segunda-feira, abril 18, 2011

MÔNICA BERGAMO - SINAIS DE FUMAÇA


SINAIS DE FUMAÇA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

Está diminuindo relativamente o número de homens que fumam de forma intensa, os considerados "heavy users", na linguagem técnica dos médicos. Este grupo, que consome mais de um maço de cigarros por dia, caiu nos últimos cinco anos, de acordo com pesquisa que o Ministério da Saúde divulga hoje. Foi de 6,3% da população masculina adulta para 5,6% em 2010. Já entre as mulheres, a proporção cresceu no mesmo período, de 3,2% para 3,6%.

SINAIS DE FUMAÇA 2

Em vários perfis de fumantes, o número de homens que deixam o vício vem subindo, enquanto o percentual de mulheres tende a se manter. Os técnicos do ministério sugerem que campanhas anti-tabagistas sejam direcionadas às consumidoras.

PECADO CAPITAL

As capitais com o maior número de "fumantes pesados" do país são Porto Alegre (9%), Rio Branco (6,9%) e Campo Grande (6,8%).

A cidade de São Paulo, com 5,8% de adultos que fumam mais de 20 cigarros por dia, está acima da média nacional, que é de 4,5%.

EM CASA

Sondado pelo PSD de Gilberto Kassab para deixar o PSDB, o deputado federal Walter Feldman decidiu permanecer no ninho tucano, apesar de descontente.

Ele vai passar um tempo em Londres como "correspondente" da Prefeitura de São Paulo para ver de perto os preparativos dos Jogos Olímpicos de 2012.

LEI DE MURPHY
Fernando Henrique Cardoso deixou escapar um erro de português no polêmico artigo em que sugere que o PSDB desista de tentar priorizar a conquista do "povão" e das "massas carentes e pouco informadas". Ao comentar a situação econômica, ele diz que "existe -ou existiu até a pouco- certa folga fiscal". O correto é "existiu até há pouco", com H, já que o sentido é "faz pouco tempo".

LEI DE MURPHY 2

O texto foi distribuído para sites e blogs e também pelo PSDB, que até o fim da semana exibia a peça com o erro em sua página na internet. No site da revista "Interesse Nacional", o artigo de FHC foi publicado sem o erro.

ANJO NA JUSTIÇA

Ana Lucia Niemeyer, neta de Oscar Niemeyer e diretora de sua fundação, vai denunciar o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ao Iphan por ter instalado uma estátua no prédio da corte sem autorização do avô, que o projetou. "Santo Anjo", de Gotfredo Thaler, foi doada a um dos ministros da Corte em 2007. Para Ana Lucia, "a estátua não é compatível com a arquitetura do prédio". O STJ afirma que a obra foi colocada no interior do edifício, sem afetar suas instalações.

CINQUENTONA GENTE BOA

A Apae de SP comemorou 50 anos com show de Luiza Possi, no Leopolldo Jardins; a fundadora da instituição, Jô Clemente, esteve na festa com seu filho Cassio Clemente; a secretária estadual Linamara Rizzo também passou por lá.

ABRAM AS CORTINAS
Depois de uma temporada no Rio, o espetáculo "O Deus da Carnificina, uma Comédia sem Juízo", da dramaturga francesa Yasmina Reza, estreou em São Paulo no Teatro Vivo. Os atores Paulo Betti, Deborah Evelyn, Julia Lemmertz e Orã Figueiredo integram o elenco. A montagem brasileira tem direção de Emilio de Mello.

CURTO-CIRCUITO

O Ateliê Carla Caffé lança amanhã o livro e obra de arte "A(e)rea Paulista". A partir das 19h, no Espaço Tijuana, em Higienópolis.

O bingo beneficente Olea do Bem, em prol da Associação de Amigos do Menor pelo Esporte Maior, acontece hoje no Olea Mozzarella Bar, a partir das 12h.

Alunos da Trevisan Escola de Negócios fazem até quinta-feira um curso de extensão em estratégias de marketing em Roma.

GAROTA-PROPAGANDA

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor instaurou um processo administrativo contra o SBT. O órgão do Ministério da Justiça acusa a TV de fazer merchandising disfarçado em jogos do programa "Sábado Animado", apresentado pela menina Maisa, de nove anos.

GAROTA-PROPAGANDA 2
"Quando a apresentadora grita "Barbie!", "Barbie!", não está gritando "boneca!". É uma marca, um patrocinador. Está vendendo", diz Juliana Pereira, diretora do departamento. O SBT afirma que não tem contrato de merchandising para dar prêmios nos programas infantis.

SEM CALÚNIA

O Ministério Público indeferiu recurso que Airton Valadão Júnior, irmão e ex-empresário de Nasi, movia contra o cantor por calúnia e difamação. Valadão Júnior citava trechos de entrevistas dadas por Nasi em que ele o acusava de ter "arquitetado" sua internação em uma clínica de reabilitação. E dizia: "O cara me enganou, me difamou, me caluniou". Para o MP, as frases configuram apenas "críticas veementes". Valadão Júnior vai recorrer.

É O AMOR

Amanhã, quando o relógio marcar meio-dia, a música "É o Amor", primeiro sucesso de Zezé Di Camargo & Luciano, tocará em rádios dedicadas ao gênero sertanejo no país. Será uma homenagem aos 20 anos da dupla, lançada no mesmo horário, em 1991, na Rádio Terra de Goiânia.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Grupo investe em arame para setor automotivo
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

A ArcelorMittal avança, neste ano, em um projeto de ampliação de 40% da capacidade produtiva de sua joint venture no Brasil com o grupo belga Bekaert.
O setor de trefilaria da ArcelorMittal Aços Longos receberá mais de R$ 130 milhões. O aporte é feito por meio da Belgo Bekaert Arames, parceria entre a ArcelorMittal e o grupo belga, que tem participação de 45%.
Com oito unidades industriais no Brasil, instaladas em Minas Gerais, São Paulo e Bahia, a capacidade de produção é de 855 mil toneladas por ano de trefilados.
A trefilaria, que processa aço, é uma unidade produtora de arames para usos industriais, em setores como construção e agropecuária.
O aporte atual deve abastecer o aumento da demanda no país, segundo Augusto Espeschit, presidente da ArcelorMittal Aços Longos para a América Central e a do Sul.
"Temos um aumento do consumo de aços longos projetado para os próximos cinco anos em torno de 9%", diz.
A fabricação de arames para pneus está no foco.
"Se considerarmos o crescimento da produção de carros no Brasil, além dos que já estão rodando, há muito mercado. Uma parte importante do investimento vai atender a linha automotiva."
Espeschit também organiza hoje o principal aporte do grupo no país, a expansão da ArcelorMittal Monlevade. O projeto, de US$ 1,2 bilhão, vai dobrar a produção anual para 2,4 milhões de toneladas de aço bruto.

Empresas do setor elétrico pagam melhores dividendos
Das dez empresas que pagaram os melhores dividendos nos últimos 12 meses, quatro são do setor de energia e três do de telecomunicações, segundo a consultoria Economatica.
As ações preferenciais da Eletropaulo ficaram em primeiro lugar -pagaram 22% de "dividend yield" (total de dividendos e juros sobre o capital próprio pagos dividido pelo preço da ação).
"Nesses setores, os investimentos já foram feitos e os parques, depreciados. É normal que haja um volume grande no caixa para ser devolvido aos acionistas", diz o estrategista de renda variável do HSBC Carlos Nunes.
Lucas Brendler, analista de investimentos da corretora Geração, afirma que os investidores mais conservadores e que já possuem patrimônio continuam apostando nesse tipo de papel.
"São aqueles [investidores] que querem manter sua renda e garantir um excelente produto para momentos de adversidade", diz.
Diante do resultado do levantamento, a Eletropaulo afirmou que sua prioridade é melhorar sua performance operacional. Acrescentou que os dividendos refletem o trabalho realizado.
A Telefônica, empresa da qual faz parte a Telesp, afirmou que não tem uma política de distribuição de dividendos e que eles são pagos de acordo com o lucro gerado.

VIRTUAL
A região Norte foi a que mais ganhou espaço na internet nos últimos três meses, embora permaneça como a que menos acessa a rede, segundo estudo da Serasa Experian, a ser divulgado hoje.
A região é responsável por 3,24% das visitas feitas no Brasil a páginas da web -crescimento de 19,12%.
O Sudeste manteve a liderança, com 61,25% dos acessos, alta de 0,22%. O Sul, permaneceu na segunda posição, com 16,04%.
Centro-Oeste e Nordeste recuaram. De 7,48% para 7,12% e de 12,92% para 12,35%, respectivamente.

BRASIL PROTECIONISTA
Brasil e Argentina estão entre os três países que mantêm mais medidas restritivas a produtos da UE (União Europeia), segundo dados do GTA (Global Trade Alert).
Apenas a Rússia tem hoje mais ações protecionistas contra o bloco que os dois sul-americanos.
Mercosul e UE mantêm negociações desde 1999, mas não conseguem chegar a um acordo comercial e, nesta semana, os europeus reclamaram das decisões argentinas.
No caso do Brasil, foram elevadas as tarifas para importação de artigos de couro, brinquedos, tecidos, peixes, turbinas para produção de energia eólica, entre outros.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

GOSTOSA



MELCHIADES FILHO - Abuso de poder


Abuso de poder 
MELCHIADES FILHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

BRASÍLIA - A política escreve por linhas tortas. O Congresso poderá ganhar alguma relevância graças ao desprezo de Dilma pela atividade parlamentar e ao fato de que, na ponta do lápis, ela dispõe de maioria para aprovar o que quiser.
Há tempos o Senado e a Câmara têm papel cartorial. Só carimbam aquilo que o Executivo embala. Os lobbies migraram para a Casa Civil.
Por 16 anos, porém, os congressistas tiveram uma missão que lhes tomava tempo e energia: um lado cuidava de defender o governo; o outro, de fustigá-lo sem clemência.
Ainda que FHC e Lula se esforcem em manter vivo esse dualismo, ele já não mobiliza as duas Casas.
Primeiro, porque a oposição saiu numericamente reduzida da eleição de 2010 -e continua diminuindo, no rastro de Kassab & cia.
Segundo, porque Dilma se apropriou de bandeiras dos adversários (rigor fiscal, privatização), diluindo as diferenças programáticas.
Terceiro, porque o perfil dos líderes tucanos mudou. Aécio Neves não crê na eficácia do enfrentamento nem tem vocação para a tribuna.
E, quarto, porque o Planalto não traçou uma pauta legislativa. Confia em poder governar por meio de decretos e medidas provisórias.
Por isso tudo -e por achar que os congressistas são, em regra, picaretas-, Dilma desencanou de vez.
Nomeou um ministro sem projeção para tratar com o Congresso. Bloqueou as emendas parlamentares. Não abriu interlocução com os caciques da base (PT incluído).
A tática do desdém pode eventualmente dar certo. Em Brasília, não há força maior que a da inércia.
Mas, aos poucos, os governistas se incomodam. Percebem que não há mais um Artur Virgílio para rebater. Que nem veteranos como José Sarney e Renan Calheiros têm acesso ao Planalto. Que o presidente do PT caiu em crise depressiva.
Nada apavora mais o político do que um horizonte de irrelevância. Um jeito de o Congresso aparecer? Reaprender a legislar e a fiscalizar.

RICARDO NOBLAT - Jabuticabas


Jabuticabas 
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 18/04/11

Somente no país da jabuticaba, fruta genuinamente nacional, deputados podem fundar um novo partido sem deixar antes os partidos pelos quais se elegeram. Os partidos relegados não emitiram um único “ai”. E a Justiça Eleitoral sequer indagou: “Mas o que é que é isso?” A favor da Justiça, diga-se que ela só age quando provocada. E não foi.

A esdrúxula 
situação se estabeleceu na semana passada, quando o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, visitou o Congresso para
anunciar a criação de um novo/velho partido — o Partido Social Democrático (PSD). Velho porque o PSD existiu em meados do século
passado e acabou extinto pelo regime militar de 1964. 

A ata de fundação do PSD foi assinada por 11 deputados do DEM, o ex-partido de Kassab, e por mais 21 de outros partidos da oposição e da situação. Ao PSD serão bemvindos políticos de direita, de esquerda e de centro “interessados na construção de um Brasil melhor”. Podem apoiar o governo. Ou a ele se opor. À vontade.

O PSD do “pode tudo” é tão brasileiro quanto a jabuticaba. O que desde já lhe permitiu produzir uma esquisita jabuticabazinha: pelos
próximos três a seis meses, seus fundadores deverão permanecer nos partidos que os abrigam hoje. É o tempo necessário para que o PSD passe a existir de fato e de direito. 

Mandato de deputado pertence a partido — não ao seu titular, conforme a lei. Se o titular do mandato abandona o partido pelo qual foi eleito, perde o mandato. A não ser que prove ter sido perseguido enquanto esteve no antigo partido. Ou prove que o partido mudou de orientação depois de sua eleição. Ou então prefira fundar um novo partido.

Como o PSD existe de fato, mas ainda não de direito, se seus fundadores largassem seus atuais partidos poderiam perder os mandatos. Daí... Daí porque o líder do PMN, que é um dos fundadores do PSD, seguirá falando como líder do PMN. Ele comanda uma bancada de cinco deputados — três deles de saída para o PSD. 

No país em que se plantando tudo dá, há jabuticabas de longa vida e outras ocasionais. Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, passará à História História como o inventor da viagem oficial destinada a assistir a um jogo de futebol. Convenhamos:
uma baita jabuticaba. No caso, novinha em folha. E singularíssima. 

Maia anunciou que viajaria à Espanha na companhia de dois colegas para uma série de compromissos. Nada mais natural, pois, que a Câmara arcasse com os custos da viagem. Descobriu-se, depois, que os compromissos careciam de qualquer importância. E que haviam sido marcados para que ele pudesse assistir ao vivo Real Madri x Barcelona. 

Então um dos acompanhantes de Maia, o deputado Romário (PSB-RJ), desistiu de viajar. O outro disse que pagaria as despesas do seu próprio bolso. E, por fim, Maia afirmou que faria a mesma coisa. Se a viagem era oficial, a Câmara que pagasse. Se não era, por que Maia & cia. requisitaram passagens e diárias à Câmara? 

Tem jabuticaba mais sem gosto do que o cargo de vice- presidente da República? Onde há vice, ele exerce alguma função. Tipo: presidir o Congresso. Aqui, o vice serve para substituir o presidente quando ele viaja. Ou para sucedê-lo se ele morrer, renunciar ou for
derrubado. Presidentes de outros países não transferem o cargo ao viajar. 

Nosso jabuticabal é frondoso e perene. No final dos anos 70, um decreto acabou com a necessidade de se reconhecer firma. Não
pegou. E os cartórios? Como sobreviveriam? Entre as exigências para a abertura de uma empresa, está um alvará do Corpo de Bombeiros. Se o prédio onde ela funcionará já tem o “habitese”, para que alvará? 

Correção monetária era tão jabuticaba que não tinha tradução para o inglês. E a CPMF? Jamais se ouviu falar de contribuição provisória tão duradoura. O ex-deputado Márcio Moreira Alves estava coberto de razão ao proclamar: “Tudo aquilo que só tem no Brasil e não é jabuticaba, é besteira”.

FERNANDO DE BARROS E SILVA - O jornalista e o assassino


O jornalista e o assassino 
FERNANDO DE BARROS E SILVA

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

SÃO PAULO - Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público. Se a celebridade "x" está saindo com o ator "y", isso não tem nenhum interesse público. Mas, dependendo de quem sejam "x" e "y", é de enorme interesse do público, ou de um certo público (numeroso), pelo menos.
As decisões do BC para conter a inflação têm óbvio interesse público. Mas quase não despertam interesse, a não ser dos entendidos.
O jornalismo transita entre essas duas exigências, desafiado a atender as demandas de uma sociedade ao mesmo tempo massificada e segmentada, de um leitor que gravita cada vez mais apenas em torno de seus interesses particulares.
Um caso como a tragédia de Realengo reúne interesse público e interesse do público em grau máximo. Como combater a circulação de armas no país? Como aumentar a segurança nas escolas? Como enfrentar o problema do bullying? São questões de interesse público e de interesse difuso do público.
Aquém delas, porém, há o fato trágico. Como fazer sua cobertura? Até onde saciar a curiosidade (mórbida) das pessoas? Até onde devassar o sofrimento das famílias? Deve-se expor sem limites os vídeos "preparatórios" do assassino? Deve-se preservar as crianças disso tudo? Até que ponto? E como?
Não há respostas conclusivas a essas perguntas. Mas não fazê-las, sob pretexto de que seriam ingênuas numa época de informação instantânea, equivaleria a deixar o jornalismo e suas opções fora do debate público. É preciso refletir melhor sobre os nossos critérios.
Sobretudo quando o jornalismo se converte em "infotainment" e parece inclinado a se guiar quase exclusivamente pelos interesses "do público". A superexposição midiática, apelativa e, afinal, monótona do assassino serve bem de exemplo. Nunca um vídeo foi tão visto e comentado. É contra esse espetáculo que deveríamos nos opor. Mesmo, ou principalmente, que isso nos pareça uma batalha perdida.

ATIRANDO EM UM BANDIDO

RENATA LO PRETE - PAINEL


Que tal assim?
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

Alinhada com Geraldo Alckmin, a nova direção do PSDB paulistano oferecerá hoje à insatisfeita bancada municipal tucana três cargos na Executiva: secretaria-geral, segunda vice-presidência e tesouraria-adjunta. De início refratário a ceder tanto a uma tropa eminentemente kassabista, o governador avalizou a proposta, que contempla ponto de vista de José Serra.
Não é seguro que esse desenho resolva o problema. Ontem, havia quem apostasse que o PSDB, hoje com 13 cadeiras na Câmara, poderá sofrer mais baixas do que as três esperadas: José Police Neto (presidente da Casa), Ricardo Teixeira e Juscelino Gadelha.

Afasta de mim 

A correria de Serra na tentativa de apagar o incêndio se justifica: a cada sinal de deterioração do quadro, cresce a pressão por sua candidatura a prefeito para "unificar o partido". Ele tem dito reiteradamente que não topa.

Apocalíptico 
Em privado, nenhum político é mais pessimista sobre as perspectivas de Serra do que Gilberto Kassab. A despeito das declarações públicas de fidelidade, o prefeito diz, em conversas reservadas, que não vê como seu padrinho se reerguer da derrota de 2010.

No caixa 
Para reforçar o controle sobre o PSDB paulistano, Alckmin propõe fazer de seu secretário particular, Fábio Lepique, o tesoureiro do diretório.

Atentai bem 1 
Falando para 300 petistas em Osasco, no sábado, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) fez coro com FHC ao dizer que a nova classe média será decisiva nas próximas eleições. "Essa classe média ascendeu conosco, mas nem sempre está conosco", advertiu.

Atentai bem 2 

Padilha disse aos companheiros que o governo Dilma deve investir na mudança de patamar cultural da nova classe média, como forma de conquistá-la. E afirmou que, para parte desse público, a agenda do PSDB pode soar mais atraente que a do PT.

No pé 

O PT usou a Virada Cultural como gancho para exibir, no fim de semana, o vídeo "Kassab e a Virada Militar", em que contabiliza 24 militares à frente de subprefeituras e mais de 60 espalhados em secretarias.

Comichão 
Em recente conversa com um grande executivo, Lula aventou a possibilidade de disputar o governo de São Paulo pelo PT em 2014.

Deixa quieta 
Antes da viagem à China, Dilma Rousseff vinha evitando chamar Miriam Belchior ao Planalto. Avalia que a ministra do Planejamento está com as mãos cheias de serviço.

Dupla 
A apreensão da carteira de motorista de Aécio Neves em blitz da lei seca na noite de sábado, no Rio, fez bombar no Twitter a brincadeira de que o senador mineiro deveria ser contratado como par de Sandy como garoto-propaganda de uma famosa marca de cerveja.

In loco 
Em pleno Abril Vermelho do MST, a secretária paulista Eloísa Arruda (Justiça) viaja hoje ao Pontal do Paranapanema, onde 13 fazendas estão ocupadas pelos sem-terra. Ela assinará convênios de regularização fundiária e visitará assentamentos da região.

E aí? 
Representantes do TJ-SP se reúnem com Geraldo Alckmin amanhã na esperança de receber ao menos uma parcela da suplementação de R$ 300 milhões prometida pelo governador. Os recursos servirão para recompor os salários dos servidores do Judiciário.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"O PT é tão equivocado que resolve concordar com o Fernando Henrique justamente naquilo em que ele não tem razão."
DO SENADOR DEMÓSTENES TORRES (GO), líder do DEM na Casa, sobre a proposta do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, de descriminalização da maconha e organização de cooperativas de usuários.

contraponto

Direto ao ponto

Durante reunião da subcomissão de Reforma Administrativa, um funcionário do Senado discorria sobre o uso dos carros oficiais quando Eduardo Suplicy (PT-SP), à frente dos trabalhos, perguntou se havia levantamento de quais senadores não usavam a regalia.
-Não tenho a lista aqui, mas posso informar que o senhor é um deles- disse o funcionário.
O relator Ricardo Ferraço (PMDB-ES) emendou:
-Pronto, ele já disse que o senhor não usa carro oficial. Agora podemos dar seguimento à sessão!

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


''Antidepressivo não traz alegria''
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/04/11


Valentim Gentil, do HC, fala sobre angústias modernas, esquizofrenia e como interpreta o episódio de Realengo
Wellington Menezes, o homem que matou 12 crianças no Rio, era esquizofrênico ou psicopata? Valentim Gentil, diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, à frente de 500 atendimentos diários, não faz diagnóstico: "Acho antiético e tecnicamente errado. Mas, certamente, não o considero uma pessoa equilibrada". Gentil lembra que na literatura e na humanidade há casos de indivíduos em estado mental agudo fazendo coisas tresloucadas. Entretanto, da forma como ocorreu a matança, a ação de Wellington não é padrão de comportamento de esquizofrênico. "Não há evidências de que ele delirava", diz.

O professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP interrompeu sua rotina para receber a coluna e defender inflamadamente o uso criterioso de antidepressivos. Avalia que as críticas a essas drogas ocorrem justamente por causa do seu sucesso comercial. Acredita que os benefícios dos remédios superam os efeitos colaterais, mas esclarece que eles em si não trazem alegria: "O antidepressivo não é a pílula da felicidade". Alerta, ainda, sobre preconceito crescente contra esquizofrênicos pós-massacre de Realengo. Para ele, Wellington era alterado, não necessariamente doente.

O que levou o atirador de Realengo àquela atitude?

Ao que parece, ele estava agredindo, deliberadamente, pessoas que tinham a ver com a história dele. Eram da mesma escola e da mesma idade que ele tinha quando estudou lá, numa tentativa de se vingar em gerações subsequentes. Sabia exatamente o que estava fazendo. Acho perigoso bater na tecla da esquizofrenia porque 1% da população tem essa doença e, coitados, eles já sofrem o suficiente.

Qual é a vantagem de um diagnóstico precoce?

Se for um problema médico, dá para prevenir. E seria muito legal que escolas, famílias e grupos sociais, ao detectarem algo anormal, encaminhassem a pessoa para uma avaliação. Assim, evitariam sofrimento.

Com a desospitalização, aumentam-se os riscos de os doentes ficarem à solta?

Não. O que aumentam são os riscos de gente doente ficar sofrendo sem atendimento. Os doentes não são necessariamente perigosos. Há muita gente perigosa, que não é doente, solta.

A criança que sofre bullying tem mais chances de se tornar um adulto com problemas emocionais e até de cometer crimes?

Dependendo da capacidade de superação, isso pode prejudicar a autoestima. Mas não há nenhuma epidemiologia mostrando que os criminosos sofreram bullying. Quem sofreu, normalmente não é agressivo.

A esquizofrenia, a depressão e a bipolaridade são consequências do meio ou do DNA?

Das duas coisas. Algo que é conhecido há mais de 5 mil anos não é modismo, não é fruto do estresse contemporâneo e nem só dos hábitos das pessoas.

Mas são mais frequentes hoje?

Muita coisa que se faz hoje aumenta o risco. O uso de cafeína, de remédios para emagrecer ou para tratar o déficit de atenção em crianças, além do abuso de álcool, podem despertar transtorno bipolar ou o primeiro ataque de pânico. Isso pra não falar de cocaína ou crack, que aumentam o risco de quadros paranoicos.

Há exagero nas prescrições dos remédios atualmente?
Talvez existam pessoas hipermedicadas. Mas em termos de saúde pública, não. A população ainda é subtratada.

Quais são os efeitos colaterais dos antidepressivos?
Depende do tipo de antidepressivo. Há secura de boca, prisão de ventre, queda de pressão, sedação, excitação, ganho de peso, inibição de orgasmo e até do interesse sexual. Quando bem utilizado, a relação entre efeitos terapêuticos e colaterais justifica sua manutenção para tratamento.

Por que os antidepressivos são tão estigmatizados? Por causa dos efeitos colaterais?

Não, acho que porque eles são bem sucedidos comercialmente. Por que os banqueiros são estigmatizados?

Como o consumo desses remédios altera os relacionamentos?

Os antidepressivos são capazes de produzir uma alteração na resposta emocional. Não de alegria, nem de euforia, mas de mais tranquilidade ou de mais indiferença. As pessoas que tomam antidepressivos não ficam mais felizes, a não ser que elas tenham transtorno bipolar. O antidepressivo não é a pílula da felicidade.

Qual é a diferença entre tristeza e depressão?

Depressão é um conjunto de sintomas. Tristeza é só um deles.

Quando se define que uma pessoa precisa ser tratada?

Não é o tamanho da crise, é a qualidade. Até quando você deve aguentar uma depressão e correr o risco de um infarto?

Só remédio adianta ou há necessidade de terapia?

Quando se está com determinada forma de depressão, com prejuízo de atenção, raciocínio e concentração, fica difícil aproveitar a terapia.

E como saber a quantidade do medicamento?

São anos e anos de pesquisas para descobrir a faixa terapêutica de cada medicamento.

É na base de teste?


Sim, mas não é cobaia Seguimos padrões de diagnósticos, construímos uma hipótese. E indicamos um tratamento adequado: psicanálise, psicoterapia de família, antidepressivo, eletrochoque. Usamos todo o conhecimento disponível para ajudar as pessoas. Essa é a história da medicina.

Psiquiatra é caro?


Se estiver falando de uma consulta de alguém de classe média alta no Rio e em São Paulo, por 40 minutos, num consultório particular, com hora marcada, com direito a cafezinho, é caro. Mas isso não tem a ver com modelo de assistência em saúde pública, que é muito barato: custa R$ 10 uma consulta pelo SUS no HC.

Pode explicar o que é a "síndrome de burnout"?

O "burnout" é um esgotamento. Significa que você queimou todas as suas reservas.

Está muito frequente entre empresárias...

As mulheres estão pagando um preço grande por virar homem: fumar, trabalhar muito, carregar peso, coisas assim. O organismo não foi feito para isso. A Marta (jogadora de futebol) é muito melhor do que eu em qualquer esporte, mas ela paga caro por isso.

A felicidade é química?

Não. É biológica. Você já viu alguma pedra feliz?

Os psiquiatras têm problemas mentais?


Não, imagina! Quando entramos na faculdade de medicina a gente toma uma pilulazinha da felicidade e da saúde mental e nunca mais acontece nada com a gente. (risos)

Os psiquiatras, então, se tratam como seus pacientes?

Não deveriam. Mas espero que reconheçam em si mesmos algumas das coisas que eles são treinados para reconhecer nos outros.

PAULA BONELLI

GOSTOSA





RUY CASTRO - Frases de lenda


Frases de lenda 
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/11

RIO DE JANEIRO - As agências se dividiram na semana passada. Metade delas deu em manchete, "Há 50 anos Gagarin disse: "A Terra é azul"". E a outra metade contestou: "Gagarin nunca disse "A Terra é azul"". Referiam-se à famosa frase que o astronauta soviético Yuri Gagarin teria dito (ou não) ao ser o primeiro a espiar a Terra de fora, a 12 de abril de 1961.
Para todos os efeitos, Gagarin disse a frase, que, por sinal, encerra uma verdade: a Terra é azul, não se discute. Só que, enquanto no espaço, o áudio de sua comunicação com a Terra foi todo gravado -e, dele, não consta a bendita frase. Donde Gagarin não a disse, e ela só apareceu depois, sendo incorporada à lenda.
Mais precavido foi o americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua, em 1969. Dias antes de zarpar, a Nasa deu-lhe uma frase prontinha para quando ele começasse o bordejo pelo satélite: "Este é um pequeno passo para um homem, mas um passo gigante para a humanidade". Pois não é que Armstrong tropeçou nas palavras e quase melou o sentido ao dizer "Este é um pequeno passo para o homem", em vez de "um homem"? Pois foi para a lenda assim mesmo.
John Kennedy entrou para a história ao dizer em seu discurso de posse como presidente dos EUA, em 1960: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país". A frase não era dele, e sim de seu brilhante redator, Theodore Sorensen. Mas lenda é lenda.
E aqui tivemos Juscelino Kubitschek, que, um dia, se pôs de perfil no palanque e declarou: "Deste planalto central, nesta solidão patati patatá, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã de meu país e antevejo esta alvorada etc. etc.". A frase, cheia de pompa, era de seu ghost-writer, o poeta Augusto Frederico Schmidt. Referia-se à futura Brasília -cidade mais propícia a lendas do que à realidade.

CLAUDIO HUMBERTO


"Se houver um acidente aqui, morre todo mundo" 
Deputado Giovani Cherini (PDT-RS), sobre segurança da usina nuclear de Angra II
Senado rejeita projeto para moralizar licitação
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou sugestão de projeto de lei moralizador, apresentado pela OAB-DF à Comissão de Legislação Participativa, para fechar as brechas da lei de licitações (8.666/93), que possibilitam direcionamento e superfaturamento de contratos, na administração pública. O projeto foi obra de especialistas, após o escândalo de corrupção da Operação Caixa de Pandora.


Alegação falsa

A CCJ acolheu parecer do senador Lindberg Farias (PT-RJ), para quem o projeto moralizador iria apenas "burocratizar" as licitações.


Causa própria

Ex-prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias foi acusado de contratar sem licitação, fraude, superfaturamento etc, e teve os bens bloqueados.


Exigência

O projeto da OAB apenas tornava obrigatório o exame de minutas de edital e contratos por procuradores jurídicos concursados e de carreira.


Brecha

Hoje, a lei permite parecer jurídico de qualquer bacharel ocupante de cargo em comissão, subordinado a dirigentes interessados na licitação.


Prêmio

Para levar o ex-secretário da Receita Otacílio Cartaxo à presidência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o ministro Guido Mantega (Fazenda) baixou portaria extinguindo o veto para auditor ou fiscal da Receita aposentado assumir o cargo. Cartaxo chefiava a Receita quando foi violado o sigilo fiscal de críticos do governo no meio militar, e de dirigentes do PSDB como o ex-ministro Eduardo Jorge.


Flagelo

A Polícia Federal comprovou que o uso de crack já assume contornos de epidemia, entre os trabalhadores rurais dos canaviais brasileiros.


Oferecimento

Se a presidente Dilma convidar, o ex-ministro Ciro Gomes aceitará a presidência do Banco do Nordeste. Mas ela não o fará.


Socila

Dá para perceber a pouca intimidade de Dilma com o salto alto: caminha como urso panda nas passarelas nacionais e internacionais.


Dribles

O deputado Antonhy Garotinho (PP-RJ) fará plantão até a meia-noite de quarta (20) para protocolar a CPI da Copa. Diverte-o a certeza de arruinar a Semana Santa do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.


Uma bomba

Diante da escalada do preço da gasolina, a Agência Nacional de Petróleo avisa que o preço dos combustíveis é liberado no país, mas está "mapeando" os aumentos contra "prática de preços abusivos".

PODER SEM PUDOR

Obrigado pelo voto
João Almeida era deputado pelo PSDB-BA e estava num voo Brasília-Salvador quando se impacientou com uma passageira que atacava os políticos.
- A senhora votou em quem para governador?
- No filho de ACM.
- Mas ele morreu! O governador é Paulo Souto.
- Ah, foi nesse mesmo que votei - admitiu a mulher.
- E para deputado federal?
- Foi num homem que meu cunhado pediu.
- João Almeida? - arriscou ele, brincando.
- Esse mesmo. Eu nem lembrava mais...

PARADO

SEGUNDA NOS JORNAIS


O Globo: Governo não segura dólar e inflação, mas reforça caixa

Folha de S. Paulo: PF reduz atuação nas fronteiras

O Estado de S. Paulo: Japão prevê crise nuclear até janeiro

Correio Braziliense: Por que o serviço de táxi no DF é caro e ruim

Valor Econômico: Remuneração de diretores cresce 36%

Estado de Minas: E a lei que proíbe a sacola de plástico, vai pegar?

Zero Hora: Gravações mostram o poder de chefe do tráfico preso na Pasc