segunda-feira, novembro 14, 2011

GUILHERME FIUZA - O paraíso das frutas podres


O paraíso das frutas podres 
GUILHERME FIUZA 
REVISTA ÉPOCA

Rousseff tem um jeito peculiar de desafiar a corrupção: prestigiar os donatários de capitanias apodrecidas 

Rousseff desafia a corrupção. Essa manchete foi publicada pelo jornal francês Libération, na passagem da presidente brasileira por Cannes, na reunião do G20. Orlando Silva acabara de cair, e o artigo concluía que, com a demissão do sexto ministro, Dilma se emancipava de Lula. Não interessaram ao jornal de esquerda as reuniões de emergência entre criador e criatura para tentar salvar a cabeça do ministro do Esporte. Nem a frase da presidente após a demissão:"Orlando Silva não perde meu respeito". O que o Libération acha da relação de Dilma com Carlos Lupi?

Não interessa. O que essa imprensa europeia progressista" e decadente publica não tem, de fato, a menor importância. Interessa é que boa parte da opinião pública brasileira, incluindo a que lê francês, acha que Rousseff desafia a corrupção.

Rousseff tem um jeito peculiar de desafiar a corrupção. É um desafio, por assim dizer, carinhoso. Por uma impressionante coincidência, as máquinas dos Transportes, da Agricultura, do Turismo, do Esporte e do Trabalho serviam a formas quase idênticas de sucção pelo PR, pelo PMDB, pelo PCdoB e pelo PDT - fiadores do PT e do Plano Dilma. É notável, ainda, que toda essa tecnologia dos convênios com ONGs e entidades companheiras provenha do tempo em que Rousseff  mandava na Casa Civil. Segundo Lula, ela coordenava todos os projetos do governo.

Mais curioso ainda: mesmo depois de a imprensa mostrar que esses pedaços do Estado brasileiro tinham virado capitanias partidárias, com seus donatários já caindo de podres,Rousseff fez questão de prestigiá-los, um por um. Nunca se desafiou a corrupção com tanta compaixão.

O chefe de gabinete do ministro do Trabalho e o tesoureiro do PDT eram a mesma pessoa. E atenção: isso não era segredo. Responsável pelas finanças do partido, Marcelo Panella ajudou a cozinhar mais de 500 relatórios de prestação de contas no ministério, que, segundo o Tribunal de Contas da União, sumiram nas gavetas da gestão Carlos Lupi. Nesse paraíso de convênios invisíveis, multiplicam-se histórias demanejo desinibido de dinheiro público - como no caso da ONG campeã de verbas em Minas Gerais. Essa ONG, com o imodesto nome de Instituto Mundial de Desenvolvimento da Cidadania, passou a ser investigada pela Polícia Federal depois de um evento desagradável. Um funcionário seu sacou numa agência bancária R$ 820 mil em espécie, às vésperas das eleições de 2010. Tudo normal, se o portador da ONG não tivesse tido o azar de ser assaltado. Perder dinheiro não é problema no Ministério do Trabalho, o chato é perder a discrição. Foi aberto um inquérito, em que consta que dirigentes da ONG pediram aos funcionários do banco para declarar à polícia que o saque fora só de R$ 80 mil. Um abatimento de 90%, em nome da modéstia.

O Ministério Público Federal suspeita de uso da ONG para caixa dois eleitoral. Mas deve estar enganado. O donatário do ministério e mandachuva do partido era Carlos Lupi, que tinha a total confiança de Rousseff. E Rousseff, como se sabe, desafia a corrupção.

Apareceu então uma denúncia de cobrança de propinas para liberar verbas do Ministério do Trabalho. Francamente, para que propina numa simbiose que já funciona tão bem? Só se foi a força do hábito.

Em meio atanto denuncismo,Rousseff, a chefe dos chefes, decidiu falar em cadeia nacional de rádio e TV. Para a surpresa geral, não se referiu ao único assunto que justificaria a urgência de um pronunciamento à nação. Anunciou a criação de dois programas de saúde pública, prometendo um choque de eficiência no setor. Não ficou claro que modelo de eficiência será adotado, mas possivelmente seja o do Ministério do Trabalho - e aí terá feito sentido a oportunidade do anúncio.

Há também o modelo do Ministério da Educação, testado e aprovado. Por três anos seguidos, o ministro fez política para valer e não cedeu ao denuncismo em torno do Enem. Foi premiado com a candidatura a prefeito de São Paulo.

Pelo histórico de seu primeiro ano de governo, Rousseff tem à disposição vários modelos de eficiência na gestão da coisa pública. O Brasil já conhece bem cinco deles, cada um mais criativo no desafio à corrupção do anterior. Se há algum outro, deve estar guardado a sete chaves.

LÚCIA GUIMARÃES - Domingo no parque


Domingo no parque
LÚCIA GUIMARÃES
O Estado de S.Paulo - 14/11/11

Nos últimos dois meses, apesar da minha resistência a rotinas, dei para me repetir, às vezes, nos domingos. Carrego as baterias das câmeras e pego a linha 1 do metrô até a Rector Street. Enquanto caminho até o Zuccotti Park, sei que vários passageiros que saltaram comigo têm o mesmo destino. Alguns carregam cartazes enrolados. Outros têm a expressão de turistas subindo as escadas do Corcovado. Visitantes europeus emitem um ar satisfeito de aprovação. Japoneses temperam a modéstia com olhares arregalados. O que os passageiros desta linha do metrô aos domingos têm em comum? O que os aproxima dos moradores do acampamento?

Como é fácil para alguns, depois de algumas horas no parque, reduzir tudo ao capricho de desocupados, junkies e esquerdistas new age. Sim, alguns minutos confinada entre barracas são o bastante para registrar um aroma que combina a roupa não lavada com a escassez de higiene pessoal. E daí? Alguns minutos na esquina sudoeste ocupada pelos tambores são o bastante para sonhar com a bateria da Mangueira ou da Portela. E daí?

Alguns minutos de conversas desconexas com os sem-teto, desesperados para pertencer a uma ordem social que os expulsou, bastam para ceder à tentação de condenar as múltiplas versões do Ocupem ao rodapé da história. Mas, espere, quem é essa mulher de 56 anos que passa os dias tricotando na calçada norte do acampamento? Ela não discursa, apenas produz luvas, toucas e cachecóis para os acampados. Seu cartaz pede o fim das duas guerras, da pena de morte e um país melhor para seus seis netos. O que há de radical nessa expectativa?

E esse homem de terno que passeia pelo parque? É um analista que continua a trabalhar para uma instituição financeira mas, em 1999, foi ridicularizado e perseguido por escrever um relatório de mil páginas alertando investidores para venderem ações de bancos, depois de analisar o nível assustador de risco nos empréstimos da então crescente bolha imobiliária. Ele se declara um capitalista que gostaria de defender o capitalismo dos capitalistas americanos.

O problema está em tentar recolher sinais literais de transformação social entre as barracas cada vez mais fortificadas para enfrentar o inverno. Fazer comparações simétricas com o Tea Party à direita é outro desserviço. Nenhum grupo ligado ao Ocupem tem o apoio de conservadores como os bilionários irmãos Koch, que já doaram em torno de US$ 200 milhões para causas conservadoras.

Um comentarista comparou a lerdeza da mídia americana diante do movimento sem líderes à postura dos ditadores árabes expressando perplexidade com a varredura democrática da primavera. É um exagero. Mas vivemos em tempos de tags, categorias a tweets. Tudo deve ter seu encaixe digital e já.

Escrevo no Dia dos Veteranos, sob o impacto do suicídio de um ex-soldado de 35 anos. A polícia não divulgou seu nome, patente ou antigo posto, à espera de notificação da família. Ele se fechou numa barraca do acampamento Ocupem Vermont e apertou o gatilho. Um terço dos americanos que estão voltando para casa das duas guerras, no Iraque e Afeganistão, sofrem de alguma aflição psiquiátrica. O desemprego entre os veteranos é 30% mais alto.

No empurra-empurra resultante da presença dos músicos David Crosby e Graham Nash no parque, na última terça-feira, eu me separei do cinegrafista e fui me embrenhar com uma câmera pelas barracas, à caça de uma foto que registrasse, naquela tarde, o encontro dos anos 60 com a rebeldia dos millenials, como são chamados os jovens de menos de 30 anos. Ao tentar pular um pequeno canteiro, fui alertada por um habitante do parque: "Não se atreva a pisar nas plantas!" Um punhado de flores quase secas eram testemunhas do avanço do outono. Meu censor sabia que estava brigando por poucas pétalas. E eu sabia que ele estava defendendo mais do que o canteiro. Ele queria que eu pisasse no parque com um novo respeito.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Nos calcanhares
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 14/11/11

Pesquisa feita para o Palácio dos Bandeirantes mostra o governo de Dilma Rousseff, pela primeira vez, com uma taxa de "ótimo/bom" ligeiramente superior à obtida pela administração de Geraldo Alckmin no Estado de São Paulo. Trata-se de apenas um ponto percentual de diferença: ela registra 51%; ele, 50%. Numa outra abordagem, em que os entrevistados dizem somente se "aprovam" ou "desaprovam" a gestão, o tucano aparece à frente da petista (71% de aprovação contra 67%).

O resultado chama a atenção porque, embora os patamares de ambos sejam semelhantes desde o início do ano, o movimento dela é mais claramente de ascensão.

Lanterna O mesmo levantamento confere à administração de Gilberto Kassab (PSD) na capital paulista um percentual de "ótimo/bom" expressivamente inferior aos de Dilma e Alckmin: 27%. Os que "aprovam" são 39%.

Luz amarela Tudo somado, os "azuis" concluíram que Lula não será o único cabo eleitoral de peso à disposição de Fernando Haddad em 2012. Tal diagnóstico dá argumento aos que consideram imprescindível a aliança entre Estado e prefeitura, já no primeiro turno, para enfrentar a máquina petista.

Ironia O quadro projetado pela pesquisa tenderá a estimular, entre tucanos locais, a pregação informal do voto "dilmalckmin" em 2014. Se for candidato à Presidência, Aécio Neves poderá provar em São Paulo do mesmo veneno servido a José Serra em Minas em 2002 e 2010.

Restos a pagar Apesar do flerte de seus dirigentes com Gabriel Chalita (PMDB), o DEM tem claro que não poderá contrariar frontalmente a orientação de Alckmin na disputa pela prefeitura paulistana. O governador deu sobrevida à sigla no Estado quando ela sofria ataque especulativo do PSD de Kassab.

Em suspenso Com o anúncio da aposentadoria política do vice Frank Aguiar (PTB), Luiz Marinho (PT) tenta conter a disputa por esse posto na chapa com a qual pleiteará a reeleição em São Bernardo. O prefeito disse ao secretariado que o assunto será tratado a partir de março. Como pretende concorrer ao governo paulista em 2014, o vice poderia ganhar de presente dois anos de mandato.

Prerrogativa 1 Na semana passada, cercado de caciques peemedebistas em jantar na casa de Michel Temer, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro defendeu mudança constitucional que permita aos ministros do STF indicar um novo membro da Corte caso o presidente da República demore mais de um mês para fazê-lo.

Prerrogativa 2 Kakay, como é conhecido o criminalista, argumenta que a vacância prolongada dá ao Executivo o poder de influenciar em alguma medida a pauta do Supremo, pois certas matérias exigem quórum mínimo de oito ministros. Com frequência, há entre os 11 membros do tribunal quem esteja em viagem ou de licença.

Hiato Cem dias se passaram entre o anúncio da aposentadoria de Ellen Gracie e a escolha de Rosa Maria Weber Candiota para substituí-la. A indicada ainda terá de ser sabatinada pelo Senado.

Penta Além do ex-velejador olímpico Lars Grael, o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, conversou com o ex-jogador de futebol Cafu.

Assíduo Lula conta aos que o visitam que, desde o anúncio de sua doença, recebe telefonemas diários de José Sarney. Na sexta-feira passada, o presidente do Senado foi a São Bernardo do Campo.

tiroteio
"De tanto peso, tanta bala perdida e tanto esforço para permanecer no cargo, apesar das contradições, acho que a memória do ministro do Trabalho foi embora."

DO SENADOR AGRIPINO MAIA (DEM-RN), sobre Carlos Lupi haver negado em audiência no Congresso qualquer relação com Adir Meira, dono de rede de ONGs, com quem viajou pelo interior do Maranhão.

contraponto
Eternamente jovem

Ao receber os atletas que foram ao Panamericano, Dilma fez questão de saudar Bernard Rajzman, chefe da delegação brasileira em Guadalajara.

-Você é uma referência para a minha geração!- afirmou a presidente sobre o ex-jogador de vôlei, inventor do saque "jornada nas estrelas".

Assessores palacianos presentes à cerimônia se divertiram com a pequena confusão de Dilma, nascida nos anos 40. Bernard, que veio ao mundo na década seguinte, destacou-se entre o final dos 70 e início dos 80.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

GOSTOSA


RUBENS RICUPERO - Corrupção e declínio



Corrupção e declínio
RUBENS RICUPERO
FOLHA DE SP - 14/11/11

Temos problemas parecidos aos italianos, mas a agenda brasileira é ditada por queda de ministros e escândalos
Ao contrário do que sustentam alguns politicólogos, a corrupção inseparável do presidencialismo de coalizão praticado no Brasil acabará por gerar crises crescentes de governabilidade até ocasionar o declínio da economia e a destruição do regime político. Os que se fixam apenas nas maiorias legislativas não enxergam dois fatores que solapam o sistema na raiz.

O primeiro é a destruição da confiança, base, como ensinava Bobbio, da democracia. O fenômeno já abarca entre nós quase a totalidade da opinião pública informada. Ninguém mais acredita que partidos e candidatos tenham outro objetivo que não seja o enriquecimento rápido e ilícito. No limite, a perda de confiança conduz a explosões de cólera conforme vem ocorrendo nos países árabes, onde a causa principal da revolta das multidões é o protesto contra a injustiça e a corrupção dos governantes. Em nossa história esse sentimento desempenhou papel crucial na mobilização da classe média nas crises do suicídio de Vargas, da eleição de Jânio, do impedimento de Collor, e, ao lado do anticomunismo, do golpe de 1964. O governo se felicita com razão da expansão dos setores médios e sua transformação em maioria, mas deveria lembrar que o comportamento político da classe média se caracteriza pela intolerância ante a corrupção. À medida que o setor se expande, essa intolerância só tende a aumentar.

O segundo fator subestimado é o preço crescente, em termos econômicos, dos arreglos com partidos. Argumenta-se que o dinheiro envolvido na corrupção é insignificante comparado ao tamanho da economia. Pode ser verdade em relação às somas do suborno e da extorsão. O problema está no custo astronômico da multiplicação de ministérios inúteis, cargos supérfluos, perda de eficiência, irracionalidade na aplicação de recursos, incompetência na escolha e gestão de projetos dos quais são exemplos o trem bala e Belo Monte. E o custo das reformas que não se fazem porque mexem com os interesses dos partidos da coalizão? No início dos 1970 o setor público poupava 6% do PIB, parte do qual investido em infraestrutura de energia e transportes. Hoje, o governo é deficitário e não consegue investir. Quanto dessa perda se deve ao custo político da coalizão? Por que um presidente como Lula nem sequer tentou propor a reforma da estrutura sindical herdada do corporativismo fascista apesar de ser uma das bandeiras históricas do seu partido?

Por décadas a Itália foi também governada por coalizões corruptas e ineficazes. Não tem importância, alegava-se, pois o dinamismo e a inovação das pequenas empresas garantiam o crescimento. A ilusão se desfez quando o fim do regime terminou esclerosando a economia. Em grau distinto, alguns de nossos problemas se parecem aos italianos: crescimento lento, investimento baixo, incapacidade de aumentar produtividade e competitividade, aposentadorias precoces. Política doente contagia a economia. O sintoma de nossa doença é que, em vez de ser dominada por essas questões, a agenda brasileira é ditada semana após semana pelos escândalos de corrupção e a queda de ministros.

Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda no governo Itamar Franco.

LUIZ FELIPE PONDÉ - Ontologia leviana dos seios


Ontologia leviana dos seios 
LUIZ FELIPE PONDÉ
 Folha de SP - 14/11/11


Hoje acordei um tanto leviano. Em dias assim, falo a sério de filosofia. O niilista respira identificando em toda parte a morte da metafísica. Pra quem não sabe, a metafísica é a "ciência" segundo a qual existiria um mundo de formas eternas e plenas, invisível aos olhos, mas visível ao "espírito".

Engraçado como muita gente combate a artificialização da beleza do corpo em nome de uma beleza "natural". O que essa gente não entende é que se a metafísica morreu, a existência de uma natureza "natural" também morreu, porque tudo neste mundo da matéria é impermanente, vago, impreciso, e, acima de tudo, dolorido.

Com a morte de Deus (símbolo máximo da morte da metafísica), o corpo velho é apenas um corpo feio e decadente. Se Deus não existe, toda beleza artificial é permitida. Logo, viva o silicone.

Mas não quero falar de Deus, quero falar de seios.

A vida pode ser miserável e pequena. Triste constatação. Mas miserável pode ser apenas a constatação de que anatomia é destino, como dizia Freud. O corpo, essa massa mortal que perde a forma com o tempo, é nosso lar, uma casa em que habitamos e que nos abandona, deixando-nos a herança do pó.

"A Pele em que Habito", título do novo e maravilhoso filme de Almodóvar, define nosso destino. Mas não vou falar do filme, pois é aquele tipo de filme de que quanto menos se fala, melhor, porque quando se fala dele, corre-se o risco de falar demais.

O freudiano, agostiniano e dostoievskiano Nelson Rodrigues, o maior filósofo brasileiro, escreveu um livro chamado "Asfalto Selvagem, Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores", no qual a heroína Engraçadinha, segundo ele, seria infeliz porque tinha seios belos demais.

O mundo não perdoa a (a falta de) beleza, seja ela visível ou invisível. Por um seio bonito, mata-se e morre-se. No mínimo paga-se caro.

Acho que o SUS deveria pagar cirurgias plásticas para mulheres pobres colocarem silicone nos seios. Por que não? Travestis gozam de cirurgias de mudança de sexo, por que nossas mulheres não deveriam ter o direito de ficarem mais belas?

Ontologia é a disciplina da filosofia que estuda as essências das coisas e dos seres vivos. A ontologia diz o que você é. A ontologia da mulher passa pelos seios, pelas pernas e pela doçura, assim como a do homem pela potência e pelo dinheiro. O resto é mentira.

Tanta tinta corre no mundo em nome da política e da economia, e, ainda assim, os seios podem decidir a vida e o amor verdadeiro. Diante deles, a alma desfalece em desejo. Como disseram filósofos no passado, se o nariz de Cleópatra fosse diferente, a história do Ocidente teria sido outra.

Fala-se muito que devemos dar valor à alma, ao que se tem "dentro de si", ao que se "é", e não ao que se "tem", mas, o dia a dia, aquele mesmo em que acordamos atordoados pela constante constatação de nossas carências e impotências, parece dizer o contrário. O futuro pode sim ser julgado pela beleza dos seios.

Isso pode ser um indicativo da solidão do mundo no qual só a matéria existe. O niilismo, assim como o Demônio, o maior de todos os humanistas, respeita a angústia das feias.

Este fato, como todo fato obscenamente verdadeiro, pede silêncio de nossa parte. Mas eu, que peco constantemente em nome do vício, confesso: as pessoas quase sempre fazem tudo pelo que podem ter e não pelo que podem ser. E, muitas vezes, o "ser" é decorrente do "ter". E não falo de grana, falo de seios.

Fosse Platão um admirador do sexo frágil, abriria seu diálogo "O Banquete" (sobre o amor) pela ontologia dos seios da mulher.

Sendo assim, a indústria da beleza deveria receber maior atenção da filosofia e não apenas suas pedras de desprezo.

Colocar silicone pode ser um pedido discreto de amor. Uma forma tímida de buscar o olhar negado. Com o tempo, a forma dos seios abandona o mundo, ficando presa no mundo miserável do passado. Não se pode pegar com a mão ou com a boca a lembrança dos seios perdidos, apenas a forma dos seios reconstituídos.

A beleza artificial é uma batalha discreta contra o vazio do corpo e da alma.

ALMIR PAZZIANOTTO PINTO - O menino enfermo


O menino enfermo
ALMIR PAZZIANOTTO PINTO
CORREIO BRAZILIENSE - 14/11/11

Este artigo pretende ser a fotografia em 3x4 da realidade social brasileira, em flagrante contraste frente à propaganda ufanista do governo. Relata o site Migalhas que determinada criança de 2 anos, identificada como V.E., vítima de hidrocefalia, foi conduzida pelos pais à unidade do SUS no início do mês de maio, da cidade de Juína, Estado de Mato Grosso. Trata-se de grande município, com cerca de 26.300km² e 42 mil habitantes, encravado na fronteira com Rondônia, distante 720km de Cuiabá, e rodeado por magníficas propriedades, onde são cultivados o algodão e a soja, e criados rebanhos bovinos.

Frente à inexistência de recursos locais e nas localidades próximas, em 2 de junho o médico responsável pelo atendimento requisitou assistência hospitalar na capital do estado, onde o pequeno deveria ser internado em UTI pediátrica, para procedimento cirúrgico.

Baldados os esforços do médico e impossibilitada a família de arcar com despesas de viagem, hospedagem e tratamento, em 12 de agosto o Ministério Público estadual recorreu à Justiça Civil, com base no Estatuto do Menor e do Adolescente, para que o estado assumisse as responsabilidades diante da criança enferma. Na mesma data, o juiz de direito dr. Gabriel da Silveira Matos ordenou, mediante despacho nos autos, que a Secretaria da Saúde, dentro de cinco dias, designasse o hospital que internaria o paciente, sob pena de multa diária de R$ 30 mil.

Transportada em ambulância municipal e munida do mandado judicial, a família percorreu três hospitais cuiabanos, sem obter sucesso, sob a fria alegação de falta de vaga. Em 7 de outubro, o Ministério Público voltou à carga, desta vez para pedir o bloqueio de verbas publicitárias, ou tributárias, que seriam destinadas ao custeio da cirurgia em instituição particular.

Para ser breve, o menino e os pais permaneceram desamparados, à espera de alguma providência do governo de Cuiabá. Diante da dramática situação, o juiz de direito de Juína, (conhecida, segundo página local da Internet, como esgoto a céu aberto), sob o fundamento de estado de calamidade pública, e apoiado na Lei Complementar nº 97/99, e na Lei nº 8.745/93, deliberou recorrer ao apoio das Forças Armadas.

Nesta altura do dramático episódio, pouco importa examinar os aspectos jurídicos da questão e discutir se o magistrado agiu dentro dos limites da sua competência constitucional e legal. Informado por sensibilidade poucas vezes vista, e diante da trágica situação da criança e dos pais, tomou medidas que julgou adequadas.

Em memorável despacho, o desassombrado juiz registra: “A situação que se vê, atualmente, com a saúde em Mato Grosso, longe de ser uma situação excepcional, ou momentânea de dificuldade, passou a ser constante e duradoura, pois inúmeros são os pedidos judiciais para internação de pacientes feitos já há mais de um ano. Se, ao que tudo indica, faltam leitos, a construção de mais hospitais é uma decisão discricionária do Poder Executivo, eleito para, em seu nome, eleger as prioridades. O que se constata atualmente são obras de grande porte, como estádios para a Copa do Mundo, prédios públicos confortáveis e funcionais, como os da Justiça do Trabalho, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Justiça Eleitoral, Justiça Federal, Ministério Público, Fórum e muitos outros (de suma importância para o bom funcionamento do Estado e a garantia do estado de direito), compras de veículos, duplicação de rodovias, mas, paradoxalmente, no estado campeão do rebanho bovino, de plantio de soja, algodão e outras culturas, não se veem prédios da mesma envergadura para atender o ser humano, ou ainda mais, um garotinho de 2 anos de idade que precisa ser internado. Não se veem nem obras em andamento nesse sentido”.

A crítica contundente procede. Nada mais havia necessidade de registrar. Em poucas palavras o magistrado decreta a falência do SUS, desmente governantes que alardeiam inexistentes progressos sociais e põe em xeque a Constituição, quando diz “A saúde é direito de todos e dever do Estado” e garante, no papel, “acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A presidente Dilma Rousseff anunciou, com estardalhaço, lançamento de programa voltado à erradicação da miséria. Não há necessidade de se chegar a tanto. Basta assegurar às famílias pobres a possibilidade de receberem tratamento médico a que têm direito, como seres humanos.

MALVINA TUTTMAN - O ato de aprender e ensinar, questão ética

O ato de aprender e ensinar, questão ética
MALVINA TUTTMAN
FOLHA DE SP - 14/11/11

O Enem já se mostrou exitoso; o que está hoje em discussão, portanto, é o comportamento que fere a ética de profissionais que se intitulam educadores

Pensar o significado da educação implica ir além de uma observação simplista, fragmentada, que se ocupa, apenas, em analisar partes do processo educacional.

É necessário reeducar o modo de olhar e perceber os princípios e os valores que estão subjacentes às práticas em exercício nas instituições de ensino. Refiro-me, especialmente, à questão da ética.

Paulo Freire, em suas obras "Pedagogia da Autonomia" e "Pedagogia da Indignação", de modo incisivo, aborda essa temática denominada por ele de ética universal.

Freire aponta que os educadores devem exercitar uma "ética inseparável da prática educativa". Esse exercício deve se concretizar no cotidiano, na prática diária.

Ainda, segundo o autor, é preciso que o educador possa "testemunhá-la (a ética), vivaz, aos educandos". Fortalecida por suas palavras, indago-me: o que estará pautando o ato de ensinar e aprender em nossas escolas?

O fato isolado da apropriação indevida de questões sigilosas de um exame nacional me faz, enquanto educadora, refletir sobre a atualidade dos pensamentos de Paulo Freire em relação a essa atitude.

Onde estão os princípios da solidariedade? O fortalecimento do espírito público? Será que a ética do mercado, já denunciada por Freire, que se atrela a interesses pessoais de uma pequena parcela da sociedade brasileira, está se sobrepondo à dignidade que deve pautar a ética universal defendida por ele?

Tão importante quanto avaliar todo o processo de elaboração ou aplicação de um exame ou algo similar é rever as atitudes, as formas de agir de educadores. Isso também deve ser pautado pela sociedade.

Que cidadãos estamos formando quando expomos centenas de estudantes ao constrangimento de receber e ocultar informações privilegiadas? Queremos que valores como a mentira e a fraude façam parte dos ensinamentos às futuras lideranças do nosso país?

É gratificante saber, entretanto, que, apesar de possíveis influências negativas, jovens de 16, 17 anos já têm presentes em sua formação a preocupação com o outro, com o respeito à verdade. Pude perceber isso quando alunos, indignados, procuraram o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sem receio de expor livremente a verdade.

Nesse momento, senti a força de outro tipo de educação, que vai além da escolar: a educação familiar. É preciso, mais do que nunca, fortalecer a eticidade. O currículo de nossas escolas deve considerar mais que conteúdos acadêmicos.

O nosso compromisso como educadores é o de agir coerentemente com princípios éticos. Paulo Freire nos ensina que a conduta do professor educa mais do que a simples abordagem conteudista.

Como diz Freire, "a força do educador democrata está na sua coerência exemplar: ela que sustenta sua autoridade. O educador que diz uma coisa e faz outra, eticamente irresponsável, não é só ineficaz: é prejudicial".

Como professora há mais de 40 anos, posso afirmar que o que ocorreu em Fortaleza é um caso isolado. Porém, precisamos ficar atentos ao que está acontecendo. Todos somos responsáveis. Não deixemos que mudem o foco do real significado dessa lamentável realidade.

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que ocorreu nos dias 22 e 23 de outubro, acompanhado por toda a sociedade, já se mostrou exitoso, tanto do ponto de vista pedagógico como operacional.

O que está em questão não é o Enem, e sim o comportamento que fere a ética de profissionais que se intitulam educadores.

O Inep tem a clareza de que é preciso, cada vez mais, aprimorar todo o processo. Ainda há muitas questões a serem aprofundadas, e esse instituto está pronto para a tarefa.

MALVINA TUTTMAN é presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Foi reitora da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Brasil exporta modelo de financiamento agrícola
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 14/11/11

O Brasil começa a exportar a países europeus um modelo de financiamento para o agronegócio.

Em fevereiro, a equipe brasileira do IFC (braço financeiro do Banco Mundial) recebeu representantes de Sérvia, Ucrânia, Rússia e Bulgária interessados no sistema de garantia usado na agricultura, além de membros da FAO (agência das Nações Unidas para alimentação).

O formato de penhor cedular brasileiro, que é usado como garantia para obrigações futuras, foi replicado para a Sérvia e aguarda para ser votado lá, segundo Renato Buranello, do escritório Demarest e Almeida Advogados, que adaptou a experiência brasileira para a legislação daquele país.

"A Sérvia estudou a CPR [Cédula de Produto Rural], que representa uma obrigação de entrega do produto, uma garantia. Havia um projeto de lei que buscava criar o que chamamos de penhor futuro, mas não havia um paradigma", diz Buranello.

Os outros países devem seguir a Sérvia, segundo Luiz Daniel de Campos, oficial de investimentos para o setor de agronegócio no Brasil do IFC.

"Existe uma carência desse tipo de legislação no Leste Europeu. O Brasil tem experiência. Eles não têm financiamento privado para a agricultura e estão buscando estimulá-lo", diz.

FOCO NO SUL
A carioca Óticas do Povo investirá R$ 90 milhões para entrar no Sul do país. A empresa pretende abrir até 54 lojas próprias na região nos próximos quatro anos.

A primeira foi inaugurada há três semanas em Florianópolis. Outras 11 devem ser instaladas em SC. Nos outros Estados, a empresa também começará pelas capitais. Serão 20 lojas no RS e até 22 no PR.

"Estamos caminhando para o Sul devido ao poder de compra local", diz o presidente da companhia, Manoel Carlos Pessanha.

Após se estabelecer no Sul, a empresa pretende entrar no interior de SP. Deve começar em 2015 por Ribeirão Preto, Marília e Bauru.

"O mercado de ótica é muito grande. Estima-se que 60% das pessoas que precisam de óculos não os usam. Com informação, esse número tende a diminuir."

A Óticas do Povo tem hoje 91 lojas próprias no RJ, em MG e no ES.

NÃO AGRADAM
Consumidores de 14 países consideram que 80% das marcas não satisfazem suas expectativas de bem-estar e melhoria da qualidade de vida, segundo estudo da Havas Media.

Os setores de finanças e de telecomunicações foram citados pelos entrevistados como os que apresentam as piores performances.

A pesquisa aponta, porém, que há companhias que melhoraram sua relação com os consumidores. Entre elas, a Petrobras e a empresa francesa de energia EDF.

O estudo também listou as empresas que melhoram a vida do consumidor, segundo os 50 mil entrevistados. No topo, ficou a sueca Ikea, do setor de móveis.

Cerca de 65% dos consumidores ouvidos afirmaram estar fortemente ligados à Coca-Cola. Apenas 35%, no entanto, disseram que a marca gera impactos positivos no cotidiano deles.

COTA PRODUTIVA
Os setores de serviços e administração pública são os que mais contratam pessoas com deficiência, segundo estudo que será divulgado no final deste mês pela Fiesp.

Quase metade (44,07%) dos profissionais contratados por meio da Lei de Cotas trabalha nesses segmentos.

A indústria e o comércio aparecem em seguida, com 37,26% e 14,69%, respectivamente, nos dados da Fiesp.

A pesquisa também analisa a distribuição dos profissionais no mercado.

O setor de alimentos e bebidas, por exemplo, contrata grande número de deficientes visuais devido à maior capacidade de concentração.

O levantamento faz ainda uma análise da faixa salarial das pessoas com deficiência.

Outro ponto abordado é a localização das empresas com mais de cem funcionários, que são obrigadas a cumprir a Lei de Cotas.

Ensino... Entre estudantes que usam crédito universitário, 67% são responsáveis pelo pagamento das parcelas, segundo a Ideal Invest, que faz esse tipo de financiamento.

...superior Dos cerca de 800 alunos entrevistados, 48% responderam que não estariam estudando sem a obtenção de crédito e 31% fariam um curso mais barato.

Dois em um Os escritórios de advocacia L.O.Baptista, de São Paulo, e Schmidt, Valois, Miranda, Ferreira & Agel (SVMFA), do Rio, acabam de unir suas operações.

NÚMERO
US$ 257 bilhões é a última projeção do Mdic para as exportações deste ano

"MADE IN BRAZIL"

A projeção final de exportações para este ano é de US$ 257 bilhões, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). No início deste ano, a previsão era de US$ 228 bilhões. A estimativa não será mais revista neste ano, informa o ministério.

A Abece (Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior), que também projeta as exportações na "faixa de US$ 255 bilhões", estima superávit comercial de aproximadamente US$ 30 bilhões e intercâmbio comercial de aproximadamente US$ 480 bilhões em 2011.

"No primeiro semestre de 2012, essa corrente de comércio deve superar meio trilhão de dólares", de acordo com a entidade que representa empresas de trading.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

SANDRA CAVALCANTI - Os culpados devem ser punidos

Os culpados devem ser punidos
 SANDRA CAVALCANTI 
O ESTADÃO - 14/11/11

Retomo nossas conversas, após um solicitado descanso.

Senti saudades dos leitores do nosso Estadão.

Foi bom receber as suas amigáveis cobranças, que me deixaram muito feliz.Mas ao retornar vejo que o tempo passou voando, o mundo conseguiu ficar mais confuso, o Brasil, mais corrompido e as pessoas, mais anestesiadas! Com a parafernália dos equipamentos moderníssimos de comunicação, as férias mudaram.

Antigamente a gente dizia: fulano tirou férias.Ou,então,beltrano entrou em férias. Ou, ainda, sicrano saiu de férias.Hoje agente não tira, nem mas nem tanto. O telefone celular,o rádio,aTV,os+ iPads da vida, enfim, a internet, que cobre todo o planeta, acabou com essa conversa de férias.

Enquanto estive ociosa,Brasília ferveu. Um tsunami de corrupção derrubou mais alguns da quadrilha que se instalou no poder (a definição de quadrilha está consagrada pelo Supremo e pela Promotoria...). A economia, apesar de todas as providências, dá evidentes sinais de engarrafamento.

As mortes nas estradas e nas metrópoles continuam sendo um massacre.

O ex-presidente segue dando as cartas, mantendo sua "troupe" em cena. A substituta imita a atitude de leniência e cumplicidade do seu mentor. Os crimes são apelidados carinhosamente de malfeitos.Os atores são substituídos por "dublês". No enredo da peça não se mexe. A plateia continua fiel, bate palmas e come pipoca! Se não fosse a corajosa luta da imprensa,não saberíamos de nada, porque, no que depende da vigilância e da seriedade dos que ocupam o poder e decidem como usar os recursos públicos, o assalto continuaria à vontade...

Pior ainda é o alargamento do comando que o Estado quer exercer sobre todos os cidadãos.

Um comando voraz, que não se contenta com pouco.Em troca de suposta melhoria nas condições de vida dos mais pobres, o Estado estende sobre eles a sua rede de tirania. E usa a área da educação, de preferência.

O MEC vem sendo o mais solerte instrumento da limitação da liberdade de pensar. Os livros didáticos são ideologicamente filtrados. As escolas públicas estão sob controle partidário.

As ONGs que atuam em áreas sociais e esportivas, em sua maioria, estão subordinadas aos políticos das famosas "bases".

Enfim,tudo dominado,como dizem os mafiosos.

Difícil escolher, entre tantos, o episódio que mais me escandalizou nesse período. Terá sido o da área do esporte?Ou o da agricultura? Ou o dos transportes? Ou a inacreditável incompetência do MEC no caso do Enem, comandado pelo candidato ungido para governar a cidade de São Paulo? De lascar, não? E não é que acabei escolhendo outro malfeito?O descaramento do deputado que preside (!) a Com issão de Justiça da Câmara.

Na calada da noite, como um legítimo malfeitor, ele encaixou, sorrateiramente,na pauta o projeto que anistia os indiciados pelos crimes do mensalão. Inacreditável! Se não fosse a presença de um vigilante representante do povo, a quadrilha do mensalão poderia livrar-se de ser atingida pela decisão que o STF deve tomar por estes dias: considerar a Lei da Ficha Limpa válida já para as eleições de 2012.

Pois é, no mundo cibernético de hoje, as férias são assim:onde quer que estejamos,o mundo está ao nosso lado, à nossa volta, ao nosso alcance.Quando retornamos, não há novidades.Há velhas maracutaias, velhas trapaças, velhas artimanhas.Tudo velhacaria.

Bem velha e conhecida.

Normalmente,tudo isso causa decepção e pode até estragar nossas difíceis férias. Não foi o meu caso. Ainda assim, continuo a acreditar que a criatura humana vale a pena. Vale nosso esforço para fazer o certo. Entre o benfeito e o malfeito, devemos continuar lutando pelo bem! O risco, no mundo de hoje, é a despersonalização da culpa e a certeza da impunidade. Essa é a ideologia de muita gente! O sujeito rouba,mas não é para ele, é pela causa.Mente,mas não é pelo seu interesse, é pela causa.

Até mata,mas não por sua vontade, é pela causa. Ele não é pessoalmente culpado, por isso não merece ser punido.Gente assim jamais reza como um bom cristão: "Minha culpa, minha tão grande culpa".

O Brasil está passando uma fase extremamente perigosa, que exige de nós todos um esforço de permanente vigilância.

Em vários artigos ao longo destes quase 15 anos critiquei (e continuo a criticar) nosso sistema eleitoral e nosso regime de governo. Acho que nosso presidencialismo é muito chegado a uma ditadura esclarecida, do tipo positivista. E nosso sistema eleitoral é o responsável direto pela fraqueza do eleitor. Sempre revelei preferência pelo parlamentarismo e pelo voto distrital misto. Mas não acho que a corrupção endêmica que tomou contado País seja consequência de não termos adotado tais formas de governar. A corrupção não nasce por causa disso.

É preciso entender que as leis servem apenas para orientar a nossa convivência, como sociedade.

Mas nosso comportamento como pessoas depende de nossos valores, do uso de nosso discernimento e da nossa liberdade.

Não dependemos de governos, partidos e líderes para sermos honestos e verdadeiros.

Os valores morais é que nos mostram o caminho do bem e da verdade, são eles que impedem o ser humano de praticar atos ilícitos.

Quando não são importantes na vida das pessoas, não há sistema que impeça um lamaçal de corrupção e de maldades.

Caráter, consciência, amor à verdade e ao próximo, generosidade, fidelidade,responsabilidade, respeito ao alheio, senso de justiça, são essas as virtudes que comandam a vida pública.Abandoná- las é decisão pessoal.Toda culpa é pessoal. Ela é de corrente do mau uso da liberdade.A culpa é tão intransferível quanto as virtudes.

Nossa luta é convencer nosso povo a se comportar de acordo com essa visão ética. Por isso devemos sempre querer que os culpados sejam punidos.

CARLOS ALBERTO DI FRANCO - Excelência versus ideologia


Excelência versus ideologia
CARLOS ALBERTO DI FRANCO
O ESTADÃO - 14/11/11

Surpreendente. Assim pode ser definido o resultado das recentes eleições para o Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB). Pela primeira vez desde o fim da ditadura militar, uma chapa apartidária, e não ideológica, assume a representação estudantil naquela instituição.

Tradicionalmente ocupado pela esquerda, a perda do comando do DCE da Universidade de Brasília pode indicar uma mudança mais profunda. Uma nova geração de estudantes, menos comprometida como radicalismo ideológico e mais focada na excelência acadêmicae profissional, está mostrando a sua cara. Os integrantes da nova diretoria são alunos dos cursos de Direito, Economia, Administração e Engenharia.

A proposta dos estudantes – que mobilizou lideranças, atraiu votos e desembocou na vitória–representaumaruptura com o velho discurso salvacionista de certos setores da esquerda. Tachados de direitistas e conservadores, estratégia recorrente e ultrapassada de desqualificação dos adversários, os vencedores não responderam com clichês vazios, mas com conceito se argumentos racionais. Defendem melhorias concretas na estrutura da universidade. Não estão preocupados com a reforma agrária,como“capitalismo selvagem” ou com a defesa de Fidel Castro e de Hugo Chávez. Defendem um ideário de interesse dos estudantes: incentivo a parcerias com fundaçõesprivadas, melhoria na qualidade do ensino, melhor desempenho acadêmico.

Segundo Mateus Lôbo, aluno de Ciência Política e vice-presidente da chapa vencedora, a Aliança pela Liberdade “é um grupo de alunos que acreditam na excelência e nomérito como forma de se fazer revolução”. A afirmação,carregada de sadio inconformismo, consta de matéria veiculada pela UnB Agência.

A nova liderança estudantil defende o pluralismo e o debate dasideias.“Opensamento divergente é saudável no ambiente universitário e isso se provou nas urnas. As pessoas querem umdiscurso diverso, não um local onde se pregue apenas uma correntedepensamento”,sublinhou Lôbo.

A abertura ao diálogo é uma excelente notícia e está intimamente relacionada com o papel da universidade.O discurso único não condiz com o ambiente acadêmico e não contribui para o desenvolvimento de uma democracia sustentada.

Algo novo, e muito promissor, aparece no horizonte da juventude brasileira. Juntamente com essa mudança pontual, porém simbólica, assistimos ao crescente protagonismo dos nossosjovensnaspasseatascontra a corrupção.

Convocadas pelas redes sociais, manifestações contra a corrupção têm atraído milhares de pessoas, sobretudo jovens, emvárias cidades do País,como Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O maior ato foi em Brasília, onde a Marcha Contra a Corrupção reuniu na Esplanada dos Ministérios cerca de 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, durante o desfile em comemoração ao Dia da Pátria. Osmanifestantes apareceram com faixas, cartazes,vassourasrepresentando a faxina na política, nariz de palhaço e roupa preta.

O movimento cobrou punição dos envolvidos no mensalão. A passeata ocorreu uma semana após o congresso do PT deixar claro que não apoia nenhumtipodefaxina anticorrupçãonogovernoe considerarque esses movimentos eram parte deuma“conspiraçãomidiática” e uma forma de promovera“criminalização generalizada” da base aliada ao Palácio do Planalto. Mas osmanifestantes deixaram claro que não admitem a interrupçãoda faxina em nome da governabilidade. O poderoso PMDB e os outros partidos da base aliada sentiram a mordida da cidadania.Ojogo começou e ninguém conseguirá pará-lo no apito ou ganhar no tapetão.

Jovens, muitos jovens, exigiram a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa – que depende dejulgamentosnoSupremoTribunal Federal. As faixas tinham frases fortes e bem-humoradas. Havia dizeres como “país rico é país sem corrupção” – referência ao slogan do governo federal “país rico é paíssem miséria”.O povo, mais perspicaz do que se pensa, sabe que a dinheirama da corrupção está na raiz da pobreza dos brasileiros. Verbas públicas, desviadas da saúde, da educação, da agricultura,engordam as contas dos parasitas da República e emagrecem a vida e a esperança dos brasileiros.

Ao contrário do ceticismo da geração dos mais velhos, que acumula excessivas reservas de decepção, a moçada acredita na possibilidade de mudança. Não admite, com razão, que o País, refém de uma resignação equivocada, vejadesaparecernoralo da corrupção nada menos que R$ 85 bilhões, segundo detalhado levantamento feito pela revista Veja. Trata-se, amigo leitor, do balanço contábil da roubalheira, da conta que a sociedade paga pela chamada governança pragmática.O apoio político cobra um pedágio vergonhosamente imoral e criminoso. Acorrupção drena anualmente dos cofres públicos o equivalente a 2,3% de toda a riqueza produzida pelo País. É um câncer que vai destruindo o organismo nacional. Se fosse usado para fazer investimentos públicos, esse dinheiro mudaria a cara do Brasil e faria, de fato, a tão almejada justiça social.

Os brasileiros começam a se indignar com a corrupção. E a juventude, idealista por natureza, éa porta-bandeiradacidadania. Orecadodosjovensémuito claro e seria bom que os políticos tomassem nota.

A juventude não aceita mais o quadroqueestáaí.Asmanifestações de rua, pacíficas e cada vez mais expressivas, desembocarão com força irreprimível nas redes sociais. As próximas eleições reservam desagradáveis surpresas para aqueles que fazemda política a artedoengodo e uma plataforma para ganhar dinheiro fácil. 

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - Bunga-lenga


Bunga-lenga
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO 
O Estado de S.Paulo - 14/11/11

Não foram as festas bunga-bunga que derrubaram o libidinoso premiê italiano, Silvio Berlusconi. Foi a debacle econômica da Itália. Não foi (apenas) amor à camisa que segurou Neymar no Santos, mas a decadência dos mercados europeus e o crescimento financeiro do futebol brasileiro. Não é o terrorismo nem são os republicanos que mais ameaçam a reeleição do presidente Barack Obama, e sim o risco de duas recessões sucessivas nos EUA.

Cada vez mais, é o bolso do eleitor que determina o sucesso dos políticos mundo afora. O Brasil, apesar de suas jabuticabas, não é exceção. As principais forças da oposição, entretanto, têm dificuldades de aceitar isso. Faz uma década que não acertam nem sequer o discurso. Não é de estranhar: sem um diagnóstico correto, é quase impossível estabelecer uma estratégia vitoriosa nas urnas.

O primeiro passo é entender no que os adversários acertaram. Creditar tudo à sorte do outro é condenar a sua própria. Nos seminários, artigos e entrevistas com líderes do PSDB nunca se admite que houve algo positivamente diferente na gestão dos adversários petistas. Foi apenas a continuidade do modelo tucano em uma circunstância internacional mais favorável. Em suma, o sucesso alheio é mero acaso. Enquanto persistir nessa lenga-lenga, a oposição dificilmente sairá de onde está.

Quando se comparam os gráficos de indicadores econômicos do período FHC com os da era Lula, o que mais chama a atenção não é o crescimento da renda nem a diminuição da desigualdade, como a máquina de propaganda petista gosta de matraquear. É o de crédito. Do crédito das pessoas físicas. Para adquirir carros, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos ou fazer compras no cartão.

Quando Fernando Henrique Cardoso deixou a Presidência, as operações de crédito para a pessoa física eram 5% do PIB (Produto Interno Bruto). Desde então, cresceram mais de três vezes em proporção a tudo o que o Brasil produz de bens e serviços ao longo de um ano. O Brasil entrou no maravilhoso mundo do gastar por conta e a oposição não percebeu, ou pelo menos não admitiu.

Tudo indica que - no cenário de economia estabilizada e baixa inflação deixado pelo PSDB - as transferências de renda para as populações semi-indigentes misturadas às políticas de microcrédito e aumento real do salário mínimo do governo petista criaram um círculo econômico virtuoso: com uma renda mínima garantida e crescente, dezenas de milhões se tornaram neoconsumidores. Não necessariamente porque tinham dinheiro no bolso, mas porque tinham crédito.

Essa história de gastar por conta não dura indiscriminadamente, mas dura. Enquanto a conta vem a prazo, a satisfação é imediata. Por isso, é tão difícil encontrar um discurso para convencer o eleitor de que é melhor mudar do que deixar tudo como está.

É por causa do crédito fácil e dos gastos exagerados que o Primeiro Mundo está enfrentando uma das maiores crises financeiras de sua história. A pirâmide financeira que levou Bernard Madoff à cadeia é brincadeira de criança quando comparada aos trilhões de euros em empréstimos sem lastro a governos europeus, ou ao megacassino do mercado de derivativos de Wall Street.

O problema, para a oposição, é que o Brasil estava tão atrasado nesse jogo que parece haver muito chão até a economia do País bater nos limites que levaram Grécia, Irlanda e Portugal à bancarrota. Ou seja, não dá para a oposição esperar sentada até que a sorte internacional do governo Dilma mude.

No fim do governo FHC, o endividamento das famílias era menos de 20% da renda acumulada pelos seus integrantes nos últimos 12 meses. Agora, é de mais de 40%. O gráfico da evolução desse porcentual parece uma rampa íngreme: cresce em linha reta, sem solavancos nos últimos seis anos. Apesar disso, ainda há espaço para crescer mais. Entre outros motivos, porque a situação demográfica brasileira é muito mais favorável do que a europeia.

A base economicamente ativa da população ainda é muito mais larga do que a soma de aposentados e estudantes. Por isso, a pirâmide brasileira permanece de pé. Ao contrário da oposição, o governo parece entender isso. A qualquer sinal de desaceleração da economia, o Banco Central solta os mecanismos de crédito, como fez novamente na sexta-feira passada. A confiança do consumidor reage e, por tabela, a popularidade do governante de plantão.

A continuar essa tendência, o cenário da próxima eleição municipal tende a ser mais parecido com o do pleito de 2008 do que com o de 2004: melhor para os candidatos governistas do que para os de oposição.

MÔNICA BERGAMO - 'LUCY É MAIS BONITA'


'LUCY É MAIS BONITA'
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 14/11/11

Marina Silva (sem partido), 53, se encontrou com Sandra Werneck em um flat de SP na semana passada. Conversaram sobre o longa que a diretora planeja rodar em 2012 sobre a vida da ex-candidata à Presidência.

Werneck contou que além de Lucy Ramos, que encarnará Marina na telona, convidou Wagner Moura para viver Chico Mendes. "Ele aceitou, mas disse que depende de sua agenda", diz. Thiago Fragoso deverá interpretar Fábio Vaz de Lima, marido da ex-senadora. "E a Regina Casé fará uma participação especial como a avó dela." A coluna conversou com as duas sobre o projeto. Leia:

Folha - Por que a senhora relutou em aceitar o filme?
Marina Silva - Por causa da superexposição. O cinema faz tudo ter voz, rosto, apelo. Eu estava muito cuidadosa porque envolve outras pessoas. E havia uma resistência sobretudo dos meus filhos. Mas a Sandra conversou com minha família e eles aceitaram. Aceitei porque a proposta é que o filme registraria um período, não viria pra essa coisa da política. Isso me deixou mais confortável. Não queria misturar canais. Claro que as pessoas vão saber de quem se trata. Mas será muito mais um testemunho de vida para dialogar com os temas e as causas.

Quais canais não queria misturar? O da política?
MS - As pessoas têm dificuldade em entender que sou muito recolhida. E, pra mim, isso tem muito mais a ver com a causa que com qualquer outro motivo. Se isso ajuda a fazer com que essa [minha] visão de mundo, que esses processos possam ser melhor acolhidos ou conscientemente rejeitados, acho que [o filme] vale a pena. A arte é uma das linguagens mais poderosas pra gente passar o que sente.
Sandra Werneck - [Com os olhos marejados] Fiquei emocionada!

Fez algum pedido especial?
MS - Eu procuro ser cuidadosa com a história das pessoas. Não tenho direito de invadir a história delas para dar um enquadramento à minha.

Algum tema ficará de fora?
MS - Qualquer coisa que pareça instrumentalização política, não gostaria que entrasse. Quero que seja uma história sem negar que sou uma pessoa que está na política desde os 17 anos. A arte não pode ser do PT, do PV.

Assistiu ao filme sobre Lula?
MS - Ainda não. Quero ver completamente descontaminada de qualquer coisa. As pessoas próximas [do Lula], por mais que tenham algum senão ao filme, disseram que choraram muito. É um pouco a nossa história. Eu, só de começar a falar aqui, quero chorar. Aí vou ver o filme? [Já me emociono] quando lembro de tudo o que a gente passou, dos momentos que o Lula ia lá no Acre e a gente ficava no maior vexame para não fazer reuniões [do PT] com quase ninguém. Vou esperar um momento mais adequado para assistir.

O Lula aparecerá no filme?
MS - Aí não sei. Acho que o Lula histórico talvez.
SW - Acho muito complicado. É claro que histórias do Lula estarão presentes, mas não um ator.

Gostou da escolha da Lucy para protagonista?
MS - Li no Twitter que "a Lucy tá muito bonita para ser a Marina Silva".

E o que a senhora respondeu?
MS - Nada, eu concordo [risos]. A brincadeira era: "A Lucy como a Marina é o mesmo que chamar o Brad Pitt pra fazer o Jorge Vianna [senador]". Se olhar pra 30 anos atrás, a Lucy está adequada. No teste que vi, ela pegou até os meus cacoetezinhos.

CINEMA PARADISO
Um dos homenageados da 7ª Semana Pirelli de Cinema, o ator Paolo Sassanelli foi ao coquetel de abertura do evento, na Faap. Alberto Barbera, diretor do Museu de Cinema de Turim, a advogada Caroline Leite Barreto e Érica Bernardini, da curadoria da mostra, também estiveram lá.

PÁTRIA AMADA

O Ministério da Justiça vai conceder, pela primeira vez, a residência permanente para um estrangeiro com base em sua união homoafetiva com um brasileiro. O contemplado é Antonio Vega Herrera, cubano com nacionalidade espanhola. O casal mora em Araçatuba (SP).

CLASSIFICADOS

O deputado Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, vendeu a cobertura dúplex onde morava na rua Rio de Janeiro, em Higienópolis. O imóvel está avaliado entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões -ele não confirma o valor da transação. Chalita se mudou para um apartamento menor, de cerca de R$ 4,5 milhões, no mesmo bairro.

VETO

A editora Leya veicularia anúncios do livro "O Fim da Guerra" nas estações e nos trens do Metrô de SP, mas teve seu pedido negado pela empresa por se tratar de um trabalho "polêmico". A obra de Denis Russo, que será lançada no dia 28, aborda as drogas. O autor viajou pra cinco países e viu os diferentes tratamentos feitos com usuários e as políticas sobre o tema em cada lugar.

VETO 2

O Metrô diz que "recusou" a proposta para divulgação do livro "baseado em normas que regulam o uso dos espaços publicitários no interior dos trens e nos ambientes das estações". A empresa afirma que "a recusa não deve ser entendida como censura, pois não cabe ao Metrô julgar autores ou manifestações artísticas".

ESCOLA DE SAMBA

O governo de SP vai incluir no programa Via Rápida Emprego cursos de capacitação para o Carnaval. O Centro Paula Souza vai dar aulas de automação para articulação de carros alegóricos e de adereços e cenografia. O início será na quarta, em duas Etecs: uma vizinha da escola de samba Leandro de Itaquera e outra em Santos.

EXPANSÃO

A UCI vai investir R$ 40 milhões para abrir cinemas no Maranhão, na Bahia, no Mato Grosso do Sul e no Rio.

VAI FALTAR ARROZ

Dois concorridos casamentos acontecerão em SP no dia 26: o diretor Ricardo Justus, filho do publicitário Roberto Justus, vai trocar alianças com a apresentadora Francieli Fischer na Casa Fasano. E a designer Mariana Vital Brazil, herdeira da Riachuelo, subirá ao altar da igreja Nossa Senhora do Brasil com o empresário Pedro Tepedino. A festa será na Sala São Paulo.

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A Nextel disparou e-mails com uma foto nua de Fernanda Young, em que a apresentadora pede votos para a empresa no Prêmio Caboré. Na mensagem, ela exibe uma tatuagem de mentira de um código de rádio da operadora no seio, e diz que a imagem foi descartada de seu ensaio para a "Playboy", em 2009.

TORCIDA DE ELITE

Os 11 exemplares de colecionador do livro "Nação Corinthians", que custavam
R$ 15 mil cada um, se esgotaram no site da editora Toriba. A obra pesa 30 quilos e traz as assinaturas de seis ex-jogadores: Rivellino, Sócrates, Marcelinho Carioca, Neto, Wladimir e Basílio.

CURTO-CIRCUITO
O humorista Luiz França faz hoje, às 23h, a festa "Menstruação", no Kitsch Club. 16 anos.

A festa Discotexxx terá edição extraordinária hoje, no clube Lions. 18 anos.

O festival "Ocupação Mirada" estreia no dia 23 no Sesc Belenzinho. 14 anos.

A banda RPM faz show no evento beneficente Toy's Party. No dia 30, no Citibank Hall, em SP.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

MELCHIADES FILHO - Dispensa de classe

Dispensa de classe
MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SP - 14/11/11

BRASÍLIA - Não são apenas as picaretagens de Carlos Lupi (Trabalho) que ameaçam o plano de Dilma Rousseff de só voltar a mexer na equipe em fevereiro. Razão ainda maior para adiantar a minirreforma ministerial é o envolvimento precoce e intenso de Fernando Haddad (Educação) na campanha para a Prefeitura de São Paulo.

Remanescentes do governo Lula, Lupi e Haddad faz tempo são nomes certos na lista dos que sairão.

Mas o primeiro há meses não tem nada (de útil) para fazer em Brasília. Seu cargo foi desidratado depois de uma auditoria de órgãos federais -são os resultados dessa varredura que alimentam o noticiário e servem para fritar o ministro de vez.

Dilma, além disso, não dá bola para a agenda trabalhista. Nas poucas vezes em que foi demandada, tratou do caso no próprio Planalto. Tanto faz Lupi se declarar à presidente. O amor não é correspondido.

Já a educação aparece na lista das prioridades do governo e dos assuntos caros à presidente.

Por isso, é acintoso que Haddad venha usando o horário de trabalho para sua agenda pré-eleitoral.

Na semana passada, enquanto o MEC divulgava de modo acanhado o censo do ensino superior e ainda lidava com implicações judiciais de mais uma fraude no Enem, o ministro cuidava de criticar a atuação da PM "tucana" na USP e se empenhava nos conchavos para unificar o PT em torno de sua candidatura.

Com a "faxina", Dilma deu uma contribuição à democracia brasileira. É um marco o desfecho do Paloccigate, nascido do trabalho obstinado de repórteres da Folha. Impõe a autoridades um outro padrão de resposta quando tiverem de lidar com atos ou indícios de corrupção.

Mas um governo alinhado a esses novos parâmetros, pautado pelo bom senso, tampouco pode acolher um ministro concentrado em projeto político pessoal. Renúncia, licença ou reforma, Haddad precisa sair.

CLAUDIO HUMBERTO

“Lula vê isso com bons olhos. Tem isso no horizonte”
Deputado Marco Maia (PT-RS), sobre uma chapa Haddad-Gabriel Chalita em São Pa u l o

SUSPEITA DE DIRECIONAMENTO EM LICITAÇÃO DO TSE
Ardilosa e bilionária operação está em curso em licitação do Tribunal Superior Eleitoral para adquirir 2,5 mil kits biométricos (Kits Bio), a fim de recadastrar eleitores por impressão digital. O valor inicial de R$ 29,5 milhões é só o começo. O software livre, barato, daria independência ao governo, mas o edital exige software da francesa Sagem, o único compatível com o do Instituto de Identificação da Polícia Federal.

CHAVE DO MISTÉRIO
Em 2009, a PF pagou US$ 46 milhões pelo sistema biométrico Afis, para emissão de passaporte. Cada cadastramento custa US$ 7,5.

TOP SECRET
O TCU questionou a compra do sistema Afis, mas a PF alegou que era assunto de segurança, portanto, secreto. Não se falou mais no assunto.

MINA DE OURO
Convênio com o TSE prevê o repasse à PF dos dados de 150 milhões de brasileiros para montar sua base das novas carteiras de identidade.

BILIONÁRIO
Para emitir as novas identidades, a PF terá de adquirir mais sistemas biométricos Afis. Fazendo as contas, o negócio atingirá a US$ 1 bilhão.

ROYALTIES NÃO DIMINUEM A POBREZA DE CAMPOS
A gritaria do governo do Rio pelos royalties perde força diante de um dado incontestável: o mau uso dos recursos. Campos dos Goytacazes, no litoral norte, é a cidade que mais recebe royalties no País e continua em estado crítico. Apenas de royalties e participação especial, recebe mais de R$ 1 bilhão por ano, e seu Índice de Desenvolvimento Humano é 0,752, que a coloca em 55º lugar entre os 92 municípios do estado.

MISÉRIA
Moradores de periferia em Campos, paupérrimos, não têm esgoto nem calçamento. Mas a praça principal tem banco de mármore de Carrara.

NA CONTA
Em 2011, Campos já recebeu até outubro R$ 458 milhões de royalties e R$ 489,9 milhões de participação especial nos depósitos trimestrais.

AO LADO
Nova Meca do petróleo, Macaé (IDH 0,790 - 15ª no estado) não fica aquém de Campos. E já ganhou este ano R$ 335 milhões em royalties.

PROCURA-SE
Um embaraço novo para a pretendida reforma ministerial que Dilma: até agora, nenhum ministro acusou euforia por participar do governo. Ainda mais com ministérios loteados por partidos de péssimo conceito.

CONTA OUTRA
Ao contrário do Batalhão de Choque da PM, a PF não caiu no conto do “cônsul honorário do Gabão”, que escondia o traficante “Nem” num carro. É título honorífico, que não impede a cana do distinto.

MARÉ VAZANTE
Dilma ainda não guardou o nome completo de alguns ministros e às vezes pergunta ”quem é aquele”? Quem estiver nessa condição precisa urgente de um padrinho forte, porque a maré da faxina está no fim.

PODER SEM PUDOR

DE BERÇO

Advogado trabalhista em Sergipe, o ex-presidente nacional da OAB Cezar Britto certa vez foi atacado por um velho advogado patronal:
– Sou tratado de direitista, mas em 1964 lutei contra a ditadura. E muito gostaria de saber o que o sr. Britto fazia então, de que lado estava...
– Estava com minha mãe tomando mamadeira, no berço, gritando “abaixo a ditadura”! – respondeu o bem-humorado Britto Nascido em 1962, ele mal engatinhava quando ocorreu o golpe militar de 1964.

ÁGUAS ROLANDO
O governo da Tanzânia, na África, está entusiasmado com o interesse da brasileira Odebrecht na construção da maior hidrelétrica do país, diz a imprensa local. Tomara que o BNDES não se entusiasme também.

CHINA BRAZUCA
Chineses não brincam em serviço: nos últimos três anos, o polo de Manaus recebeu 38 indústrias da China, que investiram US$ 1,3 bilhão e esperam gerar mais de 15 mil empregos diretos.

HISTÓRIA DE PESCADOR
O estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, diz ser “normal” a demissão de mais de mil funcionários em menos de um mês. O último grande lançamento meia boca foi em maio, do petroleiro “João Cândido”, de R$ 336 milhões, para a Transpetro. Talvez fique pronto em dezembro.

VAI ENTENDER
Economistas estimam que os argentinos guardam debaixo do colchão US$ 60 bilhões em dinheiro vivo, por não confiarem nos bancos. Nem o governo de Cristina Kirchner, que acaba de reeleger. Nem Kafka.

ESPERTEZA LUSA
O consulado de Portugal em São Paulo diz nada dever a José Roberto Moreira, funcionário brasileiro com o vírus HIV, mas os advogados ofereceram R$ 250 mil para quitar o INSS e FGTS. Seria um quarto da dívida, a salvo de cobrança judicial pela im(p)unidade diplomática.

VÍCIO MALDITO
As entrevistas de certas autoridades, parodiando a propaganda de bebida, deveriam incluir a legenda: Minta com moderação.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: A Rocinha é nossa

Folha: Rocinha é ocupada sem tiros, mas teme o futuro

Estadão: Depois de ocupar Rocinha, Rio quer mais 21 UPPs até a Copa

Correio: Está cada vez mais difícil se aposentar

Valor: União retoma ofensiva para agilizar as execuções fiscais

Estado de Minas: Falta ao trabalho disparam no país

Jornal do Commercio: Paz na guerra do Rio

Zero Hora: Falhas na segurança forçam transferência de detentos da Pasc