quinta-feira, julho 28, 2011

CELSO MING - O dólar na mira, outra vez

O dólar na mira, outra vez

CELSO MING
O ESTADÃO - 28/07/11

Desta vez,o governo usou artilharia pesada para tentar impedir uma abrupta valorização do real ante o dólar.

Falta saber três coisas: se esta é mais uma medida para enfrentar novas turbulências externas; se os efeitos colaterais não produzirão mais estragos do que o benefício pretendido;e se as providências tomadas serão eficientes para segurar o câmbio.

As decisões parecem simples. A primeira permite a elevação de até 25% na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas posições vendidas de contratos de câmbio que excederem as atuais. Isso significa que a qualquer momento o Conselho Monetário Nacional pode elevar ou baixar a taxa o que dá um poder descomunal ao governo.

A segunda medida taxa em 6% de IOF os financiamentos superiores a 720 dias que forem antecipadamente resgatados.

Trata-se de impedir dribles no governo, ou seja, não permitir que o mercado contrate dívidas a longo prazo, pagando zero por cento de IOF, para logo revertê-las em posições de curto prazo, sem incidir nos 6% de IOF devidos.

O tiro de canhão são os 25% de IOF nas operações vendidas de contratos de câmbio fechadas no mercado de derivativos.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que se trata de dar segurança aos aplicadores.Em outras palavras, o governo adotou outra das tais medidas prudenciais.

Se for isso, a preocupação estaria menos em evitar novos mergulhos do dólar no câmbio interno, e mais em evitar uma cachoeira de dólares que possa atingir o Brasil,caso não haja acordo no Congresso americano sobre a necessidade de elevar

o teto da dívida do Tesouro e,consequentemente, a gestão Obama seja obrigada a passar o calote em despesas do governo.

É apenas nesse sentido que se pode crer na necessidade de proteger o investidor brasileiro.Não fosse isso,teríamos um paradoxo: o ministro pretende dar proteção ao investidor e, ao mesmo tempo, adota providências que debilitam o hedge, ou seja, encarece as operações de mercado

pelas quais se protegem empresas e pessoas físicas expostas a fortes variações cambiais.Para quem não está familiarizado, isso se faz mediante a compra ou venda, por preço prefixado,de moeda estrangeira a ser entregue/recebida no futuro.

Realiza-se no mercado de derivativos, cujos custos se tornam agora proibitivos.

As cotações do dólar não vinham caindo em razão de desempenho viciado do mercado de derivativos, mas em consequência da forte entrada de moeda estrangeira.

Se houver um calote do governo dos Estados Unidos, a mesma enxurrada de dólares pode engolfar o Brasil por outras portas e outras frestas: Investimento Estrangeiro Direto, empréstimos entre empresas, mercado de ações, etc.

Se, em vez de proteger o investidor, o verdadeiro objetivo das providências ontem tomadas for o de segurar o câmbio, é quase certo que serão de baixa eficácia.

Nesse caso, cumprirão o objetivo de passar a impressão de que, tomado pela aflição, o governo não está parado.Está fazendo alguma coisa para segurar o dólar.

É provável que, além do forte encarecimento das operações de hedge, o principal efeito colateral seja desnacionalizar esse mercado.Em vez de operar pela Bolsa de Mercadorias & Futuros,que ficará esvaziada, para não pagar tão caro nas operações de hoje o investidor passará a usar Chicago e outras bolsas ou até mesmo bancos de fora do País

CONFIRA

Não está nem um pouco clara a pretendida desaceleração da expansão do crédito na economia. O gráfico mostra que, no período de 12 meses, o crescimento ainda é superior a 20%. Desde o início deste ano, o objetivo do Banco Central é trazer essa expansão para, no máximo, 15% em 12 meses.

Sem bolha De todo modo, todas as operações de crédito do sistema correspondem a 47,2% do PIB. Está longe de caracterizar uma bolha em formação, como alguns analistas internacionais vêm repetindo.

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - A Copa não vale tudo isso

A Copa não vale tudo isso
EDITORIAL
O ESTADÃO - 28/07/11
Que a Fifa, o órgão máximo do futebol mundial, tenha lá suas manias e exigências, para assegurar o maior brilho possível aos eventos que organiza, até se entende, pois ela vive do espetáculo - algumas vezes nada edificante, como os recentes casos de suborno durante o processo de eleição de sua direção. O que não se pode aceitar é que, numa demonstração de subserviência à Fifa, as autoridades brasileiras se rendam a quaisquer de suas exigências, impondo transtornos à população que nada tem a ver com os interesses em jogo na organização da Copa de 2014.

É absurda a decisão do governo de, a pedido do Comitê Organizador Local da Copa - que, por sua vez, atendia à reivindicação da Fifa -, suspender todas as operações no Aeroporto Santos-Dumont, durante quatro horas, para não prejudicar a festança organizada pelos cartolas nacionais e internacionais na Marina da Glória, na área central do Rio de Janeiro, durante a qual serão sorteados os grupos das eliminatórias para a Copa de 2014.

Mais de 40 voos programados para o período das 14 às 18 horas de sábado serão removidos do Santos-Dumont, um dos aeroportos mais movimentados do País, para o Galeão, afetando a vida dos passageiros que pretendiam se valer da comodidade da utilização de um aeroporto central. Antes de começar, a Copa já causa incômodos ao público, no que pode ser um prenúncio do que ocorrerá quando de sua realização daqui a três anos.

E por que tudo isso? Aviões fazem barulho, descobriram os organizadores da grande festa do sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa. Por isso, melhor que eles não sobrevoem a área da Marina da Glória - que fica na rota dos voos que utilizam o Aeroporto Santos-Dumont - pouco antes, durante e pouco depois da realização da festança da cartolagem.

No palco montado no centro de uma estrutura que tem ainda um salão de festas de 7.600 metros quadrados, mais salas de imprensa e de logística, vão se apresentar artistas como Ivan Lins, Ana Carolina e Ivete Sangalo e ídolos do esporte como Zagallo, Neymar, Ronaldo e Zico. Serão vários sorteios, cada um para uma região do planeta, intercalados com espetáculos musicais.

Os cartolas alegam também que os aviões poderiam afetar os equipamentos de transmissão da festança, que será transmitida para 200 países, com expectativa de uma audiência de 500 milhões de pessoas. É o caso de perguntar: se sabiam disso, por que escolheram para sua realização um local exatamente numa das rotas aéreas de maior movimento no País?

A suspensão das operações no Aeroporto Santos-Dumont por quatro horas não é o único ônus que a Copa, cuja realização ainda é motivo de dúvida, já impõe aos brasileiros. Há outro, de natureza financeira, que começa a pesar no bolso dos contribuintes - e pesará ainda mais, se as obras programadas para os estádios e para a infraestrutura urbana e de transportes, sobretudo nos aeroportos, avançarem de acordo com seus cronogramas, o que até agora não ocorreu.

A festança de sábado será paga com dinheiro público. O custo de R$ 30 milhões será inteiramente bancado pelo governo do Estado do Rio e pela prefeitura do Rio de Janeiro, também por exigência da Fifa, como justificou a diretora executiva do Comitê Organizador Local, Joana Havelange.

Políticos e cartolas, nacionais e estrangeiros, terão destaque na festa e dela certamente auferirão ganhos pessoais. Também as empresas incumbidas da organização e realização das diferentes etapas do sorteio serão favorecidas. Mas nenhum benefício terá o contribuinte com esse esbanjamento do dinheiro público.

Naquilo que a aplicação dos recursos públicos decidida com o objetivo de assegurar a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016 poderia resultar em ganhos para a população, como as obras de infraestrutura, está tudo atrasado. O caso mais notório é do sistema aeroportuário, já saturado, mas com obras de reforma e ampliação muito atrasadas. A suspensão das operações no Aeroporto Santos-Dumont piora o que já é ruim.

CID HERACLITO DE QUEIROZ - A reforma da "bomba-relógio"

A reforma da "bomba-relógio"
CID HERACLITO DE QUEIROZ
O Estado de S.Paulo - 28/07/11

A reforma tributária "fatiada", ou em etapas, que gerou expectativas otimistas, dará lugar, segundo a imprensa, com base em fontes oficiais, à reforma da "bomba-relógio", a que fará "explodir" a Previdência Social, patrimônio dos trabalhadores e que tem sido, em nosso país, graças à contribuição dos empregadores, um instrumento indispensável à paz social. Numa inaceitável demonstração de descoordenação entre setores da administração e inobstante as diretrizes presidenciais no sentido da integração governamental, o Ministério da Fazenda, ao arrepio da área da Previdência, teria acolhido proposta para eliminar a contribuição previdenciária patronal, constitucionalmente obrigatória desde a Carta de 1934, e substituir a respectiva receita por mais um imposto incidente sobre o faturamento das empresas.

A proposta, todavia, é, financeira e tecnicamente, insustentável e provocará um desnecessário desgaste político para o governo. No que tange ao ângulo financeiro, a reforma manterá a mesma carga tributária sobre as empresas, pois o imposto com base no faturamento terá de proporcionar receita idêntica à que deriva das contribuições previdenciárias patronais, estimada, no corrente ano, em cerca de R$ 240 bilhões. Como bem acentuou editorial do jornal O Estado de S. Paulo de 2/6 (Desoneração e reforma, A3), "será inútil, do ponto de vista da eficiência econômica, trocar a contribuição sobre a folha por um tributo de outro tipo".

Sob o aspecto técnico, a proposta é realmente, uma "bomba-relógio", que "implodirá" o sistema previdenciário brasileiro, estruturado pela Constituição de 1988, a qual, sensível à natureza do seguro social, prescreveu, no seu artigo 165, parágrafo 5.º, a separação entre o orçamento fiscal e o orçamento da seguridade social, este "abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público". Ao orçamento fiscal devem afluir as receitas provenientes de impostos e taxas e as receitas patrimoniais e de capital, para custear as despesas com a ação dos três Poderes da União, notadamente as de custeio e de investimentos. Ao orçamento da seguridade social devem afluir as receitas oriundas das contribuições previdenciárias dos empregados e dos empregadores e as contribuições sociais pagas pelas empresas, com base no faturamento (Cofins) e no lucro (CSLL), para custear todas as ações nas áreas da Previdência, da Assistência Social e da Saúde.

"Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento dos benefícios concedidos pelo regime geral da previdência social, em adição aos recursos de sua arrecadação", o artigo 250 da Constituição autoriza a União a "constituir fundo integrado por bens, direitos e ativos de qualquer natureza, mediante lei que disporá sobre a natureza e administração desse fundo".

Uma vez implementado esse fundo, pelo menos em relação aos trabalhadores da área urbana, as respectivas receitas e despesas previdenciárias deixarão de figurar no Orçamento da União, à semelhança do que ocorre com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cujos balanços são elaborados pela Caixa Econômica Federal, que o administra, e não integram a receita, nem a despesa, da União. O fundo previdenciário seria gerido, em conjunto, por trabalhadores, empregadores e governo, operaria por intermédio de uma entidade bancária oficial, aplicaria, no mercado financeiro, as suas disponibilidades de caixa e seria integrado, ainda, por bens que lhe sejam transferidos pela União, como, por ser de justiça, imóveis pertencentes ao INSS, construídos com as receitas das contribuições previdenciárias.

Nos dias atuais, a implementação desse fundo mais se justifica, dada a feliz circunstância de que, há alguns meses, a previdência dos trabalhadores urbanos vem apresentando sucessivos superávits. Já a previdência dos produtores e trabalhadores rurais continua extremamente deficitária - a receita cobre apenas cerca de 10% da despesa - e terá de ser financiada, sob pena de causar intranquilidade na área rural, pelas dotações da assistência social, com o produto da receita da Contribuição Social para o Financiamento de Seguridade Social (Cofins) - denominação autoexplicativa - e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vale notar que a Carta de 1988 incluiu na Previdência Social cerca de 6 milhões de trabalhadores e produtores rurais que nunca recolheram nenhuma contribuição previdenciária. E, agora, anuncia-se a inclusão, nesse modelo, dos indígenas brasileiros, com aposentadoria no valor de um salário mínimo.

Por conseguinte, a proposta da "bomba-relógio", a par de ignorar a estrutura da Previdência Social brasileira, resultará, sem dúvida, na "implosão" do sistema, intranquilizando milhões de segurados ativos, inativos e pensionistas, e também constituirá um desserviço ao próprio governo.

Por outro lado, foi noticiado que o governo está elaborando projeto de lei para enquadrar nas normas da Lei de Responsabilidade Fiscal relativas à transparência a contabilidade das renúncias a receitas previdenciárias. Assim, seriam adequadamente imputados aos orçamentos dos Ministérios competentes os valores das renúncias referentes a entidades filantrópicas, empresas exportadoras, pequenas e microempresas, clubes de futebol, etc., num total, neste exercício, de mais de R$ 20 bilhões. E seriam separadas, como se impõe, as contas da previdência urbana e da previdência rural, o que possibilitará análises mais corretas do nosso sistema previdenciário, sem as inadequadas comparações com o produto interno bruto (PIB) de receitas reduzidas por renúncias e despesas oneradas por assistencialismo social.

ADVOGADO, FOI PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL (1979-1991)

MÔNICA BERGAMO - DOSE A MAIS

DOSE A MAIS
MÔNICA BERGAMO 
FOLHA DE SP - 28/07/11

Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de SP Octavio Frias de Oliveira liga o consumo excessivo de álcool ao desenvolvimento da doença. Dos 26 mil pacientes atendidos nos últimos dois anos e meio, 2.800 assumiram ter dependência da bebida. Nesse grupo, 1.008 pessoas (36% dos entrevistados) apresentaram tumores na região da boca e da garganta.

GOLPE NO FÍGADO
A pesquisa também aponta que cerca de 90% dos casos de câncer de fígado estão vinculados à cirrose hepática, que tem o abuso de álcool como uma de suas principais causas. Com base nos dados, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) escolheu o instituto como palco do lançamento, na próxima segunda, da lei de combate ao consumo de bebidas por adolescentes.

VOO ALTO
O Ministério do Turismo prevê que 2011 baterá o recorde de voos domésticos, atingindo 75 milhões de desembarques. Em 2010, foram 68,5 milhões. Os 6,1 milhões de desembarques de junho superaram em 18% o número registrado no mesmo mês no ano passado.

ASA PRÓPRIA

O ex-ciclista Lance Armstrong virá com o próprio avião para o Brasil, em 29 de outubro. Pousará de manhã e, à tarde, dará palestra no hotel Unique. No dia seguinte, fará um passeio ciclístico pela capital, com cerca de 400 participantes, e já deve embarcar no jato para casa. A vinda do heptacampeão da Volta da França será promovida pela Rocky Mountain.

ACESSO RESTRITO
Confusão na UTI do Hospital das Clínicas. Na tarde de domingo, a neta de uma paciente idosa tentou entrar mais de uma vez na unidade sem autorização e fora do horário de visita. Um segurança a interceptou e, segundo a moça, a chamou de "vagabunda". A cena foi filmada. O hospital diz que ela tentou usar a entrada exclusiva dos profissionais, se passando por funcionária. O fato está sendo apurado.

MUNDO ANIMADO
A 19ª edição do Anima Mundi começou na noite de anteontem, no Memorial da América Latina. Entre os convidados da mostra estão a americana Miwa Matreyek, que usa seu corpo nas animações que faz, e Watanabe Shinichiro, que desenhou o mangá "Cowboy Bebop".

LIMA & LIMA
Júnior Lima, Amon Lima e Júlio Torres apresentaram seu projeto musical Dexterz no Royal Club, em SP, anteontem.

360 NO GRAU
Jude Law e Rachel Weisz estarão com Fernando Meirelles na estreia mundial de seu novo filme, "360", no Festival de Toronto, em 9 de setembro. Maria Flor, que também está no longa da O2 Filmes, ainda não confirmou presença na sessão.

AÇÃO ENTRE AMIGOS
O músico Marcelo Jeneci será um dos convidados dos shows em que Zélia Duncan vai comemorar 30 anos de carreira. Ela se apresentará no Auditório Ibirapuera nos dias 19 e 20 de agosto.

AMY DE CAMAROTE
O ponto de maior movimento da Fnac da avenida Paulista nesta semana é um home theater que exibe um DVD de Amy Winehouse, morta no sábado. Há quem se sente em uma poltrona em frente à TV para assistir. Os vendedores dizem que os discos da cantora se esgotaram já no domingo. Foram repostos na terça.

TURMA DO MASSA
A primeira loja oficial de roupas e acessórios da marca Ferrari será aberta no fim do ano, no Rio de Janeiro.

CÂMERA, TARCISÃO!
Tarcisio Meira diz que "redescobriu" o cinema brasileiro após 20 anos longe da telona. "Vi que hoje o cinema feito no Brasil é, sim, um enorme prazer. É tudo mais simples, mais leve e mais profissional", diz o ator. Ele é protagonista de "Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo", longa de Hugo Carvana que estreia no dia 5.

TRILHA

E Edu Lobo compôs com Paulo Cesar Pinheiro a música "Corda Bamba" especialmente para o filme.

CAVALO DADO

O troféu do torneio Athina Onassis Horse Show, em setembro, será um cavalo de prata com olhos de diamante negro, de Jack Vartanian.

CURTO-CIRCUITO


A modelo Ana Claudia Michels comemora 30 anos amanhã com festa no bar Número.

O filme "Another Silence", uma coprodução da TeleImage, foi selecionado para a Mostra Venice Days.

O Tonk Club estreia a festa Smash no sábado com os projetos Roots Rock Revolution, These Damn Hands e Killer on the Dancefloor. 23h. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA (interino), LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Quartelada
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SP - 28/07/11

Apesar do esperneio público de dirigentes como André Vargas, parte da cúpula do PT fez leitura um pouco mais amena da declaração de voto de Nelson Jobim (Defesa): a de que, embora haja constrangimento a Dilma Rousseff, só um ingênuo desconfiaria de qual botão o ministro apertara em outubro.
Até porque Jobim nunca teria feito segredo de sua preferência, internamente. Em meio ao desencontro das manifestações públicas e privadas, petistas lembravam um incômodo extra, esse relacionado ao "militante histórico" José Genoino. Assessor especial da Defesa desde março, é subordinado diretamente a um agora declarado eleitor de José Serra.

Chamada 
Dilma pretende fazer nova reunião ministerial em agosto para dar as diretrizes do segundo semestre aos seus subordinados.

Dinâmica 
A Secretaria de Assuntos Estratégicos apresenta estudo sobre a nova classe média, no próximo dia 8, em seminário a ser aberto pela presidente. Segundo os dados, encontra-se nesse estrato a maior parte dos jovens com idade entre 15 e 24 anos (54%).

Oriente 
Delegação do PT visitará a China em setembro. Dirigentes do partido iriam ao país antes de Dilma, mas o afastamento médico de José Eduardo Dutra alterou os planos à ocasião.

Volume 
Quem viu a relação do TCU com os nomes dos parlamentares sócios de empresas contratadas pela administração pública garante: há cerca de dez citações ao senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), o que sugere mais de uma empresa dele ou mais de um contrato.

Diretriz 
Embora diga que a ANP respondeu de forma "cabal" às suspeitas contra o órgão, o PC do B não vê problema na ida do filiado Haroldo Lima, presidente da agência, ao Congresso para falar sobre o tema.

Canteiro
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção entrega hoje a Carlos Lupi (Trabalho) proposta com o objetivo de acabar com o "gato" -intermediador de contratações- em obras como as das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau (RO). A medida limitaria a prática a empresas especializadas, com atendimento das obrigações trabalhistas.

Start 
O PSD de Gilberto Kassab entrou com os três primeiros pedidos de registro definitivo nos TREs do país: SP, SC e RN. A informação foi captada pelos radares de DEM e PTB, que prometem questionar judicialmente todos os passos da sigla.

Veste o boné? 
Em namoro com os movimentos sociais, Kassab recebeu ontem dirigentes do MST. Tratou da compra da produção de assentamentos para escolas. "Ele está mudado. Não está mais raivoso como antigamente", diz o líder dos sem-terra, João Paulo Rodrigues.

Tripé 

A versão paulista do "Conselhão" terá três grupos temáticos: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e meio ambiente. Caberá a Geraldo Alckmin, mentor do projeto, a presidência do colegiado.

Tucanês 

Quem acompanha o infindável corolário de Alckmin sobre a ajuda do governo paulista ao Itaquerão, anota: as expressões "monta e desmonta" e "não ficará um parafuso lá" foram as mais usadas pelo governador nos últimos dez dias.

Acelerador 

O tucano agora pressiona Kassab a repetir a "linha expressa" usada nas obras do estádio para a licença de instalação do monotrilho que conectará o metrô a Congonhas.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio


"Quero ver a oposição falar que o PT aparelhou a máquina. Temos a presença clara de um tucano no primeiro escalão."
DO DEPUTADO FERNANDO FERRO (PT-PE), ironizando a revelação do peemedebista Nelson Jobim (Defesa) de que votou em José Serra na eleição presidencial de 2010, não em sua atual chefe, Dilma Rousseff.

contraponto

Dupla jornada

A comissão do Plano Nacional de Educação recebeu no mês passado, na Câmara, o ministro Fernando Haddad. Em sua vez de usar a palavra, o deputado Gilmar Machado (PT-MG) reclamava da dificuldade em se cumprir o piso nacional dos professores:
-É duro. Votamos uma lei, depois os professores têm que fazer greve para que ela seja cumprida...
De imediato, Angelo Vanhoni (PT-PR) aparteou:
-O deputado tem que trabalhar em dobro: faz a lei e depois ajuda na greve!

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - A velhice dos tempos modernos


A velhice dos tempos modernos
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
FOLHA DE SP - 28/07/11

A expressão "conservadores" seria mais aplicável aos que repetem "costumes flexíveis", e não os valores abraçados pelos construtores das civilizações
O desconhecimento da história e a pouca atenção que, nas grades escolares, principalmente universitárias, se dá à importância do estudo de toda espécie de acontecimentos passados, principalmente na política e nos costumes, faz com que aquele que vive o momento presente termine por repetir os mesmos erros, vícios e "novidades" pretéritas.
Na política, como procurei demonstrar em meu livro "Uma Breve Teoria do Poder", o homem pouco evoluiu. Se uma democracia formal foi conquistada a duras penas, a verdade é que nem por isso a sociedade consegue controlar a figura do detentor do poder, que quer o poder pelo poder, sendo a prestação de serviços públicos apenas efeito colateral de seu exercício.
A corrupção endêmica nas entidades estatais, nos tempos modernos, é tão velha quanto a dos primeiros tempos. Apenas mais sofisticada. Carl Schmitt ("O Conceito do Político") e Maquiavel ("O Príncipe") continuam atualíssimos.
Nos costumes, a denominada liberdade sexual, em que dar vazão aos instintos é modelo da modernidade, remonta, pelo menos, ao tempo da decadência babilônica, quando as mulheres conseguiam seus dotes para o casamento entregando-se livremente no templo, ou à decadência do Império Romano.
Políbio ("História"), este historiador grego que viveu em Roma, demonstrou que tal liberdade estava desfazendo as famílias romanas, prevendo o fim do Império pela deterioração dos costumes.
É de se lembrar que, no período anterior, quando da República, as famílias respeitavam valores e a sociedade se representava perante o Senado e os cônsules por meio do Tribunato da Plebe (Fustel de Coulanges, "A Cidade Antiga"). A cidadania romana tornou-se um bem que protegia não só os romanos, mas aqueles que a conquistavam dentro de suas fronteiras.
É de se lembrar que, antes da queda de Esparta, a liberdade sexual das mulheres espartanas faria inveja às mais desinibidas senhoras da atualidade. O próprio homossexualismo, praticado em Atenas, tornou-se bem evidente quando do início de sua decadência, que termina, de rigor, com a derrota na Guerra do Peloponeso, tão bem narrada por Tucídides.
Tais breves e perfunctórias reminiscências históricas sobre costumes e política objetivaram apenas mostrar que as denominadas conquistas dos tempos modernos são muito velhas e, quase sempre, coincidem com a decadência de civilizações formadas, como o Império Romano, à luz de valores diferentes.
Parece-me, portanto, que a denominação "conservadores" seria mais aplicável àqueles que repetem, através da história, "costumes flexíveis" -para adotar uma terminologia politicamente correta-, e não os valores abraçados pelos verdadeiros construtores das civilizações, que, como Toynbee afirma ("Um Estudo da História"), nasceram, fundamentalmente, dos preservados pelas grandes religiões.
Uma última observação, de caráter apenas explicativo.
Nos tempos de costumes condenáveis, em que as mulheres, em algumas nações, tinham um estatuto inferior, foi Cristo que abriu a perspectiva da igualdade entre o homem e a mulher, ao dar ao matrimônio a dignidade de Estado, com obrigações e direitos mútuos rigorosamente idênticos, com deveres de lealdade e fidelidade necessários para criar os valores próprios para a correta educação da prole que geravam. E elevou uma mulher à condição de mais importante figura da humanidade, para os católicos, acima de todos os homens, ou seja, santa Maria.
Política e costumes merecem sempre uma reflexão histórica.
Pouco comum, mas necessária.

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Dólar, bomba e tiro n"água

Dólar, bomba e tiro n"água
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 28/07/11
Governo toma medida cambial mais forte desde Lula e pode intervir no coração do mercado

O GOVERNO enfim decidiu jogar a bomba atômica no mercado de câmbio. Por meio de um decreto e uma medida provisória, avisou que pode intervir à vontade no mercado futuro de dólar e nos instrumentos financeiros ali negociados, derivativos.
A radiação da bomba vai causar mutações no mercado de câmbio. Mas ainda deve ser um tiro n"água no que diz respeito a limitar a valorização do real. No entanto, deve limitar a facilidade com que se realizam operações amalucadas de endividamento em dólar.
Até agora, desde 2009, havia controles convencionais do influxo de dólares. Os governos petistas haviam tomado apenas medidas indiretas, remotas, com o fim de limitar negócios no mercado futuro, que, não raro, gira dez vezes mais dinheiro que o mercado à vista --é onde se define mesmo o preço da troca de reais por dólares.
Ontem, depois de quase dois anos de hesitação no assunto, o governo chutou a porta do futuro. Durma com um barulho desses e chupe o dedo quem considerava que a política econômica de Dilma Rousseff se encaminhava para a ortodoxia.
O governo pode aumentar o imposto sobre negócios com derivativos de câmbio de 1% para até 25%. Isto é, sobre negócios de quem aumentar sua exposição vendida em "moeda estrangeira".
O governo pode ainda encarecer a operação, exigindo mais garantias nos derivativos. Pode modificar prazos da operação. Pode fazer o diabo. O pessoal do mercado estava ontem entre fulo e confuso.
Na prática, o aumento do custo (e do risco de o governo intervir mais) dos negócios no mercado futuro deve fazer com que parte das operações migre para o mercado à vista ou para o exterior. Note-se que, faz duas semanas, o governo limitou o passivo dos bancos em dólares "no presente" (limite para "posição vendida").
O aumento do custo das operações no futuro em tese deve também encarecer e tornar mais arriscada a tomada de empréstimos no exterior. O encarecimento da operação com derivativos pode ainda reduzir a liquidez (quantidade e volume de negócios) em tempos de estresse, com o que o dólar pode variar mais em momentos de crise.
Mercados de contratos futuros, em suma, servem para que, por algum custo, garanta-se que o valor a ser recebido por tal ou qual ativo no futuro seja equivalente a um certo valor esperado agora ("fazer hedge"). Isso ao menos nos termos da cartilha "Caminho Suave" dos derivativos: comprar proteção contra variações indesejáveis de preços.
Na prática, derivativos servem para apostas em geral de que, no futuro, um ativo ou uma taxa ou um índice qualquer de nossa preferência vá nos render mais do que os ativos etc. preferidos pela nossa contraparte no negócio.
As medidas de ontem dizem respeito aos derivativos que dependem da variação do preço do real em relação ao dólar ("moeda estrangeira"). Esse mercado serve, claro, para proteção contra o risco cambial da torrente de empréstimos em moeda estrangeira para o setor privado; serve para organizar operações para que não residentes ganhem dinheiro com a indecente taxa de juros brasileira (para "especulação").
O governo tentou limitar as duas operações.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Isenção incentiva importação de equivalente nacional
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 28/07/11

Criado há 13 anos para incentivar a exploração de petróleo e gás no país, o Repetro, regime que isenta de impostos as importações voltadas ao setor, continua a permitir a entrada de bens que já são fabricados em larga escala pela indústria nacional.
O uso do regime pela bilionária indústria de petróleo e gás não para de crescer. Desde 2001, a renúncia fiscal soma R$ 50 bilhões, sendo que R$ 33 bilhões nos últimos seis anos, segundo a Receita.
De 2005 a 2010, o Repetro respondeu por 21% de toda a suspensão de tributação no país. Trata-se da maior renúncia fiscal do país, acima da Zona Franca de Manaus.
Com o real sobrevalorizado, a importação fica mais atrativa. A Folha mostrou no mês passado que, de 22 plataformas de produção de petróleo encomendadas nos últimos quatro anos, só três estão sendo integralmente construídas no Brasil.
A manutenção do regime é contestada, especialmente entre fornecedores brasileiros, que pedem uma revisão da regra.
O Repetro entrou em vigor em 1998, em um cenário em que a indústria do petróleo ainda engatinhava e poucos bens e equipamentos eram fabricados no país.
Outra diferença de contexto gritante era o preço do barril. No final da década de 90, girava em torno de US$ 20. Hoje, beira US$ 100, o que garante margens mais folgadas aos produtores.
Na época em que o Repetro foi instituído, a perspectiva de se encontrar grandes quantidades de petróleo e gás no país não era tão clara.
O risco de se explorar era bem maior.

SETOR MADURO
O Repetro prevê isenção fiscal na entrada de plataformas, navios de apoio e outros equipamentos, desde que destinadas à exploração e produção.
Não há uma lista definida com o que é permitido pelo regime. As empresas importam qualquer produto e apresentam com justificativa à Receita, que avalia se o que está sendo importado será usado para explorar ou produzir.
Ex-secretário de energia do Rio, Wagner Victer diz que o Repetro não é mais necessário à indústria. Segundo ele, o setor já está maduro, e a alta rentabilidade atual dos negócios com petróleo dispensa necessidade de isenção.
"O Repetro estava previsto para durar até 2005. Foi estendido até 2020, mas já deveria ter parado."
A exploração no pré-sal, que vai ampliar ainda mais as atividade do setor de petróleo e gás, é vista como um ponto de partida para mudanças no Repetro.
A Receita avalia que será preciso estender a estrutura diante da perspectiva de alta das importações pelo pré-sal.

RESULTADO ENERGÉTICO
A EDP no Brasil, do grupo EDP Energias de Portugal, fechou o primeiro semestre deste ano com lucro líquido de R$ 316,5 milhões, o que representa crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2010.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 875,4 milhões, com alta de 7,8%.
"O resultado foi bom, porém, impactado pela provisão que fizemos por razão judicial relativa a uma ação de 11 anos atrás", disse António Pita de Abreu, presidente do grupo no Brasil.
Quanto ao volume de energia vendida no semestre, o aumento na comercialização no mercado livre foi de 28,2%. Na geração, registrou alta de 9,5% e de 3,4% na distribuição, com acréscimo de 2,4% na EDP Escelsa (ES) e de 3,9% na EDP Bandeirante (SP).
"A média de 3% deve ficar próxima do que deverá ser o PIB no semestre."
A recente oferta secundária de ações da EDP na Bolsa, que girou R$ 810,724 milhões, teve procura 4,5 vezes maior que a oferta, revelou.

SEM SOLIDARIEDADE
O Brasil destina apenas 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto) para caridade, de acordo com pesquisa da consultoria Bain & Company.
Entre os países analisados, apenas a China tem percentual de doação inferior ao brasileiro (0,2%). Os EUA apresentaram o maior índice de doação, de 2,2%.
Os valores são calculados com base nas doações de empresas e pessoas físicas.
Nos EUA, as doações individuais representam 75% do total. Já na Índia, esse índice é de 26%.
A consultoria prevê que o percentual doado nos países em desenvolvimento cresça de maneira significativa.

10% DO GARÇOM

O Ministério Público do Trabalho obteve liminar que determina que a rede de restaurantes Outback Steakhouse inclua gorjetas no holerite de garçons e outros trabalhadores para que sejam recolhidas as verbas trabalhistas.
A rede pode recorrer.
Segundo o MPT, o Outback não teria seguido a CLT ao recolher FGTS e pagar férias e 13º apenas sobre o fixo, sem incluir o valor de gratificações. "A gorjeta tem natureza salarial", diz o procurador Ronaldo Lira. A empresa diz que não foi notificada.

CINTURA FINA
A Emagrecentro, de serviços de emagrecimento e estética, inicia a expansão no mercado internacional.
Até o final deste ano, serão inauguradas três franquias em Portugal, Angola e Panamá. A primeira a ser aberta será na semana que vem na Cidade do Panamá.
"O que facilitou a entrada no país foi a baixa burocracia para a abertura de empresas", diz o cirurgião plástico Edson Ramuth, fundador da empresa.
"A obesidade é uma epidemia mundial. Em países como EUA e Austrália, 70% da população está com sobrepeso. Temos muito mercado para crescer."
Com 201 unidades em 21 Estados brasileiros, a companhia já negocia a abertura de mais 50 franquias até o final deste ano.
"Estaremos em todos os Estados do país até dezembro. O nosso foco também são cidades do interior do país com mais de 100 mil habitantes", diz Ramuth.
As novas unidades devem representar incremento de 25% no faturamento deste ano, que deve chegar a R$ 63 milhões, segundo projeções da empresa.

NÚMEROS

201
unidades estão em operação no Brasil, sendo 113 no Estado de São Paulo

50
franquias serão inauguradas no país até dezembro e 3 no exterior, em Portugal, Angola e Panamá
Fonte: Emagrecentro

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e CIRILO JUNIOR

RICARDO MELO - A parte do salário

A parte do salário
RICARDO MELO
FOLHA DE SP - 28/07/11

SÃO PAULO - O desempenho das contas externas do Brasil, bem como a safra de balanços semestrais, seja de bancos, seja de grandes empresas, desmente a onda de previsões sombrias do início do ano.
Os números sobre os investimentos estrangeiros diretos são impactantes. Como as manchetes estamparam, no semestre bateram o recorde de várias décadas, se considerada a série histórica que o Banco Central inaugurou em 1947. Os resultados do setor privado na primeira metade do ano também vão indo muito bem, obrigado.
Eis alguns: o lucro líquido do Bradesco cresceu mais de 20% e chegou a R$ 5,5 bilhões. Mesmo o Santander, sediado na tormentosa Europa, não pode reclamar. Seu lucro global recuou, mas aqui cresceu 7,6% e alcançou 1,4 bilhão.
Em dinheiro nosso, algo como R$ 3,1 bilhões. Detalhe: o Brasil, sozinho, respondeu por cerca de 25% dos ganhos auferidos pelo grupo mundo afora. Já a operadora Vivo conheceu um salto percentual ainda mais expressivo. Em comparação com o ano passado, os lucros da empresa avançaram 46%.
No conjunto dos setores, nada indica que as cifras abandonem o azul. Lá fora, a crise europeia e a queda de braço nos EUA sinalizam que a enxurrada de dinheiro externo deve continuar, sendo duvidoso o efeito das últimas medidas do governo na área cambial.
Embora a inflação nacional esteja um pouco mais elevada, nossa altíssima taxa de juros exerce uma força de atração incomparável.
Diante de algarismos tão vistosos e com campanhas salariais pela frente, é justo que o trabalhador brasileiro reivindique a sua parte.
Aquela conversa de reajustes pela inflação futura e de ausência de ganho real ou as pregações de que é necessário moderar o crescimento e esfriar a economia (num país com tantas carências como o Brasil!), vamos e venhamos, chegam a agredir o bom-senso. Mesmo sabendo que distribuir renda nunca foi o lado forte da elite nacional.

ELIANE CANTANHÊDE - Caminho da roça


Caminho da roça
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 28/07/11

Há coisas que a gente pensa, mas não diz. Há coisas que todo mundo sabe e não precisam – ou não devem – ser ditas. Ao agredir essas duas regras básicas de elegância social e convivência pacífica, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deixa no ar uma interrogação: aonde ele quer chegar?

Em entrevista a Fernando Rodrigues na estreia do programa “Poder e Política” da Folha, Folha.com e UOL, Jobim justificou que “não costuma fazer dissimulações” e disse, em bom e alto som, que votou no tucano José Serra em 2010.

Acrescentou que, com Serra, “seria a mesma coisa” na gerência da crise dos Transportes, quando Dilma Rousseff botou 18 para correr, incluindo os que optaram pela versão da demissão “a pedido”.

Tanto quanto não há e não havia dúvida sobre o candidato de Jobim na eleição Serra versus Dilma, não há dúvida de que ele está insatisfeito. Primeiro, criticou o governo até em casamento.

Depois, usou um discurso em homenagem a Fernando Henrique para falar nos “idiotas” que ficam e lembrar que o ex-presidente não gritava e não humilhava assessores. Nada sutil. Chamado ao Planalto, disse a Dilma que era tudo intriga da imprensa. Aliás, que os “idiotas” a que se referira eram os jornalistas que criticavam FHC.

Todos, e, sobretudo, Dilma, fingiram que acreditaram, mas isso certamente ficou entalado. Agora mais essa. Novamente chamado, o que Jobim diria? Esse excesso de liberdade para falar verdades aí tem uma origem certa e um objetivo deduzido. A origem é que Jobim só está ministro porque Lula convidou e Dilma engoliu.

O objetivo é que, sem ter mais o que fazer, Jobim está tomando o caminho da roça.

O mais curioso é que, enquanto o PT tomou as dores de Dilma, o PMDB se dividiu entre os que não viram nada demais e os que até defenderam o correligionário. Assim: o PMDB é leal a Dilma, mas não pega em armas por ela.

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - O resto

O resto
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
o globo - 28/07/11

Anders Behring Breivik é um belo espécime de raça superior. Aquela que, segundo ele, deve se defender da mestiçagem e do multiculturalismo para não perder sua identidade, sua religião e finalmente seu espaço numa Europa ocupada por inferiores. E Breivik não contribuiria apenas com sua boa estampa para hipotéticos cartazes promovendo a causa. Ele próprio é um exemplo da eficiência e da produtividade que caracterizam a raça nórdica, em contraste com as outras e com os mestiços. Fazer o que ele fez, em tão pouco tempo, requer uma organização e uma racionalização de meios incomuns. Como já se disse sobre a política de extermínio dos nazistas, abstraindo-se o resto a simples engenharia do feito foi admirável. O “resto” a ser abstraído são os milhões de seres humanos assassinados pela engrenagem mortal, certo. Mas julgada pela eficiência e a produtividade, que para Breivik distinguem os puros dos híbridos e das raças menores, a engrenagem funcionou. Seu pequeno genocídio de noruegueses inocentes também funcionou. Assim, ao mesmo tempo que sua estampa nos mostra um ideal da raça que deve ser preservada, ele nos dá uma aula
prática da sua superioridade. Se conseguirmos abstrair o “resto”, claro.

CHICO
O crítico Edward Said escreveu sobre o “estilo tardio” que em muitos casos – o Beethoven dos últimos quartetos é o exemplo mais notório – distanciam o artista do seu público. O artista quer evoluir e experimentar e o público quer a repetição do que gosta.
No caso do Chico Buarque o estranhamento causado pelo seu novo CD pode durar uma ou duas audições de algumas das músicas (com outras a rendição é instantânea) mas não resiste à terceira audição, quando o estranhamento vira encantamento. Chico experimenta com rimas insólitas e sutilezas tonais (esmiuçadas naquele antológico artigo do Arthur Nestrovski sobre o disco no Estadão, e pelo Wisnik no Globo, semana passada), letras que misturam naturalmente o coloquial e o literário, canções que se esfarelam num quase recitativo, um blues e até um dueto de amor inevitável, que termina com o moço e a moça cantando “e lalari, lairiri” em vez de completar a letra. O estilo tardio do Chico é um estilo rarefeito, mas insista. O estranhamento acaba logo. E mal dá para esperar o que virá depois.

DEFINIÇÃO
Ouvi uma perfeita definição de super-herói, que serve para todos:
– São aqueles caras que usam a cueca por fora das calças.
E...
E lalari, lairiri...

CLÁUDIO HUMBERTO

“Jobim deve se achar a última bolacha do pacotinho”
DEPUTADO ANDRÉ VARGAS (PT-PR), SOBRE O MINISTRO DA DEFESA TER DECLARADO VOTO EM JOSÉ SERRA

CRISE JOBIM-DILMA COMEÇOU NO RIO
O rompimento de Nelson Jobim (Defesa) com a presidente Dilma Rousseff se deu veladamente numa reunião a portas fechadas no Rio, em janeiro. Ele anunciou o Exército no controle das ações na região serrana, atingida pelas chuvas. Mas foi desautorizado na frente do governador Sérgio Cabral. Dilma o interrompeu e deu aval para o vice, Luiz Pezão, comandar o socorro. Jobim também se indispôs com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) sobre o Plano de Fronteiras.

É GUERRA 
Jobim não quer a participação da PF e do Ministério da Justiça no Plano de Fronteiras. Para ele, é responsabilidade do Exército. Perdeu de novo.

BIQUINHO 
O ministro da Defesa força a sua saída do governo, como adiantou essa coluna. Seu sonho é ser opção do PMDB à Presidência algum dia.

TÔ NEM AÍ 
A revelação de Jobim à Folha de S. Paulo de que votou no tucano José Serra, na eleição presidencial, piorou sua relação com o próprio PMDB.

A JATO 
Jobim só pensa na compra dos caças da FAB. Foi ele o artífice de passeio de congressistas em Paris, pagos pela Dassault, em junho.

BRASÍLIA GANHARÁ 14 HOTÉIS 
O governo do Distrito Federal lançará edital para venda de lotes numa grande área ao lado do futuro Estádio Nacional, como prolongamento do Setor Hoteleiro Norte. Estão reservados terrenos para mais 14 hotéis. Grandes redes procuraram o secretário de Turismo, Luiz Otávio Neto, e demonstraram interesse na compra. A Justiça engavetou ontem ação do Iphan e do Ministério Público contra o novo loteamento. 

OLHO NO LANCE 
De olho nas obras bilionárias do Maracanã, o MPF e o Iphan promovem audiência pública hoje no Centro do Rio para evitar gol contra do Estado.

TAXA TAXIANDO 
A casa de câmbio Confidence orientou funcionários a colocarem na conta do BC, e não da Infraero, a tarifa de R$ 10 que cobra no Aeroporto JK.

RICO SEM DIPLOMA 
Ex-presidente do Conselho Federal de Enfermagem, Gilberto Linhares, preso em Bangu por desvio de R$ 50 milhões, teve o registro cassado.

COPA: BRASÍLIA TEM CHANCE 
A Fifa informou à CBF que acompanha com interesse a prioridade do governo do Distrito Federal para a Copa do Mundo. O estádio, com obra avançada, é o único considerado arena multiuso, e atende aos requisitos para a abertura do evento. A mobilidade urbana é a melhor do País. 

É SÓ TREINAMENTO 
A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) quer promover simulação inédita no Congresso Nacional de evacuação em caso de emergência. Se a polícia participar, muita gente vai correr de verdade.

LAMBENDO SELO 
Além do superintendente-executivo, que fica até terça (2), quatro servidores dos Correios estão no Japão, com tudo pago até sexta (5), para a Exposição Filatélica Mundial Philanippon, em Yokohama.

VOTO CONSIGNADO 
O MP Eleitoral do Rio quer cassar o deputado Fábio da Silva (PMDB) por distribuir 83 mil “Votocards” – propaganda igual a cartão de crédito. Os capos Jorge Picciani e Eduardo Cunha foram excluídos da denúncia.

MEU GAROTO 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse em entrevista à Rádio Itatiaia que o Dnit é foco de corrupção. Esqueceu que o secretário de Gestão Metropolitana do governo Anastasia, Alexandre Silveira ,ex PPS, foi diretor do Dnit em Minas Gerais, e depois diretor-geral no governo Lula. 

FURO NO CASCO
Seis meses após anunciar as obras de dragagem no Porto de Itajaí (SC), a empresa belga Jan De Nul, vencedora da licitação, desistiu do projeto por “problemas técnicos”. A obra de R$ 55 milhões faz parte do PAC.

DESCONECTADOS 
Se pode atrapalhar, por que ajudar? Em vez de congestionar o 135 ou obrigar idosos a ter internet, por que a Previdência não publica nos jornais a lista dos aposentados com direito a atrasados?

REBELDES SEM CAUSA 
Com o ponto eletrônico instalado, consultores legislativos do Senado que fazem bico, nem aparecem no Congresso e exageram nas “horas-extras”, perdem até R$ 12 mil por mês. Eles preparam uma rebelião.

PENSANDO BEM... 
a ficha de Dilma ainda não caiu exigindo “ficha limpa” nos Transportes. 

PODER SEM PUDOR
SABOR DE VINGANÇA 
Certa vez, no escurinho da última fila do plenário, o então deputado Pedro Henry (PP-MT) se lamentava com Virgílio Guimarães (PT-MG), cuja candidatura à presidência da Câmara foi derrotada pelo Palácio do Planalto: 
– Estou assustado. As pessoas estão irritadas com a gente, agressivas... 
A reação de Virgílio deixou Pedro Henry ainda mais preocupado: 
– Pois eu, qualquer dia, vou ser carregado nos braços. Estou gostando do clima das ruas...

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Governo cria nova taxa para frear especulação com dólar

Folha: Governo age e dólar tem maior alta em um ano

Estadão: Governo faz sua maior intervenção no câmbio e ameaça ir mais longe

Correio: Brasil puxa o freio do dólar

Valor: CMN assume batalha cambial

Estado de Minas: Guerra à especulação

Jornal do Commercio: Mudar de plano de saúde fica mais fácil

Zero Hora: Apenas 10% dos desmanches de carros estão regularizados