terça-feira, fevereiro 15, 2011

TUTTY VASQUES


A rave da Praça Tahrir
TUTTY VASQUES
O Estado de S. Paulo - 15/02/2011



Agora que a vida vai voltando à normalidade no Egito, capaz de as pirâmides ficarem às moscas por um bom tempo. Todo turista que desembarcar na cidade do Cairo vai querer conhecer primeiro o grande palco das manifestações populares que derrubaram o faraó Mubarak. Não à toa, ontem, o ponto continuava sendo disputado a tapas por gente disposta a manter permanente a rave da Praça Tahrir.
Os 18 dias de agito no Egito transformaram o local em um dos endereços mais conhecidos no mundo. Ir ao Cairo e não pôr os pés na Praça Tahrir é como passar o domingo no Vaticano e não ver o papa na Praça de São Pedro. Não tem a Piccadilly Circus em Londres, a Piazza Navona em Roma, a Praça Vermelha em Moscou, a Place de la Concorde em Paris, a Praça da Paz Celestial em Pequim? Pois, então, no Cairo - quem não sabe? - tem a famosa Praça Tahrir.
Como em toda jovem democracia, logo surgirão por lá camelôs, engraxates, malabaristas de cruzamento, seguradores de placas, flanelinhas de camelos, desocupados, parada gay, marcha da maconha, enfim, a festa da democracia está só começando no Egito.
Dúvida cruel
Amigos de Ronaldo Fenômeno questionam entre si, discretamente, se ele não deveria continuar ao menos treinando três vezes por semana no Corinthians? Parar de jogar engorda, né?!
Overdose de verve
Onde quer que tenha sido alcançado pelo noticiário sobre a aposentadoria de Ronaldo, Armando Nogueira deve estar orgulhoso com a quantidade de herdeiros que deixou na crônica esportiva e, ao mesmo tempo, preocupado com o delírio literário frequentemente praticado por seus discípulos no adeus ao Fenômeno. A turma anda exagerando na poesia, repara só!
Eu, hein!
Ronaldinho Gaúcho não entendeu a decisão do xará Fenômeno. Ele também parou de jogar faz tempo, mas nem por isso largou o futebol.
Troca de aliança
Chega a ser comovente a disposição de Gilberto Kassab para encontrar um bom partido que o queira. O prefeito não quer ficar pra titio no DEM!
Vida de celebridade
Ainda não ficou muito claro por que a lindíssima modelo Isabeli Fontana submeteu-se em laboratório de São Paulo a procedimento de retirada de células-tronco, mas, se uma gota do material recolhido for a leilão na internet, capaz de render uma fortuna.
Nada é pra já
Chico Buarque anda dizendo por aí que começa a trabalhar seu novo CD em estúdio a partir de abril. O pessoal da gravadora desconfia que seja primeiro de abril.
Ô, raça!
Tinha torcedor do Corinthians que dia desses atirou pedra no ônibus do clube chorando copiosamente na despedida do Fenômeno.

JOSÉ PASTORE


Sindicatos e salários na China

JOSÉ PASTORE
O Estado de S. Paulo - 15/02/2011



Os salários na China vêm aumentando em ritmo meteórico. No setor industrial, o aumento médio em 2010 foi de aproximadamente 9%. Em muitas cidades, o salário mínimo subiu 20%. Em vários setores há falta de mão de obra.
Na nova conjuntura, os trabalhadores estão se tornando mais exigentes. Os sindicatos começam a flexionar seus músculos. Será que a conjugação da falta de mão de obra com uma maior pressão sindical criará uma nova realidade salarial na China? Isso afetará a competitividade das empresas chinesas?
A máquina sindical do país é bastante complexa. No nível mais alto, está a Confederação Nacional dos Sindicatos Chineses, com mais de 200 milhões de filiados e operando como uma simples correia de transmissão do governo central com o objetivo de levar adiante os programas do Partido Comunista. Seus recursos são imensos, pois provêm de 2% da gigantesca folha salarial da China. Pela via da distribuição do numerário para entidades regionais e locais, essa confederação exerce forte controle da base sindical do país.
Mas essa situação está mudando. As federações e os sindicatos regionais e locais começam a ganhar independência. A redução do número de empresas estatais e o aumento das privadas (ou mistas) estão estimulando os sindicatos a falar mais alto.
Mudanças expressivas estão ocorrendo nos sindicatos ligados às multinacionais. Foram eles que deflagraram as greves no setor automobilístico em 2010 e que forçaram as empresas a conceder aumentos salariais expressivos - em alguns casos (Honda) de até 30%.
Estaria aí a semente que vai minar a competitividade das empresas chinesas, que sempre contaram com a vantagem do trabalho barato?
A pressão do mercado e dos sindicatos no campo salarial não deve ser superestimada por três razões. Em primeiro lugar, porque, apesar dos expressivos aumentos, as diferenças entre os salários da China e do resto do mundo desenvolvido ou emergente continuam brutais. Um operário chinês ganha 20 vezes menos do que seu colega americano ou europeu e sete vezes menos do que o brasileiro. E as despesas de contratação para as empresas chinesas são reduzidíssimas. A previdência social ainda é um luxo e, na maioria dos casos, as empresas nada pagam nesse campo.
Em segundo lugar, é bom considerar que, apesar dos movimentos recentes, a grande maioria dos sindicatos ainda vive num sistema de cooptação. As empresas usam as entidades sindicais para levantar a moral dos trabalhadores e avançar nos programas de qualidade e produtividade. Muitas empresas apoiam os sindicatos com programas assistencialistas que agradam aos operários e arrefecem os movimentos de reivindicação. Em muitos casos, os chefes fazem isso da diretoria dos sindicatos. A literatura cita exemplos em que o diretor financeiro da empresa é o presidente do sindicato (Mingwei Lu, Union Organizing in China: Still a Monolithic Labor Movement?, Industrial and Labor Relations Review, outubro de 2010).
Em terceiro lugar, e mais importante, está o fato de que a produtividade do trabalho tem aumentado muito mais do que o salário na maioria das indústrias chinesas. Ou seja, apesar dos recentes aumentos, o custo unitário do trabalho está diminuindo e a competitividade, aumentando.
O que isso tem que ver com o Brasil? Ao lado de tudo isso, é inegável que o poder de compra da grande maioria dos chineses está aumentando rapidamente. Forma-se naquele gigante uma classe média colossal e que já é o maior mercado consumidor do mundo. Trata-se de uma excelente janela de oportunidades para os países que têm o que vender para a China.
No caso do Brasil, as vantagens comparativas têm se limitado às exportações de commodities. Para avançar no campo das manufaturas, temos de superar os conhecidos desafios da modernização da infraestrutura, reduzir o custo Brasil e melhorar a produtividade do trabalho - um substancial salto na qualidade da educação.

GOSTOSA

NELSON VASCONCELOS - Conexão Global

McLuhan na ativa
NELSON VASCONCELOS - Conexão Global
O GLOBO - 15/02/11

O canadense Marshall McLuhan certamente estaria se divertindo com a permanente e já velha discussão sobre o futuro da indústria da mídia em tempos de internet. Foi ele o primeiro sujeito a declarar, por exemplo, que "o usuário é o conteúdo"- como bem sabem os sites hoje. E escreveu isso há mais de 40 anos, bem antes de a internet existir tal qual a conhecemos. 
McLuhan morreu em 1980. Voltar a ele neste momento tem tudo a ver, não só porque a situação obriga, como também porque estamos no ano em que se comemora seu centenário de nascimento. Data nobre.
De tempos em tempos,seus livros voltam a ser discutidos - embora estejam longe de ser leitura fácil. São herméticos, e a gente finge que os entende.
Ou só os entende quando são filtrados por gente como Douglas Coupland, que acaba de lançar lá fora "Marshall McLuhan: You know nothing of my work!" ("Você não sabe nada sobre meu trabalho"), ainda sem perspectiva de ser publicado
aqui. É uma pequena biografia do professor canadense, ótima distração para quem está de molho ou fugindo do calor - ou ambos. Douglas Coupland é romancista, habilidade que poderia ter deixado de lado em alguns trechos do livro, que só tem 200 páginas. Mas vá lá. Por trazer de volta o fantasma do McLuhan, está valendo a encomenda. O canadense costumava dizer que moldamos as ferramentas e, em seguida, elas nos moldam. As pessoas, no fim das contas, são reinventadas pelas tecnologias.
Tudo a ver com nossa dependência da internet, ou não? A ver também com nossa relação com a informação e com o entretenimento (se é que existe diferença entre essas duas coisas). Ou, ainda, com o jeito com que a Wikipedia modificou as pesquisas escolares das crianças... E as redes sociais? E o jeitão colaborativo da internet, que está modificando as relações de trabalho?
Esse McLuhan , por mais que fosse meio maluco, ainda vai longe. Mesmo com suas idiossincrasias, ele só queria que a Humanidade fosse um pouco melhor, ao entender como a mídia a influencia. E vice-versa. 
A propósito de dizer que "o usuário é o conteúdo": a hagiografia de Arianna Huffington começa a ser reescrita pelos seus inúmeros blogueiros.
Agora que o HuffPost está por cima da carne seca, eles querem ser remunerados pelo que escrevem. Há anos o fazem de graça, por amor à causa. Mas não lhes parece justo que trabalhem de graça também para a AOL, sua nova "empregadora".
Tem a ver. O que era um projeto virou um negócio pesado. Quem o fez crescer saudável merece a recompensa. Só que, pelo jeito, Arianna não pensa bem assim. Haverá uma dissidência? Em breve, cenas dos próximos capítulos...

@SARNEY Começou a circular pela rede, sábado, o simpático apelo de uma americana que, por capricho do destino, assina-se @SARNEY no Twitter. Diz a mensagem dela, em inglês: "Povo do Brasil, pelo amor do doce menino Jesus, eu não sou José Sarney.
O nome dela mesmo é Sarah Law Wu. Vive no Colorado. No perfil, escreveu em português um aviso para os brasileiros: "Eu não sou José Sarney!". E explicou para os gringos "I am not José Sarney, a lawyer, or a Brazilian lawyer. I know its confusing."Pelo jeito, consultou a Wikipedia, onde consta que o Sarney é advogado. Não sabe de nada.
Sarah tem sofrido com o assédio de tuiteiros brasileiros com suas mensagens supostamente direcionadas para o nosso eterno presidente do Senado - que, por sinal, deve ignorar completamente o Twitter e qualquer rede social. Diz ela em outra mensagem:
"Tenho sido confundida com ele (Sarney) há muito tempo, mas piorou com a crise do Mubarak. Parece que todo mundo o odeia intensamente".
Mas nem tudo é sofrimento. Ontem ela resumiu as mensagens que recebeu no fim de semana, após repentina fama no Twitter brasileiro:
"Um pedido de casamento, um convite para o samba, e um monte de abraços e beijos dos meus novos amigos no Brasil".
É disso que o povo gosta. 

ConveniênciaHá três semanas comentei aqui que a arrogância pode ser um pecado fatal para as grandes empresas (assim como para qualquer sujeito que está no poder).
Citei que Nokia e Microsoft, por exemplo, estavam caindo nesse erro ao não reconhecer que deveriam sair do conforto de sua liderança e mudar o quanto antes - já que o mercado assim exige. Demorou, mas resolveram fazer algo. Estão de namoro firme, na luta contra seus inimigos Google e Apple. Só que é um casamento de conveniência. Não tem química ali. Isso costuma gerar um desgaste que ainda provocará muito chororô. E este já começou, aliás. Funcionários da Nokia estão reclamando do fato de a empresa adotar o Windows Phone 7, deixando de lado seu velho Symbian. Uma pena. O Symbian foi bom enquanto durou, mas parece que ficou mesmo para trás. O negócio é saber se seu substituto conseguirá pegar os concorrentes numa indústria tão dinâmica 

MARCO ANTONIO VILLA

A falácia da reforma agrária
MARCO ANTONIO VILLA
O Globo - 15/02/2011

O tema da reforma agrária dividiu o país durante décadas. Desde os anos 1940 foi um dos assuntos dominantes do debate político e considerada indispensável para o desenvolvimento nacional. Diziam que a divisão das grandes propriedades era essencial para a industrialização, pois ampliaria, com base nas pequenas propriedades, o fornecimento de gêneros alimentícios para as cidades, diminuindo o custo de reprodução da força de trabalho e acabando com a carestia. 

Por outro lado, o campo se transformaria em mercado consumidor das mercadorias industrializadas. Ou seja, o abastecimento dos centros urbanos, que estavam crescendo rapidamente, e o pleno desenvolvimento da indústria dependiam da reforma agrária. Sem ela não teríamos um forte setor industrial e a carestia seria permanente nos centros urbanos, além da manutenção da miséria nas áreas agrícolas. E, desenhando um retrato ainda mais apocalíptico, havia uma vertente política da tese: sem a efetivação da reforma agrária, o país nunca alcançaria a plena democracia, pois os grandes proprietários de terra dominavam a vida política nacional e impediam a surgimento de uma sociedade livre. Era repetido como um mantra: o Brasil estava fadado ao fracasso e não teria futuro, caso não houvesse uma reforma agrária.

Os anos se passaram e o caminho do país foi absolutamente distinto. A reforma agrária não ocorreu. O que houve foram distribuições homeopáticas de terra segundo o interesse político dos governos desde 1985, quando foi, inclusive, criado um ministério com este fim. Enquanto os olhos do país estavam voltados para a necessidade de partilhar as grandes propriedades - marca anticapitalista de um país que não admira o lucro e muito menos o sucesso - o Centro-Oeste foi sendo ocupado (e parte da Amazônia), além da revolução tecnológica ocorrida nas áreas já cultivadas do Sul-Sudeste.

O deslocamento de agricultores, capitais e experiência produtiva especialmente para o Centro-Oeste ocorreu sem ter o Estado como elemento propulsor. Foram agricultores com seus próprios recursos que migraram principalmente do Sul para a região. Como é sabido, falava-se desde os anos 30 em marcha para o Oeste, mas nada de prático foi feito. E, quando o Estado resolveu fazer algo, sempre acabou em desastre, como a batalha da borracha, nos anos 1940, ou, trinta anos depois, com as agrovilas, na Amazônia.

O épico deslocamento de agricultores do Sul para o Centro-Oeste até hoje não mereceu dos historiadores um estudo detalhado. De um lado, devido aos preconceitos ideológicos; de outro, pela escassez ou desconhecimento das fontes históricas. Como todo processo de desbravamento não ficou imune às contradições - e isto não ocorreu apenas no Brasil. Foram registrados sérios problemas em relação ao meio ambiente e aos direitos humanos, em grande parte devido à precariedade da presença das instituições estatais na região.

Com a falência do modelo econômico da ditadura, em 1979, e a falta de perspectiva segura para a economia, o que só ocorrerá uma década e meia depois, com o Plano Real, as atenções do debate político ficaram concentradas no tema da reforma agrária, mas de forma abstrata. O centro das discussões era o futuro dos setores secundário e terciário da economia. O campo só fazia parte do debate como o polo atrasado e que necessitava urgentemente de reformas. Contudo, a realidade era muito distinta: estava ocorrendo uma revolução, um fabuloso crescimento da produção, que iria mudar a realidade do país na década seguinte.

Entretanto, no Parlamento, os agricultores não tinham uma representação à altura da sua importância econômica. Alguns que falavam em seu nome ficaram notabilizados pela truculência, reforçando os estereótipos construídos pelos seus adversários. É o que Karl Marx chamou de classe em si e não para si. Os agricultores, na esfera política, não conseguiam (e isto se mantém até os dias atuais) ter uma presença de classe, com uma representação moderna, que defendesse seus interesses e estabelecendo alianças com outros setores da sociedade. Pelo contrário, sempre estiveram, politicamente falando, correndo atrás do prejuízo e buscando alguma solução menos ruim, quando de algum projeto governamental prejudicial à sua atividade.

Hoje, o Brasil é uma potência agrícola, boa parte do saldo positivo da balança comercial é devido à agricultura, a maior parte da população vive no meio urbano, a carestia é coisa do passado, a industrialização acabou (mesmo com percalços) sendo um sucesso, o país alcançou a plena democracia e não foi necessária a reforma agrária. A tese que engessou o debate político brasileiro durante décadas não passou de uma falácia.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

O mito da "nova classe média" 
Fernando de Barros e Silva
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

A "nova classe média brasileira" é uma das expressões mais repetidas por aí. Está em jornais, revistas e TVs, foi incorporada à fala rotineira do país. A campanha de Dilma a tratou com triunfalismo. Mas quem são -ou, antes, o que é exatamente essa nova classe?

Estamos falando de cerca de 95 milhões de pessoas, pouco mais de 50% da população, com renda familiar mensal que varia, grosso modo, entre R$ 1.500 e R$ 5.000. Em torno de 30 milhões de pessoas ascenderam a essa condição nos anos Lula. Sim, isso é ótimo, mas é um erro pensar que essas pessoas pertencem à "nova classe média".

Quem diz é o sociólogo Jessé Souza, que as chama de "batalhadoras". Em entrevista à Folha, no domingo, ele lembrou que a noção de classe social não pode se restringir à distribuição estatística da renda. E, disse, com muita razão, que em sociedades desiguais, como a brasileira, a classe média "é uma das classes dominantes porque é constituída pelo acesso privilegiado a um recurso escasso de extrema importância: o capital cultural".

Pense na sua formação, na remuneração e prestígio social a ela relacionados; pense na sua rede de relações pessoais e no colchão social que ela representa; pense no tempo que você teve para estudar (e viajar e vadiar) antes de começar a trabalhar; pense, ainda, na escola particular e no plano privado de saúde.

Os "batalhadores", diz Jessé, na sua esmagadora maioria estudam em escolas públicas de baixa qualidade e trabalham desde cedo, fazendo dupla jornada. A universidade como meta entrou há poucos anos no horizonte dessas pessoas. Se contraem uma doença mais séria, em geral são reféns do SUS.

Sem ignorar a precariedade dos serviços públicos, a rotina extremamente sacrificada e a superexploração do trabalho dessas pessoas que já não são "pobres", essa análise compõe um quadro menos idílico dos avanços e da coesão social do país. Falta muito chão para isso virar uma "middle-class society".

PUPUTA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Sem choradeira
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

Não bastasse o esforço para enquadrar os aliados na votação do salário mínimo, amanhã, o Planalto prepara um cerco aos ocupantes da Esplanada, que em breve tomarão ciência do detalhamento do anunciado corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011. A ideia, discutida ontem na reunião de coordenação do governo, é que os ministros sofram calados.
Nem todos, porém, poderão ser colocados sob a lei do silêncio. Já existe mobilização para que Dilma Rousseff seja questionada sobre o tema no Fórum de Governadores do Nordeste, que tem encontro marcado para a próxima segunda-feira em Aracaju.

A ver 
De Marcelo Déda (PT-SE), anfitrião do fórum: "Estamos vivendo uma ansiedade com os cortes anunciados. Não sabemos sobre que itens do Orçamento eles vão incidir, que programas vão atingir nos ministérios onde nós temos nossa agenda cotidiana em Brasília. São esses os detalhes que nos deixam em total ansiedade".

Veja bem 
Repercutiu mal no Planalto a declaração do deputado Vicentinho (PT), relator do projeto que reajusta o salário mínimo, de que "seria bom" se houvesse negociação para antecipar parte do aumento previsto para 2012. Na reunião de coordenação do governo, ontem, ele foi bombardeado. Coube ao líder governista na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), esfriar os ânimos.

Para registro
Dirigentes de partidos aliados não digeriram bem a ameaça de Vaccarezza contra eventuais dissidências na votação. Avaliam que as palavras do petista "só serviram para constranger" a base.

Enviado 
O governo pediu ao secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, que fique à disposição dos partidos hoje para tratar do mínimo. Na véspera da votação, as bancadas buscam "argumentos técnicos" que ajudem a sustentar os R$ 545 defendidos por Dilma.

Classificados 

Ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG) recebeu convite para trabalhar na TIM. Ele ainda prospecta vaga no governo Dilma. Mas não descarta a hipótese de ir para a iniciativa privada.

Muita calma Enquanto o PT paulistano rechaçou qualquer alinhamento a Gilberto Kassab (DEM), a direção estadual petista, reunida ontem, decidiu "avaliar melhor" o destino político do prefeito da capital. Em documento que deve ser aprovado no sábado, defende a composição de um novo campo político com o PMDB.

Santo de casa 
Enquanto persiste o impasse sobre a criação das regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Sorocaba, propostas pelo PT, Geraldo Alckmin anunciará hoje o envio de projeto à Assembleia que regulamenta o "aglomerado urbano" de Jundiaí, administrada pelo PSDB há 20 anos. O texto dá tratamento diferenciado na captação de verbas às cidades do seu entorno.

Reciclagem 
Renato Viegas, ex-diretor do Metrô, assume a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano). A estatal terá em seu conselho de administração nomes como José Goldenberg, Marcos Mendonça, Miguel Bucalem, Regina Meyer e Frederico Bussinger.

Antena 

Depois da polêmica contratação da Fundac para produzir o conteúdo da TV legislativa por nove meses, a Assembleia paulista e a Câmara de SP criaram ontem grupo de trabalho que terá como objetivo definir o "melhor modelo" para gestão do canal compartilhado.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

Não é só no aumento dos apagões que os petistas se destacam. Eles também aproveitam o apagar das luzes para adotar medidas que passaram a vida criticando.
DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DUARTE NOGUEIRA (SP), sobre a orientação do Ministério da Educação contrária à reprovação de alunos no ciclo básico.

contraponto

#tetrafeelings


Um grupo de deputados discutia dias atrás a expressiva quantidade de votos em branco registrada na eleição para os postos da Mesa Diretora da Câmara. Em busca de uma explicação para o fenômeno, o primeiro-secretário, Eduardo Gomes (PSDB-TO), apontou para o colega e ex-craque que circulava pelo plenário:
-O problema está ali. As pessoas se confundiram. Em vez de votar no Romário, optaram pelo Branco. Os dois foram muito bons de bola.

ANCELMO GÓIS

O novo Canecão
ANCELMO GÓIS
O  GLOBO - 15/02/11

O lugar onde funcionou o Canecão vai voltar a abrigar grandes shows de música. A UFRJ, dona do imóvel, procura um caminho legal para que isto ocorra. A decisão foi anunciada domingo à noite pelo reitor Aloísio Teixeira em reunião com professores da universidade e profissionais ligados à atividade artística do Rio. 

Mas...
A casa de espetáculos terá outro nome. É que o título Canecão pertence ao antigo proprietário, Mário Priolli. 

Estado paralelo

Líderes comunitários das favelas de Santa Teresa e do Morro de São Carlos, que ganharam UPPs, procuraram Rodrigo Neves, secretário de Assistência Social de Sérgio Cabral. Estavam preocupados com 300 famílias que recebiam cestas básicas... do tráfico.

Lula em Manhattan
Dia 13 de maio, o filme “Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, estreia em seis cinemas de Nova York. 

Almoço

Dilma recebeu ontem para almoço os empresários Otávio e Luís Frias do jornal “Folha de S Paulo”

No mais
Além de um craque fenomenal, Ronaldo é uma pessoa querida e digna. A turma da coluna deseja a ele muitas vitórias nesta nova fase.

Livro de Falabella
Miguel Falabella, o ator e diretor, assinou contrato com a editora portuguesa Leya para lançar, ainda no primeiro semestre, uma seleção de seus principais textos nos últimos dez anos. O livro deve sair em abril pelo selo Lua de Papel.

Pochmann fica
Dilma não vai trocar o comando do Ipea, hoje nas mãos do economista Márcio Pochmann. A saída de Pochmann foi especulada por causa da vinculação do órgão ao ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Cerveja no fogo

A Skol, por causa do incêndio na Cidade do Samba, suspendeu um comercial de carnaval que mostrava um tonel da cerveja perto de uma alegoria de dragão, que cuspia fogo. Os personagens se chamuscavam ao salvar a cerveja e eram confundidos com mulatas.

Com todo o respeito
O governador de Roraima foi cassado porque usou uma rádio do governo na campanha. Parece um exagero diante do que se viu Lula fazer por seus candidatos na última eleição.

Como diria Stanislaw Ponte Preta, “ou restaura-se a moralidade, ou todos se locupletam”. 

Na chapa de Renaldo Bussiere, as-sumiu a diretoria da Escola de Notários e Registradores do Rio de Janeiro José Antonio Teixeira Marcondes, titular do 5º RGI da Capital.

A galeria do século XIX do MNBA será reaberta ao público dia 18.

Hoje, no Rio Scenarium, será lan-çado manual na festa “Sem medo de ser feliz”, do site Solteiros e Solteiras.

O designer Jair de Souza está na cu-radoria do TEDxRio, hoje, no Vivo Rio.

Cacau Medeiros é um dos responsáveis pelo enredo da Beija-Flor, sobre Roberto Carlos.

CasaShopping sedia o seminário Casa Brasil, quinta, no Espaço Casa.

Chapelaria Alberto faz 118 anos.

Nilze Carvalho lança seu novo CD, quinta, no Lapinha, na Lapa.

Rio 2014 e 2016

Hoje, Sérgio Cabral e Eduardo Paes se reúnem com Dilma no Palácio do Planalto. Na pauta, as Olimpíadas de 2016 e a Copa de 2014.

Segue...

Dilma, Cabral e Paes têm de estar afinados em relação às Olimpíadas. Afinal, à Autoridade Pública Olímpica (APO), que deve ser comandada pelo ex-presidente do BC Henrique Meirelles, cabe coordenar os investimentos do governo federal, mas também os do Estado e os da prefeitura. 

Retratos da vida

Waldir Onofre, 75 anos, o cineasta e ator, diretor de “As aventuras amorosas de um padeiro” (1975) e coadjuvante, entre outros, de Sônia Braga em “A dama do lotação” (1978), está desaparecido. Portador de Alzheimer, perdeu-se ao sair de casa, em Campo Grande, no Rio.

Baixou as portas

Fechou a Hobbylândia, loja tradicional de brinquedos que funcionava no Edifício Avenida Central, no Centro do Rio. No lugar, vai abrir uma loja de computadores.

Chame o Dicró!
Já se ouviu falar de atraso de noiva, de noivo e até de padre. Mas, sábado, um casamento marcado para 18h30m na Igreja de N. S. das Dores, em Niterói, só começou às 20h30m por causa do atraso da... sogra da noiva. É que o noivo esperava a mãe sair do salão de beleza. Quando, enfim, chegou com a “atrasilda”, o padre, já impaciente, celebrou a cerimônia em 15 minutos.

GOSTOSA

ARNALDO JABOR

Egito: a revolução sem líderes

ARNALDO JABOR
O ESTADO DE SÃO PAULO - 15/02/11


Estou no Egito, em 1995. Arrasto-me por dentro de um túnel estreito, em direção ao remoto fundo da pirâmide, o túmulo de Quefrem. São 50 metros a percorrer nesse buraco de tatu milenar.

Um mendigo rasteja atrás de mim gemendo "batkisk, batkish!" - que quer dizer "esmola". Sou tomado pelo pânico da morte, mas não tenho volta. Há que se rojar na pedra suja até a cripta do faraó, com o coração disparado, o suor frio na alma, o terror de não ter escape a não ser cair no túmulo do rei, lugar onde a morte se abrigou há 4.000 anos.

O mendigo me implorava ajuda até quando chegamos à cripta vazia: "Batkish"! Eu e o mendigo me olhando no buraco do fim. Ele rosnava uns lamentos melódicos e eu pensei que fosse enlouquecer, mas fui salvo por uns norte-americanos, que chegaram bufando do túnel.
A sensação de pequenez, de insignificância, era letal, debaixo de milhões de toneladas de pedras amontoadas.

Eu me sentia uma metáfora da vida de hoje, arrastando-me para longe da miséria, em busca de uma revelação frustrada na tumba e na vida - não havia luz no fim do túnel.

Voltei de quatro como um verme para o deserto e minha angústia aumentou quando saí ao sol e vi (juro que é verdade) um pobre cameleiro de camisola suja e com um boné do Banco do Brasil na cabeça que me sorriu: "Brasil? Bebeto e Romário".

O irreal me tomou de vez, quase desmaiei entre camelos, na vertigem de fatos simultâneos, tudo ao mesmo tempo sem linearidade, sem continuidade: Bebeto, Romário, Quefrem e a Esfinge me olhando. Não havia tesouros ou resposta e me senti como o mendigo, pedindo a esmola de algum sentido.

Em torno das pirâmides, vivi o Egito bem antes do 11 de Setembro, antes da internet e das redes sociais. Eu vi o Egito como o grande museu de uma paralítica sociedade, as casas do Cairo com o lixo no teto, os gritos dos "muezzins" nas mesquitas, os rostos da miséria, a zona geral do país sem rumo sob a ditadura; eu vi a espantosa civilização de milênios no Vale dos Reis seis meses antes de um grupo terrorista degolar 60 turistas alemães em frente à casa da faraó-mulher Hatshepsut, onde estive.

Eu fui ao templo de Ramsés II em Abu Simbel, e vi sua mulher, Nefertari, num baixo-relevo rendado e vi que era a Naomi Campbell, uma núbia negra, deslumbrante, e tudo começou a pesar na minha cabeça, tudo misturado, a manequim de 4.000 anos, o milênio junto com a modernidade, e tudo pesou como uma pedra que cresce e me lembrei do conto de Camus com esse nome, "A Pedra que Cresce", no Brasil, Iguape, onde se passa o relato misterioso de uma situação absurda e reveladora.

REVOLUÇÃO ONLINE

Foi aí que, nesse exato momento do texto que você lê, caro leitor, chegou-me a notícia de que o Mubarak tinha renunciado. E dos milênios antes de Cristo, pulei para 2011.
Na TV, milhões de pessoas celebram o feito extraordinário: um povo sem líderes fez uma revolução sozinho e, sem lênins ou guevaras, mudou a história de 6.000 anos.

Há muito tempo esperamos uma boa notícia, alguma imagem de vitória, neste mundo empacado em impasses, no Oriente, na crise financeira na América e Europa, na falta de solução para o terror. E, de repente, essa notícia gloriosa diante de mim. Creio que a visão de uma revolução ao vivo, online, vai influir muito além do Oriente Médio; talvez chegue até aqui perto, para temor de tiranetes vagabundos como Chávez ou guerreiros gagás como Fidel.

Volto a dizer: no Egito e Tunísia, o "novo" foi uma vitória sem líderes. A revolta e a luta vieram de dentro dos corpos, insuflados por um grande ser sem nome, que vive e respira dentro das redes sociais, na internet - a sociedade não está mais sozinha, há um link entre os cidadãos do mundo.

A tecnociência nos trouxe, sem querer, uma porosidade política que vai estreitar o abismo entre o Estado e a sociedade. O poder não deterá o mesmo "poder" de antes. Não mais a "democracia" de invasão que os Estados Unidos tentaram impor ao Iraque e ao Afeganistão.

Claro que já começam as questões: quem vai organizar o regime, será que os islamitas vão dominar o processo? Ninguém sabe, como ninguém sabia também que isso aconteceria no Egito e na Tunísia.

E esse é um desafio mais profundo: a mutante e veloz aprendizagem das massas, a multiplicação infinita dos desejos sociais e individuais. Já percebemos que, diante dessa novidade, só dispomos de fórmulas políticas lentas, que não sabem acolher as rapidíssimas mutações. Essa mistura de demandas e de fatos novos esbarram no arcaísmo de instituições analógicas para populações da era digital.

Comparem a leveza eufórica dos revoltosos com a resistência do atraso nos EUA, do ódio careta dos republicanos que querem impedir ferozmente que Obama reforme a saúde, combata o desemprego e diminua os impostos para os pobres.

Vejam a obtusidade dos escravos de Hugo Chávez, ou a bovina sujeição de pobres diabos a senhores feudais, no grande "maranhão" que querem para o Brasil.

Quando as informações circularem mais e mais na cabeça dos povos, vai ficar difícil a impunidade eterna dos canalhas.

A tecnociência cria novas formas de liberdade social.

Enquanto filósofos puros quebram a cabeça para evitar a "des-humanização" da vida, enquanto procuram um nexo racional de salvação, pode ser que respostas inesperadas sejam "pensadas" sozinhas nos trilhões de sinapses dos computadores.

Pode até acontecer que essa explosão de liberdade árabe, essa festa na velocidade da luz provoque conflitos até mais duros, com Israel por exemplo; mas, mesmo assim, a verdade será bem-vinda, porque é melhor a roda da história girando do que esta época encalacrada em que vivemos.

Democracia empurrada pela garganta dos países árabes ou a aliança de paz espúria com ditadores vão agonizar e morrer. Mesmo que haja desgraças e catástrofes políticas, creio que a verdade da tragédia é melhor do que a continuação dessa ópera bufa.

CHOCADEIRA

MÔNICA BERGAMO

Ronaldo e a mulher, Bia
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

Sempre discreta, Bia Antony, mulher de Ronaldo, falou ontem com a coluna sobre a despedida do craque. Segundo ela, a decisão de tirar o time de campo já tinha sido tomada pelo jogador há muito tempo -faltava algo "de impacto" para que ele tivesse coragem de dar o passo final. "Ele saiu daqui de casa agora emocionado", afirmou ela horas antes de o craque dar uma entrevista oficializando a sua aposentadoria.

Folha - Como Ronaldo tomou essa decisão? Ele te consultou, vocês conversaram? Bia Antony - Foi uma atitude muito pensada, bastante conversada. Tudo o que eu estou sentindo eu coloquei no Twitter (na página, ela pede que Deus esteja sempre com o jogador e agradece aos que sempre estiveram ao seu lado "na alegria, na tristeza, na saúde e nas lesões").

Você acha que era o melhor a ser feito?
Eu estou sempre do lado dele, para o que der e vier.

As críticas dos torcedores corintianos depois da derrota para o Tolima na pré-Libertadores foram decisivas para que ele deixasse o campo?
De jeito nenhum. Isso foi uma pequena parcela.

As críticas incomodaram a família? Amigos dizem que vocês se sentiram invadidos.
Eu não vejo esse tipo de mídia. Eu não leio, eu não me alimento disso aí que as pessoas têm falado tanto. O que eu posso dizer é que essa decisão [de Ronaldo aposentar as chuteiras] vinha sendo construída.

Sim, ele já falava há tempos que se aposentaria no fim de 2011. Mas essa confusão não foi a gota d'água?

Ele precisava, de uma certa forma, de algo impactante para ter coragem de dar esse passo final. Ele precisava de algo como não ter a Libertadores, de uma coisa grande assim para tomar a decisão. E aconteceu agora.

Como ele está?

Ele está bem. Ele saiu daqui de casa agora emocionado. Ele tem um senso de equipe muito, muito grande. Uma preocupação muito grande com o outro. Então ele saiu daqui como um garotinho que vai se despedir de seus coleguinhas de escola.

BIA DISSE

"Ele precisava de alo impactante para ter coragem de dar esse passo final"

MARCHA LENTA
A venda de cimento no país, que vinha crescendo em ritmo acelerado na década, em especial em 2010, registrou queda em janeiro. Um dos termômetros mais precisos da economia, já que o material é usado tanto em grandes obras como naquela "formiguinha", em que o consumidor amplia seu próprio imóvel, a comercialização sofreu retração de 2,3%.

CORTE
A queda maior foi verificada na região Norte: 12,1%. No Nordeste a queda foi de 2,4%; no Centro-Oeste, de 4% e no Sudeste, de 1,3%. Só a região Sul manteve a alta: crescimento de 0,2% nas vendas em relação a dezembro de 2010.

REFLETOR

Ainda assim, o volume de cimento comercializado foi 33,6% maior que o de janeiro do ano passado.

REINCIDÊNCIA
Os fabricantes do creme Ferodelle Seios serão novamente notificados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por prometerem que o produto aumenta os seios. O creme foi registrado como hidratante e firmador de pele. A propaganda foi interrompida, mas eles mantiveram na internet uma "advertência" de que 70% das mulheres que usaram o cosmético observaram aumento dos seios. Para a Anvisa, o aviso é "ilegal".

OUTRO LADO
Em nota, a Quadrifarma afirma ter "respondido integralmente dentro do prazo" a determinação da Anvisa e que "desconhece a existência de nova notificação".

CÁLCULO

José Serra resiste em ser candidato a prefeito, pois está convencido de que, ganhando ou perdendo, ficará inviabilizado como candidato à Presidência, sonho que ainda alimenta.

SEM RESERVAS

O secretário estadual da Saúde, Giovanni Cerri, reagiu à representação que entidades como o Idec e o sindicato dos médicos devem protocolar hoje no Ministério Público contra a lei que permite que hospitais públicos de SP destinem 25% dos atendimentos a planos de saúde. Diz que a medida não significa reserva de leitos. "Não haverá retenção de vagas, e sim cobrança do atendimento dessas pessoas." Afirma que a secretaria já gasta R$ 468 milhões por ano com os serviços que são prestados a clientes dos convênios.

CAPITÃO DA MATA
O ator Wagner Moura vai dirigir o próximo clipe da cantora Vanessa da Mata, "Te Amo". A gravação será no dia 28, no Rio.

PAISAGEM
Sócios do Palmeiras levaram em média 1h30 para votar no sábado, em São Paulo, nas eleições para o conselho vitalício do clube. O ex-presidente Mustafá Contursi ficou na fila o tempo todo. E foi interpelado por vários eleitores. "Estamos numa festa, olha que lindo, uma confraternização", dizia. Sem convencer muita gente.

MAIS RONALDO
Os corintianos podem dormir tranquilos: a Hypermarcas, que passou a patrocinar o clube depois que Ronaldo foi integrado ao time, vai ficar com o Timão pelo menos até maio de 2012, quando termina o Paulistão.

MAIS RONALDO 2
Já a situação de Ronaldo, também apoiado pela empresa, será reavaliada. A ideia da Hypermarcas é refazer o acordo e patrociná-lo como celebridade.

CASA NOVA

E o craque enfim resolveu os problemas do "habite-se" com a prefeitura e já se mudou para a casa do Jardim Europa que comprou de Pedro Paulo Diniz. Sua cobertura em Higienópolis foi colocada à venda.

TODOS IGUAIS
Os atores Blota Filho e Daniel Alvim foram à estreia da peça "Igual a Você". Rosi Campos e Patrícia Gaspar também estiveram no teatro Raul Cortez. Após a apresentação, o elenco da peça -Camila Morgado, Anderson Muller, Bia Nunnes- e o diretor Ernesto Piccolo foram jantar nos Jardins.

CURTO-CIRCUITO

José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão fazem amanhã, às 18h30, sessão de autógrafos do livro "Realidade Re-Vista", na Livraria Cultura do shopping Market Place.

A Faap inaugura hoje a mostra "Marcas do Expressionismo", com curadoria de José Luiz Hernández Alfonso.

A Daslu apresenta a coleção de inverno com desfile, hoje, às 17h, na Villa Daslu.

O livro "Um Sábado no Paraíso do Swing" será lançado hoje, às 19h, no Melograno, na rua Aspicuelta.

Cristina Nudelman realiza hoje o Bride's Day, na Pandemonium, na rua Augusta.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

DORA KRAMER

Cessão de direitos
DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 15/02/11


No governo o que se diz com absoluta convicção é que o valor do salário mínimo fica em R$ 545 e não tem discussão. Ao mesmo tempo circulam versões de que na última hora, havendo dificuldades para aprovação, haveria um plano B pelo qual o governo aceitaria conceder R$ 560.

As pessoas vão falando certas coisas, pelo jeito, sem pensar, dada a ausência de lógica naquilo que é dito. É verdade que sempre houve uma margem para negociações de emergência, mas, da maneira como as coisas foram encaminhadas desta vez e de acordo com os valores citados, não faz sentido.

Não é possível que o Palácio do Planalto tenha em mente fechar negócio justamente nos termos propostos pelas centrais sindicais e apoiados por uma parcela dos parlamentares de oposição.

Sem considerar as contas, levando em conta só a política, salário mínimo de R$ 560 significa uma derrota logo no primeiro embate legislativo do governo Dilma Rousseff.

Se a ideia fosse atender às centrais no pedido de antecipação do reajuste de 2012 - feito com base em um resultado do PIB muito melhor que o que sustenta o atual reajuste - não teria sido necessário o distanciamento do governo nem a reprimenda aos "oportunistas", feita por Lula em reação às grosserias do presidente da CUT e deputado Paulo Pereira da Silva.

Teriam se entendido desde o início. Ou pelo menos teria sido mantida aberta uma brecha para entendimento, de modo a que o Planalto capitalizasse o ganho.

O governo não ganha nada endurecendo com as centrais, jogando duro com a "base", avisando que considerará "dissidentes" os que não votarem a proposta tal como está no projeto de lei para depois recuar, fazendo exatamente o que disse desde o início que não faria.

A antecipação, no dizer do governo, seria uma concessão perigosa, pois no ano que vem dificilmente as centrais concordariam em considerar o aumento com o desconto do valor antecipado, reivindicando negociar o novo mínimo a partir do patamar mais alto em relação à política de reajustes com base no PIB dos dois anos anteriores, mais a inflação do período.

A alteração do valor poria abaixo os termos da política firmada em 2007 e incluída no projeto de lei deste ano. Equivaleria a sinalizar fragilidade do governo na execução de acordos anteriormente firmados e aceitação da quebra do princípio.

Na prática o controle passaria às centrais, que teriam bem mais que uma vitória circunstancial para comemorar.

O fator de negociação, pela disposição exibida no Planalto, seria a correção da tabela do Imposto de Renda para 2011.

Pelas contas oficiais, os votos dos governistas são mais que suficientes, já que a votação é por maioria simples e os partidos da "base" não têm o menor interesse em uma confrontação dessa dimensão com Dilma Rousseff quando ainda nem se completam dois meses de governo.

E principalmente quando ainda há vagas abertas na administração federal.

Lotação completa. O prefeito de São Paulo se acerta com o PMDB, mas conversa também com o PSB. Diz que, saindo do DEM, quer garantias para comandar a sucessão municipal em 2012.

Michel Temer já avisa que no PMDB não é possível. Gilberto Kassab pode dar palpite, mas não pode bancar o jogo e dar as cartas todas.

No PSB esse comando também fica difícil, já que o deputado Gabriel Chalita quando deixou o PSDB para se filiar ao partido o fez na condição de ter a legenda para concorrer à prefeitura paulistana.

Ademais, Chalita é homem forte do governo Geraldo Alckmin, com quem Kassab cultiva amistosa relação de conflitos que nenhum dos dois parece particularmente interessado em dissolver.

Quarentena. Depois do "incidente de Furnas", o notório Eduardo Cunha, deputado federal, foi aconselhado pela direção do PMDB a deixar de ser tão notório e calar até aprender a se comportar como uma pessoa razoavelmente civilizada.

GOSTOSA