terça-feira, novembro 01, 2011

VLADIMIR SAFATLE - Abaixo da lei


Abaixo da lei
VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SP - 01/10/11

"Ninguém está acima da lei." Com esta frase, o governador Geraldo Alckmin procurou justificar o fato de, mais uma vez, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP ser alvo de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral lançadas pela Polícia Militar.
No entanto talvez fosse o caso de dizer que ninguém deveria ser tratado dessa forma pela lei. Um delito menor, como o porte de um cigarro de maconha, não justifica a presença de um batalhão da PM em ambiente escolar.
Trata-se de um delito que nem sequer é considerado como tal em vários países europeus e que vem sendo objeto de discussões sobre sua descriminalização por parte de pessoas insuspeitas de agirem em favor do tráfico internacional, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Não se trata aqui de fazer apologia às drogas. O ambiente universitário não é um território livre e não deve ser espaço para alunos fazerem uso de maconha, mas a abordagem para problemas dessa natureza vista na quinta está longe de ser a adequada. Mais uma vez, a PM demonstra sua total inaptidão para mediar conflitos sociais e manifestações estudantis. Estudantes saíram, mais uma vez, feridos.
Mas abaixo desse uso da PM há outro problema. A atual reitoria tem dificuldades de dialogar com todos os setores da comunidade acadêmica. Ela deveria lembrar que foi escolhida à revelia da maioria, já que a nomeação do atual reitor foi obra do ex-governador José Serra que, pela primeira vez desde Paulo Maluf, resolveu escolher o segundo colocado em uma lista tríplice.
Esperava-se que, devido a esse deficit de legitimidade, a atual reitoria demonstrasse mais habilidade na criação de consenso. Não foi isso o que aconteceu. Vários setores da universidade alertaram para o caráter delicado da presença da PM no campus. Mas nenhum desses setores foi convidado a discutir com a reitoria seus pontos de vista.
A PM se justifica se for o caso de coibir crimes como o assassinato de um estudante, há alguns meses.
Mas ela não está lá para correr atrás de aluno com cigarro de maconha ou para mostrar aos estudantes que a corporação não aceita provocações. Há maneiras mais inteligentes de resolver problemas banais como esse.
A tal episódio somam-se problemas como a querela da reitoria com a Faculdade de Direito, a construção de um monumento aos perseguidos pela "revolução" de 1964, entre outros.
A USP precisa de pessoas capazes de desativar problemas e conflitos, e não de acirrá-los. A FFLCH, que deu ao país intelectuais do porte de Sérgio Buarque de Holanda, Milton Santos, Bento Prado Jr., Florestan Fernandes e Antonio Candido, merece mais cuidado.

GOSTOSA


EDITORIAL O GLOBO - O perigoso crescimento das milícias


O perigoso crescimento das milícias
EDITORIAL 
O GLOBO - 01/11/11

Numa infernal inversão de valores, servidores públicos pagos para garantir a segurança da população chefiam grupos paramilitares armados que extorquem dinheiro do povo em troca de serviços e se envolvem em assassinatos. Reportagem do GLOBO domingo mostrou que as chamadas milícias, frequentadoras assíduas das páginas policiais da imprensa carioca, atuam em pelo menos 11 estados brasileiros. Como no Rio, frequentemente há conluio de políticos com esses grupos, que multiplicam seus ganhos com ações espúrias.

Há também o caso de políticos que, por tentarem investigar a atuação das milícias, acabam em sua alça de mira. No Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias, concluída em 2008, tem recebido ameaças. A maioria das 225 pessoas denunciadas e indiciadas pelo Ministério Público, entre elas deputados e vereadores, está presa.

A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, do CNJ, alertou que as milícias estão por trás da maioria dos casos de violência contra magistrados brasileiros. Em agosto, a juíza Patrícia Acioli, da 4a- Vara Criminal de São Gonçalo, RJ, foi executada por homens armados quando chegava em casa, em Niterói. Patrícia investigava crimes cometidos por policiais em São Gonçalo e atividades da máfia das vans. A Justiça decretou a prisão de 11 policiais militares envolvidos na execução da juíza, inclusive o tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7o- Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo) e apontado como mandante do crime.

Além do Rio de Janeiro, as milícias estão organizadas em São Paulo, Minas, Bahia, Espírito Santo, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Pará, conforme a reportagem. Sua atuação é majoritariamente urbana, mas também agem no meio rural, contratadas por grileiros e fazendeiros, como no Pará e em Mato Grosso do Sul. Nas áreas urbanas, geralmente oferecem às comunidades proteção contra traficantes e bandidos, dos quais se livram sumariamente, usando homens, tempo, métodos e armas do poder público. Em seguida, tornam-se eles mesmos um perigo para a sociedade, passando a ameaçar todos os que não aceitam suas “regras” para receber “serviços” como forneci mento de gás, acesso à internet, etc.

O combate às milícias é uma das prioridades da Secretaria de Segurança do Estado do Rio. Esta também tem de ser a postura das secretarias dos demais estados brasileiros, com destaque para os outros dez onde os paramilitares comprovadamente já atuam. O problema não é de fácil solução, uma vez que viceja na banda podre das polícias e se ramifica nos descaminhos dos Legislativos estaduais. O combate a essa praga nacional exige a atuação decisiva do Poder Executivo federal em ajuda às autoridades dos estados para estancar e fazer retroceder a infiltração desses marginais nos aparelhos policiais. A existência das milícias é duplamente cruel para com cidadãos dos quais se cobram impostos elevados para receber serviços do Estado e que, se não pagarem também essa outra “tarifa”, podem sofrer o impensável nas mãos de quem deveria protegê-los.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Dupla dinâmica
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 01/11/11

A passagem de Eduardo Campos e Gilberto Kassab por Brasília, ontem, pode vir a tirar o sono do PMDB. Segundo articuladores do PSB do governador e do PSD do prefeito, os dois partidos negociam o lançamento de candidato à presidência da Câmara em 2013. Uma das opções é Márcio França (PSB), deputado licenciado e secretário de Esportes do governo paulista.

Se concretizada, a operação comprometeria as pretensões de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que acredita ter o cargo praticamente assegurado, inclusive com o apoio de Campos. "Eu garanto que ele está fora disso. Nós já tricotamos juntos", diz o peemedebista.

Afiançado Ao fim da cerimônia de posse no Esporte, Michel Temer levou Gilberto Kassab até Dilma. O prefeito queria garantir diretamente que a presidente pode contar com os votos do PSD para prorrogar a DRU (Desvinculação de Receitas da União).

Da vida Lula foi ao Sírio-Libanês, na sexta, para levar a mulher, Marisa, que sentia forte dor de cabeça. Só lá ele foi estimulado pelos médicos a também fazer exames.

Elipse Na extensa nominata de autoridades presentes à posse de Aldo Rebelo (PC do B), Dilma citou ministros, parlamentares, atletas e presidentes de clubes. E nada de Ricardo Teixeira (CBF).

Amistoso De Aldo para Teixeira, nos cumprimentos: "Conte comigo. Estou aqui para ajudar no que estiver ao meu alcance".

Soberana Os envolvidos na tramitação da Lei Geral da Copa entenderam o recado de Dilma: "Estou certa de que o novo ministro saberá empreender, realizar e, quando for o caso, negociar a busca de soluções em que todos ganhem, (...) sem que a ninguém seja imposto abdicar de princípios e de direitos legais em vigor no país".

Saiu por quê? A transmissão de cargo no Ministério do Esporte foi tão pródiga em elogios ao demissionário Orlando Silva que Aldo brincou: "Nossa, quero fazer uma gestão tão boa quanto a sua!".

Croisette Em Cannes, onde chega hoje para a cúpula do G20, quinta e sexta, Dilma ficará no imponente hotel Carlton, o mesmo onde se hospedará Barack Obama.

Sem fundo O deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM) apresenta hoje requerimento de informação na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara solicitando à Polícia Federal documentos da investigação do socorro ao banco PanAmericano, que quebrou em novembro de 2010 e produziu rombo superior a R$ 4 bi.

Sem parar O sistema de pedagiamento da rodovia dos Tamoios, principal acesso ao litoral norte paulista, ainda suscita dúvidas no governo Alckmin. Estudos preliminares indicam que a estrada, uma vez duplicada, poderá testar o "free-flow" (cobrança por km rodado).

Sem saída O desafio é a proliferação de condomínios às margens da Tamoios. Eles não poderão ter acesso direto à pista, sob pena de inviabilizar o novo método de arrecadação, considerado mais justo pela Dersa, porém restrito a vias expressas.

Viveiro Com Alckmin, Serra e Aloysio Nunes, o PSDB-SP exibe a partir de amanhã sua nova rodada de inserções de televisão. O governador tratará de ensino técnico. O ex, de saúde e escândalos na administração federal. O senador, que havia reclamado publicamente por não ter aparecido na leva anterior de comerciais do partido, falará de reforma política.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"Fernando Haddad já foi apresentado ao PT. Agora precisa ser devidamente apresentado à cidade de São Paulo."
DE ALEXANDRE SCHNEIDER (PSD), SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, sobre o fato de o ministro ter cumprimentado os moradores do "Itaim Bibi", bairro de classe média alta, quando na verdade estava no Itaim Paulista, na periferia leste, em caravana petista realizada no sábado passado como parte da programação para levar os pré-candidatos às bases do partido.

contraponto
Está firme?

Uma vez empossado como novo ministro do Esporte, em substituição a Orlando Silva, Aldo Rebelo recebia cumprimentos ontem à tarde, no Palácio do Planalto, quando de repente avistou na longa fila os deputados petistas José Mentor (SP) e Jilmar Tatto (SP). Rebelo resolveu brincar com Tatto, para gargalhada dos colegas:
-Quer dizer que agora eu posso contar com você?
Era referência à recente disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União, na qual Tatto apoiou Ana Arraes, vitoriosa, em prejuízo de Aldo. O petista sorriu.

DORA KRAMER - Menos é muito mais



Menos é muito mais
DORA KRAMER 
O Estado de S.Paulo

Doença é assunto delicado nem sempre abordado com a devida delicadeza quando se trata de pessoas públicas.

A imprensa, no cumprimento da tarefa de informar, de quando em vez resvala pelo perigoso terreno da morbidez, embora esse não seja o aspecto mais desconfortável de situações como a que agora diz respeito ao câncer na laringe diagnosticado no ex-presidente Luiz Inácio da Silva.

Não falemos do que andou no fim de semana pela internet (Twitter, blogs, Facebook etc.), porque aí falaríamos mesmo é da natureza humana e sua sordidez em expansão num ambiente em que tudo é permitido muitas vezes sob a égide do anonimato.

Assim como ocorreu quando a então ministra da Casa Civil e pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff descobriu que estava com câncer linfático, agora com Lula o pior são as ilações de caráter político.

Eivadas de precipitação, há inadequações para todos os gostos: por parte daqueles que professam o credo lulista e também dos que não reconhecem em Lula o santo de sua maior devoção.

Entre os primeiros, busca-se santificar. No segundo grupo manifesta-se uma tendência de mal disfarçado regozijo. Ambas as correntes preocupam-se menos com a situação do doente, cujo momento requer respeito e sobriedade, e mais com o proveito que possam tirar da situação.

Com Dilma, o grupo que se preparava para sustentar sua candidatura chegou a ensaiar a construção da sacralização de um misto de vítima e combatente.

Na seara adversária fizeram-se prognósticos terríveis, dando por extinta a candidatura.

A respeito de Lula também se fazem suposições tão açodadas quanto. Segundo alguns autores, a descoberta do câncer vai alterar o cenário eleitoral de 2012, pois o principal agente mobilizador do eleitorado estaria fora de combate.

De outro lado, dos correligionários, há uma evidente tentativa de tirar proveito político da solidariedade. Dificuldades pessoais não se prestam a estratégias, inclusive porque há o imponderável.

Até onde se sabe pelas informações dos médicos, o tumor na laringe é dos mais curáveis, foi descoberto no início e está localizado. O ex-presidente começou ontem um tratamento quimioterápico previsto para durar de três a quatro meses.

Tudo saindo conforme o previsto - e nada há no cenário exposto que faça supor o contrário - no primeiro trimestre de 2012 estará de volta às lides da política. O resto é precipitação.

O episódio é importante. Requer compostura e, na medida do possível, um arquivamento temporário das paixões.

Marcelo Freixo. De caráter diverso - embora também causador de apreensão - é o caso do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), que decidiu levar a família para fora do País por um tempo devido às ameaças de morte que vem recebendo por parte das milícias no Rio.

Milícias são grupos de policiais e ex-policiais que, a pretexto de combater a criminalidade, tomam o lugar dos bandidos tradicionais e passam a dominar uma comunidade controlando todos os serviços na base do terror.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, "são bandidos duas vezes".

Pois bem, Marcelo Freixo comandou em 2008 uma CPI das Milícias na Assembleia Legislativa, cujas investigações resultaram em mais de 500 prisões. Inspirou, por seu trabalho, personagem do filme Tropa de Elite-2.

E também por seu trabalho chegou ultimamente a receber sete ameaças de morte por mês. Numa cidade em que uma juíza (Patrícia Acioly) foi assassinada a mando de um então integrante da cúpula da polícia, não é um fato irrelevante.

Freixo decidiu então, a convite da Anistia Internacional, sair por um período do Brasil, a fim de aliviar a tensão familiar. Mais que compreensível.

Exceto para aqueles que fazem ilações político-eleitorais buscando dar à decisão do deputado o caráter de um golpe publicitário para impulsionar sua candidatura à Prefeitura do Rio.

Coisa de quem, a pretexto de "entender tudo", mostra que não entende nada de um problema que não é particular. É público.

ANTONIO DELFIM NETTO - Depois de um trilhão de dólares


Depois de um trilhão de dólares
ANTONIO DELFIM NETTO
VALOR ECONÔMICO - 01/11/11

A crise que o mundo está vivendo tem aspectos paradoxais. Presta-se a múltiplas interpretações, cada uma delas colocando, segundo o viés ideológico do analista, seu foco sobre os diferentes aspectos em que ela se revela. Os economistas do "mainstream" estão na defensiva por terem demonstrado "matematicamente" (e até conseguido prêmios Nobel) que os mercados (em particular o financeiro) eram eficientes e autoadministráveis. Dispensavam, portanto, a "mão visível" do governo.

Os economistas com viés marxista não deram um passo além da constatação do velho Karl: os mercados financeiros são essencialmente instáveis. Pela centésima vez proclamam o rápido fim do capitalismo, como se ele fosse uma coisa e não um processo histórico com as "contradições" que o dinamizam e o civilizam lentamente pelo sufrágio universal.

Os economistas com viés keynesiano hidráulico (incorporado ao "mainstream") assistiram ao irremediável fracasso dos seus "multiplicadores". Mecanizaram as sofisticadas considerações psicológicas do papel das expectativas e a inevitabilidade da incerteza sobre o futuro opaco. Essas continuaram a ser cultivadas apenas por um pequeno grupo, expulso da profissão como "heterodoxo".

Os economistas do "mainstream" foram, no máximo, apenas coadjuvantes da crise. Quatro anos depois de instalada, é evidente que sua "causa eficiente" foi a rendição dos governos à pressão econômica do único poder universal emergente: os mercados financeiros! Apenas teorizaram "a posteriori" a luta entre o poder incumbente e o mercado financeiro, que queria livrar-se do controle que lhe fora imposto nos anos 30 do século passado (exatamente por ter causado a crise de 1929).

Deram-lhe um suposto apoio científico. Papel coadjuvante, mas importante para a aceitação, pela sociedade desprevenida, da ideologia (vendida como ciência) que a desabrida liberdade das "inovações" do mercado financeiro e sua internacionalização eram fatores decisivos para o aumento da produtividade da economia real e para o desenvolvimento econômico dos países.

Hoje, os americanos parecem ter clara consciência de quem é a "culpa" pela tragédia que estão vivendo. Um levantamento da Gallup (15/16 outubro) mostrou que 2/3 das pessoas consultadas a atribuem ao governo federal e 1/3 às instituições financeiras. Mas o fato ainda mais grave (e que coloca em risco a reeleição do presidente Obama) é que a "qualidade" do programa posto em prática pelo governo de Washington para enfrentar a crise é considerada lamentável: mais de um US$ 1 trilhão de estímulos e quase quatro anos depois, o crescimento é pífio e o desemprego altíssimo. O verdadeiro conhecimento empírico e teórico da economia poderia ter sido melhor utilizado na formulação do programa, como mostraram em interessante artigo J.F.Cogan e J.B.Taylor ("Where Did the Stimulus Go?").

O US$ 1 trilhão de estímulo foi dividido em três programas de inspiração keynesiana-hidráulica: 1) colocar dinheiro diretamente nas mãos dos cidadãos (cheques do Tesouro) para que eles o gastassem em consumo (US$ 152 bilhões); 2) disponibilizar recursos para compras governamentais e infraestrutura (US$ 862 bilhões); e 3) transferir verba para Estados e governos locais, na esperança que ampliassem seus gastos com bens e serviços (US$ 173 bilhões).

Como se deveria esperar, em razão de experiências anteriores e desenvolvimentos teóricos, eles não produziram qualquer efeito "multiplicativo" importante, ao contrário do que haviam previsto os assessores econômicos de Bush e Obama.

A ineficiência do primeiro estímulo é consequência das pesquisas de Milton Friedman e Franco Modigliani, que mostraram que o consumo está ligado à renda "permanente" e não a um estímulo ocasional, frequentemente utilizado para "diminuir as dívidas" dos agentes, que foi o que aconteceu.

Quanto ao segundo, devido às dificuldades operacionais que sempre acompanham aumentos inusitados de disponibilidade de recursos no serviço público (a falta de bons projetos e a indisposição da burocracia, elementos amplamente conhecidos e empiricamente constatados), não se gastou até o terceiro trimestre de 2010 mais do que 5% do estimado!

Quanto aos estímulos transferidos para Estados e governos locais, eles tiveram o mesmo destino dos enviados diretamente aos consumidores: foram basicamente utilizados na redução de dívidas. De fato, dos US$ 173 bilhões transferidos, 4/5 foram utilizados no pagamento de dívidas acumuladas, o que praticamente anulou o efeito físico do "multiplicador". Aqui, também, já havia evidência empírica (Ned Gramlich, 1979) mostrando a ineficiência desse tipo de programa.

Esses fatos mostram o quanto de "ilusão" estatística está envolvida no cálculo descuidado e ingênuo dos "multiplicadores" ditos "keynesianos", quando se esquece o próprio Keynes. Se na prevenção da crise e na sua construção podemos criticar o "mainstream", parece que lhe devemos um crédito na crítica do horrível projeto de recuperação de inspiração do "keynesianismo-hidráulico" que desperdiçou US$ 1 trilhão...

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

VINICIUS TORRES FREIRE - Retração com empregos


Retração com empregos
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 01/11/11

Ritmo do PIB cai à metade do que era em 2010, mas emprego formal e taxa de desemprego ainda vão bem

QUANDO SE fantasiava o fim rápido da crise americana, falava-se em "jobless recovery", recuperação sem empregos. A economia sairia do pântano, mas muito trabalhador permaneceria no lodo do desemprego. Ficou evidente mais tarde que nem de recuperação se tratava.

Será possível que ocorra no Brasil o fenômeno também algo fantástico da retração sem desemprego?

De costume, o nível de emprego costuma reagir de modo retardado a altas e a baixas da economia.

Quando o crescimento arrancava sob Lula, em meados de 2007, o desemprego andava ainda em 10%; hoje, está em 6%. Mas o que interessa não é bem essa comparação.

Considere-se o saldo de empregos com carteira assinada. Sobe mais devagar neste final de ano em que o PIB (Produto Interno Bruto) terá avançado a 3,5%, no máximo, menos da metade de 2010.

Mas o emprego formal nos últimos 12 meses cresceu 5,71%, ante o decerto rápido ritmo de 7,88% em 2010, mas quase no mesmo andamento dos 5,65% de 2008. O número é ainda melhor quando se lembra que a base de comparação é alta: que foi bom o passo de criação de empregos formais sob Lula.

Quando se trata da construção civil, um canteiro histórico de precariedade do trabalho, o avanço foi ainda mais rápido, mais de 13% ao ano de 2005 a 2010, ante 6% da média brasileira nesse período; ou de quase 16% no acelerado 2010.

Nos últimos 12 meses, porém, o ritmo caiu: para ainda 9%. E daí?

Um relatório divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Sondagem de Indústria da Construção, registra queixas e algum pessimismo do empresariado do setor.

Houve queda na atividade e recuo no número de empregados, em particular em infraestrutura. Passou o ano eleitoral; o governo federal está gastando menos.

No entanto, qual é ainda o principal problema enfrentado pelos empresários? "Falta de trabalhador qualificado."

Para 48,8% das grandes empresas, esse é o principal problema (queixa ainda maior para as pequenas e médias). A preocupação era maior (68,1% no trimestre anterior), mas ainda é líder.

"Falta de demanda" é a quinta queixa das empresas grandes, com citações em 19,5% dos casos.

Segundo levantamento da CNI, os pagamentos do governo federal na área de infraestrutura correspondem a 40% do previsto até agora (incluídos restos a pagar).

Relatório de ontem de economistas do Itaú diz que as despesas do governo federal cresceram 3,1% em termos reais, neste ano, um terço do ritmo de 2010, mais ou menos. Onde se fez mais força para dar conta do "ajuste"? Nas despesas de capital, de investimento, que caíram até agora 27% ante 2010.

Não é provável que em 2012 o governo federal segure investimentos como agora; prefeitos e governadores também devem voltar a gastar. É razoável esperar mais desaceleração no emprego da construção?

Por ora, o setor que pisa mais rápido no freio do emprego formal é o comércio, que pode ter o pior ano em uma década, no entanto com alta ainda de uns 3% no estoque de emprego formal.

Mas, tanto no que interessa à política eleitoral como à inflação, essa desaceleração é relevante?

JOSÉ PAULO KUPFER - Palmas com uma só mão


Palmas com uma só mão
JOSÉ PAULO KUPFER 
O Estado de S.Paulo - 01/11/11

A definição, depois de longamente adiada, de um calote de 50% da dívida grega com o setor privado produziu um efeito curioso: uma espécie de inversão da conhecidíssima regra do bode na sala. Depois de retirado o bode, o alívio previsto na teoria não durou mais que 24 horas. E o que apareceu na sala foi a convicção de que são muito mais complexos - e de solução idem - os reais problemas da economia europeia.

Compreender o drama econômico em que se debate a zona do euro - com repercussões óbvias para a economia global - exige, em primeiro lugar, separar as coisas. Não se devem misturar as possíveis soluções para o problema emergencial das dívidas soberanas de alguns países com as medidas capazes de atender às necessidades de ajuste estrutural de toda a economia na União Europeia.

Confusões de enfoque e mistura nas soluções, no entanto, é o que não faltam. Entre lidar, de um lado, com o estoque de dívidas e, de outro, com os fluxos de produção capazes de evitar ainda mais sua expansão, as lideranças europeias, respaldadas em conceitos econômicos convencionais, ainda insistem num caminho com menores probabilidades de êxito.

Demorou, mas enfim passou o tempo em que se pretendia que as economias endividadas da zona do euro resolvessem seus problemas por conta própria, a partir de programas de austeridade fiscal. Tudo o que vinha sendo tentado nesse sentido só resultou em mais problemas econômicos e em perigosíssimo aumento de tensões políticas.

O acordo a que agora se chegou quanto à necessidade de financiar uma reestruturação dos estoques de dívida configura, finalmente, um passo à frente. Mas, diante das hesitações remanescentes, em relação às medidas necessárias para restabelecer os fluxos de produção, o crescimento da economia e o emprego, ainda é um passo no escuro.

Estabeleceu-se, depois de tudo o que antes foi tentado sem sucesso, amplo consenso de que reestruturar dívidas insolúveis, financiar déficits fiscais excessivos e prover recursos para capitalizar bancos afetados pelos créditos riscados era o melhor que a UE deveria fazer - para ela e para a economia mundial.

Houve consenso também de que a missão deveria ser sustentada por um fundo comum devidamente capitalizado para suportar demandas ilimitadas, ainda que temporárias, de recursos. Mas como prover esse fundo do montante requerido para fazer frente à tarefa que lhe foi designada ainda é mais um entre tantos pontos de interrogação.

Reduzir as dívidas a níveis administráveis, controlar os impactos da desalavancagem e financiar déficits fiscais acumulados - conter, enfim, os estoques empilhados no passado - é, apesar de tantas dificuldades, a parte "fácil" da solução do problema. "Fácil" porque significa atacar sintomas - consequências de falhas no funcionamento da economia não detectadas ou, pelo menos, não evitadas a tempo.

A variedade de diagnósticos e soluções oferecidas já mostra que enfrentar as causas estruturais do problema exigirá esforços muito maiores. Essas causas apontam para problemas fiscais ou de balanço de pagamentos? Medidas de austeridade serão capazes de recuperar a confiança de consumidores e investidores ou apenas acentuarão os desequilíbrios? Os custos de manter a união monetária são maiores ou menores do que os de aprofundar a integração regional, incluindo caminhar para um Tesouro comum?

É justo considerar que não se trata de escolhas triviais. Primeiro porque, provavelmente, o melhor caminho indicaria uma mescla de alternativas. Depois - e mais importante - porque o ajuste das economias enfermas da zona do euro não poderá ser bem-sucedido apenas com medidas específicas para elas.

A questão crucial, entre tantas indagações e alternativas, é a seguinte: como economias não competitivas e, portanto, com déficits externos excessivos - que se refletem, no fim do ciclo, em déficits fiscais elevados e dívidas insanáveis - poderão reduzir esses déficits, de forma sustentável, sem uma redução dos superávits no outro lado da equação?

A moral da história é que, sem um ajuste também dos países não encalacrados da Europa, todos os acordos europeus para equilibrar a economia serão parciais e as sombras da ruptura não se dissiparão. A "missão impossível" é convencer as economias europeias centrais dessa fatalidade lógica. O grande obstáculo é que, como diz Martin Wolf, do Financial Times, elas acreditam que dá para bater palmas só com uma das mãos.

CLÓVIS ROSSI - Crise europeia sequestra G20


Crise europeia sequestra G20
CLÓVIS ROSSI 
FOLHA DE SP - 01/11/11

Todos os debates ficam pendentes da análise sobre o novo pacote da Europa; ainda há muito a ser feito

"L"Histoire s"écrit à Cannes", proclamam os incontáveis "banners" distribuídos por todo este balneário chique do Mediterrâneo francês.

Pode até ser que se escreva uma história em Cannes, com agá maiúsculo ou minúsculo, mas o ambiente parece muito pouco propício a um final feliz.

Afinal, a graça do G20 foi a capacidade de dar uma resposta global coordenada e poderosa à crise de 2008/09, prematuramente dada como superada em 2010. Quando chegaram a Londres, para a cúpula de abril de 2009, os líderes empilharam fabuloso US$ 1 trilhão, quase metade de toda a economia brasileira da época, em diferentes estímulos às economias, todas elas embicadas para baixo (recessão, nos países ricos, ou desaceleração nos emergentes).

Agora, ao contrário, a crise é da Europa ou da zona do euro, que acaba de atingir o recorde de desemprego desde a criação da moeda única no fim do século. E nem Europa nem EUA podem sacar do coldre (ou dos cofres públicos, mais precisamente) dinheiro suficiente para vitaminar a anêmica economia.

Não adianta a diplomacia francesa, como anfitriã, ficar dizendo que a palavra de ordem é "unité". Não que não seja. O problema é definir unidade em torno do quê exatamente.

Ao contrário de 2008/09, quando o G20 olhava o conjunto de seus membros, agora a Europa é o foco: o comunicado de apenas 15 dias atrás dos ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do grupo saudava os resultados da cúpula europeia de 21 de julho, mas dizia que esperava "trabalho adicional para maximizar o impacto do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira de maneira a evitar o contágio e o resultado do Conselho Europeu do dia 23 de outubro para enfrentar decididamente os presentes desafios por meio de um plano abrangente".

Pois é, a cúpula de julho pertence à pré-história, a do dia 23 de outubro só se realizou no dia 26 e seus resultados não parecem, aos olhos dos parceiros do G20, suficientemente "abrangentes".

É verdade que só ontem os negociadores começaram a examinar as mais recentes medidas europeias, mas todas as declarações públicas indicam que elas foram, sim, importantes, porque uma cúpula fracassada abriria caminho para o caos. Mas ainda há muito trabalho a ser feito para evitar o contágio da crise grega aos países centrais da Europa, especialmente Itália e Espanha.

Só se se chegar à conclusão de que a Europa fez a lição de casa direitinho é que os demais membros do G20 se disporão a ajudar. Como? É outra dúvida. O Brasil só topa se for por meio do Fundo Monetário Internacional, enquanto os europeus passam o pires onde podem, a começar pela China, o que provoca pruridos nacionalistas em não poucos setores políticos da Europa.

Nesse ambiente, a cúpula do G20 pode acabar soterrando o debate de fundo sobre o crescimento, a variável que falta em todos os planos europeus. O Brasil acha que austeridade é bom, mas não basta. A Alemanha, indiscutida líder europeia, diz o contrário: só a austeridade devolverá a confiança aos mercados, condição sine qua non para crescer.

ELIANE CANTANHÊDE - "A fera"


"A fera"
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 01/11/11

BRASÍLIA - "Conheço a fera. Na próxima semana ele já vai estar metido na política. Coitada da Marisa. A casa vai virar um fuzuê."

A frase é de um dos médicos do Sírio-Libanês que convivem há anos com Lula e bem sabem que "a fera" não vai se conformar com a ordem para ficar quieto e dar um tempo na política, para priorizar a saúde.

Tudo bem largar de vez a maldita cigarrilha, parar de tomar seus goles, controlar a gula e resistir às comidas pesadas de que tanto gosta. Mas se afastar da política? Aí já é pedir demais para quem pensa, vive, dorme, acorda e se alimenta de política.

Quando Lula desceu a rampa do Planalto e voltou à planície, especulou-se que ele iria assumir cargos internacionais, ou passar um ano descansando não sei onde, e começaria no dia seguinte a articular a volta à Presidência em 2014. Nada disso.

Lula se deleitava com o poder, os holofotes e as mordomias, mas adorou se livrar da administração, da papelada que nunca lia, das solenidades entediantes, da legião de puxa-sacos e até do terno que foi obrigado a aturar em oito anos de mandato.

Embrenhou-se logo na eleição municipal de 2012 e sacou do colete o ministro Fernando Haddad para disputar a principal prefeitura do país, repetir a proeza da também neófita em eleições Dilma Rousseff e se transformar em mais um dos seus tantos troféus. Isso é um jogo para Lula, praticamente um vício.

Quem visita o ex-presidente diz que ele parece pinto no lixo moldando a candidatura Haddad, botando o PT paulista no bolso, divertindo-se com a agonia do PSDB (quem tem quatro candidatos não tem nenhum, só um medo danado de perder para o adversário inventado por Lula).

Quimioterapia é dureza. O cabelo cai, a barba se vai, o estômago embrulha, o cansaço pesa. Mas nem isso vai afastar "a fera" da política. E os médicos vão até gostar. Tanto quanto a químio, a política é tiro e queda para Lula derrotar o câncer.

CLAUDIO HUMBERTO

“Só serei governo pelo voto”
DEPUTADO ACM NETO (BA), NEGANDO QUE PRETENDA TROCAR O DEM PELO PMDB

‘GUERRA’ INTERNA PODE PARAR SISTEMA DA INFRAERO 
A direção da Infraero tenta controlar uma guerra interna provocada por erro de avaliação. Há um ano e meio, os arquitetos e engenheiros tiveram 30% de reajuste salarial, mas a estatal não agraciou analistas de sistemas e administradores. Revoltados, eles ameaçam “pane” nos “Sistemas de Missão Crítica”, porque a Infraero deu reajuste expressivo para exatamente à equipe que será descartada com as privatizações.

CONTROLE TOTAL 
Os Sistemas de Missão abrangem os painéis nos saguões, esteiras, comercial, estacionamento, financeiro e, sobretudo, a torre de controle.

CHANTAGEM? 
Com salário baixo e tecnologia ultrapassada, a categoria já deu provas, em outros anos, de que pode paralisar tudo e provocar caos no Natal.

ALERTA 
O Departamento de Coordenação e Governança detectou movimentos de grupos insatisfeitos e alertou para eventual boicote ao sistema.

PLANO DE VOO 
Acuada, a direção da Infraero anunciou ter contratado uma empresa para elaborar, a jato, um Plano de Classificação de Cargos e Salários.

RR: ACUSADOR RESPONDE POR APROPRIAÇÃO INDÉBITA 
O governador tucano de Roraima, José Anchieta Jr., vai processar criminalmente Gerson Denz, ex-funcionário do PSDB que teria se ligado à oposição – chefiada pelo “ficha suja” Neudo Campos – para acusá-lo de usar o jato oficial na distribuição de dinheiro da campanha. Não apresentou provas. Em Boa Vista, Denz responde inquérito policial por se apropriar de dinheiro do partido, e estaria tentando se vingar.

BATALHA JUDICIAL 
Com nova acusação ao governador, a oposição tenta atrapalhar suas chances no julgamento que enfrentará no Tribunal Superior Eleitoral.

ELE, GAFANHOTO 
O ex-governador Neudo Campos, chefe da oposição em Roraima, chegou a ser preso na Operação Gafanhoto, da Polícia Federal.

EXPLORAÇÃO 
Em Brasília, ontem, um cliente ficou revoltado: teve de pagar nove reais por 23 minutos de estacionamento no shopping Conjunto Nacional.

TRABALHADORES DO BRASIL 
O megaempresário Eike Batista dá no Twitter sua receita de sucesso: “Quando se conquista com o próprio trabalho e suor, não se deve ter vergonha do que se conquistou!”. Com ajuda do BNDES, então...

PRIMEIRA REAÇÃO 
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), que torce por Lula, venceu um câncer de laringe há doze anos. Diz que a primeira reação é a de injustiçado. “Por que eu?” Depois, o tratamento dá confiança.

LONGE DE CASA 
Sírios que vivem no Brasil se reuniram com o embaixador em Brasília apoiando o ditador Bashar al Assad contra “a conspiração” nas ruas para derrubá-lo, diz a agência estatal Sana. Mais de 20 mil pessoas foram mortas nos protestos, segundo organismos humanitários.

SOLIDARIEDADE 
O Instituto Lula, criado para “buscar soluções para os problemas estruturais da realidade social brasileira” criou e-mail de apoio ao ex-presidente na luta contra o câncer: saudelula@icidadania.org.

OS PAIS MERECEM 
O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) propôs em projeto de lei o aumento de R$ 2 mil para até R$ 5 mil o valor da dedução no imposto de renda para quem tem filhos em escolas e faculdades particulares.

EFEITO ORLANDO 
A União Nacional dos Estudantes e PCdoB abriram o cofre para tentar reeleger sua turma no DCE da Universidade de Brasília. Perderam feio. E o reitor, o Zé do MST, terá dificuldades na disputa da reeleição.

CONTA OUTRA 
O cocaleiro Evo Morales promete devolver em até três meses os quase 2 mil carros roubados no Brasil e “legalizados” depois. Terá que combinar com o tráfico, que criou negócio paralelo com a roubalheira.

DIA DAS BRUXAS 
Piada nas redes sociais, ontem, 31: “Parabéns pelo seu aniversário, ministra Iriny Lopes (Mulheres). Mês passado ela perdeu processo no Conar para proibir anúncio “ofensivo” com Gisele Bündchen. 

PERGUNTA NO ENEM 
Quando vão anular o ministro da Educação? 

PODER SEM PUDOR 
CIÚMES DE VOCÊ 
Certa vez, o então governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, foi escolhido representante do Sudeste em uma reunião de governadores, realizada em Brasília, para evitar ciúmes entre os governadores de São Paulo, José Serra, e o rival mineiro Aécio Neves. Mas a tentativa de evitar os ciúmes desapareceu quando Hartung pediu emprestado o jatinho do governo de Minas Gerais e Aécio, que não é bobo, mandou o avião, com o capixaba a bordo, fazer escala em Belo Horizonte, a fim de que chegassem juntos à reunião. Assim, o ciumento Serra descobriu que não se deve subestimar o jeito mineiro de fazer política.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Posse no Esporte vira ato de desagravo ao PC do B

Folha: Escolas e creches de Kassab sobem 28% em um ano

Estadão: Consultoria de integrantes do PCdoB recebe verba pública

Correio: Órgão responsável pelo Enem contratou empresas de fachada

Valor: Restrições param mercado de câmbio na Argentina

Jornal do Commercio: Questões do Enem anuladas

Zero Hora: EUA retaliam Unesco por aval simbólico à Palestina

segunda-feira, outubro 31, 2011

Agnelo na mira - REVISTA ÉPOCA



Agnelo na mira 
 REVISTA ÉPOCA

Uma investigação da polícia mostra que o governador de Brasília ajudou um PM a fraudar provas para se defender de denúncias de desvio de recursos


ANDREI MEIRELES, MARCELO ROCHA E MURILO RAMOS

Orlando Silva perdeu o cargo de ministro do Esporte, na semana passada, abalado por denúncias de desvio de dinheiro. Seu substituto, Aldo Rebelo, também do PCdoB, recebeu do Palácio do Planalto a missão de moralizar a pasta. Para a Justiça, no entanto, a questão é outra. Nos próximos dias, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) receberá um processo com nove volumes e quatro apensos, que corre na 10ª Vara Federal, em Brasília. As informações, a que ÉPOCA teve acesso, mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), antecessor de Silva, é suspeito de ter se beneficiado das fraudes.

O conjunto contém gravações, dados fiscais e bancários, perícias contábeis e relatórios de investigação. As peças da ação penal vistas por ÉPOCA incluem o relatório nº 45/2010, que contém os diálogos captados em interceptações telefônicas, com autorização judicial, feitas entre 25 de fevereiro e 11 de março do ano passado. As conversas mostram uma frenética movimentação de Agnelo Queiroz e do policial militar João Dias para se defender em um processo. Diretor de duas ONGs, Dias obteve R$ 2,9 milhões do programa Segundo Tempo para ministrar atividades esportivas a alunos de escolas públicas. Nas conversas, Dias quer ajuda para acobertar desvios de conduta e de dinheiro público. Ele busca documentos e notas fiscais para compor sua defesa em uma ação cível pública movida pelo Ministério Público Federal. O MPF cobra de Dias a devolução aos cofres públicos de R$ 3,2 milhões, em valores atualizados, desviados do Ministério do Esporte.

Personagem da crônica política de Brasília, João Dias ajudou, com suas declarações, a derrubar Orlando Silva na semana passada. Dias nem precisou apresentar provas de que Silva teria recebido pacotes de dinheiro na garagem do ministério. Suas acusações levaram à sexta baixa no primeiro escalão da equipe da presidente Dilma Rousseff. O pretexto para a demissão foi a abertura, na terça-feira, de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a acusação de Dias e denúncias de que o Ministério do Esporte se transformara num centro de arrecadação de dinheiro para o PCdoB. Com a queda de Orlando Silva, o foco se transfere para o governador Agnelo Queiroz, contra quem existem suspeitas ainda mais consistentes.

Os principais interlocutores nas conversas gravadas pela polícia são João Dias, Agnelo Queiroz, o advogado Michael de Farias (defensor do policial) e o professor Roldão Sales de Lima, então diretor da regional de ensino de Sobradinho – cidade-satélite de Brasília onde atuavam as duas ONGs de João Dias. Era com Lima que Dias tratava do cadastro das crianças carentes que deveriam ser beneficiadas pelo programa Segundo Tempo. Na ação cível há um dado impressionante: as ONGs de João Dias receberam recursos para fornecer lanches para 10 mil crianças. Mas só atenderam, de forma precária, 160.

Pressionado pelo Ministério Público, Dias foi à luta para amealhar elementos capazes de justificar tamanho disparate. Às 12h36 do dia 4 de março de 2010, ele telefonou para Agnelo Queiroz, então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dias pediu a Agnelo para “dar um toque” em Lima e reforçar seu pedido de ajuda ao professor. Dias queria que Lima fornecesse documentos para sua defesa. Na gravação, ele avisa que vai marcar um encontro entre Agnelo e Lima, para que esse pedido seja feito pessoalmente. Menos de uma hora depois, Dias, que estava num restaurante com Lima, telefonou novamente a Agnelo. Entregou o celular para Lima falar com ele. De acordo com a transcrição dos diálogos, feita por peritos do Instituto de Criminalística do Distrito Federal, Agnelo diz a Lima que precisa de sua ajuda. Afirma que vai combinar com João Dias para os três conversarem, porque Roldão (Lima) “é peça-chave neste projeto”.

Qual seria o projeto? Segundo a investigação da polícia, trata-se de apresentar uma defesa à Justiça Federal capaz de livrar Dias da cobrança milionária. Pouco antes das 13 horas do dia 9 de março, o advogado Michael de Farias disse a Dias para ficar tranquilo, que tudo estaria pronto para ser entregue à Justiça três dias depois. Só faltaria, disse Michael, “agilizar a questão do Roldão (Lima)”. Na gravação, Michael afirma que eles “já vão confeccionar os documentos só para o Roldão assinar, já vai tudo pronto”. Dias diz que dessa forma fica melhor e, em seguida, liga para Agnelo e marca um encontro para uma conversa rápida e urgente. Cerca de duas horas depois, Dias volta a telefonar a Agnelo e adia o encontro.

No final da tarde do dia 9, Dias falou com Lima. O professor Lima disse que ficou até de madrugada numa reunião em que foram fechadas “as planilhas, os projetos”. De acordo com a polícia, Lima estava no escritório do advogado Michael. No dia seguinte à tarde,
Michael disse a Dias que já havia “confeccionado a defesa e as cartas de Roldão (Lima)”. Até aquele momento, Lima não assinara nada. À noite, Dias ligou para dois celulares de Agnelo e deixou o mesmo recado nas secretárias eletrônicas: “O prazo máximo para apresentar a defesa é sexta-feira, preciso muito de sua ajuda”. Às 20h22, Dias finalmente consegue falar com Agnelo e avisa “que sexta-feira tem de apresentar o negócio lá”.

A polícia descobriu, pelas conversas grampeadas, onde Lima se encontraria com Dias para entregar os documentos a ser incorporados a sua defesa. O encontro ocorreu no Eixo Rodoviário Norte, uma das principais avenidas de Brasília, no começo da tarde da sexta-feira 12 de março. Dias parou seu Ford Fusion e ligou o pisca-alerta. Em seguida, Lima parou seu Fiat Strada atrás e entrou no automóvel de Dias. Eles não sabiam, mas tudo era fotografado por agentes da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil do Distrito Federal. As imagens mostram que Lima carregava uma pasta laranja ao entrar no carro de Dias. Saiu do veículo sem ela. Três horas depois, os advogados de Dias entregaram sua defesa na Justiça Federal.

De nada adiantou todo esse esforço. Um laudo da PF constatou que havia documentos “inidôneos” na papelada apresentada pela defesa de Dias. Três semanas depois, ele e outras quatro pessoas foram presas por causa de fraudes e desvio de dinheiro público no Ministério do Esporte. Mesmo com todas as evidências registradas nas gravações de suas conversas, Dias nega ter recorrido a Agnelo para ajudá-lo em sua defesa. O professor Lima afirma que, nas conversas por telefone e nos encontros com Dias, só falava de política. Mas admite que, “num dos encontros, João Dias me passou o telefone para conversar com Agnelo”. Lima afirma não se lembrar da pasta laranja entregue no encontro.

As gravações telefônicas revelam também uma intimidade entre Agnelo Queiroz e João Dias, que os dois hoje insistem em esconder. A relação entre os dois envolveu a intensa participação do PM na campanha de Agnelo para o governo do Distrito Federal no ano passado. Eles afirmam que estiveram juntos apenas nas eleições de 2006, quando Agnelo concorreu ao Senado, e Dias a uma cadeira na Câmara Legislativa – ambos pelo PCdoB. Os diálogos em poder da Justiça mostram outra realidade. No dia 4 de março de 2010, Dias perguntou a Agnelo como estavam os preparativos para o dia 21 de março, data em que o PT de Brasília escolheria seu candidato ao governo. Agnelo disse que estavam bem, seus adversários estavam desesperados. Em resposta, Dias afirmou que ele e o major da PM Cirlândio Martins dos Santos trabalhavam para sua candidatura nas prévias do PT em várias cidades-satélite de Brasília. Na disputa, Agnelo derrotou Geraldo Magela, hoje secretário de Habitação do Distrito Federal.

Em outra gravação, Dias informa Agnelo sobre o resultado de uma pesquisa eleitoral em que ele ultrapassara o ex-governador Joaquim Roriz. ÉPOCA ouviu de integrantes da campanha de Agnelo que, mesmo depois de sua prisão, Dias teve papel importante nas eleições. A campanha de Weslian Roriz – mulher de Roriz, que o substituiu na disputa – mostrou na TV um dos delatores do envolvimento de Agnelo nas fraudes no Ministério do Esporte. Isso teve impacto na campanha do ex-ministro. Quem deu a solução foi Dias: com poder de persuasão, ele convenceu uma tia da testemunha a desqualificar seu depoimento na televisão. Mais tarde, a tia foi agraciada com um emprego no governo. No novo governo, Dias foi beneficiado. Indicou seu melhor amigo, Manoel Tavares, para a presidência da Corretora BRB, o banco do governo do Distrito Federal.

O governador e ex-ministro Agnelo Queiroz respondeu por escrito a 13 perguntas feitas por ÉPOCA. Ele afirma que o inquérito da Polícia Civil é montado. “O inquérito foi uma tentativa de produção de um dossiê para inviabilizar a (minha) candidatura”, diz Agnelo. “A origem do inquérito infelizmente foi direcionada por uma parte da Polícia Civil, ainda contaminada pelas forças políticas do passado. Uma farsa.” Agnelo diz que ele e João Dias eram “militantes da mesma agremiação partidária, ambiente em que surge o conhecimento” e que é “fantasiosa” a afirmação de que acolheu “indicação de João Dias para cargos no governo”.

Apesar de continuar na Polícia Militar, Dias tornou-se um próspero empresário. Em outro relatório da polícia em poder da Justiça Federal, de número 022/2010, gravações telefônicas mostram que Dias é o verdadeiro dono de academias de ginástica registradas em nome de laranjas. “Tal fato é um forte indício de que João Dias está utilizando as academias para ‘lavar’ o dinheiro oriundo de supostos desvios de verbas públicas”, diz o relatório policial. Dias tem quatro carros importados. O mais vistoso é um Camaro laranja, 2011, importado do Canadá em julho. Em entrevista a ÉPOCA, ele afirmou que adquiriu o Camaro numa transação comercial. O veículo está registrado em nome do motorista Célio Soares Pereira. Célio é o empregado de Dias que diz ter entregado dinheiro no carro do então ministro Orlando Silva na garagem do Ministério do Esporte.

Em depoimento à Polícia Federal, Dias mudou sua versão sobre a entrega de dinheiro a Silva. Ele disse que era “muito pouco provável que o ministro (Orlando Silva) não tivesse visto a entrega dos malotes (de dinheiro)”. Diferentemente de Dias, Geraldo Nascimento de Andrade – principal testemunha de acusação contra Agnelo Queiroz sobre desvio de dinheiro do Ministério do Esporte – confirmou, em todos os depoimentos, ter pessoalmente entregado R$ 256 mil a Agnelo. Em um vídeo a que ÉPOCA teve acesso, Andrade descreve com detalhes como fez dois saques no Banco de Brasília, transportou e entregou o dinheiro ao atual governador.

Andrade sabe mais. Na gravação, ele liga as fraudes no Esporte ao Ministério do Trabalho. Andrade afirma que notas frias foram usadas para justificar despesas fictícias em convênios do programa Primeiro Emprego. O maior convênio apontado por Andrade, de R$ 8,2 milhões, foi firmado com a Fundação Oscar Rudge, do Rio de Janeiro. Andrade, que morava em Brasília, afirma ter ido ao Rio de Janeiro para sacar dinheiro da conta de um fornecedor da fundação, uma empresa chamada JG. Ele diz que passava os valores para representantes da entidade. A presidente da fundação, Clemilce Carvalho, diz que a JG foi contratada por pregão e prestou os serviços. Filiada ao PDT, mesmo partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ela foi candidata a deputada federal em 2006. Lupi está ameaçado de perder o emprego na reforma ministerial, planejada para o início de 2012. Os ministérios do Esporte e do Trabalho têm, em comum, o fato de ser administrados há anos pelos mesmos partidos da base de apoio ao governo federal. O modelo dá sinais de que começa a ruir.

GOSTOSA


Escândalo latente - REVISTA VEJA


Escândalo latente 
 REVISTA VEJA

O PCdoB ameaçou revelar os malfeitos do PT no Ministério do Esporte, mas, no fim, entregou Orlando Silva para continuar com a chave do cofre milionário

Daniel Pereira

Desde junho passado, quando o petista Antonio Palocci foi obrigado a deixar a Casa Civil sob suspeita de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, a presidente Dilma Rousseff já realizou seis mudanças no ministério – uma impressionante marca de uma troca a cada 24 dias. A última delas ocorreu na quarta-feira, quando Orlando Silva se demitiu da pasta do Esporte, depois de ser acusado de receber propina e participar de um esquema de desvio de recursos públicos para o caixa de seu partido, o PCdoB. Silva foi o quinto ministro a deixar o governo abatido por denúncias de irregularidades. Foi também o quinto ministro herdado da gestão do ex-presidente Lula a ser exonerado por Dilma. A escalada de substituições no primeiro escalão rendeu à presidente pontos a mais em popularidade. No campo político, no entanto, acentuou a insatisfação de Lula e do PT com a "faxina ética" em curso. Na lógica do petismo, Dilma estaria carimbando a pecha de corrupção na legenda e, pior, pondo em risco companheiros que estão à frente de cargos importantes. Caso do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Foi justamente a preocupação com Agnelo que levou Lula a sair a campo, mais uma vez, para defender um de seus ministros mantidos no novo governo. O ex-presidente orientou o PT e o PCdoB a pressionar Dilma a não demitir Orlando Silva. Lançou mão de dois argumentos. Um deles é recorrente: o comunista, como os mensaleiros, não passaria de vítima de uma conspiração destinada a desestabilizar o governo. O outro argumento de Lula, o pragmático, era a necessidade de blindar o governador do Distrito Federal. Agnelo comandou o Ministério do Esporte entre 2003 e 2006. Foi quem tirou do papel o programa Segundo Tempo, canal usado pelo PCdoB para irrigar as arcas comunistas. Na época, ele era filiado ao PCdoB e tinha como secretário executivo o próprio Orlando Silva. Com a ajuda do ex-ministro José Dirceu, Lula deixou claro aos petistas que a demissão de Silva e a perda do controle do ministério pelo PCdoB poderiam resultar num revide, com os comunistas divulgando informações que comprometeriam o governador, agora no PT. Ou seja: se não sabia quando era presidente, Lula parece saber agora o que o colega Agnelo fez no verão passado.

A ação de Lula e Dirceu foi catalisada por ameaças feitas por integrantes do PCdoB. Ainda quando tentava se manter no cargo, Orlando Silva afirmou que recebeu o policial militar João Dias a pedido do ex-ministro Agnelo. Dias foi quem contou a VEJA que Orlando Silva recebeu uma caixa com notas de 50 e 100 reais na garagem do ministério, dinheiro amealhado em organizações não governamentais beneficiadas pelo programa Segundo Tempo e que lhe custou o cargo. Publicamente, o deputado Protógenes Queiroz, também do PCdoB, reforçou o coro de ameaças no twitter: "Reconhecemos a queda. Mas preparem-se. Vamos levantar muita poeira ". Levantar poeira, no caso, não seria nada trabalhoso. Agnelo, Orlando, João Dias e outros petistas e comunistas estão juntos no mesmo enredo – e há quem aposte que o escândalo dos desvios ainda fará outras vítimas.

A ameaça ao PT, por isso mesmo, surtiu o efeito desejado pelo PCdoB. Ao retomar da África, a presidente Dilma se reuniu com ministros para tomar pé das denúncias contra Orlando Silva. No dia seguinte, já estava desenhada a demissão dele. Dilma também cogitou tirar do PCdoB o controle do ministério. A ideia era dar à legenda o comando da Cultura. A troca seria uma questão de justiça. O PCdoB, na avaliação da presidente, teria uma bancada parlamentar incompatível – devido ao seu pequeno número de integrantes – com o orçamento e os projetos do Esporte, entre eles a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. A dança de cadeiras não foi realizada devido às ameaças dos comunistas de atacar Agnelo. Depois de viajar com Lula a Manaus na última segunda-feira, a presidente recuou e definiu que o substituto de Orlando Silva seria do PCdoB. A disputa, então, deixou de ser travada entre PT e PCdoB para ser encenada entre os comunistas e o Palácio do Planalto.

Na quarta-feira, logo depois de Orlando Silva pedir demissão, o PCdoB sugeriu o nome do deputado Aldo Rebelo como substituto. Apesar de ele ter sido ministro de Lula e presidente da Câmara, a presidente não gostou da indicação. Dilma acha que Aldo terá dificuldade para punir os camaradas locados no ministério e desmontar o esquema de desvio de verbas. Também pesava contra Aldo o fato de, ao relatar o Código Florestal na Câmara, não ter seguido as recomendações da presidente.

Apesar disso, Dilma aceitou a indicação de Aldo Rebelo. Ela não fez o sucessor que desejava, mas deu fim a mais uma crise política. Já o PCdoB não salvou Orlando Silva, mas manteve o controle do cofre. E o PT não evitou a degola de um aliado, mas calou, pelo menos até a última sexta-feira, os comunistas que se levantavam contra o governador Agnelo Queiroz. Uma saída clássica do atual sistema de governabilidade.

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO - À moda stalinista


À moda stalinista
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
REVISTA VEJA

Pouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PCdoB tentou reinventar seu passado. No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro. O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PCdoB, do qual aceita as homenagens. O mais grave é o de Prestes. O PCdoB surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PCdoB, com um curioso "do" no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a "camarilha de renegados". E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB. No verbete "PCdoB" da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de "revisionista" (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter "usurpado a direção partidária". Também se diz ali que "abandonado à própria sorte, em idade avançada", Prestes "dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver". Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PCdoB alça ao altar de seus santos.

Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PCdoB, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo. Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que cantara num livro com esse título.

O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação. No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. "A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de
bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas", explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade Coleção Encontros). Agora vem o PCdoB dizer que Drummond foi um dos seus!?

Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do "Supremo Camarada" Enver Hoxha. Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo. Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PCdoB inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia. Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

MAÍLSON DA NÓBREGA - Histórias e males da inflação – Parte 1



Histórias e males da inflação – Parte 1
MAÍLSON DA NÓBREGA
REVISTA VEJA


A inflação voltou a preocupar. É assunto nas conversas, nas feiras livres e nos supermercados. A imprensa transmite esse sentimento no noticiário de TV, no rádio e nos jornais. Reaparecem charges inspiradas no tema. No mercado financeiro, aumenta a procura por títulos públicos indexados à inflação. Depois da conquista da estabilidade (1994), é a primeira vez que se percebe uma mudança de prioridades na política econômica. Há evidências de que agora se privilegia o crescimento, enquanto a inflação cairia mais por um suposto efeito desinflacionário da crise mundial do que pela ação da política monetária.

Quem tem até 25 anos – uma geração – não viu o caos inflacionário nem dele se lembra. Quem está nesse grupo não havia nascido ou era criança quando o Plano Real venceu a inflação desembestada, após as tentativas fracassadas de 1986, 1987, 1989, 1990 e 1991. É útil, pois, relembrar histórias sobre a inflação e mostrar seus deletérios efeitos.

A Alemanha e o Brasil são casos extremos. Os alemães se tornaram o povo mais intolerante à inflação, enquanto nós aqui construímos uma cultura de tolerância, da qual muitos ainda não conseguiram se livrar.

Nos últimos cinquenta anos, a inflação na Alemanha foi de 309,4%, ou 2,86% ao ano em média. No mesmo período, a brasileira atingiu estonteantes 36 552 126 060 062 700% (trinta e seis quatrilhões, quinhentos e cinquenta e dois trilhões, cento e vinte e seis bilhões, sessenta milhões, sessenta e dois mil e setecentos por cento), com média anual de 95,55%. Lá, a rejeição tem origem no terror da hiperinflação dos anos 1920, na República de Weimar. O ambiente inflacionário teve papel relevante na ascensão do nazismo ao poder. Hitler foi "o filho adotivo da inflação".

O marco alemão perdeu duas das três funções básicas de uma moeda: a de reserva de valor e a de unidade de conta. O dólar era a referência básica de preços de bens e serviços, mas surgiram cerca de 2 000 outros tipos de "moeda", como cigarros e alimentos. A terceira função – a de meio de troca – foi em parte preservada, mas há relatos e fotos de alemães carregando carrinhos de mão cheios de cédulas para comprar pão.

Nossa tolerância à inflação foi em parte fruto da visão desenvolvimentista do pós-guerra. Pensava-se que um pouco de inflação ajudava o crescimento. Seria uma espécie de lubrificante das engrenagens da economia. Celso Furtado dizia que uma inflação anual de até 15% era suportável. Talvez achasse que o baixo desenvolvimento do mercado financeiro justificaria recorrer ao imposto inflacionário para financiar os gastos públicos.

No regime militar, três medidas constituíram o berço da mais entranhada indexação de preços, salários e contratos à inflação passada que o mundo conheceu. A primeira foi a criação da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN), cujo valor variava trimestralmente. Preservava-se o valor real dos recursos investidos em papéis do Tesouro e se incutia confiança nos que os adquiriam.

As duas outras medidas foram os reajustes de tributos em atraso e de cadernetas de poupança, ambos com base na ORTN. Os salários seguiam uma fórmula oficial baseada na inflação futura e na produtividade. Os contratos eram pactuados livremente entre as partes. Boa parte dos preços estava sob o controle do governo. Com o tempo, a correção monetária se espalhou pelos contratos e pelos preços. Em 1979, os salários passaram a ser reajustados também pela inflação passada.

Dois choques do petróleo (1973 e 1979) aceleraram o ritmo da inflação e encurtaram os prazos de indexação. Com o insucesso do Plano Cruzado (1986) e de seus quatro sucessores, os reajustes se tornaram mensais. O valor dos títulos do Tesouro e a taxa de câmbio variavam diariamente. A inflação ficou crônica, depois fugiu do controle e resultou no processo hiperinflacionário de 1987-1994. (Na próxima semana, explico por que a inflação é a queridinha dos ricos e a maior inimiga dos pobres.)

GUILHERME FIUZA - O Brasil vai ao Mundial desfalcado de Orlando Silva



O Brasil vai ao Mundial desfalcado de Orlando Silva
GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA

A presidente Dilma Rousseff avisou que não se pautaria pela mídia. Dessa posição resoluta surgiu a ideia, estratégica, de bancar o ministro Orlando Silva quando ele já estava cheirando a queimado. Em reunião de emergência do estado-maior petista, Lula instruiu Dilma sobre o mais importante a fazer na crise do Ministério do Esporte: não deixar a imprensa demitir mais um ministro. Foi assim que se repetiu, pela quinta vez, o ritual que já é a marca do governo Dilma: ministro prestigiado, ministro elogiado, ministro demitido.

O sonho de consumo do PT é Cristina Kirchner. Ela é um fetiche muito mais eficiente que o do ex-operário no poder, e mesmo que o da "presidenta". Cristina não é uma mulher no poder – é uma viúva trágica, que faz comício mostrando a foto do marido morto. Se o casal Kirchner já estava avançado em sua ligação direta com o povo, com o populismo ao quadrado da viúva é que a imprensa argentina vai ver o que é bom.

O azar de Orlando Silva foi não ser ministro de Cristina Kirchner. É bem verdade que, no Brasil, o sujeito que comanda um ministério responsável pelo desvio de dezenas de milhões de reais em convênios piratas ainda pode, ao sair, apresentar-se como vítima de "linchamento". Por outro lado, Orlando teve a sorte de não ser um ministro japonês. Nesse caso, se fosse descoberto favorecendo ONGs acusadas de fraude, em vez de se queixar contra "essa crise que foi criada", ele poderia estar renunciando à vida.

Na Argentina não haveria nenhum desses problemas. Imprensa que fustiga o governo popular é tratada com mordaça. Até o índice de inflação já é fabricado no quintal da Casa Rosada, para evitar essa praga das notícias ruins. No reino dos Kirchners, o PCdoB poderia exercer à vontade seu comunismo mercantil, sem que jornalistas abelhudos e invejosos se metessem em seus negócios privados com o dinheiro público. Mesmo com a impertinência da imprensa brasileira, porém, o projeto do Ministério do Esporte S.A. está firme para a Copa.

O Brasil vai ao mundial desfalcado de Orlando Silva, mas os desfalques do ministério têm tudo para continuar em campo. Provando que a vida continua, no ato da saída do ministro, Dilma nomeou como interino o secretário executivo da pasta, braço direito de Orlando. A imprensa, que não tem mais o que fazer, logo mostrou que o ministro interino liberara verbas para entidades de fachada. Mas tudo bem, porque a cabeça do ministro rolou e a opinião pública está feliz com a "faxina". Sinal verde para o partido vermelho.

Quase simultaneamente ao anúncio da demissão de Orlando Silva, os depoimentos do PM e do motorista que o denunciaram, marcados para a Câmara dos Deputados, foram cancelados. Eles que são ex-sócios que se entendam. Desse acerto, pelo visto, o Brasil não vai participar. E o escândalo do Esporte seguirá o mesmo rumo das investigações do Dnit, da consultoria de Palocci e demais tramas da faxina de folhetim: das manchetes para o pé de página, e dali para debaixo do tapete, de onde todos sairão reabilitados, provavelmente como consultores.

A culpa é da imprensa, que não prende ninguém. No auge do caso Orlando Silva, com o cipoal de incertezas sobre a Copa do Mundo e a confusão instalada no primeiro escalão do governo, surge a manchete: "Dilma silencia sobre a crise". Mais um erro da mídia. A manchete correta seria: "Afinal, quem é Dilma?".

Essa estadista aclamada por tudo o que não faz e não fala, cuja grande virtude é descansar os ouvidos da nação da verborragia de Lula, poderia dar ao menos uma pista de sua vocação de liderança – um prognóstico, um palpite, uma tirada, ou qualquer coisa além dos discursos de solenidade e frases ensaiadas. Dizem que Dilma está "irritada" com a CBF, "furiosa" com a infraestrutura, "decidida", "encantada", "indignada"... Será que a presidente só existe em off?

O que ela estará achando da tragédia anual do Enem? E dos feriados para compensar o colapso dos transportes nos jogos da Copa? Que projeto, afinal, esse governo tem para o Brasil, além da distribuição de bolsas e cargos? No fim das contas, Dilma poderia parodiar a canção de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, em agradecimento a quem vem salvando seu mandato do vazio existencial: "Não sou eu quem me governa, quem me governa é a mídia".

ANCELMO GOIS - Xanadu de Xexéo


Xanadu de Xexéo
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 31/10/11

O musical “Xanadu”, clássico da Broadway, vai ganhar uma montagem no Rio, na onda atual de grandes musicais.
Estreia dia 5 de janeiro, no Oi Casa Grande, em versão do coleguinha Arthur Xexéo, com direção de Miguel Falabella.

ESTÁ MARCADO para dia 16 agora o início das obras de restauração deste casarão histórico, de estilo renascentista, na Gamboa, Zona Portuária do Rio. A data não é por acaso. Bem na semana da Consciência Negra, o prédio abriga o Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, o único do gênero na América Latina. Inaugurado por Dom Pedro II como o primeiro colégio público do continente, em 14 de março de 1877, o imóvel deu lugar ao Centro Cultural José Bonifácio. A obra, no valor de R$ 3,205 milhões, tem conclusão prevista no prazo de 300 dias corridos, e correrá sob supervisão da Secretaria municipal de Cultura. Vamos torcer, vamos cobrar

‘Segura esse choro’
Dilma, ex-paciente de quimioterapia, foi quem segurou a onda dos amigos de Lula no governo após a notícia do câncer do ex-presidente. Repetia a ministros e assessores que o tumor “é curável”.
No melhor estilo “segura esse choro”, consolava quem derramava uma lágrima: “Parem com isso. Ele vai superar essa.”

Amém
Ana Maria Braga, a apresentadora, rezava ontem no Santuário de Fátima, em Portugal, agradecendo pela cura do seu câncer.

Retratos da vida
Veja como a vida é indecifrável. Toninho Vaz, autor do livro “Solar da fossa”, foi ao “Programa do Jô”, há dois meses, e Miltinho, da banda do apresentador, disse ter conhecido o velho Solar, pensão carioca onde viveram muitos artistas nos anos 1960.
Toninho reagiu: “E quem te levou foi o músico Jorge Arena.”

Segue...
Sexta agora, o telefone de Toninho tocou. Era uma mulher, perguntando se ele tinha mesmo falado em Jorge Arena no Jô. O escritor confirmou, e ela disse que... era filha de Arena! Havia perdido o contato com o pai, porque a mãe saíra de casa e a levara.
Toninho deu o telefone do amigo e, mais de 20 anos depois, pai e filha, que vive na Baixada Fluminense, vão se rever hoje.

No mais
Hoje, dia D de Drummond, vale refletir sobre um verso do poeta, que faria hoje 109 anos: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.”

Filho de Glauber
Eryk Rocha, 33 anos, filho de Glauber, cineasta como o pai, foi convidado pelo Museu do Filme de Düsseldorf para exibir sua obra em dez cidades da Alemanha, de 5 a 19 de novembro.
O rapaz é autor de quatro documentários e da ficção “Transeunte”, melhor filme do Festival de Cinema Latino-Americano de 2011, em São Paulo.

Esperança vã
Ariane Mnouchkine, diretora do Théâtre du Soleil, monta numa ilha de edição na Gávea, no Rio, “Les naufragès du fol espoir” (“O naufrágio da esperança vã”), seu segundo longa.
Filha de Alessandre Mnouchkine, produtor de “Cinema Paradiso”, ela trabalha enquanto é montada a tenda para o Soleil se apresentar na Arena Multiuso.

Laços de família
Uma disputa familiar pôs fim à tradicional agência de propriedade intelectual Momsen & Leonardos, fundada em 1919.
Luiz Leonardos vai abrir outro escritório com Otto Licks e cinco sócios.
Viraram parceiros
Não foi só na Portela que os cartolas mudaram a letra do samba-enredo de 2012.
Os caciques de Beija-Flor, Mocidade, Mangueira, Ilha e Porto da Pedra fizeram a mesma coisa. Fala sério.

Eu acreditei
Cahe Rodrigues, carnavalesco da Grande Rio, pôs o ponto final no livro “Eu acreditei”, sobre os 26 dias de reconstrução do carnaval da escola após o incêndio na Cidade do Samba, em fevereiro de 2011.
Agora, procura editora para lançar antes do carnaval.

Preta na Mangueira
Preta Gil fará um show de préréveillon para 5 mil pessoas na Mangueira, dia 30 de dezembro.
Nossa cantora, que não pisa na quadra da escola desde que foi madrinha de bateria, em 2007, cantará com a bateria.

A pena de Accioly
Alexandre Accioly, o empresário, assinou contrato com a editora Casa da Palavra.
Vai lançar o livro “Sem medo de errar”, em que conta sua trajetória no mundo dos negócios. A ideia é lançar no dia 15 de julho de 2012, data em que faz 50 anos.

Museu da Umbanda
Amanhã, a Comissão de Intolerância Religiosa vai fazer um ato em frente à prefeitura de São Gonçalo, RJ, às 14h, pela criação do Museu da Umbanda no terreno onde a religião surgiu no Brasil, em 1908, com o médium Zélio Fernandino de Moraes.
Saravá!

ZÉLIA DUNCAN, a cantora, recebe, num encontro cheio de alegria, a coleguinha Leilane Neubarth, nos bastidores do show de
lançamento do DVD “Pelo sabor do gesto — em cena”, no Vivo Rio

LETÍCIA SABATELA, a atriz, repete a cena da índia Tuíra, que protestou com um facão contra Belo Monte, numa gravação para o projeto Gota D’Água, campanha que quer discutir a construção da hidrelétrica

FELIZ DA VIDA, Lenine, o cantor pernambucano, festeja o encontro com Ariano Suassun seu conterrâneo e mestre da nossa cultura, em Recife
COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, DANIEL BRUNET E AYDANO ANDRÉ MOTTA