sexta-feira, dezembro 16, 2011

Descaso com a música - LUCIANA PEGORER


O Globo - 16/12/11


O anúncio da venda da EMI Music e da EMI Publishing para, respectivamente, Universal e Sony, representa mais um capítulo na história da derrocada da indústria da música como a conhecíamos. Sinal dos tempos, em breve poderemos ter apenas duas multinacionais da música e, em contrapartida, já existem mais de duzentas gravadoras independentes no Brasil, além de milhares de músicos e artistas tentando o seu lugar ao sol. Mas, se a música brasileira hoje não recebe mais os investimentos massivos provenientes dos lucros e isenções fiscais dessas multinacionais, se o produto físico já não vende na medida do investimento necessário à sua produção, se os canais de distribuição virtuais não remuneram o conteúdo ali distribuído como deveriam, estaria a música fadada definitivamente a se tornar mais uma das artes dependentes de fomento público? O setor musical precisa desemperrar os gargalos, que são muitos.

Tivemos uma vitória sem precedentes, conquistando na Câmara dos Deputados a aprovação da PEC da Música por 395 votos a 21, em primeiro turno, e 393 votos a 6 (com duas abstenções), em segundo turno. Ainda precisamos passar por 2 turnos no Senado. Estamos otimistas e aguardamos confirmação para o primeiro trimestre de 2012 dessa tão necessária desoneração fiscal no nosso setor. A PEC da Música trará fôlego renovado às gravadoras nacionais para continuarem investindo em música brasileira, e a entrada do ITunes poderá finalmente equilibrar as vendas de música digital no Brasil. Mas os gargalos não param por aí. Questões de direito são igualmente importantes. Quase 3 mil emissoras de rádio em todo o país estão inadimplentes com o pagamento de direitos autorais. Uma injeção de 30 milhões de reais que deixam de chegar a autores, produtores, músicos e intérpretes todos os anos.

Emissoras de rádio e TV são concessões públicas. É inadmissível que essas emissoras renovem, ano após ano, as suas concessões de funcionamento, estando em débito com a legislação autoral. Pior ainda o caso da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que desde a sua criação pelo Governo Federal jamais considerou em seu orçamento o pagamento de direitos autorais. A EBC se considera acima da lei e se recusa sequer a entrar em negociação. É o próprio poder público se autorizando a descumprir a lei.

Outro exemplo, o caso da Ancine, que toma do setor fonográfico tarifas altíssimas sobre seus DVDs musicais sem nada oferecer como contrapartida. Para a Ancine, o setor fonográfico só existe na hora de pagar a sua contribuição ao cinema. Não existe em seu cadastro referência ao produto musical e nem pode uma produtora fonográfica ser beneficiária dos editais da agência. Dentro da legislação brasileira, um tributo chamado "contribuição" deve ser revertido para o mesmo setor que contribuiu, mas a lei que constituiu a Ancine se ocupou de colocar audiovisual e videofonograma no mesmo barco, obrigando um setor em crise a financiar parte do outro. Sim, o cinema brasileiro precisa de fomento, mas neste momento a música brasileira também. Infelizmente o que se vê partindo do poder público é o descaso e uma sangria sem fim num mercado que precisa de espaço para reencontrar o caminho da autossuficiência que sempre trilhou.

GOSTOSA


Doce fazer nada - GUSTAVO PATU


FOLHA DE SP - 16/12/11

BRASÍLIA - Quase dá para ouvir de fora dos palácios os suspiros de alívio e esperança com a perspectiva, mencionada à Folha pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo, de que eventuais penas relativas ao escândalo do mensalão, de seis anos atrás, acabem prescrevendo antes do julgamento.

Muito aborrecimento seria poupado para os três Poderes. Uma solução possível para um caso que não tem como terminar bem -não para todo mundo. O tribunal seria atacado pela morosidade e os acusados continuariam sendo suspeitos, mas com isso todos estão acostumados.

Um semelhante prazer momentâneo deve ter sido sentido pelos deputados que resolveram, sem motivo claro, deixar para depois a votação do projeto que tira dos futuros funcionários públicos a garantia de aposentadoria integral bancada pelos demais contribuintes.

É provável que surjam explicações para o adiamento, como disputas por cargos e outras questiúnculas do varejo político. Convém, entretanto, não descartar a hipótese de que sejam meras racionalizações para a velha, boa e macunaímica preguiça.

Não no sentido físico, pois suas excelências se dispõem a debates que atravessam madrugadas e maratonas de compromissos em seus redutos eleitorais. Mas preguiça de decidir quando os muitos beneficiários são anônimos e os poucos prejudicados são poderosos, barulhentos e conhecidos de longa data. De lidar com temas antipáticos e tecnicamente complexos. De dar palanque fácil à oposição hipócrita e oportunista.

O Executivo fez saber que ficou aborrecido com o atraso -depois de levar quatro anos para enviar seu projeto ao Congresso e outros quatro para tentar tirá-lo do lugar.

No mesmo dia, a Câmara aprovou uma emenda constitucional que amplia os direitos dos servidores. E um ministro do STF determinou que o Legislativo examine já a proposta de reajuste salarial para oJudiciário.

NOVA FASE - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 16/12/11


Entusiasmados com os primeiros resultados da quimioterapia contra o câncer de laringe, que diminuiu 75%, Lula e Marisa se preparam para a fase mais penosa do tratamento. O ex-presidente terá que fazer 35 sessões de radioterapia. A região atingida, nestes casos, sofre queimaduras e fica dolorida. É possível que ele precise usar sonda para se alimentar.

PRAZO
A previsão é que as sessões de radioterapia terminem em fevereiro.

QUERO MAIS
Acusado no livro "A Privataria Tucana" de vazar informações contra a campanha de Dilma Rousseff em 2010 para a revista "Veja", Rui Falcão, presidente do PT -surpresa!-, defende maior divulgação da obra. Reclamou ontem no Twitter que a Câmara Municipal de SP não colocou em seu clipping reportagem do livro. Rui nega os vazamentos e processa o autor, Amaury Ribeiro Jr.

EU NÃO
E a equipe de Aécio Neves (PSDB-SP), apontado como inspirador das reportagens que resultaram no livro com acusações a José Serra, diz que a própria obra o inocenta. Nela, Amaury afirma que foi escalado pelo jornal "Estado de Minas" para descobrir se Serra espionava Aécio. Depois, "usando a liberdade conferida aos repórteres", aprofundou "averiguações" que envolveriam Serra.

NA DIREÇÃO
A publicação do livro, definido por Serra como "lixo", azedou ainda mais a relação entre ele e Aécio. Um amigo do mineiro, no entanto, diz que "as pessoas têm que entender que Aécio não faz 'dossiezinho', não olha para o retrovisor, nem pros lados nem pra trás. É por isso, aliás, que dirige muito mal."

VIDA EM IMAGENS
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participou do lançamento de livro de fotos sobre seus 80 anos, anteontem. A obra foi organizada por Hubert Alquéres e tem apresentação de Fernando Gabeira. O ex-governador José Serra, o empresário Carlos Jereissati Filho, a atriz Bruna Lombardi e o diretor Cacá Rosset foram à Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

HUMORISMO VERDADE
"As Aventuras de Agamenon - O Repórter", filme sobre o jornalista criado por integrantes do Casseta & Planeta, teve pré-estreia em SP. O diretor Victor Lopes, o produtor Flávio Tambellini e o ator Thogun estiveram na sessão, anteontem, no Itaim.

PRETO NO BRANCO
Dois sócios do Corinthians fizeram carta ao Ministério Público pedindo investigação do contrato do clube com as empresas Poá Têxtil e SPR. A primeira fornece produtos com a marca do time e tem participação na segunda, que licencia franquias da loja do clube. Alegam que existe relação próxima entre Andrés Sanchez, presidente do Timão, e a Poá.

PRETO NO BRANCO 2
A SPR, em nota, diz que o "contrato com o Corinthians foi celebrado em junho de 2008", e que na época "não teve qualquer concorrência, pois o sistema foi criado pela SPR e pelo Corinthians". E afirma: "A empresa não se incomoda com qualquer investigação que possa ocorrer, uma vez que é cumpridora de suas obrigações legais e não pratica qualquer ato ilícito a ser investigado".

NA CARNE
Foi a OAB-SP quem identificou suposta falsificação em certidões do convênio da Defensoria com a entidade. A Ordem encaminhou os documentos para abertura de investigação. E afirma que não há fraude no convênio -o caso sob suspeita seria uma exceção.

CURTO-CIRCUITO
A banda Sandália de Prata lança o disco "Desafio ao Galo" com shows hoje e amanhã no Sesc Pompeia. Classificação: 18 anos.

A Trash 80's do centro faz hoje a festa Servimos Bem para Servir Sempre. Dois funcionários da balada serão os DJs. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Elogio à impunidade - DORA KRAMER


O Estado de S.Paulo - 16/12/11

A entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, à Folha de S.Paulo mostrando-se pessimista quanto à punição dos acusados de formar uma quadrilha para desviar dinheiro público e usá-lo na construção de uma ampla maioria no Congresso, não traz só más notícias.

Segundo ele, o processo do mensalão pode morrer na praia porque parte das penas vão prescrever antes do julgamento.

Lewandowski é o ministro revisor da ação relatada por Joaquim Barbosa e acha provável que o julgamento seja feito só em 2013, quando, então, estariam fora do alcance de punições os réus primários que fossem condenados a penas mínimas por crimes de formação de quadrilha, evasão de divisas e corrupção ativa.

A boa notícia é que o fato de Lewandowski vocalizar algo já sabido e que era dito nos bastidores do tribunal - tema de uma reportagem do Estado meses atrás - chama atenção, provoca reação e gera providências contra o risco de os réus saírem ilesos não por força de uma absolvição, mas pela a incapacidade da Justiça de dar consequência ao processo em tempo hábil.

Tanto que o presidente do Supremo, Cezar Peluso, de imediato pediu ao relator Joaquim Barbosa que ponha cópias digitais do processo à disposição de todos os integrantes do tribunal, a fim de que todos tenham acesso aos autos e, assim, possam adiantar a preparação dos respectivos votos.

Há quem critique a fala do ministro revisor, na perspectiva de que ela represente a intenção deliberada de provocar atraso no julgamento. A partir daí, fomenta-se desconfiança sobre a isenção do ministro Lewandowski, indicado ao STF por Lula.

A se admitir essa hipótese, fica sob suspeição a maioria do colegiado o que do ponto de vista institucional seria, no mínimo, uma temeridade. Preferível analisar pelo lado positivo: o ministro revisor pôs o dedo numa ferida que, uma vez exposta, pode ser tratada.

Antes a discussão pública a respeito da questão, que deixar para tratar dela apenas quando se apresentasse como fato consumado. É o efeito benéfico da luz, um dos bons resultados do chamado ativismo do Judiciário, em que os magistrados se aproximam da sociedade, abordam os assuntos em pauta e dão opiniões sem ficar encastelados nos autos.

O caso do mensalão é emblemático. Inadmissível que acabe se transformando num legítimo elogio à impunidade. Isso não quer dizer que só a condenação dos réus valha como sentença.

Se julgá-los inocentes ou se considerar que não há provas suficientes de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República teve razão de ser, o STF terá fundamentado sua posição perante a sociedade e assim estará posto.

O que não se pode é aceitar que, se condenados, saiam impunes.

Divisão de tarefas. Antes de se jogar sobre o Supremo Tribunal Federal a responsabilidade exclusiva pela posse de Jader Barbalho no Senado, convém prestar atenção em dois fatores: um, a quantidade de votos (1 milhão e 800 mil) dados a um político cheio de processos e já obrigado a renunciar duas vezes. À presidência do Senado e ao mandato, para evitar processo de cassação sob acusação de desvio de dinheiro público.

O eleitorado do Pará - como de resto em vários Estados - não se deu ao trabalho de praticar o voto limpo, elegendo senador um candidato ficha-suja.

O outro fator é a leniência do Congresso. Além de existirem outras propostas semelhantes em tramitação há tempos, a emenda popular propondo a Ficha Limpa chegou ao Parlamento em 2009, mas só andou a partir de abril de 2010, numa tentativa dos partidos de inicialmente apenas ensaiar uma satisfação pública.

A pressão cresceu e o resultado foi a aprovação da lei. Cinco meses antes da eleição o que, entendimento do STF, feria a exigência constitucional de anterioridade anual para a validade de novas regras eleitorais.

O defeito na condução do caso no Supremo foi o presidente da Corte,Cezar Peluso, não ter posto em prática antes o dispositivo que lhe permitia desempatar a votação e deixar para fazê-lo debaixo da pressão do PMDB.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 16/12/11


Câmara de energia pedirá mais transparência à Aneel
A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) levará à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) uma proposta para elevar a transparência de preços praticados no mercado livre de energia em contratos de grandes consumidores industriais.

A câmara quer criar e divulgar um indicador de preços que abrangerá o valor de todas as transações. O índice deve ser mensal.

A entidade informa que nenhum dado de contrato será divulgado individualmente. O número será consolidado.

O mercado já caminha para uma maior transparência dos preços com a recente abertura de balcões de energia, entre eles, a Brix, que tem como sócio Eike Batista, e a recém formada BBCE.

A abertura por meio dos novos balcões, porém, ainda não reflete a totalidade do mercado, pois só representa os contratos negociados nestas duas plataformas, segundo Luiz Barata, da CCEE.

Para criar o indicador, a Aneel precisa determinar que se registrem os preços na câmara, segundo a CCEE.

A câmara é uma associação composta por agentes do mercado e regulada pela Aneel.

"Seria importante verificar com que frequência e atraso isso será oferecido", diz Flávio Cotellessa, da BBCE.

"Os cálculos de uma plataforma de negociação, como se faz em Bolsa, diferem dos de uma de registro, que deve ter cuidado para não ser manipulada", diz Marcelo Mello, da Brix. A Aneel não comenta.

"A divulgação dos números poderia auxiliar desde o cálculo da formação de preços de leilões até o planejamento dos consumidores"

LUIZ EDUARDO BARATA FERREIRA

presidente do conselho da CCEE

Acordo com Palestina fomenta venda de manufaturados

Com a assinatura de um acordo comercial entre o Mercosul e a Palestina, aguardado para a próxima semana, os países sul-americanos devem aumentar as vendas de produtos manufaturados.

Entre os artigos que deverão ser mais comercializados para o território palestino estão cosméticos, móveis de madeira e maquinário agrícola. A Palestina, por sua vez, poderá exportar um número maior de tâmaras, azeites de oliva, azeitonas, artesanato e granito amarelo.

O comércio entre Brasil e Palestina é, atualmente, registrado como parte do intercâmbio com Israel. Os produtos mais vendidos para o território são commodities como açúcar, carne, café e soja.

"Além de importante politicamente, para reforçar o apoio ao reconhecimento do Estado palestino, a decisão ajudará a criar empregos na região", diz Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Para entrar em vigor, a medida deve ser aprovada pelos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que deve levar mais de um ano, segundo o Itamaraty.

TRADIÇÃO EXPORTADA

A fabricante de pão de queijo Forno de Minas se prepara para aumentar suas exportações.

Nos EUA, onde está há 12 anos, a empresa deixa de focar no mercado "étnico" e passa a vender na Whole Foods (rede de produtos orgânicos) para consumidores que não ingerem glúten.

Em 2012, a companhia também deve entrar no Chile e na Itália, além de negociar com Peru, Colômbia, Suíça, Inglaterra, Rússia, Japão e Coreia do Sul.

"As exportações passarão a ser responsáveis por 10% das nossas vendas", afirma o presidente da empresa, Hélder Mendonça. Hoje, elas representam 5% do total.

A produção deve passar de 12.000 t para 15.000 t por ano e continuará sendo fabricada nas duas plantas de MG. Esse projeto de expansão, iniciado em 2009, receberá R$ 40 milhões.

ALEMANHA ESTAGNADA

O potencial de consumo da Alemanha deve estagnar no próximo ano, de acordo com estudo da GfK.

A previsão da consultoria é que o poder aquisitivo no país aumente 2% em 2012. A inflação, no entanto, deve ficar em 1,8% e, possivelmente, irá anular o crescimento do consumo.

Segundo a pesquisa, cada alemão terá € 400 a mais do que teve neste ano. O incremento será decorrente da alta dos salários registrada em 2011 e da boa situação do mercado de trabalho. Toda a população do país poderá gastar € 1,6 trilhão.

A região de Hamburgo será a que terá o maior poder de compra da Alemanha no próximo ano (superando a Bavária, que ocupava o primeiro lugar desde 2007).

Cada morador de Hamburgo deve ter em torno de € 21,9 mil para consumir, segundo o levantamento.

NÚMEROS

2% será a alta do poder aquisitivo dos alemães em 2012

1,8% é a expectativa de inflação para a Alemanha

€ 1,6 trilhão será o poder de compra total do país

€ 21,9 mil será o poder aquisitivo per capita na região de Hamburgo

€ 21,7 mil será o poder aquisitivo per capita na região da Bavária

€ 21,4 mil será o poder aquisitivo per capita na região de Hessen

Software... Nas ações de combate à pirataria de software, em novembro, foram apreendidas 297,9 mil mídias falsificadas, que representam R$ 62 milhões de prejuízo, segundo a associação do setor.

...pirata O Rio de Janeiro lidera com 256,4 mil mídias recolhidas. Em Foz do Iguaçu e São Paulo foram recolhidas 30,3 mil e 11,2 mil mídias falsificadas, respectivamente.

Medalha A Effect Sport, que representa o Usoc (comitê olímpico dos EUA, na sigla em inglês) no Brasil, patrocinará a reforma da sede do Flamengo. O local será usado para treinamento de atletas americanos na Olimpíada de 2016.

Ueba! O Natal do peru alagado! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 16/12/11

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E São Paulo alaga tanto que tá encavalando alagamento. Já tem alagamento esperando no acostamento pra entrar na pista.

Eu acho que o peru vai fazer glub glub glub neste ano, em vez de glu glu glu! Natal do peru alagado! E a Dilma fez aniversário, mas o PMDB comeu o bolo todo. Rarará!

Diz que o Sarney foi visto com um pedação escondido no paletó! E a manchete do Sensacionalista: "Aplicativo da Apple que reduz as calorias da rabanada bate recorde de vendas no Brasil".

E os shoppings? Os shoppings estão inaugurando chequeporto: aeroporto pra cheque voador! E a tecnologia tá dando um nó na cabeça do Papai Noel. Olha o pedido que ele recebeu de um menino de três anos: "Quero 1x1 com cabo HDMI e um MP3 com 64GB". O veio não entendeu nada. Rarará!

Papai Noel ameaçado de morte! Olha a cartinha de uma inglesinha de 13 anos, de Brickhill: "Papai Noel, se o senhor não atender pelo menos dois dos meus pedidos, eu vou literalmente MATÁ-LO! E pegar as renas, cozinhar e servir a carne pros sem-teto no dia de Natal. Eu quero um BlackBerry, um óculos escuros, um All Star de cano alto e o Justin Bieber, de carne e osso, real. E não se esqueça: ou me atende, ou morre". Rarará!

E o chargista Mario revela a cartinha da Dilma pro Papai Noel: "Prezado Papai Noel, peço que o senhor acelere este final de ano. Não aguento mais demitir ministro a varejo". Caso contrário, tá demitido. Dilma demite o Papai Noel. Rarará!

E diz que essa fusão da TAM com a Lan parece a Gilette G2: a primeira faz TAM, a segunda faz Lan e Tchantchantchan! Rarará!

E tem tanto brasileiro no Barcelona que os espanhóis estão aprendendo português! É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

E esta faixa em Santa Luzia, Minas Gerais: "Temos água de coco e suco de melância". Melância? Então temos que dar pro Mântega! Mântega, quer melância? Rarará!

E olha o cartaz que um cara pendurou num motel em Vila Velha, Espírito Santo: "Até aqui Deus tem me ajudado". Deus e Viagra! Rarará!

Pois como disse aquele meu amigo: sem Viagra, eu não levanto nem falso testemunho! Nóis sofre, mas nóis goza.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA


Demasiado tarde? - MARINA SILVA


FOLHA DE SP - 16/12/11

O resultado da COP-17, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, finalizada na semana passada em Durban, África do Sul, tem sido comemorado e lamentado.

A comemoração se baseia numa decisão que é, de fato, uma promessa. A de que até 2020 todos os países terão suas metas de redução das emissões de gases-estufa capaz de manter a elevação da temperatura do planeta na faixa de segurança dos 2°C até o final do século.

A lamentação vem do fato de que os países ignoraram a realidade e os alertas da ciência, que mostram que já sofremos com as mudanças climáticas. E, assim, nenhuma decisão concreta foi tomada para ampliar os tímidos esforços de redução das emissões, que seguirão crescendo até 2020. Vamos ficar quase uma década à espera de uma promessa!

Nesse limbo, a sociedade continua refém de uma política que se isola da vida: empobrecida, burocratizada e sem estadistas. Verdadeiros líderes são os que se apresentam nas crises, que se dispõem a ajudar a sociedade a fazer o que precisa ser feito, em nome do bem comum e dos mais nobres valores humanitários. E uma política sem estadistas interessa a quem não quer mudanças.

Quantos presidentes ou chefes de Estado estiveram em Durban? Quantos dão importância ao tema em suas agendas? Infelizmente, a discussão da crise climática perde para assuntos menores. O exílio da ciência, a domesticação dos políticos e a burocratização das negociações são a melhor forma para se perpetuar a mediocridade no âmbito multilateral.

A COP-17 representa esse retrocesso. Decidiram postergar as ações, as responsabilidades, e continuar condenando os mais pobres e vulneráveis a pagar a maior parte da conta, com suas vidas e esperanças. Em vez de agir, os países debaterão por quase uma década. Serão anos preciosos investidos em discussões nas quais interesses econômicos continuarão influenciando, impondo ganhos marginais ao processo.

Retrocesso ainda com o recuo dos compromissos dos países ricos, com o abandono do Protocolo de Kyoto por parte do Canadá, do Japão e da Rússia. E os EUA ganham quase uma década a mais de inação.

As próximas COPs, se continuarem apenas com negociadores e diplomatas, por mais comprometidos que sejam, correm o risco de ser ainda mais pobres política e cientificamente. Cria-se a condição para blindar os que não querem ser expostos ou constrangidos.

Como bem questionou Viriato Soromenho-Marques, da Universidade de Lisboa: "Como foi possível que a sociedade tecnológica e cientificamente mais avançada que o planeta já conheceu corra o risco de chegar demasiado tarde àquela incerta encruzilhada que separa a estrada da crise daquela outra que conduz ao colapso?".

Riscos de uma retirada - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 16/12/11


Como não alegrar-se sempre que uma guerra acaba, principalmente quando se trata de uma sem sentido e mal conduzida? Era natural que Barack Obama falasse de seu regozijo e se congratulasse com os últimos soldados que se preparam para partir da terra do pesadelo americano.

Sobre o balanço da guerra tudo já foi dito. Com 4,5 mil soldados mortos, dezenas de milhares de feridos e um número maior ainda dos que regressaram ao país, mas cujos sonhos serão assombrados por muito tempo pelas matanças às quais foram obrigados. E os iraquianos? Quantos morreram? Foram 120 mil, dos quais 100 mil civis.

Outra herança da guerra foram as rupturas no campo ocidental: a França, de Jacques Chirac, recusou-se a participar, enquanto o britânico Tony Blair não hesitou em mergulhar nela, por um efeito de mimetismo americano. E, como consequência, como costuma ocorrer cada vez que o Ocidente intervém em um país, um novo surto de antiamericanismo, de sentimentos antieuropeus.

Mas e o futuro? O Iraque terá direito a uma trégua? Seu novo Exército manterá a ordem quando os americanos se retirarem? Os atentados não cessaram: no início do mês, 80 pessoas morreram em uma semana, principalmente na Província de Dyala. O ódio entre xiitas e sunitas continua um dos maiores perigos para o novo Iraque, principalmente porque o vizinho Irã, que é xiita, não parou de alimentar os delírios e as forças do xiismo iraquiano.

Não nos esqueçamos de que, ao mesmo tempo, a Al-Qaeda, que entrou no Iraque após a deflagração da guerra, ainda atua no país. O quadro é tão inquietante que Washington e Bagdá planejavam deixar no terreno, após a retirada, alguns milhares de instrutores americanos para formar soldados iraquianos.

As negociações fracassaram por causa da situação legal dos militares. Os EUA queriam que eles tivessem imunidade judicial total. O premiê Nuri al-Maliki rejeitou. Por isso, o general americano John Allen pediu à Otan que deixasse no país, a partir de 2015, algumas centenas "de oficiais e suboficiais" para dirigir uma "escola de guerra" local.

Outro perigo são as minorias, principalmente os curdos. A região autônoma do Curdistão é considerada um dos principais riscos para a estabilidade do novo Iraque. Mas, se os americanos esperam que os nove anos de guerra os tornem populares e amados pelos iraquianos, estão enganados.

Um diplomata ocidental de alto escalão deu o seguinte veredicto ao jornal Le Figaro: "As duas partes tentaram sair de cabeça erguida: os EUA não querem aceitar a derrota, enquanto o Iraque tenta mascarar a influência iraniana. No fundo, todos sabem o futuro do país."

Os americanos pretendem continuar de olho nos desdobramentos do conflito. Bagdá terá uma das mais poderosas embaixadas americanas do mundo, que ocupa uma área maior que a do Vaticano. Vários milhares de diplomatas, rodeados por militares, continuarão zelando pela saúde do Iraque. Assim como alguns mercenários, nem é preciso dizer.

Patrícia Poeta transtorna o Waldemar - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


O Estado de S.Paulo 16/12/11



Estava numa mesa do Vianna, esperando as brusquetas de presunto cru com rúcula e parmesão, quando o Waldemar entrou, e veio direto. Ele é assim, anda pelos bares e senta-se à mesa com pessoas sozinhas. Diz que o entristece ver uma pessoa só, quer fazer companhia, consolar. Não sabe por que a pessoa está só, se ela quer estar. Acomoda-se ao lado e procurar trazer aquilo que chama de alívio espiritual. A coisa que mais Waldemar tem medo, isso desde os tempos de ginásio, quando o conheci, é de que uma pessoa só possa se matar. No fundo, acho que solitário é ele.

- O que faz aqui?

- O que se faz num bar? Bebo.

- Cadê a bebida?

- Ainda não pedi.

- Por que nesta mesa onde ninguém te vê?

- Como ninguém me vê? Aqui, no Vianna, entrou se vê todo mundo.

- Precisei olhar bem para te enxergar. Tem medo do quê? Esconde-se do quê?

- De mim mesmo.

Digo por dizer, para ver o efeito, mas ele deixa passar batido. Pede uma margarita, a do Vianna é famosa no bairro, este bairro que acaba de derrubar um monte de casinhas para a construção de um conjunto, sei lá do quê. E cuja ameaça é também a de estar completamente congestionado no futuro, porque anunciam um imenso prédio com shopping, escritórios, apartamentos, na esquina da Teodoro com a João Moura. Os bairros vão sendo desfigurados pouco a pouco. A margarita perfumada chega.

- A primeira da noite, para comemorar.

- Comemorar o quê?

- A vitória do Luis Fernando Verissimo.

- Ele ganhou algum prêmio? Ou um jogo?

- Não, para mim foi uma vitória pessoal do Verissimo o fato da Patrícia Poeta ter assumido o lugar da Fátima Bernardes.

- Como assim?

- Lembra-se quando a Patrícia apareceu na televisão? Morenaça, com aquele sorrisão? Mulher misteriosa, surgiu de repente e se tornou um personagem do Verissimo, toda coluna dele falava na Patrícia Poeta. Depois ela sumiu, soube que se casou, ficou anos fora, teve filho. O filho dela deve ser um poema...

- Sem essa, Waldemar, sem essa.

- Na verdade, estou muito preocupado.

Lágrimas vieram aos olhos dele.

- Você, Waldemar? Seria a primeira vez na vida.

- Tem algo inexplicado no ar...

- O que é?

- A Fátima! Como vai ser? Ela em casa vendo televisão olhando o Bonner ao lado da Patrícia? Ninguém pensa nisso, no que existe além da telinha.

- Isso é coisa para tirar o sono, Waldemar? Coisas da vida, do trabalho, da poesia e dos poetas. Da poeta.

Ele passa batido pelo meus clichês.

- Nos acostumamos com as coisas, elas passam a fazer parte de nossa vida, é o cotidiano, o mundo arrumado. De repente, tudo desarruma, perdemos o pé. Só falta tirarem a Renata Vasconcelos do Bom Dia, Brasil. Aí o mundo se acaba. De uma vez! Tudo menos isso! Viu o que aconteceu na Avenida Brasil? Ali na esquina da Rua Colômbia?

É hábito dele saltar de um assunto para o outro, quer falar, ora é calmo, ora catastrofista.

- Não! O que houve ali? Trabalhei 20 anos naquela esquina, na Vogue. O que houve?

- Lembra daquela árvore linda, imensa, frondosa, que havia no pátio da extinta loja Imi? Pois é, derrubaram. Do dia para a noite, desapareceu. Era das coisas mais bonitas do bairro. Um símbolo. Ali tem um tapume, há uma obra. Ninguém sabe o que vai ser. Seja o que for, que seja um mico, vire caveira de burro pela derrubada da árvore. Não tem meio ambiente nesta cidade?

Começou a chorar ali na mesa mesmo e nem tinha recebido ainda a margarita. Virei-me para o balcão e mandei que reforçassem a dose de tequila, e que fosse da melhor. Waldemar é assim, lutando pelas causas, sejam quais forem, o mistério da Patrícia Poeta, o corte da árvore. Dia desses, chorou sem parar, aqui no Vianna mesmo, por causa daquele cachorro que foi enterrado vivo pelo dono em Novo Horizonte. Tudo porque, ao passar por uma pet shop do bairro, viu cãezinhos vestidos para o frio, com os donos comprando ração importada, camas, coleiras antipulgas. "Tudo para uns, nada para os outros", comentou. Vai chorar mais quando ler sobre aquele homem em Guarulhos que amarrou o cão ao carro e o arrastou pelas ruas. Waldemar prometeu que esta semana mandaria um telegrama à prefeita de Santarém que decretou luto oficial pela não divisão do Pará. Santarém seria capital. Teria Palácio do Governo, residência oficial, Assembleia, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Corregedorias, Secretarias e cargos, cargos, cargos, cargos, cargos, cargos, cargos, cargos, cargos...

A decepção com o PIB - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

FOLHA DE SP - 16/12/11

Não há como não ficar surpreso com a velocidade com que a economia vem reduzindo seu crescimento


A divulgação pelo Banco Central da estimativa do PIB no mês de outubro passado confirmou a desaceleração do crescimento da economia brasileira nos meses finais de 2011. A queda de 0,3% em relação a setembro surpreendeu a maioria dos analistas, que esperavam uma quase estabilidade do indicador.

Com esse último número produzido pelo BC, é razoável termos crescimento zero na atividade econômica no último trimestre deste ano. Alguns analistas estão especulando, aliás, com a possibilidade de mais um número negativo para o PIB trimestral calculado pelo IBGE, o que caracterizaria a chamada "recessão técnica da economia".

Se isso acontecer, vai ser um evento de mídia importante e que colocará a equipe econômica do governo na defensiva. Afinal, a presidente Dilma está ainda prometendo crescimento acima de 4% ao ano. Mas acredito que a probabilidade de isso ocorrer é muito baixa.

O número divulgado pelo Banco Central está provocando nova rodada de redução na expectativa de crescimento para o ano de 2011 como um todo. A equipe de economistas da Quest Investimentos está passando da projeção anterior de 2,8% para 2,7%.

É importante lembrar que no começo deste ano a média dos analistas falava em crescimento econômico acima de 4% para o ano como um todo. Portanto, não há como não se surpreender com a velocidade com que a economia brasileira vem reduzindo seu crescimento.

Sobra ao analista a responsabilidade de explicar tal comportamento. É o que pretendo fazer a seguir.

Já faz algum tempo venho defendendo a tese de que a economia brasileira, depois de quatro anos de crescimento próximo de 5% ao ano entre 2005 e 2008, voltou à sua velocidade natural de cruzeiro, que me parece ser entre 3% e 3,5% ao ano.

A crise de 2008 e a recuperação em 2009 e em parte de 2010 tornaram nebulosas as leituras de mais longo prazo sobre o PIB no Brasil. Mas os últimos números parecem confirmar essa minha tese, de volta à normalidade, criada por fatores estruturais que limitam nosso crescimento.

Para entender o curto período de crescimento quase asiático que gozamos, é preciso entrar um pouco nas entranhas da microeconomia brasileira e identificar os fatores sazonais que empurraram nossa economia naquele período.

O primeiro deles foi a expansão rápida do crédito ao consumo, depois que nossos banqueiros passaram a confiar na estabilidade de nosso crescimento. Hoje, com o volume de crédito atingindo níveis que vigoram em outras economias de mercado, esse empurrão extra no PIB desapareceu.

Outro fator conjuntural que não existe mais é o provocado pela ascensão de várias dezenas de milhões de brasileiros à condição de novos cidadãos consumidores. Esse movimento está se esgotando, e a capacidade de consumo desse grupo passou a estar ligada apenas à evolução real de sua renda monetária.

Outro fator temporário que ajudou muito nosso crescimento econômico na passagem do primeiro para o segundo mandato do presidente Lula foi o processo de desinflação criado pela valorização do real nos mercados de câmbio.

Com isso, a renda real dos trabalhadores se expandiu a taxas elevadas e, por meio do canal do crédito farto, levou ao crescimento de dois dígitos das vendas reais no varejo.

À época da eleição presidencial de 2006, o consumo cresceu a taxas próximas de 20% ao ano nas regiões Norte e Nordeste. Agora, em 2011, esse processo não está mais presente, e o crescimento real da renda voltou a ocorrer com maior moderação.

Essas e mais algumas forças temporárias de menor intensidade funcionaram como foguetes extras que empurraram -por algum tempo- a economia brasileira a uma velocidade superior àquela de cruzeiro.

Agora, voltamos a crescer devido a fatores estruturais que comandam o dia a dia de nossa economia.

Nessa situação, o crescimento econômico fica limitado por uma carga tributária elevada, por um governo que arrecada demais e -apesar disso- não investe e por deficiências graves em nossa infraestrutura econômica.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 69, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo FHC).

Proteção malfeita - EDITORIAL FOLHA DE SP

 FOLHA DE SP - 16/12/11


Plano do governo para defender montadoras responde a riscos reais, mas falha nas contrapartidas e na falta de visão de longo prazo

O programa que pretende proteger a indústria nacional de veículos entra hoje em vigor com as mesmas falhas de sua versão original, apresentada em setembro.

Como se sabe, o governo federal decidiu que, até o final de 2012, haverá um aumento punitivo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos que não apresentarem um grau mínimo de nacionalização.

O objetivo é proteger as montadoras instaladas no Brasil e no Mercosul da concorrência de multinacionais sediadas em outros países, em particular as asiáticas. A medida baseou-se em motivos efetivamente preocupantes.

A excessiva valorização do real, que barateia produtos importados; a ociosidade do parque automotivo mundial, em razão da crise; e práticas comerciais agressivas, com preços suspeitamente reduzidos, propiciavam as condições para uma invasão deletéria de automóveis estrangeiros -num país em que impostos altos e infraestrutura deficiente já prejudicam, em muito, o produtor local.

Nesse cenário, seria razoável a adoção de providências imediatas para conter o risco de uma torrente de importações. Mas não do modo como o fez o governo.

Não foram definidas novas normas para o cálculo do conteúdo nacional -as empresas podem burlar o índice de nacionalização manipulando outros custos que não o da fabricação. Tampouco definiram-se normas para as empresas que ora se instalam ou pretendem se instalar no país, muitas delas com dificuldades iniciais para produzir no Brasil os componentes e as peças de que necessitam.

Não bastassem esses problemas, não se exigem contrapartidas das empresas além do controverso índice de nacionalização. Não se tratou de demandar preço menor, qualidade maior, tecnologia, programas de inovação. E não se sabe como será o controle da importação de autopeças consumidas pelas montadoras, se haverá ou não maquiagem de produtos importados.

A fabricação de veículos é um setor tradicionalmente protegido. Além do mais, recebe imensos subsídios: financiamentos oficiais a juros baixos, isenções fiscais, terrenos e obras de infraestrutura, para citar apenas os incentivos mais visíveis. Grande parte do investimento das montadoras acaba, dessa forma, bancada pelo Estado. As contas dessas empresas, porém, são fechadas. Não se conhecem a rentabilidade ou o peso do favor estatal nos lucros.

O plano do governo é, portanto, falho no que tem de mais comezinho e míope no que diz respeito a políticas de longo prazo. Não incentiva a eficiência e a inovação, não pensa na cadeia produtiva do setor, não protege o consumidor e concede favores a empresas já protegidas em demasia pelo Estado.

CLAUDIO HUMBERTO

“Nunca ouvi a presidente falar em reforma ministerial”

Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo, que acha “natural” a troca de ministros


AÉCIO ANTECIPA SUA AGENDA PARA HOSTILIZAR SERRA

Em pé de guerra com o ex-governador paulista José Serra, o senador Aécio Neves (MG) antecipou sua participação no Congresso Nacional da Juventude Tucana, que reúne hoje duas mil pessoas em Goiânia. O PSDB havia separado os dois, cada um para um dia, para evitar a queda de braço entre os dois. Aécio já avisou que levará a “turma do chapéu”, que cuida das redes sociais, para fazer barulho a seu favor. E vaiar Serra.

REENCONTRO

O evento em Goiânia pode ser o primeiro encontro de Aécio e Serra desde o lançamento do revelador livro A Privataria Tucana.

TENTATIVA INÚTIL

O livro de Amaury Ribeiro acusa Serra de contratar espiões para flagrar Aécio se embebedando ou consumindo drogas. Jamais conseguiram.

ESPIÕES ‘COM CRACHÁ’

Aécio sabia que era seguido. Em dezembro de 2009, falando a esta coluna, citou os espiões serristas como testemunhas de sua conduta.

BRIGA DE FOICE

A guerra entre Aécio Neves e José Serra se agravou durante a pré-campanha para presidente da República, em 2009 e 2010.

MINISTRO DEFENDE O FIM DO ‘3º TURNO’ NA JUSTIÇA

O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, conhecido e respeitado por sua independência, defende a fixação de um prazo, que se encerraria com a posse dos eleitos, para que eleições sejam anuladas ou mandatos venham a ser cassados. O objetivo seria a segurança jurídica, respeitando-se a vontade do eleitor e acabando com a disputa de “terceiro turno” na Justiça Eleitoral.

TAPETÃO, NÃO

Corregedor-geral da Justiça Federal, o ministro Noronha não considera justo que a Justiça Eleitoral tenha sido transformada em “tapetão”.

POUPE-NOS

O presidente da Câmara, Marco Maia, vai ocupar uma rede nacional de rádio e TV, dia 21, para “prestar contas” da atuação dos deputados.

CURA EXPLOSIVA

O lixo atômico do Irã Mahmmoud Ahmadinejad ofereceu ajuda a Lula para tratar o câncer. Provaria que nuclear lá só a medicina. Não colou.

RATEIO

Líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN) deu de cara com o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), ao sair de reunião com a ministra Ideli Salvatti, e brincou: “Deixamos um pouquinho para vocês também...”.

VAI QUE É TUA, CAPIXABA

Iriny Lopes (Políticas para Mulheres), que sente urticária quando vê imagens que realçam a beleza de Gisele Bündchen, avisou ao governo que deixará o cargo para disputar a prefeitura de Vitória (ES).

CRISTÃOS NOVOS NO PODER

O vice-presidente Michel Temer participa, amanhã, de reunião do PMDB de São Paulo para entronizar Paulo Skaf e Gabriel Chalita na executiva estadual. E fazer novas intervenções em diretórios municipais.

INDIGNAI-VOS

Os embates políticos não afastam José Sarney dos livros. Acaba de ler e se encantar com Indignez-vous, de Stéphane Hessel, 94, que foi da Resistência Francesa. “Sua indignação é contagiante”, diz o senador.

APRENDIZADO

Prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel deu palestra sobre a carga de impostos na Associação Brasileira de Direito Tributário, em 2007. Ao contrário das supostas consultorias, nessa ele foi.

ULALÁ

O Tribunal Superior Eleitoral inaugurou, ontem, nova sede de R$ 500 milhões, para funcionar com sete ministros apenas às terças e quintas à noite. Oscar Niemeyer cobrou R$ 5,9 milhões só para fazer o projeto.

ACERTOU NO MILHAR

O bicheiro Aniz Abrão David, que escapou da operação contra o jogo do bicho no Rio, foi um dos agraciados com o “apoio cultural” de 

R$ 12 milhões da Petrobras às escolas de samba em 2007, para “inibir a ilegalidade”. O Maranhão deu R$ 8 milhões para o enredo 2012.

‘CULTURA DE PAZ’

Com a habitual franqueza francesa, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, ironizou a ideia de trocar armas por ingressos na Copa: “Não teríamos ingressos suficientes”. A imprensa internacional se esbaldou.

PERGUNTA NO ESTÁDIO

Seria pedir muito o Brasil ser administrado pelos dirigentes do Barcelona? 


PODER SEM PUDOR

ACONTECE QUE ELA É BAIANA

O deputado José Linhares (PP-CE) presidia a sessão da Câmara, certa vez, quando anunciou o discurso do “nobre deputado Jumari Oliveira”.

– É deputada, senhor presidente – retrucou a deputada Jumari.

– Desculpe, não olhei para a esquerda – tentou justificar-se Linhares.

Ela, na bucha:

– O senhor tem quatro anos para aprender que eu sou Jumari, mulher e baiana.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: País continua sem planos para enfrentar temporais

Folha: EUA selam saída oficial do Iraque

Estadão: EUA encerram Guerra do Iraque sem citar 'vitória'

Correio: Justiça rebaixa 91 PMs promovidos por Rosso

Valor: IBGE refaz cálculos e pode mudar royalties do petróleo

Zero Hora: A devastação do gelo

quinta-feira, dezembro 15, 2011

João Gilberto doente - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 15/12/11


Amigos de João Gilberto, que cancelou a turnê comemorativa de seus 80 anos, torcem para estarem errados. Mas temem que o gênio da MPB, pena, nunca mais se apresente nos palcos. João está doente e cada vez mais isolado. É somatório de problemas físicos e psicossomáticos — que vão da necessidade sempre adiada de uma cirurgia no ciático à reclamação de dores no braço, de gripes e da voz.

Segue...

Soma-se a profunda tristeza com a natimorta turnê. Deu tudo errado. O acordo para os shows havia sido feito por Cláudia Faissol, mãe da caçula de João. Foram afastadas pessoas próximas do artista, como Otávio Terceiro e Edinha Diniz, e até gente da família.

Para concluir...

Pouco conhecidos no eixo Rio-São Paulo, os empresários (OCP Comunicação e Maurício Pessoa Produções) não conseguiram patrocínio. Nem mesmo pela Lei Rouanet. A turnê de 2007, por exemplo, tinha apoio do Itaú. Finalmente, os preços dos ingressos (até R$ 1.400) afugentaram o público, já cético sobre a disposição de João de se apresentar.

No mais...

João não merece.

Mau agouro

Jorge Ferreira, o Jorjão do Feitiço Mineiro, de Brasília, ligou para saber do amigo Lula e contou ter feito um samba para Sócrates pouco antes de sua morte. “Tudo bem Jorjão”, reagiu Lula. “Mas, pelo amor de Deus, não faça samba para mim agora!”

Amor de Oscar
Oscar Niemeyer, que hoje faz 104 anos, é um apaixonado. Sua mulher, Vera Lúcia, fez plástica no rosto com o cirurgião José de Gervais. Feliz pelo sucesso da operação, o mestre desenhou para o doutor a gravura de uma mão que segura uma flor.

A REFORMA DO Maracanã abriu uma
vista inédita da Zona Norte do Rio para o Cristo Redentor. Repare nas fotos do coleguinha Custódio Coimbra, feitas ontem da Avenida Radial Oeste. No pé em que as obras estão agora, com as antigas arquibancadas do estádio vazadas pela demolição, o monumento, que é o principal cartão postal da cidade, pode, pelo menos temporariamente, ser admirado pelos cariocas que vivem na outra ponta do Túnel Rebouças

Faltam 910 dias
De olho na Copa de 14, o ministro Alexandre Padilha promoverá vacinação contra sarampo e rubéola para quem trabalha no setor de turismo, como a turma dos hotéis. Começa em 2013, ano da Copa das Confederações.

Polêmica LGBT

Luiz Mott, o antropólogo e ativista da causa gay, nega-se a participar da 2a- Conferência Nacional LGBT, hoje, em Brasília. Discorda da política da União e diz que “não será conivente com mais esta encenação bufa do atual governo e de seus sequazes, que se contentam com migalhas e vendem sua dignidade por um prato de lentilhas”.

Aliás...

Mott afirma que nunca antes na história deste país “tantos gays foram assassinados, espancados e morreram de Aids”.

Amigo do rei
O TRE-RJ exonerou o chefe da 245a- Zona Eleitoral de Campo Grande, Renato Martins, e abriu processo administrativo que pode resultar em sua demissão. O funcionário, professor de um cursinho para concursos, é acusado de dizer aos alunos ser “amigo íntimo” do presidente do TRE, Luiz Zveiter, de quem “poderia até receber informações privilegiadas sobre gabaritos”.

E mais...

A exoneração foi comunicada publicamente ao servidor, na sala de aula, pelo próprio Zveiter.

Retratos da vida

A 16a- Câmara Cível do Rio condenou a Maternidade Walter Franklin e um médico a indenizarem um casal e sua filha em R$ 51 mil por “abusos sexuais”. Segundo a ação, a mulher estava em trabalho de parto na clínica, em Três Rios, RJ, quando o médico plantonista “começou a acariciar sua genitália, suas nádegas, a alisar e elogiar seus seios, tentou introduzir o pênis ereto em sua boca e se masturbou até ejacular em seu rosto”. Meu Deus...

Poxa, madame

Ontem, uma madame alourada, de uns 30 anos, foi a um salão na Barra, no Rio, fez cabelo, unhas e... partiu sem pagar.
A dondoca acabou na 16a-DP.


Cena carioca
Sábado, numa sessão do infantil “O Gato de Botas” na sala 8 do UCI do New York City Center, na Barra, quando as luzes se acenderam no fim, um casal foi surpreendido quando a moça ainda estava, digamos, com a boca na... botija do rapaz.

Cobrança nada pink - MARCIA PELTIER

JORNAL DO COMMÉRCIO - 15/12/11
Aconselha-se à ministra Maria do Rosário ir preparada para ouvir fortes críticas da comunidade arco-íris na abertura, hoje, da 2ª Conferência Nacional LGBT, que acontece até domingo, em Brasília. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, dentre os principais pontos de cobrança estarão a criminalização da homofobia e a capacitação das polícias para que os crimes contra os gays não fiquem impunes.

Rio, paraíso gay

A maior queixa de todas será, sem dúvida, a falta de recursos para a implementação das políticas públicas do setor. “Enquanto o Rio reservou R$ 17 milhões este ano para essa finalidade, o governo federal está anunciando apenas R$ 1,1 milhão em 2012. Ou todos os gays se mudam para a cidade ou o governo repensa o orçamento nacional”, ameaça.

Solidariedade

O ex-ministro Marcílio Marques Moreira - que comemorou, semana passada, 80 anos com jantar elegante no Gávea Golf Club - avisou a seus ilustres amigos que não queria presentes, mas que aceitava doações que seriam repassadas para o Pro Criança Cardíaca. O somatório da verba arrecadada foi tão significativo que salvará a vida de duas crianças que estavam na fila de espera de uma cirurgia. Um ótimo presente neste fim de ano para os pequenos e suas respectivas famílias.

Templo do consumo

A tradicionalíssima loja de departamentos Bergdorf Goodman, dona de um dos mais importantes prédios da 5th Avenue em Nova York, está de olho nos brasileiros. Além de investir no treinamento dos funcionários, para que falem português, o departamento de beleza acaba de recomendar o Beauty Ultimate Repair Cream assinado pela clínica do dr. Ivo Pitanguy. O produto é um dos destaques da seção neste fim de ano. Já a estilista Martha Medeiros, famosa por criar vestidos glamorosos de renda feitos à mão, será a primeira brasileira a desfilar uma coleção no disputado salão Evening Wear. O evento está marcado para o dia 26 de fevereiro de 2012.

Em alta

Uma edição limitada de joias assinadas pelos irmãos Fernando e Humberto Campana será leiloada, hoje, na Sotheby's de Nova York. O conjunto de peças, intitulado Mosaico, foi feito em parceria com a joalheria H. Stern em ouro 18 quilates e adornado de diamantes. O lote com um colar, uma pulseira e um anel terá lance inicial de US$ 24 mil.

Roteiros vips

Inspetor para a América do Sul do prestigiado guia Condé Nast, Felipe Candiota lança segunda-feira, na Livraria Argumento do Leblon, Brazil Hotels, com uma seleta lista de 23 hotéis e pousadas brasileiros.Em versão bilíngue, inglês e português, a obra é recheada com mais de 360 fotos. Além de endereços em costas litorâneas, o autor relaciona locais ainda pouco desbravados, como a Pousada Reserva Ibitipoca, em Minas. A publicação chegará, em janeiro, à Europa e à América do Norte, pela Loft Editora.

Chanuká

George Israel, do Kid Abelha, está ensinando Toni Garrido a cantar o Hava Nagila e mais Yerushalayim Shel Zahav, canção que Roberto Carlos interpretou em hebraico no seu show em Jerusalém. É que os dois vão fazer o espetáculo de abertura, dia 20, às 19h30, num palco no calçadão da Praia de Copacabana, da Festa das Luzes da comunidade judaica. A dupla também vai cantar os grandes sucessos das suas carreiras na celebração, que faz parte do calendário oficial da cidade e terá a presença de Eduardo Paes.

Feliz centenário

A Morro da Mesa, produtora da Cachaça Montanhesa, preparou um produto especial para festejar os 104 anos de Oscar Niemeyer, comemorados hoje. A cachaça Tonel 8 terá como ícone, na garrafa, os traços do mestre retratando a Igreja da Pampulha. No rótulo, uma frase célebre de Niemeyer: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”. O arquiteto, que já foi apresentado a um exemplar da branquinha, prometeu experimentar a bebida.

Paixão na lata

A Arcor do Brasil aposta na paixão dos brasileiros pelo futebol para abocanhar fatias maiores do mercado de panetones no país, do qual detém participação de 4%. Para isso, pôs em campo a Triunfo, marca da empresa que obteve licença dos principais clubes paulistanos - Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Eles terão seus escudos estampados em latas de panetone de 500g no período de Natal e Ano Novo. A projeção de faturamento é de R$ 20 milhões, alta de 15% sobre 2010. Os times cariocas, por enquanto, estão de fora.

Na terra de Pagodinho

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, visita hoje à tarde o campus de laboratórios do Inmetro, em Xerém, para assinar um acordo de cooperação técnico-científica com o presidente João Jornada. O instituto negocia sua participação num grupo de trabalho que irá definir como serão realizadas as medições, no futuro, dos serviços de banda larga, que terá sua capacidade de transmissão aumentada. Em parceria com o Ministério das Comunicações, o Inmetro já realiza medições dos sistemas de radiodifusão digital com uma unidade móvel, que testa a qualidade do áudio digital.

Livre Acesso

Hoje acontece a VIII edição do Prêmio Innovare, que contempla as boas práticas ligadas à justiça, inclusão Social e combate ao crime organizado. A festa será na sala de sessões da primeira turma do STF, em Brasília.

Maria do Mar Guinle e Natália Warth lançam hoje, na Argumento do Leblon, O Importante é ter Status, uma crítica às relações nas redes sociais.

O Ateliê da Imagem promove, amanhã, exibição em loop do trabalho de fotógrafos do programa de mestrado da UFF, na exposição Futuro do Pretérito.

A peça infantil O Francês Voador encerra temporada do projeto Uma Viagem pelo Mundo na História no Museu Naval, na próxima segunda, às 14h com entrada franca.

A Ditta,conhecida pelas roupas de festa, lança, nesta quinta-feira, peças em renda, laise e paetê, especialmente para o Natal e o réveillon, na loja do Shopping da Gávea. As clientes serão recebidas com espumante e panetone.

Produtor do projeto Lê para Mim?, de incentivo à leitura infantil, o engenheiro Marcelo Aouila lança seu segundo livro para adultos. Cuidado com os Ovos! será autografado neste sábado, a partir das 16h, no Memphis Belle Café, em Botafogo.

A estilista Livia Lima convida para a venda especial de Natal, hoje, a partir das 16h, em seu ateliê, em Ipanema.

Municípios sem economia - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S. Paulo - 15/12/11


Municípios deveriam viver da renda gerada pela produção de bens e serviços para o mercado - artigos industriais, mercadorias agrícolas e serviços privados -, mas essa não é a regra em boa parte do Brasil. Para 1.968 municípios, 35,4% do total, a administração pública representou um terço ou mais do valor gerado por todas as atividades em 2009, segundo os últimos dados do censo municipal divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Administração, nesse caso, corresponde ao conjunto das ações do setor público, incluídos os serviços de educação e saúde e a seguridade. Em alguns casos, a participação desses itens na renda chegou a 70% ou 80%.

O estudo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios cobre o período de 2005 a 2009, iniciado num ano de intensa atividade econômica e encerrado num momento de recessão. Algumas alterações são facilmente previsíveis. A crise global de 2008-2009 afetou os preços dos produtos básicos e prejudicou o valor da produção de municípios dependentes do agronegócio e da mineração.

Por exemplo, a participação de Campos (RJ) no PIB nacional diminuiu de 1% em 2008 para 0,6% em 2009 por causa da desvalorização do petróleo. A de Vitória (ES) passou de 0,8% para 0,6% em consequência do barateamento do minério de ferro. Variações como essas, no entanto, são meramente conjunturais e têm pouco significado para a análise das tendências de longo prazo. Muito mais instrutivo é observar, por exemplo, a continuação das grandes desigualdades entre regiões ou Estados, apesar de alguma redistribuição de pesos num período de dez anos. A medida mais ampla de concentração pouco mudou.

Considerados os municípios de todo o Brasil, o índice de Gini passou de 0,87 em 2000 para 0,86 em 2005 e permaneceu nesse nível até 2009. Esse índice mede graus de concentração de qualquer tipo de variável (renda, propriedade, educação, etc.) e varia de 0 a 1. Quando mais próximo de 1, mais desigual a distribuição. O indicador pouco mudou entre regiões e também no interior de cada uma, talvez porque a redistribuição geográfica das atividades tenha sido menos intensa que nas duas décadas anteriores, mas isso é só uma hipótese.

A maior parte da análise concentra-se na comparação dos dados de 2008 e 2009, mas, apesar disso, é possível ter uma boa ideia da persistência da pobreza e do baixo nível de atividade produtiva em boa parte do território nacional. Em 2009, a renda per capita de metade dos municípios foi inferior à mediana do País, de R$ 8.395. Sessenta por cento dos municípios do Norte enquadraram-se nessa categoria. No Nordeste, a proporção chegou a 93%. Ficou em 37% no Sudeste (11% em São Paulo), 10% no Sul e 23% no Centro-Oeste.

A maior concentração de municípios com economia mais dependente da administração pública estava, naturalmente, nas áreas mais pobres. Na Região Norte, eram 57,9%. Na Região Nordeste, 76,3%. Quando a administração pública gera mais de um terço do PIB de um município, é fácil imaginar de onde vem a receita fiscal: a maior parte deve provir de transferências federais ou estaduais, não só por causa do baixo valor gerado pelas atividades privadas, mas também porque o esforço local de arrecadação deve ser muito frouxo.

Mesmo em algumas capitais a participação do valor bruto da administração, saúde e educação no PIB municipal é muito alta. Em Brasília, correspondeu a 49%, em 2009, mas isso é compreensível, no caso de uma cidade construída só para ser capital. Em várias grandes cidades do Norte e do Nordeste essa participação ficou entre 14% e 40%. Em São Paulo, não passou de 6,2%.

O peso da administração pública na economia brasileira tem crescido há mais de uma década, como assinala o IBGE. Mas há nesse cálculo uma distorção. Boa parte desse aumento decorre muito mais do encarecimento de um setor público ineficiente, balofo e dispendioso do que de uma expansão efetiva dos serviços. Os municípios mais dependentes da administração pública não são apenas pobres. São vítimas de uma ação governamental de baixa qualidade.

Mais consumo, menos PIB - CELSO MING


O Estado de S. Paulo - 15/12/11


Há algumas coisas esquisitas acontecendo na economia brasileira.

O consumo vem crescendo mais do que a produção e isso é ruim porque não é sustentável – como advertiu nesta quarta-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidida pelo empresário Robson de Andrade (foto). E, no entanto, o Brasil vive uma fase de pleno emprego. Falta mão de obra para quase tudo: de engenheiros a pedreiros; de executivos de primeira linha a empregadas domésticas.

O ambiente é de franca retração da produção – como ficou demonstrado nesta quarta pelo IBC-Br, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central. No entanto, a inflação ainda é alta demais, acima de qualquer padrão internacional.

A poupança nacional continua contraída e, por isso, o investimento segue insuficiente, mal chega a 20% do PIB. Enquanto isso, a demanda, que cresce perto de 5% neste ano, tem de ser suprida cada vez mais pelas importações.

O problema de fundo não é o real valorizado demais – como insistem os dirigentes da CNI e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). É a baixa competitividade do setor produtivo brasileiro que, em grande parte, é determinada pelo excessivo custo Brasil: carga tributária superelevada, juros altos, infraestrutura cara, Justiça lenta e confusa, baixa qualidade da mão de obra e por aí vai.

A indústria já está tão dependente de fornecimento externo de matérias-primas, componentes, conjuntos e capitais que forte desvalorização da moeda elevaria ainda mais seus custos – o que, por sua vez, reduziria ainda mais sua competitividade. Por outro lado, uma das mais importantes razões pelas quais os juros são altos no Brasil são os financiamentos subsidiados, cuja principal beneficiária é a indústria.

Um câmbio artificialmente desvalorizado e juros artificialmente baixos tentariam compensar a falta de competitividade do setor produtivo sem solucionar a questão principal.

Os empresários reclamam por mudanças de rumo, mas também não têm proposta e acabam se contentando com favores temporários e discriminatórios. Ao primeiro encalhe de mercadoria, o setor de veículos, por exemplo, mobiliza seus lobbies para obtenção de favores fiscais, como redução do IPI e proteção comercial. São providências que antecipam vendas e desembocam em saturação da demanda, como acontece agora.

O Brasil precisa de mais poupança e de mais investimento para garantir avanços econômicos. Para viabilizá-los, são necessárias reformas – cujos projetos estão encalhados em Brasília. Por mais paradoxal que pareça, elas não comparecem mais nas listas de prioridade dos dirigentes de empresas.

Não deixa de ter razão a CNI quando afirma que é preciso "mudar o padrão de expansão doméstico e eleger o investimento – e não o consumo – como a alavanca do crescimento". Mas isso exigiria forte formação de poupança e, portanto, adiamento do consumo. Se é por aí, então é preciso aguentar também longos períodos de retração das vendas. Os empresários aceitariam isso?

CONFIRA

No gráfico, a evolução do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) até outubro.

Racha entre poder e política. Para um dos maiores pensadores da atualidade, o filósofo Zigmunt Bauman, os políticos perderam o braço executor. "Antes, o poder e a política residiam no Estado-nação. Podia haver contradições, debates e posições contrapostas, mas uma vez tomada uma decisão, o Estado-nação o faria. Nada disso acontece agora." Para Bauman, ruíram dois pilares da sociedade: a solidariedade e a confiança. (Nesta quarta-feira, no El País.)

Home, sweet - SONIA RACY

O ESTADÃO - 15/12/11

Quem quiser poderá comprar um apartamento na futura Vila Olímpica, no Rio, antes de 2016. E com desconto. Só que, para ocupá-lo, terá de esperar o fim do evento.
Pelo menos é essa a intenção da Ilha Pura, escolhida para construir o complexo. A empresa, recém-constituída, é fruto de parceria Odebrecht/ Carvalho Hosken – gigante proprietária de terrenos e imóveis na Barra da Tijuca. Em estágio avançado, o projeto conta com contrapartida da prefeitura carioca para fornecimento da infraestrutura necessária.
A Vila abrigará 17,5 mil atletas.

Maré vazante
Estão à venda duas empresas concorrentes: Tok&Stok e Etna. Coincidência?

Rebanho
Ratinho anunciou, em seu programa, que vai apoiar Andrea Matarazzo caso ele saia candidato. Já José Aníbal está herdando militantes históricos da base do partido. Tripoli vem recebendo apoio de ambientalistas e filiados. E Bruno Covas tem Alckmin.

Virgindade
Marta Suplicy provocou gargalhadas, anteontem, ao retrucarMarcelo Crivella no Senado. Tema? Alei que garante vacinação gratuita contra o HPV emmulheres dos 9 aos 40 anos. Marta defendia prioridade a meninas de até 13 anos, antes da vida sexual, quando Crivellaperguntou: “Mas e as virgens de 30 anos, como ficam?”
A senadora devolveu: “Continuarão virgens, Crivella”.

Luluzinha
Em momento Luluzinha, na mesma terça, à noite, Marta jantou com cinco ministras de Dilma e senadoras. Entre uma garfada e outra no bacalhau, o grupo pediu à petista para organizar outro jantar, semana que vem, em solidariedade a Rosa Weber.
A nova ministra do Supremo foi muito pressionada no Senado. “Não fariam isso com um homem”, reclamou Marta.

Ídolo
O pai de Neymar teve dia de rei do futebol, ontem, em Nagoya. Ao adentrar no hotel onde está a delegação do Santos, foi cercado por torcedore s. Tirou ao menos trinta fotos.

Gato
Em entrevista ao site da Fifa, Nelsinho Baptista, técnico do derrotado Kashiwa, disse se lembrar muito bem dos tempos em que jogava no São Paulo ao lado de Muricy Rama-lho: “Eutinha 20 anos; ele, 18”.
Difícil... nascido em 1950, Baptista é cinco anos mais velho do que o treinador do Santos.

De peso
Acontece hoje, em Brasília, a entrega do Prêmio Inovare, criado pelo Ministério da Justiça. Em sua oitava edição, elege os melhores juiz, promotor público e advogado, entre outros.
Ganham o quê? R$ 50 mil cada.

Pelos ares
Em segredo, Miguel Falabella planeja final ousado para Xanadu, musical que estreia em janeiro no Rio. Quer que Danielle Winits, na pele de Kira, deusa da dança,voe sobre a plateia montada em um cavalo alado.
Acena não existe nem na montagem da Broadway.

Ler e escrever
Carlo Collodi, criador de Pinóquio, recebe dupla homenagem. ACosac Naify lança edição limitada de seu mais célebre livro, com tradução de Ivo Barroso; e a Montblanc, canetas inspiradas em sua obra.
Hoje, no Shopping Cidade Jardim.

Como me sinto
Enquanto o circo pega fogo em torno darenovação de seucontrato com o Corinthians, Tite está visitando o filho nos EUA. Anteontem, foi conhecer um estádio de futebol americano no Tennessee. Posicionou-se atrás do banco de reservas e aproveitouo localvazio para dar uma de torcedor.
Começou axingar o técnico imaginário: “Buuuuurro! Troca esse jogadooooor”.
Só para relaxar...

Fio por fio
Martha Medeiros comemora. Fechou contrato para vender na tradicional Bergdorf Goodman, em Nova York, E dobrou sua loja nos Jardins. A estilista, que trabalha com rendeiras em Alagoas, conversou, anteontem, com a coluna.

Como foi o convite para entrar nos EUA? Está preparada para ver seus vestidos nos tapetes vermelhos?
É um sonho, né? Quando a Bergdorf Goodman quis conhecer meu trabalho, fiquei muito feliz. Montei direitinho minha apresentação. Até ensaiei. Eles amaram.

Acha que a renda brasileira

Na frente
Anteontem, na reunião do Conpresp que formalizaria o tombamento de Congonhas, faltou o... relator. Pela votação, o aeroporto se tornará, sim, patrimônio paulistano. Assim que for assinado o documento oficial.

Júlio Medaglia rege a Filarmônica Vera Cruz em concerto de encerramento das atividades do ano da Academia Paulista de Letras. Hoje, na APL. Gratuito.

Neto autografa sua biografia, Eterno Xodó. Hoje, em lounge do Shopping Frei Caneca.

José Carlos Grubisich recebe a medalha Légion d’Honneur das mãos de François Fillon, primeiro ministro francês. Hoje, em Brasília.

Torcedores do Santos, em Nagoya, comemoraram a vitória ontem, cantando: “Barcelona, pode esperar, a sua hora vai chegar.” Otimistas?
está sendo mais valorizada? Principalmente entre as clientes mais viajadas. Sabem o valor de um trabalho feito a mão. A renda demora cerca de um ano para ficar pronta, e um vestido envolve o trabalho de trinta rendeiras. Acredito que, cada vez mais, as pessoas não procuram só o produto, compram expertise. E minha roupa reflete esse tempo.

Suas peças são caras, consideradas de luxo. De que maneira isso retorna para as rendeiras? Volta totalmente. Triplicamos o valor pago às rendeiras. Começamos trabalhando com 80 e hoje temos 300 mulheres. Sabem o que produzem, e vender é uma oportunidade de futuro para elas.

Renda não sai de moda?
Nunca. Porque representa feminilidade e sofisticação. A renda nasceu para cobrir princesas.

Por que a decisão de crescer a loja? Houve aumento na procura por vestidos?
Vim de Maceió, fui bem recebida em SP. Minhas clientes me cobravam um mix maior de produtos, como sandálias de renda, blusas... Aumentei nosso espaço para oferecer essa nova gama.