quarta-feira, setembro 26, 2012

PEDALA, RONIQUITO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 26/09

Daniel Rocha vai ao teatro para "desencarnar"de Rony, seu personagem em "Avenida Brasil" (Globo). Ele será o par romântico de Julia Faria na peça "Amigos, Amigos, Amores à Parte", escrita por Anna Carolina Nogueira e Junior de Paula. Prevista para o primeiro semestre de 2013, a comédia romântica será antecedida por dois curtas-metragens a serem divulgados na internet, com cenas relacionadas às da trama no palco.

EM NOME DE DEUS

A campanha de Celso Russomanno (PRB-SP) se prepara para acionar, na Justiça, padres católicos que peçam aos fiéis que não votem no candidato pelas ligações de seu partido com a Igreja Universal. Apesar do encontro dele com o arcebispo dom Odilo Scherer, no sábado, há relatos de que religiosos continuam a pregar nessa direção.

FORA DE ORDEM
"Não podemos controlar todos os padres", diz Rafael Alberto, secretário de comunicação da arquidiocese, ao receber relato da coluna de que religiosos, no fim de semana, fizeram pregação contra Russomanno em igrejas da zona sul. "A orientação de dom Odilo não é essa. Pelo contrário. Os nossos padres não podem fazer campanha eleitoral de jeito nenhum."

TUDO GRAVADO
A conversa entre Russomanno e dom Odilo foi mais tensa do que transpareceu. Logo no começo, o arcebispo perguntou se o candidato queria gravar a conversa. Diante da negativa, dom Odilo colocou um gravador sobre a mesa e avisou que ele, sim, registraria tudo. E ainda chamou outros religiosos para testemunharem o diálogo.

QUESTÃO DE HÁBITO
"Dom Odilo sempre grava audiências importantes", diz o secretário Rafael Alberto.

FORA DO AR
E Campos Machado, coordenador da campanha de Russomanno, diz que "convenceu" Marcos Pereira, pastor licenciado da Universal e presidente do PRB, a retirar da internet artigo em que atacava a Igreja Católica. O documento motivou a crítica de dom Odilo à "manipulação política da religião".

NO CÉU
Ainda Russomanno: ele não vai mais caminhar nas ruas. A ideia é evitar perguntas incômodas de eleitores que seriam "infiltrados" por campanhas adversárias.

A ordem agora é só fazer carreatas, com o candidato "a dois metros de altura" e inacessível aos "provocadores", diz Campos Machado.

ADEUS, ACRÓPOLE
A fachada neoclássica da antiga Daslu, na Vila Olímpia, começou a ser demolida. O prédio de colunas gregas dará lugar a um empreendimento de 28 mil m² no padrão arquitetônico contemporâneo dos vizinhos WTorre Plaza e shopping JK. Além de escritórios, está previsto um teatro de 1.200 lugares.

PONTE AÉREA
O Festival do Rio vai aportar em SP pela primeira vez. Em seu 14º ano, a mostra de cinema carioca fez parceria com o Sesc para exibir alguns de seus filmes no circuito paulista, entre 5 e 14 de outubro. Estão na lista títulos da retrospectiva "John Carpenter - O Medo É Só o Começo" e documentários como "Ai Weiwei: Sem Perdão", "Roman Polanski: Memórias" e "Woody Allen".

ATÉ MACACO
A biografia de Max Factor (1877-1938) "O Homem que Mudou as Faces do Mundo" (Ed. Matrix) será lançada no fim de semana no Brasil. Inventor do gloss e dos cílios postiços, ele foi responsável pelo visual de estrelas como Rodolfo Valentino e virou lenda no cinema. Criou, por exemplo, uma base capaz de ocultar a cicatriz na face direita do futuro galã. "Mr. Factor faz um macaco ter boa aparência", diz trecho do hino de Hollywood.

O RONALDO DO GOLFE
Cristian Barcelos, que aprendeu a jogar golfe em campo público e foi o primeiro negro a ser campeão brasileiro, foi convidado a disputar o Aberto de Golfe do Brasil, em outubro, em Cotia. Com 17 anos, será o único menor do torneio.

GIL NA REDE
Gilberto Gil disponibiliza hoje a primeira faixa do seu novo disco, "Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo", no serviço de streaming Rdio (www.rdio.com.br). O álbum chega às lojas na próxima semana e sairá também em DVD, Blu-ray e vinil.

SAMPA ENQUADRADA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve no lançamento de "São Paulo", livro com fotos tiradas no iPhone por Andrea Matarazzo, com curadoria de Charles Cosac, da Cosac Naify. A empresária Veronica Serra e seu filho Antonio Bourgeois foram à Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

DIAS DE DANÇA
A atriz Laura Neiva e o apresentador Felipe Solari foram à festa em que a Geo Eventos apresentou projetos para 2013, como o musical "Dancing Days". A modelo Fernanda Motta e o cantor Latino também passaram pela Casa Fasano, anteontem, em São Paulo.

CURTO-CIRCUITO

O festival É Tudo Verdade aceita até o dia 10 de dezembro inscrições para documentários brasileiros e internacionais.

Silvia Aquino, do conselho da Jornada Mundial da Juventude, promove jantar beneficente hoje no Palácio dos Bandeirantes.

Selton Mello e Maria Fernanda Cândido dão palestra sobre a criação de um filme. Hoje, na Casa do Saber, a partir das 20h.

Fernanda Kujawski mostra coleção de verão da FK Collection, no Itaim Bibi, a partir das 13h.

Rezar? - ROBERTO DaMATTA


O Estado de S.Paulo - 26/09


Rezamos todos ou a reza, como reza o hábito, é um atributo (ou um privilégio) dos que acreditam em alguma coisa? Acreditar é um verbo poderoso. Talvez o mais poderoso de todos, porque ele afirma algo que é ou não é, dependendo do ponto de vista. Eu acredito em Deus!, diz Francisco; Eu não!, responde José. Acredito que o mundo vai acabar em dezembro deste ano e que o mensalão é obra das elites reacionárias, de uma imprensa corrompida e de um Supremo Tribunal Federal golpista, dizem os defensores de Lula.

O pragmatismo inocente afirma que "gosto não se discute", mas se aplicarmos isso ao verbo crer, o mundo se abre a uma torrente de loucuras. De fato, aprendemos que o verbo acreditar também tem limites. Não há como acreditar em Papai Noel ou que a morte não exista fora dos simbolismos culturais e religiosos. Crer é um direito e um ato de fé.

Há quem acredite em X, Y e Z - e há quem não acredite em X, Y e Z. Então X, Y e Z têm um lado oculto (ou tenebroso) que a suposta luminosidade do crer não alcança. O não crer obriga o crente a ver o todo. O crer, por seu turno, leva o cético a ver o lado que lhe falta e que ele imaginava não existir.

* * * *

Esta pobre meditação é o resultado de um fato concreto e do meu mal-estar relativo ao mundo político brasileiro.

Primeiro, o fato.

Morre uma professora dedicada. Eu não a conheci, mas pelas mensagens que recebo, relembro como é dura a reconciliação com a presença concreta da morte para seus entes queridos. Eis que, no meio das mensagens, um padre solidário com a perda espera não constranger os seus colegas ateus com suas preces. Poucas vezes me deparei com um exemplo de tamanha delicadeza e sensibilidade. Que os ateus me desculpem, eu não rezo para ofendê-los, diz o padre.

Como um conforto ao sacerdote, eu desejo sugerir que todos rezam. Uns acreditando, outros sem acreditar. Mas, perguntaria um crente: como rezar sem um Deus? Ora, responderia o ateu, e como rezar para divindade se o rezar é um ato pelo qual se aceita o mundo tal como ele é? Na sua bondade e maldade, nas suas trevas e luzes? Mais do que reconhecer, suplicar ou tentar estabelecer um contrato com as divindades, a prece é, já dizia Mauss, o ato religioso mínimo para entrar em contato com o sobrenatural que nos cerca e aterroriza, sejamos crentes ou ateus.

Rezar é reconhecer nossa finitude, fraqueza, carência, angústia e solidão. É admitir que vivemos numa totalidade que não podemos conhecer completamente. É um ato que pertence ao que Gregory Bateson chamou de "uma ecologia da mente". Pois, quando rezamos, suspendemos o aqui e agora dominados pelo eu para irmos de encontro ao todo. Rezar é admitir que há no mundo seres e situações estranhas, acima (ou abaixo) dos elos entre meios e fins. Há quem use um canhão para matar um passarinho e quem tente enfrentar gorilas com poesia. O mundo não é claro como querem os materialistas, mas também não é absolutamente escuro como desejam os crentes.

* * * *

Eu ando rezando às claras e às escuras. Vejo no Brasil que julga o mensalão um dado novo e alarmante para os poderosos de todos os matizes e de todas as estirpes.

Este é um julgamento que pela primeira vez na nossa História vai traçar limites não apenas para quem cometeu ilegalidades no poder, mas nos contextos ou situações engendradas por quem o ocupou e, sobretudo, por quem se deixou ocupar pelo poder.

Meu mal-estar com relação ao Brasil tem a ver com a força de quem tem certas crenças. E para quem tem certas crenças, os fins justificam os meios. Ser poderoso é, no Brasil, bradar pela ausência de limites. Será mesmo possível punir um poderoso no Brasil? É possível aceitar o erro de um petista, mesmo sendo petista? Pode-se admitir que os petistas, como a maioria dos seres humanos, são também ambiciosos e podem errar, como foi o caso do mensalão e, pior que isso, o aliar-se em São Paulo ao sr. Maluf?

Pode-se ser de esquerda deixando de lado o chamamento milenarista que promete um mundo perfeito quando perpetuamente governado por um messias? Seria possível ter no Brasil uma administração pública na qual oposição e situação aceitem os seus erros e tenham consciência dos seus limites?

Será que hoje não estamos num tempo em que a ética tem sido comida pelo político e pela "política da coalizão", que foi a alma do fato em causa? Politizar negativamente é impedir a visão do todo como sendo feito de parcelas diferenciadas. Se você, leitor, concorda comigo, reze. Se não concorda, reze por mim.

Tecido social - ANTONIO PRATA


FOLHA DE SP - 26/09

"Você quer produzir e não te deixam! Fui obrigado a pagar propina pro fiscal! É foda! Esse país é foda!"

REINALDO BOUCINHAS, 67, é engenheiro e está indignado com "essa corja do PT que dominou o país". Ano passado, Reinaldo teve a carta cassada por excesso de pontos. Foi ao despachante e por R$ 1.100 em três vezes sem juros, comprou uma habilitação limpinha, sem fazer o curso de reciclagem ou passar por suspensão. "Cê queria o que? Que eu ficasse um ano sem dirigir?! Eu trabalho, queridão, sou pai de família!" No vidro traseiro de seu carro, sr. Boucinhas tem um adesivo: uma mão sem o mindinho, sob o símbolo de proibido.

Luciana Boucinhas, 33, é atriz, dramaturga e acabou de aprovar na Lei Rouanet um monólogo de sua autoria. "Istmo Holístico" arrecadará R$ 300 mil de isenção fiscal, dos quais Luciana embolsará 30, apresentando notas falsas de "despesas com transporte", arrumadas por seu namorado, empresário. "Nesse país, com arte de vanguarda, não dá pra viver de bilheteria, cara! Tô me financiando, cara! Tô financiando a arte, entendeu, cara?!"

Rafael Galhardi, 42, é empresário e tem uma fábrica de embalagens biodegradáveis. A fábrica está numa área estritamente residencial. "Pra você ver como é esse país! Você quer produzir e não te deixam! Quer dizer... Fui obrigado a pagar propina pro fiscal liberar a fábrica! É foda! Esse país é foda!"

Hélio Pereira, 55, fiscal da prefeitura e católico praticante. Confessa-se todo ano. Teme as chamas do inferno. "Mas você quer o quê? Que eu viva com o salário de funcionário público?! Eu sou só uma gota no oceano!" O padre da igreja que Hélio frequenta, felizmente, tem lhe acalmado. Com alguns pais-nossos, ave-marias e boas ações, ele jura, Hélio entrará no reino dos céus.

Padre Osvaldo, 48, vê seu rebanho diminuir a cada ano, levado pela Igreja Internacional da Assembleia Divina, duas ruas abaixo. "Gente ignorante, gente corrupta, que só quer saber do dízimo!" Semana passada, padre Osvaldo recebeu uma boa notícia. Um de seus paroquianos, fiscal da prefeitura, conseguirá cassar o alvará do templo, expulsando os infiéis para outro bairro.

Pastor Sandro, 31, é membro da Igreja Internacional da Assembleia Divina e está preocupado com esse lance do alvará. "A Igreja Católica deita e rola e ninguém faz nada, mas é o evangélico mexer um dedo que cai todo mundo em cima!" Por isso, pastor Sandro está agindo na surdina. Já falou com o Elias e o Sem Noção, seus amigos de infância, no Morro do Querosene, pra darem um susto no padre Osvaldo. "Só um susto. Vamos ver se ele recua."

Sem Noção, 31, foi morto pela PM no último sábado com um tiro na nuca, numa quebrada do Querosene. Deixou uma moto, dez pedras de crack, cinco filhos e três viúvas.

Major Augusto, 55, acaba de dar cinquentinha para que o Pedrão, do almoxarifado, libere pelo menos um.32 lá das apreensões, pra ele poder cravar um "resistência à prisão" na execução do noia. "Ó que paisinho?! Agora cê precisa de desculpa pra matar bandido!"

Antonio P., 35, é escritor e deu R$ 50 pro major Augusto, em 1999, quando foi parado numa blitz com sua namorada, Margarida, e estava com o IPVA vencido.

Margarida: tinha olhos azuis como bolas de gude e falava em viver na Itália. Que fim terá levado?

Ainda que tardia - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 26/09


Enfim. É a primeira coisa que se pode dizer sobre a decisão da Justiça de que na certidão de óbito de Vladimir Herzog deixe de constar a mentirosa informação de suicídio. O Brasil começou a mudar. Lenta e tardiamente. Já há réus em crimes de morte de presos políticos, o STF tomou uma decisão que altera a interpretação que impedia processo contra responsáveis por casos de desaparecidos.

Na semana passada, a segunda turma do STF deferiu parcialmente o pedido do governo argentino de extraditar Claudio Vallejos, acusado de tortura, homicídio, sequestro e desaparecimento forçado de pessoas durante a ditadura militar argentina. Ele era militar e atuava num terrível centro de tortura, a Escola de Mecânica da Armada Argentina (ESMA). O deferimento só foi parcial porque ele responde a processos no Brasil.

A defesa alegou que o crime prescreveu. O ministro Gilmar Mendes, autor do voto seguido por unanimidade, citou jurisprudência do STF de que "nos delitos de sequestro, quando os corpos não forem encontrados, em que pese o crime ter sido cometido há décadas, na verdade se está diante de um delito de caráter permanente, com relação ao qual não há como assentar-se a prescrição". O Ministério Público tem trabalhado com essa tese: do crime permanente para os casos como os do deputado Rubens Paiva e de mais de uma centena de brasileiros cujos corpos jamais apareceram.

Não é o caso de Vladimir Herzog. Convocado, o jornalista compareceu ao II Exército para prestar depoimento. Horas depois, estava morto. O corpo dele foi entregue à família para o enterro, mas na certidão de óbito foi registrado o que foi dito na nota do II Exército.

Foram necessários 36 anos, 10 meses e 30 dias para que o Estado brasileiro conseguisse emitir através do Judiciário a ordem de que a mentira seja removida dos documentos oficiais. Nesse tempo, já houve sete mudanças na Presidência da República. O último general saiu do Palácio há 27 anos, seis meses e 11 dias. E só agora a versão dos torturadores está sendo varrida da história.

Mesmo para um país que tem dificuldade de olhar seu passado, entendê-lo, aprender com ele para pavimentar o futuro, essa espera foi longa demais. O que constrangeu o poder civil e democrático por tanto tempo? Inexplicável.

Recentemente, a Justiça Federal de Marabá, no Pará, aceitou a denúncia contra o coronel Lício Maciel, no caso da morte de Divino Ferreira de Souza. A juíza Nair Pimenta de Castro abriu ação contra ele por ter assumido esse e outros crimes na fase final da luta contra a guerrilha, quando, segundo o MPF, houve a "adoção sistemática de medidas ilegais e violentas, promovendo-se o sequestro e a execução sumária dos militantes". A denúncia contra o major Sebastião Curió, ajuizada antes, tinha sido recusada, mas a decisão foi alterada, e ele também virou réu em mortes ocorridas na mesma época, durante a ditadura.

A Comissão da Verdade não tem atribuição judicial. Sua função é buscar as informações, tomar depoimentos, fazer sugestões ao governo de como encaminhar o problema. Mas sua existência, ainda que com depoimentos tomados de forma reservada, tem ajudado a movimentar o país na busca dos pontos perdidos dessa dolorosa história. O Ministério Público tem apresentado denúncias em todas as regiões do país para esclarecer o entendimento sobre os princípios da justiça de transição; que trata dos crimes de um período de exceção.

Tudo isso aconteceu há muito tempo. Alguns desses crimes foram cometidos quando a maioria dos brasileiros nem era nascida. É mais um motivo para que o Estado brasileiro se apresse.

Crise na Comissão de Ética - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 26/09


A presidente Dilma Rousseff fez o que podia fazer, mas não devia, e recebeu o troco em má hora. Ela podia não renovar os mandatos de dois dos sete membros da Comissão de Ética Pública, que expiraram nos últimos dois meses. Afinal, o órgão integra a Presidência da República, subordinado, portanto, ao chefe do governo. Mas não devia fazê-lo, por dois motivos. Primeiro, porque, desde a sua criação, em 1999, para zelar pela boa conduta dos membros do Executivo federal, nenhum dos presidentes que precederam a atual, Fernando Henrique e Lula da Silva, deixou de reconduzir para um segundo período de três anos os integrantes da comissão cujos nomes lhes haviam sido indicados pelo titular do colegiado.

Em segundo lugar, porque os substituídos, Marília Muricy e Fabio de Sousa Coutinho, desagradaram à presidente não por desídia ou leniência no exercício das suas funções, mas, ao contrário, por terem sido rigorosos na exigência de retidão no comportamento de ministros de Estado - contribuindo, a seu modo, para a faxina ética que Dilma se viu induzida a conduzir, fazendo disparar os seus índices de popularidade.

Deu no que deu. Bem na hora em que o julgamento do mensalão no STF fincou a questão da moralidade política no centro das atenções nacionais, a renúncia do presidente da Comissão de Ética, o jurista e ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, colocou Dilma no lado errado da narrativa sobre o imperativo da lisura em todos os escalões do poder nacional.

Depois de dar posse aos três novos membros do organismo, Pertence entregou o cargo que deveria ocupar até dezembro de 2013, lamentou abertamente a "mudança radical" criada pelo afastamento de Marília e Coutinho e assinalou ser às vezes "mal compreendida" a finalidade da comissão de "estabelecer uma cultura de ética" no Executivo. Para a presidente, não é o melhor momento para que expressões do gênero, ainda por cima ditas por quem as disse e por que, ingressem no noticiário. Mas ela só tem a culpar a si própria por esse constrangimento. Dilma tinha ficado agastada com a comissão, da primeira vez, em fins de 2011, quando, por iniciativa de Marília, o colegiado recomendou a demissão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, alvo de uma batelada de denúncias de irregularidades nos convênios da pasta com ONGs de fachada.

Desejando manter Lupi no governo, para não se atritar com o patrono Lula, que o indicara para a função, a presidente rejeitou a recomendação, alegando que o relatório de Marília se baseava apenas em denúncias de jornal. Pior ainda, para o seu senso de autoridade à flor da pele, foi ter tomado conhecimento pela imprensa do ato da comissão. A gota d'água foi a declaração de Marília de que a presidente deveria "respeitar as regras do jogo democrático". Contra Coutinho, o outro conselheiro substituído, a zanga de Dilma veio do fato de ter ele proposto aos seus pares, em junho último, que aprovassem uma "advertência" ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, amigo de longa data da presidente.

O ministro ficou sob a mira da comissão quando se divulgou que, entre 2009 e 2010, havia prestado nebulosos e regiamente pagos serviços de consultoria à Federação das Indústrias de Minas Gerais - fonte de possível conflito de interesse com o cargo que viria a assumir. A comissão preferiu pedir a Pimentel que esclarecesse se o seu contrato com a entidade ainda estava em vigor quando se tornou ministro. Anteontem, o presidente interino do colegiado, Américo Lacombe, pediu novas diligências sobre viagem de Pimentel à Europa em avião fretado pelo empresário João Dória Jr. O inquérito não tem prazo para acabar. Dilma, é verdade, escolheu nomes insuspeitos de afinidades políticas com o governo para as vagas abertas na comissão. O que não autoriza, salvo fatos novos em contrário, que se fale em seu aparelhamento.

Mas ela não terá como dissipar a impressão de que foi mesquinha ao se vingar dos conselheiros que a irritaram, deixando no ar, além disso, a suspeita de que pretenda neutralizar o órgão que zela pelo padrão ético do Planalto.

Ueba! Voto no Caixão Furado! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 26/09


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Manchete do Piauí Herald: "Lula acusa forças conservadoras pela barriga do Ronaldo". Rarará!

E ontem eu conheci um eleitor do Levy Fidelix, cem rejeitores do Serra e 90 do Haddad. Agora a eleição se divide em eleitores e rejeitores. "Eu sou rejeitor do Haddad." "E você?". "Ah, eu sou rejeitor do Serra."

E uma coisa que me deixa cismado: já imaginou o estado daquelas poltronas velhas do Supremo? Os tiozinhos ficam sentados ali o dia inteiro de capa preta e suando sem parar. Cheiro de mofo com cê-cê!

Pena pros mensaleiros: lavar as cadeiras do Supremo! Pena do Zé Dirceu: lavar a cadeira do Joaquim Barbosa! Aliás, o Joaquim Barbosa parece piloto de F-1. Tá sempre semideitado. Pena pro Valdemar Costa Neto: cheirar a cadeira do Lewandowski! Rarará!

E a Piada Pronta: "Jacinto Lamas acusado 40 vezes de crime de corrupção passiva - número de saques no Banco Rural". Deve tá dando graças a deus que só foi 40 vezes! Se tivesse sacado cem vezes, pegava cem condenações!

E Lamas só pode ir no Banco Rural mesmo, coerente. E eu acho que ele dava plantão na porta giratória! A porta girava, ele entrava e sacava de novo!

Ereções 2012! E o Haddad tá com cara de galã indiano. Devia ser prefeito de Bollywood! E o Serra tá com cara de vampiro com cólica!

E o Giannazi, do PSOL, parece o João Kléber. Só que não usa Gucci! Ou então o Silvio Brito, que cantava aquela musica "Pare o Mundo que Eu Quero Descer". Rarará!

E quem faz os textos do Eymael é o Pedro Bial? E o Russomanno tucanou o estupro. Agora só fala: assalto sexual! E não adianta os tucanos ficarem com cara de virgens incas! Rarará!

Olha esta: "PSDB lidera o ranking dos candidatos fichas-sujas". É o que eu sempre digo: não tem virgem na zona! É mole? É mole, mas sobe!

"Avenida Brasil"! O Lúcio se disfarça de bandido pra passar despercebido no aeroporto, troca uma mala por outra na frente da Polícia Federal fazendo campana e a Família Real do Divino chega ao aeroporto em dez minutos. O mais mirabolante: arruma uma vaga! Rarará!

E quem leva Real pros Estados Unidos? A Nina, a sem pen drive! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Púlpitos vazios? - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 26/09


O debate da TV Gazeta pode ter sido o último com os três principais candidatos à Prefeitura de São Paulo. José Serra (PSDB) ainda não se comprometeu a ir ao encontro da Record, controlada pela Igreja Universal, na próxima segunda-feira. Por sua vez, o PRB avalia a conveniência de o líder das pesquisas comparecer ao confronto na Globo, dia 4. A própria emissora pode cancelar o debate caso a Justiça decida que Levy Fidélix (PRTB) e Carlos Gianazzi (PSOL) têm de participar.

Papelzinho Representantes dos partidos se reuniram ontem na Record e assinaram as regras para o debate. A assessoria do tucano foi a única a não participar.

Cativa A emissora exigiu 75 dos 200 lugares para acomodar seus convidados no auditório. A mediadora será a jornalista Ana Paula Padrão.

Sessão Coruja Sob protestos dos candidatos, o debate começará às 23h15. A Record promete iniciar a transmissão com a audiência entre 7 e 8 pontos, que seria a maior dos embates até aqui.

Barulho Vereadores do bloco de Gilberto Kassab pressionam o QG de Serra a retirar de seu plano de governo o item que prevê ampliação do Cidade Limpa, vitrine do prefeito, para a poluição sonora. Não querem encrenca com templos religiosos, bares e restaurantes.

Bilhete azul Haddad manterá a estratégia de desconstruir as propostas de Russomanno. Sobre a que prevê tarifa maior para quem andar mais de ônibus, o petista dirá que patrões que subsidiam passagens poderão demitir funcionários que morem longe do emprego.

Infiéis A Justiça de Uberaba proibiu aparições de Aécio Neves e Antonio Anastasia na propaganda de Antonio Lerin (PSB). Os tucanos estrelam inserções de TV e placas do deputado socialista, embora o PSDB tenha candidato próprio na cidade.

Para a torcida Apesar de evitar se manifestar sobre o mensalão, Teori Zavascki agradou senadores da Comissão de Constituição e Justiça ao dizer que entende que a perda de mandato de condenados pelo STF não é automática. Casos como o do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) teriam que passar pelo crivo da Câmara.

Melhor não Zavascki ouviu de senadores governistas que, se seu nome fosse à votação no plenário ontem, corria o risco de ser rejeitado. Líderes avisaram ao Planalto que o quórum de 58 senadores era incerto e a oposição faria da tribuna um palanque sobre o mensalão.

Em cima... Alguns ministros do STF que estranharam a declaração de Zavascki de que é a corte quem decide se ele estará apto a julgar o mensalão afirmam que sua participação se daria na fase dos embargos, mas não na dosimetria das penas.

...do lance Outros dizem que será a primeira vez que o plenário decidirá essa questão. E lembram que, quando Luiz Fux entrou na corte, desempatou o Ficha Limpa.

Visitas à Folha Giovanni Guido Cerri, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com José Otávio Costa Auler Jr., vice-diretor no exercício da diretoria da Faculdade de Medicina da USP, Flávio Fava de Moraes, diretor da Fundação da Faculdade de Medicina, e Vanderlei França, assessor de comunicação.

Bernardo Paz, presidente do Conselho de Administração do Instituto Inhotim, visitou ontem a Folha. Estava com Roseni Sena, diretora executiva, e Ronald Sclavi, diretor de comunicação.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Docemente constrangido, ele não falou sobre o mensalão para participar do julgamento. Mesmo que apenas na fase de embargos."
DO SENADOR ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR), sobre as respostas do futuro ministro Teori Zavascki na sabatina de ontem para ocupar cadeira no STF.

contraponto

Google translator

Conhecido por ser um ferrenho defensor da língua portuguesa e adversário dos estrangeirismos, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, esteve em Londres neste ano por três vezes por causa das Olimpíadas.

Numa das visitas à capital inglesa, foi abordado por uma repórter do diário londrino "Daily Telegraph", que perguntou se ele tinha intérprete. Aldo retrucou:

-E a senhorita fala português?

Diante da negativa da repórter, o ministro completou, sempre no idioma pátrio:

-Então é a senhorita que vai precisar de intérprete...

Os réus morais do mensalão - JOSÉ NÊUMANNE

O ESTADÃO - 26/09


Assim como retiram assinaturas de projetos, líderes governistas renegam nota anti-STF

Há dúvidas se os efeitos do julgamento do escândalo que se tornou conhecido como mensalão – e agora se vê que por motivo justo, pois havia mesmo parlamentares e dirigentes partidários recebendo propinas mensais – ajudarão a sanear a política brasileira de seus péssimos costumes ou se ele será uma exceção. Não no sentido de servir a interesses discricionários, como definiu o insigne professor Wanderley Guilherme dos Santos, presidente da Casa de Rui Barbosa, até segunda ordem um órgão do governo, ao Valor Econômico, mas significando algo anômalo, fora do comum e que não produzirá efeitos. Uma coisa, porém, é certa – e, até agora, isso já o torna histórico: trata-se de uma tomografia que expõe sem piedade as vísceras apodrecidas da República. E é capaz de revelar detalhes da promiscuidade e, como já se pode constatar, também da desfaçatez e da pusilanimidade sem pudor da elite que manda e desmanda no País.

O imenso pântano de cinismo e caradura em que essa elite chafurda já foi descrito em detalhes no manual da corrupção na administração pública nacional que é o livro Nervos de Aço (Topbooks, Rio de Janeiro, 2007), do delator do esquema de compra de votos das bancadas governistas com dinheiro público, Roberto Jefferson, presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Mas como tudo o que expõe sesquipedais rabos de palha, a publicação caiu em ostracismo. Agora, não mais: a malversação do dinheiro público tem sido descrita em capítulos, lidos nas tardes de segunda, quarta e quinta-feiras pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. O relato, feito com lógica de orgulhar Aristóteles e lido com dicção perfeita e no tom certo, é seguido com interesse pela sociedade graças à oportuníssima exibição ao vivo em canais por assinatura na televisão. E também é reportado pelos meios de comunicação, para desespero de todos quantos pensavam que seriam capazes de mandar o velho Abraham Lincoln às favas, pois conseguiriam enganar todos durante todo o tempo que lhes conviesse.

O trabalho minucioso e competente do ministro trouxe à luz a forma como foi aparelhada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no poder uma instituição secular e respeitável como o Banco do Brasil (BB), fundado no começo do século 19 pelo monarca português e que virou símbolo da passagem de nossa condição colonial à de sede da Corte. E narra o que no livro de Jefferson pode até ser considerado retaliação de perdedor: a entrega de envelopes (e até malotes transportados em carros-fortes de bancos) com gorjeta usada para convencer parlamentares cúpidos e chefes partidários venais a dizerem amém na Câmara e no Senado às ordens emanadas do que passou a ser todo-poderoso Executivo.

Atrás do propinoduto de que Marcos Valério foi só “operador”, no dizer do delator e confirmado pelo relator, foi engendrado o verdadeiro ovo da serpente, o golpe sub-reptício com o objetivo sórdido de instalar uma ditadura dos políticos profissionais sobre os cidadãos comuns. O julgamento do mensalão decidirá o destino de gestores acusados de desviar recursos públicos para aplicarem em seus projetos partidários e nas próprias fortunas pessoais. E terá o condão de decidir de vez que em nosso frágil, mas irreversível, Estado Democrático de Direito todos são de fato iguais perante a lei. A tentativa de reduzir crimes maiores, como corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, a um delito menor, o caixa 2 de campanha (“recursos não contabilizados”, no eufemismo da vez), partiu do pressuposto de que eles podem fazer o que não nos é permitido. A contabilidade paralela da Daslu levou a empresária Eliane Tranchesi à prisão. Não a de Delúbio Soares. “Pois, afinal, é praticada por todos os partidos. Se os outros podem, por que o PT não?”, questionou o chefão geral, Luiz Inácio Lula da Silva, como acaba de fazê-lo o único acusado do esquema que se beneficiou da delação premiada, o chef Silvio Pereira.

A cúpula petista no poder republicano não tinha dúvidas de que a teoria do padim transmitida a seus causídicos milionários seria aceita facilmente no plenário do Supremo. Afinal, oito dos 11 ministros foram nomeados por um presidente do partido e teriam de ser-lhe gratos. Se o BB foi aparelhado, se a Casa Ruy Barbosa foi aparelhada, se a Petrobrás foi aparelhada, por que não o STF? A verdadeira elite dirigente esqueceu-se de prestar atenção em Chapolim e não contou com a astúcia dos ministros que, imunes à demissão, tratam de evitar que a gratidão emporcalhe sua biografia. O general De Gaulle disse muito bem que a ingratidão é a maior virtude de um estadista.

E é assim que o velho conceito da igualdade de todos perante a lei está sendo garantido pelo STF e os políticos viciados em caronas em jatinhos (quando não dispõem do próprio avião) e nas festas promíscuas pagas pelos sanguessugas do Estado exercem o direito que os galhofeiros verteram para o latim: jus sperneandi. O direito de espernear é a única explicação para a carta dita de apoio a Lula, articulada pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, e assinada por seis partidos da chamada “base governista”, comparando a atuação do STF ao movimento que levou Getúlio Vargas em 1954 ao suicídio e à derrubada de João Goulart em 1964.

O presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Valdir Raupp, disse que a assinou “constrangido”. Terá o Falcão do PT recorrido a um revólver para convencê-lo? Parlamentares do Partido Democrático Trabalhista (PDT) desautorizaram seu líder, Carlos Lupi. Por que, então, não o depõem da presidência? Habituados a retirar assinaturas de projetos, ao terem atendidos seus pleitos pelo Executivo, devem calcular a inteligência alheia pelo conceito que têm da própria honra. Ao assinarem o documento tragicômico e tentarem fugir da responsabilidade por isso, incluem-se, e também Lula, na categoria de “réus morais” do mensalão. Pois não é isso mesmo que eles são?

Comparação indevida - DORA KRAMER

 O Estado de S.Paulo - 26/09

A determinada altura da sessão desta segunda-feira o revisor Ricardo Lewandowski justificou assim o voto pela condenação de três réus por formação de quadrilha: "Era um mecanismo permanentemente em funcionamento. Isso caracteriza a quadrilha, e esses crimes eram praticados à medida da necessidade demonstrada pelos parlamentares que se deixaram corromper".

Portanto, se alguém se deixou corromper, houve também o agente corruptor e um motivo para corrupção.

A forma da prova, entretanto, continua em debate. A manifestação majoritária dos ministros em relação ao crime de corrupção passiva em "fatia" anterior do julgamento do mensalão provoca revolta aqui e ali.

Advogados de defesa, políticos e agora até um grupo de intelectuais, artistas e acadêmicos alegam que o Supremo Tribunal Federal está inovando. Invocam o julgamento que absolveu Fernando Collor de Mello em 1994, reivindicando tratamento semelhante.

O próprio Lewandowski qualificou de "heterodoxo" o entendimento preponderante no tribunal e justificou a absolvição de João Paulo Cunha do crime de corrupção passiva dizendo que havia se baseado na jurisprudência da ação penal 307, a do caso Collor.

Na essência da lei o STF não está criando nada. A condenação de Cunha decorreu do artigo 317 do Código Penal, cuja definição do ilícito é a mesma: "Solicitar ou receber, para si ou outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, mas em razão dela, vantagem indevida ou aceitar promessa de tal vantagem".

O único dos atuais ministros a participar do julgamento de Collor, Celso de Mello, na época apontou a exigência de "precisa identificação de um ato de ofício" na esfera das atribuições do presidente, para que se caracterizasse a corrupção.

Justamente o que a Procuradoria-Geral da República não conseguiu demonstrar na ocasião: a denúncia não descreveu uma parte do crime, não apontou que interesses as pessoas que deram dinheiro ao operador de Collor, Paulo César Farias, teriam nos atos do presidente.

E, naquele voto em 94, Celso de Mello falou também sobre a necessidade de haver "uma relação entre a conduta do agente que solicita, recebe ou aceita a promessa de vantagem indevida e a prática, que pode até não ocorrer, de um ato determinado de ofício".

E o que demonstra a denúncia ora em exame? Exatamente a existência de uma relação de trocas indevidas entre parlamentares, partidos e um governo mediante práticas ilegais.

Ou seja, o Supremo não inventa. Os casos é que são diferentes.

Conceito de ética. Quando deixou a presidência da Comissão de Ética Pública em fevereiro de 2008, três meses antes do fim do mandato, Marcílio Marques Moreira disse o seguinte: "Não temos nenhuma força, não temos nenhuma tropa, temos apenas a nossa consciência e a nossa autoridade moral".

Autoridade solapada pelo então presidente Luiz Inácio da Silva ao ignorar por diversas vezes a recomendação de que Carlos Lupi optasse entre o Ministério do Trabalho e a presidência do PDT pelo evidente conflito de interesses entre as duas funções.

Quando renunciou na segunda-feira à presidência da Comissão de Ética Pública um ano antes do fim do mandato, Sepúlveda Pertence nem precisou repetir as palavras de Marcílio para que deixasse perfeitamente entendida a razão de sua saída.

Demolição de autoridade moral.

Desta vez pela presidente Dilma Rousseff, que resolveu retaliar contra dois conselheiros que cobravam mais duramente explicações do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, a respeito de contratos de consultoria cujos serviços não foram comprovados.

Oposição na berlinda - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 26/09

À medida que as eleições municipais se aproximam, a oposição (PSDB/DEM) perde fôlego. O Ibope de São Paulo foi recebido com preocupação pela direção tucana. O julgamento do mensalão está mantendo José Serra no jogo. Outros resultados negativos são esperados. A oposição, cada vez mais, depende de um rompimento do governador Eduardo Campos com a presidente Dilma.

Richa perde terreno
Os petistas estão fora do segundo turno, mas estão comemorando o resultado das eleições em Curitiba. Eles estão agora apostando suas fichas no candidato Ratinho Junior (PSC), que lidera nas pesquisas. O otimismo se deve ao desempenho do prefeito Luciano Ducci (PSB), candidato do governador Beto Richa (PSDB). Ocorre que, em 2008, Richa foi reeleito no primeiro turno com 77,8% dos votos. Agora, seu sucessor e candidato tem apenas 25%. Os petistas avaliam que Richa está se enfraquecendo. Dizem que o cenário também é positivo no interior. Nas seis maiores cidades do estado, tucanos e seus aliados caminham para vencer apenas em Londrina.

“O voto do ministro revisor, Ricardo Lewandowski, deixou a situação (do deputado Valdemar Costa Neto) muito complicada.
Está bem difícil” 
Alfredo Nascimento Senador (AM) e presidente do PR

A falta de elegância dos senadores
A sabatina do ministro Teori Zavascki (STJ) foi suspensa. Ele foi levado ao gabinete do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Os senadores decidiram não retomar a reunião, mas não avisaram Teori. Ele ficou duas horas de molho.

Em campo
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) vai cumprir uma maratona de hoje até sábado. Candidato nas eleições presidenciais de 2014, ele irá a João Pessoa, Campina Grande, Salvador, Feira de Santana, Recife e Maceió fazer campanha para candidatos do PSDB ou apoiados pelos tucanos. Aproveita para ser mais conhecido e nacionalizar sua imagem.

Fazendo a corte ao oráculo
O presidente do PT, Rui Falcão, jantou anteontem em Porto Alegre com o ex-marido da presidente Dilma, Carlos Araújo. O petista falou da importância de a presidente participar do comício de Fernando Haddad sábado, em São Paulo.

PMDB quer cargo numa estatal
Reunião ontem com o vice-presidente Michel Temer tratou da volta de Gleisi Hoffmann para sua vaga ao Senado. O suplente, Sérgio Souza (PMDB), preocupado com a perda do mandato, pediu um cargo. Não para ele. Disse que ficava satisfeito se o ex-governador Orlando Pessuti (PR), a quem é ligado, fosse nomeado para diretor de alguma estatal na área de tecnologia.

Virou piada: o médico e o padre
Dois ministros foram a Recife tentar salvar a candidatura de Humberto Costa. Alexandre Padilha e Gilberto Carvalho. Os petistas brincam que um deu diagnóstico de paciente em estágio terminal, e o outro ministrou, a extrema-unção.

Concurso de beleza para políticos
Todo ano, ONGs elegem políticos de destaque no Congresso. Os parlamentares acham isso importante. Os internautas votam. Ano passado, um senador criou um programa para votar nele. A ONG descobriu a tramoia e anulou os votos.

O SENADOR ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB-SP) propôs que a TV Senado interrompesse a transmissão, ao público, da sabatina do ministro Teori Zavascki.

Inovações legislativas preocupantes - LUÍS ALBERTO THOMPSON FLORES


ZERO HORA - 26/09



Realmente, o Brasil vive hoje um período muito difícil, em que impera um profundo empobrecimento cultural da nação.

Isso se manifesta em muitas áreas do conhecimento, notadamente na música, nas artes em geral, na política e na educação.

Essa situação lamentável, e como não poderia deixar de ser, apresenta-se, também, na esfera jurídica, na qual, apesar de aflorarem cursos de Direito à profusão, com mestrados e doutorados temerários, o nível acadêmico nunca foi tão baixo.

É o que se pode apreender da elevadíssima repetência no exame da OAB e dos inúmeros cancelamentos de registro de faculdades de Direito promovidos pelo MEC.

Agora, o que é particularmente preocupante neste cenário de calamidade é que tramitam no Congresso Nacional projetos de lei extremamente relevantes para o país, notadamente o novo Código Penal e o Código de Processo Civil.

Se a situação já era aflitiva apenas no que diz com as implicações de estarmos em ano eleitoral, ela se torna dramática com a informação de que esses projetos estão andando a toque de caixa, de forma açodada.

Tanto isso é verdade, que o deputado Miro Teixeira ficou escandalizado com o fato de o projeto do CPC ter sido aprovado no Senado em apenas 40 minutos, sem qualquer debate no plenário.

Apenas para comparar, basta informar que o CPC anterior, ainda em vigor, de autoria do insuperável professor e ministro Alfredo Buzaid, então o maior processualista da América Latina, foi discutido e analisado pela sociedade por 10 anos antes de ser aprovado.

Já o projeto do novo Código Penal, em razão de conter erros crassos decorrentes da falta de conhecimento de seus mentores, foi tachado de obsceno e sem conserto no site Consultor Jurídico de 21 de agosto por ninguém menos do que Miguel Reale Júnior, com a autoridade de ter sido secretário de Segurança de SP, ministro da Justiça e professor titular de Direito Penal da USP.

Tais fatos, por si só, impõem, por parte das autoridades afetas à área, a adoção de uma prudência especial no exame dessas matérias, de excepcional relevância para a vida das pessoas, sob pena de se criar uma expectativa falsa de evolução na sociedade, à semelhança do que ocorreu com a aprovação da Constituição Cidadã de 1988, decantada como panaceia para todos os males.

Marcha a ré na exportação - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 26/09


Vai muito mal o comércio exterior, fonte importante de emprego e de atividade industrial, mas nem tudo é má notícia nas novas projeções do Banco Central (BC) para as contas externas. Para o otimista militante há pelo menos duas boas novidades. O buraco na conta corrente, agora estimado em US$ 53 bilhões, será pouco menor que o apontado na previsão anterior (US$ 56 bilhões). Além disso, o déficit será coberto com folga pelo investimento estrangeiro direto, projetado em US$ 60 bilhões. Para quem se preocupa mais com fluxos financeiros do que com produção, tudo bem. Não há motivo para inquietação, até porque o rombo em transações correntes ainda será administrável, embora deva corresponder a 2,3% do produto interno bruto (PIB), pouco mais que no ano passado (2,1%).

O cenário é menos luminoso para quem dá mais valor à atividade real e à geração de empregos do que ao entra e sai de capitais, mesmo quando o dinheiro de fora é oficialmente destinado ao setor produtivo. Quem pensa de outra maneira talvez devesse levar em conta a história recente do setor sucroalcooleiro. Durante alguns anos, pipocaram projetos de grandes empreendimentos. O Brasil logo se tornaria, segundo o discurso oficial, capaz de inundar o mundo com álcool barato. Onde estão todo aquele dinheiro e todos aqueles investimentos fantásticos?

Para quem prefere pensar mais prosaicamente sobre a produção, as novas projeções do BC são tenebrosas. O superávit comercial previsto para o ano, US$ 18 bilhões, é o mesmo da projeção anterior. Mas esse número só se manteve porque o mesmo valor, US$ 10 bilhões, foi cortado tanto das exportações quanto das importações projetadas. A estimativa do valor exportado caiu de US$ 258 bilhões para US$ 248 bilhões. As importações, segundo as novas contas, devem ficar em US$ 230 bilhões.

Pela estimativa anterior, a receita comercial ainda seria 0,8% maior que a do ano passado (US$ 256 bilhões). Pela nova projeção, será 3,1% menor que a de 2011. O gasto com as compras seria 6,2% superior ao do ano anterior. Pela reestimativa, será 1,7% maior.

Os números absolutos obviamente importam, mas é muito mais inquietante o descompasso entre exportações e importações. Os novos números projetados pelo BC corroboram uma tendência observada na maior parte deste ano e já registrada antes da crise de 2008. Se alguma crise é refletida nas contas externas, seus efeitos são bem mais sensíveis na atividade exportadora do que na importadora. Os danos são maiores para as fábricas em operação no Brasil do que para suas concorrentes.

O descompasso é observável nos números acumulados até a terceira semana de setembro. Nesse período, as exportações renderam US$ 175,6 bilhões e as importações custaram US$ 160,3 bilhões. Pelo critério das médias dos dias úteis, o valor exportado foi 4,8% menor que o de um ano antes. O das importações, apenas 0,6% inferior ao de igual período do ano passado. Pela mesma comparação, o superávit da conta de mercadorias ficou 33,9% abaixo daquele registrado no mesmo prazo de 2011.

Não se trata, obviamente, apenas de um problema de curto prazo. Em épocas de crise, o baixo crescimento econômico tende a refletir-se em aumento do saldo comercial. Quanto à variação do PIB neste ano, ninguém pode ter grande ilusão. O Ministério do Planejamento já reduziu de 3% para 2% sua previsão de crescimento econômico para este ano. Analistas do mercado financeiro e de consultorias já chegaram a números menores, com a mediana próxima de 1,6%. Mesmo com o início de recuperação indicado por informações recentes, o resultado de 2012 dificilmente ficará fora da faixa de 1,5% a 2%. As importações, no entanto, se mantêm bem mais firmes que as exportações.

É uma crise estranha, pelos padrões internacionais, e suas características têm forte relação com o nível de emprego e com a expansão do crédito. O governo jamais chegou de fato a contrair seus gastos e mesmo neste ano seria um exagero falar de aperto fiscal, apesar da quase estagnação da receita da União. A nova projeção é de crescimento na faixa de 1,5% a 2%. Pela anterior, a arrecadação aumentaria entre 3,5% e 4%.

Embora o grande problema esteja claramente do lado da oferta, o governo insiste em alimentar a demanda e continua tentando expandir e baratear o crédito. Para isso, decidiu destinar mais R$ 21 bilhões do Tesouro Nacional ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica. Medidas desse tipo devem produzir efeito muito mais velozmente que os estímulos à produção concedidos por meio da redução de encargos e de programas de investimentos em infraestrutura. Em vez de se concentrar no alvo certo, o governo insiste em gastar munição do lado errado.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 26/09

Empresas de máquinas para grandes obras mantêm equipamento parado
Um grupo de dez companhias que importam equipamentos para grandes obras tem hoje quase 50 máquinas paradas em seus pátios, segundo empresários do setor.

Estão entre as maiores do segmento de içamento e transportes, engenharia de fundações e geotecnia, que atende obras como construção de parques eólicos, refinarias e infraestrutura em geral.

"Essas são empresas que fazem importação definitiva de equipamentos novos. Mas estão sofrendo concorrência predatória de outras que fazem importação temporária, e, por isso, têm tributação muito inferior", afirma José Bastazini, consultor de sindicatos do setor.

A admissão temporária de máquinas que são posteriormente alugadas no país está em conformidade com a legislação, segundo Claudia Maluf, sócia do escritório Demarest e Almeida, que trabalha com a modalidade.

"Quem nacionaliza o bem definitivamente paga integralmente os tributos que incidem sobre a importação, como IPI, PIS, imposto de importação, Cofins e ICMS. Quem deixa aqui por poucos anos paga proporcional."

A importação definitiva pode sair até 110% do valor do bem adquirido, segundo Guilherme Bueno, sócio da Emit e da Eleva Brasil, que já praticou admissão temporária.

"Como a carga é muito alta no país, muitas vezes, o temporário pode solucionar. Grandes empresas que tinham a cultura de comprar, imobilizar e depreciar agora estão sofrendo", diz Bueno.

A Saraiva Equipamentos investiu em 25 máquinas na expectativa de atuar em obras do PAC, mas tem agora 40% delas disponíveis, segundo Ricardo Teixeira, diretor.

"O governo sinalizou que deveríamos nos estruturar para os projetos. Treinamos mão de obra e investimos."

Situação semelhante aconteceu no grupo Tomé, de acordo com o diretor Washington Moura.

CORTE NO TREINAMENTO
Investimentos no treinamento de funcionários devem diminuir nos próximos 18 meses, de acordo com levantamento da EIU (Economist Intelligence Unit).

Entre os CEOs entrevistados, 77% disseram que haverá corte nos gastos. Dos diretores financeiros, 49% afirmaram o mesmo. Apenas executivos de recursos humanos falaram em maiores investimentos em qualificação.

A pesquisa, no entanto, também mostra que 43% dos consultados afirmaram que a empresa onde trabalham não conseguiu, recentemente, atingir metas financeiras porque os trabalhadores não foram bem geridos.

Para 40%, a falta de uma boa coordenação dos trabalhadores por parte da direção reduziu a capacidade de inovação. Pouco mais de 35% não conseguiram iniciar um grande projeto. Foram ouvidos 300 executivos.

Nova direção A Page Personnel, empresa de recrutamento, mudará o comando de algumas de suas unidades. Danilo Castro deixa o escritório de São Paulo, que será dirigido por Roberto Picino, e passa a dedicar-se à unidade do Rio.

Destino: Oriente O Tecon Salvador, empresa do Grupo Wilson Sons, importou 82 mil toneladas de cargas em agosto -incremento de 18% em relação à média dos meses anteriores. O maior volume de compras tem origem na China.

FÁBRICA DE CHOCOLATE
A rede Chocolates Brasil Cacau, que pertence ao grupo CRM, vai fechar 2012 como o ano de maior expansão de suas lojas.

Serão 90 unidades neste ano, 60 delas nos próximos meses. Para 2013 estão previstos mais 150 pontos, segundo Renata Vichi, vice-presidente da empresa.

A maior concentração está em São Paulo e no Rio de Janeiro, de onde vem 70% do faturamento da empresa, de acordo com a executiva.

"Temos alguns quiosques, que estão recebendo interesse de franqueados. Alguns chegam a faturar mais que loja física", diz.

"O que define o faturamento não é o tamanho, mas a localização."

O grupo também é dono da marca Kopenhagen que, para este ano, projetou 20 unidades no país.

CONFIANÇA GERMÂNICA
O índice de confiança alemã apresentou ligeira elevação neste mês, de acordo com a consultoria GfK. O indicador elaborado pela empresa vai de -100 a 100 pontos.

A intenção de realizar compras na Alemanha se manteve em 33,1 pontos.

As expectativas em relação à renda, por sua vez, caíram 7,7 pontos, para 23,9.

Segundo a GfK, a pesquisa mostra que o índice não deve cair ao patamar de 2008 e 2009, quando a perspectiva sobre a economia chegou a -30 pontos.

MODA SERTANEJA
O grupo paranaense Wood's, especializado em casas noturnas sertanejas, anuncia hoje investimentos de R$ 15 milhões na abertura de cinco novas casas -três delas fora do Paraná.

A empresa, que já está em São Paulo e em Balneário Camboriú (SC), abrirá filiais em Belo Horizonte, Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT) até o final do ano.

A nova unidade de Curitiba, que está incluída nesse pacote de investimentos, também deverá ser anunciada hoje.

Aperta que vai - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 26/09


As cotações das ações dos bancos despencaram ontem na Bolsa em reflexo ao anúncio feito pela direção do Bradesco, na véspera, de que cortará em mais da metade (de 14,9% ao mês para 6,9% ao mês) os juros cobrados no segmento rotativo dos cartões de crédito.

Esses 6,9% ao mês ainda são escorchantes. Correspondem a juros anuais de 123%, nível que também não tem justificativa técnica.

A decisão do Bradesco foi tomada sob pressão. Primeiramente, seus dirigentes sentiram no cangote o tacão do governo federal. Desde o dia 7 de setembro, a presidente Dilma Rousseff fulminava os bancos com críticas cortantes sobre o nível dos juros praticados no crédito rotativo dos cartões e nos cheques especiais. A retórica foi, depois, transformada em consequência, quando os dois maiores bancos estatais de controle federal - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - anunciaram fortes derrubadas nesses custos ao tomador. Desta vez, foi notável, também, o desentendimento entre Bradesco e Itaú sobre como reagiriam aos apertos federais.

As justificativas do diretor executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, para a decisão tomada pareceram tão inconsistentes quanto as manifestadas anteriormente pelos seus dirigentes quando tentavam justificar os níveis da agiotagem então praticada. Ou eram descabidas antes ou passaram a ser agora.

Sem passar o recibo de que foi forçado a cortar os juros pela ação do governo, sob pena de graves perdas de participação no cobiçado mercado dos cartões de crédito, Noronha se limitou a reconhecer que "os bancos têm de fazer a sua parte e virar a página dos juros de dois dígitos no cartão de crédito". Disse, também, que a elevação da base de clientes e de transações com cartões de crédito e os ganhos de escala se encarregarão de recompor os resultados do banco.

Ontem, o Credit Suisse alertou os acionistas do Bradesco de que o volume de financiamento do cartão de crédito precisaria subir 40% para que o banco tivesse escala suficiente para compensar as perdas de receita que virá com o corte nos juros - como disse Noronha. Como todos os concorrentes também buscarão aumento de escala, parece inevitável que os altos lucros não voltem por aí.

A indústria de cartões está em expansão. Nos últimos cinco anos, cresceu em 85% o número de usuários para os 193 milhões previstos no final de dezembro. Nesse período, o volume de transações financeiras cobertas saltou 111% e seu faturamento, 169%.

Os cartões de crédito prestaram grande serviço ao País e aos bancos. Baixaram a necessidade de suprimento de papel-moeda e o uso de cheques, que exigem processos custosos de manipulação, transporte e compensação. Ampliaram a clientela bancária e automatizaram boa parcela das suas operações de crédito. Enfim, não só ajudaram a modernizar o sistema nacional de pagamentos, mas também a aumentar os negócios dos bancos.

No mais, é nova mostra de que é perda de tempo argumentar com os bancos. Cedem só sob pressão ou quando uma concorrência para valer começa a desmanchar seu jogo oligopolista. Ontem, o Itaú anunciou a redução dos seus juros.

O capital, esse culpado - MARCOS DANTAS


O GLOBO - 26/09

Sim, o capital impulsiona as grandes obras hidrelétricas em construção na bacia amazônica. O capital também impulsiona a invenção, fabricação e venda de computadores, aparelhos de TV, smartphones, ônibus, caminhões, trens, automóveis, geladeiras e os alimentos e bebidas que enchem as geladeiras, remédios, também as novelas, os jogos de futebol, filmes ou livros que preenchem os nossos tempos livres. "Acusar" o capital pelas grandes obras hidrelétricas na Amazônia é mera platitude. A questão a discutir é a de se precisamos delas ou não para continuarmos a viver na civilização em que vivemos.

A expressão "capital", nesse significado que se confunde com "empresa" e, daí, com um certo tipo de pressão política "espúria", identifica um discurso que se pretende de "esquerda". Assumindo esse discurso, é certo que existem empresas poderosas interessadas na construção de Belo Monte.

Com os recursos auferidos, gerarão bons lucros para os seus milionários acionistas. Mas boa parte desses recursos também pagará salários a engenheiros, outros profissionais de nível superior ou médio, milhares de "peões" de obra, milhões de outros trabalhadores em empresas direta ou indiretamente fornecedoras. Esses salários comprarão geladeiras, televisores, alimentos etc., etc., etc. Esses salários, mal ou bem, pagarão estudos de crianças e jovens, e cuidados com a saúde. Esses salários, tanto o do engenheiro quanto o do "peão", também movimentarão contas de FGTS, cadernetas de poupança, contribuições para o INSS, além, claro, de alimentar o voraz "leão". Isto em Altamira, Belém, Imperatriz, São Luís e tantas outras cidades do Norte e Nordeste, mas também, devido a seus efeitos multiplicadores, no Rio, em São Paulo, em todo o país. Belo Monte pode interessar ao capital, mas também muito interessa ao trabalho.

Obras como essas modificam tudo no território à sua volta. É verdade. Atraem novas gentes, num movimento aliás inerente à espécie humana, desde quando ela se originou em um ponto qualquer da África subsahariana. No Brasil mesmo, para não remontarmos a 15 mil anos atrás, nossa história recente seria incompreensível sem as migrações de nordestinos para o Centro-Sul (no meio deles veio um certo Lula da Silva). Os brasileiros agora estão indo para o Norte, um dos nossos últimos territórios ainda quase nada modificados, levados pelo capital que, para onde vai, não sabe viver sem as suas brigas com o trabalho.

Como sempre aconteceu ao longo de toda a história da humanidade, diante de movimentos assim, as populações autóctones ou se adaptam, ou perecem. Sobrevivem aquelas que logram incorporar novos hábitos, e nisto modificando os antigos. Aliás, este tem sido o caminho pelo qual a humanidade, ao não extinguir, logra manter, enriquecer e aprimorar sua diversidade. Que o diga a cultura brasileira, cuja rica variedade resultou de sua mestiça e sincrética herança ameríndia, europeia e africana.

Esta sempre foi a visão da esquerda, aquela mesma esquerda da crítica ao capital, ao menos desde Saint Simon e Marx. De uns tempos para cá, no entanto, quer-se negar esse projeto de progresso civilizatório. Parece novidade. Pós-moderno. Não é.

Não passa de reciclagem da velha utopia primitivista de Rousseau. Mas que, como discurso, interessa, e muito, a outros setores do... capital. Estes que bancam as ONGs, logo também pagam os salários que compram as geladeiras, as TVs de LED, as roupas de shopping, os computadores, os automóveis particulares e o permanente turismo internacional dos seus profissionalizados militantes. Não esquecendo as suas contas de luz.

Novos rumos na economia - ANTONIO CORRÊA DE LACERDA


O ESTADÃO - 26/09

Todos que tomamos decisões que envolvem aspectos fora do nosso controle precisamos estar atentos aos novos sinais e às novas tendências que determinarão os rumos da economia brasileira. Rejeite o chavão de que "nada mudou", assim como os preconceitos, e faça uma análise pragmática. São mudanças às vezes sutis,mas que, tudo indica, vieram para ficar e deverão representar novos desafios e oportunidades.

As transformações em curso nas políticas econômicas brasileiras apontam para um cenário futuro menos desfavorável à atividade produtiva e aos investimentos. Várias ações foram, ou estão sendo, tomadas para um ambiente mais favorável ao valor agregado local. Destaco algumas delas:

Juros: houve redução de cinco pontos na taxa básica Selic nos últimos 12 meses, apontando para um juro real de cerca de 2% ao ano, considerando a expectativa de inflação para os próximos 12 meses.Os juros para o financiamento do BNDES foram reduzidos e há ações em curso para baixar o custo do financiamento privado aos consumidores e às empresas. Essa mudança tem grandes impactos positivos, a começar pela diminuição do custo de financiamento da dívida pública, mas não só. A queda do custo de oportunidade deve favorecer um maior interesse de grandes fundos investidores em diversificar seu portfólio e investir em projetos.

Taxa de câmbio: o real desvalorizou se de R$1,60, em julho de 2011, para um nível ao redor de R$2. O Banco Central (BC) tem envidado esforços para ações visando a evitar a valorização do real. Os juros mais baixos, as intervenções no mercado e o IOF desestimulam o ingresso de capitais voltados para operações de arbitragem, mas os influxos de investimentos estrangeiros diretos e em portfólio já são suficientes para provocar a valorização da nossa moeda. Isso só não está ocorrendo porque o BC tem estado corretamente atento para evitá-la.

Aqui, trata-se de uma mudança de direção importante, pois sinaliza um quadro mais favorável para a produção local, que ganha competitividade relativamente aos produtos importados. Também a exportação de manufaturados é favorecida pelo mesmo motivo.

Elevação de alíquotas de importações: embora não seja desejável, o protecionismo reinante no quadro internacional nos obriga a tomar medidas preventivas. Neste campo, todos os países ficam a dever. No mais das vezes, adotam um discurso liberal, mas são protecionistas na prática. O fato é que quem não se cuidar vai acabar pagando uma parcela maior da conta.

Redução do custo Brasil: aqui, sim, temos ações para melhorada competitividade sistêmica, com impactos mais amplos. Desonerações tributárias e de encargos incidentes sobre a folha de salários favorecem a competitividade dos produtos brasileiros. Nesse campo, outra medida bem-vinda foi o anúncio da redução do custo da energia elétrica.

Concessões públicas: o governo anunciou que ampliará seu programa de concessões na área de infraestrutura, buscando atrair investimentos do setor privado - uma importante ação para viabilizar a eliminação de entraves importantes para o crescimento de longo prazo.

É certo que as medidas citadas, embora na direção correta e revelando importantes quebras de paradigma, ainda são insuficientes para garantir um ambiente isonômico relativamente ao praticado internacionalmente. Mas representam importantes mudanças de rota. É preciso que as transformações em curso não sejam só transitórias, mas perenes, para propiciar um cenário mais favorável à produção e aos investimentos.

Ao contrário de alguns que veem uma deterioração de qualidade da política econômica, os novos rumos apontam para justamente o contrário. O Brasil vem respondendo bem à desordem econômico- financeira que se estabeleceu depois das crises americana e europeia. As transformações domésticas em curso também refletem o cenário de exceção em voga na maior parte do mundo. E, se não as fizéssemos, estaríamos numa situação muito pior do que estamos.

CLAUDIO HUMBERTO

“Juiz que não ouviu o relatório não participa do julgamento”
Teori Zavascki, futuro ministro do STF, sinalizando que não julgará o mensalão


GOVERNO TEME QUE ESPIÃO SEJA LIGADO AO WIKILEAKS

A área da inteligência do governo federal entrou em pânico com a descoberta do roubo de dados supostamente confidencias realizado pelo ex-agente William (o sobrenome é omitido por segurança), que entrou na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) há dois meses e passou a copiar papéis. O temor do governo é que o ex-araponga seja ligado ou pretendesse se ligar ao site WikiLeaks, de Julian Assange.

VAZOU, ACABOU

O general Elito Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional, e a alta arapongagem temem “o fim da Abin” se houver “megavazamento”.

VOLTA À ATIVA

Aumentaram as preocupações do governo: o STF anulou a demissão do agente Nery Kluwe, suspeito de “vazar informações à imprensa”.

NO ATAQUE

Candidato a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita vai adotar tom mais incisivo na reta final da campanha. Atacará Serra e Russomanno.

BEM DISTANTE

Efeito Cachoeira: o tucano Marconi Perillo não deu as caras na campanha do aliado Jovair Arantes (PTB) à Prefeitura de Goiânia. 

DILMA IGNORAVA PERTENCE E ATÉ SUAS INDICAÇÕES

Dilma não dava a mínima para o ex-presidente da Comissão de Ética da Presidência Sepúlveda Pertence. Nem despachavam. Trocaram palavras pela última vez na posse do ministro Carlos Ayres Britto na presidência do STF, em abril. Ela mandou dizer pelo ministro Gilberto Carvalho, o secretário-geral, que os nomes por ele sugeridos, de atuação independente, não seriam reconduzidos. Foi a gota d’água.

ÉTICA SÓ NOS OUTROS

A presidente Dilma se irritou com sugestões dos membros não reconduzidos para demitir um ministro (Carlos Lupi) e advertir outro (Fernando Pimentel).

MÃO NA RODA

O governo liberou R$1,6 milhão para a Advocacia-Geral da União alugar carros zero, no Rio, com seguranças, até setembro de 2013.

ARREPENDIMENTO

O PSC avalia que deu tiro no pé ao apoiar Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, e está doido para aderir a Russomanno (PRB), no 2º turno.

TRÂNSITO EM PAUTA

Dilma citou ontem o esforço para reduzir a violência no trânsito. Acordo com a ONU objetiva reduzir acidentes à metade e tirar o Brasil da condição de 5º país em mortes no trânsito. Foi deflagrada sexta (21) a campanha permanente de conscientização de governos e sociedade.

NEM LIGARAM

Até as emissoras de TV do governo ignoraram o ótimo discurso de Dilma, na abertura da 67ª assembleia-geral da ONU. Só o canal de notícias Band News transmitiu o discurso ao vivo.

ASPONE ESPAÇOSO

Quando a presidente Dilma Rousseff recebeu em Nova York o português Durão Barroso, da Comissão Europeia, o aspone Marco Aurélio ia sentando na cadeira do chanceler Antonio Patriota. Frustrado o ensaio, Top-Top saiu de fininho.

LOBBY AÉREO

Empresas aéreas são contra o projeto que transfere ao poder público, que paga as passagens, os créditos das milhas aéreas. Dizem que o programa de milhas é para “agradar ao passageiro”. Já o contribuinte...

DESCONFIANÇA

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) critica o constrangimento ao qual foi submetido Teori Zavascki em sabatina no Senado, ontem: “A pressa para nomeá-lo gerou suspeitas”.

AGENDA INTERNACIONAL

Mal chegou de Londres e Roma, o vice-presidente da República, Michel Temer, já se prepara para possível viagem à Alemanha. O objetivo é atrair empresários e investidores ao mercado brasileiro.

O IRÃ É AQUI

Virou moda: após a ordem de prisão do presidente do Google Brasil, a Justiça Eleitoral do Estado do Pará proibiu no YouTube um vídeo acusando um candidato a prefeito de Capanema de assassinatos.

SEIS ANOS SÁBADO

O acidente do voo 1907 da GOL faz seis anos no sábado (29), e familiares homenagearão as vítimas às 16h59, hora da tragédia, no memorial erguido no Jardim Botânico, em Brasília.

PERGUNTA NO FLAT

Waldemar Costa Neto agora vai se queixar ao bispo? 

PODER SEM PUDOR

O "MÃO SANTA" DO DF

Ao discursar na inauguração da Clínica da Família em Samambaia (DF), perto de Brasília, o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, fez um agrado no chefe. Disse que os pacientes beneficiados com o mutirão de cirurgias vem dizendo que só aceitam ser operados pelo cirurgião Agnelo Queiroz (PT), o governador que vem sendo escalado semanalmente para ajudar a diminuir a fila nos centros cirúrgicos dos hospitais do DF. Um gaiato aproveitou a deixa e gritou, do meio da plateia, arrancando gargalhadas: 

- É o Mão Santa!

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Hora do mensalão – Supremo só terá novo ministro após eleições
Folha: Dilma ataca os EUA e diz que defesa da indústria é legítima
Estadão: Dilma diz na ONU que ganho com protecionismo é espúrio
Correio: Senadores dão calote e quem vai pagar é você
Valor: Grandes bancos enfrentam desafio do ajuste de contas
Estado de Minas: Amigos, amigos. Negócios à parte
Zero Hora: Avanços na ofensiva pelo juro “civilizado” no cartão de crédito