quinta-feira, março 03, 2011

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

O TELEFONE TOCA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/03/11

A ministra Ana de Hollanda, da Cultura, ganhou apoio de peso ontem em sua disputa com setores ligados à antiga gestão da pasta: o produtor Luiz Carlos Barreto, um dos mais influentes da área do audiovisual, telefonou para ela dizendo que "o cinema entrará na briga". E do lado de Ana. "Ela está apenas querendo discutir melhor a questão dos direitos autorais no país. Estão querendo intrigá-la com o Lula ao dizer que ela quer desmontar tudo o que ele fez na área", diz Barreto.

FORÇA JOVEM
O produtor acha que a discussão sobre direitos estava sendo realizada, no governo anterior, "açodadamente, com grupos amadores de teatro, de música, num clima meio estudantil. A produção industrial, as editoras de música, textos teatrais e cinema precisam ser ouvidas".

BANDEIRA BRANCA
Carnaval à parte: apesar das divergências, Ana de Hollanda confirmou presença no almoço que Gilberto Gil oferece em Salvador no sábado de Carnaval. Vai com a filha, Ruth, e com a neta Ana.

TURISMO MESMO
Já o ministro do Turismo, Pedro Novais, quebrará a tradição do cargo e passará o Carnaval bem longe dos destinos brasileiros da folia. Vai para uma feira em Berlim.

PORTAS ABERTAS
A Prefeitura de SP foi derrotada em segunda instância no processo em que a Defensoria Pública pede que a administração seja obrigada a manter as creches abertas durante todo o ano, inclusive nas férias escolares.

DEDETIZAÇÃO
A prefeitura diz que adotará as medidas. Informa que tem plantão de férias desde 2008 e que a demanda é pequena. Afirma ainda que utilizava o período para dedetização das unidades.

NOTÁVEIS
O ex-ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), passa a integrar, a partir deste mês, o conselho do Masp.

QUER CAFÉ?
E o Masp viveu seus dias de camelódromo nesta semana. Sem mais nem menos, um homem entrou no museu, abriu uma faixa de propaganda de máquinas de café -e começou a vendê-las na lanchonete. Depois de um tempo, a direção da instituição percebeu a esperteza -e expulsou o intruso do local.

ERMÍRIO ELOGIA "RESPONSABILIDADE" DO GOVERNO DILMA

Fabio Ermírio de Moraes

Um dia depois da divulgação do balanço do grupo Votorantim, que teve lucro líquido de R$ 4,9 bilhões em 2010, Fabio Ermírio de Moraes, vice-presidente da Votorantim Industrial, falou à coluna sobre planos em 2011 -e também sobre o governo Dilma Rousseff.

Ele diz que o grupo planeja investir R$ 5 bilhões em 2011, "tendo em vista, principalmente, os grandes eventos que o Brasil terá nos próximos anos". É neste contexto, diz, que se insere o governo Dilma. "Acreditamos que o governo continuará se esforçando para que o país siga crescendo. Há sinais de uma política de responsabilidade fiscal e um maior balanceamento da política monetária com a fiscal. Isso reflete no aumento da confiança por parte da iniciativa privada e investidores em geral."

A China, diz ele, é outro foco. O grupo reuniu 70 executivos para discutir oportunidades naquele país, com palestrantes como o "futurista" Peter Schwartz, o demógrafo Joseph Chamie e Orville Schell. "Foi bastante interessante, e desponta o tema sobre a oportunidade que o Brasil tem de se tornar uma "Arábia Saudita" da energia renovável. O desafio da China em continuar crescendo sob as custas de uma matriz de energia baseada fundamentalmente no carvão e suas consequências ambientais abre sem dúvida grandes oportunidades ao Brasil."

LEITURA DE CABECEIRA
O cantor Leandro (DEM-SP), do KLB, que assume no dia 15 uma cadeira de deputado na Assembleia Legislativa de SP, está lendo "O Príncipe", de Maquiavel.

NOVA ESQUERDA

E Kiko (DEM-SP), irmão de Leandro que foi candidato a deputado federal, diz que conversou com o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP).

Ele e o irmão são nomes quase certos no novo partido "de esquerda" que Kassab pretende criar. "Confio muito nele. É meu padrinho político", afirma o cantor.

PAULISTANA

Alice Braga, que mora nos EUA, aproveitou a passagem por São Paulo, no fim de semana, para gravar o o clipe de "Nightwalker", nova música do cantor Thiago Pethit, pelas ruas de Higienópolis.

A atriz usou um figurino que remetia ao vestido usado pela tia Sonia Braga no filme "Eu Te Amo", do cineasta Arnaldo Jabor.

HEBE CONVIDA ZÉ DIRCEU PARA TOMAR VINHO E "MANDAR BRASA"

"Não acredito que você veio, Zé Dirceu!", gritou Hebe do palco ao ver o ex-ministro José Dirceu na plateia da gravação de seu programa de estreia na Rede TV!, que vai ao ar no dia 15. "Olha, cê tá perto do "Zé Serra", do governador [Geraldo Alckmin]." No intervalo, ela ainda grita para Dirceu: "Ô, Zé, quando acabar o programa, vamos tomar vinho. Vamos mandar brasa!".

"A gente ficou um tempo sem se falar, mas nos reencontramos na festa de um amigo comum. Adoro a Hebe", dizia Dirceu. Ele vê também o programa de Ana Maria Braga. "Foi muito boa a entrevista da Dilma com ela."

Eufórica, Hebe mexia com cada um dos convidados. "Dona Lu, governador, me esperem após o fim do programa. A Moniquinha Serra ainda tá aí?". Sim, Monica Serra, mulher de José Serra, sorria da plateia. Já o marido, por conta de um compromisso, tinha saído no meio do programa, quase todo dedicado a sua ex-adversária Dilma Rousseff, com quem disputou a eleição presidencial.

"Ela é bárbara", dizia Hebe sobre a presidente enquanto mostrava imagens de Dilma no Palácio da Alvorada, andando com o cachorro, sentada num sofá. "Eu pensei que encontraria uma pessoa séria... que nada!". Hebe perguntou à presidente de quais músicas de Roberto Carlos ela gosta. Dilma citou "Detalhes" e "Amigo". "Nunca cantou?". "Já. Alguma vez na vida perdemos o senso crítico", respondeu Dilma.

Hebe voltava a brincar com os convidados. "Olha a Claudia, da "Robenrag". Não posso falar Kopenhagen, né gente? Sou Nestlé." "Dr. Pedro Albuquerque! O Silvio [Santos, ex-patrão de Hebe] não para de falar de você. Ele, gente, é o cirurgião plástico que faz aqui e ali [indica retoques no rosto]."

A apresentadora mostra entrevista feita com Paulo Coelho, na Suíça, usando uma nova tecnologia. O escritor aparece como uma holografia no palco. "Olha isso! Que do c...!", dizia Amaury Jr.

O único detalhe incômodo foi o fato de Dilma ter dado entrevista a Hebe há uma semana -e repetido a dose com uma de suas concorrentes, Ana Maria Braga, que acabou "furando" a loira da RedeTV! ao levar a conversa ao ar antes dela. Mas Hebe não passava recibo. "Ah, não fiquei chateada, não. Imagina! Ela [Ana Maria Braga] tem os mesmos direitos. E lá passou às 8h da manhã, né?"

CURTO-CIRCUITO


A cantora Tulipa Ruiz e as bandas Cérebro Eletrônico e Trupe Chá de Boldo dividirão o palco hoje, à meia-noite, no pré-Carnaval do Studio SP. Classificação: 18 anos.

O filme "Os Famosos e os Duendes da Morte", de Esmir Filho, será exibido amanhã, a partir da meia-noite, no Noitão do cine Belas Artes. Classificação: 16 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

JANIO DE FREITAS

Os caças sobre as casas
JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/03/11
Um ano mais de espera não pode agravar o negócio, mas poderá servir para a conveniente higienização


MAIS DO QUE confuso, ou deliberadamente mal explicado, o tal corte de R$ 50 bilhões nos gastos governamentais previstos para este ano juntou-se ao folhetim dos caças para formar a percepção de atos incorretos do governo anterior e do atual.
Para decolar com os caças, Guido Mantega: "Neste ano não há dinheiro para os caças". Ótimo. Por numerosos motivos. Um dos quais, entre os importantes, é que esse negócio está submetido a tratamentos inaceitáveis desde sua fase inicial, há 12 anos, ainda no governo de Fernando Henrique. Um ano mais de espera não pode agravá-lo, mas poderá servir para a conveniente higienização.
Na mesma segunda-feira em que a sentença de Mantega fazia mais uma desautorização a Nelson Jobim -um ministro que já está pequenino de tantas vezes que sua autoridade foi cortada na história dos caças-, um discreto texto na "Gazeta Russa" trazia duas novidades sobre o negócio. Estava na "Gazeta Russa", incluída na Folha em par com "The New York Times". O jornalista Viktor Litóvkin informava que Brasil e Índia receberam da Rússia a oferta de participação no projeto de um caça de quinta geração, já em testes, com possibilidade de venda para terceiros. O Brasil ainda não deu a "resposta definitiva". Aqui, o Ministério da Defesa não deu tal notícia.
A exclusão anterior dos russos, porém, ao que explicou Litóvkin, deu-se porque o Brasil exigiu a compensação de compra, pela Rússia, de jatos comerciais da Embraer equivalentes ao seu Superjet-100. Pode-se tomar a exigência como pretexto, porque os Estados Unidos tinham reagido à preferência dos testes técnicos da FAB pelos Sukhoi russos. A Rússia tinha restrições à plena transferência de tecnologia do seu jato então mais moderno, mas essa dificuldade não altera o fato de que o governo brasileiro montou uma concorrência desleal. Aos franceses, por certo, não foi exigida a mesma compensação, nem consta que o fosse aos americanos, cujo caça é também aprovado pela FAB, embora, em princípio, a ele preferisse o projeto conjunto com os suecos. Concorrência à brasileira, pois.
Em referência ao que seriam cortes propriamente, os ministros Guido Mantega e Míriam Belchior (Planejamento) limitaram-se a uma encenação de explicações e de entrevista coletiva. O corte mais gritante, por exemplo, que teria reduzido em R$ 5,1 bilhões a verba do programa Minha Casa, Minha Vida, serviu muito para notícias, mas não para cortar gasto. Os próprios ministros informaram que o corte refere-se à verba de uma medida provisória que nem está aprovada pelo Congresso: refere-se a uma nova etapa do programa que não seria desenvolvida necessariamente, neste ano, e só o seria, se o fosse, em parte. Ou seja, o gasto cortado não era gasto.
Com o aumento do funcionalismo dá-se o mesmo. Nem figurava no Orçamento, logo, a referência a sua exclusão neste ano é apenas retórica. O corte em investimentos já contratados do Ministério da Defesa também não é corte de gasto. É adiamento a ser negociado, o gasto continuará.
O corte dos R$ 18 bilhões acrescentados ao Orçamento por emendas de parlamentares, por sua vez, é mais nominal do que efetivo, porque as emendas de deputados e senadores dependem de liberações que, por tradição, ocorrem o mínimo possível. Mas tem, no caso, o aspecto positivo de confrontar os parlamentares e seus modos de manipulação do Orçamento dos três Poderes.
Belchior e Mantega ficaram devendo uma explicação ainda mais interessante. Incluíram R$ 3,1 bilhões de um corte a resultar de auditorias a serem feitas para identificação de fraudes nas folhas de aposentadorias, pensões e outras. Como sabem que o montante das irregularidades é aquele? E, se sabem, sabem também onde estão as fraudes, sem precisar de contrato com auditorias externas. Se não sabem e precisam das auditorias, agem incorretamente com a opinião pública e com o próprio governo.

OMELETE COM OS OVOS DE LULA

ILIMAR FRANCO

Eureca
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 03/03/11

O PSB e o PDB, partido a ser criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pretendem disputar separadamente as eleições municipais do ano que vem, mas com a obrigação de se coligarem em todo o país. A fusão aconteceria depois. Assim, impediriam a debandada de seus quadros: tanto socialistas insatisfeitos com a entrada de Kassab, quanto políticos que usariam o PDB como trampolim para outras siglas.

Preocupação com a Justiça
Um dos principais afetados por essa estratégia é o deputado Gabriel Chalita (PSB-SP), que negocia a ida para o PMDB com a intenção de disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem. A outra preocupação é com a Justiça Eleitoral. Com esse plano, Kassab e os socialistas tentam desfazer a imagem de que a nova sigla é apenas um mecanismo para burlar a Lei da Fidelidade Partidária. Temem a perda de mandato. Além do governador Raimundo Colombo (SC), Kassab conta com o ingresso do governador Omar Aziz (AM), atualmente no PMN. No Senado, além de Kátia Abreu (DEM), iria o senador Sérgio Petecão (PMN-AC).

CONFETE. Desgastado na relação com o governo, o líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN), foi só gracejos na reunião ontem com a presidente Dilma Rousseff. Brincou com ela que uma serrista ferrenha estava assistindo sua participação na Ana Maria Braga e desligou a TV, para não ser contaminada. “Eu não vi o programa, mas seu cabelo está lindo”, arrematou o líder do PR, Lincoln Portela (MG). “E o do (ministro) Luiz Sérgio?”, brincou Dilma, por causa das charges do Chico.

Dirigidos
Orientados pelo Planalto, líderes da base deixaram assuntos como o corte das emendas parlamentares para a a reunião do Conselho Político, dia 23. Foi combinado que a reunião de ontem com a presidente Dilma seria “propositiva”.

Estilo
Apesar de ressaltarem que a reunião foi muito “alegre”, os deputados comentaram como a presidente Dilma é mais comedida e técnica do que Lula. “Ele transpirava política e simpatia, ela, preocupação administrativa”, diz um deles.

Batata assando
Parte do Palácio do Planalto não está gostando da postura de Rossano Maranhão, que já aceitou o convite para assumir a futura Secretaria de Aviação Civil, mas está pedindo mais tempo para assumir o posto. O governo tem pressa para mostrar que está tentando melhorar as condições dos aeroportos brasileiros. Rossano teria argumentado que ainda precisa resolver algumas questões no banco Safra, de onde é presidente.

Quase fundação estatal
Portaria publicada ontem no Diário Oficial da União abre caminho para que 16 hospitais federais contratem profissionais pelo regime celetista. Eles foram certificados como hospitais de ensino, logo serão afetados pela Medida Provisória que cria a Empresa
Brasileira de Serviços Hospitalares. No Rio, seis foram incluídos na portaria: Hospital Geral de Nova Iguaçu, Hospital dos Servidores do Estado, Hospital da Piedade, Instituto de Psiquiatria (UFRJ), Alcides Carneiro (Petrópolis) e Luiz Gioseffi Jannuzzi (Valença).

 O DEM encaminha hoje para seus integrantes questionário sobre reforma política. Os temas são: lista fechada e diferentes formas de voto distrital. O objetivo é unificar a posição do partido.
 O SENADOR Francisco Dornelles (PP-RJ) é só elogios para a ministra Miriam Belchior (Planejamento). “Ela recebe os deputados, atende os telefonemas”, disse ele.
 O PREFEITO de Vitória, João Coser (PT), deve ser reeleito para a presidência da Frente Nacional dos Prefeitos. A eleição é dia 5 de abril.

MÍRIAM LEITÃO

Nova dose
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 03/03/11
O Banco Central subiu os juros para 11,75% na segunda reunião do governo Dilma. O quadro econômico ficou mais confuso com os dados divulgados ontem: a produção industrial ficou estável, quando se esperava queda, e a venda de carros disparou. A conta do excesso de gastos e de estímulos fiscais numa economia que já estava em alta em 2010 chegou agora.

Quem olha os detalhes da conjuntura acha que a elevação faz sentido. Quem vê o quadro geral e olha para outros países tem noção de que os juros brasileiros são uma anomalia.

O BC não tinha outra saída. Há uma inflação generalizada. Em economia, não existe almoço grátis e as medidas de combate à crise adotadas pelo Ministério da Fazenda em 2009 passaram do ponto, foram mantidas em 2010, ano que já era de recuperação. Os gastos deveriam ter sido contidos e os estímulos eliminados antes. O IBGE divulgará hoje o PIB em torno de 7,5% de 2010.

Há razões internacionais para a alta da inflação, mas isso não explica tudo, porque ela está disseminada. Houve um aquecimento muito forte do consumo, tanto das famílias quanto do governo. Com menos gastos públicos, o governo abriria espaço para o consumo privado.

O BC tomou medidas para reduzir a oferta de crédito, achando que as vendas de bens de maior valor seriam reduzidas. Mas foi espantoso o número divulgado ontem pela Fenabrave. Em fevereiro os brasileiros compraram 24% mais carros do que em fevereiro do ano passado, quando havia redução do IPI para compra de automóveis.

A maioria dos economistas previu queda na produção industrial de janeiro. O número ficou em 0,2%. O indicador foi puxado pela expansão de 6% dos bens duráveis. Segundo análise do banco HSBC, apesar das medidas do Banco Central que encareceram o crédito, o consumo está sendo sustentado pelo mercado de trabalho e pela renda das famílias.

Com o emprego em alta, as famílias se sentem mais seguras para assumir compromisso de longo prazo e para comprar itens financiados como geladeiras, fogões, televisores e automóveis. O Brasil, como se sabe, tem tido juros tão altos que tem uma deformação: o comprador pergunta não pelo custo do dinheiro, mas se as prestações cabem no bolso.

Mesmo assim, a indústria está com ritmo bem menor do que o comércio (veja no gráfico abaixo). A demanda tem sido cada vez mais atendida pela importação. O setor de bens intermediários teve queda de 0,4%. A MCM consultoria calcula que a alta da indústria no ano será de apenas 2%. O economista Newton Rosa, da Sul América Investimentos, também acha que os sinais são de desaceleração:

- Desde o 2º trimestre de 2010 a indústria está praticamente estagnada. Isso acontece tanto pelo aumento das importações, que tira venda dos produtos nacionais, e também pela queda das exportações, fruto do consumo externo mais fraco e do real mais forte.

O vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, tem números impressionantes de aumento da importação. O déficit comercial do setor em 2004 era de apenas US$400 milhões. Deve saltar para US$25 bilhões em 2011. A participação dos produtos chineses, que era de 2,1% no mesmo ano, agora é de 14,7%, acima da Alemanha.

- A verdade é que o Brasil não é competitivo em comparação com os concorrentes. Temos a maior taxa de juros, o câmbio valorizado, a mais alta carga tributária, infraestrutura deficiente. Isso em comparação com Alemanha, Suíça, Coreia do Sul, China e Índia - disse Velloso.

Mesmo assim, a previsão da Abimaq é de alta de 15% na produção este ano. Velloso explica que o setor tem um tipo de crescimento diferenciado dos demais. Quando a economia cresce, a venda de equipamentos dispara. Quando a economia se retrai, a produção desaba.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) teme uma queda da produção este ano, depois da alta de 4% em 2010. Além da concorrência dos importados, os preços internacionais do algodão dispararam, segundo o presidente da entidade, Aguinaldo Diniz.

- O preço do algodão subiu 200% em 12 meses. Isso aumentou demais a necessidade de capital de giro das empresas, que estão sendo obrigadas a reduzir produção e quadro de pessoal. A importação de produtos chineses subiu 34% em janeiro deste ano na comparação com 2010 - explicou.

Ricardo Trombini, presidente da ABPO (Associação Brasileira de Papelão Ondulado), acha que o setor cresce 5% em 2011, menos que os 12% de 2010. Ele lamenta que o Brasil combata a inflação apenas com taxas de juros.

O problema é o país ter vencido a superinflação há 16 anos e ainda precisar de juros tão astronômicos para controlar os preços. Não foi por falta de aviso: o governo gastou demais e a conta chegou quando vários outros fatores estão empurrando a inflação para cima.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Negócios à parte
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/03/11

Michel Temer recebeu anteontem Salim Schahin, da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em seu gabinete. O vice quis saber se os conflitos recentes no mundo árabe estariam impactando as relações comerciais com o País. Ouviu que os números de exportação mostram que, ao menos por enquanto, não. Schahin aproveitou o encontro para sugerir a Temer que se aproprie da ascendência libanesa e visite a região para estreitar relações.

Pelos céus

Consta que Luciano Coutinho, do BNDES, levou para Dilma o novo projeto para os aeroportos brasileiros. Incluindo unidades a ser construídas e geridas pela iniciativa privada. A presidenta teria gostado.

In english
Newton Lima, deputado federal, e Oswaldo Barba, prefeito de São Carlos, foram à Brasília. Pediram a internacionalização do aeroporto da cidade.

Vai andar?

Duas pernas do Saci

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, considera que a ideia de Kassab de formar novo partido para depois fundi-lo com o PSB não tem pé nem cabeça. "É burlar a lei eleitoral", frisou ontem. Coisa para o TSE tomar providências, caso se concretize.

DescompassoOs integrantes da OSB resolveram endurecer o jogo contra a iniciativa da direção em submeter o corpo da orquestra a audições de avaliação. Depois de impetrar duas ações na Justiça, contrataram também um criminalista: Marcio Donnici.

MatemáticaEstudo inédito, da próxima revista Exame, mostra que o crescimento médio do Brasil de 4,5% nos últimos cinco anos decorreu, em larga medida, da prosperidade da China.

E mais. 
Caso a economia chinesa tivesse crescido 7% ao ano desde 2005, e não a um ritmo de 11%, o PIB brasileiro teria evoluído a uma média de 2,5% - o mesmo padrão medíocre das décadas de 80 e 90.

Tudo é carnaval
Enquanto os vereadores decidiam os projetos que seriam levados à votação, a TV Câmara transmitia... programa de escola de samba. O presidente da Casa, José Police Neto, chegou a se queixar: "É por essas e outras que falam mal da gente".

Efeito Galliano
Amir Slama, estilista de ascendência judaica, vê exagero na demissão de Galliano da Dior. "O que ele disse no bar deve ter sido loucura de bêbado", afirmou. Mas considera estranho ele frequentar Marais - bairro judeu parisiense - enaltecer Hitler e, ao mesmo tempo, criticar judeus. "O ditador alemão também eliminava homossexuais e Galliano é gay".

Galliano 2
Natalie Klein, da NK, aplaude a demissão de Galliano. "As pessoas podem ter preferências religiosas, mas jamais preconceito". E vai mais longe: "Com certeza, alguém que aplaude Hitler tem sérios problemas de caráter moral e psicológico".

Galliano 3
Direto de Paris, Costanza Pascolato classifica o comentário como gravíssimo. "A demissão foi correta". E destaca outro problema que deve ter influído na decisão da Dior: Galliano estava indo pouquíssimo... ao ateliê.

Na frente

Wagner Moura já está praticamente com o pé na estrada. Começa a rodar, no fim do mês, o longa A Cadeira do Pai, de Luciano Moura.

Em seu primeiro dia de filmagem de 360, Fernando Meirelles levou um baile da neve. Para chegar ao aeroporto de Minneapolis, nos EUA, a equipe teve de dirigir oito horas desde Chicago.

Nayan Chanda, da Universidade de Yale, faz palestra hoje na USP. E lança também seu livro Sem Fronteira.

Mais R$ 1 milhão vai pingar no Fundo de Reconstrução do Teatro Cultura Artística. Doado pela Camargo Corrêa

Dubfire, DJ e produtor, toca amanhã no Clash Club. Nas comemorações de quatro anos da casa.

Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, é o convidado de João Doria, dia 21, para almoço do Lide. No Grand Hyatt.

Pablo Quiñones, chileno, fatura alguns trocados tocando sax ... no trânsito. No repertório, músicas de Pixinguinha, Tom Jobim, Adoniran Barbosa e Dizzy Gillespie. Seu ponto de trabalho preferido é o cruzamento da Avenida Brasil com a Rebouças.

MERVAL PEREIRA

Sempre pode piorar
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 03/03/11
O lema do palhaço Tiririca, na campanha que o levou à Câmara dos Deputados em Brasília como o deputado federal mais votado do país com 1.353.820 votos (6,35% dos votos válidos), ajudando a eleger outros três candidatos, era "Pior do que está, não fica". Ledo engano. Quando se pensa que já se viu tudo, vêm os políticos para nos mostrar que sempre podem piorar o que já está ruim.

A votação expressiva de Tiririca pode ser a demonstração de que o Congresso é um espelho da representação da nação, mas pode ser também um protesto maciço contra as palhaçadas promovidas pelos políticos profissionais.

O maior ou menor grau de otimismo em relação ao nosso sistema político define a alternativa.

Mas a escolha de Tiririca para fazer parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, um requintado deboche da opinião pública, é um lance perfeito para quem quer desmoralizar a atuação dos deputados.

A escolha do mensaleiro João Paulo Cunha, do PT, para presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é outra decisão no mesmo caminho.

A formação da comissão da Câmara que vai discutir a reforma política parece ter sido feita a dedo: deputados colhidos pela Lei da Ficha Limpa, como Paulo Maluf (PP), ou réus em processos de corrupção eleitoral, como Valdemar da Costa Neto (PR), um dos 40 mensaleiros que estão sendo julgados pelo STF, e Eduardo Azeredo (PSDB), réu em processo de uso de caixa 2 na campanha para o governo de Minas.

A escolha de Tiririca teria o objetivo de usar sua experiência circense na parte dedicada à cultura, uma explicação tosca para quem vive, como os políticos, de simbolismos.

Não é possível que ninguém entre eles tenha se tocado de que a escolha para essa comissão específica soaria como uma brincadeira de mau gosto.

Também a desculpa esfarrapada de que os deputados envolvidos em processos não foram condenados, e portanto não podem ser punidos antes que a Justiça se decida, não convence, pois, se é verdade que não devem ser punidos, não precisam também ser homenageados nem promovidos.

Além do mais, no caso dos deputados da comissão da reforma política, como podem decidir sobre temas como financiamento de campanhas eleitorais se estão justamente sendo acusados de irregularidades nesse campo?

A explicação mais cínica seria que eles têm experiências nos assuntos e podem dar sugestões abalizadas sobre caixa 2, assim como as empresas de informática contratam hackers para montar esquemas de segurança nos computadores.

Seria preciso, antes de mais nada, que ficasse provado que esses deputados não têm culpa dos crimes de que são acusados, ou então que se arrependessem de suas transgressões.

Nesse caso, o trabalho na comissão da reforma seria como uma prestação de serviço comunitário com que pagariam por seus crimes.

Suas escolhas, ao contrário, parecem ter sido feitas para desmoralizar a própria reforma, e com isso fazer com que não se chegue a uma proposta que tenha credibilidade.

Essas indicações, desprovidas totalmente de senso crítico, resumem bem o estado de complacência moral em que o país está envolvido não é de hoje, gerando o esgarçamento de seu tecido social.

Após oito anos de um governo leniente com os malfeitos de seus correligionários, está se impregnando na alma brasileira uma perigosa complacência com atos ilegais, que acaba tendo repercussões desastrosas no dia a dia do cidadão comum, que passa a considerar a "esperteza" como atributo importante para vencer na vida.

Desse ponto de vista, o governo Dilma é uma perfeita continuidade do de Lula, com pequenas variações em torno do mesmo tema.

Também o PSDB agiu em relação a seus políticos envolvidos em denúncias com a mesma "compreensão", em vez de colocar-se como um contraponto à política petista.

Quando o senador Eduardo Azeredo foi acusado de ter sido o iniciador dos esquemas fraudulentos do lobista Marcos Valério na disputa pelo governo de Minas em 1998, o partido recusou-se a enfrentar o assunto, dando margem até mesmo a que o PT espalhasse a versão de que a campanha tucana havia sido o embrião do mensalão, quando deveria ter assumido desde logo uma atitude crítica severa.

Os três partidos mais influentes do país - PT e PSDB se revezam na Presidência da República desde 1994 e o PMDB é presença permanente em todos os governos - se confundem nos métodos de fazer política, embora aqui e ali possam restar traços de atuação mais ideológica ou programática no PT e no PSDB, resquícios dos tempos em que a política era feita com pelo menos mais pudor.

Já o PMDB pós-Ulysses Guimarães se caracteriza pela falta completa de ideologia, dedicando-se exclusivamente à conquista do poder e seu usufruto.

Esse ambiente político favorece um compadrio que leva em conta apenas os interesses imediatos da corporação, e faz a instituição ficar surda em relação aos interesses do eleitorado.

Nada a estranhar, portanto, que outro deputado envolvido no escândalo do mensalão, Sandro Mabel (PR-GO), tenha obtido 106 votos na recente disputa pela presidência da Câmara.

Primeiro, Emir Sader tentou desmentir declarações atribuídas a ele pelo jornal "Folha de S. Paulo", entre elas a de que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, era "autista".

Quando confrontado com as declarações gravadas, e diante da decisão de sua superior de não mais aceitá-lo para dirigir a Casa de Rui Barbosa, passou a atacar os inimigos de sempre, a grande mídia golpista e a direita.

A sorte é que esse sociólogo boquirroto deu um tiro no próprio pé antes mesmo de tentar colocar em prática seu projeto de aparelhamento ideológico de uma instituição de pesquisa importante como a Casa de Rui Barbosa.

O COMEDOR

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Moacyr
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 03/03/11

Eu brincava com o Moacyr Scliar e dizia que ele era a vergonha da classe literária: um escritor que não bebia. Ou, pior, só bebia Malzbier. Ele também tinha horror a peixe contava com muito humor seu martírio diante de sushis e sashimis quando visitou o Japão. Viajamos juntos algumas vezes mas ele me ganhava em matéria de trotear pelo globo. Certa vez nos encontramos em Carlos Barbosa, no interior do Rio Grande do Sul, mas foi um encontro muito rápido, ele estava indo dali a minutos para Tocantins! O Moacir vivia assim, de Carlos Barbosa para Tocantins com escalas em Nova York e Paris, sem perder os
chás da Academia nas quintas. Eu invejava seu talentoe sua estampa de príncipe russo mas invejava, acima de tudo, suas milhas acumuladas.
Era uma pessoa extremamente generosa e solidária. Quando um leitor me chamou de anti-semita no jornal o primeiro telefonema que recebi foi do Moacyr dizendo para não dar bola, ele mesmo já tinha sido chamado de anti-semita várias vezes pela sua posição no conflito de Israel com os palestinos. Sua preocupação com saúde pública e com a questão social vinha dos seus tempos de estudante de Medicina e se refletiu desde o começo na sua obra literária. Que nunca foi panfletária mas sim encharcada de humanismo e compaixão – mesmo quando tratava de personagens em guerra com o mundo. Nenhum outro escritor brasileiro que me ocorra dominou, como o Moacyr, aquela estreita faixa da imaginação entre o cômico e o trágico também frequentada por Kafka, Vonegut e alguns poucos outros. E ele foi o único praticante, no Brasil, do melhor humor judaico, com suas narrativas urbanas e modernas que nunca deixavam de evocar arquétipos e mitos antigos, como se dispensadas por um xamã tribal num
bar do Bonfim, o bairro judeu de Porto Alegre.
Sua obra foi extensa, mas meus Scliars favoritos são A Guerra no Bonfim, O Exército de um Homem Só e Os Voluntários, talvez por serem dos seus primeiros livros, os que revelaram sua originalidade. Nos enchíamos de orgulho, um pouco por bairrismo gaúcho e muito pela nossa velha amizade, sempre que em qualquer livraria da Europa ou dos Estados Unidos víamos os livros traduzidos do Moacyr numa prateleira. Os livros, pelo menos, vão continuar a andar pelo mundo.

MARCELO L. MOURA

Governo deve assumir ações coesas de combate à inflação

MARCELO L. MOURA
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/03/11

Se acreditarmos no que diz a teoria econômica, a decisão do comitê de política monetária do Banco Central de aumentar a taxa de juros de curto prazo deveria elevar o custo de empréstimo das empresas e restringir o crédito para consumidores.
Esse aumento provocaria queda no investimento e em compras de bens duráveis, como casas, automóveis e eletrônicos, entre outros. Vale aqui a lógica pura e simples de que, se a demanda cai, o lado da oferta responde, reduzindo a produção e o ritmo de elevação dos preços.
A pergunta que nos cabe fazer é: por que o combate da inflação no Brasil requer doses tão elevadas de juros?
A pergunta é ainda mais relevante se olharmos para outros países emergentes, que crescem a um ritmo maior e que possuem inflação mais baixa.
A resposta passa por entender as condições nas quais a política monetária funciona bem.
Existem pelo menos duas: que a economia não sofra outros choques e que a taxa básica de juros reflita diretamente o custo de tomar dinheiro emprestado.
A economia não sofrer outros choques significa que não devem ocorrer outras políticas do governo que estimulem a demanda, anulando, assim, parte do efeito da política monetária.
Embora o governo tenha ações nessa área, sendo a mais relevante a do anúncio de um corte de R$ 50 bilhões do Orçamento, a verdade é que, na prática, o gasto do governo aumenta acima da inflação ano após ano.
Mesmo se acreditarmos no cumprimento da promessa de corte, o Orçamento que fica é ainda cerca de 7% acima do valor do ano passado, o qual já representava um nível elevado de gastos. Contando uma história longa em poucas palavras: a política fiscal joga contra a política monetária.
A segunda condição é que exista uma relação direta e forte entre taxa básica de juros e custo do empréstimo.
Essa hipótese é também questionável no Brasil. Aí entra o papel do governo via BNDES, concedendo crédito com juros subsidiados.
Também entra o fato de que, para as pessoas físicas, os juros são tão elevados que apenas pequena parcela da população toma empréstimos no sistema financeiro, seja na forma de financiamentos imobiliários, crédito direto ao consumidor, uso do rotativo no cartão de crédito ou cheque especial.
Com empresas que pouco são afetadas no seu custo de empréstimo e poucos consumidores se financiando, o efeito também será limitado.
Dito isso, cabe agora ao governo assumir uma posição mais clara de coesão de políticas que visem controlar a inflação de forma mais eficiente. É como pedir que os 11 jogadores tentem fazer gol no mesmo lado do campo. Será que é tão difícil perceber? Para o mercado, pelo menos, não é o que parece.

MARCELO L. MOURA é professor associado do Insper e doutor em economia pela Universidade de Chicago.

GOSTOSA

ELIANE CANTANHÊDE

Palhaçada
ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/03/11
BRASÍLIA - "Vocês confundem o palhaço no trabalho lá com aqui. Aqui é outra coisa."
A frase é do deputado Tiririca, lépido, fagueiro, recém-alfabetizado e sentado na primeira fila na instalação da Comissão de Educação. Ele tem meia razão. Estamos mesmo confundindo os palhaços de lá, de cá e do Congresso. É outra coisa?
Se fosse só o Tiririca, tudo bem, porque ele tem a legitimidade de deputado mais votado do país. O problema é que a palhaçada é geral, com Paulo Maluf, Newton Cardoso, mensaleiros e fichas-sujas suprapartidariamente acomodados na comissão especial que vai... analisar a reforma política!
O Tiririca é um fenômeno novo, mas Maluf é um velho fenômeno da política brasileira, que consegue ser incluído ao mesmo tempo na lista de procurados da Interpol e na de membros da comissão que vai definir, por exemplo, financiamento público de campanha e moralização da atividade política.
Por falar nisso, o deputado João Paulo Cunha assumiu a presidência da estratégica Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ, chamada de "mãe de todas as comissões". Ninguém é considerado culpado até prova em contrário, mas igualmente ninguém deve presidir a CCJ da Câmara enquanto réu num processo no Supremo Tribunal Federal. Não é pedir muito, vai!
Sem falar que o presidente da Comissão de Meio Ambiente é o deputado gaúcho Giovani Cherini, que é... ruralista. Lobos, galinheiros, palhaços, fichas-sujas e réus. Virou ou não uma palhaçada?
E, depois, os caras ainda reclamam quando a gente fala mal!




Gaddafi deixou o governo brasileiro perplexo e sem reação ao dizer que os Bric vão cobrir o vácuo de bancos e empresas que saiam da Líbia. Presepada ao gosto de Chávez, um dos últimos apoios ao amigão líbio. O contorcionismo dos chavistas para explicar isso e defender Gaddafi é constrangedor.

CLÁUDIO HUMBERTO

“... Quer pegar uma teta gorda que o governo federal tem”
DEPUTADO ONYX LORENZONI (RS), CRITICANDO A SAÍDA DO PREFEITO GILBERTO KASSAB DO DEM

VETO AO PDT FRAGILIZA LUPI: OSMAR DIAS É OPÇÃO 
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) literalmente subiu no telhado: após demonstrar que não lidera o PDT, do qual é presidente de honra, é iminente sua substituição pelo ex-senador Osmar Dias (PDT-PR), que faz parte do time de pedetistas leais ao governo. A crise foi exposta com a recusa da presidente Dilma de incluir o PDT entre os partidos aliados, no Congresso Nacional, com os quais se reuniu ontem.

REBELDIA EXPOSTA 
A crise decorre da rebeldia do PDT, que votou contra a proposta de salário mínimo de R$ 545 defendida pelo governo.

EM CIMA DO MURO 
No dia seguinte à votação do mínimo, Carlos Lupi nem citou Dilma na propaganda do PDT, para não irritar pedetistas “rebeldes”.

PDT AINDA FORA 
Dilma não negociou apoio ao salário mínimo. Esperou a votação para saber com quem pode contar. Concluiu que não conta com o PDT.

ESPELHO 
Foi violenta a repressão contra rebeldes ontem em Brega, na Líbia. O ditador Gaddafi não nasceu lá. Apesar das aparências, nasceu em Satir. 

TCU DERROTA ‘PRIVATIZAÇÃO BRANCA’ DOS PORTOS 
Depois de aguardar quase oito meses pelo pedido de vista do ministro Aroldo Cedraz, o Tribunal de Contas da União finalmente julgou ontem a denúncia da Federação dos Portuários sobre a “privatização branca” dos portos, pretendida por empresas como a empreiteira Odebrecht. Cedraz e Raimundo Carreiro votaram em favor das empresas, como esta coluna antecipou, e contra o parecer do Sefid, órgão técnico do TCU, que veda a tentativa de driblar a licitação. Mas foram derrotados.

CASA CIVIL COM A BOLA 
A sessão do TCU foi interrompida para converter o julgamento em diligência, para ouvir a Casa Civil do Planalto no prazo de 30 dias.

ANTAQ OMISSA 
Também serão ouvidas pelo TCU a Antaq (Transportes Aquaviários), omissa ante a “privatização branca”, e a Secretaria de Portos.

GOL DE PLACA 
Claudio Puty (PT) é o primeiro deputado do Pará a presidir a importante Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

TREM BÃO 
Lula recebeu da coreana LG quase mil vezes mais (R$ 200 mil) pela palestra de ontem, que o preço da passagem oferecido pelo consórcio coreano (incluindo a LG) que disputará o trem-bala este ano: R$ 119. 

VÍDEO MISTERIOSO... 
O governador tucano Geraldo Alckmin preferiu ver para crer na suposta prova em vídeo de que o secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança) vazou a acusação que provocou a demissão do funcionário Túlio Kahn.

...NA CRISE PAULISTA 
Túlio Kahn é acusado de vender dados sobre criminalidade. O objetivo do vazamento seria desgastar Saulo de Castro (Transportes), amigo de Kahn e provável substituto de Ferreira Pinto na Segurança.

NOSSO BOLSO 
Os ex-deputados Arnaldo Madeira (PSDB-SP), Efraim Morais (DEM-PB), José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Rita Camata (PMDB-ES) já estão devidamente aposentados. Receberão até 39% dos salários integrais.

ROCHA DE ADMINISTRAÇÃO 
Ao se despedir do Superior Tribunal de Justiça, ontem, o ministro Luis Fux, que assumirá no Supremo Tribunal Federal, fez rasgado elogio ao decano e ex-presidente do STJ, ministro Cesar Asfor Rocha. Para Fux, ele é o “maior administrador do Judiciário de todos os tempos”.

VALE O QUANTO PESA 
A empresa Vale S/A, não por coincidência, tem o mesmo entendimento do diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral, que anulou o ato do superintendente do Pará instaurando processo de caducidade de sua mina em Carajás. Manda quem pode.

DOIS SÁBIOS 
“Stalinista pop” e ex-futuro presidente da Casa de Rui Barbosa, Emir Sader tuitou ontem pensata de Lula: “Não haverá democracia no Brasil, enquanto os políticos tiverem medo da imprensa.” É justo o
contrário.

BIROSCA DO VACCA 
Lula ainda ganhará (outra) medalha, após Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, dizer que “comprar cachaça é uma forma de ajudar a economia”. Com cartão corporativo?

PERGUNTA NO BOTEQUIM 
Estava sóbrio o líder petista Vaccarezza ao incluir cachaça no Bolsa Família? 

PODER SEM PUDOR 
CARGO É PODER Michel 
Temer era presidente da Câmara e, em visita oficial à União Soviética, convidou o secretário-geral da mesa diretora, Mozart Vianna, para integrar a comitiva. Em Moscou, foram acomodados em uma dacha, mansão confortável que servia à mordomia do regime, na época chefiado por Mikail Gorbatchov. Temer já desfazia a mala no quarto quando o cuidadoso Mozart Vianna bateu à porta:
– Colocaram-me em uma suíte enorme, com salas, dois quartos etc, e o senhor está aqui, num quarto comum...
Michel Temer matou a charada:
– É uma homenagem: afinal, você é o secretário-geral da Câmara!
Secretário-geral era o símbolo máximo do poder na URSS. Gorbatchov, o mandachuva, era secretário-geral do Partido Comunista soviético.

DILMA CABEÇA OCA

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: BC aumenta os juros pela 2ª vez no governo Dilma
Folha: Gaddafi ataca e ameaça com milhares de mortes
Estadão: Pilotos se negam a atacar e Kadafi sofre nova derrota
Correio: Governos apelam para comissionados
Valor: Dilma adota estratégia de exportação para o pré-sal
Estado de Minas: Prostituição, drogas e morte na Afonso Pena
Jornal do Commercio: Ônibus mudam e afetam um milhão de pessoas
Zero Hora: Na mira da Justiça

quarta-feira, março 02, 2011

ESPORTE NA TV: HOJE

16h45 - Arsenal x Leyton Orient, Copa da Inglaterra, ESPN HD e Esporte Interativo

16h45 - Manchester City x Aston Villa, Copa da Inglaterra, ESPN Brasil

19h30 - Botafogo x River Plate-SE, Copa do Brasil, Sportv 2 e ESPN

19h30 - Tolima x Cruzeiro, Libertadores, Sportv

21h30 - Phoenix Suns x Boston Celtics, NBA, ESPN e ESPN HD

21h50 - América-MEX x Fluminense, Libertadores, Globo (menos SP) Sportv

21h50 - Santos x Cerro Porteño, Libertadores, Globo (para SP) e Sportv 2

21h50 - Palmeiras x Comercial-PI, Copa do Brasil, Band e ESPN Brasil

CELSO MING

Mais incertezas
CELSO MING
O Estado de S. Paulo - 02/03/2011

O Copom, presidido por Alexandre Tombini, decide hoje o novo nível dos juros básicos (Selic) em um ambiente bem mais carregado de incertezas do que havia no dia 19 de janeiro, data da última reunião, quando a decisão foi puxar os juros em meio ponto porcentual, até 11,25% ao ano.

Não estava no radar de ninguém o avanço dos preços das commodities, de 32% em seis meses e de 6,5% nos últimos 42 dias (da última reunião do Copom até ontem), numa situação que é de lenta recuperação global.

Nenhum observador conseguiu prever a nova disparada dos preços do petróleo nem muito menos a crise do mundo islâmico que a deflagrou. Conhece-se o início desses eventos apenas depois de começados e, em seguida, não se sabe nem como evoluem nem como terminam.

Embora reconheça que a inflação brasileira, de 5,99% em 12 meses, esteja intimamente conectada com a decisão de aumentar as despesas correntes do setor público ao longo de 2010 - como ainda segunda-feira reconhecia o ministro da Fazenda, Guido Mantega -, ninguém no governo previa avanço tão forte dos preços nem contava com que os juros tivessem de subir tanto para empurrar a inflação para dentro da meta.

Ao longo do último trimestre do ano passado, o Banco Central apostava equivocadamente em que a desaceleração da atividade industrial (a partir de maio) seria suficiente para conter o consumo interno e a disparada dos preços. Não previu que a alta das matérias-primas puxaria o IGP-M para 11,2% em 12 meses nem que, consequentemente, elevaria os preços administrados (aluguéis, tarifas, contratos financeiros) a ele indexados. Também não esperava que a criação de renda fosse capaz de provocar tão generalizada alta nos preços do setor de serviços.

Depois vieram as tais medidas macroprudenciais (reforço de capital dos bancos, restrições à expansão do crédito e aumento da retenção compulsória), tomadas em parte para evitar futuras elevações dos juros. O empenho com que o Banco Central vai apontando a força do efeito (colateral) dessas medidas na contenção do consumo e da inflação mostra que é muito a contragosto que vai sendo obrigado a elevar os juros.

Esse conjunto de incertezas já seria suficientemente amplo para exigir políticas mais conservadoras que as que prevaleceram nos últimos 18 meses. No entanto, há ainda mais incertezas externas com que lidar.

Como ontem avisou o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, a ameaça de deflação já foi embora. Se há novo risco a enfrentar, embora ele não seja ainda relevante, é o de inflação, em consequência do avanço dos preços do petróleo e das commodities.

E, se os grandes bancos centrais do mundo tiverem de voltar a puxar pelos juros, como pode acontecer já nesta semana com o Banco Central Europeu (BCE), será inevitável nova desaceleração da retomada da atividade econômica pós-crise global.

Hoje, o Copom deve aumentar os juros em mais meio ponto porcentual, para 11,75% ao ano. Este parece ser um número relativamente moderado diante da força dos preços. Antes de três meses, dificilmente haverá clareza sobre a dosagem ainda necessária para trazer a inflação de volta à meta.

CONFIRA

Muda a participação

No mesmo período, as exportações de produtos primários cresceram 47,5% e saltaram de 37,6% para 44,0% no total. Enquanto isso, as de manufaturados cresceram 10,8% e sua participação no total exportado caiu de 44,8% para 39,4%.