sexta-feira, janeiro 29, 2010

RUY CASTRO

Terror sob os escombros

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/01/2010


RIO DE JANEIRO - Se você se sente esquisito ao penetrar naquele tubo para fazer uma inofensiva ressonância magnética -algo lhe diz que podem esquecê-lo lá dentro e só virem resgatá-lo depois do Carnaval-, imagine o que é estar vivo e soterrado no Haiti, 15 dias depois do terremoto, sem comida, sem água, sem qualquer perspectiva de que venham salvá-lo ou haja equipes trabalhando nisso, ou mesmo que saibam que você está ali.
Quinze dias soterrado equivalem a 21.600 minutos, ou 1.296.000 segundos, sem sequer saber o que aconteceu à sua volta -para todos os efeitos, pode ter sido o bujão de cozinha que explodiu-, que um tremor destruiu sua cidade e matou pelo menos 150 mil pessoas e que o mundo inteiro tenta ajudar. A angústia se dá minuto a minuto. Para ter uma ideia, marque no relógio quanto custa um minuto para passar. Ou um segundo.
Depois de duas semanas presas, duas meninas, 16 e 14 anos, foram retiradas de sob os escombros nos últimos dias. Antes delas, no 11º dia, foi um homem de 24 anos, que teve a sorte de ficar sob os destroços de um supermercado -pelo menos tinha toda espécie de porcarias e refrigerantes para sobreviver. Mas outro, de 22 anos, resgatado no 10º dia, apesar de estar num bolsão de ar formado pelos móveis que caíram sobre ele, só tinha a própria urina para beber.
Estamos falando, claro, de quem não teve, digamos, o corpo imobilizado por uma viga -caso em que já estaria sendo comido vivo pelos vermes, como aconteceu à senhora de 84 anos, retirada ainda consciente no 10º dia.
Nenhum livro, filme ou série de TV jamais poderá dar conta da real dimensão da tragédia de Porto Príncipe. Mesmo a simples reconstituição de um desses dramas individuais está além da capacidade humana de descrever o terror.

GOSTOSA

REGINA ALVAREZ

Ano nervoso

O GLOBO - 29/01/10


A turbulência dos mercados pode ser um presságio do que está por vir em 2010. Os analistas olham com cautela esses movimentos, ainda é cedo para conclusões, mas alguns sinais já indicam que será um ano nervoso. Depois do suspiro de alívio no fim de 2009, com a avaliação de que a crise estava sendo superada, surgem agora novos problemas, muitos decorrentes de erros do passado.

Todo mundo achava que 2010 seria um ano tranquilo e, de repente, surgiram três dúvidas: como funcionará o mercado de crédito americano; que desdobramento terá o problema fiscal dos países do leste europeu; como se comportará a economia chinesa com o aumento de juros e a retirada dos estímulos? — observa a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

São questões importantes que geram efeitos no ritmo de crescimento mundial e mexem com o preço dos principais ativos: moedas, petróleo, commodities.

Monica acredita que a nova regulação proposta por Obama para o mercado financeiro é uma virada importante e vai na direção correta. Mas outros analistas lembram que existem muitas perguntas ainda sem respostas.

— Há dúvidas sobre o quão draconiano vai ser o ajuste. Pode não ser tão fácil, mas é o preço por um sistema melhor no futuro — afirma Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor do Banco Central.

Na sua visão, alguma turbulência já era esperada porque ninguém imaginava que o mundo sairia da crise sem dor. E é importante corrigir erros do passado, para afastar o risco de um novo Lehman Brothers.

Para o economista Roberto Padovani, estrategista para a América Latina do Banco WestLB do Brasil, a questão de fundo que deixa os mercados nervosos é o medo latente de que o crescimento seja menor no segundo semestre.

— Uma coisa é dizer que não há recessão, outra coisa é a força da recuperação.

Esta ainda é uma incógnita — afirma Padovani.

E o Brasil como fica no meio de tantas incertezas? O prognóstico de Padovani é que o país não será tão afetado pelas turbulências externas porque tem bancos sólidos, uma economia em crescimento, renda em alta, desemprego caindo e crédito voltando.

O fator de instabilidade é a política, o ano eleitoral, na opinião do economista.

Goldfajn destaca que o Brasil não está no epicentro dos problemas e continua muito bem posicionado no mundo. É um dos países que mais vai crescer em 2010, mas se as turbulências persistirem, acabará afetado pela crise.

Inconstitucional

A leitura feita por consultores da Câmara que acompanham de perto o Orçamento é que o presidente Lula atropelou não apenas o Tribunal de Contas da União, mas também a Constituição com o veto que liberou as quatro obras da Petrobras com suspeitas de irregularidades.

Ponderam que o parágrafo 2º do artigo 66 da Constituição determina que o veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. No caso, o veto incidiu sobre partes do anexo VI, que contém a lista de obras com indícios de irregularidades. Esse anexo, por sua vez, é parte de um inciso da lei orçamentária de 2010. O veto parcial de um dispositivo legal era permitido no passado, mas a regra foi mudada na Constituição de 88, para coibir abusos.

Dois pesos, duas medidas

Empresários do setor do petróleo preparam uma contraofensiva no Congresso para adequar a MP 472 às regiões Sul e Sudeste. A MP suspendeu a cobrança de PIS, Cofins e IPI para o setor nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Avaliam que se não houver igualdade, os parques petroquímicos do Sul e Sudeste serão prejudicados. Acham que, por trás da decisão, estaria a dificuldade da Petrobras para financiar a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e outra refinaria que pretende construir no Ceará. A estratégia para a MP, assinada sem alarde ou aviso prévio, causou desagrado.

Dinheiro de plástico

A Abecs, associação dos cartões de crédito, estima que o faturamento do setor em 2010 subirá 20%, um pouco acima da alta de 18% de 2009. O número de cartões emitidos deve crescer 11%, chegando a 628 milhões, e o número de transações deve subir 17%, saltando para 7,13 bilhões. O BC projeta crescimento do mercado de crédito de 20%. A indústria de cartões seguirá a tendência

Fila à vista

A queda de 20% na venda de caminhões em dezembro não sinaliza esfriamento, segundo o professor Paulo Fleury, do Instituto Ilos. Ele estima forte alta em fevereiro e março por conta da supersafra de soja. O temor, ao contrário, é que aconteça em 2010 o mesmo que em 2008, quando a fila para a compra de caminhões chegou a nove meses

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

De concreto, até agora, nada

O ESTADO DE SÃO PAULO - 29/01/10

Benjamin Steinbruch foi para Lisboa acompanhar a oferta de compra da Cimpor pela CSN. "O problema concorrencial aqui é tão rígido quanto aí, mas estamos indo bem", contou à coluna ontem, por telefone.
A briga é de cachorro grande. Não bastasse o desentendimento dos acionistas da Cimpor - motivo pelo qual a venda está acontecendo - a disputa pela empresa envolve Camargo Correa, Votorantim e CSN. Todas querendo se associar ou comprar a cimenteira portuguesa, terceira maior no Brasil.
Agregando fervor ao imbróglio, Mariana Tavares, da Secretaria de Direito Econômico, questionou publicamente o interesse da Camargo Correa e da Votorantim. Motivo? Ela entende que as duas manobram para impedir que a CSN cresça no mercado de cimento. E, embora não tenha se manifestado oficialmente, Arthur Badin, do Cade, trilha o mesmo caminho de Mariana.

De concreto 2
O raciocínio: por que um órgão do governo está interferindo em uma operação privada antes de ela ser concluída? Da conversa com várias fontes governamentais e das empresas, deduz-se que a SDE e o Cade temem o fortalecimento do que acreditam ser um cartel, o do cimento no Brasil. Cartel do qual a CSN estaria fora.
Portanto, grosso modo, descontentes com a lentidão do processo da SDE sobre cartelização, as autoridades do direito econômico optam por incentivar a CSN. Sabe-se lá por que, imaginam que Steinbruch jamais aderiria ao suposto pool...

De concreto 3
Se isso é legal - o governo diz que é, amparado na lei concorrencial 8.884 - só o tempo é que vai dizer.
Mas, independentemente de tudo, que é muuuuito estranho ver interferência direta antecipada do governo em negócio privado, lá isto é.

Noite em claro
Dilma e Alexandre Padilha passaram a noite, no Recife, perto de Lula, no Real Hospital Português. E foi com eles que o médico Cleber Ferreira, que acompanhava o presidente, negociou a desistência de Davos.

Por um beijo
Depois de mexer de alto a baixo no espetáculo que levaria a Dubai - em que há uma cena de beijo entre Romeu e Julieta, não permitida no país - Thiago Soares teve de desfazer a mala.
É que a crise, por lá, chegou aos palcos.

Cabeça, coração
Peréio se emocionou com a declaração, ao Estado, de Mário Bortolotto, baleado em dezembro. Ele disse não ter visto nem Deus nem o diabo durante o coma, só Peréio. "Mostra que estou vivo no coração dele", avisa.

À deriva
A cúpula do DEM marcou para dia 2 uma conversa espinhosa: decidir o que fazer com o partido... no DF.

Escondidinho
Do alto do seus 100 anos, Maria Amélia Buarque de Holanda namora - inclusive para matar a saudades - livro inédito do marido Sérgio Buarque de Holanda.
Organizado por Fernando Novais, ele sai em abril pela Cia. das Letras.

Negro, o quadro
O clima anda pesado na PUC-SP. A associação dos Professores entrou na Justiça do Trabalho contra a reitoria. Pedem o cumprimento de um acordo salarial referente a... 2005.
As duas partes se reúnem dia 2 para tentar um acordo.

Pé no frevo
Sérgio Guerra arrancou promessa de Serra: ele estará no sábado de carnaval no Recife, vendo o Galo da Madrugada. É provável que Dilma também apareça.

Troca de guarda
Mario Roiter, ex-embaixador do Brasil no Kuwait, só espera o acerto entre o Itamaraty e o novo governo de Honduras para apresentar credenciais em Tegucigalpa. Seu antecessor, Brian Neele, ainda não sabe para onde será escalado.
Embaixador informal no país, o encarregado de negócios Francisco Catunda deve ser transferido para a República Dominicana.

Frente a favor
No melhor clima "não desisto nunca", a Flip tenta, pela terceira vez, trazer a Paraty Tony Judt, o historiador.
Aceita, vai...

Fumacê legal
Com a regulamentação da venda de marijuana - para uso medicinal - em alguns Estados nos EUA, pipocam pontos de venda. E Aspen, paraíso dos esquiadores brasileiros, é um deles.
Em abril, o centro de esqui organiza reunião entre plantadores, fornecedores, pacientes e outros agentes da nova "indústria".

Fumacê legal 2
O símbolo do remédio é uma cruz vermelha com folha de 6 pontas, da cannabis. Mas nada de "liberou geral": só pacientes cadastrados podem comprar.

Diário de mochileiro no Peru
Diego Gutierrez, mochileiro brasuca de 19 anos, conseguiu, com mais alguns amigos, escapar às enchentes em Machu Picchu abrigando-se no luxuoso Machu Picchu Sanctuary Lodge, onde a diária é de US$ 1.022. Mas não pode usufruir da mordomia. Em conversa ontem com a coluna, contou que está há quatro dias sem banho, dormindo amontoado com outros turistas no chão do refeitório.
Mas não parece incomodado com a situação. Afinal, come três vezes ao dia. "E de graça", conta, brincando. "Café com pão e, no almoço e jantar, arroz com caldo de frango."
Consegue falar com a família graças ao único telefone público do lugar. A internet do hotel está, desde anteontem, proibida para não-hóspedes.
Cansado de jogar baralho e bater papo, sem nada para fazer, Gutierrez pretendia, ontem, caminhar até Águas Calientes - pois, mesmo com desconto de 50% do Sanctuary Lodge, o preço continua acima de suas posses. "Vou tentar me hospedar em algum hotelzinho por lá", explicou.
Arrependido? "Não. Eu gosto de aventura. Se der, volto".

Na Frente

Para a montagem da Ocupação Chico Science, no Itaú Cultural, a produção providenciou réplica do Landau que o compositor dirigia em Recife. A exposição abre dia 4.

Marcelo Fernandes, do Kinoshita, vai abrir novo restaurante em SP. E foi pesquisar as novidades gastronômicas e arquitetônicas na Espanha.

[O ESPIÃO]Um dos maiores pilotos brasileiros de motovelocidade inaugura, dia 3, a Alex Barros Riding School, escola de pilotagem.[/O ESPIÃO]

O Projeto Meretrio² apresenta show, hoje, no Centro Cultural São Paulo.

No ato de hoje, pelo Dia Internacional de Recordação das Vítimas do Holocausto, lideranças judias e sobreviventes da guerra prestam homenagem às vítimas das catástrofes de Angra dos Reis e do Haiti. Na sinagoga da Confederação Israelita Paulista.

A coluna trocou, ontem, o nome do vice governador de Minas. Que se chama Antonio e não José Anastasia.

Corre entre líderes petistas que, assim que estiver nos trinques, Lula vai bater forte. E anunciar em São Paulo o... Balsa-Família.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

BARBARA GANCIA

Tiger Woods é um crápula?

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/01/10


A nós, que não temos nada a ver com a história, caberia rir do ídolo esportivo que se deixou flagrar como um imbecil


COMO ANDO COM ideia fixa sobre o fenômeno da superexposição, serei forçada a testar sua paciência com minhas reflexões acerca do caso Tiger Woods. Ao final da leitura, você poderá considerar a hipótese de requerer indenização na Justiça por perda de tempo, e eu alerto que já conversei com meus advogados e que estou preparada para me trancar numa clínica para dependentes em assuntos concernentes à vida alheia ao primeiro oficial de Justiça que baixar na minha porta.
Advertência feita, vamos à vaca fria: Tiger Woods gosta de aproveitar as noites passadas longe de casa saindo com prostitutas. Descobrimos recentemente -com direito a ouvir na internet as gravações deixadas por ele na secretária eletrônica de uma recepcionista de Bel Air- que o melhor golfista do mundo não é aquele sujeito certinho que pensávamos que ele fosse. Não saberia citar estatísticas, mas desconfio que uma parcela significativa dos homens que conheço, ecologistas incluídos, sairia com um sem número de dançarinas se lhes fosse dada a oportunidade.
Já deu para notar que o advento do YouTube e de sites de fuxico tornou a vida dos voyeurs (ou seja, a nossa) muito mais interessante e que é apenas uma questão de tempo antes que todo mundo, do George Clooney ao cardeal arcebispo de Rangun, seja flagrado fazendo alguma coisa errada. Foi a vez do Tiger Woods; e a questão do seu adultério, que deveria ser resolvida entre ele, sua mulher e as agências de publicidade que venderam seu nome como garoto-propaganda, virou munição para a neocarolice da impostura.
A nós, público que não tem nada a ver com a história, caberia rir do fato de que o ídolo esportivo se deixou flagrar como um imbecil. Mas, não. Estes são os tempos da tirania da saúde e da higienização, esta é a época em que bastou chamar preto de negro para acreditar que o preconceito foi varrido do mapa. E assim nós nos achamos no direito de julgar Tiger, esquecendo do corno que metemos na cara-metade naquela festinha da firma ou na vez que ficamos de porre ou fumamos um baseado na frente da prole.
Tiger Woods é um überatleta. E sua habilidade nos campos de golfe pode ajudar a vender espuma de barbear, isotônico e sucrilhos. Mas isso não faz dele automaticamente um "exemplo para a juventude". Quem diz que faz é o mercado, não é mesmo? E você vai se deixar tutelar por esse "bully" dos infernos? Se a perseguição fosse apenas "Schaudenfreude", o ato de derivar prazer do sofrimento alheio, ainda vá lá. Recalque é um sentimento humano dos mais banais. Mas essa crítica que atribui superioridade moral a quem acusa já está começando a passar dos limites.
O presidente e fundador da Nike, Phil Knight, deu uma resposta corajosa à onda de hipocrisia. Ele se recusou a romper contrato com Kobe Bryant, no episódio em que o jogador da NBA foi acusado de estupro e admitiu adultério. Depois, fez vistas grossas quando Ronaldo foi pego com travestis. E, agora, reafirmou a parceria com Tiger. Segundo Knight, Woods sofreu ataques desproporcionais pelo que fez e tem "direito à privacidade". Estou quase jogando todos os meus tênis Puma e Adidas no lixo!

LUIZ GARCIA

Aposentados em Brasília

O GLOBO - 29/01/10

Mandato parlamentar é emprego? Representação partidária é profissão? Com certeza, não. Um cidadão pode passar toda a sua vida útil fazendo política, sendo sustentado por seu partido, por dinheiro próprio ou alguma atividade não política que o ocupe nas horas vagas. E que deve ser informada ao eleitor. Ele tem o direito de saber que seu deputado ou senador, por exemplo, tem mesada de alguma empresa da família, e decidir, se for o caso, que isso não prejudica o espírito público e a dedicação com que, presumese, o representante exerce o mandato.

Mas mandato de senador, deputado ou vereador não é emprego, e sim exercício de função política. Não é por acaso que a remuneração dos representantes tem o nome de subsídio. Ou seja, ajuda de custos. Nem foi sem razão que, em 1999, extinguiu-se o Instituto de Previdência dos Congressistas. No entanto, curiosamente — ou inevitavelmente, diriam os cínicos — o fim do órgão não representou a aposentadoria, digamos assim, das pensões.

Um levantamento do vigilante “Congresso em Foco” mostrou outro dia que este ano vamos pagar um total de R$ 87 milhões (R$ 71 milhões na Câmara e o resto no Senado) em remuneração de exparlamentares, dependentes e servidores associados ao extinto IPC. São beneficiados 550 ex-deputados, 80 ex-senadores e cerca de 600 viúvas de parlamentares falecidos.

No lugar do IPC, criou-se o menos discutível Plano de Seguridade Social dos Congressistas, que garante uma pensão mensal de R$ 16.500 ao parlamentar com 60 anos de idade e 35 de mandato. Diferentemente do que acontecia com o IPC, a pensão não pode ser acumulada com qualquer outro benefício pago pelo Estado.

Como não é escandalosamente generoso como o IPC, só aderiram ao novo plano 160 dos 513 deputados federais. Ou seja: lamentavelmente, o pessoal gostava muito mais do sistema anterior.

O que não é nada bom: define a situação do congressista como algo muito próximo de uma relação de emprego. Não que esta sugira, por si mesma, qualquer relaxamento da postura ética: a grande diferença está na perda de ênfase no caráter representativo do mandato parlamentar. Senadores e deputados não estão no Congresso, pelo menos em princípio, para cuidar de seus próprios interesses: são eleitos para agir exclusivamente em nome de quem os elegeu. Têm mandato, não emprego.

Se precisam garantir tranquilidade na velhice — e é o que acontece com políticos honestos, sem fortuna de família — cabe às organizações partidárias montar planos de previdência privada. É problema dos partidos, não dos poderes públicos. Muito menos, do bolso do eleitor.

O ABILOLADO

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Chávez e a esquerda

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/01/10

SÃO PAULO - É quase incontornável a tentação de ver Hugo Chávez como uma figura folclórica. Nele, o traje militar evoca uma fantasia de Carnaval. E seu personagem, de uma afetação teatral, parece saído de um filme de Glauber Rocha.
Com seus intermináveis discursos a reiterar o mantra do anti-imperialismo, Chávez também funcionou como um substituto de Fidel Castro para amplos setores da esquerda, inclusive a brasileira.
O declínio do ditador cubano abriu espaço para a ascensão da pantomima bolivariana no imaginário de algumas viúvas da revolução.
Mas nada tem de folclórica a destruição paulatina e determinada das instituições democráticas levada a cabo pelo chavismo. Nem pode ser considerada inocente a condescendência das esquerdas diante da ditadura "in progress" vivida pela Venezuela nos últimos dez anos.
Foi-se o tempo em que a experiência bolivariana poderia ser eventualmente confundida com uma forma de radicalização democrática. Entre a direita golpista que tentou derrubar Chávez em 2002 e o que Chávez passou a representar depois é preciso... criticar os dois.
Alterações no arcabouço legal, métodos ostensivos de aliciamento e intimidação de adversários políticos, perseguição aos meios de comunicação não submetidos à cartilha bolivariana, coerções físicas ou institucionais em larga escala -valeu tudo, ou quase, para concentrar o poder nas mãos do caudilho.
A inclinação autoritária do governo mudou de patamar a partir de 2007, quando Chávez foi derrotado no plebiscito que lhe daria direito à reeleição ilimitada -direito conquistado na marra, em 2009. Desde o revés, ele dobrou a aposta no seu poder autocrático, galvanizando, em contrapartida, a insatisfação das classes médias, sobretudo dos estudantes que saíram às ruas.
A tensão política atinge agora níveis inéditos enquanto a economia do país desmancha, com inflação em alta, recessão, racionamentos. Está evidente que as coisas não vão acabar bem nesse laboratório tardio de certa esquerda autoritária.

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Tô com saudades do Zelaya!!

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/01/10


O Zelaya era sósia do Ratinho! E ele devia se chamar ZZZZZZZZelaya, porque só dormia!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Direto de Campina Grande, Paraíba: "Homem é acusado de praticar sexo com nove galinhas e um galo". E sabe qual o apelido dele? RAPOSA! E sabe o que ele fez? Vestiu as galinhas com as calcinhas das primas. Que estavam no varal. As galinhas de Victoria's Secret! E ainda acabou com a moral do galo! Rarará. Sensacional.
Segunda piada pronta: "Laudos atestaram que Zina do "Pânico" tem esquizofrenia". Rarará! Descobriram a pólvora! E a Sabrina Sato tem bundofrenia! Rarará.
E, com essa chuva, Carnaval em São Paulo vai ter barco alegórico. E porta-bandeira vai ser porta-banheira. Lá vem a Porta-Banheira! Rarará! E a Velha Guarda-Chuva. Com o puxador de samba e de água! Paulista tem samba no pé de pato. Rarará! E a Embaixada da Mãe Joana? O Zelaya foi embora. Isso porque não ofereceram a saideira. Senão ficava mais dois anos!
Já tô com saudades do Zelaya! A gente se apega! Ele era tão popular no Brasil que já tinha até a sogra Zelaya. Um amigo apelidou a sogra de Zelaya: está há três meses aqui em casa, não fala em ir embora e só falta o chapelão. Porque bigode ela já tem!
E o Zelaya era sósia do Ratinho. E devia se chamar ZZZZZZZZelaya, porque só dormia! O Lula devia ter vendido a embaixada para o Chávez com inquilino dentro. Ou então contratava como caseiro: fazia faxina, atendia telefone. Porque vamos ser realistas: pra que serve uma embaixada brasileira em Honduras?! Capital: Tegucigolpe! Rarará!
E o patrocinador do Corinthians não é mais o Bozzano! O site Comentando revela o novo patrocinador: o Vôzzano! Ronaldo, 33. Iarley, 35. Roberto Carlos, 36. Se Vira nos Trinta! Os Vôzzanos!
E o futebol brasileiro tá parecendo um REHAB! Vagner Love, Adriano e Robinho. Só falta a Amy Winehouse de goleira. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". É que em Madri tem um restaurante chamado La Vaca Argentina. Rarará. Sacanagem! Mais direto, impossível! Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Honduras": contrário de ondas moles. Honduras, Ondas Moles e Ondas Médias! ! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

GOSTOSA

PAINEL DA FOLHA

Teste de resistência

Silvio Navarro
Folha de S.Paulo - 29/01/2010

Tão logo o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi nomeado para a liderança do governo na Câmara, o Planalto recomendou que se tente votar já na próxima semana a emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que propõe nova divisão dos royalties do pré-sal. O governo trabalha para tentar derrubar a emenda, embora a previsão seja adversa. No entanto, a avaliação é que a votação do combo de projetos do pré-sal precisa ser concluída na Casa e que será possível fazer ajustes no texto no Senado.

Também falta o aval dos deputados aos projetos que tratam da criação de um Fundo Social para aplicar os recursos e da capitalização da Petrobras.

Saúde
Segundo seus auxiliares, Lula teve bronquite, diagnosticada recentemente, antes da crise de hipertensão. Afirmava sentir "chiadeira" no peito e, por recomendação médica, fez vaporizações. O quadro piorou na terça.
Time. Um cardiologista, dois pneumologistas e um clínico-geral acompanharam os exames de Lula em Recife.

Escovada
A ministra-candidata Dilma Rousseff dava entrevista sobre o mal-estar de Lula quando foi interrompida por um assessor que quis arrumar a sua sobrancelha. "Agora tenho até assessor de sobrancelha", brincou.

Números
A direção do PSB decidiu, e Lula avalizou, que nos próximos dez dias encomendará uma pesquisa de intenção de voto presidencial com Ciro Gomes (CE) na lista.

Ângulos
Um dos argumentos usados pelo PSB para tentar manter Ciro no jogo é que, quando Dilma reduziu a agenda para intensificar o tratamento de saúde, foi a presença dele que ajudou a impedir que José Serra (PSDB) disparasse nas pesquisas.

Alarme
Desde o início do ano, 70 municípios decretaram estado de emergência em decorrências dos estragos causados pelas chuvas. Outras 132 cidades também vivem situação semelhante, mas por causa de estiagem. Os dados são da Defesa Civil, compilados pela Confederação Nacional dos Municípios.

Arranjos
No almoço com Dilma, a cúpula do PDT argumentou que ela "não pode abrir mão" do palanque de Jackson Lago (PDT) no Maranhão, embora a aliança do PT com o PMDB favoreça Roseana Sarney no Estado.

Cardápio
Petistas que participaram do almoço voltaram a afirmar a preferência da sigla pela candidatura de Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná. O senador disse que topa a composição, mas aguarda definição do PSDB.

Cenários
Do lado tucano, à medida que se consolida a aliança entre Osmar e o PT, cresce a candidatura do prefeito Beto Richa. "São duas hipóteses: ou o Osmar enfrentará o Beto, ou o Álvaro Dias disputará contra a Gleisi [Hoffmann, PT]", diz um dirigente.

Caixa
No Rio, um dos fatores que pesam na escolha de Márcio Fortes (PSDB) para a vice de Fernando Gabeira (PV) é a influência do tucano no meio empresarial. Fortes foi tesoureiro do partido.

Mesa
Lideranças do DEM se reuniram anteontem em São Paulo com Gilberto Kassab. Além de manifestar apoio ao prefeito, desgastado pelos estragos das chuvas, combinaram uma nova rodada de "apelos" aos tucanos para que Aécio Neves (MG) tope a vaga de vice de José Serra (SP).

Corda
Aumentou muito a pressão para que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) seja o candidato da oposição ao governo de Pernambuco. "Ele chegou a dizer que o Senado fedia, nunca gostou de lá e, se disputar, feio não vai fazer. Mais: se o Serra for eleito, ainda pode ser recompensado", afirma um tucano.

Tiroteio
Nunca na história deste país o viés eleitoral falou tão alto a ponto de o presidente, numa só canetada, desdenhar do Congresso e do TCU.

Do deputado, OTAVIO LEITE (PSDB-RJ), sobre Lula ter liberado obras públicas com irregularidades detectadas pelo tribunal.

Contraponto

Plantão médico
Três horas após ter deixado o hospital em que Lula estava internado em Recife, o governador Eduardo Campos (PSB) despertou assustado no meio de uma noite mal dormida, por volta das 6h, com um telefonema.

-Estou indo embora!-, disse Lula.

-Fugido?-,brincou Campos.

-Acordei às 5h e pouco, a pressão já está 12 por 8, e tirei até foto com as meninas aqui [enfermeiras]-,completou, bem humorado, Lula.

-Então o senhor vá, porque daqui a pouco quem vai para sua vaga aí sou eu...-, emendou o governador.

A ligação terminou com os dois em gargalhadas.

MERVAL PEREIRA

Anticlímax

O GLOBO - 29/01/10


DAVOS. A ausência do presidente Lula certamente tirou do Fórum Econômico Mundial uma de suas principais atrações, e não foi por acaso que ele foi escolhido para ser a primeira personalidade a receber o título de Estadista Global. A presença do Brasil nos grandes temas que dominam a cena mundial, seja a crise financeira, a campanha humanitária no Haiti ou a questão do meio ambiente, é cada vez mais sentida

estava preparado para que hoje fosse o dia do Brasil no Fórum Econômico Mundial, embora Lula só passasse três horas em Davos.

Mesmo com sua ausência, está mantido um almoço para debater o futuro do país, no qual falarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Se o Brasil ainda não tem, ao contrário do que muitas vezes pretendem fazer crer nossas autoridades, uma palavra decisiva nas grandes discussões internacionais, pelo menos já é relevante o suficiente para ser ouvido.

E Lula hoje, além de sua história pessoal que encanta o mundo, representa um país emergente que deu certo. A tentativa de ser protagonista no plano internacional é consequência de uma política externa que prioriza a imagem internacional do presidente Lula, mais agressiva do que sempre foi historicamente.

Por isso mesmo, pode levar a homenagens como a de Davos, mas também a situações incômodas, como receber com todas as honras o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, num momento em que a comunidade internacional, inclusive China e Rússia, isolava aquele país como forma de pressioná-lo a desistir de um programa nuclear que não se submete à supervisão internacional.

O chanceler Celso Amorim insiste que a aproximação com o Irã atende inclusive a um interesse do presidente Barack Obama, que teria encorajado o Brasil a manter esse contato. Ontem, em Davos, Amorim reuniu-se com o chanceler do Irã para mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear.

No principal painel de ontem sobre o Haiti, por exemplo, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton rasgou elogios à atuação das forças brasileiras no comando da Tropa de Paz da ONU no Haiti.

E, embora tenha deixado claro que os EUA assumiram a coordenação de fato das operações logísticas de ajuda humanitária, a partir do controle do espaço aéreo e do aeroporto de Porto Príncipe, Clinton referiu-se ao governo brasileiro como parceiro prioritário na reconstrução do Haiti.

Ao governo brasileiro resta aproveitar essa posição especial para tentar influir nas decisões, e não querer competir com os Estados Unidos pela liderança da reconstrução.

Foi o que fez o chanceler Celso Amorim, que também participava do painel. Ele aproveitou o momento de solidariedade para lançar um desafio aos países que estão envolvidos na ajuda humanitária: mesmo sem ser possível chegar-se a um acordo sobre o protecionismo no comércio exterior, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, que a exportação de produtos têxteis produzidos no Haiti tenha taxação zerada, como forma de estimular os investimentos naquele país.

Foi uma maneira indireta de levantar um assunto quase morto, como a retomada da Rodada de Doha, que ele discutirá mais uma vez com Pascal Lamy, da OMC.

O Brasil pode sugerir que o tema seja um dos pontos da próxima reunião do G-20, para que os líderes mundiais assumam a condução das negociações, como fizeram com a questão do clima em Copenhague.

Esse, aliás, seria um dos assuntos do discurso de Lula hoje em Davos, ao receber o prêmio de Estadista Global.

Discurso que certamente teria uma repercussão política tão grande quanto o do presidente francês, Nicolas Sarkozy, pois representaria a posição dos países emergentes respaldando posições de líderes dos países desenvolvidos como o próprio Sarkozy e o presidente Obama, a favor de uma nova regulamentação para o sistema financeiro internacional.

O 40 oFórum Econômico Mundial, aliás, está sendo marcado por um sentimento generalizado de que os países emergentes, que têm demonstrado uma capacidade de reação à crise financeira maior do que a dos países desenvolvidos que a geraram, precisam ter mais voz nos organismos internacionais. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, por exemplo, disse em um dos painéis que o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU tende a cristalizar um desequilíbrio nas relações internacionais, assim como a subrepresentação dos países em desenvolvimento nos organismos financeiros internacionais. A África do Sul, juntamente com o Brasil, reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Em outro painel, o ex-presidente do México e atual professor da Universidade Yale Ernesto Zedillo disse que os países emergentes como Brasil, China e Índia, apesar de terem se mostrado bastante resilientes na crise internacional, não podem garantir o crescimento econômico sem que os países desenvolvidos se recuperem. Para isso, será preciso, segundo Zedillo, que uma nova regulamentação do sistema financeiro garanta a sua estabilidade, evitando novas crises.

Lula precisava de Davos para reforçar sua imagem de líder internacional, mas Davos precisava mais ainda de Lula para ressaltar sua busca por um capitalismo com face humana.

JAPA GOSTOSA

LUIZ FELIPE LAMPREIA

Depois da queda

O ESTADO DE SÃO PAULO - 29/01/10


A popularidade de Barack Obama despencou em apenas um ano. De sua campanha inovadora e triunfante, de sua eleição que tantas esperanças suscitou nos EUA e pelo mundo afora, de suas sondagens quase unânimes no início - de tudo isso restam agora pesquisas minguantes e decepções. Por quê?

O presidente Obama adquiriu gradualmente uma imagem negativa perante a classe média americana. Em primeiro lugar, porque despejou centenas de bilhões de dólares para salvar os grandes bancos - hoje vistos como os maiores vilões da América e os responsáveis pela grande crise de 2008/2009 - e não puniu os dirigentes culpados pela farra financeira. No momento em que os EUA ainda vivem um alto desemprego e sua população não recuperou as grandes perdas patrimoniais que sofreu, essa percepção é veneno político. Por outro lado, a impressão que se generaliza é de um governo insensível ou incapaz de mitigar o sofrimento da população que perdeu empregos, padrão de vida e esperança de superar esta fase difícil. Por isso Obama contra-atacou no discurso sobre o estado da União, quarta-feira, dizendo: "A criação de empregos será a prioridade número um deste governo." Nessa ocasião fez mesmo a incrível afirmação, para um ocupante da Casa Branca, de que "algumas derrotas foram merecidas".

Outro ponto negativo é o espetáculo desastroso do Afeganistão que diariamente chega às televisões dos americanos, com os talebans surgindo como fantasmas e atacando com audácia crescente, enquanto Obama leva meses para decidir se aumenta ou não o efetivo militar americano nesse país. Embora o governo tenha a convicção de que há progressos no terreno, para o público americano o que vem à tona é o pesadelo recorrente do Vietnã e do Iraque: uma guerra sem possível vitória.

Vai-se consolidando entre os analistas a impressão de que Obama é um grande comunicador que hesita, porém, no momento da ação e procura sempre o lado mais indolor da decisão. Aflora hoje a falta de experiência executiva do presidente, que nunca havia exercido cargo administrativo em toda a sua carreira política. Começar logo pela presidência dos EUA, por mais bem equipado intelectualmente que ele seja, está-se revelando muito difícil para Obama. Creio, pessoalmente, que ele será capaz de reencontrar o rumo, mas no momento isso não é garantido. Para um homem que teve uma carreira meteórica e espetacular deve ser muito difícil lidar com revezes da magnitude em que estão ocorrendo.

A eleição de um republicano para a cadeira do falecido senador Ted Kennedy foi a sirene de alarme que soou estridentemente em Washington. A família Kennedy - verdadeira realeza do Partido Democrata - ocupava essa cadeira havia mais de 50 anos e, portanto, a vaga era considerada a mais segura possível. A derrota da candidata democrata foi um cruzado de direita no queixo de Obama e a imagem que as TVs mostraram do mea-culpa atenuado do presidente era a de um político que sabia da extensão do dano que sofrera. Embora os democratas ainda tenham uma margem ampla no Senado - e Obama não perde a ocasião de recordá-lo -, não podem mais evitar, pelos procedimentos legislativos em vigor, que os republicanos obstruam a votação de um projeto de lei. Neste momento estão em jogo, entre outras, algumas questões cruciais: a reforma do Health Care (o sistema de saúde pública), uma regulação mais dura dos bancos, o projeto de lei sobre mudanças climáticas e sobre energia. São projetos dificílimos de aprovar na Câmara, pelos interesses que contrariam, e agora se tornam quase inviáveis sem considerável diluição, dada a resistência dos republicanos, que é também a de muitos democratas. Se o governo Obama for incapaz de prevalecer nesses temas, a que atribui absoluta prioridade, terá sofrido um prejuízo político incalculável.

Aproximam-se as eleições intermediárias de novembro, com renovação total da Câmara e parcial do Senado. Se a maré republicana, que começa a caracterizar-se, for confirmada, o governo Obama perderá a iniciativa no Congresso na metade de seu primeiro mandato e, portanto, ficará muito debilitado, após um começo glorioso. Que caminhos restam para esse presidente?

O primeiro é o do populismo. Consistiria em procurar aplacar a ira crescente da sociedade com um ataque aos banqueiros e aos que são percebidos como responsáveis pelos males do país. Já começou um movimento nesse sentido, como notou de modo eloquente e crítico o colunista Tom Friedman, do jornal The New York Times, com a demonização dos banqueiros, "porque os americanos não seguem políticos raivosos". Depois de suscitar tanta expectativa, será difícil para Obama vestir a pele do vingador. De todo modo, tal curso não resolveria os problemas pendentes, a longo prazo.

O segundo é o da negociação política mais enfocada. Até aqui o governo dispersou suas forças consideráveis no Congresso num número amplo de iniciativas, como salvar a indústria automobilística e os bancos, aprovar leis sobre um grande número de temas. Mas aos olhos do público não restaurou os empregos perdidos, nem reviveu a indústria imobiliária, nem lançou nenhuma iniciativa inspiradora na área da educação, ou da ciência, ou do meio ambiente. Obama ainda tem maioria ampla tanto na Câmara quanto no Senado, mas vai ser obrigado a fazer escolhas difíceis. Isso significa que a legislação já aprovada na Câmara sobre mudanças climáticas e a reforma do sistema de saúde pública podem ser desfiguradas, mas não estão necessariamente condenadas. Aprová-las no Senado vai requerer enorme esforço do presidente e, sobretudo, sua capacidade de reverter a queda de sua popularidade e de sua força política.

A agenda internacional vai passar para segundo plano, dada a premência das questões domésticas. Não se espere, assim, atuação efetiva dos EUA no Oriente Médio ou em qualquer outro cenário mundial. Antes disso Obama vai ter de buscar modos de sair do labirinto em que se encontra. É pena, mas é assim.

Luiz Felipe Lampreia foi ministro das Relações Exteriores (1995-2001)

ANCELMO GÓIS

O MAIOR BARATO

O GLOBO - 29/01/10


O chá de ayahuasca, tradição secular de índios da Amazônia, não pode ser usado com fins comerciais, turísticos e terapêuticos, segundo regulamentação do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas. Mas a mesma resolução liberou o chá, conhecido como Santo Daime, em rituais religiosos.
AQUI NÃO
Foi o próprio Lula quem descartou a ideia de ter Duda Mendonça na campanha de Dilma. O presidente gosta do trabalho de João Santana.
TUDO EM CASA
O novo diretor paraguaio de Itaipu, Gustavo Codas, indicado pelo presidente Fernando Lugo, é petista de carteirinha. Foragido da ditadura Stroessner, Codas, 50 anos, viveu no Brasil por 25 anos. Aqui se filiou ao PT e foi assessor da CUT.
BANCO DO BRASIL VERDE
O ministro Minc conseguiu que o BB dê desconto de 0,8% nos financiamentos de compra de carros que emitem menos poluentes e gases do efeito estufa.
PRIMEIRA-CANDIDATA
É só uma constatação. Dilma tem andado mais com Lula em compromissos externos do que dona Marisa, a primeira-dama. Na festa na casa de Chico Buarque, Lula levou Dilma. A ministra, ao saber da internação do presidente em Recife, voou para encontrá-lo. Dona Marisa esperou em São Paulo.
AMOR PARA LULA
Ontem, depois do piripaque de Lula, a Sociedade Brasileira de Hipertensão enviou à sua lista de e-mails, sem citar o presidente, estatísticas da doença. Segundo a SBH, 30 milhões de brasileiros são hipertensos – mas só um em cada dez se trata (Lula era um dos nove).
SEGUE...
No e-mail, a SBH lista os “dez mandamentos contra hipertensão”. O primeiro é “medir a pressão ao menos uma vez por ano”; o segundo, “praticar atividades físicas”; o terceiro, “evitar obesidade” – e por aí vai, passando por “não beber” e “não fumar”. Mas o que chamou a atenção foi o décimo mandamento: “Ame e seja amado”. Não é fofo?
O BICHO HOMEM
Um balanço feito pelo Ministério Público Federal do Pará mostra que desde 1990, em quase duas décadas, os procuradores na região entraram com 608 ações contra gente acusada de manter outras pessoas sob a condição de escravo. Destas, 418 são ações sobre denúncias de trabalho escravo apenas no Sudeste do Pará. Outras 114 ações vêm da região de Belém e Castanhal, 51 processos de Altamira e outros 25 de Santarém. Só em 2005 foram 152 ações.
JOGOS DE 2016
Os vereadores de Natal discutem um projeto de incentivo fiscal com tributos municipais para ações destinadas a financiar o esporte na capital do Rio Grande do Norte. O texto da vereadora Sargento Regina prevê descontos no IPTU e ISS de quem financiar os atletas potiguares.
CALMA, CALMA
Aliás, a Rádio Enfermaria de Brasília dizia ontem que Lula teria tido uma conversa dura com o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, antes de se sentir mal. O assunto: a candidatura de Ciro Gomes ao Planalto.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ELIANE CANTANHÊDE

Hipertrofia do Executivo

FOLHA DE SÃO PAULO - 29/01/10


BRASÍLIA - No Brasil, Lula "ignora", "atropela" e/ou "desafia" (verbos usados pelos jornais) o Tribunal de Contas da União e libera no Orçamento R$ 13,1 bi para quatro obras da Petrobras suspensas por irregularidades classificadas como graves pelo órgão.
Na Argentina, Cristina Kirchner ignora, atropela e/ou desafia a lei. Cismou que o Banco Central tinha de desviar reservas para o Tesouro abater a dívida externa, o presidente do BC, Martin Medrado, disse não, e ela não titubeou: demitiu-o por decreto, sem ouvir o Congresso.
A Justiça mandou reintegrá-lo, Cristina jogou a polícia contra ele e contra a Justiça. Na Venezuela, Hugo Chávez ignora, atropela e/ou desafia tudo e todos. Cria leis, subjuga o Legislativo e o
Judiciário, suspende TVs que se recusam a lhe dar palanque eletrônico e decreta racionamento de água e de energia. Enquanto isso, arranja tempo e dinheiro para se imiscuir na mídia até do seu aliado da Nicarágua, Daniel Ortega.
É a hipertrofia do Executivo, deflagrada por Chávez, encampada agressivamente na Bolívia e no Equador, sofisticada na Argentina e sorrateiramente disseminada no Brasil, "terra de samba e pandeiro".
A América do Sul vive os tempos do "eu quero". Melhor fariam todos se repetissem Obama, que, em vez de abrir as baterias contra a Justiça, contra as leis, contra os tribunais de contas e contra a mídia que cobra e incomoda, mirou nos que geraram a crise mundial de 2009 e ainda conseguem tirar lucro dela: os bancos.
Chávez fecha e nacionaliza bancos, mas Obama articula com o Congresso e com a opinião pública uma regulamentação que limite os abusos e os riscos do sistema e seus reflexos no país, nas instituições, nos cidadãos e no mundo. Isso, sim, é justo e democrático.
PS - A hipertensão de Lula é um sintoma de que ele está esgotado, ultrapassando todos os limites.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A Dilma é brava. Mulher tem que ser brava mesmo”
PRESIDENTE LULA, DEFENDENDO SUA CANDIDATA À SUCESSÃO PRESIDENCIAL

NO RIO, CANDIDATO A DESEMBARGADOR FARÁ PROVA
A resolução do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro é inédita: candidatos a desembargador pelo quinto constitucional – advogados e membros do Ministério Público, indicados em lista tríplice – terão que fazer exame comprovando o “notório saber jurídico”. Descontente com os “critérios subjetivos e políticos” dos indicados, que ferem os “princípios constitucionais”, o TJ-RJ exigirá nota mínima de 7, no “vestibular”.
FIM DA BOQUINHA
Um dos desembargadores responsáveis pela resolução, diz que a exigência vai restringir a “boquinha” vitalícia de R$ 25 mil mensais.
DE MÉDICO E LOUCO...
Tem internauta culpando aquela caixa de isopor na cabeça pela crise de hipertensão de Lula. Pode ser, com aquele calorão...
MUDA O FILME
Primeiro, o diretor de Lula, o Filho do Brasil sofreu um acidente de carro. Agora o próprio filho do Brasil parou no hospital. Toc, toc.
FOME ZERO
A Presidência da República vai gastar este ano R$ 50,4 mil em ração para animais, nas residências do Torto e do Palácio Alvorada.
CONTROLE DE PONTO CRIA POLÊMICA NO SENADO
O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo ameaça recorrer ao Judiciário para suspender a execução de ato do 1º Secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), implantando o controle eletrônico de frequência, a partir de fevereiro. Segundo Magno Mello, presidente do Sindilegis, a norma valerá pra todos ou não valerá pra ninguém. Alguns diretores da Casa estão dispensados da exigência.
OS ESCOLHIDOS
O ato do 1º secretário abre brecha para que os senadores possam isentar do controle de ponto quem eles quiserem.
MÃOZINHA
O ato ajudará os fantasmas e atende o apelo de senadores que, em ano eleitoral, gostariam de reforço dos apadrinhados nos estados.
QUE REMÉDIO...
Já pipoca no Twitter: “ao invés de título de estadista global, Lula recebeu receita de estatina total para baixar o colesterol...”
ESTOU FORA
O ex-ministro Paulo Renato Souza, secretário da Educação em São Paulo, informou à cúpula tucana que não será candidato a deputado federal. Ele anda muito desapontado com a atividade política.
O HERDEIRO
Com a saída de Paulo Renato da disputa, o tucano Walter Feldman será destinatário de grande parte dos votos das estrelas do PSDB, especialmente aqueles sob influência do governador José Serra.
ONG PETISTA NA MIRA
O Tribunal de Justiça de São Paulo deve decidir na terça (2) se quebra o sigilo fiscal, bancário e financeiro do Instituto Florestan Fernandes, a pedido do Ministério Público. Em 2006, acusou o instituto de contratos irregulares de mais de R$ 12 milhões na prefeitura de Marta Suplicy.
MP PEDE AJUDA
Procuradores de Justiça no DF têm sido solicitados por promotores do Ministério Público Federal para auxiliar nas investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Há muito a investigar, ainda.
CONDENADO
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) a devolver aos cofres públicos o que foi gasto com um jornal Nossa Terra. Para o TJ, pura propaganda com dinheiro público.
LAMÚRIAS PRESIDENCIAIS
Lula se queixou do governador do Amazonas, Eduardo Braga, durante uma conversa reservada no Recife, quinta à noite. Teme que ele esteja entre os “traidores do PMDB” que flertam com o tucano José Serra.
TRAIR E COÇAR...
É só começar: governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), que deseja ser senador, puxou o tapete de Expedito Jr., que sempre o defendeu no Senado, e apoia o vice João Cahulla ao governo. Cassol quer voltar em 2014 e acha que, eleito agora, Expedito será mais difícil de enfrentar.
MAÇÃ PODRE
Com essa você não contava, Steve Jobs. Esqueça iPhone, iPod e iPad: o governo Lula vai lançar em breve o iPac, o iDilma e o iPhod. E a Prefeitura de São Paulo está analisando a criação de um iChente.
PENSANDO BEM...
Com tanto PAC aqui, PAC acolá, Lula quase teve um “peripac”.

PODER SEM PUDOR
O SEGURO MORREU DE VELHO
Prefeito de São Paulo em 1987, Jânio Quadros tinha um hábito peculiar, sempre que se falava no nome do ex-governador Paulo Maluf em seu gabinete. Instintivamente enfiava as mãos no bolso e dizia para seus auxiliares mais próximos:
– Instinto de sobrevivência! Não gosto de surpresas indefensáveis.
Todos caíam na risada.

O ABILOLADO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: País sai da crise com indústria mais fraca nas exportações


- Folha: Concessões da área elétrica vão ser renovadas por MP


- Estadão: Mantega anuncia fim de incentivos


- JB: Educação tecnológica dá emprego aos Jovens


- Correio: Aposentados devem R$ 22 bilhões aos bancos


- Valor: Aumento de capital do BB deve atingir R$ 13 bi


- Jornal do Commercio: Estresse obriga Lula a cancelar compromissos

quinta-feira, janeiro 28, 2010

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

E$$e$ trê$ $abem da$ coi$a$

28 de janeiro de 2010

Eleito presidente do PT, o companheiro sergipano José Eduardo Dutra prometeu recrutar os melhores e mais brilhantes do partido para a composição do diretório nacional. O Brasil soube há dias que essa tropa de elite, se depender de Dutra, será liderada pelos craques José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha. Os três veteranos armadores também são titulares absolutos do Bando dos 40, denunciado pelo procurador-geral da República e instalado pelo Supremo Tribunal Federal no banco dos réus reservado aos protagonistas do escândalo do mensalão.

Por que Dutra estendeu acintosamente a mão amiga a três delinquentes juramentados?, quiseram saber os jornalistas. “Primeiro, para mim, não existe esse termo, mensaleiros”, começou o legítimo herdeiro de Ricardo Berzoini. “Depois, é um orgulho fazer parte da chapa ao lado de Dirceu, Genoino e João Paulo”, tentou terminar. Os jornalistas insistiram no assunto, o entrevistado perdeu a paciência: “Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este, em que temos a pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência”.

Na abertura do trecho encimado pelo subtítulo Quadrilha, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Sousa fez um didático resumo da ópera:

O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude. A organização criminosa ora denunciada era estruturada em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação. Pelo que já foi apurado até o momento, o núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno. Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido (um deles é João Paulo Cunha, copiosamente mencionado nas páginas seguintes), estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira. O objetivo desse núcleo principal era negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados”.

A releitura do texto permite enxergar as coisas com penosa nitidez. Enquanto o Brasil que presta faz escolhas baseado em biografias, a companheirada elege chefes pelo tamanho do prontuário. Basta retocar graficamente a última frase de José Eduardo Dutra para entender por que sente vontade de cantar o Hino Nacional quando vê a trinca por perto: “Não tem $entido pre$cindir da experiência de$$e$ companheiro$ num momento tão importante como e$te, em que temo$ a pré-campanha da mini$tra Dilma Rou$$eff à Pre$idência”.

É isso. Os bandidos já ensaiam a continuação da série ultrajante sem que o primeiro dos faroestes sequer tenha chegado ao fim.

PARA HIHIHI

念願だったんです、宿願だったんです。

マニュアルトランスミッションのツーシーターカーが。

雪解けから、探して探して探して。。。
遂に購入と相成りました(^^)

中古車なんですけど。。。
インターネットで検索して。。。

中古車といえば雑誌も発刊している、
の三つ巴でしょう。

購入する人によって条件が違いますよね。
いろいろ検索してみて
一番使い勝手がよかったのはgoo-netでした。

中古車業界の老舗カーセンサー.netは、
検索条件等も詳細に選べるのですが、
「複数の車種を同時に検索した場合
グレード別に表示できない」
これが痛い。。。
特に人気車種&多グレードの車種を検索した時には、
膨大な数の車がヒットしてしまいます。

カッチャオ.comは「詳細検索条件の中に4WD」がない。
致命的です。。。

というわけで、検索に関して条件を満たすのは、
goo-netとなるわけです。
掲載数も30万車とカーセンサーの20万車、
カッチャオの15万車を大きく凌いでいますし。

MUITO BOA

GOSTOSA