segunda-feira, setembro 05, 2011

DENISE ROTHENBURG - União de conveniência


União de conveniência
DENISE ROTHENBURG
Correio Braziliense - 05/09/2011

O deputado José Guimarães foi cristalino ao dizer que não está preocupado se "Sarney é isso ou aquilo", que "Michel Temer é apenas um aliado e um aliado importante", e que o partido não pode ir para o isolamento porque tem um projeto nacional. Vai aí um certo desprezo pelo PMDB

Passei o fim de semana "internada" no 4 º Congresso do PT. Quem teve paciência de prestar atenção nos oradores do plenário ontem na parte reservada apenas aos delegados e convidados especiais percebeu que as alianças eleitorais não são ponto pacífico e que, em casa, as críticas ao PMDB rolam soltas. São poucos, é claro, os que se esgoelam abertamente nos microfones contra o PMDB — caso de Markus Sokol, no sábado, e Júlio Turra, da CUT, no domingo. Mas a concordância com eles nos bastidores é grande. A ponto de levar os dirigentes do partido a garantir que o PT manda e cabe ao PMDB apenas o papel de coadjuvante para que os petistas implementem os avanços sociais que o Brasil precisa e que o partido sonha desde a década de 80, quando engatinhavam no projeto de conquistar a Presidência da República.

Hoje, o PT tem todo o conforto, carro oficial, aerolula, aerodilma, ministérios, estatais, presidência da Câmara... Mas, ainda assim, nem todos os seus filiados estão felizes. Os debates de ontem no 4º Congresso foram prova disso. Sokol foi muito aplaudido no sábado, quando disse que seu partido não tem liga com o PMDB. Recepção semelhante teve o sindicalista Júlio, quando citou o Manifesto de Fundação do PT e lembrou que o partido foi criado exatamente para evitar que os trabalhadores servissem de "massa de manobra" e para se contrapor ao que já havia, inclusive o PMDB. Turra citou nominalmente Michel Temer e José Sarney, que dispensam apresentações. Mencionou ainda o desconforto de ter que agradar a bancada ruralista.

Ele não foi o único a falar do incômodo com o "vale-tudo para ter governabilidade entre aspas no Congresso Nacional". Outros petistas, também de alas mais à esquerda, foram nessa linha, tocaram os corações de muitos, mas não o suficiente para fazer com que uma maioria levantasse os crachás na hora do voto. Na prática, a maioria prefere se aliar aos bem diferentes — ou talvez nem tão diferentes assim — e viver no conforto de ser poder e aprovar o que for possível do programa original. Afinal, é esse o jogo do poder.

Os comandantes petistas deixam claro que a aliança é pragmática e não programática. Em seus pronunciamentos para o público interno, não deixam de demonstrar um certo desprezo pelo PMDB. O deputado José Guimarães foi cristalino ao dizer que não está preocupado se "Sarney é isso ou aquilo", que "Michel Temer é apenas um aliado e um aliado importante", e que o partido não pode ir para o isolamento porque tem um projeto nacional. Pragmatismo maior impossível. Rui Falcão foi direto ao dizer que o PT tem o comando do processo e a hegemonia da aliança.

Ninguém sai, ninguém sai
O incrível é que todo esse sentimento de casamento de conveniência é mútuo. Da mesma forma que o PT considera o PMDB um marido que lhe ajuda a pagar as contas, o PMDB tem visão semelhante a respeito do PT. Não ama, mas suporta em nome de um projeto maior — dividir o comando do Brasil e o conforto decorrente dessa situação. Em todas as reuniões reservadas do PMDB, os petistas são criticados. Na semana passada, a turma de Santa Catarina e de Minas Gerais ensaiou uma rebelião. O Rio de Janeiro, que jura não ter mais cargos no governo e só ter desgaste, já fez até um documento desfiando suas reclamações.

Tudo indica que essa convivência não será pacífica nem hoje, nem amanhã. E, ainda assim, ninguém dará um basta nessa união. No plano federal, enquanto houver governo e perspectiva de vitória eleitoral, PT e PMDB continuarão juntos. Nas eleições de 2012, o PT também quer que a aliança aconteça. Prova disso foi o resultado do congresso de ontem, que liberou as alianças de forma bem pragmática.

Os petistas esperam com a decisão de ontem conquistar o apoio do PMDB em São Paulo e levar Temer a rifar a candidatura de Gabriel Chalita a prefeito da capital. O problema é que, do jeito que os petistas tratam o vice-presidente da República em suas reuniões internas, Temer não terá moral entre os peemedebistas para levar seu partido a baixar a cabeça aos projetos do PT. Se o PT quiser mesmo propor esse noivado ao PMDB paulistano, terá que começar tratando com mais respeito e carinho o vice-presidente da República. Do jeito que está hoje, apesar do pragmatismo, esse casamento não sai.

MELCHIADES FILHO - Óleo cru

Óleo cru 
MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SP - 05/09/11

BRASÍLIA - "Toda decisão é política", admitiu, num rasgo de sinceridade, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. "Se vamos aumentar a exploração, vender para China ou EUA, elevar o preço do combustível, entrar na petroquímica, comprar do fornecedor A, B ou C, construir refinaria aqui ou ali..."

Por isso é difícil explicar como ele segue no comando da empresa, já que anda mais empenhado em pôr de pé a candidatura ao governo da Bahia -sem receio de usar o horário de expediente para conversar escondido com José Dirceu e sabe-se lá que outros expoentes do PT.

Desde a vitória de 2010, Dilma Rousseff planeja tirar Gabrielli. Não dá para se gabar da "faxina" em Dnits e Conabs -e falar na profissionalização do serviço público- mantendo incólume o loteamento partidário da maior estatal do país.

Amiga da presidente e técnica de carreira, Graça Foster estava (e continua) prontinha para assumir a empresa. No entanto, a presidente da República, uma especialista em energia, estranhamente recuou.

Como estranhamente recuou no debate da lei dos royalties do pré-sal. Delegou a solução aos governadores -atores interessados no usufruto rápido de receitas futuras.

As novas reservas de petróleo exigem salto tecnológico e arranjos logísticos de proporções colossais.

Não resta dúvida de que, por vocação e inércia, a Petrobras será a locomotiva desse processo. Sobretudo se estiver correto o prognóstico macroeconômico do governo, de nova retração global: a oferta de capital estrangeiro declinará, e só as empresas bem estabelecidas terão bala para captar e investir.

No entanto, entre tantos superlativos, a estatal continua como a maior caixa-preta do país. Contratos, patrocínios, medidas estratégicas, nada disso é tornado público. Uma bomba-relógio de escândalos.

A inovação faz parte das prioridades de Dilma. Terá contribuído se ampliar a transparência e melhorar a governança da Petrobras.

HERÁCLITO FORTES - Não foi por falta de aviso


Não foi por falta de aviso
HERÁCLITO FORTES
O Globo - 05/09/2011

Durante as eleições de 2006, denúncia envolvendo uma ONG e uma pessoa conhecida como "o churrasqueiro do Lula" chamou a atenção para a atuação dessas organizações. Na ocasião, pipocavam suspeitas sobre algumas delas que de "não governamentais" não tinham nada, como se viu desde então. Propus a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto. Como estávamos no período eleitoral, seria para o ano seguinte.

O recorde de assinaturas de apoio, ao contrário do que se poderia imaginar, não significou qualquer disposição para apurar os fatos. O governo escolheu a dedo uma pessoa de sua inteira confiança, como foi dito à época, para o cargo de relator - o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) - e fez de tudo para boicotar as investigações. Depois de muitas tentativas e algumas prorrogações, a CPI terminou melancolicamente, sem aprovar relatório algum.

Aliás, o relator nem se deu ao trabalho de aparecer e apresentar o resultado das investigações que deveria conduzir. Entregou um rascunho de 1.500 páginas, que chamou de marco legal.

Durante todo este período, a imprensa apresentou dezenas de denúncias, que já miravam, entre outros, o Ministério do Turismo.

Não faltaram também graves indícios de desvios de recursos nos ministérios do Desenvolvimento Agrário (com entidades ligadas ao MST, que chegaram até a promover uma baderna na Câmara), dos Esportes, do Trabalho, da Ciência e Tecnologia, além de Petrobras, fundos de pensão e prefeituras, sobretudo do Grande ABC, quase sempre ligadas ao PT.

Aliás, o traço comum é a ligação entre as entidades e os partidos políticos que controlam os órgãos.

Os resultados, no final, não foram extraordinários, reconheço. Mas houve casos simbólicos, como o da Finatec, em Brasília, que resultou em condenações na Justiça, o da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar, de Santa Catarina), que agora volta ao noticiário, ou o da Angrhamazônica, entidade que recebeu R$2,5 milhões dos ministérios do Turismo e da Cultura, para organizar um réveillon em Brasília e conseguiu dar o cano nos "bois" Garantido e Vermelho, do Amazonas, ao mesmo tempo.

No fim de 2006, a então ministra Dilma Rousseff dizia que não se podia criminalizar as ONGs, pois elas prestavam grandes serviços ao país. O já naquela época ministro da Controladoria Geral da União - que até aqui só mostrou eficiência (discutível) com prefeituras de pequenos municípios - dizia que era preciso cuidado para regulamentar o chamado Terceiro Setor.

Mas a própria CGU apresentou um número preocupante: de 1999 a 2006, foram repassados a ONGs e Oscips nada menos do que R$33 bilhões. E constatou fraudes de R$360 milhões em convênios celebrados nos últimos 18 meses entre o governo - o de Dilma também, portanto - e ONGs.

Em 2007, atendendo a uma recomendação do Tribunal de Contas da União, o governo ensaiou uma proposta para controle das verbas repassadas a essas entidades, mas recuou vergonhosamente. Existe, aliás, um decreto do ex-presidente Lula criando o Portal dos Convênios e ordenando que ele funcionasse.

A ocasião, agora, é propícia. Quem sabe, a presidente Dilma não aproveita o ensejo da faxina e o coloca em pleno funcionamento, com critérios claros de seleção e cobrança de resultados.

À vista de todos, na internet, com total transparência. Pois os escândalos tendem a se repetir, como avisamos antes e estamos reiterando agora.

Se levado a sério, pode ser até mais eficiente que uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, embora seja um instrumento da minoria, é impedida de funcionar pela maioria.

No mais, ganha um prêmio da mega-sena (que, aliás, estranhamente só tem contemplado uma única pessoa) quem souber quantas ONGs existem no Brasil. Militares experientes dizem que, só na Amazônia, são 100 mil. Há estudos no próprio Ministério do Planejamento que falam em 500 mil. Durma-se com um barulho desses.

MARCELO DE PAIVA ABREU - Limpando as estrebarias

Limpando as estrebarias
MARCELO DE PAIVA ABREU
O Estado de S.Paulo - 05/09/11
O combate à corrupção no Brasil depende de renovação dos partidos políticos
Têm sido curiosas as reações às iniciativas da presidente da República que resultaram no afastamento de funcionários públicos envolvidos em irregularidades, especialmente no Ministério dos Transportes. Ganhou força a ideia de que a presidente poderia estar empenhada numa "faxina", tratando de limpar a verdadeira estrebaria de Augias que herdou do presidente Lula. Os leitores de Monteiro Lobato lembrarão que, na mitologia grega, o quinto trabalho de Hércules foi limpar as estrebarias do rei, dono dos mais belos rebanhos do país, que deixava que o esterco se acumulasse gerando gases tóxicos.

Os limites de tal "faxina", no quadro da coalizão fisiológica que assegura o apoio ao governo Dilma Rousseff, são naturalmente dados por pedestre cálculo político do qual são ingredientes principais o apoio ao governo no Congresso Nacional e a remuneração dos interesses especiais lá representados. Não foi por acaso que a "faxina" não tenha ido tão longe quanto seria desejável, sob pena de abalar a grande coalizão fisiológica que controla a vida política do País. As demissões devem ser explicadas com base nas peculiaridades de estilo pessoal da presidente, e não a qualquer reorientação estratégica.

O episódio sugere que o combate à corrupção continua a ser pilar importante em eventual plataforma política capaz de granjear significativa popularidade. Terreno perigoso, vulnerável à exploração demagógica, como mostra a história relativamente recente em que a propalada caça a marajás acabou em impeachment do presidente da República. Por outro lado, tornou-se reação-padrão dos acusados de improbidade a denúncia de "udenismo", em tentativa meio pífia de confundir a legítima ênfase da velha UDN no combate à corrupção com o seu contumaz golpismo durante a Terceira República.

O episódio também suscita reflexão sobre se, quando e como poderá haver salto qualitativo na repressão às práticas corruptas no Brasil. Não custa lembrar a mudança de regime que significou o episódio do mensalão, em 2005. Até então o PT se apresentava como partido renovador, uma espécie de Partido Comunista Italiano, cuja gestão da coisa pública em nível municipal contrastava com o fisiologismo de outros partidos. Pós-mensalão, o que se viu foi o PT abandonar o seu projeto inovador e mergulhar na fisiologia, tratando de dominar a tecnologia das coalizões perversas baseadas no "é dando que se recebe". Nesse ambiente prosperou a veia personalista do ex-presidente e o lulismo acabou por dominar amplamente o petismo.

A Grã-Bretanha é o exemplo histórico mais conhecido de sociedade que, no início do século 19, abandonou a "velha corrupção" e começou a desmantelar a corrupção sistemática que havia caracterizado o período anterior. Corrupção baseada na coalizão entre políticos que se perpetuavam no poder distribuindo benesses para "interesses especiais" e os próprios interesses beneficiados. Em meio à ampliação da representatividade do colégio eleitoral, reformas acabaram com sinecuras, venda de cargos, distribuição de contratos, cargos e pensões a parentes e amigos, e também com os "burgos podres". Políticas públicas centradas na defesa de "interesses especiais", em detrimento do interesse coletivo, foram reformuladas. Para que isso fosse possível foi importante o sentimento entre os beneficiados pela patronagem anterior de que melhor seria perder os anéis que arriscar a perda dos dedos, ainda com a experiência da Revolução Francesa viva na memória. E, também, que o projeto passasse a fazer parte das plataformas dos grupos políticos em ascensão.

Para que o abandono da "velha corrupção" seja possível no Brasil, seria necessário que tal objetivo fosse efetivamente incorporado ao programa de partidos. E que estes disputassem as eleições defendendo tal plataforma. O que forçaria o abandono de políticas que beneficiam "interesses especiais" em detrimento do interesse coletivo, que vão do acesso a crédito subsidiado por bancos públicos até a provisão de educação universitária gratuita independentemente da renda familiar dos estudantes, passando pelos privilégios das aposentadorias do setor público, entre muitas outras anomalias distributivas.

É difícil que isso ocorra. Parece impossível que as correntes do PT que repudiam a alternativa fisiológica tenham condições de reverter a contaminação do partido pelo gosto do poder a qualquer custo. Dilma Rousseff não tem cacife político para mudar os rumos do PT, encalhado na fisiologia. Lula, como presidente-sombra e candidato perpétuo, não parece ter nenhuma inquietação quanto à mudança de rumos de 2005. Caso houvesse oposição minimamente estruturada, e com projeto efetivamente renovador, seria possível, em tese, pensar em redefinição da coalizão governista que criasse "valores republicanos" efetivos, decentes e críveis. Cenário que está, também, por enquanto, fora de cogitação.

O mais provável é que a forma de governar da atual presidente continue a ser balizada pelo modelo lulista pós-2005, com o uso bissexto de mero pano de pó para controlar as irregularidades mais incômodas politicamente. Faxina jamais, pois comprometeria o cimento da coalizão governista.

DOUTOR EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE, É PROFESSOR TITULAR NO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO


JOSÉ RENATO NALINI - Juiz tem de estudar


Juiz tem de estudar
JOSÉ RENATO NALINI 
O Estado de S.Paulo - 05/09/11

Nunca se duvidou de que para ser juiz é preciso estar disposto a sacrifícios. O concurso de ingresso na magistratura converteu-se num complexo de exigências que poucos superam. Espera-se que o julgador seja uma enciclopédia de conhecimentos que inclua a integralidade do prolífico cipoal normativo, totalidade da doutrina e jurisprudência dominante, sem descurar de conhecer as divergências.

Por esse motivo, a conclusão do bacharelado em ciências jurídicas é mero pressuposto a se habilitar ao certame seletivo. A alternativa é imergir no estudo contínuo ou seguir os passos postos à disposição pelos bem-sucedidos cursinhos de preparação.

Os concursos vinham sendo os mesmos, previsíveis e sem inovação, até à edição da Resolução n.º 75/2009 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este novo órgão do Poder Judiciário, situado na topografia constitucional logo abaixo do Supremo Tribunal Federal (STF) e acima do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assumiu suas atribuições e se pôs a disciplinar uma Justiça que até então formava um enorme arquipélago de autonomias.

Escusado questionar a competência do CNJ para normatizar os processos de seleção, pois o colegiado está no pacto federativo e ninguém oferece argumentos capazes de reduzir a sua legitimidade. Nem se invoque o assimétrico federalismo brasileiro, mal copiado quando da instauração da República e que, sendo às avessas do modelo americano, não conseguiu disfarçar a vocação centralizadora do Estado.

A Resolução n.º 75/2009 alterou, de maneira substancial, a forma de recrutamento dos juízes. O aspecto mais relevante é a exigência de outros saberes, que não exclusivamente a técnica jurídica. Para se tornar magistrado o candidato precisa se interessar por ética, filosofia, sociologia, psicologia, teoria geral do direito, gestão das unidades judiciais. Não se exclui, por óbvio, o domínio das ciências do direito. Mas se introduz no sistema a constatação de que o ser humano chamado a julgar seu semelhante precisa exatamente deste atributo imprescindível: humanismo.

A erudição traduzida por um acervo de informações que mais comprovam a capacidade mnemônica do que um chamado a exercer uma carreira já não se mostra suficiente. Foi um passo enorme em direção ao aperfeiçoamento na escolha de quem se tornará vitalício e servirá a seu povo - presumivelmente - durante algumas décadas.

Ainda é preciso avançar na aferição da capacidade de trabalho. O Judiciário é serviço público, remunerado pelo erário, posto à disposição dos destinatários que o sustentam. Não é emprego para quem gosta de filosofar, para quem superestima a sua autoridade ou não se preocupa com a otimização dos parcos esquemas postos à sua disposição, com vista a outorgar o melhor justo concreto.

Produtividade requer consciência e talento. O desmotivado é incapaz de superar dificuldades e enfrentar o desafio de um volume crescente de processos. Muitos dos quais, reconheça-se, não ostentam complexidade. Queira ou não, o juiz torna-se um especialista. Acredita-se que o trato contínuo com as questões postas à sua apreciação o convertam num experto capaz de acelerar a prestação jurisdicional. O Judiciário está submetido ao princípio da eficiência, colocado no texto constitucional dez anos depois da promulgação da Carta cidadã, exatamente porque a Justiça não conseguia adequar-se aos anseios contemporâneos.

Para completar a mudança na seleção dos novos quadros o CNJ também editou o Código de Ética da Magistratura, que em 2011 completa três anos. Nele se inseriu o comando ético do conhecimento e capacitação permanente do magistrado. É o contraponto ao direito dos jurisdicionados e da sociedade em geral à obtenção de um serviço de qualidade na administração de justiça.

Não significa o crescimento intelectual exclusivamente nas disciplinas jurídicas, embora ele continue exigível e não se consiga decidir sem apreender o direito. Mas o Código da Magistratura insiste nas capacidades técnicas e nas atitudes éticas adequadas a uma correta aplicação do direito.

Enfatiza a codificação destinada ao juiz brasileiro que a obrigação de formação contínua se estende tanto às matérias especificamente jurídicas quanto no que se refere aos conhecimentos e técnicas que possam favorecer o melhor cumprimento das funções judiciais.

Inegável o plus qualitativo de quem estudar psicologia, para melhor lidar com o sofrimento humano. Todo processo tem uma carga de angústias que a pasteurização da forma e da excessiva tecnicalidade não consegue ocultar. Mas é preciso penetrar na seara sociológica, antropológica, econômica, histórica e política, sem o que o magistrado será um profissional incompleto. Deslocado do contexto social, insuficientemente preparado, produtor de potenciais injustiças, em lugar de assumir o papel de décideur, pacificador e conciliador das partes que controvertem.

Os novos tempos impõem a quem queira bem cumprir o seu dever de solucionar conflitos a obrigação do estudo permanente. A formação continuada servirá não apenas para o desempenho adequado do ofício, mas também para o melhor desenvolvimento do direito e administração da justiça. O direito não é senão ferramenta de tornar os homens menos infelizes. Não é ciência neutral, de que podem servir-se os desprovidos de freios inibitórios, aqueles que fazem da ética um deboche e instrumentalizam a Justiça para melhor se safar das responsabilidades.

O compromisso do estudo incessante é pessoal, de cada integrante do Judiciário. Mas constitui dever de cada magistrado atuar no sentido de que a instituição a que serve também ofereça os meios para que sua formação tenha prosseguimento. Sem isso não se oferecerá ao povo brasileiro a justiça oportuna e de melhor qualidade que há muito ele está a exigir.

CARLOS ALBERTO DI FRANCO - STF e jornalismo de buldogues



STF e jornalismo de buldogues
CARLOS ALBERTO DI FRANCO
O Estado de S.Paulo - 05/09/11

O leitor é sempre o melhor termômetro para medir a temperatura da sociedade. Em meu último artigo fiz uma radiografia da corrupção e defendi três prioridades no combate aos malfeitos: cobrar dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento do mensalão, focar as coberturas jornalísticas nos casos emblemáticos de corrupção e instituir o Placar da Corrupção, um infográfico com a situação dos casos mais vistosos de pilhagem do dinheiro público.

Recebi uma enxurrada de e-mails de leitores de várias cidades brasileiras. Uma forte amostragem de opinião pública. Um denominador comum esteve presente em todas as mensagens: as pessoas não admitem o não julgamento do mensalão, com a consequente consagração da impunidade. Ao mesmo tempo, afirmam que o trabalho investigativo da imprensa deve continuar e aprofundar.

Chegou a hora do STF. Como escrevi neste espaço opinativo, julgar o mensalão não é uma questão de prazos processuais. É um dever indeclinável. Se o STF carimbar o mensalão com a prescrição, hipótese gravíssima, mas provável, concederá, na prática, um passaporte para a institucionalização da bandalheira.

A desqualificação do mensalão é essencial para aqueles que se apropriaram do Estado brasileiro. O primeiro sinal do desmonte do mensalão foi dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao deixar o governo, ele disse que sua principal missão, a partir de janeiro de 2011, seria mostrar que o mensalão "é uma farsa". A "farsa" a que se referia Lula derrubou ministros do seu governo, destituiu dezenas de diretores de estatais e mandou para o espaço a cúpula do seu partido. Encurralado, o então presidente só não caiu graças ao tamanho da incompetência da oposição.

Réus do processo passaram a ocupar postos altos nas estruturas dos Poderes. João Paulo Cunha (PT-SP) foi eleito presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. José Genoino foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa, então comandado por Nelson Jobim, ex-presidente do STF. José Dirceu - "o chefe da quadrilha", segundo escreveu o então procurador-geral da República na denúncia em que acusou a antiga cúpula do partido de Lula e de Dilma de se ter convertido numa "organização criminosa" - transita com desembaraço pelos corredores do poder.

Está nas mãos da Suprema Corte assumir o papel histórico de defesa da democracia e dos valores republicanos ou - Deus não queira - virar as costas para a cidadania. A sociedade tem o direito de confiar no ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão. Ele saberá honrar sua toga e sua biografia. Os brasileiros esperam que os ministros respondam à indignação da cidadania.

Paira no ar, no entanto, um clima de decepção e desencanto, fruto direto da impunidade. Em nome do amplo direito de defesa, importante e necessário, a efetivação da justiça acaba se transformando numa arma dos poderosos de turno e numa sistemática frustração das esperanças dos mais desprotegidos. Aplicam-se ao pobre os rigores da lei e se concedem ao rico as vantagens dos infinitos recursos que o Direito reserva aos que podem pagar uma boa defesa. É duro, mas é assim.

O esforço investigativo da imprensa está contribuindo para restabelecer o equilíbrio nas relações sociais. Para o jornalismo verdadeiramente ético e independente, não há distinções e imunidades. Os holofotes da mídia têm projetado fachos de luz em zonas turvas do poder. Incomoda? É claro. E deve ser assim. Jornalismo chapa-branca não contribui com a democracia. É preciso que exista certa tensão entre imprensa e governos. No entanto, a memória do cidadão - a minha e a sua, caro leitor - não é das mais fortes. E a vertiginosa sucessão de delitos acaba sendo importante aliada do esquecimento. Não basta denunciar. É preciso focar e perseverar num autêntico jornalismo de buldogues.

É dever ético da imprensa promover uma ampla conscientização da relevância que os cargos públicos têm e da importância de que pessoas absolutamente idôneas os ocupem. Nós, jornalistas, devemos rasgar as coloridas embalagens do marketing e mostrar a realidade. Com suas luzes e suas sombras.

Entusiasmaram-se os leitores com a possibilidade de se criar um Placar da Corrupção. Não deixemos a peteca cair! Façamos um periódico mapa dos escândalos: o que aconteceu com os protagonistas do banditismo, as ações concretas ou as omissões dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Não se trata de transformar a imprensa num contrapoder, mas numa instância, talvez a única, talvez a última, de uma sociedade abandonada por muitas de suas autoridades.

Inauguremos, também, o Mapa das Promessas. É muito fácil. Basta recorrer aos arquivos e bancos de dados. Os políticos, pródigos em soluções de palanque, não costumam perder o sono com o rotineiro descumprimento da palavra empenhada. Afinal, para muitos deles, infelizmente, a política é a arte do engodo. Além disso, apostam na amnésia coletiva. Ao jornalismo de qualidade, desengajado e independente, cabe assumir o papel de memória da sociedade.

As coberturas não podem ser pautadas pelas assessorias de comunicação dos políticos, e sim pelo interesse do cidadão. Vamos falar do futuro, dos projetos, dos planos. Mas vamos também falar do passado, das coerências e das ambiguidades. E, sobretudo, não nos deixemos seduzir pelas estratégias do marketing que ameaçam transformar a política num show de chavões populistas e num triste espetáculo de inconsistência.

A corrupção é um câncer que deve ser enfrentado por todos: jornalistas, magistrados e cidadãos. Chegou a hora do STF e do jornalismo de buldogues. Chegou a sua hora, amigo leitor.

LUIZ FELIPE PONDÉ - A África de Naipaul

A África de Naipaul
LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP - 05/09/11

Quer conhecer um pouco sobre a África? Leia V. S. Naipaul. Recomendo. Aliás, o Nobel recomenda. Mas Nobel não basta. Saramago foi Nobel e sempre o achei um chato. Seu livro sobre Caim é um desfile de bobagens e desinformações sobre a Bíblia. Qualquer um que conheça um pouco desse clássico da literatura hebraica antiga perceberá que Saramago não entendia nada sobre o assunto.

Leia "A Máscara da África - Vislumbres das Crenças Africanas", publicado no Brasil pela Companhia das Letras. O livro traz a narrativa da recente visita de Naipaul a alguns países da África. O resultado é um jornalismo sofisticado em detalhes e reflexivo tanto na forma quanto no conteúdo.

O intrigante, hoje em dia, é que muito "inteligentinho" acha que combater o preconceito é inventar mitos de bondade e pureza sobre o "outro". Naipaul é um antídoto contra essa doença infantil.

Aliás, algo que surpreende Naipaul com relação à África é o fato de que muitos povos de lá não tinham alcançado a escrita antes de entrar em contato com muçulmanos e cristãos (ou seja, "ontem"), quase todo seu passado é mito e quase nada é história. É mais ou menos como viver em delírio constante quanto ao seu passado, sem saber o que de fato foi real e o que foi apenas devaneio.

É comum tratar Naipaul como "eurocêntrico", o que, por si só, já é uma boa recomendação, pois significa que a moçada politicamente correta, que exerce essa censura sem caráter, não gosta dele.

Não há nada no livro que nos remeta a "preconceitos", mas há, sim, muita coisa que revela a tristeza que ainda assola a África e que sempre existiu, mesmo antes dos absurdos que os brancos fizeram por lá. A grande mentira sobre a África é que os brancos tornaram-na violenta, pobre e infeliz. Não, ela é assim há muito tempo. Mas os europeus tampouco ajudaram.

Hoje em dia, é comum obrigar alunos a estudar a história da África. Pergunto-me como isso é feito. Temo que a África seja compreendida como um doce de coco que só não é melhor por culpa dos malvados brancos.

Não, todos os homens são maus, pouco importam cor, sexo, raça ou crença. Alguns poucos se destacam pelo bem. É verdade que esgotos, estradas e a recusa embutida nos sacrifícios humanos ajudem um pouco a você deixar de ser um bárbaro.


O livro de Naipaul dá atenção especial às crenças africanas. A catequese cristã e a islâmica destruíram o tecido das crenças ancestrais de muitos africanos, os deixando nem lá nem cá.

Por exemplo, queimar pessoas vivas foi um hábito dos povos africanos até "ontem". Ou melhor dizendo, até "hoje".

Matar, despedaçar, cortar órgãos e queimar pessoas por razões religiosas (e outras) sempre foi uma prática comum entre povos de Uganda, por exemplo. Em grandes quantidades.

Sim, eu sei que europeus também fizeram isso. Lembra o que eu disse acima sobre os homens serem maus? Mas a questão aqui não é essa, mas, sim, combater o "preconceito" de que a miséria material e moral africanas tenham sido criadas pelos europeus.

O encontro de culturas que não conheciam a roda até "ontem" (é isso aí...) com os colonizadores europeus (que nunca tiveram nada de bonzinhos) criou países à deriva.

Exemplos de tragédias cotidianas entre populações pobres numa mesma edição de um jornal ugandense:

1 - "Homem queima dez pessoas numa cabana". Um homem briga com sua mulher, joga gasolina e toca fogo. Entre as dez pessoas, sete eram crianças.

2 - "Meu marido foi cortado em pedaços com um machado na minha frente". Além de matar o marido, o assassino cortou uma mão da mulher; enquanto despedaçava a vítima, acusava-a de poligamia, daí a suspeita de que algo de cristianismo x "paganismo" estava em jogo na "disputa".

3 - "Acusada de queimar filho vivo". Esse parece ser um gosto da "cultura ugandense" mais "primitiva": queimar gente viva; o filho de 18 meses estava num saco com as pernas atadas.

Fora as manchetes, a bruxaria é comum até hoje. Diretores de escolas podem ser mortos por serem acusados de bruxaria e irmãos podem matar sua tia de 42 anos, além de arrancar sua mandíbula e sua língua com o intuito de fazer mágica. Até hoje, a bruxaria é "oficial" em muitos lugares da África.

Puro neolítico?

GOSTOSA


FÁBIO GALLO - Antes de antecipar o pagamento da dívida é preciso negociar saldo



Antes de antecipar o pagamento da dívida é preciso negociar saldo
FÁBIO GALLO
O Estado de S.Paulo - 05/09/11

Como fazer para pagar várias dívidas que totalizam aproximadamente R$ 50 mil, sendo que ganho mensalmente R$ 4 mil e preciso arcar com as despesas do mês.

Quando estamos no vermelho não há saída a não ser gastar menos e/ou ganhar mais. Mas para poder começar a sair da situação mais aguda vou reforçar uma conduta que tenho indicado há algum tempo. A estratégia começa por saber exatamente qual o valor de sua dívida. A seguir, leve esses valores a um especialista, o Procon ou órgãos similares na sua cidade, por exemplo. Verificados os valores das dívidas, deve-se propor aos credores um acordo com diminuição dos débitos. Nesse ponto há duas alternativas. 1) parcelar a dívida com o próprio credor; e 2) Obter um empréstimo mais barato, como exemplo, um empréstimo consignado ou crédito pessoal. Ao mesmo tempo, organize o orçamento familiar com detalhes e seus gastos devem ser separados na estrutura A, B, C e D. Se você ainda não conhece vamos lá: "A" de alimentar que são as despesas com alimentação da família (com toda a economia possível). "B" de básico são gastos de água, luz, etc. "C" de contornável que são aquelas coisas que fazem a vida melhor, mas numa emergência você deve cortar. "D" de desnecessário são os itens de despesas que nem você entende porque está gastando nisso e devem ser cortados imediatamente. Bom, a partir daí mantenha a tranquilidade porque quanto mais sereno você e familiares estiverem mais facilmente vão achar novas soluções para os problemas. Tenho certeza que vocês sairão rapidamente desse sufoco e viverão bem.

Tenho R$ 20 mil em ações. No mês isso é livre de imposto de renda, certo? Caso eu acumule R$ 1 mil de operações day-trade, além venda os R$ 20 mil, como fica o imposto de renda?

A alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre operações em bolsa é de 15% sobre os ganhos líquidos realizados na venda com ações (mercado à vista), termo e opções. Apurados mensalmente pela diferença entre o preço líquido de venda e de compra (descontados os custos operacionais e 0,005% de IR na fonte), para efetuar o pagamento deve ser preenchido um Darf. São isentos de IR as pessoas físicas cujo valor das vendas efetivadas no mês sejam inferiores a R$ 20 mil, mesmo que tenham realizado lucros no período. Os prejuízos, no mês corrente, obtidos com determinado ativo podem ser compensados com lucros realizados com outro ativo e, em caso de ocorrer prejuízo no mês, poderá haver compensação na próxima apuração. As operações day-trade são tributadas em 20% (IR na fonte de 1%) e devem ser tratadas separadamente das operações normais. Lucros obtidos em operações day-trade não podem ser compensados com prejuízos decorrentes de operações normais e vice-versa.

Moro em um apartamento financiado por um fundo de pensão. Esse financiamento foi feito em 1992 para ser pago em 20 anos. Portanto, deveria ser quitado agora em 2012, mas ainda restando saldo devedor a financiar. Porém, por causa de um elevado saldo devedor (chegou a R$ 130 mil) e prestações crescentes, me foi proposto uma repactuação ou refinanciamento até 2018. Tenho mais 8 anos a pagar e hoje a prestação é de R$1.035,00 subindo R$ 12/ R$ 14 a cada mês. O saldo devedor é declinante, hoje na faixa de R$ 65 mil. Não sei o porquê, mas dão somente um desconto de cerca de R$ 2 mil caso quite a dívida. Será que nessa repactuação, minha dívida foi securitizada? Ninguém no fundo explica. Já insisti por um desconto maior, mas foi em vão. Como possuo uma reserva num valor próximo ao do saldo devedor, pergunto se devo quitar o financiamento. A prestação está enquadrada no meu orçamento desde o início, mas é como se tivesse fazendo uma poupança muito forçada.

Conferir cálculos sempre é difícil sem ter a tabela completa e o contrato em mãos. Mas pelas informações contidas na sua pergunta, a minha avaliação é que a taxa de juros embutida na dívida é em torno de 12% ao ano, mais correção por algum índice que não identifico porque está corrigindo a prestação na faixa de 17% ao ano. Não dá para saber se a dívida foi securitizada, mas isso não importa porque o valor do débito (R$ 65 mil) está atualizado e não interessa para a instituição dar desconto para que você quite o saldo. Afinal, um bom devedor é o que toda instituição financeira quer. Vale a pena insistir um pouco mais e tentar algum desconto maior. Mas, qualquer que seja a resposta, não é recomendável você manter aplicações e ao mesmo tempo uma dívida, pois provavelmente a remuneração líquida que está sendo obtida pelo seu investimento seja abaixo do que está sendo pago de juros nas prestações.

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - Sem intermediários


Sem intermediários
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
 O Estado de S.Paulo - 05/09/11

A Índia está fazendo algo que mais parece ficção científica, uma mistura de 1984 e Admirável Mundo Novo. E que vai provocar um grande debate sobre os limites da democracia representativa, da privacidade e do controle do Estado sobre o indivíduo. Imagine fotografar 1,2 bilhão de rostos, escanear 2,4 bilhões de íris e coletar 12 bilhões de impressões digitais, juntar tudo isso num banco de dados digital, e torná-lo acessível pela rede de telefonia celular. Deve demorar 10 anos, mas já começou a acontecer.

O projeto chama-se Aadhaar e em pouco mais de um ano emitiu 30 milhões de números de identificação únicos para indianos de 13 dias de vida até 103 anos de idade. Participa quem quer, mas os atrativos para ganhar os 12 dígitos são muitos: com ele e sua impressão digital, qualquer um, mesmo o mais miserável sem-teto, pode abrir uma conta bancária, receber benefícios governamentais e descolar um telefone celular. Em vez de meses de idas e vindas de papelada, a identificação digital demora 8 segundos.

A meta é driblar a burocracia, evitar o desvio de recursos do equivalente local ao Bolsa-Família e diminuir as desigualdades de um país que é estratificado em castas e onde há oficialmente 400 milhões de pobres. O sistema está sendo implementado por uma espécie de "start-up" estatal, comandada pelo mais icônico "self-made man" indiano, o bilionário Nandan Nilekani, fundador da Infosys. Ele se afastou do seu império de software e terceirização de serviços de informática para tocar o projeto.

Os benefícios são óbvios, assim como os riscos. No limite, seria possível ao governo monitorar todos os cidadãos cadastrados, um verdadeiro Big Brother. Reportagem do The New York Times conta que as resistências foram grandes, mas o Aadhaar deslanchou graças ao aval do primeiro-ministro Manmohan Singh e - mais importante - da família Gandhi, que comanda o poderoso Partido do Congresso. Pode ser que tenham avalizado apenas pelo apelo eleitoral de diminuir a kafkiana burocracia da Índia. Ou não.

Identificação. O Aadhaar resolve o problema da identificação à distância. Através das câmeras dos celulares seria possível, em tese, identificar qualquer pessoa para realizar todo tipo de atividade, até votar. Hoje isso é impensável. Daqui a dez anos (ou menos) não será. O processo será tão fácil e rápido que pode colocar em xeque o sistema de democracia representativa, em prol da democracia direta.

É tudo o que os políticos e partidos não querem. Imagine uma votação instantânea dos eleitores do Distrito Federal cassando o mandato da deputada Jaqueline Roriz (aquela que foi absolvida pelos seus pares apesar de ter sido flagrada em vídeo recebendo dinheiro vivo). Ou decidindo pelo voto direto sobre a criação ou extinção de tributos.

A democracia direta pode ser também um atalho para a ditadura da maioria. Sem limites, favorece perseguições e ameaça direitos fundamentais do cidadão, dependendo de para onde o vento da opinião pública estiver soprando.

Mas as rebeliões em países democráticos como Espanha, Grécia, Chile e Inglaterra demonstram que a democracia representativa não satisfaz a nova geração de eleitores, que se sente excluída do processo decisório. Somem-se as novas tecnologias, as redes sociais e projetos como o Asdhaar e o resultado é um debate que pode ser adiado, mas não evitado para sempre.

E no Brasil?

O Tribunal Superior Eleitoral coletou as digitais (nada de escanear íris) de pouco mais de um milhão de eleitores até agora. Eles votaram em 2010 usando o indicador para se identificarem. Essas pessoas terão prioridade para receber o RIC (Registro de Identidade Civil), um número de identificação que substituirá o R.G. e, em tese, unificará CIC, PIS/PASEP e todos os outros cadastros federais.

O "em tese", no caso, é para ser levado a sério. O decreto diz que "os demais cadastros públicos federais (...) poderão adotar". Ou seja, não é compulsório. E os documentos velhos continuam valendo... Ou seja, o roteiro é o mesmo do "imposto único", que virou mais um: a CPMF.

Torcida. Num país onde cartório equivale a uma capitania hereditária, e TSE e IBGE têm códigos diferentes para identificar os mesmos municípios, é difícil acreditar que até 2018 você terá apenas um número de identificação federal para decorar. Mas se até a Índia - com seis vezes mais habitantes que o Brasil - está conseguindo, não custa torcer.

MÔNICA BERGAMO - PENHÃO NO ITAQUERÃO

PENHÃO NO ITAQUERÃO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 05/09/11

O promotor José Carlos de Freitas, da Habitação, faz novos questionamentos sobre o estádio do Corinthians, em Itaquera. Um estudo oficial apontou que metade do terreno da arena está na Penha. E sujeito, portanto, a dois zoneamentos diferentes. Deste lado, só são permitidas atividades até as 23h -o que inviabilizaria jogos noturnos e shows.


É PRA JACU
Outro questionamento é o fato de o Itaquerão ficar na área da Operação Urbana Rio Verde-Jacu, um projeto da prefeitura para promover melhorias na zona leste por meio de parcerias com a iniciativa privada. "Será que a isenção de R$ 420 milhões [concedida ao Itaquerão] é necessária se a operação prevê outros tipos de financiamento?", diz Freitas.

FICOU PARA DEPOIS
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, diz que "uma coisa não tem a ver com a outra. A operação é de regramento urbanístico, não define regra financeira". A Rio Verde-Jacu, afirma, não está sendo realizada porque o projeto passa por atualização.

PURO JAZZ A cantora Cris Oak, 25, filha de Orestes Quércia, faz show no dia 22 no Club A, em SP; ela conta que adotou o sobrenome artístico Oak porque em inglês significa carvalho, mesmo sentido em latim de Quércia



FUMAÇA
A novela Abilio Diniz/ Casino em torno de possível associação com o Carrefour, proposta pelo brasileiro, pode terminar em mais uma demanda judicial. Amparado no argumento de que os franceses rechaçaram a operação por "abuso de direito", ou capricho, Diniz pode buscar nas cortes apoio para levar adiante conversas com o Carrefour em torno de negócios independentes do Pão de Açúcar.

FUMAÇA 2
É grande a expectativa em torno de Diniz em relação a seus próximos passos. Na semana passada, o Casino e ele tiveram conversas tensas no Brasil.

NO SOFÁ
Roberto Carlos dará entrevista para Jô Soares ao voltar de Israel. E na plateia do estúdio, em SP, só estarão presentes funcionários da TV Globo que serão sorteados.

MINHA VIDA
O vice-governador Guilherme Afif lançará um site pessoal. Vai contar sua história com textos e fotos de infância, casamento e outros fatos marcantes. E disponibilizar vídeos de campanhas que protagonizou. Sua assessoria diz que a iniciativa nada tem a ver com as eleições de 2012 -ele nega que pretenda disputar a sucessão de Gilberto Kassab.

VELOCÍMETRO
E o SIL (Sistema Integrado de Licenciamento), lançado por Afif quando ele era secretário do Emprego para reduzir a burocracia na abertura de empresas paulistas, recebeu o Prêmio e-gov de excelência no atendimento eletrônico ao cidadão. O sistema reduziu o prazo de dois meses para dois dias úteis no caso de abertura de empresas de baixo risco, diz Afif.

SOMA
Os amigos de Vitor Gurman, atropelado por uma Land Rover, estão fazendo um documentário sobre violência no trânsito. Além de políticos e especialistas, ouviram a irmã de Carolina Santos, morta depois de colidir com um Porsche.

TRABALHO
Reynaldo Gianecchini será a estrela de uma campanha que promete levar três consumidores a Paris para jantar com ele na Torre Eiffel, em abril de 2012. O ator confirmou o contrato com a PepsiCo, dona da Coqueiro, depois de ter sido diagnosticado com câncer. A previsão é de que, até lá, já tenha finalizado o tratamento que iniciou no mês passado.

TRILHA SONORA
Preta Gil fará um show gratuito na praça do shopping Cidade Jardim no próximo dia 12. A atração faz parte do evento Fashion's Night Out, promovido pela "Vogue" no mundo todo. Na ocasião, as lojas de alguns centros de compras ficarão abertas até a meia-noite.

EU E VOCÊ, VOCÊ E EU
A peça "A História de Nós Dois", de Lícia Manzo, protagonizada por Alexandra Richter e Marcelo Valle, estreou na quinta, no teatro Gazeta. A direção é de Ernesto Piccolo. Os atores Suely Franco e Flavio Faustinoni compareceram à sessão para convidados.

IMAGEM REFLETIDA
Iran do Espírito Santo inaugurou exposição na semana passada, na galeria Fortes Vilaça. A artista Valeska Soares, a galerista Márcia Fortes e o curador francês Marc Pottier circularam pelo vernissage.

CURTO-CIRCUITO

A Filarmônica Bachiana toca no teatro Eva Herz, no lançamento de biografia de João Carlos Martins.

Os Solistas de Paulínia tocam hoje no Cultura Artística Itaim. Dez anos.

Kascão Oliveira e Fabricio Marques dão curso de drinques no bar Anexo SB.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Pelas prévias no PT
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 05/09/11

O novo Datafolha sobre a sucessão paulistana dá combustível a um movimento interno do PT em defesa das prévias para a escolha do candidato, apesar da campanha aberta de Lula por Fernando Haddad. Estão nessa não apenas simpatizantes de Marta Suplicy e dos demais postulantes à vaga, mas também gente que gostaria de ver o ministro da Educação suar um pouco a camisa antes de levar o prêmio.
Com o objetivo de aplicar uma injeção de ânimo na petista, um grupo de apoiadores jantou com Marta logo depois da abertura do congresso do PT em Brasília, na sexta. Saíram de lá dizendo que, apesar de incomodada com o processo, ela ainda não jogou a toalha.


Na mesa Caso o cenário das prévias se consolide com cinco candidatos - além de Marta e Haddad, Jilmar Tatto, Carlos Zarattinie Eduardo Suplicy se colocam no páreo -, a disputa só deve se resolver num segundo turno.

Veja bem No esforço para vitaminar o tempo de TV de Haddad, Lula procurou o PRB, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Ouviu como resposta que o agora abortado projeto do "kit gay" do MEC dificulta o apoio da sigla ao ministro.

Via alternativa Em compensação, estão abertas as conversas do PRB com Gabriel Chalita( PMDB).

Dúvida cruel Pressionado a transferir o domicílio eleitoral de São José do Rio Preto para a capital, Aloysio Nunes (PSDB) manifesta aos aliados mais próximos grande preocupação. O senador acha que, se fizer o movimento, acabará forçado a se lançar candidato, sob pena de pagar um mico semelhante ao de Ciro Gomes (PSB) na eleição de 2010.

Fulminante Dilma Rousseff cruzou com o presidente da Câmara, Marco Maia, no palco da abertura do Congresso do PT. Foi direta: "Tudo bem você votar a emenda 29. Mas quero saber de onde vai sair o dinheiro"!

Mediação 1 Aliados empenhados na tentativa de baixar a temperatura da rusga entre Planalto e Judiciário enxergam duas frentes de negociação para resolver o impasse em torno do aumento salarial da categoria: uma das opções seria escalonar o reajuste e assim diluir o impacto dos R$ 7,7 bilhões até 2014. Outra seria convencer o Judiciário a diminuir despesas com custeio.

Mediação 2 A grande preocupação do Planalto é que a pressão do Judiciário leve outras categorias que também ficaram sem reajuste previsto no Orçamento a cobrarem igualdade. "Se a mobilização aumentar, a conta corre o risco de estourar", afirma um petista.

Nos trilhos O comitê paulista da Copa recebe nesta semana consultores alemães especializados em logística e marketing. Após visita às obras do Itaquerão, o grupo, que atuou nos Mundiais de 2006 e 2010, analisará o plano de transporte público para o estádio.

Olha a hora Enquanto não avança a concessão dos relógios instalados nas ruas paulistanas, o comitê da Copa quer usá-los para identificar a cidade como sede da competição. O pleito foi submetido à Comissão de Proteção à Paisagem Urbana da prefeitura da capital.

Para todos São Paulo apresentará à Fifa a proposta de "Fan Fest Acessível". A área dos estádios destinada a portadores de deficiência visual terá audiodescrição das partidas. Metrô e CPTM trabalham no projeto de avisos sonoros no idioma das seleções alojadas na cidade.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Na semana da liberação de Jaqueline Roriz (PMN-DF), Maluf comemorou com pompa e circunstância seu próprio salvo-conduto."
DO DEPUTADO IVAN VALENTE (PSOL-SP), sobre a presença de Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Aldo Rebelo e Michel Temer, entre tantos outros, na festa de 80 anos do ex-prefeito.

contraponto

Tô fora


Em passagem relatada no livro "O que sei de Lula", de José Nêumanne Pinto, Cláudio Lembo foi ao sítio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para apresentar ao petista um pedido do então chefe da Casa Civil de João Baptista Figueiredo, Golbery do Couto e Silva, para que Lula apoiasse publicamente a volta dos exilados no projeto de anistia do governo. Resposta:
-Olhe, dr. Cláudio, quem está precisando de anistia é a classe trabalhadora. Ela está apanhando feito mala velha e vêm esses caras que passaram o tempo todo em Paris tomando vinho querer mandar na gente?

MARCIA PELTIER - Menos fuzis na praça


Menos fuzis na praça 
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 05/09/11

A Campanha Nacional do Desarmamento fechou o mês de agosto com cerca de 18 mil armas recebidas em todo o país. No Rio foram entregues 2.520 armamentos de diversos tipos. É também o estado que mais recolheu fuzis – 13 dos 55 recebidos na mobilização. O Ministério da Justiça prepara uma segunda etapa da campanha a ser lançada em breve.

Independência marítima
Além da parada militar no Aterro do Flamengo, a festa de 7 de Setembro terá, este ano, um desfile naval pela orla marítima do Rio, da Marina da Glória até a Barra da Tijuca. Apesar dos protestos agendados por bombeiros - além daqueles que farão a marcha contra a corrupção, na Cinelândia - o governador Sérgio Cabral manteve sua participação no palanque das autoridades, em frente ao Monumento dos Pracinhas. A festa, este ano, será organizada pela Marinha.

Em expansão
O Grupo Aliança, companhia que reúne corretoras de diferentes segmentos, acaba de selar parceria com mais duas empresas. Fechou com a Prudente, que oferece seguro de pessoas e residencial, e com a Infinite, especializada no setor náutico, condomínios e automóveis. Com isso, a empresa passa a contar com 18 corretoras espalhadas entre Rio e São Paulo. Com a chegada das novatas, a organização, que registrou produção de R$ 172 milhões em 2010, pretende crescer 15% até o fim do ano.

Casa nova
A cantora Maria Gadú é a nova moradora de São Conrado. A paulistana comprou um apartamento há cerca de um mês. Mesmo com a agenda cheia de shows e ensaios, ela faz questão de ver pessoalmente detalhes da decoração. Tem misturado móveis vintage e moderninhos.

Rogéria, o filme

A Ancine acaba de dar o ok para que a produção do documentário Rogéria – Frente e Verso comece a captar recursos da ordem de R$ 552 mil. A diretora Beth Sá Freire tem pressa de homenagear o ícone transformista, depois de constatar que não há registro cinematográfico sobre a artista. “Se o Brasil é mais tolerante hoje em dia, muito se deve à Rogéria”. Ela, por sua vez, só não concorda com a ideia de ser submetida a uma espécie de Big Brother e ter sua intimidade registrada. “Tenho uma carreira de 48 anos a zelar, um prêmio Mambembe e a família brasileira gosta de mim”, diz Rogéria.

A rodo

O Índice Antecedente de Vendas, apurado pelo Instituto de Desenvolvimento do Varejo, apontou alta de 6,9% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa para setembro e outubro também é de crescimento, respectivamente de 6,5% e 6,8%. Entre os segmentos do varejo, o de bens semiduráveis (vestuário, calçados, livrarias e artigos esportivos) é o que mais se destaca, com projeções de alta de vendas entre 7% e 11%.

Roteiro cultural

O arquiteto Chico Vartulli, nomeado coordenador de art déco do Pólo Lido, vai guiar moradores, turistas e estudantes em caminhadas de descoberta do enorme tesouro arquitetônico do bairro nesse estilo. Chico avalia que há, pelo menos, 15 prédios dignos de observação. Ele contará com o aval da Associação de Moradores do Bairro para ter acesso às portarias dos edifícios.


JK e a dureza

O documentário franco-brasileiro JK no exílio – dirigido por Bertrand Tesson e produzido por Charles Cesconetto – só terá lançamento no Rio dia 1º de outubro, no Museu da República, mas, antes disso, dia 12, será exibido na TV Universitária. Entre várias revelações surpreendentes está o depoimento do acadêmico Arnaldo Niskier a respeito de um pacote que levou pessoalmente a JK, então em Nova York, com US$ 7 mil em espécie. “Juscelino passava necessidade nos EUA e fui encarregado de entregar em mãos o pacote mandado pelo amigo de todas as horas, Adolpho Bloch, dono da Manchete. Fiquei impressionado com a dureza financeira daquele homem a quem os militares acusavam de se detentor da sétima maior fortuna do mundo”.

Sem seguro

A Casa e Vídeo terá de pagar R$ 6 mil para Jefferson de Oliveira, que comprou uma filmadora em uma das lojas do grupo, com direito a seguro de um ano do produto. Quatro meses após a compra, o consumidor teve o equipamento furtado, entrou em contato com a empresa, mas não conseguiu a restituição do bem. A empresa ainda terá que entregar outra filmadora a Jefferson. A decisão é do desembargador Carlos Eduardo Moreira da Silva, da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio.

Livre Acesso

O programa Marcia Peltier Entrevista recebe, amanhã, o médico dermatologista Fábio Cuiabano. Com especialização pela Santa Casa do Rio e, também, pelo Hospital Mount Sinai, em Nova York, Fábio fala sobre a combinação estética e saúde no século XXI. A entrevista começa às 23h, na rede CNT.

O advogado Hermann Baeta recebe, hoje, a Medalha Abreu de Lima, da Casa da América Latina, em coquetel na Sociedade de Arquitetos do Rio de Janeiro, às 18h, na Glória.

A cantora Marianna Leporace lança amanhã, no Teatro Rival, no Rio, o CD Interior. Esse é o quarto disco da cantora com formação lírica e popular, que já gravou Baden Powell e fez participação no show de Ivan Lins, no Canecão.

O ministro do TCU Benjamin Zymler estará hoje, no TCE-RJ, para participar de debate, a partir das 10h, sobre o Regime Diferenciado de Contratações Públicas que será adotado para os grandes eventos esportivos, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

O poeta e agitador cultural Jorge Salomão declama, hoje, na exposição Tukuruman de Mamoremê, da artista plástica Maria Vasco, na galeria Candido Mendes do Centro, a partir das 18h. Os poemas, de autoria da própria Maria, foram escritos numa língua inventada por ela, o mamoremês, com fonética entre o japonês e as línguas indígenas brasileiras.

O CasaShopping firmou parceria com a Casa do Saber e apresenta uma série de palestras gratuitas para os seus clientes. Com a proposta de unir cultura e décor, os encontros, que ocorrerão no Espaço Casa, trarão temas como história da arte, filosofia, literatura, tecnologia, moda, comportamento, filosofia e design.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

GOSTOSA


CARLOS ALBERTO SARDENBERG - Entre a economia e a política


Entre a economia e a política
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O Estado de S.Paulo - 05/09/11

Reduzir juros, sendo ou não a opção correta de política monetária, é sempre uma boa jogada de propaganda e marketing. Tem todos os ingredientes para um discurso tipo pobres contra ricos, trabalhadores contra os que vivem de renda e empresas que geram empregos contra banqueiros sanguessugas.

Já cortar gastos públicos, de novo, sendo ou não uma correta política econômica, pode gerar boa ou má propaganda. É boa quando se faz o discurso de atacar o desperdício, a ineficiência e a corrupção dos governantes. Mas tira votos quando se deixa passar a impressão de que o governo está cortando serviços destinados aos mais pobres.

No curto prazo, o efeito político não tem nada que ver com a correção e a eficiência das medidas. A avaliação técnica é sempre complexa e sujeita a debates entre analistas de diferentes tendências. Já a avaliação do povo depende dos resultados da política econômica e monetária, o que normalmente se percebe em prazos mais longos.

A conclusão, que a história sempre repete, é esta: políticas (e líderes) populares hoje podem se transformar em imenso desastre mais à frente; e inversamente. Há ocasiões em que o popular de curto prazo se combina com o correto duradouro, mas isso é raro.

Aconteceu, por exemplo, com Fernando Henrique Cardoso no lançamento do Real, em 1994. A população percebeu imediatamente o valor da moeda e antecipou o benefício do fim da inflação. Mas, ao final do segundo mandato, FHC chegou desgastado e não conseguiu reconhecimento pelo amplo conjunto de reformas estruturais que deixou como legado duradouro e que garantiram a estabilidade até hoje. É certo que, com o tempo, esse reconhecimento virá. Na verdade, já está aparecendo, mas quem continua no governo é o PT, que chegou lá esculhambando a era FHC para, depois, assumir seus fundamentos.

Já Lula surfou e ainda surfa na alta popularidade, mas o julgamento posterior será mais severo. De certo modo, já está ocorrendo, com as punições a ministros de seu governo e as mudanças na política econômica.

O que nos coloca no tema da hora: essa política econômica da presidente Dilma Rousseff está em qual categoria? Há duas questões: 1) será correta e/ou eficiente para os objetivos de conter a inflação e garantir o crescimento sustentado?; e 2) será politicamente positiva?

Parece que a presidente vai bem no quesito político-popular. A "faxina" cai bem com o público. Combater os corruptos é tiro certo. A redução da taxa de juros básica também rende boa propaganda.

É verdade que a decisão do Banco Central suscitou um vendaval de críticas, mas estas provavelmente chegarão ao eleitorado como uma brisa. A questão técnica não pode ter um veredicto fechado. O governo e seus aliados arranjam seus argumentos e apresentam nomes reconhecidos na mídia para defendê-los. Além disso, só se pode dizer que o Banco Central acertou ou errou considerando hipóteses e expectativas e avaliando situações que mudam a todo instante.

Resumo da ópera neste primeiro ato: a presidente Dilma marcou dois gols.

Conseguirá manter o resultado? E, mais importante, o que tem sido bom para o governo será bom para o País?

A faxina parou antes de se concluir a limpeza. Talvez a presidente e seus colaboradores considerem que as cabeças de alguns ministros já foram suficientes para, como se diz, consolidar a marca. Feito isso, Dilma voltou suas atenções para preservar a base partidária, que não estava gostando nada dessa história de limpeza. Inclusive os lulistas estavam bronqueados.

Portanto, faxina feita e não se fala mais nisso.

Mas essa estratégia depende de dois fatores: o aparecimento de novos casos de corrupção na imprensa e a capacidade da oposição de transformar denúncias em desgaste da presidente e seu governo. O primeiro fator é provável. O segundo, duvidoso.

Isso no curto prazo. Para além disso, a questão é outra. As denúncias têm mostrado, mais do que a corrupção, a tremenda ineficiência na gestão pública. Se o sistema político impede uma ação mais vigorosa aqui, eis um entrave ao crescimento.

E a nova política econômica? A queda dos juros pegou no popular. Do ponto de vista técnico, pode deixar uma inflação elevada por um período amplo, e o povo não gosta de inflação. Mas isso só será percebido pela população quando a combinação de preços em alta e atividade econômica em baixa reduzir o nível de emprego e dos reajustes salariais.

Portanto, a presidente Dilma tem algum tempo para testar essa nova política. O conjunto proposto por ela faz sentido teórico: um forte e duradouro ajuste nas contas públicas é a contrapartida correta para a redução dos juros.

Mas tem de ser ajuste efetivo. Já há projetos no Congresso Nacional. Por exemplo: a lei que muda a aposentadoria dos servidores públicos, igualando-a à do INSS; ou o projeto que limita em 2,5% o aumento real com gastos com pessoal; a redução de vários benefícios de pensões - para citar apenas alguns dos mais polêmicos, que afrontam diretamente as bases do governo e são impopulares.

O ajuste recente alardeado pelo governo é só isso mesmo, propaganda. Simplesmente, o governo deixou de gastar um excesso momentâneo de arrecadação. Foi um álibi para o Banco Central reduzir os juros.

Ficamos assim, portanto: a presidente Dilma cancelou, na prática, a autonomia do Banco Central e levou-o a reduzir juros contando com um ajuste fiscal futuro e duvidoso.

Um baita risco. Ela simplesmente pode colher inflação elevada e crescimento raso, uma bomba política e econômica. Terá ela tudo planejado ou está seguindo assim no vai-da-valsa?

MARIA INÊS DOLCI - Cidadania para o consumidor


 Cidadania para o consumidor
MARIA INÊS DOLCI
FOLHA DE SP - 05/09/11
É necessário educar o consumidor para que ele saiba, no mínimo, quando alguém quer enganá-lo
Nome limpo é um dos principais valores para o consumidor de baixa renda. Sem ele, não consegue fazer compras a prazo, contrair um empréstimo ou até trabalhar com registro em carteira.
Ser considerado devedor, portanto, é sinônimo de portas fechadas no comércio, nos bancos e no mercado de trabalho.
Por isso, aterroriza-se quem recebe ligação de uma "empresa de cobrança" informando que há dívidas pendentes e que o nome passará a constar dos registros do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) ou do Serasa.
Na verdade, o golpe é a cobrança de dívidas que já estouraram o prazo legal, ou seja, não existem mais.
Na maioria das vezes, elas já foram até oficialmente contabilizadas como passivo pelas instituições financeiras.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) proibiu, recentemente, os cartórios de protesto de enviar títulos para listas de devedores sem o "aceite" do consumidor.
Isso deveria evitar a picaretagem, mas milhões de pessoas desconhecem seus direitos. Recebem uma ligação ameaçadora, assustam-se e se propõem a renegociar os débitos. Os criminosos que compraram um cheque vencido agradecem e embolsam o dinheiro ilegalmente.
Fica evidente a falta que faz a educação para o consumo, desde cedo, em escolas públicas e privadas, obrigatoriamente. Governos investem tanto em publicidade laudatória com objetivos políticos e tão pouco para ensinar e para esclarecer os direitos dos cidadãos.
O CNJ fez a sua parte, mas muitos continuarão a ser enganados por se sentirem desamparados e não ter condições de consultar um advogado. A Justiça, para parcela expressiva da população, parece um ente abstrato, voltado exclusivamente para proteger quem nasceu em berço esplêndido.
O CDC (Código de Defesa do Consumidor) é um arcabouço legal avançado e moderno. Mas quantos o conhecem e sabem usá-lo como referência ao adquirir produtos e serviços? Quantos entendem o que significam seus artigos e disposições?
Na Prova ABC, que mediu o desempenho dos estudantes brasileiros de escolas públicas e privadas, pouco mais da metade dos alunos demonstrou habilidade de leitura, embora tivessem concluído o terceiro ano do ensino fundamental.
É essa realidade que dificulta a aplicação do CDC. Estamos falhando miseravelmente na divulgação de um código que faz a diferença na vida das pessoas, enquanto há um processo de ascensão às classes C e D, com a consequente ampliação do número de pessoas que compram comida, roupas, calçados e medicamentos.
O golpe das velhas dívidas já vencidas, cobradas como se ainda valessem, é só a ponta do iceberg dos abusos cometidos contra pessoas que se consideram indefesas. E que, na maioria das vezes, desconhecem a quem e como recorrer.
No capítulo 2 do CDC, que trata da Política Nacional de Relações de Consumo, são definidos os princípios que devem ser atendidos para haver mais transparência e harmonia. Dentre eles, a educação e a informação de fornecedores e de consumidores sobre seus direitos e seus deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo.
É justamente o que não tem ocorrido, o que abre espaço para golpes de todos os tipos.
Talvez nem fosse preciso ensinar especificamente uma disciplina exclusiva sobre o CDC. Bastaria, por exemplo, em matemática, dar aulas práticas sobre como calcular o quanto um produto fica mais caro se for comprado a prazo. Em português, explicar expressões básicas das relações de consumo -como o que é contrato abusivo.
Nas aulas de ciências, mostrar como identificar o prazo de validade de um produto, o teor de sal e de gorduras. Organizar palestras e visitas a órgãos públicos e privados de defesa do consumidor. Contar a história das relações de consumo. E mostrar como lutar por seus direitos.
Já há toda uma estrutura ministerial e de órgãos que tratam do consumidor. É urgente, porém, educar o consumidor brasileiro para que ele saiba, no mínimo, quando tentam enganá-lo.

*MARIA INÊS DOLCI, 56, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores. Escreve às segundas-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.

LÚCIA GUIMARÃES - Saudosismo


Saudosismo
LÚCIA GUIMARÃES
O Estado de S.Paulo - 05/09/11

NOVA YORK

Não sei se foi a ameaça do furacão Irene, que nos fez tirar velas e lanternas do armário, encher baldes e pensar na contingência de faltar água e eletricidade. Ou, quem sabe, o cada vez mais popular governador de Nova York, Andrew Cuomo. Ao falar à população sobre os preparativos para o furacão, Cuomo teve a audácia de recomendar: "Vão ler um bom livro".

Ou, talvez, foi o clima de comunidade em Manhattan que me lembrou os apagões diários do verão carioca quando eu era menina. Apagão com hora marcada, no começo da noite, para mim, era o momento de não temer assaltos, ter a atenção incondicional dos adultos, colocar cadeiras na calçada, jogar conversa fora, fazer o tempo parar.

Saudosismo, aviso aos mais jovens, não é monopólio do passar dos anos. No meu dicionário, pode ser a nostalgia pelo que poderia ter sido, ou o que quase aconteceu outro dia.

Quem diria que George W. Bush poderia arrancar de mim um suspiro. Não precisa esfregar os olhos ou limpar a lente dos óculos. Sim, George W. Bush. Adivinhe quem deportou 1 milhão de imigrantes em 2 anos e meio de mandato, um aumento significativo sobre as deportações no governo anterior? Acertou quem disse Barack Obama, o presidente da esperança que, quando candidato, lamentava as pobres mães latinas que não podiam amamentar seus bebês, separadas dos filhos pela temida polícia da Imigração.

E o governo brasileiro na ditadura militar? Como é fácil fazer a lista de excrescências atribuídas à ditadura militar. Mas minha tempestade tropical de saudosismo andou revirando fatos incômodos. Como o prefeito Mike Bloomberg mandou a gente não sair de casa antes do Irene, passei um dia flutuando no ócio, este poderoso abridor de baús da memória. Lembrei do tempo em que palavras como massacre e genocídio acendiam a luz da indignação, fosse na calçada da Avenida Paulista ou nos corredores do Itamaraty. E me perguntei quem poderia, a esta altura, acomodar o sanguinário presidente sírio Bashar al-Assad? Errou quem pensou no general Garrastazu Médici.

Quando era estagiária numa redação, minha imagem da censura era verde-oliva. As coisas eram um pouco mais claras. Nós queríamos informar, a maioria queria ser informada e uma minoria uniformizada metia a tesoura. Hoje a fonte de medo na mídia não é um governo ilegítimo, mas uma corporação que possa cancelar a publicidade. O filtro da informação é invisível e muitas vezes autoimposto, sem que o clique da tesoura seja ouvido. Não estou com saudade dos uniformes, é claro, mas da definição dos papéis.

E a língua portuguesa? Será que voltaremos ao tempo em que "Nós pega o peixe?" não será o português ensinado num livro sancionado pelo governo, sob o pretexto de não ferir a sensibilidade dos que já são prejudicados pela falta de oportunidades e acesso à boa educação?

Num fim de noite, na semana passada, a Lizzie Bravo me mandou um link do YouTube, fui conferir e, por um momento, achei que estava voltando a um bom tempo. Havia a brava e talentosa musicista Joyce Moreno no comando e um elenco que incluía jovens de quem nunca ouvi falar. Então não é passado, pensei, porque, mesmo que a Joyce tenha a mesma cara ano após ano, aquela gurizada faz parte do futuro. Que alívio no presente. E que presentão da Joyce. A série No Compasso da História começou a ser exibida ontem no canal 14 da NET carioca (reprise da estreia na quarta-feira) mas, se prevalecer o bom-senso, há de migrar para outros Estados. Com 15 documentários de 1 hora e 150 canções que formam uma viagem pela história do Brasil, No Compasso da História é vitamina B12 na veia de quem recorre às memórias para acreditar no que vem por aí.

MEMÓRIA


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Setor químico fecha mais de mil unidades em 20 anos
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 05/09/11

Combalida pela concorrência da importação, a indústria química brasileira já fechou 1.470 unidades produtivas no país, desde o Plano Collor até 2011, segundo estudo da Abiquim (associação do setor), que será finalizado nos próximos meses.
Uma fábrica pode reunir várias unidades de produção.
O reflexo disso na balança comercial do setor tem sido um aumento de US$ 11 bilhões de dólares por ano nas importações, segundo Fernando Figueiredo, presidente da entidade.
As importações brasileiras de químicos giram em torno de US$ 33 bilhões ao ano. Até maio, US$ 15 bilhões foram importados pelo país.
"O estudo mostra que as principais causas são as perdas de competitividade devido à matéria-prima que entra com preços inadequados, além de distorção tributária."
O mercado brasileiro de produtos químicos cresceu 7,7% nos últimos 12 meses até julho, enquanto a produção do país caiu 1,9%.
"E as importações cresceram 27,9%", afirma.
Pela primeira vez, na semana passada, a Abiquim se reuniu com representantes de sindicatos de trabalhadores da indústria para estabelecer uma estratégia conjunta sobre as necessidades do setor.
O levantamento será posteriormente enviado ao governo. A ideia é pedir a criação de um conselho de competitividade do setor.

VENTO ARGENTINO
A argentina IMPSA, de produtos de energia elétrica, aumentará a produção de geradores eólicos da sua fábrica de Pernambuco em 66%. Para passar a produzir dez equipamentos por semana (hoje são seis), serão investidos R$ 35 milhões.
A empresa também deve inaugurar sua segunda planta no Estado no ano que vem (R$ 250 milhões estão sendo aplicados) e estuda a instalação de uma outra unidade no Rio Grande do Sul. "O Brasil é o nosso mercado principal nesse setor hoje. Fica com 90% da nossa produção mundial de equipamentos eólicos", afirma o CEO, Luis Pescarmona.
Dos 500 geradores que serão fabricados por ano na fábrica, dois terços ficarão no Brasil. Um terço será exportado para Argentina, Uruguai, Peru e Venezuela.

SEM DESPERDÍCIO
A Fatec de Piracicaba começou a fazer pesquisa com melancias e frutas descartadas pelo Ceasa da cidade na produção de biocombustível.
O volume de frutas desperdiçadas no mercado chega a 300 quilos diariamente, de acordo com a Fatec.
Alunos da instituição começaram a desenvolver a fermentação de frutas como amora, abacaxi e carambola para a produção de cachaça desde o ano passado.
O biocombustível vem em seguida, pois necessita de uma destilação a mais.
O combustível de frutas é considerado tecnicamente viável, mas não é tão vantajoso quanto os de cana e milho.
A produção do biocombustível de frutas ainda é feita em escala laboratorial. A meta é ampliá-la até o fim do ano.

APORTES PARA CANA
As produções de açúcar e álcool são as que receberão maiores investimentos nos próximos dois anos, segundo estudo da SNA (Sociedade Nacional de Agricultura).
Os dois produtos são considerados prioridades para 14% dos entrevistados.
Em seguida aparecem a produção de grãos e a pecuária de corte, com 12,4% e 11,1%, respectivamente. No que se refere às divisões do processo industrial, a parte de logística receberá o maior volume de aportes, de acordo com 11% dos entrevistados da SNA.
As falhas de infraestrutura do país e os juros elevados são considerados os principais obstáculos ao investimento no agronegócio.

TORNEIRA ABERTA
A Fabrimar, especializada em metais para banheiros e cozinhas, como torneiras e chuveiros, vai investir R$ 80 milhões até 2014 para ampliar os negócios e modernizar sua planta no Rio.
A injeção de recursos ocorre no momento em que a empresa passa por processo de profissionalização, com a contratação de uma nova diretoria.
"A empresa, que completará 50 anos, era totalmente familiar. Agora já tem novos nomes, vindos do mercado, para as áreas comercial e financeira. O próximo será um diretor industrial", diz o novo presidente, Pedro Orsini.
Os planos de crescimento para o futuro podem ocorrer por meio de aquisições ou investimentos dos acionistas, segundo Orsini. "A empresa também tem capacidade de alavancagem", afirma.

Estrada A Wizard fechou contrato para abrir sua primeira em San José, na Costa Rica, no primeiro semestre de 2012. A expectativa é que 15 unidades estejam em funcionamento até 2015.

Eficiência Novo modelo energético da Petrobras irá gerar economia de R$ 10 milhões neste ano. A compra de energia passou a ser feita de uma hidrelétrica que é enquadrada como não emissora de CO2.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

VINICIUS MOTA - Mesmice renovada


Mesmice renovada
VINICIUS MOTA
FOLHA DE SP - 05/09/11
SÃO PAULO - O efeito imediato do Datafolha publicado hoje deve ser o afastamento de José Serra da disputa pela prefeitura paulistana. A opção pelo seu nome, nos dois cenários analisados, não chega a 20%.
Nas especulações dos partidos, já era dada como remota a chance da presença de Serra em 2012. O próprio ex-governador dissuadia cogitações, pois acalenta concorrer de novo ao Planalto em 2014, mas o fazia no modo "sem querer querendo" dos tucanos.
A baixa pontuação de Serra na pesquisa -há menos de um ano, obteve 40% dos votos da capital no primeiro turno para presidente- e sua alta rejeição (32%) abrirão de vez a disputa no PSDB. Fala-se com seriedade até em prévia entre postulantes, um raio em céu azul na trajetória de acordos de mandachuvas no partido.
Mandachuvas e rejeição, aliás, tornam difícil uma nova tentativa de Marta Suplicy. Na dianteira dos cenários testados, pontuando ao redor de 30%, a petista é refutada por outros 30% e pelo aiatolá do PT, o líder supremo Lula da Silva -que abençoou o ministro Fernando Haddad, com pouco mais de traço no Datafolha.
Então, dizem os otimistas, teremos renovação na cédula para a prefeitura. Noves fora a chance de participação de Guilherme Afif, 67, pelo PSD kassabista, e Aloysio Nunes, 66, pelo PSDB, vai cair a média de idade e de milhagem na política.
Mas avalie, leitor, os nomes que ficam em termos de potencial, ideias, currículo e comprometimento para administrar a maior cidade da América do Sul. Alguma chance de São Paulo, nos próximos quatro ou oito anos, passar por gestões transformadoras, como as que Rudolph Giuliani e Michael Bloomberg representam para Nova York desde o início dos anos 1990?
Não corremos esse risco. Ser prefeito de São Paulo tem sido um ponto mediano no carreirismo de políticos que almejam voos mais altos. Assim permanecerá.

CLÁUDIO HUMBERTO


Bancada evangélica pressiona por ministérios

A presidenta Dilma Rousseff determinou à ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) que abra espaço na Esplanada para o Partido Social Cristão (PSC) e o Partido Republicano Brasileiro (PRB). A bancada evangélica pressiona o governo por cargos no alto escalão e sonha com vaga em eventual minirreforma no fim do ano. A ministra já mapeia cargos em aberto do segundo escalão para a turma.

Por pouco
Com 19 deputados, o PSC quase ganhou o Ministério do Turismo na transição. Escapou de uma grande encrenca com a Polícia Federal.

Cadê?
O PRB reclama que não tem mais o mesmo espaço sem o ex-vice José Alencar. Tem um senador e 10 deputados. E nenhum ministério mais.
Vai e vem
Por encrencas variadas, pelo menos duas pastas estão na lista negra do Palácio do Planalto: Turismo, que nem o PMDB quer mais, e Cidades.

Aval
O ex-presidente Lula avisou aos mineiros que deixa o PT ficar na chapa com PSB e PSDB na eleição municipal, desde que um petista seja vice.

OAB vai ao Supremo contra doações eleitorais
A Ordem dos Advogados do Brasil ingressa hoje com ação no STF requerendo a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos (Leis 9.096/95 e 9.504/97) que permitem doações de empresas às campanhas políticas. A OAB considera o financiamento privado "uma forma de incentivo à corrupção, ao tráfico de influência e supremacia do poder econômico sobre o político". Muita gente vai chiar, sem razão.
Central de boatos...
O governo federal identificou a Carioca, empreiteira de médio porte do Rio, ligada ao PSDB, como uma central de boatos contra concorrentes, em disputas por obras em aeroportos, rodovias e Ministério da Saúde.

...e de acertos
A empreiteira está na alça de mira do governo e seus investigadores, sobretudo na área da CGU, porque seu objetivo seria melar processos, jogar fumaça sobre eles e provocar acertos em prejuízo do contribuinte.

Não pagou Mickey
Diretor da Infraero informa que a estatal recuperou o juízo e abortou a viagem de dois gerentes para aprenderam na Disney, com recursos do contribuinte, sabe-se lá o quê. A dupla já estava de check-in nas mãos.
Surto
Kadafi surtou: sua cidade natal, Sirte, agora é "a nova capital da Líbia".

Filho ingrato
A União Nacional dos Estudantes (UNE), que recebeu cerca de R$ 40 milhões do governo Lula e deu nó no trânsito de Brasília quarta (31), está inadimplente no cadastro da Fazenda, revela o site Contas Abertas. O total do débito é sigiloso, mas a ficha suja acima de R$ 1 mil.

Turcos na zona
Em visita a Suframa, o embaixador da Turquia, Ersin Erçin, anunciou o interesse de investidores turcos no polo de Manaus. E revelou que isso será tema da visita da presidenta Dilma a Turquia, em outubro.

Briga pelo TCU
O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) está em campanha para fazer do deputado Átila Lins (PMDB-AM) ministro do Tribunal de Contas da União. Vai conversar e pedir apoio ao líder do PT, Paulo Teixeira (SP).

Alvíssaras, vereador
O presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, contou com muita graça - respondendo a e-mail de um alagoano - a história de um vereador eleito "com espantosa votação" em São Luís (MA), nos anos 60: "Era uma figura simpática, inteligente, com excelente memória para números, inclusive. Mas não gostava de ler nada, nem jornal. Tinha dificuldade para ler discurso. Algumas palavras ele as pronunciava com certa empáfia, distorcendo-as. Então, uma vez ele disse com muita convicção - 'Senhor Presidente, tenho uma notícia jussareira para Vossas Excelências...'
Com todo o respeito, seus nobres colegas, segurando o riso, franziram as laterais da boca como se mastigassem os lábios. O homem queria dizer 'notícia alvissareira'."
É vero
Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, grande parte do dinheiro das campanhas "é depois subtraída dos cofres públicos".

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: OAB: arquivar homicídios aumenta impunidade

Folha: Marta larga na frente na disputa pela prefeitura

Estadão: PT cria brecha para formar alianças até com oposição

Correio: PT abre alianças e recua sobre o controle da mídia

Valor: Novo Código deverá reduzir risco jurídico para empresas

Jornal do Commercio: Falta espaço na areia

Zero Hora: Recorde em máquinas puxa vendas na Expointer