quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Teatro de fevereiro - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 16/02/12


A maior parte da apresentação de ontem do Ministério da Fazenda se encaixa na categoria de campanha publicitária. Das mal feitas. A Fazenda tem que ter mais sobriedade, falar por números, dados e conceitos precisos sobre os temas que estão entregues à sua pasta. De concreto: mesmo com o contingenciamento o governo vai gastar mais do que no ano passado. A conta só fecha se o contribuinte pagar mais.

A arrecadação tem aumentado todos os anos muito além do crescimento do PIB e é por isso que, no ano passado, por exemplo, a carga tributária cresceu 1,1 p.p. para 35,3% do PIB, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Os números apresentados pelo Ministério da Fazenda na parte mais substantiva da apresentação indicam que a carga tributária terá que subir de novo. Eles estimam que a carga tributária federal - ou seja, apenas os impostos federais - sairá de 19,8% para 20,2% do PIB este ano.

Nos últimos anos o governo tem conseguido fechar suas contas apenas pelo aumento da arrecadação. Em 2010, precisou também dos artifícios contábeis mais grosseiros. Ainda assim, ficou abaixo do superávit primário pretendido. Em 2011, a meta foi cumprida sem truques, mas a arrecadação deu um enorme salto.

O volume de impostos pagos pelos brasileiros terá que continuar crescendo porque os gastos reais do governo, descontando-se a inflação, vão subir 5,9% sobre 2011, mesmo com as despesas que foram congeladas ontem. Mantega anunciou gastos de R$ 809 bilhões contra R$ 724 bilhões em 2011. O governo terá que gastar R$ 23 bilhões a mais com a elevação do salário mínimo e mais as desonerações para a indústria.

O economista Felipe Salto, da Tendências, acredita que o governo terá que reduzir o superávit primário ao longo do ano porque será surpreendido com uma arrecadação menor do que imaginava, por causa do esfriamento da economia. O economista Samuel Pessoa, do Ibre, também acha que o governo não atingirá o superávit primário de 3,1%. Ficará em 2,6%.

Todo ano o governo calcula um aumento de gastos, projeta um PIB maior do que ocorrerá. No ano passado, foi projetado inicialmente 5%, reduzida a projeção para 4,5%, e os dados finais devem ficar abaixo de 3%. O Congresso estima para cima as receitas. Ou seja, governo e Congresso criam vento. Depois vem o teatro de fevereiro em que o governo "contingencia" uma parte da receita superestimada. Eles criam e cortam vento e continuam chamando de "corte de despesas".

No ano passado, por exemplo, houve o mesmo teatro. E qual é a conclusão final? O economista Fábio Giambiagi contabilizou que o gasto total em 2011 aumentou 5,4% em termos reais. Tem sido assim há 20 anos. Não é peculiaridade do atual governo.

Uma parte da apresentação do Ministério da Fazenda sustenta que o governo fez "contenção de gastos de custeio". Não é fato. Eles cresceram em 4,8%, descontando-se a inflação. Foi com aumentos a cada ano que o país saiu de 26% de carga tributária para 35% em 15 anos. E, mesmo assim, o ano terminou com 2,6% de déficit nominal. Na previsão da Fazenda o déficit cairá para 1,2% em 2012 e caminhará em direção ao déficit zero até 2014.

Quando chegou ao Congresso a informação de que o governo tinha cortado emenda de parlamentares, houve reação na base parlamentar, mas o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, foi sincero: "O governo sempre faz isso e depois acaba liberando uma parte. O contingenciamento é só para fazer um ajuste no Orçamento. Vejo com naturalidade. Todo ano é assim." O experiente deputado Eduardo Cunha também considerou normal: "Quem tem um pouquinho de experiência não se assusta com isso. Ninguém duvida que isso será reposto."

De tanto fazer mais do mesmo teatro o governo não convence ninguém. Uma administração que tem 38 ministérios e que não tem qualquer projeto de reforma não vai fazer ajuste algum. O quadro fiscal dos países em crise piorou tanto que o governo brasileiro gosta de proclamar que ele tem uma excelente situação. Não se deve comparar com países que enfrentam crise. O Brasil tem que ter um déficit nominal zero e fazer reformas para gastar menos e melhor porque o país não está em crise. Em momentos de calma é que se arruma a casa.

O que é sagrado - LUIZ FENANDO VERISSIMO


O GLOBO- 16/02/12


Recomendo a quem não leu o artigo publicado na Folha de S. Paulo do último dia 9 de fevereiro, intitulado Ainda o Pinheirinho, do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e professor de direito civil José Osório de Azevedo Jr. O artigo trata da violenta ação de reintegração de posse da área chamada de "Pinheirinho", próximo a São José dos Campos, SP, quando 1.500 famílias faveladas foram despejadas e seus precários barracos arrasados num dia. Uma ação que só não teve mortos porque os favelados não tinham como se defender dos tratores e da truculência da polícia, que cumpria ordem da justiça e do executivo estadual.

Escreveu o professor Azevedo Jr.: "O grande e imperdoável erro do Judiciário e do Executivo foi prestigiar um direito menor do que aqueles que foram atropelados no cumprimento da ordem. Os direitos dos credores da massa falida proprietária são meros direitos patrimoniais. Eles têm fundamento em uma lei também menor, uma lei ordinária, cuja aplicação não pode contrariar preceitos expressos na Constituição".

E quais são os preceitos expressos na Constituição que contrariam e se sobrepõem à autorização legal para a terra arrasada, como no caso "Pinheirinho"? O principal deles está logo no primeiro artigo da Constituição: a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República. Um valor, segundo Azevedo Jr., "que permeia toda a ordem jurídica e obriga todos os cidadãos, inclusive os chefes de Poderes". Mas que não deteve a violência em "Pinheirinho". Outro princípio constitucional afrontado foi o da função social da propriedade. Que se saiba, a única função social da área em questão, até ser ocupada por gente à procura de um teto, era como garantia para empréstimos bancários do Nagi Nahas.

É comum ouvir-se falar no "sagrado"direito à propriedade. É um direito inquestionável, mas raramente se ouve o mesmo adjetivo aplicado ao direito do cidadão à sua dignidade. Prestigiam-se os direitos menores e esquecem-se os fundamentais. O maior valor de artigos como o do professor Azevedo Jr. talvez seja o de nos lembrar a espiar a Constituição de vez em quando, e aprender o que merece ser chamado de sagrado.

O DI incomoda muita gente - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 16/02/12


Os desmentidos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, não foram convincentes. Terça-feira ele negara qualquer estudo no âmbito do governo que previsse a criação de sobretaxação das aplicações atreladas aos juros básicos (fundos DI). Mas outras informações dão conta de que discussões existem - e novas necessidades também.

Primeiramente, é preciso entender de onde provêm pressões por mudança. Hoje, grande volume de aplicações financeiras varia conforme os juros básicos (Selic) determinados pelo Banco Central. Em fundos DI (Depósitos Interbancários), o patrimônio financeiro no Brasil é de mais de R$ 235 bilhões (11,7% da indústria de fundos).

O principal título que lastreia esse fundo é a Letra Financeira do Tesouro (LFT), que paga a variação da Selic. O estoque desse título em janeiro era de R$ 776 bilhões. Foi instituído em meados dos anos 80, tempos de inflação braba, quando a dívida pública teve de ser refinanciada diariamente no mercado. A LFT é, assim, um entulho inflacionário.

O principal problema que faz o governo tentar virar o jogo é o fato de os fundos DI tirarem força da política monetária (de juros) do Banco Central. Caso as aplicações fossem prefixadas (juros fixos), o aplicador perderia dinheiro se a inflação subisse e, por consequência, os juros também - para combatê-la. E ganharia se ocorresse o contrário. Mas, no caso das aplicações atreladas à Selic, a remuneração flutua diariamente de acordo com as mexidas nos juros promovidas pelo Banco Central. Assim, não ajudam a transmitir a força da política de juros (redução ou elevação do volume de dinheiro no mercado).

Como o projeto é derrubar os juros "a um dígito" (abaixo dos 10% ao ano) e, com o tempo, deixá-los nos padrões internacionais, a LFT é uma pedra no meio do caminho do Banco Central. Com sua remoção, teriam de ser criados modos de o investidor sair dos títulos condicionados à evolução diária da Selic - portanto, à remuneração calculada pelo DI. O Tesouro também perde por não conseguir alongar o perfil de vencimento da dívida pública.

Daí essa ideia de sobretaxar essas aplicações para que o aplicador migre para títulos (e fundos) prefixados. Questões semelhantes atingem a caderneta de poupança, que paga pedaço da TR (Taxa Referencial (substituta da antiga correção monetária) mais juros de 0,5% ao mês (ou 6,1668% ao ano, em termos compostos). Mas eventuais mudanças nas regras da caderneta ficam para serem avaliadas em outra oportunidade.

O problema é que o cronograma de implementação das alterações na política de juros do Banco Central parece mais curto do que exigiria o prazo de implantação de mudanças tão relevantes nas aplicações financeiras. É preciso saber, por exemplo, se a alteração de tributação alcançará também o estoque atual de títulos e de cotas de fundos DI ou se só novas aplicações. Caso não alcancem, o mercado terá de conviver com regimes tributários diferentes. Além disso, essas mudanças não devem reduzir apenas a remuneração do aplicador. Avançarão, também, sobre a remuneração cobrada pelos bancos a título de taxa de administração.

Enfim, se não forem bem feitas, mudanças tão relevantes podem desorganizar o mercado financeiro e atuar com forte desestímulo à formação de poupança.

Vaso quebrado - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 16/02/12
No relato de quem acompanha o cotidiano da Fazenda, piorou a olhos vistos a relação entre Guido Mantega e seu secretário-executivo, Nelson Barbosa. Antes predominantemente amistosa, a convivência se tornou, nas palavras de um observador privilegiado, "complexa de administrar". A pelo menos uma pessoa o número dois aventou a possibilidade de deixar o governo e voltar ao mundo acadêmico. O estremecimento ainda não foi relatado em toda a sua extensão a Dilma Rousseff. Sem prejuízo de bancar Mantega, ela mantém relação direta e de confiança com Barbosa, o que faz dele eterno candidato a, um dia, assumir o ministério.

Partilha O Planalto decidiu: Lytha Spíndola será a secretária-executiva do Ministério das Cidades. Hoje na Casa Civil e próxima do senador Francisco Dornelles (RJ), presidente do partido controlador da pasta (PP), ela desbancou a petista Inês Magalhães, que deve ficar na Secretaria de Habitação.

Oremos 1 Gilberto Carvalho encarou ontem um encontro com os deputados evangélicos João Campos (GO) e Paulo Freire (SP), ambos apoiadores de José Serra em 2010. O pai de Freire, José Wellington Costa Júnior, estrelou participação no programa de TV do tucano na campanha presidencial.

Oremos 2 No esforço para mostrar afinidade com a bancada evangélica, o secretário-geral da Presidência lembrou que foi parar na mais recente edição da revista "Veja" por sua suposta ligação com Christiane Araújo, levada por evangélicos ao Palácio para rezar por Lula. A advogada relatou à PF contatos entre autoridades do governo e Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM.

Menos A ameaça do deputado Paulinho (PDT-SP) de levar a Força Sindical para a oposição caso Vieira da Cunha (RS) assuma o Ministério do Trabalho rachou a central. "Se o governo estiver com os trabalhadores, apoiaremos. Se estiver contra, criticaremos", diz o secretário-geral, João Carlos Gonçalves.

Sujou Enquanto o STF decide hoje a constitucionalidade da Ficha Limpa, projeto de Walter Feldman (PSDB) exige que ocupantes de cargos públicos tenham "idoneidade moral e reputação ilibada".

Nunca antes Observação de uma raposa: se a candidatura de José Serra (PSDB) vier a existir e Gilberto Kassab (PSD) terminar por apoiá-la, o prefeito será o primeiro político em três décadas a passar a perna em Lula.

Vade retro De Andrea Matarazzo, sobre articulação para fazê-lo disputar vaga na Câmara Municipal: "Aos 55 anos, quem decide o que será feito da minha vida sou eu. Sou pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB".

Thriller De um dirigente tucano, sobre o suspense de Serra: "Ele está roubando o lugar do Hitchcock".

Ensaio O serrista Floriano Pesaro foi reconduzido à liderança tucana na Câmara. Embora empenhada majoritariamente na campanha de Matarazzo, a bancada festeja o cenário Serra: "A sensação é de alívio", diz um vereador.

#fail Perfil fake de Geraldo Alckmin foi retirado do Twitter, frustrando internautas. As semelhanças com o original fizeram até tucanos retuitarem mensagens do imitador. O Bandeirantes nega interferência no caso.

Visita à Folha Augusto Heleno Ribeiro Pereira, general da reserva e ex-comandante militar da Amazônia, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Trocar os integrantes da Comissão de Ética é começar a faxina fictícia varrendo a sujeira para debaixo do tapete no Palácio do Planalto."

DO DEPUTADO BRUNO ARAÚJO (PE), LÍDER DA BANCADA DO PSDB, sobre a inclinação do governo para substituir membros da comissão, que resolveu investigar as consultorias do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

contraponto

Espelho meu

Durante reunião realizada para selar a recondução de ACM Neto (BA) à liderança da bancada do DEM na Câmara, Paulo César Quartiero (RR) fazia críticas de forma e conteúdo ao mais recente programa do partido na televisão. Para encerrar, o deputado comentou:

-E o povo que apareceu não era nem bonito!

Rodrigo Maia, um dos protagonistas da propaganda, fingiu protestar, levando todos ao riso:

-Devo entender que você está dizendo isso porque eu apareci no programa?

Mulheres e o poder - KENNETH MAXWELL


FOLHA DE SP - 16/02/12

O primeiro ano de mandato de Dilma Rousseff viu a partida de muitos ministros -todos eles homens. Ao longo do processo, a presidente manteve -e até ampliou- sua popularidade.
Começou seu segundo ano de governo com uma indicação importante. Na segunda-feira desta semana, Graça Foster tomou posse como presidente da Petrobras.
Esta talvez venha a ser a indicação mais importante da presidente Dilma Rousseff. Representa um grande avanço para as mulheres do Brasil e mostra que Dilma pretende mesmo fazer diferença quanto à questão da diferença de tratamento entre os sexos, especialmente nos negócios, onde a resistência a que mulheres ocupem os cargos executivos mais altos continua forte.
Nos últimos anos, a igualdade entre os sexos avançou na América Latina. Hoje, há cinco mulheres chefes de governo nas Américas -no Brasil, na Argentina, na Costa
Rica, na Jamaica e em Trinidad e Tobago.
Dilma também indicou mulheres para postos importantes no seu gabinete. Mas, no mundo dos negócios, as mulheres continuam notáveis pela ausência, mesmo em comparação com os EUA, onde elas detêm mais de 16% dos postos nas diretorias de grandes empresas, número que, aliás, nada tem de espetacular. No Brasil, a presença feminina é de pouco mais de 5%.
Maria das Graças Silva Foster, 58, nasceu em Caratinga (MG), mas vive desde os dois anos de idade no Rio de Janeiro, onde cresceu em uma favela pobre e violenta que hoje é parte do Complexo do Alemão.
Começou como estagiária na Petrobras e subiu na hierarquia nos 32 anos seguintes, obtendo, ao longo do caminho, diplomas em engenharia química, engenharia nuclear e um MBA, respectivamente na Universidade Federal Fluminense, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Fundação Getulio Vargas. "Sempre trabalhei para ajudar a sustentar minha mãe e meus filhos, e para pagar meus estudos. A força de vontade é tudo, e não tenho medo de trabalhar."
A Petrobras é uma das maiores companhias mundiais, ocupando a 34ª posição no ranking da revista "Forbes" sobre as 500 maiores empresas do planeta. Graça Foster foi secretária do Petróleo, Gás e Energia Renovável quando Dilma era ministra de Minas e Energia.
O desafio de Graça Foster agora é administrar e colocar em exploração os imensos ativos de petróleo offshore da Petrobras, apesar das dificuldades e das grandes despesas que sua extração acarreta.
Graça Foster subiu pelo caminho mais difícil, e por mérito próprio. Ela é uma mulher muito forte. E Dilma está lhe oferecendo a oportunidade.

CLAUDIO HUMBERTO

“É preciso banir as pessoas ímprobas da vida pública”
Ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, em defesa da Lei da Ficha Limpa

APÓS DEIXAR A CBF, TEIXEIRA VAI VIVER EM MIAMI

Os assessores e amigos mais próximos de Ricardo Teixeira perceberam que era iminente sua renúncia à presidência da CBF quando ele voltou sozinho de suas férias de fim de ano na casa que mantém em Boca Raton, Miami: permaneceram lá sua mulher e a filha de 11 anos, devidamente matriculada em uma escola norte-americana. Teixeira caiu porque, sem apoio da Fifa, perdeu poder e influência.

BYE, BYE

Isolado na Fifa, Ricardo Teixeira deixou de ser interlocutor até da Rede Globo para negociar direitos de transmissão da Copa de 2018 e 2022.

SEM CREDIBILIDADE

Teixeira entrou em declínio, apesar da proximidade da Copa de 2014, após as seguidas denúncias de corrupção no Brasil e no exterior.

MUDANÇA RADICAL

Adoentado e estressado, Ricardo Teixeira resolveu mudar o estilo de vida. Até já perdeu 30 kg, após uma dieta rigorosa.

GOLPE DE MESTRE

José Maria Marin, 80, será sucessor por ser o vice mais velho da CBF. Armação de Marco Polo Del Nero, da federação paulista, que o indicou.

MESMO EM BAIXA, KASSAB É FIEL DA BALANÇA EM SP

É pura encenação a resistência do PT paulistano à aliança com o prefeito Gilberto Kassab. Está no script definido pelo ex-presidente Lula: os petistas vão aceitar alegremente esse autêntico “casamento de jacaré com cobra d’água” tão logo seja definida a candidatura do PSDB. Até porque o problema é outro e atende pelo nome de José Serra. Sua eventual candidatura inviabiliza a aliança PT-PSD porque Kassab o apoiaria. E, de quebra, deixaria o PT e Lula desmoralizados.

ELEITOR FORTE

A popularidade de Gilberto Kassab está em queda livre, mas a prefeitura paulistana continua sendo uma poderosa arma eleitoral.

TUCANOS TRAÍRAS

A cúpula do PT teme, mas não acredita na candidatura Serra: é certo que ele seria traído pelo governador Geraldo Alckmin, tal como o traiu.

AMIGOS PARA SEMPRE

Alckmin fingirá apoiar o candidato tucano em São Paulo, seja quem for, mas trabalhará veladamente pelo amigo Gabriel Chalita (PMDB).

ÉTICA, PARA QUE TE QUERO

O deputado Chico Vigilante (PT) recebeu ontem a denúncia de que a “interdição ética” da Unidade de Pronto Atendimento em Samambaia (DF) tem a ver com a dificuldade de um dirigente de entidade médica de transferir a filha para trabalhar em unidade de saúde perto de casa.

MAL, MAS FALEM DE MIM...

Com a melhor expressão de “voz da experiência”, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) considera “bom sinal” as denúncias contra o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades): “Se a mídia bate, você não está acabado”.

FORA DE ÉPOCA

A deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente da Câmara, estranhou que “o carnaval dos deputados começou cedo demais”. A Casa ontem estava vazia.

CLIMA DE RECESSO

O deputado Cabo Patrício (PT) parece mesmo à altura da fama da Câmara Legislativa do DF, que preside. Chegou ao trabalho, ontem, às 18h. Nem viu a posse solene de um novo deputado, Siqueira Campos. 

SEM CENSURA

Muito conveniente: o site da Infraero desbloqueou para funcionários a leitura desta coluna com críticas à competência dos futuros gestores de aeroportos. Lá, é grande a torcida para dar errado e manter boquinhas. 

FRENTE PELA INDÚSTRIA

A invasão de produtos chineses baratos, sobretudo têxteis triangulados via Paraguai e Uruguai, levou o deputado Newton Lima (PT-SP) a propor a criação de uma frente em defesa da Indústria Nacional.

MAIS INVESTIMENTOS

O presidente mundial da Samsung SDI, Sangjin Park, esteve com o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, e manifestou interesse de produzir baterias para celulares e notebooks no polo de Manaus. 

MISTER FIEL

O documentário “Perdão, Mister Fiel”, de Jorge Oliveira, foi selecionado para o 15º Festival Internacional de Punta del Leste, em março. Conta a história do operário comunista assassinado nos porões do DOI-Codi.

TEST DRIVE

A polêmica votação da Lei da Palmada será primeiro no plenário da Câmara, depois no Senado. Cascudos serão bem-vindos. 


PODER SEM PUDOR

SEM EXPLICAÇÕES

Paulo Maluf perdeu a eleição para prefeito de São Paulo, em 1990, apesar do gênio criativo do marqueteiro Duda Mendonça – que fez, a rigor, seu primeiro trabalho importante na área. Duda decidiu explicar as razões da derrota e até pedir desculpas. Maluf não o permitiu:

– Meu caro Duda, nunca se explique: para os amigos, não precisa e, para os inimigos, não adianta!

QUINTA NOS JORNAIS



- Globo: Orçamento 2012 – Saúde perde R$ 5,4 bi em corte de gastos da União

- Folha: PIB europeu cai e mais quatro países estão em recessão

- Estadão: Dilma veta todas as emendas ao Orçamento e corta R$ 55 bi

- Correio: Governo tira R$ 7,4 bi da saúde e da educação

- Valor: Formalização e renda maior aumentam carga tributária

- Zero Hora: Lote de 150 veículos de traficantes irá a leilão em março

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Gilberto@ - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 15/02/12



Deve ter sido por causa da “Veja”, que publicou a troca de e-mails entre Gilberto Carvalho e a lobista Christiane Araújo.
O ministro mudou de e-mail.


Luz
Vêm aí mudanças na diretoria da Light.

Dia D
Amanhã, Ricardo Teixeira deve deixar a CBF.

Bursite de Caetano
Por causa de uma bursite no ombro, Caetano Veloso vai desfilar sábado na paulistana Águia de Ouro, cujo enredo é a tropicália, e, depois, ficará no Rio, de molho, o resto do carnaval.

Fim do Mundo no Rio
Nada a ver com o calendário maia. Quem está no Rio é o economista americano Nouriel Roubini, 52 anos, que ganhou o apelido de Dr. Doom (Dr. Fim do Mundo), como o profeta da catástrofe econômica de 2008.

Pré-sal é Fogo
A nova diretoria da Petrobras é reduto de botafoguenses (Graça Foster, José Formigli, Jorge Zelada e José Eduardo Dutra):
— E o importante: nenhum flamenguista! — brinca Dutra.

Sagrado e profano
A Igreja e a folia estão de bem. O bloco Vai tomar no... Grajaú, cujo nome lembra... você sabe, parou de tocar ao passar, domingo, pela Igreja de N. S. do Perpétuo Socorro na hora da missa.
O puxador do samba ainda mandou “um abraço para o padre Jorge”. Não é fofo?

Dona Ivone Lara
Aos 90 anos, Dona Ivone Lara não para de receber homenagens. Dilma, na posse de Graça Foster na Petrobras, deixou seu lugar para abraçar a sambista.
Já a ministra Ana de Hollanda vai sábado à Sapucaí assistir ao Império, cujo enredo é Ivone.

Calma, gente
O Palácio do Planalto já detectou que parlamentares evangélicos têm espezinhado a nova ministra das Mulheres, Eleonora Menicucci.
Uns a chamam de “abortista” e outros até de “sodomista” (meu Deus) por suas posições.

O preferido de Dilma
O nome preferido de Dilma para o Ministério do Trabalho, da cota do PDT, é o do deputado Brizola Neto.
Mas, como sabe que o neto do velho Brizola é impopular na bancada, deve aceitar seu colega Vieira da Cunha.

Deixa a vida me levar
Vem aí um musical sobre... Zeca Pagodinho.
A Dannemann Produções, do Rio, foi autorizada este mês a captar pela Lei Rouanet R$ 3.726.400 para produzir “Zeca Pagodinho — Uma história de amor ao samba”.

SABRINA SATO, 31 anos, com a licença das queridas mulatas, é, digamos, a...“mestiça do Gois”. A formosa venceu muitos preconceitos para se tornar musa no samba carioca. É que, além de branca e paulista do interior (nasceu em Penápolis), Sabrina Sato Rahal é resultado da mistura das ascendências japonesa, libanesa e, acredite, até suíça. A rainha de bateria da Vila Isabel posa aqui para o fotógrafo e maquiador Fernando Torquatto com adereços de Angola, enredo de sua escola. O ensaio estará na edição desta semana da revista “Quem”. Sabrina, como disse Torquatto depois das fotos, “é a expressão do que é alegria”. Alegra eu 

Soltar a voz
A atriz Leandra Leal vai, veja só, cantar no Camarote da Brahma na Sapucaí.

Bibi na avenida
Bibi Ferreira, que completa 90 anos em maio, virá num calhambeque no desfile da São Clemente, cujo enredo é “Uma aventura musical na Sapucaí”.

Bellucci no Rio
O francês Vincent Cassel e a italiana Mônica Bellucci, o casal de atores, visitaram a Escola Britânica da Barra, no Rio.
Pretendem morar no Brasil por um tempo e já escolhem colégio para os filhos.

Ajuda de custo
A Rádio Corredor diz que Valeska Popozuda pagou R$ 30 mil para desfilar como destaque num carro do Salgueiro.

Viva Lan!
Lan, 87 anos, o grande cartunista das mulatas, será homenageado por Petrópolis no carnaval: 50 desenhos do mestre estarão espalhados pela cidade.

Isso é que é
Os convidados da Coca-Cola na Sapucaí vão ganhar bolsinhas do designer Gilson Martins feitas com sobras de sua confecção que iriam para o lixo.

Maquinista fofo
Um maquinista do metrô do Rio saudava assim, ontem de manhã, os passageiros:
— Bom dia, senhores passageiros! Que todos realizem seus sonhos e desejos mais sinceros nesta manhã que se inicia!
Amém.

Fé e ciência - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 15/02/12
SÃO PAULO - Como estou até agora respondendo a e-mails indignados por conta de minha coluna de domingo, em que procurei mostrar que a noção de alma encerra vários problemas, acho oportuno desfazer alguns equívocos mais comuns.

Ao contrário do que muitos leitores sugeriram, crer na ciência não é o mesmo que acreditar numa religião, e eu vou tentar mostrar por que.

Comecemos pelas semelhanças. A ciência busca seus fundamentos em meia dúzia de postulados que, a exemplo dos dogmas religiosos, são tomados como autoevidentes. Trata-se de princípios como o de identidade e o de não contradição. O primeiro afirma que, se A=A, então A=A, e o segundo reza que, se A=não B, na ocorrência de A não ocorre B. Não são ideias particularmente geniais.

As semelhanças acabam aí. Enquanto dogmas religiosos podem abarcar tudo, os da ciência ficam restritos ao campo da lógica. Até aqui, a vantagem é da religião. Ela já emite pareceres sobre o mundo, enquanto a ciência permanece presa a abstrações. Para permitir que ela fale sobre o universo, temos de autorizá-la a lidar com induções, ou seja, que, partindo de casos particulares, faça generalizações: o sol nasceu todos os dias até hoje, logo nascerá amanhã.

Ao aceitar esse tipo de raciocínio, conquistamos o direito de proferir juízos sobre a realidade física, mas sacrificamos o plano das certezas matemáticas. O fato de o sol ter nascido todos os dias no passado não encerra garantia lógica de que nascerá amanhã. Isso é, no máximo, muito provável, mas não necessário.
Paradoxalmente, esse rebaixamento do grau de certeza das ciências é uma boa notícia. Juízos científicos tornam-se verdades provisórias, que dependem ainda de um processo de verificação empírica propenso a erros.

A vantagem é que a ciência ganha algum poder de autocorreção: ao contrário das religiões, é improvável que ela se obstine por muito tempo em delírios e equívocos do passado.

Muito barulho a respeito da Grécia - MARTIN WOLF

VALOR ECONÔMICO - 15/02/12

Por que a Grécia - um país com pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da região do euro - causa tantas dores de cabeça? Diariamente, pessoas em lugares tão distantes como Pequim e Washington leem notícias sobre promessas não cumpridas e condições não honradas. Não seria melhor, devem se perguntar essas pessoas, deixar que a Grécia fique inadimplente e saia da região do euro, em vez de continuar dispensando tanta atenção às suas mazelas, em grande parte provocadas pela própria Grécia?

Que a Grécia possa, de fato, sair da região do euro, agora é algo que está longe de ser inimaginável. Em informe divulgado na semana passada com coautoria de Willem Buiter, o economista-chefe do Citigroup e ardoroso defensor do projeto do euro julga que a probabilidade de uma saída da Grécia nos próximos 18 meses é de até 50%. "Isso principalmente porque consideramos ter ocorrido uma queda considerável na disposição dos credores da região do euro de continuar fornecendo mais apoio à Grécia, apesar do país não ter cumprido o programa de condicionalidade." Os autores também acreditam que os custos para a região do euro com uma saída da Grécia são menores agora do que antes. A probabilidade de que se permita essa saída, sugerem, aumentou de forma correspondente.

Vamos levar em consideração as questões que qualquer pessoa sensata deveria se perguntar sobre as tensas negociações com a Grécia.

Um pequeno país, economicamente frágil e cronicamente mal administrado, causou tantas dificuldades. A Grécia é o sinal de alerta, o canário que foge ao sentir perigo na mina. O motivo para tantas dificuldades é que as falhas do país são extremas, mas não exclusivas.

Primeira, será que a Grécia pode chegar a um acordo com os credores sobre a reestruturação das dívidas ou o "envolvimento do setor privado"; a um acordo com a "troica" - a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) - sobre a participação deste último; e a um acordo com os credores governamentais e multilaterais sobre um segundo resgate financeiro? Será que tudo isso pode dar-se antes do próximo resgate de bônus, em 20 de março?

A probabilidade é de que sim. Caso positivo, uma inadimplência desordenada seria, no mínimo, adiada. É possível identificar três motivos para esse desfecho: apesar da ira popular, os políticos gregos concordam de forma esmagadora na vantagem de continuar dentro da região do euro; apesar da desconfiança, a esta altura, generalizada, os detentores do poder na região do euro temem um calote desordenado e o provável abandono da moeda pelo país; e, por fim, o FMI acredita que um programa baseado em reformas estruturais profundas - e não em mais retração fiscal maciça ou privatizações precipitadas - possa funcionar, pelo menos, na teoria.

Segunda pergunta, há probabilidade de que um programa assim funcione bem de alguma maneira? A resposta é "não", como destacou o informe do Citigroup. "Isso porque, primeiro, é muito improvável que qualquer reestruturação acertada leve a um endividamento geral do governo da Grécia de 120% do PIB - objetivo declarado do segundo pacote de resgate da Grécia - e, segundo, porque mesmo se por algum milagre, o governo da Grécia conseguisse endividamento geral de 120% do PIB até 2020, isso seria um [...] encargo pesado demais para a Grécia carregar." É quase certo, então, que seria necessária uma redução ainda maior do endividamento nos próximos anos, mesmo se tudo saísse perfeitamente bem. E não sairá.

A Grécia teve progressos desde o início da crise, embora em grande parte como resultado da austeridade. Seu déficit fiscal primário (sem contar pagamentos de juros) encolheu de 10,6% do PIB em 2009 para uma estimativa de apenas 2,4% em 2011. É um grande declínio, dada a escala da recessão. O governo grego agora está perto do ponto em que precisará captar empréstimos apenas para rolar e cobrir o serviço das dívidas, mas isso não é suficiente. A Grécia também ainda precisa de entradas substanciais de moedas, para cobrir seu déficit em conta corrente, mesmo se não levarmos em conta os juros externos sobre suas dívidas governamentais. Em 2011, por exemplo, o déficit em conta corrente, sem contar os juros sobre as dívidas do governo, ainda era de 4,6% do PIB, apesar da profunda retração.

Será que as reformas estruturais vislumbradas vão gerar uma economia suficientemente dinâmica e, acima de tudo, a melhora nas exportações líquidas necessária para financiar as importações necessárias em uma situação próxima ao emprego pleno? A resposta, apesar das melhoras na competitividade, é: não rapidamente, mesmo se isso puder ser feito de alguma forma.

Terceira, o programa é de interesse da Grécia? A elite política grega acredita que sim. A alternativa - um calote desordenado e a provável saída da região do euro - seria dar um passo rumo ao desconhecido. O país teria de adotar e, então, operar controles cambiais pelo menos temporários. Teria de lidar com uma enorme depreciação de um novo dracma e, então, uma disparada da inflação. Teria de renegociar sua posição dentro da União Europeia. E, por fim, sofreria grandes declínios no PIB e na renda real. Será que tudo isso seria melhor do que resistindo? Provavelmente não, mas como saber?

Quarta, será que o programa adicional grego seria de interesse do resto da região do euro e do mundo? A resposta é: provavelmente sim, mas não certamente. Os argumentos a favor são de que a inadimplência desordenada da Grécia, combinada ao abandono do euro, ainda poderia gerar pânico em outros países da região do euro e que os custos para se evitar isso, ajudando a Grécia, não são grandes, em comparação aos custos que seriam decorrentes de tal desordem. Os argumentos contra essa posição são de que a região do euro tem os meios para impedir a disseminação de pânico mesmo depois de um desmoronamento da Grécia, particularmente se o BCE e os governos estiverem dispostos a agir de forma decisiva em resposta a qualquer corrida aos bancos, ou governos, em outros países. Outro argumento contrário, que não deve ser muito negligenciado, é que seria melhor acabar com a pretensão de que os programas da Grécia funcionarão e, portanto, deixar claro que os fracassos têm consequências.

Por fim, o que o épico grego nos diz sobre a região do euro? A Grécia por si só, embora um importante agente perturbador, não pode ser decisiva para o futuro da área cambial. Porém, o fato de que um pequeno país economicamente frágil e cronicamente mal administrado possa ter causado tantas dificuldades também indica a debilidade de toda a estrutura. A Grécia é o sinal de alerta, o canário que foge ao sentir perigo na mina. O motivo para ter provocado tantas dificuldades é as falhas do país são extremas, mas não exclusivas. Seus transtornos mostram que a região do euro ainda busca uma mistura viável de flexibilidade, disciplina e solidariedade.

A região do euro é uma espécie de limbo: não tem uma integração tão profunda a ponto de uma separação ser inconcebível, nem tão superficial a ponto de uma separação ser tolerável. Na verdade, a garantia mais forte de sua sobrevivência é o custo que uma separação teria. Talvez isso prove ser suficiente. Se a região do euro, no entanto, quiser ser mais do que um casamento infeliz mantido pelos custos assustadores de separar ativos e passivos, precisa desenvolver algo muito mais positivo. Tendo em vista as divergências econômicas e fricções políticas reveladas de forma tão incisiva por esta crise, será que isso agora é possível? Essa é a pergunta mais difícil de todas. (Tradução de Sabino Ahumada)

Segundos serão os primeiros? - SONIA RACY

O Estado de S.Paulo - 15/02/12


Não é nada tranquila a percepção, no Planalto, em relação ao leilão de Viracopos e Brasília, caso os dois consórcios vencedores venham a ter algum problema no registro de suas propostas.

Prevê-se certa dificuldade em convencer os segundos colocados a assumir a tarefa.

Segundos 2
Por quê? Pelas regras do edital de concessão dos aeroportos está previsto que, na desistência do vencedor, o segundo lugar (substituto natural) teria de arcar com o mesmo valor da oferta vitoriosa.

Traduzindo: nos dois casos, os consórcios precisarão desembolsar ágios gigantes que, a princípio, não os remuneram – visto que seus lances foram muito menores.

Nos is
A Triunfo não está inadimplente com o governo do Estado. Esteve quando perdeu a concessão da Rodovia Ayrton Senna, em SP – por não ter conseguido entregar todas as garantias exigidas pelo edital.

A segunda colocada, Ecorodovias, a substituiu.

Aos 46 minutos 
Serra decidirá se é candidato à Prefeitura de São Paulo horas ou minutos antes da convenção tucana – marcada para o dia 3 de março.

Quem diz isso não entende de política mas sim de. Serra.

Pão nosso? 
Quem gosta do Le Pain Quotidien, em Paris, pode não ter de viajar para tão longe.

Alain Coumont está em São Paulo, estudando abrir cinco lojas no Brasil.

Quebra-cabeça
Depois de sair encantado de almoço com Val Marchiori, Edson Aran, da Playboy, está quebrando a cabeça: o que fazer para convencer a loira do Mulheres Ricas a posar nua?

Afinal, dinheiro não é o problema dela.

Tipo exportação
Martin Kessler, documentarista alemão, gravou seu terceiro filme sobre Belo Monte. Com direito a entrevistas de Maria Paula Fernandes e Sérgio Marone, do Movimento Gota D’Água.

Será exibido amanhã, em um cinema de Berlim.

Exportação 2
Irene Ravache vai a Moçambique para protagonizar o filme Yvone Kane.

No longa, da diretora portuguesa Margarida Cardoso, viverá Sara, médica e ex-revolucionária marginalizada ante o rumo que tomou o país.

Solita 
Sharon Stone desembarca sozinha para o Carnaval. A tiracolo, somente sua manager.

A estrela dá pinta, sábado, no camarote do Terra, em Salvador.

Gentileza 
Depois de pipocar na internet uma entrevista, de 2009, em que Kevin Costner afirma ter beijado Whitney Houston por “todos os americanos e por mim mesmo”, o ator, segundo a revista americana OK!, teria enviado flores à filha da cantora.

Ambos eternizaram o par romântico de O Guarda-Costas.

Harmonia
Simone Leitão, pianista que vive entre Miami e SP, será jurada de harmonia no carnaval carioca.

Em sua tese de doutorado, ela dedica capítulo inteiro ao tema.

O negócio do futuro - TASSO AZEVEDO

O GLOBO - 15/02/12


Em geral as pessoas me procuram em busca de um tapeceiro, para consertar o tecido do sofá ou uma cadeira. Mas não é esse meu negócio. Meu trabalho é dar vida longa aos móveis. Fazer remendo dá mais retorno, mas não faço. Cada peça que entra aqui eu trato como se fosse um paciente que gostaria que vivesse para sempre e trabalho para que aquela peça só volte para ser reparada pelos meus filhos ou netos.

Assim o "Seu" Paulo, um artesão que reforma móveis na Cardeal Arcoverde, tradicional rua do comércio de móveis usados em São Paulo, descreve o seu oficio, o seu negócio. Ele trabalha todos os dias para construir o mundo da forma como ele deseja vê-lo.

Este é o cerne da transformação que precisamos ver no mundo dos negócios se realmente pretendemos promover as mudanças profundas para construir um futuro de bem-estar e prosperidade dentro dos limites ecológicos do planeta.

As empresas precisam investir para viabilizar o cenário desejável em vez de apenas se adaptar ao cenário mais provável, aquele que está nos levando a superar os limites de resiliência do planeta.

Em geral processos de planejamento estratégico começam com o sonho do mundo que se deseja seguido pela formulação de cenários de como o mundo se desenvolverá associado a uma probabilidade de cada cenário se consolidar. O cenário mais provável é então tratado como foco das famigeradas análises SWAP que levantam as oportunidades e ameaças e os pontos fortes e fracos da empresa neste contexto. Daí para a frente segue-se no caminho de preparar a empresa para cumprir a "sua missão" neste cenário.

O problema é que em geral o futuro que precisamos, com radical transformação na forma como utilizamos os recursos naturais e como distribuímos os benefícios deste uso para toda população, é sistematicamente relegado ao cenário desejável, mas não provável, e portanto as empresas se preparam não para promover a transformações; acabam por cooperar para que o cenário mais provável se consolide.

Um bom exemplo é a indústria automobilística. A indústria, governo, ciência e sociedade civil reconhecem que a mobilidade urbana precisa ser resolvida pela via do transporte público, transporte não motorizado e a reorganização do espaço urbano com foco nas pessoas.

Contudo, com base no cenário de crescimento de renda, acesso a crédito, estabilidade econômica, estímulo à indústria automobilística e o desejo latente de posse de veículos particulares, a indústria automobilística investe bilhões de dólares no Brasil para colocar nas ruas 40 milhões de veículos nos próximos dez anos. Isso é claramente insustentável.

As empresas do setor - que têm sustentabilidade entre seus valores e visão - expressam seus compromissos em questões pontuais como eficiência de motores e uso de materiais recicláveis, o que nem de longe consegue lidar com uma fração do impacto da estratégia de crescimento da venda de veículos particulares.

O mais gritante é que uma vez feitos os investimentos as empresas operam sistematicamente para garantir a existência do mercado para acolher os veículos e com isso contribuem para nos distanciar do cenário desejável.

É tempo de reposicionar o papel das empresas no desenvolvimento sustentável. É preciso sair da postura defensiva que reage às ameaças e oportunidades e passar a planejar, agir influenciar ativamente a construção do cenário da sustentabilidade. Não se trata, por exemplo, de avaliar se haverá ou não a precificação de emissões de carbono e como se adaptar à sua ocorrência ou fazer lobby para evitar que ocorra. Trata-se, sim, de garantir que esta precificação exista porque é fundamental para sustentabilidade.

A Rio+20 é uma excelente oportunidade para um salto de qualidade no posicionamento do setor empresarial. É o momento de este setor participar fortemente do debate para cobrar, dar suporte e incentivar que as resoluções da conferência sejam as mais ambiciosas, estratégicas e operativas para mudar o curso atual da história e efetivar o desvio do caminho direto contra o muro dos limites do planeta para a rota da prosperidade e sustentabilidade.

GOSTOSA


O virtual herdeiro da China - HO PIN

O ESTADÃO - 15/02/12

Xi Jinping assumirá o comando em meio a uma crescente decepção com Hu, corrupção e uma economia com sinais de estagnação



The New York Times




Para um novo líder chinês, pisar no gramado da Casa Branca e apertar a mão do presidente americano é uma maneira de validar seu status de autêntico estadista e confirmar seu poder ascendente em seu país. A tradição continuou ontem, quando o vice-presidente Xi Jinping chegou a Washington. Xi assumirá o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Chinês antes do fim do ano, e de presidente da China no início de 2013.

A população chinesa considera Xium homem do povo. Quando tinha 9 anos, seu pai, Xi Zhongxun, que havia combatido na Revolução Comunista, foi expurgado do partido por Mao Tsé-tung. O pai foi preso, ficou 16 anos num campo de trabalho, deixando a família na pobreza.

Durante a Revolução Cultural, Xi,então com 15 anos, foi exilado para uma aldeia miserável do norte do país onde trabalhou por sete anos com os camponeses. Seus sofrimentos provavelmente farão dele um defensor dos interesses das pessoas comuns.

Xi assumirá o comando em meio a uma decepção crescente com Hu, um tecnocrata cauteloso, sem talento nem vontade política para levar o país em uma nova direção. Apesar de a Chinater usado as reformas de mercado para se transformar numa potência econômica, o governo vive em constante temor de sublevações. A riqueza e as oportunidades foram abocanhadas por alguns indivíduos conectados politicamente. A corrupção não tem freios, e a distância entre ricos e pobres está aumentando.

O presidente Hu resistiu a empreender reformas. Preferiu reverter à política da era de Mao de criar empresas estatais gigantescas e alocar bilhões de dólares em um aparelho de segurança que rotineiramente reprime os dissidentes.

O crescimento econômico proporcionou uma moratória temporária a Hu; Xi não terá essa sorte. A economia dá sinais crescentes de estagnação e o sistema financeiro está sendo solapado por empréstimos descontrolados e corruptos. Protestos contra a corrupção e a injustiça social intensificam-se.

Xi terá de combater a corrupção, melhorar as proteções a camponeses e trabalhadores migrantes, e rejuvenescer a empresa privada. Considerando que seu pai foi um dia perseguido por defender um livro proibido, Xi deve conhecer a importância da liberdade de expressão e espera-se que trabalhe para recuperar a confiança dos intelectuais.

Mas sem eleições livres, uma imprensa livre e juízes independentes, o governo não pode cumprir suas promessas de combater a corrupção e construir uma sociedade limpa e justa. Xi enfrentará muitas limitações.

Apesar de vir a governar a nação mais populosa do mundo, ele não tem a legitimidade conferida a autoridades democraticamente eleitas. E não pode esperar um domínio da estrutura de poder da China como tiveram Mao e Deng Xiaoping.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA E CELSO PACIORNIK

Parece que foi ontem - JOSÉ MÁRCIO CAMARGO

O ESTADÃO - 15/02/12


Após forte crescimento em 2010, a produção industrial estagnou em 2011, e o nível de produção da indústria brasileira permanece abaixo do atingido em 2007. Com a estagnação da indústria, o PIB da economia do Brasil desacelerou, o que, combinado com o agravamento da crise da dívida europeia, levou o Banco Central (BC) a iniciar um processo de redução das taxas de juros e reversão das medidas de controle do crédito adotadas em 2010. Como o afrouxamento monetário e do crédito deverá reativar a demanda, espera-se que a indústria responda com a retomada do crescimento.

Essa expectativa se baseia no diagnóstico de que o problema do setor está na falta de demanda. Entretanto, existem fortes sintomas de que esse diagnóstico está errado e de que, ao adotar políticas monetária e de crédito mais frouxas, o resultado poderá ser mais negativo do que positivo para o setor industrial.

Primeiro, as taxas de desemprego estão em níveis recordes de baixa, próximas a 5% da força de trabalho e em queda. O crescimento do emprego está cada vez mais concentrado nos setores de serviços e comércio. Segundo, o crédito para as pessoas físicas e para as empresas está crescendo sistematicamente acima do crescimento do PIB, tendo a relação crédito/PIB passado de 26%, em 2002, para 49%, em 2011. Em 2011 as concessões de crédito subiram 19%. Finalmente, as taxas de crescimento das importações de bens industriais estão bastante altas. A participação das importações no total da oferta de produtos industriais no Brasil atingiu 21,5% no 3.º trimestre de 2011. Ou seja, a demanda por produtos industriais está crescendo a taxas até mesmo insustentáveis, se desconsiderarmos as importações.

A questão é que os preços desses bens no mercado internacional têm caído em termos absolutos, o que impossibilita às empresas brasileiras aumentarem seus preços unilateralmente e segura a inflação da indústria. Mas, como os serviços são não comerciáveis, os aumentos de demanda por serviços têm de ser atendidos por maior produção interna. Dada a baixa taxa de desemprego, o aumento da oferta de serviços não tem sido suficiente para acompanhar o da demanda, levando a taxa de inflação deste setor para a casa dos 9% ao ano, em 2011.

Com o aquecimento do mercado de trabalho, os salários nominais cresceram mais de 8% em 2011, o que é uma taxa muito superior ao crescimento dos preços industriais somados aos ganhos de produtividade (que, aliás, está estagnada desde 2007). Ou seja, o custo do trabalho para produzir uma unidade de produto industrial está subindo fortemente, devido à diferença entre as taxas de inflação do setor industrial e do setor de serviços e ao aquecimento do mercado de trabalho. Entre dezembro de 2008 e novembro de 2011, o custo unitário do trabalho em reais aumentou 15,7%, enquanto, em dólares, o aumento foi de 32,5%. É isso que está reduzindo a competitividade da indústria brasileira e gerando estagnação.

Com o aumento da demanda em razão do afrouxamento monetário e de crédito, as taxas de desemprego devem cair e a inflação de serviços deverá subir. Como as importações seguram os preços do setor industrial, a disparidade entre os reajustes de salários e os preços dos bens industriais vai aumentar, diminuindo a competitividade da indústria brasileira.

Para o setor industrial, seria melhor que o BC aproveitasse a tendência deflacionária externa para reduzir a meta para a inflação brasileira a níveis similares aos dos nossos parceiros comerciais, diminuindo, ao mesmo tempo, a disparidade entre a taxa de inflação do setor industrial e a do setor de serviços, ainda que com taxas de juros reais um pouco mais altas.

A solução estrutural para a diminuição da competitividade é uma completa reforma da legislação trabalhista, que é totalmente inadequada para uma economia aberta. Em lugar disso, o governo tem utilizado o aumento da proteção comercial para "defender" a indústria, o que diminui ainda mais a concorrência e, portanto, a competitividade do setor industrial no futuro.

Os remédios pagaram a lavadora - ELIO GASPARI


FOLHA DE SP - 15/02/12

Em um ano, 7,8 milhões de brasileiros hipertensos ou diabéticos medicaram-se, e todo mundo ganhou com isso



O programa federal de remédios gratuitos para hipertensos e diabéticos que a doutora Dilma botou na rua no ano passado beneficiou 7,8 milhões de pacientes de janeiro de 2011 a janeiro de 2012. É êxito para ninguém botar defeito. Êxito social e êxito administrativo.

Estima-se que no Brasil haja 30 milhões de hipertensos e 10 milhões de diabéticos. Boa parte deles padecem das duas condições e precisam tomar remédios todos os dias.

Tanto a hipertensão como a diabetes são doenças silenciosas. Quando o cidadão vai ao hospital, o estrago já está feito. Sem medicação, pode acontecer-lhe aquilo que sucedeu a d. Pedro 2º, que viveu num tempo em que ela não existia e foi-se embora aos 66 anos.

Desde 2006, o governo federal mantinha uma rede de farmácias, onde os pacientes retiravam medicamentos por 10% do preço. Foi uma das joias da coroa do governo, mas estava mais para turmalina que para esmeralda. Fazia a felicidade dos marqueteiros em ano eleitoral, mas embutia custos da infraestrutura de farmácias, transporte e pessoal.

Em 2011, mudou-se a gestão do programa. Em vez de a Viúva sustentar uma rede de farmácias, ela passou a credenciar as que estão estabelecidas no mercado. A rede expandiu-se, chegando a 781 municípios, com 20.300 estabelecimentos.

O negócio é bom para o freguês, porque agora ele não paga nada. É bom para a farmácia, porque o cliente acaba comprando mais alguma coisa. É bom para os laboratórios porque, vendendo grandes quantidades ao Ministério da Saúde, ganham com a expansão do mercado.

Em 2010, o programa beneficiou 2,8 milhões de pessoas e custou
R$ 203 milhões. Com o novo formato, em 2011 atendeu 7,8 milhões a um custo de R$ 579 milhões.
A iniciativa é economicamente eficiente, para usar uma expressão ao gosto de quem olha para o dinheiro gasto no andar de baixo preocupado com a relação custo/benefício. No ano passado, o SUS teve 11.000 internações a menos por conta de hipertensão de diabetes.

A nova classe C, também chamada de emergente, nada mais é do que a massa de trabalhadores que vivem com orçamento apertado.

Segundo números do Ministério da Saúde, com a gratuidade, o hipertenso que toma dois comprimidos de 50 mg de losartana potássica economizou cerca R$ 452 no ano, levando em conta que ele só pagava 10%. O diabético que não depende de insulina economizou pelo menos R$ 102, e aquele que precisa dela deixou de gastar entre R$ 407 e R$ 1.000.

Frequentemente, a rede de proteção social criada pelos governos é vista como assistencialismo. Um cidadão que trabalha em produção, comércio ou financiamento de mercadorias da linha branca pode ter dificuldade para valorizar o impacto social desses programas. Ele está feliz porque sua empresa vai bem. Ficaria mais satisfeito se relacionasse o seu bem-estar com o dos outros.

A firma vende mais eletrodomésticos porque há mais gente comprando-os e há mais gente comprando-os porque um trabalhador deixou de gastar R$ 452 com remédios e comprou uma máquina de lavar roupa semiautomática.

Num outro exemplo, fora da esfera federal, esse mesmo cidadão, que toma dois ônibus no Rio de Janeiro para ir trabalhar e outros dois para voltar à sua casa, economiza mensalmente a prestação do notebook do filho.

Sinuca de bico - ILIMAR FRANCO

COM FERNANDA KRAKOVICS



A decisão de José Serra de reavaliar uma candidatura à prefeitura de São Paulo embola o jogo. Um dirigente do PSD resume: “Vai ser um inferno”. Isso porque as conversas entre Gilberto Kassab e o PT estão avançadas em torno da candidatura de Fernando Haddad. O prefeito de São Paulo disse a pessoas próximas que, a essa altura do campeonato, se sentiria “desobrigado” de apoiar Serra, embora essa não seja uma decisão fácil. No cálculo de Kassab, também está o cenário nacional.

Mantega: risco calculado
O PT do Senado forçou uma barra e acabou convencendo o Planalto de que seria melhor o ministro Guido Mantega (Fazenda) ir espontaneamente à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A estratégia reflete o perfil do novo líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), que sempre foi contra a blindagem de ministros. Com a desculpa do carnaval e da reunião do G-20, no México, dias 25 e 26, Mantega só irá à CAE no dia 13 de março. Até lá, o governo espera que as denúncias contra o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci tenham esfriado. O temor do governo é que um desempenho ruim afete os mercados.

“O Brasil está na contramão. Enquanto a Europa enfrenta recessão e os EUA, baixa recuperação, o Brasil vai voltar a crescer” — Guido Mantega, ministro da Fazenda, na reunião do Conselho Político

ELE É O CARA. Depois de ouvirem a presidente Dilma garantir, na reunião do Conselho Político, isenção nas eleições municipais deste ano, líderes da base na Câmara queriam saber, em almoço na casa do líder do PMDB, Henrique Alves (RN), se o ex-presidente Lula dará tratamento igual a todos os aliados, ou se vai privilegiar os candidatos do PT. Mais do que Dilma, Lula será o grande cabo eleitoral das eleições.

Convênios
Os líderes da base pediram ao governo ontem, na reunião do Conselho Político, a aceleração das transferências de recursos para os municípios, já que, por causa das eleições, o prazo final é junho por exigência da legislação eleitoral.

Paciência
Como se não bastasse a irritação com o governo, os líderes do PR levaram ontem um chá de cadeira da ministra Ideli Salvatti. Quando ela ia conversar com eles, Dilma a chamou para receber o primeiro-ministro da Finlândia.

Gerentona
A presidente Dilma disse ontem aos líderes da base que a dicotomia entre técnico e político em seu governo é uma falsa questão. A presidente refutou a imagem de que que tem um perfil puramente técnico, afirmando que, no final, toda decisão é política. Ela disse ainda que sua prioridade é a eficiência da gestão, principalmente nas áreas de Saúde e Educação, e defendeu o desaparelhamento do Estado.

Batata assando
Questionado ontem pelos líderes da base se já havia acertado com o presidente da Câmara a sessão de discussão do Funpresp, o líder do governo, Cândido Vaccarezza , respondeu: “O problema do Marco Maia é o Palácio, não sou eu”.

Outro lado
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), diz que é amigo do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Vaccarezza e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmam ainda que a bancada petista está pacificada.

CONSTERNAÇÃO. Na reunião do Conselho Político, a presidente Dilma pediu um minuto de silêncio devido à morte de Marcelo, 13 anos, filho do presidente da Embratur, Flávio Dino.

VAREJO. Do líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), sobre a presidência da Conab: “O PTB só tem dois cargos. Se quiserem pegar um, como fica?”.

A PRESIDENTE Dilma resolveu voltar para a base de Aratu, na Bahia, no carnaval, porque gostou da estrutura do local, apesar de ficar mais exposta do que no Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte, onde foi em 2011.
FERNANDA KRAKOVICS

GOSTOSA


Dilma, Wagner e Alckmin no mesmo barco, a lei - JOSÉ NÊUMANNE


O Estado de S.Paulo - 15/02/12


Em 1991, os policiais militares da Bahia entraram em greve, na gestão de Antônio Carlos Magalhães (ACM). Dez anos depois, houve nova greve sob o governo de um carlista, César Borges. Em ambos os casos, o então parlamentar petista Jaques Wagner se pronunciou publicamente a favor dos movimentos, seus líderes e participantes. Este ano, sob a liderança do mesmo Marco Prisco ao qual antes dera suporte, no governo do Estado para o qual foi eleito por obra e graça do fenômeno popular Lula da Silva, esse político recorreu às Forças Armadas e a soldados da Força Nacional para desocupar a Assembleia Legislativa baiana, invadida pelos grevistas. Como num jogo de xadrez, as peças mudam de cor e de casa, mas o jogo continua: Prisco, ex-aliado e atual desafeto de Sua Excelência, passou por PT, PSOL e PCdoB antes de encontrar refúgio no ninho tucano, onde se encontra. O PSDB, que denuncia a incoerência do petista, daria melhor contribuição à democracia se o desautorizasse e expulsasse do partido, deixando clara sua posição a favor não do governo Wagner, mas da ordem pública sob a proteção de Deus e da Constituição. No jogo sujo da política, contudo, princípios e valores têm sido substituídos por oportunismo e desfaçatez.

Em agosto último, o Senado anistiou policiais militares e bombeiros do Rio de Janeiro e, por extensão, todos os integrantes da categoria que fizeram greves desde 1997 em 12 Estados da Federação. Num bom exemplo de coerência e espírito público, o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, do mesmo PSDB de Prisco, foi um dos raros responsáveis que não avalizaram a lei demagógica, que enfraquece as defesas da democracia contra pleitos abusados de uma corporação fardada, armada e de posse de equipamentos públicos para chantagear a autoridade constituída. E a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei.

Mas menos de meio ano depois ela recuou dessa decisão temerária e pôs os pingos nos is na questão delicada da estreita fronteira entre o direito que todo trabalhador tem de lutar por melhores salários e condições de vida e a obrigação que o policial militar ou bombeiro assume de garantir a ordem pública. "Se você anistiar, vira um país sem regras", sentenciou, de forma muito judiciosa, a presidente, sem deixar vácuo para dúvidas.

Em Parnamirim (PE), aonde foi na semana passada para inspecionar obras da Ferrovia Transnordestina, Sua Excelência foi além da afirmação ao traçar praticamente um roteiro de orientação para o assunto sob seu governo. "O Brasil tem hoje uma visão de garantia da lei e da ordem muito moderna. Nós não consideramos que seja correto instaurar o pânico, o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com a democracia. Numa democracia, sempre tem que se considerar legítimas as reivindicações. Mas há formas de reivindicar. E não considero que o aumento de homicídios nas ruas, a queima de ônibus, entrada em ônibus encapuzados seja uma forma correta de conduzir o movimento", disse ela. A declaração merecia uma placa, qual um gol inesquecível.

A presidente só precisa é aplicar esse pragmatismo responsável, que usou em defesa da intransigência (nem sempre sinônimo de competência) de seu correligionário Jaques Wagner, ao tratar de assuntos correlatos enfrentados por adversários políticos - como o tucano Geraldo Alckmin na reintegração de posse do terreno ocupado pela comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos. É uma sandice exigir que o governador da Bahia trate os PMs e bombeiros grevistas sob suas ordens com condescendência por ter sido cúmplice deles no passado. Da mesma forma, não é sensato rejeitar a lucidez demonstrada pela chefe do governo federal no sertão de Pernambuco porque cinco meses antes, no Planalto Central do País, ela entrou na corrente dos senadores irresponsáveis que perdoaram amotinados que violaram a lei em nome de princípios socialmente justos e tidos como politicamente corretos. Não há mais lugar, no Brasil "moderno" exaltado pela mandatária máxima, para a mentalidade engajada que exige da autoridade vista grossa para quem viola a ordem jurídica vigente no Estado Democrático de Direito em nome do estado de necessidade. Servidores fardados e armados não podem invadir impunemente Assembleias, quartéis ou outros próprios públicos porque ganham mal. Pobres sem-teto não devem ser mantidos na posse de terrenos que não lhes pertencem por não terem casa. Agiram bem Wagner, Dilma e Alckmin ao usar o poder de coerção para expulsar grevistas e posseiros dos prédios e terrenos que ocuparam indevidamente.

O que Dilma disse em Parnamirim consola os aflitos, como este escriba, por ter ela defendido, no Fórum Social de Porto Alegre, a volta ao estado de barbárie ao chamar de "bárbara" a operação em que a PM paulista cumpriu ordem judicial expressa, a pretexto de comiseração em relação aos desvalidos da Terra. Pode ser aceitável a atitude de Jaques Wagner de se acumpliciar com grevistas que enfrentaram o carlismo, assim como discutível a responsabilidade do PSDB pela irresponsabilidade de seu militante Prisco no comando de um movimento que, como definiu Dilma, mais ataca do que preserva a democracia. Tudo isso faz parte da luta pelo poder, que nunca foi um ato devoto de carmelitas descalças.

Mas depois de Alckmin haver, corretamente, enfrentado a onda de engajados contra a ocupação do Pinheirinho; de Wagner, de forma acertada, ter negado anistia aos grevistas de seu Estado para tê-los de volta ao cumprimento do dever; e de Dilma, estabelecido o marco decisório de Parnamirim; os três perderam o direito à incoerência. Alckmin não podia deixar dúvidas sobre seu repúdio à estratégia de Prisco, Wagner perdeu a autoridade para apoiar movimentos similares ao que enfrentou e Dilma não deve empregar dois pesos e duas medidas neste assunto capital que é o império da lei no Estado Democrático de Direito.

O 'esquenta' venceu a greve - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 15/02/12
RIO DE JANEIRO - Na sexta, o Cordão da Bola Preta levou 100 mil pessoas à Cinelândia. No sábado, o Simpatia É Quase Amor também arrastou 100 mil em Ipanema; o Imaginou? Agora Amassa, 10 mil no Leblon; o Ansiedade, mais 10 mil em Laranjeiras. No domingo, o Suvaco do Cristo pôs 30 mil foliões no Jardim Botânico; o Bloco da Preta galvanizou 250 mil na avenida Rio Branco; e outros cem blocos, de vários tamanhos, foram às ruas, além dos milhares que compareceram à reinauguração do sambódromo.
Naquelas 72 horas, o Rio vivia uma greve de PMs, policiais civis, bombeiros e agentes penitenciários, muito mais visível nos jornais (inclusive o "New York Times") do que na cidade. Ou por baixa adesão dos grevistas, ou porque elementos de outras corporações cobriram os desfalques, as ruas pareciam até mais policiadas do que antes da greve. Em nenhum momento o carioca se sentiu desprotegido ou na iminência de confrontos.
O que seria um trunfo para os grevistas -paralisar a cidade no Carnaval, sabotar uma de suas fontes de renda e arruinar sua imagem no exterior- revelou-se um clássico da falta de senso de oportunidade. É ruim exigir entrega e mobilização do Rio no Carnaval -porque a cidade já está comprometida com coisa melhor. Os grevistas deviam ter esperado por Finados ou pela Semana da Pátria.
E olhe que cada saída de bloco no fim de semana era só aquecimento pré-carnavalesco. Os desfiles a valer três pontos vêm agora. Os 100 mil do 'esquenta' do Bola tornar-se-ão 2,5 milhões neste sábado; a Banda de Ipanema baterá seus próprios recordes; e não adiantará que o Céu na Terra, de Santa Teresa, guarde segredo sobre o local ou hora de sair, ou saia às 8h, para evitar aglomeração -os foliões irão descobrir e aglomerar-se do mesmo jeito.
O Carnaval, com suas leis imutáveis, derrotou o imprudente levante dos soldados e impôs a sua ordem.

Caindo do cavalo - ROBERTO DaMATTA


O Estado de S.Paulo - 15/02/12


O cavalo e suas associações simbólicas são - e o que não é? - bem maiores do que eu pensava. Não há como falar de cavalos sem esquecer alguma coisa. Paga-se um preço quando se fala da continuidade criada entre um cavaleiro e o seu cavalo. Há que se desfazê-la caindo do cavalo. No caso, a queda veio do meu esquecimento de algo lembrado por um leitor atento que, com isso, retoma o jogo crucial entre a memória explícita do escritor e a implícita do leitor - dando testemunho de uma memória interdependente ou "coletiva", que jamais deixa de lado lembrar o esquecido e esquecer o lembrado, nisso que constitui o que chamamos de falta, acusação, arrependimento e culpa. Esses pilares de nosso pequeno mundo aparentemente delineado por uma coisa denominada consciência individual.

Desta feita, o leitor um tanto indignado admoesta muito justamente o cronista. Como falar em "cavalo de santo" se - diz ele - ao comentar o musical do Tim Maia, eu não mencionava o nome do jovem e talentosíssimo ator Tiago Abravanel, que é justamente o "cavalo" de Tim Maia, e, assim, traz um morto ilustre à vida. Na mensagem, tomo consciência de ter citado por quatro vezes o autor do espetáculo, Nelsinho Motta, mas deixo de lado Tiago Abravanel, o personagem central do drama. O ator que, anulando seu corpo e sua alma, abre dentro de si o generoso espaço para a manifestação dos erros e das qualidades - enfim, daquilo que eventualmente fica de alguns de nós - do espírito de Tim Maia.

Ao receber a mensagem, caí do cavalo. E pensei: afinal, se há santo e cavalo, quem é o mais importante? Sem o cavalo, não há lembrança - esse apanágio do santo e do gênio. Mas sem a excepcionalidade do ator - do cavaleiro - não haveria cavalos. Algo ficou de fora como, aliás, acontece em tudo o que é humano. Claude Lévi-Strauss, para ficarmos com um dos craques das manobras dos símbolos e do inconsciente como poucos, distingue na sua vasta obra, quatro famílias de linguagens fundamentais: a da matemática, em que a mente fala consigo mesma sem constrangimentos; a das línguas naturais, em que som e sentido se autoconstrangem; a da música, que seria a do som sem sentido; e a dos mitos, feita - como ele gostava de surpreender - de muito significado, mas pouco som! Há sempre uma falta...

Ao focar o cavalo, não fiz como os astecas e esqueci o cavaleiro. A minha amnésia trouxe a lembrança de um leitor. Pergunto-me se isso não é, em miniatura, o drama da própria condição humana que, sendo incapaz de esgotar qualquer assunto, nos leva a essa busca deslumbrada e infinita dos outros e descobre a falha por meio dos que olham de outros ângulos. Afinal, não é isso que também define a alternativa, base da alteridade? Mas ao comentar o que falta (o que foi esquecido, mas é lembrado), faz-se a luz e o escritor, cercado pelas paliçadas de sua onipotência, verifica que através do leitor ele se abre à lembrança. E, quando a desvenda, atenta que caiu do cavalo.

Hoje, eu faço o reparo e cito com admiração e carinho o Tiago Abravanel como Tim Maia. Mas imagino imediatamente uma nova mensagem de um outro leitor, cobrando-me agora o nome do diretor do espetáculo; e de um outro, o nome dos coadjuvantes e dos músicos; e ainda de um outro - por que não? -, o nome de todos que estavam na plateia, já que todo ritual tem dois lados que se complementam. O do palco (ou altar), iluminado pelos sacerdotes atores, e o da obscura e relativamente inominada mas essencial plateia, à espera do milagre. Embora a luz só incida sobre um lado, ambos fabricam o espetáculo que, dependendo do seu gênero, faz o fosso aparecer e desaparecer na medida em que o rito se desenrola.

O ator precisa do público tanto quanto os deuses precisam dos seus devotos. Sem os sacrifícios, as esperanças, o sofrimento e a gratidão dos piedosos, os deuses seriam esquecidos. Por isso eles nos fazem sofrer. Sem o sofrimento não haveria súplicas nem relações. O laço é o arrimo do amor. Sabemos que precisamos dos deuses, mas - eis o que aprendi com Durkheim e seus alunos - eles também precisam de nós. Das nossas orações, louvores, sacrifícios e da nossa devoção e lealdade. Uma rosa não é uma rosa sem o olho que a vê.

Plantados na terra vemos mais as estrelas. Mas quem foi que disse que elas não olham para nós e nos veem como pequenos fogos, tanto mais insignificantes e comoventes quanto os seus descorados brilhos? O que seria da estrela-guia sem o pastor? Haveria o tal cavalo branco sem um São Jorge para montá-lo? Como reconheço, é preciso ver o cavalo, mas não esquecer o cavaleiro.

Ademais, ninguém fica montado todo o tempo, embora tenha gente planejando isso o tempo todo. A dimensão mais preciosa da igualdade é a descoberta de que o produto precisa do consumidor e o vencedor precisa do vencido para legitimá-lo. Do mesmo modo que o santo não existe sem o seu cavalo.

Os cavalos são meios e fins. Por isso, o cronista idoso e grato ao seu esquecimento que engendra leitores generosos, termina com uma quadra roubada de Câmara Cascudo:

"Fui moço, hoje sou velho,

Morro quando Deus quiser,

Duas coisas apreciei:

Cavalo bom e mulher".

A melhor chance contra o chavismo - EDITORIAL O GLOBO


O Globo - 15/02/12


Pela primeira vez a oposição a Hugo Chávez tem uma chance concreta de derrotá-lo nas urnas, em outubro, mas para isto é necessário que suas diversas correntes se mantenham unidas em torno do vencedor das primárias de domingo, o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, de 39 anos. Esta, aliás, é a promessa dos principais líderes oposicionistas.
Manter a união é a única forma de a oposição chegar às eleições presidenciais com possibilidade de fazer frente a Chávez, campeão de audiência devido aos programas sociais financiados com recursos do petróleo, do qual a Venezuela é o oitavo maior produtor mundial. Ele ocupa o poder há 13 anos, período no qual trabalhou intensamente para aumentar seu controle político e reduzir o da oposição, ao mesmo tempo em que enfraquecia a democracia venezuelana ao transformar o Legislativo e o Judiciário em meros instrumentos do Executivo.
A oposição deu uma impressionante demonstração de força ao levar, no fim de semana, cerca de 3 milhões de venezuelanos às urnas nas primárias em que Capriles foi escolhido, com 62,2% dos votos.
Chávez enfrenta o desgaste de 13 anos no poder, prometendo o céu aos venezuelanos, mas quase sempre colhendo resultados abaixo do esperado. O país tem hoje problemas sérios de segurança — é o mais violento da América do Sul —, infraestrutura, desabastecimento, queda do poder aquisitivo, inflação oficial de 27,6% em 2011.
O que não se pode negar é que, com tudo isso, Chávez continua querido pelo povão e sua popularidade voltou a subir para 58% devido à comoção causada pelo câncer que o acometeu e ao longo tratamento em Cuba. A doença foi abordada sem transparência pelo governo venezuelano, e pouco se sabe sobre a gravidade do estado de saúde do caudilho bolivariano. O que é próprio de regimes baseados no personalismo, no autoritarismo e no populismo.
Capriles dá mostras de estar no caminho certo ao adotar a estratégia do cambio, pero no mucho: propor melhorias nos programas sociais, evitando bater de frente com Chávez, e prometer avançar na política econômica, de segurança e educacional. O candidato, muito jovem, não pode ser acusado de inexperiência, pois é considerado bemsucedido seu governo no estado de Miranda.
De alta classe média, Capriles procura não passar imagem elitista, que o transformaria em alvo fácil da artilharia de Chávez.
Ele não hesitaria em igualá-lo às velhas elites.
Capriles mostra perspicácia ao dizer que tem como inspiração o modelo econômico, os programas sociais e a democracia brasileira. Com isso, oferece ao eleitor uma alternativa concreta à panaceia chavista, acenando com um Estado promotor do desenvolvimento e com a devolução aos venezuelanos do direito à livre iniciativa e ao empreendedorismo.
O candidato do partido Primero Justicia é a melhor chance que a Venezuela tem de reverter o avanço do chavismo estatizante, ineficiente e destruidor das instituições democráticas.

Floresta diferente? - ANDRÉ MELONI NASSAR


O Estado de S.Paulo - 15/02/12


Em época de concessão da administração de aeroportos à iniciativa privada por um governo do PT, talvez se possa ter a esperança de que este governo aceite abrir algumas portas para formas mais modernas de gestão do patrimônio de biodiversidade existente no Brasil. A ideia que apresento aqui é a seguinte: as florestas existentes nas propriedades privadas não deveriam ser consideradas nas políticas brasileiras de conservação da biodiversidade? Por acaso essas florestas são deferentes em relação ao potencial de conservar flora e fauna, das que estão em unidades de conservação (UCs) e reservas indígenas - estas, sim, elegíveis para as metas?

Embora possa parecer, essa proposta não é mera provocação, tampouco tem a intenção de criticar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). No entanto, diante das mudanças que serão aprovadas nos sistemas de gestão das florestas em propriedades privadas, caso o Congresso Nacional aprove a reforma do Código Florestal, os mecanismos de mercado ganharão relevância ante os tradicionais sistemas de comando e controle, justificando, assim, essa proposta.

Um dos mais óbvios mecanismos de mercado são os pagamentos por serviços ambientais, sobretudo os associados à conservação da biodiversidade. Tornar as florestas em propriedades privadas elegíveis para as políticas de conservação da biodiversidade, dado um conjunto de condicionantes que explico a seguir, significa reconhecer que elas também poderão receber pagamentos por serviços ambientais quando estes se tornarem realidade no Brasil.

Contando União, Estados e municípios, o Brasil tem cerca de 110 milhões de hectares (ha) de reservas indígenas, 52 milhões de ha de UCs de proteção integral, 55,8 milhões de ha de UCs de uso sustentável e 43,5 milhões de ha de áreas de proteção ambiental (UCs de uso sustentável instituídas em áreas privadas). Por outro lado, entre reservas legais (RLs) e áreas de preservação permanente (APPs) conservadas - os dois instrumentos definidos pelo Código Florestal que impõem a conservação nas propriedades privadas -, tem-se ao redor de 250 milhões de ha. Ou seja, as áreas privadas, mesmo considerando o enorme contingente de propriedades que não está em conformidade com o código vigente, possuem um montante de florestas equivalente ao total de áreas protegidas pelas reservas indígenas e UCs instituídas pelo Snuc. Não há, portanto, como negar a grande importância das florestas existentes em propriedades privadas.

À luz das políticas brasileiras de conservação da biodiversidade, as florestas em RLs e APPs são ignoradas. Apesar de o Código Florestal prever que são áreas fundamentais para a conservação da biodiversidade, na prática elas são reconhecidas somente como uma obrigação imposta aos proprietários rurais. Com isso criamos, no Brasil, uma separação concreta entre florestas com as mesmas funções ambientais que, em razão do tipo de propriedade (pública ou privada), são tratadas diferentemente. Partindo do princípio de que o objetivo é conservar a biodiversidade, essa distinção não faz nenhum sentido.

Um exemplo que confirma essa tese são as metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), tratado internacional que busca garantir níveis mínimos de conservação da biodiversidade. Para a CDB, uma área protegida é geograficamente delimitada e regulamentada para conservar a biodiversidade. O mesmo conceito é adotado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A CDB recomenda que as metas devem ser cumpridas por meio de sistemas em áreas protegidas, bem como via "outras medidas especiais de conservação, e integradas em paisagens terrestres e marinhas mais amplas". No entanto, a política brasileira reconhece como áreas protegidas elegíveis para cumprir as metas da CDB apenas as UCs e terras indígenas. Se as APPs e áreas de RL são protegidas pelo Código Florestal, como uma restrição à propriedade da terra que visa a conservar a biodiversidade, uma vez efetivamente preservadas, devem contar para as metas brasileiras de proteger ao menos 17% de cada bioma até 2020.

Não estou, evidentemente, defendendo a inclusão de todas as florestas em RLs e APPs. Aliás, se fosse assim, o Brasil já estaria cumprindo as metas da CDB em cada um dos biomas encontrados em nosso território. É preciso estabelecer critérios.

Considerando a relevância das APPs para a conservação da biodiversidade, proteção do solo e da água, entre outros serviços ambientais, essas áreas, desde que incluídas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), deveriam contar para as metas brasileiras.

O segundo critério se aplicaria às RLs. Se UCs são elegíveis para as metas de conservação de biodiversidade, isso significa que maciços florestais são preferíveis a fragmentos. Isso me leva a propor que grandes áreas de RLs deveriam também ser elegíveis - o que estimularia os proprietários de terra a conservar extensões grandes ou, aprovado o novo Código Florestal, a compensar RLs em grandes maciços.

Um terceiro critério para dar elegibilidade às RLs seria o seguinte: florestas em RLs que adensam APPs e estabelecem corredores ecológicos dentro e entre as propriedades também ganhariam status diferenciado. Este critério e o anterior poderiam ser aplicados em conjunto.

Em minha opinião, está passando da hora de derrubarmos esse conceito de separar as florestas entre as que têm valor para a biodiversidade - e por isso são reconhecidas nas políticas de conservação - e as que não o têm, às quais sobra a proteção pela obrigação. Sendo as florestas em áreas privadas em nada diferentes em termos de conservação de fauna e flora das demais florestas, esse serviço ambiental não deveria ser ignorado, como sempre foi até hoje.