sábado, outubro 18, 2008
O REI (ADO)
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Há os que pedem para o Lula se calar. Pois eu, não. Imaginem perder essa maravilha: Lula, reunido com o presidente de Moçambique, indignado ao saber que a ajuda de R$10 milhões de dólares que prometera cinco anos atrás ao país africano ainda não chegara lá, reagiu à explicação de seu chanceler, de que a culpa era da burocracia. E saiu-se com esta, dirigindo-se ao chefe do estado moçambicano:
“No tempo em que você tinha os faraós e os imperadores, isso não acontecia”. Todos os brasileiros da imensa equipe do presidente sorriram e olharam para os moçambicanos com ar de quem diz “ele não é uma simpatia?”. Dificilmente um amigo que promete essa pequena fortuna não vai ser encarado como simpático, mesmo que Moçambique tenha que reescrever sua história e colocar lá uns faraós. Com certeza estão até agora se perguntando onde foi que o Lula pescou um faraó em Moçambique...
Perder as sentenças do Lula, nem pelos tais dez milhões de dólares. Não sei se vocês já repararam, o Lula não fala, nem diz. Ele sentencia. Espeta os indicadores para baixo ou para cima, e dá suas sentenças.
Lá da Índia veio uma: “A Marta já ganhou”. O que, ele não se dá ao trabalho de dizer. Mas nós presumimos que se refira às eleições para prefeita de São Paulo. De todas as sentenças que deu, essa foi a mais arriscada. Eu não acredito que depois da grosseria de sua campanha, a candidata do PT venha a ganhar. Mas como ele sentenciou...
A campanha de dona Marta agrediu gratuitamente todos os solteiros, solteiras e gays deste país. Sim, porque ao sugerir, naquele tom usado pelo locutor de sua peça publicitária, que por ser solteiro Kassab era gay, ela ao mesmo tempo declarava que, sendo gay, não serviria para prefeito.
Discordo dela em gênero, número e grau. O estado civil, a cor, a religião, se tem filhos ou não, as preferências sexuais, são tão importantes para governar quanto a altura, o peso ou as condições capilares do indivíduo.
A pergunta, além de irrelevante, é obtusa. Escolher não casar vem se tornando, a cada dia que passa neste mundo complicado em que vivemos, mais e mais comum. Ser homo ou ser hetero, deixou de ser um anátema. Não ter filhos, é outra opção que alguns acham do maior bom senso. É tão tola a pergunta sobre qual o estado civil do Kassab, que fiquei até com pena da candidata. É preciso estar mesmo no desespero para fazer um questionamento desse tipo. Mas pior do que isso foi, para mim, outra das perguntas feitas no mesmo programa:
“Sabe de onde ele veio?”.
O que será que o publicitário do PT e dona Marta quiseram dizer com isso? Não consigo atinar com o motivo para tal pergunta. Se Kassab fosse verde, ou tivesse uma luzinha na ponta de um dedo, ou voasse, ou falasse numa língua esquisita, ou pensasse que todos os países africanos têm faraós, a pergunta até que faria sentido. Mas como nada disso ocorre, fico encafifada. Será que a candidata se referia a úteros aristocratas e plebeus? E quem rotula?
Todos sabem que estas eleições municipais são uma encruzilhada para a eleição de 2010. Rio e São Paulo, as estrelas mais brilhantes de nossa bandeira, estão escapando do controle do PT. Em São Paulo, como a fofoca tipo revista de celebridades foi um tiro na culatra, começam a pipocar cenas de barbárie. Polícia contra polícia, diante do palácio do governador, desrespeitando a população.
No Rio, querem nos convencer, primeiro através de folhetos anônimos, depois através de notas à Imprensa, que votar em Fernando Gabeira é votar num maconheiro preconceituoso. Aliás, solteiro, aliás, ateu. Serviu como deputado federal pelo PT, mas não serve como prefeito da cidade que ama? E onde é amado?
PT e afiliados, cresçam e reapareçam. Mas agora fiquem bem tranqüilos. Nós não estamos mais no tempo dos faraós. Quem manda agora é o povo, a sociedade, a população, os homens, as mulheres, os ateus, os religiosos, os negros, os brancos, os índios, os gays, os machões, os enrustidos, os altos, os baixos, os carecas, os gordos, os sarados, os cultos, os incultos, os feios e os bonitos.
Nós queremos Kassab em São Paulo e Gabeira no Rio. E que deixem Lula nos palanques, sentenciando adoidado, para amenizar estes dias pesados em que a tal de globalização nos meteu. Mas atenção, só até 31 de dezembro de 2010! Nem mais um minuto!
sexta-feira, outubro 17, 2008
FIM DE SEMANA
Festa Coleta Seletiva |
DIOGO MAINARDI
16 de outubro de 2008
Eu sou casado e tenho filhos. Um de meus filhos me passou uma tosse catarrenta que pode interromper este podcast daqui a dez ou quinze segundos. Meu outro filho me liga de seu computador, pelo Skype, interrompendo o podcast a cada dez ou quinze segundos. Eu invejo Gilberto Kassab, que é solteiro e sem filhos.
Marta Suplicy, como se sabe, recorreu a uma canalhice ao perguntar se Gilberto Kassab era casado e se tinha filhos. Ela foi torpedeada de todos os lados. Muita gente, inclusive de seu próprio partido, como Ideli Salvatti, argumentou que era um erro invadir a privacidade dos políticos. Se Ideli Salvatti argumenta de um jeito, eu argumento do jeito contrário. Na realidade, quanto mais devassada é a vida dos políticos, melhor. Nos últimos anos, a idéia de que a privacidade dessa turma tinha de ser resguardada foi usada para tentar acobertar episódios suspeitos como a venda da empresa de Lulinha para a Telemar, ou as festas promovidas pelos assessores de Antonio Palocci, ou os pagamentos de Renan Calheiros à sua amante.
Importa saber se Gilberto Kassab é homossexual? Importa saber se Marta Suplicy é adúltera? Para mim, de jeito nenhum. Mas compreendo que alguns eleitores possam se importar. Ninguém deve proteger os eleitores de sua própria obtusidade. E ninguém deve proteger os políticos de seu próprio comportamento.
A canalhice da campanha petista teve outro efeito muito benéfico. Mais do que responder a algum questionamento sobre Gilberto Kassab, ela ajudou a revelar o verdadeiro caráter de Marta Suplicy. Em primeiro lugar, ela está disposta a apelar aos métodos mais torpes e aos sentimentos mais rasteiros para se eleger à prefeitura. Em segundo lugar, ela mente. E mente desavergonhadamente. Ela mentiu desavergonhadamente quando declarou que as perguntas sobre o estado civil de Gilberto Kassab eram de todo inocentes. E mentiu desavergonhadamente quando atribuiu apenas ao seu marqueteiro a responsabilidade pelo comercial que continha aquelas duas perguntas.
Os petistas fizeram o governo mais promíscuo da história, rompendo todas as barreiras entre público e privado. Marta Suplicy e seu marido Luis Favre simbolizam essa promiscuidade melhor do que ninguém. Ao perguntar, em sua campanha, se Gilberto Kassab era casado e se tinha filhos, Marta Suplicy inadvertidamente abriu uma brecha nesse campo, permitindo que a gente indagasse sobre a vida particular dela, de seu marido e de todos os outros petistas. Eu tenho um monte de perguntas. O assunto? O de sempre, quando se refere ao PT: dinheiro.
Sobre o fato de ser casado e com filhos, só tenho um comentário a fazer: quer ficar com os meus, Kassab? Eu empresto.
quinta-feira, outubro 16, 2008
QUINTA NOS JORNAIS
- Folha: Sinais de recessão assustam mercados
- Estadão: Sinais de recessão provocam forte queda nos mercados
- JB: Lula ameaça os bancos
- Correio: Trânsito sem lei para embaixadas
- Valor: Recessão assusta os EUA e volta o pessimismo global
- Gazeta Mercantil: Europa promete pacto global; bolsas têm queda violenta
- Jornal do Commercio: Crise ameaça concursos e reajuste de servidor
domingo, outubro 12, 2008
INVESTIMENTO
ABRA A BOCA
A PIADA!
Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem
decidiu
dar-lhes apenas duas virtudes. Assim:
- Aos Americanos os fez estudiosos e respeitadores da lei.
- Aos Ingleses, organizados e pontuais.
- Aos argentinos, chatos e arrogantes.
- Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados.
- Aos Italianos, alegres e românticos.
- Aos Franceses, cultos e finos.
- Aos Brasileiros, inteligentes, honestos e políticos.
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade e de
medo, indagou:
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas
virtudes, porém, aos brasileiros foram dadas três! Isto
não os fará soberbos em relação aos outros povos da
terra?
- Muito bem observado, bom anjo! exclamou o Senhor. - Isto
é verdade! Façamos então uma correção: De agora em
diante, os brasileiros, povo do meu coração, manterão
estas três virtudes, mas nenhum deles poderá utilizar mais
de duas simultaneamente, como os outros povos!
- Assim, o que for político e honesto, não pode ser
inteligente. O que for político e inteligente, não pode ser honesto. E o que for inteligente e honesto, não pode
ser político.
Palavras do Senhor...
ENVIADA POR APOLO
DOMINGO NOS JORNAIS
- Globo: Governo pode cortar gastos e adiar programas sociais
- Folha: Falta de liderança global agrava crise financeira
- Estadão: Governo avalia que especulação cambial é subprime brasileiro
- JB: Mundo além da crise
- Correio: DF em apuros – Planejamento zero
- Valor: Governo estima gastar US$ 20 bi das reservas
terça-feira, outubro 07, 2008
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: BC anuncia socorro a bancos em dia de pânico no mercado
- Folha: Crise se aprofunda na Europa e espalha pânico pelos mercados
- Estadão: BC ganha mais poder para socorrer bancos pequenos
- JB: Crise chega ao país
- Correio: Governo lança pacote contra desespero
- Valor: Governos tentam acalmar mercado
- Gazeta Mercantil: Circuit breaker
- Estado de Minas: Declarada a guerra do 2º turno em BH
- Jornal do Commercio: Eleição deixa Vitória em pé de guerra
segunda-feira, outubro 06, 2008
OS DERROTADOS
ENTREVISTA
JOSÉ AGRIPINO: LULA SE ARREBENTOU EM NATAL
Depois de ajudar a impor um revés à petista Fátima Bezerra na eleição de Natal, José Agripino Maia, líder do DEM, prepara-se para discursar no Senado.
Vai revidar os ataques que Lula fez a ele e à candidata Micarla de Souza (PV), que prevaleceu em natal, no primeiro turno, com o seu apoio.
“Não posso deixar de realçar o viés chavista de Lula. Ele é um títere. Não consegue respeitar a oposição. É truculento. É sobre isso que vou falar...”
“...O Lula veio a Natal para derrotar o líder da oposição. Ficou patente que, em política, a truculência é má conselheira. Ele se arrebentou.”
Abaixo a entrevista de Agripino:
- O comício de Lula teve influência na vitória de Micarla?
O Lula perdeu a cabeça e mostrou a sua face real. Desceu do olimpo do estadista, que nunca foi, para o lugar de sindicalista primário que ele é. Ele não admite oposição.
- Mas acha que isso prejudicou a candidatura de Fátima Bezerra (PT)?
Estava em curso um crescimento de Fátima. As pessoas começavam a compreender que ela havia reunido apoiadores fortes: a Wilma [de Faria, governadora], o Carlos Eduardo [Alves, prefeito de Natal] e o Garibaldi [Alves, presidente do Senado]. Mas o discurso de cirou um tumulto na cidade. Fez muita gente armar barricadas contra eles.
- Que tipo de gente?
Gente que gosta de mim e até gente que não gosta. Esse discurso provovou uma parada no crescimento da Fátima. Um contrasenso se considerarmos a musculatura dos aliados que ela reuniu. Lula estancou o processo de crescimento com o insulto que fez a mim e à candidata Micarla. Ele perturbou o processo.
- Realmente acha que isso teve peso eleitoral?
O que Lula fez em Natal foi patrocinar um grande acordo, um acórdão. Juntou Wilma e Garibaldi, para que os dois me derrotassem [na disputa pelo Senado, em 2010]. No afã de me derrotar, ele patrocinou esse acordão. Isso ficou ainda mais claro com o discurso em que ele dirigiu ofensas a mim. Esse acórdão foi derrotado pelo povo.
- A que atribui a raiva do presidente?
O ódio dele vem da CPMF, que nós derrotamos no Senado. No comício de Natal, ele discursou espumando de raiva. Ele disse: ‘Esperei muito tempo para esse ajuste de contas. Chegou o momento’. Disse que faço eu política suja, discursos na madrugada, numa referência à sessão noturna em que o Senado derrubou a CPMF. Disse que só prestava quem estava do lado dele no palanque.
- Pretende revidar?
O revide foi dado pelo povo de Natal. Eu farei um discurso do Senado. Será um discurso cuidadoso. Não quero prejudicar a administração de Micarla, que vai assumir a prefeitura. Mas não posso deixar de realçar o viés chavista de Lula. Ele é um títere. Não consegue respeitar a oposição. É truculento. É sobre isso que vou falar.
- O discurso será feito nesta semana?
Sim, na quarta ou quinta-feira. É preciso deixar claro o seguinte: O Lula veio a Natal para derrotar o líder da oposição. Falou em vitória no primeiro turno. Amargou uma derrota no primeiro turno. Ficou patente que, em política, a truculência é má conselheira. Ele se arrebentou.
Uma dupla do PV –Fernando Gabeira, no Rio, e Micarla de Sousa, em Natal— impôs a Lula um incômodo par de derrotas.
Gabeira empurrou Marcelo Crivella (PRB), dodói de Lula na disputa carioca, para fora do segundo turno da disputa.
O êxito de Gabeira deixou a Lula duas alternativas, ambas muito desagradáveis:
1. Ficar ausente do segundo round da campanha carioca;
2. Apoiar Eduardo Paes (PMDB), um ex-tucano que, em 2005, achicalhava o presidente, o governo e o petismo na bancada da CPI dos Correios.
Micarla, eleita já no primeiro turno, atravessou na traquéia de Lula um aliado dela: José Agripino Maia (DEM).
Afora São Paulo, Natal foi a única capital em que Lula fez campanha franca e aberta. Foi ao palanque de Fátima Bezerra (PT).
Menos para apoiar a candidata petista, mais para desancar Agripino Maia, seu algoz no Senado e um dos artífices da derrubada da CPMF.
Deu chabu. Micarla derrotou, além da rival petista, toda a claque de estrelas que se formou em torno dela.
Além de Lula, foram arrastados, por exemplo: a governadora Wilma de Faria (PSB); o presidente do Senado, Garibaldi Alves; e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.
São os riscos que corre o presidente ao descer do Planalto para a planície de uma refrega meramente municipal.
Noutras praças, candidatos petistas e de legendas governistas que não tiveram a “ventura” de recepcionar Lula em seus palanques saíram-se melhor.
Foi o caso de Luizianne Lins (PT), reeleita prefeita de Fortaleza. Ou de João Coser (PT), reeleito em Vitória.
Ou ainda de João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), que foram ao segundo turno em Salvador, alijando da disputa ACM Neto (DEM).
JOSIAS DE SOUZA-FOLHA
SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Rio derrota Cesar e Crivella; Paes e Gabeira vão a 2º turno
- JB: Paes 32% Gabeira 25%
- Correio: PMDB ganha força nas urnas. Já o PT...
- Valor: Eleições sancionam continuidade
- Gazeta Mercantil: Tim renova conselho e muda foco para cliente e rentabilidade
- Jornal do Commercio: Recife segue João
sábado, outubro 04, 2008

SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Tamanho dos prejuízos no Brasil surpreende mercado
- Folha: EUA aprovam pacote, mas Bolsas caem
- Estadão: Aprovação do pacote abre onda de especulação
- JB: Aprovado pacote dos EUA, mas a crise fica
- Correio: Crise nos EUA põe bancos brasileiros em apuros
- Valor: Receita alta explica onda de reeleições nas capitais
- Gazeta Mercantil: Mercados se retraem à espera do pacote
- Estado de Minas: Nem Freud explica...
- Jornal do Commercio: João da Costa tem 48%. Oposições, 42%
sexta-feira, outubro 03, 2008
Dora Kramer
Chá, chá, chá das secretárias
Pisoteado de todos os lados, por cima do Código de Conduta da Comissão de Ética Pública passaram bois, boiadas e ainda passam ministros à vontade. Só não passam as 300 secretárias do Palácio do Planalto obrigadas, “por determinação expressa” da ministra Dilma Rousseff, a devolver os brindes sorteados na festa em comemoração ao dia delas, 30 de setembro. Passagens aéreas, diárias em hotéis, vales-academia, lingerie, tudo ofertado por empresas privadas, a grande maioria no valor acima de R$ 100, cujo recebimento é vedado pelo referido código. A rigor, as secretárias estariam fora das regras criadas em 2002 para regular a conduta de “ministros de Estado, secretários executivos, cargos especiais, diretores de autarquias, agências reguladoras, empresas estatais e demais autoridades de nível equivalente”. Mas, como os presentes se destinam a agradar aos chefes, na essência, a extensão do princípio a elas estaria correta, não fosse o caráter seletivo da aplicação da boa prática. Até hoje, salvo uma advertência ou outra e reclamações de conselheiros da Comissão de Ética sempre em tom de causa perdida, nenhuma autoridade foi obrigada a se enquadrar às normas do manual. Algumas o fizeram espontaneamente. Mas, a começar da entrega do pagamento das reformas dos Palácios do Planalto e Alvorada a um “pool” de empresas privadas, o código é tratado literalmente como bolinha de papel. Muito provavelmente esta seja a razão pela qual a Coordenadoria de Relações Públicas do Planalto, subordinada à Casa Civil, tenha organizado a festa sem se preocupar em consultar as normas de conduta. Por que o faria? Se dois ministros, sob o silêncio complacente do presidente Luiz Inácio da Silva, fizeram troça explícita da comissão e do código, não seria a celebração do Dia da Secretária que iria alterar a forma de se ver as coisas no Planalto. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi alertado sobre o conflito de interesses entre o acúmulo do cargo e a presidência do PDT e só deixou formalmente o comando do partido meses depois de dizer todos os desaforos que quis a respeito da conduta da Comissão de Ética. “Hipócrita”, segundo ele. Durante o período de resistência, juntou-se a ele no deboche o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, tratando de avisar aos navegantes que quando o carnaval chegar pretende aceitar todos os convites de empresas privadas para festas, bailes e desfiles, a despeito do veto escrito no código. Tal como a proibição do recebimento de brindes de mais de R$ 100. A própria Dilma Rousseff está sob escrutínio da Comissão de Ética que verifica se foi ético o comportamento dela durante as negociações da venda da Varig, ao receber o advogado de uma parte interessada, Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio da Silva. O chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, também foi submetido a exame por causa das conversas gravadas com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh durante a Operação Satiagraha. Se houve alguma posição da Comissão de Ética, ninguém soube, ninguém viu, muito menos ouviu. Há normas, além das relativas aos conflitos de interesses, que também são constantemente ignoradas. Por exemplo: a proibição de uma autoridade se manifestar publicamente a respeito do desempenho funcional ou pessoal de outra. Tivemos oportunidade de assistir o quanto esse ponto do manual é observado na recente troca de acusações das mais pesadas entre integrantes do primeiro escalão do aparato de segurança do Estado. O que dizer, então, do rol de procedimentos recomendados para períodos pré-eleitorais? A participação em campanhas é simplesmente vedada, “mesmo de maneira informal”, diante “das dificuldades de se compatibilizar essa atividade com as atribuições funcionais”. É considerado comportamento impróprio “aproveitar viagens de trabalho para participar de eventos político-eleitorais”, bem como é tido como “fundamental” que a autoridade não faça promessas, cujo cumprimento “dependa do uso do cargo”. O código segue muito bem detalhado e fundamentado, mas paremos por aqui, dada a inutilidade da leitura de letras mortas. Ressuscitadas temporariamente no caso das secretárias, apenas como medida de rigor publicitário. |
FINALMENTE
Tom finalmente mata Jerry e o coiote pega o Papa-léguas.
Obras estão expostas em galeria de arte em londres.
Por mais que tente, o gato Tom nunca consegue se livrar de seu inimigo eterno, o rato Jerry. Essa é a 'ordem natural' dos desenhos animados, mas o artista inglês James Cauty resolveu subverter essa regra em sua nova exposição na Aquarium Gallery, em Londres. Em uma série de quadros, ele recria o que aconteceria se os personagens animados tivessem, finalmente, um fim trágico. Na imagem acima, sobrou para Jerry e para o passarinho Piu-Piu, devorado por Frajola. (Foto: Divulgação)
O gato Tom também acaba mal, assim como Pernalonga, finalmente superado pelo Patolino. (Foto: Divulgação)
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Temor de novo veto a pacote nos EUA derruba as bolsas
- Folha: Bolsa cai 7,3% e dólar passa de R$ 2
- Estadão: Dólar bate R$ 2,00 e bolsa cai com incertezas sobre pacote
- Correio: Jogatina de grã-fino na Península dos Ministros
- Valor: Receita alta explica onda de reeleição nas capitais
- Gazeta Mercantil: Mercados se retraem à espera do pacote
- Estado de Minas: Frankenstein americano semeia a incerteza...
quarta-feira, outubro 01, 2008
Imunidade preventiva
Dora Kramer
Já sentiu de longe o aroma do perigo e, por isso, muito antes de se materializar a preocupação no governo com a extensão da crise econômica mundial para os dois últimos anos de seu mandato, o presidente começou a construir o discurso preventivo à eventualidade de o bolso do brasileiro vir a ser atingido em cheio pelos efeitos da dura conjuntura.
Lula nunca fala do problema na essência, sempre no feitio de acusação. Ora a crise é "do Bush" ora a culpa é das agências de risco "palpiteiras", ora a responsabilidade é do "cassino" montado pelos Estados Unidos no mercado financeiro, ora o demônio está encarnado no "capital internacional" sempre pronto ao massacre contra os países pobres e emergentes.
Não importa o nome do bode, desde que sirva para expiar todas as culpas e afastar do Palácio do Planalto quaisquer ônus políticos decorrentes da crise.
No caso do aprofundamento e do prolongamento do cenário adverso, Lula enfrentaria sua primeira crise de verdade justamente no período em que estaria se preparando para fazer bonito no processo da própria sucessão: saindo dele com a vitória eleitoral debaixo do braço ou com as credenciais de líder da oposição e candidato a presidente em 2014, nas mãos.
Ainda não se sabe a extensão da quebradeira nem se a popularidade de Lula é realmente sustentada só pelo bom desempenho da economia, hipótese em que esse capital se reduziria na mesma proporção do aumento das dificuldades.
Não obstante o pensamento predominante de que uma virada na economia brasileira faria a canoa de Lula virar junto, esta não é necessariamente uma verdade inescapável. Claro que o presidente se valeu nos últimos seis anos de condições internacionais favoráveis e do fato de ter recebido um país muito mais arrumado por reformas combatidas por seu partido.
Nunca foi posto realmente a teste na parte mais sensível do organismo humano economicamente ativo, o bolso. Agora, já mostrou mais de uma vez uma monumental capacidade de manter sua figura a léguas de distância de situações complicadas.
Não foi a economia a responsável pela mágica da separação entre Lula e o PT no momento em que a cúpula da agremiação fundada e mantida sob sua firme direção a vida toda era acusada de montar uma "organização criminosa" no governo presidido por ele.
Tampouco foi o crédito farto o arquiteto da construção do cordão de isolamento entre o presidente e seu chefe da Casa Civil, seu ministro da Fazenda e toda a plêiade de auxiliares envolvidos com toda sorte de ilícitos: de tráfico de influência a quebra de sigilo bancário, passando por flagrantes de compra e venda de dossiês, quando não documentos contra adversários montados dentro do Palácio do Planalto.
O responsável pelo feito chama-se Luiz Inácio da Silva, cuja habilidade de manipulação de fatos, palavras, gestos, emoções e capacidade de inverter a própria lógica da vida não podem ser jamais desprezadas.
Portanto, ainda que o desastre mundial se aprofunde e atinja o Brasil ao ponto de alterar o cotidiano das pessoas, isso não autoriza previsões desastrosas a respeito dos dois anos reservados por Lula para marcar sua passagem para a História.
É preciso conferir se os outros fatores de identificação popular não atuam tão ou mais fortemente que a economia.
As conseqüências poderão ser melhores ou piores, dependendo do talento de Lula para manter a qualidade do desempenho e do grau de tolerância da sociedade para com atitudes antigamente condenadas e hoje promovidas ao terreno dos atos geniais.
Mas até isso o presidente terá de calibrar. Tem chance de sair como vítima, como parece pretender. Mas, se exagerar nos alertas à Casa Branca, chamadas às falas ao Capitólio e bravatas do gênero, poderá revelar-se menor que a expectativa de seus admiradores, abrindo espaço para que partam em busca de portos que porventura venham a se mostrar mais seguros no campo da oposição.
| Bovespa | -2,72% | 48192 | 01/10 | 12h56 |
| Nasdaq | -1,32% | 2054,69 | 01/10 | 11h48 |
| Dow Jones | +4,68% | 10850,66 | 30/09 | 16h30 |
| Ouro 250 grs BMF | -3,75% | 53,900 | 30/09 | 16h18 |
| CAC&FR | +0,37% | 4047,03 | 01/10 | 12h32 |
| DAX | -0,59% | 5796,53 | 01/10 | 12h30 |
| Dólar comercial | +1,47% | R$ 1,9320 | 01/10 | 12h53 |
| Euro | +1,11% | R$ 2,72463 | 01/10 | 12h50 |
| Poupança | 0,69800% | 01/10 | ||
DÓLAR | FUNDOS | FOLHAINVEST | ||||





