sexta-feira, agosto 05, 2011

NELSON MOTTA - Elas, eles e nós

Elas, eles e nós
NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo - 05/08/11
Elas prestam serviços relevantes na construção do País, têm prestigio internacional, criam empregos e geram divisas. Mas por que nas grandes falcatruas, propinas e licitações viciadas em ministérios e estatais elas estão sempre envolvidas? Muitas vezes a Polícia Federal e o Ministério Público conseguem provas robustas de corrupção contra políticos, funcionários e empresários, às vezes alguns são demitidos, outros até são presos e obrigados a devolver os roubos. Mas nunca se viu uma grande empreiteira condenada por suborno. No Brasil, além dos recursos não contabilizados, criou-se a figura do corrupto sem corruptor, como uma moeda podre de uma só face.

Os advogados das empreiteiras, entre os mais caros e competentes da praça, usam seus conhecimentos legais e pessoais para anular processos, arquivar denúncias e desqualificar provas e testemunhas contra seus clientes. Na outra ponta, os corruptos pegam carona. Já vimos até deputados algemados, mas nunca um diretor de empreiteira na cadeia ou pagando uma multa milionária por ceder a extorsões ou oferecer propinas.

Não por acaso, são elas as maiores patrocinadoras das campanhas eleitorais, doaram 2,5 bilhões, 77% do total, democraticamente ( rs ), para todos os grandes partidos e até para alguns pequenos, pavimentando suas futuras relações de trabalho. Como e onde vão recuperar esse investimento? Diz a lenda que empresas que não pagam propinas e agem dentro da lei perdem mercado para concorrentes desonestas, que molham as mãos que assinam os cheques. Um problema insolúvel, elas se lamentam, mas sempre foi assim, o que se há de fazer? É a tese do jabá defensivo, tão cínica e deslavada como chamar o roubo para o partido de caixa 2.

Mas empresa vota? Se não vota não deveria participar de eleições. Para mudar radicalmente esse quadro não se precisa de financiamento público, basta não permitir contribuições de pessoas jurídicas, afinal são os cidadãos, como indivíduos, que escolhem seus candidatos e trabalham por eles. Com doações individuais e limitadas as eleições seriam bem mais limpas e democráticas, mas quem quer isso?

MÍRIAM LEITÃO - Bolhas e Pânicos


Bolhas e Pânicos
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 05/08/11
Explicações, existem muitas. Mas não são suficientes para justificar o nervosismo das bolsas e o fato de o Brasil ter a maior queda acumulada no ano. Pior que a queda foi a volatilidade. A bolsa ontem descia muito e se recuperava, para voltar a cair. Todas as explicações têm alguma razão, mas ontem houve um episódio de pânico que tem tanta lógica quanto as bolhas, ou seja, nenhuma.

Em momentos assim, de alta sem fundamento e queda livre, não há lógica. Apenas a manada. Como o mercado americano diz, é urso (queda) ou touro (alta). Os movimentos de queda se ampliam às vezes só porque é necessário conter a sangria: interromper o processo de perda, livrando-se daquelas ações. Os grandes investidores fazem suas apostas, ou corridas, provocam o maremoto que joga os pequenos poupadores de um lado para o outro.

A explicação mais comum ontem no mercado era que a situação internacional está ruim. Nenhuma novidade, porque está assim desde o começo do ano. Esperados e inesperados atingiram a economia mundial muito mais do que o previsto. O Japão enfrentou terremoto, tsunami, desastre nuclear, que afetaram algumas cadeias produtivas. O petróleo subiu acima do que se imaginava puxado pelas revoltas na África. A Europa teve um desdobramento da crise fiscal e de dívidas. Era previsível, mas visto de perto tudo tem parecido ainda mais feio. Os Estados Unidos viveram semanas numa situação patética na qual revelaram fraqueza econômica e política.

Tudo isso aponta para um crescimento menor do mundo. Isso pode derrubar o preço das commodities. Se elas caírem, o Brasil seria afetado porque tem sido beneficiado pelos preços em alta das matérias-primas que exporta.

Evidentemente, o Brasil é atingido pela crise mundial, mas não faz sentido que seja "o" mais afetado na bolsa. Bolsa não é atestado médico: nem de saúde, nem de doença. Tem seus movimentos e alguns são determinados por esses eventos mais da natureza psicológica que econômica: euforia e pânico. Ontem, foi um episódio do segundo tipo. Até pela volatilidade que se viu ao longo do dia inteiro. Abriu com -2%, desceu a -6,05%, voltou a -4,49% e terminou em -5,72%.

Há explicação mais direta: a de que os mercados estão como cegos em tiroteio, pensa a economista Monica de Bolle, da Galanto:

- Todo mundo chegou à conclusão de que a economia mundial tem um teto para crescer mas não tem um chão para cair. Por isso, há uma reprecificação de risco, mas o movimento é exagerado. Se amanhã (hoje) o dado de desemprego americano vier forte, as bolsas vão subir.

Hersz Ferman, analista da Yield Capital, disse que o Brasil está apanhando muito porque lá fora se tem a percepção de que há no país uma bolha de crédito. Há muitas matérias falando disso na imprensa internacional.

Roberto Padovani, do West LB, admite que explicar o mau humor dos últimos tempos é mais fácil do que encontrar a razão concreta para o forte pessimismo de ontem:

- A explicação do dia é difícil de achar. É o acúmulo de incerteza ao longo dos últimos dois meses. Incerteza sobre a crise europeia, o crescimento americano. Houve valorização excessiva em 2009, muito rápida, na bolsa brasileira. Este ano há uma desaceleração econômica em curso no Brasil, mas ninguém sabe a magnitude.

Outro motivo apontado por 10 em cada 10 analistas é que há dúvidas sobre governança das duas grandes empresas brasileiras, que juntas representam 30% do Ibovespa: Vale e Petrobras. Uma é privada, mas passou a ser administrada como estatal; outra é estatal, mas tem ações em bolsa e até o preço da gasolina tem que ser decidido pelo Palácio do Planalto.

Ontem, houve quedas assim: MMX, 17%; Marfrig, 14%; LLX, 13,5%; OGX 9,7%. Não foi um bom dia para os Xs. O Ibovespa estava caindo menos, mas aí as bolsas americanas despencaram: Dow Jones -4,3%; Nasdaq, -5%, S&P, -4,7%. A nossa foi junto. Culpa do fuso horário. A Europa já estava fechada quando o mercado urso pesou nos EUA e aí no fechamento o Brasil ganhou da Grécia: virou a pior queda do ano. No mercado de moedas, subiu quem? O dólar. A maioria das moedas caiu diante da fraca moeda americana, e até o ouro caiu. Os juros dos títulos de curto prazo do Tesouro americano foram a zero. Isso quer dizer que os investidores estão dispostos a financiar a quase caloteada divida americana com rendimento zero.

Motivos para se preocupar com o mundo existem tantos que é melhor falar do que não é motivo: o corte de gastos aprovado esta semana pelo Congresso americano. Ele, em si, é mais fumaça que fato. É que nada será cortado este ano. No ano que vem, apenas US$25 bilhões. Há uma trajetória de corte, mas futura, que acontecerá em outro momento, em outro governo, em outra situação da economia.

O que mais assusta todo mundo é o que não cabe em equações econômicas, nem pode ser quantificado, mensurado ou precificado: crise política. Na Europa, a piora esta semana da perspectiva sobre Espanha e Itália deixou claro que há um grave problema de governança na região. Até que ponto será possível os países pagadores pagarem? E quem são os países pagadores, além da Alemanha? E quanto de poder sobre decisões de política interna - em outra palavra, soberania - os países que receberão ajuda estão dispostos a ceder? A Europa é uma esfinge.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama comemorou seus cinquenta anos com mais cabelos brancos e menos capacidade de convencimento em sua liderança. Ele é visto como fraco por todos os lados, principalmente pelos seus correligionários. Mas uma divisão assustadora ocorre do lado conservador também. Que o mundo vai crescer menos do que se imaginava, todos já tinham entendido; mas o desconcertante é saber que há também uma crise política. Mas ontem foi um caso à parte. Um daqueles dias.

DESCULPA PARA COMER UMA BUNDA

FELIPE HERRERA - Compras coletivas: forma de capitalização?

Compras coletivas: forma de capitalização?
FELIPE HERRERA
VALOR ECONÔMICO - 05/08/11

Não é mais novidade que comprar produtos e serviços on-line se tornou um calvário para muitos consumidores. Diariamente vemos notícias sobre o recebimento de denúncias em relação a diferentes sites de comércio eletrônico pelo Ministério Público.

Os Procons têm aplicado multas e o Ministério Público tem firmado Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e ajuizado ações civis públicas para tentar coibir a não entrega das mercadorias compradas on-line, mas agora enfrentam um novo desafio: o de impedir que os chamados sites de compra coletiva se tornem, em detrimento do consumidor, uma nova forma de financiamento para empresas que veem a oportunidade de vendas em massa de seus produtos e serviços para entrega em prazo absurdamente longo, vilipendiando o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990). E também normas estaduais que dispõem sobre a entrega de produtos e serviços (leis nº 3.669/2001, no RJ, e Lei nº 13.747/2009, em SP).

Os sites de compra coletiva, ao permitirem que empresas vendam produtos não disponíveis em estoque ou serviços sem um prazo razoável para entrega, estão, na verdade, permitindo que empresas sejam subsidiadas pela poupança popular, já que estas podem receber antecipadamente por produtos de que não dispõem ou serviços que não prestaram e, assim, adquirir ou fabricar tais produtos e contratar pessoal para prestar os serviços já vendidos. Isto traria, a princípio, um benefício para a economia local, dinamizando as atividades empresariais e aumentando fluxos de caixa, não fosse feito em detrimento ao consumidor.

Sem poder de polícia, a regulamentação seria insuficiente para disciplinar o mercado

Sob esta ótica, os efeitos dos serviços prestados por sites de compra coletiva, de alguma forma se assemelhariam, guardadas as devidas proporções, à atividade de antecipação de recebíveis, no sentido de que os estabelecimentos estariam recebendo antecipadamente por seus produtos e serviços, com um deságio (desconto) - o que traria, no mínimo, questionamentos sobre o regime jurídico aplicável a esta atividade. Obviamente, dada a velocidade com que os negócios são fechados dentro da rede, não seria razoável que se exigisse dos sites a realização de uma "análise de crédito" dos estabelecimentos antes do fechamento das parcerias. No entanto, o consumidor, parte mais frágil da relação, considerado hiposuficiente aos olhos da lei, deve ser protegido.

Por isso, já vemos uma movimentação para se regulamentar a atividade desses sites no Brasil. Como se sabe, o deputado João Arruda (PMDB-PR) protocolou, no dia 4 de maio, um projeto de lei (PL nº 1.232/2011) que objetiva justamente isso. Dentre outras medidas pouco inovadoras, como a instalação obrigatória de Serviços de Atendimento ao Cliente (SACs), a proibição do envio de e-mails não solicitados e a responsabilidade solidária entre o estabelecimento ofertante do produto ou serviço e o site de compra coletiva - todas já exigíveis pelo Código de Defesa do Consumidor ou pela "Lei de Call Center" (Decreto nº 6.523/2008) -, está o prazo mínimo para a utilização dos cupons que, segundo o PL, deverá ser de seis meses, já que atualmente não há critérios para a validade da promoção e as ofertas têm prazos de entrega variados.

Apesar de louvável, o referido PL não protege o consumidor eficazmente, já que as empresas poderiam continuar a oferecer uma quantidade exorbitante de produtos e serviços, em detrimento da qualidade dos mesmos, dando margem a problemas de estoque e prazo de entrega. Se uma sorveteria, por exemplo, vende mil sorvetes em um dia através de um site de compra coletiva, é razoável prever que muitos consumidores comparecerão à loja em um mesmo dia, ávidos pelo sorvete comprado por um preço que o torna ainda mais apetitoso. Mas, provavelmente, não poderão utilizar seus cupons em virtude da falta de estoque. Outro exemplo seria o de alguém comprar uma massagem em um spa e, ao ligar para marcá-la, descobrir que só poderá usufruir de sua compra em 2012, quando o estabelecimento finalmente terá horário para atendê-lo. Isso pode ocorrer tanto pela venda excessiva de cupons, quanto pela preferência por clientes que pagarão o "preço cheio".

Ademais, em um ano, é possível que o consumidor esqueça o que comprou, ou que o estabelecimento que vendeu o produto ou serviço feche as portas, situação em que o consumidor terá que perseguir seus direitos contra o site.

Por esses motivos, caso não se estabeleça também um prazo máximo dentro do qual o estabelecimento deverá fornecer o produto ou prestar o serviço vendido dentro de padrão de qualidade aceitável, consumidores continuarão a ver suas expectativas frustradas. Além disso, o projeto de lei deve estipular uma multa expressiva aos transgressores e a suspensão, ao menos temporária, do direito de vender em sites de compra coletiva para os reincidentes em práticas desleais.

Os sites de compra coletiva são, aparentemente, um ótimo negócio para os próprios sites, que ganham com as comissões sobre as vendas, para os estabelecimentos, que aumentam suas vendas exponencialmente, e também para os consumidores, que acabam adquirindo produtos e serviços por preços menores. Na prática, contudo, muitas vezes acabam não sendo um negócio tão bom para o consumidor. Entretanto, se houver uma legislação específica que coíba práticas abusivas e proteja o consumidor final, poderá ser um excelente negócio para todos. Os sites defendem a autorregulação, mas este modelo, sem poder de polícia, seria insuficiente para disciplinar o mercado.

Os consumidores, hoje, já podem se socorrer do Código de Defesa do Consumidor e das mencionadas leis estaduais para defender seus direitos, mas as práticas lesivas continuam. As leis estaduais de entrega do RJ e SP, por exemplo, estabelecem que a fixação da data e hora para entrega do produto ou realização do serviço ocorrerá no ato da sua contratação. Desta feita, a constante inobservância desses dispositivos serve para corroborar a ideia de que o mercado carece de legislação específica.

A lei deve, como sempre, correr para alcançar os novos negócios e acompanhar o dinamismo da economia, sob pena de deixar os consumidores à deriva, sujeitos a serem engolidos por um peixe grande.

Felipe Herrera é advogado e sócio do escritório Herrera & Valença Advogados responsável pelas áreas de contratos, empresarial e private equity/venture capital. É formado em relações internacionais pela Ursinus College, nos Estados Unidos, em direito pela UERJ e pós-graduando da PUC-RJ.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Educação perde peso no orçamento da classe alta
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 05/08/11

A concentração dos gastos das famílias de classe AA com educação ficou menor nos últimos anos, segundo estudo da FGV Projetos, com base em dados do IBGE.
A educação representava 3,78% dos gastos dos domicílios da classe AA em 2002 e 2003. A participação caiu para 2,2% em 2008 e 2009.
No grupo que envolve todas as classes também houve queda, porém, menos significativa. A educação equivalia a 3,61% dos gastos e passou para 2,28%.
"Um dos fatores que pode explicar a mudança é demográfico. A queda do número de dependentes nos domicílios de classes mais elevadas foi maior, de mais de 11%, ante cerca de 9,7% nas outras classes", diz Fernando Blumenschein, professor e coordenador do estudo.
Outro fator citado foram as mudanças na economia, que realocaram gastos e rearranjaram o padrão de consumo.
"Surgiram também novos produtos eletrônicos, como celulares inteligentes." O estudo também aborda o peso dos impostos.
O item "outras despesas correntes", que inclui impostos, previdência, serviços bancários e outros, afeta com mais força os que têm alto padrão de consumo.
"A população mais rica tem em média 12,76% da despesa corrente comprometida com pagamento de impostos. Nos domicílios em geral o percentual não passa de 5%."
A definição de classe AA usada no estudo levou em conta renda per capita de cerca de R$ 15 mil.

Mudanças no rodízio movimentam auditorias

O rodízio obrigatório de firmas de auditoria deve ser suspenso até que se chegue a uma conclusão sobre a finalidade da regra.
Essa é a opinião do presidente da Ernst & Young Terco no Brasil e na América do Sul, Jorge Luiz Menegassi.
As possíveis mudanças na regra começam a movimentar os envolvidos no setor. A proposta da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é ampliar de cinco para dez anos o prazo do rodízio.
Para a alteração das regras, que não atingem os bancos, as empresas de capital aberto deveriam criar comitês estatutários de auditoria.
A medida, porém, deverá sofrer críticas das companhias brasileiras para ser colocada em prática.
"Pode ser muito custoso para uma empresa criar o seu comitê. Além disso, nem todos os executivos estarão dispostos a fazer parte desses comitês, pois eles não farão um trabalho tão profundo e, mesmo assim, serão responsabilizados", diz o sócio-líder de auditoria da Ernst & Young Terco, Sergio Romani.
Para o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, é recomendável que a "renovação com a firma de auditoria, após prazo de cinco anos, seja submetida a aprovação da maioria dos sócios presentes em assembleia geral".

A QUESTÃO DOS BANCOS
A rotação obrigatória de firmas foi iniciada no Brasil em 1996 devido às suspeitas de deficiência nos processos de auditoria dos balanços dos bancos do país.
O Banco Central, porém, decidiu excluir as instituições financeiras dessa responsabilidade 12 anos depois.
"A governança melhorou e, apesar de o rodízio ter sido iniciado devido aos bancos, ele já não era necessário segundo o BC", diz o sócio-líder de auditoria da Ernst & Young Terco, Sergio Romani.
As companhias de capital aberto começaram a ser submetidas ao rodízio em 1999.

ESTALEIRO NO RIO
A OSX, empresa de construção naval, do empresário Eike Batista, aprovou o plano de atividades para o período de 2011-2015.
Os principais focos da companhia serão a construção do estaleiro no Rio de Janeiro, o atendimento prioritário da demanda de equipamentos de produção de petróleo e gás para a OGX e o atendimento a potenciais demandas adicionais de novos clientes.
A OGX é o braço de petróleo e gás do grupo EBX.
O estaleiro, localizado no norte do Estado do Rio, tem área total de 3,2 milhões de m2, da qual serão utilizados 2,6 milhões de m2 na primeira fase de desenvolvimento.

INDÚSTRIA PATINA
O efeito das restrições na oferta de crédito e a concorrência com os importados contribuíram para a queda do faturamento na indústria entre as micro e pequenas empresas de São Paulo.
A indústria teve retração de 1,1% no primeiro semestre, segundo o Sebrae-SP.
O faturamento geral, porém, cresceu 4,7%. A influência positiva veio dos serviços (10,5%) e do comércio (3,8%).
"O próximo semestre ainda deve ser bom, mas não tão bom como foi em 2010, uma vez que a expectativa de alta do PIB será inferior e há preocupação com a inflação e o câmbio", diz Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP.

Crédito... O estoque de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) cresceu 96% nos últimos 12 meses na Cetip. O instrumento saltou de R$ 12,3 bilhões, em junho de 2010, para R$ 24,1 bilhões em igual mês deste ano. A instituição foi responsável por 86% dos registros desse ativo em 2010.

...imobiliário Já o estoque de CCIs (Cédulas de Crédito Imobiliário) subiu 87% na mesma comparação, de R$ 15 bilhões para R$ 28,5 bilhões. As CCIs são papéis que representam o financiamento imobiliário e servem de lastro à emissão de CRIs, título negociado no mercado de capitais.

Geração O desejo de mudança em profissionais de até 34 anos atualmente é maior que o de gerações anteriores, segundo a consultoria DBM. Cerca de 35% dos profissionais dizem que gostariam de ficar na empresa por mais de cinco anos e 12%, que gostariam de ficar de dois a três anos.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

LUIZ GARCIA - Com o bolso

Com o bolso
LUIZ GARCIA
O GLOBO - 05/08/11
A estrutura política dos Estados Unidos sempre esteve firmemente assentada no diálogo e no confronto entre dois partidos. Em tese, os democratas são liberais; os republicanos, conservadores.

Na prática, dependendo do que estiver em debate, e da base eleitoral dos políticos, esses rótulos podem ser generalizações artificiais. Há democratas extremamente conservadores no Sul, e republicanos visivelmente liberais em outros domicílios eleitorais. No momento, com o país mergulhado numa crise econômica sem precedentes desde a crise de 1929, e pela primeira vez na historia recente do país, existe uma terceira força na arena: é o Tea Party, uma ala extremista - e de direita - do Partido Republicano.

Sua base política está no Sul do país e ele tem uma característica original, que muita gente diria assustadora: é um movimento coletivo, sem líder ou ideólogo que se destaque. Para seus adversários, é um dado preocupante: costuma ser muito complicado decepar uma fera sem cabeça.

O momento é favorável aos ultraconservadores. A economia americana está atrelada à crise mundial, e cortes nas despesas do governo são visivelmente indispensáveis. O presidente Obama propôs uma tesourada de US$2,4 trilhões - e o Tea Party briga por pelo menos US$4 trilhões. E também não concorda com qualquer aumento de impostos.

O fato de que a extrema-direita tem sua base no Sul faz bastante sentido, por se tratar do habitat do conservadorismo americano. E até agora nenhum analista político se atreveu a prever com que força o movimento participará da disputa pela Casa Branca no ano que vem.

A popularidade do presidente Obama, que disparou recentemente com a execução do terrorista Osama bin Laden, está claramente ameaçada pela popularidade do Tea Party. Mas, até agora, nenhum analista se atreveu a prever que influência real terá o movimento na disputa eleitoral. Participam dele diversos políticos com algum prestígio fora do Sul, mas nenhum, até agora, em posição de liderança.

Parece evidente que a reeleição de Obama dependerá quase inteiramente dos resultados de sua política econômica. Principalmente porque com outros candidatos, do Tea Party ou não, com absoluta certeza, o eleitor independente - que decide as eleições - vota com o bolso.

Ainda é cedo para se apostar na situação da economia americana em novembro do ano que vem. A vaca pode estar ou não no brejo. Alguns pessimistas estão até prevendo que o brejo estará seco, sem vaca à vista.

GOSTOSA

CLÁUDIO GONÇALVES COUTO - Traquinagens do menino maluquinho



Traquinagens do menino maluquinho
CLÁUDIO GONÇALVES COUTO
VALOR ECONÔMICO - 05/08/11
Mal eu me preparava para escrever a coluna tratando da saída do PR do bloco governista no Senado, surgiu a notícia da última declaração inconveniente do menino maluquinho da Esplanada dos Ministérios, Nelson Jobim. Com efeito, a velocidade com que novas fontes de transtorno têm surgido neste início de governo Dilma Rousseff só é comparável à rapidez com que ela, quadro político dos bastidores técnicos de governos de esquerda, teve de se converter em política de palanque.

Em parte, esse ritmo alucinante de confusões é explicável pela própria natureza do presidencialismo de coalizão brasileiro: tendo de se aliar com deus e o diabo (o ex-presidente Lula já tratou disto usando imagem similar), é de se esperar que volta e meia surjam tensões e escândalos. Entretanto, se tudo fosse tão automático, não haveria governo na história deste país que não se confrontasse diuturnamente com crises daí advindas. E sabe-se que tanto Fernando Henrique Cardoso quanto Lula, apesar de momentos de maior tensão (sobretudo o segundo), lograram avançar sem tantos solavancos, principalmente no início de seus mandatos. Há, portanto, outros elementos, que operam como catalizadores das explosões latentes, inerentes ao nosso modelo político.

Um desses outros elementos, com certeza, é o estilo presidencial, pouco acomodatício e marcado pela menor experiência com o (e aceitação do) jogo político tradicional. Essa menor rodagem também é causa de uma escolha presidencial, depois evidenciada como erro, de não priorizar a agenda congressual neste início de mandato. Passada a votação do salário mínimo (que ademais incluiu uma delegação decisória ao Executivo por meio da política de reajuste para os próximos anos), nada de novo e relevante o atual governo submeteu aos parlamentares, deixando-os apenas com os "restos a votar" do governo anterior - como é o caso do Código Florestal. Deixar o Congresso desocupado de uma agenda própria deste governo implicou deixá-lo à deriva - ou seja, presa fácil dos interesses segmentados.

Nelson Jobim abriu a Dilma uma chance de recomposição

Há também um elemento circunstancial de infortúnio: certos problemas, embora presentes há muito tempo na equipe governamental, apenas vieram à tona agora, tornando-se de conhecimento público. Foi este o caso do vertiginoso enriquecimento de Antônio Palocci, das falcatruas do Ministério dos Transportes, dos malfeitos na Conab e, como se já não fosse suficiente, da incontinência verbal de Nelson Jobim. Este já se mostrou um personagem político afeito às revelações inconvenientes quando, há algum tempo, confessou ter inserido em nosso texto constitucional algo que não havia sido aprovado pelos membros da Assembleia Constituinte. Tal afirmação não teve qualquer consequência política mais séria, porém evidenciou uma desfaçatez que agora apenas se confirma noutra esfera: a do governo ao qual Jobim pertence (ou pertencia). Observe-se que suas declarações à revista "Piauí", desqualificando duas colegas de ministério, permitem retomar com nova leitura sua invectiva de algumas semanas atrás, acerca dos idiotas imodestos. Pode-se depreender que os idiotas aos quais o igualmente imodesto Jobim se referia não seriam mesmo os jornalistas, como depois tentou atenuar.

Se sua intenção era a de causar incômodo à presidenta e ao governo, certamente conseguiu. Se fez isto para forçar sua saída do governo, certamente seguiu uma estratégia eficaz. Contudo, atingiu essas pretensas metas ao custo de comprometer sua própria imagem de homem público. Ora, seria possível romper com o governo e fazer as críticas abertamente, em vez desse estilo traquinas de aprontar um fuá e depois dizer: "não sei quem fui...!".

Contudo, a saída de Jobim abre a Dilma a possibilidade de fazer do limão uma limonada. Desde o início da formação do ministério, o PMDB proclamou abertamente que Jobim, apesar de ser de seus quadros, não era um ministro do partido - mas da cota pessoal da presidenta. Acrescente-se que a versão corrente é de que ele também não era um favorito de Dilma, sendo mais uma concessão da nova chefe de governo ao seu antecessor e patrono. Portanto, defenestrando Jobim (ou deixando-o no meio da selva amazônica, como preferiria fazer), a presidenta poderá não apenas escolher um nome de sua preferência, como ainda reforçar o peso de seus parceiros de coalizão dentro do ministério, acatando uma indicação que seja reconhecida como um representante partidário na Esplanada (seja do PMDB ou de algum outro parceiro).

Essa limonada pode se mostrar um refresco benfazejo agora, quando após muitos tensionamentos, conflitos e degolas, talvez seja o caso de iniciar um caminho inverso, de recomposição e reforço de vínculos. Embora ao perder Jobim o governo deixe de contar com um ministro que se mostrou bem sucedido em uma pasta historicamente problemática, é preciso considerar duas outras coisas no cálculo. Primeiramente, as traquinagens verbais de Jobim negativaram seu saldo. Em segundo lugar, a necessidade de reacomodação partidária no interior da coalizão supera, neste momento, os eventuais ganhos que mesmo um Jobim bem comportado poderia trazer para o futuro; pode-se afirmar que daqui para diante, ceteris paribus, não haveria mais retorno marginal decorrente de sua manutenção no cargo.

Uma razão adicional para que a recomposição política seja agora mais importante do que a continuidade da faxina é o fato, muito elementar, de que não é politicamente viável comprar muitas brigas simultaneamente. É preciso eleger alguns inimigos e algumas frentes nas quais se entrar, preservando e reforçando, noutras frentes, os entendimentos. Portanto, mesmo que as cobranças do senso comum moralista sejam a de que se realize uma "faxina completa", a prudência política recomenda ir com calma - sob o risco de a faxina acabe por se mostrar contraproducente. Trata-se do velho ensinamento weberiano de que políticos por vocação são aqueles que sabem engolir alguns sapos, fazendo prevalecer a ética da responsabilidade sobre a ética da convicção.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP e colunista convidado do Valor. 

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Agora essa
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 05/08/11

Tanto ou mais do que o acúmulo de inconveniências ditas por Nelson Jobim, contrariou Dilma Rousseff o "timing" escolhido pelo ministro da Defesa para fazer sua espetaculosa saída de cena. A presidente sabe bem que o Congresso retomou os trabalhos em clima conflagrado, não estando descartada a perspectiva de o semestre acabar com uma CPI instalada no Senado. Para completar, o horizonte nebuloso da economia mundial inquieta cada vez mais o Planalto.
Embora Dilma soubesse que Jobim tinha prazo de validade, não esperava precisar descartá-lo no momento em que ele cuidava de questões que lhe são caras, como a instalação da Comissão da Verdade.

Agora essa Tanto ou mais do que o acúmulo de inconveniências ditas por Jobim, contrariou Dilma o "timing" escolhido pelo ministro para fazer sua espetaculosa saída de cena. A presidente sabe bem que o Congresso retomou os trabalhos em clima conflagrado, não estando descartada a perspectiva de o semestre acabar com uma CPI instalada no Senado. Para completar, o horizonte nebuloso da economia mundial inquieta o Planalto.

Como fica Ninguém dirá publicamente, mas a escolha de Amorim incendeia a já desgastada relação de Dilma com o PMDB. Michel Temer foi aconselhado por vários líderes a não aceitar o cargo se lhe fosse oferecido, mas quem o conhece sabe que gostaria de ter sido lembrado. Além disso, Moreira Franco (Assuntos Estratégicos) aspirava a vaga.

Besuntado Na ida para a Amazônia com Jobim, Temer buscava um repelente que desse conta da selva.

Alta voltagem Será recriada em Furnas a poderosa estrutura pilotada por Dimas Toledo até ser abatido pelo mensalão. Serão fundidas as diretorias de Engenharia e de Construção. O mais cotado para a vaga é Márcio Almeida Abreu, de confiança do presidente Flávio Decat. O movimento desalojaria Mario Rogar (Engenharia), da cota do PR, e Márcio Porto (Construção), do PMDB. A "faxina" poupa os petistas da estatal.

Terapia... Ao encontrar Dilma ontem, Paulinho da Força (PDT-SP) explicou que tinha criticado a presidente devido à "falta de sensibilidade" do governo, que excluiu as centrais da discussão sobre a nova política industrial. E ela: "Falar mal só um pouquinho pode. Mas, por favor, não exagerem!".

... de grupo Dilma disse aos sindicalistas que se sentiu só diante da falta de trabalhadores no lançamento do plano. Ao deixarem o Planalto, eles relembraram a célebre frase de Fernando Collor: "Não me deixem só".

Vem aí Depois da campanha pró-travessia de pedestres, que ganhou as ruas de São Paulo, Gilberto Kassab prepara nova cartada na construção de sua agenda positiva para 2012. A SPtrans lançará um serviço para avisar, via torpedo de celular, o tempo de espera pelos ônibus nos pontos.

Classificados Lançado há 15 dias por Geraldo Alckmin (PSDB), o programa Via Rápida do Emprego rompeu a barreira dos 100 mil inscritos. Como a oferta dos cursos é de 30 mil vagas, o governo paulista usará a vulnerabilidade social como critério de seleção dos candidatos.

Visita à Folha José Roberto Ermírio de Moraes, vice-presidente do Conselho de Administração da Votorantim Participações, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Fabio Ermírio de Moraes, membro do conselho, Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial, e Samuel de Almeida Lima, diretor Corporativo de Relações Institucionais.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Como senador, minha obrigação é seguir o Jobim no que ele faz na Defesa. Já o que ele faz no ataque é com a Dilma."
DE WALTER PINHEIRO (PT-BA), sobre a sequência de declarações que terminaram por inviabilizar a permanência de Nelson Jobim no governo.

contraponto

Amigos, amigos.
..

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) interpelou Luciano Castro (PR-RR) nos corredores do Congresso:
-Você, heim?- reclamou, referindo-se ao fato de o colega ter insinuado que o PR poderia não votar em Alves para presidente da Câmara em 2013, na esteira de declarações do peemedebista tomando distância da crise que atingiu o PR no Ministério dos Transportes.
-Não quis dizer aquilo- contemporizou Alves.
-Eu penso duas vezes antes de falar de um amigo...
-Não quis incomodar- insistiu o outro.
-Tudo bem... também não falei de coração!

MARINA SILVA - A melhor resposta

A melhor resposta
MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 05/08/11
O Congresso reinicia suas atividades num clima pesado. Ameaças veladas, suspeita de troca de favores, retirada de assinaturas de CPI.
Para estancar mais um princípio de crise, cinco ministros vão prestar esclarecimentos diversos de suas áreas a senadores e deputados.
Antes fosse para restabelecer alguma normalidade institucional, na qual indícios de desvio de recursos públicos devem ser legitimamente investigados pelo Congresso e não, de pronto, carimbados como intriga da oposição.
Explicações são devidas à sociedade, que tem o direito de conhecer os argumentos do governo e da oposição, e não só assistir a um cabo de guerra que esconde o essencial. Disputas políticas são saudáveis quando têm por objeto diferentes projetos e ideias, e não quando motivadas só por espaços de poder.
Por que um parlamentar desiste abruptamente de sua prerrogativa de investigar?
Se não há uma explicação convincente, cresce ainda mais o descrédito do sistema político.
É nesse clima que serão retomadas as discussões sobre as mudanças no Código Florestal. Na Câmara, vimos o evidente descompasso entre o interesse da sociedade e a posição de seus representantes.
Enquanto pesquisa Datafolha diz que 79% dos brasileiros são contra a anistia de multas a quem desmatou ilegalmente, quase 80% dos deputados aprovaram o projeto que concede tal anistia e incentiva novos desmatamentos. A simples possibilidade acenada pelo projeto já resultou em aumento de 28% no desmatamento na Amazônia, segundo os dados preliminares do Inpe, que sinalizam uma tendência.
Agora é a vez dos senadores. Eles têm a oportunidade de se reconectar com as expectativas sociais e afirmar bases para um desenvolvimento que valoriza nossas florestas e biodiversidade, nossa agricultura, nossas cidades e a qualidade de vida dos brasileiros.
Está em jogo a preservação das matas que protegem os mananciais de água, vitais para nós. Está em jogo a proteção de encostas contra desmoronamentos e a manutenção das reservas de florestas que garantem os serviços que a natureza nos presta e aos quais pouco damos atenção.
Em junho, foi lançado em Brasília o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável.
A importância desse comitê é que reúne instituições de grande representatividade dos mais diferentes setores.
Hoje está sendo lançado o Comitê São Paulo, que reúne, além dessas entidades, muitas outras com atuação em SP e a campanha www.florestafazadiferenca.org.br.
É a forma que a sociedade tem para sinalizar sua vontade ao Congresso. Que o Senado faça o que é de sua missão e dê a melhor resposta.

PROTETORA DOS RATOS

ELIANE CANTANHÊDE - Saída diplomática para a guerra

Saída diplomática para a guerra
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 05/08/11

BRASÍLIA - Jobim esticou demais a corda, e Dilma não teve alternativa senão trocá-lo, mesmo sabendo que é o pior momento e que ele, gostem ou não, consolidou o Ministério da Defesa e garantia tranquilidade numa área sensível.
A demissão de três ministros antes de completar o primeiro ano de governo não é nada trivial, e a queda de Jobim ocorre justamente quando uma CPI se desenha no Congresso e a crise dos Estados Unidos e da Europa derrubam as Bolsas e reforçam as incertezas.
E Jobim não era um ministro qualquer de uma área qualquer. Ele assumiu a Defesa numa crise aérea sem precedentes, depois dos dois maiores acidentes aéreos da história, com os controladores de voo brincando de sindicalistas e as empresas aéreas pintando e bordando. E botou a casa em ordem.
Recompôs os princípios de hierarquia, venceu as resistências fardadas à Defesa e a ele próprio, estruturou o ministério, criou a Estratégia Nacional de Defesa, avalizou os projetos de reequipamento de Marinha, Aeronáutica e Exército e negociou a Comissão da Verdade.
Depois das vitórias com Lula, Jobim sofreu seguidas derrotas com Dilma. O severo corte no Orçamento inviabilizou os sonhos de modernização das três Forças, a opção pelos caças franceses evaporou, e ele foi também esvaziado politicamente. Deixou de influir nas grandes discussões e nas questões jurídicas. E reagiu à la Jobim: orgulhosamente, falando grosso.
O temperamento de Jobim, portanto, foi decisivo tanto para sua firmação na Defesa quanto para sua queda. Ele sai aliviado, com a sensação do dever cumprido e convencido de que não falou mentiras (votou ou não em Serra? Ideli é ou não "fraquinha"?). E Dilma fica aliviada, com a garantia de que os militares não vão pegar em armas por Jobim nem contra Celso Amorim.
Isso não significa que o Exército esteja feliz com a troca. Desde quando diplomata gosta de guerra?

CLÁUDIO HUMBERTO

“Sou defensor número um da CPI do Dnit”
LUIZ ANTONIO PAGOT, EX-DIRETOR-GERAL DO DNIT, CONTANDO LOROTA

DEFESA: LULA ATROPELA CRIVELLA E EMPLACA AMORIM 
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) era forte alternativa para o lugar do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, depois que o vice Michel Temer mandou dizer que não gostaria de ser convidado para o cargo, mas no fim da tarde o ex-presidente Lula convenceu a presidenta Dilma a nomear o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, argumentando que, como os militares, ele integra “carreira de Estado” .

REGRA TRÊS 
O ex-chanceler Celso Amorim não se habituou à vida de aposentado, e atuava como assessor informal de Lula em sua ONG.

DISCRIÇÃO 
Ao emplacar Celso Amorim, Lula lembrou a Dilma que o diplomata jamais a colocaria em saia justa, como Jobim cansou de fazer.

ELLEN FOI COTADA 
Dilma chegou a pensar em Ellen Gracie para o lugar de Jobim, mas o projeto da ministra do Supremo Tribunal Federal é morar no exterior.

OLHO EM HAIA 
Ellen Gracie fez chegar a Dilma o desejo de substituir a juíza brasileira Sylvia Helena Steiner no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

JOBIM TAMBÉM NÃO VOTOU EM TEMER, LEMBRA PMDB 
A situação de Nelson Jobim é tão insustentável no governo quanto no PMDB: segundo importante senador, ao revelar que não votou em Dilma, confessou que também não votou no vice Michel Temer, presidente do próprio partido. No jantar com a cúpula do PMDB, terça, Jobim tentou justificar suas atitudes como uma “reação” aos cortes que obrigam as Forças Armadas a desligar recrutas antes do tempo.

OFERECIDO 
Assim que soube da situação insustentável de Nelson Jobim, o ministro Aloizio Mercadante se ofereceu para o cargo. Dilma deu uma risada. 

GORDINHA 
A dúvida que permeou o Congresso era quem apanharia mais: Jobim de Dilma ou Sarney de Ideli Salvatti, por tê-la chamado de “gordinha”.

PERGUNTA NO DIVà
Ao qualificar a colega de ministério Ideli Salvatti de “fraquinha”, Nelson Jobim quis dizer “idiota”? 

FORA DE ÁREA 
Nelson Jobim, que faz criticas em público e pede desculpas em particular, ligou à ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para se explicar. Ela desligou o celular sem pronunciar uma única palavra.

QUASE MINISTRO 
As Forças Armadas foram consultadas sobre alternativas para assumir o Ministério da Defesa: apesar do bom trânsito do deputado Aldo Rebelo (SP) no meio militar, pesou sua filiação ao PCdoB.

PIOR QUE O SONETO 
Te cuida, Mark Twain: imortal da Academia, o senador José Sarney revelou ontem uma veia satírica, chamando Idelo Salvatti de “bem gordinha”, contrapondo o “fraquinha” que Nelson Jobim lhe atribuiu.

BB NA JUSTIÇA 
O Banco do Brasil responde a ação popular que questiona a milionária licitação para agências de propaganda. Venceram a Giacometti, apadrinhada por Lula; Lew Lara, ligada ao ex-ministro Luiz Gushiken; e Master, a favorita dos ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann.

MAIS UM 
Representantes do ditador Muammar Kadhafi chegam a Brasília, nos próximos dias, para pedir apoio à proposta do lunático de interromper os bombardeios da Otan em troca de “eleições livres na Líbia”. 

DNA 
Quem sai aos seus não degenera: deve ter sido problema hereditário o fato de o senador Reditario Cassol (PP-RO), pai do ex-governador Ivo Cassol, ter retirado a assinatura da CPI dos Transportes. 

NÃO DEU OUTRA 
A incansável João Palestino Eventos, amiga de vários próceres do PR, ganhou de novo a organização da parada de Sete de Setembro, em Brasília. Desta vez por R$ 899 mil. O Exército fazia de graça. 

CONTRIBUINTE TROUXA 
No Detran-DF, ontem, a poucos metros do gabinete do governador, funcionários berravam que o atendimento ao público demoraria mais uma hora, porque “o sistema está fora do ar”. Enquanto isso, jogavam ou viam e-mails na internet, esta sim, funcionando perfeitamente.

PENSANDO BEM... 
... Nelson Jobim é caso típico de sujeito que perde o emprego, mas não perde a piada. 

PODER SEM PUDOR 
BANANAS PARA OS CÉUS 
Em campanha para presidente, no ano de 1950, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) mandou avisar que sobrevoaria Maceió em voo rasante, a bordo do DC-3 que utilizada em suas viagens. Silvestre Péricles (PSD), governador populista-maluco de Alagoas, saiu à sacada do Palácio dos Martírios e iniciou uma série espetacular de bananas para o alto, em “saudação” ao adversário. A certa altura, avisado por um assessor que sua mãe o chamava, ele passou a tarefa ao funcionário:
– Meu filho, fique aqui dando bananas enquanto vou ver o que ela quer.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Dilma troca ministro de Lula por ministro de Lula

Folha: Bolsas desabam e cresce medo de recess mundial

Estadão: Mercado global derrete por temor nos EUA e na Europa

Correio: Dilma demite mais um ministro da era Lula...

Valor: O pior dia desde a crise de 2008

Jornal do Commercio: Lua de mel vira tragédia em Porto

Zero Hora: Críticas à equipe de Dilma derrubam Jobim

quinta-feira, agosto 04, 2011

ARTHUR VIRGÍLIO - Serial


Serial
ARTHUR VIRGÍLIO
BLOG DO NOBLAT

A exemplo dos “serial killers” dos filmes e, lamentavelmente, da vida real, existe no Brasil uma espécie de “serial corruption”. É um escândalo por semana, no mínimo.

Parece doença. Surto de cleptomania “cívica”.

Mal dá tempo de a sociedade entender o que lhe está a suceder, em termos de prejuízos éticos e objetivos. Um caso “abafa” o outro e, pior de tudo, as pessoas se entorpecem, porque corrupção virou paisagem.

Seria injusto de minha parte dizer que Dilma Rousseff apodreceu o país em apenas sete meses de gestão. Os quadros de seu governo vieram da era Lula. Os métodos também.

Até creio que a presidente gostaria de trabalhar em cenário diverso. Sinceramente, acredito nisso. Mas não dá. É comprometimento demais. É a República do “rabo preso”.

Já não se fala mais no Ministério dos Esportes, em Palocci, nos “aloprados”. O Ministério dos Transportes começa a sair do ar. A ANP sequer foi esmiuçada, pois jornalista tem de ter tempo para comer e dormir e, com tanta matéria prima, acaba tendo de ser “seletivo”.

O ministro Wagner Rossi, da Agricultura, pode ficar tranquilo. Brevemente surgirá nova escatologia e as atenções se desviarão de sua seara.

Durante o recente discurso do senador e ex-ministro Alfredo Nascimento, dava para “ler” o medo das lideranças petistas. Imaginem se o homem resolvesse falar. Seria um Deus nos acuda!

Um quadro desses não pode levar a bom porto. Somos um país com a máquina pública loteada em favor de numerosíssima e inútil base parlamentar. Cada partido “aliado” é dono do Ministério tal ou qual. E ponto.

Confundem governabilidade com fisiologia. Não têm projeto de Nação. Não pretendem votar nenhuma reforma que exija quorum de 3/5 dos parlamentares de cada Casa Legislativa.

Confundem governabilidade com desfaçatez. E isso poderá terminar complicando a própria governabilidade.

CARLOS HEITOR CONY - Romário

Romário
CARLOS HEITOR CONY 
FOLHA DE SP - 04/08/11

RIO DE JANEIRO - É cedo para avaliar a atuação da safra de novos deputados federais eleitos para a atual legislatura. Não sou entendido no setor nem tenho conhecimentos amplos sobre os trabalhos ali realizados. Contudo gostaria de destacar a atuação de Romário, do PSB carioca.
Conhecia-o de sobra nos campos de futebol, mas julgava-o no mesmo patamar de outros esportistas e artistas que, em certo trecho das respectivas carreiras, decidem tentar a política, seduzidos pelos partidos interessados em aumentar seus coeficientes eleitorais.
Tirante ideias específicas sobre esporte ou pela popularidade de seus ofícios, nada trazem de novo para o debate social.
Romário despontou com um programa novo para este tipo de político mais ou menos improvisado. Nascido em favela, conhecendo a vida dentro e fora dos campos, guardou dentro de si algumas ideias lúcidas que já começaram a se impregnar em sua personalidade ainda rude, mas inteligente e, tal como em suas atuações nos estádios, oportunista no bom sentido. Sua luta pela inclusão social de grande parte da população, no que diz respeito principalmente aos deficientes, está fazendo dele uma liderança respeitada pelos entendidos no assunto.
Com a força de sua popularidade, está atraindo a discussão nacional para um tema que sempre foi tratado de maneira utópica, para encher linguiça nas campanhas eleitorais. No seu terreno preferencial, o esporte, já alertou o governo com severidade sobre o atraso nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Pouco a pouco, vem se destacando entre os novos e já falam em seu nome para a prefeitura carioca, não mais como o herói de tantas jornadas, mas como ex-favelado que, sem a argúcia e a experiência política de Lula, tem o bom-senso dos simples e a simplicidade dos fortes.

ANCELMO GÓIS - Rodízio de caldo

Rodízio de caldo
ANCELMO GÓIS  
O Globo - 04/08/2011

Pegou em algumas feiras cariocas a moda do rodízio de caldo de cana. O freguês paga R$ 1,50 pelo copo e tem direito de recarregar o refil.

A conta da Vale
A Vale vai fazer este ano um processo de escolha de sua agência de propaganda. Atualmente, a conta da mineradora está com a África, de Nizan Guanaes. A tendência é escolher mais de uma agência para atender os estados onde a Vale atua.

Fator Odebrecht
Nos bastidores, o pau come na escolha dos estaleiros que vão fornecer as 28 sondas da Petrobras, num pacote orçado em uns US$ 22 bilhões. Um dos principais lobbies vem da Bahia. As gigantes Odebrecht e OAS estão juntas no projeto de um novo estaleiro.

Bolsa empresa
No programa Brasil Maior, o governo se dispõe a pagar, como se sabe, até 25% mais que os preços internacionais, por bens e serviços produzidos no país. Uma conta: em 2010, o governo gastou R$ 171 bi com despesas de custeio e de capital; 25% disso são... R$ 42 bi.

Dilma prestigiada
Deve ser coisa da oposição. Veja a piada que circula em Brasília. O vaidoso ministro Nelson Jobim saiu da conversa pacificadora com Dilma, ontem, celebrando: - Foi um bom papo. Gosto dela. Acho que vou mantê-la como presidente.

Viva Aldir!
Esta, talvez, nem João Gilberto. Segunda, mestre Aldir Blanc começou a se sentir mal em casa, na Tijuca, no Rio. Mari, sua mulher, chamou o médico, apesar dos protestos do poeta. Aldir se recusou a sair do quarto, onde via um jogo, e a consulta teve de ser feita por... recados passados por Mari, que entrava com as perguntas do doutor e saía com as respostas.

Lula não para
Lula estará hoje em Bogotá para um encontro Brasil-Colômbia promovido pelo BID. Sergio Cabral, Geraldo Alckmin, Eduardo Campos, Jorge Gerdau e Marcelo Odebrecht também estarão lá.

General dos livros
Amanhã, na Biblioteca Nacional, Olga Sodré, curadora da obra de Nelson Werneck Sodré, doará à instituição documentos e livros do grande historiador. O evento encerra a exposição do centenário do general.

Grande hotel
O Hotel Sofitel de Copacabana parece ter mais rolos na Justiça do que quartos. Apesar de a 4a- Câmara Cível do TJ-RJ ter dado razão ao comprador (BHG), um dos credores (Emgea) apresentou embargos. Enquanto isso, o grupo Accor, que administra o grandão, ganha tempo.

Relato do coleguinha
A revista “Piauí” publica longo relato do repórter fotográfico Nilton Claudino, sequestrado e torturado na Favela do Batam, no Rio, em 2008, quando fazia uma reportagem sobre a milícia local para o jornal “O Dia”. Niltinho, querido nas redações, vive, desde então, longe do estado, escondido, em tratamento psiquiátrico, com medo de ser morto.

Matemática aplicada
A FGV vai criar mais uma escola de ensino superior: a EMAp, Escola de Matemática Aplicada.

Walter no teatro
Walter Lima Jr., o cineasta, está de volta ao teatro. Vai dirigir a peça “A confissão”, baseada no texto “Tape”, do americano Stephen Belber, que deu origem a filme homônimo estrelado por Ethan Hawke e Uma Thurman, em 2001. Estreia amanhã na Sala Tonia Carrero, no Leblon.

Suando a... tulipa
Um parceiro da coluna ficou impressionado com a atuação dos atacantes Fred e Rafael Moura, do Flu, quarta de madrugada, no Bar Astor, em Ipanema. À mesa com três belas moças, o grupo bebeu, acredite, uns 50 caipisaquês.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Quatro patas
SONIA RACY
O ESTADÃO - 04/08/11

O Conar abriu processo contra a campanha "Pôneis Malditos", da Nissan, veiculada na internet e na TV. Até ontem, recebeu quase 30 reclamações do Brasil inteiro. Queixa central? A associação de ícones infantis (pôneis em forma de desenho animado) com a palavra "maldiiiiitos".

O Conselho avaliará a peça, com mais de 3,5 milhões de acessos no YouTube. Em 30 dias.

O meu lugar?

Depois de tentar derrubar Chalita, sem sucesso, na disputa pela Prefeitura, Paulo Skaf entrou em nova campanha pelo interior do Estado.

Organiza convocar convenção do PMDB para tirar a presidência estadual do partido das mãos de Baleia Rossi.

Camarada

Pedro Fida entrou no conselho da Corte Arbitral do Esporte, principal órgão de arbitragem esportiva do mundo. O brasileiro, ex-Pinheiro Neto, já está na Suíça, mas escapou de julgar Cesar Cielo.

Nota só

E Emanoel Araújo ficou sozinho de vez no conselho do Museu Afro Brasil. O último integrante saiu anteontem.

Noves fora

Engana-se quem acredita que a empresa criada a partir da fusão Drogasil-Droga Raia pode aceitar, em uma segunda etapa, "casar-se"com a BR Pharma.

Se a empresa de André Esteves pedisse hoje a "mão" da recém-casada, levaria um não.

Direto na tomada

Diante das barreiras colocadas pelo governo brasileiro à intenção de lançar seu carro elétrico no Brasil, a Nissan faz ação de marketing junto a formadores de opinião. Estão no Brasil, em sistema de test-drive, vário modelos Leaf.

A favor, além do absoluto silêncio, está o custo por quilômetro rodado no Brasil: 70% mais barato na comparação com o carro movido a gasolina. Contra, a autonomia limitada a 100 km e a falta de postos para abastecimento.

É preciso chegar todo dia em casa e... plugá-lo na tomada.

Menores frascos...

O Chanel nº5 ganhará biografia, assinada por Tilar Mazzeo. Além de falar sobre Coco, o livro explicará por que a fragrância é chamada de "le monstre" pelos especialistas.

Chega em agosto, pela Rocco.

Lá não como cá

O Cenipa, centro de investigação de acidentes da Aeronáutica, estranha. Segundo fonte da Aeronáutica, o relatório do BEA sobre a tragédia da Air France, divulgado semana passada, traz diferença importante na comparação com o feito no Brasil em relação ao acidente da TAM em
Congonhas.

Como a Airbus tem como meta fazer aeronaves cada vez mais automatizadas, o Cenipa sugeriu que a empresa elabore também sinalização para o piloto. Por meio de seu display, o sistema indicaria a correção a ser feita em caso de falha no super-avião.

Técnicos acham que a Airbus se preocupa demais em prevenir acidentes consequentes de falha humana. E de menos com um possível erro da aeronave.

Padrinho

Na conversa que teve com Joseph Blatter, sábado no Rio, Luis Felipe Tavares, da Koch Tavares, conseguiu. O presidente da Fifa prometeu defender a inclusão do beach soccer nas Olimpíadas.

Quórum

Ricardo Teixeira pode dormir tranquilo. Até ontem, dois abaixo-assinados online pedindo sua saída da CBF somavam meras 5.300 adesões.

Reta final

Sandra Werneck já testou seis atrizes para o papel de Marina Silva. Quer eleger pelo menos três antes de mostrar à própria.

Na frente

A British Library lançou campanha para angariar 2,75 milhões de libras. Quer comprar o livro mais antigo da Europa, o Evangelho de São Cuthbert. Há duvidas se vai conseguir em meio à crise.

A Gucci abre loja no Iguatemi em... Brasília. Dia 9,com Carolina Ferraz e Vivianne Piquet como hostesses.

Dilma que se cuide: Kamura voltou inspirado do Japão. Prometendo técnicas de beleza e maquiagem pra lá de high-tech.

Norman Lance autografa o livro Conexões. Hoje, na Livraria da Vila da Fradique.

Lu Alckmin recebe doações arrecadadas pelo Itaú. Hoje, na sede do banco.

Marcio Scavone comanda curso e faz mostra de suas fotos a partir do dia 17. No Instituto Carrefour.

Eliane Goes abre a exposição História da Arte em Almofadas Exclusivas. Dia 18, na Caradecasa.

Pela vontade dos turistas, o dólar já estaria abaixo de R$ 1,50. Pesquisa do Ministério do Turismo mostra crescimento de 40% no número de pessoas que querem, no segundo semestre, viajar ao... exterior. Mantega agradece por nem todos terem condições.

BRAZIU: O PUTEIRO

CARLOS ALBERTO SARDENBERG - Todos pagam, alguns recebem


Todos pagam, alguns recebem
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 04/08/11

Nos classificados do jornal chileno "El Mercurio", encontrei um Gol 1.6, modelo mais avançado, oferecido pelo equivalente a R$30 mil, já incluídos os impostos. É cerca de R$10 mil inferior ao preço no Brasil, onde o carro é fabricado. Vamos reparar: o produto brasileiro é mais barato lá fora, de modo que as causas dominantes do preço maior estão aqui, não no exterior.

Não é só com automóveis. Nas farmácias de Buenos Aires, por exemplo, encontram-se cosméticos e remédios made in Brasil mais baratos lá. Logo, como se pode dizer que o problema maior da indústria brasileira é a competição predatória dos importados?

Esse é o desvio da política industrial lançada pelo governo. Parte de um erro de diagnóstico, o de achar que indústria nacional perde competitividade por causa do dólar desvalorizado e da competição desleal dos estrangeiros. Esses problemas existem, mas não são os mais importantes.

Esse equívoco completa outro, o de achar que o dólar está desvalorizado por causa da ação de especuladores no mercado futuro (de derivativos), alvo do pacote lançado na semana passada.

São erros gêmeos. Nos dois casos, há uma visão nacionalista estreita, essa que localiza sempre um estrangeiro predador atrás de cada esquina. É confortável para os governantes, que posam de patriotas, acaba ajudando alguns setores empresariais, mas cobrando um preço de todos os outros.

Reconhecendo que há excesso de carga tributária, toda vez que resolve ajudar algum setor o governo vai pelo caminho da redução de impostos. Mas compensa a queda de receita com aumento em outros setores, de modo que a carga tributária não diminui. É por isso que a arrecadação de impostos aumenta fortemente, mesmo depois de vários pacotes.

Conclusão: todos pagam impostos elevados, alguns ganham o benefício de pagar menos. O governo calcula que a renúncia fiscal do atual pacote será de R$25 bilhões em dois anos. É pouco. Só no primeiro semestre deste ano, o Tesouro arrecadou R$480 bilhões, um salto de 20% sobre o mesmo período de 2010.

A mesma lógica vale para os juros. Reconhecendo que o custo do dinheiro é proibitivo, toda vez que monta pacotes o governo oferece, via BNDES, juros especiais, subsidiados, para este ou aquele setor. Para isso, o governo precisa colocar mais dinheiro no BNDES. E como arruma esses recursos? Ou com mais impostos ou tomando dinheiro emprestado na praça, pelo qual paga juros mais altos do que o BNDES cobra.

Com esses dois movimentos, o governo puxa a carga tributária e eleva a dívida pública bruta, fator que pressiona a taxa de juros - não a especial, mas a de todo mundo.

De novo, para oferecer juros menores a alguns, precisa cobrar mais juros de todos os outros.

Resumo da ópera: esses pacotes podem até melhorar a vida de algumas empresas e setores, mas pioram a vida de todos os outros. Como não há dinheiro para subsidiar todos, a injustiça é generalizada e tudo termina com o consumidor brasileiro pagando mais caro.

A competitividade geral da economia continua limitada não pelo dólar baratinho, nem pelos estrangeiros maldosos, mas pelos três fatores estruturais que conhecemos: carga tributária muito elevada (para custear os cada vez mais elevados gastos públicos, inclusive com subsídios), juros na lua e infraestrutura precária. Juros e gastos públicos, aliás, também explicam boa parte da valorização do real (e mais a entrada de dólares via exportação de commodities e para investimentos).

O pacote tem ainda um viés não propriamente nacionalista, mas antiestrangeiro. Pelo jeitão, vêm aí medidas para impedir e/ou atrapalhar a importação. Segundo explicitou o ministro Mantega, o mercado brasileiro pertence à indústria brasileira, não aos "aventureiros" de fora.

Nos primeiros sete meses deste ano, o Brasil importou mercadorias e serviços no valor de US$124,5 bilhões. É dinheiro. Nesse ritmo, as compras externas chegariam ao final do ano representando mais de 10% do Produto Interno Bruto. Ação de aventureiros?

A importação inclui insumos para agricultura e indústria, bens intermediários, máquinas, equipamentos, tratores, plataformas, tecnologias e, ninguém é de ferro, itens de consumo. Mas, no essencial, são produtos que melhoram e barateiam a produção local. E a vida do consumidor.

Não há como substituir toda essa importação. Mas há como impedir alguns itens, entregando determinados mercados para o produtor local, a preços, digamos, legitimamente brasileiros. Já tivemos isso - a reserva de mercado - no passado. Lembram-se? Deu em produtos caros e ruins - e alguns empresários ricos.

ILIMAR FRANCO - O encontro

O encontro
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 04/08/11

A presidente Dilma e o ministro Nelson Jobim (Defesa) tiveram ontem o primeiro encontro desde que o incontido ministro revelou que votara em José Serra em 2010. A audiência foi precedida de visita do "bombeiro" José Genoino, assessor de Jobim, ao Alvorada. No despacho, no Planalto, o ministro teria perguntado se a presidente vira o programa "Roda Viva", onde ele fez rasgados elogios a ela, e Dilma teria respondido: "Soube!"

O medo tomou conta do PT

Os senadores petistas ficaram apreensivos com a tentativa frustrada da oposição de criar uma CPI. A Comissão foi inviabilizada, mas integrantes da bancada consideram que ela apenas não virou realidade porque ninguém quer transformar o PR num alvo. Entre os petistas há uma avaliação de que os aliados vão criar uma CPI na primeira denúncia que envolver um ministério comandado pelo PT. Um deles chega a dizer: "a crise foi adiada". Os petistas desconfiam do PMDB, que acusam estar interessado em acuar o partido e a presidente Dilma. Com a fragilidade da oposição, o embate político principal se dá na base aliada.

Olé!

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), considera que a CPI não é assunto morto. "Estamos numa tourada. É de lança em lança. Essa CPI ainda pode sair". A oposição tem o apoio garantido de 25 senadores para futuras CPIs.

Bom humor

Ao cruzar com o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ontem, o ministro Garibaldi Alves (Previdência) foi questionado se estava reassumindo o mandato para assinar a CPI. "Você quer é a minha demissão", respondeu o ministro, rindo.

Os petistas saíram em defesa do PMDB

Enquanto o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), batia pesado no DEM, em audiência na Comissão de Agricultura, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) era só elogios aos demistas. "No caso da agricultura, alguns dos líderes mais importantes são do partido (DEM)", justificou o ministro. Aliás, ao contrário do que ocorreu no discurso do ex-ministro Alfredo Nascimento, o PT foi rápido ontem na defesa do ministro Wagner Rossi.

Isso foi bom!" - Valdir Raupp, senador (RO), no exercício da presidência do PMDB, sobre a decisão do PR de se retirar do bloco formado pelo PT no Senado

PRESSÃO. Os senadores do PR foram pródigos ao afirmar que o partido não quer cargos no governo Dilma. Mas o partido espera que quadros ligados a ele sejam aproveitados. Por isso, depois de deixar a bloco de apoio ao governo no Senado, o PR está ameaçando expulsar o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes) do partido. Eles estão de olho no preenchimento dos cargos de segundo escalão da pasta, como as diretorias do Dnit e da Valec.

Esforço

O diretor de Itaipu, Jorge Samek, e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também foram acionados para impedir a CPI. Eles pediram, sem sucesso, para o senador Roberto Requião (PMDB-PR) retirar sua assinatura.

Silêncio

Assessor especial do ministro Wagner Rossi (Agricultura), Alexandre Magno de Aguiar não quer nem ouvir falar das irregularidades na Conab. Quando elas ocorreram, Magno, que foi indicado pelo PTB, era o presidente da estatal.

POLYANNA. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), tentou minimizar ontem a saída do PR do bloco de apoio ao governo no Senado e sua posição de independência a partir de agora. "É bom porque politiza a discussão", disse ele.

RESTOS A PAGAR. O governo avisou à base aliada que, dos R$2,5 bilhões referentes a orçamentos de anos anteriores, só vai liberar R$250 milhões, ou seja, 10% do total.

O GOVERNO DILMA está estimulando o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a entrar na disputa pela vaga de ministro do TCU.

LUIZ FELIPE LAMPREIA - O começo do fim


O começo do fim
LUIZ FELIPE LAMPREIA
O Globo - 04/08/2011

Deste inacreditável imbróglio em que se transformou o debate em Washington sobre orçamento e dívida, pode surgir uma consequência que, nem em nossos sonhos otimistas, poderíamos esperar: o começo do fim das fortalezas protecionistas agrícolas nos Estados Unidos. Neste momento, os privilégios tradicionais do setor agrícola estão sob ataque cerrado no próprio Congresso americano.

Tanto lá quanto na Europa, os lobbies agrícolas realizaram, ao longo dos anos, verdadeiros prodígios políticos. Conseguiram que a agricultura, mesmo empregando apenas 2% a 3% da força de trabalho, conseguisse abocanhar mais de 50% do orçamento da União Europeia.

Em Washington, lograram que bilhões sejam gastos para atender a pequenas produções e também a grandes fazendeiros. Com verdadeira arte, o lobby europeu conseguiu convencer políticos e eleitores que o protecionismo é fundamental para não pôr em risco a própria cultura e a paisagem europeia. É como se tivessem trazido para depor alguns dos fundadores da cultura europeia - como Beethoven e Rousseau, amantes da natureza.

Nos Estados Unidos, menos poeticamente, a força mais dinâmica tem sido uma minoria de senadores de estados pequenos da União que há muitas décadas bloqueia qualquer tentativa de reforma. Assim, o sistema de subsídios americano tornou-se uma árvore de Natal com pagamentos diretos, subsídios anticíclicos, apoios aos preços dos produtores, compensações por desastres e seguros garantidos de colheitas etc.... E tudo isto em detrimento dos interesses dos consumidores, que são forçados a pagar mais, bem como de poderosas empresas que utilizam produtos agrícolas como ingredientes para suas marcas. Para não falar dos países em desenvolvimento, que frequentemente sofrem os maiores prejuízos.

Nos Estados Unidos, este quadro está a ponto de mudar. Não importa o vencedor claro da perigosa contenda que opõe Obama aos republicanos, o lobby agrícola vai pagar um alto preço. A dívida do Tesouro americano simplesmente não permite mais a extravagância de um orçamento agrícola do gênero Papai Noel. Obviamente, não haverá um passe de mágica. Porém é praticamente certo que, ainda este ano ou no próximo Farm Bill de 2012, haverá cortes de mais de um bilhão de dólares, podendo chegar até a cinco bilhões ao longo de dez anos.

O Brasil poderá colher evidentes vantagens, com sua agricultura moderna, suas condições naturais e o potencial produtivo ainda por explorar. Nossos especialistas analisarão melhor do que eu. Parece-me mais útil aqui examinar as implicações da nova política agrícola americana para as negociações da OMC e para os interesses brasileiros nesse foro.

A Rodada Doha é uma crônica de morte anunciada. Desde 2001, ela se arrasta, como dizia Nora Ney em seu tristíssimo canto, " pela noite tão longa de fracasso em fracasso". Poucos ainda apostariam em sua ressurreição hoje. A razão principal desta desesperança tem sido o muro impenetrável do protecionismo agrícola que, a bem da verdade, é uma obra comum de todos os países ricos, do Japão à Noruega, da Suíça aos Estados Unidos, da União Europeia ao Canadá. Porém, tudo muda se os Estados Unidos abandonam o barco e passam a golpear os seus próprios programas de subsídios. Há uma possibilidade concreta de que as negociações da OMC tomem outro rumo.

O Congresso dos EUA certamente não poderá simplesmente reduzir drasticamente os subsídios sem incumbir o Executivo de buscar agressivamente aberturas do mercado internacional que compensem os produtores americanos pelas perdas dos apoios do governo.

Hoje, os EUA são considerados como o maior impedimento ao avanço das negociações da OMC, porque a alta taxa de desemprego e os avanços chineses no mercado americano impedem politicamente qualquer postura liberalizante. Se esse país passar para a ofensiva na frente agrícola, o jogo na Rodada Doha muda substancialmente, pois os EUA são o maior mercado mundial e detêm o primeiro lugar no ranking do comércio.

É uma reviravolta que alteraria premissas tomadas por imutáveis há décadas. Seria também um fator que poderia fazer recomeçar as negociações sob nova luz, e traria a expectativa concreta de resultados para os produtores agrícolas dos países que não concedem subsídios. É obvio que ainda estamos no terreno das hipóteses e que as futuras negociações serão duras e prolongadas, se vierem a ocorrer. Mas a desconstrução dos subsídios agrícolas ficaria como avanço importante contra o protecionismo agrícola.

MÍRIAM LEITÃO - Uma bolsa que cai





Uma bolsa que cai
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 04/08/11

A Europa e os Estados Unidos é que enfrentam crises graves, mas é a bolsa brasileira que está com o pior desempenho este ano entre as maiores economias. Na verdade, do mundo inteiro só os gregos estão piores do que nós. O Brasil também tem seus próprios problemas, mas eles parecem pequenos para justificar uma queda tão grande na bolsa.

O Brasil está com inflação e juros em alta; crise política com queda de ministros; interferências do governo em gestão de empresas privadas; déficit em conta corrente; balança comercial sustentada pelo preço das matérias-primas. Há problemas, mas nada parecido com o que se vê à volta no mundo e, afinal, o país continua crescendo.

A Europa divulgou um novo pacote de socorro à Grécia, mas o risco de calote na Espanha e na Itália tem aumentado. Os Estados Unidos viveram dias terríveis. O clima de medo do risco está visível na alta acumulada do ouro, que é de 40% em 12 meses.

Entre as maiores economias, o pior resultado é o da bolsa brasileira. Do mundo todo, só a bolsa grega cai mais, 22,1%. Em 2011, o Ibovespa acumula queda de 19,2%. No mesmo período, a bolsa eletrônica americana Nasdaq sobe 1,1%; o Dow Jones tem alta de 2,8% e o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas americanas, sobe 0,2%. A bolsa alemã tem queda de 3,93%; a inglesa, de 5,35%; e a francesa, de 9,19%. Nesta mesma edição o jornal traz números diferentes. É apenas porque eles fizeram a conta em dólares, e nós, em moeda local. Mas o fato é que o Brasil cai mais que inúmeros países em grandes dificuldades. Mesmo assim, é bom olhar, para corrigir, o que anda errado na conjuntura brasileira.

O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de recursos, acha que o país tem os seus próprios problemas, como déficit em conta corrente de 2,5% do PIB, mesmo com a disparada dos preços das commodities. A inflação está em alta e cresce o endividamento das famílias:

- O ambiente político também é preocupante, com a queda de dois ministros num novo governo. Os investidores também olham para isso. Há desconfiança de que o BC tenha perdido um pouco o controle da inflação e depois tenha que subir juros numa dose mais elevada. Isso afetará o crescimento. Também houve interferências do governo nas duas maiores empresas de capital aberto do país.

A interferência do governo na gestão da Petrobras e da Vale tem peso relevante porque as duas empresas sozinhas representam quase 30% da composição do índice Ibovespa. A Petrobras, por exemplo, não pode elevar o preço da gasolina mesmo que o petróleo suba, a demanda dispare, e ela tenha que comprar mais caro lá fora para vender aqui. A Vale está sendo pressionada para entrar no setor siderúrgico, mesmo com todo o excedente de capacidade de produção de aço que existe no mundo. Tudo isso afeta a rentabilidade das empresas e afasta investidores.

O economista Eduardo Oliveira, da Um Investimentos, explica que vários outros setores que compõem a bolsa estão apresentando resultados menores que o esperado. O setor siderúrgico está mal não só aqui, mas no mundo todo. Só que aqui há quedas de 43,6% este ano, como da Usiminas; de 41,5%, da Gerdau; de 38,5%, da CSN. Os bancos estão com queda forte nos papéis porque o crédito já subiu muito. Empresas do setor imobiliário estão fortemente negativas na bolsa, como a Gafisa, que cai 39%; Cyrela, com queda de 32,5%; e MRV, com menos 30,5%.

- O índice Ibovespa tem o pior resultado do ano entre as grandes bolsas, seguido pela bolsa indiana. A inflação em alta é uma das explicações para isso, tanto aqui quanto lá. Praticamente todos os setores da bolsa estão caindo. As construtoras que entraram no segmento de baixa renda não conseguiram a rentabilidade esperada. As empresas exportadoras, como as de celulose, encontram demanda fraca. Há estoques elevados. É muito difícil que a bolsa não termine o ano no vermelho - disse Oliveira.

Mas é óbvio para qualquer um que o risco grande está é nas economias europeias que enfrentam ainda o fantasma do calote de dívidas soberanas. Nos Estados Unidos, ficou claro, na opinião do ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, que o sistema político não está funcionando:

- Sempre houve polarizações e radicalizações, mas o sistema resolvia o problema. Agora não está resolvendo mais.

O economista Alexandre Schwartsman diz isso também. Ele pondera que o presidente Barack Obama saiu do conflito como um líder fraco. Na economia, segundo Alexandre, começa a se formar a expectativa de que seja necessária uma terceira rodada de expansão monetária.O que levará o dólar a se enfraquecer mais ainda.

- Estados Unidos e Europa estão se tornando Japão, ou seja, podem passar um longo período com baixo crescimento - diz Lampreia.

O momento é de riscos nas economias maduras, como este ano tem demonstrado desde o início. Em momentos de risco generalizado, algumas empresas podem ser mal avaliadas. Países também. Está claro que se houvesse lógica no mercado o Brasil não teria a pior queda. Mas o fato é este: a crise é deles, e aqui é que a bolsa despenca.

MÔNICA BERGAMO - LUVAS DE OURO

LUVAS DE OURO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 04/08/11

Começou na Justiça o segundo tempo na disputa milionária que envolve Eike Batista e Rodolfo Landim, ex-executivo que comandou seus negócios até 2009. Derrotado em primeira instância, Landim recorreu anteontem ao Tribunal de Justiça do Rio para exigir que o empresário pague a ele R$ 493 milhões, ou 1% das ações da holding EBX. Eike teria prometido isso quando o contratou.

BOLSO
Eike também recorreu ao TJ. Quer obrigar Landim a pagar mais a seus advogados. Os honorários já foram fixados em R$ 1 milhão. Ele quer aumentar o valor.

CABEÇA FEITA
Seis marroquinas muçulmanas estavam sendo impedidas de usar lenços para orar na Penitenciária Feminina de SP. Presas por tráfico, elas queriam ficar com o corpo coberto o tempo todo, o que foi negado por questões de segurança. As advogadas Luciana Cury, muçulmana, e Damaris Kuo, da comissão de liberdade religiosa da OAB, intermediaram acordo para que usem lençóis brancos apenas na hora das preces.

MIMO MINIMALISTA
O músico minimalista Philip Glass vai se apresentar em setembro em Pernambuco. Participa da Mimo (Mostra Internacional de Música de Olinda), ao lado do violinista Tim Fain.

CENSURA
O ministro Nelson Jobim, da Defesa, solta o verbo mais uma vez, agora na revista "Piauí" que chega às bancas amanhã. Ao se referir às negociações sobre o sigilo eterno de documentos, ele atira no núcleo do governo de Dilma Rousseff. "É muita trapalhada", afirma. "A [ministra] Ideli [Salvatti, das Relações Institucionais] é muito fraquinha". Já Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, "nem sequer conhece Brasília".

QUEM MANDA
Jobim conta também que, ao convidar José Genoino para trabalhar na Defesa, ouviu de Dilma: "Mas será que ele pode ser útil?". Jobim diz que respondeu: "Presidenta, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu." O ministro diz ainda que FHC e Lula são sedutores. "Só que de maneiras diferentes. O Lula diz palavrão, o Fernando é um lorde".

PASSEIO
O ex-presidente FHC, por sinal, fez um tour em julho na Europa com Patrícia Kundrát, 34, administradora do Instituto FHC.

Olavo Setubal Jr.

Henri Penchas recebeu convidados para o jantar de aniversário de 60 anos da Duratex, na Casa Fasano, anteontem. A família Setúbal, que controla o Itaú Unibanco, o banqueiro Cândido Bracher, o secretário Paulo Alexandre Barbosa (Desenvolvimento) e o casal Washington e Patrícia Olivetto foram à cerimônia.

CENSURA
O ministro Nelson Jobim, da Defesa, solta o verbo mais uma vez, agora na revista "Piauí" que chega às bancas amanhã. Ao se referir às negociações sobre o sigilo eterno de documentos, ele atira no núcleo do governo de Dilma Rousseff. "É muita trapalhada", afirma. "A [ministra] Ideli [Salvatti, das Relações Institucionais] é muito fraquinha". Já Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, "nem sequer conhece Brasília".

QUEM MANDA
Jobim conta também que, ao convidar José Genoino para trabalhar na Defesa, ouviu de Dilma: "Mas será que ele pode ser útil?". Jobim diz que respondeu: "Presidenta, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu." O ministro diz ainda que FHC e Lula são sedutores. "Só que de maneiras diferentes. O Lula diz palavrão, o Fernando é um lorde".

PASSEIO
O ex-presidente FHC, por sinal, fez um tour em julho na Europa com Patrícia Kundrát, 34, administradora do Instituto FHC.

PROTESTO A 30 KM/H

Amigos de Vitor Gurman, 24, transformaram a esquina da rua Natingui, na Vila Madalena, em que ele foi atropelado e morto, numa espécie de monumento em sua memória. Anteontem, penduraram uma placa no local: "30 km/h - velocidade máxima permitida. DEVAGAR". A indicação oficial de velocidade tinha sido arrancada no dia do acidente, sábado, 23.

"Não estamos falando só de dirigir bêbado. Mas de parar com essa cultura de que acelerar é bacana, e da importância de se respeitar a faixa de pedestres", afirma o cineasta Pedro Serrano, 24. "A gente precisou levar essa pancada da vida para agir." Na sequência, o grupo vendou os olhos com faixas pretas para uma fotografia.

Desde o acidente, a turma se encontra diariamente. Pensam em formas de se manifestarem contra a imprudência no trânsito. Na noite de terça, encerraram sua manifestação gritando para os carros que passavam velozes na rua Natingui: "É 30km!"

CURTO-CIRCUITO

Tanya Volpe Spindel dará aula de estilismo culinário, hoje e amanhã, na escola Wilma Kovesi. Das 13 horas às 17 horas.

A grife italiana Ermenegildo Zegna realiza hoje o evento "Cravatta fatta a mano", com dicas de uso de gravatas. A partir das 19 horas, no shopping Iguatemi da Faria Lima.

Sarah Chofakian faz festa de lançamento da sua nova coleção de sapatos, hoje, na casa de Drausio Gragnani, em Higienópolis.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY