sexta-feira, novembro 25, 2011

Longa jornada - MIRIAM LEITÃO



O GLOBO - 25/11/11

A Bélgica, cuja capital é Bruxelas, sede administrativa da União Europeia, não tem governo há 18 meses e pode se desfazer. Isso não afeta os outros países, mas é emblemático do que se passa na região. A crise esta semana deu um passo assustador: aproximou-se do país mais forte ao fracassar um leilão de títulos lançados pela Alemanha. Já fazem cenários de implosão da Zona do Euro.

O economista Márcio Garcia, da PUC-RJ, diz que há discussões no mercado sobre como deverá ser a “redenominação” dos títulos soberanos. Em outras palavras, começa-se a pensar no impensável: o que fazer com os títulos dos países mais fracos, na hipótese do fim da Zona do Euro? Se acabar a união monetária, ou alguns países saírem, em que moeda vão se transformar os títulos emitidos em euro? E nesse caso de “divida soberana” quem é o “soberano”: a União Europeia ou o país que sair do padrão monetário?

Franklin Trein, coordenador do Programa de Estudos Europeus da UFRJ, acha que é trágica a hipótese de fim da União Europeia e pensa que não existe recuo estratégico nesse caso; se houver retrocesso na união monetária é o próprio projeto europeu que será desfeito:

— A Europa teve três guerras em 70 anos. No final do século XIX e as duas mundiais. Nesses conflitos, França e Alemanha se enfrentaram nos campos de batalha. Foi por isso que desde o pós-guerra começou a ser construído o projeto.

Entrevistei Trein e Garcia no Espaço Aberto, da Globonews. O economista mostrou os sinais no mercado de que a hipótese de saída de países da Zona do Euro começa a ser cada vez mais considerada; Trein falou sobre os riscos desse cenário. Política e economia tentam se equilibrar mas na verdade entraram num círculo vicioso, em que quanto mais piora a economia mais surgem problemas políticos, e impasses políticos aprofundam a crise. Oito governos já mudaram, sem contar a Bélgica.

O tema que sintetiza o dilema europeu foi colocado esta semana na mesa: emitir ou não bônus europeus que substituiriam títulos de países endividados. O grande opositor dessa ideia é a Alemanha e ontem os parlamentares do CDU, o partido da democracia cristã, de Angela Merkel, o porta-voz do partido e o ministro da Economia repetiram que são absolutamente contra esse caminho.

No eurobônus está o dilema de aprofundar ou não a união monetária. A região criou uma moeda única para 17 países, mas não criou um orçamento fiscal único, regras obrigatórias de austeridade. Estabeleceu parâmetros que não foram seguidos, de 3% de déficit e 60% de dívida/PIB como tetos. A União facilitou o endividamento e alimentou a ilusão de igualdade entre desiguais.

A proposta do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, de criar títulos públicos unificados, encontra forte resistência também de holandeses e finlandeses. Emitir eurobônus significa dividir o risco entre todos. Como no início da criação do bloco, novamente o governo grego pagaria a mesma taxa de juros do governo alemão. E agora o temor é que, em vez de reduzir o custo dos gregos, eleve o preço a ser pago pelos alemães.

Os alemães acham que esse título só pode ser criado se houver instrumentos de intervenção nas contas dos países. Isso significa mais poder para os países mais fortes e perda de soberania dos 17 Estados que compõem a Zona do Euro.

O português Manuel Barroso argumenta que o simples anúncio da criação dos títulos acalmaria o mercado e inverteria a tendência de alta dos juros de Espanha, Itália e França, países grandes demais para serem socorridos.

Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da CNC, a criação de eurobônus não aconteceria em tempo de conter a crise.

— A criação de um bônus em comum é mais compatível com um bloco que possui moeda única. Mas estes títulos unificados exigiriam um orçamento fiscal único. É um processo mais longo de implementação e o problema na Europa é emergencial.

Thadeu enxerga como única saída rápida o anúncio oficial do Banco Central Europeu de que vai comprar ilimitadamente títulos públicos de Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, para que eles rolem suas dívidas a taxas de juros menores.

Mais uma vez, há oposição alemã, que exige, antes, que os países coloquem as contas em ordem e alerta que o BCE não é o emprestador de última instância. O economista Alexandre Schwartsman explica que a medida seria rápida, porque não exigiria mudança nos tratados da Zona do Euro, mas também significaria um retrocesso:

— Já vimos isso no Brasil. Aqui, durante muito tempo houve um orçamento monetário (uma espécie de orçamento paralelo); os limites entre Tesouro e Banco Central eram pouco definidos. Tivemos a conta-movimento (conta conjunta entre BC e BB). Institucionalmente seria um retrocesso, porém, essa é uma saída rápida.

Schwartsman lembra que apagar o incêndio resolve apenas parte do problema. Será inevitável enfrentar os problemas estruturais.

Há vários cenários pela frente; todos eles, no entanto, indicam que a Europa está numa longa jornada noite adentro. Um período prolongo de recessão.

GOSTOSA


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO



FOLHA DE SP - 25/11/11


Pedido para importação de máquinas começa a declinar, afirma entidade

A crise da Europa começa a contaminar os planos de alguns empresários, que já reavaliam as encomendas de equipamento produtivo.

Os resultados de outubro apontaram uma diminuição no ritmo de colocação de pedidos de importações, segundo Ennio Crispino, presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais).

Algumas empresas decidiram postergar investimentos, segundo Otto Nogami, professor do Insper e assessor econômico da Abimei.

"A cautela começa a imperar. As oscilações cambiais não são o único responsável pela queda. Outros fatores imperam", diz Nogami.

Os importadores de bens de capital devem registrar aumento de cerca de 10% no volume de negócios neste ano.

O resultado é inferior à previsão da entidade, que projetava crescimento de 15% a 20% para o setor.

"Os empresários estão em compasso de espera, aguardando para ver os impactos da crise na Europa. Mas o nosso tom ainda é otimista", afirma Crispino.

O volume de negócios fechados deve ficar em cerca de US$ 2,4 bilhões neste ano. O número supera os US$ 2,2 bilhões registrados no ano passado, mas ainda não alcança o patamar pré-crise.

"Só a partir do ano que vem, com um aumento da ordem de 10% também, é que devemos conseguir recuperar os níveis anteriores a 2008", diz Crispino.

MONTANHA SUÍÇA
A previsão de crescimento do PIB da Suíça em 2012 caiu de 2,0% para 0,5%. Mesmo fora da União Europeia, a queda é resultado da crise do euro, diz o Credit Suisse.

Entre as razões para a redução da estimativa estão a desaceleração das exportações e a queda dos aportes em maquinário industrial. Em 2012, o crescimento do país será sustentado pela construção e pelo consumo interno, que terão alta de 1,5% e 1,1%, respectivamente.

VENTOS DO BNDES
A Galvão Energia obteve R$ 282 milhões de financiamento aprovado pelo BNDES para construir quatro usinas de energia eólica em São Bento do Norte (RN). O valor representa 70% do investimento previsto de R$ 401,4 milhões. Foi a primeira, entre as vencedoras do leilão de 2010, a ter financiamento. Em 2011, o banco desembolsou R$ 1,5 bi para eólicas e prevê aprovar R$ 3 bilhões para o setor.

QUARTOS A MAIS
Com investimentos de R$ 48 milhões, a rede hoteleira Mercure terá um novo hotel em Salvador, a partir do próximo ano.

O empreendimento, com 325 leitos, faz parte de um projeto de expansão da rede no Nordeste.

A bandeira investiu, nos últimos três anos, mais de R$ 89 milhões na região, que atualmente representa cerca de 11% do faturamento da rede no Brasil.

"Salvador é uma localização estratégica por causa do crescimento da renda no Brasil. Estamos pensando no mercado local, não só na atração de turistas que virão com os grandes eventos esportivos", diz Patrick Vaysse, diretor da Mercure.

A rede também tem em andamento no país um projeto de reforma que começou em 2010 e deve terminar em 2013, com investimento de cerca de R$ 112 milhões.

"Hoje temos 56% da rede no Brasil com renovação de quartos", diz.

CASA CARA
Os valores dos contratos novos de aluguel entraram em tendência de alta em todas as regiões da capital paulista. Alguns bairros que antes eram considerados baratos tiveram valorização maior, segundo análise do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

"O Butantã, por exemplo, que era considerado distante, integrou-se mais com o desenvolvimento imobiliário", diz Francisco Crestana, vice-presidente da entidade.

Entre outros exemplos estão bairros como Casa Verde, Mooca e Tatuapé.

As regiões dos Jardins, da Bela Vista, de Perdizes e do centro, no entanto, continuam sendo as mais caras.

"Entre as grandes cidades do mundo, São Paulo não chega a ser a que cobra aluguéis mais altos. Nova York e Paris cobram mais. Mas existe uma proporcionalidade. Aqui a renda não é tão elevada", afirma Crestana.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

Humanas e Exatas - FERNANA TORRES



FOLHA DE SP - 25/11/11

A pura contrariedade é inútil diante da violência do pragmatismo científico de mercado

Não sei se existe ligação direta entre os baseados queimados na USP e a tragédia de Felipe Ramos Paiva, assassinado no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade.

A presença ostensiva da PM no campus levou à detenção de dois rapazes que fumavam maconha. Houve enfrentamento, e o episódio culminou com a invasão da reitoria por um grupo minoritário de estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Segundo manifesto de apoio ao ato, a morte de Paiva e a prisão dos jovens estariam sendo usadas para desviar a atenção do real objetivo da ocupação policial: a censura às manifestações contrárias à privatização do ensino.

O Estado é repressor por natureza, as leis do comércio também. Frases que sobreviveram ao tempo, como "abaixo a repressão", e a definição de luta política ao ocorrido desafinam no atual contexto.

Vivemos em uma democracia; o PT está na Presidência, e o PSDB, composto de ex-formandos das melhores faculdades paulistas, à frente do Estado. Em última instância, quem convocou a tropa foram os próprios alunos, seus familiares e educadores.

O texto dos estudantes fala de revistas nas salas de aula e perseguição aos centros acadêmicos; aborda o direito dos negros, a crise sistêmica do capitalismo e a truculência das Forças Armadas. É uma metralhadora giratória de repúdio à política educacional da atual administração, à ganância econômica e aos rumos do planeta.

O morto é citado como uma fatalidade manipulada pelo poder.

João Ubaldo Ribeiro me enviou uma entrevista da historiadora e psicanalista Elisabeth Roudinesco.
Nela, a cientista francesa afirma que o fim da utopia comunista, cujo eco ainda se escuta nas reivindicações de São Paulo, desembocou no triunfo da economia e da ciência.

As ciências humanas, esclarece o escritor baiano, passaram a ser rejeitadas porque é impossível aplicar sobre elas o método científico a contento. Na sua subjetividade, o observador é também sujeito do experimento, o que destrói a imparcialidade de qualquer pesquisa.

Paiva estudava atuária, disciplina que trata dos riscos das operações financeiras, especialmente no setor de seguros e pensões. O rapaz aprendia a buscar padrões de normalidade em sistemas imprevisíveis e exemplifica a nova ideologia à qual Roudinesco se refere.

Não há como adivinhar o futuro de um centavo poupado, o destino de um homem ou o instante de uma hecatombe. Mas se trocarmos uma pessoa por 1 milhão, ou 1.000 moedas por bilhões delas, e pensarmos no longo prazo, curvas intermediárias de comportamento oscilarão dentro de uma norma legível.
Seguindo-as, é possível antecipar revoluções sociais, chuvas torrenciais e desastres súbitos. A média comanda.

Práticas poéticas e individualizantes, como a psicanálise, estão perdendo o terreno para as estatísticas irrefutáveis, e manipuláveis, dos reguladores de humor.

O teatro recrudesceu, os livros de autoajuda proliferaram, e a cultura de massa dominou o cinema e a música. A arte perdeu o papel de agente transformador e virou consumo, capricho pessoal mensurável gerador de riqueza.

E foi justamente das cadeiras marginais, no sentido de à margem da ordem vigente, de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, que eclodiu o levante.

A pura contrariedade é inútil diante da violência do pragmatismo científico de mercado. Os amotinados esperneiam, espelhando a crise que sua área atravessa, e carecem do que é abundante nas ditas ciências duras: a lógica.

Paiva foi vítima da miséria urbana, do tráfico de armas, de drogas, da falta de policiamento, de iluminação e, sobretudo, de uma força indiferente às planilhas para se proteger do amanhã: a irracionalidade. A atuária também não dá conta de cruzar a esquina.

O juiz devia obrigar todo mundo a ler, ou reler, "Crime e Castigo".

Quem é a oposição a Obama e Chávez? - MOISÉS NAÍM



FOLHA DE SP - 25/11/11


Os republicanos dos EUA poderiam aprender muito com os venezuelanos que se atrevem a enfrentar Chávez

APESAR DO desencanto com os políticos e a política, dois acontecimentos motivam até os mais cínicos. Um é votar no dia das eleições. A porcentagem real de abstenções costuma ser menor que a de pessoas que, antes do pleito, afirmam que não vão participar. Mas, chegado o dia, alguma coisa lhes acontece e muitos desses relutantes vão para a fila e votam. O outro evento que motiva até os menos interessados é o debate entre candidatos.
Nos últimos dias, houve dois debates que não tiveram repercussão internacional ampla. Um foi entre os pré-candidatos presidenciais do Partido Republicano dos EUA. O outro, entre os candidatos a representar um dos grupos políticos mais frágeis e ameaçados do planeta: a oposição a Hugo Chávez. Ambos têm implicações além do que se passa nos EUA ou na Venezuela.
Os republicanos sentem que podem derrotar Barack Obama. Mas têm um problema com os oito candidatos à indicação presidencial. Debates entre eles têm servido para que se conheçam os candidatos.
E o que eles vêm mostrando é preocupante: obscurantismo ("a homossexualidade é uma doença que se cura rezando"), o desprezo pela ciência ("as teorias de Darwin não são comprovadas"), propostas econômicas inverossímeis ("é possível reduzir o deficit fiscal sem elevar impostos"), populismo ("vou abolir dois -não, três!- ministérios"), hipocrisia ("o casamento e a fidelidade são valores sagrados"), ignorância ("os talebans estão na Líbia") ou mentiras ("Obama é muçulmano"). O fato de esse grande partido não ter candidatos melhores a oferecer dá muito o que pensar.
Enquanto isso, na Venezuela... uma oposição com fama de inepta e golpista se transformou em um dos movimentos políticos mais democráticos e inspiradores da América Latina. Planeja eleições primárias abertas a todos os venezuelanos para escolher o candidato que enfrentará Hugo Chávez no pleito de 2012.
Pouco tempo atrás, os pré-candidatos encenaram um evento que a grande maioria do país, a população com menos de 30 anos, nunca tinha visto: um debate televisionado entre políticos rivais (o último foi em 1983). Tampouco tinha visto políticos que não tratam seus competidores como inimigos mortais, nem os viu trocar os piores insultos.
As pessoas descobriram que a disputa política não exige o uso das táticas brutais às quais o presidente Chávez recorre comumente. Comparados com os pré-candidatos republicanos, os opositores venezuelanos se mostraram mais sérios e preparados. E, em um duro contraste com os americanos, quem ganhar as primárias não terá que enfrentar o presidente dentro de um contexto institucional democrático -terá que enfrentar Hugo Chávez no contexto institucional que convier a este e que ele definirá de modo unilateral.
Muitos acharão impossível acreditar nisso, mas os candidatos republicanos poderiam aprender muito com os líderes venezuelanos que se atrevem a enfrentar Chávez.
As crises mundiais não deixam muito espaço noticioso para a crise venezuelana. Mas o que aconteceu na Venezuela há pouco é uma notícia que merece mais atenção. E o que não acontece entre os republicanos também.

Politicagens - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 25/11/11

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, utilizando-se, sem dar o devido crédito, de uma definição do deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio, avisou publicamente que estamos em um regime presidencialista, e, portanto, quem nomeia e demite ministros é a presidente Dilma Rousseff.
Com isso, ele quis avisar aos partidos políticos que fazem parte da base aliada que, na reforma ministerial que vem por aí, não há lugar reservado para qualquer um deles, podendo a presidente decidir até mesmo encurtar o tamanho de seu Ministério, que, como já avisou publicamente o empresário Jorge Gerdau, é inadministrável com 40 cargos de nível de primeiro escalão.
Não quer dizer que a presidente terá condições políticas de enxugar seu Ministério, mas há uma tentativa nesse sentido em curso.
Mas o que Carvalho visava mesmo era avisar ao PDT que não adianta querer se adiantar à presidente e substituir o ministro atual, Carlos Lupi, por alguém da legenda a fim de escapar da reforma ministerial, garantindo o Ministério do Trabalho para o partido, com outro nome.
Tudo indica que essa capitania hereditária que o PDT herdou desde o segundo governo Lula não continuará sob o domínio dos pedetistas, assim como o PP pode perder o Ministério das Cidades depois de mais um escândalo envolvendo o ministro Mário Negromonte.
A presidente Dilma mudou de tática no tratamento que dá ao combate à corrupção, deixando os dois ministros da nova safra de condenados pela opinião pública a apodrecer em plena praça, sem remover o entulho político para longe.
Parece ser um passo a mais no processo de desmoralização dos partidos políticos, que vem dando à presidente um prestígio popular alto.
Pesquisas indicam que a população se convenceu de que qualquer presidente, de qualquer corrente ideológica, só consegue governar se atender às demandas dos congressistas.
A saída que a presidente Dilma teria encontrado seria expor as entranhas da classe política, e por isso é bem avaliada pela população.
Nessa mudança de maneira de agir - anteriormente ela demitira nada menos que cinco ministros envolvidos em corrupção, mas deixou que os partidos permanecessem em seus feudos, indicando um substituto -, há um risco, diante da constatação de que a maneira anterior estava sendo bem recebida pela população.
A limpeza ética torna Dilma uma presidente popular, sobretudo na classe média, cerca de cem milhões de pessoas que representam mais de 50% da população e o maior poder de compra, mais que A e B juntas, e que, em geral, dão importância a questões como valores morais.
Ao mesmo tempo, a oposição também tem pesquisas que indicam que toda essa discussão de controle da corrupção acabará por atingir a própria presidente, à medida que ficar claro para a população que ela é a verdadeira responsável por ter políticos corruptos em seu Ministério.
A corrupção teria chegado mais perto do PT, que perdeu a fama de ser um partido puro e estaria fragilizado nessa área.
A boa vontade com a presidente pode desaparecer com o tempo se a oposição conseguir marcar junto ao eleitorado que Dilma é seletiva nessa limpeza, por interesse partidário.
Ao mesmo tempo, o PSDB pretende manter uma posição moderada, fiscalizadora, sem radicalismos, que é a mais bem sintonizada com a expectativa da opinião pública.
O estudo demonstra que há grande relação entre as eleições intermediárias para prefeitos e vereadores e as das bancadas de deputados estaduais e federais subsequentes, o que dá às eleições municipais do próximo ano uma importância vital para a tentativa de soerguimento oposicionista, especialmente em relação ao DEM, que vive um período de baixa e vai ter como adversário direto o novo PSD, nascido basicamente de suas entranhas e que quer dominar o mesmo nicho eleitoral que um dia já foi do PFL e do próprio DEM.
Há uma grande expectativa, por isso, quanto às medidas que o governo venha a tomar para enfrentar a crise econômica internacional, que só faz piorar, principalmente na Europa.
Os efeitos da crise na economia brasileira, se semelhantes aos de 2008, podem trazer problemas para o governo justamente num ano eleitoral.
A queda da desigualdade sofreu um retrocesso em decorrência da crise, ficando praticamente estagnada em 2009, e os mais pobres foram atingidos mais diretamente.
Esse mesmo fenômeno pode voltar a acontecer se a crise deste ano vier com a mesma intensidade da anterior, possibilidade que já aparece nos cenários mais realistas dentro do governo.
O governo vinha sendo beneficiado nos últimos anos pelo crescimento econômico, o que permitiu ao ex-presidente Lula montar um esquema político amplamente majoritário em torno de sua candidata, a hoje presidente Dilma.
A crise econômica internacional só eclodiu em setembro de 2008, de modo que as eleições municipais daquele ano não foram afetadas por suas consequências.
Embora o ano de 2009 tenha sido de estagnação econômica, houve tempo para uma forte recuperação no ano passado, com um crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto.
Desta vez, porém, o timing da crise parece ser contrário ao governo, que está tendo que enfrentar este ano os efeitos da gastança governamental do ano da eleição presidencial, ao mesmo tempo em que começa a ser afetado também pela crise internacional.
O ano que vem promete ser menos propício a gastos, o que sempre é ruim em anos eleitorais e provoca em alianças políticas que vivem na base da fisiologia ambiente de instabilidade propício a traições.

DUAS MERDAS!


Que fazer com o clima no patrimônio histórico? - WASHINGTON NOVAES


O Estado de S.Paulo - 25/11/11


Nesta semana, está se realizando em Sintra, Portugal, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Congresso Mundial da Organização das Cidades Patrimônio Mundial - no qual está presente o autor destas linhas. O tema central é o dos problemas que as cidades históricas vêm sofrendo com as mudanças climáticas no mundo - e como enfrentá-los.

Nas últimas semanas, por exemplo, a maior parte da cidade de Bangcoc, na Tailândia, teve quase toda a sua área ocupada pela água de chuvas e inundações. E ali se encontra um patrimônio histórico e artístico muito valioso, a começar pelo Templo do Buda de Esmeralda - trata-se, de fato, de um conjunto de templos que formam uma espiral que termina no monumento central, um templo com paredes forradas de pedras preciosas, piso de fios de prata e, ao centro, um Buda de metro e meio de altura, na verdade, uma peça inteiriça de jade. Também está ameaçado o Templo do Buda de Ouro, outra peça enorme, toda em metal precioso. Ou o Palácio Real, uma joia arquitetônica - entre outras peças.

Não é preciso aqui insistir em informações sobre mudanças do clima e suas consequências, já expostas em vários artigos neste espaço. Basta relembrar que os "desastres climáticos" têm aumentado de ano para ano e o Brasil já é um dos países com mais eventos dessa natureza e vítimas. Ou a informação de que as emissões de poluentes que se concentram na atmosfera e intensificam mudanças aumentaram 6% em 2010 e chegaram a mais de 30 bilhões de toneladas anuais (cientistas dizem que, se passarem de 32 bilhões de toneladas, não será possível conter o aumento da temperatura da Terra em 2 graus Celsius - limite além do qual as mudanças serão muito mais fortes do que já são).

Nosso país não escapa ao problema em muitas de suas cidades históricas, comprometendo patrimônios seculares, como é o caso de São Luís do Paraitinga (SP), ou da cidade de Goiás, antiga capital do Estado, ou das cidades serranas do Rio de Janeiro, para citar apenas algumas, onde está boa parte do patrimônio do Brasil colônia ou do Brasil Império. Em todas elas, chuvas intensas extravasaram de rios assoreados por causa do desmatamento em suas bordas e da erosão - além de terem suas margens, planícies naturais de inundação, tomadas por ocupações humanas de alto risco. Mas não é só: o próprio volume e o peso de chuvas torrenciais sobre construções antigas e frágeis são uma grave questão. Ou a impermeabilização de solos urbanos e a formação de correntes de água para lugares que deveriam ser preservados.

Obviamente, o primeiro caminho é recompor o leito dos rios, desassoreá-los, para que possam suportar maior volume de água sem atingir as construções históricas. Isso exigirá também recompor a vegetação em suas margens, para que chegue menos água aos rios. Construir muretas de proteção onde for possível e necessário. Impedir a impermeabilização do solo ao redor dos monumentos.

Mas os problemas não terminam aí. Como reforçar construções antigas - muitas de adobe ou taipa - sem desvirtuá-las com a presença de outros materiais? Como fazer isso sem comprometer a temperatura ambiente, a aeração? Como pode o poder público trabalhar em patrimônios particulares e ali aplicar recursos? Como enfrentar a divisão de áreas entre muitos herdeiros, alguns deles desejosos de negociar a sua parte? Mais complicado ainda, como fazer em lugares (como cidades do barroco mineiro) onde o patrimônio histórico está ao ar livre? Prover coberturas, se isso pode desvirtuar a visão e a paisagem? Providenciar réplicas, moldes em cera, para o caso de os eventos os danificarem gravemente?

Há situações em que até providências de socorro podem ser muito complicadas - e não apenas no caso de chuvas. Numa cidade histórica goiana, Pirenópolis, por exemplo, que é do século 18, um acúmulo de problemas levou a um incêndio numa igreja de construção única, ornamentação também singular, que começou pela nave central. Bombeiros e especialistas do patrimônio histórico chegaram, juntos, quando o fogo já tomava bancos e altares. Bombeiros queriam não apenas combater o problema na nave central, mas resfriar as paredes, para que não fossem atingidas - mas os jatos de água poderiam comprometer não apenas a pintura histórica, como ameaçar a própria construção, muito frágil. Foi difícil um acordo - mas se preservou o patrimônio. Na cidade de Goiás, pouco tempo depois de reconhecida como patrimônio da humanidade, uma enchente nas cabeceiras do Rio Vermelho - desmatadas - chegou ao centro histórico e atingiu até a casa de Cora Coralina. Exatamente porque as recomendações sobre o que se deveria fazer na bacia não foram seguidas.

Outro problema está na formação de pessoas com conhecimentos para os trabalhos necessários, na prevenção a na reparação. Que saibam escolher os materiais - tintas, cal, telhas, vidros, entre outros - adequados. O Instituto Federal de Goiás tem cursos técnicos profissionalizantes que formam pessoas capazes de reproduzir elementos construtivos adequados. O Ministério da Cultura já tem restauradores capacitados.

Há um lugar importante que cabe à comunicação. Não apenas tratando adequadamente da questão do clima, mas alertando previamente para situações de risco, seja para os monumentos históricos, seja para as pessoas - como a ocupação de topos de morros, encostas, áreas de inundação natural, desmatamentos que podem comprometer os cursos d'água e provocar situações indesejáveis.

Há muito a ser feito. Importante é ter consciência dos problemas. Agir com rapidez nos momentos críticos. Dotar de pessoas e recursos os órgãos capazes de cuidar do patrimônio histórico - que é da humanidade e, aqui, da sociedade brasileira. E, principalmente, atuar preventivamente, minimizar a possibilidade de danos.

Entre a terra e o mar - FERNANDO GABEIRA



O Estado de S. Paulo - 25/11/2011


Dizem alguns historiadores que os chineses, há muitos séculos, achavam que o oceano era uma imensidão estéril. Fecharam-se na terra, perderam o contato com inúmeras inovações técnicas no Ocidente. Isso lhes valeu derrotas e longos anos de sofrimento. Num país colonizado pelos portugueses, é difícil subestimar o oceano. No poema Mar Português, de Fernando Pessoa ("tudo vale a pena se a alma não é pequena"), os versos iniciais, menos conhecidos, são também emblemáticos: "Ó mar salgado, quanto do teu sal/ são lágrima de Portugal!". Com a descoberta de petróleo na costa brasileira e, agora, as grandes reservas das camadas do pré-sal, o Brasil está diante de uma histórica opção diante do oceano.

O debate que se travou em torno dos royalties foi, na verdade, uma grande revelação. Os interlocutores querem definir como empregar o dinheiro. Estados, municípios, estudantes, todos têm uma fórmula para dividir os recursos do petróleo. O oceano passou a ser visto como uma galinha dos ovos de ouro. Discutimos, diante do petróleo marinho, com a excitação com que algumas famílias debatem o testamento de um tio bilionário.

Nasce aí a primeira cilada: supor que o oceano é apenas um imenso poço de petróleo, ignorando a diversidade da vida marinha e o outros potenciais econômicos que a própria biotecnologia pode desenvolver. O perigo dessa cilada é evidente em todas as declarações de alívio, porque o óleo vazado nas instalações da Chevron, na Bacia de Campos, se afastava do litoral. Sem dúvida, os prejuízos são maiores quando a mancha ruma para a praia. Mas não significa que seja totalmente inofensiva em mar alto.

O oceano não é uma cloaca. Ou, pelo menos, não deveria ser. Tartarugas recolhidas pelo Projeto Tamar revelam o estômago forrado de plástico, mergulhadores na Baía de Guanabara recolhem de tudo, de fogão à velha geladeira.

A faixa onde se vai explorar o pré-sal é rota de passagem da maioria das espécies em extinção no mar brasileiro. E o desastre da Chevron não mostrou apenas que estamos despreparados, mas também por que estamos despreparados. O Brasil só se preocupa com desastres quando eles acontecem. Nos primeiros anos do século, ante o vazamento na Baía de Guanabara e outros acidentes menores, a Petrobrás investiu R$ 1,4 bilhão num plano de emergência chamado Pegaso. A empresa ficou tão interessada no tema que mandou uma equipe para estudar o desastre na Galícia, aproveitar a experiência no Brasil.

A explosão na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, apresentou uma novidade bem diferente da encontrada em vazamentos de navios. Para estes uma solução é o projeto da obrigatoriedade do casco duplo, fórmula que, na maioria dos casos, impede que o óleo derrame no mar. O desastre com a Horizon mostrou que os mecanismos de controle do governo, mesmo o americano, são frágeis. Aumentou a capacidade técnica das empresas em comparação à capacidade de fiscalizar do governo. A Marinha americana não tinha condições técnicas para entender e reparar por si mesma o caos na plataforma.

Vivemos uma experiência semelhante no Brasil, quando tentamos criar algumas normas para um mecanismo chamado estocagem de carbono, no fundo do mar ou nas rochas. Quase nenhum Parlamento do mundo avançou nesse campo porque a técnica, basicamente, é dominada pelas empresas interessadas.

Diante do desastre o Golfo do México, o Brasil reagiu. Mas reagiu apenas no tempo em que o assunto estava em cartaz. A ideia de um plano nacional de emergência não saiu do papel.

Sempre se pode afirmar, como o fez a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, que o desastre da Chevron não foi assim tão grande, logo, não era caso de acionar um plano nacional. Mas se nos planos simulamos com desastres inventados, por que não usar um desastre real para ensaiar?

Não houve transparência no caso da Chevron. Anunciado discretamente no dia 10, só uma semana depois o episódio saiu do anonimato. A dimensão do vazamento foi monitorada por uma ONG nos Estados Unidos, a SkyTruth. A transparência é fundamental se queremos mobilizar voluntários e realmente dar uma chance de defesa aos pescadores e comunidades litorâneas.

No ano que vem vamos discutir na Rio+20, entre outros temas, a economia verde. Mas a ONU lembra que é preciso também discutir a economia azul, talvez mais preocupada com a pesca e alimentos. Os oceanos podem dar muito mais. E, além disso, as correntes marinhas são um ponto de referência nas mudanças climáticas: quebrada a sua regularidade, as do processo de aquecimento tornam-se mais perigosas.

Não é grave apenas a falta de um plano nacional de emergência. É grave também todo o despreparo institucional para administrar os problemas no oceano. Falta uma política para o mar, algo que escapou até à maioria dos militantes verdes, concentrados na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica. O Brasil prepara-se para tensionar o Oceano Atlântico com intensa exploração do petróleo e, em vez de examinar, mais amplamente uma economia azul, perdeu-se num só tema.

Enquanto discutimos para onde vão os ovos de ouro, poucos se dão conta de que estamos, lentamente, matando a galinha. Alguns prefeitos, de forma caricata, chegaram a ligar para deputados quando se discutia o pré-sal: "Quando vem o dinheiro? Já existe algum para nós?"

Grande parte dos biólogos marinhos trabalha hoje para as empresas de petróleo. Os avanços da Petrobrás na gestão de desastres poderiam inspirar até a criação de uma empresa brasileira para atender os desastres no continente. Mas há diferenças entre empresa e país. Ignorá-las significa que não é preciso fiscalizar o estágio atual de seu plano de emergência, os problemas trabalhistas na Bacia de Campos, os acidentes sofridos pelos petroleiros.

O vazamento da Chevron foi um alerta. Fernando Pessoa, num de seus versos, fala de uma alma atlântica. Se isso existe, parece que não a herdamos. Os royalties ofuscaram o oceano.

PERTO DO NINHO - MÔNICA BERGAMO



FOLHA DE SP - 25/11/11
O governo do Estado e a Prefeitura de SP discutem a ideia de enviar frequentadores da cracolândia de volta a suas cidades de origem. Localizados pelo censo de moradores de rua que será finalizado neste ano, eles seriam encaminhados às prefeituras dos municípios em que nasceram para receber assistência.

NINHO 2
"Há um princípio de que cada comunidade tem que ser responsável por seu produto social. São Paulo é uma cidade acolhedora neste sentido, recebe a todos. Mas, para eles, o melhor é ficar perto de suas origens e de seus familiares", diz a vice-prefeita Alda Marco Antonio. Ela e Alckmin conversaram recentemente sobre a ideia.

CONVITE
O jornalista e escritor Mario Sabino, redator-chefe da revista "Veja", recebeu um convite da CDN (Companhia de Notícias) para ser um dos sócios da empresa, que é uma das maiores agências de comunicação corporativa do país. Ele tem conversado com a Editora Abril sobre a eventualidade de sair. Sabino nega: "Todos os anos recebo convites e surge essa especulação. Mas eu não vou sair da 'Veja'".

DE CARTEIRINHA
No programa do PT que vai ao ar em dezembro, Lula aparecerá ainda de barba. Ele gravou depoimento antes de começar a quimioterapia. As peças publicitárias vão ser voltadas para o incentivo a novas filiações.

GENTILEZA
Lobão procurou Rafinha Bastos para conversar com ele sobre o convite que recebeu da TV Bandeirantes para substituí-lo no programa "A Liga". "Eu gosto muito dele", diz o cantor e compositor. "O programa é hoje uma das maiores audiências da Band. Estou animadíssimo para começar." O contrato ainda não foi assinado. Mas, se tudo der certo, Lobão entra no ar em janeiro.

LEI À MESA
O Instituto de Defesa do Direito de Defesa realizou jantar, anteontem, no clube Lions. Entre os advogados presentes, Marina Dias, presidente do IDDD, Augusto de Arruda Botelho, José Luis de Oliveira Lima, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Arnaldo Malheiros Filho. E os juízes Ivana David e Paulo Augusto Irion.

VOCÊ É BONITA
O cantor britânico James Blunt, do sucesso "You are Beautiful", abrirá o Festival de Verão de Salvador no dia 25 de janeiro.

SILVIO E OS SERTÕES
José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina, conta que entregou a Silvio Santos cinco DVDs com 27 horas de gravações das apresentações da série de espetáculos "Os Sertões". O dono do SBT disse anteontem no programa "Um Milhão na Mesa" que havia ganhado "uns vídeos de Zé Celso" sobre uma guerra, mas não sabia se era a de Canudos ou a dos Farrapos. "Não me surpreende ele ainda não ter assistido. Tem que ter coragem para sentar e ver tudo", diz Zé Celso.

BEIJA EU
Uma foto de um beijo entre uma freira e um padre, feita por Oliviero Toscani para a campanha da Benetton de 1992, está exposta no MAC da USP. Há alguns dias novas imagens da grife causaram polêmica, como a do papa Bento 16 beijando um imã egípcio e a de Obama beijando Hugo Chávez.

PRONTA PRO VERÃO
Maria Fernanda Cândido está fazendo um tratamento contra flacidez e celulite na clínica do médico Jardis Volpe, em SP. Ela usa o aparelho Venus Freeze.

Cada sessão custa, em média, R$ 450.

BEIJO NO MICKEY
Adriane Galisteu passará as festas de fim de ano na Disney, nos EUA, com o marido e o filho Vittorio, 1.

CURTO-CIRCUITO
Dalua lança no dia 30 seu novo CD, em conjunto com o mestre de capoeira Maurão, com show no Estúdio Emme. Às 22h30. 18 anos.

A Tiffany do shopping Iguatemi promove hoje o Holiday Celebration.

A Maison du Luxe faz amanhã o Painel do Luxo.

A Serasa Experian criou uma rede social corporativa, a Zoom.

A Orquestra Sinfônica do Paraná se apresenta no domingo, às 17h, na Sala São Paulo. Classificação etária: livre.

O programa cultural Vivo EnCena, com curadoria de Expedito Araujo, completa um ano de existência.

Acontece hoje o Arola Sound Sessions, com discotecagem de Lara Gerin, no restaurante Arola Vintetres, nos Jardins.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Bunda de Merkel é inquebrável! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 25/11/11

O Adriano é como o décimo terceiro: aparece no fim do ano pra dar alegria pros pobres

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: Câmara Municipal de Belo Horizonte aprova o Dia da Feijoada! Autor do projeto: vereador Edinho do Açougue! Rarará!
E esta: comer rápido aumenta chance de se tornar obeso, afirma o professor Ian McDonald. Tá todo mundo legislando em causa própria: Edinho do Açougue e o Ian McDonald!
E mais esta: "Doutor Paulo Gallo inaugura centro de fertilidade". O Gallo vai botar as colegas pra botar ovo. Rarará.
E o Berlusconi que chamou a Angela Merkel de bunda incomível?! Rarará. Se ele era grosso daquele jeito no governo, imagine fora. A Angela Merkel tem bunda incomível e inquebrável. Ela foi a única que não quebrou. Ela e a Dilma. Rarará!
Para dar um jeito naquele monte de bunda mole só uma bunda incomível! E a bunda da Angela Merkel parece um apfelstrudel incomível. Rarará!
E o site QMerda disse que o Adriano é como o décimo terceiro: aparece no fim do ano pra dar alegria pros pobres. Rarará! Décimo terceiro, Papai Noel. Mas continuo achando que ele parece caminhão de usina: grandão e cheirando cana! Rarará!
E que a Christiane Torloni tá mais esticada que o elástico da calcinha da Mulher Melão! E que a italianada tá toda se atirando na Fontana di Trevi pra catar moeda! Rarará!
E domingo em Interlagos? O Rubinho vai correr domingo? Correr não, vai PARTICIPAR!
E a dupla de brasileiros: o Felipe Massa e o Rubinho Barriquebra! Ops, o Felipe Massa e o Rubinho, amassa! Rarará! Diz que, se o Rubinho corresse de roda gigante, furava o pneu da roda. Despencava todo mundo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E ontem eu falei dos urubus do Ibirapuera fazendo ninho nas varandas dos apartamentos de luxo. Aí o povo do meu Twitter disse que não são urubus, são flamenguistas. Que fugiram pra São Paulo por causa da UPP. Rarará!
Imagine pagar milhões por um apartamento com uma varanda cheia de flamenguistas!
E aquele que escreveu na porta do banheiro dum bar na Bahia: "Faixa de Gases". Rarará! A coluna hoje tá parecendo uma borracharia! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Terra de cego - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK



O Globo - 25/11/2011


Mais uma agência de avaliação de risco decidiu aumentar a nota atribuída ao Brasil. Depois da Fitch e da Moody"s, foi a vez da Standard & Poor"s. O país está agora com nota acima da mínima requerida para que seus títulos tenham grau de investimento. Quando se leva em conta que a solvência da dívida soberana de boa parte dos países europeus passou a ser posta em dúvida, a reclassificação parece perfeitamente justificável. Mas o ímpeto comemorativo deve ser contido. É muito mais o mundo piorando do que o Brasil melhorando.

Causa espanto que a Standard & Poor"s tenha afirmado que a administração austera das contas públicas pelo governo federal foi um ponto fundamental na decisão de reclassificar o Brasil. Há que se ver as coisas como elas são. Quando se analisa o período de 12 anos ao longo do qual se consolidou o regime de política macroeconômica que emergiu da crise de 1999, o último triênio se destaca pela fragrante deterioração do compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. Basta rememorar os fatos.

Em 2008, o governo já vinha dando todos os sinais de que estava propenso a relaxar a política fiscal. A crise financeira mundial foi o pretexto que faltava. A bandeira da política fiscal contracíclica, hasteada em 2009, continuou tremulando em 2010, quando a economia já estava em vigorosa recuperação. Havia uma eleição presidencial a vencer, e o governo não estava disposto a brincar em serviço. O resultado foi o que se viu. Sucesso eleitoral retumbante às custas de uma economia sobreaquecida - quase 8% de crescimento do PIB em 2010, nos informa agora o IBGE - e inflação bem acima da meta durante a primeira metade do atual mandato presidencial.

O pior foi o meticuloso processo de desconstrução institucional que o governo promoveu para viabilizar a farra fiscal. Montou-se no BNDES gigantesco orçamento paralelo, alimentado por transferências maciças de recursos do Tesouro provenientes da emissão de dívida pública. Entre 2008 e 2011, foram transferidos ao banco nada menos que R$285 bilhões. Por fora do processo orçamentário e sem contabilização nas estatísticas de dívida líquida. O BNDES foi convertido no principal canal da expansão fiscal observada nos últimos anos. Embora todos os recursos provenham do Tesouro, convivem hoje no governo federal dois mundos completamente distintos. Contam-se os centavos no Orçamento da União e vive-se um clima fausto no BNDES, onde parece haver dinheiro para tudo.

É preciso também lembrar que, em meio à euforia da farra fiscal do ano passado, o governo se permitiu todo tipo de adulteração contábil para conseguir exibir contas públicas minimamente apresentáveis. No pior momento desses excessos, na operação de capitalização da Petrobras, deu-se ao luxo de recorrer a prodigiosa alquimia que transformava emissão de dívida pública em melhora do superávit primário.

O novo governo, com a mesma equipe, percebeu que tal descalabro teria de ser moderado. Mas não quis abrir mão do orçamento paralelo. Insistiu em transferir mais R$55 bilhões ao BNDES em 2011. Comprometeu-se apenas com uma meta "cheia" de superávit primário, sem recurso a artifícios contábeis. E, para isso, anunciou um corte de gastos que, de fato, vai significar tão somente expansão menos extremada do dispêndio primário em 2011.

A meta de superávit primário será cumprida graças a novo e espetacular aumento da arrecadação, que deverá implicar aumento de pelo menos 1,5 ponto percentual do PIB na carga tributária em 2011. Mas o regime fiscal que vem exigindo aumento sem-fim da carga tributária continua intocado. A agenda de reforma fiscal foi simplesmente abandonada. E é improvável que venha a ser retomada neste mandato presidencial.

Quem, no entanto, quiser achar que não foi o mundo que piorou e, sim, o quadro fiscal brasileiro que melhorou, pode comemorar a reclassificação do país e até mesmo acreditar no inabalável compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. O direito à autoilusão é sagrado.

Juras de fidelidade - RENATA LO PRETE



FOLHA DE SP - 25/11/11

Com a proximidade da reforma ministerial, partidos aliados de Dilma Rousseff deflagraram competição paralela na tentativa de demonstrar obediência ao Planalto. A prorrogação da DRU na Câmara, nesta semana, foi um termômetro da disputa: apesar das ameaças e cobranças que precederam a segunda discussão, líderes tentavam assegurar ao governo maior número de votos e presença máxima das bancadas em plenário.

De olho na nova configuração da Esplanada, PR e PV, que não integram oficialmente a base de Dilma, e até siglas ameaçadas de perder espaço, como PP e PDT, fizeram a diferença em favor do governo.

Biodegradável A votação do Código Florestal abalou a relação de amizade de Jorge Viana (PT-AC), relator do texto aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, e Marina Silva. Depois das críticas da ex-senadora, Viana retrucou: "Muitos ocuparam cargos no governo e não trouxeram uma única árvore de volta".

Outro lado O Planalto nega que tenha sido de bronca o tom da conversa entre Dilma e o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, a respeito das suas declarações sobre o PAC.

Babel O debate sobre o projeto que regulamenta terceirizações rachou as centrais sindicais. Apesar da perspectiva de acordo na comissão que trata do tema na Câmara, CUT, Nova Central, CTB e CGTB protestaram contra o relatório de Roberto Santiago (PSD-SP). Força Sindical e UGT defendem o texto.

Trunfo Em carta, o presidente do TST, João Oreste Dalazen, expressou apoio ao substitutivo de Vicentinho (PT-SP), que aumenta as exigências para empregadores.

Fila Peemedebistas criticaram o espaço concedido a Paulo Skaf no programa de TV que foi ao ar ontem. "Ele acabou de chegar e já quer sentar na janelinha?", questionou um colega de partido.

Foi mal Petistas consideraram precipitada a conversa de Fernando Haddad com o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, para tratar da aliança eleitoral para 2012. Depois da reunião, anteontem, o dirigente comunista veio a público reafirmar a tese da candidatura própria, o que, para haddadistas, só aumentou o cacife da sigla para futuro acordo.

Linha cruzada O impasse na votação do projeto do Centro de Convenções de Pirituba frustrou Gilberto Kassab, que monitorava anteontem, por telefone, a discussão do texto na Câmara paulistana. Em viagem à França, o prefeito pretendia anunciar a aprovação da medida aos interessados na candidatura de SP para a Expo 2020.

Passando... Em correspondência endereçada a deputados, o desembargador Antonio Carlos Malheiros reclama dos R$ 10 reservados pelo governo paulista para a Coordenadoria de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça no Orçamento de 2012.

...o chapéu "É uma ofensa", diz Malheiros, que pede R$ 64 milhões para contratação de profissionais e projetos como o de assistência aos menores da "Cracolândia". A Secretaria de Planejamento diz que o valor é referencial e pode ser suplementado.

Visita à Folha Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), presidente do Conselho de Administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Carolina Steinbruch.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"É um retrocesso criminoso, que só interessa ao lobby dos fabricantes. Além disso, vai na contramão de tudo que se defende em termos de saúde pública no mundo."

DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), sobre a aprovação no Senado, com aval da base governista, de artigo que permite a publicidade de cigarros em eventos esportivos e culturais no país.

contraponto
Proibido para menores

Durante a entrega do prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar, Antoninho Trevisan, da ONG Ação Fome Zero, surpreendeu-se ao saber que Gilberto Carvalho conhecia o baru, castanha usada em refeições de alunos. Alguém comentou que se trata de alimento afrodisíaco, e Trevisan brincou com o ministro:

-Agora entendo porque o senhor sabe tudo do baru!

Carvalho então ensinou à plateia receita caseira de licor de baru, e a ministra Tereza Campello completou:

-Só não pode servir para a gurizada!

Loucos por bola - NELSON MOTTA


O Estado de S.Paulo - 25/11/11


Enquanto nas grandes ligas europeias os campeões quase sempre são conhecidos com rodadas de antecedência, com os jogos finais perdendo em sentido e emoção, no Brasileirão 2011, depois de uma sequencia eletrizante de surpresas e reviravoltas, Vasco, Corinthians e Fluminense chegam às duas ultimas rodadas disputando o título e o país do futebol respira ansiedade e paixão. Com a seleção brasileira perdendo a mística e a nobreza, transformada em mercadoria esportiva agenciada pela CBF, a paixão pelos clubes é cada vez maior, mais forte e sincera. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na fartura e na pobreza, na lealdade e na fidelidade, a aliança do torcedor com seu clube do coração é eterna.

Mesmo no confronto, o futebol aproxima as pessoas, o amor pelo mesmo clube ameniza antagonismos e faz pontes de tolerância entre adversários políticos, sociais e religiosos, entre opressores e oprimidos. Além de assunto de conversa com amigos e desconhecidos em qualquer lugar, nas vitórias o futebol autoriza congraçamentos e gozações sem limites de classes sociais, gêneros ou gerações. Como uma droga poderosa, ingerida audiovisualmente, atua sobre o cérebro, a memória afetiva e as emoções, transformando pacatos pais de família em facínoras sanguinários diante da televisão, dando coragem a covardes e humilhando orgulhosos, nivelando pobres e ricos, raças e religiões, analfabetos e cultos, nas batalhas de seus 11 guerreiros no gramado.

Mas o que mais encanta e apaixona no futebol é a sua natureza imprevisível, que desafia estatísticas, raciocínios e o senso comum, quando o pequeno sempre pode surpreender o gigante, quando um time pode virar um jogo e fazer três gols a cinco minutos do final. Ou tomar três gols e perder a partida. É uma metáfora de guerra, uma luta tática por espaço no campo de batalha para invadir, com a bola, a cidadela adversária. Não há justiça no futebol, não há lógica nem moral, não há nenhuma certeza além de que o adversário é forte e merece respeito mas nossa equipe está preparada e esperamos sair com um bom resultado. E dá-lhe Fluzão!

Um país com pés de barro - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 25/11/11


Como acontece a cada 15 dias, ou mesmo todos os meses, os dirigentes alemães e franceses reúnem-se para salvar o euro, a União Europeia e o mundo. O colóquio Sarkozy-Merkel ontem se realizou em Estrasburgo. Sarkozy, segundo o costume, assumiu sua fisionomia patética e preveniu que "o destino da Europa está em risco porque ou saímos juntos disso ou morreremos cada um de um lado".

Portanto, trata-se de mera rotina. É a décima vez que assistimos à mesma cena, como fazem os diretores de cinema que obrigam seus atores a repetir o mesmo diálogo cinco, dez vezes. Dessa vez, há duas novidades.

De um lado, a dupla Sarkozy-Merkel convocou um novo personagem - o italiano Mario Monti, o líder da terceira economia do euro. Até agora, a Itália esteve sempre ausente das reuniões franco-alemãs, mas ocorre que a Itália era Berlusconi, e que Berlusconi...

A segunda novidade é que, pela primeira vez, a Alemanha está abalada.

A Alemanha, a invencível Alemanha, o país que todos os vizinhos admiram e invejam, a "queridinha dos mercados", está sendo tratada do mesmo modo que Grécia, Portugal ou França. É mesmo espantoso! Eis o que aconteceu na quarta-feira: Berlim queria levantar 6 bilhões em empréstimos de dez anos. Tais operações são bastante comuns e não representam nenhum problema para a Alemanha, que goza da confiança cega dos investidores.

Ocorre que, na falta de demanda suficiente, o país só conseguiu 3,6 bilhões. Verdade seja dita, os juros alemães são muito baixos, em comparação com os dos outros países do euro. E o Bundesbank (o banco central alemão) teve de tomar a iniciativa e, com uma careta horrível, comprou os títulos. Será que estamos sonhando? A Alemanha recebendo o mesmo tratamento da Espanha? Será que os mercados, depois de se exercitarem com os membros mais fracos do euro, decidiram atacar o próprio coração do sistema?

Essa surpresa na verdade é menos espantosa do que pode parecer. Há dez dias, outros "bons alunos" da zona do euro, como Finlândia, Áustria e Holanda, também sofreram abalos. E tiveram de oferecer altos juros para colocar seus papéis nos mercados. Tudo bem. Mas a Alemanha? Então teremos de esquadrinhar este país em todos os detalhes. E o que vemos? Um país que, como todos os outros, às vezes, tem os pés de barro.

E menos virtuoso e menos vigoroso do que parece. Por exemplo, sua dívida não é pouca: representa 82,6% do Produto Interno Bruto (PIB). E sua produção? Sua indústria que o mundo todo inveja com milhares de médias empresas de desempenho impecável? Pois é, o Bundesbank confirmou na segunda-feira que, no próximo ano, o crescimento só será de 0,5% a 1%. Ou seja, números semelhantes aos da França.

É verdade que a estranha debilidade da Alemanha pode ser explicada por outros motivos. A França e outros membros do euro gostariam que o Banco Central Europeu (BCE) tivesse o direito de conceder empréstimos de extremo recurso aos países ameaçados da zona do euro. Como o BCE, por definição, tem atribuições ilimitadas, (porque pode imprimir dinheiro) sua garantia seria suficiente, acredita-se, para suprimir a especulação.

Foi o que aconteceu com os outros bancos centrais (Estados Unidos, Grã-Bretanha etc...). Mas a Alemanha, defensora intransigente da ortodoxia financeira e orçamentária, traumatizada, de outro lado, pela hiperinflação dos anos 20 e 30 que levou ao nazismo, sempre se recusou a conceder essa liberdade ao BCE. Ela teme terrivelmente a máquina de fazer dinheiro.

Nesta análise, o que aconteceu na quarta-feira em relação aos empréstimos de 6 bilhões seria então apenas um tiro de advertência, um alerta endereçado a Merkel para que ela amenize os seus dogmas. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Salvo-conduto - DORA KRAMER


O ESTADÃO - 25/11/11

Um palpite? Dificilmente o ministro Mário Negromonte será importunado por ter avalizado fraude documental para troca de um projeto de infraestrutura da Copa, em Mato Grosso, que custava RS 489 milhões por outro de R$ 1,2 bilhão.

Além do preço quase triplicado, o projeto teve parecer contrário do corpo técnico do Ministério das Cidades.

E por que a suposição de que o ministro continuará impávido colosso?

Algumas hipóteses. Uma delas é que, pelo relato do repórter Leandro Colon ontem no jornal O Estado de S. Paulo, desta vez o buraco é mais profundo. A substituição dos projetos envolveu negociação da qual participaram, além do ministro das Cidades, a titular do Planejamento, Miriam Belchior, e o vice-presidente Michel Temer.

A troca era de interesse do governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, do PMDB, como Temer.

Como se vê, não seria simples apenas descartar Mário Ne­­­gromonte ou seu chefe de gabinete, Cássio Peixoto, de quem partiu a ordem para alteração do parecer contrário ao projeto que acabou sendo adotado.

Mas, a despeito da existência de provas fartas e substanciais de que houve uma urdidura de má-fé dentro do ministério e, segundo registro gravado na voz da diretora de Mobilidade Urbana, em cumprimento a uma ação “de governo”, dificilmente haverá abalos de primeiro escalão.

Não fosse pelo motivo substantivo, há outra indicação. O Palácio do Planalto há alguns dias tomou providências para reduzir o dano da permanência de Carlos Lupi no Trabalho e tratou de antecipar que ele e Negromonte sairão na reforma do início do ano.

Pela ótica do governo, estaria assim dada a satisfação pública para o caso presente, o último de passado recente, mais os que porventura venham a ocorrer em tempo que chamaremos de futuro próximo a fim de delimitar o período que nos separa da anunciada reforma ministerial.

Está bastante evidente a disposição do governo de não produzir novas baixas até que possam ser explicadas pelo rearranjo político-administrativo. Enquanto isso, as coisas funcionam no piloto automático.

A partir do advento Lupi, Dilma Rousseff deixou de lado a sistemática de só demitir quando ficava impossível manter o protagonista da denúncia em tela. Preferiu adotar a prática do gerenciamento dessa impossibilidade geradora de escândalos dando de ombros aos fatos.

Fará o mesmo em relação ao ocorrido no Ministério das Cidades? Se não quiser reacender as cobranças para a demissão de Lupi e atender ao padrão por ela mesmo imposto no caso dele, sim.

É uma escolha que a presidente como a dona da bola tem todo direito de fazer. O ruim é que, assim, a reforma ministerial que poderia ser esperada com uma expectativa de melhora nos critérios do governo de coalizão, já nasce servindo como justificativa para que se deixem crimes sem castigo.

Passo curto

Pode e deve ser vista como um avanço a decisão do Conselho de Ética da Câmara de derrubar a tese de que atos anteriores ao mandato de um deputado não podem motivar processos por quebra de decoro.

Mas não se pode nem se deve perder de vista o retrocesso que representou a decisão contrária, tomada em 2007 para proteger deputados envolvidos no mensalão e que haviam sido reeleitos.

Antes disso, em 1999, Hilde­­brando Pascoal foi cassado e até hoje está preso por envolvimento com tráfico de drogas e assassinatos cometidos quando chefe de um grupo de extermínio no Acre.

O avanço de agora foi bem menor que o retrocesso de quatro anos atrás, porque há limitações para os processos: o fato gerador só pode ter ocorrido até cinco anos antes do início do mandato em curso e, ainda assim, se não forem de conhecimento público.

As limitações permitiram a mudança feita a partir de uma questão de ordem apresentada pelo deputado Miro Teixeira, depois que Jaqueline Roriz ficou livre de processo porque não havia sido eleita deputada federal quando foi filmada recebendo dinheiro de origem suspeita.

Mas conviria que a Câmara levasse em consideração que decoro – ou a falta de – não prescreve.

O governo afia as ferramentas anticrise - CLAUDIA SAFATLE


VALOR ECONÔMICO - 25/11/11

Sem grandes expectativas para a reunião dos ministros de Finanças do G-20 (grupo dos países mais ricos), em dezembro, e sem solução à vista para os dramáticos problemas europeus, o governo brasileiro já sentiu os primeiros efeitos do contágio - a redução do financiamento externo - e se prepara para reanimar a economia doméstica em 2012. Uma das grandes preocupações é com o setor externo, particularmente com o que fazer para as exportações brasileiras chegarem a US$ 276 bilhões no ano que vem, com os preços das commodities em baixa. Outra é como dar fôlego à indústria nacional, cuja produção está praticamente estacionada. A taxa de câmbio em torno de R$ 1,80 pode ajudar bastante a área de bens de capital, mas não resolve o problema de para quem vender.

Se a presidente Dilma Rousseff tem uma convicção, essa é a de que é crucial para os planos e credibilidade do seu governo manter a meta de superávit primário das contas públicas em 3,1% do PIB sem malabarismos, asseguram assessores próximos. "Ela hoje é fiscalista", asseveram. Dilma avalia que é o rigor fiscal e o baixo endividamento do setor público que faz a diferença do país na crise que varre a zona do euro e adormece a economia americana, sublinham essas fontes. Portanto, não se deve esperar do Ministério da Fazenda prodigalidade na concessão de incentivos fiscais como em 2008/2009.

Nem tudo será redução de juros

As inquietações do governo já se voltam para a segunda onda da crise internacional. Supondo que o Banco Central Europeu não deixará que se materialize uma crise bancária, que colocaria o sistema financeiro mundial em situação de paralisia, as autoridades da área econômica, aqui, calculam que metade da Europa terá que produzir deflação em relação aos preços da Alemanha.

"Esse será um custo recessivo necessário para o ajuste das economias periféricas. E isso é coisa para uns dez anos", comentou uma alta fonte. A política fiscal nos Estados Unidos também será recessiva em 2012. Os prognósticos são de que na zona do euro haja contração de 0,5% a 1% do PIB e que o crescimento nos EUA seja de no máximo 1% no próximo ano.

Há uma equivalência: cada 1 ponto percentual a menos no crescimento mundial subtrai praticamente o mesmo do PIB brasileiro. A desaceleração na China pode levar o crescimento do país para um patamar aquém dos 8%, reduzindo seu poder de locomotiva do mundo.

"Todos estão preocupados com uma crise bancária na Europa. Mas o crescimento mundial será puxado por quem?", indaga uma fonte oficial.

O cronograma do governo é encerrar este ano com uma reativação da atividade econômica no último trimestre, entrar 2012 com crescimento em torno de 0,5% a 1% entre o primeiro e o segundo trimestres e aumentar o ritmo - para algo superior a 1% - a partir do terceiro trimestre. O crescimento, no ano, ficaria entre 4% e 5%.

Para isso, não bastariam o reajuste do salário mínimo e a redução dos juros, dizem os tecnicos. Será preciso acelerar os investimentos e, nessa óptica, as concessões dos aeroportos e rodovias serão cruciais e podem mover a produção de bens de capital. Na segunda-feira a presidente Dilma Rousseff vai ao Rio Grande do Norte para a assinatura do primeiro contrato de concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

As autoridades da área econômica começaram a agir. Primeiro, o Banco Central abriu a caixa de ferramentas que foi acionada em 2010 e neste ano para desaquecer a economia e começou a desmontar os controles da expansão do crédito para o consumo. Novos passos podem ser dados nessa direção, como a redução do IOF de 3% para 1,5% no crédito para pessoas físicas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está monitorando o setor privado para ver onde a atividade esfriou demais. E poderá repor uma ou outra medida de incentivo fiscal se as vendas despencarem. Na segunda-feira Mantega reuniu-se em São Paulo com empresários do varejo para uma avaliação geral. Não ouviu muitas queixas.

O que dizem as fontes oficiais mais próximas à presidente Dilma é que a reativação da economia brasileira não ficará só nas costas das taxas de juros. Trabalha-se, sim, com a possibilidade de a taxa Selic descer ao patamar de 9% até meados do primeiro semestre do próximo ano. Mas essa não é uma meta. Avalia-se que um crescimento econômico de até 5% está dentro da margem do PIB potencial, portanto não seria uma performance inflacionária. Com crescimento, fica mais fácil cumprir a meta fiscal.

Os mercados concordam com as projeções do BC de que a inflação será cadente até abril/maio de 2012, período em que o IPCA vai se livrando dos aumentos dos preços das commodities em igual período passado. A partir desse ponto, o BC diz que a inflação estará na casa dos 5,2% em maio, convergindo para a meta de 4,5% em dezembro. Os analistas privados estimam que, ao contrário, novas pressões de preços virão e ela poderá ficar na faixa de 5,5% no fim de 2012. O governo acha que esse é um prazo ainda distante e que muito pode acontecer daqui até lá. Se, porventura, a inflação reagir e o BC tiver que voltar a aumentar os juros no meio do ano que vem, o fará sobre uma base menor.

O resgate de uma antiga mas excelente ideia - ALEXANDRE ESPIRITO SANTO


VALOR ECONÔMICO - 25/11/11


Em meados de 2005, o ex-ministro, e então deputado Delfim Netto, propôs uma discussão bastante interessante: a meta de superávit nominal zero para o governo brasileiro. Esquecida, como tantas outras boas ideias que surgem em nosso país, seria de bom tom resgatar esse debate, sobretudo nesse momento, quando o governo Dilma Rousseff indica flexibilizar a política econômica vigente.

Primeiro, seria importante discutir se há efetivamente uma mudança em curso na política atual, consubstanciada em âncora monetária - com metas de inflação -, câmbio flutuante e superávit primário. A despeito de o governo afirmar que não, estou convencido de que o artigo da presidente no "Financial Times", em setembro, aponta para essa correção de rota na condução da economia. Ademais, a guinada nos juros patrocinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de agosto, além do IPI sobre automóveis importados, parece retirar eventuais dúvidas sobre esse novo arranjo macroeconômico.

O governo está se aproveitando - inteligentemente - de uma recaída da crise global para redimensionar as estratégias na economia. Na medida em que, na avaliação do Banco Central, haverá um viés deflacionário mundial, "a oportunidade é agora". E a base dessa mudança é focar no que seria o principal problema: reduzir os juros estratosféricos.

Proposta de superávit nominal zero é para que governo e sociedade busquem melhorar os gastos públicos

Os efeitos perversos dos absurdos patamares de taxas de juros reais praticadas no Brasil são as diminutas taxas históricas de investimento e de crescimento da nossa nação. É o investimento que garante a um país o crescimento sustentável, com a expansão da oferta de bens e serviços e o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial. A teoria comprova que a chave para a sustentabilidade de uma economia é o progresso tecnológico, que, em geral, demanda inversões de prazo de maturação mais longo.

Uma das mais significativas identidades da macroeconomia explicita que o ato de produzir bens de capital exige, por definição, uma poupança no mesmo montante. Em outras palavras, ex-post ambas se igualam. Portanto, seja ela doméstica - agentes privados e governo - ou externa - por meio de investimentos de não residentes no país - o fato é que o país precisa aumentar o seu nível de poupança. Vários são os estudos que demonstram que a melhor forma de se instaurar uma política pública visando o aumento do nível de poupança é por meio de uma gestão austera e eficiente dos gastos.

Uma questão fundamental quando se trata desse assunto é saber se a política fiscal brasileira atrapalhou o país na corrida pelo crescimento econômico? A resposta é afirmativa. Isso ocorre porque o aumento dos gastos públicos acentua o "crowding out" dos investimentos privados, eleva a carga tributária e as taxas reais de juros. Ademais, devido ao alto custo da dívida brasileira, o governo precisa se financiar com a emissão de nova dívida, disputando espaço com o setor privado pela poupança e criando um círculo vicioso.

Vários são os especialistas em contas públicas que demonstram que a eficiência do gasto governamental brasileiro pode ser considerada muito baixa, além de ser de má qualidade. Apesar da limitação imposta pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do aumento anual da folha de pessoal ficar restrito ao IPCA mais 1,5%, só no pagamentos de servidores públicos, o governo aloca um percentual expressivo - em torno de 12% - do PIB, enquanto os investimentos não chegam nem a 10% desse total. Na área de saúde e educação, bens considerados meritórios, a situação também não é nada confortável. Pesquisa do Ipea revela que são os investimentos nessas áreas que mais revertem para o crescimento, face ao elevado efeito multiplicador dos mesmos.

A consequência funesta do descontrole de gastos foi nos vermos obrigados a aumentar a carga tributária para um nível considerado de primeiro mundo. A sociedade brasileira recolhe aos cofres públicos mais de 35% do PIB em tributos. E ainda assim, rotineiramente, ventilam-se novos impostos ou a recriação de "zumbis", caso da CPMF.

Deve-se assinalar, igualmente, outro ponto fundamental: pelo atual regime, o Banco Central possui uma autonomia relativa - de fato, mas não de direito - para conduzir a política monetária, visando o combate contra a inflação. No momento em que a política monetária passa a contribuir para o resultado fiscal, a credibilidade da autoridade monetária tende a ser questionada.

Em outras palavras, o Banco Central poderia ser "induzido" pelo poder executivo a conduzir as taxas de juros visando uma meta fiscal e não mais ao combate contra a inflação. Portanto, é condição imperativa para a implantação dessa nova política fiscal a independência da autoridade monetária, reforçando que o sistema de metas de inflação não foi "jogado para escanteio".

Dentro dessa linha de raciocínio, apesar dos dogmas petistas, o governo da presidente deveria retomar a agenda de privatizações de estatais para acelerar a trajetória de queda da dívida mobiliária, sobretudo em setores essenciais, como é o caso de aeroportos (a variação da dívida líquida do setor público é também afetada pelo resultado de privatizações de ativos pertencentes ao Estado e por outras variações patrimoniais). O governo deveria, igualmente, insistir nas reformas, sobretudo da previdência e tributária.

O mais relevante de relançar tal proposta de superávit nominal zero é fazer com que a maioria do governo, além da sociedade como um todo, atine para a premência de se melhorar os componentes e a qualidade dos gastos públicos. Representaria, sem dúvida, uma evolução em termos de discussões sobre políticas fiscais em nosso país. Independentemente, entretanto, de qual meta será estabelecida, cria a mensagem da importância de se aprofundar o esforço fiscal, que parece ser a âncora que a presidente mira programar agora. Sendo assim, o objetivo de redução significativa da taxa de juros real, para padrões internacionais, seria facilitada e o Banco Central administraria com maior grau de liberdade a política monetária e a própria taxa de câmbio.

Alexandre Espirito Santo é economista da WAY Investimentos e professor do IBMEC-RJ.

Culpas e responsabilidades - ELIANE CANTANHÊDE




FOLHA DE SP - 25/11/11


BRASÍLIA - Um vazamento considerado de pequenas proporções (2.300 barris) e em campo bem mais simples e conhecido vem bem a calhar a esta altura do jogo, quando o Brasil se aquece para a exploração do pré-sal e empresas estrangeiras se preparam para mergulhar nesse mar de petróleo. Serve de teste.

Primeiro foram expostos os erros e as fragilidades da americana Chevron, que nem sequer calculou devidamente a pressão do campo.

Depois vieram as multas, que começaram com os R$ 50 milhões por crimes ambientais e podem chegar a R$ 260 milhões. E, enfim, a suspensão das atividades de perfuração no Brasil e o pedido público de desculpas apresentado por seus dirigentes.

Muito bem. Mas a Chevron não caiu de paraquedas nem estava operando clandestinamente no Brasil. É hora, portanto, de investigar e avaliar as falhas do próprio sistema brasileiro de licenças, exigências, checagem, fiscalização e emergências.

O TCU (Tribunal de Contas da União) fez muito bem ao determinar uma auditoria tanto na ANP (Agência Nacional do Petróleo), responsável pelo setor, quanto na Petrobras, sócia da Chevron no campo do Frade, onde houve o vazamento.

A ANP está preparada para avaliar e exigir padrões mínimos das empresas envolvidas? Qual a parte da Petrobras no erro e no pagamento das multas? E será ressarcida pelo que gastou para sanar o erro da parceira?

Não se espere lá tanta coisa assim do relatório final do TCU, mas, por causa do incidente, o país tem a chance de fazer uma radiografia do sistema e saber em que condições as empresas estrangeiras, a Petrobras e os órgãos de fiscalização vão entrar em campo para explorar o pré-sal, anunciado aos quatro ventos como um marco na história brasileira.

Há males que vêm para bem. O vazamento é um alerta na hora certa, enquanto é tempo. Além da Chevron, a ANP, o Ibama e a Petrobras também têm o que avaliar e explicar.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não tenho mais tempo, não tenho futuro, tenho passado”

Senador José Sarney (PMDB-AP), negando a intenção de “repaginar” sua imagem


TCU TRAVA LEILÃO PARA ADMINISTRAR AEROPORTOS 

Passa turbulência com o Tribunal de Contas da União a recém-criada Secretaria de Aviação Civil. Seu ministro-chefe, Wagner Bittencourt, criou uma força-tarefa com 27 técnicos e advogados para responder aos questionamentos dos ministros do TCU, que estranham pontos do edital de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas. O governo quer o leilão para janeiro, mas nada indica que ocorrerá.

CONTRATO LOTÉRICO

Só para elaborar editais de privatização de Viracopos e Cumbica, uma EBP (empresa de oito bancos, mais BNDES) receberá R$ 14 milhões.

POR CONTA DO CLIENTE

O edital permite ao consórcio vencedor cobrar das companhias R$ 7 por passageiro em conexão. O preço será incluído nas passagens.

PROMESSA É DÍVIDA

Wagner Bittencourt garante que as tarifas aeroportuárias não subirão, porque “quem as vai controlar é o governo”, não o consórcio vencedor.

A ÉTICA DE LUPI

O PDT-RJ quer expulsar o deputado estadual Paulo Ramos, veterano brizolista, por haver denunciado o “cartório” implantado por Carlos Lupi.

GREVE PIOROU O QUADRO DE DECADÊNCIA DA ECT

Estatal que já foi referência de qualidade, os Correios andam de mal a pior, e 2001 – ano em que uma greve predatória a fragilizou ainda mais – já é considerado o pior desempenho operacional de toda a sua história. Mas a diretoria da ECT nega a decadência, já constatada pela própria clientela, alegando que a empresa está em 29º no ranking das melhores do mundo. E pensar que já esteve entre as cinco primeiras...

PARA ELE É FÁCIL

Do inescapável empresário Eike Batista, no Twitter: “Empreendi em vários países. E sabe o que constatei? Que o Brasil é o melhor”.

ECCO!

O diário italiano Il Giornale reproduziu, ontem, notícia desta coluna sobre o endereço no Rio do terrorista Cesare Battisti, mas não deu o crédito.

COM PIMENTA

Preparem o estômago hoje, Dia Nacional da Baiana do Acarajé, lei sancionada por Lula pouco antes de largar a rapadura do governo.

AVISA LÁ

Linha cruzada no vazamento da Chevron: press-release da empresa nos EUA anunciou suspensão “voluntária” das operações no campo de Frade, dia 23, véspera da decisão da Agência Nacional de Petróleo.

NATAL GORDO

Não se sabe o que faz uma certa Secretaria Nacional de Juventude, ligada ao Planalto. Mas ela contratou uma empresa pela bagatela de

R$ 2,3 milhões, por quarenta dias, para “organizar eventos”. Humm...

O DONO DA BOLA

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ganhou a queda de braço com o PT, indicando o engenheiro João Bosco de Almeida para presidir a estatal Chesf. Vai substituir o também engenheiro Dilton da Conti, indicado por Miguel Arraes, avô de Eduardo.

OS MAIS ADMIRADOS

O anuário Análise Advocacia de 2011 revela os mais admirados escritórios de advocacia do País. O maior tem, hoje, 640 advogados. No Centro-Oeste, lidera o ranking o escritório Paixão Côrtes, de Brasília.

RETRATO BRASILEIRO

Com R$ 500 mil aprovados no Ministério da Cultura para captar na iniciativa privada, o filme A Corrupção no Brasil, de um baiano, morreu na gaveta, onde lá permanece sem um só centavo desde 2007.

VOVÔ MALUQUINHO

A Justiça Federal do Paraná condenou o cartunista Ziraldo a dois anos e dois meses de prisão por fraude de 

R$ 525 mil no 1º Festival de Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu, em 2003, quando o jornalista Hélio Lucas denunciou o esquema na organização do evento.

VALE O QUANTO PESA

O advogado Omar Coêlho de Melo, 140 kg confessos, presidiu ontem, na 21ª Conferência dos Advogados, em Curitiba (PR), painel cujo nome lhe caiu como uma luva: “Direito à Alimentação”.

BRASÍLIA É O CÉU 

Ronaldo Lessa, ex-governador de Alagoas que teve até imóveis bloqueados, foi às compras ontem no Shopping Pátio Brasil, em Brasília, na companhia de dois rapazes. Pareciam alegres turistas.

PENSANDO BEM...

...Só falta o governo dizer que ricos e poderosos só não vão para a cadeia porque não há vagas: o Brasil tem superlotação carcerária. 


PODER SEM PUDOR

MONUMENTO AO COCÔ DE PARDAL

O jovem estudante Edmur Mesquita foi à casa do ex-presidente Jânio Quadros, propor um debate na Universidade Católica de Santos, e não mediu mesuras para conquistar o ilustre debatedor.

– Dr. Jânio, o senhor é um monumento!

Jânio atalhou o jovem, rispidamente:

– Monumento, meu caro senhor, só serve para se cagar em cima.

Estendeu a mão e despachou o rapaz.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Chefes de máfia no Detran têm ligação com deputados

Folha: Bando usa vítima de acidente aéreo para fraudar INSS

Estadão: CGU reprovou obra da Copa antes de fraude em parecer

Correio: A temível escalada do câncer no Brasil

Valor: Dilma prepara armas anticrise

Estado de Minas: Estado quer trocar dívida com a União por obras em BRs

Jornal do Commercio: BR mais perigosa do País é pernambucana

Zero Hora: Oposição critica Estado por reajuste à Fazenda