domingo, novembro 11, 2012

Antagonismo rigoroso - LEE SIEGEL


O Estado de S.Paulo - 11/11


NOVA JERSEY - Nunca me senti tão feliz por estar errado. Mesmo que Obama tenha assegurado seu segundo período na Casa Branca com vitórias apertadas nos chamados battleground states, os Estados em que a disputa é mais acirrada, pois o eleitorado oscila de eleição para eleição entre candidatos progressistas e conservadores, e ainda que em alguns desses Estados a vitória tenha sido obtida por margens reduzidíssimas, o importante é que ele ganhou. Que alívio. E que tragédia.

O alívio se deve ao fato de os EUA ficaram livres, por ora, de ser transportados de volta para o século 19 por um Partido Republicano que não tem peito para enfrentar os extremistas que o estão destruindo. E tragédia porque o ódio a Obama, que foi a força motriz por trás do surpreendente apoio angariado por um candidato amorfo como Romney, daqui para a frente só vai aumentar.

Obama conquistou expressiva quantidade de votos no colégio eleitoral, mas no eleitorado como um todo, sua vitória se deu por margem ainda mais estreita do que a observada nos battleground states. É surreal: no tocante a valores políticos e culturais fundamentais, os americanos estão divididos ao meio. O país não experimentava um racha dessa natureza desde a Guerra Civil.

Tal antagonismo tem inúmeras consequências, mas a que mais me preocupa é seu efeito corrosivo para o espaço público. Sem um consenso sobre o tipo de sociedade em que as pessoas desejam viver, esvai-se a crença num espaço de convivência que acolha a todos. Nos próximos quatro anos, aconteça o que acontecer na esfera política, o espaço público, que já vinha encolhendo, vai se contrair ainda mais.

Faz anos que o espaço público vem desaparecendo nos EUA. As garantias legais cada vez mais extensas para que as pessoas possam portar armas às escondidas transforma os espaços públicos em lugares perigosos. Quando as pessoas andam com revólveres ocultos sob o paletó ou atados ao tornozelo, um bar, uma rua movimentada, uma partida de basquete infantil assistida por pais extremamente competitivos, todos esses lugares se tornam locais em potencial de carnificinas. Os massacres que têm acontecido com frequência em escolas, locais de trabalho e cinemas são como um golpe após o outro à esfera pública.

O assalto ao espaço público se deve, em parte, à paixão que os republicanos têm por privatizações. Querem pôr tudo nas mãos de empresários privados: escolas, hospitais públicos, correio, universidades públicas, parques, zoológicos e até a arrecadação de impostos. Para muitos republicanos, a ideia de que algumas coisas existem para favorecer o bem-estar de todos, sem gerar lucros para ninguém, é insuportável. É como se, para eles, não houvesse vida fora do mercado. "Eu colonizaria as estrelas, se pudesse", disse certa vez o britânico Cecil Rhodes, aquele arqui-imperialista. Já os republicanos, se pudessem, poriam etiquetas de preço na estrelas, e depois as negociariam em Wall Street.

Até a devoção reacionária a valores cristãos é impregnada pelo fervor privatizante. Não há nada de cristão aí. A estranha obsessão dos republicanos com a questão do estupro, que fez duas de suas candidaturas ao Senado ir por água abaixo nesta eleição, é um reflexo disso. Para os verdadeiros cristãos, Deus revela Seu amor quando as pessoas abdicam de seus interesses e se preocupam com os outros. Para os republicanos, Deus é um CEO que dá ordens diretas aos funcionários. Só se pode dizer, como fez recentemente o coitado de um candidato republicano ao Senado, que a gravidez resultante de um estupro é "algo que Deus queria que acontecesse", quando se ignora por completo a existência de uma esfera pública habitada por pessoas que não são Deus. Para quem vê as coisas assim, as pessoas não levam vidas preciosas e únicas, depois morrem e vão para o céu. A ênfase aqui é na dimensão gerencial, não no trabalho. As pessoas não morrem: são demitidas da existência.

No entanto, o desejo que os republicanos têm de estruturar a vida como se fosse uma transação é só um lado da questão. As forças privatizantes parecem estar por toda parte, em todos os pontos do espectro político e social. Nada contribui mais para a divisão radical entre os americanos do que a chamada mídia "social", que na realidade é a própria antítese do social. Com frequência, vemos grupos de amigos pelas ruas, cada qual com seu dispositivo portátil. Para a esfera pública, o insondável espaço privado de um iPod ou iPad representa uma ameaça tão grande quanto uma pistola semiautomática. (Não preciso dizer que não conseguiria viver sem o meu dispositivo portátil, mas vivo muito bem sem uma pistola.)

Mas o fator que selará de vez a derrocada do espaço público será mesmo o antagonismo rancoroso entre as duas metades do país. A divisão continuará a fazer com que as pessoas desacreditem da política como uma instância capaz de mudar suas vidas, o que, por sua vez, levará à progressiva substituição da política por iniciativas privadas de mudança social, algumas positivas, como fundações benemerentes e grupos de caridade, outras profundamente negativas, como o incessante aparecimento de bilionários que se dedicam a distorcer o processo político, reduzindo-o à operação de máquinas de dinheiro rivais, cujo único objetivo é se destruir reciprocamente.

E o antagonismo continuará a empurrar as pessoas cada vez mais em direção ao ciberespaço, onde elas buscarão a afirmação mais estridente de seus pontos de vista e serão consoladas por comunidades movidas pelo rancor e pela paranoia. Esqueçam daquela história de um encontro fortuito num parque público que acaba em história de amor. O ódio é o instrumento mais ágil para criar intimidade.

Por fim, esse golfo intransponível entre "vermelhos" e "azuis" fará com que cada lado comece a sonhar com um país em que o outro não tenha lugar. Confesso que depois de passar quatro anos ouvindo os republicanos falar em reduzir os impostos dos muito ricos, aumentar os impostos da classe média, revogar a reforma do sistema de saúde aprovada pelo governo Obama e fazer da vida um negócio, esgotei o meu estoque de compreensão para com o outro lado. Se não compartilham da minha ideia de espaço público, não quero compartilhar o meu espaço público com eles. Torço para que Obama esteja se sentindo como eu.

Pendura eleitoral - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 11/11


A direção estadual do PSDB se recusa a assumir parte das dívidas da campanha de José Serra. A última negativa foi relativa a uma fatura de R$ 1 milhão em despesas gráficas. O comando paulistano da sigla também alega não ter caixa para ajudar no rateio. Já a equipe de Fernando Haddad ainda precisa recolher R$ 25 milhões até o dia 30 para fechar a contabilidade eleitoral no azul. Como é improvável que isso ocorra, débitos devem ser quitados pela direção nacional do PT.

Excel 

Responsável pelo capítulo de finanças da transição de Fernando Haddad, a economista Úrsula Peres está incumbida de coletar nos ministérios de Dilma Rousseff dados detalhados sobre o portfólio de programas federais que o prefeito eleito deseja implantar em São Paulo.

Refugiados 

Além da disputa por cargos entre correntes do PT, Haddad já enfrenta pressão para absorver na prefeitura paulistana "companheiros'' de cidades nas quais o partido foi desalojado do governo, como Diadema, São Carlos e Suzano.

Conexão... 

Geraldo Alckmin planeja reativar o escritório de representação do governo paulista em Brasília, fechado desde 2010. O tucano quer reforçar seu estafe na capital em razão da profusão de projetos que envolvem perda de recursos estaduais tramitando no Congresso.

... Planalto 

Com o mesmo objetivo, o governador receberá amanhã deputados de São Paulo para café da manhã no Bandeirantes.

Rival comum Derrotado pelo PSD, de Gilberto Kassab, em Ribeirão Preto, Duarte Nogueira tem se apresentado como nome consensual de Alckmin e Aécio Neves para suceder Sérgio Guerra na presidência nacional tucana.

Onipresença 

Presidente do PR, Alfredo Nascimento delegou poderes financeiros no partido a Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão. E, caso seja preso, Valdemar será substituído pelo senador Antonio Carlos Rodrigues (SP), seu aliado interno.

Hierarquia 

Quem acompanha a rotina do Senado observa que Rodrigues mantém linha direta com Valdemar. "É o chefe", diz, quando fala ao telefone com o dirigente.

Encalhou 

Previsto para ser lançado na terça-feira, o projeto de concessão dos portos sofrerá novo adiamento. Um dos entraves é a dúvida sobre a legalidade da criação da Autoridade Portuária, cujas atribuições podem conflitar com as docas estaduais.

Paralisia 

O infindável debate sobre os portos na Casa Civil prejudicou o funcionamento da menina-dos-olhos de Dilma: quatro reuniões da Câmara de Gestão, Desempenho e Competitividade, comandada por Jorge Gerdau, já foram canceladas.

Cadê?

Além do adiamento do pacote dos portos, governistas temem atraso em lote expressivo do "PAC das Concessões". Anunciado em agosto, o Programa de Investimentos em Logística destinará R$ 133 bilhões a rodovias e ferrovias, mas pouco saiu do papel até agora.

Modestos 

Em reunião com Ideli Salvatti na semana passada, senadores do bloco PTB-PR-PSC desistiram de pedir ministério. Diseram que se contentam com cargos no segundo escalão, como diretorias da Eletronorte, ANTT e Conab. A resposta da ministra foi o silêncio.

Poker Face 

Causou espanto no Planalto o inusual privilégio concedido à cantora Lady Gaga, que desembarcou nas bases aéreas do Galeão (RJ), Cumbica (SP) e Canoas (RS) para seus shows no Brasil. A gentileza, segundo averiguações, foi do governador Sérgio Cabral (PMDB).

TIROTEIO

Cid Gomes fala pelo PSB, não pelo PMDB. Sobre 2014, a decisão é da presidente Dilma, que conhece a lealdade de Michel Temer.

DO LÍDER DO GOVERNO NO SENADO, EDUARDO BRAGA (AM), sobre o governador do Ceará dizer que a vice na chapa à reeleição de Dilma deveria ser do PSB.

Contraponto

Papai (não) sabe tudo

O senador Delcídio Amaral (PT), ex-presidente da CPI dos Correios, que originou a ação penal do mensalão, participava de reunião no PT de Mato Grosso do Sul quando recebeu um telefonema de sua filha caçula:

-Pai, tenho uma prova de História hoje, e vai cair mensalão. O sr. pode me explicar o que foi o mensalão?

Delcídio, que chegou a ficar estremecido com o PT na época do caso, mas recompôs as pontes, desconversou:

-Filha, eu não sou a pessoa mais adequada para responder isso, e estou numa reunião. Sugiro que você pesquise no Google ou sintonize a TV Justiça.

Multidões - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 11/11

Em Lisboa e Londres você pode escolher a multidão que quer seguir: a que está indo para mais uma manifestação contra o governo e suas medidas de austeridade, ou a que está indo para o Bairro Alto de Lisboa e o Soho de Londres, para encher suas ruas, seus bares e seus restaurantes. Claro que uma multidão não desautoriza a outra. Você pode mesmo aderir às duas sem se contradizer. Nem o movimento no Bairro Alto e no Soho (só para pegar dois exemplos que devem se repetir em outros países como a Espanha e até, imagino, a Grécia) desmente a crise, nem a crise impede as pessoas de se divertirem, até para não pensar muito nela. E não se deve esquecer que boa parte das pessoas que pulam de tasca em tasca no Bairro Alto e transbordam dos pubs no Soho são turistas, em férias da realidade, qualquer realidade. Seja como for, o Marciano Hipotético que descesse no meio dessas multidões teria dificuldade em fazer seu relatório sobre o que viu. Todo o mundo revoltado ou todo o mundo alienado? Ou, em linguagem de marciano, fifti-fifti?

DJANGO

Existem algumas homenagens musicais feitas a músicos, memoráveis. Se poderia mesmo fazer uma lista das melhores, e fatalmente esquecer algumas. Tanto o Gerry Mulligan quanto o Ivan Lins homenagearam o Tom Jobim, o Ivan com Rio de Maio, uma bela evocação do Tom e do Rio outonais, e o Mulligan com Tema para Jobim, uma melodia digna do próprio homenageado. O saxofonista e compositor Benny Golson fez uma sentida homenagem a Clifford Brown, trompetista que morreu com 24 anos, na sua linda I Remember Clifford. Mas poucas homenagens musicais tiveram a força e a repercussão da que o pianista John Lewis compôs para o Quarteto de Jazz Moderno, chamada Django. Foi um dos primeiros sucessos do quarteto, e homenageava o guitarrista belga de origem cigana Jean “Django” Reinhardt. Mais do que qualquer outro músico da sua época e lugar, os anos 1930 e 40 em Paris, Django – que morreu em 1953 – transformou-se em mito, e é cultuado até hoje. Ele tinha perdido os movimentos de três dedos da sua mão esquerda, o que o obrigara a desenvolver um estilo próprio inimitável.

Em Paris está havendo uma exposição sobre sua vida e sua obra na Citê de la Musique. A exposição inclui aquele filme que o Woody Allen fez com o Sean Penn sobre o guitarrista que idolatra Django e que quando finalmente o encontra em pessoa, desmaia. Vimos um concerto em homenagem a Django no auditório da Citê. Um grupo americano, com um convidado especial na guitarra. O neto de Django. O legado está em boas mãos.

Corrupção e política - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 11/11


A luta contra a corrupção foi um tema comum nos últimos dias em várias dimensões, especialmente sua relação com a atividade política. Pelo inusitado da situação, chamou a atenção do mundo a advertência do presidente chinês Hu Jintao, no discurso de abertura do XVIII Congresso do Partido Comunista da China (PCC), de que a corrupção que afeta a sociedade chinesa, classificada de endêmica, "pode provocar a derrubada do Partido e do Estado".

A solução para o problema, segundo ele, passa pelo aperfeiçoamento do sistema democrático chinês, "com o objetivo de garantir que o povo possa ter eleições e decisões democráticas". Embora a democracia de que fala Hu Jintao tenha pouco a ver com a que se conhece no Ocidente, é interessante notar que ele identifica na ampliação das "decisões democráticas" uma das formas de derrotar a corrupção no país.

Na vida real, a China enfrenta denúncias de escândalos de corrupção na política que são divulgadas seletivamente. O líder Bo Xilai, que deveria estar tendo um papel de destaque no atual Congresso, foi expulso do partido e está preso sob acusações diversas, inclusive de assassinato.

Já as informações da imprensa internacional, especialmente do New York Times, sobre enriquecimento de parentes do futuro presidente Xi Jinping e do primeiro-ministro Wen Jiabao são censuradas no país.

Também a presidente Dilma Rousseff encontrou no discurso de abertura da conferência internacional anticorrupção, que o Brasil sedia pela primeira vez, um momento ideal para falar indiretamente dos efeitos do processo de mensalão na política brasileira, especialmente depois que as eleições municipais revelaram um número acima da média histórica de votos brancos, nulos e abstenções:

"O combate ao malfeito não pode ser usado para atacar a credibilidade da ação política tão importante nas sociedades modernas, complexas e desafiadoras. O discurso anticorrupção não deve se confundir com o discurso antipolítica, ou antiestado, que serve a outros interesses. Deve, ao contrário, valorizar a política, a esfera pública, a ética, o conflito democrático entre projetos que nela tem de ter lugar. Deve reconhecer o papel do Estado como instrumento importante para o desenvolvimento, a transparência e a participação política."

Um pronunciamento perfeito, que separa as questões de Estado das partidárias e dá uma dimensão valorizada da atividade política, muito além do toma lá dá cá a que a própria presidente cede na rotina diária de seu governo.

Recentemente, em uma entrevista ao Prosa e Verso, do GLOBO, por ocasião de seus 80 anos, o intelectual público Eduardo Portella já repudiava a associação automática entre política e corrupção:

Há um desinteresse político do intelectual. Não que ele deva ser político, mas deve estar o tempo todo assistido por uma consciência política e deve tomar decisões de repercussão política. Isso é fundamental. Alguns são alienados por natureza, interessados apenas em fazer seu sonetinho. Outros são céticos estruturais, é a turma do voto em branco. E há quem seja desconfiado porque confunde política com mensalão. O mensalão é um absurdo da vida política, mas o exercício da política é necessidade da democracia.

O publicitário Jorge Maranhão, dedicado à causa da cidadania e coordenador da ONG Voz do Cidadão, acha que a presidente Dilma tem sido mais feliz como chefe de Estado do que de governo. "A impressão que se tem é a de que se entrincheira na função de chefe de Estado para evitar o embate duro e nem sempre limpo e leal da política cotidiana." Mesmo na barganha de cargos em campanhas eleitorais, Maranhão ressalta que "ela não cede além dos cargos do Poder Executivo, de resto direito seu, mas evitando o jogo para os cargos das demais instituições de estado".

Para ele, sua consciência funcional é inequívoca "quando não submete a políticas de governo de interesse partidário as políticas de Estado de interesse público, como quando se relaciona com instituições como as Forças Armadas, os Tribunais de Justiça, o Ministério Público, a Receita Federal, o Banco Central e a Polícia Federal, por exemplo".

Mais recentemente, Maranhão lembra que a presidente tem feito prevalecer uma política de Estado também com as instituições de controle e gestão, "e aí é que tem feito toda a diferença, reconhecida, inclusive, por organismos multilaterais da área".

Lição global - HENRIQUE MEIRELLES

FOLHA DE SP - 11/11


A eleição americana teve dois fatores importantes e raros nos Estados Unidos: a diferença radical, pelos padrões americanos, das propostas dos dois candidatos e a divisão ao meio da sociedade entre propostas tão diferentes, uma combinação que traz perspectiva complexa à administração nos próximos anos.

Há várias razões para essa divisão: étnicas, de gênero, etárias. Mas o grande divisor de águas, ou de eleitores, foi a diferença das propostas econômicas, que tornou impossível a tradicional convergência americana ao centro.

Olhando a evolução política em outros países, vemos

como o debate econômico cada vez mais ocupa espaço determinante nas decisões político-eleitorais.

Na França, o socialista François Hollande foi eleito propondo manutenção do Estado de Bem-Estar Social e recusando o ajuste fiscal proposto. Porém, forçado pela realidade, voltou atrás, anunciando

medidas econômicas parecidas com as dos adversários. Com isso, sua aprovação foi a 30%, queda recorde após só um ano de mandato.

Já na Alemanha, a chanceler Angela Merkel tem aprovação elevada, apesar de suas duras propostas de austeridade. Mas a Alemanha já havia feito grande ajuste fiscal, trabalhista e securitário (que derrotou o governo Schröder nas urnas). Por causa desse ajuste, o país (e Merkel) hoje vivem os benefícios de uma economia mais competitiva, crescendo mais que a média europeia.

Na China, o grande debate na mudança de liderança é qual será o modelo econômico: se segue a abertura dos mercados ou consolida-se um controle maior do Estado.

O que vemos em todas es-sas regiões é a economia como elemento central no debate e nas decisões políticas. E a questão fiscal desponta, pois todos ou gostam de receber recursos do governo ou querem diminuir contribuições via isenções.

O governo, para atender a todos, tem que elevar a dívida pública. Contudo falta combinar com a parcela da sociedade que empresta esses recursos, pois esses investidores podem, a partir de certo ponto, demandar taxas de retorno mais elevadas ou mesmo cessar a compra dos títulos públicos porque a dívida cresce de forma inaceitável. E aí temos as crises profundas que os europeus já enfrentam e o Brasil enfrentou no passado.

Essa discussão passa também pela eficiência econômica do sistema tributário, do investimento e das despesas públicas: o que gera maior ou menor crescimento.

Conclusão: quanto mais cedo a discussão política no Brasil se voltar para temas econômicos, melhor para o futuro do país. É isso o que, de fato, interessa, como mostra o debate mundial hoje.

Tempos sombrios, tempos petistas - MARCO ANTONIO VILLA


O Estado de S.Paulo - 11/11


Luiz Inácio Lula da Silva está calado. O que é bom, muito bom. Não mais repetiu que o mensalão foi uma farsa. Também, pudera, após mais de três meses de julgamento público, transmitido pela televisão, com ampla cobertura da imprensa, mais de 50 mil páginas do processo armazenadas em 225 volumes e a condenação de 25 réus, continuar negando a existência da "sofisticada organização criminosa", de acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seria o caso de examinar o ex-presidente. Mesmo com a condenação dos seus companheiros - um deles, o seu braço direito no governo, José Dirceu, o "capitão do time", como dizia -, aparenta certa tranquilidade.

Como disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula é "um sujeito safo". É esperto, sagaz. Conseguiu manter o mandato, em 2005, quando em qualquer país politicamente sério um processo de impeachment deveria ter sido aberto. Foi uma manobra de mestre. Mas nada supera ter passado ao largo da Ação Penal 470, feito digno de um Pedro Malasartes do século 21.

Mas se o silêncio público (momentâneo?) de Lula é sempre bem visto, o mesmo não pode ser dito das articulações que promove nos bastidores. Uma delas foi o conselho para que Dilma Rousseff não comparecesse à posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF. Ainda bem que o bom senso vigorou e ela vai ao ato, pois é presidente da República, e não somente dos petistas. O artífice de diversas derrotas petistas na última eleição (Recife, Belo Horizonte e Campinas são apenas alguns exemplos) continua pressionando a presidente pela nomeação de um "ministro companheiro" na vaga aberta pela aposentadoria de Carlos Ayres Brito. E deve, neste caso, ser obedecido.

O ex-presidente quer se vingar do resultado do julgamento do mensalão. Nunca aceitou os limites constitucionais. Considera-se vítima, por incrível que pareça, de uma conspiração organizada por seus adversários. Acha que tribunal é partido político. Declarou recentemente que as urnas teriam inocentado os quadrilheiros. Como se urna fosse toga. Nesse papel tem apoio entusiástico do quarteto petista condenado por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Eles continuam escrevendo, dando entrevistas, participando de festas e eventos públicos, como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se tivessem sido absolvidos.

O que os petistas chamam de resistência não passa de um movimento orquestrado de escárnio da Justiça. José Dirceu, considerado o chefe da quadrilha por Roberto Gurgel, tem o desplante de querer polemizar com o ministro Joaquim Barbosa, criticando seu trabalho. Como se ele e Barbosa estivessem no mesmo patamar: um não fosse condenado por corrupção ativa (nove vezes) e formação de quadrilha e o outro, o relator do processo e que vai assumir a presidência da Suprema Corte. Pior é que a imprensa cede espaço ao condenado como se ele - vejam a inversão de valores da nossa pobre República - fosse uma espécie de reserva moral da Nação. Chegou até a propor o financiamento público de campanha. Mas os petistas já não o tinham adotado?

Outro condenado, João Paulo Cunha, foi recebido com abraços, tapinhas nas costas e declarações de solidariedade pelos colegas na Câmara dos Deputados. Já José Genoino pretende assumir a cadeira de deputado assim que abrir a vaga. E como o que é ruim pode piorar, Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou que a perda de mandato dos dois condenados é assunto que deve ser resolvido pela Casa, novamente desprezando a Constituição.

O julgamento do mensalão desnudou o Partido dos Trabalhadores (PT). Sua liderança assaltou o Estado sem pudor. Como propriedade do partido. Sem nenhum subterfúgio. Os petistas poderiam ter feito uma autocrítica diante do resultado do julgamento. Ledo engano. Nada aprenderam, como se fossem os novos Bourbons. Depois de semanas e semanas com o País ouvindo como seus dirigentes se utilizaram dos recursos públicos para fins partidários, na semana que passou Dilma (antes havia se reunido com o criador por três horas) recebeu no Palácio da Alvorada, residência oficial, para um lauto jantar, líderes do PT e do PMDB. A finalidade da reunião era um assunto de Estado? Não. Interessava apenas aos dois partidos. Fizeram uma analise das eleições municipais e traçaram planos para 2014. Ninguém, em sã consciência, é contrário a uma reunião desse tipo. O problema é que foi num prédio público e paga com dinheiro público. Imagine o leitor se tal fato ocorresse nos EUA ou na Europa. Seria um escândalo. Mas na terra descoberta por Cabral, cujas naus, logo vão dizer, tinham a estrela do PT nas velas, tudo pode. E quem protesta não passa de golpista.

Nesta República em frangalhos, resta esperar o resultado final do julgamento do mensalão. As penas devem ser exemplares. É o que o STF está sinalizando na dosimetria do núcleo publicitário. Mas a Corte sabe que não será tarefa nada fácil. O PT já está falando em controle social da mídia, nova denominação da "censura companheira". Não satisfeito, defende também o controle - observe o leitor que os petistas têm devoção pelo Estado todo-poderoso - do Judiciário (qual, para eles, deve ser a referência positiva: Cuba, Camboja ou Coreia do Norte?). Nesse ritmo, não causará estranheza o PT propor que a Praça dos Três Poderes, em Brasília, tenha somente dois edifícios... Afinal, "aquele" terceiro edifício, mais sóbrio, está criando muitos problemas.

O País aguarda o momento da definição das penas do núcleo político, especialmente do quarteto petista. Será um acerto de contas entre o golpismo e o Estado Democrático de Direito. Para o bem do Brasil, os golpistas mensaleiros perderam. Mais que perderam. Foram condenados. E serão presos.

Querem domesticar a internet - ELIO GASPARI

FOLHA DE SP - 11/11


O comissariado quer um marco regulatório que assegura a liberdade na rede, desde que... e lá vem chumbo


Com mão de gato, puseram pelo menos dois cascalhos no projeto do marco regulatório da internet que permitirão a censura da rede. Coisa de mágicos. Veja-se o parágrafo 3º do artigo 9º:

"Na provisão de conexão à internet, onerosa ou gratuita, bem como na transmissão, comutação ou roteamento, é vedado bloquear, monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados, ressalvadas as hipóteses admitidas na legislação".

É o arcabouço do qual saiu o modelo chinês. A internet é livre, desde que cumpra as normas de serviço, portarias e regulamentos do governo. Felizmente o deputado Miro Teixeira apresentou uma emenda supressiva ao texto do comissariado, cortando-o a partir de "ressalvadas as hipóteses".

Outro dispositivo diz que, para "assegurar a liberdade de expressão", o provedor poderá ser responsabilizado civilmente se não cumprir uma ordem judicial que manda bloquear uma conexão. A coisa fica assim. O soldado Bradley Manning rouba 750 mil documentos secretos do governo americano, transmite-os para o site WikiLeaks por meio de um sistema impossível de ser rastreado (ele só foi descoberto porque contou sua proeza) e um juiz de Mato Grosso manda o Google esterilizar o link. Se não o fizer, pagará uma multa e seu gerente poderá ser preso.

O projeto, que poderá ser votado na terça-feira, fala na defesa da liberdade de expressão e de acesso à informação para aspergir limitações. É a técnica da reunião que baixou o AI-5, na qual se falou 19 vezes em democracia e criou-se a ditadura.

JOAQUIM 2014

Pode parecer óbvio: Joaquim Barbosa seria candidato a presidente da República em 2014.

A novidade está no fato de que pessoas habituadas a ler os astros começam a fazer planos levando em conta essa possibilidade.

Nesse cenário, Barbosa não concluiria seu mandato de dois anos na presidência do Supremo.

Ninguém ouviu uma só palavra do ministro, mas dois anos antes da eleição, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso também não falavam no assunto.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é a favor de todos os benefícios, para quaisquer categorias.

Ele defende o pagamento de R$ 51 milhões para ressarcir os juízes e desembargadores do Rio que cobram o pagamento de auxílios-alimentação atrasados desde 2004. Cretino, teme que algum doutor tenha morrido de fome.

Ele viu que alguns juízes criticaram o mimo e foram rebatidos pelo presidente do tribunal, doutor Manoel Alberto Rebêlo dos Santos: "Ele não tiveram a dignidade de se identificar".

Eremildo acha que os auxílios para alimentação, transporte, sono, banho, vestimenta e diversão devem ser pagos integralmente a todos os cidadãos. Se alguém lhe der um sanduíche por conta dessa sua desassombrada atitude, agradece.

INVESTIMENTO

Quem comprou uma ação de empresa americana em 2008, no dia da posse do companheiro Obama, dobrou seu capital.

Quem guardou o ticket do metrô daquele dia histórico gastou US$ 2,10 e usou o serviço. Caso tenha guardado bilhete, fez bom negócio. Ele hoje vale US$ 15.

ORVIL

Chegou às livrarias a edição impressa de "Orvil - Tentativas de Tomada do Poder". O título significa "Livro", escrito ao contrário.

Trata-se de um compêndio organizado em 1985 no falecido Centro de Informações do Exército. Destinou-se a contar a história do combate a grupos esquerdistas durante os anos 60 e 70 sob a ótica dos agentes de uma política de Estado que patrocinou, estimulou e encobriu torturas, assassinatos e extermínios.

Quando o livro ficou pronto, o governo Sarney resolveu arquivá-lo, para não reabrir feridas que nunca cicatrizaram. O texto foi para a internet e agora tem 922 páginas. Foi organizado pelo tenente-coronel Lício Maciel (veterano do Araguaia, onde foi ferido no rosto) e pelo tenente José Conegundes do Nascimento.

É uma árvore sem tronco. Omite os crimes do Estado, mas é um relato informativo das ações, assaltos e assassinatos praticados durante o surto terrorista.

Quando trata da Guerrilha do Araguaia, informa que no final de 1973 os efetivos do PC do B "haviam-se reduzido a um terço do existente em abril de 1972", quando o foco foi descoberto. Aceitando-se esse cálculo, eles seriam pelo menos vinte.

É aí que entra uma pergunta que poderá ser respondida por veteranos da "tigrada" e pelos atuais comandantes militares à Comissão da Verdade. Se o Exército estava lá para capturá-los, como se explica uma operação militar que não conseguiu pegar um só? Sumiram todos. Foram-se embora num disco voador albanês?

Nunca é demais lembrar: em maio de 1945, depois do suicídio de Hitler, havia 20 pessoas no seu bunker, em Berlim. Sumiu só uma.

A BRUXA QUE ATERRORIZA WALL STREET ELEGEU-SE

Terminada a eleição americana, já há um nome para se prestar atenção: Elizabeth Warren. Ela tem 63 anos, serviu mesas no restaurante da tia aos 13, tornou-se advogada especialista em falências, professora de Harvard e elegeu-se senadora pelo Estado de Massachusetts sem nunca ter disputado uma eleição.

Se a banca e as grandes corporações acreditam em bruxas, Warren é a mais malvada delas. Mesmo antes do colapso de 2008 ela defendia uma reforma de Wall Street e, sobretudo, a criação de uma agência de proteção financeira para os consumidores. A banca torrou US$ 1,3 bilhão com lobistas para desidratar a reforma, mas não conseguiu impedir a criação da agência. Por qualquer critério, Warren seria encarregada de dirigi-la. A astuciosa oposição do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e a maleabilidade do companheiro Obama driblaram-na. Numa bonita cerimônia, ela foi encarregada de organizar a instituição, e tchau. Agora Warren chega a Washington como senadora, montada na vassoura da defesa da classe média.

Ela diz coisas que pareciam ter saído de moda. Por exemplo:

"Neste país ninguém ficou rico à sua custa -ninguém. Você transporta seus produtos em estradas que nós pagamos; você contrata pessoas que foram educadas pelo sistema público, sua fábrica está segura porque nós pagamos a polícia e os bombeiros. (...) Nosso contrato social pressupõe que você receba uma parte dos benefícios e pague para que um garoto seja beneficiado por ele."

O Partido Democrata cuida de seus azarões. Na convenção de setembro, Warren ganhou uma janela para discursar no horário nobre. Sua fala foi xumbreca. Em 2004 o partido fez coisa parecida com uma candidato ao Senado pelo Illinois. Foi a primeira vez que o mundo ouviu falar num sujeito chamado Barack Obama.

Warren chegará ao Senado com a faca nos dentes.

Serviço: a repórter Suzanna Andrews publicou um excelente perfil de Elizabeth Warren na revista "Vanity Fair". Está na rede e chama-se "The woman who knew too much".

A sucessão no Rio - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 11/11

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) estão exultantes. Eles estão recebendo pesquisas de intenções de voto que mediram o efeito de suas aparições, nas redes regionais de TV, nos programas de propaganda política nas eleições municipais. Eles estão à frente do vice Luiz Fernando Pezão, pois o PMDB não usou suas inserções para promovê-lo.

O princípio ativo da abobrinha
O governo Dilma acaba de ganhar processo, na 15ª Vara da Justiça Federal de Brasília, proibindo a Natura, empresa nacional da área de cosméticos, de pesquisar as frutas cajá e caju sem prévia autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente. Prevaleceu a alegação de que "a autorização prévia é fundamental para proteção do patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais dos povos e comunidades tradicionais do país, no exercício da soberania nacional, na legítima tutela dos interesses difusos e coletivos atinentes, a fim de evitar a pirataria genética com gêneros tipicamente brasileiros".

“As penas (do STF) são inegavelmente salgadas (no caso do mensalão) e vão se transformar em referência nacional para os juízes de 1º grau”
Miro Teixeira
Deputado federal (PDT-RJ)

Varredura
A Abin está fazendo avaliação de segurança nas embaixadas brasileiras mundo afora. Começou por Venezuela e Colômbia. A ideia é instruir diplomatas a lidar com dados sigilosos, evitando vazamentos como o episódio WikiLeaks.

Ficha-suja
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, afirma que mais de 2,5 mil prefeitos vão encerrar os seus mandatos em dezembro entrando na lista de fichas-sujas porque não conseguirão pagar todas as contas que estão pendentes. Esse número representa quase 50% do total de prefeituras do país.

Bota mel na minha boca
A Fifa não queria incluir Recife entre as sedes da Copa das Confederações. A presidente Dilma e o ministro Aldo Rebelo (Esporte) bateram pé. Mostraram força para a Fifa e fizeram um mimo para o governador Eduardo Campos (PSB).

Segurança reforçada
A segurança do STF está reforçando em três vezes seu efetivo para a posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência da Corte. Quer estar preparada para manifestações de protesto ou de aclamação. A cerimônia foi antecipada das 17h para as 15h, garantindo ao combalido ministro que possa descansar entre o discurso de posse e o jantar oferecido pelas associações de classe.

Ciúmes
O senador Wellington Dias (PT-PI) está inconformado com a notoriedade do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O petista é o autor do texto da Lei dos Royalties, relatado por Vital e aprovado pelo Congresso. Ele quer confete.

Ressaca
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), muda-se para o Rio tão logo encerre o mandato, no fim do ano. Decidiu fazer mestrado em Filosofia na PUC e dar um tempo da política. Já procura apartamento e escola para o filho.

COM A CORDA TODA. O PSD não vai entrar só no governo Dilma. Fecha esta semana aliança com o governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

2014 chegou - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 11/11


BRASÍLIA - A eleição municipal acabou num dia e a de 2014, para presidente e governadores, começou no outro bem cedinho. A campanha já está nas ruas, nos palácios, no Congresso e nos bastidores.

Em São Paulo, está principalmente nas ruas, onde a onda de matanças apavora a população, acua o governo tucano, já combalido pela eternização no poder local, e atiça o governo federal, cheio de gás depois da vitória à prefeitura.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que nunca esteve tão em evidência, pulou na lista de candidatos petistas ao Bandeirantes, onde já se aquecem Mercadante, Marta, Padilha e Marinho, com um novo jogador no banco: Haddad.

Mas os dois principais personagens do campeonato de 2014 são outros. Lula, que agora só pensa nisso: dominar tudo, com Planalto, Estado e capital de São Paulo. E Dilma, que mal esperou fecharem as urnas para entrar em campanha desabalada pela reeleição.

Na mesma semana, jantou com PMDB e PT, recebeu a luz de velas Eduardo Campos (PE), almoçou com Cid Gomes (CE), participou de pajelança com os governadores do Nordeste em Salvador, fez a maior farra com representantes da área cultural no Alvorada e lançou programa de estímulo à alfabetização no tempo certo no Planalto. Ufa! Haja fôlego! E haja vontade!

PMDB e PSB disputam claramente o lugar mais ao sol na aliança e na chapa de Dilma em 2014. Mas o PMDB está unido e já tem a cadeira, enquanto o PSB é dividido entre Campos e os irmãos Cid e Ciro e muito assanhado com a oposição.

O problema de Dilma, portanto, não é político. Com alta popularidade e aliados se estapeando pela sua companhia, ela precisa aquecer a economia, a infraestrutura e a eficiência na gestão, que não estão nenhuma maravilha.

Só não estão, ou não parecem, piores do que a guerra paulista.

Mão na massa - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 11/11

O senador Aécio Neves não se declara candidato à Presidência da República em 2014, mas é assim que se vê. É dessa perspectiva que analisa o panorama e é para se consolidar como "candidato natural" da oposição que se movimenta.

A estrada é longa – há o ano quem vem todo para atravessar, um discurso a construir e muitos cacos a juntar no PSDB –, mas o alento do tucano é que o caminho não é tão deserto quanto ele mesmo supunha nem o lobo mau anda tão perto a ponto de representar um obstáculo intransponível.

"O resultado da eleição municipal mostrou que não há cidadelas inexpugnáveis, que a popularidade de Dilma e Lula não é garantia de vitória e que a oposição não está morta", diz, afastando a hipótese de estar sendo artificialmente otimista, já que a mais o PT derrotou o PSDB em São Paulo, a mais importante das cidadelas.

Prejuízo grande? "Enorme. Em boa parte devido à ação deletéria de Gilberto Kassab, que conseguiu projeção nacional no espaço aberto para o PSDB, dizimou o DEM, construiu suas pontes com o governo e agora é nosso adversário."

Dano irrecuperável? "Nem de longe. Continuamos com os governos de São Paulo e Minas. Ganhamos as três últimas presidenciais no Sul e Centro-Oeste e agora conquistamos inserção importante no Norte e no Nordeste, de onde havíamos sido praticamente varridos."

Uma surpresa. Meses antes da eleição, os tucanos achavam que no Nordeste a oposição só ganharia em Aracaju, com o veteraníssimo João Alves, do DEM.

Por isso, o saldo de vitórias na parte do país onde o governo federal fincara sólidas bandeiras é visto com festejo: Salvador, Teresina, Maceió, Manaus, Belém e Aracaju. Inclui Fortaleza e Recife, conquistas do PSB em confronto com o PT, para dizer que a invencibilidade de Lula é um mito e a boa avaliação de Dilma não resulta necessariamente em influência de voto.

"A presidente se empenhou pessoalmente em cinco cidades, [Belo Horizonte, Campinas, São Paulo, Manaus, Salvador] e perdeu em quatro."

Mas só isso não faz do PSDB uma opção competitiva nem é suficiente nem para abalar a aliança em torno da reeleição de Dilma Rousseff.

Aécio concorda e acha indispensável pôr a mão na massa e o pé na estrada. Montar um "novo time" quando da mudança da executiva nacional do PSDB em maio, abrindo espaço para a nova geração de prefeitos e parlamentares.

"Depois disso, tenho uns seis meses para viajar pelo país." A ideia é falar nas assembleias legislativas, nas universidades, nas emissoras locais, aproveitando todo tipo oportunidade para levar ao eleitorado temas como saúde, segurança, penúria dos municípios, aparelhamento do Estado, eficácia de gestão, ética na política e mais quais forem os temas escolhidos pelo partido.

E o tom desse discurso, será ameno ou de embate com o Palácio do Planalto?

O senador é criticado dentro e fora do PSDB por ter tido uma atuação frustrante diante da expectativa de que seria o grande líder da oposição depois de deixar o governo de Minas.

"Sei disso. Às vezes penso que talvez tivesse sido melhor não ter ido para o Senado, onde a oposição não tem destaque e o ambiente é de subserviência absoluta."

Daí o plano de atuar mais fora do Parlamento em 2013. Candidatura para valer – "se for o caso", acrescenta a título de precaução –, só na virada do ano eleitoral.

Anuncia que assumirá gradualmente posições mais contundentes, embora dentro de um limite: "Não acho que vá ganhar a eleição quem se dedique exclusivamente a dar pancada no governo. Se eu tivesse feito isso teria sido pior, estaria mais desgastado".

Preservando-se para pescar nas águas governistas?

"Tenho trânsito em todos os partidos, mas no momento a preocupação é outra: cumprir uma agenda que faça do PMDB uma expectativa viável de poder, porque sem esse ativo não vamos atrair ninguém."

Bônus demográfico passou - SAMUEL PESSÔA

FOLHA DE SP - 11/11


Nossa sociedade de renda média não pode mais contar com a ajuda da demografia; crescer ficou mais difícil


Todos os que acompanham o debate sobre as possibilidades de crescimento da economia brasileira sabem que um dos motivos que justificam certo otimismo com as perspectivas futuras deve-se ao fato de estarmos na etapa do desenvolvimento demográfico conhecida por bônus ou dividendo demográfico.

Nessa etapa, a participação da população com idade ativa (PIA) na população total (POT) é máxima. Ainda não há muitos idosos dos quais tomar conta, mas já não temos muitas crianças para educar. Penso que essa visão está errada. O bônus demográfico na prática já passou e teremos que nos haver com um país que não é rico, mas já está envelhecido.

O motivo de pensar dessa forma deve-se à diferença que há entre efeito nível e variação percentual. Crescimento econômico é a elevação da capacidade produtiva. Para avaliarmos as possibilidades de crescimento, temos de olhar as taxas de variação dos fatores que determinam o crescimento, e não o nível.

Há três itens importantes no bônus demográfico. Primeiro, elevação da população em idade ativa em comparação à total. Segundo, elevação da capacidade de poupança devido à menor participação de crianças e idosos na população. Terceiro, possibilidade de melhorar a qualidade da educação das novas gerações pela redução do custo, pois teremos menos alunos.

Já devemos ter percorrido 80% do primeiro item do bônus demográfico. Como o que importa para crescimento é a diferença entre a taxa de crescimento da PIA sobre a taxa da POT, o bônus demográfico iniciou-se em meados da década de 1970 e deve encerrar-se na primeira metade da década de 2020.

Vamos considerar que o bônus demográfico iniciou-se em 1970. De fato, deve ter iniciado em algum momento entre 1970 e 1975. Na década de 1970, a taxa de crescimento da PIA foi de 3,1% ao ano, ante 2,5% da taxa de crescimento da POT. Plena vigência do bônus demográfico!

Por outro lado, o bônus demográfico deve terminar em 2022, quando a taxa de crescimento da PIA passa a ser menor que a taxa de crescimento da POT. De 1970 até 2012, já correram 42 anos ou 81% dos 52 anos que durará o bônus demográfico (de 1970 até 2022).

Outra forma de avaliar o fim do bônus demográfico é que nos dez anos que restam de bônus a taxa de crescimento da PIA será superior à de crescimento da POT em só 0,3% ao ano. Para os 42 anos que já transcorreram do bônus, essa diferença foi de 0,6% ao ano. Logo o primeiro item do bônus já foi colhido.

O segundo item refere-se ao estimula à poupança. Até o momento, a colheita desse item foi nula. O grosso do período do bônus demográfico coincidiu com a redemocratização. Em razão de inúmeras demandas sociais, esse foi um período de fortíssimo crescimento da carga tributária e de redução da poupança pública. Ou seja, no período que pela dinâmica populacional deveríamos elevar a taxa de poupança, a dinâmica política produziu o inverso: a taxa de poupança hoje é bem menor que nos anos 1970.

Não devemos esperar grande espaço para a elevação da taxa de poupança nos próximos anos, mesmo que haja algum espaço.

Resta, portanto, avaliarmos o terceiro item do bônus demográfico. É fato que nos próximos anos a taxa de crescimento da população em idade escolar irá cair muito. Assim poderíamos imaginar que, do ponto de vista do orçamento público, haverá mais recursos para a educação. Ocorre que nos próximos anos a taxa de crescimento da população idosa crescerá bem acima da total. Em 2012, a elevação da população idosa excederá a redução da população em idade escolar em aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.

Por outro lado, dado que o gasto per capita do Estado com cada idoso é maior que o com as crianças, a dinâmica demográfica da população inativa, idosos e jovens em idade escolar, já contribui para pressionar o gasto público.

Não é por outro motivo que este avança além do crescimento do PIB há mais de uma década. Se considerarmos a área social integrada, incluindo educação, saúde e Previdência, a dinâmica demográfica não deve reduzir pressão sobre o Tesouro, mas elevar.

Teremos que nos haver com uma sociedade de renda média que não pode contar mais com a ajuda da demografia. O crescimento ficou mais difícil.

Mudanças do Obama 2.0 - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 11/11

O segundo governo Barack Obama não será mais do mesmo. Haverá mudanças em postos estratégicos das políticas externa e econômica. O ambiente no qual o governo começa é diferente. Há sempre a esperança de que um governante no segundo mandato tenha aprendido com os erros do primeiro. Mas, até em programa de computador, às vezes, a segunda versão dá bug.

O presidente do Banco Central, Ben Bernanke, termina o mandato no fim de 2013 e tudo indica que será trocado. Bernanke ficou marcado pelo expansionismo monetário com o qual evitou o pior da recessão, mas que terá efeitos colaterais a serem corrigidos mais adiante.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, tinha falado em não permanecer no posto qualquer que fosse o resultado da eleição. Quando disse, ela estava colhendo vitórias diplomáticas, mas, em seguida, houve o atentado em Benghazi, na Líbia, em que morreu o embaixador americano. Há especulações de que ela preferia sair num momento mais favorável. Mas já começam a circular nomes para o posto. Um deles, da embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice. Outro, o do senador John Kerry.

Há algum tempo fala-se da saída do secretário do Tesouro, Timothy Geithner. Ele foi importante, com sua experiência anterior no Fed de Nova York, para quando a crise era financeira. Agora, o problema é fiscal e o perfil requerido é outro. Por isso se pensa em Jack Lew, que hoje é o chefe de gabinete ( chief of staff ) e foi duas vezes diretor do Escritório de Administração e Orçamento. Outro nome falado é Erskines Bowles, que foi vice-presidente da Comissão de Responsabilidade Fiscal.

O secretário da Defesa, Leon Panetta, vai se aposentar, e o mais cotado é o ex-secretário de Estado Colin Powell, da gestão republicana de George Bush e obamista de primeira hora. Restrições políticas ou de idade - tem 75 anos - podem fazer com que seja preterido. Há uma longa lista de candidatos.

Se Jack Lew sair da chefia de gabinete para o Tesouro, o cargo deve ser ocupado por Valerie Jarrett, assessora sênior do presidente e amiga dos Obamas desde a época em que Michelle e Barack namoravam. Jarrett nasceu no Irã.

Reestruturação de gabinete é normal em qualquer segundo mandato, mas o que vai definir o Obama 2.0 será a capacidade de derrotar de vez a crise econômica que ainda é presente e a de avançar em áreas importantes da modernização do país.

Ao assumir em 2008, Obama enfrentou o risco do colapso da economia americana. Diante disso, o abismo fiscal - fiscal cliff - de agora parece pequeno. Não é trivial a negociação com o Congresso, mas ela não se compara ao clima de fim de mundo no qual ele assumiu o poder. Se o bloqueio decisório do Congresso não for superado nas próximas semanas, a economia americana certamente voltará à recessão com a retirada abrupta de US$ 600 bilhões da economia. Obama convidou os líderes dos dois partidos para uma reunião na semana que vem na Casa Branca. O risco é tanto que o cenário mais provável é um acordo. Mas será trabalhoso.

Entre os desafios que enfrentará está a questão da imigração. Os novos americanos votaram em peso em Obama. O tema permanece parado no ar, sem a nova lei que ele prometeu na primeira campanha. Terá que fazer mais do que fez em mudança climática. A seca e o Sandy mostraram que os EUA são vulneráveis. A educação é prioridade no mundo inteiro. Tudo isso se o sempre tumultuado front externo deixar. Ele tem quatro anos para deixar um legado. Sairá do poder com apenas 55 anos.

Entro de férias na segunda-feira, e a coluna será escrita por Alvaro Gribel e Valéria Maniero.

A classe média vai ao paraíso - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 11/11


Os bancos passaram meses atordoados com o inesperado aumento da inadimplência no crédito às pessoas físicas. Tudo se passou como se coisas novas estivessem acontecendo nesse mercado. E, de fato, aconteceram.

Os relatórios oficiais do governo da presidente Dilma Rousseff falam com entusiasmo dos cerca de 40 milhões de pessoas incorporadas às classes médias de consumo no Brasil nos últimos dez anos. É gente que passou a se alimentar mais adequadamente, a estudar mais, a ter acesso a uma conta bancária, a um plano de saúde. E tem agora automóvel, geladeira, celular, cartão de crédito e começa a viajar de avião.

Para o bem e para o mal, tudo isso muda muita coisa na vida e, principalmente, muda muita coisa no orçamento doméstico. Essas pessoas começam a entender que ser classe média também custa mais caro e planta armadilhas econômicas na vida diária.

Comprovaram no próprio bolso, por exemplo, que comprar um carro é mais do que levantar um financiamento e pagar as prestações mensais. Implica mudanças de padrões de consumo que, mal administradas, podem derrubar o consumidor em buraco difícil de sair. O novo dono de um carro logo vê que é empurrado a novas despesas e novas tentações. É IPVA, licenciamento, seguro, taxa de inspeção veicular, despesa com combustíveis, lubrificantes, estacionamento, lavagem, mecânica, pedágio, flanelinha, fim de semana na Praia Grande e esticadas com as crianças no Simba Safári.

O sujeito vai, é claro, exibir seu carrão para a parentada e para os amigos, como sugerem os anúncios. E isso também custa mais dinheiro. Levar a namorada ao shopping, por exemplo, acarreta despesas inesperadas. E esse é só o começo de uma lista interminável de novas demandas, como ocorre também com quem passa a pilotar um celular, a internet ou a TV por assinatura. Todas essas situações contribuem para que o salário acabe antes do final do mês, sina de qualquer pobretão.

Não é somente o consumidor que vem tendo de aprender com situações novas. Os bancos também vêm apanhando. Aparentemente, ao fazerem a avaliação de risco de um empréstimo para esses seus relativamente novos clientes, os bancos não consideraram o impacto de sua nova condição de consumidor de classe média sobre a renda familiar.

Tudo isso não desembocou meramente na elevação da inadimplência (mostrada no gráfico). Também mudou algo na administração das garantias. Expandiu a diferença entre os preços do carro usado e do carro zero. É uma realidade que sepultou de uma vez um conceito estranho, que teve tanta força nos tempos de inflação: o de que automóvel é "investimento". Outro impacto foi certa deterioração da principal garantia em vigor no empréstimo bancário de um veículo: a reserva de domínio. Em grande número de casos, a retomada do veículo nas inadimplências deixou de cobrir o saldo devedor.

Enfim, o crescimento dos segmentos de classe média no Brasil está mudando hábitos de consumo, traços de comportamento e práticas de administração financeira. Ainda está para ser avaliado o impacto dessas mudanças na própria cultura brasileira e na administração da política econômica.

Interesse nacional, soberania e democracia - PEDRO MALAN


O Estado de S.Paulo - 11/11


O resultado da eleição presidencial nos EUA mostrou um país literalmente rachado ao meio. O Parlamento grego aprovou por 153 votos (em 300) reformas demandadas por credores oficiais. A Alemanha de hoje está profundamente dividida quanto à extensão de seu papel na resolução da crise do euro. A transição de poder na China foi marcada por longas e intensas disputas internas. O governo espanhol vive dúvidas hamletianas sobre formalizar ou não um pedido de ajuda extra ao resto da Europa. A questão de como se caracteriza, e se exerce na prática, o "interesse nacional" e a soberania de um país (no curto, no médio e no longo prazos) voltou a ficar relevante para o debate. Inclusive no caso do Brasil e dos outros três do Bric.

George Kennan, brilhante intelectual e diplomata norte-americano, não tinha o extraordinário sentido de marketing de Jim O'Neill, o economista da Goldman Sachs que cunhou o acrônimo Bric para designar os mesmos quatro países que Kennan havia chamado, quase uma década antes, de "países-monstros" (monster countries) do mundo: China, Índia, Rússia e Brasil - além dos EUA.

Pensando mais no seu país, Kennan notou que países de grandes território, população e dimensão econômica teriam uma característica comum, que chamou de hubris of inordinate size e definiu como "uma certa falta de modéstia na autoimagem nacional do grande Estado - um sentimento de que o papel do país no mundo deve ser o equivalente a seu tamanho, com a consequente tendência relativa a presunçosas pretensões e ambições... Em geral, o país de grande dimensão tem uma vulnerabilidade a sonhos de poder e glória para os quais são menos facilmente inclinados os países menores".

Em texto para discussão publicado dois anos e meio atrás procurei avaliar se seria possível extrair algo relevante para o Brasil da experiência dos três outros Brics na definição de seus respectivos interesses nacionais. Três daquelas "lições" me parecem ainda mais válidas hoje.

A primeira é que China, Índia e Rússia têm objetivos de longo prazo em termos de seus interesses nacionais e, portanto, as políticas e ações domésticas e internacionais pelas quais buscam esses objetivos devem ser políticas de Estado, e não do governo de turno (como a busca de segurança alimentar, energética e militar). Políticas que não dependem de pessoas específicas, de culto à personalidade do grande líder, do grande timoneiro, do grande guia e genial mentor.

A segunda reside na percepção de que, na área internacional, a apropriada execução das políticas de Estado requer uma cuidadosa e realista avaliação do que os chineses chamam de comprehensive national power, que é constituído pelos recursos econômicos, políticos, militares, diplomáticos, científico/tecnológicos e culturais de que dispõe o país. Avaliações irrealistas desses recursos podem levar a patéticas aventuras e a discursos marcados pela dissonância cognitiva entre o querer e o poder.

A terceira está relacionada ao fato de que os três países-monstros pensam e exercitam a busca de seus interesses nacionais em termos de círculos concêntricos, que vão dos problemas domésticos ao círculo mais amplo dos problemas globais, passando pelos círculos intermediários, que os analistas desses países chamam de "vizinhança imediata" e "vizinhança estendida". China, Índia e Rússia e suas lideranças sabem que o peso, a influência, o prestígio e a força da voz de cada um no mundo é função de sua capacidade de equacionar problemas domésticos e do reconhecimento de sua gravitas por parte de suas "vizinhanças".

Nesse contexto, e indo além dos Brics, cabe perguntar: regimes democráticos têm mais ou menos dificuldades para definir com clareza seus interesses nacionais? Em livro recente, o decano dos estudos americanos sobre poder (hard and soft) nas relações internacionais, Joseph S. Nye Jr., escreve: "Numa democracia, o interesse nacional é simplesmente aquilo que os cidadãos, após deliberação apropriada, afirmam que é... Lideranças políticas e especialistas podem apontar para os custos de indulgência em certos valores, mas se um público informado discorda, os especialistas não podem negar a legitimidade destas opiniões".

É claro que o fundamental dessa visão é a expressão "após deliberação apropriada por parte de um público informado". O que nem sempre ocorre em algumas democracias. E, se mesmo após tais deliberações por parte de um público informado, emerge um país profundamente dividido ou uma posição que não seja muito mais que a expressão de um vago desejo?

A expressão de desejos coletivos não se traduz, naturalmente, em políticas que transformem os desejos em realidade. Como escreveu Paul Volcker em seu relatório para a ONU (Boas Intenções Corrompidas: o Escândalo do Programa Petróleo por Alimentos): "Após mais de 50 anos de experiência, tive inúmeras oportunidades de observar em primeira mão a frustração das boas intenções: debates infindáveis, defesa de interesses muito especiais, falta de visão ampla e oportunidades perdidas entre o impasse político e a inépcia administrativa".

A propósito, quero concluir lembrando o moto constitucional de um grande país, o Canadá, que pode ser visto como síntese de seu interesse nacional: "Peace, order and good government". Trivial e genérico como possa parecer a alguns, é seguramente uma tríade muito mais relevante, para qualquer país, do que "conflito, desordem e mau governo", infelizmente, uma tríade muito mais disseminada neste nosso mundo de quase 200 países legalmente soberanos. Cada um à sua maneira, e com seus conflitos de interesses internos, tentando situar onde estaria seu "interesse nacional" em meio a este espesso nevoeiro da segunda década do século 21.

Brasil, cada vez mais primário - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 11/11


Ignorância em vários níveis, da falta de escola ao governo, detona a indústria e emperra crescimento


PARECE QUE o Brasil vai crescer bem mais no ano que vem do que neste deprimido 2012, mas as expectativas têm ficado mais desanimadas. O investimento não se recupera, nem a indústria, o que, nas atuais circunstâncias brasileiras, é quase a mesma coisa.

A indústria ainda não se curou do tombo de 2008. Para piorar, a lerdeza mundial deprime o ânimo do investimento. O governo investe ninharias.

A indústria não vinha bem desde meados da década passada. Então parecia que o setor acusava o golpe pleno da invasão chinesa e do câmbio, do real caro.

Num estudo assustador sobre o estado da indústria, Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília e assessor do BNDES, faz o balanço do desastre (o economista mantém o otimismo, apesar dos dados que apresenta).

A indústria brasileira ficou para trás no que Arbache chama de "densidade industrial": valor adicionado per capita, o que a indústria produz "de fato" (descontados insumos e impostos) dividido pela população. China, Coreia, Cingapura e mesmo os claudicantes México, Tailândia e Malásia foram adiante.

Entre 2002 e 2007, a indústria brasileira criava uns 20% dos empregos formais. Daí em diante, apenas 11,8%. A produtividade do trabalho DECRESCE na indústria desde 2000. O consumo de importados explodiu nos setores sabidos: têxtil, roupas, artefatos de couro, química, borracha. O saldo comercial da indústria (exportação menos importação) entrou em colapso em 2006.

Os salários da indústria cresceram demais (na comparação internacional) com o reaquecimento da economia nos anos Lula. Falta trabalhador qualificado, e a mudança demográfica reduziu a oferta de mão de obra. A mão de obra da indústria brasileira é muito mal instruída. O país é primário em educação e se torna uma economia cada vez mais primária (especializada em recursos naturais).

A China muda de patamar, passa a produzir produtos mais sofisticados, ao mesmo tempo em que crescem os salários por lá. Mas há "novos chineses" para produzir bens industriais simples: asiáticos mais pobres e, daqui a pouco, a África colonizada pela China.

Os países ricos, Estados Unidos adiante, voltam a prestar atenção na sua indústria, investindo pesadamente para poupar sua mão de obra cara e competir.

Estamos ensanduichados. Não inovamos, nossa mão de obra é relativamente cara e pouco instruída. Perdemos na produção de bens simples e não inventamos novos produtos ou setores.

Os impostos são malucos e altos. A infraestrutura arruinada acaba de talhar a competitividade da produção. Não temos política de incentivar a criação de empresas-universidade, que são as que avançam pelo planeta e mudam de fato a cara produtiva de um país.

O que fazemos a respeito?

Um descontinho de imposto aqui, outro ali; protecionismo. A presidente mal fala de educação. O ministério da Ciência e Tecnologia é marginal. E ficamos brincando de trenzinho-bala.

O artigo de Arbache ("Is Brazilian Industry Loosing its Drive") pode ser lido aqui: http:*//papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2150684*.

Sinais de alerta no front fiscal - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 11/11

O baixo crescimento serve para justificar o não atingimento da meta do superávit primário. Mas, infelizmente, os investimentos continuam insuficientes
Fato inédito, ou pouco visto, o governo acaba de admitir que não cumprirá a meta fiscal deste ano — como todos já sabiam. Num exercício de extrema sinceridade para um ministro da Fazenda — cargo que requer dotes nem sempre refinados de dissimulador —, Guido Mantega, em entrevista a “O Estado de S.Paulo”, na semana passada, reconheceu que não será atingida a meta “cheia” de um superávit primário de R$ 139,8 bilhões, ou 3,1% do PIB.

Pesam nesta conta, entre outros fatores, as desonerações feitas para reaquecer o consumo, além da estagnação da coleta de impostos, devido à perda de ritmo da economia. Como previsto, chegou ao fim o longo ciclo em que o aumento sem controle de gastos públicos foi sempre bancado pelo crescimento da arrecadação de impostos. O resultado foi a ampliação de uma já pesada carga tributária (36% do PIB), a maior, de longe, entre as economia emergentes, uma das mais elevadas do mundo, equivalente à de país escandinavo que presta serviços públicos de qualidade irretocável. Não é o caso brasileiro, por suposto.

O superávit primário — confronto entre receitas e despesas, sem considerar o custo da dívida — serve para pagar os juros do endividamento público, e assim evitar seu crescimento em bola de neve, Por isso, é um indicador acompanhado com lupa. A perda de dinamismo da economia serve de álibi para o não atingimento da meta. O Brasil, assim, terá executado uma clássica política fiscal “anticíclica” — economiza-se na bonança, gasta-se nas dificuldades.

Mas a verdade é que, no ciclo de crescimento, o Brasil de Lula e Dilma na Casa Civil jamais economizou. Trata-se, pois, de uma “política anticíclica” de mão única. Gastar para reaquecer a economia faz sentido, mas o Brasil tem algumas peculiaridades. Uma delas é o uso descuidado da faculdade de se deduzir, no cálculo do superávit, investimentos em infraestrutura, por não serem gastos correntes. O problema é quando se retiram deste cálculo recursos do Minha Casa, Minha Vida, não propriamente investimentos, mas subsídio imobiliário para a população de baixa renda.

Sem o uso de “contabilidade criativa”, para a meta “cheia” ser atingida seria necessária uma economia de R$ 21,3 bilhões no último trimestre, impossível de ser alcançada. Estima-se, então, que o superávit efetivo será de 2,5% do PIB.

Nenhum problema, se houvesse a certeza de que o governo, no futuro, fará uma política fiscal equilibrada. Porém, não é da sua índole — está provado. Os gastos em custeio sobem hoje sob a desculpa da ação anticíclica. Mas vêm crescendo sempre. Para piorar, boa parte dessas despesas adicionais é rígida, protegida por lei ou blindagem política — Previdência, benefícios sociais em geral, salários do funcionalismo. Gastos só podados pela inflação. E, infelizmente, nem no desaquecimento o governo soube destravar seus investimentos. O cenário fiscal continua desanimador.

Simplificar e desonerar - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 11/11


Brasil deveria zerar PIS e Cofins em dez anos e assim reduzir carga tributária de 35% para 30%; ICMS é outro alvo da reforma possível


São oportunas as recentes promessas do governo federal de corrigir erros da estrutura tributária, com a simplificação das contribuições PIS e Cofins e um armistício na guerra fiscal do ICMS entre os Estados. Após quase 20 anos de tentativas fracassadas, há condições de obter real melhora.

Não é mais possível ignorar esse abscesso, que drena as energias produtivas do país. Como a opção cirúrgica se acha descartada, pelo risco de infarto do Estado com a subtração abrupta de receita, resta lançar mão de uma terapia para debelar a inflamação aos poucos.

Nos 18 anos desde o Plano Real, a carga tributária cresceu continuamente, de 26% do PIB para cerca de 35% (ou R$ 1,45 trilhão em 2011). O nível da tributação brasileira é similar à média das nações desenvolvidas, mas contrasta com o de países emergentes, raramente superior a 20% do PIB.

Na maioria dos países a parcela maior da arrecadação advém de impostos sobre a renda e o valor adicionado. Só se busca tributar em cada elo da cadeia produtiva o ganho efetivamente acrescido.

No distorcido sistema brasileiro, o grande defeito, além da carga maior de impostos que incide sobre bens e serviços, está na cumulatividade. Isto é, no fato de que as empresas não conseguem abater de suas despesas tudo o que já foi pago de imposto nos estágios anteriores por seus fornecedores.

PIS/Cofins e ICMS, somados, arrecadam 12% do PIB. O primeiro vai para os cofres da União (4,8% do PIB), e o segundo alimenta o caixa dos Estados (7,2% do PIB).

Apesar dos esforços recentes de desoneração setorial, essas fontes de arrecadação ainda são muito cumulativas. O Ministério da Fazenda calculou em 2008 que a incidência acumulada de impostos estaria próxima de 2% do PIB, cifra provavelmente subestimada.

Some-se a esse desvio estrutural o suplício da complexidade infligido às empresas. A proliferação de regimes especiais, a pletora de normas estaduais e a barafunda de regras sobre o que pode ser descontado no recolhimento de PIS/Cofins geram enorme confusão.

Não por acaso, o Brasil é o campeão de horas perdidas para escriturar impostos. Segundo o Banco Mundial, são 2.600 horas por ano, contra média global inferior a 500.

Além de PIS/Cofins e ICMS, a distorção brasileira se agrava com a tributação sobre a folha de salários. Já no que toca a impostos sobre a renda pessoal e empresarial, outra grande fonte de arrecadação, o país não destoa muito da média dos países emergentes.

No caso de PIS/Cofins, a iniciativa de mudança cabe ao governo federal. O fim da cumulatividade e a simplificação trariam alívio para empresas, mas é preciso reduzir a alíquota -hoje em 9,25%.

Um corte de 1% ao ano, a partir de 2014, reduziria a arrecadação em 0,5% do PIB anual. Com isso, numa década, a carga tributária poderia cair de 35% a 30% do PIB, índice mais aceitável para o estágio de desenvolvimento do país.

No caso do ICMS, a transformação depende de entendimento entre o Planalto e governos estaduais, um desafio político complexo.

O impasse que sempre travou iniciativas de maior envergadura decorre da resistência dos Estados que teriam perdas com as mudanças no ICMS. Entre elas, a redução da alíquota interestadual para 4% (que acabaria com a guerra fiscal entre eles) e a mudança na base de incidência, do Estado de origem (produção) para o de destino (consumo), ora em discussão.

A confluência de temas federativos na pauta no Congresso, paradoxalmente, representa uma oportunidade. A necessidade de definir novos critérios de rateio das transferências federais a Estados e municípios (pois os atuais foram julgados inconstitucionais pelo STF), a definição de um novo sistema de partilha dos royalties do petróleo e a pressão pelo fim da guerra fiscal compõem um rol de assuntos que precisam ser tratados em conjunto.

A liderança da presidente Dilma Rousseff é essencial para essa concertação. Infelizmente, o Planalto não parece dar-se conta de que esse trunfo será desperdiçado se não servir para fazer um encontro de contas que compense perdas localizadas e propicie o consenso.

A agenda está clara para todos: simplificar e desonerar. O tema é puramente tributário no caso de PIS/Cofins, onde convém concentrar a desoneração, mas também federativo, no do ICMS, cujo foco primário deve ser a simplificação.

Não se pedem aqui mudanças abruptas, mas uma revisão que possibilite ao Brasil galgar de patamar no prazo de uma década. Mudar muito, aos poucos -eis o mote. Mas é preciso começar, e definir desde já aonde se quer chegar.

Panelaço recorde contra Cristina - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 11/11


Chega de mentiras, chega de prepotência. Essas palavras de ordem poderiam sintetizar as muitas bandeiras levadas às ruas de Buenos Aires e de outras cidades, grandes e pequenas, em todo o território argentino, pelas multidões mobilizadas para o panelaço de quinta-feira, 8 de novembro. Só na capital 700 mil pessoas devem ter ido às ruas, segundo estimativa da administração local. Em todo o país podem ter sido 2 milhões. Os cálculos podem variar, mas ninguém negará honestamente a amplitude nacional do protesto, a participação de todas as classes e o esforço dos organizadores para evitar a tutela de partidos. Numa demonstração muito mais ampla que a de 13 de setembro, argentinos foram às ruas com gritos e cartazes contra a inflação, a corrupção, as mentiras, a insegurança, a rereeleição e as ameaças à democracia e à liberdade de imprensa. Em suma, contra um governo desmoralizado por fazer da impostura e da truculência instrumentos rotineiros de gestão e de suas ambições.

A maior parte dos erros e abusos denunciados pelos manifestantes começou no governo do presidente Néstor Kirchner. Ele morreu, mas a família permaneceu no poder e a presidente Cristina Kirchner conseguiu no ano passado reeleger-se com 54% dos votos. No primeiro mês do segundo mandato, seu índice de aprovação era de 64%. Em menos de um ano a maior parte desse capital foi consumida. Muito antes, no entanto, observadores externos haviam denunciado repetidamente os abusos e engodos convertidos em marca dos Kirchners.

Em fevereiro deste ano, a revista britânica The Economist deixou de publicar estatísticas oficiais argentinas. A decisão foi explicada em editorial com o título Don't lie to me, Argentina (Não minta para mim, Argentina). Há anos o Fundo Monetário Internacional (FMI) só divulga esses números com uma ressalva sobre sua baixa credibilidade.

O Fundo e o governo argentino combinaram há algum tempo cooperar para a reforma das estatísticas. Em setembro, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, lamentou a falta de resultados, deu um prazo de três meses para a divulgação de números confiáveis e classificou a advertência como um cartão amarelo.

Não se trata de mitomania nem de escassez de pessoal para produzir estatísticas decentes. Sem cuidar seriamente da economia, os Kirchners deram prioridade a suas ambições políticas e fizeram do engano uma arma de uso rotineiro. A impostura se agravou a partir de 2007, com a intervenção no serviço de estatísticas e a oficialização da mentira. Pelos números do governo, a inflação anual anda em torno de 10%. Pelas contas de escritórios independentes, em cerca de 25%. Essa diferença se repete há anos e o público sente os efeitos. Em vez de ajustar sua política e atacar a inflação, o governo passou a multar quem divulga números diferentes dos oficiais.

A mesma prepotência foi usada nos últimos anos contra produtores rurais, exportadores e varejistas, para disfarçar a alta de preços. O governo conseguiu o quase milagre de criar problemas de abastecimento num país conhecido mundialmente como uma potência agropecuária.

Sem cuidar de investimentos e da produtividade, a administração Kirchner recorreu a uma combinação de protecionismo e de restrições cambiais. Isso resultou em graves prejuízos para o maior parceiro comercial do país, o Brasil, e para a própria economia argentina, privada de importações essenciais.

A arbitrariedade e a incompetência administrativa refletem-se também nas condições básicas de funcionamento do país. Apagões como o da quarta-feira confirmam o mau estado do país, mas o ministro do Planejamento, Julio de Vido, preferiu levantar a suspeita de sabotagem.

Nesse ambiente de mentira e autoritarismo, nada mais previsível que a guerra da presidente Cristina Kirchner contra os grupos de comunicação independentes. Essa mesma presidente liderou o movimento pela suspensão do Paraguai e pela admissão da Venezuela do caudilho Hugo Chávez no Mercosul. A presidente Dilma Rousseff acompanhou, fiel à política de seu antecessor de apoio a vizinhos autoritários. Muitos milhões de argentinos parecem agora discordar das preferências do governo brasileiro.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV - 11/11


7h - Paraguai x Portugal, Copa do Mundo de futsal (oitavas), SporTV

8h - Copa do Mundo de natação, etapa de Singapura, SporTV 3

9h - Valladolid x Valencia, Espanhol, ESPN +

9h30 - Palermo x Sampdoria, Italiano, Fox Sports

9h30 - Vitesse x Twente, Holandês, ESPN

9h35 - Stock Car, etapa de Brasília, Globo

10h30 - MotoGP, GP de Valencia, SporTV 2

11h - O. de Marselha x Nice, Francês, ESPN Brasil

11h - Noroeste x Velo Clube, Copa Paulista, RedeTV!

11h30 - Manchester City x Tottenham, Inglês, ESPN

12h - Lazio x Roma, Italiano, Fox Sports

12h - Irã x Colômbia, Copa do Mundo de futsal (oitavas), SporTV 3

12h30 - Escócia x Nova Zelândia, rúgbi (amistoso), ESPN +

12h15 - Finais da ATP (semifinal), tênis, SporTV 2

13h - Newcastle x West Ham, Inglês, ESPN Brasil

14h - Chelsea x Liverpool, Inglês, Fox Sports

14h - Sochaux x Lyon, Francês, SporTV 3

14h50 - Mallorca x Barcelona, Espanhol, ESPN

16h - New Orleans Saints x Atlanta Falcons, futebol americano, ESPN +

16h - San Francisco 49ers x Saint Louis Rams, futebol americano, Esporte Interativo

16h - Porto x Acadêmica, Português, Bandsports e SporTV 3

17h - Palmeiras x Fluminense, Brasileiro, Band, Globo (menos MG) e SporTV (menos P. Prudente)

17h - Vasco x Atlético-MG, Brasileiro, Band e Globo (para MG e P. Prudente)

17h45 - Finais da ATP (semifinal), tênis, SporTV 2

18h - Montpellier x PSG, Francês, SporTV 3

18h - Nascar, etapa de Phoenix, Fox Sports

18h15 - Sporting x Braga, Português, Bandsports

19h - Seattle Seahawks x New York Jets, futebol americano, ESPN e ESPN +

19h30 - Náutico x Flamengo, Brasileiro, SporTV (menos PE)

23h15 - Chicago Bears x Houston Texans, futebol americano, ESPN e Esporte Interativo

0h - LA Galaxy x Seattle Sounders, Americano, ESPN +

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“...o presidente do Supremo coordena e não enfia goela abaixo”
Ministro Marco Aurélio dizendo pedir a Deus para que Joaquim Barbosa entenda isso


PV QUER FILIAR ELIANA CALMON PARA DISPUTA DE 2014
Com a saída da ex-presidenciável Marina Silva e o crescimento do PV nas eleições municipais, a cúpula do partido cogita convidar a ministra Eliana Calmon (STJ) a se filiar aos verdes e disputar a Presidência da República em 2014. Calmon ganhou fama de heroína do combate à corrupção e impunidade durante sua gestão à frente da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, quando enfrentou “bandidos de toga”.

CLAMOR SOCIAL
Em pesquisas eleitorais, o PV identificou que a luta contra a corrupção é demanda crescente no eleitorado brasileiro.

OPÇÃO INTERNA
Também é cotado para disputar a Presidência pelo PV o ex-deputado e jornalista Fernando Gabeira (RJ), membro fundador do partido.

SEM FORÇA
O Partido Verde também planeja esforço concentrado em 2014 para aumentar a bancada federal, que hoje tem apenas dez parlamentares.

ARTICULAÇÕES
O PSC se reunirá nos próximos dias 24 e 25 em congresso em Salvador para discutir cenário político e as articulações para 2014.

MINORITÁRIOS, ‘REBELDES’ DO PMDB RESISTEM A RENAN
Após reunião na residência do senador Jarbas Vasconcelos (PE), um grupo de dissidentes do PMDB, minoritário na bancada, tentará fazer o senador Renan Calheiros (AL) sair da disputa pela Presidência do Senado. Eles alegam que há “inconveniências” de Renan. Jarbas garante que a iniciativa não constitui qualquer tipo de retaliação ou veto: “A disputa neste momento pode trazer transtornos ao partido”, diz.

AGENDA POSITIVA
Para Ricardo Ferraço (ES), é uma questão de “resgatar o prestígio que o Senado vem perdendo. O candidato precisa ter base numa agenda”.

O PREFERIDO
Apesar da resistência dos “rebeldes”, Renan Calheiros tem o apoio da presidente Dilma e da maioria da bancada para suceder a José Sarney.

APOIADO POR DILMA
Segundo a praxe, o partido de maior bancada ganha o direito de indicar o presidente do Senado. O PMDB tem o maior número de senadores.

EM CAMPANHA
De olho no comando do PDT, que hoje está nas mãos de Carlos Lupi, o ministro Brizola Neto (Trabalho) planeja visitar o Congresso a cada 15 dias. Quer despachar diretamente com os deputados do partido.

FURACÃO DE VOLTA
Furacão da CPMI do Cachoeira, a ex-funcionária do Senado Denise Rocha apareceu com estilo na festa do Congresso em Foco. Desta vez, após posar para Playboy, estava acompanhada até de assessora.

ALÔ, ALÔ
O Ministério da Justiça se orgulha de “nunca” ter apreendido celular nos presídios federais de segurança máxima. Desconfia da eficácia dos bloqueadores e “tecnologia e recursos humanos” barram os celulares.

A GRANDE MARCHA
O governo Dilma poderia mudar os nomes com ranço stalinista e maoísta dos planos, que todos sabem como começam e nunca quando terminam. Já basta o “acaciano” slogan “País sem miséria é país rico”.

É COM ELE?
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) acusou Alagoas e Maranhão dos “piores dados do analfabetismo, vergonha que revela as elites que as governaram”. Ainda bem que o aliado Sarney é senador do Amapá.

PREVENÇÃO
O prefeito eleito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), já começou o périplo na Esplanada em busca de ajuda para evitar desastres no período das chuvas. Em outubro, uma chuva de granizo deixou 40 mil sem energia.

ARMÁRIO EMBUTIDO
O maluquete Evo Morales, presidente da Bolívia, justificou seu patrimônio de
US$ 388 mil com os “presentes” que recebe da população, segundo a agência Efe. Investigado pela Procuradoria, diz que só as “dezenas” de ponchos artesanais chegam a US$ 100 mil.

SOBROU PRO NELSON
Do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), sobre a obrigatoriedade de decisão unânime no Confaz: “Até paralelepípedos de Nelson Rodrigues sabem que a unanimidade é burra. Isso é da época da ditadura”.

PAI DA AVIAÇÃO
De Plano em Plano, o Brasil ainda acaba inventando o “ah!eroplano”.

PODER SEM PUDOR

MEDO DE AVIÃO

Israel Pinheiro era presidente da Cia Vale do Rio Doce e tentava convencer um engenheiro americano, recém contratado, a embarcar num pequeno avião para uma jazida pertencente à empresa. O americano morria de medo de avião, mas Israel garantiu que o bimotor era seguríssimo. Quando chegaram no aeroporto Santos Dumont, o americano entrou em pânico: o aviãozinho era um minúsculo monomotor.
- O sr. me disse que era um bimotor... - queixou-se o gringo.
- Pois é, são dois motores. Um fica no avião e outro na revisão.

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Congresso modifica 6 códigos de leis
Folha: Preço leva passageiro a trocar avião por ônibus
Estadão: ONG ligada ao PCdoB desviou recursos, revela empresário
Zero Hora: Bandidos matam PMs por R$ 600 em São Paulo
Correio Braziliense: As domésticas que a abolição esqueceu
Estado de Minas: A saúde agoniza
Jornal do Commercio: Ciclista do Recife tem medo de sair às ruas