sábado, setembro 03, 2011

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - Dinheiro para "cartolas"



Dinheiro para "cartolas"
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 03/09/11

A maneira como foi firmado o convênio entre o Ministério do Esporte e o sindicato das associações de clube de futebol para o cadastramento das torcidas organizadas, a rapidez com que todo o dinheiro foi liberado, o fato de, oito meses depois, rigorosamente nada ter sido feito pelo contratado e, mesmo assim, o Ministério decidir que nada mudará, sob a justificativa de que tudo está dentro do que foi planejado, retratam o estilo de gestão do governo petista dos planos, projetos e dos recursos públicos destinados à realização da Copa de 2014.

Neste caso, há uma descarada liberação de dinheiro do contribuinte em favor de uma entidade sem qualificação ou competência para executar o convênio, mas dirigida por conhecidos "cartolas" - alguns de representatividade questionada nos seus clubes -, cujo antigo prestígio parece encantar o governo. Sem licitação, e sem que o responsável pelos serviços tivesse apresentado documentação que comprovasse de maneira inequívoca sua qualificação para realizá-los, o Ministério do Esporte assinou, no dia 31 de dezembro de 2010 - último dia do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é conveniente lembrar -, convênio com o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional e suas Entidades Estaduais de Administração e Ligas (Sindafebol) para cadastrar as torcidas organizadas, como mostrou reportagem do Estado (31/8).

O objetivo do cadastramento seria garantir a segurança e tranquilidade nos estádios durante a realização da Copa do Mundo e é parte do Projeto Torcida Legal. Esse projeto, lançado em 2009, surgiu das discussões entre os Ministérios da Justiça e do Esporte, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União e a Confederação Brasileira de Futebol. Entre outros objetivos, ele pretende tipificar criminalmente condutas que prejudicam o futebol, combater a violência nos estádios e punir fraudes nos resultados.

Uma das providências práticas previstas no projeto é o controle de acesso e o monitoramento dos torcedores, para que os infratores possam ser rapidamente identificados e punidos. Para isso, é necessário cadastrar as torcidas organizadas e todos os seus membros, que passariam a dispor de uma carteira de identificação a ser apresentada no momento da compra da entrada no estádio.

O Sindafebol foi incumbido de fazer esse cadastramento. O convênio é estranho não apenas porque foi assinado sem prévia licitação. Desde o início, o processo deixou de seguir os ritos necessários para a garantia da lisura da contratação de serviços pelo setor público. Com base apenas em orçamentos e atestados de capacidade técnica apresentados pelo próprio interessado, o Ministério do Esporte levou menos de dois meses para aprovar a celebração do contrato. Em abril, sem que nada tivesse sido feito, o Ministério liberou todo o dinheiro para o Sindafebol. Foram R$ 6,2 milhões.

O presidente do Sindafebol e ex-presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, disse ao Estado que advertiu o governo de que a entidade não tinha experiência nesse tipo de trabalho. Mas "estava à disposição do Ministério", com o qual "tem vários entrosamentos", citando entre estes o com o assessor especial de futebol da pasta, Alcino Reis. Esses "entrosamentos" devem ser poderosos, pois, mesmo com ressalvas de sua assessoria jurídica, o convênio foi rapidamente aprovado pelo Ministério e assinado por seu secretário executivo, Waldemar Manoel Silva de Souza, e por Reis.

E aonde foi parar o dinheiro? Contursi disse que está numa conta bancária controlada por ele. Disse também que o Sindafebol está analisando se poderá cumprir o contrato no novo prazo que lhe foi concedido. A explicação é no mínimo estranha. Se apresentou documentos assegurando que podia fazer o trabalho e recebeu o dinheiro, o Sindafebol não tem de analisar nada. Tem de fazer rapidamente o que já deveria ter começado a fazer ou devolver o dinheiro, com as multas e os encargos devidos - e as responsabilidades dos funcionários que aprovaram a assinatura desse convênio têm de ser apuradas.

GOSTOSA


WALTER CENEVIVA - Poder no cenário democrático


Poder no cenário democrático 
WALTER CENEVIVA
FOLHA DE SP - 03/09/11

Muito mais difícil é recompor o equilíbrio sonhado por Montesquieu entre três ou mais Poderes


AS INDICAÇÕES e comparações possibilitadas pelo direito vigente sugerem que, no mundo atual, a tripartição dos poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) está longe do que havia no tempo de Montesquieu (1689/1755), formulador da teoria dos três Poderes. Não corresponde nem mesmo aos ideais que consolidaram a democracia norte-americana depois da Guerra da Independência (1775/1783).
A transformação colhida no processo histórico gerou criações que afastaram a tripartição substancial. Frustrou a expectativa do governo pleno, de e para todos.
As posições uniformizadas no século 21 mostram, em muitos países, predomínio mais acentuado do Executivo no regime republicano (caso do Brasil), na estrutura monárquica, no sistema presidencial puro, assim como no sistema parlamentar.
Nessa realidade, o direito foi paulatinamente alterado, para quebrar ou restringir a capacidade igualitária das correntes políticas, pois tendem -com poucas exceções- a negociar com o Executivo, cedendo sua liberdade pela troca de vantagens políticas, entre outras.
O leitor pode perguntar: em que tal predomínio é prejudicial? É muito prejudicial porque, ao ferir a concepção substancial da divisão dos Poderes sob o direito, rompe o equilíbrio interno nas ações da administração pública em sentido amplo. Poderes cuja capacidade de intervenção no comando da máquina governamental ou de segmentos importantes dela perdem substância no país, no Estado, no município. Tornam-se incapazes do exercício pleno que lhes cabe em face do Executivo, único provido de poder suficiente para tal predomínio: suficiência para legislar (impõe medidas provisórias), para gerir a máquina administrativa (tem a chave do cofre) e para obstar medidas judiciais que julgue inconvenientes, com e sem a colaboração do Judiciário.
Bem ou mal, o fato concreto está nesse predomínio. Criou-se a distância impura entre o enunciado constitucional da harmonia entre os Poderes e a predominância do Executivo, na realização da condução dos atos e das políticas de governo, segundo leis reguladoras das relações na estrutura tripartida. Um dos sintomas dessa distância está no conservadorismo exacerbado do "Tea Party" dos Estados Unidos e de segmentos das sociedades francesa e alemã, com posições que remontam à primeira metade do século 20.
A súmula feita (mesmo incompleta) será fácil de ser compreendida por quem percorre a história do século 20. Muito mais difícil é recompor o equilíbrio sonhado e composto por Montesquieu entre três ou mais Poderes aptos a desenvolver a participação nas suas áreas respectivas em igualdade de condição com o Executivo. A solução parece quase impossível a curto prazo pois, no mundo de Montesquieu, só a Europa era verdadeiramente livre. Não eram livres as Américas, a África, a Ásia e a Oceania.
O pêndulo da história depois da Revolução Russa (1917) e da crise econômica de 1929, com inovações do comunismo e do nazifascismo, nem se reequilibrou, nem uniformizou a existência de centenas de nações novas, em estruturas democráticas. Precisamos de um novo Montesquieu, apto a compreender o mundo modificado de hoje, na busca de soluções compatíveis, por exemplo, com a comunicação instantânea e universal.

MIGUEL REALE JÚNIOR - Exame de Ordem


Exame de Ordem
MIGUEL REALE JÚNIOR
O Estado de S.Paulo - 03/09/11

A vida desenrola-se regida pelo Direito. O velho brocardo "onde está a sociedade está o direito" é absolutamente verdadeiro, pois as relações entre as pessoas e entre estas e o Estado são reguladas por regras jurídicas.

O Código Civil enuncia que toda pessoa é capaz de direitos e deveres e a Constituição lista os direitos e deveres individuais, além dos direitos sociais e políticos. Assim, a vida de qualquer cidadão está regida pelo Direito.

Conhecer esses direitos, bem como os deveres decorrentes, é essencial na vida comum de todo cidadão. Esclarecimento acerca dos limites do exercício de direitos e do cumprimento dos deveres é tarefa própria do advogado, ao qual cabe bem diagnosticar a situação concreta apresentada e dar a orientação correta. Um conselho certo evita prejuízos, afasta conflitos desgastantes e permite a conciliação.

Se for necessário pleitear em juízo a satisfação de uma pretensão legítima, é preciso enquadrá-la na ação judicial apropriada à espécie perante o juízo competente e de forma compreensível, tarefa essa exclusiva do advogado. O advogado realiza, portanto, trabalho de interesse geral, como veículo de efetivação da justiça, a ser alcançada pelo modo menos gravoso.

Assim, para advogar é necessário estar o formando devidamente qualificado, não bastando ter sido aprovado por uma das 1.174 faculdades existentes no País, que não formam juízes, promotores, delegados, advogados, mas apenas bacharéis em Direito em cursos, na sua maioria, cada vez mais deficientes, que não buscam excelência, e sim clientela e lucro.

Em Portugal editou-se o Regulamento Nacional do Estágio, em vista da diminuição generalizada da qualidade do ensino, com a degradação da profissão do advogado, razão pela qual cabe à Ordem zelar pela formação e valorização profissional, obrigando-se ao bacharel estagiar por dois anos em escritório de advocacia, para garantir conhecimento adequado de aspectos técnicos e éticos da profissão, ao final dos quais é submetido a exame de avaliação.

Em França o bacharel em Direito presta concurso para ser admitido em curso organizado pela Ordem dos Advogados com duração de 18 meses, durante os quais estuda o estatuto e a ética profissional, além de temas jurídicos, com período final de estágio junto a um advogado, após o que se submete a exame.

Na Itália o bacharel em Direito deve realizar dois anos de prática forense após se laurear, tempo após o qual pode vir a prestar exame de habilitação profissional.

No Brasil há hoje 700 mil advogados. Quando do recadastramento em 2004 havia 420 mil, o que significa que o número de advogados cresceu 70% em sete anos, mesmo com a exigência do Exame de Ordem. Nas 1.174 faculdades de Direito há 700 mil estudantes. Surgem com diploma de bacharel em Direito na mão cerca 100 mil pessoas por ano.

Em 1963 criou-se o Exame de Ordem, que poderia ser substituído por estágio do ainda estudante em escritório de advocacia cujo titular tivesse cinco anos de inscrição na Ordem. Na ditadura, em 1972, sendo ministro da Educação o coronel Passarinho, extinguiu-se o Exame de Ordem e se permitiu que o estágio fosse realizado nas próprias faculdades, que atestariam o aproveitamento do aluno para inscrição na Ordem dos Advogados. Criava-se nova fonte de renda para as faculdades particulares e desprestígio para a classe que constituía o bastião de resistência democrática.

Em 1994, novo Estatuto da Ordem reinstalou a exigência do exame para admissão nos quadros da advocacia. Agora, um bacharel reprovado interpôs, por meio de advogado, mandado de segurança no qual argumenta ser inconstitucional o Exame de Ordem, pois afronta o artigo 5.º, XIII, da Constituição, que garante o livre exercício de trabalho e de escolha profissional. Na verdade, esse inciso condiciona o livre exercício de trabalho ao atendimento das "qualificações profissionais que a lei estabelecer".

A arguição de inconstitucionalidade foi rejeitada em primeira e segunda instâncias, mas agora chega ao Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário. O parecer do Ministério Público Federal é pela acolhida da inconstitucionalidade do Exame de Ordem, pois seria uma forma de limitar um mercado de trabalho reconhecidamente saturado, havendo perigosa tendência a reserva de mercado.

Em gritante contradição, o parecer do Ministério Público admite a "notória deficiência do ensino jurídico no Brasil" e propõe, reeditando a solução do coronel Passarinho ao tempo da ditadura, a adoção dos Núcleos de Prática Forense, previstos em portaria e resolução do Ministério da Educação, de responsabilidade das próprias faculdades, com professores do curso.

Contraditoriamente, o parecer confessa a necessidade de se restringir o acesso à profissão de advogado mediante a chancela da OAB, a fim de que da atuação de bacharéis não decorram "riscos à sociedade ou danos a terceiros". Propõe, todavia, que essa chancela se faça mediante impossível supervisão pela Ordem dos Núcleos de Prática Forense mantidos pelas próprias faculdades com seus professores. Ora, nenhuma faculdade vai considerar o seu bacharelando inapto para o exercício da advocacia: é a raposa cuidando do galinheiro. O núcleo gerará renda e passará também a ser fonte de falso prestígio da faculdade.

Se o Ministério Público, com razão, reconhece a possibilidade de risco para a sociedade com o ingresso automático de bacharéis na OAB, é evidente que a exigência de qualificação por via do Exame de Ordem não pode ser vista como expediente de reserva de mercado. É, sim, um meio de proteção da sociedade, do interesse de todos, do Judiciário e da própria democracia, pois a OAB tem por finalidade a defesa da ordem constitucional e sua força promana do prestígio social, a não ser comprometido com a inclusão de manifestos incompetentes em seus quadros.

ANTONIO CARLOS PANNUNZIO - América Latina, integração ou atraso


América Latina, integração ou atraso
ANTONIO CARLOS PANNUNZIO
O Estado de S.Paulo - 03/09/11

O debate em torno da integração dos povos da América Latina vem se expandindo, nas últimas duas décadas, em todos os setores do pensamento geopolítico e econômico e estabelecendo laços de convergência que se refletem em compromissos e intenções que extrapolam decisões ou iniciativas do poder central.

É muito, mas ainda não o suficiente. Na prática, ainda há muito a fazer. A América Latina passa por um processo de cicatrização das sequelas sociais remanescentes dos regimes totalitários em alguns países - desemprego, violência urbana, drogas e fome.

Recém-chegado à presidência da Fundação Memorial da América Latina, trago na bagagem a experiência como integrante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e também do Parlamento do Mercosul. Como motivação, o legado do mestre Franco Montoro, sintetizado na declaração que deixou para a posteridade: "Para a América Latina, a opção é clara: integração ou atraso".

O Brasil, gravou o nosso estadista na Constituição, buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, para a formação de uma comunidade latino-americana de nações. Um ano depois, caíam o Muro de Berlim e os regimes ditatoriais no Chile e no Paraguai, a internet e o celular davam seus primeiros passos rumo ao mundo globalizado, o Brasil realizaria sua primeira eleição direta e também surgia o Memorial da América Latina.

Vendo pelo retrovisor da História, tenho a clareza de que o saldo de realizações ao longo dos 22 anos de sua existência confere ao Memorial a credibilidade que o credencia a empreender voos mais ousados como agente proativo no debate das questões mais latentes que afligem os países emergentes da América Latina.

Assim, é preocupante a informação divulgada nos mais importantes veículos de comunicação do mundo de que a América Latina deixou de ser prioridade na divisão do bolo de recursos oriundos de fundos públicos e privados internacionais destinados aos países pobres, em razão da adoção do critério de renda média, desconsiderando que a América Latina abriga 41% da população mundial que vive com menos de US$ 2 diários.

Mais grave ainda, segundo os analistas, são as projeções negativas de que esse quadro possa ser revertido, num contexto agravado pela atual crise do sistema econômico e financeiro mundial. É triste e paradoxal ver a América Latina relegada a segundo plano, quando todos sabemos que a região tem muito a contribuir para o debate global dos problemas e soluções do combate à pobreza e à desigualdade e também sobre o meio ambiente, apenas para ficar nas questões mais candentes.

Quero, aqui, firmar o compromisso moral, sem açodamento nem deslumbramento, de trazer essas discussões para dentro da Fundação Memorial da América Latina. Precisamos ir além das manifestações de apoio à identidade latino-americana, o que já não é pouco. Temos, com o respaldo do governo do Estado de São Paulo, total autonomia para implementar e agregar à missão do Memorial o perfil de protagonista, mais combativo e influenciador dessas questões políticas e sociais.

Certamente, esse é um papel na medida para os temas do nosso Foro Permanente de Reflexão sobre a América Latina. Queremos, sim, reforçar os laços de cooperação com embaixadas e consulados, envolver a sociedade civil organizada, sem distinção de cor política, num grande debate que abrace as questões sociais de relevância para os povos menos favorecidos da América Latina.

Na prática, já ensaiamos os primeiros passos em direção a essa simbiose de atitudes, firmando acordos com o Consulado Geral da Colômbia que vão além da oferta pontual de eventos artísticos e de lazer. Um deles cria o fórum para o ensino da língua portuguesa aos colombianos aqui residentes - já em desenvolvimento - e, em outra instância, pretendemos oferecer cursos de cidadania que deem aos imigrantes a possibilidade de conhecer os seus direitos e deveres e outras informações sobre o funcionamento da legislação brasileira.

As carências regionais envolvem alto grau de complexidade. Como, por exemplo, negar ou minimizar a pobreza e a fome, que ainda são o calcanhar de Aquiles da humanidade? Só na América Latina e no Caribe são 53 milhões de famintos e desnutridos, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) - o organismo que combate a fome no mundo e, na virada do século, previa reduzir esses índices à metade em 2015, expectativa agora reformulada para 2025.

Por que manter a cooperação com a América Latina? Segundo Jorge Balbis e Rubén Fernandez, autores do texto que enseja a pergunta, publicado na edição de agosto do Le Monde Diplomatique, se o papel da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CID) for entendido como alavanca para a solução de problemas como a pobreza extrema, exclusão e discriminação, "fica claro que em todos os países da América Latina há razões mais que suficientes para justificar a continuidade da cooperação, em função de seus objetivos tradicionais de contribuição à luta contra a pobreza e as desigualdades". O problema, então, seria político?

Visto por esse ângulo, nem tudo está perdido, a se considerarem os avanços dos modelos de cooperação Sul-Sul e a Triangular, das quais o Brasil é um dos principais atores. E se quisermos mais um sopro de otimismo, a América Latina ganha um aliado de peso nessa empreitada a partir do ano que vem, quando o Brasil assume o comando-geral da FAO.

Reitero: o Memorial da América Latina quer fazer parte da solução e reafirmar sua vocação de catalisador social, cultural e político dos países da região.

O OVO E A GALINHA


MÔNICA BERGAMO - TABELA PAULISTA


TABELA PAULISTA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 03/09/11

O governo de SP revisou para cima, de 4,5% para 5,2%, a previsão de inflação para 2012, premissa para projetar a receita e o Orçamento do Estado no próximo ano. E baixou as expectativas em relação ao crescimento econômico -de 4,5% para 4%. Os números foram fechados ontem.

TABELA 2
O Orçamento de SP, que neste ano é de R$ 140 bilhões, deve chegar a R$ 154 bilhões em 2012.

FIEL RETORNO
Lula será a estrela do vídeo que celebrará o aniversário do Corinthians, hoje, no Itaquerão. Ele aparecerá num telão pedindo "paz" nos estádios. No fim, o clube o agradece pela arena. E Lula discursa num palanque, na área externa do futuro estádio, para os torcedores. O clima será de comício eleitoral.

FIEL RETORNO 2
Emílio Odebrecht e Marcelo Odebrecht, principais acionistas da empreiteira que constrói o estádio, estarão no Itaquerão para recepcionar Lula. Foi o ex-presidente quem incentivou os dois a investir na arena.

FENÔMENO POLÍTICO
O ex-jogador Ronaldo será o patrono do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da Prefeitura de São Paulo. Também vai atuar como voluntário em um projeto de elaboração de políticas públicas para o esporte.

NA TELA
Dilma Rousseff dará entrevista exclusiva ao "Fantástico" na próxima quinta-feira.

A apresentadora Patrícia Poeta passará o dia com ela no Palácio da Alvorada e no Planalto. O programa ainda não tem data para ir ao ar. O governo não confirma.

ASA-DELTA
A Embratur está produzindo vídeos em 360 graus de destinos turísticos do Brasil. Os internautas poderão fazer um sobrevoo virtual por Rio, Salvador, Foz do Iguaçu, Curitiba, floresta amazônica, Manaus, Pantanal e Cuiabá.

ESSA MENINA
Gilberto Carvalho diz à revista "Piauí" deste mês o que acha da saída do ex-ministro Antonio Palocci Filho da Casa Civil: "Melhorou muito o quadro aqui dentro [do Palácio do Planalto]". Sem "demérito" para Palocci. E "do ponto de vista de distribuição de funções". O secretário-geral da Presidência diz colocar suas fichas em Gleisi Hoffmann, escolhida para substituir Palocci: "Aposto nessa mulher. Vamos ouvir falar muito nessa menina".

NO EIXO
Carvalho diz também que, enquanto a presidente Dilma Rousseff tem reação "visceral" contra "a mediocridade, o desvio, o desmando", o ex-presidente Lula é "mais macunaímico.

O combate à corrupção, no entanto, "tem de ser marginal", afirma o secretário. "O eixo é outro". E Dilma "tem consciência" disso.

VIDA AO VIVO
Em comemoração do Dia do Biólogo, o Instituto de Biociências da USP promove hoje, no parque do Povo, o projeto Bio na Rua.

O evento, gratuito, terá oficinas de aquarismo, reciclagem, horta de temperos e identificação de espécies, entre outras atividades. Os participantes também discutirão temas como o Código Florestal e a biodiversidade marinha.

SOLTA A VOZ
Paulo Padovani vai comandar o 1º Festival Giovane di Música Italiana, no Circolo Italiano, no dia 11. As inscrições vão até o dia 5 e o vencedor participará de eventos do Momento Itália Brasil ao longo do ano.

A maior parte dos candidatos é da comunidade italiana no Brasil, mas tem gente que canta até em inglês.

MULHERES À MESA
Maria Antonia Civita, Mariana Auriemo e Ana Auriemo Magalhães reuniram convidadas, na quarta, em um almoço sobre o projeto Verde Escola. Tatiana Monteiro de Barros esteve no evento, no Jardim Europa.

CURTO-CIRCUITO

A marca holandesa de cosméticos Rituals colocará hoje uma gueixa e um samurai passeando pela av. Paulista para divulgar sua chegada ao Brasil.

Roberto Shinyashiki lança "Problemas? Oba!", hoje, na Bienal do Rio.

O Sirena faz hoje festa de nova temporada. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

MÍRIAM LEITÃO - Tempo breve


Tempo breve
MÍRIAM LEITÃO 
O GLOBO - 03/09/11

Foi uma semana de valorizar a vida. A vivida e a por viver. De entender melhor a força da paixão que move os colegas da profissão que escolhi. Companheiros de viagem. Tem sido um tempo de intensas emoções, daquelas que sacodem, inquietam, inspiram. Separar o principal no mar dos fatos é uma das funções dos jornalistas. Tento achar o principal.

Perdi amigos. Tenho perdido gente preciosa, a maioria colhida antes do tempo, e isso me fez afinal entender o breve. O filme passa rápido pela sua cabeça fechando a obra de uma vida e você pensa: mas foi tão curto o tempo que tivemos! Pode-se pensar nisso como tristeza. Ou dádiva: o tempo dado.

Em março, foi o jornalista Sidnei Basile. Dias antes, falamos animadamente a respeito do seu livro sobre jornalismo econômico, cuja segunda edição estava preparando. A edição, finalizada pelos seus filhos, está saindo agora em outubro. Imperdível. Será fundamental para os jovens que ingressam na profissão e para quem queira saber mais dessa área específica do jornalismo, na qual tive o privilégio de ser treinada pelo próprio Sidnei.

José Meirelles Passos, do qual nos despedimos na quarta-feira, com seu bloquinho no colete de correspondente, conseguiu emplacar novidade até na notícia do seu obituário: tinha apurado por que Hugo Chávez não veio se tratar no Brasil; é que os chavistas queriam controlar até os boletins médicos. Meirelles estava cheio de pautas. Trabalhou do hospital, no meio do tratamento, fez o que fez a vida inteira intensamente: buscou informação. Numa festa, meses atrás, formamos um grupo cujo único assunto possível foi jornalismo: novas formas de buscar e entregar notícias na evolução vertiginosa do nosso tempo. Deliciosa conversa. Depois, o vi sair junto com sua Lucila andando na areia da Urca e fiquei pensando que ele jamais perderia o entusiasmo. Jamais perdeu.

Rodolfo Fernandes trabalhou num esforço heroico, mas exercido com serenidade. Ele se espantaria se a gente dissesse que aquela dedicação, para além de tanta limitação, era espantosa. Ele achava natural estar ali fechando o jornal, sempre, enquanto pudesse, até o fim. Fim que veio cedo demais.

Choveu muito quando seguimos Meirelles pelo São João Batista. A chuva baixou de repente, escurecendo o tempo às "cinco en punto de la tarde", como diz um verso de Garcia Lorca. Com tudo terminado, saímos à procura do táxi. Andando por Botafogo, no meio da chuva e do vento forte, fui tendo saudade do que não vivi: por que mesmo não parei o carro quando vi meu amigo andando na rua? Por que não reuni meus amigos no último aniversário? Por que não fiz um grupo e fui ao cinema? Prazeres delicados e breves, que adiei por falta de noção.

Dona Anna, mãe da Flávia Oliveira, tinha noção do valor de cada pequeno prazer. "Obrigada por tudo", disse para a filha ao final da peça de teatro. Flávia ponderou que era só uma ida ao teatro. "Obrigada por tudo". Foi o último teatro. Na segunda-feira, nos despedimos dela, uma instituição entre os amigos da Flávia. De Dona Anna vou guardar uma imagem soberba: ela sambando com a filha e a neta. As três gerações na pista dava gosto de ver. Guerreira, Dona Anna criou sozinha a filha única com um norte inegociável: estudar. Flávia devia estudar, era o que dizia. Deu certo o projeto e a filha virou a excelente jornalista que conhecemos. No final, estava ela mesma querendo estudar jornalismo para entender que paixão era aquela que conquistou o coração da filha. "O que é isso, filha, de: o quê, quando, onde, como e por quê?" Isso é o lead, como os jornalistas chamam o começo da notícia, o principal, as perguntas que devem ser respondidas.

O principal na nossa profissão é a busca que não cessa. Porque depois de uma notícia vem outra e outra. Matéria atrai matéria. Cada dia, o fato novo, mais notas, colunas, manchetes, análises, reportagens, revelações, artigos, ideias, pautas. E se a notícia acabar? A notícia não acaba, não. Quem já viu a chama dos que gostam de informação, que vi nos que perdi, e vejo nos que tenho, sabe que o jornalismo é eterno. Há quem fale do fim dos jornais. Está aí um medo que não me sobressalta. Vi muitas mudanças de formato, jamais o tempo revogar o essencial que é essa magia do fato novo, da boa entrevista, do segredo desvendado, da manchete que sintetiza o dia, da foto que espelha o momento, do texto redondo.

A redação tem um encanto. Nela, os fatos passam como um turbilhão, informados aos pedaços, às vezes aos gritos; suspeitas sussurradas no cafezinho. No meio de tudo, as brincadeiras. Ancelmo é craque em espantar tristeza. Inventou que era aniversário do Marceu. Não era. Mas teve comemoração de bolo de rolo. Quem não comeu perdeu.

Porque hoje é sábado de uma semana dura, resolvi que o melhor era não ser econômica. Escrevi a coluna sem pressa, porque o tempo já anda muito apressado. O noticiário econômico está recheado de fatos. Ocupavam este espaço ontem e ocuparão amanhã. Preferi pensar na união das pessoas que fizeram as mesmas escolhas, que compartilham o mesmo código, que se entendem por estarem na mesma viagem. O principal que compreendi na semana é que a amizade é um doce e misterioso

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


O que é isso, companheiro?
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 03/09/11

Os petistas mais afinados com o governo chegaram ontem à abertura do congresso em Brasília um tanto preocupados com a dissonância entre o discurso do partido sobre juros e a paulada na taxa Selic anunciada quarta-feira pelo Banco Central. Na versão preliminar da resolução a ser aprovada no final do evento, a tônica é a histórica defesa da redução das taxas e a cobrança por medidas "mais ousadas" nessa área.
"É ridículo. A decisão do Copom é tudo o que o PT sempre defendeu. O clima tem de ser de euforia", disse o senador Lindberg Farias (RJ). Ao falar, o presidente da sigla, Rui Falcão, elogiou a decisão do BC, mas manteve o tom programático da resolução.


Grande audiência
O Planalto vibrou com o episódio de "A Grande Família" no qual Nenê (Marieta Severo) convence Dilma a recuar do plano de demolir o clube do bairro. A presidente ainda patrocina a reconciliação da personagem com o marido, Lineu (Marco Nanini). Dilma soube da sátira quando o programa ainda estava no ar, na noite de quinta-feira.

Baixas Oswaldo Buarim, responsável pela agenda de Dilma, deixará o cargo. Meses atrás, Ester Homsani abandonou a chefia da equipe de ajudantes de ordens. Recentemente, Anderson Dorneles, espécie de "sombra" da presidente, pediu demissão, mas foi demovido.

Quem te viu... Quase não havia políticos ontem na posse dos novos diretores do Dnit, nomeados após a "faxina" de Dilma. No evento do outrora cobiçado órgão estavam só os deputados André Vargas (PT-PR) e Alexandre Silveira, este licenciado e à frente da Secretaria Extraordinária de Gestão Metropolitana do governo de Antonio Anastasia (PSDB-MG).

...quem te vê Em seu discurso, porém, o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes) cuidou de elogiar o trabalho dos diretores defenestrados Luiz Antônio Pagot e Hideraldo Caron.

Transição Mendes Ribeiro escolheu José Carlos Vaz para a secretaria-executiva do Ministério da Agricultura, selando o fim da rápida passagem de José Gerardo Fontelles pelo cargo. Ligado a Guido Mantega e a Reinhold Stephanes, Fontelles havia assumido a vaga do encrencado Milton Ortolan.

Santo... Contrariando estudos feitos na gestão de José Serra, o governo paulista decidiu criar a quarta região metropolitana do Estado: a do Vale do Paraíba (hoje, além da Grande SP, há as de Santos e de Campinas). O projeto seguirá para a Assembleia neste mês. Para os técnicos da administração anterior, o modelo ideal seria o de aglomeração urbana.

...de casa Geraldo Alckmin, contudo, concluiu que a mancha urbana onde fica Pindamonhangaba, seu berço político, reúne algumas das características que justificariam a nova denominação. A principal delas é a localização no corredor SP-RJ, que se encaixaria no conceito de megametrópole, preconizado pelo governo federal.

Herança Após o TJ-SP avalizar a permanência de Demétrio Vilagra (PT) na Prefeitura de Campinas, o grupo do deputado Gérson Bittencourt assumiu a articulação política do governo, com apoio da cúpula petista. O ex-secretário de Transportes é ligado a Marta Suplicy, de quem também foi assessor.

Visita à Folha Wesley Mendonça Batista, presidente da JBS-Friboi, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Alexandre Inacio, assessor de imprensa.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Do jeito que o governador Alckmin trata os servidores, os próximos pleitos não serão encaminhados aos sindicatos, mas à Comissão de Direitos Humanos."
DO DEPUTADO ESTADUAL MARCO AURÉLIO DE SOUZA (PT), sobre o projeto de reajuste dos funcionários do Centro Paula Souza, que cuida de escolas técnicas.

contraponto

#prontofalei


A ala peemedebista mais refratária à atual direção do partido reuniu-se na terça passada em jantar na casa do deputado Fábio Trad (MS). Osmar Terra (RS), que tem ligação histórica com o tucano José Serra, fazia um discurso crítico às práticas da sigla quando chegou o líder na Câmara, Henrique Alves (RN).
-Soube que vocês estão aqui promovendo uma avaliação do meu desempenho- disse Alves.
Alceu Moreira (RS) respondeu:
- Na verdade, nós estávamos, líder. Mas, agora que o senhor chegou, vamos mudar o tom....

FERNANDO DE BARROS E SILVA - PT, mídia, muquifo

PT, mídia, muquifo
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 03/09/11
SÃO PAULO - "O PT deve repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da base de sustentação do governo." Este é um trecho do documento que norteia as discussões do 4º Congresso do PT.
De forma previsível, o partido voltou à carga. Como no caso do mensalão, há de novo a tentativa de transformar o governo e o PT em vítimas de uma "conspiração midiática", como se aquilo que o procurador-geral da República chamou de quadrilha fosse uma ficção da mídia, como se a chamada criminalização da base aliada não fosse fruto da ação de seus membros.
Ao insistir na tecla da criminalização da aliança, o PT, na verdade, está politizando seus crimes a fim de descaracterizá-los. O discurso da desculpabilização funciona como imagem invertida da realidade.
Esse cinismo militante dá a tônica da ação dos petistas (há exceções) desde que chegaram ao poder. Era preferível quando Lula, mesmo correndo o risco de cometer injustiças, dizia que o Congresso tinha 300 picaretas com anel de doutor. Há novos picaretas na política. Nem todos têm anel de doutor.
A revista "Veja" se especializou em fazer catecismo raivoso de direita, é fato. Não sei em que condições foi produzida a reportagem sobre a romaria de políticos ao quarto de hotel de José Dirceu, em Brasília, mas as imagens são boas e têm óbvio interesse público. O que leva o presidente da Petrobras -a maior estatal brasileira, com acionistas ao redor do mundo- a visitar Dirceu na moita, às 15h30 de uma segunda-feira? Sergio Gabrielli ficou no quarto com Dirceu por 30 minutos.
O mesmo aconteceu com Fernando Pimentel, ministro de Estado, dois dias depois. Numa República, o normal seria que essas duas autoridades, durante seu expediente, recebessem Dirceu em seus locais de trabalho, não que fossem encontrá-lo num muquifo. Ou serei acusado de promover aqui a criminalização de amizades singelas?

GOSTOSA


VALDO CRUZ - Aparências enganam

Aparências enganam
VALDO CRUZ
FOLHA DE SP - 03/09/11
BRASÍLIA - O PT, partido no poder há quase nove anos, faz aqui na capital seu 4º Congresso num clima bem diferente daquele imaginado por seus líderes antes da eleição de Dilma Rousseff.
Durante os oito anos de Lula no Planalto, petistas reclamavam de que seu principal líder não era fiel seguidor da cartilha econômica do partido e não dava ouvidos para a cúpula partidária.
Depois de engolirem a indicação de Dilma como candidata à Presidência, os dirigentes do PT passaram a enxergar na sua eleição a oportunidade de, enfim, como eles próprios definiam na época, chegarem ao poder de fato.
O raciocínio de então era que Dilma, petista neófita, não era Lula, figura muito maior do que seu partido. A gaúcha-mineira, de fora do circuito paulista que se acostumou a mandar na legenda, dependeria muito mais da cúpula partidária para governar.
Sem falar que ela tinha mais afinidade com as teses econômicas tradicionais do PT, como a defesa da intervenção estatal na economia e a crítica feroz à política de juros altos do Banco Central.
Bastaram oito meses de governo para o sonho se tornar quase um pesadelo. Surgiram reclamações de todo tipo: Dilma não se reúne com o PT, recusa-se a nomear apadrinhados e fez um corte de gastos maior do que o da era Lula.
A insatisfação chegou a tal ponto que alguns petistas chegaram a ensaiar um coro pedindo a volta de Lula em 2014, contido graças à intervenção do ex-presidente.
Nos últimos dias, aconselhada pelo mentor, Dilma se mostrou mais solícita e acalmou os ânimos no PT. Seu BC ainda deu uma forcinha baixando os juros na contramão do mercado, música para os ouvidos petistas.
Resultado: o clima no congresso do partido, aberto ontem por Lula e Dilma, será ameno e festivo. As aparências, contudo, podem enganar. Por enquanto, a calmaria é apenas aparente.

CLÁUDIO HUMBERTO

“De bem-intencionados, o Brasil está cheio” 
PRESIDENTE DO STF, CEZAR PELUSO, SOBRE O “ENGANO” DO GOVERNO NO ORÇAMENTO DO JUDICIÁRIO

“FRIGORÍFICO DO TEIXEIRA” FICA ABAIXO DE ZERO 
Passa apuros o Marfrig, um dos maiores frigoríficos do País e patrocinador da Seleção Brasileira. A empresa pegou R$ 4,5 bilhões no BNDES, mas a queda de suas ações este mês na Bolsa deixou seu saldo no congelador. O Marfrig vale hoje R$ 2,5 bilhões e sua dívida é de 
R$ 7,5 bilhões. O dono, Marcos Molina, deu R$ 435 milhões de patrocínio para a CBF de Ricardo Teixeira, e um helicóptero de presente.

SEU BOLSO NO AR 
A Marfrig anunciou o helicóptero de presente para Teixeira tão logo o BNDES confirmou o empréstimo ao grupo frigorífico. Assim é mole.

TRIBUNA DE HONRA 
Teixeira adora ver a vida de cima. Sua filha mora numa cobertura na Barra da Tijuca, no Rio, cuja compra foi muito suspeita. Só R$ 720 mil.

TURMA DO APITO 
A Polícia Civil do Distrito Federal fecha o cerco ao chefe da CBF por causa do patrocínio milionário para Brasil x Portugal, em 2007.

NO FREEZER 
Com a dívida três vezes maior que a empresa, o Marfrig não quis se manifestar. Já a CBF não comenta o presentão que voa por aí.

TURBULÊNCIA NA ANAC: DIRETOR EM VOO SOLO 
O clima não anda bom entre os diretores da Agência Nacional de Aviação Civil e entre os subordinados. A ascensão de Marcelo Garanys à diretoria geral causou instabilidade no órgão e provocou um racha. Ele quer substituir cargos estratégicos, hoje ocupados por servidores de carreira da Anac, por alguns amigos, como uma servidora da Justiça Eleitoral do Distrito Federal, na fila para assumir um cargo importante. 

ATERRISSAGEM 
Guaranys quer nomear para a Superintendência de Regulação Econômica a amiga Danielle Crema, hoje Analista Judiciária no TJ.

AEROEIKE NO CHÃO 
Eike Batista anunciou que não emprestará mais seus jatinhos para políticos. Faltou a lista. Só se sabia do passageiro Sérgio Cabral.

ASAS DO PODER 
Aécio Neves já voou no jatinho do banqueiro e amigo Ronaldo Cesar Coelho. E o Marco Maia (PT-RS) adora a UTI aérea da Unimed.

PT S.A. 
O Partido dos Trabalhadores virou uma empresa. Ontem, no Centro de Convenções Brasil 21, espalhou um corredor de lojinhas com produtos oficiais à venda. E a maioria dos participantes do 4º Congresso Nacional se hospedou no Hotel Meliá, que tradicionalmente recebe executivos.

MST NO GABINETE 
O distrital Joe Vale (PSB) emplacou Marcelo Resende no lugar de Almeri Martins na diretoria da Emater em Brasília. Resende, servidor de carreira também, é ligado ao MST e prioriza projetos da agricultura familiar.

O RETORNO 
O PT e o PTB estão se reaproximando. No Piauí. O senador Wellington Dias (PT) procurou o presidente do partido, Roberto Jefferson, para apoiar a reeleição do prefeito Eumano Ferrer (PTB) na capital Teresina.

BAIXINHO NA ÁREA 
O deputado federal Romário (PSB-RJ) trocou a praia pelo cerrado. Tem passado um fim de semana sim, outro também, no Iate Club de Brasília, à beira do lago, jogando futevôlei com amigos e.... belas companhias.

OAB CONTRA A CPMF 
Não será só a contestação popular. A base governista vai encontrar resistência jurídica oficial se tentar recriar a CPMF com outra roupa para tungar a população usando o nome do governo. O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, condena veemente a ideia: “Isso seria um golpe”.

E A AUTOSSUFICIÊNCIA? 
A Agência Nacional de Petróleo anunciou que produção de petróleo de julho aumentou 1%, para 2,077 milhões de barris/dia. Mas longe ainda da autossuficiência anunciada por Lula em 2003.

ROLETA TRAVADA 
Os donos dos bingos fechados no Brasil estão irados com o governo, que joga contra a proposta já derrubada na Câmara. Alegam que o jogo regulamentado no país renderia até R$ 15 bilhões por ano em impostos.

EXCLUÍDOS 
Membros da Associação Brasileira de Bingos, que perderam no lobby na Câmara ano passado, lembram que os sete países mais ricos no mundo têm bingos e cassinos. E na América Latina só o Brasil proíbe.

PENSANDO BEM... 
Tem muito graúdo na Esplanada dos Ministérios apostando na sorte. 

PODER SEM PUDOR
OPS, ERRAMOS 
O jornalista alagoano Jorge Oliveira resolveu visitar o amigo e conterrâneo Renan Calheiros, presidente do Senado. O ganhador do Prêmio Esso chegou com dificuldade à residência oficial, na Península dos Ministros, por causa de uma bota de gesso no pé, mas avisou que estava ali para visitar o presidente e foi acomodado na sala. De repente, apareceu Severino Cavalcanti, então presidente da Câmara, com quem conversou por mais de uma hora. Imaginava tratar-se de outro visitante até descobrir, encabulado, que a residência do presidente do Senado era outra, a vizinha.

SÁBADO NOS JORNAIS


Globo: Dilma: para dar aumento ao Judiciário, só tirando do social

Folha: PIB desacelera, mas consume continua em alta

Estadão: PIB desacelera e Mantega diz que juro e imposto podem cair

Correio: Teto salarial no serviço público vai a R$ 32,1 mil

Zero Hora: Ministro propõe mais imposto a bebida e cigarro pela saúde

sexta-feira, setembro 02, 2011

ALON FEUERWERKER - Levanta e anda



Levanta e anda
ALON FEUERWERKER 
CORREIO BRAZILIENSE - 02/09/11


Ainda falta muito. Falta principalmente acabar com a espoliação das pessoas e empresas pelos bancos. Se Dilma quiser mesmo avançar nessa trilha, e se conseguir, já terá justificado o mandato dela.

Alguém um dia tinha que tomar uma providência. Dilma Rousseff tomou. Deixou o Banco Central numa situação em que o Comitê de Política Monetária não teve como persistir na linha de sempre. 
Guerras são assim. Por mais que se planeje, desenhe, considere, pondere, quando ela começa é sempre diferente do previsto. E quem precisa guerrear e fica esperando eternamente pelas condições ideais acaba derrotado sem luta. 
Onze entre 10 autoridades, economistas, empresários, consultores e jornalistas especializados dizem que o Brasil vai bem. Eu não chegaria a tanto, dado nosso crescimento modestíssimo, na comparação com os primos emergentes. 
Mas é verdade que as finanças brasileiras estão razoavelmente em ordem, temos reservas, que aliás custam caríssimo. Temos inflação incômoda, mas o governo diz que vai colocar na descendente. A ser cobrado. 
Então por que nossos juros são os maiores do mundo? 
Não apenas os que o Estado paga para rolar sua dívida, mas também, e principalmente, os cobrados do tomador em banco. O infeliz que não conhece o endereço do BNDES nem está pendurado em subsídio. 
Já tive oportunidade de escrever que parte da nossa saúde financeira deriva de uma doença. 
Nossos bancos estão melhor do que de outras paragens porque emprestam de menos e cobram demais. O brasileiro deve relativamente pouco, mas compromete muito da renda com o pagamento das obrigações financeiras. 
Os últimos governos tiveram o mérito de controlar a inflação. Parabéns. Mas o controle da inflação não é a parada final do bonde. O objetivo de qualquer país é produzir prosperidade, oportunidades, bem-estar. 
O Brasil cresce pouco. As bravatas sobre como seria fácil subir o PIB potencial para além de 4% viraram fumaça. Em condições normais de temperatura e pressão, o governo Dilma estará condenado a um porvir medíocre e a um desfecho idem. 
Ainda mais se for esperar pelas "grandes reformas" que nunca virão. É uma esperteza dos nababos. Pedir o impossível para justificar o injustificável. Já que não dá para desmontar o welfare state brazuca, melhor não mexer com a banca. 
Errado. Um bom método na administração de encrencas é criar o problema para acelerar a solução. Em vez de esperar pelo dia de São Nunca, agir agora. Em vez de se atolar no pântano congressual das reformas supostamente indispensáveis, levantar e andar. 
O Brasil pratica um juro básico real de 6%. Aqui, uma pergunta de leigo. O que mudaria se a remuneração real dos títulos do governo baixasse para 3%, num planeta em que os governos dos países desenvolvidos praticam juro real zero ou negativo? 
Iríamos à breca? O mundo acabaria? Tenho minhas dúvidas. 
Disseram que o mundo ia acabar quando a Constituinte enfiou um monte de direitos trabalhistas e sociais na Carta Magna. A licença-maternidade de quatro meses, por exemplo, provocaria o fim do emprego formal feminino. 
Para 2012, o salário mínimo brasileiro tem previsão de ir a quase 400 dólares. Mesmo descontada a hipervalorização do real, é um número glamouroso. 
O país, felizmente, não esperou pela solução estrutural definitiva de todos os problemas da previdência para aumentar decididamente o valor do mínimo. 
E o Brasil não acabou. Nem vai acabar. 
A decisão do Copom de baixar a taxa básica de juros em meio ponto percentual é animadora, ainda mais se for somente o início da caminhada. Ainda falta muito. Falta principalmente acabar com a espoliação das pessoas e empresas pelos bancos. 
Se Dilma quiser mesmo avançar nessa trilha, e se conseguir, nem que parcialmente, já terá justificado o mandato dela. 

AutonomiasOuvem-se lamentos pela suposta perda de autonomia do Banco Central. 
A autonomia não é um fim em si mesma. Qualquer instituição da República recebe o bônus ou paga o ônus pelo exercício das atribuições. 
Se age bem, fortalece-se. Se age mal, enfraquece-se. 
A Câmara dos Deputados, por exemplo, exerceu sua autonomia ao absolver na terça-feira a deputada Jaqueline Roriz. Os que não gostaram pediram uma limitação na autonomia dos deputados. 
Pediram o fim do voto secreto. 
O voto no Copom também é secreto. Sabe-se o resultado das votações, mas não se sabe quem votou como. 
Contra esse voto secreto não se notam tantas reclamações assim. 
Curioso. 

EDITORIAL - O GLOBO - Nova CPMF não se justifica


Nova CPMF não se justifica
EDITORIAL
O Globo - 02/09/2011

Os recursos para os sistemas públicos de saúde têm aumentado significativamente em decorrência da vinculação de parte da arrecadação federal aos gastos desse segmento. A legislação estabelece que algumas contribuições, como a Cofins (incidente sobre o faturamento) e a Contribuição Social Sobre o Lucro, devem prioritariamente financiar despesas de saúde e seguridade social.

A receita obtida com a Cofins tem evoluído de acordo com a trajetória da economia, mas a da CSSL vem aumentando muitos pontos acima, até mesmo porque os grandes contribuintes auferiram bons lucros nos últimos semestres.

Não satisfeitos com essa arrecadação recorde, governadores articulam no Congresso - e, ao que parece, com apoio não explícito de áreas do governo federal, o que é contraditório diante do discurso favorável a uma desoneração tributária - a ressurreição da CPMF, de triste memória.

Como sempre, a aprovação de mais um tributo se justificaria por uma boa causa. A população mais pobre é mal atendida pelos serviços públicos de saúde, e não tem a quem recorrer. Os governantes, por sua vez, alegam que a Saúde custa caro e não podem oferecer melhores serviços por falta de recursos. Um tributo específico para o segmento resolveria, então, o problema. Ainda mais que seria uma alíquota baixa, quase imperceptível, incidente sobre movimentações financeiras.

Ora, o país já passou por essa experiência. O tributo surgiu inicialmente sob forma de imposto provisório, expirou, e ressurgiu como contribuição provisória (CPMF). Em ambos os períodos, não houve avanços significativos nos sistemas públicos de saúde. O dinheiro carimbado serviu apenas para que se protelassem mudanças de estrutura, organização e gestão que, quando foram postas em prática, ainda que modestamente, sob a premissa de escassez de recursos, contribuíram para avanços no setor.

A alíquota baixa não significa que o tributo seja inofensivo. Como o imposto ou a contribuição incide em cascata sobre as cadeias produtivas, pode chegar a onerar os preços em 3% ou mais, como correu com a famigerada CPMF, revogada pelo Senado em dezembro de 2007. Por essa razão, não se trata de um "ovo de Colombo". É uma experiência que sequer tem sido cogitada por outros países em crise financeira, e que enfrentam também problemas para financiar seus sistemas públicos de saúde.

A Saúde deve merecer mais atenção dos governantes. Não há solução fácil para os problemas do setor, haja vista as dificuldades que até mesmo países ricos hoje enfrentam para assegurar sistemas públicos de qualidade. Mas existem exemplos no próprio Brasil de iniciativas bem-sucedidas e que deveriam ser multiplicadas.

A pior das saídas - e talvez a mais cômoda para os governantes e políticos - é a ressurreição de um tributo tipo CPMF. O país tem pela frente a perspectiva de evoluir economicamente nos próximos anos, alcançando um patamar de desenvolvimento que se refletirá nas questões sociais. Há ainda obstáculos nesse caminho, e uma nova CPMF seria mais um deles.

ROBERTO FREIRE - Quem paga essa conta?


Quem paga essa conta?
ROBERTO FREIRE 
Brasil Econômico - 02/09/2011

Em vez de arrochar salários e benefícios dos trabalhadores, propomos cortar ministérios e reduzir cargos comissionados

Segundo o boletim do Banco Central de agosto, no item resultados fiscais, o montante de dinheiro referente aos juros nominais reservados para pagamento entre janeiro e julho do corrente ano chegou a R$ 138,5 bilhões. Para o mesmo período do ano passado o valor foi de R$ 109,2 bilhões. São R$ 29,3 bilhões pagos a mais. Segundo o mesmo boletim, a causa está no reajuste da Selic e na inflação, que são dois dos principais indicadores para remuneração da dívida.

Essas informações lançam luz sobre uma outra da qual não se dá muita atenção, a saber, o custo de nossas reservas cambiais. Segundo noticiado pelo jornal

O Estado de S.Paulo, nossas reservas internacionais produziram um prejuízo R$ 44,5 bilhões para o Banco Central no primeiro semestre deste ano. A rentabilidade das reservas não cobre o custo da compra de dólares por parte do BC, graças à depreciação da moeda americana e os baixíssimos rendimentos pagos pelo tesouro americano. Tal prejuízo será coberto pelo tesouro, ou seja, pela sociedade brasileira.

O ministro Mantega recentemente parecia bastante orgulhoso ao declarar que o governo iria reter do Orçamento Público Federal mais R$ 10 bilhões que serão poupados para elevar o superávit primário e irão ajudar a pagar juros no próximo exercício. Os recursos serão cortados de investimentos em áreas essenciais, como educação, saúde e segurança, já que no atual governo, como no anterior, o custeio é sagrado e intocável.

Olhando para a origem da atual inflação e para a série de aumentos da taxa Selic é fácil perceber que ambas tiveram origem nos gastos monumentais do expresidente Lula na intenção de eleger Dilma Rousseff, nas eleições de 2010.

É louvável a preocupação em “reduzir” os juros. Infelizmente, juros não baixam por decreto ou pela vontade dos políticos. Juros se reduzem com um trabalho sério, onde os tributos recolhidos sejam empregados em despesas que realmente tenham significado para a nação e não para a sobrevivência política dos que estão no poder. Carregar a dívida pública está hoje mais caro que a Selic por causa do impacto do aumento das reservas internacionais e dos empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES, sem nenhum tipo de controle por parte do Legislativo.

Assim, enquanto a Selic média ficou em 9,8% em 2010, a chamada taxa de juros “implícita” da dívida, que na prática representa seu custo ao longo do ano, atingiu 14,9%. Para 2011, a previsão do Banco Central para a taxa é de 14,03%.

Se quisermos, de fato, ter uma taxa de juro civilizada é necessário um trabalho duro, depois da farra de gastos do final do governo Lula. Será isso que equilibrará no fim do dia as despesas e receitas, evitando que o governo precise entregar a alma para os banqueiros em busca de recursos para rolagem da dívida pública e sustentar seus gastos além do que arrecada.

Então, em vez de arrochar salário e benefícios dos trabalhadores e aposentados, propomos começar cortando ministérios e reduzindo drasticamente cargos comissionados, fonte de aparelhamento do Estado, e fechar os dutos de corrupção que se tornaram sumidouro dos recursos públicos no governo Lula-Dilma, sem falar dos projetos faraônicos como o Trem-bala, que ninguém sabe até hoje quanto custará.
Sem isso estaremos como o cachorro correndo atrás da própria cauda.

ANCELMO GOIS - Antropofagia

Antropofagia
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 02/09/11

FH, 80 anos, almoçava com um amigo, quarta, no La Brasserie, em São Paulo, quando o garçom lhe fez uma confidência:
— Presidente, está vendo aquela mesa com sete mulheres? Fui anotar os pedidos, e uma delas disse que queria mesmo era almoçar... o senhor.

JUNTANDO OS BOIS
Vem aí uma nova fusão no mundo das carnes e frigoríficos.

SEGUE...
Nosso sex symbol recebeu a história com muita graça.

JOGOS ON-LINE
A Caixa Econômica prepara novidades nas suas loterias. Pretende criar um sistema on line de Loteria Esportiva com apostas jogo a jogo.

ROMÁRIO VENDADO
Romário, pai de uma menina com síndrome de Down, abraçou mesmo a causa dos portadores de deficiência.
Dia 16, em Volta Redonda, RJ, jogará futsal com os olhos totalmente vendados contra um time de cegos, na Olimpede 2011.

PEDIU O BONÉ
Marta Porto, secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, pediu demissão à ministra Ana de Hollanda.

QUEDA DE JUROS
Pode ser papo de perdedor. Mas gente na Bovespa sugeria ontem que a CVM apure quem aplicou na queda de juros, na contramão do mercado. A suspeita é que a informação possa ter vazado. Será?

PASSIONE
Passione, de Sílvio de Abreu, dirigida por Denise Saraceni, ganhou o prêmio de melhor novela no Seoul International Drama Awards, na Coreia do Sul.
Sílvio e Denise receberam o prêmio de US$ 3 mil, em Seul, e doaram o valor ao Projeto Criança Esperança.

LOS HERMANOS
Os argentinos estão animados para o primeiro jogo, em Córdoba, pelo Superclássico das Américas, contra o Brasil, dia 14.
Ontem, às 10h, a fila para comprar ingresso dava volta no quarteirão do estádio. O segundo jogo será dia 28, em Belém.

NY É UMA FESTA
Além de Dilma, que abrirá a sessão da ONU, o vice Michel Temer vai a Nova York este mês.

TEMPLO É DINHEIRO
A Piauí que chega hoje às bancas traz um perfil do telepastor Silas Malafaia, que faz cruzada contra os gays.
Silas, que usa um jato Gulfstream III comprado por sua igreja, diz que seu patrimônio se resume a uma casa, quatro apartamentos pequenos no Recreio, outro no Espírito Santo e um imóvel em Boca Raton, Flórida.

OS PÉS DE EIKE
Da doutora Rosa Célia, arrancando gargalhadas de Eike Sempre Ele Batista, quarta, ao receber dele um cheque de R$ 30 milhões para finalizar as obras do Hospital Pró-Criança Cardíaca:
— Meu filho, se este dinheiro fizer falta um dia, prometo que vou limpar, lavar, passar e cozinhar na sua casa. Faço até massagem nos seus pés...

FALSA PSICÓLOGA
Beatriz da Silva Cunha, a falsa psicóloga que atendia crianças autistas, e seu marido, Nelson Antunes de Farias Júnior, continuarão atrás das grades. A decisão é do juiz da 11ª Vara Criminal do Rio, Alcides da Fonseca Neto, que indeferiu um pedido de relaxamento de prisão.

JAPA GOSTOSA


ILIMAR FRANCO - Geração espontânea


Geração espontânea 
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 02/09/11

A presidente Dilma fica irritada cada vez que seus líderes no Congresso defendem a criação de um novo imposto. Na campanha eleitoral, ela assumiu o compromisso de reduzir a carga tributária. O último a contrariála foi o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ao defender um imposto para a saúde. O governo não acha ruim, tanto que está propondo aumentar impostos de cigarros e bebidas, e do DPVAT, mas não quer arcar com o desgaste.

Governo se precavê no Senado
O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), comprometeram- se com o governo que o partido não vai apoiar, na votação da Emenda 29, o aumento do financiamento federal para a Saúde de 7% para 10% da receita bruta da União. O compromisso foi feito em reunião anteontem, da qual participou o ministro Alexandre Padilha (Saúde). Quanto ao PT, o Palácio do Planalto está mais tranquilo, porque o autor da proposta, o governador Tião Viana (PTAC), não está mais no Senado. A presidente Dilma não quer passar pelo desgaste de ter que vetar a medida.

"Eu fui PFL. Eu fui DEM. Eu fui Antonio Carlos Magalhães. Agora eu sou Dilma” — Paulo Magalhães, deputado federal (PSD-BA), em reunião do novo partido com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais)

RUSGA. O PCdoB formalizou ontem a candidatura do deputado Aldo Rebelo (SP), na foto, ao TCU. Ele deverá ter votos nos partidos de esquerda, na bancada ruralista, no PSDB e no DEM, e, informalmente, tem o apoio do Palácio do Planalto. A decisão causou mal-estar no aliado PSB, que lançou a deputada Ana Arraes (PE). “Antes de lançá-la, o PSB consultou o Aldo duas vezes, e ele disse que não seria candidato. Esse comportamento não foi correto”, disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Candidatura única
Com a retirada de Sérgio Carneiro (PT-BA), os petistas decidiram que não terão candidato para a vaga de ministro do TCU. O líder Paulo Teixeira (SP) está fazendo um apelo pela unidade para os cinco candidatos dos partidos aliados.

Com Obama
A presidente Dilma vai participar, ao lado do presidente Barack Obama, dia 19, em Washington, de reunião de chefes de Estado da Aliança para Governos Transparentes. Depois, terão um encontro para tratar de relações bilaterais.

UNANIMIDADE. Senadores e deputados, do governo e da oposição, fizeram discursos ontem elogiando a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic.
 COMENTÁRIO de banqueiro de uma grande instituição: “Na economia, o Fernando Henrique entrou para a História com o combate à inflação; o Lula, com a redução da pobreza; e a Dilma quer ser a presidente do juros de um dígito.”
 PELAS REDES SOCIAIS está sendo convocada uma Marcha Contra a Corrupção no 7 de Setembro, em Brasília. A concentração será no Museu da República.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Inside out
SONIA RACY
 O Estado de S.Paulo - 02/09/2011

Dados da BM&F mostram um aumento sensível das posições de pessoas físicas na inesperada redução de juros de meio ponto porcentual.

A CVM deveria olhar.

Rede ou retranca?
O mercado estava ontem totalmente dividido sobre a decisão do Copom.

Ambos os lados tinham argumentos conclusivos sobre a questão, na linha São Paulo versus Corinthians.

Sem açúcar
Pelo que esta coluna apurou ontem, conselheiros do Pão de Açúcar, que assistiram à reunião do conselho consultivo, não gostaram da atitude de Jean-Charles Naouri, do grupo Casino.

O francês deixou claro, ali, acreditar que alguns dos presentes não entendem nada de varejo. Dois deles, inclusive, retrucaram agressivamente, na mesma moeda.

Naouri alertou que não quer briga, só não aceita a fusão. E destacou que, entre todos os envolvidos, o que melhor conhece o mercado europeu é ele. Abilio Diniz e André Esteves não estariam lhe dando esse crédito.

Onde se deu o encontro? Na sede do Pão de Açucar, em São Paulo. E Naouri está hospedado no Hotel Fasano.

Estetoscópio
A Fiocruz suspendeu ontem compra realizada - sem licitação - de software orçado em R$ 365 milhões. Isto é, surtiu efeito o pedido de esclarecimentos técnicos da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde feito à Fundação.

A entidade apontou dois percalços principais na contratação da Alert: ela não teria o certificado mais importante para operar (o da própria SBIS) e o preço cobrado. Além disso, empresas nacionais afirmam fabricar produtos semelhantes ao da empresa portuguesa. Com custos mais baixos.

Haverá licitação?

Questão de forma
João Câmara, do grupo de Zé Aníbal, tem sugerido prévias restritas para escolher o candidato do PSDB à Prefeitura. Permitindo apenas votos de militantes que sejam membros de diretórios zonais.

Já Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Julio Semeghini defendem formato mais amplo, em que possam votar todos os filiados do partido na capital.

À passarinho
Rihanna enviou suas exigências ao Rock in Rio 2011. Apaixonada por frango (gastronomicamente falando), pediu Cup Noodles sabor galinha. Para rebater, água vulcânica Fiji. E terá dois camarins exclusivos, com rosas vermelhas.

Rumo ao Centro
É dado como certo: o Comitê Paulista para a Copa do Mundo e a Secretaria de Planejamento devem ser instalados no prédio do Itaú, no centro, que está sendo comprado pelo governo do Estado.

Mão de obra
Pedreiros, carpinteiros e montadores de andaimes, todos ex-detentos, vão ajudar a construir o estádio do Corinthians, o Maracanã, a Fonte Nova e a Arena Pernambuco. Fazem parte do programa Começar de Novo, criado pelo CNJ e que tem o apoio da Odebrecht.

Axé
Flora Gil, por meio de Lilibeth Monteiro de Carvalho, acertou com Romero Britto. O artista fará as camisetas do Expresso 2222 neste carnaval.

Além da Zara
Trabalho escravo será fio condutor de um documentário produzido por Paula Villela Barreto Borges. O longa vai abordar casos denunciados ou descobertos pela fiscalização da Secretaria de Inspeção do Trabalho, acompanhando as equipes pelo Brasil.

Desenho
O povo do cinema realmente não dá sossego a Chico Xavier. Depois de dois longas e vários documentários, o médium é agora personagem de... animação. Trata-se de projeto para a TV, adaptação do livro Chico, o Menino Aluado, de Ada May.

Na frente
Esteban Feune de Colombi abre a exposição fotográfica Americanizado, sobre sua road trip pelos Estados Unidos. Amanhã, na Loja & Galeria do Bispo.

Maria Fernanda Candido e Celso Loducca conversam com Marília Gabriela, Serginho Groisman, Ronnie Von e Ricardo Kotscho, no curso Grandes Entrevistadores na Casa do Saber. A partir de hoje.

A Mostra 3M de Arte Digital, com curadoria de Julius Wiedemann, começa hoje. No Memorial da América Latina.

Ruth Slinger inaugura exposição hoje no MIS.

A mostra Retratos Calados, de Pablo Di Giulio, abre segunda. Na Mônica Filgueiras.

RUY CASTRO - Torcidas em paz

Torcidas em paz
RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 02/09/11 

RIO DE JANEIRO - Eu não estava lá, nem em qualquer lugar, mas os veteranos me contaram. A primeira torcida organizada do Brasil nasceu em outubro de 1942, quando um cidadão chamado Jayme, 31 anos, baiano, Flamengo doente, porteiro da Polícia Federal e morador das Laranjeiras, sugeriu a seu vizinho Manuel, idade e profissão não sabidas, português, mas também Flamengo, pintarem uma faixa de morim com os dizeres "Avante Flamengo" e a abrirem na arquibancada do Fluminense, no Fla-Flu daquela semana.
O que eles fizeram, no meio do jogo. O pessoal do Fluminense cochichou alguma coisa, mas deixou estar. Ao fim da partida, que terminou em empate, Jayme e Manuel, cada qual numa ponta, saíram correndo com a faixa pelo gramado. Nunca se vira aquilo. A polícia fez menção de abotoá-los, mas os jogadores do Flamengo se juntaram à volta olímpica. E, então, surpresa: as sociais do Fluminense aplaudiram.
Nos jogos seguintes, mais faixas e adesões. Laura, 23, mulher de Jayme, também portuguesa e também Flamengo, passou a costurar bandeiras para o grupo que só fazia crescer. Para os jogos no subúrbio, fretavam bondes e saíam, embandeirados e cantando, do largo da Carioca. Uma banda militar se incorporou para tocar marchinhas -Ary Barroso ouviu-a e reduziu-a a uma charanga desafinada. Pois ali se chamou Charanga, com monograma bordado na camisa.
O "Jornal dos Sports", do idem rubro-negro Mario Filho, a promoveu. O Flamengo foi campeão em 1942-43-44 e todo ano havia Carnaval fora de época. Os outros clubes foram atrás com suas organizadas, comandadas por amigos de Jayme, que lhes emprestou know-how -as torcidas eram famílias, não podia haver fogos nem palavrões. E assim, por muitos anos, elas conviveram em paz.
Jayme de Carvalho morreu em 1976. É nome de rua em Realengo.

MARINA SILVA - É ilegal e desmata

É ilegal e desmata 
MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 02/09/11

Na última semana, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) entregou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado seu relatório sobre o projeto do Código Florestal. Não surpreendeu.
Manteve todos os vícios de origem, que agridem a Constituição, trazem insegurança jurídica e incentivam novos desmatamentos. Poderia ter melhorado, agregando contribuições dos cientistas e especialistas ouvidos no Congresso.
Poderia ter esperado a reunião com juristas. Mas não. Passou recibo e assinou embaixo.
Já se esboça operação política para que, rapidamente, esses retrocessos sejam legitimados. No Senado, parece haver articulação entre governo e ruralistas para que se aprove o projeto com rito sumário na CCJ. É o que se depreende da manifestação pública da ministra do Meio Ambiente, sinalizando aprovação ao relatório, e das declarações da presidente da Confederação Nacional da Agricultura à imprensa sobre um suposto acordo com o relator na Comissão de Meio Ambiente, Jorge Viana (PT-AC), para votá-lo até outubro.
As coisas começam a ficar mais claras. Senão, como entender a lamentável decisão de entregar a relatoria de três das quatro comissões que analisam o Código no Senado para um mesmo senador, aquele que fez uma lei estadual flagrantemente inconstitucional, reduzindo a proteção das florestas em Santa Catarina, equívoco que, agora, está propondo para todo o país?
Repete-se o distanciamento entre a posição do Congresso e a vontade da sociedade, acrescido da tentativa de criar a falsa sensação de que o projeto é equilibrado e bom para as florestas. Isso não é verdade.
Nenhuma das sugestões dos ex-ministros do Meio Ambiente foram consideradas.
Tampouco as dos cientistas.
Segundo uma primeira avaliação do Comitê em Defesa das Florestas, integrado por CNBB, OAB, ABI, entidades ambientalistas, sindicais e empresariais, o relatório não só não corrige os retrocessos, mas os consolida e aprofunda (ver minhamarina.org.br).
Transferir competências da União para os Estados vai promover uma guerra ambiental e gerar legislações permissivas, antiambientais e irresponsáveis. Juristas de renome, como o ministro Herman Benjamin, do STJ, têm alertado para a necessidade de observância do princípio jurídico da "proibição de retrocessos".
Ele entende que o projeto reduz a proteção das florestas, em vez de ampliá-la.
O debate no Senado pode ser mais amplo, profundo e sem pressa. Todos os argumentos e questionamentos devem ser analisados com isenção. É inaceitável que a manobra rural-governista em curso coloque por terra a esperança depositada no Senado e nos compromissos de não retrocesso assumidos pela presidente Dilma.

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Morrer em São Paulo

Morrer em São Paulo
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 02/09/11 

SÃO PAULO - Velórios sem a presença do defunto; cadáveres à espera de remoção, em casa, em hospitais ou no IML; enterros realizados em condições precárias, até três dias depois da morte. Parece o fim do mundo, mas é São Paulo.
Habituada a transtornos vários, a cidade agora incorporou mais esse, de aspecto surreal, ao seu repertório: o caos funerário.
Em condições normais, quando supostamente funciona, esse serviço já costuma expor as pessoas a situações humilhantes. No seu momento de maior vulnerabilidade, famílias são submetidas a exigências e taxas absurdas, quando não a achaques e maus-tratos explícitos. Sob a burocracia kafkiana, há uma máfia que explora o monopólio desse "negócio da morte".
A situação que se instalou na cidade nos últimos dias é de descalabro. Os funcionários do serviço funerário entraram em greve desde terça e decidiram, ontem, estendê-la pelo menos até segunda-feira.
Salvo algum recuo, até lá homens da guarda municipal, em número insuficiente, terão de transportar os mortos, que devem ser enterrados pelo pessoal da limpeza dos cemitérios (que é terceirizado), já que os motoristas e os coveiros estão de braços cruzados.
É a segunda greve desses servidores em pouco mais de dois meses, algo inédito. Em junho, a primeira paralisação, de dois dias, afetou todos os 22 cemitérios públicos da cidade e deixou pelo menos 120 corpos na fila, à espera de enterro.
É possível que algo pior esteja acontecendo agora. Não dá para engolir uma greve como essa, com implicações tão cruéis, mas o que fez o prefeito para evitar a sua repetição em período tão breve, além de dizer, diante do caos, que agora será "implacável"? O serviço, como se diz, é "essencial", mas aqueles que o realizam são descartáveis.
A incompetência da prefeitura transformou a cidade numa Sucupira pelo avesso. Odorico não tinha mortos para enterrar. São Paulo não consegue enterrar os seus.

BARBARA GANCIA - Os Jackson 5 de Brasília

Os Jackson 5 de Brasília
BARBARA GANCIA 
FOLHA DE SP - 02/09/11

Os Roriz são como os Gracie, em que uma vocação apenas acaba prevalecendo


HÁ COISA de uns três séculos, acompanhei o repórter policial Gil Gomes em uma acareação no Deic. Naquele dia, um policial civil seria colocado frente a frente com uma mulher acusada de atirar em sua esposa para vingar a prisão que ele fizera do amante ou de um dos tantos amantes dela.
O crime ocorreu em um ponto de ônibus. A vítima, acompanhada do marido, trazia o bebê recém-nascido no colo. O tiro, desferido de um carro em movimento, acabou matando mãe e filho.
O dia do crime tinha sido a última vez em que o policial vira a mulher que agora acusaria formalmente. Estava muito aflito, não conseguia sentar e não parava de secar o rosto com um lenço.
Gil Gomes puxou o delegado de lado e cochichou: não seria mais prudente pedir ao rapaz que tirasse a arma do coldre antes que ela entrasse na sala? O ambiente estava carregado. O delegado deu a ordem e o rapaz lhe entregou a pistola.
Alguém veio avisar que a suspeita estava a caminho. Nunca vou esquecer o momento em que ela entrou na sala. Ela chegou com a expressão da Monalisa, um paradoxo total, e assim que cruzou a porta passou a fitar o policial no que era evidentemente uma atitude de confronto, mas sem perder a serenidade. "Não pode ser", pensei. "Que cara-de-pau!"
De tão fria, ela chegava a parecer espiritualizada. Eu imaginava encontrar a menina de "O Exorcista" e me deparei com uma madonna renascentista. Não dava para sentir um espasmo de remorso num raio de cem quilômetros à sua volta.
Foi uma cena de arrepiar. Assim que o policial a viu, explodiu num choro tão poderoso que teve de ser retirado da sala. E ela, sabendo-se vitoriosa, abriu um sorriso rasgado de gato da Alice no País das Maravilhas.
Quando tudo terminou, Gil Gomes veio com um ensinamento: "Tem muito mais homem bandido, mulheres são a minoria. Mas, mulher quando dá para ser criminosa, sai de baixo". O delegado concordou com a cabeça.
Ontem revi o vídeo de Jaqueline Roriz recebendo propina para verificar se reconhecia ali algo da mulher da acareação.
A despeito da postura de quem não sabe se acende a luz ou solta um pum e das bochechas artificiais que lhe conferem o ar de ingenuidade do boneco Fofão, a mulher foi colhida no crime e conseguiu se safar. Não pode ser subestimada, yes?
Mas foi daí que eu lembrei de quem ela é filha. Aqueles debates de dona Weslian Roriz, Krusty improvisado na última eleição a governador do Distrito Federal, ainda voltam para assombrar. Com a palavra:
"O meu governo não vai ter irregularidades nenhuma"; "Sou uma pessoa severamente nessas coisas"; "Sou de um princípio muito bom"; "Não vamos cometer nenhuma corrupção, eu creio nisso"; "Então eu fui criada, que a honestidade, na minha casa, na minha família, era coisa primeira que tinha"; "Então eu não concordo com corrupção, eu quero defender toda aquela corrupção"; "Tudo aquilo que aconteceu, nós não temos responsabilidade nenhuma".
Isso mata a charada? Não é que as mulheres da família sejam anastacias ou drizelas ou andem por aí montadas em vassouras. Os Roriz são como os Gracie da luta ou os Grael da vela, o tipo de família em que, vocacionados ou não, todos fazem o mesmo tipo de trabalho.

DORA KRAMER - Falar mais alto

Falar mais alto
DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo

São conhecidos os temores, as desconfianças e as insatisfações do PMDB em relação ao PT. Mas a recíproca, embora mais silenciosa, também é verdadeira.

Se os pemedebistas acham que os petistas lhe aprontam uma emboscada para em 2012 tentarem tirar o partido do maior número possível de prefeituras de forma a alterar a correlação de forças no País e, mais adiante, em 2014, romper a aliança e de vice, os petistas consideram que perdem terreno para o parceiro preferencial no Congresso.

"O PMDB fala mais alto", é a constatação.

O panorama é visto a partir da Esplanada dos Ministérios e mostra um PT subalterno ao PMDB tanto na Câmara como no Senado. A ideia, até como preparativo para a briga de 2012, é que os petistas comecem para valer a disputar espaço dentro do Parlamento de forma a influenciar os outros partidos da coalizão.
Por essa análise, o PT não conseguiu assumir um papel relevante no Legislativo, deixando a tarefa ao PMDB, cujo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves, é visto com certa inveja. Na concepção petista, ele consegue impor uma agenda, coisa que o partido que detém a Presidência da República, a presidência da Câmara e 18 ministérios não faz.
E precisa urgentemente começar a fazer a fim de não ser conduzido pelos interesses da outra parte que, por esse modo de ver as coisas, é tratada mesmo como adversária.
Há insatisfação e desconforto com as divisões internas na bancada do PT que fragilizam o partido no Congresso e o impedem de consolidar mais essa hegemonia.
De onde se conclui que as suspeitas do PMDB de que há perigo na esquina não são de todo infundadas.
Capitulando. O PT nacional trabalha com a informação de que a senadora Marta Suplicy pode ser dura na queda, mas não resistirá à ofensiva do ex-presidente Lula em prol da candidatura de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e que desiste de concorrer. É só uma questão de tempo.
O tempo este que, além de senhor da razão, altera pensamentos. Em 2010, Lula convenceu Aloizio Mercadante a disputar o governo de São Paulo alegando que o PT deveria "persistir" em certos nomes a fim de firmar a identificação deles com o eleitorado.
Para 2012, justifica a preferência em Haddad dizendo justamente o contrário: que é preciso apostar numa figura nova. No PT não se cobra que Lula explique, mas há quem gostaria muito - como Mercadante e, provavelmente, Marta - de entender.
Turismo. A denúncia de duas dezenas de envolvidos em desvios de verbas no Ministério do Turismo, feita pelo Ministério Público do Amapá, não altera a situação de Pedro Novais.
Por enquanto. O governo já concluiu que está "tudo errado" na pasta de fundamental importância para o Brasil, notadamente em função dos vários eventos internacionais que ocorrerão aqui a partir de 2013, e já começa a elaborar uma política nacional de turismo que começará por acabar com a pulverização de recursos em convênios.
A reforma, ainda sem data para ser concluída, resultará em mudanças profundas no ministério. Incluído aí o titular da pasta.
Três instâncias. Há o petismo, há o lulismo e agora também há o dilmismo. O último quase sempre se contrapõe ao primeiro, mas nem sempre ao segundo.
Recentemente houve dois casos de divergências. Um deles disse respeito aos afagos da presidente Dilma no ex-presidente Fernando Henrique.
Dilmistas acham que ela só tem a ganhar ao se mostrar politicamente ampla e pessoalmente civilizada, mas lulistas consideram que quando contemporiza com tucanos a presidente "dá asa a cobras".
O outro ocorreu em relação à dita "faxina" ética. O dilmismo alimentou, mas o lulismo incentivou o recuo a fim de evitar comparações que resultem negativas para a chefia da tendência.
Para o dilmismo não ficou de todo mal, já que a retirada foi debitada na conta das pressões dos partidos aliados.