terça-feira, outubro 02, 2012

CARGA PESADA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 02/10

Sabrina Sato posou nua para ensaio da "Quem" que chega às bancas amanhã. Foi literalmente carregada no colo pelo maquiador Fernando Torquatto. "Falei que precisávamos inverter as posições. Sou pesada!"

CRIME E CASTIGO
Preso há 16 meses em Tremembé (147 km de SP), o jornalista Pimenta Neves entrará com pedido de progressão de regime em maio do próximo ano. Terá cumprido 1/6 da pena de 15 anos pelo assassinato da ex-namorada Sandra Gomide. "É quando, em tese, terá direito a passar para o regime semiaberto, podendo sair da prisão durante o dia para trabalhar", diz a advogada Maria José da Costa Ferreira.

CRIME E CASTIGO 2
No cálculo da advogada de Pimenta entram os 23 meses passados em regime fechado no presídio, somados a outros sete, quando ele esteve preso antes do julgamento, mais a remissão dos dias trabalhados na prisão. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, o jornalista está escalado desde 4 de abril para "desenvolver atividades laborterápicas no setor de limpeza". Cada três dias de trabalho geram um a menos na prisão.

CRIME E CASTIGO 3
Pimenta Neves pretende escrever uma autobiografia

TROPA NA RUA
O PT em SP convocou 600 sindicalistas para fazer campanha para Fernando Haddad nos redutos do partido. Em especial, nos lugares onde Celso Russomanno (PRB) mantém folgada dianteira.

LULA NA RUA
O ex-presidente Lula deve ir a seis regiões de São Paulo para reforçar a campanha.

FORÇA, COMPANHEIRO
A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC visitou José Genoino (PT) em sua casa na quinta, depois de ele receber alta hospitalar.

HORA DA VIRADA
De passagem pela feira de negócios ExpoCristã, o candidato a prefeito José Serra (PSDB) se disse simpático à ideia de realizar uma Virada Cultural evangélica.

GUICHÊ GOSPEL
Fez sucesso na feira, que terminou anteontem em SP, uma máquina de auto-atendimento batizada Gospel Fidelidade. Ela será implantada nas igrejas para que o fiel possa fazer operações como pagar dízimo e comprar produtos evangélicos on-line.

IPI FAZ ESCOLA
A partir de 2013, algumas Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) terão novas formações, voltadas para setores aquecidos da economia. O Centro Paula Souza, em SP, dará cursos superiores de tecnologia em gestão portuária e em mecânica automotiva.

HOMENAGEM À MESA
O restaurante Rodeio, um dos preferidos de Hebe Camargo, está pensando em como homenagear a apresentadora. "Assim que passar o luto, vou fazer uma versão de um prato dos que ela gostava, como a linguiça apimentada, com o nome dela", diz o maître Francisco Chagas.

O SEXO E O APÊ
Darren Star, produtor que criou a série "Sex and the City", pôs à venda seu apartamento ao lado do Central Park, em Nova York. O andar de 300 m² sai por US$ 15 milhões (R$ 30 milhões).

PECHINCHA
Um casal francês em lua de mel arrematou a foto mais disputada do leilão do Paraty em Foco - Festival Internacional de Fotografia. Comprou "Negra", de Marcio Rodrigues, por R$ 4.200 (o lance inicial era de R$ 2.000). Já a obra mais cara foi de José Yalenti, por R$ 11 mil (metade do valor de mercado).

MILTON RENASCIMENTO
A galerista Graça Bueno, o ator Odilon Wagner e o músico Diego Casas foram ao teatro Alfa ver "Ser Minas Tão Gerais", musical com Milton Nascimento, no sábado.

A PRAÇA É NOSSA
A praça Roosevelt reabriu no sábado, após reforma de dois anos. Entre as novas atrações do lugar, há paineis do artista Dario Bueno. O presidente da Ação Local Roosevelt, Luis Cuza, e a vice-prefeita de SP, Alda Marco Antonio, foram à inauguração.

CURTO-CIRCUITO

Medalhistas olímpicos como Esquiva Falcão e Sarah Menezes serão homenageados hoje no prêmio Sport Life, no Centro da Cultura Judaica, às 21h.

Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, lança o livro de crônicas "Levadas e Quebradas". Hoje, na Fnac da av. Paulista, às 19h.

O Hospital Infantil Sabará, em Higienópolis, forma hoje à noite sua segunda turma de voluntários.

A presidente da Ahpas, Tatiana Piccardi, lança o livro "A Identidade do Voluntário no Mundo do Trabalho". Hoje, na Martins Fontes da av. Paulista.

A designer de joias Carla Amorim apresenta hoje coleção inspirada na obra de Villa-Lobos. Com show do violinista Daniel Murray. Às 11h, na Oscar Freire.

Palavra de magistrada - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 02/10


Cármen Lúcia lembra-nos de que o golpismo é parte da política brasileira desde a Proclamação da República



Ao final de seu voto seguro e claro, na última sessão do Supremo na semana passada, a ministra Cármen Lúcia pediu para expor uma preocupação à margem do processo. Por motivos que não vêm ao caso, o improviso da ministra não foi incluído no noticiário ou, na exceção em que o foi, perdera a parte de mais profunda significação e fruto de uma coragem incomum, nas circunstâncias. Reproduzo o trecho:

"O sistema brasileiro, acolhido em 1988, é muito difícil. Porque um governo que não tenha maioria parlamentar tende a não se sustentar. Ele cai. E se ele não cair, pouca coisa será feita. Então, cada vez é preciso mais rigor na ética e no cumprimento das leis pelos políticos. Para que a gente cumpra esse tão difícil modelo brasileiro exatamente com o rigor que a sociedade espera de cada agente, de cada servidor público."

Neste país, afirmar a existência de "democracia plena" e do "funcionamento perfeito das instituições" é obrigação e banalidade. Se houver, porém, algo discutível naquele trecho, não é o reconhecimento de que o sistema brasileiro, produzido pela festiva Constituinte de 88 e intocado na Constituição, é mais difícil do que o Brasil pode ter.

E muito menos caberia discutir, com boa-fé, o honesto e bravo reconhecimento, por magistrada de intocada respeitabilidade e no próprio Supremo Tribunal Federal, de que "um governo que não tenha maioria parlamentar tende a não se sustentar."

A admitir-se a possibilidade de "mais rigor na ética e no cumprimento das leis pelos políticos", as palavras de Cármen Lúcia são o chamado à exigência de correções que tornem o sistema político menos difícil, para salvaguardar a iniciante democracia dos riscos em que, sem isso, acabará por sucumbir.

Mesmo que não tenha sido seu propósito, as palavras de Cármen Lúcia lembram-nos de que o golpismo é parte da vida política brasileira desde a Proclamação da República, nada além de um golpe de estado trazido na ponta da espada Militar. Um estigma de nascença.

A preocupação que motivou a ministra é a de que as repercussões dos fatos e do julgamento atual no Supremo não ajam contra a crença na política. Sobretudo nos jovens. "É a política ou o caos", disse, " é a política ou a guerra". O que se passou, e levou ao julgamento, "não significa que a política seja sempre corrupta", e é preciso que isso não seja esquecido pelos muitos "já desencantados entre os 138 milhões de eleitores".

Mas, outra vez sem presumir intenção da ministra, sua preocupação permite observar que incidiu em lugar e momento particularmente oportunos. O atual julgamento no Supremo começou como um caso de "compra de apoio a votações de interesse do governo". Apoio e votações estavam substituídos, às vezes, respectivamente por "votos" e "projetos". O mesmo vale para os meios de comunicação. Com o passar dos dias, os ministros do Supremo foram preferindo deixar de fora a finalidade do valerioduto movido pelo PT.

Não ficou demonstrada a acusação de compra sistemática de votos, levada para o Supremo pela Procuradoria-Geral da República. A intervenção extra-voto da ministra Cármen Lúcia sugere aos ministros a possibilidade de que o financiamento (ilegal) de campanhas alheias, pelo PT, tenha mesmo figurado como aquisição de maioria parlamentar. Pelo temor, ou pela percepção, de que o governo "tendesse à queda". A corrupção política foi instrumento -nesse caso como em outros hábitos vigentes na vida parlamentar.

Verdades sobre a guerra fiscal - ANTONIO DELFIM NETTO


Valor Econômico - 02/10


É preciso reconhecer que nos últimos 30 anos a política de desenvolvimento regional do governo federal produziu resultados pífios. Para ilustrar esse fato, basta observar a baixíssima proporção da renda per capita do Nordeste na comparação com a renda per capita nacional. Hoje, é de apenas 46%.

A virtual retirada da União da promoção do desenvolvimento regional, combinada à redução de recursos fiscais disponíveis, abriu espaço (na realidade, compeliu) os Estados a assumirem a iniciativa de atrair novos investimentos aos seus territórios e, assim, tentar alterar as suas condições de competitividade. Para isso, o instrumento privilegiado (talvez mesmo o único) que os Estados detêm é a concessão de incentivos de ICMS.

Espremidos entre o reclamo de progresso da população que os elegeu, de um lado, e a virtual impossibilidade de aprovação de incentivos no Confaz, de outro, os governadores optaram de forma generalizada pelo primeiro.

A competição não é eficiente apenas para os mercados

A principal crítica à prática de incentivos fiscais pelos Estados, apelidada com o nome aterrorizante de "guerra fiscal" na literatura da década de 90 ("competição fiscal" seria o termo mais adequado), focou, corretamente, na possibilidade de que, levada ao extremo, ela provocaria o desarranjo da finança pública federal, prejudicando assim toda a população brasileira.

A crítica, então procedente, ficou superada com o advento da liquidação dos sistemas financeiros estaduais e da Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2001, potentes instrumentos de prevenção de atos irresponsáveis por parte dos gestores públicos. Não por acaso, desde 2001, Estados e municípios nunca mais deixaram de registrar superávits primários em suas contas fiscais.

Outra frequente observação maliciosa é a da concorrência desleal. Ao conceder incentivos, um Estado estaria criando condições favorecidas em detrimento de outros. Esse raciocínio pressupõe que todos Estados estavam inicialmente em condições iguais, e que foi a concessão do incentivo que desequilibrou a equação a seu favor e em prejuízo dos demais. Ora, no caso brasileiro a premissa não é verdadeira, pois, como se sabe, havia e há fortes e persistentes desequilíbrios regionais. Quando o incentivo é concedido por um Estado menos desenvolvido, ele está, geralmente, tentando restabelecer o equilíbrio socioeconômico regional, e não o contrário.

No caso específico do ICMS, discussões recorrentes têm focado a tributação do comércio interestadual, para o qual o Senado Federal definiu um engenhoso sistema de repartição de receitas entre os Estados de origem e destino, com duas alíquotas (de 12% e 7%), dependendo do sentido do fluxo desse comércio.

Ao privilegiar, de forma simples e automática os Estados menos desenvolvidos (concedendo ao fluxo originário desses Estados uma alíquota mais alta), esse sistema constituiu na realidade um instrumento bastante conveniente de desenvolvimento regional. Assim, ao propor mudanças no sistema tributário, é preciso atentar para esse fato singelo e cuidar para não desmontá-lo, sem substituí-lo por outro que atenda ao mesmo objetivo.

Convém coibir potenciais abusos, colocando-se limites bem definidos ao poder de concessão de incentivos. Essa é mais uma razão para uma conveniente regulamentação da matéria, que, por muito atrasada, está a reclamar urgência. Há evidências empíricas suficientes a mostrar os efeitos positivos da política de incentivos para as regiões menos desenvolvidas.

Até os mais ferrenhos críticos dos incentivos estaduais admitem que eles promoveram alguma desconcentração da atividade econômica ao longo do território nacional, processo que deve ser do interesse de todos e merece ter continuidade. A grande questão é como fazê-lo de modo a reduzir os conflitos atuais, retirando-os do Judiciário para o campo de um grande acordo político.

Para acabar com a chamada "guerra fiscal" não basta simplesmente retirar dos Estados a capacidade de conceder incentivos, como pretendem algumas propostas atualmente em debate, sob pena de produzirmos tão somente um aumento de carga tributária e reconcentração do desenvolvimento econômico - o que seria um lamentável retrocesso.

É preciso, também, garantir a restauração de uma verdadeira política de desenvolvimento orientada para a redução das disparidades entre as regiões. E isso requer um modelo novo de cooperação federativa: não há nenhuma razão para que tal política seja monopólio da União. Ao contrário, uma boa política de desenvolvimento regional não pode prescindir da participação ativa de todos os entes federados, articulados e coordenados pelo governo federal.

Um aspecto pouco explorado nessa discussão é que não é possível, numa verdadeira federação, retirar todo o poder de tributar de suas unidades, e que não há motivo para impor uniformidade, a não ser nas relações entre elas. Por que razão um Estado ou um município bem administrado, que cuida adequadamente de seus habitantes, não pode tributar menos, ou usar seus recursos dando "subsídio" à instalação de novos investimentos? É isso o que ocorre em federações bem-sucedidas. O processo de competição não é eficiente apenas para os mercados. Seria muito bom poder aplicá-lo também aos entes federados.

Visão republicana - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 02/10


O 30º dia do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal trouxe duas definições fundamentais para o aperfeiçoamento da democracia brasileira: a maioria do plenário formalizou o entendimento de que houve compra de apoio político no Congresso por parte do Executivo, e o ministro Celso de Mello denunciou que essa prática, inaceitável, coloca em risco o equilíbrio entre os poderes da República.

O decano do STF pronunciou um dos votos mais importantes não só do processo em julgamento, mas da história do STF, definindo que "o Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem admite o poder que se deixa corromper". Também o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, deu a dimensão da gravidade do esquema criminoso que está sendo julgado ao concordar que ele é representativo "de poder ideológico partidário", acontecendo "mediante a arrecadação mais que ilícita, criminosa, de recursos públicos e privados para aliciar partidos políticos e corromper parlamentares e líderes partidários".

Os dois votos, e mais o de Marco Aurélio Mello, deram a maioria do plenário à tese de que o que houve foi a compra de apoio político, e não caixa dois eleitoral, tese que só o revisor Ricardo Lewandowski abraçou explicitamente. Até mesmo Dias Toffoli, que nos tempos em que trabalhava para o PT disse que o mensalão "ainda está para ser provado", admitiu que houve compra de votos no caso do PL. Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Gilmar Mendes foram taxativos quanto à compra de votos, e Rosa Weber aderiu à tese de modo indireto: disse que seguia integralmente o voto do relator.

Mas o mais importante do dia foi mesmo o voto de Celso de Mello, pelo enquadramento do objeto do julgamento na ótica da preservação da República. Ao votar a favor do crime de quadrilha, ele ampliou a interpretação, equiparando a "ameaça à paz social" feita pelos bandidos à insegurança provocada por "esses vergonhosos atos de corrupção parlamentares profundamente levianos quanto à dignidade e à respeitabilidade do Congresso Nacional".

O decano defendeu que tais atos "devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República", pois "afetam o cidadão comum, privando-o de serviços essenciais, colocando-os à margem da vida". Esses atos "significam tentativa imoral e ilícita de manipular criminosamente, à margem do sistema funcional, o processo democrático, comprometendo-o". Ele fez questão de sublinhar a gravidade da situação ao definir como especialmente culpados "aqueles que ostentam ou ostentaram funções de governo". Para ele, tal atividade "maculou o próprio espírito republicano".

Sem referência explícita, Celso de Mello, no entanto, deixou claro o que pensa do governo que abrigou tal esquema de corrupção: "(...) Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais ou desígnios pessoais".

Para exemplificar o que considera como o oposto do que ocorreu no país, Celso de Mello recorreu ao professor Celso Laffer, segundo quem, "numa República, o primeiro dever do governante é o senso de Estado, vale dizer, o dever de buscar o bem comum e não o individual ou de grupos". Mello disse que "o cidadão tem o direito de exigir que o Estado seja dirigido por administradores íntegros e por juízes incorruptíveis". Em algumas ocasiões de sua fala, apontava para o alto ao se referir às altas esferas do Poder Público que estariam envolvidas no esquema criminoso: "(...) quem tem o poder e a força do Estado em suas mãos não tem o direto de exercer (o governo) em seu próprio proveito".

Com a definição de que houve compra de apoio político num esquema sofisticado, com o objetivo de distorcer o funcionamento da democracia brasileira em favor do Executivo, o Supremo parte agora para a definição de quem arquitetou tamanho plano - de que são acusados os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares - e, sobretudo, quem entre eles detinha o "domínio do fato".

O julgamento de Chávez - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 02/10


SÃO PAULO - A Venezuela é uma democracia? Eu me inclino a responder que sim. Ela, afinal, passa em dois testes fundamentais. No próximo domingo, o país vai às urnas para escolher de forma razoavelmente livre seu próximo dirigente. Além disso, apesar das tendências autoritárias de Hugo Chávez, existe liberdade de imprensa e não há denúncias de perseguições sistemáticas e violentas a opositores.

A pergunta seguinte é mais difícil de responder: isso basta? Aqui, minha tendência é dizer não. Já comentei neste espaço o importante livro "Why Nations Fail", de Daron Acemoglu e James Robinson. A tese central dos autores, que eles justificam com profusão de dados históricos e análises, é a de que, no longo prazo, países só funcionam quando contam com instituições que promovem o poder político dos cidadãos e lhes permitem tirar proveito das oportunidades econômicas.

Nesse quesito, a situação da Venezuela é ainda mais paradoxal. Como mostrou Clóvis Rossi anteontem, Chávez, ao longo dos 14 anos em que está no poder, logrou a façanha de fazer com que 2,1 milhões de venezuelanos (pouco mais de 10% do eleitorado) deixassem de ser oficialmente pobres. Ou seja, houve uma partilha mais justa dos recursos econômicos.

Mas, se Acemoglu e Robinson estão corretos -e eu acho que estão-, o avanço não é sustentável, porque não se fez acompanhar de nada semelhante no nível das instituições políticas. Ao contrário, Chávez as remodelou de forma a servir a seus objetivos imediatistas, que incluíam, na melhor tradição populista, distribuir renda para obter apoio eleitoral.

Uma prosperidade duradoura, porém, depende de um fluxo de inovações e ganhos de produtividade que dificilmente é compatível com um regime personalista no qual todos os interesses se subordinam à agenda presidencial. Se Chávez fez bem a muitos venezuelanos, também fez muito mal à Venezuela.

Inteligência policial - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 02/10


É um tanto inquietante a primeira impressão deixada pela revelação, em reportagem do "TV Folha", programa veiculado na TV Cultura no domingo, das entranhas da facção criminosa que infesta os presídios do Estado de São Paulo.

Descobrir o PCC presente em 123 das 645 cidades paulistas, com 1.343 alistados sob seu comando, instilará receios em qualquer pessoa. A organização dispõe de 88 fuzis e 75 veículos para apoiar suas ações criminosas, que lhe arrecadam R$ 6 milhões mensais.

Essas informações alarmantes vêm somar-se às outras más notícias sobre a segurança pública no Estado. Os homicídios dolosos aumentaram 8,6% em agosto, contra o mesmo mês de 2011; nos primeiros oito meses do ano, a taxa foi um pouco menor, de 6,3%.

Teme-se que o incremento, embora não explosivo, represente -mais que flutuação estatística- a interrupção da formidável queda da criminalidade em SP nas duas últimas décadas, que a levou para a casa dos 10 homicídios por 100 mil habitantes (a média nacional é pelo menos duas vezes maior).

Preocupa nessa alta os sinais de que a ela se associa um recrudescimento da violência praticada contra a polícia e por ela. Pelo menos 73 policiais Militares foram mortos no Estado neste ano, quase duas vezes o número de vítimas no mesmo período do ano passado.

O total de mortos pela corporação policial (supõe-se que a maioria seja de bandidos abatidos em confrontos) estava em 170 no fim de julho, último dado oficial disponível -uma cifra de letalidade excessiva, sob qualquer parâmetro.

Tudo leva a crer que se encontra em curso uma guerra subterrânea entre a Polícia Militar e a facção.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) insiste em que se trata de reação dos criminosos à ação policial, explicação que já parecia plausível e agora sai reforçada.

Os cerca de 400 documentos obtidos e revelados na reportagem indicam que a polícia paulista deu um passo importante de investigação sobre o PCC, fruto de um trabalho de inteligência mais apurado.

Cabe agora utilizar a informação adquirida para desbaratar a organização com a mesma eficácia, sem excessos nem ímpetos de vingança. Investigar e prender -é tudo que a população espera de uma polícia atuante e preparada.

Na boca da urna - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 02/10


Entramos na chamada reta final. Da eleição municipal e da definição sobre o destino dos réus do processo judicial resultante do escândalo do mensalão.

São duas as perguntas recorrentes: o julgamento terá influência no resultado eleitoral? Esse resultado poderá ser visto como uma espécie de ensaio geral para a eleição presidencial e parlamentar de 2014?

Responda-se como quiser, pois as chances de erro e de acerto são as mesmas quando se faz um mero exercício de futurologia difícil de ser comprovado de modo a não deixar margem a dúvidas.

De um lado, não há como um assunto que está todos os dias no Jornal Nacional não influir de alguma maneira.

De outro, o PT já entrou mal nas disputas nas capitais e até apresentou melhoras de desempenho em algumas delas, como em Salvador.

Portanto, por mais difícil que seja fazer essa medição em princípio, é possível dizer que o peso do julgamento no resultado das urnas é relativo.

Já a influência de 2012 em 2014 é mais fácil de analisar. Claro que todo momento eleitoral é aproveitado pelos políticos para testar e renovar suas relações com o público.

Muitos parlamentares lançam candidaturas a prefeito justamente no intuito de se colocarem em circulação na entressafra. Do mesmo modo, é hora de os pretendentes à Presidência começarem a se movimentar País afora.

Lula lançou a então ministra Dilma Rousseff como "mãe do PAC" em fevereiro de 2008 e fez da suposição de que seria a escolhida para disputar a sucessão dele em 2010 um assunto daquela eleição municipal.

Agora, quando o lulismo começa a dar sinais de esgotamento, o senador Aécio Neves comparece a microfones e palanques assim como o governador Eduardo Campos mostra suas credenciais.

Mas, quem se lembra de quantas prefeituras o PT ganhou em 2008? Qual foi a importância dessa contabilidade no pleito de 2010? Pois é.

A vitória foi desenhada ao longo do ano eleitoral propriamente dito. Até porque o oponente José Serra começou na frente, com mais de 40% das intenções de voto. O que isso teve a ver com o desempenho do PSDB na municipal de dois anos antes? Nada.

Ademais, há os fatos novos. Em 2010 foi a candidatura de Marina Silva com seus 20 milhões de votos. Não serão as urnas de 2012 que nos responderão se em 2014 haverá algum.

A aflição preenche conversas, mas não necessariamente produz clareza absoluta.

Se a ideia é medir influências, há questões mais importantes em jogo que saber se o mensalão vai dificultar a vida do PT ou se a lista de perde-ganha de agora vai repercutir em 2014.

Essencial é perceber e daí se aprofundar na discussão sobre a influência que as decisões do Supremo terão sobre a mudança das práticas arcaicas na política.

Se as punições cumprirão finalmente a função pedagógica na qual está empenhado o tribunal que ora consolida a independência do Judiciário.

Mais: evidencia o quanto se deforma a República quando o Legislativo se subordina ao poder de cooptação do Executivo.

Inconstitucional. Na primeira parte da sabatina do ministro Teori Zavascki no Senado passou praticamente despercebida a resposta do indicado ao STF sobre a possibilidade de haver recursos a cortes internacionais para contestar as sentenças da ação 470.

Ele disse o seguinte: "Acho que é contra a nossa Constituição e contra a jurisprudência do Supremo".

Vida útil. Sem comparações. Apenas a título de contribuição ao conceito de velho e novo na política: se Nelson Mandela, 94, tivesse se aposentado aos 70 anos de idade não teria liderado o processo do fim do regime segregacionista do apartheid, não teria recebido o prêmio Nobel da Paz nem teria sido presidente da África do Sul, de 1994 a 1999.

Mandela retirou-se da vida pública aos 85 anos.

A mão grande do governo - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 02/10

Para sustentar a execução de programas como o Minha Casa Minha Vida, o governo está metendo a mão no FGTS. Pelas regras do Fundo, o Executivo poderia usar, este ano, R$ 5,1 bilhões para investimentos a fundo perdido, mas o saque já está em R$ 6,5 bilhões. O governo quer mais e pressiona o Conselho Curador do Fundo para flexibilizar as regras de uso dos recursos dos trabalhadores.

Raspando os recursos do FGTS
A proposta para flexibilizar o uso dos recursos do FGTS pelo governo (Resolução 460) foi feita, de supetão, na semana passada, pelo ministro Brizola Neto (Trabalho). As entidades patronais tendem a apoiar o governo, pois apostam nos esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica internacional. Mas seus dirigentes se preocupam em manter a rentabilidade, para que o patrimônio líquido do Fundo cresça e sejam mantidos disponíveis recursos mínimos que garantam um patamar semelhante de investimentos na próxima década. Há o temor de que o atual governo acelere a antecipação de receitas, já colocada em prática neste ano.

“O escritório da ONU sobre Drogas e Crimes e o Banco Mundial estimam que US$ 140 bilhões são roubados de países em desenvolvimento a cada ano” 
Celso de Mello Ministro do STF, ontem, no julgamento do mensalão

No olho mecânico
A presidente Dilma e o ex-presidente Lula avaliaram que a decisão sobre o segundo turno em São Paulo será voto a voto. As imagens da presidente no comício de ontem serão usadas a partir de hoje nos comerciais de 30 segundos.

Quem sabe a hora?
O presidente do COB, Carlos Nuzman, ficou sete dias em silêncio sobre o roubo de documentos no Comitê Olímpico de Londres. Na manhã de sexta-feira, o ministro Aldo Rebelo (Esportes) deu um puxão de orelhas em Nuzman. Ou fala ou o governo vai entrar em campo. Cinco horas depois, Nuzman deu explicações ao público.

Em clima de segundo turno
Os presidentes do PSB, Eduardo Campos; do PDT, Carlos Lupi; e do PCdoB, Renato Rabelo, querem que a presidente Dilma vá a São Luís pedir votos para Edivaldo Holanda Junior (PTC). Seu adversário é o prefeito João Castelo (PSDB).

Teoria da conspiração
A conspiração. A indicação de Teori Zavascki para o STF. O fato. O ex-presidente Itamar Franco indicou Maurício Corrêa para o STF, em outubro de 1994. Em dois dias foi aprovado no Senado. Mas ele só tomou posse em dezembro, dois dias após o julgamento do ex-presidente Fernando Collor. Não participou, porque fora vice da comissão do Congresso que pediu o impeachment de Collor.

Uns são mais iguais que outros
O vice Michel Temer não foi incluído, pela presidente Dilma, na instrução normativa de 6 de julho de 2012, sobre uso de transporte oficial nas campanhas eleitorais. Ao contrário da presidente, Temer não pode viajar em aeronaves oficiais.

Discutindo a relação
O governador Geraldo Alckmin e os tucanos contrários à candidatura José Serra à prefeitura de São Paulo estão sendo acusados pelos serristas de responsáveis pelos problemas que o candidato enfrenta para tentar chegar ao segundo turno.

O EX-PRESIDENTE LULA gravou para o ex-ministro Orlando Silva. Ele é candidato a vereador em São Paulo e foi demitido pela presidente Dilma.

O adversário - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE SP - 02/10


BRASÍLIA - A semana que antecede as eleições é de Joaquim Barbosa, o menino negro do interior, filho de pedreiro, que se formou em direito, fez mestrado e doutorado nas melhores universidades, estudou línguas e está bagunçando o coreto do Supremo Tribunal Federal justamente no chamado "julgamento do século". Ao nomeá-lo, Lula escreveu certo por linhas tortas. Dizem que está arrependidíssimo.
Joaquim é ministro de amor e ódio, de ame-o ou deixe-o. Adorado pela opinião pública --sobretudo em Brasília, onde continua sendo o "Joca" dos tempos de UnB--, é odiado por petistas de cúpula e de base, mexendo com a solenidade fria do STF e com as emoções quentes dos colegas. Especialmente dos mercuriais.
Respaldado pela toga, justificado pelas dores de coluna, perdoado pelas origens e exposto pelas transmissões ao vivo, ele bateu boca e trocou adjetivos nada polidos com Gilmar Mendes (em outros julgamentos), com o revisor Lewandowski (virou uma guerra) e com o polemista Marco Aurélio (que ultrapassou limites, ao ver perigo na ascensão de Joaquim à presidência, em novembro).
Algodão entre cristais, o presidente Ayres Britto faz o que pode, como vetar no site do tribunal uma nota do relator desancando Marco Aurélio em termos pouco usuais entre Excelências, ainda mais em público.
Veja que a escolha de "adversários" por Joaquim não é ideológica nem partidária --é improvável que, na cabine indevassável, Gilmar e Lewandowski depositem o mesmo voto. Talvez seja mais por excesso de convicções e seu desdobramento quase natural: o voluntarismo.
Pois será justamente Joaquim quem estará dissecando as entranhas do governo Lula e do PT nesta semana. Enquanto Lula e Dilma estiverem nos palanques e no horário nobre falando maravilhas de Haddad, Joaquim gastará tardes inteiras para contar os podres de José Dirceu e do partido do candidato. Guerra de audiências como nunca se viu.

Comida sem ideologia - XICO GRAZIANO


O Estado de S.Paulo - 02/10


O colapso do comunismo arrasou a produção agrícola da antiga União Soviética. O campo empobreceu-se e a região passou a importar comida. Passadas duas décadas, ocorreu uma reviravolta. Agora, daquelas terras advêm 15% das exportações globais de grãos alimentícios. E vai melhorar.

Sem mágica. O fenômeno econômico contou com o apoio do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd). Países como a Rússia, a Ucrânia e o Casaquistão passaram a receber investimentos de grandes empresas europeias que, prejudicadas com a crise em sua origem, se tornaram ávidas por novos negócios. Acabaram encontrando, não muito distantes, fartas terras de excelente qualidade, ociosas e baratas, com mão de obra disponível ao lado. Aquecida pela Ásia, a demanda mundial de produtos agrícolas abriu a janela de oportunidade para soerguer o combalido Leste Europeu.

Essa revolução produtiva nos territórios desorganizados pelo fracasso comunista mereceu um encontro de negócios, realizado na Turquia, no início de setembro. Dele participaram executivos de empresas particulares e de instituições públicas interessados na dinamização da Europa, como o Berd e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Seus dirigentes, entusiasmados com os resultados verificados na reunião, redigiram um artigo, de enorme repercussão, publicado na edição europeia do Wall Street Journal.

No texto, José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, e Suma Chakrabarti, presidente do Berd, destacaram a importância das "dinâmicas e eficientes empresas privadas que transformaram aqueles países, após o fracasso de suas fazendas coletivas, em gigantescos exportadores de grãos". Reconheceram a realidade. Disseram mais. Afirmaram os dois altos dirigentes internacionais que "a verdade, simples, é que o mundo precisa de mais comida, e isso significa mais produção".

Tomando como base os resultados positivos verificados no Leste Europeu, a FAO e o Berd recomendaram que os países emergentes da Europa, da Ásia e do Norte da África, como também os do Ocidente, fortaleçam o papel do setor empresarial na segurança alimentar global. Adotando políticas econômicas corretas, os investimentos privados conseguirão, nas palavras deles, "fecundar a terra", tornando mais fácil a vida para os famintos do mundo.

Tudo tão óbvio. Mas a mensagem desagradou profundamente à Via Campesina, organização articulada pelo MST e seus assemelhados mundo afora. Autoproclamados defensores dos camponeses, escreveram uma nota dizendo ter recebido "com indignação e medo" o artigo conjunto do diretor-geral da FAO e do presidente do Berd. E arremataram: "O que a agricultura e o planeta necessitam atualmente é justamente o contrário do que foi proposto pelos senhores Graziano da Silva e Chakrabarti". Caramba.

Qual o motivo da polêmica? A preservação do modo de vida camponês.

Acredita a Via Campesina que somente os pequenos produtores rurais - apelidados no Brasil de "agricultores familiares" - sejam capazes de alimentar a humanidade. Argumenta ainda que o avanço da produção capitalista no campo - o chamado "agronegócio" - tem aumentado a pobreza no mundo, destruindo a capacidade de emprego, e provocado a crise alimentar das últimas décadas. Só tragédia. Conclusão: apoiar as empresas europeias, em sua expansão para o leste, significa exterminar a agricultura camponesa, promovendo o pior.

O assunto ganhou destaque na imprensa nacional pelo fato de o diretor-geral da FAO, o agrônomo brasileiro José Graziano, ser um conhecido petista, dileto amigo, e ex-ministro do Programa Fome Zero, do Lula. Para o MST, ele cometeu uma heresia ideológica, algo como uma capitulação ao grande capital. Em outras palavras, se você é, ou se julga, da "esquerda", está impedido de reconhecer a vantagem da produção empresarial, integrada e tecnológica, no campo. Precisa continuar amarrado ao passado, louvando os pobres camponeses, mesmo que isso signifique baixa produtividade e vida miserável. Coisa medieval.

Age corretamente quem se preocupa com os agricultores familiares. Despreparados, fracos financeiramente, nem sempre eles acompanham o ritmo empreendedor das novas tecnologias agrícolas. Acabam ficando para trás no processo de desenvolvimento. Por isso cabe aos governos propiciar condições adequadas de competitividade aos pequenos do campo. No Brasil, graças ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), lançado no governo de Fernando Henrique Cardoso, grupos importantes de produtores obtiveram, com o tempo, ganhos tecnológicos significativos. Conquistaram, geralmente integrados às grandes cooperativas, vantagens econômicas. Subiram na vida.

Comida não tem ideologia. Os estudos da FAO estimam que até 2050 a demanda mundial por alimentos aumentará, no mínimo, 60%, bem acima do crescimento populacional. Será puxado o consumo popular pelo processo de urbanização e pelo ganho de renda das famílias pobres. Sem forte aumento na oferta de alimentos, destacando-se as proteicas carnes, haverá elevação dos preços internacionais da comida. Ocorrerá, por consequência, piora nas restrições alimentares no mundo, que hoje atingem 1 bilhão de pessoas.

Cantava Cazuza: "A tua piscina está cheia de ratos/ tuas ideias não correspondem aos fatos". A contemporaneidade observada nos territórios agrícolas da ex-União Soviética assemelha-se à transformação cultural e produtiva da China. Cuba também não escapa do desiderato. Com sua atrasada ideologia, a Via Campesina/MST condena os agricultores à pobreza.

Para destrinchar de vez a polêmica talvez fosse o caso de perguntar aos próprios camponeses russos qual caminho preferem. Alguém duvida da resposta?

Ueba! Lourebe, a Perua Amiga! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 02/10


Os Correios deviam lançar o selinho da Hebe! E a cada entrega, o carteiro tinha que dizer: "Graaaaacinha"


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Lourebe, a Perua Amiga! Eu chamava a Hebe de Perua Amiga e ela adorava!

E quando a Hebe morreu, o Brasil pediu: "Um minuto de selinho, por favor!". Os Correios deviam lançar o selinho da Hebe! E a cada entrega, o carteiro tinha que dizer: "Graaaaacinha". E eu vou escrever a biografia da Hebe: "Lourebe: da válvula ao HD". Ops, da roda ao HD! Ops, da fumaça ao HD!

A primeira vez que eu me sentei no sofá da Hebe em mil novecentos e Itamar Franco, ela disse: "Vou te perguntar isso, isso e isso, vai pensando nas respostas". Totalmente AMIGA! Você acha que hoje algum entrevistador faz isso? Você acha que um repórter do "CQC" ia fazer isso? Ia! Só pra perguntar ao contrário! Rarará!

E na última vez que fui no programa da Hebe, me sentei entre ela e a Marta Suplicy. E passei dez dias tomando leite. Pra me desintoxicar do cheiro de laquê! Rarará!

E já começou! Olha a charge que corre na internet com a Hebe chegando ao céu: "Cheguei, gracinhas". E a Dercy: "Demorou pra caraca, hein, sua filha da piiiiiii". E o Clodovil: "Arrasou, loiruda!!!!!". E o Chico Anysio: "E o salário aqui, ó". E a Nair Bello? Por que a Nair não saiu na charge? A Nair Bello foi buscar o baralho! Rarará!

E será que a Hebe já contou pra Dercy que o Corinthians ganhou a Libertadores? E o depoimento do Niemeyer: "Mas tão jovem?". Rarará! E tá proibido falar: "E o Sarney, nada?". Rarará! E o depoimento da Dilma: "Heebe! Voooolta! Agoooooora!". Rarará!

E eu sempre dizia que a Hebe não tinha joias, tinha um tesouro de pirata pendurado no pescoço! A Hebe adorava uma esculhambação! Ria muito!

E quando ela foi comemorar o aniversário na Disneylândia? Aí eu perguntei pra ela: "Mas veia não tem medo de rato? Como vai pra Disneylândia?". Rarará!

E um amigo de 20 e poucos anos assistindo tudo sobre a Hebe na TV: "Mas ela entrevistou todo mundo, né?". "Entrevistou." Ela entrevistou o primeiro homem que pisou na lua!

A Hebe foi com o Chateaubriand ao porto de Santos pegar os primeiros equipamentos da televisão brasileira. Pegou e nunca mais largou! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Um transbordo - MARCELO COELHO


FOLHA DE SP - 02/10


José Borba recebeu dinheiro; a dúvida é se poderia ser acusado de lavagem também

Como sempre, o ministro Celso de Mello promete um voto resumido -e se estende por centenas de quilômetros.

Na sessão de ontem, ele citou tudo e todos. De Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, ao professor Celso Lafer, por sua vez citando Montesquieu. De Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, a Santo Agostinho, identificado erroneamente como figura da "escolástica medieval" (os escritos dele pertencem à patrística, não à escolástica).

Toda essa gente foi lembrada só para reafirmar a tese de que a corrupção corrói o Estado republicano.

A atenção do espectador já tinha sido, na mesma sessão, posta duramente à prova por Dias Toffoli, que segue um estilo inverso ao de Celso de Mello. Lê seu voto com velocidade de locutor esportivo, como se andasse em cima de brasas em suas condenações (por corrupção) e absolvições (dos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha).

No meio disso tudo, pontos importantes tremeluziram rapidamente. Celso de Mello apontou, por exemplo, a possibilidade de que sejam anuladas as decisões do Congresso sobre reforma previdenciária. Se a emenda proposta pelo governo Lula em 2003 foi aprovada por meio de votos corruptos, seria, em tese, nula a sua validade.

Verdade que muita coisa, nesse aspecto, nem foi regulamentada.

A discussão se complica porque não só a reforma tributária ficou sob suspeita, mas também tudo o que se pode presumir como decorrente do "apoio ao governo" por parte dos parlamentares condenados.

Outro ponto a notar, no voto de Celso de Mello, foi sua menção a atos de corrupção promovidos "pelo Executivo". Sugeriu, com isso, disposição para condenar José Dirceu.

O mais incerto, nas discussões desta segunda-feira, foi o caso de José Borba, do PMDB. Recebeu dinheiro, como ninguém discorda; a dúvida é se poderia ser acusado de lavagem também.

Afinal, foi ao Banco Rural para sacar os recursos enviados por Marcos Valério. Ao saber que tinha de assinar um recibo, recusou-se; foi preciso que Simone Vasconcelos pegasse um avião para Brasília, retirasse o dinheiro ela própria e o entregasse ao deputado.

Para Rosa Weber e Gilmar Mendes, não há como falar em lavagem: o corrupto recebe dinheiro das mãos da própria corruptora.

Celso de Mello acompanhou Joaquim Barbosa. No raciocínio condenatório, uma coisa é o corruptor já estar preparado, de maleta em punho, para dar o dinheiro combinado. Outra é o corruptor ser acionado especialmente, porque a engenharia da lavagem de dinheiro sofreu um acidente de percurso.

Acidente suspeito: se José Borba se recusou a assinar, comenta Celso de Mello, torna-se mais evidente ainda o seu dolo. Dois crimes, portanto. "Um transbordo", qualificou Ayres Britto. Uma coisa é fingir que não recebeu. Pior, diz ele, é colocar nas costas de outra pessoa a responsabilidade do recebimento.

Com Ayres Britto condenando José Borba, deu 5 a 5 na votação. Ficou aberta para as próximas sessões a possibilidade de alguém mudar de ideia.

A Cúpula Aspa - CLÓVIS ROSSI


FOLHA DE Sp - 02/10


Encontro, realizado no Peru, reúne dois mundos que ignoram como cada um deles funciona

LIMA - O Brasil entrou ontem para a 3ª Cúpula Aspa (América do Sul/Países Árabes) com a expectativa de que a tão falada Primavera Árabe gere de fato muitas flores.
"No futuro que se anuncia para o mundo árabe, as possibilidades de cooperação aumentarão", disse o chanceler Antonio Patriota em seu discurso na reunião de chanceleres, que precede o encontro dos governantes, a realizar-se hoje.
É óbvio que o futuro antevisto pelo chanceler é a floração democrática, que, de resto, marca a cúpula de Lima: estava prevista para fevereiro de 2011, justamente quando estouraram as revoltas que se concluiriam com a queda de ditaduras.
Ou seja, o passado árabe são os Mubaraks e Gaddafis. O futuro é uma história que está começando a ser escrita. Seus primeiros capítulos serão seguramente apresentados hoje quando os líderes se reunirem.
"A grande missão da Cúpula Aspa é fazer a reavaliação da Primavera Árabe", diz o embaixador Cesário Melantônio, enviado especial para o Oriente Médio, com a autoridade de quem foi testemunha ocular da revolta no Egito, como embaixador no Cairo.
É natural que seja assim, na medida em que as cúpulas Aspa são no fundo um ponto de encontro entre dois grandes blocos que ignoram amplamente como é o outro lado, como constatou Melantônio.
A ideia do Brasil, ao lançar o projeto, em 2005, era a de buscar compreensão mútua que, uma vez obtida, alicerçaria a cooperação econômica, no fundo o ponto de chegada mais suculento.
Patriota, em seu discurso, jogou números grandiosos sobre o conglomerado Aspa: 750 milhões de habitantes, US$ 5,4 trilhões de PIB conjunto.
Mas são números ilusórios. Não há convergência entre as políticas. Aliás, nem mesmo no lado sul-americano dá para dizer que as políticas econômicas são coincidentes.
As divergências, dentro de cada bloco, são nítidas no caso do país árabe, a Síria, em que o futuro está em estado de suspensão.
Venezuela e seus sócios bolivarianos vetam qualquer condenação, mesmo retórica, à ditadura Bashar Assad, no que são acompanhados, do lado árabe, por Argélia e Iraque, ao passo que Egito, Arábia Saudita e Qatar querem ver o ditador fora do poder.
Consequência inescapável: a declaração final da cúpula apenas reproduzirá obviedades sobre o drama sírio, embora afirme que, no caso das violações aos direitos humanos, a "responsabilidade primária" é do Estado sírio. Dá para ser lido como uma crítica ao governo Assad ou apenas como uma platitude: todo governo é responsável por evitar violações aos direitos humanos e mais ainda por não praticá-las.
Em todo o caso, há um ponto que unifica os 12 sul-americanos e os 21 árabes (a Síria não foi convidada, por estar suspensa pela Liga Árabe): a defesa do Estado palestino.
Tanto é assim que o comunicado final conterá o agradecimento palestino ao apoio sul-americano à pretensão de que a Palestina seja membro pleno da ONU.
Se a pretensão se concretizar, o futuro do mundo árabe abrirá ainda mais perspectivas para a cooperação.

Engessamento - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 02/10



A política econômica do governo Dilma, que pretendia graus cada vez maiores de flexibilização, apresenta agora vários pontos novos de rigidez e de estrangulamento.

A meta de juros reais (descontada a inflação), de 2,0% ao ano, já foi atingida. A inflação aponta para acima de 5,5% ao ano e os juros básicos (Selic) estão em 7,5% ao ano. Daqui para a frente não terão espaço para cair. É o que reconhece o próprio Banco Central quando passa o recado de que eventuais novos cortes só virão com a "máxima parcimônia". Não há mais estímulos monetários para a atividade econômica, como quer o governo.

Este ano começou com uma meta de crescimento econômico de 5,0% - número tomado para elaboração do Orçamento deste ano. Depois, o governo admitiu avanço do PIB de somente 4,o%. Em seguida, essas metas foram sendo revistas: primeiramente, para 3,0%; depois, para acima de 2,7% (o crescimento do PIB de 2011); e, agora, para 1,6%. Ainda assim, o ministro Guido Mantega sustenta que, neste último trimestre, o setor produtivo deslanchará à "velocidade de cruzeiro", de 4,0% ao ano. Não é o que está pintando. Em todo o caso, o mercado ainda crê em que, em 2013, verá elevação de 4,0% no PIB, conforme consta na última edição da pesquisa Focus, do Banco Central.

Na política fiscal, ou seja, na administração de receitas e despesas do setor público, a decisão era obter sobra para pagamento da dívida pública (superávit primário), de R$ 139,8 bilhões ou 3,1% do PIB. O Banco Central já disse que o governo desistiu dessa meta nominal, mas que ainda conta com o cumprimento dos tais 3,1% do PIB (que crescerá 1,6%, não mais os 4,5%). Mas, pelas últimas manifestações do secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, já se vê que o governo Dilma está roendo também essa corda.

A outra meta é a da trajetória do dólar. O governo rejeitou a flutuação. Instituiu um câmbio administrado, cujo objetivo (informal) é manter o dólar em torno de R$ 2. Num ambiente de inflação relativamente alta, de 5,5% a 6,0% ao ano, um câmbio quase fixo tende a se valorizar. Nos velhos tempos de superinflação, vigorava o regime do crawling peg, em que a cotação do dólar era submetida a um indexador (correção) pela inflação passada. Agora, não existe esse reajuste, nem mesmo informalmente.

E há a meta de inflação. Ninguém mais acredita em que o Banco Central esteja comprometido com o centro da meta, de 4,5% ano. Por instrução do governo, vai tolerando mais inflação. Aparentemente, o limite é o teto da meta, de 6,5%.

Paradoxalmente, as flexibilizações a que está sendo submetida a política econômica conduzem a execução dessas políticas a certo nível de engessamento. Os juros básicos - como dito - não têm mais como cair. A expansão econômica esbarra também no baixo nível do investimento. A arrecadação insuficiente e as despesas públicas crescentes destroem as bases do superávit primário e, portanto, da política fiscal. Se for para garantir avanço de 4,0% ao ano, o investimento teria de ser de 22% a 23% do PIB, não os atuais 18%. O câmbio a R$ 2 enfrenta não só uma inflação mais alta, mas também a decisão dos grandes bancos centrais de despejar mais dinheiro na economia global. E a meta expandida de inflação, por sua vez, está vulnerável a quaisquer novos choques de oferta, como está sendo comprovado pela alta dos alimentos causada pela seca no Centro-Oeste dos Estados Unidos.

Escolhas difíceis - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 02/10


O desemprego na Europa permaneceu elevado em agosto. Não piorou, não melhorou em relação a julho, mas aumentou bastante na comparação com o mesmo mês de 2011, principalmente entre jovens. Apesar disso, o presidente François Hollande fez o oposto do que prometeu na campanha e anunciou corte de gastos, aumento de impostos e um plano de austeridade.

Hollande criticou durante a campanha a austeridade como estratégia para enfrentar a crise. Disse que tinha outro caminho para que a França retomasse o crescimento, o que tornaria mais fácil reequilibrar as contas. Isso é bom, teoricamente. Mas, infelizmente, não há mágica no mundo da economia. Países que fecham as contas no vermelho não podem simplesmente ampliar gastos sem combinar com os credores. O governo americano, mesmo com alta dívida e elevado déficit, consegue atrair investidores para os títulos que emite, mas, em geral, a lei da economia é dolorosa. Se um país endividado aumenta o gasto, o credor eleva os juros cobrados para a compra dos seus papéis, e isso eleva o gasto, o déficit e a dívida.

A escalada da dívida pública francesa é muito anterior à crise de 2008. Desde 2003 o país descumpre as metas do tratado de Maastricht, que estabelece nível máximo de endividamento dos países da zona do euro em 60%. De 1980 a 2007, o governo francês aumentou a dívida em mais de 40 pontos: saiu de 20% do PIB para 64%. Com a crise e o resgate ao sistema financeiro, ela saltou para 86% no ano passado, e o FMI estima que chegará 90% em 2014.

O déficit público chegou a 7,5% em 2009 e foi de 7% em 2010. O esforço de Hollande é para fechar as contas no vermelho em 5% este ano e reduzir o déficit para 3% no ano que vem. Isso deixaria a França dentro da meta limite europeia, mas o problema é como fazer isso com o país crescendo apenas 0,5% este ano. Em janeiro, a S&P rebaixou a classificação de risco da França e o país perdeu a nota máxima. Isso fortaleceu ainda mais a posição da Alemanha no bloco.

Hollande assumiu o governo francês em maio, já com uma taxa de desemprego de dois dígitos, em 10,3%. Ela subiu para 10,6% em julho e se manteve em agosto. No mesmo mês de 2011 estava em 9,6%. O desemprego de jovens está em 25%. Um entre cada quatro jovens franceses está desempregado.

Ao discursar na ONU, a presidente Dilma Rousseff criticou os países que querem usar apenas o instrumento da austeridade para sair da crise e sugeriu que o Brasil era exemplo de como fazer um mix de políticas mais adequado. O Brasil vem fazendo há 20 anos o esforço de melhoria das contas públicas. Entre 1992 e 1995 renegociou a dívida externa. Desde 2000 tem mantido superávit primário para reduzir o endividamento e o déficit. Não há comparação possível com países da Europa que tiveram uma piora dos dados fiscais. Mesmo assim, a política econômica brasileira não tem conseguido elevar o crescimento e manter baixa a inflação.

Não há quem possa dar lições à Europa. Ela vive um momento de escolhas dolorosas, como a de Hollande. Ele ao assumir entendeu que o caminho da austeridade não era escolha masoquista. Países que gastam demais têm que controlar despesas.

Crescer é o objetivo mais desejável, até para diminuir o pior problema criado pela crise. O desemprego médio nos 17 países que usam o euro subiu de 10,2% para 11,4% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O de jovens, com menos de 25 anos, subiu de 20,7% para 22,8%. Só em agosto 34 mil pessoas perderam o emprego. Isso se soma aos 18,2 milhões de desempregados, uma população, como comparou o "Financial Times", equivalente ao total de habitantes da Dinamarca, Suécia e Irlanda somados.

Riscos de perder o bonde - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 02/10



Os ajustes nas projeções da inflação para os anos civis de 2012 e 2013 ocorrem em intervalos cada vez mais estreitos, com limite superior em torno de 5,5%. Os analistas de conjuntura, portanto, localizam a evolução dos preços num ponto equidistante entre o centro da meta de inflação e o teto aceito pelo sistema, por um tempo razoável.

Também estão se estreitando as estimativas em relação aos níveis da taxa básica de juros daqui até fins de próximo ano. São sinais conjunturais de que juros reais não superiores a 3% prometem não escapar tão cedo desse novo limite mais civilizado. Há ainda indícios mais estruturais de que essa aproximação dos juros de referência brasileiros das taxas mais "normais" praticadas mundo afora pode ter vindo para ficar.

Indicações de que já se começa a acreditar que os tempos são de mudanças mais profundas na economia brasileira, na esteira de juros mais baixos, estão aparecendo a cada dia. À percepção de redução na rentabilidade financeira já se contrapõem ações em prol do aumento da eficiência na gestão dos negócios. O campo, numa palavra, vai se abrindo para aplicações financeiras de prazo mais longo e para o investimento em ampliação e em melhoria da produção.

O atual debate sobre a existência ou não de mudanças no regime macroeconômico não despencou de Marte e está, na realidade, por trás da discussão sobre a viabilidade de manutenção no tempo desse novo ambiente de juros mais baixos. Para o grupo de analistas que acredita ter se instaurado um novo mix de política econômica - com relaxamento na busca do centro da meta de inflação, câmbio quase fixo em lugar do flutuante e afrouxamento da meta de superávit primário -, o muro no qual os juros baixos podem se chocar, voltando a subir aos níveis antigos, está logo ali.

A moral dessa história é que, sendo assim, as mudanças de comportamento e estratégias na economia também não iriam longe. Mas, para o Banco Central, essa moral e essa história não estão bem contadas. É o que a autoridade monetária permite inferir da leitura do último Relatório Trimestral de Inflação, referente ao terceiro trimestre, divulgado na semana passada.

Um detalhado boxe, que acompanha o Relatório, descreve mudanças ocorridas na economia brasileira em anos recentes, que podem ter levado a "significativas" reduções na taxa real de juros de equilíbrio. Traduzindo: os juros reais atuais estão no lugar certo e, portanto, não há razão para voltar a elevá-los. Na definição dos economistas, taxa real de equilíbrio (ou neutra ou natural) é aquela que, no médio prazo, apresenta consistência com inflação estável e crescimento da economia igual ao seu potencial de crescimento.

Embora relacione diversos métodos e cálculos que confluem para essa forte redução da taxa neutra de juros, o BC é cauteloso nas conclusões. O documento lembra, com razão, que a taxa de juros de equilíbrio - como outras taxas de equilíbrio na economia, caso, por exemplo, da taxa de desemprego - é uma variável não observável e, portanto, projetá-la embute alto grau de incerteza. O resultado obtido varia conforme o modelo aplicado, a técnica de cálculo adotada e a amostra utilizada.

O BC, de todo modo, aponta alguns fatores que ajudam a aumentar a convicção de que está ocorrendo, de fato, uma forte redução dos juros de equilíbrio. São mudanças positivas, nos últimos anos, em relação aos prêmios de risco nos financiamentos, maior acesso aos mercados de capitais a custos menores, consolidação do regime fiscal e transformações nas estruturas do mercado financeiro, sem esquecer o cenário externo deflacionário. O Relatório de Inflação não banca números, mas dá indicações de que, no Brasil, a taxa real neutra de juros pode ter caído, entre o primeiro semestre de 2008 e o primeiro semestre de 2012, para algum valor entre 2,5% e 3,5%.

Caso a estimativa esteja correta, é possível acreditar que o atual nível dos juros básicos possa ser mantido nas vizinhanças de onde se encontra por um período mais longo de tempo. O risco de não considerar essa hipótese é o de perder o bonde das mudanças que já começaram a pipocar.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 02/10


Sobe parcela de muito idosos em plano de saúde
A participação dos beneficiários de planos de saúde com mais de 80 anos cresceu de 12% em junho de 2000 para 17% no mesmo período deste ano entre os que têm mais de 60 anos, segundo o Iess, que representa empresas de saúde suplementar.

Subiu também, mas em menor proporção, a representatividade da faixa de 75 a 79.

Por outro lado, a parcela dos beneficiários com até 19 anos caiu de 31,8% para 25,4% do total no mesmo período. O dado é preocupante, segundo Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do instituto.

"A mudança demográfica da população brasileira apareceu antes no setor. O bônus demográfico no país vai acabar daqui a dez anos. Nos planos de saúde já começou."

Para manter a sustentabilidade financeira na saúde suplementar, seria necessário mudar a determinação que proíbe que as empresas cobrem dos idosos valor superior a seis vezes o que pagam os beneficiários mais jovens.

"Outra solução seria desenvolver algum sistema de previdência", diz.

A assistência ao idoso é um dos eixos prioritários da ANS, segundo a agência.

Entre as ações estão um estudo de iniciativas na área, a criação de indicadores e o estímulo às operadoras para que incentivem beneficiários da terceira idade a participarem de programas de acompanhamento da saúde.

"A solução [para a saúde financeira das companhias do setor] é que cada faixa etária sustente o próprio custo"

LUIZ AUGUSTO CARNEIRO

superintendente-executivo do Iess

GRIFES
A Apple passou para o segundo lugar no relatório anual de melhores marcas globais da consultoria Interbrand, que será divulgado hoje.

Após registrar alta de 129% em seu valor, a marca superou os US$ 76 bilhões, número próximo da avaliação da Coca-Cola, primeira colocada, que cresceu 8%.

"Os rankings dos últimos anos vinham apresentando pouca variação. Neste ano foi diferente", diz Alejandro Pinedo, da Interbrand.

A metodologia da pesquisa reúne critérios como desempenho financeiro e poder da marca para orientar preços ou garantir lucros.

O Facebook entrou na lista em 69º lugar e o Google ultrapassou a Microsoft pela primeira vez no relatório.

Parceria... 
A PwC (PricewaterhouseCoopers) dos Estados Unidos, em parceria com a do Brasil, irá abrir uma unidade de negócios para atender empresas americanas interessadas em atuar em cidades brasileiras.

...internacional 
O centro ficará nos EUA, mas profissionais brasileiros também prestarão atendimento. O presidente da PwC Brasil, Fernando Alves, está em Nova York para o lançamento do US - Brazil Business Center.

Compra... 
Os comerciantes da região metropolitana do Rio de Janeiro estimam faturamento 15% superior no Dia das Crianças deste ano na comparação com a mesma data em 2011, de acordo com a Fecomércio-RJ.

...infantil 
O aumento de estoque (65%), a realização de promoções (65%), a decoração do estabelecimento (46%) e o lançamento de produtos (35%) são algumas das medidas citadas para elevar as vendas de artigos infantis no Rio de Janeiro.

Indústria... 
A produção da indústria química subiu 3,25% em agosto e as vendas internas cresceram 9,59% ante julho, segundo a Abiquim.

...química 
Na comparação com agosto de 2011, a produção subiu 7,12% e as vendas internas alcançaram 5,24%, conforme a entidade do setor.

CHINA VERSUS EUA
Apesar da atual desaceleração da economia da China, a população está otimista em relação ao próprio futuro, segundo o Boston Consulting Group.

Mais da metade dos chineses acredita na recuperação econômica total do país e cerca de 55% têm conseguido poupar o suficiente para garantir sua aposentadoria, de acordo com pesquisa realizada pela consultoria.

Nos Estados Unidos, as perspectivas são diferentes. Dentre os entrevistados, 73% acreditam que a economia ainda pode piorar e mais da metade afirma estar com algum tipo de problema financeiro.

A visão sobre o futuro das próximas gerações também é distinta nos dois países.

Enquanto 80% dos chineses acreditam que seus filhos terão condições melhores do que aquelas em que atualmente vivem, esse número não chega a 25% entre os americanos.

São Paulo entre Jesus e Dirceu - ARNALDO JABOR


O Estado de S.Paulo - 02/10


O óbvio está tão ululante diante de nossos olhos, que nem vale a pena tentar análises 'profundas' de acontecimentos despercebidos, como se tudo fosse sutil e emaranhado. Não é. Permito-me ser coloquial como em uma indignação de botequim: o tempo passa, o tempo voa e o populismo continua numa boa. Em São Paulo, estamos entre dois populismos: um que se pode chamar de 'direita' e outro que (arggh...) chamaremos de 'esquerda'.

"E aí, cara" - digo com um gole de chope -, "como é que um sujeito como esse Russomanno pode ser prefeito de uma cidade como São Paulo? Um elemento sem a menor experiência administrativa, um 'malufista', apresentador de programas sensacionalistas, autoproclamado protetor de consumidores, com seu sorriso de 'Coringa' fixo na cara- como é que pode?"

Terá milhões de eleitores que são dominados mentalmente pelos donos dos infames supermercados da fé, donos também de casas, aviões e prédios em Miami comprados com o dízimo dos pobres. Eles comandam os ignorantes com seu poder místico para a retomada do ciclo "Ademar, Jânio, Maluf, Pitta", o populismo mais raso, mais primitivo. Seu ponta de lança é o Russomanno. Este é um fato gravíssimo: a 'islamização' da política sob dogmas da fé acrescenta um sabor medieval, oriental à demagogia. A ignorância política agrada muito aos comandantes do atraso, pois facilita o cabresto para as urnas e fortifica o evangelismo de mercado. Os 'bispos' de gravata não acreditam em Deus e só pensam nos bilhões que juntam em notinhas surradas nos bolsos vazios dos pobres que pagam para ter esperança.

Agora, a ignorância religiosa vai se casar com a ignorância política. Achávamos que as redes sociais modernizavam as pessoas, mas os Twitters e Facebooks só difundem a burrice geral: "bárbaros tecnizados" (Oswald).

No mundo inteiro, a crise econômica e política favorece líderes autoritários. Dentro dos impasses geram-se os canalhas. O fascista Chávez vai ser reeleito, o fanatismo árabe persiste para além da 'primavera', o repulsivo Mitt pode ganhar nos USA e levar o Ocidente ao caos. Aqui, a cidade mais importante da América Latina pode ser entregue a uma lucrativa "teocracia oportunista".

É claro que os outros candidatos têm de ir a igrejas, com cara de carolas que não convencem, pois o povão sabe o que quer (até o filho do Ratinho pode ganhar em Curitiba, sabiam?)

As pessoas do enclave "Ademar de Barros/Jânio/Maluf" vão votar no Russomanno por quê? Por ordens do 'bispo', claro, mas também porque sua candidatura tem um sabor de negação da política costumeira, como apostar na 'zebra' porque os cavalos favoritos não resolveram nada. Há algo do 'efeito Tiririca' nisso tudo. Vejam na TV os milhares de rostos famintos de resposta para suas vidas angustiadas, pastoreados por 'bispos' assaltantes, gordos, vulgares e milionários com fazendas, aviões e apartamentos em Miami.

E é fascinante constatar que há uma sutil coincidência entre o pentecostalismo de direita e o "midiatismo" lulista, que também conta promessas abstratas, com um carisma milagreiro da aparência contra a realidade. Há o elogio do impalpável contra o concreto. Em ambos, no "midiatismo" e no "islamismo caboclo", existe algo de divinal, de liturgia mística. Outra coisa une os 'bispos' evangélicos ao PT: nenhum dos dois quer governar a cidade - querem apenas a 'tomada do poder'. Uns, prometendo o céu para os otários, os outros, para tomar São Paulo como o Palácio de Inverno na Rússia em 1917. O candidato do PT, Haddad, também é comandado por um outro Deus: Lula - como recentemente declarou a Marta Suplicy.

Na mitologia política brasileira, Lula continua o símbolo do "povo" que chegou ao poder. A origem "cristã" desse mito de operário lhe dá uma aura intocável. Poucos têm coragem de desmentir esse dogma, como a virgindade de Nossa Senhora. Quanto mais inacreditável um fato, mais valorizada a fé. Lembram quando caiu o telhado do "Renascer" e morreram vários? Ninguém desistiu; só os mortos.

Lula não precisa dizer a verdade; basta parecer. Pode mentir quanto quiser, que o que diz soa verdadeiro. É a "mentira revolucionária". Mesmo quem sabe dos delitos que Lula presidiu vota nele, "mesmo assim". Há pouco ele mentiu de novo em entrevista ao New York Times, inclusive ofendendo o STF, ao dizer que "o mensalão é uma mentira inventada pelos inimigos". Mas não faz mal - Lula está "acima" da política; ele é um avatar histórico. Seus eleitores intelectuais pensam: mesmo os erros de Lula e do PT tinham de ser assim, pois Hegel diz que dessa negatividade surge uma nova verdade. É o mesmo que achávamos em 1968: "Sim, o socialismo errou ao esmagar Praga e Dubcek, mas é apenas uma 'contradição negativa' que chegará a outra positividade". Os erros do PT são apenas um momento de passagem para o acerto. Hegel escreveu: "Para entender a história, há que afastar a contingência". Por essas e outras, uma esquerda moderna que valoriza a facticidade é vista como desvio ou traição. Para muitos intelectuais, o conceito de "revolução" continua presente, como um tumor inoperável.

E é espantoso que esse óbvio fenômeno político, caudilhista, subperonista, aí, na cara da gente, seja ignorado por quase toda a intelligentsia do País. Recusam-se a ver o 'regressismo' do governo petista na aliança mais espúria: a velha esquerda com a velha direita. Tudo que foi preparado para desenvolver o País depois do Plano Real foi desqualificado e ignorado. Jogaram o País para trás em nome de um delírio ideológico. E não adianta falar. Somos chamados de 'reacionários'.

O problema do candidato do PT é que a 'massa atrasada' (termo trotskista) está mais ligada em outro populismo, muito mais conservador, mais promissor do que vagos clamores revolucionários. Eles querem esperança imediata que os pastores fornecem. A chamada classe C é muito mais consumista do que sindicalista ou transgressiva. Preferem Jesus a Zé Dirceu.

Vai bem, vai mal - LUIZ GARCIA


O GLOBO - 02/10


Há muitas maneiras de medir o progresso de um país - ou a ausência dele. Cada índice conta a sua história, triste ou animadora. Talvez os mais significativos sejam aqueles que nos dizem a quantas anda a educação básica.

A esse respeito, temos, simultaneamente, motivos de satisfação e de tristeza. Os números da alfabetização, por exemplo, são animadores. A taxa do analfabetismo passou de 11,4% em 2004 para 8,6% no ano passado. Com um dado positivo: 60% dos brasileiros nesse grupo têm mais de 50 anos. Pode-se concluir que o Brasil do futuro será melhor do que o de hoje? A resposta honesta a essa pergunta é desalentadora: pode ser, mas nem tanto quanto seria desejável ou necessário.

Não é possível esquecer que alfabetizar é apenas um primeiro passo. Um cidadão realmente funcional não sabe apenas ler e escrever. Isso não basta para o exercício da cidadania. Ele precisa conhecer a história de seu país e do mundo em que vive. Sem entender o passado não fica nada fácil enfrentar os desafios do futuro. Os números mais recentes a esse respeito provocam pessimismo. A mais recente pesquisa oficial a respeito mostra que está crescendo o número de jovens de 15 a 17 anos que deveriam estar no ensino médio e lá não apareceram. Segundo uma pesquisa oficial, simultaneamente aumenta a alfabetização e cai a continuação do processo educativo.

A ênfase na educação elementar é obviamente indispensável e há muito tempo vem sendo o principal tema das campanhas e dos esforços no universo da educação no Brasil. Mas só agora, pelo visto, começamos a descobrir que isso não basta. É com preocupação que especialistas no assunto constatam uma tendência negativa: enquanto estamos vencendo a batalha da alfabetização das crianças, estamos começando a perder a guerra do ensino médio.

Os números são alarmantes: os jovens de 15 a 17 anos estão abandonando as escolas. Em dois anos, a chamada taxa de escolarização desse grupo desceu de 85,2% para 83,7%. E há outro dado assustador: pesquisas mostram que muitos desses jovens não migraram para o mercado de trabalho, Não se sabe bem para onde foram. Há apenas uma explicação parcial: são os casos de gravidez precoce. Segundo fonte oficial, o número de meninas grávidas chega a 300 mil.

Concluindo: a educação no Brasil vai, simultaneamente, melhor e pior. E cada um que escolha os números que achar mais importantes.

CLAUDIO HUMBERTO

“A prova é torrencial em relação ao ministro José Dirceu”
Roberto Gurgel, o procurador-geral, convencido da condenação do ex-ministro


DESTINO DE PIZZOLATO, RÉU DO MENSALÃO, SERIA ITÁLIA

Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil no governo Lula, foi para a Itália cuidar de sua transferência, segundo informações que chegaram a ministros do Supremo Tribunal Federal. Ele tem dupla nacionalidade e pode se radicar na Itália sem dificuldades, como o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, para fugir da Justiça. Pizzolato sumiu em julho, antes do julgamento do mensalão, e nunca mais foi visto. 

NA EUROPA 

O advogado de Pizzolato, Marthius Sávio Lobato, garantiu que ele está “na Europa”, sem dizer o País, e que voltará ao Brasil em breve.

CONDENADO

Em decisão unânime, o STF condenou Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Pode pegar, no mínimo, 12 anos de prisão.

EFEITO BATTISTI

Criminosos de dupla nacionalidade vão para Itália confiando que não serão extraditados, após o Brasil acolher o terrorista Cesare Battisti.

MONITORAMENTO

O sumiço de Pizzolato reforçou a necessidade, no STF, de “monitorar” os demais réus, a fim de evitar eventuais fugas.

“CRISE” NAS AÉREAS TAM E GOL É SÓ DE GESTÃO

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) deu declarações preocupada com a “crise” na TAM e na GOL. Essas empresas aéreas registram grandes prejuízos, apesar dos aviões lotados e de serem amplamente beneficiadas com medidas protecionistas, em desfavor da clientela. Segundo especialistas, o problema não é de crise, mas de gestão, sob o manto e a proteção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

DESTINO FRACASSO

Tanto a GOL quanto a TAM são geridas com a mesma expertise de empresas de ônibus, em termos de rotas. Não têm como dar certo.

NÃO TEM NEXO

TAM e GOL estabeleceram malha aérea sem nexo, onde os custos não justificam os investimentos. Nem os preços extorsivos de suas tarifas.

SOBRA PARA O CLIENTE

O duopólio TAM/GOL é dono de rotas que não usam e impedem que concorrentes de menor porte o façam. E o passageiro sai prejudicado.

CAMINHO DO OURO

A presidente Dilma será mais que bem recebida no Peru, nesta terça-feira: tal como no governo Lula, ela foi generosa com o nosso dinheiro: despachou para Lima US$ 500 milhões para obras em rodovias. 

FALTA DO QUE FAZER

Dilma, Lula e o presidente palestino Mahmud Abas confirmaram presença em Porto Alegre, em novembro, no tal Fórum Palestina Livre, bancado pelo contribuinte por decisão do governador Tarso Genro.

ESQUECIMENTO

Falecido ha dois anos, o saudoso Romeu Tuma completaria 81 anos nesta quinta (4), e até agora o Senado não fechou a votação do projeto do senador José Sarney que dá seu nome ao aeroporto de Congonhas.

QUEM DIRIA...

A gaúcha Gabriela Markus, eleita nova Miss Brasil 2012, é contraparente da falecida d. Lucy, mulher do general Ernesto Geisel, sisudo luterano que governou o Brasil com mão de ferro. 

COISAS DA BAHIA

O comitê do candidato do PT a prefeito de Salvador, Nelson Pelegrino, fica na Avenida ACM, batizada em homenagem ao avô do concorrente, ACM Neto. Os petistas combinam assim: “Vamos ao comitê da ACM!”.

EFEITOS DO MENSALÃO

O julgamento do mensalão provoca consequências nos municípios. No Guarujá, litoral paulista, o ex-prefeito Farid Madi, novamente candidato ao cargo pelo PDT, perdeu a liderança nas pesquisas. Ele é acusado de montar esquema idêntico de compra de votos na Câmara Municipal.

VAPT-VUPT

Em tempo de eleição valem até férias-tampão: a ministra Ideli (Relações Internacionais) tirou-as ontem e hoje para ir a Tubarão (SC) e Aloízio Mercadante (Educação) para ajudar na campanha de Haddad. 

CARGOS À DERIVA

Afastado da campanha de Serra por causa do prefeito Gilberto Kassab, tucanos ligados a Geraldo Alckmin notaram que em caso de derrota vão ser obrigados a arrumar cargos para um monte de gente. E agora correm atrás do prejuízo, na reta final. Se ainda houver tempo...

CARBONARA

A esta hora o Pizzolato, condenado no mensalão, deve estar assando uma pizza perto de Roma... 

PODER SEM PUDOR

A GRAVATA E O CABELEIREIRO


Certo dia, no Senado, Esperidião Amin (SC) e Cid Sabóia (CE) discutiam a cor da gravata do peemedebista cearense. O careca catarinense ironizou, sugerindo que o colega exportasse a gravata para a Espanha: suas cores fortes substituiriam com sucesso a capa vermelha usada pelos toureiros. Sabóia matou a pau:

– Gostaria que você me informasse o endereço do seu cabeleireiro. Um dia eu posso precisar...

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: A hora do mensalão – Supremo conclui que PT comprou apoio político
Folha de S. Paulo: Mensalão o julgamento - Mensalão comprou votos no Congresso, conclui STF
Estadão: Mensalão foi compra de apoio político, confirma STF
Valor: Grande varejo acompanha bancos e corta taxas de juro
Correio Braziliense: Acaba a farsa de que mensalão era Caixa 2
Estado de Minas: Mais táxis em BH só no ano que vem
Jornal do Commercio: Onda de assaltos na UPE provoca medo
Zero Hora: Polícia prende bando que teria roubado 150 carros
Brasil Econômico: Governo quer aprovar incentivos para garantir o nível de emprego