sexta-feira, setembro 14, 2012

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 14/09


Grandes redes terão 200 novos hotéis em 2015

As principais redes hoteleiras do Brasil devem inaugurar aproximadamente 200 hotéis no país até 2015.

O país passará de 515 para 700 empreendimentos ao final de três anos, de acordo com os cálculos realizados pelo Fohb, entidade que reúne 24 grandes bandeiras.

O patrimônio dos hotéis juntos vai subir dos R$ 13 bilhões, que totalizam atualmente, para R$ 17,5 bilhões no período, de acordo com o levantamento.

"São projetos que abrangem todas as regiões do país. A expansão representa cerca de 30 mil novos quartos, majoritariamente da categoria econômica, seguidos por padrão médio, luxo e resorts", afirma o presidente do Fohb, Roberto Rotter.

Hoje dominante, a categoria de empreendimentos de padrão médio, conhecida como "midscale", vai perder espaço para a econômica, de acordo com o executivo.

O padrão médio atualmente participa com 63% dos hotéis. Em 2015, terá cerca de 50%, segundo o estudo.

"O econômico sobe praticamente esses 13%", afirma Rotter.

A concentração, que hoje está nas regiões Sul e Sudeste, passará para o Norte e o Nordeste.

"Essa área sai de uma participação de 4% para 14%. Basta verificar que há várias cidades sedes na região", diz.

Outros investimentos são responsáveis pelo avanço, segundo ele.

"Não são só as várias cidades sede. Há também os investimentos como os da Vale, o polo tecnológico de Recife, os navios e outros, coisa que no passado não acontecia", afirma.

FRANQUIA NUTRIDA

A rede de lojas de suplementos alimentares SNC (Sports Nutrition Center) deve abrir no próximo ano 45 unidades -quase metade do total que tem hoje.

Para expandir-se pelo país, a empresa vem abrindo franquias em cidades com 100 mil habitantes.

"Em 2008, só íamos para as que tinham pelo menos 500 mil habitantes, isso porque achávamos que o mercado era restrito", afirma Fábio Ramos, dono da rede.

"Em 2010, diminuímos para 300 mil e, desde o ano passado, estamos em lugares ainda menores", acrescenta o empresário.

"Nas cidades pequenas, o consumo é considerável e o aluguel mais barato."

Com essa estratégia,a empresa inaugurou 21 unidades em 2011 e irá fechar 2012 com mais 28 franquias. No total, são 95.

O bom momento econômico que o país viveu até o ano passado e o crescimento forte do segmento de beleza também impulsionaram a expansão da rede, de acordo com Ramos.

A crise europeia, por outro lado, trouxe investidores estrangeiros para a companhia. "Um italiano se mudou para Goiânia e abriu uma loja da SNC", conta o proprietário da rede.

A empresa também negocia franquias com portugueses e chilenos.

US$ 54 BILHÕES

são movimentados anualmente no mundo pelo setor de suplementos

2º maior mercado do segmento no mundo é o brasileiro

95 é o número de franquias da rede

45 lojas devem ser abertas em 2013

AUTOPEÇAS NO VIZINHO

O secretário de Comércio Interno da Argentina, Guilhermo Moreno, irá se reunir na próxima terça-feira com Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

Participam também do encontro 200 empresários -cem da cada país- do setor de autopeças.

O objetivo da reunião é buscar meios de incrementar o comércio bilateral.

Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil vendeu 18% a menos ao país vizinho, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil.

As exportações da Argentina também registraram queda de 6% na comparação com o mesmo período de 2011.

O setor de autopeças e acessórios responde por mais de um terço das exportações brasileiras para o país vizinho. As vendas para a Argentina têm recuado de forma generalizada ao longo deste ano, segundo a Fiesp.

US$ 12 bilhões foram exportados à Argentina nos primeiros oito meses do ano

US$ 14,7 bilhões foram vendidos ao país vizinho no mesmo período de 2011

18% foi a queda nos embarques

CONSUMO DURÁVEL

A aquisição de bens duráveis está em alta na região metropolitana do Rio, segundo a Fecomércio-RJ.

A parcela das famílias que consumiram bens duráveis nos últimos seis meses foi elevada para 54,2%, ante 52,6% no mesmo período do ano passado. Entre os produtos mais adquiridos de todas as categorias estão os televisores (23,7%), os automóveis (13,5%) e as geladeiras (10,1%).

Para os próximos seis meses, 43,8% das famílias dizem que pretendem comprar.

ESPERANÇA AMERICANA

Os americanos estão mais otimistas com os rumos da economia de seu país, segundo a consultoria Ipsos.

Uma pesquisa realizada no início deste mês com 1.002 entrevistados mostrou níveis mais altos de confiança pela primeira vez desde 2008.

Em comparação com julho deste ano, o percentual de pessoas que planeja fazer grandes compras, como carros e imóveis, cresceu.

Aumentou também a confiança na própria capacidade de poupar e realizar investimentos para o futuro em áreas como aposentadoria e educação.

A parcela de entrevistados que não se sente segura com relação ao seu emprego caiu.

41% são os americanos que acreditam que a economia está no rumo certo

18% são os consumidores que se sentem confortáveis para fazer grandes compras

21% se consideram mais capazes de fazer as compras da casa

32% dos entrevistados sentem-se menos inseguros em relação a manter seus empregos

22% dos americanos sentem-se mais capazes de poupar e realizar investimentos para o futuro

Outro lado - SONIA RACY


O ESTADÃO - 14/09

Conforme a lei exige, foi entregue na segunda-feira, ao FGC, um relatório de auditoria encomendado pelos antigos controladores do Banco Cruzeiro do Sul. Feito pelo auditor Cezar Pires, contesta todos os ajustes do Banco Central que levaram à soma de um buraco de R$ 3,1 bilhões.

Pires era homem de confiança de Antonio Carlos de Almeida Braga, do Icatu.

Esta história financeira promete ser longa.

Luzes
Saíram os números de agosto. A receita tributária do Estado de São Paulo cresceu 3%. Um bom número. Entretanto, Andrea Calabi, secretário da Fazenda, não comemora: “Nós fazemos um esforço enorme, e o governo federal tenta bater nossa carteira”.

Do que ele reclama? “Do sistema estapafúrdio da gestão do sistema elétrico, que fez com que a Cesp perdesse R$ 2 bilhões em valor.”

Luzes 2
Por outro lado, conhecido distribuidor de energia era só elogios, ontem, às medidas de Dilma. “Ela vai reduzir o preço das geradoras de R$ 95 para R$ 35 por mw/hora.”

Verde de fome
Parece mentira, mas Kátia Abreu, do PSD, musa da bancada ruralista no Congresso, declarou apoio a um… verde.

Indagado, Marcelo Lelis, candidato do PV que disputa a prefeitura de Tocantins, saiu-se com “não podíamos dispensar o apoio de alguém tão importante como a senadora”.

Arte é boomy
O primeiro dia da ArtRio foi um sucesso, comemoram os organizadores. Um quadro de Beatriz Milhazes (entre outras obras) nem precisou ser ofertado na feira. Motivo? Foi vendido antes.

E a Gagosian calcula que embolsou, anteontem, US$ 5 milhões.

Branco e preto
Contrastavam, na posse de Marta Suplicy, os estilos da nova ministra e de Ana de Hollanda. A primeira, de tailleur, pérolas e cílios postiços; a segunda, sem nem sequer maquiagem.

Preto e branco
No bota-fora, a irmã de Chico deixou o Carpe Diem, em Brasília, quase duas da manhã. Com 30 assessores, secretários e outros, petiscou pastéis de charque, croquetes de carne e jantou filé.

Com três garrafas de champanhe, seis de vinho e chopes.

Decifra-me e…
E Mohammed Mursi, primeiro presidente eleito do Egito, vem ao Brasil. Será recebido por Dilma dia 28, no Planalto.

…te devoro mesmo
Lula visitou Hosni Mubarak (que caiu vítima da Primavera Árabe), mas o gesto nunca havia sido retribuído…

Deixe o carro em casa
Aproveitando o Dia Mundial Sem Carro (sábado, 22), a CET inicia campanha educativa na segunda. Veículos particulares com mais de um ocupante terão preferência em nove faixas reversíveis da cidade. Agentes orientarão os motoristas.


Detalhe: os carros ocupam quase… 80% do espaço viário em SP.

Torre de papel
Marco Aurélio Mello, do STF, recebeu, só na semana passada, 226 novos processos.

Mas garante: está conseguindo conciliar a análise desses casos com as sessões do Supremo e do TSE. “Tem gente que acha que durmo no ponto, tipo motorista de táxi. Ainda bem que não tenho outro tribunal para trabalhar de madrugada”, ironiza.

Eu e mim
Wagner Moura concorrerá com ele mesmo no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Na categoria Melhor Ator, por Vips e O Homem do Futuro.

Em outubro, no Municipal do Rio.

Na frente
Tem Feira da Solidariedade, domingo, no Tatuapé. O evento, segundo Jefferson Baptista, vai angariar fundos para a assistência de 420 famílias carentes e uma casa para dependentes químicos mantidos pelo N. A. Espírita Paz e Amor em Jesus.

Lucas di Grassi participa da estreia da equipe da Audi Sport nas 6 Horas de São Paulo. Amanhã, em Interlagos.

A mostra Pulso Iraniano começa na quarta-feira. No Sesc Vila Mariana.

O grupo Monobloco faz show no Credicard Hall. Hoje.

Lilly e Renata Sarti armam abertura de loja no JK. Hoje.

James Lisboa comanda leilão de arte no Leopolldo dos Jardins. Terça.

Alberto Toron, em campanha pela presidência da OAB-SP, andou… de metrô na hora do rush, terça. Levou 50 minutos da estação Marechal Deodoro até Itaquera. Quem foi de carro demorou duas horas.

O candidato que ocupou o vácuo - MARIA CRISTINA FERNANDES


Valor Econômico - 14/09


Perfilar Celso Russomanno como o candidato dos currais pentecostais ou do voluntarismo populista de longa cepa pode exorcizar o mal-estar da classe média com sua ascensão. Mas não ajuda a entendê-lo.

Acatar a preponderância religiosa na preferência de voto é ceder à explicação, cada vez mais em voga até na esquerda, de que a cartilha lulista para a conquista do eleitorado manda fazer concessões ao obscurantismo das massas e sacrificar o vanguardismo urbano e intelectualizado.

A religião não convence como explicação para a liderança de Russomanno assim como não é suficiente para justificar o declínio de José Serra. Ambos se ombreiam na disputa pelos rebanhos e na preferência das lideranças religiosas mais ativas.

A polarização que Russomanno quebrou nunca existiu

Se o leitor fosse pastor evangélico provavelmente se engraçaria com o candidato que se dispusesse a facilitar os alvarás para templos. Mas se não houver na parada um candidato abertamente favorável a cassar essas licenças, é despropositado imaginar que a questão faça mais a cabeça do eleitor do que o mau atendimento nos postos de saúde ou a limitação de creches.

A influência de pastores sobre a formação do voto é inversamente proporcional à diversificação do mercado de informações de uma campanha. Numa primeira fase os pastores podem até ser a única fonte de informação, mas o horário eleitoral, a cobertura jornalística e as conversas com parentes e amigos acabam confrontando percepções e definindo o voto. Isso pode confinar Russomanno a um terço do eleitorado, mas do segundo turno parece difícil tirá-lo.

A derrota de Serra na eleição presidencial já deveria ter bastado para demonstrar que há um limite à exploração dos currais pentecostais. Não é porque passou poucos anos na escola que o eleitor é incapaz de perceber excessos de pastores e candidatos que exploram a religião para conseguir seu voto. Descrer disso é reeditar o velho bordão de que o brasileiro não sabe votar.

O eleitor vota naquele em quem identifica mais condições para enfrentar os problemas que avalia serem os de seu bairro e de sua cidade. Do Pari a Higienópolis, do Prouni à USP, do shopping Aricanduva ao Cidade Jardim os problemas são diferentes e os eleitores também. Mas a motivação é a mesma.

Se Russomanno, pelo que mostram as pesquisas, consegue o dobro dos votos de seus adversários no eleitorado pentecostal isso talvez se deva menos à bíblia pela qual se reza do que ao fato de esse eleitor não morar em Higienópolis, não frequentar a USP nem o Shopping Cidade Jardim.

O candidato do PRB tampouco quebrou a polarização entre PT e PSDB na cidade porque esta, na verdade, não existe. O fato de os dois polos da política nacional terem se originado e ainda hoje manterem seus principais núcleos em São Paulo gera essa confusão. Mas das seis eleições municipais já disputadas por ambos os partidos o PSDB só foi para o 2º turno uma única vez, quando Serra ganhou em 2004.

O PT participou dos cinco segundos turnos já havidos, ganhando uma vez com Marta Suplicy (2000) e outra em 1988 (Luiza Erundina) quando a eleição era de uma só tacada.

Quem rivaliza e ultrapassa o PT como força eleitoral na cidade é a direita de Paulo Maluf, Celso Pitta e Gilberto Kassab. É desta tradição que Celso Russomanno é herdeiro? Talvez. Mas tradição não enche urna. O que importa para entender Russomanno é saber que vácuo ele preencheu ao surgir e se firmar face ao descrédito geral.

Ao lançar um desconhecido do eleitor e sem o aval de Marta, o PT deixou o flanco aberto para o candidato do PRB ocupar. A persistência de bons índices de Russomanno junto ao eleitorado petista indica que o PT ainda corre atrás do prejuízo.

O lançamento de Haddad, por si só, já confronta a tese de que o que está em jogo é a hegemonia populista. O candidato petista é um dos maiores críticos à tese de que esta foi a opção do PT para sobreviver a Lula.

O tempo que levou para transformar seu discurso em defesa do "transporte modal" na proposta do bilhete único mensal dá conta de seu divórcio com o populismo e explica o terreno ganho por Russomanno no eleitorado de seu partido.

No flanco tucano, foram a desaprovação de Gilberto Kassab e a rejeição de Serra que abriram espaço para o candidato do PRB entrar no condomínio de classe média baixa que um dia foi de Maluf e onde PSDB e PSD passaram a se revezar. Até o mensalão, última esperança tucana, jogou água no moinho do candidato que não toca no assunto. Um quarto de seus eleitores se diz influenciado pelo julgamento.

Russomanno é tratado como produto de uma política que transforma cidadãos em consumidores. Isso pode ser verdade mas é uma bandeira que só adquire feições populistas em suas mãos. Se é Dilma Rousseff que a empunha ao enfrentar operadoras de telefonia e concessionárias de energia é porque a presidente está numa guerra republicana.

Russomanno diminui a política quando trata todos por consumidores, mas esse reducionismo vem lá de trás.

Foi no boom de consumo do Real que o candidato do PRB, depois do sucesso na TV com programas em defesa do consumidor, estreou na Câmara dos Deputados em 1994 pelo PSDB com a maior votação absoluta do país.

Ao longo de quatro mandatos, além de prestar favores e destinar emendas à própria ONG, perseguiu a mesma toada da violência e dos direitos do consumidor.

Russomanno não é um representante da velha direita na base do prende e arrebenta. Na tarde de segunda feira desembarcou no sindicato dos policiais federais para falar de seus planos para a segurança pública.

Franzino, de calça jeans apertada, sapato de bico fino e com um timbre baixo de voz, falou de um curso que havia feito na polícia da Califórnia. Acompanhou um policial que depois de prender um cidadão por engano no meio da rua voltara ao mesmo local e pedira desculpas à comunidade, em nome do Estado, pela prisão do inocente. Disse que era essa polícia que quer para São Paulo.

Ainda não dá para dizer se Russomanno sobreviverá ao contraditório da campanha eleitoral. Mas numa cidade que amanhece de uma chacina ouvindo de seu governador que basta não reagir para sobreviver à polícia, é natural o sucesso que faz.

Ministério da Cultura, Ministério do Vento - LEANDRO NARLOCH


FOLHA DE S. PAULO - 14/09
O caso fictício de um ministério inútil que poderia ser só uma secretaria, mas que serve para financiar viciados em dinheiro público e acomodar políticos


Tanto se acreditava, naquele país, ser dever do Estado encarregar-se de todos os interesses e queixas dos cidadãos que tiveram a ideia de criar o Ministério do Vento.

As correntes de ar eram lá consideradas questão de soberania e identidade nacional. Havia entre políticos e intelectuais uma preferência por ventos do próprio do país e uma ponta de ressentimento contra aqueles vindos de fora. Por isso, decidiram: seriam criadas políticas públicas de fomento a iniciativas eólicas.

A nova ministra assumiu anunciando leis de incentivo e ações de descentralização, mas logo se deparou com um problema fundamental: era impossível incentivar ou mesmo direcionar o vento.

Trata-se, como se sabe, de um fenômeno imprevisível, irrefreável, não dirigível. De repente, um ciclone vindo de longe levava ar quente para cidades inteiras, revirando expectativas dos cidadãos; em outras ocasiões, uma leve corrente ocupava o ambiente aos poucos, se fazendo perceber só depois de ter envolvido os moradores. Novos gêneros eólicos apareciam, enquanto outros deixavam de interessar mesmo com saudosistas se esforçando para resgatá-los.

Apesar desse problema conceitual, o governo precisava acolher as reivindicações de um grupo pequeno mas influente: os empinadores de pipa. Esses profissionais tinham naquela sociedade uma aura especial, como se estivessem num degrau acima do resto da população. Eram eles os mais interessados no Ministério do Vento -o resto dos cidadãos até concordava com o incentivo ao vento nacional, mas preferia mesmo curtir a brisa que bem entendesse.

Para atender a pressão, o governo gastou alguns bilhões com uma rede de tubulações aéreas. O sistema criava uma corrente de ar direcionada e contínua, garantindo que os pipeiros nacionais expressassem as suas virtudes eólicas populares.


Era um aparelho gigantesco e pouco eficiente, mas que deixava satisfeito o lobby dos empinadores. Além disso, o Ministério do Vento servia para acomodar políticos decadentes, como prêmio de consolação por terem sido rejeitados por seus partidos quando queriam concorrer a cargos administrativos de verdade.

Toda essa rede de incentivos, porém, passou a envolver o Ministério do Vento em polêmicas frequentes.

Cada vez mais gente percebeu que o sistema criava dependência e atrapalhava a profissionalização. Como o ambiente natural era inconstante e exigia maiores mostras de habilidade, mais e mais pipeiros passaram a lutar por um espaço no vento estatal.

Pior: de vez em quando a imprensa divulgava que empinadores famosos e com extensas rabiolas entravam com projetos milionários para aproveitar o ar canalizado. O que muita gente achava vergonhoso, afinal aqueles profissionais poderiam facilmente empinar pipas sem a ajuda do Estado.

Mas era difícil, naquele país, ir contra aquela turma. Em sua defesa, havia diversos intelectuais e teorias, segundo as quais era essencial que os empinadores não se submetessem ao vento natural, sob o risco de terem menos liberdade para dar loopings e oitos no ar.

Havia quem pensasse o contrário, que era justamente o ambiente hostil do vento natural que levava à criação de habilidades e movimentos. Para esses, o Ministério do Vento poderia ser reduzido a uma secretaria no ministério da educação: já estaria ótimo se o Estado ensinasse os estudantes a apreciar os gêneros eólicos, a diferenciar alísios, monções, rajadas e redemoinhos e os iniciasse na arte das pipas, pandorgas e papagaios e nas batalhas de cerol. Ao reduzir gastos e impostos, o governo ainda deixaria os cidadãos com tempo e disposição para apreciar brisas e manobras.

Mas é claro que essas pessoas que não davam sua opinião em público. Ai de quem pregasse, naquele estranho país, o fim do Ministério do Vento. Seria alvo de protestos inflamados. E tachado de antipatriótico e neoliberal.

O sangue e a alma - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 14/09


A ministra Cármen Lúcia pontuou ontem a sessão do julgamento do mensalão que tratava de lavagem de dinheiro não apenas com a clareza de seu voto, mas com a definição de que "o dinheiro é para o crime o que o sangue é para a veia: se não circular com volume, não temos como irrigar o esquema".

Como já está definido que em grande parte o dinheiro desse esquema criminoso vem da administração pública, a ministra ressaltou que o que foi montado "é um sistema delituoso e grave, alimentado desta maneira". Alguns votos de ontem, por sinal, já antecipam posições de ministros sobre questões que serão analisadas adiante, como a distribuição de dinheiro a políticos. Cármen Lúcia, em certa altura de seu voto, descreveu que "se teve obtenção de recursos de maneira ilícita e a recolocação e entrega a beneficiários que se colocaram à disposição para se fazer isso".

Já Dias Toffoli admitiu "ser possível efetivar uma correlação lógica entre os recursos desviados com a conivência de Henrique Pizzolato, tanto no que se refere ao bônus como à antecipação das verbas do fundo Visanet, e os empréstimos tomados do Banco Rural" à lavagem de dinheiro pelas agências de Marcos Valério e seus sócios, afirmando que está comprovado "o chamado valerioduto". Mas antecipou uma dúvida: se será provado que esse dinheiro serviu para comprar votos no Congresso. Sua definição provocou reação de Gilmar Mendes: "Só por um reducionismo muito forte poder-se-ia falar em um valerioduto. A rigor, é um sistema muito mais complexo do que isso e envolve a participação de autoridades e agentes públicos." Esse sistema tem alma, exclamou Gilmar.

Outro ponto importante do julgamento foi a tentativa do relator Ricardo Lewandowski e de Dias Toffoli de absolver o advogado Rogério Tolentino do crime de lavagem de dinheiro, sob a alegação de que ele era mero advogado de Valério. Essa desqualificação de Tolentino antecipa posição dos dois ministros com relação a indícios que comprometem o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Tolentino foi quem comprou o apartamento de Maria Ângela da Silva Saragoça, ex-mulher de José Dirceu, a pedido de Marcos Valério, que também foi empregada no banco BMG, por interferência do lobista mineiro. Foi no BMG que Tolentino tomou um empréstimo de R$ 10 milhões, também a pedido de Valério, que, na opinião da maioria do STF, permitiu a lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos através de triangulação bancária com a empresa de Tolentino.

Lewandowski alegou que a questão do empréstimo do BMG não estava sendo tratada no julgamento, só os empréstimos do Banco Rural, por isso não havia nos autos nada que se referisse a Tolentino no item específico de lavagem de dinheiro. "Mais adiante podemos ver se ele é culpado por formação de quadrilha ou corrupção ativa", alegou o revisor. Mas, a começar pelo relator, vários ministros demonstraram que o processo é unitário, não havendo possibilidade de não se analisar alguém por um delito simplesmente porque os detalhes não estão descritos naquela determinada fatia do julgamento.

Ayres Britto, presidente do STF, lembrou que todos os ministros tomaram conhecimento integral do processo e têm informações sobre as conexões de cada um dos réus. E nos autos havia referência explícita ao empréstimo do BMG, entre outros.

A preocupação com a corrupção foi ressaltada no voto de Ayres Britto, que disse que ela leva à "desnaturação do exercício da função pública, a um comércio ultrajante da função pública, e mais do que isso. A corrupção também leva a uma apatia cívica, a um ceticismo cívico, os cidadãos deixam de acreditar na seriedade do poder público".

O decano do STF, Celso de Mello, chamara a atenção em seu voto sobre o montante que o crime organizado movimenta pelo mundo, calculado em US$ 1 trilhão "só em matéria de recursos oriundos do tráfico de entorpecentes". A preocupação, frisou, "é impedir que ela se valha dos agentes da República, que ela penetre no aparelho do Estado, para, a partir dos ganhos colossais, exercer uma gama muito extensa de poder político, em ordem até mesmo de comandar o próprio Estado - o que é terrível e, por isso mesmo, merece toda repulsa. (...) Portanto, a repercussão não é apenas penal, mas na esfera política e constitucional".

Primavera ameaçada - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/09


Morte de embaixador dos EUA na Líbia, em meio a onda de violência, faz temer pela incipiente democracia em alguns países islâmicos



O vídeo "Inocência dos Muçulmanos", que serve de pretexto para uma sucessão de ataques contra alvos americanos em países islâmicos, é de uma sordidez ímpar. Tacanho e intolerante, não representaria mais que uma tentativa canhestra de incitar preconceito contra islamitas -não fosse pelos efeitos mortais que desencadeou.

Ainda é obscura a autoria do filmete de 14 minutos, que desde julho pode ser baixado para visualização em computador. Há indícios, porém, de que teve apoio de militantes cristãos ultraconservadores da Califórnia e da Flórida.

Após ganhar legendas em árabe, difundiu-se pelo mundo. Na data simbólica de 11 de setembro, motivou ataques a representações dos EUA no Egito e na Líbia -neste último foram mortos o embaixador J. Christopher Stevens e mais três americanos, em ação que teria contado com membros da Al Qaeda.

Novos conflitos ocorreram ontem no Egito, no Iêmen e em outros países, com centenas de feridos.

Por odioso que seja o vídeo, sua repercussão e a violência que a acompanhou são desmesuradas. Em países ocidentais, onde o valor da liberdade de expressão se sobrepõe às compreensíveis sensibilidades religiosas, se enquadra na categoria das baixezas que a democracia se condena a tolerar.

Não é assim em nações muçulmanas. Em especial naquelas com pendor ou domínio teocrático, a sacralidade de normas e entidades corânicas precede a própria noção de direitos fundamentais.

Mesmo que se reconheça a justiça da repulsa de fiéis à profanação da figura de Maomé, não há como justificar com ela o assassínio de inocentes -como funcionários sacrificados só por serem americanos- nem como conciliar ideal algum de civilização com tamanho fundamentalismo religioso. Tal é o ponto de fuga em que tende a esvair-se o entendimento entre democracias ocidentais e as versões mais sectárias do islamismo.

Claro está que também se encontram exemplos de fanatismo nos EUA, mas não escaladas de ódio como as que ora se observam em algumas sociedades islâmicas.

Seria lamentável, portanto, se o presidente Barack Obama, em plena campanha pela reeleição, sequer cogitasse usar o ocorrido como desculpa para incursões punitivas, violando a soberania de nações para amealhar simpatia entre eleitores belicistas.

Preocupa, com efeito, que a violência antiamericana tenha eclodido em países pioneiros da Primavera Árabe, como Tunísia, Egito e Líbia. Se recrudescer, pode revelar-se sintoma de que o movimento por democracia cede terreno para facções islâmicas mais afeitas a ditaduras teocráticas como a do Irã.

A HERANÇA DE QUÉRCIA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 14/09

A família de Orestes Quércia, morto em 2010, está em conflito por causa de seu inventário. Os dois filhos mais velhos dele, Sidney e Fernando, pediram na Justiça prestação de contas sobre as empresas do pai. Do outro lado está a inventariante, Alaíde Quércia, mulher e mãe de outros quatro filhos do político.

HERANÇA 2
Quércia deixou uma fortuna oficial de R$ 150 milhões, de acordo com documentações entregues à Justiça depois de sua morte. Entre os próprios herdeiros existe a certeza de que uma perícia poderá fazer o valor ser multiplicado por três depois que os bens forem atualizados.

HERANÇA 3
Quércia deixou 26 empresas, como shoppings, fazendas de café, TVs e rádios espalhadas por todo o Brasil.

NADA A DECLARAR
Fernando Quércia confirma que ele e o irmão entraram com ação pedindo a prestação de contas. Mas afirma que nada pode comentar pois o processo corre em segredo de Justiça. Sérgio Marques da Cruz, advogado de Alaíde, afirma que "até o presente momento, não houve acordo" entre os herdeiros. E também se diz impedido de comentar processos relacionados ao inventário.

CESTO ALHEIO
A pancadaria da campanha de José Serra (PSDB-SP) sobre Fernando Haddad (PT-SP) pode beneficiar o líder nas pesquisas: 45% dos eleitores do petista que ainda podem mudar de voto optariam por Celso Russomanno (PRB-SP), segundo o Datafolha. Só 12% migrariam para o tucano.

PATRIMÔNIO
E Gabriel Chalita (PMDB-SP) diz que não concorda com a avaliação de seus assessores, feita à coluna, de que a aparição de Fernando Henrique Cardoso na campanha do PSDB ajudou a aumentar a rejeição de Serra, de 42% para 46%. "A rejeição do Serra é dele mesmo."

PLANO C
Chalita, por sinal, está bem posicionado entre os eleitores de Serra que ainda podem mudar de voto: 16% migrariam para ele, contra 13% que iriam para Haddad. A maioria, 42%, iria para Celso Russomanno.

VOO LIVRE
Já entre os eleitores de Russomanno que podem migrar, 27% optariam por Haddad, 20% por Serra e 17% por Gabriel Chalita.

SÓ ENTRE NÓS
Russomanno diz que nunca pensou em usar, em sua campanha, as imagens que o padre Marcelo Rossi lhe cedeu da missa que celebraram juntos, em agosto. O próprio religioso já tinha desautorizado publicamente o uso de sua imagem nos programas.

A fita que o padre deu a ele é só uma "lembrança" e está "bem guardada" em sua casa, diz o candidato.

BANCO IMOBILIÁRIO
O vice-presidente Michel Temer e a atriz Maria Fernanda Cândido foram anteontem ao prêmio Master Imobiliário. Heitor Bergamini, diretor da Gerdau, a arquiteta Patricia Anastassiadis e Octavio de Lazari Junior, presidente da Abecip, também estiveram no clube Atlético Monte Líbano.

JANTAR TURBINADO
Emerson Fittipaldi pilotou jantar no começo da semana para comemorar a etapa brasileira do campeonato FIA World Endurance. Foram à sede da Fiesp, na av. Paulista, empresários como Jonas Calson e celebridades como Bruna Lombardi e Hortência.

NEIL, O VELHO JOVEM
A autobiografia de Neil Young, que será publicada nos EUA em 25 de setembro, sai no Brasil até três dias depois, pela Globo Livros.

No livro, o roqueiro canadense escreve: "Estou sem [usar] drogas há sete meses. Ainda sinto fissura. Talvez eu queira uma cerveja, talvez eu queira um baseado. Sempre compus quando estava chapado".

O REGIME DE RONALDO
Ronaldo deve começar o seu regime para participar do quadro "Medida Certa", no "Fantástico", da Globo, na próxima semana. Além de se exercitar, mudará seus hábitos alimentares. A última vez em que ele revelou oficialmente seu peso foi em março de 2011: 105 kg. A emissora não confirma a participação do ex-jogador no quadro do programa.

VINIL
Leo Cavalcanti lança às 21h de hoje o LP do álbum "Religar" com show grátis no auditório Ibirapuera; "Comecei a pensar a música com lado A e lado B", diz ele, que posa com cabeça de leão que usou em videoclipe

CURTO-CIRCUITO
R. Pitta lança o videoclipe de "Metrô" no clube D.Edge, à 0h. 18 anos.

A ceramista Hideko Honma promove amanhã o evento "Sopa na Caneca", em prol da associação Travessia. A partir das 19h.

Karol Conká toca hoje no projeto Cidade Sonora. Na Funarte, às 19h30.

O arquiteto espanhol Fermín Vazquez mostra projeto de um bairro sustentável em Brasília. Hoje, às 16h30, no Fórum Urbanístico Internacional, em SP.

João Brasil, Helen Sancho e Cleycianne serão os DJs na festa do prêmio Multishow, na terça, no Rio. O Sambô fará show no dia.

Lilly e Renata Sarti lançam coleção de verão em sua nova loja no JK Iguatemi. Hoje, das 17h às 22h.

Reféns do fanatismo - MILTON HATOUM


O Estado de S.Paulo - 14/09


É invejável o fervor religioso dos principais candidatos a prefeito de São Paulo. Esses homens pios, indulgentes e generosos causam boa impressão. Juntos, formam uma seleta santidade nesta pecaminosa e desregrada terra Brasilis.

Haja santidade, caros leitores. Haja beija-mão a bispos, pastores, ao clérigo em geral. Um dos candidatos é católico fervoroso e autor de dezenas de livros de autoajuda. Outro tem laços estreitos com uma poderosa igreja neopentecostal. E tudo leva a crer que esse candidato usa o templo e a estrutura dessa igreja. O ideal seria agradar a todos os fiéis num espetacular ato ecumênico. Deus lhes agradeceria, indistintamente. Mas não é bem assim: as disputas inter-religiosas tornam-se cada vez mais acirradas no período pré-eleitoral. Além disso, não há apenas fiéis sob o vasto céu poluído de São Paulo. O que esses candidatos têm a dizer para um número nada desprezível de agnósticos, homens e mulheres que não praticam a fé das três religiões monoteístas nem as dos demais fiéis? O que eles vão dizer aos pecadores sem culpa, que fazem parte de um amplo arco ideológico? Aos libertários e anarquistas radicais, que não são poucos? Como agradar ao mesmo tempo aos milhões de participantes da parada GBTL e aos milhões da Marcha com Jesus? Eis aí um dilema moral. Ou um dilema dos pregadores da moral.

No dia das eleições, será que a maioria do povo vai pensar na devoção religiosa ou nos projetos sociais de cada candidato? Vai pensar em Jesus ou nos princípios éticos e na capacidade administrativa de fulano ou sicrano?

Deus, que em sua infinita piedade é onipresente e onipotente, sabe muito bem como sofrem as paulistanas que moram longe do lugar onde trabalham. São essas mulheres, crentes ou agnósticas, que votam; são elas que não têm onde deixar suas crianças numa creche. Elas e milhões de trabalhadores que, de manhã cedo e no começo da noite, passam horas dentro de um ônibus e de um vagão lotado da CPTM ou do metrô.

A crença ou o sentimento religioso faz parte da esfera íntima de cada pessoa e nada tem a ver com o proselitismo histérico contra o Demônio e suas tentações, ou com curas milagrosas em nome de Jesus. Os candidatos deviam parar com essa romaria bajuladora em busca de votos de fiéis e lembrar que o Estado brasileiro é laico. Deviam esclarecer seus programas e metas, dizer o que é factível em quatro anos de governo municipal, explicar se há recursos para construir creches, escolas, moradias e postos de saúde, melhorar o transporte público e o saneamento básico. Devem expor com clareza um programa de ação para enfrentar os problemas mais sérios da cidade, mas sem demagogia e proselitismo, sem recorrer a promessas delirantes. Prometer o impraticável é golpe baixo. E já se sabe que a promessa vã é a morte do político.

Suaves prestações - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 14/09


Além de uma secretaria no Ministério das Cidades, o pacote de apoio do PP de Paulo Maluf a Fernando Haddad (PT) em São Paulo incluiu a nomeação de Paulo Paiva Gomes da Silva como diretor-executivo da Geap, fundação responsável pelo plano de saúde dos servidores públicos. O PR, que herdará a vaga de Marta Suplicy no Senado, foi agraciado com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, que será ocupada por um aliado do senador Blairo Maggi (MT).

DNA O nome de Gomes da Silva foi avalizado pelo ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) e pelo PP. A Geap é uma fundação multipatrocinada. Ministérios e órgãos federais compõem o conselho deliberativo, responsável por indicar a diretoria-executiva.

Outro lado 1 A ntes da nomeação, o diretor da Geap ocupou a gerência regional da Paraíba, base eleitoral do ministro. Sua assessoria afirmou que ele conhece Ribeiro do ministério e do Estado.

Outro lado 2 O senador Blairo Maggi nega que a escolha de um aliado para posto na Agricultura tenha relação com a eleição paulistana. Afirma que o nome será técnico e que o cargo é uma "homenagem" a Mato Grosso.

Câmera... Cinegrafistas da campanha de Geraldo Júlio (PSB), de Recife, se credenciaram para registrar o almoço do governador Eduardo Campos (PE) com Lula. A ideia é utilizar as imagens no horário eleitoral de TV.

...indiscreta Campos, padrinho de Júlio, pretende usar as gravações como antídoto às acusações de que teria "traído" o ex-presidente, rompendo a aliança com o PT na capital pernambucana.

Indigestão O presidente nacional do PT, Rui Falcão, principal crítico de Campos, avisou aos organizadores do evento que não deverá comparecer. Paulo Frateschi, secretário de organização, representará a cúpula petista.

Prozac A defesa de João Paulo Cunha comemorou o voto da ministra Rosa Weber ontem, absolvendo o petista do crime de lavagem de dinheiro. "Foi auspicioso", disse o advogado Alberto Toron, para quem o placar de 6 a 5 indica chance de êxito em embargos infringentes para tornar a pena mais branda.

Calculadora Caso prospere o cálculo proposto por Cezar Peluso e, no recurso, algum ministro reveja seu voto, o ex-presidente da Câmara cumprirá seis anos em regime semi-aberto por peculato e corrupção passiva. Se punido por lavagem, seriam nove anos, em regime fechado.

Novos... A entrada de Lula na campanha de Nelson Pelegrino, hoje, deve coincidir com a primeira aparição do ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) ao lado de ACM Neto (DEM), que lidera as pesquisas em Salvador.

... baianos A adesão de Imbassahy, que relutou em apoiar Neto porque pretendia ser candidato, foi intermediada pelo senador Aécio Neves, que chancelou o apoio ao DEM na Bahia de olho num acordo para 2014.

Laranja... Assessores do nanico Alfredo Flister (PHS), candidato em Belo Horizonte, foram à reunião sobre o debate da Globo num carro lotado de adesivos de apoio a Márcio Lacerda (PSB).

... mecânica Flister, que apoiaria o prefeito, lançou sua candidatura na última hora e concentra ataques no petista Patrus Ananias.

Piquete Cinco centrais sindicais entregarão a Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) proposta de mesa de negociação coletiva com o governo para discutir a regulamentação das greves de servidores públicos.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Isso equivale a quebrar o sigilo bancário de alguém e mentir o saldo, dizendo que ele tem R$ 1 milhão em conta quando tem R$ 1 mil."

DE FERNANDO HADDAD (PT), sobre exame que atestou que homem entrevistado em seu programa tem de fato catarata, diagnóstico que a prefeitura negou.

contraponto

YouTube

Ausente do show promovido por Caetano Veloso e Chico Buarque para arrecadar fundos para sua campanha, Marcelo Freixo (PSOL-RJ) reclamava da restrição imposta pela Justiça Eleitoral, que enviou funcionários para filmar o espetáculo para evitar propaganda política.

Mesmo morando no bairro do Teatro Casa Grande, o candidato à Prefeitura do Rio manteve distância estratégica. Ante as queixas de Freixo, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) perguntou:

-Quem sabe o TRE, que filmou tudo, não cede a fita para você assistir? Vale a pena tentar o melhor ângulo.

O outro lado do balcão - WILSON FIGUEIREDO

O GLOBO - 14/09


No momento em que o eminente ministro do STF Joaquim Barbosa é citado na imprensa ao expressar dúvidas sobre a utilidade da contratação de empresas de comunicação corporativa e assessoria de imprensa por órgãos públicos, uma análise detalhada das experiências de utilização desse modelo mostra que os governos ganharam agilidade e capacidade de resposta. Principalmente nesta etapa em que a Lei de Acesso à Informação gerou desafios e demandas ao gestor público.

Vale lembrar que a profissão de jornalista passou por muitas transformações. Até os anos 50, editores e repórteres ainda precisavam manter um segundo emprego, normalmente público, para sobreviver. Vieram em seguida a profissionalização, a exigência do diploma, a proliferação dos cursos de Comunicação Social. A partir da década de 90, as empresas de comunicação surgem como uma nova alternativa de trabalho para os profissionais da área.

Depois de meio século de carreira em jornais, também segui essa trajetória. Já aposentado do jornalismo diário, reencontrei numa das maiores empresas do setor o vício renovado da comunicação. Descobri que “do outro do lado do balcão”, como se diz no jargão da profissão, existem múltiplas aplicações para as técnicas jornalísticas.

Ali também se trabalha com informação, a base da atividade do jornalista. As empresas empregam profissionais com formação em comunicação e tornaram-se agências de notícias sobre seus clientes, permanentemente municiando os veículos. A novidade passa agora pelo mesmo tipo de trabalho para as redes sociais, nas quais as consultorias ajudam seus clientes a se relacionar com os internautas.

Iniciei esta nova fase da vida aos 80 anos. Hoje, sete anos depois, arrisco dizer que o trabalho das agências faz diferença no desenvolvimento da comunicação e na construção e proteção da reputação das organizações. Sempre com base no entendimento de que toda instituição tem o direito de avaliar sua imagem pública e de se comunicar com a sociedade para zelar por ela.

O primeiro impulso veio do setor privado. As empresas entenderam a importância de estruturar sua comunicação e fortalecer suas áreas de relacionamento com a imprensa, um dos principais vetores da formação da imagem pública na sociedade contemporânea. Além disso, passaram a usar o apoio de agências para questões como design, publicações, comunicação interna, gestão de redes sociais etc.

O movimento chegou também ao setor público, pressionado pelas demandas de transparência por parte da sociedade. Da mesma forma como ocorreu com a publicidade, os órgãos de governo perceberam a vantagem de complementar o trabalho realizado por suas áreas internas com a contratação de agências de comunicação corporativa.

A tendência já está consolidada aqui e no exterior. E o que era há alguns anos apenas uma boa novidade para um velho homem de imprensa tornou-se um mercado extremamente relevante para as organizações e para os profissionais da área de comunicação.

Os políticos e as "roupas de missa" - VIVIAN WHITEMAN

FOLHA DE S. PAULO - 14/09


UMA IMAGEM de campanha bem-sucedida se apoia sobretudo na harmonia entre cenário e figurino. Nas últimas semanas, candidatos à Prefeitura de São Paulo fizeram o mesmo programa -foram assistir às missas do padre Marcelo Rossi.

O cenário, uma igreja católica, tem seus códigos de vestimenta. Interessante começar com o figurino do anfitrião -não Deus em si, mas o anfitrião humano, neste caso, o padre-, que oscilou entre uma e outra extravagância, na tendência Vaticano.

Para receber José Serra (PSDB), padre Marcelo optou por uma veste branca com capa preta. No peito, uma cruz de malta (símbolo cristão usado na primeira Cruzada) estilizada.

Já Serra lançou mão da camisa social azul -o pretinho básico de qualquer político- e de uma jaqueta casual, estilo pai de família. Por baixo do colarinho, a ponta de uma camiseta branca, sinal de recato, como um vovô.

Já na vez de Gabriel Chalita (PMDB), o padre escolheu uma capa verde.

A decoração é um Jesus carnavalesco, tirando um dos pés do chão e emanando cores. Chalita segue seu uniforme despojado, com jeans, camisa branca e cinto. Combinação funcional que passa uma certa imagem de humildade.

Quando recebeu Celso Russomanno (PRB), o padre inverteu a lógica.

Botou uma veste preta e uma capa acetinada branca, com uma imagem de Jesus típica dos quadros populares. Russomanno foi o mais arrumadinho, o que mais se esforçou para fazer jus à expressão "roupa de missa": usou camisa social e paletó.

Na vez de Fernando Haddad (PT), padre Marcelo faltou e deixou no ar a curiosidade sobre o look que escolheria.

Estava com o dente quebrado, culpa de uma torrada (talvez diet, o padre anda bochechudo), e foi atrás de um implante imediatamente. Um sorriso furado, afinal, estraga mesmo qualquer foto.

Governo pensa em PDV - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 14/09

O governo estuda fazer programa de demissão voluntária para enxugar ao máximo o número de funcionários das sete companhias de docas. Uma das premissas do plano de concessão dos portos é modernizar essas estruturas federais, mas que se tornaram feudos de governadores. O Planalto quer extingui-las ao longo do tempo, substituindo-as por órgãos mais ágeis.

A questão é a dose
Cresce entre os advogados dos réus do mensalão a preocupação com a dosimetria das penas após indicação de que ministros do STF que votaram pela absolvição não irão participar do cálculo das penas. Com essas abstenções, a média de anos de condenação deverá ser alta. Ministros mais rigorosos sinalizam que usarão metodologia severa para o cálculo, como tirar a média entre o tempo mínimo e o tempo máximo da pena, e somar a esse resultado os anos referentes ao tempo mínimo. Advogados citam o caso de João Paulo Cunha, cuja pena pode ir de regime semiaberto a fechado, conforme a dosimetria.

"A legislação não obriga ninguém a fazer o que não quer. As empresas (de energia) têm opção: ou se adequam a ela ou devolvem o patrimônio à União. 
Edison Lobão
Ministro de Minas e Energia

Atualizado
Apesar da discrição e dos 82 anos, José Sarney (PMDB-AP) acompanha com lupa o julgamento do mensalão. Telefona com frequência a advogados dos réus para conversar sobre o tema, com interesse especial no amigo José Dirceu.

Reestruturação
O ministro do Trabalho, Brizola Neto, reivindica para sua pasta reestruturação no plano de carreira dos funcionários. Diz que, assim como na Previdência, na Saúde e na Cultura, a taxa de evasão de servidores chega a 30% devido à falta de perspectiva de crescimento. Brizola Neto afirma que o Planejamento recebeu bem a proposta.

"Approach"
Passada a ressaca das greves, o Planalto vai realizar reuniões com os movimentos sociais que saíram magoados das negociações salariais. De olho em 2014, setores do PT e o ex-presidente Lula defendem uma aproximação.

Advogados em alta
Advogados dos réus do mensalão comemoram efeitos positivos do julgamento: a turbinada nos honorários e a procura de seus serviços pelo empresariado. Subiram instantaneamente os preços para a clientela de Minas Gerais, onde os advogados são mal remunerados. Empresários, tensos com as decisões do STF sobre lavagem de dinheiro, contrataram escritórios por precaução.

O que é isso, companheiro?
Assessores do MEC censuraram matéria da Agência Brasil. Foram advertidos pela ouvidoria da estatal: "Uma das armas não letais de que o Estado pode dispor para controlar a imprensa é a censura. Acusações têm que ser levadas a sério".

O convite
Marta Suplicy teve audiência com a presidente Dilma dia 23 de agosto. Da reunião, saiu apenas que iria entrar na campanha de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Já naquele dia, foi convidada para ministra da Cultura.

GABRIEL CHALITA mandou avisar que está focado na eleição. O PT sinaliza que ele não será ministro mas, se quiser, secretário em eventual governo Haddad.

O que se há de fazer - DORA KRAMER

O ESTADÃO 14/09

Convenhamos, é duro um partido chegar ao auge de sua trajetória política, ocupar a Presidência da República em condições de popularidade nunca antes vistas neste País e, de repente, se deparar com a possibilidade de ver companheiros de jornada na cadeia.

Não como presos políticos, mas como prisioneiros comuns, condenados com base no Código Penal por Corte autônoma em vigência plena das regras democráticas e sistema de transparência total.

Reconheçamos, não é fácil para o PT ver a situação mudar tão radicalmente, indo de dono absoluto da situação, agente de mandos e desmandos, para o canto das cordas.

Fala-se que o ex-presidente Lula está inconformado. Relatam-se encontros para discutir uma forma de sair da enrascada que se desenha cada vez mais enroscada.

De um deles saiu Rui Falcão, presidente do PT, em sua notória falta de sutileza a denunciar o Supremo Tribunal como instrumento da “elite suja” e da “imprensa reacionária”.

Resultado prático nenhum, fora a exposição da medida do pânico e da surpresa com o fato de o Judiciário se empenhar em fazerjustiça. O PT, Lula e companhia estão atarantados, mas assim como aconteceu quando explodiu o escândalo do mensalão, vencido o momento da defensiva, haverá o tempo da ofensiva.

Na época, o talento de Lula aliado à carência de pudor em adotar a tese do caixa 2 propiciou uma volta por cima. No campo político deu certo.

Manipularam-se os fatos, gente com poder de influência na sociedade (não só na esfera da oposição partidária) silenciou e tudo parecia arranjado.

Agora, porém, é diferente. Abola está com os ministros do Supremo, que têm decidido por larga maioria e mediante acompanhamento do público nas sessões transmitidas pela televisão. Resultados, portanto, incontestáveis.

Como será, então, que o PT pensa reagir, se nada de eficaz há para fazer?
Denunciar o “golpe” a cortes internacionais? Sair pelo mundo acusando a Corte Suprema do Brasil de ter condenado corruptos? É de se ver quem estará disposto a aderir a tal combate.

Melhor assim.

Tal como há quem veja retrocesso judicial na condução que o Supremo dá ao julgamento do mensalão, houve quem visse riscos ao Estado de Direito na Lei da Ficha Limpa.

O raciocínio era o mesmo adotado agora por Márcio Thomaz Bastos: o perigo de se instalar uma anarquia institucional da qual amanhã ou depois poderia se servir o “guarda da esquina” para ferir direitos e garantias de qualquer cidadão.

Mas o que se vê nessa primeira eleição em que se aplica a exigência da ficha limpa é todo dia algum candidato renunciar ou ser impugnado pela Justiça Eleitoral.

Sem nenhum abuso e nos conformes da legalidade.

Vários são os casos e diferentes os partidos. João Paulo Cunha, do PT, renunciou à candidatura em Osasco por que mesmo se eleito não tomaria posse devido à condenação por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção.

Severino Cavalcanti, do PP, está impedido de concorrer à reeleição em João Alfredo (PE) porque em 2005 renunciou à presidência da Câmara e ao mandato de deputado para não ser cassado por corrupção.

Celso Giglio, do PSDB, não poderá disputar em Osasco por ter tido suas contas rejeitadas pela Câmara Municipal quando prefeito (2001-2004).

Valdinei Medina e Rosemberg Alves, ambos do PSOL, saíram do páreo para vereador no Rio. O primeiro porque já foi condenado por roubo e o segundo por suspeita de ligação com milícias.

Sem o filtro da ficha limpa esse pessoal poderia tranquilamente concorrer. E pior: se eleger.

Coadjuvante. A ministra Marta Suplicy lista três razões pelas quais a candidatura de Fernando Haddad será vitoriosa: “Lula é Deus, Dilma é bem avaliada e eu tenho o apelo de quem faz”.

Sobre as credenciais do pretendente a prefeito, nem remota menção.

Contra-ataque de Lula e Dilma - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE S. PAULO - 14/09


BRASÍLIA - Lula, o PT, os réus e os advogados, perplexos, vinham aceitando o julgamento do mensalão como quem vai para o matadouro. Isso mudou. Lula convocou a general Dilma Rousseff, rearticulou as tropas e partiu para o contra-ataque no STF e na campanha.

Bastou uma reunião de Lula com José Dirceu, o advogado Márcio Thomaz Bastos e o petista Sigmaringa Seixas para tudo ganhar nova dinâmica -e a "apolítica" Dilma perder velhos pudores e entrar em ação.

De repente, Dilma deu de ombros para as inevitáveis críticas e nomeou Marta Suplicy para a Cultura, dias depois de a senadora rebelde subir nos palanques e reforçar os programas de Fernando Haddad.

A própria presidente desistiu de esperar o segundo turno e mergulhou na campanha de Haddad, mesmo sabendo que os aliados -como o PRB de Russomanno- iriam gritar. E usou o cargo e o governo para avisar ao eleitor paulistano: olhe bem, com Haddad, creches e moradias vão sair... Só com ele?

No Supremo, o revisor Lewandowski absolve os mequetrefes (abrindo caminho para absolver os poderosos?), enquanto Dias Toffoli rasga a fantasia e assume ostensivamente o discurso do PT: o valerioduto foi provado, mas já existia em Minas (com o PSDB) e é diferente do mensalão, "cena de um outro capítulo". Qual?

Dilma indicou para o STF um nome acima de qualquer suspeita (e de qualquer partido): Teori Zavascki, maduro (64), experiente (do STJ) e preferido de Gilmar Mendes e de Nelson Jobim, que, de petistas, não têm nada. No dia seguinte, Zavascki já estava no Senado, articulando a sabatina. No segundo dia, em pleno recesso branco, Renan Calheiros (PMDB) apresentava parecer acolhendo a indicação. Sangria desatada.

Zavascki tornou-se uma incógnita. Ele já disse que não conhece os autos. Para não votar? Ou para pedir vistas? Se pedir, rompe-se o que Lula mais teme: o entrelaçamento eleição-condenação de Dirceu.

Caçadas a Pedrinho- EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/09


Talvez seja até um bom sinal, em país acostumado a dizer que "tudo termina em pizza", a circunstância de que tanta coisa, agora, alcance o Supremo Tribunal Federal.

Constitui evidente exagero, todavia, que a polêmica sobre o livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, necessite da intervenção do STF para ser dirimida.

Ainda não se chegou a acordo definitivo sobre o tema, na audiência de conciliação promovida nesta semana pelo ministro Luiz Fux. De um lado, o Ministério da Educação não concorda em sustar a distribuição da obra nas escolas públicas. De outro, representantes do movimento negro veem racismo em expressões usadas pelo autor quando se refere a Tia Nastácia.

Parece faltar equilíbrio em muitas dessas manifestações. Em primeiro lugar, não se trata propriamente de "censura" ao clássico infantil. "Caçadas de Pedrinho" continua a circular livremente.

Em segundo lugar, há sinais de racismo em vários escritos de Monteiro Lobato. Num trecho de sua obra adulta chegou a referir-se à presença de uma "pretalhada inextinguível" no país. Comparando Nastácia a uma "macaca de carvão", no momento em que a cozinheira sobe às pressas numa árvore, sem dúvida o livro "Caçadas de Pedrinho" desperta conotações racistas -ainda que o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), notável pela agilidade, tenha pelagem aloirada.

O recurso a notas explicativas e materiais auxiliares poderia perfeitamente evitar, se é que existe tal risco, o reforço de uma mentalidade racista entre os alunos. Mais que isso, seria estímulo interessante à discussão do tema.

Para alguns setores do movimento negro, não é suficiente. Com parcela de razão, argumentam que nem sempre os professores da rede pública estão preparados para desenvolver esclarecimentos satisfatórios sobre o assunto.

E sobre vários outros, cabe acrescentar. A lembrança não exclui, entretanto, a comichão censória que tantas vezes acompanha o espírito politicamente correto. Julga-se eliminar o racismo recalcando, e não dissecando, suas manifestações.

A audiência de conciliação registrou, ao que se noticia, alguns avanços, mas ainda se reivindicam "medidas concretas" para que os professores da rede pública sejam devidamente preparados para tratar de "Caçadas de Pedrinho".

Há algo de ridículo nessa insistência, e não há conciliação possível quando uma das partes está mais interessada em manter a discussão para além do que seu âmbito, restrito e pontual, permite.

CLAUDIO HUMBERTO

“O dinheiro é para o crime o que o sangue é para a veia”
Ministra Carmen Lúcia (STF) durante novo voto marcante, no julgamento do mensalão

CULTURA FOI ‘PAGAMENTO À VISTA’ POR APOIO DE MARTA

A posse da senadora Marta Suplicy no cargo de ministra da Cultura representou uma espécie de “pagamento à vista” ou “antecipado” pelo apoio dela ao candidato petista à prefeitura paulistana, Fernando Haddad. É dessa maneira que sua posse tem sido mencionada nos altos escalões do PT. Ela não aceitou negociar espaço na prefeitura somente no caso de Haddad vencer a disputa.

DÁ CÁ, TOMA LÁ

Marta se recusou a negociar cargo no governo Dilma após a eleição municipal. Ou seu ministério saía logo ou não haveria apoio explícito.

CONDIÇÃO

Sob pressão, inclusive de Lula, que vetara sua candidatura a prefeita, Marta impôs a condição do ministério para se engajar na campanha.

À ESPERA

Em conversas com Lula e Dilma, Marta lembrou que virou senadora, em 2010, na perspectiva de disputar a prefeitura ou virar ministra.

CONTA OUTRA...

“Aos 66 anos não posso acreditar em Papai Noel”, disse o ministro Marco Aurélio, sobre Geiza Dias não saber a origem do dinheiro sujo.

VERGONHA: TC-DF AGORA DEFENDE DONOS DE ÔNIBUS

O Tribunal de Contas do DF suspendeu, outra vez, a licitação destinada a mudar o sistema de transporte coletivo de Brasília, um dos mais ordinários do País. O TC-DF exige que o governo “indenize” os “investimentos” dos donos dos ônibus, que há décadas circulam clandestinamente, em vez de fazê-los indenizar o DF pelo histórico de péssimos serviços e tarifas extorsivas. Ganharam tanto que compraram uma empresa aérea (Vasp) e criaram outra (Gol).

PODER ECONÔMICO

Generosos financiadores de campanhas eleitorais, os empresários de transporte coletivo exercem grande poder e influência no DF.

EXIGÊNCIAS DEMAIS...

O procurador do Trabalho Alessandro Miranda recorreu à Justiça contra a licitação para novos ônibus no DF alegando razões curiosas.

...O CIDADÃO DESCONFIA

Miranda quer obrigar o DF a exigir ônibus com equipamentos como ar, câmbio automático e motor traseiro, que só a Volvo pode fornecer.

MINISTRO SIGMARINGA

Admiradores do ex-deputado e jurista Sigmaringa Seixas se mobilizam para que ele venha a ser o ministro do STF na vaga de Carlos Ayres Britto, que se aposentará em novembro.

MINERAÇÃO EM PAUTA

José Fernando Coura, presidente do Ibram, instituto que representa as mineradoras, mobilizou apoio do governo, CNI e Vale na disputa contra o Cazaquistão para sediar, no Brasil, o 24º Congresso Mundial de Mineração. As mineradoras investirão US$ 75 bilhões no Brasil, até 2016.

FALTA CHAMAR PELO NOME

Em comerciais na televisão, o Tribunal Superior Eleitoral ensina que ganha dinheiro sujo quem vende o voto. Deveria avisar também, como autoridade executora da lei, que é crime vender ou comprar voto.

NÃO METE A COLHER

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se recusou a gravar vídeos de apoio ou participar de campanhas no Maranhão. O cacique prefere deixar a tarefa para sua filha, a governadora Roseana Sarney.

QUEDA ESPERADA

Segundo o senador Sérgio de Souza, o PMDB já espera queda de um terço no número de prefeituras comandadas pelo partido no Paraná. A sigla, hoje à frente de 120 prefeituras, lançou apenas 140 candidatos.

CELEIRO DE MINISTROS

Ministros nomeados por Dilma para o Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber e Teori Zavascki estudaram Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, assim como os aposentados Pedro Munoz (falecido em 1991), Paulo Brossard, Nelson Jobim e Ellen Gracie.

UM “ÇÁBIO”

O “soçiólogo” petista Emir Sader mostra o nível de sua “soçiologia” no Twitter: “De procer (sic) do Lula a paladino da moralidade pública, o (ministro) Joaquim Barbosa vai acabar ariano”. Nem pediu desculpas.

DEFINIÇÃO

O senador Benedito de Lira (PP) acredita que “a eleição está definida” a favor de Rui Palmeira em Maceió, mesmo que Ronaldo Lessa tenha a candidatura substituída: “Queremos acabar a festa no primeiro turno”.

NINGUÉM MERECE

Tem verbo novo no Twitter, que para bom entendedor basta: “toffolar”. 

PODER SEM PUDOR

SIMON E SEU ACENTO

Quando chegou ao Senado, em 1974, o senador gaúcho Pedro Simon estreou sob o signo da dúvida: como se deveria pronunciar corretamente o seu sobrenome? A pergunta interessava até às taquígrafas. Logo no primeiro dia, Simon fez um discurso, sublinhando frases com gestos marcantes, teatrais. Atacava duramente a ditadura. Jarbas Passarinho, governista, com ar grave, pediu um aparte.

- Ouço o nobre senador Passarinho - aquiesceu o gaúcho.

- Gostaria que V. Exa. esclarecesse de uma vez por todas: afinal, como devemos chamá-lo? Símon ou Simón? Seu acento é na frente ou atrás?

O plenário caiu na gargalhada. E Simon não respondeu.

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Governo reduz encargo em folha para mais 25 setores

- Folha: Protestos anti-EUA se espalham

- Estadão: Imposto de 25 setores é reduzido e governo estuda mais medidas

- Valor: Fed banca maior liquidez e dá novo ânimo a mercados

- Estado de Minas: Ninguém aguenta mais….

- Brasil econômico: Governo vai mudar Infraero para atrair investimento em aeroporto

quinta-feira, setembro 13, 2012

Procura-se - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/09

O consórcio Invepar, que vai operar Guarulhos, está procurando um sócio estrangeiro que tenha grande experiência de gestão de aeroportos.
Embora integre o consórcio a ACSA, que administra aeroportos na África do Sul, o governo lamentou a ausência de empresas mais experientes nos consórcios que ganharam, em fevereiro, a concessão dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Campinas.

Mortalidade infantil
Relatório que o Unicef divulga hoje é só elogios ao Brasil. Diz que o país teve um dos melhores desempenhos na queda da mortalidade infantil em todo o mundo.
Hoje, segundo números da ONU, a cada mil crianças brasileiras que nascem, 16 morrem antes mesmo de completar 5 anos de idade. Para se ter uma ideia, em 1990, o número era acima de 30.

Ou seja...

A mortalidade na infância no Brasil caiu 73% desde 1990.

Bye, bye Brasil
Ricardo Teixeira, que mora na Flórida desde que deixou a CBF, ainda não pisou no Brasil.

Última forma
A boa gente Regina Casé não adotou um menino.
A atriz, que é inscrita no Cadastro Nacional da Adoção, diz que é uma linda ideia, mas, por enquanto, só tem uma filha, a querida Benedita.

Mão grande
Juliana Paes estava fotografando na Praia de São Conrado, ontem, quando passou um surfista gatuno e, vupt!, roubou o seu iPhone.
A atriz ficou arrasada. Ali estão todos os seus contatos.

PATRIMÔNIO ESQUECIDO
A Zona Oeste do Rio guarda tesouros históricos, que foram protegidos, mas necessitam de atenção do poder público. Um deles é a Fazenda do Viegas, em Senador Camará, tombada pelo Iphan em 1938. Construída em 1725 para ser a sede de uma fazenda de cana-de-açúcar, tornou-se pioneira no cultivo do café em todo o Estado do Rio. A casa rural tem ampla varanda com colunas toscanas de alvenaria, além de uma capela. Consta que D. Pedro II se hospedou lá em suas andanças pela região. Em 1996, a prefeitura do Rio implantou ali o Parque Municipal do Viegas, com acesso pela Rua Marmiari 221. Mas o leitor Ivo Korytowski, autor de um guia sobre o Rio e um apaixonado pelos sítios históricos da cidade, foi lá e descobriu que o local está sujo, malconservado e pichado. Aliás, há anos os moradores reclamam do abandono. O bosque no entorno, que justificou a criação do parque, é impossível ser aproveitado: o clima de insegurança com a favelização da área assusta os frequentadores. A prefeitura bem que poderia retomar a conservação da área e fazer dela mais uma joia carioca.

Melhorar a raça

O historiador carioca Fábio Koifman teve acesso ao arquivo do antigo "Serviço de Visto’,’ que funcionou discretamente entre 1941 e 1945, no antigo Palácio Monroe, no Rio.
O resultado é o livro "Imigrante ideal’,’ a ser lançado pela Editora Civilização Brasileira.

Veja só...
O governo Getúlio Vargas instituiu uma política imigratória seletiva para "melhorar’ a população brasileira.
Segundo Fábio, além de rejeitar judeus, negros, deficientes, o Serviço elegeu portugueses e suecos como "bons imigrantes”

Viva os imigrantes!
Aliás, Dilma Rousseff, filha de búlgaro, indicou um descendente de poloneses, Teori Zavascki, para a vaga de um descendente de italianos, Cezar Peluso, no STF.

Não viu
De Maradona, o ex-craque e ex-técnico da seleção argentina, sobre o empate entre Argentina e Peru, pelas eliminatórias da Copa de 2014:
— Não vejo filme de horror.

Fogueira da vaidade
A quadra da Portela chamava-se Natalino José do Nascimento, o Natal, lendário bicheiro que dirigiu a escola em seus anos dourados. Não se chama mais.
No fim de semana, o Conselho Deliberativo decidiu trocar o nome para... Nilo Figueiredo, o atual presidente da azul e branco.

Só que...
A imensa torcida portelense odiou.

No escuro

A Light cortou ontem a luz da RedeTV no Rio, por falta de pagamento.

Tal pai, tal filha
João Bosco, o grande artista, prepara uma surpresa para o público do Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto, a cidade mineira onde, há 40 anos, iniciou a carreira.
Amanhã, vai chamar ao palco a cantora Julia Bosco, sua filha, que este ano lançou seu primeiro álbum, "Tempo”

Cobrança ilegal
A juíza Márcia Cunha Silva Araújo de Carvalho, da 2? Vara Empresarial do Rio, concedeu liminar proibindo a Fetranspor de cobrar R$ 1 pelo cartão do bilhete único.
Se descumprir, terá que pagar multa diária de R$ 5 mil.

Espaço cultural
O restaurante Albamar, que funciona no que restou do antigo Mercado Municipal da Praça Quinze, foi autorizado a captar cerca de R$ 1,8 milhão pela Lei Rouanet para se transformar num espaço cultural.

Por falar em Lei Rouanet...
A produtora Bons Tempos prepara o CD e DVD "O mundo de Aldir Blanc” Será gravado com show ao vivo e a preços populares, no Rio. Terá a participação de 18 intérpretes. O MinC a autorizou a arrecadar R$ 1.541.200.