terça-feira, setembro 01, 2009

JOSÉ SIMÃO

Ueba! A Vanusa executou o hino!

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/09/09


O Cansástico achou o Belchior. Agora só falta achar o Nahim, o Ovelha e o Silvinho Blau Blau!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! NÃO TÔ DANDO CONTA! A Vanusa executa o hino nacional, a Xuxa quer processar o Twitter, a Ana Maria Brega escreve "usar" com "z". E o Rubinho não largou! E o grande babado do século é ver a Vanusa executando o hino nacional no YouTube! Ela foi convidada pra cantar o hino na Assembleia. Tudo errado, tudo desafinado e toda atrapaiada. Acho que baixou o espírito do Antônio Marcos. Rarará!
Olha a versão da Vanusa: "o NOVO heroico e brado retumbante!". Gente, ela devia ser cantora oficial da comitiva do Lula. Rarará! E "bééérço"? Ela executou o hino. Com tiro à queima-roupa! Mas ela disse que não foi bebida, foi remédio pra labirintite. Em todo caso: se beber, não cante. Adorei. Agora só canto o hino nacional versão Vanusa. Rarará!
E a cara de constrangimento dos presentes? Mas eles não merecem uma versão melhor do que aquilo! E por falar em hino nacional, eu tinha uma amiga chamada Elvira do Ipiranga! Rarará! Pior, a Anameba Brega entrou no Twitter e escreveu: "UZAR!". Rarará. Ela "uza" com "z"! Tá "uzando" o Twitter! Por isso que o site sensacionalista revelou: "Twitter vai lançar corretor ortográfico para celebridades". Ops, cerebridades! Rarará! Acharam o Belchior! O Cansástico achou o Belchior. Agora só falta achar o Nahim, o Ovelha e o Silvinho Blau Blau!
EU AMO O RUBINHO! O Rubinho é o nosso anti-herói. Ligo a TV e o Galvão Urubueno: "agora tem tudo pra ganhar! É dessa vez, Rubinho! Agora vai, Rubinho!". PUM! Largada: foi todo mundo menos o Rubinho. Esqueceu de largar. Rarará. Tava em quarto e foi parar em último. Tem que botar um despertador no painel pra acordar o Rubinho. Ou larga, ou larga dessa vida. Rarará.
Mas diz que ele fez uma grande recuperação. Exatamente, esqueceu de largar e ficou em recuperação. Como se dizia no meu tempo: segunda época! Rarará! Corrida Maluca. O PILOTO TRAPALHÃO! É mole? É mole, mas sobe. Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Cerebridade": companheiro que usa o cérebro pra virar cerebridade. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
Acorda Brasil! Que eu vou dormir!

GOSTOSA


MERVAL PEREIRA

O desafio da maldição

O GLOBO - 01/09/09

Quando o presidente Lula chamou a atenção, no lançamento propagandístico do programa de exploração do petróleo na camada pré-sal, para o fato de que a “dádiva de Deus” pode se transformar em “uma maldição”, sabia do que estava falando.

A julgar pela badalação com que o governo simula dar início a uma exploração que só terá resultados a longuíssimo prazo, o país começa a lidar com uma riqueza futura querendo fazê-la parte de seu presente, para garantir a manutenção do poder futuro de um grupo político.

Há estudos acadêmicos que mostram que a abundância de recursos naturais pode levar ao desmantelamento institucional de países, neutralizando as vantagens que sua exploração poderia gerar.

E começam os nosso projeto com todas as ressalvas oficiais, mas com decisões que demonstram que a riqueza previsível já afeta o presente, a começar pela mudança das regras de exploração, de concessão para partilha, para aumentar o controle do Estado sobre o tesouro, e pela disputa de futuros royalties.

O que está em jogo potencialmente na partilha dos royalties do pré-sal não é pouca coisa para os estados produtores, especialmente o Rio de Janeiro, que, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), fica com mais de 80% dos royalties, enquanto os municípios fluminenses podem ficar com até 75% do total destinado a todos os municípios.

Apenas 11 prefeituras do Rio ficam com 60,5% do total distribuído aos municípios.

Esta receita, que chegou a R$ 14,67 bilhões em 2007, quando o preço do barril de petróleo estava em seu recorde, acima de US$ 100, pode simplesmente dobrar com a entrada em produção do novo campo de Tupi, se ele confirmar seu potencial.

O pagamento de royalties foi incluído na Constituição de 1988 como maneira de compensar estados e municípios impactados pela produção de petróleo, com o argumento de que esse dinheiro tem que ajudar os municípios a prepararem seu futuro, quando o petróleo acabar.

Mas já temos por aqui um pequeno exemplo do que pode ser essa “maldição”, com o clientelismo que marca a política no Estado do Rio fazendo com que os recursos dos royalties não sejam investidos num futuro melhor para os municípios beneficiados, mas desperdiçados pelas prefeituras.

Como demonstra pesquisa da Universidade Candido Mendes e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos, em vez de obras de infraestrutura ou de preservação do meio ambiente, ou ainda em saúde e educação, a grande maioria das prefeituras os destinam ao custeio da máquina pública.

A “maldição” que cerca os países produtores de riquezas minerais se tornou conhecida quando o economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard, demonstrou em um estudo que, entre 1960 e 1990, os países pobres em recursos naturais cresceram mais depressa do que os ricos.

O professor Xavier SalaiMartin, da Universidade de Columbia, e Arvind Subramanian, do FMI, também fizeram um estudo sobre essa “maldição”, abrangendo 71 países, com os mesmos resultados.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU demonstra também que países pobres em recursos naturais, como a Coreia do Sul e Cingapura, estão classificados bem à frente de outros, como Sudão, Angola e Nigéria, países africanos produtores de petróleo.

Essa “maldição” pode ter ainda efeitos colaterais terríveis, como demonstrou o professor Paul Collier da Universidade de Oxford. Seu trabalho calcula que é de nada menos que 25% a probabilidade de um país africano com riqueza mineral entrar numa guerra civil, enquanto essa probabilidade cai para 1% nos países onde faltam tais recursos.

Como mostrou George Vidor em sua coluna do GLOBO de ontem, com base em dados da Transparência Internacional, geralmente optaram pela partilha países com regimes políticos autoritários, de renda por habitante baixa e incluídos na lista dos mais expostos à corrupção.

A criação de uma nova estatal, a Petrosal, para gerir a riqueza dos novos campos, e a capitalização da Petrobras, aumentando a participação governamental no seu controle, são outros sintomas de que o governo pretende ampliar sua ingerência na exploração dos novos campos do pré-sal, como se isso fosse necessário para aumentar sua participação nos lucros.

Existem três desafios para um país evitar os efeitos da “maldição do petróleo”.

A economia não pode ficar dependente da renda da exportação de suas riquezas brutas, pois os preços das commodities são muito voláteis.

A Venezuela é um exemplo recente desse efeito, pois manteve um nível de gastos compatível com o barril a mais de US$ 100, inclusive sustentando países vizinhos e até mesmo Cuba, e sofreu um baque terrível com a queda dos preços internacionais.

Em contrapartida, quando os preços sobem, o câmbio se valoriza e os produtos manufaturados perdem a competitividade nas exportações, o que provoca desemprego em massa. Já a cadeia produtiva de petróleo gera empregos de mão de obra altamente qualificada, não compensando as perdas.

O último desafio é fazer com que a riqueza fácil gerada pelo petróleo desestimule reformas estruturais no país, e estimule a corrupção, como acontece nos países árabes, por exemplo, ou políticas populistas e assistencialistas, como na Venezuela.

PAINEL DA FOLHA

Pressa no pré-sal

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/09/09

No domingo à noite, véspera da reunião em que líderes da base defenderam a manutenção do regime de urgência para tramitação dos projetos do pré-sal, uma voz fincou pé nessa mesma posição durante o encontro entre Lula e governadores: Franklin Martins.
O fim da urgência foi reivindicado por José Serra (PSDB-SP) sob o argumento de que, se o governo teve dois anos para elaborar o marco regulatório, não fazia sentido dar ao Congresso 90 dias para discuti-lo e aprová-lo. O ministro da Comunicação Social rebateu dizendo que seria adequado encerrar tudo antes da campanha eleitoral. Lula concordou com o fim da urgência. Ressuscitada, porém, na manhã seguinte, em reunião da qual Franklin também participou.

Protagonista - Franklin teve papel mais destacado que o de outros ministros na reunião de Lula com os governadores. Num dado momento, travou diálogo áspero com Sérgio Cabral (PMDB-RJ) a propósito dos royalties.

Escriba - Decidida na noite de domingo a concessão aos Estados produtores, coube a Nelson Jobim (Defesa) redigir o artigo que mantém tal como está a partilha de receitas, deixando a mudança de regras para um outro projeto.

Telma & Louise - Bilhete passado pela ministra Dilma Rousseff à senadora Ideli Salvatti (PT-SC) ontem, na reunião do conselho político: ‘Este é um momento em que fica claro que vale a pena essa luta toda. Minha certeza de que o melhor de tudo é ter parceiras como você. Este é meu orgulho! Um abração!’.

Sou você ontem - O Greenpeace, que ontem jogou pimenta na festa do pré-sal, tinha como blogueiro e diretor, até meses atrás, o jornalista Jorge Cordeiro. Ele agora coordena o Blog do Planalto, que estreou ontem.

Deixa rolar - Foi o general Gonçalves Dias, chefe da segurança da Presidência da República, que orientou a equipe a não encostar um dedo nos manifestantes do Greenpeace. Sua lógica foi a de que o constrangimento e a foto já eram fatos consumados. Um incidente de truculência só faria agravar o desgaste.

Pré-voto - Preparando terreno para a batalha do pré-sal no Congresso, o governo trata de acariciar a base. Será nomeado hoje Cesar Ribeiro Zani para a diretoria operacional de Furnas. Indicação do PSC, que tem 14 deputados e gravita na órbita do PMDB.

Pós-sal - Rex W. Tillerson, CEO da Exxon Mobil, e Eike Batista, do grupo EBX, presidirão jantar em Nova York, no próximo dia 21, em que Lula receberá o prêmio Woodrow Wilson de Serviço Público. Será no Waldorf Astoria.

Já deu - Explicação de um aliado para o fato de José Sarney ter sido excluído do rol de discursos ontem: não bastasse a má fase do presidente do Senado, Edison Lobão (Minas e Energia) havia discursado. ‘O Maranhão já estava contemplado’, diz o observador.

Eu não - O ministro Joaquim Barbosa, do STF e do TSE, nega ter recebido a medalha Arthur Quadros Collares Moreira, instituída pelo TRE do Maranhão para homenagear personalidades da Justiça Eleitoral.

Longo prazo - Numa evidência de que a volta de Carlos Menezes Direito ao Supremo não deve ocorrer em breve, os processos dos quais o ministro é relator começam a ser redistribuídos. O caso de Salvatore Cacciola passou para a colega Cármem Lúcia. Direito está em licença médica.

Padrão - Depois da aliança pós-eleitoral em São Bernardo do Campo, PT e DEM e PT caminham juntos em Santo André. Dois vereadores ‘demos’ ajudaram a aprovar as contas do ex-prefeito petista João Avamileno, derrubando parecer reprovador do TCE.

Tiroteio

Não dá para decidir algo crucial para o futuro do Brasil num jantar dominical no Alvorada. Essa questão tem de ser menos politizada.
Do senador DELCÍDIO AMARAL (PT-MS) sobre o acordo feito por Lula com governadores dos Estados produtores do petróleo do pré-sal para manter, ao menos por enquanto, o critério para pagamento de royalties.

Contraponto

Estilo alternativo

Em meio à animação da plateia no evento de filiação de Marina Silva ao PV, anteontem, a presidente do partido em São Paulo, Maria Regina Gonçalves, falava ao microfone quando se viu diante de uma lista de lideranças verdes que avalizariam a ficha da senadora.
Começou por citar os vereadores Alfredo Sirkis (RJ) e José Luiz Pena (SP). Depois foi a vez do deputado federal Fernando Gabeira (RJ). Até que alguém chamou a sua atenção usando linguagem típica do Legislativo:
- Pela ordem!
A locutora não se conteve:
- Ah, gente, pela ordem é ótimo... Mas aqui não, vai...

GOSTOSA


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ARNALDO JABOR

O dogma Lula é irrevogável

O GLOBO - 01/09/09

Por que Aloizio Mercadante não manteve sua "irrevogabilidade"? Porque não teve coragem de enfrentar Lula.

Mas, por que não teve? A razão é a mesma que acomete muitos intelectuais "não petistas" : Lula é "inatacável".

Poucas pessoas têm coragem de contestar um ex-operário, aparentemente honesto, que muito sofreu para chegar onde está. Além disso, Lula tem a cor do que seria a pátina da "revolução", de uma "justiça social" vaga.

Por isso, pergunto-me: será que os intelectuais não veem que nossa democracia conquistada há vinte anos está sendo roída pelos ratos da velha política?

Não se trata (nem estou pedindo) que esculachem o presidente.

Lula tem várias qualidades, mas está usando só os seus defeitos: autoritarismo de Ibope alto, "lua de mel consigo mesmo", confusão conceitual no ensopadinho ideológico do "lulismo" (discursos populistas e práticas oportunistas), ausência de um plano concreto, além do virtual e midiático PAC, alianças com os mais sujos para "governar" e ficando incapaz de fazê-lo pelas mesmas alianças que agora o manietam.

A atitude de Lula de se colocar "acima" da política como sendo "coisa menor" é uma sopa no mel para corruptos e vagabundos. No dia seguinte à absolvição de Sarney, o PMDB não deu trégua e já quer mais emendas orçamentárias, no peito.

Alguns intelectuais ficam "angustiadinhos": "Ah...eu tinha um sonho...que se esfumou..." - choram os militantes imaginários, e nada fazem. A covardia intelectual é grande. Há o medo de ser chamado de reacionário ou careta. Todos continuam com a mania de que são "radicais" (como ser, por exemplo, corintiano doente).

Continuam ativos os três tipos exemplares de "radicais": os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os burros e os loucos. Uns bebem e falam em revolução; outros zurram e os terceiros alucinam. Padecem da doença herdada (resistente a antibióticos) de um voluntarismo com ecos stalinistas, cruzada com o germe do sindicalismo oportunista. Para eles, "administrar" é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar - coisa de capitalistas.

Lula é dogma. Diante dele, abole-se o sentido crítico. É como desconfiar da virgindade de Nossa Senhora. Fácil era esculhambar FHC.

Volto a dizer: não quero que "demonizem" Lula; pelo contrário, quero até que o ajudem nessa armadilha em que o país (e ele) caiu por sua atitude.

Lula viaja nessa maionese ambivalente (que até a "The Economist" denuncia) de leninismo sindicalista com apresentador de TV, um "mix" de Waldick Soriano com Getúlio.

Com essas alianças, Lula revigorou o pior problema do país: o patrimonialismo endêmico, que tinha diminuído depois de FHC. Temos agora uma espécie de "patrimonialismo de Estado": boquinhas para pelegos (200 mil) e pernas abertas para o PMDB.

Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita, é o ódio à democracia.

Essa crise é tão sintomática, tão exemplar para a mudança do país, que não podia ser desperdiçada pelos pensadores livres. É uma tomografia que mostra as glândulas, as secreções do corpo brasileiro - um diagnóstico completo. Esse espasmo de verdade, essa brutal explosão de nossas vísceras, talvez seja perdida porque as manobras do atraso de direita e do atraso de esquerda trabalham unidas para que a mentira vença.

E intelectuais sérios, artistas famosos e celebridades não abrem a boca. Onde estão os velhos manifestos de que eles gostavam tanto?

Quando haverá manifestações da sociedade para confrontar a ópera bufa que rola à nossa frente? As denúncias foram todas provadas, a imprensa denuncia e é ameaçada, enquanto os canalhas se sentem protegidos pelo labirinto do Judiciário. E não se trata mais de mensalões e mensalinhos, netinhos ou netinhas nomeadas; trata-se da implosão de nossas instituições republicanas, feita pelos próprios donos do poder.

O Brasil está entregue à mentira oficializada, manipulada pelo governo e o Legislativo, num jogo de "barata-voa" com as denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública. E homens notáveis do país estão calados. Quando se manifestam isoladamente, são apenas suspiros esparsos, folhas de outono, lamentos doloridos...

Mudar é trair, para os tais "radicais" dos três tipos. Ninguém tem coragem de admitir a invencibilidade do capitalismo global, com benesses e horrores (como a vida). Ninguém abre mão da fé em utopias ridículas - o presente é chato, dá trabalho; preferem um futuro imaginário.

Não admitem que um "choque de capitalismo" seria a única bomba a arrebentar a casamata paralítica do Estado inchado, gastador e ineficiente, e que isso seria muito mais progressista que velhas ideias finalistas, esse "platonismo" de galinheiro sobre o "todo, o futuro, o ser, a história". Eles não abrem mão dessa "elegância" filosófica ridícula. Só pensam no que deveria ser e não enfrentam o que inexoravelmente é. Preferem a paz de suas apostilas encardidas. Há uma grande indigência teórica sobre o Brasil contemporâneo. Ignoram a estrutura colonial e preferem continuar com teses mortas.

O mito do messianismo é muito forte, com sua origem religiosa. Não entendem que o homem de "esquerda" de hoje tem que perder fé e esperança, e que o verdadeiro progressista tem de partir do não-sabido e inventar caminhos.

Só uma força plebiscitária poderá mover essa grande pizza envenenada.

Por isso, pergunto, como os antigos: quando haverá uma manifestação séria da opinião pública? Uma ação continuada de notáveis da República para impedir esse jogo de carniça entre os Três Poderes, essa vergonha que humilha o Brasil? Vamos continuar de braços cruzados?

ANCELMO GÓIS

FESTA DO PRÉ-SAL 1

O GLOBO - 01/09/09

No meio da tensa reunião de cinco horas para discutir com Lula o pré-sal, teve um momento que José Serra chegou perto de Sérgio Cabral e brincou:
– Sérgio, você está precisando fazer uma plástica para retirar essas bolsas embaixo dos olhos.
FESTA DO PRÉ-SAL 2
Aliás, os governadores saíram do encontro com Lula impressionados com o prestígio político do ministro Franklin Martins, que participou da reunião, no Palácio.
FESTA DO PRÉ-SAL 3
De Lula na solenidade do pré-sal: “Ô Pezão, Marisa e eu ficamos tentando lembrar o teu nome e não conseguimos!!!”
A propósito: Luiz Fernando de Souza é o nome do vice-governador do Rio de Janeiro.
O PETRÓLEO É NOSSO
Serra mexeu com um grupo de coleguinhas de Brasília, logo depois da festa do pré-sal, dizendo-se homenageado por Lula:
– O presidente celebrou os que lutaram pela Petrobras. Na época em que eu presidia a UNE, em 1963, fomos para a rua pedir a encampação das refinarias particulares.
TED KENNEDY
Moradores de Vila Kennedy, no Rio, vão fazer uma homenagem a Ted Kennedy, dia 8, às 16h, na Praça Miami.
O padre Lino vai rezar uma missa em memória do senador. A Vila, como se sabe, foi construída em 1964 com recursos do governo dos EUA, na época presidido por John Kennedy.
O AMOR É LINDO
O governador Aécio Neves parece ter voltado às boas com sua ex-namorada, a estilista Letícia Weber.
Os dois foram vistos juntinhos, no maior clima de romance, na Ilha de Fernando de Noronha.
FATOR SHOPPING
Na reunião do Conselho Superior de Cinema, sexta, em Brasília, foi feito um balanço do mercado de salas no País.
Ano passado, havia 2.278 telas grandes espalhadas Brasil afora, o que já representava mais do que o dobro das 1.075 que existiam em 1997. Mas é um número ainda longe das 3.276 salas que o País teve em 1975.
O crescimento nos últimos 11 anos já é atribuído em grande parte à ida dos cinemas para dentro dos shoppings, onde estão hoje 73% das salas.
THOMAS E SALLES
Walter Salles e Daniela Thomas, depois de participarem juntos do Festival de Cannes, se encontrarão no Festival de Veneza. O diretor receberá o prêmio Robert Bresson e Daniela vai apresentar, com Felipe Hirsh, o filme Insolação.
ÁGUA NEGRA
Na reunião de cúpula da Unasul, Lula acertou com Cristina Kirchner e Michele Bachelet a construção do túnel Água Negra. O túnel atravessará os Andes, ligando a Argentina e o Chile pela cordilheira e será um corredor para ligar Porto Alegre ao Porto de Coquimbo, no Chile.
BOLA DIVIDIDA
Já tem gente na bancada paranaense querendo entrar nesta bola dividida do pré-sal. Argumentam que o Paraná é o Estado mais prejudicado do País do ponto de vista energético. É que quase 25% da energia hidrelétrica gerada no Brasil vem de lá, embora o ICMS pela luz seja cobrado no Estado de destino, além disso, a Copel não precisaria fazer investimentos em geração porque o estado já é autosuficiente, sem falar que, por causa do acordo com o Paraguai, a energia comprada em Itaipu vai ficar mais cara. “Se o governador do Paraná fosse o Evo Morales, o Brasil teria problemas de abastecimento (de luz)”, brinca o tucano paranaense Gustavo Fruet.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

LUIZ GARCIA

Mayrink

O GLOBO - 01/09/09

Um dia, sabe-se lá por quê, a revista “Veja” decidiu ter uma reportagem de capa sobre a nostalgia. Encomendou-se o texto a Geraldo Mayrink.

Ele produziu uma pequena obra-prima que começava assim: “Não se faz mais nostalgia como antigamente.” Mayrink, que morreu na semana passada, fazia parte da legião de jornalistas que, jamais chamados a fazer parte da elite dos cronistas, ou por não terem essa ambição, sabiam trabalhar com as palavras. Não era como hoje, quando jornais e revistas abrem generosos espaços — como este aqui — para numerosos pedestres palpiteiros do dia a dia.

Durante muito tempo, contavam-se nos dedos os membros do primeiro time: Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Henrique Pongetti, para citar só os que lembro no momento. Encantavam os leitores mesmo quando escreviam sobre coisa nenhuma: tinham compreensão e aplauso dos leitores até mesmo se, cada um à sua maneira, comentavam a falta de assunto.

Na vala comum das redações, raros eleitos assinavam seus textos. Os patrões não gostavam de expor seus nomes à cobiça dos concorrentes.

Um desses anônimos — que só ficou conhecido mais tarde, quando embarcou numa breve e brava carreira política, encerrada pela ditadura militar, foi Hermano Alves.

Foi quem me ensinou que as opiniões de um jornal nem sempre precisavam ser expostas em intermináveis editoriais: duas ou três frases de boa pontaria podem dar conta do recado.

Nem ele nem O GLOBO ficaram sabendo, mas foi sua a inspiração para os editoriais curtinhos espalhados nas páginas de noticiário que são até hoje uma marca registrada do jornal.

Geraldo Mayrink fazia parte de uma geração de bons jornalistas que saíram de Juiz de Fora para praticar jornalismo de alto nível, principalmente pela qualidade do texto, no Rio e em São Paulo, por volta da década de 60.

Não sei se a fonte secou; se aconteceu, uma pena: suas águas, como a de outras cidades mineiras, eram cristalinas.

Seja como for, não consigo evitar uma impressão: hoje, o texto dos jornais de primeira linha tem excelentes qualidades, entre elas uma qualidade e profundidade na informação que não existia nos meus tempos de foca.

Mas a concisão talvez não esteja entre suas virtudes mais notáveis.

Assim, e para não dar razão a mim mesmo, fico por aqui. Pedindo apenas licença para registrar, com nostalgia, uma última desconfiança: a de que talvez não existam mais Geraldos Mayrinks como antigamente.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O lançamento do pré-sal tem cara e cheiro de palanque eleitoral ”
RONALDO CAIADO (GO), LÍDER DO DEM NA CÂMARA, APÓS O LANÇAMENTO DO PROJETO DO PRÉ-SAL

CPI: PATROCÍNIOS DA PETROBRAS FORAM POLÍTICOS
É improvável que a CPI da Petrobras avance nas investigações da farra de patrocínios: quase todos foram solicitados por políticos. O líder tucano Arthur Virgílio (AM), pidão contumaz, certa vez pediu verba para um filme intrigante: “Parusia, a ira do juízo”... Autor da CPI, Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu grana ao projeto “Sai da rua”. Dos caixas da estatal saíram muitos reais: só no ano 2000, R$ 96 milhões em patrocínios.
NÃO SE PERCA PELO NOME
Um dos pedidos de patrocínio do paraibano Ney Suassuna (PMDB) faz parte do folclore da Petrobras: o projeto cultural “Por trinta dinheiros”.
PEDIU, AGORA INVESTIGA
Atual chefe da assessoria técnica da CPI da Petrobras, o ex-senador tucano Antero Paes de Barros foi autor de vários patrocínios à estatal.
TOCANDO DE OUVIDO
Outro tucano, Lúcio Alcântara (CE), foi o padrinho de um “Festival de Jazz e Blues”, em 2002, patrocinado com dinheiro da Petrobras.
CAIXA-PRETA
Estima-se que desde 2003 a estatal Petrobras torrou R$ 47 bilhões em mais de 60 mil contratos assinados sem licitação.
PIZZA NO SENADO, PASTéIS NA CÂMARA
Se os senadores preferem pizza, deputados federais gostam mais de pastéis. O deputado Marco Maia (PT-RS), primeiro vice-presidente da Câmara, semanalmente oferece em seu gabinete uma festinha para colegas e amigos, à base de pastéis, refrigerantes e pães de queijo. Maia também é chegado a pizza: foi dele o relatório da CPI do Apagão Aéreo que garantiu impunidade à petelhada com culpa no cartório.
MAIS UM
Esta segunda, 31, “é o segundo dia da independência”, segundo Lula, empolgado com o marco do pré-sal. Outro feriado nacional à vista?
PAGANDO E CONTANDO
O site www.impostometro.org.br mostrou que o brasileiro pagou ontem (31) até as 16h, R$ 1,9 bilhão em impostos. Para que mesmo?
PELA BOCA
O noviço Ministério da Pesca lança hoje uma campanha para incentivar o consumo de peixe. Lula, claro, vai vender o dele.
SENADOR ‘LULOFOTE’
Em evento social que reuniu a fina-flor do poder petista, em Brasília, no último fim de semana, dizia-se que Aloizio Mercadante (PT) gosta mesmo é de “Lulofote” – isto é, aparecer ao lado de Lula, sob holofotes.
BOM PARA TOSSE
Na TV Record, o bandidão chileno Mauricio Norambuena chamou de “desumano” o presídio (com visita íntima) onde cumpre pena de 30 anos pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto. Não é pior que o buraco onde ele meteu a vítima por 53 dias. Que apodreça na cadeia.
DEDA NA MIRA
O Tribunal Superior Eleitoral não aceitou que o PTB desistisse da ação de cassação contra o governador de Sergipe, Marcelo Deda (PT). Aliás, a tentativa de desistência pegou muito mal na Corte. Deda está no sal: o relator, ministro Félix Fischer, é tão respeitado quanto severo.
SOBROU PRA NÓS
Para custear as obras exigidas pelo Comitê da Fifa para a Copa de 2014, a Infraero aguarda da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a revisão das tarifas aeroportuárias e, portanto, das taxas de embarque.
CARTEL IMPUNE
O duopólio funciona numa boa, sem punição da Anac: bilhete Rio-São Paulo (Santos Dumont-Congonhas), para sexta (4), custa o mesmo na TAM e na GOL, com diferença de R$ 4,5. Nenhuma delas é punida.
DEUS TE OUÇA
A ex-ministra e “candidatável” Marina Silva garantiu à Veja que “não descrê da ciência” e jamais defendeu “que o criacionismo seja matéria obrigatória nas escolas”. Acredita “que Deus criou o mundo, só isso”.
ORÇAMENTO ELEITORAL
Tem cara de campanha eleitoral o projeto de orçamento do governo para o próximo ano. Prevê aumento de gastos com “projetos sociais”, habitação popular, funcionalismo público e obras de infraestrutura.
À MERCÊ DOS BANDIDOS
Fim de semana sim, outro não, quadrilhas trocam tiros pelo controle do complexo de favelas da Maré, no Rio. Invadem casas, prédios públicos etc. Só o governo Sérgio Cabral não entra na briga pelo controle da área
PERGUNTAR NÃO CONTAMINA
É de esquerda ou de direita o vírus da gripe suína do presidente colombiano Alvaro Uribe?

PODER SEM PUDOR
FUMANTE OCASIONAL
“Imortais” mineiros viajaram ao Rio de Janeiro, semana passada, para serem homenageados na Academia Brasileira de Letras pelo centenário da entidade em Minas. Todos chegaram ao mesmo tempo no hotel, que estava lotado. Não havia reserva para um deles, escritor e ex-ministro Ronaldo Costa Couto. Mas a recepcionista observou:
– Só tem quartos para fumantes e o senhor não fuma, né?
Cansado de esperar, Costa Couto respondeu na lata:
– Tem problema não, minha filha. Se for preciso, eu fumo!

QUADRILHA

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Regras estatizantes para pré-sal assustam mercado


- Estadão: Regras do pré-sal ampliam poder do Estado na exploração do petróleo


- JB: Regras do pré-sal favorecem Petrobras


- Correio: Triplo assassinato na 113 Sul choca Brasília


- Valor: Pré-sal reforça viés estatizante


- Estado de Minas: Petróleo é do governo


- Jornal do Commercio: Governo anuncia mínimo de R$ 506

segunda-feira, agosto 31, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE
SEÇÃO » Direto ao Ponto

O pássaro da liberdade, o corvo cúmplice e o jaleco tarado

31 de agosto de 2009

Acusado por 39 mulheres de 56 estupros, o médico Roger Abdelmassih, que está em cana, pediu reforço ao ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Quer que o criminalista reforce sua defesa. A informação publicada na edição de VEJA desta semana, na seção Panorama, assinada por Felipe Patury, poderia ser anexada sem retoques ao texto postado dia 29 no Direto ao Ponto. A escolha do advogado, constata o título, é tão reveladora quanto a confissão.

Abdelmassih nem precisou abrir a boca para admitir que se meteu em delinquências de bom tamanho. Fez isso no momento em que contratou o advogado José Luiz Oliveira Lima, cuja lista de clientes cinco estrelas impunes é encabeçada por José Dirceu. Com o pedido de socorro a Márcio Thomaz Bastos, que salvou o governo do naufrágio anunciado pelo escândalo do mensalão, o jaleco tarado está reconhecendo que a coisa foi ainda mais feia do que parece.

Há quatro anos, com muita ênfase e sem qualquer constrangimento, Oliveira Lima vem jurando que Dirceu não fez nada de errado e que o mensalão não existiu. Em meados de 2005, quando o grande escândalo explodiu, Thomaz Bastos licenciou-se informalmente do Ministério da Justiça para concentrar-se na tarefa de livrar da gaiola a quadrilha federal. Ele também afirma que o mensalão é fruto da imaginação dos eternos descontentes.

Foi ele quem rebatizou o velho caixa 2 de “recursos não contabilizados”. Foi ele quem aconselhou o presidente Lula a argumentar que a turma só fizera o que todo mundo faz. Vai formar uma dupla e tanto com Oliveira Lima. Já na entrevista de estreia, o doutor que garante a Dirceu o direito de ir e vir foi logo avisando que o estuprador não estuprou. Em parceria com o camisa 10, pode descobrir que Abdelmassy, além de não ter molestado ninguém, foi assediado por 39 mulheres. Resistiu a todas. E a vingança chegou.

Todo acusado tem direito à ampla defesa. Onde houver um réu, haverá um advogado. Mas uma coisa é oferecer justificativas para o crime, ou apresentar atenuantes que abrandem a punição. Outra é contar mentiras, ou promover acrobacias e trucagens destinadas a provar que o assassino não matou, que o ladrão não roubou, que o estuprador não estuprou ─ e, se possível, transferir a culpa para a vítima.

Um criminalista que jura ser inocente o freguês cujos delitos conhece em detalhes não é o pássaro da liberdade que os grandes juristas enxergam no advogado de defesa. É apenas o corvo cúmplice.

GUSTAVO LOYOLA

Contrarreformas ameaçam o País

O ESTADO DE SÃO PAULO - 31/08/09

A resiliência da economia brasileira à presente crise econômica internacional se deve, em ampla medida, aos avanços institucionais observados nos últimos 15 anos no Brasil. Em que pese a unanimidade desse diagnóstico, o segundo mandato do presidente Lula tem-se caracterizado por uma sucessão de contrarreformas que, pouco a pouco, minam as instituições econômicas laboriosamente construídas a partir do início dos anos 1990.

Quando Lula se tornou forte candidato à sucessão presidencial, em 2002, o medo dos agentes econômicos era o de ruptura com as políticas econômicas de FHC. Felizmente, o pânico do período eleitoral se mostrou injustificado, já que o novo presidente preferiu sabiamente ficar do lado certo, preservando a responsabilidade macroeconômica.

Ademais, no quadriênio inicial do governo Lula, alguns avanços institucionais importantes ocorreram no bojo das reformas microeconômicas patrocinadas pelo ministro Palocci e sua equipe. A expansão forte do crédito bancário nos anos subsequentes, por exemplo, deveu-se muito a tais esforços.

Porém, no segundo mandato, os avanços institucionais se tornaram parcos. Ao contrário, o que se tem verificado é que, pela ação ou omissão do governo, iniciativas cada vez mais numerosas vão corroendo o edifício institucional que permitiu à economia brasileira deixar para trás a década perdida da hiperinflação e do baixo crescimento.

Vivemos, hoje, a era das contrarreformas. Há a contrarreforma fiscal, a contrarreforma previdenciária, a contrarreforma do Estado, a contrarreforma trabalhista e até, para alguns, a contrarreforma ortográfica, que nos obriga a abusar da consoante dupla nesse parágrafo.

Com relação à Previdência Social, o recente acordo com os sindicalistas que enfraquece o chamado "fator previdenciário" e atrela o reajuste dos benefícios à variação do PIB é desastre de grandes proporções, pois agrava ainda mais o déficit previdenciário ao longo dos próximos anos. O desempenho um pouco melhor das receitas previdenciárias nos últimos anos parece ter ofuscado a realidade de que as contas da Previdência continuam no vermelho e que há uma tendência estrutural de aumento dos desequilíbrios, em razão principalmente da dinâmica demográfica.

Contudo, o risco de retrocesso não se restringe à Previdência. No campo trabalhista há iniciativas para aumentar ainda mais os custos de contratação formal de mão de obra. Com o beneplácito do governo, o Congresso se prepara para votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, como se isso tivesse o condão de criar mais empregos. Despreza-se a experiência recente da França que indica que a diminuição da jornada de trabalho não contribuiu para a redução do desemprego.

Por sua vez, a expansão forte dos gastos de custeio do governo, notadamente com a folha de pagamento de servidores, indica agravamento da rigidez do orçamento público e perda de espaço para redução da carga tributária e/ou aumento do investimento público no País. Com isso, as condições para a atividade empresarial podem piorar, já que a competitividade da produção nacional estará crescentemente comprometida pelo trinômio: juros altos, tributação elevada e infraestrutura precária.

Não fossem suficientes os problemas acima, a tentativa de recriação da CPMF, disfarçada de contribuição para a área da saúde, demonstra que há muita gente que ainda acha a carga tributária pequena, o que é de uma absoluta falta de senso de medida. O mais estranho, porém, é que o governo tacitamente apoie a ideia de recriar um tributo de péssima qualidade que incide em cascata sobre as operações financeiras.

Tais retrocessos potenciais ou efetivos, infelizmente, não são o bastante. Percebe-se que está em marcha uma redefinição para pior do papel do Estado na economia, seja por meio da criação, disfarçada ou aberta, de novas empresas estatais, seja pelo aumento da intervenção regulatória nos mercados, ao mesmo tempo que a autonomia das agências reguladoras é flagrantemente reduzida, em nome de um pretenso "controle social". Tais iniciativas vão desde o modelo de exploração do petróleo no pré-sal - de viés notoriamente intervencionista - até a intenção de reativar a defunta Telebrás, como se a privatização da telefonia não tivesse trazido benefício nenhum ao País.

Em resumo, o rol de contrarreformas iniciadas, incentivadas ou toleradas pelo governo Lula é extenso. Se nada for feito, o Brasil encontrará mais à frente uma nova "década perdida" em termos de crescimento e de estabilidade econômica. A experiência brasileira e de outros países, inclusive da vizinha Argentina, revela claramente os riscos da excessiva intervenção estatal e dos desequilíbrios fiscais, duas pragas crônicas dos países da América Latina. Por isso, é urgentemente necessário interromper essa marcha acelerada rumo ao passado que tem caracterizado as últimas ações e omissões da administração Lula.

GOSTOSA


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GEORGE VIDOR

Má escolha

Panorama Econômico

O Globo - 31/08/2009

É difícil encontrar argumentos favoráveis ao modelo de partilha de produção que o governo pretende adotar na exploração de futuros blocos de petróleo na chamada camada de pré-sal. Entre os negativos há muitos e um definitivo: geralmente optaram pela partilha países com regimes políticos autoritários, de renda por habitante baixa e incluídos na lista dos mais expostos à corrupção.


Na América Latina, por exemplo, usando-se índices da organização Transparência Internacional, as nações que instituíram a partilha e/ou contratação de serviços apresentam médias de 2,5 a 3,3 (quanto mais perto de zero, pior), com renda per capita entre US$8 mil e US$10.800. Os que adotaram a concessão, com cobrança de royalties e participações especiais, entre os quais Brasil, Argentina e Colômbia, têm um índice de 3,7 e renda média de US$12.370. No Extremo Oriente e Oceania, o contraste é gritante: as nações com modelo de partilha apresentam um índice de percepção de corrupção de 2,6, e, fora dele, de 4,7.

A Europa (inclusive a Noruega que, equivocadamente, é citada como exemplo do modelo que o Brasil estaria por adotar), os Estados Unidos e o Canadá usam modelos de concessões, com pagamento de royalties, semelhante ao que está em vigor por aqui. Apenas para efeito de comparação, o índice médio de percepção de corrupção na Europa é de 6 (nações do Leste, ex-socialistas, puxam esses números um pouco para baixo) e na América do Norte de 7,9! Na África, a opção da maioria é a partilha, assim como nas antigas repúblicas soviéticas, com exceção da própria Rússia que tem os dois modelos simultaneamente. No Oriente Médio, a partilha prevalece, ainda que Arábia Saudita prefira o modelo de concessões; Irã, Iraque e Kuwait contratam serviços.

O modelo de partilha existe, fundamentalmente, em países que não contam com boas estruturas de arrecadação tributária (daí também ser maior a percepção de corrupção). Não é o que acontece com o Brasil.

Com a mudança de modelo que o governo quer fazer para exploração de futuros blocos do pré-sal, vamos deixar de figurar somente na lista dos melhores; nos juntaremos também aos piores.

Usinas térmicas que queimam óleo combustível para gerar energia elétrica são as mais poluidoras e por isso não deveriam nem constar do planejamento do governo? Depende de como essas usinas são usadas, responde Jorge Boueri, presidente da Multiner, empresa que já detém uma grande térmica em Manaus e se propõe a ter um total de 27 geradoras de energia no Brasil, com capacidade para 5,7 mil megawatts (MW), até 2014, transformando-se em um dos maiores grupos do setor no país.

Boueri trabalhou por 35 anos na Eletrobrás e com essa experiência se associou a investidores estratégicos, que fizeram os primeiros aportes de capital. A térmica de Manaus - batizada com o nome de Cristiano Rocha, filho dele falecido prematuramente, aos 29 anos - tem potência para 85,4 megawatts e será convertida no ano que vem para a queima de gás natural procedente dos poços da Bacia de Urucu. A usina, que fica a dez quilômetros de Manaus, na estrada para Boavista, aumentará sua potência em 50 MW.

A Multiner está construindo duas usinas de energia eólica no Rio Grande do Norte (com 92 torres), mas a maior parte da energia que vendeu em leilões oficiais será proveniente de térmicas a óleo na Bahia, Pernambuco e Paraíba (cerca de 1.250 MW). Com tamanha capacidade de geração, é natural que qualquer pessoa se arrepie diante da possibilidade de emissão de gases poluentes, com a queima do óleo. No entanto, diz ele, essas usinas não terão turbinas, mas sim motores modernos, que serão ligados apenas em alguns momentos, para suprir piques de demanda ou para complementar a oferta das usinas hidrelétricas. Nesse caso, segundo ele, elas poluiriam muito menos que uma usina térmica convencional, com turbinas, que precisem funcionar o tempo todo, mesmo com baixa capacidade. E como ficam disponíveis para qualquer situação, permitem que as hidrelétricas não precisem economizar tanta água nos reservatórios, e assim ajudariam a equilibrar os preços da energia no mercado.

A tese é polêmica, mas não deixa de fazer sentido. A empresa quer se candidatar também a construir uma grande hidrelétrica (330 MW) no rio Uruguai, na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de térmicas que aproveitarão biomassa (bagaço de cana).

Embora esteja em negociação uma aliança com seu grande concorrente (Braskem), a Quattor conclui agora em setembro a ampliação de seu polo petroquímico em Mauá (no ABC paulista), que a levará a produzir mais 250 mil toneladas de etileno (ou eteno) e a mesma quantidade em polietileno. Nessa nova etapa, usará também como matéria-prima gases de refinaria, fornecidos pela Petrobras. O investimento total, que incluiu também aumento na capacidade de produção de polipropilenos e insumos químicos, chegou a R$2,3 bilhões, o maior da indústria petroquímica nos últimos anos. Como o mercado já se recuperou, aqui e no exterior, a Quattor registrou um crescimento de 20% da sua receita líquida no segundo trimestre. A empresa é uma associação da Unipar (60%) com a Petrobras (40%).

COISAS DA POLÍTICA

Aos profetas do mau caminho

Rodrigo de Almeida
Jornal do Brasil - 31/08/2009

O debate público sobre a política e a economia brasileira, costuma exibir nuances de uma discussão de futebol - por aqui, ou é pau, ou pedra, ou o fim do caminho. Não raros observadores (públicos ou não) professam o equívoco de associar problemas políticos e econômicos a crises institucionais. Os "escândalos" no Congresso, as "denúncias" contra o governo e o pessimismo sobre a contaminação da crise internacional, movimentos especialmente ocorridos há quase um ano (mas não só nesse período), reforçam as evidências de que tem crescido o desfiladeiro que separa a "vida real" da paisagem de terra arrasada descrita por parcela da impressa. A realidade, porém, costuma arrefecer as ideias pregadas por quem ignora os matizes e opta pelos extremos.

Na política, o efeito imediato é a criação de um clima de escândalo elevado à temperatura máxima, alimentado por fatos que viram o centro das atenções por semana, até que sumam no ar feito fumaça. Esse tipo de equívoco termina por tão-somente tumultuar o ambiente, resumir-se a uma queda de braço de linhagem udenista e favorecer os pelintras reais.Na economia, além do óbvio descolamento da realidade, geram-se falsas expectativas negativas, o que provocam efeitos desastrosos na vida do cidadão comum - vide a convicção, hoje cristalizada, de que os empresários exageraram nas demissões durante a crise, movidas por previsões sombrias de um cenário que acabou não se concretizando.

Antes que as gralhas comecem a gritar, é preciso sublinhar o óbvio: há, sim, graves problemas políticos e econômicos. O erro é associá-los a crises institucionais, como se o país vivesse uma paralisia decisória, as instituições tivessem deixado de funcionar e as mudanças cessassem. Os partidos, é fato, estão desgastados, o Congresso foi à rabeira da confiança nacional e o mandato parlamentar parece enxovalhado. Mas as instituições com poder fiscalizatório mantêm a simpatia do distinto público, a economia vai bem, obrigado, e antigas práticas das elites, como a transferência do controle institucional aos militares no caso de crises mais agudas, ficaram guardadas onde devem - nas gavetas da história.

À exceção das eleições presidenciais de 2002, quando a disputa pesou negativamente sobre os ombros da então frágil realidade macroeconômica do país, as crises originárias do Congresso e dos partidos permaneceram restritas ao mundo político. Se considerado o período pós-redemocratização, essa tendência é válida para os governos de José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso , e Luiz Inácio Lula da Silva. Neles, imbricadas crises políticas provocaram baixa contaminação na economia e baixíssimo freio tanto no poder decisório dos governos quanto nos avanços institucionais. (Mesmo o ruidoso mandato de Fernando Collor demarcou o início da principal mudança da economia das últimas décadas, a abertura financeiro-comercial, que permitiu, mesmo de maneira imperfeita, a inserção do país no jogo internacional).

Crises econômicas mais contaminaram a política do que o inverso - a hiperinflação nos anos 80, por exemplo, corroeu tanto os salários quanto a popularidade de Sarney; o turbulento segundo mandato de FHC o impediu de fazer o sucessor e pavimentou o caminho para a ascensão do PT e de Lula ao poder. Isso é tão verdadeiro quanto é falso ignorar as mudanças ocorridas no período. No Iuperj/Candido Mendes, um grupo de pesquisadores, conduzidos pelo cientista político Renato Boschi, tem produzido, entre outras coisas, estudos sobre os padrões de continuidade e mudança no Brasil e na América Latina. Há quem enxergue a mudança apenas como resultado de momentos de crise. Há quem a veja como mecanismo inerente ao tempo e à história: ações incrementais se associam a legados institucionais, permitindo ao país enfrentar melhor as próprias crises.

Se aceita a segunda tese, a um conjunto de legados, como estabilidade macroeconômica, lei de responsabilidade fiscal e bancos públicos federais fortes, somam-se incrementos relevantes, como programas sociais robustos, maior intervenção estatal e aperfeiçoamentos de mecanismos e práticas fiscalizatórias no âmbito do Ministério Público, das polícias e da Receita Federal. Isso não foi obra do acaso, mas das instituições e seus personagens - muitos dos quais escarnecidos pelos habituais profetas do mau caminho. É o Brasil.

GOSTOSA


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CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Gastando por conta

O ESTADO DE SÃO PAULO - 31/08/09

Em 2 de setembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a um campo da Petrobrás no Estado do Espírito Santo para molhar as mãos no petróleo da primeira extração do pré-sal. A retirada era apenas experimental, mas serviu perfeitamente para mais um palanque. Ali, ao seu estilo, o presidente garantiu que em um ano a Petrobrás estaria explorando o óleo do pré-sal em larga escala.

Não está. Nem sequer está pronto o novo marco regulatório, prometido para um ano atrás.

Assim tem sido: muita disputa por uma riqueza ainda enterrada e pouca eficiência na construção dos modelos de exploração. Há quase dois anos, em novembro de 2007, o governo anunciou a primeira descoberta do pré-sal, o poço de Tupi. Seguiram-se outros anúncios - referentes aos poços Carioca, Iara e Júpiter -, enquanto a administração desenvolvia duas linhas de trabalho: na primeira, uma constante propaganda (ainda agora a Petrobrás está no ar com mais uma celebração); e pela segunda linha de trabalho, o governo federal trata de garantir para si a maior parte da riqueza a ser ali obtida.

O governo quer ter o controle e os frutos do pré-sal, razão pela qual pretende estabelecer um novo marco regulatório para o setor. Só que isso tudo exigirá mobilizar bilhões de dólares de capital, um arsenal de plataformas, sondas, navios, etc., e desenvolver tecnologia nova para, primeiro, confirmar que todo esse petróleo está lá mesmo e, segundo, retirá-lo de lá em quantidades industriais, e vendê-lo a preço bom.

O modelo de exploração deveria partir deste ponto: qual o melhor sistema para levantar capital, equipamentos, pessoal e tecnologia? Em vez disso, o governo se perguntou: Como faço para ficar com tudo? Não se trata apenas de estatizar, mas de estatizar com absoluto controle pelo governo federal.

Daí vêm os problemas com os Estados e as dúvidas das companhias privadas - nacionais e estrangeiras - que estarão envolvidas no esforço de exploração. Elas terão de colocar capital e serviços, mas em quais condições? O governo gostaria de concentrar tudo na Petrobrás, mas onde arranjar tanto dinheiro, numa administração que já gasta muito em todos os setores? Ou seja, a coisa vai atrasar mais ainda.

Oportunidade ou custo Brasil? - O presidente Lula também determinou ao seu pessoal que quer o desenvolvimento de uma completa indústria petrolífera no Brasil. Isso significa que companhias brasileiras deverão construir aqui a maior parte dos equipamentos necessários - de navios a sondas, de plataformas a oleodutos. Não se pode perder a oportunidade criada pela imensa demanda a ser gerada pelo pré-sal.

Certamente, há uma boa chance, mas antes disso está o custo Brasil.

Eis um bom exemplo: aquelas companhias precisarão de imensos contingentes de trabalhadores. Mas para contratar pessoas no Brasil, com carteira assinada, a empresa paga uma absurda quantidade de impostos. Veja o exemplo do gráfico abaixo: para cada R$ 100 de salário, a empresa paga nada menos que R$ 27,80 (considerando valores médios) em impostos diretos ao governo.

De seu lado, o trabalhador, antes de receber o salário, já deixa para o governo outros R$ 26.

Assim, para cada R$ 100 de salário formal, a empresa desembolsa R$ 127,80, o trabalhador leva para casa R$ 74 e o governo recolhe espantosos R$ 53,80 - ou um imposto direto sobre a folha de pagamento de 53,8%.

É uma das maiores cargas tributárias sobre o salário no mundo. Na Coreia do Sul, por exemplo, que é uma grande produtora de navios e equipamentos para exploração de petróleo, os impostos sobre o salário são inferiores a 10%. Idem para a China e para outros países asiáticos.

Acrescente aí que as empresas brasileiras ainda pagam muitos outros impostos - além de serem submetidas a um sistema tributário complicado, difícil e custoso -, e se verifica o tamanho da falta de competitividade.

Vai daí que é preciso reduzir a carga tributária, especialmente sobre os salários. Não faz sentido encarecer tanto a contratação num país que precisa gerar empregos.

Mas não dá para reduzir impostos sem reduzir o gasto público. Mas o governo aumenta gastos e conta com o aumento da arrecadação para pagá-los. Ainda agora, por exemplo, o governo acertou com as centrais sindicais um programa de benefícios previdenciários cujos custos avançam para os próximos 12 anos. E que dependem dos impostos sobre a folha de pagamento.

CLÁUDIO HUMBERTO

CGU investiga Ministério dos Transportes


Jornal de Brasília - 31/08/2009



A Controladoria-Geral da União investiga "várias denúncias", segundo o próprio órgão, apresentadas contra o Ministério dos Transportes. São acusações de ingerência, nepotismo e beneficiamento indevido de servidores, envolvendo empresas privadas, no Grupo Executivo da Pasta. O GE supervisiona a conclusão do inventário do extinto DNER, o atual DNIT. A CGU confirmou a investigação, mas não deu detalhes.

Triste memória
Sucessor do DNER, de triste memória, o DNIT herdou a prática de irregularidades: são investigados ao menos oito casos de nepotismo.

Silêncio
Procurados, o Ministério dos Transportes e o ministro Alfredo Nascimento se recusaram a se pronunciar sobre a investigação.

Blue chip
Sem risco e com lucro garantido, a Letra do Tesouro Nacional (LTN) é a nova vedete do mercado de capitais. Superou até a poupança.

Juca em Cuba
O ministro Juca Ferreira (Cultura) viaja à Cuba dia 14. Não se sabe ao certo o que pretende trazer de lá para a cultura brasileira.

Mineiro tenta denunciar maracutaia há 15 anos
Um engenheiro contratado na obra do "Residencial Parque do Mirante", em Uberaba (MG), financiada pela Caixa Econômica Federal, tenta há mais de 15 anos denunciar as falcatruas na construção. Segundo Pedro Coelho, foi encaminhada à CEF documentação que comprova ter havido fraude para esconder os vícios lesivos ao Erário. A denúncia foi até encaminhada à Procuradoria-Geral da República e à OAB-MG.


Ilegal
A principal acusação de Coelho é que a CEF liberou o pagamento às empreiteiras, apesar de as obras ainda não terem sido concluídas.

Providências
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, pediu "providências" da OAB-MG. Há um ano Coelho aguarda resposta.

Eles por eles
Lula pediu "moderação" ao "democrata" Hugo Chávez. É tão inútil quanto ele pedir a Lula que se lembre de tudo.

A próxima vítima
Responsável pela indicação de Lina Vieira, pelo aparelhamento da Receita Federal e pela rebelião no órgão, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nélson Machado, subiu voluntariamente no telhado.

Vínculo incômodo
Respaldados em pesquisas, os marqueteiros do governador José Serra procuram evitar a vinculação dele a FHC. Pegaria mal, tanto na hipótese da reeleição quanto (principalmente) rumo ao Planalto.

Estilo dos coronéis
Trava-se uma briga de vida ou morte entre o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (foto) e o ex-prefeito do Recife, João Paulo, pelo controle do PT pernambucano. Vale tudo, de dedo no olho à compra de voto.

Herança cobiçada
O espólio eleitoral de José Múcio Monteiro, que deve ser aclamado como próximo ministro do Tribunal de Contas da União, e não disputa o próximo pleito, virou objeto de cobiça dos políticos pernambucanos.

Polícia protegida
Em Brasília, os policiais da Delegacia do Paranoá trabalham protegidos contra gripe suína: todos usam máscaras e luvas, durante a abordagem (ou "baculejo") de suspeitos e depois, claro, álcool gel.

Escuridão para todos
Os 17 mil moradores de Epitaciolândia (AC) esperam desde 2004 a conclusão do programa "Luz para todos", do Governo Federal, prometidos pelo então governador Jorge Viana com a ministra Dilma.

A jornada e a urna
O presidente da Câmara, Michel Temer, deve adiar até quando puder a votação do projeto que reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal de trabalho. Se for ao plenário antes da eleição, será aprovado.

Excesso de zombaria
Faz o maior barulho na Assembleia catarinense o adicional de insalubridade de R$ 162 mil mensais "por ruído excessivo" de máquinas inexistentes a 111 servidores. Se a insalubridade pega no Senado...

Pensando bem...
...o Brasil, até agora, só deu furo no pré-sal.

Poder sem pudor
Pegando no pé?
Após receber uma comenda do Tribunal Superior do Trabalho, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) surpreendeu o então presidente do TST:
– Ministro Francisco Fausto, pegue no meu pé e vamos à luta!
Ele respondeu com um trocadilho:
– Ao pegar no seu pé, daremos muitos passos para a garantia dos direitos dos trabalhadores, que hoje estão a pé, em termos de emprego...