sexta-feira, novembro 11, 2011

NELSON MOTTA - Os desavergonhados



Os desavergonhados
NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo - 11/11/11


O errado e o malfeito, a incompetência e o desleixo, a estupidez e a má-fé são próprios da condição humana. A diferença está entre os que se envergonham e os desavergonhados. No Japão civilizado, a vergonha é o pior castigo para uma pessoa e sua família, mais temida do que as penas da lei. Homens públicos se suicidam por pura vergonha. Embora seja só meio caminho para não errar de novo, o sentimento de vergonha ajuda a civilizar. Já os que não se envergonham, nem por si nem pelos outros, são determinantes para que suas sociedades sejam as que mais sofrem com a corrupção, a criminalidade e a violência, independente de sua potência econômica ou regime politico.

Em brilhante estreia no Blog do Noblat, o professor Elton Simões analisou pesquisas internacionais sobre as relações entre o sentimento de vergonha social e familiar e a criminalidade.

Nas sociedades em que a violência e o crime são vistos como ofensas à comunidade, e não ao Estado, em que a noção de ética antecede a de direito, em que o importante é fazer o certo e não meramente o legal, há menos crime, violência e corrupção, e todo mundo vive melhor - por supuesto, o objetivo de qualquer governo. Nas sociedades evoluídas e pacíficas, como o Japão, a principal função da Justiça é restaurar os danos e relações entre as pessoas, e não punir ofensas ao Estado e fabricar presos.

"Existe algo fundamentalmente errado em uma sociedade quando as noções de legalidade ou ilegalidade substituem as de certo ou errado. Quando o sistema jurídico fica mais importante do que a ética. Nesta hora, perdemos a vergonha", diz o professor Simões. Como os políticos que, antes de jurarem inocência, bradam que não há provas contra eles. Ou que seu crime foi antes do mandato.

Não por acaso, no Brasil, onde a falta de vergonha contamina os poderes e a administração pública - apesar de todo nosso progresso econômico e avanços sociais -, a criminalidade, a violência e a corrupção crescem e ameaçam a sociedade democrática. Não há dinheiro, tecnologia leis ou armas que vençam a sem-vergonhice. Só o tempo, a educação e líderes com vergonha.

MILTON HATOUM - Perto das palmeiras selvagens



Perto das palmeiras selvagens

MILTON HATOUM
O Estado de S.Paulo - 11/11/11

Quando uma amiga americana me disse que eu ia penar no frio de Iowa, dei de ombros e respondi que os amazonenses têm pele de sucuri. Mas ela estava certa.

A terceira semana de outubro daquele ano já distante foi suportável; em novembro os escritores dos trópicos adquiriram um ar triste, de palmeiras transplantadas para um mundo gelado. Nossos refúgios em Iowa City eram o cineclube, a maravilhosa livraria Prairie Lights e os bares. A complicação começou na madrugada de 18 de novembro, quando o alarme contra incêndio disparou no nosso alojamento, onde moravam estudantes da universidade de Iowa. Os 26 escritores de quatro continentes ocupavam o sétimo e último andar, e eu só tive tempo de pegar meu casaco e descer as escadas aos tropeços, empurrado por uma turba de poetas e narradores desesperados, ouvindo vozes em espanhol, alemão, russo, polonês, árabe, hebraico, suaíli e, suponho, em urdu e hindi. Essas vozes de Babel abandonavam as alturas para vencer a distância entre o céu da cama morna e o inferno do gelo exterior.

Em novembro eu já era amigo da espanhola Anatxu e do argentino Rodrigo. Um russo, cujo nome não me recordo, nos acompanhava aos bares e ao cineclube. No outro lado da rua, nós quatro olhávamos para o edifício, esperando sinais de fumaça, enquanto os bombeiros verificavam se era alarme falso ou fogo de verdade. O russo tirou uma garrafinha de vodca do bolso e nos ofereceu um gole. Ele era o único que, além de não sentir frio, ria dos friorentos. Depois de tomarmos a garrafinha, o russo, como um mágico da estepe, sacou outra do bolso e abriu-a. Quando Rodrigo perguntou se essa garrafa era para nós, o russo disse: Egg Zactl, com a mesma pronúncia de Pnin, a personagem patética de Nabokov. Rodrigo deu uma gargalhada, e logo depois os bombeiros deram a boa notícia de que se tratava de um alarme falso. Subimos de elevador até o sétimo andar e, no dia seguinte, voltamos à Prairie Lights, ao cineclube, ao mesmo bar onde nós quatro bebíamos e conversávamos sobre cinema e literatura. Lá pelas tantas, quando falávamos em espanhol, o russo boiava, e só lhe restava beber e ouvir, com ar perplexo.

Na madrugada do dia 29 o alarme disparou de novo, e dessa vez decidi que era preferível morrer asfixiado ou queimado a suportar o frio siberiano de Iowa. Permaneci quieto, encasulado no cobertor, ouvindo o tropel e as vozes em pânico. Depois ouvimos a mesma versão dos bombeiros: travessura de algum estudante que disparara o alarme.

Em dezembro era impossível sair do quarto aquecido. Da janela eu via uma paisagem branca com árvores desfolhadas, só tive ânimo de correr até a Prairie Lights e pegar um romance que eu encomendara. Anatxu, nossa amiga espanhola, quis ficar em Iowa; o russo e suas garrafinhas haviam sumido, eu e Rodrigo decidimos ir embora: ele foi para Nova York, eu viajei para o Sul, fugindo do frio e de alarmes falsos, atraído pela beleza do Rio Mississipi e vendo extensas plantações de milho e algodão. Desci até New Orleans e naveguei no grande rio, um dos meus sonhos antigos. Em New Orleans algumas coisas me fizeram lembrar Belém e o Norte do Brasil: a culinária picante herdada de índios, africanos e europeus; o clima quente e úmido; uma indolência sem culpa, pequenas casas de madeira onde morava a pobreza. No Vieux Carré da cidade, entre a Jackson Square e a Royal Street, procurei e encontrei ruas estreitas com casas avarandadas. Não senti o cheiro de jasmim, nem de açúcar, bananas ou maconha. O ar parecia parado: o ar do porto, úmido e morno. Tampouco ouvi acordes de piano de alguma composição de Gershwin. Mas diante de uma casa avarandada no Bairro Francês, uma palmeira estranhamente agitada projetava sombras também estranhas na calçada.

O romance que eu acabara de ler na viagem ainda estava vivo na minha memória. Atrás de um muro de tijolos imaginei a casa onde, numa festa de artistas, o jovem médico e nada sedutor Harry Wilbourne apaixona-se por Charlotte Rittenmeyer: uma mulher casada, mãe de duas filhas. Possuídos por um idealismo teimoso e louco, esses dois ingênuos vivem 11 meses siderados por um amor romântico, cujo desfecho será trágico, dignamente trágico.

Eu estava longe de Iowa City e agora seguia de perto uma das histórias narradas no romance que eu havia lido. Depois fui ao Mississipi e visitei Pascagoula, que ainda mantinha resquícios do antigo vilarejo de pescadores da década de 1930. Lá, me deparei com o cenário da tragédia romanesca e conheci um escritor americano, de Utah. Quando ele soube que eu era brasileiro, me perguntou o que eu estava fazendo naquele fim de mundo.

O mesmo que você, eu disse, apontando o livro que ele segurava. Era a primeira edição do romance Palmeiras Selvagens, de William Faulkner.

PAULO CÉSAR, R. DE SOUZA - Como quebrar a Previdência sem trabalho


Como quebrar a Previdência sem trabalho 
PAULO CÉSAR, R. DE SOUZA
O ESTADÃO - 11/11/11

A Previdência Social brasileira é modelo para o mundo, melhor do que aquelas que no passado eram consideradas inovações, como a do Chile, hoje totalmente quebrada e à mercê das seguradoras e dos bancos internacionais. Os trabalhadores perderam o seu futuro. Os empresários vibram porque não pagam mais previdência.
No Brasil, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) segue sendo a maior seguradora da América Latina. Pagamos em dia 25 milhões de aposentados e pensionistas urbanos e rurais do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e 3,8 milhões de benefícios assistenciais. Entre os 25 milhões, seguramente estão 10 milhões que contribuíram pouco ou nada.
Fala-se em déficit, mas como poderemos saber se é real, se existe mesmo, se não sabemos sobre fiscalização, arrecadação, recuperação de créditos, etc.?
Quando falam ou escrevem sobre déficit, os "especialistas em Previdência" de plantão se esquecem de mencionar as pessoas que se apropriaram do dinheiro alheio, dos segurados urbanos: todos os caloteiros da dívida administrativa e da dívida ativa do INSS, cujo valor correto não sabemos, beneficiados pelos Refis (de 1 a 4) e pelas decisões judiciais dos tribunais de qualquer instância. Há pouco divulgou-se que, dos 577,9 mil caloteiros do Refis da Crise - já é o quarto -, só 212,4 mil se apresentaram para pagar a dívida, que era de R$ 1 trilhão e ficou reduzida a R$ 173 bilhões, apenas 17% do total. Seguramente, é um escárnio para os bons e corretos contribuintes. Os 365,5 mil caloteiros devedores de R$ 827 bilhões aguardarão o Refis 5, que aparece às vésperas de eleições gerais ou municipais.
Também não falam ou escrevem sobre a longa lista dos benefícios sem custeio adequado, cuja conta é paga pelos trabalhadores urbanos, com um ônus desesperador. Fingem ou desconhecem que os segurados rurais, do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), desde 1971 recebem pelo INSS, assim como os autônomos, segurados especiais, etc.
Nossos legisladores, que pouco ou nada entendem de Previdência Social, só pensam em impor ao INSS mais assistencialismo, mais paternalismo, mais fisiologismo, concedendo benefícios sem custeio e criando facilidades para os caloteiros, no figurino do proselitismo político com o chapéu alheio.
No Senado, os senadores aprovaram projeto de lei complementar que reajusta em 50% as tabelas de enquadramento das micro e pequenas empresas no Simples nacional (Supersimples), sob o manto de empreendedor individual. Estão criando um novo Funrural.
Aprovaram também o projeto de lei do Executivo que instituiu a previdência social para as donas de casa de baixa renda, que agora podem se aposentar pagando somente 5% sobre o salário mínimo. A previsão é de que 6 milhões de donas de casa serão beneficiadas com a medida, mas deixaram as demais donas de casa num bonde de segunda classe, mesmo tendo de contribuir com mais para se aposentar. Aprovaram, ainda, a redução da contribuição da empregada doméstica, sonhando com a formalização. Nos dois casos, deram um tiro no pé.
A pergunta que não quer calar é: quem paga a conta acima, sem o devido custeio, os legisladores que procuram voto a qualquer preço, as beneficiárias ou todo o povo?
O preço com certeza será caro. Não existe previdência que aguente tantos desmandos, tanta administração política, sem que ninguém possa levantar a voz em favor dos aposentados. No entanto, dão a eles um porcentual de "aumento" medíocre e vão em busca do voto nas eleições, com promessas de mudanças no próximo governo. Já vimos esse filme várias vezes, eles vencem sempre, eles são os mocinhos e, infelizmente, quem trabalha e paga em dia são os bandidos.

PAULO CÉSAR, R. DE SOUZA, É PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS SERVIDORES DA PREVIDÊNCIA, DA SEGURIDADE SOCIAL (ANASPS)

RENATA LO PRETE - PAINEL


Futuro próximo
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 11/11/11

Expoentes das bancadas dos Estados produtores de petróleo que ontem saíram às ruas contra as mudanças na distribuição dos royalties temem que, passado o sufoco da DRU, o Planalto não consiga conter a pressão pela votação do tema no Congresso. Como o projeto está pendente de apreciação na Câmara e a Desvinculação de Receitas da União deve se resolver nessa Casa até o fim de novembro, a tensão permanecerá.

Em conversa com peemedebistas, Dilma Rousseff mostrou preocupação com o "tom passional" do debate. Embora não assuma, o Planalto também considera mais prudente empurrar o assunto para 2012.

Trilha sonora Refrão mais entoado ontem na marcha dos royalties no Rio: "Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão".

Foi você! O governo culpa seu líder, Cândido Vaccarezza (PT-SP), pelo atraso em concluir a votação da DRU na Câmara. Já os deputados acham que quem se atrapalhou foi Ideli Salvatti.

Reprise As trapalhadas que impediram a votação de anteontem lembraram o episódio do Código Florestal. Dilma descartou acordo com a oposição porque ninguém teve coragem de lhe dizer o tamanho do risco que corria.

Contágio Ideli enfrentou o extenuante processo de votação da DRU na Câmara abatida por forte gripe. "Peguei da presidente", explicava a ministra aos deputados.

Melhor assim Em evento fechado com ONGs anteontem no Planalto, Gleisi Hoffmann se encarregou de responder as críticas das entidades ao decreto que endurece os critérios para convênios: "A medida protege as sérias. Vocês deveriam se unir ao governo nesse processo".

Segura aí Empenhado em salvar o pescoço de Agnelo Queiroz (PT-DF), José Dirceu teve encontro com o vice Tadeu Filippelli (PMDB), hoje desafeto do governador.

Dote Com a desistência de Carlos Zarattini e Jilmar Tatto, o QG de Fernando Haddad acena para PR, PSB e PDT. A arma de sedução petista é a perspectiva de aliança proporcional, o que aumentaria a chance de essas siglas vitaminarem suas bancadas na Câmara paulistana.

Copyright Dilma fez afago ontem a Guilherme Afif, nome do PSD para a eleição paulistana, no evento em que sancionou o novo Supersimples: "Vou roubar uma palavra do nosso vice-governador de SP, que dizia que o Brasil tem trabalhadores, essenciais para o país, mas tem 'batalhadores': os pequenos e microempreendedores".

Cadê você? A base de Geraldo Alckmin na Assembleia paulista se dispersou anteontem, impedindo a votação do projeto, de interesse do Bandeirantes, que transforma o Hospital das Clínicas em autarquia especial. Faltou ao governo a presença de um deputado em plenário -havia 47, quando o quórum é 48. No mesmo instante, sete aliados do tucano estavam na Comissão de Transportes.

2 a 1 O petebista Campos Machado conseguiu aprovar dispositivo que transfere ao Legislativo a prerrogativa de indicar dois terços dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, invertendo a regra em vigor hoje, na qual cabe ao governador a escolha da maioria do colegiado.

Visita à Folha Nelson Hamerschlak, responsável pelas áreas de Oncologia e Hematologia do Hospital Albert Einstein, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Valdeci Verdelho, assessor de comunicação.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"É bom que sindicalistas de esquerda fiquem junto dos rebeldes da USP. Se estivessem em greves de fábricas, muitos trabalhadores perderiam o emprego por justa causa."

DO SECRETÁRIO-GERAL DA FORÇA, JOÃO CARLOS JURUNA, sobre o respaldo dado por entidades sindicais aos estudantes que invadiram a reitoria da universidade em protesto contra a presença da PM no campus.

contraponto

Pé frio

No domingo, Aécio Neves foi ao Engenhão assistir ao jogo do Cruzeiro contra o Flamengo. Diante da má fase atravessada pela equipe mineira, torcedores instaram o senador a levar uma palavra de incentivo aos jogadores.

-Vamos lá! Tenho certeza de que vocês vão honrar essa camisa!- caprichou o "professor" no vestiário.

A derrota, por 5 a 1, trouxe o risco do rebaixamento.

-Jamais tinha visto um time perder de cinco! Nunca mais faço isso- lamentava-se Aécio no dia seguinte, durante seminário do PSDB no Rio de Janeiro.

MARIA CRISTINA FERNANDES - A Europa encurralada


A Europa encurralada
MARIA CRISTINA FERNANDES
Valor Econômico - 11/11/2011

Instalado há quatro décadas em Paris, onde é professor de História na Universidade de Paris IV, Luiz Felipe Alencastro volta-se a 2005 para dizer que a Europa só encontra saídas quando encurralada. Como é isso que parece estar prestes a acontecer, uma solução pode estar a caminho.

Naquele ano a França recusou a Constituição Europeia em referendo. O mal humor da segunda economia do euro levantou dúvidas sobre o futuro da União. Três anos depois, no entanto, o Tratado de Lisboa, último arcabouço jurídico da União Europeia, acabaria aprovado por maioria simples no parlamento francês.

Com a Itália, terceira economia da zona do euro, à deriva, as atenções se voltam ao eixo do bloco, França e Alemanha cujos dirigentes, de tão afinados, viraram uma entidade: Merkozy.

Alencastro diz que radicalização da crise trará solução

Alencastro lembra as manifestações na Grécia para explicar por que os alemães têm dificuldades históricas em liderar uma saída política para a crise europeia. Sob o calor das manifestações de rua em Atenas, a destruição da Grécia pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial acalentou o discurso de que a Alemanha tinha um preço a pagar pela crise grega seis décadas depois.

O historiador diz que a chance de a França liderar uma saída política para o bloco está nas eleições presidenciais de maio do próximo ano, as primeiras a serem marcadamente pautadas pela questão europeia. Apesar da derrota nas eleições regionais, Nicolas Sarkozy está longe de ser uma carta fora do baralho. Depois de assistir dia após dia o presidente francês como protagonista da geopolítica mundial nos telejornais da noite, dividindo os holofotes com Barack Obama, Alencastro o viu disparar nas pesquisas de opinião.

O principal oponente, François Hollande, do Partido Socialista, não tem o mesmo traquejo de Sarkozy, que já havia sido ministro das Finanças antes de virar presidente. Sempre se ocupou de funções burocráticas no partido e nunca exerceu cargo no Executivo. Não tem uma liderança política empolgante. Alencastro compara seu carisma ao do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Seu partido, porém, além de ter ganho as últimas eleições regionais, é europeísta e tem quadros suficientes para formular uma saída para a crise no bloco.

Alencastro aposta que o discurso político ainda não incorporou os riscos que corre o continente se a moeda ruir. Não haverá como manter uma trinca de países - Alemanha, França e Inglaterra - com um padrão de vida que se convencionou chamar de europeu, enquanto o resto do continente paga o ônus da recessão, do desemprego, da perda do colchão social e da escalada da xenofobia.

A fórmula Merkozy para lidar com a crise tem sido a de recomendar que o Banco Central Europeu aumente o arrocho sobre os parceiros. Os fundos de desenvolvimento criados para diminuir as disparidades entre os países integrantes do bloco viram seus recursos serem sucessivamente reduzidos pela progressiva ampliação do número de seus participantes de 16 para 27 em dez anos.

A crise financeira acrescentou mais uma restrição a esses fundos limitando seu acesso a países que sigam a cartilha do arrocho.

O nó político a ser desatado na Europa é muito mais intricado do que a queda de braço entre Barack Obama e os radicais do Partido Republicano.

Foi em troca de uma moeda garantida pelo Banco Central Europeu que 27 Estados concederam sua soberania para aderir ao bloco do euro. Com a crise financeira iniciada em 2008, a Alemanha mandou dizer ao BCE que cada país teria que se virar com sua dívida. Hoje a Alemanha paga 1,7% para rolar seus títulos de dez anos no mercado, enquanto a França paga 3,4%, a Itália, 6,8% e a Grécia chegou a 28%.

O economista Paul Krugman diz que uma das explicações para o Reino Unido, os Estados Unidos e o Japão poderem continuar rolando suas enormes dívidas a juros baixos é o fato de os investidores saberem que, num aperto, esses países podem se financiar imprimindo mais moeda.

O Banco Central Europeu, fundado sob o temor histórico alemão de hiperinflação, proíbe esse recurso em seus estatutos. Só a convicção de que a salvação do bloco é vital para os países centrais do euro seria capaz de derrubar esse veto.

Foi-se o tempo em que a União Europeia se debatia em torno da lanterna amarelada dos carros que os franceses resistiam a abrir mão em prol do farol branco e ofuscante determinado por Bruxelas.

A Europa ainda não produziu um discurso político capaz de convencer eleitores de que é preciso elevar a idade de sua aposentadoria para manter empregos no outro lado da fronteira. Até porque os aposentados na França e na Alemanha já tiveram que abrir mão de muitos dos benefícios de que usufruiam quando eram pagos em francos e marcos.

Alencastro não hesita em afirmar que se houvesse um referendo hoje na Europa o fim do euro ganharia com folga. Uma das razões é porque a lógica majoritária sempre favorece o "não", por mais diversas que sejam suas razões.

O custo do fracasso europeu não é facilmente acomodado sob um "sim". A União Europeia nasceu num pós-guerra traumático sob a utopia de uma federação de países sem aduanas de egoísmos nacionais. E hoje entra em crise pela desigualdade renitente de seus integrantes. O colunista do "Financial Times", John Plender, lembrava na edição de ontem que o momento de maior rigor fiscal da Itália se deu sob o regime fascista de Mussolini. E sugeriu que o desmanche do bloco é a saída contra extremismos.

Alencastro ainda aposta que a Alemanha, por ter 60% de seu comércio internacional concentrado na zona do euro, é a maior interessada na moeda única. Diz que a Itália tem seis milhões de pequenos e médias empresas - dois milhões a mais que a França - que dão sustentação à sua economia. E acredita que, como o fim do euro ainda é mais custoso para seus integrantes que sua manutenção, o bloco vai sobreviver à crise.

HÉLIO SCHWARTSMAN - Tráfico e violência


Tráfico e violência
 HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 11/11/11


SÃO PAULO - Sempre que um megatraficante é preso, setores da esquerda se apressam em apresentar a liberação das drogas como solução para o problema da violência urbana. Por razões filosóficas, defendo a legalização, mas isso não justifica propaganda enganosa. As evidências disponíveis sugerem que, se os tóxicos fossem legalizados, a violência, pelo menos num primeiro momento, aumentaria.
Roy Baumeister, por exemplo, mostra que a chegada do crack a Los Angeles, nos anos 90, reduziu as disputas entre gangues. Em vez de trocar tiros, antigos rivais passaram a vender entorpecentes juntos.
Algo parecido pode ter ocorrido em São Paulo. Estudiosos como a socióloga Camila Nunes Dias sustentam que um dos fatores que trouxeram relativa paz ao Estado foi a unificação do comando do tráfico sob o PCC. A centralização acabou com as rixas entre criminosos e impôs um rígido código de conduta aos bandidos. Quem cria confusão é punido.
Sem o lucro fácil das drogas, o mais provável seria que as quadrilhas se dedicassem a crimes violentos, como assaltos e sequestros, e se lançassem em disputas intestinas.
Não podemos, porém, pensar apenas em primeiros momentos. O tráfico é a mais rentável das atividades criminosas, e as organizações que o praticam usam o dinheiro que acumulam para adquirir armas pesadas, corromper autoridades e infiltrar-se nas estruturas do Estado. Em países como o México e a Colômbia, ameaçam a própria democracia.
A verdade é que não existe solução para o problema das drogas. Elas sempre existiram e sempre existirão, destruindo vidas no caminho. Não está ao alcance de legisladores mudar essa realidade bioquímica.
O que me faz pender para o lado da legalidade é a convicção filosófica de que existem limites para o poder de interferência do Estado sobre o cidadão. Como disse John Stuart Mill, "Sobre si mesmo, seu corpo e sua mente, o indivíduo é soberano".

CLÁUDIA SAFATLE - Governo quer mais crescimento em 2012



Governo quer mais crescimento em 2012
CLÁUDIA SAFATLE 
VALOR ECONÔMICO - 11/11/11
As nuvens são negras, "mas temos rota", assegurou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, ao Valor. "Há muita incerteza no cenário internacional, mas aqui temos direção. Vamos dar um basta no pessimismo", reforçou ele, que esta semana lançou na cena econômica duas possibilidades aparentemente visionárias: o Brasil crescer 4% em 2012, com chances de chegar a 5%; e a taxa de juros real no país, até 2014, cair para o intervalo de 2% a 4% ao ano. Hoje ela se encontra no nível mais baixo da última década e meia, de 4,5%.
A arte da política econômica do governo Dilma Rousseff foi se situar no "meio termo", explica Barbosa. "Não apostamos na redução da inflação a qualquer custo nem no crescimento a qualquer preço. Não optamos pelos extremos", enfatizou. Ao fazer isso, disse, mesmo sujeitos a críticas da esquerda e da direita, a política econômica se tornou mais robusta.
Pressupondo que a Europa estará em recessão, mas evitará uma crise bancária, o tamanho do crescimento do Brasil no próximo ano, para o secretário, vai depender de uma decisão que a presidente Dilma ainda terá que tomar: se os investimentos públicos continuarão no ritmo lento deste ano ou passarão por uma aceleração em 2012.
Só temos meta fiscal e de inflação, diz Barbosa
Barbosa avalia que, com a redução já em curso dos juros básicos e o aumento do salário mínimo em cerca de 14% em janeiro, o governo estará garantindo uma taxa de crescimento econômico da ordem de 4% para o ano que vem. A isso se somam as desonerações, sobretudo as do Supersimples sancionado ontem, um eventual crescimento nos financiamentos do BNDES, além das novas concessões de serviços públicos que o governo pretende fazer, seja de aeroportos ou deClaudia Safatle rodo
vias.
Para ir além dos 4%, os investimentos públicos teriam que voltar a crescer. Foram de 2,86% do PIB em 2009 e de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Este ano estão na casa de 2,7% do PIB. Tal redução foi motivada pelas restrições fiscais impostas pelo governo para produzir o superávit primário de 3,1% do PIB e, também, pela reavaliação dos principais projetos de investimentos na área de transportes, decorrente da queda do ministro e dos responsáveis por essa área no governo.
O corte na taxa Selic este ano pode representar uma economia de gasto com o pagamento de juros da ordem de R$ 10 bilhões ou mais em 2012. Esses recursos ajudariam na administração
do Orçamento para cumprir a meta de superávit primário "cheia" de 3,1% do PIB no próximo ano.
Crescer até 5%, admite ele, é "difícil", mas não de todo impossível. Com essa performance, seria mais fácil atingir a meta fiscal. Sem ela, o cumprimento da meta dependerá de um forte contingenciamento de gastos.
Quando o presidente Lula assumiu, em 2003, os juros reais se situavam na faixa de 12% a 16% ao ano. Entre 2004 e 2005, caíram para o intervalo entre 8% e 12% e, depois, para 6% a 10%. Nos dois últimos anos está entre 4% e 8%. Mantida essa trajetória, "será que não dá para chegarmos em 2014 com os juros entre 2% e 4%?", indaga o secretário.
Barbosa faz questão de deixar muito claro que crescimento e juros não são meta de governo. São apenas referências, expectativas. "Nossas metas estão em lei. Temos meta de superávit primário e de inflação".
Nos prognósticos do secretário, a inflação, que este ano termina entre 6% e 6,5%, em 2012 vai cair para 4,5% a 5%, como efeito da desaceleração da economia, que saiu de um crescimento de 7,5% no ano passado para 3,5% este ano. Segundo ele, vários fatores vão ajudar no controle da inflação. Os preços das commodities tendem a cair, depois do choque de 2010; não se repetirá em janeiro o aumento de 17% este ano nas tarifas de transportes em São Paulo; as tarifas de energia elétrica de algumas empresas devem cair; e a mudança na pesquisa de orçamento familiar (POF) pelo IBGE pode gerar uma redução de 0,2 ponto percentual no IPCA do próximo ano.
Segundo projeções do Banco Central, o IPCA de 12 meses deverá cair para cerca de 5,4% entre abril e maio do próximo ano. O nível de atividade econômica, que começa murcho em 2012, tende a se recuperar no segundo semestre, para fechar o exercício entre 4% e 5%, na média, segundo estimativa de Barbosa. Ou seja, a reativação da economia se daria ainda sobre um periodo de inflação alta. O secretário pondera, contudo, que a reação da atividade vai ocorrer sobre uma capacidade ociosa elevada, o que não geraria pressão inflacionária.
Para ser sustentável, o crescimento deve ser acompanhado de aumento da taxa de investimentos e Barbosa acha que ela terá que subir dos cerca de 18% do PIB este ano para 22% do PIB até 2014. Esses 4 pontos percentuais de aumento seriam financiados, segundo ele, com captação de poupança no exterior (com aumento de 1 ponto percentual do déficit em conta corrente); nas empresas privadas, com aumento de 1,5 ponto percentual e outro tanto no governo, através da redução da taxa de juros e do controle dos gastos correntes.
Crescer em 2012 é o grande desafio e a maior preocupação da presidente Dilma Rousseff. Ela deve encerrar seu primeiro ano de governo com taxa de crescimento próxima de zero nos dois últimos trimestres do ano.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Exportação brasileira de energia para países vizinhos cresce neste ano
MARIA CRISTINA FRIAS 
FOLHA DE SP -11/11/11

A exportação brasileira de energia para países vizinhos está em alta neste ano, segundo relatório que será divulgado hoje pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

O volume exportado foi de cerca de 438 MW médios em setembro deste ano. O número mais que dobrou na comparação com o mesmo mês de 2010, quando foram exportados 168 MW.

Nos meses de inverno, costuma haver uma elevação sazonal mais intensa, seguida de queda, devido à demanda argentina por aquecimento.

Ainda pequeno, o volume exportado deve crescer nos próximos anos, à medida que as conversas entre o governo brasileiro e países como Argentina, Uruguai e Bolívia tornem os negócios mais regulares, segundo a CCEE.

"O volume cresce quando o Brasil tem disponibilidade de energia para exportar. A colaboração entre os países depende da disponibilidade de água nos reservatórios", afirma Ricardo Lima, membro do conselho da CCEE.

No documento que será divulgado hoje, outro detalhe que chama a atenção é a alta na participação de consumidores especiais no mercado livre de energia brasileiro.

O grupo de consumidores especiais, que são aqueles de porte médio que compram de fontes alternativas, como eólicas e biomassa, saltou de 416 em setembro do ano passado para 539 neste ano.

O número de consumidores livres de grande porte subiu de 477 para 505.

Inovação O Manual de Frascati da OCDE, que classifica projetos de companhias industriais e de serviço, foi lançado em português. A obra, cujo nome faz alusão à cidade italiana, é editada pela empresa francesa de assessoria em pesquisa F.Iniciativas.

MESA POLIGLOTA
A dificuldade de estrangeiros residentes no Brasil de entender português e o sistema bancário do país levou o HSBC a criar um atendimento personalizado para essa clientela.

"Um número cada vez maior de multinacionais está trazendo profissionais altamente qualificados para trabalhar aqui, com suas famílias", diz o diretor-executivo Sebastian Arcuri.

O serviço começa em inglês, espanhol e francês, e em 2012, também chinês.

"Já temos mais de mil clientes e, no ano que vem, a meta é chegar em 8.000", afirma Arcuri.

É o primeiro banco a ter essa iniciativa.

O Itaú Unibanco afirma "estar preparado para atendimento bilíngue" e que desenvolve um guia de internet em diversas línguas.

O Citi informa que agiliza a abertura de conta de cliente já correntista do banco em outro país.

Resort do vinho Os fundadores da The Vines of Mendoza, Pablo Gilles e Micheal Evans, estarão em São Paulo na próxima semana para anunciar a construção de um resort e um spa na cidade argentina. Serão investidos cerca de R$ 15,8 milhões.

ATRAÇÃO TURÍSTICA
Para atrair um número recorde de turistas da Argentina no verão, a Embratur vai aumentar as propagandas do Brasil no país vizinho.

De 2009 para 2011, a Embratur elevou em 413% os investimentos em publicidade no mercado argentino.

"O país é o principal emissor de turistas para o Brasil. No ano passado, recebemos 1,4 milhão de argentinos", afirma o presidente da Embratur, Flávio Dino.

DA OVELHA PARA A RUA
Cresce o número de visitantes brasileiros na Pitti Immagine, especialmente na Pitti Bimbo, feira dedicada à moda infantil, segundo Raffaello Napoleone, CEO da empresa. "Queremos mostrar a moda italiana principalmente aos Brics e, dentre eles, temos grande familiaridade com o Brasil", diz Napoleone. Dentre as feiras organizadas pela companhia em Florença, na Itália, a mais famosa é a de moda masculina. "Realizadas duas vezes por ano, é a maior feira de roupas e acessórios para homens. Ela é única, é segmentada e aponta as principais tendências. As novidades vêm das pequenas e médias empresas que tomam mais riscos." Para a condessa Sibilla della Gherardesca, consultora da empresa, a indústria italiana é a única europeia que ainda abrange toda a cadeia de produção. "Vai da lã ao botão e às ruas."

PITTI UOMO
Feira especializada em moda masculina de 11 a 14 de janeiro de 2012

1.000 marcas

23 mil compradores profissionais

7.500 estrangeiros

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

RODOLFO LANDIM - Humores



Humores
RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 11/11/11
A velha máxima de que um resfriado no exterior provoca uma pneumonia no Brasil não vale mais
As decisões de investimento são tomadas a partir de análises, expectativas e crenças, mas muitas vezes, em ambiente de crise, também são influenciadas por aspectos emocionais e circunstanciais que fogem a uma visão mais técnica e racional dos fatos.
Dentro desse contexto, estive na semana passada visitando grandes investidores na Grã-Bretanha e nos EUA, procurando colher percepções quanto ao ambiente e à disposição deles para a realização de investimentos em mercados emergentes, notadamente no Brasil.
A primeira observação a fazer é que, apesar de os mercados serem globais, em geral os humores na Europa andam de fato bem piores.
Parece existir a convicção de que, por maiores que sejam as movimentações políticas para resolver os problemas da Grécia, existem nítidas dificuldades de conseguir uma ação coordenada para evitar que outros países, também em situação difícil na zona do euro, passem a ser futuramente "a bola da vez".
Isso porque as medidas que visam a busca do equilíbrio fiscal desses países têm sofrido grandes reações populares e, se aplicadas, levarão a ainda menores taxas de crescimento da economia.
Mas existe dinheiro, só que aparentemente com menos apetite para investimento em empresas de capital aberto no Brasil do que tempos atrás.
Os motivos alegados passam pela hoje reconhecida supervalorização das companhias no momento de sua abertura de capital (IPO) e pela visão de ser o país um grande produtor de commodities e de estas terem menores perspectivas de crescimento de valor em um mundo com a economia em baixa expansão.
No entanto, talvez a maior razão seja mesmo o ainda pouco conhecimento e compreensão do que se passa por aqui. Não temos muitos profissionais brasileiros trabalhando em fundos de investimento na Europa -mesmo naqueles voltados para mercados emergentes.
A histórica relação da Inglaterra, principal centro financeiro da região, com a Índia e com a China através de Hong Kong faz com que os olhares acabem naturalmente sendo voltados para o outro lado do mundo. Se formos então comparar a quantidade de recursos em fundos dedicados a países emergentes aplicados em companhias fechadas ("private equity"), aí então é que podemos considerar o volume quase desprezível.
Já nos EUA, certamente os ventos da crise europeia que também sopram por lá em menor intensidade têm a sua influência, mas a percepção que fica é a de que o foco está mais na avaliação do desempenho do mercado doméstico. Assim, os indicadores do nível de emprego e do consumo local, além das medidas macroeconômicas do governo Obama, acabam sendo as primeiras referências nas respostas quando perguntamos de forma geral sobre o cenário econômico.
Apesar dos problemas que o país vem enfrentando, a mentalidade positiva e empreendedora reinante passa a impressão de que ao primeiro sinal favorável, ou pelo menos de menor turbulência, poderá haver uma significativa recuperação do mercado de capitais. Esse pelo menos parece ser o desejo quase incontido de todos os norte-americanos.
O sentimento em relação ao Brasil é melhor do que na Europa, apesar de ter ouvido dúvidas quanto à viabilidade de implantação de novos projetos de infraestrutura em um ambiente de restrição de mão de obra qualificada e de quase pleno emprego, além da preocupação quanto ao aumento da inflação.
A instabilidade que vem afetando os mercados de capitais pode perdurar por um bom tempo, já que a sequência de notícias ruins intercaladas com momentos de alívio sobre a Europa tem tudo para continuar e as discussões sobre o volume de cortes no Orçamento americano e seus impactos ameaçam voltar em breve ao noticiário.
Nesse contexto, é animador verificar que o Brasil venha sendo relativamente menos afetado pelas instabilidades internacionais e que a velha máxima de que um resfriado no exterior provoca uma pneumonia no Brasil não vale mais. Em termos de humor, os que teremos por aqui têm tudo para serem melhores que os de lá de fora.

CLAUDIO HUMBERTO

“O passado passou, gente...”
PRESIDENTE DILMA, SE RECUSANDO A COMENTAR A VERBORRAGIA DO MINISTRO CARLOS LUPI

ATRÁS DE ORLANDO, PF CERCA O SECRETÁRIO 
A incursão da Polícia Federal à ONG Instituto Cidade, de Juiz de Fora (MG), cercou o secretário nacional de Educação, Esporte e Lazer do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, braço do ex-ministro Orlando Silva. Natural da cidade, Wadson é padrinho da ONG e endossou repasses de R$ 9,5 milhões. Enquadrado pela CGU, ele segurou os documentos que a controladoria solicitou e irritou o órgão.

NA MIRA 
A CGU ficou intrigada com o pedido do ministério para abrir uma investigação interna. Não perdeu tempo e contatou a PF.

AMIGO$... 
Orlando e Wadson eram carne e unha na gestão da pasta. Wadson ficou como olheiro do ex-ministro junto ao atual, Aldo Rebelo. 

...E CABO$ 
José Augusto Silva, presidente da ONG, e Jefferson Monteiro, secretário, são amigos e ex-cabos eleitorais de Wadson, filiado ao PCdoB.

POR ORA 
A assessoria do ministério informou que Wadson desconhece as denúncias e não foi procurado pela polícia.

CABRAL OFUSCA BELTRAME COM PRISÃO DE “NEM” 
“Desaparecido” nas maiores tragédias do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) ocupou os holofotes ontem para festejar a prisão do traficante Antonio Francisco Lopes, o “Nem”, pego por um policial militar. Desta vez, quem estava viajando era o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que voltou às pressas cinco dias depois de embarcar para a Alemanha, por conta da Olimpíada.

A HORA E A VEZ 
Ambos vivem de indiretas mútuas, como já noticiou a coluna. O criador das UPPs enfrenta resistência à parceria com o Exército nos morros.

NO FUNDO DO POÇO 
A ausência de José Mariano Beltrame abriu espaço para Sérgio Cabral recuperar o prestígio com Dilma Rousseff, abalado após as ameaças sobre os royalties do petróleo.

CARA DE UM, FOCINHO... 
Os R$ 5 mil de recompensa por “Nem” não animaram ninguém, nem a polícia. O bandidão preso continua a cara do procurado nas fotos.

LIMPANDO A LOUSA 
Depois de fazer uma limpa no comando da Polícia Civil do Distrito Federal, o governo agora vai trocar todos os supervisores pedagógicos e administradores das escolas públicas. A lista foi entregue à Secretaria de Educação pelos diretores, que correm o mesmo risco.

EU SOZINHO 
O consulado de Portugal em SP pediu reforço policial contra o protesto do brasileiro José Roberto Moreira, pelo pagamento do INSS e do FGTS. Os policiais foram embora, solidários com o megafone de José.

PERSEGUIÇÃO 
O senador Clésio Andrade (PR-MG) está inconformado: Minas Gerais é o 15º Estado em investimentos do governo federal em rodovias, inclusive na recuperação delas, apesar de ter a maior malha de estradas do País.

FURÃO 
Desesperado com o assédio por causa de seus desmandos, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) usa o portal do ministério para vazar as informações pedidas pelos repórteres. Divulga perguntas e respostas.

ALERTA VERMELHO 
O deputado federal João Siqueira (PT-MG) disse à agência Bloomberg que o Brasil poderá ter uma estatal de energias renováveis, dado o “desinteresse” dos empresários. A proposta iria ao Congresso em 2012. Os “cumpanhêro” estão na torcida pela possível fonte de cargos.

BRECHA 
O voto do ministro Luiz Fux sobre a Lei Ficha Limpa abre caminho para a candidatura de quem renunciou para não ser cassado. Se o plenário o seguir, Joaquim Roriz pode se candidatar a prefeito de Luziânia (GO).

O AMIGO SOGRO 
Os imóveis despencados do Minha Casa, Minha Vida vão estrelar o programa de habitação da Venezuela, segundo o porra-
louca Hugo Chávez, que festejou a ida das empreiteiras. As mesmas, claro.

MERECIDO 
O gaúcho Jair Krischke, 73 anos, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, foi agraciado com a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Câmara, do Senado Federal.

PENSANDO BEM... 
Finalmente Berlusconi deixa a zona. Do euro. 

PODER SEM PUDOR
EU BEBO, SIM 
Em 1993, o senador Gilberto Miranda (PMDB-AM), grande apreciador de vinhos e dono de invejável adega, criticava o excessivo poder das estatais quando, em aparte, Esperidião Amin (PP-SC) forneceu mais alguns dados que enriqueceram o pronunciamento. Miranda agradeceu:
– Vossa Excelência é como vinho Bordeaux: quanto mais velho, melhor!
– Então – respondeu Amin, na bucha –, vê se me manda logo uma caixa.

SEXTA NOS JORNAIS


O Globo: O Rio contra o crime - Nem diz que metade do caixa do tráfico era para policiais

Folha de S. Paulo: Europa prevê PIB de 0,5% e nova recessão em 2012

O Estado de S. Paulo: Europa prevê forte recessão e FMI cobra solução já

Correio Braziliense: MEC recua e suspende contratos suspeitos

Valor Econômico: Combate preventivo à crise começa com investimentos

Estado de Minas: Um gole, um crime - Nova lei pegará 4 vezes mais motoristas em BH

Zero Hora: União dá aval a novos empréstimos para o RS