terça-feira, maio 19, 2009

A VINGANÇA


PANORAMA POLÍTICO

O PT dançou

 Ilimar Franco
O Globo - 19/05/2009
 

Desde as eleições para a presidência do Senado que o PT vinha se aproximando do PSDB. Ambos apoiaram Tião Viana (PT-AC) contra José Sarney (PMDB-AP). Os tucanos usaram a ambição petista para atritá-los com o PMDB. Tucanos e petistas também andaram juntos na votação do novo Refis.

 

O namoro chegou ao fim com a CPI da Petrobras.

 

Os tucanos jogaram o PT no colo do PMDB.

 

Procura-se presidente da Embrapa

 

Pela primeira vez, a Embrapa abriu concurso público para escolher seu novo presidente. Um comitê analisa currículos de interessados no cargo, que são indicados por entidades da área, como CNA e Contag. Exige-se bom relacionamento com o setor produtivo, com ONGs e trânsito no meio político. O candidato tem que falar inglês e ter “reconhecida ética e idoneidade moral”. Os ruralistas apostam, entre outros, em Evaristo Miranda, da Embrapa, para quem leis ambientais reduzem áreas agricultáveis. Os pequenos agricultores apoiam Geraldo Eugênio, diretorexecutivo da empresa.

 

"O cuidado para não debilitar a Petrobras vai ser total” — Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado (AM), sobre o funcionamento da CPI da Petrobras

 

WAGNER MONTES. A pesquisa IBPS apresentou quatro cenários para os entrevistados, sendo que, quando o candidato da aliança DEM-PSDB é Fernando Gabeira (PV), este tem 21%. Nos outros dois cenários, com o deputado estadual Wagner Montes (PDT), o pedetista tem 23% e 22%, em empate técnico com o governador Sérgio Cabral (PMDB), com 24% em ambos. Nessa situação, as intenções de voto em Garotinho caem para 15%.

 

O convite

 

Foi na quinta-feira, no voo para Florianópolis, que o presidente Lula convidou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) para assumir a liderança do governo no Congresso.

 

“Baixinha, tô precisando que você assuma lá”, disse Lula para Ideli.

 

Chegou tarde

 

Deputados e senadores receberam ontem alentada car ta do presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, explicando as denúncias de pagamento de royalties. A oposição diz que as explicações demoraram a chegar.

 

A companheirada é que é o cara

 

O presidente Lula mais do que absorveu a insígnia “o cara”, que lhe foi conferida pelo presidente americano, Barack Obama. Em dois discursos recentes atribuiu o mesmo título a companheiros. À direção da Petrobras — “Então, gente, Petrobras, vocês são os caras” — e aos sindicalistas do ABC — “Na verdade, quando o Obama falou ‘Lula, você é o cara’, na verdade, ele pediu para eu falar para vocês: metalúrgicos, vocês são os caras”.

 

Os fatos e a intriga

 

A cúpula tucana tenta criar uma rede de intrigas.

 

Ela atribui a um certo corpo mole do PMDB a criação da CPI da Petrobras. Seu objetivo é azedar as relações com o PT, mordido pela derrota de Tião Viana na eleição do Senado. Mas os fatos falam por si. Os senadores do PMDB que assinaram a CPI são adversários regionais do PT (Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Mão Santa e Geraldo Mesquita).

 

O único que poderia retirar a assinatura, o fez: Almeida Lima (PMDB-SE).

 

A RELAÇÃO entre os líderes do PT, Aloizio Mercadante (SP), e do PMDB, Renan Calheiros (AL), é cada vez pior. A desarticulação é total.

 

A EXPECTATIVA é que a nova líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), reconstrua a relação do PT com o PMDB e demais aliados.

 

CHIQUE. A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) quer que o prefeito Eduardo Paes traga para o Rio o Opportunity, programa contra a pobreza implantado em Nova York. Trata-se de uma cópia do Progresa mexicano, adaptado às condições americanas.

ARNALDO JABOR

O cinema novo nasceu num botequim

O GLOBO - 19/05/09

Eu era cineasta e virei jornalista. Parei, há dezessete anos. Continuo jornalista, mas agora também estou filmando. Meus artigos serão tocados por esta reprise profissional. O cinema no Brasil mudou muito; as condições eram terríveis, as equipes despreparadas, a fome rondava o espetáculo e variávamos entre dois sentimentos básicos: ansiedade e frustração "será que vai sair o dinheiro?" ou "os exibidores acham que o filme é um "abacaxi". Agora, melhorou muito, com jovens eficientíssimos, novas tecnologias.

Mesmo assim, lembro-me do cinema nos anos sessenta, quando comecei. E ouso dizer: o Cinema Novo nasceu num botequim.

Isso mesmo. Lá no bar da Líder, na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo, foram sonhados dezenas de filmes. O Bar da Líder não era um bar; era um botequim tímido e pobre em frente ao Laboratório Líder, onde revelávamos e copiávamos nossos filmes. Tinha dois garçonzinhos; um espanhol quase anão e um cearense cafuzo, que se esbugalhavam diante de nossas discussões infinitas sobre arte.

Hoje o bar (não vou lá há muito tempo) já virou uma "acrílica" lanchonete. Mas, desse tempo mágico, ficaram as lembranças: as moscas no bico dos açucareiros, as cadeirinhas de madeira, os tampos de mármore, os chopes, os sanduíches de pernil, os ovos cozidos cor-de-rosa, a lingüiça frita, o cafezinho em pé. E era ali, no meio de insignificantes objetos brasileiros, era ali que traçávamos os planos para conquistar o mundo. Conspirávamos contra o "campo e contracampo", contra os travellings desnecessários, contra o happy end, contra a fórmula narrativa do cinema americano e, por uma estranha ilação, achávamos que, se a língua de nossos filmes fosse diferente da língua oficial, estaríamos contribuindo para a salvação política do país. Claro, nossa câmera era um fuzil que, em vez de mandar balas, recolhia imagens do país para "libertar" os espectadores. Achávamos que, mostrando a "realidade" brasileira, misteriosamente, contribuíamos para mudá-la.

Não sabíamos ainda que, assim como existia um modo de produção oficial, havia também uma "realidade oficial" em cores e efeitos especiais que resistiria ao ataque guerrilheiro das metáforas pobres.

A estética da fome de Glauber, transformava nossa fome em nossa riqueza. Por isso, nossos filmes eram metáforas deles mesmos; na sua precariedade morava um retrato do Brasil ao avesso, a boa e velha realidade óbvia, sem efeitos sofisticados. Daí, nossa incrível esperança naqueles anos utópicos, daí nosso desprezo por dinheiro, pela caretice e pelo sucesso burguês. Iamos aos festivais europeus como soldados, para xingar os críticos franceses, atacar o "velho mundo decadente", que, por sinal, se encantou conosco através dos "Cahiers du Cinéma" e do "Positif" e nos pôs nas nuvens, culpados diante de nossa fulgurante miséria.

Não sabíamos que seria tão renitente a resistência da língua oficial. Não sabíamos ainda da barreira que fariam contra esta cândida exposição de verdades e injustiças. Não sabíamos ainda da bruta violência de Hollywood, com seu embargo a nossos filmes, como havia o embargo contra Fidel. Nós éramos os românticos de Cuba.

Nossas câmeras eram pobres, nossos filmes, preto-e-branco, nosso som, precário e, no entanto, a fome de mostrar o olho do boi morto, o mandacaru pobre, as mãos brutas dos camponeses, a cara boçal da classe média, fazia-nos desprezar até o aperfeiçoamento técnico, numa espécie de mímica do cotidiano proletário. Transformamos nossas misérias em teoria, numa arte povera, em que a precariedade seria mais profunda que um "reacionário" progresso audiovisual. Lembro-me que o Glauber era contra o Nagra, o gravador suíço que surgiu nos 60.

"A gente não pode se alienar tecnologicamente", bradava o doce baiano no seu radicalismo, ali, de chinelo, dentro do bar da Líder, sob o olhar perplexo do espanholzinho que servia chope. E nisto havia até uma ingênua verdade, pois o cinema moderno perdeu a magia de antes, porque quanto mais se aperfeiçoam as maneiras de penetrar na "realidade", mais distante ela fica.

Quanto mais se fazem descobertas, mais fundo é o túnel do mistério; a máquina do mundo, quanto mais aberta, mais iluminada, mais fica vazia e misteriosa.

Hoje, é imensa a quantidade de imagens que invadem nossas mentes e olhos. O vídeo clip, a incessante metralhadora da publicidade, a velocidade do tempo criou um excesso de informações que se anulam. Tanta é a exposição da realidade do mundo, que não vemos nada. Estamos repletos de imagens muito mais velozes do que podemos processar. A perfeição reprodutiva descreve bem o mundo, mas não o condensa em poesia.

Por isso, anseio por tempos mais lentos.

Por isso, lembro-me tanto do bar da Líder que, de noite, me parecia aquele barzinho do Van Gogh, jorrando luz, com estrelas enormes girando no céu de Botafogo. Com a invasão do Primeiro Mundo dos anos 80 para cá, (a realidade não pára) recauchutamos a antropofagia de 1922 para racionalizar nossa crescente dependência diante das linguagens globais e, hoje, chegamos a um ponto em que a antropofagia já nos deu indigestão.

E o bar da Líder foi mudando. Mudou de dono, mudaram as mesinhas de mármore para fórmica, mudou o balcão sujo para aço escovado, mudou o espanholzinho para uma máquina de fichinhas, a Líder mudou também daquela rua, sumiram os cineastas loucos, de cabelos revoltos e camisas de marinheiros. Mudou o Brasil, mudou o cinema, mudei eu, mudaram alguns cineastas da esquina da Líder para outra vida (também não sabíamos do embargo da morte). Assim éramos em 1967.

Por isso, tento fazer um filme que possa ser visto sem a pressa angustiada do rococó eletrônico que nos assola. Já que a vida está tão fragmentada e incessante do lado de fora dos cinemas, espero que uma vida mais clara apareça dentro da sala escura.

GOSTOSA


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PAINEL

Me dê motivo

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 19/05/09

No esforço para matar no nascedouro a CPI da Petrobras, líderes governistas passaram a reproduzir, no fim de semana, um discurso até então restrito ao baixo clero. A formulação corre mais ou menos assim: já que a oposição resolveu criar uma CPI de ‘conteúdo político’, por que não incentivar um plebiscito sobre a possibilidade de um terceiro mandato para Lula? 
A ideia surgiu em conversas entre expoentes de partidos da base. Quem ouviu ficou com a impressão de que o objetivo imediato é meter medo na oposição e melar a CPI. ‘Mas não deixa de ser curioso que isso coincida com a volta do zunzum em torno do terceiro mandato’, pondera uma das cobaias da maquinação.

Na rua - Outra contraofensiva à CPI em gestação no PT passa pela CUT. A central tem em seu guarda-chuva os sindicatos do setor petroleiro.

Divã - Os senadores Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, e José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, reúnem-se hoje para ‘afinar os instrumentos’ depois das desavenças da semana passada. Prometem atuar em sintonia no que diz respeito à CPI.

Tudo é relativo 1 - Apesar da desvantagem numérica na composição da CPI, a oposição faz questão de lembrar que também era minoria na comissão dos Bingos, responsável pela artilharia que terminou por derrubar Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Ali, tucanos e ‘demos’ tinham 5 das 15 cadeiras.

Tudo é relativo 2 - Uma das manobras para diminuir a desvantagem é pressionar pela escolha de alguns governistas mais ‘independentes’. No PDT, os tucanos gostariam de Osmar Dias (PR) ou Patrícia Saboya (CE). No PTB, de Mozarildo Cavalcanti (RR). No PR, de César Borges (BA) ou Expedito Júnior (RO).

Que medo! - Único senador governista a retirar sua assinatura para tentar abortar a CPI, Cristovam Buarque (PDT-DF) se enrolou em justificativas na tribuna: ‘É um governo que não tem coordenação para nada, a não ser para fazer o mal. Quem fez o trabalho sujo está nas catacumbas do Palácio do Planalto’.

Vips - Além de Dilma Rousseff, outra autoridade que deve marcar presença na celebração do Pentecostes na paróquia de São José, em Taguatinga, é o ministro do Supremo Carlos Alberto Direito, frequentador assíduo das missas do padre Moacir.

Rápidas - José Serra estreou no Twitter. As primeiras postagens do microblog do governador tratam de sua passagem pela virada cultural no interior paulista, no fim de semana, de evento na represa de Guarapiranga e da participação que faria ontem à noite no programa de Luciana Gimenez para falar da lei antifumo.

Personagens - O recibo da doação de R$ 200 mil da empresa de tabaco Alliance à campanha de Yeda Crusius em 2006 leva a assinatura de Bercílio Luiz da Silva, e data de 25 de novembro. Hoje, o tucano dirige o Porto do Rio Grande. O dinheiro não consta da prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral.

De volta - Grampeado pelo vice-governador Paulo Feijó, o ex-chefe da Casa Civil de Yeda, Cesar Busatto, assume hoje a secretaria de Desenvolvimento de Santa Maria.

Marcha lenta - Desde 2000, no primeiro quadrimestre de cada ano foram criados, em média, 498 mil empregos na economia brasileira. Neste ano, mesmo com a boa recuperação de abril, o saldo foi de 48 mil (ou 9,6% da média dos últimos dez anos).

Tiroteio

O PT gosta dessa tática de repetir mentiras para fazer terrorismo. É a postura, como diria o presidente Lula, de gente irresponsável. 
Do senador SÉRGIO GUERRA (PSDB-PE), sobre declaração do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, segundo quem os tucanos querem desmoralizar a Petrobras para no futuro privatizá-la.

Contraponto

Ex-tudo

Na mais recente reunião do conselho da TV Brasil, discutia-se a nova grade de programação da emissora, criada no segundo mandato de Lula. Um dos participantes defendia a necessidade de colocar uma determinada atração antes de outra, como forma de alavancar a audiência. 
O conselheiro José Paulo Cavalcanti Filho discordou. Em seu entender, essa não deveria ser a preocupação de uma emissora pública. 
-Isso é coisa de ex-Globo- criticou o advogado. 
Presente à mesa, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, comentou: 
-Imagine eu, que sou ex-Globo e ex-comunista...  

COISAS DA POLÍTICA

Perigosa matemática da CPI da Petrobras

Tales Faria

JORNAL DO BRASIL - 19/05/09

Nunca é demais lembrar aquela velha história da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Caso PC Farias, no governo Fernando Collor de Mello. Coordenador político do governo, Jorge Bornhausen, do PFL, era considerado então uma das maiores raposas políticas do país. Depois deixou de sê-lo, mas naquela época era visto assim. E vaticinou que a CPI daria em nada porque os governistas tinham maioria mais que absoluta na comissão. O então deputado Benito Gama, designado presidente, não só era do PFL como era braço direito do ultragovernista Antonio Carlos Magalhães. Mas nada disso adiantou. Desandou o controle sobre a comissão de tal forma que até Benito Gama acabou desobedecendo a ACM. E Collor foi cassado.

De outro lado tem a CPI dos Bingos. Lembra? Foi instalada em junho de 2005 para investigar a atuação do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz com a máfia dos bingos. Acabou apelidada de CPI do Fim do Mundo, porque passou a investigar todo tipo de denúncia que surgia contra o governo, já fragilizado pelo mensalão. A CPI partiu dos bingos para a suposta ligação entre o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT) e o esquema de financiamento de campanhas; as possíveis irregularidades na Prefeitura de Ribeirão Preto durante a gestão de Antonio Palocci; a suposta doação de casas de bingo ou a remessa de dólares vindos de Cuba para a campanha de Lula, entre outros casos. Quando parecia que ia acabar com o mundo, terminou mesmo dando em nada. CPIs são assim: imprevisíveis.

Daí dizer-se, no meio político, que se sabe como começam as CPIs, mas não dá para prever como elas vão terminar. Essa CPI da Petrobras não foge à regra. Pode virar uma verdadeira CPI do Fim do Mundo. Mas pode também tornar-se uma embolada sem solução. Os governistas mais otimistas acham que a CPI vai dar em nada. Contam nos dedos uma maioria confortabilíssima: dos 11 membros da comissão, só três serão designados pela oposição (PSDB mais DEM) e os restantes oito senadores com direito a voto virão de partidos governistas: três do bloco liderado pelo PMDB, três do bloco do PT, um do PTB e um do PDT. Então, o governo pode dormir tranquilo? Nada disso.

O primeiro problema é o PMDB. Dos 19 senadores do partido, 15 disputarão a eleição de 2010, nove deles contra o PT. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), deve indicar a si mesmo como um dos membros da comissão. E ele está em conflito aberto com o PT. Renan simplesmente não fala com o líder petista, Aloizio Mercadante (SP), nem com o ex-líder Tião Viana (AC). Ontem, Lula teve que nomear Ideli Salvatti (PT-SC) como líder do governo no Congresso a pedido de Renan. O líder do PMDB, veja só, disse a Lula que Mercadante defendia para o cargo um nome do PDT, Osmar Dias (PR), mas que o PMDB só aceitava Ideli Salvatti, uma das únicas no PT com quem Renan mantém bom relacionamento. Osmar Dias não deve estar muito satisfeito de ter sido caroneado. E vale lembrar: ele é irmão de Álvaro Dias (PR), o tucano que apareceu com o requerimento de criação da CPI.

Além disso, tem a Bahia. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, vinha sendo cogitado como forte candidato ao Senado pelo PT baiano. Então, os três senadores do Estado devem acorrer à CPI: João Durval (PDT), ligado ao mefistofélico ministro peemedebista Gedel Vieira Lima, Cesar Borges (PR), vindo das hostes de Antonio Carlos Magalhães, e o próprio filho de ACM, Antonio Carlos Júnior (DEM). Gente demais querendo a caveira do homem.

Se ocorrer o voto contrário de dois dos baianos, a maioria governista de oito a três viraria seis a cinco. Como no PTB há dois nomes que podem fazer de tudo – Fernando Collor de Mello (AL) e Romeu Tuma (SP) – o voto contrário de um deles pode inverter o placar para seis a cinco a favor da oposição. Isso acreditando que Renan Calheiros, por exemplo, fique com o governo até o final da história.

Sinceramente, não creio que a virada vá ocorrer, porque governo é governo. E este, especialmente, é um governo forte. Mas o exercício de matemática acima está sendo feito por todos os partidos. Governistas e oposicionistas de todas as cores que tentam se aproveitar de CPIs para esticar a corda ao máximo e arrancar o que puderem do governo. Administrar essa gente não é fácil. Às vezes desanda.

BAR ZIL


INFORME JB

Cabral e Lindberg fazem as pazes

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 19/05/09

A chapa PMDB–PT para a sucessão estadual no Rio foi praticamente fechada ontem, num acordo informal, em reunião no Palácio das Laranjeiras. Só falta o aval do presidente da República – que será informado do trato pessoalmente, dia 29, quando visita a cidade. O governador Sérgio Cabral recebeu o vice, Luiz Pezão, o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), e o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos (PT – foto à esq). Como testemunha do casamento, o secretário de Governo, Wilson Carlos. Cabral e Lindberg, que se atacavam nos últimos meses, acertaram-se tendo na mira a verticalização a favor da ministra Dilma Rousseff, candidata à Presidência. A senha para o acordo foi o PT deixar "as portas abertas" para as conversas. O combinado é: Cabral à reeleição, e Pezão vice. Lindberg e Picciani são candidatos ao Senado. E Edson Santos tenta novo mandato na Câmara Federal.

Programáticos Pragmáticos

Para Lindberg (D), uma aliança PMDB-PT no Rio levaria um futuro governo para uma linha centro-esquerda. E pelo menos é isso que os petistas querem.

Lindberg deixou claro, na reunião, que só a convenção do PT vai decidir o futuro. Mas todos ali sabiam que é assim que o presidente Lula e Dilma desejam.

E a Bené?

Ninguém tocou no nome de Benedita da Silva, secretária de Cabral e também pré-candidata ao Senado. Será um problema para o partido resolver. Há suspeitas de que o presidente Lula terá de intervir no caso para convencê-la.

Boa noite, chefe

Fernando Henrique Cardoso dorme hoje com Aécio Neves, melhor, no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador mineira. Era o previsto na agenda de ambos.

Aécio grita

O PSDB ficou em polvorosa com o boato de que o mineiro teria feito acordo com o governador José Serra (SP), pré-candidato à Presidência, para ser vice dele na chapa. Aecistas ligaram para ele o dia todo. Ele desmentiu.

Tucanada

Em nome dos tucanos – e principalmente da turma de Aécio – o secretário nacional do tucanato, deputado federal Rodrigo de Castro (MG), disse que Aécio e Serra estão muito afinados. Mas nem tanto a ponto de acordo agora. Haverá prévias.

Zé Feliz

Coincidência ou não, ontem, dia D, o todo-poderoso José Dirceu passou o dia no Rio. A quem encontrava dizia que Dilma é a futura presidente do país.

Sobe

Pesquisa nas mãos de Cabral deixou o PMDB do Rio animado. Sua avaliação positiva cresceu 12 pontos no interior, no mês passado.

Fala, Zurita

Para um público que representa 44% do PIB Nacional, Ivan Zurita, presidente da Nestlé, falará sobre Reação positiva à crise, com ousadia e confiança, no 16º Seminário Lide – Grupo de Líderes Empresariais, dia 19, no Caesar Park Faria Lima, em SP.

Aquário

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, conhece amanhã os empresários que querem construir o mega-aquário na Zona Portuária. O homem está animado com a revitalização da região, que começará em breve.

CLÓVIS ROSSI

13 anos depois, ainda primitivos

FOLHA DE SÃO PAULO - 19/05/09

Uma parte relevante do mundo político só se empenha no culto à personalidade do ocupante da Presidência, seja qual for


Reproduzo a seguir os trechos essenciais de texto meu publicado no dia 9 de outubro de 1996, quando se discutia a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

“Decidi (...) iniciar campanha para coletar assinaturas em emenda popular, cujo texto seria mais ou menos assim:

Artigo 1º – Todo presidente da República tem o direito inalienável de concorrer quantas vezes quiser à reeleição.

Artigo 2º – O anterior se aplica apenas quando o presidente da República se chamar Fernando Henrique Cardoso.

Artigo 3º – Se o presidente se chamar Fernando Henrique Cardoso, mas não quiser, em algum momento, concorrer à reeleição, serão convocados o Papa e a Organização das Nações Unidas para tentar demovê-lo de ideia tão contrária aos mais legítimos anseios da pátria.

Artigo 4º – Se mesmo assim o presidente Fernando Henrique Cardoso insistir em não concorrer, o direito à reeleição se transfere a seus descendentes diretos, nos termos do artigo 1º.

Revogam-se as disposições em contrário”.

Bom, agora você troca Fernando Henrique Cardoso por Luiz Inácio Lula da Silva e o texto fica absurdamente atual, apesar de ter sido publicado faz 13 anos e depois de quatro períodos presidenciais.

A atualidade do texto só demonstra que o Brasil continua politicamente primitivo. Uma parte relevante do mundo político só se empenha no culto à personalidade do ocupante da Presidência, seja qual for, e/ou em ocupar o poder e mantê-lo uma vez ocupado, sem apresentar, jamais, um projeto de país, mesmo que fosse ruim.

Torço, sem grandes esperanças, para que Lula diga publica e fortemente que não será candidato, ainda que passe a re-reeleição. Pelo menos ele seria menos primitivo que seus bajuladores.

GOSTOSA


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ANCELMO GÓIS

Direito de imagem

O GLOBO - 19/05/09

Glória Pires ajuizou na 50ª Vara Cível do Rio ação contra a Total Filme, produtora do longa Se eu fosse você 2, e contra a Todeschini, fabricante de móveis.
A empresa pôs no ar a campanha “Se eu fosse você, escolheria Todeschini” com autorização da Total, mas não da atriz.

FESTA NO MARACA
A CBF vai mudar a data de Flamengo x Atlético-PR, jogo da estreia de Adriano no Maracanã. Em vez de sábado, dia 30, será domingo, 31, às 16 horas.
Nesse dia, pelos telões, ao vivo de Nassau, às 15h30, Ricardo Teixeira anunciará que o estádio será palco da final da Copa de 2014. Depois, haverá uma festa de arromba no Maraca.
INVERNO NA RÚSSIA
A Record arrematou um dos títulos mais disputados da Feira do Livro de Londres: Russian winter, de Daphne Kalotay.
O contrato acaba de ser assinado, e o adiantamento foi de US$ 37.500. O romance fala de uma bailarina do Bolshoi que fugiu da URSS para os EUA depois da Segunda Guerra.
PARTIDO DA BOLA
Valdir Espinosa, o técnico campeão do mundo com o Grêmio, vai se arriscar na política.
A convite do ministro Lupi, filiou-se ao PDT para concorrer a deputado no Rio, em 2010.
LÁ E CÁ
Deu na publicação inglesa London Review of Books: há na Itália 574.215 carros oficiais para as autoridades do governo e os 180 mil políticos de todos os níveis.
Deve ser terrível... você sabe.
BRASIL BRASILEIRO
Esses dias, o nome de um menino intrigou os médicos de plantão no Hospital Jesus, no Andaraí, no Rio.
Era... Waltidisnei. O miúdo explicou que a intenção da mãe foi homenagear... Walt Disney, o criador do Mickey. Legal.
BATEAU MOUCHE
O ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, determinou que a empresa Bateau Mouche e a União paguem indenização aos filhos da atriz Yara Amaral, morta no naufrágio do barco, no dia 31 de dezembro de 1988.
Bernardo Amaral Goulart e João Mário Amaral Goulart, filhos da atriz, representados pelo advogado João Tancredo, receberão R$ 465 mil, cada, e pensão de 80 salários mínimos.
ESTA É A SUA VIDA 
Pedro Bial, da TV Globo, emocionou-se ao lembrar sua ascendência alemã em depoimento para a série Testemunha Ocular, da Casa do Saber. Sobretudo, ao descobrir que sua mãe, que fugiu do nazismo na 2ª Guerra, estava na plateia. 
SEGUE... 
O pai de Bial, anos antes, havia se convertido ao judaísmo e corria risco na Alemanha:
– Deve ter sido por isso que meu pai não quis que eu aprendesse alemão, que tanta falta me fez nas coberturas – disse. 
INFRAERO FURADA
Há algo errado no Galeão. Ontem, o Boeing da Gol que fez voo 1845 (Aracaju-Rio) parou por volta de 17h30m no finger 6 e, quando os passageiros já iam descer, o piloto avisou: o pneu do tal finger estava... furado.
O piloto pediu autorização para usar o finger ao lado, mas... também estava com pneu furado. Resultado: o Boeing teve de ser rebocado e os passageiros foram resgatados por ônibus.

DORA KRAMER

Falta espírito na coisa

O ESTADO DE SÃO PAULO - 19/05/09

O presidente Luiz Inácio da Silva não deixa de ter razão: algo há por trás da CPI da Petrobras.

Quando defendeu a tese do “algo mais”, a ideia do presidente era atirar só no PSDB, mas ele acabou acertando na essência de uma questão mais ampla: se há dúvidas sobre as razões da oposição, também há incertezas a respeito do comportamento da situação.

Aqui da plateia não deu para captar o espírito da coisa com clareza. Nada faz muito sentido. Menos ainda depois que o governo reagiu como se os tucanos tivessem anunciado a aproximação do fim do mundo e, ao mesmo tempo, manifestado absoluta tranquilidade, “receio nenhum”, com o desenrolar da CPI.

Se não existe temor de nada, por que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, considera que uma investigação para apurar a ocorrência de irregularidades na Petrobras significaria necessariamente a “desmoralização” da empresa?

Segundo ele, o PSDB quer investigar para desmoralizar e depois privatizar a Petrobras. Terá o ministro percebido que deu por perdida a eleição presidencial de 2010? Sim, porque para vender a empresa será necessário o PSDB assumir o governo.

Ganhando, venderia uma empresa desmoralizada na bacia das almas. Não faz sentido. A menos que a intenção seja desde já pôr o debate da sucessão nos termos postos quando do segundo turno da disputa entre Lula e Geraldo Alckmin.

O governo invoca a falta de patriotismo da oposição e lamenta, como fez o presidente, que a CPI seja feita “em momento de ouro na área do petróleo”. Ora, se o momento é de ouro a situação será de diamante quando não restar a menor dúvida de que a Petrobras anda na mais estrita linha. O fato de ser a maior empresa do país não lhe dá salvo-conduto para transgredir. Ao contrário, pois não?

Sobre as motivações oposicionistas levantam-se algumas possibilidades. Lula aventou logo de início que a CPI teria o objetivo de desviar o foco das atenções, há três meses fixado sobre o Congresso.

Embora seja a hipótese mais óbvia, não é lógica. Primeiro, porque tal interesse não seria só do PSDB, mas de todos os partidos, inclusive os governistas.

Segundo, seria uma operação estranha a montagem de uma bomba de potencial atômico para desmontar o feixe de dinamites ao lado. Terceiro, é inútil. Denúncia boa tem espaço com CPI ou sem CPI. Aliás, é no clima de barata voa mesmo que o ambiente fica mais propício à troca de acusações.

Onde há disputa de posições e os ânimos entram em estado de ebulição, os pactos de boa convivência tendem a se dissolver e uma grande crise pode dar lugar a uma crise monumental.

Outra possibilidade seria a alteração da pauta: no lugar do Congresso estaria o governo na berlinda, alvo de um tema feito na medida para se iniciar o embate de 2010. Além dos defeitos da hipótese anterior, esta criaria um perigo adicional: o da oposição abrir ao governo a chance de carimbar o PSDB como “inimigo” da Petrobras, um símbolo caro ao consciente e ao inconsciente do coletivo nacional.

Nunca se pode descartar a alegação oficial: pode ser que o interesse do PSDB seja mesmo investigar a fundo a Petrobras. Nesse caso, teria de entrar mais bem armado no combate a fim de dar conta da agenda: fraudes em licitações, desvios no pagamento de royalties, acordos suspeitos com usineiros, irregularidades em contratos para construção de plataformas, sonegação de impostos, superfaturamentos nas obras da nova refinaria em Pernambuco e ilícitos na concessão de patrocínios.

Isso sem a parceria do DEM, com o PMDB na posição dúbia de sempre, a tropa de choque do vale-tudo nos calcanhares, a mentira institucionalizada como arma de defesa nas CPI e uma inequívoca preferência pelo panorama visto de cima do muro.

O esgrimista

O presidente do Senado, José Sarney, envia a seguinte mensagem a propósito do relato sobre suas aflições em virtude da crise no Congresso. “Em sua coluna sob o título Renúncia na cabeça, levaram a você pensamentos e ‘sonhos meus’ que ainda não estão na minha cabeça, embora a sedução de parar aos 80 anos seja uma coisa a ser considerada.

Nem esta contudo – pela minha alma supersticiosa – me deixa pensar, pois não quero interferir na vontade do Criador. Ao marcar data Ele pode não concordar. Aceitei a presidência do Senado por aquilo que você escreveu – e que peço para plagiar, agora e no futuro: ‘o destino me leva à política’ –, pelo desejo de ainda ter forças e disposição de servir ao país, embora tenha entrado em mares tempestuosos e águas de enxofre.

Pelo visto não estou de ‘semblante carregado’. As outras motivações que me foram atribuídas não são exatas. Estou numa fase de acabar com inimizades, não mais incorporar nenhuma e não perder amigos. Há melhor estado de espírito do que este?”

Diga-se o que for, mas não se subtraia de Sarney um atributo: as maneiras de rara sutileza.