segunda-feira, setembro 19, 2011

GEORGE VIDOR - Briga fratricida



Briga fratricida
GEORGE VIDOR
O GLOBO - 19/09/11
A riqueza do petróleo é muitas vezes associada a uma maldição, e é o que pode ocorrer no Brasil com a disputa fratricida entre os entes federativos em torno dos royalties resultantes da produção de óleo e gás no mar. Estados e municípios que dependem quase integralmente de repasses federais veem nessa redivisão a possibilidade de ganhar na Mega-Sena sem apostar um centavo.
Os royalties são uma compensação financeira pelos ônus que pesam sobre as regiões que compõem a retaguarda dos campos de petróleo no mar. Trata-se então de um bônus que compensa o ônus.
Não faz então sentido algum que Macaé, município fluminense, e a capital capixaba, Vitória, venham a receber menos royalties do petróleo que o estado do Acre, por mais que os acreanos mereçam, de todos nós, brasileiros, apoio, solidariedade e compreensão para que usufruam de razoável qualidade de vida em sua terra natal. Mesmo porque a região de Macaé (que engloba Rio das Ostras, Cabo Frio) foi uma das que mais atraíram pessoas nos últimos anos no país, concentrando uma população que supera a do Acre, e por isso, se depara com sérios problemas de infraestrutura. Macaé certamente não ostenta índices econômico-sociais escandinavos; até recentemente esses indicadores, na verdade, estavam mais próximos aos do Nordeste.
O pior dessa maldição é que ela pode criar um impasse jurídico que acabará paralisando a indústria do petróleo justamente onde ela é mais promissora, a camada do pré-sal situada no litoral que vai de Santa Catarina ao Espírito Santo. É como matar a galinha dos ovos de ouro.
A União poderia comprometer, perfeitamente, com investimentos em estados e municípios não produtores, a totalidade dos royalties que recebe do óleo e gás extraídos do fundo do mar, buscando pôr um fim nessa disputa irracional.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu as taxas básicas de juros em 0,5 ponto percentual contrariou a opinião de consagrados economistas e porta-vozes da área financeira, e com isso trouxe de volta à tona a discussão sobre o tema.
A maior carga dos juros altos recai sobre o Tesouro Nacional, os consumidores de classe média média (CC) e média baixa (CD), além de empresas de pequeno e médio porte que precisam de capital de giro para seu dia a dia. Grandes investidores, produtores rurais e o setor de construção civil ainda podem se socorrer em linhas de financiamento com juros favorecidos (mesmo assim, com taxas não tão baixas), mas esses valores se restringem a um quinto ou a um quarto do total do crédito.
Ainda no governo anterior, o Banco Central vinha dedicando mais atenção a essa questão, concluindo, com base teórica e prática, que a economia brasileira, estruturalmente, já poderia caminhar para taxas de juros de equilíbrio mais baixos. É claro que isso pressupõe uma política fiscal que leve a uma gradual redução do déficit público, trajetória que foi interrompida em 2010 por influência do calendário eleitoral.
A queda das taxas de juros no Brasil depende de uma conjugação de iniciativas de política econômica, mas não se pode esperar sentado que elas caiam por gravidade.
A Prudential, que é uma das maiores seguradoras americanas, já é a segunda colocada no mercado brasileiro de seguros de vida individuais, perdendo, no ramo, apenas para a do Bradesco (em Minas, assumiu o primeiro lugar). O seguro de vida só voltou a ter alguma importância no Brasil depois do lançamento do real. A inflação alucinada impedia que os brasileiros engenhassem qualquer planejamento financeiro pessoal.
O seguro de vida é um investimento comum em economias mais desenvolvidas. Porém, os que mais precisam desse mecanismo de proteção são os que têm menos renda, pois o seguro é a maneira prática de se assegurar rendimentos substitutos e patrimônio financeiro razoável no caso de morte ou invalidez permanente de quem mais contribui para o sustento do casal, dos filhos ou dos netos.
O seguro de vida começou a se sofisticar no Brasil, com produtos voltados para a educação dos filhos ou para a manutenção, pelos beneficiários, de um determinado padrão de consumo. Diferentemente do seguro em grupo, cujas condições são genéricas, o individual precisa se encaixar no perfil de cada cliente, o que exige um esforço de venda muito especializado. Foi nesse nicho que a Prudential apostou e tem obtido um bom resultado. Hoje a alta direção da seguradora é composta por brasileiros, a começar pelo próprio presidente, Flávio Lins de Castro.
O mercado para executivos de alta gerência continua bem movimentado no Brasil, só que com algumas mudanças. Até 2009, a procura era maior por especialistas nas áreas financeira e jurídica (ou seja, para dentro das empresas) e agora está mais voltada para vendas, distribuição e mesmo a presidência, de olho no que acontece fora das companhias, relata Cynthia Rejowski, diretora da Hays, grupo britânico que atua no recrutamento de executivos. A Hays abriu quatro escritórios no Brasil: o do Rio cuida também das regiões Norte e Nordeste. Uma das tarefas de Alexia Franco, santista radicada há 11 anos no Rio, é prestar consultoria para o BG Group, sócio na Petrobras em vários campos do pré-sal, e que montará no parque tecnológico da Ilha do Fundão um dos seus maiores centros mundiais de pesquisa.
Curiosidade detectada pelos estudos da Hays: o mercado brasileiro começa a ficar bem mais atento a profissionais com longa quilometragem (no setor de energia, por exemplo). E a razão é a mudança no perfil demográfico. Em 2030, 19,7% das pessoas em condições de trabalhar no Brasil terão mais de 65 anos.

CARLOS ALBERTO DI FRANCO - Faxina verde-amarela


Faxina verde-amarela
CARLOS ALBERTO DI FRANCO 
O Estado de S.Paulo - 19/09/11

Quarta-feira, 7 de setembro de 2011. Não foi mais uma festa da Independência, com desfile, continência e homenagem às autoridades da República. Foi diferente. Assistiu-se ao primeiro lance de um movimento de cidadania que tem tudo para mudar a cara do Brasil.

Convocadas pelas redes sociais, manifestações contra a corrupção atraíram pelo menos 30 mil pessoas em várias cidades do País, como Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O maior ato foi em Brasília, onde a Marcha Contra a Corrupção reuniu na Esplanada dos Ministérios cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, durante o desfile em comemoração do Dia da Pátria. Os manifestantes apareceram com faixas, cartazes, vassouras representando a faxina na política, nariz de palhaço e roupa preta.

Entre os alvos do protesto, o Congresso Nacional, criticado pela vexatória absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo propina. O movimento cobrou punição dos envolvidos no mensalão do PT, aquele que o ex-presidente Lula diz que nunca existiu. A passeata ocorreu uma semana após o congresso nacional do PT deixar claro que não apoia nenhum tipo de faxina anticorrupção no governo e considerar que esses movimentos são parte de uma "conspiração midiática" e uma forma de promover a "criminalização generalizada" da base aliada ao Planalto. Mas os manifestantes deixaram claro que não admitem a interrupção da faxina em nome da governabilidade. O poderoso PMDB e os outros partidos da base aliada sentiram a mordida da cidadania. O jogo começou e ninguém conseguirá parar no apito ou ganhar no tapetão.

Jovens, muitos jovens, exigiram a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa - que depende de julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). As faixas tinham frases fortes e bem-humoradas. Havia dizeres como: "País rico é país sem corrupção" (referência ao slogan do governo federal "País rico é país sem miséria"). O povo, mais perspicaz do que se pensa, sabe que a dinheirama da corrupção está na raiz da pobreza dos brasileiros. Verbas públicas, desviadas da saúde, da educação, da agricultura, engordam as contas dos parasitas da República e emagrecem a vida e a esperança dos brasileiros.

Um grupo de estudantes se destacou no meio da multidão com baldes e vassouras para completar a "faxina" anticorrupção do governo Dilma. Os jovens foram "limpar" o Ministério da Agricultura, pasta envolvida no escândalo de corrupção que culminou na queda do ministro Wagner Rossi. "Vamos tentar ir além, já que parece que ela (Dilma) não está muito a fim de continuar com o serviço", disse o estudante Arthur Alves, de 20 anos. Sobrou para todo mundo. "Contra Sarney e sua gangue", "Menos ratos e mais ratoeiras", "Não precisa de CPMF, basta não roubar". O pessoal lavou a alma.

Depois dos protestos realizados no Dia da Independência, os jovens prometem mais. O Rio de Janeiro já prepara um grande evento no próximo dia 20, a partir das 17 horas, na Cinelândia. O protesto, organizado pelo movimento Todos Juntos Contra a Corrupção, criado em agosto deste ano nas redes sociais, também será realizado, simultaneamente, em São Paulo, Campo Grande, Recife e Manaus, entre outras capitais. Depois vem aí outra importante rodada de manifestações, marcada para 12 de outubro. Sobram motivos para acreditar que será maior e mais capilar.

Evoco, amigo leitor, um episódio de 2006, ano em que o mensalão do PT parecia que podia terminar em punição. Acabou em pizza. Infelizmente. Agora, o STF pode reverter o quadro. Depois de uma conversa com estudantes em São Paulo, fui abordado por um universitário. Leitor voraz, inteligente e apaixonado, seus olhos emitiam um sinal de desalento. "Deixei de ler jornais", disse de supetão. "Não adianta o trabalho da imprensa", prosseguiu meu jovem interlocutor. "A impunidade venceu."

Confesso, caro leitor, que meu otimismo natural estremeceu. Não se tratava do comentário de alguém situado no lusco-fusco da existência. Não. Era o diagnóstico de quem estava nascendo para a vida. Por uns momentos, talvez excessivamente longos, uma pesada cortina toldou o meu espírito. Acabei reagindo, pois acredito na imensa capacidade humana de reconstruir a ordem social. E o Brasil, não obstante os reiterados esforços de implosão da verdade (a mentira e o cinismo tomaram conta da vida pública) e de recorrentes tentativas de cerceamento da liberdade de imprensa e de expressão, ainda conserva importantes reservas éticas. Escrevi, então, aos homens de bem. Eles existiam e existem. E são mais numerosos do que podem imaginar os voluptuosos detentores do poder.

Escrevi aos políticos que ainda acreditam que a razão de ser do seu mandato é um genuíno serviço à sociedade. Escrevi aos magistrados, aos membros do Ministério Público, aos policiais, aos servidores do Estado. Escrevi aos educadores, aos estudantes, às instituições representativas dos diversos setores da sociedade. Escrevi aos meus colegas da mídia, depositários da esperança de uma sociedade traída por suas autoridades. Escrevi aos pais de família. Escrevi, enfim, ao meu jovem interlocutor. Queria justificar as razões do meu otimismo.

Faço-o agora, passados exatos cinco anos. O Brasil está, de fato, passando por uma profunda crise ética. A corrupção, infelizmente, sempre existirá. Ela é a confirmação cotidiana da existência do pecado original. Mas uma coisa é a miséria do homem; outra, totalmente diferente, é a indústria da corrupção. Esta, sem dúvida, deve e pode ser combatida com os instrumentos de uma sociedade democrática. Vislumbro nas passeatas da faxina verde-amarela um reencontro do Brasil com a dignidade e a esperança.

FÁBIO GALLO - Para adquirir ações na oferta pública é preciso ler o prospecto da empresa


Para adquirir ações na oferta pública é preciso ler o prospecto da empresa
FÁBIO GALLO 
O Estado de S.Paulo - 19/09/11

Quando há uma oferta pública de ações, existem as "pessoas vinculadas" e as "não vinculadas". O que isso quer dizer?

Pessoa vinculada é o investidor que pode ter prioridade de alocação de suas ofertas de compra em relação aos outros investidores (que são os não vinculados). Usualmente, são consideradas vinculados os controladores, administradores da empresa emissora e das instituições financeiras intermediárias participantes, os funcionários dessas instituições, bem como os cônjuges ou companheiros, ascendentes, descendentes e colaterais até o 2.º grau destas pessoas. Para nosso leitor entender melhor, a oferta pública de ações (OPA) é a forma das empresas de capital aberto ofertarem seus papéis para todo o mercado. A empresa anuncia a sua intenção de vender determinada quantia de ações e estabelece um período de reserva para que os interessados manifestem as suas ofertas de compra. Ao final do período de reserva, a bolsa e as instituições contratadas pela empresa emissora dividem a quantidade total de ações ofertada entre os investidores que registraram o interesse de modo a atender a todos de maneira igualitária. Este processo de apuração do preço final é conhecido no mercado como "bookbuilding". A forma como as ações ofertadas serão divididas entre os investidores interessados pode variar. (A empresa pode definir que as pessoas vinculadas tenham prioridade de alocação, por exemplo). Uma dica importante é que todo interessado em uma OPA leia atentamente o prospecto de emissão - porque lá contém todas as informações importantes a respeito da empresa e das ações ofertadas, tipos e condições de rateio.

Neste ano, apliquei R$ 500 mil em NTN-Bs com vencimento em 2015 e com juros de 6,55% ao ano. Minhas dúvidas são as seguintes: em que aplicar os juros que cairão em minha conta? Posso aplicar em DI, mas tem o come cotas. Se a Bolsa estiver favorável, posso aplicar em ações das elétricas, as minhas favoritas por causa dos dividendos; também pensei em daqui dois anos, pedir o resgate da metade e reinvestir em NTN-B principal, justamente por causa dos juros. O que acha?

A decisão de em qual título aplicar depende do objetivo estabelecido para a sua carteira. O leitor já tem uma boa poupança e, com o estabelecimento claro do objetivo para seus investimentos, poderá dizer qual o grau de risco que pode correr e assim determinar quais os ativos mais indicados para compor sua carteira. A aplicação na NTN-B tem bom rendimento (6,55% ao ano) e corrige a inflação pelo IPCA. A melhor destinação dos juros recebidos periodicamente depende do objetivo traçado, mas em uma primeira abordagem, caso não haja necessidade de liquidez imediata, esses recursos poderiam ser destinados para a compra de novos títulos públicos, devido a seus baixos custos e bons rendimentos. Aplicá-los em fundos DI pode ser uma opção se os objetivos do investimento forem mais de curto prazo, mesmo com existência do come cotas. O investimento em bolsa, obviamente, também é uma opção, mas o recomendável é que ocorra dentro da estratégia de diversificação de sua carteira e com participação de no máximo de 20% a 30% de suas aplicações. A NTN-B principal é aquele título que os juros são acumulados e pagos somente no vencimento juntamente com o valor de resgate, a transferência, daqui a dois anos, dos recursos do título possuído atualmente dependerá no nível da taxa de juros na época. Uma estratégia possível é usar os juros recebidos periodicamente do título atual e comprar NTN-B principal.

Considero-me um investidor conservador, mas, apesar disso, caí no conto daquelas empresas de engorda de gado - no meu caso a empresa Gallus. Já tive um advogado que começou um processo com um grupo de prejudicados, mas perdemos contato. O que eu poderia fazer para tentar recuperar meu investimento de cerca de R$ 60 mil?

Infelizmente o seu investimento é um título podre. A empresa Gallus foi à falência por falcatruas e por não ter a propriedade dos ativos que declarava possuir. A chance de recuperar esse valor é muito pequena e a orientação é buscar juntar-se a outros investidores lesados e dividir os custos advocatícios. Na década de 90 surgiram diversas ofertas de investimento desse tipo. Trata-se de adesão a contrato de investimento coletivo para engorda de animais - prometiam rentabilidade de 30% a 40% em um ano. Muitas pessoas, inclusive famosos, aderiram graças à massiva propaganda com cantores e astros de TV. Eram verdadeiras correntes da felicidade ou pirâmides, onde os contratos vencidos eram pagos com o dinheiro de quem acabava de entrar.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

GOSTOSA


MARIA INÊS DOLCI - "Etanagem" automotiva

"Etanagem" automotiva
MARIA INÊS DOLCI
folha de sp - 19/09/11

A atitude do governo, de só agir após a crise, revela que falta energia para resolver o problema do etanol no país

Novamente, sai mais em conta abastecer os automóveis com gasolina. É uma velha história, que se repete sem a mínima graça.

Está na história do Brasil. Milhões de consumidores acreditaram no Proálcool, programa criado pelo governo federal em 1975, em meio à crise do petróleo. À medida que os preços do barril de petróleo desabaram e a cotação internacional do açúcar subiu reduziu-se a produção de etanol  .

Há alguns anos, surgiram no país os motores bicombustíveis, que funcionam com gasolina e/ou com etanol . Foi um grande impulso para o consumo de etanol , que passou a ser adicionado à gasolina para reduzir a emissão de poluentes no trânsito brasileiro.

Agora, com o crescimento das vendas de veículos flex e da demanda de açúcar, o etanol  , cujo litro chegou a custar menos de R$ 1, superou a marca de R$ 2.

Sem um planejamento estratégico nem um programa que priorizasse o biocombustível nacional, não houve incremento da produção para suprir todo o consumo.

Antes, elevações de preços ocorriam na entressafra, mas na safra havia uma queda expressiva de preços nas bombas. Nos últimos meses, o produto fica mais caro, independentemente do período do ano.

Ora, não é possível participar de um jogo no qual as regras sejam instáveis. Ainda mais quando o governo só se move após a crise.

Uma das medidas será reduzir de 25% para 20%, a partir de 1º de outubro, o percentual de etanol   misturado à gasolina.

O governo prometeu, também, financiamento de estocagem, do plantio de cana, abertura de novas usinas e maior aproveitamento da capacidade de moagem.

Até recentemente, o etanol  era tratado como produto agrícola, fora da alçada de fiscalização e de regulação da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Há necessidade, contudo, de uma ação mais incisiva das autoridades. Seria urgente, por exemplo, que a Petrobras Biocombustível ampliasse sua participação na oferta de álcool, por meio de usinas próprias.

Até porque a instabilidade no mercado interno também ameaça as chances de esse combustível verde ser uma opção para mercados automotivos de outros países. Mas como confiar em um produto que escasseia na própria origem?

Espero, sinceramente, que o pouco caso com os proprietários de carros flex ou a etanol  não decorra das perspectivas de ampliação da produção de petróleo com a exploração do pré-sal. Seria uma falta de visão de longo prazo.

Deixar um combustível limpo, testado e aprovado, porque descobrimos novos poços de petróleo, seria um retrocesso imediatista. Não se desenvolve a indústria alcooleira com avanços e recuos.

O mundo precisa de energia limpa, renovável, que não polua direta ou indiretamente. Nós sabemos e podemos fazê-lo, mas para isso teremos de agir sempre com mais seriedade e compromisso com os consumidores brasileiros.

Em algum momento, nas próximas décadas, não haverá petróleo suficiente para toda a demanda mundial. A cana-de-açúcar é plantada e colhida anualmente, o que projeta um longo período de produção de etanol  .

Caso contrário, teremos uma sequência como nos filmes de ação: "Proálcool 2 - O Fim do Sonho" ou "De Volta à Gasolina".

A propósito, é uma vergonha que o Brasil esteja importando etanol  dos Estados Unidos devido à impossibilidade de atender à demanda interna.

Não adianta alegar problemas climáticos e falta de crédito. Ambos afetam todo o segmento de agribusiness. Perdemos o bonde no segmento sucroalcooleiro porque ninguém usou a calculadora para projetar consumo versus aumento das vendas de automóveis no país. Foi isso que aconteceu.

É mais um caso exemplar de incompetência pública e privada, com a conta espetada no bolso dos brasileiros, como tem acontecido sempre.

Aqui, não é a história que se repete como farsa. Com perdão do trocadilho, falta energia para resolver o problema doetanol . 

FABIO GIAMBIAGI - O programa mais ineficiente do mundo



O programa mais ineficiente do mundo
FABIO GIAMBIAGI
O GLOBO - 19/09/11

Começa a ser discutido no Congresso o Orçamento de 2012. Causa certa perplexidade que, em um Governo que procura ter na eficiência de gestão a sua marca, a imprensa não coloque os holofotes sobre a política de aumentos do salário-mínimo. A trajetória deste para o período 2012/2015 já está dada, mas é preciso que o país inicie uma discussão séria sobre o tema, para que em 2015 existam condições de aprovar uma regra que faça mais sentido do que a atual.
Por que o salário-mínimo é tão importante no Brasil? Não é difícil de entender. Para quem ganha um salário-mínimo, o interesse no assunto é óbvio. Para aqueles que ganham menos, os aumentos do mínimo são vistos como uma manifestação das autoridades de comprometimento com os mais pobres, de modo que, mesmo não sendo eles beneficiados pela política, um sentimento de classe torna-os solidários com a causa. E, para quem ganha mais, como o Brasil tem na má distribuição de renda uma chaga, a política de valorização do mínimo é vista como uma forma de beneficiar os mais pobres e atenuar os problemas sociais do país.
Levantar objeções contra os aumentos do salário-mínimo tem sido visto no Brasil como demonstração de insensibilidade. Albert Einstein já tinha notado que "é mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito de uma pessoa". Vamos aos números, porém. Convido o leitor a acompanhar os seguintes dados:
a) No universo de pessoas que recebem salário-mínimo no Brasil, aproximadamente 3/5 recebem o piso previdenciário ou assistencial;
b) No grupo de pessoas que recebem salário-mínimo como renda do trabalho, apenas 2% podem ser considerados extremamente pobres, com base no conceito de linha de extrema pobreza obtido a partir de linhas de pobreza regionais, e apenas 1% do grupo de pessoas com benefícios previdenciários (INSS) ou assistenciais (LOAS) pode ser considerado extremamente pobre;
c) Apenas 1% dos aposentados e pensionistas com rendimento exatamente igual a um salário-mínimo se encontra entre os 10% mais pobres do país;
d) O Brasil ainda tem 9% de pessoas consideradas extremamente pobres, a grande maioria das quais não afetadas pela política do mínimo;
e) 65% dos aposentados e pensionistas que recebem remuneração de um salário-mínimo pertencem ao grupo de pessoas que se encontram na metade superior da distribuição de renda;
f) No Nordeste - lugar que naturalmente vem à memória quando se pensa em uma região muito pobre no Brasil -, quem ganha salário-mínimo se encontra no sexto décimo da distribuição de renda, ou seja na escala 6 de 1 a 10, onde 1 é o grupo mais pobre;
g) A despesa com benefícios previdenciários e assistenciais de 1 salário-mínimo, que era de 1,4 % do PIB em 1997, alcançou 3,3% em 2010; e
h) Enquanto isso, o investimento do Governo federal, que em meados dos anos 70 era de 1,5 % a 2% do PIB, foi de 1% do PIB nos últimos quatro anos, revelando um Brasil com estradas ruins, precariedade do sistema elétrico, obras atrasadas para a Copa do Mundo e, principalmente, com um saneamento precário em muitas regiões do país.
Não estou com isto querendo dizer que o salário-mínimo é recebido pelos ricos, evidentemente. O que é importante esclarecer é que, se o objetivo da política de valorização do mínimo é chegar aos mais pobres do país, ele há muito não vem sendo atingido. Há aproximadamente 25 milhões de pessoas que recebem o mínimo no país. Não é necessário ser um craque em política para perceber a importância do assunto. Porém, é preciso que as coisas fiquem claras. Se o que se quer é melhorar a situação dessas pessoas - que, em sua imensa maioria, não pertencem ao grupo de pessoas mais pobres do país - e, como efeito colateral disso, conquistar esses eleitores, trata-se de um alvo compreensível e inteiramente legítimo. Se, porém, a prioridade nacional é combater o fato inaceitável de um país com o nível de renda média do Brasil ter quase 10 % da população composta de miseráveis, não nos enganemos: o efeito do aumento do mínimo sobre a redução da miséria é praticamente insignificante. Nesse sentido, à luz desse pretenso objetivo, infelizmente a política de valorização do mínimo com vinculação do piso previdenciário é o programa social mais ineficiente do mundo: gastam-se rios de dinheiro, com um efeito social ínfimo sobre os setores mais miseráveis da população.
FABIO GIAMBIAGI é economista.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


 Operadora faz mudanças em todos os países em que atua
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 19/09/11

A Nextel adota a partir de hoje uma novo visual em todos os países em que opera.
O anúncio das mudanças, que incluem logo, slogan e design gráfico, será feito hoje pela NIIHoldings, provedora americana de comunicação móvel, presente em cinco países latino-americanos.
"É um passo importante, muito mais do que uma mudança de marca. Visa a impactar novos consumidores, unificar a marca em todos os mercados e apoiar a estratégia de negócio da empresa", diz Sérgio Chaia, presidente da Nextel Brasil.
A empresa planeja triplicar seus assinantes até 2017, com a entrada da empresa na terceira geração (3G) de telefonia móvel, prevista para o segundo semestre de 2012.
"Vamos investir nos próximos cinco anos R$ 5,5 bilhões, podendo chegar a R$ 7 bilhões, mais do que foi investido nos últimos 18 anos."
Durante o último fim de semana, placas, embalagens e pontos de venda, em SP, Rio, Buenos Aires, Lima, Cidade do México e Santiago foram transformados e passam a levar a marca escrita em caixa baixa e na cor laranja.
"Mais leve, mais simples", observa Chaia. Sai o slogan "Bem-vindo ao Clube", diferente do mexicano "falamos de negócios", e entra "seu mundo. agora".
Até o final de 2012, todos os mercados adotarão as novidades, que demandaram um ano e meio de preparo.
"Refletem mais o foco em conectar clientes e o mundo, não só no trabalho. Vamos passar de 386 cidades para 1.400, com cobertura para quase todo o país em 2013", acrescenta Chaia.

EMPRESARIADO DE PESO
Mais da metade dos executivos do sexo masculino do Rio de Janeiro estão acima do peso, de acordo com levantamento do Vita Check-up, clínica especializada em medicina preventiva.
Entre os empresários, 48,8% estão com sobrepeso e outros 16,6%, obesos.
A maioria das mulheres, por sua vez, não tem o mesmo problema: 70,3% estão com o peso normal, segundo a pesquisa.
Os homens, porém, costumam fazer mais exercícios físicos que as mulheres.
Entre os entrevistados do sexo masculino, apenas 45,7% disseram ser sedentários. O número é de 52,5% entre as mulheres.
O levantamento ouviu cerca de 7.000 executivos do Rio de Janeiro.
A média de idade dos entrevistados foi de 44 anos.

BB reúne em área a atuação em programas do governo
O Banco do Brasil vai centralizar na área de crédito a atuação em programas sociais do governo federal. São três: financiamento estudantil pelo Fies, microcrédito e crédito imobiliário, segundo Paulo Caffarelli, vice-presidente de Negócios de Varejo.
A partir do ano que vem, a instituição passará a oferecer financiamento para a faixa um (até R$ 1.600) do Minha Casa Minha Vida.
A carteira de crédito imobiliário do BB atingiu R$ 6 bilhões, na semana passada, em negócios feitos com pessoas físicas (80%) e jurídicas (20%). O incremento na modalidade foi de 125% em 12 meses. O banco ocupa o quinto lugar nesse mercado, atrás de Caixa, Itaú, Santander e Bradesco.
Caffarelli destaca as vantagens do BB ante os concorrentes no segmento.
"Bancos privados têm dado crédito com o estoque de poupança e o nosso é maior, por termos entrado há apenas dois anos e meio no crédito imobiliário. Temos ainda mais de R$ 6 bilhões em 'funding' de poupança", diz.
"Além disso, a demanda por esse crédito vem sendo superior à captação da poupança", acrescenta ele.

MUDANÇA DE RUMO
A queda da Selic mostrou que "o modelo em que o BC segurava a inflação enquanto o fiscal fingia que era ajustado deu lugar a um BC que desconsidera riscos inflacionários", segundo Sérgio Vale, da MB Associados.
Nas estimativas dos gastos reais do governo em 2012, a consultoria projeta alta de 6,3%. "É um comportamento semelhante ao de 2008, com queda de juros e volta do crescimento de gastos", diz.
"Estamos repetindo a estratégia de 2008, mas sem crise de crédito", observa. "Com crise mais aguda agora ou não, o caminho que o governo escolheu é o de mais inflação. Com crise, a inflação demoraria um pouco mais para se reacelerar", conclui.

Queda... O cancelamento de protestos em São Paulo subiu 7,2% em agosto deste ano, em relação ao mês anterior. Foram cancelados 25.496 títulos, ante 23.790 em julho.

...na inadimplência Em agosto, foram protestados 62.836 títulos, segundo pesquisa do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos da seção SP, realizada com os dez tabeliães de protesto da capital.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA



Aqui mando eu
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 19/09/11

O atraso no envio da Lei Geral da Copa, que chega hoje ao Congresso, deveu-se em boa medida à determinação, feita por Dilma Rousseff à Casa Civil, de que os preceitos dos estatutos vigentes no país não sucumbissem diante das exigências da Fifa, já detalhadas nas 570 páginas do Caderno de Encargos.
O Planalto quis evitar, na redação do texto, transmitir a ideia de risco ao ordenamento jurídico para satisfazer a entidade máxima do futebol. Em privado, a presidente evoca positivamente a experiência da alemã Angela Merkel, que teria sido mais dura do que os sul-africanos nas tratativas com o comitê organizador.

Onde pega A meia-entrada para pessoas com mais de 60 anos e a reserva de acomodações especiais para este público, previstas no Estatuto do Idoso, preocupam Dilma. Em questões como o percentual de assentos destinados a deficientes, há contradição entre o que pretende a Fifa e os códigos do país.

Gatilho Quem acompanha a novela de perto afirma: só mesmo se quiser arruinar de vez suas relações com Dilma o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, leva Henrique Meirelles para o projeto Copa. O ex-presidente do BC está, por enquanto, à frente do conselho da APO (Autoridade Pública Olímpica).

Vai ficando 1 Cerca de três meses depois de o escândalo no Ministério dos Transportes ter derrubado José Francisco das Neves do comando da Valec, a estatal ferroviária continua a ser tocada em caráter interino por Antonio Felipe Sanchez da Costa, ex-diretor administrativo.

Vai ficando 2 A demora de Dilma em encontrar uma solução definitiva para esse posto faz a alegria de José Sarney (PMDB-AP). Quem conhece a rotina da Valec explica: apesar da presença formal do interino, a estatal está de fato nas mãos de Luiz Carlos Oliveira Machado, diretor de Engenharia indicado pelo presidente do Senado.

Escorregadio A Comissão de Transportes da Assembleia vai convocar representantes da Ecovias e da agência reguladora do setor para explicar supostas falhas no socorro às vítimas e a demora na remoção dos veículos envolvidos no engavetamento que matou uma pessoa e feriu 51 quinta-feira passada no sistema Anchieta-Imigrantes. O pedido é do tucano Orlando Morando, que tem base eleitoral no ABC.

Para entender Mentor do projeto que retira do gabinete do secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança) a Corregedoria da Polícia Civil, Campos Machado (PTB) sabe que o texto será derrotado, mas irá até o fim com a votação, ora suspensa na Assembleia, para cumprir seu compromisso com os delegados, base que lhe é fiel. A matéria voltará à pauta em outubro.

Veja bem O presidente do PSDB paulista, Pedro Tobias, afirma que, a despeito de reconhecer méritos e atributos no secretário Bruno Covas (Meio Ambiente), é defensor das prévias para a escolha do candidato tucano à prefeitura da capital.

Calendário 1 Na regulamentação da consulta interna, a direção estadual do PSDB promoverá ajustes em resolução baixada neste ano, que definiu 31 de março de 2012 como data-limite para a realização da prévia. Agora, será eliminada a menção a 1º de janeiro como marco inicial do processo.

Calendário 2 A providência atende a reivindicação de três dos quatro postulantes à vaga, que entendem ser mais adequado definir o candidato ainda em 2011.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Só mesmo o repasse de R$ 3 bi federais a obras viárias em São Paulo é capaz de levar Geraldo Alckmin a convidar representantes do PT para a assinatura do contrato".
DO LÍDER DA BANCADA PETISTA NA ASSEMBLEIA, ENIO TATTO, demonstrando o desconforto da seção paulista do partido com a temporada de troca de gentilezas entre o governador tucano e a presidente Dilma Rousseff.

contraponto

Perguntar não ofende


Na CCJ do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) insistia para que fosse encerrada a votação de todos os projetos de reforma política ali em debate. Após darem cabo de vários temas polêmicos, os parlamentares se viram diante de um novo texto, cujo conteúdo lhes pareceu confuso. Antonio Carlos Valadares (PSB-PE) pediu vistas.
-Vistas concedidas. E assim não vamos terminar a reforma política hoje!- protestou Eunício.
Valadares retrucou:
-Mas que reforma política foi feita nesta Casa?

MELCHIADES FILHO - Tudo sobre minha mãe


Tudo sobre minha mãe
MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SP - 19:09:11

BRASÍLIA - Eduardo Campos (PSB) foi reeleito no primeiro turno com 83% dos votos, um dos resultados mais espetaculares de 2010.

Faz uma gestão bem avaliada pelos pernambucanos. Obteve a melhor nota entre os governadores na pesquisa Datafolha mais recente.

É cogitado para várias posições na seleção de 2014: senador, candidato à Presidência alternativo nascido no seio do governismo ou vice dos sonhos de muita gente (Dilma Rousseff, Lula, Aécio Neves).

Galante, "Dudu Beleza" se empenha em projetar a imagem de político moderno. Mantém boas relações com os dois polos do quadro partidário nacional. Não raro critica o petismo, pelo apetite por cargos e pela leniência com a corrupção. Mas também dispara alertas incisivos sobre o risco de deixar Dilma à mercê do fisiologismo do PMDB.

Nada disso, porém, combina com o tempo e a energia que ele investe para instalar a própria mãe, a deputada Ana Arraes, no cargo vitalício de ministra do Tribunal de Contas da União. A eleição deve ocorrer nesta quarta, na Câmara.

A campanha de Campos inclui romaria pelos Estados, acordos com ex-adversários, jantares para congressistas, pit-stops semanais em Brasília. É sua prioridade zero.

Depois do asfixiamento orçamentário da Polícia Federal, o TCU tornou-se o órgão que mais preocupa e incomoda o poder central.

Foram seus auditores, por exemplo, que primeiro detectaram as fraudes que culminaram na "faxina" nos Transportes e no Turismo.

Vinculado ao Congresso, é natural e até desejável que o tribunal vire alvo de disputa política. Mas o lobby de Campos, de tão escancarado, humilha a Câmara -e diminui a mãe, uma advogada qualificada.

Aos poucos, surge uma outra face do pernambucano, antes conhecida apenas pelos poucos que haviam ousado desafiá-lo dentro do PSB, como os irmãos Ciro e Cid Gomes. Será ainda cedo para falar em um novo coronel de olhos claros?

VINICIUS MOTA - Nossos nacionalistas


Nossos nacionalistas
VINICIUS MOTA
folha de sp - 19/09/11

SÃO PAULO - Agora vai. O governo Dilma Rousseff mostrou as garras para o imperialismo asiático que ameaça os lucros da indústria automotiva aqui instalada.

Protegemos nossos empregos, rugiu a área econômica ao defender o impostaço para carros importados. Quem nos acionar na Organização Mundial do Comércio, desafia o governo, será processado em represália, pois não há inocentes nessa história.

Imagine-se, leitor, no lugar de um empresário que mobilizou suas economias e se endividou até onde podia para abrir um negócio de veículos importados.

Ele achava que conhecia as regras do jogo. Calculou que, apesar do salgado imposto de importação de 35% -o maior que o Brasil pode aplicar-, a expansão doméstica e os atrativos do produto justificavam investir.

Contratou empregados, fez acordo com fornecedores e começou a vender. Certo dia, de surpresa, nossos nacionalistas em Brasília acordaram invocados e resolveram dinamitar o negócio dele. Só o dele, porque o concorrente que vende "produto nacional" escapou do massacre do IPI.

A cruzada nacionalista também atinge o consumidor que optaria por um importado. Escolha um "nacional" piorzinho e salve empregos no Brasil, propõe o governo.

Mas por que devemos cair nessa lorota se não há contrapartida para o lobby das montadoras beneficiadas? Estão desobrigadas de contratar mais, poluir menos, elevar a eficiência, a tecnologia ou a produtividade de fábricas e veículos.

Os burocratas da gestão Rousseff apreciam o "modelo asiático" apenas em seu aspecto estatal-intervencionista. Esquecem que nações como a Coreia do Sul se desenvolveram também pela imposição seja de freios severos no gasto público, seja de metas de excelência no ensino e na tecnologia. Em matéria de nacionalistas, os nossos continuam piores que os outros.

RICARDO NOBLAT - Um olho aberto


Um olho aberto
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 19/09/11

Quer Dilma queira, quer não, parte da classe média furiosa com a roubalheira debita na sua conta o que a mídia teima em chamar de "faxina ética". E a aplaude. Ironia para Lula ser sucedido por quem parece ter dificuldades em tolerar malfeitos. Ou por quem carece de cara de pau e de gogó afiado para justificar o injustificável. Como ele faz.

Notem que no parágrafo anterior deixei Dilma bem e mal ao mesmo tempo. Bem por apontá-la como uma pessoa, ao que tudo indica, pouco à vontade para engolir malfeitos. Mal por insinuar que procede assim à falta do cinismo e da lábia que sobram em Lula. Descartem a hipótese de que faço média à esquerda e à direita. Ou que dissimulo.

Como Dilma não costuma contar a ninguém o que lhe vai na alma e detesta auxiliares boquirrotos, só me resta tentar perceber seus verdadeiros sentimentos. Dilma lamentou ter herdado ministros de Lula? É provável que sim. Mas ela é realista o bastante para lembrar que Lula tinha esse direito ora se tinha! Faz favor...

Restava-lhe dar tempo ao tempo. Empossado pelo destino em 1985, José Sarney levou apenas um ano para livrar-se de ministros nomeados pelo presidente Tancredo Neves aquele que subiu a rampa do Palácio do Planalto dentro de um caixão. Um ano para Dilma estava de bom tamanho. Eis, porém, que entra em cena o imprevisto.

Quando ministro da Previdência do governo Lula, o senador Romero Jucá (PMDB- RR) foi acusado de oferecer fazendas fantasmas como garantia de empréstimos que tomara em bancos oficiais. Lula o manteve no cargo do mesmo modo como Dilma tentou manter Antonio Palocci na Casa Civil, ao se tornar público seu súbito enriquecimento.

No caso de Palocci não deu. Uma vez demitido, a ele se seguiram os ministros dos Transportes, da Agricultura e, finalmente, o do Turismo, os três suspeitos de envolvimento em falcatruas. Do último, Pedro Novais, diz-se que era homem de confiança de Sarney. Como seu substituto, Gastão Vieira, também é. Nada a corrigir.

Acontece que Novais virou ministro por empenho dos colegas Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara dos Deputados, e Eduardo Cunha (PMDBRJ). Sarney faturou em silêncio uma indicação que não foi bancada por ele. No que Novais, mais tarde, naufragou, Sarney foi à luta em silêncio e emplacou Gastão.

Henrique Eduardo e Eduardo Cunha deram com a cara na parede. Suaram a camisa para nomear ministro um de dois deputados dispostos a fazer-lhes todas as vontades se chegassem lá um de Sergipe, outro da Paraíba. Não eram bons candidatos. Um flertou com dinheiro para a abertura de estradas. Outro com a encomenda de assassinatos.

Com razão ou sem, o pessoal começa a achar que Dilma cedeu à pressão coletiva contra a lambança desregrada. Em primeiro lugar, ponto para o próprio pessoal, que se acha autor da pressão. Em segundo, para Dilma. Ao contrário de Lula, ela não fecha inteiramente os olhos à corrupção. Mantém aberto pelo menos um deles.

É assim que o pessoal anda pensando, segundo atestam pesquisas aplicadas para consumo interno do governo. Guardadas em sigilo, mas consultadas por Dilma de vez em quando, elas coincidem com outras encomendadas por partidos de oposição, tão ou mais desorientados do que peru bêbado à espera do golpe fatal.

Por que Dilma não mete o pé na bunda dos meliantes infiltrados nos partidos e só escala gente boa para ajudá-la a governar? Ora, porque tem mais meliantes do que gente boa dentro dos partidos, aposta o pessoal ouvido nas pesquisas. E, se ela resolve excluir os meliantes, correrá o risco de não conseguir governar.

Dilma também não pode falar em faxina ética , nem ter a iniciativa escancarada de promovê-la a qualquer preço. Seria suicídio. Entende o pessoal que ela deve agir com discrição e a reboque das denúncias publicadas pela mídia. De resto, é razoável argumentar que lhe seria impossível ignorálas. Lula só existe um.

UMA PRÉVIA DO MENSALÃO


AÉCIO NEVES - (In)segurança



(In)segurança
AÉCIO NEVES
FOLHA DE SP - 190911
Há uma semana tratei, neste espaço, dos desafios que temos com a proximidade da Copa do Mundo, enfatizando a área da infraestrutura e citando a da segurança. Independentemente da proximidade do mundial, a questão da segurança merece, há muito, uma política de Estado.
Qualquer pesquisa de opinião revelará sua posição de destaque entre as prioridades da população. Não é à toa: mais de 45 mil brasileiros morrem por homicídio a cada ano, aos quais se somam milhões de vítimas de outros crimes.
Assistimos nas últimas décadas a um aumento explosivo da violência até em regiões antes tranquilas, como o Nordeste. Em contrapartida, vimos a sociedade mobilizada em torno de soluções corajosas, inovadoras e mais eficientes.
Minas Gerais implementou medidas e projetos internacionalmente reconhecidos pelos resultados, como a integração das ações das polícias, e o Fica Vivo, uma parceria com a UFMG que tem registrado reduções importantes nos homicídios de jovens.
São Paulo construiu o caso mais bem sucedido do país no controle de homicídios e o Rio mobiliza a solidariedade de todos com a experiência das UPPs. Outros Estados também têm feito esforços.
O mesmo não ocorre no plano federal. Temos um somatório de ações desarticuladas e os investimentos realizados têm estado muito aquém das necessidades do país.
O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), criado em 2008 e anunciado como uma mudança de paradigma no setor, apresenta resultados pouco expressivos, fazendo mais do mesmo, apesar do comprometimento dos seus profissionais.
O Fundo Penitenciário, criado com a finalidade de proporcionar recursos para o sistema penitenciário, teve aplicados, entre 2003 e 2010, apenas dois terços das verbas autorizadas. A sua dotação no Orçamento do ano passado foi menos da metade de 2008.
O Fundo Nacional Anti-Droga empenhou pouco mais da metade das verbas autorizadas nesses sete anos.
Já o programa de enfrentamento ao crack tem dotação zero no Orçamento de 2012. Peça da campanha da presidente Dilma Rousseff, como pode o programa não ser priorizado? E se as ações prometidas serão desenvolvidas fora do programa, por que ele foi criado?
Há nesses dados orçamentários indicações claras do improviso e da dificuldade de gestão do governo também na segurança pública. Situação que tem levado os Estados a desenvolver políticas sem o apoio federal, tendo que lidar sozinhos com limitações e dificuldades.
Também no Congresso, importantes mudanças legislativas, como a revisão do código processual, requerem a liderança do Poder Executivo, mas, infelizmente, estão órfãs e à mercê de iniciativas isoladas.
Essa é uma agenda extensa e urgente.

CLAUDIO HUMBERTO


"A trajetória do ex-presidente do PT: guerrilheiro que virou mensaleiro"
Ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, sobre o ex-aliado José Genoino

Obras no Maracanã pagariam três Itaquerões
Os sucessivos governos do Rio descobriram um campo fértil para torrar o dinheiro público em obras para empreiteiras amigas. O Maracanã passa pela terceira reforma geral em apenas dez anos, com custos que já somam R$ 1,1 bilhão, suficientes para construir três estádios novos do Corinthians (R$ 470 milhões cada), o Itaquerão. A Odebrecht papou duas reformas nesse jogo, nos governos Rosinha e Cabral.

Histórico da gastança
O Maracanã foi reformado em 2000 (R$ 50 milhões), 2007 para o Pan-Americano (R$ 200 milhões), e agora para a Copa (R$ 860 milhões).

Reincidente
A Odebrecht, que também vai construir o Itaquerão por muito menos, abocanhou as reformas de 2007 e de 2011. No total, R$ 1,06 bilhão.

Em flecha
O valor da reforma atual era R$ 430 milhões. Pulou para R$ 500, R$ 630, R$ 720 e, até o fechamento da coluna, estava em 860 milhões.

Ela, de novo
A Odebrecht continua na jogada: é a empreiteira que lidera o consórcio da atual – terceira – reforma do Maracanã.

Filho da terra
O ministro do Turismo, Gastão Vieira, não esquece as origens: garantiu R$ 3 milhões em emendas para Guimarães (MA), cidade natal. Com 12 mil habitantes em 595 quilômetros quadrados, deve estar um brinco.

Carma
Até hoje não foi alterado o conselho de administração da Codeplan, a empresa de planejamento do governo do DF. É o mesmo nomeado por Durval Barbosa e cria dificuldades para a nova direção do órgão.

Gastos, gastos
O ministro Orlando Silva (Esporte) foi convidado a detalhar os gastos do governo com a Copa do Mundo, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Gastos com tapioca estarão fora de questão.

Boca livre aérea
Infraero adora voar. Enquanto as equipes de Operações, Navegação Aérea e Manutenção foram a Londrina, a de Licitações escolheu Maceió para seu encontro corporativo, e a de Comunicação Social foi a Natal para o seu seminário de outubro. Boca livre por nossa conta.

Morte da CPI
Nos corredores da Câmara Distrital do DF é dada como morta a tão CPI do Pró-DF. O governo está convencido de que as investigações são apenas pretextos da oposição ou para “achacar” empresários.

Pesquisa Mark/CH
Pesquisa do Instituto Mark no DF, divulgada neste domingo no site claudiohumberto.com.br, revela números surpreendentes sobre a sempre criticada Câmara Legislativa: 52,10% dos entrevistados a consideram “muito importante”. Mas 67% não confiam nela.

Ranking de confiança no DF
A Polícia Civil é a instituição que mais inspira confiança no cidadão do DF, com 54,4%, diz a pesquisa Mark/CH, seguida pela PM (50,4%), Tribunal de Justiça (43,2%), governo (23,8%) e Câmara Legislativa (22,1%). Foram ouvidas 1026 pessoas e a margem de erro é de 3%.

Capitalismo selvagem
A multinacional DHL cobrou R$ 180 para levar um documento de Brasília para o Nordeste, por isso um cliente foi à Gol-Log e pagou R$ 32, seis vezes menos. Já ia embora quando viu chegar à loja a van da DHL carregada de encomendas... a serem transportadas pela Gol-Log.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Infecção hospitalar mata 100 mil por ano no Brasil

Folha: Ação da Petrobras não vai dar retorno tão cedo, diz Gabrielli

- Estadão: EUA buscam apoio na ONU para vetar Estado palestino

Correio: Mulheres dominam a elite da educação

Valor: Governo retoma grandes contratações em 2012

Estado de Minas: Sem saída

Jornal do Commercio: A quatro jogos da Série C

Zero Hora: Semana do Trânsito trágica