sexta-feira, fevereiro 15, 2013

MEDIDA CERTA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP -15/02

Três em cada dez paulistanos são obesos. É o que conclui uma pesquisa realizada com cerca de 15 mil pessoas no último trimestre de 2012. Desse grupo, 19% têm obesidade grau 1 (forma mais leve), 7,2%, o nível 2, e 2,7% sofrem de sobrepeso mórbido.

BALANÇA
No total, outras 5.600 pessoas estão "cheinhas" -totalizando 66,4% de paulistanos acima do peso ideal. Há mais mulheres obesas: 30% contra 24% dos homens avaliados. A obesidade é estabelecida quando o cálculo do IMC (índice de massa corpórea, que divide seu peso por sua altura ao quadrado) é maior do que 30.

BALANÇA 2
O estudo foi feito pelo programa Meu Prato Saudável, dos institutos do Coração (InCor) e da Criança do Hospital das Clínicas da Medicina da USP, em parceria com a LatinMed Editora em Saúde.

MERCADO DO RISO
Depois de perder Marcelo Adnet, Dani Calabresa e Tatá Werneck, a MTV traz de volta outra trupe: o grupo Hermes e Renato, que passou dez anos anos na emissora antes de ir para o programa "Legendários", da Record, em 2011. A estreia da atração está prevista para março.

TRILHA
Bruno Sutter, que faz o roqueiro Detonator, não estará no programa novo. Ele já havia voltado à MTV há um ano e segue para outro projeto.

BEIJO DE CINEMA
A atriz global Mariana Ximenes e o artista Vik Muniz curtiram o último respiro de Carnaval anteontem, no bloco Me Beija que Eu Sou Cineasta, no Rio. A comediante Dada Coelho, com uma faixa de Miss-Eráveis, o roteirista William Vorhees, a atriz Carol Fazu e Luiza Sperandio também pularam a Quarta-Feira de Cinzas

EM CASA
Gilberto Gil e Marina Silva conversaram anteontem por telefone. Ele vai gravar vídeo de apoio ao novo partido que ela lança amanhã. Mas não vai a Brasília. O cantor fica em Salvador porque sua mãe, dona Claudina, está internada na UTI do Hospital Português. Aos 99 anos, está com pneumonia.

CANÇÃO
No Carnaval, ao receber visita, dona Claudina, que adora cantar, celebrava o fato de "todos na família fazerem o que gostam". E se orgulhava de Gil viver exclusivamente da música.

TÔ NESSA
O ator Wagner Moura também prometeu enviar vídeo de apoio para ser exibido no evento liderado por Marina.

BALÃO
Parte da equipe da presidente Dilma Rousseff interpreta os movimentos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE), como uma investida para que ela não concorra à reeleição em 2014.

BALÃO 2
Ministro paulista do PT disse à coluna que Campos, ao se lançar candidato à Presidência, estica a corda para que Lula se transforme no único político capaz de unir a base aliada. Por ele, e só por ele, o pernambucano retiraria a candidatura. Com uma condição: ser vice, transformando-se no herdeiro "natural" do lulismo.

BALÃO 3
O PMDB, sem a vice, teria candidato ao governo de SP com apoio do PT -balão de ensaio já lançado por Lula.

BALÃO 4
Nesse contexto, os dilmistas não estranham que Campos faça críticas a Dilma quando se encontra com empresários -poupando sempre o ex-presidente Lula.

SIGA O PAPA
Montagem com foto de Bento 16 sugerindo a Anna Cintra, reitora da PUC-SP, que renuncie já foi curtida e compartilhada por mais de 800 pessoas no Facebook: "Se eu que sou papa posso, você também pode", diz a sátira. Cintra, que assumiu sob protesto de alunos e professores, diz que respeita a manifestação. E que "lamenta" a "postura agressiva de alguns poucos" numa comunidade de 20 mil pessoas.

CURTO-CIRCUITO
O grupo Paranga inicia temporada com Renato Teixeira, Chico Teixeira e Gabriel Sater no Sesc Ipiranga, às 21h. 10 anos.

O Terno toca às 21h30 no projeto Estéreo MIS. 14.

O DVD de "Gonzaga - De Pai para Filho" será lançado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, às 18h.

Mart'nália e Trio Preto +1 animam o baile do Glamurama, às 22h, no MAM-RJ.

O Instituto Inhotim teve 8.014 visitantes na terça de Carnaval -32% a mais do que na data em 2012.

Marcos Oliveira, o Beiçola de "A Grande Família", estreia a peça "Biografia Não Autorizada" em 1° de março, no MuBE. 16 anos.

Contas públicas - retrocesso plus - ALBERTO FURUGUEM

Valor Econômico - 15/02

Observando os malabarismos contábeis feitos pelo governo federal (Lula da Silva e Dilma Rousseff), nos últimos anos, caberia a pergunta: estamos voltando ao passado, em matéria de (falta de) transparências nas contas públicas? O problema atual nos parece mais preocupante pois, se há três ou quatro décadas a falta de transparência era resultante de um quadro institucional inadequado, agora ela resulta de atos deliberados do governo objetivando esconder a verdadeira situação. Na prática, o que se conseguiu foram matérias nos principais jornais do Brasil e do mundo, com sérios prejuízos para a credibilidade da economia brasileira. O custo será elevado, o benefício zero. Difícil entender a razão, portanto.

Nos anos que precederam a hiperinflação brasileira das décadas de 1980 e 1990 era realmente difícil saber a efetiva situação das finanças públicas brasileiras, já que havia verdadeira mistura entre as contas fiscais e as monetárias. Em consequência, as estatísticas referentes ao Tesouro Nacional costumavam mostrar saldos contábeis quase sempre superavitários. Não que o governo quisesse esconder a verdadeira situação das suas finanças. É que com as práticas contábeis então vigentes (sem qualquer intenção de maquiagem, é preciso que se diga) não era possível conhecer a real situação das contas públicas.

A dificuldade de leitura tinha origem no próprio quadro institucional confuso então em vigor. Valores substanciais de despesas (que deveriam ser computadas como fiscais), principalmente por conta dos elevados subsídios nas taxas de juros dos empréstimos do Banco do Brasil ao setor agrícola, simplesmente não constavam do orçamento federal. Tais despesas com subsídios eram financiadas pela então chamada "conta movimento" pela qual o Banco do Brasil sacava, praticamente sem limite, contra a conta do Tesouro Nacional no Banco Central. A conta do Tesouro Nacional era alimentada não somente pela arrecadação tributária, mas também pela ampla colocação de títulos da dívida pública, bem como pela emissão de moeda em ritmo cada vez mais acelerado.

Estamos reintroduzindo uma nova espécie daquela "conta movimento" que nos levou à hiperinflação

A dificuldade para se avaliar a verdadeira situação das contas públicas era tal que o presidente eleito, Tancredo Neves (1985), valeu-se de estudos realizados por consultores privados para inteirar-se da situação, já que os dados oficiais não permitiam conhecer a efetiva situação das finanças governamentais. Tancredo iria assumir consciente da necessidade de se praticar a austeridade, pois o grande desequilíbrio das contas públicas assim o recomendava. Lembre-se, a propósito, que a frase mais destacada, na área da economia, naquele que seria o discurso de posse de Tancredo Neves (lido por Sarney, em 15/3/85), dizia: "É proibido gastar".

Com a morte de Tancredo, seu vice, o presidente Sarney, não chegou a colocar em prática a austeridade fiscal. A austeridade nos gastos públicos tornara-se politicamente inviável, e a equipe econômica escolhida por Tancredo (liderada por Francisco Dornelles, como ministro da Fazenda) perdia espaço rapidamente. Em agosto daquele ano, a equipe econômica (ortodoxa, na avaliação de Roberto Campos) formada na expectativa de um suposto governo Tancredo era substituída pelos heterodoxos, liderados por Dilson Funaro.

A equipe de Funaro aceitava a ideia de que não havia déficit público a ser combatido. A nova orientação era a gastança pública, e a expansão do crédito, como forma de impulsionar o crescimento da economia. A inflação não teria origem nos desequilíbrios das contas públicas. O Tesouro Nacional seria superavitário, como apareciam nos dados contábeis (em razão das deficiências institucionais já mencionadas). A inflação seria puramente inercial, resultante da realimentação dos preços pela via da indexação generalizada.

A inflação de "hoje" poderia ser inteiramente explicada pela inflação de "ontem". Se a inflação era inteiramente inercial, um congelamento geral de preços poderia ser a solução. Daí o lançamento do Plano Cruzado, em fevereiro de 1986, pelo presidente Sarney, de congelamento geral dos preços, que gerou uma grande euforia consumista, que, entretanto, durou poucos meses. Não demorou, entretanto, a que os mesmos economistas, que haviam embarcado na tese da "inflação puramente inercial", se dessem conta de que o diagnóstico sobre as contas públicas estava equivocado. Havia, de fato, um grande déficit fiscal, que precisaria ser combatido. Tarde demais. Não havia espaço para a prática da austeridade fiscal no cenário político então vigente.

A aceleração alucinante da inflação, que permeou os governos Sarney, Collor e Itamar, ainda motivou o lançamento de muitos planos de estabilização, que fracassaram. A inflação somente viria a ser efetivamente controlada, com o lançamento do Plano Real (junho/1994) no governo Itamar (FHC no Ministério da Fazenda), quando se aplicou um "muito bem formulado" plano de desindexação, seguido pela prática de uma política macroeconômica ortodoxa.

O governo federal, agora, parece ter "descoberto" uma fonte "sem limites" de recursos, via expansão dos créditos do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, respaldados, em última instância, pela emissão de títulos da dívida pública. Parece que estamos reintroduzindo no Brasil, uma nova espécie da "conta movimento" dos anos 1970/1980 que acabou por nos levar à hiperinflação.

Vimos que a falta de transparência nas contas públicas nos levou a grandes erros de formulação e execução de políticas econômicas, no passado. O aperfeiçoamento na forma de se apresentar as contas públicas brasileiras passou por um longo e penoso processo. É fundamental preservar a qualidade de apresentação das contas públicas. Do contrário, corremos o risco de nos perder novamente nos mares, às vezes turbulentos, da conjuntura econômica nacional e internacional.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 15/02

RIO TEM R$ 1,4 BI EM PROJETOS NA ÁREA DE ENERGIA
Carteira de programas da Secretaria estadual de Desenvolvimento saiu de 35 para 40 projetos desde meados de 2012

Chega a R$1,4 bilhão a soma dos investimentos na carteira do Rio Capital da Energia, do governo fluminense. É quase o triplo dos R$ 500 milhões registrados no lançamento do programa, em meados do ano passado. O número de projetos, em seis meses, saiu de 35 para 40, informa Maria Paula Martins, coordenadora do RCE, que reúne de unidades empresariais a pesquisas acadêmicas. “Na fase atual, estamos concentrados em fomentar projetos que, na origem, não deslancharam',' avisa Maria Paula. Significa, por exemplo, ajudar a viabilizar parceria entre a Coppe/UFRI e uma universidade chinesa, que depende de acordo entre os governos de Brasil e China. UFRI, Uerj e PUC-Rio estão no programa, assim como Cepel e Cenpes, os centros de pesquisa de Eletrobras e Petrobras, respectivamente. Na carteira de projetos privados, há de uma usina de biogás em Xerém à ampliação do Light Recicla, no qual a distribuidora dá desconto na conta de luz de comunidades populares em troca de lixo reciclável. A ação estreou no Santa Marta e chegará a 11 comunidades pacificadas. Em Três Rios (RI), ficou pronto o projeto de eficiência energética de uma estação de tratamento de esgoto.

R$ 600 MILHÕES
É a estimativa de investimento na usina de biogás feito com o lixo recolhido em Caxias e Nova Iguaçu. Parceria de CPFL e Energia Ambiental, a empresa ficará em Xerém. Será anunciada em março.


FLORESTA DE PET
A Dress To, grife feminina, lança coleção de inverno terça que vem. A inspiração foi a floresta. Para a campanha, a cenógrafa Fabiana Barrocas criou uma mata de PET. Usou mais de 20 mil garrafas. Demian Jacob fotografou Mayara Fabri (foto) e Brisa Noronha. A rede tem 72 lojas próprias e 530 pontos de venda no país.

ESTRADA
A grife feminina Botswana põe na rua dia 28 a campanha de inverno. Terá fotos da modelo Lovani Pinnow, assinadas por Renata Dillon. As imagens vão circular em mídias on-line e nas lojas. A coleção “Na estrada”, inspirada em destinos de diversas partes do mundo, chega às araras mês que vem. A marca prevê crescimento de 20% nas vendas.

Julgamento 1
A CVM, xerife do mercado de ações, marcou para 2ª feira, 18, o julgamento de Ricardo Sacramento, ex-presidente da Telemig e da Amazônia Celular. O processo corre desde 2006, depois que a gestão das operadoras da telefonia móvel saiu do Opportunity para os fundos de pensão, Previ à frente.

Julgamento 2
A diretoria da CVM vai julgar se houve irregularidades em pagamentos feitos pelas empresas às agências DNA e SMP&B, de Marcos Valério.

É o caso do mensalão mineiro. A investigação cobre o período 1998-2005. A instância final, em caso de condenação, é o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, em Brasília.

Julgamento 3
Em março, a CVM julgará oito ex-administradores da Brasil Telecom, entre eles, Carla Cico e Humberto Braz. São acusados de dificultar a transferência do comando para os fundos de pensão. No mesmo dia 5, Paulo Pedrão será julgado por possível desvio de recursos. A BrT foi incorporada pela Oi em 2008.

Sergipe
A Junta Comercial de Sergipe (Jucese) registrou abertura de 412 empresas em janeiro. Foi recorde histórico para um mês. Na comparação com um ano antes, houve alta de 42%, segundo a Secretaria de Desenvolvimento do estado.

De novo
A Herbalife, múlti de nutrição, renovou patrocínio com o Botafogo para 2013. É o 3º ano seguido. A renegociação começou em dezembro.

Aeroportos
A JCHEBLY e a TV Embarque, de mídia aeroportuária, se uniram. Criaram a RDA, que atuará em 74 aeroportos, atingindo 47 milhões de passageiros por ano. Prevê receitas de R$ 20 milhões em 2013, alta de 50%. Em grandes eventos esportivos, terá promoções para anunciantes.

Bem na foto
A Pixelhouse, operadora da Oi Fotos, imprimiu 20 milhões de fotos e 150 mil fotoprodutos (canecas, por exemplo) no ano passado. Foi o dobro de 2011. O faturamento também duplicou, chegando a R$ 20 milhões. Quer bater R$ 40 milhões este ano.

Duas rodas
A Michelin lançará quatro pneus de moto até dezembro. Planeja elevar as vendas no segmento em 30%. Só a participação de mulheres quintuplicou em dez anos. Elas já são 25% do mercado.

Limpeza
A Ciclus aprovou na ONU seu 1º projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Vai gerar crédito de carbono com a captura do gás da Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica (CTR Rio). Em um ano, quer emitir 195 mil certificados de redução de emissões. É o mesmo que 195 mil toneladas de CO2.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 15/02

FedEx começa a operar no país em julho de 2014
A FedEx marcou para julho do ano que vem o início do serviço de entregas expressas dentro do Brasil. E sua chegada já agita o líder de mercado, Correios, dono do serviço Sedex.

A gigante americana comprou, em 2012, a brasileira Rapidão Cometa. A integração completa, com o fim da marca Rapidão, ocorrerá em 31 de julho de 2014, segundo o presidente da divisão para América Latina e Caribe da FedEx Express, Juan Cento.

Embora seja uma empresa de transporte principalmente aéreo, a companhia pretende usar a rede terrestre da Rapidão para crescer no Brasil, com uma logística parecida com a dos Correios -uso de espaço nos aviões de companhias brasileiras.

A diferença, diz o executivo, é que vão garantir o horário de entrega de maneira rigorosa, senão em 24h (o pacote mais caro), em um tempo mais alargado para atender as necessidades de preço local, e sem restrição ao tamanho e peso de encomendas.

A FedEx garante o horário da entrega ou devolve o dinheiro nos países onde opera.

"O Brasil tem uma rede boa por terra, considerando a infraestrutura ruim [condição das estradas]", diz Cento. "A logística está nas rodovias. Há mais caminhões de entrega no país que em qualquer outro latino-americano."

Nos Correios, o clima é de preparação. Líder de mercado, a estatal vê encolher seu mercado cativo -de correspondências- e quer manter a força no setor de encomendas.

Em 2011, o governo alterou a lei que determina as atribuições da estatal, permitindo operação no exterior e participação em outras empresas.

Com isso, os Correios abriram escritório de prospecção de negócios em Miami e, na semana passada, entregaram à Claro a operação de 2.400 linhas de "smartphones" para começar em maio o rastreamento on-line das encomendas do Sedex.

Essa tecnologia é padrão na FedEx internacional e será replicada no Brasil, diz Cento.

Nem 15% das boates têm padrão de seguro internacional
Menos de 15% das casas noturnas brasileiras devem seguir as práticas internacionais de avaliação de riscos e seguros, de acordo com Roberto Zegarra, especialista em gestão da continuidade de negócios da Marsh.

A demanda das pequenas e médias boates por serviços de seguro é dificilmente mensurável, aponta o executivo, e se enquadra no cenário brasileiro cujas condições favoreceram o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no mês passado.

Fatores que elevaram a dimensão da tragédia, como o material usado no isolamento acústico e a precariedade das rotas de fuga, seriam recusados por peritos de seguradoras. As companhias pediriam ajustes antes de assinar qualquer contrato, indicam especialistas.

Os próprios donos das boates de menor porte se desinteressam diante das altas exigências feitas pelas companhias do setor para fechar seus contratos de cobertura.

"Quando uma seguradora observa que uma empresa se protege, conhece as normas e segue a legislação, sente-se mais à vontade e pode oferecer um seguro mais barato", afirma Zegarra.

"O que vimos na tragédia do Sul é uma bomba relógio que pode ocorrer em qualquer lugar pois poucas empresas têm preocupação com o risco"

'País tem um dos piores regimes aduaneiros'
O chefe de operações internacionais da FedEx Express, Michael Ducker, afirma que o Brasil deveria observar obstáculos ao investimento, como as regras aduaneiras.

"O Brasil tem um dos piores regimes aduaneiros do mundo. Levo 24 horas para trazer uma encomenda para São Paulo. Mas demoram três dias para liberá-la em Viracopos, não importa o melhor que façamos. Esses custos são importantes e deveriam ser enfrentados", diz.

Para o executivo, a solução desses problemas é tão importante quanto investir em estradas e aeroportos para receber investimentos.

Apesar dos problemas, o executivo vê como "brilhante" o futuro do país e sugere a investidores observar o retorno em prazo mais longo.

O chinês Gene Huang, da área de economia da empresa, começa a enxergar os primeiros sinais de recuperação do crescimento nos EUA, na China e no Brasil. Como a FedEx é uma empresa que atua em diversos países transportando cargas, diz ele, tem o pulso da atividade.

Para o Brasil e a China, Huang afirma que os estímulos dados pelos governos começam a surtir efeito e serão visíveis em 2013.

"A pior parte ficou para trás, especialmente no Brasil", diz. "Nós esperamos ver mais transações comerciais neste ano do que em 2012".

Velho Continente
As expectativas econômica e de renda melhoraram discretamente na União Europeia no último trimestre do ano passado, de acordo com índices da GfK que variam de -100 a 100 pontos.

O indicador que mensura a expectativa econômica do consumidor fechou 2012 em -42 pontos, após atingir -47 em setembro.

A expectativa de renda também teve uma leve recuperação nos últimos meses e passou de -57 em setembro para -51 em dezembro.

A Espanha ultrapassou Portugal na lista dos mais pessimistas. O índice de expectativa econômica espanhol terminou o ano em -53 (dois pontos abaixo do português).

Os consumidores alemães, que haviam começado 2012 otimistas, mudaram seu modo de analisar a situação econômica e o indicador chegou a -18 pontos.

A propensão a comprar no país, porém, continua positiva e registrou 20 pontos. O índice também é positivo na Áustria e na Bulgária.

Crédito... O Santander e a Telefônica Vivo fecharam acordo e terão cartões de crédito disponíveis nas bandeiras Visa e Mastercard.

...na linha A parceria ampliará a oferta de produtos e serviços do banco. A empresa de telefonia também tem cartões de crédito com o Itaú.

Onda... O segundo navio de uma frota de 20, da parceria logística entre a Fibria e a empresa sul-coreana STX Pan Ocean, já deixou a Coreia. A embarcação chega no fim de fevereiro ao Espírito Santo.

...coreana O contrato é de 25 anos. O primeiro navio, Arborella, deixou o Brasil no fim do ano com uma carga recorde de 53 mil toneladas de celulose rumo aos Estados Unidos, segundo a empresa.

Inflação preocupa, e muito, o governo - CLAUDIA SAFATLE

VALOR ECONÔMICO - 15/02

O governo conta com uma combinação de políticas para chegar ao fim deste ano com uma taxa de inflação menor do que a variação de 5,84% do IPCA no ano passado. Segundo fontes da área econômica, dificilmente o combate à elevação dos preços será centrado num só vetor. Os instrumentos ao alcance das mãos, hoje, são: mais renúncias fiscais decorrentes de desonerações da folha de salários e da cesta básica, menor reajuste do salário mínimo, expectativa de choques positivos advindos de uma boa safra e acomodação dos preços das commodities. No mercado de trabalho, a tendência é de uma certa estabilidade.

A variável chave para a inflação na última década, que foi a apreciação da taxa de câmbio, pode ajudar um pouco, mas o grau de liberdade que o governo tinha e usou nessa área, está se esgotando.

Assessores da presidente Dilma Rousseff asseguram que se for preciso elevar a taxa de juros (Selic), o Banco Central não está impedido de fazê-lo. O que não se tem é convicção de que essa seria a solução. Por enquanto, argumentam, a inflação e a atividade econômica estão sob "observação". Se as pressões sobre os preços vêm da escassez da oferta, de pouco adiantaria aumentar os juros para combatê-la, até porque a expansão da demanda está moderada e a atividade ainda não mostrou sinais inequívocos de recuperação, alegam.

BC não está impedido de aumentar a Selic. Seria a solução?

As últimas informações levadas pela área econômica ao Palácio do Planalto são de que o comportamento do IPCA neste ano será similar ao que ocorreu em 2011. Os índices mensais de inflação não serão ruins, mas a taxa acumulada em 12 meses vai demorar a ceder. Em 2011 a inflação foi a 7,1% em setembro e só depois começou a cair. Neste ano, a taxa acumulada só deve recuar da casa dos 6% também no segundo semestre.

Após o desconforto do IPCA de janeiro, de 0,86%, porém, as expectativas começam a dar sinais ainda que tênues de alguma melhora. A última pesquisa Focus trouxe um alívio das projeções de inflação para o chamado "Top Five" - grupo de economistas que mais acertam seus prognósticos. Visto como um indicador antecedente do que será a mediana das projeções, o "Top Five" aumentou ligeiramente a estimativa para a inflação de fevereiro - de 0,40% para 0,43% - mas reduziu a de março de 0,38% para 0,31%. São índices bem mais comportados do que o de janeiro, mas não necessariamente duradouros. O IPCA para o ano também recuou, segundo essas projeções, de 5,69% para 5,60%.

Hoje é possível afirmar que os rumos da inflação preocupam mais o governo do que o próprio baixo crescimento econômico, asseguram fontes graduadas. Mas um elemento que atuou a favor do controle inflacionário nos últimos anos - a valorização da taxa de câmbio - estaria chegando ao seu limite sob pena de destruir o parque industrial do país.

Durante a vigência do regime de metas para a inflação (excluído o ano de 1999 porque a meta só foi fixada no meio do ano), é nítida a influência da apreciação cambial. Por 13 anos, de 2000 a 2012, a meta de inflação foi cumprida (no seu intervalo de tolerância) em nove anos. Desses, o câmbio teve valorização em oito anos. A exceção foi no ano passado, quando a taxa de câmbio média anual teve depreciação de 16,7% e a inflação ficou no intervalo da meta.

Os dados de 2005 para cá, segundo fontes do governo, mostram de forma mais evidente o efeito da apreciação do câmbio sobre o IPCA. A desvalorização do ano passado - a taxa média nominal saiu de R$ 1,67 em 2011 para R$ 1,95 em 2012 - não foi suficiente para depreciar o real na proporção que o setor privado demandava.

O câmbio continua valorizado e isso leva a um novo cenário: o governo não teria mais como contar com uma apreciação importante como houve no passado para conter a inflação e estimular o crescimento. Portanto, precisa encontrar outras alternativas e essas estão na combinação de um pouco de cada coisa, com alvo especial na redução do custo Brasil e, como meta de mais largo prazo, o aumento da oferta.

O repasse (pass through) da taxa de câmbio para a inflação, segundo cálculos de economistas privados, varia entre 4% a 6% e seus efeitos ocorrem no período de até dois anos. A desvalorização que começou no fim de 2011, portanto, teria um impacto total de até 1 ponto percentual na variação do IPCA ao fim desse período, com forte concentração no primeiro ano.

Assim, segundo avaliação de assessores do governo, o câmbio pode até dar uma pequena contribuição para conter a inflação deste ano, mas sua maior colaboração será a de ficar razoavelmente estável ao redor de R$ 2,00 e não pressionar os preços.

O foco de atenção da presidente Dilma Rousseff, segundo assessores, está em viabilizar investimentos que aumentem a oferta de bens e serviços na economia - por meio de concessões para obras de infraestrutura e de medidas que aumentem a competitividade do setor privado.

A inflação - produto do descasamento entre oferta e demanda - é a grande preocupação deste ano e a ampliação da oferta é uma iniciativa de mais longo prazo.

Até lá, o governo vai andar sobre "o fio da navalha" para não deixar o IPCA escapar das rédeas nem comprometer a recuperação da atividade, de olho em 2014.


É hora de o Brasil escolher seu lado - RICARDO GALUPPO

Brasil Econômico - 15/02

Um ponto importante do pronunciamento do presidente Barak Obama no discurso que marcou o início do seu segundo mandato, na terça-feira passada, diz respeito diretamente ao Brasil, embora nem de longe o nome do país tenha sido mencionado.

Trata-se da intenção de apressar negociações que podem resultar na criação de uma área de livre comércio entre os Estados Unidos e a Europa.

Não é uma tarefa simples e terá que contar com a aprovação do Congresso americano e dos 27 integrantes da União Européia.

Mas bastou que Obama mencionasse a intenção para que os europeus imediatamente aplaudissem a ideia - que já vem sendo negociada há alguns anos, mas sempre esbarra numa tecnicalidade ou numa firula protecionista. Acontece que, agora, a situação é outra.

A Europa está em crise, os Estados Unidos estão em busca de um novo modelo de desenvolvimento e, nesse cenário, o acordo deixa de ser uma hipótese para se tornar uma necessidade.

O comissário de Comércio Exterior da Europa, Karel De Gucht, chegou a dizer que tudo deve estar pronto dentro de dois anos. Apenas dois anos.

O que isso tem a ver com o Brasil? Tudo. Se a previsão de De Gucht estiver certa, a criação do novo bloco coincidirá com o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff - e a posição que o país tomar neste momento terá repercussão sobre as próximas décadas.

Nos últimos anos, o esforço da diplomacia comercial brasileira se enveredou por um caminho que só se explica por razões ideológicas.

O país virou as costas para os Estados Unidos e para a Europa e atrelou todo seu relacionamento comercial com o mundo aos interesses do natimorto Mercosul.

E assim, viu seus negócios bilaterais com o mundo desenvolvido subordinados aos interesses de países que não querem ser parceiros, mas parasitas da maior economia do bloco.

Mesmo assim, o Brasil insistiu no discurso de apoio à Argentina, ao Uruguai e à Venezuela (posto que o Paraguai foi afastado para que o país de Hugo Chávez entrasse no bloco).

Agora é a hora de escolher de que lado o país quer ficar. Virar as costas para a união que se formará no hemisfério norte, num movimento que terá repercussão inclusive sobre a poderosa economia chinesa, pode ser o mesmo que rasgar um convite para o baile de gala mais aguardado do século.

A economia brasileira tem dimensão para fazer parte do bloco dos desenvolvidos - e nessa posição conseguir melhorar a economia a ponto de garantir mais empregos para a população e promover a inclusão social sempre mencionada entre os objetivos do governo.

Acompanhar de perto as negociações e pleitear uma posição de acesso privilegiado ao megabloco é fundamental.

E se ligar a ele, muito mais interessante do que continuar fazendo o papel de mantenedor da Argentina e da Venezuela.

Encomenda difícil - RODOLFO LANDIM

FOLHA DE SP - 15/02

De onde virão os recursos adicionais para atender os compromissos em uma futura licitação do pré-sal?


O Congresso Nacional passou nos últimos anos por um longo debate relativo ao novo marco regulatório para o setor petrolífero, aplicável não só para as áreas do pré-sal ainda não contratadas sob o regime de concessão como para todas aquelas que venham a ser consideradas estratégicas.

O objetivo era certamente o de defender os interesses nacionais e buscar maximizar os benefícios que essa extraordinária riqueza poderá trazer para a nação.

Recentemente tivemos o anúncio de que a 11ª Rodada de Licitações será realizada em maio, algo que já era esperado havia quatro anos e que veio ao encontro da expectativa e do desejo de todos.

Também foi comunicado que deverá haver ainda em 2013 um novo leilão voltado para as áreas do pré-sal já com a utilização de contratos de partilha de produção.

Contudo, a análise dos fatos recentes demonstra que talvez sejam prudentes algumas correções de rumo antes da realização desse segundo leilão, para que o objetivo traçado seja alcançado e o país não tenha que esperar muito tempo até que todo o impacto positivo do desenvolvimento desse setor venha a acontecer.

Para ter uma ideia do poder transformacional que o pré-sal poderá trazer à indústria de petróleo brasileira e ao desenvolvimento do país, acredita-se que apenas graças ao pré-sal as reservas de petróleo do Brasil poderão crescer dos cerca de 26 bilhões de barris para algo em torno de 100 bilhões, colocando-nos em patamares equivalentes aos da maioria dos países do golfo Pérsico.

Isso permitiria que, após realização dos necessários investimentos, a produção brasileira fosse multiplicada, tornando-nos um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo.

E, com a acertada política de conteúdo local em vigor, o país poderia desenvolver uma pujante indústria de bens e serviços voltada para o setor, estendendo os benefícios desse crescimento para boa parte da nossa sociedade.

Em rodadas de licitação, para dividir o risco exploratório, o mais comum é ver as companhias de petróleo se organizando em forma de consórcios. Nesse processo, uma delas é eleita como operadora e na prática é ela que acaba ditando o ritmo dos trabalhos.

A aprovação do novo regime contratual de partilha de produção que vigorará para as futuras áreas do pré-sal a serem licitadas foi feita com um detalhe sutil, mas de enorme importância. A Petrobras terá uma participação compulsória mínima de 30% nos blocos a serem arrematados e será forçosamente a operadora em todos eles.

Um complicador adicional é que há pouco mais de dois anos ocorreu um processo chamado de cessão onerosa.

Através dele, a Petrobras adquiriu da União, por US$ 42,5 bilhões, o direito exclusivo a 5 bilhões de barris de reservas do pré-sal, volume suficiente para que a companhia concentrasse todos os seus recursos destinados a novos projetos de produção por vários anos.

Dadas as dificuldades que a Petrobras vem encontrando para conseguir empreender seu ousadíssimo plano de investimentos, ficam no ar algumas dúvidas.

De onde virão os recursos adicionais para atender os novos compromissos a serem até mesmo indiretamente assumidos em uma futura licitação do pré-sal pela companhia?

Até que ponto a existência de reservas gigantescas detidas unicamente pela Petrobras no pré-sal não afetará o interesse de outros potenciais investidores, temerosos de que futuramente a operação de suas áreas seja negligenciada?

O desenvolvimento desse enorme potencial de todos os brasileiros não estaria sendo naturalmente adiado em função da limitação de recursos de uma única companhia?

E não seria a "proteção" dada a Petrobras no fundo um incômodo peso, dificultando sua capacidade de planejar e direcionar recursos conforme a própria prioridade e convicção?

Não restam dúvidas de que a Petrobras é uma empresa com quadros de extrema competência, que já demonstrou ao país ser capaz de enfrentar vários desafios, mas esse que o Brasil defronta parece ser grande demais para qualquer companhia do mundo tocar sozinha, até mesmo ela.

O superacordo - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 15/02

A decisão dos Estados Unidos e da União Europeia de iniciar negociações para um Tratado Transatlântico de Livre Comércio, com início de vigência previsto para 2015, tem potencial para enorme impacto econômico global. Se o acordo sair, mais um pedaço de mercado externo escapará das empresas brasileiras.

As primeiras análises são de que poderá proporcionar crescimento econômico de cerca de 1,5% ao ano nos dois lados do Atlântico - o que não deixa de ser um investimento baixo para a retomada global.

A ideia é antiga e os resultados dependerão de árduas e complexas negociações que envolvem, de um lado, os Estados Unidos, e, de outro, 27 países. A tarifa aduaneira média no comércio entre Estados Unidos e União Europeia já é muito baixa: menos de 3%. Já indica que, nesse tratado, mais importante do que a derrubada de tarifas será a de regulações e de barreiras não tarifárias - como proibições para a entrada de produtos transgênicos e restrições à de carnes suínas pela Europa.

De todo modo, dado o tamanho dos mercados (veja tabela), um novo acordo tende a aumentar substancialmente a escala do comércio entre os dois lados. Se os Estados Unidos elevarem suas importações da Europa e a Europa aumentar suas importações dos Estados Unidos, está claro que sobrará menos dos maiores mercados do mundo para os demais, especialmente para as empresas brasileiras.

A iniciativa é a mais importante depois da criação da Organização Mundial do Comércio, em 1995. Como a Rodada Doha, que previa avanços multilaterais (no mundo todo) está paralisada, um novo acordo entre Estados Unidos e Europa tenderia a impulsionar nova onda de tratados bilaterais de comércio.

O governo brasileiro parou no tempo. Recusa-se a entabular negociações bilaterais de livre comércio. Enterrou o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), não consegue evoluir no projeto de liberação do comércio entre Mercosul e União Europeia e só anda para trás nas relações comerciais dentro do Mercosul, onde, em vez de diminuir, as travas só aumentam.

O governo brasileiro não é único responsável pela omissão. Os dirigentes do setor industrial, por exemplo, sempre se rebelaram contra a liberação do comércio entre o Brasil e qualquer bloco econômico, sob a alegação de que prejudicaria o setor produtivo nacional, dada a sua incapacidade de competir em igualdade de condições.

No entanto, em vez de lutar pela redução do custo Brasil, que asseguraria ganhos de competitividade, optam por medidas protecionistas que ampliam a reserva de mercado interno - mas que são incapazes de abrir mercado externo. Também vêm reivindicando políticas de desvalorização cambial (alta do dólar) que o governo não consegue manter, devido a seu impacto inflacionário.

As novas negociações bilaterais entre os dois maiores blocos econômicos do mundo devem mudar muita coisa. Outros acordos comerciais serão inevitáveis. Ou o governo brasileiro sacudirá sua inércia ou será mais uma vez ultrapassado pelos fatos.

O mundo se move - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 15/02

O anúncio do presidente Barack Obama, de fazer uma aliança comercial transatlântica com a Europa e fechar um acordo transpacífico com os países da Ásia, deveria acender a luz vermelha no nosso comércio exterior. O Brasil está no caminho contrário, de aumentar as barreiras ao comércio e se isolar. Há 10 anos o Mercosul negocia com a Europa, mas há poucos avanços a comemorar.

O prazo para fechar o acordo comercial e de investimentos Norte-Norte, entre Estados Unidos e Europa, é de dois anos. Uma meta agressiva, que dificilmente pode ser cumprida levando-se em conta a complexidade de aprovação por 27 estados-membros. Mas o movimento deve ser entendido pela diplomacia comercial brasileira como o de que o mundo está tentando sair da crise aumentando e não diminuindo o comércio.

- Esse acordo transatlântico muda tudo. No começo, os Estados Unidos viram a União Europeia como um bloco competidor, mas a crise os uniu. Portanto, haverá agora um aprofundamento da relação Norte-Norte - diz Joseph Tutundjian, especialista em comércio exterior.

No ano passado, quando o Brasil elevou para o teto permitido na OMC a tarifa de importação de 100 produtos, o país deu um sinal de que, em vez de apostar em mais liberalização de comércio ou nas negociações multilaterais, estava voltando à natureza defensiva de nossa economia.

O Brasil foi fechado por tempo demais e nunca se abriu completamente. Bombardeou a possibilidade de um acordo que uniria todas as Américas. Aquela pode ter sido mesmo uma má proposta, mas o fato é que como copresidente o país teria bastante influência no rumo da negociação. A reação foi ideológica, como se um acordo comercial nos submetesse ao controle americano.

- O tiro de misericórdia, na época, foi dado pelas autoridades brasileiras contra a Alca. A questão é qual foi a estratégia em seguida. Até agora, tem sido de fazer acordos via Mercosul, em que só se pode assinar qualquer documento quando todos concordam. Uruguai e Paraguai são até liberais, mas nada anda porque a Argentina fica contra tudo. Até agora, fizemos três acordos: Israel, Palestina e Egito, o que não é nada - disse Tutundjian.

Nas conversas de quase uma década com a União Europeia, o Mercosul reage à abertura de áreas e pede o que não vai acontecer. Um pedido, por exemplo, é o fim do subsídio agrícola que a França não deixará.

- O Mercosul quer se proteger contra leis de investimento, contra leis trabalhistas, contra a presença de estrangeiros nas concorrências públicas. Desta forma, a negociação não consegue andar. Estamos isolados - diz o especialista.

Se olharmos o fato de que o comércio com os Estados Unidos murchou na última década e que as exportações brasileiras estão se concentrando em alguns poucos produtos, a maioria, commodities, está na hora de o Brasil mudar a estratégia de comércio. Em vez de ser defensivo, é o momento de ser mais ofensivo e estratégico.

O acordo transpacífico, sobre o qual o presidente Obama falou, vem sendo costurado há mais tempo e, por natureza, é mais pulverizado. Só que, desta vez, está se fazendo uma lista de países com os quais fechar a negociação. Austrália, Nova Zelândia, Cingapura, Malásia, Vietnã e, do lado da América do Sul, Peru e Chile foram incluídos.

- Precisamos nos mexer, sem achar que vamos determinar os rumos do mundo. O fato é que muitos países compram commodities de nós, mas quem compra aviões, celulares e sapatos do Brasil são os Estados Unidos. A economia americana é um pólo de alta tecnologia ao qual deveríamos estar mais ligados. Estamos totalmente na contramão, com medidas como o IPI do carro importado e a elevação de alíquotas - disse Joseph Tutundjian.

O Brasil experimentou a política de mercado interno fechado no passado, e o resultado foi o oposto do que se queria. O governo imaginava que, protegidas, elas investiriam, ficariam fortes e poderiam, no futuro, competir com o produto importado. O que houve foi que elas se acomodaram e perderam competitividade. O comércio nos dois fluxos aumenta renda, emprego, atividade econômica e força as empresas a investirem em inovação e produtividade. O risco é, de novo, o Brasil parar de evoluir enquanto o mundo se move.

Como o governo ressuscitou a inflação - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONÔMICO - 15/02

Dez anos de governos do PT em nível federal, sendo os dois últimos sob o comando da presidente Dilma Rousseff, foram suficientes para que uma das maiores conquistas recentes da sociedade brasileira fosse colocada em risco.

O controle da inflação, bandeira erguida durante o governo Itamar Franco, permitiu que a população aumentasse seu poder de compra e planejasse minimamente o próprio orçamento sem se deparar com surpresas desagradáveis. Quase 20 anos após o Plano Real, que derrotou a inflação no Brasil, o país volta a sofrer com a alta nos preços e um cenário de absoluta incerteza.

De acordo com números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação subiu de 0,79% em dezembro para 0,86% em janeiro, atingindo 6,15% no índice acumulado dos últimos 12 meses.

A meta de inflação estipulada pelas autoridades brasileiras é de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais. O índice atual já está, portanto, beirando o teto da meta, de 6,5%.

Trata-se da maior alta de preços em oito anos, desde abril de 2005, e da sexta maior inflação de toda a América Latina, inferior apenas às taxas ostentadas por Venezuela, Argentina, Haiti, Uruguai e Nicarágua. Para se ter uma ideia da grave situação em que se encontra o Brasil, em 2006 o indicador do país era o 15º entre 18 nações latino-americanas.

Seis anos depois, o México, segunda maior economia da região e concorrente brasileiro na busca por investimentos externos, tem uma inflação de 3,6%. O Chile, de apenas 1,5%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, exímio na arte de dourar a pílula, insiste em negar o óbvio, mas o bolso do trabalhador já sente há tempos o efeito perverso da incompetência da equipe econômica do governo do PT.

O preço dos alimentos, por exemplo, subiu 9,86% em 2012 e 1,63% em janeiro deste ano. Os números também mostram que a alta é difusa, o que deixa a inflação mais espalhada. Em janeiro, essa elevação atingiu 75,1% dos itens da cesta do custo de vida, o maior avanço desde maio de 2003.

Outro exemplo trágico da inabilidade da atual administração, que mais atrapalha do que ajuda quando resolve se mexer, é o controle de preços praticado sobre os combustíveis.

No ano passado, simplesmente ignorando a diferença entre os preços do Brasil e do exterior, o governo não autorizou nenhum reajuste para evitar uma pressão inflacionária. A emenda saiu pior que o soneto, e o resultado foi a assustadora queda no lucro líquido da Petrobras, 36% menor em 2012 do que em 2011, alcançando o índice mais baixo desde 2004.

Como se vê, várias decisões equivocadas do governo agravaram uma situação que já era delicada. Para infortúnio de milhões de brasileiros, o que se tem hoje no país é quase uma proeza da administração petista: os preços estão nas alturas, por um lado, e a economia segue empacada, por outro, com pouco investimento e baixa atividade industrial.

A "estagflação", termo utilizado por economistas para caracterizar um quadro de inflação em alta combinada com estagnação econômica, é a grande marca do governo Dilma. E o retrato mais bem acabado de sua inépcia administrativa.

Favelas rurais - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 15/02

SÃO PAULO - Deu na Folha que o governo Dilma freou o ritmo das desapropriações para fins de reforma agrária, com o objetivo de repensar o modelo. Segundo o ministro Gilberto Carvalho, que sempre foi bastante ligado aos movimentos sociais, muitos assentamentos acabaram se tornando favelas rurais.

É realmente um ponto interessante para refletir. A reforma agrária ainda faz sentido? A resposta é "cada vez menos", porque, se ela finalmente vier, chegará com um atraso fatal.

Em termos de estruturação da sociedade, uma repartição mais equitativa das terras teria sido importante se tivesse ocorrido lá pelos fins do século 19, início do 20, no máximo. Aí, sim, a criação de uma numerosa classe de pequenos proprietários rurais poderia ter dado uma feição melhor e mais justa ao país.

O problema é que esse é mais um bonde da história que nós desperdiçamos. Agora, em tempos de competição globalizada e emprego intensivo da tecnologia e da ciência, a agricultura é uma atividade que tende a exercer-se com tanto mais eficiência quanto mais mecanizada for e em maiores extensões de terra ocorrer. O número de pessoas exigido para o cultivo deverá ser cada vez menor.

Isso não significa necessariamente que precisamos abandonar qualquer ideia de reforma agrária, mas é preciso mudar sua justificativa. Ela deixa de ser um projeto estratégico de modernização do campo e constituição de uma classe média rural para converter-se num programa social, que dá renda e ocupação a um setor marginalizado da sociedade.

Esse novo enquadramento tem, é claro, implicações. É preciso refazer as contas e eventualmente reequacionar as verbas dedicadas aos diferentes programas sociais. Afinal, não há justificativa moral para gastar mais com pobres rurais que com pobres urbanos, ainda mais num país que já tem quase 85% de sua população vivendo em cidades e segue em acelerado processo de urbanização.

Não em meu nome - FERNANDO GABEIRA

O ESTADO DE S. PAULO - 15/02

Mais de 1 milhão de pessoas assinaram um manifesto contra Renan Calheiros na presidência do Congresso Nacional. Movimentos como esse têm grande valor simbólico. Equivalem às manifestações modernas em que se protesta contra algo vergonhoso ou sanguinário com cartazes que dizem: "Não em meu nome". São bons para mostrar que o País não é homogêneo e que alguns governantes tomam atitudes francamente rejeitadas por milhares de seus conterrâneos.

Em termos internacionais, isso é a notícia. Calheiros passaria em branco se fosse apenas Calheiros com seu rebanho, notas frias, bela amante e um lobista de empreiteira para pagar suas contas. Mas é um presidente do Congresso rejeitado por milhões. Uso o plural porque o manifesto tem pouco mais de uma semana de vida e muitos que rejeitam a presença dele ainda desconhecem sua existência ou ainda hesitam em manifestar sua rejeição.

O manifesto vai encontrar um poderoso muro de cinismo, com materiais impenetráveis, entre eles a crença da esquerda de que os meios justificam os fins. Essa camada é difícil de atravessar porque se mescla com uma vitimização geral. Na Venezuela, Hugo Chávez tenta convencer as pessoas de que o capitalismo e o imperialismo são uma boa razão histórica para que um ato nobre não coincida com sua legalidade.

Os textos de Lenin autorizam essa interpretação. Não creio que o PMDB precise de alguma teoria, mas Calheiros mencionou os objetivos nacionais, aos quais a ética deve ser subordinada. Estrangularemos e saquearemos, pois, em nome dos objetivos nacionais, que não foram explicitados porque servem melhor assim,numa forma altamente abstrata.

Sarney disse, em seu discurso, que a paixão pela política e pelo bem comum é maior que a paixão pela vida. Em outras palavras, ele seria capaz de morrer pelo bem comum. Imagens fora do lugar. Sarney poderia ter dito isso durante a ditadura militar, quando essa frase altissonante poderia ser posta à prova.

Sarney sabe muito bem que hoje, se quiser discutir questões devida ou morte, deve falar com os médicos no Instituto do Coração ou outros especialistas que cuidam de sua saúde. Passou o tempo do heroísmo, porque, como dizia Brecht, o País já não necessita de heróis.

Outro componente do cinismo é supor que a maioria eleitoral dá direitos ilimitados aos ungidos pelo voto popular. Daí em diante é seguir em frente com a frase de Disraeli nos lábios: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe".

Há um amálgama de Maquiavel, Disraeli, Max Weber mal digerido, pois o sociólogo alemão considerava uma ética totalitária apura expressão os meios justificam os fins. No fundo mesmo, a substância mais gelatinosa e agregadora da camada de cinismo é o desprezo até pela racionalização. Os fins são a riqueza pessoal, alguns imóveis em Miami, uma fazenda de gado.

Como dizia o poeta, os amigos não avisaram que havia uma revolução. E ela transformou tão radicalmente as relações que frases como a de Disraeli, preferidas como néctar da sabedoria política, se tornam cômicas e ingênuas.

Aos jovens de hoje basta dar alguns toques no computador para saberem, em minutos, tudo o que existe publicado sobre os políticos. Com uma câmera de US$ 400 é possível filmá-los com uma definição quatro vezes maior que o HD de seus televisores. O Congresso,em tempos como o nosso,está na vitrine, como aquelas mulheres do Distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã.

Não estou comparando os políticos às prostitutas. Seria injusto para com certos políticos e prostitutas. Digo apenas que ambos estão expostos, elas física, eles virtualmente. Com a bunda de fora, muitos ainda não se deram conta de que estão na vitrine. Não pensam no futuro, na rejeição popular, nos problemas que trazem para suas próprias famílias. Alguns deles, em breve, não poderão frequentar lugares públicos nas metrópoles brasileiras. Terão de viver uma realidade separada. Seus jatinhos de colam e aterrissam discretamente, seus percursos urbanos serão feitos de helicóptero. Tornaram se pássaros e vão flutuar na atmosfera por algum tempo, até que uma tempestade os jogue no chão enlameado.

Imagino o que pensam: nada disso nos derrota nas eleições, temos maioria. Prosseguiremos assim porque, com raros incidentes, sobrevivemos bem ao longo da década.

O que pode acontecer quando um Congresso se degrada ostensivamente em plena era da informação? A escolha de Calheiros e Alves para a direção das Casas do Congresso abre nova etapa, atenuada pelas festas do carnaval.

Já passamos por fases difíceis. Ouço algumas vozes de desespero. Mas a experiência mostrou que, nesses momentos, o importante é não desesperar, não jogar fora o Brasil com a água do banho. Pelo menos 1 milhão de pessoas pensam como nós sobre a escolha de Renan Calheiros. E elas dizem claramente coma assinatura do manifesto: não em meu nome. Há um Brasil que resiste e nele há espaço e gente suficiente para não nos sentirmos sós e pacientemente encontrarmos uma saída para o impasse.

Alguns novos países, o nosso inclusive, talvez nem tivessem 1 milhão de pessoas quando iniciaram sua trajetória para a independência. Nem havia internet.

Os brasileiros fora do País, que são quase 2 milhões, também podem ser acionados e, de lá, contribuir na campanha contra Renan. Com tantas conexões e a inteligência coletiva em cena, impossível não encontrar os meios de abalar um jovem coronel incrustado no topo de uma instituição nacional. É um problema novo que vai roubar tempo e energia, mas não a esperança. Vamos a ele, sem desânimo e, se possível, com algum humor.

Depois de eleito, Renan aparece numa foto, em Brasília, com uma espada apontada para seu pescoço. É apenas um efeito visual, desses que acontecem em solenidades militares. Do jeito que olhava a espada, imagino que comece a perceber a trapalhada em que se meteu. Precisamos ajudá-lo a compreender.

No tempo em que eu estava lá, fui o mais explícito possível: se entrega, Corisco.

O partido-rede - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 15/02

O partido que a ex-senadora Marina Silva começa a revelar amanhã na reunião plenária que marcará seu lançamento oficial pretende ser um instrumento para desmontar as velhas estruturas partidárias e estabelecer uma rede de relacionamento entre diversos políticos, pertencentes ou não à nova sigla, unidos em torno de princípios éticos e programáticos.

Seus fundadores veem essa "rede" como um instrumento estratégico para "dessacralizar" a imagem do partido tradicional, promovendo a ajuda a quadros em uma pluralidade de partidos e na sociedade civil que queiram trabalhar na mesma direção. A ideia de que o "partido" concentra o jogo político, enquanto a "rede" o dispersa acompanha a formação da nova agremiação, que nasce com a intenção de "virar pelo avesso, o avesso em que vivemos", na definição do deputado federal Alfredo Sirkis, que será um dos fundadores da rede, que ele sugere estar ligada à questão central do meio ambiente, algo como "Rede Eco" ou "Eco Brasil".

Junto com ele devem ser fundadores os deputados Walter Feldman (PSDB-SP), Ricardo Tripoli (PSDB-SP), Domingos Dutra (PT-MA) e Reguffe (PDT-DF). Marina está conversando com o deputado federal petista Molon, que vai ajudar, mas ainda não decidiu se oficialmente participa da fundação ou se vai esperar para inaugurar o tipo de aliança informal que está prevista na própria formação do novo partido-rede.

Seus organizadores têm a esperança que outros deputados que estão conversando se definam até amanhã, para que a "rede" comece com entre cinco e dez deputados federais. Os "sonháticos", como se definem, esperam aproveitar a votação de quase 20% que a ex-senadora Marina Silva obteve em 2010 para, com quase três anos de atraso, tentar interferir na correlação de forças políticas existentes.

O entendimento é que, embora Marina não tenha aproveitado seu cacife eleitoral para obter acordos políticos relevantes com os dois finalistas daquela campanha, os eleitores que a viram como uma alternativa àquela época continuam sem perspectiva política e podem ser atraídos outra vez pela nova tentativa de mobilização de jovens e outras gentes ainda esperançosas de mudar o Brasil na direção da sustentabilidade. Em vez de "pretensiosa e inútil ingenuidade", os "sonháticos" acham que a melhor opção é ainda sonhar com novas correlações de força, já que a alternativa seria deixar tudo como está e entrar no jogo da maneira que ele está estabelecido, não abrindo "um canal de participação política novo para esses integrantes de nossa sociedade que anseiam por algo diferente", como diz Sirkis.

É dentro desse conceito novo de fazer política que o partido-rede pretende aprovar na plenária de amanhã estatuto com diversas novidades: o limite de 16 anos no mesmo cargo eletivo, o que equivale a dois mandatos de senador (justamente o tempo que Marina permaneceu como senadora em Brasília) ou quatro mandatos de deputado federal, deputado estadual ou vereador. Para contrastar, por exemplo, com os 11 mandatos de deputado federal do novo presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves. A ideia é evitar a criação de "parlamentares profissionais".

Outro ponto destoante será a proibição de doações de campanha oriundas dos setores de bebida alcoólica, cigarro, arma e agrotóxicos. Estranhamente não há restrições ao financiamento de empreiteiras e bancos, setores muito mais envolvidos em polêmicas de financiamento do que as escolhidas. Essas limitações têm a vantagem de diferenciar o novo partido-rede dos demais em atuação, mesmo com suas inconsistências internas.

O que não está claro é como esse partido-rede atuará, por exemplo, na formação de coligações partidárias para a disputa presidencial de 2014, quando a ex-senadora concorrerá novamente à Presidência da República. Esses acordos "virtuais" podem até mesmo funcionar em votações suprapartidárias no Congresso, mas não funcionam quando objetivamente se tem que conseguir o maior tempo de propaganda no rádio e televisão numa campanha eleitoral.


Força em movimento - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 15/02

Até a última contagem já tinha ultrapassado a casa do 1,5 milhão, e não parava de aumentar, o número de adesões a um abaixo-assinado que corre na internet com a finalidade de levar ao Senado um pedido de impeachment contra o presidente da Casa, Renan Calheiros.

Tecnicamente, já seriam assinaturas suficientes para criar um partido (cerca de 500 mil) ou para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular para o Congresso - é preciso que no mínimo 1% do eleitorado de pelo menos cinco Estados assinem, hoje algo em torno de 1,4 milhão, considerando os cerca de 139 milhões de eleitores brasileiros.

Objetivamente, porém, o movimento não tem efeito. Nada a ver com a mobilização que levou à aprovação da lei da Ficha Limpa em 2010.

Interrupção de mandatos de congressistas não estão entre os objetos de iniciativas populares, bem como entre os motivos para perda de mandatos de deputados e senadores listados no artigo 55 da Constituição não está o desejo de milhares ou milhões de cidadãos, expresso em abaixo assinado. Virtual ou não.

Os criadores do movimento sabem disso. Tanto que avisam que o que pretendem é criar um fato político. "Fazer confusão" e chamar atenção para a deformação de se ter na presidência do Senado um parlamentar investigado em diversos inquéritos e recentemente denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal por desvio de dinheiro público e utilização de documentos falsos.

Há duas maneiras de ver esse episódio. A pessimista, que também poderia ser chamada de realista, encara isso como uma brincadeira inconsequente devido às ínfimas chances de o Senado se sensibilizar e decidir abrir outro processo por quebra de decoro parlamentar - por ora o único instrumento possível para se afastar Calheiros do posto para o qual acabou de ser eleito.

O outro modo de se olhar o protesto aparentemente inócuo é sob a perspectiva otimista de que há forças em movimento. Não daquela maneira que incentivou o Congresso a aprovar o impeachment de Fernando Collor, que acabou levando à Anistia, ao apelo por eleições diretas, ao fim do regime militar: as grandes mobilizações de rua.

Agora há um novo jeito: por meio da internet. Parece algo acomodado, mas talvez assim pareça apenas por falta de costume e de mecanismos que, ao mesmo tempo, validem os protestos e sirvam como canais de transmissão até as instâncias onde possam ser materializados.

Nesse caso de Renan Calheiros, não há prejuízo concreto que possa lhe ser imposto pelo ato do abaixo-assinado. Mas o Congresso terá de se dar ao trabalho de ouvir o barulho e à desfaçatez de ignorá-lo.

Capital inicial. Correm de novo no mundo político versões sobre fusões entre partidos.

A fim de não incorrer em perda de tempo, quando se ouvir falar nesse assunto, convém levar em conta um dado: em princípio a legenda nenhuma interessa incorporar-se a outra.

Se extintas, não têm acesso ao dinheiro do Fundo Partidário, dão adeus ao tempo de propaganda no rádio e na televisão (instrumento de negociação sempre tão útil em anos eleitorais) e perdem prerrogativas congressuais destinadas exclusivamente a partidos com representação no Legislativo.

Picolés de chuchu. O PSDB já prepara o primeiro acontecimento para pôr na rua o bloco da candidatura presidencial do senador Aécio Neves: uma série de palestras que sirvam como instrumentos de reflexão sobre "temas contemporâneos".

Enquanto isso, Dilma Rousseff reativa o palanque de 2010, Eduardo Campos abre alas e pede passagem para 2014 e Marina Silva lança um novo partido com foco na conquista da moçada cansada da guerra de lideranças antigas.

Os tucanos que se cuidem - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 15/02


BRASÍLIA - Desde 2004, o Brasil caiu de 15º para 6º lugar no índice de inflação na América do Sul, mas a coisa é mais grave em São Paulo, onde, segundo o Dieese (departamento sindical responsável por esse tipo de estatística), o custo de vida teve a maior alta em dez anos.

O Brasil também registrou uma queda de 1,4% no nível de empregos da indústria em 2012, mas a coisa, mais uma vez, fica pior em São Paulo, onde, segundo o IBGE (que acompanha os níveis de ocupação), a retração foi de 2,6%, só melhor do que no Nordeste (2,7%).

Para o cidadão, os números dizem muito pouco e tanto faz se a culpa é do governo federal, do Estado ou do município. O que importa é a percepção de que os preços dos alimentos estão aumentando e que as fábricas já não estão tão acolhedoras para novas contratações. E o governador será o "culpado" mais ao alcance da mão, e do voto, nas eleições de 2014.

Com Dilma bem embalada por Lula, por medidas muito populares -como queda na conta de luz- e pelos aumento dos índices oficiais de inclusão social, a reversão de humor pode cair não na sua candidatura à reeleição à Presidência, mas, sim, na de Geraldo Alckmin à reeleição ao governo do Estado.

A isso se somam o poder deletério do aumento da violência sobre a imagem do governador, o desgaste natural de quase duas décadas de PSDB no poder estadual e a alternância entre Alckmin e Serra em sucessivas disputas, sufocando o surgimento de lideranças tucanas.

Enquanto Lula põe a criatividade em ação para sacar uma nova Dilma ou um novo Haddad para o Bandeirantes, Alckmin pode ir se preparando para uma eleição muito difícil no ano que vem.

Se tem a máquina, ele vem perdendo em imagem e não vai ter lá grandes suportes no resto da chapa. Com tantos pré-candidatos ao Senado, por exemplo, o PSDB certamente não tem "o" candidato.

Dez anos de presidência petista - ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK

O GLOBO - 15/02

Na próxima semana, o PT deve comemorar em grande estilo dez anos de conquista da Presidência. Não é pouco. A festa é mais do que justa. Foi um decênio marcado por alto grau de continuidade. A junção do governo de Dilma ao de Lula foi sem costura. Em contraste com o slogan "continuidade sem continuísmo", com que José Serra pretendia disfarçar seu discurso de oposição a FHC, na eleição de 2002, Dilma Rousseff deixou claríssimo, na campanha de 2010, que seu governo teria a marca da continuidade com continuísmo. Para grande orgulho do PT.

Não poderia ter sido diferente. Desde de 2005, quando foi alçada à Casa Civil, em meio ao descabeçamento do partido que se seguiu ao mensalão, Dilma Rousseff atrelou seu destino ao presidente Lula. Assumiu a administração do Planalto, transformou-se na figura forte do governo e, sem experiência eleitoral prévia, foi ungida candidata do PT. E, para assombro dos que duvidavam dos superpoderes de Lula, acabou eleita presidente da República.

Um alto grau de continuidade entre dois governos tem muitas vantagens. Mas, aos poucos, o Planalto vem se dando conta de que também tem suas desvantagens. Quando as coisas dão errado, o governo se vê sem espaço para atribuir parte dos erros à administração anterior. Não faltam bons exemplos. Alguns óbvios. Outros, nem tanto.

A presidente Dilma Rousseff tem plena consciência de que um quadro sério de falta de energia elétrica  lhe seria fatal, tendo em vista o papel central que vem desempenhando, há exatos dez anos, nas intervenções do governo no setor. Não teria com quem partilhar os custos de uma falha grave nessa área.

A interminável sequência de más notícias sobre a Petrobras também merece atenção. Em face do enorme desgaste político, o governo tem tentado conter os danos, dando discreto alento à narrativa favorável que se vê em parte da mídia. Os problemas da empresa vinham do governo anterior. E, só no ano passado, puderam ser detectados e enfrentados pelo atual governo, com a nomeação da nova presidente da Petrobras.

É até uma boa história. Mas incompleta. O que ainda falta explicar é que, durante sete dos oito anos do governo Lula, a presidente Dilma Rousseff ocupou nada menos que a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. E não se pode dizer que era função puramente figurativa. Afinal, se tratava da maior sociedade anônima do País. É mais do que sabido que a presidente se dedicou à função com seu empenho habitual. E, tendo chegado à presidência do Conselho como Ministra de Minas e Energia, fez questão de manter a posição quando passou a responder pela Casa Civil.

É preciso também ter em mente que boa parte das dificuldades que vêm sendo enfrentadas pela Petrobras decorre da sobrecarga que foi imposta à empresa pelas impensadas regras de exploração do pré-sal. Todas elas concebidas no governo passado, sob a estrita tutela de Dilma Rousseff.

Outra narrativa conveniente, e também incompleta, é a que vem pautando a racionalização do emperramento do investimento público. A alegação é que, surpreendida com as irregularidades detectadas nos programas de investimento de certas áreas, como o Ministério dos Transportes, a presidente se viu obrigada a fazer uma "faxina". E levou muito tempo para conseguir remontar toda a estrutura burocrática requerida para fazer o investimento acontecer. O que falta explicar é como irregularidades desse vulto escaparam por tantos anos, no governo Lula, à eficiência com que Dilma Rousseff teria gerido os programas de investimento público que compunham o PAC.

Na condução da política econômica, o continuísmo assumiu um contorno especialmente problemático. Havia até boas coisas a preservar. Mas o que o atual governo decidiu manter, ao conservar intacta a equipe do eixo Fazenda-BNDES, foi o vale-tudo da última fase do período Lula, que contava com o apoio entusiástico da candidata Dilma Rousseff. A presidente está colhendo o que plantou. Não pode se queixar da perda de credibilidade da política econômica que hoje se vê.

A oposição, obsequiosa e muda - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 15/02

Diante da emergência de governar sem o Orçamento, que o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu o Congresso de votar antes de decidir sobre mais de 3 mil vetos presidenciais, o Executivo baixou medida provisória ao arrepio da ordem institucional, arrogando-se o poder de gastar R$ 42 bilhões em investimentos quando teria de se limitar a gerir o dia a dia comezinho até o Legislativo decidir sobre em que se poderá utilizar o dinheiro arrecadado em impostos. Nenhum opositor teve forças para tugir ou mugir.

Os truques contábeis empregados pelo prestidigitador Guido Mantega no Ministério da Fazenda para dar um "jeitinho" nas contas públicas no fim do ano, condenados até por um especialista ouvido pelos atuais donos do poder, como o professor Delfim Netto, também passaram em branco pelos parlamentares que dizem dissentir de Dilma e de sua equipe econômica.

Seis anos depois do anúncio do milagre econômico a ser produzido pelo petróleo extraído no pré-sal e a dois e meio da "maior capitalização da história do capitalismo" com a venda de R$ 107 bilhões em ações pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a Petrobrás confessou seu deplorável estado financeiro. O balanço de 2012 registrou queda de 36% dos lucros, seu valor caiu para 65% do patrimônio, a joia mais preciosa da coroa nacionalista despencou no ranking das petroleiras mundiais para o oitavo lugar e perdeu o posto de líder na América do Sul para uma colombiana. Nenhum tucano ou "demista" lamentou a derrocada.

Luiz Pinguelli Rosa, primeiro especialista em eletricidade no Partido dos Trabalhadores (PT), denunciou publicamente o desmanche da Eletrobrás para tentar salvar a petroleira. Na oposição, ninguém percebeu: tudo foi aceito como uma imposição inexorável dos fados. À exceção de gestores como o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, que não aceitou a antecipação da renovação da concessão das usinas paulistas exigida por Dilma, e de tucanos mineiros que o seguiram nesta posição isolada, seus correligionários e aliados se comportaram como se nada houvesse a fazer. Na verdade, havia. Mas nenhum opositor se deu ao trabalho de repetir avisos dados por especialistas de que a redução da tarifa só seria sustentável se não comprometesse a distribuição da carga elétrica.

E, para confirmar o aparente inferno astral na virada da primeira metade do mandato da presidente para o segundo, a inflação bateu em janeiro o recorde em dez anos: a taxa de 0,86% foi a pior desde 2003.

Mas esta foi, parece, a gota d"água para a oposição calar e sumir de vez. Tido como pule de dez na escolha do tucano para tentar evitar a reeleição de Dilma ano que vem, Aécio Neves (PSDB-MG) fez súbita aparição no Senado para recomendar aos companheiros de bancada que não votassem em Renan Calheiros para presidente. Funcionou como uma senha pelo avesso: sua bancada deu os votos de que o peemedebista precisava para não ter de enfrentar algum intruso em eventual segundo turno.

Depois de passar um ano limitados a apresentar queixas formais contra o emprego pela presidente de convocações de redes de rádio e televisão para fazer campanha eleitoral antecipada, baixando tarifas de eletricidade e chamando-os de maus brasileiros, os opositores preferiram começar 2013 no silêncio obsequioso. Mineiros e paulistas, que controlam o PSDB, anteciparam a folga do carnaval. E a cúpula "demista" correu atrás do trio elétrico do PT baiano para ninguém dizer sobre eles que "só não foi quem já morreu". Ah, mas justiça seja feita: antes do longuíssimo feriado, todos trataram de espalhar à boca pequena que, depois do tríduo momesco, ressurgiriam na Quarta-Feira de Cinzas. Alguém aí ouviu uma voz oposicionista?

Pois é. Todas as notícias dadas no início desta nota devem passar a impressão de que o País poderia sobreviver melhor sem a gestão desastrada dos petistas. Mas, ó céus, como o PT faz falta na oposição combatendo gastos públicos, aumento do índice inflacionário, maquiagem contábil, malefícios ao "petróleo é nosso" e apagões a granel!

Delação contestada - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 15/02


Ainda controverso, o instituto da delação premiada -pelo qual um criminoso pode obter redução de pena se denunciar comparsas- teve em 2012 um de seus anos de maior repercussão na opinião pública desde que foi adotado no país, na década de 1990.

A ferramenta chegou a ser cogitada em casos célebres como os de Marcos Valério de Souza, operador do mensalão, e Paulo Vieira, apontado pela Polícia Federal como líder de tráfico de pareceres no governo federal. No de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ex-aliado do goleiro Bruno, foi de fato empregada.

É surpreendente que até hoje o mecanismo não tenha sido devidamente regulamentado -tanto mais por se tratar de instrumento polêmico, criticado por boa parte dos advogados criminalistas.

Os questionamentos à delação premiada são sobretudo de ordem moral. Argumenta-se que o Estado não deveria estimular a deslealdade, oferecendo recompensa a um criminoso e, ainda mais, traidor.

Entende-se a repulsa que tal comportamento pérfido ocasiona na maior parte das pessoas, mas ao Estado cabe privilegiar o combate ao crime organizado, não a ética entre delinquentes.

Não são poucos os exemplos de grandes redes criminosas que só foram desbaratadas graças à delação premiada. Para não ficar em experiências internacionais -como a luta contra a Máfia, nos anos 1980, na Itália-, relembre-se o mensalão do DEM, esquema de corrupção que envolveu o ex-governador José Roberto Arruda (DF) após delação pelo ex-secretário Durval Barbosa.

Trata-se, sem dúvida, de dispositivo útil demais para ser descartado. Mas, justamente para preservar seu valor e assegurar que seu uso resulte em benefícios para a sociedade, é preciso haver regras claras sobre as circunstâncias em que o réu poderá lançar mão da delação premiada.

Torna-se fundamental que o Congresso aprove uma lei sobre o tema, para reunir em uma peça única as normas hoje dispersas em diplomas pouco conexos.

Questões procedimentais precisam ser resolvidas, como a proporção entre a colaboração e o benefício obtido, o momento em que a delação pode ser usada pelo réu e a obrigatoriedade de expor seu conteúdo no processo.

Além disso, é preciso garantir que as delações sejam sempre submetidas a contraditório, e as informações, oferecidas de maneira voluntária. Não pode haver espaço para nenhum tipo de abuso.

Brasil precisa de mais usinas nucleares - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 15/02

A participação do setor privado em investimentos na área nuclear seria bem-vinda, mas, para tal, é necessário retirar da Constituição o monopólio estatal



Em 2016, entrará em funcionamento a terceira usina nuclear brasileira, adicionando 1.405 megawatts de energia firme no sistema elétrico interligado do país exatamente junto aos maiores centros consumidores. Este ano, paralelamente às obras civis, começarão a ser montados os equipamentos de Angra 3. Se já estivesse em operação, a terceira usina nuclear teria uma tarifa competitiva em relação às demais fontes de energia térmica, com a vantagem de não exigir longas linhas de transmissão e operar quase o ano inteiro, com paradas programadas para períodos em que os reservatórios das hidrelétricas estão enchendo.

O impacto ambiental das usinas nucleares é muito baixo se comparado a outras fontes de energia, pois ocupam espaço físico relativamente pequeno, e elas têm todas as suas etapas de funcionamento rigorosamente controladas, por motivos de segurança radiológica. Em um raio de vários quilômetros são colhidas amostras do ar, da água, da terra e até do leite das vacas para se observar qualquer variação de radiação além da natural.

Angra 3 será a última das usinas nucleares construídas com base no antigo acordo nuclear assinado com a Alemanha na década de 70. A tecnologia continua segura e atual, com elevada redundância, o que a encarece. Há uma evolução tecnológica em curso que possibilitará a construção de usinas com um pouco menos de capacidade (1.000 megawatts), mas que exigirão menos investimentos na parte de segurança — pois serão intrinsecamente seguras.

É na direção dessa nova tecnologia que os planos para construção de novas usinas nucleares no Brasil devem apontar. Já existem estudos avançados para escolha de sítios adequados à instalação de um conjunto de quatro usinas no Nordeste.

O acidente ocorrido em Fukushima em decorrência do maremoto no Japão fez com que o mundo desse uma meio trava nos programas nucleares. Mas, analisado as causas do acidente, todas as usinas semelhantes em funcionamento adotaram procedimentos que evitarão a repetição do problema.

Assim, a construção de novas usinas no Brasil deverá voltar à pauta, face às necessidades de expansão futura do parque gerador de energia elétrica no país. Para permitir uma aceleração nesse tipo de investimento, a entrada do setor privado em parceria com o público seria muito bem-vinda. Atualmente, a Constituição estabelece monopólio da União na atividade nuclear, porém não existe mais razões de ordem técnica, financeira ou gerencial para que essa limitação seja mantida.

Uma emenda constitucional, com amplo apoio do Congresso, teria de ser aprovada para se remover tal restrição. É hora de se abrir a discussão. Há uma crise energética à espreita.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“O governo não tem ouvido os trabalhadores...”
Deputado Paulinho da Força (PDT-SP) sobre Dilma, no melhor estilo Mamãe eu quero


PR PODE INDICAR SUPLENTE DE MARTA A MINISTÉRIO

Após vetar o nome do senador Blairo Maggi (MT), a cúpula do PR cogita indicar à presidente Dilma o senador Antonio Carlos Rodrigues (SP), suplente da ministra Marta Suplicy (Cultura), para ministro, na cota do partido. Ao contrário de Blairo, que ameaçou sair da legenda após brigar com a direção, Rodrigues é cobra criada de Valdemar da Costa Neto, dono do PR e réu condenado no processo do mensalão.

SUPLENTE DO PT

O PR argumenta que a ida de Rodrigues para Esplanada agrada ao PT: assumiria seu lugar no Senado Paulo Frateshci, secretário do partido.

MESMO TIME

Outro aspecto positivo, segundo o PR, é que Antonio Carlos Rodrigues se relaciona bem com o ministro paulista Aloizio Mercadante (Educação).

MAL-ESTAR

A relação da cúpula com Blairo Maggi piorou quando ele consultou o TSE sobre a possibilidade de sair do PR sem perder o mandato.

BRIGA DE GALO

Blairo foi excluído das eleições para direção do PR. Irritado, declarou que não admitia ser comandado por meliante condenado no mensalão.

ITAMARATY JÁ APURA ASSÉDIO MORAL NA AUSTRÁLIA

O presidente da Comissão de Ética do Itamaraty, embaixador Denis Fontes de Souza Pinto, designou um “diplomata graduado”, cujo nome não revela, para apurar preliminarmente, em Sidney (Austrália), as denúncias contra o cônsul-geral do Brasil, Américo Fontenelle, e seu adjunto Cezar Cidade, acusados de humilhar e insultar servidores. Um deles, Luis Henrique Aroeira Neves, chutou o balde e os denunciou.

NO TERRENO

O diplomata destacado a apurar a acusação de assédio moral chegou ontem a Sidney, para ouvir denunciados e servidores ofendidos.

SANTO PROTETOR

Entre diplomatas, Americo Fontenelle é conhecido por se jactar de suas relações ao ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão.

REINCIDENTE

Acusado de assédio quando cônsul em Toronto (Canadá), Fontenelle foi premiado com o novo posto em Sidney. Haverá outro prêmio?

FANTASIA

A renúncia de Bento 16 no carnaval esbarrou em outra polêmica com o governo Dilma: a maciça distribuição de camisinhas, que a CNBB condena. Os bispos estranham que ela vá a missas e não fale no papa.

CONFESSIONÁRIO

O governo pretende encerrar o aparente mal-estar enviando o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) à cerimônia de despedida do papa, na quarta (27). Ele é da ala carismática da Igreja, confessa e comunga.

DEFESA

Líder do PMDB, Eunicio Oliveira (CE), saiu em defesa do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e negou qualquer movimentação dele para emplacar um novo presidente no Banco do Nordeste.

OPOSIÇÃO ATORDOADA

Para o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), do jeito que a oposição está descoordenada “fica ainda mais difícil nocautear o adversário”: “O Aécio [Neves] precisa assumir logo a presidência do partido”.

NOME DE CONFIANÇA

Carne e unha com o senador Aécio Neves (MG) – cotado para disputar a Presidência em 2014 –, o presidente do PSDB em Minas, Marcus Pestana, tem sido apontado para assumir o comando nacional da sigla.

AZEDOU

O senador democrata Bill Nelson pediu ao embaixador do Canadá que investigue se o Brasil exporta suco de laranja aos EUA através daquele país para não pagar tarifas, diz o South Florida Business Journal.

FORA DO PRAZO

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) ironiza Aloizio Mercadante, afirmando que o veto dele apenas fortalece a indicação de Gabriel Chalita para chefiar o Ministério de Ciência e Tecnologia: “Isso o fortalece, até porque o STF já decidiu que veto só tranca pauta depois de 30 dias”.

ACERTOS

No Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB) deverá assumir a presidência da CCJ, Waldemir Moka (PMDB-MS), a Comissão de Assuntos Sociais e Ana Rita (PT-ES), a de Direitos Humanos.

PENSANDO BEM...

...o Congresso é um play-ground perto das intrigas seculares que envolvem a escolha e o mandato de um papa.


PODER SEM PUDOR

NECROLÓGIO PREMATURO

O senador cearense Almir Pinto foi à tribuna e fez um emocionado discurso em homenagem ao dentista Pedro Barroso, ex-reitor da UFC. Só depois de muitos telegramas de condolências terem sido enviados por parlamentares de Brasília à "família enlutada", soube-se que Barroso permanecia vivinho da silva. Todos quase morreram de vergonha. Mas, quinze dias depois, Barroso faleceu mesmo. O senador ficou aliviado:

- Puxa, graças a Deus agora ele morreu.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Papa prega ‘verdadeira renovação’ da Igreja
Folha: Ex-judoca Aurélio Miguel multiplicou bens após se eleger
Estadão: Bento XVI pede ‘verdadeira renovação’ da Igreja
Correio: Dólar chega à menor cotação em nove meses
Valor: Petrobras terá déficit até 2020
Estado de Minas: Cerco ao táxi ocioso
Jornal do Commercio: Democracia de luto por Fernando Lyra
Zero Hora: Tropas federais chegam a SC para transferir presos