sábado, dezembro 22, 2012

O dia do Basta, com D de Dilma - JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém

O GLOBO - 22/12



Nunca se esqueçam desta data: 20/12/2012.

Se esquecerem, não se preocupem. Ela não entrará para a História do país. Mas deveria.

Não pelo dia em si, mas pelo que ocorreu dentro dele: a tolerância da presidente Dilma com a desarticulação política do seu governo chegou ao limite zero. O seu humor também. Os que estiveram com ela na quarta saíram com a certeza de que alguma coisa vai mudar em 2013.

Dilma, na expressão de um de seus ministros, estava "azeda" com o Orçamento não votado; com o apagão; e com o mensalão, que não tem nada a ver com ela, entrando para atrapalhar o seu governo, numa briga infecunda entre o presidente do STF e o da Câmara e pela perspectiva sombria do comando do novo Congresso.

É possível, por isso, que Dilma acabe se dobrando aos fatos e faça, no mínimo, dois remanejamentos: Mercadante para a articulação política e Graça Foster para Minas e Energia.

Os russos
Quando vi, no discurso da Dilma em Moscou, os ministros da comitiva bocejando e cochichando, não tive dúvidas: foi o Seroquel Retard, o antidepressivo capaz de fazer até o Serra dormir.

Errei. É que, às 2h da madrugada, depois de ler o discurso escrito pelo quarteto fantástico - Mercadante, Patriota, Pimentel e Garcia -, a presidente ligou para o quarto de cada um:

- Não há o menor risco de eu ler essa droga. Reescrevam, se quiserem voltar comigo para o Brasil.

Nosso Guia
Todo mundo estranhou a escalada de ataques do presidente da Câmara, Marco Maia, contra o Supremo, logo no apagar das luzes do seu mandato.

É que Maia, há duas semanas, teve uma reunião de duas horas com Lula, no Instituto Lula.

Companheiro
Quem anda frequentando, e muito, o escritório de Lula em São Paulo é o banqueiro Roberto Setubal, do Itaú.

Do chamado andar de cima, Setubal é hoje o empresário mais ligado ao ex-presidente.

O impagável 1
O ministro Aldo Rebelo é conhecido no meio jornalístico como o maior avaro de informação do país. Tanto que, em algumas redações, nos quadros de aviso advertem que a empresa não ressarce o repórter de notas fiscais de almoços e jantares com Aldo, porque jornal não investe a fundo perdido.

Mas este crédulo resolveu fazer tocaia num despacho da Dilma com o ministro. Na saída, implorei que me contasse a conversa.

Para minha surpresa, Aldo consentiu, mas com a seguinte condição:

- Desde que seja off total, meu camarada!

O impagável 2
E prosseguiu o ministro dos Esportes:

- A presidenta Dilma e eu conversamos muito sobre...

Aldo foi interrompido pelo celular e ficou 40 minutos conversando com sua assessoria.

Enquanto isso, minha cabeça fervia: de quem será que falaram muito? E pensei muitos nomes, de Lula a Lula.

Quando o ministro desligou o telefone, a minha ansiedade já tinha deflagrado uma severa crise de síndrome de pânico, com muita náusea e falta de ar.

Eu não conseguia balbuciar uma única palavra. Era preciso recuperar a conversa desde o início.

Mas nem foi preciso. Organizado e disciplinado como sempre, Aldo retomou a conversa exatamente no mesmo ponto:

- Como eu estava te dizendo, a presidente e eu falamos muito do Floriano Peixoto.

Esse é o Aldo Rebelo.

Gafes
Apresentada, em evento, ao "governador" do Rio, a estonteante, delirante e belíssima Constança Costes, radicada em Paris, cumprimentou-o em francês.

Mas não era o titular. Era o vice Pezão.

Por onde passava a Deusa, "um feixe de luz" a seguia, como acontece com as grandes celebridades.

De repente, um admirador se apresenta:

- Muito prazer. Eu me chamo Sérgio Cabral.

A princesa abriu um sorriso enorme e saudou:

- Meu conterrâneo!

E Serjão, meio encabulado:

- O seu conterrâneo é o filho. Eu sou o pai.

No que completou a Magaly, olhando para mim:

- Meu filho vai ao exterior buscar divisas. Mas é difícil colocar isso na cabeça de um certo alguém.

Cantei: "Esse cara sou eu".

Próximo round - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 22/12


Em conversa telefônica nesta semana, Marco Maia (PT-RS) consultou Luís Inácio Adams sobre a possibilidade de a Advocacia-Geral da União representar a Câmara dos Deputados na defesa dos mandatos de parlamentares condenados no mensalão. A iniciativa é mais um capítulo no embate entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal, que decidiu pela perda imediata dos mandatos. A AGU só deve responder ao pedido, que deveria ser oficializado ontem, no início de 2013.

Maratona...
José Dirceu recebeu visita de Rui Falcão após Joaquim Barbosa negar a petição que pedia prisão imediata dos condenados. O presidente do PT, que estava no Instituto Lula horas antes, levou abraço do ex-presidente e disse que estavam aliviados com a decisão.

... mensaleira
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e José Genoino telefonaram para Dirceu. Da casa do ex-ministro, Falcão seguiu para a do ex-presidente do PT, que também recebeu a visita do ministro Aloizio Mercadante (Educação).

Em família
Assim que soube da decisão, a ex-mulher de Dirceu Angela Saragoça lembrou a ele que sua mãe, que faleceu anteontem, havia opinado, quando soube da petição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel: "O Zé não vai preso".

Nas ondas... 
Em e-mail apreendido durante a busca da Operação Porto Seguro, Paulo Vieira pede ajuda urgente a Rosemary Noronha para resolver uma autorização de instalação de uma rádio FM em Capão Bonito (São Paulo): "Veja o que você pode fazer por mim, minha amiga".

... do rádio
Em outro, datado de setembro de 2010, ele reforça o pedido a Gilberto Miranda ao informar que seu processo está na Anatel. E emenda: "Uma das diretoras da Anatel é a doutora Emilia, ex-assessora do presidente Sarney no Senado".

Boletim médico
Preocupada, Dilma Rousseff encarregou Marco Aurélio Garcia (Relações Internacionais) de acompanhar o estado de saúde de Hugo Chávez neste fim de ano. A presidente quer informações diárias sobre o presidente da Venezuela, que se trata de um câncer.

Ensaio geral
Fernando Haddad convocou os 26 secretários para a primeira reunião na próxima quinta-feira, logo após o prefeito eleito de São Paulo retornar da viagem natalina pelo litoral baiano. Devem discutir as primeiras medidas de governo.

Jejum 
Geraldo Alckmin ofereceu R$ 2 milhões em emendas aos deputados estaduais para 2013, mesmo valor deste ano. Os parlamentares pediram R$ 4 milhões, sem sucesso. Roque Barbiere (PTB) propôs que a cota fosse de 75% do que têm os deputados federais (R$ 5 milhões). A ideia também não vingou.

Figurino
Nem a proximidade do Natal inibiu Eduardo Campos (PSB-PE), potencial presidenciável em 2014, a viajar para Boa Vista (RR) na quinta-feira para uma homenagem. "Falei para não vir com seu melhor terno, pois iríamos destroçá-lo de medalhas", disse o governador Anchieta Filho ao entregar duas comendas ao colega.

Visitas à Folha 
Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, visitou ontem a Folha.

Leandro Daiello, diretor-geral da Polícia Federal, e Roberto Troncon, superintendente da PF em São Paulo, visitaram ontem a Folha, a convite do jornal, onde foram recebidos em almoço. Estavam acompanhados dos delegados Humberto Prisco Neto, chefe da Divisão de Comunicação da PF, e Patricia Zucca, chefe do setor de Comunicação da PF em São Paulo.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Joaquim Barbosa espancou as espúrias pretensões de Roberto Gurgel: o equilíbrio da decisão engrandece a presidência da corte."
DO ADVOGADO LUIZ PACHECO, que defende José Genoino no mensalão, sobre a decisão do ministro indeferindo as prisões imediatas dos condenados.

contraponto


Modelo exportação

Conhecida por conceder poucas entrevistas, Dilma Rousseff se encantou com jornalistas russos no começo de dezembro. Durante entrevista a uma agência de notícias, a presidente foi presenteada com um lenço e um aparato para fazer chá. Agradecida, Dilma brincou:

-Agora, todo mundo que me entrevistar eu quero dois presentes. Só você que me deu presente!

Dilma fala também dos palácios desenhados por Oscar Niemeyer e oferece um tour ao jornalista russo. Em seguida, finaliza:

-O senhor é muito simpático, muito russo.

Cenas deprimentes e hilárias - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 22/12


As assessorias do Planalto e do governo de Minas Gerais travaram ontem, no Mineirão, a guerra das placas. O governo mineiro fez uma placa de inauguração apenas com os nomes do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves. A turma da Presidência bateu pé. Uma nova placa foi feita com os nomes de Anastasia, da presidente Dilma e do prefeito Márcio Lacerda. Sem Aécio.

Governo Dilma recua
A oposição já estava ameaçando recorrer ao STF, caso o Planalto optasse por votar o Orçamento 2013 na Comissão Representativa do Congresso. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), estava confiante: "Vamos votar, inclusive com aumento para o Judiciário" O relator do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), justificava: "Não podemos paralisar os investimentos públicos por três meses. Não podemos engessar o PAC e as estatais" Mas muitos aliados esperneavam. Por fim, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) informou aos líderes que o Planalto tinha feito a opção de deixar a votação do Orçamento para fevereiro.

"Aprovar o Orçamento na Comissão Representativa do Congresso é um acinte. Era uma pernada que se pretendia dar na liturgia do Parlamento"
Bruno Araújo Líder do PSDB (PE) na Câmara dos Deputados
Promessa e suspense
A base governista está calma. Os líderes aliados garantiram que, nos dias 26 e 27 de dezembro, os ministérios liberam as emendas parlamentares. Nesta semana, só foram liberados recursos destinados a obras e programas do PAC.

Luta interna
O presidente da CCJ da Câmara, Ricardo Berzoini (PT-SP), está apoiando o nome de Alessandro Molon (PT-RJ) para sucedê-lo no comando da Comissão. Mas a tendência "Construindo Um novo Brasil, do líder José Guimarães (PT-CE), está apostando no deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que perdeu a disputa interna pela vice da Casa.

Diz que diz que
A despeito das negativas oficiais, o que se diz na bancada do PR é que Valdemar Costa Neto (SP), condenado pelo STF no processo do mensalão, está apoiando a candidatura de Anthony Garotinho (RJ) para líder do partido na Câmara.

Gesto de solidariedade
O grupo de independentes da CPI do Cachoeira, formado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) e pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), levou o relator derrotado, Odair Cunha (PT-MG), para jantar na noite de terça-feira. No encontro, conversaram sobre a criação de "uma frente suprapartidária que respeite os valores republicanos"

Harmonia dos Poderes
Os petistas não foram os únicos que festejaram a decisão do presidente do STF, Joaquim Barbosa, de não decretar a prisão dós condenados no mensalão. O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), comentou: "Seria o fim do mundo"

Correndo atrás
A CNI concluiu a pesquisa Competitividade Brasil 2012. Ela revela que o Brasil, em relação a 13 países com nível de desenvolvimento semelhante, possui a infraestrutura portuária e de transporte aéreo menos competitiva.

O PDT decidiu que, se o governo insistisse em votar o Orçamento 2013 na Comissão Representativa, ele iria apoiar a ação da oposição no STF.


Pleno emprego - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 22/12


Como um dos principais objetivos da Política Econômica é garantir postos de trabalho para a população ativa, o nível de desemprego de apenas 4,9%, divulgado ontem pelo IBGE, poderia ser celebrado como grande feito do governo Dilma - não fosse o desequilíbrio do resto da economia.

Desde 2002, quando começou a divulgação dos resultados da Pesquisa Mensal de Emprego, é o segundo nível mais baixo já registrado. É verdade que o mercado de trabalho sempre opera mais aquecido em novembro e dezembro. É temporada de contratações temporárias destinadas a atender às necessidades de aumento da produção e maior movimento do comércio antes das festas de fim de ano. É também período de semeadura no Centro-Sul, que ocupa mais mão de obra no campo. Mesmo descontados os fatores sazonais, os números são positivos. Apontam para desemprego equivalente de 5,3%.

No entanto, é preciso ver o todo. O pleno emprego está sendo obtido com aumento do consumo muito acima da elevação da atividade econômica. Afinal, é o segundo ano seguido de avanço decepcionante do PIB, agravado por um salto da inflação que deverá beirar os 6%.

Entre as principais causas da perda de competitividade da indústria está o enorme custo Brasil: excessiva carga tributária, juros na lua, infraestrutura precária e muito cara, Justiça ineficiente, altas tarifas de energia elétrica e de comunicações... enfim, essas coisas já exaustivamente comentadas.

O problema imediato é que o mercado de trabalho fortemente aquecido tende a aumentar ainda mais os custos e a agravar a perda de competitividade do setor produtivo - como na quinta-feira advertiu o Banco Central no Relatório de Inflação.

O governo Dilma reconhece a existência do desequilíbrio. Mas entende que é fruto da mudança estrutural da economia e, portanto, temporário. Explica, em parte, como resultado da derrubada dos juros que, num primeiro momento, achatou o retorno financeiro das empresas que vinham dependendo mais das aplicações de caixa do que do resultado operacional. E aponta, também, o fator câmbio, que aumentou os custos financeiros das empresas endividadas em moeda estrangeira e os custos dos produtores dependentes de fornecimento externo de matérias-primas, peças e componentes.

Mas esse diagnóstico é só parte da história. O desequilíbrio tem causas mais profundas e tende a persistir por mais tempo do que sugerem as autoridades.

O setor produtivo não vem dando conta do aumento do consumo pelos fatores acima indicados e também pela falta de investimento. A equipe econômica do governo mostrou preocupação com o problema. Começou a derrubar os custos da produção e a recuperar a infraestrutura. Mas, por enquanto, o já anunciado é pouco, sobretudo se for levada em conta a demora dos resultados.

O Banco Central já deu indicações suficientes de que, a esta altura, o pleno emprego trabalha contra o controle da inflação. Não está sendo compensado por aumento da produtividade. Se é assim num ritmo de PIB abaixo de 1%, tenderá a ser ainda mais inflacionário caso se confirme a expectativa do governo de que, em 2013, a atividade econômica crescerá 4,0%.

Ueba! Alugo-me para o Natal! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 22/12


Existem dois tipos de piada: as que começam com o Sarney e as que terminam com o Sarney!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Acabou o Fim do Mundo! A Dilma vetou o Fim do Mundo!

Diz que o Fim do Mundo foi adiado porque contratou o advogado do Cachoeira e conseguiu um habeas corpus! O Fim do Mundo seria o final do ano dos sonhos da Sônia Abrão! Já imaginou ela entrevistando todos os defuntos do fim do mundo? AO VIVO! Rarará!

E olha o anúncio no Facebook: "Alugo-me para o Natal e o Ano Novo! Beijo na boca à meia-noite! Tiro foto fazendo coração com as mãos! Digo que te amo e que nunca vou te abandonar". E pula sete ondas juntinho?!

E sabe o que o Marcos Valério pediu pro Papai Noel? Um megafone! Medo! Esse Marcos Valério tá parecendo franco-atirador de filme americano. Sabe aqueles que ficam em cima de prédio atirando em todo o mundo?! E adorei a charge do Marco Aurélio com os três reis magos: "Belchior, quem veio no lugar do Baltazar?". "O BARBOSA!" Rarará! Coitado de Cristo!

E o Kibeloco fez uma nova versão do "Esse Cara Sou Eu": "Sabe aquele cara que não larga o osso?/Que é dono do Maranhão desde que era moço?/Lembrou regalias em três dias de presidente/E pra terminar essa rima empregou mais um parente/ Esse bigode sou eu". O Brasil tem obsessão pelo Sarney! Existem dois tipos de piada: as que começam com o Sarney e as que terminam com o Sarney!

E eu disse que tinha medo dos maias vivos: Marco Maia e Cesar Maia. E Agripino Maia. E pastor Maiafaia. Por isso a gente maia eles!

E atenção! Acabo de receber o cartão de Natal do Mantega: "Feliz Natal ou Próspero Ano Novo. Os dois não dá". E o cartão de Natal do Kassab: "Feliz Natal e Próspero IPTU". E como todo ano eu mando uma cartão de Natal pro Bolsonaro: "Meus votos são para que você nunca mais tenha votos". Rarará! E sabe como o Papai Noel dá risada em Brasilia? HÔ HÔ HÔUBAMOS MUITO! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

O Brasil é Lúdico! Olha o cartaz da padaria da minha rua: "Neste Natal, deixe o seu peru nas nossas mãos! Faça já a sua reserva". Deixo, mas quero conhecer antes! Daria para a gente conhecer o dono ou a dona das mãos? Rarará!

E um amigo já ganhou o presente de Natal: um despertador do Bradesco. Todo dia cedo a gerente liga gritando: "Sua conta estourou! Sua conta estourou!". Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Tempos de justiça e corrupção - MARCO AURÉLIO NOGUEIRA


O Estado de S.Paulo - 22/12


Exceção feita às eleições municipais, cuja importância foi enorme, o ano político de 2012 termina sob o signo da corrupção e da busca de justiça e de equilíbrio entre os Poderes da República.

De Carlos Cachoeira a Rosemary Noronha, passando pelo julgamento do mensalão e chegando às denúncias de Marcos Valério, tivemos um eixo. Uma nova fase pareceu despontar na vida nacional. O protagonismo e o prestígio de que o Supremo Tribunal Federal passou a desfrutar emergem como fato novo, que ainda terá de ser bem compreendido, até para se ver em que medida implica o rebaixamento dos outros Poderes.

O fio que liga os crimes - de uma forma ou de outra associados a formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção ativa e peculato - é o mesmo que une negócios e política, ou seja, que mostra a invasão da política pelo mercado e pelo dinheiro. Seu ponto de partida, no Brasil recente, desponta na votação da emenda da reeleição de FHC e nas privatizações dos anos 90 e encorpa com o caso Waldomiro Diniz (março de 2004), assessor da Casa Civil da Presidência flagrado recebendo propina. Passa pelo mensalão, pelas denúncias de compra de dossiês falsos contra políticos, pelas relações de Cachoeira com políticos de vários partidos e culmina no caso Rose. Fica dramaticamente reforçado com as declarações de Valério comprometendo Lula no mensalão.

É inevitável que bombas desse tipo estourem no colo do PT. O partido tornou-se a bola da vez, o adversário a ser batido. Cresceu, paradoxalmente, durante os anos em que mais se sabe de casos de corrupção. Elegeu e reelegeu Lula, elegeu Dilma, ganhou eleições em Estados e municípios antes inacessíveis, tornou-se uma potência política, caminhando como se nada o atingisse ou prejudicasse. Suas cúpulas insistem em associar as denúncias de corrupção a um plano sórdido da direita, da mídia e da "Justiça conservadora" para desconstruir o PT, desestabilizar seus governos e ocultar suas conquistas. Não percebem que o argumento é ruim, insistem em não reconhecer erros e escolhas equivocadas, prolongando a percepção de que o partido naturaliza a corrupção.

O poder é, em si mesmo, possibilidade e armadilha. Concede aos que dele se aproximam múltiplas vantagens, mas também abre as portas para a tentação, os falsos amigos, as negociatas. Os poderosos muitas vezes se embriagam com os trunfos de que passam a dispor: nomear, indicar, pedir e decidir tornam-se verbos que se confundem no seu léxico e que os fazem, com frequência, meter os pés pelas mãos.

O poder não é imune ao tempo. Tende a se desgastar com o andar do relógio. O poderoso se entedia e passa a ser atraído ou pela inércia ou pela disposição ao risco. O tempo do poder também acompanha o tempo social, precisa decifrá-lo e se ajustar a ele. Hoje, neste tempo de redes, conectividade, informações livres e reflexividade em que vivemos, o poder não consegue mais fazer o que fazia antes. O sistema político-administrativo copia a estrutura em rede da vida, vendo crescer focos de competição dispostos horizontalmente. O poder precisa negociar, ouvir e dialogar mais, lidar com obstáculos e desafios constantes. Está mais exposto, tem menos aura e opera muitas vezes rés ao chão, enfiando-se em arapucas "mequetrefes". Pode cair em descontrole agudo.

Controles rigorosos não combinam com redes e conectividade. Nomear um assessor pode ser o primeiro passo para o inferno: subordinados tendem a se tornar pequenos reis e rainhas de pequenos feudos, nichos de onde operam e corrompem. O caso Rose é emblemático. Beneficiada pelo vínculo pessoal que manteve por anos com Lula e outros poderosos, ela viabilizou um esquema nas barbas do poder. O esquema ganhou vida própria, envolvendo os que o patrocinaram e dele se beneficiaram.

Não se trata de relativizar, muito menos de diminuir a responsabilidade dos dirigentes. Ninguém chega ao comando de um escritório regional da Presidência sem o devido apoio superior. Mas é preciso dar a cada um a sua parcela de culpa. Não é plausível analiticamente (embora funcione como agitação) que se estabeleçam a priori linhas de comando trabalhando em prol da corrupção, como se determinados partidos ou políticos fossem especializados na prática de crimes. Há mais afã desbragado pelo aproveitamento das oportunidades de poder e muito mais aparelhamento de agências e órgãos estatais - um aparelhamento que, à diferença do tradicional, pode até mesmo receber verniz ideológico, "anticapitalista". Cada época tem seu tipo particular de corrupto, e o de hoje parece ser o "facilitador".

Nas décadas recentes, muitas pessoas desejosas de ascensão social, emprego e prestígio foram projetadas em postos-chave do Estado, enredando-se em esquemas e maracutaias. Seus padrinhos conhecem as regras do jogo, não podem ser isentados de culpa. Não há mais "idealistas" no âmbito público e estatal. Também não há como contar com os mecanismos de controle da burocracia, cujas normas e cujo ethos jamais prevaleceram impávidos entre nós. Com isso as oportunidades de aparelhamento aumentaram sensivelmente. As correias de transmissão entre Estado, partidos e particulares ficaram descontroladas.

Precisaremos de tempo e determinação para que os atores entendam a nova estrutura da vida e domem os sistemas. Mas quanto antes começarmos a nos mexer em sentido reformador, melhor. Muito pode ser feito a partir da organização da indignação e dos desejos de se ter um País mais decente. Se aqueles que se mostram aguerridos no combate aos escândalos de hoje capricharem na mira, poderão funcionar como um polo de ativismo ético-político que ajudará a que se processem os escândalos que ainda virão, reduzindo paulatinamente a sua potência.

Bom 2013 para todos.

Rosemary, a mulher do ano - GUILHERME FIUZA

O GLOBO - 22/12


A representante da Presidência da República em São Paulo fez exatamente o que Dilma fez em Brasília: cacifada por Lula, passou a reger o parasitismo do PT



Nesses tempos de devoção às minorias, não é justo deixar de destacar a contribuição de Rosemary Noronha para a causa feminina. O Brasil progressista explode de orgulho por ser governado por uma mulher — que aliás deu a Rosemary sua chance de brilhar — e não pode agora se esquecer de reverenciar mais uma expoente do gênero. Assim como Dilma, Rose chegou lá. O fato de estar enrolada com a polícia é um detalhe.

Rose e Dilma escreveram seus nomes na história do Brasil por serem, ambas, utensílios de Lula. A finalidade de cada uma para o ex-presidente não vem ao caso. O que importa é que ambas funcionaram muito bem. Como se nota pelo ufanismo nacional em torno de Dilma, não se espera mais da mulher moderna opinião própria, autonomia e iniciativa. Basta botar um tailleur vermelho, um colar de pérolas e decorar suas falas. E muito importante: falar o mínimo, para errar pouco. Até outro dia isso era piada entre Miguel Falabella e Marisa Orth (“cala a boca, Magda!”). Hoje é sinal de poder.

O grande símbolo feminino brasileiro da atualidade, que desperta a admiração de Jane Fonda — que tempos! — não tinha feito nada de extraordinário na vida até ser levada pela mão do padrinho ao topo. O feminismo realmente mudou muito.

Lá chegando, seu maior mérito foi usar vestido e não ser o Lula (para os que não suportavam mais o ogro bravateiro), ou ser o Lula de vestido (para os que seguem venerando o filho do Brasil). Sem nenhum plano de governo, com um ministério fisiológico de cabo a rabo, sem um mísero ato de estadista em dois anos de mandato, Dilma se destaca por ser ou não ser Lula, dependendo do ponto de vista. É a apoteose da nulidade, que o Brasil progressista e feminista consagra com aprovação recorde.

Diante desses novos valores, seria injusto não consagrar Rosemary também. A representante da Presidência da República em São Paulo fez exatamente o que Dilma fez em Brasília: cacifada por Lula, passou a reger o parasitismo do PT, cuidando da nomeação de companheiros e dando blindagem política às suas peripécias para sucção do Estado.

No caso de Dilma, a grande orquestra fisiológica foi desmoronando ao vivo, com nada menos que sete ministros nomeados (e protegidos até o fim) por ela caindo de podres, graças à ação da imprensa. A mulher-modelo de Jane Fonda ainda havia parido uma Erenice, a quem preparava para ser a dama de ferro de seu governo (Jane não pode imaginar o que seria isso) — derrubada por fazer na Casa Civil algo muito parecido com as operações fantásticas de Rosemary. Até o uso da Anac como balcão de negócios se repetiu. Por que só Dilma é ícone feminino, se Rosemary mostrou ser um prodígio da mesma escola?

Por algum mistério insondável, a Polícia Federal não fez escutas nos telefones de Rose, ou diz que não fez. As conversas da mulher que regia uma quadrilha grudada em Lula, se apresentando como sua namorada, e que tramou até sabotagem ao julgamento do mensalão — o mesmo que Lula tentara com Gilmar Mendes — não interessou aos investigadores. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que não havia motivos para grampear Rosemary — uma suspeita que está impedida pela Justiça de sair de sua cidade. Esses ministros farsescos do PT podiam ao menos ser mais criativos. Mas não precisa, porque o Brasil engole qualquer coisa.

Marcos Valério disse que Lula teve despesas pagas pelo esquema do mensalão e autorizou operações bancárias do valerioduto. É comovente a desimportância atual dessas declarações. Lula é o líder de um projeto político montado para a permanência no poder a qualquer custo — e essa fraude está exaustivamente demonstrada pelo mensalão, por Dirceu, Erenice, Palocci, Pimentel, aloprados, Rosemary e praticamente todo o estado-maior petista, tanto de Lula quanto de Dilma, flagrados em tráfico de influência para se aferrar ao poder na marra. O que mais é preciso denunciar?

O eleitor brasileiro está brincando com fogo. Enquanto o desemprego estiver baixo, vai continuar afiançando a fraude que finge não ver. O país vai sendo empurrado com a barriga pelos fisiológicos — e essa conta vai chegar. O governo desistiu de controlar a inflação, que vai se afastando da meta (apesar da mudança de cálculo que reduziu o índice). A gastança pública é disfarçada com truques contábeis para esconder o déficit. A arrecadação brutal banca a farra dos companheiros, sem sobra para investimentos decentes — e tome literatura de trem-bala e tarifas mentirosas de energia, que já multiplicam os apagões por manutenção precária.

Como se viu na funesta CPI do Cachoeira, a mafiosa Delta comandava o planejamento da infraestrutura terrestre.

Mas está tudo bem, e oito governadores podem ir de cara limpa prestigiar Lula e sua democracia de aluguel. Se este é o país que queremos, Rosemary é a mulher do ano.

Hora da sensatez - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 22/12


A acertada decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal desanuviou o clima. Bom momento para pensar sobre os eventos dos últimos dias. O PT enfraquece a democracia quando a compara a um regime de exceção, o presidente da Câmara dos Deputados afronta princípios constitucionais, e o Senado esteve a um passo de desmoralizar o processo legislativo.

Joaquim Barbosa se debruçou sobre um caso em que não havia jurisprudência. O Supremo, como o nome diz, é a última instância, mas existem caminhos para recorrer a ele mesmo na finalização do processo. Os recursos não são manobras protelatórias, são direitos. Os condenados têm endereço certo, responderam em liberdade e tiveram passaportes recolhidos. O melhor é que o momento da prisão seja decidido quando estiverem esgotados os recursos e pelo voto do colegiado.

Certamente, não foram as frequentes ameaças do Partido dos Trabalhadores, e de vários dos seus dirigentes, que sedimentaram a decisão tomada pelo presidente do STF. Foi a decisão acertada.

Superada a tensão em relação ao risco de prisão imediata dos condenados, é bom refletir sobre o espetáculo dos últimos dias que mostrou o quanto o ambiente tem se degradado por ação ou omissão de líderes políticos e governantes.

As declarações do presidente da Câmara, Marco Maia, são sempre tão inadequadas que só resta o consolo de que o seu mandato na presidência está acabando. A ideia de usar a instituição que preside como refúgio de criminosos é espantosa. Pelo menos um dos deputados tem sido presença constante em escândalos.

O que o deputado Marco Maia faz é para seguir o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, que deu a seguinte ordem à sua facção partidária: "O importante agora é reforçar Marco Maia e depois é a hora de ir para a rua.”

Maia dispõe da Câmara como se ela fosse uma trincheira de José Dirceu.

Um condenado em desespero diz o que lhe vem na telha, entra em regressão e delira.

Acredita estar enfrentando a ditadura contra a qual lutou na juventude. No seu estado, pode-se até desculpar a confusão mental. O inaceitável é que o presidente da Câmara ponha uma instituição da República à disposição de réus. Imagine que absurdo seria o país viver uma crise institucional por ter o deputado Marco Maia oferecido asilo no território da Câmara a um deputado como Valdemar Costa Neto, useiro e vezeiro de mal feitos.

A questão sobre quem pode cassar mandatos parlamentares, e em que circunstância, foi debatida no STF e dividiu a corte. O voto de desempate foi dado pelo decano Celso de Mello, de forma clara e convincente. O caso em nada se parece com as vezes em que a Câmara rejeitou cassar deputados ameaçados pelo arbítrio. Se os mandatos fossem mantidos, seria um despropósito. No mínimo, porque não teriam como comparecer ao Congresso.

Em outra ópera bufa, o presidente do Senado, José Sarney, quase levou o parlamento a mais desmoralização. Felizmente, houve um recuo no projeto de votar 3 mil vetos presidenciais numa tarde. Sarney está terminando o oitavo ano, desde 1995, em que exerce a presidência do Senado. Portanto, uma grande parte daqueles vetos está lá estacionada por falha dele.

Os últimos dias foram tensos. Muita sandice foi dita por quem deveria ter compostura. Quem deveria segurar seus radicais omitiu-se completamente. Os réus tiveram nos últimos sete anos todos as chances de defesa e garantias oferecidas pelo Estado de Direito. Só quem não entende de democracia pode confundir o que o país vive hoje com regime de exceção.

Sempre igual - ZUENIR VENTURA

O GLOBO - 22/12


Mais uma vez descumpro a promessa de tirar férias durante o Natal, que costuma cair próximo aos dias em que escrevo ou publico coluna. Calculei mal e aqui estou de novo para me repetir numa época em que também tudo é repetitivo: a rabanada, a canção “Noite Feliz”, os amigos-ocultos, os presentinhos, os engarrafamentos, o movimento das lojas, sem falar no dinheirinho compulsório para os porteiros, o mendigo de estimação, o guardador de carro, os entregadores de jornais, de remédio, de pizza, garis e carteiros. A exemplo dos Natais anteriores, não foi possível cumprir todos os compromissos de fim de ano, já não digo de compras, que minha mulher é quem as faz, mas de atendimento de convites. Parece que todas as noites de autógrafos, todas as exposições, todos os almoços e jantares de confraternização foram deixados para acontecer nesse período. Ter que escolher uns em detrimento de outros é uma das aflições dessa época. Mas o pior do Natal é sua submissão ao consumo, que faz dele “um orçamento”, como já dizia Nelson Rodrigues.

<SW,0>Apesar do desvirtuamento de sentido, porém, a data continua impregnada de simbologia e significados, carregando sonhos, desejos e esperança, tudo do que se precisa. Eu, por exemplo, não consigo deixar de fazer uma viagem nostálgica a um longínquo passado quando ouço o “Noite Feliz”. É como se, ainda coroinha, estivesse ajudando uma missa de meia-noite rezada em latim. A única novidade este ano para mim foi a descoberta que Alice acaba de fazer da diferença entre fantasia e realidade, ou seja, entre um Papai Noel “de mentira” e outro “de verdade”. O curioso é que o de mentira é o que ela vê, pode tocar e que fica parado na esquina fazendo “rou, rou, rou” para as crianças, vestido como se estivesse na Lapônia, com aquele gorro ridículo. O de verdade é justamente o que ela não vê, mas que vai botar seus presentes na árvore de Natal, que é o que afinal lhe interessa. Ela pegou também a mania de encerrar suas explicações com um “entendeu?”. “Esse é de mentira, entendeu?” Precoce, como vocês já perceberam, ela deve achar que o avô, por não saber lidar com o Ipad, tem dificuldade de aprendizado, é um “bobinho”. Ela sabe das coisas.

Comecei repetindo e vou terminar da mesma maneira, desejando para vocês um nada original, mas sincero feliz Natal.

* Algumas críticas ideológicas a Oscar Niemeyer depois de morto revelam, de tão iradas, que no Brasil foi fácil acabar com o comunismo. O difícil é acabar com o anticomunismo.

O segundo nó de Joaquim - LEONARDO CAVALCANTI

CORREIO BRAZILIENSE - 22/12



Se da primeira vez o ministro do Supremo deixou lulapetistas e oposicionistas perdidos ao dizer que votou em Lula em 2002 e 2006, agora o homem poupa mensaleiros da prisão imediata. E mais uma vez surpreende os homens partidários, que não sabem o que fazer ou falar



Há uma coerência quase insuportável nos movimentos de Joaquim Barbosa. E isso não está apenas no fato de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ter negado ontem o pedido de prisão dos mensaleiros. Um pedido, é preciso lembrar, feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que considerava necessária a urgência da prisão. Na cabeça do chefe do Ministério Público não era preciso uma instância revisora do processo, afinal todos os camaradas haviam sido condenados pela maioria do plenário da mais alta Corte.

Se eles foram considerados culpados, por que adiar ainda mais a cadeia? Mas, ao rejeitar o xilindró imediato para os condenados da Ação Penal 470, Barbosa seguiu parâmetros e jurisprudências, o que por si só já confirmaria a tal coerência. E vamos ao juridiquês, pois. Para o ministro, o plenário do STF, em outra decisão, considerou ser “incabível o início da execução penal antes do trânsito em julgado de condenação, ainda que exauridos o primeiro e o segundo graus de jurisdição”. Barbosa disse ainda que não existe algo urgente para mandar os mensaleiros para a prisão. Tratava, evidentemente, de uma possível fuga dos condenados, o que seria improvável por causa da retenção dos passaportes. A decisão de Barbosa, entretanto, não é a única coerência em jogo.

A segunda delas, talvez a mais simbólica para parte dos lulapetistas e da oposição, está no fato de o ministro fazer algo ou declarar alguma coisa contrária à expectativa geral. A aceitação do pedido de prisão era dada como certa para quem achava que Barbosa foi duro ao preparar o relatório contra os mensaleiros. Ou até mesmo para quem torce contra o PT em todos os momentos — rejeitando inclusive ganhos politicos e sociais do governo Lula — e encarava a prisão dos condenados como certa. Rezavam para ver José Dirceu passar o Natal na cadeia.

Voto aberto
Pois bem, contrariando todos os homens de partido, Barbosa mostrou-se apartidário. Não foi a primeira vez. O ministro do STF fez o mesmo — ou seja, deu um nó na cabeça dos políticos — quando disse, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no último mês de outubro, ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e 2006. Na época do voto ele já era relator do processo no Supremo. Se a declaração deixou os lulopetistas perdidos, trouxe a desconfiança da oposição sobre o resultado da julgamento. O processo chegou ao fim. No meio, agora em outubro, uma eleição municipal nada ou pouco influenciada pelo mensalão.

Ontem, ao negar o pedido de prisão dos condenados, o presidente do Supremo mostrou que mais uma vez que a expectativa de partidos passou longe de resultados jurídicos. No mais, Barbosa mostrou prudência ao não tomar a decisão monocraticamente e assim esperar a volta dos demais ministros do recesso para decidir sobre a prisão. Se isso levará os condenados a ganhar mais tempo e até ter alguma esperança de escapar da cadeia, é outra coisa. Tão séria quanto a decisão de Barbosa em negar a prisão de imediato.

Outra coisa
Combates sempre são travados para a plateia. Sem ela, nada tem graça, afinal de contas há poucas coisas nessa vida mais chatas do que ouvir alguém a contar as glórias, tendo o interlocutor nunca presenciado os feitos do narrador. Ou pior, ficar com a versão final do vencedor, como nos vários episódios da história mundial. O embate entre Congresso e Supremo é público. Mas isso não o torna melhor. De um lado, o do Legislativo, há um grave problema: a falta de um ator capaz de argumentar sem parecer fisiológico.

O ônus do acerto - IGOR GIELOW

FOLHA DE SP - 22/12


BRASÍLIA - Ao rejeitar a prisão imediata dos condenados pelo mensalão, Joaquim Barbosa mostrou que nem sempre está disposto a se assumir como uma versão tribunal superior do juiz Dredd.

Personagem clássico dos quadrinhos, maltratado em duas adaptações medonhas para o cinema, Dredd vive numa violenta distopia em que magistrados são, ao mesmo tempo, policiais, promotores e executores de pena -invariavelmente duras, geralmente de morte pelas mãos do próprio juiz.

Se foi técnica e merece aplauso, a decisão também tem caráter político. Pois, se calou aqueles que suspeitavam de seu "ativismo", o suspense sobre o que Barbosa faria deu um "calor" nos condenados e seus advogados, que perderam a noção do ridículo e se comportam como vedetes de um teatro do absurdo.

Como tudo na vida, há um ônus mesmo num ato correto. É o fato de que os condenados ganharam talvez dois meses ou mais para eventualmente planejar uma fuga.

Claro que seus advogados vão negar tal hipótese, probos que são seus clientes, e o próprio Barbosa se diz convencido de que a retenção de passaportes seja medida suficiente.

Só que não é. Com dinheiro e contatos, algo que não falta a boa parte dos condenados, qualquer um consegue documentos falsos e se aproveita da porosidade de nossas fronteiras no Sul e na região amazônica.

E para os ideologicamente motivados do bando, a Venezuela chavista, o Equador e o museu dos Castro em Cuba estão logo ali. Como disse um figurão petista em uma festa de fim de ano nesta semana: "Não sei por que eles não vão embora logo".

A possibilidade apavora a Polícia Federal, que ficaria com a conta política de uma fuga. Como não foi incumbida pelo Supremo para, digamos, ter um agente colado em cada condenado, resta à PF confiar no monitoramento de seus serviços de inteligência. E isso pode falhar.

2013, o ano do gás natural no Brasil - PAULO PEDROSA



O ESTADÃO - 22/12

O ano de 2012 foi um marco no setor elétrico, com a reversão da tendência de encareci- mento da energia, historicamente considerada um veículo de políticas públicas e instrumento de arrecadação. Com isso, começamos a recuperai" parte da capacidade do País de promover seu desenvolvimento econômico e social a partir de um potencial único de energia sustentável e a baixo custo. O governo federal mostra que passou a entender a energia como fator determinante para a competitividade da economia. Em recente reunião com associações do setor, o ministro Edison Lobão deixou claro que os investidores do setor elétrico serão atendidos em muitos pleitos, mas precisam ter em mente que o consumidor é a prioridade e que a indústria precisa de competitividade.

Nesse sentido, a Medida Provisória (MP) 579 propôs a renovação das concessões, de forma que o consumidor não pagasse mais pelos ativos amortizados, e reduziu encargos setoriais. Com isso os consumidores vão economizai" algo próximo de RS 20 bilhões em suas contas de energia elétrica em 2013, uma redução média de 20%. Para a indústria, as contas vão cair entre 9% e 16%. Essa é uma queda importante, mas a grande indústria, que é a base das cadeias produtivas, foi apenas cm parte atendida.

Os custos de produção precisam continuar caindo. O próximo passo deve ser a redução dos preços do gás natural e a extinção de novos encargos. Neste momento em que o governo mostra disposição de utilizar mais recursos do Tesouro Nacional para preservai" o esforço de redução do custo de energia, uma importante alternativa a considerar a absorção, pelo Tesouro, dos custos excepcionais dc geração termoelétrica, a redução integral da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), o abatimento dos custos da energia subsidiada pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Só o Encargo de Serviços do Sistema (ESS), para cobrir a geração térmica, deve atingir RS 24 bilhões este ano, um custo médio de RS 5,3 por MWh, que proporcionalmente encarece mais os custos da energia da indústria

Estamos claramente em desvantagem em relação aos nossos competidores internacionais também no que diz respeito ao gás natural. Pagamos em torno de US$ 14 por milhão de BTU (unidade de medida do gás), o 8.° maior preço do mundo. Diante dessa realidade, em 2012 a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) se preparou para o debate do gás natural e liderou o lançamento do projeto +Gás Brasil, em parceria com associações do setor e patrocínio de nove grandes indústrias brasileiras. Uma série de estudos com renomadas consultorias foi realizada e, após mais de 60 entrevistas com todos os agentes da indústria do gás natural, chegamos à proposição de uma agenda de mudança que, mais do que baixar preços, trará ao País investimentos de forma estruturada

Entre as propostas do +Gás Brasil está a criação de âncoras de consumo de gás e a atualização do uso de termoelétricas na base do sistema (ou seja, durante todo o ano). A crise atual de hidrologia traz uma oportunidade para que o governo repense a forma de leilões de novas usinas e os faça regionalmente. Com isso, poderia dar ainda mais segurança ao setor elétrico ao mesmo tempo que incentivaria a produção do gás por diferentes agentes. Bastaria criar clusters de consumo que unissem termo elétricas e grandes indústrias. Além disso, poderia resolver o problema do risco hidrológico, agravado pelo fato de que as restrições ambientais impedem a construção de novas usinas com reservatórios. Além de mais segurança energética, os próprios investidores de gás natural poderiam contar com contratos de longo prazo que viabilizassem a exploração do combustível dirigida para a geração termoelétrica e para o consumo industrial.

Seguindo a tendência iniciada neste ano, 2013 pode ser o ano do gás natural no Brasil: o ano em que consolidaremos uma política pública para este energético que está redefinindo a geopolítica global, assegurando novas bases para a indústria e a economia brasileiras.

Crescer ou crescer - PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

O GLOBO - 22/12



Fundamental é, sem dúvida, o crescimento econômico



O ano de 2012 termina com uma grande decepção: o baixo crescimento econômico do Brasil. Pelo segundo ano consecutivo, a economia cresceu a taxas medíocres e até agora não há sinais convincentes de retomada da atividade no seu conjunto. Aqui e ali, apareceram alguns sinais positivos, mas chegamos ao fim do ano sem a superação inequívoca do quadro de semiestagnação.

Não era o que se esperava. O governo reviu para baixo diversas vezes as suas projeções de crescimento ao longo do ano. A maioria dos analistas previa o começo da recuperação para o segundo semestre, mais tardar último trimestre do ano. O “staff” do FMI, por exemplo, esteve no Brasil e preparou relatório prevendo a recuperação no curto prazo.

Uma das razões desse consenso era a percepção de que certas medidas de estímulo adotadas pelo governo teriam de produzir efeito antes do fim do ano. Entre essas medidas, se destaca a diminuição das taxas de juros. Desafiando a sabedoria convencional, a Fazenda e o Banco Central trabalharam de modo coordenado para viabilizar uma queda sem precedentes dos juros no país — mas o crescimento não veio, pelo menos não de imediato.

Não quero dizer que a queda das taxas de juros não tenha sido de grande importância. Ela contribuiu para depreciar o real, ajudando a corrigir uma distorção que minava a competitividade externa da economia. Além disso, juros menores têm importante efeito positivo sobre o custo da dívida do governo. E, como o setor público é credor líquido em moeda estrangeira, a desvalorização cambial também afetou positivamente as finanças públicas. Com o novo patamar de juros e câmbio, diminuiu consideravelmente o superávit primário requerido para estabilizar a relação dívida pública/PIB. Diminuiu também o custo de carregamento das volumosas reservas do país.

Tudo isso é muito bom, mas o fundamental é o crescimento econômico. Para um país em desenvolvimento como o Brasil, com longo caminho a percorrer, não há opção: é crescer ou crescer. Somos a sexta ou sétima maior economia. Mas em termos de renda por habitante estamos ainda muito atrás dos países avançados. Sem crescimento a taxas elevadas, não há como melhorar de forma sustentada a qualidade e o nível de vida da população. Não há como erradicar a pobreza em que ainda vive boa parte dos brasileiros.

Políticas sociais, de cunho distributivo, são indispensáveis. Muito pode ser alcançado em desenvolvimento social com políticas desse cunho, como mostra a experiência brasileira nos últimos dez anos. Mas não se pode ter ilusões: no longo prazo, o que realmente faz diferença é o crescimento. E crescimento de longo prazo implica aumento do investimento e da produtividade.

Com crescimento medíocre tudo fica mais complicado. Sofre a geração de empregos e renda. O ajustamento das contas públicas se torna mais difícil. Os conflitos se intensificam. O horizonte se estreita.

O crescimento não é solução para tudo, mas sem crescimento não há solução para nada.

China, discutindo a relação - KÁTIA ABREU

FOLHA DE SP - 22/12


Temos nos mantido à distância da China, como um convidado de 2ª classe à festa do seu crescimento


A China é hoje, indiscutivelmente, uma força econômica dominante no mundo e sua influência e poder vão se manter ou até ampliar nos anos que se seguirão.

Mesmo com o fim da crise do euro e com a esperada recuperação dos Estados Unidos, há muita gente qualificada afirmando que essas duas grandes economias entrarão num longo período de baixo cres-

cimento, por razões estruturais que transcendem as próprias crises atuais.

A China, ao contrário, prepara-se para dobrar o valor de seu Produto Interno Bruto até 2020, mantendo um ritmo anual de crescimento entre 7% e 8%. Esse desenho da economia para o futuro próximo tem consequências para o Brasil que não podem ser ignoradas.

Mas nós estamos tão acostumados a ver o centro do mundo na Europa e na América do Norte que não estou certa de que essa recomendação elementar será de fato observada.

Até agora, nossas relações com a China têm sido marcadas pela passividade, pela resignação e pelo medo. Se forem esses os sentimentos que continuarão nos orientando daqui para a frente, vamos deixar de nos beneficiar das oportunidades que a expansão chinesa naturalmente pode proporcionar.

Nosso intercâmbio com a China, hoje, é no mínimo assimétrico. Nossas exportações cresceram extraordinariamente nos últimos dez anos, é verdade, passando de pouco de mais de US$ 1 bilhão, em 2000, para US$ 44 bilhões, em 2011. Nossas importações chegaram a US$ 28 bilhões, no mesmo período, proporcionando ao Brasil um superavit de US$ 16 bilhões.

Mas nossas exportações, até agora, estão fortemente concentradas no complexo soja e no minério de ferro, enquanto nossas importações são bastante diversificadas, incluindo itens de alta tecnologia nas áreas de eletroeletrônicos, material de telecomunicações e bens de capital.

Ou seja, ficamos maravilhados com o tamanho e o dinamismo do mercado chinês, mas quem está ocupando verdadeiramente um merca do de consumo são os chineses.

As receitas cambiais proporcionadas pela soja e o minério de ferro são muito úteis ao Brasil e dólares e yuans têm o mesmo valor, independentemente da mercadoria pela qual sejam trocados. Mas é impossível não perceber que os chineses têm sido muito melhores vendedores do que nós.

E, se tudo continuar como está, de nada nos adiantarão as perspectivas de crescimento do mercado interno chinês, com a nova ênfase no consumo doméstico e na urbanização acelerada na década em curso.

A China é um mercado difícil, pois não é uma economia inteiramente aberta, e tem uma forte propensão à autossuficiência.

Com uma população de 1 bilhão e 400 milhões de pessoas para alimentar e com escassez de água e terras aráveis, suas importações agrícolas representam apenas 5% de suas importações totais.

Sua indústria avançou muito em inovação e produtividade e é, hoje, altamente sofisticada.

Mas seu próprio tamanho e sua necessidade de inserção na economia global vão forçar mais abertura comercial. E o Brasil não pode deixar de participar, de um modo muito mais ativo e com uma pauta muito mais diversificada.

Ocorre que a China é um país ainda estranho para nós -talvez para todo o mundo.

Por isso, precisamos nos aproximar mais, para melhor conhecê-la. Infelizmente, temos nos mantido à distância, como um convidado de segunda classe à festa do seu crescimento. Empresários e governo devem mudar sua posição.

O Itamaraty tem enviado para chefiar nossa embaixada os melhores e mais qualificados diplomatas de seu ótimo quadro, mas as ambições de nossa representação têm se mantido modestas. Enquanto temos 18 diplomatas em Londres, 24 em Paris e 15 em Roma, em Pequim são apenas 13.

Não é difícil deduzir a lógica dessa distribuição. Ela apenas reitera que, para nós, o centro do mundo ainda não saiu da Europa e a Ásia continua tão longínqua quanto nos tempos de Marco Polo.

Minha conclusão não pode ser outra: quando o assunto é a China, tudo ainda está por fazer.

O CNE enfrenta a Fifa - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 22/12


Por unanimidade, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou parecer que recomenda às instituições públicas e privadas de ensino de todo o País a manutenção do calendário escolar durante a realização da Copa do Mundo de 2014. O parecer foi enviado ao ministro da educação, que poderá homologá-lo ou não.

A iniciativa do CNE colide frontalmente com a Lei Geral da Copa. Imposta pela Fifa, essa lei interfere em competências constitucionais dos Estados e municípios, obrigando, por exemplo, a rede de ensino fundamental, médio e superior a conceder férias escolares durante o período entre a abertura e o encerramento do evento esportivo. Para a Fifa, a suspensão das aulas é necessária para amenizar problemas de trânsito e, com isso, assegurar o "sucesso da competição". Para o relator da lei, deputado Vicente Cândido (PT-SP), as mudanças no calendário escolar não causarão prejuízos para os alunos. Diretores de escolas e membros do CNE têm entendimento oposto. Segundo eles, a Lei Geral da Copa criou uma camisa de força que desorganiza o planejamento escolar e "sufoca a liberdade de ensinar e aprender".

Na época em que o presidente Lula enviou à Fifa um ofício informando que a União aceitava todas as imposições da entidade, o governo foi acusado de negociar questões de soberania, abrindo caminho para a imposição de privilégios e medidas absurdas, que desorganizam as competências dos entes federativos. O parecer do CNE retoma essa discussão e, entre os argumentos que invocou, dois merecem destaque.

O primeiro argumento é jurídico. O CNE lembra que a Lei Geral da Copa passa por cima de normas fundamentais da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação. Uma dessas normas estabelece a carga horária de 800 horas-aula por ano, distribuídas por um período de 200 dias. Outra norma dá às autoridades educacionais autonomia para definir o calendário escolar. E como pela Constituição a educação é prioritária, a Lei Geral da Copa não pode se sobrepor à LDB, diz o autor do parecer, Mozart Ramos.

O segundo argumento envolve o teor e o alcance da política educacional do País. Definido por diretores de escolas e pedagogos, o calendário escolar leva em conta as peculiaridades climáticas, sociais e econômicas de cada região, não podendo ser mudado - sob o risco de prejudicar o processo de aprendizagem dos alunos - e muito menos deve ser mudado para atender aos interesses comerciais de uma empresa internacional privada. A Fifa quer que as férias escolares sejam de um mês, durante o período de 12 de junho a 13 de julho de 2014. Mas, pelo calendário das escolas brasileiras, o recesso do meio do ano é de apenas 15 dias e ocorre em julho - não em junho.

"Por que uma criança de um município no interior de qualquer Estado brasileiro terá de ficar obrigatoriamente sem aula, por causa de uma partida entre Japão e Camarões em Brasília", indaga a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, Amábile Pacios. "Os sistemas de ensino no Brasil são diferentes. O verão no Rio Grande do Sul é diferente do verão no Rio de Janeiro. Nosso início de aula é sempre no fim de fevereiro, depois que as pessoas fazem suas viagens", diz Maria Eulália Nascimento, secretária adjunta de Educação do Rio Grande do Sul, depois de afirmar que não dá para antecipar o início das atividades didáticas de 2014.

O parecer do CNE que questiona a obrigatoriedade de suspensão das aulas durante a Copa do Mundo de 2014 tem o apoio de entidades educacionais, sindicatos de professores, mantenedoras de escolas e até das autoridades educacionais. Eles estão pressionando o Congresso a alterar a redação da Lei Geral da Copa, incluindo um dispositivo que dê a cada escola a prerrogativa de adaptar o calendário ao da Copa do Mundo.

Não se discute a importância desse evento, por causa de suas implicações econômicas, como dissemos recentemente. Mas isso não pode ser justificativa para que o sistema de ensino seja desorganizado nem para que as atribuições básicas dos municípios, dos Estados e da União sejam revogadas, contrariando expressamente a ordem jurídica.

"Pibão grandão" - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 22/12


Presidente Dilma quer que o PIB cresça pelo menos 4% em 2013, mas sua política econômica dificilmente trará expansão acima de 3%


A presidente Dilma Rousseff quer um "pibão grandão" em 2013. Sua expectativa de um crescimento de 4% no PIB foi manifestada no mesmo dia em que o Banco Central reduziu mais uma vez sua projeção para este ano, de 1,6% a 1%.

A se confirmar o prognóstico, o primeiro biênio do governo Dilma terá um crescimento médio de 1,8%. Um óbvio "pibinho".

Na tentativa de garantir os 4%, o Planalto recorre à sua receita preferida -até aqui ineficaz. O enésimo pacote de incentivos anunciado, com desonerações de R$ 6,8 bilhões, nada tem de inovador.

Prorrogou-se a redução do IPI para incentivar o consumo de bens duráveis. Estendeu-se ao comércio varejista a desoneração da folha de pagamento. O governo deixará de arrecadar R$ 40 bilhões.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou para breve a simplificação do PIS/Cofins e a reforma do ICMS, esta para pôr termo à guerra fiscal entre unidades da Federação com o nivelamento paulatino das alíquotas interestaduais, até chegar a 4% em 2025.

Em troca, o governo federal reduzirá os juros das dívidas dos Estados e formará um fundo para compensar os que tiverem perdas. Mas a transição de 12 anos é longa demais, um indicador da dificuldade política de mudar o status quo entre os governos estaduais.

Mantega insiste que está em curso a construção de uma nova matriz econômica, ancorada em juros menores, desvalorização do real e, com menor ênfase, uso de certa folga nas contas públicas -propiciada pela redução da taxa básica de juros- para bancar desonerações de impostos.

Na falta de uma estratégia de longo alcance, instala-se a dúvida quanto ao fôlego dessas medidas para de fato mudar o padrão de crescimento, como pretendem Dilma e Mantega, e não só impulsioná-lo temporariamente. Os juros mais baixos acabarão por incentivar o investimento e a tomada de risco empresarial, um dia, mas persistem as restrições.

Uma delas é a dificuldade do governo em admitir sem meias palavras que depende do setor privado para alavancar investimentos. Outra é a inflação, que persiste acima de 5,5% e pode subir em 2013 se, como é provável, o PIB se acelerar.

No último relatório trimestral de inflação, o Banco Central reafirma o propósito de manter os juros baixos, mas alerta que os gastos governamentais em expansão e a moeda desvalorizada podem pressionar os preços.

É dado como provável que o PIB cresça cerca de 3% em 2013, mas o investimento seguirá abaixo de 20% do PIB, quando o necessário seria 25%. O "pibão" de Dilma não virá tão cedo.

Um obscuro contrato do governo de Brasília - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 22/12


Administração Agnelo Queiroz contrata sem concorrência firma de Cingapura a fim de fazer planejamento estratégico da capital federal para os próximos 50 anos



Não há justificativa aceitável, sob todos os aspectos envolvidos na questão, para a decisão do governo de Brasília de entregar, sem concorrência pública, a uma empresa de arquitetura de Cingapura o planejamento estratégico da capital federal nos próximos 50 anos. Anunciada em outubro e já consolidada pelo governador Agnelo Queiroz (PT), com a contratação do escritório Jurong Consultants, a iniciativa foi recebida com indignação por associações de arquitetos brasileiras e internacionais. E não por razões corporativistas.

Não passa despercebida a ironia de Brasília — Patrimônio da Humanidade há 25 anos, por decisão da Unesco — ser um símbolo da excelência da arquitetura nacional, um legado, celebrado internacionalmente, da obra de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. O Brasil tem excelentes arquitetos e urbanistas, escritórios altamente capacitados — e certamente mais identificados culturalmente com a cidade — para planejar o futuro da capital.

Mas, se a opção por uma empresa estrangeira tivesse o propósito de marcar uma posição não xenófoba do governo — postura saudável —, a reserva de mercado poderia ser confrontada pelo crivo da competência, com a abertura de uma concorrência internacional que recebesse propostas de candidatos de todo o mundo, inclusive, se o desejasse, do escritório de Cingapura. Estaria, assim, preservada a transparência do processo, em vez de se consagrar um caminho opaco, delineado entre quatro paredes.

Também pelo ângulo financeiro inexiste explicação convincente para a dispensa de licitação em negócio de tal vulto. O governo brasiliense decidiu, sem buscar a saudável competição do mercado, desembolsar o equivalente a quase R$ 9 milhões para o chamado “Brasília by Cingapura”, o projeto pelo qual o escritório contemplado planejará uma cidade aeroportuária, um polo logístico, um centro financeiro e a ampliação do polo industrial JK.

O empreendimento, que consumirá 18 meses de trabalho, terá implicações até 2060 na vida de uma cidade cuja população atual é de 2,5 milhões de pessoas. Não é empreitada que uma cidade contrate sem abrir o leque de opções, tanto para se definir por um projeto que mais se adeque às suas necessidades urbanísticas, quanto pela crucial obrigação de o poder público, dentro de suas responsabilidades, buscar o melhor preço na praça.

Por princípio, deve-se sempre ver com reservas operações milionárias fechadas com dispensa de licitação, instrumento eficaz contra dolos no âmbito da gestão pública. Mas o governador Agnelo Queiroz, personagem citado nas investigações em torno de Carlinhos Cachoeira, optou pela negociação obscura, mal explicada e de duvidosa valia para o futuro de Brasília e os cofres públicos.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV - 22/12


9h30 - Inter de Milão x Genoa, Italiano, Fox Sports

10h - Umacon Zaragoza x Azkar Lugo, Espanhol de futsal, Esporte Interativo

10h45 - Wigan x Arsenal, Inglês, ESPN Brasil

11h15 - Bath x Saracens, Inglês de rúgbi, ESPN +

13h - Manchester City x Reading, Inglês, Fox Sports

13h - Newcastle x Queens Park Rangers, Inglês, ESPN Brasil

13h - Betis x Mallorca, Espanhol, ESPN

14h - Lille x Montpellier, Francês, SporTV 2

14h - Vôlei Futuro x Volta Redonda, Superliga masc. de vôlei, SporTV

14h30 - Perugia x Andreoli Latina, Italiano masc. de vôlei, Bandsports

15h - Valladolid x Barcelona, Espanhol, ESPN e ESPN +

15h30 - Liverpool x Fulham, Inglês, ESPN Brasil

16h - Osasco x Minas, Superliga fem. de vôlei, Esporte Interativo e SporTV

16h - São José x Paulistano, NBB, SporTV 2

17h - Lyon x Nice, Francês, ESPN e ESPN +

17h30 - Villa Cortese x Piacenza, Italiano fem. de vôlei, Bandsports

17h45 - Roma x Milan, Italiano, Fox Sports

17h45 - NAC x PSV, Holandês, ESPN Brasil

19h - UFJF x Minas, Superliga masc. de vôlei, SporTV 2

19h30 - Internacional x Cruzeiro, Brasileiro sub-20, SporTV

21h30 - Rio de Janeiro x Cruzeiro, Superliga masc. de vôlei, SporTV

23h30 - Detroit Lions x Atlanta Falcons, futebol americano, ESPN e ESPN +

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Menos mal. Assim posso passar o Natal com minha mãe”
Ex-ministro José Dirceu fingindo desdém, ao saber que não seria preso imediatamente


PLANALTO SÓ TEME A DERRUBADA DE 28 DOS 3 MIL VETOS

O Planalto listou 28 dos 3 mil vetos cuja possibilidade de serem derrubados no Congresso tira o sono da presidente Dilma. Dessa lista, mantida a sete chaves, preocupam mais o governo a lei que acaba o fator previdenciário, para o cálculo de aposentadorias superiores a um salário mínimo, a lei do Código Florestal, em razão de acordos com ambientalistas, e redistribuição de royalties da exploração de petróleo.

FIM DO MUNDO

Para Dilma, “fim do mundo” seria derrubar vetos do fator previdenciário, que provocaria suposto rombo de R$ 40 bilhões no Tesouro Nacional.

LEI DO ROYALTIES JÁ ERA

Na intimidade, Dilma deixa claro que considera “favas contadas” a derrubada dos seus vetos à lei que redistribui os royalties de petróleo.

DERROTA IMINENTE

O governo percebeu que perderia após a troca de votos entre ruralistas e Força Sindical nos temas “fator previdenciário” e “Código Florestal”.

DR. HOUSE

Milagre dos médicos cubanos: segundo o governo venezuelano, o porra-louca Hugo Chávez não só “passa bem”, mas está “consciente”.

MESMO CONDENADO, GENOINO ASSUMIRÁ NA CÂMARA

Réu condenado no mensalão, José Genoino (PT-SP) não vai ao encontro dos pais e familiares no interior do Ceará, como faz todos os anos nas festas de fim de ano. Ele ficará em São Paulo e, já no dia 2, assumirá em Brasília o mandato de deputado federal. Ele é primeiro suplente e sua vaga será aberta com a licença de titulares que vão compor o secretariado de Fernando Haddad, na prefeitura paulistana.

INOCÊNCIA

Durante todo o processo do mensalão, Genoino alegou inocência, mas os ministros do Supremo Tribunal Federal acabaram por condená-lo.

SEMIABERTO

José Genoino foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão. Como sentença é inferior a 8 anos, poderá cumpri-la em regime semiaberto.

IRMÃO DO LÍDER

Ao assumir o mandato, José Genoino será um dos liderados do irmão, José Guimarães (CE), eleito por aclamação líder do PT na Câmara.

CALDO DE GALINHA

Bom mineiro, o ministro Joaquim Barbosa agiu com a conhecida prudência, longe de “pressões” para livrar mensaleiros ou evitar “crise institucional”. Seguiu a letra da lei que Marcos Maia não sabe ler.

CASA DE FERREIRO

Para o líder do PMDB e futuro presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), é contraditório o Supremo exigir a votação cronológica dos vetos presidenciais na Câmara quando os próprios ministros têm mais de três mil acórdãos esperando votação.

TÔ FORA

O ministro Joaquim Barbosa (STF) se sentiu lisonjeado com a citação do seu nome para a Presidência da República, mas descartou: “Não muda em nada o que eu sempre fui (...) alheio a partidos políticos”.

PRONTO PARA IR EM CANA

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato estava no Rio, ontem, “aflito, mas pronto para se entregar”, segundo seu advogado Marthius Lobato, à espera da decisão do ministro Joaquim Barbosa. Com curso superior, pretendia reivindicar prisão especial.

MELANCIA NO PESCOÇO

Uma ação civil pública deveria obrigar o deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, a devolver os custos milionários da sua aparição em rede de TV, marcando o seu retorno ao baixo clero.

NEM ESQUENTOU LUGAR

Apesar de a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) haver informado por escrito que abria mão dos 14º e 15º salários, os R$ 21.230 do tal 14º foram depositados em sua conta. Devolveu-os até o último centavo.

LICENÇA MÉDICA

O senador José Sarney (PMDB-AP) deverá pedir licença para cuidar da saúde assim que deixar a presidência do Senado. Assumirá seu suplente, o ex-governador do Amapá Jorge Nova da Costa, de 84 anos.

QUE REMÉDIO...

O laboratório Eli Lilly pagou US$ 29 milhões ao governo dos EUA para se livrar de processo por suborno na Rússia, China, Polônia e Brasil, diz o jornal Moscow Times. Mas segue a investigação do propinoduto.

PENSANDO BEM..

... Marcos Maia, que queria tocar fogo no circo da Câmara, foi à lona.


PODER SEM PUDOR

DESCULPAS, SÓ PÚBLICAS

O mineiro Magalhães Pinto, velha raposa política, certa vez recebeu a visita de Carlos Lacerda, um dos políticos mais vigorosos do seu tempo, sempre implacável nas críticas. "O Lacerda me atacou pela TV, depois foi lá em casa desculpar-se. Chegou, sentou-se, tomou cafezinho e entrou no assunto:

- Magalhães, fui agressivo com você, ontem. Vim pedir-lhe desculpas.

- Nada disso, Carlos. Aqui em casa, só nós dois, não aceito. Você atacou pela TV, conserte na TV.

SÁBADO NOS JORNAIS


Globo: Manobra de vereadores põe projeto olímpico em risco
Folha: Barbosa rejeita a prisão imediata dos condenados
Estadão: Barbosa nega prisão imediata de condenados no mensalão
Correio: E a vida continua
Jornal do Commercio: Seca provoca perdas no polo de confecções
Zero Hora: Preso na Serra elo entre as Farc e quadrilhas de SP e RJ
Estado de Minas: O Mineirão é nosso e agora do mundo

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Paz e respeito - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 21/12


A 12ª Vara Cível do Rio proibiu a TV Record de reprisar reportagem em que Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato de Daniella Perez, fala sobre o crime.
A Justiça também proibiu a exibição, sem autorização prévia, de imagens da atriz e de sua mãe, a novelista Glória Perez.

Segue...
Se a ordem for descumprida, a multa será de R$ 500 mil por exibição, segundo o advogado Paulo Cezar Pinheiro Carneiro Filho.
— Não posso permitir que o assassinato de Daniella seja usado para gerar lucros para seu assassino e quem lhe cede o palco, para que ele conte “versões”, como se já não tivesse sido julgado e condenado. Minha filha está morta, mas a mãe dela está aqui. Só peço paz e respeito.

Polêmica à vista
Historiadores como José Murilo de Carvalho estão contra a transformação da Casa da Marquesa de Santos (Museu do Primeiro Reinado), em São Cristóvão, no Rio, em Museu da Moda, como saiu aqui ontem.
— Trata-se de preciosa peça de arquitetura e pintura, a mais típica do Primeiro Reinado, onde além da marquesa morou Mauá por 13 anos. Que façam em outro lugar o Museu da Moda, sem cometer esse crime. Muita gente vai torcer para que o projeto não vá adiante — diz José Murilo.

Ele merece
Frei Betto, o grande brasileiro, ganhou no voto, e por unamidade, o Prêmio José Martí, da Unesco.
Vai receber dia 28 de janeiro.

Presente de Natal
Pesquisa do Instituto Data Popular, de Renato Meirelles, mostra que a classe C pretende gastar até R$ 288, em média, com presentes neste Natal.
Já a classe B, R$ 484. E a A, R$1.062. Sobrou dinheiro
No país da Copa, o Ministério do Esporte não executou mais da metade de seu orçamento de 2012.

Carinhoso
Milton Gonçalves foi convidado para fazer o papel de Pixinguinha (1898-1973) no cinema.
A direção será de Denise Saraceni. Milton já se submeteu ao molde de uma máscara para a caracterização do personagem na maturidade, aos 75 anos (última fase da vida). O ator fará aulas de flauta e sax tenor para ter intimidade com os instrumentos.
Acervo da ABL
A ABL vai aproveitar seus dois meses de recesso para mudar seu precioso arquivo de lugar.
O tesouro ocupará parte do 16º andar do Palácio Austregésilo de Athayde, no Centro do Rio.

Bafo
A Confederação das Seguradoras doou um milhão de bafômetros para o Denatran. Eu apoio.

Flamengo S.A.
O Flamengo terá um CEO no comando, contratado por sua nova diretoria.
Será Marcelo Corrêa, que por oito anos foi o principal executivo da Neoenergia, empresa do grupo espanhol Iberdrola e da Previ, dona no Brasil de elétricas como Coelba (BA), Celpe (PE), e Cosern (RN).

Artilheiro de Deus
Fred, o atacante do Fluminense, vai ganhar mais um troféu.
O artilheiro do Brasileirão receberá o Prêmio São Sebastião de Cultura, na categoria Esportes, dado pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. A entrega será no Dia do Padroeiro da cidade, 20 de janeiro.

Defunto invasor
O desembargador Ferdinaldo do Nascimento, do TJ-RJ, condenou o município de Cantagalo a indenizar em R$10 mil o cidadão Sérgio Luiz da Cruz.
É que o cemitério da cidade sepultou no jazigo de sua família, ao lado de sua mãe, um... defunto desconhecido.

A loura sumiu
Ontem, em mais um dia de calorão no Rio, o bar Devassa da Rua do Rosário, no Centro, estava sem... cerveja.
As bandejas passavam cheias de... suco de laranja.

Viva Wilson Moreira!
A prefeitura do Rio deu alvará para o mais novo bloco da cidade, o Amigos de Wilson Alicate, homenagem ao grande compositor Wilson Moreira, 76 anos, parceiro de Nei Lopes em joias do samba como “Senhora liberdade” e “Goiabada cascão”.
Alicate é o apelido de Wilson, pela força de seu aperto de mão. O bloco vai desfilar na Praça da Bandeira, perto do centro cultural que leva o nome do artista.

No mais
Como diria o saudoso Zózimo... e o mundo, hein? Não acabou.

Ponto Final
A inteligência não parece ser o forte de Wellington Dias, com todo o respeito. Para o senador piauiense, o ministro Luiz Fux, por ser carioca, deveria ter se declarado impedido de decidir sobre a questão dos royalties. Por essa tese, a questão teria de ir para a Corte Internacional de Haia. Afinal, um ministro mineiro, por exemplo, não poderia votar a questão, pois a tunga beneficiaria estados não produtores, como Minas. Francamente.