sábado, maio 14, 2011

KÁTIA ABREU - Momento de decisão


Momento de decisão
KÁTIA ABREU 
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, usando pouco mais de um terço do seu território


FINALMENTE, após dez anos de espera, a Câmara dos Deputados iniciou a votação do projeto do novo Código Florestal. Em circunstâncias normais, não seria evento suficientemente relevante para ser registrado. Afinal, é da rotina dos parlamentos votar leis. O que torna, no entanto, essa decisão uma verdadeira efeméride é o seguinte fato: há 46 anos o Congresso vem sendo privado de votar importantes normas ambientais.
No Brasil, o privilégio de legislar sobre ambiente tornou-se prerrogativa exclusiva de burocratas anônimos, sem responsabilidade social e sem o dever de tornar transparentes suas razões e seus motivos.
A defesa do ambiente tem de ser esforço coletivo, e de longo prazo, fundada em consensos democráticos. Não pode ser tarefa de pequenas seitas que tentam impor sua visão autoritária sobre os outros. O preço pela proteção da natureza não deve ser o fim da liberdade de escolha, sem a qual a vida humana não tem valor.
Ao lado da grande manifestação de autonomia que o Congresso vem demonstrando nessa questão que afeta a vida de todos, há algo mais na presente votação.
Dada a grande variedade e complexidade das questões submetidas a deliberação, que ultrapassam os limites de conhecimento, mesmo de pessoas altamente preparadas, os parlamentares confiam, quando votam, no exame das matérias pelas assessorias das bancadas e nas recomendações dos líderes.
Na votação do Código Florestal o processo está sendo diferente. A Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o relatório do deputado Aldo Rabelo no primeiro semestre de 2010. A partir desse momento, o relator reuniu-se com todas as bancadas, durante meses, discutindo e esmiuçando os detalhes do projeto.
O resultado é que a maioria dos 513 deputados formou opinião bastante sólida a respeito das questões ali tratadas. Isso significa que a decisão que será tomada pela Câmara refletirá, como nunca, a vontade dos parlamentares e de sua base de representação. A isso podemos chamar de real consenso político.
A votação ainda se estenderá por alguns dias. No entanto, a quase totalidade do texto já é objeto de acordo amplo entre partidos da base governamental, da oposição e do próprio governo federal.
De qualquer modo, esse processo político tem sido exemplar e poderia servir de modelo para o trato de questões que, pela sua natureza e pelo seu grau de interesse para a nação, não deveriam submeter-se apenas à lógica partidária. Há momentos, e não são poucos, em que a nação deve prevalecer.
Aprovado o projeto, estaremos servindo ao futuro do país e fazendo justiça aos agricultores brasileiros. Eles são os grandes defensores da natureza e para isso não precisam da coação de leis nem da ameaça das autoridades.
São eles que protegem o ambiente, usando pouco mais de um terço de nosso território para nos colocar como o segundo maior produtor de alimentos do mundo.
Em 1977, o Brasil produziu 47 milhões de toneladas de grãos, utilizando uma área de 37 milhões de hectares. Em 2010, produzimos 154 milhões de toneladas, numa área de 49 milhões de hectares. A produtividade entre um período e outro se elevou em 151%.
Se em 2010 tivéssemos a mesma produtividade de 1977, teria sido necessária, para a mesma produção, uma área total de 122 milhões de hectares, 73 milhões de hectares a mais do que efetivamente usamos.
Essa diferença os brasileiros podem chamar de verdadeira poupança ambiental. O radicalismo verde silencia sobre isso e quer tomar da produção brasileira 80 milhões de hectares de campos produtivos. O que os opositores da reforma do Código Florestal querem é simplesmente isso.
Acontece que uma terra excluída da produção leva consigo as pessoas que nela trabalham. E pessoas não são ervas daninhas que a gente tira e joga fora. Ainda bem que esse perigo, felizmente, parece que está passando.

GOSTOSA

FERNANDO RODRIGUES - Supremo fora do lugar


Supremo fora do lugar
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal trabalhou lentamente nesta semana. Quatro de seus 11 ministros estavam em viagem oficial (sic) aos Estados Unidos.
Cezar Peluso (presidente), Ellen Gracie, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski foram a Washington participar de um evento chamado Diálogo Judicial Brasil-Estados Unidos. Sem os quatro, o STF ficou desidratado de quórum para julgar processos constitucionais.
É sempre bom juízes terem contato com os de outros países. Um brasileiro sair do Brasil é uma boa notícia. Uma autoridade, melhor ainda. Reduz-se um pouco a visão insular e jeca-tatu presente em Brasília. Mas para tudo há um custo e um benefício. Tal como concebida, a viagem dos magistrados não precisava ser em período de trabalho, consumindo quase uma semana.
A agenda foi frugal. O seminário transcorreu só na quinta-feira e na manhã de ontem. Mas, pelo menos, os juízes da Suprema Corte dos EUA estiveram lá, trocando experiências e impressões com seus pares brasileiros? Não estava programado. Apenas em um coquetel, à noite, anunciou-se a presença do presidente da Corte Constitucional dos EUA, John Roberts.
Atividades sociais não faltaram. Na quinta-feira, os quatro ministros do STF foram convidados para uma recepção do escritório de advocacia Arnold and Porter, uma das firmas de lobby mais notórias dos EUA. O Arnold and Porter sabe ganhar dinheiro de brasileiros: assessorou a mal sucedida negociação da dívida externa nos anos 80 e 90.
Em tese, o Diálogo Judicial se repetirá no Brasil. Veremos então se os norte-americanos enviarão quatro de seus juízes da Suprema Corte para cá. E em qual escritório de advocacia e lobby confraternizarão quando estiverem por aqui.
O STF deu orgulho ao Brasil ao declarar a legalidade de relacionamentos entre homossexuais. Mas esse passeio nos EUA mostrou um Supremo fora do lugar. Pena.

DOM ODILO P. SCHERER - Violência - eles moravam no Brás


Violência - eles moravam no Brás
DOM ODILO P. SCHERER

O Estado de S.Paulo - 14/04/11

Na semana passada, a cidade de São Paulo foi manchada por mais uma chacina brutal e pelo assassinato cruel de dois moradores de rua, queimados com suas carroças para recolher material reciclável. Não sei se moravam no Bairro do Brás, mas foi lá que aconteceu.

Esses tristes casos se somam à infindável lista de violências contra a pessoa em nossa cidade. E aumentam a conta já extensa de agressões contra moradores de rua. Em agosto de 2004, sete moradores de rua foram assassinados no centro da nossa metrópole; depois de sete anos, aquele massacre ainda não foi elucidado e resolvido pela Justiça.

Coisa parecida acontece com o caso dos seis moradores de rua exterminados no Bairro do Jaçanã, em maio do ano passado, e com tantos outros fatos de violência contra essa parcela da população marginalizada e já tão sofrida. Será que desta vez os culpados vão ser identificados e chamados a prestar contas à Justiça?

A impunidade acaba estimulando mais violência contra os moradores de rua, esquecidos das políticas de segurança pública, desinteressantes para a economia, socialmente invisíveis, talvez até sem documentos, um problema para a limpeza da cidade...

Machucá-los, feri-los, por que não?

Matá-los, qual é o problema? Sua morte nem desperta especial reação na opinião pública.

Mataram mais dois moradores de rua, e daí?!

A Arquidiocese de São Paulo protesta contra esse descaso e manifesta sua solidariedade a todas as vítimas da violência, quaisquer que elas sejam. O Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua tem a preocupação de oferecer a essa parcela da população em situação de risco a assistência humana, social e religiosa de que necessita; vários grupos cuidam da saúde e da alimentação, outros assumem a sua defesa contra agressões e violências; alguns não hesitam em passar as noites ao relento, nos lugares onde essas pessoas dormem, para protegê-las.

A violência é um dos maiores desafios da sociedade atual, gerando intranquilidade e ameaçando a paz. Ela impregna todo o tecido social e, por vezes, assume contornos de insensível crueldade. Todos os tipos de violência merecem a nossa mais decidida rejeição.

Há a violência, geralmente aceita de forma resignada, das injustiças sociais e econômicas, que negam vida digna a milhões de pessoas; pobreza extrema e miséria absoluta ainda persistem, camufladas pelos dados ufanistas do crescimento econômico nacional. Esta violência dói tanto mais porque golpeia duramente os órfãos do progresso, gente de todas as idades, mas especialmente crianças, não lhes permitindo um pleno desenvolvimento físico, intelectual e social.

Sem esquecer os horrores da guerra, pensemos na violência do crime organizado, nutrida por enormes interesses econômicos vindos do contrabando, do tráfico de drogas e de pessoas. Há também a violência doméstica, nas escolas, nos ambientes de trabalho e no esporte... E ainda as violências "corriqueiras" de todo dia, físicas, psicológicas e morais, que não ganham espaço na mídia. A violência avilta, machuca, amedronta, cerceia a liberdade, intoxica o convívio social, mata, entristece, envergonha!

Não bastasse o quadro assustador da violência, temos de constatar ainda a sua cínica e doentia espetacularização, como forma de garantir audiência, em certos meios de comunicação. Afinal, aonde queremos chegar?

Se a violência é comparável a um tumor, admitamos que a cultura e a sociedade do nosso tempo estão gravemente enfermas, precisam fazer um exame crítico rigoroso dos fatos e submeter-se a sérias terapias...

As diversas formas de violência desafiam as autoridades para uma ampla reflexão sobre o seu significado político e para a promoção de medidas preventivas capazes de coibir e punir os atos violentos e de promover um convívio respeitoso e pacífico. Há uma justa preocupação pela promoção do progresso econômico e para que o bem-estar chegue a todos. Mas, pergunto, onde estão as políticas de incentivo à formação humana, ética e cidadã? Cuidamos da economia e descuidamos das pessoas! Onde estão as iniciativas para um saneamento da cultura da violência e para a afirmação dos princípios básicos da dignidade humana e dos seus direitos mais elementares? Pode-se matar uma pessoa, morador de rua ou quem quer que seja, como se mataria uma barata?

Mas não basta a ação preventiva ou repressiva do Estado: toda a sociedade precisa fazer a sua parte. Violentos prosperam onde o ambiente lhes é propício... Há um vazio, ou a falta de afirmação de valores essenciais para o convívio social na cultura contemporânea; o individualismo subjetivista reinante privatizou os parâmetros da civilidade e da conduta pessoal e favorece a explosão da violência, como forma de relação social. A civilização perde e retrocede toda vez que a violência consegue impregnar a cultura, qual tumor maligno.

Penso que caberia um pacto contra a violência que começasse pela educação das crianças no lar e na escola e passasse por várias iniciativas comunitárias, como a campanha pelo desarmamento, as manifestações públicas de desaprovação dos fatos e espetáculos de violência e a educação para o diálogo, o respeito pela ética e pela dignidade humana.

Ninguém está livre da violência por habitar em condomínios fechados, vigiados, atrás de altas grades diante da casa e de cercas eletrificadas... Para não ser a próxima vítima cada um deve tornar-se um educador para a paz e participante de um grande mutirão para acordar as consciências, empenhado na rejeição de toda forma de violência.

CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO

MÔNICA BERGAMO - ENSAIO GERAL


ENSAIO GERAL
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

O Ministério da Integração Nacional, por meio da Sedec (Secretaria Nacional de Defesa Civil), realizará pela primeira vez no país simulados de preparação para desastres. Os testes acontecem no dia 28 em Maceió, Recife e Salvador. O objetivo é fazer com que comunidades que vivem em áreas de risco sejam capacitadas a atuar nessas situações. A ideia é também consolidar procedimentos para a criação de um sistema permanente de monitoramento, alerta e alarme.

ENSAIO 2
A organização do simulado terá quatro etapas: alerta aos órgãos e à população envolvida, evacuação da área, encaminhamento ao abrigo e cadastramento das pessoas. Haverá também palestra sobre convivência em acomodações temporárias.

BELAS ARTES
O governo de São Paulo quer colocar André Sturm, do extinto cinema Belas Artes, na direção do MIS (Museu da Imagem e do Som). Ficará com o novo diretor, por exemplo, a curadoria do CineMis, programa que leva kits com projetor, tela e os DVDs do acervo do museu a cidades sem cinema. Sturm diz que "gostaria muito" de assumir o cargo.

LÁ COMO CÁ
O MIS fluminense também passará por mudanças. O secretário-executivo de Cultura do Rio, Luiz Fernando Zugliani, acaba de passar por São Paulo para conhecer o modelo de gestão paulista. A fundação disponibilizará seu acervo, hoje voltado à pesquisa, ao público e a sede migrará para Copacabana.

RITMO DE FESTA
A festa de 80 anos de Fernando Henrique Cardoso em SP acontecerá no dia 10 de junho na Sala São Paulo. Dois dias depois, o ex-embaixador em Washington, Rubens Barbosa, e sua mulher, Maria Ignez, reunirão amigos no fim da tarde em homenagem ao ex-presidente.

LETICIA GARDEL
Letícia Sabatella montará um espetáculo teatral a partir de canções de tango que ela mesma compôs. A peça chamada de "Volta ao Centro" vai captar R$ 1,7 milhão para uma temporada de quatro meses no Rio.

QUEREMOS PROVA!
Os terceiro-anistas do Equipe chamaram a coordenação do colégio para reivindicar: queriam mais simulados de vestibular. O pedido foi atendido. Terão neste ano duas provas no modelo da Fuvest (vestibular da USP) e uma similar ao Enem. Até o ano passado, eram só dois provões por ano.



"Mudamos porque eles pediram, embora seja possível treinar os alunos perfeitamente para isso [primeira fase do vestibular] em seis meses", diz Luciana Fevorini, pedagoga do Equipe.

BELEZA TRANSPORTADA
A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante e toca um instituto voltado a pessoas com deficiências físicas, fará amanhã o mutirão Cadê Você? Bonita, que levará cabeleireiros e manicures às mães de moradores com problemas de locomoção da União de Vila Nova, na zona leste de SP.

Mastrangelo Reino/Folhapress

DUAS PEÇAS
A modelo Gisele Bündchen desfilou a linha de lingerie que lançou com a Hope em galpão na Vila Leopoldina, anteontem; foram ao evento da top o empresário Tato Malzoni, o ator Marcelo Serrado e as modelos Ana Claudia Michels e Vivi Orth.

FAMÍLIA ZIMBO
Foi o maestro Amilson Godoy (à dir.), 63, que convenceu o Zimbo Trio, banda de seu irmão Amilton Godoy, 70, a gravar seu primeiro DVD, que chega às lojas nesta semana. "Ele nos convidou para tocar com a Orquestra Arte Viva, que rege, e filmamos. É a primeira vez em 47 anos de Zimbo", diz Amilton. O registro aconteceu no teatro Bradesco e teve "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e "Canção do Amor Demais", de Tom Jobim.

CURTO-CIRCUITO

Rivane Neuenschwander lança hoje às 11h o livro "Um Dia como Outro Qualquer", na galeria Fortes Vilaça.

O ministro Guido Mantega se reúne com empresários no dia 27 na Câmara de Comércio França-Brasil.

As galeristas cariocas Silvia Cintra e Marcia Barrozo do Amaral participam da SP Arte.

Davi Arrigucci Jr. recebe no dia 19 o título de professor-emérito da USP.

A soprano Gabriella Pace homenageia a Verdi no Theatro São Pedro. Hoje às 20h30. Oito anos.

Estão abertas as inscrições para o seminário "Políticas Culturais e Intervenção Urbana" no CCBB-SP.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Socuerro! Neymar vai ser papai!


Socuerro! Neymar vai ser papai! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Lula dá palestra na Ambev". Na Ambev? Então não foi palestra, foi degustação. Rarará! Recebeu em permuta. Lula faz permuta com a Ambev. Diz que ele ganhou R$ 200 mil. Líquido! Ops, em líquido! Rarará!
E adorei a charge do Pelicano: "Ando meio desanimado, não sei o que fazer da vida". "Vai pro partido do Kassab." Rarará! E o Neymar vai ser pai. E o cara do estacionamento: "Pai de quem?". Rarará!
E sabe por que o Neymar engravidou a menina? Porque ele não deu aquela paradinha! E um leitor disse que o Neymar engravidou a menina porque não sabe usar o ganso.
Jogador de futebol tem que fazer vasectomia. Ou cortar o pau! Rarará! E um amigo meu queria ser mulher só pra ter um filho com o Ronaldo! E sabe como se chama mulher que tem filho de jogador? Raspadinha Premiada. Rarará!
E adoro a faixa etária do Neymar: bezerro desmamado. Escolaridade: maternal incompleto! Penteado: vassoura de churrasqueira!
E o Neymar é tão mascarado que, quando estoura um relâmpago, ele arruma o topete pensando que é flash de fotógrafo! E o Pelé disse que o Neymar devia se concentrar mais no futebol e esquecer a televisão. Impossível. O sonho de todo jogador brasileiro é a TV. Aliás, o sonho de todo brasileiro é a TV!
E como vai chamar o filho do Neymar? Gansinho ou Menino da Vila!
República dos Brioches Urgente! Reviravoltas no caso do metrô de Higienópolis. Moradores se arrependem e mudam o nome do bairro pra HIGIEPÓBRIS!
Manchete do Twiteiro: "Moradores de Higienópolis aprovam estação de metrô com quatro suítes, sauna, espaço fitness e seis vagas na garagem".
Sensacionalista: "Moradores de Higienópolis só aceitam metrô se houver ligação com a estação Broadway/5th Avenue". Piauí Herald: "Moradores rejeitam diretório do PSDB em Higienópolis". Isso que é reviravolta! Rarará!
E uma amiga minha mora em Higienópolis e é a favor do metrô. Vai pedir asilo político em Brasilândia! Capital da gente diferenciada!
É hoje o churrascão da gente diferenciada em Higienópolis? Eu vou de camisa do Timão, aquela escrito Kalunga, do tempo em que o Sarney era vereador! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MARIO CESAR FLORES - Ruptura modernizadora


 Ruptura modernizadora
MARIO CESAR FLORES

O Estado de S.Paulo - 14/05/11

É inviável o funcionamento tranquilo e eficiente da democracia com nosso caleidoscópico quadro de partidos. Com exceções temáticas pontuais, em geral ficções partidárias ou "ajuntamentos" camaleônicos de conveniência, menos condicionados por ideários, diagnósticos e soluções diferentes (são similares no óbvio simpático) e mais pelos conluios da formação dos governos federal e estaduais, à margem da competência. Seria racionalmente possível 30 (ou quase isso) ideários suficientemente distintos para justificar a existência de 30 partidos? Como disse um analista político, "sobram partidos, faltam alternativas" - frase que reflete a inorganicidade partidária e a vacuidade dos ideários.

A tão falada quanto procrastinada reforma política é crucial para mudar esse cenário distópico. Há que estabelecer parâmetros indutores de partidos ideológica, doutrinária e programaticamente consistentes e regular vários temas que afetam a racionalidade política, muito citados, mas não enfrentados: fidelidade partidária, grilagem eleitoral (a questão da suplência), coligação e suas implicações na Federação, a modalidade da eleição proporcional, a quem pertence o mandato, o financiamento das campanhas, e por aí vai.

Se realizada na profundidade adequada, viveremos democraticamente uma ruptura modernizadora. A política será resgatada ao padrão que convém ao País e virá a ser naturalmente dotada de atores mais pautados pelo "servir ao País" do que pelo "servir-se do País" - atores de estatura intelectual e cultural capaz de conduzir o Brasil a novo patamar de satisfação nacional e presença internacional. Na mão contrária, a reforma será útil ao alijamento de arrivistas - a política é hoje uma "carreira" (!) em que o sucesso independe das qualificações... - e dos fichas-sujas, que transformam a política, de sacerdócio cívico, em farsa promotora da reeleição contínua, como meio de vida no patrimonialismo estatista e proteção na imunidade e/ou no foro especial.

Será ela viável? Quando político influente afirma, referindo-se às comissões congressuais hoje envolvidas no assunto, que não se mexerá nos partidos, vale perguntar: então, por que perder tempo? Nesse contexto equívoco, cabe à mídia engajar a opinião pública para impedir que o processo, de esperança, vire embromação à Lampedusa: vamos mudar para que continue o mesmo. Se não tudo, que continue o mesmo ao menos o essencial benfazejo, propensão natural quando a posição em cada tema é influenciada pela avaliação do reflexo político-eleitoral...

Além da reforma política, há muito que legislar - e a qualidade desse muito depende dessa reforma. São exemplos, também mais citados que enfrentados: a racionalização do nosso mosaico tributário e do dilema "encargos x receitas", sem a hoje excessiva sujeição de Estados e municípios à União; a reforma da Previdência, "de olho" na sua sustentabilidade; e a do serviço público, que dignifique o mérito, discipline o livre comissionamento e regule o direito de greve, preceito constitucional não cumprido até hoje! Complementarmente merecem reflexão, com vista à revisão talvez viável no futuro pós-reforma política consistente, alguns temas de difícil aceitabilidade hoje. Exemplos: a excessiva desproporcionalidade da representação dos Estados, criada no regime de 1964 para controlar o Sudeste e o Sul, mais relutantes ao regime, e mantida na Constituição de 1988, formulada por assembleia eleita na regra anterior; e o número de vereadores, que crescerá em 2012. Salvo os candidatos à bem-aventurança da vereação, alguém sente falta de vereadores em seus municípios...?

Se o processo reformista não atender à necessidade, ainda assim é provável que o Brasil continue avançando, no "embalo" da sua pujança e do empreendedorismo de setores progressistas, embora aos tropeços e sem segurança, como está ocorrendo. Continuará a ser a letra inicial da sigla Bric, mas diferente da Rússia, China e Índia, que lutam para entrar no Primeiro Mundo, aparentemente satisfeito com o destaque no hoje psicodélico Terceiro Mundo. A sociedade, mais a nova classe média apoiada na farra do crédito, talvez prossiga (por quanto tempo...?) vivendo a euforia de indicadores positivos, que, mesmo quando de fato contêm alguma verdade, são inseguros - o que não obsta serem exaltados para escamotear a realidade já preocupante. Nela, em realce: o aviltamento da ética na política e no serviço público, o quadro precário de educação e saúde, a bolha da dívida pública interna, os juros altos, a tributação elevada, o crédito como meio de vida, a onda (tendente a tsunami) dos gastos públicos (que não constrangem o empenho em grandes obras para eventos esportivos internacionais do circo anestesiante...), a ameaça ao futuro da Previdência, a exaustão fiscal do Estado, feito incapaz de continuar a ser o grande provedor da nossa cultura estatista, a retomada da inflação, o desrespeito epidêmico à lei, a violência e a criminalidade.

Com o passar do tempo a complicação da equação nacional acabará dando ensejo ao crescimento da sensação de que as relações entre sociedade e Estado não estão sendo bem intermediadas pela representação democrática. E com ela aumentará o espaço para a sedução de heterodoxias "democráticas" ao gosto sul-americano - basicamente o populismo redentorista -, de que o Brasil não é imune (seus contornos transpareceram no período 2003 a 2010, ainda que comedidamente).

A questão que se impõe é, portanto, fazer o que deve ser feito para que o desenvolvimento socioeconômico deixe de ser prejudicado pelo subdesenvolvimento político, hoje crítico na saga brasileira. O Brasil estará então apto para o progresso em harmonia social, para exercer a influência que lhe cabe na sua região e se fazer sensível e respeitado no mundo, competente para enfrentar as vicissitudes do século 21.

BRAZIU: O PUTEIRO

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Descarrilou
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

Para além da questão urbanística, a polêmica em torno da estação de metrô no bairro de Higienópolis se transformou em novo capítulo da guerra de facções no PSDB paulista e da revisão do legado de José Serra. A mudança de local foi creditada pela equipe de Geraldo Alckmin a um erro de avaliação no traçado original, concebido no mandato do ex-governador.
Embora Serra mantenha silêncio, outros vocalizam o desconforto. O senador Aloysio Nunes, ex-chefe da Casa Civil e morador do bairro, saiu em defesa da descartada estação na avenida Angélica. José Luiz Portella, hoje desafeto de Serra, mas secretário da área durante seu governo, também torpedeou a transferência para as cercanias da praça Charles Miller.
Cronograma Restam ao menos duas audiências públicas até o início da obra: uma no segundo semestre, durante o estudo de impacto ambiental; outra na elaboração do projeto executivo.

Acordo de paz 
O comediante Danilo Gentili, que a partir das críticas de moradores de Higienópolis ao metrô fez comentário discriminatório sobre judeus e depois se desculpou, toma café da manhã hoje com Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil.

Correria 1 
Alckmin recebeu ontem no Palácio dos Bandeirantes o ministro Orlando Silva (Esporte), o prefeito Gilberto Kassab, Luciano Coutinho (BNDES), Andrés Sanchez (Corinthians) e representantes da Odebrecht para tratar do Itaquerão.

Correria 2 

A reunião veio na esteira da notícia de que São Paulo ficará fora da Copa das Confederações, em 2013. Na próxima semana, o governador se encontrará com Ricardo Teixeira (CBF).

Bomba-relógio 

O reajuste escalonado de 42% anunciado para os professores já agita outros setores do funcionalismo paulista. O primeiro sintoma foi a manutenção da greve dos servidores do ensino técnico.

Falta combinar 

O PMDB paulistano ainda trabalha para levar Ary Giron, atual vice-presidente, ao comando do diretório municipal. Entende que só uma intervenção de Michel Temer pode selar a ida de Gabriel Chalita para o lugar de Bebeto Haddad -que, pelo estatuto, deve se licenciar para assumir a Secretaria de Esportes de Kassab.

Intensidade 

Parecer de quem acompanhou de perto o diagnóstico de Dilma: a presidente não teve nada além da pneumonia. A questão apenas é que esta não era "leve", diferentemente do que foi divulgado.

In loco 
A presidente, que cancelou viagem ao Paraguai para se recuperar melhor, pediu ao governador Eduardo Campos (PSB-PE) que prepare uma visita dela às obras da Transnordestina.

Geografia 
Na conversa, Campos sugeriu a Dilma que o plano de combate à pobreza extrema, a ser anunciado em breve, dê atenção especial à população rural.

Observatório 
O Planalto enxerga sinais cada vez mais concretos de que Cristina Kirchner pode não disputar a reeleição na Argentina.

Penas 
De Aldo Rebelo (PC do B-SP), sobre o relatório do Código Florestal: "Fiz ao governo as concessões que podia fazer. Mas não posso ser a galinha que cria pato. Quando o pato entra na água, a galinha se afoga".

Visita à Folha

Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Ana Claudia Albuquerque, assessora jurídica, e Cláudio Camargo, assessor de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Para uma bancada que tanto defende o governo, é um desprestígio. O Planalto nem ao menos ligou para nos informar. Soubemos da notícia pelos jornais."
DO SENADOR LINDBERGH FARIAS (PT-RJ), sobre a escolha do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) para o cargo de líder do governo no Congresso.

contraponto

Testemunha ocular

O senador Blairo Maggi (PR-MT) se atrasou para a audiência pública da subcomissão da Copa de 2014, que discutia preparativos referentes a São Paulo. Ao se justificar, contou que o nível de sua pressão arterial caíra, e por isso passara no serviço médico da Casa.
-Queriam me colocar na maca, mas avisei que se ficassem sabendo no meu Estado diriam que eu morri!
O também matogrossense Pedro Taques (PDT) disse:
-Fique tranquilo, senador. Eu aqui sou testemunha de que o senhor está vivo!

GILLES LAPOUGE - Recuperação da Europa


Recuperação da Europa
GILLES LAPOUGE
O ESTADO DE SÃO PAULO - 14/05/11
A França registrou uma taxa de crescimento considerável no primeiro trimestre de 2011: o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1%. A cifra seria excessivamente modesta para países como o Brasil ou a China, mas para um país europeu, é notável. Principalmente, contrasta com os resultados dos anos anteriores. Em 2010, o crescimento francês não ultrapassou 0,2% ou 0,5% por trimestre. O ano pior foi o da crise dos empréstimos subprimes. O PIB francês ficou negativo em 1,6% no quarto trimestre de 2008. E no primeiro trimestre de 2009 foi ainda, caiu 1,4%.

O governo francês dá muita publicidade a esses resultados, e com razão. A ministra das Finanças, Christine Lagarde, anuncia que a França saiu da crise. Para a maior parte dos economistas, entretanto, esses gritos de vitória são prematuros. De fato, se o PIB cresceu no início do ano, foi graças a um aumento do consumo das famílias maior do que o esperado. Mas tudo deixa crer que essa bulimia de consumo não se prolongará nos próximos meses.

O poder aquisitivo dos franceses estagnou e, provavelmente, declinará no segundo trimestre. Os institutos de economia calculam que o consumo deverá diminuir nos próximos trimestres.

Mais uma vez, está confirmado que o único país da Europa que saiu da crise é a Alemanha. No primeiro trimestre de 2011, o crescimento alemão chegou a 1,5%, ou seja, em um ano, a progressão foi de 4,8%. Ao contrário da França, a indústria além do Reno está eufórica. O país cria empregos e em grande número, e a indústria Audi anuncia a contratação de 2 mil assalariados para 2011, 1.200 dos quais são especialistas em motores elétricos para automóveis. Somente esse grupo automotivo alemão, que já emprega 60 mil pessoas, prevê dez mil empregos a mais até 2020.

A discrepância entre a zona alemã e a zona francesa, longe de diminuir ou de se reverter, aumenta cada vez mais. E o que dizer se incluirmos no quadro comparativo os outros países europeus? Embora esteja tão distante do desempenho da Alemanha, a França continua se mostrando uma ótima aluna do continente europeu. Suas taxas de crescimento estão mais ou menos próximas às da zona do euro.

Por outro lado, vários países continuam no fundo do fosso. Para este início do ano de 2011, se a França apresentou um crescimento de 1%, a Irlanda não ultrapassou a metade dessa cifra. Portugal, por sua vez, recuou 0.5% e prevê que em 2012 chegará a -1,5%. Finalmente, o campeão do declínio é a Grécia, esgotada pelo tratamento de austeridade que ela se impôs, que deverá ver sua riqueza baixar 3% em 2012.

Essas cifras confirmam o veredito que os dramas de Portugal, da Irlanda e da Grécia sugeriam: o verdadeiro "câncer" que esgota o corpo da Europa e, portanto, a União Europeia, é a enorme discrepância que existe entre as diferentes peças do quebra-cabeças europeu. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

WALTER CENEVIVA - Osama e o direito comparado


Osama e o direito comparado 
WALTER CENEVIVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

A discussão impõe a lembrança de pontos que ficariam em aberto na lei brasileira, na qual só o causador do dano é punível


LEIS SOBRE a pena de morte são semelhantes nas democracias que a aceitam. Nelas, a punição cabe quando o acusado é julgado pela Justiça, na forma da lei. Também é assim no Brasil, mas aqui a pena capital só se aplica quando existente estado de guerra, declarada pelo presidente da República, se autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por este.
As regras a respeito disso estão na letra "a", do art. 5º, em seu inciso XLVII, combinado com o art. 84, no inciso XIX. Entre nós não há exceção em tempos de paz, mas nos Estados Unidos a punição capital é aplicada pelo Judiciário em alguns Estados depois da decisão do júri.
O assunto merece referência no exame da ação militar que resultou na morte de Osama bin Laden. Tem utilidade para a avaliação dos fatos em termos de direito comparado. Essa é, entre as ciências humanas, a disciplina cuja finalidade principal consiste no estudo simultâneo de mais de um conjunto de Direitos e leis vigentes em países diversos para o seu aperfeiçoamento.
No caso concreto, Osama terá sido o líder das operações no ataque às chamadas Torres Gêmeas, em Nova York. Dois aviões de carreira foram dirigidos contra elas na manhã do dia 11 de setembro de 2001. Ele mereceria ser punido, em processo regular, por ter causado mortes e ferimentos em muitas vítimas, apurados na área penal, e pela quantidade descomunal de prejuízos, verificados nos termos da área civil.
Houve danos que se originaram, direta e imediatamente, dos choques dos aviões contra as duas torres. Os mais graves vieram depois de algum tempo, quando os prédios caíram, gerando a enorme tragédia humana. Contudo, a discussão do direito comparado impõe a lembrança de pontos que ficariam em aberto na lei brasileira, pois nessa só o causador do dano é punível (Código Civil, art. 186 e seguintes). Passou em branco a ausência de processo contra os que construíram as torres, tão altas e tão frágeis. Valeria até para mostrar, se fosse o caso, com sentença judicial incontroversa, que não houve defeito por ação ou omissão na obra construtiva. E, se houve, caberia, à vista do projeto de construção, saber como a obra foi aprovada pelas autoridades responsáveis.
Com a mesma força, mas em outro sentido, terão sido desconsideradas as causas pelas quais todos os ocupantes ou usuários dos dois edifícios não foram previamente informados, em tempo hábil, de modo claro, sobre a possibilidade de que um choque de aeronave, embora raro, pudesse acontecer com tais consequências. Com neutralidade de julgamento, não daria para saber se o desabamento seria o resultado natural do choque de avião comercial de porte relativamente pequeno contra os edifícios. Tem sido dito que os terroristas sabiam que os prédios cairiam. Nesse caso, caberia explicar por que os bombeiros de Nova York e seus comandantes não sabiam do perigo. Também é claro que instruções integrais para usuários e ocupantes dos prédios deveriam ter sido divulgadas, para a rapidez dos meios de fuga em qualquer desastre.
Se a questão fosse discutida sob o Direito brasileiro, seria indesculpável que o poder público se descuidasse das demais causas desse evento e inaceitável a não punição dos que geraram consequências colaterais do atentado.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Estamos quase entregando
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 14/05/11

A Secretaria Municipal de Habitação afirma estar providenciando os documentos exigidos pelo MP referentes à construção do estádio do Palmeiras. A recomendação do ministério é de suspensão da obra caso a papelada não apareça. Entre os pedidos, apresentação de protocolos exigidos em obras para manutenção do alvará dado.

Indagado, Kassab diz não estar acompanhando de perto o processo do Palmeiras.

No papelRita Constantino, advogada do clube, deixa claro que não quer paralisar a construção do Arena Palestra, como acusam: "A posição do Palmeiras é a de não colocar em risco o patrimônio do clube e fazer o estádio de forma regularizada".

Constantino teve acesso aos três volumes do inquérito civil instalado em junho de 2010. E viu que não é só da ocupação do solo maior ou de falta de protocolos da Prefeitura que "vivem" as irregularidades no processo.

Há também questionamento em relação a notas fiscais emitidas em... série.

EncaminharMais um passo rumo ao Itaquerão. Saiu ontem no DOU autorização de Kassab para a Petrobrás retirar os dutos que passam por baixo do futuro estádio do Corinthians. E dá uma notícia boa: marcou para semana que vem evento em Guarapiranga. Para desapropriar a última parte privada da represa. "Vamos construir ali o parque mais bonito da cidade", assegurou à coluna ontem.

Pró-Ana?

As recentes notícias de irregularidades no Ecad não mudaram a posição de Caetano Veloso sobre a lei dos direitos autorais, ainda que ele mesmo possa ter perdido dinheiro.

Em conversa com o Estado, o artista ponderou que os escândalos estão amplificados. "Tem que se exigir transparência, mas não vejo nenhum fato que faça com que a gente agora queira mudar tudo", explica.

Pé de ouvido

Serra e Alckmin tentaram mostrar união na eleição da executiva estadual do PSDB, anteontem. Aparentemente bem humorado, consta que Serra até piada apimentada contou para o governador, que ficou ligeiramente vermelho.

AmargoPor essa Jorge Pagura, secretário de Esportes, não contava. Queria ver a final de Santos e Corinthians, amanhã, e ouviu de Marco Pollo, da Federação Paulista, que a tribuna do Santos estava lotada.

Antissemita, não...
Indagado ontem pela coluna, Jair Bolsonaro considerou de mau gosto comentário de Danilo Gentili, do CQC, no Twitter, sobre judeus em Auschwitz: "São dois pesos e duas medidas desses humoristas do programa. A exemplo de quando Cândido Vaccarezza me chamou de estúpido. Daí não é quebra de decoro, é liberdade de expressão".

Há cerca de 40 dias, o humorístico exibiu o deputado federal declarando que namorar negro era sinal de promiscuidade. Depois, o parlamentar explicou ter se referido a gays. Não a negros.

...português, pode

Bolsonaro, entretanto, vai mais longe: "Acho que dá para fazer piada com judeu como se faz com português. O que não pode é pegar um fato histórico em que morreram milhões. É como brincar com as vítimas das Torres Gêmeas".

Yes, we can
Também indagado, Rafinha Bastos, defendeu seu colega de TV, do alto de sua descendência judaica: "Quem se chateou foi a patrulha do politicamente correto, os chatos de plantão. Judeu que é judeu não fica ofendido com piada. Por mais pesada que seja a brincadeira, pensamos sempre o mesmo: pode falar à vontade... nós temos o dinheiro".

Upper West Side
E Ricardo Berkiensztat, da Federação Israelita, sai em defesa da comunidade: "Associar judeu a gente rica é o primeiro erro. O segundo, dizer que judeu rico não quer metrô".

Atenção, Higienópolis
No prédio One Hyde Park, em Londres, onde foi comprado, há um mês, o apartamento mais caro do mundo (£ 136 milhões), existe loja Rolex e uma... estação de metrô (Knightsbridge) do outro lado da rua.

Abrir uma saída para a estação foi condição primordial para o prédio ser construído.

Na frente
A Rainha Silvia, da Suécia,que já está há uma semana no Brasil por conta da sua ONG Childhood, deve ser recebida por Dilma na quarta-feira. Não se sabe se na Alvorada ou no Planalto.

André Frank, fundador da tradicional Casa Tody, completa 90 anos no dia 18.

Chega ao Brasil a marca Tom Binns por meio do Senac Rio Fashion Business.

Ciro Lilla, da Mistral, recebe Alberto Tasca, da vinícola Tasca d''Almerita, para degustação no Sallvattore. Segunda.

Thais Rodegheri Manzano lança E Se a Literatura Se Calasse? Os Impasses do Romance da Antiguidade ao Século XX. Segunda, na Livraria da Vila.

Waltercio Caldas abre mostra com palestra de Paulo Sergio Duarte e José Resende. Quinta, na Raquel Arnaud.

Felipe Sigollo foi eleito tesoureiro do diretório estadual do PSDB.

A Companhia Paulista de Leilões tem leilão segunda, em sua sede nos Jardins.

Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto serão os homenageados do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro deste ano, dia 31 de maio. No Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.


A linha Bündchen

Como de praxe, Gisele Bündchen manteve-se isolada, anteontem, até a hora de desfilar para a Hope, na Vila Leopoldina. Maquiador e cabeleireiro próprios e cercadinho para ninguém chegar perto. E mesmo depois da promessa de entrevista e espera de mais de quatro horas, a modelo cancelou o bate-papo com a coluna, pedindo para responder as perguntas por e-mail. Das enviadas e respondidas, selecionamos duas mais usáveis:

Você está lançando uma linha pela Hope. O quanto a lingerie influencia na sensualidade? Elas definitivamente ajudam a criar um clima.

Acredita que a lingerie é algo que os homens apreciam? Sim, especialmente, se você é daquelas mulheres bem básicas e coloca uma lingerie especial... com certeza ele vai notar. É também uma coisa para dois: fantasia para o homem e um artifício para a mulher se sentir sensual, confiante e poderosa.

GOSTOSA

CLÓVIS ROSSI - O mistério do "smoking gun"


O mistério do "smoking gun"
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/11

Com Bin Laden, houve inicialmente uma arma nas mãos do terrorista, depois retirada. Eis o mistério


"SMOKING GUN", como você sabe, é uma expressão que os norte-americanos inventaram para falar figuradamente de arma do crime, prova do crime, na forma de um revólver ainda fumegante após o disparo.
No caso Osama bin Laden, houve inicialmente um "smoking gun" nas mãos do líder da Al Qaeda, depois retirado. Eis o mistério.
A existência da arma fumegante dava aos atacantes uma boa justificativa para escapar da crítica mais sólida que se faz à operação, qual seja o fato de que, em vez de capturar Bin Laden e levá-lo a julgamento, o comando preferiu executá-lo.
É verdade que, para algumas pessoas, se trata de pura frescura, se o leitor me permite usar uma expressão pouco vernacular. Mas para mim, pelo menos, é toda a diferença entre civilização e barbárie, entre o devido processo e a lei de Talião.
Se se mantivesse a versão original, essa linha divisória ficaria borrada, até eventualmente apagada. Ante um criminoso assumido, de arma na mão, matá-lo passa a ser uma necessidade operacional.
Já sem a arma, dá para "sentir vergonha de ser norte-americano", como escreveu segunda-feira nesta Folha o jornalista Michael Kepp, há 28 anos no Brasil, usando argumentos irrefutáveis.
Por quê, então, mudar a versão original e retirar o "smoking gun" das mãos do líder terrorista?
Um ataque de transparência extremada? Duro de acreditar, não? Ainda mais que a transparência não chegou ao ponto de divulgar fotos de Bin Laden morto.
Medo de um desmentido pelas testemunhas? No mínimo improvável. É evidente que, entre a versão dos atacantes e a de parentes ou aliados de terroristas, a grande maioria das pessoas preferirá a primeira, noves fora os fanáticos de diferentes colorações, inclusive aqueles que são antiamericanos, façam o que façam os Estados Unidos.
Resta crer na avaliação de George Friedman para o sítio de geoestratégia Stratfor, que começa com uma machadada em analistas, colunistas (e leitores): "Depois de qualquer operação desse tipo, o mundo se enche de especulações por parte de pessoas que não sabem e de silêncio ou desinformação de parte dos que sabem".
Depois, vai ao ponto: "Ofuscar como a inteligência se desenvolveu e os detalhes específicos de como uma operação foi executada é parte essencial de operações encobertas. O processo exato precisa ser distorcido para confundir os oponentes a respeito de como as coisas foram realmente executadas; do contrário, o inimigo aprende lições e se adapta. (...) Desinformação operacional é a fase final e crítica de operações encobertas".
Pode ser uma explicação, mas, se é a verdadeira, não ajuda em nada na imagem dos Estados Unidos. Ficaria claro que preferem mandar mensagens aos terroristas, ainda que eventualmente obliteradas, a mandá-las ao mundo civilizado.

CLÁUDIO HUMBERTO


Madri: aeroporto detém brasileiros em sala

O Aeroporto de Madri, porta de entrada da capital espanhola, mantém uma sala exclusiva para trancafiar brasileiros e outros estrangeiros que, barrados na alfândega, aguardam repatriação. As autoridades retiram os pertences dos turistas, que não recebem comida e não têm lugar para dormir. Procurado pela coluna, o Consulado do Brasil na Espanha não explicou por que brasileiros continuam sendo “presos” no aeroporto.

PRÉ-REQUISITOS
Brasileiros detidos na sala contam que a maioria tem passagens de volta, dinheiro e em alguns casos até cartas-convite de residentes de lá.

NÚMEROS
Em 2010, quase 2 mil brasileiros foram barrados na Espanha. Já na economia, vitória brasileira: crescimento de 7%, contra -1% espanhol.

ENQUANTO ISSO
O Itamaraty explica que o caso de brasileiros presos no Aeroporto de Madri “preocupa muito e há muito tempo o governo brasileiro”.

OUTRO LADO
A Embaixada da Espanha atribui as detenções à falta de documentos e diz que o número de brasileiros detidos em Madri “tem diminuído”.

BB ESNOBA CLIENTES QUE PRETENDEM ABRIR CONTAS
Um empresário foi à agência Estilos do Banco do Brasil no Lago Sul, em Brasília, para abrir contas física e jurídica. A funcionária avisou: a agência não aceita contas jurídicas, não havia gerente para atendê-lo e, para abrir conta pessoal, teria de entrar em longa lista de espera. O cliente escorraçado entrou no banco vizinho, o Citibank e, atendido prontamente, levou ao banco americano o dinheiro que o BB esnobou.

DINHEIRO DEMAIS
Em outra agência do BB na capital, na Asa Norte, uma empresária também queria abrir duas contas, mas ouviu do atendente “é impossível”.

GASTO INÚTIL?
A conta publicitária de R$ 420 milhões do BB está sendo disputada por 21 agências. Para quê mesmo? Para atrair clientes é que não deve ser.

PEDE PARA SAIR
Último refúgio dos cariocas contra os assaltos na rua, o metrô virou armadilha, após o arrastão na quinta (12) com homens armados.

LULA, O MÉDICO
O ex-presidente Lula tem sido uma espécie de porta-voz da saúde ao emitir seus boletins médicos por onde passa. Segundo ele, a presidente Dilma goza de “ótima saúde”. Se cuida Roberto Khalil.

PLIM-PLIM
A Globo pode desfiliar a TV Tapajós, de Santarém (PA), mês que vem, caso se confirme a sociedade com o ex-deputado Jader Barbalho (PMDB). Ele já é dono de uma afiliada da Band no Estado.

AGORA CHEGA
O envio de um Sedex demora mais: os Correios vão despachar um gerente corporativo por dez dias, às nossas custas, para um fórum de “Comunicações de Expressão Portuguesa”, em Lisboa. Ora, pois.

LAVOURA ARCAICA
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) tem um pepino na presidência da Confederação Nacional da Agricultura: funcionários sem aumento há três anos e sem pagamento de horas extras. A assessoria da senadora não respondeu, porque ela estava incomunicável em reunião na CNA.

MAIS UM CAPÍTULO
É só ameaça, por enquanto: o presidente do PRTB, Levy Fidélix, diz ter “provas do estelionato eleitoral” do prefeito paulistano Gilberto Kassab, que registrou em cartório a sigla PSD em nome de Laudemir Alencar.

TIPO EXPORTAÇÃO
Conhecido em Brasília, o lobista Eduardo Queiroz tenta dar as cartas no Tocantins. Ele quer impor a contratação da Valor Ambiental na coleta de lixo e varrição de ruas em Palmas. A Valor está enrolada na Operação Caixa de Pandora, que derrubou o ex-governador José Roberto Arruda.

NOTÓRIO ESPECIALIZADO
Ex-secretário de Articulação Nacional no governo Lula, ex-secretário na prefeitura gaúcha e suplente nos conselhos do Ministério da Cultura e do FGTS, Gérson Luiz de Almeida Silva vai ganhar R$ 27 mil da Unesco para organizar conferência da Secretaria Nacional de Juventude.

MARIONETE
Surpreendeu a ação da senadora Marina Silva (PV-AC) durante a primeira tentativa de votação do Código Florestal. Para os presentes, o líder do PT e defensor da maconha na Câmara, Paulo Teixeira (SP), parecia mais uma marionete da ex-candidata à Presidência.

PENSANDO BEM...
...teve muito mais cachorro do que mato na votação do Código Florestal.

“Depois de ver o que o [Gilberto] Kassab fez com a minha cidade”
SENADORA MARTA SUPLICY (PT-SP), SOBRE QUANDO DECIDIU CONCORRER À PREFEITURA PAULISTANA


PODER SEM PUDOR
VIGILÂNCIA CIDADÃ
Eleito presidente da CPI dos Correios em 2005, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) pôde constatar nas ruas que a opinião pública não aceitaria investigações de meia-tigela. Ele saía de um almoço no ótimo restaurante “Le Français”, em Brasília, quando foi reconhecido pelo motorista de uma van escolar:
– Senador, vê lá, hein? – gritou o homem – para não acabar em marmelada!
Simpático, Delcídio sorriu e fez sinal de “positivo” para o vigilante cidadão.

O IDIOTA E A MENTIROSA

SÁBADO NOS JORNAIS


O Globo: Código Florestal - Relatório de Aldo estimula crime ambiental, diz governo

Folha de S. Paulo: Taleban assume autoria de ataque que matou 80

O Estado de S. Paulo: Corte de gasto deve afetar investimento da Petrobras

Correio Braziliense: Senado vai investigar superaposentadorias

Estado de Minas: Negócios da China

Jornal do Commercio: Final com lotação quase esgotada

Zero Hora: Concessionárias já programam atraso na entrega de carros