sexta-feira, setembro 28, 2012

O PT na hora do lobo - FERNANDO GABEIRA


O ESTADÃO - 28/09

A Hora do Lobo é um filme de Ingmar Bergman. Os antigos a chamavam assim porque é a hora em que a maioria das pessoas morre... e a maioria nasce. Nessa hora os pesadelos nos invadem, como o fizeram com o personagem Johan Borg, interpretado por Max von Sydow.

Como projeto destinado a mudar a cultura política do País,o PT fracassou no início de 2003. Para mim, que desejava uma trajetória renovadora, o PT sobrevive como um fósforo frio. Entretanto, na realidade, é uma força indiscutível. Detém o poder central, ocupou a máquina do Estado, criou um razoável aparato de propaganda e parece que o dinheiro chove em sua horta com a regularidade das chuvas vespertinas na floresta amazônica. Mas o PT está diante de um novo momento que poderia levá-lo a uma crise existencial, como o personagem de Bergman, atormentado pelos pesadelos. Pode também empurrá-lo mais ainda para o pragmatismo que cavou o abismo entre as propostas do passado e a realidade do presente.

O PT sempre usou duas táticas combinadas para enfrentar as denúncias de corrupção. A primeira é enfatizar seu objetivo: uma política social que distribui renda e reduz as grandes desigualdades nacionais. Diante dessa equação que enfatiza os fins e relativiza os meios, alguns quadros chegam a desprezar as críticas, atribuindo-as às obsessões da classe média, etiquetando- as como um comportamento da velha UDN, partido marcado pela oposição a Getúlio Vargas e pela proximidade com o golpe que derrubou João Goulart. A segunda é criar uma versão corrigida para os fatos negativos, certo de que a opinião pública ficará perdida na guerra de versões. Esta tática é a que enfatiza o desprezo da política moderna pelas evidências, como se o confronto fosse uma guerra em que a verdade é vitimada por ambos os lados.

Acontece que essa fuga das evidências encontra seu teste máximo no julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa apresenta as acusações com grande riqueza de detalhes. As teses corrigidas foram sendo atropeladas pelos fatos. Não era dinheiro público? Ficou claro que sim, era dinheiro público circulando no mensalão. Ninguém comprou ninguém, eram apenas empréstimos entre aliados. Teses que se tornam risíveis diante da origem e do volume do dinheiro. O PT salvando o PP de José Janene, Pedro Correa e Pedro Henry da fúria dos credores?

O relatório de Joaquim Barbosa apresenta o mensalão como uma evidência reconhecida pela maioria do Supremo, dos órgãos de comunicação e dos brasileiros. Como ficará a tática do PT diante dessa realidade? Negar a evidência? É um tipo de reação que, mesmo em tempo de prosperidade econômica, não funciona quando os fatos são inequívocos.

Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.

A reação do PT diante da possível condenação de seus líderes vai ser decisiva. Encontrará forças para reconhecer seu erro, aceitar o julgamento do STF e iniciar um processo de autocrítica? Tudo indica que não. A teoria conspiratória domina suas declarações. O mensalão foi uma invenção da mídia golpista, dizem alguns. Na nota dos partidos aliados, que deviam ser chamados de partidos submissos, acusa-se uma manobra da oposição, como se tudo isso tivesse sido construído por ela, que descansa em berço esplêndido.

Numa entrevista raivosa, um dos réus, Paulo Rocha (PT-PA), alega que as denúncias do mensalão ocorrem porque Lula abriu o mercado brasileiro aos países árabes. A tese conspiratória é tão clássica que os judeus não poderiam ser esquecidos

O ex-presidente Lula parece viver realmente a hora do lobo.Percorre o Brasil atacando adversários e diz que, tal como venceu o câncer, vai derrotar os candidatos de oposição. Se o ressentimento e o rancor brotam com tanta facilidade dos lábios do líder máximo, o que esperar do exército virtual de combatentes pagos para atirar pedras?

Este é um momento crítico na história do PT. Deve contestar estas evidências com a mesma eloquência com que contestou outras. Mas as de agora são transmitidas ao vivo, foram submetidas ao exame de ministros do Supremo, estão coalhadas de fatos, depoimentos, provas.

Ao contestar as evidências o PT não inventa um caminho. Paulo Maluf foi acusado durante anos de desviar dinheiro para o exterior e sempre negou. A condenação e a eventual prisão de líderes não afastam o PT do poder, mas transformam o encontro nos jardins da casa de Maluf em algo mais que uma simples oportunidade fotográfica. O PT não só verteu milhões para os caixas do partido Maluf, como aceitará a tática malufista de negar as evidências, mesmo quando são esmagadoras.

Em defesa de Maluf pode-se dizer que ele nunca prometeu a renovação ética da política brasileira.Usa apenas um mesmo e fiel assessor de imprensa para rebater críticas nos espaços de cartas de leitores. Descendente de árabes, Maluf jamais, ao que me consta, culpou uma conspiração sionista por sua desgraça. Sempre foi o Maluf apenas,sem maiores mistificações.

Montado numa máquina publicitária, apoiado por uma miríade de intelectuais, orientado por competentes marqueteiros, o PT viverá em escala partidária a aventura individual de Maluf: negar as evidências. Até o momento nada indica que assumirá a realidade. Seu caminho deve ser negar, negar,como o marido infiel nas peças de Nelson Rodrigues - por sinal, o inventor da expressão "óbvio ululante".

O mensalão não é um cadáver no armário, invenção de opositores ou da imprensa. Nasceu, cresceu e implodiu nas entranhas do governo. É difícil sentar se em cima dos fatos. Ele são como uma baioneta: espetam.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 28/09


Com crise e controle cambial, Argentina envia menos turistas ao Brasil neste ano
Com controle de divisas e inflação oficial na casa dos 10%, apesar de economistas independentes dizerem que chega aos 20%, a Argentina não deve enviar tantos turistas para o Brasil neste verão.

Para segurar dólares no país e equilibrar as contas, o governo argentino proibiu a compra de moeda estrangeira com a finalidade de poupar. Quem quer ir ao exterior precisa comprovar a viagem com passagem e só pode adquirir a moeda do país de destino.

Em Florianópolis, cidade brasileira que mais recebe argentinos, estima-se que haverá uma queda de 50% no número de visitantes do país vizinho, segundo a Abih-SC (associação da indústria de hotéis de Santa Catarina).

"Neste mês, a taxa de reservas já caiu pela metade", diz o presidente da entidade, João Eduardo Moritz.

A Acif (associação comercial da cidade) planeja ações publicitárias reforçadas em Buenos Aires para tentar amenizar a situação.

Segundo destino mais procurado pelos argentinos, Foz do Iguaçu registra queda desde julho. "Foi uma redução brusca. Cerca de 40%", diz o presidente do Sindihotéis (sindicato hoteleiro da cidade), Carlos Antônio da Silva.

O Rio de Janeiro é a única cidade que não deve ser afetada, pois turistas de outros países substituem os argentinos. "Com o real mais fraco, os europeus estão retornando", diz o presidente do grupo BHG, Peter Vader.

De acordo com a Abih-RJ, Búzios deverá ser afetada.

TEMPORÁRIO
Os valores recolhidos para o pagamento de INSS no setor de trabalho temporário ficaram em aproximadamente R$ 1,99 bilhão em 2011, segundo pesquisa que será divulgada hoje pelo Sindeprestem e pela Asserttem (entidades do setor).

Na terceirização, o recolhimento foi de R$ 1,94 bilhão.

A prestação de serviços especializados e o trabalho temporário empregam no Brasil, juntos, mais de 2 milhões de trabalhadores formais, de acordo com o levantamento da entidade.

SOM NA CAIXA
Os valores movimentados em sonorização no comércio cresceram no Brasil nos últimos anos, segundo o Ecad (escritório de arrecadação e distribuição de direitos autorais).

A música reproduzida é cobrada por metro quadrado.

O grupo geral, que envolve de hotéis a lojas, arrecadou mais de R$ 150 milhões em 2011. O número sobe 11,5% neste ano.

No segmento que abrange as redes, como os grandes supermercados ou marcas como Boticário ou Ellus, o avanço é mais acentuado (18,7%).

"Músicas agitadas funcionam onde se quer circulação rápida dos clientes, como em fast-foods", diz Márcio Fernandes, do Ecad.

A trilha sonora é adequada ao perfil da marca. Na Ellus, "gira em torno do rock", diz Adriana Bozon, diretora da empresa.

O uso de um sistema integrado ajuda na padronização de franquias, segundo Lindolfo Leopoldo Martin, da rede Multicoisas. A empresa centralizou há dois anos.

Algumas redes optam por não pagar tais taxas pela execução de músicas. Isso é possível pelo pagamento a determinados artistas, fora da lista do Ecad. A europeia Jamendo, empresa de conteúdo musical livre na internet, fez parceria com a brasileira Instore, produtora de rádio e TV.

"O repertório é outro, mas o valor pode cair por meio desse licenciamento", diz Vladimir Batalha, da Instore.

Dois anos de PIB magro - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 28/09

Quem acompanha o cotidiano da economia já sabia que o Banco Central iria reduzir novamente a previsão de crescimento. A queda foi para 1,6%. Em março, a previsão era 3,5%, em junho, foi a 2,5%. Meses atrás, quando os economistas do Credit Suisse divulgaram que seria 1,5%, o ministro Guido Mantega rebateu dizendo que aquela projeção era uma piada. Antes fosse.

O quadro que sai do Relatório de Inflação é o de um crescimento murchando e uma inflação subindo. O BC calcula que o IPCA será de 5,2%. E isso apesar do fato de que o indicador deste ano foi favorecido pela mudança na estrutura de ponderação do IBGE, que tirou quase meio ponto percentual do índice.

A economia recebeu um volume espantoso de estímulos. Foram cinco pontos percentuais de queda da taxa Selic, desde setembro, e uma dezena de pacotes de estímulos fiscais. Mesmo assim, o nível de atividade foi perdendo gás.

A situação internacional explica uma parte desse resultado, mas não tudo. A Europa está em recessão; os Estados Unidos, rodando em torno de 2% de crescimento; a Índia e a China estão crescendo menos. Mas a economia brasileira é, principalmente, baseada no mercado interno. Por isso deveria ter tido um resultado melhor.

O governo escolheu incentivar o consumo através da expansão do crédito e ajudar setores com benefícios fiscais setoriais. Isso não funcionou para manter o ritmo da economia. Depois de 2,7% de crescimento em 2011, o país vai se contentar com 1,6% em 2012. A presidente Dilma Rousseff chegará ao meio do seu mandato com um desempenho pífio para uma economia que sustenta ser "desenvolvimentista".

Na previsão do próprio Relatório de Inflação, a crise econômica internacional será longa. Portanto, o Brasil precisa se sustentar com suas próprias políticas. A guinada recente para reformas mais estruturais, como a proposta de investimento em logística e a mudança da cobrança da contribuição patronal, está elevando a confiança do empresariado, provando que essa é a forma mais eficiente de incentivo.

O relatório prevê para o ano que vem uma inflação em torno de 4,9%. Isso é bom, mas é preciso considerar três pontos: nessa projeção está o efeito da diminuição de 16% nos preços da conta de luz; o BC não incluiu a possibilidade de um reajuste da gasolina; está considerando como "neutras" as pressões inflacionárias externas. No último relatório, ele considerava que eram "desinflacionárias", mas não foram. O petróleo subiu e algumas commodities tiveram alta pela pressão da seca americana. O temor é que no ano que vem, num cenário de maior crescimento, a inflação volte a subir.

Também é preciso levar em consideração a alta do dólar. Até agora, o repasse da moeda americana para os preços tem sido menor justamente porque o PIB está fraco. Há economistas prevendo que na medida em que o nível de atividade fique mais forte, esse repasse também será intensificado. O Banco Central parece trabalhar com uma piso no câmbio, na casa de R$ 2. Pelo menos tem feito intervenções no mercado, com compra de moeda americana, toda vez que o real volta a se valorizar. Todas as indicações do Ministério da Fazenda também vão nessa direção.

Há cada vez mais dúvidas sobre se ainda estão de pé os três pilares da política econômica que vinham sendo mantidos até aqui: câmbio flutuante, meta de inflação, superávit primário. A ideia de uma faixa de flutuação para o dólar está ficando mais evidente, e o BC parece perseguir uma meta de crescimento do PIB, sem se importar que a inflação fique um pouco acima do centro.

BISPO MACEDO DIZ QUE NEM CONHECE CELSO RUSSOMANNO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 28/09


O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, usou seu culto anteontem em SP para rebater a informação de que o candidato a prefeito Celso Russomanno (PRB-SP) é ligado a ele. Disse que "nem conhece o cidadão". E culpou "a mídia, que bate, bate, bate", por espalhar essa "estupidez". Macedo pregou para cerca de 6.000 fiéis (segundo a igreja) no templo da avenida João Dias, em Santo Amaro.

A repórter Anna Virginia Balloussier gravou a fala. "Este mundo todo me odeia. Não é verdade? É ou não é? Nos jornais, metem o cacete no bispo Macedo. Eles dizem: esse país só vai mudar quando o bispo Macedo morrer."

Os fiéis respondiam "sim, sim, sim!" às falas do líder evangélico. "[A mídia] diz que tem um candidato aí... 'Ah, é o bispo Macedo que está por trás'. Olha a estupidez. Nem conheço o cidadão, nem conheço", disse, sem citar nominalmente o candidato.

"Eu tenho a Record. Vou na Record uma, duas vezes no ano. É ignorância, é muita estupidez. Você acha que vou abrir mão daquilo que gosto, que faço com prazer... [ininteligível] para ficar cuidando de outras coisas?", disse.

O tema ocupou cerca de três minutos nas duas horas em que Macedo discursou, cantou e pregou ajoelhado.

O carro-chefe do culto foi o avanço de outras igrejas evangélicas, como a Mundial do Poder de Deus (de Valdemiro Santiago) e Internacional da Graça de Deus (R.R. Soares, casado com uma irmã de Macedo), lideradas por dissidentes da Universal. "Não ouça nenhum pastor. Fixe-se aqui", instruiu bispo Macedo. Ele usou a metáfora de "misturar vinhos" para afirmar que o fiel deve escolher apenas uma denominação para seguir.

"E eu pergunto: quem fica curado assim? [...] Andando feito piolho na cabeça dos outros. Você quer ser livre, defina sua vida, sua fé. Você se encaixou bem na igreja 'A', então fique nessa igreja. Não liguem a televisão tentando buscar outros canais que falem de Jesus. Todo mundo fala de Jesus, até o diabo fala de Jesus."

Em meio à pregação, Macedo pediu ajuda para pagar contas de luz e água no total de R$ 65 mil do templo de Salomão, réplica do monumento de Jerusalém, em fase de construção no Brás. "Se não tem ninguém para pagar, vamos fazer uma vaquinha."

"Este mundo me odeia. Nos jornais, metem o cacete no bispo Macedo"

"Diz que tem um candidato aí... 'Ah, é o bispo Macedo que está por trás'. Olha a estupidez"

"Nem conheço o cidadão"

"Religião é um saco cheio de gatos, todas, sem exceção"

"Não ouça nenhum pastor. Fixe-se aqui"

"Se não tem ninguém para pagar, vamos fazer uma vaquinha"

MONTANHA-RUSSA

Com faturamento anual de R$ 1 bilhão, o setor de parques temáticos e de diversões deve crescer 5% em 2013. Neste ano, o número de visitantes já supera os 77 milhões nos 298 estabelecimentos do país. "A ascensão da classe C levou uma multidão de novos consumidores aos parques", diz Marcelo Beraldo, representante no Brasil da Iaapa (entidade internacional do setor).

São previstos investimentos de R$ 2 bilhões em cinco anos e 56 mil empregos.

MONTANHA-RUSSA 2
Em dezembro, a associação internacional realiza no Hopi Hari curso de formação gerencial para 50 gestores. Entre as disciplinas, marketing e segurança. Em fevereiro, a adolescente Gabriela Michimura morreu ao cair de um brinquedo no parque, em Vinhedo (79 km de SP).

REFORMA
O governador Geraldo Alckmin autorizou a liberação de R$ 453 milhões extras para investir na modernização dos hospitais universitários de São Paulo. Serão oito estabelecimentos beneficiados. O Hospital das Clínicas, por exemplo, vai receber R$ 137,7 milhões para obras de reforma e ampliações.

ENQUANTO ISSO, NO PALÁCIO...
O arcebispo de SP, dom Odilo Pedro Scherer, reuniu-se com o governador Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes, anteontem. O jantar, a que foram dom Tarcisio Scaramussa, o empresário João Guilherme Ometto, o padre José Teixeira e o jurista Ives Gandra Martins, custou R$ 500 por pessoa e teve renda revertida para a Jornada Mundial da Juventude 2013, no Rio.

PODEROSA DO ESPELHO
A presidente Dilma Rousseff fez a própria maquiagem para o retrato que saiu na capa da revista "Forbes". Na reportagem, ela foi classificada como a terceira mulher mais influente do planeta.

BIBI MINNELLI
Bibi Ferreira, 90, atrasou em 40 minutos seu espetáculo de anteontem, no teatro do shopping Frei Caneca. Esperava por Liza Minnelli. A atriz norte-americana tinha dito a amigos brasileiros, como o joalheiro Guerreiro, que queria ver o show de Bibi. No caminho, começou a tossir e voltou ao hotel.

'AL MARE'
Desde que assumiu a missão de perder peso diante da audiência do "Fantástico", Ronaldo adotou nova técnica de relaxamento. Para descansar da malhação (musculação, basquete e natação), ele tem à disposição um tanque de flutuação que imita o ambiente do mar Morto, na academia Bodytech do shopping Eldorado, em SP. Já começa a ver resultados. Passou a dormir melhor.

CAZUZA INÉDITO
Uma música inédita de Cazuza, escrita com Roberto Frejat, foi descoberta. Chama-se "Sorte e Azar", é cantada por Cazuza e estava entre o material descartado do primeiro álbum do Barão Vermelho. A faixa estará no disco que a Som Livre lança em novembro para celebrar 30 anos da data.

MIL MILHAZES
A coreógrafa Márcia Milhazes está bolando um espetáculo de dança baseado nas telas "Quatro Estações" de sua irmã, Beatriz Milhazes. A artista fará ainda o cenário de "Camélia", número criado por Márcia que ganha montagem em outubro na Plataforma Internacional Estado da Dança, em SP.

É ARTE OU ARTE?
O designer José Marton recebeu colecionadores de arte que estão no Brasil para a Bienal, no fim de semana. O francês Marc Pottier foi um dos convidados a seu apartamento, no Paraíso.

CURTO-CIRCUITO
Luísa Guanabara lança hoje a produtora A Cerejinha, no Café Journal de Moema, às 16h.

BNegão se apresenta hoje na Funarte. Livre. Ladyhawke e I'm From Barcelona tocam hoje no Cine Metrópole. 18 anos.

A Anhembi Morumbi promove hoje desfile do hospital Pérola Byington.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva fala hoje no Club Homs, às 9h.

A faculdade Zumbi dos Palmares recebe o cônsul dos EUA Dennis Hankins.

A hora H - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 28/09


Semana que vem o julgamento do mensalão vai pegar fogo. Dentro e fora do Supremo Tribunal Federal, onde começará a ser examinada a parte da denúncia relativa aos personagens que põem o PT direta e nominalmente no banco dos réus: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Até agora só desfilaram coadjuvantes naquela passarela. Operadores financeiros, facilitadores de negócios, espertalhões, aprendizes e professores de feiticeiros.

Gente permanentemente conectada na oportunidade de levar alguma vantagem, para a qual importa pouco quem esteja no comando. Basta que os comandantes liberem a livre navegação pelas águas do poder.

Esse pessoal já está condenado, sem despertar grandes suscetibilidades. A reação às condenações diz respeito ao indicativo de que podem também alcançar os réus que de fato interessam - os representantes mais graduados, entre os citados na denúncia, do projeto beneficiário do esquema de financiamento.

Pois é a partir daí é que os ânimos realmente se acirram.

Quem se espanta com divergências entre ministros do Supremo ou se apavora com o tom mais incisivo de um ou de outro não leva em conta as implicações de uma decisão colegiada envolvendo legislação, doutrina, agilidade de raciocínio, capacidade de encadeamento lógico e muito conhecimento acumulado em trajetórias jurídicas distintas entre si.

De outra parte, quem vê despropósito na acusação de que o STF funciona como tribunal de exceção a serviço de uma urdidura conspiratória, não sabe o que é o furor de uma fera ferida.

Muito mais além do que já houve ainda está para acontecer.

Os ministros do Supremo vão discutir dura, detalhada e por vezes até asperamente todos os aspectos do processo, dos crimes imputados aos réus e das circunstâncias em que foram ou não cometidos, para mostrar as razões pelas quais condenam ou absolvem.

Nada há de estranho, inusitado ou inapropriado nisso. Não é nos autos que os juízes falam? Pois estão falando neles e deles. É o foro adequado para a discussão. Se a interpretação da lei não fosse inerente à função do magistrado, um bom programa de computador que cruzasse a legislação com as acusações daria conta do recado.

Descontados excessos de rispidez de um lado (do relator) e exageros na afetada afabilidade de outro (do revisor), os debates são apropriados e indispensáveis em caso de alta complexidade e grande repercussão como esse.

A peculiaridade aqui é o conflito de temperamentos e da interpretação dada pelo revisor ao seu papel. Ele deveria revisar o trabalho de Barbosa, mas na prática faz uma espécie de voto em separado. O relator que passou cinco anos examinando os autos, conduzindo interrogatórios e acompanhando todas as fases do processo, irrita-se.

Já do lado de fora há a reação, claro. E por parte dos que se veem desde já como perdedores se traduz de uma forma aflita, cuja tendência é ficar cada vez mais aflitiva. Mas, por mais desrespeitosa, ilógica e raivosa que se apresente, precisa também ser vista com uma boa dose de naturalidade. Até na crítica.

Simpatizantes da causa, petistas se sentem ameaçados, injustiçados e usam a dinâmica que conhecem para reagir: a desqualificação, os desaforos à deriva, a argumentação sem pé nem cabeça.

A questão central é: isso vai influir no resultado do julgamento? Evidentemente a resposta é não.

Por isso o melhor é enxergar o cenário pela ótica da ponderação e da normalidade sem procurar em qualquer turbulência motivos para crises que ponham em risco isso ou aquilo.

Se 20 anos atrás o Brasil interrompeu o mandato de um presidente logo na primeira eleição direta depois de duas décadas de ditadura e o mundo não se acabou, convenhamos, não é nessa altura da democracia que haverá de acabar.

Nem fazer do País uma piada de salão.

Ueba! Viva o Ursinho Maconheiro! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 28/09



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Votem em mim! Meu vice é o Ursinho Ted! Levo no primeiro turno! Rarará!

E a Piada Pronta: "São Paulo joga no estádio Reina del Cisne". Foram até o Equador pra jogar no Rainha do Cisne? Se sentiram em casa! Rarará! O Ganso se sentiu em casa.

Aliás, tão dizendo que, depois que o Ganso virou cisne, não vai mais fazer comercial de barbeador, mas de depilador. Rarará!

E adorei esta: "Catarinense leiloa virgindade por casa popular para os pobres". Minha Perereca, Minha Vida! Achei fofa!

O cara põe na casinha dela, e ela constrói um monte de casinhas! Minha Perereca, Minha Vida! Como disse um amigo; "Ainda bem que a Dilma não foi por esse caminho". Rarará!

E o telecatch Protógenes X Ursinho Ted?! O ursinho maconheiro! O Ted levou o filho dele de 11 anos, o Tedinho, ao Congresso e ficou indignado. Quer censurar o Protógenes!

E a charge do Diogo: o ursinho de pelúcia no camburão tremendo de medo, e o Protógenes: "Lugar de vagabundo é na caçapa!". Fuma maconha, não trabalha, não estuda, é feliz. E é de pelúcia? CAÇAPA!

O Protógenes é contra a pelúcia! E a resposta oficial do Ursinho Ted: "Alô, Protógenes, por que você não leva seu filho pra assistir a um filme mais a sua cara, Palhaço?". Rarará! Ursinhomaligno! E diz que o Protógenes entrou com ação pro técnico Cuca mudar de nome, pra não assustar seu filho Juan! Rarará!

E eu já disse que o medo do Protogenes é que, no "Ted 2", o ursinho vire deputado federal! Rarará! E por último ele comprou "Cinquenta Tons de Cinza" pro filho colorir! Rarará! E o castigo pro Ted é passar 12 anos no "TV Xuxa". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E os nomes do mascote da Fifa? Um cara escreveu no Twitter: "Amujabi, Zuzeco e Fuleco, o caraca. Meu nome é Zé Pequeno!". Bom nome pro tatu-bola: Zé Pequeno! E outros preferem um nome bem brasileiro, como a Fifa exige: Sarneco! Rarará!

Eu prefiro Tatuete! Agora não é tudo periguete, empreguete? Então temos três nomes pro tatu: Zé Pequeno, Sarneco e Tatuete! Rarará!

Tadinho! O tatu bola vai entrar em autoextinção! Se enfiar num buraco e só sair em 2015! Rarará!

A situação tá ficando psicodélica! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Por que Madri não pede socorro à Europa - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 28/09


Os mecanismos europeus de socorro às economias europeias existem.

Basta fazer um pedido.

Tais mecanismos foram até reforçados, de um lado com o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) e de outro a resolução do Banco Central Europeu (BCE) para socorro a países endividados. Apesar disso, enquanto ventos e maremotos se abatem sobre a Espanha, os "caixas" vazios e o povo espanhol não suportando mais, como mostraram os tumultos da quarta-feira, Rajoy continua refletindo.

Como explicar essa fleuma? É reflexo de um orgulho espanhol que prefere perecer em vez de pedir? Com certeza não. Rajoy parece achar que o país ainda pode aguentar mais alguns meses. A Espanha necessita de 130 bilhões para financiar seus déficits, resgatar sua dívida no prazo e pagar os juros dos empréstimos. É viável: enquanto os mercados responderem positivamente, tudo bem. A Espanha não deve declarar moratória. Não se compara à Grécia por exemplo, já que Atenas enfrenta problemas de liquidez. A Espanha ainda consegue pagar seus funcionários.

Entretanto, nada garante que os mercados conservarão a calma. A Espanha passou dois anos em recessão e a estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) caia 1,8% em 2012 e 1,4% em 2013. Nestas condições, como Madri conseguirá reembolsar sua dívida? Diante desta perspectiva, os mercados podem se inflamar e os juros aumentarão. O que se verificou ontem: os juros de empréstimos com vencimento para 10 anos já ultrapassaram o teto dos 6%.

Serviço da dívida. Mariano Rajoy reconhece o problema. Sabe bem que com o aumento dos juros a Espanha vai acabar não conseguindo pagar sua dívida (um ponto porcentual de juro suplementar aumenta o serviço da dívida em 1,3 bilhão).

Como explicar a impassibilidade do premiê espanhol e sua recusa em recorrer à Europa? Na verdade o que ele teme é a lentidão dos mecanismos de ajuda europeus. Seu temor é de que seja muito longo o prazo entre o momento em que pedir ajuda e quando essa ajuda chegará. Foi o que ocorreu quando da ajuda europeia aos bancos espanhóis. Rajoy quer que a resposta do MEE ou do BCE seja rápida de maneira a tranquilizar os mercados e desestimular a especulação.

Mas há uma objeção: o premiê teme que a Europa imponha aos espanhóis condições draconianas, obrigando Madri a estabelecer novas medidas de austeridade, uma vez que aquelas em vigor já são insuportáveis para o povo espanhol. No orçamento apresentado por ele estão previstas uma redução do salário desemprego, aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em dois pontos porcentuais, e pelo terceiro ano um congelamento dos salários dos funcionários públicos. Mas os países do norte da Europa, Alemanha à frente, continuam a exigir que "se aperte ainda um pouco mais o cinto", com o perigo de o país perecer.

Estas são as razões da teimosia de Mariano Rajoy. Mas com o aumento das taxas de juro, parece inevitável que Madri recorrerá à ajuda comunitária. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Passivo eleitoral - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 28/09


A nove dias da eleição, o TSE ainda aguarda a remessa de 1.700 recursos relativos a registros de candidaturas provenientes dos tribunais regionais. Outros 5.400 já foram distribuídos para análise dos seis ministros da corte. Diante do curto prazo legal para apreciação dos recursos antes do pleito, o TSE estuda convocar sessões extraordinárias na próxima semana. Conhecedores dos meandros do tribunal, contudo, acreditam ser impossível deliberar sobre todos em tempo hábil.

Gavetas... Relatório interno de produtividade mostra que Marco Aurélio Mello, que se divide entre o TSE e a maratona do mensalão no STF, acumula maior passivo: 533 processos aguardam deliberação. Em seguida vem Luciana Lóssio, nomeada por Dilma Rousseff, com 476.

... cheias A conta inclui recursos ordinários e especiais, agravos de instrumento, petições e até processos administrativos. Arnaldo Versiani é o ministro que dispõe de menor número de ações à mesa -ainda assim, são 271.

No escuro Na prática, candidatos com pendências deverão ir às urnas sem que os eleitores conheçam a decisão definitiva sobre a legalidade dos seus registros.

Mais azul O novo Datafolha mostra José Serra recuperando terreno no eleitorado simpático ao PSDB. O ex-governador pulou de 61% para 74% entre os tucanos desde agosto. Celso Russomanno (PRB) caiu de 23% para 8% em um mês neste universo.

Mais vermelho Fenômeno semelhante ocorre com Fernando Haddad entre os eleitores que se dizem adeptos do PT. O ex-ministro saltou de 37% para 50% no segmento petista em 22 dias. No mesmo período, Russomanno amargou queda de 33% para 28% neste recorte.

Juventude Gabriel Chalita (PMDB) obtém seu melhor desempenho entre os eleitores que têm menos de 24 anos, faixa na qual alcança 14%. Sua pior performance se dá no eleitorado com ensino fundamental -6%.

Oremos Quem mais lucrou com o embate da Arquidiocese de São Paulo com Russomanno foi Haddad: o petista avançou de 13% para 19% entre os católicos.

Chave... A viagem do ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri com Marcos Valério a Portugal, chamada de "oba-oba" por Ricardo Lewandowski, é um dos principais fatos apresentados pela Procuradoria-Geral da República nas alegações finais para acusar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de comandar a quadrilha no mensalão.

... da questão Foi Dirceu, segundo o Ministério Público, quem instou Roberto Jefferson a indicar Palmieri a Delúbio Soares para tratar dos R$ 24 milhões que seriam repartidos entre PT e PTB.

Foco A absolvição de Palmieri por Lewandowski surpreendeu até advogados de réus petistas, que chamaram o voto de "forçado". Para eles, o ex-tesoureiro coloca Dirceu na "cena do crime".

Muita calma... Apesar de advogados terem comemorado o voto da ministra Rosa Weber, que absolveu políticos da acusação de formação de quadrilha, ministros avaliam que o caso de Dirceu e petistas é diferente.

... nessa hora Rosa justificou seu voto dizendo que não há quadrilha para praticar um só delito. Pela acusação, o núcleo político do PT teria praticado mais de um delito, como a compra de votos e os empréstimos que o STF entendeu serem fictícios.

Contrafluxo O comitê paulista da Copa-2014 comemorou o fato de, pela tabela da Fifa, as partidas no Itaquerão serão às 13h, 16h e 17h, ou seja, fora do que é considerado "horário de pico" do transporte coletivo para o trajeto centro-zona leste.

Dias úteis Embora não seja decisão final, a tendência é que São Paulo não precise decretar feriado nos dias de jogos, como se discutia.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Nem na ditadura Paulo Maluf imaginou que poderia colocar dois candidatos no 2º turno: mas Russomanno e Haddad podem chegar lá."

DO PRESIDENTE DO PPS PAULISTANO, CARLOS FERNANDES, sobre as ligações do ex-governador com os candidatos do PRB e do PT à prefeitura paulistana.

contraponto

Um divã para 10

Durante discussão com Ricardo Lewandowski quarta-feira no julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa se referiu a viagem de Marcos Valério e Emerson Palmieri a Portugal.

-É nosso papel interpretar o que está por trás dessa bizarra viagem -, disse o relator.

O ministro Marco Aurélio Mello atalhou, provocando risadas e quebrando a tensão da sessão:

-Precisamos de um divã, senhor presidente!

O naufrágio do DEM - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 28/09

As conversas sobre a fusão do DEM ao PMDB serão retomadas. O DEM vai sair do pleito bastante enfraquecido. Sua direção já vinha sendo pressionada por deputados estaduais e federais, que precisam de bases fortes para enfrentar a reeleição. Seu presidente, o senador José Agripino (RN), interditou o debate no início do ano. Naquela época, o partido sonhava vencer em quatro capitais.

Lula diz não ao PMDB
Os militantes e eleitores do PT aderiram à candidatura do ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL), que lidera as pesquisas em Belém. O candidato do PT, Alfredo Costa, foi cristianizado. A eleição vai para o segundo turno e a outra vaga está sendo disputada por Zenaldo Coutinho (PSDB) e José Priante (PMDB). O tucano está em vantagem nas pesquisas. Buscando alavancar o seu candidato, para estabelecer um confronto governo x oposição, o PMDB encaminhou pedido para que o ex-presidente Lula gravasse mensagem de apoio a Priante. O assunto foi encaminhado a Lula na quarta-feira e ontem sua assessoria disse não à pretensão do PMDB.

“Nunca escondi que sempre tive grande proximidade com o PSB. Eu gostaria de ver construído um projeto de país que pudéssemos estar juntos”
Aécio Neves Senador (PSDB-MG)

O mês da criança e do adolescente
Tendo como gancho o Dia da Criança, 12 de outubro, a presidente Dilma anunciará, mês que vem, um novo programa de atendimento e proteção a crianças e adolescentes sem família. Vai também sancionar a Lei Brasil-Carinhoso.

Em cima do muro
O governador Renato Casagrande (PSB) está constrangido em Vitória (ES). Seus aliados estão divididos. O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) apóia o tucano Veloso Lucas. O PT, aliado ao PSB, lançou a ex-ministra Iriny Lopes, que está em terceiro. Casagrande não sabe o que seria pior: a vitória de Veloso Lucas ou a de Luciano Rezende (PPS).

Dilma lá!
Com o fôlego que o candidato Fernando Haddad ganhou em São Paulo, o PT dobrou o pedido para a presidente Dilma. O partido a quer em São Paulo no sábado, dia 29, e no chamado "comício da virada" de quinta-feira, véspera da eleição.

Demissão pelo twitter
O prefeito de João Pessoa, Luciano Agra (sem partido), achou que estava mandando uma mensagem reservada, via twitter, para seu secretário, Alexandre Urquiza, sugerindo que ele pedisse demissão. Mas acabou publicando uma mensagem aberta: "Meu filho, entregue o cargo antes que descubram o restante (...) Fique em silêncio que saberemos como lhe recompensar".

Jereissatti cansado de guerra
Sondado sobre uma reaproximação com Cid Gomes, para reforçar a campanha do PSB contra o PT, no segundo turno em Fortaleza, o ex-governador Tasso Jereissatti (PSDB) avisou que está totalmente fora do processo eleitoral.

Os paraísos da oposição
Os partidos do governo estão fora da disputa em duas capitais. A oposição ocupa os dois primeiros em Belém (Edmilson Rodrigues, do PSOL x Zenaldo Coutinho, do PSDB) e em Vitória (Veloso Lucas, do PSDB x Luciano Rezende, do PPS).

MINISTRO MENDES RIBEIRO (AGRICULTURA), sobre a quimioterapia para evitar o retorno de um tumor: "Entre ficar vivo e ficar careca, prefiro ficar careca".

Sorria, você está sendo filmado - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 28/09



SÃO PAULO - O Colégio Rio Branco, uma das mais tradicionais escolas particulares de São Paulo , instalou câmeras de vigilância nas salas de aula. Até onde devemos avançar na utilização de tecnologias de monitoramento? Esse é o melhor teste para distinguir consequencialistas, isto é, aqueles espíritos essencialmente pragmáticos, dos deontologistas, os partidários de éticas do dever.

E o grande problema com as câmeras, como observou o filósofo Emrys Westacott, é que elas funcionam. Sua mágica é que fazem com que a obrigação coletiva (o cumprimento de regras) e o interesse próprio (não ser apanhado), que muitas vezes andam separados, coincidam. É só acionar uma dessas engenhocas que as pessoas começam a se comportar melhor. Como ser contrário a isso?

Essa é uma missão para Immanuel Kant. Para o filósofo prussiano, um homem pode fazer a coisa certa ou por temer a sanção ou por reconhecer a racionalidade por trás da norma. Só na segunda hipótese ele age de forma moral e livre. É só aí que ele se constitui como sujeito autônomo.

Avançando um pouco mais no raciocínio kantiano-westacottiano, as câmeras, ao jogar o interesse para o mesmo lado da obrigação, na verdade nos privam da liberdade de fazer o que é certo, isto é, impedem nosso crescimento como agentes morais.

O dilema não tem solução, ou melhor, a resposta muda conforme o contexto. A maioria de nós tende a ser favorável à colocação de câmeras em lugares públicos de grande afluxo de pessoas, como aeroportos e prisões, já que elas melhoram bastante a segurança. Mas não aderimos tão entusiasmadamente a elas em situações mais privadas, como o quarto conjugal ou, de forma menos dramática, o ambiente de trabalho. E a razão, creio, é que prezamos a ideia de aprimoramento moral. Eu pelo menos, apesar de minhas inclinações consequencialistas, hesitaria em matricular meus filhos numa escola sob vigilância perpétua.

PIB com baixa reação - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 28/09


O Relatório de Inflação, divulgado trimestralmente pelo Banco Central para ajudar a fazer a cabeça dos agentes econômicos sobre seus movimentos, tem servido menos para passar recados sobre a trajetória futura dos juros e mais para aferir o comportamento da economia em outros setores. O que saiu ontem também.

O Banco Central já não opera o instrumento que tem à sua disposição, a política monetária, só para empurrar a inflação para o centro da meta (de 4,5% em 2012) - como até recentemente. Atua também para garantir mais crescimento (e mais emprego) e para calibrar a política cambial, hoje à altura dos R$ 2 por dólar.

Em princípio, nada de errado em usar a política monetária para isso. Outros bancos centrais não se limitam a conter a inflação. Mas assumem e reconhecem o que fazem, ao contrário do nosso Banco Central - que mantém o discurso de que se atém a cumprir rigorosamente a meta de inflação.

E quando lida com três metas simultâneas (metas de inflação, de juros e de câmbio), não pode cumprir todas, porque uma tromba com a outra. A meta de juros (mais baixos), por exemplo, deixa a inflação mais solta. E o câmbio praticamente fixo não absorve choques externos (como o dos alimentos) e os transmite diretamente para a inflação. Assim, o Banco Central tolera uma inflação mais alta, mais próxima do teto da meta (6,5%) do que do centro (4,5%).

O Banco Central reconhece, lá do jeito dele, que não dá para esperar uma inflação totalmente sob controle: "A inflação tende a se deslocar para a meta de forma não linear". Segue-se que os juros podem até cair alguma cosita, mas no mucho. Não podem resvalar para abaixo dos 2,0% reais ao ano. Se, como agora, a inflação está nos 5,5% e os juros básicos (Selic), nos 7,5%, não há muito espaço para a queda. É por isso que o Banco Central reprisa a informação de que eventual nova queda dos juros será "com máxima parcimônia".

Especialmente significativas são as novas projeções do Banco Central sobre o crescimento do PIB. Três meses depois, assumiu os números do Credit Suisse, que apontava para este ano uma expansão do PIB de somente 1,5% - os mesmos que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, viu como "piada".

Na verdade, o Banco Central crê em que, neste ano, o avanço do PIB não irá além de 1,6%. Parece rejeitar ainda as projeções do Ministério da Fazenda para este final de ano e para todo o ano de 2013 (crescimento anualizado de 4,5%). Avisa que, no período de 12 meses terminado no dia 30 de junho de 2013, o PIB estará avançando apenas 3,6%.

Mais duas observações sobre o Relatório. Primeira delas - e também contrariando o ministro Mantega, que não vê aquecimento no mercado de Trabalho -, o Banco Central avisa que aí há "margem estreita de ociosidade" e reitera suas preocupações para o risco de que os reajustes salariais ultrapassem os ganhos de produtividade.

Em segundo lugar, o Banco Central manifesta seus cuidados com o fato de que o governo federal esteja gastando mais do que deveria. E alerta para "a política fiscal ligeiramente expansionista".

As farpas e as instituições - JOSÉ GARCEZ GHIRARDI

O ESTADO DE SÃO PAULO - 28/09


As trocas de farpas entre os ministros do STF têm atraído muitos holofotes e se transformado em capítulo à parte no julgamento da AP 470. O compreensível interesse que público e mídia demonstram pelos embates faz com que seus confrontos ofusquem, muitas vezes, a substância de seus votos. Isto é ruim para o País. O Brasil tem longa tradição de personalizar a autoridade. O culto servil à pessoa do ocupante do posto de mando tem raízes profundas no modo brasileiro de pensar a vida pública e ecoa no famigerado “você sabe com quem está falando?”. Nesse movimento, a deferência à pessoa da autoridade atropela e diminui a confiança nas instituições.

Atos inerentes ao funcionamento regular do Legislativo, do Executivo e do Judiciário são amiúde apresentados como favores prestados, como benesses oriundas da generosidade do poderoso e não como direito atendido. Com frequência perturbadora, vemos surgir na cena pais da pátria ou mães dos pobres, que geram uma fidelidade política de cunho absolutamente pessoal. O personalismo individualista corrompe as instituições porque coloca os mecanismos públicos a serviço de projetos pessoais.

Neste momento em que se decide a AP 470, centrar a atenção na personalidade dos ministros desvia o olhar daquilo que realmente importa: o funcionamento do STF como instituição. Embora a história pessoal e as idiossincrasias de cada ministro impactem, inevitavelmente, a forma como exercem sua função judicante, é seu exercício da função, e não sua pessoa, que merece escrutínio detido. O mesmo risco aparece quando se fala dos réus, sobretudo quando são ou foram autoridades.

É preciso sempre lembrar que não se trata de Joaquim ou Ricardo decidindo sobre João ou José; trata-se de uma instituição operando dentro das balizas de um regime democrático, que deve preservar o devido processo legal e garantir que todos sejam efetivamente iguais perante a lei. O julgamento da AP 470 é oportunidade única para que o Brasil rompa com sua nefasta tradição de mando personalista e de confusão entre público e privado. E esta superação do indivíduo pela instituição deve valer também para o STF.

Governo do PT é uma fraude - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONÔMICO - 28/09


A fraude dos governos petistas dos presidentes Lula e Dilma começa a ser desmascarada pelos fatos. No discurso, governam para os pobres, em nome dos pobres e contra "as elites golpistas". Na prática, cobram mais impostos dos pobres, desmontam o Sistema Único de Saúde, o SUS, que atende a população que não pode pagar saúde particular, e ainda comprometem o futuro de milhões de jovens que não recebem a devida formação para terem sucesso na vida profissional. Essa é a verdadeira face dos governos do PT.

A presidente Dilma vetou há pouco a lei que desoneraria os produtos da cesta básica, ou seja, estes produtos essenciais consumidos por todos os brasileiros poderiam ficar mais baratos. Ao mesmo tempo, tem optado por fazer concessões ao grande capital financeiro e industrial, inclusive multinacionais, como a recente desoneração de IPI dos automóveis.

É uma escolha política de privilegiar o rico em detrimento do pobre. Esse é somente um exemplo de um sistema tributário regressivo e injusto que atua como concentrador de renda. Em nove anos e meio de governo, o PT não se dignou a tentar modificá-lo.

Na saúde, um dado criminoso contra a população: nos últimos sete anos o SUS desativou quase 42 mil leitos de hospitais, segundo análise do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O país tem 354 mil leitos, portanto, a redução representa 11,8% do total em atividade hoje. Isso significa menos assistência médica à população que não pode pagar pelo Hospital Sírio Libanês, que depende da efetivação do direito universal à saúde previsto na nossa Constituição.

O futuro da nação também é comprometido pela péssima gestão petista. Na educação, ministério comandado durante anos pelo atual candidato petista à prefeitura da capital de São Paulo, Fernando Haddad, o desastre foi demonstrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Segundo a Pnad, a taxa de escolarização do grupo de 15 a 17 anos de idade- que deveria estar no ensino médio - caiu de 85,2% para 83,7% em dois anos. Isso representa 1,72 milhão de jovens fora da escola. Como o nível de ocupação de 15 a 17 anos de idade também reduziu, significa que estes jovens também não trabalham. Não adianta criar empregos se os jovens não estão devidamente capacitados para ocupá-los. Os anos petistas criaram um exército de jovens desocupados sem futuro e sem perspectivas.

Da mesma forma que repetiram à exaustão que o mensalão não existiu, e agora, oito anos depois, o Supremo Tribunal Federal está dizendo a verdade dos autos e dos fatos devidamente comprovados, o PT repete que eles são os únicos defensores dos pobres e que a oposição é composta de uma elite golpista e egoísta. Acontece que nenhuma farsa dura para sempre e as máscaras começam a cair. A oposição vigilante tem a obrigação de mostrar a verdade dos fatos, e é isso que estamos cotidianamente fazendo.

Improvisação e imediatismo - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK


O GLOBO - 28/09

A condução da política econômica vem sendo marcada por duas dificuldades: improvisação e prevalência do imediatismo sobre preocupações mais permanentes, de prazo mais longo. São tantos os exemplos que não há como dar conta de todos neste artigo. Mas basta mencionar alguns deles para que a extensão dessas dificuldades possa ser percebida.

1. Desde meados do ano passado, o governo vem fazendo grande alarde com a desoneração da folha de pagamentos da indústria. O que começou como um projeto piloto, que favorecia quatro setores, assumiu agora proporções bem maiores.

Desonerar a folha é, em princípio, uma boa ideia. Mas, em vez de simplesmente reduzir a contribuição patronal, o governo partiu para desastrada mudança de base fiscal. Contribuição sobre faturamento e não mais sobre a folha, com alguma desoneração embutida na troca.

O problema é que a mudança reintroduz, pela porta dos fundos, a famigerada tributação cumulativa sobre faturamento, uma deformidade fiscal desnecessária da qual o país havia praticamente se livrado, graças ao louvável esforço de reforma tributária do primeiro governo do presidente Lula.

2. Desonerar a energia elétrica também era uma boa ideia. Mas, para que houvesse redução significativa da brutal carga tributária que recai sobre as tarifas, era essencial que os governadores fossem engajados no esforço de desoneração, já que boa parte da carga advém das escorchantes alíquotas de ICMS impostas pelos Estados. Não seria fácil, mas a União teria muito o que oferecer numa negociação séria com os Estados sobre a questão. Em vez de tentar avançar nessa linha, o que fez o governo? Preferiu uma redução arbitrária de preços pagos ao produtor de energia, que desincentiva investimentos na expansão da oferta e deixa a conta da desoneração nas costas do contribuinte.

3. Desde pelo menos 2008, o governo parece empenhado num esforço metódico de demolição da construção institucional que redundou na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Especialmente lamentável nessa demolição foi a violação da regra de estrita separação entre contas do Tesouro e das instituições financeiras federais. Nos últimos anos, montou-se no BNDES um gigantesco orçamento fiscal paralelo, alimentado por fartas transferências diretas do Tesouro, não contabilizadas nem no Orçamento e nem nas estatísticas de dívida líquida e de resultado primário. Com o avanço da demolição institucional, tal esquema foi agora estendido à CEF e ao Banco do Brasil, que passaram a ser também nutridos, nas mesmas bases, com generosas transferências do Tesouro.

4. Políticas improvisadas costumam ser marcadas por pouca reflexão prévia e percepção incompleta dos prováveis desdobramentos de medidas supostamente bem intencionadas. É o que se observa com especial nitidez nas impensadas restrições que o governo decidiu impor à exploração do pré-sal. De um lado, exige-se que a Petrobras tenha monopólio da operação dos campos do pré-sal e participação de pelo menos 30% em cada consórcio que venha a explorar tais campos. De outro, que os equipamentos utilizados no pré-sal tenham nada menos que 65% de conteúdo nacional. Está a cada dia mais claro que tais restrições vêm impondo enorme ônus à Petrobras, sobrecarregando em demasia suas necessidades de investimento e trazendo atrasos inaceitáveis à exploração do pré-sal. A questão agora é como livrar a Petrobras e o pré-sal dessa estapafúrdia camisa de força, sem que o recuo imponha custo político excessivo ao governo.

5. Na condução da política comercial, o governo achou que o Brasil poderia, impunemente, esquecer sua estatura e passar a se comportar como uma Argentina. Agora, queixa-se da perda do respeito internacional que, a duras penas, o país havia conseguido angariar nessa área, ao mostrar, durante anos, que estava seriamente engajado num jogo cooperativo de combate ao cerceamento do comércio mundial. Bastaram poucos meses para que tal reputação fosse destruída. Agora é tarde. E não adianta esbravejar.

O BC, o tripé e as incertezas do mercado - CLAUDIA SAFATLE


VALOR ECONÔMICO - 28/09

O Comitê de Política Monetária (Copom) derrubou a taxa básica de juros para 7,5% ao ano, mas deixou, no seu rastro, um enorme rol de dúvidas e preocupações. Algumas legítimas, outras nem tanto.

No mercado, as perguntas surgem aos borbotões. Há incertezas sobre a real extensão da mudança do chamado tripé da política macroeconômica - regime de meta para a inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit fiscal. Dúvidas sobre a autonomia do Copom para elevar os juros, se a inflação assim o exigir. Teme-se que o governo tenha optado por manter tabelada a taxa de câmbio.

A lista prossegue. O BC não firmou compromisso claro de que vai buscar a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, no próximo ano nem em 2014, e nas indicações feitas até agora não explicitou como o faria. As expectativas estão desancoradas. É forte a percepção de que a inflação está reprimida - por uma série de incentivos fiscais, como a isenção e redução do IPI sobre automóveis, e pelo adiamento do reajuste de preços dos combustíveis. Uma hora, quando os incentivos forem retirados, ela vai aparecer.

Para Fraga, há "desvios" do modelo do tripe econômico

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, da Gávea Investimentos, comunga de algumas dessas inquietações, que poderiam ser resumidas numa só indagação: o BC trabalha hoje com o regime de meta de inflação ou tem metas múltiplas - para os juros, para o câmbio, para o crescimento - e guarda uma certa flexibilidade quanto à inflação?

"Me preocupa um BC que é percebido como tendo metas múltiplas. O governo, claramente, tem. Isso, porém, foge ao controle do BC e traz custos", disse Fraga ao Valor. Se ficar claro, por exemplo, que o governo trabalha com taxa de câmbio fixa, será cobrado um preço sob a forma de prêmio de risco na taxa de juros.

"Esse é um modelo perigoso. Os países que sobrevivem com câmbio fixo têm elevada taxa de poupança, juros muito baixos - e o nosso ainda é muito alto - e acumularam quantidades enormes de reservas", disse.

Os dados divulgados no relatório de inflação do Banco Central, ontem, apontam - no cenário de referência - uma variação do IPCA persistentemente acima do centro da meta até o terceiro trimestre de 2014. A inflação chega a 5,2% este ano, cai para 4,9% em 2013 e sobe para 5,1% até o período indicado de 2014, consumindo, assim, praticamente, o restante do governo de Dilma Rousseff.

Pelas contas que constam do relatório, a inflação segue essa trilha, mesmo considerando um ganho de 0,5 ponto percentual com a redução das tarifas de energia no próximo ano. Sem tal contribuição, então, a inflação para o ano que vem chegaria a 5,4%.

Longe de ser um economista dogmático, Fraga acha que há "desvios" em relação ao regime amparado no tripé que vigorou nos últimos 13 anos. "Há um conjunto de indicadores que sugerem, não que se acabou com o regime, mas que ele está sendo flexibilizado e perdendo um pouco da sua coerência original", comentou.

No sistema de metas, o BC deve perseguir a meta de inflação definida pelo governo, suavizando os ciclos econômicos e mantendo, com as ferramentas próprias, a estabilidade financeira. Não caberiam, aí, outros objetivos.

"Eu me identifico um pouco com esse caminho (do BC que reduziu os juros), pois considero que os juros elevados eram a principal distorção da economia brasileira. Só acho que é preciso um pouco de cuidado. Você começa a escorregar, escorregar e num determinado momento você se vê em uma situação meio complicada", ponderou o ex-presidente do BC.

"Me preocupa essa história do câmbio e do adiamento da convergência da inflação para a meta, principalmente levando-se em conta que a inflação está se beneficiando de medidas que não são recorrentes", disse, referindo-se ao incentivo do IPI para carros, cujos preços caíram, à postergação do reajuste dos combustíveis e à queda das tarifas de energia no ano que vem.

"Fala-se em choque de oferta quando o índice sobe, mas não se está levando em conta essas medidas pontuais e não recorrentes, que são da mesma família", comentou.

Para ele, também não está claro se a desvalorização do real frente ao dólar, de março para cá, decorreu das medidas que o governo tomou, de controle cambial, ou se foram fruto da piora das relações de troca, da deterioração da percepção do Brasil no exterior e do impacto, em geral, da situação mundial. "O câmbio subiu e talvez não tenha nada a ver com as medidas do governo."

O BC, corretamente, identificou que o mundo estava desacelerando em 2011 quando, em agosto, de forma inesperada, começou a cortar a Selic, reconheceu. "Mas algumas coisas mudaram de lá para cá", assinalou ele, "a começar pela ênfase do governo em defender uma determinada taxa de câmbio".

Depois de cortar os juros em cinco pontos percentuais, de 12,5% para 7,5% ao ano, o crescimento este ano será de 1,6%, conforme prognóstico do relatório de inflação, em uma combinação singular ao mesmo tempo que o desemprego está em baixa e a inflação em alta. Para Fraga, essa é uma clara indicação de que não é o BC que está bloqueando o crescimento econômico. "Meu diagnóstico hoje é de que temos problema do lado da oferta" e é aí que as questões têm que ser resolvidas.

O BC traçou cenários onde a inflação encosta no centro da meta no terceiro trimestre de 2013, quando cai para 4,6%, e depois sobe. Isso não significa, porém, que ficará de braços cruzados olhando a inflação descarrilhar. A favor da autoridade monetária - e com isso Fraga concorda - estão o acerto no ano passado e a constatação, a posteriori, de que as medidas macroprudenciais - que tanto barulho causaram no debate sobre taxa de juros - foram, de fato, prudenciais e não substitutas da Selic.

Quando perguntado sobre se os juros vão ficar estáveis ou podem subir em 2013 - quando o crescimento estará mais forte, o presidente do BC, Alexandre Tombini, costuma responder: a inflação é que vai dizer. Do contrário, o Brasil corre o risco de ficar como o México, que passou anos com a taxa de inflação na metade superior da banda sem obter crescimento. O que seria ruim para ele e péssimo para a presidente.

O sonho real - RUY CASTRO


FOLHA DE SP - 28/09
RIO DE JANEIRO - Tomei meu pai pelo braço e levei-o a ver o Rio de seu tempo sendo restaurado, remodelado, retrofitado. Era um passeio a pé, como muitos que fez comigo quando eu era criança e ele, um homem de terno e responsabilidades. A diferença é que, agora, em 2012, era eu que o conduzia, mostrando-lhe as novidades -prédios, quarteirões, ruas e bairros inteiros sendo trazidos de volta a um esplendor que ele conheceu.

E não são apenas projetos, como já se fizeram muitos e ficaram no papel. São para valer -as obras são palpáveis, estão à vista e algumas, já infernizando o trânsito. O Rio dos imperadores, escravos, meirinhos, cocotes e capadócios, de Maneco de Almeida a Machado de Assis, se encontra com o dos presidentes, estivadores, cronistas, manequins e sambistas, de João do Rio a Marques Rebelo, e ambos chegarão até nós, que só os conhecemos sob o desprezo de governos sem compromisso com a cidade.

Abandonado há décadas, o centro histórico e profundo está sendo passado a limpo. Cabeças-de-porco à beira do desabamento renascem para se tornar estúdios, hostels, museus, ou para receber empresas cujas especialidades seriam incompreensíveis para seus moradores originais. Orgulhoso, levo meu pai pelo Catete, Glória, Lapa, Santo Cristo, Gamboa e outros bairros que foram seus territórios nos anos 30 e 40 e em que brincou tantos Carnavais.

Ele morreu em 1983, aos 73 anos. O passeio acima aconteceu num sonho que tive nesta semana. Por fim, chegamos à praça Tiradentes na hora do lusco-fusco, com os lampadários acesos, a vida piscando e um aroma de euforia. A multidão o impressionou, mas o lufa-lufa era fascinante. Um bonde passou apinhado, todo iluminado por dentro. Foi tão mágico que o sonho acabou ali.

O bonde e meu pai continuarão no sonho. Mas este novo velho Rio é real. 

Mulher nua - LUIZ GARCIA


O GLOBO - 28/09
Não houve unanimidade: os leitores do jornal que escrevem cartas dividiram-se no julgamento da capa de revista que mostrou, pela primeira vez na imprensa brasileira (não posso garantir, mas muito provavelmente também foi fato inédito na história da imprensa séria internacional), a genitália feminina.
A reação teve dois capítulos. No primeiro dia, foram 17 cartas de leitores: 14 condenaram a audácia da capa e apenas três a aplaudiram. No dia seguinte, foram seis a favor e cinco contra. Parece evidente que a foto da capa atingiu o que me parece ter sido o objetivo dos editores: abrir um debate sobre conceitos e preconceitos do respeitável público.

O que está em questão são, simplesmente, os padrões de comportamento da sociedade em que vivemos - e que são, indiscutivelmente, diferentes daqueles de nossos pais. A nudez sempre esteve presente em quadros e esculturas da civilização ocidental.

O que se viu na capa da revista está presente em museus do mundo todo. E ninguém se ofende com isso.

Leitores do jornal que condenaram a capa da revista - e tinham, claro, o direito a isso - falaram em mau gosto e falta de respeito. Os que a defenderam argumentaram que a nudez feminina está presente em nossa sociedade, nos museus e no carnaval, há muito tempo - e ninguém se ofende com isso.

É verdade que ainda não se vira isso na capa de um jornal importante e de grande circulação. Mas não foi a foto do GLOBO que levou a beleza de uma jovem nua para as casas de família. Já convivemos com a nudez há muito tempo - e ninguém se ofende com isso.

Curiosamente, a condenação de leitores não incluiu um argumento: por que não mostrar também a nudez masculina? A resposta para isso poderia ser que está combinado, nesta nossa sociedade machista, que mulher nua é algo muito mais bonito do que homem nu. E, sejamos francos: é o que a gente acha mesmo.

No cinema, no teatro e nos desfiles de carnaval, a nudez feminina é vista e aplaudida há muito tempo. E nunca se ouviu algum protesto contra a ausência de machos pelados. No fim das contas, a audácia do jornal teve duas consequências positivas: mostrou uma mulher bonita e abriu um debate interessante e até importante. O que é uma das missões da imprensa. 

Réus confessos - MARCELO COELHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/09


Se o dinheiro serviu para pagar fornecedores, advogados ou publicitários, nada muda o fato da corrupção


OS PRESSÁGIOS já eram fortes quando Ricardo Lewandowski, com algumas exceções, terminou acompanhando muitos pontos do voto de Joaquim Barbosa.

Com o voto de Antonio Dias Toffoli, parcialmente proferido na sessão de ontem, a maioria se fez no sentido de sepultar a famosa tese do caixa 2 no caso do mensalão.

Para o Supremo, não importa o alegado uso que se fez dos recursos recebidos pelos membros do PP, do PL, do PTB e do PMDB.

Se o dinheiro serviu para pagar fornecedores de campanhas políticas futuras, se serviu para pagar os honorários advocatícios de um deputado com problemas na Justiça, se serviria para gastos publicitários futuros, nada disso muda o fato da corrupção.

Seria o mesmo se pepistas e petebistas usassem os recursos para comprar iates ou para gastá-lo em noitadas com amantes.

Aliás, algo nessa linha chegou a ser lembrado por Roberto Jefferson, em depoimento citado por Ricardo Lewandowski. Havia a Patrícia, namorada do antigo presidente do PTB, José Carlos Martinez.

Martinez morreu num acidente, e Patrícia ficara sem recursos; cabia ajudá-la. Os petebistas não se dispuseram a gastar o próprio dinheiro, mas o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, fez essa gentileza ao ser procurado por Jefferson.

Um deputado federal, lembrou o ministro Luiz Fux nesta quinta-feira, tem direito a seus vencimentos. Qualquer outro recurso que venha a receber será, portanto, "vantagem indevida" -para citar o texto da própria lei penal.

Uma vez fixado esse ponto, tornou-se imediato concluir, como todos os ministros fizeram, que os próprios réus confessaram o crime.

Confessaram, com efeito, pensando livrar-se da acusação. A ideia era dar um outro nome -acordo político- ao financiamento oferecido pelo PT, por meio de Marcos Valério e do Banco Rural.

Nada impede, segundo a lei eleitoral, que em coligações partidárias se façam partilhas de recursos para uma campanha comum.

O que observaram os ministros, entretanto, é que o pagamento aos partidos aliados não se fez pelas vias normais, pela contabilidade regular de cada agremiação. Mais do que isso: não se fez nos prazos normais, ou seja, durante o período eleitoral. Mas sim quando era preciso conseguir apoio parlamentar ao governo Lula.

E não apenas nas votações de projetos de lei no Congresso, lembrou Gilmar Mendes. O "ato de ofício" de um deputado se desdobra na participação em comissões, na recusa ou no apoio a CPIs, a tudo o que se faz num parlamento.

Foi com vistas a isso que a vantagem foi oferecida e recebida.

Mais ainda, como disse Ayres Britto na sessão de ontem, sabe-se bastante da existência de caixa 2 no que se refere a doações de empresas a políticos e agremiações partidárias.

Só que caixa 2 com recursos públicos tem outro nome, observou o presidente do STF. Mesmo sem saber que o dinheiro de Marcos Valério vinha do Banco do Brasil e da Câmara dos Deputados (foi o que comprovou o tribunal ao julgar os casos de Henrique Pizzolato e João Paulo Cunha), os membros do chamado "núcleo político" não tinham como esconder o que queriam, e o que dariam em troca.

Ao longo de todo o caso do mensalão, só acreditou em caixa 2 quem queria continuar acreditando no partido de sua preferência. Os adeptos de Valdemar da Costa Neto gostaram da ideia. Os adeptos de Lula e José Dirceu também.

CLAUDIO HUMBERTO

“A gente vota com tristeza em um caso desse, mas tem que votar”
Ministra Carmen Lúcia (STF) sobre o dever de condenar os políticos mensaleiros


ATÉ CRIANÇA FURA SISTEMA DE SEGURANÇA DA ABIN

Além de usarem o Google para investigações “sigilosas”, arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) trabalham com níveis primitivos de segurança, vulneráveis até a internautas infantis, segundo revelou um experimentado agente. O espião William, que pode ser preso por “roubo de dados confidenciais”, não precisou quebrar a cabeça: os sistemas não detectam cópia de arquivo, só sua abertura.

REFÉNS

A conclusão do agente é que não se sabe o que o hacker araponga copiou, se copiou, se vai usar ou não. O pânico na Abin é geral.

DEVER DE ARAPONGA...

Apesar da decisão do Supremo para que ele fosse readmitido, o agente Nery Kluwe foi demitido outra vez da Agência Brasileira de Inteligência.

...É PRESERVAR O ESTADO

Demitido por “abandono de emprego”, Nery Kluwe, líder da associação de servidores da Abin, diz que “só revelou problemas, nunca segredos”.

É CONTRA

O senador Pedro Taques (PDT-MG) considera “negativa” eventual participação de Teori Zavascki no julgamento do mensalão.

TSE: RECADASTRAMENTO FRACASSA E EXCLUI ELEITORES

Responsável pelo recadastramento eleitoral no País, a corregedora-geral da Justiça Eleitoral, ministra Nancy Andrigui, está com uma batata quente nas mãos; mais de quatro mil eleitores em sete Estados podem ficar sem votar no dia 7. Eles se recadastraram, para usar a impressão digital na votação, e agora foram informados de que seus títulos “não foram processados”. Só em Alagoas são mais de 3.600 casos.

OUTROS CASOS

Também ficarão sem votar eleitores em Goiás (269), Bahia (169), Rio Grande do Sul (159), Piauí (19), Amapá (13) e Santa Catarina (2).

CALÇA DE VELUDO

A Presidência da República pagará R$ 119,2 mil na compra de quatro novas bombas de aquecimento da piscina do Palácio da Alvorada.

SAGAZ

Do novelista Aguinaldo Silva, no Twitter: “Não entendo: os muçulmanos protestam contra o filme anti-Islã se matando uns aos outros.”

PILHA NOVA

A linguagem clara e a dicção perfeita dos ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia, ontem, tiveram efeito Coca-Cola com café nos espectadores chapados com os longos votos de Ricardo Lewandowski.

BRASÍLIA 2060

O governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), vai a Cingapura, dia 3, assinar um contrato para a elaboração do projeto “Brasília 2060”, que moldará o crescimento da capital pelas próximas cinco décadas.

CARAS NOVAS

A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, já provocou a primeira baixa na equipe da ex: está demissionário o secretário executivo Vitor Ortiz, homem de confiança e que mandava mais do que Ana de Hollanda.

ME ERREM 

Ao receber ofício da Receita cobrando o imposto de renda sobre os 14º e 15º salários, o senador João Capiberibe (PSB-AP) informou que nesse período não era senador. Tomou posse em novembro de 2011.

LEI DE MURPHY

Com a “classe C” endividada, o deputado Sérgio Carneiro (PT-BA) ressuscita a penhora de parte do salário de devedores acima de seis mínimos, no novo Código Civil. Lula barrou projeto anterior.

MÃO DUPLA

De olho na sua reeleição em 2014, o governador capixaba Renato Casagrande (PSB) faz jogo duplo em Vitória. Apoia a petista Iriny Lopes, mas, nos bastidores, ajuda candidatura de Luciano Rezende (PPS), segundo nas pesquisas contra o favorito, Luiz Paulo (PSDB).

CHAMA A D. BENTA

O Ministério da Educação garante que não aceitará qualquer tipo de censura ao livro As Caçadas de Pedrinho, considerado “racista” por “inspetores” educacionais. Basta nota explicativa nas próximas edições.

MALANDRAGEM

Quem tem plano Infinity, pagando pelo número de telefonemas e não pela duração, acusa a TIM de continuar derrubando de propósito as ligações. A indulgente Anatel já merece ser chamada de “Anatim”.

MARÉ BAIXA

A “marolinha” citada pelo ex-presidente Lula bateu ontem na canela de Guido Mantega: PIBinho de 1,6%. 

PODER SEM PUDOR

O ROSTO DO FUTURO


José Sarney foi à sua cidade natal, Pinheiro (MA), para comemorar seu 50º aniversário. Na praça principal, uma bandeira cobria a obra de arte que o homenagearia. Rufaram os tambores, o locutor anunciou e finalmente a bandeira foi retirada, descobrindo o busto do senador-poeta. O aniversariante ficou desapontado: os olhos arregalados denunciavam o susto diante da expressão envelhecida que o artista atribuiu ao seu rosto de bronze. Refeito, ele sorriu e brincou, vingando-se do escultor:

- Não tem problema. O busto já está pronto para a comemoração do meu centenário...

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: A hora do mensalão – STF condena aliados do PT por corrupção passiva

- Folha: STF condena Roberto Jefferson

- Estadão: STF condena delator do mensalão e vê compra de voto

- Correio: O golpista brasileiro que enganou o mundo

- Valor: Em nova “cruzada”, governo decide cortar tarifas do BB

- Estado de Minas: Motoristas novatos são os mais cassados

- Zero Hora: Estado tem agosto mais violento em 10 anos

- Jornal do Commercio: TV paga tem 30 dias para reduzir queixas