quinta-feira, outubro 27, 2011

KENNETH MAXWELL - Shakespeare?


Shakespeare?
KENNETH MAXWELL
FOLHA DE SP - 27/10/11

Os moradores de Stratford-upon-Avon estão em pé de guerra. Cobriram a estátua de William Shakespeare (1564-1616), o mais famoso filho da cidade, com lençóis.
Objetam vigorosamente ao novo filme produzido pela Sony em Hollywood, segundo o qual Shakespeare, na verdade, era uma fraude e não escreveu as famosas peças, sonetos e versos cuja autoria lhe é atribuída. O verdadeiro autor, alega o filme, foi Edward de Vere, conde de Oxford, um homem viajado e poliglota.
Nessa interpretação, Shakespeare é um beberrão analfabeto e sem educação formal, incapaz do conhecimento detalhado necessário à composição dessas obras.
Edward de Vere, por outro lado, era um aristocrata, amante da rainha Elizabeth 1ª. Não pôde assumir a autoria dos textos porque escrever para o teatro, no século 16, não era profissão para um aristocrata, o que explica sua necessidade de permanecer anônimo -como no título do filme: "Anonymous".
A teoria é velha. Circula pelo menos desde a era vitoriana. Os vitorianos, como os norte-americanos modernos, adoravam teorias da conspiração e não conseguiam acreditar que um homem de origens humildes como Shakespeare pudesse ter escrito as grandes peças que portam seu nome.
Vanessa Redgrave interpreta a rainha Elizabeth 1ª (na velhice), enquanto sua filha, Joely Richardson, interpreta a rainha jovem. Joely Richardson nasceu em 1965, quando Vanessa Redgrave era casada com Tony Richardson. O casamento, que durou de 1962 a 1967, terminou em divórcio depois que Richardson traiu a mulher com a atriz francesa Jeanne Moreau.
Richardson foi um famoso diretor da "new wave" do cinema britânico. "Tom Jones", filme que ele dirigiu em 1963, baseia-se no romance de Henry Fielding (que está sepultado no cemitério inglês de Lisboa), e o roteiro foi escrito pelo dramaturgo John Osborne.
É a exuberante história do filho adotivo de um membro da pequena nobreza rural inglesa, saltando de cama em cama através da Inglaterra, estrelado por Albert Finney, Susannah York e Edith Evans. O filme foi parcialmente rodado em Crowcombe Court, uma casa de campo do começo do século 18 em West Somerset, perto de onde passei a infância.
Vanessa é filha de sir Michael Redgrave. Os Redgrave, apesar de seu radicalismo político, são a aristocracia do teatro britânico. Contudo a Sony parece ter hesitado, no momento do lançamento, e por isso o filme será exibido em apenas 250 salas.
A produtora espera que a reação dos espectadores e, sem dúvida, também a dos moradores de Stratford-upon-Avon sirva como publicidade para o filme.

NINA HORTA - História das coisas


História das coisas
NINA HORTA
FOLHA DE SP - 27/10/11


"Bill Bryson resolveu escrever esse livro ao ver como sabia pouco ou nada sobre o mundo incrível e ao mesmo tempo cotidiano que o envolvia em sua casa. Por que temos um saleiro? Por que gostamos mais de pimenta do que de cardamomo? O livro chama-se "Em Casa -uma Breve História da Vida Doméstica", de Bill Bryson, Companhia das Letras.
É bom para fazer pensar na evolução de cada cômodo, originários de um só espaço, onde todos dormiam, comiam, trabalhavam e se divertiam, e com certeza brigavam por aquele pedacinho de chão que ficava ensolarado até mais tarde.
Pensei que iria se concentrar nos objetos, nos utensílios, mas não. Fala muito mais do aparecimento das tecnologias que propiciaram a evolução dos cômodos e da sua capacidade para gerar conforto.
Podemos começar da cozinha e dos elementos que fizeram dela o que é hoje. É preciso ficar pensando de olho parado para conseguir imaginar como era a casa antes que nos acostumássemos com tudo.
Para começar, o gelo. Conservar a comida, gelar a bebida, fazer sorvete, transportar produtos de um lugar a outro, carne fresca, peixe fresco. O crescimento incrível da produção de alimentos, ah, o gelo, esse civilizador!
Uma casa do seu condado em 1851. A cozinha não tinha pia, pois era cozinha, para cozinhar, não para lavar... Conforme o tamanho da casa, muitas copas e despensas, pois os materiais de limpeza eram fabricados "in loco", goma para colarinhos, graxa, sabonetes, veneno para ratos, velas.
E como os ricos comiam bem! Havia excesso de comida, de lagostas, ostras, esturjões, aves, caças, muito cozinheiro e ajudante, e pouco conforto para eles. E apareceu a sala de jantar. E os horários. O garfo surge com dois dentes, chega a seis e volta para quatro. Cento e quarenta e seis tipos de talheres, sei lá quantos copos, e inevitavelmente os manuais de como se comportar à mesa, que deveria ser uma espécie de pós-graduação, tantas regras era preciso saber.
O modo de se produzir o vidro, o tijolo, o aço, o cimento, a possibilidade de sustentação de mais um andar. E o banheiro? Podemos imaginar a extensão do conforto vindo de um banheiro?
Essa ideia foi a melhor de todas, fico de cara vermelha só de pensar na dificuldade que seria para Virginia Woolf, por exemplo, escrevendo aqueles livros de uma delicadeza absurda e tendo que parar para ir num pequeno fosso fora de casa, na beira do rio. Credo, de baixar o chiquê de qualquer um...Um exercício de humildade e realidade.

E saiu também um livro de memórias de família de Edmund de Waal. "A Lebre com Olhos de Âmbar", editora Intrínseca, que, com a desculpa de descobrir o caminho de uma coleção de netsukes japoneses, vai atrás das casas, mobílias e quadros e objetos de arte de sua riquíssima família judaica na Europa. França, Viena... E história. O caso Dreyfus. Seu tio foi usado por Proust para delinear o personagem Swann, só esse passeio pelo mundo de "A la Recherche..." já seria interessante. A descrição das casas, dos quartos, das coleções compradas, da moda de "japonaiseries". Para quem gosta de "coisas", vale a pena.

CONTARDO CALLIGARIS - Teorias conspiratórias (e histéricas)


Teorias conspiratórias (e histéricas)
CONTARDO CALLIGARIS
folha de sp - 27/10/11

O protagonista do novo (e ótimo) romance de Umberto Eco, "O Cemitério de Praga" (Record), é um falsário do fim do século 19.
Você, emissário de sei lá qual governo ou grupo, quer fomentar o antissemitismo, provando que os judeus conceberam um plano diabólico de domínio do mundo? Devidamente contratado, o falsário criará "Os Protocolos dos Sábios de Sião", prova cabal de um complô judaico. O texto, uma vez "descoberto", alimentará o antissemitismo mundo afora, durante décadas.
Hoje, a tecnologia digital facilita o trabalho dos falsários, e, graças à internet, um boato se transforma rapidamente numa certeza coletiva.
Mas, de qualquer forma, nunca foi muito árduo inventar conspirações ocultas e espalhar desconfiança e delírios segundo os quais os misteriosos "eles" estariam tramando na sombra. O fato é que o público adora uma teoria conspiratória.
Ou melhor, sejamos sinceros: em regra, adoramos entender o mundo como fruto de conspirações que tentam nos enganar. Por que será?
Uma resposta está no livro (já clássico) de Elaine Showalter, "Histórias Histéricas" (Rocco, esgotado -tente www.estantevirtual.com.br).
Showalter lembra que, para negar a existência e o surgimento de desejos sexuais em seus corpos e almas, as histéricas começam por atribuir esses desejos aos outros ou, como se diz, por projetá-los nos outros. Logo, elas fogem dos ditos outros (que se tornaram zumbis portadores dos desejos delas) ou os acusam de seduções e estupros.
Moral da história, a histérica pode dizer: 1) eu não desejo nada, sou e me mantenho pura, pois o sexo não vem de mim, mas dos outros, que querem me sujar e 2) eu sei quem o outro "realmente" é, sei quais desejos vergonhosos ele esconde atrás de sua aparência bem-comportada. Em suma, 3) posso negar que tenho desejos, não preciso me responsabilizar nem me envergonhar por eles e, além disso, pretendo saber desvendar o lado obscuro de qualquer um.
Desvantagem: assim fazendo, eu me afasto irremediavelmente de meu próprio desejo.
E os homens, nessa história? Segundo Showalter, sobretudo hoje, a histeria dos homens aparece, justamente, na crença em teorias conspiratórias: as meninas acham que os outros querem seduzi-las e violentá-las, e os meninos acham que os outros querem enganá-los e manipulá-los.
(Antes de continuar, uma nota: pode ser que imaginar teorias conspiratórias e acreditar nelas seja uma forma de histeria masculina, mas isso não significa que as conspirações não existam. Ao contrário, como mostra o romance de Eco, sempre existe, no mínimo, a conspiração dos que constroem e espalham teorias conspiratórias.)
Mas voltemos à histeria dos homens segundo Showalter. Eis quatro vantagens para os que gostam de conspirações escusas.
1) Quem entende o mundo à força de "desvendar" conspirações só pode se perceber como uma exceção: ele acredita ser o único, ou quase, que enxerga as tramas nefastas dos outros -o único ou um dos poucos que "eles" não estão conseguindo enganar.
2) Com a ideia de que sempre há outros que tentam nos manipular e controlar, a gente se oferece uma volta à infância e à relação com os pais. Há um prazer nostálgico na suposição de que haja adultos os quais, num conluio entre si, decidem nosso destino, sem nos explicar nem de longe o que realmente acontece.
Há um prazer nostálgico na ideia (infantil e pré-adolescente) de estarmos nas mãos de outros todo- poderosos e de sermos os únicos que, heroicamente, resistem à sua sedução e desvendam suas mentiras.
3) Uma hipotética conspiração, por mais hostil que ela nos seja, permite-nos confiar numa ordem do mundo -boa ou ruim. Se há intenções escondidas, nada ou pouco acontece por acaso, o mundo obedece a um plano -da divina providência, do demônio ou dos conspiradores, tanto faz: de qualquer forma, a existência de um plano é consoladora.
4) Para as histéricas, atribuir o desejo sexual ao outro é um jeito de negar sua própria sexualidade.
Para os homens não é muito diferente: a invenção de uma conspiração maléfica lhes permite ignorar seus próprios desejos "políticos" sombrios, os que eles preferem esconder de si mesmos.
Afinal, o conspirador, ao qual atribuo a vontade de me enganar e manipular, é quase sempre uma projeção, ou seja, é minha própria criação, à imagem e semelhança de mim.

MÔNICA BERGAMO - DEUS NA TV


DEUS NA TV
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 27/10/11

O conselho da EBC, a TV pública criada por Lula, se reúne na próxima segunda, em SP, para discutir um tema delicado: a presença de cultos religiosos em sua programação. Há um mês, as igrejas católica e batista conseguiram liminar na Justiça para que suas cerimônias continuem sendo exibidas. Parte do conselho quer peitar a briga na Justiça, alegando que o Estado é laico.

DANÇA DAS CADEIRAS

O mandato de Tereza Cruvinel na presidência da EBC termina neste mês. Até ontem candidatos do Planalto e de Lula, como Nelson Breve e Ottoni Fernandes, estavam cotados para o lugar. O professor Murilo Ramos, da Universidade de Brasília, continuava correndo por fora.

FOGO BAIXO

Pesquisa Ibope para a eleição do novo presidente da OAB de São Paulo, marcada para o próximo ano: Rui Fragoso aparece com 31% dos votos. Em segundo lugar vem Alberto Toron (9%), seguido por Sergei Cobra (5%).

Quase a metade dos 500 entrevistados, ou 45%, disseram que vão votar em branco, nulo ou simplesmente não souberam responder.

FOGO ALTO

Uma estagiária da Defensoria sofreu uma tentativa de homicídio, na sexta passada, em pleno Fórum Criminal da Barra Funda. Ela prestava atendimento ao servente Ricardo Silva Santana quando ele a atacou com uma chave de braço e tentou esganá-la, dizendo que iria matá-la. Foi socorrida por dois policiais, que a ouviram gritando. Santana foi preso em flagrante.

NOVO ENDEREÇO

O departamento de recursos humanos da Defensoria está em contato com a estagiária para uma eventual transferência, caso ela não queira mais trabalhar na Barra Funda.

MULHER FEITICEIRA

O diretor teatral Roberto Lage montará a peça "Medeia". No elenco, pretende contar com os atores Caco Ciocler, Genézio de Barros e Renata Zhaneta.

MÃOS AO ALTO
Gisele Bündchen foi fotografada em Nova York para a capa do primeiro número da edição brasileira da "Harper's Bazaar". O ensaio feito pelo americano Terry Richardson com a top pode ser visto a partir de amanhã nas bancas.

UMA PALHAÇADA
Selton Mello fez pré-estreia, anteontem, de "O Palhaço", filme que dirige e protagoniza, ao lado de Paulo José. A atriz Maria Manoella foi ao evento, no Cinemark Iguatemi.

SELAS E ACESSÓRIOS
Mariana Auriemo e Maria Anna do Valle Pereira foram ao almoço de abertura da Copa Hermès de Hipismo, na Fazenda Boa Vista. Filha de Fábio Jr., Krizia Kartalian Galvão era uma das competidoras.

BANQUINHO VAZIO

João Gilberto está tendo dificuldades para lotar também seu show em Brasília, no dia 19 de novembro. Só na pista Gold, de 414 lugares, 207 ainda estão disponíveis. Preço: R$ 1.400. Na pista mais barata, 378 ingressos, num total de 510, estão livres, por R$ 600.

BANQUINHO VAZIO 2

As entradas em SP também encalharam: mais de mil lugares do Via Funchal, onde ele se apresentará no dia 5, ainda estão à venda.

FÔLEGO DE SOBRA

O duo de música eletrônica Groove Armada fará um DJ set na festa oficial pós-festival Planeta Terra, na madrugada de 6 de novembro, no D-Edge. Algumas horas antes, os ingleses se apresentam no Terra, no Playcenter.

CABELO DE ANJO

O ex-Beatle Ringo Starr, vegetariano como Paul McCartney, pediu legumes e frutas para fazer seu próprio suco e macarrão tipo cabelinho de anjo com molho pesto para o camarim de seus shows em SP. Ele se apresenta em novembro no Credicard Hall.

ARTILHARIA

Neymar é o jogador preferido das mulheres: pesquisa da Sport+Markt, que tem como clientes multinacionais e clubes, mostra que ele é hoje o queridinho de 28,8% delas. Em seguida vêm Ronaldinho Gaúcho (25,5%) e Kaká (4,6%). O santista desbancou o galã do Real Madrid, que em 2010 era o líder, com 19%. Ronaldinho lidera no público masculino (26%). A agência entrevistou 8.235 torcedores (5.764 homens e 2.471 mulheres).

CURTO-CIRCUITO
O Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo) realiza hoje, às 19h, o debate "A Cobertura da Imprensa nos Grandes Escândalos", sob a coordenação de José Luis de Oliveira Lima.

Ara Vartanian lança nova coleção de joias hoje.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

ALBERTO TAMER - Investimento, só externo


Investimento, só externo
ALBERTO TAMER 
O ESTADÃO - 27/10/11
Os investimentos diretos no Brasil bateram novo recorde, US$ 50,4 bilhões,este ano, superando de longe os US$ 48 bilhões de todo o ano passado. Um ótimo resultado, sim, mas revela um fato que deveria preocupar.
Os investimentos externos não financeiro aumentam,mas os internos, privados ou do governo, recuam este ano e não dão sinais de melhora. Em 2010, eles representavam 66% do total e no primeiro semestre deste ano - últimos dados disponíveis no Ministério do Desenvolvimento - apenas 32,2%; a participação dos recursos de origem estritamente estrangeira passou de 23% para 56% no primeiro trimestre.Ou seja, a grande verdade é que não fossem os investimentos diretos, que não param de aumentar, a formação de capital no Brasil teria caído para bem abaixo de 18%.
A Confederação Nacional da Indústria afirma que esse baixo resultado dos investimentos internos se deve à alta taxa de juros, ao câmbio e às incertezas externas. É uma explicação parcial porque o mercado interno mantém os mesmos níveis de crescimento do ano anterior e a produção agroindustrial continua crescendo.
Eles salvam. A verdade é que os investimentos externos no setor produtivo estão salvando a formação de capital fixo no Brasil. Uma participação consistente, que vem crescendo mês a mês.
Segundo dados do Banco Central, ela passou de US$ 2,9 bilhões em janeiro para US$ 7 bilhões em fevereiro e se manteve em torno de US$ 6 bilhões em agosto.
Para o governo, a estabilidade da economia brasileira, que, mesmo com sinais de acomodação, deve crescer 3% nos próximos anos é a causa principal dessa atração. O Brasil, mais prudente, não foi atingido pelo clima de depressão mundial, até se beneficiou porque continua crescendo em um clima de estabilidade econômica, financeira e fiscal.
Mas há outra explicação: a maior parte dos investimentos externos que aumentou este ano se concentra em alguns setores como petróleo e gás, telecomunicação, indústria automobilística e, agora, informática, com a chegada do capital asiático.
"Os investimentos na indústria automobilística devem totalizar US$ 21 bilhões até 2014", informou esta semana o presidente da Anfavea,Cledorvino Belini.
Entre 2007 e 2010, foram apenas US$11 bilhões.Há novos incentivos e as empresas estrangeiras estão sendo atraídas para produzirem no País. Tendo em vista os investimentos já anunciados em todas as áreas, o Ministério do Desenvolvimento não esconde otimismo.
Devem passar de US$ 165 bilhões.
Estão sendo liderados pelos Estados Unidos,com US$ 32 bilhões divulgados no primeiro semestre, Grã-Bretanha - mais de US 30 bilhões na área de petróleo e gás - e Taiwan, US$ 12 bilhões, da Foxconn na fabrica de tablets.
O governo tem se mostrado receptivo ao forte estímulo tributário se as empresas estrangeiras atendem a maior participação nacional. A questão em aberto é saber se a indústria brasileira terá capacidade de expandir para atender ao aumento decorrente da demanda.
E, muito mais ainda, se além dos incentivos tributários, o governo está mesmo decidido a desburocratizar os processos e enfrentar as barreiras ambientais.
Mas são apenas projetos. Das 364 intenções de investimento externos, mais de 60%já estão em fase avançada.
Para Eduardo Celino, coordenador da Rede Nacional de Informações sobre Investimento, do Ministério do Desenvolvimento, o interesse das empresas estrangeiras no Brasil é crescente porque há mais ovas oportunidades, como confirmam os dados do primeiras e mestre, bem superiores aos do ano passado. As previsões para os próximos meses podem se confirmar pois haverá ainda a atração da Copa e Olimpíada. "A queda de atividade econômica nos Estados Unidos e na Europa canaliza investimentos e fez aumentar o interesse pelo país em que há expectativa de bom desempenho da economia." Mesmo assim,os economistas não acreditam que os investimos totais no Brasil cheguem a 18% do PIB este ano. Os indicadores atuais apontam para 16% ou menos. O Brasil precisa de no mínimo 25%. Está longe disso.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Serviço extra renderá US$ 32,5 bi às empresas aéreas
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 27/10/11

As companhias aéreas terão faturamento de US$ 32,5 bilhões com serviços complementares neste ano, segundo estudo da Amadeus, multinacional do setor de TI para o mercado de turismo.

O pagamento por excesso de bagagem, a compra de assentos diferenciados e a venda de alimentos a bordo estão entre os itens incluídos no cálculo.

O valor representa alta de 43,8% sobre o ano passado.

"A tendência é que esse número continue crescendo, principalmente com a troca de milhas por passagens e a venda de serviços de entretenimento a bordo", diz Gustavo Murad, da Amadeus.

As companhias aéreas da América Latina são as que receberão menos por serviços complementares pelo segundo ano consecutivo.

O valor arrecadado deverá passar de US$ 600 milhões, em 2010, para US$ 800 milhões, neste ano.

O faturamento das principais empresas aéreas norte-americanas com essas vendas será de US$ 12,5 bilhões, alta de 87% ante 2010.

As companhias de baixo custo, por sua vez, receberão US$ 4,8 bilhões, 33% a mais que no ano passado.

"Cobrar por algo que estava incluso na passagem pode ser interpretado como degradação de serviço, mas a ideia já foi incorporada na Europa e nos EUA para a sobrevivência de algumas empresas e deve ser disseminada também na América Latina", diz Murad.

Folha Top of Mind faz 21 anos com novos prêmios
O HSBC Brasil, na zona sul de São Paulo, foi palco, anteontem à noite, da maior premiação de marcas do Brasil: a Folha Top of Mind.

Pelo 21º ano consecutivo, o resultado foi baseado em pesquisa do Datafolha, que foi às ruas para saber quais são as marcas mais lembradas pelos brasileiros.

Comandada pelos atores Daniel Boaventura e Mariana Ximenes, a cerimônia atraiu cerca de mil convidados.

Coca-Cola e Omo venceram o Top do Top, que premia as marcas mais lembradas. A diretora de marketing da Coca-Cola, Luciana Feres, creditou a vitória ao poder de renovação. "Apesar de ter 125 anos, a empresa ainda traz um olhar fresco para o brasileiro sem perder o seu ideal."

Para Paula Lopes, gerente de marketing da Omo, o prêmio mostra "que entendemos e entregamos o que as brasileiras desejam". O desafio, disse, será manter a liderança.

A Pampers, da P&G, foi campeã em três categorias: fralda descartável, Top Feminino e Perfomance. "A campanha com o avião do Faustão foi um diferencial. Pelo tamanho da campanha e pela visibilidade do apresentador", disse Thiago Icassati, diretor de marketing da P&G.

Neste ano, três novas categorias estrearam na premiação. Na de turismo, a CVC saiu vencedora. "É uma honra ser a primeira ganhadora. Esse é o primeiro prêmio de abrangência nacional que conquistamos", disse Valter Patriani, presidente da empresa.

O diretor de marketing da Bradesco Seguros, Alexandre Nogueira, disse que o próprio prêmio Folha Top of Mind se tornou uma marca forte nesses 21 anos. "A sua conquista é um dos grandes objetivos da empresa no ano." A Bradesco Seguros foi a mais lembrada na categoria seguro.

MANUAL CONTRA DESPERDÍCIO
O IFC (International Finance Corporation), braço financeiro do Banco Mundial, com foco no setor privado, prepara um manual de combate às perdas de água e energia no Brasil. O objetivo é ajudar a melhorar a eficiência com a redução do desperdício, otimizar o consumo de eletricidade e aperfeiçoar a cobrança de tarifas, segundo o IFC.

Para fazer o manual com melhores práticas, a instituição fechou um contrato com a consultoria GO Associados.

"Muitas empresas no país perdem muita água. Há locais em que nem hidrômetros funcionam. Em alguns casos, há 70% de perdas", diz Gesner Oliveira, sócio da consultoria e ex-presidente da Sabesp, a maior companhia de água brasileira.

Em 8 de novembro, a consultoria promoverá o primeiro ciclo de discussões. O projeto fica pronto em janeiro.

O maior manancial de água é o que se perde, segundo Oliveira. "Daria outra bacia hidrográfica, é assustador. Com o projeto, abre-se a possibilidade de empresas conseguirem linhas de financiamento mais baratas."

CAPITAL EMPREENDEDOR
Cerca de 74% dos empreendedores no Brasil dizem acreditar que a cultura do país encoraja o segmento, segundo estudo da Ernst & Young que abordou mais de mil empreendedores nos países do G20.

O levantamento também aponta que o acesso a financiamento permanece como dificuldade para criação, sobrevivência e crescimento.

"Houve um avanço com relação ao passado, mas podemos dizer que o financiamento ainda é complicado", afirma Mauro Terepins, vice-presidente de mercados da Ernst & Young Terco.

A maioria dos empresários dos países de rápido crescimento afirmou que, nos últimos cinco anos, houve forte melhoria no investimento de capital de risco.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

DEMÉTRIO MAGNOLI - Orlando na Estação Finlândia



Orlando na Estação Finlândia
DEMÉTRIO MAGNOLI
O GLOBO - 27/10/11

O governo cedeu à máfia chamada Fifa no principal, que é a legislação de licitações, mas simula uma resistência em temas periféricos

A Igreja da Libertação anunciou uma opção preferencial pelos pobres. O PCdoB definiu uma opção preferencial pelo Esporte. Brasil afora, nas esferas federal, estadual e municipal, o partido almeja o controle do ministério e das secretarias do Esporte. Não é o Homem Novo, mente sã em corpo são, que os comunistas fiéis à herança stalino-maoísta pretendem fabricar. A preferência obsessiva obedece a uma estratégia centralizada de financiamento do aparato partidário com dinheiro público. O jogo funciona assim: os gestores públicos do partido repassam recursos a ONGs de fachada, administradas por militantes subordinados ao partido, que pagam pedágio ao partido. Orlando Silva não é uma ilha isolada, mas apenas o ponto focal de um arquipélago assentado sobre uma vasta plataforma submarina.

O Ministério do Esporte funciona como duto de desvios ilegais de dinheiro público para recipientes particulares. As eventuais responsabilidades criminais do ministro só podem ser estabelecidas no curso de um processo, mas suas responsabilidades políticas estão à vista de todos. Por menos, caíram os ministros Antonio Palocci (PT), Wagner Rossi (PMDB), Pedro Novais (PMDB) e Alfredo Nascimento (PR). Qual é o motivo da longa sobrevida de Orlando Silva?

O governo cedeu à máfia chamada Fifa no principal, que é a legislação de licitações, mas simula uma resistência em temas periféricos, como a meia-entrada e as proibições estaduais à venda de cerveja nos estádios. O PCdoB e a camarilha de porta-vozes informais financiados pelo lulismo na internet exibem Orlando Silva como um paladino da luta contra Joseph Blatter e seus asseclas nativos. A patética encenação só ilude os tolos: se Dilma Rousseff quisesse proteger a soberania nacional das forças de ocupação da Fifa bastaria declarar que as leis do país não estão em negociação.

Agnelo Queiroz comandou o Ministério do Esporte, tendo seu correligionário Orlando Silva como secretário-executivo, antes de trocar (ao menos formalmente) o PCdoB pelo PT e se eleger governador do Distrito Federal. Toda a meada do esquema de desvios de recursos, cujas raízes se encontram na gestão de Queiroz, poderia ser desenrolada a partir da demissão do atual ministro. Nos bastidores, circulam ameaças de exposição do governador na trama de seu antigo partido. A extensão das repercussões do escândalo é uma causa circunstancial, secundária, da resiliência de Orlando Silva.

O PT inscreveu-se na paisagem política brasileira como desaguadouro recente da tradição da esquerda. A marca de origem, sua fonte insubstituível de legitimidade, reflete-se na aliança histórica com o PCdoB, o único remanescente significativo da árvore do “socialismo real” no país. Hoje, o PT faz coligações com qualquer partido conservador disposto a intercambiar seu apoio ao projeto de poder petista por cargos no aparato estatal. Contudo, justamente por compartilhar os palácios com Sarney, Barbalho, Calheiros, Collor et caterva, o PT precisa conservar a narrativa mitológica que desempenha funções identitárias cruciais. Os congressos petistas devem mencionar o “socialismo” com ênfase tanto maior quanto mais próximo do grande empresariado estiver o governo. A aliança com o PCdoB deve ser preservada mesmo à custa da imagem de “faxineira da corrupção” construída pela presidente em desgastantes atritos com o PMDB e o PR. As motivações simbólicas são a liga do sólido alicerce que sustenta Orlando Silva.

Uma conferência estadual do PCdoB, no Rio de Janeiro, sexta passada, serviu como palco para a articulação partidária em torno da defesa do ministro. No evento, em meio a cartazes de protesto contra a “mídia golpista”, o presidente do partido Renato Rabelo comunicou que recebera um telefonema no qual Lula transmitiu o grito de guerra: “Vocês têm que resistir, o ministro tem que resistir”. O ex-presidente expressou solidariedade prévia a todos os ministros afastados do governo Dilma sob suspeitas de corrupção, mas em nenhum dos casos anteriores operou como agitador público. No affaire Orlando Silva, ele não age em proveito de uma personalidade ou um partido, mas no interesse de um princípio político.

A corrupção estatal tem a finalidade invariável de produzir fidelidades políticas, soldando um bloco de poder. No Brasil, a corrupção tradicional se realiza na moldura arcaica do patrimonialismo, transferindo dinheiro dos cidadãos para o patrimônio de particulares. O lulo-petismo aprendeu a conviver harmoniosamente com esse padrão de corrupção, mas tende a desprezá-lo. Poucas vozes se ergueram em defesa de Palocci, suspeito de traficar influência para multiplicar seus bens privados. Em compensação, o poder lulo-petista estimula uma nova modalidade de corrupção: a transferência de recursos públicos para partidos e entidades que prometem conduzir o povo ao porto do futuro. Segundo a tese implícita, a administração do Estado deve se subordinar ao primado da política, traduzida como um movimento rumo à realização de uma verdade histórica superior. Obviamente, as engrenagens da corrupção de novo tipo também enriquecem operadores tradicionais, mas tal fenômeno é interpretado como um dano colateral inevitável.

De volta do exílio, em abril de 1917, Lenin desembarcou do vagão de um trem na Estação Finlândia, em Petrogrado, para anunciar a chegada da revolução proletária. Há tempo, o PCdoB renunciou de fato ao socialismo. Entretanto, fatos não importam nos domínios da mitologia política. Numa mensagem à conferência do PCdoB, Orlando Silva mencionou a guerrilha do Araguaia e citou uma carta do poeta stalinista Pablo Neruda ao PC chileno: “Neste momento, me sinto indestrutível, porque contigo, meu partido, não termino em mim mesmo”. O ministro faz parte dos homens da Estação Finlândia. Por isso, o lulo-petismo tentou declará-lo “indestrutível” e sua demissão decorreu da intervenção do STF.

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Melhor de três
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 27/10/11



Sabedor do modo de funcionar de Dilma Rousseff, levada a dispensar seu sexto ministro, o PC do B deve entregar ao Planalto uma relação de nomes, e não um único indicado para o lugar de Orlando Silva. Apesar disso, o partido tem preferência clara: Aldo Rebelo, peça importante na operação de bastidores dos últimos dias. O deputado, contudo, não é assimilado com facilidade pela presidente, que até hoje se ressente de sua atitude de enfrentamento na votação do Código Florestal, do qual foi relator. A lista tem ainda Luciana Santos, deputada e ex-prefeita de Olinda, e Flávio Dino, presidente da Embratur e, ontem, o favorito de Dilma.

Ela Além de ser mulher, pesa a favor de Luciana Santos o fato de ocupar a vice-presidência do PC do B, o que reforçaria o discurso oficial segundo o qual a sigla não será "castigada". Ela tem ainda a simpatia do governador Eduardo Campos (PSB-PE), de quem já foi secretária de Ciência e Tecnologia.

Ele Já Flávio Dino conta com o apoio do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Mas parte do PC do B o considera um "cristão novo".

History channel Em palestra sobre legislação ambiental ontem, Aldo proclamou: "Brasília vê os Estados como o Império Britânico via as colônias africanas".

Rédeas A fracassada tentativa de Orlando de alimentar uma "agenda positiva" ao ir à Câmara, anteontem, falar de Lei Geral da Copa, foi a senha para o partido começar a discutir abertamente sua substituição. Os comunistas do Brasil sentiram que, se insistissem na manutenção de Orlando, perderiam qualquer controle sobre o desfecho da crise e a sucessão na pasta.

Abandono Na reunião que selou a saída do ministro, Dilma reclamou da apatia dos aliados na sessão da véspera na Câmara. "Como pode o ACM Neto falar aquilo e ninguém reagir?", disse a presidente.

Uma pergunta De um envolvido na preparação da Copa, relativizando a importância da sucessão de Orlando para o evento: "A Fifa cuida do torneio; o Ministério das Cidades, da infraestrutura; a Infraero, de aeroportos; e a Casa Civil coordena tudo. Esporte cuida de quê?"

Mapa genético Em reuniões com ministros, Dilma tem pedido atenção redobrada na hora de escalar assessores. "Não basta pedir o CPF de quem vai contratar. Tem de pedir tudo. Até o DNA, se possível", recomenda ela.

Reino mineral Na opinião de colegas, Orlando deu mau passo ao se declarar "indestrutível". Lembram que, pouco antes de cair da Agricultura, Wagner Rossi se disse "firme como uma rocha".

Causa... O governo paulista apresentará pacote para tornar mais rigorosos os convênios com ONGs, em especial as que recebem recursos via Secretaria de Esportes. A pasta é controlada pelo PTB, sigla do deputado Roque Barbiere, delator do suposto esquema de venda de emendas.

...e efeito A corregedoria que investiga suspeitas de fraude lançará um banco de dados de entidades beneficiadas por indicação de deputados. Além do cadastro, será detalhada a finalidade do repasse, o tipo de obra e os equipamentos pretendidos.

Tucanocídio A perspectiva de aliança com o PSD de Gilberto Kassab assusta os vereadores do PSDB. Os oito defendem candidatura própria a prefeito. Alegam que, sem o 45 na urna majoritária, a bancada será reduzida à metade em 2012.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"A constância do ministro Haddad impressiona. Todas as edições do Enem que ele organizou apresentaram algum problema. Será presságio para 2012?"
DO DEPUTADO LUIZ FERNANDO MACHADO (PSDB-SP), sobre mais um vazamento de questões do Exame Nacional do Ensino Médio, organizado pela pasta do pré-candidato do PT à prefeitura paulistana.

contraponto
Do além

A estreia da ópera "O Guarani", no Theatro São Pedro, levou uma repórter de rádio a pedir à Secretaria da Cultura de SP uma entrevista com Carlos Gomes (1836-1896).
A assessora de imprensa tentou saída diplomática:
-Você não gostaria de entrevistar o secretário?
Mas a jornalista, embora disposta a ouvir também Andrea Matarazzo, queria mesmo falar com o compositor.
Temendo as consequências de esclarecer o motivo de seu espanto, a assessora encerrou a conversa:
-Vou encaminhar seu pedido e dou retorno, está bem?

DORA KRAMER - Serial crise


 Serial crise
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 27/10/11

A quantidade recorde de seis ministros afastados em menos de dez meses de governo quer dizer o quê? Depende. O governo certamente gostaria que a interpretação lhe fosse a mais favorável possível. Adoraria que as pessoas concluíssem que a presidente Dilma Rousseff não aceita "malfeitos".

A cena, porém, pode ser vista por outros ângulos. Um deles indica que a presidente não sabe escolher auxiliares.

Outro mostra que ela falha visivelmente no quesito imposição de critérios para nomeações, com a evidência de que o governo não faz nenhuma triagem nos nomes que lhe são submetidos como política e partidariamente mais convenientes.

Há ainda a infeliz coincidência de todos os demitidos até agora terem sido indicações sustentadas pelo ex-presidente Lula, o que não alivia a responsabilidade de quem deve, de fato e de direito, responder pelo bom andamento dos trabalhos governamentais.

A hipótese mais plausível, no entanto, é a mais simples: o governo nasceu velho, carcomido de vícios herdados e que foram aprofundados ao longo dos oito anos de gestão Lula e mantidos inalterados.

À força da inércia juntou-se a convicção de que a vitória eleitoral acrescida da aprovação popular ao desempenho dos governos Lula e Dilma indicavam que nada precisava ser mudado. Ou, por outra: era necessário que nada fosse mudado.

A realidade está mostrando o quanto de autoengano há nessa conclusão.

Apoio popular expresso em pesquisas de opinião não quer dizer que tudo vá bem.

Significa que as pessoas se sentem satisfeitas quando olham a situação como um todo, mas não pode ser interpretado como um aval para que a administração seja tocada de qualquer maneira, sem a observância de parâmetros mínimos de legalidade.

Até porque o público não dispõe de todas as informações. Já o governo, melhor do que ninguém, sabe como as coisas funcionam (ou não funcionam).

Governos sabem que se rouba e quando não tomam providências para desmontar as "igrejinhas" cujos dízimos são as verbas públicas, francamente, não há outra conclusão possível: é porque deixam roubar.

Muito já se falou sobre isso, mas é bom repetir: demitir Orlando, João ou José não resolve o problema, que não está só nas pessoas físicas. O diabo mora mesmo é nas jurídicas que, pela lógica da troca de seis por meia dúzia, seguem sem ser importunadas.

Motivação. É possível que a presidente Dilma tenha saudade do tempo (não faz muito) em que demitia gente por crime de opinião.

Como ocorreu no início do governo com Pedro Abramovay, demitido da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas por defender penas alternativas para criminosos de pequeno porte.

Hoje, com tanta gente caindo por denúncias de corrupção, algo parecido soaria risível.

Documento. Tancredo, a Travessia - dirigido por Silvio Tendle reproduzido por Roberto D"Ávila - remete a uma época em que política era coisa de profissional, no bom sentido.

Havia líderes, engajamento, articulação, propósitos, causas e, sobretudo, partidos interessados em algo além de dinheiro público: seja na forma de emendas ao Orçamento, de verbas para financiar fundos e programas de televisão ou na modalidade "heavy metal" da tomada de assalto a ministérios.

Não fosse por outros, o documentário, que entra no circuito amanhã, já teria o mérito de mostrar à juventude que outra forma de fazer política é possível.

Gato comeu. A nota Inglês ver saiu ontem sema parte final. Desprovida, portanto, de conclusão e de sentido.

Eis a íntegra: "Veja o leitor como o Congresso dança conforme a música que toca o Palácio do Planalto: há pouco mais de dois meses senadores lançaram a Frente Suprapartidária contra a Corrupção e a Impunidade, em apoio à dita "faxina" ética da presidente.

O governo tomou outro rumo e a Frente emudeceu. É a desmoralização das boas intenções".

ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO - Uma verdade encomendada


Uma verdade encomendada
ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO - O KAKAI
FOLHA DE SP - 27/10/11

Proponho que acompanhemos a investigação de Orlando Silva, mas sem conclusões antecipadas, sob pena de se instalar o extermínio moral

Um profundo abismo separa a interpretação política da realidade técnica de uma investigação.

Quando fui procurado pelo ex-ministro Orlando Silva, ele foi categórico ao afirmar que não havia hipótese de aparecer qualquer fiapo de prova, indiciária que fosse, contra ele, pois jamais teria cometido irregularidade alguma. Naquele momento, uma denúncia vazia e irresponsável já havia tomado ares de verdade no noticiário nacional.

O denunciante, embora desqualificado, espalhou no ar penas e plumas da calúnia, com a fluidez da inconsequência. Quando isso acontece, é impossível ao homem de bem repor integralmente sua honra. É uma tragédia!

O então ministro, em defesa, foi às autoridades competentes e acionou o procurador-geral da República para que investigasse os fatos.

E, em seu nome, desafiei a quem quer que fosse para que apresentasse prova que ligasse o ministro do Esporte a qualquer ato ilícito. O delator foi à Polícia Federal, entregou documentos e fitas e ressaltou que absolutamente nada ligava o ministro diretamente às denúncias, o que foi confirmado pelo delegado responsável pela investigação.

Nos últimos anos, a Procuradoria-Geral da República tem adotado uma postura que me parece serena e prudente: quando toma conhecimento de uma denúncia, oferece à autoridade a oportunidade de se explicar, antes da abertura de um inquérito.

No caso concreto, o doutor Roberto Gurgel houve por bem, em vez de determinar a apuração prévia dos fatos, requerer a abertura de inquérito no STF. E o fez com base em representações assinadas por deputados de oposição, desprovidas de documentos ou quaisquer outras provas, apenas com cópias de reportagens jornalísticas.

O principal interessado em uma investigação séria, célere e eficiente é o próprio Orlando Silva. Por isso mesmo cuidei de ressaltar à ministra Cármem Lúcia, relatora do feito, a importância de se permitir o acesso da imprensa ao inquérito, para demonstrar que nada existe contra o ministro.

Mas a leitura política é outra, e é avassaladora: o Supremo Tribunal investigava o ministro!

É necessário prudência nesta hora. Não me cabe comentar o viés político, mas o cidadão, qualquer que seja ele, não pode ficar refém de julgamentos antecipados, de interpretações oportunistas.

Ora, no Estado de Direito, o primeiro direito do cidadão, por paradoxal que possa parecer, é o de ser bem acusado, com uma acusação definida e precisa.

Contra o ex-ministro não pesa nada neste inquérito, cuja abertura ele requereu. É dever do homem público colocar-se à disposição para prestar todo e qualquer esclarecimento e apoiar a investigação, mas é necessário que os princípios da presunção de inocência, da ampla defesa e do devido processo legal sejam preservados.

O massacre moral e a antecipação de culpa não servem à democracia, só fazem com que voltemos às trevas do obscurantismo, só servem a uma briga política insana, que arrasa os mais comezinhos princípios de direito.

Quando se pede para cumprir a Constituição Federal, aguardando-se as conclusões da investigação, pede-se pouco, apenas que se dê ao investigado o mesmo tratamento que almejaríamos receber em uma situação idêntica.

Ninguém está acima da lei, e a investigação é necessária, mas permitir que se comece a investigação pela execução da pena, com execração pública, implica inverter e desprezar as conquistas garantistas duramente consolidadas.

Em nome desse princípio é que proponho que acompanhemos a investigação, mas sem conclusões antecipadas, sob pena de se instalar a barbárie e o extermínio moral.

É preciso deixar que a verdade possa aparecer, não que se imponha sobre o Estado de Direito uma verdade encomendada.



ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, o Kakay, é advogado criminal.


NOTA DO BLOG:

O Orlandinho mão leve, deve está muito bem de vida para pagar o Kakay, um dos advogados mais caros do país.  O dinheiro vem de onde? A copa, vai assistir na TV.

ELIANE CANTANHÊDE - Quem será o próximo?


Quem será o próximo?
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 27/10/11

BRASÍLIA - Na manchete do UOL, Orlando Silva dizia que não ia pedir demissão coisa nenhuma. No Planalto, o ministro pau para toda obra Gilberto Carvalho anunciava simultaneamente que ele já era.

Foi assim, sob enorme constrangimento, que Orlando Silva finalmente caiu do Ministério do Esporte. Ele lutou o quanto pôde, expôs-se três vezes à humilhação no Congresso, julgou-se protegido por Dilma e respaldado pelo PC do B. Foi o último a jogar a toalha. Quando olhou em volta, estava sozinho.

Com a queda do sexto ministro no primeiro ano de governo, cinco deles herdados de Lula e cinco enrolados com denúncias de irregularidades, Dilma consegue, provavelmente, um recorde internacional. Fosse o regime parlamentarista, o gabinete inteiro já teria caído -talvez até ela própria, se primeira-ministra.

Vão-se os ministros, ficam os dedos dos partidos nos ministérios. Mas Dilma, é verdade, tenta acabar com os "feudos" e a tal "porteira fechada". Livrar-se dos "partidos aliados" ela não vai, menos ainda do PC do B, o verniz de esquerda que ainda resta. Mas deve -e pode- reduzir a margem de risco e de desvios.

É mais difícil haver desvios quando as indicações políticas são mescladas com as técnicas. E mais fácil se um partido toma conta da pasta inteira, fazendo caixa de campanha e se autoprotegendo.

A reforma ministerial vai se fazendo aos borbotões sem esperar janeiro de 2012, quando Dilma esperava, aí sim, fazer uma faxina na equipe herdada (ou imposta) por Lula e, enfim, montar o próprio governo. Até lá, porém, ainda há tempo suficiente para novos e suculentos escândalos, novas e constrangedoras quedas.

A pergunta que não quer calar em Brasília é: quem, e quando, será o próximo a entrar no foco e a cair sob denúncias? É sinal de que, no mínimo, Dilma errou a mão ao nomear boa parte da sua equipe (Ih! É melhor nem lembrar de Erenice Guerra...)

RICARDO MELO - Seis por meia dúzia?


Seis por meia dúzia?
RICARDO MELO
FOLHA DE SP 27/10/11

SÃO PAULO - A crise no Ministério do Esporte deve traçar os limites nos quais a presidente Dilma pretende se mover em seu governo. A vingar o nome de outro membro do PC do B para o cargo, teremos mais um exemplo da vigência do lema: mudar para deixar tudo como está.

Desde a gestão de Agnelo Queiroz, antes no PC do B e agora no PT, a pasta serviu de posto avançado para o aparelhamento de uma parte da Esplanada. É puro cinismo afirmar que tudo não passa de um raio em céu azul. As denúncias de instrumentalização de convênios são antigas e de conhecimento geral.

A liberdade administrativa conferida a esses supostos comunistas sempre foi a contrapartida ao apoio político-eleitoral assegurado pela legenda. Em público, chamam a isso de acordos de governabilidade, negociação política e coisas do gênero.

Na realpolitik, trata-se do bom, velho e tosco toma lá, dá cá, celebrizado pela saia justa entre a presidente e uma apresentadora de TV num programa dominical. Semelhante, de resto, ao que ocorre em todo governo assentado numa coalizão ampla e disforme, como a das sucessivas administrações do PT no plano federal.

Mas certas diferenças pesam na balança. Por circunstâncias próprias a uma organização como o PC do B, a identificação do ministério com a estrutura partidária chegou a um ponto de quase simbiose.

Há sempre o risco de queimar a língua, concordo. Dificilmente, porém, a roubalheira atual propiciará a descoberta de espertalhões que, individualmente, tenham enriquecido na mesma proporção e visibilidade verificadas em escândalos como o da privatização da telefonia ou do mensalão. No caso dos pretensos comunistas, cabe sobretudo ao aparelho a fatia mais gorda do butim.

Se quiser pôr ordem na casa, Dilma terá que abandonar o princípio de reserva de mercado e profissionalizar a gestão do Esporte. Certo, seria uma ruptura e tanto -por isso mesmo, com pouca chance de acontecer.

CLAUDIO HUMBERTO

“Vou solicitar a prisão desses bandidos”
ORLANDO SILVA, EX-MINISTRO DO ESPORTE, SOBRE OS QUE O ACUSAM DE RECEBER PROPINA

TCU INVESTIGA ONG DO PROTESTO DAS VASSOURAS 
A ONG Viva Rio, que há dias fincou vassouras diante do Congresso para “protestar contra a corrupção”, é citada no Tribunal de Contas da União em pelo menos 14 processos sobre a aplicação de recursos federais. Em um dos casos mais significativos, a ONG obteve verbas públicas para assistir a 50.248 crianças em um programa do Ministério do Esporte, mas auditores do TCU só encontraram 34 mil cadastradas.

LUPA OLÍMPICA 
O processo 7.261/1997-7 cita irregularidades encontradas em convênio da Viva Rio nos projetos Rio Olímpico e com o Comitê Paraolímpico.

NÃO ATENDEU 
Investigada também pelo pagamento de serviços que não teriam sido realizados, a Viva Rio não atendeu aos telefonemas da coluna.

NOS BRAÇOS DE LULA 
Estudante profissional que trocou a faculdade de Direito pela UNE, Orlando Silva tem vaga garantida de assessor no Instituto Cidadania.

TORCIDA 
O PMDB torce pela nomeação de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para livrar Henrique Alves (RN) de um forte rival para a presidência da Câmara.

ACUSADOR DE AGNELO RESPONDE POR ESTELIONATO 
O Ministério Público não deu credibilidade às acusações de Michael Alexandre Vieira da Silva contra o governador do DF, Agnelo Queiroz, que não figura como acusado no processo que agora está no Supremo. É apenas citado. A folha corrida de Michael inclui ameaça, estelionato e receptação. Segundo o PT-DF, Giancarlos Zullani, delegado da Polícia Civil que ouviu Michael, seria cunhado do advogado acusado de tentar pagar um homem para fazer falsa acusação a Agnelo na campanha.

ARTISTA 
Michael Vieira da Silva foi estrela do programa eleitoral de Weslian Roriz (PSC), rival de Agnelo Queiroz durante a campanha de 2010.

BATOM NA CUECA 
Gravado em vídeo tentando subornar uma testemunha contra Agnelo, advogado se defendeu no programa eleitoral de Weslian Roriz.

BRIGA DE FOICE 
Orlando Silva escreveu ontem, no Twitter, ser vítima de “luta de classes”. “Classe” de PM 
delator contra a “classe” de autoridade sob suspeita?

‘MÁFIA’ GANHA OUTRA... 
São mesmo influentes no governo tucano de São Paulo empresas da célebre “Máfia da Mooca”. Na licitação do Fundo de Desenvolvimento da Educação, concorrentes foram desclassificadas por razões risíveis e a Capricórnio S/A ganhou dois contratos lotéricos, 
de R$ 43,2 milhões.

...E AUMENTA PREÇO 
As 5,7 milhões mochilas escolares vendidas pela Capricórnio S/A ao governo de São Paulo sairão até 73% mais caras que as similares vendidas pelo mesmo grupo em licitação datada de 2008. Sem motivo.

MUI AMIGO 
Sugestão de Geddel Vieira Lima para Dilma testar o apoio das massas a Orlando Silva antes da sua demissão: enviá-lo a um estádio, em jogo do Brasileirão, neste domingo, e o alto-falante anunciar sua presença.

SAGA COMUNISTA 
Cotada para o lugar de Orlando Silva, a deputada e ex-prefeita de Olinda, Luciana Santos (PCdoB-PE), obteve liminar contra o bloqueio de bens por suposta fraude de 
R$ 7 milhões na iluminação pública da cidade. O TCU também recomendou ajustes no programa Pró-Jovem. 

FELIZ TRAVESSIA 
Após a ponte do Rio Negro em Manaus, ao custo de R$1 bilhão, o Amazonas poderá ter a ponte do Solimões, que custaria mais que o dobro, pela “complexidade da obra”, para interligar o interior à BR-319.

PAU QUE DÁ EM CHICO... 
Dá nisso imitar o governador Sergio Cabral: o prefeito de Quissamã (RJ), Armando Carneiro (PSC), a mulher e dois secretários foram condenados na Justiça a devolver quase R$ 54 mil per capita em razão de viagem a Paris por conta do contribuinte otário, em 2008.

GOVERNO IMPREVIDENTE 
Primeiro aumentou imposto sobre cartões de crédito no exterior, surpreendendo milhares de pessoas no meio da viagem. Depois, veio o atabalhoado aumento de IPI, protegendo carroças 
produzidas no Brasil.

PLANEJAMENTO ZERO 
O Ministério do Planejamento não conseguiu planejar nem mesmo a mudança do feriado do Dia do Servidor, amanhã (28), para 14 de novembro, a apenas três dias do ex-futuro-quase-feriado.

PENSANDO BEM... 
Dilma vai trocar seis ministros por meia dúzia. 

PODER SEM PUDOR
CORRE, SUPLICY, CORRE 
O País fervilhava com as denúncias de roubalheira do Mensalão, no primeiro governo Lula, mas, alheio à confusão, o senador abilolado Eduardo Suplicy (PT-SP) se dirigia à TV Globo, em São Paulo, onde participaria do Mais Você. Mas se viu preso no trânsito. Preocupado com a hora, porque o programa de Ana Maria Braga é ao vivo, Suplicy saiu do carro e foi correndo até a emissora. Um petista correndo no meio da rua, naqueles tempos de Mensalão? O senador Forrest Gump fez o percurso ouvindo gracejos:
– Está correndo de quem?
– Pega!

QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: Cartão vermelho - Orlando sai, mas PCdoB fica


- Folha: Sob suspeita, ministro do Esporte deixa o governo


- Estadão: Cai o 6º ministro de Dilma; interino assume Esporte


- Correio: Fora do jogo


- Valor: Câmbio faz rentabilidade da exportação crescer 15%


- Estado de Minas: Fora do jogo


- Jornal do Commercio: Enem vaza novamente


- Zero Hora: Sucessão de crises na gestão Dilma abate um ministro a cada 50 dias