terça-feira, maio 01, 2012
Bem-estar e o bem-fazer - ILAN GOLDFAJN
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
Conhecem a piada do "bem-estar em uma palavra"? Pediram a um economista que descrevesse a situação do seu país em apenas uma palavra. Respondeu, simplesmente: "Bem". E se for descrever em, no máximo, três palavras? "Não tão bem".
Lembrei-me dessa piada estes dias. Perguntei ao famoso economista Amartya Sen, em visita ao Brasil, como reavaliava o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), décadas após tê-lo criado. Respondeu que entende hoje esse índice como um convite a reflexão mais profunda sobre o bem-estar das nações: seria a porta de entrada para que pensemos na economia para além das medidas de consumo ou PIB.
Passo boa parte do meu tempo pensando em como mensurar o que está acontecendo na economia. Parto da avaliação de que a mensuração correta é o caminho mais direto para o diagnóstico preciso, que é a matéria-prima para decisões fundamentadas (por exemplo, de políticas governamentais).
Há evidências de que as medidas tradicionais de desempenho econômico, como PIB e consumo, não necessariamente refletem a evolução do bem-estar da sociedade. Uma economia pode ter seu PIB, sua renda e seu consumo crescendo bem, mas sem o equivalente progresso em termos de bem-estar, medido, por exemplo, pela educação, saúde e desigualdade de renda da sociedade. O processo de desenvolvimento pode gerar elevação da desigualdade, da poluição, da jornada de trabalho, da criminalidade, etc.
De fato, não se encontra evidência clara de uma relação entre crescimento do produto per capita e aumento da felicidade (ou do bem-estar) medido por pesquisas de opinião (veja sumário em Will GDP Growth Increase Happinness in Developing Countries?, Texto para Discussão IZA, n.º 5.595, março 2011, Andrew E. Clark e Claudia Senik). Os resultados mostram que ao longo do tempo, num mesmo país, os dados não comprovam que pessoas que enriquecem ficam mais felizes. Apesar de existir, sim, uma tendência de os habitantes de países mais ricos serem mais felizes.
O IDH, criado em 1990, para vários países, tenta contribuir para a compreensão da economia, por meio de uma simples medida, que leva em conta esses fatores adicionais de bem-estar. O mesmo pode se dizer do recém-criado Índice Itaú de Bem-Estar Social, que, adaptando o IDH ao Brasil, utiliza vários indicadores importantes - saúde, saneamento, educação, segurança, desigualdade social, entre outros - para medir de forma mais ampla e precisa a evolução do bem-estar no País desde 1992 (veja trabalho de Caio Megale em http://bit.ly/itau_bemestar). Os fatos estilizados que saem desse índice podem ser matéria-prima para futuros estudos.
O Brasil vem experimentando uma taxa de crescimento historicamente mais alta nos últimos anos. Mas será que o crescimento maior se tem traduzido em ganhos de qualidade de vida para a população?
Os resultados mostram que, em muitas ocasiões, a evolução do bem-estar não necessariamente acompanhou a variação do PIB no Brasil. Por exemplo, a perda de bem-estar antes do Plano Real e o ganho imediatamente posterior não foram captados na mesma magnitude pela variação do PIB. Só após 2002 tanto o PIB quanto o índice de bem-estar cresceram a taxas parecidas. Mas a partir de 2008 a evolução do PIB superestima o ganho de bem-estar.
De uma forma geral, houve um avanço importante da qualidade de vida nos últimos 20 anos no País. Mesmo sem necessariamente acarretar maior bem-estar, o crescimento econômico permitiu que fosse ampliado o acesso da população a melhores condições de vida. No entanto, para o futuro, qual o melhor caminho para a continuidade do desenvolvimento?
Vai depender da capacidade da sociedade de alongar seu horizonte e pensar em políticas que gerem resultados no médio e no longo prazos (em vez de no curto prazo). Nesse horizonte, os resultados dependem mais da capacidade de 1) ampliar o conhecimento, por meio da educação; 2) estimular os investimentos via segurança e incentivos de mercado adequados; 3) criar condições para inovação e geração de ganhos de produtividade, removendo obstáculos aos negócios; e 4) recuperar a capacidade de investimento do Estado para ajudar a suprir as lacunas existentes na infraestrutura.
Estimular apenas o consumo, por exemplo, não é uma solução para o longo prazo. A ideia de estimular a economia para sair da recessão - importante contribuição do legendário economista John Maynard Keynes, após a Grande Depressão dos anos 1930 - não leva necessariamente ao desenvolvimento e melhora sustentável do bem-estar ao longo do tempo. Em entrevista recente (revista Veja, 2/5) aqui, no Brasil, Amartya Sen comentou: "Os keynesianos erram ao pensar que o mero estímulo à demanda vai resolver todos os problemas econômicos. Keynes tem relevância apenas quando estamos lidando com uma recessão. Mas ele diz muito pouco sobre o papel do governo como propulsor do desenvolvimento".
Nas últimas décadas, a economia brasileira cresceu com melhora na distribuição de renda. Tudo isso foi consequência da estabilidade (queda da inflação, risco Brasil), de instituições mais sólidas e de um contexto internacional favorável. Resultou numa "nova classe média" - a incorporação de milhões de brasileiros à classe C - e num crescimento acelerado do consumo. Resultou, também, em melhora considerável do bem-estar da população.
Para a frente o bem-estar vai depender do "bem-fazer", ou seja, da capacidade de "fazer" mais e melhor. Não basta consumir mais. Será crucial estimular mais investimento (público e privado) e melhora na produtividade. Só assim será possível manter a trajetória de crescimento da economia e a melhora do bem-estar da população que experimentamos nos últimos anos.
Novos tempos - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 01/05/12
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à "Folha", faz uma análise da dimensão da corrupção no Brasil que vai além da mera crítica política. Ele avalia que houve mudanças estruturais no antigo fenômeno, que já não pode ser considerado apenas como "mais do mesmo", com a agregação de "dimensões funcionais novas".
Na análise mais do sociólogo que do político, "com o capitalismo enorme no Brasil e o governo interferente, passam a existir muitas possibilidades de negócios".
O clientelismo, uma face da antiga prática, continua em vigor, mas a facilitação de negócios ganharia uma dimensão mais ampla.
De bom humor, ele diz que seu governo representa "a pré-história desse capitalismo", e que por isso acha que o grau de corrupção aumentou de lá para cá.
Fernando Henrique diz, por exemplo, que quando governou ainda havia condições de controlar as nomeações para cargos importantes, ou até mesmo ministérios, que não eram dados com "porteira fechada" para nenhum partido.
Noto que a presidente Dilma Rousseff está tentando retomar essa prática, embora ainda seja refém do loteamento partidário do Ministério.
A nomeação ontem do deputado Brizola Neto é um exemplo dessa prática, independentemente de juízos de valor sobre a capacidade do deputado de exercer o cargo.
O fato de ele estar encontrando resistências dentro de seu próprio partido mostra que Dilma está querendo nomear pessoas de sua confiança mesmo quando não pode deixar de dar o ministério para este ou aquele partido. Foi assim com o PR no Ministério dos Transportes.
O historiador Boris Fausto já havia feito uma análise na mesma direção em palestra na Academia Brasileira de Letras que registrei aqui na coluna, atribuindo a decadência que estamos vivenciando na questão ética a circunstâncias históricas do desenvolvimento do país, como o crescimento avassalador do capitalismo de Estado, fazendo surgir uma nova classe dirigente que mistura o poder sindicalista emergente, dominando os fundos de pensão das estatais, e as megaempresas multinacionais.
E a consequente possibilidade de ganhar muito dinheiro também com a prevalência, a exemplo do que ocorre no mundo globalizado, do sistema financeiro.
Talvez seja essa globalização da corrupção que torne mais frequente entre nós relatos de jatinhos particulares cruzando os céus do mundo com nossos governantes e parlamentares a bordo, por cortesia de empresários amigos, ou imagens como as que estamos vendo do governador do Rio, Sérgio Cabral, e vários de seus secretários se regalando com mordomias em Paris e outros locais luxuosos da Europa.
O restaurante francês La Tour D"Argent, por sinal, onde o secretário de Governo Wilson Carlos aparece jantando com o empreiteiro Fernando Cavendish, parece ser um dos preferidos dos burgueses do dinheiro alheio, na frase certeira de Reinaldo Azevedo.
A coluna de Ancelmo Gois no GLOBO já havia publicado uma foto do senador Demóstenes Torres jantando no Tour D"Argent antes mesmo de ele ter sido desmascarado.
Agora, o inquérito da Operação Monte Carlo revela que em agosto de 2011 um assessor de Cachoeira de nome Gleyb Ferreira da Cruz comprou cinco garrafas do vinho Cheval Blanc, safra 1947, considerada uma das melhores de todos os tempos, por até US$ 2.950 a unidade para presentear o senador.
Todo esse luxo tem evidentemente seu preço, e é isso que a CPI tem de investigar. A não ser que queiram melar a CPI desde o início - e talvez esse seja um objetivo mesmo -, não creio que seja possível aos governistas evitar a convocação de Cavendish na CPI do Cachoeira, mesmo que a disposição seja limitar as investigações às atividades da Delta no Centro-Oeste, cujo ex-diretor já está preso.
Uma vez convocado, ele terá de responder a perguntas que serão bem mais abrangentes do que gostariam os governistas, e será inevitável a convocação do governador Sérgio Cabral e dos responsáveis pelo PAC para explicarem as responsabilidades de cada um nas contratações da empreiteira, muitas vezes sem licitação.
As relações de Cachoeira com a Delta já estão plenamente demonstradas nos diálogos gravados pela Polícia Federal, a ponto de haver a suspeita de que na verdade Cachoeira era um sócio oculto da Delta, ou até mesmo seu verdadeiro proprietário, acobertado por Cavendish.
Assim como será difícil aos partidos protegerem seus filiados, sejam governadores ou deputados e senadores. As primeiras convocações devem ser as do senador Demóstenes Torres, do empreiteiro Fernando Cavendish e dos dois governadores mais envolvidos com Cachoeira, Agnelo Queiroz, de Brasília, e Marconi Perillo, de Goiás.
A partir delas, as investigações se espalharão a outros setores, e não creio que a maioria governista tenha condições de delimitar a ação da CPI para proteger alguns de seus aliados.
Não por falta de número para tal, mas por falta de ambiente político para manobra tão vergonhosa.
Creio que o país já vive um clima de exigência moral bem mais elevada do que normalmente acontece, por conta das seguidas revelações que vêm sendo feitas pelos sucessivos vazamentos de informações do processo.
O trabalho de inteligência da Polícia Federal foi feito com bastante apuro e nada ficou de fora, inclusive a ação de policiais em favor do bicheiro, tudo filmado e fotografado.
Interessante como as armas que Carlinhos Cachoeira e seus comparsas usavam para chantagear voltaram-se contra eles, com todas as conversas gravadas, apesar da tentativa de usar telefones registrados em Miami para fugir dos grampos.
E esse clima de cobrança da sociedade deve aumentar quando o Supremo Tribunal Federal começar a julgar o mensalão, com previsão para junho.
O cruzamento da CPI com o julgamento deve produzir um ambiente político no país que, em vez de conseguir melar o mensalão, deve disseminar a sensação de que a impunidade é uma das principais causas da repetição dos escândalos de corrupção na política brasileira.
Retratos comparados - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 01/05/12
A crise custou ao mundo 50 milhões de empregos, o Brasil aumentou o nível de emprego, de formalização, e retirou pessoas da pobreza durante esse período difícil. É o que fez a OIT dizer que a “resiliência do Brasil tem sido impressionante”. O país sabe bem o que falta fazer: quase 40% dos trabalhadores estão fora do mercado formal; há ainda trabalho infantil e trabalho degradante.
Quando um país não está em crise é que se pode melhorar mais, por isso, este é o momento para avaliar as condições de trabalho, em geral, ver o que tem mantido percentual tão alto de informalidade, e entender a persistência, por exemplo, no rico agronegócio brasileiro, de empresas na lista suja do trabalho escravo. No primeiro de maio em que o nosso retrato do mercado de trabalho aparece bem nas análises da OIT — quando comparado aos outros — é que temos que nos esforçar para avançar mais.
Em época de crise é mais difícil, como bem sabe a Europa, onde as taxas de desemprego aumentaram em dois terços dos países, e, em alguns, de forma alarmante. Depois de quatro anos de crise, começa a crescer o desemprego estrutural. Países como a Espanha, onde de cada dois jovens um está desempregado, estão em séria encrenca.
Os países e as famílias investiram na formação de jovens, que agora, na hora de serem colhidos pelo mercado de trabalho, são barrados. Isso leva a desalento, conflitos, migração para outros países e reduz o dinamismo da economia. O cálculo é que só com os 375 mil espanhóis que já perderam o emprego este ano o país deixará de arrecadar 1 bilhão.
A OIT disse que os países que estão em crise, especialmente os da Europa, estão prisioneiros da armadilha da austeridade: os governos cortam gastos e constroem, com novos cortes, uma trajetória de queda dos déficits e das dívidas. Ao fazerem isso, reduzem o ritmo de crescimento da economia ou produzem recessões. Isso diminui mais ainda a arrecadação e eleva o déficit, em vez de reduzir.
A armadilha é esta, todos sabem. O problema é como sair dela. Elevar o gasto público simplesmente fará a economia cair em outra armadilha. O governo aumenta o gasto e isso eleva o risco de o país ter dívida e déficit crescentes. Isso afasta os financiadores ou obriga o governo a pagar mais nas rolagens dos seus títulos. Quanto maior o déficit, maior a percepção de risco, maiores os juros cobrados, e maior o déficit.
Então alguns dos países da Europa estão entre a armadilha da austeridade e a armadilha da elevação do risco. O final é sempre o aprofundamento da crise. Não é trivial sair desse verdadeiro dilema do prisioneiro: expressão usada para definir situações quando só há opções difíceis.
A conjuntura exige mais dos governos na busca de soluções. Não bastará escolher entre o corte indiscriminado de gastos, que deprime a economia, ou a elevação insensata de gastos, que eleva a percepção de risco.
É dentro desse contexto que os governos europeus começam a costurar, para a reunião de cúpula de junho, o pacto pelo crescimento. A ideia é criar um fundo, gerido pelo Banco Europeu de Desenvolvimento, que invista para destravar os investimentos privados. A ideia por trás do plano é que há trilhões de potencial de investimento privado que não são feitos por causa do ambiente de falta de confiança produzido pela crise. O fundo se destinaria a estimular esses investimentos.
A conjuntura é complexa, e a crise, de longa duração. Diante disso, o Brasil precisa fortalecer os fatores que o levaram a ter “resiliência”. A arrecadação está subindo, é possível reduzir o déficit ainda mais para fortalecer a confiança na solidez da economia brasileira. O mercado de trabalho está demandando mais e mais trabalhadores e por isso é preciso encontrar formas de reduzir o desemprego de jovens, que tem oscilado entre 13% e 14% nos últimos anos para a faixa dos 18 a 24 anos.
Só para ficar claro o conceito: quando se fala de desemprego nesta faixa etária não está se contando os que estão dedicados ao estudo e deixaram para mais tarde o ato de procurar emprego. Entra na estatística como desempregado apenas quem procura e não consegue vaga.
Esta é a hora de se fazer um esforço pelo trabalho decente, que combata todas as formas de trabalho degradante ou análogo à escravidão, o trabalho infantil, a informalidade e as desigualdades no emprego como as que sofrem mulheres e negros. Nas crises, todas essas perversidades pioram. Nos bons momentos é que é preciso combatê-las porque assim cria-se o círculo virtuoso: a melhoria de renda, o trabalhador mais protegido, a redução das desigualdades, o aproveitamento de todos os talentos levarão a uma economia ainda mais robusta.
Por enquanto, as iniciativas para reduzir o custo que pesa sobre a empresa que cria empregos são restritas a alguns setores industriais. Não há estímulo a que a empresa empregue mais jovens que não têm experiência. Não há qualificação suficiente. Há muito o que pode ser feito.
Seria um erro ler os relatórios nos quais estamos muito melhores que outros países e achar que não há nada mais a fazer. O mercado de trabalho do Brasil melhorou, mesmo durante a crise, mas o que torna a comparação mais favorável a nós é que eles pioraram muito.Brasília – No pronunciamento transmitido em rede de rádio e televisão para comemorar ao Dia do Trabalho, a presidente Dilma Rousseff cobrou dos bancos privados mais esforços para reduzir as taxas de juros cobradas em empréstimos, cartões de crédito e no cheque especial. E aconselhou o brasileiro a procurar os bancos que ofereçam as taxas mais baixas. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável”, disse Dilma no discurso veiculado ontem à noite.
A crise custou ao mundo 50 milhões de empregos, o Brasil aumentou o nível de emprego, de formalização, e retirou pessoas da pobreza durante esse período difícil. É o que fez a OIT dizer que a “resiliência do Brasil tem sido impressionante”. O país sabe bem o que falta fazer: quase 40% dos trabalhadores estão fora do mercado formal; há ainda trabalho infantil e trabalho degradante.
Quando um país não está em crise é que se pode melhorar mais, por isso, este é o momento para avaliar as condições de trabalho, em geral, ver o que tem mantido percentual tão alto de informalidade, e entender a persistência, por exemplo, no rico agronegócio brasileiro, de empresas na lista suja do trabalho escravo. No primeiro de maio em que o nosso retrato do mercado de trabalho aparece bem nas análises da OIT — quando comparado aos outros — é que temos que nos esforçar para avançar mais.
Em época de crise é mais difícil, como bem sabe a Europa, onde as taxas de desemprego aumentaram em dois terços dos países, e, em alguns, de forma alarmante. Depois de quatro anos de crise, começa a crescer o desemprego estrutural. Países como a Espanha, onde de cada dois jovens um está desempregado, estão em séria encrenca.
Os países e as famílias investiram na formação de jovens, que agora, na hora de serem colhidos pelo mercado de trabalho, são barrados. Isso leva a desalento, conflitos, migração para outros países e reduz o dinamismo da economia. O cálculo é que só com os 375 mil espanhóis que já perderam o emprego este ano o país deixará de arrecadar 1 bilhão.
A OIT disse que os países que estão em crise, especialmente os da Europa, estão prisioneiros da armadilha da austeridade: os governos cortam gastos e constroem, com novos cortes, uma trajetória de queda dos déficits e das dívidas. Ao fazerem isso, reduzem o ritmo de crescimento da economia ou produzem recessões. Isso diminui mais ainda a arrecadação e eleva o déficit, em vez de reduzir.
A armadilha é esta, todos sabem. O problema é como sair dela. Elevar o gasto público simplesmente fará a economia cair em outra armadilha. O governo aumenta o gasto e isso eleva o risco de o país ter dívida e déficit crescentes. Isso afasta os financiadores ou obriga o governo a pagar mais nas rolagens dos seus títulos. Quanto maior o déficit, maior a percepção de risco, maiores os juros cobrados, e maior o déficit.
Então alguns dos países da Europa estão entre a armadilha da austeridade e a armadilha da elevação do risco. O final é sempre o aprofundamento da crise. Não é trivial sair desse verdadeiro dilema do prisioneiro: expressão usada para definir situações quando só há opções difíceis.
A conjuntura exige mais dos governos na busca de soluções. Não bastará escolher entre o corte indiscriminado de gastos, que deprime a economia, ou a elevação insensata de gastos, que eleva a percepção de risco.
É dentro desse contexto que os governos europeus começam a costurar, para a reunião de cúpula de junho, o pacto pelo crescimento. A ideia é criar um fundo, gerido pelo Banco Europeu de Desenvolvimento, que invista para destravar os investimentos privados. A ideia por trás do plano é que há trilhões de potencial de investimento privado que não são feitos por causa do ambiente de falta de confiança produzido pela crise. O fundo se destinaria a estimular esses investimentos.
A conjuntura é complexa, e a crise, de longa duração. Diante disso, o Brasil precisa fortalecer os fatores que o levaram a ter “resiliência”. A arrecadação está subindo, é possível reduzir o déficit ainda mais para fortalecer a confiança na solidez da economia brasileira. O mercado de trabalho está demandando mais e mais trabalhadores e por isso é preciso encontrar formas de reduzir o desemprego de jovens, que tem oscilado entre 13% e 14% nos últimos anos para a faixa dos 18 a 24 anos.
Só para ficar claro o conceito: quando se fala de desemprego nesta faixa etária não está se contando os que estão dedicados ao estudo e deixaram para mais tarde o ato de procurar emprego. Entra na estatística como desempregado apenas quem procura e não consegue vaga.
Esta é a hora de se fazer um esforço pelo trabalho decente, que combata todas as formas de trabalho degradante ou análogo à escravidão, o trabalho infantil, a informalidade e as desigualdades no emprego como as que sofrem mulheres e negros. Nas crises, todas essas perversidades pioram. Nos bons momentos é que é preciso combatê-las porque assim cria-se o círculo virtuoso: a melhoria de renda, o trabalhador mais protegido, a redução das desigualdades, o aproveitamento de todos os talentos levarão a uma economia ainda mais robusta.
Por enquanto, as iniciativas para reduzir o custo que pesa sobre a empresa que cria empregos são restritas a alguns setores industriais. Não há estímulo a que a empresa empregue mais jovens que não têm experiência. Não há qualificação suficiente. Há muito o que pode ser feito.
Seria um erro ler os relatórios nos quais estamos muito melhores que outros países e achar que não há nada mais a fazer. O mercado de trabalho do Brasil melhorou, mesmo durante a crise, mas o que torna a comparação mais favorável a nós é que eles pioraram muito.Brasília – No pronunciamento transmitido em rede de rádio e televisão para comemorar ao Dia do Trabalho, a presidente Dilma Rousseff cobrou dos bancos privados mais esforços para reduzir as taxas de juros cobradas em empréstimos, cartões de crédito e no cheque especial. E aconselhou o brasileiro a procurar os bancos que ofereçam as taxas mais baixas. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável”, disse Dilma no discurso veiculado ontem à noite.
Otimismo do governo - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
Seria bom, muito bom mesmo, para o Brasil e para os brasileiros, que, até o fim de 2012, tudo acontecesse de acordo com o que o Ministério da Fazenda está prevendo e acaba de tornar público com a divulgação do documento Economia Brasileira em Perspectiva. A combinação de dois dos mais relevantes indicadores econômicos, o PIB e a inflação, seria, neste ano, a melhor pelo menos desde 2007, ou seja, antes do início da crise global. Em 2012, segundo o Ministério da Fazenda, o PIB deve crescer 4,5%, bem mais do que o resultado de 2011 (crescimento de 2,7%), e a inflação ficará em 4,4%, abaixo do centro da meta inflacionária (de 4,5%). Em 2007, o PIB cresceu 6,1% e a inflação foi de 4,5%.
Um desempenho como o previsto pelo governo certamente causaria inveja num mundo ainda abalado pela crise na Europa, pelas dificuldades da economia americana para voltar a crescer de maneira sustentável, pela desaceleração da economia chinesa e pelos notórios problemas da economia japonesa. Tomara que a previsão do Ministério da Fazenda se confirme. É prudente, no entanto, examinar com atenção essas projeções e indagar se elas são alcançáveis.
A inflação voltou a ser pressionada por fatores que pareciam ter perdido força nas últimas semanas, como os preços dos serviços, que devem continuar a impulsionar os principais índices, pois muitos têm relação direta com a renda - que mantém o crescimento - e a situação do mercado de trabalho - que é boa.
Nos próximos meses, novas fontes de pressão podem surgir, quando os estímulos concedidos nos últimos tempos pelo governo e a redução da taxa básica de juros (Selic) e dos juros cobrados pelos bancos começarem a surtir os efeitos esperados. Mesmo assim, o Ministério da Fazenda reduziu sua previsão de inflação para 2012, que era de 4,7% na versão anterior de sua Economia Brasileira em Perspectiva, de fevereiro.
O crescimento do PIB, por sua vez, se confirmada a previsão para este ano, só será menor do que o de 2007, 2008 e 2010. Se as medidas fiscais e o afrouxamento da política monetária produzirem os resultados pretendidos pelo governo sobre a atividade econômica, é provável que os últimos meses do ano registrem desempenho melhor do que o dos primeiros. Essa recuperação deverá se manter e até se intensificar nos anos seguintes, pois, para 2013, o Ministério da Fazenda prevê crescimento de 5,5% e, para 2014, de 6,0%.
A despeito da possível melhora no terceiro ou no quarto trimestre, porém, mesmo dentro do governo há quem considere provável que, em 2012, o crescimento do PIB fique mais próximo de 4%.
Embora tenha sido revista para menos em relação à projeção feita em fevereiro, de 20,8% para 20,4% do PIB, a formação bruta de capital - que inclui investimentos em máquinas, equipamentos e construção civil - é alta em relação aos dados dos últimos anos. Em 2001, por exemplo, era de 16,4%. Mesmo tendo aumentado, ela nunca passou de 19,5% do PIB, índice observado em 2010, quando o crescimento do PIB foi excepcional (7,5%).
Como que para justificar a alta prevista dos investimentos em 2012, o Ministério da Fazenda relaciona em seu estudo grandes projetos, públicos e privados, anunciados nos últimos tempos ou que constam dos programas oficiais. Quanto aos projetos de responsabilidade do setor público, no entanto, convém aguardar até que eles saiam do papel e se transformem em coisas concretas, o que nem sempre acontece, e, quando acontece, nem sempre ocorre no prazo previsto.
Embora reconheça a gravidade da situação da balança comercial da indústria manufatureira - cujo resultado, entre 2005 e 2011, passou de um superávit de US$ 8,5 bilhões para um déficit de US$ 92 bilhões -, o governo considera que as medidas do programa "Brasil Maior" conterão o ritmo da deterioração. Os problemas, no diagnóstico do governo, foram causados fundamentalmente pelas políticas cambiais de outros países. Nada se diz sobre a necessidade de restabelecer a competitividade da indústria, com mudanças tributárias e trabalhistas, entre outras, além da recuperação da infraestrutura econômica.
Tudo pelo social - NIZAN GUANAES
FOLHA DE SP - 01/05/12
As marcas devem ter sua personalidade, integridade e opinião; do monólogo passamos à conversaçãoVocê e sua empresa não precisam mais decidir se e como entrarão nas redes sociais, vocês já estão dentro delas.
A esta altura do jogo, as redes já estão falando de você, da sua marca, dos seus produtos. Ouvi-las tem de fazer parte do seu negócio. Pesquisá-las tem de fazer parte do seu negócio. Mas o que você mais precisa mesmo é de uma estratégia.
E não é uma estratégia de defesa, mas de ataque, e estratégia não só para o que dizer, mas também para o que ser. Porque só existe uma coisa mais social do que uma pessoa: uma empresa.
Quem não agregar esse valor da comunicação total ao seu negócio terá desvantagem competitiva diante das empresas que já fazem ou farão isso bem.
Há um potencial social natural em toda empresa que agora terá de ser mais acessado e desenvolvido sob o custo da obsolescência. Olhe para a sua atividade e pense como a capacidade de comunicação total pode transformá-la, para dentro e para fora. É preciso encontrar esse ângulo, que certamente está lá e será necessário neste mundo com a velocidade do último chip.
Não é fácil, não tem histórico, mas é intenso e rápido, muito rápido. Fortes emoções estão garantidas.
As marcas agora devem ter sua personalidade, sua integridade e sua opinião.
Antes era um monólogo, agora é uma conversação, mais dissonante que consonante, e muito mais democrática do que antes. Impossível de entender pensando pequeno, criando limites.
Para começar, social não é uma mídia, é um espírito. Um espírito animal. Tudo o que poderia um dia ser social, agora será.
Música pode ser social. Leitura pode ser social. Fotografia pode ser social. TV pode ser social. Comprar pode ser social. Viajar, se informar, estudar, encontrar um emprego, um(a) namorado(a) são todas atividades que podem ser sociais e por isso se organizam e se organizarão cada vez mais em torno de redes como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e outras que virão e irão.
Você não precisa se tornar um especialista nessas novas ferramentas, até porque elas passam.
Seja um especialista em comportamento, entenda a suprema tecnologia humana, aquilo que chamamos de alma.
Aliás, é bom lembrar que as redes sociais sempre foram dominantes e determinantes -das associações mercantis da Idade Média aos fluxos de migração global. Foi com essa capacidade de organização social que vencemos tantos desafios.
No Coliseu romano, a plateia já usava o dedão para cima ou para baixo, como fazemos hoje no Facebook, para mostrar aprovação.
As redes sociais estão com tudo, mas elas não têm uma regra fixa. O que já sabemos: não basta anunciar, é preciso comunicar; não é só oferta, é relacionamento; não fique indiferente.
Mais do que a mensagem e do que o meio, agora é o modo. O modo social.
Mas é preciso tomar cuidados.
O sujeito entrou cabisbaixo no consultório do psiquiatra e explicou:
"Doutor, não sei o que está acontecendo comigo. Só ando com a cabeça baixa, olhando na direção do chão, não falo com ninguém, não ouço ninguém, não consigo ter longas conversas, manter o foco. Minhas mãos doem, meu pescoço dói. Doutor, o que eu tenho?".
"Um Blackberry."
Piada é uma das maneiras mais fáceis de contar verdades. O perigo das redes é o da alienação, do distanciamento pela proximidade superficial. É preciso equilíbrio e coerência. O que se faz na rede deve-se fazer fora da rede. Quanto mais o "on" estiver junto com o "off", mais força as duas bandas dessa nova realidade terão.
E não podemos confundir conexão com conversação. Afinal, fãs não são próximos e seguidores não são amigos.
O brasileiro é um ser social por definição e criação. As redes aqui avançam com rapidez maior do que na maioria dos lugares, e ficamos conectados mais tempo do que os outros.
Isso só vai aumentar. Você não pode ficar de fora. Você já está dentro. Acomode-se. Incomode-se. Comunique-se.
E não digite com os dedos, digite com a alma.
As marcas devem ter sua personalidade, integridade e opinião; do monólogo passamos à conversaçãoVocê e sua empresa não precisam mais decidir se e como entrarão nas redes sociais, vocês já estão dentro delas.
A esta altura do jogo, as redes já estão falando de você, da sua marca, dos seus produtos. Ouvi-las tem de fazer parte do seu negócio. Pesquisá-las tem de fazer parte do seu negócio. Mas o que você mais precisa mesmo é de uma estratégia.
E não é uma estratégia de defesa, mas de ataque, e estratégia não só para o que dizer, mas também para o que ser. Porque só existe uma coisa mais social do que uma pessoa: uma empresa.
Quem não agregar esse valor da comunicação total ao seu negócio terá desvantagem competitiva diante das empresas que já fazem ou farão isso bem.
Há um potencial social natural em toda empresa que agora terá de ser mais acessado e desenvolvido sob o custo da obsolescência. Olhe para a sua atividade e pense como a capacidade de comunicação total pode transformá-la, para dentro e para fora. É preciso encontrar esse ângulo, que certamente está lá e será necessário neste mundo com a velocidade do último chip.
Não é fácil, não tem histórico, mas é intenso e rápido, muito rápido. Fortes emoções estão garantidas.
As marcas agora devem ter sua personalidade, sua integridade e sua opinião.
Antes era um monólogo, agora é uma conversação, mais dissonante que consonante, e muito mais democrática do que antes. Impossível de entender pensando pequeno, criando limites.
Para começar, social não é uma mídia, é um espírito. Um espírito animal. Tudo o que poderia um dia ser social, agora será.
Música pode ser social. Leitura pode ser social. Fotografia pode ser social. TV pode ser social. Comprar pode ser social. Viajar, se informar, estudar, encontrar um emprego, um(a) namorado(a) são todas atividades que podem ser sociais e por isso se organizam e se organizarão cada vez mais em torno de redes como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e outras que virão e irão.
Você não precisa se tornar um especialista nessas novas ferramentas, até porque elas passam.
Seja um especialista em comportamento, entenda a suprema tecnologia humana, aquilo que chamamos de alma.
Aliás, é bom lembrar que as redes sociais sempre foram dominantes e determinantes -das associações mercantis da Idade Média aos fluxos de migração global. Foi com essa capacidade de organização social que vencemos tantos desafios.
No Coliseu romano, a plateia já usava o dedão para cima ou para baixo, como fazemos hoje no Facebook, para mostrar aprovação.
As redes sociais estão com tudo, mas elas não têm uma regra fixa. O que já sabemos: não basta anunciar, é preciso comunicar; não é só oferta, é relacionamento; não fique indiferente.
Mais do que a mensagem e do que o meio, agora é o modo. O modo social.
Mas é preciso tomar cuidados.
O sujeito entrou cabisbaixo no consultório do psiquiatra e explicou:
"Doutor, não sei o que está acontecendo comigo. Só ando com a cabeça baixa, olhando na direção do chão, não falo com ninguém, não ouço ninguém, não consigo ter longas conversas, manter o foco. Minhas mãos doem, meu pescoço dói. Doutor, o que eu tenho?".
"Um Blackberry."
Piada é uma das maneiras mais fáceis de contar verdades. O perigo das redes é o da alienação, do distanciamento pela proximidade superficial. É preciso equilíbrio e coerência. O que se faz na rede deve-se fazer fora da rede. Quanto mais o "on" estiver junto com o "off", mais força as duas bandas dessa nova realidade terão.
E não podemos confundir conexão com conversação. Afinal, fãs não são próximos e seguidores não são amigos.
O brasileiro é um ser social por definição e criação. As redes aqui avançam com rapidez maior do que na maioria dos lugares, e ficamos conectados mais tempo do que os outros.
Isso só vai aumentar. Você não pode ficar de fora. Você já está dentro. Acomode-se. Incomode-se. Comunique-se.
E não digite com os dedos, digite com a alma.
Dia do Trabalho! Volta pra cama! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 01/05/12
Pensamento do Dia do Trabalho: se o mundo gira, vou esperar o meu emprego passar aqui em casa!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Predestinado do dia! Torcedor do Flamengo: Vasco Ladeira! O Vasco é "viceado" em vice! E sabe por que o Vasco só é vice? É carma! Carma porque o Vasco da Gama era vice-rei das Índias!
E o site Eramos6 revela que o Rubinho Barrichello saiu da pista durante a Indy e foi apostar corrida com os caminhões que estavam na marginal Tietê.
E o Rubinho é muito estranho. Quando perde, ri! E, quando ganha, chora!
Ai, ai, ai! Ai, que preguiça! Hoje é Dia do Trabalho!
Pensamento do Dia do Trabalho: se o mundo realmente gira, vou esperar o meu emprego passar aqui em casa! Rarará!
O meu único trabalho é fechar as malas e ir pro aeroporto! Dia do Trabalho mesmo tem de cair numa segunda-feira com chuva e 200 km de congestionamento!
E quem inventou o trabalho não tinha porra nenhuma pra fazer!
Já sei como vou passar o Dia do Trabalho: vou deitar na grama para ver formiga trabalhar.
Vou comer muito para ver o meu aparelho digestivo trabalhar.
Vou fazer ginástica antiestresse: contar dinheiro. A coisa mais relaxante a fazer do planeta é contar dinheiro, de preferência muitas notas de cem!
E os shows do Dia do Trabalho? Não vou! Show com Luan Santana e Victor & Leo é muito burguês.
Antigamente é que era bom: show com Beth Carvalho, Leci Brandão e o Lula falando mal do governo. Rarará!
Dia do Trabalho é em Cuba. Rarará! E a grande dúvida de todo Dia do Trabalho: todo sindicalista é rouco ou é o carro de som que está com defeito?!
E Andy Warhol já dizia: "Quando nascemos, nós somos sequestrados pelo sistema". Ou seja, trabalho é sequestro! Isso mesmo! Trabalho é sequestro! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E, voltando ao tema do começo da coluna, esse seria o time ideal para o Vasco: Manuel, Joaquim, Manuel Joaquim e Joaquim Manuel. Bacalhau, Roberto Leal e Ovos Moles! Rarará!
E hoje é Dia do Trabalho de Macumba! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
FORA DE CATÁLOGO - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 01/05/12
A MTV não conseguiu autorização para usar comercialmente o nome Legião Urbana no show-tributo que fará, em 29 de maio, no Espaço das Américas, em SP, com os músicos da banda e o ator Wagner Moura nos vocais. Ainda tentam negociar com os detentores da marca.
CATÁLOGO 2
Por enquanto, está chamando a atração de "MTV ao Vivo com Wagner Moura, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá".
GENTE GRANDE
O Instituto Alana, famoso por discutir a regulação da publicidade para o público infantil, vai criar um "núcleo de defesa" para ampliar suas atividades.
A ideia é que a nova estrutura possa advogar em outras ações que busquem "honrar a criança", e não apenas nas que envolvem relações de consumo.
TÁ TUDO DOMINADO
O presidente do Santos, Luis Alvaro Ribeiro, estreitou laços com o novo comandante-geral da PM, Roberval Ferreira França. Há uma semana, convidou o coronel, torcedor do clube, para ver no camarote a vitória do Peixe contra o Mogi Mirim. Depois, foi à posse de França como chefe da PM. Encontrou outros santistas, como Geraldo Alckmin, Ivan Sartori, presidente do TJ, e Renato Costa, do Tribunal de Contas.
À BEIRA DO TÂMISA
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), viaja nesta semana à Inglaterra. "Vou a Londres visitar a Autoridade Olímpica, encontrar o ministro da Cultura e do Esporte de lá e estudar um acordo com ele sobre a Olimpíada [2016], de cooperação", diz.
DÁ UM ABRAÇO
Rebelo, que circulou pelo camarote da Band na Fórmula Indy, anteontem, recebeu um abraço caloroso de Sabrina Sato, apresentadora do "Pânico". "O senhor tava com saudades de mim, né? Não tô mais indo atrás de vocês lá em Brasília", disse Sabrina.
SEM PAZ
"Ih, acabou a tranquilidade", disse o prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP), rindo, quando Sabrina apareceu para lhe cumprimentar.
KASSABINHO
E ela revelou que em um almoço com o namorado, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), e Kassab, o prefeito pediu para o "Pânico" voltar a fazer paródia com ele -missão que coube ao humorista Carioca durante um tempo.
BARRIGUINHA
E no camarote, humoristas do "CQC" e convidados comentavam a barriguinha de Kassab. "Faz tempo que parei a dieta", disse o prefeito.
DIA ATRIBULADO
O presidente Barack Obama dedicou pouco mais de uma hora para uma conversa com Dilma Rousseff quando ela visitou os EUA, em 9 de abril. No mesmo dia, além de fazer a corrida dos ovos, tradicional gincana de Páscoa da Casa Branca, ele deu entrevista à "Rolling Stone". O resultado está na capa da revista americana deste mês.
VELOCIDADE MÁXIMA
A apresentadora Sabrina Sato, a cantora Luiza Possi, o prefeito Gilberto Kassab e o ministro Aldo Rebelo (Esporte) assistiram à corrida de Fórmula Indy anteontem, no Anhembi. Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, e sua mulher, a empresária Claudia Saad, também estavam lá.
CURTO-CIRCUITO
Zeca Pagodinho encerra a turnê ªVida da Minha Vidaº com shows na sexta e no sábado, às 22h, no Citibank Hall do Rio. 15 anos.
Maria Alice Vergueiro diz que viajará a Cuba para o festival Mayo Teatral também à convite do Ministério da Cultura.
Marcelo Cândido, Reinaldo Moraes e Bia Willcox fazem debate amanhã, às 17h, na Flipoços, em Poços de Caldas.
Jair Rodrigues e Luciana Mello fazem hoje o show de abertura do Festival Literário de Votuporanga. Livre.
O Alô Alô Bahia comemora aniversário na sexta no Ego, em Salvador.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
Ilusão agrária - XICO GRAZIANO
O Estado de S.Paulo - 01/04/12
Reflexão para o Dia do Trabalho: o trabalhador rural prefere um pedaço de terra para cultivar ou um bom emprego com salário fixo? A pergunta remete a um velho dilema da reforma agrária, resvalando na qualidade dos assentamentos rurais. Entenda o porquê.
Quem primeiro levantou a questão, há quase 50 anos, foi o historiador Caio Prado Júnior. Em seu livro A Revolução Brasileira (Brasiliense, 1966), ele criticou os comunistas que justificavam a reforma agrária a partir da Revolução Francesa (1789-1799), quando os camponeses tomaram as terras feudais. Ao se transformarem em agricultores livres, porém, eles fortaleceram a base do capitalismo, não do socialismo. Ironia da História.
A polêmica fundamentava-se no fato de que, no Brasil, a realidade era distinta daquela vivida no Velho Mundo. Aqui, a maioria dos trabalhadores rurais estava empregada na exploração latifundiária - do açúcar, do café, do cacau -, ou seja, eram assalariados, não camponeses puros. O foco das suas reivindicações, portanto, mirava a melhoria das condições de emprego e salário. Não a terra.
A discussão acabou amordaçada pelo golpe militar de 1964. Passaram-se os anos do chamado "milagre econômico". Esquecida por uns tempos, a reforma agrária voltou à agenda nacional após a redemocratização, trazendo uma importante diferença: havia-se transformado em proposta de política social, não de desenvolvimento econômico. Com respaldo da Teologia da Libertação, tornou-se um dogma. Ninguém a contestava.
Vieram as invasões de terras e o distributivismo agrário se impôs. Desgraçadamente, todavia, fraquejou naquilo que deveria ser a sua maior proeza: garantir qualidade de vida aos beneficiários. Arregimentando os excluídos das grandes cidades, apenas mudou a pobreza de lugar. Verdadeiras favelas surgiram espalhadas pelos campos.
Curiosamente, sempre o governo, e nunca o modelo, acabou sendo culpado pelo fracasso dos assentamentos rurais. Esse é o ponto central. Ao contrário de antigamente, quando a conquista da terra abria facilmente a porta da vitória, na sociedade atual a produção agrícola pode levar não à felicidade, mas ao martírio do lavrador. Antes, uma enxada e vontade de trabalhar garantiam o progresso familiar; hoje, os requisitos da tecnologia e os mercados competitivos exigem qualificação, e esta segrega contra a simplicidade.
A prova cabal da complexidade da produção rural pode ser buscada nas difíceis condições de existência dos milhões de pequenos agricultores brasileiros. Filhos e netos dos sitiantes tradicionais, eles sofrem na dura labuta para tirar o sustento dos filhos e viver com dignidade. Pragas e doenças atacam suas lavouras e ameaçam suas criações, a conta dos insumos nunca fecha, a seca rouba produtividade, o banco bate-lhes à porta.
Basta conversar com os agricultores familiares - os verdadeiros trabalhadores com terra do Brasil - para descobrir os seus desafios. Ganhar dinheiro na roça não está para qualquer um. Ainda mais sendo pequeno produtor. Isolado, então, nem pensar. A integração na cadeia produtiva - a parceria com a agroindústria, dentro da cooperativa e na turma do bairro - é exigência básica para vencer as barreiras da comercialização. Senão, produz e não acha quem lhe pague pela venda.
O pecado capital da reforma agrária, ao se pretender contemporânea, foi achar que poderia transformar desempregados urbanos em prósperos agricultores. Utopia urbana, não vingou. Os poucos assentamentos rurais vitoriosos advieram de locais onde os produtores já de antemão cultivavam, como ocupantes ou parceiros, as áreas desapropriadas. Assemelhados aos camponeses europeus, esses conheciam, nos calos da mão, o cio da terra. Bastou regularizar as suas posses para se tornarem viáveis. Fora disso, somente a tutela do Estado, com ônus exagerado para a sociedade, mantém a ilusão agrária.
Façam as contas. Cada família assentada custa ao redor de R$ 100 mil, incluindo o pagamento da terra e o custo operacional nos primeiros três anos. Isso equivale a pagar um salário mínimo durante 13 anos a cada uma das famílias beneficiadas. Qual lógica, econômica ou social, justifica tal dispêndio?
Alternativas de política pública poderiam ser executadas se, em lugar do acesso à terra, fosse o emprego o objetivo maior. Projetos de hortas comunitárias direcionadas para a merenda escolar, por exemplo, gerariam milhares de empregos nas periferias das cidades, aliviando as prefeituras dos gastos na compra de alimentos processados. Tais cinturões verdes, se incluídos nas políticas fundiárias, não tencionariam transformar ninguém em sitiante, dono de terra. Mas apenas, e tão fundamentalmente, oferecer um emprego a quem precisa. Baratearia ainda o lanche das crianças.
A horticultura irrigada garante, no mínimo, três postos de trabalho para cada hectare cultivado. Em comparação com a reforma agrária clássica, que gera dois empregos para cada 30 hectares, a capacidade de absorção de mão de obra nesse eventual novo modelo de política agrária seria 45 vezes maior. Basta mudar o enfoque, da terra para o emprego, para vislumbrar excelentes possibilidades. Urge pensar nelas.
O distributivismo agrário, impulsionado pelas invasões de terras, passou a representar uma ideia atrasada e ineficaz, remédio vencido contra a pobreza. Não resolve oferecer um lote de terra a gente inábil que, distante e desorientada, abocanha as verbas iniciais do Incra, compra um carro velho e se manda de volta à procura de emprego.
Erradas não estão as pessoas. Fora do tempo, e do lugar, encontra-se o atual modelo de reforma agrária, que mira no passado e recria a miséria. Qualificação para o trabalho, isso, sim, abre a janela do futuro.
Universidades internacionais - VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SP - 01/05/12
Atualmente, é consensual a visão de que a internacionalização é o grande desafio da universidade brasileira. A conjunção entre a língua portuguesa, pouco falada, e o isolamento geográfico em relação aos grandes centros universitários da Europa e dos EUA contribuíram para a produção intelectual brasileira ser desconhecida no resto do mundo.
Quem frequenta congressos internacionais sabe que tal desconhecimento não tem necessariamente a ver com a qualidade de nossa produção, mas, principalmente, com a dificuldade de sua circulação.
Com a transformação do país em ator importante da nova geopolítica mundial, é natural que muitos países comecem a se perguntar sobre o que as universidades daqui produzem, quais seus debates e correntes fundamentais, assim como se associar a tais debates.
É nesse contexto que as discussões sobre internacionalização das universidades se coloca. No entanto é triste ver que elas ocorrem de maneira irrefletida, parecendo guiar-se meramente por posições em rankings internacionais.
É impressionante como as universidades brasileiras não estão preparadas administrativamente para isso. Na USP, é comum um aluno esperar inacreditável um ano e meio para ver um pedido de cotutela de doutorado assinado. Uma proposta de acordo de cooperação internacional pode demorar mais tempo. Tudo porque não temos pessoal suficiente e simplicidade burocrática.
Por outro lado, a verdadeira internacionalização se refere ao tripé: pesquisa, formação e docência. Até agora, enxergamos só o segundo ponto, com bolsas de estudo para que nossos alunos passem temporadas no exterior.
Diga-se de passagem, o último programa brasileiro de bolsas (Ciência sem Fronteiras) teve o disparate de ignorar as áreas de ciências humanas na definição de suas prioridades, o que só se justifica por uma ideia tosca de desenvolvimento social que nem sequer a ditadura militar teve coragem de implementar.
Mesmo no quesito "formação" seria fundamental que nossas universidades permitissem, de uma vez por todas, que estrangeiros prestassem concursos para professor universitário, mesmo que não tenham domínio do português. Basta que eles se comprometam a aprender português. Nossos alunos teriam uma formação mais sólida e diversificada.
Por sua vez, nossa pesquisa deveria ser objeto sistemático de difusão internacional. Os professores deveriam ter linhas de financiamento para a tradução de artigos e livros a serem publicados em outros países.
O governo deveria investir na formação de redes internacionais de pesquisadores por intermédio de acordos acadêmicos. Com um conjunto claro de ações, nossos resultados na internacionalização seriam muito mais visíveis.
Estamos todos na Avenida Brasil - ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
Não perco um capítulo da novela Avenida Brasil. Ela chegou em boa (ou má) hora, quando os escândalos em "cachoeira" revelam os intestinos de nossa vida política. Essa novela é um fato novo, porque fala a espectadores da chamada "classe C", essa nova categoria que surge com o crescimento da economia. Muitos diziam: "Ah, classe C? Só veremos banalidades." Nada disso. Talvez tenha acabado a luta pelo o ibope mostrando aos pobres as casas luxuosas de Ipanema. Agora, trata-se da vida da classe média sob a influência moral dos dias atuais. A trama dramática da novela se tece com personagens vitais do dia a dia da maioria dos brasileiros. E isso torna os conflitos mais densos, mais gerais, mais profundos. A grande qualidade de Avenida Brasil é a conexão entre um verdadeiro enredo de filme de ação com uma aguda psicologia das personagens populares - que em geral eram criadas como "tipos", apenas. Sem contar os grandes atores como Débora Falabella, Vera Holtz, Murilo Benício e os outros todos. Há uma mutação em curso no País e a novela toca nesse ponto. A psicopatia está virando o tema central de várias novelas recentes. Em Vale Tudo, a mais antiga, tivemos o surgimento de Maria de Fátima, de Glória Pires, a fundadora da psicopatia no ar; tivemos Flora, com Patrícia Pillar, tivemos Tereza Cristina com Cristiane Torloni, tantas. E agora, Adriana Esteves genial como a malvada da hora. Elas variaram entre uma maldade sutil e melíflua, como Flora, até a brutal voracidade de Carminha.
E essa vilãs traçam um retrato de nosso tempo - a psicopatia virou uma forma de viver e de fazer política.
E temos de confessar que as malvadas nos fascinam pela ausência de culpa em seus corações. Na obra de João Emanuel Carneiro houve um diálogo que resume essa doença "pós-utópica" muito bem - Carminha grita para Nina, que chorava: "Não adianta querer me emocionar, porque eu não tenho pena de ninguém - só de mim mesma!" Avenida Brasil tem uma importância cultural e política. Antigamente, nos romances, nos filmes, nos identificávamos com as vítimas; hoje, nos fascinamos com os cruéis. Não torcemos só pelos mocinhos - a verdade é que os heróis são os canalhas. Por quê? Bem. Talvez os psicopatas sejam o nosso futuro.
Com a exposição de um escândalo por dia, de vampiros, gafanhotos, laranjas e fantasmas, com a propaganda estimulando o sexo sem limites, com a ridícula liberdade para irrelevâncias, temos o indivíduo absolutamente desamparado, sem rumo ético. Isso leva a um narcisismo desabrido, que se torna um mecanismo de defesa. Diante do espetáculo da violência, diante dos cadáveres da miséria, do cinismo corrupto, somos levados a endurecer o coração, endurecer os olhos, para vencer na vida competitiva ou seremos tirados "de linha" como um carro velho. E aí surge o problema: Se não há um Mal claro, como seremos bons? O Mal é sempre o 'outro'. Nunca somos nós. Ninguém diz, de fronte alta: "Eu sou o mal!" Ou: "Muito prazer, Diabo de Oliveira..."
O Bem está virando um luxo e o Mal uma necessidade 'comercial' de sobrevivência. Viver é praticar o Mal. Quem é o Mal? O assaltante faminto ou o assaltado rico? Ou nenhum dos dois? Antigamente, era mole. O Mal era o capitalismo e o Bem o socialismo. Agora, os intelectuais, padres, bondosos profissionais, caridosos de carteirinha, cafetões da miséria, santos oportunistas, articulistas (como eu) estão todos em pânico. Ao denunciar o Mal, vivemos dele. Eu lucro sendo bom e denunciando o Mal. Quanta violência sob a 'santidade',
A loucura é histórica também. Já houve a histeria com a repressão sexual vitoriana, houve o delírio romântico e totalitário, a paranoia do entreguerras. Hoje, o psicopata veio para ficar. A novela acerta em cheio nessa doença.
É fácil reconhecer o psicopata. Ele não é nervoso ou inseguro. Parece sadio e simpático. Ele em geral tem encanto e inteligência, forjada no interesse sem afetividade ou sem culpa para atrapalhar. Ele tem uma espantosa capacidade de manipulação dos outros, pela mentira, sedução e, se precisar, chantagem. Teremos agora a CPI dos psicopatas. Vai ser um show. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações, sempre se achando inocente ou "vítima" do mundo, do qual tem de se vingar. Ele, em geral, não delira. Seus atos mais cruéis são justificados como naturais. Ele não sente remorso nem vergonha do que faz (o que nos dá até certa inveja). Ele mente compulsivamente e, muitas vezes, acredita na própria mentira. Não tem "insights" nem aprende com a experiência, simplesmente porque acha que não tem nada a aprender.
Os chamados comportamentos "humanos" estão se esvaindo. O que é o "humano" hoje? O "humano" está virando apenas um lugar-comum para uma bondade politicamente correta, uma tarefa e (muitas vezes) pretexto para ONGs.
O "humano" é histórico também. Talvez não haja mais lugar para esse conceito mutante. Somos 'máquinas desejantes' que se pervertem com o tempo e a necessidade. Durante a ditadura, todos éramos o Bem. O Mal eram os milicos. Acabou a dita e as "vítimas" (dela) pilharam o Estado. O que é o Bem hoje? Como diz Baudrillard, "contra o Mal, só temos o fraco recurso dos direitos humanos".
No Brasil, o grande Mal, não tem importância. O perigo aqui é o pequeno mal, enquistado nos estamentos, nos aparelhos sutis do Estado, nos seculares dogmas jurídicos, nos crimes que são lei. O perigo são os pequenos psicopatas que, quietinhos, nos roem a vida. Aqui, o perigo é o Bem. O Mal do Brasil não é a infinita crueldade das elites sangrentas; o Mal está mais na sua cordialidade. O Mal está no mínimo.
Como nesta novela, vemos que o Brasil está se dividindo entre babacas e psicopatas. Hoje, os babacas estão tentando seguir os psicopatas, por sua eficiência e falta de escrúpulos. Em breve, seremos todos psicopatas.
O esparadrapo - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 01/05/12
Foi uma decisão unânime, o que tem significado especial. Quando o Supremo Tribunal Federal fala com uma só voz - o que não é muito comum - duas conclusões parecem ser naturais: a decisão é juridicamente óbvia e reflete o que pensa o povo na planície.
No caso, estava em discussão a política de cotas raciais adotada pela Universidade de Brasília, que reserva 20% de suas vagas para estudantes negros. Ao aprovar as cotas, o STF aplicou uma derrota no racismo - e ela pode se ampliar para outras escolas do país: como são autônomas, cada uma decidirá seu destino.
É bom não esquecer: trata-se de um primeiro passo. E tem o defeito - registrado, com absoluta pertinência, pela antropóloga Yvonne Maggie - de preservar a divisão da sociedade em etnias (expressão menos agressiva do que "raças", mas igualmente perniciosa). O fim do caminho estará no momento em que os estudantes pobres de qualquer origem sejam beneficiados por um sistema de ensino básico de qualidade que torne as cotas inteiramente dispensáveis.
No momento, nada contra o sistema de cotas: mas é bom não esquecer que, sob muitos aspectos, ele ainda pode ser comparado com um esparadrapo em fratura exposta. A propósito, é importante também lembrar que a decisão do STF foi o momento final de um processo iniciado pelo time adversário.
No caso, representado pelo DEM. O principal argumento do partido é curioso: ele acredita que o sistema de cotas afronta o princípio da igualdade, por criar um privilégio para "pessoas com características físicas específicas". Não deixa de ser verdade - embora seja legítimo lembrar o preço pago pelos portadores dessas "características" ao longo da história do país.
É evidente que, em tese, as cotas representam um privilégio. Mas parece também óbvio que privilégios são necessários, pelo menos por um bom período, para compensar as consequências de alguns séculos de injustiça.
A decisão do STF poderá ter consequências históricas. Tudo vai depender da reação de outras universidades públicas. Sendo autônomas, cada uma decidirá se adota ou não as cotas. Dependerá muito da reação da opinião pública à legitimação do sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília.
E as cotas são, obviamente, esparadrapo em fratura exposta: é importante que existam agora - para desaparecerem quando a qualidade e a universalidade do ensino básico e médio tornarem o esparadrapo desnecessário.
A Paris de Woody Allen - CARLOS HEITOR CONY
FOLHA DE SP - 01/05/12
RIO DE JANEIRO - Vi com atraso o filme de Woody Allen, "Meia-noite em Paris", do qual muito esperava, uma vez que "Manhattan" me parece sua obra-prima, em preto e branco mesmo e com música de Gershwin. Aliás, é um dos fortes do ator-diretor, bom de ouvido, todos os seus filmes são salvos pelas trilhas musicais -vai ter bom ouvido assim no inferno.
Outro ponto a favor: a beleza da fotografia, a cidade é fotogênica, mas Woody tornou-a maravilhosa, quase irreal, sem apelar para os cartões-postais que todos conhecemos. Isto posto, vamos para aquilo que agora chamam de "conteúdo". Neste particular, foi uma sucessão de clichês, alguns exclusivos do próprio diretor, como o escritor esperançoso e a estagiária sempre fazendo a tese de mestrado.
Quanto ao escritor, é repetida a costumeira opinião do editor, "seu livro não nos interessa, mas tem alguns trechos bons, quem sabe, reescrevendo podemos pensar em editá-lo". O passado que se mistura ao presente é um lugar-comum do cinema comercial: Chaplin ("His prehistoric past", 1914), Eddie Cantor ("Escândalos romanos", 1933) e Oscarito ("Nem Sansão nem Dalila", 1955) -só para citar alguns.
Os efeitos são óbvios. O casal Fitzgerald, Hemingway, Gertrude Stein, Lautrec, Picasso, um estupefato Buñuel (ao qual o deslumbrado escritor sugere a sinopse de "O Anjo Exterminador"); citações periféricas de Modigliani, Degas, Gauguin, um inesperado T.S. Elliot, Matisse, Salvador Dalí -este, por sinal, e ao contrário dos demais, interpretado por um ator (Adrien Brody) que é cara e loucura do próprio, o único que convence no papel.
Há também a música de Cole Porter, tocada por ele mesmo, e a de Offenbach, obrigatória em qualquer peça ou filme sobre a Paris daquela época.
A crise global do emprego - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
É sombrio o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a situação do emprego no mundo. O documento, de 128 páginas, está disponível no site: www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/doc/mundodotrabalhointegra_821.pdf.
Há hoje 50 milhões de empregos a menos do que havia em 2007, pouco antes do início da crise global. Pior ainda, a falta de ocupação para a população jovem (de até 25 anos) atinge nada menos que 80% das economias avançadas e 67% dos países em desenvolvimento. Indica que o futuro dessa gente também vai sendo comprometido.
O estudo atribui essa situação não à crise em si e ao que veio antes dela, mas ao resultado da aplicação generalizada de duas políticas dizimadoras do emprego: ajuste fiscal excessivo; e flexibilização do mercado de trabalho - regimes a que estão sendo submetidas economias prostradas pelas dívidas.
É inegável que a austeridade reduz as despesas públicas e, portanto, dificulta a recuperação; e que a flexibilização facilita a dispensa de pessoal, com a agravante de que, na maioria dos países avançados, os poucos postos de trabalho reabertos tendem a ser mais precários do que os que se fecharam. São ocupações ou temporárias, ou de período parcial, ou remuneradas com redução de salários e benefícios.
O diagnóstico está apenas parcialmente correto. Cabem três críticas ao foco e às conclusões. A primeira delas, é a de não se levar em conta a artificialidade da base de comparação - situação do emprego imediatamente anterior à crise. O grande boom do mercado de trabalho e dos salários da primeira década deste século (até 2008) nos países ricos se deveu à disparada do mercado imobiliário e de construção civil, tanto nos Estados Unidos como na área do euro. Foi o crédito fácil e pouco regulado que gerou a crise da subprime americana e foi a euforia dos investimentos, logo após a criação do euro, que alimentou as bolhas, a fácil criação de empregos e a alta dos salários na Europa. O ajuste que viria em seguida, qualquer que fosse ele, teria de acontecer com certo sacrifício de postos de trabalho.
O segundo ponto negativo é que essa pesquisa se omite em relação à utilização crescente de Tecnologia da Informação em todo o mundo, fator que tende a reduzir substancialmente o emprego de mão de obra. Isto é, políticas que enfatizem o crescimento em vez da feroz austeridade - como tanto se pede - não necessariamente proporcionarão mais ocupações. A pequena recuperação dos Estados Unidos, por exemplo, ocorre com menos emprego de pessoal.
Finalmente, a divulgação da OIT silencia sobre uma das mais importantes transformações da economia global: a redivisão do mercado de trabalho. Há 20 anos começou o processo que incorpora entre 30 milhões e 40 milhões de asiáticos por ano aos mercados de trabalho e de consumo. Essa gente ou não tinha ocupação ou estava subocupada. Poucos integravam as listas de desempregados - eram simplesmente excluídos. Essa mudança implicou a migração de setores industriais inteiros para a Ásia e demais emergentes à custa do emprego dos países avançados. Esse movimento não pode ser compensado só com políticas keynesianas de elevação de despesas públicas no mundo rico.
O bullying - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 01/05/12
SÃO PAULO - O bullying é por vezes um problema real que exige medidas drásticas. Assim, é positivo que a Justiça esteja prestando atenção ao fenômeno e já tenha até condenado alguns adolescentes à prestação de serviços comunitários, como mostrou a Folha na edição de domingo. Para conviver bem em sociedade, precisamos aprender a respeitar certos limites de agressividade no trato com terceiros.
O mundo, porém, é um lugar mais complexo e multifacetado do que querem as narrativas de que nos valemos para dar sentido às coisas. Declarar guerra ao bullying e propugnar por uma política de tolerância zero funciona mais como slogan publicitário que como remédio eficaz.
De acordo com a psicóloga Helene Guldberg, da Open University de Londres, há uma histeria em torno do tema que já pode estar produzindo mais mal do que bem (vale frisar aqui que ela fala primordialmente da realidade anglo-saxônica, onde as campanhas contra o bullying são muito mais intensas e existem há bem mais tempo do que no Brasil).
Segundo Guldberg, é perfeitamente saudável que um jovem não goste de um de seus colegas e expresse esse sentimento. Isso ocorre o tempo todo entre adultos e não é um problema. Crianças precisam aprender a lidar com inimizades, rejeições e agressividade, com as quais terão de conviver ao longo dos anos. Ela cita trabalhos sugestivos de que ter um inimigo na infância pode, na verdade, até fazer bem para o adulto.
Não se trata, é claro, de abandonar a garotada à própria sorte e deixar que a seleção darwiniana opere livremente nos playgrounds, elegendo os sobreviventes. Precisamos, porém, ser honestos para reconhecer que as dinâmicas do relacionamento entre jovens não podem ser resumidas numa luta das vítimas boazinhas contra agressores malvados. A intervenção de adultos cristalizando esses rótulos pode até mesmo revelar-se um tiro pela culatra.
Separados legalmente - YVONNE MAGGIE
O GLOBO - 01/05/12
Um índio, com seu imenso cocar de penas brancas, pretas e encimado por um penacho azul, vestindo uma camisa do Clube de Regatas Vasco da Gama, com a cruz de malta no peito, surgiu no meio do plenário do Supremo Tribunal Federal gritando que queria cotas para índios, mestiços, ciganos, caboclos e brancos pobres, e foi retirado à força por um segurança "mulato", de hoje em diante legalmente definido como negro. Não foi preciso muito tempo para sentirmos os efeitos da decisão dos juízes do STF na tarde do dia 26 de abril em julgamento histórico no qual se proclamou a constitucionalidade do sistema de cotas raciais no Brasil.
Nunca havia assistido a um julgamento na nossa Corte Suprema e fui com a intenção de ver, ao vivo, o processo e as formas ritualizadas de decidir sobre uma questão de princípio como esta que seria discutida. O que vi e ouvi foi um desfilar de argumentos a favor da "raça".
O ministro relator, Ricardo Lewandowski, leu o seu voto, que durou mais de uma hora, para afirmar peremptoriamente a preponderância da "raça" nas leis como forma de extirpar o racismo. Depois de desfiar muitos nomes, de Aristóteles, passando por John Rawls, ao sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, afirmou que o critério etnicorracial era perfeitamente constitucional. O ministro do STF elencou argumentos que se repetem como mantra nos movimentos sociais. O relator confessou até que tinha estado na Índia, o primeiro país a implantar cotas para a proteção dos intocáveis, que já duram mais de quarenta anos. Ricardo Lewandowski é professor titular da USP e ficou impressionado com o sistema indiano. Só não contou ao público que nesses quarenta anos não cessaram os conflitos étnicos, que, ao contrário, foram exacerbados. Não disse também que lá as cotas acabaram sendo inseridas na Constituição e parece não ter lido muito sobre este processo naquele país.
O ministro relator não foi além de uma visita à Índia e não viu mais do que a superfície da questão e em nome do princípio de realidade, a tal igualdade material por ele acionada, jogou no lixo a realidade dos princípios. Em seu voto, nem de longe mencionou o ponto crucial levantado por muitos contra esta política e que foi expresso pelos juízes da Suprema Corte dos EUA em várias ocasiões, a começar em 1978. Legislar em nome da "raça" e colocá-la na letra da lei com a finalidade de extirpar o racismo tem o efeito de eternizar a separação entre os cidadãos, afirmaram os juízes da Suprema Corte americana. No entendimento do ministro relator, a Suprema Corte americana considerou legal e constitucional a utilização do critério etnicorracial para alocar estudantes nas universidades. Finalmente, ao declarar seu voto lançou a pérola que ficará para a história como a sentença que nos levou a instituir um estado racializado: "...Os programas de ação afirmativa tomam como ponto de partida a consciência de raça existente nas sociedades com o escopo final de eliminá-la. Em outras palavras, a finalidade última desses programas é colocar um fim àquilo que foi seu termo inicial, ou seja, o sentimento subjetivo de pertencer a determinada raça ou de sofrer discriminação por integrá-la." O relator considerou constitucional inclusive o tribunal racial, aquele que escandalizou o Brasil ao afirmar que gêmeos univitelinos eram de cores ou "raças" distintas.
Todos os ministros da nossa Corte maior seguiram o voto do relator.
A separação legal dos cidadãos é um caminho sem volta. O sentimento de pertença a uma "raça" - que aliás é frágil ou nulo no Brasil - se infiltra de tal maneira na vida social que passa a ser uma nova aspiração, como se viu na cena inaugural do índio de cocar exigindo cotas para outras minorias. Separar por força de lei é uma guinada fortíssima na nossa história e não me digam que não havia vozes discordantes com argumentos importantes, que nem sequer foram considerados, por serem de antemão definidos como hipócritas, reacionários, racistas e produzidos por "marginais".
A decisão do STF no julgamento do dia 26 de abril de 2012 fará esta Corte entrar para a história como aquela que advogou pelo Estado Racial no país. Votando pela constitucionalidade do critério etnicorracial para a distribuição de direitos, os ministros inscreveram o nosso país no rol dos que separam legalmente os cidadãos em "raças" distintas rasgando a Constituição brasileira e a Carta da ONU. Esta onda era esperada e se estenderá por longos anos. O primeiro país, fora da África, a criticar oficialmente o apartheid da África do Sul em histórico pronunciamento do presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950 acaba de se tornar um Estado de leis raciais.
YVONNE MAGGIE é antropóloga.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 01/05/12
Com receio de calote, empresas questionam onde depositar recursos
Banqueiros e empresários se questionam sobre qual o melhor destino para enviar recursos depositados nos
países mais atingidos pela crise em caso de calote.
"Avaliamos onde guardar o dinheiro dessas companhias, em que países e em que bancos", diz Daniel Stelter, sócio sênior do Boston Consulting Group em Berlim.
As empresas que têm recebíveis que estão em países que eventualmente deixem a zona do euro podem ter perdas, lembra o consultor.
Stelter não quis dar detalhes sobre o trabalho, mas alerta que as companhias devem estar preparadas.
Do ponto de vista macro, Stelter diz que repartir a dívida dos países europeus em crise entre outros membros da União Europeia seria o melhor modo de resolver os problemas do continente.
Os países da zona do euro dividiriam o excesso de dívida de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha.
A Itália, por sua vez, teria de resolver sua situação de maneira independente.
"Isso [reestruturar a dívida] é o que uma empresa privada com muitas dívidas faria", diz Stelter, que esteve no Brasil na última semana.
O consultor afirma que as medidas adotadas até agora não irão funcionar e devem levar os países mais pobres a uma profunda depressão.
Para o sócio do BCG, a raiz de toda a crise econômica europeia não está na dívida pública, mas no nível global de endividamento.
"A Alemanha também terá de pagar, de uma forma ou de outra. Ainda há a opção de escolher como pagar. Então [reestruturar a dívida], é a melhor forma para todos"
DANIEL STELTER
sócio sênior do BCG (Berlim)
BOMBONS
A Cacau Show quer retomar a expansão acelerada com mais 220 lojas no país neste ano, sendo 40% no Norte e no Nordeste, segundo seu presidente Alexandre Costa.
A rede também avalia o mercado europeu que, mesmo em crise, pode ampliar a reputação da marca. "A Bélgica pode trazer conhecimento de bons chocolateiros e nós, em troca, levamos experiência de varejo."
A Páscoa registrou aumento de vendas de 30,6% ante igual período de 2011, com 3.000 toneladas. "Dobramos investimento em marketing no primeiro quadrimestre."
talento em falta
A falta de profissionais com qualificação adequada pode colocar em risco o crescimento da América Latina. É o que diz um relatório do ManpowerGroup.
No Brasil, quase seis em cada dez empregadores tinham dificuldade em contratar por causa da falta de talentos disponíveis no mercado em 2011, segundo o levantamento.
Na Argentina, o índice é de 51% e, no México, a parcela é de 42% dos empregadores. Todos acima da média global do ano passado, de 34%.
Nas Américas, o índice de empregadores com dificuldade de contratar por ausência de talentos é de 37%.
Na mesma região, 56% deles citaram a falta de experiência ou de habilidades técnicas dos profissionais como a razão da dificuldade.
Furo na couraça - JOSÉ PAULO KUPFER
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
Divulgado na véspera do 1.º de Maio, o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre as perspectivas do emprego no mundo, edição 2012, é um libelo contra as políticas de austeridade fiscal e flexibilização trabalhista, adotadas principalmente na Europa, como remédio para enfrentar a crise econômica global. Segundo Raymond Torres, principal autor do levantamento, não só a austeridade fiscal não produziu crescimento econômico como as reformas trabalhistas implantadas são ineficientes e tendem a promover mais desemprego.
Traduzida em números, a situação é alarmante. A previsão da OIT é de que o desemprego no mundo atingirá mais de 200 milhões de pessoas neste ano, volume 6% superior ao estoque de desocupados em 2011. Em média, 40% dos trabalhadores entre 25 e 49 anos, no auge, portanto, da vida produtiva, estão sem emprego, no mundo desenvolvido. Em certas economias, como a da Espanha, o desemprego entre jovens até 25 anos atinge proporção impensável de um a cada dois. Não há, de acordo com a OIT, perspectiva de reversão do desemprego global aos níveis de 2008 - ou seja, 180 milhões de desempregados -, pelo menos antes de 2016.
As sombrias tendências apontadas pela OIT aparecem agora como coroamento dos dados e projeções igualmente sombrios em relação às tendências econômicas divulgados nas últimas semanas. A piora generalizada dos números e das expectativas, em ambiente de turbulências, marcado pela queda de uma dezena de governos e o possível deslocamento do pêndulo político na França, com seu peso específico nas decisões da União Europeia, parece ter, finalmente, aberto um furo na couraça da receita única para a superação da crise até agora aplicada.
É fato que medidas draconianas de cortes em gastos públicos, isoladas de ações de indução aos investimentos, não estão produzindo os resultados alardeados. As restrições orçamentárias, centradas na eliminação de benefícios sociais, têm, ao contrário, promovido estagnação econômica e aumento do desemprego, sem conseguir reduzir déficits e dívidas públicas.
Não se deveria confundir o relativo sucesso do Banco Central Europeu (BCE) no esforço de assegurar um mínimo de estabilidade ao sistema bancário da região com a superação dos problemas econômicos e muito menos dos dramas sociais que as medidas de austeridade têm imposto às populações das economias afetadas pela crise. Os bancos estão agarrados a uma boia de liquidez, o que não deixa de ser um ponto positivo, mas não têm sabido o que fazer com ela.
Agora, lideranças da região, à frente a chanceler alemã, Angela Merkel, acenam com "uma agenda de crescimento", a ser discutida já na reunião de cúpula da União Europeia, prevista para fins de junho. A novidade é uma reação, aparentemente improvisada e ainda não detalhada, à dificuldade de contornar a incontornável constatação de que a fórmula da austeridade não está surtindo efeito. Investimentos, sobretudo em infraestrutura, seriam a chave dessa nova agenda.
Antes de acreditar na mudança de ótica, porém, não custa manter algumas doses de ceticismo. Ao anunciar o foco na "agenda do crescimento", Angela Merkel trouxe para os holofotes o apagado Banco Europeu de Investimentos (BEI), uma agência de fomento regional, com fundos garantidos pelos países da União Europeia, até aqui mais voltado para o financiamento de longo prazo de pequenas e médias empresas. Reforçar o BEI, como sugeriu a chanceler alemã, para que ele impulsione investimentos públicos e privados, exigirá destinar-lhe recursos em grossos volumes. Em seu balanço de atividades de 2011, o BEI mostra que é um primo pobre das instituições financeiras oficiais da região, com projetos aprovados no ano em montante pouco superior a 50 bilhões.
Como previsto por operadores mais experientes, a presente fase da crise global confirma sua característica de se assemelhar a um 2008 em câmera lenta. Não há colapso, os bancos sobrevivem, ainda que, em meio a desconfianças gerais, funcionem a meia carga, mas a renda reflui, a arrecadação pública encolhe e o investimento se retrai.
A verdade é que, mesmo que as medidas de austeridade consigam, seja a que custo for, estancar as sangrias fiscais, elas, sozinhas, sempre serão insuficientes - para não dizer inócuas - na solução do real problema que afeta as economias encalacradas da Europa. Potencializado pela prisão do câmbio fixo que o euro lhes trouxe, esse problema atende pelo nome de competitividade e está afeto não ao departamento fiscal, mas ao do balanço de pagamentos. Enquanto esse lado da moeda não for atacado, a crise tem poucas chances de se resolver.
A rede de Cachoeira - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 01/05/12
MINISTÉRIO DA Saúde (Anvisa), Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Ministério da Educação, Ministério da Justiça por meio da Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, governo de Goiás, governo do Distrito Federal (e, possivelmente, mais governos), Receita Federal, Senado, Câmara -eis uma relação, por certo incompleta, dos setores oficiais em que Carlos Cachoeira introduziu ou, em menor número, operava para introduzir extensões da sua rede.
Um organismo espetacular, mais poderoso do que quase todos os partidos políticos.
Mas rede com que finalidade? As empresas legais de Carlos Cachoeira poderiam valer-se de uma ou outra daquelas conexões, em um ou outro momento dado.
Captar contratos para a Delta Construções e seu presidente, Fernando Cavendish, que lhe mereciam tanto interesse, não exigiria conexões tão numerosas e diversificadas. Suas atividades de contraventor, na exploração de caça-níqueis, estariam muito bem protegidas apenas com os conluios próprios da atividade, no Brasil todo.
O Conselho de Ética do Senado tem o objetivo de examinar a conduta do senador Demóstenes Torres e destiná-lo à cassação ou à permanência na Casa.
Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, predomina a confusão. Uma corrente pretende circunscrever o inquérito à relação entre o contraventor e os governadores Marconi Perillo e Agnelo Queiroz, de Goiás e do DF.
Outra, quer restringir a investigação às atividades, digamos, empresariais em geral de Cachoeira e à relação que tenham com políticos já expostos. Parte da comissão quer buscar as relações de Cachoeira com a Delta. E por aí vai. Ou não vai.
De uma parte, portanto, está a rede ativa de Carlos Cachoeira nos níveis oficiais mais elevados. De outra, o que está por se saber sobre ela, e ainda não se sabe nem quanto é. Confrontadas uma e outra partes, a conclusão é a de que não há cabimento algum em delimitar a ação da CPI, seja ao que for.
A CPI nem tem o direito de fazê-lo. Tudo parece tão intrincado, que o propósito formal da CPI, para aprová-la, tornou-se inseparável dos fatos e indícios que sobrevieram. São a mesma coisa.
Trata-se de um todo, o país precisa conhecê-lo, e à CPI e à Polícia Federal compete desvendar e expor. Mas não é esta a tendência de grande parte, talvez a maior, dos integrantes da comissão. Muito ao contrário e por diferentes motivos, desde a medíocre proteção do partido até ao risco, senão certeza, de envolvimento nos fatos apuráveis.
O percurso da CPI, pelo visto, depende menos dos seus senadores e deputados do que dos meios de comunicação e da opinião pública.
Os ingredientes que faltam - ADRIANO PIRES e ABEL HOLTZ
O Estado de S.Paulo - 01/05/12
Nas discussões que se travam sobre a renovação das concessões no setor elétrico, apesar de o governo apontar para o caminho da prorrogação, alguns ingredientes têm de ser levados em conta para que o processo venha a ser justo para os consumidores, que almejam a modicidade tarifária e, sobretudo, a garantia do suprimento de energia elétrica; e para os concessionários, que precisam continuar investindo ou que pretendam vender a sua concessão.
Algumas usinas objeto da renovação foram feitas há mais de 50 anos e, em muitos casos, foram pioneiras nas cascatas onde estão construídas. Na sua necessária modernização, poderia ser incluída a ampliação da capacidade instalada não só pela motorização dos slots vazios, como também pela substituição das turbinas por outras mais potentes, de sorte a ampliar a energia firme dessas usinas. E os investimentos necessários têm de ser levados em conta, como garantia do suprimento futuro.
Um aspecto fundamental que não esteve presente nas inúmeras observações e discussões feitas sobre a nova licitação ou a prorrogação das concessões - e mesmo sobre a expansão do sistema de geração da fonte hidrelétrica, usinas sendo ou a ser construídas, incluindo aquelas na região amazônica - se refere à questão da tributação da geração nestes e nos demais empreendimentos existentes que terão suas concessões renovadas ou naqueles em construção no nosso país.
Sabemos quão espinhoso é o tema da tributação no Brasil e da aversão dos legisladores a uma discussão objetiva e justa. Num drible ao problema da substituição da geração térmica na região que passou ou passará a estar interligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), optou-se pela extensão da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para compor um fundo compensatório aos Estados que perderam ou perderão a arrecadação do ICMS sobre combustíveis outrora utilizados nas termoelétricas dessas regiões.
Todos afirmam que a regulamentação atual privilegia os Estados consumidores, em detrimento daqueles Estados onde são construídas ou já existem as hidrelétricas. Estes ficam com os impactos causados pela sua construção e operação, auferindo exclusivamente "royalties" e a Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), que não lhes propiciam compensações adequadas. Não é desconhecido o discurso estabelecido no passado pelo Estado do Paraná sobre a necessidade de rever a tributação da geração, como também são públicos os projetos de lei apresentados no Congresso Nacional na mesma direção.
Seguramente, o enfrentamento deste aspecto poderá contribuir para a modicidade tarifária, porque os tributos que hoje são imobilizados no custo das hidrelétricas seriam compensados e a energia ali produzida teria um custo menor na origem. Além disso, os Estados consumidores tenderiam a trabalhar na direção da eficiência no consumo, compensando suas perdas de arrecadação.
Neste cenário abrangente e confuso, temos de definir um rumo para a expansão do nosso sistema de suprimento de energia no longo prazo - não basta somente discutir se a energia elétrica virá de fontes hídricas ou térmicas ou se as concessões devam ou não ser renovadas para as mesmas empresas concessionárias atuais e sob quais critérios.
O consumidor não costuma reagir perceptivelmente a cada novo encargo ou subsídio criado ou a cada mudança incremental de alíquota dos tributos, visto que o impacto costuma ser pequeno em relação aos índices anuais de reajuste tarifário.
A reconhecida complexidade do arcabouço jurídico e regulatório do setor elétrico, construído ao longo de décadas, é uma intricada rede de regulamentos baseados em nomenclatura técnica de difícil compreensão para leigos e até para especialistas, o que impede uma avaliação clara e precisa dos impactos de cada novo encargo ou subsídio criado, de cada aumento da carga tributária ou do aumento do custo do serviço prestado.
CLAUDIO HUMBERTO
“Não conheço Cachoeira, nem Dadá, nem Mussum e nem Zacarias”
Presidente do PRTB, Levy Fidélix, negando envolvimento com Carlinhos Cachoeira
DILMA QUER FIM DO ‘FEUDO DO PDT’ NO TRABALHO
A presidente Dilma Rousseff pretende acabar com o ‘feudo do PDT’, montado pelo ex-ministro Carlos Lupi no Ministério do Trabalho. Durante as negociações que levaram à escolha de Brizola Neto (PDT-RJ) ao comando da pasta, o Planalto impôs a nomeação de secretário-executivo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), do PT. E também a divisão dos cargos da Força Sindical com outras centrais.
NÚMERO 2
Ex-dirigente da CUT e amigo de Lula, o espanhol José Lopez Feijoo é cotado para secretário-executivo. Ele é assessor de Gilberto Carvalho.
FÁBRICA DE SINDICATO
O Planalto pretende, ainda, submeter a criação de novos sindicatos ao Conselho Nacional, e não mais à Secretaria de Relações do Trabalho.
ESTRANHOS NO PARAÍSO
Cerca de 5,2 milhões de turistas visitaram o Brasil em 2010, segundo o IBGE. Só o museu do Louvre, em Paris, recebe 7 milhões por ano.
SEM FORCA
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) foi um dos poucos que bateram ponto no local de trabalho ontem.
KAKAY: DEPÓSITO DE CACHOEIRA É ILAÇÃO DE GURGEL
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o “Kakay”, disse ontem que a acusação do procurador-geral Roberto Gurgel, de que o senador Demóstenes Torres (GO) recebeu um depósito bancário de Carlos Cachoeira no valor de R$ 1 milhão, é ilação baseada em interpretação equivocada de grampos telefônicos editados. “Não houve o depósito e a quebra do sigilo bancário vai demonstrar isso”, diz ele, que pergunta: “O dr. Gurgel vai fazer meia culpa após a comprovação do seu erro?”.
PRATO DO DIA
Após a Coreia do Norte ganhar feijão, Bangladesh receberá do Brasil 7 mil toneladas de arroz, cerca de US$ 3,3 mi, através da ONU.
À BRASILEIRA
Entraram em pane, ontem, os telefones da embaixada americana em várias cidades, para informações sobre o novo processo de visto.
TRABALHADORES DO BRASIL
Novo ministro do Trabalho, Brizola Neto apanhou no microblog Twitter: “No Dia do Trabalho, Dilma nomeia quem nunca trabalhou”.
LUPI, UMA VERGONHA
Brizola Neto tentava virar ministro do Trabalho desde março de 2011, enquanto organizava brizolistas históricos para destronar Carlos Lupi da presidência do PDT. Para ele, Lupi sempre envergonhou o partido.
AJOELHOU...
A “vergonha” Carlos Lupi mostrou força: mesmo demitido em dezembro, sob denúncias de malfeitorias, ele foi o principal obstáculo à nomeação de Brizola Neto. Só cedeu quando o garotão pediu a bênção a ele.
CONEXÃO BRIZOLA
Irmã de Brizola Neto, a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) estava numa praia em Santa Catarina quando soube da nomeação dele, mas disse que 16 dos 23 deputados do PDT “apoiam Carlito”.
ÚLTIMO A SABER
O líder do PDT, deputado André Figueiredo (CE), foi avisado por telefone pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) da nomeação de Brizola Neto para ministro do Trabalho.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
O secretário-geral da Central Operária Boliviana ficou uma arara com decreto do governo de feriadão no 1º de maio, perguntando quanto do PIB o país perde por
dia com o descanso. Esses bolivianos...
IMPRENSA DE CLASSE
Ignora-se o que um “especialista em Classe C” fará no seminário do Fórum Nacional pela Democratização na próxima sexta-feira (04), em São Paulo, que discutirá “liberdade de expressão e o novo marco regulatório”.
ESTRATÉGIA SEMANAL
Os parlamentares do PT que integram a CPI mista que investigará o bicheiro Carlinhos Cachoeira acertaram de fazer pelo menos uma reunião semanal para traçar estratégias. A próxima será amanhã.
SEMANA PERDIDA
O líder do PSD, Guilherme Campos (SP), reclama que “a semana está perdida no Congresso” com feriadão do Dia do Trabalhador. “Vou para cumprir tabela. É uma pena, tem muita coisa importante para votar”.
PENSANDO BEM...
...O rolo de Cachoeira é nova versão da velha piada machista: “Ele sabe porque está batendo; eles sabem porque estão apanhando”. .
PODER SEM PUDOR
DE CAVALO E DE SONO
Sessão modorrenta, no Senado, mesmo na presidência da mesa, Mão Santa (PMDB-PI) fez um discurso de quinze minutos, o que não é permitido pelo regimento. Como sempre, falando de alhos e bugalhos. Citou Calígula, que indicou o cavalo Incitatus para o antigo Senado romano. Mão Santa, língua nem tanto, tem a mania de gritar o nome dos senadores, incitando-os a prestar atenção ao seu discurso. Numa dessas, ao gritar algo a um senador meio sonolento e perceber-lhe o susto, Mãe Santa sentenciou:
– Acordou e concordou...
Presidente do PRTB, Levy Fidélix, negando envolvimento com Carlinhos Cachoeira
DILMA QUER FIM DO ‘FEUDO DO PDT’ NO TRABALHO
A presidente Dilma Rousseff pretende acabar com o ‘feudo do PDT’, montado pelo ex-ministro Carlos Lupi no Ministério do Trabalho. Durante as negociações que levaram à escolha de Brizola Neto (PDT-RJ) ao comando da pasta, o Planalto impôs a nomeação de secretário-executivo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), do PT. E também a divisão dos cargos da Força Sindical com outras centrais.
NÚMERO 2
Ex-dirigente da CUT e amigo de Lula, o espanhol José Lopez Feijoo é cotado para secretário-executivo. Ele é assessor de Gilberto Carvalho.
FÁBRICA DE SINDICATO
O Planalto pretende, ainda, submeter a criação de novos sindicatos ao Conselho Nacional, e não mais à Secretaria de Relações do Trabalho.
ESTRANHOS NO PARAÍSO
Cerca de 5,2 milhões de turistas visitaram o Brasil em 2010, segundo o IBGE. Só o museu do Louvre, em Paris, recebe 7 milhões por ano.
SEM FORCA
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) foi um dos poucos que bateram ponto no local de trabalho ontem.
KAKAY: DEPÓSITO DE CACHOEIRA É ILAÇÃO DE GURGEL
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o “Kakay”, disse ontem que a acusação do procurador-geral Roberto Gurgel, de que o senador Demóstenes Torres (GO) recebeu um depósito bancário de Carlos Cachoeira no valor de R$ 1 milhão, é ilação baseada em interpretação equivocada de grampos telefônicos editados. “Não houve o depósito e a quebra do sigilo bancário vai demonstrar isso”, diz ele, que pergunta: “O dr. Gurgel vai fazer meia culpa após a comprovação do seu erro?”.
PRATO DO DIA
Após a Coreia do Norte ganhar feijão, Bangladesh receberá do Brasil 7 mil toneladas de arroz, cerca de US$ 3,3 mi, através da ONU.
À BRASILEIRA
Entraram em pane, ontem, os telefones da embaixada americana em várias cidades, para informações sobre o novo processo de visto.
TRABALHADORES DO BRASIL
Novo ministro do Trabalho, Brizola Neto apanhou no microblog Twitter: “No Dia do Trabalho, Dilma nomeia quem nunca trabalhou”.
LUPI, UMA VERGONHA
Brizola Neto tentava virar ministro do Trabalho desde março de 2011, enquanto organizava brizolistas históricos para destronar Carlos Lupi da presidência do PDT. Para ele, Lupi sempre envergonhou o partido.
AJOELHOU...
A “vergonha” Carlos Lupi mostrou força: mesmo demitido em dezembro, sob denúncias de malfeitorias, ele foi o principal obstáculo à nomeação de Brizola Neto. Só cedeu quando o garotão pediu a bênção a ele.
CONEXÃO BRIZOLA
Irmã de Brizola Neto, a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) estava numa praia em Santa Catarina quando soube da nomeação dele, mas disse que 16 dos 23 deputados do PDT “apoiam Carlito”.
ÚLTIMO A SABER
O líder do PDT, deputado André Figueiredo (CE), foi avisado por telefone pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) da nomeação de Brizola Neto para ministro do Trabalho.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
O secretário-geral da Central Operária Boliviana ficou uma arara com decreto do governo de feriadão no 1º de maio, perguntando quanto do PIB o país perde por
dia com o descanso. Esses bolivianos...
IMPRENSA DE CLASSE
Ignora-se o que um “especialista em Classe C” fará no seminário do Fórum Nacional pela Democratização na próxima sexta-feira (04), em São Paulo, que discutirá “liberdade de expressão e o novo marco regulatório”.
ESTRATÉGIA SEMANAL
Os parlamentares do PT que integram a CPI mista que investigará o bicheiro Carlinhos Cachoeira acertaram de fazer pelo menos uma reunião semanal para traçar estratégias. A próxima será amanhã.
SEMANA PERDIDA
O líder do PSD, Guilherme Campos (SP), reclama que “a semana está perdida no Congresso” com feriadão do Dia do Trabalhador. “Vou para cumprir tabela. É uma pena, tem muita coisa importante para votar”.
PENSANDO BEM...
...O rolo de Cachoeira é nova versão da velha piada machista: “Ele sabe porque está batendo; eles sabem porque estão apanhando”. .
PODER SEM PUDOR
DE CAVALO E DE SONO
Sessão modorrenta, no Senado, mesmo na presidência da mesa, Mão Santa (PMDB-PI) fez um discurso de quinze minutos, o que não é permitido pelo regimento. Como sempre, falando de alhos e bugalhos. Citou Calígula, que indicou o cavalo Incitatus para o antigo Senado romano. Mão Santa, língua nem tanto, tem a mania de gritar o nome dos senadores, incitando-os a prestar atenção ao seu discurso. Numa dessas, ao gritar algo a um senador meio sonolento e perceber-lhe o susto, Mãe Santa sentenciou:
– Acordou e concordou...
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Decreto reduz publicidade em lojas e prédios do Rio
- Folha: No Dia do Trabalho, Dilma ataca os bancos
- Estadão: Dilma ataca bancos em rede nacional
- Correio: Escuta liga distritais a grupo de Cachoeira
- Estado de Minas: Guia do futuro trabalhador
- Jornal do Commercio: Será a final das multidões
- Zero Hora: UFRGS preenche só metade das vagas de cotas para negros
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