terça-feira, março 09, 2010

ARNALDO JABOR

Quem é a Mulher?


O GLOBO - 09/03/10



Ontem foi o Dia Internacional da Mulher. Sempre me espanto nessa data. Como dia da mulher? Não haverá nessa generalização um desejo masculino de fazê-las compreensíveis, por medo de sua diversidade? O psicanalista Lacan disse que "a mulher" não existe, pois não há alguma coisa que as unifique em uma identidade só.
Por que não há o dia do homem? Os homens são mais classificáveis do que as mulheres. É um preconceito também esta mania de dizermos que elas são "incompreensíveis" (até tu, Freud?...). Mas essa confusão na cabeça das mulheres não é maluquice; nessas dinâmicas almas há uma verdade indeterminada mais profunda do que as ilusões das certezas masculinas.
Sempre que chega este Dia Internacional da Mulher, nós, machistas, elogiamos o lado "abstrato" das fêmeas, sua delicadeza, sua capacidade de perdão (sic), sua coragem, sua beleza, em suma, textos de hipocrisia paternalista, como se falássemos de pobres, de crianças ou de vítimas de alguma coisa. Claro que na história as mulheres foram oprimidas, estupradas a alma e o corpo.
Mas a importância das mulheres vai muito além de sua condição de "negras dos homens"; não é como vítimas que devemos lamentá-las ou louvá-las. Sua importância é afirmativa, pois elas estão muito mais próximas que nós da realidade do mundo, aberto, sem futuro ou significado. Elas não caminham em busca de um "sentido" único, de uma vitória pura, de um poder brutal.
Não falo das "convertidas" de terninhos a um mundo machista, pela necessidade da produção e do mercado; falo de uma espécie de "essência" que as une como uma metáfora sem fim - as mulheres são imprevisíveis como a natureza. O homem se crê acima da "físis"; mas as mulheres estão dentro.

Elas ventam, chovem, sangram, elas têm inverno, verão, TPMs, raiam com a luz da manhã ou brilham à noite, elas derrubam homens com terremotos, elas nos fazem apaixonados porque nelas buscamos um sentido que não chega jamais. Na realidade, elas querem ser decifradas por nós, mas nunca acertamos no alvo, pois não há alvo, nem mosca.
Hoje, as mulheres da mídia fingem que sabem quem são; falo das nuas, das gostosas, das famosas que ostentam uma "objetividade" apenas aparente. Faz parte do tempo atual, onde reina a política correta, a aceitação de tudo - sem preconceitos. Já as viram em entrevistas? São todas claras, falam sem dúvidas, contam intimidades com tranquilo e doce descaro ("sim, me prostituí sim, numa boa..."), fingem uma discrição, um autoconhecimento que na realidade não têm. Vistas de mais perto, com lentes macroscópicas, vemos que são impalpáveis como a realidade que o homem "pensa" que controla. Mulher abre-se num horizonte com múltiplos sentidos e está sempre nos equivocando; não porque sejam "móbiles", frívolas, mas porque funcionam assim, como raízes buscando vida em várias direções.
A mulher não é um enigma. Nós é que somos, disfarçados de sólidos. Os homens são óbvios, fálicos. Homem é ciência. Mulher é arte.
Daí o pânico que sentimos diante dessas forças da natureza mais fortes que nós, com nossas gravatas da cultura, daí o ódio que os primitivos cultivam contra elas, daí os boçais assassinos do Islã castrando-as ou mantendo-as em cativeiro ou apedrejando-as até a morte.
As mulheres são sempre várias. Isso não as faz traidoras; nós é que nos achamos "unos". Só os autoconfiantes são traídos.
Essa é uma das razões do sucesso das putas. O que buscamos nelas? Os homens pagam para que elas não existam, para que sejam úteis, com uma tarefa precisa, sem vida interior. A prostituta finge ser linear e definida. Pagamos a prostituta para que nos dê uma trégua, para que não nos confunda. Nós nos deixamos enganar e ela finge que não nos engana.
Ela nos despreza, claro, mas muitos preferem essa humilhação consentida em vez de um amor puro e perigoso. A prostituta só ama o cafetão porque ele lhe esbofeteia e lhe dá o alívio de se sentir misteriosa e injustiçada.

Eu nunca conheci a Mulher. Eu já amei e odiei "mulheres". Então, por que esse título genérico? Não existe a Mulher. Existe a mulher de burca, a stripteaser, a mulher sem clitóris, existe a freira, existe a perua, a modelo, a bondosa, a malvada (tão cantada em verso e prosa), existe Eva e Virgem Maria, existe a feia, a bela, a histérica, a obsessiva. Mulheres. A Mulher é invenção dos machos.
O maior mistério que vivemos é a diferença entre sexos. Talvez o único mistério. Por mais que queiramos, nunca chegaremos lá. Lá onde? Lá onde mora o "outro", a diferença.
Há alguns exploradores: os veados, sapatões, travestis, que mergulham nesse mar e voltam de mãos vazias, pois nunca saberemos quem é aquele ser com útero, seios, vagina, aquele ser maternal, bom, terrível quando contrariado no "ponto g" da alma. Por outro lado, elas nunca saberão o que é um pênis pendurado, um bigodão, a porrada num jogo do Flamengo, um puteiro visitado de porre; nunca saberão do desamparo do macho em sua frágil grossura. Elas jamais saberão como somos.
O amor é a tentativa de pular esse abismo. O amor é a patética falta de recursos de seres querendo ser absolutos, quando não passam de bichos relativos.
Eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo ou o que eu aprendi com elas, no amor ou no sofrimento.
A cada mulher, eu descobri defeitos e qualidades que me formam hoje, como acidentes que me foram desfigurando.
O que aprendi com elas? Bem, minha mãe me fez sofrer quando percebi que não era o "único". Outras mulheres me fascinaram pela impossibilidade de atingi-las, as "carmens" me enlouqueceram uma época e fiquei atraído pelo charme infinito das histéricas. Eram como quebra-cabeças: ao tentar armá-los, eu achava que sabia tudo, mas entrava em novos labirintos.
Com elas, loucas, sóbrias, boas e más, descobri que não tenho forma nem lógica e que sempre me faltará uma peça na charada.

RUBENS BARBOSA


O papel do Estado na sociedade brasileira
O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/03/10

A crise econômica e financeira de 2008 sinalizou o fim de uma era em que o Estado reduzia sua presença na economia e na sociedade em geral.

Na última década, as transformações globais produziram desafios que, vistos em seu conjunto, recolocaram a questão do papel do Estado no centro do debate político.

Vivemos agora uma nova fase, em que o poder do Estado parece crescer em decorrência da necessidade de gerar rápidas respostas para o desequilíbrio macroeconômico que vem afetando o mundo todo. Programas de emergência governamentais, que custaram trilhões de dólares, foram aplicados para salvar bancos e empresas de grande porte, a fim de evitar a recessão.

Mesmo antes da crise, nos EUA e no Reino Unido os gastos públicos e o aumento da regulamentação elevaram a participação do Estado na economia. Os novos desafios trazidos pela globalização, o crescimento do desemprego, a volatilidade dos mercados, a emergência de novas potências econômicas, como a China, o aparecimento de algumas das maiores companhias multinacionais e de fundos soberanos estatais vieram reforçar a percepção de que o Estado passou definitivamente a assumir um papel ampliado.

Outros fatores contribuem para esse fato. O envelhecimento da população trará aumento de gastos e de regulamentação. Custos com segurança, pela ameaça de terrorismo e pela expansão do crime organizado, também deverão crescer significativamente.

O mundo assiste à volta do "capitalismo de Estado" e a grande novidade é que os governos parecem estar gostando de usar os mecanismos de mercado como instrumento de poder, como ocorre na China.

O governo Barack Obama, por necessidade, para evitar a falência da economia, tomou medidas antes impensáveis dentro das regras do capitalismo americano e passou a controlar bancos e companhias privadas e a regular de forma quase intrusiva o sistema financeiro.

Na América do Sul, o fortalecimento do Estado ocorre na Venezuela, na Bolívia, no Equador e em menor grau na Argentina, com os conhecidos resultados de queda da eficiência da economia, de arranhões à democracia e de crescentes custos sociais.

No Brasil, assistimos ao mesmo fenômeno. O governo Lula ampliou a participação do Estado com medidas intervencionistas e de estímulo, para a superação da crise econômica de 2009.

Ao contrário do pragmatismo norte-americano, no entanto, o que se vê no Brasil é a retomada da ideologia do nacional-desenvolvimentismo de forma radical. Os exemplos dessa atitude são conhecidos. O 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, com mais de 500 medidas afetando muitos aspectos da vida econômica e política do País, a nova regulamentação para a exploração do petróleo do pré-sal e as tentativas de exercer maior controle sobre os meios de comunicação e sobre as telecomunicações são provas dessa nova atitude.

Não se pode invocar o exemplo dos EUA para justificar o crescimento do Estado no Brasil, historicamente tão tentacular. As situações são distintas, visto que, passada a crise, a tendência nos EUA é o Estado refluir para seu leito tradicional, ao passo que, no Brasil, ele parece estar aí para ocupar um espaço talvez maior e sem preocupação com seu tamanho e sua influência sobre os rumos democráticos.

O debate sobre o novo papel do Estado ? que nunca esteve ausente no Brasil, dada a importante participação histórica do Estado na sociedade em geral e na economia em particular ? deverá estar presente na campanha eleitoral.

O PT trata o assunto do ponto de vista ideológico, como evidenciado nas discussões do recente congresso do partido. O documento A Grande Transformação, que servirá de base para o programa de governo da candidata Dilma Rousseff, dá claras indicações nesse sentido. A nova concepção de desenvolvimentismo exige, entre outros aspectos, o fortalecimento do Estado, das empresas estatais e o restabelecimento do planejamento estratégico da economia nos setores considerados essenciais para o desenvolvimento do País. O esvaziamento dos órgãos reguladores independentes e a concentração de poder nos órgãos públicos resultarão inevitáveis. Os exemplos oferecidos de como essa visão do papel do Estado será executada poderão trazer problemas para o fortalecimento da democracia e da livre-iniciativa, como forças fundamentais para o desenvolvimento de médio e de longo prazos.

No tocante ao PSDB, inexiste a preocupação ideológica de fortalecimento do papel do Estado. O que se busca é o aperfeiçoamento dos instrumentos utilizados pelo Estado nas políticas econômicas e sociais. Se críticas são feitas à política econômica, seus fundamentos não estão em questão. O objetivo é evitar a desindustrialização e estimular o investimento produtivo com medidas corretivas tanto na política monetária quanto na cambial. O controle do gasto público e a maior eficiência de sua aplicação para melhorar o desempenho do Estado na prestação de serviços aos contribuintes deverão estar presentes nos debates até outubro. Tudo isso com visão de futuro e de planejamento de médio prazo, de acordo com esses princípios.

Dessa forma, nas próximas eleições estará em jogo o destino do Brasil em sua trajetória como grande potência econômica nos próximos 10 a 15 anos.

O modelo de desenvolvimento iniciado em 1993 e mantido até 2010 terá de ser aprofundado para permitir o salto qualitativo necessário ao crescimento sustentável. Resta saber como isso será feito: com um nacional-desenvolvimentismo e a presença de um Estado cada vez mais forte e participativo ou com um Estado regulador, que venha a corrigir as distorções do modelo adotado até aqui e que abra oportunidades para o setor privado crescer e projetar o País no concerto nas nações.
Rubens Barbosa, consultor de negócios, é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

JOSÉ SIMÃO


Oscar 2010! Faltou a traveca-bomba!
FOLHA DE SÃO PAULO - 09/03/10

Homem-bomba é o brasileiro: meu salário é uma BOMBA, os juros estão pra lá de BAGDÁ, o meu saldo ESTOUROU!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E adorei o agradecimento de um travesti ao Dia da Mulher: "Bom dia e quase obrigado de uma quase mulher".
E diz que o "BBB" é o retrato do Brasil: não temos em quem votar! E com a recusa do Aécio estão sugerindo a Sonia Abrão para vice do Serra! Rarará!
E o Oscareta? Oscareta! Muito careta. O Zé Mayer que devia ter ganhado o Oscar. Como melhor INTERTREPAÇÃO! O Eramos6 sugere categorias do Oscar Pornô: 1) Ator mentado sexualmente. 2) Longa centimetragem. 3) MELHOR ATRIZ E ATRÁS! 4) Melhor montagem de ator em atriz. 5) MELHOR TROLHA SONORA! Rarará. Adorei essas duas categorias: melhor atriz e atrás e melhor trolha sonora.
O Oscar bombou! "Guerra ao Terror" é uma bomba. História de esquadrão antibomba. Eu quero ver eles desativarem a bomba que eu tenho em casa, a bomba que eu tenho na garagem. Devia ter um esquadrão antibomba para desativar a Sandra Bullock. Pra desativar a Dilma!
E por que no filme não tem traveca-bomba? Traveca-bomba é aquela que você pega pensando que é mulher e, na hora H, ela mostra a BOMBA! Quero ver desativar a bomba da traveca-bomba. Rarará! E sabe como é mulher-bomba em Portugal? Coloca o OB, acende o pavio e tapa os ouvidos. BUM! "Guerra ao Terror" ganhou porque americano só olha pro umbigo. Umbigo-bomba!
E homem-bomba é o brasileiro: meu salário é uma BOMBA, os juros do banco estão pra lá de BAGDÁ, o meu saldo ESTOUROU e estou prestes a cometer um ataque suicida! E homem-bomba é homem-bomba porque tem quatro sogras. E o prêmio coincidiu com as eleições no Iraque. O bum da democracia. Explosão de votos. E sabe qual a diferença entre eleições no Iraque e eleições no Brasil? É que no Iraque a bomba explode antes. Rarará.
E lá no Iraque estão vendendo carro sem IPI? Em 78 vezes sem juros? Como é que ainda tem tanto carro no Iraque para explodir? É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". É que em Maraã, no Amazonas, tem um baile chamado Rasga Velha. Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Taxidermista": companheira dermatologista que só anda de táxi. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

MERVAL PEREIRA

A guerra das drogas  


O Globo - 09/03/2010
O que o governador de São Paulo, José Serra, temia está acontecendo. O presidente Lula aproveitou uma série de inaugurações e entrevistas no Rio para se dizer contrário à “legalização das drogas”, uma abordagem precária de um tema complexo e polêmico que tem colocado em evidência internacional seu arqui-rival, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que copresidiu a Comissão LatinoAmericana sobre Drogas e Democracia, juntamente com os ex-presidentes da Colômbia César Gaviria e do México Ernesto Zedillo.

Fernando Henrique, por essa campanha, foi colocado pela importante revista americana “Foreign Policy” entre os cem maiores pensadores internacionais do momento “por dizer o que a guerra às drogas é: um desastre”.

E é também o personagem central de um documentário sobre o tema cujo título provisório é “Rompendo o silêncio”, dirigido por Fernando Grostein Andrade.

Há poucas semanas, o expresidente esteve no Morro Dona Marta, em Botafogo, uma das favelas ocupadas pelo programa de polícia pacificadora do governo do Rio, para registrar para o documentário o trabalho que vem sendo feito de controle territorial pelo estado e desarmamento dos criminosos.

O documentário, a pedido do provável candidato tucano José Serra, só será lançado no próximo ano. Mesmo assim, a atividade de Fernando Henrique sobre o assunto é considerada potencialmente perigosa para uma candidatura tucana, pela controvérsia que gera na sociedade brasileira.

A começar pela distorção da tese central, que não é a legalização das drogas, como foi perguntado ao presidente Lula ontem, mas sim a descriminalização do consumo de drogas.

Como salientou Fernando Henrique, “descriminalizar não quer dizer despenalizar e muito menos legalizar”.

Dentro da própria coalizão oposicionista há desacordo em relação ao tema.

O ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, por exemplo, classificou de “gol contra” o empenho de Fernando Henrique no assunto, advertindo que o documentário pode trazer prejuízos à candidatura de Serra.

A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), que é composta por representantes da sociedade civil e políticos de todos os partidos, fez recentemente na sede do Viva Rio sua terceira reunião em que ficou clara a dificuldade política de se levar adiante uma campanha nesse sentido, especialmente num ano eleitoral.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou o seu recente empenho no debate público acerca das drogas, que não foi prioridade em seu governo: “Pouco a pouco eu fui tomando consciência das conseqüências da repressão às drogas, e percebi que ela é pouco eficaz. A guerra às drogas fracassou”.

A proposta central é transferir o enfoque da ação governamental da área judicial para a área da saúde, com a implementação de uma política de redução de danos.

O objetivo imediato é a regulamentação da lei que regula as políticas de drogas no Brasil, diferenciando consumidor de traficante, e, entre os traficantes, os que exercem ou não o controle armado de territórios.

Fernando Henrique apontou como bom exemplo o caso de Portugal, que, em 2001, mudou o paradigma do combate às drogas, adotando uma postura de redução de danos.

Como salientou, para evitar mal-entendidos que o tema propicia, a discussão acerca do tema das drogas é mais complicada do que simplesmente defender a liberalização das drogas e, por mais que existam boas experiências, como a de Portugal, não existem receitas prontas para tratar o tema.

“A guerra às drogas e o proibicionismo não vão ajudar.

Precisamos pensar caminhos alternativos”, concluiu.

A dificuldade política da defesa de uma posição menos radicalizada no combate às drogas foi evidenciada pela ausência do governador Sérgio Cabral, do PMDB, que já defendeu publicamente a descriminalização das drogas, mas cancelou em cima da hora sua participação alegando problemas de saúde, sendo representado pelo secretário Régis Fichtner.

Apesar do caráter suprapartidário que tinha a reunião, com a presença de deputados de vários partidos, inclusive o deputado federal Paulo Padilha do PT, cujo projeto é a base que o movimento usa para flexibilizar a legislação, os entraves políticos ao debate foram ressaltados pelo deputado Raul Jungmann, do PPS, que alertou para a dificuldade de se avançar em assunto tão polêmico em ano eleitoral.

Mas o secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, participou da discussão aderindo claramente à tese de que é preciso mudar o caráter repressivo da atuação policial no combate às drogas.

Na sua definição, a criminalização do pequeno traficante e o perfil repressivo do combate às drogas tem sido uma tarefa de “enxugar gelo”.

Ele defendeu, a exemplo do que já acontece em Portugal, a especificação da natureza e da quantidade da droga na legislação.

O modelo prisional brasileiro cumpriria, segundo o secretário Nacional Ricardo Balestreri, papel de recrutamento e repasse da especialização para pequenos traficantes, que são 90% dos presos, ficando conhecido por isso como ‘escola do crime’ ou ‘faculdade do crime’.

Ontem, no Rio, o presidente Lula disse que o problema do crack nas cidades brasileiras está se tornando de grandes proporções, especialmente junto às populações mais pobres, e que o governo, através do Gabinete de Segurança Institucional, está preparando um grande debate sobre como combater essa nova droga.

O tema é urgente e atual.

Mas as eleições no Brasil não comportam discussões programáticas, e o assunto ou será postergado ou explorado politicamente.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Verde avermelhado 


O Estado de S.Paulo - 09/03/2010
 pouco provável que Juca Ferreira volte ao PV, do qual prometeu afastar-se, durante a campanha eleitoral. O clima entre ele e a direção do partido, que já era pesado, piorou quando o ministro deixou Marina Silva de lado e aderiu à candidatura Dilma, em fevereiro.
"É uma situação dolorosa para mim. Somos amigos há 40 anos", afirma Alfredo Sirkis, da cúpula verde.

Avermelhado 2

Um setor do partido chegou a propor a expulsão do ministro. No final, prevaleceu sugestão de Sirkis: deixar que Juca se decida.

Mas sua volta, dizem, dependerá do nível de engajamento na campanha de Dilma.

A bela e a bela

Cristiana Arcangeli, empresária do ramo de beleza, volta ao mercado. A ex-dona da Phytoervas e da Eh! vai lançar, em maio, nova grife: a Beauty In.

Dr. Speedy

A Formula Indy perde com a não-contratação do médico Dino Altman.

Por trabalhar na Fórmula-1, o especialista foi impedido de aceitar o convite.

Dr. Speedy 2

Os vips que quiserem assistir in loco à Fórmula Indy terão um hospitality center dentro do circuito, montado pela Top Service.

Dividido em dois nichos: o Indy Vip e o Indy Club.

Piñera aqui

O Planalto insiste e jura que a ausência de Lula na posse de Sebastián Piñera, depois de amanhã, nada tem a ver com posições políticas.

E dá como prova um desejo que o novo presidente chileno teria manifestado: que sua primeira visita como chefe de Estado seja ao Brasil. Se possível, ainda neste primeiro semestre.

Caiu na rede é casa

Meyer Nigri, da Tecnisa, acaba de fechar venda pelo iPhone. Conta que um morador do Tatuapé entrou em contato com corretores on-line e, num prazo de onze dias, assinou contrato de compra de um apê de 120 m² por R$ 460 mil.

Onde? No Jardim Anália Franco, na zona Leste.

Endereço nota 10

Nizan Guanaes, do Grupo ABC, começa a reformar uma town house na esquina da rua 57 com 5ª Avenida, no coração de Nova York.

Ali vai instalar escritório grudado na Bergdorf Goodman - uma das lojas mais sofisticadas da cidade.

De Braçada

A Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos conseguiu apoio crucial.
Assina amanhã patrocínio com a Speedo, até 2016.

Linha cruzada

A Oi resolveu brigar para manter o controle de dois códigos DDD, o que é proibido. Quando comprou a BrT, ela tinha prazo legal de 18 meses para devolver o seu código (31) ou o da nova empresa (14).

Ele expira em junho, mas desde o fim do ano passado a superempresa brasileira vem interpondo recursos junto à Anatel.

Até agora, a agência não cedeu: tem reafirmado a exigência de devolução.

Cruzada 2

A Embratel, que devolveu vários códigos, pediu por sua vez, à Anatel, para figurar no processo como parte interessada.

Ou seja, se a Anatel abrir o precedente para a Oi, certamente vai dar linha cruzada.

Espelho meu

A prisão de Arruda está alterando até a agenda do pessoal da moda.

A Capital Fashion Week, semana de moda brasiliense, trocou o seu tema, "50 anos de Brasília", por "50 anos de Renato Russo".

"Made in Aiti"?

Fonte da coluna viu. Gucci, Prada, Louis Vuitton, no Haiti. Em feira a céu aberto, vendendo grifes de luxo. Logicamente, falsas.

Altas e baixas

Uma Bolsa de Valores... Políticos. É o que a corretora Souza Barros lança hoje, com festa, no Wall St. Bar, juntando política e economia.
O valor da "ação", na Bovap, depende da imagem do político. O "investidor" pode comprar ou... vender.

XICO GRAZIANO


Inanição agrária
O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/03/10

Reforma agrária não se confunde com invasão de terra. Menos ainda com saque de propriedade rural ou roubo de gado. Assim atestam decisões recentes da Justiça brasileira. Ponto para a democracia.

A fazenda da Cutrale, em Iaras (SP), invadida pelo MST em 28 de setembro passado ilustra o mais notório caso. A 1ª Vara Criminal de Lençóis Paulista aceitou recentemente denúncia do Ministério Público paulista contra os transgressores. A decisão partiu da juíza Ana Lúcia Aiello. Vão responder os acusados pelos crimes de formação de quadrilha, furto e dano qualificado. Segundo laudo técnico, apresentado pela Promotoria, 12.298 pés de laranja foram destruídos. Considerando insumos e máquinas agrícolas furtados, o prejuízo soma R$ 1,3 milhão. Bandidagem sai caro.

Segundo caso. Em fevereiro último, a Justiça de Tupã (SP) ofereceu liminar em ação de interdito proibitório, garantindo a integridade da Fazenda Salmourão, situada ali, na região da Alta Paulista. Grupo de 200 pessoas, ligado ao briguento dissidente José Rainha, pretendia invadir a área, promovendo seu "carnaval vermelho". Com o parecer judicial, seriam presos se o fizessem. Aquietaram-se.

Ocorreu no Paraná, entretanto, a decisão judicial mais importante. Um marco na Justiça agrária do País. O governo do Estado acaba de ser condenado a pagar indenização de R$ 54 milhões, em valor atualizado, aos proprietários da antiga Fazenda Sete Mil, localizada no município de Jardim Alegre. A determinação partiu do Tribunal de Justiça.

Essa batalha judicial já dura 13 anos. Em 1996, antevendo sua invasão, os proprietários da fazenda conseguiram na Justiça local um interdito proibitório. De nada adiantou. Meses depois, a área estava ocupada pela turma do MST. Nova decisão judicial ordenou a reintegração de posse da área. A medida, porém, nunca foi cumprida pela autoridade policial. Um descaso ao Judiciário.

Com área total de 14 mil hectares, a fazenda mantinha rebanho aproximado de 15 mil cabeças de gado. Desapropriada pelo governo, teve o decreto presidencial anulado pelo Supremo Tribunal Federal, fazendo o Incra passar vergonha. Tratava-se de terra produtiva. Mas continuava nas mãos do MST, que abatia o gado regularmente e distribuía sua carne na base de 3 quilos para cada uma das 650 famílias invasoras. Um açougue rural.

Cinco anos depois, cansado de reclamar politicamente, o fazendeiro entrou na Justiça solicitando indenização, a ser paga pelo Estado, visto o descumprimento da ordem judicial que determinava a reintegração da posse. Ao mesmo tempo, seu advogado solicitou intervenção federal no Paraná. Funcionou. Após dois anos de processo, o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, deu ganho de causa, determinando a intervenção política no Estado. Aumentou o quiproquó.

Atuante, inteligente, idealista, o incansável advogado Antônio Carlos Ferreira seguiu adiante. Em face da demora no cumprimento da ordem judicial, solicitou o impeachment do presidente da República. Isso ocorreu em junho de 2004. Dizem que o Lula se enfureceu.

Dois meses depois, em negociação com o Incra, o dono da propriedade, Flávio Pinho de Almeida, acabou por vender sua propriedade para servir à reforma agrária. Resolveu-se dessa maneira a querela jurídica preliminar, que permitiu suspender a intervenção federal no Paraná. Lula escapou da fria. O governador Requião, nem tanto.

Passados mais cinco anos, o Tribunal de Justiça do Paraná confirmou a sentença da primeira instância, obtida na Comarca de Ivaiporã, obrigando o governo a ressarcir o prejuízo dos proprietários. Por que o governo, e não o MST? Esse é o ponto crucial. Devido ao fato de a autoridade pública não ter tomado as devidas providências para, cumprindo mandado de reintegração de posse, retirar os invasores da terra. Preço da inanição agrária.

O que leva uma autoridade, como o governador do Paraná, a deixar de cumprir uma ordem judicial como aquela da Fazenda Sete Mil? Não é simples a resposta. O governo estadual argumentava que os proprietários eram ilegítimos e que havia risco de confronto violento numa eventual desocupação. Mas, sinceramente, a razão parecia mais política que social ou jurídica. Falava-se que um acordo, realizado ainda na época das eleições, em troca de apoio político garantiria facilidades aos invasores de terras. Vai saber.

Casos semelhantes se contam atualmente também no Pará. Dezenas de áreas rurais invadidas, todas com mandados de reintegração de posse expedidos, aguardam o cumprimento da ordem judicial pelo Estado. Que, entretanto, nunca chega, abrindo espaço para a brutalidade. Com a ausência do Estado, milícias armadas substituem a Polícia Militar. A vida corre por um fio naquelas bandas.

O paranaense Flávio Pinho não pôde testemunhar sua vitória judicial. Morreu, desgostoso, antes de saber que, além da milionária indenização, ele e sua esposa, Sylvia, devem receber do governo R$ 50 mil cada, a título de danos morais. De pouco adiantará. A Fazenda Sete Mil zerou.

Com a jurisprudência que começa a ser firmada no Paraná, as coisas devem melhorar, preservando o Estado Democrático de Direito. Ordem judicial deve ser cumprida, e acabou. Por outro lado, vai complicar a equação financeira. Imaginem a enxurrada de ações indenizatórias que poderá vir por aí, responsabilizando o poder público pelo prejuízo das invasões de terras. Talvez demore, vá-se acumulando atrás do armário, mas um dia a onerosa conta terá de ser paga. E, pra variar, recairá no futuro sobre os ombros do contribuinte, que não tem nada que ver com isso.

Invasão de terras violenta a democracia e custa caro. Um caminho sem solução.

Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente
do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br

ANCELMO GÓIS

O bafo do Peixe  


O Globo - 09/03/2010
Romário foi parado na madrugada de ontem na blitz da Lei Seca (eu apoio) na Av. Armando Lombardi, na Barra, no Rio, e se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O Baixinho levou multa de R$ 957,70, perdeu sete pontos na carteira, que foi recolhida, e teve de chamar um condutor para dirigir o carro.

Almoço de domingo

Oscar Niemeyer e a mulher, Vera, almoçaram domingo com Dilma Rousseff no restaurante Terzetto, em Ipanema.

Como se sabe, o arquiteto de 102 anos andou dizendo que votaria em Aécio para presidente, se o tucano se candidatasse

Aliás...

Niemeyer vai projetar um centro de exposições para o Jardim Botânico do Rio.

Ontem, o mestre fez uma visita técnica ao parque

Tá com a mão limpa?

O governador Cid Gomes, do Ceará, sancionou projeto da deputada estadual Lívia Arruda, do PMDB, que cria o Dia Estadual de... Lavar as Mãos, em 15 de outubro.

A data foi escolhida porque...

não sei

Comício na Rocinha

Nem o temporal de cinco horas seguidas no Rio, sábado, foi capaz de parar as obras do PAC da Rocinha.

Às 20h30m, debaixo daquela chuva, os operários descarregavam um caminhão e pegavam no pesado para dar tempo de Lula ir lá com Dilma, ontem, inaugurar parte das obras

Lobby das miúdas

As produtoras miúdas de petróleo e gás fazem uma ofensiva no Congresso para garantir que a Petrobras libere parte de suas reservas em terra à ANP.

Estes produtores independentes querem acesso a leilões em campos de baixa produtividade

Segue...

Uma emenda ao projeto de lei de capitalização da Petrobras prevê a liberação pela estatal de campos em terra com reservas de até 100 milhões de barris.

São uns 100 campos, concentrados no Nordeste. A emenda deve ser votada estes dias

Efeito Arruda

Procuradores eleitorais do país todo se reúnem quinta, em Brasília. Vão acertar uma estratégia conjunta para, entre outras ações, fazer cumprir o artigo 97A da Lei 9.504.

É o que manda julgar em no máximo um ano os casos de possíveis perdas de mandato.

Vai, mããããeeee!

Sabe aquela dona Rose, mãe do nadador Thiago Pereira, herói no Pan 2007, que não parava de gritar “vai, Thiaaagoooo!” à beira da piscina? Será candidata a deputada estadual no Rio.

O filho vai gravar a seguinte mensagem de apoio no horário gratuito: “Agora é minha vez de apoiar você: vai, mãããããeee!”

Deputado ‘BBB’...

Aliás, Jean Wyllys, aquele professor gay baiano que venceu o “Big Brother 5”, vai disputar uma cadeira de deputado federal pelo PSOL do Rio.

Crime na Marina

O empresário Pedro Maia Schimitt, organizador da festa rave na Marina da Glória, no Rio, em que morreu a tiros, em fevereiro, o policial federal Humberto Barrense, vai cumprir prisão domiciliar.

Alegou problemas de saúde e conseguiu liminar ontem do desembargador Siro Darlan.

Conselho de Cultura

Ana Arruda Calado deixou a presidência do Conselho Estadual de Cultura do Rio.

Diz que “estava esvaziado”.

Vai tocar dois projetos: a biografia de Darcy Vargas e uma fotobiografia de seu finado marido, Antonio Calado.

É a vida

Ronaldo jogou a toalha em seu desejo de voltar à seleção.

Sabe que não terá mais chance.

O jogador nem queria ir ao Camarote da Brahma no carnaval, para não criar constrangimento no mesmo ambiente de Dunga. Só foi por razões contratuais com a cervejeira, da qual é garoto-propaganda.

ZONA FRANCA

A historiadora Isabel Lustosa faz palestra “O lugar da caricatura na imprensa do começo do século XX”, quinta, na Casa Rui Barbosa.

Gilson Peranzzetta e Mauro Senise convidam Rildo Hora no “Sete em Ponto”, hoje, no Teatro Carlos Gomes.

João Tancredo é o advogado do exfuncionário da Universal que ganhou causa na Justiça contra a igreja.

Marcos Vilaça preside debate sobre direitos autorais hoje, na ABL.

Clara Steinberg, da Servenco, será homenageada hoje em Brasília.

A designer Fernanda Teixeira traz novidades no www.nandateixeira.com. O restaurante Otto lança cardápio de carne de caça.

A próxima parada do Circuito Bossa Nova será no Teatro Gonzaguinha, dia 15, com Bebossa e Tunai, às 19h.

OS ÓCULOS DA ESTÁTUA de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, não são o único alvo dos ladrões que atacam monumentos no Rio. Um larápio levou a placa de bronze (repare no detalhe) da escultura do maestro Carlos Gomes em frente ao Teatro Municipal, na Cinelândia, ali desde 1960.

A estátua é réplica de uma outra, feita em 1939 pelo escultor Rodolfo Bernadelli e que está em Campinas, SP, terra natal do maestro. A Fundação Parques e Jardins prepara uma nova placa

LUIZA BRUNET, eternamente bela, posa para a campanha de 30 anos do Shopping Rio Sul. Luiza, que também faz 30 anos de carreira, revive no ensaio momentos da moda desde o anos 1980

JARDS MACALÉ, o compositor, salve!, brinca de cineasta depois que virou filme de João Pimentel e Marco Abujamra, em cartaz no Rio

PONTO FINAL

É como diz aquele velho xote de Genival Lacerda: mata o velho.

DORA KRAMER


Infecção generalizada
O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/03/10

Em princípio, nenhum inconveniente há no fato de a ministra-chefe da Casa Civil comparecer a uma inauguração de obra custeada exclusivamente com recursos de governo estadual.

Governadores, prefeitos, qualquer um pode convidar a ministra Dilma Rousseff ou quem quer que seja para suas festividades oficiais.

Na condição de mera candidata não haveria nada demais na presença da ministra Dilma Rousseff na entrega do Hospital da Mulher Heloneida Studart à população de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

O governador Sérgio Cabral Filho faz a gentileza que quiser para quem bem entender.

Desde que não o faça ao molde de campanha política financiada pelo contribuinte, bem entendido. Nem dentro muito menos fora do prazo permitido para propaganda de candidatos.

Por um motivo bem objetivo: isso fere a Lei Eleitoral e afronta a Constituição no que tange à obrigação de o poder público se pautar pelos princípios da impessoalidade, probidade e transparência.

Impessoalidade significa governar para todos igualmente sem privilégios partidários, de amizade, parentesco ou de quaisquer interesses que não o desempenho da função.

Probidade significa o uso dos recursos públicos com lisura e em benefício do público pagante.

Transparência implica conduta franca, relação de confiança com o eleitor que lhe conferiu a delegação por voto e o contribuinte que sustenta suas atividades.

Nenhum desses preceitos foi observado no último domingo na cerimônia em que o governador recebeu Dilma Rousseff no primeiro ato estrelado por ela sem a companhia do presidente Luiz Inácio da Silva, desde que foi sagrada pré-candidata do PT à Presidência da República no congresso do partido, em 19 de fevereiro.

O governo do Rio de Janeiro organizou um comício, chamou ministro, prefeitos, deputados, vereadores. Pôs uma obra estadual a serviço de uma candidatura em evento com carros de som, militância, discursos de exaltação, manifestações de apoio, distribuição de lanches e desfaçatez suficiente para sustentar a negativa de que houvesse intenção eleitoral.

Distante alguns quilômetros, a Petrobrás patrocinava uma manifestação em plena praia de Copacabana a pretexto de anunciar uma parceria da empresa com a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres.

Desde quando uma ação dessa natureza requer um ato público com direito a discurso da diretora de Gás e Energia exaltando os talentos da "nossa candidata"?

Desde que o presidente Lula passou a testar repetidamente as balizas da 
Justiça Eleitoral e obteve em resposta a absoluta leniência do Tribunal Superior Eleitoral para com ações de cunho eleitoral acrescidas de uso explícito da máquina pública em prol de uma candidatura.

Na Baixada, o governador celebrava a possibilidade da eleição "dessa mulher", nas palavras dele, comandante "do processo de transformação do Brasil como nunca se viu antes". Desnecessário citar o nome, pois ela estava ali mesmo e era objeto dos pedidos de votos feitos por militantes partidários e integrantes de ONGs.

Tudo devidamente registrado nos jornais.

Tudo em completo desacordo com o que dizia o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, em entrevista que circulava na edição daquele mesmo dia no Estado.

"Este não é o momento de impulsionar candidaturas", pregava Ayres Britto, explicando que a proibição existe para evitar a "perturbação" do funcionamento da máquina pública, porque a propaganda antecipada propicia a mistura de atos administrativos com campanha eleitoral.

Cruzamento de propósitos este que, segundo o presidente do TSE, "viola o princípio constitucional da impessoalidade e torna desequilibradas as forças dos candidatos".

Entrou no detalhe: "O que se proíbe é que as chefias executivas passem a administrar a máquina pública na perspectiva de uma candidatura e de uma sucessão, aproveitando a entrega de obras para incensar candidatos."

É fácil ligar a tese defendida pelo presidente do TSE à realidade corrente, pois não?

A chefia do Executivo federal há praticamente dois anos administra a máquina pública na perspectiva de uma candidatura e de uma sucessão, aproveitando obras para incensar a candidata por intermédio da qual o presidente Lula quer dar prosseguimento ao seu projeto de poder.

Ainda que não cite nomes, é evidente a referência do ministro Ayres Britto. Mesmo assim, a 
Justiça Eleitoral tem considerado insuficientes as provas apresentadas pela oposição em seus recursos ao tribunal, por se basearem em relatos da imprensa.

É de se perguntar como seriam documentadas as evidências de outro modo.

Na prática, a sem-cerimônia do presidente da República já produziu seus efeitos como se viu no domingo, no Rio.

Outras transgressões do mesmo gênero virão e o que se avizinha é que a 
Justiça Eleitoral, tão rigorosa com governadores, prefeitos e vereadores cassados por abuso de poder, acabe vendo o método Lula de transgredir e não sua pretendida austeridade prevalecer nessa campanha

CLÁUDIO HUMBERTO

“A postura deles me lembra muito o Maluf: falar mal do promotor”
DEPUTADO JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), SOBRE A REAÇÃO DO PT ÀS DENÚNCIAS SOBRE A BANCOOP



VACAREZZA MENTIU SOBRE VACCARI NA BANCOOP
A mentira entorta a boca petista: ao contrário do que afirma o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), o tesoureiro do partido, fundador e ex-diretor João Vaccari Neto entrou para o conselho fiscal da Cooperativa Nacional dos Bancários em 1998. Vacarezza rebateu as acusações de suposto desvio de R$ 31 milhões para o PT, alegando que Vaccari só “entrou em 2005” e para “sanear as contas”.
OLHO GRANDE
Documentos, em poder da coluna, mostram ainda o tesoureiro no jornal da Bancoop, em 1998, dizendo-se “de olhos nas contas”. E como...
GRANA É COM ELE
Além de tesoureiro do PT, suspeito pelo desvio milionário na Bancoop, João Vaccari Neto também é tesoureiro da campanha de Dilma.
A MORTE RONDA 
O procurador José Carlos Blat espera resposta oficial sobre o acidente de carro que matou o diretor Luís Eduardo Malheiro, em 2004.
TÔ FORA
Duas semanas depois de criado no Facebook, o grupo “Eu não quero Dilma Rousseff para presidente” já se aproxima dos 20 mil participantes.
WAGNER TENTA CHAPA COM EX-ALIADOS DE ACM
Para o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), os herdeiros de ACM serão o fiel da balança, nas eleições. Ele tenta fechar uma chapa com dois “carlistas” para o Senado: os ex-governadores Cesar Borges e Oto Alencar. A petelhada está indócil, assim como Paulo Souto (DEM), candidato ao governo, que adotou o lema “Vote nos autênticos”, os carlistas ACM Jr e José Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana.
LEI DA SELVA 
Advogados trabalhistas participam, dia 16, em Havana, Cuba, de um encontro internacional. Para os cubanos, o maior trabalho é ficar vivo.
LULA EM HD 
O governo federal vai gastar R$ 6 milhões para a TV Brasil, a tevê do Lula, transmitir em alta definição para Belo Horizonte e Porto Alegre.
CARA DE PAU 
Para fugir de explicações sobre o seu filho com uma ex-empregada em Brasília, FHC tem dito que a coitada o “chantageava”. Quanta covardia.
MATOU A PAU
Lula disse ontem na Rocinha, a maior favela do Rio, que “bandidos também moram em prédios chiques”. Certíssimo: neles moram os “capi” da Bancoop, Silvinho Land Rover, Delúbio, mensaleiros...
TRAIR E COÇAR...
O ministro Carlos Lupi (Trabalho), que sempre aceita carona no jatinho do governador, adorou o lema dos deputados do PDT-MG, coagidos a apoiar Dilma do PT: “Agora ou mais pra frente, Aécio presidente”.
FESTA DO BARULHO
Foi quente o aniversário do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), dia 5, com direito a show de Zezé Di Camargo & Luciano e a emoção do vídeo da filha que estuda na Suíça, destacando a generosidade do pai. Generoso e fazedor de milagres, com o salário que ganha no Senado.
ULALÁ, POLÔ! 
O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, defendeu em Paris, na revista L’Express, sua “comissão da verdade”. E ainda se jactou: “O presidente Lula não aceitou meu pedido de demissão”.
VÍDEOS DA DISCÓRDIA
O deputado Geraldo Magela (PT-DF) nega que já soubesse dos vídeos do DEMsalão antes da Caixa de Pandora. Mas Edson Sombra contou a petistas que, convidado a ver as gravações de Durval Barbosa, Magela mandou em seu lugar um comerciante palestino, amigo de confiança.
“SOU PULIÇA” 
Deu certo a pressão dos agentes de trânsito do DF, que gostam de posar de “policiais” (até andam de revólver na cintura): o Detran deve sair da Secretaria dos Transportes para a Secretaria de Segurança.
ELOGIO À BAIXARIA
Saiu, digamos, pela culatra, a campanha da lingerie Duloren no Dia da Mulher, com uma modelo exibindo o dedo em “protesto”. Mulheres transformam o mundo, mas com atitudes de mulher. E sem vulgaridade.
IRRESPONSABILIDADE
Semana passada, ao descer no Santos Dumont, no vôo Brasília-Rio da Webjet, o avião foi inclinado, em rasante, de tal modo que a ponta da asa quase tocou o mastro de um porta-aviões que o piloto quis espiar.
PENSANDO BEM... 
...só falta Lula inventar o Dia Internacional da Mulher do PAC.

PODER SEM PUDOR 
UM ‘TÁXI’ NA FILA 
Deputado estadual no Paraná, o ex-ministro Rafael Greca participava ativamente da organização da bênção anual de animais, na tradicional festa Ordem de São Francisco, no centro histórico de Curitiba. Certa vez, numa fila cheia de crianças com cães e gatos, alguém apareceu com um enorme elefante. Devia ser de algum circo. Pais, mães e crianças ficaram inquietos, alguns entraram em pânico. Greca resolveu intervir, aos gritos:
– Calma, não se assustem! Na Índia é táxi!

O ABILOLADO E A VAGABUNDA

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Brasil ameaça retaliar EUA e preço do trigo pode subir

Estadão: Promotor aponta desvio de R$ 100 milhões na Bancoop

JB: Brasil já tem menos preconceito salarial

Correio: Notificado à revelia, Arruda vai ao hospital

Valor: Venda de veículos no Brasil aquece mercado argentino

Estado de Minas: Força-tarefa tenta frear a violência no trânsito de BH

Jornal do Commercio: Remédio mais caro

segunda-feira, março 08, 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

BRUXA   OU   BICHO?


NAS ENTRELINHAS


Esqueceram ela

Denise Rothenburg
Correio Braziliense - 08/03/2010
 
Na homenagem às ambientalistas, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva sequer é citada
 
 
 

No Dia Internacional da Mulher, combinado com o ano eleitoral, não falta quem queira tirar uma casquinha de votos aqui e ali. O PT, por exemplo, vai agir em duas frentes. A primeira é colocar a ministra da Casa civil, Dilma Rousseff, como a estrela das comemorações da data no evento promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, na Estação Leopoldina, no Rio de Janeiro. A outra é uma homenagem que o Ministério do Meio Ambiente fará às mulheres que marcaram história no ambientalismo brasileiro.

Quanto à primeira solenidade, a do Rio, já era de se esperar que viesse um evento de peso num grande colégio eleitoral para que a ministra tentasse conquistar o voto feminino. Mas, quanto ao segundo evento, aquele do Ministério do Meio Ambiente, vale uma reflexão. Quando se fala em mulher e defesa do Meio Ambiente, qual é um dos primeiros nomes que vem à sua mente, caro leitor? Na minha, com todo o respeito às demais ambientalistas e sem qualquer conotação eleitoral, é o da senadora Marina Silva, que saiu do PT no passado e se filiou ao PV.

Assim como Dilma, Marina é pré-candidata a presidente da República. Talvez por isso, esteja fora da homenagem e do debate organizado dentro do ministério que ocupou e pelo qual lutou e ajudou a fortalecer. Ela saiu de lá em maio de 2008 justamente por causa de uma trombada com a ministra da Casa Civil, que queria pressa nas obras de infraestrutura e jogava no Ministério do Ambiente a culpa por atrasos de cronograma.

A solenidade do ministério, organizada pela secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, colocará os holofotes sobre quatro mulheres que vão comandar o debate “A contribuição das mulheres brasileiras ao ambientalismo brasileiro”. Como mediadora, a secretária-executiva do ministério, Izabella Texeira. À mesa, estarão Bertha Becker, Tereza Urban e Isabel Cristina Moura de Carvalho, todas relacionadas com a causa. As homenageadas terão suas biografias resumidas em marcadores de páginas que o ministério lança amanhã. Além da geógrafa Bertha Becker e de Magda Renner, pioneira na defesa do meio ambiente no Brasil, haverá uma homenagem póstuma a irmã Dorothy Stang e a Judith Cortesão.

Na homenagem às ambientalistas, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva sequer é citada. É como se o PT quisesse sumir com a biografia daqueles que deixaram seus quadros. Nos bastidores, ela é vista como a “ameaça verde”. A homenagem de hoje, do Ministério, passou inclusive a alguns políticos a impressão de que o objetivo é mesmo levantar outras mulheres e colocar Marina no fundo do palco do ambientalismo nacional.

O PT, entretanto, não terá muito como esconder a sua ex-musa do meio ambiente na terça-feira, quando da entrega do prêmio Bertha Lutz no Senado a mulheres que se destacaram na defesa da igualdade de gênero. A ministra Dilma deve ser chamada para compor a Mesa Diretora da sessão, como foi em 2008. No ano passado, ela não estava no evento. A dúvida entre os políticos ontem era se a senadora Marina terá o mesmo tratamento de ser convidada a participar da mesa, já que as duas são pré-candidatas e merecem tratamento igual. Afinal, se o objetivo é igualdade de gênero, seria incoerente discriminar uma das duas mulheres que hoje lutam pelo mesmo cargo.
No mundo dos homens…
Embora Dilma Rousseff esteja bombando nas pesquisas, o PSB começa a rever essa história de retirar a candidatura de Ciro Gomes. O partido fez as contas e descobriu que o PT só lhe apoia para valer em três estados: Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. No restante do país, a briga está feia. Os socialistas esperavam o apoio do PT, por exemplo, no Piauí. Lá, o PSB vai assumir o governo estadual no mês que vem, quando o governador Wellington Dias sair do cargo para concorrer ao Senado. O PT, no entanto, joga com o lançamento da candidatura do deputado federal Antonio José Medeiros para concorrer contra Wilson Martins.

Como essa decisão ficou para abril, a aposta agora é a de que o PSB vai forçar a porta para ver se o PT cede cabeças de chapa em mais alguns estados para tentar alavancar ainda mais a candidatura de Dilma. O PSB já sonha inclusive com a hipótese de o PT ceder no Distrito Federal, onde o quadro eleitoral permanece completamente indefinido desde que José Roberto Arruda foi flagrado pelas câmeras de Durval Barbosa. Com Ciro na vitrine e no ataque, avalia o PSB, pelo menos, eles têm algum trunfo para tentar garantir do PT um tratamento melhor, diferente do que os petistas dão hoje a Marina, esquecida até mesmo nas mais singelas homenagens de sua antiga casa. Afinal, avaliam os políticos, as pessoas podem até mudar de casa, de bairro, de partido. Mas não podem nunca deixar de valorizar os parceiros antigos. Do jeito que vai a coisa, ela vai terminar jogada no campo da oposição. E não será surpresa se o mesmo ocorrer com setores do PSB.

FRIEDMANN WENDPAP


Cuba libre

GAZETA DO POVO - 08/03/10
Sociedades plurais, abertas, produzem a modernidade e se modernizam. Sociedades monodóxicas, monárquicas, estagnam, estacionam no acostamento da história e se tornam museus

Quando se misturava rum, limão e coca-cola para beber moderadamente porque a mama cheirava o hálito de cada um que entrava em casa, Fidel tinha barba negra e Raul era desconhecido. Cuba embriagava os sentidos como se fora o paraíso latino em construção; magnetizava pela altivez de Davi diante do Golias imperialista e também pela sensação de que os cucarachos ti nham capacidade de empreender a marcha superior da civilização rumo ao comunismo. Mesmo nos anticomunistas dava pontinha de orgulho a petulância irônica diante dos Estados Unidos. Contudo, a crise dos mísseis em 62 começou a mostrar que o rum era pirata: de plataforma de veraneio e turismo sexual de americanos, Cuba estava se transformando em aríete soviético. Câmbio de pa trão, não de status. Alguns perceberam a má qualidade e abandonaram a be bida; outros, mitoadictos, se enebriaram nas promessas a perder o senso e deixaram de ouvir estalos nos porões de tortura.
Fidel apostou na monocultura da cana, traçando metas de produção de açúcar sem levar em conta eventuais excessos de oferta e a economia foi se estiolando. A igualdade miserável se instalou. Investimento em ciência e tec nologia, para escapar das agruras da dependência de um único item para comerciar, não foi sequer cogitado porque as facilidades de comunicação ad vindas de rádios, televisores, com putadores, propiciariam a difusão da “con trarrevolução”. Na ver dade, Fidel pensou pe queno e a supressão manu militari da diversidade de ideias fez da sua pequenez o pensamento único. O país, transformado numa ha cienda do Comandante em Chefe, se tornou cada dia menor. A onisciência presunçosa de quem suprimiu a diversidade de pensamento foi acentuando a mediocridade usual da classe política. O século 20 foi passando e o castrismo, ficando. Sociedades plurais, abertas, produzem a modernidade e se modernizam. Sociedades monodóxicas, monárquicas, estagnam, estacionam no acostamento da história e se tornam museus. Cuba seria apenas nota de rodapé, peculiaridade curiosa, não fosse a violência real, pesada, sufocante, que rompe os limites do privado, oprimindo o espaço e o tempo dos indivíduos que são compelidos a se entregar a manifestações de apoio aos donos do Estado.
Orlando Zapata Tamayo, ho mem comum em qualquer so ciedade democrática, ameaçava a gerontocracia cubana porque pensava por conta própria e ou sou dizer não à polícia do pensamento. Mártir, como o foram Herzog e Manuel Fiel Filho, não recebeu da intelligentsia brasileira o mesmo apreço. Dignificá-lo é quase impossível para quem sucumbiu à atração mórbida do marxismo-leninismo e permanece acreditando que filosofa no nível de Marx. Reco nhe cer que Zapata foi vítima de persecução do Estado porque pen sava de modo di ferente do governo dos Castro significa dizer que Cuba é ditadura. Essa do se de realidade arrancaria os viciados em mitos do seu torpor e os obrigaria a enfrentar a dura realidade. Ah... deixa para lá, afinal, todo mundo tem problemas com direitos humanos! Za pata morreu em greve de fome! Culpa de quem? Claro, dos americanos. O governo revolucionário, amante do po vo, é perseguido pela águia imperialista. Za pata, um pedreiro pobre, pouco escolarizado, não foi vítima da intolerância da família real de Cuba; ele morreu por culpa do embargo à Ilha.
Raul, Fidel, podem falar tonterías à vontade; isso faz parte da autodeterminação dos cubanos. Gravíssimo é o silêncio das forças políticas brasileiras que creem, como fiéis religiosos, nas desculpas esfarrapadas. Qual será a conduta desses partidos se chegarem ao governo do Brasil? Oxa lá, as instituições e os eleitores nos livrem de algo parecido com Cuba; o Atlântico é muito largo para atravessar de balsa feita de pneus velhos.

ROBERTO ZENTGRAF


Olha o ciúme...
O Globo - 08/03/2010

A notícia que me fez ligar o alerta foi sobre a inflação, que em fevereiro bateu 1,18%, quando medida pelo IGP-M: já se fala em aumento de juros.

Refletindo sobre isso, pensei em uma coluna com um viés mais feminino, e não devido ao gênero da palavra (a inflação), mas sim porque hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher: parabéns! E, atenção leitores homens, sem ciúmes, por favor, mas convenhamos: elas ainda são maioria nos supermercados, investem de forma mais conservadora e, queiramos nós ou não, são mais previdentes, ao colocar o lar e a segurança familiar acima de tudo. Acompanhem as dicas!

1. A conta do supermercado vai subir? Sem dúvida e, mesmo que o aumento de preços não impeça nossa alimentação, é razoável olharmos as ofertas, substituindo marcas ou produtos, eliminando os mais financeiramente indigestos ou até mesmo compensando o acrés cimo nesta conta (alimentação) com a diminuição de algum outro item na lista de consumo. Mulheres atentas (e homens também!) que gastem R$ 500 nas compras, por exemplo, não se importarão em trocar os 2% de acréscimo na conta do supermercado — algo próximo de R$ 10 — por uma diária no estacionamento, indo de metrô para o trabalho em um único dia, não é mesmo?

2. O que fazer com as dívidas? Era o que faltava para bancos e administradoras de cartão justificarem a subida das taxas de juros que cobram pelo dinheiro de plástico ou pelos cheques especiais, empréstimos que têm características emergenciais.

Mulheres previdentes (e homens também!) precisarão controlar mais as suas despesas se não quiserem entrar no vermelho dos cheques ou no rotativo dos cartões, que ficarão mais caros. Também não poderá haver descuido nas datas de vencimento ou na contratação de novas dívidas, principalmente as pós-fixadas, pois, com taxas possivelmente crescentes, o acréscimo será pago pelo devedor.

3. E a renda fixa, como fica? Com uma inflação de 1,18%, não serão os 0,5% da poupança, nem tampouco os 0,6% a 0,7% pagos pelas demais alternativas (CDB e fundos em geral) que irão conseguir proteger os investimentos da corrosão inflacionária.

Mas cabem aqui dois alertas: (a) a inflação verificada em fevereiro não deverá se manter neste patamar, até mesmo porque o governo, atento, já prometeu o combate; (b) mesmo considerando o Imposto de Renda e a corretagem, a opção de compra dos títulos federais diretamente do Tesouro Nacional (por meio do Tesouro Direto) oferece excelentes rentabilidades.

Por exemplo, em fevereiro, houve títulos que chegaram a pagar 2,86% em termos brutos (sem descontar corretagem e IR). Mulheres curiosas (e homens também!) no mínimo já passearam no site do Tesouro Direto...

4. E a renda variável? As perspectivas de crescimento continuam otimistas, justificando assim algum investimento na Bolsa, principalmente em setores com maiores chances de aproveitar a onda, a Copa e os Jogos Olímpicos. Mas achar que a Bolsa sobe apenas porque a renda fixa rende pouco é ser muito ingênuo. Mulheres bem informadas (e homens também!) diversificam parte do seu patrimônio — a parte não comprometida com despesas, presentes ou futuras — em ações por meio dos home brokers, fundos ou clubes de investimento.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

GEORGE VIDOR


+ juros, - infra

O GLOBO - 08/03/10

O maior desafio da economia brasileira nos próximos anos está na infraestrutura. O país precisará investir muito para ter uma capacidade de produção em condições de atender a demanda interna e ainda exportar um valor considerável, em bens e serviços. Os investimentos até que vêm sendo retomados, entre outras razões, devido à queda das taxas básicas de juros.

Quando a Taxa Selic estava acima de 13% ao ano, pouquíssimos empreendedores manifestavam interesse em se aventurar nos projetos de infraestrutura, cujo retorno do capital geralmente é de médio e longo prazos. O recuo nos juros básicos para um patamar próximo de 10% tornou o mercado de capitais uma opção, de fato, tanto para investidores institucionais (fundos de previdência ou investimento, por exemplo) em busca de uma remuneração mais atraente, como para empresas interessadas em compartilhar seus projetos com novos sócios, em vez de apenas se endividarem.

A Previ, assim como outros grandes fundos de pensão, passou a investir na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e também em sistemas de transporte urbano (metrô, vias expressas com pedágio). Um dos maiores portos brasileiros (o Açu, no Estado do Rio) é um empreendimento inteiramente privado que foi viabilizado pelo mercado de capitais.

Para a economia brasileira crescer com inflação sob controle e contas externas tendendo para o equilíbrio, a taxa de juros não pode ser, então, a única arma da política monetária.

A curto prazo, os juros altos sem dúvida conseguem derrubar a inflação, asfixiando a demanda, mas no médio prazo inviabilizam o investimento, e assim caímos no círculo vicioso do baixo crescimento.

Na atual fase da economia brasileira o ideal é que os juros básicos fossem mantidos abaixo de 10%. No entanto, diante dos índices recentes de inflação isso é improvável.

Mas seria factível se a política fiscal desse uma contribuição mais substancial para atenuar a pressão sobre os preços domésticos. Se o déficit público fosse reduzido para menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), a política monetária se ajustaria mais facilmente sem elevar os juros básicos acima de 10%.

Como os impostos são pesados demais no Brasil, a redução do déficit só poderá ocorrer pelo lado dos gastos. E sem sacrificar os investimentos públicos, pois nesse caso os objetivos de médio e longo prazos (expansão da capacidade de produção) ficariam comprometidos.

Gunnar Myrdal, o economista sueco (laureado com o Premio Nobel na década de 70) comparou o desenvolvimento — ou a decadência — a uma espiral.

Difícil encontrar uma imagem que sintetize melhor esse processo, e ela se aplica muito bem ao que aconteceu no Estado do Rio de Janeiro nas últimas décadas. O esvaziamento econômico do Estado do Rio se refletiu profundamente na qualidade da administração pública (realimentando o fenômeno circular, com a espiral no sentido negativo). Assim como a recuperação da economia fluminense tem motivado uma reviravolta na gestão da máquina estadual.

Os computadores são mais novos, mas o sistema que roda a folha de pagamentos dos funcionários públicos estaduais, pasmem, ainda é do tempo da fusão da Guanabara com o Estado do Rio (os programas estão em linguagem Adabas, rarissimamente utilizada). Até o fim do ano esse sistema será substituído por ferramentas mais avançadas. A identificação de todos os servidores por biometria (impressão digital) também será concluída em 2010 — 40% dos funcionários foram cadastrados e somente depois disso o estado saberá direito com quem pode contar na sua burocracia.

A folha salarial é a despesa principal do governo estadual, mas a compra de produtos também pesa muito nos gastos. O cadastro de materiais estava tão desatualizado que quase 50% dos itens adquiridos pelo Instituto Médico Legal, por exemplo, não estavam catalogados. A compra tinha de ser feita com especificação de outros produtos, o que tornava o controle do almoxarifado uma tarefa inglória e ineficiente.

Não era por acaso que a toda hora surgiam denúncias de falta (ou desperdício) de material em diversos órgãos estaduais.

A reforma mais contundente na administração estadual ocorreu nas empresas estatais remanescentes, a maioria delas já distante de suas funções originais (a companhia responsável pelo planejamento do metrô tinha até diretoria de operações, embora essa atividade esteja há 15 anos sob responsabilidade de uma concessionária privada...).

Fora m dispensados 2.700 empregados dessas estatais. Mesmo com o pagamento das indenizações trabalhistas, tal liberação representará uma economia anual de R$ 170 milhões para os cofres estaduais.

O mercado brasileiro de etanol virou uma briga de cachorro grande à medida que as distribuidoras de combustíveis se envolveram diretamente com a produção, a exemplo da Petrobras, que criou uma subsidiária para biocombustíveis e tem espaço para promover parcerias com a ETH/Brenco, por causa da sociedade que formou com o grupo Odebrecht na área petroquímica; ou da associação recém criada pela Cosan/Esso e a Shell.

Fica uma pergunta no ar: com quem o grupo Ultra, dono da distribuidora Ipiranga (a segunda maior do país), vai se associar no etanol? Idem para a distribuidora Ale.

MARINA SILVA


8 de março


Folha de S. Paulo - 08/03/2010
 

O DIA INTERNACIONAL da Mulher, celebrado hoje, é momento para colocar em foco não só as conquistas mas também as desigualdades que ainda afetam as mulheres. Essa comemoração, que completa cem anos, deve servir para reafirmar a busca pela igualdade entre os gêneros e o inestimável valor da contribuição feminina para a humanidade.
Não se pode ter um mundo sustentável, justo e democrático se permanecem as várias formas de opressão sobre mais da metade da população do planeta, formada pelas mulheres. Nunca é demais lembrar que homens e mulheres se complementam, mas essa que deveria ser a principal qualidade das relações de gênero é muitas vezes deixada de lado pela prevalência da cultura masculina da dominação.
Seria benéfico para todos se o olhar e a perspectiva feminina estivessem mais presentes na vida social e, especialmente, nos espaços públicos onde se tomam as decisões de interesse coletivo.
O Ibase identificou, no ranking do Índice de Gênero (IEG), pesquisado em 150 países, conforme dados da PNAD 2006, que o Brasil ocupa uma posição intermediária entre os melhores e os piores países nessa questão. São várias as causas pelas quais permanecem os obstáculos enfrentados pelas mulheres. Apesar do avanço no plano educacional -hoje elas têm, em média, mais anos de estudos do que os homens, mas não existe ainda igualdade na renda, nos cargos e salários e na representação política.
As desigualdades de gênero estão em todas as classes sociais, e se tornam mais dramáticas quando a renda diminui. Estudo recente realizado pelo economista André Urani mostra que, em 1993, havia 32,4 milhões de pessoas em condições de extrema pobreza no país, das quais 5,5 milhões viviam em domicílios chefiados por mulheres. Em 2008, o universo da extrema pobreza foi reduzido à metade (15,8 milhões), mas ficou praticamente inalterado (5,2 milhões) o número de pessoas nessa categoria em lares chefiados por mulheres.
Isso ocorre porque elas enfrentam a miséria em condições ainda mais adversas do que as outras famílias. Sozinhas, têm o desafio de dar educação aos filhos e livrá-los da fome e da violência, enquanto se desdobram em sua jornada dupla, com salários baixos e pouca ajuda do Estado.
As homenagens de hoje são justas e bem-vindas, mas o que todas as brasileiras esperam é, em primeiro lugar, uma vida digna, onde possam desenvolver suas potencialidades, bem como a de seus filhos e filhas, e, assim, construir um país melhor, mais justo, mais fraterno, mais feliz.