terça-feira, maio 24, 2011

ANNA RAMALHO - Pé no mundo


Pé no mundo 
ANNA RAMALHO

JORNAL DO BRASIL - 24/05/11

O titular da Secretaria Especial de Portos (SEP), Leônidas Cristino, embora engenheiro, não é especialista em sua pasta. Era prefeito de Sobral, no interior do Ceará, e até agora só tinha passado nos portos como turista.

Pois bem

Embora ainda esteja tomando conhecimento do setor, já iniciou sua primeira viagem internacional. Embarcou para Espanha e Itália. 

Faltou Paris
Acredita-se que o próximo porto na mira do ministro seja Marselha, na velha França, ao qual se chega via Paris.

Encontros e despedidas


Desde que Milton Nascimento o autorizou a usar a gravação de Maria, Maria em um filme, em 2002, Antonio Banderas acalenta o sonho de conhecer o compositor mineiro. Hoje o sonho se torna realidade na casa do empresário Mário Cohen, que recebe o espanhol para almoço, ao qual Milton já confirmou presença.

Mais


Não será surpresa para a coluna seu Paul McCartney, que ainda está no Rio, também participe do encontro. 

Sempre-viva

A Secretaria de Administração da Presidência da República, gastou na semana passada, cerca de R$ 38,5 mil para a aquisição de arranjos de flores. Foram 21 diferentes tipos de arranjos florais com diversos valores e finalidades, entre eles: R$ 2.236 para centro de mesa, R$ 2.200 para móveis aparadores e R$ 3.200 para auditórios presidenciais.

Compraram o orquidário?

O destaque da gastança floral fica com as 240 orquídeas compradas por R$ 14.399,00. 

Nada como um país rico, né, não?

Meu nome é Gal!


A diva Gal Costa, que anda meio sumida dos palcos, cantará na Marina da Glória, nesta quinta-feira, no Lounge Sesc/Rio. A super mãezona do Gabriel subirá no palco às 20 h. A lista dos felizardos convidados está por conta da querida Liège Monteiro. 

Tá na moda


Depois da visita de Ana Paula Padrão ao Butão, esse simpático país, para umas reportagens no final do ano passado para a Record, chegou a vez de Gloria Maria fazê-lo pela Globo em programa exibido na sexta-feira.

Vamos torcer para que a Rede TV! não resolva enviar ao pequeno reino do Himalaia, a genial Luciana Gimenez.

Ilha de mel 


A promoção de destinos brasileiros no Reino Unido, considerado como mercado prioritário pela Embratur, acaba de conquistar mais um espaço. O jornal britânico The Guardian elegeu a Ilha Grande, no Rio de Janeiro, como um dos dez melhores destinos para lua de mel.

Pilhadão

Um projeto de lei do deputado Otavio Leite (PSDB) prevê a substituição, em prazo de cinco anos, de pilhas e baterias descartáveis usadas em aparelhos eletroeletrônicos, produzidas e comercializadas no Brasil, por produtos similares recarregáveis.

No lixo


De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a cidade de São Paulo descarta anualmente 152 milhões de pilhas comuns e 40 milhões do tipo alcalinas.

O Projeto que vingou

Projeto é o que o Brasil mais tem em todas as áreas – na cultural, então, nem se fala. Mas Projeto lucrativo, de verdade, pra valer, só o Palocci tem, né, não?

Raspadinhas

O Shopping Leblon inaugura a primeira loja da Valisère do Rio de Janeiro.

Vanessa Giácomo e Nívea Stelmann participam hoje, da inauguração da clínica de estética Liberty, na Barra.

É PETISTA? É LADRÃO

BENJAMIN STEINBRUCH - Período integral


Período integral
BENJAMIN STEINBRUCH 
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

Escola em período integral deveria ser obsessão dos governantes que vivem seu primeiro ano de mandato


NO MÊS PASSADO, encontrei Michael, um empresário de Michigan, nos Estados Unidos. Durante três gerações, a família dele se dedicou com sucesso à indústria, na área de metalurgia. Recentemente, porém, a família vendeu o negócio e agora Michael investe em um ramo completamente diferente: educação. Na rápida conversa que tivemos, ele explicou por que fez mudança tão drástica de área de negócio. "O trabalhador americano precisa se requalificar porque as coisas que ele sabia fazer não são mais feitas nos EUA -elas vêm da China, da Coreia, do Japão e de vários outros países."
Com base nesse diagnóstico, Michael resolveu abrir uma instituição de ensino voltada para os novos setores que demandam mão de obra na economia americana, principalmente em serviços e em tecnologia. A história de Michael não se aplica com muita propriedade ao Brasil.
Aqui, estamos em um estágio diferente. Mesmo sofrendo em parte com a invasão de importados, por um desvio momentâneo, mas preocupante, na taxa cambial, ainda temos muitos setores industriais globalmente competitivos e com forte demanda de profissionais.
A preocupação com educação, porém, que já é obrigação do setor público, tem tudo a ver com o crescimento econômico. Não há outra maneira de mantê-lo, a não ser com a implantação de um bom sistema educacional em todos os níveis, do básico ao superior. Bastou a economia crescer 7% ao ano para começar a faltar profissionais qualificados em todas as áreas da indústria.
O analfabetismo em idade escolar no país, é verdade, vai ficando para trás. O Censo de 2010 mostrou que apenas 3,2% das pessoas na faixa de 10 a 29 anos não sabem ler e escrever. Entre os que têm mais de 30 anos, o índice de analfabetismo é maior, de 13,27%. Isso significa que o sistema de ensino básico tem sido eficiente para alfabetizar as crianças e os jovens. Assim, o analfabetismo tende a desaparecer em uma ou duas gerações.
Há, portanto, um sucesso quantitativo no ensino básico brasileiro. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer sobre a qualidade. Chamou a atenção uma iniciativa do governo de São Paulo, que anunciou aumento prefixado de 42% no salário dos professores paulistas nos próximos quatro anos.
Ao ler essa notícia, bateu-me um forte saudosismo dos tempos de escola primária no interior paulista. As professoras tinham status extraordinário na cidade. Eram admiradas e respeitadas, não apenas pela sua posição de mestres, mas também por conta dos salários que recebiam nas escolas públicas, já que raríssimos colégios privados tinham boa qualidade -só alunos que não conseguiam acesso às escolas do Estado recorriam às particulares.
O piso salarial de um professor com jornada de 40 horas semanais em São Paulo, o Estado mais rico do país, será de R$ 1.894 mensais depois do reajuste de 13,8% em 1º de julho. Sabemos das dificuldades orçamentárias dos Estados, mas, certamente, esse salário não é suficiente para estimular a formação de bons professores. No chão de fábrica, em muitos setores industriais, trabalhadores com nível primário ganham salário básico maior.
A remuneração de professores é fundamental para melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Mas há outro aspecto relevante: o tempo de permanência dos alunos na escola.
Em países como a Coreia, as crianças ficam até 12 horas por dia nas escolas, 7 delas estudando. Em toda a Europa, os alunos frequentam a escola em tempo integral.
Não há como fazer milagres em matéria de melhoria de qualidade de ensino se não encontrarmos uma forma de ampliar as míseras 4 horas de aulas diárias do ensino público.
Custe o que custar, é preciso reter os alunos por mais tempo estudando, brincando, praticando esportes e se alimentando corretamente.
Estarreceu-me a leitura de relatos de mães desesperadas, que trabalham fora de casa, no Rio. Longe dos olhos paternos, quando as 4 horas de aula terminam, meninos e meninas ficam na rua, expostos a tudo, inclusive ao aliciamento de traficantes de drogas. Escola em período integral deveria ser uma obsessão nos programas de governantes que vivem seu primeiro ano de mandato.

Este ano, até 29 de maio, brasileiro terá trabalhado só para pagar imposto


Este ano, até 29 de maio, brasileiro terá trabalhado só para pagar imposto
Ronaldo D"Ercole
O Globo - 24/05/2011

Estudo mostra que só os suecos dedicam mais dias para quitar tributos

SÃO PAULO. O brasileiro terá de trabalhar 149 dias este ano apenas para pagar os tributos (impostos, taxas e contribuições) cobrados pelos governos federal, estadual e municipal. Isso significa que tudo que o contribuinte tenha recebido entre 1º de janeiro e o próximo domingo, dia 29, terá servido exclusivamente para quitar impostos. É o que mostra estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Intitulado "Os dias trabalhados para pagar tributos - 2011", o estudo considera toda a tributação incidente sobre os rendimentos, como salários e honorários, em que destacam-se o Imposto de Renda e as contribuições previdenciária (INSS) e sindicais.

No cálculo, entram também taxas de lixo e iluminação

"Em 2011 o contribuinte trabalhará quatro meses e 29 dias só para pagar impostos, um dia a mais do que no ano passado", observa, no estudo, João Eloi Olenike, presidente do IBPT. No cálculo da fatia que os tributos comem da renda dos cidadãos, o estudo contabiliza ainda impostos embutidos nos preços de produtos e serviços, como o PIS, ICMS e IPI, a tributação de patrimônio (IPTU, IPVA e ITBI, entre outros), além de taxas como limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e iluminação pública.

Realizado desde 2003, o estudo do IBPT mostra também que o comprometimento da renda para pagar tributos não para de crescer no Brasil. Naquele ano, o brasileiro destinou 36,98% do seu rendimento bruto para este fim. Em 2006, a mordida tributária avançara para 39,72%, bateu em 40% no ano seguinte e chegou a 40,82% este ano.

Valendo-se da mesma metodologia, o IBPT repetiu o cálculo dos dias gastos por cidadãos de outros países para pagar tributos, que resultou num ranking. No topo, aparece a Suécia, com 185 dias, seguida de França e Brasil, ambos com 149 dias. Na Espanha, os tributos consomem 137 dias anuais de trabalho, nos Estados Unidos, 102, na Argentina 97, no Chile, 92, e no México, 91.

O estudo destaca ainda que, no caso do Brasil, a qualidade dos serviços públicos segue descolada do progressivo aumento da carga tributária. "Enquanto é costumeira a notícia de recordes sucessivos de arrecadação de impostos, o brasileiro convive com problemas na saúde pública, educação deficiente, falta de segurança pública e infraestrutura caótica", diz Olenike.

GOSTOSA

JOÃO PEREIRA COUTINHO - Israel, Palestina, gelatina


Israel, Palestina, gelatina
JOÃO PEREIRA COUTINHO 
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/05/11

A comoção que o discurso de Obama provocou é inversamente proporcional à banalidade das palavras


ISRAEL É como um bom orgasmo: podemos não transar durante dias ou semanas, mas, quando finalmente acontece, é como se fosse a primeira vez.
Todo mundo discute o assunto, todo mundo acusa todo mundo e o leitor inocente acredita que o conflito israelense-palestino começou hoje com o café da manhã. Ou ontem, depois do jantar.
Olhemos para Barack Obama: o que disse o presidente americano de novo nos seus discursos da semana retrasada?
A julgar pelas reações de políticos e jornalistas, disse coisas fundamentais. Como, por exemplo, que um novo Estado palestino deve ser reconhecido nas linhas anteriores ao conflito de 1967, embora com trocas de terras acertadas por comum acordo.
Sim, as linhas pré-1967 são um "déjà vu" na história dessa história. Mas o momento orgástico aconteceu com as "trocas de terras acertadas por comum acordo", uma sacada genial que levou vários jornalistas e diplomatas ao delírio. Como foi que ninguém pensou nisso antes?
Lamento ser uma ducha de água fria para o pessoal. Mas a sacada genial já foi pensada antes. E foi pensada em condições extremas e dramáticas, depois do fracasso dos encontros de Camp David e depois da segunda intifada.
Corria o ano 2000. E o tempo também corria contra Bill Clinton: a poucos meses de deixar a Casa Branca, e sem um acordo de paz entre Yasser Arafat e Ehud Barak, Clinton apresentou o seu plano para ressuscitar o cadáver e parar com a guerra civil " de fato" entre israelenses e palestinos.
Eis o plano: um Estado palestino nas linhas anteriores ao conflito de 1967 e, veja só, com "trocas de terras acertadas por comum acordo".
Para sermos exatos, o futuro Estado palestino seria composto por 94% a 96% da Cisjordânia; os 4% restantes seriam anexados à faixa de Gaza, ou seja, retirados a Israel para compor a totalidade do bolo palestino.
Sabe o leitor o que sucedeu? Barak aceitou a proposta; Arafat recusou-a. O "processo de paz" estava morto, Clinton estava de saída e George W. Bush de entrada. Vieram os ataques de 11 de Setembro. Washington passou a concentrar as energias no Afeganistão e no Iraque.
Mas, apesar disso, o conflito israelense-palestino não foi completamente esquecido. Em 2003, era lançado o "Road Map" [mapa da estrada, em livre tradução], sob os auspícios do Quarteto para a Paz. Por Quarteto, favor ler: Estados Unidos, Nações Unidas, União Europeia e Rússia.
Pergunto novamente: sabe o leitor qual era o plano do Quarteto? Exato. Nem preciso repetir.
Mas repito o que fez Ariel Sharon, então premiê de Israel, sob pressão do Quarteto: depois de 38 anos de ocupação, Israel se retirou unilateralmente de Gaza em 2005.
De nada serviu. O Hamas passou a lançar foguetes para o interior de Israel; Israel retaliou com ferocidade inaudita. Em 2006, o Hamas venceu as eleições parlamentares e, até hoje, recusa-se a reconhecer a "entidade sionista". E Israel?
Israel recusa-se a retirar da Cisjordânia por temer uma repetição de Gaza em ponto grande. Uma história a respeito: anos atrás, em conversas com um diplomata israelense no Ministério das Relações Exteriores em Jerusalém, perguntei-lhe quando é que Israel retiraria da Cisjordânia. A resposta dele foi longa, elaborada, ponderada. E resume-se numa única palavra: nunca.
A comoção que o discurso de Barack Obama provocou na mídia e nas chancelarias é inversamente proporcional à banalidade das suas palavras e à banalidade das reações árabes e judaicas.
Barack Obama deseja um Estado palestino nas linhas anteriores à Guerra dos Seis Dias, embora com "trocas de terras acertadas por comum acordo". Bocejo.
Israel deseja continuar na Cisjordânia e recusa-se a retirar do território porque imagina, não sem alguma razão, que a Cisjordânia seria rampa de lançamento de foguetes contra Israel. Como foi Gaza. Duplo bocejo.
O Hamas, reagindo aos discursos de Obama, considera-o um traidor e uma fraude e deseja que Israel seja riscado do mapa porque entende que a "ocupação sionista" não se limita à Cisjordânia; ela abarca toda Palestina. Triplo bocejo.
E eu? Eu, modestamente, desejo o prato de gelatina que está na geladeira. Faz calor em Lisboa e há coisas neste mundo que ainda são alcançáveis por mãos humanas.

KÁTIA ABREU - Sim à agropecuária e sim também ao meio ambiente


Sim à agropecuária e sim também ao meio ambiente
KÁTIA ABREU´

FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

SEM O NOVO CÓDIGO FLORESTAL TEREMOS DE, FUTURAMENTE, IMPORTAR COMIDA DE PAÍSES QUE NÃO TÊM REGRAS AMBIENTAIS 


O Brasil dispõe de 851 milhões de hectares, dos quais 519 milhões estão preservados com sua cobertura vegetal original. Apenas 236 milhões de hectares, equivalentes a 27,7%, são ocupados com produção agropecuária.
A modernização do Código Florestal brasileiro não implicará em qualquer mudança nessa relação. Nossas florestas continuarão preservadas, assim como toda a extensão das matas nativas.
Não há nada no novo Código que, por si só, implique em novos desmatamentos. O que se pretende é poupar os produtores da exigência de destruir os atuais campos de produção de alimentos para neles reconstituir florestas.
Essencial para os produtores é que o Congresso e o governo consolidem e legalizem as áreas de produção abertas.
Cabe ao Congresso decidir, mas cumpre dizer que nenhum dos grandes produtores agrícolas do mundo obriga seus produtores a preservar qualquer percentual de reserva legal, nem cogita replantar vegetação nativa.
Esta é uma exigência típica dos burocratas que fizeram a legislação ambiental que está em vigor.
De 1995 a 2006, segundo o IBGE, a agricultura teve redução de área de 23,7 milhões de hectares. Mesmo assim, aumentou a produção e reduziu os preços dos alimentos.
Sem a atualização do Código, diminuiremos a oferta de alimentos para recompor áreas de reserva legal e, futuramente, teremos de importar comida de países que não têm regras ambientais. 

BRAZIU: O PUTEIRO

ALON FEUERWERKE - A novela vai longe



A novela vai longe
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 24/05/11

No Código Florestal, é preciso observar para ver se o governo consegue em poucas horas construir uma maioria com a qual não se preocupou " ou não quis se preocupar " ao longo de meses, ou anos.

A polêmica em torno do Código Florestal não termina hoje nem amanhã. Vote o que votar a Câmara dos Deputados, a casa do povo, o rolo se transferirá para o Senado, a casa da Federação.
Isso se a Câmara finalmente votar, como está previsto.
Será grande a tentação dos senadores de transferir para os estados parte significativa dos controles ambientais nas atividades agrícolas e de criação.
O Senado hoje é um palco teoricamente mais controlado pelo governo. Na aritmética, as bases se equivalem. Mas são menos senadores que deputados, menos partidos. Menos entropia.
Só que o Senado é também mais permeável a pressões federativas. Nem todo deputado de estado fortemente agrícola depende dos votos da agricultura. Mas nenhum senador pode ignorar pedaços expressivos do eleitorado.
Voto majoritário não é voto proporcional. Parece redundante, mas não custa enfatizar.
O noticiário sobre o tema anda poluído. Problemas políticos recentes " e de outra natureza " nem aumentaram nem diminuíram as dificuldades do governo na votação do código.
Quando Marco Maia (PT-RS) foi escolhido pelo partido para presidir a Câmara dos Deputados, assumiu com os colegas mais ligados à agricultura o compromisso de colocar o projeto rapidamente em votação.
E o relatório que havia para votar era o aprovado meses antes pela comissão especial, um texto bem mais "ruralista" que o levado agora ao plenário pelo relator, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
E a época era de mel, Dilma Rousseff, segundo as previsões, governaria sem maior oposição e sem maiores dificuldades.
Por que então o PT aceitou assumir lá atrás o compromisso de votar? Em primeiro lugar, por um motivo prático. Agora em junho vence o decreto que suspende as punições previstas na legislação em vigor.
Só isso já é de uma jabuticabice ímpar. Coisas do Brasil. O governo e seus anexos aprovam um lote de medidas ambientais inaplicáveis e depois o mesmo governo precisa editar um decreto garantindo que ninguém será punido em caso de descumprimento.
Alguém pode dizer para que serve uma lei que não estabelece sanção a quem descumprir? Para nada. Ou só para o marketing.
Em segundo lugar, e aí está o impasse maior, a pauta não integra a pequena política, no sentido que a expressão assume quando fica fácil para o governo dizer à base vote assim ou assado. A pauta carrega com ela, em última análise, o direito de propriedade no campo.
Há o risco de o agricultor perder sua propriedade. Perder o meio de vida. Daí a amplitude e a radicalização. E a dificuldade de fazer a base marchar unida.
Até a hora da votação o governo tem meios para pressionar, pois se os deputados dependem de seus eleitores, dependem também do governo, das verbas e dos cargos.
Mas é preciso observar para ver se o governo vai conseguir em poucas horas construir uma maioria com a qual não se preocupou " ou não quis se preocupar " ao longo de meses.
De todo jeito, como disse, a coisa não termina por aqui. Tem o Senado, e depois haverá as pressões pelo veto, se a coisa não sair ao gosto do PT.
E pode ter também um epílogo inédito, com a derrubada do eventual veto por deputados e senadores. Improvável, mas não impossível.
A novela vai longe.

Degradadas
As terras degradadas estão na pauta desde que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ao mundo que o Brasil poderia se transformar em fornecedor mundial de etanol de cana sem derrubar mais mata.
Na época, expressei uma dúvida. Se o Brasil tem terra barata sobrando, por que o Incra diz que é tão difícil achar terra para a reforma agrária?
A dúvida continua valendo no contexto do debate sobre o Código Florestal.
Se o Brasil tem terras degradadas " e portanto baratas " em grande quantidade, o que o governo está fazendo de prático para recuperá-las e assim oferecer uma alternativa a quem quer plantar sem desmatar?

JOSÉ PAULO KUPFER - Novos colaterais


Novos colaterais
JOSÉ PAULO KUPFER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 24/05/11
Ninguém desconhece que o manual convencional de combate às pressões inflacionárias recomenda a adoção de medidas que, em variadas circunstâncias e na maior parte das vezes, aprofundam, colateralmente, os problemas provocados pela consequente valorização cambial.

São sempre acaloradas as discussões sobre os impactos negativos desse colateral nas contas externas e nas cadeias de produção, sobretudo as industriais, numa transposição mais ou menos automática de situações históricas recentes.

Há, porém, novidades no ambiente econômico e, portanto, nos colaterais. Lidar com eles, por isso mesmo, exige trazer novos elementos ao debate.

São cada vez mais nítidos os sinais de que, na presente quadra da economia internacional, o uso da política monetária convencional, na forma de elevações de juros, libera componentes tóxicos que operam na direção contrária ao almejado enxugamento da demanda.

Um dos mais perigosos é o que tem propiciado expansão autônoma do crédito. Trata-se de alimento para o superaquecimento da economia e, portanto, para a formação de bolhas, seu potencial estouro e as crises daí derivadas.

Um desses sinais vem da aceleração da dívida externa dos bancos brasileiros. Em 15 meses, de dezembro de 2009 a março deste ano, essa dívida simplesmente dobrou, passando de US$ 63,6 bilhões para US$ 122 bilhões. A dívida externa dos bancos, que já responde por um terço do total, registra um ritmo de crescimento três vezes maior que o da dívida externa como um todo - que também vem aumentando, tendo atingido, em março, US$ 381 bilhões.

Esses recursos, captados com crescente voracidade no mercado financeiro internacional, são aplicados em financiamentos domésticos, boa parte no setor imobiliário - não por coincidência aquele em que os preços têm ido às nuvens e os temores da formação de bolhas são maiores. Dá para desconfiar que este seja um poderoso e potencialmente explosivo canal de superaquecimento da economia, estimulado, paradoxalmente, pelas medidas que visam a evitá-lo.

Inúmeras consequências derivam dessa constatação. Duas delas dizem respeito à potência de dois mecanismos de contenção da demanda: as medidas macroprudenciais de política monetária e, mais do que isso, a política fiscal.

Diante dos nutrientes que a política de juros acaba injetando no crédito, via captação externa dos bancos, ambas perdem força e, como a taxa Selic, esta por causa da indexação, precisam ser usadas com mão muito mais pesada para surtir efeito.

Interessante observar, em tempos de novidades e incertezas, como os da atualidade, o quanto a aplicação de políticas econômicas convencionais pode produzir efeitos contrários aos convencionalmente aceitos e previstos. Compulsórios bancários e reservas internacionais são bons exemplos.

Ambos têm sido fartamente usados desde a instalação da crise global, tanto que, de 2008 para cá, registram aumentos de 60% nos volumes acumulados. O volume de reservas se aproxima dos US$ 350 bilhões (15% do PIB) e o compulsório acumula R$ 400 bilhões (10% do PIB).

Acontece que grandes volumes de reservas, ao mesmo tempo em que formam um desejável colchão de segurança para as contas externas, estimulam o ingresso de mais capitais externos, que pressionam o câmbio, além de aumentar a dívida pública bruta, afetando, negativamente, as contas públicas.

Já o compulsório, cuja função é reduzir o dinheiro disponível para empréstimo, encarecendo o crédito e desanimando tomadores - e a demanda em geral -, pode também estimular a captação externa de recursos para empréstimos, neutralizando os efeitos da política restritiva.

Não há dúvida de que, na economia brasileira, o atual surto de superaquecimento exige reversão e, para isso, deve ser aplicada uma política fiscal não só claramente austera como decididamente eficaz no enxugamento dos gastos.

Mas o escape do crédito, pela via das captações externas, estimuladas pelos juros internos e pelo arrocho do compulsório, está aí para quebrar a convenção segundo a qual há uma identidade exclusiva - ou quase exclusiva - entre o aquecimento econômico e os gastos públicos.

GOSTOSA

ARNALDO JABOR - O discreto charme da corrupção


O discreto charme da corrupção
ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo - 24/05/11

"Vivemos sob uma chuva de escândalos e denúncias de corrupção. Mas, não se enganem, esses shows permanentes nos jornais e TV, servem apenas para dar ao povo a impressão de transparência e para desviar seus olhos das reformas essenciais que mantêm nossas oligarquias intactas. Aos poucos o povo vai se acostumar à zorra geral e achar que tanta gente tem culpa que ninguém tem culpa. Me chamam de canalha, mas eu sou essencial. Tenho orgulho de minha cara de pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança no País, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adiantam CPI"s querendo me punir. Eu me saio sempre bem. Enquanto houver esse bendito Código de Processo Penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: "Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos".

Eu explico o Brasil de hoje. Tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. Durante quatro séculos, homens como eu criaram capitanias, igrejas, congressos, labirintos. Nunca serão exterminados; ao contrário - estão crescendo. Não adianta prender nem matar; sacripantas, velhacos, biltres, vendilhões e salafrários renascerão com outros nomes, inventando novas formas de roubar o País.

E sou também "pós-moderno": eu encarno a "real-politik" do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, tenho algo de heroico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordeis; homens e mulheres veem-me com gula: "Olha, lá vai o ladrão..." - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília e eu flutuando entre picanhas e chuletas.

Amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles, sim, humilhados em vez de mim.

Sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.

Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera. Eu sou uma aula pública de perversidade. Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu faço mais sucesso com as mulheres - elas ficam hipnotizadas por meu mistério; e me amam, em vez do bondoso, que é chato e previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre se sentirão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não; não espero recompensas, eu me premio e tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos meros neuróticos e sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo; ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado. Pois é, eu comprei meu título de advogado; paguei um filho de uma égua para me substituir no exame e ele acertou tudo por mim. Eu me clonei.

Subi até a magistratura. Como juiz e com meu belo diploma falso na parede, vendi muitas sentenças para fazendeiros, queimadores de florestas, enchi o rabo de dinheiro. Passei a ostentar uma dignidade grave, uma cordialidade de discretos sorrisos, vivendo o doce frisson de me sentir superior aos medíocres honestos que se sentem "dignos"; digno era eu, impávido, mentindo, pois a mentira é um dom dos seres superiores. A mentira é necessária para manter as instituições em funcionamento. O Brasil precisa da mentira para viver. E vi que é inebriante ser cruel, insensível, ignorar essas bobagens como a razão, a ética, que não passam de luxos inventados pelos franceses, como os escargots.

Aí, com muito dinheiro encafuado, bufunfas e granolinas entesouradas, eu me permiti as doçuras da vida e me apaixonei por aquela santa que virou mãe de meus filhos. Hoje, com a passagem do tempo, ela vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de botox, mas continuo fiel a ela como o marido público, pois nunca a abandonarei, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

E, aí, fui criando a minha rede de parentes e amigos; como é doce uma quadrilha, como é bela a confiança de fio de bigode, o trânsito cordial entre a lei e o crime... Assim, eu fechei o ciclo que começou na mãe lavadeira e no diploma falso até a minha toga negra, da melhor seda pura que minha esposa comprou em Miami, e não fui feito desembargador nas coxas não; eu já sabia que bastavam padrinhos e meia dúzia de frases em latim: "Actore non probante, reus absolvitur!" (frase que muito me beneficiou vida a fora.) Depois, claro, fui deputado, senador e sou um homem realizado. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu e meus amigos criamos este emaranhado de instituições que regem o atraso do País. Este País foi criado na vala entre o público e o privado. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. O Brasil precisa de mim."

MÍRIAM LEITÃO - Primeira crise


Primeira crise 
MIRIAM LEITÃO

O Globo - 24/05/2011

Momento político difícil o atual em que a presidente Dilma Rousseff enfrenta sua primeira crise no cruzamento de várias questões importantes. A crise Palocci, o conflito do Código Florestal, a exigência do PMDB por mais nomeações, a pressão por mais gastos dos restos a pagar, a inflação. Ela precisará agora entrar diretamente na administração das diversas frentes de combate.

O enfraquecimento diário do ministro que ocupa posição- chave no seu governo escala o tamanho das crises. É exatamente essa desidratação de Antonio Palocci que gerou ou ampliou os outros problemas. A demora das suas explicações para o salto do seu patrimônio elevou a dimensão da crise, em vez de dissolvê-la como os seus estrategistas calcularam.

Temas de natureza diversa se cruzaram, agravando cada um dos problemas. Com Palocci na berlinda, ficou reduzida sua capacidade de administrar a fragmentada base política. O governo estava segurando nomeações de políticos e tentando anular as emendas parlamentares que estão nos restos a pagar. Como o governo está mais fragilizado, aumentam as pressões por nomeações políticas. Para combater o risco inflacionário, uma das armas seria conter gastos públicos, e o governo já deu sinal de que cederá nos restos a pagar. Palocci havia comandado a reação do governo às pressões pelas propostas mais nocivas na reforma do Código Florestal. O governo agora está sem capacidade de resistir e vendo sua base inteiramente partida nesse assunto.

A pneumonia dupla da presidente não foi adequadamente comunicada ao país, o que alimentou, nos últimos dias, temores de que houvesse notícias ainda não reveladas sobre sua saúde. Obviamente era preferível ter dado toda a informação sobre a gravidade da pneumonia em vez de incorrer no velho erro dos políticos de divulgar uma versão light sobre a saúde das autoridades.

Tudo isso se juntou nos últimos dias para dar uma sensação de governo precocemente enfraquecido e na berlinda, tendo que escolher entre opções igualmente ruins. Crises sempre acontecem em qualquer governo, esta acontece cedo e com um enorme grau de complexidade. A presidente será testada na sua capacidade de desfazer os nós.

Uma boa forma a evitar uma sequela irreversível da crise é trabalhar para adiar a votação das propostas de mudanças no Código Florestal. O ambiente está contaminado por inúmeras questões políticas, não é a hora de decidir questão tão fundamental para o nosso destino.

O país viu ontem um fato político expressivo, inédito: todos os dez ministros que ocuparam a pasta do Meio Ambiente em governos, partidos e regimes diferentes assinaram uma carta aberta à presidente da República. Oito deles deram uma entrevista coletiva em que expressaram de forma contundente sua convicção de que aprovar a mudança no Código Florestal de 1965 como foi proposto pelo relatório do deputado Aldo Rebelo é um retrocesso. Pior ainda ficará o projeto se for aprovada uma emenda que se prepara no PMDB ruralista.

Anistia a quem desmatou até 22 de julho de 2008, transferência de alguns poderes de definição da Áreas de Preservação Permanente para os estados, enfraquecimento do Conselho Nacional de Meio Ambiente. Essas são algumas das medidas que, na comparação forte do ex-ministro do Meio Ambiente e da Amazônia no governo Itamar Franco, Rubens Ricupero, se o país adotar será como aprovar uma lei antiabolição.

O avanço na área ambiental foi passo a passo. Cada ministro a seu tempo lutou sua luta e agregou um dado a mais na legislação ambiental brasileira. Paulo Nogueira Neto foi chefe da Secretaria de Meio Ambiente, antes de haver ministério, de 1973 a 1985. Naquele tempo, a ala forte do governo veiculava em anúncio a promessa: “vamos vencer o inferno verde”. A Amazônia era o que eles consideravam o “inferno verde”. Paulo Nogueira com uma visão completamente adiante do seu tempo criou várias APAs, Áreas de Preservação Ambiental, e instituiu o Conselho Nacional de Meio Ambiente, Conama. Seria uma contradição, disse a ex-ministra Marina Silva, na cerimônia do Viva a Mata, no Ibirapuera, em São Paulo, enfraquecer durante a democracia um conselho deliberativo para a participação da sociedade, que Paulo Nogueira Neto conseguiu criar em pleno governo militar. Mas é isso que corre o risco de acontecer.

Nunca, em nenhuma área, houve a reunião de todos os ministros que ocuparam uma pasta na defesa do mesmo conjunto de valores. Faltou apenas a assinatura de José Lutzenberger. Ele já é falecido, mas se vivo estivesse, mais barulho ainda faria, como era de seu estilo.

A presidente Dilma ficou de recebê-los hoje, dia também previsto para a votação da mudança no Código. Já disse que não aceitará anistia a quem desmatou ilegalmente até 22 de julho de 2008, como está na proposta de Rebelo. Também defendeu que as concessões a pequenos agricultores sejam feitas em texto à parte. É a melhor forma de evitar que os médios e grandes se aproveitem de mudanças feitas para beneficiar a pequena propriedade.

O ambiente político está muito poluído. Não é hora de votar algo tão decisivo.

CORNO NA POLÍTICA

ROSEANE DE OLIVEIRA - Inválidos de mentirinha


Inválidos de mentirinha
ROSEANE DE OLIVEIRA
ZERO HORA - 24/05/11
Imagine a situação: o sujeito se aposenta por invalidez em um órgão público e, anos depois, aparece trabalhando como advogado sem aparentar qualquer sinal de doença que o inabilite para o trabalho. Impossível? Não na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde quase metade dos aposentados pendurados na folha de pagamento se aposentou graças a um laudo atestando invalidez permanente. Nada menos do que 198 dos 454 inativos do Legislativo catarinense (43,6%) são inválidos para efeito de pagamento de benefícios, como mostra uma reportagem da RBS TV de Florianópolis, que está dando o que falar naquele Estado.
A reportagem descobriu que dois ex-procuradores aposentados por invalidez mantêm escritórios de advocacia. E nem disfarçam: assinam petições, como se não houvesse na legislação que rege as aposentadorias de servidores públicos catarinenses uma cláusula impeditiva de exercerem atividade remunerada, sob pena de abertura de um processo administrativo.
Um dos ex-procuradores aposentados por invalidez e que trabalha como advogado ganha R$ 24 mil mensais da Assembleia. Um advogado da Assembleia, aposentado com R$ 35 mil, mas que segundo o Legislativo só recebe o teto de R$ 22 mil, ganhou uma boquinha na Casan, a companhia de saneamento, e outra na Celesc, como membro do Conselho de Administração, com jetom de R$ 4 mil para participar de uma reunião por mês.
Tão impressionante como os casos dos aposentados por invalidez que continuam trabalhando é o silêncio de quem deveria se manifestar sobre a flagrante irregularidade. O presidente da Assembleia Legislativa preferiu não falar, a OAB emudeceu, o Ministério Público fez ouvidos de mercador diante da reportagem da RBS TV. Dois dos "inválidos" disseram ter se aposentado por graves problemas de coração. E já que o músculo cardíaco parece ter se regenerado, o mínimo que a Assembleia pode exigir é uma perícia independente para cassar as aposentadorias se ficar comprovado que os doutores estão aptos para o trabalho.

ARTICULAÇÃO PETISTA
Um dos principais objetivos do encontro dos cinco governadores do PT com o presidente nacional do partido, Rui Falcão, ontem, em Brasília, era impulsionar uma articulação pelo fim da guerra fiscal. Mas o caso Palocci não ficou de fora. Questionados sobre as suspeitas de tráfico de influência em razão do aumento patrimonial do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, os participantes o defenderam e afirmaram que a tentativa da oposição de levá-lo para prestar esclarecimentos no Congresso se resume a "luta política".
" A gente sabe o que é o Congresso, com todo o respeito. O Congresso é da luta política, se quer esclarecimento, o melhor caminho é o Ministério Público Federal " afirmou Jaques Wagner (BA), depois do encontro.
Ao final, os governadores divulgaram a Carta de Brasília. Tarso Genro defendeu que o partido seja o principal interlocutor junto ao governo federal para a adoção de medidas contra a guerra fiscal e que favoreçam a renegociação da dívida dos Estados.

Desculpa esfarrapadaQuestionado ontem no Gaúcha Atualidade sobre o caso do ministro Antonio Palocci, o presidente da Câmara, Marco Maia, alegou que não estava devidamente informado sobre as denúncias.
A justificativa para a desinformação não podia ser mais frágil: ele estava em missão oficial na Coreia do Sul.
Maia se esqueceu de que, com a internet, esse tipo de desculpa não cola. E que ele, sendo presidente da Câmara e companheiro de partido de Palocci, seria a última pessoa a alegar desinformação sobre um caso de tamanha repercussão.

Piratini entra na era digitalCom quase três meses de atraso em relação à previsão inicial, o site www.gabinetedigital.rs.gov.br entrará em funcionamento hoje com três ferramentas de comunicação. A cerimônia de lançamento do portal Gabinete Digital começa às 17h, no Piratini.
Uma das opções será um aplicativo para que qualquer pessoa faça perguntas que serão respondidas diretamente pelo governador, uma vez por mês. Será possível também votar em questões elaboradas por outros usuários.
Os temas que suscitarem maior número de dúvidas ou votos serão escolhidos para Tarso responder. A ideia é que as provocações surtam efeito administrativo, acelerem decisões do governo ou coloquem novos temas na agenda.
É inacreditável que a prefeitura da Capital tenha perdido o prazo para se habilitar aos recursos que garantiriam a construção da Praça da Juventude na Vila Bom Jesus.

Resultado surpresaA documentação sobre as irregularidades constatadas no pedágio comunitário de Portão será encaminhada hoje pela força-tarefa do Daer ao Ministério Público da cidade, que é quem deverá abrir a investigação por improbidade.
Aliás, a revelação sobre o descontrole em Portão, que se transformou no principal anúncio de quinta-feira passada, pegou de surpresa inclusive alguns integrantes da força-tarefa, que só ficaram sabendo do assunto no próprio dia da entrevista.

ALIÁS
O escândalo de Santa Catarina deve servir de alerta para que se faça, em todo o país, uma devassa nas aposentadorias por invalidez concedidas a pessoas saudáveis com base em laudos fraudulentos.

Mais espaçoEstá nos planos do governo reformar o Centro Administrativo.
" Há um diagnóstico preliminar que aponta que poderíamos estar recebendo mais 1,4 mil servidores dentro daquele mesmo espaço " disse a secretária da Administração, Stela Farias.
Que o Centro Administrativo precisa de reformas, é voz corrente há muito tempo. O que não está comprovado é que o Estado precise de mais funcionários naquele prédio.
Stela disse ao jornalista André Machado que os 4 mil servidores nomeados na gestão de Yeda Crusius serão poucos se comparados às nomeações previstas até o final do governo de Tarso (leia a íntegra em www.esquinademocratica.com.br).
Antes de pensar em nomear novos servidores, o governo precisa se certificar de que todos estão cumprindo a jornada de trabalho para a qual foram contratados.

MIRANTE
O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr., vai participar hoje da reunião ordinária da bancada do PDT. No cardápio do almoço, os projetos de sustentabilidade financeira do governo, que deverão ser protocolados na Assembleia amanhã. A ideia é debater cada uma das medidas e afinar o discurso.
Correção: a campanha pela transparência nos incentivos fiscais será lançada amanhã, às 18h, na sede da Escola Superior da Magistratura, e não hoje como publicado na edição de ontem.

Colaborou Aline Mendes 

JOSÉ PASTORE - Domésticas - profissão em extinção?


Domésticas - profissão em extinção?
JOSÉ PASTORE
O Estado de S. Paulo - 24/05/2011

Para muitos, a profissão de empregadas domésticas está em extinção. Os dados não dizem isso, mas há muita transformação em andamento. Segundo informam as Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads), em 2002 havia 6,2 milhões de servidores domésticos. Em 2009 eram 7,2 milhões. Mas a proporção se manteve praticamente a mesma - em torno de 7,7% da força de trabalho. Ou seja, a categoria cresceu devagar.

Muitas moças optaram por outros empregos. Por outro lado, a demanda aumentou muito. Nos dias de hoje, praticamente 50% das mulheres saem de casa para trabalhar e a babá e a empregada doméstica são apoios essenciais.

O salário médio real das empregadas registradas subiu de R$ 414 mensais, em 2002, para R$ 586, em 2009, ou seja, um aumento de 41,5%. Isso foi quase três vezes mais do que o aumento dos empregados registrados em empresas, cujo salário médio real passou de R$ 947 para R$ 1.104, ou seja, 16,5% a mais.

A disparada dos salários se deve também à melhoria da qualificação desses profissionais. Em 2002 os empregados domésticos tinham, em média, 5,1 anos de escola; em 2009, 6 anos - um avanço de 20%, bem superior ao que ocorreu com o restante da força de trabalho, cujas médias subiram de 7,4 anos para 8,4 anos, ou seja, 13,5%.

Embora a maioria dos empregados domésticos ainda tenha uma escolarização limitada, há avanços expressivos. Entre 2002 e 2009, o número de domésticas com ensino médio completo dobrou, passando de cerca de 600 mil para 1,2 milhão. Os diplomados em faculdades passaram de cerca de 5 mil para 68 mil - um aumento de 11 vezes!

Apesar de a categoria sofrer de 70% de informalidade, o número de empregadas devidamente registradas também avançou. Em 2002 eram apenas 1,5 milhão; em 2009 chegaram a quase 2 milhões - um aumento de 33%. Os informais também aumentaram, é verdade, mas isso não passou de 13%.

Apesar de a maioria trabalhar sem registro em carteira (muitas vezes como diaristas), há 640 mil empregadas que desfrutam de proteções previdenciárias por contribuírem facultativamente ao INSS (dados da Previdência Social).

As famílias de classe média estão sentindo na pele as dificuldades para contratar uma empregada doméstica nos dias atuais. Já tem gente importando babás do Paraguai e da Bolívia. Isso porque, além do salário alto, as exigências aumentaram muito. Poucas aceitam "dormir no emprego" ou trabalhar à noite e nos fins de semana.

Vários projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com vistas a acelerar a formalização das empregadas domésticas. O Projeto de Lei do Senado Federal (PLS) 161 reduz a contribuição previdenciária dos empregadores de 12% para 6%. O PLS 447/2009 concede uma anistia aos empregadores que ainda mantêm as empregadas na informalidade, para então formalizá-las. O PLS 159/2009 aumenta o valor da multa para os que insistirem na informalidade. O PLS 175/2009 mantém o FGTS como opcional (como é hoje), mas libera os empregadores do pagamento dos 40% referentes à indenização de dispensa. O PLS 194/2009 dá um incentivo tributário aos empregadores que fizerem planos de saúde para as suas empregadas.

A OIT pôs as empregadas domésticas no centro da pauta da 99.ª Conferência Internacional do Trabalho, que ocorrerá em junho em Genebra. Busca-se aprovar uma convenção internacional para regular as condições de trabalho dessa profissão em todo o mundo.

O Brasil caminha para a situação dos países avançados onde as empregadas domésticas são raras e caras. Isso terá forte impacto nas famílias brasileiras, para as quais haverá um aumento do trabalho doméstico e uma nova divisão do trabalho: o homem terá de ajudar a mulher cotidianamente nos afazeres da casa. Entre nós, os maridos trabalham em casa não mais do que 4 horas por semana. Os homens da Escandinávia trabalham 18. Na falta de empregada, para as moças, um bom negócio é casar com um dinamarquês...

GOSTOSA

CELSO MING - Continua ruim


Continua ruim
CELSO MING
O Estado de S. Paulo - 24/05/2011

A economia dos países ricos continua naufragando e isso mostra que não há indicação segura de que a crise financeira de 2008 esteja sendo superada.

Nesse último fim de semana, depois de manifestações de milhões de jovens e adultos nas praças da Espanha, convocados pela internet para protestar contra as condições econômicas do país, o Partido Socialista Operário Espanhol, liderado pelo primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero, sofreu a maior derrota eleitoral dos últimos 20 anos.

Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor""s cortou a perspectiva da dívida da Itália de estável para negativa. Ou seja, advertiu que a qualidade dos títulos do Tesouro italiano está sob a iminência de rebaixamento. É a consequência de uma prolongada estagnação e do enfraquecimento político do governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A deterioração da saúde econômica do país tende a empurrar mais um I para dentro da sigla maldita PIG (Portugal, Irlanda e Grécia).

Ontem mesmo, outra agência de classificação de risco, a Fitch, avisou que a dívida da Bélgica também está sendo colocada em perspectiva negativa, para próximo rebaixamento.

No mais, a Grécia, que, em 2010, só se manteve à tona d"água porque recebeu um balão de oxigênio de 110 bilhões de euros, ainda não decretou o calote mesmo depois de o Conselho dos Ministros de Finanças da Área do Euro (Ecofin) reconhecer que alguma reestruturação da dívida passou a ser inevitável. Na semana passada, o primeiro-ministro da Grécia, Georges Papandreou, recusou qualquer passo no sentido do calote, pois sabe que essa é uma medida que fecharia as portas do mercado financeiro por anos e anos. Também ontem, o governo de Atenas foi constrangido a divulgar um déficit orçamentário maior do que o projetado.

Portugal e Irlanda são o que já se sabe. Ontem, tomaram corpo as informações de que a Comissão Europeia autorizará a primeira emissão de dívida do bloco do euro com base nas regras do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, visando a financiar a ajuda a Portugal e Irlanda.

No mais, a economia americana segue prostrada. A atividade econômica até que mostra algum alento e poderá crescer pouco acima de 2,5% neste ano. Seu preço é alto: juros básicos ao redor de zero há mais de dois anos e uma injeção de moeda emitida do nada que ascende a US$ 1,9 trilhão. Mas o desemprego se mantém ao redor dos 9% e o déficit orçamentário não cede. O governo Obama está batalhando para arrancar do Congresso a autorização para que a dívida pública americana possa saltar para além dos US$ 14,3 bilhões.

Tudo se passa como se a enorme operação de expansão dos gastos públicos por parte dos governos dos países industrializados esteja socializando as perdas do setor privado e adiando inexoravelmente a recuperação.

Por enquanto, o principal foco das autoridades do G-8 continua sendo circunscrever a epidemia. Mas os resultados seguem fracos e incertos. Às vezes parecem recomendar a transferência de boa parte da conta da crise para os credores. Mas, quando parecem dispostos a aceitar esse desfecho, voltam atrás, por temerem uma quebra em cadeia dos grandes bancos.

CONFIRA

Chuva demais
O leitor Jair Freire (assim.soja@gmail.com) adverte que outro fator importante está puxando os preços das commodities agrícolas. É o grande atraso no plantio das safras de verão no Hemisfério Norte, em consequência das fortes chuvas desta primavera. É um fator que, além de reduzir a área de plantio do milho, deverá reduzir a produtividade.

Realismo no JBS
Pergunta do leitor Aloysio Quintão Bello de Oliveira (aloysiobello@uol.com.br): "O BNDES injeta outros R$ 3,48 bilhões no JBS. Seu presidente, Luciano Coutinho, exige meta "realista" da Petrobrás. Está ele cobrando "realismo" também do JBS?

Barcelona
A revista "The Economist" desta semana traça um perfil do Barcelona. Na temporada 2009/10, o clube espanhol teve receitas de US$ 488 milhões, o dobro de quatro anos atrás. Em 2010, assinou um contrato mínimo de US$ 231 milhões com a Qatar Foundation. É o primeiro patrocínio na camisa em 111 anos de história.

JOSÉ SIMÃO - Ueba! A Rainha dos Emergentes!


Ueba! A Rainha dos Emergentes! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

Val Marchiori, a perua da vez que pede passagem


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Direto do país da piada pronta: ontem foi Dia Mundial da Tartaruga. E aniversário do Rubinho. Então parabéns ao Rubinho e a todas as outras tartarugas. E olha esta faixa! Grande notícia da semana: "Deus ama quem dá com alegria". Oba!
E a nova Rainha dos Emergentes, Val Marchiori, no programa do Silvio Santos? Ele dá três palavras e a pessoa adivinha o que é. Seu Silvio: "Primavera, verão...". E ela: "Coleções". Rarará! Ela só pensa em moda. Essa é daquelas que só atinge o clímax no provador da Daslu!
E o seu Silvio: "Casa, planta, arquiteto". E ela: "Casa Cor". E ela no programa "Mega Senha". "País do macarrão". E ela: "Japão". "Japão?" "É que eu adoro sukiyaki." Adorei: coleções, Casa Cor e sukiyaki, universo paralelo! Ela comprou um Universo só pra ela!
E o Palofi? O Palofi é uma pândega! Diz que a Dilma perguntou: "Você consegue multiplicar por 20?". "Consigo, mas demora 4 anos."
E a loja dum amigo meu estava com movimento fraco. Sabe o que ele fez? Pendurou um retrato do Palofi. E as vendas aumentaram 20 vezes. Vou vender santinho do Palofi pra lojistas, camelôs e endividados.
E o Palofi na lanchonete com aquela língua plesa. "Quelo flango com falofa". E pra beber? "Uma fukita e uma foda limonada." Rarará! E adorei a charge do Myrria com o Palofi e a secretária: "Alguém me ligou?". "Sim, um tal de George Soros, um tal de Bill Gates e um tal de tio Patinhas. Todos querem saber o seu segredo."
E todo mundo já sabe que o Palofi sabe multiplicar. Agora tá na hora de dividir! Eu quero! Rarará!
E a oposição pedindo CPI? Oposição de dinossauros! Eles são do tempo da CPI! CPI não serve pra nada! CPI quer dizer Coma a Pizza Inteira! CPI só serve pra aparecer em telejornal. Rarará!
O brasileiro é cordial! A placa do Gervásio na empresa em São Bernardo: "Se eu receber ligação de namorico ou ex-ficante de algum daqui acusando de paternidade não assumida, corto o pinto desse Neymar cabeça de vento pra fazer figuração no próximo "BBB". Conto com todos. Assinado: Gervásio".
E esta eu presenciei. Um tiozinho passou mal na feira e chamaram o Samu. Quando os paramédicos chegaram, ele gritou: "Me leva pro Sírio Libanês". Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

VAMOS TORTURAR UM PETISTA!

VINÍCIUS TORRES FREIRE - O Brasil e o churrasquinho grego








O Brasil e o churrasquinho grego
VINÍCIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

Em público, pelo menos, Luciano Coutinho tem sido o único integrante do governo Dilma Rousseff a pregar a desvalorização do real. Seus demais colegas meio que jogaram a toalha entre março e início de abril.
Vez e outra, o presidente do BNDES pede à equipe econômica medidas contra o real forte.

Algo assustada com a inflação, com o falatório a respeito e um tanto resignada com o alcance limitado de seus tiros contra o câmbio, a equipe econômica de Dilma preferiu por ora deixar o câmbio quieto.

Com o preço de commodities e recursos naturais em alta (combustível, comida, metais, minérios), uma desvalorização considerável do real implicaria um chute adicional nos preços. Além do mais, o próprio pessoal da Fazenda veio a público dizer que não pretendia fixar o valor do real numa banda de preços ou algo assim, mas evitar variações excessivas do câmbio. Por fim, houve uma baixa do real, que ameaçava ir a R$ 1,50 no início de abril, e agora coloca o nariz na casa de R$ 1,65.

Ainda assim, está difícil saber o que o governo cozinha a respeito de câmbio, e Coutinhoinsinua que o forno está ligado. Mas, francamente, seria prudente fazer qualquer coisa a respeito de câmbio agora, dado que o tempo da economia mundial está nublando e há icebergs boiando na neblina?

Considerem-se os aspectos mais conjunturais e externos da alta do real. Sob certo aspecto, um fator hipotético de desvalorização da moeda brasileira tornou-se menos provável. Se o Fed, o banco central dos EUA, decidisse enxugar logo o dinheiro que despejaram no planeta, haveria bidu, menos dinheiro sobrando para vir ao Brasil; juros mais altos atrairiam algum dinheiro de volta para os EUA. A provável contenção do preço de commodities e recursos naturais também seria um fator de desvalorização.

Mas a economia dos EUA anda rateando feio, e o fim do relaxamento monetário nos EUA parece adiado para algum dia de 2012.

Não obstante, a economia do mundo inteiro desacelera, o que segura preços de commodities. Além do mais, há icebergs à deriva no mar, as economias quebradas de Grécia e cia., na Europa. Isso vai dar em confusões variadas, uma delas sendo o solavanco nos mercados financeiros, no cambial inclusive, como se viu ontem mais uma vez.

Bancos e outros credores, além do Banco Central Europeu (BCE, na prática alemão) e o governo alemão, estudam um modo de manter a Grécia no limiar da vida, o suficiente para que ainda seja possível sugar o sangue grego pelo maior tempo possível. Mas uma olhada nos sinais vitais financeiros gregos indica que o país está em coma e em choque séptico, contagiando de Espanha a Portugal, passando pela Itália e espalhando germes pela Bélgica e pela debilitada Irlanda.

Isso não vai acabar bem, e a discussão agora é apenas como livrar bancos, BCE e outros credores de um calote grego muito feio. No momento, isso quer dizer um esticamento do prazo de pagamento.

No que diz respeito ao Brasil, isso vai dar em paniquitos nos mercados, variações cambiais, balançadas nos preços das nossas exportações, ameaças ao crescimento mundial. Difícil prever o saldo desses movimentos. Mas não parece ser hora de inventar nada em câmbio, política monetária ou coisa parecida.

MÔNICA BERGAMO - MÃE AMIGA


MÃE AMIGA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

Lucinha Araújo está à frente da Sociedade Viva Cazuza desde que o filho, o cantor Cazuza, morreu em 1990. Ela lança no dia 7 de junho, na Livraria Cultura do Market Place, em SP, o livro "O Tempo Não Para - Viva Cazuza", em que narra episódios da ONG que dá suporte a crianças e jovens portadores de HIV. "Sou outra pessoa hoje. Ninguém passa por isso [a morte de um filho] impunemente", diz. Lucinha conta que trabalha todos os dias na entidade, "menos aos sábados e domingos, senão vai ter divórcio em casa".

OLHO POR OLHOA ex-ministra Marina Silva (PV-AC) não ficou contente com as explicações do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) por tê-la atacado no plenário da Câmara Federal -e vai levar o caso aos tribunais. Ela entrará com uma interpelação na Justiça para que ele explique -ou recue dos ataques que fez ao marido dela, Fábio Vaz de Lima, a quem acusou de contrabandear madeira.

OLHO 2
"As mentiras e as calúnias não podem ser ditas como se fossem banais", diz Marina Silva. Já Aldo Rebelo afirma que não fez acusações e sim "referência" ao fato de Vaz de Lima estar incluído em "investigação na Justiça e no Ministério Público".

ESPAÇOS
Apesar do barulho, os verdes estão desanimados. O deputado Zequinha Sarney (PV-MA), aliado de Marina para tentar barrar a votação do novo Código Florestal, relatado por Aldo Rebelo, admite que será "muito difícil, muito difícil mesmo" evitar a votação hoje. Aldo diz: "Anote aí: meu projeto é aprovado por PC do B, PDT, PSB, PMDB, PP, PTB, DEM, PSDB e PR. Tem até deputado do PV apoiando. Ela [Marina] está muito isolada".

SURPRESA
O ex-ministro José Dirceu defende Antonio Palocci. Mas, a interlocutores de sua confiança, tem dito que o ministro da Casa Civil errou ao não dar publicidade a suas atividades privadas.

Dirceu assumiu desde sempre a sua condição de consultor. Já a intensa e lucrativa atividade de Palocci era desconhecida até no PT.

CAFÉ
Depois de uma reunião reservada com a presidente Dilma Rousseff, na semana passada, a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, marcou café da manhã com todos os líderes partidários para amanhã, na casa do presidente da Câmara, Marco Maia. Vão discutir a aprovação da lei que cria a Comissão da Verdade, para investigar crimes cometidos durante a ditadura militar. Os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) devem participar.

ADEUS

O médico Roger Abdelmassih, que respondia a vários processos, teve seu registro profissional definitivamente cassado pelo CRM (Conselho Regional de Medicina), no dia 20 de maio.

CÍRCULO

Jon Lee Anderson, autor de "Che", uma das mais completas biografias do líder guerrilheiro, volta ao assunto Cuba: prepara livro sobre biografia de Fidel Castro.

ESPERANÇA
O meia Paulo Henrique Ganso, que quer trocar o Santos pelo futebol europeu, entrou em uma ação beneficente do clube. Vai doar uma camisa autografada para a loja virtual do Criança Esperança. Neymar dará, além do uniforme, um brinco. Falcão, do futsal, vai dar uma camisa com o número 300, marca de gols que alcançou há pouco.

MALU GRANDMOTHER
Malu Mader é "avó" de coração aos 44 anos. Nasceu no sábado o primeiro neto de seu marido, Tony Bellotto. O bebê é filho de Nina Bellotto e se chama Francisco.

NO SONAR

Maior festival de música eletrônica do mundo, o Sonar voltará a acontecer em SP em 2012, quatro anos depois da última edição.

PIANO FORTE
O brasileiro Fabio Martino venceu o concurso de piano Ton und Erklärung, em Munique. Ganhou 10 mil euros e fará gravações e concertos na Alemanha. Em 2010, ele venceu o concurso do BNDES.

CASA DE CORAÇÃO

A 25ª edição da Casa Cor abriu no fim de semana seus 110 cômodos decorados, no Jockey Club de SP. Foram à abertura o ator Paulo Vilhena, o cantor Ney Matogrosso e as arquitetas Alessandra Campiglia, Fernanda Marques e Brunete Fraccaroli.

BESOURO CARIOCA
O ex-Beatle Paul McCartney fez show no Rio anteontem, após 21 anos sem tocar na cidade. Foram ao estádio do Engenhão as atrizes Fernanda Torres, Luana Piovani e Camila Pitanga, com a cantora Maria Rita.

CURTO-CIRCUITO
Fátima Pacheco Jordão dá amanhã a palestra "A Questão Feminina, Direitos Humanos e Jornalismo", na ECA-USP. O evento faz parte de ciclo de jornalismo organizado pela universidade em parceria com o Instituto Vladimir Herzog. Às 13h.

O livro "Os Meninos da Folha da Tarde" será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila dos Jardins.

A Universidade Anhembi Morumbi lança hoje um tribunal para júris simulados. Luiz Flávio Borges D'Urso e Roberto Livianu comparecerão.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

GOSTOSA

VLADIMIR SAFATLE - Grito sem voz


Grito sem voz
VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/05/11

Desde o dia 15 de maio, as praças nas cidades espanholas foram tomadas por jovens manifestantes. As imagens parecem evocar as megamanifestações egípcias na praça Tahrir, com seus acampamentos e sua insistência.
As exigências não são muito diferentes: revolta contra um processo econômico de pauperização social e concentração de riquezas, exigência de uma reinvenção democrática que nos leve para além dos limites da democracia liberal com (no caso espanhol) o velho sistema de dois partidos que se alternam no poder: o da direita descomplexada e o da esquerda envergonhada.
No entanto a Espanha foi às urnas no domingo, dando a vitória ao direitista PP. Como explicar o paradoxo de um país assolado por megamanifestações juvenis, mas que vota em um partido cuja plataforma eleitoral representa apenas o aprofundamento dos princípios econômicos que geraram a crise que deixou a Espanha de joelhos?
Talvez seja o caso de lembrar que vemos um profundo hiato entre as opções eleitorais e as expectativas de mudança cada vez mais presentes nas massas europeias (já vimos cenas parecidas em Portugal e na Grécia). Este é o resultado da ausência de uma "terceira geração" de partidos de esquerda.
A primeira geração foi marcada pela polaridade entre partidos sociais-democratas e partidos comunistas. A partir dos anos 1980, grandes partidos comunistas (como o italiano e o francês) entraram em colapso. Uma "onda rosa" social-democrata invadiu a Europa com Tony Blair, Gerard Schroeder, Lionel Jospin e resultados sociais vergonhosamente pífios. Estes dois modelos de partidos esgotaram-se.
A segunda geração foi marcada pelos partidos verdes e por alguns partidos libertários que nasceram no bojo das exigências emancipatórias de maio de 68.
Hoje, os partidos verdes são, cada vez mais, partidos de centro que fornecem a roupagem ideológica para a nova aliança entre um sistema financeiro embalado pela "bolha verde" e a má consciência de uma classe média que prefere não ouvir falar em conflito de classe. Dos partidos libertários, não sobrou sequer rastro.
Falta, pois, um terceira geração de partidos ou agremiações de mobilização eleitoral capazes de dar representação política a uma massa disposta a lutar pela efetividade de princípios reguladores como igualdade e liberdade social.
Liberdade que não seja bloqueada pela transformação do Estado em ambulatório de bancos falidos embalado pelo discurso do caráter inevitável do desmonte de sistemas elementares de seguridade social. Enquanto este passo em direção à institucionalização da revolta não for dado, giraremos em falso.