sexta-feira, novembro 11, 2011

CLÁUDIA SAFATLE - Governo quer mais crescimento em 2012



Governo quer mais crescimento em 2012
CLÁUDIA SAFATLE 
VALOR ECONÔMICO - 11/11/11
As nuvens são negras, "mas temos rota", assegurou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, ao Valor. "Há muita incerteza no cenário internacional, mas aqui temos direção. Vamos dar um basta no pessimismo", reforçou ele, que esta semana lançou na cena econômica duas possibilidades aparentemente visionárias: o Brasil crescer 4% em 2012, com chances de chegar a 5%; e a taxa de juros real no país, até 2014, cair para o intervalo de 2% a 4% ao ano. Hoje ela se encontra no nível mais baixo da última década e meia, de 4,5%.
A arte da política econômica do governo Dilma Rousseff foi se situar no "meio termo", explica Barbosa. "Não apostamos na redução da inflação a qualquer custo nem no crescimento a qualquer preço. Não optamos pelos extremos", enfatizou. Ao fazer isso, disse, mesmo sujeitos a críticas da esquerda e da direita, a política econômica se tornou mais robusta.
Pressupondo que a Europa estará em recessão, mas evitará uma crise bancária, o tamanho do crescimento do Brasil no próximo ano, para o secretário, vai depender de uma decisão que a presidente Dilma ainda terá que tomar: se os investimentos públicos continuarão no ritmo lento deste ano ou passarão por uma aceleração em 2012.
Só temos meta fiscal e de inflação, diz Barbosa
Barbosa avalia que, com a redução já em curso dos juros básicos e o aumento do salário mínimo em cerca de 14% em janeiro, o governo estará garantindo uma taxa de crescimento econômico da ordem de 4% para o ano que vem. A isso se somam as desonerações, sobretudo as do Supersimples sancionado ontem, um eventual crescimento nos financiamentos do BNDES, além das novas concessões de serviços públicos que o governo pretende fazer, seja de aeroportos ou deClaudia Safatle rodo
vias.
Para ir além dos 4%, os investimentos públicos teriam que voltar a crescer. Foram de 2,86% do PIB em 2009 e de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Este ano estão na casa de 2,7% do PIB. Tal redução foi motivada pelas restrições fiscais impostas pelo governo para produzir o superávit primário de 3,1% do PIB e, também, pela reavaliação dos principais projetos de investimentos na área de transportes, decorrente da queda do ministro e dos responsáveis por essa área no governo.
O corte na taxa Selic este ano pode representar uma economia de gasto com o pagamento de juros da ordem de R$ 10 bilhões ou mais em 2012. Esses recursos ajudariam na administração
do Orçamento para cumprir a meta de superávit primário "cheia" de 3,1% do PIB no próximo ano.
Crescer até 5%, admite ele, é "difícil", mas não de todo impossível. Com essa performance, seria mais fácil atingir a meta fiscal. Sem ela, o cumprimento da meta dependerá de um forte contingenciamento de gastos.
Quando o presidente Lula assumiu, em 2003, os juros reais se situavam na faixa de 12% a 16% ao ano. Entre 2004 e 2005, caíram para o intervalo entre 8% e 12% e, depois, para 6% a 10%. Nos dois últimos anos está entre 4% e 8%. Mantida essa trajetória, "será que não dá para chegarmos em 2014 com os juros entre 2% e 4%?", indaga o secretário.
Barbosa faz questão de deixar muito claro que crescimento e juros não são meta de governo. São apenas referências, expectativas. "Nossas metas estão em lei. Temos meta de superávit primário e de inflação".
Nos prognósticos do secretário, a inflação, que este ano termina entre 6% e 6,5%, em 2012 vai cair para 4,5% a 5%, como efeito da desaceleração da economia, que saiu de um crescimento de 7,5% no ano passado para 3,5% este ano. Segundo ele, vários fatores vão ajudar no controle da inflação. Os preços das commodities tendem a cair, depois do choque de 2010; não se repetirá em janeiro o aumento de 17% este ano nas tarifas de transportes em São Paulo; as tarifas de energia elétrica de algumas empresas devem cair; e a mudança na pesquisa de orçamento familiar (POF) pelo IBGE pode gerar uma redução de 0,2 ponto percentual no IPCA do próximo ano.
Segundo projeções do Banco Central, o IPCA de 12 meses deverá cair para cerca de 5,4% entre abril e maio do próximo ano. O nível de atividade econômica, que começa murcho em 2012, tende a se recuperar no segundo semestre, para fechar o exercício entre 4% e 5%, na média, segundo estimativa de Barbosa. Ou seja, a reativação da economia se daria ainda sobre um periodo de inflação alta. O secretário pondera, contudo, que a reação da atividade vai ocorrer sobre uma capacidade ociosa elevada, o que não geraria pressão inflacionária.
Para ser sustentável, o crescimento deve ser acompanhado de aumento da taxa de investimentos e Barbosa acha que ela terá que subir dos cerca de 18% do PIB este ano para 22% do PIB até 2014. Esses 4 pontos percentuais de aumento seriam financiados, segundo ele, com captação de poupança no exterior (com aumento de 1 ponto percentual do déficit em conta corrente); nas empresas privadas, com aumento de 1,5 ponto percentual e outro tanto no governo, através da redução da taxa de juros e do controle dos gastos correntes.
Crescer em 2012 é o grande desafio e a maior preocupação da presidente Dilma Rousseff. Ela deve encerrar seu primeiro ano de governo com taxa de crescimento próxima de zero nos dois últimos trimestres do ano.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Exportação brasileira de energia para países vizinhos cresce neste ano
MARIA CRISTINA FRIAS 
FOLHA DE SP -11/11/11

A exportação brasileira de energia para países vizinhos está em alta neste ano, segundo relatório que será divulgado hoje pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

O volume exportado foi de cerca de 438 MW médios em setembro deste ano. O número mais que dobrou na comparação com o mesmo mês de 2010, quando foram exportados 168 MW.

Nos meses de inverno, costuma haver uma elevação sazonal mais intensa, seguida de queda, devido à demanda argentina por aquecimento.

Ainda pequeno, o volume exportado deve crescer nos próximos anos, à medida que as conversas entre o governo brasileiro e países como Argentina, Uruguai e Bolívia tornem os negócios mais regulares, segundo a CCEE.

"O volume cresce quando o Brasil tem disponibilidade de energia para exportar. A colaboração entre os países depende da disponibilidade de água nos reservatórios", afirma Ricardo Lima, membro do conselho da CCEE.

No documento que será divulgado hoje, outro detalhe que chama a atenção é a alta na participação de consumidores especiais no mercado livre de energia brasileiro.

O grupo de consumidores especiais, que são aqueles de porte médio que compram de fontes alternativas, como eólicas e biomassa, saltou de 416 em setembro do ano passado para 539 neste ano.

O número de consumidores livres de grande porte subiu de 477 para 505.

Inovação O Manual de Frascati da OCDE, que classifica projetos de companhias industriais e de serviço, foi lançado em português. A obra, cujo nome faz alusão à cidade italiana, é editada pela empresa francesa de assessoria em pesquisa F.Iniciativas.

MESA POLIGLOTA
A dificuldade de estrangeiros residentes no Brasil de entender português e o sistema bancário do país levou o HSBC a criar um atendimento personalizado para essa clientela.

"Um número cada vez maior de multinacionais está trazendo profissionais altamente qualificados para trabalhar aqui, com suas famílias", diz o diretor-executivo Sebastian Arcuri.

O serviço começa em inglês, espanhol e francês, e em 2012, também chinês.

"Já temos mais de mil clientes e, no ano que vem, a meta é chegar em 8.000", afirma Arcuri.

É o primeiro banco a ter essa iniciativa.

O Itaú Unibanco afirma "estar preparado para atendimento bilíngue" e que desenvolve um guia de internet em diversas línguas.

O Citi informa que agiliza a abertura de conta de cliente já correntista do banco em outro país.

Resort do vinho Os fundadores da The Vines of Mendoza, Pablo Gilles e Micheal Evans, estarão em São Paulo na próxima semana para anunciar a construção de um resort e um spa na cidade argentina. Serão investidos cerca de R$ 15,8 milhões.

ATRAÇÃO TURÍSTICA
Para atrair um número recorde de turistas da Argentina no verão, a Embratur vai aumentar as propagandas do Brasil no país vizinho.

De 2009 para 2011, a Embratur elevou em 413% os investimentos em publicidade no mercado argentino.

"O país é o principal emissor de turistas para o Brasil. No ano passado, recebemos 1,4 milhão de argentinos", afirma o presidente da Embratur, Flávio Dino.

DA OVELHA PARA A RUA
Cresce o número de visitantes brasileiros na Pitti Immagine, especialmente na Pitti Bimbo, feira dedicada à moda infantil, segundo Raffaello Napoleone, CEO da empresa. "Queremos mostrar a moda italiana principalmente aos Brics e, dentre eles, temos grande familiaridade com o Brasil", diz Napoleone. Dentre as feiras organizadas pela companhia em Florença, na Itália, a mais famosa é a de moda masculina. "Realizadas duas vezes por ano, é a maior feira de roupas e acessórios para homens. Ela é única, é segmentada e aponta as principais tendências. As novidades vêm das pequenas e médias empresas que tomam mais riscos." Para a condessa Sibilla della Gherardesca, consultora da empresa, a indústria italiana é a única europeia que ainda abrange toda a cadeia de produção. "Vai da lã ao botão e às ruas."

PITTI UOMO
Feira especializada em moda masculina de 11 a 14 de janeiro de 2012

1.000 marcas

23 mil compradores profissionais

7.500 estrangeiros

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

RODOLFO LANDIM - Humores



Humores
RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 11/11/11
A velha máxima de que um resfriado no exterior provoca uma pneumonia no Brasil não vale mais
As decisões de investimento são tomadas a partir de análises, expectativas e crenças, mas muitas vezes, em ambiente de crise, também são influenciadas por aspectos emocionais e circunstanciais que fogem a uma visão mais técnica e racional dos fatos.
Dentro desse contexto, estive na semana passada visitando grandes investidores na Grã-Bretanha e nos EUA, procurando colher percepções quanto ao ambiente e à disposição deles para a realização de investimentos em mercados emergentes, notadamente no Brasil.
A primeira observação a fazer é que, apesar de os mercados serem globais, em geral os humores na Europa andam de fato bem piores.
Parece existir a convicção de que, por maiores que sejam as movimentações políticas para resolver os problemas da Grécia, existem nítidas dificuldades de conseguir uma ação coordenada para evitar que outros países, também em situação difícil na zona do euro, passem a ser futuramente "a bola da vez".
Isso porque as medidas que visam a busca do equilíbrio fiscal desses países têm sofrido grandes reações populares e, se aplicadas, levarão a ainda menores taxas de crescimento da economia.
Mas existe dinheiro, só que aparentemente com menos apetite para investimento em empresas de capital aberto no Brasil do que tempos atrás.
Os motivos alegados passam pela hoje reconhecida supervalorização das companhias no momento de sua abertura de capital (IPO) e pela visão de ser o país um grande produtor de commodities e de estas terem menores perspectivas de crescimento de valor em um mundo com a economia em baixa expansão.
No entanto, talvez a maior razão seja mesmo o ainda pouco conhecimento e compreensão do que se passa por aqui. Não temos muitos profissionais brasileiros trabalhando em fundos de investimento na Europa -mesmo naqueles voltados para mercados emergentes.
A histórica relação da Inglaterra, principal centro financeiro da região, com a Índia e com a China através de Hong Kong faz com que os olhares acabem naturalmente sendo voltados para o outro lado do mundo. Se formos então comparar a quantidade de recursos em fundos dedicados a países emergentes aplicados em companhias fechadas ("private equity"), aí então é que podemos considerar o volume quase desprezível.
Já nos EUA, certamente os ventos da crise europeia que também sopram por lá em menor intensidade têm a sua influência, mas a percepção que fica é a de que o foco está mais na avaliação do desempenho do mercado doméstico. Assim, os indicadores do nível de emprego e do consumo local, além das medidas macroeconômicas do governo Obama, acabam sendo as primeiras referências nas respostas quando perguntamos de forma geral sobre o cenário econômico.
Apesar dos problemas que o país vem enfrentando, a mentalidade positiva e empreendedora reinante passa a impressão de que ao primeiro sinal favorável, ou pelo menos de menor turbulência, poderá haver uma significativa recuperação do mercado de capitais. Esse pelo menos parece ser o desejo quase incontido de todos os norte-americanos.
O sentimento em relação ao Brasil é melhor do que na Europa, apesar de ter ouvido dúvidas quanto à viabilidade de implantação de novos projetos de infraestrutura em um ambiente de restrição de mão de obra qualificada e de quase pleno emprego, além da preocupação quanto ao aumento da inflação.
A instabilidade que vem afetando os mercados de capitais pode perdurar por um bom tempo, já que a sequência de notícias ruins intercaladas com momentos de alívio sobre a Europa tem tudo para continuar e as discussões sobre o volume de cortes no Orçamento americano e seus impactos ameaçam voltar em breve ao noticiário.
Nesse contexto, é animador verificar que o Brasil venha sendo relativamente menos afetado pelas instabilidades internacionais e que a velha máxima de que um resfriado no exterior provoca uma pneumonia no Brasil não vale mais. Em termos de humor, os que teremos por aqui têm tudo para serem melhores que os de lá de fora.

CLAUDIO HUMBERTO

“O passado passou, gente...”
PRESIDENTE DILMA, SE RECUSANDO A COMENTAR A VERBORRAGIA DO MINISTRO CARLOS LUPI

ATRÁS DE ORLANDO, PF CERCA O SECRETÁRIO 
A incursão da Polícia Federal à ONG Instituto Cidade, de Juiz de Fora (MG), cercou o secretário nacional de Educação, Esporte e Lazer do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, braço do ex-ministro Orlando Silva. Natural da cidade, Wadson é padrinho da ONG e endossou repasses de R$ 9,5 milhões. Enquadrado pela CGU, ele segurou os documentos que a controladoria solicitou e irritou o órgão.

NA MIRA 
A CGU ficou intrigada com o pedido do ministério para abrir uma investigação interna. Não perdeu tempo e contatou a PF.

AMIGO$... 
Orlando e Wadson eram carne e unha na gestão da pasta. Wadson ficou como olheiro do ex-ministro junto ao atual, Aldo Rebelo. 

...E CABO$ 
José Augusto Silva, presidente da ONG, e Jefferson Monteiro, secretário, são amigos e ex-cabos eleitorais de Wadson, filiado ao PCdoB.

POR ORA 
A assessoria do ministério informou que Wadson desconhece as denúncias e não foi procurado pela polícia.

CABRAL OFUSCA BELTRAME COM PRISÃO DE “NEM” 
“Desaparecido” nas maiores tragédias do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) ocupou os holofotes ontem para festejar a prisão do traficante Antonio Francisco Lopes, o “Nem”, pego por um policial militar. Desta vez, quem estava viajando era o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que voltou às pressas cinco dias depois de embarcar para a Alemanha, por conta da Olimpíada.

A HORA E A VEZ 
Ambos vivem de indiretas mútuas, como já noticiou a coluna. O criador das UPPs enfrenta resistência à parceria com o Exército nos morros.

NO FUNDO DO POÇO 
A ausência de José Mariano Beltrame abriu espaço para Sérgio Cabral recuperar o prestígio com Dilma Rousseff, abalado após as ameaças sobre os royalties do petróleo.

CARA DE UM, FOCINHO... 
Os R$ 5 mil de recompensa por “Nem” não animaram ninguém, nem a polícia. O bandidão preso continua a cara do procurado nas fotos.

LIMPANDO A LOUSA 
Depois de fazer uma limpa no comando da Polícia Civil do Distrito Federal, o governo agora vai trocar todos os supervisores pedagógicos e administradores das escolas públicas. A lista foi entregue à Secretaria de Educação pelos diretores, que correm o mesmo risco.

EU SOZINHO 
O consulado de Portugal em SP pediu reforço policial contra o protesto do brasileiro José Roberto Moreira, pelo pagamento do INSS e do FGTS. Os policiais foram embora, solidários com o megafone de José.

PERSEGUIÇÃO 
O senador Clésio Andrade (PR-MG) está inconformado: Minas Gerais é o 15º Estado em investimentos do governo federal em rodovias, inclusive na recuperação delas, apesar de ter a maior malha de estradas do País.

FURÃO 
Desesperado com o assédio por causa de seus desmandos, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) usa o portal do ministério para vazar as informações pedidas pelos repórteres. Divulga perguntas e respostas.

ALERTA VERMELHO 
O deputado federal João Siqueira (PT-MG) disse à agência Bloomberg que o Brasil poderá ter uma estatal de energias renováveis, dado o “desinteresse” dos empresários. A proposta iria ao Congresso em 2012. Os “cumpanhêro” estão na torcida pela possível fonte de cargos.

BRECHA 
O voto do ministro Luiz Fux sobre a Lei Ficha Limpa abre caminho para a candidatura de quem renunciou para não ser cassado. Se o plenário o seguir, Joaquim Roriz pode se candidatar a prefeito de Luziânia (GO).

O AMIGO SOGRO 
Os imóveis despencados do Minha Casa, Minha Vida vão estrelar o programa de habitação da Venezuela, segundo o porra-
louca Hugo Chávez, que festejou a ida das empreiteiras. As mesmas, claro.

MERECIDO 
O gaúcho Jair Krischke, 73 anos, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, foi agraciado com a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Câmara, do Senado Federal.

PENSANDO BEM... 
Finalmente Berlusconi deixa a zona. Do euro. 

PODER SEM PUDOR
EU BEBO, SIM 
Em 1993, o senador Gilberto Miranda (PMDB-AM), grande apreciador de vinhos e dono de invejável adega, criticava o excessivo poder das estatais quando, em aparte, Esperidião Amin (PP-SC) forneceu mais alguns dados que enriqueceram o pronunciamento. Miranda agradeceu:
– Vossa Excelência é como vinho Bordeaux: quanto mais velho, melhor!
– Então – respondeu Amin, na bucha –, vê se me manda logo uma caixa.

SEXTA NOS JORNAIS


O Globo: O Rio contra o crime - Nem diz que metade do caixa do tráfico era para policiais

Folha de S. Paulo: Europa prevê PIB de 0,5% e nova recessão em 2012

O Estado de S. Paulo: Europa prevê forte recessão e FMI cobra solução já

Correio Braziliense: MEC recua e suspende contratos suspeitos

Valor Econômico: Combate preventivo à crise começa com investimentos

Estado de Minas: Um gole, um crime - Nova lei pegará 4 vezes mais motoristas em BH

Zero Hora: União dá aval a novos empréstimos para o RS







quinta-feira, novembro 10, 2011

ANCELMO GOIS - Cabeça raspada


Cabeça raspada
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 10/11/11

A 5ª Câmara Cível do Rio deu liminar à Defensoria Pública que proíbe o estado de cortar compulsoriamente o cabelo e a barba dos detentos que chegam às penitenciárias. Agora, o preso escolhe se vai querer ir ao barbeiro.

Aliás...
A humilhação de raspar a cabeça de presos é antiga por aqui. Na ditadura, Caetano e Gil tiveram os cabelos raspados na cadeia. Em março, os estudantes detidos numa manifestação contra a visita de Obama ao Rio sofreram o mesmo castigo. A desculpa é que o corte com máquina zero evita disseminação de doenças na prisão.

Hora de Clarice
Depois do Dia D, de Drummond, vem aí a Hora de Clarice. Dia 10 de dezembro, quando Clarice Lispector faria 91 anos, vai-se celebrar a escritora. José Miguel Wisnik fará palestra no Instituto Moreira Salles. A Rocco promete pôr lenha na fogueira das celebrações.

Nada grave
A reação de Lula à quimioterapia não tem sido boa.

No mais
O Brasil adora uma miudeza. Essa ideia de Aldo Rebelo de uma cota de ingressos para índios e para o pessoal do Bolsa Família é pura demagogia. Em relação à Copa, há assuntos mais relevantes para o ministro cuidar, como vigiar o destino dos bilhões e bilhões que serão usados — dinheiro meu, seu, nosso — na construção de estádios. Com todo o respeito.

Problemas
O CD “Ensaio de cores”, de Ana Carolina, gravado ao vivo com banda só de mulheres, chega às lojas semana que vem. Traz a inédita “Problemas”, além de versões suas para músicas de Caetano Veloso, Djavan, Lenine, Tom Zé e Chico César.

DIOGO NOGUEIRA, o cantor, passeia todo-todo num calhambeque pelas ruas de Havana. Veja na foto o momento em que o sambista passa em frente ao Callejón de Hamelo, tradicional casa cubana de rumba. Diogo, filho do saudoso João Nogueira, foi à ilha fazer um show e gravar um documentário. De lá, seguiu direto para... Las Vegas, EUA, onde acompanha hoje a festa de premiação do Grammy Latino

O potássio é nosso
Sob a bênção de Dilma, está praticamente fechado o acordo de arrendamento, da Petrobras à Vale, da área onde a mineradora tocará novo projeto de potássio, de US$ 4 bi, em Sergipe.

Bruno ou Nardoni
O ex-policial Roger Franchini, que está lançando o livro “Richthofen — o assassinato de Suzane”, pela Editora Planeta, já tem outras histórias em mente. Seu próximo livro será sobre o goleiro Bruno ou sobre a menina Isabella Nardoni.

Rega-bofe tucano
FH, Serra, Tasso Jereissati, Aécio, Eduardo Azeredo e outros tucanões devem se encontrar hoje à noite em Recife. São convidados de honra da festa de aniversário do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, que faz 64 anos.

Rumo a Macaé
Cientes de que a UPP ia chegar à Rocinha, os chefes do tráfico local montaram um plano de fuga que incluía um esconderijo em Macaé.

Morte em campo
Domingo, por volta de meio-dia, um homem de 37 anos passou mal numa pelada no Tijuca Tênis Clube, no Rio. Era grave, e não havia serviço médico na hora. Ele morreu.

‘Down no society’
Segunda, na inauguração de um restaurante japonês na Barra, no Rio, com tudo de graça, a mulherada emergente se fartou de umas garrafinhas de... ic!... saquê. Mas, no fim, souberam que a cachacinha de arroz era... paga (R$15, cada). O chabu foi geral. Só seria possível pagar em dinheiro. Umas madames tiveram de socorrer outras.

Luxa do Pandeiro
Vanderlei Luxemburgo será pandeirista da roda de samba de Moacyr Luz, segunda, na festa de 116 anos do Flamengo, na Fundição Progresso, na Lapa.

Pedra Selada
Cabral e Minc vão criar o Parque Florestal de Pedra Selada, com 7 mil hectares, em Mauá. O nome vem do ponto mais alto da região, que possui, veja, a forma de uma sela de cavalo.

MIRIAM LEITÃO - Tragédia italiana



Tragédia italiana
MIRIAM LEITÃO 
O GLOBO - 10/11/11


A Itália é grande, deve muito, há muito tempo, e tem vencimentos pesados de curto prazo. A Itália está em crise política e já passou por uma ampla reforma política, mas tudo o que conseguiu foi dar o poder a uma figura grotesca como Berlusconi. A crise da dívida abate um país do G-7; não se poderá, a partir de agora, dizer que é problema na "periferia" da Zona do Euro.

Na preparação para a formação da Zona do Euro e da União Europeia estabeleceram-se parâmetros que não foram seguidos pela maioria dos países, mas alguns se esforçaram. A Irlanda é um caso triste porque sua dívida era de 130% do PIB e durante quase duas décadas o país lutou para derrubar esse percentual. Levou-a a 30% do PIB. E perdeu esse ajuste em dois anos. No ano passado, pelos dados da Eurostat, a dívida do país chegou a 95%.

Já a Itália derrubou ligeiramente esse percentual, mas ficou 20 anos com a dívida em torno de 100% do PIB e, com a crise, subiu um pouco. A Irlanda fez o ajuste e cresceu de forma sustentada de 1995 a 2007 numa média de 6% ao ano. Era considerada o caso exemplar. Até que tudo desandou no estouro da bolha imobiliária, numa gigantesca crise bancária que derrubou o PIB em 8% em 2008 e produziu déficits públicos enormes. No ano passado o déficit bateu na inacreditável marca de 31%. O governo irlandês gastou para resgatar os bancos e se afundou na desconfiança dos bancos que exigiram cada vez mais juros. Pediu o resgate quando os juros bateram em 7%.

Ontem os juros exigidos da Itália bateram em 7,4%. A travessia do 7% sempre foi o ponto de não retorno: Grécia, Irlanda e Portugal pediram resgate quando se chegou nesse nível. Mas há um tempo entre a travessia desse número, considerado a marca no chão para o início da zona de resgate, até o momento em que o socorro chega. A Grécia chegou em 7% de juros em abril de 2010, mas eles subiram até 12%, quando então iniciou-se o programa de ajuda. A Irlanda atingiu o 7% em novembro de 2010 e os juros continuaram subindo até 9%. Portugal atravessou a linha em novembro de 2010 e foi socorrida em maio de 2011. Mas a grande dúvida em relação à Itália é se ela pode ser resgatada.

A dívida de 1,9 trilhão é o dobro do que seria o Fundo de Estabilização Europeu ampliado. O Banco Central Europeu pode ser engolfado por essa dívida. O BCE não pode emprestar diretamente aos países, mas tem ajudado através de compra de bônus, mas se o banco central da região for comprar bônus na quantia necessária ele arruína o próprio balanço.

O cálculo da consultoria inglesa Capital Economics é que seriam necessários gigantescos 650 bilhões para tirar a Itália do mercado pelos próximos três anos para um ajuste nas contas do país. Poderia chegar a 700 bilhões se for feita alguma capitalização nos bancos. De onde pode sair tanto dinheiro? Nem o BCE nem o Fundo de Estabilização têm esse dinheiro. E esse é o ponto da consultoria: a Itália não apenas é grande demais para quebrar, mas pode ser grande demais para ser resgatada.

Tudo é diferente entre a Irlanda e a Itália. Um país é pequeno, dependente de exportação, tinha fama de ter feito o dever de casa e parecia ser um exemplo. O outro é grande, tem uma economia sofisticada e diversificada, não tinha feito o dever de casa na dívida, mas o mercado achava que não havia problema porque, afinal, é a oitava economia do mundo. A Irlanda foi resgatada pelo Fundo de Estabilização Europeu, BCE e FMI, e hoje está vivendo um período de maior tranquilidade comparativamente ao período do olho do furacão. A Itália é grande demais para receber o mesmo tratamento de um programa desenhado para evitar que ela tenha que ir ao mercado.

A Grécia ontem anunciou ter chegado a um acordo para formar um novo governo, mas depois se viu que o primeiro-ministro, George Papandreau, havia se precipitado: o país continua sem governo à vista. Os gregos têm uma história diferente dos italianos, acharam que ao entrar na Zona do Euro, e por terem tido queda no custo de financiamento da dívida, haviam ficado ricos. Isso se somou à manipulação de indicadores fiscais e de dívida. Papandreau errou na condução da crise, mas, quando assumiu, a fraude contábil tinha sido cometida pelo governo conservador que o antecedeu.

Meses atrás, as autoridades europeias achavam que havia uma crise de liquidez em alguns países e uma crise de solvência na Grécia. Imaginaram a solução de isolar a Grécia, negociar um calote com os bancos, emprestar o suficiente para rolar a dívida de curto prazo para que o país fizesse um ajuste e conseguisse reconquistar a confiança do mercado.

Hoje já se sabe que: o calote de 20% na dívida foi para 50%, a ajuda não deu certo, a crise política se agravou, o governo caiu, e o mercado continua olhando a Grécia como pária e a população vai enfurecida às ruas a cada vez que uma parte do programa de ajuste é votada.

Para os gregos a única vantagem é que agora já não é mais uma crise deles. Hoje é a gigante Itália que vive a mesma tragédia: crise política, desconfiança, aumento dos juros para rolar a dívida. E a Europa está emparedada. A pedra do dominó que está em queda agora é grande demais e não há solução à vista.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG - Não tem nada de mais - a série



Não tem nada de mais - a série
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 10/11/11


A nossa série "Não tem nada de mais" recebeu várias contribuições. A melhor, disparada, veio de Brasília.

Nesse conjunto de chantagens e contrachantagens em curso na política local, há pelo menos um fato admitido por todos os envolvidos. Em 25 de janeiro de 2008, o atual governador Agnelo Queiroz, então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, recebeu em sua conta corrente um depósito de R$5 mil, feito por Daniel Almeida Tavares, funcionário do laboratório farmacêutico União Química. Nesse mesmíssimo dia, Agnelo liberou um certificado da agência reguladora considerando o laboratório companhia idônea, apta a produzir e participar de licitações públicas.

- Qual o problema? - tratou de responder o hoje governador.

Não tem nada de mais, explicou, apenas uma enorme coincidência. Contou: o Daniel, amigo antigo, ficou numa pior e estava sem dinheiro para pagar umas contas. Agnelo, então, emprestou 5 mil reais. Para facilitar e evitar a trabalheira do amigo de ir ao banco descontar um cheque ou sacar a grana, Agnelo entregou logo os 5 mil em dinheiro vivo, um pacote de notas. Credor e devedor não julgaram necessário assinar qualquer documento. Ficou na confiança.

Segue a história relatada pelos dois personagens: passou o tempo, Daniel melhorou de vida e, já empregado no laboratório, lembrou-se de pagar ao amigo justo em um dia em que não estava em Brasília. Assim, não podendo levar o dinheiro vivo lá no escritório da Anvisa, fez um depósito na conta de Agnelo. Daniel nem sabia que o certificado beneficiando sua empresa estava na mesa de Agnelo, nem este sabia que o depósito seria feito naquele 25 de janeiro.

Uma enorme coincidência, dessas coisas que acontecem, não é mesmo? E ninguém saberia disso se Daniel não tivesse guardado o recibo de depósito por esses quase três anos e se esse papel não tivesse "vazado" para políticos e imprensa. Mas, se o negócio era todo na base da confiança, por que ele teria guardado o recibo esse tempo todo? E como o teria deixado escapar, numa situação que obviamente prejudicaria o hoje governador e antigo amigo?

Questões sem importância, insinuam os envolvidos. O que admitem é o seguinte: o governador pegou do bolso 5 mil reais em dinheiro vivo, emprestou e recebeu de volta via depósito bancário. O resto é coincidência da vida e armação dos inimigos e da imprensa.

Admitamos que tenha sido assim mesmo. Não fica esquisito que o diretor da agência reguladora mantenha uma relação, digamos, de credor/devedor com o funcionário de uma empresa regulada pelo primeiro? Será que o diretor da agência não deveria sentir-se impedido de assinar um documento favorecendo o serviço do amigo/devedor/funcionário do laboratório beneficiado?

Que Daniel, o amigo, tenha contado duas histórias, uma denunciando Agnelo, outra o defendendo, também é normal? Não tem nada de mais?

Agnelo Queiroz é o quarto governador de Brasília envolvido em denúncias de corrupção. Nenhum dos outros três foi julgado em caráter definitivo.

Não tem nada de mais.

DURA LEX, SED LEX

Semana passada, na CBN, ouvintes com assuntos a resolver na Justiça Federal reclamaram e perguntaram por que seus funcionários haviam emendado a segunda, 31 de outubro, e a terça, com o feriado de 2 de novembro, quarta.

Emendaram logo dois dias úteis?

Não tem nada de mais, explicaram funcionários e juízes em diversos e-mails. Assim: a folga no 31 de outubro foi por conta do dia do funcionário público, que caíra na semana anterior e foi transferido; o dia 1º de novembro é feriado na Justiça Federal; e o dia 2 é feriado nacional.

Vá lá, mas de onde tiraram que 1º de novembro é feriado? - muitos comentaram. Novos e-mails de funcionários e juízes quase chamaram todos de ignorantes.

Está no sagrado ordenamento jurídico deste país, não sabiam? Está mesmo, caro leitor. Trata-se da Lei 5.010, de 30 de maio de 1966, que diz em seu artigo 62: além dos fixados em lei, serão feriados na Justiça Federal, inclusive nos Tribunais Superiores: I - os dias compreendidos entre 20 de dezembro e 6 de janeiro, inclusive; II - os dias da Semana Santa, compreendidos entre a quarta-feira e o Domingo de Páscoa; III - os dias de segunda e terça-feira de carnaval; IV - os dias 11 de agosto e 1º e 2 de novembro.

São 21 dias a mais, "por expressa previsão legal" - como nos escreveu, assim mesmo, uma funcionária de Brasília.

O leitor ingênuo perguntaria: mas o fato de estar na lei torna a coisa justa ou razoável? Ou ainda: quando reclamam reajuste salarial e a contratação de mais juízes e funcionários, todos estes falam da enorme quantidade de processos a despachar. Se trabalhassem uns 20 dias - um mês útil inteiro - já ajudaria, não é mesmo?

Mas aqui vale a letra da lei. Como descobriram os romanos, a "lei é dura, mas é a lei".

MARINA COLASANTI - A virilidade não é mais aquela



A virilidade não é mais aquela
MARINA COLASANTI 
O ESTADO DE MINAS - 10/11/11

Semana passada, falei brevemente da Histoire de la virilité, três volumes alentados, recém-publicados na França. Mas virilidade é assunto demais para poucas palavras. Como um tiro disparado para o alto, a palavra desperta ecos e considerações; inquieta, pede respostas. Afinal, o que é um homem?

Não é mais o que era, dizem os especialistas. Nem nunca foi exatamente o mesmo. A cada época, um homem. O cavernícola, embora a delicadeza dos desenhos que deixou nas cavernas, era bem diferente do humanista da Renascença. Este, por sua vez, pouco se assemelhou ao cínico libertino do século das luzes, que quase nada tem a ver com o macho derrotado nas trincheiras de Primeira Guerra Mundial.

Historicamente, o homem se definiu em primeiro lugar pelo corpo. Mas o corpo também muda. Houve períodos da história em que o mais importante eram os músculos, e outros em que o espírito foi mais valorizado que os bíceps. Há culturas em que o macho tem que ter peso, massa corporal. E culturas em que, como ao tempo dos menestréis medievais, os mais apreciados são os tipos elásticos e delicados.

O corpo, na verdade, não muda – ou muda muito lentamente através dos séculos. O que muda é o modelo ideal de corpo, aquele que fará sucesso entre todos, e que ficará eternizado nos retratos, nas esculturas, na literatura como se só ele tivesse existido.

Em todos os tempos, porém, a noção de virilidade esteve diretamente ligada ao poder. Se essa necessidade de dominação é componente natural do macho e antecede o nascimento, não se sabe ainda, mas tudo indica que não, ela é implantada aos poucos por meio do convívio e da educação. Noção cruel essa, porque se a virilidade é ligada ao poder e o homem mais viril é aquele que mais manda, onde os outros, os tantos que se submetem ou são obrigados a se submeter, localizam a sua virilidade?

No pênis, certamente. A ereção é uma forma de poder à qual todos os homens têm direito – todos, generalizando. Agora, então, o pênis está em destaque. Só na Renascença, quando os alemães e os ingleses passaram a acolchoar generosamente as braguilhas e a exibi-las bordadas e protuberantes, ele foi tão visível. Os jeans atuais são apertados e desbotados para indicar sua presença, a publicidade de cuecas se esmera na grandiloquência, e o nu frontal no teatro ou no cinema já não surpreende mais ninguém. O pênis poderia ter-se tornado uma banalidade não fosse a chegada do Viagra. As pílulas azuis deram ao símbolo viril por excelência um poder antes impossível: a garantia de sucesso.

“A virilidade, entendida como capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como aptidão ao combate e ao exercício da violência, é, antes de mais nada, um peso”, disse o sociólogo francês Pierre Bordieu. Um peso de que, pouco a pouco, os homens foram se livrando.

O homem de ontem era aquele que mandava. Mandava nas mulheres, mandava no mundo, mandava na natureza. Durou muito seu exercício de mando, e durante longo tempo foi dado como certo. O novo homem, porém, já recebeu a conta enviada pelas mulheres, está acampado nas praças para desfazer esse mundo controlado pelos poderosos, e sabe que a natureza exige mais respeito e obediência do que abuso.

O homem está à procura de uma nova maneira de ser homem.

GOSTOSA


ILIMAR FRANCO - Faca no pescoço



Faca no pescoço
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 10/11/11

A presidente Dilma foi dura anteontem quando o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu que se fizesse um acordo com a oposição, pelo qual a DRU seria prorrogada por dois anos. Argumentou que o tema voltaria à pauta no ano anterior ao da sucessão presidencial, e que o governo teria de pagar uma fatura muito alta. E, para garantir que nenhum acordo fosse feito à sua revelia, despachou, ontem à noite, a ministra Ideli Salvatti para o gabinete do presidente da Câmara.

Só falta combinar com os fatos
A equipe do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) está irritada com a cobertura que a imprensa faz das suas ações. Eles repetem como mantra que “Gilberto não quer para si o papel de superministro” e que “as ambições de Gilberto são do tamanho dele”. Para a assessoria de Gilberto, a imagem de superministro é mau agouro: “Você sabe o que acontece com superministros? Você deve lembrar o que aconteceu com o Delfim e com o Golbery.” Sua assessoria está empenhada em baixar a bola do ministro, que integra a coordenação do governo e tem reuniões diárias com a presidente Dilma, de quem recebe missões e tarefas.

"Marta sabe que o prestígio dela no partido é proporcional a essa responsabilidade” — Ricardo Berzoini, deputado (PT-SP), sobre o apoio de Marta Suplicy à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo

BATENDO PÉ. Em reunião com as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil), na foto, e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), o líder do PTB, senador Gim Argello (DF), estrilou por ter perdido cargos na Valec, estatal de obras ferroviárias. Elas tentaram explicar que indicações políticas estavam sendo substituídas por nomes técnicos, mas ele não se acalmou. Gim é um dos líderes da oposição ao governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

À queima-roupa
Protesto do líder do PDT, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho, para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), sobre os ataques ao ministro Carlos Lupi: "Vocês não medem quem pode ser aliado e quem não pode.”

As regras do jogo
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) está determinado a resistir no cargo. Diante disso, a presidente Dilma está disposta a mantê-lo. Mas desde que não surja acusação direta a Lupi ou a Procuradoria da República não inicie investigação.

Coisas que só acontecem em Brasília
O governador Agnelo Queiroz (PT-DF) perdeu o apoio da opinião pública em função dos escândalos na política local. Segundo o Instituto OP Brasil, que ouviu 900 pessoas de 4 a 7 de novembro, se eleições fossem feitas hoje, 39,4% votariam no ex-governador Joaquim Roriz, cassado pela Lei da Ficha Limpa; e 22,1%, em Agnelo. Já se as opções fossem Agnelo e o ex-governador José Roberto Arruda, 35,6% escolheriam o segundo, que perdeu o cargo por corrupção; e 21,8%, o petista.

O candidato
O governador Geraldo Alckmin (SP) avisou à cúpula do PSDB que não apoia o candidato de Kassab (PSD) à prefeitura de São Paulo e que seu candidato é José Serra. Ganhando ou perdendo, Serra está fora da sucessão presidencial.

Volta ao passado
Depois de perder três eleições presidenciais escondendo o ex-presidente Fernando Henrique, é comovente o esforço do PSDB para resgatar a imagem de seu governo. A coragem tucana é posterior à carta da presidente Dilma para FH.

AMNÉSIA COLETIVA. Deputados da base aliada repetem indignados, nestes dias, que a oposição era a favor da DRU no governo Fernando Henrique. Pareciam esquecer que eles próprios eram contra.

CADÊ? Um dos mais insatisfeitos com o ritmo de liberação de emendas parlamentares, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), não estava presente na votação da DRU porque está em viagem aos EUA.

IRONIA de um ministro do governo Dilma diante da sucessão de quedas de ministros: “Do jeito que vai, não será necessário (fazer uma reforma ministerial).”