domingo, junho 16, 2013

Padilha na cabeça - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 16/06

A cúpula do PT e o ex-presidente Lula chegaram à conclusão que, diante da antecipação da campanha eleitoral, será preciso definir até, no máximo agosto, o candidato ao governo de São Paulo. O favorito é o ministro Alexandre Padilha (Saúde). Pesquisas internas do partido mostram que, apesar da área espinhosa que atua, ele tem uma boa imagem.

Fim do romantismo

Na avaliação do governo Dilma, aquela imagem dos irmãos Villas-Bôas percorrendo o Brasil para identificar os nossos índios e demarcar suas terras é coisa do passado. O Serviço de Inteligência detectou que, além da Igreja Católica e de organizações ambientais, "garimpeiros e madeireiros ilegais" também sustentam as manifestações favoráveis à causa indígena. Há relatos de policiais federais que atuaram nas últimas reintegrações, de que os índios, quando informados previamente das ações da polícia, unem-se aos que agem ilegalmente para resistir.


"Não há falta de nomes no PT. Nosso foco é definir candidatos sem brigas e sem prévias"
Rui Falcão Presidente nacional do PT

Bonde da Rússia

A Câmara estará vazia esta semana. O presidente Henrique Alves irá à missão oficial na Rússia. Na comitiva, os líderes do governo, Arlindo Chinaglia (PT); do DEM, Ronaldo Caiado; do PMDB, Eduardo Cunha; e do MD, Roberto Freire.

Não é hora

Sobre eventuais divergências com o presidente da Infraero, Gustavo do Valle, o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) desconversa. Explica que às vésperas da Copa das Confederações não se pode criar "ambiente de conflito". Diz: "O momento é despropositado para reflexões dessa natureza (substituição de Valle)".

Fundo para Minha Casa Minha Vida

O PP apresentou projeto que mantém a multa de 10% do FGTS aos empregadores e carimba esse dinheiro, com a criação do Fundo Nacional de Habitação. Será votado com urgência, passando na frente do PLP 200, que extingue a cobrança.

O Solidariedade quase lá

Ao menos 300 mil assinaturas do Solidariedade já foram validadas pelos cartórios eleitorais. A coordenação do novo partido, que tem como principal organizador o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), garante ter coletado 700 mil assinaturas e que ele está em condições de ser constituído em oito estados. Falta apenas um para cumprir a regra.

Inversão de pauta

O governo vai retirar a urgência do projeto dos royalties para a Educação, que tranca a pauta nesta semana e sequer começou a ser discutido na Câmara. A comissão foi recém criada, e será relator o líder do PDT, André Figueiredo.

Palanque para todos os gostos

O PSB paulista quer fazer o vice do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB. O deputado Márcio França (PSB-SP) é o nome. Os socialistas querem dividir o palanque entre Aécio Neves e Eduardo Campos.

SERÁ LANÇADA quarta-feira no Senado campanha contra uso exclusivo do domínio "amazon", pleiteado pela multinacional Amazon.com.

Vacina eleitoral - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 16/06

A queda na popularidade de Dilma Rousseff e o aumento das críticas aos resultados da economia levaram a presidente a adotar nos discursos o mantra de que o "Brasil real" não está em crise. Interlocutores do governo dizem que a estratégia foi traçada em reunião no Alvorada entre a petista, João Santana e Aloizio Mercadante (Educação), na última quarta-feira. A avaliação é que a "crise não existe para o eleitor", uma vez que o país tem baixo desemprego e renda preservada.

Alerta No Planalto, a ordem é monitorar os protestos não só em São Paulo como em demais capitais e tentar detectar outros assuntos, que não as tarifas, que estejam catalisando a insatisfação da população, com riscos à imagem de Dilma.

Fogo amigo Felipe De Andrea Gomes, presidente do diretório do PSDB em Pinheiros, e Fernando Guimarães, presidente municipal do Instituto Teotonio Vilela, devem ser enquadrados pela sigla amanhã. Ambos criticaram a PM e publicaram convites para os atos nas redes sociais.

Dobradinha Além de fazer fartos elogios a Fernando Henrique Cardoso em evento empresarial em Minas, na sexta-feira, Eduardo Campos contou com claque tucana. Diante da ausência de Aécio Neves, seu aliado Marcus Pestana brincou: "Está bem representado pelo Eduardo''.

Leilão Além de negociar com o PT, o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração), da cota do PSB no governo, conversou na semana passada com o ex-prefeito Gilberto Kassab (SP) sobre uma possível filiação ao PSD.

Versões Campos e Coelho conversarão neste fim de semana sobre o futuro político do ministro, que quer ser candidato ao governo. O aliado disse ao governador que foi procurado pelo PSD, mas interlocutores de Kassab dizem que a iniciativa partiu do ministro, e que o ex-prefeito foi reticente sobre a filiação.

Ex-verdes? Dois representantes do PV paulista se aproximam discretamente da Rede, de Marina Silva. O vereador Gilberto Natalini recolheu 5 mil assinaturas para formar o partido e pensa em migrar para a sigla. Já o ex-secretário Eduardo Jorge teve conversa reservada com um representante da legenda.

Lobby 1 Luiz Marinho (PT), prefeito de São Bernardo e braço-direito de Lula, viaja hoje a Paris para participar de uma feira aeronáutica a convite da Saab, fabricante do caça sueco Gripen.

Lobby 2 O prefeito petista defende a compra da aeronave pela Força Aérea Brasileira, numa disputa com outros concorrentes que ainda será arbitrada por Dilma.

O futuro... A Prefeitura de São Paulo estabeleceu como prioridade a aprovação do novo desenho da Operação Urbana Água Branca, que será estendida até bairros da zona norte. O presidente da Câmara, José Américo (PT), quer votar o projeto antes do recesso.

... do Arco O objetivo é autorizar a venda de títulos para a construção de prédios no entorno do rio Tietê, dando o primeiro passo para a implementação do Arco do Futuro, promessa de campanha de Fernando Haddad.

Auditório Os planos de renovação do PSDB paulistano passam por atrair celebridades para o partido. Na mira do partido está a apresentadora Patricia Abravanel, filha caçula de Silvio Santos.

Arrastão PT e PSDB dividem uma preocupação em São Paulo: as bancadas que serão eleitas na esteira de puxadores de votos de perfil popular, como Tiririca (PR), Marco Feliciano (PSC) e Celso Russomanno (PRB).

tiroteio
Esse comportamento da PM sob o comando de Alckmin não está fora da curva. Já vimos essa repressão na USP e no Pinheirinho.
DO EX-PREFEITO DE OSASCO EMÍDIO DE SOUZA (PT), sobre a ação da polícia de São Paulo no protesto contra a alta das tarifas de transportes, na quinta-feira.

Contraponto


Hora do recreio
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) participava por mais de três horas de audiência pública na Câmara sobre médicos com diploma estrangeiro quando o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) assumiu o microfone. Ainda sem almoço, como os colegas, o parlamentar protestou:

-O ministro está comendo uma rosquinha e não ofereceu para ninguém! - reclamou, em tom de brincadeira.

Bolsonaro, que é conhecido por suas posições conservadoras, completou:

-Tenho certeza de que o ministro não é homofóbico... Nós queremos a rosquinha dele!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 16/06

CNI vai criar escola de negócios e fazer parcerias com Harvard e Cambridge
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trabalha na criação da Escola Internacional da Indústria José Alencar e em parcerias com a Harvard Business School e a Universidade de Cambridge.

Com uma previsão inicial de cerca de 1.200 vagas por ano, a faculdade terá cursos de pós-graduação, extensão e programas de educação executiva. Ficará em São Paulo ou no Rio de Janeiro, em uma área de cerca de 10 mil m².

Será um centro de conhecimento para formular e propor soluções para a indústria competitiva e formar um quadro de alto nível em gestão, segundo Robson de Andrade, presidente da entidade.

"A ideia é que Harvard venha dar cursos aqui e talvez uma parte deles seja completada lá nos EUA", diz.

A escola também deverá mandar professores para treinamento no exterior. A Universidade de Cambridge apoiará outras áreas, como um centro de altos estudos.

"Estamos na fase de formatação de como vai ser escola de negócios", afirma. A previsão da entidade é que a escola saia do papel em 2014.

A CNI entrará com uma parcela importante dos recursos para o projeto e estuda associar-se a outra escola no país ou ao governo federal. Com os Estados, a entidade busca negociar terrenos.

"Temos R$ 90 milhões reservados para educação executiva em várias áreas."

Os cursos serão pagos, mas haverá bolsas de estudos.

A entidade planeja ainda criar cursos de extensão na área têxtil no Nordeste e no Sul, além dos que já oferece na escola que tem no Rio.

COMO ESTOU DIRIGINDO?
As seguradoras Yasuda e Marítima lançam aplicativo gratuito para ajudar a evitar acidentes no trânsito.

Com tecnologia japonesa, a ferramenta para smartphone, que deve ficar em um suporte apropriado no painel, avisa ao motorista sobre a aproximação perigosa de veículos, se ele breca ou acelera muito e dá notas.

O aplicativo estará disponível a partir de amanhã nos sites das companhias, mesmo para quem não é cliente das duas seguradoras.

"A ideia é que o usuário reduza riscos conforme se conscientiza de como dirige", diz o diretor vice-presidente da Yasuda Seguros, Luiz Macoto Sakamoto.

BELEZA DE NORDESTE
A Yes Cosmetics, fabricante de cosméticos com sede em Pernambuco, vai investir R$ 30 milhões em seu projeto de expansão.

Com foco nas classes B e C, a empresa prepara a instalação de 300 lojas próprias em todo o país, a começar pelo Nordeste.

Atualmente, a companhia tem apenas cinco unidades próprias, além de cerca de 400 franquias.

O maior número de pontos comerciais não demandará ampliação da fábrica, segundo Cândido Espinheira, presidente da empresa.

"Trabalhamos hoje com capacidade ociosa", diz.

Espinheira também não pretende adiar as inaugurações por causa de um desempenho fraco da economia brasileira.

"O setor vem crescendo e a previsão é que ele continue em dois dígitos. As classes B e C seguem em expansão. Para nós, é um momento favorável."

R$ 30 milhões
serão investidos pela empresa em sua expansão

300
é o número de lojas próprias que devem ser abertas

400
são as franquias da rede atualmente

INTEGRAÇÃO LATINA
O argentino Grupo Assa, de serviços de tecnologia da informação, vai abrir uma unidade em Curitiba nesta semana.

A estratégia faz parte de um plano de investimentos de US$ 50 milhões (cerca de R$ 107 milhões) na América Latina para os próximos anos.

Chamada de "delivery center", a unidade permitirá a integração de dados com outros locais semelhantes em São Paulo, na Argentina e no México.

A empresa tem serviços de recursos humanos e tecnológicos, além de traçar processos de negócios de companhias da região e multinacionais.

"Nossa principal intenção é acompanhar empresas latino-americanas pelo mundo afora", diz Marcio Caputo, vice-presidente do grupo.

A Assa chegará ainda à Colômbia, no segundo semestre deste ano, e ao Chile, após a aquisição de uma empresa do país.

US$ 90 MILHÕES
foi a receita total no ano passado

Pós-quarentena O advogado Luiz Augusto Fraga Navarro de Britto Filho, que deixou a Controladoria Geral da União e é um dos autores da Lei Anticorrupção, foi contratado pelo escritório Veirano.

Boa... A Fundação Getulio Vargas prepara indicadores para medir a satisfação do brasileiro com seu modo de vida. Os dados vão compor um índice da OECD (organização para desenvolvimento econômico).

...vida O Better Life Index compara o modo de vida de habitantes de diferentes países. A FGV fará avaliações por Estado e vai abordar o assunto nesta semana em um fórum global, na Alemanha.

Tensão pré-normal - HENRIQUE MEIRELLES

FOLHA DE SP - 16/06

Os mercados mundiais, sobretudo os de ações e de renda fixa, têm sofrido grande volatilidade nas últimas semanas.

Além das incertezas da economia mundial, com a desaceleração na China e os desafios da Europa, a razão principal da volatilidade são as antecipações feitas por agentes do mercado de uma possível retirada de estímulos monetários pelo Fed (o banco central dos EUA) e as dúvidas sobre a eficácia dos estímulos do BC japonês.

À medida que as economias se normalizam, é natural e inevitável em algum momento a retirada desses estímulos.

Quando o Fed iniciou o chamado "afrouxamento quantitativo" (que nada mais é do que a compra de títulos nos mercados pelo BC dos EUA), isso foi saudado por alguns como o fim da ortodoxia dos bancos centrais e da "obsessão com a inflação". Segundo essa linha de pensamento, os bancos centrais haviam mudado.

Os fatos mostram que foi uma conclusão precipitada.

Em primeiro lugar, porque, numa forte recessão, a inflação tende a cair abaixo da meta. Há, inclusive, o risco de deflação, isto é, queda de preços, o que cria outros problemas para a política monetária.

Nos EUA, depois de todas essas ações do Fed, o cálculo do núcleo da inflação preferido pelo BC norte-americano ficou em 1,05% em 12 meses acumulados até abril. Foi a menor inflação medida por esse índice desde que ele foi criado, em 1959.

Em segundo lugar, numa crise de crédito, os canais de transmissão normais da política monetária deixam de funcionar. Nesses momentos, é vital uma ação rápida e forte dos bancos centrais para restabelecer o crédito.

O Fed, o Banco Central Europeu, em certa medida, e, agora, o BC japonês atuaram justamente para recuperar os canais de crédito e a liquidez, restaurando assim os mais importantes canais de transmissão da política monetária. Normalizada a situação, os bancos centrais voltam a exercer suas funções de forma clássica.

Foram tomadas, portanto, medidas inovadoras e, às vezes, ousadas, mas que não mudam, em essência, os mandatos dos bancos centrais.

O Fed tem deixado claro que, quando a economia voltar à normalidade e subirem as expectativas de inflação, ele passará a vender papéis em sua carteira para contrair a liquidez, e as taxas de juros voltarão a subir.

Os mercados já anteci- pam esses movimentos, e os juros já subiram moderadamente, o que é uma das razões da volatilidade.

Resumindo, o que acontece agora nos EUA, com reflexo no mundo todo, é a aproximação do momento em que o BC norte-americano voltará a tirar recursos do mercado, vendendo títulos e subindo os juros para manter a inflação na meta.

Turbulência cambial - CELSO MING

O ESTADÃO - 16/06

Ao longo da semana passada, as cotações do câmbio enfrentaram uma volatilidade como há muito tempo não se via, apesar dos 4 leilões de compra no câmbio futuro (swap cambial) realizados pelo Banco Central.

Desta vez, a deterioração das contas do Brasil com o exterior (contas correntes), cujo déficit em apenas quatro meses saltou de 2,4% para 3,0% do PIB, não foi o principal fator do treme-treme. No mundo inteiro, as cotações do dólar soluçaram.

A rigor, a novidade ainda não ocorreu. Bastou que Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), admitisse, em depoimento ao Congresso no dia 22 de maio, que poderá reduzir a emissão de moeda destinada à compra de títulos, para que os mercados entrassem em turbulência: as bolsas caíram, o dólar se valorizou em relação às outras moedas e os juros saltaram.

Ao longo do ano passado e deste ano, a presidente Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, temeram que essas operações, conhecidas como afrouxamento quantitativo, provocassem sérios problemas para o Brasil. Hoje, o perigo mudou de lado.

Apenas para reavivar a memória, essas operações consistem em compra de títulos no mercado dos Estados Unidos com emissão de dólares para que mais dinheiro na economia reative o crédito, o consumo e a produção.

Foram objeto de denúncias seguidas da presidente Dilma e do ministro Mantega, que as chamaram de “tsunami monetário” e de “guerra cambial”, respectivamente. Consideraram-nas prejudiciais à economia dos países emergentes porque provocam inundação de moeda estrangeira e valorização das moedas locais, fator que tira a competitividade e alija as indústrias nacionais do mercado global. O governo brasileiro levou a questão às cúpulas do Grupo dos 20 e ameaçou entrar com representações na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os países ricos, especialmente Estados Unidos e Japão, por praticarem jogo desleal no comércio com os vizinhos.

A simples perspectiva de suspensão das políticas de afrouxamento quantitativo já estão apontando para uma ameaça oposta: a de causar escassez de moeda estrangeira nos mercados, justamente quando o Brasil mais precisa de entrada de capitais para complementar a cobertura dos investimentos.

Mais ainda, diante da perspectiva de forte derrubada dos preços do gás natural e dos custos da energia em seu mercado interno, os Estados Unidos tendem agora a atrair centenas de bilhões de dólares que vinham pingando no câmbio dos países emergentes.

A tendência se inverteu e passou a ser de desvalorização do real, com todo o impacto que pode exercer sobre a inflação. Claro, há US$ 375 bilhões em reservas que podem ser utilizadas para frear a saída de dólares (ou a redução de entrada). Mas, dependendo da pressão sobre o câmbio, essas reservas podem ser exauridas em apenas alguns meses.

Essa foi a principal razão pela qual o governo Dilma suspendeu todas as barreiras contra a entrada de capitais, erguidas quando os fluxos tinham outra direção. Além do crescimento econômico insignificante (certamente abaixo de 3% em 2013), da inflação elevada demais, e do baixo nível dos investimentos, a economia brasileira começa a enfrentar outro foco de deterioração.

Mais cautela. O FMI recomendou, na sexta-feira, que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) só faça alterações em sua política monetária em meados de 2014, reduzindo de forma “gradual” as compras mensais de ativos. O problema é que são pontos de vista distintos: enquanto o FMI está preocupado com os efeitos globais do fim do afrouxamento monetário, os interesses do Fed estão voltados principalmente para o mercado interno dos Estados Unidos.

Panorama do investimento - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 16/06

ÁLVARO GRIBEL  E VALÉRIA MANIEIRO - INTERINOS
Mais da metade do investimento feito pela indústria este ano está concentrada em um único segmento: equipamentos de transporte. De janeiro a abril, eles foram 55% da alta dos bens de capital. Enquanto isso, a indústria de máquinas tem perda de 8% no faturamento e de 18% nas exportações. As encomendas estão no nível mais baixo da história da Abimaq, a entidade que representa o setor.

Os investimentos estão puxando a economia brasileira no ano, com crescimento acumulado de janeiro a abril de 13,4%, sobre o mesmo período de 2012. Mas eles estão concentrados na produção de caminhões, ônibus e outros equipamentos de transporte (vejam no gráfico). Segundo o presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Má-quinas), José Velloso, um único segmento, entre todos os que compõem o investimento industrial, viveu um momento muito bom e passou a sensação de que todos estavam bem:

-Entre as empresas da Abimaq, só crescem as que produzem máquinas agrícolas, porque a safra é no início do ano. Houve um represamento muito grande da compra de caminhões, e agora soltou tudo de uma vez. Esse aumento no início do ano vem de uma base de comparação muito baixa. Estamos pessimistas.

A carteira de pedidos das empresas que fazem parte da Abimaq está em 15 semanas, muito abaixo da média histórica, 25 semanas. A ociosidade está alta: apenas 70% do parque industrial está em funcionamento. Velloso diz que a queda da Selic e os financiamentos do Finame ajudaram, mas que o custo de capital de giro continua muito elevado:

-O grande problema é que a indústria de transformação, que compra máquinas, está perdendo competitividade. Antes, o consumo estava forte, mas o real também estava, e os importados entravam com força. Agora, o real desvalorizou, mas o consumo perdeu força. Quem vai investir nesse cenário?

O economista Armando Castelar, do Ibre/FGV, explica que, além da indústria, é preciso olhar para o investimento da construção civil. E, aqui, o quadro é de retração de 1% no primeiro trimestre porque as obras de infraestrutura programadas pelo governo não andaram no ritmo esperado.

-Daqui a dois meses, faz um ano do plano de logística lançado pelo governo. Já era para se ter várias concessões nas mãos da iniciativa privada, mas isso não aconteceu. A construção residencial também está com problema, depois de passar por um período de crescimento exuberante. Há aumento de custos de terrenos e de mão de obra, atrasos nas entregas dos projetos e baixa geração de caixa das construtoras - disse.

Real fraco traz menos tecnologia

Segundo Armando Castelar, a valorização do dólar encareceu a importação de máquinas de Estados Unidos, Alemanha e Japão, países que produzem equipamentos de alta tecnologia e que são essenciais para vários setores da indústria:

-O mundo todo precisa importar equipamentos desses três países, que concentram produtos de alta tecnologia. Não há como fugir disso. E o real mais fraco encarece essa importação, o que atrapalha nossos investimentos.

Taxa sobre o PIB crescerá pouco

José Velloso explica que é sempre bom olhar para a taxa de investimento, que mede o total investido em relação ao PIB. No primeiro trimestre, ela foi a mais baixa para o período desde 2009: 18,4%. No final do ano, deve fechar em 18,6%, segundo a Abimaq. Armando Castelar lembra que a promessa do governo era levar a taxa a 25% do PIB. A média da América Latina é 22%, de acordo com o economista.

REGISTROS DE INADIMPLÊNCIA: A Abimaq tem registrado inadimplência. Empresas que encomendaram máquinas estão atrasando os pagamentos.

Reduziu-se o espaço de manobra - SAMUEL PESSOA

FOLHA DE SP - 16/06

O câmbio desvalorizou-se quase 6%. Com inflação e com PIB crescendo devagar, o estrago foi grande


Nas últimas semanas, o câmbio sofreu forte depreciação. Diversas outras economias, especialmente as dependentes da exportação de commodities, também foram afetadas.

Dois fenômenos aparentemente contribuíram para produzir esse movimento. Primeiro, a acomodação do crescimento da economia chinesa em valores mais próximos de 7% ao ano tem produzido uma queda continuada dos preços das commodities.

Desde o início de fevereiro até a primeira quinzena de maio, o índice de preços de commodities calculado pelo Commodity Research Bureau (CRB) de Chicago perdeu 3,5%. A moeda dos países que dependem da exportação de bens primários se desvaloriza em consequência do movimento dos preços dos bens primários.

Mais importante foi o segundo fenômeno, que produziu o ajuste das moedas de diversas economias, inclusive do real. Ao longo deste primeiro semestre, duas boas notícias sugeriram aos investidores que a economia americana se recuperaria mais rápido do que estava inicialmente implícito na trajetória das taxas de juros no mercado americano vigentes até o início de maio.

A primeira boa notícia foi que o setor público americano produziu no primeiro trimestre, em comparação ao primeiro trimestre de 2012, um ajuste em suas contas de dois pontos percentuais do PIB.

O déficit nominal, que fora de 8,7% do PIB no primeiro trimestre de 2012, reduziu-se para 6,7% do PIB no primeiro trimestre de 2013.

Dado que outra parcela do ajuste das contas públicas ocorreria no segundo trimestre, quando a maior parte da queda automática dos gastos com início a partir de março atingiria as contas públicas, os números sugerem que o setor público poderá reduzir seu déficit em 2013 em quase três pontos percentuais do PIB.

A segunda boa notícia com relação ao desempenho da economia americana foi que, além de ter crescido 2,4% no primeiro trimestre ante o trimestre anterior (na taxa anualizada), o acompanhamento das diversas estatísticas indicam que no segundo trimestre o produto crescerá ante o primeiro trimestre por volta de 1,8% na taxa anualizada.

Ou seja, no semestre em que a economia enfrenta ajuste fiscal na casa de 2 a 3 pontos percentuais do PIB, o produto crescerá 2% e a economia continuará gerando empregos suficientes para que a taxa de desemprego não cresça.

Para termos ideia do vigor da economia americana, basta lembrar que as economias europeias têm apresentado desempenho muito pior, muitas vezes com crescimento negativo, e melhoras irrisórias nas contas públicas.

As boas notícias fizeram com que o mercado trouxesse para mais perto, e de forma mais alinhada com o roteiro estabelecido pelo Federal Reserve (o BC americano), o momento de normalização da política monetária americana.

Os juros anuais pagos pelas notas do Tesouro americano de dez anos subiram de 1,6% para 2,2%. Esse movimento foi suficiente para produzir saída de capitais dos emergentes em direção à economia americana.

Por aqui o câmbio desvalorizou-se quase 6%. Em uma economia com a inflação batendo no teto da meta e crescendo a passos de cágado, o estrago foi grande.

O cenário básico da condução da política econômica até então era de "empurrar com a barriga" até a eleição. Minha avaliação era que a tentativa de implantação da "nova matriz econômica" já havia sido abandonada, ou estava suspensa até a eleição, em função dos impactos inflacionários que a desvalorização do câmbio de meados de 2011 até meados de 2012 provocara.

O governo controlaria a inflação com medidas tópicas e promoveria um ajuste pequeno na taxa Selic com vistas a acalmar as expectativas inflacionárias. O ajuste maior ficaria para 2015.

O movimento da economia americana adiantou o momento do ajustamento. Evidentemente, temperado pelo calendário eleitoral, podemos esperar uma pequena mas relevante melhora na política fiscal, retorno a um câmbio mais flutuante com a retirada das barreiras à mobilidade de capital, que já ocorreu, e possivelmente um ciclo ligeiramente maior de elevação da Selic. Evidentemente sobrará muito ajustamento para 2015.

A página esquecida da cultura brasileira - ELIO GASPARI

O GLOBO - 16/06

Morreu Jacob Gorender, tendo deixado seu magnífico “Combate nas trevas”, em que conta as ilusões armadas da esquerda brasileira nos anos 70. Com ele, foi-se um pedaço da memória da usina de livros e fascículos da editora Abril, produto da visão empresarial de Victor Civita.

“Seu” Victor achava que a história segundo a qual brasileiro não lê era uma lenda e decidiu lançar uma coleção intitulada “Gênios da literatura universal”. A cada semana, punha nas bancas de jornais um grande romance, acompanhado por um fascículo com a vida do autor. Começou com “Os Irmãos Karamázov”, anunciando que a série teria 50 volumes. Deram-no por doido, pois, se o primeiro livro vendesse menos de 50 mil exemplares, a coleção iria a pique. Ele informou: “Vocês são contra, mas eu tenho 51% das ações, e isso será feito.” Dostoiévski vendeu 270 mil exemplares. Seguiram-se os “Gênios da literatura brasileira”, “Os economistas” e os “Os pensadores”. Platão vendeu 250 mil exemplares. As coleções da Abril levaram para as bancas de jornais cerca de 12 milhões de livros, e ela tornou-se a maior editora de livros de filosofia do mundo.

Nesse empreendimento, estiveram o diretor da operação, Pedro Paulo Poppovic, e a rede de intelectuais por ele mobilizada. Nela, havia 300 professores que a ditadura deixara sem trabalho. Jacob Gorender traduzia filósofos alemães numa cela do presídio Tiradentes, e Pedro Paulo publicava seu trabalho com o nome da mulher, Idealina. Libertado, tornou-se funcionário da Abril Cultural, trabalhando ao lado de uma jovem que gostava de teatro chamada Maria Adelaide Amaral. A coleção “Os pensadores” foi dirigida pelos filósofos José Américo Motta Pessanha (posto para fora da UFRJ), com o apoio de José Arthur Giannotti (cassado pela USP). A redação dos fascículos era dirigida por Ari Coelho, professor de Química expulso da Universidade de Brasília.

Poppovic calcula que a polícia visitou a Abril Cultural em pelo menos 15 ocasiões. Em alguns casos, os redatores valiam-se de uma rota de fuga. Ele lembra que, em nenhum momento, Civita perguntou-lhe quem trabalhava lá, nem o que a polícia queria.

Um dia, alguém resgatará a história do maior empreendimento cultural ocorrido durante a ditadura, com o mais absoluto sucesso.

A Fiocruz e a porta giratória da Axismed

O presidente da Fiocruz, doutor Paulo Gadelha, contesta a nota aqui publicada informando que a instituição entregou a diretoria executiva do seu plano de saúde a José Antonio Diniz de Oliveira, estranho aos quadros da fundação, que trabalhou na empresa Axismed. No cargo, ele teria transferido exatamente para a Axismed a gestão da FioSaúde.

Tem toda a razão. A Fiocruz ainda não assinou qualquer contrato com a Axismed. Fica aqui o reparo.

Na sua reunião de 22 de abril, a diretoria colegiada da FioSaúde deliberou sobre o “aceite da proposta da Axismed" para o programa de atenção a doentes crônicos e classificou ao caso o status de “concluído”. Na semana passada, o conselho da FioSaúde adiou para o fim do mês a decisão final sobre essa proposta.

No dia 22 de março, a FioSaúde divulgou uma apresentação de 45 páginas tratando dos seus serviços em termos gerais. Nela, um capítulo e uma tabela tinham o seguinte título: “Destaques do Plano de Trabalho 2013”. A fonte da tabela era a Axismed.

Cada capítulo tinha um provérbio como epígrafe. O do “Plano de Trabalho 2013”, saído da sabedoria chinesa, ensinava: “Nós até podemos escolher o que semear, mas necessariamente vamos colher o que plantamos.”

A Fiocruz disse que seu programa de visitas hospitalares não fora cancelado. No dia 5 passado, o diretor técnico da FioSaúde informou à sua equipe: “O programa ‘Visita Hospitalar’ foi de fato cancelado”.

Bom humor

O deputado Henrique Alves mal tinha assumido a Presidência da República na interinidade resultante da viagem da doutora Dilma a Portugal, e tocou o telefone. Era o vice-presidente Michel Temer, que estava em Paris. Alves foi rápido:

“Muito obrigado pelo telefonema, Temer, mas não me peça cargos para o PMDB.”

Paris é uma festa. Fica perto da Vandália, no leste da Alemanha, mas longe dos vândalos. Na semana passada, com o Centro de São Paulo conflagrado, lá estavam também o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad. Como diria a romancista Françoise Sagan, “é melhor chorar num Rolls-Royce do que rir num ônibus”.

Passe livre

O Movimento Passe Livre sustenta que o transporte público deve ser gratuito. É maluquice, mas o MPL do andar de cima, sustentado pela Viúva, existe e vai bem, obrigado.

Num cálculo paternal, há hoje pelo menos 15 mil maganos que não pagam transporte e têm motorista. Os governos simplesmente não sabem o tamanho de suas frotas.

Cada hierarca justifica a necessidade de ter carro e motorista. O que nenhum deles explica é por que na Corte Suprema dos Estados Unidos só o presidente do tribunal usufrui desse mimo.

Quando Lawrence Summers era o principal assessor econômico do companheiro Obama, queixou-se de que não tinha carro oficial. Continuou queixando-se, até ir embora.

Pedra cantada

Depois de vender o Hotel Glória, quando a administração do Maracanã privatizado ficar de pé, Eike Batista deverá colocar no mercado a IMX, sua empresa de eventos, na qual o estádio é a joia da coroa.

Registro

Na noite de quinta-feira, antes de a PM paulista ter provocado a batalha da Maria Antônia 2.0, os manifestantes que estavam diante da escadaria do Teatro Municipal cuidavam para que o trânsito da Rua Xavier de Toledo fluísse normalmente. Nenhum policial fazia esse serviço.

Pouco antes das 18h, quando a multidão engordou, quem parou os carros não foi qualquer jovem, muito menos punk com cabelo de moicano. Foi o doutor Plínio de Arruda Sampaio, de 82 anos, fundador do PT e militante do PSOL. Com a mão espalmada, ele parou um ônibus e ficou conversando. Pouco depois, foi para uma calçada.

Durante o bloqueio, os manifestantes abriram espaço para a passagem de três furgões da polícia.

Xenofobia

Em 1997, quando o tucanato contratou empresa de consultoria para pesquisar um modelo para o comércio internacional brasileiro em Brasília e nas embaixadas no exterior, houve algumas caras feias. Parecia estranho entregar a uma empresa internacional livros da diplomacia de Pindorama. Coisa de xenófobos que não entendiam o fenômeno da globalização. Anos depois, a mesma empresa entregou ao Ministério da Fazenda um estudo para a reestruturação do sistema financeiro nacional.

Agora se vê que a empresa centenária, dividida em duas, isoladas, ficou com dois braços. Um só opera com o governo americano, tendo se tornado um grande prestador de serviços de segurança, inclusive para a National Security Agency. Nela, trabalhava Edward Snowden, o jovem de 29 anos que detonou o grampo mundial do companheiro Obama.

Curto-circuito - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 16/06

Os protestos de rua ocorridos a partir do aumento das tarifas de ônibus em São Paulo e no Rio de Janeiro podem prosperar ou se esvaziar como algumas outras iniciativas desprovidas de agenda, organização, lideranças e objetivos nítidos.

O exemplo mais recente e vistoso: o movimento Ocupe Wall Street. Como veio foi, sem que tenha sido possível perceber de onde veio nem para onde foi.

Insatisfações dispersas costumam mesmo ser voláteis. Mas não convém por isso desprezá-las, pois sempre querem dizer alguma coisa. Essa agora evidentemente não diz respeito apenas ao aumento de 20 centavos de real no preço das passagens de ônibus.

As passeatas de estudantes ao fim dos anos 70 começaram como forma de protesto contra os preços cobrados no restaurante da Universidade de São Paulo. Falavam disto, queriam falar de muito mais e acabaram abrindo passagem aos movimentos contra a carestia, às greves dos metalúrgicos do ABC, à campanha pela anistia, à mobilização por eleições diretas, à retomada da democracia.

No espaço da liberdade reconquistada, fez-se longo silêncio quebrado por um breve tempo pela juventude que foi às ruas de caras pintadas para abrir alas à interrupção do mandato de Fernando Collor.

O que há agora? Ainda imperceptível a olho nu. A primeira impressão foi a de arruaça, desrespeito à ordem pública, baderna a requerer posição firme do Estado.

Os modos assustaram e justificaram as críticas ao vandalismo na ação e a violência na reação da polícia, notadamente a paulista. Uma hipótese para tal desacerto pode ser a falta de prática. Da população, em pôr a boca no trombone nas ruas; do Estado, em assegurar a ordem pública sem ferir direitos individuais – dos que protestam e dos que querem ir e vir – e de ambos na construção de um entendimento.

Mas não se pode ignorar o fato de que as manifestações falam de um descontentamento generalizado em cujo balaio cabe de tudo um pouco: corrupção, inflação, gastos exorbitantes com a construção de estádios, conduta dos políticos, indiferença do poder para com os serviços devidos ao público, vontade de se fazer ouvir, de reclamar, de dizer chega a uma espécie difusa de mal que não tem um nome.

Antes de se tomar a parte pelo todo, no entanto, é de se conferir o rumo que tomarão as coisas. Novas manifestações estão convocadas para esta semana, cujas adesões podem se robustecer como também podem se esvair.

De saudável há a demonstração de que existe uma chama por trás da apatia diante de vários exemplos de descuido – quando não desmandos – do poder público em todos os níveis e matizes partidários.

De condenável há a presença dos costumeiros adeptos da baderna à deriva. De preocupante há a ausência de uma condução (note-se, não de tutela) para organizar as demandas. Na forma e no conteúdo. Espontaneidade é bom, mas quando desprovida de propósito e organização a tendência é resultar no vazio, caldo de cultura para o descrédito e a frustração.

Não se trata de defender a captura dessa energia por essa ou aquela força política. Nesse aspecto, é até bom que não estejamos em ano eleitoral a fim de que os governantes alvos dos protestos não possam atribuir os movimentos aos adversários.

Desses curtos-circuitos às vezes nascem rupturas benéficas. Crises que resultam em soluções. Imprescindível, porém, que os demandantes saibam o que querem e que se organizem de maneira adequada para chegar lá.

Outros quinhentos

A presidente Dilma Rousseff repete o padrão do antecessor ao querer enfrentar os problemas na base da palavra veemente. Mas, não tem o talento de Lula. Ainda que tivesse, não conta com terreno fértil para semear o dom de iludir.

Terror psicológico - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 16/06

SÃO PAULO - Quão real é a ameaça do terrorismo? A revista britânica "The Economist" e o blogueiro e matemático Nate Silver, guru das previsões eleitorais, sustentam que o temor é exagerado e não justificam as medidas de exceção tomadas pelo governo norte-americano, que incluem a espionagem em massa.

Concordo com eles. O argumento é estatístico. Nas contas de Ronald Bailey, editor da revista "Reason", após o 11 de Setembro, a chance anual de um americano ser morto num atentado terrorista dentro ou fora do país foi de uma em 20 milhões. A título de comparação, o risco de óbito em acidente de trânsito nos EUA é de um para 19 mil; o de afogar-se na banheira, um para 800 mil; e o de ser fritado por um raio, um para 5,5 milhões.

Estima-se que, desde 2001, os EUA tenham gasto US$ 1 trilhão em medidas e programas contra o terrorismo. Se a meta fosse salvar vidas, seria mais racional investir esse dinheiro (ou uma fração dele) em obras de segurança viária ou mesmo cobrindo a América de para-raios.

O problema com as pessoas é que elas não são racionais, especialmente quando se trata de medos. Esse é um mecanismo evolutivo que surgiu bem antes da razão e é muito mais eficaz do que ela. Somos, afinal, todos descendentes de indivíduos que, ao menor sinal de perigo, souberam fugir rapidamente. As mentes mais inquisitivas, que procuravam estimar objetivamente o grau da ameaça, não deixaram progênie.

É claro que as coisas mudaram do Pleistoceno para cá. Hoje, vivemos num ambiente muito mais controlado, no qual faria mais sentido calcular riscos do que reagir destrambelhadamente a perigos raros ou imaginados. Só que nossas mentes foram forjadas para operar na Idade da Pedra, não no mundo da estatística e das tabelas atuariais. O resultado é que estamos praticamente condenados a gastar recursos públicos de forma pouco sábia e a reagir com o fígado quando deveríamos usar a cabeça.

O clamor das turbas - GAUDÊNCIO TORQUATO

O ESTADÃO - 16/06

Um zumbido ecoa forte nos ouvidos de governantes dos mais diferentes recantos do planeta, fruto de manifestações que tomam conta de praças e ruas de tradicionais centros urbanos. Em Istambul, na Turquia, na onda de um movimento que ocorre há semanas, a multidão derruba barricadas, enfrenta a Polícia e ocupa o mais importante espaço de concentração popular, a praça Taksim, em revolta contra o governo, que pretende construir na maior área verde da capital, o Parque Gezi, um Shopping Center. São Paulo e Rio de Janeiro são palco de movimentos que arrastam grupos dos mais variados setores da sociedade em passeatas que culminam em vandalismo. O foco das ações mais retumbantes nas duas principais capitais do país é o protesto contra o aumento das passagens de ônibus, que mobiliza a estudantada sob bandeiras de alguns partidos (PSOL, PSTU e PCO e juventude do PT). Mas palavras de ordem, ecos e ruídos de grupamentos diversos também se fazem ouvir pelo território, a expressar uma locução em defesa de interesses de classes, etnias, gêneros e religião, entre outras frentes. A par das intenções explícitas de cada movimento, que lição pode se tirar da efervescência social que se expande pelos continentes e que se acentua em nossos trópicos?

O pano de fundo sobre o qual se projeta o cenário de movimentos populares, protestos e ondas de insatisfação deixa ver duas crises: a econômico-financeira e a política. A primeira, deflagrada em 2008, implicou estagnação do crescimento das Nações, elevadas taxas de desemprego, alto custo dos alimentos e rebaixamento dos níveis de vida das comunidades, cuja referência mais simbólica é a fila dos sem teto em ruas de capitais charmosas (incluindo as metrópoles norte-americanas) e a escalada de desocupações de imóveis em países como Espanha e Portugal. Neste último, aliás, mais de 3 mil manifestações realizaram-se em 2012. Na esteira da crise financeira, emergiu, em 2011, o movimento Occupy Wall Steet, em Nova Iorque, cujo escopo traduzia a inconformidade com as desigualdades, a corrupção, a influência das empresas e do dinheiro na política, bandeiras que passaram a ser desfraldadas noutras praças mundiais. A segunda crise, a da política, tem a ver com a metáfora da panela de pressão: a válvula entupida não deixa escapar o vapor, gerando, assim, o “estouro da boiada”. Mais precisamente, a ausência de respiro democrático jogou o povo nas ruas para exigir a abertura de canais de participação política e um fim a sistemas opressores. A avalanche tomou conta de capitais e cidades do Egito, Tunísia, Líbia, Síria e Barein, com o expressivo nome de Primavera Árabe, inaugurando um ciclo democrático que culminou com a derrubada de quatro governantes. Cumpriram papéis relevantes nesse processo as redes eletrônicas, que propiciaram a integração de grupos da comunidade internacional.

Esses tempos de grandes carências explicam o atual estágio civilizatório da maioria das Nações. Resta lembrar, em complemento, a crise que assola a democracia representativa, que prometeu implantar (e não o fez) o ideário dos Direitos Humanos, a partir da igualdade de oportunidades entre as pessoas, o acesso de todos à justiça, o combate ao poder invisível, a transparência dos governos e a educação para a Cidadania, entre outros, como lembra Norberto Bobbio. Os mecanismos clássicos da política saíram dos eixos: os espectros ideológicos perderam as cores originais; os partidos transformaram-se em entes pasteurizados; os parlamentos, sem força, tornaram-se reféns dos poderes executivos; as bases partidárias arrefeceram os ânimos. Formou-se, ao longo da cadeia de degradação, imenso vácuo entre a política e a sociedade. O cidadão comum, que tanto esperava dos políticos, passa a enxergá-los como “oportunistas e aventureiros”, pelo fato de trocarem o escopo de “servir” pela ambição de “servir-se”. Frustrados, grupos de diferentes matizes se organizam em bastiões de defesa de interesses - associações, sindicatos, movimentos, federações, entidades que praticam uma nova ordem política. São esses novos pólos – simbolizando um poder centrípeto - que animam a sociedade com sua forte capacidade de mobilização, fazendo ecoar uma peroração indignada.

Ganha corpo a hipótese de que essa gama de manifestações, aqui e alhures, é o primeiro desenho de democracia participativa na contemporaneidade, forma direta da sociedade organizada entrar no circuito de pressões e reivindicações. O florescimento dessa modalidade é uma resposta ao desencanto com os costumes da velha política e suas promessas não cumpridas e, ainda, uma crítica aos precários serviços públicos. Chegamos, nesse ponto, à atualidade brasileira. Multiplicam-se as passeatas de protesto. Só no ano passado, numa única via de São Paulo, a avenida Paulista, ocorreram mais de 3 mil manifestações, algumas em choque com a Polícia, como a que ocorreu nessa quinta feira. Os eventos são preocupantes pela quebra da ordem legal: atos de vandalismo e também atos de violência por parte da Polícia. Onde isso vai parar?

Sabe-se que, ao lado de questões objetivas, como redução do preço de passagens de ônibus, refrãos de um discurso mais abrangente são entoados, alguns proclamando “o aborto livre”, outros exigindo fim das “discriminações”, o que inclui, até, o direito de meninos se vestirem de saias, como o incidente ocorrido, há dias, em um colégio de São Paulo. Tudo passa a ser motivo para a quebra da normalidade. Na Zona Sul da capital paulista, também semana passada, a Polícia se confrontou com cerca de 500 famílias em ação de reintegração de posse de um terreno, conflito fundiário que agita a população indígena em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, onde ocorreu a morte de um índio terena. O clamor das turbas ganha volume em todo o país, a denotar insatisfação com o establishment. Os tempos são outros, mas Castro Alves continua lembrado: “a praça é do povo como o céu é do condor”. Mas a praça não pode e não deve ser espaço para a violência.


Respeitem a história! - PERCIVAL PUGGINA

ZERO HORA - 16/06

Durante a maior parte do século 20, as organizações comunistas sequer cogitavam tomar o poder por outro modo que não a luta armada. A dúvida era sobre onde começá-la. No campo ou na cidade? Marx, com aquela segurança de quem julga conhecer tanto o futuro que o descreve como déjà vu, previra o protagonismo do operariado. Os fatos, também nisso, o desmentiram. Era no campo que as coisas aconteciam numa época em que aqueles movimentos não apostavam no carteado do jogo democrático. Aliás, abominavam-no. A ditadura do proletariado exigia virar a mesa e sair no braço. Por isso, desde os anos 20, planejavam e ensaiavam levantes armados. A sirene de alarme disparou mais intensamente, no Brasil, nos anos 60, quando Fidel passou a exportar revolução. Desde então, a Guerra Fria ferveu em todos os países da região. Respirava-se revolução. Março de 1964 teve tudo a ver com isso.
Na Europa e nos Estados Unidos, a Guerra Fria se travava entre dois lados. EUA versus URSS. Pacto de Varsóvia versus Otan. Na América Latina, era pior. Era ebulição interna, fervente, no âmbito de cada país. Dê uma pesquisada na rede, leitor, e encontrará o que vários historiadores comunistas escreveram sobre aquele ânimo revolucionário. Afirmar que a esquerda foi às armas como reação à repressão inverte as relações de causa e efeito.
Os crimes cometidos pelas partes _ violência, tortura, "justiçamentos", terrorismo, sequestros, abusos de poder e o empenho em preservá-lo por duas décadas, constrangem e revoltam. É história triste. Passado que não se pode mudar. Cabe aos pesquisadores, historiadores, jornalistas, com irrestrito acesso aos documentos, escrever essa história conforme cada um a sentir, compreender e interpretar. Mas é certo: tivessem os comunistas vencido, as 356 mortes de militantes e as 120 por eles causadas seriam multiplicadas por milhares.
A ideia de instituir uma Comissão da Verdade para "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional" é disparate. Primeiro: porque a verdade não é coisa que se prometa entregar pronta e encadernada. É algo que se busca. A garantia de encontrar, portanto, é charlatanice. Segundo: porque conceder a uma só pessoa, a presidente Dilma, o poder de escolher, a ponta de dedo e caneta, seus sete auditores da História, empregando-os a soldo na Casa Civil, é _ isto sim! _ medo da verdade. Terceiro: porque aceitar tão unilateral encargo, assumindo-se como caminho, verdade e vida para os anais da História vale por confissão de falta de princípios. É emprestar o nome para uma farsa, em troca de dois vinténs de fama e contracheque. Quarto: por fim, o que menos interessa à Comissão é reconciliação. Reconciliação quem fez foi a festejada Anistia. Ampla, geral e irrestrita.
Nossos governantes não incluem a verdade na lista de seus amores. A evidência dispensa prova. Preferem encomendar versões. Nada sabem sequer do que fazem. Ignoram a verdade sobre o tempo presente e tratam de transfigurá-la no próprio passado. Com História não se brinca! Menos ainda se põe sob o braço e se sai andando com ela por aí, como se fosse coisa da gente. Não é. É História. Ponto. A nenhum partido político, a nenhum comissariado ou comissão é dado oficializá-la ao gosto ou usá-la como serventia. Ela não se presta, saibam, para transformar bandidos em heróis nem doutrinas totalitárias em faróis da democracia e do humanismo.

Direitos e deveres - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 16/06
O país vive nos últimos dias situações de tensão de diversas origens que, misturadas à percepção crescente de pessimismo em relação ao futuro captada por pesquisas de opinião, podem levar a uma crise institucional de grave repercussão.

Não há ainda uma ligação direta entre os problemas econômicos que se avolumam e as manifestações nas ruas das principais cidades do país, como apressadamente alguns analistas estrangeiros registram.

Mas a insatisfação difusa que se revela pelas redes sociais e desemboca nas manifestações a pretexto de protestar contra o aumento das tarifas de ônibus sem dúvida serve à manipulação de atividades políticas de grupos radicais e anárquicos que não se sentem representados pelos partidos políticos do mainstream.

Existem diversos grupos de ativistas em ação pelas ruas, alguns ligados a partidos políticos, que escolhem temas variados para protestar "contra tudo isso que está aí". Engana-se o governo Dilma se acha que pode tirar proveito político de um eventual desgaste do governador tucano de São Paulo Geraldo Alckmin na repressão aos manifestantes.

O teor de cartazes afirmando que "Nenhum partido nos representa" mostra que a intenção dos grupos mais organizados é minar a representatividade política tradicional, inclusive a do PT que, agora no governo, prova do veneno que utilizava contra seus adversários.

Se a polícia paulista certamente se excedeu nos confrontos de quinta-feira, como diversas imagens registraram, há também imagens suficientes para mostrar que entre os manifestantes havia os que foram às ruas para provocar o confronto.

Independentemente dos objetivos ainda não totalmente revelados dessas manifestações, uma coisa é certa: nos últimos dias o país está vivendo situações que mostram que é preciso definir os limites da atuação de cada um para que a balança dos direitos fique mais equilibrada com a dos deveres.

Afinal, que país queremos ser? A censura do politicamente correto, utilizada como instrumento de constrangimento político, acabou criando uma situação em que qualquer atitude de repressão oficial se transforma em autoritarismo.

Essa leniência com as ações marginais se reflete na violência urbana e transborda para os conflitos rurais em que fazendas são invadidas a pretexto da defesa de pretensos direitos indígenas ou em ações do MST, que não têm a rejeição de quem é pago para garantir a prevalência da lei. Pois não se soube recentemente de um comentário da presidente censurando o cumprimento de ordem judicial de reintegração de posse, em episódio que resultou na morte de um índio?

A presidente pelo menos desmentiu que houvesse feito tal comentário, indevidamente revelado por um assessor seu, mas não é de hoje que governadores e prefeitos recusam-se a cumprir mandados judiciais mesmo diante de flagrantes ilegalidades cometidas. A destruição das plantações da Cutrale ainda está para ser punida, e já foi repetida pelo MST. E já houve tentativa do PT de aprovar legislação que previa uma negociação com o invasor para que o proprietário pudesse entrar na Justiça para reaver o que era seu.

No Brasil, os menores com 16 anos podem votar para escolher seus representantes, mas não podem ser condenados mesmo quando praticam Crimes hediondos. E, previsivelmente, tornam-se "laranjas" de criminosos até a véspera de completar 18 anos para a execução de atos que ficarão impunes. Os indígenas são inimputáveis, e por isso podem invadir o plenário do Congresso ou caçar carpas nos lagos de Brasília com arco e flecha, mas também querem todos os direitos do "homem branco". E os protestos contra o aumento de R$ 0,20 na passagem dos ônibus são feitos com a incoerência dos anarquistas, a depredação de pontos de ônibus e queima de veículos que em teoria eles defendem.

O direito de cada um termina quando começa o do outro: a frase simplificadora das relações humanas define que as individualidades devem se submeter à coletividade. Precisamos, no país, acima das divergências políticas e ideológicas, impor limites à ação de cada um para que a sociedade não fique com a sensação de insegurança que hoje já predomina.

Insatisfação - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 16/06

BRASÍLIA - Nas décadas de 1960 e 1970, secundaristas e universitários lutaram bravamente contra uma ditadura e a favor de utopias sedutoras. Muitos morreram e foram torturados quase ainda crianças.

Nos anos 1980, novas gerações lutaram nas ruas pelas "diretas, já". E, nos 1990, milhares pintaram a cara pelo impeachment de Collor. Mais do que demolir um presidente indesejável, sonhavam edificar um país mais justo, mais decente.

A década de 2000 passou em branco. Inebriados pelo mito Lula e a miragem da esquerda pura e ética, os movimentos acomodaram-se e a estudantada recolheu-se à sala de aula. Utopias e sonhos coletivos cederam às ambições pessoais. O "cada um por si" venceu o "um por todos, todos por um".

As manifestações de agora começaram por 20 centavos a mais na passagem de ônibus em São Paulo e alastraram-se para Rio, Curitiba, Goiânia, Teresina e outras capitais. Coincidiram com os tambores de guerra dos índios e podem ser o fim da longa hibernação, um sinal para os Poderes da República. Basta de violência, de desvios, de impunidade.

É nesse clima que o país é informado de uma tal "Resistência Urbana - Frente de Movimentos e Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa". No Rio, fazem passeatas. Em Brasília, queimam pneus e fecham avenidas contra a farra dos estádios com dinheiro público.

E os protestos vão longe. Pela internet, o novo "Democracia não tem fronteiras" convoca estudantes e trabalhadores brasileiros para manifestações, terça-feira, em 30 cidades de 15 países.

Seria ingenuidade imaginar que tudo isso é uma enorme coincidência e que não há nenhuma conexão entre grupos e manifestações --ao menos uma mesma motivação.

O espectro da insatisfação ronda o Brasil. E pode explicar até a inexplicável violência de policiais --eles próprios são cidadãos irritados.

A rede de Dilma - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 16/06

Aos partidos que se encheram de esperanças em angariar mais espaço no governo Dilma Rousseff para reforçar os alicerces das alianças para 2014, os arautos do Planalto avisam que a presidente não recuou um milímetro sequer na disposição de manter alguns locais fechados às indicações partidárias, em especial, agências reguladoras. Ainda que esteja no terceiro ano de mandato e tenha enfrentado uma baixa na popularidade, a avaliação é a de que ela não precisa ceder, como fez Lula em 2005, diante do estouro do escândalo do mensalão. E por um motivo muito simples: ela tem uma rede que serve de anteparo. Tem Lula.

No plano político, a diferença de cenário entre hoje e 2005 é o de que o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto é do próprio PT. Lula não tinha ninguém em seu partido que pudesse colocar como candidato forte em seu lugar, caso o projeto desabasse. Por isso, amarrou o PMDB e outros partidos ao seu governo e substituiu ministros petistas por integrantes de outras legendas. Abriu, por exemplo, Minas e Energia e Saúde.

Hoje, Dilma pode dispensar essas substituições. Ela pode esticar mais a corda porque tem Luiz Inácio Lula da Silva para lançar. Essa candidatura de Lula, entretanto, seria apenas em último caso. Aos olhos de hoje, os petistas consideram que a situação de ter Lula ali, na retaguarda, dizendo “olha que um dia eu volto”, é para lá de confortável, no sentido de deixar a presidente num relacionamento mais discreto com os políticos de modo geral.

Essa eleição de 2014 aparece hoje como a última em que os petistas terão essa chance, de ter dois personagens em posição de destaque. Daí, o fato de não estarem dispostos a ceder, seja espaço no governo, seja nos palanques dos principais estados do país. E quem estiver insatisfeito, paciência.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…

Nesse sentido, os petistas planejam manter a candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do estado do Rio. As contas indicam que, se não lançar um nome agora — ainda mais alguém bem posicionado nas pesquisas, como Lindbergh —, o PT jamais tomará aquela cidadela. Afinal, depois de Luiz Fernando Pezão, o vice-govenador, o PMDB tem o atual prefeito, Eduardo Paes, promessa forte para 2018. Ou seja, as chances do PT viriam remotas apenas para 2022, algo muito distante em se tratando de projeto partidário de poder (ainda que os políticos sempre façam os cálculos futuros observando duas eleições subsequentes).

E no Alvorada…

Os presidentes de partido estão cientes de que Dilma não vai impedir o PT de lançar candidato em estados estratégicos, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Silenciosamente, ela conversou com quase todos nesse primeiro semestre em reuniões fechadas no Palácio da Alvorada. E àqueles que aconselharam o retorno do Conselho Político, a presidente tem sido direta: “Vocês acreditam que posso conversar sobre política com 30 pessoas numa sala?”

Esse estilo mais reservado está diretamente relacionado à história da presidente. Ela viveu a política numa época em que as conversas eram feitas em células, nas quais poucos tinham conhecimento do todo. Lula, ao contrário, foi forjado no clima de assembleia geral dos sindicatos. Ou seja, é outra lógica. Até nisso, se as células de Dilma falharem, virá o jeitão de assembleia de Lula.

E no PT…

A semana política teve momentos que merecem uma profunda reflexão. O primeiro deles, visível a olho nu, são as manifestações pelo país afora, prova do despreparo da força policial para lidar com protestos numa nação que se desacostumou com essa prática. O outro momento vem dos discursos de Curitiba. Em especial, o do presidente do PT, Rui Falcão, quando fala dos “quatro grandes monopólios ou oligopólios que urge desmontar: o monopólio do dinheiro, controlado pelo capital financeiro; o monopólio da terra, em mãos dos latifundiários que se opõem à reforma agrária; o monopólio do voto, garantido pelo financiamento privado e o poder econômico; e o monopólio da opinião e da informação, dominado pelos barões da mídia”.

A frase de Falcão deixou os próprios petistas meio constrangidos. Os bancos lucraram bastante no governo do presidente Lula e não perderam essa prerrogativa no governo Dilma, apesar da queda na taxa de juros (que agora volta a subir). No caso da terra, a maioria hoje está nas mãos do agronegócio, que sustenta a economia brasileira, a ponto de receber homenagens dentro do Palácio do Planalto há uma semana, quando do lançamento do Plano Safra. Quanto aos votos, 51% se mostram dispostos a ficar com o PT. E a mídia sempre é acusada de todas as mazelas governamentais mesmo. Não é privilégio deste governo. Pelo visto, o discurso raivoso de Falcão está tão desatualizado quanto a visão dos aliados de que Dilma vai abrir a guarda.


A burrice está solta nas ruas - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 16/06

Pobreza intelectual, polícia violenta e jovens autoritários e sem imaginação fazem o junho de 2013 em SP


"A IMAGINAÇÃO NO PODER" foi um slogan do maio de 1968 na França. A imaginação jamais chegará ao poder, pois a frase é uma espécie de oximoro. Mais deprimente é que a imaginação morreu até nos protestos, como esses do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo.

Como em tantos movimentos de protesto das últimas três décadas, por aí, as táticas do MPL parecem uma cópia e colagem ingênua e anacrônica de passeatas contra a ditadura brasileira de 1964 e dos motins de maio de 1968, por sua vez inspirados nas barricadas das revoluções operárias sérias da França de 1848 e de 1871.

O MPL não é decrépito pelo fato de a rebeldia para valer estar fora de moda, infelizmente, ou apenas porque suas ideias sejam versões pobrezinhas de pensamentos caducos. O MPL é velho ou regressivo até no seu amadorismo.

Movimentos revolucionários ou mesmo de reforma liberal séria velhos de 60 anos (ou até de 150 anos) eram mais criativos, articulados e capazes de usar recursos, tecnologias de comunicação e táticas políticas no estado da arte de suas épocas, por assim dizer (de revoltas operárias na Europa a movimentos pelos direitos civis nos EUA, por exemplo).

Tocado por jovens, o MPL não sabe nem usar direito as tecnologias da hora, internet e os celulares de que tanto gostam, não sabem projetar sua imagem nas ditas mídias sociais, não sabem organizar manifestações de modo a conquistar apoios sociais, não têm comitês de advogados, conexões políticas. Não tem inteligência teórica ou estratégica e, portanto, capacidade política: de convencer, de ganhar apoio, de crescer, de fazer uma boa causa vencer.

Em vez da passeata convencional ou do tumulto violento e, pois, em última análise, autoritário, por que o pessoal do MPL não se deita nas ruas, imóvel, agitando bandeirinhas brancas? Não é piada.

Primeiro, para defensores da "mobilidade urbana", seria uma metáfora irônica. Segundo, daria imagens que correriam mundo. Terceiro, desmoralizaria a violência estatal. Se a PM quisesse remover o pessoal, teria de carregar milhares de manifestantes, um por um. Caso a polícia ainda partisse para a ignorância, imagine o vexame: "Polícia espanca jovens deitados, com bandeiras brancas". Quarto, ganhariam simpatia; a violência de agora, além de tudo, é contraproducente.

Sim, é óbvio que a polícia tem sido bárbara, antidemocrática e profissionalmente imperita. Geraldo Alckmin é o responsável quase direto pelas cacetadas e tiros. Pode não ter mandado "prender e arrebentar" (cortesia do ditador-general João Batista Figueiredo, 1979-1985), mas tem dado o tom da coisa.

Desde seu primeiro governo deixou a polícia à vontade com a ideia macho de "a gente não leva desaforo para casa": bate e atira. Mas polícia deve ser atividade técnica, serviço público, e não briga de rua ou milícia de guerra. Claro, policiais também não devem ser vítimas de pedrada, tiro e menos ainda morrer no trabalho (sim, é apenas um trabalho).

A falta de educação profissional da polícia, a porteira aberta por Alckmin para a meganha e a pobreza intelectual (além da violência autoritária) do MPL provocaram esse tumulto sem sentido.

O perigoso afastamento do MP das investigações - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 16/06

Algumas categorias profissionais, por diversas e específicas razões, têm uma consciência de corporação maior que outras. Este sentimento nem sempre é benéfico, pois tende a sobrepor interesses de grupos aos da sociedade. Como a Proposta de Emenda Constitucional 37, apresentada em junho de 2011 pelo deputado federal Lourival Mendes (PTdoB-MA), delegado de polícia, para alijar o Ministério Público de investigações criminais.

A origem do deputado denuncia as impressões digitais do corporativismo. E a PEC-37, sugestivamente batizada de “PEC da Impunidade”, tem atraído certos apoios, devido a seu conteúdo. É visível como certos petistas se entusiasmam com a emenda constitucional, por entenderem ser ela arma de revide contra o MP, pelo demolidor trabalho da Procuradoria-Geral da República no encaminhamento ao Supremo da acusação aos mensaleiros. Políticos patrimonialistas em geral, aqueles que não conseguem diferenciar o dinheiro público do próprio, também não gostam da desenvoltura de promotores e procuradores.

Não se trata de demonizar policiais e endeusar promotores e procuradores. Há virtudes e mazelas de cada lado. O importante é a questão institucional. E é inquestionável que cassar parte do espaço de atuação do MP significa enfraquecer o Estado no combate à corrupção, no enfrentamento de uma criminalidade que se infiltra no poder e o utiliza como blindagem, por exemplo.

Procuradores e promotores ganharam a importante prerrogativa, na Constituição de 1988, de atuar de forma independente, sem subordinação ao Judiciário, Executivo ou Legislativo, na defesa da sociedade. Nem sempre este enorme poder é bem usado. Também o conselho de controle externo do MP não demonstra a mesma eficácia que seu congênere do Judiciário, o CNJ. Mas esta é outra história.

Impedir o Ministério Público de investigar é decretar que esta atividade essencial na repressão ao crime se torne monopólio de um braço do Poder Executivo. E não se pode ter certeza absoluta que as polícias são sempre imunes a pressões dos governantes de ocasião. Se é impossível ter esta certeza, melhor não arriscar.

Não é apenas no julgamento histórico do mensalão que o MP aparece como um dos elementos-chave na formulação das denúncias. Há pouco, a procuradoria-geral do Banco Central divulgou nota sobre o papel relevante do Ministério Público na repressão ao crime financeiro. Há muitos outros exemplos.

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), marcou para dia 26 o início da votação da PEC em plenário. Até lá, uma comissão tenta construir uma fórmula que atenda os policiais e promotores/procuradores. Saídas negociadas de impasses costumam ser melhor do que consumar conflitos.

Despolitizar o ambiente - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 16/06
A administração petista já anunciou várias mudanças nos procedimentos para simplificar e acelerar o processo de licenciamento ambiental de obras de infraestrutura, sem que isso tivesse produzido efeitos práticos de monta. As mudanças conhecidas agora podem dar algum resultado. Como o governo Dilma tem urgente necessidade de apresentar resultados concretos à população - para dar ao eleitorado a impressão de que é competente - pode desta vez tornar efetiva pelo menos parte das providencias anunciadas pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Entre elas estão a realização de estudos ambientais prévios de obras rodoviárias ou ferroviárias, a simplificação do processo de licenciamento de terminais portuários e a atuação mais eficiente dos órgãos ambientais,

"O que precisamos é acabar de vez com a politização do licenciamento", disse a ministra ao jornal Valor (10/6). É preciso, de fato, limpar as decisões nesse campo das influências ideológicas que as retardam e distorcem, prejudicando não apenas os que solicitam licenças ambientais para a execução de algum empreendimento, mas todo o País, como tem ocorrido com o atraso de obras de infraestrutura essenciais. O licenciamento é uma questão de natureza essencialmente técnica e que envolve procedimentos administrativos conhecidos e assim tem de ser tratado pelo poder público.

Mesmo que, contrariando parte do partido, consiga despolitizar a atuação dos órgãos ambientais, o governo do PT terá de dispor de uma capacidade administrativa que ainda não demonstrou, se quiser acelerar as decisões nessa área, assegurando o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação. Impasses nem sempre de natureza técnica entre órgãos ambientais e outras áreas do governo retardaram as obras.

Um dos exemplos mais clamorosos dos prejuízos para o País causados por esses impasses é a demora na duplicação da BR-116, a principal ligação rodoviária do Sul com o resto do País, no trecho de 19 quilômetros na Serra do Cafezal, entre os municípios de Juquitiba e Miracatu. Projetada em 1990, já com traçado detalhado, a obra só começou a ser executada em abril deste ano, por causa da demora na concessão da licença ambiental.

Para reduzir os focos de divergências entre órgãos públicos, o governo federal, com a cooperação dos Estados e dos municípios, deverá definir quais os tipos de obras que requerem licenciamento e qual a competência de cada órgão ambiental (federal, estadual ou municipal).

Na esfera federal, o processo de licenciamento deverá ser acelerado. O quadro de pessoal do Ibama encarregado do licenciamento ambiental vem sendo ampliado para acelerar o exame dos projetos de obras de infraestrutura.

Quanto a procedimentos, o governo pretende condicionar a abertura do processo de licitação de concessões de rodovias ou ferrovias à existência de um termo de referência, que é um estudo ambiental prévio feito pelo Ibama. O estudo dará aos interessados na concessão informações ambientais indispensáveis para orientá-los nessa questão. Esse procedimento vem sendo adotado nas concessões de áreas de exploração de petróleo e poderá ser estendido para a concessão de terminais portuários.

Nos portos, o governo pretende adotar o que a ministra Izabella Teixeira chama de "licenciamento por polígonos". Essa forma de licenciamento abrange uma área ampla, como os portos públicos. Concedida essa licença ampla, os terminais que vierem a funcionar na área licenciada precisarão apenas de licenças específicas, como a de instalação e a de operação. Isso eliminará a necessidade de cada terminal obter previamente uma série de licenças, a mais difícil, das quais é justamente a ambiental.

Para que essas mudanças funcionem, caso elas sejam aprovadas, é preciso que o governo comece a atuar de maneira articulada. Sem abrir mão de seu importante papel, a área ambiental não pode agir como opositora do restante do governo, como agiu em diversas oportunidades.

Poderes separados - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 16/06

STF se inclina a não intervir na tramitação de projeto sobre partidos; tribunal dever examinar norma só após debates no Congresso


Falta computar alguns votos, mas parece selado no Supremo Tribunal Federal (STF) o destino de uma liminar particularmente polêmica, concedida pelo ministro Gilmar Mendes em abril deste ano.

A decisão de Mendes atendia aos pedidos de um senador do campo oposicionista, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que buscava sustar a tramitação do projeto de lei que dificulta a criação de novos partidos.

No que foi visto como um claro casuísmo para prejudicar sobretudo a formação da Rede Sustentabilidade, agremiação com que Marina Silva pretende disputar as eleições presidenciais do ano que vem, a Câmara dos Deputados aprovou um conjunto de regras que restringe fortemente o acesso de novas legendas ao tempo de TV e às verbas do fundo partidário.

É certo que a proposta tem uma faceta oportunista, pois sufoca a oposição e aumenta as chances de a presidente Dilma Rousseff ser reeleita no primeiro turno. Não é menos certo, porém, que teria o efeito de inibir manobras para driblar a fidelidade partidária.

Gilmar Mendes, agora no plenário do STF, voltou a apoiar a reivindicação do senador Rollemberg. O ministro José Antonio Dias Toffoli, tido como simpático aos interesses governistas, acompanhou a decisão de seu colega.

Foram os únicos, contudo. Prevaleceu na corte o entendimento de que não cabe ao Judiciário manifestar-se, desde já, sobre o projeto.

Afinal, depois de aprovada na Câmara, a iniciativa tem ainda de passar pelo exame do Senado; em seguida, depende de sanção do Executivo para virar lei.

Seria uma extravagância, raciocinaram outros ministros do STF, interromper o caminho do projeto antes mesmo de sua votação pelos senadores. O ato equivaleria a uma espécie de censura, por parte do Judiciário, sobre os debates internos ao Parlamento.

O expediente seria admissível se houvesse grave vício formal, como o descumprimento de ritos legislativos ou a inobservância de prescrições regimentais --questões de tramitação, e não de conteúdo.

Por inconstitucional que se considere o projeto da Câmara, reside ainda no Legislativo o campo legítimo da sua contestação.

Apesar dos muitos argumentos de Mendes e de Toffoli, acertou a maioria dos ministros do STF em preservar um princípio tão ou mais importante que o da pluralidade partidária. A saber, o da independência entre os Poderes.

No calor das disputas entre Congresso e Judiciário, prevaleceu um espírito de contenção e equilíbrio. Mesmo um ministro notoriamente cioso das prerrogativas do Supremo, como o presidente Joaquim Barbosa, deu a entender que, se for o caso, a constitucionalidade da iniciativa só poderá ser examinada depois de esgotados os debates parlamentares. O Judiciário avalia a constitucionalidade das leis, não de projetos ainda em curso.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

BLOCÃO “ANTIPMDB” QUER EDUARDO VICE DE DILMA

Diante do quebra-pau no PMDB, dividido sobre manter a aliança com o PT, lideranças de partidos aliados têm defendido criação de uma frente para lançar o governador Eduardo Campos (PE) a vice de Dilma, na disputa em 2014. A frente, composta pelo blocão PSD-PP-PR-PTB, desbancaria o PMDB e ganharia força para barganhar espaços mais “polpudos” em eventual segundo mandato.

POÇO DE MÁGOAS

Defenestrado dos Transportes, Alfredo Nascimento não vê hipótese de apoiar Dilma, ao contrário do dono do PR, Valdemar da Costa Neto.

DISSIDENTES

O PT acha difícil obter apoio do PDT, que está pavimentado na Força Sindical do deputado Paulo Pereira (SP), que se opõe ao governo.

FICOU NO PASSADO

De olho nas eleições em SP, o PSD de Gilberto Kassab passou de independente a governista, caminho também visado pelo PTB.

TUDO É PEIXE

Virtual adversário de Dilma em 2014, o tucano Aécio Neves (MG) flerta com o PMDB e demais aliados insatisfeitos com o governo.

MD AGUARDA NA GAVETA

Presidente do PPS, Roberto Freire colocou na gaveta a fusão com o PMN, que originaria a sigla MD (Mobilização Democrática), até que seja decidido se o novo partido terá direito a tempo de TV e fundo partidário. A cúpula do PPS garante que, apesar do recuo, continua dialogando com José Serra (PSDB) e se aproxima cada vez mais do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE).

GARANTIAS

Antes de bater o martelo sobre a fusão, o PPS quer garantir a filiação dos novos deputados, sobretudo do PSD de Gilberto Kassab.

SONHO DE CONSUMO

Na expectativa de acolher os ‘sonháticos’, PPS e PMN estão na torcida para que naufrague a criação da Rede, de Marina Silva.

FORÇA-TAREFA

Parlamentares se revezam na tarefa de responder às perguntas de internautas feitas a Aécio Neves, dentro das áreas em que atuam.

DEU TUDO ERRADO

Quem viajou de avião desde sexta-feira presenciou a confusão entre rigor e grosseria de despreparados agentes de segurança aeroportuária. Funcionários terceirizados, contratados sem tutela da Polícia Federal, humilhando idosos, crianças e cadeirantes.

PORTA-VOZ INDISCRETO

O ex-presidente socialista Mario Soares, que se reuniu demoradamente com Dilma em Lisboa, concedeu entrevistas jurando que a presidente criticara a política de austeridade do anfitrião dela, o primeiro-ministro.

NA GELADEIRA

O ex-presidente Lula continua dando um gelo no governador Eduardo Campos (PSB), apesar de seus índices nas pesquisas de intenção de voto mostrarem que, por enquanto, ele não ameaça ninguém.

A PELE QUE HABITO

A bela presidente Laura Chinchilla enfrentará protesto na terça-feira (25), na Costa Rica. Ela diz aceitar pagar US$ 45,6 milhões à brasileira OAS, após cancelar contrato de concessão de rodovia supostamente

irregular.

A FRONTEIRA DO PERIGO

Nascido no Brasil, o presidente da FAM International Group, Joe Biudini, alertou na imprensa internacional que o Brasil corre perigo com as “fronteiras porosas”. Responsável por estudo para a Copa das Confederações, ele avalia que a ameaça vem da Tríplice Fronteira.

PREPARATIVOS ELEITORAIS

O PSDB designou o senador Cássio Cunha Lima (PB) para coordenar a comunicação do partido e Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo, para a elaboração de conteúdos programáticos.

FALTA INTERESSE

O deputado Simplício Araújo (PPS-MA) diz que, além de “abrir mão da Comissão de Direitos Humanos para colocar dois mensaleiros na CCJ”, o PT pulou fora de novo: “Eu obstruí sozinho a votação da cura gay”.

PIOR QUE ESTÁ, FICA

Roberto Requião ficou ainda mais isolado no PMDB após a intervenção de Osmar Serraglio em 72 diretórios do partido no Paraná, com apoio de Orlando Pessuti, arquiinimigo do senador. Candidata ao governo estadual, a ministra Gleisi Hoffmann (PT) ficou radiante.

PERGUNTA NO ÔNIBUS

Onde está o senador abilolado Eduardo Suplicy (PT-SP) cantando Blowin’ in the wind para acalmar a garotada em São Paulo?


PODER SEM PUDOR

CACHORRO NÃO VOTA

Cena contada por Simão Pessoa, no seu Folclore Político do Amazonas: um homem chega para votar em Iranduba, na eleição de 2000, seguido por um cão. "Vai embora, Faísca!", ordena. Mas o cachorro o ignora.

- Deixa de ser intrometido, Faísca! - insiste.

Como o animal não arredava patas, tomou um chute nas costelas. O pobrezinho saiu em disparada, ganindo. O homem explicou suas razões aos demais eleitores, indignados com a agressão:

- Bicho besta, esse Faísca. Eu já disse que aqui a gente pode votar em cachorro, mas cachorro ainda não pode votar.

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: Retratos do Rio – Favelas cariocas têm o maior aumento de renda
- Folha: Estreia do Brasil tem vaias a Dilma, feridos e presos
- Estadão: Frota de SP é quase igual à que circulava em 2004
- Zero Hora: Aloizio Mercadante, ministro da educação – “Temos de sair desse currículo enciclopédico”
- Correio Braziliense: Festa e goleada
- Estado de Minas: Leis que ficam no papel
- Jornal do Commercio: Vitória com convicção