sábado, janeiro 19, 2013

Uma pedra entre Dilma e Michel - JORGE BASTOS MORENO

O GLOBO - 19/01



Na conversa da Dilma com Michel sobre as eleições das Mesas e das lideranças do PMDB no Congresso, amplamente divulgada, poucos foram os que repararam nesta parte do diálogo:

- E o Eduardo Cunha? Quem controla?

- Eu controlo!

Michel só deu essa resposta porque já não conseguia mais enrolar a Dilma. A presidente havia feito a pergunta por três vezes. Na quarta, o vice percebeu que o destino da candidatura de Eduardo Cunha à liderança do PMDB dependia do seu aval. E deu-lhe um cheque em branco.

Com isso, Michel atrelou o seu futuro ao desempenho de Cunha como líder.

É dele que a Dilma vai cobrar. Cobrar é o que a presidente mais sabe e gosta de fazer.

Os interesses econômicos de Cunha sempre falaram mais alto do que o interesse público.

Logo, está nas mãos dele a renovação da candidatura de Michel na reeleição da Dilma.

Salve Glória!
Eu pensava que era só eu que me preocupava com as sortes da Nanda Costa e da Carolina Dieckmann em "Salve Jorge", nos respectivos papéis de Morena e Jéssica.

Mas a Dilma, como sempre fofa com as minhas amigas, encarregou os ministros da Justiça, Eduardo Cardozo, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de atualizar a legislação brasileira sobre punição e combate ao crime de tráfico de humanos.

A presidente quer uma legislação mais eficaz, ainda neste semestre.

Só isso já te faz campeã, Glória Perez.

Agenda
Cabral sancionou a "lei da moral e dos bons costumes", da deputada Myrian Rios, e, depois, foi almoçar com os deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves.

Cabral é patrono da candidatura de Cunha à liderança do PMDB.

Competência
Eduardo Cunha é um jogador profissional. Aposta sempre na baixa. Livrou a cara de muitos implicados na CPI do Cachoeira. E agora cobra as faturas.

Fada
Pela lista dos futuros líderes dos partidos da base governista, desta vez, parece que a única confiável é a Manuela D'Ávilla, do PCdoB.

O totalmente inconfiável é Garotinho, do PR.

2014
Amigos de Eduardo Campos e Aécio Neves querem promover encontro entre os dois ainda antes do carnaval.

Seria o primeiro de 2013. No ano passado, eles se encontraram várias vezes.

Reuni-los é a coisa mais fácil do mundo.

Os dois estão separados apenas pelo canal que divide Leblon e Ipanema, no Jardim de Alah.

2013
O súbito desapego de Delfim Netto pela política econômica da Dilma está agitando o mercado das especulações.

Outro 2014
A Jornada dos Prefeitos com Dilma em Brasília tem ocupado o governo todo na preparação da agenda de trabalho.

Os participantes serão os principais cabos eleitorais da sucessão presidencial de um país onde o sistema partidário, por mais ultrapassado que esteja, é eminentemente municipalista.

Vizinhança
Não quero tripudiar, não, mas, em termos de vizinhos, eu dou de mil na Dilma e no Joca, que terão Renan e Alves no Congresso.

A minha parece ter fugido da Igreja da Conceição, em frente. Já os deles parecem que fugiram da... ah, como diz Ancelmo, deixa pra lá!

Cruz
Como biógrafo não autorizado de Ulysses Guimarães, vou sugerir à família que peça a sua desfiliação post-mortem do PMDB.

Apesar de ser chamado sarcasticamente de "Senhor Morto" por Tancredo Neves, dada a sua postura física, Ulysses nunca ficaria entre Dimas e Barrabás.

Elogio
Esquisita a defesa que Maluf fez da candidatura de Henrique Alves à presidência da Câmara.

Comparou Alves a um padre acusado de pedofilia.

Para quem já defendeu o "estupra, mas não mata!", a frase não deve soar esquisita.

Impunidade
A partir de fevereiro, teremos um Congresso Nacional de Segurança Máxima.


Barba, cabelo e bigode - FÁBIO ZAMBELI - PAINEL


FOLHA DE SP - 19/01


À frente do Ministério das Cidades e agora no comando dos programas de moradia de Fernando Haddad, o PP, de Paulo Maluf, pressiona Geraldo Alckmin para controlar definitivamente a Secretaria de Habitação no Estado. O ex-governador, que já indicou o presidente do braço operacional da pasta, associa o apoio de seu partido à reeleição do tucano à vaga no primeiro escalão. Argumenta que a sinergia de pepistas nas três esferas turbinaria as parcerias habitacionais até 2014.

Dominado
Jesse Ribeiro, secretário-geral do PP em São Paulo, resume a lógica que os malufistas fizeram chegar ao Palácio dos Bandeirantes: "Já temos a Habitação nos governos federal e municipal. Nada mais natural que tenhamos a estadual também".

Calculadora 
Alckmin teria que desalojar o tucano Silvio Torres, aliado próximo, para acolher o pleito de Maluf. Como sabe dos entraves para construir sólido arco de alianças para 2014, estuda opções de remanejamento no primeiro escalão.

Portfólio
Indicado por Maluf para presidir a CDHU, Antonio Carlos do Amaral prepara proposta que injetaria capital privado na construção de conjuntos habitacionais paulistas. O texto é alinhavado com grupo de empresários da construção civll.

Jejum
Presidente da CBF, José Maria Marin agendou almoço para homenagear Lula hoje, em São Bernardo, antes da abertura do Paulistão-2013. Teve que desmobilizar correligionários na undécima hora. O ex-presidente, que mora na cidade, avisou que não compareceria.

A regra...
Em plantão no STF, Ricardo Lewandowski negou ontem pedido de suplente para assumir vaga de deputado federal. Com a renúncia de Joaquim Beltrão, eleito prefeito de Coruripe (AL), o presidente da Câmara convocou o primeiro suplente da coligação, e não do PMDB, Wellington Fragoso.

...é clara
Em 2011, a maioria dos ministros do Supremo havia acolhido o entendimento de Lewandowski, manifestado desde o período em que dirigiu o Tribunal Superior Eleitoral. Para ele, o mandato eletivo pertence à coligação e não à legenda. A decisão deve ser divulgada hoje.

Amigo...
Enquanto Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conta com respaldo de Sérgio Cabral, seu rival na disputa pela liderança da sigla na Câmara, Sandro Mabel (GO), conversou com Roseana Sarney, governadora do Maranhão, em busca de apoio no Estado.

... oculto
Mabel tem outro colaborador "secreto": Renan Filho (PMDB-AL), que evita manifestações públicas para não atrapalhar o pleito do pai, candidato à Mesa do Senado. A última conversa foi no aeroporto de Maceió.

Não se reprima 
Na Câmara, Renan Filho lidera bloco de oito deputados jovens. Eles já são apelidados na Casa de "Menudos do PMDB".

#tamojunto Do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), sobre insinuações de que apoiaria Julio Delgado (PSB-MG), contrariando pacto PT-PMDB: "É tentar fazer qualquer um de besta acreditar que tenho uma força que não tenho para ganhar uma eleição clandestinamente".

Terapia...
A FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) entregou ontem a Dilma Rousseff e ao ministro Alexandre Padilha (Saúde) lista de sete reivindicações dos municípios para combater a falta de médicos na rede pública.

... intensiva
Entre as sugestões está a contratação de profissionais formados em outros países. A entidade diz que há a necessidade de 2 a 2,5 médicos por grupos de mil habitantes no Brasil -hoje, essa relação é de 1,8.

tiroteio

Se Paulo Bernardo está preocupado com Aécio já na fase de treino, imagine quando ele entrar em campo e começar a jogar?

DO DEPUTADO FEDERAL MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre as críticas do ministro das Comunicações ao senador, pré-candidato à Presidência em 2014.

Contraponto


Purgatório administrativo

Durante a apresentação de indicadores da Rede Nossa São Paulo, anteontem, Fernando Haddad dizia que, mesmo bem intencionados, gestores podem cometer erros. Segundo o prefeito, o importante seria "nunca perder a capacidade de ouvir diferentes setores da sociedade". Uma mulher, na plateia, gritou, para surpresa geral:

-De boas intenções o inferno está cheio, prefeito.

O petista esboçou um sorriso amarelo e respondeu, sem permitir tréplica:

-Eu também conheço outro ditado. Ele diz que o inferno são os outros...

Lessa no BNDES - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 19/01


O ministro Brizola Neto não pretende integrar o Conselho de Administração do BNDES. Ele quer indicar para a função o ex-governador Ronaldo Lessa (AL). O cargo é, normalmente, ocupado pelo titular do Ministério do Trabalho. Mas a nomeação é feita pelo presidente da República. Por isso, na semana que vem, Neto irá submeter sua proposta à presidente Dilma.

Um dia de fúria
Funcionários do Planalto presenciaram um momento de fúria da presidente Dilma, estes dias, quando ela se despedia de um ministro que fora recebido em audiência. A presidenta falou cobras e lagartos do ministro Brizola Neto (Trabalho). Ela responsabiliza Neto pelo que chama de "crise Lupi", uma vez que a vaga da pasta no Conselho de Administração do BNDES é tradicionalmente ocupada pelo ministro. A assessoria de Bizola Neto chegou a enviar a papelada para ele substituir Lupi, porém, no meio do processo, o ministro decidiu que indicaria outro nome. Isso nunca ocorreu. Dilma pendurou na conta do ministro o vacilo e o desgaste.

“Esta é uma decisão que tem que ser feita pelos venezuelanos, para os venezuelanos”
Victoria Nuland
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, sobre a decisão da Suprema Corte da Venezuela de adiar a posse de Hugo Chávez

Abrindo o voto
Fala o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG): "Voto no Henrique Alves". Ele conta: "Eu o recebi no aeroporto, quarta, em Belo Horizonte, fui com ele ao governador Antonio Anastasia, na visita ao estado de Minas, e estive no jantar".

De malas prontas
Depois de quase seis anos como representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, na foto, vai deixar o cargo. A presidente Dilma a designou para assumir a embaixada brasileira na Alemanha. Na vaga da ONU, em Nova York, assumirá o ministro de primeira classe Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Meia-volta volver
Louco para assumir a liderança do PR, o deputado Anthony Garotinho (RJ) está prometendo para a bancada que não inviabilizará aliança à reeleição da presidente Dilma e que não vai "infernizar" a vida do governo.

Rodízio não está mais em discussão
A proposta de promover um rodízio na liderança do PMDB na Câmara foi feita, há um mês e meio, pelos apoiadores do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Naquela época, a disputa tinha sete candidatos, e não três como hoje. Nem havia favorito. O objetivo era enxugar as candidaturas. Ela foi rejeitada por Sandro Mabel (PMDB-GO), que imaginava então que a dispersão o favorecia.

Sai de perto
O STF lançou edital para curso de tiro com pistola para os seguranças garantirem a integridade do presidente Joaquim Barbosa. Vão aprender oito estilos dos mais variados, entre eles com giro a retaguarda e em deslocamento em diagonal.

Sustentabilidade
Os Correios vão implantar no Rio até o fim do ano veículo elétrico de calçadão. Em São Paulo e Belo Horizonte, a estatal começa a testar motos elétricas. A economia prevista com os novos modelos é de oito mil litros de combustível ao ano.

Líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) decidiu se abster na escolha de seu sucessor. Justifica: "Os três sempre votaram em mim". 


VAQUINHA DE LADRÕES PETISTAS


Deu bode - ALBERTO DINES

GAZETA DO POVO - PR - 19/01


O correto seria dizer cabrito, porque o ruminante Galeguinho que ganhou as primeiras páginas dos jornais parece novo – bode lembra bicho velho, fedorento, enfezado. No dicionário Houaiss há cinco acepções para o bovídeo, a primeira com 20 significados diferentes, a maioria deles depreciativos. A partir de agora, “bode” ganha novo sentido, metafórico, como os demais: equivale a despudor. Bode tornou-se a corrupção explícita que se escancara a cada dois anos quando os dois vice-reinados do Congresso escolhem suas mesas diretoras, presidentes e operadores das bandalheiras.

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que em passado recente pertencia à tropa de choque de FHC, agora quer liderar a Câmara Baixa a serviço do lulismo. Pertence a um dos clãs que dominam o Rio Grande do Norte há mais de meio século, filho de Aloísio Alves, histórico udenista, dono da aguerrida Tribuna da Imprensa e que, depois do golpe de 1964, bandeou-se para a oposição e filiou-se ao antigo MDB.

O bode Galeguinho foi descoberto pela Folha de S.Paulo em Natal, quando se comprovou que um dos principais assessores de Alves recebera uma verba de R$ 6 milhões por conta de uma emenda ao orçamento federal proposta pelo próprio padrinho, Henrique Alves. A empresa beneficiária estava instalada numa modesta casa guardada pelo pobre Galeguinho – primeiro caso de caprino criado por “laranjas”.

O outro candidato a vice-rei, este na Câmara Alta, é Renan Calheiros (PMDB-AL), cuja coerência e sabujice política não o diferenciam do colega deputado. Foi ministro da Justiça no governo FHC e depois, empurrado por José Sarney, abancou-se na presidência do Senado. Foi obrigado a renunciar em 2007, quando a revista Veja revelou suas escandalosas ligações com uma empreiteira que bancava até um relacionamento extraconjugal.

Desde o fim da ditadura, o PMDB já ocupou a presidência do Senado 14 vezes – na era Lula, cinco. Na Câmara, o PMDB presidiu cinco mandatos (dois deles com a figura ínclita e salomônica de Michel Temer, um a serviço de FHC, outro de Lula).

Por ironia, o PMDB, antigo bastião da resistência ao arbítrio da ditadura, tornou-se símbolo da degradação do Legislativo, embora o episódio extremo, preciosa caricatura, tenha sido protagonizado por Severino Cavalcanti, malufista pernambucano.

Renan Calheiros como chefe do Poder Legislativo é uma aberração política e moral. É simultaneamente uma convocação para a reforma política, sem a qual o Brasil Potência continuará brilhando no segmento das Repúblicas de Bananas. O parceiro Henrique Alves, na presidência da Câmara – segundo na linha de substituição do presidente da República –, tornou-se retrato do nepotismo, do corporativismo e da desmoralização do Congresso. O que antes se designava como “classe política” e até mesmo como “elite política” hoje está sob o manto da prevaricação. José Sarney, mentor e inspirador da dupla, vai se retirar; os herdeiros são suas réplicas.

Ambos esperneiam contra a judicialização do processo político brasileiro, porém garantem a continuidade da democracia togada, consolo e distorção do Estado de Direito. Ambos encarnam encrencas. O povo é sábio nos ditados, sobretudo quando vaticina que isso, um dia, vai dar bode.

O fracasso da 'vaquinha' - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADÃO - 19/01


As multas que terão de pagar os 25 réus condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por terem participado da compra de votos para apoio parlamentar ao governo Lula somam R$ 22 milhões. Destes, R$ 1,8 milhão representa a soma do que a Justiça cobrará de quatro ex-dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) apenados: R$ 676 mil do ex-chefe da Casa Civil de Lula José Dirceu; R$ 468 mil do ex-presidente nacional do partido José Genoino; R$ 360 mil do ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha; e R$ 325 mil do ex-tesoureiro nacional Delúbio Soares.

A Juventude do Partido dos Trabalhadores - JPT Brasília, grupo ligado a Delúbio Soares, promoveu na quinta-feira, 17, um jantar numa "galeteria" da capital federal para recolher fundos numa espécie de "vaquinha" para ajudar os companheiros a pagarem essas multas. Por um convite de adesão ao ágape os organizadores cobraram de R$ 100 a R$ 1.000. A quem quisesse contribuir, mas não pudesse ir ao restaurante, os militantes pediram que depositasse sua doação na conta do PT Plano Piloto.

"A Ação Penal 470 resultou, entre outras injustiças cometidas, em multa milionária em desfavor de alguns de nossos principais dirigentes, em especial, José Dirceu e José Genoino", proclamaram os organizadores do ato em texto produzido para a divulgação do jantar. "Com a clareza de que o alvo deste julgamento sempre foi o PT e de que é necessário mobilizar a militância para defender o nosso partido, a Juventude do Partido dos Trabalhadores - JPT Brasília organizou um jantar de arrecadação para ajudar a pagar a dívida dos companheiros, cuja condenação poderá se confirmar", completou. "Nós consideramos absolutamente injusto que eles tirem um centavo do bolso para pagar essas multas. Então fomos estudar o estatuto do PT para ver o que poderia ser feito para arrecadar fundos", explicou um dos organizadores, Pedro Henrichs. O otimismo dos jovens militantes, contudo, não se refletiu no resultado final do evento. Eles não tornaram pública a féria afinal obtida e pelo número dos participantes não é possível calculá-la, pois os valores pagos pelos 150 convites anunciados como vendidos foram díspares - de R$ 100 a R$ 1.000 - e não foi informado quanto a "galeteria" cobrou pela comida e pelas bebidas que serviu. Só que, qualquer que tenha sido o lucro auferido a ser distribuído entre os condenados e multados, a contribuição do primeiro ato da "vaquinha" não foi espetacular. Mas isso não desanimou os organizadores. Henrichs vaticinou: "Se conheço o PT, isso vai virar uma onda e várias ações vão ser feitas em outros Estados".

A julgar pelo ocorrido na noite de quinta-feira,talvez não seja o caso de contar com este sucesso todo. Nenhum petista de primeiro escalão deu o ar de sua graça na "galeteria". O comparecimento da deputada federal Erika Kokay (DF) na certa não compensa o impacto que causaria no local o ex-presidente do PT e ex-ministro Ricardo Berzoini, que explicou que não estava em Brasília na noite do jantar. Ou o governador de Sergipe, Marcelo Déda, que teve justa causa para se ausentar: viajou para São Paulo para fazer tratamento médico. Deda garantiu que fará um depósito na conta da "vaquinha", mas esclareceu: "Solidarizar-se com um companheiro que sofreu uma condenação não significa nenhum tipo de adesão a um possível erro que foi cometido".

A explicação de Deda justifica a ausência de nomes importantes do partido no jantar. Depois de dar indicações de que poderia tentar uma mobilização nacional para protestar contra a condenação dos figurões petistas como tendo sido uma acomodação da cúpula do Poder Judiciário às pressões da oposição e da imprensa, tudo indica que o partido percebeu que seu pleito não dispõe de grande apoio popular e tende a mudar de posição. O malogro do jantar na "galeteria" é um sinal de que o senso de realismo manifestado por militantes em postos importantes - como o governador gaúcho Tarso Genro e o prefeito paulistano Fernando Haddad - tem prevalecido sobre o impulso emocional de solidariedade cega e irrestrita aos companheiros condenados.

Trapalhões e milongueiros - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 19/01


Não há profissionais do jeitinho no governo brasileiro. São todos amadores. A turma do Financial Times foi muito generosa na avaliação publicada no blog Beyondbrics. Se os ministros e altos funcionários fossem profissionais, ninguém seria flagrado tão facilmente, e de forma tão grotesca, nas tentativas de maquiar as contas públicas ou a inflação. A promiscuidade entre o Tesouro e os bancos federais seria menos escandalosa e menos assustadora. Os analistas levariam mais tempo para identificar a cópia da velha conta movimento, de muito má memória. Os condutores da política externa, a começar pelos estrategistas do Palácio do Planalto, pensariam duas vezes, pelo menos, antes de entrar na manobra, liderada pela senhora Cristina Kirchner, para incluir no Mercosul a Venezuela bolivariana. Mas esse foi apenas mais um lance desmoralizante para a diplomacia brasileira. Restabelecer a velha e respeitada imagem de competência e profissionalismo do Itamaraty vai dar trabalho e tomar muito tempo.

Além de amadores, trapalhões. Conseguiram elevar a um nível surpreendente o grau de bagunça do setor público brasileiro. O Tesouro converteu-se em fonte permanente de fundos bancários. A responsabilidade pelo controle da inflação passou do Banco Central (BC) para a Petrobrás, o Ministério da Fazenda, as Prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro e o governo paulista, para citar só alguns dos novos encarregados da função. Para atender ao companheiro Guido Mantega, ministro da Fazenda, o prefeito Fernando Haddad concordou em atrasar o aumento das tarifas de ônibus. O governador poderá contribuir adiando para depois de março o reajuste das passagens de metrô. Essas decisões apenas servirão, naturalmente, para aliviar os índices no primeiro trimestre.

A participação da Petrobrás deve incluir operações técnicas mais complicadas. A diretoria da empresa continua defendendo a elevação dos preços da gasolina e do diesel, contida nos últimos anos por decisão do Palácio do Planalto. Uma parcela maior de etanol na mistura da gasolina poderá limitar o impacto para o consumidor. Mas isso dependerá da nova safra de álcool, isto é, de um setor seriamente prejudicado, nos últimos anos, pela contenção política dos preços de combustíveis,

Ao mesmo tempo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), aparentemente desperta depois de um longo torpor, cobra da Petrobrás mais investimentos em produção. A cobrança parece redundante. A atual diretoria da estatal tem-se mostrado consciente dos problemas da empresa, das dificuldades para cumprir metas ambiciosas e, é claro, dos estragos causados por anos de comando centralizado no Palácio do Planalto e orientado por interesses políticos. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, tem hoje uma fala mais diplomática, mas disse o suficiente, em seus primeiros tempos, para mostrar os custos de uma gestão politizada.

Enquanto o Ministério da Fazenda comanda a administração dos índices de preços, o BC executa com muita disciplina a política palaciana de redução e contenção dos juros. O comunicado emitido logo depois da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) pode causar perplexidade a um estrangeiro. "Considerando o balanço de riscos para a inflação, que apresentou piora no curto prazo, a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, e a complexidade que ainda envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta", informou o BC.

Se houve piora no cenário dos preços, por que manter os juros em 7,25%? Se o Copom tivesse aumentado a taxa , teria sentido mencionar a manutenção das condições por um período mais ou menos longo. É preciso levar em conta a defasagem entre a decisão de política monetária e seus efeitos. Mas a história é outra: a taxa de 7,25% ao ano resultou de uma prolongada redução dos juros básicos, iniciada no fim de agosto de 2011. Ao conhecer esse fato, o estrangeiro começaria a entender. A inflação está longe de ser uma preocupação para o dirigentes do BC. O objetivo da política monetária tem sido o crescimento do produto interno bruto (PIB) - com resultados abaixo de pífios, até agora. Além disso - e de fato antes de tudo -, o corte de juros é um item muito importante da retórica presidencial.

De acordo com essa perspectiva, é inconveniente conter a alta de preços por meio dos instrumentos típicos da política monetária. A meta de 4,5%, em vigor a partir de 2005, é mais alta que a de outras economias em desenvolvimento e foi amplamente superada entre 2010 e 2012. Há quem mencione a vigência informal de outra meta, na altura de 5,5%. A hipótese é plausível. De toda forma, justifica-se a pergunta: qual a inflação necessária para desemperrar a economia brasileira?

No Japão, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, pediu ao BC a fixação da meta em 2%, para encerrar a deflação e estimular a economia. Em países sul-americanos, a tendência, hoje, é a redução das metas. No Brasil, a produção continua emperrada mesmo com inflação próxima de 6%. Os obstáculos ao crescimento - e ao investimento, para começar - devem ser de outra ordem. Em vez de identificá-los e enfrentá-los com decisão, os condutores da política econômica, trapalhões e cada vez mais milongueiros, tomam outro caminho. Embora com algum pudor, seguem o exemplo kirchnerista, multiplicando as intervenções desastradas em todos os setores e dando prioridade à administração dos índices. Não tentam combater de fato a inflação, até porque a toleram. Em outros tempos, quando a inflação oficial era medida no Rio de Janeiro, a prioridade era garantir o abastecimento de feijão do mercado carioca. Vem de longe a tentação de embelezar os índices. A mudança mais notável é o fundo musical. O ritmo inspirador do governo brasileiro, hoje, é o tango.

De Debret a D. - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 19/01


A cena urbana brasileira traz vestígios de uma sociedade que viveu 300 anos com a escravidão, tão evidentes sinais que se banalizaram e raramente os percebemos. Uma família entra no restaurante com os senhores à frente, o casal mais jovem um pouco atrás, e depois de todos vem a babá vestida de branco segurando a criança. A cena em tudo lembra os quadros de Debret.

Esse é o valor da nota do Ancelmo Gois esta semana sobre a proibição dos clubes Caiçaras e Paissandu de entrada de babás não uniformizadas em suas dependências. O Jockey e o Piraquê fazem a mesma exigência. Ao colocar o dedo na ferida, a coluna do meu colega abriu a boa polêmica. O branco usado pelas babás tem o objetivo de marcar a divisão entre as pessoas e deixar explícito a que grupo social elas pertencem. Como disse D., que aos 37 anos tem 20 anos de trabalho, ouvida pelo GLOBO, a roupa branca não é prática. "As crianças brincam no parquinho com areia e se sujam. Como nossas roupas são brancas e elas vão para o nosso colo, ficamos também imundas." Ela reclama também da falta de nome próprio. "As crianças só nos chamam de babá."

D., que não disse o nome por motivos óbvios, desconfia que a cor escolhida "é para separar empregadas de patroas". Desconfiança acertada a de D. A cena descrita no primeiro parágrafo desta coluna é costumeira nos restaurantes da Zona Sul do Rio e em outros centros urbanos brasileiros.

Os clubes reagiram e disseram que não é discriminação, mas padronização. Que padrão? Uma sócia do Paissandu disse que se houver algum acidente com a criança a babá será facilmente identificada. Argumento desprovido de sentido.

O Brasil é o país que tem maior número de empregadas domésticas do mundo, segundo recente estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). São mais de 7 milhões de pessoas; 93%, mulheres; 61%, negras. Mais de 350 mil têm entre 10 a 17 anos. O Brasil não ratificou a Convenção 189, da OIT, que estabelece a obrigatoriedade de estender aos empregados domésticos os direitos de todos os trabalhadores.

Uma Proposta de Emenda Constitucional tramita no Congresso há vários anos. Já aprovada na Câmara, terá que ir ao Senado e depois voltar para a Câmara. Estabelece 44 horas semanais de jornada, direito a hora extra, adicional noturno e seguro-desemprego. Hoje, só um terço dos trabalhadores domésticos tem carteira assinada.

Mas esta havendo uma forte valorização do trabalhador doméstico. Em 2012, esse foi o item de custo das famílias que mais subiu: 12,73%. É sinal de avanço, e a classe média tem que se preparar para os novos e saudáveis tempos. Há mais oportunidades de trabalho, mais valorização da educação, que levam a novas ambições para todas as pessoas que hoje estão no trabalho doméstico. As mudanças vão continuar nos próximos anos. Os salários das empregadas vão subir, a lei estabelecerá maiores direitos, a mobilidade social fará com que haja menos oferta de trabalhadores para esse serviço. Terá que haver mais creches. Os homens, enfim, terão que ampliar sua parcela na divisão do trabalho em casa.

Muita gente vai reclamar, mas é a modernização chegando aos usos e costumes do Brasil. Há várias realidades para as empregadas domésticas, mas a maioria ainda trabalha com menos direitos do que se espera de uma sociedade moderna.

O branco que aparta as babás não incomoda a maioria dos brasileiros. Uma pena. A discriminação não desaparece se o vestuário for o que a trabalhadora escolher, na cor que desejar, mas será um passo para atualizar a cena urbana no Brasil.

Inspeção veicular - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 19/01


Ontem, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu um "pacto metropolitano" a ser coordenado pelo governo do Estado, para evitar a sangria de R$ 320 milhões na arrecadação anual do Município.

Essa evasão, alega Haddad, é produzida pela perda de participação do Município de São Paulo na arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), coletado pelo Estado, porque um número crescente de proprietários prefere licenciar seus veículos em municípios vizinhos para, assim, evitar a inspeção veicular, que só é cobrada em São Paulo.

Esse pacto parece fadado ao fracasso. Se os outros prefeitos estão ganhando com a inspeção em São Paulo, não serão eles que farão jogo contra eles. Se é para evitar evasão de arrecadação então é preciso tratar da guerra fiscal, que garante o emplacamento em outros Estados, com o objetivo de pagar um IPVA mais baixo em Minas ou no Paraná. É o caso das locadoras de veículos.

A baixa probabilidade de sucesso desse pacto não tira o mérito da proposta do prefeito Haddad, que é de acabar de uma vez com essa inspeção veicular. A obrigatoriedade do serviço começou em 2008, por iniciativa do prefeito anterior, Gilberto Kassab. No primeiro a no de vigência, alcançou apenas veículos a diesel. Progressivamente, o programa foi-se expandindo para todos os carros licenciados em São Paulo. O argumento do ex-prefeito foi da necessidade de despoluir a cidade e de reduzir doenças e mortes causadas por agressões aos sistemas cardiorrespiratórios das pessoas.

Mais uma história da carochinha. O serviço de inspeção veicular foi montado para dar mais uma fonte de renda, por dentro e por fora, para as autoridades municipais. Se fosse para combater a poluição do ar e os problemas de saúde, a inspeção veicular se concentraria nos veículos mais rodados. Mas, desde o início, o alvo preferencial do programa foram carros relativamente mais novos.

Não faz mesmo sentido submeter a esse tratamento carros que ainda gozam de garantia de fábrica. É um incompreensível ato de desconfiança na capacidade da indústria nacional de fabricar veículos com motor regulado e na capacidade da rede de concessionárias de zelar por essa e outras condições, por ocasião das revisões programadas.

Só faz sentido manter um serviço de inspeção veicular para controle das emissões se for de âmbito nacional. O ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente do município Eduardo Jorge calcula que nada menos que 800 mil veículos com placa de outros municípios circulam diariamente sem nenhuma regulação nas ruas da cidade. Por que eles podem e o paulistano, não? (São Paulo tem cerca de 7 milhões de veículos e, desses, apenas 3,8 milhões estão em atividade.)

Além disso, em torno de 25% da atual frota paulistana circula em condições irregulares, sem licenciamento, sem segurança, sem seguro obrigatório e sem pagamento de multas.

Mais importante do que um serviço de checagem de emissão de poluentes seria a aferição (também nacional) das condições de segurança dos veículos. Mais mortes e mais acidentes são produzidos no trânsito por problemas de freio, de amortecedores ineficientes e de estado precário dos pneus do que por emissão de poluentes. E, no entanto, as autoridades não parecem especialmente mobilizadas em resolver o problema.

Entre o passado e o futuro - KÁTIA ABREU

FOLHA DE SP - 19/01


As críticas à gestão atual do Incra são nada mais que um lamento de nostálgicos que perderam sua razão de ser


O latifúndio é o passado. A moderna empresa rural, o presente e o futuro.

O latifúndio corresponde a um Brasil superado, que se baseava em terras improdutivas, baixa tecnologia, ausência de conhecimento na utilização da terra, desrespeito à natureza, condições muitas vezes subumanas de trabalho e em formas de coronelismo político.

A moderna empresa agrícola é de alta produtividade, com uso intensivo de tecnologia, aplicação do conhecimento na utilização da terra, respeito à natureza, observância de condições humanas de trabalho e respeito ao Estado de Direito.

Querer confundir as duas coisas não apenas revela desconhecimento, mas, sobretudo, má-fé, baseada em objetivos mais propriamente políticos do que tecnológicos. Justificar a reforma agrária como uma suposta luta contra o latifúndio ou o agronegócio significa, na verdade, combater moinhos de vento.

O modelo ainda vigente para os ideólogos da terra, denominação que abriga tanto intelectuais engajados quanto os ditos movimentos sociais e organizações da igreja, corresponde a um mundo que não mais existe.

Nesse quesito, as críticas à gestão atual do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) são nada mais do que um lamento de nostálgicos que perderam a sua razão de ser.

Uma política racional de tratamento da questão passa pela qualificação dos assentamentos existentes, com tecnologia, infraestrutura, conhecimento e visão de mercado. Não pela criação de novas favelas rurais.

Os próprios relatórios do Incra mostram as dificuldades da passagem do antigo para o novo modelo. De 1994 a 2011, foram assentadas 1.235.130 famílias. Ocorre que, hoje, o Brasil possui 931.730 famílias assentadas.

Logo, 303.400 perderam-se no meio do caminho. Para onde foram? Será que nem elas suportaram mais as condições de vida nos assentamentos, onde ficaram subjugadas pelos movimentos sociais?

É importante lembrar que os agricultores familiares possuem títulos de propriedade, acesso a financiamentos governamentais e bancários sob condições especiais e estão voltados para uma economia de mercado. Vivem na segurança jurídica.

Os modelos mais bem-sucedidos são os do sistema integrado de produção. Esses agricultores, de fato, usufruem das melhores condições de vida no campo.

De acordo com o Censo Agropecuário, a área média da agricultura familiar é de 18,4 hectares. Já a área média dos assentamentos, considerando 1.235.130 famílias que ocupariam 87.559.858 hectares, seria bem superior à dos agricultores familiares, totalizando 77,5 hectares por família.

Ora, a produtividade dos assentamentos é pífia, muito abaixo da média nacional. Nem de longe se iguala à dos agricultores familiares. Alguma coisa está errada e precisa ser mudada.

Convém atentar para um fato da maior importância: os assentados não possuem direito à propriedade no sentido estrito, o que só pode ocorrer quando os assentamentos são emancipados.

Vivem na insegurança. Quem é dono de sua terra sente-se ainda mais responsável em relação a si mesmo e à sua família.

Se os assentados não usufruem da propriedade privada, eles terminam reféns de uma nova forma de clientelismo político, dita "progressista" e conduzida por grupos que se declaram seus representantes.

A política do Incra não tem sido, até agora, a de emancipação dos assentamentos, que deveria ser o seu caminho.

Com efeito, o Estatuto da Terra prevê o fim do estabelecimento da intervenção estatal nos assentamentos. O artigo 68 estipula:

"A emancipação do núcleo ocorrerá quando este tiver condições de vida autônoma e será declarada por ato do órgão competente, observados os preceitos legais e regulamentares".

Em consequência, uma política coerente de reforma agrária deveria ter como objetivo a emancipação dos assentados, que se tornariam, assim, cidadãos de pleno direito. Seriam convertidos em novos agricultores familiares, cidadãos não tutelados e livres em suas decisões.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV - 19/01


6h - Aberto da Austrália, tênis, ESPN e ESPN +

10h - Santos x Audax, Copa São Paulo, ESPN Brasil, SporTV, RedeTV e Rede Vida

10h - Rio de Janeiro x Campinas, Superliga fem. de vôlei, Globo

11h - Derby County x Notthingham Forest, Inglês (2ª divisão), ESPN +

12h - Sport x Americana, Liga de Basquete fem., SporTV

12h30 - Bayern x Greuther, Alemão, ESPN

13h - Manchester City x Fulham, Inglês, ESPN Brasil

13h - Liverpool x Norwich, Inglês, Fox Sports

13h - West Ham x Queens Park Rangers, Inglês, ESPN +

14h - Canoas x Minas, Superliga masc. de vôlei, SporTV

14h - África do Sul x Cabo Verde, Copa das Nações Africanas, SporTV 2

14h - Mogi das Cruzes x Franca, NBB, SporTV 3

14h30 - Sesi x Vôlei Futuro, Superliga masc. de vôlei, Esporte Interativo

15h - Real Sociedad x Barcelona, Espanhol, ESPN Brasil

15h - Palermo x Lazio, Italiano, Fox Sports

15h30 - Werder Bremen x B. Dortmund, Alemão, ESPN

15h30 - West Bromwich x Aston Villa, Inglês, ESPN +

16h - Palmeiras x Flamengo, NBB, SporTV 2

17h - Palmeiras x Cruzeiro, Copa São Paulo, ESPN Brasil e SporTV

17h - Ceará x ABC, Copa Nordeste, Esporte Interativo

17h - Angola x Marrocos, Copa das Nações Africanas, SporTV 3

17h45 - Juventus x Udinese, Italiano, Fox Sports

17h50 - Circuito brasileiro de vôlei de praia, semifinais, SporTV 2

18h15 - Porto x Paços de Ferreira, Português, Bandsports

19h30 - São Bernardo x Santos, Paulista, SporTV

19h30 - Bahia x Itabaiana, Copa Nordeste, Esporte Interativo

22h - Aberto da Austrália, tênis, ESPN

22h - São Bernardo x Campinas, Superliga masc. de vôlei, SporTV

23h10 - Boca Juniors x River Plate, Torneio de Verão, Fox Sports

24h - Garcia x Salido, boxe, SporTV

Discurso insustentável - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 19/01


Dilma afirma que país terá crescimento 'sustentável e sistemático', mas governo não faz o mínimo para que a intenção seja levada a sério


Este ano será de crescimento "sério, sustentável e sistemático", disse ontem a presidente Dilma Rousseff, em viagem ao Nordeste.

Esse é o desejo de uma presidente que iniciou seu governo com a previsão de que o país cresceria em média quase 6% nos quatro anos de mandato. De uma presidente que insistia em ora prometer, ora exigir crescimento de mais de 4% no ano passado. No primeiro biênio de Dilma, o país não terá crescido mais de 2%, se tanto.

Nos estertores de 2012, em reação às notícias de que suas previsões haviam se frustrado, a presidente afirmou que 2013 seria o ano do "Pibão grandão".

As declarações não parecem nem sérias, nem sustentáveis, nem sistemáticas. Não devido ao descompasso entre intenções e desejos e os resultados mínimos.

Dificuldades imprevistas e forças além do controle, entre outros fatores, decerto podem frustrar planos de crescimento. Preocupante é o fato de o governo aparentemente desconhecer a dimensão dos problemas e o efeito de suas políticas, além de faltarem prioridades e projetos de longo prazo.

Um "Pibão grandão" é um objetivo sério, sustentável e duradouro? O empecilho maior ao crescimento é a lenta recuperação do investimento. O governo pouco contribui para remover tal obstáculo. Investe ele mesmo pouco, excede-se em despesas de consumo ou no estímulo ao consumo. Tumultua as regras do mercado e executa uma política econômica que suscita cada vez mais desconfiança.

Se não "grandão", o crescimento pode ser sustentável se o país depara com problemas básicos, como uma inflação crescente que exorbita as previsões do governo, o qual recorre a medidas extravagantes para tentar controlá-la?

Como pode ser sério o crescimento se o governo não se dedica às prioridades nacionais? Há o risco de falta de energia elétrica, mas o governo desperdiça energia em produção por falta de cabos para transmiti-la.

Ontem, a presidente também mencionou a educação em seu discurso. O que o governo tem feito para mitigar o principal problema educacional brasileiro, o fracasso exasperante do ensino elementar?

A responsabilidade pela escola básica é, de fato, dos municípios, mas, sem a liderança, colaboração e campanha federais, a escola brasileira continuará a produzir massas de analfabetos funcionais, como o faz há décadas.

Faltam educação, investimento, poupança, política econômica confiável e profissional. Requisitos do crescimento duradouro. Pode ser que o crescimento de 2013 supere o pífio resultado do primeiro biênio de Dilma. Seja lá qual for o resultado, porém, não será nem sério, nem sustentável, nem sistemático.

O BNDES perdeu o rumo - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 19/01


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continua perdendo dinheiro em projetos fracassados e - pior que isso - sem significado estratégico para a economia brasileira. Depois de maus negócios no setor de carnes, a direção do banco resolveu arriscar-se no ramo de laticínios. O maior e mais perigoso lance nessa área foi a aplicação de R$ 700 milhões, em janeiro de 2011, na formação da empresa LBR - Lácteos Brasil, resultante da fusão do laticínio gaúcho Bom Gosto e da LeitBom, controlada pela Monticiano Participações. Recém-criada, a gigante já deu prejuízo no primeiro ano de operação, continuou em dificuldades em 2012, suspendeu pelo menos 5 de 16 marcas de leite e fechou 11 de 31 fábricas, segundo reportagem publicada na quinta-feira pelo jornal Valor. De acordo com o jornal, os planos do grupo incluem o fechamento de mais cinco fábricas. Parte do dinheiro aplicado pelo BNDES - R$ 250 milhões - foi destinada à compra de debêntures. Pelo contrato, a empresa deveria ter antecipado o resgate desses papéis, depois do resultado muito ruim de 2011, mas houve um pedido de waiver e o assunto ainda está em exame.

O BNDES, por meio de sua subsidiária BNDESPar, tornou-se acionista da empresa Bom Gosto em 2007 e, ao apoiar a fusão, poucos anos depois, ficou com 30,28% do capital da LBR. Para quê? A diretoria do banco parece entender a criação de gigantes, em qualquer setor, como parte de sua missão. Deixa, no entanto, de levar em conta as necessidades e possibilidades financeiras dos grupos envolvidos e de avaliar cuidadosamente o valor estratégico de sua participação.

É muito difícil justificar o envolvimento do BNDES, como emprestador ou como investidor, em operações de fusão de empresas capazes de mobilizar recursos no mercado financeiro. Além disso, bem mais difícil é explicar a importância dessas operações na estratégia de desenvolvimento do Brasil.

Em outros tempos, o BNDES contribuiu para a ampliação da base industrial, para a eliminação de gargalos no sistema produtivo e para a consolidação de atividades estratégicas. Favoreceu a exploração e o processamento de insumos, como celulose, cobre e alumínio, a implantação da indústria petroquímica e a produção de bens de capital.

Durante décadas, sua política foi orientada por planos de desenvolvimento e, portanto, pela identificação de carências e pontos vulneráveis da economia nacional. O banco distinguiu-se também como a fonte principal de financiamentos de longo prazo. Tornou-se uma referência internacional, tanto pelo alcance de sua atuação quanto pela dimensão de suas operações, muito maiores que as de qualquer instituição similar nos países em desenvolvimento.

Esse estilo de trabalho, preservado em diferentes momentos da história política, foi abandonado há alguns anos. Depois de uma tentativa desastrada de aparelhamento e ideologização, no começo da gestão petista, o banco nunca recuperou a velha capacidade de ação estratégica.

A perda de rumo tornou-se mais evidente há alguns anos, especialmente a partir da crise de 2008. Os financiamentos concentraram-se em grandes clientes, alguns estatais, e o BNDES tornou-se mais do que nunca um instrumento de apoio a grupos selecionados para vencer.

Com a mudança de rumo, o banco resolveu problemas de grandes empresários engasgados com maus negócios. Privilegiou a clientela dos grandes com uma fatia desproporcional dos empréstimos e envolveu-se cada vez mais em aventuras claramente estranhas à sua missão. Por muito pouco deixou de financiar a fusão do Grupo Pão de Açúcar com a filial brasileira do Carrefour. Dirigentes do banco só reconheceram o inconveniente do negócio alguns dias depois dos alertas publicados na imprensa. Com esse recuo, conseguiu evitar, em cima da hora, o envolvimento grotesco numa confusão jurídica.

A perda de R$ 700 milhões, ou de qualquer parcela desse investimento, é certamente um fato grave. Muito mais graves, no entanto, são a perda de rumo e o desvirtuamento de uma instituição com um belíssimo histórico de contribuições ao desenvolvimento brasileiro.

Venezuela persegue o fracasso com eficiência - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 19/01


Haja o que houver em Havana, convertida em centro do poder venezuelano, quem for cumprir o mandato para o qual foi reeleito Hugo Chávez terá um projeto de governo e poder à sua espera em Caracas. Ele também está na internet, no site www.chavez.org.ve, em que pode ser encontrado o “Programa da Pátria” para 2013-2019, período da gestão já iniciada numa mirabolante decisão sancionada pela Suprema Corte chavista sem que o presidente tomasse posse.

Repleto de chavões clássicos do palavrório supostamente revolucionário latino-americano, o programa trás metas de toda ordem. Não é apenas uma peça de proselitismo. E aponta para 2019 como prazo final para a instituição do “Socialismo do Século XXI”. E nele não há mesmo espaço para a iniciativa privada. É incrível, mas, depois da autopulverização soviética e da consequente falência do Leste da Europa, dos delírios da Coreia do Norte, da pauperização cubana, o chavismo trabalha para cometer os mesmo erros.

Reportagem publicada segunda-feira pelo GLOBO relata alguns passos dados com sucesso no projeto de destroçamento da empresa privada. Um deles, a Lei Orgânica do Trabalho, baixada por decreto em maio do ano passado, na prática tornou estáveis todos os empregados. Aumenta o absenteísmos, cai a produtividade, e assim inviabiliza-se qualquer empresa que precisa do lucro para reinvestir e sobreviver. Numa grande indústria de alimentos, Monaca, 40% dos funcionários já não aparecem para trabalhar, noticiou o jornal “El Universal”.

A folha de funcionários públicos dobrou desde 1999, quando Chávez chegou ao poder pelo voto. E todos tendem a ser servidores, pois a empresa privada será extinta, é evidente. (Como prevê, no jargão engajado, o “Programa da Pátria”). Ao seguir na desmontagem do setor privado, Chávez amplia o emprego informal. Mas quem se encontra na informalidade recebe do governo uma espécie de “bolsa” — um incentivo a não se buscar emprego formal.

Chavista considera responsabilidade fiscal algo burguês, neoliberal. Pois o déficit fiscal venezuelano, a depender da fonte, varia de 25% a 30% do PIB (!). A conta só fecha, por enquanto, devido ao petróleo. Mesmo assim, por ainda estar na faixa dos US$ 100 o barril — US$ 80 a mais que na posse do caudilho.

Há muitas interrogações à frente da Venezuela. Não se sabe, por exemplo, se os efeitos colaterais do projeto de desmontagem da empresa privada serão suportáveis. É conhecida a crise de desabastecimento no país, cada vez mais dependente da importação de bens de consumo, e com uma enorme diferença entre o câmbio oficial e o “negro” (4 para 14). Não se pode ser otimista. Enquanto o chavismo desmonta o sistema capitalista, parece não conseguir substituí-lo pelo socialismo, que já fracassou na História. E mesmo que tenha sucesso na troca de regimes, o desastre será inevitável. Pois já ocorreu.


COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Ditadura gay, eu não aceito”
Deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) sobre a crescente influência gay no Congresso


CID FAZ FESTA NO CEARÁ SOB CALAMIDADE PÚBLICA

Com 174 dos 184 municípios cearenses em estado de calamidade pública, na pior seca dos últimos 70 anos, o governador Cid Gomes (PSB) inaugurou ontem um hospital em Sobral, sua cidade, com show de Ivete Sangalo. Somente ela recebeu dos cofres públicos um cachê de R$ 650 mil. Técnicos do setor avaliam que o dinheiro seria suficiente para levar água a pelo menos três municípios de pequeno porte.

FESTA MILIONÁRIA

Somando o cachê de Ivete Sangalo às despesas de produção, o custo da festa de Cid Gomes pode ter superado R$ 1 milhão.

MUITO CONVENIENTE

O Ministério Público foi ao Tribunal de Contas e não ao de Justiça para bloquear o cachê de Ivete Sangalo. Não havia expectativa de êxito.

‘LEGAL’, PORÉM...

O Tribunal de Contas do Ceará, simpático ao governador Cid Gomes, permitiu o desperdício, como se esperava. Não viu “ilegalidade”.

HORÁRIO INÉDITO

Henrique Eduardo Aves convocou para as 18h do dia 3, um domingo, a reunião que vai eleger o novo líder do PMDB na Câmara.

CÂMARA TERÁ SEGURANÇA ARMADA PARA DEPUTADOS

Após o assalto à mulher do deputado e ex-ministro do Turismo Pedro Novais (PMDB-MA), no início de novembro, a Câmara contratou por R$ 5,2 milhões segurança armada 24h, para a proteção dos 18 blocos de apartamentos onde moram suas excelências. Ela foi assaltada em 8 de novembro, ao chegar de táxi em casa, em Brasília. Na época, a Polícia Civil estava em greve e nem se deu ao trabalho de registrar o crime.

DECISÃO ANTERIOR

A Câmara informa que a decisão de contratar segurança é anterior ao assalto à mulher do deputado, mas o contrato é de 13 de novembro.

OUVIDOS MOUCOS

A Câmara fez de sua segurança a “Polícia Legislativa”, cujos salários médios vão a R$ 15 mil. Mas não protege residências dos deputados federais.

PATRIMONIAL

A “Polícia Legislativa” explicou que “segurança patrimonial” não é sua tarefa, daí a contratação da empresa Santa Helena Segurança Total.

KASSAB NAS ALTURAS

Acompanhado de um rapaz amigo, o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab almoçou ontem no Athmosphere, em Dubai, restaurante localizado na torre Burj Kalifa, a mais alta do mundo, com 163 andares.

MILAGRE!

O chanceler Antonio Patriota disse ontem que não espera “sobressalto institucional” com a situação obscura do presidente Hugo Chávez em Cuba. Mas não especificou o sobressalto de Chávez ressuscitando.

OPERAÇÃO MORTO-VIVO

O presidente Hugo Chávez pode ser levado de volta à Venezuela para oficializar, num hospital de Caracas, a posse do vice Nicolás Maduro, diz o jornal espanhol ABC. Médicos cubanos estariam sob pressão de Havana para estabilizar ao máximo o paciente para enfrentar a viagem.

GUARIBADA

O filme se repete desde a era Lula: os 400 apartamentos do Minha Casa, Minha Vida, inaugurados por Dilma em Teresina (PI), convivem com mato alto, esgoto a céu aberto e falta de transporte público.

FOR EXPORT

Em recente viagem à África, Lula levou como convidado o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afilhado do ex-ministro Walfrido Mares Guia. Certamente, para exportar know how em apagões.

ESQUECERAM DE MIM

Há quase oito meses, o Brasil paga casa, comida e roupa lavada ao senador boliviano de oposição Roger Pinto, asilado na nossa embaixada em La Paz à espera de salvo-conduto pra sair do país.

EXPECTATIVA

Advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo diz que está esperando a publicação do acórdão do julgamento do mensalão para entrar com embargos declaratórios e infringentes contra a condenação do réu.

A LUTA CONTINUA

Ex-Big Brother Brasil, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) quer regulamentar a profissão de prostituta para proteger as moças de “exploradores”. Passarão a ser exploradas pelos impostos.

PERGUNTA AO GARÇOM

Só teve direito a uma linguiça quem pagou R$ 100 em vez de R$ 1 mil no jantar petista de solidariedade a meliantes condenados?


PODER SEM PUDOR

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Ao assumir o governo de Minas Gerais, Francelino Pereira compôs o secretariado com representantes de todas as regiões do Estado. Mas esqueceu do Vale do Jequitinhonha, região que garantia seus sucessivos mandatos de deputado federal. Ao receber uma comissão de políticos queixosos, ele "protestou":

- Ora, vocês não têm um secretário no meu governo, mas são os únicos que têm o governador como representante da região!

SÁBADO NOS JORNAIS


- Globo: Custo de empresas pode ser reduzido em até 70%
- Folha: Endividadas, prefeituras desistem do Carnaval
- Estadão: Dilma diz agora que 2013 terá ‘crescimento sustentável’
- Correio: Dilma põe gibão e muda discurso sobre economia
- Estado de Minas: Freio na economia chinesa acende alerta no Brasil
- Jornal do Commercio: Dilma visita Nordeste em ritmo de campanha
- Zero Hora: Planalto pagou só quatro de 20 emendas gaúchas

CAPA DA REVISTA VEJA


sexta-feira, janeiro 18, 2013

MPB na Sapucaí - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 18/01


Toquinho e Carlos Lyra, os grandes artistas, confirmaram presença no desfile da União da Ilha, a quarta escola de samba a entrar na Sapucaí, no domingo de carnaval. Os parceiros de Vinicius de Moraes (1913-1980) terão lugar de destaque na apresentação, que homenageará o centenário do saudoso poeta.

AlÔ, Marta Suplicy!
No ano que marca os 40 anos da morte de Pixinguinha (1897-1973), o projeto que está criando a Casa de Choro, num velho casarão na Rua da Carioca, no Rio, precisa de sua ajuda. É que Luciana Rabello, craque no cavaquinho e mulher de Paulo César Pinheiro, que toca a ideia, enfrenta a burocracia do MinC. A iniciativa é séria. Pergunte ao pessoal do ramo.

As voltas que o...
A Peugeot-Citroën, nova patrocinadora do Flamengo, chegou a fazer uma proposta ao clube, em 2011, para pagar R$ 15 milhões... líquidos. A diretoria do clube, na época, recusou. Achava que, com o Ronaldinho Gaúcho, a camisa valia R$ 30 milhões. Não valia.

Joaquim 2014
O bloco Lima é Tio Meu, que sai na Lapa e cultua Lima Barreto (1881-1922), desfila este ano com uma homenagem a Joaquim Barbosa, o presidente do STF. Veja um trecho do samba, feito por Jorge Curuca: “Data vênia, embromação/Quero um-sete-um engaiolado/Vendo o sol nascer quadrado/Devolvendo o mensalão”.

Dudu 2014
Eduardo Campos, governador de Pernambuco, visitará o Rio, no fim deste mês. Vai almoçar, em Duque de Caxias, com prefeitos do PSB eleitos em oito cidades do estado.

Lindbergh 2014
Eduardo Costa, braço direito do publicitário João Santana, está se mudando para a Cidade Maravilhosa. Vem cuidar da campanha do senador Lindbergh Farias ao governo do estado.

Que seja feliz
Amanhã, Romarinho, 19 anos, filho do ex-craque e deputado, estreia profissionalmente no Brasiliense. Uma caravana, de uns 20 parentes do garoto, está indo do Rio para Brasília.

Papo cabeça
Lula se reúne, segunda, em São Paulo, com um grupo de intelectuais sul-americanos de esquerda.

Deu no ‘New York Times’
Ignorado pelo público brasileiro, “Sudoeste”, primeiro longa de Eduardo Nunes, recebeu crítica elogiosa do “The New York Times”. Para Stephen Holden, do NYT, o filme é “um conto de fadas sombrio”, “visualmente bonito” e exige que o espectador se renda a “suas imagens hipnóticas e ao ritmo meditativo do movimento de câmera”.

Chuva de pétalas
A turma da Jornada Mundial da Juventude prepara um desfecho especial para a procissão da Trezena de São Sebastião, domingo agora, na Catedral do Rio. Um helicóptero vai jogar, sobre os fiéis, pétalas brancas, representando os jovens que participarão do evento.

Martinho da Banda
Aroeira, craque do desenho, é quem assina a camiseta da Banda do Mercado, que anima o carnaval do Centro do Rio. Este ano a turma homenageia Martinho da Vila. Merece.

Vidas secas
Os problemas de abastecimento de água na Região dos Lagos, RJ, acabam sendo uma ameaça à saúde pública.
A polícia prendeu, ontem, em Cabo Frio, três homens que abasteciam caminhão-pipa para vender água sem qualquer tratamento.

Pega ladrão
Quarta à noite, um participante da pelada no Clube dos Macacos, no alto do Jardim Botânico, no Rio, tinha acabado de suar a camisa dentro de campo quando, ao pegar a mochila, deu por falta de dois celulares e de uma aliança. Uma câmera de segurança flagrou o ladrão que se passou por sócio.

A est(ética) da vingança - NELSON MOTTA


O Estado de S.Paulo - 18/01


Quentin Tarantino comemora 50 anos como criador de um estilo que mistura vários gêneros clássicos e modernos do cinema com tanto talento e personalidade que acabou criando um novo: o gênero Tarantino, feito de violência estilizada, diálogos desconcertantes e narrativas fragmentadas e marcadas pelo humor cáustico, o amor ao cinema e à cultura pop.

Texano de origem italiana e Cherokee, o multicultural Tarantino fez a sua formação cinematográfica de forma tipicamente moderna, como balconista de uma locadora de vídeos. Viu tudo, do trash ao cinema de arte, misturou e escreveu seus primeiros roteiros, Amor a queima roupa, e o violentíssimo Assassinos por Natureza, que foi dirigido por Oliver Stone e provocou grande polêmica.

Estreou como a maior promessa do cinema independente americano com o violento e estiloso Cães de Aluguel, abrindo caminho para Pulp Fiction. Com sua brutalidade e sofisticação, seu humor e seus diálogos doidões, o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes e estabeleceu novos padrões para o cinema independente, se tornando um cult e uma das maiores bilheterias da década.

Com o seu malandro e subestimado Jackie Brown, Tarantino homenageou os filmes negros dos anos 70, os blaxploitation movies, provocando polêmicas raciais com Spike Lee e não conquistando o sucesso que merecia.

Em Kill Bill - volumes 1 e 2, se apropriou da estética dos filmes de artes marciais e das historias em quadrinhos para contar uma saga de vingança que lotou os cinemas e tirou o fôlego do público.

No drama de guerra Bastardos Inglórios desafiou o impossível e reescreveu a história, na vingança de uma judia que perde a família na guerra e explode um cinema sobre Hitler e toda a alta hierarquia do nazismo. A estética a serviço da ética fazendo justiça poética.

Com apenas sete longas, Tarantino já conquistou seu lugar na história do cinema como um estilista de estilos e em Django livre a inspiração é o western spaghetti, de novo uma vingança, mas de um herói negro lutando por amor e justiça durante a escravidão nos Estados Unidos.

Agora só falta um musical. Violento e vingativo.


Abstinências na internet - HERMANO VIANNA

O GLOBO - 18/01


A trágica morte de Aaron Swartz e sua importância na organização do universo on-line em que vivemos


Sexta-feira passada foi dia sombrio na internet. Sendo preciso: o problema começou na noite de quinta-feira, quando o departamento de “Homeland Security” do governo dos EUA recomendou a desabilitação do Java de nossos browsers. O período de notícias ruins se estendeu até a manhã de sábado, quando soube do suicídio de Aaron Swartz. Apesar da pouca idade (26), ele teve (e continuará tendo) importância decisiva para o modo como está organizado o melhor de nossa vida on-line. Nesta semana, minha tarefa foi refletir sobre a fragilidade extrema de tudo que contamos como garantido.

Sou muito influenciável. Levo a sério decretos de autoridades. Nunca tinha visto governo com posição tão explícita contra um programa de computador. Sou usuário (é o mesmo termo para drogados) que não teme mudar as “configurações avançadas” (escondidas) dos softwares. Até conserto sozinho o hardware. Meio em pânico, não entendi direito qual era o risco e, além do Java, desabilitei também o JavaScript (como leigos vão saber que não são a mesma coisa?). Nossos afazeres domésticos andam cada vez mais insuportavelmente complexos.

Ali começaram outros problemas (e até a finalização deste texto, não há solução confiável para o bug do Java). O Yahoo, por exemplo, parou de funcionar. Tive que fazer downgrade para versão antiga, reaprendendo comandos esquecidos. Alguns recursos já banais desapareceram. Como mandar e-mail sem autocompletar os endereços? Pensei ter voltado para a ciberidade da pedra (e olha que uso e-mail desde quando não havia web).

Sites como o Twitter simplesmente se tornaram inoperantes. Ao tentar acessá-lo recebia apenas o aviso: “O Twitter faz uso pesado do JavaScript. Se não pode habilitá-lo no seu browser, você deve ter uma experiência melhor no nosso site para celular.” Como viver sem trending topics no laptop? Como controlar a síndrome de abstinência? Autodiagnóstico: nunca pensei que era dependente de tanto serviço baseado nesse tal de JavaScript.

Pelo menos o vacilo foi meu: eu que desabilitei o Java — posso reabilitá-lo se não aguentar o cold turkey (como fiz com o JavaScript, que — depois descobri — também tem seus problemas). Li que os usuários de Mac receberam tratamento diferenciado. A Apple desabilitou remotamente o Java de quem possui seu sistema operacional mais recente. Desta vez foi para “nosso bem”, para facilitar nossas vidas, para poupar-nos de erros. Mas é perigo óbvio: e se nossos fabricantes de computador puderem decidir tudo a que devemos ter acesso “sem risco”? Paranoia tipo Philip K. Dick?

Aaron Swartz dedicou sua vida para combater essa paranoia, inventando ferramentas que aceleram a livre circulação da informação pela rede e aumentam o poder dos usuários contra grandes empresas/governos. Com 14 anos, foi um dos principais criadores do RSS (do qual sou dependente — não visito mais nenhum site, os feeds de RSS trazem notícias e posts que me interessam; foi assim que soube do seu suicídio, mesmo com meu apagão do JavaScript, que fez meu leitor de RSS, o Google Reader, parar de funcionar). Essa foi apenas sua primeira criação importante (leia resumo de sua vida na coluna de Pedro Doria publicada terça-feira neste jornal, que deu foto de Aaron na primeira página).

Em fevereiro, aconteceria o julgamento que poderia condenar Aaron a três décadas de prisão. A acusação (nada ainda foi provado) era de ter roubado alguns milhões de artigos acadêmicos cujo acesso é comercializado a peso de ouro por uma empresa chamada JSTOR. A intenção (também não provada) seria distribuir esse conteúdo livremente na internet (mas tudo não saiu de seu laptop). A perspectiva de ser preso (muita gente diz que o objetivo era usá-lo como bode expiatório contra hackers e “pirataria” — os procuradores responsáveis por seu caso precisam ser investigados — mas o sistema legal caduco é o que mais necessita de revisão urgente) e anos de convívio com depressão devem ter sido os motivos do suicídio.

Perdi a oportunidade de conhecer Aaron pessoalmente, quando esteve no Rio há quatro anos e ficou hospedado na casa do Ronaldo Lemos. Ele era novo, pensei que seria fácil encontrá-lo em outras ocasiões. Lição: não deixe para hoje o que poderia ter feito ontem. Ronaldo, em coluna da “Trip”, publicou entrevista feita durante a visita brasileira. Vale a pena reler o trecho sobre escola em bit.ly/WOan4C. Ronaldo também me passou o link (bit.ly/kwoMp) para post em que Aaron comentava os cem livros que leu em 2008. Fiquei dependente dessa lista publicada todos os anos. A de 2012 não saiu. Vamos ter que conviver com essa nova abstinência. Terrível perda para quem acredita no potencial criativo da internet.


Spike Lee, Tarantino e racismo - MICHEL LAUB

FOLHA DE SP - 18/01


Como quase sempre nesse tipo de briga, há um tanto de oportunismo e autopromoção


Linguagem é poder, como sabem economistas, advogados, marqueteiros e qualquer um que use jargão para demonstrar autoridade. Logo, é também política: uma guerra começa a ser ganha quando um indivíduo é chamado de "militante" em vez de "terrorista", e vice-versa.

Spike Lee sempre teve consciência disso, e não por acaso se fixou num termo pejorativo -"nigger"- para atacar diálogos escritos por Quentin Tarantino nos anos 1990.

A controvérsia foi citada num ótimo filme do cineasta negro, "Bamboozled" (2000), que fala de um executivo de TV cujo emprego é salvo por um seriado racista.

Há algumas semanas, Lee voltou à carga, a pretexto de "Django Livre". O filme, que estreia hoje no Brasil, é mais uma paródia tarantinesca cheia de sangue e glória pop, desta vez usando referências do faroeste italiano para acompanhar um ex-escravo (Jamie Foxx) nos Estados Unidos de 1858. Como quase sempre nesse tipo de briga, há um tanto de oportunismo e autopromoção. Mas é interessante perceber o que está sendo de fato discutido.

Em termos históricos, é um processo que passa pela consolidação do chamado politicamente correto.

Em seu aspecto virtuoso, que veio na esteira da luta americana pelos direitos civis na década de 1960, o movimento devolveu a minorias a prerrogativa de narrar a própria história, com timbre, gramática, referências e valores não aceitos anteriormente. A questão está no centro de "Bamboozled", que atualiza e ironiza estereótipos de brancos sobre negros, negros sobre brancos, brancos sobre brancos e negros sobre negros.

Spike Lee trata o assunto de modo engenhoso. Entre piadas com crack, potência sexual, roubo de galinheiro e um grupo musical chamado Macacos do Alabama, as boas intenções do espectador são testadas até o limite do constrangimento. Quando os esquetes que imitam "minstrel shows" e seriados do tipo "Pai Tomás" começam a soar engraçados, é o desconforto de se perceber parte da engrenagem cultural do racismo que dá à trama um caráter subversivo. Ao final, a crueza de um universo é exposta nas entrelinhas de uma sátira algo histérica, registro que não chega a ser estranho à obra de Tarantino.

É então que surge o problema: Lee define a escravidão americana como "holocausto", e qualquer brincadeira de gênero a respeito -como a que faz "Django Livre"- para ele seria uma ofensa. Por lógica, dá para perguntar qual é a diferença entre negros se chamando pelo termo proibido em "Bamboozled", o que fazem o tempo todo (calça é "nigga jeans", melancia é "nigger apple"), e Leonardo DiCaprio fazendo o mesmo enquanto dirige uma fazenda brutal no Mississipi.

Como representar a violência real e simbólica, ativa ou incorporada, da qual fazem parte o chicote e a linguagem depreciativa, sem que tais elementos apareçam em cena?

O discurso de Lee, que confessou não ter visto e nem ter vontade de ver "Django Livre", é sintomático em vários sentidos. O mais óbvio não é só estético: uma das características da arte, que é forçar limites temáticos e formais para enfrentar tabus de sua época, não seria possível num mundo em que um holocausto só pudesse ser tratado com solenidade literal.

"Bastardos Inglórios", espécie de faroeste de Tarantino sobre a Segunda Guerra e o nazismo, com sua celebração anárquica da vingança e baixo índice de fidelidade histórica, seria um caso de grande obra impedida de vir à luz nesse contexto.

Indo além: se "Django Livre" está interditado na esfera das ideias válidas, ao contrário de "Bamboozled", e isso nada tem a ver com tom, enfoque e resultado final de ambos, a diferença só pode ser explicada a partir da pessoa que os dirige. Das características que compõem a autoridade de ser, digamos, e não de fazer ou de pensar. Não é preciso muita esperteza para perceber onde termina um argumento assim.

Uma das intenções do politicamente correto, que incentivou a tolerância tanto quanto algum excesso e muito de folclore, é mudar a realidade por meio do instrumento que temos para expressá-la. Só que a linguagem também tem limites.

O racismo, por exemplo, sobrevive sem precisar se declarar como tal. Duas linhas da pregação de Spike Lee, e isso se revela claro como às vezes podem ser as trevas.

Sem contar os espaços - ARTHUR DAPIEVE

O GLOBO - 18/01


‘Um livreiro ambulante como o França havia se tornado um belo de um anacronismo’


Jornalistas leem menos do que gostariam. Depois dos outros jornais, das revistas semanais, do material de arquivo, do resultado das pesquisas, dos diários oficiais, dos boletins de ocorrência, dos projetos de lei, das medidas provisórias, dos programas partidários, dos relatórios das CPIs, dos processos judiciais, dos balanços das empresas, dos manuais de instrução, dos boletins médicos, dos releases, das dezenas de mensagens diárias e, quando se tem sorte, dos livros a resenhar, sobra pouca vista para ler de verdade, ler por prazer aquele livro vadio, seja não ficção, literatura, poesia.

Temo que a partir de agora os jornalistas cariocas passem a ler ainda menos. Porque aposentou-se o França, o livreiro ambulante que corria as redações dos jornais, revistas e emissoras de rádio e TV do Rio havia 40 anos. Carlos Alberto França foi o único “colega de trabalho” presente em todos os meus empregos na imprensa. Lembro-me dele no sexto andar do prédio do velho “JB”, ali onde hoje funciona o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, na Avenida Brasil. Lembro-me dele e de sua bolsa na sucursal da “IstoÉ”, nas redações da “Veja Rio”, do GLOBO, do extinto site NO. Pois o incansável França cansou e foi perdendo a saúde. Merece repouso.

Para quem não foi jornalista no Rio de Janeiro nas últimas quatro décadas, vou explicar melhor o que fazia o França. Ele selecionava as últimas publicações, com um olho atento àquelas que mais obviamente poderiam interessar aos coleguinhas, fossem livros-reportagem, livros de História ou livros escritos por outros coleguinhas (que nunca venderam tanto, tenho certeza, graças inclusive ao doce constrangimento da pergunta “não vai comprar o livro do Dapieve?”). Conhecendo cada um, o França ia de mesa em mesa oferecendo este ou aquele título. Bingo. Seu índice de acerto era enorme.

Para um profissional cuja carga de trabalho jamais foi pequena e que costuma sair da redação depois de o comércio fechar ou de a noite de autógrafos ter acabado, o França não só valia por uma visita semanal a uma boa livraria de rua (ou de shopping) como por uma boa batida de perna pelos sebos da cidade. Porque ele também aceitava encomendas de títulos fora de catálogo e saía feliz a campo. Tenho a impressão de que quanto mais difícil de achar, maior era a sua satisfação. “Sabe aquele primeiro volume esgotado do Walter Benjamin na Brasiliense? Achei!”, disse-me certa tarde. Antes dos sites de vendas de livros, o França era a Livraria Cultura mais a Estante Virtual.

Contemplando as estantes abarrotadas cá em casa, consigo me lembrar das circunstâncias em que quase todos os títulos foram ganhos ou adquiridos (coisa de neurótico, certo). O França rivaliza até com a antiga Entrelivros, com a Travessa, a Argumento ou a Amazon. Quando precisei juntar a bibliografia do meu mestrado, chamei o França. Quando precisei editar uma retrospectiva do século XX para este jornal, chamei o França. Muitos de nós devemos a ele um bocado de nossa cultura e informação (sempre falha, certo). Porém, era ele que volta e meia dava um presentinho de Natal aos fregueses mais fiéis. Está aqui na prateleira o pequeno volume de bolso dos “Lusíadas”, capa dura, da Lello & Irmão Editores, do Porto, impresso em 1980.

Décadas atrás, no tempo em que produtos importados eram menos acessíveis, as redações tinham os seus contrabandistas de confiança, os caras que passavam na mesa dos jornalistas que bebiam socialmente — e alguns era incrivelmente sociáveis — para vender uísque escocês. Alguns aceitavam escambo por LPs ou relógios usados. Isoladas do mundo, na falta de tempo e na abundância do espaço, as redações também ofereciam oportunidades de negócios para quem vendia empadas, sanduíches naturais, calcinhas. O negócio do França era o livro (e, com os anos, os deliciosos doces de sua esposa).

No momento em que os gigolôs do apocalipse tanto falam, babando, no “fim do livro” ou no “fim das livrarias”, como se a literatura fosse sinônimo de um objeto de papel ou como se o negócio fosse apenas vender livros e não reunir pessoas, um livreiro ambulante como o França havia se tornado um belo de um anacronismo. Havia algo de romântico naquela figura discreta que, no meio do pega pra capar dos fechamentos, se aproximava para nos oferecer “Fama e anonimato” ou “O deserto dos tártaros”.

Mais de dez anos atrás, jogando conversa fora com ele e com o Paulo Roberto Pires na redação do NO., na Avenida Presidente Wilson, eu prometi escrever uma coluna sobre o França no dia em que se aposentasse. Promessa é dívida, meu amigo, mas a minha dívida contigo é muito maior do que 3.877 toques, sem contar os espaços.

A coragem dos piratas - DAVID COIMBRA

ZERO HORA - 18/01


O meu amigo Marcos Piangers volta e meia diz que admira a “coragem dos piratas”. Não está se referindo aos bucaneiros ingleses que atacavam galeões espanhóis a mando da Rainha Virgem, obviamente. Está se referindo aos piratas da vida. Aos que não temem a aventura. Em outras palavras, é o que Vinícius cantava num belo poema do qual arranco alguns trechos para dar a você, cauteloso leitor:

“Vamos brincar, amor? Vamos jogar peteca? Vamos atrapalhar os outros, amor? Vamos sair correndo?

Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação? Vamos sofrer, amor? Males da alma, perigos

Dores da má fama íntimas como as chagas de Cristo. Vamos, amor? Vamos tomar porre de absinto

Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos fingir que hoje é domingo (...)

Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar

Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar Nossa Senhora do Parto? (...) Vamos, amor?

Porque excessivamente grave é a vida”.

Do que o Poetinha fala? De ter a coragem dos piratas. De se arriscar. E agora mesmo, no cume calmo do verão, leio uma reportagem na Revista Veja que trata, precisamente, de um símbolo da gravidade da vida citada por Vinícius. É a matéria de capa da revista desta semana: “A vitamina do sol”. O texto conta que cientistas e médicos recomendam um pouco de exposição ao sol SEM PROTETOR SOLAR para que o corpo e o espírito se enriqueçam com os benefícios da vitamina D.

Ora, isso é contra tudo o que sempre pregaram os dermatologistas, eles que ordenam que não fiquemos nem sob a luz de lâmpadas de 40 watts sem ter a pele besuntada de protetor fator 30. É contra, também e principalmente, aquele poemeto de autoajuda declamado pelo Pedro Bial, no qual ele dá conselhos para o chamado “bem viver”, sublinhando, depois de cada frase pretensamente sábia, a ressalva de ponderação: “Use protetor solar”.

Ou seja: o protetor solar é um emblema da prudência. E agora o protetor solar foi desmascarado. O Bial foi desmascarado! O poemeto dele de lição de vida deveria ser o contrário do que é, deveria lembrar que, às vezes, a vida tem de ser vivida sem protetor solar, que a vida sem um pouco de fritura não vale a pena ser vivida, que o exagero nem sempre é demais.

Que, sobretudo, é preciso ter a coragem dos piratas.