sexta-feira, abril 29, 2011

MERVAL PEREIRA - Primeiros passos


Primeiros passos 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 29/04/11

Em meio a mais uma crise, o Senado aprovou várias propostas de reforma política que terão que ser confrontadas com as da Câmara para que se viabilize um projeto comum para aprovação. Fica claro na maioria das justificativas uma tentativa de refazer o contato com a opinião pública, com admissões de culpa expressas pela crise de representatividade dos partidos políticos. E algumas medidas são, realmente, passos importantes no aperfeiçoamento institucional.

O tema mais polêmico, por exemplo, o voto em lista fechada, não está na relação de emendas constitucionais ou projetos de leis já encaminhados porque não se chegou a um acordo sobre que instrumento legal será necessário para essa alteração.

Da mesma forma, a proposta de financiamento público de campanha ficou suspensa, pois depende da aprovação do voto em lista fechada, pelo qual os partidos políticos preparam, por critérios internos, uma lista de candidatos que ocuparão as vagas reservadas aos partidos de acordo com a quantidade de votos que a legenda receber.

O eleitor votará apenas na legenda. Se um partido, na divisão determinada por lei, tiver direito a indicar 15 deputados federais, por exemplo, os 15 primeiros da lista partidária serão eleitos.

Para complicar mais ainda a situação, chegou à comissão do Senado uma manifestação do jurista Ives Gandra Martins, presidente do Conselho Superior de Direito da Federação do Comércio de São Paulo, declarando inconstitucional a adoção do voto em lista fechada.

Para o jurista, a proposta fere uma cláusula pétrea estabelecida no artigo 60, §4º, inciso II, da Constituição. Segundo ele, "manifestamente, o voto em lista é incompatível com o voto direto, secreto, universal e periódico, porque afronta o preceito constitucional citado". Ele afirma que a proposta legislativa "retira do eleitor o poder de escolha de seu representante, como estabelece o parágrafo único do artigo 1º da Carta Magna. Se todo poder emana do povo, como proclamado pelo referido parágrafo único, o Voto em Lista é inconcebível no Estado Democrático", conclui o jurista.

O Senado preparou sete emendas e dois projetos de lei, sendo o mais importante deles, na minha opinião, a emenda constitucional que determina que somente com um referendo poderá ser alterado o sistema eleitoral em vigor atualmente.

"Qualquer alteração no princípio da proporcionalidade, como as diferentes modalidades de voto distrital, bem como toda tentativa de fechar e bloquear as listas partidárias importa em subtração da soberania popular", diz a justificativa do referendo.

"Decisões dessa ordem não podem depender apenas do rito de aprovação de emendas constitucionais, mas devem ser sancionadas pelo principal interessado: o eleitor, em referendo convocado para esse fim".

A proposta de emenda que acaba com a reeleição é justificada por depoimentos de senadores que exerceram cargos no Executivo ou tentaram a eleição que afirmaram que o titular do mandato, ao acumular a condição de candidato, compete na campanha eleitoral em condições extremamente favoráveis em comparação com os concorrentes. A reeleição introduziria "um viés quase insuperável no processo eleitoral em favor da continuidade da administração".

A proposta do Senado é recuperar do texto original da Constituição de 1988, que fixa os mandatos em 5 anos e declara inelegíveis para os mesmos cargos, no período subsequente, o presidente da República, os governadores, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído nos seis meses anteriores ao pleito.

O direito à reeleição fica garantido aos atuais chefes do Executivo que estejam exercendo um primeiro mandato, por meio de normas transitórias.

Os mandatos do presidente da República e dos governadores a serem eleitos em 2014, e os dos prefeitos eleitos em 2012 terão, curiosamente, um acréscimo para que seja feita outra alteração, o do dia da posse.


O presidente ganhará mais 15 dias, e os governadores e prefeitos mais dez dias para que os escolhidos nas eleições seguintes já possam tomar posse em datas mais "normais", em vez de 1º de janeiro.

Isso aconteceria também para que os mandatos que estão em curso não sejam nem prorrogados nem reduzidos.

A emenda que põe fim às coligações proporcionais, um dos mais importantes tópicos da reforma política proposta pelo Senado, é defendida em termos assemelhados a uma confissão de culpa dos políticos:

"Ocorre que a experiência brasileira revela que as coligações eleitorais nas eleições proporcionais, em geral, constituem uniões passageiras, estabelecidas apenas durante o período eleitoral por mera conveniência, sem qualquer afinidade entre os partidos coligados no tocante ao programa de governo ou ideologia. Tais coligações objetivam, sobretudo, aumentar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão de partidos maiores e viabilizar a conquista de um maior número de cadeiras nas Casas Legislativas por partidos menores, ou permitir que essas agremiações alcancem o quociente eleitoral. Além disso, o voto dado ao candidato de um determinado partido ou à própria legenda pode contribuir para a eleição de candidato de outra agremiação que integre a coligação".

A aprovação da candidatura avulsa também tem embutida uma crítica à formação dos partidos, e uma admissão de que vivemos uma crise política: "Para responder à crise é preciso revigorar os partidos e, ao mesmo tempo, permitir a expressão eleitoral de forças que não se sentem representadas no atual sistema partidário". Mas essa válvula de escape só vale para as eleições locais de prefeito e vereadores, que precisarão ter apoio de meio por cento do eleitorado da circunscrição.

Outra medida que teoricamente melhorará o desempenho dos partidos foi a aprovação da chamada "cláusula de desempenho" para a atuação parlamentar de um partido.

Só terá direito a ela o partido que eleger no mínimo três representantes de diferentes estados. Por esse critério, pelo menos 5 partidos estariam alijados do Congresso na eleição de 2010: PHS com 2; PRTB com 2; PRP com 2; PTC; e PSL com 1 cada.

Mas, como sempre, os políticos encontram um jeitinho de deixar uma brecha. Está dito na proposta que será facultada à Mesa Diretora da Câmara "a tarefa de dispor sobre o funcionamento parlamentar do partido com representação eleita ou filiada inferior a esse número".

E o projeto também mantém o direito da propaganda eleitoral gratuita para os partidos que elegeram só um deputado.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Casamento real! Acorda a coroa!


Casamento real! Acorda a coroa! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Putarquia Britânica Urgente! O casamento do século! Príncipe William e Lady Kate! Ai, ai, acordar cedo pra ver os outros casando. Ainda bem que são os outros! Perguntei prum amigo: "Você vai assistir ao casamento real?". "Vou! Ao lado da coroa." Primeira coisa pra assistir ao casamento real: acordar a coroa, a sua majestade. Rarará!
E diz que a Lady Kate acordou mais cedo pra fazer seu último xixi como plebeia! Rarará!
E o Agnaldo Rayol vai cantar "Ave Maria" na cerimônia? E o Mr. Bean que foi convidado? Eu não soltaria o Mr. Bean num casamento! E eu já sei o que eu vou mandar de presente pro casal real: um faqueiro da 25! Rarará!
E uma amiga quer assim seu casamento de princesa: vestida de lilás e o bofe fantasiado de gladiador. E uma outra sonha em se casar como Corina, a Rainha do Deserto, a dama de honra vai ser a Lacraia, o padre vai ser o Tiririca e o noivo é a Lady Gaga. Isso! Deviam ter chamado a Lacraia pra dama de honra! Rarará! E vai ter olho de sogra?! Isto que é casamento real: Agnaldo Rayol, Lacraia e olho de sogra!
Tem os casamentos reais e os casamentos irreais. O blog Trocandoasnoticias lista os casamentos irreais: Bolsonaro e Preta Gil; Roberto Carlos e Hebe Camargo; e Dilma Rouchefe e Zé Dirceu! E o príncipe William quer conhecer o Sarney: "Quero conhecer o homem que está há mais tempo no poder que a minha avó". Rarará! E casamento é muito sem graça. Engraçado é quando começam a aparecer os chifres. E não vai demorar. O sogro se chama Duque de Cornualha.
E o Ronaldo como comentarista da Globo na transmissão de Real Madrid X Barcelona? Parecia uma homenagem ao Mauricio de Sousa: tava com a camisa e a barbicha do Chico Bento, a cara do Cascão e os dentes da Mônica! Uma mistura de Chico Bento, Cascão e Mônica!
O Brasileiro é Cordial! A Volta do Gervásio. Olha a placa na empresa em São Bernardo: "Se eu descobrir quem foi o mão de gafanhoto que ralou o para-choque do meu carro no estacionamento, vou fazer esse carta comprada ter aulas de baliza com um jumento no cio pendurado nas costas. Conto com todos. Assinado: Gervásio". Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MÔNICA BERGAMO - CAZÉ E A ROUPA DA PRINCESA


CAZÉ E A ROUPA DA PRINCESA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

O VJ Cazé Peçanha, 43, entrou na roupa de Kate Middleton para a cobertura do casamento real que está fazendo para a MTV. Achou e provou anteontem, em Londres, vestido igual ao que a recém-princesa usou ao ser pedida em casamento, desenhado pela brasileira Daniella Helayel.

Folha - Onde você encontrou o vestido? Cazé - Como a [marca] Issa não tem uma loja própria, fomos atrás de multimarcas que a vendem. Todo o mundo falava que tava "sold out" [esgotado]. A gente mal entrou na loja já tinha um porta-retrato da Kate com o William, usando o tal vestido azul. Subi e vi quatro, por 399 libras [R$ 1.050] cada um. Barato para uma princesa, não?

Seu corpo parece com o da nova princesa?
Pouco. Tentei botar o primeiro vestido e não entrou. Pedi um maior. Tentei primeiro vestir por baixo. Não entrou. Daí coloquei por cima, pelos ombros e entrou. É um tecidinho gostoso, não sei bem o que é, mas a sensação é gostosa.

E depois de colocar a peça, saiu do provador?
Andei na loja, perguntando "fiquei bem?". Mesmo quando disse "imagina um travesti entrando para a monarquia britânica", riram.

CONTA EM DIA

O total de famílias que estão com contas atrasadas em SP é o menor desde 2004. Segundo pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de SP), 48,3% têm dívidas a honrar, mas só 14,3% não estão em dia com seus pagamentos. O consumo se mantém no mesmo nível de 2010.

SLOGAN

Dilma Rousseff gravou ontem no Palácio da Alvorada, sob a direção de João Santana, o pronunciamento que irá ao ar no 1º de maio. Ela fala de inflação, emprego -e revela o nome do programa que pretende lançar em breve: "Brasil sem Miséria".

NESTE PAÍS
E amanhã a presidente já começa a ocupar espaços na TV, nos anúncios do PT. Ela gravou três comerciais, de 30 segundos cada um. Lula gravou um, sobre reforma política. E os dois aparecem juntos em outra inserção. "Diziam que era impossível um operário ser presidente, um operário fazer um bom governo, uma mulher ser presidente. O PT provou que nada é impossível neste país", diz a mensagem.

CALENDÁRIO

A enxurrada midiática de Dilma/Lula atravessará maio e junho. É que, além do PT nacional, que terá quatro dias de inserções, também os estaduais exibirão os mesmos anúncios nos espaços a que têm direito na TV.

CHUVA SÓ DE ARROZ

A Fundação Cacique Cobra Coral estará presente no casamento do príncipe William e de Kate Middleton, hoje, em Londres. A médium Adelaide Scritori, que diz incorporar o cacique, viajou ao país contratada por um empresário para levar a chuva embora do local.

CONCENTRAÇÃO
Mil alunos do St. Paul's estão concentrados desde as 6h30 de hoje no anfiteatro da escola, em SP, para assistir aos preparativos do casamento real na TV.

CONTA-GOTAS
O PMDB acabou engolindo a nomeação , pelo PT, de Gilson Queiroz Filho para a presidência da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), cargo que era do partido. Ficou mais tranquilo depois de uma conversa com o ministro Antonio Palocci, da Casa Civil. "Ficou combinado que vamos compor a diretoria. Vamos sugerir nomes técnicos que vão passar pelo crivo técnico do Ministério da Saúde", diz Henrique Eduardo Alves, líder do partido.

NOIVADO
E Paulo Skaf, presidente da Fiesp, esteve com o vice-presidente Michel Temer e com Alves em Brasília para discutir a sua filiação ao PMDB. "Deixamos claro para ele que nosso candidato a prefeito de SP é o Gabriel Chalita", diz Alves. "Mas ele estuda entrar no partido mesmo assim." Skaf poderia ser uma alternativa para concorrer ao governo em 2014.

ALPHAVILLE MARCHA
Um semáforo instalado na entrada do Residencial 1 mobiliza moradores de Alphaville. Em três dias, mais de três mil e quinhentas pessoas confirmaram presença, via Facebook, numa passeata pela retirada do sinal luminoso. Os manifestantes devem vestir amarelo e vermelho e doar um quilo de alimentos para ONGs da região, pede a organização. "Precisamos de medidas para diminuir o congestionamento entre os condomínios. Levo mais tempo no trânsito de Alphaville do que no de SP", diz Marcelo Musselli, 20, que bolou a marcha.

CORAÇÃO DE MÃE
Vinte e três mulheres escreveram sobre maternidade e amor para o livro "Coisas de Mãe para Filha", que foi lançado na tarde de anteontem na Livraria da Vila dos Jardins; dentre elas, a política Marina Silva e a jornalista Maria Ignez Barbosa, que receberam convidados como o empresário Olavo Setúbal Jr.

CURTO-CIRCUITO

O Avaí Futebol Clube está leiloando uma camisa oficial para beneficiar os Médicos Sem Fronteiras.

O projeto "Copa Cruz Vermelha" será lançado hoje na sede da Cruz Vermelha brasileira no Rio de Janeiro a partir das 14h30.

O Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), bateu recorde de público no feriado da Páscoa. Mais de 11 mil pessoas visitaram o museu.

Ricardo Ventura faz palestra amanhã às 10h na sede do Instituto Eu Posso!, no Jardim Japão.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

SENADO: MEU CONSELHO ESTÁ CHEIO DE RATOS

MARCUS PESTANA - Uma reforma por cabeça


Uma reforma por cabeça
MARCUS PESTANA
O Globo - 29/04/2011

Nove entre dez lideranças políticas afirmam que precisamos de uma reforma política. Nesse caso, vale a máxima: "Cada cabeça, uma sentença." Na verdade, não estamos falando de uma verdadeira reforma política, já que questões relativas ao sistema de governo e à Federação não estão na mesa.

Começamos mal. Em vez de uma única Comissão Especial Mista, envolvendo Senado e Câmara, partimos de duas comissões com métodos e cronogramas diferentes. Se a matéria é complexa e polêmica, deveríamos facilitar o amadurecimento de consensos.

O passo inicial é pacificar o entendimento, se realmente precisamos de uma reforma no sistema partidário e eleitoral. Nosso sistema representativo dá mostras claras de esgotamento. Portanto, a reforma é uma necessidade.

Pressupostos: não existem saídas simples para problemas complexos e não há sistema perfeito de representação. E não estamos falando da democracia direta grega, que excluía os escravos, nem de uma democracia direta high tech on-line. Não devemos, também, cair na tentação da produção de "jabuticabas", exagerando na originalidade e procurando reinventar a roda.

Quais seriam os objetivos centrais da reforma?

Primeiro, aproximar representantes e representados, o Congresso da sociedade. O atual sistema eleitoral não gera vínculos. O mandato parlamentar não se ancora firmemente em nada. Setenta por cento das pessoas não lembram, passados dois anos da eleição, o nome de seu vereador ou deputado. Não há controle social eficiente. Quem sabe como votou o seu deputado, agora em 2011, em questões como trem-bala, salário mínimo, mudanças no acordo de Itaipu ou criação da Autoridade Pública Olímpica?

O mandato pode se ancorar nas ideias, no programa e no desempenho coletivo do partido (voto em lista praticado na Espanha e em Portugal) ou na base territorial (voto distrital puro que funciona nos EUA, França e Inglaterra). O voto em lista, que permitiria o barateamento das campanhas e o controle da sociedade sobre o desempenho dos partidos, esbarra em nossa cultura presidencialista, personalista e sofreria forte rejeição inicial da sociedade. O voto distrital puro, que aproxima como nenhum outro representantes e representados, tende a estabelecer uma visão mais localista e suprimir a expressão de minorias temáticas ou ideológicas, tendendo ao bipartidarismo. Creio que o melhor caminho, inclusive como estágio pedagógico para todos nós, seria a adoção do voto distrital misto de tipo alemão, sendo metade das cadeiras preenchidas pela lista partidária e metade em eleições nos distritos.

O segundo objetivo seria o fortalecimento dos partidos. O atual sistema mina a solidariedade interna dos partidos ao transferir a competição política para o interior dos partidos. Permite a proliferação de pequenos partidos sem nenhum conteúdo programático, alguns inclusive conhecidos como "partidos de aluguel". O distrital puro ou a lista viabilizaria isso. O distrital misto conjuga as boas características dos dois.

Teríamos como terceiro objetivo central da reforma o barateamento das campanhas, o aumento da transparência e o fechamento de algumas portas para a corrupção. Tenho dito que o atual modelo de financiamento de campanhas é uma humilhação para quem é honesto e para quem não é, torna-se a porta para relações incestuosas e não republicanas com os agentes financiadores. A campanha de 2010 custou cerca de quatro bilhões e novecentos milhões de reais (3,4 bi para as atividades de campanha, um de renúncia fiscal para o horário "gratuito" de rádio e TV e meio bilhão de despesas operacionais da Justiça Eleitoral). Isso sem falar no tristemente famoso caixa 2. O financiamento público exclusivo seria saneador, mas enfrenta a rejeição da sociedade e só seria viável com o sistema de lista fechada. Se continuarmos com a captação de doações privadas, deveríamos coletivizar o processo através dos partidos, para evitar o vínculo direto do candidato com os doadores.

Outras mudanças periféricas poderão ser introduzidas (voto facultativo, fim da reeleição com mandato de cinco anos, fidelidade partidária, fim das coligações proporcionais, cláusula de desempenho). Mas não deveríamos deixar escapar entre os dedos, mais uma vez, a oportunidade de promover uma verdadeira reforma que permita à nossa jovem, mas madura, democracia avançar.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Concessão de aeroportos pode ser restrita
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

O governo Dilma pode transferir a operação de terminais de alguns aeroportos para o setor privado no caso das concessões em que apenas a privatização de serviços comerciais, como áreas de lojas e logística de carga, não torne o negócio viável.
A definição dependerá dos estudos de viabilidade econômica do modelo de concessão dos aeroportos brasileiros que estão sendo feitos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Os primeiros estudos indicam, por exemplo, que no caso do terceiro terminal do aeroporto de Guarulhos a operação é viável economicamente apenas com a concessão das chamadas áreas comerciais. A Infraero ficaria com a operação.
Já na construção dos novos terminais dos aeroportos de Viracopos e Brasília, o governo não está seguro de que somente a concessão de áreas comerciais tenha viabilidade econômica.
Nesses casos, os estudos podem indicar a necessidade de também conceder a operação para o setor privado ou então transferir para o vencedor da licitação a exploração de outras áreas comerciais desses aeroportos.
Nas reuniões com sua equipe, a presidente Dilma disse que seu governo não vai encarar como um tabu a manutenção dos serviços de operação dos aeroportos nas mãos da Infraero.
Indagada por assessores se não temia a reação de servidores da estatal, ela afirmou que prefere "brigar" com os funcionários da Infraero a enfrentar a insatisfação da classe média com os serviços dos aeroportos.

DECOLAGEM

Sobre o interesse de empresas aéreas de operar terminais, técnicos dizem que é uma possibilidade, mas não deve ser empregada no terceiro terminal de Guarulhos.
Motivo: em Cumbica, o novo terminal deve ser destinado aos voos internacionais, além de ser grande para ficar com uma companhia. O mesmo deve ocorrer com Brasília. O governo decidiu que a Infraero continuará tocando as obras para evitar que reclamações judiciais ou demoras nas licitações comprometam a Copa de 2014.
Quando for privatizado, o investidor terá de pagar ao governo pelas obras já feitas.
A decisão é parte da estratégia do governo de tocar simultaneamente as obras e os projetos de concessão das expansões de aeroportos de cidades envolvidas na Copa. Segundo cronograma da Infraero, 40% do novo terminal de Guarulhos deve estar operando em 2014, assim como 50% em Brasília e Viracopos.

POTÊNCIA DO INTERIOR
O potencial do mercado imobiliário de Campinas (SP) cresce e atrai incorporadoras. A Brookfield Incorporações vai lançar quatro empreendimentos na cidade neste ano, sendo três residenciais e um comercial.
O VGV (Valor Geral de Vendas) está projetado em R$ 400 milhões. O potencial de compras da região equivale a capitais como Porto Alegre e Curitiba, segundo o presidente da empresa, Nicholas Reade.
"Os terrenos foram comprados e estão em fase de aprovação. Já estamos adquirindo áreas para os lançamentos de 2012", diz.
A previsão de investimentos da companhia em terrenos na região é de R$ 60 milhões neste ano.
A meta da incorporadora é fazer lançamentos anuais de até R$ 500 milhões. "O potencial de compra na região é muito grande", diz Reade. A estratégia da empresa é focar na classe média, que hoje representa 50% das operações.
A incorporadora inaugurou ontem um showroom de 400 metros quadrados na cidade.

ADEGA SELADA
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região de Brasília revogou a liminar que desobrigava os associados da Abba (Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas) de colocar o selo de controle fiscal nos vinhos importados.
Agora, todos os vinhos, nacionais ou importados, se enquadrarão na norma vigente. Desde 1º de janeiro deste ano, os vinhos só podem sair das vinícolas, das engarrafadoras e das importadoras com o selo.
O presidente da Abba, Adilson Carvalhal Júnior, informou que a associação vai entrar com recurso nos próximos dias. "O selo só serve para encarecer o produto", diz.
O objetivo da medida, determinada pela Receita Federal, é aumentar o controle no comércio, para evitar o contrabando e o descaminho.
A partir de 1º de janeiro de 2012, os atacadistas e varejistas não poderão comercializar os vinhos sem o selo.

De olho... 
O governador da província argentina de Mendoza, Celso Alejandro Jaque, se reuniu nesta semana com empresários brasileiros em São Paulo para pedir participação em seu projeto logístico, que inclui a construção de um túnel ferroviário de 52 km, ligando Chile e Argentina.

...na vizinhança 
A licitação para a obra, orçada em US$ 3 bilhões, deve ocorrer em agosto. Ainda no primeiro semestre, em parceria com a Fiesp, o governo pretende realizar evento com empresários brasileiros que ajudariam a suprir a demanda na infraestrutura logística.

Sem desperdício 
A Light e a Elster anunciam hoje parceria para utilização de um novo sistema de medição centralizada do consumo de energia elétrica. Cerca de 240 mil usuários deverão ter acesso ao produto no Rio de Janeiro.

Maternidade... 
Para o Dia das Mães, empresários do comércio no Grande Rio esperam faturamento de 14,8% acima do do ano passado, segundo a Fecomércio-RJ.

...no consumo 
As estratégias para o crescimento das vendas são aumento de estoque (69,2%), promoções (57,7%) e decoração especial (47,8%). Os segmentos de telefonia celular e joias e bijuterias esperam alta de 17%.

Plataforma... 
O centro de pesquisas da Petrobras participará na próxima semana do Offshore Technology Conference 2011, considerado um dos maiores eventos na área de exploração e produção de petróleo no mar, nos EUA.

...de negócios 
Fornecedoras como Baker Hughes, FMC Technologies e Schlumberger instalaram unidades no país após o evento de 2010.

HORA DO ALMOÇO

A rede de restaurantes Giraffas avança na expansão pelo interior do país. Até o final do ano, serão inauguradas 40 lojas franqueadas. Dessas, 28 estão com contratos assinados.
"O nosso foco são cidades do interior em Estados como Rondônia, Tocantins, Goiás e São Paulo", diz Cláudio Miccieli, sócio e diretor-executivo da rede. Os investimentos injetados pelos franqueados serão de R$ 30 milhões.
No segundo semestre, a rede, que possui hoje 350 restaurantes, abrirá lojas nos dois únicos Estados onde ainda não está presente: Acre e Amapá.
Em junho, a empresa vai inaugurar a primeira loja nos Estados Unidos, em Miami. "Até o final do ano, serão mais duas na mesma cidade", diz.
O investimento próprio da companhia nessas unidades internacionais é de US$ 2,5 milhões.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION, VALDO CRUZ e NATUZA NERY

GOSTOSA

MÍRIAM LEITÃO - Palavras e ausências


Palavras e ausências
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 29/04/11
Com palavras que entram e saem das atas do Copom, os analistas do mercado financeiro, das empresas, das consultorias vão entendendo os sinais do Banco Central. Na ata divulgada ontem, o Banco Central escreveu a palavra "principalmente" antes da expressão "ações convencionais de política monetária." Foi entendido que os juros podem subir mais.

É preciso ler também as ausências. Na última ata, depois da horrenda palavra "macroprudencial" - que quer dizer controle de crédito - estava escrita a definição "um instrumento rápido e potente para conter a demanda." Desta vez, a definição não estava mais lá. Juntando o fato de que o BC vai principalmente usar as ações convencionais e não está repetindo que o macroprudencial é "rápido e potente", analistas como o professor Luiz Roberto Cunha, o economista Luis Otávio Leal e economistas de diversos bancos concluíram que a instituição acredita mais em juros do que em medidas como IOF sobre crédito para controlar a inflação.

Pode-se imaginar que tudo isso é um jogo de apostas, em que palavras servem para se tentar adivinhações. Na verdade, esse ritual de comunicação entre o Banco Central e as instituições que compram - com o nosso dinheiro - títulos da dívida pública remunerados pela taxa Selic é uma forma de dar transparência e previsibilidade às ações do BC. Através disso ele vai se comunicando e influenciando as expectativas. Quanto mais transparente e coerente for, mais influente será.

Por isso, existe a ata, uma semana depois de cada reunião do Copom, e Relatório de Inflação, de três em três meses. Cada palavrinha presente ou ausente serve para indicar aos iniciados que movimentos o BC pode fazer. Neste momento, a autoridade monetária está diante de enormes desafios: conseguirá convencer que tem mesmo autonomia para combater a inflação? Está o Banco Central sabendo avaliar todos os riscos presentes na economia brasileira e mundial? Há controvérsias. Até dentro do banco, porque dois dos diretores votaram por um aumento de 0,5 ponto percentual, e não 0,25 p.p., como foi aprovado. Esses diretores acham que era preciso "mitigar riscos de que pressões inflacionárias recentes se transmitam ao cenário prospectivo." Em uma palavra, eles temem a "indexação".

Quanto maior a inflação, quanto mais confusas as análises e expectativas, mais cada pessoa ou empresa tenta garantir nos seus preços e contratos que não vai perder renda. Os aluguéis, por exemplo, são corrigidos pelo IGP-M. Os IGPs são índices nervosos: caem drasticamente, às vezes; disparam, em outros momentos. Por isso, o dono do imóvel se garante e registra no contrato que é o IGP-M ou o IPCA, "o que for mais alto." Assim, no ano de 2009, os IGPs ficaram abaixo de zero, mas ninguém reduziu o aluguel. No ano passado, ele passou de 10%. Ou seja, o inquilino sofre sempre. Quando a demanda está aquecida, como agora, o proprietário cresce para cima do inquilino. Imagine que o locatário é um cabeleireiro que possa impor aumento no seu preço. Ele tenderá a subir na mesma proporção dessa elevação de custos. Os resquícios da cultura inflacionária numa economia aquecida, com o governo dando sinais de que está convencido de que a inflação é tolerável porque está subindo em todos os países do mundo, são ingredientes para uma grande confusão. Essas mudanças bruscas dos IGPs têm uma explicação: eles são índices formados por preços ao consumidor, custos da construção civil e matérias-primas. Quando dispara o preço do minério de ferro, pode ser bom para a balança comercial e para a Vale, mas afeta esse índice de inflação. O mesmo com o petróleo e alimentos in natura. E por aí vai. O risco é de transmissão da inflação de um ano para o outro.

Algumas tarifas de serviços públicos, como a energia elétrica, também são corrigidas ou afetadas por este índice, que subiu muito no ano passado. Onde há competição de produto importado isso não acontece porque o dólar está caindo e neutralizando parte do aumento. Na área de serviços, o impacto é maior. Por isso a inflação de serviços ultrapassou 8%.

Na ata de ontem, o Banco Central disse que "a demanda se apresenta robusta", ou seja, está todo mundo comprando muito. Em parte pelo crédito, em parte pelo aumento da renda. Para o BC, o governo cortou gastos, mas os estímulos dados na época da crise ainda estão acelerando a economia. A verdade é um pouco mais complexa. O governo cortou gastos de um lado e aumentou de outro, fez superávit primário aumentando arrecadação e não cortando despesas, e demorou demais a retirar os incentivos fiscais ao consumo porque 2010 era ano eleitoral. Mas isso certamente não estaria numa ata do Copom. De vez em quando, com sua linguagem de contorcionista, o Banco Central avisa delicadamente que o governo tem que cortar gastos. Mas isso produz resmungos no Ministério da Fazenda e esta administração ainda não ficou "robusta" - usemos a palavra que os economistas gostam tanto - o suficiente para uma ousadia dessas. E o BC ainda não é autônomo no Brasil; tem autonomia quando o governo a concede.

Outro recado dado pelo BC no palavrório de ontem foi que a temporada de alta de juros vai ser "suficientemente prolongada" para conter a inflação. Disse no parágrafo 30 e repetiu no 32. Tudo lido e traduzido fica ainda insuficiente para se saber como o BC pretende reverter o jogo que ainda está embolado no meio-de-campo.

MÁRCIO G. P. GARCIA - Esterilização cambial expansionista?


 Esterilização cambial expansionista?
MÁRCIO G. P. GARCIA

VALOR ECONÔMICO - 29/04/11
As compras de reservas cambiais via intervenções esterilizadas têm recebido várias críticas, inclusive minhas. O custo de manter mais de US$ 320 bilhões de reservas é de mais de R$ 50 bilhões: cifra que supera, por exemplo, toda a economia que o governo prometeu fazer no orçamento deste ano. Além disso, intervenções esterilizadas, nas atuais circunstâncias, têm efeito apenas temporário de depreciar a taxa nominal de câmbio. Para terem efeito permanente, é preciso que o Banco Central (BC) siga comprando, aumentando o já elevadíssimo custo das reservas.

A suposição usual entre economistas é de que as intervenções esterilizadas não alteram a demanda agregada. No primeiro passo de uma compra esterilizada de câmbio, o BC compra os dólares com reais, aumentando a base monetária. No segundo passo, o BC recolhe os reais que emitiu com a venda de títulos públicos. Assim, a compra esterilizada de câmbio induz uma troca de dólares por títulos públicos no portfólio do setor privado, sem emissão de moeda. Não haveria nenhuma razão para que a demanda agregada se expandisse.

Em contraposição a essa suposição usual, argumento, em artigo acadêmico recente ("Can Sterilized FX Purchases under Inflation Targeting be Expansionary?", Texto para Discussão nº 589, Departamento de Economia da PUC-Rio) que é provável que as compras esterilizadas de câmbio que vêm sendo conduzidas pelo BC venham tendo, sim, efeito expansionista sobre a demanda agregada e, consequentemente, sobre a inflação. Tal efeito adviria da forma como são conduzidas as compras esterilizadas no regime de metas para a inflação.

Na descrição acima, a compra esterilizada de câmbio não produz nenhuma emissão monetária; apenas troca os dólares por títulos públicos. No entanto, no regime de metas para a inflação não é bem assim que ocorre a esterilização. No segundo passo, quando o BC troca por títulos a moeda que havia emitido para comprar os dólares, ele o faz até o ponto em que se restaura a taxa Selic fixada pelo Copom, o que não necessariamente assegura a recompra de toda a moeda que havia emitido. Caso a demanda agregada tenha crescido, e com ela, a demanda por moeda, a taxa de juros será restabelecida antes de se recomprar toda a moeda emitida. Em outras palavras, a esterilização tal como normalmente conduzida pelos bancos centrais, que mantém inalterada a taxa de juros, pode acabar expandindo o estoque de moeda.

Mas por que a demanda agregada aumentaria? Basicamente, por que os fluxos de capitais recentes para a economia brasileira têm sido destinados ao financiamento de gastos de consumo e investimento do setor privado, em vez da compra de títulos públicos. Uma forma de pensar o efeito é que os fluxos de capitais constituem uma arbitragem entre as altas taxas internas de financiamento e as baixas taxas prevalecentes no exterior. A maior quantidade de crédito a taxas mais baixas expande a demanda agregada. Simplesmente repor a taxa de juros que vigorava antes dos fluxos não é neutro em termos de estimular a economia. Embora os juros voltem ao nível inicial, as compras esterilizadas de câmbio estarão associadas a uma expansão monetária líquida. A maior oferta monetária se igualará à nova e mais alta demanda por moeda, gerada pela combinação da mesma taxa de juros com um nível mais elevado de produto nominal.

Uma forma alternativa de interpretar tal efeito, colocando-o em um arcabouço tobiniano de equilíbrio de portfólios, me foi sugerida por alguns economistas. A compra esterilizada de câmbio aumenta, no portfólio do setor privado, a participação dos títulos públicos. Para induzir tal mudança de portfólio, é necessário alterar os rendimentos relativos dos ativos, tornando mais alto o rendimento dos títulos públicos (a taxa Selic) em relação aos demais. Como o BC atua para manter inalterada a taxa Selic, são os rendimentos dos demais ativos que devem cair, o que é equivalente a aumentar o preço dos demais ativos. Ou seja, frente à intervenção esterilizada, os agentes privados tentam recompor seus portfólios originais, aumentando a demanda pelos demais ativos, o que eleva o preço destes, aumentando o Q de Tobin, assim expandindo a demanda agregada.

Segundo a interpretação acima, a esterilização do fluxo de capital estrangeiro que vem aproveitar os altos juros dos títulos públicos brasileiros não produziria o efeito expansionista, porque, nesse caso, haveria um aumento da demanda externa por títulos públicos. Quando aumenta a demanda estrangeira por títulos públicos, a maior oferta de títulos públicos resultante da esterilização não teria o efeito de alterar os rendimentos relativos dos diversos ativos da economia. Já o fluxo que vem para financiar gastos do setor privado - incluindo não só crédito externo, mas também investimento direto, compras primárias ou secundárias de ações e outras formas de financiamento - geraria o efeito expansionista.

Os números da economia brasileira em 2010 parecem corroborar a importância do efeito expansionista das intervenções esterilizadas. A base monetária aumentou 25% (R$ 40 bilhões), enquanto as operações de esterilização compraram o equivalente a R$ 80 bilhões de reservas cambiais. O crédito tornou-se muito mais farto e barato, fazendo com que o governo recorresse às medidas macroprudenciais para deter o crescimento da oferta de crédito.

Em resumo, as intervenções esterilizadas não só são muito caras e pouco eficientes em deter a apreciação cambial como também expandem a demanda agregada, tornando ainda mais dura a tarefa do BC de cumprir a meta de inflação. Está na hora de repensar tal política e voltar a contemplar uma consolidação fiscal de longo prazo.

* Agradeço a Eduardo Loyo e a Samuel Pessoa por terem me alertado para essa interpretação alternativa do efeito expansionista das intervenções esterilizadas.

Márcio G. P. Garcia Ph.D. por Stanford é professor do Departamento de Economia da PUC-Rio

PT: UM PARTIDO QUE NÃO TEM VERGONHA NA CARA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Urgências da vida
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

A despeito dos cuidados com a saúde de José Eduardo Dutra e das preocupações com a organização interna para a disputa eleitoral de 2012, o PT tem motivo concreto e imediato para resolver a vacância na presidência. O partido avalia que o afastamento prolongado de Dutra conspirou contra seus interesses na ocupação de espaços no governo Dilma Rousseff.
Petistas prepararam lista com 104 nomes ainda não contemplados com cargos, entre eles o ex-ministro Patrus Ananias (MG), a ex-governadora Ana Júlia (PA) e a ex-senadora Fátima Cleide (RO). Com a solução do impasse no comando, esperam que os pedidos represados sejam atendidos o quanto antes.

Tampão não 
Nas conversas de cúpula para definir a sucessão no PT, o vice-presidente Rui Falcão sinalizou que aceitaria herdar o posto de José Eduardo Dutra, mas que não gostaria de fazê-lo na forma de um mandato abreviado, a ser encerrado em setembro, quando acontecerá o congresso nacional.

Elefante branco 

No partido, aliás, pouca gente vê utilidade nesse congresso, marcado no apagar das luzes do mandato de Ricardo Berzoini com o propósito declarado de reformar o estatuto interno. Falta, no entanto, quem atire a primeira pedra.

Pré-produção 

O PT tem hoje direção provisória em cerca de 800 municípios. O novo presidente precisará liderar o processo de eleição interna nessas praças, de olho na campanha de 2012.

Nada contra 

Delúbio Soares consultou seus advogados a respeito de eventuais reflexos da refiliação ao PT sobre o processo em curso no Supremo. Ouviu que não se esperava nenhum e seguiu em frente com o pedido.

Bordões 1 
Fala de Dilma em um dos novos comerciais de TV do PT: "O governo do Brasil tem um compromisso especial com os pobres e a classe média. Com os pobres, para que eles subam com a vida. Com a classe média, para que ela melhore ainda mais seu padrão".

Bordões 2 
Ao final da peça, a presidente afirma que jogará "duro com a inflação" -esta a ideia que o governo mais tem repetido, por meio de várias autoridades, aparentemente com baixo nível de convencimento.

Linha dura 

Diante das queixas sobre o cancelamento dos restos a pagar de emendas parlamentares, o Planalto anunciará hoje que quitará os convênios de 2007 e 2008 já em execução. Quanto aos de 2009, só serão pagos os que puderem ser iniciados até 30 de junho.

Escala 
Recém-nomeado secretário de Desenvolvimento Social em SP, Rodrigo Garcia recebeu do DEM a garantia de legenda para disputar a prefeitura paulistana. O mesmo fez o PSDB com Paulo Barbosa, promovido à vaga de Guilherme Afif no Desenvolvimento Econômico e pré-candidato em Santos.

Superlotação
Objeto do desejo dos deputados paulistas, a Comissão de Transportes da Assembleia perderá musculatura para atender a base governista -só no PSDB, há 9 candidatos para 6 vagas no colegiado. Dada a demanda, a fiscalização das obras do metrô deve migrar para a alçada da Comissão de Assuntos Metropolitanos.

É assim? 
Sob alegação de que Geraldo Alckmin estaria descumprindo o acordo para liberação da cota de R$ 2 milhões em emendas, a bancada do PDT cedeu à oposição três das quatro assinaturas que faltavam ao requerimento da CPI dos Pedágios. O próximo alvo é o PSB.

Sem rival 
Com base em Cascavel (PR), o deputado Eduardo Sciarra, ex-DEM e rumo ao PSD, não planeja transferir domicílio eleitoral para Curitiba. Isso garante ao tucano Gustavo Fruet, outro que deverá que pular no barco de Gilberto Kassab, a legenda para disputar a Prefeitura de Curitiba.

com FÁBIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio
"Podemos afirmar com certeza que esse é um conselho muito capaz. Capaz de tudo."
DE PEDRO SIMON (PMDB-RS) sobre Conselho de Ética do Senado, que na nova composição tem entre seus membros Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF); o presidente é o sarneysista João Alberto (PMDB-MA).

contraponto

Caindo de maduro

Deputados e senadores disputavam espaço na audiência da ministra Miriam Belchior (Planejamento) à Comissão Mista de Orçamento. Paulo Maluf (PP-SP) se desviava dos colegas no plenário quando tropeçou em duas assessoras que faziam anotações, quase desabando sobre uma delas. Ao se levantar, disse bem alto:
-Eu nem reclamo de tropeçar desse jeito, desde que caia no colo de mulheres tão lindas!

ELIANE CANTANHÊDE - Para além da carruagem


Para além da carruagem
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

Estima-se que 2 bilhões de pessoas de várias línguas, idades, raças e religiões acompanharão hoje pelas televisões do mundo todo, como crianças ou jovens sonhadores, o que promete ser ‘o casamento’ deste século, entre o príncipe William e a linda e sofisticada plebeia Kate Middleton.

Isso remete a contos de fada, histórias da carochinha, reis, rainhas, príncipes, princesas, vestidos maravilhosos, palácios, carruagens românticas, soldadinhos de chumbo e o raras vezes cumprido ‘felizes para sempre’.

No mundo real, o que há é um reino obsoleto e incompreensível, que mantém até hoje 15 outros Estados independentes, como os democráticos e contemporâneos Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Assim como a China vive numa esdrúxula combinação da velha política com a nova economia, o Reino Unido desafia o mundo com sua sólida democracia e uma monarquia extemporânea. Reis e súditos _com os súditos pagando, evidentemente, enquanto bisbilhotam a intimidade da família real e dos que orbitam em torno dela.

Dizem que o casamento dos pais de William, Charles e Diana, ‘foi o maior do século’. Mas foi, igualmente, um vexame e uma tragédia para ficção nenhuma botar defeito.

A ascensão de Diana começou na carruagem real com seu magistral vestido de noiva. A queda foi imortalizada pelas ferragens do carro que a matou com o namorado.

Para além da fantasia, entre quatro paredes, a escolhida de Charles desde os anos 1970 foi outra: Camilla Parker-Bowles, feia, sem charme, sem graça, sem carisma e, ainda por cima, mais velha do que ele.

Mas foi ela que Charles amou, atravessando quatro décadas, dois casamentos (o dele e o dela), as aparências e o encantamento internacional pela imagem doce, bela e jovem de Diana, ‘a vítima’.

Na minha modestíssima opinião, esta, sim, é a grande história de amor do século passado.

GOSTOSA

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Zumbis da oposição


Zumbis da oposição
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/11

SÃO PAULO - Gilberto Kassab acaba de criar a Secretaria Especial de Articulação de Grandes Eventos. É a 29ª da prefeitura. Marta Suplicy e José Serra governaram com 21.
A caminho do PSD, o ex-tucano Walter Feldman assumiu a pomposa pasta. Vai despachar de Londres, onde acompanhará os preparativos da Olimpíada de 2012. Será, sem dúvida, muito útil para a Olimpíada de 2016 no... Rio de Janeiro.
Este é um exemplo menor de como a máquina municipal foi posta a serviço dos interesses do partido de Kassab. É também mais um capítulo da guerra civil na oposição.
Os ataques de Kassab não fariam tanto estrago no ninho tucano se Alckmin e seus aliados, por sua vez, não estivessem agindo de olho no retrovisor, movidos por óbvio espírito de vingança.
É notável a vocação dos tucanos para destruir o próprio legado (a começar do que fizeram com FHC). Transmitem sucessivamente a ideia de que não há nada mais importante que suas brigas internas.
De maneira ainda mais determinada do que Serra havia feito com seu grupo, Alckmin está dando aval ao estrangulamento do serrismo no partido. O ressentimento da turma de Pinda está em marcha.
Na melhor das hipóteses, Alckmin se fixará como líder regional de um partido provinciano. O PSDB -com suas aspirações cosmopolitas e o desejo de ser a locomotiva da modernização brasileira- acabou. E Serra, que não é apenas vítima, mas ator desse desmanche, se vê hoje dividido: tentar sobreviver entre os despojos de um PSDB que lhe é cada vez mais hostil ou buscar uma alternativa no PSD de Kassab?
Não é uma decisão simples. Em termos práticos, o PSD é um ajuntamento de zumbis. Gente que desistiu de fazer oposição e quer se aproveitar do lusco-fusco ideológico do país para tirar algum proveito à sombra da hegemonia petista.
Mas, emparedado por Aécio Neves no país e agora por Alckmin em São Paulo, Serra, de certa forma, já é um zumbi no PSDB.

CLÁUDIO HUMBERTO



“É da tradição do PT ser contra qualquer pena perpétua”
CÂNDIDO VACCAREZZA, LÍDER DO GOVERNO NA CÂMARA E A VOLTA DE DELÚBIO SOARES AO PT

CHALITA TOPA TROCAR O MANDATO POR CANDIDATURA 
A caminho do PMDB sob a garantia de ser candidato à prefeitura de São Paulo em 2012, o deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) informou à cúpula peemedebista que está disposto a tudo para migrar de partido, inclusive correr o risco de perda de mandato, conquistado com mais de 560.000 votos. O PSB já avisou que vai à Justiça pedir o mandato de volta, caso Chalita se filie ao PMDB. Em tese, ele não ficaria inelegível.

É COM TEMER 
A articulação para levar Gabriel Chalita ao PMDB tem sido conduzida pessoalmente pelo vice Michel Temer, presidente licenciado do partido.

NOTÍCIA VELHA 
Os leitores desta coluna sabem desde o último dia 8 que Delúbio Soares, o tesoureiro do mensalão, voltará ao PT nesta sexta-feira.

REZA FORTE 
O Ministério Público do Rio e a PF investigam suposto rombo de R$ 1,3 bilhão no fundo Prece, dos trabalhadores da estatal de água Cedae. 

PERGUNTA NA CATEDRAL 
Conhecido como “o príncipe dos sociólogos brasileiros”, por que FHC não foi convidado para o casamento real na Grã-Bretanha hoje?

PRIMEIRA-DAMA “RAINHA DA SUCATA” ADORA JATINHO 
A brasileira Vanda Pignato, primeira-dama de El Salvador, gosta mesmo de mordomia: no final de 2010, teve escolta da PF para visitar a família no Tatuapé, zona leste de São Paulo, com o filho. Veio num jato fretado americano. Deve ter sido pago com o salário do marido... Assim como deve ter sido por conta das economias do casal o exclusivo jato de luxo Gulfstream G-V que os levou a um passeio em Disneyworld.

CPI DA VANDA 
O partido de oposição Arena, de El Salvador, pediu CPI para investigar a viagem do presidente Mauricio Funes com parentes à Disney (EUA).

DOIDOS POR JATINHO 
Mauricio Funes, sua mulher brasileira Vanda Pignato, parentes, gato, papagaio, etc, usaram um jato “emprestado por amigo empresário”. 

MONOPÓLIO 
Chama-se Abel Gomes o cenógrafo influente na CBF, governo do Rio e até no Exército. Sua empresa de eventos P&G leva todas. Humm...

BRASIL VULNERÁVEL 
O Financial Times alertou ontem que “o boom do Brasil mascara crescente vulnerabilidade”: com a moeda mais supervalorizada do mundo e endividamento de consumidores com o crédito fácil e infraestrutura ineficiente, o boom explode se os juros subirem nos EUA. 

TUCANARAM O PSOL 
O senador garotão Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) deu uma chupada federal no mote da campanha presidencial tucana de 2010: ele usa nas inserções do partido, na TV, o slogan “Você pode mais” de José Serra. 

OS CULPADOS DE SEMPRE 
O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas, concordou no Twitter que “a gasolina está cara”, e inventou o motivo: “não fui eu nem o Brasil que declarou guerra na Líbia.” Então, tá.

A PSIQUIATRIA COMO ELA É 
A farsa da promotora Deborah Guerner era desnecessária: só sendo muito doida para produzir prova contra ela mesma. O caso deixou mal o psiquiatra Luis Altenfelder, estrela da área no Brasil, e sobretudo a psiquiatria, revelando seu caráter primário e sua abordagem superficial.

ASSASSINATOS NO PARANÁ 
Cinco ambientalistas foram assassinados no Paraná, incluindo Jorge Grando, considerado o Chico Mendes das águas. Sua morte, que pode ter sido encomendada, foi noticiada com um fato quase corriqueiro. 

TEMPO ESGOTADO 
Termina amanhã (30), esticado para segunda (2), o prazo do Itamaraty para informar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a devolução dos passaportes diplomáticos dos sete parentes de Lula. A procuradora do MPF-DF, Carolina de Oliveira, analisará o inquérito. 

NARIZ DE PALHAÇO 
O senador José Pimentel (PT-CE), que não faz check-in nem enfrenta filas em aeroportos, tampouco paga passagens, porque a Viúva cuida de tudo, disse ontem que o caos no setor aéreo é “um bom problema”.

VOTOU, DANÇOU 
Como até vaca já não reconhece bezerro, o deputado Roberto Policarpo (PT-DF), potiguar de Caicó, não lembra dos conterrâneos que o ajudaram na campanha. Juram que nem telefonema ele atende. 

RIMA POBRE 
Será um pássaro, um avião? Não, é o dólar se estatelando no chão. 

PODER SEM PUDOR
DEPUTADOS NOVELEIROS 
O deputado Átila Lira (PSDB-PI) relatava o projeto bajulador que institui 2005 como “Ano Nacional Roberto Marinho” e resolveu buscar amparo nos colegas, durante reunião da Comissão de Educação da Câmara:
– As novelas da Globo são importantes para o País. Eu conversava com a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma noveleira. Ela concorda comigo.
– Quero dizer três coisas – respondeu a deputada, arrancando gargalhadas – a primeira é que não sou noveleira, a segunda é que quase não assisto televisão e a terceira é que o senhor nunca falou comigo sobre esse assunto. Mesmo assim, voto favoravelmente ao seu relatório.

CONSELHO DE MARGINAIS

SEXTA NOS JORNAIS

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