quinta-feira, janeiro 17, 2013

O candidato dos verdes - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 17/01


O ex-deputado Fernando Gabeira (RJ) será a grande estrela do programa do PV hoje, em rede nacional, na TV. Gabeira vai anunciar que seu nome está à disposição para disputar as eleições presidenciais de 2014. No mês que vem, o partido voltará a dar visibilidade a Gabeira em inserções comerciais na TV. Os verdes decidiram lutar por seu patrimônio político, ameaçado pela avulsa Marina Silva.

Temer tranquiliza Dilma
A presidente Dilma e o vice Michel Temer conversaram, na segunda-feira, sobre a liderança do PMDB na Câmara. Dilma estava preocupada com o apoio do PMDB. Temer, segundo um relato, foi taxativo: "Fique despreocupada. Ganhe quem ganhar, todos têm compromisso com o governo. Não haverá problema." O vice relatou ter conversado com os candidatos Eduardo Cunha (RJ), Osmar Terra (RS) e Sandro Mabel (GO), e ressaltou sobre o favorito: "Mesmo o Eduardo Cunha. Consultei a planilha de votações, e ele votou todas com o governo. No caso da MP da Energia, que ele tinha forte posição contrária, ele veio e me disse que votaria com o governo."

“Tenho certeza disso (os candidatos a líder o PMDB têm compromisso de apoiar o governo Dilma)”
Michel Temer 
Vice-presidente da República, respondendo a indagação da presidente Dilma

O espantalho tucano
PMDB e PT de Minas Gerais se uniram para ampliar seus espaços no governo Dilma. O estado só tem um ministro, Fernando Pimentel (Desenvolvimento). Dizem que, desse jeito, os mineiros votarão em peso em Aécio Neves.

Junta médica
O ex-presidente Lula vai dar início à 3ª edição da Caravana da Cidadania entre março e abril. Está traçando o roteiro que deve começar por estados do Nordeste. Ele não vai passar por todas as capitais, mas, seguramente, por todas as regiões do país. E vai levar a tiracolo médicos para se certificar de que está tudo em dia com a saúde.

Na marra
O Ministério da Saúde está pedindo na Justiça a devolução de cerca de 300 ambulâncias que não estão sendo utilizadas pelas prefeituras país afora. Com isso, o governo irá redistribuí-las para cidades que estejam realmente interessadas.

Repactuação
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, volta dos Emirados Árabes dia 25. No dia seguinte, irá a Salvador conversar com o vice-governador, Otto Alencar, que tem reclamado de estar sendo desprezado pelo partido. Kassab procura reverter o descontentamento garantindo que ele será candidato ao governo da Bahia, mesmo que isso custe romper a aliança com o PT.

Para garantir
O presidente em exercício do STF, Ricardo Lewandowski, mandou prender o torturador argentino Cesar Enciso. Ele já está preso a pedido da Itália. Mas, para garantir que não fosse libertado, o ministro atendeu a pedido da Argentina.

Sem conversa
O tucano Geraldo Alckmin (SP) tem procurado líderes do PSD, a cada dia mais distante de seu governo, propondo reaproximação. Mas a sigla não quer conversa. Alega que tudo o que é combinado com Alckmin não é cumprido.

OS GOVERNADORES Confúncio Moura (RO) e Silval Barbosa (MT) também decidiram apoiar Eduardo Cunha (RJ) para líder do PMDB, depois de gestões feitas pelo governador Sérgio Cabral (RJ).

O bode Galeguinho - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 17/01


BRASÍLIA - Vamos ver se a gente está entendendo tudo direitinho. O favorito à presidência da Câmara, Henrique Alves, apresenta emendas parlamentares, o dinheiro é liberado pelo governo, chega à prefeitura e volta feito bumerangue para o gabinete do próprio Henrique, via empreiteira de um assessor?

E a tal "empreiteira" tem contratos de R$ 6 milhões com 20 municípios do Estado do deputado, o Rio Grande do Norte, mas funciona numa casinha praticamente vazia, protegida pelo simpático bode Galeguinho?

Essas reportagens de Leandro Colon, aqui na Folha, não são sobre a disputa pelas presidências de um Poder, um pilar da democracia. São, sim, sobre uma realidade tipicamente brasileira, em que público e privado se embolam num palco mais policial do que político. Isso é Brasil!

O curioso é que tanto Henrique Alves quanto o favorito à presidência no Senado, Renan Calheiros (AL), sabiam perfeitamente que entrar em campanha seria sair do conforto para a guerra. Uma coisa é ser mais um no meio da multidão de 513 deputados ou de 81 senadores. Outra, bem diferente, é disputar a presidência e virar alvo. Era óbvio que os, digamos, "podres" iriam aparecer.

Isso anima candidatos alternativos, como Júlio Delgado (PSB-MG) na Câmara e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) no Senado. As chances são muito pequenas, mas eles se oferecem como voto de repúdio. Será que não há uma parcela de indignados e independentes no Congresso?

Renan e Henrique têm o seu partido, o PMDB, e mais o PT, o Planalto, a base aliada e parte da oposição, a começar do PSDB. É uma folgada maioria, mas minorias também têm seu valor. Precisam ser quantificadas nas eleições de fevereiro.

O risco dos favoritos é assumir as presidências enfraquecidos, acossados pelos aliados e com a imprensa nos calcanhares, exibindo os bodes, galeguinhos ou não, que enxovalham a imagem do Congresso.

Desafio de arrumar a federação em um ano - RAQUEL ULHÔA


VALOR ECONÔMICO - 17/01

O principal desafio do Congresso em 2013 será votar uma pauta - carregada e urgente - de propostas relativas às questões federativas. São temas de dificílimo consenso, que dividem as bancadas do Congresso mais pelos interesses estaduais e regionais que partidários.
Perder a chance de buscar repactuação federativa em 2013, ano livre da tensão dos períodos eleitorais, será mais um grande fracasso do Legislativo. O próximo ano será consumido por sucessão presidencial e eleições de governadores, deputados (estaduais e federais) e senadores. Possibilidade zero de consenso.

Sob pressão de governadores e prefeitos, que precisam de dinheiro para investimentos, e num cenário de judicialização cada vez maior nas relações entre os Estados e insegurança jurídica dos investidores, deputados e senadores terão de enfrentar o assunto tão logo assumam os trabalhos, em fevereiro.

Congresso enfrenta pauta federativa carregada

Ao estoque de problemas pendentes de 2012, como o impasse em torno da divisão dos recursos arrecadados com a exploração de petróleo e a indefinição sobre novo critério de rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE), somou-se o pacote enviado pela presidente Dilma Rousseff no fim de dezembro, para acabar com a guerra fiscal praticada entre os Estados.

Acusada pelos próprios aliados de omissão no imbróglio dos royalties do petróleo, que ficou fora de controle e teve um desfecho patético em 2012, a presidente desta vez tomou a iniciativa de encaminhar propostas ao Congresso, supostamente resultantes de entendimentos feitos no Confaz.

Mas, mesmo antes de começar a tramitar, o pacote de Dilma causa polêmica. Representantes de Estados mais desenvolvidos queixam-se de que, no conjunto, as propostas beneficiam as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e estimulam uma "corrida" pela concessão de benefícios em 2013, já que esses serão convalidados.

Foram enviados um projeto de lei complementar que modifica o indexador da dívida dos Estados e municípios com a União e flexibiliza pontos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e uma medida provisória que prevê compensação aos Estados por perdas resultantes da unificação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), medida que visa acabar com a guerra fiscal.

O governo de São Paulo diz que as propostas do governo descumprem alguns acordos feito no Confaz, como a quebra da unanimidade em certas decisões e fixação de um prazo maior do que o combinado para a unificação do ICMS. Um ponto que surpreendeu até mesmo aliados de Dilma no Congresso que participaram dos entendimentos é a mudança na LRF.

Uma interpretação é que o governo está possibilitando uma brecha para outras flexibilizações na lei, atendendo a pleitos de Estados que se sentem engessados pela norma. O objetivo seria facilitar a negociação da redução do ICMS e, consequentemente, do fim da guerra fiscal.

Um problema apontado por parlamentares é que a MP - que tem força de lei assim que editada, mas pode perder a validade se não for votada em, no máximo, 120 dias - está atrelada à aprovação de uma resolução do Senado que fixa prazos da redução das alíquotas do ICMS. Ocorre que essa resolução tem de ser iniciativa do Senado e, embora ela não esteja formalizada, o conteúdo pretendido pelo governo está detalhado no corpo da MP.

Para alguns, reproduzir na MP uma resolução inexistente seria uma forma de coagir o Senado a não mudar o texto.

Quem deve assumir a autoria do projeto de resolução é o senador Delcídio Amaral (PT-MS), frequente interlocutor da equipe econômica, que deixa a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em fevereiro. O comando da comissão, pela qual passam todos os temas econômicos de interesse dos Estados, será do também petista Lindbergh Farias (RJ), que, no recesso, está se preparando para conduzir as negociações da pauta federativa.

No Senado, São Paulo, Paraná e demais Estados das regiões mais desenvolvidas levam desvantagem. Cada um dos 27 Estados tem o mesmo número de senadores (três) e a maioria está nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Representantes das regiões Sul e Sudeste admitem que é na Câmara, onde as bancadas são proporcionais à população, que têm votos para defender seus interesses.

Alguns apostam numa discussão casada durante a tramitação das propostas, possibilitando barganha de interesses. Um exemplo é o projeto de lei complementar, que começa a tramitar na Câmara, mas também passa pelo Senado. Alguns Estados têm a intenção de tentar reduzir o limite atual do comprometimento da receita com pagamento da dívida com a União. Esse ponto poderá ser usado pelos envolvidos como moeda de troca na discussão de outros temas, como critérios do FPE e unificação do ICMS.

A MP que cria fundos de compensação pelas perdas com o fim da guerra fiscal passa por uma comissão mista, antes de ser votada na Câmara ou no Senado. Ou seja, o Congresso todo estará tomado por essa pauta.

Até porque também aguarda instalação a comissão mista que vai dar parecer a outra MP, que trata da divisão dos royalties do petróleo. Embora haja maioria favorável a mexer nas regras dos campos já licitados, a possibilidade é remota, depois que Dilma vetou e que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que outros 3 mil vetos pendentes sejam apreciados antes.

Antes mesmo de Dilma enviar suas propostas ao Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) havia encomendado à assessoria que elaborasse uma proposta de agenda legislativa para seu mandato. A ideia era dar prioridade às questões federativas, além de medidas administrativas, como austeridade e maior transparência da gestão.

A história recente do Congresso não recomenda otimismo. Mas, como os temas dessa pauta extrapolam os limites partidários e atendem aos interesses dos Estados e municípios, talvez a pressão dos governadores possa - finalmente - resultar em uma pauta positiva para o Legislativo.

No fio d´água - ARMANDO GUEDES


O GLOBO - 17/01

Em dezembro, a água retida nos reservatórios das usinas hidrelétricas localizadas na região Sudeste/Centro-Oeste foi estimada em 29% do volume máximo armazenável, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico. Isso representa o nível mais baixo verificado para o mês desde 2000, ano que antecedeu os apagões que assolaram grande parte do país.

Segundo o governo, em 2001 os reservatórios cheios seriam capazes de atender a demanda total do sistema, ou seja, sem a necessidade de nenhuma geração adicional, por pouco mais de seis meses. Já para 2013, estima-se que esse período encurtará para cerca de cinco meses.

O aproveitamento hidrelétrico tradicional na matriz elétrica brasileira foi construído para operar com reservatórios de acumulação, cuja função é compensar a redução do volume dos rios nos períodos de seca para permitir a regularização da geração de energia ao longo do ano. Esse equilíbrio é importante porque confere maior segurança e previsibilidade ao sistema, além de reservar às usinas termelétricas um papel complementar no atendimento da demanda de energia.

De fato, a construção de hidrelétricas, em especial as com grandes reservatórios, provoca impactos ambientais tais como a alteração de ecossistemas e o remanejamento de comunidades. Em consequência, essas usinas se tornaram alvo de forte controvérsia, a qual tem influenciado a decisão do governo de construir quase que exclusivamente usinas com menor área alagada e, portanto, menor capacidade de regularização. Conhecidas como usinas "a fio d´água", elas firmam menos energia na matriz - o que implica no maior acionamento complementar de termelétricas nos meses de estiagem, ou no período úmido se seus reservatórios estiverem em níveis de risco, como é o caso atual.

Uma das consequências da maior geração térmica é o aumento da emissão de gases de efeito estufa: a geração térmica a gás natural emite, em média, cerca de 88 vezes mais CO2 equivalente por MWh ao longo de seu ciclo de operação do que a geração hídrica. Outro efeito a ser considerado é o aumento do custo da eletricidade: a energia de termelétricas a gás natural contratada no último leilão foi, em média, 13% mais cara do que a energia da hidrelétrica de São Roque, por exemplo, a última usina contratada a operar com reservatório de acumulação.

A escolha de estruturar a expansão da matriz elétrica em hidrelétricas a fio d´água trará, portanto, maiores custos a toda a sociedade já no curto prazo. A esses serão ainda somados os inevitáveis custos oriundos da decisão do Estado de repassar aos consumidores os riscos hidrológicos referentes às hidrelétricas que tiveram seus contratos de concessão prorrogados de acordo com a Medida Provisória nº 579. Dessa forma, cabe atentar para a possibilidade de os impactos da desejada redução do elevado custo da energia elétrica, anunciada em setembro, serem corroídos ao longo dos próximos anos.

Conclui-se pela necessidade de que licitações de usinas com grandes reservatórios sejam discutidas sem tabus e de forma ampla. As escolhas que estamos fazendo hoje implicarão maiores custos amanhã. Cabe discutir com a sociedade se ela estará preparada para pagá-los.

Instabilidade, irreversibilidade e incerteza - PAULO R. HADDAD


O Estado de S.Paulo - 17/01


Vejo com certa descrença as projeções de crescimento da economia brasileira para 2013 que apontam taxas que, recorrentemente, se situam entre 3% e 4%. De onde poderia surgir uma força motriz capaz de impulsionar a expansão da nossa economia e aumentá-la, a preços constantes, em quase R$ 200 bilhões acima do nível de atividades prevalecente atualmente?

A expectativa do governo federal é de que a parcela maior desse crescimento venha da expansão dos investimentos públicos e privados. Especificamente, há pouca liberdade nos orçamentos públicos para que possam realizar investimentos em infraestrutura de escala maior. Esses orçamentos vêm sendo engessados desde 1988 por meio de vinculações de receitas ou do comprometimento com políticas sociais compensatórias. O governo mal consegue realizar gastos de investimentos para recomposição do capital infraestrutural que se desgasta ou, até mesmo, para complementar obras do PAC iniciadas ainda na gestão passada. As expectativas se voltam, pois, para os investidores privados que poderiam realizar projetos diretamente ou por meio de parcerias público-privadas. Algo mais fácil de propor do que de implementar.

Estudos recentes têm mostrado o papel importante, para o desempenho dos investimentos do setor privado, das interações entre instabilidade, irreversibilidade e incerteza em contextos como o apresentado para o Brasil em 2013 e 2014. A instabilidade macroeconômica resulta, entre outros fatores, da influência de variáveis financeiras sobre o comportamento das funções de investimento. Se não houver estabilidade nas regras de consistência e de interdependência entre a política cambial, a monetária e a fiscal, reduz-se a capacidade preditiva dos investidores na análise de risco dos fluxos de caixa de seus projetos. A especificação das funções de investimento fica fortemente dependente do ambiente político-institucional que configura as variáveis financeiras.

O investimento tem dupla face: de um lado, é um componente muito importante da demanda agregada, com os seus efeitos multiplicadores; e, do outro lado, determina o crescimento da capacidade produtiva do país. Mas, como o investimento é uma decisão orientada para o futuro, é preciso lembrar que ele tem aspectos de irreversibilidade (diferentemente de uma aplicação financeira) e, portanto, opera num contexto de extrema volatilidade. Numa visão mecanicista da interação do multiplicador e do acelerador, o investimento surge tão somente em função do crescimento previsto da demanda e do esgotamento da capacidade produtiva ociosa.

Na verdade, quando o futuro é incerto, o que importa é a cadência do processo de tomada de decisão sobre o investimento. O ritmo do processo pode ser profundamente afetado pela incerteza sobre a dinâmica dos mercados, levando a postergar o investimento, como tem ocorrido no Brasil, desde 2010, com os grandes projetos de investimento que utilizam direta e indiretamente recursos naturais renováveis e não renováveis. A delonga ou remodulação intertemporal dos investimentos é uma decisão racional do ponto de vista dos empresários privados, pois envolve trade-off entre os retornos de se investir hoje e a possibilidade de poder fazer uma decisão mais informada (menos incerta) no futuro.

Como dizia Keynes no famoso capítulo 12 de sua Teoria Geral: "O estado da expectativa a longo prazo, que serve de base para as nossas decisões, não depende, portanto, exclusivamente do prognóstico mais provável que possamos formular. Depende, também, da confiança com a qual fazemos este prognóstico - à medida que ponderamos a probabilidade de o nosso melhor prognóstico revelar-se inteiramente falso".

Não seremos surpreendidos se, ao longo de 2013, trimestre após trimestre, os prognósticos de crescimento do PIB sejam refeitos, pois não temos confiança sobre as grandes mudanças que a nossa política econômica precisa sofrer e, principalmente, sobre a forma como tais mudanças possam ocorrer.

Nosso amigo, o usurpador - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 17/01


O usurpador instalado no palácio presidencial de Caracas não tem a legitimidade de Chávez nem a de Cabello, que representa o parlamento



A Venezuela já não tem um governo constitucional. Desde o 10 de janeiro, data do autogolpe do chavismo, o país encontra-se sob regime de exceção. A chefia de Estado é exercida por um usurpador, Nicolás Maduro, que não representa o povo, mas apenas o desejo do caudilho enfermo, tal como interpretado pelos altos círculos “bolivarianos”. O próprio Hugo Chávez, internado em Havana, está sob os cuidados e o controle da ditadura cubana, que gerencia segundo seus critérios as informações sobre a saúde do paciente. Os venezuelanos, inclusive os eleitores do caudilho, não apenas perderam os meios para influir sobre o governo de seu país como também assistem à cassação de seu direito a saber o que se passa com o presidente reeleito. Quando usa a palavra “democracia” para fazer referência à Venezuela atual, Dilma Rousseff trai os valores que jurou preservar ao assumir a Presidência do Brasil.

Na democracia, a instituição da Presidência da República distingue-se da figura do presidente da República, que é o ocupante eventual do cargo. Nos regimes de caudilho, a distinção conceitual inexiste e, quando imposta por circunstâncias incontroláveis, torna-se fonte de crises dilacerantes. Chávez iludiu o povo ao apresentar sua candidatura à reeleição garantindo, mentirosamente, estar curado de um câncer cujas características jamais foram expostas aos eleitores. Em tese, um candidato chavista alternativo poderia disputar as eleições com chances de vitória, mas a hipótese não foi nem sequer considerada, pois a estabilidade do regime repousa sobre a figura do caudilho.

Segundo a Constituição venezuelana, na ausência do presidente eleito, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, deveria assumir provisoriamente a presidência. O governo provisório nomearia então uma junta médica para determinar se a ausência é temporária ou definitiva, caso em que seriam convocadas novas eleições. Mas, em Havana, a cúpula chavista reunida com Raúl Castro decidiu-se pela declaração da “continuidade” do governo de Chávez, violando duplamente a norma constitucional. A rejeição da instalação do governo provisório destinou-se a evitar a separação entre a instituição da presidência e a figura do caudilho. A rejeição da nomeação da junta médica destinou-se a preservar o sigilo sobre a situação médica do caudilho — ou seja, de fato, a consolidar a transferência para o regime castrista da palavra decisiva sobre a política venezuelana.

Os líderes chavistas justificaram a violação da norma invocando o respeito à “soberania popular”, isto é, ao voto do eleitorado que conferiu o novo mandato a Chávez. Efetivamente, porém, entregaram a presidência a alguém que não foi eleito por ninguém: Maduro, o vice-presidente nomeado por Chávez no mandato que se encerrou a 9 de janeiro. Na Venezuela, vices-presidentes não são eleitos, mas nomeados e demitidos pelo presidente como qualquer ministro. O usurpador instalado no palácio presidencial de Caracas não tem a legitimidade de Chávez nem a de Cabello, que representa o parlamento. Justamente por esse motivo, foi alçado ao exercício da presidência: Maduro é o reflexo espectral do caudilho, cumprindo a missão de ocupar o vazio político no lugar de um detentor de legitimidade popular — mesmo se esse personagem é um chavista histórico como Cabello.

Não se sustenta o paralelo sucessório com o Brasil do ocaso da ditadura militar. Em março de 1985, hospitalizado às pressas, o presidente eleito, Tancredo Neves, faltou à própria posse. O vice-presidente eleito, José Sarney, assumiu a Presidência por força de um acordo inconstitucional entre líderes civis e militares, que evitou a entrega da chefia de Estado ao presidente da Câmara, o oposicionista Ulysses Guimarães. Apesar de tudo, o compromisso apoiou-se nos andrajos de legitimidade de Sarney — que, na condição de companheiro de chapa de Tancredo, triunfara no Colégio Eleitoral. Na Venezuela, em contraste, o cargo de presidente é exercido por um personagem carente de legitimidade democrática: Maduro só ocupa a cadeira presidencial pois, desde que Chávez o sagrou como “sucessor”, converteu-se no “corpo substituto” do caudilho.

Regimes revolucionários não admitem os limites impostos pelas leis. Entretanto, até hoje, o chavismo moveu-se na esfera de uma legalidade relativa, sempre ampliada e continuamente reinterpretada. Agora, uma corte suprema dominada por juízes chavistas bem que tentou preservar as aparências legais, mas só conseguiu cobrir-se de ridículo. O tribunal não podia prorrogar o mandato de Chávez, algo flagrantemente arbitrário, nem proclamar que um novo mandato teve início sem a posse do presidente, pois isso implicaria a vacância da vice-presidência e dos demais cargos ministeriais. Os juízes “solucionaram” o dilema pela declaração onírica de que, sob o “princípio da continuidade administrativa”, o antigo mandato prossegue como um mandato novo. O vulgar truque circense serve para conferir um verniz legal à permanência do vice-presidente e dos outros ministros nos cargos que ocuparam no mandato presidencial encerrado.

O dirigente chavista Elías Jaua definiu o autogolpe chavista como “um marco na construção da democracia”: a comprovação de que “o povo manda por cima dos formalismos da democracia burguesa”. O Paraguai foi corretamente suspenso do Mercosul após um processo parlamentar de impeachment que respeitou a letra da Constituição, mas violou seu espírito, ao negar ao presidente o direito à ampla defesa. A Venezuela é um caso muito mais grave, pois o autogolpe viola tanto a letra quanto o espírito da Constituição. O governo brasileiro, contudo, indiferente aos imperativos básicos de coerência, abraça-se ao usurpador e sacrifica a cláusula democrática do Mercosul às taras ideológicas do PT. O nome disso é corrupção moral.

É tempo de fechar a porta do inferno - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 17/01


O mundo empresarial começa a coincidir com os ambientalistas, ao soar o alarme sobre o clima


Se houvesse no mundo meia dúzia de líderes de verdade, a emergência ambiental que se está dando em cidades chinesas faria soar todos os alarmes: o mundo todo está vivendo uma situação de mudança climática que anuncia uma catástrofe em algum momento futuro.

Sei que esse tipo de alerta costuma cair no vazio quando feito por entidades ambientalistas, desprezadas como ecochatas.

Mas, agora, as sirenes estão sendo acionadas pelo empresariado, exatamente aquele que hesita em pagar os custos da adaptação da economia a modos de produção mais amigáveis ao ambiente.

O mais recente deles está no relatório "O Mundo em 2050" que uma portentosa consultoria, a PwC (PricewaterhouseCoopers), acaba de divulgar. Como se sabe, as Nações Unidas têm se esforçado, inutilmente, para que sejam adotadas medidas para que o aumento de temperatura global não passe de 2 graus, sob pena de ocorrer um apocalipse ambiental.

Pois bem, a PwC diz que, mantidas as coisas como estão, suas previsões para o crescimento da economia levariam a aumento de temperatura de 6 graus ou mais no longo prazo, três vezes além do aumento que abriria as portas do inferno.

Outro relatório oriundo do mundo empresarial, o dos Riscos Globais 2013, encomendado pelo Fórum Econômico Mundial, vai na mesma linha: "após um ano de medo causado por fenômenos climáticos extremos, do furacão Sandy às inundações na China, os pesquisados consideraram as crescentes emissões de gases do efeito estufa como o terceiro maior risco global, ao passo que o fracasso da adaptação à mudança climática é visto como o risco ambiental que terá o maior impacto na próxima década".

Não é difícil entender por que o mundo dos negócios soa o alarme: é o custo dos desastres, como reconhece Axel Lehmann, chefe do Escritório de Risco do grupo segurador Zurich, citado no relatório do Fórum. "Com o crescente custo de eventos como o furacão Sandy, as grandes ameaças às nações-ilhas e às comunidades costeiras, e com nenhuma solução para a emissão de gases do efeito estufa, está escrito nas paredes que é tempo para agir", diz Lehmann.

Levantamento de outra seguradora, a Munich Re, mostra que o custo global de catástrofes naturais relacionadas ao clima foi, no ano passado, de US$ 160 bilhões (R$ 325 bilhões).

Não custa aplicar o bom senso demonstrado por Peter Höppe, chefe de Pesquisas de Risco da Munich Re: "Numerosos estudos apontam um aumento de períodos de seca no verão na Costa Leste dos EUA no futuro e uma crescente possibilidade de severos ciclones ao longo da Costa Leste dos Estados Unidos no longo prazo. O aumento do nível do mar causado pela mudança climática aumentará ainda mais o risco de uma escalada de tempestades. E, sem perspectiva de progressos nas negociações sobre mudança climática, a adaptação para tais riscos, usando medidas protetoras adequadas, é absolutamente essencial".

Atenção, não é o Greenpeace falando.

Dupla distorção - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 17/01


Governo Dilma rouba nas contas para anunciar um resultado que todos sabem ser falso. Mentiu por nada, disse um aliado



Tem pessoas assim: dizem uma coisa, fazem outra. Mentirosas — é a interpretação que ocorre imediatamente. E, se solicitados exemplos, quase todo mundo dirá: governantes, políticos, deputados e senadores em especial etc.

Mas isso é senso comum. Podemos complicar a história. E quando as pessoas acreditam mesmo que fazem o que dizem, embora haja notória diferença entre discurso e atos?

Por exemplo: a pessoa jura que está fazendo regime, mas só engorda. A tendência imediata é desqualificá-la: quem pensa que está enganando?

Pois pode acontecer diferente: a pessoa acredita genuinamente que faz regime e que só não emagrece por algum outro fator, criado na sua imaginação: “Dieta não funciona comigo.”

Esse tipo de pessoa vê o mundo através de suas ideias exclusivas ou suas fobias. Ressalva: sim, todos vemos o mundo através de nossa subjetividade, mas é preciso admitir que conseguimos perceber (ou construir, vá lá) alguma objetividade. Dito de outro modo: temos nossos desentendimentos e mal-entendidos — e disso, por exemplo, se alimenta a literatura —, mas vemos, vivemos e transitamos numa mesma realidade fundamental.

Considerem, por outro lado, um caso patológico clássico: a menina de 1,70 metro, 40 quilos, olha-se no espelho e vê uma gorda. Ela não está mentindo. Sofre de distorção da imagem corporal. É o extremo, mas muita gente normal tem dificuldade na adequada visão e interpretação dos fatos.

Será que o pessoal da equipe econômica do governo Dilma sofre de coisas parecidas? Claro, não estamos chamando ninguém de louco, mas tem havido muitos episódios de distorção de imagem.

Caso do superávit primário, por exemplo. Todo mundo sabe de que se trata: o resultado das receitas do governo menos as despesas não financeiras. Em termos mais comuns: “A economia que o governo faz para pagar juros da dívida.”

Claro, há divergências razoáveis na realização da conta. Receitas e despesas podem ser classificadas de diferentes maneiras, isso logicamente alterando o resultado final.

Mas as operações feitas pelo governo Dilma para alcançar a meta do superávit do ano passado são tão distorcidas que mesmo aliados próximos ficaram envergonhados. E não esconderam isso.

Eis o quadro, portanto: o governo diz que alcançou uma determinada meta de superávit, mas todo mundo sério sabe que não é verdade. O número real saiu menor.

Mais complicado ainda: todos os aliados e muitos não aliados, inclusive de instituições internacionais, observavam já há tempos que o governo tinha bons motivos para reduzir a meta daquele superávit. Diziam: gastando menos com juros, já que as taxas caíram, a economia necessária para reduzir a dívida pública é menor.

Logo, pode não ser, mas parece coisa de louco: o governo Dilma poderia ter aplicado uma redução do tal primário — ou “adequação”, se o marqueteiro fizesse questão — que a coisa passaria. Em vez disso, rouba nas contas para anunciar um resultado que todos sabem ser falso. O governo mentiu por nada, disse um aliado.

Questões: será que a presidente e seu pessoal acreditam mesmo nas suas contas? Ou acharam que ninguém perceberia a fraude? Ou acharam que as pessoas poderiam perceber, mas e daí?

Acontece a mesma coisa com a taxa de câmbio. Em um determinado momento do ano passado, ficou óbvio: toda vez que a cotação do dólar ameaçava passar dos R$ 2,10, o governo vendia moeda americana e derrubava a taxa; toda vez que a taxa, inversamente, ameaçava cair abaixo de R$ 2,00, o governo comprava dólar e puxava cotação para cima.

Com ficou assim por um bom tempo, estava na cara: acabou o regime de câmbio flutuante, temos uma banda de variação cambial.

Negativo, responderam os representantes do governo, o dólar flutua como antes. Já escolados, operadores e analistas simplesmente deixaram pra lá. OK, diziam, não tem banda, mas, se você não quer perder dinheiro, aja como se tivesse.

Lá pelas tantas, porém, final do ano passado, a presidente Dilma disse que seu governo queria um real mais desvalorizado. O ministro Mantega chegou a sugerir cotação perto dos R$ 2,40.

Como, de fato, o dólar se aproximava dos R$ 2,10 e o governo parecia quieto, o pessoal concluiu: vai furar o teto da banda ou a banda vai para um patamar acima. Nesse momento, o BC entra vendendo dólar e a cotação volta a cair.

Questões: o governo acredita mesmo que não tem a banda cambial? Ou simplesmente acha que é melhor ter e dizer que não tem? Ou existe um teto, de fato, de R$ 2,10, mas o governo preferia que não tivesse?

A presidente Dilma e seus assessores foram historicamente contra o famoso tripé da era FHC, superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação. Pelos atos atuais, estão desarmando o tripé. No discurso, porém, juram que são fiéis praticantes do sistema.

Resulta em dupla distorção: da política real e das ideias.

Plano B - ROGÉRIO GENTILE

FOLHA DE SP - 17/01


SÃO PAULO - A economia "mais ou menos" dos anos Dilma tem estimulado a imaginação de muitos políticos, que já enxergam seus nomes na urna eletrônica de 2014. Aécio Neves, Eduardo Campos, Marina Silva e até mesmo José Serra deram seus primeiros passos no longo percurso da sucessão presidencial.

Aécio tomou conta do PSDB e, ainda que timidamente, quando consegue se desprender dos encantos do Rio de Janeiro, se contrapõe ao governo federal, com críticas, sobretudo, ao baixo crescimento do PIB.

Diz que os últimos dois anos foram "perdidos" para a economia e bate na tecla de que o país está na lanterna dos emergentes. É o candidato "natural" da oposição.

Campos dá sinais calculadamente contraditórios, alternando críticas e elogios ao governo. Ora diz que falta rumo estratégico na condução da economia, ora afirma que a presidente enfrenta a situação com coragem -como se estivesse ensaiando o discurso do "Lula fez, mas Dilma não conseguiu dar continuidade". Seria o candidato da "dissidência".

Marina anda sumida desde a eleição de 2010, mas seu nome ainda tem muito apelo em alguns setores da sociedade. Movimenta-se para criar um novo partido, o que não é uma tarefa fácil. Kassab, com a máquina da prefeitura na mão, demorou um ano para conseguir. Marina é o nome da chamada "terceira via".

Serra terminou o ano muito desgastado após a derrota em São Paulo, mas, mesmo assim, dá sinais de que não desistiu do Planalto. Insatisfeito com o domínio de Aécio no PSDB, espalha que pode deixar o partido. Acha que, se a economia estiver mal em 2014, ressurgirá das cinzas. Seria o nome da oposição "visceral".

A eleição está ainda muito longe, e alguns dos citados acima provavelmente não vão chegar às urnas. Aliás, a nova caravana da cidadania de Lula é um indicativo de que nem mesmo Dilma está garantida. Na dúvida sobre a economia, o PT quer deixar engatilhado o seu "plano B".

Os artificialismos - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 17/01


O problema não é um preço defasado ou um pedido do ministro da Fazenda para que um prefeito adie um reajuste. O grande problema hoje é a profusão de artificialismos na economia brasileira. E se o ministro Guido Mantega cair, resolve? Não, porque quem realmente manda no ministério é a dupla Nelson Barbosa e Arno Augustin. E isso é outro artificialismo.

O poder do secretário do Tesouro, Arno Augustin, vai muito além da sua área. Ele fez parte, por exemplo, do reduzido grupo de pessoas que decidiu o formato da MP do setor elétrico. O secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, é mais ouvido pela presidente do que o próprio Mantega.

O problema não é uma pessoa, mas a proposta econômica envelhecida que acredita em administração de preço. O prefeito Haddad confirmou que recebeu pedido de Mantega para adiar o reajuste do ônibus. O secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda disse que o preço da gasolina está "defasado". Calcula em 7%, apesar de a Petrobras falar em 15%. Mas diz que não há certeza do reajuste. O órgão que conduz a política econômica admite que um preço está errado, mas diz que não há prazo para consertá-lo.

Em 2012, para evitar que o reajuste do preço para a Petrobras chegasse ao consumidor, o governo subsidiou a gasolina zerando a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Se o nome do imposto valesse e fosse o governo que pagasse a cada intervenção o tributo arrecadaria bilhões.

O preço artificial da gasolina produz vários efeitos colaterais: aumento da importação de gasolina, aumento do consumo, desorganização do setor de etanol.

A intervenção no domínio dos indicadores fiscais foi tão indevida que provocou enxurrada de críticas ao governo. Até o ex-ministro Delfim Netto, defensor-mor da política econômica, criticou a "alquimia" que levou o governo a fingir ter cumprido a meta fiscal. Para uma manipulação de indicador incomodar o ex-ministro é porque foi mesmo além da conta.

Na área fiscal, o transformismo de índices faz com que o BC tenha que se comportar como o último a saber. Durante todo o ano passado, o BC repetiu em suas atas e relatórios que partia do pressuposto que a meta fiscal seria cumprida. Não foi. Mas consta nos números que foi. E aí? O que dirão agora os documentos?

Na área dos preços, os truques, adiamentos, defasagens e subsídios criam uma inflação reprimida. Como sabemos, não adianta esconder, negar, varrer para debaixo do tapete porque a inflação sempre aparece.

O consolo é que o Brasil não chegou ao ponto da Argentina, que construiu uma grosseira mentira em torno da inflação. Tudo se passa como se eles não soubessem o poder corrosivo que tem a inflação quando ela resolve se vingar. A diferença entre o dólar paralelo e o oficial no país já está chegando a 50%.

Nosso quadro é diferente. Mas é bom ter em mente que nenhuma inflação some porque o governo deu incentivo fiscal para que o preço de um produto não suba naquele momento, ou combinou com um prefeito o adiamento do reajuste, ou proibiu uma empresa de rever seu preço. Como aprendemos dolorosamente, em economia não dá para apenas quebrar o termômetro.

Contornando reajustes de preços, combinando deduções tributárias com empresários, para que eles não reajustem, ou adiando elevações, o governo está criando um ambiente cada vez mais artificial na economia.

No século XIX se inventou a expressão "para inglês ver", referindo-se a uma lei que não era feita para ser cumprida, mas para enganar os ingleses. Agora, nem isso se consegue. Ontem, o "Financial Times" postou texto explicando o que era "jeitinho", dizendo que é isso que Mantega tem feito nos indicadores. Já não dá para enganar nem os ingleses. A hora, portanto, é de usar mecanismos econômicos clássicos para atingir as metas fiscais e de inflação. O jeitinho tem pernas curtas.

Transferência de tarefa - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 17/01


O Banco Central cumpriu ontem a agenda oficial e o seu Comitê de Política Monetária (Copom) manteve, como era esperado, os juros básicos (Selic) no patamar dos 7,25% ao ano, onde se encontram desde 10 de outubro.

E, no entanto, a inflação dá sinais de enorme desenvoltura. Muito provavelmente, ultrapassará já neste mês os 6,0% em 12 meses, sem que o Banco Central se sinta na obrigação de voltar a usar a política monetária (política de juros) para quebrar a contundência dos preços. E assim será "por um período de tempo suficientemente prolongado". No entendimento do governo, é preciso paciência para que a inflação convirja mais ou menos para a meta - "ainda que de forma não linear".

A principal consequência da política adotada pelo governo Dilma, de derrubar fortemente os juros e de mantê-los onde estão, é que o Banco Central perdeu, ao menos temporariamente, seu principal instrumento de combate à inflação, ou seja, perdeu a condição de utilizar a política monetária.

O máximo que poderá fazer é continuar a manejar o câmbio para evitar um salto nas cotações do dólar e, com ele, o encarecimento dos produtos importados. Pode, ainda, usar as tais medidas macroprudenciais, cuja principal finalidade é dar mais segurança às operações financeiras, mas que também podem gerar efeitos colaterais que ajudam a controlar a inflação.

O problema é que esses dois instrumentos suplementares, digamos assim, têm alcance limitado. Valorizar mais fortemente o câmbio contrariaria outra disposição do governo: a de compensar com um dólar mais caro, que encareceria também os importados, a baixa competitividade da indústria. E as principais medidas macroprudenciais acabariam por dificultar o crédito, algo que o governo também não deseja, porque frearia a atividade econômica, que quer expandir.

Uma vez que o Banco Central foi engessado na condução de sua política monetária, sobrou para o Ministério da Fazenda a principal tarefa de tentar conter a escalada inflacionária. Em certa proporção, isso já vinha sendo tentado, na medida em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, adiou indefinidamente os reajustes dos preços dos combustíveis para evitar seu impacto sobre o custo de vida. O mesmo pode-se dizer de algumas das renúncias tributárias (redução de impostos). A queda do IPI sobre veículos e sobre aparelhos domésticos, por exemplo, contribuiu para alguma redução dos preços ou evitou altas.

Agora, essa função parece reforçada. O Ministério da Fazenda, que acaba de fazer mandracaria com as contas públicas, está conclamando as autoridades das grandes cidades para que adiem o quanto puderem o reajuste das tarifas da condução urbana.

Essa política voluntarista, feita mais no braço do que na inteligência, não tem lá muito fôlego e desgasta politicamente o governo. Lembra as intervenções da década de 1980, quando o ministro despachava o superintendente da Sunab para Araçatuba, onde deveria pegar a laço os bois do Tião Maia e, assim, garantir o abastecimento de carne, que andava sumida dos açougues. Ou, então, lembra as decisões de importar às pressas feijão preto do México para que o produto fosse despejado no mercado do Rio, a tempo de evitar a disparada dos preços e a contaminação dos índices de inflação.

Coisa antiga, não?

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 17/01


EMBRATUR VAI PROPOR CEUS ABERTOS A GOVERNO
Flávio Dino sugere que voos domésticos, hoje exclusivos das brasileiras, sejam franqueados a empresas sul-americanas
Opresidente da Embratur, Flávio Dino, vai propor ao governo uma política limitada de “céus abertos” no país. É reação à alta exagerada no preço das passagens aéreas tanto no período das festas de fim de ano quanto na temporada do verão 2013. Técnicos da autarquia, subordinada ao Ministério do Turismo, já trabalham no projeto. A intenção é liberar voos domésticos para companhias sul-americanas, como LAN Chile, Aerolíneas Argentina s e Taca (Peru). Hoje, o mercado interno só pode ser explorado pelas empresas brasileiras. “Não será difícil para o governo mudar o Código Brasileiro de Aviação e adotar um modelo parcial de céus abertos, como existe na Europa. Como não se cogita tabelamento nem controle de preços, o caminho será a ampliação da concorrência, uma das virtudes do bom capitalismo”, diz Dino. Filiado ao PCdoB, o presidente da Embratur se indignou com as empresas nacionais ao pesquisar nos sites de Gol, TAM e Azul preço de passagens Brasília-São Luís-Brasília no fim de semana. Em nenhum, o bilhete saía por menos de R$ 3 mil. Para ele, as tarifas empurram os brasileiros para o exterior: “Ir ao Maranhão custa o mesmo que ir a Milão”.

É recorde
O Banco do Brasil bateu recorde de empréstimos para micro e pequenas empresas no ano passado. Liberou para o setor R$ 122,3 bilhões, alta de 25% sobre 2011. A maior demanda das MPE foi por capital de giro.

Reciclagem
A Michelin, fornecedora oficial do Rally Dakar, vai reciclar 1.231 pneus usados na competição. Depois do evento, que chega ao fim no domingo, 58% serão transformados em energia. A outra parte vai virar
novas matérias-primas, como asfalto borracha. 

Que beleza 1
A Depyl Action abre hoje no ParkShopping Campo Grande a 11ª unidade no Rio. Planeja mais cinco no estado e 24 no país este ano. Hoje, a rede de serviços de depilação tem 77 endereços e mil funcionárias.

Que beleza 2
A clínica de emagrecimento europeia beSlim abrirá sete clínicas no Rio até 2014. Hoje tem duas (Tijuca e Barra). O aporte é de R$ 4 milhões. Quer duplicar o faturamento no Brasil este ano. Em 2015, chega a SP.

Alternativo
Tico Santa Cruz, líder da banda Detonautas, vendeu em dois meses cinco mil exemplares de “Clube da insônia” (Ed. Belas-Letras), seu primeiro livro. Todos via internet. A segunda edição está no forno.

Emprego 1
Cresce a participação do Rio na geração de empregos formais no Brasil. É o que aponta o IPP, após análise dos dados do Caged. De janeiro a novembro de 2010, a capital fluminense respondia por 4,1% do total. Passou para 4,6% em 2011; e para 4,9% ano passado. Criou 86.494 postos de trabalho celetista.

Emprego 2
No período, o setor que mais gerou empregos no Rio foi o de serviços, com a abertura de 47.428 postos. Criou 247,5% mais vagas que o segundo colocado, a construção civil (19.158). A terceira posição ficou com o comércio, com 9.185 empregos formais.

+17,12% EM DEZEMBRO
Foi o aumento no preço das passagens aéreas no IPCA. Segundo o IBGE, a alta elevou em 0,10 ponto percentual o resultado da inflação. Em novembro, o reajuste fora de 11,8%, também o maior do mês.

TIJUCA
Campeã do carnaval 2012, a Unidos da Tij uca estreia amanhã campanha para atrair público para os ensaios na quadra. Quem estrela é a atriz Juliana Alves, rainha de bateria da escola. A Fluxxo assina. Circula em redes sociais, busdoor e outdoor.

FANTASIA
A Fábula, marca infantil da Farm, lança hoje editorial de carnaval. As foto de Rafael Lucena v circular no site, no blog e na página da marca no Facebook A coleção inclui nov modelos de fantasi que imitam animais como zebra, girafa, flamingo e leão. For criados pelo estilist carioca Fernando Cozendey, especiali em roupas de Lycra A expectativa de aumento nas venda para este mês é 20

O MERCADO É CARNAVAL
O sambódromo amanhece hoje com Ivete Sangalo nas arquibancadas. A cantora estará no painel de 600 metros quadrados dos Supermercados Guanabara, um dos patrocinadores da folia carioca. A rede vai sortear entre clientes dois mil ingressos para o Setor 11. Em concurso cultural no Facebook, dará um par de fantasias para o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel. A agência Fullpack criou as ações.

ESCOLA CRESCE
O Mopi investirá R$ 9 milhões na expansão de unidade no Itanhangá. O colégio ocupará terreno de seis mil metros quadrados, o dobro do atual. As obras incluem laboratórios, quadra e o triplo de vagas no estacionamento. O escritório Mareines+Patalano assina o projeto.

Baixada
A Ancona Engenharia, de Minas Gerais, vai construir 2.592 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida em Nova Iguaçu. Assinou contrato de R$ 190 milhões com o Banco do Brasil e a prefeitura local. Serão dois anos de obras.

Zona Oeste
Também mineira, a Celta Engenharia planeja lançar 540 unidades este ano. Terá empreendimentos em Campo Grande e Jacarepaguá. A construtora quer bater R$ 60 milhões em vendas. É aumento de 50% sobre 2012, quando as 362 unidades lançadas totalizaram R$ 40 milhões.

Grande Niterói
A agência de publicidade PS10 fechou contratos para lançar 18 empreendimentos imobiliários no 1º semestre. Somarão R$ 2 bilhões em vendas. É o dobro do valor de igual período do ano passado. A maioria dos imóveis fica nas cidades de Niterói e Itaboraí.

Livre Mercado
A Martinelli espera comercializar 1.500 imóveis neste 1º semestre. O valor de vendas deve chegar a R$ 300 milhões, alta de 36,4% sobre janeiro-junho de 2012.

A Renascença abrirá duas filiais no Rio este ano: Barra e Baixada Fluminense. Vai investir R$140 mil. A administradora de imóveis quer elevar em 20% o volume de negócios em 2013.

A SuperVia investiu R$ 700 mil em sistema de comunicação IDX, da Harman Kardam. Ele informa o tempo de espera até o próximo trem. É o mesmo do metrô de NY.

A Bombay Herbs & Spices abre hoje no BarraShopping, aporte de R$100 mil. É a 18 loja no Rio; no país, tem 11. A rede vende 300 tipos de ervas e 60 de pimenta.

O Casa Show, de material de construção, estreou este mês no e-commerce. O site deve somar 10% do faturamento da rede em três anos. No Rio, são oito lojas.

A ESPM-RJ abriu inscrições para a 28 turma da pós-graduação em gestão com ênfase em franquia. É parceria com a ABF-Rio.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 17/01


Efetivação de trabalho temporário cai em 2012
O volume de efetivações posteriores aos contratos de trabalho temporário caiu no ano passado, de acordo com dados da Asserttem (associação do setor) e do sindicato Sindeprestem.

Cerca de 275 mil trabalhadores foram convocados para atividades por tempo determinado nas datas de maior pico como Natal, Dia das Mães, Páscoa é férias. Desses, apenas pouco mais de 34,5 mil foram efetivados.

No ano anterior, entre aproximadamente 260 mil temporários, mais de 44,6 mil permaneceram no emprego, conforme o levantamento.

A época de maior mudança foi a Páscoa, que ilustra as diferenças entre os cenários econômicos, segundo a entidade. Na data, apenas 7.000 trabalhadores tiveram efetivação, ante 17,5 mil em 2011.

Os contratos por tempo definido são considerados uma porta de entrada para jovens no mercado de trabalho, de acordo com Jismália de Oliveira Alves, presidente da associação.

"As oportunidades de empregabilidade aumentam quando se tem uma experiência. É uma ferramenta de qualificação. E tem sido um desafio encontrar mão de obra qualificada", diz.

No Natal de 2011, o setor teve de flexibilizar as exigências para conseguir preencher todas as vagas devido à falta de mão de obra com perfil adequado.

O problema se normalizou no final do ano passado, segundo Alves.

HOSPEDAGEM CARIOCA
A maior parte dos hotéis que serão construídos no Rio até 2015 ficará localizada na Barra da Tijuca, segundo pesquisa do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil).

Em três anos, a cidade terá 24.643 quartos, cerca de 30% a mais do que o existente atualmente.

A maior oferta adicional está no segmento de médio padrão (3.111), seguido pelo alto padrão (1.455) e pelo econômico (1.120).

Hoje, a demanda por hospedagem na cidade do Rio de Janeiro é de 14.823 unidades. A previsão para 2015 é de que este número aumente para 17.762 -alta de 19,8%-, de acordo com o Fohb.

A taxa de ocupação tende a diminuir de 78% para 72% nos próximos três anos, ainda segundo a entidade.

NÚMEROS
18.957 é o atual número de apartamentos na cidade do Rio de Janeiro

24.643 serão as unidades dentro de três anos

14.823 são os apartamentos demandados atualmente no Rio

17.762 será o número de unidades demandados em 2015

VOLTA ÀS AULAS
As matrículas nas escolas particulares no Estado de São Paulo devem crescer 4% em 2013. A informação é do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, que representa 12 mil escolas e mais de dois milhões de alunos no Estado.

Segundo o presidente do sindicato, Benjamin Ribeiro, as matrículas vêm crescendo, em média, 4% ao ano desde 2005 e o setor já incorporou mais de 500 mil alunos nos últimos anos.

"O maior sonho dessa nova classe média é colocar os filhos e filhas em uma escola particular, os pais só não colocam as crianças em escola privada se realmente não tiverem dinheiro para tal", aponta Ribeiro.

Segundo Amábile Pacios, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, houve aumento de 7% nas matrículas nacionalmente.

"Grande parte desse crescimento foi sustentado pelas classes C e D", afirma.

Novidade... 
O uso de instrumentos de defesa comercial pelo Brasil é tema do livro "Brazil in World Trade - Contingent Protection Measures", do ex-presidente do Cade Fernando Furlan e de Dan Wei.

...na prateleira 
A parceria entre Brasil e China e acordos de livre comércio do Mercosul com outros blocos também são abordados no livro recém-lançado pela Kluwer Law.

SEGURO ESTRATÉGICO
Maior rentabilidade das companhias de seguro em mercados emergentes é o que esperam 68 analistas de investimentos de seguros, de 16 países, ouvidos para pesquisa feita pela Accenture.

Estratégias de fusão e aquisições de seguradoras norte-americanas, europeias e japonesas no Brasil, Rússia, Índia, China, México ou Coreia do Sul podem elevar o "rating" dessas empresas em três anos, segundo os analistas de propriedade e acidentes.

Os especialistas avaliaram também que as seguradoras teriam de fechar 2012 com um retorno médio antes do imposto sobre o patrimônio líquido (ROE) de 14,9%. Em 2011, havia sido de 13,7%.

A estratégia de preços (95%) e a qualidade de serviço (94%) foram citadas pelos analistas como sendo os principais orientadores de valor para a indústria para os próximos três anos.

CLIENTE INSATISFEITO
Pouco mais da metade (53%) dos consumidores em todo o mundo deixam de comprar em uma determinada loja quando são mal atendidos, segundo pesquisa da Oracle com 3.577 pessoas.

O levantamento também mostra que 55% dos entrevistados recomendam a amigos que evitem a loja. Outros 37% compartilham suas insatisfações em redes sociais.

Capacete A Honda produzirá hoje a moto de número 18 milhões no país. A operação da fábrica em Manaus teve início há 36 anos. Atualmente sai da linha de montagem da unidade uma motocicleta a cada oito segundos.

Carnavalesco O consórcio OCP/Mago, que agencia e comercializa cotas de patrocínio para o Carnaval de Salvador, informa que captou aproximadamente

R$ 18 milhões em investimentos privados até esta semana.

Agricultura investe R$ 200 bi - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 17/01


Sim, a agricultura brasileira voltou a salvar a economia de um ano que poderia ter sido ainda pior. Investiu R$ 200 bilhões em 2012, dados do Ministério da Agricultura, e deve repetir este ano, metade em financiamento do governo, o que é dívida e os agricultores tiveram coragem de assumir e terão de pagar. Em consequência, a produção, que havia aumentado 2,1% no ano passado, deve registrar um crescimento espetacular de 8,6% na safra atual, de acordo com previsão da Conab. Vamos chegar a 180 bilhões de toneladas e isso, atentem, só de grãos e oleaginosas sem contar culturas como café, banana, laranja e - importantíssimo - cana.

Só no ultimo trimestre, a safra cresceu 3,1%. Não fosse essa exuberância de crescimento, certamente o PIB deste ano teria ficado ainda mais abaixo do 1%.

Outro Brasil silencioso. Em meio a tanta incerteza, com a indústria recuando, outros setores hesitando, os investimentos caindo, previsões dos analistas do mercado cada vez mais pessimistas, agora falam em 3% este ano, mas poucos acreditam. Os 30 milhões de agricultores brasileiros continuaram plantando, produzindo em silêncio. Pouco se fala deles na mídia, só quando as exportações aumentam, sustentando o único setor que ainda gera superávit. Depois, o silêncio, o esquecimento sobre o que se faz no campo. A exceção foi o excelente e esclarecedor editorial no Estado de segunda-feira "Recordes no campo." Por que esse silêncio? Porque, ao contrário da indústria, da Fiesp, em vez de correr para a imprensa e reclamar, os agricultores absorveram o impacto, plantaram e continuam plantando. E isso vivendo nas mesmas condições, nas mesmas circunstâncias e desafios de todos os outros.

Eles têm o mercado lá fora. Um dos argumentos mais ouvidos para justificar essa diferença de atitude é que a agricultura e a pecuária crescem e exportam porque podem contar com as exportações, com a demanda do mercado externo, onde, apesar da desaceleração econômica, o setor de alimentos é o último atingido. Eles não sofrem a competição dos chineses no Brasil, dizem. É um argumento falso, como todos os outros que pretendem diferenciar a atividade industrial com a agrícola e pecuária dizendo também que a competição interna entre as indústrias instaladas no País é maior que a dos produtores agrícolas. A indústria opera com um número grande e variado de produtos; a agricultura, nem uma dúzia.

Tomem nota disto, leitores. "A agricultura brasileira exporta muito, é líder mundial em vários produtos - porque, repito, porque tem produtividade elevada, produz a custos menores, pode, sabe competir até mesmo com esse gigante agrícola que são os Estados Unidos do qual deve roubar a liderança no mercado de soja este ano! O Brasil já é uma potência agrícola e em ascensão, ao contrário de outros países."

Coragem e empenho. É isso o que existe no campo brasileiro, esse "desconhecido", que a coluna pretende divulgar. Querem um exemplo, muito bem lembrado no editorial do Estado de segunda-feira, em 2012 as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 95,8 bilhões, mas foram um pouco maior do que no ano anterior por causa da queda da demanda provocada pela crise mundial. Os preços caíram em média nada menos que 7,1% (sim, tudo isso, 7,1%!) Apesar disso, as exportações para a China, basicamente de commodities, e outros países aumentaram 8,9%. Desconte-se minério, fora soja, carne, milho, cana, café e outras lavouras. Mas, como, os preços caem e a receita aumenta? É simples. Em vez de ficarem chorando, os agricultores brasileiros aumentaram o volume físico das vendas, exportaram mais soja, café, milho...para compensar perdas e reduzir prejuízos. E estão plantando novamente, vão investir de novo R$ 200 bilhões, produzir uma safra de mais 8,6%, bater novos recordes. Isso se chama empreendimento.

Não há dúvida alguma, a agricultura salvou e tudo indica que vai continuar salvando a economia. Agora, é esperar pelos outros que não só não veem, mas recuam. Numa luta solitária e silenciosa, a agricultura, os 30 milhões de agricultores brasileiros, mais uma vez salvaram a economia. E tudo indica que vão repetir essa façanha quase "rotineira"em 2013, este ano, como veremos em próxima coluna. Um tema, um exemplo, uma lição da mais alta importância que os brasileiros precisam conhecer.

A meta de superavit primário - MARCELO MITERHOF

FOLHA DE SP - 17/01


Por que não normalizar a divulgação do resultado fiscal e acabar com a meta de superavit primário?


Não chega a surpreender o frisson em torno de operações contábeis que garantiram o cumprimento, em 2012, da meta legal de superavit primário de 3,1% do PIB. Numa democracia, o governo costuma ser criticado sempre -seja quando faz algo ou quando faz o seu contrário.

No caso do superavit, a principal crítica é que, para cumprir a meta, foram usados R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano.

Quem ataca a operação entende que a economia de recursos que o governo fez no ano passado para pagar os juros da dívida pública não corresponde, na prática, à meta de 3,1% do PIB. Tal falta de rigor oficial poderia criar uma crise de confiança quanto aos fundamentos da economia (situação fiscal, inflação etc.), desestimulando o investimento e, assim, limitando as perspectivas de crescimento econômico.

Quem defende lembra que todas as operações que garantiram a meta foram legais e que o uso do Fundo Soberano é legítimo, pois seus recursos são acumulados quando há crescimento vigoroso para serem usados em épocas menos favoráveis.

Mais importante, a situação fiscal é sólida. A relação entre a dívida interna do setor público e o PIB foi de 36,4% no fim de 2011 para 35% em novembro de 2012. A relação dívida/PIB é baixa e cadente. Ademais, a queda da taxa de juros anual básica de 12,50% para 7,25% desde julho de 2011 é um notável esforço de ajuste fiscal não capturado pelo conceito de superavit primário.

Em geral, os países apresentam o resultado fiscal incluindo o pagamento dos juros, o chamado resultado nominal. No Brasil, o conceito de superavit primário -receitas menos despesas do governo, sem contar os juros- foi introduzido porque o Brasil por muito tempo teve juros demasiadamente elevados.

O superavit primário é um indicador útil quando a situação fiscal é frágil e é preciso mostrar o esforço que o governo e o país fazem para economizar recursos visando a honrar as despesas com os juros altos.

Porém, os credores da dívida pública brasileira não temem mais que ela deixe de ser paga. Por exemplo, no início deste século, o risco-país do Brasil -o deságio exigido para comprar um título da nação, que mostra a confiança do mercado internacional de que a dívida será honrada- foi a quase 2.500 pontos (25% de deságio) e estava diariamente nos jornais. Hoje, por volta de 150 pontos, quem se lembra dele?

Em 2012, o resultado nominal deve ser um deficit de cerca de 3% do PIB, baixo para padrões internacionais, ainda que tenha havido um aumento em relação aos 2,6% de 2011. Assim, por que não normalizar a divulgação do resultado fiscal brasileiro e acabar com a meta de superavit fiscal primário?

Com isso, quem acredita que a política fiscal precisa ser apertada poderá mostrar mais diretamente que o deficit nominal subiu em 2012. Também seria mais fácil advogar a tese do deficit nominal zero, com as supostas implicações virtuosas que sua concretização teria, decorrentes do choque positivo de expectativas.

Do outro lado, a política fiscal seria mais livre para se adaptar ao cenário econômico. Por exemplo, se o crescimento está fraco e a conjuntura externa é de estagnação, é o caso de elevar o gasto público para impulsionar a demanda doméstica. Havendo uma meta de superavit primário, tal estratégia é prejudicada. O governo, em particular, teria o bônus de ser dispensado de explicar o que não precisa ser explicado.

Em geral, a discussão fiscal é repetitiva e principista. Esse não é um problema só do Brasil, como mostra o imbróglio do "abismo fiscal" nos EUA, fruto de uma regra legal sem sentido. O fim da meta de superavit ao menos tornaria o debate mais claro, ainda que ao governo seja em certa medida inconveniente.

Afinal, é prudente mostrar comprometimento com o que é de modo geral tido como bem-sucedido. Além de significar uma saudável parcimônia em relação a suas convicções diante das possibilidades limitadas do conhecimento econômico, vale o teorema de William Isaac Thomas: "Se as pessoas definem uma circunstância como real, então elas serão reais em suas consequências".

Render homenagem às ideias convencionais de "responsabilidade fiscal", expressas nesse caso na meta de superavit primário, pode ser útil, como foi na eleição de Lula em 2002. Contudo, dez anos e muitas mudanças econômicas depois, isso talvez não valha mais a pena.

Argentina no reino da fantasia - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 17/01


Casa Rosada vende ao povo imagem distorcida do que acontece no país. Maquiagem faz com que índice oficial de inflação seja menos da metade do real



O governo Cristina Kirchner criou uma realidade paralela para demonstrar que as coisas vão bem, mesmo quando a verdade demonstra o contrário. O melhor exemplo é o índice de inflação, que tem ficado sempre abaixo da alta real dos preços desde 2007, quando o então presidente Néstor Kirchner ordenou a intervenção no Indec (o IBGE argentino). O último dado do Indec foi o Índice de Preços ao Consumidor em 2012: 10,8%. Abaixo da metade da inflação calculada por consultorias privadas — 25,6% —, o que coloca a Argentina à frente até da Venezuela (22%). Temos, então, o índice oficial e o verdadeiro, este denominado “IPC do Congresso”, pois os consultores privados passaram a divulgá-lo via deputados de oposição depois que a Casa Rosada entrou na Justiça para proibi-los de calcular a inflação, algo digno de uma República de Bananas.

O governo garante que o país vem conseguindo financiar o setor público. Na realidade, como se tornou um pária do sistema financeiro internacional depois da moratória de 2001, é obrigado a emitir furiosamente. No ano passado, a emissão de pesos cresceu 38% sobre 2011, pressionando a inflação.

Para sustentar a fantasia, o kirchnerismo, cada vez mais parecido com o chavismo, patrocina uma vasta rede de comunicação cuja programação e noticiário vão no sentido desejado pela Casa Rosada (além da grande rede estatal). Isto é conseguido, entre outras formas, pela manipulação das verbas oficiais de publicidade. No mundo real, o governo empreende intensa perseguição aos veículos que atuam de maneira profissional e independente. Assim, criou o denominado 7D (7 de dezembro) para proclamar como grande “vitória nacional” a aplicação por inteiro da Lei de Meios, aprovada para “regular” os veículos de comunicação, mas sob medida contra o Grupo Clarín, alvo preferencial do kirchnerismo. O tiro saiu pela culatra, porque a Justiça argentina conseguiu refrear o ímpeto de Cristina e, mais uma vez, adiou a entrada em vigor de dispositivos leoninos da lei até que seja julgado o mérito do caso. A ameaça contra os meios independentes, portanto, continua.

O governo celebrou a volta da fragata Libertad a Buenos Aires como outra “vitória nacional”. Na verdade, o país passou por um grande vexame depois que o navio foi arrestado, em Gana, por um fundo credor da Argentina. Escaldada, Cristina começou a evitar viagens internacionais no avião oficial Tango1 e passou a alugar jatos executivos para os deslocamentos. Inexplicavelmente, contratou a mesma empresa britânica que presta serviços a Londres nas Malvinas (no caso, Falklands). Descumpre, assim, decreto dela própria que proíbe o governo argentino de ter relações comerciais com firmas estrangeiras (leia-se britânicas) envolvidas, de alguma forma, com as disputadas ilhas.

Tapar o sol com a peneira é um rumo perigoso para qualquer governo. Mais cedo ou mais tarde, a realidade se impõe. A consequência são, no mínimo, eleitores furiosos.

Uma grande e assustadora interrogação - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 17/01



O crescimento econômico do Brasil deve ganhar impulso, atingir 3,4% neste ano e cerca de 4% em 2014 e 2015, segundo as novas contas do Banco Mundial divulgadas ontem. A expansão no ano passado foi estimada em 0,9%, número muito próximo da maior parte dos cálculos correntes no País. A produção global também deve acelerar-se, puxada pelos emergentes, mas o ritmo ainda será muito contido: 2,4% em 2013 e pouco mais de 3% nos dois anos seguintes. Mesmo essas projeções, nada espetaculares, estão sujeitas a condições ainda incertas, como a continuidade da recuperação americana e a superação dos riscos mais graves na zona do euro. A evolução da China, com provável declínio da taxa de investimento nos próximos anos, poderá afetar principalmente os países emergentes e em desenvolvimento, fornecedores de matérias-primas para a indústria chinesa. Isso inclui o Brasil, hoje muito dependente do mercado chinês, e boa parte dos latino-americanos.

A nova edição de Perspectivas Econômicas Globais, com a atualização das estimativas do Banco Mundial, é parte de uma safra de projeções periodicamente publicadas por instituições multilaterais. Na próxima semana o Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá divulgar mais uma revisão dos números de seu Panorama Econômico Mundial.

As projeções têm sido elaboradas com ressalvas muito importantes, principalmente por causa da insegurança na União Europeia e de riscos como o do abismo fiscal nos Estados Unidos. O perigo de um desastre na economia americana foi temporariamente afastado, mas o presidente Barack Obama ainda precisa negociar medidas importantes, como a elevação, mais uma vez, do teto da dívida federal.

As perspectivas do Banco Mundial indicam mais um ano de recessão na zona do euro, com redução de 0,1% do produto bruto regional. Para a economia americana foi previsto crescimento de 1,9%, pouco menor que o de 2012 (2,2%), mas com tendência de aceleração nos dois anos seguintes. A continuidade da recuperação dependerá, em todo o mundo, da consolidação das contas públicas e, em alguns casos, de reformas politicamente difíceis nas áreas trabalhista e previdenciária.

A recomendação de empenho nas reformas é dirigida também aos países emergentes e em desenvolvimento. De modo geral, esses países conseguiram sair rapidamente da crise de 2008-2009, mas agora precisam elevar seu potencial de crescimento. No caso do Brasil, a aceleração em 2013 deverá ser favorecida, segundo o Banco Mundial, pelos estímulos fiscais e monetários adotados nos últimos dois anos. Os efeitos dessas medidas, segundo a análise, se manifestaram apenas parcialmente até agora e continuarão a surgir nos próximos meses. Esse argumento tem sido usado especialmente por dirigentes do Banco Central (BC).

A médio prazo, no entanto, a continuidade do crescimento dependerá de ações de maior alcance, segundo reconhecem os autores do Panorama. "Esforços do governo para elevar a eficiência da economia por meio da redução do Custo Brasil (altos custos de insumos e de tributos, burocracia pesada e infraestrutura inadequada) devem sustentar o produto potencial no médio prazo, apesar do menor crescimento da força de trabalho", segundo o documento.

Os economistas do banco são bem informados sobre alguns dos grandes problemas estruturais do Brasil. Mas talvez sejam um tanto otimistas quanto à execução das políticas para aumento da produtividade nacional e do potencial de crescimento.

O governo apenas começou a tocar em alguns daqueles problemas. As concessões e parcerias para a execução de obras no setor de transportes ainda são uma promessa e um bom tempo ainda poderá decorrer até a assinatura dos contratos. A renovação de concessões no setor elétrico inclui a curto prazo a redução de tarifas, mas nada garante, por enquanto, a realização, num prazo razoável dos investimentos necessários. As mudanças tributárias continuam limitadas e as mais ambiciosas são ainda remendos.

No Brasil, o médio prazo permanece uma grande e assustadora interrogação.

Presságios - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 17/01


A provável eleição de Renan Calheiros e Henrique Alves às presidências do Senado e da Câmara emite um sinal desolador sobre o Congresso


A condução dos peemedebistas Renan Calheiros (AL) e Henrique Eduardo Alves (RN) às presidências do Senado e da Câmara dos Deputados será um resultado tão previsível quanto desolador para as eleições que ocorrerão nas duas Casas no começo de fevereiro.

Previsível porque, alijado das disputas pelo Executivo, o PMDB se especializou em comandar o Legislativo. Desde 1985, a legenda dirigiu o Senado por quase 24 anos e a Câmara por 14. Nenhum outro partido demonstrou, nem remotamente, tamanho profissionalismo na captura desse aparelho estatal.

Mas essa vitória será também desoladora pela gravidade das suspeitas que, neste início de ano, pesam contra os dois congressistas -rodeados de assessores e empresas cuja reputação é duvidosa.

Como esta Folha revelou no domingo, recursos de emendas parlamentares apresentadas por Henrique Eduardo Alves abasteciam uma empresa de Aluizio Dutra de Almeida, assessor do deputado. Diante do escândalo, o auxiliar pediu demissão, mas o peemedebista manteve-se impassível: negou irregularidades e atribuiu tudo ao "jogo pré-eleitoral".

A situação de Renan Calheiros não é melhor. A título de pagar o aluguel do escritório político em Alagoas, o senador repassou verbas parlamentares ao seu suplente. Num outro episódio, Calheiros pediu ao Senado o reembolso de gastos com uma produtora -a Ovni Áudio Vídeo Produções-, mas a empresa nega que tenha prestado tais serviços ao congressista.

Como os dois peemedebistas insistem em manter suas candidaturas, seria razoável esperar, dadas as revelações, que parcela significativa dos parlamentares passasse a apoiar candidatos menos vulneráveis do ponto de vista ético -como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Longe disso.

Nem mesmo a oposição julgou ser oportuno apoiar as postulações alternativas. O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araujo (PE), afirmou que a bancada manterá o apoio ao governista PMDB, e o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que a candidatura do PSOL é "isolada". Com inimigos assim, quem precisa de amigos?

Verdade que não será a primeira vez que políticos controversos comandarão o Legislativo. O próprio Calheiros renunciou à chefia do Senado em 2007, acusado de ter despesas pagas pelo lobista de uma empreiteira. Escândalos também levaram Jader Barbalho (PMDB) e Antonio Carlos Magalhães a abdicar de seus mandatos.

A lista não é menos extensa na Câmara. Ibsen Pinheiro (PMDB) foi cassado em 1994, Severino Cavalcanti (PMDB) renunciou em 2005 e João Paulo Cunha (PT) terminou condenado pelo STF a nove anos de prisão no processo do mensalão.

Parece que os congressistas têm uma atração quase irresistível por líderes dessa estirpe -o que, afinal, deve dizer muito sobre como eles veem a si mesmos.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Acho a atitude do Randolfe Rodrigues isolada”
Alvaro Dias (PSDB-PR) descartando apoio ao candidato do PSOL a presidir o Senado


GOVERNO INVESTIGA CARTEL DE FORNECEDORES DA COPA

O Ministério do Esporte chegou à conclusão que os fornecedores de estruturas temporárias se organizaram em cartel para explorar os governos estaduais, aos quais caberá a contratação. Os preços impostos pelas empresas têm sido considerados extorsivos, para dizer o mínimo. Polícia Federal e Receita Federal já foram acionados pelo ministério, e os responsáveis pelas empresas deverão ser convocados para depor.

PUXADINHOS

As estruturas temporárias, usadas hoje em puxadinhos de aeroportos, serão instaladas próximas aos estádios das cidades-sede da Copa.

BARRACÕES

Atendimento ao turista e serviço médico, por exemplo, devem funcionar em estruturas temporárias (barracões de material sintético), durante a Copa.

SOS DILMA

Preocupados com os custos dessas estruturas temporárias (chegam a R$ 6 milhões), os governadores pediram socorro ao governo federal.

ÔNUS ESTADUAL

O governo federal avisa: não vai bancar estruturas temporárias – pelo caderno de encargos da Copa, o ônus é dos governos estaduais.

PASTOR COM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO JÁ FOI ATÉ PRESO

Feliz portador de passaporte diplomático emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, o pastor Valdemiro Santiago de Oliveira já foi preso numa blitz em Sorocaba (SP), pelo porte ilegal de escopeta, duas carabinas e munição, e também é investigado pelo Ministério Público por desvios de dízimos e ofertas à sua igreja. Não é a primeira vez que o governo distribui passaportes diplomáticos a quem não deve.

QUEM CONCEDEU

O embaixador Ruy Nogueira, o secretário-geral, em final de carreira no Itamaraty, foi quem deu o passaporte ao pastor, sob ordens superiores.

ESCÂNDALO

Em janeiro do ano passado, o Itamaraty teve de balbuciar explicações sobre os passaportes vermelhos presenteados aos filhos de Lula.

MANJADOS

Valdemiro Santiago e Franciléia de Oliveira, portadores de passaportes vermelhos, são líderes de uma “Igreja Mundial do Poder de Deus”.

MUNDO SEGURO

O chanceler Antônio Patriota participa sexta (1º de fevereiro) da conferência anual de Segurança Mundial, em Munique, Alemanha. A carnificina na Síria, onde o Brasil mantém um triste “muro”, deverá estrelar a pauta.

PISTA

Policiais suspeitam que o roubo de cargas da Gollog, segunda (14), teve facilitação de ex-funcionários da Infraero. A Inframérica, que agora administra o aeroporto de Brasília, dispensou 56 seguranças.

BRIGA INTERNA

Líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE) tem dúvidas se o ministro Brizola Neto (Trabalho) disputará o comando do partido no fim de março: “Não sei nem se eles conseguem montar chapa”, alfineta.

ENSAIO

Membros do “grupo independente” do PMDB estão espalhando que o senador Eunício Oliveira (CE), cotado para líder do partido, pode sair candidato contra Renan Calheiros (AL) à presidência do Senado.

DE FOLGA

Após assumir interinamente em lugar do petista Agnelo Queiroz, o vice-governador do DF, Tadeu Filippelli (PMDB), vai tirar recesso de cinco dias na próxima semana: “Ninguém é de ferro”.

AMERICANO ILEGAL...

É grande o mal-estar na Polícia Federal no Rio: sem visto de trabalho, o sargento americano Cody Tallent fiscaliza com cães farejadores a área restrita de cargas no aeroporto internacional do Galeão, no Rio. Foi contratado há um mês pelas empresas Swissair e British Airways.

...‘FISCALIZA’ O GALEÃO

A American Airlines também emprega pessoal particular na revista de passageiros para os Estados Unidos. Veterano do Iraque, Cody Tallent circula desenvolto no Galeão, área considerada de segurança nacional. Se fosse um brasileiro tentando fazer o mesmo nos EUA...

CONSPIRAÇÃO

Após a Economist, agora o Financial Times adere à “mídia golpista”, ironizando o “jeitinho brasileiro” de gangorra econômica. Já o blog do jornal fala do mensalão e da corrupção ainda “longe de acabar”.

PENSANDO BEM...

...deu bode, literalmente, na empresa de fachada de um assessor do deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).


PODER SEM PUDOR

AMNÉSIA DE CANDIDATO

Candidato a presidente, Jânio Quadros chegou ao Ceará e pediu um encontro com o PTB local. Derramou-se em elogios à sigla, pedindo apoio. Mas os políticos cearenses resistiam:

- O sr. desceu ontem aqui com nosso maior adversário, Virgílio Távora.

- Virgílio Távora? Não o conheço, não sei quem é...

- Ele veio com o senhor. No avião. Chefe da UDN...

- Ah, já sei - disse Jânio -; é um baixinho de óculos?

- Esse mesmo, governador.

- Eu o vi. Mas não sei bem de quem se trata. Juro que não sei.

Mas sabia. Era o coordenador de sua campanha.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Caixa-preta diplomática – Só Itamaraty não revela salário de funcionários
Folha: Lula se reúne com equipe de Haddad e dá diretrizes
Estadão: Obama desafia lobby e lança pacote contra armas
Correio: 46 lugares para você evitar nos dias de chuva em Brasília
Valor: Governo tenta impedir o “contágio” da inflação
Estado de Minas: Por que nos esquecemos dele?
Zero Hora: Análise inicial de novo aeroporto no RS prevê o fim do Salgado Filho