sexta-feira, março 09, 2012

Não levo meus netos para ver esse futebol - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


O Estado de S.Paulo - 09/03/12


Sei que o mundo mudou e, se querem minha opinião, ficou chato. Sei que o futebol mudou e se posso opinar, ficou muito chato. Não sou cronista esportivo, nunca fui. Também não sou daqueles que olham um jogo e ficam sabendo que os zagueiros deveriam avançar, que a tática usada foi 4.3.3 ou 5. 2.4 ou 1.9. 1. Vou ao campo ver a bola correr, ver dribles, defesas, gols, lançamentos, passes, grande jogadas, beleza. Quando leio ou ouço os comentaristas descreverem as partidas, fico com a sensação de que vi outro jogo e me sinto humilhado pela minha falta de conhecimentos. Será que por causa de minha ignorância estou achando tudo entediante, monótono, aborrecido, rotineiro? Ou o futebol definhou?

Eu ficava abismado quando, décadas atrás, ouvia ou lia que Tostão jogava esplendidamente sem bola. O que é jogar sem bola? Correr? Enganar o adversário? Fazer que vai, mas não vai e o seu marcador fica com cara de bobo? Humildemente tentei ler sobre técnicas, táticas, tentei olhar o jogo com sumidades, especialistas e confesso meu fracasso.

Tudo o que sei é que os jogos estão chatos, sem emoção, grandes lances, algo que me leve a aplaudir de pé. Não mexem mais comigo. Não fico ansioso para ir ao estádio. Neste campeonato paulista não entendo quando as torcidas se rejubilam com uma goleada de 5 ou de 6. Sobre qual adversário? Sobre times que não se mantêm nas pernas. Há um mundo de times jogando. Para quê? Que futebol exibem que justifique o sacrifício de comprar um ingresso, enfrentar fila (se bem que há muito não há filas), ficar na arquibancada ao sol de verão?

Vale algum sacrifício ir ver o Adriano, o Valdivia, o Luis Fabiano, o Lucas, e outros celebrados em campo? Por Deus! Por mais que procure, e procurei até em livros de filosofia, de física quântica, de lógica e, vejam só, até em teologia, e juro que não entendi por que se contrata a peso de ouro certos "craques". Por que meu time foi buscar esse imperador? Qual é o império dele? Não o de Júlio César, nem o de Alexandre, nem o de Gêngis Khan. Pagam a esse moço a quantia de R$ 400 mil para quê? Quantos jogos ele jogou? Com esses 400 mil poderíamos acertar a minha Ferroviária lá em Araraquara, à qual permaneço fiel, ainda que a veja flácida, sem músculos, sofrendo de Alzheimer, sem forças, como a maioria dos times do interior.

E esse Corinthians líder que agora é humilhado por todos que brincam, zoam, gozam com suas goleadas "arrasadoras" de 1 x 0? Acabou o orgulho, o destemor, o querer dar espetáculo. Sabe por que não dão espetáculo? Porque não têm talento. O futebol que já foi Cirque Du Soleil hoje é um barracão coberto por lona podre, furada. Qualquer um que entre em campo e passe o pé sobre a bola três vezes é um craque procurado por empresários, agentes, assessores, treinadores, dirigentes, e um mundo de gente que quer fazer dinheiro.

Sei que o tempo mudou, mas como esquecer a ânsia com que as populações do interior esperavam os jogos com os grandes? Havia caravanas que se deslocavam de uma cidade para outra e enchiam os (verdade que pequenos) estádios. Via-se o Corinthians, o Palmeiras, o São Paulo, o Santos, a Portuguesa, duas vezes ao ano. No turno e no retorno. E bastava. Agora se vê todos os dias. Se vê pela televisão, se vê plays e replays, se grava e se vê. Ficou igual a mulher nua em revista, em filmes, em novelas. Tudo que é demais satura. Banalizaram o futebol, assim como banalizaram a nudez, a sensualidade. Está chato, insosso. Digam: qual foi o grande jogo, a partida eletrizante deste capenga, chocho campeonato paulista?

Os técnicos são as grandes estrelas. Só que se juntarmos todos em campo, orientando uma partida, não darão a estatura de um Guardiola. Pegue o dedo do Scolari, o joelho do Mano Meneses, a boca do Leão, a arrogância do Luxemburgo, a apatia do Tite, a mudez do Muricy e tentem formar um técnico Frankenstein (este é para quem conhece literatura e cinema, tem certa cultura). Esse técnico não ganhará de ninguém. Está aí a seleção brasileira, inglória, sem provocar orgulho, sem nos fazer bater no peito. Batemos, sim, de raiva.

Sinto, não levei meus netos a um só jogo. Nem vou levar. Não tem por quê. Não quero deformá-los. Adoraria que crescessem dizendo: meu avô me mostrou a beleza do futebol! Não darei esse legado a Pedro, Lucas e Felipe, infelizmente. Ver o futebol que está aí é o mesmo que assistir ao BBB, A Fazenda, Mulheres Ricas, Zorra Total e pensar que se está vendo televisão. Nem esse campeonato é futebol nem esses programas e muitos outros são televisão pelo baixo nível, pela indigência, ausência de talentos, categoria, inteligência. São arremedos. E basta.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 09/03/12
Estrangeiro 'desafoga' BNDES em infraestrutura
O papel do BNDES como grande financiador de obras de infraestrutura começa a ser atenuado, segundo a Abdib (associação de infraestrutura e indústria de base).

A instituição permanece como principal, mas a tendência de alívio deve se acentuar no longo prazo. Como alternativa, os recursos estrangeiros que vieram em 2011 atingiram níveis recordes, segundo estudo da associação.

A participação da infraestrutura na recepção de recursos estrangeiros brutos pelo Brasil subiu de 5,7% em 2007 para 26,1% em 2011.

O fluxo representou, em valores brutos em 2011, US$ 18 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões) em projetos de petróleo, energia, saneamento, construção, transporte, holdings não financeiras e telecomunicação. Algumas operações correspondem a compra de participação acionária.

Pelo BNDES, sem contar a área de petróleo, foram aproximadamente R$ 68 bilhões.

Além do estrangeiro, ajudam a atrair recursos as recentes ações do governo na regulamentação de condições para aprovar projetos de investimento privado no setor, como a lei que reduz tributação de debêntures e títulos mobiliários.

"Há algumas frentes para desafogar o BNDES, uma delas é o mercado de crédito, com a emissão de debêntures que, neste ano, pode ganhar tratamento tributário diferente", diz Paulo Godoy, presidente da Abdib.

A atração de estrangeiros cresceu com a evolução dos projetos, segundo Fernando Puga, superintendente do BNDES. "O BNDES é ator chave, mas é importante que entrem outros. O Brasil saiu um pouco dos projetos que só modernizavam fábricas. Agora são esforços para mudar a matriz energética, logística."

O RICO QUE PROJETA CATEDRAIS
"Se eu tenho o dom de construir catedrais, qual o problema de o Brasil me usar? O país merece ter mais brasileiros nesta lista. Além de ter o maior jogador de futebol do mundo, a melhor modelo... melhores em todos os rankings", disse Eike Batista sobre estar em sétimo lugar entre os homens mais ricos do mundo no ranking da Forbes.

Ele segue sendo o brasileiro dono da maior fortuna, com US$ 30 bilhões.

"Essa é a fotografia de 2012. Entrei em 160 e tantos, fui depois para a 80ª posição. Às vezes, você fica que nem uma jiboia engolindo um boi e depois dá um salto."

O próximo avanço tem data marcada. Entre 2015 e 2016, ele pretende se tornar o homem mais rico do mundo e ultrapassar o mexicano Carlos Slim, líder da lista. Em 2011, Eike era o oitavo.

A lista da Bloomberg, porém, o coloca em décimo lugar, com fortuna um pouco menor, de US$ 29,7 bilhões, segundo o empresário porque não consideraram ativos dele que não estão listados em Bolsa.

"Reclamei com eles: para o americano vocês usam um critério e para mim, outro? Mas isso vai mudar." Eike, que tem cidadania alemã, também é o mais rico da Alemanha. Os US$ 30 bilhões que tinha em 2011 se mantiveram. Ele subiu de posição, pois o indiano Lakshmi Mittal, do setor siderúrgico, caiu.

Por incentivo a LAN houses, setor quer driblar Congresso
A demora para a tramitação no Congresso do projeto que prevê incentivos fiscais às LAN houses fez a associação do setor buscar alternativas para agilizar o processo.

A Abcid (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital) mantém contato com deputados para que o tema seja tratado antes nos legislativos estaduais.

Há cinco projetos desse tipo em andamento e outros dois devem ser protocolados até o fim deste semestre.

O projeto federal, de 2004, foi aprovado em abril do ano passado pela Câmara e espera votação no Senado.

Para o presidente da associação, Mário Brandão, a lei seria importante para aumentar o número de LAN houses no país. Muitos desses estabelecimentos estão sendo fechados devido à alta de acessos domiciliares e móveis.

"Quando há envio de vírus, os centros pagam multas se não conseguem dizer qual usuário é responsável, o que não ocorre com operadoras de celular, no caso de trotes, ou com os Correios."

O deputado que sugeriu o projeto em São Paulo, Dilmo dos Santos (PV), espera que a lei passe a valer neste ano.

"A principal meta é fazer parcerias com o Estado para aproximar os jovens das LAN houses, sem que as mães se preocupem com isso."

NÚMEROS
6,5 anos foi o tempo necessário para aprovação do projeto na Câmara
5 Estados já têm projetos de leis que preveem incentivos às LAN houses (SP, RN, AL, AM e RJ)
2 Estados devem discutir propostas semelhantes até o final deste semestre (MG e RS)

MONOPÓLIO DA MINERAÇÃO
O setor de mineração deve receber 60% do total dos investimentos particulares destinados para Minas Gerias até o final do ano que vem.

Levantamento do Sebrae-MG aponta que aportes que somam R$ 47,9 bilhões estão planejados para o Estado (cerca de R$ 24 bilhões só para a mineração).

Os valores são de negócios anunciados até janeiro. "Os investimentos estão ligados ao processo de verticalização da indústria mineradora", diz o analista de inteligência empresarial do Sebrae-MG, Ricardo Leopoldo.
A expectativa do Sebrae é que essa concentração diminua. Setores como químico, hoteleiro, energético e de fertilizantes estão em expansão.

MODELO BRASILEIRO
A Accor repetirá a estratégia que já realiza no Brasil e buscará investidores para começar a abrir franquias de sua marca Ibis no México.

Com a medida, a rede pretende atrair investimentos de US$ 80 milhões e inaugurar 25 unidades até 2015. "Nosso foco são cidades com 100 mil a 300 mil habitantes", diz Steven Daines, diretor da bandeira na América Latina. A empresa tem 12 unidades no México, sendo dez deles Ibis. No Brasil, são 152 hotéis, com 63 Ibis.

Sem segredos - LUIZ GARCIA


O GLOBO - 09/03/12
Todos os governos têm segredos. Por motivos óbvios, eles são mais numerosos - e, por razões tristemente também óbvias, mais cabeludos - no caso das ditaduras. Os chamados regimes de exceção (forma delicada de caracterizar a sua ilegalidade) colocam a sua sobrevivência acima de qualquer direito ou necessidade dos cidadãos. E a verdade é sua inimiga.
A ditadura militar é uma lembrança triste na memória do povo brasileiro. Triste, mas necessária. Como alguém já disse, aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo. O que é motivo suficiente para que a arquibancada bata palmas para a decisão do Ministério da Defesa de ampliar o acesso dos cidadãos aos seus documentos internos que fazem parte da história dos anos de ditadura. Uma decisão, deve-se dizer, inevitável: é exigida pela Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidente Dilma Rousseff no fim do ano passado.
Obedecendo à lei, o ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou uma portaria determinando aos comandos militares que façam um levantamento dos documentos hoje mantidos em segredo, para liberar aqueles que a sociedade ganhou o direito de conhecer. O sigilo deixa de ser a regra e passa a ser a exceção. Em muitos casos, a divulgação de informações hoje secretas será espontânea.
Pode-se esperar que essa nova política permita que historiadores isentos - e esse adjetivo é obviamente indispensável - escrevam a história dos nossos anos de chumbo. Uma prova de que isso é necessário está em entrevista recente do general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, que disse não acreditar que o jornalista Vladimir Herzog tenha sido assassinado numa cela do 2º Exército, em 1975, um crime reconhecido, anos depois, pela Justiça e pelo governo.
Podemos - e até devemos - acreditar que não há clima no Brasil de hoje para uma volta dos anos de chumbo. Mas sempre é bom não esquecê-los. Na década de 60, o fantasma de uma "república sindicalista", projeto de poder de João Goulart e Leonel Brizola - e que poderia existir mesmo - criou o clima para a ação militar que, contrariando uma suposta tradição, produziu anos de regime de exceção. Quanto melhor um país conhecer o seu passado, maiores serão as chances de não repetir os seus erros.

Ueba! Troco sogra por gasolina - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 09/03/12

E pode ficar com a gasolina! Rarará! Eu vou trabalhar de bicicleta ergométrica. Pelo menos só gasto caloria!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Direto de Fortaleza: "Tiros na favela Baixa Pau". E o Twitter duma traveca no Dia da Mulher: "bom dia, um quase obrigada de uma quase mulher". Rarará.
E quem vai querer Bacalhau a Dilma? É verdade! Já tem! No Dia da Mulher, em homenagem a Dilma, um restaurante em Portugal batizou o prato de bacalhau de Bacalhau a Dilma! Acompanhado de vinho tinto Periquita. Bacalhau a Dilma acompanhado de vinho Periquita? Isso é macumba! Joga na encruzilhada! Rarará!
Semana da Mulher! Pode bater o carro! Tá liberado! Rarará! E uma amiga: "Oba, vou sair batendo em todo mundo. Sem culpa". E uma outra comemorou o Dia da Mulher provocando um engavetamento. Rarará. Dirigir mal é o clichê machista mais batido (ops) do mundo! Mas tem uma amiga que dirige muito mal e me diz: "o importante é chegar!". Concordo! E apoio! Rarará!
E mais uma masculinista do Futirinhas: "99% das mulheres não jogam futebol porque não suportariam ver as outras dez usando a mesma roupa". Por isso que eu também não jogo! Rarará!
E a gasolina? Eu vou trabalhar de bicicleta ergométrica! Pelo menos só gasto caloria! Vai faltar gasolina em Minas! Vai faltar gasolina no Brasil! Eu já disse que troco carro por um litro de gasolina. Aí revendo a gasolina em Minas e compro carro novo no Paraguai! Rarará!
E um amigo quer trocar o rim por um litro de gasolina. Troco rim por um litro de gasolina! E um mineiro: troco um queijo por dez litros de gasolina! E um outro: troco a sogra por um litro de gasolina. E pode ficar com a gasolina! Rarará! E um outro ainda: troco carro novo com tanque vazio por um usado com tanque cheio! É mole? É mole mas sobe!
E em Taubaté que um policial aposentado vai vigiar as ruas fantasiado de Batman? Só quero ver a hora em que chegar o Robin. Rarará. É mole? É mole, mas sobe!
E a diferença entre homem e mulher? Isso a gente vê no Classline. Mulher é sempre assim: "Procuro quarentão charmoso para dividir espaço e compartilhar energias". E homem é sempre assim: "Procuro mulher gostosa para realizar fantasias". A mulher quer amor, e o homem come qualquer coisa! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Fim de farra - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 09/03/12
Mais importante do que a mudança de posição do Supremo Tribunal Federal com relação à constitucionalidade das medidas provisórias é entender que de todo esse processo, que poderia ter sido uma boa trapalhada, acabou saindo uma decisão que vai ajudar a equilibrar os poderes da República.
A partir de agora, acabou a farra do Executivo no uso desbragado das medidas provisórias, que há muito se transformaram em um instrumento do hiperpresidencialismo, muito, em parte, por culpa do próprio Legislativo, que abdicou de seus poderes, deixando-se atropelar pelo Executivo.
Quando o Supremo se definiu pela ilegalidade da medida provisória que criou o Instituto Chico Mendes, estava tecnicamente certo, mas não atentou para o fato de que a decisão tornaria nulas uma infinidade de decisões dos últimos anos, todas aprovadas pelo mesmo processo viciado.
O Congresso estava buscando uma maneira de reassumir o controle dessa agenda legislativa e já alterara no Senado as regras de tramitação das medidas provisórias, previstas pela Constituição.
Em vez das comissões mistas previstas, que nunca funcionaram, a proposta de emenda constitucional do Senado previa que as Comissões de Constituição e Justiça das duas Casas analisariam as medidas provisórias sob o ponto de vista da urgência e relevância.
A proposta está em processo na Câmara, mas a partir da decisão do Supremo de reafirmar a necessidade de uma comissão mista analisar as medidas provisórias, provavelmente o assunto voltará à estaca zero.
A intenção da proposta de emenda constitucional do presidente do Senado, José Sarney, que tinha como relator o senador Aécio Neves, era alterar a apreciação das medidas provisórias pelo Congresso para subordiná-la à decisão do Congresso.
Além dos critérios de urgência e relevância, que não são obedecidos na edição das MPs, a aprovação era tão automática que o governo cansou de enviar ao Congresso medidas provisórias que traziam embutidos assuntos diferentes, sem que fosse respeitado o inciso II do artigo 7 da Lei Complementar nº 95, de 1998, que proíbe que uma lei contenha matéria estranha a seu objeto.
O governo fez isso durante muito tempo, até que as "pegadinhas", como ficaram conhecidas, foram descobertas pela oposição.
Uma medida provisória tratando de um tema irrelevante - e que, portanto, não poderia ser objeto de uma medida provisória - embutia decisão importante, como, por exemplo, a prorrogação do prazo para as empresas que aderiram ao Refis.
Mesmo denunciadas, as "pegadinhas" continuam sendo utilizadas pelo governo. A partir da decisão do Supremo, qualquer parlamentar poderá entrar com um mandado de segurança para paralisar a tramitação de uma medida provisória que não tenha cumprido os ritos constitucionais.
A respeito da coluna comparando o PIB com o IDH das maiores economias do mundo, o cientista político Nelson Paes Leme lembra que há outro índice, o EPI (em inglês Environmental Performance Index) que também deve ser cotejado, especialmente nos dias de hoje em que o meio ambiente se torna fator de importância social e econômica para o mundo.
O EPI foi antecedido pelo Índice de Sustentabilidade Ambiental (Environmental Sustainability Index), publicado entre 1999 e 2005. Ambos indicadores foram desenvolvidos pelo Centro de Política e Lei Ambiental da Universidade de Yale, em conjunto com a Rede de Informação do Centro Internacional de Ciências da Terra da Universidade de Columbia.
Em sua última versão, no relatório bianual de 2010, o EPI avaliou 163 países e colocou o Brasil na posição 62 do ranking mundial.
Na América Latina sequer se encontra entre as dez melhores performances. Para Paes Leme, há um falso conceito de crescimento sendo adotado quase que unanimemente pela Academia que não se coaduna mais com as transformações políticas, sociais e ecológicas com que estamos convivendo.
Já há alguns anos o físico teórico Fritjof Capra vinha chamando a atenção dos estudos acadêmicos de várias modalidades para essa falha, em seu "Ponto de Mutação". O problema, a meu ver, diz Nelson Paes Leme, reside em que a história econômica que estudamos é a história econômica da espécie humana.
"Não fomos educados numa didática holista que desse um enfoque histórico interativo entre a nossa e a história evolutiva das demais espécies. Menos ainda, entre a nossa e a história das transformações geológicas de nosso planeta".
Não existe, lembra ele, no currículo escolar ou universitário, disciplina holística que se ocupe dessa interação entre a economia política com a biologia, a antropologia, a zoologia e a geologia. "A Economia é apenas mais uma dessas disciplinas caolhas. Como a própria ciência política. A solução para esse impasse talvez possa vir por dentro da revolução técnico-científica que vem obtendo sucessos extraordinários em praticamente todos os setores do conhecimento humano".
Sucessora da revolução industrial, essa revolução, segundo Paes Leme, cada vez mais vem aperfeiçoando os meios de produção, na direção de uma economia mais limpa de carbono nas chaminés e nas mentes do sistema produtivo capitalista.
Domingo, os sinos de Brasília vão tocar lembrando o desastre nuclear de Fukushima. Em São Paulo, serão os gonzos budistas. Movimentos coordenados pela coalizão brasileira contra as usinas nucleares que está tentando levantar um milhão de assinaturas para que o Congresso discuta a proibição de Angra 3.
A origem desse movimento foi a luta para tentar impedir a instalação de usinas nucleares no país, cuja construção começou nos anos 80 do século passado.
Hoje, lutam para que a construção de usinas pare sob o lema: "Errar é humano, continuar no erro é diabólico".

Crescimento da economia em 2011 - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS


FOLHA DE SP - 09/03/12
Medidas agressivas adotadas agora podem criar grandes dissabores no campo da inflação em 2013 

A divulgação dos números da economia brasileira em 2011 provocou um pequeno terremoto. No governo, o crescimento do PIB abaixo das previsões otimistas mantidas ao longo do ano deixou a clara sensação de frustração.
Esse gosto amargo ampliou-se à medida que as críticas ao desempenho da economia chegaram à imprensa. "Pibinho", escreveram uns; "PIB raquítico", qualificaram outros analistas, enquanto a oposição chamou a atenção para o fracasso do governo Dilma em seu primeiro ano gerindo a economia brasileira.
A comparação com um crescimento de mais de 7% em 2010, último ano do período Lula, foi usada como prova do insucesso do novo governo. Segundo a imprensa, a presidente Dilma cobrou de seus ministros medidas mais agressivas para que a decepção de agora não se repita em 2013, quando os resultados do PIB deste ano forem divulgados.
Na imprensa especializada, as análises se concentraram nas entranhas da economia no ano passado, ressaltando o desempenho pífio da indústria de manufaturas, na queda dos investimentos ao longo do ano e na medíocre taxa de poupança da sociedade. Como sempre, foram fartos os ensinamentos de como fazer para se retomar o crescimento em 2012 usando mecanismos administrativos como taxas de juros do Copom e medidas adicionais para enfraquecer nossa moeda.
Vejo os números divulgados pelo IBGE sob outra perspectiva. Para mim, eles representam uma realidade que foi sendo construída ao longo do ano devido a fenômenos intrínsecos à nossa economia e a acontecimentos que se deram fora do Brasil. Para quem -como eu- fez do acompanhamento da economia sua profissão, os números desta semana não causaram, portanto, nenhuma surpresa.
O primeiro deles foi o incrível choque de oferta que ocorreu na virada de 2010 nos mercados de produtos agrícolas. Os preços chegaram a subir 30% em dólares, impactando diretamente a inflação no Brasil.
Duas consequências dessa alta de preços se deram ainda no início do segundo trimestre do ano e nos levaram a um PIB mais fraco em 2011: os salários foram corroídos pela inflação de alimentos, e o Banco Central pisou no frio monetário, subindo os juros e restringindo o crédito ao consumo.
E a economia começou a desacelerar pelo canal do consumo das famílias, que, no Brasil, representa mais de dois terços do PIB.
Pouco mais à frente, com o agravamento da crise das dívidas soberanas na Europa, um choque negativo das expectativas atingiu os empresários no Brasil e reduziu seu apetite para correr riscos. A reação -normal nesses momentos- foi a de pisar no freio dos investimentos.
No início da segunda metade do ano, esse quadro começou a mudar, com a queda dos preços dos alimentos no exterior e a natural redução da inflação. O poder de compra dos trabalhadores voltou a crescer e o Banco Central iniciou uma política de afrouxamento das condições monetárias, fazendo com que o consumo das famílias fosse estimulado.
Mas já era tarde para 2011, e a aceleração do crescimento econômico -já contratado- deve ficar para este ano. Ele será puxado pelo consumo e reforçado, a partir do meio do ano, pela volta mais agressiva dos investimentos privados. Na passagem de 2012 para 2013, o "Pibinho" de agora deve se transformar em um "Pibão" de mais de 5% ao ano.
Essa minha leitura da economia para os próximos meses me obriga a uma nota de cautela em relação à aceleração da queda dos juros por parte do Banco Central, decidida na mais recente reunião do Copom.
Um excesso de estímulo monetário agora só chegará à economia no último trimestre do ano, quando -se eu estiver certo- estaremos trabalhando acima da capacidade da economia e criando condições para uma aceleração perigosa da inflação.
O governo deveria ter mantido a calma e esperar que os tempos melhores, que certamente virão, resgatem a economia.
Perdendo a calma e tomando medidas agressivas agora, o governo pode criar grandes dissabores no campo da inflação em 2013.

Percalços da presidente - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 09/03/12


A presidente Dilma Rousseff só tem a si mesma para culpar pelos seus dissabores políticos. O mais recente deles - e decerto longe de ser o último - foi a derrota que o PMDB e outros menos votados lhe infligiram no Senado, ao rejeitar por 36 a 31 votos, em escrutínio secreto, a recondução do petista Bernardo Figueiredo à presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Homem de confiança da presidente, com quem trabalhou na Casa Civil no governo Lula, Figueiredo coordena o projeto do trem-bala, menina dos olhos da chefe. Com o vazio na agência, o que seria apropriado chamar "Expresso Dilma" vai tardar ainda mais a sair do papel. Pela lei das consequências imprevistas, trata-se de uma boa notícia para todos quantos consideram a ideia uma faraônica fantasia.

Sendo o que são as preocupações que movem a esmagadora maioria dos políticos brasileiros, não foi por achar que o trem-bala é um colossal desperdício que os senadores bloquearam a permanência do seu condutor na ANTT. Foi para se vingar de dois agravos. Um, o de sempre: a relutância da presidente em autorizar as verbas para as emendas parlamentares e a sua recusa em preencher a tempo e hora as vagas nos escalões superiores da máquina, sem falar nas nomeações que não levam na devida conta os interesses da disforme coalizão governista de uma dúzia de legendas, o tóxico legado do seu antecessor e patrono. O segundo agravo vem do que seria o uso de "ampla estrutura governamental" para fortalecer o PT nas eleições locais deste ano, com o intuito de tirar do PMDB o "protagonismo municipalista" (sic) e assumir o seu lugar como o partido com o maior número de prefeitos do País - 1.177, atualmente.

As citações são do manifesto assinado na semana passada por 53 dos 76 deputados federais da legenda, cujo presidente de facto, Michel Temer, é o vice de Dilma. Petista, embora não propriamente desde criancinha, ela é um alvo mais à mão do que os seus companheiros. Afinal, não teria sentido uma agremiação acusar a outra de querer o mesmo que ela - ganhar eleições. A política, além do mais, tem vida própria em cada esfera da Federação: basta lembrar o fracasso da tentativa da Justiça de obrigar os partidos a reproduzir nos Estados e municípios as alianças no plano nacional. O confronto pelo "protagonismo municipalista", afetando por tabela a coligação federal, se nutre também do fato de que nele não há objetivos comuns que transcendam as ambições dos coligados: o toma lá dá cá é o seu único - e poroso - cimento.

Tudo isso devia ser óbvio para quem frequentou o coração do governo durante sete dos oito anos do reinado de seu antecessor. Só que ele administrava a cobiça da tigrada com uma desenvoltura que a sucessora, pelo visto, não adquirirá nem em 70 anos de Planalto. Lula, não bastasse a desenvoltura no uso dos recursos de poder ao alcance de um presidente da República, jogava com os políticos no campo deles, mas sob as suas regras e com uma imensa torcida a dar-lhe força. Com um talento para a política inversamente proporcional ao seu interesse pela administração, tinha ainda o invejável dom de deixar os interlocutores com quem trocava abraços, piadas e tapinhas nas costas com a sensação de que tinham ouvido um sim, mesmo quando ele havia dito não. Dilma, com o seu estilo cortante, parece dizer não mesmo quando diz sim.

Irascível, impaciente, inepta para a negociação, a presidente dá a impressão de que o temperamento a impede de aprender como funciona o processo político, no muito que depende de terceiros que não lhe são subordinados, obedecem a outra lógica e partem da premissa de que apoio com apoio se paga. Assim como não consegue transformar projetos em obras, a presidente tampouco se mostra proficiente em construir uma autoridade política pessoal: fica só a imagem do autoritarismo. As pesquisas indicam que ela se tornou mais popular do que Lula. A base aliada levava em conta a popularidade do presidente porque ele sabia usá-la para afirmar a sua liderança - era um dado da equação do seu poder. No caso de Dilma, é como se os números fossem uma abstração: não impedem os políticos de desafiá-la.

Faltou explicação - CELSO MING

O ESTADÃO - 09/03/12


A derrubada mais acentuada dos juros básicos (Selic) pode ter sido correta.

Mas não está claro qual é ou qual passou a ser o objetivo do Banco Central, presidido por Alexandre Tombini (foto). O discurso oficial é o de que persegue o centro da meta de inflação, de 4,5%. A decisão de quarta-feira, que derrubou os juros em 0,75 ponto porcentual, precisa de explicação - que a nota oficial, emitida após a reunião, deliberadamente escondeu.

Há quem diga que as coisas mudaram, que estamos no meio de uma grande crise global e que é preciso executar a partitura dos grandes bancos centrais. No entanto, para todos os efeitos, este ainda é o sistema de metas de inflação, que obriga o Banco Central a calibrar os juros ao nível necessário para empurrar a inflação para dentro da meta. Ou, se essa estratégia não é adequada para o momento, então é preciso avisar o que mudou e porque mudou - para que uns poucos não tirem proveito próprio do clima de incertezas.

Há ainda quatro argumentos que vêm servindo para justificar a política do Banco Central. O primeiro é o de que a atividade econômica está estrangulada e necessita de mais combustível para garantir a retomada. Não é verdade. O consumo cresce a 5% ao ano, como mostram estatísticas recentes. O que emperrou foi a produção industrial, por fatores que nada têm a ver com a política de juros. Mais frouxidão monetária não desemperrará a indústria. Num ambiente de aumento da massa salarial e queda histórica do desemprego, haverá mais demanda, acionará ainda mais as importações - se não gerar ainda mais inflação.

Também não é adequado combater o tsunami monetário (abundância de recursos) provocado pelos grandes bancos centrais com quedas mais aceleradas dos juros. Seria, se houvesse entrada especulativa de recursos. Mas tanto as autoridades do Banco Central como o ministro da Fazenda negam esse jogo.

A velha afirmação de que os juros devem cair por estarem altos demais também não faz sentido. A regra do jogo não é a de que o Banco Central deve operar com juros baixos, mas a de que precisa colocá-los no nível - alto ou baixo, não importa - necessário para controlar a inflação.

É claro que os juros continuam escorchantes no Brasil e são grave componente do elevado custo de produção. Portanto, precisam ser derrubados. Mas, para isso, é necessário antes domar a inflação com uma política fiscal mais firme, com as tais medidas macroprudenciais ou com outros mecanismos disponíveis.

Ainda sobra para o Banco Central a saída de dizer que passou a ver um panorama bem mais benéfico para a inflação e que, por isso, pode aliviar mais os juros. Mas não é o que pensam os agentes da economia, os mesmos que se encarregam de botar preços nas mercadorias e serviços. Essa gente vê riscos de que a inflação se encaminhe para além dos 6,0% ao ano. E, lá dentro do Copom, dois entre os sete diretores divergiram abertamente da decisão tomada na quarta-feira.

A Ata do Copom, a ser divulgada na próxima quinta-feira, tem muito o que explicar. Se não explicar, entenda-se que a relação entre Banco Central e o resto do Brasil - que, presume-se, deve ser transparente - terá se tornado brincadeira de esconde-esconde.

"Inquestionável sucesso". A presidente Dilma Rousseff, que vem denunciando como nocivo o tsunami monetário dos grandes bancos centrais, não pode ter concordado com o que declarou nesta quinta-feira o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi. Para ele, as duas operações que injetaram 1 trilhão de euros em financiamentos de três anos para as instituições financeiras tiveram "inquestionável sucesso" e contribuíram fortemente para a estabilização da economia.

Operação casada - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 09/03/12

O PR enxerga na vacância da direção-geral da ANTT a chance de arranjar lugar honroso para Paulo Sérgio Passos. O atual ministro dos Transportes ajudou a formatar o modelo da licitação do trem-bala e é especialista no tema. Também é objeto de desconfiança interna na sigla a atuação do senador Blairo Maggi (MT) na negociação para que o partido retome a pasta. Maggi, que chegou a negar convite para ser o ministro, estaria dando sinais dúbios de que pode aceitar a proposta.

Com o veto a Bernardo Figueiredo, a agência ficará temporariamente a cargo de Ivo Borges de Lima, que dividirá as tarefas com o diretor Jorge Luiz Bastos.

Quem é quem Bastos é ligado ao ex-senador Wellington Salgado (MG), da tropa de choque de Renan Calheiros (AL) na presidência do Senado. Já Borges é da cota de Gim Argello (PTB-DF).

Celestial Do Twitter de Roberto Requião (PMDB-PR), que liderou motim contra a recondução de Figueiredo à ANTT: "Goste ou não Dilma, sou seu anjo da guarda".

Quase parando Dilma quer evitar novo susto no Código Florestal. A presidente ainda não se convenceu de mudanças no texto que veio do Senado. Aliados afirmam que, se o governo desistir da votação, há risco de obstrução. A começar pela bancada ruralista, que ameaça boicotar a Lei Geral da Copa.

Onde pega Em conversa com Michel Temer, Dilma admitiu a insatisfação na base e mostrou preocupação sobretudo com a presidência do Senado em 2013. O PMDB rachou: Renan versus Eduardo Braga (AM), Eunício Oliveira (CE) e Vital do Rego (PB).

É comigo? A presidente prometeu acelerar a liberação de emendas, mas não tratou de cargos com o vice.

Não leva O PC do B pode esquecer se espera ver Norberto Rech nomeado diretor na Anvisa. O Planalto avalia que o partido está bem representado no Esporte.

DR Piada que circulou na Esplanada ontem, diante do Dia Internacional da Mulher é que hoje vigora no governo o "modo feminino de governar": Dilma e suas ministras sempre querem saber onde os ministros estão, com quem falaram e por quanto tempo.

Casa da Moeda O nome que Fernando Haddad passou a defender para a tesouraria de sua campanha é o do deputado Paulo Teixeira. Já a direção do PT gostaria de ter um tesoureiro escolhido no grupo que antes gravitava em torno de Marta Suplicy.

Lulômetro Foi o presidente do PT-SP, Edinho Silva, quem sondou Lula sobre a escolha de Ricardo Berzoini para a coordenação da campanha de Haddad. Mas o pré-candidato ainda quer consultar o padrinho sobre o tema.

Merenda Alexandre Padilha (Saúde) encerra hoje, na escola pública em que estudou em São Paulo, o programa de combate à obesidade infantil. Ele almoçará com as crianças e autoridades.

Vacina Para o roadshow que fará com José Serra em cinco núcleos do PSDB a partir de amanhã, Andrea Matarazzo coleta lista de reivindicações de cada bairro, além de prospectar focos de hostilidade ao pré-candidato. A ideia é evitar constrangimentos como o do evento organizado por Bruno Covas.

Visita à Folha Fernando Grella Vieira, procurador-geral de Justiça de São Paulo, visitou ontem a Folha. Estava com Arnaldo Hossepian Junior e Márcio Elias Rosa, procuradores de Justiça, e Marcos Martins Paulino, professor da Faap.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

Voto secreto é uma espécie de voto de alcova: nasce a partir da infidelidade conjugal. E há, no nosso Congresso, os que são verdadeiros mestres nesta arte.

DO PRESIDENTE DO PTB, ROBERTO JEFFERSON (RJ), ironizando a frase do presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), segundo quem o modelo de votação secreta desperta em alguns parlamentares o que chama de "vontade de trair".

contraponto

Confusão ecumênica

Durante celebração dos 30 anos de sacerdócio do padre Sérgio Stein, pároco da Vila Prudente, zona leste paulistana, no sábado passado, autoridades eram chamadas a ocupar as primeiras fileiras.

Após inicio da missa, a vereadora Edir Sales (PSD) entrou na igreja. O padre interrompeu sua fala e anunciou:

-Gostaria muito de agradecer a presença nesta missa da vereadora Edir Macedo.

A correligionária de Gilberto Kassab corrigiu, alto:

-Macedo não, Sales. Macedo é de outra igreja.

O ilegal avança - EDUARDO GOMES


O Globo - 09/03/12


Em 2015, mais de 3 bilhões de pessoas terão acesso à internet. Os dispositivos on-line alcançarão 15 bilhões, impulsionados por uma conexão cada vez mais rápida. Estamos certos de que o conceito de liberdade que está no DNA da rede desde sua criação deve ser respeitado para garantir a livre manifestação da sociedade. Há dois anos, 180 países reconheceram que a Declaração Universal dos Direitos Humanos aplica-se integralmente à internet, em especial, ao artigo 19, que estabelece a liberdade de expressão e de opinião.

Entretanto, a rede mundial não deve ser território sem lei. Atos praticados e atividades econômicas exploradas nessa plataforma devem observar a legislação e os marcos regulatórios que lhes são aplicáveis.

Isso já acontece com o comércio on-line, regido pelo Código de Defesa do Consumidor; as transações bancárias, reguladas pelo Banco Central; e até os crimes virtuais, cuja punição está prevista no Código Penal.

É extremamente preocupante o flagrante desrespeito ao artigo 222 da Constituição brasileira por corporações multinacionais de tecnologia e telecomunicações que, com capital estrangeiro superior aos 30% previstos na legislação, trabalhando empresarialmente, provêm conteúdo noticioso em sites e portais, infringindo as normas que regulam o regime de propriedade e de responsabilidade editorial dos veículos de comunicação brasileiros.

A redação do artigo é clara ao aplicar a regra a qualquer empresa jornalística e de radiodifusão, "independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço". Não há dúvida quanto ao conceito de empresa jornalística e a caracterização de diversos portais e sites noticiosos em desacordo com a lei.

Empresas jornalísticas são aquelas estruturas organizadas com o propósito de produzir e/ou divulgar conteúdo noticioso, de forma não eventual e com intuito comercial. Esse tipo de empresa está sempre associado à produção, à seleção e à distribuição de noticiário, independentemente do meio empregado. Basta acessar os diversos sites do gênero para identificar a sua natureza empresarial e jornalística.

Em 2010, a Associação Nacional dos Jornais e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão recorreram à Procuradoria Geral da República, ao Ministério das Comunicações e à Anatel. O parecer da PGR observou que o limite legal se aplica aos portais, e que a Presidência da República deveria indicar um órgão responsável pela fiscalização. O MC disse que fiscalizar a internet não estava entre as suas prerrogativas.

No Congresso Nacional temos alertado para o risco de desnacionalização da indústria jornalística brasileira. No último ano, o caso ganhou dimensão internacional durante a 40 Assembleia da Associação Internacional de Radiodifusão, que aprovou resolução recomendando ao governo brasileiro o cumprimento do artigo 222.

Mas, as reações não foram suficientes. Diante da permissividade das autoridades brasileiras, a prática ilegal avança com a aquisição de mais veículos de comunicação por empresas estrangeiras que chegam ao país alheias à agenda nacional, e beneficiadas pelo acesso a fontes fartas e baratas de capital e pela liberalidade regulatória.

Neste mês, o assunto voltou à pauta quando o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou que aguarda um parecer da Advocacia-Geral da União para se posicionar sobre a atividade das empresas estrangeiras.

Esperamos, sinceramente, que a iniciativa do ministro resulte em solução definitiva para esta grave violação aos princípios constitucionais que conduz à estrangeirização da indústria jornalística brasileira. E que, assim, se resgate o espírito da Carta de 1988, que busca assegurar a preservação da soberania, da identidade e da cultura nacionais, e garantir a responsabilização pelo conteúdo produzido no país.

Recado em código - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 09/03/12

Derrota de Dilma Rousseff no Senado, no caso da agência de transportes, prenuncia adiamento de votação da lei sobre florestas na Câmara



Não é o caso de fazer drama com a recusa do Senado a referendar o indicado do Planalto para a Agência Nacional de Transportes Terrestres, Bernardo Figueiredo, o homem do trem-bala. Não é a primeira nem será a última escaramuça da base fisiológica -PMDB, como sempre, à frente- com o governo da presidente Dilma Rousseff.

A derrota por 36 votos a 31 é um revés, não o prólogo de uma tragédia. Interessa à turma do toma lá dá cá caracterizá-la da segunda maneira, sem dúvida. Mas ninguém adere à base aliada com disposição de rasgar dinheiro, menos ainda enquanto a popularidade de Dilma estiver em alta e a economia, em crescimento (ainda que medíocre).

O golpe do Senado constitui o segundo ato da coreografada revolta do PMDB e de sócios menores do poder, após um cômico manifesto contra a hegemonia do PT no governo (como se esse não fosse o partido da presidente). A dificuldade é que o terceiro ato -votação final do código florestal na Câmara, antes prevista para a próxima semana- pode fugir do roteiro programado.

O risco de perda de controle da votação na Câmara decorre de que à insatisfação fisiológica se sobrepõe a ira represada da bancada ruralista, que tem no PMDB um de seus baluartes oligárquicos, mas arrebanha fiéis em quase todas as legendas. Dilma já sofrera sua maior derrota política pelas mãos desse setor, em maio de 2011, quando 410 dos 513 deputados federais aprovaram um código com várias concessões a produtores rurais e retrocessos na proteção ambiental.

No Senado, o texto passou por alterações que reequilibraram, em alguma medida, duas grandes vocações do Brasil que precisam ser conciliadas: país dotado com a maior área agricultável no mundo e com o maior patrimônio de espécies animais e vegetais (biodiversidade) em suas florestas.

No retorno à Câmara, porém, o projeto de código volta a ficar sob a ameaça de desequilibrar-se em favor dos proprietários rurais.

O substitutivo do Senado já desagradava ao setor ambiental, que ainda via nele uma anistia a quem desmatou ilegalmente entre 2001 e 2008. O governo nega, pois o perdão de multas só viria com o compromisso de reflorestamento.

Se prevalecer a nova versão coligida pelo deputado Paulo Piau (PMDB), relator do projeto, é certo que um canhoneio internacional de críticas será assestado contra o Planalto. E isso às vésperas da cúpula ambiental Rio+20, em junho.

Se Dilma vetar os exageros ruralistas porventura aprovados, reabrirá um flanco de atrito com a base aliada. O mais provável é que adie a votação para depois da Rio+20.

À espera de uma fagulha - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 09/03/12


O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, esteve em Washington para conseguir apoio de Barack Obama no braço de ferro entre Israel e Irã, no momento em que o país persa parece próximo de fabricar armas nucleares. Obama afirmou que apoiará Israel contra Teerã, mas Jerusalém estima, e não sem razão, que o americano vacila e fará tudo para evitar uma ação de força contra o Irã. Aliás, por isso os israelenses vêm repetindo que, se os EUA relutarem, Israel "poderá empreender uma ação unilateral, bombardeando as instalações nucleares iranianas".

Israel, Irã e EUA não são os únicos atores do drama. Todo Oriente Médio está preocupado. Particularmente os Estados do Golfo que só estão separados do Irã (um país muçulmano xiita e persa, não árabe e sunita) pelo Golfo Pérsico. Além disso, também são grandes produtores de petróleo. Então, qual seria a posição das monarquias do Golfo diante de um eventual ataque ao Irã?

O mais próximo do Irã é o Catar, país minúsculo (240 mil habitantes), riquíssimo e muito exposto no caso de um confronto, pois abriga o Centcom, comando central americano. O Catar tornou-se um país muito ativo depois que passou a ser dirigido pelo xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, que tem apenas 60 anos.

Claro que o Catar é um aliado dos americanos, mas na área diplomática ele mostra uma liberdade que beira a insolência: a capital, Doha, ofereceu um escritório de representação para o Taleban. E também trabalhou para um reencontro entre dois grupos palestinos rivais, o Fatah e o Hamas. E quanto ao Irã? Bem, o Catar opõe-se a uma ação militar contra as instalações nucleares iranianas, preferindo a via diplomática. É verdade que o país divide a exploração de um imenso campo de gás submarino com o Irã. Uma guerra seria um desastre e arruinaria a riqueza fabulosa do minúsculo território.

Por outro lado, a Arábia Saudita odeia o Irã. Em 2008, o rei Abdullah aconselhou os americanos a bombardearem o Irã, para "cortar a cabeça da serpente". Hoje, EUA e seu aliado saudita estão em atrito. Riad lamentou que os EUA destruíram o Iraque de Saddam Hussein. Claro que os sauditas não apreciavam Saddam, mas a ditadura no Iraque constituía uma muralha contra as ambições do Irã no Golfo Pérsico. E de fato, quando Saddam Hussein desapareceu, o Iraque ficou totalmente submisso ao Irã e passou a constituir um perigo mortífero para os Estados do Golfo.

O ódio da Arábia Saudita contra o Irã é profundo. Acrescente-se a isso o medo. Riad, guardião das cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina, exerce a liderança sobre todo Islã sunita. Mas o Irã dos aiatolás, o Irã de Khomeini, pretende, pelo contrário, fomentar uma "revolução islâmica mundial" não sunita, mas xiita, não árabe, mas persa.

A Arábia Saudita convive com essa ameaça no espírito. Segundo o analista político Mehdi Mozzafari, "o regime iraniano é uma ameaça existencial. A destruição da monarquia saudita figura com todas as letras no testamento de Khomeini".

Todas essas análises deveriam, por lógica, colocar os sauditas no campo dos que querem atacar o Irã. Mas não. A Arábia Saudita, como o Catar, e também o Kuwait e Dubai (por mais diferentes que sejam suas diplomacias) trabalham contra uma radicalização da situação. A seus olhos, tal ação desencadeará o caos e poderá por fim à sua formidável prosperidade petrolífera.

O príncipe saudita Turki bin Faisal, o estrategista da família real, declarou-se hostil a um ataque preventivo contra o Irã, alegando que isso só fará o povo iraniano se unir em torno de um regime desacreditado". Por outro lado, a Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo defendem a imposição pelos países ocidentais de sanções cada vez mais severas contra o Irã. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Guerra cambial e custo Brasil - MÁRCIO GARCIA

VALOR ECONÔMICO - 09/03/12


O sucesso das metáforas "guerra cambial" e "tsunami monetário" não encontra paralelo nas estratégias de enfrentamento da crise.

O ministro Mantega tornou-se mundialmente famoso ao cunhar, em 2010, a metáfora "guerra cambial" para caracterizar os problemas que as políticas monetárias expansionistas dos países centrais vinham causando a diversos países emergentes, notadamente o Brasil. Em recente viagem à Alemanha, a presidente Dilma reclamou do "tsunami monetário". Infelizmente, o sucesso das metáforas não se vem se refletindo nas estratégias econômicas de enfrentamento da crise. As reações alvoroçadas do governo sugerem que falta diagnóstico correto das causas dos nossos problemas, assemelhando-se mais a ações paliativas estumadas por lobbies setoriais.

É razoável mostrar preocupação com os efeitos colaterais das políticas monetárias expansionistas dos países centrais. Mas não é razoável esperar que tais queixumes venham a alterar tais políticas. A estratégia brasileira deve levar em conta que o "tsunami monetário" vai continuar enquanto persistir a ameaça recessiva nos EUA, Europa e Japão, empurrando para cá capitais em busca de maiores rendimentos, assim ajudando a apreciar o real.

Ressalte-se que, vista de uma perspectiva mais ampla, a atual situação configura problema certamente muito menos grave do que as repetidas crises que vivemos até 2003, com enormes depreciações cambiais. A vida hoje, sobretudo do pobre, é muito melhor do que quando políticos ganhavam eleições reivindicando salário mínimo de US$ 100, o que corresponderia, hoje, a R$ 176, menos do que 30% do atual valor.

Como tudo que dá para rir, também dá para chorar, o que é renda para o trabalhador, é também custo para a indústria manufatureira, que pena com a concorrência externa. Frente a isso, o que faz o governo? Apesar de se conhecer, desde há muito tempo, fatores que causam o alto custo Brasil (carga tributária em permanente ascensão para financiar o grande e ineficiente setor público, elevados custos associados à mão de obra, infraestrutura deficiente, burocracia custosa e ineficaz, justiça morosa e cara, etc.), tudo que se tem ouvido das autoridades econômicas é que lançarão mão de um "arsenal infinito" para impedir que o real se aprecie, ou que lançarão mão de barreiras fortes para proteger a indústria nacional.

As medidas de controles cambiais, agora entronizadas na ortodoxia via estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), ganharam nova proeminência e credibilidade. O problema é que não há na literatura comprovação de que sejam eficazes, no médio prazo, para depreciar a taxa de câmbio. Caso as economias centrais não voltem a crescer nos próximos meses, a perspectiva é que as políticas monetárias ultraexpansionistas persistam, e, com elas, a entrada excessiva de capitais. As intervenções esterilizadas do Banco Central (BC) ou do Fundo Soberano, via mercado de câmbio à vista ou futuro, são extremamente onerosas. Já os controles de entrada de capitais são sempre porosos. Se durarem muito tempo, acabarão sendo driblados pelas instituições financeiras. Os controles podem ser usados, na melhor das hipóteses, temporariamente, enquanto são tomadas outras medidas, como um ajuste fiscal sério. Fazer dos controles de capitais o ponto central da política econômica é, em médio prazo, estratégia fadada ao fracasso.

Já as medidas protecionistas podem causar dano ainda muito maior à nossa economia. As medidas têm sido invariavelmente casuísticas: um IPI para proteger os carros nacionais, um crédito mais subsidiado para alguns poucos setores que pretensamente empregam mais que os demais, uma isenção para determinados bens, e assim sucessivamente. Nada que, verdadeiramente, ataque nossas reais deficiências. Como já sobejamente demonstrado, as medidas protecionistas são sempre tomadas em caráter temporário, mas tendem invariavelmente a se tornar permanentes, aumentando o custo Brasil e prejudicando ainda mais o aumento da produtividade e competitividade do produto brasileiro. Isso sem contar a perda do prestígio internacional, como demonstrado pela indireta constrangedora da primeira-ministra alemã durante a visita da presidente Dilma.

É sempre bom lembrar que, devido à nossa reduzida capacidade de gerar poupança interna (apenas 17,2% em 2011 contra mais de 40% na China), não parece ser possível atingir a meta de crescimento sustentado a taxas de 4% ou superiores sem contar com significativo ingresso de capital estrangeiro. A posição atual do Brasil como o mercado preferido dos investidores internacionais tem nos permitido contar com os elevados fluxos de capitais necessários para o financiamento do investimento produtivo, indispensável ao crescimento sustentado. Mas outros países também já estiveram em situação parecida, e perderam a oportunidade. Afugentar o capital estrangeiro não é muito difícil, basta errar muito. Mas isso não atende aos interesses de atingir o crescimento sustentado. Melhor seria conviver com a avalanche de capitais fazendo reformas e empreendendo políticas que possam reduzir o custo Brasil.

Boas notícias - MOISÉS NAÍM

FOLHA DE SP - 09/03/12

O total de pobres caiu em todas as partes do mundo, da África à América Latina, da Ásia à Europa oriental

Israel vai bombardear as instalações nucleares do Irã? Se a Grécia desabar, a Europa vai mergulhar num caos econômico que desestabilizará o planeta? A China vai sair dos trilhos?

A lista de perguntas baseadas nos prognósticos mais lúgubres é muito longa. Sobram más notícias. Surpreende, portanto, que as boas notícias não sejam mais comentadas. E nestes dias o mundo recebeu uma notícia muito boa. O número de pobres caiu substancialmente em todas as partes do mundo.

Isso mesmo: segundo este relatório recente do Banco Mundial, entre 2005 e 2008, desde a África subsaariana até a América Latina e desde a Ásia até a Europa Oriental, a proporção de pessoas que vivem na pobreza extrema (com renda inferior a US$ 1,25 por dia) diminuiu.

É a primeira vez que isso ocorre desde o início da coleta sistemática de dados sobre a pobreza.

Esse resultado é ainda mais surpreendente porque a diminuição ocorre em meio à crise econômica mais profunda vivida pelo mundo desde a Grande Depressão de 1929.

De fato, em 2010 o próprio presidente do Banco Mundial manifestou preocupação grave com o impacto que a crise teria sobre a pobreza e informou que seus especialistas estimavam que a crise aumentaria o número de pobres em dezenas de milhões de pessoas. Por sorte, as previsões foram equivocadas.

Tanto é assim que o mundo alcançará antes do previsto as metas de redução da pobreza definidas nas Metas de Desenvolvimento do Milênio acordadas por 193 países da ONU em 2000. Uma dessas metas era reduzir, até 2015, a pobreza extrema pela metade. Pois bem, ficamos sabendo que essa meta já foi alcançada -cinco anos antes!

A explicação para isso é que os países mais pobres e populosos conseguiram manter sua expansão econômica e continuaram a gerar empregos que permitem a seus habitantes ter renda maior.

Além disso, essa não é uma história apenas sobre China, Índia, Brasil ou as outras superestrelas dos emergentes. É também a da África.

De acordo com outro estudo, dos economistas Maxim Pinkovskiy e Xavier Sala-i-Martin, entre 1970 e 2006 a pobreza na África diminuiu -muito rapidamente.

Baseada numa análise cuidadosa, a conclusão é que na África todos os países, incluindo aqueles com desvantagens geográficas e históricas, reduziram a pobreza.

"Esta diminuiu tanto nos países sem litoral como naqueles com extensas zonas costeiras; em países ricos em minerais e nos países que não os possuem, nos países que gozam de condições favoráveis para a agricultura e nos menos favorecidos. A situação é assim para todos, independentemente de suas diferentes experiências coloniais."

Tudo isso não quer dizer que não continuem a existir centenas de milhões de pessoas cujas vidas são tragédias inenarráveis. Ou que viver com renda diária de US$ 3 ou US$ 5, em vez do US$ 1,25, significa que essas pessoas desfrutem de padrões de vida aceitáveis. Nada disso.

A miséria continua a ser a condição "normal" para a grande maioria. Mas a situação está melhorando. E isso é uma grande notícia.

CLAUDIO HUMBERTO

“Partidos devem ser lugares onde se fazem ideias, e não negócios”
Deputado Antonio Reguffe (PDT-DF), pregando no deserto do Congresso Nacional

CASA DA MOEDA: PLANALTO CRIA PROTEÇÃO A MANTEGA

A oposição e a imprensa podem ter esquecido o assunto, mas não o governo, que parece temer o surgimento de mais revelações sobre o escândalo que derrubou o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci. Apesar de o depoimento de Guido Mantega (Fazenda) ter sido prometido para o início de março, ele pediu aos aliados que o ajudem a não ser convocado pelo Congresso.

PELAMORDEDEUS

Mantega aproveitou o tom de súplica para pedir aos líderes aliados pressa na aprovação do fundo de previdência dos servidores.

BLINDAGEM TOTAL

Também Gleisi Hoffmann (Casa Civil), em nome da presidente Dilma, instruiu os líderes para blindar o ministro da Fazenda e seus amigos.

DEBAIXO DO TAPETE

Mantega e Gleisi Hoffman também pediram para não convocar o ex-presidente da Casa da Moeda, suspeito de desvios de US$ 25 milhões.

ERA CONVERSA MOLE

A ordem de blindar Mantega desmente o “princípio” atribuído a Dilma de obrigar ministros acusados a prestar esclarecimentos ao Congresso.

CÚPULA DO PMDB TENTA CONTER REBELIÃO

Preocupado com o recado que rebeldes do PMDB deram ao derrotar o governo no Senado, o líder do PMDB, Renan Calheiros, se reuniu ontem com o vice-presidente Michel Temer e, depois, com o presidente José Sarney no Palácio do Jaburu. Discutiram estratégias para conter a rebelião. Um grupo de dissidentes articula a tomada da liderança do partido e a presidência da Casa, hoje nas mãos de Renan e Sarney.

PATRÃO SOU EU

Líder dos rebeldes, Vital do Rêgo (PB) quer ocupar liderança do PMDB e já avisou que não segue mais orientações de Renan e Sarney.

DÉJA VU

Os mesmos dissidentes tentaram dar rasteira no líder do PMDB no fim do ano passado. Só faltou uma assinatura para ter maioria.

DE OLHO

Com o grupo já alcançando metade da bancada, Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE) são cotados para a presidência do Senado.

‘P’ MAIÚSCULO

Integrante da bancada “independente”, que pretende apear Renan Calheiros (AL) da liderança do PMDB, o senador Ricardo Ferraço (ES) nega interesse em cargos: “Queremos debater política com ‘P’ maiúsculo e mediar interesses da sociedade, não pessoais”. Anrã.

ALÔ, PATRIOTA

O Ministério das Relações Exteriores ainda não sabe, mas o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, visitará o Brasil no fim do mês. Até já pediu audiência à presidente Dilma Rousseff.

MPS INCONSTITUCIONAIS...

Após o Supremo declarar inconstitucional a criação do Instituto Chico Mendes por medida provisória, sem exame de comissão mista, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), alerta que todas as MPs aprovadas podem ter atropelado os ritos de tramitação.

...PODEM SER QUESTIONADAS

Roberto Freire acha que podem ser questionadas 560 MPs aprovadas após a emenda constitucional 32, com uma enxurrada de ações na Justiça. Pediu uma reunião urgente de líderes para definir providências.

AVIÃO DA ALEGRIA

Está explicado por que os banheiros do Aeroporto de Brasília são imundos: com 1.562 empregados – 696 em cargos comissionados –, a sede da Infraero não pode dispensar nenhum para fazer o serviço.

PRIMO POBRE

A bancada do Espírito Santo recebeu apenas uma das cinco vagas destinadas a Estados produtores na comissão que discutirá a divisão de royalties do petróleo. Quatro ficaram com deputados do Rio de Janeiro.

DARTH VADER

Após fazer cirurgia para melhorar a voz de gralha desafinada, o senador Humberto Costa (PT-PE) ganhou novo apelido nos corredores do Senado: Darth Vader, do filme clássico Guerra nas Estrelas.

SOB PRESSÃO

O governador do Acre, Tião Viana (PT), tenta a todo custo fazer a deputada Perpétua Almeida (PCdoB) desistir de disputar a prefeitura da capital, Rio Branco. O PT lançou Marcus Alexandre Médici. 

PENSANDO BEM...

...O espetáculo do crescimento do Brasil está com a cortina rasgada. 

PODER SEM PUDOR

FONTE DO PLANETA

Certa vez, ao ouvir do alagoano Geraldo Bentes, seu ex-secretário de Turismo, a piada de que os rios Capibaribe e Beberibe, do Recife, formam o Oceano Atlântico, para ilustrar a suposta “mania de grandeza” dos pernambucanos, o recifense Cristovam Buarque, senador do PDT-DF, protestou imediatamente:

– E quem disse que esses rios formam apenas o Atlântico?

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: STF recua em decisão sobre MPs e cria polêmica inédita
Folha: Fatia da indústria no PIB retorna ao nível dos anos 50
Estadão: Dilma pede ajuda a Temer para pacificar base aliada
Correio: Pai espanca o filho de 3 anos na escola
Valor: PT e PMDB dominam o ‘loteamento’ de agências
Jornal do Commercio: Chefão se afasta da CBF
Zero Hora: Alívio na folha beneficia mais setores da indústria

quinta-feira, março 08, 2012

A vida como ela é - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 08/03/12
Acredite. O inventário de Nelson Rodrigues, o genial escritor que morreu há 32 anos, até hoje não foi concluído, por divergências entre os herdeiros.
A 11ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio marcou para dia 27 agora, às 14h, um encontro de todos para tentar um acordo.

Tijolo cor de rosa
Aumentou 30%, em 2011, a venda de modelos femininos de equipamentos de proteção individual, os chamados EPI’s (macacões, capacetes etc.), na construção civil, segundo o “Guia do EPI”, anuário do setor.

Mulher na obra...
O Ministério do Trabalho registrou aumento de 65% da mão de obra feminina na construção civil na última década.
As mulheres já ocupam 6% dos empregos do setor.

Ilha da fantasia
Will Smith, o ator americano, negocia a compra de uma ilha em Itacuruçá, no Rio.
Coisa de uns R$ 18 milhões. A operação é feita pela M&S Consultante.

No mais
Antes que algum araponga desconfie de infiltração comunista entre militares da reserva, é bom dizer: o título desse manifesto contra a Comissão da Verdade (“Eles que venham. Por aqui não passarão”) não foi influenciado pelo “No passarán”, de Dolores Ibárruri (“La Pasionaria”), da Guerra Civil Espanhola.
O nome do manifesto a favor da ditadura foi copiado de frase famosa do marechal Emílio Mallet, o grande patrono da Artilharia. Com todo o respeito.

Michelangelo no Rio
O Museu Nacional de Belas Artes, coordenado pelo Ibram, foi escolhidos pela Arquidiocese do Rio para receber eventos da vinda do Papa em 2013.
Já está certa uma exposição de Michelangelo e de objetos do Museu do Vaticano.

Fator aeroporto
Ontem, por volta 19h, o avião da Webjet que fazia o voo WJ 6796 (Rio-Brasília) ficou uma hora parado na pista do Santos Dumont porque... atolou.
A explicação foi que, com o peso da aeronave, fez-se um buraco no chão da área de manobras. Foram necessários dois tratores para desatolar o avião.

Aliás...
A Infraero iniciou um programa de medição de desempenho e de metas para funcionários nos aeroportos.
Já está em curso no Galeão.

COMO MARTIN Luther King, a coluna tem um sonho: fazer o pessoal bacana do Jockey Club Brasileiro usar 1% da energia desperdiçada nas brigas pelo controle do clube na recuperação deste imundo e feioso muro da vergonha, na Rua Jardim Botânico. Até as casas do Jockey que ficam grudadas no monstrengo — em frente à entrada principal do Jardim — estão caindo aos pedaços (veja a foto), deixando em risco os pedestres. Aliás, Eduardo Paes, ainda antes de tomar posse, prometeu se empenhar na melhora do lugar. Mas a promessa não foi cumprida até agora. É pena 



Show do milhão
A Roka Hotéis e Eventos foi autorizada a captar pela Lei Rouanet R$ 4.400.220 para o Arena Cultural SP.
Trata-se de uma arena móvel para shows, peças e filmes.


Carro novo
A Mesa Diretora da Assembleia do Rio aprovou a “padronização da frota” de carros oficiais da Casa.
Cada um dos 70 deputados deve ganhar um Renault novo.

Barca velha
Um pedido de moção de repúdio na Assembleia do Rio contra o aumento da passagem das barcas Rio-Niterói só foi assinado, até agora, por 12 dos 70 deputados (são necessários 24 para ir à votação).
Os outros 58... deixa pra lá.

Onde está você?
“Amor, eterno amor”, a novela da TV Globo, vai divulgar, no fim de cada capítulo, fotos de crianças desaparecidas, cadastradas na Secretaria estadual de Assistência Social do Rio.
Em 1995, iniciativa igual da novela “Explode coração” ajudou a localizar 70 crianças.

Casseta no mar
Hélio de la Peña, nosso casseta, vai participar da maratona aquática Circuito Rei e Rainha do Mar, sábado, no Rio.
Vai nadar 3,5km, do Leblon ao Arpoador.

Novo capítulo
O juiz Joaquim Domingos Neto, do 9º Juizado Especial Criminal, marcou para dia 27 uma audiência entre Grazi Massafera, seu motorista e o aposentado João Manoel Bouzas, vítima, em 2010, de um acidente causado pelo veículo em que estava a atriz, na Barra.
Na pauta, um possível acordo entre as partes. Cauã Reymond, marido de Grazi e dono do carro, também será intimado.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


15h - Atlético de Madri x Besiktas, Liga Europa, ESPN Brasil

15h - Sporting x Manchester City, Liga Europa, RedeTV! e ESPN

15h - Twente x Schalke, Liga Europa, ESPN HD

17h05 - Valencia x PSV, Liga Europa, ESPN Brasil

17h05 - Manchester United x Athletic Bilbao, Liga Europa, RedeTV! e ESPN

17h05 - AZ x Udinese, Liga Europa, ESPN HD

19h30 - Paulista x Goiás, Copa do Brasil, Sportv

19h30 - Flamengo x Emelec, Taça Libertadores, Fox Sports

21h - Washington Capital x Tampa Bay Lightnin, hóquei, ESPN

21h45 - Godoy Cruz (ARG) x Nacional de Medellín (COL), Taça Libertadores, Fox Sports

21h50 - Cuiabá-MT x Portuguesa, Copa do Brasil, Sportv

22h - Chicago Bulls x Orlando Magic, NBA, Space e Space HD

24h - Junior de Barranquilla (COL) x Bolívar (BOL), Taça Libertadores, Fox Sports

A aposta de Dilma - DENISE ROTHENBURG


Correio Braziliense - 08/03/12


A presidente está tão empenhada em fazer do agronegócio a alavanca da economia que vai criar um núcleo específico no Palácio do Planalto apenas para cuidar desse setor



Enquanto os partidos aliados bagunçam a vida do governo no Poder Legislativo, a presidente Dilma Rousseff concentra seus esforços na única coisa que não pode deixar desandar neste momento em que o ex-presidente Lula se recupera da pneumonia: a economia e a alavancagem do crescimento. E o principal caminho é o agronegócio, a área que segurou o Brasil em 2011 e foi responsável pelo índice positivo do Produto Interno Bruto.

Por ordem da presidente, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reuniu ontem em seu gabinete representantes de sete ministérios com a presidente da Confederação Nacional de Agricultura, senadora Kátia Abreu (PSD-TO). O encontro foi resultado de uma conversa entre Dilma e a senadora em novembro do ano passado no aniversário da CNA. Ali, Dilma pediu que a entidade preparasse um conjunto de ações capazes de solucionar os gargalos do setor.

A apresentação da senadora foi rica em detalhes. Por uma hora e meia, Kátia Abreu expôs a situação atual dividia em quatro eixos: infraestrutura, marco regulatório, política agrícola e insegurança jurídica no campo. O quesito infraestrutura foi o mais demorado da exposição. Com o mapa do Brasil em mãos, a senadora mostrou que a maior parte da produção de soja e milho que segue para exportação sai do centro do Brasil. Em especial, os portos, sucateados.

Por falar em portos...
Kátia contou aos ministros que o certo seria escoar essa produção por Belém e Itaqui, no Maranhão. E não por Paranaguá e Santos, como é feito hoje. De Belém a Roterdã, na Holanda, são 11 dias. De Paranaguá, leva-se 18 dias, aumentando os custos de exportação. Ou seja, é hora de o governo pensar em mudar o eixo das exportações desses grãos para o Norte e o Nordeste do país.

Na frente de diretores da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Kátia Abreu reclamou também das hidrovias. Disse que o país tem se preocupado muito com hidrelétricas, mas não providencia as eclusas para que se mantenham navegáveis, capazes de escoar a produção pelos rios Madeira e Tocantins.

No quesito marco regulatório, ela disse que a navegação de cabotagem no Brasil é hoje uma das mais caras do mundo. Na política agrícola, lembrou que atualmente, o seguro agrícola cobre apenas 8% do setor enquanto nos Estados Unidos alcança 89%. Também foi mencionada aos ministros a insegurança jurídica quanto a terras limítrofes a áreas indígenas e ainda uma fiscalização específica para o campo no que se refere ao trabalho escravo.

Por falar em ministros...
A presidente Dilma Rousseff está tão empenhada em fazer do agronegócio a alavanca da economia que vai criar um núcleo específico no Palácio do Planalto apenas para cuidar desse setor. E isso não é à toa. Afinal, é o mais fácil de destravar. Se com os entraves de hoje o agronegócio cresceu mais de 3% em 2011, segurando a economia brasileira, será ajudando esse setor que o país crescerá mais. E, para completar, de boba Dilma não tem nada. Ela sabe que a política é como o amor: quando a dificuldade financeira entra pela porta, a felicidade sai pela janela. E, em termos políticos, quando as dificuldades econômicas se acumulam no país são os votos que voam pelos janelões do Palácio da Alvorada.

Por falar em votos...
Há alguns dias, peemedebistas me avisavam que não tinham nada contra Bernardo Figueiredo, indicado para a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Mas era esse técnico que pagaria o pato do curto-circuito entre o governo e os aliados, em especial, o PMDB. E assim se deu. Não foi a primeira vez que uma indicação do governo terminou rejeitada no Senado. Pelo visto, são esses cargos que servem para dar recados políticos sem grandes consequências para a economia. Dos males, o menor.

Feliz Dia Internacional da Mulher!