domingo, novembro 22, 2009

JAPA GOSTOSA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

SUELY CALDAS

As lições de Ricupero e o apagão

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/11/09


No passado a política externa praticada pelo Itamaraty era chamada de "punhos de renda", caracterizada pelo comportamento soberbo, frio, calculista, sem gestos e sem emoção de seus diplomatas. Com a redemocratização o estilo mudou, mas os diplomatas preservaram a conduta discreta, vestindo as palavras de argumentos técnicos e, por vezes, duros, mas fundamentados na experiência, no conhecimento, no saber e deixando para os governantes a adjetivação dos discursos.

O embaixador Rubens Ricupero é dessa geração e seu desempenho na diplomacia por quase meio século ganhou respeito de veteranos e jovens. Nos últimos dias, em duas entrevistas ao Estado, Ricupero ensinou importantes lições de críticas à política externa do governo Lula, com que o chanceler Celso Amorim certamente concorda, mas não dará curso algum porque foi capturado pelos interesses políticos imediatos da eleição em 2010. Afinal, sua filiação ao PT mostra que também ele tem pretensões eleitorais.

À impetuosidade e ao oportunismo político dos presidentes Lula e Hugo Chávez de incorporarem a Venezuela ao Mercosul na marra e às pressas, Ricupero respondeu com um alerta sobre problemas que podem ocorrer no futuro. Em acordos de comércio - adverte -, o país que se dispõe a ingressar precisa antes discutir suas regras e se comprometer a cumpri-las. Foi o que ocorreu com Portugal e Espanha quando aderiram à União Europeia, em 1986, depois de muitos anos de negociação.

A Venezuela acaba de se tornar o quinto membro do Mercosul, sem discutir o conjunto de normas de comércio, muito menos o acordo da Tarifa Externa Comum (TEC) - praticado no comércio com terceiros países - que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai levaram anos negociando para aprová-lo. Enquanto no Congresso a oposição reclamava de falta de democracia na Venezuela, Ricupero foi direto ao ponto da questão.

O coronel Hugo Chávez tem dado provas corriqueiras de não ter vocação para viver em harmonia coletiva, muito menos cumprir acordos que atrapalhem seus objetivos políticos. Seu estilo é afastar barreiras na marra e no grito. Se a mídia lhe faz oposição, ele fecha emissoras de TV e rádio. Se sua popularidade cai, ele inventa uma guerra para reconquistá-la com falsos apelos patriótico-nacionalistas. Rompe contratos unilateralmente, nacionaliza empresas sem indenizá-las pelo investimento feito. Enfim, não gosta de respeitar regras e acordos. Muito menos os que não conhece nem sequer discutiu seu conteúdo - como o Mercosul. O chanceler Celso Amorim sabe disso e dos riscos de desmoralização quando chegar o momento em que Hugo Chávez mandar o Mercosul às favas.

A segunda crítica do embaixador é ainda mais séria e grave. Por mais de 40 anos atravessando vários governos, ocupando cargos importantes dentro e fora do País, Ricupero tem perfeita noção e consciência de que a função do diplomata é servir aos interesses do Estado (assim, com letra maiúscula), não de governos que se renovam e sucedem a cada quatro anos e trazem objetivos políticos próprios.

A preocupação com a miscelânea que o governo Lula costuma fazer, confundindo razões e interesses de Estado com os do governo e do PT, levou Ricupero a criticar: "O governo está moldando o perfil com o qual quer entrar para a História. A política externa tornou-se mais identificada ao governo e também ao seu partido, o PT. Não está mais identificada ao Estado", afirmou, em entrevista a Denise Chrispim Marin, publicada na edição de domingo passado. E cita como exemplos do dedo de Lula e do PT a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad; a posição do Brasil contra a Colômbia, não como moderador no conflito com a Venezuela; e o ingresso intempestivo e descabido da Venezuela no Mercosul.

Aos autoelogios de Lula e do PT à política externa, a experiência de Ricupero responde: dos três eixos da diplomacia - uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil, a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a preponderância brasileira na América do Sul -, todos fracassaram.

É verdade que o mundo, sobretudo a velha Europa, tem um certo fascínio pela figura e pela liderança de Lula, do operário que chegou ao poder e conseguiu exercê-lo. Diferente de Lech Walessa. Por isso o desculpam em muitas coisas, mesmo no mais primário amadorismo de propor, em 2003, a criação de um fundo mundial para combater a fome arrecadando impostos sobre a venda de armas no mundo. Ou seja, mata-se a fome no planeta incentivando a humanidade a se armar. Que tal?

O apagão político - O governo Lula divagou, mudou versões, criou confusão e não conseguiu convencer ao explicar as razões do apagão. Tampouco dar garantias críveis de não repetição de outros desastres no futuro. Mas nem governo nem oposição focaram um vício de origem às falhas do setor elétrico que atravessa governos e espalha incompetência: o loteamento, entre políticos e apadrinhados, de cargos que deveriam ser ocupados por técnicos de carreira experientes e preparados.

Com exceção de Dilma Rousseff, no início do governo Lula, todos os demais ocupantes da pasta de Minas e Energia têm origem política - do DEM, no governo FHC, e do PMDB (leia-se José Sarney), na gestão Lula.

Se ficasse só nos ministros, o estrago até seria mais controlado. Mas não. O método é ampliado para as diretorias de estatais elétricas e mesmo para funções de segundo e terceiro escalões, em que os políticos enxergam alguma forma de extrair vantagens para seus partidos.

Além de péssimo efeito entre funcionários, derivado do desprezo pelo critério meritório para ganhar promoções e ascender na profissão, o loteamento político cria insegurança entre quem ocupa funções técnicas sempre que precisa contrariar ordens do incompetente chefe. Este, por ter poder de mando, mas não capacidade e preparo para exercer a chefia, sente-se reduzido quando contestado e acaba dando ordens desastradas.

Nesse ambiente vale a pergunta: de quem partiu a ordem para desligar a Usina de Itaipu na noite do apagão?

ELIO GASPARI

A filantropia exige trabalho de quem pede

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/11/09


Se as universidades forem à luta, receberão doações dos ex-alunos, como a PUC-RJ e o Insper


O REITOR do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, brigadeiro Reginaldo dos Santos, anunciou um ambicioso projeto de ampliação da escola e informou que espera reforçar seu orçamento com recursos de um fundo capaz de recolher "doações diversas, inclusive de ex-alunos e empresas". O doutor repetiu um velho sonho do baronato universitário: estimular a filantropia dos ex-alunos. Em 2002 o ITA anunciou a intenção de criar um fundo parecido e, quatro anos depois, contabilizava apenas uma doação, testamentária. Não é justo achar que os ex-alunos do ITA, formados numa das melhores escolas públicas (e grátis) do país, sejam capazes de tamanha ingratidão.
O brigadeiro e o ITA correm o risco de continuar na companhia da Universidade Federal de Pernambuco e da PUC de São Paulo. Uma, com um cadastro de 3.000 ex-alunos, conseguiu três doações. A outra expediu 40 mil cartas e não captou o que gastou na operação.
No ano passado a filantropia injetou US$ 41 bilhões no sistema educacional americano. É comum ouvir que esse tipo de generosidade não faz parte da cultura brasileira. E se isso for bobagem? Se for uma mistificação a serviço do ócio? O reitor diz que vai pedir dinheiro aos ex-alunos, expede suas cartas, vai jantar e, anos depois, ensina que os ex-alunos são ingratos, pois o brasileiro é culturalmente egoísta, tudo culpa da herança escravocrata dos colonizadores ibéricos.
As universidades americanas recebem doações porque seus reitores e professores rolam na lama. Cultivam laços com os ex-alunos, fazem campanhas regulares, ouvem as opiniões dos doadores e procuram saber o que devem fazer para conseguir mais dinheiro. No Brasil, são poucas as escolas onde há essa disposição. Uma das maiores instituições filantrópicas do país informa que jamais recebeu pedido de universidade pública. Para que não se fique no dilema do ovo e da galinha, vale a pena expor dois casos de sucesso:
1) O Departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro arrecada cerca de R$ 1 milhão por ano. Um único doador paga todos os livros de todos os alunos bolsistas do ProUni. Trabalhando, descobriu-se que os pedidos por carta de nada adiantam. Viu-se que não basta um só contato pessoal com o doador. Para conseguir freguesia, os doutores oferecem quatro seminários por ano para pessoas e empresas, a R$ 10 mil cada, com direito a dois lugares. Nesse esquema, professores como Pedro Malan e Gustavo Franco doam tempo. Para a crônica dos méritos das ekipekonômicas produzidas pela PUC do Rio, todos os seus sábios estão entre os doadores, com a estrondosa ausência do professor Pérsio Arida.
2) Trabalhando num universo maior que o dos ex-alunos, em quatro anos o Insper (ex-Ibmec São Paulo), arrecadou cerca de R$ 3 milhões para seu programa de bolsas de estudo. O Insper tem o curso de administração de empresas mais caro do país (R$ 2.500 por mês) e suas salas de aula replicam as melhores instalações de Harvard. Seria o caso de pensar que seus doadores são milionários amigos. Falso. A maior doação já recebida pelo Insper para o fundo de bolsas foi de R$ 150 mil. A doação média fica em R$ 6.000. Neste ano ele pretendia arrecadar R$ 500 mil e já entesourou R$ 540 mil. O número de doadores ficou em torno de 80.
O vestibular do Insper é duríssimo e, combatendo a fama de elitista, a escola caça bons alunos na rede pública. Como acontece nas boas universidades americanas, a seleção do Insper é financeiramente cega. Se o garoto não pode pagar, isso só se descobre depois que ele foi aprovado. O dinheiro, emprestado pelo fundo de bolsas, acaba aparecendo. Nunca houve caso de jovem que deixasse de estudar por falta de dinheiro, assim como não houve caso de prestação da dívida que não fosse cobrada. (O casal Obama só zerou suas contas com Harvard depois que entrou em casa o dinheiro dos direitos autorais dos livros do companheiro Barack.)
A PUC-RJ e o Insper conseguem recursos porque seguem a lei de Gentil Cardoso: "Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência". Quem pede mas não se desloca, fica na mão.

SERRA 2010
Encontrando-se na semana passada com Ciro Gomes, o governador Aécio Neves desafiou o destino. Se em algum momento ele achou que aprofundaria a indecisão de José Serra, fez a conta errada. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, assegura que o encontro de Minas estimulou o governador paulista a pular no ringue.

DOIS PTS
Para o Planalto se preocupar: a bancada do PT na Câmara rachou durante a votação da emenda constitucional que acabava com o foro privilegiado e salvava a turma do mensalão da lâmina do ministro Joaquim Barbosa. A emenda precisava de 308 votos e o governo trabalhou duro, mas só conseguiu 260. Na bancada de 56 deputados do PT, 19 abstiveram-se e 1 votou contra a manobra. (Os companheiros-mensaleiros não participaram da votação.)

BOLSA DITADURA
Nosso Guia pode ter os melhores argumentos para vetar mudanças nas contas da Previdência, mas ficaria numa posição mais respeitável se ao mesmo tempo abrisse mão de sua Bolsa Ditadura. Por conta de 31 dias de cadeia (com direito a cenas sombrias no filme "Lula, Filho do Brasil") Nosso Guia recebe perto de R$ 5.000 mensais. Se tivesse deixado na poupança todos os mimos que recebe desde 1996, teria mais de R$ 1 milhão.

RECORDAR É VIVER
Durante a crise financeira os sábios do banco Morgan Stanley tinham uma pequena obsessão: a cada 90 dias previam quadros sombrios para o Brasil. Tudo bem. Sabe-se agora que na semana seguinte à quebra da Lehman Brothers o principal executivo do Morgan Stanley foi informado que o banco quebraria antes do próximo sábado.

PARALELO
De um malvado:
"A Dilma Rousseff é o João Figueiredo do Lula".
Em 1978 o presidente Ernesto Geisel escolheu o general Figueiredo para sucedê-lo. Geisel achava que ele era aplicado, corajoso e frugal. Ademais, com oito anos de experiência no Palácio do Planalto, conhecia o funcionamento do governo.
Estava errado em todos os itens.

MANIA TEM PREÇO
Estourou uma bonita guerra de abaixo-assinados no Leblon. A escola infantil Espaço Educação tem que se mudar da casa que ocupa desde 1983, na rua Almirante Guilhem, e alugou um imóvel na Timóteo da Costa, a poucas centenas de metros de distância.
Os moradores da nova vizinhança não querem colégio por perto. Nem mesmo um pré-primário com 190 alunos, sem atividade noturna, fechado nos fins de semana. Conseguiram 1.200 assinaturas e levarão seu caso ao prefeito Eduardo Paes.
Os pais das crianças mobilizaram-se e esperam ter 2.000 assinaturas nos próximos dias.
Brava gente essa. Para conter os bárbaros, não quiseram edifícios com apartamentos pequenos por perto. Depois barraram os apart-hotéis. Agora querem escorraçar uma escola de filhos dos moradores do lugar.
As idiossincrasias são livres, mas não são grátis. Quando Louise Carnegie soube que iam construir um prédio alto em frente ao seu jardim, reclamou com o marido. Andrew Carnegie comprou o terreno, e o casal ficou em paz. Ele era um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, podia pagar por suas manias.

EVOLUÇÃO

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Lula, o filho do Shrek!

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/11/09


"Shrek 4": o mocinho é ogro, não tem um dedinho e no final fica com a Fiona


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Ops, do Planeta da Piada Pronta: tribunal chinês proíbe venda dos programas da Microsoft POR PLÁGIO. Em matéria de plágio, a China quer exclusividade! Lolex, Plada e Miclosoft. E cheque Bladesco. E um amigo foi num desses stand centers e perguntou pra chinesa: "O aparelho de som vem com as caixinhas surround?". "Caxinha sulound paga sepalado." "Então, enfia na peleleca." Rarará!
O PGN, o meu Partido da Genitália Nacional vai criar a faculdade para as rejeitadas da Uniban: UNIBUNDAS! Não tem matrícula nem mensalidade. Cada uma dá o que pode!
E o babado da semana: "Lula, o Filho do Brasil". Um amigo me disse que só vai assistir ao filme do Lula se ele morrer no final! E um outro disse que o filme acaba mal: no final, ele vira presidente. Rarará! Mas o Lula não foi à estreia. Dizem que ele foi assistir a "2012". Pra ver se a Dilma conseguiu ser eleita! Dona Marisa foi representar o Lula na estreia. Será que o filme é mudo? E sabe por que o ator aceitou fazer o papel do Lula? Porque disseram que ele não precisava beijar a Marisa no final!
E o site Comentando lançou uma nova versão: ""Lula, o Filho do Barril". Em breve em todas as biroscas do Brasil. Um filme de Fábio Velho Barreiro". Mas nos EUA vai passar como "Shrek 4": o mocinho é ogro, não tem um dedinho e no final fica com a Fiona. E adorei a charge do Pelicano com dois convidados do filme do Lula: "Ué, tá tudo escuro, o filme não vai começar?". "Já começou, é a cena do apagão." Rarará!
E diz que a Geisy da Uniban vai posar pra "Playboy". Logo depois da Fernanda Young? O véio dono da "Playboy" vai se atirar da cobertura. De desgosto.
E olha o e-mail que me mandaram. Campeonato Brasileiro: o Palmeiras quer ser penta, o Flamengo quer ser hexa e o São Paulo quer ser hétero. Detestei. Porque sou bambi com muito orgulho.
O Kassab tomou umas PITU pra aumentar o IPTU. Diz que vai aumentar 40%. Não é IPTU, é HIPERTU! IPTU de Itu! IPTU quer dizer Impossível Pagar Tudo Isso!
E a novela do Maneco? Continua a campanha Reage, Helena. E uma outra do contra: Tapa na Helena. Rarará. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Sine qua non": cinema que tá passando o filme do companheiro Lula. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

BRASÍLIA - DF

Cabeça do cachorro

CORREIO BRAZILIENSE - 22/11/09


Uma delegação formada pelos deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Emiliano José (PT-BA), Rui Pauletti (PSDB-RS) e Cláudio Cajardo (DEM-BA) fechou ontem um périplo por Venezuela, Colômbia e Equador. Não foi recebida por Hugo Chávez, mas conversou com os presidentes Álvaro Uribe, colombiano, e Rafael Correa, equatoriano, além de chanceleres, ministros da Defesa e chefes do Legislativo. Os três países andam em pé de guerra. O centro do problema não são as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, mas a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) nas fronteiras com a Venezuela e o Equador.

Segundo Jungmann, coordenador do grupo, devido à grande desconfiança existente em relação ao acordo militar dos Estados Unidos com a Colômbia, qualquer acerto entre os três países depende da intervenção do Brasil no processo. Ou melhor, da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações. Não apenas porque sua liderança é reconhecida por todos. O Brasil é o alicerce da integração econômica do subcontinente, via grandes empresas brasileiras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), “hoje a maior fonte de financiamento do capitalismo sul-americano”.

Perigo// Em depoimento na Câmara, respondendo ao deputado Osório Adriano (DEM-DF), o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), admitiu que o maior gargalo de infraestrutura para a Copa de 2014 não são os estádios, mas os aeroportos das 12 cidades-sedes. A Infraero é responsável pelo atraso nas obras.

Guerrilha
O Brasil ficou de fora da confusão porque não permitiu nem permite que as Farcs operem na região da Cabeça do Cachorro, extremidade Noroeste do nosso território, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Um ataque dos guerrilheiros das Farcs a um antigo posto de fronteira do Exército brasileiro, no Rio Traíra, em 1991, no qual foram mortos três soldados, levou o governo a expandir a presença militar na região. Foram criados vários pelotões de fronteira, a partir de São Gabriel da Cachoeira, a 1.146km de Manaus, Rio Negro acima. E o troco veio 11 anos depois. Em 26 de fevereiro de 2002, o Exército matou cinco guerrilheiros que navegavam pelo Rio Japurá.

Selva
São Gabriel, com 22 etnias, é a maior cidade indígena do país. Jovens tucanos, desanas, baniuas, curipacos, cubeus, ianomâmis, tarianos, hupdas e de outras tribos são recrutados e treinados pelo Exército, para servir nos pelotões da fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Vigiam os rios Uaupés, Tiquié, Içana, Cauaburi, Pari-Cachoeira, Iauaretê, Querari, Tunuí-Cachoeira, São Joaquim, Maturacá e Cucuí. Sob o comando de jovens tenentes, em plena selva, toda manhã hasteiam a bandeira do Brasil e cantam o Hino Nacional.

Crise
Uribe disse a Jungmann (foto) que as Farc sobrevivem por causa dos santuários nas fronteiras da Venezuela e do Equador. E que a ajuda dos Estados Unidos salvou a Colômbia das mãos do narcotráfico. Desgastado pela falta de energia e por uma crise de abastecimento, Chávez explora a tensão na fronteira e a presença norte-americana para unir suas forças armadas e manter o apoio popular. Correa, porém, inicia uma lenta aproximação com a Colômbia e tenta se livrar da infiltração das Farcs, cujas bases no Equador foram destruídas por uma operação militar colombiana que provocou o rompimento entre os dois países.

Malandro
Com todo respeito, como diria meu camarada Ancelmo Gois, o presidente Lula está como aquele malandro do samba de Bezerra da Silva, que apertou, mas não acendeu o cigarro. Já decidiu, mas faz suspense sobre o desfecho da extradição do italiano Césare Battisti, com base em controversa decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF), o que fragiliza ainda mais o Judiciário e desgasta o governo brasileiro com as autoridades da Itália.

CredBrasília
O governador José Roberto Arruda (foto) pretende lançar, às vésperas do Natal, o banco de microcrédito do DF. O objetivo é tirar da economia informal 30 mil pessoas, com financiamentos de até R$ 20 mil para micro e pequenos empreendedores, entre empresas individuais e pessoas físicas. Para obter um empréstimo de até R$ 800, não será preciso avalista ou qualquer outra garantia. E quem pagar a parcela mensal do financiamento em dia terá 20% de desconto na tabela de juros. Os recursos serão provenientes dos fundos de Agricultura, de Geração de Emprego e de Turismo e do Banco de Brasília.

Persas
O presidente do Senado, José Sarney, mandou reforçar a segurança do Senado para a visita do polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, amanhã, às 15h30. Antissemita, ele chega com uma comitiva de 300 pessoas


Promoções/ O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) articula na Câmara a aprovação de projeto de lei de sua autoria que assegura promoções aos integrantes do quadro especial do Exército, integrado por mecânicos, armeiros e outros profissionais especializados. Hoje, esses militares batem no teto da carreira ao chegar a cabo ou terceiro-sargento, mesmo com 15 anos de serviço. A proposta prevê promoções a cada cinco anos, até o posto de sub-tenente.

Não abre/ Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de janeiro, Jorge Picciani, que controla o PMDB fluminense, não abre mão de uma das vagas ao Senado na chapa do governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição. Com isso, a proposta do presidente Lula de reservar uma vaga para o senador Marcelo Crivella (PRB) e outra para o prefeito de Nova Iguaçu, Lindeberg Faria, foi para o espaço.

GOSTOSA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

CLÓVIS ROSSI

Irã teste maturidade de Lula

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/11/09


SÃO PAULO - O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad chega ao Brasil, amanhã, no momento mais oportuno para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstre que atingiu a maturidade no jogo internacional.
Oportuno pelo seguinte: a grande questão global que envolve o Irã é o seu programa nuclear. No dia 1º de outubro, técnicos iranianos aceitaram proposta do G6 que em princípio acomodava a questão: o Irã enviaria seu urânio para enriquecimento na Rússia e na França e o receberia de volta enriquecido na porcentagem necessária para uso medicinal, como o governo do Irã diz ser o seu objetivo.
Ficaria, em princípio, afastada ou, no mínimo, postergada a possibilidade de obter urânio no grau de enriquecimento para a bomba.
Acontece que os técnicos foram desautorizados pelas autoridades políticas, que estão enrolando uma resposta ao G6 desde então. Na sexta-feira, os peritos do G6 expuseram publicamente sua "decepção" com a enrolação iraniana.
A diplomacia brasileira não precisa ficar com medo de alinhar-se, no caso, com o G6. Ele é composto por dois dos três parceiros brasileiros no BRIC (Rússia e China, faltando só a Índia, portanto) e por dois países (EUA e França) com cujos presidentes Lula já definiu as chamadas "relações estratégicas".
Completam o grupo o Reino Unido e a Alemanha, com cuja chanceler, Angela Merkel, Lula se reúne no dia 3. Acresce notar que a China defende em relação ao Irã o mesmo que o Brasil: dialogar em vez de punir. E reiterou tal posição diante de Barack Obama, na sua recente visita ao país, o que prova, se necessário fosse, que anfitrião pode, sim, discordar do hóspede em público.
Aliás, neste caso, é obrigatório criticar a negação do Holocausto que Ahmadinejad faz, uma e outra vez. Não se trata de questão diplomática, mas do limite entre civilização e barbárie.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Tecnofobia num boteco do Leblon

O GLOBO - 22/11/09


- Ô Batista! Batista! Ô Beethoven!

- O primeiro nome do Batista é Beethoven?

- Não, é porque Beethoven era surdo e o Batista é o único garçom do Rio de Janeiro que é surdo como uma porta. Ô Batista! Batiiiiista! Ô flagelo do Ceará! Batiiiiista! Ah, finalmente! Um chope de emergência, me dá prioridade aí, eu posso sucumbir!

- É, está com cara de emergência mesmo, você nem deu bom-dia, quando chegou. Foi você mesmo que fez uma palestra aqui, dizendo que não se deixa de dar bom-dia nem à sogra.

- É verdade, desculpe, tem razão. Eu fui criado no interior, meu pai foi quem me ensinou isso, desculpe, bom dia, bom dia.

- Mas você de fato está com cara de nervoso mesmo. Que foi que houve, a Neneca achou o amor da vida dela outra vez?

- Não, não, graças a Deus, não. Não, é mais genérico, é com minhas neuras. Sabe esse papo de primeiro mundo, vamos entrar para o primeiro mundo, não sei o quê é de primeiro mundo, essa conversa? Eu vou te confessar uma coisa, pra mim esse negócio de primeiro mundo não está com nada, eu não tenho resistência para encarar.

- Que é isso, cara, você mesmo foi quem disse que estava agradecidíssimo ao computador porque o namorado da Neneca emigrou para a Internet e nunca mais foi visto.

- É, mas isso foi no momento da euforia, tem que dar o desconto. Obrigado, Batista, viva o glorioso estado do Ceará. Tem que dar um desconto grande. Eu tenho saudade de um atrasozinho, a verdade é esta. Não é que eu seja saudosista, eu não sou contra o progresso, sou a favor do antibiótico, do stent e do biquíni, mas tinha que ser mais devagar. Todo dia tem uma novidade, cara. Agora mesmo, eu passei por outra assombração, foi por isso que eu cheguei aqui nervoso. Eu já tinha visto antes, mas não me acostumo, não me acostumo mesmo, para mim vai ser sempre uma assombração.

- Mas você nem celular tem.

- Eu sei. Nem terei jamais, eu me sinto de coleira!

- Mas ninguém te obriga a ter.

- É, mas todo mundo tem. Outro dia eu entrei na sala de espera da clínica, cheia de gente e todo mundo, absolutamente todo mundo, falando no celular, parecia uma central da Nasa. Não deu nem para dar esse bom-dia de que nós falamos quando eu cheguei. E até eu entrar ninguém desligou, inclusive um cara que se levantava para discutir com a ex-mulher sobre o filho deles. Até agora não esqueci o nome do menino. Aníbal, apelido Nibinha, deve ser por isso que ele é anormal. Mas é indecente, esse tipo de coisa, para mim é indecente. Só não sei se o Nibinha deu mesmo um chute na canela de d. Dete, avó dele por parte de mãe; entrei antes que o cara acabasse de desmentir.

- É, isso é meio chato. Outro dia eu sentei junto a uma senhora no banco e ela de vez em quando pedia para o cara do outro lado dar um tempinho, afastava o celular, chorava que nem uma bezerra, fungava, passava um lenço de papel nos olhos e voltava para falar com o Jorginho. Esse se chamava Jorginho, que, por sinal, a julgar pelo que ela disse, deve ser um pilantraço, o cara empenhou um colar que a mãe dela deu a ela e foi pego metendo a mãozona por baixo da blusa da irmã dela. E fiquei como você, sem saber do fim da história, mas acho que ela ia perdoar o Jorginho, tinha toda a pinta de mulher que gosta de cafajeste. Acho que, se desse para fazer isso pelo celular, o Jorginho ia dar umas duas bolachadas nela, tipo Nelson Rodrigues, ela era personagem dele.

- Daqui a pouco vai dar, não duvido nada. Vai dar até para transar pelo celular, vão inventar o PhokPhone, não duvido nada, com garantia de GPS para o ponto G e camisinha eletrônica, que também vão inventar. Aquele namorado da Neneca só transa agora lá onde ele mora, lá na Internet. Você sabe que eu já tentei ter celular, você sabe disso. Mesmo bem antes de observar vários casos lamentáveis de maridos tipo kennel club, tudo de coleira eletrônica, igualzinho a cachorro americano. Aqui mesmo, neste estabelecimento, você sabe o que eu estou dizendo, mas não vou fazer fofoca, cala-te boca. Mas não foi nem por isso que eu desisti logo, não é para mim de jeito nenhum.

- Eu lembro você dizendo que só não jogava o celular no canal porque não queria ser poluidor ambiental.

- Eu tive um trauma! Fiquei traumatizado, nunca tomei um susto daqueles. Bem verdade que eu fui muito imprudente, não tinha nada que meter aquele treco no bolso. Mas botei no bolso esquerdo da bermuda e ninguém me disse que aquela desgraça vibrava. E estou eu na minha, vindo a caminho daqui, na hora de sempre, quando aquele treco começa a fazer brrrr-brrrr, me atingindo num local muito delicado, tomei um susto pavoroso! Se eu fosse cachorro, estava ferrado, com reflexo condicionado de celular. Era tocar um celular e eu arriar bandeira no primeiro toque, sem perdão. Já não está muito bom, aí mesmo é que a aposentadoria ficaria completa. Mas agora não, agora eu cruzei com um cara falando sozinho e brigando com alguém invísível. Eu sei que é desses celulares com fone de ouvido e microfoninho, mas não é normal, para mim não é normal uma pessoa sair assim pela rua. No meu tempo, só maluco fazia isso e agora quem acha que ficou maluco sou eu, sério mesmo, já estou duvidando de minhas faculdades mentais. Batiiiiista!

VAMOOOSSSS FLAMENGO

ARI CUNHA

Assistindo ao terror de camarote

CORREIO BRAZILIENSE - 22/11/09


A todo momento a mídia chama a atenção para o aumento do número de soldados americanos que se matam. O governo dos Estados Unidos não tem explicação. Na ativa ou não, os soldados suicidas surpreendem o Exército. Apesar de palestras e honrarias, o país não é capaz de impedir o ato. Mesmo assim, tendo contrariado a orientação da ONU sobre a invasão no Iraque, tendo apresentado um relatório questionável ao Congresso sobre a necessidade da guerra, o governo americano quer enviar mais tropas para a batalha. As famílias americanas mergulham em depressão vendo os jovens lutarem por uma causa que não é deles. Esses dados são reais. A recuperação do trauma, espera o Estado norte-americano, se dará com contratos em que médicos e profissionais de saúde aplicarão alguma fórmula que resgate a alegria de viver. Missão impossível. Daí alguns jornais criticarem a estratégia de dar cidadania aos imigrantes que servirem no Exército. O autor da proposta, senador Richard Durbin, encontrou uma fórmula para eliminar dois incômodos. Coincidentemente, as estatísticas do Exército mostram que os marines são maioria nessa tragédia. Justamente entre os fuzileiros há a maior quantidade de latinos e pobres.


A frase que não foi pronunciada

“Ah! Tem que revelar também?”

» Presidente Lula pensando na decisão que tomou sobre Cesare Battisti.


Apagou
Antes e depois do apagão nacional, Brasília continua sofrendo as interrupções de luz. Em áreas nobres da cidade, basta uma chuva para a luz dar os primeiros sinais de fraqueza. Em poucos minutos, o breu. Contribuintes exigem respeito e bom uso do dinheiro público. Novos investimentos são necessários. O contribuinte já paga o preço.

Fora da lei
Escolas ilegais continuam surgindo e desafiando o ministério e a Secretaria da Educação. Escondem-se por trás do conceito de universalização do ensino. Prometem facilidades duvidosas. Ensino médio de qualidade não pode ser concluído em apenas poucos meses.

Battisti

» Nenhuma solução apresentada até o momento para o caso Battisti. Preso no Brasil e condenado por homicídios na Itália, o italiano aguarda apenas uma decisão do presidente Lula. Pressionado pela opinião pública, dificilmente o mandatário vai contrariar decisão da Suprema Corte.

Estranho
A tendência é que expulse o acusado. O que traz dúvidas é a felicidade do italiano quando soube da decisão do STF. Tarso Genro, que concedeu asilo político ao assassino, desejava sumir das lentes das câmaras. Não foi possível. Deve explicações ao Brasil sobre por que beneficiou um cidadão com condenações tão evidentes.

Briga feia
Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, mexe os pauzinhos para recuperar o PMDB mineiro. Com os olhos em 2010, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não gosta da ideia. Pode haver tumulto.

Tô fora
Michel Temer, presidente da Câmara, vai deixar para os líderes partidários a responsabilidade de decidir sobre o projeto ficha-limpa. As assinaturas de populares colhidas em todo o país foram insuficientes para convencer os parlamentares. A intenção, como declarou dom Dimas Lara, da CNBB, é favorecer a sociedade e a dignidade parlamentar.

Experiência
Pedro Simon e Cristovam Buarque pediram para o vice-presidente José Alencar convencer o presidente Lula. O Tribunal de Contas da União deve ser reconhecido pelo governo federal como ferramenta contra a corrupção. Os parlamentares resumem que sem fiscalização a impunidade reina.

Divertido
Vale buscar no IDG Now os 25 anúncios de modernidades propostas na década de 1980. Hoje, a Justiça se torna mais ágil com a tecnologia, o Legislativo divulga os trabalhos com mais eficiência e o Executivo faz uso de programas para tornar transparente a gestão de recursos. Em pouco, a parafernália estará obsoleta novamente.

Incrível
Novamente a Philip Morris foi condenada a pagar pelo estrago a uma ex-fumante na Flórida. A notícia estampada no El País relembra um caso difícil de acreditar. A maior causa ganha nos Estados Unidos. Uma ação feita por mais de 50 mil pessoas afetadas pelo mal do tabagismo. Indenização: US$ 145 bilhões.


História de Brasília

Estão emplacando carros no Rio com o selo GB e a chapa DF. Há uma visível irregularidade, ao considerar o estado da Guanabara como Distrito Federal, e a coisa piora de aspecto quando acontece em repartições públicas. (Publicado em 17/2/1961)

CARLOS HEITOR CONY

Tecnologia de ponta

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/11/09


Nem tudo está perdido para nós, os brasileiros que desejam chegar ao ranking das grandes potências do século 21. Tivemos há pouco um apagão no abastecimento de energia elétrica, colapso que acontece nas melhores famílias da comunidade internacional. E, aspirando a ter uma tecnologia de ponta, capaz de explicar o acidente, temos recursos avançadíssimos para saber o que aconteceu. Um senador amazonense, por gozação ou por influência das lendas e superstições de seu Estado, lembrou uma consulta à cobra coral, não sei se uma instituição ou entidade esotérica, capaz de explicar as causas e prever os efeitos de qualquer incidente pessoal ou coletivo.

Afinal, a ex-ministra de Minas e Energia, douta no assunto, já deu o caso por encerrado, em contradição com o presidente da República, que até agora não compreendeu o problema e exige explicações dos responsáveis, sem que estes responsáveis possam ser liminarmente culpados. Apelando para um tipo de pajelança, é capaz de ser encontrada uma solução que substituirá a tecnologia de ponta que nos falta. Tudo é possível, dizia constantemente Machado de Assis.

Cultivo um mistério que já foi também mistério nacional. Onde estão os ossos de Dana de Teffé? Para quem não sabe, a ossada da milionária assassinada pelo amante nunca foi encontrada, apesar de o país inteiro levar anos procurando a prova que condenaria o assassino. Foi um problema nacional, não houve osso de galinha ou de cachorro que não fosse levado aos laboratórios. Tenho para mim que enquanto não forem localizados, nada dará muito certo para o Brasil. Com a ajuda da cobra coral lembrada pelo senador amazonense, é possível que esse mistério – como o do apagão – seja resolvido.

GOSTOSA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

TOSTÃO

O mundo ideal e o real


JORNAL DO BRASIL - 22/11/09

Existe um mundo real, muitas vezes violento, injusto, ganancioso e preconceituoso, e outro ideal, que sonhamos viver, embora façamos pouco para isso.

A melhor maneira de fazer algo não é ser bonzinho no Natal nem praticar alguns atos generosos para reparar a culpa real e/ou imaginária. É, principalmente, ser, todos os dias, um bom cidadão. Não é fácil. São muitas as tentações.

Quanto maior a distância entre o mundo real e ideal, maior é o desamparo. É a mesma relação individual entre ego e ego ideal. “Sou o que penso, mas penso ser tantas coisas” (Fer nando Pessoa).

Escuto, desde criança, que o esporte é o lugar ideal para as pessoas aprenderem e desenvolverem os valores éticos. Isso nunca foi verdade no esporte de competição e de alto nível. O gol, com a ajuda da mão, que classificou a França para a Copa é mais um de dezenas de exemplos. Nesses lances especiais e decisivos, em que não há dúvidas, o quarto árbitro, com a ajuda da TV, deveria anular o gol.

Na emoção de uma partida, os atletas, na busca por glória e dinheiro, pressionados para vencer, demonstram, em atos falhos ou conscientes, toda a desmedida ambição e toda a esperteza humana.

Um dos motivos relatados para o recente suicídio do goleiro Robert Enke, da Seleção Alemã, foi o medo que tinha do fracasso. Isso contribuiu para piorar sua crônica depressão. Perder é morrer.

No mundo ideal, os atletas entrariam em campo somente para jogar futebol, com alegria, e respeitariam companheiros, adversários, árbitros e auxiliares, além de tentar dar bons espetáculos.

No mundo real, os jogos, em todo o planeta, principalmente na América do Sul, estão cada dia mais tensos, tumultuados e violentos. Durante a semana, houve pancadaria em dois jogos no Brasil, um no Uruguai e outro na África.

Muitos treinadores e dirigentes, mesmo sem intenção, estimulam a violência com os discursos de ganhar a batalha, perder a guerra, jogar com muita pegada, além das ofensas aos árbitros.

O que houve com Obina e Maurício e também com Hugo e André Dias (estes não trocaram socos) já aconteceu várias vezes com outros jogadores. Os atletas não suportam a pressão de ter de vencer. Agridem antes de serem agredidos. Técnico adora também passar a mão na cabeça de jogador violento.

Se Obina e Maurício tivessem agredido os adversários, e o Palmeiras tivesse vencido, provavelmente os dois não seriam punidos pelo clube. Talvez, recebessem até elogios por suas bravuras.

No mundo ideal, a imprensa cobraria, com ênfase, mais qualidade técnica e menos violência. No real, parte da mídia incorporou o discurso dos técnicos de que o importante é o resultado e que, no futebol moderno e de muita marcação, não há mais lugar para futebol bonito e com poucas faltas.

No meu mundo ideal, queria assistir aos jogos somente com o olhar de um poeta e de um apreciador das coisas belas de um espetáculo. No meu mundo real, preciso ser também pragmático e um analista técnico e tático. Tento unir os dois mundos. Nem sempre consigo. Os dois se estranham.

FERNANDO CALAZANS

A qualquer custo

O GLOBO - 22/11/09

A gente fica procurando coisa para elogiar. Eu fico procurando. Outra dia, encontrei. A fase atual do Fluminense, sua epopeia para se salvar no Campeonato Brasileiro, para se consagrar na Copa Sul-Americana. Dei sorte, deu certo. Mais uma vez o Fluminense se superou, reagiu, virou o jogo no fim contra o time violento e acafajestado do Cerro Porteño, que partiu para a agressão gratuita.


Eis então que, no mesmo jogo em que o Fluminense fez bonito, o juiz chileno Carlos Chandia, para ser moderninho como quer parte da crítica (inclusive a de arbitragem), permitiu toda sorte de violências dos paraguaios, conduzindo o jogo para aquele final de pancadaria.
É, por sinal, o fim possível de jogos apitados no estilo “deixa pra lá”, “deixa o jogo correr”. É como anda, por exemplo, a arbitragem na América do Sul, bem no estilo da cartolagem da Conmebol.


E o que mais tivemos, além da beleza das torcidas de Fluminense, de Flamengo, de Vasco, de Atlético Mineiro, entre outras?
Tivemos as agressões dos jogadores do Cerro aos jogadores do Fluminense, ao preparador físico e até ao gandula. Tivemos jogadores do São Paulo quase chegando às vias de fato e tivemos jogadores do Palmeiras chegando mesmo a elas, contra companheiros de time.
Tivemos uma França se classificando para a Copa do Mundo em detrimento da Irlanda, com um gol de trapaça praticada por Thierry Henry. Tivemos a Uefa denunciando a provável manipulação de 200 jogos – 200 jogos em 2009! – por quadrilhas do setor de apostas na Europa. Tivemos mais o quê mesmo?


É o futebol caminhando para... Quem tem uma certa capacidade de interpretação daquilo que vê e daquilo que acompanha já desconfia que não é para um lugar muito salubre que o futebol está caminhando.
Mas não basta saber fazer análises táticas, análises técnicas e análises de resultado, do tipo quem ganhou é bom, quem perdeu é ruim. Não basta.


O professor Luiz Gonzaga Belluzzo não anda em fase muito boa para dar exemplo, mas diz algo importante em texto no blog de Juca Kfouri. Peço licença aos dois para transcrever:
“O que eu disse a respeito das práticas tanto nativas quanto europeias – manipulação de resultados e arranjos espúrios – é de conhecimento geral e decorre em boa medida do caráter corruptor da ‘vitória a qualquer custo‘, valor típico da sociedade contemporânea baseada na concorrência sem quartel e sem limites...”


O que eu gosto é desse “vitória a qualquer custo, valor típico da sociedade contemporânea”.
Digo eu: valor típico, por consequência, do futebol contemporâneo, seja em seus recursos ilícitos fora de campo, como os citados pelo professor do Palmeiras (o presidente, não o técnico), seja em seus recursos ilícitos dentro do campo, recursos como os utilizados por jogadores violentos e técnicos especializados em rodízio de faltas, que são a maioria.


Elogiar é bem mais cômodo do que criticar. É uma das coisas de que a tal sociedade contemporânea não gosta: questionamentos. Por isso, a quantidade de internautas que se queixam da crítica chata, atenta, contumaz. Não faz mal. É preferível isso a achar que vai tudo muito bem, é preferível isso a ser alienado ou bobo alegre.


Outra coisa a se elogiar (ainda bem) é o livro “Os dez mais do Botafogo” de Paulo Marcelo Sampaio, mais um lançamento da Editora Maquinária, amanhã, a partir das 18 horas, na Saraiva do Botafogo Praia Shopping.
Vejam só o elenco de astros do livro: Heleno de Freitas, Nílton Santos, Garrincha, Zagallo, Didi, Túlio Maravilha, Manga, Gérson, Jairzinho, Paulo César. Uma verdadeira seleção brasileira.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

GAUDÊNCIO TORQUATO

Propostas para a era pós-Lula

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/11/09


Às vésperas de abrir o palco para um dos maiores espetáculos de sua História, o País vivencia um típico jogo de soma zero. Essa modalidade, como se sabe, tem como característica a disputa agressiva pelo controle das jogadas. O avanço de um jogador ocorre ante o recuo do outro. A vitória de um partido se dá por conta da derrota da sigla adversária. Ou, para trazermos a imagem para estes dias acidentados, a queda da viga de um viaduto do Rodoanel sobre três carros, na Rodovia Régis Bittencourt, zera o jogo que os tucanos ganhavam dos petistas em razão do gol contra do apagão de Itaipu, que deixou no escuro 18 Estados, na semana retrasada. Os dois casos mostram a disputa contundente pelo poder que se trava no País, desprezando o fato de que efeitos dos desastres, se danos eventuais provocam à imagem de atores políticos em medição de forças, sequelas graves causam à própria comunidade nacional, por saírem de seu bolso, em última instância, os recursos para financiar os serviços do Estado.

A maneira como os atores políticos jogam suas cartas no tabuleiro define o estilo de governar, podendo empurrar o País para a frente ou para trás. No caso brasileiro, o estilo é de ataque recíproco, que caracteriza o jogo de soma zero. Os contendores, em intenso conflito, procuram assumir o controle das ações de forma a ganhar os torneios (eleições, votações parlamentares, posição no ranking do prestígio) a qualquer custo. Há, porém, um modo diferente e oposto de fazer política: é a ação plural e proativa, voltada para a criação de recursos. Nesse caso os participantes se esforçam para melhorar os vetores da administração, buscando benefícios oriundos da educação, da cultura ou da pesquisa técnico-científica nos mais variados campos. Os países que avançam mais rapidamente são os que optam por esse modelo. A história da ciência do planejamento registra dois exemplos clássicos para denotar visões opostas: o caso de Hitler, na 2ª Guerra, típico da disputa por tirar recursos de outros para redistribuí-los (jogo de soma zero), e o do Japão pós-guerra, caso notável de estilo superior de criação de recursos e oportunidades. A China, hoje, seria também exemplo desse tipo.

O Brasil, infelizmente, tem sido useiro e vezeiro na prática da queda de braço, da forma perde-ganha. E pelas escaramuças a que já começamos a assistir, ultimamente, o jogo de soma zero deverá ganhar status oficial no tabuleiro eleitoral. Para escapar dessa perspectiva se impõe aos contendores o dever de avaliar os altos interesses da Nação, e não deixar-se levar pelas baixas correntes que deságuam no oceano da mediocridade. O Brasil carece sair do ramerrão inócuo. Do besteirol sobre o maior e o menor apagão ou se blecaute é algo comum ou inédito. Nesse sentido, eis um breve roteiro na direção de uma forma altaneira de olhar o País. Trata-se de diretrizes que poderiam ajudar a era pós-Lula a sair do impasse verborrágico que sufoca a Nação. As propostas cairiam bem nos ensaios que os pré-candidatos iniciam no palanque pré-eleitoral. Os eixos têm como pano de fundo a hipótese de que Luiz Inácio, o presidente-símbolo da dinâmica social brasileira, fecha o ciclo da redemocratização iniciado em 1984 e, sob esse manto litúrgico, desce as cortinas sobre um tempo marcado por crises intermitentes nas relações entre o Estado e o sistema de representação social.

O marco inicial abriga a meta: democratizar a democracia. Trata-se, neste caso, de dar vazão ao esforço, que algumas nações já vêm empreendendo, para expandir a participação social no processo decisório, por meio de núcleos e entidades, visando a aumentar a inclusão social, melhorar as condições do trabalho, qualificar as políticas públicas, proteger o meio ambiente e os direitos humanos e evitar as pandemias. A estratégia tem como lume o incremento da democracia participativa. Nessa esteira emerge outro eixo, a busca de um projeto amplo para o País, consoante com o nosso estágio civilizatório. Programas dispersos, canhestros, para atender a conveniências eleitoreiras, serão substituídos por planos essenciais, integradores de necessidades geográficas, sociais e econômicas. No lugar de tijolos (PACs), paredes inteiriças. A terceira vertente contempla a via partidária, fonte permanente de mazelas. Os dutos das legendas estão entupidos. Os costumes, viciados. Nessa área padecemos de uma dupla patologia: o aumento dramático da desmotivação e do abstencionismo e a sensação generalizada de que os cidadãos são cada vez menos representados. Revitalizar os partidos, dando-lhes substância, passa a ser tarefa indeclinável do ciclo pós-Lula.

O quarto eixo é o das relações entre os Poderes. Vácuos precisam ser preenchidos. A área infraconstitucional está esburacada, ocasionando intervenções do Poder Judiciário (que interpreta os vazios constitucionais) e consequentes críticas em torno da judicialização da política. Os ditames da harmonia e independência dos Poderes carecem sair do papel. Significa consolidar as funções do Parlamento nos campos da legislação e da fiscalização, livrando-o da dependência do Executivo. Medidas importantes foram tomadas nesse sentido pelo atual comando da Câmara, mas o Executivo continua a influenciar outros Poderes. Nesse ponto emerge a necessidade do quinto vértice: diminuição dos superpoderes do presidencialismo. Há instrumentos que podem conter seus excessos. Um deles é a adoção do Orçamento impositivo, pelo qual os recursos alocados serão usados nos fins destinados, sem manobras do Executivo. Sob certo cabresto, o ânimo para cooptar bases políticas seria arrefecido. A nomeação de ministros para o STF, por outro lado, seguiria a liturgia da escolha em listas tríplices organizadas por entidades. Quanto ao Poder Judiciário, restaria a aplicação estreita da norma constitucional, evitando insinuação de invadir a esfera do Poder Legislativo.

Sem a arrumação dos eixos institucionais o País abrirá as portas do futuro com as chaves do passado. Uma tragédia.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político e de comunicação

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Avô em “playground”

O GLOBO - 22/11/09

Uma das eventuais missões de avô, Zuenir, é acompanhar a neta a “playgrounds” e ficar de olho enquanto ela se mistura com outras crianças, sobe e desce de brinquedos, corre, cai, chora, se levanta – enfim, interage com o mundo e com os outros. Pode ser uma experiência desconcertante, para o avô. Um “playground” cheio de crianças é um microcosmo em que todos os impulsos e calhordices da humanidade são reproduzidos em estado puro, sem dissimulação. Alianças são feitas e desfeitas em minutos, os mais fortes ou mais ativos impõem sua vontade, e, como no mundo dos adultos, os piores conflitos parecem sempre passar pela questão da propriedade. Desconfio que John Locke desenvolveu sua teoria sobre o instinto da propriedade acompanhando uma disputa sobre baldes e pazinhas em algum “playground” inglês do século XVII.
Corta o coração de um avô ver o primeiro encontro da neta com a realidade de que o que é do outro é do outro, e só será compartilhado por um raro ato de altruísmo. Isto vale tanto para baldes e pazinhas quanto para bolas, bonecos, lugares na fila do escorregador e latifúndios improdutivos.
Avô em “playground” precisa ter, antes de mais nada, auto-controle. Deve resistir à tentação de socorrer a neta cada vez que ela cai, abraçá-la e tentar convencê-la a não sair mais do colo do vô, que é o lugar mais seguro da Terra. Também deve resistir à tentação de dar um sutil empurrão no garoto que insiste em não desocupar o balanço, ou interferir quando a menina maior não deixa a sua neta colaborar nos seus bolinhos de areia, inclusive indo lá e, disfarçadamente, pisando nos bolinhos. O correto, claro, é deixar a neta descobrir sozinha como se defender e como se impor. Mas aí entra outra consideração: sua neta só aprenderá a sobreviver à truculência e à prepotência dos outros se também se tornar um pouco truculenta e prepotente. E você jamais aceitará que sua neta não tenha o melhor caráter do “playground”, além de um inato senso de justiça.
Outra coisa: avô em “playground” deve tentar evitar o ridículo. Ele é um estranho no meio, e estará sob constante observação crítica de mães e babás. Em hipótese alguma deve se oferecer para descer junto com a neta no escorregador, temendo que ela caia, e arriscando o vexame. E nunca fazer um discurso contra o egoísmo e a falta de solidariedade no mundo antes de confiscar um balde e uma pazinha para sua neta.

PORNÔ ELEITORAL

DORA KRAMER

Engenharia de obra feita


O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/11/09

O Tribunal de Contas da União está longe de ser um instrumento perfeito de fiscalização dos gastos públicos. Mas, no que depender da vontade do Poder Executivo, o TCU será completamente imperfeito: fiscalizará o que foi gasto em obras só depois de prontas.

Isso significa que não podem ser suspensas, mas que não haverá correção de rumo de eventuais irregularidades no decorrer da construção.

O que fazer com os esqueletos inacabados, um escoadouro bem conhecido de dinheiro público, o anteprojeto da nova lei orgânica da administração pública que o ministério do Planejamento elaborou não prevê.

Recapitulando para situar: depois das sistemáticas reclamações do presidente Luiz Inácio da Silva e de ministros contra o trabalho do Tribunal de Contas da União, que suspendeu entre outras várias obras do PAC onde detectou irregularidades, o governo resolveu mudar a lei.

O texto a ser apresentado ao Congresso ficou pronto na semana passada e determina que o controle dos gastos em obras deverá ser feito depois de tudo pronto, passando a ser exceção a fiscalização prévia como ocorre atualmente.

O TCU, é claro, reagiu. Con siderou a proposta um retrocesso e apontou que, se for aprovada como está, torna inviável o controle de dinheiro repassado pelo governo a organizações não governamentais e a fundações privadas por meio de convênios.

Não poderá atuar em casos de pagamento por obras que nunca se realizam e ficará restrito ao exame das contas finais. Mais ou menos como ocorre com a Justiça Eleitoral em relação às contas de campanha, cujo exame se dá depois das eleições.

Antes da recente fase ativa do Judiciário, o Tribunal Superior Eleitoral e os tribunais regionais tinham como prática se render ao fato consumado, evitando contestar a lisura das contas dos eleitos e, por uma questão de isonomia, também de seus concorrentes.

De uma ou duas eleições para cá é que a Justiça Eleitoral resolveu bancar cassações até de governadores por abuso de po der econômico, compra de votos, irregularidades nas prestações de contas. Houve um avanço sem tamanho.

Como tudo o que cria dificuldades onde só havia facilidades, passou a ser criticado por representar usurpação de poderes, ou “judicialização” da política, seja lá o que isso signifique.

Mal comparando, o mesmo tipo de raciocínio sustenta os argumentos do governo contra um TCU mais atuante. Enquanto o tribunal de contas se comportou como mero carimbador das contas oficiais, estava tudo nos conformes. Era um organismo anódino, portanto, amigo.

No momento em que, autorizado pelo Supremo diga-se, começou a de fato fiscalizar, realizar auditorias e, de maneira ainda muitíssimo imperfeita, a exigir correções de rumos, o governo propõe mudanças alegando distorção de funções.

Note-se que as alterações sugeridas não são para melhorar a ação de controle, mas para subtrair. Tampouco se sugere que o TCU passe a ter outro tipo de conformação e deixe de ser mais um órgão onde se abrigam apaniguados políticos em empregos vitalícios.

Quando, e se, o projeto chegar para exame do Congresso, dificilmente serão propostas melhorias que alcancem os avanços necessários, mas já será bom se o Legislativo não corroborar o retrocesso.

Resta também a hipótese de que o governo não esteja falando realmente sério e faça desta movimentação apenas uma cena como tantas outras para explicar sem justificar seus pontos fracos.

Naquela linha: o mensalão foi golpe da oposição, o apagão um problema do mau tempo e o minguado resultado do PAC culpa do Tribunal de Contas que suspendeu boa parte das obras.

Mártir

Com sua greve de fome talvez Cesare Battisti pretenda se debilitar fisicamente para se enquadrar em uma das opções previstas para a não entrega de um extraditando.

O governo brasileiro pode ou não ceder à pressão. No caso do frei Flávio Luiz Cappio, que há dois anos fez greve de fome durante 24 dias em protesto contra o projeto de transposição das águas do rio São Fran cisco, não cedeu.

Fora dessa

Pode ser que a etiqueta oficial não lhe permita manter a posição, mas há mais ou menos dois meses o governador José Serra não tinha planos de comparecer à estreia de Lula, o filho do Brasil.

Perguntado a respeito, respondia: “Vou viajar.”

Raro

O vice-presidente da República, José Alencar, é um homem que se diferencia do ambiente à sua volta. Nasceu pobre, ficou rico com trabalho e vence a adversidade sem uma única, ínfima, concessão à autocomiseração.

Não exige do mundo recompensa nem transforma sua trajetória em cobrança de fatura e ainda ensina que o esforço, a confiança e a correção compõem a essência de uma vida profícua.