quarta-feira, agosto 14, 2013

A gasolina sob pressão - CELSO MING

O ESTADÃO - 14/08

É dos amigos, e não da oposição, que o governo Dilma recebe o maior tiroteio contra a atual política de subsídios aos combustíveis, principalmente à gasolina.
Segunda-feira, foi o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, que advertiu o governo de que o atual nível de preços ao consumidor é insustentável. Se não houver correção, argumentou, deteriora-se tanto a capacidade de investimento quanto a capacidade de endividamento da Petrobrás, a ponto de comprometer irremediavelmente seu plano de negócios.
Pelos padrões internacionais, hoje o consumidor paga entre 20% e 24% menos do que deveria, tanto pela gasolina quanto pelo diesel. E esses números tendem a subir em consequência do avanço das cotações do dólar no câmbio interno, que veio para ficar (veja o Confira).
Nesta terça-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, voltou à carga nas suas críticas de que os subsídios à gasolina praticados pelo governo Dilma concorrem para emperrar o trânsito nas grandes cidades e para tirar eficiência no transporte coletivo. Ele defende o aumento dos preços da gasolina (mas não do diesel) com uma taxação por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), com duplo objetivo: o de desestimular o uso do automóvel nas grandes cidades e o de pagar parte da tarifa do transporte urbano.
Tanto para a Petrobrás como para o prefeito Fernando Haddad, o governo vem negando esses reajustes, sob o argumento de que seriam inflacionários. O estudo do professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta terça-feira, mostra que a cobrança de um tributo adicional de R$ 0,50 sobre o preço ao consumidor do litro de gasolina reduziria em R$ 1,20 a tarifa da condução, fator que concorreria para diminuir a inflação, e não para aumentá-la.
O problema é que a aceitação da proposta do prefeito Fernando Haddad não resolveria o problema da Petrobrás. Para eliminar ambas as distorções, só os preços da gasolina teriam de ser aumentados em cerca de 40%.
A questão principal é a inversão de prioridades do governo Dilma que até agora ignorou o transporte coletivo e tudo fez para estimular o transporte individual.
Os subsídios à gasolina e o achatamento subsequente dos preços do etanol foram apenas um dos fatores que concorreram para a distorção. O automóvel foi até agora o grande xodó do governo Dilma, o que se explica não só pelo lobby das montadoras, mas, também, pela força dos sindicatos.
Durante meses a fio, o automóvel foi beneficiado pela redução de impostos, sob o pretexto de que seria preciso garantir o aumento de produção e o emprego do setor. Com encorajamento do governo, somente nos últimos dois anos e meio, nada menos que R$ 52 bilhões do sistema foram direcionados para o financiamento de veículos apenas para pessoas físicas.
As manifestações de junho parecem ter abalado essas políticas. Até agora, a tendência foi de deixar a solução para depois das eleições. Se for isso, as distorções aumentarão, ficará ainda mais caro corrigi-las e é preciso verificar, ainda, se a Petrobrás aguenta.

Ajuste fiscal e investimento público - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 14/08

A insuficiência do investimento público resulta da incapacidade gerencial do governo


Voltando ao tema da infraestrutura abordado na semana passada, acho oportuno esclarecer alguns mitos que insistem em sobreviver, apesar da abundância de dados em contrário.
Indo direto ao ponto, há quem pareça acreditar na oposição entre o ajuste fiscal e os investimentos em infraestrutura, em particular aqueles executados pelo governo. Afinal de contas, não foi a necessidade de cumprir a meta fiscal (nas priscas eras em que a meta significava alguma coisa) que levou ao fraco desempenho do investimento público?
Por paradoxal que possa soar, a resposta é negativa. A insuficiência do investimento público resulta essencialmente da incapacidade gerencial do governo, e não da necessidade de atingir a meta fiscal (que, na prática, deixou de existir a partir de 2008). Isso fica claro a partir dos números calculados pela própria Secretaria do Tesouro Nacional.
Em 2003, por exemplo, o governo federal registrou um superavit primário da ordem de 2,3% do PIB, contabilizando gastos (exceto transferências a estados e municípios) de 14,8% do PIB, dos quais investimentos equivaliam a 0,4% do PIB.
Nove anos e meio depois, nos 12 meses terminados em junho de 2013, o superavit federal se reduziu para 1,6% do PIB, com despesas equivalentes a 18,3% do PIB, entre as quais o investimento representou meros 1,3% do PIB.
Deve ficar claro que não houve, portanto, nenhuma tentativa (bem-sucedida, ao menos) de contenção do gasto. Pelo contrário, o dispêndio federal aumentou em 3,5% do PIB de forma quase contínua ao longo desses anos. Nada impediria, portanto, que esses recursos fossem destinados majoritariamente ao aumento do investimento, mas, concretamente, não foi o que se observou.
Mesmo se desconsiderarmos a mudança na contabilização do investimento no período (os subsídios com o Minha Casa, Minha Vida foram incorporados nessa rubrica a partir de 2012), a elevação do gasto de capital de 2003 para cá mal alcançou 1% do PIB. Em contraste, o gasto corrente federal aumentou em 2,5% do PIB.
Tais números não casam com a suposta prioridade que se daria ao investimento no Orçamento federal; muito menos com a noção de que restrições fiscais teriam forçado o governo a "cortar na carne". Mostram, em vez disso, despesas crescentes e a verdadeira preferência do governo: de cada R$ 100 a mais de gasto federal, apenas R$ 27 foram direcionados à ampliação da capacidade produtiva do país.
Descartados, portanto, problemas de natureza fiscal, sobra apenas a incapacidade gerencial do governo para explicar o desempenho do investimento público muito aquém do necessário.
Se, para aumentar o gasto corrente, basta uma canetada, o processo de investimento requer habilidades administrativas mais sofisticadas, assim como um ambiente que reduza ao máximo possível eventuais obstáculos de ordem regulatória.
Nenhuma dessas condições está presente no Brasil hoje. Em particular, o cipoal de regras (licitatórias, ambientais, concorrenciais etc.) que circunda o processo de investimento assegura dificuldades consideráveis, além daquelas que qualquer projeto normalmente sofreria.
Esse ambiente regulatório não é independente da incapacidade gerencial do setor público, mas parte integrante de uma visão de mundo que atribui peso excessivo ao governo e, apesar do discurso supostamente mais arejado nos últimos anos, ainda não parece convencida das vantagens de passar as responsabilidades para o setor privado.
Apenas isso pode explicar a extensão dessas dificuldades para os processos de concessão na forma de controles de toda sorte, inclusive a obsessão com os limites ao retorno nos projetos de infraestrutura.
A verdade é que o governo não faz o necessário e parece se esforçar para criar um conjunto de regras que tornarão difícil que o setor privado resolva o problema. E há que ache que "o pessimismo é exagerado"...

O novo pacto do Banco Central - CRISTIANO ROMERO

Valor Econômico - 14/08

Em meados de 2011, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, voltou estarrecido de uma reunião na Basileia, Suíça, com comandantes de outros bancos centrais. A mensagem era clara: as economias avançadas, depois de ligeira recuperação em 2010, estavam desaquecendo e reavivando riscos de disrupção como os que assombraram o mundo na crise de 2007/2008.

Tombini concluiu que o efeito daquele fenômeno sobre o mundo seria desinflacionário. Em 2011, o Brasil estava em meio a um processo de aceleração da inflação - nos 12 meses até julho, o IPCA atingira 6,87% e, em setembro, chegaria a 7,31%. Em reação a isso, o BC adotara medidas macroprudenciais para moderar a concessão de crédito e iniciara ciclo de aperto monetário.

Convicto de que a desaceleração mundial teria efeito negativo sobre os preços das commodities e a atividade econômica no Brasil, Tombini foi à presidente Dilma Rousseff. Na conversa, disse que o momento era difícil, mas criava uma oportunidade histórica para se reduzir a taxa de juros (Selic).

O presidente do BC sabia que sua tese se sustentava desde que não se cometesse o erro de 2009, quando, em meio à redução do juro e sabendo que a atividade já havia se recuperado do baque ocorrido durante a crise, o governo deu novos impulsos fiscais à economia, obrigando o Comitê de Política Monetária (Copom) a interromper o ciclo de alívio monetário. Por isso, no contato com Dilma, Tombini deixou claro que seria necessário cumprir a meta cheia de superávit primário das contas públicas em 2011 e 2012 (3,1% do PIB). Seria de bom grado, também, anunciar um reforço desse compromisso.

Assim foi feito: na véspera da reunião do Copom, no fim de agosto de 2011, o governo se comprometeu a aumentar em R$ 10 bilhões o esforço fiscal. A ideia era fortalecer a reputação da equipe econômica num momento crucial - o mercado, surpreso com a decisão do Copom, reagiu mal, como mostra a acentuada deterioração das expectativas ocorrida nas semanas seguintes.

Durante um ano, o BC cortou a Selic. Já perto do fim de 2011, entusiasmado com a medida, que desde a campanha eleitoral era uma bandeira política da presidente Dilma, o governo se sentiu à vontade para mudar outro aspecto "incômodo" da política econômica herdada dos governos FHC e Lula: o regime de câmbio flutuante.

O Ministério da Fazenda impôs, então, taxação sobre a entrada de capitais, com a alegação de que era preciso desestimular a entrada de capitais "especulativos", e forçou o BC a mudar o patamar da taxa de câmbio e a permitir uma desvalorização. Na prática, o câmbio voltou a ser administrado.

Num primeiro momento, o BC concordou com a ideia de que era preciso fazer algo, especialmente porque os bancos centrais da Europa e de outros países ricos, seguindo o rastro dos Estados Unidos, estavam expandindo a liquidez de forma inédita e provocando desequilíbrios nos mercados. Tombini se preocupava com o "tailwind" (vento de cauda), isto é, com os efeitos negativos que o excesso de liquidez poderia provocar - alta exagerada dos preços de commodities, formação de bolhas de crédito, etc.

O governo trabalhava com a ideia de que, com uma nova matriz macroeconômica, caracterizada por juro baixo e câmbio desvalorizado, os empresários retomariam os investimentos e a economia aceleraria o crescimento. Porém, à medida que, a cada trimestre, o IBGE informava que, em vez de avançar, a atividade estava recuando, o governo começou a entrar em modo pânico.

Em vez de repensar a estratégia, o Palácio do Planalto decidiu redobrar a aposta. Economistas próximos a Dilma passaram a clamar por juros ainda menores e câmbio mais depreciado. Seu diagnóstico: o que foi feito até então tinha sido insuficiente. Para reanimar a economia inerte, abandonou-se o compromisso de austeridade fiscal firmado com Tombini. Era preciso acelerar o PIB a qualquer custo, principalmente, por meio de desonerações tributárias seletivas. O propósito era estimular o consumo de produtos industriais.

A realidade se impôs: o PIB não acelerou, as contas públicas se deterioraram e a inflação manteve-se pressionada, mesmo após a superação dos choques de oferta ocorridos na segunda metade do ano passado. O pior: o setor empresarial perdeu a confiança na equipe econômica.

Sem respaldo da política fiscal e percebendo que seus colegas de governo planejavam usar o câmbio como válvula de escape, Tombini tomou duas decisões: a primeira foi mostrar ao governo que o câmbio depreciado estava elevando o IPCA no fim de 2012; a segunda foi avisar que, por causa da inflação, os tempos de juro real abaixo de 2% haviam terminado - mais precocemente do que ocorrera no ciclo de corte de juro de 2009.

A inflação está na casa dos 6% não é de agora, mas desde 2008 (apenas em 2009, por causa da recessão, caiu abaixo da meta). Já naquele ano, o BC, pressionado politicamente, teve dificuldade para combater a carestia. Dos 67 meses desde janeiro daquele ano, em 37 o IPCA esteve mais próximo de 5,5% do que de 4,5%. No período, a variação acumulada, para quem acha 6% um índice módico, foi de 36,07%. Em 2013, não caiu, em 12 meses, uma só vez abaixo de 6%.

Tudo isso, além da mudança no cenário mundial provocada pelos EUA, justifica o ímpeto recente do BC. É verdade que não há risco de descontrole inflacionário, mas o Copom entende que precisa agir agora para suavizar os efeitos da perda de valor do real em relação ao dólar. O BC não vai olhar para trás, o que significa que a queda do IPCA em julho não é um elemento a ser levado em conta pelo Comitê daqui em diante.

Outra mensagem relevante do BC: o real já andou bastante. A autoridade não quer deixar a moeda nacional se depreciar muito além do ponto em que já está (R$ 2,30). A prioridade desde abril é recuperar a confiança dos agentes econômicos por meio da redução do IPCA. O mercado tem dificuldade para aceitar isso, mas o BC não sinalizou nada diferente até agora.

A diretoria do Banco Central, por sua vez, sabe que a maioria dos participantes do mercado desconfia de seus propósitos e que, por essa razão, terá que comprar reputação com ações concretas. Sabe também que a desconfiança dos agentes em relação ao restante do governo torna mais árdua a sua tarefa.

No meio do redemoinho - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 14/08

Tempestade perfeita é uma expressão meteorológica que a economia tomou emprestada para definir uma coincidência de eventos que formam uma crise. O Brasil está assim na área de combustíveis. O consumo foi incentivado pelo subsídio ao automóvel e à gasolina, a importação cresceu, gerou um déficit, o dólar subiu, a Petrobras pede aumento, mas a inflação está alta.

Tudo o que podia ser feito de errado foi feito, e tudo o que podia dar errado deu. E os problemas se juntaram em um nó cego. O governo incentivou a compra de carros com reduções de IPI, para aumentar o crescimento econômico. Não conseguiu o que queria, mas multiplicou os carros nas ruas, entupindo o trânsito e tornando a mobilidade urbana desesperadora.

Como a inflação tem estado alta, o governo postergou o aumento da gasolina. O consumo aumentou e a Petrobras teve que importar mais. O custo não foi repassado aos preços e isso incentivou mais o consumo. O subsídio à gasolina tirou consumidores do etanol e aumentou o custo da Petrobras.

O governo tentou aliviar o peso da estatal eliminando devagar o imposto sobre a gasolina, a Cide. Ela foi criada para ser um amortecedor da volatilidade do preço do petróleo ou do dólar. Funcionava assim: quando o custo subia bruscamente, a Petrobras passava a receber mais, e o Tesouro recebia uma parcela menor do imposto pago pelos consumidores. Assim, a Petrobras ganhava, na prática, um aumento, mas o consumidor não tinha que pagar mais. Foi pensado para ser um colchão, mas virou uma forma de adiar o reajuste. A Cide foi sendo reduzida desde 2008 até ser eliminada da gasolina. Quando a mágica acabou, o governo autorizou um aumento do combustível.

O fim da Cide tirou uma fonte de financiamento de obras da infraestrutura de transportes. Uma conta publicada aqui tempos atrás, feita por Adriano Pires, indica que o governo perdeu R$ 22 bilhões de 2008 até a eliminação do imposto. Agora, os prefeitos pedem a volta da Cide para ajudar a financiar o sistema de transporte público.

A tempestade continuou. O aumento da importação da gasolina foi tão alto que o governo autorizou a Petrobras a deixar para 2013 o registro de parte da importação, mas a importação continuou aumentando e chegou a 250 mil barris/dia no primeiro trimestre. Foi assim que se chegou a um déficit de US$ 15 bilhões na conta de importação e exportação de petróleo e derivados este ano.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Fed anunciou que pode encerrar o período de expansionismo monetário. O aviso prévio elevou a cotação do dólar no mundo inteiro. Com a alta da moeda americana, o custo de importação de combustíveis subiu e, por isso, a Petrobras está agora pedindo novo aumento. Alega que teve que aumentar seu endividamento para cobrir investimentos e corre o risco de ultrapassar o limite da relação entre dívida líquida e geração de caixa. O governo não quer corrigir os combustíveis, mas não pode descapitalizar a Petrobras até porque ela terá, no modelo de partilha do pré-sal, que ser a operadora de todos os campos e tem outros pesados investimentos sendo feitos.

Em resumo, o governo conseguiu até agora subsidiar o uso de um combustível fóssil importado, desorganizar a produção local da alternativa menos poluente, aumentar a dependência do petróleo externo depois de proclamar a autossuficiência, abrir mão de um imposto que financiaria obras de infraestrutura de transportes, causar perdas à Petrobras, abrir um rombo na balança comercial, alimentar a desconfiança das empresas sobre o intervencionismo do governo na economia, piorar o trânsito nas cidades e deixar todo mundo insatisfeito.

Mudanças - ANTONIO DELFIM NETO

FOLHA DE SP - 14/08

Na última semana, alguma coisa se moveu. No campo político, assistimos à redução de dois estresses institucionais que devem trabalhar na direção de diminuir a angústia depressiva que se apropriou da sociedade.
Primeiro, a presidente tomou a iniciativa do diálogo e diminuiu a tensão entre o Executivo e o Legislativo, que ameaçava tornar-se um cabo de guerra na apreciação de cada projeto e de seus vetos. Segundo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que po- de eventualmente condenar membros do Legislativo, mas que a cassação do mandato obtido na urna deve ser feita pelo Congresso.
Dois movimentos no sentido do mútuo respeito à independência harmônica dos Poderes da República e, portanto, no sentido da consolidação institucional.
No campo econômico externo algumas notícias como a aceleração das exportações chinesas e coreanas, e o aumento dos indicadores de compras industriais nos EUA e Europa, parecem dar alento a uma recuperação ainda que lenta da produção. No interno, tem havido uma mudança no comportamento do governo em relação à cooptação do setor privado para competir nas obras de infraestrutura cuja eficácia será testada nos próximos leilões de concessões de rodovias, ferrovias, portos e energia.
Talvez nada indique melhor a confusão que está levando os agentes econômicos a cultivarem um desânimo devastador do que a sua reação à situação externa mencionada acima. Em resposta ao que pode ser um movimento pontual aleatório das exportações chinesas, a Bovespa subiu 3,12%. Até a ação da OGX-ON subiu 9,25% (infelizmente para R$ 0,50!).
Isso revela que boa parte do pessimismo é, seguramente, exagerado. É claro que nossa situação não é confortável: crescimento medíocre por falta de investimento público e dificuldade de cooptar o do setor privado; taxa de inflação no teto superior da "meta" e um déficit em conta corrente de mais de 75 bilhões de dólares. Mas deve ser claro, também, que não há qualquer ameaça à estabilidade de nossa economia.
Recentes mudanças na política econômica: 1º) a melhoria da interlocução do governo e o reconhecimento de que ele deve melhorar a qualidade dos leilões nas concessões; 2º) o reconhecimento de que não há mais espaço para a política fiscal e que empréstimo interno do Tesouro não é recurso, a não ser quando financiado com superavit fiscal; 3º) a nova disposição do Banco Central de buscar a "meta" da inflação num prazo adequado, mas não indefinidamente prorrogável e 4º) Tudo isso e mais a flutuação da taxa de câmbio, que deverá aliviar a indústria, sugerem que estamos nos preparando para melhorar.

O discurso de cada um - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 14/08
Sem praticamente abrir a boca, a ex-senadora Marina Silva sobe sem parar nas pesquisas de opinião. Abrindo mais a boca do que o costume, e viajando sem parar, a presidente Dilma recupera alguns pontos de sua popularidade, investindo mais do que nunca em propaganda oficial.

Abrindo pouco a boca em público, mas trabalhando muito nos bastidores, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mantém atitude dúbia em relação à sua candidatura a presidente em 2014, aguardando que os cenários fiquem menos nebulosos.

O senador Aécio Neves trabalha em silêncio, aprofundando suas características mineiras, fazendo acordos de bastidores que hoje parecem improváveis, mas que mais adiante poderão ser viabilizados pelas trapaças da política.

Falando muito, e negociando bastante, o ex-governador José Serra tenta manter-se na disputa, avaliando que as mutações do cenário eleitoral podem levar um dia, quem sabe, a que a maioria do eleitorado se decida por escolher "quem sabe fazer acontecer". Neste momento, ele se considera o homem certo e pretende estar no lugar certo. Precisa decidir primeiro se esse lugar é o PSDB ou se pode ser outra sigla que o acolha e ao seu projeto de disputar pela terceira vez a Presidência. Por enquanto, o eleitorado que não quer que Dilma se reeleja continua majoritário, e procura um nome novo para substituí-la.

O fato de Marina continuar subindo como consequência da onda dos protestos mostra que há parcela silenciosa do eleitorado que vê nela a alternativa de uma maneira diferente de fazer política. Mesmo que as grandes manifestações espontâneas tenham refluído, o sentimento de insatisfação continua latente.

Depois da ressaca de junho, as ruas foram ocupadas por grupos políticos organizados, manipulados por partidos tomados de susto com a espontaneidade das multidões, que mostraram sua indignação sem lideranças e rejeitando bandeiras partidárias. As reivindicações de saúde e educação "padrão FIFA", numa fina ironia, ou de combate à corrupção continuam valendo, e são elas que levarão à escolha do futuro presidente.

Não adianta grupos ligados ao PT, como o Fora do Eixo e seus derivados, e o Movimento Passe Livre, tentarem dominar as ruas partidarizando os protestos, porque não dominarão as mentes da classe média, que saiu das ruas devido à violência dos Black Blocs e de outros grupos de ativistas violentos, mas continua querendo mudanças.

Marina pode ter dificuldades para ser o escoadouro dessa insatisfação se não colocar de pé sua Rede de Sustentabilidade. Qualquer partido político gostaria de tê-la como candidata, mas aí terá que fazer acordos com os tais políticos tradicionais, o que retirará, pelo menos em parte, sua legitimidade.

O PSDB espera se transformar em abrigo natural desse eleitorado descontente e sem partido, por sua estrutura partidária mais forte e pelos acordos que estão sendo costurados por baixo do pano. Aécio faz política à moda antiga para ter condições logísticas de levar sua mensagem de renovação na política mais longe.

Seu mote de choque de gestão tornou-se subitamente uma resposta adequada aos anseios das ruas. Caberá a ele provar durante a campanha, com as experiências em Minas e outros estados governados pelos tucanos, que a boa gestão é condição prévia para serviços de boa qualidade.

Subitamente a multidão nas ruas passou a exigir qualificação dos serviços públicos oferecidos pelos governos, e a boa gestão pública passou a ser um ativo valorizado pelos eleitores. Resta saber se o PSDB conseguirá representar esse papel, que é também o que pretende desempenhar na campanha presidencial Eduardo Campos, se é que será mesmo candidato.

As denúncias de corrupção nas obras do metrô de São Paulo sem dúvida dificultarão essa tarefa. Dilma terá que descontar muitos prejuízos para se colocar novamente como boa gestora depois de quatro anos sem crescimento econômico e derrapadas de diversos calibres na gestão da coisa pública, sendo o trem-bala a mais exemplar, embora menos prejudicial, pois cada atraso da concorrência evita gastos desnecessários.

O problema de Marina será quando ela tiver que abrir a boca para dar suas receitas de boa gestão pública. Pode ser que aí comece a perder eleitores.

Triste paisagem - TEREZA CRUVINEL

CORREIO BRAZILIENSE - 14/08
Os políticos estavam em franca movimentação de tropas para a disputa eleitoral de 2014 quando o povo entrou em cena. As manifestações produziram, entre tantos outros efeitos, a suspensão daqueles ensaios. Agora, as massas refluiram e ficaram nas ruas apenas os grupos radicais e os vândalos. E, com isso, os partidos voltaram a testar suas armas. No Congresso, trocam denúncias, armam CPIs, empinam fatos e factoides. Dizendo querer apenas governar, a presidente Dilma Rousseff retoma a agenda de lançamentos e inaugurações.

As CPIs virão, não exatamente para apurar o que já está sendo investigado, mas para servirem de ribalta. PT e aliados preparam o sinal verde, no Senado, para a instalação de uma CPI mista do cartel dos transportes paulistas sobre trilhos, na era tucana, que na Câmara entraria em uma longa fila. Tucanos e satélites da oposição tentam responder com a CPI da Petrobrás, que o PMDB inventou para pressionar o Governo, e na qual pode agora tornar-se alvo, a partir das denúncias de que um diretor ligado ao partido pilotou ali um caixa dois de campanha. E, no mesmo dia em que o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, reafirma em Brasília que a espionagem universal vai continuar, para segurança dos americanos e de todo o mundo, os senadores resolvem também instalar a CPI da Espionagem. O que vão investigar, ninguém sabe, mas algum barulho se fará.

Apesar dos temas complexos que estão na agenda legislativa, o Senado ontem deu-se ao luxo de dedicar toda a tarde a uma troca de acusações entre os pares. Treze deles se sublevaram, em apoio aos senadores Randolfe Rodrigues e João Capiberipe: acusados de terem participado de um certo "mensalão do Amapá". Já foram inocentados pela Procuradoria Geral da República mas, no Conselho de Ética da Casa, o processo continua aberto, permitindo que sejam atacados e caluniados no estado. Isso foi contado com discursos exaltados, que produziram réplicas não menos acaloradas.

Os campos opostos trocam chumbo e, ao mesmo tempo, guerrilham internamente. No PSDB, os serristas, que haviam se recolhido, agora ressurgem contestando a escolha praticamente certa do senador Aecio Neves como candidato a presidente. Dificilmente, reverterão o fato consumado pela unidade partidária em torno do ex-governador de Minas. O fogo amigo ajuda o outro lado, que começa a superar o mau momento imposto pelos fatos de junho. Na base governista, enquanto isso, prosseguem os conflitos com o Planalto, em torno do orçamento impositivo e da divisão dos royalties do petróleo.

Estas pequenezas, somadas aos desatinos desnecessários, como o uso de verba oficial para abastecer jatinhos, é que derruba a aprovação do Congresso e o mantém na mira dos protestos. Que arrefeceram mas não sumiram, ainda, da paisagem.

Olhar da Indústria
O pessimismo está passando e a indústria já pensa que o ano terminará melhor do que o esperado. O crescimento do setor pode acabar sendo de mais de 1%, chegando talvez a 1,5%. A avaliação vem do presidente da CNI, Robson Andrade, apontando as razões da mudança de humor no setor: o recuo da inflação trouxe mais segurança, a mudança no âmbio aumentou o conforto e a competitividade de alguns setores, e os editais que o Governo prepara para o segundo semestre geram boas expectativas. Apesar do adiamento do edital do trem bala, Andrade acredita que as concessões de rodovias serão muito bem sucedidas, assim como as dos aeroportos do Galeão e de Confins. Este, ele acha, ficaria mais atraente se o edital deixasse claro que o aeroporto da Pampulha não voltará a operar voos interestaduais. "Estas concessões, se concluídas este ano, terão impacto muito positivo sobre a economia, em 2014", acredita ele.

De novo em cartaz
O STF retoma hoje o processo do mensalão, com o julgamento dos recursos apresentados pelos réus. Há uma mudança no ambiente do tribunal, e não apenas pela presença dos dois novos ministros, Roberto Barroso e Teori Zavascki. Entre os veteranos, alguns gostariam de rever "excessos" cometidos na fase da dosimetria. E o próprio presidente Joaquim Barbosa emite sinais de que terá, agora, um protagonismo mais moderado. O Ministro Gilmar Mendes, pelas declarações de ontem contra os recursos, mantém-se na mesma sintonia da primeira fase.

Cadeira vazia
O procurador-geral da República Roberto Gurgel deixa o cargo amanhã, depois de participar hoje, pela última vez, do julgamento do mensalão, razão maior de seu mandato, na apreciação inicial dos recursos. Será substituído, interinamente, pela procuradora Helenita Acioli, eleita vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público, que lhe garante o posto de substituta oficial. A presidente Dilma parece não ter pressa em indicar o nome do sucessor de Gurgel

Tudo como dantes no cartel de Abrantes- JOSÉ NEUMANNE

ESTADÃO - 14/08

Em junho, as multidões saíram às ruas para reclamar de tudo o que está aí a inflação que corrói o valor da moeda com que é pago o salário do trabalhador, a corrupção desenfreada, a péssima Gestão Pública (principalmente na saúde, na educação e na segurança pública, mas não apenas nesses setores) e outras mazelas institucionais. Eram todos contra tudo. Em julho, milhões foram à Praia de Copacabana se encantar com o papa humilde que carrega a própria maleta de mão, é favorável aos humildes e tolerante com os casais divorciados e os homossexuais. Agosto entrou com Francisco no Vaticano e os brasileiros em casa, deixando ao papa o que é do papa e aos políticos o que dos políticos é. Entre mortos e feridos salvaram-se quase todos.
De início, os políticos assustaram-se. A presidente Dilma Rousseff, de estilo bruto, embora oscilante, choramingou em particular e despejou ideias em público para "atender ao clamor das massas" Nada do que ela propôs pegou. Tentou dar o golpe da Constituinte exclusiva para a reforma política para consolidar na Constituição ações para fazer o próprio partido crescer e prosperar, cobrarás contas pesadas das campanhas eleitorais pegando dinheiro do bolso furado do contribuinte extenuado e transferir do cidadão a escolha de seu representante para a elite dirigente partidária pelo voto de lista. O resto acabar com os suplentes no Senado e com as votações sigilosas nos plenários do Congresso Nacional - era a perfumaria para disfarçar o odor desagradável do oportunismo golpista sem disfarce do que só interessava de fato ao seu Partido dos Trabalhadores (PT). Ninguém havia exigido na rua a reforma política, mas o cinismo passou batido, de vez que a fábrica de factoides dos marqueteiros do Planalto trouxe à baila o plebiscito, uma consulta prévia ao povo para fazer o que não salvaria um paciente mal atendido num hospital público nem educaria uma criança no ensino público, que continua não apenas indigente como sempre foi, mas só faz piorar.
E em resposta às queixas contra a saúde pública Dilma propôs aumentar de seis para oito anos a duração dos cursos de Medicina, restaurando os trabalhos forçados extintos no século 19 no Brasil por outra mulher, a princesa Isabel. A ideia absurda foi abandonada, mas o alvo, não. Aproveitando-se do fato de os médicos muitas vezes não se comportarem à altura do que deles é exigido no cumprimento do juramento que fazem repetindo as palavras de Hipócrates, o governo transferiu para eles toda a culpa pelo péssimo atendimento, aproveitando-se do contato direto que eles têm com os pacientes, ao contrário dos gestores públicos, que ficam a confortável distância dos doentes.
Nada do que ela propôs deu solução a nada. E com a queda espetacular de 28 pontos porcentuais na preferência do voto para sua reeleição na pesquisa Datafolha em três meses (de 58% em 20 e 21 de março para 30% em 27 e 28 de junho), seus aliados se viram em condições de aumentar o preço do próprio passe, enquanto os opositores passaram a sonhar com o milagre da vitória em 2014. Mas em 7 e 9 de agosto o índice dela subiu cinco pontos e Os áulicos agora aguardam a nova rodada da pesquisa para decidir se continuam mamando nas tetas oficias e permanecem em seu palanque ou lhe viram as costas em busca de perspectivas mais alvissareiras.
A pesquisa da Datafolha publicada no domingo foi uma ducha gelada no ânimo dos ingênuos que acreditam que o povo seja um coletivo virtuoso de uma massa composta por ingredientes diversos e imperfeitos de uma multidão disforme. Esta reclamou de tudo o que está ruim, mas está longe de ter a mínima ideia do que se fazer para melhorar. Dilma é o que é e a alternativa ao governo chinfrim não é algum opositor sem nada melhor a oferecer nem o ex-aliado indeciso entre os sobejos do ágape governista ou o jejum do deserto sem poder.
Ora, ora, a alternativa a Dilma é Lula, que também ganhou cinco pontinhos entre o clamor das massas e a fria calma da ressaca atual, mas passou para 51% da preferência, ou seja, mantém a perspectiva da vitória em primeiro turno. O ex-presidente não é candidato, mas continua seu padrinho e basta que transfira o cacife dele - feito de que já se mostrou capaz há três anos - para levá-la a uma inédita vitória petista no primeiro turno. E se isso não ocorresse, ela levaria vantagem sobre todos os eventuais adversários no provável segundo turno, conforme a pesquisa.
Fora do palácio, Marina Silva, da Rede, é a que mais se aproxima da favorita, mas não tão próxima assim (46% a 41%) e ainda sem condições sequer de disputar, pois não tem partido formalizado. Outro sem partido, Joaquim Barbosa, ficou em terceiro lugar, 23 pontos abaixo de Dilma (53% a 30%), com índice bem semelhante ao do tucano José Serra (52% a 31%), que deixou o correligionário Aécio Neves na poeira (53% a 29%). O desempenho de Eduardo Campos (55% a 23%) indica que o melhor que ele tem a fazer é esperar 2018.
Tudo ficou como dantes no cartel de Abrantes, o que não surpreende quem aprendeu com o Barão de Itararé que "de onde nada se espera é de onde nada virá".Tendo perdido uma eleição municipal para o neófito Fernando Haddad, Serra nada acrescentou ao que já se sabe: ele quer ser presidente, mas não convence eleitores suficientes de que merece seu voto. Em vez disso, protagoniza o escândalo de um eventual cartel para licitações no Metrô e em trens suburbanos, que permitiu aos adversários um neologismo cruel (o trensalão) e uma dúvida nunca esclarecida de que tucanos e petistas seriam "farinha do mesmo saco". E a presidência nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de nada serviu para o senador Aécio Neves provar que é melhor do que Dilma.
As ruas calaram por falta do que propor e a sucessão não saiu da mesmice pela falta de quem proponha algo melhor.

Tentando entender - ZUENIR VENTURA

O GLOBO - 14/08

A vontade de entender o que está acontecendo no país desde as passeatas de junho tem se manifestado através de artigos e ensaios, mas também por meio de palestras e mesas-redondas. Só esta semana houve dois encontros: um na segunda-feira à noite como parte do projeto OsteRio e outro ontem de manhã na Casa do Saber. Como tenho mais perguntas do que respostas sobre o momento político, assisti ao que teve como principal tema a Mídia Ninja, e participei do que tratou da mobilização jovem. No primeiro, debateu-se o papel desse coletivo de jornalistas que se destacou transmitindo ao vivo as manifestações de rua de dentro dos acontecimentos e com exclusividade, já que os repórteres da imprensa tradicional foram hostilizados e impedidos de trabalhar.

Como não disponho de espaço para resumir as muitas horas de discussões, limito-me a fornecer minhas conclusões a partir do que ouvi. A principal é que entusiastas da Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) saúdam o fenômeno como um “novo jornalismo”, ou melhor, “pós-jornalismo”, dando a impressão de que a imprensa acaba de ser inventada. No entanto, o “mídia ativismo” que reivindicam, ou seja, o direito à parcialidade e ao engajamento já era moda quando comecei na profissão nos anos 50. Deixaram de ser, e isso a meu ver foi um avanço. Também não acredito em isenção — como já dizia Goddard, a câmera ou é de direita ou de esquerda —, mas nossa obrigação é persegui-la. Não sinto saudades do tempo em que era comum o jornal pertencer a um partido, assim como não concordo que o papel da mídia seja “ativar desejo” (na terra do Ancelmo, o que ativa desejo é... deixa pra lá).

No debate de ontem, em que a maioria era formada por jovens, muitos da periferia, pude corrigir algumas impressões da véspera. Graças a uma plateia incrivelmente bem informada e aos esclarecimentos de uma garota Ninja articuladíssima na mesa, pude constatar que, para além da má vontade de parte a parte, da Ninja em relação à mídia tradicional e vice-versa, vale a pena considerar que essas práticas são ou devem ser complementares, são tecnologias convergentes e não antagônicas. Os Ninjas não inventaram o jornalismo e também não vão acabar com ele. A seu favor, porém, o fato de que, apesar dos possíveis equívocos e da inocente presunção, eles tiveram o mérito de fazer com a imprensa o que as manifestações fizeram com a política: refletir sobre si mesma.

Um pouco como esses novos atores da cena nacional fizeram ontem com este velho jornalista — ou “pós-jornalista”?

Congresso desconectado -FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 14/08

BRASÍLIA - Causa um pouco de tristeza a queda da aprovação do Congresso Nacional na recente pesquisa Datafolha. De junho até agora, aumentou de 33% para 42% a taxa dos que consideram ruim ou péssimo o trabalho de deputados e senadores.
Segundo o levantamento, 40% acham o Congresso regular. Só 13% enxergam como bom ou ótimo o serviço prestado pelos congressistas.
De junho para cá, a popularidade da presidente Dilma Rousseff parou de cair e chegou a subir, com a aprovação ao seu governo indo de 30% para 36%. Ou seja, embora existam exceções, há algo de errado no comportamento geral dos congressistas.
Não faltam exemplos para justificar a péssima imagem do Poder Legislativo. O mais gritante é a resistência a cortar na própria carne quando necessário. É bem verdade que muitos congressistas já foram cassados nos últimos anos. São exceções que confirmam a regra e têm efeito inócuo. O conceito dos políticos não melhora se eles agem quando já é tarde demais. Fica a impressão, correta, de que apenas cumprem a obrigação.
Tome-se o caso do deputado federal Natan Donadon, eleito pelo PMDB de Rondônia. Desde 2010, ele está condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Sua pena supera 13 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e desvio de dinheiro público. O que fez o Congresso de 2010 até junho deste ano? Nada. Absolutamente nada.
Poderia ter sido aberto há muito tempo um processo para cassar Donadon. Mas os deputados esperaram passivamente até o STF dar um basta nas manobras protelatórias do condenado. Só quando Donadon foi para a prisão, em 28 de junho, é que a Câmara começou a se mexer.
Nas próximas semanas, Donadon será cassado. A Câmara dirá que cumpriu sua obrigação. Só que os brasileiros estão vendo tudo. Sabem que demorou além do aceitável. O Congresso assim flerta perigosamente com uma profunda perda de credibilidade.

Vagando pelo deserto - FERNÃO LARA MESQUITA

O ESTADO DE S. PAULO - 14/08

As manifestações de junho terão sido só um ponto fora da curva se não surgir um mote capaz de dar um foco a toda aquela energia positiva e motivar os seus protagonistas originais a acreditar que voltar às ruas pode servir a algum propósito útil. A máquina de moer esperanças do Sistema trabalha rápido para isolar e destruir o "corpo estranho" que invadiu, ameaçando saneá-lo, o caldo de cultura de que se nutre a luta pelo poder entre nós há 513 anos e restabelecer a tranquilidade do establishment.

Passado o choque da perda do controle das ruas, as viúvas das manifestações "de grife" estilo século 20 tratam de usurpá-las e devolvê-las ao serviço dos que vêm desde sempre se revezando no poder. Embora as mirradas "manifestações" aparelhadas que se seguiram as originais sejam falsificações grosseiras demais para convencer quem quer que seja de que não fazem parte desse mesmo "vale-tudo" que constitui o pouco que o Brasil inteiro, com exceção do irremediavelmente podre, sabe com certeza que não quer mais, há que recordar que não tem sido pelo convencimento, mas pelo cansaço, que eles têm conseguido prevalecer há tanto tempo.

No mais, segue o baile: a ala radical trabalha para rebaixar as defesas do País contragolpes plebiscitários, enquanto a frente "política" vai cevando na corrupção os vendedores de governabilidade e trabalhando para quebrar a fibra moral da Nação. A exumação do escândalo do cartel do Metrô de São Paulo atingindo todas as figuras de proa vivas e mortas do PSDB é o exemplo mais recente. São fatos ocorridos entre 1996 e 2007, investigados e divulgados na época pelos governos dos EUA e da Alemanha, mas que vêm a calhar nesta emergência para o esforço permanente do PT não para reduzir a corrupção, mas para zerar por baixo seu handicap negativo de campeão incontestável da modalidade pelo mote oficializado por Lula desde o mensalão: "Sim, nós somos. Mas quem não é?".

Já os enamorados do nada, dos Black Blocs da vida com suas máscaras negras aos Anonymous, contrafação ultrainformatizada dos primeiros com suas máscaras brancas, não são novidade. Não há porque temê-los para além do que possam perpetrar com as próprias patas ou com seus malwares. O anarquismo é uma constante histórica que tem um apelo inicial sedutor (Hay gobiemo? Soy contra!), mas não tem um projeto de poder. Por isso, no seu radicalismo niilista, consegue, no máximo, sistematizar o terrorismo - hoje praticado também e principalmente no ambiente virtual - durante períodos curtos de tempo.

Também eles contribuem, porém, para afastar do movimento de junho a camada intermediária da classe média rebelada, que mesmo avessa "à bagunça" se reconheceu naquelas manifestações e simpatizou com elas, ainda que hesitando em sair às ruas.

A última pesquisa é inequívoca. Dilma recomeça a subir. O PSDB cai. Marina Silva e Eduardo Campos sobem ainda, mais por não terem tido a oportunidade de decepcionar do que por qualquer virtude especial reconhecida, enquanto os totalmente desiludidos seguem na faixa de quase um quinto do eleitorado. Ou seja, a negação de "tudo isso que está aí" ainda cresce; os miseráveis, que chegaram a balançar, na dúvida começam a voltar a se abrigar na segurança da esmola; os que anseiam por mudanças reais continuam órfãos de pai e mãe.

Nada que prenuncie a visão da Terra Prometida...

Se há algo sobre o que não pairam dúvidas desde o primeiro momento, é que o repertório doméstico de expedientes políticos e remendos institucionais está definitivamente esgotado. Este é, aliás, o único ponto incontroverso deste movimento.

A imprensa, única instituição democrática teoricamente isenta da pressão direta da luta pelo poder, no entanto, tem restringido o escopo do seu trabalho de reportagem às nossas fronteiras físicas e ao repertório exaurido das "fontes" viciadas da discussão política doméstica, onde já se sabe que as respostas não podem ser encontradas, apesar de todas as facilidades para expandir essa pesquisa a experiências mais avançadas de democracia que a rede mundial oferece hoje.

A solução para o impasse brasileiro terá de vir do vasto rol dos arranjos democráticos "nunca antes experimentados na História deste país", no qual podem ser incluídos quase todos os que constituem os fundamentos básicos de uma democracia sem aspas. A lista é vasta, como ilustrava bem a multiplicidade dos cartazes que direta ou indiretamente a eles se referiam nas manifestações originais. E esta é a primeira das dificuldades. Por onde começar? Como reduzir tudo quanto nos falta conquistar a algo em tomo de que possa haver uma decisão "sim ou não"?

A resposta está em focar essa busca na identificação de um método de produção de instituições e de resultados mais sadio que o que temos, e não na repetição do erro de sempre de inscrever os direitos conquistados pelas sociedades que os alcançaram porque adotaram esse método numa lista de desejos que nossa fábrica de instituições defeituosa não está aparelhada para produzir.

Assim como nada define melhor o divórcio do Brasil do Terceiro Milênio deste que ainda se arrasta por aí do que o "não nos representa!" que atroa as ruas desde junho, nada pode responder melhor a esse apelo do que transferir das mãos dos interessados em que nada mude para as dos que precisam desesperadamente de mudanças a iniciativa e o controle final do processo de reformas que teremos de iniciar o quanto antes se quisermos manter a esperança de não sermos definitivamente condenados à periferia do mundo.

É exatamente isso que faz o sistema de voto distrital com recall: ele inverte a ordem que vivemos hoje e põe nas mãos de cada cidadão o poder de iniciativa e de controle do desfecho final de cada ação do poder público que possa afetar a sua vida, sem deixar nas mãos de ninguém poder sobrando para desaguar nem em imposições, nem em arbítrio e, assim, arma a cidadania para forçar os legisladores e o governo a fazer, daí por diante, todas as reformas que lhe parecerem necessárias.

Mais informações sobre como funciona o voto distrital co m recall no site www.vespeiro.com.

Maniqueísmo na política - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 14/08

SÃO PAULO - A dúvida é se os tucanos paulistas foram só incompetentes, ao não perceber que um cartel de empresas fraudou por anos a fio a concorrência do metrô, ou se, como é mais verossímil, tiveram papel ativo nessa história, recebendo propina que, suspeita-se, financiaria o caixa do partido em eleições. Espera-se que as investigações consigam esclarecer esse ponto.

Enquanto isso não ocorre, fica o bate-boca entre petistas e tucanos, no qual uns tentam provar que são iguais aos outros e os outros que são diferentes dos primeiros. Embora a lógica eleitoral e nossos cérebros ideológicos adorem ver o mundo como palco de um embate do bem contra o mal, esse é um erro a ser evitado.

É claro que existem diferenças consideráveis entre as principais agremiações. Se assim não fosse, a própria democracia perderia muito de seu sentido. Isso não significa que elas difiram em tudo. No que diz respeito à distribuição dos vícios e virtudes humanos, as legendas --bem como igrejas, clubes náuticos e sindicatos--, mais se parecem do que se distinguem. Em qualquer grupo que reúna mais do que duas dezenas de pessoas e que tenha acesso ao poder, é uma questão de tempo até que surjam casos de corrupção, tanto dos miúdos como dos graúdos.

Assim, considerando-se que os holofotes da mídia passaram os últimos anos voltados preferencialmente para a sujeira do PT, a notícia de que o PSDB também pode estar envolvido em esquemas mais organizados de desvios tem valor didático.

A questão central, porém, não é determinar quem se comportou pior --ainda que esse seja um exercício válido. Se desejamos aprimorar as instituições para torná-las menos vulneráveis, o primeiro passo é reconhecer que lidamos com fragilidades da natureza humana de distribuição mais ou menos uniforme e deixar de acreditar que a política se divide em anjos e demônios. Superar esse maniqueísmo já seria um belo feito.

O capitão Nascimento e Amarildo - ELIO GASPARI

O GLOBO - 14/08

Wagner Moura foi homenageado durante o Festival de Gramado e dedicou o prêmio que recebeu aos seis filhos do pedreiro Amarildo, sumido desde o dia 14 de julho. Ele foi o inesquecível capitão Nascimento do filme “Tropa de elite”, um retrato da brutalidade policial, recebido em muitas plateias com aplausos em cena aberta, numa glorificação da tortura. Esse comportamento refletia um momento da demofobia nacional. O governador Sérgio Cabral já defendera a legalização do aborto como um preventivo pacificador das comunidades pobres do Rio de Janeiro: “Pega na Rocinha (onde vivia Amarildo). É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal.” O raciocínio estava estatisticamente errado, foi apenas um grito d’alma. Ocorreu-lhe também murar 19 comunidades com uma barreira de 11 quilômetros. Combatido o projeto, surgiu um derivativo: que tal cercas vivas?

Seria enorme injustiça atribuir a Cabral uma liderança demófoba. Ele apenas refletia um sentimento expresso por muita gente. Afinal, aplaudia-se o capitão Nascimento ao enfiar a cabeça de um cidadão num saco de plástico. Com uma diferença: Wagner Moura representava. Pois foi exatamente o ator quem disse o seguinte em Gramado:

“Lá na Rocinha tem uma família que tem seis filhos que não vão almoçar com o seu pai. Eu sei por que não vou almoçar com meu pai. Ele ficou doente e morreu. Mas eles não sabem. Eu gostaria que as autoridades do Rio de Janeiro, para que esses seis filhos tenham um Dia dos Pais mais feliz, pudessem dar uma resposta, que eles pelo menos soubessem o que aconteceu com o pai deles.”

O que aconteceu a Amarildo? As câmeras da UPP da Rocinha tiveram uma pane e não registraram sua saída do prédio onde estivera detido. Tudo bem, Rubens Paiva fugiu da escolta do DOI e, depois de outubro de 1973, cerca de quarenta guerrilheiros foram resgatados no Araguaia por um disco voador albanês.

O secretário José Mariano Beltrame poderia exibir as planilhas que registraram outras panes em câmeras de UPPs. Os GPS da guarnição não estavam ligados. Novamente: com que frequência a polícia do Rio circula com GPS desligados? Amarildo teria sido morto por traficantes e seu corpo levado para um lixão. Qual empresa coletou o lixo da Rocinha?

Amarildo e sua mulher seriam ligados ao tráfico. Demonizar a vítima é coisa antiga: hierarcas da ditadura disseram que Vladimir Herzog tinha ligações com o serviço secreto inglês e o DOI revelou que ele poderia ser emocionalmente instável porque fizera psicanálise. Ademais, confessara sua ligação com o Partido Comunista.

Wagner Moura vocalizou o grito de um novo tempo. No século XX matavam-se pobres e comunistas. No XXI, quando tantos comunistas ou congêneres estão nos palácios, pode-se parar de matar pobres. Ainda não se sabe quem sumiu com Amarildo, mas as explicações capengas dadas pela polícia embutem a suposição de que a sociedade engole qualquer coisa.

O massacre da Candelária, praticado depois da redemocratização do país, saiu barato para seus autores. Mas Guimarães Rosa ensinou: “As pessoas não morrem, ficam encantadas.” Os oito mortos de 1993 encantaram-se na memória brasileira e o Papa Francisco lembrou: “Candelária nunca mais.”

Petrobras paga por equívocos do governo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 14/08


A Petrobras registrou um lucro de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre, o que é boa notícia, considerando-se que, no mesmo período de 2012, a empresa apresentou um elevado prejuízo. Aquele resultado negativo acabou servindo como sinal de alerta para a série de problemas que a estatal acumulara ao longo de vários anos, entre os quais uma gestão mais voltada para os interesses políticos do governo do que para a eficiência de seus negócios e atividades. Embora já incorpore efeitos das mudanças de rumos, o lucro da Petrobras ainda está bem aquém da sua potencialidade e mostra que a companhia permanece refém de equívocos da política econômica.

Com o congelamento de preços, para conter a inflação de forma artificial, o governo estimulou a ampliação da frota de veículos, o que provocou um aumento considerável no consumo de gasolina (6%, bem acima do PIB). Com as refinarias à plena carga, o salto no consumo precisou ser atendido por importações. Mas, como a inflação próxima do teto da meta oficial, o governo estendeu o represamento dos chamados preços administrados. E, assim, transferiu para a Petrobras o pesado ônus da importação, pois os combustíveis são adquiridos no exterior a preços maiores que os autorizados para o mercado brasileiro.

Não se trata de uma situação temporária, pois somente no fim do ano que vem entrará em operação uma das duas refinarias que a Petrobras vem construindo para aumentar a capacidade de destilar petróleo brasileiro. Tal perda na importação não chega a ser compensada por exportações de petróleo bruto, já que a oferta de óleo cru também diminuiu, por força da estagnação da produção da companhia.

Para elevar essa produção a Petrobras teria de acelerar investimentos, o que somente pode ser feito com uma situação financeira que mantenha equilíbrio entre os recursos que ela própria gera em seus negócios e financiamentos de terceiros. A geração de caixa tem sofrido o efeito da contenção dos preços da gasolina e do diesel, o que faz a empresa depender mais de financiamentos. É uma equação que vem preocupando o mercado e se espelha nas cotações depreciadas das ações da Petrobras. Em uma situação de normalidade de preços, talvez a Petrobras não precisasse a recorrer a ajustes contábeis — com os efeitos no demonstrativo do segundo trimestre — que a permitem distribuir por diferentes balanços o impacto da flutuação do real frente ao dólar. Um exemplo de “contabilidade criativa”.

A estatal paga outro tipo de preço, por também ter sido capturada por interesses políticos obscuros da base do governo. Prova disso é a denúncia, divulgada pela revista “Época”, feita pelo engenheiro João Augusto Rezende Henrique, ex-funcionário da empresa, de que um esquema de corrupção instalado na diretoria internacional da Petrobras repassou dinheiro sujo ao PMDB. Não surpreende, pelo estilo da administração que no passado assumiu a empresa.

Dia de são nunca - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/08

Governo federal adia pela terceira vez leilão do trem-bala, que ligaria São Paulo ao Rio; projeto é descabido e deveria ser abandonado


O governo federal deveria aproveitar o novo fracasso no leilão do trem de alta velocidade (TAV) para abandonar, de vez, a ideia de despender pelo menos R$ 35,5 bilhões em obra tão controversa.

Para evitar constrangimentos, nem é necessário formalizar a desistência. Basta não falar mais no assunto. Trata-se, afinal, do terceiro adiamento --desta vez por prazo indefinido-- de uma licitação para o trem-bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro.

A primeira postergação se deu em 2010, quando havia apenas um consórcio disposto a participar. O quadro piorou na segunda tentativa, em 2011, que não atraiu ninguém. A saída, então, foi dividir o leilão em duas etapas.

Uma delas, que ocorreria nesta sexta-feira, deveria definir o fornecedor dos equipamentos e o operador. Em seguida, seria licitada a obra em si. O plano, como se vê, não deu certo. Apenas uma empresa, a Alstom, mantinha-se na disputa, e o projeto ficará para um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

O problema desde sempre foi a dificuldade técnica da empreitada e a inexistência de um projeto executivo finalizado. Não há sequer análise de solo e definição de traçado, quanto mais estimativas confiáveis de custos. Isso para nada dizer da dificuldade de obter licenças ambientais e cumprir a miríade de obrigações burocráticas.

A despeito do adiamento, o governo dá sinais de que pretende insistir no assunto, pois vai liberar R$ 80 milhões para o projeto executivo. Espera eliminar incertezas e atrair interessados.

O mais provável, porém, é que continue a gastar dinheiro público em vão. Para ser competitivo, o trem-bala precisaria percorrer a distância entre São Paulo e Rio em até duas horas --algo que as características topográficas do trajeto não parecem propiciar.

Trechos entre São Paulo e Campinas ou São José dos Campos são viáveis, mas, estando ambas as cidades a menos de 100 km da capital, o TAV torna-se supérfluo.

Por fim, o custo da obra não se justifica diante de necessidades de mobilidade urbana e de escoamento da produção. Com a mesma quantia seria possível, por exemplo, dobrar a extensão do metrô de São Paulo ou construir milhares de quilômetros de ferrovias para transportar a safra agrícola do Centro-Oeste para os portos, cortando o custo logístico à metade.

Nada disso parece preocupar o governo Dilma, que acredita em sua capacidade de executar ou direcionar de forma eficaz grandes empreendimentos. O que se vê, no entanto, é paralisia, desperdício e falta de foco para entregar o que realmente interessa ao país.

Ameaça à Petrobrás e ao País - EDITORIAL O ESTADAO

O ESTADÃO - 14/08
O governo insiste num jogo perigoso ao conter politicamente os preços dos combustíveis para frear o índice de inflação apenas o índice, porque em algum momento será preciso soltar os preços reprimidos ou pagar muito caro por distorções geradas por essa política. O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, pediu na segunda-feira um ajuste de preços para financiar os enormes investimentos da empresa e frear sua crescente dependência de recursos de terceiros. O governo examina o assunto, disse no dia seguinte o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, com duas ressalvas: não é bom elevar os preços nem há garantia de autorização do aumento pelo governo. A estatal só pode cobrar mais se a mudança for decidida por seu Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Manter a tabela desatualizada é uma forma fácil, mas custosa, de atenuar as pressões de custos sobre a produção e sobre o bolso dos consumidores.
O governo tem abusado desse recurso, com perdas importantes para a Petrobrás e, durante vários anos, para as empresas produtoras de etanol, porque as proporções entre os preços dos combustíveis foram desfiguradas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou com insistência o governo dos Estados Unidos para abrir o mercado americano ao etanol estrangeiro. Quando isso ocorreu, os produtores brasileiros estavam despreparados para vender, porque os investimentos no setor haviam encolhido.
Sob nova direção, a Petrobrás conseguiu algum aumento de preço durante o governo da presidente Dilma Rousseff, mas sem eliminar os desajustes acumulados num longo período. Os desajustes aumentaram, recentemente, com a alta do dólar e o encarecimento dos combustíveis importados.
O próprio aumento da importação foi uma consequência dos desarranjos causados à empresa pela intervenção política em sua administração. A demanda tem crescido, há alguns anos, bem mais velozmente que a produção interna, prejudicada por erros de planejamento* mau uso do dinheiro e contenção política de preços.
A defasagem entre preços internos e externos da gasolina está entre 22% e 23,5%, segundo especialistas. A diferença, no caso do diesel, chega a 24%. Esse desajuste afeta a geração de caixa e torna a empresa mais dependente de financiamentos.
A dependência já superou ou está quase superando os limites adotados pela empresa, segundo vários indicadores calculados pelos analistas. A companhia poderá ser rebaixada pelas agências de classificação de risco se a sua saúde financeira continuar em deterioração, segundo se especula no mercado financeiro. Hoje a estatal detém. grau de investimento.
Apesar de suas dificuldades, a Petrobrás tem sido responsável por cerca de 90% dos investimentos realizados pelas estatais. Mesmo sem as possibilidades abertas pela descoberta do pré-sal, sua importância estratégica seria enorme. O governo parece desprezar esse dado, ao insistir numa política danosa para as finanças da empresa.
Câmbio e preços dos combustíveis agravam de fato as pressões inflacionárias, mas só reprimir os preços dos combustíveis de nenhum modo resolverá o problema, A inflação, ainda elevada, resulta de combinação muito mais ampla de fatores, mas a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda têm preferido agir como se vivessem noutro mundo.
Fariam bem se levassem a sério as observações feitas na segunda-feira pelo diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo. Segundo ele, a inflação baixa de julho (0,03%) resultou de fatores excepcionais e de nenhum modo indica uma tendência.
A evolução dos dados mensais de 2013 deve ter a forma de um V, com quedas até julho e altas a partir daí. Q acumulado no ano poderá ficar abaixo dos 5,84% de 2012, mas ainda será elevado. A tendência expansionista das contas públicas contínua sendo um dos fatores da a, ta de preços. Não se combaterá a inflação com mais perdas para a Petrobrás. Isso apenas agravará os problemas do País.

Dosimetria questionável - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 14/08
O julgamento do mensalão, o mais longo da história do Supremo Tribunal Federal (STF), chega hoje à fase de análise dos recursos das defesas. A Corte começa a analisar os questionamentos de 25 condenados, que tentam modificar a decisão do STF sobre um processo que teve 37 acusados julgados. Os ministros terão que decidir se a sentença de 11 réus poderá ser revista. O julgamento ocorre oito anos após o escândalo sobre a compra de votos e de apoio político no Congresso Nacional.
Há dois tipos de recursos: os embargos infringentes e os de declaração. Os primeiros, se considerados legítimos, permitem que condenados com ao menos quatro votos pela absolvição tenham direito a novo julgamento, com outro relator e revisor. Os infringentes não têm efeito modificador, servindo para esclarecer pontos obscuros da sentença, além de dirimir eventuais contradições.

Ficou claro que - e os ministros estão conscientes disto - a dosimetria das penas foi desproporcional entre os condenados. A sociedade não está pedindo inversão de sentenças, inocentando os condenados, mesmo porque os embargos de declaração não têm esse poder. Mas a dosimetria pode ser alterada, pois não há como ignorar o excesso de penalidades dos núcleos publicitário e financeiro. Exclui-se do grupo o operador do esquema.

A dosimetria é o momento em que o Estado, por meio do Poder Judiciário, comina ao indivíduo que delinque a sanção pelo crime cometido. O Código Penal estabelece a pena em abstrato: limites mínimo e máximo. A dosimetria dá-se somente mediante sentença condenatória, atendendo três fases: fixação da pena-base, análise das circunstâncias atenuantes e agravantes e das causas de diminuição e de aumento.

Quanto maior o número de circunstâncias desfavoráveis ao réu, mais a pena se afasta do mínimo. O juiz estabelece uma pena-base para que se possa atenuar, agravar, aumentar ou diminuir. Na segunda fase da dosimetria, são analisadas as circunstâncias atenuantes e agravantes, e a terceira consiste nas causas especiais de diminuição ou aumento de pena, aplicadas sobre o resultado a que se chegou na fase anterior.

O núcleo financeiro, pelo que consta, fez empréstimos sem lastros, mas a distribuição dos recursos foi feita a mando de alguém. Os recursos não pertenciam mais aos banqueiros. Os recibos dos contemplados são forte indício dessa tese. Como entender, pois, que penalidades de coadjuvantes sejam maiores que as dos mentores do mensalão? O equilíbrio, vale lembrar, é fundamental para que a justiça seja completa nesse histórico episódio.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Se é impositivo, que seja naquilo que a população mais quer”

Ministra Ideli Salvatti (Articulação) condicionando as emendas à área de Saúde


GOVERNO SUSPEITA QUE EUA ESPIONARAM PRÉ-SAL

A área de inteligência do governo suspeita que os Estados Unidos espionaram a Petrobras e os planos brasileiros para a exploração do pré-sal. A suspeita provocou indignação da presidente Dilma Rousseff e foi dita claramente ao embaixador norte-americano em Brasília, que negou a espionagem. O governo trabalhava apenas com a hipótese, tornada pública, de “monitoramento” de cidadãos brasileiros.


AJUDA PRIVADA

O governo suspeita que os EUA obtiveram planos do Brasil para o pré-sal com ajuda de empresas americanas fornecedoras da Petrobras.


BIG BROTHER

A Agência de Segurança Nacional (NSA) teria espionado residentes ou pessoas em trânsito e empresas instaladas no país, incluindo estatais.


CALHAMAÇO

Tem mais de quinhentas páginas o dossiê dos agentes do governo sobre a suposta espionagem americana no pré-sal.


PENSANDO BEM...

...o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, nem pedir para sair pode. Tem protesto do lado de fora.


BRASILÉIA, NO ACRE, VIRA UM HAITI PARA REFUGIADOS

O sonho dos haitianos de uma vida melhor no Brasil se transformou em “catástrofe humanitária” em Brasiléia (AC), diz o relatório da visita da ONG Conectas, no início do mês: o galpão para 200 pessoas abriga 800 haitianos, com 10 banheiros e oito chuveiros, sem sabão, esgoto a céu aberto e teto de zinco, temperatura de 40 graus. Quase todos têm diarreia. A ONG acusa o Brasil de “maquiar” uma crise internacional.


CAMINHO DE VOLTA

Haitianos se dizem “enganados” na promessa de refúgio e preferem voltar ao seu miserável país, após roubados por atravessadores.


VENDAVAL FINANCEIRO

O governo do Acre diz que só recebeu R$ 2 milhões do governo federal em quase três anos, e que 40 novos haitianos chegam todo dia.


O DITADOR-FANTASMA

Piada no Twitter sobre o aniversário do ditador de pijamas cubano Fidel Castro, sumido de novo: “Se estivesse vivo, faria hoje 87 anos”.


CENÁRIOS PARA 2014

Líderes do PT atribuem o sumiço de Eduardo Campos (PSB) à retomada do seu projeto de ser vice de Lula, em 2014. Para acalmar o PMDB, seria oferecida ao atual vice, Michel Temer, disputar o Senado ou o governo paulista, com Lula e Alexandre Padilha no palanque.


VENDENDO CONFIANÇA

Após recusar convite para visitar Campina Grande (PB) nos festejos juninos, o presidenciável tucano Aécio Neves desistiu de ir a um evento do PSDB em Caruaru (PE). Até parece que é conhecido no Nordeste.


CAÇA QUEM PODE

Os franceses da Dassault, fabricante dos Rafale, devem ter adorado o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, dizer ao chanceler Patriota o que Patriota já sabia: os americanos continuarão espionando o Brasil “contra o terrorismo”. A venda dos caças F-18 sumiu na estratosfera.


ADEUS, BRIGADEIRO

Às vésperas da aposentadoria, caças da FAB deram rasante na zona sul do Rio, no enterro do brigadeiro Rui Moreira Lima, 94, herói da 2ª Guerra na esquadrilha “Senta a Pua”, e perseguido na ditadura.


CAUSA E EFEITO

O perdão do Brasil aos 98% da dívida externa da Guiné Equatorial fez a feroz e miserável ditadura africana anunciar o crescimento de seu PIB, de 1,9% em 2010 para 4,8%, em 2012. Será? E o nosso PIB, ó...


MESMA LADAINHA

TAM e GOL, que controlam a aviação civil, parecem dupla sertaneja afinada: alegam “prejuízo operacional” para demitir funcionários e aumentar tarifas, enquanto fazem lobby no governo Dilma por dinheiro barato do BNDES e até isenção de ICMS do querosene de aviação.


BOA VIZINHANÇA

O governador Beto Richa (PSDB) prepara comitiva para a posse, nesta quinta, do presidente do Paraguai, Horacio Cartes, e do vice Juan Afara. São fortes as relações entre paraguaio e o Estado do Paraná.


PÉ NO ACELERADOR

O ministro Aldo Rebelo (Esportes) despachou com deputados, na liderança do PMDB na Câmara, sobre a liberação de emendas parlamentares, conforme pedido da presidente Dilma Rousseff.


TEMPOS MODERNOS

Só mesmo no Brasil o trem-bala atrasa antes mesmo de sair do papel.


PODER SEM PUDOR


O DEPUTADO MALA


O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) é do tipo distraído, que usa meias de cores diferentes e esquece o inesquecível. Certa vez, quando deputado federal, ele foi a Belo Horizonte para um congresso do PT e, chegando no hotel, deu por falta da mala. Reclamou na recepção, ligou para assessores, enfim, deu um show, imaginando ter sido roubado. Um menino que assistia à cena cutucou o deputado, que, impaciente, soltou um "o que você quer, garoto?"

- Uai, sua mala não é essa aí, não? - disse o menino, apontado para seu lado, no chão.

Era. E Cardozo morreu de vergonha.

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Fora dos trilhos: Trem-bala custará R$ 1 bi mesmo se não sair do papel
- Folha: Acuado, Alckmin diz que cartel atuou em outros Estados
- Estadão: EUA dizem que espionagem ajudou a proteger brasileiros
- Correio: Barbárie na Asa Sul: Moradora ataca colega, envolve em lençóis e toca fogo
- Valor: A “inflação da Copa” chega a 583% em hotéis
- Estado de Minas: A guerra das bananas
- Jornal do Commercio: Faxina geral na Zona Sul
- Zero Hora: Desvio na Procempa pode ser de R$ 50 mi
- Brasil Econômico: BB avisa que não pode mais reduzir os juros

terça-feira, agosto 13, 2013

Um humanismo mais humano - LYA LUFT

REVISTA VEJA

As frases do papa Francisco brotam naturais, sem artificialismo. sem populismo. sem interesse pessoal nem solenidade — nascidas da sabedoria, experiência, realismo e franqueza, como: "Precisamos de um humanismo menos desumano" nesta época de "feroz idolatria do dinheiro". Homens assim nos dão alguma esperança de que o país mude. carentes que estamos de líderes confiáveis, cegamente confiáveis, como bons pais devem ser confiáveis.

Talvez, mudando o pensamento geral, segundo alguns conceitos de Francisco, seja possível arrumar a casa com projetos realistas: recursos existem. Valorizando mais a vida. olhando o bem do povo — que não são apenas os pobres, mas todos os que trabalham tentando construir um lugar mais respeitado e respeitável —, o humanismo busca o bem do homem. Não preciso especificar "do homem e da mulher", pois não somos ignorantes a ponto de não saber que em casos como esse "homem" é agenérico, não se refere apenas ao ser masculino. Porém parece prevalecer entre nós o humanismo desumano: o desvario da ganância, a luta sangrenta pelo poder, o desrespeito à ética mais elementar, os serviços caros, insuficientes, inúteis, desviados de sua função, carentes e pobres.

Recentemente as televisões do país (repetidas no exterior) mostravam médicos e enfermeiros tentando desesperadamente salvar a vida de um paciente no chão de um corredor de hospital. Por falta de aparelho, faziam massagem manual no coração do doente — no chão de pedra do corredor. Não faltavam médicos: faltavam leitos, aparelhos, limpeza, faltava a essência que possibilitaria salvar aquela pessoa. Outra reportagem mostrava um médico com lágrimas nos olhos que acompanhou uma paciente em vários hospitais, sem conseguir que fosse internada, e ela, com apenas 45 anos, morreu na sua frente. Não faltou médico: faltou lugar decente para sobreviver ou mesmo para morrer, pois nenhum ser humano deve morrer no chão, como um animal. É desse humanismo desumano, centrado no homem consumista e manipulável, que falava o papa, dizendo ainda que, enquanto houver uma criança passando fome. um jovem sem educação, um velho sem atendimento médico, ninguém deverá dormir em paz, como um pai não dorme em paz se a seus filhos falta o elementar.

Esta coluna sai próximo do Dia dos Pais: ignoremos as propagandas românticas mas mercantilistas. os gestos vazios e talvez hipócritas, e, em cada uma dessas datas dedicadas a mãe, criança, pai, avós, vamos curtir o afeto. O agradecimento. As doces memórias para quem os perdeu. O abraço, o telefonema, o beijo, a risada, a alegria, que na correria cotidiana a gente tantas vezes esquece. Pois essas ocasiões, se não contaminadas, podem nos salvar da indiferença ou da selvageria que rondam. O presente pode ser esse telefonema, esse abraço, essa lembrança simples: aliás, quanto mais simples, melhor, pois não entramos na corrida consumista. não é preciso sermos "mais generosos" no preço do presente, mas mais amorosos com nosso pai nesse dia.

Quem sabe optando por um verdadeiro humanismo vamos descobrir quem desejamos no poder: pessoas que não super-valorizem o poder, mas a justiça, a ordem, a eficiência, a misericórdia — que faz parte da grande política; que administrem de forma excelente os bens do país que são do povo. de cada um de nós que trabalhamos para pagar altos impostos com tão pouco retomo, nós que sofremos e morremos nos corredores de hospital, sem boa escola, sem transporte decente, fechados em casa pela insegurança geral, de tantas coisas órfãos.

Essa mudança de pensamento e postura começa na nossa família, no primeiro convívio que nos forma — e dali pode se espalhar como conceito e prática pelas comunidades, pelas cidades, pelo país. Assim veremos que é possível haver líderes que sejam presença alerta e aberta, trabalhando, acima e além de crenças e ideologias, por mais justiça, dignidade, amparo, crescimento para seu povo — como faz por sua família um pai que não é proprietário nem capataz, mas parceiro e cuidador.

Suderj informa - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/08

Troca de preocupação número 1 no Palácio do Planalto: sai a inflação, e entra o dólar.

O dentuço
Ronaldinho Gaúcho deve se submeter a um tratamento dentário hoje, na clínica do Atlético Mineiro.

Vai colocar facetas de porcelana, uma espécie de lente de contato fina que muda o aspecto e até a cor dos dentes. E fará uma cirurgia de gengiva.

Maus antecedentes
Este João Augusto Rezende Henriques, que denunciou na revista “Época” um suposto esquema de pagamento de propina a partidos políticos na Petrobras, é figura conhecida na estatal.

Quando foi diretor da BR Distribuidora resolveu comprar etanol fixando o preço em dólar. A estatal tomou o maior prejuízo.

Cuidado com o andor
Foi criada no Facebook a página “Orgulho de ser branco”. Tem quase 2.700 curtidas.

Diz ser contra o racismo e prega a tolerância. Melhor assim.

Tragédia de uma geração
A 3ª Câmara Cível do Rio condenou a Syntex a indenizar em R$150 mil uma vítima da talidomida. O laboratório ainda terá de pagar pensão mensal de um salário mínimo e meio à vítima, desde dezembro de 1989.

A droga foi criada no final dos anos 1950. Era usada para combater o enjoo na gravidez. Só que, até ser tirada de circulação, em 1962, provocou o nascimento de cerca de 10 mil bebês com má-formação.

Fezm...
Um dos manifestantes que ocuparam a Câmara de Vereadores do Rio, acredite, fez cocô na mesa do presidente da Casa, Jorge Felippe.

Calma, gente
O prestígio intelectual de Ziraldo, lançado candidato à ABL por Leonardo Boff, “como uma maneira de prestigiar a literatura infantojuvenil”, também é naturalmente grande na Academia.

Mas ontem teve acadêmico lembrando que a casa já abrigou pelo menos 34 grandes escritores ligados à literatura infantojuvenil.

À la Zózimo
E o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, hein? O coleguinha vai escrever para a editora Intrínseca um livro sobre Zózimo Barrozo do Amaral.

Ressuscita-me
No show de Gal Costa, sábado passado, no Vivo Rio, uma turma não parava quieta. Quando ela cantou “O amor” (aquela música que diz “ressuscita-me”), a turma gritou: “Eu te ressuscito, gostosa.”

Gal não perdeu o rebolado: “Eu já fui ressuscitada pela música.” Fofa.

De volta aos EUA
Zeca Pagodinho mal chegou dos EUA e já canta dia 1º em Nova York, no Brazilian Day, e dia 7, em Las Vegas.

Vigilância total
O MV1 está testando catracas especiais em duas de suas escolas.

Quando os alunos passam, seus pais são avisados, por torpedo (veja acima) a hora da entrada e da saída.

Meu Deus!
Três senhoras, uma delas com 80 anos foram internadas, dia 6 passado, no Hospital da Fundação Miguel Pereira, n Rio. Tinham cirurgias no dia seguinte.

Acredite. Ao amanhecer, quando todas já estavam no soro, o médico disse que não recebera do SUS e, portanto, não iria operá-las.

Bafafá na delegacia
O advogado Nélio Andrade escapou, ontem, de ser autuado por falso testemunho, na 17ª DP (São Cristóvão)

Ele defendia PMs que deram tiros num carro, quando teria impedido testemunhas de serem ouvidas. O delegado Oto Alves enquadrou todo mundo, mas mudou de ideia depois que o advogado se retratou.

BBB no salão
Ivani Werneck, a dona do Care, salão de beleza chique em Ipanema, confirma que usa câmeras e gravadores nas salas:
— Mas não para ouvir a conversa dos outros.

Ela diz que, graças às câmeras, uma cliente antiga que teve o brinco de ouro surrupiado descobriu que a ladra foi outra madame. A joia foi devolvida

Segue...
Quanto aos gravadores, Ivani afirma que ajuda a evitar mal-entendidos entre clientes e profissionais, do tipo “você não fez o que eu pedi” e tal.