quarta-feira, agosto 31, 2011

MERVAL PEREIRA - Falta de respeito


Falta de respeito 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 31/08/11

Quando o Supremo Tribunal Federal decidiu, com o voto decisivo do recém-nomeado ministro Luiz Fux, que a Lei da Ficha Limpa só valeria para a eleição de 2012, não podendo ser aplicada na de 2010, a senadora Marinor Brito, do PSOL, considerada eleita porque dois candidatos - Jader Barbalho e Paulo Rocha - foram enquadrados na nova lei, perguntou, indignada, temendo perder o mandato: "A Constituição diz que pode ser corrupto em 2010 e não pode em 2012?"
A mesma pergunta pode ser feita hoje, diante da decisão da Câmara de não cassar a deputada Jaqueline Roriz, flagrada em fita de vídeo recebendo dinheiro em 2006 do esquema do ex-governador José Roberto Arruda em Brasília.
O que os senhores deputados decidiram, em última instância, é que um político pode ter matado ou roubado antes de ser eleito que estará protegido pelo seu mandato se tiver conseguido esconder o crime até ter sido eleito.
Foi uma decisão de uma Câmara que não respeita o eleitor. E não se respeita.
Marinor Brito, do PSOL, continua sendo senadora, graças aos diversos recursos que podem ser feitos, entre a Justiça do Pará e a Federal, subindo até o Supremo Tribunal Federal, em mais um exemplo de como nossa Justiça pode ser manipulada para o bem e para o mal.
A votação de ontem na Câmara colocou de maneira inequívoca uma estaca no coração da Lei da Ficha Limpa, que corre o risco de não valer também para a eleição de 2012 e nem para qualquer outra.
O Supremo vai debater brevemente se a lei está de acordo com a Constituição, mesmo que, na votação anterior, nenhum dos ministros - mesmo os que entenderam que ela não poderia valer na eleição de 2010 por não ter sido editada um ano antes do pleito - tenha questionado sua legalidade.
Mas, como bem lembrou o ministro Ricardo Lewandowski, "o Supremo não se pronunciou sobre a constitucionalidade da lei."
Essa constitucionalidade, em relação aos seus vários artigos, será debatida durante o julgamento conjunto de três processos: duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) e uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin).
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional e o PPS pedem que o tribunal determine a constitucionalidade da lei. E a Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) quer que o STF declare inconstitucional o dispositivo que determina que são inelegíveis as pessoas excluídas do exercício de profissão em razão de "infração ético-profissional".
Há também diversos outros questionamentos, como por exemplo a velha discussão de que não se pode punir um candidato com a inelegibilidade antes de uma condenação definitiva da Justiça, o chamado "trânsito em julgado", pois estaria sendo ultrapassado o princípio constitucional da presunção da inocência.
Para além da discussão técnica sobre prazos para a aplicação da lei, os cinco juízes que votaram pela imediata vigência da Ficha Limpa se utilizaram do princípio da moralidade que deve reger o serviço público, previsto na Constituição, para aprovar a nova legislação.
Se não bastasse representar um avanço democrático fundamental, por ter nascido de uma petição pública com milhões de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa teve uma qualidade suplementar, a de ultrapassar a exigência do "trânsito em julgado" dos processos, prevista na lei complementar das inelegibilidades e que protegia os candidatos infratores eternamente, na miríade de recursos que a Lei brasileira permite.
Desde 2006, há um consenso entre os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais de todo o país, de fazer prevalecer a interpretação de que não se pode deferir registro de candidatura quando existe prova de vida pregressa que atenta contra os princípios constitucionais.
E sempre esse princípio era derrubado pelo Tribunal Superior Eleitoral por uma margem mínima. O voto do ministro Carlos Ayres Britto naquela ocasião é exemplar dessa posição. A certa altura, disse ele que "o cidadão tem o direito de escolher, para a formação dos quadros estatais, candidatos de vida pregressa retilínea", ressaltando a importância do artigo 14 da Constituição Federal, que prega a moralidade na vida pública.
Outro ponto levantado contra a Lei da Ficha Limpa é de que a Constituição estabelece que nenhuma lei pode retroagir no tempo, a não ser para beneficiar o réu, isto é, ninguém pode ser condenado com base numa lei aprovada depois da data em que o crime foi cometido.
A Lei da Ficha Limpa fixou limites à elegibilidade, ampliando o alcance da punição de crimes que tornam um candidato inelegível pelo prazo de oito anos, até mesmo a renúncia ao mandato para escapar da cassação torna-se motivo para tornar esse candidato inelegível, e em muitos casos fazendo com que ele não possa concorrer até o fim do mandato a que renunciou.
O Supremo pode entender que uma lei de 2010 não pode retroagir no tempo para punir um candidato por crimes cometidos no passado, e esse é um dos argumentos, por exemplo, do ex-senador e ex-governador Joaquim Roriz, de Brasília, que está tentando se tornar elegível para 2012.
Roriz, como se sabe, é pai de Jaqueline. Ambos tentam limpar as respectivas fichas e estão tendo êxito. O que diz bem de nosso estágio político.

MARCIA PELTIER - Nas alturas


Nas alturas 
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 31/08/11

Oportunidade que honraria as melhores companhias de balé do mundo, caberá a uma ONG carioca, sediada na Tijuca, abrir a apresentação do Ballet Kirov, no espetáculo gratuito que será feito dia 7 de Setembro, na Quinta da Boa Vista. Jorge Texeira, diretor da Cia Brasileira de Ballet, apresentou ontem, aos russos, três números para que eles escolham o que melhor se adapta à ocasião: a Valsa do 1º Ato do Lago dos Cisnes, Capricho Espanhol ou Raimunda.

Suor do rosto 

A companhia é a única que vem representando o Brasil no exterior, em repertório clássico. Em 2012, será o primeiro corpo de baile clássico nacional a se apresentar em Israel. Vinte e dois bailarinos formados na CBB estão atuando no exterior. O mais surpreendente de tudo é que eles não contam com patrocinador permanente. Jorge Texeira mantém as atividades da escola com o que recebe em consultorias para escolas de dança espalhadas pelo país e com o trabalho na comissão de frente das escolas de samba do Rio. Ano que vem, ele estará na dianteira da Grande Rio.

Estatística 

Em crise, assim como muitos de seus pares na Europa, a Espanha continua a hostilizar turistas brasileiros. Em viagem ao país para visitar o marido, que está há dois meses a trabalho pela Michelin, uma brasileira foi detida no Aeroporto de Madri. Nem mesmo a intervenção da empresa demoveu as autoridades da imigração. Ela será deportada esta semana.

Na rede 
A advogada Flávia Sampaio, dona de um dos guarda-roupas mais elogiados do país, resolveu ampliar seus negócios e se prepara para lançar um e-commerce com as melhores grifes internacionais e nacionais. O Powerlook vai ser um site de vendas online com garimpos vintage e peças novas. Parte da renda será revertida para o Instituto Consciência, que combate o analfabetismo no Morro dos Cabritos, em Copacabana. Para o lançamento, a namorada do empresário Eike Batista ataca de modelo e será estrela de um editorial assinado pelo fotógrafo Vicente de Paulo. Os looks terão peças Lanvin, Blumarine e Emilio Pucci, entre outras.

Cotas 
Desembarca, pela primeira vez no Brasil, uma delegação dos Historically Black Colleges & Universities (HBCUs), grupo de 105 universidades norte-americanas criadas exclusivamente para atender a comunidade negra. A partir de sexta-feira, eles visitam a Universidade Zumbi dos Palmares, em SP, e, no dia seguinte, é a vez de UERJ e PUC, no Rio. O propósito é desenvolver parcerias e intercâmbios para estudantes brasileiros negros. Os representantes vêm da Xavier University of Louisiana, Hampton University, Morgan State University, Florida A&M e North Carolina A&T University.

Aliás… 
Esta visita é um desdobramento da passagem de Barack Obama ao Brasil, quando os governos dos EUA e Brasil fecharam uma série de acordos em diversas áreas, incluindo educação. O projeto também faz parte do programa Eliminação do Racismo e Promoção da Igualdade ou Japer, na sigla em inglês.

Legendado 
Os atores Wagner Moura e Alinne Moraes vão carimbar seus passaportes na próxima semana. A dupla protagonista do filme O Homem do Futuro, de Claudio Torres, dará as boas vindas à terceira edição do Festival de Cinema Brasileiro em Londres, que agita, de 6 a 10 de setembro, o Odeon Covent Garden. Na lista de exibição, que reflete o bom momento das produções nacionais, as obras Elza, Além da Estrada, Como Esquecer, 180 graus, Filhos de João – O Admirável Mundo Novo Baiano, A Suprema Felicidade e De Pernas pro Ar. Os ingressos, em libras, vão custar cerca de R$ 27.

À prova de tombos 

Será lançada, hoje, no MAM, uma cadeira projetada por Guto Índio da Costa, releitura das cadeiras de bar de plástico injetado. A nova versão é feita de polipropileno reforçado com fibra de vidro e suporta até 160 kg.

Modernos, mas nem tanto 

Ontem, durante o 6º Seminário Internacional de Comportamento e Consumo, no Copacabana Palace, a plateia ouvia atenta à exposição do arquiteto Guto Requena. Ao falar sobre os novos núcleos familiares que estão sendo formados e os reflexos que surgirão no desenho do espaço familiar, eis que é projetada uma imagem de dois barbudões num beijo de língua. Os homens emudeceram e muitas das fashionistas balançaram a cabeça em reprovação.

Dia decisivo 

Promete ser animada a final, hoje, no Espaço Tom Jobim, do concurso da música-tema dos 80 anos do Cristo Redentor. Na semifinal de segunda, causou furor o hip hop do DJ MAM e do saxofonista Rodrigo Sha, intitulado Redentor, e o quase samba-enredo do bloco Empolga às 9h, que levou até torcida organizada. A composição vencedora fará parte do grande show do dia 12 de outubro e entrará para o CD do espetáculo.

Livre Acesso

Cláudia e Guilherme Sampaio Ferraz são avós pela primeira vez: nasceu ontem, em São Paulo, Jorge, filho de Ana Carolina Fialho de Sampaio Ferraz e Eduardo de Jesus.

A estilista paulista Cris Barros apresenta, hoje, para as cariocas, a sua coleção primavera-verão 2012, inspirada no balé russo, com um almoço no Hotel Fasano.

O arquiteto Chico Vartulli faz palestra, amanhã, sobre sustentabilidade na decoração na Universidade Federal de Gôiania (UFG), para alunos do curso de arquitetura.

Silvia Fraga, relações-públicas da Orlean, abre, hoje, sua casa no Leblon para coquetel em homenagem a Patrícia Mayer, Patrícia Quentel e toda a equipe da 3Plus, em comemoração aos 21 anos do Casa Cor.

Profissionais da área jurídica e estudantes de direito ganham, hoje, a primeira publicação para incentivar a criação de práticas inovadoras na justiça brasileira. O lançamento da revista Innovare acontecerá no Hall dos Bustos do STF, em Brasília, e contará com a presença do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, entre outros.

Claudio Crispi fala sobre novas técnicas em cirurgia de endometriose, em congresso mundial em Montpellier, na França, de 4 a 7 de setembro.

O ex-presidente do BC Gustavo Loyola recebe hoje a medalha Pedro Ernesto, na Câmara Municipal do Rio. A homenagem será estendida a todos os formuladores do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).

Paulo Renato Barreiros da Fonseca, da COI, Clinicas Oncológicas Integradas, fala sobre manuseio da dor aguda e crônica, sexta-feira, no 10º Congresso da AMIL.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

MARCELO COELHO - Familinhas


Familinhas
MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 31/08/11

"Famílias, eu vos odeio", escreveu André Gide, em 1897. "Lares circunscritos; portas bem trancadas; ciumentas apropriações da felicidade."
O narrador de "Os Frutos da Terra" tinha razões claras para tanto ódio. Queria, em primeiro lugar, uma vida sem compromissos que se lançasse pelo mundo em busca do prazer sensorial."
Queria, também, arrancar da proteção dos pais o adolescente que se dispusesse a acompanhá-lo na aventura. "Por vezes, oculto pela noite, eu ficava longamente à espreita na vidraça, contemplando os hábitos da casa. O pai estava ali, perto de uma lamparina; a mãe costurava; um menino, perto do pai, estudava -e meu coração se inchou do desejo de levá-lo comigo pelas estradas."
"No dia seguinte", prossegue o narrador, "eu o revi; no dia seguinte falei com ele; quatro dias depois, ele largou tudo para me seguir". Era bastante ousado para 1897.
Diga-se, pelo menos, que Gide não traça um quadro totalmente negativo das famílias odiadas. Não fala de opressão, de desajuste ou de tragédia. Eram famílias "burguesas", pacíficas, felizes, cujo maior pecado estava no fato de se fecharem no vasto mundo. Em São Paulo, a moda agora é colar na traseira do carro uns adesivinhos retratando o ideal de "família feliz".
Lá vai, grudado na Zafira prata, o desenhinho infantil do pai, da mãe, dos filhos pequenos de mãos dadas. Na banca de jornal, pode-se encontrar também adesivos da vovó, do vovô, do cachorro, do gato, do peixe no aquário.
Gosto de vê-los. Também as famílias, em parte contrariando Gide, lançam-se pelas estradas; o carro é um lar que se move a caminho do Hopi Hari -e as mães não costuram mais. Há quem exagere, claro. Algumas famílias se transformam em verdadeiros times de futebol. Unem-se, pela extensão toda da traseira, pais, filhos, tios, avós, empregadas, primos; não caberiam em duas Kombis, quanto mais no Corsa preto à minha frente.
Acho que com isso se desvirtua um pouco o espírito da coisa. A familinha no adesivo deveria representar exatamente as pessoas que vão dentro do carro. Sugere-se, com isso, algum respeito e mesmo carinho no ambiente selvagem do trânsito.
Provavelmente, a iniciativa de colar as figurinhas não partiu dos adultos. Comigo, pelo menos, foram as crianças que quiseram. Natural que, numa mistura de generosidade e posse, façam questão de ter o máximo de personagens presentes.
Provém das crianças, sem dúvida, o maior desejo de que suas próprias famílias sejam assim, irmanadas, fixas, grudadas para sempre, nem que seja só na traseira do automóvel.
Há também o impulso de toda felicidade, que é o de proclamar-se a si mesma, como fazem, em média, os passarinhos. Mudou bastante, em todo caso, o espírito dos adesivos de automóvel. No começo, serviam para as campanhas eleitorais. Com o tempo, a maioria das pessoas começou a sentir que havia algo de otário nesse comportamento.
Nada pior do que os adesivos de "Collor Presidente", persistindo no vidro de trás, a despeito dos esforços para arrancá-los. Tripas e frangalhos desbotados continuaram em circulação, anos depois do impeachment. Veio depois a moda das grifes, das lojas, das universidades americanas. O motorista informava aos interessados ter sido aluno da Columbia University, ou que comprava seus sapatos na Side Walk.
Fora uma ou outra camisa de futebol, o interessante das novas familinhas adesivas é que não procuram afirmar nenhuma identidade por enquanto.
Ninguém quer se diferenciar pelo fato de consumir isso ou aquilo, de ter estudado neste ou naquele lugar. Afirma-se, antes de mais nada, o fato de ser uma família "como todas as outras".
"Eu não sou como os outros, eu não sou como os outros", chorava o pequeno André Gide, ao voltar da escola, nos braços de sua mãe. Ninguém é. Ele teve, pelo menos, o consolo de que sua mãe, naquele momento, foi como todas as outras.
Segue então o seu caminho, no sinal verde, o carro à minha frente, com sua fileira de pessoinhas de braço dado. À direita, outro carro também vai com sua familinha igual; outro, à minha esquerda. Vem-me o desejo, infantil também, de que todos esses adesivos, esticando-se de carro a outro, se juntem e se deem as mãos. Seria um belo congestionamento, pelo menos.

ANTONIO PRATA - Às vezes uma broca é só uma broca


Às vezes uma broca é só uma broca
ANTONIO PRATA
FOLHA DE SP - 310811

"Pode parecer bobagem e talvez seja -claro que é, é uma tremenda bobagem-, mas não admito que outra pessoa pendure os quadros em minha casa. Tenho amigos, decerto mais bem resolvidos do que eu, que conseguem delegar a função a um cunhado, ao zelador ou a outro profissional habilitado sem sentirem, com o descumprimento das obrigações conjugais, sequer uma comichão em suas masculinidades. Um deles chega até a sugerir, sempre que a mulher exige algum reparo doméstico: "Chama um homem, meu bem". Eu não sou assim. Sinto-me pusilânime como um corno rodrigueano só de pensar em abrir a porta de meu próprio lar para que outro marmanjo meta a broca em minhas paredes.Fiz anos e anos de psicanálise, sei bem que minha relação com a furadeira é apenas uma manifestação ridícula de antigos fantasmas: nunca ter aprendido a jogar futebol, ser baixinho, estar mais para Woody Allen (no mau sentido) do que para Humphrey Bogart (no único sentido), mas pouco importa. Uma hora a gente desiste de iluminar as minhocas escondidas embaixo de cada pedra, simplesmente admite que a vida é assim mesmo e toca pra frente, transformando neuroses em convicções -eis aqui uma delas, sólida como uma viga: na minha casa, quem fura sou eu!
Minha insistência no monopólio da furadeira talvez não fosse um problema se a ela não se somasse outra, digamos, idiossincrasia: uma tendência à procrastinação das tarefas domésticas que chega a ser enlouquecedora. "Enlouquecedora" para minha mulher, evidentemente. Afinal, após duas semanas na casa nova, as roupas de cama já estão no roupeiro, os sabonetes nas saboneteiras, o sal no saleiro -só os quadros continuam pelos cantos, esperando, como aviões num aeroporto fechado pelo mau tempo.
As tormentas que alego para meu renitente atraso são o trabalho, que anda puxado, e a necessidade de priorizar tarefas mais urgentes: passar a conta de luz para nosso nome, instalar a máquina de lavar, marcar a dedetização. Diante de uma das legítimas queixas de meu amor, cheguei até a usar de um golpe baixíssimo, desses que devem ser evitados mesmo em momentos de MMA conjugal: "Decida, o que você prefere ver pelas paredes, quadros ou baratas?". Não colou. Este fim de semana receberemos alguns amigos e eu recebi um ultimato, ou faço aquilo a que me proponho ou ela tomará medidas extremas: chamará um "Marido de Aluguel".
Ora, meus caros, vocês podem dizer que sou neurótico, louco de pedra, caso de hospício, mas convenhamos: se não houvesse nos pequenos reparos domésticos toda uma simbologia, se não residisse nos pregos, parafusos, courinhos e trincos uma das últimas reservas de nossa acuada masculinidade, teriam esses trabalhadores o nome que têm? Evidente que não. Maridos de aluguel, especuladores de curto prazo, saqueadores de pirâmides, hienas: todos eles ganhando a vida às custas da desgraça alheia. Ela que experimente chamar aqui um desses larápios. Será recebido com broca 12 -função martelete-, lança-pregos e maçarico. Na minha casa, quem fura sou eu! (Mesmo que demore um pouquinho)".

GOSTOSA


JOSÉ SIMÃO - Líbia Urgente! Pegaram o Cauby!

Líbia Urgente! Pegaram o Cauby!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 31/08/11

E o Kagadafi? Se ele escapar vivo, vai fazer o quê? Cover do Cauby! E se eu fosse o Cauby, me escondia


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Casal é detido por praticar sexo no meio da rua em Rolândia". No Paraná! E esta direto de Colombo, também no Paraná: cassado o vereador Aloísio da Ambulância. E quem assume? O suplente Luiz Mecânico! Rarará!
E já tem tanto morto se filiando ao partido do Kassab que o PSD vai virar Partido Social dos Defuntos! Rarará! E o efeito Anderson Silva! TV Itapoan: "Luta livre! Mulheres trocam soco no meio da rua!". UFCRio de pobre! O site Mano Urbano está lançando o UFC pra pobre: UBC! ULTIMATE BARRACO CHAMPIONSHIP! Briga na rua. E de graça!
E o Gaddafi? O Kagadafi? Se ele escapar vivo, vai fazer o quê? Cover do Cauby! E se eu fosse o Cauby, me escondia. Do jeito que tão aumentando a recompensa, vão acabar pegando o Cauby! Rarará! Vai cantar "Conceição" no deserto!
E esta do Sensacionalista: "Voz de Justin Bieber começa a engrossar e ameaça shows no Brasil". Ainda bem que eu não comprei ingresso! Rarará!
E mais dois predestinados. Estrategista de vendas da Adidas: Alexandre MOEDA CARA! É verdade! A família Moeda Cara é uma família grande. Já imaginou os irmãos do Moeda Cara? Tem o Euro, o Yuan, a Libra e tinha o Dólar, mas morreu. Rarará!
E em Sumaré tem um juiz de casamento chamado: José Lins PHENIS! Phenis para promover phodas! E eu já descobri qual o tema social da novelha Fina Estampa de Bueiro: mulher que apanha do marido. Lei Maria da Penha. Ou como disse aquela mulher numa rádio na Bahia: Lei Maria Apanha. Rarará!
E esta que eu encontrei num site de concursos profissionais: "Vaga para açougueiro no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto"! Rarará!
E atenção! Contagem regressiva! Três, dois, um, ZERO! Alforria decretada! Entro em férias. Ueba! E não quero ouvir ninguém gritando: "De novo?!". Todo mundo tira férias e todo mundo fala: Aproveita! Divirta-se". Quando eu tiro férias, todo mundo grita: "De novo?!". Rarará!
E como dizia o Andy Warhol: "Quando nós nascemos, somos sequestrados pelo sistema". Então, pela lei antissequestro, entro em férias.Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MÔNICA BERGAMO - QUADRAS DA DISCÓRDIA


QUADRAS DA DISCÓRDIA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 31/08/11

Um sócio do clube Paulistano quer que seu presidente, Antonio Carlos Vasconcellos Salem, devolva ao caixa da agremiação o dinheiro que foi gasto para construir, e depois demolir, uma obra considerada irregular. Uma quadra poliesportiva foi substituída por outras de squash sem autorização do Condephaat (conselho estadual do patrimônio histórico). Como o Paulistano fica em área tombada, o órgão deveria ter sido avisado das intervenções.

ÁREA VERDE
O Condephaat determinou a demolição da construção irregular e a recuperação de um jardim de mais de 3.000 m² destruído na reforma. René Pereira de Carvalho, o sócio, levou o caso à Promotoria do Meio Ambiente. O clube diz que "já esclareceu a situação aos associados" -mas não especifica quais foram os esclarecimentos- e que "não tem nada a declarar à imprensa".

AMPULHETAS
A Prefeitura de São Paulo estuda a possibilidade de ter dois relógios com a contagem regressiva de mil dias até a Copa do Mundo de 2014: um em Itaquera e outro em local ainda não escolhido. As 12 sedes do Mundial devem lançar os equipamentos no dia 16.

ABRE A RODA
O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) foi convidado há dias para participar da "Roda de Mulheres" do programa de Hebe Camargo, na RedeTV!. Até agora não respondeu. O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e o cantor Ney Matogrosso, entre outros, já participaram do quadro.

PERTO DO FIM
Fernando Meirelles embarcou no fim de semana para Viena. Lá, o diretor termina a mixagem de "360", seu segundo longa internacional. "Neste sábado, vou para Londres fechar a imagem e, no dia 7, para Toronto com a cópia ainda quente embaixo do braço", diz. O filme será exibido pela primeira vez no festival da cidade canadense, no dia 12. No elenco, Jude Law, Anthony Hopkins e Rachel Weisz.

BELEZA PURA
Fotos Mastrangelo Reino/Folhapress

Pia Pakarinen, da Finlândia

O governador de SP, Geraldo Alckmin, e João Carlos Saad, presidente da Rede Bandeirantes, receberam as candidatas do concurso Miss Universo com um jantar, anteontem, no Palácio dos Bandeirantes. O Brasil sedia pela primeira vez a competição de beleza. A escolha da nova miss acontecerá no dia 12, às 22h, com transmissão pela Band.

PAU DA BANDEIRA
O promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal, pediu que o ministro Orlando Silva, do Esporte, articule uma reunião com o governador Geraldo Alckmin e dirigentes dos clubes e torcidas organizadas de SP. Quer que o tucano sancione o projeto, aprovado pela Assembleia Legislativa, que libera bandeiras com mastro nos estádios.

PACOTE
Termina hoje o prazo para inscrição no edital de patrocínio da Eletrobras Furnas para projetos culturais, no valor total de R$ 1,3 milhão. Os projetos selecionados serão anunciados em outubro.

O AMIGO DA MAMÃE
Lady Gaga, que cantou no Video Music Awards vestida de homem, não foi reconhecida pelos seguranças do camarim da colega Beyoncé na premiação, segundo a revista "US Magazine". Ela queria acariciar a barriga de Beyoncé, que está gravida.

CURTO-CIRCUITO

O diretor Charly Braun participa de debate após a sessão de "Além da Estrada", hoje, às 21h30, no Reserva Cultural. 14 anos.
O Lugar Pantemporâneo inaugura hoje, às 19h, exposições de Claudia Villar, Paulo Cheida Sans e do ator Ken Kaneko.

O espetáculo "A Sessão da Tarde ou Você Não Soube me Amar", da Cia. de Teatro Rock, estreia hoje, às 21h, no Centro Cultural São Paulo. 14 anos.

Gilberto Gil, Preta Gil e Mart'nália fazem show do Clube Nextel, para convidados, hoje, no Número.

Nina Becker faz show amanhã, às 23h, no Studio SP, com participação de Bárbara Eugênia. 18 anos.

O projeto "Encontros Literários", da Escola São Paulo, começa na sexta e vai até 29 de novembro.

A marca esportiva Asics inaugura hoje loja na rua Oscar Freire.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

ROLF KUNTZ - Embromação 29


Embromação 29
ROLF KUNTZ 
O ESTADÃO - 31/08/11

Não falta recurso para saúde e educação. Faltam capacidade e respeito ao interesse público

É pura embromação. O governo federal não precisa de mais impostos para a saúde, nem é necessário vincular verbas quando se quer, de fato, dar prioridade a uma política pública. Há um embuste por trás da controvérsia sobre a regulamentação da Emenda 29. Deputados tanto da base quanto da oposição defendem a votação do projeto em setembro. A presidente Dilma Rousseff propõe uma condição: se quiserem votar, inventem uma fonte de financiamento para as novas despesas. Governadores apoiam, porque desejam receber uma fatia do novo tributo - provavelmente a tal Contribuição Social para Saúde (CSS), uma versão ligeiramente aguada, mas igualmente ruim, do velho e extinto imposto do cheque, também conhecido como Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A embromação básica, matriz de todo o resto, está embutida na própria Emenda Constitucional n.º 29, de 13 de setembro de 2000, um enorme trambolho adicionado ao já defeituoso processo orçamentário.

Essa emenda tornou ainda mais emperrada a gestão das finanças públicas, aumentando a vinculação de recursos. A União ficou obrigada, até 2004, a destinar a "ações e serviços públicos de saúde" o montante aplicado no ano anterior corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Distrito Federal, Estados e municípios seriam obrigados a aplicar certa parcela de recursos, mas seriam beneficiados pelo repasse de verbas federais. Na falta de uma lei complementar, essas normas continuariam em vigor a partir de 2005 - e esta é a situação atual.

Um projeto de regulamentação só foi apresentado em 2007, por iniciativa do senador Tião Viana (PT-AC). A matéria foi aprovada rapidamente e em 2008 começou a tramitar na Câmara. O deputado Pepe Vargas (PT-RS), relator na Comissão de Finanças e Tributação, apresentou um substitutivo com a proposta de criação da CSS. Foi a primeira tentativa de recriação da CPMF, extinta no fim do ano anterior. A presidente Dilma Rousseff já apoiou a instituição desse tributo, mas, neste momento, parece pouco disposta a sustentar essa posição. Se os congressistas assumirem o custo político, tanto melhor. Afinal, até governadores formalmente oposicionistas, como o paulista Geraldo Alckmin, apoiam a ideia. Por que não aproveitar?

Em vez de regulamentar a Emenda 29, políticos de fato interessados na qualidade e na eficiência da gestão pública deveriam batalhar pela extinção dessa e de outras normas de vinculação orçamentária. Vinculações tornam o Orçamento pouco flexível, dificultam a gestão racional de recursos, favorecem a inércia de maus administradores e criam ambiente propício ao desperdício e à corrupção.

Verbas carimbadas não impediram, nos últimos anos, uma gestão historicamente ruim no Ministério da Educação, com trapalhadas nas avaliações periódicas do ensino, vazamentos de provas, financiamento de livros e kits educacionais contestados até pela presidente da República e erros evidentes na escolha de prioridades, como confirmam os dados assustadores sobre a formação nos níveis fundamental e médio. É inútil procurar no setor de saúde qualquer justificativa para verbas carimbadas.

Ao contrário: com mais planejamento, melhor seleção de objetivos e maior competência na administração de pessoal e de recursos financeiros, ministros poderiam fazer muito mais sem depender de verbas garantidas pela Constituição. Além disso, o fim das vinculações obrigaria cada ministro a mostrar serviço, apresentando planos e resultados, e a batalhar pelo dinheiro necessário ao seu trabalho.

A mesma observação vale para os governos estaduais e municipais. Governadores e prefeitos têm a vida facilitada por transferências federais. Muitos não têm sequer o incômodo da prestação de contas. A baixa qualidade dos controles, atribuível à omissão ou à incompetência dos Ministérios, é atestada com frequência pelo Tribunal de Contas da União.

Líderes aliados indicaram à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a disposição de criar um tributo para custear os gastos com a saúde. Uma fonte extra é necessária e a CSS continua na mesa, segundo o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza. Mas para que dinheiro extra, se a arrecadação cresce, normalmente, mais do que o PIB? A resposta é simples: qualquer novo dinheiro carimbado aumenta o bolo e deixa mais verbas para o governo e a companheirada gastarem alegremente. O objetivo não é a boa gestão. É manter e, se possível, expandir a gastança para atender a interesses pessoais e partidários. Se as verbas já disponíveis para educação e saúde tivessem sido usadas com um pouco de competência e decência, o Brasil estaria em condição muito melhor.

DORA KRAMER - Muita sede ao pote


Muita sede ao pote
DORA KRAMER
 O Estado de S.Paulo

A declaração da presidente Dilma Rousseff de que não aceitará "presentes de grego" do Congresso, referindo-se à possível aprovação de novas fontes de despesa para a saúde e salários de agentes de segurança em todo o País, é a manifestação externa de uma preocupação que ela vem transmitindo aos auxiliares.

Dilma tem dito internamente que o Congresso não pode absorver todas as atenções do governo. Ela quer manter uma boa relação com o Parlamento - até por consciência de que do contrário não governa - e acha que começou a fazer isso quando mudou a sistemática cotidiana e passou a receber os partidos aliados para reuniões de trabalho e até encontros de caráter social.

Mas considera também que tudo tem um limite. A frase que traduz esse estado de espírito e que tem sido repetida por ela é a seguinte: "As relações entre Executivo e Legislativo são importantes, mas os problemas do País não se resumem a isso".

A presidente observa em conversas com um ou outro ministro que priva mais amiúde de sua convivência que os aliados têm sido particularmente implacáveis em suas demandas. Mais do que eram, por exemplo, com o antecessor.

E até mais do que seria natural. Pela análise dela, os parlamentares não têm sequer respeitado a tradição do que chama de "ciclos da política".

Por eles, o normal é que os políticos tendam a ser mais generosos com o dinheiro público em períodos pré-eleitorais e arrefeçam os ânimos na época da entressafra.

"Comigo isso não aconteceu. A eleição acabou e o Congresso não reduziu o ímpeto de fazer bondades com o Orçamento", comentou Dilma com um ministro, acrescentando que não está disposta a passar o mandato apagando incêndios.

A presidente até tem razão, mas se esquece de que a maioria congressual foi formada justamente na base da expectativa da exacerbação dos ganhos e da redução das perdas.

Os jogadores. Pode ser que Fernando Henrique e Aécio Neves estejam sugerindo a Dilma Rousseff que faça um pacto geral em prol do combate à corrupção apenas para expor a falácia da faxina, cientes que estão da impossibilidade da aceitação de tal proposta.

Pode ser que estejam se oferecendo para conversar apenas para testar a disposição da presidente de convidar.

Pode ser também que estejam apostando na tática de incensar Dilma para alimentar uma comparação negativa com Lula, investindo em um improvável distanciamento entre os dois.

Pode haver várias razões, mas o que parece mesmo aos mortais desprovidos de raciocínio sofisticado é que estão loucos para aderir e que a oposição no Brasil entregou de vez os pontos.

Paralelas. Não bastasse Lula despachando com ministros em seu instituto em São Paulo, Dilma está bem (mal) arranjada com José Dirceu e seu "shadow gabinet" em hotel de Brasília.

Segundo quem sabe das coisas no governo, Lula influencia Dilma, mas José Dirceu não tem passagem com ela. A força dele é no PT.

No Planalto identifica-se nessa ascendência a origem de rebeldias entre parlamentares do partido. Três deles fotografados pela reportagem da revista Veja que relata o entra e sai de figuras importantes da República na sala de despachos hoteleiros de Dirceu.

Deixa estar. Sentado em seu gabinete, um ministro do PT explica assim o trânsito dos colegas no "escritório" de José Dirceu: "Se ele me convidar para conversar vou fazer o que, chamar aqui? É melhor ir lá".

Ou, por outra, era. Antes de Veja estourar o aparelho.

Ajuste. Convenhamos, governo que quer cortar gastos de verdade não é governo que possa manter 38 ministérios e ainda pense em criar mais um. Com a anunciada pasta das Micro e Pequenas Empresas, serão 39.

Em 2002, antes de Lula assumir, eram 24.

CELSO MING - A hora dos juros


A hora dos juros
CELSO MING 
O ESTADÃO - 31/08/11

Não vai ser de um dia para o outro que um pouco mais de aperto nas finanças públicas permitirá a derrubada dos juros básicos (Selic) no Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem reunião agendada para hoje para calibrar os juros.

É verdade que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificou o reforço no superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida pública) deste ano como manobra necessária "para abrir espaço para a queda dos juros". Mas essa simples declaração não libera automaticamente a pista de pouso para a ação do Banco Central.

Talvez seja preciso uma explicação sumária para quem não sabe como essas coisas funcionam. Não são apenas excessivas emissões de moeda que provocam inflação. Pode ser provocada também por expansão das despesas do governo, ainda que coberta com emissão de títulos. É que o simples aumento da dívida para cobrir contas públicas cria renda e consumo e estes, por sua vez, puxam pela inflação se a oferta de bens e serviços não acompanha - como vem acontecendo.

O inverso também é verdadeiro. O combate à inflação pode ser feito tanto pela retirada de moeda da economia (alta dos juros) como pela redução ou estancamento das despesas públicas (política fiscal mais apertada). Se o governo gasta muito ou fornece créditos demais por meio dos bancos oficiais, sobrecarrega a política de juros. Assim, na medida em que for reforçada a área fiscal de modo consistente, o Banco Central pode iniciar o processo de redução dos juros porque, ao menos em parte, o Tesouro terá feito seu papel.

Por motivos cuja exposição não cabe hoje neste espaço, o momento é especialmente favorável para a derrubada dos juros - que, no Brasil, assumem proporções assustadoras. A economia mundial está em crise, há encalhes de mercadoria nos países ricos e, por toda parte, os juros básicos (os que os bancos centrais pagam pelas reservas dos bancos) oscilam perto de zero por cento ao ano. Não é uma situação sujeita a rápidas mudanças, como há poucos meses alertavam alguns economistas.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), por exemplo, anunciou dia 9 que seus juros básicos (Fed funds) ficarão nesse patamar "pelo menos até meados de 2013". Desse modo, está praticamente descartado nos próximos dois anos um impacto importante da inflação externa sobre os preços da economia brasileira. Ou seja, o Banco Central do Brasil tem um prazo suficientemente longo e uma oportunidade única para baixar os juros - que teimam em estar entre os mais altos do mundo -, desde que o governo federal faça a sua parte por meio da política fiscal e não siga sobrecarregando a política monetária.

Isso posto, convém examinar o que deve acontecer hoje na reunião do Copom. Muito provavelmente, a decisão será manter os juros, hoje nos 12,50% ao ano, até dia 19 de outubro, data do encontro seguinte, para só aí começar a derrubada, caso as condições continuem favoráveis.

O Banco Central deve dar, ainda hoje, algum sinal de que os passos seguintes serão de afrouxamento da política de juros. E bastará isso para que os juros futuros praticados no mercado financeiro também caiam; processo, aliás, já iniciado.

CONFIRA

Abatedouro

Não é verdade que a produção de energia eólica não provoca danos ambientais. Ontem, o Washington Post, um dos mais importantes diários dos Estados Unidos, publicou matéria dando conta de que as fazendas eólicas estão sob ataque dos ambientalistas. Levantamentos feitos há um mês no complexo eólico da Serra de Tehachapi, Sul da Califórnia, identificaram pelo menos seis águias douradas abatidas pelas pás das turbinas.

Qual a conta certa?

A ONG US Fish and Wildlife Service calcula, apenas nos Estados Unidos, em cerca de meio milhão por ano as aves derrubadas pelos gigantescos cata-ventos. Mas a Associação Americana de Energia Eólica vê exagero nesse número. Para ela, a mortandade não passa de 150 mil por ano, relata o Washington Post.

Ainda assim...

Apesar dos estragos na população de aves e morcegos, a produção de energia eólica ainda é considerada uma das menos prejudiciais ao meio ambiente.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Família Soprano
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 31/08/11

A vida anda agitada na república independente do PR. Ontem, saiu faísca em reunião dos senadores do partido, convocada para Alfredo Nascimento (AM) comunicar que, "por decisão da Executiva", só ele poderia falar pela sigla, o que faria na sequência em encontro com ministra Ideli Salvatti. "Que Executiva?", interpelou Clésio Andrade (MG). "Você vai negociar cargos?", perguntou Magno Malta (ES) a Nascimento, que perdeu o Ministério dos Transportes no mais vistoso movimento da "faxina" de Dilma Rousseff.
Alinhado com Nascimento, Blairo Maggi (MT) interferiu: "Não, queremos que o governo nos declare inocentes". E Clésio: "Vocês acreditam em Papai Noel?"


Volta aqui A reunião terminou com a concordância de que Nascimento fosse a Ideli, mas sob o compromisso de, antes de qualquer decisão, relatar a conversa em detalhes à bancada.

Tradução "Por decisão da Executiva" do PR quer dizer por decisão do deputado Valdemar Costa Neto (SP).

Legião estrangeira Alçado à diretoria-geral do Dnit em meio à "faxina", o general Jorge Fraxe mandou um capitão e dois tenentes percorrerem o país para fazer uma radiografia da situação das obras sob a responsabilidade do órgão. Nenhum dos três é funcionário do Dnit.

Cronômetro Com medo de ser acusado de ajudar ou prejudicar Jaqueline Roriz (PMN-DF), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), delegou ao colégio de líderes a decisão de por quanto tempo ficaria aberta a votação sobre o processo de cassação da deputada. Fixou-se o prazo de uma hora.

#prontofalei Tão logo foi proclamado o placar que livrou Jaqueline, com somente 166 votos favoráveis à perda do mandato, o relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), desabafou com colegas de bancada: "Eu achava que não iria chegar a cem...".

Bode na sala Veteranos da Câmara estão convencidos de que o governo até quer instituir uma nova fonte de financiamento para a saúde, mas não agora. No momento, o Palácio do Planalto usa essa perspectiva essencialmente para tentar evitar a votação da Emenda 29, que o Congresso ameaça realizar no final de setembro.

Nem vem Dentro e fora do governo, gente com acesso à Petrobras afirma: a empresa não aceitará pagar a conta da redistribuição dos royalties e deve obter apoio do Planalto neste litígio. Se vingar a proposta do Rio, que muda regras do pagamento da participação especial em campos licitados, o ônus recairia sobre a estatal e empresas privadas do setor.

No palanque A pedido do Corinthians, a Odebrecht prepara segurança e estrutura de palco para Lula discursar e atender o público durante sua visita às obras do Itaquerão, neste sábado.

Quermesse Diante da perspectiva de o ex-presidente atrair multidão ao local, serão montadas barracas para a venda de churrasco no entorno do canteiro.

Arquibancada Antes de sancionar o projeto que libera bandeiras nos estádios de futebol, Geraldo Alckmin consultará especialistas. Se depender da PM, o tucano vetará a proposta.

Quem diria No evento em que se filiou ao PT de Ribeirão Preto, João Gandini foi apresentado como a "continuidade" de Antonio Palocci, de quem o juiz foi algoz nos tempos de prefeitura. "Lula fez, Palocci fez e Gandini vai fazer", disse o deputado Newton Lima.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Não será possível usar o Congresso do PT para fazer gol de mão, desconhecendo a situação de líderes regionais."
DO SENADOR PETISTA WALTER PINHEIRO (BA), sobre polêmica em torno de iniciativa que visa restringir a realização de prévias para escolher candidatos do partido, a ser discutida em reunião com início nesta sexta-feira.

contraponto

Lost in translation


Em recente evento para divulgar um programa de reforço do ensino de inglês na rede paulista, Geraldo Alckmin lembrou que, na época da Constituinte, Ulysses Guimarães tinha uma professora americana que chegava lá pelas 7h à casa do deputado, mal refeito de reuniões que costumavam varar a madrugada.
-I am, he is, we are e não sei o quê... O dr. Ulysses foi cansando daquilo- contou Alckmin, acrescentando que um dia o deputado desabafou com a mestra:
-Mas essa língua é muito difícil!
-Difícil é o português, que quando fala "pois sim" é "não" e quando fala "pois não" é "sim'!".

MARIO CESAR FLORES - Estratégia Nacional de Defesa


Estratégia Nacional de Defesa
MARIO CESAR FLORES 
O Estado de S.Paulo - 31/08/11

A Estratégia Nacional de Defesa (END), em vigor desde dezembro de 2008 e desde então aberta ao conhecimento público, vem interessando à opinião pública? Não. Que repercussão teve no Congresso, corresponsável pela defesa, numa democracia? Nenhuma. Este artigo aborda aspectos da END que, esperançosamente, talvez possam contribuir para despertar interesse pelo tema.

Comecemos com uma observação instigante: a END foi formulada por comitê dirigido pelo ministro da Defesa, coordenado pelo secretário de Assuntos Estratégicos e integrado pelos ministros do Planejamento, da Fazenda e de Ciência e Tecnologia, assistidos pelos comandantes das Forças e ouvidas pessoas de saber nessa área. Chama a atenção a não menção ao ministro do Exterior (à época do preparo do documento, o hoje ministro da Defesa...), cuja participação seria supostamente apropriada.

Na contramão da tradição de autonomia das Forças, a END enfatiza o Ministério da Defesa. Afirma que "o ministro exercerá (...) os poderes de direção (...) que a Constituição e as leis não reservarem (...) ao presidente". Centraliza a "política de compras" e preconiza a "unificação doutrinária, estratégica e operacional" das Forças - ideias que respondem à tecnologia moderna e pretendem integrar as visões corporativas das Forças e suas prioridades. Define que o ministro indica ao presidente os comandantes das Forças - uma ruptura com o passado, ao conferir ao ministro a intermediação entre o poder político e o militar.

Sem citar ameaças, diz a END que as Forças devem ser usadas "para resguardar o espaço aéreo, o território e as águas jurisdicionais brasileiras" e que "convém organizar as Forças em torno de capacidade, não em torno de inimigos específicos. O Brasil não tem inimigos no presente" - conceito em princípio correto (ressalte-se o cauteloso no presente...); mas capacidade referenciada a que tipo e grau de ameaça? Ao criticar a concentração (coerente com o passado) do Exército no Sudeste e no Sul e da Marinha no Rio de Janeiro, afirma que "as preocupações mais agudas estão (...) no Norte, Oeste e Atlântico Sul" e sugere esta distribuição: Amazônia e fronteiras, forças dotadas de mobilidade na região central para emprego onde necessário e (à primeira vista, desconectada das preocupações agudas) forças no Sul/Sudeste para defesa da concentração demográfica e econômica (?), além da maior presença naval no Norte.

A tecnologia e seu desenvolvimento são enfatizados. O compromisso com a não proliferação nuclear é complementado pela "necessidade estratégica de desenvolver e dominar essa tecnologia" - supostamente para fins pacíficos, mas fórmula semântica ambígua, usada por países (Irã...) que querem manter aberta a porta nuclear. À ênfase na tecnologia é acrescentado o estímulo à indústria de interesse militar. Parcerias com empresas estrangeiras são condicionadas à transferência de tecnologia. Embora realçando a indústria privada, atribui à estatal o pioneirismo em tecnologia "que as empresas privadas não possam alcançar ou obter (...) de maneira rentável". Importante: é preconizada a continuidade orçamentária indispensável aos projetos longos - e até mesmo à sobrevivência empresarial -, o que há muito não ocorre.

A END afirma que "o Brasil ascenderá ao primeiro plano (...) sem exercer hegemonia e dominação". Correto, mas conviria mencionar que para ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU é condição a responsabilidade correlata, propiciada também por capacidade militar. Não é cogitada a segurança coletiva como a pretendida no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) - sem sentido no pós-guerra fria - e tampouco há menção a substituto sul-americano, acertadamente porque segurança coletiva pressupõe ameaça comum, inexistente. A afirmação de que o Conselho de Defesa Sul-Americano "criará mecanismo consultivo que permitirá prevenir conflitos" aparenta destoar da política regular: prevenir conflitos cabe a organizações políticas - ONU, OEA, Unasul... Sobre esse conselho, é sintomática a frase: "... sem que dele participe país alheio à região", obviamente, os EUA.

A defesa do serviço militar obrigatório responde à responsabilidade de toda a sociedade pela defesa nacional - conceito consensualmente escamoteado: não temos recrutas das camadas superiores da pirâmide social. Entretanto, é preciso conciliá-lo com a tecnologia moderna, que exige capacitação dificilmente adquirida em dez meses de serviço militar por recrutas de instrução modesta. O relevo atribuído à participação em forças internacionais e às forças de pronto emprego e de operações especiais reforça a influência da tecnologia na configuração dos efetivos: elas requerem profissionalização. Diz a END que a tecnologia não é alternativa à mobilização: estará hierarquizando a quantidade sobre a qualidade, ao contrário do mundo de poder militar eficiente? Há que procurar o equilíbrio do ideal republicano com o não comprometimento da eficiência, condicionada pela tecnologia.

Ao afirmar que "o País cuida para evitar que as Forças Armadas desempenhem papel de polícia", a redação "cuida para evitar" aparenta aceitar, a contragosto, o papel de polícia, impróprio numa democracia quando além de episódio crítico que de fato imponha a ação militar transitória. Essa atuação está exigindo, nas palavras da END, "legislação que ordene e respalde as condições específicas e os procedimentos federativos que deem ensejo a tais operações, com resguardo de seus integrantes".

Enfim, o saldo da END é positivo. O reconhecimento da conveniência de sua existência e sua abertura à sociedade já são relevantes, em país onde a defesa nacional não entusiasma a política e a sociedade. Há espaço para aperfeiçoamentos, alguns insinuados neste artigo. Mas é improvável que a END possa satisfazer a dimensão estratégica da inserção internacional do Brasil, a persistir o atual descaso societário e político pela defesa nacional.

PAULA LOUZANO e GREGORY ELACQUA - O que está acontecendo no Chile?

O que está acontecendo no Chile?
PAULA LOUZANO e GREGORY ELACQUA
FOLHA DE SP - 31/08/11

Quanto mais uma sociedade tem acesso à educação, maior a demanda por qualidade; portanto, o Chile parece ser vítima de seu próprio sucesso

Há mais de dois meses, os estudantes estão em greve no Chile.

Mais de 70% da população apoia o protesto. É paradoxal que o melhor sistema de educação da região esteja vivendo uma crise, enquanto o Brasil, com indicadores educacionais bem piores, pareça satisfeito.

O Chile tem o mais alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região. Noventa por cento dos jovens chilenos têm ensino médio completo, e mais de 50% estão no ensino superior. No Brasil, menos de 40% dos jovens conseguem terminar o ensino médio, e 10% chegam à universidade.

Quanto mais gente em uma sociedade tem acesso à educação, maior é a demanda por sua qualidade e pela ampliação do acesso a níveis mais altos. Portanto, o Chile parece ser vítima de seu próprio sucesso. O país fez a lição de casa na educação básica.

Além de aumentar seu acesso e conclusão, ampliou a jornada escolar criando um único turno. Todos os alunos têm sete horas de aula, e os professores trabalham em uma só escola. O gasto por aluno, além de maior que o nosso, é proporcional à renda da família: as escolas que atendem aos mais pobres recebem mais dinheiro.

A diferença no desempenho entre os pobres e os ricos já diminuiu, como mostrou a prova internacional do Pisa, mas a desigualdade ainda incomoda os chilenos.

Uma de suas reivindicações é que se escreva na Constituição que a qualidade da educação seja um direito garantido pelo Estado.

O grande problema está no ensino superior -estopim das manifestações. Mais de 75% do gasto está nas mãos das famílias.

O aumento no acesso incluiu os mais pobres -sete de cada dez estudantes são os primeiros da família a ingressar em um curso superior-, mas eles têm dificuldades em pagar as mensalidades, e as bolsas de estudos são escassas.

As taxas de juros do crédito educativo são altas para o padrão chileno -de 6% a 8% ao ano-, e os graduados acabam comprometendo parte importante de sua renda no pagamento da dívida. Mais de 40% estão inadimplentes.

Soma-se a isso a percepção de que o Estado chileno não é capaz de fiscalizar as universidades privadas, que por lei não podem ter lucro, nem de garantir que elas entreguem uma educação de qualidade.

O progresso econômico do país, a diminuição da pobreza e a entrada dos chilenos na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aumentou a expectativa da sociedade sobre o seu desenvolvimento social.

Apesar de haver se distanciado dos países da região, o Chile olha para o mundo desenvolvido e percebe que ainda está longe de ser um país equitativo e justo.

Os jovens chilenos, ao contrário dos brasileiros, não parecem dispostos a esperar até 2020 para ter uma educação de qualidade para todos. Devemos aprender com o vizinho que ampliou as oportunidades educacionais e transformou a educação em prioridade nacional.

Não há dúvidas de que o Chile vai sair fortalecido dessa "crise".

Pena que nós, brasileiros, não estejamos passando pelo mesmo tipo de problema.

PAULA LOUZANO é doutora em educação pela Universidade Harvard (EUA) e pesquisadora da Fundação Lemann.

GREGORY ELACQUA é diretor do Instituto de Políticas Públicas da Universidade Diego Portales, no Chile.

ARRANCANDO O COURO DO BRASILEIRO


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Recife se equipara a Rio em número de blindadoras
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 31/08/11

O consumo de blindagem automotiva, antes concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro, começa a ganhar relevância no Nordeste.
São Paulo representa 80% da frota do país, mas o setor passa por descentralização, com vendas crescentes em outras capitais, segundo Christian Conde, presidente da Abrablin (que reúne empresas de blindagem).
Estados que até pouco tempo atrás não tinham participação significativa nas estatísticas do setor, como Pernambuco, competem agora com o Rio em número de empresas vendedoras.
"O consumo no Rio, que representa 10% das vendas no país, ainda supera o pernambucano (2%), mas Recife já se equipara em número de blindadoras", afirma Conde.
Há cerca de 20 empresas atuantes no Nordeste, dez em Recife, segundo a Abrablin. No Estado do Rio, existem 11.
A empresa paulista Concept Blindagens, que trabalha com representante em Fortaleza, informa que estão aquecidos os mercados de Alagoas e da Bahia.
"Isso acontece porque cada vez mais outras regiões ganham características de grandes centros urbanos", afirma o diretor Fabio Mello.
Nesses locais, o consumo está mais concentrado na alta renda. No Sudeste, a blindagem é mais democrática, segundo Mello.

MARINA À ESPERA DE LICENÇA AMBIENTAL
A Hantei Engenharia, de Florianópolis, vai investir R$ 300 milhões para construir um hotel e uma marina com 300 vagas na avenida Beira-Mar da cidade.
Para realizar a obra, será feito um aterro de 15 mil m2. A área total do empreendimento será de 30 mil m2.
Sócio da empresa, Aliator Silveira afirma que vale a pena construir na região, mesmo sendo necessário aterrar, devido à localização: à beira-mar e próxima do centro. "Além disso, é um local extremamente valorizado."
Segundo o empresário, o terreno do empreendimento é avaliado em R$ 250 milhões.
O edifício do hotel terá 18 andares, 700 apartamentos e espaço para 42 lojas.
A marina receberá embarcações de até cem pés e deve atender a demanda reprimida da região, diz Silveira. "Pessoas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul deixam de vir porque não têm onde deixar seus barcos."
A Hantei planeja iniciar as obras em maio de 2012. Por enquanto, ela aguarda as licenças ambientais.

COMPRA INTERNACIONAL
Mesmo com o agravamento da crise mundial, grupos dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa mantêm interesse em fazer investimentos em shoppings no Brasil.
O valor mínimo a ser aportado no país por operação é de US$ 100 milhões, de acordo com o vice-presidente da Cushman & Wakefield, Mordejai Goldenberg.
"Valores inferiores já deixariam os novos investidores em posição marginal."
Com a dificuldade para comprar shoppings já existentes, a principal alternativa será construir empreendimentos menores e que atendam, em especial, aos próprios bairros, com bancos, supermercados e farmácias, afirma Goldenberg.

CORTE NA CHAPA
O grupo brasileiro importador de máquinas Megga vai fazer uma joint venture no valor de R$ 50 milhões com a japonesa Amada, fabricante de equipamento para corte de chapas metálicas.
O acordo envolve a instalação de um "centro técnico", próximo a Jundiaí (SP), onde serão dados treinamentos para capacitar usuários do maquinário adquirido.
"Existe ainda uma grande defasagem no Brasil em relação à tecnologia", diz o presidente do Grupo Megga, Stefan Lee, que embarcou ontem para a Ásia para assinar o contrato.
Além do centro tecnológico, o restante do recurso será destinado ao financiamento de clientes no Brasil.
"O recurso será usado como se fosse um fundo. O brasileiro ainda tem dificuldade para obter financiamento para comprar máquina."
Inicialmente os juros ficarão abaixo de 1% ao mês, de acordo com Lee.

DE PERNAMBUCO PARA OS EUA
A pernambucana Hebron Farmacêutica vai iniciar em setembro a venda de seus produtos nos EUA. O primeiro será o Florax, um probiótico para a restauração da flora intestinal.
Os medicamentos serão fabricados no Brasil e embalados nos EUA. A expectativa é comercializar 50 mil unidades no primeiro ano.
"Os EUA representam 45% do mercado farmacêutico mundial. O que significa que o mercado americano é nove vezes maior que o brasileiro", diz Josimar Henrique da Silva, presidente da Hebron.
A empresa prevê faturamento de R$ 240 milhões para 2012. "Em três anos, queremos que as vendas nos EUA representem 30% do faturamento total."
A Hebron planeja entrar no mercado europeu até o final de 2012 e negocia parceria com laboratório alemão.

Turismo... O Estado norte-americano da Geórgia abriu escritório em São Paulo para atrair investidores e turistas. O principal destino da região é a cidade de Atlanta, que recebeu os Jogos Olímpicos de 1996.

...e negócios O diretor de desenvolvimento de negócios turísticos do Estado, Joseph Walker, está no Brasil nesta semana e fará reunião com executivos do setor de turismo.

Repaginação A BNCORP fará "retrofit" em dois prédios que acaba de comprar no Rio, no centro e em Laranjeiras.

Troca O escritório Mattos Filho terá um portal, com conteúdo gerado pelos próprios advogados, voltado principalmente ao público interno. A ferramenta, criada para integrar o know-how das áreas, será lançada amanhã, na festa de 19 anos do escritório.

Quarto lugar É a posição da concessionária da Bentley de SP em vendas em todas as Américas. Atrás de Nova Iorque, Houston, Boston e Toronto, mas em pé de igualdade com Miami e Dallas, a loja paulistana vendeu três carros no mês de agosto.
com JOANA CUNHA, VITOR SION LUCIANA DYNIEWICZ e ALESSANDRA KIANEK

FERNANDO RODRIGUES - O decoro que falta

O decoro que falta
FERNANDO RODRIGUES 
FOLHA DE SP - 31/08/11

Como até os azulejos de Athos Bulcão na Câmara dos Deputados já previam, foi absolvida ontem Jaqueline Roriz. Eleita no ano passado pelo PMN de Brasília, ela ganhou notoriedade em março último quando ficou conhecida uma gravação na qual aparece recebendo um maço de dinheiro.

Para salvá-la da cassação, a maioria dos deputados levou em conta que as imagens eram de 2006. Portanto, de antes do exercício de seu mandato. Ao abraçar esse sofisma, a Câmara desce mais um degrau na escala de sua credibilidade. Embora tenha ocorrido em 2006, é verdade, o fato só ficou conhecido neste ano. São de agora os seus efeitos e o dano para a imagem do Poder Legislativo. E o pior de tudo: os eleitores de Jaqueline Roriz a escolheram sem ter acesso a essas imagens.

Pela lógica torta dos deputados pró-Jaqueline, nada deveria acontecer se a Câmara descobrisse hoje que um de seus integrantes cometeu há dez anos um assassinato ou crimes de pedofilia. Se foi no passado, tudo está perdoado. Não é a primeira vez que o espírito de corpo prevalece no Congresso. Essa tem sido a praxe. Alguns ali argumentam até sobre a necessidade de transferir para o Supremo Tribunal Federal o poder de julgar processos como o de Jaqueline Roriz. Seria uma saída macunaímica. Um misto de preguiça, covardia e falta de responsabilidade.

A laborfobia dos deputados se expressa nos cerca de seis meses gastos na análise de imagens autoexplicativas. Daí para a falta de coragem é um pulo. Por fim, terceirizar o julgamento equivale a produzir uma crise política com data marcada.

Na primeira cassação via STF o Congresso se insurgiria. Qual é problema de um deputado votar para cassar um colega flagrado recebendo dinheiro? Nenhum. A não ser quando o próprio político teme ser o próximo réu. Nessas horas, o decoro que falta protege todo tipo de desvio.

ANTONIO DELFIM NETTO - Vento contra

 Vento contra
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 31/08/11

O futuro é opaco e se nega a ser decifrado. Mesmo quando explorado pelas melhores inteligências apoiadas nos mais recentes modelos e torturado com as mais recentes técnicas econométricas, ele se recusa a confessar qual o caminho que tomará. Essa realidade e a prudência levam a comportamentos defensivos.

As autoridades responsáveis pela política econômica devem pesar cuidadosamente os riscos alternativos sem deixar-se imobilizar, mesmo porque não há caminho de custo zero. Os analistas, para preservar a credibilidade, procurarão acertar (ou errar!) juntos.

Estamos num momento grave. Com a conivência dos governos, construíram-se "inovações" financeiras cujas consequências foram ignoradas. Alguns economistas foram ridicularizados pelos que detinham o poder político porque apontaram, inadvertidamente, os perigos que as "inovações" embutiam.

O resultado dessa aventura explodiu quando a miopia dos bancos centrais dos EUA (o Fed), da Inglaterra e da Comunidade Econômica Europeia, permitiu a liquidação desordenada do Lehman Brothers.

Ignoraram a rede construída pelas "inovações" e seus abusos. De fato, como confessou Alan Greenspan -que durante 18 anos foi "el maestro" e agora é demonizado-, "ninguém sabia o que estava acontecendo".

A chamada "grande moderação" (alto crescimento e baixa inflação), na qual surfaram os bancos centrais, nada tinha a ver com eles. O mundo vive o rescaldo da crise financeira que ainda não terminou.

O grave é que os instrumentos disponíveis (a política fiscal e a monetária) esgotaram os seus efeitos no mundo desenvolvido sem restabelecer o "circuito econômico", cujo funcionamento depende da confiança dos trabalhadores, dos empresários e do sistema financeiro.

Paradoxalmente, o mundo precisa agora do ritmo de crescimento dos países emergentes. As notícias não são boas.

Vencidos dois terços de 2011, a perspectiva de crescimento no ano dos países desenvolvidos é da ordem de 1,4% (contra 2,6% em 2010) e dos emergentes da ordem de 5,4% (contra 7,3% em 2010), o que sugere um crescimento global da ordem de 2,5%, com viés de baixa (contra 3,9% em 2010).

Mesmo a China e a Índia começam a dar sinais de fadiga.

Toda essa tragédia sugere que o vento de cauda que ajudou o crescimento do Brasil com o modelo exportador agromineral induzido pela China, está terminando.

Se quisermos crescer à taxa de 4,5% a 5% nos próximos anos, devemos complementá-lo e dar especial atenção ao nosso mercado com um programa que fortaleça a poupança e a competitividade internas e dê inteligente proteção externa, como luta para realizar o governo Dilma.

GOSTOSA


RUY CASTRO - Futuros corruptos

Futuros corruptos
RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 31/08/11

RIO DE JANEIRO - Não será surpresa para esta coluna se, em poucos anos, a corrupção no Brasil diminuir -por incapacidade dos novos candidatos a corruptos de exercer seu métier. Porque, digam o que disserem sobre os que têm sangrado o Brasil nos últimos séculos, não se lhes pode negar competência. Sabem como drenar as riquezas para suas contas de forma a não ser apanhados, exceto quando já não há como obrigá-los a devolver.

Mas o que fazer com uma geração, hoje em idade escolar, que, segundo pesquisa em 250 escolas, não sabe somar ou diminuir de cabeça, nem conferir o troco num supermercado? Com essas limitações, como os nossos futuros corruptos farão as complicadas conversões em dólares ou euros a seu favor? Como conseguirão calcular suas comissões nas obras envolvendo o governo e as empreiteiras? E que critérios usarão para levar o seu na distribuição das verbas federais?

Segundo a pesquisa, realizada pelo movimento Todos Pela Educação, muitas dessas crianças leem mal e escrevem ainda pior, erram metade das palavras num ditado e têm dificuldade para identificar o tema e personagens de um texto. Assim, como farão para interpretar relatórios sigilosos, alguns de grande complexidade técnica, sem os quais não se descobrem as brechas para melhor roubar?

Parece que os meninos também não conseguem sequer ler as horas num relógio digital. Imagine se tiverem de acertar seus ponteiros com um corruptor que use um belo Patek com mostrador analógico, daqueles com algarismos romanos.

E dizem que os garotos não sabem descrever a diferença entre um triângulo e um retângulo. O que eu acharia normal se fosse entre um triângulo isósceles e um escaleno -com os quais também nunca me entendi, além de ter faltado à aula sobre catetos e hipotenusas. Daí, talvez, ter-me dado mal em todos os triângulos em que me meti.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Virei garoto-propaganda do regime militar”
JOSÉ DIRCEU, QUE RECEBEU ATÉ TRATAMENTO DENTÁRIO DO EXÉRCITO PARA DESMENTIR TORTURAS

SAÚDE: PROJETO PROPÕE TAXAR GRANDES FORTUNAS 
Como a presidente Dilma desafiou parlamentares a apontarem a fonte de financiamento da Emenda 29, que garante recursos para saúde, um dos seus mais ilustres aliados, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-PE), decidiu apresentar nesta quarta-feira um projeto criando o imposto sobre grandes 
fortunas. O senador está convencido 
de que a taxação garantirá ao Estado os recursos de que a Saúde necessita.

UM ESPECIALISTA 
Dilma acha Valadares um especialista (foi o autor do projeto da CPMF), e espera dele um projeto apontando uma fonte para financiar a saúde.

ESTÁ NA CARTA 
O Imposto sobre Grandes Fortunas é previsto na Constituição, mas não entrou em vigor porque não há lei complementar que o regulamente.

O PRIMEIRO 
O então senador FHC propôs em 1989 o imposto de grandes fortunas. Foi aprovado, mas empacou ao chegar à Câmara dos Deputados.

ENGAVETADO 
Na Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça também aprovou um projeto de imposto sobre grandes fortunas, mas continua na gaveta.

BALA NA AGULHA DO JATINHO DO CONSULTOR LULA 
Adeus, voos comerciais de consultor iniciante: Lula saiu de Guarulhos (SP), às 12h35 de segunda (29), rumo à Bolívia para se encontrar com o maluquete Evo Morales, no Gulfstream de US$ 35 milhões, prefixo PP-WJB, alugado à Colt Táxi Aéreo, de São Paulo. O “cumpanhêro” tentou esfriar a fúria dos índios contra a rodovia da OAS na Amazônia boliviana, financiada pelo BNDES. Adivinha quem pagou...

INIMIGO ESCOLHIDO 
Lula continua com a língua presa, mas afiada. A um amigo na visita recente a BH, xingou: “O Aécio só fala m(*)! Ele que vá 
pra p(*)...”.

PT & PSDB, NEM MORTO 
Lula disse que não há a menor possibilidade de o PSDB repetir com o PT aliança que elegeu prefeito Marcio Lacerda em Belo Horizonte.

CLIMA DE VELÓRIO 
DEM e PSDB fizeram a primeira reunião da comissão conjunta que planejará os palanques da oposição em 2012. O desânimo era total.

GONGO NA BANCOOP 
O Ministério Público de São Paulo aprovou ontem, por unanimidade, propor ação civil pública para intervenção na Cooperativa Habitacional dos Bancários, suspeita de desviar fundos para campanhas do PT. 

INFRAERO TURISMO S/A 
A estatal Infraero vai mandar a chefe de RH, Regina Azevedo, e um gerente, Roberto Maia, a um seminário em Orlando (EUA), que inclui ingressos para o Cirque du Soleil, parques, shoppings e show. Os burocratas chamam isso de “aprendizado”, que nos custará 
R$ 33 mil.

PAU PURO 
O pau quebrava na Câmara, na votação do caso da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), enquanto no 
Senado o líder do PR, Magno Malta (ES), exaltava a luta livre do Bope no Rio.

MÃO GRANDE 
Um pilantra financiou no Itaú, “o banco mais sustentável do mundo”, um Honda Civic zero em nome de leitora que há 11 anos mora no exterior e que encerrou a conta há três. O rolo na Justiça promete ser ruidoso.

TÔ INDO 
O deputado Sandro Mabel (GO) decidiu sair do PR, partido que foi varrido do Ministério dos Transportes. Diz que ninguém consegue tirar o notório Valdemar Costa (SP) do comando. Triste, jogou a toalha.

A FORÇA DO VOTO 
Termina hoje a enquete em senado.gov.br/noticias/DataSenado perguntando se a corrupção deve ser incluída no projeto de crimes hediondos. Já são mais de 90 mil votos. Com 200 mil, fecha a conta. 

GINÁSIO DE VOLTA 
O governador do DF, Agnelo Queiroz, decidiu recuperar o ginásio de esportes Cláudio Coutinho, fechado há dez anos, para servir de espaço de apoio à Copa. O ginásio fica a poucos metros do Estádio Nacional.

MÃOS OMISSAS 
Passageiros reclamam que empresas aéreas ignoram a nova lei sobre taxa de cancelamento ou remarcação de voo, que continua cobrando. A Agência Nacional de Aviação Civil lavou as mãos. Claro.

SUFOCO 
Durante seu julgamento na Câmara, ontem, Jaqueline Roriz (PMN-DF) se refugiou por dez minutos 
no banheiro, para exercícios de respiração. 

PODER SEM PUDOR
PROVOCAÇÃO COLORADA 
O ministro Joaquim Falcão apresentava certa vez, ao Conselho Nacional de Justiça, um competente raio-x das estatísticas do Judiciário, e citava os números de ações na área esportiva, quando Nelson Jobim, que presidia o CNJ, torcedor do Internacional, provocou:
– A variável fica prejudicada se tiver algum jogador do Flamengo em campo!
O representante da OAB no CNJ, Oscar Argollo, rubro-negro doente, não se 
conteve:
– Não aceito provocação!...

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Dilma pede juros menores; líderes querem 'nova CPMF'

Folha: Governo reduzirá tributo para elevar produção de álcool

Estadão: Governo paga por projeto fantasma para a Copa

Correio: Jaqueline Roriz escapa da cassação

Valor: Dilma define novas prioridades

Estado de Minas: Sem licença para dirigir

Zero Hora: TCE barra reajuste de vereadores na Capital