o encontro? Ao se deparar com uma abordagem com jeito de pressão e chantagem, como chegou a admitir, por que não deu basta à interlocução e se retirou? Afinal, há uma liturgia do poder que recomenda respeito ao rito, rigidez no protocolo, obediência às normas, defesa dos papéis institucionais. A propósito, faz tempo que por aqui se rasga o manto da liturgia, a começar pelo próprio Lula, que cobrava de Fernando Henrique compostura de ex-presidente, recomendando-lhe recolhimento. Agora esforça-se para elevar a aura carismática, deixando-se embalar em aplausos embriagantes e a acenar para as massas, como a querer dizer: aqui estou eu, mais forte e vivo do que nunca, curado e pronto para abrir novas fronteiras. O perigo mora próximo do líder carismático que se coloca em pé de igualdade com o sagrado. Mais cedo ou mais tarde, o herói se achará tão potente a ponto de querer tomar o lugar de Deus.

Da parte do ministro Mendes, persiste a impressão de que, ao descerem do Olimpo das Cortes para habitar a planície dos simples mortais, magistrados, como ele, podem até vir a ganhar a simpatia social. Atitudes enviesadas diminuem, porém, a taxa reverencial condizente à condição de juiz. O encontro de um alto magistrado e de um ex-presidente da República, para debater questões importantes da vida republicana, deve revestir-se da dignidade que seus perfis recomendam. Sob pena de ambos caírem na vala aberta pelo descrédito.

A missão de Lula - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 03/06


A proximidade do julgamento do mensalão parece estar desestabilizando emocionalmente o ex-presidente Lula, que se tem esmerado nos últimos dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em público, ou maquiada.
Nessa fase em que trabalha em dois projetos que se cruzam e parecem vitais para seu futuro, tamanha a intensidade com que se dedica a eles, Lula não tem tido cuidados com as aparências, e arrisca-se além do que sua experiência recomendaria.
A pressão sobre ministros do STF, a convocação da CPI do Cachoeira, com direito a cartilha de procedimentos com os alvos preferenciais identificados (STF, imprensa, oposição) e as atitudes messiânicas, sempre colocando-se como o centro do universo político, revelam a alma autoritária deste ex-presidente ansioso pela ribalta política.
A eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a obsessão em desmoralizar o julgamento do mensalão (já que não conseguiu adiá-lo para que seus resultados não interferissem na eleição municipal e, além disso, a prescrição das penas resolvesse grande parte dos problemas judiciais do PT) pareciam as duas grandes tarefas do ex-presidente Lula neste momento.
Mas ele, de voz própria, revelou seu verdadeiro objetivo político no programa do Ratinho: não permitir que um tucano volte a governar o país.
Nunca antes nesse país viu-se um político assumir tão abertamente uma postura despótica, quase ditatorial, quanto a de Lula nessa cruzada nacional contra os tucanos, que tem na disputa pela capital paulista seu ponto decisivo.
O PT, aliás, tem seguido a mesma batida de Lula, e se revela a cada instante um partido que não tem como objetivo programas de governo ou projetos nacionais para o país. A luta política pelo poder escancara posturas ditatoriais em todos os níveis, e para mantê-lo vale tudo. Desde rasgar a legislação eleitoral e fazer propaganda ilegal em emissora de televisão na tentativa de desatolar uma candidatura que até agora não demonstra capacidade de competição, até intervenções em diretórios que não obedecem à orientação nacional, como aconteceu agora mesmo em Recife. Vale também mobilizar um esquema policial de uma prefeitura petista, como a de Mauá em São Paulo, para apreender uma revista que apresenta reportagens contrárias aos interesses do PT.
A truculência com que foi impedida a distribuição gratuita da revista "Free São Paulo", que trazia uma reportagem de capa sobre o assassinato do prefeito petista de Santo André Celso Daniel, é exemplar do que o PT e seus seguidores consideram "liberdade de imprensa".
Os petistas acusam a revista de ser financiada pelo PSDB, o que ainda é preciso provar, mas, mesmo que seja, seria no mínimo incoerente criticarem tal estratégia, já que são estatais de diversos calibres e governos petistas que financiam uma verdadeira rede de blogs chapas-brancas e revistas para defenderem as ações governistas e demonizar seus adversários, em qualquer nível.
Da mesma forma, parece ironia que líderes petistas se mostrem indignados com financiamentos eleitorais de caixa 2 de políticos tucanos, como se esse crime fosse uma afronta ao Estado de Direito e não, como disse o ex-presidente Lula tentando minimizar o caso do mensalão, coisa corriqueira no sistema eleitoral brasileiro.
O recurso ao caixa 2 e a verbas não contabilizadas é evidentemente uma distorção do nosso sistema eleitoral que tem que ser combatida com rigor, mas o PT há muito perdeu a possibilidade de indignar-se diante deste e de outros malfeitos políticos.
Acaba de ser publicado em edição eletrônica (e-book) e deve sair na segunda semana de junho em edição impressa o relatório do Clube de Roma com o título de "2052, previsões globais para os próximos 40 anos", coordenado pelo professor Jorgen Randers da BI Norwegian Business School, especialista em questões climáticas e planejamento de cenários que servirá de base para a programação do Clube de Roma durante a reunião Rio + 20.
Randers já esteve no Brasil no início de maio, depois de lançar o relatório, para depoimento no Congresso em preparação para a Rio + 20.
Trata-se de um estudo feito por 30 pensadores nos mais variados campos e tem o objetivo de atualizar o famoso estudo do Clube de Roma de quarenta anos atrás intitulado "Os limites do crescimento", que já questionava o modelo de crescimento permanente.
Desta vez, o diagnóstico é conclusivo: a Humanidade vem se excedendo no uso dos recursos da Terra. A maneira atual de vida não pode ser mantida por gerações, e está a exigir modificações significativas para evitar colapsos locais antes de 2052.
O estudo admite que o processo de adaptação da Humanidade às limitações do planeta já começou, mas a resposta talvez seja lenta demais. A China é considerada um exemplo de país que sabe agir na direção certa, e por isso chegará a 2052 bem preparado.
O estudo alerta que continuamos a emitir todos os anos duas vezes mais gases do efeito estufa do que os oceanos e florestas podem absorver. Em consequência, as concentrações de CO2 na atmosfera continuarão aumentando, fazendo com que a temperatura aumente em dois graus em 2052.
Se esse processo não for controlado, em 2080 as temperaturas terão aumentado em 2,8 graus centígrados - nível suficiente para iniciar um aquecimento global autossustentado.
Segundo o relatório, a principal causa da incapacidade de resolver hoje problemas futuros é o modelo imediatista, com foco político e econômico no curto prazo.
Randers defende um sistema de governança de mais longo prazo. No entanto, é pessimista quanto aos resultados, pois não acredita que os governos adotem uma regulamentação que obrigue os mercados a investir em soluções climaticamente corretas, e, segundo ele, não devemos acreditar que os mercados trabalharão em benefício da Humanidade.
As previsões do documento do Clube de Roma sobre a economia global também não são nada animadoras. As atuais economias dominantes, especialmente os Estados Unidos, entrarão em estagnação, e países como os que formam os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão progressos, mas o PIB mundial crescerá muito mais lentamente, devido à redução do crescimento da produtividade em economias mais maduras.
Em 2052, ainda haverá 3 bilhões de pobres no mundo.

Dilma foi o meu maior amor' - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 03/06

Ex-marido e grande amigo da presidente, Carlos Araújo fala de prisão, tortura e também de paixão: 'Dilma é romântica e gosta de sonhar'

"Um café? Sim, quando você quiser, meu anjo." E assim, no primeiro telefonema, e em menos de cinco minutos, foi possível marcar um encontro com o advogado trabalhista Carlos Araújo, 74, ex-marido de Dilma Rousseff. Uma semana depois, ele abria a porta de sua casa, à beira do rio Guaíba, em Porto Alegre, para uma entrevista.

De temperamento oposto ao da presidente, tira fotos, é filmado. "Pode, sim", repete, a cada solicitação. "Olha, pode tudo. Aqui é liberdade total." Só vacila uma vez: "O quarto do bebê [Gabriel, 1, neto dele e de Dilma]? Não, aí..." Esfrega a testa: "Olha, a minha filha [Paula] é brava. Ela é muito brava".

Araújo continua a caminhar pela casa de quatro cômodos onde viveu com os pais, Afrânio e Marieta, já mortos, e depois com a presidente por 22 anos. "Quem vai levar uma bronca daquelas é a Dilma", diz. Paula viajou para Nova York e deixou Gabriel com a avó em Brasília -com a recomendação expressa de que não fosse fotografado pela imprensa. "Mas a Dilma se entusiasmou, levou ele lá na porta do Palácio."

Separados há 16 anos, ele e a presidente nunca se afastaram. "Ela que saiu daqui de casa. Sabe como é, a gente vai levando, eu não me separaria. Mas a Dilma tinha as razões dela. E depois eu a visitava, ela me visitava, a gente almoçava..." E a presidente comprou apartamento na rua do ex, "pra ficar pertinho, pra um proteger o outro".

Até hoje, passam Natal, Réveillon e "os feriadões" que conseguem juntos -Dilma, a filha, o genro, o neto, o ex-marido e a arquiteta Ana Meira, com quem Araújo é casado pela quinta vez (ele tem dois outros filhos de outros relacionamentos). Na virada do ano, foram todos para uma praia na Bahia.

Os dois se conheceram em 1969, numa reunião do Colina, grupo guerrilheiro em que ela militava e ao qual ele queria aderir. Passaram a viver juntos, na clandestinidade, já no segundo encontro.

ELA ERA MUITO BONITA

"A gente se amou rápido. Existe amor à primeira vista? Foi isso. Ela era muito bonita. Muito bonita. Inteligente. Decidida. Nossas energias, nossas fantasias se combinaram ali. O nome dela [na clandestinidade] era "Vanda". Eu era "Antero". Sabia que era mineira, pelo sotaque, e ela, que eu era gaúcho. Mais nada.

Foi uma relação intensa. Uma noite, nós tivemos uma briga violenta, à 1h da manhã, numa rua movimentada do Rio, um gritando com o outro. Havia cartazes procurando a gente, e nós ali, correndo o risco de ser presos por uma briga afetiva.

Ela sempre foi muito brava, de personalidade forte -mas extremamente generosa e solidária. E é até hoje."

Araújo sofre de enfisema pulmonar. Mesmo depois de separados, diz, Dilma sempre o cercou de cuidados. "Qualquer coisinha, já dava dura nos médicos." Hoje, ele respira com o auxílio de máquinas de oxigênio. Não pode ir a Brasília por causa do ar seco. Recentemente, ficou internado. Mas não se arrepende de ter fumado por décadas. "Era um prazer imenso."

Dilma foi presa em janeiro de 1970. Ele, em agosto. Neste período de separação forçada, Araújo teve um rápido romance com a atriz Bete Mendes, que também aderira à luta armada. Ele prefere não falar sobre isso. Estava com ela quando foi preso.

A TORTURA

" Fui preso pela equipe do [delegado Sérgio Paranhos] Fleury, no Dops. Me botaram no pau de arara, nu. Botavam fios nos dedos dos pés e das mãos, nos órgãos genitais, na língua, cabeça, orelhas. Ligavam aquilo na TV. Cada vez que passava de canal, era um pavor, pavor, pavor. Atiravam água e davam cacetada. Dói e parece que tu vai explodir. E o médico ali tirando a pressão pra ver se tu aguentava.

A pessoa, para torturar, ou é doente mental ou está animalizada. Pessoas que me torturaram se dopavam na minha frente, com injeção. Não tinham coragem, mas tinham que cumprir ordens.

Em geral, na literatura da esquerda, todos resistiram à tortura. Todos são heróis. E isso não é verdade, é ficção. Tem pessoas que aguentam mais, outras menos. Mas é insuportável. Acho que muitos morrem sem dizer palavra porque não têm o que dizer.

E o que acontece? As pessoas que vão ser torturadas não sabem que a tortura é praticamente irresistível e que elas vão precisar encontrar um mecanismo para amainar a situação. Nós não estávamos minimamente preparados. Toda pessoa, entre a dor continuada e a morte, prefere a morte. Porque é a forma de aliviar a dor.

Eu vi que não resistiria, que a dor era insuperável e que a única coisa digna que eu poderia fazer era me matar. Porque eu ia falar e entregar os meus companheiros.

Decidi: 'Vou inventar [para os militares] um encontro com o [Carlos] Lamarca e me matar'. Enfermeiros passaram a noite me dando massagem para eu conseguir ficar de pé no dia seguinte. Na tortura, o físico desmorona."

TENTATIVA DE SUICÍDIO

"No outro dia, me levaram a uma rua na Lapa. E eu comecei a vacilar. Dizia pra mim mesmo: 'Bem que tu falaste ontem lá na tortura que tu ia chegar aqui e ia te acovardar e não te matar'. Aí comecei a pensar: 'Quem sabe me atiro debaixo de um carro e não morro?'. Passou um fusca, veio uma Kombi. 'É alto, pode ser que eu dê sorte'. E me atirei. Tô ali, um bolo de gente, e ouço o cara da Kombi: 'Por que logo comigo, moço?'. Coitado, né? Decerto ia trabalhar e ficou desesperado."

Dilma cumpriu pena em SP e ele, no Rio. Na cadeia, conheceu a sogra, Dilma Jane, que foi visitá-lo. "E aí nasceu uma amizade tão profunda que resiste ao tempo. Ela é brilhante, revolucionária. Pensa além de nosso tempo." Araújo foi depois para o presídio Tiradentes, em SP, onde estava Dilma. As mães dos dois insistiram tanto que, "para se verem livres", as autoridades os reconheceram como casal. "O [delegado] Romeu Tuma deu parecer como que abençoando a relação. Nossa certidão de casamento foi emitida pelo Dops."

Dilma foi solta antes e passou a morar com os sogros em Porto Alegre, na casa onde Araújo vive até hoje. De lá, é possível avistar a Ilha do Presídio, para onde Araújo foi transferido logo depois. "Tá vendo aquele negócio verde ali? Ali, ó! Bem no meio do rio. Fiquei preso ali."

Depois de libertado, e com a abertura, o casal passou a militar no PDT de Brizola. Puderam enfim ter uma vida (quase) normal. "Nós éramos militantes [Araújo foi deputado estadual]. Chegávamos em casa exaustos, às vezes tinha briga por causa de política. Mas era um casamento sem muito conflito."

SONHAR JUNTO

"A Dilma é bastante romântica, sim. Gosta de música, de ficar junto, sonhando, pensando. Ah, não há dúvida: a Dilma foi o meu maior amor."

VAIDADE

"Ela era pouco vaidosa. Foi ficando quando começou a ocupar cargos no Estado. Hoje gosta de se vestir... embora aquelas roupas que ela usa ali [risos]... São bonitas. Mas todo mundo fala que é sempre a mesma, né?" Em 2010, quando fez plástica, Dilma ligou para o ex: 'Tu me leva lá? Fica lá comigo?'."

Quando Lula passou a dar sinais de que seria candidata, Dilma chamou o ex-marido e a filha para jantarem num bistrô. "A Paula ficou perplexa também. Eu perguntei: 'E tu te achas em condições de enfrentar essa parada?'. E ela: 'Tranquilamente'. Esse negócio de dizer que a Dilma é poste, não gosta de política... Como não gosta se fez política a vida inteira?"

Quando Dilma revelou que estava com câncer, "foi um choque terrível". "A gente acaba sendo meio irmão, sendo muita coisa ao mesmo tempo. Eu de certa forma sou a família da Dilma. Quem ela tem? A filha, a mãe e eu. E também ela será sempre a minha família. É impossível a gente pensar de outra forma."

A assistente de Araújo o interrompe. "O embaixador João Carlos quer falar ao telefone." Araújo atende: "Alô? Grande alegria, grande satisfação falar contigo, meu velho. Tu estás onde? Estamos com saudade de ti também. Tô louco para que tu venha para a gente se encontrar". Desliga. "Ele vai trazer o [presidente do Uruguai José] Mujica aqui em casa, eu acho."

Dias antes, Araújo havia recebido José Dirceu. Apesar da movimentação ("Ligam o dia inteiro atrás dele", conta a assistente), Araújo diz que evita se envolver. "Tenho que ter um cuidado tremendo porque acham que o que eu falo é o que a Dilma pensa."

Ele elogia a Comissão da Verdade. E critica a Lei da Anistia, "feita de cima para baixo". "Assim como nós [militantes de esquerda] fomos julgados, todos deveriam ser. Somos uma democracia. Quero sublinhar que temos que respeitar o que está vigindo. Mas posso ter aspirações."

Araújo acha que, por causa do neto, Dilma passará a visitar Porto Alegre com mais frequência. "Ela está encantada. Tá todo o tempo com ele no colo, brinca, pega na mão e anda por todo lugar. E ele pode tudo, tudo, tudo. Esse nunca vai levar bronca [de Dilma]. Esse vai dar bronca."

A fé de Lula em seu taco - ELIO GASPARI

O GLOBO - 03/06

Lula tem uma infinita fé no seu taco. Já transformou greve derrotada em vitória política. Em 2008 jogou o peso de sua presidência pedindo à população que consumisse, no auge da depressão mundial. Acertou e prevaleceu. Em janeiro passado deixou-se atrair pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que parecia disposto a aliar-se ao PT na eleição de outubro, apoiando a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad. Lula contrariou uma parte de sua base e, sobretudo, a senadora Marta Suplicy. Passou-lhes o rolo compressor do Guia Genial dos Povos e armou até mesmo uma entrada triunfal de Kassab na cerimônia do 32 aniversário do PT. Um mês depois o prefeito aninhou-se com o tucanato. Consagrou sua fama de articulador com um título raro: passara a perna em Lula, que ficou com a carga de lutar pela eleição de um poste no qual deverá até mesmo atarraxar a lâmpada.

Ao encontrar-se com o ministro Gilmar Mendes para tratar do mensalão, com direito a comentários impróprios sobre juízes do STF, Lula sabia que corria riscos. Confiou no que supunha ser uma relação recíproca de amizade. (Nosso Guia e o ministro têm uma relação de afeto ofídico.) Deu no que deu. Essa autoconfiança vem de longe, do tempo em que, no meio de uma crise, ao fim de uma reunião com empresários, um deles pediu-lhe um autógrafo, pois prometera-o a um filho.

Em cinco meses, duas bolas fora, em casos onde prevaleceu o que acreditava ser o seu instinto infalível. No episódio de Kassab, pode ter atrapalhado o próprio partido, nada mais que isso. No de Gilmar Mendes, transbordou, e o encontro dos dois só serviu para criar um clima de feijoada no Supremo Tribunal Federal. Lula fez seu périplo pelos ministros sem discutir a tática com os réus do mensalão, ou com seus advogados. Quis levar a coisa no peito. A esta altura da vida, não é de se esperar que mude, mas seria o caso de ele próprio se perguntar se não está exagerando. Como ele já disse: "Quando a gente pensa que vira vanguarda, vira mesmo é desastre".

Ele

Durante a campanha eleitoral, quando um de seus amigos começou a dizer bobagens, ele o procurou, pedindo que ficasse calado. Mais: antes da gestão pessoal, mandara um intermediário oferecer um bom dinheiro para calá-lo.

Quando ele é apanhado num erro, culpa os outros, preferencialmente a imprensa. Velhos companheiros garantem que se trata de um megalomaníaco, que só acredita em si, craque numa campanha, medíocre na administração.

Ele é Barack Obama, segundo o livro "The Amateur" (o e-Book está por US$ 9,99), do jornalista americano Edward Klein, que disparou para o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.

O amigo que dizia bobagens era o pastor Jeremiah Wright. O dinheiro (US$ 150 mil) foi oferecido por Eric Whitaker, que ainda hoje é um dos mais próximos conselheiros pessoais do companheiro.

Fé no taco contagia

A cadeira do ministro da Fazenda, Guido Mantega, já teve diversos tipos de ocupantes. Havia os que falavam pouco (Pedro Malan e Octavio Gouvêa de Bulhões), dois mestres da arte de falar para dar a entender (Delfim Netto e Mario Henrique Simonsen) e os que falavam o que não deviam (Rubens Ricupero e Ciro Gomes). O ministro Guido Mantega esteve no primeiro grupo, habilitou-se ao segundo e está escorregado para o terceiro.

Outro dia, ele exigiu que a banca reduza os juros em até 40%, deu um prazo de 30 dias e informou: "Eu vou cobrar. Em mais um mês, tudo isso tem que estar rodando". Mantega sabe que não é assim que se faz e, se faz assim, está fazendo outra coisa. Acredita que pode transformar o ministério num comissariado que dá ordens ao mercado. Ou, numa versão benigna, acredita que pode dar essa impressão.

Mantega fez um trabalho exemplar baixando a crista da banca na discussão das taxas de juros, mas nunca fez ameaças, com metas e prazos. A diferença está no detalhe mandão. Se o ministro da Fazenda acha que pode dominar o mercado financeiro ameaçando-o dessa forma, de duas, uma: ou não consegue e se desmoraliza, ou consegue e acaba acreditando que é o rei do pedaço. Mais adiante, virá a conta. Houve uma época em que a banca mandava na ekipekonômica, pensar que se pode construir um modelo onde ocorra o contrário também não dá certo.

Haja museus

O Instituto Brasileiro de Museus organizou uma semana de atividades, editou um catálogo e nele listou pelo menos 43 museus no eixo Rio-Petrópolis-Niterói.

Os museus diferenciam-se no tamanho e no acervo, mas todos têm diretores e funcionários. Quando faltam estruturas, roubam-se peças, e assim sumiu um Matisse da Fundação Castro Maya. Ele reapareceu na Rússia.

A rede oficial de Roma tem 20 museus. No Vaticano, há mais sete; contando-se a Capela Sistina, as Salas de Rafael e a Biblioteca Apostólica, são dez. Total: 30.

Muitos diretores e poucos acervos, os males dos museus brasileiros são.

Transparência

O professor Delfim Netto está panfletando uma nota oficial da American Economic Association anunciando sua nova política de transparência. A partir do dia 1 de julho, todos os trabalhos oferecidos para publicação deverão informar:

1) Quem financiou a pesquisa.

2) Cada autor deverá identificar todas as suas fontes de apoio financeiro, inclusive por prestação de "serviços de consultoria".

3) Cada autor deverá listar suas funções, remuneradas ou não, em instituições que tenham qualquer relação com os temas tratados no artigo.

4) Os sábios deverão contar se submeteram os seus artigos à leitura de outras partes.

5) A AEA colocará na rede informações sobre potenciais conflitos de interesses relacionados com artigos já publicados.

Delfim está certo de que, se essa política for acompanhada por outras instituições, boa parte dos sábios do mercado cairá em profundo silêncio.

Bola de cristal

Para quem tenta ver nas pesquisas de hoje o resultado da eleição americana de novembro, o professor Larry Sabato, do site "Crystal Ball", adverte: "É melhor jogar cara e coroa".

O companheiro Obama está na frente, por pouco, mas tudo o que se pode dizer é que a eleição será apertada. Por quê?

Porque, em junho de 2006, John McCain estava um ponto à frente de Obama. Em 2002, o senador John Kerry estava seis pontos à frente de George W. Bush. Al Gore liderava em 1998 e, em 1992, o campeão de junho, Ross Perot, acabou em terceiro. Em 1988, Michael Dukakis batia Bush 1 por 52% a 38%.

As pesquisas de junho só foram confirmadas nas reeleições de Bill Clinton, em 1996, e de Ronald Reagan, em 1984.

Em dupla com o Ratinho - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 03/06


O narcisismo do ex-presidente Lula compensa com folga o fato de "algumas pessoas" não gostarem dele, como disse há dias, numa indireta ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal, que o acusou de querer "melar" o julgamento do mensalão. A exacerbada autoestima, combinada com o senso de onipotência, o levou a afirmar, como se fosse natural nas democracias, que "não pode permitir" que um tucano volte a ser presidente. Por isso, caso a sua sucessora Dilma Rousseff não queira disputar um segundo mandato em 2014, ele se declara desde já pronto para se recandidatar ao Planalto.

Isso e muito mais, como se diz em propaganda, Lula ofereceu a um público estimado em 1,4 milhão de espectadores na Grande São Paulo, durante os 44 minutos, divididos em dois blocos, que durou a sua aparição no Programa do Ratinho, do SBT, no horário nobre da quinta-feira. Foi a sua primeira ida à TV desde que se despiu da faixa presidencial e a sua primeira entrevista na TV desde o diagnóstico de câncer na laringe, cujo tratamento o deixou roufenho, entre outras sequelas. A rigor, o termo entrevista, no sentido convencional, não se aplica. Aquilo foi um espetáculo de endeusamento, em dupla com o apresentador.

Carlos Massa, o Ratinho, é uma das muitas pessoas que gostam de Lula - e a recíproca é verdadeira. "Já comi rabada na casa dele e ele na minha", disse o ex-presidente no ar, justificando a sua presença no programa de um dos animadores preferidos das classes pobres, que começou na mídia eletrônica batendo na mesa com um porrete para mostrar o que a polícia devia fazer com os "marginais". Lula se considera um campeão na defesa dos direitos humanos, mas amizades são amizades. Ainda mais quando o amigo, pouco importa o seu caráter, lhe proporciona uma inestimável oportunidade.

No caso, a de apresentar ao povo, cobrindo-o de louvações, o candidato de primeira viagem que impôs ao PT para disputar a Prefeitura da capital em outubro próximo, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad - chamado, na hora apropriada, a participar do show. A narrativa das atribulações por que o ex-presidente ainda passa em razão da enfermidade, com vídeos e fundo musical escolhidos para tocar os corações dos eleitores, não passou, portanto, de um açucarado aperitivo antes de serem servidos os vínculos entre o imensamente popular Lula e o candidato detentor, até aqui, de 3% das intenções de voto dos paulistanos.

A propaganda, diria o Ratinho, foi escrachada. Haddad, profetizou o seu patrono, "vai passar para a história como uma pessoa que colocou mais pessoas no ensino público", referindo-se ao ProUni. Como o script foi acertado de antemão, rolou um vídeo com a história da filha de um pedreiro que chegou à faculdade graças à iniciativa. A encenação continuou com o apresentador perguntando ao candidato o que um prefeito pode fazer pela saúde e este respondendo que terá um "programa de gestão" para o que seria "o problema número um de São Paulo".

Lula e Haddad começaram assim a fazer o que Lula e Dilma fizeram em 2010 - propaganda eleitoral antecipada. Pela lei, a campanha, nas ruas e na internet, só pode ter início a três meses da votação. Curiosa, a legislação brasileira. A partir de então, as emissoras de rádio e TV ficam proibidas, entre outras coisas, de "dar tratamento privilegiado" a candidatos. Antes, logicamente, podem, como o Ratinho se esbaldou de fazer anteontem - pela bizantina razão de que aqueles só passam a existir ao serem escolhidos em convenções partidárias. Estas, por sua vez, não podem se realizar antes de determinada data (10 de junho, no caso das eleições municipais deste ano).

Partidos são associações civis e, como tal, deviam ter o direito de escolher os seus candidatos quando bem entendessem - dentro de um prazo que levasse em conta o tempo necessário à inclusão dos respectivos nomes nas cédulas eletrônicas. A camisa de força, além do mais, é uma hipocrisia. Cria a ficção de que, por exemplo, Fernando Haddad poderá não ser o candidato do PT nem José Serra, do PSDB. Disso resulta esse ente dissimulado chamado "pré-candidato". É mais do que tempo de liberar o processo.

Apocalipse no bom sentido - LUIZ FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 03/06

Paris – Estão dizendo que este será um dos verões mais quentes da história no Hemisfério Norte e que o do Hemisfério Sul não ficará atrás. Também estão dizendo que estes podem ser os últimos verões da história, se as tais previsões do fim do mundo do calendário Maia se confirmarem. Os verões inéditos seriam os preâmbulos do Apocalipse – junto com o aumento na frequência de terremotos e tsunamis, o número anormal de meteoros que têm se aproximado ameaçadoramente da Terra como urubus prevendo as carcaças, e o sentimento generalizado de que algo está fora dos eixos no nosso velho e querido planeta. Se a atual primavera em Paris é uma amostra do que virá, estamos mesmo fritos, literalmente. Mas é preciso ver sempre o lado bom das coisas. Com o calor, as moças estão usando cada vez mais shorts, e shorts cada vez mais curtos. O caminho para o Apocalipse não será sem atrativos.

Longa estrada

Fomos ver o filme que o Waltinho Salles fez do On the Road, do Jack Kerouac. Li On the Road há muito tempo, mas acho que o filme é fiel ao livro – e este é o seu único grande defeito. Muita coisa não precisava ter entrado no roteiro, que ficou muito comprido e, às vezes, repetitivo. E a fidelidade do filme ao livro significa que quem nunca achou que o Kerouac merecia tanta atenção – como eu – também não vai achar que sua história merecia tratamento tão longo e reverencial. Kerouac, com seu estilo metralhadora datilografado em rolos de papel queria imitar na escrita a liberdade e a criação instintiva do jazz mas só acabou fazendo a apologia da espontaneidade, e a espontaneidade não é uma virtude literária. Acho eu. Mas fora tudo isto, On the Road é um belo filme.

Os 50

Costuma-se pensar nos anos 50 – quando se passa a história de Kerouac – como um período de paz e conformidade nos Estados Unidos, os aborrecidos anos dos governos Truman e Eisenhower, quando nada de muito importante parecia estar acontecendo. Na verdade foram anos de guerra quente (a da Coreia) e fria, do auge do macarthismo e do lançamento do Sputinik. Nada disto está no filme. Mas também foi a década da revolução cultural que significou o be-bop na música e o surgimento da geração “beat” da qual Kerouac fazia parte, e isto – junto com a nova mística da estrada aberta e da fuga constante pelas entranhas do país – está bem explícito no filme, cuja trilha sonora inclui várias intervenções do saxofonista Charlie Parker, mestre do novo jazz. 

Kerouac não foi a versão literária de Parker, ou de Lenny Bruce, outro revolucionário da época. Mas fez uma boa tentativa.

Abaixo o voto secreto - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 03/06

BRASÍLIA - Lula deu a largada na eleição de São Paulo no programa do Ratinho, a CPI saiu da tumba com a quebra do acordão PT-PSDB e aumenta a pressão para o fim do voto secreto já no julgamento de Demóstenes Torres em plenário.

Na eleição, começam o resgate de Fernando Haddad, dos irreais 3% para os tradicionais 30% do PT em São Paulo, e o trajeto para o segundo turno entre PT e PSDB. Chalita fortalece o PMDB na negociação.

Na CPI, Marconi Perillo afunda e respinga no PSDB em ano eleitoral. A cúpula e os candidatos não devem estar nada felizes com os voos do tucano ao Cachoeira.

Mas as maiores emoções ficam por conta da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do titanic Delta, grande contratante do PAC e a maior recebedora de recursos do governo federal desde 2007 -além de queridinha de nove entre dez governos estaduais. Vem coisa.

E, enfim, é tempo de acabar com essa excrescência do voto secreto para a cassação de mandatos. Eu, tu, ele e todos nós eleitores temos o direito de saber como nossos eleitos vão votar no caso Demóstenes, ainda mais sob os ventos da lei de acesso às informações públicas.

As evidências das ligações do ainda senador com Cachoeira são flagrantes e o destino dele no Conselho de Ética parece selado. O problema é o plenário, com o voto secreto e suas excelências votando corporativamente. Afinal, quantos Demóstenes e Cachoeiras há entre eles?

O projeto que enterra o voto secreto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça em junho de 2010 e depende de um único fator para ser votado: vontade.

Pela pressão, quebrou-se o acordão PT-PSDB na CPI. Pela pressão, o Senado será compelido a votar o projeto e evitar o vexame da Câmara, que absolveu a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), apesar de provas, fotos, fitas e ficha corrida familiar.

A hora é agora.

O tempo do extremo - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 03/06


O embaixador começou a responder e parou. Ficou em silêncio, domando a emoção. Quase desistiu da resposta: "Eu acho que vou...", disse. No trabalho, o subsecretário-geral da ONU, Heraldo Muñoz, não é conhecido como homem emotivo nem explosivo. É controlado, objetivo. No dia do golpe no Chile, em 1973, ele saiu às ruas com bananas de dinamite. Os 32 segundos de silêncio, na entrevista que fiz com Muñoz na Globonews, foram reveladores.

Alguns jovens da geração dos anos 1960 e 1970 pensaram no impensável e fizeram o que em outras circunstâncias não fariam. Ele começa seu livro "A Sombra do Ditador" com uma frase espantosa: "Na manhã em que o golpe começou quase me tornei o primeiro terrorista suicida do mundo." Era sobre isso que eu tinha perguntado.

Muñoz, além de subsecretário-geral da ONU, é diretor do Pnud para a América Latina e Caribe. Na época do golpe, era um militante do Partido Socialista. Anos depois, em 1990, estava no governo Patricio Aylwin quando foi instalada a Comissão da Verdade que apurou os crimes da ditadura chilena. Foi embaixador no Brasil e nas Nações Unidas. Na ONU, trabalhou por uma resolução que recomendou em 2009 a instalação de comissões da verdade em países que saíram de períodos ditatoriais:

- Elas sempre tiveram o efeito positivo de buscar as informações. É preciso saber quem matou, quem sequestrou, onde está o corpo, para fechar as feridas. Não pode haver reconciliação sem saber o que aconteceu. Tem gente que diz: vamos virar a página, porque tudo isso é muito polêmico. Mas é preciso saber, ter arquivos.

Ele contou que as comissões da verdade em vários países, como Chile, Argentina, Guatemala, El Salvador, Peru, África do Sul, Colômbia, tiveram formatos diferentes. Na América Central, algumas foram conduzidas pela ONU. Na África do Sul, foi precedida de um período em que se a pessoa prestasse informações receberia uma anistia. Isso levantou dados importantes. No Chile, acha que isso não seria possível porque no período em que o trabalho começou, Pinochet ainda era o comandante do Exército. Na Argentina, os militares concederam uma anistia a eles mesmos. Depois do trabalho da Comissão, houve processos judiciais. No Chile, nasceu a interpretação de que crimes de desaparecimento não podem prescrever até que apareça o corpo ou a pessoa sequestrada.

Muñoz explicou que há elementos comuns entre as comissões: a busca dos fatos, a ajuda à Justiça, montar arquivos. As comissões sempre ocorreram em época mais próxima dos eventos. No Brasil, só agora foi instalada.

- Os processos de transição têm seus tempos e os tempos são ditados pela realidade local - disse ele.

No Chile, os integrantes da comissão eram de lados diferentes do campo político e havia até um ex-Ministro da Educação de Pinochet. Durante dois anos, trabalharam com a ajuda de uma equipe de advogados e especialistas. No final, foi divulgado o "Relatório Rettig", que informa que 2.115 pessoas foram assassinadas no Chile. Pode ter sido mais de 3.000. O Exército não aceitou o relatório, mas as outras Forças, sim. Pinochet disse que era uma versão unilateral.

No livro, Muñoz relata os dois enterros de Salvador Allende. O primeiro, apressado, quase às escondidas. Sob ameaça de armas, Hortensia Allende, a viúva, corajosamente diz: "Que saibam todos que aqui jaz o presidente constitucional do Chile." No segundo, na democracia, ele recebeu honras de chefe de Estado. "Muitos outros estavam fadados a morrer entre os dois sepultamentos de Salvador Allende", diz ele, no livro lançado no Brasil pela Zahar. Nos primeiros meses morreram em média 119 pessoas por semana.

Apresentei a ele as dúvidas levantadas no Brasil nos últimos meses: de que a verdade é relativa, de que não vale a pena reviver conflitos passados, e de que a oposição também cometeu crimes:

- Esses argumentos não me surpreendem; apareceram em todos os países, principalmente levantados por quem se sente vulnerável pelas revelações. Sobre os crimes cometidos pela resistência à ditadura, vamos lembrar que todas as pessoas foram julgadas, condenadas a penas bem além da responsabilidade que tiveram e foram torturadas.

Perguntei ao embaixador Muñoz como explicar para os mais jovens por que pessoas como ele tinham tomado decisões tão extremadas? As bananas de dinamite que ele carregou no 11 de setembro pelas ruas de Santiago estavam instáveis. Poderiam ter explodido. Ele começou: "Foram sonhos de mudança e de justiça." E então ficou em silêncio por 32 segundos. Depois, concluiu:

- Não faria isso novamente. Naquele momento defendia um governo de mudanças, eleito democraticamente. Hoje, as novas gerações tomam a democracia como um dado inquestionável. Para a nossa geração foi mais difícil. No ano passado, houve seis eleições na América Latina sem nenhum incidente. É o período mais longo de democracia, mas o custo foi grande. Aprendemos com os nossos erros, mas o outro lado talvez tenha aprendido que - apesar das diferenças do passado - temos um futuro comum.

Na saída da entrevista, ele me disse que integrantes da repressão brasileira foram ao Chile ensinar técnicas de tortura aos militares chilenos. E que isso deveria ser objeto de investigação da Comissão da Verdade.

Investir para crescer - SUELY CALDAS


O Estado de S.Paulo - 03/06


Alarmistas, empresários industriais e alguns economistas avaliam que a indústria brasileira está definhando e vive seu momento mais agudo de depressão. Otimistas, o ministro Guido Mantega e seus assessores negam e repetem que o problema da indústria é o câmbio: com a desvalorização do real, a produção rapidamente se recupera e a indústria volta a crescer. O real desvalorizou, o câmbio saltou de R$ 1,55 para R$ 2 e a produção industrial não parou de cair - já são oito meses seguidos de queda. Segundo o IBGE, já retraiu 2,8% no ano até abril e a expectativa para os próximos meses não anima. Pelo contrário.

Porém, o mais decepcionante resultado do raquítico PIB de 0,2%, divulgado pelo IBGE na sexta-feira, não foi a produção industrial, que até registrou leve recuperação por esse indicador. Embora a agropecuária tenha tombado 7,3%, o recuo de 19,5% para 18,7% na taxa de investimento (entre o último trimestre de 2011 e o primeiro deste ano) foi a pior notícia do PIB, justamente porque sinaliza o desempenho futuro da economia. Na véspera do anúncio do IBGE, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmava que "os planos de investimento estão fortíssimos" e que a taxa de investimento avançou para 20% do PIB nos últimos anos. Em que país, secretário? No Brasil não é.

A desaceleração da economia tem piorado mês a mês. Mas, em vez de trabalhar para afastar os entraves que impedem revertê-la, o ministro Guido Mantega e assessores tentam resolver o problema com discursos gastos e desacreditados: negam a gravidade da situação ("O Brasil é um dos poucos países do mundo a crescer mais em 2012 do que em 2011"), refazem mil vezes (para baixo) as previsões de crescimento, aplicam paliativos fiscais e momentâneos para ativar o consumo, vão empurrando com a barriga - e não resolvem.

O pífio avanço de 2,7% do PIB em 2011 serviu de alerta para empresários e analistas econômicos, não para o governo. Ao som de um repetitivo monocórdio, Mantega vinha insistindo em que, em 2012, o País cresceria de 4,5% a 5% (agora já baixou para 3%). E não se preocupou em indagar por que o Brasil ocupou a humilhante posição de lanterna na América Latina em 2011 - o Equador cresceu 9%; Argentina, 8,8%; Chile, 6%; Colômbia, 5,9%; e a média do continente foi de 4,3%. Países como México, Chile e Colômbia investem 25% de seu PIB; o Brasil, só 18,7%. Está mais do que claro que a crise europeia responde por uma parte desse mau desempenho (bem menor do que diz Mantega) - a maior parte decorre de deficiências internas, e a mais urgente é retomar o investimento.

O diagnóstico dos investidores é tão antigo quanto invisível para o governo. Enquanto eles reclamam pela continuidade das reformas, redução do custo Brasil, expansão de obras em infraestrutura, contenção dos gastos do governo e fomento do investimento público, a presidente e seu ministro da Fazenda têm respondido com estratégias de curto prazo, ora aumentando o imposto de importação, ora desonerando setores industriais, ora privilegiando grupos e empresas com crédito subsidiado do BNDES. E essa política de escolhidos deixa de fora a grande maioria.

Quando lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007, a então ministra da Casa Civil de Lula mapeou as deficiências do País. Dilma Rousseff conhece em detalhes o que precisa ser feito em portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, expansão em energia elétrica, petróleo, saneamento. Mas descuidou do investimento privado, não buscou aperfeiçoar regras de regulação, permitiu que Lula loteasse as agências reguladoras entre partidos políticos, estatizou os investimentos em petróleo na área do pré-sal - que não deslancham, pois a Petrobrás não tem recursos para suprir - e, em vez de privatizar, deixou correr frouxo puxadinhos de aeroportos que custaram fortunas e não funcionam.



Os últimos nove anos provaram que ideologia e investimento não combinam, não andam juntos. Se recursos públicos são limitados, a saída é expandir o investimento privado.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


6h - Roland Garros, Tênis, ESPN e ESPN HD

8h30 - GP da Catalunha, MotoGP, Sportv e Sportv HD

9h30 - Japão x Omã, Eliminatórias Asiáticas para a Copa-2014, Sportv 2

10h - Roland Garros, Tênis, ESPN e ESPN HD

10h - Brasil x Chile, Desafio feminino de basquete, Sportv

11h - Troféu Brasil de polo aquático, Final, Sportv 2

12h15 - Copa do Mundo de ginástica artística, Etapa de Maribor, Sportv 2

13h - Nigéria x Namíbia, Eliminatórias Africanas para a Copa-2014, ESPN Brasil

14h20 - Real Madrid x Manchester United, Amistoso, ESPN Brasil

15h - Polônia x Brasil, Liga Mundial de vôlei, Esporte Interativo e Sportv 2

15h - PGA Tour, Golfe, ESPN e ESPN HD

16h06 - Brasil x México, Amistoso, Globo e Sportv

16h45 - GP de Detroit, Indy, Band e Bandsports

17h - Espanha x China, Amistoso, Esporte Interativo

20h - Canadá x Estados Unidos, Amistoso, Bandsports e Esporte Interativo

21h30 - Boston x Miami, NBA, ESPN e ESPN HD

CLAUDIO HUMBERTO

“[É uma] ação desequilibrada de quem só tem feito bobagem”
Deputado Sergio Guerra (PE), presidente do PSDB, sobre a ojeriza de Lula por tucanos

POR NEGAR CARGO, MANTEGA PODE SER ALVO NA CÂMARA

O presidente da Câmara, Marco Maia, e os líderes do PT, Jilmar Tatto, e do governo, Arlindo Chinaglia, esperam a primeira oportunidade para dar o troco no ministro Guido Mantega (Fazenda), que se negou a aceitar indicação deles para cargo ao Banco do Brasil. Os petistas também reivindicaram ao governo cargo na Agência Nacional de Saúde e na 

diretoria de Abastecimento da Petrobras. Não foram atendidos.

CALCANHAR DE AQUILES

As denúncias contra Luiz Felipe Denucci, seu homem de confiança na Casa da Moeda, deixou Guido Mantega vulnerável, mas ele resistiu. 

PODEROSO

Guido Mantega recuperou prestígio junto à presidente Dilma. Sentido-se fortalecido, desdenhou dos pedidos de Maia, Tatto e Chinaglia.

BRASILEIRINHO

O slogan “Juntos num só ritmo”, da Copa de 2014, tem lá seu fundo de ironia: devagar quase parando ou correndo para acabar as obras?

INCONFORMADO

O deputado Antônio Imbassahy (BA) não se conforma com decisão do PSDB de descartá-lo para apoiar ACM Neto (DEM) em Salvador.

MG: ANASTASIA ADOTA ‘ESTILO DILMA’ E IRRITA TUCANOS

Sem a menor paciência para o jogo político, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, tem sido alvo de críticas dentro do PSDB local, que chegou a reivindicar à cúpula do partido um candidato de “perfil político” em 2014. Deputados, vereadores e prefeitos reclamam que, quando conseguem audiência, Anastasia usa um relógio, com alarme a cada 20 minutos, para cronometrar a duração da conversa.

TOLERÂNCIA ZERO

O PSDB reclama que Anastasia levou ao pé da letra a Lei da Ficha Limpa e demitiu os tucanos ilustres Ademir Lucas e José Leandro.

SE VIRA!

Ex-presidente da Assembleia Legislativa, o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP) acabou responsável por resolver “pepinos políticos”. 

NEUTRALIZADA 

Irmã do senador Aécio Neves, a ex-toda-poderosa Andreia Neves anda reclamando de falta de influência no governo Anastasia. 

FESTA NO RIO

PT e PMDB estão segurando a quebra de sigilo das em-presas que receberam dinheiro da Alberto & Pantoja Construções. De 29, apenas uma teve sigilo quebrado. A maioria tem sede no Rio de Janeiro. 

MAL EXPLICADO

Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) quer explicações do Coaf sobre a relação entre a farmacêutica Vitaplan, de propriedade de Cachoeira, e a Leão & Leão, empresa que fazia coleta de lixo em Ribeirão Preto, acusada, em 2004, de pagar propina ao petista Antonio Palocci.

OUTROS TEMPOS

Beneficiado por 63 doações de empreiteiras, em 2011, o PT recebeu grana de apenas dois bancos no mesmo período: o BMG repassou R$ 1 milhão e o Banco Alvorada R$ 3 milhões.

O DILEMA DO SENADOR

Com histórico de luta pela democracia, o senador Humberto Costa (PE) vive um dilema: ser ou não ser candidato “biônico” à Prefeitura do Recife, após a direção nacional do partido tentar cassar a candidatura à reeleição do atual prefeito João da Costa, que é de facção rival, no PT.

VOZ DA EXPERIÊNCIA

Em conversa com núcleo duro do PMDB, o presidente do Senado, José Sarney, avaliou que de duas, uma: ou o ministro Gilmar Mendes (STF) e o ex-presidente Lula baixam a bola, ou estão fadados à destruição.

ABUSO NA WEBJET

A comissária do voo 6716, SP-Brasília, causou revolta no dia 24. Foi grosseira ao reclamar de uma mala fora do lugar, metendo o dedo no rosto do passageiro, que reclamou. Na chegada, a maluca reteve os passageiros em um ônibus e chamou a polícia para prender o rapaz.

REPRESENTATIVIDADE

Cláudio Pereira de Souza, da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB, apoia a eleição direta para os futuros presidentes da entidade. “Eles representam os advogados 

ou os conselheiros federais, afinal?”.

PUNHAL NAS COSTAS

O senador Inácio Arruda (PCdoB) avalia que sua candidatura a prefeito de Fortaleza (CE) é “diferente” da correligionária Manoela D’Ávila, em Porto Alegre: “O PT tinha compromisso de apoiá-la e, do jeito que está mal avaliado lá, vai ter de apunhalá-la para crescer”. 

PENSANDO BEM...

...Para o grupo JBS, é melhor uma Delta voando que uma Cachoeira na mão da CPMI. 

PODER SEM PUDOR

BOLAS DENTRO

Jânio Quadros certa vez visitava Athiê Jorge Couri, seu companheiro de partido em Santos (SP), e ficou encantado com a casa e a coleção de obras de arte do anfitrião. Não perderia a chance de ironizar, entre gargalhadas:

– Athiê, você jogou pelo Santos, não é mesmo?

– Sim, presidente.

– Diga-me, caro amigo: conseguiu esta casa com as bolas que defendeu ou com as que deixou de chutar?

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Novo pacote do governo vai reduzir tarifas de telefone
Folha: Governo quer proibir venda de horário na TV
Estado: Investimento da indústria deve cair R$ 35 bi, prevê BNDES
Correio: Fantasmas da Delta financiaram políticos
Zero Hora: Por que a água é intragável
Estado de Minas: As novas famílias mineiras
Jornal do Commercio: Oferta de imóvel explode com bairros planejados

sábado, junho 02, 2012

‘Pibizinho’ de Mantega - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 02/06

Da boca para fora, Guido Mantega diz que o “pibizinho” de 0,2% no primeiro trimestre “é uma imagem no retrovisor”. Ou seja, daqui para frente, tudo vai ser diferente. Mas, no Planalto, o número fez ligar as sirenes do governo. Vai apressar novas medidas para tentar fazer a economia pegar no tranco.

‘Pibizinho’ de R10

A passagem de Ronaldinho pelo Flamengo também não rendeu bons contratos de publicidade para atleta e clube. O maior foi com a chinesa Moto Traxx. Quando o Fla foi hexa brasileiro, em 2009, de cada seis camisas vendidas, uma era de Adriano. Agora, em 2012, só uma de cada 26 foi de R10.

Cerveja quente

Para o setor, o aumento de 27% no imposto da cerveja e de 10% no do refrigerante deve elevar o preço final de 5% a 10%, bem acima do que calcula o governo. As fábricas preveem queda nas vendas, e menor geração de impostos, o que tornaria o reajuste da tributação inútil. É. Pode ser.

Lula no Rio

Lula vem ao Rio quarta agora. Vai inaugurar o BRT da Zona Oeste com Paes e participar de encontro com caciques do COI.

À la Zózimo

E Marconi Perillo, hein? Como se diz em Frei Paulo, o tucano parece mais sujo do que pau de galinheiro. Com todo o respeito.

Garota faz 50
Celso Fonseca, o músico, vai trabalhar na direção musical de um tributo a “Garota de Ipanema”, a canção, que faz 50 anos. A homenagem ao clássico de Tom e Vinicius, um dos hinos da bossa nova, é projeto grande para o segundo semestre.

A TURMA DA coluna celebra, neste finzinho de outono, a harmonia entre homens e animais. Apesar da máxima de que “o cachorro é o melhor amigo”, outros bichos, como estas aves, também são fieis companheiros do ser humano. As imagens não negam, repare. Ao lado, o advogado Marcos Halfim vira pista de pouso para o conforto de uma rolinha, no Jardim Botânico. Acima, o pescador, que labuta nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, ajeita a rede observado por Nininha, a bela garça que costuma ganhar uns peixinhos do amigo. Que Deus as projeta, e a nós não desempare jamais

Se a moda pega
A notícia chamou a atenção do coleguinha e escritor Edney Silvestre. O governo de Nova York cassou a permissão de 26 empresas de ônibus que não davam segurança aos passageiros. “Isso vai salvar vidas”, disse o secretário de Transportes, Ray LaHood. Deve ser terrível... você sabe.

Upa, cavalinho

Dia 24 agora, na Inglaterra, a rainha Elizabeth II vai condecorar o banqueiro Eduardo Moreira, ex-Pactual, por seus “esforços para banir a violência no trato aos cavalos” no Brasil.

Peço a Deus
 Padre Omar, da Paróquia do Cristo Redentor, grava semana que vem com Diogo Nogueira o
clipe do samba “Peço a Deus”. É aquele que Mestre Marçal e Caetano gravaram em 1985.

Charme de Stefhany

O fã-clube da cantora piauiense Stefhany Absoluta (foto), aquela que surgiu como fenômeno na internet, lembra?, iniciou uma campanha no Facebook e no Twitter para que a musa faça uma ponta na novela “Cheias de charme”, da TV Globo. Veja em http://bit.ly/KRYlo5. A turma acredita que as pesonagens domésticas cantoras da trama são inspiradas em Stefhany. É. Pode ser.

Carnaval 2015

Segunda, Jorge Castanheira será reeleito presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio. Seu novo mandato na Liesavai até 2015.

De volta

O engenheiro Luiz Edmundo Costa Leite assume segunda agora a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Cabral, no lugar do deputado Alexandre Cardoso, que vai retornar à Câmara, em Brasília.

Viúvas de Ronaldinho

Do rubro-negro amargurado Maurício Menezes, mistura de jornalista e humorista: — Três setores da economia estão preocupados com a possibilidade de Ronaldinho Gaúcho sair do Rio: as casas noturnas, os grupos de pagode e os fabricantes de gel... Faz sentido.